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Direito Internacional Privado

Professor Anderson Silva


Livro: Paulo Henrique Portela Gonçalves. Direito Internacional Público e Privado. Jus
Povdim.

Aula 1 – Parte 1
Introdução ao Direito Internacional Público

Conceito de Direito Internacional Público


Apesar de ser um ramo não tão jovem do Direito, não há consenso sobre sua
definição. Discute-se sobre a utilização de três critérios para se definir o DIP.

• Critérios dos sujeitos: DIP é o ramo do direito que regula a relação entre os
sujeitos internacionais.
• Critério das matérias reguladas: o DIP é o ramo do direito cuja matéria
ultrapassa o interesse dos Estados
• Critério das fontes: o DIP é formado pelas normas oriundas das fontes de
produção normativa internacionais.

A doutrina atualmente diz que, para a obtenção de um conceito adequado, é


necessária uma combinação ddos três critérios. Segundo o professor, o terceiro critério
já seria suficiente.
Segundo a doutrina, então, o DIP seria o ramo do Direito que estuda as normas
internacionais,

Fundamento do Direito Internacional Público


Nesse ponto, o objetivo é descobrir qual o fundamento do DIP, de sua
obrigatoriedade. Para explicar tal fundamento, há duas escolas:

• Escola voluntarista: a obrigatoriedade do DIP se funda no consentimento dos


Estados. Assim, sendo os Estados entes soberanos, só se submeteriam a uma
norma, caso consentissem.
Dentro da escola voluntarista, Rezek diferencia consentimento criativo e
perceptivo. O criativo é aquele que gera novas normas no Direito
Internacional, as quais os Estados poderiam prescindir. O perceptivo é
aquele segundo o qual se criam normas sem as quais a convivência
internacional seria impossível, como exemplo, tem-se o pact sund servanda.

• Escola objetivista: há normas e valores internacionais que independem da


própria vontade dos Estados. Ou seja, existem normas que os Estados
obedecem e devem fazê-lo independentemente de consentimento. A
tendência atual do Direito Internacional é adotar a corrente objetivista, ou
seja, de que os Estados devem observar normas das quais não fizeram parte
da sua formação.

Relação entre o Direito Internacional e o Interno


Há, nesse ponto, duas escolas que tenta explicar tal relação:
1 – Escola dualista: Ordem internacional e ordem interna são absolutamente
independentes. Por isso, segundo tal teoria, para que uma norma internacional tenha
vigência na ordem jurídica interna, é necessário que tal norma passe pelo mesmo
processo de criação das normas internas. Assim, para que um tratado internacional seja
reconhecido no Direito interno, será necessária a aprovação de uma lei reproduzindo o
teor do tratado.
Dentro de tal escola, surgiu a teoria dualista moderada. Segundo ela, não seria
necessário que fosse aprovada uma lei reproduzindo o inteiro teor do tratado e sim que
houvesse um procedimento especial de incorporação deste tratado no ordenamento
jurídico interno.

2 – Escola Monista: Ordem jurídica internacional e interna formariam apenas uma


ordem jurídica. Há três subteorias dentro desta.
• Internacionalista: Entende que há só uma ordem jurídica, mas defende a
preponderância do Direito internacional, que prevalecerá em caso de
conflito.
• Nacionalista: Entende que há só uma ordem jurídica, mas defende a
preponderância do Direito interno, que prevalecerá em caso de conflito.
• Monista moderada: Há uma concorrência entre Direito internacional e
interno. Há uma ordem jurídica só, mas havendo conflitos entre normas
internacionais e internas, aplicam-se os critérios de resolução de conflitos de
normas.
A doutrina afirma que, de acordo com o art. 27 da Convenção de Viena sobre
Direito dos Tratados, prevalece, para o Direito Internacional, a teoria monista
internacionalista. No Brasil, adota-se o dualismo moderado, ou seja, deve haver um
procedimento especial de incorporação de uma norma internacional ao ordenamento
jurídico interno
Fontes do Direito Internacional Público
Necessário, para falar deste assunto, é ler o art. 38 do Estatuto da Corte
Internacional de Justiça.
ART. 38 DO ECIJ:
“A Corte, cuja função é decidir de acordo com o direito internacional as
controvérsias que lhe forem submetidas, aplicará:
a. as convenções internacionais, quer gerais, quer especiais, que estabeleçam
regras expressamente reconhecidas pelos Estados litigantes;
b. o costume internacional, como prova de uma prática geral aceita como sendo o
direito;
c. os princípios gerais de direito, reconhecidos pelas nações civilizadas; (...)
d. sob ressalva da disposição do Artigo 59, as decisões judiciárias e a doutrina dos
juristas mais qualificados das diferentes nações, como meio auxiliar para a
determinação das regras de direito.
A presente disposição não prejudicará a faculdade da Corte de decidir uma questão
ex aequo et bono, se as partes com isto concordarem.”

De tal dispositivo, extraem-se as fontes do Direito Internacional. Fontes do Direito


são os meios dos quais emanam as normas jurídicas. Quando se fala de fontes, em
Direito Internacional Público, quer-se saber quais são tais meios que fazem surgir as
normas de Direito Internacional Público.
Hierarquia das fontes
Afirma-se comumente que não há hierarquia entre as fontes de DIP. Algumas vezes,
porém, ressalva-se duas hipóteses em que se podem vislumbrar uma hierarquia material:
o jus cogens (artigos 53 e 64 da CVDTE) e a Carta da ONU, conforme seu art. 103.
Classificação das fontes
Quanto à natureza jurídica
- Materiais e formais – materiais são todos os elementos sociais, econômicos e
políticos que influenciam a criação de normas de Direito internacional, que não são
propriamente fontes, não sendo nem objeto de estudo do Direito, não trazem em si
normas jurídicas. Já as fontes formais são fontes propriamente ditas, aqueles meios de
onde decorrem as normas do Direito Internacional.
Quanto à previsão estatutária
- Estatutária e extra-estatutária: são estatutárias aquelas que estão previstas no art.
38 do ECIJ. Este dipositivo não esgota todas as fontes existentes. Estas outras que não
estão ali previstas são consideradas extra-estaturtárias.
Quanto ao acordo de vontade
- Convencionais e não convencionais: convencionais são aquelas que se baseiam
em acordos de vontade, basicamente os tratados internacionais. Não convencionais,
basicamente todas as demais fontes, que prescindem de acordo de vontades.

Fontes em espécie
Tratados internacionais: acordos escritos concluídos por pessoas internacionais com
vistas a produzir efeitos jurídicos.
Costume internacional: antes da importância dos tratados, era a principal fonte. Trata-se
da prática geral e reiterada tida como direito. Daí se retiram dos elementos que o
compõe, o objetivo ou material – prática geral e reiterada e subjetivo e biológico – o
acreditar dos entes internacionais de que se trata de normas. Caso não haja esse
elemento psicológico, trata-se de mero uso, que é a prática geral reiterada, sem o
elemento subjetivo (crença no seu caráter de norma jurídica).
O costume prescinde de qualquer processo de incorporação para ter validade e ser
obrigatório.

Nesse tema, tem-se teoria do objetor persistente: Sustenta que aquela pessoa que
se opuser a um costume desde o início de sua formação, não ficaria obrigado a ele. Tal
teoria não é totalmente aceita no DIP. A doutrina majoritária não aceita uma vez que
prevalecem a teoria objetivista que desconsidera a vontade dos Estados para a
obrigatoriedade de uma norma de DI. É unânime, porém, que tal teoria não se aplica em
matéria de DH.
Princípios gerais de Direito: normas dotadas de maior generalidade e abstração,
adotadas pela maioria das ordens jurídicas internas. Quando o art. 38 do ECIJ trata de
princípios gerais de Direito não está tratando de princípios do Direito Internacional, mas
dos direitos internos, que são adotados por quase todas as ordens jurídicas, como pacta
sund servanda e boa-fé.
Princípios gerais do Direito: Nesse caso, em Direito Internacional, está se falando em
princípios específicos do Direito Internacional. Não há previsão expressa de tal fonte no
art. 38 da ECIJ. São exemplos o princípio da autodeterminação dos povos
Jurisprudência internacional: conjunto das decisões reiteradas das cortes internacionais.
Segundo o art. 38 do ECIJ não a considera propriamente uma fonte, mas um meio
auxiliar. O que de fato não é, pois não é vinculante. Dela não emanam normas jurídicas,
logo não são fontes, conforme conceito de fonte acima exposto.
Doutrina internacional: Conjunto das obras doutrinárias sobre o DI. Também não é
fonte, mas meio auxiliar, pois dela não emanam normas.
Equidade: trata-se da justiça do caso concreto, que aparece no art. 38 do ECIJ como ex
aequ et bono. Só pode ser aplicado com a concordância das partes, havendo dúvidas se
se trata de fonte do Direito. Segundo o professor, seria um mecanismo de integração de
lacunas:
Analogia: aplicação a um caso de uma norma criada para um caso semelhante, o qual
não tem norma jurídica que o regule. Também se trata de mecanismo de integração de
lacunas e não fonte propriamente dita.
Atos unilaterais dos Estados: trata-se de fonte extra estatutária. São as declarações de
vontade dos Estados. Tais manifestações geram normas jurídicas. Podem ser expressos
ou tácitos. Estes são aqueles que decorrem da conduta dos Estados, enquanto aqueles
decorrem de declarações expressas. Como exemplos, tem-se reconhecimento de
Estados, reconhecimento de Governo, denúncia de tratados e reserva nos tratados.
Decisões das Organizações Internacionais: declarações de vontades das Organizações
Internacionais. Não têm previsão expressa no art. 38 do ECIJ. As decisões de tais
organizações que produzem efeitos externos são consideradas fontes do DIP. O
fundamento dessa obrigatoriedade é que tais decisões decorrem de uma decisão anterior
dos Estados expressa que consentiram na criação de uma Organização Internacional,
bem como sua submissão às suas decisões. Tem-se como exemplo, as decisões do
Conselho de Segurança da ONU.
Obs.: O Conselho de Segurança da ONU pode emitir Resoluções com efeitos
vinculantes. Porém, não tem executoriedade imediata no Brasil, dependem de um
Decreto que lhe dê executoriedade. Não é o mesmo procedimento de internalização de
tratado, mas dependem de Decreto presidencial.
Jus Cogens: O que a doutrina diz sobre jus cogens é extraído dos seguintes dispositivos
da Convenção de Viena sobre
JUS COGENS:
• Art. 53. É nulo um tratado que, no momento de sua conclusão, conflite com uma
norma imperativa de Direito Internacional geral. Para os fins da presente Convenção,
uma norma imperativa de Direito Internacional geral é uma norma aceita e reconhecida
pela comunidade internacional dos Estados como um todo, como norma da qual
nenhuma derrogação é permitida e que só pode ser modificada por norma ulterior de
Direito Internacional geral da mesma natureza.
JUS COGENS:
• Art. 64. Se sobrevier uma nova norma imperativa de Direito Internacional geral,
qualquer tratado existente que estiver em conflito com essa norma torna-se nulo e
extingue-se.
JUS COGENS:
Art. 71.
1. No caso de um tratado nulo em virtude do artigo 53, as partes são obrigadas a:
a) eliminar, na medida do possível, as conseqüências de qualquer ato praticado com
base em uma disposição que esteja em conflito com a norma imperativa de Direito
Internacional geral; e
b) adaptar suas relações mútuas à norma imperativa do Direito Internacional geral.
JUS COGENS:
Art. 71.
(...) 2. Quando um tratado se torne nulo e seja extinto, nos termos do artigo 64, a
extinção do tratado:
a) libera as partes de qualquer obrigação de continuar a cumprir o tratado;
b) não prejudica qualquer direito, obrigação ou situação jurídica das partes, criados pela
execução do tratado, antes de sua extinção; entretanto, esses direitos, obrigações ou
situações só podem ser mantidos posteriormente, na medida em que sua manutenção
não entre em conflito com a nova norma imperativa de Direito Internacional geral.
Jus Cogens é o conjunto de normas internacionais dotadas de superioridade
hierárquica que somente podem ser derrogadas por normas da mesma natureza. Trata-se
de normas especiais, com as quais todas as demais devem se compatibilizar. Deste
conceito, extraem-se duas características das normas de jus cogens, a sua
inderrogabilidade, a não ser por normas da mesma natureza e sua superioridade.
Discute-se se se trata de uma espécie de fonte do DIP ou a características de
certas fontes.
Como exemplos, têm-se a proibição da tortura, Direito Internacional
Humanitário (normas que regulam os conflitos armados), proibição ao terrorismo,
proibição do genocídio.
Obrigações erga omnes: é considerada uma nova fonte do Direito Internacional. São as
obrigações aplicáveis a todos os sujeitos de Direito Internacional. Não foram
expressamente prevista no art. 38 do ECIJ, trata-se de fonte extra-statutária. Há duas
diferenças entre o jus cogens e as obrigações erga omnes, estas não são superiores
hierarquicamente, nem são inderrogáveis. A doutrina afirma, inclusive, que toda norma
de jus cogens é obrigação erga omnes, mas nem toda obrigação erga omnes será norma
de jus cogens. O principal exemplo de obrigação erga omnes é a passagem inocente.
Autoriza o início de um processo na CIJ, com base nela.
Soft law: Trata-se de uma nova fonte. É o conjunto de normas internacionais dotadas de
menor imperatividade. Não têm a mesma obrigatoriedade e coercitividade que as
demais normas internacionais, como as recomendações, agendas e algumas declarações.
Discute-se se trata de uma fonte propriamente dita, uma vez que há essa carência
de imperatividade.
Obs.: de acordo com o art. 38 do ECIJ e com a Convenção de Viana um tratado só
obriga as partes de um litígio que foram partes no tratado. Porém, a tendência atual da
doutrina do Direito Internacional é a objetivação, estendendo a aplicabilidade dos
tratados a todos os Estados.

Tratados internacionais
LEITURA OBRIGATÓRIA: CVDTE/1969: arts. 2º, 7º; 18; 19; 20; 22; 27; 43;
46; 56; 64; e 71.
Há um conceito trazido pelo art. 21 da CVDTE de 1969, o principal diploma
normativo sobre tratados internacionais, qual seja, tratado internacional é um acordo
concluído por escrito entre Estados e regido pelo Direito Internacional, quer conste de
um documento único, quer de dois ou mais instrumentos conexos, qualquer que seja sua
denominação específica.
Tal conceito sofre duas críticas da doutrina. A primeira é que ele restringe aos
Estados a capacidade para celebrar tratados. Não apenas os Estados podem celebrar
tratados, assim como as Organizações Internacionais e a Santa Sé, por exemplo. A
segunda crítica é que a parte relativa a constar de instrumento único ou mais é
desnecessária.
O conceito considerado adequado pela doutrina é que tratado é o acordo formal
concluído entre pessoas internacionais destinado a produzir efeitos jurídicos.
Terminologia
A prática internacional não utiliza as palavras abaixo de forma técnica, nem pelo
legislador brasileiro. Porém, a doutrina busca conferir alguma segurança na utilização
destas palavras.
- Carta e constituição: termos preferencialmente usados para tratados constitutivos de
Organizações internacionais.
- Ajuste, arranjo e memorando: normalmente utilizados para designar tratados de menor
relevância.
- Protocolo: tratado complementar ou acessório a um outro tratado principal, que visa a
prever normas com as quais menos Estados concordam.
- Concordatas: tratados bilaterais concluídos pela Santa Sé.
- Estatuto: tratados que criam Cortes/Tribunais Internacionais:
- Modus vivendi: tratados de menor relevância e com vigência temporária.
- Pacto de contraendo: tratado preliminar. Tratado em que as partes assumem o
compromisso de assinar outro tratado.
- Acordo executivo: tratado celebrado sem a participação do Poder Legislativo.
Tal conceito também é chamado de Executive Agreement.
Obs.: nos EUA existem o Executive Agreement e o Treaty. Este depende de
passar pela aprovação do Senado, aquele independe da participação do Legislativo. Há
quem diga que é possível um Acordo Executivo no Brasil, segundo Rezek seria a
hipótese de um tratado interpretativo.
- Acordo por troca de notas: aquele que se dá por meio de troca de notas
diplomáticas. Na verdade, o acordo por troca de notas não é um sinônimo de tratado,
mas uma forma de negociação para celebrar um tratado.
Classificação dos tratados internacionais
Quanto ao número de partes
- Bilaterias ou multilaterais (coletivos): bilaterais são aqueles celebrados entre
duas partes e multilaterais, entre mais de duas partes.
Quanto ao procedimento
- Forma solene ou forma simplificada: os tratados de forma solene são aqueles cujo
procedimento tem dois momentos essenciais, a assinatura e a ratificação. O Poder
Executivo manifesta seu consentimento em dois momentos: assinatura (provisório) e
ratificação (definitivo). Tratados de forma simplificada são aqueles que tem apenas um
momento de manifestação de consentimento, a assinatura.
Quanto à natureza das normas:
- Tratados-contrato e contratos-lei: tratados-contrato são aqueles que preveem
obrigações recíprocas para as partes e os tratados lei preveem normas de conduta para as
partes. Há quem acrescente que nos tratados-contrato as vontades são divergentes e nos
tratados leis as vontades são convergentes.
Quanto à execução no tempo:
- Estáticos ou dinâmicos: estáticos são aqueles cujos efeitos se exaurem com a
celebração, como os tratados que fixam limites entre Estados. Dinâmicos são aqueles
cuja execução se protrai no tempo.
Quanto à possibilidade de adesão
- Abertos ou fechados: abertos são aqueles que permitem a adesão de pessoas
que não fizeram parte de sua celebração. Fechados não permitem tal adesão.
Condições de validade
As condições de validade de um tratado são a capacidade das partes, habilitação
dos agentes, objeto lícito e possível e consentimento regular.
Capacidade das partes: refere-se às pessoas que podem celebrar tratados. Por
excelência, historicamente, os Estados são as pessoas internacionais capazes de
celebrarem tratados. Porém, hoje, pacificamente, outras pessoas internacionais podem
celebrar tratados, como as Organizações Internacionais, inclusive, há a CVDTEO de
1986. Podem celebrar tratados, ainda, os beligerantes, os insurgentes e a Santa Sé. Há,
ainda, a questão das unidades subnacionais. Alguns Estados autorizam que suas
unidades subnacionais celebrem tratados. No Brasil, porém, isso não é possível. Os
Estados-Membros podem apenas celebrar contratos internacionais, jamais tratados, que
depende de personalidade jurídica de direito internacional, que, no caso do Brasil,
restringe-se à União.
Habilitação dos agentes: refere-se a qual o agente pode celebrar tratados em nome dos
Estados. A Convenção de Viena traz a primeira regra sobre isso no art. 7.1, aqueles que
apresentem carta de plenos poderes ou outras circunstâncias indiquem tal habilitação.
A segunda regra, no art. 7.2, traz hipóteses de dispensa de carta de plenos
poderes: Chefe de Estado, Chefes de Governos e Ministro das Relações Exteriores; os
Chefes de missão diplomática, perante o Estado acreditado; e representantes acreditados
para evento específico.
Objeto lícito e possível: O mais relevante dentro deste requisito é o respeito ao jus
cogens pelo conteúdo do tratado, em respeito ao art. 53 da CVDTE.
Consentimento regular: os artigos 48 a 52 tratam dos vícios que podem incidir sobre a
manifestação de vontade na celebração de um tratado, como erro, dolo, coação e
corrupção.
Questão relevante é a do problema das ratificações imperfeitas. Uma ratificação
imperfeita é aquela realizada com violação às normas de Direito Interno sobre
competência. Nesse caso, questiona-se se um Estado fica desobrigado de cumprir um
tratado pois o celebrante violou normas de direito interno sobre competência. O art. 46
da CVDTE estabelece que, nesse caso, o Estado só estará livre de cumprir o tratado se a
violação for manifesta e de norma de caráter fundamental.
Processo de elaboração
Diz respeito ao processo de formação do tratado, como ele é criado. Não se deve
confundir processo de elaboração com o processo de internalização, que é quando o
tratado é submetido a um procedimento para que tenha vigência no direito interno.
Adotar-se-á a forma que apresenta cinco fases: negociação, assinatura,
ratificação, entrada em vigor no âmbito internacional e registro e publicidade.
Negociação
A negociação corresponde a fase de tratativas entre pessoas internacionais, com
vistas a celebração de um tratado. Tais negociações podem ser bilaterais ou
multilaterais. O art. 9º estabelece que quando a negociação se der numa Conferência
Internacional, ele será considerado aprovado pelo quórum de dois terços, salvo o
próprio tratado tenha regra específica.
Assinatura
Aprovado o texto na fase das negociações, passa-se a assinatura, que é a
manifestação do consentimento provisório da parte de celebrar um tratado.
O fato de ser um consentimento provisório e não obrigar o Estado a ratificar, não
quer dizer que ela não gere efeitos jurídicos. Tais efeitos são i) impossibilidade de
alteração unilateral do texto (eventual alteração dependerá de nova negociação); ii)
impedimento de atos que frustrem o objeto do tratado, mesmo que não haja
obrigatoriedade de celebrá-lo (art. 18).
Ratificação
Trata-se do consentimento definitivo sobre a celebração do tratado. Ato que
confirma o consentimento da pessoa de direito internacional.
Características: i) trata-se de ato do Poder Executivo; ii) ato discricionário, é um
ato político, que depende de um juízo de conveniência e oportunidade do Chefe do
Executivo; iii) ato expresso, não existe ratificação tácita e iv) ato irretratável, uma vez
ratificado, o Chefe do Executivo não pode se retratar (eventualmente, para se desobrigar
do tratado, deveria denunciá-lo.
Forma: nos tratados bilaterais, a ratificação se consuma com a comunicação à
outra parte da ratificação, através do chamado instrumento de ratificação, uma nota. Nos
tratados multilaterais, ela se consuma com a comunicação ao depositário (pessoa
jurídica internacional que fica responsável por receber as notas de ratificação).
Entra em vigor no âmbito internacional
Há dois sistemas de entrada em vigor de tratados no âmbito internacional, da
vigência contemporânea e da vigência diferida. No da contemporânea, o tratado entre
em vigor assim que ocorre o consentimento definitivo da parte (ratificação). No da
vigência diferida, a entrada em vigor pode depender de duas condições: i) número
mínimo de ratificações e/ou ii) prazo certo, ou seja, uma espécie de vacatio legis do
tratado (podem estar presente ambas ou só uma dessas condições).
O art. 25 da CVDTE prevê a possibilidade de aplicação provisória dos tratados,
ou seja, possibilidade de produção de efeitos, mesmo antes da entrada em vigor
definitiva. O Brasil fez reserva quanto a esse dispositivo, de modo que tal aplicação
provisória não é possível no Brasil.
Registro e publicidade
Trata-se de decorrência da proibição de celebração de tratados sigilosos. O
principal sistema de registro é o da ONU. Todos os Estados-membros da ONU devem
registrar os tratados os quais celebrarem perante à Secretaria-Geral da ONU. De acordo
com a Carta da ONU, o não registro de um tratado impossibilita que ele seja invocado
perante qualquer órgão da ONU. Existem vários sistemas de registro e publicidade dos
tratados, na demais Organizações Internacionais.
Adesão
Ingresso no tratado de uma parte que não participou de sua elaboração. Ela só é
possível em tratados multilaterais abertos.
Reservas
Trata-se de atos que manifestam a intenção das partes em excluir ou alterar o
sentido de determinadas cláusulas do tratado. Por tal definição, extraem-se dois tipos de
reservas: as exclusivas, que excluem uma cláusula do tratado em relação a si próprio ou
interpretativas, através da qual a parte altera ou restringe um sentido de determinada
cláusula.
A reserva pode ser feita na assinatura, na ratificação ou adesão. A reserva feita
na assinatura deve ser confirmada na ratificação.
Há alguns limites para a colocação de reservas (art. 19). A primeira hipótese é
caso de vedação do próprio tratado; ii) quando o tratado só admite algumas reservas; iii)
quando as reservas forem incompatíveis com o objeto e finalidade do tratado, o que é
complexo, por ser subjetivo e depender de interpretação; iv) não se admite reserva em
tratados bilaterais.
Há algumas regras sobre aceitação e objeção de reservas. Primeira observação
que se faz é que quando expressamente admitidas as reservas, não é necessária a
manifestação de aceitação pelas demais partes. Segunda observação é que nos casos
relativos a não admissão expressa de reservas, as demais partes devem se manifestar se
aceitam ou objetam aquela reserva. Terceira observação é que a parte que objetar deverá
dizer se considera aquele tratado vigente ou não entre ele e aquele que fez a reserva, ou
seja, se a parte considera que aquela reserva é incompatível com a finalidade e o objeto
do tratado, poderá dizer que não considera aplicável tal reserva a ele, de modo que o
tratado não será vigente entre ele e o Estado reservante.

