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Márcio André Lopes Cavalcante

Processos excluídos deste informativo esquematizado por não terem sido concluídos em virtude de pedidos de vista: MI
4367 AgR/DF; RE 422349/RS; RE 603580/RJ.

Julgados excluídos por terem menor relevância para concursos públicos ou por terem sido decididos com base em
peculiaridades do caso concreto: RvC 5437/RO; AR 1699/DF; Inq 3552 QO/RS; AP 347/CE; HC 121089/AP.

ÍNDICE
DIREITO CONSTITUCIONAL
AMICUS CURIAE
 Recurso contra decisão que nega intervenção de amicus curiae.

ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE


MEDIDAS SOCIOEDUCATIVAS
 Impossibilidade de privação da liberdade em caso da prática de ato infracional equiparado ao art. 28 da LD.

DIREITO PENAL
MAUS ANTECEDENTES (DOSIMETRIA DA PENA)
 Inquéritos policiais e ações penais sem trânsito em julgado.

DIREITO PROCESSUAL PENAL


NULIDADES
 Mandado de busca e apreensão com endereço incorreto.

FIXAÇÃO DO VALOR MÍNIMO PARA REPARAÇÃO DOS DANOS (ART. 387, IV DO CPP)
 O inciso IV do art. 387 do CPP não pode ser aplicado a fatos anteriores à Lei 11.719/2008.

REVISÃO CRIMINAL
 Impossibilidade de reiteração de teses já apreciadas no processo originário.

PROGRESSÃO DE REGIME (EXECUÇÃO PENAL)


 O § 4º do art. 33 do CP é constitucional.

DIREITO PENAL E PROCESSUAL PENAL MILITAR


DOSIMETRIA DA PENA
 Culpabilidade e consequências do crime podem ser utilizadas na sentença na dosimetria da pena

DIREITO INTERNACIONAL
EXTRADIÇÃO
 Pedido de extradição formulado com base em terrorismo.

Informativo 772-STF (03/02/2015) – Esquematizado por Márcio André Lopes Cavalcante | 1


DIREITO CONSTITUCIONAL

AMICUS CURIAE
Recurso contra decisão que nega intervenção de amicus curiae

O amicus pode recorrer contra a decisão proferida?


NÃO. Em regra, o amicus curiae não pode recorrer porque não é parte. Não pode nem mesmo
opor embargos de declaração.
Exceção: o amicus curiae pode recorrer, interpondo agravo regimental, contra a decisão do
Relator que inadmitir sua participação no processo.
Obs.: a decisão (“despacho”) que admite a participação do amicus curiae no processo é
irrecorrível.
STF. Plenário. ADI 5022 AgR/RO, Rel. Min. Celso de Mello, julgado em 18/12/2014 (Info 772).

CONCEITO E FINALIDADE
Amicus curiae é alguém que, mesmo sem ser parte, em razão de sua representatividade, é chamado ou se
oferece para intervir em processo relevante com o objetivo de apresentar ao Tribunal a sua opinião sobre
o debate que está sendo travado nos autos, fazendo com que a discussão seja amplificada e o órgão
julgador possa ter mais elementos para decidir de forma legítima.

NOMENCLATURA
Amicus curiae, em uma tradução literal do latim, significa “amigo da corte” ou “amigo do tribunal”. Obs.:
amici curiae é o plural de amicus curiae.

ORIGEM
Alguns autores afirmam que esta figura surgiu no direito processual penal inglês, enquanto outros
identificam uma origem mais remota, lembrando que havia figura assemelhada no direito romano
(Marcelo Novelino).

NATUREZA JURÍDICA
Existe muita polêmica sobre este ponto, mas prevalece, entre os Ministros do STF, que o amicus curiae é
uma forma de intervenção anômala de terceiros.

PREVISÃO DO AMICUS NO CASO DE ADI E ADC


Vale a pena destacar a previsão da Lei nº 9.868/99 (ADI / ADC), que é a mais cobrada:
Art. 7º Não se admitirá intervenção de terceiros no processo de ação direta de inconstitucionalidade.
§ 2º O relator, considerando a relevância da matéria e a representatividade dos postulantes, poderá, por
despacho irrecorrível, admitir, observado o prazo fixado no parágrafo anterior, a manifestação de outros
órgãos ou entidades.

Como se vê, em regra, não é admitida a intervenção de terceiros nos processos de ADI e ADC, sendo,
contudo, permitida a participação do amicus curiae, que é uma intervenção anômala.

RECURSOS
Recursos cabíveis contra a decisão do Relator sobre a participação do amicus:
• contra a decisão (“despacho”) que admite a participação do amicus: não há recurso cabível.
• contra a decisão que inadmite a participação do amicus: cabe agravo regimental.

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FORMALIZAÇÃO DA PARTICIPAÇÃO DO AMICUS CURIAE
O amicus curiae pode ser convocado, de ofício, pelo Tribunal, ou, então, pleitear sua participação no
processo.
O STF já decidiu que o pedido de admissão do amicus curiae deve ser assinado por advogado constituído,
sob pena de não ser conhecido (ADPF 180/SP).

O amicus curiae não poderá intervir se o processo já foi liberado pelo Relator para que seja incluído na
pauta de julgamentos (STF. Plenário. ADI 5104 MC/DF, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 21/5/2014.
Info 747).

PODERES DO AMICUS CURIAE

O amicus pode apresentar memoriais? SIM.

O amicus pode aditar o pedido contido na inicial?


NÃO. O amicus curiae, uma vez admitido seu ingresso no processo objetivo, tem direito a ter seus
argumentos apreciados pelo Tribunal, inclusive com direito a sustentação oral, mas NÃO TEM direito a
formular pedido ou de aditar o pedido já delimitado pelo autor da ação (AC 1362 / MG).

O amicus tem direito de fazer sustentação oral?


• Nos processos perante o STF: SIM. Para o STF, o amicus curiae, uma vez formalmente admitido no
processo tem o direito de fazer sustentação oral (ADI 2777/SP).
• Nos processos perante o STJ: NÃO. A Corte Especial do STJ definiu, em Questão de Ordem examinada no
REsp 1.205.946/SP (Rel. Min. Benedito Gonçalves, sessão de 17.8.2011), que o amicus curiae NÃO TEM
direito à sustentação oral. Excepcionalmente, o STJ poderá convocá-lo para sustentação oral se assim
entender necessário.

O amicus pode recorrer contra a decisão proferida?


NÃO. O amicus curiae não pode recorrer porque não é parte. Não pode nem mesmo opor embargos de
declaração. Essa é a posição do STF (ADI 3615 ED/PB, rel. Min. Cármen Lúcia, 17.3.2008).
Vale ressaltar, no entanto, que o amicus curiae pode recorrer, interpondo agravo regimental, contra a
decisão do Relator que inadmitir sua participação no processo.

ECA
MEDIDAS SOCIOEDUCATIVAS
Impossibilidade de privação da liberdade em caso da prática
de ato infracional equiparado ao art. 28 da LD

Não é possível aplicar nenhuma medida socioeducativa que prive a liberdade do adolescente
(internação ou semiliberdade) caso ele tenha praticado um ato infracional análogo ao delito
do art. 28 da Lei de Drogas. Isso porque o art. 28 da Lei 11.343/2006 não prevê a possibilidade
de penas privativas de liberdade caso um adulto cometa esse crime. Ora, se nem mesmo a
pessoa maior de idade poderá ser presa por conta da prática do art. 28 da LD, com maior razão
não se pode impor a restrição da liberdade para o adolescente que incidir nessa conduta.
STF. 1ª Turma. HC 119160/SP, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 9/4/2014 (Info 742).
STF. 2ª Turma. HC 124682/SP, Rel. Min. Celso de Mello, julgado em 16/12/2014 (Info 772).

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Imagine a seguinte situação:
Igor, 17 anos de idade, foi apreendido pela polícia com pequena quantidade de maconha, que seria
utilizada para o próprio consumo.
O Ministério Público ofereceu representação imputando ao adolescente a prática do ato infracional
equiparado ao art. 28 da Lei n. 11.343/2006 e propondo a aplicação da medida socioeducativa (art. 182
do ECA).
A “representação” de que trata o ECA é semelhante à “denúncia” no processo penal.
A representação será oferecida por petição, que conterá o breve resumo dos fatos e a classificação do ato
infracional e, quando necessário, o rol de testemunhas, podendo ser deduzida oralmente, em sessão diária
instalada pela autoridade judiciária (§ 1º do art. 182).

Sentença
Após toda a instrução, o juiz proferiu sentença aplicando ao adolescente medida socioeducativa de
semiliberdade.
Ao fundamentar a decisão, o magistrado afirmou que a medida era necessária porque Igor já havia
cometido outras infrações graves antes daquela, além de já ter em seu histórico o relato de
descumprimento de outras medidas socioeducativas anteriormente impostas.

A decisão do magistrado foi acertada? No caso concreto, era possível aplicar ao adolescente uma
medida socioeducativa que o priva da sua liberdade?
NÃO. Não é possível aplicar nenhuma medida socioeducativa que prive a liberdade do adolescente
(internação ou semiliberdade) caso ele tenha praticado um ato infracional análogo ao delito do art. 28 da
Lei de Drogas. Isso porque o art. 28 da Lei n. 11.343/2006 não prevê a possibilidade de penas privativas
de liberdade caso um adulto cometa esse crime. Ora, se nem mesmo a pessoa maior de idade poderá ser
presa por conta da prática do art. 28 da LD, com maior razão não se pode impor a restrição da liberdade
para o adolescente que incidir nessa conduta.
Veja as sanções previstas para o art. 28;
Art. 28. Quem adquirir, guardar, tiver em depósito, transportar ou trouxer consigo, para consumo pessoal,
drogas sem autorização ou em desacordo com determinação legal ou regulamentar será submetido às
seguintes penas:
I - advertência sobre os efeitos das drogas;
II - prestação de serviços à comunidade;
III - medida educativa de comparecimento a programa ou curso educativo.

Quais são as medidas socioeducativas que implicam privação de liberdade?


 Semiliberdade;
 Internação.

Semiliberdade (art. 120 do ECA)


Pelo regime da semiliberdade, o adolescente realiza atividades externas durante o dia, sob supervisão de
equipe multidisciplinar, e fica recolhido à noite.
O regime de semiliberdade pode ser determinado como medida inicial imposta pelo juiz ao adolescente
infrator, ou como forma de transição para o meio aberto (uma espécie de “progressão”).

Internação (arts. 121 e 122 do ECA)


Por esse regime, o adolescente fica recolhido na unidade de internação.
A internação constitui medida privativa da liberdade e se sujeita aos princípios de brevidade,
excepcionalidade e respeito à condição peculiar de pessoa em desenvolvimento.
Pode ser permitida a realização de atividades externas, a critério da equipe técnica da entidade, salvo
expressa determinação judicial em contrário.
A medida não comporta prazo determinado, devendo sua manutenção ser reavaliada, mediante decisão
fundamentada, no máximo a cada seis meses.
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Em nenhuma hipótese o período máximo de internação excederá a três anos.
Se o interno completar 21 anos, deverá ser obrigatoriamente liberado, encerrando o regime de
internação.

O juiz somente pode aplicar a medida de internação ao adolescente infrator nas hipóteses taxativamente
previstas no art. 122 do ECA, pois a segregação do adolescente é medida de exceção, devendo ser aplicada
e mantida somente quando evidenciada sua necessidade, em observância ao espírito do Estatuto, que visa
à reintegração do menor à sociedade (STJ HC 213778).

Veja a redação do art. 122 do ECA:


Art. 122. A medida de internação só poderá ser aplicada quando:
I - tratar-se de ato infracional cometido mediante grave ameaça ou violência a pessoa;
II - por reiteração no cometimento de outras infrações graves;
III - por descumprimento reiterado e injustificável da medida anteriormente imposta.

Vale ressaltar, conforme vimos acima, que, no caso do art. 28 da LD não é possível aplicar a medida de
internação ou de semiliberdade nem mesmo em caso de reiteração de infrações (inciso II) ou de
descumprimento de medidas anteriormente aplicadas (inciso III).

Logo, se o adolescente praticar um ato infracional equiparado ao art. 28 da LD, somente poderá receber:
 Medidas protetivas (arts. 101, I a VI, do ECA);
 Advertência (art. 115);
 Prestação de serviços à comunidade (art. 117);
 Liberdade assistida (art. 118).

DIREITO PENAL

MAUS ANTECEDENTES (DOSIMETRIA DA PENA)


Inquéritos policiais e ações penais sem trânsito em julgado

Importante!!!
A existência de inquéritos policiais ou de ações penais sem trânsito em julgado não podem ser
considerados como maus antecedentes para fins de dosimetria da pena.
STF. Plenário. RE 591054/SC, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 17/12/2014 (Info 772).

Critério trifásico
A dosimetria da pena na sentença obedece a um critério trifásico:
1º passo: o juiz calcula a pena-base de acordo com as circunstâncias judiciais do art. 59, CP;
2º passo: o juiz aplica as agravantes e atenuantes;
3º passo: o juiz aplica as causas de aumento e de diminuição.

Este critério trifásico, elaborado por Nelson Hungria, foi adotado pelo Código Penal, sendo consagrado
pela jurisprudência pátria (STJ. 6ª Turma. AgRg no REsp 1021796/RS, Rel. Min. Assusete Magalhães,
julgado em 19/03/2013).

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Primeira fase (circunstâncias judiciais)
Na primeira fase, as chamadas circunstâncias judiciais analisadas pelo juiz são as seguintes:
a) culpabilidade, b) antecedentes, c) conduta social, d) personalidade do agente, e) motivos do crime, f)
circunstâncias do crime, g) consequências do crime, h) comportamento da vítima.

Antecedentes:
São as anotações negativas que o réu possua em matéria criminal.
Se o juiz entender que o réu possui maus antecedentes, ele irá aumentar a pena-base imposta ao
condenado.

Se o réu possui inquéritos policiais instaurados e ações penais em curso, tais elementos podem ser
considerados como maus antecedentes no momento da dosimetria da pena?
NÃO. Inquéritos policiais ou ações penais sem trânsito em julgado não podem ser considerados como maus
antecedentes para fins de dosimetria da pena. Isso por causa do princípio da presunção de não culpabilidade.
Esse é o entendimento pacífico da jurisprudência.

No STJ, existe um enunciado espelhando tal conclusão:


Súmula 444-STJ: É vedada a utilização de inquéritos policiais e ações penais em curso para agravar a pena-base.

No STF, a questão foi decidida pelo Plenário em sede de repercussão geral: RE 591054/SC, Rel. Min. Marco
Aurélio, julgado em 17/12/2014 (Info 772).

