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Astrofísica do Sistema Solar

Dra. Daniela Lazzaro


Coordenação de Astronomia e Astrofísica
Observatório Nacional/MCT -- Rio de Janeiro -- Brasil

Dr. Antares Kleber (in memorian)

Dr. Carlos Henrique Veiga


Divisão de Atividades Educacionais
Observatório Nacional/MCT -- Rio de Janeiro -- Brasil
Introdução ao Sistema Solar

Nos últimos 30 anos aprendemos mais sobre o Sistema Solar do que sobre a maioria das outras áreas da astronomia. Isto se deve não
apenas à melhoria dos detectores e telescópios atualmente existentes nos observatórios terrestres mas, principalmente, às várias
sondas espaciais que cruzaram o Sistema Solar fotografando e realizando experiências científicas ao longo das últimas décadas.

Uma grande série de lançamentos espaciais permitiu que os astrônomos conhecessem cada vez mais detalhes sobre a estrutura dos
nossos vizinhos do Sistema Solar. Algumas sondas penetraram nas atmosferas de Vênus, de Marte e de Júpiter. Outras pousaram nas
superfícies de Vênus, de Marte, da Lua e do asteróide Eros. Algumas missões colheram material da Lua e do cometa P/Wild2 para
posteriores análises em laboratórios.

Até agora sondas espaciais visitaram todos os planetas, com a única exceção de Plutão. Além disso, vários sistemas de satélites e de
anéis foram descobertos e estudados por essas sondas, assim como alguns asteróides e cometas.

Conheça as sondas espaciais que têm nos revelado segredos do Sistema Solar

Na verdade, todas essas missões espaciais foram automáticas pois, como sabemos, o ser humano, por enquanto, caminhou apenas na
superfície da Lua. Ao mesmo tempo em que essas sondas eram lançadas, uma série de missões espaciais tripuladas foi realizada pelos
Estados Unidos, as missões espaciais Apollo. Essa seqüência de lançamentos culminou com o extraordinário feito de, pela primeira vez,
um ser humano, o astronauta norte-americano Neil A. Armstrong, ser levado até um outro corpo celeste, a Lua, no dia 20 de julho de
1969.

Na verdade, todas essas missões espaciais foram automáticas pois, como sabemos, o ser humano, por enquanto, caminhou apenas na
superfície da Lua. Ao mesmo tempo em que essas sondas eram lançadas, uma série de missões espaciais tripuladas foi realizada pelos
Estados Unidos, as missões espaciais Apollo. Essa seqüência de lançamentos culminou com o extraordinário feito de, pela primeira vez,
um ser humano, o astronauta norte-americano Neil A. Armstrong, ser levado até um outro corpo celeste, a Lua, no dia 20 de julho de
1969.

Conheça as missões Apollo que orbitaram em torno da Lua ou


pousaram na sua superfície.
Novas missões espaciais estão sendo desenvolvidas para complementar e melhorar nosso conhecimento sobre os objetos do Sistema
Solar. Uma coisa, no entanto, é certa: o que sabemos hoje em dia sobre o nosso sistema planetário é muito diferente do que sabíamos
há menos de 50 anos. O conjunto de conhecimentos adquiridos a partir dessas missões mudou totalmente a visão que tinhamos sobre o
Sistema Solar. As perguntas que hoje fazemos sobre a origem, a formação e a evolução do Sistema Solar como um todo são bastante
diferentes daquelas que elaboravamos há algum tempo. Um exemplo muito simples é a questão dos anéis planetários. Até 1978
dizíamos que Saturno era o único planeta que tinha anéis. A pergunta que nos fazíamos era: porque apenas Saturno tem anéis? Hoje,
26 anos depois, sabemos que todos os planetas gigantes possuem anéis e passamos a nos perguntar sobre quais os processos físicos
que determinaram essa característica.

É importante destacar que estas duas perguntas são intrinsecamente muito distintas já que na primeira estamos buscando um processo
físico que diferencia um único objeto dentro de um conjunto. Na segunda, estamos procurando um processo comum neste mesmo
conjunto e o estudo da natureza nos diz que o "comum" é mais aceitável do que a "exceção", embora nunca possamos excluir, a
princípio, esta última possibilidade!

Um inventário do Sistema Solar

Vamos começar o nosso estudo fazendo um rápido "inventário" do que chamamos de "Sistema Solar".

O corpo maior, e certamente o mais importante, no Sistema Solar é o Sol.

Sob o ponto de vista da astrofísica, o Sol é uma estrela relativamente comum podendo ser descrita como uma enorme bola de gás
incandescente com 1,4 milhões de quilômetros de diâmetro. Sua temperatura superficial é de cerca de 6000 Kelvin enquanto sua
temperatura central supera alguns milhões de graus.

