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Em 2013 a maior tragédia envolvendo fogo no Brasil aconteceu.

Na
boate Kiss, no Rio Grande do Sul, 242 pessoas morreram devido a um
incêndio. Mas não foi só o fogo que matou aquelas pessoas.
A falta de iluminação de emergência, de ventilação adequada, de
extintores e a obstrução da rota de saída com certeza foram
preponderantes para que tantas mortes ocorressem ao mesmo
tempo.
E uma situação dessas não é restrita a casas de show, bares e
restaurantes. Qualquer condomínio está sujeito a ter que lidar com
um incêndio. Casos do tipo em edifícios residenciais são mais
frequentes do que se imagina.
É por isso que em diversos estados se pede um AVCB (Auto de Vistoria
do Corpo de Bombeiros), ou documento similar. No Rio de Janeiro esse
documento é mais conhecido como Certificado de Aprovação do Corpo
de Bombeiros.
Essa vistoria prova que o condomínio está em dia com diversas
obrigações de segurança. E é com um conjunto de documentos que se
começa a caminhar rumo ao AVCB ou Certificado de Aprovação.

Veja abaixo quais itens devem estar em dia para se obter o


AVCB

 Atestado de brigada de incêndio em dia: é aquela capacitação que o condomínio deve


oferecer periodicamente e que, na prática, infelizmente, não é muito frequentada. -
Saiba mais sobre brigada de incêndio
 ART de pára-raios: a medição ôhmica do aparelho deve ser feita anualmente por força
de lei – é, aliás, um elemento importante para se receber seguro em caso de sinistro. -
Saiba mais sobre pára-raios
 ART Instalação de gás: para saber se a tubulação não apresenta vazamentos e se está
funcionando a contento - Saiba mais sobre instalações de gás
 Abrangência do grupo gerador: atestado que comprova que o aparelho do condomínio
funciona corretamente
 Atestado da escada pressurizada: os condomínios que contam com esse sistema devem
ter o mesmo em dia
 Laudo elétrico: documento que atesta boas condições das instalações elétricas do
condomínio - Saiba mais sobre instalações elétricas
 Atestado de sistemas de combate ao incêndio: Itens de segurança como hidrantes,
extintores, corrimãos, sinalização de emergência, portas corta-fogo, etc. - Saiba mais
sobre extintores e acessórios contra incêndio- Saiba mais sobre portas corta-fogo
 CMAR (Controle de Materiais de Acabamento e Revestimento): para atestar que
carpete, tintas e materiais utilizados no condomínio são anti-fogo

Por que o AVCB pode sair caro para o condomínio?

Como se pode ver, a lista é longa. E realmente o AVCB fica caro,


principalmente para quem nunca teve esse documento em dia desde
a construção do condomínio.
Atestados Por Lei, a renovação desses atestados deve ser anual. Em
São Paulo, cada documento atualizado sai na faixa de R$ 400 a R$
600.
Taxa de vistoria Além dos atestados, os condomínios devem arcar com
o custo da vistoria do Corpo dos Bombeiros. Cada corporação tem a
liberdade de cobrar sua taxa. Em São Paulo, ela se chama FEPOM
(Fundo Especial da Polícia Militar) e depende da metragem de cada
condomínio. Ela inclui duas visitas, para que o condomínio consiga
estar de acordo com as determinações da lei.
Pré-vistoria Mas antes de chamar o Corpo de Bombeiros, muitos
condomínios investem nas empresas que fazem a pré-vistoria no
local, apontando as mudanças a serem feitas.
O serviço contratado detecta as falhas de segurança contra fogo no
condomínio e dá o caminho para regularizar a situação. Além de
apontar onde estão os erros, essas empresas também executam as
alterações. Vale lembrar que essas prestadoras devem sempre contar
com um engenheiro para assinar as ARTs (Anotação de
Responsabilidade Técnica).
Alterações necessárias Os custos com as adequações vão depender de
cada caso, se haverá mudanças estruturais ou não, reformas, etc.
Projeto técnico Outro item que pode se tornar caro para o condomínio
é a execução de um projeto técnico. Esse documento é geralmente
elaborado quando o condomínio é construído, mas se perde ao longo
do tempo – principalmente se o local não renovou o seu AVCB por
muito tempo. Nele constam informações como os locais onde os
equipamentos contra o fogo devem ficar.
Uma empresa conceituada, dependendo das alterações a serem
feitas, pode cobrar mais de R$ 6 mil apenas para elaboração deste
projeto. Geralmente as próprias prestadoras de serviço que fazem a
pré-vistoria também elaboram esse tipo de documento.
“Nos empreendimentos onde atuo, providencio os atestados, certidões e ARTs
anualmente. Dessa forma, quando chega o momento de renovar o AVCB está
tudo certo e não fica caro”, ensina o síndico profissional Nilton Savieto.