Princípio da presunção de não-culpabilidade


Por força da cláusula constitucional da não culpabilidade (art. 5º, LVII da CF/88) somente podem ser
valoradas como maus antecedentes as decisões condenatórias irrecorríveis.
Assim, não podem ser considerados para esse fim quaisquer outras investigações ou processos criminais
em andamento, mesmo em fase recursal.
Esse ponto de vista está em consonância com a moderna jurisprudência da Corte Interamericana de
Direitos Humanos e do Tribunal Europeu dos Direitos do Homem. Ademais, há recomendação por parte do
Comitê de Direitos Humanos das Nações Unidas, no sentido de que o Poder Público deve abster-se de
prejulgar o acusado.

Não podem ser utilizadas como maus antecedentes:


O Plenário do STF afirmou que não é possível utilizar para majorar a pena-base:
 Propostas de transação penal aceitas (art. 76, § 6º da Lei 9.099/1995);
 Remissão em procedimento judicial do ECA, com aplicação de medida de caráter reeducacional;
 Sentenças de extinção da punibilidade, excetuados os resultantes em indulto individual, coletivo ou
comutação de pena.
Obs: a condenação de pessoas beneficiadas com indulto ou comutação de pena podem continuar sendo
utilizadas como maus antecedentes.
Somente condenações ocorridas antes do novo crime e transitadas em julgado podem prejudicar o réu
na dosimetria dessa segunda condenação
Por fim, as condenações por fatos posteriores ao crime que está sendo julgado, ainda que tenham
transitado em julgado, também não são aptas a desabonar, na primeira fase da dosimetria, os
antecedentes para efeito de exacerbação da pena-base. Ex: réu praticou crime “A” em 02/02; em 04/04
cometeu delito “B”, que transitou em julgado em 08/08. Em 10/10, ele vai ser julgado pelo crime “A”.
Segundo o Min. Marco Aurélio, essa condenação pelo crime “B” não poderá ser utilizada para majorar a
pena do crime “A” já que este aconteceu antes do delito “B”.

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DIREITO PROCESSUAL PENAL

NULIDADES
Mandado de busca e apreensão com endereço incorreto

O juiz deferiu mandado de busca e apreensão tendo como alvo o escritório de um banco,
localizado no 28º andar de um prédio comercial. Quando os policiais chegaram para cumprir a
diligência, perceberam que a sede do banco ficava no 3º andar. Diante disso, entraram em
contato com o juiz substituto que autorizou, por meio de ofício sem maiores detalhes, a
apreensão do HD na sede do banco.
A 2ª Turma do STF declarou a ilegalidade da apreensão por ausência de mandado judicial
específico.
STF. 2ª Turma. HC 106566/SP, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 16/12/2014 (Info 772).

Imagine a seguinte situação adaptada:


O juiz deferiu mandado de busca e apreensão tendo como alvo o escritório de um banco, localizado em
um prédio comercial no Rio de Janeiro.
No mandado de busca e apreensão ficou consignado que a diligência deveria acontecer na sala do banco
localizado no 28º andar. No entanto, quando os policiais chegaram para cumprir a diligência, perceberam
que a sede do banco ficava no 3º andar.
Diante disso, entraram em contato com o juiz substituto que autorizou, por meio de ofício sem maiores
detalhes, o espelhamento [cópia] dos discos rígidos do servidor da instituição financeira.
A defesa impetrou habeas corpus impugnando a validade dessa prova.

É cabível habeas corpus nesse caso?


A 2ª Turma do STF entendeu que sim. O habeas corpus é instrumento legítimo para aferir procedimentos
de feição penal ou processual penal, inclusive para o reconhecimento de eventual ilicitude de provas
obtidas em inquérito policial.

A prova obtida no 3º andar do prédio foi válida?


NÃO. A 2ª Turma do STF declarou a ilegalidade da apreensão por ausência de mandado judicial específico.
Os Ministros entenderam que as provas colhidas a partir dos HDs devem ser desconsideradas e
determinaram, ainda, a imediata devolução do material apreendido à instituição financeira.
Segundo a Min. Cármen Lúcia, ao deferir o pedido de espelhamento do HD pertencente ao banco, “o
magistrado ou não foi alertado ou não percebeu que a medida importaria em alteração daquele primeiro,
especialmente em relação ao endereço e à necessidade do espelhamento ser feito na forma como foi”.
O Min. Celso de Mello afirmou que os mandados de busca e apreensão não podem se revestir de
conteúdo genérico, nem ser omissos quanto à indicação do local objeto dessa medida extraordinária. Para
ele, houve violação do art. 243, I, do CPP:
Art. 243. O mandado de busca deverá:
I - indicar, o mais precisamente possível, a casa em que será realizada a diligência e o nome do respectivo
proprietário ou morador; ou, no caso de busca pessoal, o nome da pessoa que terá de sofrê-la ou os sinais
que a identifiquem;

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FIXAÇÃO DO VALOR MÍNIMO PARA REPARAÇÃO DOS DANOS (ART. 387, IV DO CPP)
O inciso IV do art. 387 do CPP não pode ser aplicado a fatos anteriores à Lei 11.719/2008

A Lei 11.719/2008 alterou o CPP, prevendo que o juiz, ao condenar o réu, já estabeleça na
sentença um valor mínimo que o condenado estará obrigado a pagar a título de reparação dos
danos causados.
Art. 387. O juiz, ao proferir sentença condenatória: IV - fixará valor mínimo para reparação
dos danos causados pela infração, considerando os prejuízos sofridos pelo ofendido;
A previsão da indenização contida no inciso IV do art. 387 surgiu com a Lei 11.719/2008. Se o
crime ocorreu antes dessa Lei e foi sentenciado após a sua vigência, o juiz não poderá aplicar
esse dispositivo e fixar o valor mínimo de reparação dos danos.
Segundo entendimento majoritário, o inciso IV do art. 387 do CPP é norma híbrida (de direito
material e processual) e, por ser mais gravosa ao réu, não pode ser aplicada a fatos praticados
antes da vigência da Lei 11.719/2008.
STF. Plenário. RvC 5437/RO, Rel. Min. Teori Zavascki, julgado em 17/12/2014 (Info 772).

A sentença penal condenatória, depois de transitada em julgado, produz diversos efeitos.


Um dos efeitos é que a condenação gera a obrigação do réu de reparar o dano causado:
Código Penal
Art. 91. São efeitos da condenação:
I - tornar certa a obrigação de indenizar o dano causado pelo crime;

A sentença condenatória, inclusive, constitui-se em título executivo judicial:


Código de Processo Civil
Art. 475-N. São títulos executivos judiciais:
II – a sentença penal condenatória transitada em julgado;

Assim, a vítima (ou seus sucessores), de posse da sentença que condenou o réu, após o seu trânsito em
julgado, dispõe de um título que poderá ser executado no juízo cível para cobrar o ressarcimento pelos
prejuízos sofridos em decorrência do crime.

Qual era, no entanto, a dificuldade antes da Lei nº 11.719/2008?


Apesar de ser reconhecida a obrigação de indenizar (an debeatur), não era possível que a vítima (ou seus
sucessores) executasse imediatamente a sentença porque não havia sido definido ainda o valor da
indenização (quantum debeatur). Em outras palavras, a sentença condenatória reconhecia que a vítima
tinha direito à indenização a ser paga pelo condenado, mas não dizia o quanto.

Com isso, a vítima (ou seus sucessores) tinha ainda que tomar uma outra providência antes de executar:
fazer a liquidação (art. 475-A do CPC).

O legislador tentou facilitar a situação da vítima e, por meio da Lei nº 11.719/2008, alterou o CPP,
prevendo que o juiz, ao condenar o réu, já estabeleça na sentença um valor mínimo que o condenado
estará obrigado a pagar a título de reparação dos danos causados. Veja:
Art. 387. O juiz, ao proferir sentença condenatória:
IV - fixará valor mínimo para reparação dos danos causados pela infração, considerando os prejuízos
sofridos pelo ofendido; (Redação dada pela Lei nº 11.719/2008)

Desse modo, se o juiz, na própria sentença, já fixar um valor certo para a reparação dos danos, não será
necessário que a vítima ainda faça a liquidação, bastando que execute este valor caso não seja pago
voluntariamente pelo condenado.

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Veja o parágrafo único do art. 63 do CPP, que explicita essa possibilidade:
Art. 63. Transitada em julgado a sentença condenatória, poderão promover-lhe a execução, no juízo cível,
para o efeito da reparação do dano, o ofendido, seu representante legal ou seus herdeiros.
Parágrafo único. Transitada em julgado a sentença condenatória, a execução poderá ser efetuada pelo
valor fixado nos termos do inciso IV do caput do art. 387 deste Código sem prejuízo da liquidação para a
apuração do dano efetivamente sofrido. (Incluído pela Lei nº 11.719/2008).

Algumas observações sobre o art. 387, IV do CPP:

1) Qual é a natureza jurídica dessa fixação do valor mínimo de reparação?


Trata-se de um efeito extrapenal genérico da condenação.

2) A vítima poderá pleitear indenização maior no juízo cível?


SIM. Na sentença penal, o juiz fixará um valor mínimo. Assim, a vítima poderá executar desde logo este
valor mínimo e pleitear um valor maior que o fixado na sentença, bastando, para isso, que prove que os
danos que sofreu foram maiores que a quantia estabelecida na sentença. Essa prova é feita em
procedimento de liquidação por artigos (procedimento cível regulado pelos arts. 475-E e 475-F do CPC).

3) Para que seja fixado o valor da reparação, deverá haver pedido expresso e formal do MP ou do
ofendido?
SIM. Para que seja fixado, na sentença, o valor mínimo para reparação dos danos causados à vítima (art.
387, IV, do CP), é necessário que haja pedido expresso e formal, feito pelo parquet ou pelo ofendido, a fim
de que seja oportunizado ao réu o contraditório e sob pena de violação ao princípio da ampla defesa (STJ.
6ª Turma. AgRg no AREsp 389.234/DF, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, julgado em 08/10/2013).

4) Deverá haver provas dos prejuízos sofridos


O STJ já decidiu que o juiz somente poderá fixar este valor se existirem provas nos autos que demonstrem
os prejuízos sofridos pela vítima em decorrência do crime. Dessa feita, é importante que o Ministério
Público ou eventual assistente de acusação junte comprovantes dos danos causados pela infração para
que o magistrado disponha de elementos para a fixação de que trata o art. 387, IV do CPP. Vale ressaltar,
ainda, que o réu tem direito de se manifestar sobre esses documentos juntados e contraditar o valor
pleiteado como indenização. Nesse sentido:
A fixação da reparação civil mínima também não dispensa a participação do réu, sob pena de frontal
violação ao seu direito de contraditório e ampla defesa, na medida em que o autor da infração faz jus à
manifestação sobre a pretensão indenizatória, que, se procedente, pesará em seu desfavor. (...)
STJ. 5ª Turma. REsp 1236070/RS, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado em 27/03/2012 (não divulgado
em Info).

5) O julgador penal é obrigado a sempre fixar esse valor mínimo?


NÃO. O juiz pode deixar de fixar o valor mínimo em algumas situações, como, por exemplo:
a) quando não houver prova do prejuízo;
b) se os fatos forem complexos e a apuração da indenização demandar dilação probatória, o juízo criminal
poderá deixar de fixar o valor mínimo, que deverá ser apurado em ação civil;
c) quando a vítima já tiver sido indenizada no juízo cível.

O exemplo citado nesta letra “b” foi justamente o que ocorreu no julgamento do “Mensalão”. O STF
rejeitou o pedido formulado pelo MPF, em sede de alegações finais, no sentido de que fosse fixado valor
mínimo para reparação dos danos causados pelas infrações penais, sob o argumento de que a
complexidade dos fatos e a imbricação de condutas tornaria inviável assentar o montante mínimo. Assim,

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não haveria como identificar com precisão qual a quantia devida por cada réu, o que só seria possível por
meio de ação civil, com dilação probatória para esclarecimento desse ponto (Plenário. AP 470/MG, rel.
Min. Joaquim Barbosa, 17/12/2012).

6) Além dos prejuízos materiais, o juiz poderá também condenar o réu a pagar a vítima por danos
morais?
1ª corrente: SIM. Posição de Norberto Avena.
2ª corrente: NÃO. Defendida por Eugênio Pacelli.

7) O art. 387, IV, do CPP, com a redação dada pela Lei nº 11.719/2008, fez com que o Brasil passasse a
adotar a chamada “cumulação de instâncias” em matéria de indenização pela prática de crimes?
NÃO. A cumulação de instâncias (ou união de instâncias) em matéria de indenização pela prática de crimes
ocorre quando um mesmo juízo resolve a lide penal (julga o crime) e também já decide, de forma
exauriente, a indenização devida à vítima do delito. Conforme explica Pacelli e Fischer, “por esse sistema,
o ajuizamento da demanda penal determina a unidade de juízo para a apreciação da matéria cível”
(Comentários ao Código de Processo Penal e Sua Jurisprudência. São Paulo: Atlas, 2012, p. 769). No Brasil,
não há unidade de instâncias porque o juízo criminal irá apenas, quando for possível, definir um valor
mínimo de indenização pelos danos sofridos sem, contudo, esgotar a apreciação do tema, que ainda
poderá ser examinado pelo juízo cível para aumentar esse valor.
Assim, continuamos adotando o modelo da separação mitigada de instâncias.

8) A previsão da indenização contida no inciso IV do art. 387 surgiu com a Lei nº 11.719/2008. Se o crime
ocorreu antes da Lei e foi sentenciado após a sua vigência, pode ser aplicado o dispositivo e fixado o
valor mínimo de reparação dos danos?
1ª corrente: SIM 2ª corrente: NÃO (majoritária)
Trata-se de norma de direito processual. Assim, Trata-se de norma híbrida (de direito material e
ainda que o processo tenha se iniciado antes da processual) e, por ser mais gravosa ao réu, não
Lei nº 11.719/2008, se ele for sentenciado após a pode ser aplicada a fatos praticados antes de sua
sua vigência, deverá observar a fixação do valor vigência.
mínimo de que trata o art. 387, IV, do CPP.
STJ. 6ª Turma. REsp 1.176.708-RS, Rel. Min. STJ. 5ª Turma. REsp 1.193.083-RS, Rel. Min.
Sebastião Reis Júnior, julgado em 12/6/2012. Laurita Vaz, julgado em 20/8/2013.
STF. Plenário. RvC 5437/RO, Rel. Min. Teori
Zavascki, julgado em 17/12/2014 (Info 772).

