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FICHA DE TRABALHO (LEITURA/ EDUCAÇÃO LITERÁRIA)

PORTUGUÊS - 12º ANO JANEIRO DE 2018

A última nau
Questionário
Retirado dos Exames Nacionais – 2011 - IAVE

Sugestão:

Lê primeiro o poema e todo o questionário; depois, sublinha o texto e regista tópicos de resposta.

Apresente, de forma clara e bem estruturada, as suas respostas aos itens que se seguem.

1. Explicite três dos aspetos que, nos versos de 1 a 12, se referem ao mito sebastianista, fundamentando a sua resposta com elementos
do texto.

2. Caracterize, com base na terceira estrofe do poema, o modo como o sujeito poético e o povo português reagem ao desaparecimento
da «última nau».

3. Relacione o conteúdo da última estrofe com a pergunta «Voltará da sorte incerta / Que teve?», formulada nos versos 8 e 9.

4. Identifique, no poema, uma característica do discurso épico e uma característica do discurso lírico de Mensagem, citando um exemplo
significativo para cada um dos casos.

NOTA: Atenção aos critérios de correção/cotações (exemplo):

2. ............................................................................................................................. 15 pontos
Critérios específicos de classificação
•  Aspetos de conteúdo (C) .................................................................................. 9 pontos

Níveis Descritores do nível de desempenho no domínio específico da disciplina

nível 4
Caracteriza, adequadamente, o modo como o sujeito poético e o povo português reagem ao desaparecimento da «última nau»,
fazendo referências pertinentes à terceira estrofe do poema.
9 pontos
nível 3
Caracteriza, adequadamente, o modo como o sujeito poético e o povo português reagem ao desaparecimento da «última nau»,
fazendo referências não totalmente pertinentes à terceira estrofe do poema.
OU
Caracteriza, com pequenas imprecisões, o modo como o sujeito poético e o povo português reagem ao desaparecimento da «última
nau», fazendo referências pertinentes à terceira estrofe do poema.
OU
Caracteriza, de forma não totalmente completa, o modo como o sujeito poético e o povo português reagem ao desaparecimento da
«última nau», fazendo referências pertinentes à terceira estrofe do poema.
7 pontos
nível 2
Caracteriza, adequadamente, o modo como o sujeito poético e o povo português reagem ao desaparecimento da «última nau», sem
fazer referências à terceira estrofe do poema.
OU
Caracteriza, com pequenas imprecisões, o modo como o sujeito poético e o povo
português reagem ao desaparecimento da «última nau», fazendo referências não totalmente pertinentes à terceira estrofe do
poema.
OU
Caracteriza, de forma não totalmente completa, o modo como o sujeito poético e o povo português reagem ao desaparecimento da
«última nau», fazendo referências não totalmente pertinentes à terceira estrofe do poema.
5 pontos
nível 1
Caracteriza, de forma incompleta, o modo como o sujeito poético e o povo português reagem ao desaparecimento da «última nau»,
sem fazer referências à terceira estrofe do poema.
OU
Caracteriza, com imprecisões, o modo como o sujeito poético e o povo português reagem ao desaparecimento da «última nau», sem
fazer referências à terceira estrofe do poema.
3 pontos
CENÁRIOS DE RESPOSTA (IAVE)

1. Cenário de resposta

A resposta pode contemplar três dos tópicos que a seguir se enunciam, ou outros considerados relevantes.

Nos versos de 1 a 12, os aspetos que se referem ao mito sebastianista são os seguintes:
– o desaparecimento misterioso da «última nau» e de D. Sebastião – «Levando a bordo El-Rei D. Sebastião» (v. 1); «Foi-se a última
nau» (v. 4); «Mistério.» (v. 6); «Não voltou mais.» (v. 7);
– a associação do desaparecimento da «última nau» e de D. Sebastião ao fim do Império
português – «Levando a bordo El-Rei D. Sebastião, / E erguendo, como um nome, alto o pendão / Do Império, / Foi-se a última nau»
(vv. 1 a 4); «Não voltou mais.» (v. 7);
– o pressentimento de desgraça associado à partida da nau – «Foi-se a última nau, ao sol aziago / Erma, e entre choros de ânsia e
de pressago / Mistério.» (vv. 4 a 6);
– as incertezas quanto ao destino de D. Sebastião – «A que ilha indescoberta / Aportou?» (vv. 7 e 8);
– as expectativas quanto ao regresso de D. Sebastião – «Voltará da sorte incerta / Que teve? / Deus guarda o corpo e a forma do
futuro, / Mas Sua luz projeta-o, sonho escuro / E breve.» (vv. 8 a 12).