Responsabilidade do síndico X investimento

Apesar de representar um grande investimento, é de extrema


importância que os síndicos tenham a consciência da importância de
se ter o AVCB em dia.
É importante frisar que a principal questão aqui não é financeira.
Afinal, se o condomínio sofrer um sinistro, como um incêndio, além
de colocar em risco todos os moradores, pode ter dificuldades para o
recebimento do dinheiro do seguro por não estar com a
documentação em dia.
Outro ponto é que o síndico pode responder civil e criminalmente,
caso aconteça uma morte ou algo mais trágico.
Para Luciano França Loureiro, da Ahso/Fix, empresa de pré-vistoria,
houve um aumento significativo na demanda de dois anos para cá –
tanto no número de clientes fazendo seu primeiro contato, como
daqueles que estão renovando o documento novamente pela
empresa.
“Depois do desastre da boate Kiss, muita gente percebeu que um incêndio
pode acontecer em qualquer lugar. Isso abriu os olhos dos síndicos”.

Principais correções que o AVCB pede

Os especialistas ouvidos elencaram as principais falhas no combate


contra incêndios nos condomínios. Veja:
 Luz de emergência: muitas vezes o condomínio não checa se esse sistema está
funcionando corretamente. Então, algum problema só é detectado quando a luz de
emergência é utilizada.
 Roubo de itens: partes do hidrante são subtraídas por moradores ou visitantes. Para
evitar que se passem meses sem que se saiba do problema, o zelador deve fazer uma
vistoria semanal nos equipamentos, para que a reposição dos itens aconteça o mais
rápido possível. A instalação de câmeras em pontos estratégicos também ajuda nesta
questão.
 Mangueira curta: às vezes, ao fazer a reposição do equipamento, para economizar,
compra-se uma mangueira com metragem inferior à necessária
 Corrimão: atualmente os corrimãos devem começar e terminar nas paredes, evitando
assim que num momento de tumultuo as pessoas se machuquem
 Porta corta-fogo: o equipamento deve se fechar inteiramente. O defeito mais comum é a
mola defeituosa, fácil de trocar. - Saiba mais sobre portas corta-fogo
 Obstrução das rotas de fuga: lixeiras e outros itens como bicicletas e mobiliário não
devem ficar na escada de emergência
Como se pode ver, os casos mais comuns de inadequação com a
norma não são economicamente inviáveis. Muitas vezes, o problema
é ter de realizar todas essas melhorias de uma só vez, em um curto
espaço de tempo – aí sim pode impactar negativamente nas finanças
do condomínio.
Mas realmente há muitos casos de condomínios que ficaram para trás
e que para renovar o AVCB precisarão de inúmeras reformas –
algumas até estruturais.
“Um dos nossos clientes estava com o AVCB vencido já há muitos anos.
Agora estão gastando bastante para adequar as instalações. Até tubulação de
gás estão colocando”, conta Gilberto Vespúcio, sócio da administradora GW.

Diferenças regionais quando ao AVCB

A periodicidade correta para renovar o AVCB depende de cada


estado. Em São Paulo, os AVCBs emitidos esse ano estão com prazo
de vencimento de cinco anos para condomínios residenciais e três
anos para os comerciais.
Porém, a média nos outros estados, como Minas Gerais e Rio de
Janeiro é de três anos. Estados como Bahia e Rio Grande do Sul estão
ajustando sua legislação para atender de maneira mais segura os
condomínios.
Em Santa Catarina, o condomínio pode solicitar a vistoria
anualmente.
Mesmo com períodos diferentes é importante notar que os itens
averiguados pelo Corpo de Bombeiros na vistoria devem seguir
normas da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas).
Esses regramentos não são leis, mas servem como um parâmetro a ser
considerado pelo síndico no tocante a manutenção do condomínio.

Fiscalização do AVCB

Na grande maioria dos casos, o Corpo de Bombeiros não consegue


fiscalizar ativamente os condomínios de todo o país. Quando eles
"aparecem" para uma vistoria surpresa é porque receberam uma
denúncia.
A multa vai depender de como estão os equipamentos de segurança
contra fogo do condomínio. Geralmente o condomínio também
recebe um prazo para corrigir as eventuais não conformidades dos
seus itens de segurança.