9) O condenado poderá impugnar o valor fixado na forma do art. 387, IV do CPP por meio de um habeas
corpus?
NÃO. A via processual do habeas corpus não é adequada para impugnar a reparação civil fixada na
sentença penal condenatória, com base no art. 387, IV do CPP, tendo em vista que a sua imposição não
acarreta ameaça, sequer indireta ou reflexa, à liberdade de locomoção (HC 191.724/RJ, Rel. Min. Laurita
Vaz, Quinta Turma, julgado em 15/10/2013) (não divulgado em Info).

10) Se a punibilidade do condenado for extinta pela prescrição da pretensão punitiva, haverá extinção
também do valor de reparação imposto na sentença?
SIM. Extinta a condenação pela prescrição, extingue-se também a condenação pecuniária fixada como
reparação dos danos causados à vítima, nos termos do art. 387, IV do CPP, pois dela decorrente, ficando
ressalvada a utilização de ação cível, caso a vítima entenda que haja prejuízos a serem reparados (EDcl no
AgRg no REsp 1260305/ES, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, Sexta Turma, julgado em 12/03/2013) (não
divulgado em Info).

Informativo 772-STF(03/02/2015) – Esquematizado por Márcio André Lopes Cavalcante | 10


REVISÃO CRIMINAL
Impossibilidade de reiteração de teses já apreciadas no processo originário

A revisão criminal é instrumento excepcional, não podendo ser utilizado para reiteração de
teses já vencidas pelo acórdão revisando, seja quanto a matéria de direito, seja quanto a
matéria de fato.
Em outras palavras, na revisão criminal não se pode querer rediscutir os argumentos que já
foram alegados e rejeitados durante o processo criminal.
STF. Plenário. RvC 5437/RO, Rel. Min. Teori Zavascki, julgado em 17/12/2014 (Info 772).

Revisão criminal é...


 uma ação autônoma de impugnação
 de competência originária dos Tribunais (ou da Turma Recursal no caso dos Juizados)
 por meio da qual a pessoa condenada requer ao Tribunal
 que reveja a decisão que a condenou (e que já transitou em julgado)
 sob o argumento de que ocorreu erro judiciário.

Revisão criminal e ação rescisória


A revisão criminal se parece com a ação rescisória do processo civil. Existem, no entanto, duas diferenças
principais:
Revisão criminal Ação rescisória
Pode ser interposta a qualquer tempo após o Deve ser interposta até o prazo de 2 anos após o
trânsito em julgado (não há prazo de decadência trânsito em julgado.
para ajuizar a revisão).
Só pode ser ajuizada em favor do condenado (só A ação rescisória pode ser proposta pelo autor ou
existe revisão criminal pro reo; não existe revisão pelo réu.
criminal pro societate).

Então a revisão criminal pode ser proposta a qualquer tempo?


SIM. A revisão poderá ser requerida em qualquer tempo, mesmo após já ter sido extinta a pena (art. 622
do CPP).

Natureza jurídica
A revisão criminal NÃO é um recurso.
Trata-se de uma ação autônoma de impugnação, mais precisamente uma ação penal de natureza
constitutiva (tem por objetivo desconstituir uma decisão transitada em julgado).

Pressupostos:
A revisão criminal tem dois pressupostos:
a) existência de decisão condenatória (ou absolutória imprópria) com trânsito em julgado;
b) demonstração de que houve erro judiciário.

Quem pode propor a revisão criminal?


 O próprio réu;
 Procurador legalmente habilitado pelo réu;
 O cônjuge, ascendente, descendente ou irmão do réu, caso este já tenha morrido.

Informativo 772-STF(03/02/2015) – Esquematizado por Márcio André Lopes Cavalcante | 11


CPP/Art. 623. A revisão poderá ser pedida pelo próprio réu ou por procurador legalmente habilitado ou,
no caso de morte do réu, pelo cônjuge, ascendente, descendente ou irmão.

O MP pode propor revisão criminal em favor do réu?


Há divergência na doutrina. No entanto, para fins de prova objetiva, deve-se afirmar que não é possível,
considerando que o CPP não prevê essa legitimidade.

Hipóteses em que caberá a revisão criminal:


Art. 621. A revisão dos processos findos será admitida:
I - quando a sentença condenatória for contrária ao texto expresso da lei penal ou à evidência dos autos;
II - quando a sentença condenatória se fundar em depoimentos, exames ou documentos
comprovadamente falsos;
III - quando, após a sentença, se descobrirem novas provas de inocência do condenado ou de circunstância
que determine ou autorize diminuição especial da pena.

O que o STF decidiu:


As informações acima foram apenas para que você fizesse um rápido estudo sobre revisão criminal. O que
o STF decidiu foi o seguinte: a revisão criminal é instrumento excepcional, não podendo ser utilizado para
reiteração de teses já vencidas pelo acórdão revisando, seja quanto a matéria de direito, seja quanto a
matéria de fato.
Em outras palavras, na revisão criminal não se pode querer rediscutir os argumentos que já foram
alegados e rejeitados durante o processo criminal.

PROGRESSÃO DE REGIME (EXECUÇÃO PENAL)


O § 4º do art. 33 do CP é constitucional

Importante!!!
Segundo o § 4º do art. 33 do CP, para que o condenado por crime contra a Administração
Pública tenha direito à progressão de regime e necessário que ele faça a reparação do dano
que causou, ou à devolução do produto do ilícito praticado, com os acréscimos legais.
O STF decidiu que essa previsão do § 4º do art. 33 do CP é CONSTITUCIONAL.
Vale ressaltar, no entanto, que deve ser permitido que o condenado faça o parcelamento do
valor da dívida.
STF. Plenário. EP 22 ProgReg-AgR/DF, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 17/12/2014 (Info 772).

Existem três regimes de cumprimento de pena:


a) Fechado: a pena é cumprida na Penitenciária.
b) Semiaberto: a pena é cumprida em colônia agrícola, industrial ou estabelecimento similar.
c) Aberto: a pena é cumprida na Casa do Albergado.

Progressão de regime
No Brasil, adota-se o sistema progressivo (ou inglês), ainda que de maneira não pura.
Assim, de acordo com o CP e com a LEP, as penas privativas de liberdade deverão ser executadas
(cumpridas) em forma progressiva, com a transferência do apenado de regime mais gravoso para menos
gravoso tão logo ele preencha os requisitos legais.

Informativo 772-STF(03/02/2015) – Esquematizado por Márcio André Lopes Cavalcante | 12


Requisitos para a progressão
Os requisitos para que a pessoa tenha direito à progressão de regime estão previstos na Lei n. 7.210/84 e
também no Código Penal. Veja um resumo:

Requisitos para a progressão do regime FECHADO para o SEMIABERTO:


Crimes comuns: cumprimento de 1/6 da pena aplicada.
Crimes hediondos ou equiparados
Requisito
(se cometidos após a Lei 11.464/07):
OBJETIVO
 Cumprimento de 2/5 da pena se for primário.
 Cumprimento de 3/5 da pena se for reincidente.
Requisito Bom comportamento carcerário durante a execução (mérito).
SUBJETIVO
Requisito Oitiva prévia do MP e do defensor do apenado (§ 1ºA do art. 112 da LEP).
FORMAL

Requisitos para a progressão do regime SEMIABERTO para o ABERTO:


Crimes comuns: cumprimento de 1/6 da pena RESTANTE.
Crimes hediondos ou equiparados
Requisito
(se cometidos após a Lei 11.464/07):
OBJETIVO
 Cumprimento de 2/5 da pena se for primário.
 Cumprimento de 3/5 da pena se for reincidente.
Requisito Bom comportamento carcerário durante a execução (mérito).
SUBJETIVO
Requisito Oitiva prévia do MP e do defensor do apenado (§ 1ºA do art. 112 da LEP).
FORMAL
Além dos requisitos acima expostos, o reeducando deve:
a) Aceitar o programa do regime aberto (art. 115 da LEP) e as condições especiais
Requisitos impostas pelo Juiz (art. 116 da LEP);
ESPECÍFICOS b) Estar trabalhando ou comprovar a possibilidade de trabalhar imediatamente quando
do regime for para o regime aberto (inciso I do art. 114);
aberto c) Apresentar, pelos seus antecedentes ou pelo resultado dos exames a que foi
submetido, fundados indícios de que irá ajustar-se, com autodisciplina e senso de
responsabilidade, ao novo regime (inciso II do art. 114).

Requisito OBJETIVO adicional no caso de condenados por crime contra a Administração Pública:
No caso de crime contra a Administração Pública, para que haja a progressão será necessária ainda:
 a reparação do dano causado; ou
 a devolução do produto do ilícito praticado, com os acréscimos legais.

Isso está previsto no § 4º do art. 33 do Código Penal:


§ 4º O condenado por crime contra a administração pública terá a progressão de regime do cumprimento
da pena condicionada à reparação do dano que causou, ou à devolução do produto do ilícito praticado,
com os acréscimos legais.

A defesa de um dos condenados no “Mensalão” alegou que esse requisito exigido pelo § 4º do art. 33 do
CP seria inconstitucional por representar uma espécie de “prisão por dívida”. O STF concordou com o
argumento? Esse dispositivo viola a CF/88?

Informativo 772-STF(03/02/2015) – Esquematizado por Márcio André Lopes Cavalcante | 13


NÃO. O § 4º do art. 33 do CP é CONSTITUCIONAL.
Vale ressaltar, no entanto, que, mesmo sem previsão expressa, deve ser permitido que o condenado faça
o parcelamento do valor da dívida.

Fundamentos da conclusão
Segundo o STF, em matéria de crimes contra a Administração Pública — como também nos crimes de
colarinho branco em geral —, a parte verdadeiramente severa da pena, a ser executada com rigor, há de
ser a de natureza pecuniária. Esta, sim, teria o poder de funcionar como real fator de prevenção, capaz de
inibir a prática de crimes que envolvessem apropriação de recursos públicos.
A imposição da devolução do produto do crime não constitui sanção adicional, mas, apenas a restituição
daquilo que foi indevidamente apropriado ou desviado.
Ademais, não é o direito fundamental à liberdade do condenado que está em discussão, mas, tão
somente, se a pena privativa de liberdade a ser cumprida deve se dar em regime mais favorável ou não, o
que afasta a alegação quanto à suposta ocorrência, no caso, de prisão por dívida. Outrossim, a norma em
comento não é a única, prevista na legislação penal, a ter na reparação do dano uma importante medida
de política criminal. Ao contrário, basta uma rápida leitura dos principais diplomas penais brasileiros para
constatar que a falta de reparação do dano: a) pode ser causa de revogação obrigatória do “sursis”; b)
impede a extinção da punibilidade ou mesmo a redução da pena, em determinadas hipóteses; c) pode
acarretar o indeferimento do livramento condicional e do indulto; d) afasta a atenuante genérica do art.
65, III, “b”, do CP, entre outros.

DIREITO PENAL /
PROCESSUAL PENAL MILITAR

DOSIMETRIA DA PENA
Culpabilidade e consequências do crime podem ser utilizadas na sentença na dosimetria da pena

Não há nulidade na sentença que julga um crime militar se o juiz aumenta a pena-base com
fundamento na culpabilidade do réu e nas consequências do delito. Isso porque o art. 69 do
CPM fala em “intensidade do dolo”, locução que, em outras palavras, quer significar a mesma
coisa que “culpabilidade”. De igual forma, a menção às “consequências do crime” não implica
qualquer nulidade, já que essa expressão está presente implicitamente no art. 69 do CPM
quando este dispositivo fala em “maior ou menor extensão do dano”.
STF. 2ª Turma. HC 109545/RJ, Rel. Min. Teori Zavascki, julgado em 16/12/2014 (Info 772).

Imagine a seguinte situação adaptada:


João foi condenado pela Justiça Militar por roubo qualificado (art. 242, § 2º, I, do CPM).
Na sentença, o juiz aumentou a pena-base entendendo que as circunstâncias judiciais eram desfavoráveis
ao acusado já que a culpabilidade do réu se mostrou acentuada e as consequências do delito eram muito
graves.
A DPU, fazendo a assistência jurídica do condenado, recorreu contra a sentença alegando que a dosimetria
da pena nos crimes militares deve obedecer ao art. 68 do CPM e que neste dispositivo não menciona a
“culpabilidade” como um dos elementos a serem analisados pelo magistrado.
Em outras palavras, para a defesa, o Código Penal Militar não autoriza que o juiz aumente a pena com
base na culpabilidade e nas consequências do crime, de forma que a sentença foi nula.

A tese da DPU foi aceita pelo STF?


NÃO.

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Realmente, o art. 69 do CPM não fala expressamente em “culpabilidade do agente” nem em
“consequências do crime”. Confira:
Fixação da pena privativa de liberdade
Art. 69. Para fixação da pena privativa de liberdade, o juiz aprecia a gravidade do crime praticado e a
personalidade do réu, devendo ter em conta a intensidade do dolo ou grau da culpa, a maior ou menor
extensão do dano ou perigo de dano, os meios empregados, o modo de execução, os motivos
determinantes, as circunstâncias de tempo e lugar, os antecedentes do réu e sua atitude de
insensibilidade, indiferença ou arrependimento após o crime.

Tais expressões “culpabilidade do agente” e “consequências do crime” estão previstas apenas no art. 59
do Código Penal “comum”.

Apesar disso, a 2ª Turma do STF entendeu que não houve nulidade. Isso porque “culpabilidade”, na
dosimetria da pena, significa “juízo de reprovabilidade”, ou seja, grau de censura feita pelo magistrado à
conduta pessoal do réu. O art. 69 do CPM não fala expressamente em “culpabilidade”, mas diz que o juiz
irá considerado “a intensidade do dolo ou grau da culpa”, locução que, em outras palavras, quer significar
a mesma coisa.

Do mesmo modo, a menção às “consequências do crime” não implica qualquer nulidade, já que essa
expressão está presente implicitamente no art. 69 do CPM quando este dispositivo fala em “maior ou
menor extensão do dano”.

Resumindo: não há nulidade porque a “culpabilidade” do agente pode ser entendida como sendo a
“intensidade do dolo” e as “consequências do crime” são a “maior ou menor extensão do dano”.

DIREITO INTERNACIONAL
EXTRADIÇÃO
Pedido de extradição formulado com base em terrorismo

Importante!!!
O terrorismo não é tipificado como crime pela legislação brasileira, não sendo válido o art. 20
da Lei 7.170/83 para criminalizar essa conduta.
Logo, não é cabível que seja concedida extradição de um estrangeiro que praticou crime de
terrorismo no Estado de origem, considerando que, pelo fato de o Brasil não ter definido esse
crime, não estará presente o requisito da dupla tipicidade.
Vale ressaltar que, mesmo o Brasil não prevendo o crime de terrorismo, seria possível, em
tese, que a extradição fosse concedida se o Estado requerente tivesse demonstrado que os atos
terroristas praticados pelo réu amoldavam-se em outros tipos penais em nosso país (exs:
homicídio, incêndio etc.). Isso porque a dupla tipicidade não é analisada sob o ponto de vista
do “nomen juris”, ou seja, do “nome do crime”. O que importa é que aquela conduta seja punida
no país de origem e aqui, sendo irrelevantes as diferenças terminológicas. No entanto, no caso
concreto, o pedido feito pelo Estado estrangeiro estava instruído de forma insuficiente.
STF. 2ª Turma. PPE 730/DF, Rel. Min. Celso de Mello, julgado em 16/12/2014 (Info 772).

