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Protocolos de Comunicação Profibus

1. Introdução (Rafael)
A comunicação entre equipamentos e sistemas tem se tornado cada vez mais
importante em diversas aplicações, seja na indústria, nas residências e até nos automóveis,
o compartilhamento de informações tem se tornado essencial para a integração de
sistemas eletrônicos.
Na indústria as redes de comunicação têm estado cada vez mais presentes, e para
suprir a demanda de comunicação segura e confiável entre máquinas e equipamentos,
diversos tipos de redes foram desenvolvidos.
Uma das redes mais utilizadas atualmente na indústria é a rede baseada no
protocolo Profibus. Esse protocolo é utilizado por milhares de equipamentos industriais
nas mais diversas aplicações, por exemplo: Plataformas de petróleo, Fábricas de bebida,
Fábricas de automóveis, Indústria farmacêutica, enfim sua aplicação não tem limites.
A história do protocolo se inicia em 1987 na Alemanha quando 21 companhias se
uniram para criar um barramento de campo que atendesse as necessidades industriais. O
resultado foi um protocolo aberto onde disp ositivos de diferentes fabricantes pudessem
se comunicar livremente após serem configurados e adicionados na rede. Ou seja, o
profibus tem a característica de interoperabilidade entre diversos fabricantes de
equipamentos.
Os padrões da rede foram definidos pelas normas EN 50170/EN 50254 e
posteriormente incluídos na IEC 61158/IEC 61784. A figura 1 representa claramente a
ideia de interoperabilidade pois vemos uma rede com 5 dispositivos com fabricantes
diferentes se comunicando de forma transparente.

2. Perfil de Comunicação
O profibus DP (Periférico Descentralizado) é caracterizado pela alta velocidade
de comunicação, que pode chegar a 12Mb/s e com tempo de reação da ordem de 1 a 5
milisegundos, sendo adequado para sistemas que exigem alta velocidade de comunicação.
Isso, aliado à interoperabilidade de muitos fabricantes de equipamentos e a alta
confiabilidade na troca de dados, fez com que o protocolo se tornasse referência no chão
de fábrica de muitas indústrias.
A família de redes profibus pode ser dividida em três versões, a saber:
Profibus DP;
Profibus PA; ( COMPLEMENTO A PROFIBUS DP, usado em áreas
classificadas,ou seja, onde há risco de explosão)
Profinet.
Atualmente, 90% das aplicações envolvendo escravos PROFIBUS utilizam-se do
PROFIBUS-DP.

Entre os equipamentos que são interligados em profibus DP podemos encontrar:

CLP (Controlador Lógico Programável);


IHM (Interface Homem Máquina);
Interfaces remotas para sinais digitais e analógicos;
Inversores de frequência/Soft-starter;
Sensores;
Válvulas e outros atuadores.

Os dispositivos da rede podem ser classificados de três modos:

Mestre DP Classe 1
O mestre DP classe 1 é um controlador central que troca informações com as
estações escravas dentro de um ciclo de mensagens especificado. O dispositivo mestre
mais comum é o controlador lógico programável (CLP).

Mestre DP classe 2
Os mestres DP Classe 2 são os programadores, dispositivos de configuração ou
sistemas de supervisão. Os mestres classe 2 são utilizados para a configuração da rede,
ou para os propósitos de operação e monitoria.

Escravo DP
Um escravo DP é um dispositivo periférico (dispositivos de E/S, inversor de
frequência, IHM, válvula) que coleta informação de entrada e/ou atua sobre o processo
com informações oriundas da própria rede. A quantidade de informação de entrada e saída
depende no tipo de dispositivo. O PROFIBUS permite até 246 bytes de entrada e 246
bytes de saída.
3. Características Básicas
O Profibus é um sistema dito multimestre e permite a operação conjunta de
equipamentos ou controladores terminais de engenharia ou visualização, com seus
respectivos periféricos. Os Dispositivos Mestres determinam a comunicação de dados em
um barramento. Essa comunicação é realizada enquanto o dispositivo mestre possui o
direito de acesso ao barramento (token). O token é um mecanismo de arbitragem que deve
ser implementado para evitar possíveis colisões no barramento quando mais de uma
estação deseja transmitir uma mensagem [5].
Os mestres são chamados de estações ativas no barramento. Já os Dispositivos
Escravos são dispositivos de periferia como, válvulas, módulos de I/O, posicionadores,
transmissores etc. Esses periféricos não possuem direito de acesso ao barramento, e
somente enviam ou reconhecem alguma informação do mestre quando for solicitado.
Ver Figura 1:

Figura 1 – Esquema de comunicação Mono-Mestre


Figura 2 – Esquema de comunicação Multi-Mestre

4. Arquitetura de Redes Profibus (Vanio)

A arquitetura da rede Profibus é baseada em protocolo de rede que segue o modelo


ISO/OSI. No Profibus DP são utilizadas as camadas 1 e 2 e também a Interface do
Usuário. Já no Profibus PA e Profinet, além dessas, a camada 7 também é utilizada. Essa
arquitetura simplificada garante uma transmissão de dados eficiente e rápida. Abaixo,
segue uma breve descrição sobre cada camada:

A camada 1 inclui o meio físico onde a mensagem é transportada, tipicamente um


cabo blindado de par trançado. Ela descreve a tecnologia de transmissão dos dados, a
pinagem dos conectores e os parâmetros técnicos e elétricos que devem ser cumpridos
[10]. É nesta camada que ocorre o transporte dos dados representados por um conjunto
serial de bits entre dois equipamentos terminais [13], via um suporte de transmissão, que
pode ser os meios físicos RS-485 ou fibra ótica. A camada Física não interpreta os dados;
ela somente passa os dados para a Camada de Enlace[9].
A camada 2 representa a camada de Enlace. É nessa camada que são formados os
telegramas de mensagem. Aqui é feito o controle de quando e por qual caminho a
mensagem irá trafega, a fim de evitar colisões entre dois ou mais equipamentos que
querem transmitir ao mesmo tempo.
A camada 7 é quem faz a interface entre a máquina e o usuário. Acima da camada
7 está a funcionalidade “real” do instrumento tal como medição, atuação, controle ou a
interface de operação de um configurador (BERGE, 2002).
Este modelo pode ser visualizado na Figura 3:

Figura 3 – Modelo de Referência ISO/OSI aplicado à Rede Profibus [9]

5. Meio físico

O protocolo profibus DP utiliza como meio físico o padrão RS-485, e também


fibra ótica pode ser utilizada para garantir maior imunidade à interferência
eletromagnética, para cobrir grandes distâncias e para oferecer maior isolação contra altas
tensões. A topologia de barramento do RS-485 permite a adição e remoção de dispositivos
sem influências em outros dispositivos que já estejam em operação.
O padrão RS-485 define cada dispositivo da rede como “unidade de carga” ,
definindo em uma rede o número máximo de 32 unidades. A definição de uma carga
unitária é como uma resistência de 15 kΩ - ligado a uma fonte -3V ou 5V. Logo a tensão
elétrica do barramento é inversamente proporcional à quantidade de unidades de carga
conectadas à rede. Conclui-se que podemos conectar 32 dispositivos de uma unidade de
carga na rede ou conectar 64 dispositivos de ½ unidade de carga na rede, ou seja o que
define o número máximo de dispositivos no barramento da rede é a característica elétrica
dos dispositivos mestres e escravos.
Figura 5 - Representação de uma unidade de carga no padrão RS-485

De acordo com o padrão RS-485 o início e o fim do barramento devem ser ligados
com terminadores de rede, que nada mais são que resistores de 120Ω ligados entre as duas
linhas do barramento. Distâncias de até 1200 metros podem ser atingidas sem o uso de
repetidores, sendo que com eles a rede pode atingir distâncias maiores. Vale lembrar que
um repetidor é reconhecido na rede como uma estação possuindo endereço próprio.

Figura 6 - Barramento profibus DP com terminadores.

O terminador da rede pode vir montado dentro do próprio dispositivo profibus,


sendo ativado ou não por um pequeno dip switch próximo ao conector ou borne de ligação
elétrica do barramento. Ainda podem ser utilizados conectores profibus tipo DB9 com
terminadores embutidos.
Figura 7 - Conector profibus DP.

Figura 8 - Conexão do cabo profibus DP.

A distância máxima é de 1200 metros, lembrando que quanto maior o


comprimento da rede menor será a velocidade de comunicação.
Tabela 1 - Velocidade de comunicação

O cabo profibus padrão é representado na figura abaixo. O mesmo deve possuir


malha de proteção contra interferência eletromagnética ligada à terra.

Figura 9 - Cabo padrão profibus DP.

6. Redundância
Para aumentar ainda mais a confiabilidade da rede profibus DP, a mesma pode ser
ligada em modo redundante mantendo a comunicação por um cabo caso o outro cabo seja
rompido ou apresente dificuldade de comunicação.
Figura 10 - Rede profibus DP redundante.

7. Referencias
http://www.profibus.org.br/files/DescricaoTecnica/PROFIBUS_DESC_TEC_2012.
pdf

https://www.embarcados.com.br/fundamentos-protocolo-profibus/

https://www.automacaoindustrial.info/o-protocolo-profibus-parte-i/

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