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UNIVERSIDADE ESTADUAL DO PARANÁ

CAMPUS PARANAGUÁ

Ana Paula Klehm

FIGURAS DE LINGUAGEM

Trabalho apresentado a disciplina de Língua portuguesa


IV do curso de Letras da Universidade Estadual do
Paraná – Campus Paranaguá como requisito básico para
a conclusão do Curso de Letras-Português e suas
respectivas literaturas.

Orientador (a): Prof.(ª). Nilceu Romi Kercz Tavares

Paranaguá
2017

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Conceito

Metáfora é uma figura de linguagem em que se usa uma palavra ou uma


expressão em um sentido que não é muito comum, revelando uma relação de
semelhança entre dois termos.
Metáfora é um termo, no latim, "meta" significa “algo” e “phora” significa "sem
sentido". Esta palavra foi trazida do grego onde “metaphorá” significa "mudança" e
"transposição".
Metáfora é a comparação de palavras em que um termo substitui outro. É uma
comparação abreviada em que o verbo não está expresso, mas subentendido. Por
exemplo, dizer "o meu amigo é um touro, levou o móvel pesado sozinho". Obviamente
que ele não é um touro nem se parece fisicamente com o animal, mas está tão forte que
faz lembrar um touro. Neste exemplo, existe a comparação da força do animal e do
indivíduo.
A metáfora é uma ferramenta linguística muito utilizada no dia-a-dia, sendo
importantíssima na comunicação humana. Seriamente praticamente impossível falar e
pensar sem recorrer à metáfora.
Uma pesquisa recente demonstra que durante uma conversa o ser humano usa
em média 4 metáforas por minuto. Muitas vezes as pessoas não querem ou não
conseguem expressar o que realmente sentem. Então falam frases por metáforas onde
seu significado fica subentendido.

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Exemplos de metáforas

 Eu estou sempre dando murro em ponta de faca.

 Eu carrego o mundo nos meus ombros.

 Os jogadores já estão preparados e estão neste lindo tapete verde.

 Já desgastei minha língua de tanto explicar para você que eu não te amo

 Você tem voz de anjo

 Derrubei seu argumento sobre LGBT no grupo do whats

 Flavia tem olhos de boneca

 Olha a explosão, quando ela bate com a bumba no chão

 Você é uma draga comendo

 Aquela guria é um dragão

 Comeu capim no almoço

 Tinha milho no café

 O Brasil é uma criança com vermes

 A vaca foi pro brejo

 Daqui a pouco minha casa será a morada dos mortos

 Chorei um rio ontem

 Afogou-se em magoas

 A minha paciência vai explodir

 Daniel esta sendo corroído pelo mostro dos olhos verdes

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Metáfora do Iceberg

A Metáfora do Iceberg consiste no facto que muitas vezes a parte visível de um


iceberg desde a superfície é muito pequena quando comparada com a parte do iceberg
que está submersa. Esta metáfora tem sido muito usada para explicar vários fenômenos
sociais. A metáfora do iceberg é frequentemente usada para descrever a mente humana,
em que a parte que fica à superfície é a parte consciente e a maior, a submersa, é a parte
relativa ao subconsciente.
Esta metáfora pretende fazer com que as pessoas entendam que muitas vezes há
muito mais verdade além do que os nossos olhos conseguem ver. Através dela também
podemos aprender que há muita coisa além do superficial e que muitas vezes tem mais
valor do que o que está à superfície e é visível para todos.