O que é a temperatura Kelvin?

Apesar de ser uma estrela "comum" no universo, o Sol é o maior corpo de todo o Sistema Solar, contendo mais de 99% de toda a sua
massa e com uma luminosidade 400 milhões de vezes maior do que a de Júpiter. Como conclusão, podemos dizer que o Sistema Solar é
formado pelo Sol e por algum "cascalho". Nesse "cascalho" temos uma variedade imensa de corpos.

Começando uma longa viagem a partir do Sol, nos afastando cada vez mais dele até atingirmos distâncias inacreditáveis, encontramos
os seguintes planetas:
Mercúrio Vênus Terra Marte

Júpiter Saturno Urano Netuno


Plutão

Além desses corpos maiores, existe também uma grande quantidade de objetos menores, que também orbitam em torno do Sol, tais
como os:

Asteróides Cometas

Espalhados por todo o Sistema Solar temos pequeníssimos grãos de poeira, resquícios da formação do próprio Sistema Solar. Essa
matéria recebe o nome de Poeira Interplanetária.

Por fim, em órbita em torno de todos os maiores planetas, e também em torno de alguns menores, temos outros pequenos corpos, os
satélites e os anéis.

Anéis
Satélites

A seguir vamos dar uma rápida visão das principais características do Sistema Solar. Logo depois detalharemos alguns pontos que
consideramos mais importantes fazendo uma descrição comparativa dos corpos e dos processos físicos existentes no nosso sistema
planetário.

Propriedades planetárias

A distribuição dos corpos do Sistema Solar

Como foi dito acima, o Sistema Solar é muito mais do que apenas os planetas e seus respectivos satélites. Podemos definir o Sistema
Solar como sendo o conjunto de todos os corpos celestes, independente de tamanho, estado físico ou propriedades, que estão
gravitacionalmente ligados ao Sol e que descrevem órbitas em torno dele. Assim, o Sol é o centro de referência em torno do qual todos
os objetos pertencentes ao Sistema Solar descrevem suas órbitas. Entre esses objetos estão incluidos os planetas, satélites, asteróides,
cometas, e partículas de gás e poeira interplanetárias que se espalham pelo espaço existente entre os moradores desse Sistema.

Para melhor descrever o Sistema Solar os astrônomos preferem dividí-lo em algumas partes que abrigam corpos possuidores de
características semelhantes. Além dos Sol, planetas e seus satélites, existem três regiões no Sistema Solar que, ao invés de abrigarem
apenas um corpo celeste, são a moradia de milhares ou milhões de pequenos objetos que também descrevem órbitas em torno do Sol.
Essas regiões são:

Cinturão de Asteróides
Localizado entre os planetas Marte e Júpiter, o Cinturão dos Asteróides é o local onde estão distribuídos a maioria dos
asteróides que conhecemos.

Cinturão Trans-Netuniano, também conhecido como Cinturão de Kuiper


Esta região em forma de disco, com milhões de objetos, está localizado a partir da órbita do planeta Netuno. Ela é o local de
origem de vários cometas que cruzam o Sistema Solar.

Nuvem de Oort
Com possivelmente milhões de objetos, que seriam restos da formação do Sistema Solar, esta é a região mais longinqüa do
Sistema Solar, situada muitíssimo depois do planeta mais afastado do Sol, Plutão. A Nuvem de Oort tem a forma de uma
imensa esfera que envolve todo o Sistema Solar.

A figura abaixo mostra, esquematicamente, essas regiões.


Em geral, a primeira divisão que fazemos para estudar o Sistema Solar leva em consideração as distâncias relativas entre o Sol e os
diversos corpos pertencentes a esse Sistema.
Se considerarmos o Sol como origem para o cálculo de distâncias, o Sistema Solar está distribuido da seguinte forma:

As dimensões do Sistema Solar em quilômetros


distância média (aproximada) ao Sol
objeto celeste
(em quilômetros)

Mercúrio 57 900 000

Vênus 108 200 000

Terra 149 600 000

Marte 227 900 000

Cinturão de Asteróides (mínima) 330 000 000

Cinturão de Asteróides (máxima) 500 000 000

Júpiter 778 300 000

Saturno 1 427 000 000

Urano 2 869 600 000

Netuno 4 496 600 000

Plutão 5 900 100 000

Cinturão de Kuiper (mínima) 4 488 000 000

Cinturão de Kuiper (máxima) 7 480 000 000

Nuvem de Oort (interna) 44 880 000 000 a 1 496 000 000 000

Nuvem de Oort (externa) de 1 496 000 000 000 a 14 960 000 000 000

Algumas unidades de medida de distância usadas na astronomia

Devido ao fato de trabalhar com distâncias e tamanhos muito grandes, os astrônomos utilizam algumas unidades de medida bastante
características. Para não falar constantemente em distâncias de milhões de quilômetros, os astrônomos preferem usar duas outras
unidades de medida, o parsec e a unidade astronômica.

ano-luz
é a distância que a partícula de luz, chamada fóton, viaja em um ano no vácuo. Sua abreviação é a.l..
Qual é o valor de um ano-luz?