AULA 2

Tratados internacionais (continuação)


Emendas
São os atos pelos quais os tratados são modificados/reformados. A CVSDTE de
1969 adota o sistema do duplo regime jurídico, no seu art. 40, de acordo com o qual,
entre as partes que não assinaram a emenda vigora o texto original e para aqueles que
assinaram a emenda vigora o tratado com a emenda.
Efeitos dos tratados
O art. 34 da CVSDTE estabelece a regra de que o tratado produz efeitos entre as
partes. Porém, há hipóteses em que o tratado produz efeitos sobre terceiros. São elas:
1 – Situações jurídicas objetivas: quando os tratados versam sobre situação jurídica
objetiva, estende seus efeitos a terceiros não participantes do tratado. Como exemplo,
tem-se um tratado que estabeleça limites entre Estados.
2 – Tratado anterior que vincula uma das partes: principal exemplo é o da cláusula da
nação mais favorecida, que garante a uma das partes a situação benéfica que for
atribuída a outro Estado, ou seja, caso um Estado que tenha um acordo concedendo uma
vantagem a um outro, estabeleça um tratado concedendo uma vantagem maior a um
terceiro, fica garantida a extensão desse benefício ao Estado do primeiro tratado.
3 – Previsão de direitos: um tratado pode conter previsão de direitos para uma parte que
não é parte daquele tratado. Segundo o art. 36, deve haver consentimento do terceiro
Estado.
4 – Previsão de deveres para terceiros: nesse caso, muito mais, deverá haver um
consentimento expresso deste terceiro Estado.

Duração dos tratados


Quando se fala em duração de tratados, divide-se em dois tipos de tratados, os de
vigência estática e os de vigência dinâmica. Os primeiros são aqueles que exaurem seus
efeitos com a sua conclusão; os de vigência dinâmica são aqueles cuja a execução se
protraem no tempo.
A regra de duração é que, quando o tratado for de vigência estática, sua vigência
é perpétua. Já os tratados de vigência dinâmica podem ser por tempo indeterminado ou
por tempo determinado.

Interpretação dos tratados


A CVSDTE traz algumas regras sobre interpretação dos tratados internacionais,
que podem ser divididas em duas partes, a regra geral e os meios suplementares.
Estabelece como regra geral que a interpretação deve ser de boa-fé, atribuindo-se
aos termos o seu sentido comum, de acordo com o contexto e a finalidade dos tratados
(art. 31). No caso de insuficiência da regra geral ou para confirmar a interpretação
obtida com a regra geral, a Convenção autoriza o interprete a adotar meios
suplementares, inclusive, os trabalhos preparatórios.
Suspensão dos tratados
Suspensão é a sustação de produção de efeitos de um tratado, ou seja, o tratado
deixa de produzir efeitos por um período. A CVSDT traz algumas hipóteses de
suspensão. São elas:
• Previsão do próprio contrato
• Vontade das partes
• Vontade de algumas partes – nesse caso, a suspensão só se dará entre elas.
• Por conclusão de tratado posterior – um tratado posteriormente celebrado pode
conter a previsão de suspensão de tratado anterior
• Violação substancial do tratado – é possível que, quando houver uma violação
grave ao conteúdo do tratado, possa este ser suspenso.
Art. 63 – Em regra, o simples rompimento de relações diplomáticas ou consulares
não suspendem ou extinguem os tratados, salvo se essas relações forem
indispensáveis para a aplicação do tratado.

Extinção dos tratados


As principais hipóteses são:
1 – Previsão convencional – ou seja, o próprio tratado prevê uma circunstância que
gerará sua extinção.
2 – Vontade das partes: assim como é necessária apenas a vontade das partes para a
celebração do tratado, também a vontade delas pode extingui-lo.
3- Denúncia ou retirada
4 – Conclusão de tratado posterior – quando a extinção do tratado é previsto em outro
tratado, celebrado posteriormente àquele.
5 – Violação substancial do tratado – quando houver violação grave violação ao seu
conteúdo
6 – Impossibilidade superveniente de cumprimento – se a finalidade se mostrar
impossível, posteriormente à sua celebração, poderá ser extinto.
7 – Mudança fundamental das circunstâncias – se ocorrer uma mudança de
circunstância essencial para a celebração do tratado. Leva em conta a cláusula rebus sic
stantibus. Essa mudança deve ser em relação às circunstâncias presentes no momento da
realização do tratado, além disso, devem ser fundamentais e essenciais à celebração do
tratado. (art. 62)
8 – Superveniência de jus cogens – todo tratado deve ser compatível com o jus cogens,
quando criado, para ser válido. Porém, quando a norma de jus cogens surge ou é
reconhecida como tal supervenientemente ao tratado, gera-se a extinção do tratado. Que
a ela for contrário.

Denúncia
Ato unilateral por meio do qual a parte manifesta a sua intenção de se retirar de
um tratado.
Obs.: Nem sempre a denúncia extingue um tratado, perceptivelmente nos tratados
multilaterais. Nesses casos, só será extinto o tratado quando com as denúncias for
reduzido o número de partes abaixo do mínimo necessário para sua conclusão e assim
for previsto no tratado.
- Forma
A denúncia é formalizada por uma nota ou instrumento de denúncia. Deve
observar um pré-aviso de pelo menos doze meses, como regra geral da CVSDTE,
podendo haver regra especial dentro dos tratados. Dentro desses doze meses, a renúncia
é retratável.
De acordo com Rezek, a denúncia pode ser parcial se o tratado for aberto e
admitir reservas. Isso porque, caso a denúncia parcial fosse obstada, o Estado poderia
denunciar totalmente o tratado e aderir a ele, fazendo reserva daquelas cláusulas às
quais pretendia denunciar.
Há, porém, hipóteses em que não é possível fazer denúncia, são elas:
Tratados de vigência estática – trata-se de consequência lógica uma vez que tal tratado
exaure seus efeitos com sua conclusão.
Tratados normativos de elevado valor social e moral – tratados de direito humanitário
Tratados que não preveem essa possibilidade.
Tratados internacionais no Direito Brasileiro

Processo de incorporação dos tratados


O Brasil adota, no que tange à relação entre o direito internacional e o direito
interno, a teoria dualista moderada, segundo a qual, para que um tratado internacional
tenha vigência no direito interno, basta um procedimento especial de incorporação.
Dentro desta teoria, há dois modelos de incorporação, o tradicional e o
automático. No tradicional, o procedimento culmina com um ato especial do Chefe de
Estado, no caso brasileiro, Decreto do Presidente. No automático, o ato especial do
Chefe de Estado é dispensado, entrando em vigor no momento em que entra em vigor
no âmbito internacional.
O Brasil adota o modelo tradicional, o que foi confirmado pelo STF na Carta
Rogatória 8279. O STF afirma que não há exceção, no direito brasileiro, ao modelo
tradicional. O procedimento de internalização contém as seguintes fases:
1 – Exposição de motivos (MRE) – Depois da assinatura, o MRE encaminha uma
exposição de motivos ao Presidente da República.
2 – Mensagem (PR) – o Presidente da República encaminha uma mensagem ao
Congresso Nacional, acompanhada pelo texto do tratado e pela exposição de motivos
3 – Decreto Legislativo – o tratado é discutido em ambas as Casas do Congresso, a
começar pela Câmara do Deputados, e depois edita um decreto legislativo
4 – Ratificação - Após a expedição do Decreto legislativo, o tratado volta ao Presidente,
que pode ratificar o tratado. A ratificação é ato de soberania, discricionário, não estando
o Presidente obrigado a fazê-lo.
5 – Decreto (PR) - Ratificado o tratado, o Presidente edita um Decreto, quando o tratado
passará a viger no direito brasileiro.

Processo de incorporação dos tratados internacionais de Direitos Humanos


A EC 45/2004 modificou o processo de incorporação dos tratados internacionais
de Direitos Humanos, ao incluir o §3º ao art. 5º da CRFB. Eles têm uma peculiaridade,
podem ser submetidos ao rito próprio das emendas constitucionais.
Alguns autores, como Flávia Piovesan, Valério Mazzuoli, afirmam que os
tratados internacionais de Direitos Humanos são incorporados ao Direito brasileiro pelo
modelo automático. Fundamenta essa ideia na combinação do §1º, do art. 5º, que
estabelece a eficácia imediata dos direitos e garantia fundamentais, com o §3º que
estabelece que os direitos e garantias previstos na CRFB não excluem outros
provenientes dos tratados internacionais. Assim, ela diz que tratados de direitos
humanos, por criarem direitos e garantias fundamentais, tem aplicabilidade imediata no
Brasil, a partir do momento em que o Brasil é signatário e ele passa a ter vigência no
cenário internacional, não dependendo de um ato específico do Presidente para que
tenha vigência interna.
O STF, por sua vez, reafirma que não há exceção ao modelo tradicional de
incorporação, sendo necessária a ratificação do Presidente da República.
Hierarquia dos tratados internacionais
Dividem-se basicamente em três hipóteses relevantes para se discutir a
hierarquia dos tratados internacionais.
- Tratados internacionais comuns: tem hierarquia, no direito brasileiro, equivalente à
das leis ordinárias. O fundamento dessa ideia é a possibilidade de controle de
constitucionalidade dos tratados, que se extrai de alguns dispositivos constitucionais,
como art. 102, III, b e art. 105, III, a CRFB; RE 80.004, STF.
- Tratados de Direitos Humanos: atualmente, entram na ordem jurídica brasileira com
status supralegal, ou seja, acima das leis ordinárias, mas, abaixo da CRFB. Contudo, os
tratados internacionais de Direito Humanos terão hierarquia de Emenda Constitucional,
se aprovados de acordo com o rito do art. 5º, § 3º da CRFB.
No RE 466.343, o Ministro Gilmar Mendes, fala de quatro correntes sobre o
status dos tratados internacionais de direitos humanos. A primeira foi a que sustentava a
supraconstitucionalidade dos tratados internacionais de direitos humanos, o que é
incompatível com o ordenamento jurídico brasileiro, devido ao dogma da supremacia da
Constituição. Outra corrente é a da constitucionalidade destes tratados, graças a uma
cláusula de abertura que haveria no art. 5º, §3º da CRFB, o que também é incompatível
com o ordenamento jurídico brasileiro. A terceira corrente exposta foi a de status de lei
ordinária dos tratados de direitos humanos, o que foi o entendimento do STF até o RE
466.343. Entretanto, argumentou que não é possível a manutenção desse entendimento,
que, atualmente, não seria coerente que uma lei ordinária fosse capaz de revogar um
compromisso internacional do Brasil, em matéria de direitos humanos. Sendo assim,
defendeu o reconhecimento do status de supralegalidade desses tratados.
Com esse entendimento, passou a existir mais um grau de verificação da
validade das leis ordinárias, os tratados internacionais de direitos humanos. Caso seja
incompatível com um tratado de direitos humanos, determinada lei será inconvencional
e, portanto, inválida.
Hoje a Corte Interamericana de direitos humanos diz que todo juiz deve exercer
o controle de convencionalidade das leis.
- Tratados de Direito Tributário: a doutrina internacionalista afirma que os tratados
internacionais de matéria tributária no direito brasileiro tem status supralegal, com base
no art. 98 do CTN, que estabelece que a legislação superveniente deve observar o que
estabelecem os tratados internacionais em matéria tributária. A abordagem dos
tributaristas, porém, é diferente. Muitos alegam que não cabe ao CTN estabelecer qual o
status de normas, isso seria papel da CRFB.
Vale destacar que há um voto do Ministro Gilmar Mendes, no RE 460.320, que
afirma a supralegalidade dos tratados internacionais de Direitos Humanos, quando
internalizados pelo rito comum.
Denúncia
No direito brasileiro há um questionamento se é necessária a participação do
Congresso Nacional na denúncia de tratados internacionais.
Primeiro apontamento a ser feito é que, tradicionalmente, no direito brasileiro,
os tratados internacionais são denunciados sem participação do Congresso Nacional.
Porém, quem defende o contrário argumenta que, assim como na feitura do
compromisso internacional se depende da conjugação das vontades do Executivo e do
Legislativo, pelo paralelismo das formas, deve-se exigir o mesmo para a denúncia. ADI
1625 (não concluída - até o momento, a maioria votou no sentido da necessidade da
participação do Poder Legislativo.
Obs.: o Congresso Nacional pode fazer reservas aos tratados. Rezek defende que o
termo correto seria “ressalvas” em vez de “reserva”.
Personalidade jurídica internacional

Conceito
Personalidade internacional é a aptidão para titularizar direitos e obrigações na
ordem internacional. Para a doutrina tradicional somente tem personalidade
internacional os Estados e as Organizações Internacionais. Para a doutrina moderna,
outras figuras como indivíduos e empresas têm personalidade internacional.
- Estado: sujeito formado pela combinação de território, povo e soberania. Sujeito
internacional por excelência. O direito internacional foi criado para reger as relações
entre Estados.
- Organizações internacionais: são entes criados pela vontade dos Estados, por um
tratado constitutivo, com um aparelho institucional permanente, para alcançar
determinadas finalidades. Nem sempre tiveram reconhecida sua personalidade jurídica
internacional.
- Santa Sé e Estado da Cidade do Vaticano: Santa Sé é o órgão que administra a Igreja
Católica e tem sua personalidade jurídica internacional reconhecida pela sua tradicional
prática de celebrar tratados internacionais, ao longo da história. O Estado da Cidade do
Vaticano tem personalidade jurídica, uma vez que é um Estado, propriamente dito,
como povo, território e soberania.
- Indivíduos: quanto a eles há divergência. Para doutrina moderna, têm personalidade
jurídica, e apresenta como argumentos: i) alguns atos internacionais regulam
diretamente a vida dos indivíduos, prevendo direitos a eles; ii) os indivíduos têm
legitimidade em alguns foros internacionais, como a Corte Europeia de Direitos
Humanos e Mercosul; iii) o indivíduo pode responder como réu em alguns foros
internacionais, como o Tribunal Penal Internacional. A doutrina tradicional, defende
posição contraria, argumentando que: i) os indivíduos não participam da criação
normativa internacional, os indivíduos não podem celebrar tratados; ii) a presença do
indivíduo em foros internacionais só ocorre quando permitida pelos Estados, seria uma
concessão dos Estados e não direito inerente aos indivíduos.
- Sociedades empresárias: a doutrina tradicional não aceita personalidade jurídica das
empresas; já a moderna aceita. A favor, argumenta-se que i) a importância das empresas
no âmbito internacional geraria essa necessidade de reconhecimento e ii) a participação
das empresas em foros internacionais. A doutrina tradicional afirma que não podem
celebrar tratados e que, assim como os indivíduos, só participam dos foros
internacionais por uma permissão dos Estados.
- Beligerantes: grupos armados que se opõem ao regime jurídico vigente e tentam
substitui-lo.
- Insurgentes: também são grupos armados que se opõem ao regime jurídico vigente
tentam substitui-lo, porém, dotados de menor grau de organização (ex.: revoltada
armada).
- Nações em luta pela soberania: são os movimentos de libertação nacional, povos que
lutam para ter seu próprio Estado.
Essas três últimas figuras têm personalidade jurídica internacional, o que os
permite a celebrar tratados, principalmente, no que tange ao direito humanitário,
podendo ser cobrados pelo cumprimento dessas normas.
Obs: Resposta: “Prezado Gabriel, Essa questão é ainda controvertida. Diversos autores
tradicionais e modernos consideram que os beligerantes, insurgentes e nações em luta
pela soberania detém personalidade jurídica (por exemplo, Valério Mazzuoli,
Hildebrando Accioly, Paulo Henrique Portela). Outros, em minoria, no entanto,
consideram que somente o Estado e as Organizações Internacionais possuem
personalidade jurídica, excluindo todos os demais, inclusive os indivíduos (p. exemplo,
Francisco Rezek). Para melhor compreensão do tema, segue um trecho de artigo escrito
pelo Desembargador do Trabalho Georgenor de Sousa Franco Filho, que explica a
evolução da teoria sobre os sujeitos no direito internacional público: ?A primeira é a
teoria negativista, defendida por Triepel e Anzilotti, também chamada de clássica ou
estadualista. Entendem seus defensores que o homem é apenas sujeito do Direito
Interno e o Estado é sujeito do Direito Internacional. A crítica que é formulada
fundamenta-se em que esses teóricos negam a personalidade internacional do homem,
que, no entanto, possui direitos e deveres na órbita internacional, como facilmente se
constata, por exemplo, da Declaração Universal dos Direitos Humanos de 1948, além de
olvidar a importância do papel das organizações internacionais, igualmente sujeitos
desse ramo do Direito. Diametralmente oposta é a corrente individualista, cujo maior
defensor é Leon Duguit, que, todavia, nega a personalidade internacional dos Estados e
das organizações internacionais, admitindo que apenas o homem seja sujeito do Direito.
A corrente aceita pela grande maioria pode ser chamada de conciliatória, defendida por
Lauterpacht e Accioly, e igualmente denominada de eclética ou heteropersonalista, que
entende que tanto os Estados, como as Organizações internacionais, as comunidades
nãoestatais e o homem possuem direitos e deveres na órbita internacional e, portanto,
devem ser considerados sujeitos do Direito Internacional.”
Estado
Leitura obrigatório: art. 1º e 3º da Convenção de Montevidéu sobre Direitos e Deveres
dos Estados.
Conceito
O ente formado pela combinação de território, povo e soberania. A Convenção
de Montevidéu adiciona um quarto elemento que é a capacidade de manter relações com
outros Estados.
Estado não se confunde com nação, pois esta diz respeito a um grupo ligado por
vínculos de natureza social, religiosa, antropológica. Nem se confunde com Estado-
membros, que são entes federados, sem soberania, apenas com autonomia.
Povo
É o elemento humano do Estado. É o conjunto de pessoas vinculados ao Estado
por meio da nacionalidade. Não se deve confundir povo com população, que é um
conceito meramente demográfico, conjunto dos residentes de um território.
Soberania
Trata-se do elemento político do Estado. Trata-se do atributo estatal que lhe
confere igualdade no âmbito internacional e supremacia no âmbito interno.
O problema dos mircroestados, que são aqueles que têm seus elementos bem
reduzidos, de modo que têm suas prerrogativas soberanas exercidas por outros Estados.
Discutia-se no direito internacional se tais microestados eram, de fato, Estados e se
tinham assento na ONU. Muitos Estados se opunham a isso, porque o Estado vinculado
ao microestado acabaria por ter dois votos nos órgãos da ONU. Hoje, porém, reconhece-
se o caráter de Estado deles, inclusive, o assento na ONU.
Reconhecimento de Estado
É o ato unilateral pelo qual o Estado declara a existência de outro. Ele pode ser
expresso ou tácito. Expresso quando feito formalmente e tácito quando decorre de sua
conduta, como, por exemplo, o envio de embaixador.
Esse ato tem como características: i) ato unilateral, basta a vontade do declarante
para se aperfeiçoar; 2) ato declaratório, pois apenas reconhece um fato e não o cria.
Nesse ponto, destaca-se que um Estado não depende de reconhecimento de outros para
existir, trata-se, segundo a doutrina, de uma situação de fato; 3) discricionário, depende
da conveniência e oportunidade do declarante, ato político, não pode ser obrigado a tal
ato; 4) incondicional, não pode vir acompanhado de exigências e 5) irrevogável, uma
vez exercido, não poder ser retratado.
Reconhecimento de governo
Ato unilateral por meio do qual um Estado declara o reconhecimento do governo
de um outro Estado. Somente é cabível em rupturas institucionais, ou seja, não é
necessário que toda vez que haja uma troca de governo, segundo as regras
constitucionais, que haja o reconhecimento pelos demais Estados, mas apenas quando se
der por outros caminhos, como uma revolução. Também é declaratório, discricionário,
unilateral, incondicional e irrevogável (art. 6º).
Há duas doutrinas citadas pelos internacionalistas sobre tal instituto: doutrina
Tobar e Doutrina Estrada. A doutrina Tobar defende que somente é possível um
reconhecimento de governo, se verificado que este conta com apoio popular. A doutrina
Estrada afirma que o instituto do reconhecimento de governo é uma intervenção
indevida nos negócios domésticos dos Estados, violaria o direito internacional, por
desrespeito ao princípio da não intervenção.