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Metáfora da Vida Cotidiana

Metáfora da Vida Cotidiana (em inglês: Metaphors We Live By) é um livro da


autoria de George Lakoff e Mark Johnson.
Esta obra causou um grande impacto no mundo acadêmico e segundo Kanavillil
Rajagopalan, já conquistou o lugar de "clássico". George Lakoff e Mark Johnson
abordam a metáfora e o seu impacto no ser humano, e com este livro desafiam a forma
de pensar que vê a metáfora como um simples enfeite do pensamento. De acordo com
os autores, o próprio pensamento e desenvolvimento cognitivo do ser humano está
estruturado graças à metáfora, pois elas estão ligadas à forma como vemos e
apreendemos o mundo externo.
No livro Metáforas da Vida Cotidiana, os autores afirmam: “A essência da
metáfora é a compreensão e a experiência de uma coisa em termos de outra”.1

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Metonímia

Metonímia é a figura de linguagem que possibilita troca de um termo por outro


de mesma similaridade. Para conceituá-la com maior clareza podemos dizer que é
definida como a substituição de uma palavra por outra, quando há relação de
contiguidade, ou seja, proximidade de sentido entre elas. É a substituição de palavras
que guardam uma relação de sentido entre si.

Exemplos:

 A viagem à Lua significou um grande avanço para o “homem”. (Neste


caso a palavra homem foi empregada no lugar de “humanidade”. A parte
foi citada para substituir ou representar o todo.)

 Eu uso sempre “Bombril”. (Aqui a palavra Bombril substitui palha de


aço. O nome da marca substitui o produto.)

 Ela adora “ler Jorge Amado”.

 Você precisa “ler Shakespeare”.

 Os meninos comeram dois “pratos” no jantar.

 Tomamos 3 “garrafas” de cerveja.

 Comi 1 “lata” de atum.

 Ele chegou em um “Ford”.

 “Thomas Edison” iluminou o mundo.

 “Graham Bell” eliminou as distâncias.

 Ganharás o pão com o “suor de teu rosto”

 Respeito seus “cabelos brancos”.

Variações da Metonímia

Esta figura de linguagem possui ainda algumas variações:

Antonomásia – É a troca de um nome por uma expressão, ou por outro nome que
caracterize uma qualidade, ou um fato identificador.

Exemplos:

 O “Apóstolos dos Gentios” revolucionou o mundo com sua pregação.

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O Apóstolo dos Gentios refere-se a São Paulo, grande defensor da fé cristã, que levou
ao povo Gentio a mensagem de Cristo.

 O “Águia de Haia” defendia a igualdade e o abolicionismo.

Águia de Haia refere-se a Ruy Barbosa, que recebeu este codinome por ocasião de seu
notável discurso na II Conferência da Paz, na Holanda.

Metalepse

Esta é uma figura de linguagem também considerada variação da Metonímia.


Nela o termo antecedente é substituído pelo consequente. Ou ocorre a substituição do
nome de algo, por outro nome, havendo relação de sentido entre eles.

Exemplo:

 Pelo “suor” ganhas o pão de cada dia.

O suor é consequência de um trabalho árduo. A pessoa compra o pão com dinheiro que
ganhou pelo trabalho, que provoca o suor.

Sinestesia
Sinestesia é um vocábulo de origem grega. Consiste na junção dos termos: syn
que em grego quer dizer união + esthesia – que significa sensação. Ela vem da palavra
grega synaísthesis, cujo significado é “sentir junto” ou “sentir ao mesmo tempo”.

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Dentro da língua portuguesa é classificada como uma figura de linguagem. Suas
características a colocam no grupo das figuras de palavras ou Tropos. Para melhor
entendimento, vale esclarecer que as figuras de linguagem são categorizadas por tipos
diversos.

Observe o quadro abaixo e entenda.

Sinestesia: Figura de Linguagem- Figura de Palavras ou Tropos

Por ser uma figura de palavra, a sinestesia consiste em recurso semântico, capaz
de tornar o texto mais expressivo. Ela ocorre quando as sensações e sentidos se
misturam. Isto quer dizer que podem estar reunidas em um mesmo contexto diversos
sentidos.

Bom exemplo encontramos nestes versos de Mário de Andrade:

 “…chuvinha de água viva esperneando luz … com gosto de mato, meio


baunilha, meio manacá, meio alfazema…”

Aqui o poeta miscigena os sentidos, reunindo-os em um mesmo texto. Podemos


perceber sensações visuais (esperneando luz), gustativas (gosto de mato) e olfativas
(meio baunilha, meio alfazema).