Para obter este valor basta calcular o número de segundos que existem em um ano e multiplicar o resultado pelo valor exato da
velocidade da luz no vácuo, que é 299792458 metros por segundo.

O valor exato do ano-luz é 9460528410545436,2688 metros ou 9460528410545,4362688 km. Usando a notação científica podemos
escrever que 1 ano-luz = 9,46053 x 1012 km.
O que é a notação científica?

Podemos dizer então que um ano-luz equivale, aproximadamente, a 9460530000000 km ou então a 9500 bilhões de quilômetros!

Comumente aproximamos o resultado mais ainda, dizendo que um ano-luz é equivalente a 1013 km.

Também usamos sub-unidades do ano-luz tais como a hora-luz, o minuto-luz e o segundo-luz.

Uma hora-luz é a distância percorrida pela luz em uma hora. Ela corresponde a 1 079 252 820 km.

Um minuto-luz é a distância percorrida pela luz em um minuto. Ele corresponde a 17 987 547 km.

Um segundo-luz é a distância percorrida pela luz em um segundo. Ele corresponde a 299 792 km.

Importante: o ano-luz e seus submúltiplos, hora-luz, minuto-luz e segundo-luz, são unidades de medida de distância e não de tempo.

"Viajamos 250 anos-luz." certo


"Viajamos durante 250 anos-luz." ERRADO

As dimensões do Sistema Solar em anos-luz


objeto celeste distância média ao Sol

Mercúrio 3,21 minutos-luz

Vênus 6,01 minutos-luz

Terra 8,30 minutos-luz

Marte 12,67 minutos-luz

Cinturão de Asteróides (mínima) 18,29 minutos-luz

Cinturão de Asteróides (máxima) 27,44 minutos-luz

Júpiter 43,27 minutos-luz

Saturno 1,32 horas-luz

Urano 2,66 horas-luz

Netuno 4,17 horas-luz

Plutão 5,47 horas-luz

Cinturão de Kuiper (mínima) 4,15 horas-luz

Cinturão de Kuiper (máxima) 6,93 horas-luz

Nuvem de Oort (interna) de 41,58 a 1386,14 horas-luz

Nuvem de Oort (externa) de 1386,14 a 13861,44 horas-luz

unidade astronômica
A unidade astronômica é definida como a distância média entre a Terra e o Sol. Sua abreviação é U.A. (sempre em letras maiúsculas).

Uma unidade astronômica equivale a 149597870,691 km mas, em geral, consideramos o valor aproximado de 150 milhões de
quilômetros.

Uma unidade astronômica é equivalente a, aproximadamente, 499 segundos-luz. Um feixe de luz leva aproximadamente 8,3 minutos
para viajar uma unidade astronomica. Isso simplesmente nos diz que uma partícula de luz, ou seja um fóton, depois que deixa o Sol
leva 8,3 minutos para alcançar a Terra.
Resumindo os valores das unidades dadas acima vemos que:

ano-luz unidade astronômica

ano-luz = 1 63239

8,3 minutos-luz
unidade astronômica =
ou ~499 segundos-luz
1

distancia média ao Sol


planeta em unidades em quilômetros (valor
astronômicas (UA) aproximado)

Mercúrio 0,387 57 900 000

Venus 0,723 108 200 000

Terra 1,000 149 600 000

Marte 1,524 227 900 000

Cinturão de Asteróides
2,206 330 000 000
(mínima)

Cinturão de Asteróides
3,342 500 000 000
(máxima)

Júpiter 5,203 778 300 000

Saturno 9,539 1 427 000 000

Urano 19,182 2 869 600 000

Netuno 30,058 4 496 600 000

Plutão 39,44 5 900 100 000

Cinturão de Kuiper
30 4 488 000 000
(mínima)

Cinturão de Kuiper
~ 50 ~ 7 480 000 000
(máxima)

44 880 000 000 a 1 496 000 000


Nuvem de Oort (interna) de 300 a 10000
000

de 1 496 000 000 000 a 14 960


Nuvem de Oort (externa) de 10000 a 100000
000 000 000

Podemos representar o Sistema Solar graficamente da seguinte forma:


A "lei" de Titius-Bode

A primeira característica do Sistema Solar que os astrônomos logo observaram, e que os intrigou bastante, foi o espaçamento que havia
entre os planetas que faziam parte dele. Vale lembrar que desde a antigüidade os homens sempre procuraram por regularidades no
Universo que os cerca e, em particular, no espaçamento entre os planetas.

