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Biologia e Geologia 10º ano Natércia Charruadas

•    1.  Métodos  para  o  estudo  do  interior  da  Geosfera  


•    2.  Vulcanologia  
•    3.  Sismologia  
•    4.  Estrutura  interna  da  Geosfera  
O arquipélago açoriano

ramo da crista média do Atlântico,


(zona de produção de crosta oceânica)

Este ramo, que se junta a Oeste à


crista médio-atlântica, prolonga-se
para Este através da falha Açores-
Gibraltar.

Esta região, dado o seu carácter construtivo e destrutivo, é um autêntico


“laboratório geológico”, na medida em que se pode estudar a grande actividade
sísmica e vulcânica que a afecta, atraindo muito dos principais investigadores
mundiais em diferentes áreas do conhecimento.
1. Métodos 2. Vulcanologia 3. Sismologia 4. Estrutura
para o estudo interna da
do interior da Geosfera
Terra
Observação DIRECTA através de:
1) Minas e pedreiras
2) Afloramentos
3) Dobras e falhas
4) Vulcanismo (“janela” para o interior do planeta - xénólitos)
5) Sondagens

METODOS  DIRECTOS  
Permitem  a  observação  directa  dos  constituintes  da  Terra  

Vulcanismo   Tectónica  e   Sondagem  


erosão  
Permite  a   Colocam  a   Permite  a  
observação  à   descoberto  os   observação  de  
superfície  de   materiais   amostras  das  
materiais   formados  a   rochas   Manual pág. 113
provenientes  do   milhares  de   perfuradas  nas   Península de Kola
manto   metros  de   profundidades  
profundidade   alcançadas   Manual pág. 114
Xenólitos
Observação DIRECTA
Vulcanismo:
-  os vulcões lançam para o exterior materiais oriundos de
profundidades.
-  estudando as características dos magmas os cientistas inferem
acerca das condições do ambiente (temperatura, pressão e
composição do manto) em que foram gerados.

Xenólitos:
O magma na sua ascensão arranca fragmentos das rochas
encaixantes (muitas vezes fragmentos do manto) que fornecem
dados para o conhecimento dessa zona da Terra.
Sendo o conhecimento directo da Terra possível apenas numa zona muito restrita,
os cientistas procuram outras informações recorrendo a tecnologia diversa, que
colhe e analisa dados indirectos sobre a constituição da Terra inacessível.

Observação INDIRECTA através de:

1) Planetologia e astrogeologia 2) Geofísica

- Técnicas aplicadas no estudo de


Gravimetria

Geotermismo
Sismologia

Geomagnetismo
Densidade
outros planetas do Sistema Solar
podem ser usadas no estudo da Terra.
(É possível, por ex. determinar indirectamente a
massa da Terra aplicando leis físicas.)

- Estudo de meteoritos.
Observação INDIRECTA: Gravimetria

Gravidade consiste na atracção exercida pela Terra sobre os corpos existentes à


sua superfície. Pode ser calculada, segundo a Lei da Atracção Universal de
Newton, pela expressão:

Por convenção, considera-se que o valor normal da força gravítica ao nível das águas do mar é zero.

Na superfície da Terra existem elevações, cadeias


montanhosas, regiões planas e grandes depressões
(como o fundo dos oceanos).
Para além disso, o raio terrestre equatorial é maior do
que o raio polar, o que faz com que a atracção
gravítica varie de zona para zona.
Observação INDIRECTA: Gravimetria

- A força gravítica varia na superfície da Terra, pois esta não é lisa e regular.
- Há necessidade de introduzir factores de correcção (G) na fórmula, relativos a
acidentes topográficos, altitude, latitude, etc.

Após a introdução destas correcções seria de


esperar que a força gravítica fosse igual para
toda a superfície terrestre (como se este fosse regular)

Mesmo assim existem zonas onde a


fórmula não funciona!

ZONAS DE ANOMALIA GRAVIMÉTRICA


Observação INDIRECTA: Gravimetria

Anomalia Gravimétrica – é a diferença entre os valores da gravidade, numa


determinada zona (medidos através de gravímetros), e os valores teoricamente
calculados para essa mesma zona.