Outros exemplos:

 Já sentia o cheiro doce da liberdade. (Aqui se misturam os termos: (doce=


paladar; cheiro= olfato.)
 Dirigiu-me uma palavra amarga e fria. (Amarga refere-se ao gosto; fria
relaciona-se com o tato.)

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 Ele deixou-se envolver pelo cheiro doce do perfume. (Neste caso as sensações se
misturam para poetizar o texto. Nota-se que a sensação olfativa está relacionada ao
paladar. (Cheiro e doce)
 Ouça a melodiosa e macia voz, que canta louvores ao Senhor.
 Aqui estão bem definidos os sentidos da audição(ouça); tato (macia).
 Desfilaram pela passarela com roupas floridas, em cores quentes. (Os sentidos
da visão e do tato estão presentes)

Quem usa Sinestesia?


A Sinestesia é usada por poetas, escritores, redatores, compositores e jornalistas, mas
não são exclusividade destes profissionais. Ela é também usada em nosso cotidiano,
enquanto conversamos ou escrevemos algum texto.
Podemos dizer que o poder sinestésico e mágico contido nesta figura de palavra é
comum, e muitas vezes, o usamos sem saber. Mas existe um outro aspecto que é mais
raro e não conhecido por muitas pessoas.

O outro lado da Sinestesia – Além do conceito linguístico

a sinestesia como figura de linguagem, que nos ajuda a construir textos mais
sugestivos e mais ricos de significado. Mas, não podemos deixar de citar um outro
aspecto que ela apresenta.
O termo é usado também no âmbito biológico e sensorial. Trata-se de uma
característica que algumas pessoas possuem. Cerca de 4% da população mundial possui
sinestesia.
Quer dizer que estas pessoas são dotadas de uma característica especial. Elas são
mais sensitivas no que se refere aos sentidos.
Algumas relatam poder sentir o cheiro das cores. Outras percebem as letras,
símbolos e números em diferentes matizes. Há ainda os que percebem cheiros nos sons.
A percepção é explicada pela Ciência. É resultado de uma espécie de cruzamento
entre os sentidos. O que ocorre é que uma sensação é capaz de estimular uma outra. Não
é nenhuma doença ou desequilíbrio, trata-se de uma característica genética herdada dos
pais.

Catacrese

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Catacrese é uma figura de palavra, considerada por muitos como um tipo de Metáfora.
Seu uso é muito comum. Caracteriza-se por utilização de um termo fora de seu sentido
real. Ela é empregada naturalmente, por não existir um nome adequado ou específico
para identificar aquilo que se quer expressar.

Exemplos:

 Costas da cadeira
 Manga da camisa
 Asa da xícara
 Pé da mesa
 Cabeça de alho

Etimologia

É sempre válido buscarmos a origem dos termos. Isto nos ajuda a compreender
muitas coisas. Catacrese vem do latim “catachresis”, que se originou do grego
“Katakhresis”, que quer dizer “mau uso”.

Para entender a Catacrese


Esta figura de linguagem, que é também denominada figura de palavra é
empregada utilizando-se vocábulos no sentido figurado ou conotativo.
A linguagem figurada caracteriza-se por representar um sentido que não é o real.
(sentido figurado). É um entendimento subjetivo que só é válido dentro do contexto em
que se encontra.
Desta forma, podemos pensar a Catacrese como termo empregado em sentido
figurado, que serve para atender a uma necessidade da língua. Seu uso é considerado
uma necessidade porque conforme já citado acima, ela substitui um vocábulo ausente.