Território
É o elemento geográfico de um Estado. É o espaço físico dentro do qual o
Estado exerce soberania. Sobre o território o Estado exerce soberania geral e exclusiva.
Geral porque o Estado exerce todos os poderes públicos sobre o território e exclusiva,
porque somente ele pode exercer esses poderes, com a exclusão de todos os demais.
O conceito estrito de território abrange somente solo e águas interiores, mas o
Estado exerce soberania também sobre o mar territorial e sobre o espaço aéreo.
No que tange a embaixadas e consulados, destaca-se que não fazem parte do
território do Estado ao qual pertencem. Não se adota a teoria da extraterritorialidade
nesse tema. Aplica-se hoje a teoria do interesse da função, segundo a qual estes espaços
são dotados de inviolabilidades com o fim de viabilizar as suas funções.

Aquisição do território
A doutrina relaciona as seguintes hipóteses:
a) Descoberta seguida da ocupação da terra nullius (terra de ninguém) ou simplesmente
ocupação da terra derelicta (terra abandonada) – a descoberta tem que ser seguida de
ocupação, pois o direito internacional diz que é a ocupação que confere a titularidade e
não somente a descoberta. No caso Palmas, foi reconhecida a titularidade dos Países
Baixos por serem ocupantes da terra, de modo que se conclui que a ocupação prevalece
sobre a descoberta.
b) Conquista: atualmente é vedada pelo art. 11 da Convenção de Montevidéu.
c) Cessão: pode ser gratuita ou onerosa
d) Negociações internacionais: por meio de um ajuste internacional é possível adquirir
um território.
e) Adjudicação: quando uma organização internacional atribui a um Estado determinado
território.
Delimitação territorial
Importante distinguir limite e fronteira. Limite é a linha que separa os Estados.
Fronteira é a área adjacente a essa linha. Os limites podem ser artificiais ou naturais.
Artificiais são os paralelos e meridianos. Naturais são basicamente rios, montanhas,
cordilheiras.
A doutrina, nesse tema, fala do princípio do uti possidetis, segundo o qual,
devem ser mantidas as linhas territoriais originais. Há o princípio uti possidetis de iuris
e de facto. O de iuri, defendido pela América hispânica, defendendo que deveriam ser
mantidos os limites previstos nos tratados. O de facto, defendido pela América
portuguesa, afirmava que deveria ser respeito o limite segundo a efetiva ocupação.
Hoje o princípio uti possidetis é aplicado como princípio da efetividade,
defendendo a preservação da real ocupação.

Relação entre Estado e território


Há duas teorias acerca dessa relação, teoria do domínio e teoria do imperium. A
teoria do domínio afirma que o Estado é proprietário, tem um direito real sobre o
território. De acordo com a teoria do imperium, o Estado exerce sua soberania sobre as
pessoas e, por meio delas, sobre o território.
Direito dos Estados
1) Conservação e defesa: todo Estado tem direito de defender seu território.
2) Liberdade: os Estados têm liberdade para atuar no cenário internacional, não se
admitindo intervenções estrangeiras;
3) Igualdade: A soberania confere igualdade entres os Estados, uns perante os outros
4) Comércio internacional: todo Estado tem direito ao comércio internacional

Deveres dos Estados


Dividem-se entre morais e jurídicos. Morais (dever de assistência mútua).
Jurídicos (dever de não intervenção).

Dever de não intervenção


Dentro deste dever, há três doutrinas importantes:
1) Doutrina Monroe – baseado no jargão “américa para os americanos”, sustentava que
nenhuma potência europeia poderia se intrometer nos negócios internos dos Estados
americanos.
2) Doutrina Drago – sustenta que não é cabível intervenção armada para cobrança de
dívidas
3) Responsability to protect (r2p) – surgiu na década de 1990 por causa de violações
graves de direitos humanos na guerra do Kosovo, que levou a OTAN a intervir naquele
país. Discutiu-se, então, se um Estado não proteger os direitos humanos de seus
cidadãos, a sociedade internacional poderia intervir para o fazer. Ficou estabelecido que
é dever primário do Estado proteger os direitos humanos de seus cidadãos. Contudo,
caso o Estado não se desincumba deste dever, cabe à sociedade internacional o fazer.
AULA 3
Estado (continuação)
Imunidade estatal
Refere-se à impossibilidade de um Estado se submeter à Justiça de outro ou ter
os seus bens constritos por outro Estado. Trata-se de imunidade de um Estado-soberano,
além dessa, em direito internacional há diversos outros tipos de imunidades, como a das
Organizações internacionais, dos agentes diplomáticos, dos chefes de Estado, dos
Ministros das Relações Exteriores, entre outros.
Desse conceito, extrai-se duas modalidades da imunidade estatal, a de jurisdição
e a de execução. A primeira é a impossibilidade de um Estado se submeter à Justiça de
outro e a segunda a impossibilidade ter os seus bens constritos por outro Estado.
O fundamento jurídico da imunidade Estatal é uma norma costumeira: par in
parem non habet iudicium, que significa que entre iguais não há jurisdição. Sendo
assim, tomando-se como premissa que os Estados, como entes soberanos, tinham como
manifestação dessa soberania no âmbito internacional, a igualdade, não seria possível
que um Estado julgasse outro.
Durante muito tempo, a imunidade estatal era absoluta. Durante o século XX,
desenvolveu-se a diferenciação entre atos de império e atos de gestão que relativizou a
imunidade de jurisdição dos Estados. Consideraram-se atos de império aqueles
decorrentes da soberania, ou seja, praticados pelo Estado na posição de ente soberano.
Atos de gestão seriam aqueles praticados pelos Estados como se particulares fossem
(contratos, atos comerciais etc.).
Atualmente, a doutrina afirma que os Estados têm imunidade de jurisdição em
relação aos atos de império, mas não em relação aos atos de gestão. Entretanto, a
imunidade de execução continua absoluta, tal distinção a este tipo de imunidade estatal
não se aplica. Ou seja, em relação aos atos de gestão, um Estado pode ser julgado e
condenado pelo Poder Judiciário de outro Estado, porém, não poderá ser executado,
caso não cumpra espontaneamente a decisão.
Em qualquer caso, porém, o Estado pode renunciar sua imunidade. Observa-se,
porém, que a renúncia à imunidade jurisdição não se estende para renúncia à imunidade
de execução, o que depende de uma nova renúncia.
No caso Alemanha versus Itália, com intervenção da Grécia, discutiu-se se a
imunidade de jurisdição e de execução se aplica no caso de violação a direitos humanos.
A Corte Internacional de Justiça decidiu que mesmo neste caso se aplica a imunidade.
Imunidade estatal no Direito Brasileiro
Competência para julgar Estados e organismos internacionais:
Art. 109, II CRFB – se o caso versar sobre município ou pessoa domiciliada no Brasil e
Estado estrangeiro ou organismo internacional, a competência será da Justiça Federal de
primeiro grau.
Desse processo cabe recurso ordinário para o STJ – art. 105, II CRFB.
Art. 102, I, e CRFB – no caso de Estado-membro, Distrito Federal ou União contra
Estado estrangeiro ou organismo internacional, a competência será originária do STF.
A distinção entre atos de império e atos de gestão, relativizando a imunidade de
jurisdição no segundo caso foi reconhecida pelo STF na ACi 9696 (1989)
Porém, na ACO 543-SP, o STF confirmou o caráter absoluto da imunidade de
execução.
Quanto ao procedimento, o STJ afirma que ao receber uma ação sobre ato de
império, o juiz não deve extinguir o processo de imediato, mas comunicar a demanda ao
Estado estrangeiro para que ele informe se vai renunciar ou não sua imunidade. Tal
comunicação não é uma citação, mas uma simples notificação. Se o Estado estrangeiro
não se manifestar ou não renunciar, o processo deve ser extinto. Caso renuncie, o
processo deve prosseguir até o trânsito em julgado.
Organizações internacionais
Leitura obrigatória
Artigos. 1º, 2º, 18, 51, 55, 94, 96 e 102 da Carta da ONU.
Ente criado por Estado, com base em um tratado constitutivo, com órgãos
permanentes e personalidade jurídica internacional, que visa alcançar certos objetivos.
Elementos da Organizações internacionais.
Criadas pela reunião de Estados: decorrem da manifestação de vontade dos Estados.
Destaca-se, porém, que uma organização internacional pode ser criada por outras
organizações internacionais.
Tratados constitutivos: são sempre criadas por tratados constitutivos, que são
normalmente chamadas por Carta ou Constituição.
Órgãos permanentes: toda organização internacional tem seu corpo funcional. Não há
um padrão de estrutura das organizações internacionais. Porém, dois órgãos sempre
aparecem numa organização: um órgão plenário, muitas vezes chamados de
Assembleia, e uma Secretaria.
Personalidade jurídica internacional: nem sempre as organizações internacionais
tiveram sua personalidade jurídica reconhecida. O marco do seu reconhecimento foi
parecer da CIJ no caso Folke Bernadotte. Nesse caso, a ONU consultou junto a CIJ se
ela poderia pleitear a reparação pela morte de seu funcionário, o que foi reconhecido
pela CIJ, por ter admitido sua personalidade jurídica.
Objetivos específicos: as organizações internacionais são criadas para o alcance de
objetivos específicos.
Alguns autores as chama de organizações intergovernamentais. Porém, essa
nomenclatura é criticada, pois elas não decorrem da manifestação de vontade dos
governos, mas dos Estados.
Elas não se confundem com as ONG’s internacionais. Estas têm personalidade
jurídica de direito interno, são constituídas com base no direito interno de determinado
Estado.
Organismos internacionais não é um sinônimo de organizações internacionais.
Segundo alguns autores, aquela é uma expressão mais ampla que estas. Organismos
abrangeria, inclusive, alguns tratados internacionais, como o GATT e os mecanismos de
integração regional, como Mercosul e União Europeia.

Classificação
Quanto à abrangência: podem ser universais ou regionais. Universais são aquelas que
têm a pretensão de alcançar todo o globo, como, a ONU, a OIT. Regionais são aquelas
que pretendem alcançar apenas determinada região do globo, como a OEA.
Quanto ao fim: podem ser gerais ou especiais. Gerais são aquelas que não delimitam sua
finalidade. Especiais são aquelas que tem sua finalidade bem definida e restrita a
determinada área.
Quanto à natureza: intergovernamentais ou supranacionais. Intergovernamentais são
aquelas que se colocam no mesmo nível em que os Estados. Supranacionais são aquelas
que se colocam acima dos Estados.
Funcionamento
Há membros originários, aqueles que participaram de sua criação e os derivados,
aqueles que aderiram ao tratado constitutivo posteriormente.
Normalmente se permite a admissão de novos membros, que se dá pela adesão
ao tratado constitutivo e, normalmente, não admite reservas.
Diferente do Estado que tem um território, as organizações internacionais não
têm. Para terem uma base física, celebram acordos de sede com um Estado.
Tem o pessoal paradipolmático, que é o conjunto de seus funcionários, que não
se confunde com a representação dos Estados, que são as pessoas que participam das
reuniões representando a vontade de seus Estados.
O financiamento normalmente é feito pela cotização dos Estados membros.
Normalmente, a contribuição dos Estados é proporcional, como na ONU, em que é
proporcional ao PIB.
Normalmente preveem sanções para os membros, que podem ser de expulsão ou
suspensão.
Normalmente, é prevista a possibilidade de retirada voluntária, por parte de um
membro.
Imunidade das organizações internacionais
O STF proferiu decisão no RE 578543-MT, que serve de referência para o tema.
A primeira característica e diferença da imunidade dos Estados é o seu
fundamento jurídico que é convencional, ou seja, é prevista no próprio tratado
constitutivo.
Tal imunidade é absoluta, não havendo distinção entre atos de império e de
gestão. Até porque não praticam atos de império, pois não têm soberania.
Obs.: o princípio da autodeterminação tem sido entendido como direito a decidir sobre
seu destino político e não que cada povo tem direito a um Estado para chamar de seu.
ONU
A ONU sucedeu a Liga das Nações, organização internacional criado ao fim da
primeira guerra mundial, com a finalidade de evitar a eclosão de uma segunda guerra
mundial, através da união de forças de diversos países.
Após, a segunda guerra mundial, começaram as negociações para criação da
ONU, na Conferência de São Francisco de 26 de junho de 1945. Tem uma sede em NY
e em Genebra.
Objetivos da ONU – art. 1º da Carta da ONU
Manter a paz e segurança internacional, para evitar uma nova grande guerra.
Promover boas relações entre os Estados
Promover a cooperação internacional
Servir de centro harmonizador para conseguir fins comuns
Princípios da ONU – art. 2º
Igualdade entre Estados: todos os Estados são soberanamente iguais.
Boa-fé: uma postura de boas intenções do Estados para a solução das controvérsias.
Solução pacífica das controvérsias: uma vez que a ONU visa a manter a paz mundial, as
controvérsias devem ser resolvidas primariamente através de meios pacíficas.
Proscrição da ameaça e do uso da força: Proíbe-se como regra a utilização do uso da
força no âmbito internacional. Só se admite em duas hipóteses: legítima defesa a um
ataque armado, que deve ser proporcional e durar até a intervenção do Conselho de
Segurança e ação coercitiva do Conselho de Segurança para alcançar a paz.
Princípio da assistência mútua: os problemas ultrapassam as fronteiras dos Estados, de
modo que se faz necessária a atuação de todos os Estados.
Princípio da não-intervenção: os Estados e as organizações internacionais, em geral, não
estão autorizados a interviram na política interna dos Estados. Não significa, porém, que
o Conselho de segurança não possa adotar suas medidas previstas para alcance da paz.
Atualmente, por tal princípio, não se impede a intervenção na defesa de direitos
humanos.
Membros
Membros originários: aqueles que participaram da conferência de São Francisco e da
criação da ONU.
Para ser admitido como membro da ONU, basta que o Estado se declare amante
da paz.
O art. 5º prevê hipótese de suspensão de membro da ONU. Tal penalidade é aplicado ao
Estado contra o qual for adotada uma ação coercitiva do Conselho de Segurança. O art.
6º prevê a expulsão, que se aplicará àquele Estado que violar persistentemente os
princípios da Carta da ONU.

Órgãos da ONU
Assembleia geral
É o órgão plenário da ONU, que congrega todos os Estados membros. Tem uma
reunião ordinária, uma vez por ano. De acordo com a Carta, tem competência para
qualquer tema dentro de suas finalidades ou de qualquer órgão seu.
As deliberações da Assembleia Geral assumem a forma de Resolução. Estas são
aprovados por dois terços em questões importantes.

Conselho de segurança
Tem competência para investigar situações que possam consistir em ameaça à
manutenção da paz e segurança internacional e avalia-las.
É composto por quinze membros, sendo cinco permanentes: China, EUA, Reino
Unido, França e Rússia. Os demais são temporários. Tal composição é criticado, pois
não seria justificável sob a ótica do princípio da igualdade e democrático.
Suas deliberações dependem do voto afirmativo de nove membros, sendo que
deve haver o voto afirmativo dos cinco membros permanentes.
Secretaria-geral
Principal órgão administrativo da ONU, órgão operacional/burocrático. É
chefiada pelo secretario-geral, o mais alto cargo e principal funcionário da ONU.
ECOSOC – Conselho econômico e social
Tem competência para fazer estudos e relatórios sobre assuntos internacionais de
caráter econômico, social, cultural, educacional e conexos para promover os direitos
humanos. Trata-se de órgão consultivo.
Conselho de tutela
Administra Estados recém independentes ou a caminho da independência.
Corte Internacional de Justiça
Órgão jurisdicional do sistema das Nações Unidas. Também chamada de Corte
da Haia
Organismos especializados
São organizações internacionais com personalidade jurídica própria, vinculados
à ONU, por meio de tratados e pela comunhão de símbolos, princípios e missões,
formando o Sistema das Nações Unidas. Não se confundem com os órgãos da ONU
acima vistos.