Imagine a seguinte situação adaptada:


Juan, cidadão peruano, está sendo processado em seu país pela prática do crime de terrorismo.
Vale ressaltar que Juan se encontrava morando no Brasil, razão pela qual a República do Peru requereu a

Informativo 772-STF(03/02/2015) – Esquematizado por Márcio André Lopes Cavalcante | 15


sua extradição.

Tendo como base unicamente esses elementos, será possível que o Brasil conceda a extradição?
NÃO. Um dos requisitos para que o Brasil conceda a extradição é a chamada “dupla tipicidade”, ou seja,
que o fato seja considerado crime no Estado estrangeiro de origem e também aqui no Brasil. Esse requisito
está previsto no art. 77 do Estatuto do Estrangeiro:
Art. 77. Não se concederá a extradição quando:
II - o fato que motivar o pedido não for considerado crime no Brasil ou no Estado requerente;

No caso, não estaria atendida a exigência da dupla tipicidade, senão vejamos:

O que é terrorismo?
O Min. Celso de Mello, de forma precisa, constata que até hoje, “a comunidade internacional foi incapaz
de chegar a uma conclusão acerca da definição jurídica do crime de terrorismo, sendo relevante observar
que, até o presente momento, já foram elaborados, no âmbito da Organização das Nações Unidas, pelo
menos, 13 (treze) instrumentos internacionais sobre a matéria, sem que se chegasse, contudo, a um
consenso universal sobre quais elementos essenciais deveriam compor a definição típica do crime de
terrorismo ou, então, sobre quais requisitos deveriam considerar-se necessários à configuração dogmática
da prática delituosa de atos terroristas”.
Em outras palavras, trata-se ainda de um tema polêmico.
Apesar disso, podemos citar uma definição feita por René Ariel Dotti e que é bastante difundida no âmbito
doutrinário:
“o terrorismo pode ser definido como a prática do terror como ação política, procurando alcançar, pelo
uso da violência, objetivos que poderiam ou não ser estabelecidos em função do exercício legal da
vontade política. Suas características mais destacadas são: a indeterminação do número de vítimas; a
generalização da violência contra pessoas e coisas; a liquidação, desativação ou retração da vontade de
combater o inimigo predeterminado; a paralisação contra a vontade de reação da população; e o
sentimento de insegurança transmitido principalmente pelos meios de comunicação” (Terrorismo e devido
processo legal. RCEJ, ano VI, Brasília, set. 2002, p. 27-30 apud LIMA, Renato Brasileiro de. Legislação
Criminal Especial Comentada. Niterói: Impetus, 2013, p. 58).

O terrorismo é tipificado como crime no Brasil?


Sobre o tema existem duas correntes:
Sim NÃO
O terrorismo seria previsto como crime no art. 20Para a maioria da doutrina, contudo, a legislação
da Lei n. 7.170/83 (Lei de Crimes Contra a brasileira ainda não definiu o crime de terrorismo.
Segurança Nacional): “O elemento normativo atos de terrorismo
Art. 20. Devastar, saquear, extorquir, roubar, constante do art. 20 da Lei n. 7.170/83 é tão vago
sequestrar, manter em cárcere privado, incendiar,e elástico que não permite ao julgador, por
depredar, provocar explosão, praticar atentado ausência de uma adequada descrição do conteúdo
pessoal ou atos de terrorismo, por inconformismo fático desse ato, enquadrar qualquer modalidade
político ou para obtenção de fundos destinados à da conduta humana. Logo, o crime do art. 20 da
manutenção de organizações políticas
Lei n. 7.170/83 não pode ser tratado como
clandestinas ou subversivas. terrorismo, sob pena de evidente violação ao
Pena: reclusão, de 3 a 10 anos. princípio da taxatividade (nullum crimen nulla
poena sine lege certa).” (LIMA, Renato Brasileiro
de., p. 59).
É a posição de Julio Fabbrini Mirabete, Fernando É a corrente sustentada por Alberto Silva Franco,
Capez, Guilherme de Souza Nucci. José Cretella Neto, Damásio de Jesus, Gilberto
Pereira de Oliveira.

Informativo 772-STF(03/02/2015) – Esquematizado por Márcio André Lopes Cavalcante | 16


Desse modo, para a maioria da doutrina, o terrorismo não é tipificado pela legislação brasileira, não sendo
válido o art. 20 da Lei n. 7.170/83 para criminalizar essa conduta.

A CF/88 afirma que “não será concedida extradição de estrangeiro por crime político ou de opinião” (art.
5º, LII). O terrorismo pode ser considerado um “crime político” e enquadrado nessa proibição do art. 5º,
LII? Em outras palavras, mesmo após o terrorismo ser previsto como crime no Brasil, haverá proibição de
extradição por causa do art. 5º, LII?
NÃO. O terrorismo não pode ser considerado “crime político” e enquadrado no art. 5º, LII. O óbice que
existe atualmente para a concessão de extradição por causa de terrorismo é a inexistência desse crime no
Brasil (requisito da dupla tipicidade). Veja como já decidiu o STF:
(...) Os atos delituosos de natureza terrorista, considerados os parâmetros consagrados pela vigente
Constituição da República, não se subsumem à noção de criminalidade política, pois a Lei Fundamental
proclamou o repúdio ao terrorismo como um dos princípios essenciais que devem reger o Estado brasileiro
em suas relações internacionais (CF, art. 4º, VIII), além de haver qualificado o terrorismo, para efeito de
repressão interna, como crime equiparável aos delitos hediondos, o que o expõe, sob tal perspectiva, a
tratamento jurídico impregnado de máximo rigor, tornando-o inafiançável e insuscetível da clemência
soberana do Estado e reduzindo-o, ainda, à dimensão ordinária dos crimes meramente comuns (CF, art.
5º, XLIII). (...)
O terrorismo - que traduz expressão de uma macrodelinquência capaz de afetar a segurança, a integridade
e a paz dos cidadãos e das sociedades organizadas - constitui fenômeno criminoso da mais alta gravidade,
a que a comunidade internacional não pode permanecer indiferente, eis que o ato terrorista atenta contra
as próprias bases em que se apóia o Estado democrático de direito, além de representar ameaça
inaceitável às instituições políticas e às liberdades públicas, o que autoriza excluí-lo da benignidade de
tratamento que a Constituição do Brasil (art. 5º, LII) reservou aos atos configuradores de criminalidade
política.
- A cláusula de proteção constante do art. 5º, LII da Constituição da República - que veda a extradição de
estrangeiros por crime político ou de opinião - não se estende, por tal razão, ao autor de atos delituosos
de natureza terrorista, considerado o frontal repúdio que a ordem constitucional brasileira dispensa ao
terrorismo e ao terrorista. (...)
(STF. Ext 855, Rel. Min. Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 26/08/2004)

Duas observações:
 No caso concreto, o motivo principal pelo qual o STF negou a extradição do estrangeiro foi o fato de o
Estado requerente não ter apresentado alguns documentos obrigatórios e que foram exigidos pela
Corte. Assim, o pedido feito foi instruído de forma insuficiente. Apesar disso, o Ministro Relator
avançou na apreciação do tema e fez as considerações acima expostas sobre o terrorismo.
 Mesmo o Brasil não prevendo o crime de terrorismo, seria possível, em tese, que a extradição fosse
concedida se o Peru tivesse demonstrado que os atos terroristas praticados pelo réu amoldavam-se
em outros tipos penais em nosso país. Ex: o réu praticou terrorismo por meio de homicídios,
incêndios, explosões etc. O pedido de extradição não poderia ser deferido com base em terrorismo,
mas poderia ter sido autorizado com fundamento em homicídio (ar. 121 do CP), incêndio (art. 250) e
explosão (art. 251). Isso porque a dupla tipicidade não é analisada sob o ponto de vista do “nomen
juris”, ou seja, do “nome do crime”. O que importa é que aquela conduta seja punida no país de
origem e aqui, sendo irrelevantes as diferenças terminológicas.

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EXERCÍCIOS
Julgue os itens a seguir:
1) (TJDFT 2012) Embora não seja admitida a intervenção de terceiros no processo da Ação Direta de
Inconstitucionalidade, o Supremo Tribunal Federal vem permitindo o “Amicus curiae”, para possibilitar
à sociedade um mais amplo debate da questão constitucional. ( )
2) (MP/SP 2012) A figura do amicus curiae ou “amigo da Corte”, cuja função primordial é juntar aos autos
parecer ou informações com o intuito de trazer à colação considerações importantes sobre a matéria
de direito a ser discutida pelo Supremo Tribunal Federal, bem como acerca dos reflexos de eventual
decisão sobre a inconstitucionalidade ou constitucionalidade da espécie normativa impugnada pode ser
admitida a qualquer tempo, antes do julgamento final, exigindo a maioria de 2/3 dos membros do STF.
( )
3) (DPE/PB 2014 FCC) O Supremo Tribunal Federal e a Corte Interamericana de Direitos Humanos, com o
intuito de tornar a interpretação dos direitos humanos mais aberta e plural, podem admitir a
participação de amicus curiae. ( )
4) (DPE/RR 2013 CESPE) O STF admite o ingresso de amicus curiae na ADI, reconhecendo-lhe o direito de
aditar o pedido formulado pelo autor da referida ação. ( )
5) (TJ/BA 2012 – CESPE) No processo objetivo do controle de constitucionalidade, a intervenção do amicus
curiae equivale à intervenção de terceiros, o que lhe garante a prerrogativa de interpor recurso para
discutir a matéria objeto de análise na ação em que atua. ( )
6) (Juiz Federal TRF2 2009 – CESPE) O STF admite a figura do amicus curiae na ADC, sem, contudo,
reconhecer-lhe a faculdade de interpor recurso quanto à matéria objeto do processo objetivo, salvo
quando se insurge contra a decisão que não admite sua intervenção. ( )
7) (DPE/SP 2012 – FCC) É possível a intervenção de amicus curiae no procedimento de análise da
repercussão geral em recurso extraordinário, dando legitimação social à decisão do STF. ( )
8) (Juiz TJRN 2013 CESPE) Em se tratando de recurso extraordinário interposto pela União, tendo havido
reconhecimento pelo STF da repercussão geral da questão suscitada nesse recurso, não é possível o
ingresso de estado da Federação como amicus curiae, já que essa forma de ingresso é possível apenas
em ação de controle concentrado de constitucionalidade. ( )
9) (PFN 2012 – ESAF) A Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça, diante da importância da
apreciação de controvérsias sob a sistemática do julgamento por amostragem de recursos repetitivos,
permite a ampla participação de amicus curiae, inclusive com direito à sustentação oral. ( )
10) (PGE/MS 2014) Ao interpretar a possibilidade legal (artigo 543-A, §6º, CPC) de manifestação de
terceiros na análise da repercussão geral, o STF passou a admitir o ingresso de amici curiae no
procedimento da repercussão geral no recurso extraordinário, admitindo, inclusive, que produzam
sustentação oral na sessão de julgamento. ( )
11) (Juiz Federal TRF2 2013 CESPE) O amicus curiae somente pode demandar a sua intervenção até a data
em que o relator liberar o processo para pauta de julgamento, e a sua participação será autorizada
mediante despacho irrecorrível do relator nas ações diretas de inconstitucionalidade; porém a sua
participação não será cabível no procedimento de controle difuso de constitucionalidade. ( )
12) (Procurador BACEN 2013 CESPE) A legislação de regência veda expressamente a participação de amicus
curiae em ADI por omissão, embora admita a participação dos demais legitimados para a ação. ( )
13) (TJ/CE 2012 – CESPE) Na ação direta de inconstitucionalidade por omissão, admite-se a participação do
amicus curiae, bem como de peritos especializados na realização de audiências públicas. ( )
14) É incabível a imposição da medida socioeducativa de internação ao adolescente que pratique ato
infracional equiparado ao porte de drogas para consumo próprio, tipificado no art. 28 da Lei
11.343/2006. ( )
15) (Juiz Federal TRF1 2014) Ações penais em curso e decisões recorríveis caracterizam maus
antecedentes?
16) (Juiz TJDFT 2014 CESPE) É legal o aumento da pena-base, a título de maus antecedentes, com
fundamento em registro decorrente da aceitação de transação penal proposta pelo MP. ( )
Informativo 772-STF(03/02/2015) – Esquematizado por Márcio André Lopes Cavalcante | 18
17) (Juiz TJPR 2013) É vedada a utilização de inquéritos policiais para agravar a pena-base, sendo permitida,
entretanto, a utilização das ações penais em curso. ( )
18) (Juiz TJPR 2014) O juiz, ao proferir a sentença condenatória, não poderá fixar em favor do ofendido
valor mínimo para reparação dos danos causados pela infração, devendo a discussão ser dirimida no
juízo cível. ( )
19) (Juiz TJRN 2013 CESPE) Ao proferir sentença condenatória, o juiz fixará, se cabível, valor mínimo para a
reparação dos danos causados, sem prejuízo da liquidação, perante o juízo cível, para a apuração do
dano efetivamente sofrido. ( )
20) (Juiz TJCE 2014 FCC) A revisão criminal pode ser requerida em qualquer tempo, mas apenas antes da
extinção da pena. ( )

Gabarito
1. C 2. 3. C 4. E 5. E 6. C 7. C 8. E 9. E 10. C
11. E 12. E 13. C 14. C 15. - 16. E 17. E 18. E 19. C 20. E