As anomalias gravimétricas são positivas


ou negativas e podem ser devidas, por
exemplo, à presença de corpos rochosos
com diferentes densidades no interior da
crusta.
Observação INDIRECTA: Gravimetria
Mede as variações do campo gravitacional terrestre provocadas
por corpos rochosos dentro da crosta. Para tal, utiliza aparelhos
especiais, denominados gravímetros.

A diferença entre os valores de


gravidade medidos com gravímetros e
os valores da gravidade teoricamente
calculados para o mesmo ponto –
anomalia gravimétrica – chamou a
atenção para uma questão
fundamental:
o interior da Terra
não é homogéneo.

A gravimetria serve de base à prospecção mineira, por


mermitir localizar, em profundidade, massas de maior
densidade (anomalias positivas), provavelmente formadas
Manual pág. 116
por minérios metálicos com interesse económico) exercício
Observação INDIRECTA: Gravimetria
O que nos podem revelar as anomalias gravimétricas?

Proximidade de um doma de sal-gema Proximidade de uma intrusão


•  Força gravítica diminui (anomalia magmática
gravimétrica negativa) •  Força gravítica aumenta (anomalia
•  Rochas com baixa densidade têm gravimétrica positiva)
baixa força gravítica •  Materiais com elevada densidade têm
•  Método utilizado para saber onde há elevada força gravítica
petróleo porque os domas salinos estão •  Método utilizado para localizar jazigos
normalmente associados a jazigos minerais densos como o ferro.
petrolíferos.
Observação INDIRECTA: Gravimetria
Correcção do exercício
do Manual - pág. 116

Através da gravimetria verificou-se que o interior da Terra não é


homogéneo como se pensava e os materiais variam, quer lateralmente,
quer em profundidade.

A presença no subsolo de um doma salino (sal-gema), cuja densidade é


inferior às rochas encaixantes, afecta localmente a força gravítica,
provocando uma anomalia negativa.

A presença de um maciço rochoso magmático, mais denso do que as


rochas envolventes, determina uma anomalia gravimétrica positiva.

Ao nível das grandes cadeias de montanhas existem anomalias


gravimétricas negativas, mesmo que se entre em consideração com
factores de correcção
Observação INDIRECTA: Gravimetria
As anomalias registadas são explicadas
porque debaixo dessas montanhas
existem raízes formadas por rochas
pouco densas. Essas raízes são muito
maiores do que a zona saliente e
mergulham profundamente no manto
mais denso.
Observação INDIRECTA: Densidade

A densidade determina-se, dividindo a massa


pelo volume. A densidade global da Terra é de
cerca de 5,5. Ora, se as rochas da superfície
têm uma densidade média de 2,8, o interior
da Terra deve ser bem mais denso.
(Com a profundidade, como os materiais estão sujeitos a uma
pressão cada vez maior e consequentemente estão mais
comprimidos, os valores da densidade aumentarão).

Mais uma vez se prova que…

A densidade é uma medida adimensional


d = m/v
…o interior da Terra
não é homogéneo.
Observação INDIRECTA: Densidade
Observação INDIRECTA: Geomagnetismo
A Terra comporta-se como um gigantesco íman, em que, actualmente,
o pólo norte magnético está próximo do pólo Norte geográfico –
polaridade normal, mas já esteve, no passado próximo do pólo Sul
geográfico – polaridade inversa.
A existência de ferro fundido e de níquel no núcleo terrestre, está na
origem do campo magnético do nosso planeta.
Observação INDIRECTA: Geomagnetismo

Curiosidade: como se gera o campo magnético??

Hipótese mais aceite:

- O material constituinte do núcleo externo, no estado líquido,


encontra-se em movimento de rotação, criando uma corrente
eléctrica a qual, por sua vez, estará na origem do campo
magnético terrestre.