Organização dos Estados americanos


Antes de ser fundada, foi antecedida pela União Internacional das Repúblicas
americanas e a União Panamericana. Fundada em 1948, em Bogotá. Seu tratado
constitutivo é a Carta da OEA ou de Bogotá.
Tem sede em Washington e tem como objetivo a cooperação entres os Estados
americanos.
A estrutura institucional da OEA é formada pela Assembleia geral, Conselho
Permanente e secretaria-geral.
Obs.: A doutrina afirma que as organizações internacionais têm personalidade derivada
ou de segundo grau, uma vez que são uma decorrência da manifestação de vontade dos
Estados, quem têm personalidade originária.
Responsabilidade internacional
É o vínculo jurídico que se forma entre uma pessoa que praticou um ato ilícito e
outra que sofreu um dano decorrente desse ato, visando à reparação.
Tem como fundamento o princípio do pact sund servanda, segundo o qual os
acordos devem ser cumpridos, de modo que, a partir do momento que uma pessoa
internacional assume uma obrigação, deve cumpri-lo. Além disso, o princípio de não
lesar outrem, uma máxima da justiça, e quem lesar deve reparar o dano.
Natureza jurídica
Há três teorias sobre a natureza jurídica da responsabilidade internacional,
discutindo a necessidade de haver ou não um elemento subjetivo nessa
responsabilidade.
1) Teoria subjetivista; defende que só haverá responsabilidade internacional se
houver culpa ou dolo no ato praticado.
2) Teoria objetivista: defende a não necessidade de haver dolo ou culpa no ato
danoso praticado.
3) Teoria mista: defende que nos atos comissivos, não há necessidade de culpa
ou dolo, enquanto que nas omissões, há necessidade culpa ou dolo, para configuração
da responsabilidade internacional.
Características
A responsabilidade internacional é institucional, ou seja, diz respeito a Estados e
às Organizações internacionais apenas.
Tem natureza civil, porque busca sempre a reparação de um dano. Não se
confunde com responsabilidade internacional do indivíduo, que é criminal. Um mesmo
ato pode gerar ambos os tipos de responsabilidade, ou seja, do Estado, civil para
reparação das vítimas de um ato, e do indivíduo que o cometeu, que será penal, perante
o TPI.
Tem fonte costumeira. Não há nenhum tratado internacional que a normatize.
Porém, há um projeto de Convenção Internacional, o Draft Articles on Responsabiliy of
States for Internationally Wrongful Acts, ainda não aprovado, que tem sido utilizado
como base para estudo da responsabilidade internacional. Ele trata apenas da
responsabilidade dos Estados e não das Organizações, mas a lógica pode ser usada para
ambas.
Classificação
Quanto ao tipo de conduta: comissiva ou omissiva. Comissiva ocorre quando o dano
decorre de uma postura ativa da pessoa jurídica internacional. Omissiva, quando o dano
decorre de uma postura omissiva.
Quanto à norma violada: convencional quando viola tratado internacional e delituosa,
quando viola um costume.
Segundo o Draft, a responsabilidade por violação do jus cogens é agravada.
Quanto à origem da conduta: direta ou indireta. Direta quando a conduta é praticada
pelo próprio Estado ou seus agentes e indireta quando decorre de ação de terceiros
particulares.
Elementos essenciais
São três os elementos para configuração da responsabilidade internacional.
1) Conduta ilícita internacional – uma violação ao direito internacional. Violação da
ordem jurídica. Seja omissão; seja ação.
2) Imputabilidade: possibilidade de atribuição daquela conduta ao Estado ou
Organização internacional. As condutas imputáveis ao Estado são aquelas adotadas por
seus agentes públicos. O Estado também responde por atos de terceiros particulares,
desde que o Estado tenha sido negligente ou conivente.
3) Dano: pode ser material ou imaterial. Para gerar responsabilidade, o dano deve ser
direto, a pessoa jurídica internacional não responde por danos indiretos. O Draft não
prevê o dano como elemento da responsabilidade internacional. Por isso, alguns autores
afirmam que não há necessidade de dano para a configuração da responsabilidade
internacional. A doutrina majoritária afirma que dano é elemento.
Excludentes
Casos em que mesmo havendo um ato ilícito e dano, não haverá
responsabilidade internacional.
1) Consentimento do Estado: o ato praticado dentro dos limites do consentimento do
Estado que sofre o dano, não gera responsabilidade internacional.
2) Legítima defesa: reação a um ataque armado – art. 51 Carta da ONU. Lembrando que
deve ser proporcional e até a intervenção do Conselho de Segurança da ONU.
3) Contramedidas: também chamadas de represálias. São atos ilícitos, praticados como
resposta a outro ato ilícito. Uma espécie de autotutela no direito internacional, com
destaque para as matérias internacionais. Tais contramedidas não são livres, sujeitam-se
a procedimentos e limites.
3) Força maior: evento externo, imprevisível e irresistível
4) Perigo extremo: a hipótese em que não resta nenhuma alternativa razoável para a
pessoa jurídica internacional, que não seja praticar o ato ilícito.
5) Estado de necessidade: lesão a um bem jurídico para salvar outro bem jurídico.
Meios de reparação
A reponsabilidade internacional tem como fim a reparação dos danos causados
por uma pessoa jurídica internacional.
1) Restituição: trata-se da restauração do status quo ante, ou seja, o Estado que provoca
o dano pode ser condenado a desfazer o ato ilícito.
2) Indenização: o pagamento de uma prestação pecuniária devido ao dano praticado.
Reparação de natureza pecuniária.
3) Satisfação: seria uma espécie de reparação in natura. Reparação de natureza moral.
Exemplos: pedido de desculpas, punição dos funcionários culpas, reconhecimento
formal do caráter ilícito do fato.
4) Garantia de não repetição: seria a garantia dada pelo Estado que provoca o dano de
que aquele ato não se repetirá.
O capítulo sobre meios de reparação do Draft, só contém os três primeiros. O
quarto está previsto em outro capítulo.
Proteção diplomática
Muitas vezes a vítima de um ato ilícito internacional é um indivíduo, que não
tem condições de litigar contra o Estado ou Organização Internacional para requerer a
reparação do dano. Para esses casos, o Direito Internacional criou o instituto da proteção
diplomática. Trata-se da assunção por um Estado de uma demanda, de um nacional seu,
contra outro Estado.
Pode ser provocado ou de ofício. O particular lesado pode solicitar ou o Estado
pode fazê-lo por iniciativa própria.
Trata-se de ato discricionário, ou seja, nenhum Estado é obrigado a conceder
proteção diplomática.
Endosso
Ato pelo qual o Estado formaliza a proteção diplomática. As condições
necessárias para o endosso são - sem as quais o Estado não pode conceder: i)
nacionalidade: o particular a ser protegido deve ser um nacional do Estado protetor; ii)
esgotamento dos recursos internos: o particular, antes de receber a proteção diplomática,
deve esgotar os recursos internos.
Alguns detalhes sobre nacionalidade:
1) Apátrida: a princípio, o Estado só pode dar proteção diplomática ao nacional seu. A
doutrina majoritária afirma que o apátrida não pode receber proteção diplomática
(Rezek). Doutrina minoritária defende que o Estado de domicílio do apátrida pode
conceder proteção diplomática (Mazzuoli).
2) Dupla nacionalidade: pode receber proteção diplomática de ambos os Estados, mas
nunca um em face do outro.
3) Continuidade: a nacionalidade já deve existir no momento da prática do ato ilícito.
4) Efetividade: a nacionalidade deve ser acompanhada de vínculos com o Estado patrial.

Doutrina e cláusula calvo


Doutrina Calvo: um particular somente pode recorrer às Cortes locais para
resolver suas controvérsias com um Estado. Ou seja, opõe-se à proteção diplomática.
Cláusula calvo: previsão em certos contratos internacionais de renúncia à
proteção diplomática.
Obs.: cláusula de estabilização contratual: prevê a proteção do particular contra
modificações legislativas.

AULA 4
Domínio público internacional

LEITURA OBRIGATÓRIA:
• Convenção de Montego Bay: arts. 2º; 3º; 13; 17; 18; 33; 55 a 58; 69; 76; 77; 92 e
125.
• Tratado de Assunção: art. 1º.
• Protocolo de Ouro Preto: arts. 1º a 16; 34; 37.
• Protocolo de Olivos: arts. 1º; 6º a 9º; 17.
Designa os espaços de interesse de mais de um Estado ou da comunidade
internacional. Tem por objeto o mar, rios internacionais, zonas polares, espaço aéreo e
espaço extra-atmosférico.
Direito do mar
Regula o emprego do mar e das águas interiores pelas atividades humanas.
Durante muito tempo, o direito do mar era composto por normas costumeiras, até o
advento da Convenção de Montego Bay (Convenção das Nações Unidas sobre o Direito
do Mar de 1982 – UNCLOS). O direito brasileiro foi ajustado a essa convenção através
de lei 8617/93.
Mar territorial
Faixa adjacente à costa que mede até doze milhas marítimas a contar da linha de
base. Linha de base é aquela correspondente à maré baixa, que contorna a costa, sem
acompanhar as entradas, enseadas, os portos. As águas entre a costa e a linha de base
são chamadas de águas interiores.
Sobre o mar territorial o Estado costeiro exerce soberania. Porém, tal soberania é
relativizada pelo direito de passagem inocente, que é o direito que outros Estados têm
de se deslocar no mar territorial de outros Estados. Tal direito abrange apenas o puro e
simples deslocamento.
Zona contígua
Faixa adjacente à costa, que mede até vinte e quatro milhas marítimas, contadas
da linha de base, mas sua largura é de doze milhas marítimas, pois se desconta doze
milhas do mar territorial. Na zona contígua, o Estado estrangeiro pode exercer medidas
de fiscalização, que envolvem medidas sanitárias, fiscais, aduaneiras entre outros.
Zona econômica exclusiva
Faixa adjacente à costa que mede até cento e oitenta e oito milhas marítimas, a
contar do limite exterior do mar territorial, não da linha de base. Logo, ela não abrange
o mar territorial. Atenta-se que é possível afirmar que a zona econômica exclusiva fica a
duzentas milhas marítimas da costa, porém, não que ela tem duzentas milhas marítimas,
pois dessa distância, deve-se deduzir doze milhas do mar territorial.
Nela o Estado exerce exploração, aproveitamento, conservação e gestão dos
recursos naturais.
Os demais Estados podem sobrevoar, navegar e colocar dutos submarinos na
zona econômica exclusiva.
Plataforma continental
Não se trata da faixa de mar, das águas, como nos casos anteriores. Trata-se do
leito e do subsolo das águas submarinas, que se estendem até o bordo exterior da
margem continental ou até uma distância de até duzentas milhas marítimas da linha de
base. Bordo exterior é a queda abrupta, da margem continental que conduz aos fundos
marinhos. O tamanho da plataforma continental será maior se o bordo for posterior a
duzentas milhas marítimas.
O Estado costeiro tem exclusividade no aproveitamento dos recursos naturais
que ficam na plataforma continental.
Fundos marinhos
São as águas abaixo do bordo exterior. Águas subaquáticas, o leito e o subsolo
de águas internacionais e não pertencem a nenhum Estado. São considerados patrimônio
comum da humanidade e sua exploração deve beneficiar os povos do mundo em geral.
Alto mar
São as águas marítimas não incluídas na zona econômica exclusiva, mar
territorial, águas interiores e águas arquipelares. Nele vigora o princípio da liberdade.
Desde que atividade seja lícita, qualquer Estado poderá realiza-la. Os Estados sem
litoral também têm direito a acesso ao alto mar.
Estreitos e canais
Estreito é o corredor que facilita o trânsito entre dois espaços marítimos,
interessando o comércio internacional.
Canal também são corredores que facilitam o trânsito entre dois espaços
marítimos, porém, são artificiais, são construídos. Normalmente o Estado que o constrói
detém os direitos de exploração sobre ele.
Águas interiores
Aquelas situados no interior da linha de base do mar territorial.
Direito de navegação marítima
Toda embarcação deve ter uma nacionalidade, que corresponde à bandeira que
ela está autorizada a arvorar. A nacionalidade corresponde, também, ao local da
matrícula da embarcação.
A navegação em alto mar é livre, desde que para fins pacíficos.
O Estado costeiro tem direito de perseguir embarcações que tenham violado suas
regras até que esta embarcação ingresse em algum mar territorial – direito de
perseguição/hot pursuit.

Direito dos rios internacionais


São aqueles que tocam mais de um Estado. Podem ser sucessivos ou contíguos.
Sucessivos são aqueles que passam por um Estado e depois por outro. Contíguos são
aqueles que separam dois Estados.
Não existe um tratado geral sobre os rios internacionais. Assim, a regulação dos
rios internacionais se dá por tratados específicos.
Direito das zonas polares
O Ártico é o grande oceano coberto de gelo permanente em sua maior parte e
não há regulamentação específica para essa região. A Antártida é um continente coberto
de gelo, regulado pelo Tratado da Antártida de 1959. Esse tratado prevê a utilização
exclusivamente para fins pacíficos para sempre. A utilização deve ser voltada sempre
para o progresso da humanidade.
Direito do espaço aéreo
Existem três grupos de convenções importantes, que regulam três temas
relevantes no direito do espaço aéreo.
1) Convenção para unificação de certas regras relativas ao Transporte aéreo
Internacional de 1929 (Convenção de Varsóvia) – trata do tema da responsabilidade
2) Convenções de Chicago de 1944 – trata da regulação geral da aviação civil.
3) Convenção de Tóquio de 1963, Convenção da Haia de 1930 e a Convenção de
Montreal de 1971: tratam sobre segurança aérea. Padrões mínimos de segurança.
Princípios
Dessas convenções, podem ser extraídos alguns princípios.
i) Sobre seu espaço aéreo, cada Estado exerce soberania exclusiva e absoluta. ii)
Como decorrência deste primeiro princípio, não há direito de passagem inocente no
espaço aéreo. iii) Livre navegação no espaço que não há soberania, como o espaço aéreo
correspondente ao alto mar.
iv) Toda aeronave deve ter uma nacionalidade, que é correspondente a do Estado
da matrícula.
Cinco liberdades do ar
Como não há passagem inocente no espaço aéreo, todo sobrevoo que um Estado
faz sobre o espaço aéreo de outro, depende de ajustes entres os Estados. Nestes ajustes,
observam-se essas cinco regras.
1) Sobrevoo, sem escala, no território de um ente estatal.
2) Permite escala técnica, sem fins comerciais ou em situações de emergência.
3) Desembarcar passageiros ou mercadoria procedentes do Estado de origem da
aeronave.
4) Embarcar passageiros ou mercadorias com destino ao Estado de origem da aeronave.
5) Embarcar passageiros e mercadorias procedentes de, ou com destino a, terceiros
países.

Direito do espaço extra-atmosférico


O espaço que começa depois do fim da atmosfera. O tema é regulado pelo
Tratado sobre Princípios Reguladores das Atividades dos Estados na Exploração e Uso
do
Espaço Cósmico, Inclusive a Lua e Demais Corpos Celestes, de 1967.
Esse tratado contém cinco princípios: 1) uso para fins pacíficos; 2) livre acesso,
pode ser explorado por qualquer Estado; 3) insuscetibilidade de apropriação.; 4) a
investigação e exploração devem reverter para o benefício geral de todos os povos; 5) as
informações recolhidas devem ser de livre acesso.
Solução de controvérsias internacionais.
Falar-se-á de mecanismos e meios para a solução de controvérsias
internacionais.
Segundo o Estatuto da Corte Permanente de Justiça Internacional, controvérsia
internacional seria todo desacordo sobre certo ponto de direito ou de fato ou toda
contradição de teses jurídicas ou de interesse de dois Estados. Modernizando o conceito,
poder-se-ia falar que se trata de conflitos de interesses entre pessoas internacionais.
Art. 33 da Carta da ONU e o art. 25 da Carta do OEA relacionam meios de solução de
controvérsia.
A doutrina defende que não há qualquer hierarquia ou precedência ente os meios
de solução de controvérsias internacionais.
Tais meios são divididos em categorias.
Meios diplomáticos
Negociação: consiste em contato direito entre as partes, que pode se dar de forma oral
ou escrita. Sem a intervenção de terceiros.
Bons ofícios: Conta com a participação de um terceiro (chamado de prestador de bons
ofícios) que aproxima as partes, mas não propõe soluções
Mediação: meio diplomático de solução de controvérsias, que conta com terceiros, que
tem poderes para indicar a solução da controvérsia.
Conciliação: há a participação de uma equipe de conciliadores, com poderes para
proporem a solução.
Consulta: previsão em tratados internacionais, de encontros periódicos, para a solução
de controvérsias decorrentes da aplicação daquele tratado.
Inquérito ou fact finding: não se trata propriamente um meio de solução de
controvérsias internacionais, mas um meio de apuração de atos ilícitos. Não está restrita
sua utilização a meios jurisdicionais de controvérsias.
Meios políticos
São aqueles que são realizados no seio das organizações internacionais. A
principal organização internacional que resolvem controvérsias internacionais é a ONU.
Dentro da ONU, os dois principais órgãos destinados a resolver controvérsias
internacionais são a Assembleia Geral e o Conselho de Segurança. Contudo, não é
qualquer controvérsia internacional que pode ser levado à ONU, deve ser um conflito
grava (requisito da gravidade do conflito).
Percebe-se um certo engessamento do Conselho de segurança. Uma dificuldade
percebida na prática de solução de controvérsias internacionais no Conselho de
Segurança, devido à exigência de voto favorável de todos os membros permanentes para
a adoção de determinada medida.

Meios jurisdicionais
Nesse tema, serão tratados os temas de cortes internacionais e arbitragem.
Arbitragem
Alguns autores não colocam a arbitragem como meio jurisdicional, chamam-na
de semi-jurisdicional. Porém, a doutrina majoritária considera a arbitragem um meio
jurisdicional não judiciário. O principal argumento é a profissionalidade dos membros
dos tribunais arbitrais.
Compromisso arbitral é a convenção de submeter determinado conflito já
existente à arbitragem, após seu surgimento. Na cláusula compromissória, antes do
surgimento do conflito, acorda-se a submissão de eventual conflito a um tribunal
arbitral.
A sentença arbitral tem três características essenciais: 1) obrigatoriedade, que
decorre do princípio do pact sund servada.
2) irrecorribilidades; admite, no máximo, um pedido de interpretação, mas não recorrer
da decisão, pedindo sua reforma.
3) Não executória: o cumprimento dela depende sempre da vontade das partes.
Obs.: a corte permanente de arbitragem de Haia não propriamente um Tribunal
Internacional, mas sim uma Secretaria, que contém a relação com nomes de árbitros.
Corte Internacional de Justiça
A CIJ foi fundada inicialmente em 1922, quando recebeu o nome de Corte
Permanente de Justiça Internacional, tendo sido extinta em 1929. Foi reaberta em 1945,
quando recebeu o atual nome. Tem sede na cidade da Haia.
É composta por quinze juízes, que são eleitos para um mandato de nove anos e
que devem preencher os requisitos para ocuparem os cargos judiciários mais altos de
seus países.
A composição da CIJ deve representar proporcionalmente os principais sistemas
jurídicos que compõem a ONU.
Tem competência consultiva e contenciosa. Pela primeira, a CIJ expede
pareceres solicitados por Estados membros da ONU ou órgãos da ONU. Pela segunda,
julga litígios entre Estados membros da ONU.
A competência contenciosa da CIJ se submete à cláusula facultativa de
jurisdição obrigatória, que significa que a simples adesão à Carta da ONU não significa
submissão à CIJ, o que depende de declaração específica. Assim, pode-se afirmar que a
jurisdição da Corte não é automática. A partir do momento em que o Estado faz a
declaração de que se submete à CIJ, ela se torna obrigatória. A autorização pode ser
específica para um litígio específico.
Os acórdãos da CIJ tem como características principais: 1) obrigatoriedade, são
de observância obrigatória, que decorre do pacta sund servanda; 2) irrecorribilidade,
não se pode recorrer de uma decisão da CIJ, admitindo-se apenas um pedido de
interpretação e 3) executoriedade, diferentemente da sentença arbitral, as decisões da
CIJ são executórias, uma vez que a assembleia geral e o Conselho de Segurança podem
adotar medidas para fazer ser cumprida a decisão.
Outras cortes
Tribunal Penal Internacional
Corte Europeia de Direitos Humanos
Corte Interamericana de Direitos Humanos
Tribunal de Justiça da União Europeia
Tribunal Permanente de Revisão do MERCOSUL
Tribunal Internacional do Direito do Mar

Meios coercitivos de solução de controvérsias


1) Retorsão: a prática de um ato pouco amistoso como resposta a um ato da mesma
natureza. Como exemplo, tem-se a exigência de visto.
2) Represália: sinônimo de contramedida, que é a prática de um ato ilícito como
resposta a um ato de mesma natureza. Deve-se observar que a represália deve ser
proporcional, o Estado não é livre para realizar a contramedida que quiser. Além disso,
as represálias devem observar um procedimento.
3) Embargo: sequestro de navios e cargas de um Estado estrangeiro.
4) Boicote: ruptura de relações econômicas.
5) Bloqueio pacífico ou bloqueio continental: utilização de forças armadas para impedir
que Estados mantenham relações comerciais com determinado ente estatal. A doutrina,
por vezes, afirma que a postura que os EUA tinham em relação à Cuba era um bloqueio
pacífico.
6) Rompimento das relações diplomáticas: o fim do direito de legação, ou seja, de
enviar e receber diplomatas.
Obs.: não existe negociação prévia como condição para que Estados submetam um
conflito a uma Corte internacional. O que normalmente se exige é o esgotamento de
recursos internos.
Direito da Integração e o MERCOSUL

Integração regional
É a aproximação entre Estados que compartilham algumas afinidades e que
decidem oferecer, uns aos outros, determinadas vantagens, normalmente no campo
comercial. Tornou-se comum depois da Guerra Fria.
Fases de integração regional
1) Zona de livre comércio: caracterizada pela facilitação para a circulação de bens, com
a eliminação de barreiras alfandegárias.
2) União aduaneira: caracterizada por uma política comum, para importações de fora do
bloco. Há uma tarifa externa comum – TEC. Há uma padronização da política de
importações de Estados de fora do bloco.
3) Mercado comum: caracterizado pela livre circulação de todos os fatores de produção.
4) União econômica e monetária: caracterizada pela coordenação de políticas
macroeconômicas.
5) União política: coordenação de ações no campo política. Aproxima-se de uma
confederação.
O MERCOSUL, apesar do nome, é uma união aduaneira. Além disso, trata-se de
união aduaneira imperfeita, porque há muitas exceções à TEC.
A União Europeia é uma união econômica e monetária.
MERCOSUL
Trata-se de um bloco regional, pois se insere nesse contexto de aproximação de
Estados com afinidades, para oferta mútua de vantagens. Tem personalidade jurídica de
direito internacional, conforme o Protocolo de Outro Preto. Tem por objetivo o
desenvolvimento regional, por meio da criação de um espaço econômico comum. Trata-
se de união aduaneira imperfeita, com diversas exceções à TEC. Trata-se de organismo
intergovernamental, do mesmo nível dos Estados, não supranacional.
História
A primeira tentativa de integração regional na América Latina foi a ALALC, em
1960. Esta não perdurou e, em 1980, foi criada a ALADI, perdura até hoje.
A partir da década de 1980 se iniciou uma aproximação entre Brasil e Argentina,
o que gerou certas preocupações nos outros Estados, estimulando-os a buscarem
integração até que em 1991 foi criado o MERCOSUL, pelo Tratado de Assunção.