JULGADOS NÃO COMENTADOS

Condenação criminal: reparação de dano e contraditório


O Plenário, por maioria, julgou parcialmente procedente pedido formulado em revisão criminal para afastar
da condenação imposta ao requerente a fixação do valor mínimo de reparação dos danos, nos termos do
art. 387, IV, do CPP (“Art. 387. O juiz, ao proferir sentença condenatória: ... IV - fixará valor mínimo para
reparação dos danos causados pela infração, considerando os prejuízos sofridos pelo ofendido”), sem
prejuízo da persecução correspondente em procedimento autônomo, mantidas íntegras as demais
cominações condenatórias. No caso, ele fora condenado à pena de 13 anos, 4 meses e 10 dias de reclusão,
em regime inicial fechado, além de 66 dias-multa, pela prática de formação de quadrilha e peculato. Além
disso, o valor da a reparação do dano fora fixado em R$ 1.647.500,00, a ser atualizado na fase de execução
pelos índices de correção monetária. O Colegiado, de início, frisou que a revisão criminal seria excepcional,
presente ilegalidade ou contrariedade à evidência dos autos, de modo que não se admitiria mera reiteração
de teses já vencidas pelo acórdão revisando, seja quanto a matéria de direito, seja quanto a matéria de
fato. Quanto à suposta nulidade decorrente do oferecimento de denúncia alicerçada em elementos
informativos obtidos em investigação de caráter eminentemente civil, o conhecimento do pedido não
encontraria amparo. Essa arguição estaria rechaçada nos fundamentos da decisão condenatória. Portanto,
nesse ponto, a condenação deveria ser mantida, pois não contrariara texto expresso de lei ou a evidência
dos autos. Além disso, a questão de incompetência do STF para julgar congressista que renuncia ao
mandato antes da sessão de julgamento teria sido exaustivamente debatida anteriormente. Tampouco
essa pretensão mereceria acolhimento, diante da evidente intenção do requerente de conferir outra
solução à questão discutida pela Corte não só no julgamento objeto da revisão, mas em outros casos, o que
não teria espaço nessa via processual. No que se refere à alegação de insuficiência probatória para o
decreto condenatório, o Tribunal afirmou que o acórdão pautara-se em abundante acervo produzido sob o
crivo do contraditório, de maneira a não existirem motivos para desqualificá-lo como apto à condenação. A
respeito da dosimetria da pena, ela teria sido devidamente individualizada, sem afrontar o princípio da
isonomia, porquanto decorrera de análise concreta das circunstâncias judiciais do art. 59 do CP.
Relativamente à continuidade delitiva, o Colegiado afastou a tese defensiva. A respeito, seria necessário
para a caracterização do instituto: a) a pluralidade de condutas; b) a pluralidade de crimes da mesma
espécie; c) a prática dos crimes nas mesmas condições de tempo, lugar, modo de execução e outras
semelhantes; e d) o fato de os crimes subsequentes serem continuação do primeiro. No tocante à tese
ligada ao crime de quadrilha, tendo em conta suposta configuração de peculato continuado em concurso
de agentes, a decisão revisanda também enfrentara o tema e demonstrara o caráter de durabilidade e

Informativo 772-STF(03/02/2015) – Esquematizado por Márcio André Lopes Cavalcante | 19


permanência da associação, elementos indispensáveis à caracterização do delito. O requerimento, nesse
ponto, não mereceria conhecimento, ainda que sustentado por alegação de mudança de entendimento
jurisprudencial. Todavia, no que diz respeito à fixação do valor mínimo destinado à reparação de danos, nos
termos do art. 387, IV, do CPP, o Colegiado lembrou que essa previsão normativa fora inserida pela Lei
11.719/2008, que não somente seria posterior aos fatos, ocorridos entre 1995 e 1998, como também ao
oferecimento da denúncia, em 1999. Assim, sobretudo porque não ocorrido o contraditório a respeito,
incidiria reserva intransponível à incidência da norma, do ponto de vista material e processual.

Vencidos os Ministros Cármen Lúcia, Gilmar Mendes e Celso de Mello, que julgavam o pedido
integralmente improcedente. Apontavam que a necessidade de reparação do dano causado teria respaldo
no art. 91, I, do CP, já em vigor à época dos fatos. A inovação trazida pela Lei 11.719/2008 diria respeito
apenas à delegação para que o juiz fixasse o valor mínimo. Tratar-se-ia, portanto, de mera mudança na
regra de procedimento, aplicável ao caso. O Ministro Celso de Mello acrescia que a referida lei também
alterara o parágrafo único do art. 67 do CPP. Transitada em julgado a sentença condenatória, a execução
poderá ser efetuada pelo valor fixado nos termos do inciso IV do ‘caput’ do art. 387 deste Código sem
prejuízo da liquidação para a apuração do dano efetivamente sofrido, a indicar que o valor a ser ressarcido
não seria imutável, e o dano efetivamente sofrido seria apurado em liquidação. Vencido, ademais, o
Ministro Marco Aurélio, que julgava o pleito procedente para assentar a incompetência do STF para julgar o
requerente, em face da renúncia ocorrida antes do julgamento, bem assim anulava a dosimetria da pena,
segundo a qual o exercício do então réu de seu direito à renúncia fora considerado circunstância judicial
desfavorável. Além disso, também afastava o ressarcimento do dano nos termos do art. 387, IV, do CPP.
RvC 5437/RO, rel. Min. Teori Zavascki, 17.12.2014.

Mandado de segurança: concurso público e litisconsórcio necessário


O Plenário, por maioria, julgou improcedente pedido formulado em ação rescisória mediante a qual se
pretendia desconstituir decisão proferida em mandado de segurança. Na decisão rescindenda assentara-se
que os impetrantes, candidatos habilitados na primeira fase de concurso público para fiscal do trabalho
anteriormente aberto, ainda que não classificados dentro do número de vagas inicialmente oferecidas,
teriam preferência sobre os candidatos habilitados na primeira fase de novo concurso para o mesmo cargo.
Na rescisória, alegava-se que a decisão não teria observado a obrigatória citação dos litisconsortes
necessários, porquanto seus efeitos incidiriam sobre o direito subjetivo dos demais candidatos
participantes do certame. Ademais, sustentava-se que o acórdão rescindendo, ao assegurar a participação
dos impetrantes não classificados na segunda fase do concurso, ofenderia o princípio da isonomia, bem
assim que a matéria teria sido decidida com suporte em erro fático, dado o caráter regionalizado do
concurso. Preliminarmente, o Colegiado reputou presente o interesse de agir da União, pois a autoridade
apontada como coatora no mandado de segurança seria Ministro de Estado. Afastou, ainda, a tese relativa
ao litisconsórcio necessário. O caso veicularia situações jurídicas individualizadas, embora fosse possível
que outros candidatos estivessem em situação idêntica à dos impetrantes. Lembrou que o Plenário, em
outra oportunidade, já assentara a inocorrência de litisconsórcio necessário na espécie, dado que presente,
no mandado de segurança, cumulação subjetiva de natureza facultativa. Assim, por se tratar de interesses
divisíveis, eventual configuração do litisconsórcio necessário implicaria a transformação do acesso à justiça
em obrigação da parte, a tolher sua liberdade. Imaginar-se, a essa altura, a obrigatoriedade de candidatos,
ainda que aprovados em concursos ulteriores, integrarem a relação processual alusiva ao mandado de
segurança significaria subversão da ordem processual.

No mérito, o Plenário afirmou que a decisão rescindenda estaria devidamente fundamentada, no sentido
de determinar a convocação dos impetrantes para a realização da segunda etapa do certame, tendo em
conta a existência de novo concurso. Em momento algum, colocara-se em jogo a situação de outros
candidatos, muito menos dos aprovados em concursos diversos. Naquela oportunidade, explicitara-se o
direito de os concursados serem convocados para o estágio seguinte da disputa sem o risco de serem

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prejudicados pela feitura de outro concurso. Ressaltou, ademais, que o caso seria idêntico à AR 1.685/DF
(DJe de 10.12.2014), a tratar de outro candidato envolvido no mesmo certame. Vencidos os Ministros
Ricardo Lewandowski (Presidente e revisor) e Roberto Barroso, que julgavam o pedido procedente. Quanto
ao alegado erro de fato sobre o caráter regional do concurso, afirmavam que o acórdão rescindendo não
tomara esse aspecto como razão de decidir, e não seria razoável que, independentemente do prazo de
validade do certame, fosse determinada a convocação de todos os candidatos habilitados na primeira fase
para o novo concurso, uma vez que não haveria vagas na localidade pretendida pelos impetrantes. Assim,
não haveria de se falar em prejuízo ou preterição dos interessados.
AR 1699/DF, rel. Min. Marco Aurélio, 18.12.2014.

Quebra de sigilo bancário e unilateralidade em inquérito policial


Em conclusão de julgamento, a 1ª Turma resolveu questão de ordem, suscitada pelo Ministro Marco
Aurélio (relator), e determinou o arquivamento de inquérito policial, bem assim julgou prejudicado agravo
regimental em que discutida a legalidade de pedido de quebra de sigilo bancário para fins de investigação
criminal. No caso, o “Parquet” requerera, além da quebra de sigilo, o encaminhamento direto dos dados
colhidos ao Ministério Público, bem como a autorização para que o órgão atuasse diretamente junto às
instituições bancárias, sem necessidade de intervenção judicial, com o intuito de obter documentos de
suporte das transações financeiras realizadas no período — v. Informativo 764. Tratava-se de investigação
instaurada para apurar o envolvimento de parlamentar com o desvio de verbas públicas, com a suposta
participação de agentes públicos e empresários. O Colegiado registrou que a investigação estaria assentada
nos elementos colhidos na denominada “Operação Solidária” (Inq 3.305/RS, DJe de 2.10.2014), os quais
teriam sido declarados imprestáveis pelo STF para serem utilizados contra o investigado, tendo em conta
violação das regras de prerrogativa de foro. Assim, se os dados seriam ilícitos, não poderiam servir de base
para nenhuma persecução, independentemente dos fatos que se pretendesse apurar.
Inq 3552 QO/RS, rel. Min. Marco Aurélio, 16.12.2014.

Irregularidades em prestação de contas e configuração típica


A 1ª Turma, por maioria, julgou improcedente pedido formulado em ação penal para absolver os réus, com
fulcro no art. 386, III, do CPP. No caso, eles foram denunciados pela suposta prática do crime do art. 3º da
Lei 7.134/1983 [“Art. 1º - Todo crédito ou financiamento concedido por órgãos da administração pública,
direta ou indireta, ou recurso proveniente de incentivo fiscal terá que ser aplicado exclusivamente no
projeto para o qual foi liberado. Art. 2º - Os infratores ficam sujeitos às seguintes penalidades: I - não se
beneficiarão de nenhum outro empréstimo de organismo oficial de crédito e nem poderão utilizar recursos
de incentivos fiscais, por um período de 10 (dez) anos; II - terão que saldar todos os débitos, vencidos e
vincendos, relativos ao crédito ou financiamento cuja aplicação foi desviada, no prazo de 30 (trinta) dias,
contados da constatação da irregularidade. Parágrafo único - As penalidades constantes deste artigo
somente serão aplicadas mediante processo regular, assegurada ao acusado ampla defesa. Art. 3º - Além
das sanções previstas no artigo anterior, os responsáveis pela infração dos dispositivos desta Lei ficam
sujeitos às penas previstas no art. 171 do Decreto-lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 - Código Penal
Brasileiro.”], combinado com o art. 171, § 3º, do CP, em razão da existência de irregularidades em
prestação de contas por parte de fundação de direito privado municipal, tendo em conta a disponibilização
de recursos a essa entidade pelo governo federal. Um dos denunciados, deputado federal, era prefeito da
municipalidade à época dos fatos. Preliminarmente, a Turma, por decisão majoritária, assentou a
competência do STF para julgar a ação. No ponto, afirmou que, embora apenas um dos denunciados
ostentasse foro por prerrogativa de função — o que, em regra, exigiria o desmembramento do feito em
relação aos demais —, a depender das peculiaridades do caso, a Corte seria competente para enfrentar a
demanda em relação aos corréus não detentores de prerrogativa de foro, inclusive, presentes a continência
e a conexão. O Ministro Roberto Barroso apontou que não se deveria desmembrar o feito, no particular,
tendo em conta o princípio da economia processual. Vencido, quanto à preliminar, o Ministro Marco

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Aurélio. Entendia que a competência, no tocante aos réus não detentores de prerrogativa de foro perante
o STF, deveria ser declinada para o juízo de 1º grau.

No mérito, o Colegiado registrou que a denúncia não imputara aos acusados a apropriação privada dos
recursos públicos disponibilizados, o que configuraria peculato ou apropriação indébita. A peça acusatória
simplesmente reproduzira conclusões de relatório de diligência policial, por meio do qual foram
identificadas irregularidades em prestação de contas apresentadas pela fundação quanto ao emprego da
subvenção social recebida do então Ministério da Ação Social. Apesar das irregularidades, a denúncia não
concluíra pela apropriação privada das verbas, mas apenas que não teriam sido aplicadas exclusivamente
no projeto para o qual liberadas. Assim, de acordo com a tipificação realizada pelo acusador, o crime em
questão configuraria espécie anômala de estelionato. Entretanto, essa equiparação seria problemática,
considerada a diversidade das condutas em questão. Além disso, a “subvenção social” recebida no caso não
se qualificaria como “crédito ou financiamento” ou “recurso proveniente de incentivo fiscal”. Desse modo,
não haveria como enquadrar o fato na Lei 7.134/1983, sequer no art. 20 da Lei 7.492/1986 ou no art. 2º, IV,
da Lei 8.137/1990, que revogaram parcialmente a Lei 7.134/1983. Não estaria configurado, de igual modo,
o estelionato, que exige o locupletamento pessoal ou em favor de outrem. Todavia, o melhor
enquadramento da conduta narrada na denúncia seria, talvez, o art. 315 do CP. Tratar-se-ia, entretanto, de
crime próprio de funcionário público, e a acusação não demonstrara a eventual possibilidade de amoldar os
dirigentes da entidade de assistência social no aludido dispositivo. De todo modo, ainda que fosse possível
essa tipificação, o crime estaria prescrito. A Turma destacou que poderia, eventualmente, haver crimes de
falsidade, uma vez que a prestação de contas feita pela fundação conteria documentos falsos. Entretanto,
essas condutas não constituiriam objeto da imputação. Assim, o fato narrado seria atípico. Poderia haver
configuração típica, mas seria preciso demonstrar que houvera apropriação indevida e privada dos
recursos, por meio de rastreamento dos valores, ou mesmo o esclarecimento do projeto para o qual
liberados recursos para a fundação. Vencido o Ministro Marco Aurélio, que julgava o pedido procedente
haja vista a configuração do crime de estelionato.
AP 347/CE, rel. Min. Rosa Weber, 16.12.2014. (AP-347)

OUTRAS INFORMAÇÕES

REPERCUSSÃO GERAL
DJe de 15 a 19 de dezembro de 2014

REPERCUSSÃO GERAL EM RE N. 770.821-PB


RELATOR: MIN. TEORI ZAVASCKI
EMENTA: ADMINISTRATIVO. PLANO DE CARREIRA DOS CARGOS TÉCNICO-ADMINISTRATIVOS DA EDUCAÇÃO (PCCTAE).
VENCIMENTO BÁSICO COMPLEMENTAR (VBC). ABSORÇÃO. VIOLAÇÃO AO PRINCÍPIO DA IRREDUTIBILIDADE DE VENCIMENTOS.
MATÉRIA INFRACONSTITUCIONAL. AUSÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL.
1. A controvérsia relativa à violação ao princípio da irredutibilidade de vencimentos decorrente da absorção do Vencimento Básico Complementar,
fundada na interpretação da Lei 11.091/05, é de natureza infraconstitucional.
2. Inviável, em recurso extraordinário, apreciar ofensa aos arts. 5º, II, XXXV, XXXVI, LIV e LV, e 37, caput, da Constituição Federal, em razão de
necessidade de revisão da interpretação das normas infraconstitucionais pertinentes (AI 796.905-AgR, Rel. Min. LUIZ FUX, Primeira Turma, DJe de
21/5/2012; AI 622.814-AgR, Rel. Min. DIAS TOFFOLI, Primeira Turma, DJe de 8/3/2012; ARE 642.062-AgR, Rel. Min. ELLEN GRACIE,
Segunda Turma, DJe de 19/8/2011).
3. É cabível a atribuição dos efeitos da declaração de ausência de repercussão geral quando não há matéria constitucional a ser apreciada ou quando
eventual ofensa à Carta Magna se dê de forma indireta ou reflexa (RE 584.608 RG, Min. ELLEN GRACIE, DJe de 13/3/2009).
4. Ausência de repercussão geral da questão suscitada, nos termos do art. 543-A do CPC.