2. Cenário de resposta

A resposta pode contemplar os tópicos que a seguir se enunciam, ou outros considerados relevantes.

De acordo com o conteúdo da terceira estrofe do poema:


– o povo português, perante o desaparecimento da «última nau», na qual seguia D. Sebastião, reage com desânimo (v. 13);
– o sujeito poético manifesta uma viva crença no regresso de D. Sebastião e no Império que ele simboliza (vv. 14 a 18).

3. Cenário de resposta

A resposta pode contemplar os tópicos que a seguir se enunciam, ou outros considerados relevantes.

Na última estrofe, o sujeito poético responde afirmativamente à pergunta enunciada nos versos 8 e 9, apresentando:
– o regresso de D. Sebastião e do Império que ele simboliza como uma certeza obtida por intuição – «sei que há a hora» (v. 19);
«Surges ao sol em mim» (v. 22); «trazes o pendão ainda / Do Império.» (vv. 23 e 24);
– o momento exato em que esse acontecimento terá lugar como uma incerteza – «Não sei a hora» (v. 19); «Demore-a Deus» (v.
20); «Mistério.» (v. 21).

4. Cenário de resposta

A resposta pode contemplar os tópicos que a seguir se enunciam, ou outros considerados relevantes.

 Características do discurso épico:


– uso narrativo da 3.ª pessoa – «Foi-se a última nau» (v. 4); «Não voltou mais.» (v. 7);
– importância conferida à História – «Levando a bordo El-Rei D. Sebastião» (v. 1);
– mitificação de um herói – «Deus guarda o corpo e a forma do futuro, / Mas Sua luz projeta-o, sonho escuro / E breve.» (vv. 10 a
12).

 Características do discurso lírico:


– expressão da subjetividade, evidente no uso da primeira pessoa – «minha alma» (v. 14); «em mim» (vv. 16 e 22); «Vejo» (v.
17); «Não sei» (v. 19); «sei» (v. 19) – e no uso da interjeição – «Ah» (v. 13);
– aproximação entre o sujeito e o destino nacional, patente na convicção intuitiva de que o mito será concretizado (vv. 16 a 18; vv.
22 a 24).
Resolução - Exame de Português – 12.o Ano – 2011

1. No poema “A Última Nau”, são vários os aspetos que remetem para o mito sebastianista e o primeiro está evidenciado na primeira
estrofe, na referência concreta ao rei D. Sebastião, que partiu na última nau, “entre choros de ânsia e de pressago / Mistério” (vv. 5-
6). O facto de se afirmar que “Não voltou mais” assim como as interrogações sobre o seu destino confirmam também o misticismo
que envolveu o desaparecimento do rei. São, contudo, os versos 11 e 12 aqueles que definitivamente sugerem a mitificação de D.
Sebastião, dado afirmar-se que “… Sua luz projeta-o, sonho escuro / E breve.” (vv. 11-12).

2. Segundo o que é dito na terceira estrofe, as reações são contrárias ou opostas, uma vez que se sugere a falta de ânimo e de
vontade que o desaparecimento do rei gerou no povo, afirmando-se que “… ao povo a alma falta”, conquanto o sujeito poético se
mostre estimulado e esperançado, realçando que a sua “alma atlântica se exalta” (v. 14).

3. A última estrofe parece funcionar como resposta à questão formulada nos versos 8-9. Desta forma, sobressai a convicção de que o
monarca regressará, concretamente quando o sujeito poético afirma “Não sei a hora, mas sei que há a hora” (v. 19). No entanto,
deduz-se alguma incerteza, porque não se sabe como nem quando ocorrerá esse regresso.

4. Se o discurso épico está relacionado com a exaltação do herói e com uma dimensão histórica, é fácil detetá-lo na referência concreta
ao desaparecimento do rei D. Sebastião que, como se sabe, se transformou no herói redentor dos portugueses. Mas também é possível
identificar-se a vertente lírica que enforma a Mensagem, e este poema em particular, uma vez que a subjetividade do “eu” está
evidenciada não só na interjeição “Ah”, utilizada no verso 13, como nas marcas de primeira pessoa, nomeadamente nas formas verbais
(“Vejo”, “sei”), nos determinantes e pronomes possessivos (“minha alma”, “mim”), indicadores do modo como o “eu” reage face à
força do mito sebastianista.