Membros
Os membros originários são Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai. A Venezuela
ingressou posteriormente, por um modo polêmico. Todos os ingressos dependem de
aceitação unânime dos membros e o Paraguai se opunha à entrada da Venezuela,
principalmente por violação à cláusula democrática. Após um processo de impeachment
entendido como não democrático, o Paraguai foi suspenso, período no qual se votou a
admissão da Venezuela.
A Bolívia está em processo de ratificação. Além disso, há Estados associados,
que participam das reuniões, mas não têm direito de voto.
Os principais assuntos sobre o MERCOSUL são a sua base normativa e sua
estrutura institucional.
Base normativa do MERCOSUL
1) Tratado de Assunção de 1991: é o tratado constitutivo do MERCOSUL
2) Protocolo de Brasília: Previu um mecanismo de solução de controvérsias no âmbito
do MERCOSUL. Foi revogado pelo Protocolo de Olivos.
3) Protocolo de Ouro Preto: atribui personalidade jurídica de direito internacional ao
MERCOSUL e definiu a estrutura institucional do MERCOSUL.
4) Protocolo de Olivos: regula o mecanismo de solução de controvérsias do
MERCOSUL.
5) Protocolo de Ushuaia: prevê o compromisso democrático no âmbito do
MERCOSUL.
Estrutura institucional do MERCOSUL
Conselho do Mercado Comum
Principal órgão do bloco. É o órgão superior, responsável pela condução política
do bloco. Composto pelo Ministro das Relações Exteriores e da Economia de cada país.
Observa sempre uma presidência pro tempore, ou seja, os Estados revezam na
presidência do Conselho. As deliberações do Conselho adotam a forma de decisões.
Grupo Mercado Comum
É o órgão executivo. Composto por quatro membros titulares e quatro suplentes,
que representam o Ministério das Relações Exteriores, da Economia e o Banco Central
de cada Estado. Suas deliberações adotam a forma de resoluções
Comissão do Comércio
Órgão decisório técnico que apoia o Grupo Mercado Comum. Tem a
composição semelhante à do Grupo. Suas deliberações assumem a forma de diretrizes.
Secretaria Administrativa
Órgão operacional, sediada em Montevidéu e chefiada por um Diretor.
Parlamento do MERCOSUL – PARLASUL
Órgão intergovernamental e unicameral, com objetivo de uniformizar os
parlamentos nacionais. Sucedeu a Comissão Parlamentar Conjunta.
Foro Consultivo Econômico e Social
Órgão de representação dos setores econômicos e sociais, com função
consultiva.
Solução de controvérsias
Regulada pelo Protocolo de Olivos. O procedimento definido neste protocolo
observa três fases: 1) negociações diplomáticas; 2) arbitragem e 3) Tribunal Permanente
de Revisão.
Primeiramente, as partes devem buscar a resolução do conflito por meio de
negociações diplomáticas. Se a controvérsia não se resolver pelas negociações, as partes
podem recorrer a uma arbitragem ad hoc. Será montada uma corte arbitral, o caso será
julgado e proferida a sentença arbitral. Caso as partes não fiquem satisfeitas, recorre-se
ao Tribunal Permanente de Revisão. As partes fazem um pedido de revisão do laudo
arbitral perante ao Tribunal Permanente de Revisão do MERCOSUL.

AULA 5
Nacionalidade

LEITURA OBRIGATÓRIA:
• Constituição: art. 12.
• Lei nº 6.815/80 (Estatuto do Estrangeiro): artigos 111 a 121.
• Convenção sobre redução de casos de apatridia, de 1951: artigos 7º e 8º

Vínculo político-jurídico que une uma pessoa ao seu Estado. Não se confunde
com o conceito de cidadania, que, simplificadamente, seria a aptidão para o exercício de
poderes políticos. Também não se confunde com naturalidade, que diz respeito ao local
de nascimento de uma pessoa. Outro aspecto importante do estudo da nacionalidade é
que, atualmente, é considerada um direito humano, conforme o art. 15 da Declaração de
Direitos do Homem.
Conflito de nacionalidade
A depender dos critérios adotados pelos Estados para atribuição de
nacionalidade, pode ocorrer conflito de nacionalidade.
Quando incide mais de um critério de nacionalidade sobre um mesmo indivíduo,
ocorre um conflito positivo de nacionalidade, a polipatridia, que significa que a pessoa
tem mais de uma nacionalidade.
Quando ocorre um conflito negativo, caracteriza-se a apatridia, situação em que
a pessoa não tem nacionalidade. O apátrida também é chamado de heimatlas. A regra,
segundo o Estatuto do apátridas, é que nenhum Estado pode rejeitar um nacional seu, se
isso gerar apatridia.
Espécies de nacionalidade
Há dois tipos de nacionalidade: originária, atribuída ou primária e derivada,
adquirida ou secundária.
A originária ocorre normalmente de um fato involuntário, geralmente o
nascimento. A derivada decorre de um fato posterior ao nascimento, geralmente com
uma manifestação de vontade.
Nacionalidade brasileira originária
Art. 12, I, a CRFB – estabelece a nacionalidade originária pelo critério do ius soli,
segundo o qual, quem nasce em território brasileiro é brasileiro nato, ainda que de pais
estrangeiros, a menos que estes, sendo estrangeiros, estejam a serviço de seu país. Trata-
se de hipótese que adota o ius solis, excepcionada pelo ius sanguinis.
Primeira característica é que o indivíduo dever ser nascido na República
Federativa do Brasil. Tal expressão abrange três coisas: 1) território brasileiro em
sentido estrito, ou seja, a massa terrestre e águas interiores; 2) (navios e aeronaves
sobre) mar territorial e espaço aéreo correspondente ao território em sentido estrito e ao
mar territorial e 3) navios e aeronaves, com bandeira brasileira, em espaços
internacionalmente neutros.
Outra característica é que os pais não podem estar a serviço de seu país, o que
abrange serviço público em geral, não apenas diplomático. Devem ser ambos os pais
estrangeiros, mas basta que um deles esteja a serviço de seu país, para que se afaste a
nacionalidade brasileira originária.
Art. 12, I, b CRFB – segundo caso de nacionalidade brasileira originária. Caso do
nascido no estrangeiro, filho de pai ou mãe brasileiro, a serviço de seu país. Trata-se do
critério ius sangunis/funcional, uma vez que não basta o pai ou mãe ser brasileiro, mas
deve estar a serviço do Brasil. O que se exige é que apenas um dos pais seja brasileiro,
mas, logicamente, este que deve estar a serviço do Brasil para atrair essa hipótese de
nacionalidade originária. Nesse caso, também é considerado o serviço público de modo
amplo.
Art. 12, I c, CRFB – Terceira hipótese de nacionalidade brasileira originária. Deve-se
destacar que, neste dispositivo, há duas hipóteses. A primeira é a que considera
brasileiros natos os nascidos no estrangeiro, de pai ou mãe brasileira, desde que
registrados em repartição brasileira competente. A segunda é a hipótese dos nascidos no
estrangeiro, de pai ou mãe brasileira, que venha a residir no Brasil, em qualquer tempo,
e depois assumir a maioridade, opte pela nacionalidade brasileira. Ela adota o critério do
ius sanguinis.
1ª hipótese: registro em repartição consular: basta o filho de pai ou mãe brasileira ser
registrado na repartição;
2ª hipótese: vinda e opção: aquele que vem ao Brasil e opta pela nacionalidade
brasileira.
Opção pela nacionalidade brasileira.
Deve-se salientar que não se trata de naturalização, mas espécie de
nacionalidade originária. A doutrina costuma chamar de nacionalidade potestativa, pois
depende apenas de uma manifestação de vontade do interessado, independentemente de
qualquer juízo discricionário de alguma autoridade do país do qual se pretende ser
nacional. Há um procedimento junto à Justiça Federal, que visa apenas a verificar a
presença dos requisitos fáticos necessários ao exercício de tal direito.
Trata-se de ato personalíssimo, que só pode ser manifestado após a maioridade.
O procedimento para sua aquisição é de jurisdição voluntária, descrito na lei 818/1949,
de competência da Justiça Federal.
A opção pela nacionalidade produz efeitos retroativos, até ao início da residência
do sujeito no Brasil.
Para o STF, entre a residência e a maioridade, o indivíduo tem nacionalidade sob
condição resolutiva, ou seja, é nacional para todos os efeitos. Desse modo, a
nacionalidade produz efeitos até que o indivíduo atinja a maioridade. Entre a
maioridade e a opção, o indivíduo é brasileiro sob condição suspensiva. Desse modo,
embora brasileiro, sua nacionalidade não produz efeitos até que ele venha fazer opção.
Feita a opção, seus efeitos retroagem até a residência.
Como sabido, o brasileiro nato não pode ser extraditado. A opção pela
nacionalidade na forma do art. 12, I, c da CRFB é um forma de nacionalidade
originária, ou seja, de brasileiro nato. Caso aberto o processo de extradição contra
indivíduo que não optou pela nacionalidade, este deve ser suspenso com a manifestação
da opção. Se homologada a opção, deve-se denegar a extradição.

Nacionalidade brasileira derivada


Art. 12, II, a CRFB – prevê a chamada naturalização ordinária, porque o preenchimento
dos requisitos não gera direito subjetivo para o seu titular. Primeiramente, estabelece-se
serão considerados brasileiros naturalizados aqueles que preencham os requisitos legais,
previstos no Estatuto do Estrangeiro. No caso dos originários de países língua
portuguesa, em especial, não se exige todos os requisitos do Estatuto do Estrangeiro,
basta residência por um ano ininterrupto e idoneidade moral. Quem preencher os
requisitos, nessa espécie, não tem direito à naturalização, sua concessão pela autoridade
brasileira competente é ato discricionário.
Art. 12, II, b CRFB – prevê a chamada naturalização extraordinária, na qual o
preenchimento dos requisitos confere direito subjetivo à naturalização ao seu titular. O
final do dispositivo gera a conclusão de que basta requerer para ter a nacionalidade
brasileira. Assim considera-se que a concessão, nesse caso, é ato vinculado, uma vez
que preenchidos os requisitos, o indivíduo teria direito subjetivo à naturalização.

Nacionalidade brasileira derivada ordinária


O procedimento está previsto no art. 111 a 124 do Estatuto de Estrangeiro e nos
artigos 119 a 134 do Decreto 86.715/81. Trata-se de ato discricionário.
O art. 112 do Estatuto do Estrangeiro traz os requisitos exigidos para concessão
da nacionalidade derivada, que se exige apenas para os não originais de países de língua
portuguesa. (Importante a leitura dos dispositivos).
O procedimento se inicia com um requerimento ao Ministério da Justiça,
apresentado em uma delegacia da Polícia Federal. Na segunda fase, a Polícia Federal
faz uma sindicância sobre a vida pregressa do naturalizando.
Em terceiro lugar, o Ministro da Justiça expede uma Portaria concedendo a
naturalização.
O procedimento culmina com a entrega do certificado de naturalização pelo Juiz
Federal da cidade onde tenha domicílio o interessado.
Nacionalidade brasileira derivada extraordinária
Trata-se de ato vinculado. Preenchidos os requisitos, há direito à naturalização,
devendo a autoridade competente concedê-la, independentemente de qualquer juízo de
valor. A sua concessão é ato declaratório, pois reconhece uma situação de fato e
retroage até a data do requerimento.
Condição jurídica do naturalizado
Em regra, o regime jurídico do brasileiro naturalizado é igual ao do nato, salvo
as exceções constitucionais e apenas estas, não podendo qualquer outro ato normativo
criar diferenciação.
As diferenças são: cargos privativos de brasileiro nato (art. 12, §3º); propriedade
de empresa jornalística de radiodifusão sonora e de sons e imagens (art. 222); em
relação à extradição, o brasileiro nato não pode, em hipótese alguma, ser extraditado,
enquanto o naturalizado pode, por crime praticado antes da naturalização ou
comprovado o envolvimento com tráfico de entorpecentes (art. 5º, LI e LII) e o
cancelamento da naturalização, que, obviamente só se aplica ao naturalizado (STF,
RMS 27840/DF).
Perda da nacionalidade
É possível a perda de nacionalidade por brasileiro nato ou naturalizado e as
hipóteses estão previstas no art. 12 CRFB. São elas:
• Perda-sanção: trata-se de cancelamento da naturalização, por sentença judicial,
em virtude de atividade nociva ao interesse nacional, que só se aplica ao
naturalizado (art. 12, §4, I).
• Perda-mudança: ocorre quando o brasileiro, nato ou naturalizado adquire outra
nacionalidade (art. 12, §4, II).
Há duas exceções à perda-mudança, ou seja, duas hipóteses em que a aquisição
de outra nacionalidade não gera perda da nacionalidade brasileira. São elas: o
reconhecimento da nacionalidade originária pela lei estrangeira e a imposição da
naturalização pela norma estrangeira ao brasileiro lá residente para a permanência no
território e exercício de direitos civis.
Essas hipóteses de perda são taxativas. A perda-sanção exige sentença judicial,
trata-se de reserva de jurisdição (STF, RMS 27840). Desse modo, não se admite o
cancelamento da naturalização com base no princípio da autotutela administrativa.
Reaquisição da nacionalidade brasileira
No caso de perda da nacionalidade, por perda-sanção, a reaquisição da
nacionalidade só será possível por meio de uma ação rescisória.
No caso de perda-mudança, a reaquisição só se dá pela naturalização ordinária.
Estatuto da igualdade
Trata-se da previsão do art. 12, §1º da CRFB, que prevê a atribuição de direitos
inerentes aos brasileiros a português, aqui residentes, de maneira permanente, que é
regido pelo tratado da Amizade, Cooperação e Consulta entre a República Federativa do
Brasil e a República de Portugal.
Ele não é automático, depende de requerimento do interessado. Não implica a
perda da nacionalidade. Não implica direitos e deveres de nacionais natos nem
naturalizados, não há o mesmo regime jurídico do equiparado ao nacional. O equiparado
não pode prestar serviço militar. Não há restrição à extradição. Quem concede proteção
diplomática é o próprio país da nacionalidade do indivíduo. O estatuto da igualdade não
admite o duplo gozo de direitos políticos, ou seja, uma vez optando-se pela posição de
equiparado, não poderá o indivíduo exercer os direitos políticos de sua nacionalidade.

Condição jurídica do Estrangeiro

LEITURA OBRIGATÓRIA:
• Constituição: art. 5º, LI e LII.
• Lei nº 6.815/80: artigos 4º a 21; 38; 49; 57 a 94.
Nesse tópico, estuda-se três grandes temas: a entrada do estrangeiro no Brasil, a
saída compulsória do estrangeiro e noções sobre asilo e refúgio.
Entrada
A entrada de estrangeiro em qualquer país é discricionária. Nenhum estrangeiro
tem o direito de ingressar no território de outro Estado. Para ter a expectativa de direito
ao ingresso em território estrangeiro, este deve ter um título de ingresso, que é formado
por dois documentos, o documento de viagem e o visto.
Documento de viagem
Pode ser o passaporte, o laissez-passer que é um documento emitido, quando
não se pode emitir passaporte ou mesmo um documento de identidade, como nos casos
em que há previsão em tratados, como os de blocos econômicos, por exemplo.
A doutrina afirma que a natureza jurídica do passaporte é de documento policial.
Visto
Documento que confere expectativa de direito de ingresso no território. É
sempre dispensável, pode ser feito por um tratado ou mero exercício de reciprocidade.
Sua concessão é ato discricionário. Sua negação independe de motivação.
A posse ou propriedade de bens no Brasil não concede direito a obter visto ou
qualquer autorização de permanência no território nacional (art. 6º)
As espécies de visto são: de trânsito, de turista, temporário, permanente, de
cortesia, oficial e diplomático.
Saída compulsória
Deportação
Saída compulsória do estrangeiro por irregularidade no ingresso ou
permanência, ou seja, o estrangeiro a princípio regular, deixa de preencher os requisitos
para permanência no território nacional.
A doutrina difere deportação e não admissão, esta seria a não autorização para
entrada no território no momento de ingresso, ainda no setor de imigração.
A falsificação do passaporte ou visto, embora se caracterize como irregularidade
para ingresso ou permanência, não dá ensejo à deportação, mas à expulsão.
É vedada a deportação que ensejar extradição inadmitida no direito brasileiro.
Ou seja, nos casos em que o direito pátrio veda a extradição, ainda que presente causa
de deportação, esta também será vedada.
É vedada a deportação coletiva. Entende-se que isso viola direitos humanos.
Deve haver um processo para cada um.
Uma vez deportado, é permitido o reingresso no território nacional, desde que
regularize sua situação e restitua o tesouro nacional pelos gastos com a deportação.
Expulsão
É a saída compulsória do estrangeiro por nocividade ou inconveniência, daquele
que praticou ato atentatório à soberania nacional. Não se confunde com banimento, que
seria a expulsão de nacional, o que é vedado pelo art. 5º, XLVII CRFB.
Ela depende de um processo administrativo, que tem curso no Ministério da
Justiça. É de competência do Presidente da República e se materializa na forma de um
Decreto. O art. 338 do CPP criminaliza o ato de ingressar no território nacional o
estrangeiro expulso.
Também é vedada a expulsão coletiva, art. 22 da Convenção Americana de
Direitos Humanos.
É vedada e expulsão que implique extradição proibida no direito brasileiro.
Segundo a súmula 1 do STF, não pode ser expulso o estrangeiro que tenha cônjuge ou
filho dependente seu no Brasil. Porém, o reconhecimento de filho brasileiro após o fato
que enseja a expulsão, não a obsta.
Deve-se comprovar, no momento a impetração de habeas corpus contra a
expulsão, tanto a dependência econômica do cônjuge ou filho, bem como a convivência
afetiva com a prole brasileira.
A existência de processo ou de decreto expulsório não impede a concessão de
benefícios prisionais, como progressão de regime ou livramento condicional.
O estrangeiro somente pode retornar ao Brasil se o decreto expulsório for
revogado. Ou seja, em regra, não se admite o retorno.
Extradição
Entrega de uma pessoa por um Estado a outro para que neste responda a um
processo penal ou a execução de uma pena. A natureza jurídica da extradição é de
medida de cooperação jurídica internacional em matéria criminal.
A extradição pode ser instrutória ou executória. Instrutória é aquela que tem
como objeto o indivíduo para responder a um processo criminal. Executória é aquela
que tem por objeto um indivíduo para que seja executada uma pena criminal.
Ela pode ser ativa ou passiva. Ativa em relação ao Estado requerente e passiva
em relação ao Estado requerido.
Pode ter como fundamento um tratado ou promessa de reciprocidade.
Normalmente, ela é regulada por um tratado bilateral. A ausência de tratado não impede
a extradição, que pode se basear numa promessa de reciprocidade.
Vedações
Há vedação absoluta à extradição de brasileiro nato (art. 5º, LI CRFB). O
naturalizado só pode ser extraditado por crime comum praticado antes da naturalização
ou comprovado o envolvimento com tráfico de entorpecentes. O Estrangeiro pode ser
extraditado, exceto no caso de crime político ou de opinião. Se o indivíduo tiver dupla
nacionalidade, permanece a vedação, uma vez que o que importa é a nacionalidade
brasileira. No caso de opção de nacionalidade, manifestada a opção, suspende-se o
processo de extradição e, se homologada, dever negado o pedido de extradição. No caso
de crime comum praticado antes da naturalização, para que ocorra a extradição não é
necessário o cancelamento de naturalização (HC STF 67621). No caso do brasileiro
naturalizado, a CRFB exige comprovado envolvimento com tráfico de entorpecentes.
Para o STF, tal exigência (“comprovado”) é uma relativização do sistema da delibação.
EM regra, o STF não entra no mérito do processo estrangeiro, mas, nesse caso, entende
ser necessária a análise da presença de um suporte probatório mínimo desse
envolvimento com tráfico de entorpecentes.
- Crime político
É vedada a extradição por crime político. Crime político é aquele praticado no
contexto de oposição a um regime político. Nos casos de crime político puro e próprio,
no qual há somente o elemento político, é fácil decidir pelo indeferimento. Há, porém,
crimes políticos impuros ou impróprios, no qual há, combinado com os elementos
políticos, crimes comuns. Nesses casos, o STF se utiliza do critério da preponderância,
ou seja, se em determinado fato de crime político impróprio prevalece o elemento
político ou o crime comum (EXT 412).
O terrorismo nunca será considerado crime político (EXT 885).
É vedada a extradição política disfarçada, que é a extradição por crime político,
apresentada como se fosse fundamentada em crime comum.
- Dupla tipicidade
O fato que enseja o pedido de extradição deve ser definido como crime tanto no
Estado requerente como no requerido, também chamado de dupla incriminação ou
princípio da identidade. Não é relevante, porém, o nomen iuris dado ao tipo penal,
desde que aquele fato seja tipo como crime por ambos os ordenamentos. Não se
concede extradição por fato definido como contravenção penal.
- Competência da Justiça brasileira
Não será deferida extradição quando o crime for de competência da justiça
brasileira. Porém, o STF abranda essa vedação (art. 77, III do Estatuto do Estrangeiro –
EXT 634), uma vez que entende que competência da Justiça brasileira só será óbice à
extradição se não iniciado o processo no Brasil.
BIS IN IDEM
Não cabe a extradição se o estrangeiro responde na Justiça brasileira pelos
mesmos fatos (EXT 1174)
- Prescrição
Se a pretensão penal punitiva estiver prescrita de acordo com a lei do Estado
requerente ou do requerido, a extradição não será deferida.
- Juízo ou tribunal de exceção
Não será permitida a extradição se não garantido o devido processo legal com
violação do juiz natural, submetendo o indivíduo a tribunais ad hoc.
- Não se pode deferir a extradição se houver risco de vida no país requerente. Trata-se
de norma de direitos humanos.
- Condição de refugiado
O art. 33 e o 34 da lei 9.474/97 prevê que enquanto pendente o reconhecimento
da condição de refugiado, o processo extradicional deve ser suspenso. Reconhecida a
condição, o processo deve ser extinto.
- Asilo político
É vedada a extradição de quem recebe asilo político no Brasil. Decorrência
lógica da vedação constitucional à extradição por crime político.
Não são vedações
Ser casado ou ter filho brasileiro (súmula 421 STF) não obsta a extradição. Não
obsta o fato de ter domicílio no território brasileiro. Segundo o STF, no caso EXT 1178,
que é possível a extradição mesmo na ausência de processo do Estado requerente.
Procedimento
Há primeiro uma fase governamental, depois, uma fase judicial e pode haver
outra fase governamental.
A primeira fase governamental começa com o pedido de extradição, que pode
ser diplomático, através do Ministério das Relações Exteriores e depois encaminhado ao
Ministério da Justiça. Porém, caso seja previsto em tratado, pode ser levado direto ao
Ministério da Justiça (art. 80 Estatuto do Estrangeiro). Se o Ministro da Justiça entender
que não foram preenchidos os pressupostos formais, pode arquivar o pedido, sem
necessidade de comunicação ao STF (art. 81, p.u. Estatuto do Estrangeiro). Caso
estejam preenchidos, remete ao STF, finalizando a primeira fase.
Ao chegar no STF, determina-se a prisão do extraditando. Tal prisão é condição
de procedibilidade do processo de extradição, ou seja, o processo não prossegue sem
ela. Não precisam estar presentes os requisitos da prisão preventiva. O STF afirma a
constitucionalidade dessa previsão de prisão do Estatuto do Estrangeiro. Segundo o
STF, a regra é a prisão, admitindo-se a prisão domiciliar excepcionalmente, tendo
declarado inaplicável sua Súmula 2.
Ainda dentro da fase judicial, há a defesa do extraditando. Adota-se o sistema da
delibação ou da conteciosidade limitada, segundo a qual, o STF não analisa o mérito do
processo estrangeiro, mas apenas os pressupostos legais ou convencionais do pedido de
extradição. Deste modo, a defesa do extraditando se limita esses pressupostos formais.
A concordância do extraditando não afasta a necessidade análise da legalidade
do pedido por parte do STF.
O STF apenas autoriza a extradição. Assim, o STF resolve o problema jurídico,
extraditabilidade ou não. O Poder Executivo resolve a questão política, se irá extraditar
ou não. Se o STF nega a extradição, o Poder Executivo fica vinculado e não pode
extraditar. Se o STF autoriza a extradição, o Poder Executivo tem discricionariedade
para extraditar ou não, juízo político.
A decisão do STF é irrecorrível. Negada a extradição, não se admite novo
pedido com base no mesmo fato (art. 88 do Estatuto do Estrangeiro).
Condições de entrega
Deferida a extradição, a entrega do extraditando pelo Estado brasileiro deve
observar algumas condições:
• O extraditando somente pode ser julgado pelo fato que ensejou a extradição. Se
o Estado requerente quiser julgar o extraditando por outros fatos, deve fazer um
pedido de extensão ao STF.
• Reextradição: admite-se a extradição de uma pessoa que já teve sua extradição
deferida para um outro Estado, desde que ela esteja em território nacional.
• A entrega é feita com a condição de que o Estado requerente comute a pena de
morte ou de prisão perpétua em pena de prisão de até trinta anos.
• Havendo no Brasil processo – sobre outros fatos - contra o extraditando, a
entrega fica a cargo da discrionariedade do Presidente.
• Deve haver a detração na pena a ser cumprida no Estado requerente do tempo
em que o extraditando ficou preso no Brasil.
• O Estado requerente deve se comprometer a não agravar a pena por motivo
político.