REPERCUSSÃO GERAL EM RE N. 819.641-DF


RELATOR: MIN. TEORI ZAVASCKI
EMENTA: PROCESSUAL CIVIL. EXECUÇÃO NÃO EMBARGADA CONTRA A FAZENDA PÚBLICA. RENÚNCIA AO VALOR
EXCEDENTE A 40 SALÁRIOS MÍNIMOS. CONDENAÇÃO EM HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. MATÉRIA INFRACONSTITUCIONAL.
AUSÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL.

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1. A controvérsia relativa à condenação em honorários advocatícios na execução não embargada contra a Fazenda Pública na qual há renúncia ao
valor excedente a 40 salários mínimos, fundada na interpretação do art. 1º-D da Lei 9.494/97 e dos arts. 20 e 730 do CPC, é de natureza
infraconstitucional.
2. É cabível a atribuição dos efeitos da declaração de ausência de repercussão geral quando não há matéria constitucional a ser apreciada ou quando
eventual ofensa à Carta Magna se dê de forma indireta ou reflexa (RE 584.608 RG, Min. ELLEN GRACIE, DJe de 13/3/2009).
3. Ausência de repercussão geral da questão suscitada, nos termos do art. 543-A do CPC.
REPERCUSSÃO GERAL EM ARE N. 848.240-RN
RELATOR: MIN. TEORI ZAVASCKI
EMENTA: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO. FGTS. DEPÓSITOS EFETUADOS NA CONTA VINCULADA.
ÍNDICE DE CORREÇÃO MONETÁRIA. APLICAÇÃO DA TAXA REFERENCIAL. MATÉRIA INFRACONSTITUCIONAL. AUSÊNCIA DE
REPERCUSSÃO GERAL.
1. Esta Suprema Corte, em diversas manifestações de seu órgão plenário, afirmou a legitimidade da Taxa Referencial (TR) como índice de atualização de
obrigações, com a única ressalva da inviabilidade de sua aplicação retroativa para alcançar situações pretéritas. Nesse sentido: ADI 493-MC, Rel. Min.
MOREIRA ALVES, Tribunal Pleno, DJ de 4/9/1992; ADI 768-MC, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, DJ de 13/11/1992; ADI 959-MC,
Rel. Min. SYDNEY SANCHES, Tribunal Pleno, DJ de 13/5/1994.
2. Assim sendo, o exame da inaplicabilidade da TR em situações específicas pertence ao domínio da legislação ordinária pertinente a cada caso, a
significar que eventual ofensa à Carta Magna seria apenas reflexa.
3. Portanto, é de natureza infraconstitucional a controvérsia relativa à aplicação da TR como índice de correção monetária dos depósitos efetuados em
conta vinculada do FGTS, fundada na interpretação das Leis 7.730/89, 8.036/90 e 8.177/91.
4. É cabível a atribuição dos efeitos da declaração de ausência de repercussão geral quando não há matéria constitucional a ser apreciada ou quando
eventual ofensa à Carta Magna ocorra de forma indireta ou reflexa (RE 584.608 RG, Min. ELLEN GRACIE, DJe de 13/03/2009).
5. Ausência de repercussão geral da questão suscitada, nos termos do art. 543-A do CPC.
REPERCUSSÃO GERAL EM ARE N. 849.328-RN
RELATOR: MIN. TEORI ZAVASCKI
EMENTA: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO. FUNDO DE GARANTIA DE OPERAÇÕES DE CRÉDITO
EDUCATIVO (FGEDUC). ADESÃO APÓS REALIZAÇÃO DE CONTRATO DE FINANCIAMENTO ESTUDANTIL COM O FUNDO DE
FINANCIAMENTO AO ESTUDANTE DE ENSINO SUPERIOR (FIES). MATÉRIA INFRACONSTITUCIONAL. AUSÊNCIA DE
REPERCUSSÃO GERAL.
1. É de natureza infraconstitucional a controvérsia relativa à legitimidade de adesão ao Fundo de Garantia de Operações de Crédito Educativo
(FGEDUC) após a formalização de contrato de financiamento estudantil, fundada na interpretação da Lei 10.260/01 e das cláusulas do contrato que
rege a relação entre as partes.
2. Incabível, em recurso extraordinário, apreciar violação ao art. 5º, XXXVI, da Constituição Federal, por ser indispensável a revisão da interpretação
das normas infraconstitucionais pertinentes (AI 796.905-AgR, Rel. Min. LUIZ FUX, Primeira Turma, DJe de 21.5.2012; AI 622.814-AgR, Rel. Min.
DIAS TOFFOLI, Primeira Turma, DJe de 08.3.2012; ARE 642.062-AgR, Rel. Min. ELLEN GRACIE, Segunda Turma, DJe de 19.8.2011).
3. É cabível a atribuição dos efeitos da declaração de ausência de repercussão geral quando não há matéria constitucional a ser apreciada ou quando
eventual ofensa à Carta Magna ocorra de forma indireta ou reflexa (RE 584.608 RG, Min. ELLEN GRACIE, DJe de 13/03/2009).
4. Ausência de repercussão geral da questão suscitada, nos termos do art. 543-A do CPC.
Decisões Publicadas: 4

CLIPPING DO D JE
DJe de 15 a 19 de dezembro de 2014

REFERENDO EM MED.CAUT. EM ADI N. 4.663-RO


RELATOR: MIN. LUIZ FUX
EMENTA: AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE. DIREITO CONSTITUCIONAL E FINANCEIRO. SISTEMA ORÇAMENTÁRIO
CONSTITUCIONAL INAUGURADO PELA CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA DE 1988. TELEOLOGIA VOLTADA AO PLANEJAMENTO DA
ATUAÇÃO DO PODER PÚBLICO. LEI DE DIRETRIZES ORÇAMENTÁRIAS DO ESTADO DE RONDÔNIA (LEI Nº 2.507/11). TERMO AD
QUEM. FINAL DO EXERCÍCIO FINANCEIRO SUBSEQUENTE. PRECEDENTES DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. PRAZO DE
VIGÊNCIA ESGOTADO AO TÉRMINO DO EXERCÍCIO FINANCEIRO DE 2012. EXAURIMENTO DA EFICÁCIA DO DIPLOMA
NORMATIVO E DAS NORMAS IMPUGNADAS. PERDA SUPERVENIENTE DE OBJETO. AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE
PREJUDICADA.
*noticiado no Informativo 763
MS N. 25.875-DF
RELATOR: MIN. MARCO AURÉLIO
JORNADA – ATO JURÍDICO PERFEITO E ACABADO – CLÁUSULA PÉTREA. Ante a existência de situação jurídica aperfeiçoada, descabe
modificar, em prejuízo do servidor, a jornada de trabalho.
*noticiado no Informativo 762
RE N. 240.785-MG
RELATOR: MIN. MARCO AURÉLIO
TRIBUTO – BASE DE INCIDÊNCIA – CUMULAÇAO – IMPROPRIEDADE. Não bastasse a ordem natural das coisas, o arcabouço jurídico
constitucional inviabiliza a tomada de valor alusivo a certo tributo como base de incidência de outro.
COFINS – BASE DE INCIDÊNCIA – FATURAMENTO – ICMS. O que relativo a título de Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e a
Prestação de Serviços não compõe a base de incidência da Cofins, porque estranho ao conceito de faturamento.
*noticiado no Informativo 762
Inq N. 2.760-TO
RELATOR: MIN. GILMAR MENDES
Inquérito. 2. Competência originária. 3. Penal e Processual Penal. 4. A absolvição de outros implicados em ações penais por fatos semelhantes, pela
falta de provas, não prejudica a propositura da ação penal. 5. Narrando a denúncia o propósito inicial de subtração de recursos públicos liberados por

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entidade de desenvolvimento, com concurso necessário de servidores públicos, correta a tipificação do fato como peculato-furto. Inviável a
desclassificação para os crimes do art. 2º da Lei 8.137/90. 6. O depoimento de implicado assistido de advogado e repetido em juízo não é,
aparentemente, viciado. 7. A propositura de várias denúncias por fatos não idênticos não caracteriza abuso do poder de denunciar. 8. Peculato-furto e
lavagem de dinheiro. Exigência de propina para liberação de recursos do Finam a empreendedores. Subtração de recursos públicos. Ocultação dos
recursos mediante endosso em branco de cheques e saques em espécie. Prova da existência dos fatos e indícios de autoria. Denúncia recebida.
*noticiado no Informativo 762
AG. REG. NA ADPF N. 319-PB
RELATOR: MIN. DIAS TOFFOLI
EMENTA: Agravo regimental em arguição de descumprimento de preceito fundamental. Ato omissivo do Governador do Estado da Paraíba
consistente na ausência de envio, ao Poder Legislativo estadual, do projeto de lei que fixa, na forma de subsídio, a remuneração do Defensor Público
do Estado. Mandado de segurança em trâmite no Tribunal de Justiça do Estado com idêntico objeto. Ausência de subsidiariedade. Agravo a que se
nega provimento.1. Encontra-se em trâmite no Tribunal de Justiça do Estado da Paraíba mandado de segurança impetrado pela Defensoria Pública do
Estado em que se impugna o mesmo ato omissivo objeto da presente arguição, sendo os respectivos pedidos idênticos. Portanto, existe meio
processual capaz de sanar a lesividade alegada pela associação autora com a mesma amplitude e imediaticidade que teria a decisão proferida pelo
Supremo Tribunal Federal, razão pela qual se tem por não atendido o requisito da subsidiariedade.2. Agravo regimental a que se nega provimento.
HC N. 123.837-SP
RELATOR: MIN. DIAS TOFFOLI
EMENTA:Habeas Corpus. Processual Penal. Agravo regimental interposto em sede de habeas corpus não admitido pelo Superior Tribunal de
Justiça por ausência de capacidade processual do recorrente. Entendimento que afronta a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal. Em
sede de habeas corpus, o fato de a parte não possuir capacidade postulatória não impede o conhecimento do agravo regimental. Precedentes.
Ordem concedida de ofício.
1. O entendimento do Superior Tribunal de Justiça em não admitir o manejo, pelo paciente que não detém capacidade postulatória, de agravo
regimental em sede de habeas corpus está em desacordo com a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal.
2. É firme a jurisprudência da Corte no sentido de que, em sede de habeas corpus, o fato de a parte não possuir capacidade postulatória não impede o
conhecimento do agravo regimental.
3. Ordem concedida de ofício para determinar ao Superior Tribunal de Justiça que, afastado o óbice ao conhecimento do agravo regimental
interposto, julgue seu mérito.
RHC N. 123.400-SP
RELATOR: MIN. TEORI ZAVASCKI
EMENTA: PENAL. ASSOCIAÇÃO CRIMINOSA. ART. 288 DO CP. EXTINÇÃO PREMATURA DA AÇÃO PENAL. ALEGAÇÃO DE BIS IN
IDEM. RECORRENTE QUE CUMPRIU PENA NO EXTERIOR. QUESTÕES DE MÉRITO QUE DEVEM SER DECIDIDAS PELO JUIZ
NATURAL DA CAUSA. INVIABILIDADE DE ANÁLISE DE FATOS E PROVAS.
1. A jurisprudência desta Corte firmou entendimento no sentido de que a extinção da ação penal, de forma prematura, pela via do habeas corpus,
somente se dá em hipóteses excepcionais, nas quais seja patente (a) a atipicidade da conduta; (b) a ausência de indícios mínimos de autoria e
materialidade delitivas; ou (c) a presença de alguma causa extintiva da punibilidade, o que não se verifica no caso.
2. Não há como avançar nas alegações postas no recurso, que, a rigor, pretendem o julgamento antecipado da ação penal mediante exame do conjunto
fático-probatório dos autos. Caberá ao juízo natural da causa, com observância ao princípio do contraditório, proceder ao exame das provas colhidas e
conferir a definição jurídica adequada para o caso.
3. Recurso ordinário desprovido.
ADI N. 2.803-RS
RELATOR: MIN. DIAS TOFFOLI
EMENTA: Ação direta de inconstitucionalidade. Lei Complementar nº 11.530, de 21 de setembro de 2000, do Estado do Rio Grande do Sul.
Inclusão do Município de Santo Antônio da Patrulha na Região Metropolitana de Porto Alegre. Vício de iniciativa. Inexistência.
Improcedência do pedido.
1. Não incide em violação da reserva de iniciativa legislativa do chefe do Poder Executivo (art. 61, § 1º, II, e, CF) lei complementar estadual que
inclui novo município em região metropolitana. A simples inclusão de município em região metropolitana não implica, per se, a alteração da estrutura
da máquina administrativa do Estado. Precedente: ADI nº 2.809/RS, Relator o Ministro Maurício Corrêa, DJ de 30/4/04.
2. O impedimento constitucional à atividade parlamentar que resulte em aumento de despesa (art. 63, I, CF/88) só se aplica aos casos de iniciativa
legislativa reservada. Ademais, conforme esclarece a Assembleia Legislativa, a inclusão de município na região metropolitana não gera aumento de
despesa para o Estado, uma vez que “a dotação orçamentária está vinculada à própria região metropolitana, independentemente do número de
municípios que a integrem, sendo irrelevante, portanto, a inclusão posterior de Município da região em comento”.
3. A legislação impugnada observa formal e materialmente o disposto no art. 25, § 3º, da Constituição Federal. O instrumento normativo utilizado é
idôneo, uma vez que se trata de lei complementar estadual, e o requisito territorial insculpido na expressão “municípios limítrofes” foi atendido. Na
justificativa do projeto de lei, está demonstrada a proximidade física e a interdependência urbana, social e histórica entre o Município de Santo Antônio da
Patrulha e os demais componentes da Região Metropolitana de Porto Alegre.
4. Ação direta de inconstitucionalidade julgada improcedente.
*noticiado no Informativo 766
MS N. 32.271-DF
RELATORA: MIN. CÁRMEN LÚCIA
EMENTA: MANDADO DE SEGURANÇA. CONSELHO NACIONAL DE JUSTIÇA. PROCESSO DISCIPLINAR CONTRA MAGISTRADO. PENA
DE DISPONIBILIDADE COM PROVENTOS PROPORCIONAIS. DECURSO DO PRAZO DE DOIS ANOS (ART. 57, § 1º, DA LOMAN). PEDIDO
DE APROVEITAMENTO. INDEFERIMENTO MOTIVADO PELO AJUIZAMENTO DE AÇÃO CIVIL PÚBLICA CONTRA O MAGISTRADO.
NECESSIDADE DE AGUARDAR O DESFECHO DA AÇÃO. FUNDAMENTO INIDÔNEO. AFASTAMENTO POR PRAZO INDETERMINADO:
DESPROPORCIONALIDADE. ORDEM DE SEGURANÇA CONCEDIDA.
RHC N. 122.618-MG
RELATOR: MIN. GILMAR MENDES
Recurso ordinário em habeas corpus. 2. Ofensa aos princípios o contraditório e do devido processo legal. Inocorrência. 3. Inaplicabilidade da consunção se, do
quadro fático fixado pela jurisdição ordinária, concluírem-se diversas as condutas a justificar a subsunção das ações a tipos penais diferentes. 4.
Recurso ordinário em habeas corpus a que se nega provimento. 5. Concessão da ordem, de ofício, para determinar a análise de eventual continuidade
delitiva entre os roubos.