- O núcleo deverá ser composto por um matéria condutor de


electricidade – composição metálica
Observação INDIRECTA: Geomagnetismo
O geomagnetismo mede as variações do
campo magnético da Terra, que ocorrem devido
à distribuição irregular das rochas com
susceptibilidade magnética em sub-superfície.
http://www.bioygeo.info/Animaciones/SeafloorMagnet.swf

Basalto:
rocha rica em magnetite (mineral ferromagnético) que, ao arrefecer abaixo do
ponto Curie, os cristais ficam magnetizados instantaneamente, “memorizando”
o campo magnético da altura. O magnetismo fica “fossilizado” nas
rochas
Campo paleomagnético
De acordo com o estudo de lavas solidificadas,
verificou-se que o campo magnético da Terra tem
mudado periodicamente.

As anomalias magnéticas (à semelhança das


gravimétricas), são um bom indicador da existência de
jazigos metálicos no interior da crosta terrestre.
Manual pág. 119 - exercício
Observação INDIRECTA: Geomagnetismo
O geomagnetismo é importante, porque:
1) A existência do campo magnético terrestre apoia o modelo sobre a
composição e as características físicas do núcleo terrestre;

2) O paleomagnetismo* fornece informações sobre o passado da Terra, pois:


  Regista inversões da polaridade do campo magnético terrestre;

  Apoia a hipótese da deriva continental e da formação dos fundos

oceânicos a partir do rifte;

  Permite tirar ilações sobre a posição dos continentes relativamente aos

pólos magnéticos;
  Permite determinar a latitude geográfica que a rocha em estudo ocupava

no momento da sua formação.


* Ciência que estuda o campo magnético da Terra (campo magnético que fica registado nas rochas)
Observação INDIRECTA: Geotermismo

é o calor interior da Terra…


…cuja principal fonte advêm da desintegração de elementos radioactivos.

O calor interno da Terra é o motor da actividade no


nosso planeta e vai-se libertando continuamente
através da superfície - fluxo térmico.

A temperatura aumenta com a profundidade…


…mas não de uma forma sempre uniforme!!
Gradiente geotérmico – quantidade da variação da
temperatura com a profundidade.

O gradiente geotérmico diminui com a profundidade.


Observação INDIRECTA: Geotermismo

Grau geotérmico – número de metros em profundidade na crosta


terrestre necessários ao aumento de temperatura de 1ºC.

O grau geotérmico depende dos seguintes factores:


  Condutibilidade térmica das rochas;

  Proximidade do foco térmico, por exemplo, um vulcão;

  Estrutura das rochas (as camadas inclinadas apresentam um grau

geotérmico mais curto que as horizontais);

  Morfologia (o grau geotérmico aumenta nas serras, ao contrário dos vales).

Procura no livro o que é o fluxo térmico.


Manual pág. 121
exercício
Observação INDIRECTA: Geotermismo
Observação INDIRECTA: Geotermismo
Até cerca dos 1350ºC, o calor é transmitido através das rochas por
vibração atómica (condução)

A temperaturas mais altas, a convecção é o mecanismo utilizado


para a transmissão de calor e o responsável pela dinâmica tectónica.

Neste caso, é a própria matéria aquecida


que se move para zonas mais frias,
devido a diferenças de densidade, o que
torna a transferência de calor mais eficaz.
Observação INDIRECTA: Geotermismo

A convecção é, por isso, o principal processo responsável pelo


arrefecimento do interior da Terra.

A condução, pelo contrário, retendo mais calor, justifica os elevados


valores do gradiente geotérmico que se verificam na parte mais
superficial da Terra.

NOTA: Se a condução se mantivesse, em profundidade, provocaria, no centro da


Terra, temperaturas muito superiores aos 5000ºC actualmente estimados!
Observação INDIRECTA: Geotermismo

A origem do calor da Terra provêm…

•  …do calor remanescente da formação da Terra, ainda existente no


núcleo (energia libertada pelo impacto dos planetesimais + contração gravitacional dos materiais)

•  …da desintegração dos elementos radioactivos que constituem as


rochas.
Observação INDIRECTA: Sismologia

A velocidade das ondas sísmicas é


influenciada pelo material que
atravessam.

Isto prova que a Terra


não é homogénea
e dá informações acerca do seu
interior (constituição e características)

“A sismologia é para o geólogo o que a radiologia é


para o médico.”
Allégre, 1985
Observação INDIRECTA: Sismologia
Modelo Físico
Modelo Químico
Comparação entre os dois modelos