AULA 6
Condição jurídica do estrangeiro (continuação)
Asilo político
É o acolhimento de um estrangeiro, por um Estado, de uma pessoa que sofre
perseguição política por outro Estado.
O tema é tratado pelas Convenções de Havana de 1928, de Montevidéu de 1933
e de Caracas de 1954.
A partir dessas convenções e do que diz doutrin,a podem-se identificar dois
requisitos para a concessão de asilo político. São eles:
1) Crime político: a perseguição deve ser motivada por crime tipicamente político,
crimes contra a ordem de governo vigente, não pode se falar em asilo político para
pessoas que cometeram crimes comuns.
2) Atualidade da perseguição:
Uma questão importante é sobre quem pode classificar determinado ato como
crime político ou não. O que prevalece é que quem pode classificar determinado crime
como político é o Estado asilante, sem necessidade de haver concordância do Estado
patrial do perseguido.
A concessão do asilo político é ato discricionário. Nenhum Estado é obrigado a
conceder asilo.
Importante destacar que há dois tipos de asilo. O asilo político territorial, aquele
em que o acolhimento é feito no território do Estado asilante e o asilo político
diplomático, aquele feito na embaixada do Estado asilante. O diplomático é considerado
uma fase que antecede o territorial. Assim, o asilo diplomático é visto como asilo
provisório, para que se concretize o asilo como territorial. Primeiramente, o indivíduo
vai até a embaixada do Estado estrangeiro, pede asilo, caso aceite, receberá um salvo
conduto que o permita ir até o aeroporto internacional mais próximo para ir até o país
asilante, quando se concretizará o asilo territorial.
O asilo diplomático é reconhecido e praticado apenas pelos países da América
Latina, mesmo assim, deve ser respeitado pelos demais Estados.
Refúgio
Acolhimento, por um Estado, de estrangeiro que sofre perseguições por motivo
de raça, grupo social, religião e penúria. Hoje, há a Convenção Internacional sobre o
Estatuo dos Refugiados, de 1951, e o Protocolo de 1967, que são os documentos que
dão tratamento internacional à matéria.
Essa convenção adota o princípio do non-refoulement (não rechaço), que
significa que o Estado não pode devolver o refugiado para o Estado de quem sofre
perseguição.
São muitas as diferenças entre asilo e refúgio, destancando-se duas. A primeira
relativo ao motivo. Enquanto no asilo o motivo é a prática de crime político; no refúgio,
a perseguição por motivo de raça, grupo social, religião ou penúria. A segunda diferença
é que a concessão de asilo político é discricionária e a concessão do refúgio é
obrigatória, se preenchidos os requisitos pelos indivíduos requerentes.
Obs.: o Brasil não concede visto para estrangeiro condenado ou que esteja sendo
processado.
Obs.: a deportação não depende de ato do Ministro da Justiça. Pode ser praticado pela
própria Polícia Federal.
Introdução ao Direito Internacional Privado

LEITURA OBRIGATÓRIA:
• LINDB: arts. 7 a 18.
• Convenção Interamericana sobre normas de DIPRI: arts. 2º e 8º
• Código Bustamante: arts. 227 e 232

Direito Internacional Privado não tem um conceito unânime, existindo diversas


escolas sobre o tema.
Segundo a doutrina alemã, o DIPRI estuda as normas que regulam o conflito de
leis no espaço, ou seja, das situações de direito privado, que envolve a aplicação da
ordem jurídica de mais de um país e objetivo do DIPRI seria estudar as normas que
dizem qual o direito aplicável nesses casos.
Para a doutrina francesa, o DIPRI estuda, além das normas que regulam o
conflito de leis no espaço, as normas sobre nacionalidade, condição jurídica no
estrangeiro e direitos adquiridos no exterior.
Para a doutrina anglo-saxâ, o DIPRI estuda as normas que regulam o conflito de
leis no espaço e o conflito de jurisdições, ou seja, estuda não apenas o direito material
aplicável àquela relação jurídica internacional, como o Judiciário de qual país terá
jurisdição para julgar.
A doutrina brasileira sofre influência de todas essas escolas, mas parece haver
certa prevalência da doutrina francesa. Assim, no Brasil, estuda-se no DIPRI conflito de
leis no espaço, nacionalidade, condição jurídica do estrangeiro e direitos adquiridos no
exterior.

Critica-se o DIPRI, pois ele não seria nem direito, nem internacional, nem
privado. Para muitos autores o DIPRI não é um direito, mas um sobredireito, ou seja, o
DIPRI não serve para regular as situações sociais, não atribui direitos e deveres, mas
apenas diz qual o direito aplicável às relações jurídicas com elementos internacional.
Não seria internacional, pois as normas de DIPRI estão presentes em diplomas
normativos internos e não internacionais. E não seria privado porque o DIPRI teria
natureza de direito público, normas cogentes, de ordem pública, inafastáveis pelas
partes, não importando que a maioria das relações tratados pelo DIPRI sejam de direito
privado.

Normas indicativas ou indiretas


Trata-se da principal categoria de normas de DIPRI. Também chamadas de
normas de conexão. Quando se está diante de uma relação jurídica com elemento
internacional, deve-se questionar qual o direito aplicável àquele caso.
Diante de relações jurídicas com conexão internacional, o juiz deve fazer duas
operações consecutivas. Primeiramente, identificar o direito aplicável. Depois, aplicar
esse direito.
As normas indicativas possuem duas partes: um objeto de conexão e um
elementos de conexão. Objeto de conexão é a matéria de que trata a norma. Elemento de
conexão é o critério utilizado para indicar o direito aplicável.
O art. 7ºda LINDB tem como objeto de conexão início e fim da personalidade,
capacidade, nome e direito de família; já o elemento de conexão é o domicílio, já que é
o critério utilizado pela norma para dizer qual o direito aplicável. E, assim, ela
estabelece que para as matérias de personalidade, capacidade, nome e direito de família
se aplica a lei do domicílio da pessoa.

Principais elementos de conexão

- Nacionalidade ou lex patriae - a lei de nacionalidade da pessoa


- Domicílio ou lex domicili - a lei do domicílio
O Estatuto pessoal, normalmente é definido pela lei da nacionalidade ou do
domcílio, sendo este prevalente, com uma cada vez menor utilização da lei da
nacionalidade.
- Lex rei sitae: lei do local onde está situada a coisa, normalmente utilizada para
regular direitos reais.
- Lex loci actum/locus regit actum/lex loci contrctus: aplica-se a lei do local da
celebração do contrato.
- Lex loci executionies/lex loci solutionis: aplica-se lei do local do cumprimento do
contrato.
- Lex loci delicti comissi: aplica-se a lei de onde foi praticado o ato ilícito.
- Lex damni: aplica-se a lei do local de onde ocorreu o dano.
- Lex voluntatis: local da autonomia da vontade, as partes mesmas decidem a lei de qual
país será aplicável.
- Lex fori: aplica-se lei de onde está sendo processada a demanda.
Elementos de conexão
Casamento
A regra para regular o casamento é o domicílio, conforme o art. 7º, caput da
LINDB. Quanto a impedimentos e formalidades de celebração, aplica-se a lei do local
da celebração, conforme art. 7º, §1º da LINDB. Em relação à invalidade do matrimônio,
aplica-se a lei do domícilio dos nubentes ou, se diverso, o do primeiro do domicílio
conjugal, conforme o art. 7º, §3º da LINDB. Ao regime de bens, aplica-se a regra
anterior, conforme o art. 7º, §4º da LINDB.
Segundo o §5º do art. 7º da LINDB, o estrangeiro casado, quando se naturlizar,
pode requer o apostilamento do regime de comunhão parcial de bens.
Segundo o §6º, o divórcio realizado no estrangeiro, com, pelo menos, um
brasileiro, só será reconhecido no Brasil depois de um ano da sentença, salvo se
antecedida de separação judicial, por igual prazo, caso em que produzirá efeito
imediato. A doutrina afirma que a EC 66/2010 exclui a necessidade desse prazo, uma
vez que facilitou o divórcio, sem o estabelecimento de prazo para este.
Antes de a ordem jurídica brasileira admitir o divórcio, as pessoas buscavam o
divórcio no estrangeiro e pediam sua homologação ao STF. Como o divórcio não era
admitido no Brasil, o STF homologava apenas para fins patrimoniais. Assim, aquelas
pessoas que se submeteram a tal situação, podem requerer ao STJ, atual competente
para homologação de sentença estrangeira, para reexaminar a decisão de homologação
para que passe a produzir todos os efeitos legais.
Segundo o §7º, o domicílio do chefe de família se estende ao cônjuge e aos
filhos não emancipados e o do tutor ou curador aos incapazes sob sua responsabilidade.
Dispositivo derrogado pela CRFB pelo princípio da igualdade ente os cônjuges, não
havendo que se falar em chefe da família.
Segundo o §8º, quando a pessoa não tiver domicílio, será considerado seu
domicílio o local da sua residência ou o local em que for encontrado.
O art. 18 estabelece que o Consulado, no exterior, faz as vezes de um cartório,
sendo competente para celebrar casamentos e mais atos de Registro Civil e tabelionato,
inclusive registro de nascimento e óbito de filhos brasileiros. Ambos os cônjuges devem
ser brasileiros. A doutrina discute a eficácia de um casamento celebrado no Consulado
brasileiro, entre brasileiro e pessoa de outra nacionalidade.
Segundo o §1º, as autoridades consulares poderão celebrar separação e divórcio
consensuais de brasileiros, se não houver filhos menores ou incapazes do casal,
preenchidos os mesmos requistos do divórcio extrajudicial, sendo indispensável a
assitência de advogado.
Direitos hereditários
Segundo o art. 10, a sucessão, objeto de conexão, será regulada pela lei do
domicílio, elemento de conexão, do de cujus ou ausente, qualquer que seja a natureza e
a situação dos bens. Segundo o §1º, em relação aos bens situados no Brasil, aplica-se a
lei brasileira em favor do herdeiros brasileiros, salvo de a lei pessoa do de cujus seja
mais favorável aos herdeiros (art. 5º).
Segundo o §2º, a lei do domicílo do herdeiro ou legatário será regulada pela lei
do domicílio do próprio.
Bens
Segundo o art. 8º, a qualificação dos bens e a regulação das relações relativas a
ele, aplica-se, como regra geral, a lei de onde estão situados. Pelo §1º, aplica-se a lei do
país do proprietário aos bens móveis por ele levados ou que tiverem como destino
transporte para outros locais.
No caso de penhora, aplica-se a lei do domicílio de quem tem a posse da coisa
empenhada.
Obrigações
Segundo o art. 9º, a qualificação e o regimento das obrigações se aplica a lei do
país em que se constituíram, como regra geral. Conforme o §1º, caso a obrigação tenha
que ser cumprida no Brasil e a lei brasileira exigir forma essencial, será observada a lei
da execução, ou seja, a lei brasileira, independentemente do local onde foi constituída.
Pelo §2º, responde o questionamento sobre como saber onde obrigação foi
constituída. Dever-se-á verificar o local da residência do proponente. o art. 435 do CC
estabelece que as obrigações são consideradas constituídas onde foi feita a proposta.
Flavio Tarturce defende que o art. 435 CC se aplica aos contratos nacionais.
Obrigações por atos ilícitos
O art. 9º prevê uma regra específica, elegendo regra especial para reger
obrigações decorrentes de atos ilícitos. Nesses casos, aplica-se o local em que foi
praticado.
Navios e aeronaves
Com base nos artigos 275 e 282 do Código de Bustamante, aplica-se a lei de
bandeira dos navios e aeronaves para regular as formas de transmissão de propriedade.
Qualificação
Trata-se da delimitação do objeto de conexão, ou seja, quando se está diante de
um norma indireta, deve-se buscar o objeto de conexão e o elemento de conexão. Para
definir qual é o objeto de conexão num caso concreto depender-se-á de se definir
determinado conceito, para o que será necessário se basear em algum direito.
Há três teorias que explicam qual o direito que se deve utilizar para classificar o
objeto de conexão.
1) Lex fori: para qualificar o objeto de conexão, recorre-se para lei de onde vai ser
processada a demanda.
2) Lex causae: para qualificar o objeto de conexão, aplica-se o mesmo direito indicado
pelo elemento de conexão. Essa teoria tem um problema lógico, pois saber qual o
direito indicado pelo elemento de conexão é algo que se faz após a qualificação.
3) Conceitos universais: para qualificar o objeto de conexão, na qualificação se aplicam
conceitos da teoria geral do direito. Assim, não se recorre a nenhum direito específico,
mas a conceitos ideias, universais, da teoria geral do direito. O problema é que não há
conceitos universais. Toda definição de instituto jurídico acaba se baseando no direito
interno.
O direito brasileiro adota a lex fori para a qualificação, havendo, nos 8º e 9º da
LINDB, duas exceções. São elas, para qualificar bens, aplica-se a lei de onde estão
situados. Nas obrigações, aplica-se a lei do país de onde foram constituídas.

Estatuto pessoal da pessoa jurídica


Em relação a saber qual o direito aplicável às pessoas jurídicas, há duas teorias.
1) Incorporação: a pessoa jurídica é regulada pela lei do país onde foi constituída.
2) Sede social: a pessoa jurídica é regulada pela lei do país onde está localizada sua sede
social.
O art. 11 da LINDB estabelece que o direito brasileiro adota a teoria da
incorporação. Segundo o §1º, para pessoa jurídica estabelecer filiais, agências ou
estabelecimentos dependerá de que seus atos constitutivos sejam aprovados por
autoriadade brasileira, no caso, o Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio
Exterior.
O §2º impede que governos estrangeiros possam adquirir bens imóveis, o que é
reltivizados pelo §3º, que admite a aquisição de prédios necessários à sede dos
representantes diplomáticos ou agentes consulares.
Preceitos báscios de DIPRI
Ordem pública
São as normas e valores fundamentais de uma ordem jurídica. Ela tem três
características.
O conceito de ordem pública é corretivo, pois corrige a aplicação do direito
estrangeiro. O DIPRI é formado por normas que dizem qual o direito aplicável a
determinado caso com elementos internacionais. Por vezes, dever-se-á aplicar o direito
estrangeiro por um juiz nacional, que, em regra, não deverá se imiscuir no mérito da
regra estrangeira. Porém, nos casos de violação da ordem pública, o juiz deve afastar a
aplicação dessa norma, por violação da ordem pública.
É conceito relativo, pois varia no tempo e no espaço. É conceito aberto, pois não
está pré-definido, mas será verificada no caso concreto, frente a uma norma sobre a qual
houver dúvida sobre sua violação ou não.
Fraude à lei
Trata-se da manipulação artifical do elemento de conexão, ou seja, alterar,
artificialmente, o elemento que indica o direito aplicável, para se beneficiar. É
considerada abuso de direito, que é utilizar um direito de maneira diversa ao
ordenamento jurídica. A ordem jurídica aplica a sanção de ineficácia a ela.
O art. 6º da Convenção Interamaricana estabelece que se a parte agir com fraude
à lei, não se aplicará a lei por ela querida, cabendo ao Estado receptor sobre a intenção
fraudulenta.
Reenvio, retorno, remissão ou renvoi
O reenvio ocorre quando o direito indicado pelo norma indireta aponta ooutro
direito como aplicável ao caso. O reenvio pode ser de primeiro grau ou de segundo
grau. O de primeiro grau é o que ocorre entre dois países e o de segundo grau o que
ocorre entre três países.
O reenvio é vedado no direito brasileiro, de acordo com o art. 16 da LINDB.
Nos casos em que lei estrangeira apontar para outro direito, ela será desconsiderada,
aplicando-se a lei do país que lei brasileira indicar.
Questão prévia
Aquela que deve ser necessariamente resolvida antes da principal. Como
exemplo, têm-se saber se o herdeiro tem capacidade para suceder.
Primeira possibilidade: aplica-se a questão prévia o mesmo direito que será
aplicável à principal.
Segunda possibilidade: aplica-se um direito para cada questão.
Para doutrina brasileira, deve-se observar se a uma norma específica para a
questão prévia. Se não houver, aplica-se a mesma da questão principal.
O art. 8º da CIDPRI não estabelece qual deve ser aplicada, mas apenas afasta a
obrigatoriedade de se aplicar a lei da questão principal.
Direito adquirido
Aquele que já foi incorporado à esfera jurídica do titular. Sua relevância no
DIPRI é que os direitos adquiridos no exterior devem ser respeitados, como um
imperativo de continuidade e segurança das relações jurídicas.
O art. 7º CIDIPRI estabelece como regras que os direitos adquiridos no exterior
devem ser reconhecidas pelos Estados partes, desde que não violem a própria ordem
pública.