Catacrese – Um empréstimo de palavras

Tomemos como exemplo a expressão “manga de camisa”. A palavra manga está


empregada fora de seu sentido real e sabemos que não existe outra palavra para definir
esta parte de nossa roupa. Então tomamos de empréstimo esta palavra para denominá-la.
Muitas palavras, das quais a catacrese faz uso, são emprestadas ou originadas de
outras, devido à semelhança que possuem com o ser que se deseja nomear.
Um bom exemplo disto é a palavra “asa” que é usada para denominar a parte da
xícara que serve para segurarmos.
Note que a forma da asa da xícara possui semelhança com o formato de uma
asa no sentido real (asa de seres vivos).

Outros exemplos:

 Céu da boca

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 Dente de alho
 Pé da mesa
 Braço da cadeira
 Asa da xícara
 Maça do rosto
 Batata da perna
 Coroa do abacaxi
 A cabeça do alfinete
 Pé da cama
 Embarcar no avião
 Fio de azeite
 Arvore genealógica
 Boca do túnel
 A raiz do problema
 Cara de lua
 Asas do vento
 Braços do mar
 Pé da serra
 Pé da montanha
 Dobrando o cotovelo na estrada

O significado original das palavras e a Catacrese.

Alguns termos de tanto serem empregados em outros sentidos, perderam sentido próprio
e servem a muitos significados. Bons exemplos são palavras como:

 Espalhar – O significado original é “despalhar ou separar palha”. Porém é


usada em diversos contextos. “Espalhar dinheiro”, espalhar roupa, brinquedos,
papéis. O significado inicial foi praticamente esquecido.
 Enterrar– Significado original é “colocar ou introduzir na terra”. Mas, veja
como pode ser usada:
 Vamos “enterrar” este assunto. (Esquecer)
 Enterrou a faca no lombo do animal. (Enfiou)
 …Com a moral toda “enterrada” na lama. (Verso de música de Beth Carvalho),
(quer dizer que a pessoa está desacreditada, foi difamada).
 Encaixar – que antes significava apenas pôr em caixas, serve para designar
engatar, guardar, empacotar, montar, adaptar, adequar, etc.
 “Encaixei as peças” do quebra-cabeças. (Juntar)
 O lego é “brinquedo de encaixe”. (Engate)
 Não me “encaixo nesta equipe”. (Adapto)
 Embarcar- O vocábulo era usado para indicar que alguém ia viajar de barco.
Atualmente embarcamos em aviões, ônibus e quaisquer outros meios de
transporte.

Perífrase

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A palavra perífrase originou-se no grego periphrazein, que significa “falar em
círculos”.
A perífrase é uma figura de linguagem que também é chamada
de antonomásia e circunlóquio. Consiste na substituição de um termo ou expressão curta
por uma expressão mais longa que serve para transmitir a mesma ideia.
Em geral, as expressões empregadas como substitutas são bastante conhecidas e
facilmente associadas às substituídas, e é até mesmo por essa razão que elas funcionam
no contexto.
Uma expressão adquire relevância suficiente para essa finalidade quando encerra
atributos do conceito em questão ou diz respeito a um traço distintivo dele ou a um fato
que o tornou célebre.

Exemplos de perífrase:

 O rei do reggae espalhou uma mensagem de amor e paz enquanto esteve neste
mundo.

Nessa frase, a expressão “rei do reggae” está no lugar do nome do cantor e compositor
Bob Marley.

 Admiro a obra do poeta dos escravos.

Aqui, o nome de Castro Alves foi substituído pelo apelido “poeta dos escravos”, que foi
atribuído a ele devido ao seu engajamento no movimento abolicionista.

 Foi um fim de semana agitado na terra da garoa.

Nesse exemplo, “terra da garoa” está substituindo o nome da cidade de São Paulo.
Que bela imagem aérea do Velho Chico.
 “Velho Chico” é como o Rio São Francisco é carinhosamente chamado.

Referências

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 https://www.figuradelinguagem.com acessado no dia 05/10/17 as 22:00h
 https://www.significados.com.br acessado no dia 05/10/17 as 22:00h

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