Informativo 772-STF(03/02/2015) – Esquematizado por Márcio André Lopes Cavalcante | 24


TRANSCRIÇÕES
Com a finalidade de proporcionar aos leitores do INFORMATIVO STF uma compreensão mais
aprofundada do pensamento do Tribunal, divulgamos neste espaço trechos de decisões que tenham
despertado ou possam despertar de modo especial o interesse da comunidade jurídica.

Medida cautelar de afastamento de cargo público e cabimento de “habeas corpus” (Transcrições)


HC 121.089/AP*
RELATOR: Ministro Gilmar Mendes
Habeas Corpus. 2. Cabimento. Proteção judicial efetiva. As medidas cautelares criminais diversas da prisão são onerosas ao implicado e
podem ser convertidas em prisão se descumpridas. É cabível a ação de habeas corpus contra coação ilegal decorrente da aplicação ou da
execução de tais medidas. 3. Afastamento cautelar de funcionário público. Conselheiro de Tribunal de Contas. Excesso de prazo da medida.
Ausência de admissão da acusação. Há excesso de prazo no afastamento cautelar de Conselheiro de Tribunal de Contas, por mais de dois anos,
sem que a denúncia tenha sido admitida. 4. Ação conhecida por maioria. Ordem concedida.
RELATÓRIO: Trata-se de habeas corpus, com pedido de liminar, impetrado por ** e outros, em favor de **, buscando provimento judicial que,
inclusive liminarmente, desconstitua a decisão proferida pela Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça nos autos da Ação Penal 702/AP, a qual
determinou o afastamento do paciente de suas funções de Conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Amapá e impediu a entrada nas
dependência do Tribunal, bem como “a utilização de veículos, recebimento de vantagens decorrentes do efetivo exercício no cargo, tais como
passagem aérea, diárias, ajuda de custo, telefone e quaisquer outros bens de propriedade” da Corte de Contas, até a apreciação da denúncia.
Relatou ser conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Amapá. Afirmou que, em 10.9.2010, sofreu prisão cautelar, por ordem do
Superior Tribunal de Justiça, nos autos do Inquérito 681, posteriormente desmembrado no Inquérito 720 e, por fim, na Ação Penal 702. A prisão foi
mantida até 11.3.2011, ocasião em que, por decisão do ministro do Superior Tribunal de Justiça João Otávio de Noronha, foi substituída pelo
afastamento da função pública pelo prazo de 360 dias. Esgotado o prazo, retornou às atividades em 23.3.2012. Em 13.4.2012, foi denunciado nos
mencionados autos. Em 20.4.2012, o Ministério Público requereu novo afastamento por 360 dias. Em 23.4.2012, o pedido foi julgado em mesa pela
Corte Especial, tendo sido deferido novo afastamento, desta feita até a análise da denúncia.
Alegou a nulidade da decisão, visto que o afastamento por prazo indeterminado não foi requerido pelo Ministério Público. Sustentou estar
afastado por prazo irrazoável, sendo a medida verdadeira antecipação da pena. Acrescentou que a medida não é necessária, visto que as investigações
já foram concluídas. Alegou que o ato coator seria baseado exclusivamente na gravidade do delito.
Pediu provimento judicial que, inclusive liminarmente, desconstitua a ordem de afastamento de suas atividades como conselheiro do Tribunal
de Contas.
O Superior Tribunal de Justiça prestou informações (eDOC 29).
A medida liminar foi indeferida em março de 2014 (eDOC 213).
Foi requerida reconsideração (eDOC 219).
A Procuradoria-Geral da República pugnou pelo não conhecimento do habeas corpus, por inadequação da via eleita, visto que não haveria
ameaça à liberdade de locomoção.
O paciente propôs a Medida Cautelar 3679, buscando provimento judicial que determine, inclusive liminarmente, a reintegração no cargo.
** (eDOC 227), ** e ** e ** (eDOC 241) requereram a extensão dos efeitos da decisão, na forma do art. 580 do CPP. Os três primeiros
relataram serem conselheiros e o último conselheiro aposentado do Tribunal de Contas. Afirmaram estarem afastados de suas funções por força da
mesma decisão do Superior Tribunal de Justiça. Sustentaram estarem na mesma situação processual do paciente.
É o relatório.
VOTO: Trata-se de habeas corpus impetrado em favor de conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Amapá, afastado por força de decisão na
Ação Penal 702, do Superior Tribunal de Justiça, buscando a reintegração no cargo e afastamento de outras medidas cautelares.
Inadequação da via eleita. A Procuradoria-Geral da República pugnou pelo não conhecimento do habeas corpus, por inadequação da via
eleita, visto que não haveria ameaça à liberdade de locomoção.
De acordo com o art. 5º, LXVIII, da Constituição Federal, “conceder-se-á ‘habeas-corpus’ sempre que alguém sofrer ou se achar ameaçado de
sofrer violência ou coação em sua liberdade de locomoção, por ilegalidade ou abuso de poder”.
É certo que inexiste divergência teórica quanto ao fato de o habeas corpus se destinar a proteger o indivíduo contra qualquer medida restritiva
à liberdade de ir, vir e permanecer (art. 5º, inciso LXVIII, da Constituição Federal).
O Plenário desta Corte reiteradamente tem assentado que aludido remédio tem como escopo a proteção da liberdade de locomoção e seu
cabimento tem parâmetros constitucionalmente estabelecidos, justificando-se a impetração sempre que alguém sofrer, ou se achar ameaçado de sofrer,
violência ou coação em sua liberdade de ir e vir, por ilegalidade ou abuso de poder (AgR no HC 82.880/SP, DJ 16.5.2003).
Ainda, a jurisprudência prevalecente no STF é no sentido de que não terá seguimento habeas corpus que não afete diretamente a liberdade de
locomoção. Nesse sentido: HC-AgR 97.119/DF, rel. Min. Celso de Mello, 2ª Turma, unânime, DJe 8.5.2009; HC 96.220/PR, rel. Min. Cármen Lúcia,
1ª Turma, unânime, DJe 1º.7.2009, e RHC-AgR 86.011/MG, rel. Min. Cezar Peluso, 2ª Turma, unânime, DJe 23.10.2009.
A despeito da força que essa interpretação tem assumido em nossa jurisprudência, não me impressiona o argumento de que habeas corpus é o
meio adequado para proteger tão somente o direito de ir e vir.
O habeas corpus configura proteção especial tradicionalmente oferecida no sistema constitucional brasileiro. Não constava, porém, da
Constituição de 1824, tendo sido contemplado, inicialmente, no Código de Processo Criminal de 1832 (arts. 340 a 355) e, posteriormente, ampliado,
com a Lei n. 2.033 de 1871.
A Constituição de 1891 estabeleceu, no art. 72, § 22, o seguinte: dar-se-á habeas corpus sempre que o indivíduo sofrer violência, ou coação,
por ilegalidade, ou abuso de poder.
A formulação ampla do texto constitucional deu ensejo a uma interpretação que permitia o uso do habeas corpus para anular até mesmo ato
administrativo que determinara o cancelamento de matrícula de aluno em escola pública, para garantir a realização de comícios eleitorais, o exercício
de profissão, entre outras possibilidades.

Informativo 772-STF(03/02/2015) – Esquematizado por Márcio André Lopes Cavalcante | 25


A propósito, observam Ada Pellegrini, Gomes Filho e Scarance Fernandes:
“Na verdade, três posições firmaram-se com o advento da Constituição republicana: alguns, como Rui Barbosa, sustentavam que a
garantia deveria ser aplicada em todos os casos em que um direito estivesse ameaçado, manietado, impossibilitado no seu exercício por abuso de
poder ou ilegalidade; em sentido oposto, afirmava-se que o habeas corpus, por sua natureza e origem histórica, era remédio destinado
exclusivamente à proteção da liberdade de locomoção; e finalmente, uma terceira corrente, vencedora no seio do Supremo Tribunal Federal,
propugnava incluir na proteção do habeas corpus não só os casos de restrição da liberdade de locomoção, como também as situações em que a
ofensa a essa liberdade fosse meio de ofender outro direito. Assim, exemplificava Pedro Lessa: quando se ofende a liberdade religiosa, obstando
que alguém penetre no templo, tem cabimento o habeas corpus, pois foi embaraçando a liberdade de locomoção que se feriu a liberdade religiosa;
quando se ofende a liberdade religiosa, porque se arrasam as igrejas, ou se destroem os objetos do culto, não é possível requerer o remédio,
porque aí não está em jogo a liberdade de locomoção das pessoas”. (Ada Pellegrini Grinover, Antonio Magalhães Gomes Filho e Antonio
Scarance Fernandes, Recursos no processo penal, cit., p. 347-348).
Esse desenvolvimento foi cognominado de doutrina brasileira do habeas corpus.
Em 1926, emenda constitucional vinculou de forma expressa o habeas corpus à liberdade de locomoção (Dar-se-á habeas corpus sempre que
alguém sofre violência por meio de prisão ou constrangimento ilegal em sua liberdade de locomoção).
Todas as demais constituições brasileiras, sem nenhuma exceção, incorporaram a garantia do habeas corpus (Constituição de 1934, art. 113, n. 23;
Constituição de 1937, art. 122, n. 16; Constituição de 1946, art. 141, § 23; e Constituição de 1967/69, art. 150, § 20). Durante todo esse tempo, essa garantia
somente foi suspensa pelo Ato Institucional n. 5, de 1968, no que concerne aos crimes políticos, contra a segurança nacional, contra a ordem
econômica e social e contra a economia popular.
Não olvido as legítimas razões que alimentam a preocupação com o alargamento das hipóteses de cabimento do habeas corpus e, com efeito,
as distorções que dele decorrem. Contudo, incomoda-me mais, ante os fatos históricos, restringir seu espectro de tutela.
Tenho que a ação de habeas corpus deve ser admitida para atacar medidas criminais que, muito embora diversas da prisão, afetem interesses
não patrimoniais importantes da pessoa física.
No HC 90.617, de minha relatoria, julgado em 30.10.2007, a 2ª Turma determinou a reintegração de desembargador, por excesso de prazo na
decisão que decretou o afastamento cautelar da função.
Naquele julgamento, após afirmar que a medida cautelar já durava por prazo além do razoável, assim analisei o cabimento da ação:
“(...) considerada essa configuração fática excepcional, entendo ser o caso de se estabelecer um distinguishing com relação à referida
jurisprudência tradicional deste Tribunal quanto à matéria do cabimento do habeas corpus. Entendo que o writ é cabível porque, na espécie,
discute-se efetivamente aquilo que a dogmática constitucional e penal alemã – a exemplo da ilustre obra Freiheitliches Strafrecht (“Direito
Penal Libertário”), de Winfried Hassemer, – tem denominado Justizgrundrechte.
Essa expressão tem sido utilizada para se referir a um elenco de normas constantes da Constituição que tem por escopo proteger o
indivíduo no contexto do processo judicial. Não tenho dúvidas que o termo seja imperfeito, uma vez que, amiúde, esses direitos transcendem a
esfera propriamente judicial.
Assim, à falta de outra denominação genérica, também nós optamos por adotar designação assemelhada – direitos fundamentais de
caráter judicial e garantias constitucionais do processo –, embora conscientes de que se cuida de denominações que pecam por imprecisão.
De toda forma, independentemente dessa questão terminológica, um elemento decisivo é o de que, no caso concreto ora em apreço, invoca-se
garantia processual de natureza judicial e administrativa, que tem repercussão direta quanto ao devido processo legal penal e à dignidade
pessoal e profissional do paciente.
Desse modo, o tema da razoável duração do processo (CF, art. 5 o, LXXVIII), por expressa disposição constitucional, envolve não
somente a invocação de pretensão à “direito subjetivo” de célere tramitação dos processos judiciais e administrativos, mas também, o
reconhecimento judicial de “meios que garantam a celeridade de sua tramitação”. Em outras palavras, a interpretação desse dispositivo
também está relacionada à efetivação de legítimas garantias constitucionais como mecanismos de defesa e proteção em face de atrocidades e
desrespeitos aos postulados do Estado democrático de Direito (CF, art. 1 o).
Nesse particular, entendo que, preliminarmente, o habeas corpus é garantia cabível e apta para levar ao conhecimento deste Tribunal
a apreciação do tema do excesso de prazo para a instrução criminal.
É dizer, embora a decisão impugnada não repercuta diretamente no direito de ir e vir do paciente (liberdade de locomoção stricto
sensu), observa-se situação de constrangimento ilegal decorrente de mora na prestação jurisdicional no âmbito processual penal.
No caso concreto, tal constrangimento corresponde à persistência do afastamento cautelar em razão do recebimento da denúncia pelo
STJ.
A viabilidade deste writ se dá, portanto, em razão de que o afastamento cautelar do paciente tem perdurado por lapso temporal
excessivo.”
Naquele caso, a 2ª Turma entendeu por reintegrar magistrado afastado do cargo por período além do razoável, por força de decisão em
processo criminal. Aceitou-se a ação de habeas corpus como via processual adequada para o pleito.
Muito embora não desconheça as decisões em sentido contrário (HC 114490 AgR, Relator Min. LUIZ FUX, Primeira Turma, julgado em
10.12.2013; RHC 118015, Relator Min. RICARDO LEWANDOWSKI, Segunda Turma, julgado em 24/09/2013), sigo entendendo na linha da
admissibilidade da ação.
Reitero que não proponho retomar a doutrina brasileira do habeas corpus, admitindo a ação como remédio para afirmar qualquer direito
líquido e certo. No entanto, há medidas cautelares restritivas a direitos importantes, adotados em processo criminal, que merecem atenção por
instâncias revisionais pela via mais expedita o possível.
Note-se que as alterações no Código de Processo Penal promovidas pela Lei 12.403/11 valorizaram a adoção de medidas cautelares diversas da
prisão – art. 319. Se, por um lado, essas medidas são menos gravosas do que o encarceramento cautelar, por outro lado, são medidas
consideravelmente onerosas ao implicado. Mais do que isso, se descumpridas, podem ser convertidas em prisão processual – art. 312, parágrafo
único, do CPP.
Se fechada a porta do habeas corpus para tutelar a pessoa atingida por essas medidas, restaria o mandado de segurança. Nos processos que
correm em primeira instância, talvez o mandado de segurança seja suficiente para conferir proteção judicial recursal efetiva ao alvo da medida.
No entanto, em processos de competência originária dos tribunais, há a peculiaridade de que o próprio tribunal que decreta a medida cautelar é
competente para julgar os mandados de segurança, por força do art. 21, VI, da Lei Complementar 35/79 – “Compete aos Tribunais, privativamente julgar,
originariamente, os mandados de segurança contra seus atos, os dos respectivos Presidentes e os de suas Câmaras, Turmas ou Seções”.
Confundem-se na mesma instância as competências para decretar a medida e para analisar a ação de impugnação da medida. Isso, na prática,
esvazia a possibilidade de impugnar a medida em tempo hábil.
O presente caso é ilustrativo dessa preocupação. As medidas cautelares combatidas foram decretadas pela Corte Especial do Superior Tribunal
de Justiça. Contra essa decisão, foi impetrado o Mandado de Segurança 20.223, relator ministro Gilson Dipp. O Superior Tribunal não conheceu do
mandado de segurança, justamente porque se tratava de decisão da própria Corte Especial daquele tribunal, competente também para julgamento do
writ.