Direito processual civil internacional

Competência internacional das autoridades judiciárias brasileiras


A competência internacional das autoridades judiciárias brasileiras podem ser
concorrentes ou exclusivas. Nos casos de competências concorrente, podem ser julgadas
tanto pelo judiciário brasileiro, como pelo judiciário de outro país. Já nos casos de
competência judiciária exclusiva, apenas a autoridade judiciário brasileira pode julgar.
A competência exclusiva é absoluta, de modo que ordenamento jurídico brasileiro não
reconhece de forma alguma decisões acerca de matérias que sejam de competência
exclusiva, assim, não se homologará sentenças estrangeiras, nem se dará exequartur às
Cartas Rogatórias, quando estas disseram respeito a questões de competência exclusiva
do Poder Judiciário brasileiro.
Competência internacional concorrente
Os casos previstos no art. 21 do NCPC já estavam previstos no CPC/73. As
hipóteses abaixo permitem que o judiciário brasileiro julgue a causa,
independentemente de outras características, como local da execução ou celebração do
contrato, nacionalidade etc. São elas:
1) Réu com domicílio no Brasil.
2) Se no Brasil tiver que ser cumprida a obrigação.
3) Fundamanto em fato ou ato ocorrido ou praticado no Brasil
P.u. - Para fins do inciso I, considera-se domiciliada no Brasil a pessoa jurídica que aqui
tenha agência, filial ou sucursal.
O NCPC criou novas hipóteses de competência internacional concorrente,
previstas no art. 22.
I) Ações de alimentos:
a) quando o credor tiver domicílio ou residência no Brasil
b) se o réu tiver vínculos no Brasil, como posse ou propriedade de bens, recebimento de
renda ou benefício econômicos
II) Relação de consumo quando o consumidor estiver domiciliado no Brasil
III) Quando as partes expressa ou tacitamente submeterem a causa à justiça brasileira -
cláusula de eleição de foro. Aplica-se para qualquer hipótese não prevista, desde que as
partes submetam sua demanda.
Competência internacional exclusiva
O art. 23 preve as hipóteses de competência exclusiva brasileira, estabelecendo
que ela exclui a competência de qualquer outro.
I) ações relativas a imóveis situados no Brasil;
II) Confirmação de testamento particular, inventário e partilha de bens (móveis ou
imóveis) situados no Brasil, mesmo que o autor da herança tenha domicílio ou seja
nacional de outro país;
III) partilha de bens (móveis ou imóveis) situados no Brasil, em caso de divórcio,
dissolução de união estável e separação judicial
Outras regras de competência internacional
O art. 25 afasta a competência das autoridades judiciárias brasileiras quando,
ainda que seja hipótese de competência concorrente da autoridade judiciária brasileira,
haja cláusula de eleição de foro, excluindo a autoridade brasileira e o réu alegá-la em
contestação. Essa condição à alegação na contestação significa que as partes podem
renunciar a cláusula de eleição de foro.
O §1º afasta essa regra nos casos de competência exclusiva.
As hipóteses de eleição de foro previstos no NCPC se aplicam à eleição de foro
internacional.
Aplicação do Direito estrangeiro
A norma indireta pode indicar o direito estrangeiro para resolução da demanda.
Neste caso, o juiz é obrigado a aplicar o direito estrangeiro - obrigatoriedade. O art. 14
da LINDB e o art. 376 dp NCPC estabelecem, segundo a doutrina, que o juiz pode
aplicar o direito estrangeiro de ofício. Porém, pode exigir que as partes provem o teor e
a vigência do direito estrangeiro alegado pelas partes.
Obs.: Na interpretação do direito estrangeiro, o juiz nacional deverá o fazer como faria o
juiz do Estado estrangeiro.
Regime das provas
O art. 13 da LINDB estabelece que a prova dos fatos ocorridos no país
estrangeiro se rege pela lei daquele país no que tange ao ônus e aos meios de produção
de provas. Porém, não se admitem provas que a lei brasileira desconheça.
Caução (Cautio Iudicatum Solvi)
Segundo o art. 83, o autor brasileiro ou estrangeiro, que residir fora do Brasil, ou
se no meio do processo saia do Brasil, deverá prestar caução que cubra as custas
processuais e os honorários advocatícios da parte contrária, se não tiver bens imóveis no
Brasil que garantam tal pagamento, o que deverá ser informado e provado por ele
próprio. Trata-se de pressuposto de desenvolvimento válido do processo, sem o qual
ensejará extinção do feito sem resolução do mérito.
§1º - Hipóteses em que a caução não é exigível:
I) quando houver dispensa em acordo ou tratado do qual o Brasil faça parte (Ex.:
Protocolo de Las Leñas e Convenção de NY sobre prestação de alimentos no
estrangeiro, que a exclui expressamente).
II) execução de título extrajudicial ou cumprimento de sentença
III) em caso de reconvenção
§2º Se, no decorrer do processo, houver depreciação da garantia, o interessado pode
exigir seu reforço
Litispendência internacional
o art. 24, caput estabelece que ação proposta perante órgão judiciário estrangeiro
não induz litispendência a processo tramitando no Brasil. A doutrina afirma que há
litispendência, porque é um fato, mas não produz efeitos, é ineficaz. Excetuam-se os
casos previstos em tratados internacionais.
Segundo o p.u. a pendência de causa no Brasil não impede a homologação da
sentença estrangeira em relação à demanda idêntica. Só após a homologação, a sentença
estrangeira produzirá efeitos, ensejando coisa julgada.
AULA 7
Cooperação jurídica internacional
Introdução à cooperação jurídica internacional
Leitura obrigatória CPC: artigos 26, 27 e 37 a 41
Cooperação jurídica internacional é o intercâmbio para cumprimento
extraterritorial de medidas administrativas ou judiciais. Quando se fala em cooperação,
fala-se em jurídica e não jurisdicional, pois envolve atos não apenas judicias, mas
também, administrativos.
Encontra fundamento, no âmbito internacional, nos Princípios de Direito
Internacional relativo às Relações de Amizade e Cooperação entre os Estados,
Resolução da Assembleia Geral da ONU. O art. 4º, IX traz o princípio da cooperação
para o progresso da humanidade, de onde a doutrina retira o dever de cooperação
jurídica internacional do Brasil.
Classificação
- Ativa ou passiva: ativa é em relação ao Estado que solicita a cooperação jurídica
internacional e passiva em relação ao Estado que recebe o pedido de cooperação.
- Direta ou indireta: Direita quando não precisa passar por um juízo de delibação, por
um órgão judicial específico; indireta, quando há tal necessidade.
- Cível ou penal: trata-se de classificação quanto à matéria, alguns mecanismos podem
ser aplicados para matéria cível ou penal.
Fundamento
O art. 26, caput, do NCPC estabelece que a cooperação jurídica internacional
pode ter como fundamento um tratado ou a reciprocidade.
O art. 1º do NCPC estabelece que não havendo tratado, a cooperação poderá se
fundamentar na reciprocidade e o §2º dispensa a homologação de sentença estrangeira
da necessidade de reciprocidade. A doutrina critica tal dispositivo porque o Brasil não
costuma exigir reciprocidade em matéria de cooperação jurídica internacional, porém,
agora, com esta norma positivada, a regra geral é que o Brasil exige a reciprocidade.
Quando o Brasil recebe um pedido de cooperação jurídica internacional, o STJ
analisa se há tratado. Se não houver, o STJ aplica a legislação interna. Há normas
relativas à cooperação jurídica internacional, no direito interno, no CPC, no CPP, na
LINDB e no Regimento Interno do STJ.
Princípios (art. 26 NCPC)
Devido processo legal no Estado requerente: O Brasil deve observar se no Estado
requerente está sendo observada a cláusula do devido processo legal.
Igualde de tratamento entre estrangeiros e nacionais no acesso à Justiça, inclusive em
matéria de assistência judiciária gratuita
Publicidade processual: ressalvadas as hipóteses de proteção à intimidade.
Autoridade central: existência de um órgão ou entidade na estrutura governamental com
a finalidade de viabilizar a cooperação jurídica internacional.
Espontaneidade: serve para relativizar a relação burocrática brasileira, reduzindo a
exigência de formalidades que atrapalhariam a cooperação. Simplicidade,
informalidade.
Respeito à ordem pública (art. 2, §3º e 39)
Objeto (art. 27 NCPC)
Podem ser objeto de cooperação jurídica internacional, atos ordinatórios,
instrutórios, homologação de decisões, tutelas de urgência, auxílio direto e qualquer
outra medida não proibida pela lei brasileira.
• citação, intimação e notificação judicial e extrajudicial;
• colheita de provas e obtenção de informações;
• homologação e cumprimento de decisão;
• concessão de medida judicial de urgência;
• assistência jurídica internacional;
• qualquer outra medida judicial ou extrajudicial não proibida pela lei brasileira
Encaminhamento (artigos 37, 38 e 40)
Observações quanto ao encaminhamento do pedido de cooperação:
O art. 37 prevê que quando houver cooperação jurídica internacional oriunda do
Brasil, ela será encaminhado à autoridade central brasileira, que o remeterá à autoridade
central do Estado requerido. Segundo o art. 38, tal pedido e documentos anexos a ele
serão encaminhados acompanhados de tradução para a língua oficial do Estado
requerido.
O art. 40 estabelece que quando for oriunda de Estado estrangeira, será
encaminhado pela autoridade central estrangeira á autoridade central brasileira, que,
então, dará encaminhamento à medida no Brasil.
Autenticidade de documentos (art. 41 NCPC)
O art. 41 representa um avanço em cooperação jurídica internacional, ao prever
a dispensa de ajuramentação, autenticação ou legalização de documentos, quando
remetidos por autoridade central ou pela via diplomática. Nesses casos, presume-se o
documento autêntico.
O STJ já excepcionava a necessidade de autenticação de documentos, mesmo
antes da regra prevista no NCPC, quando a regra era a autenticação.
Essa nova regra, não impede a que se exija tal autenticação, com base na
reciprocidade.
Carta rogatória
Leitura obrigatória
CPC: art. 36
RISTJ: artigos 216-O a 216-X
Cartas rogatórias ativas
Como qualquer mecanismo de cooperação jurídica internacional, podem ser
ativas ou passivas. Os dispositivos que regulam as cartas rogatórias ativas são artigos
237, II; 260; 265, §1º e 377 CPC e art. 783 CPP. Tal assunto não tem tanta relevância
para o Direito Internacional Privado.
Cartas rogatórias passivas
Competência
Assunto de maior relevância para o Direito Internacional Privado.
Nos termos do art. 105, I, i da CRFB, a competência para concessão de
exequatur é do STJ. A atribuição é do Presidente do STJ, nos termos do art. 216-O do
RISTJ. Já a competência para cumprimento é de juízes federais de primeiro grau,
conforme art. 109, X da CRFB.
Obs.: Delibação difusa: houve um tempo em que a competência para concessão de
exequatur às cartas rogatórias e homologação de sentença estrangeira era atribuída a
todos os juízes brasileiros e não concentrada num Tribunal Superior, como STF ou STJ,
ou seja, o juízo de delibação era difuso.
Autoridade requerente ou rogante
Carta rogatória é mecanismo de cooperação jurídica internacional entre poderes
judiciários. Então, como regra geral, somente a autoridade judiciária de outro país pode
expedir carta rogatória para o Brasil. Segundo entendimento anterior do STF, somente
autoridades judiciárias stricto sensu, de acordo com o direito brasileiro, poderia ser
recebida no Brasil. Ainda que a autoridade estrangeira tivesse competência no seu país
para aquele ato, não seria cumprida no Brasil, se não fosse considerada autoridade
judiciária no direito Nacional.
Atualmente, segundo STJ, pode expedir autoridade estrangeira competente, de
acordo com a legislação local (do Estado requerente), mesmo que não seja integrada ao
Poder Judiciário.
Objeto
O art. 35 do NCPC, que cuidava do objeto das cartas rogatórias, foi vetado, pois
se entendeu que ao listar as medidas que poderiam ser objeto de carta rogatória, poder-
se-ia estar excluindo a utilização de outros mecanismos, principalmente o auxílio direto,
que é mais célere.
De acordo com a doutrina, podem ser objeto de carta rogatória atos ordinatórios
ou de mero trâmite (intimação, notificação e citação), atos instrutórios (coleta de
provas) e atos executórios (medidas constritivas).
Enquanto a competência era do STF, não se admitia carta rogatória para
cumprimento de medidas executórias. Entendia-se que era necessária a homologação de
sentença estrangeira, para o cumprimento de medida judicial constritiva, que seria
decorrente de decisão de juiz estrangeiro.
Atualmente, o entendimento foi modificado, pelo entendimento pelo STJ, a
partir da Carta Rogatória 438, admitindo o cumprimento de medidas executórias por
carta rogatórias. A doutrina entende haver previsão nesse sentido no art. 216-O, §1º do
RISTJ, uma vez que este dispositivo admite o cumprimento de carta rogatórias de atos
decisórios ou não, sendo os executórios abrangidos pelos decisórios.
O art. 962, §1º do NCPC admite decisões interlocutórias concessivas de medidas
de urgência a serem cumpridas por Cartas Rogatórias.
O art. 19 do Protocolo de Las Leñas, principal mecanismo de cooperação
jurídica internacional no âmbito do Mercosul, diz que sentenças estrangeiras podem ser
homologadas por carta rogatória. O STF, interpretando este artigo, entendeu que ele
significa que sentenças estrangeiras proferidas no âmbito do Mercosul, podem ser
homologadas por iniciativa oficial e que o contraditório, nesses casos, é diferido.
O STJ estabeleceu que não é cabível carta rogatória para remessa de menor, por
já existir procedimento previsto no Convenção Internacional da Haia sobre sequestro de
menor.

Ordem pública
O art. 964 do NCPC estabelece que não será homologada sentença estrangeira
quando a matéria for de competência internacional exclusiva das autoridades brasileiras,
por violar a ordem pública. Nos termos do p.u., o mesmo se aplica a cartas rogatórias.
O art. 216-P RISTJ estabelece que não será concedido exequatur a carta
rogatórias que violem a soberania nacional, a dignidade humana e ordem pública. No
mesmo sentido, o art. 71 do LINDB
Segundo o STJ, não ofende a ordem pública, carta rogatória para cobrança de
dívida de jogo, quando a prática for lícita no Estado requerente.
Procedimento
Não são necessários todos os documentos da causa, conforme entendimento
antigo do STF, mantido pelo STJ. São necessários apenas aqueles suficientes para a
compreensão da demanda original.
Recebida a carta rogatória, o presidente abre prazo de 15 dias (art. 216-Q) para
impugnação, que deve se limitar a autenticidade dos documentos, inteligência da
decisão e requisitos regimentais (art. 216-Q, §2º). Trata-se de contenciosidade limitada,
uma vez que se trata de mero juízo de delibação, que se limita a aferição de requisitos
formais, não adentrando ao mérito do pedido de cooperação. Se não houver impugnação
nesse prazo, o presidente já pode conceder o exequatur. Se houver, o presidente pode
encaminhar para a corte especial, onde será sorteado o relator, que irá conduzir o
processo (art. 216-T). Observe-se que o encaminhamento à Corte Especial é uma
faculdade do Presidente.
Admite-se tutela de urgência em carta rogatória (art. 216-Q, §1º).
Das decisões do presidente ou do relator, cabe agravo regimental (art. 216-U).
Concedido o exequatur, a carta rogatória é remetida ao juiz federal, que irá cumprir a
carta (art. 216-V. No cumprimento da carta rogatória, dos atos do juiz federal de
primeiro graus, caberão embargos para o presidente do STJ. E das decisões do
presidente, caberá agravo para a Corte Especial (art. 216-W).
Homologação de sentença estrangeira
Leitura obrigatória
CPC: artigos 960 a 965
RISTJ: artigos 216-A a 216-N
Tem como base o princípio da territorialidade da jurisdição, ou seja, a decisão
proferida pelo autoridade judiciária de um Estado, tem validade no território sobre o
qual exerce jurisdição.
Sistemas
Existem três sistemas de homologação de sentença estrangeira
1) Revisão do mérito da sentença: nesse sistema, para que uma sentença estrangeira
produza efeitos em outro território, é necessário que a demanda seja novamente
julgada. Tendo em vista o princípio da territorialidade da jurisdição, apenas com
novo julgamento pela autoridade judiciária nacional, a decisão de juiz
estrangeiro teria validade no território nacional
2) Sistema da revisão parcial de mérito: alguns aspectos da sentença estrangeira
devem ser reapreciados.
3) Sistema da delibação: analisam-se apenas alguns pressupostos formais.
O sistema brasileiro é o da delibação.
Competência
A competência para homologação é do STJ, nos termos do art. 105, I, ida CRFB.
Atribuição do presidente do STJ, conforme art. 216- A do RISTJ. O cumprimento fica a
cargo dos juízes federais de primeiro grau, conforme art. 109, X da CRFB.
Objeto
O NCPC faz menção à decisão estrangeira, em vez de sentença. A explicação é
que essa expressão é mais técnica para abranger sentenças e acórdãos.
Segundo o art. 961, §1º pode ser objeto de homologação de sentença estrangeira,
decisão judicial definitiva ou decisão não-judicial, que, pela lei brasileira, é de
competência exclusiva de autoridade judiciária.
Decisão arbitral estrangeira, também deve passar pelo procedimento de
homologação (art. 960, §3º). As sentenças estrangeiras de divórcio consensual
dispensam homologação (art. 961, §5º).
As sentenças de tribunais internacionais não precisam ser homologadas, uma vez
que não se trata de decisão estrangeira, mas de tribunal fundado em tratado do qual o
Brasil faz parte, fruto de sua soberania.
Requisitos (art. 963 do NCPC)
São três os dispositivos no ordenamento jurídico brasileiro que tratam dos
requisitos da sentença estrangeira para ser homologada, o NCPC, o RISTJ e a LINDB.
Primeiramente, dever-se-á analisar se a decisão foi proferida pela autoridade
competência; se foi regular a citação do condenado, mesmo que revel; se é eficaz no
país em que foi proferida; não ofender a coisa julgada brasileira; estar acompanhada de
tradução oficial, salvo dispensa constante em tratado e se não há ofensa à ordem pública
nacional.
Requisitos (art. 216- D do RISTJ) – Citação
O STJ entende que a citação é suprida pelo comparecimento do réu à audiência
no juízo estrangeiro. É suprida pela citação por edital, se a parte se encontrar em local
desconhecido. Se a parte ré residir no Brasil, a citação por correio não supre a exigência
de citação regular, deve ser expedida carta rogatória citatória.
Ordem pública
Mais uma vez, não se homologa decisão estrangeira que viole competência
internacional exclusiva da autoridade brasileira (art. 964 NCPC) e que violem a ordem
pública brasileira (art. 17 LINDB e art. 216-F RISTJ).
Procedimento
A homologação de sentença estrangeira tem natureza de sentença constitutiva de
processo contencioso. Então, ela começa com a propositura, que deverá cumprir os
requisitos de petição inicial, conforme art. 960 do CPC e 216-C do RISTJ. Excepciona-
se o caso previsto no art. 19 do Protocolo de Las Leñas, que segundo o STF admite a
homologação de sentença estrangeira por iniciativa
Admite-se tutela de urgência, nos termos do art. 961, §3º do CPC e art. 216-G do
RISTJ)
Recebida a petição inicial, o réu é intimado a contestar, em 15 dias (art. 216-H).
Havendo contestação, o processo deve ser encaminhado para o Corte Especial, pelo
presidente, diferentemente da carta rogatória, na qual a remessa à Corte Especial é
facultativa, mesmo havendo impugnação (art. 216-K).
O art. 216-J prevê réplica e tréplica, em cinco dias.
Sorteado o relator na Corte Especial, admite-se decisão monocrática, baseada em
jurisprudência pacífica, conforme art. 216-K, p.u..
O MP participa deste procedimento (art. 216-L).
Cabe agravo regimental das decisões do Presidente e do Relator.
Cabe homologação parcial da sentença estrangeira (art. 961, §2º do NCPC e art.
216-A, §2º RISTJ).
Homologada sentença estrangeira, será considerada título executivo judicial (art.
515, VIII do CPC) e o cumprimento se dará por juiz federal de primeiro grau, através da
expedição de carta de sentença art. 965 do NCPC e art. 216-N do RISTJ).
Coexistência de ações
Se houver pedido de homologação de sentença estrangeira e processo idêntico
no Brasil. Processo idêntico em andamento no Brasil não impede a homologação de
sentença estrangeira. Porém, se o processo em trâmite no Brasil transitar em julgado, a
sentença estrangeira não poderá ser homologada.
Se a decisão estrangeira for homologada antes, o processo em andamento no
Brasil deverá ser extinto sem resolução do mérito, com fundamento na coisa julgada.
A exceção são as causas de guarda e alimentos. O STJ entende que tais ações
produzem coisa julga rebus sic standibus, ou seja, de trato sucessivo, as circunstâncias
podem se alterar, cabendo nova decisão sobre aquela questão.
Obs.: Segundo o art. 12 do Protocolo de Las Leñas, o Estado rogante pode requerer a
aplicação de sua lei processual na homologação de sentença estrangeira.
Homologação de sentença penal estrangeira
A regra é aplicar o CPC, como regra geral, e, quando houver, as normas
provenientes de legislação específica, como no caso de sentença penal estrangeira.
Segundo o art. 9º do CP, a homologação de sentença penal estrangeira tem duas
finalidades: i) produzir efeitos civis, como a reparação do dano e ii) permitir a aplicação
de medidas de segurança.
A homologação de sentença penal estrangeira exige a dupla tipicidade, ou seja, o
ato praticado deve ser definido como crime em ambos os Estados.

