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NOTA – Por lapso, a pergunta 1 do I grupo do exame corresponde a matéria que

havia sido excluída de avaliação. Procedeu-se à anulação daquela e à


redistribuição dos 4 valores pelas outras questões.
Pedro Costa Gonçalves

PUBLICAÇÃO DAS NOTAS: 15 DE FEVEREIRO

INÍCIO DAS PROVAS ORAIS: 20 DE FEVEREIRO

Direito Administrativo I – 2.º ano, 2.ª turma


Exame: 09/02/2013

I – 10 valores
Diga o que entende por:
1 – Reserva de lei em sentido institucional (4 val.)
2 – Valor infralegal dos regulamentos (5 val).
3 – Delegação de poderes (5 val).

II – 5 valores
Diz-se que o Governo ocupa uma posição de central no sistema administrativo
português. Explique em que consiste e como se revela essa centralidade.

III – 5 valores
“Os órgãos da Administração Pública devem atuar em obediência à lei e ao
direito” (artigo 3.º, n.º 1, do CPA).
Considerando a compreensão atual do princípio da legalidade administrativa,
diga qual o significado da referência legal à obediência da Administração “ao direito” e
não apenas “à lei”.
I – 10 valores
1 – Reserva de lei em sentido institucional

2 – Valor infralegal dos regulamentos (5 valores)


– O regulamento é uma forma de ação administrativa; toda a ação administrativa
está subordinada à lei (artigo 266.º, n.º 2, da CRP).
– A específica exigência constitucional de primariedade legal: artigo 112.º, n.º 7.
– A regra geral do regulamento como regulação secundária (de execução e de
complementação de leis). A existência de regulamentos de regulação primária
(“regulamentos independentes” e “regulamentos autónomos”), mas sempre fundados
numa prévia habilitação legal.

3 – Delegação de poderes (5 valores)


– Ato jurídico, fundado na lei, pelo qual um órgão administrativo transfere para
outro órgão o exercício de uma competência que lhe pertence.
– Figura que cria uma relação que se desenvolve em contexto interorgânico,
entre órgãos administrativos (em regra, da mesma pessoa coletiva pública) ou entre um
órgão e um “agente” administrativo.
– Os órgãos envolvidos na relação de delegação poderem pertencer a diferentes
pessoas públicas.
– Não há diferença substancial quanto ao regime jurídico aplicável nos dois
casos, salvo indicação legal em sentido contrário. V.g. Carta Europeia da Autonomia
Local que estabelece que “em caso de delegação de poderes por uma autoridade central
(…), as autarquias locais devem gozar, na medida do possível, de liberdade para adaptar
o seu exercício às condições locais”.
– Delegação origina uma relação jurídica nova entre delegante e delegado.

II – 5 valores
Diz-se que o Governo ocupa uma posição de central no sistema administrativo
português. Explique em que consiste e como se revela essa centralidade.
– Artigo 182.º da Constituição, o Governo é “o órgão superior da administração
pública”.
– Artigo 199.º, alínea d): concretiza esta dimensão de superioridade ou
supremacia do Governo no sistema administrativo; ao Governo cabe dirigir os serviços
e a atividade da administração direta do Estado, civil e militar, superintender na
administração indireta e exercer a tutela sobre esta e sobre a administração autónoma.
i) Poder de direção sobre a administração direta do Estado
– o poder de direção é uma das expressões do poder hierárquico;
ii) Poderes de tutela e de superintendência em relação à administração indireta
– O Governo exerce vastos poderes de tutela e superintendência sobre os
institutos públicos: orientações e diretivas sobre os objetivos a atingir na gestão do
instituto e sobre as prioridades a adotar na respetiva prossecução.
– Orientações de gestão para o setor empresarial do Estado (artigo 11.º do
regime jurídico do setor empresarial do Estado).
iii) Poder de tutela sobre a administração autónoma
– A administração autónoma inclui a administração autónoma territorial e a
administração autónoma funcional.

– Tutela sobre as autarquias locais – “verificação do cumprimento das leis e


regulamentos” por parte dos órgãos e dos serviços das autarquias locais (artigo 242.º da
Constituição) –, bem como sobre as associações públicas profissionais (Lei n.º 6/2008,
de 13 de fevereiro). Em ambos os casos, a tutela consiste apenas na fiscalização do
cumprimento da lei (“tutela de legalidade” e não de mérito).

– A Administração Pública independente (referência no artigo 267.º, n.º 3, da


Constituição): independência em face do Governo; independência funcional e
independência orgânica. Aqui, o Governo não pode emitir instruções ou diretrizes, nem
exercer qualquer forma de tutela sobre a atuação das referidas entidades; exclui-se
apenas a designada tutela de gestão (patrimonial e financeira).

III – 5 valores
– Transformação do princípio da legalidade em princípio da juridicidade;
– A subordinação da Administração ao direito e um certo recuo ou relativização
do clássico princípio da legalidade (enquanto subordinação à lei); o alargamento do
quadro de vinculações da Administração: constituição; direito da UE e, sobretudo,
princípios jurídicos (proporcionalidade, imparcialidade, “boa administração”);
– A importância decisiva da “vinculação pelo direito” no cenário de concessão
de discricionariedade pela lei: os princípios jurídicos constituem o padrão de vinculação
fundamental da Administração no caso de exercício de poderes discricionários.