Informativo 772-STF(03/02/2015) – Esquematizado por Márcio André Lopes Cavalcante | 26


Ou seja, aos pacientes foi denegada a via impugnatória do mandado de segurança. Não há recurso cabível. Restaria apenas o habeas corpus.
Dessa forma, tenho que o habeas corpus pode ser empregado para impugnar medidas cautelares de natureza criminal diversas da prisão.
Nestes autos, discute-se justamente o afastamento de cargo público e imposição de outras medidas cautelares, já por considerável período de
tempo e por provimento judicial de duração indeterminada, sem nem sequer acusação recebida.
Feitas essas considerações, rejeito a preliminar de inadequação da via eleita.
Mérito. O paciente ** é conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Amapá.
Sofreu prisão cautelar, por ordem do Superior Tribunal de Justiça, nos autos do Inquérito 681, em 10.9.2010.
A prisão foi mantida até 11.3.2011, ocasião em que, por decisão do ministro do Superior Tribunal de Justiça João Otávio de Noronha, relator
da Ação Penal 702 (novo número do procedimento), foi substituída pelo afastamento da função pública pelo prazo de 360 dias.
Esgotado o prazo assinalado para o afastamento, retornou às atividades em 23.3.2012.
Permaneceu em atividade, no entanto, por período curto.
Em 13.4.2012, **, juntamente com outros réus, foi denunciado (eDOC 98, fl. 2951).
Em 20.4.2012, o Ministério Público requereu o afastamento dos denunciados de suas funções públicas por 360 dias (eDOC 99, fl. 3024).
Em 23.4.2012, o pedido foi julgado em mesa pela Corte Especial, tendo sido deferido o afastamento de ** e dos também conselheiros **, ** e
** de suas funções junto ao Tribunal de Contas do Amapá. Foi outrossim deferida medida cautelar para impedir a entrada dos denunciados nas
dependência do Tribunal, bem como “a utilização de veículos, recebimento de vantagens decorrentes do efetivo exercício no cargo, tais como
passagem aérea, diárias, ajuda de custo, telefone e quaisquer outros bens de propriedade” da Corte de Contas.
As medidas cautelares foram deferidas até a análise da denúncia (eDOC 99, fl. 3031).
O procedimento prosseguiu sem a necessária agilidade.
Em 18.5.2012, o relator determinou a notificação dos denunciados para defesa.
No final de agosto de 2012, todos os denunciados já haviam oferecido resposta – com exceção da denunciada Margarete, que faleceu (eDOC
124, fl. 4024).
A partir de então, foram juntados documentos, com intimações das defesas para vista, e resolvidos alguns requerimentos.
Por fim, consultando o andamento processual na página do Superior Tribunal de Justiça na rede mundial de computadores, verifico que a
denúncia restou recentemente aditada, para incluir nova acusada. Em 14.10.2014, o eminente relator determinou a notificação de **, para resposta
preliminar.
Analisando a tramitação do feito, não vislumbro manobra procrastinatória imputável às defesas em geral, ou aos pacientes em particular.
Em suma, o afastamento de ** dura há mais de quatro anos no total – iniciou-se em 10.9.2010 e foi interrompido por apenas 31 (trinta e um)
dias.
A acusação foi formalizada em 13.4.2012 (há dois anos e meio), sem que, até a presente data, sua admissão tenha sido analisada.
É certo que a denúncia imputa crimes graves a onze acusados, sendo quatro conselheiros da ativa e um aposentado do Tribunal de Contas do
Estado (eDOC 98, fl. 2951). O paciente ** sofre as acusações mais graves. Sobre ele recai a imputação da prática de quatro crimes de peculato (art. 312 do
CP), sendo o primeiro de forma continuada, ordenação ilegal de despesa (art. 359-D do CP) e formação de quadrilha (art. 288 do CP).
Muito embora reconheça a complexidade da investigação e posterior acusação que levou ao afastamento, tenho que o afastamento já dura além
do aceitável. No voto que proferi no mencionado HC 90.617, afirmei que o prazo de dois anos, para além do qual este tribunal tem dado por
configurado “excesso de prazo gritante” para prisões, poderia ser transportado para as medidas cautelares de afastamento de cargo ou função pública:
“Ademais, entendo que, em princípio, a excessiva mora processual verificável de plano, nestes autos, configura-se como aquilo que,
em matéria de ilegítima persistência dos efeitos da custódia cautelar, ambas as Turmas deste STF têm denominado como “excesso de prazo
gritante”. Nesse sentido, arrolo alguns processos nos quais foi adotado o parâmetro de moras processuais superiores a 2 (dois) anos para o
deferimento da ordem, a saber: HC n o 87.913/PI, Rel. Min. Cármen Lúcia, Primeira Turma, unânime, DJ 5.9.2006; HC no 84.095/GO, Rel.
Min. Joaquim Barbosa, Segunda Turma, unânime, DJ 2.8.2005; HC n o 83.177/PI, Rel. Min. Nelson Jobim, Segunda Turma, unânime, DJ
19.3.2004; HC no 81.149/RJ, Rel. Min. Ilmar Galvão, Primeira Turma, unânime, DJ 5.4.2002.”
Aqui, mesmo que descontada a fase de investigação, o prazo estaria ultrapassado. Há mais de dois anos foi superada a fase de acusação e
resposta na ação penal, pendendo a análise da admissibilidade da acusação. Nada indica demora imputável às defesas.
Além disso, não há nem sequer sinalização de data para julgamento pelo Superior Tribunal de Justiça. Ou seja, há justo receio de que a medida
tenda à perenização.
Ante o exposto, voto pela concessão da ordem, para desconstituir a decisão proferida pela Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça nos
autos da Ação Penal 702/AP, na parte em que determinou o afastamento de ** de suas funções de Conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do
Amapá e impôs outras medidas cautelares até a apreciação da denúncia.
* acórdão pendente de publicação
** nome suprimido pelo Informativo

OUTRAS INFORMAÇÕES
20 de dezembro de 2014 a 31 de janeiro de 2015

Decreto nº 8.380, de 24.12.2014 - Concede indulto natalino e comutação de penas, e dá outras providências.
Publicada no DOU em 24.12.2014, Seção 1, p. 1(edição extra).
Decreto nº 8.381, de 29.12.2014 - Regulamenta a Lei nº 12.382, de 25.2.2011, que dispõe sobre o valor do salário mínimo
e a sua política de valorização de longo prazo. Publicada no DOU em 30.12.2014, Seção 1, p. 1.
Mensagem de veto total nº 4 de 6.1.2015 - Projeto de Lei nº 96, de 2014 (nº 1.872/07 na Câmara dos
Deputados), que “Acrescenta arts. 6º-A e 6º-B à Lei nº 6.530, de 12.5.1978, para dispor sobre a associação entre
corretor de imóveis e imobiliárias e sobre a contribuição sindical dos corretores de imóveis”. Publicada no DOU em
7.1.2015, Seção 1, p. 1.

Informativo 772-STF(03/02/2015) – Esquematizado por Márcio André Lopes Cavalcante | 27


Lei nº 13.058, de 22.12.2014 - Altera os arts. 1.583, 1.584, 1.585 e 1.634 da Lei no 10.406, de 10.1. 2002 (Código
Civil), para estabelecer o significado da expressão “guarda compartilhada” e dispor sobre sua aplicação. Publicada no
DOU em 23.12.2014, Seção 1, p. 2.
Lei nº 13.060, de 22.12.2014 - Disciplina o uso dos instrumentos de menor potencial ofensivo pelos agentes de
segurança pública, em todo o território nacional. Publicada no DOU em 23.12.2014, Seção 1, p. 3.
Lei nº 13.063, de 30.12.2014 - Altera a Lei no 8.213, de 24.7.1991, para isentar o aposentado por invalidez e o
pensionista inválido beneficiários do Regime Geral da Previdência Social - RGPS de se submeterem a exame médico-
pericial após completarem 60 (sessenta) anos de idade. Publicada no DOU em 31.12.2014, Seção 1, p. 1.
Medida Provisória nº 665, de 30.12.2014 - Altera a Lei no 7.998, de 11.1.1990, que regula o Programa do
Seguro-Desemprego, o Abono Salarial e institui o Fundo de Amparo ao Trabalhador - FAT, altera a Lei no 10.779, de
25.11.2003, que dispõe sobre o seguro desemprego para o pescador artesanal, e dá outras providências. Publicada no
DOU em 30.12.2014, Seção 1, p. 2 (edição extra).
Medida Provisória nº 664, de 30.12.2014 - Altera as Leis no 8.213, de 24.7.1991, no 10.876, de 2.6.2004, nº
8.112, de 11.12.1990, e a Lei nº 10.666, de 8.5.2003. Publicada no DOU em 30.12.2014, Seção 1, p. 1 (edição extra).
Lei nº 13.080, de 2.1.2015 - Dispõe sobre as diretrizes para a elaboração e execução da Lei Orçamentária de 2015 e dá
outras providências. Publicada no DOU em 2.1.2015, Seção 1, p. 1 (edição extra).
TERRITÓRIO NACIONAL - Forças Armadas - Permanência - Alteração
Lei Complementar nº 149, de 12.1.2015 – Altera a Lei Complementar nº 90, de 1º.10.1997, que determina os
casos em que forças estrangeiras possam transitar pelo território nacional ou nele permanecer temporariamente.
Publicada no DOU, n. 8, Seção 1, p. 1, em 13.1.2015.
PROCURADOR-GERAL DA REPÚBLICA - Subsídio - Reajuste
Lei nº 13.092, de 12.1.2015 – Dispõe sobre o subsídio do Procurador-Geral da República, referido no inciso XI do
art. 37 e no § 4º do art. 39, combinados com o § 2º do art. 127 e a alínea c do inciso I do § 5º do art. 128, todos da
Constituição Federal; revoga dispositivo da Lei nº 12.770, de 28.12.2012; e dá outras providências. Publicada no DOU,
n. 8, Seção 1, p. 5, em 13.1.2015.
Medida Provisória nº 668, de 30.1.2015 - Altera a Lei nº 10.865, de 30.4.2004, para elevar alíquotas da
Contribuição para o PIS/PASEP-Importação e da COFINS-Importação, e dá outras providências. Publicada no DOU em
30.1.2015, Seção 1, p. 2 (edição extra).
SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL (STF)
Ministro - Subsídio - Reajuste
Lei nº 13.091, de 12.1.2015 – Dispõe sobre o subsídio de Ministro do Supremo Tribunal Federal, referido no
inciso XV do art. 48 da Constituição Federal; revoga dispositivo da Lei nº 12.771, de 28.12.2012; e dá outras
providências. Publicada no DOU, n. 8, Seção 1, p. 1, em 13.1.2015.
Subsídio - Magistratura - União
Resolução nº 544/STF, de 13.1.2015 – Torna público o subsídio mensal da Magistratura da União. Publicada no
DJE/STF, n. 10, p. 3, em 16.1.2015.
Tabela de custas - Tabela - Porte de remessa e retorno dos autos - Valor - Atualização
Resolução nº 543/STF, de 13.1.2015 – Dispõe sobre as Tabelas de Custas e a Tabela de Porte de Remessa e
Retorno dos Autos e dá outras providências. Publicada no DJE/STF, n. 11, p. 1, em 19.1.2015.
Expediente Forense - Atendimento ao público - Secretaria - Prazo processual - Prorrogação
Portaria nº 24/STF, de 26.1.2015 – Comunica que não haverá expediente na Secretaria do Tribunal nos dias 16 e
17.2.2015, em virtude do disposto no inciso III do artigo 62 da Lei nº 5.010, de 30.5.1966, e, também, que os prazos que
porventura devam iniciar-se ou completar-se nesses dias ficam automaticamente prorrogados para o dia 18 subsequente
(quarta-feira), em que o expediente será das 14 às 19 horas. Publicada no DJE/STF, n. 19, p. 12, em 29.1.2015.
Secretaria de Documentação – SDO
Coordenadoria de Jurisprudência Comparada e Divulgação de Julgados – CJCD

Informativo 772-STF(03/02/2015) – Esquematizado por Márcio André Lopes Cavalcante | 28

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