Auxílio-direto
Também conhecido como assistência jurídica internacional, é uma modalidade
de cooperação jurídica internacional que se dá diretamente entre autoridades centrais,
sem necessidade de juízo de delibação.
A posição inicial do STF foi contra o auxílio direto, segundo ele, não poderia ser
efetivada tal modalidade de cooperação jurídica internacional, por não haver previsão
constitucional dela. Porém, atualmente, o entendimento é pacífico de que é admissível a
utilização de auxílio direto.
Tem previsão expressa no art. 216, §2º do RISTJ, que estabelece que um pedido
de cooperação jurídica internacional, ainda que tenha o nome de carta rogatória, mas
não precise de juízo de delibação, será encaminhado para auxílio direto. Também há
previsão expressa nesse sentido no art. 28 do NCPC. No auxílio direto, ocorre o pedido
de que uma decisão seja tomada no Brasil
Objeto
O art. 30 do CPC prevê as medidas que podem ser objeto de auxílio direto:
obtenção e prestação de informações sobre o ordenamento jurídico ou sobre processos
administrativos ou jurisdicionais findos ou em curso; colheita de provas, salvo se a
medida for adotada em processo, em curso no estrangeiro, de competência exclusiva de
autoridade judiciária brasileira ou qualquer outra medida judicial ou extrajudicial não
proibida pela lei brasileira.
Autoridades centrais
Tendo, em vista que se trata de medida que se dá diretamente entre autoridades
centrais, prescindindo de juízo de delibação por autoridade judicial, as autoridades
centrais são extremamente importantes. São órgãos ou entidades, integrantes da
estrutura governamental, com a finalidade de viabilizar a cooperação jurídica
internacional. No Brasil, a principal autoridade central é o Ministério da Justiça, que
funcionará como tal, sempre que não houver previsão específica de outro órgão ou
entidade, nos termos do art. 26, §4º do CPC, que pode fazê-lo pelo Departamento de
recuperação de ativos e de cooperação internacional - DRCI - ou pelo Departamento de
Estrangeiros – DEEST. Além dele, porém, têm-se o Ministério Público Federal,
principalmente em matéria penal, uma exceção é a prestação de alimentos do
estrangeiro e a Secretaria de Direitos Humanos, na Convenção da Haia sobre tráfico
internacional de crianças.
O art. 32 estabelece que, quando o auxílio direto tiver como objeto medida
administrativa, a própria autoridade central adotará a medida. Quando a medida
depender de pronunciamento judicial, a autoridade central deverá levar a juízo. Nesses
casos de reserva de jurisdição, quando a autoridade central não tiver capacidade
postulatória, caberá à AGU a atuação judicial (art. 33 NCPC). A competência é do juízo
federal do local onde a medida deve ser executada (art. 34).
Diferenças entre auxílio direto e carta rogatória
1) No auxílio direto, o requerente atua como administrador, fazendo um pedido
para que alguma providência seja tomada; na carta rogatória, há comunicação
entre autoridades judiciárias, por excelência, como regra geral, pedindo o
cumprimento de uma decisão sua, em menor ou maior grau.
2) No auxílio direto, a comunicação é direta entre autoridades centrais, sem
necessidade de pronunciamento judicial, nem juízo de delibação.
3) Nos casos em que, no auxílio direto, é necessário o pronunciamento judicial, o
magistrado tem amplo cognição, não limitado pelo juízo de delibação, restrito a
questões formais.
Transferência de presos
PRINCIPAIS NORMAS:
• Tratados bilaterais com Canadá, Chile, Argentina, Grã-Bretanha, França, Portugal,
Paraguai, África do Sul e Espanha.
• Convenção Interamericana sobre o Cumprimento de Sentenças Estrangeiras no
Exterior (Convenção de Manágua).
Modalidade jurídica de cooperação jurídica internacional em matéria penal, com
finalidade humanitária, que busca fazer com que o apenado cumpra sua pena no lugar
onde tenha vínculos sociais.
Obs.: Convenção de Manágua – importante para o MPF.
Redes de cooperação
Ferramentas informais de cooperação jurídica internacional. Os Ministérios
Públicos de vários Estados se reúnem para trocar informações e cumprir algumas
diligências informalmente, também participando alguns Ministérios da Justiça e Poderes
Judiciárias.
Decorre de cortesia internacional.
As principais são IberRede, Rede Judiciária da CPLP e Rede Hemisféria de
Intercâmbio de Informações para auxílio jurídico mútuo em matéria penal e de
extradição (OEA)
IBERREDE
Atua em cooperação cível e penal, congrega vinte e dois países ibero-
americanos, integrada por pontos de contato e autoridades centrais, aqueles designados
pelos Estados e estes por tratados ou leis.
Suas características são informalidade, complementaridade, horizontalidade,
flexibilidade e confiança mútua.
Convenção da Haia sobre aspectos civis do sequestro internacional de crianças
Leitura obrigatória
Artigos 12 e 13 – Preveem as exceções à regra do retorno da criança ilicitamente retida,
que é a regra geral da convenção.
Objetivo (art. 1º)
Devolver a criança ao lugar do qual foi retirada ilicitamente em qualquer Estado
contratante remetendo-a a outro Estado contratante. Fazer serem respeitados os direitos
de guarde e visita existentes num Estado contratante. É baseado no princípio do melhor
interesse da criança, que significa considerar sua peculiar condição de pessoa em
desenvolvimento. A lógica da Convenção é que quem deve decidir as questões de
guarda e visita é o juízo natural, que é do domicílio habitual da criança.
Transferência ilícita (art. 3º)
Violação ao direito de guarda efetivamente exercido no momento da
transferência ou retenção.
Aplicabilidade da convenção
A convenção considera alguns critérios de aplicabilidade.
Critério espacial: a criança tem que ter residência habitual num Estado contratante
quando retenção ou transferência ilícita.
Critério etário: a convenção cessa aplicabilidade quando a criança completar 16 anos
(art. 4º)
Critério temporal: a convenção só se aplica a transferências ou retenções ilícitas
ocorridas após sua entrada em vigor (art. 35).
Autoridade central
A autoridade central brasileira é a Secretaria de Direitos Humanos da
Presidência da República, conforme Decreto 3951/01 e 7256/2010. Segundo o art. 7º,
cabe a elas – autoridades centrais - cooperar entre si e promover a colaboração de forma
a assegurar o imediato retorno da criança e demais objetivos da convenção.
Pedido de retorno (art. 8º)
Qualquer pessoa é parte legítima e pode procurar tanto a autoridade central de
seu Estado como de qualquer outro Estado requerente.
Procedimento
O pedido é itinerante, pode ser encaminhado para outro país, caso a criança
tenha esteja em outro país, diferente do requerido. O pedido só será atendido se
preencher as condições e tiver fundamento (art. 27).
A competência é absoluta da Justiça Federal. O fundamento é porque,
normalmente, quem estará no polo ativo será a União, nos termos do art. 109, I e que é
uma ação fundada em tratado internacional.
Prioriza-se a entrega voluntária, ou seja, primeiramente, busca-se a resolução
amigável da demanda. São cabíveis medidas de urgência. Em caso de demora superior a
dois meses, deve a autoridade central justificar. O estado requerido pode solicitar prova
da transferência ou retenção ilícita.
Impossibilidade de decisão sobre o fundo da guarde (art. 16) Ou seja, o juiz do
Estado requerido não irá decidir sobre quem tem direito de guarda, deve restituir a
criança, conforme o quem já tem o direito de guarda da criança.
A convenção dispensa a caução ou depósito de garantia das custas e honorários
judiciais (art. 22)
Não cabe habeas corpus para evitar remessa do menor. Não cabe carta rogatória
para remessa de menor.
Exceções à regra do retorno da criança
A regra da convenção é que a criança retida ou transferida ilicitamente deve ser
imediatamente remetida para o Estado de sua residência legítima.
A primeira exceção é que se pode negar o retorno da criança se ela estiver
integrada ao novo meio. Só se pode analisar tal integração se decorreu mais de um ano
entre a transferência ilícita e o início do processo. O STJ negou o retorno da criança,
mesmo não decorrido o prazo, mas pela maturidade da criança, que escolheu não voltar.
A convenção só protege o direito de guarda efetivamente exercido, então,
excepciona-se regra da devolução se comprovado que detentor da guarda não a exercia
efetivamente ou se houver consentimento de um dos genitores da transferência ou
retenção (art. 13, a).
Se no Estado requerido houver risco de a criança ficar exposta perigos físicos ou
psíquicos ou numa situação intolerável com o retorno (art. 13, b) como abuso sexual.
Oposição da criança que já tem maturidade (art. 13, p.u.)
Incompatibilidade com os princípios fundamentais (art. 20), se o país de destino
for um país que desrespeite direitos humanos.
Observações quanto às exceções
A existência de decisão relativa à guarda, no país em que se encontra, não
justifica recusa do retorno, se houver legítimo direito de guarda do responsável que viva
em outro Estado.
O ônus da prova da integração da criança ao novo meio é de quem alega. E para
provar, admite-se prova pericial psicológica.

CONVENÇÃO DE NOVA IORQUE SOBRE PRESTAÇÃO DE ALIMENTOS NO


ESTRANGEIRO
LEITURA OBRIGATÓRIA:
• Artigos 1º, 7º, 8º, 9º, 13, 16, 17 e 18
A lógica da Convenção é viabilizar que credores de alimentos acionem devedor
que está em outro país seja para sua fixação, seja para execução.
Só pode invocá-la quem está obrigado por ela, admite reservas, admite adesão (é
aberta), aplica-se tanto para cobrança, quanto para revisão de alimentos. A CIJ que fica
responsável por resolver controvérsias sobre sua interpretação e aplicação.
Competência será sempre da justiça federal. Não depende de homologação a
sentença de alimentos, por ser o MPF a autoridade central. Aplica-se as normas do
direito interno, a par das normas da convenção. Não se exige caução de garantia de
despesas para propositura, exige-se procuração dada pelo credor, mesmo sendo a
autoridade o MPF.
A Convenção de Nova York sobre Prestação de Alimentos no Estrangeiro dispõe
que a lei que regerá as ações de alimentos e qualquer questão conexa será a do Estado
do demandado, inclusive em matéria de direito internacional privado.
PROTOCOLO DE LAS LEÑAS SOBRE COOPERAÇÃO E ASSISTÊNCIA
JURISDICIONAL EM MATÉRIA CIVIL, COMERCIAL, TRABALHISTA E
ADMINISTRATIVA
LEITURA OBRIGATÓRIA:
• Arts. 12, 18, 19 e 20
OBJETIVOS:
• Harmonização das legislações dos Estados do Mercosul
• Promoção e intensificação da cooperação jurídica
• Tratamento equitativo dos cidadãos e residentes
• Consolidação da segurança jurídica

OBJETO (ART. 1º):


• Matéria civil, comercial, trabalhista e administrativa
• Procedimentos administrativos em que se admitam recursos perante os tribunais
(contencioso administrativo)

AULA ESTUDO DE CASO


Fontes do Direito Internacional
CASO DA GROENLÂNDIA ORIENTAL (DINAMARCA VS. NORUEGA):
CPJI, 1933
Princípio do estoppel: uma pessoa não pode adotar uma conduta contraditório
com o que ela declarou ou deixou implícito anteriormente. Parecido com a vedação ao
venire contra facto proprium.
A promessa configura ato unilateral, se 1) dirigida a sujeito de Direito
Internacional, 2) se o beneficiário age de boa-fé e 3) se formulada por sujeito de Direito
Internacional.

CASO DA PESCA ANGLO-NORUEGUESA:


CIJ, 1951
A doutrina moderna critica a teoria do objetor persistente, questionando porque
os Estados novos, que não participaram da formação do costume, mas poderia um
Estado antigo, que participou do processo de consolidação de determinado costume,
ficaria liberado, graças a uma sistemática oposição ao respeito da norma costumeira.
Atualmente, a doutrina majoritária tende a seguir a doutrina objetivista, segundo
a qual o Direito internacional não depende da vontade do sujeito para ser impositivo.

CASO LOCKERBIE:
CIJ, 1992 e 1998
Cláusula aut dedere, aut iudicare: um país tem a obrigação ou de julgar ou de
extraditar para um país que queira julgar. A Líbia estava amparada por tal cláusula
constante da Convenção de Montreal, uma vez que estava providenciando seu
julgamento.
De acordo com as resoluções do Conselho de Segurança, a Líbia deveria
extraditar. Segundo o art. 103 da Carta da ONU, as obrigações decorrentes daquela
Carta prevaleceria sobre outros tratados e convenções, o que daria a entender que as
resolução do Conselho de Segurança prevaleceriam sobre as normas da Convenção de
Montreal. A CIJ, porém, não julgou tal controvérsia, negando-se a julgar o caso com
base nas Resoluções do Conselho, porque elas teriam sido editadas após a chegada da
questão à sal jurisdição. Decidira com base na Convenção de Montreal.
CASO DO DEPOSITÁRIO INFIEL:
STF (Brasil), 2003
Os tratados internacionais de direitos humanos, quando não aprovados segundo
o procedimento de emenda constitucional, teriam status supralegal, de modo que a
legislação interna que a contrariasse seria inválida.
Todo ato normativo encontra fundamento de validade em norma superior, logo,
deve estar em consonância com essa norma superior.
Assim, apesar de a CRFB admitir a prisão do depositário infiel, a lei não poderá
regular tal possibilidade, sob pena ser anticonvencional, por estar incompatível com o
Pacto de São José da Costa Rica, tratado internacional de diretos humanos.
Parte da doutrina criticou a solução do STF por considerá-la formalista demais.
Defendia-se um posicionamento material, em que se adotaria o critério pro omne, ou
seja, dever-se-ia adotar a norma mais protetiva do indivíduo.

Imunidades internacionais
Imunidade é a restrição ao exercício da jurisdição.

CASO PINOCHET:
Casa dos Lordes, 1999
Os atos praticados por Pinochet pelos quais foi condenado na Espanha o foram
enquanto ele era chefe de Estado, estando, em tese, blindado pela imunidade do chefe
de Estado. A Casa dos Lordes, porém, entendeu que ela não pode ser oposta quando da
prática de crimes contra a humanidade.
CASO YERODIA (CONGO VS. BÉLGICA):
CIJ, 2002
O mandado de prisão do juiz belga contra o Ministro das Relações Exteriores do
Congo em exercício teria se baseado no princípio da universalidade.
Por força de costume internacional, os Ministros das Relações Exteriores teriam
imunidade absoluta. O princípio da irrelevância da qualidade oficial para julgamento de
crimes jus cogens somente valeria para tribunais internacionais e não para tribunais
nacionais.
Segundo Rezek, a questão seria de incompetência do juízo, antes da discussão
acima, pois o juiz belga não poderia expedir mandado de prisão contra pessoa localizada
em outro território, por pessoa não belga, com vítimas não belgas,por ato praticado fora
de território de sua jurisdição, ou seja, sem nenhum elemento de conexão com a
Bélgica.
CASO ALEMANHA VS. ITÁLIA, COM INTERVENÇÃO DA GRÉCIA:
CIJ, 2012
Os juízes italianos haviam entendido que a imunidade estatal por atos de império
não prevaleceria em caso de violação de direitos humanos. Porém, a Corte da Haia
entendeu pela imunidade do Estado Alemão.
CASO DO BARCO PESQUEIRO CHANGRI-LA:
STJ, AgRg no RO 129/RJ, julgado em 02/10/2014
O STJ entendeu que não seria possível a responsabilização de Estado estrangeiro
por ato praticado em contexto de guerra, porque atos de guerra seriam atos de império,
gozando de imunidade absoluta.

Aquisição de território
CASO ILHA DE PALMAS:
Corte Permanente de Arbitragem, 1928
Ficou estabelecido pela Corte que o título de descobrimento dissociado da
continuidade da ocupação não possui efeitos jurídicos. Seria necessário o exercício da
soberania sobre território descoberto Assim, a ocupação, exercício da soberania
prevaleceria sobre o título de descoberta.

CASO DO SAARA OCIDENTAL:


CIJ, 1975
Terra ocupada por povos nativos organizados em tribos lhe dão direito sobre ela,
de modo que não é considerada terra nullius.
Reconhecimento de Estado
CASO DA INDEPENDÊNCIA DO KOSOVO:
CIJ, 2010
A declaração unilateral de independência não é vedado por qualquer norma de
direito internacional, de modo que cabe a cada Estado reconhecer ou não tal declaração.
Uso da força e legítima defesa
CASO DAS ATIVIDADES PARAMILITARES NA NICARÁGUA:
CIJ, 1984
A CIJ entendeu que o suporte a rebeldes por meio de concessão de armamento e
logística não configura ataque armado, não é considerado uso ilegítimo da força. Porém,
a colocação de minas violaria o princípio do não uso da força, da soberania e do direito
internacional humanitário, que seria a utilização de armas vedadas.
A CIJ afirmou a aplicação do direito internacional humanitário para conflitos
internos intercionalizados.
Conflito de jurisdições
CASO LOTUS:
CPJI, 1927
Foi decidido que o Estado pode exercer jurisdição em seu território, por fatos
ocorridos fora dele, devendo ter previsão em sua legislação interna de
extraterritorialidade. O que é proibido é exercer jurisdição em outro território.
Organizações internacionais
CASO DA REPARAÇÃO DE DANOS OU CASO FOLKE BERNADOTTE:
CIJ, 1949
Reconheceu-se a personalidade jurídica internacional da ONU, uma vez que se
assim não fosse, não poderia corresponder às expectativas dos seus fundadores. As
organizações internacionais teriam personalidade jurídica de direito internacional
própria, objetiva, diferente da dos Estados que a criaram. Criar um ente personalizado
internacional seria um poder dos Estado, quando o fizessem em conjunto.
Foi reconhecida a proteção funcional, que paralela à proteção diplomática, seria
a proteção dada por uma organização internacional a um funcionário seu.
Responsabilidade internacional
CASO DA FÁBRICA DE CHORZOW:
CPIJ, 1928
Mesmo na sucessão de Estados, a Corte reconheceu o direito adquirido dos
proprietários. Ficou consagrado que toda violação de compromisso gera dever de
reparar.
Proteção diplomática
CASO CANEVARO:
Corte Permanente de Arbitragem, 1912
A Corte conclui que quem tem dupla personalidade pode pedir proteção
diplomática para qualquer dos dois Estados, porém nunca pedir a proteção de um em
face de outro.
CASO NOTTEBOHM:
CIJ, 1951
A Corte decidiu que para concessão de endosso é necessária uma nacionalidade
real e efetiva, deve haver vínculos sociais do requerente da proteção e o Estado
requerido.
CASO BARCELONA TRACTION:
CIJ, 1970
A CIJ entendeu que a Bélgica não possuía legitimidade para oferecer
legitimidade dos sócios belgas, porque, na verdade, estaria pleiteando interesses da
companhia, que era canadense.
A legitimidade da Bélgica só surgiria se o Canadá fosse incapaz de pleitear tais
interesses.
Asilo
CASO HAYA DE LA TORRE:
CIJ, 1951
À época, a decisão da Corte foi de que não havia previsão de que o Estado
asilante pudesse unilateralmente qualificar os pressupostos do asilo. Atualmente, porém,
a Convenção sobre asilo de 1954 prevê que o Estado asilante tem a prerrogativa de
qualificar unilateralmente os pressupostos do asilo.
Direito Internacional Ambiental
CASO FUNDIÇÃO TRAIL:
Tribunal Arbitral, 1941
O Tribunal entendeu que nenhum Estado tem direito de utilizar seu território
permitindo que poluição chegue no território de outro Estado. Haveria sim um princípio
internacional de prevenção do dano ambiental transfronteiriço, de modo que haveria o
dever de o Estado punir os indivíduos que, sob sua jurisdição, tivessem causado danos
ambientais a território de outros Estados.
Direito internacional Penal
CASO VELÁSQUEZ VS. HONDURAS:
Corte IDH, 1988
A Corte entendeu que quando um Estado não previne, investiga e pune atos
violadores de direitos humanos gera responsabilidade internacional.
CASOS BARRIOS ALTOS, ALMONACID E LA CANTUTA:
Corte IDH, 2001, 2006 e 2006, respectivamente
A Corte estabeleceu que crimes contra a humanidade não poderiam ser
anistiados por leis, por impedirem o acesso das famílias à Justiça e à verdade, por
violarem a Convenção Interamericana de Direitos Humanos.
CASO GOMES LUND OU ARAGUAIA:
Corte IDH, 2010
A lei brasileira de anistia seria incompatível com a Convenção Americana de
Direitos Humanos, por violá-la, ao anistiar crimes contra a humanidade. Por tal motivo,
ela seria anticonvencional. O STF declarou constitucional a lei de anistia.
A doutrina tem entendido que a Corte e o STF analisaram a lei de anistia com
parâmetros de controle diversos, o STF, a CRFB e a Corte, a Convenção Americana de
Direitos Humanos. Defende, assim, que a lei não pode ser aplicada, por ser
anticonvencional. Trata-se do entendimento encampado pelo MPF.
CASO HISSÈNE HABRÉ:
CIJ, 2012
Embora o crime de tortura seja assim considerado pelo costume internacional,
independente de norma convencional positivada, a obrigação de julgar ou extraditar só
teria surgido para fatos ocorridos após a entrada em vigor da Convenção contra a tortura
da ONU para o Senegal.

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