Os astrônomos antigos (século XVIII) notaram que, enquanto os planetas mais próximos do Sol estão a distâncias pequenas entre si,
esta distância relativa aumenta entre os planetas gigantes. Além disso parecia haver um "vazio" entre Marte e
Júpiter. Lembre-se que, nesa época, os astrônomos ainda não sabiam da existência do Cinturão de Asteróides,
situado entre Marte e Júpiter. Em 1766 o astrônomo prussiano Johann Daniel Tietz (1729 - 1796), mais conhecido
como Titius, (imagem a esquerda) analisando as distâncias entre os planetas desenvolveu uma equação que
parecia permitir o cálculo do afastamento desses corpos em relação ao Sol.

Titius definiu a distância do Sol até Saturno como sendo de 100 unidades. Assim, Mercúrio estaria a quatro
unidades do Sol, Vênus a 4 + 3, Terra a 4 + 6, Marte a 4 + 12, faltaria um corpo a 4 + 24 e ai teríamos Júpiter a 4
+ 48 e, por fim, Saturno a 4 + 96 = 100. Esta progressão pode ser facilmente calculada através da relação:

Yi = 0,4 + 0,3 (2n)

onde Y representa a distância de um planeta qualquer i até o Sol. Como apenas seis planetas eram conhecidos na
época de Titius, para ele i variava de 1 até 6. A letra n representava numericamente a ordenação dos planetas
conhecidos em relação ao Sol. Assim, n assumia o valor "menos infinito" para Mercúrio, zero para Vênus, um para
a Terra, dois para Marte, três para um lugar onde deveria existir um planeta ainda não observado, quatro para
Júpiter e cinco para Saturno. Baseado nos cálculos realizados com essa "lei", Titius propôs a existência de um
planeta entre Marte e Júpiter, ou seja, com n = 3.

Em 1781 a fórmula obtida por Titius passou por uma confirmação estrondosa: o astrônomo
William Herschel (a direita) e sua irmã Caroline Herschel (a esquerda) descobriram no dia 13
de março de 1781 um novo planeta, Urano, situado a uma distância do Sol equivalente a 4 +
192 unidades!

Este fato foi utilizado por outro astrônomo, Johann Elert Bode (1747 -1826) (imagem a direita), para divulgar a idéia
de que estaria faltando um planeta na região equivalente a cerca de 28 unidades. De fato, alguns anos mais tarde foi
descoberto o primeiro asteróide, 1 Ceres, a exatamente 2,8 unidades astronômicas. Esta
descoberta passou a ser vista como a confirmação definitiva da validade da regra das distâncias
planetárias descrita acima, que passou a ser conhecida como "lei de Titius-Bode".

Para obter a série de Titius-Bode para o nosso Sistema Solar, começamos com 0,4 unidades astronômicas, e então
formamos uma série adicionando 0,0; 0,3; 0,6; 1,2; 2,4; etc, e dobrando sempre esses valores. Os resultados que
ela preve são :
conhecida como "lei de Titius-Bode".

Para obter a série de Titius-Bode para o nosso Sistema Solar, começamos com 0,4 unidades astronômicas, e então formamos uma série
adicionando 0,0; 0,3; 0,6; 1,2; 2,4; etc, e dobrando sempre esses valores. Os resultados que ela preve são :

Planetas "Lei" de Titius-Bode distâncias calculadas


Mercúrio 0,4 U.A. 0,3871 U.A.
Venus 0,7 U.A. 0,7233 U.A.
Terra 1,0 U.A. 1,0000 U.A.
Marte 1,6 U.A. 1,5237 U.A.
Cinturão de Asteróides 2,8 U.A. -- U.A.
Júpiter 5,2 U.A. 5,2026 U.A.
Saturno 10,0 U.A. 9,5547 U.A.
Urano 19,6 U.A. 19,2181 U.A.
Netuno 38,8 U.A. 30,1096 U.A.
Plutão-Caronte 77,2 U.A. 39,4387 U.A.

No entanto, verificou-se logo depois que não existia apenas um corpo entre Marte e Júpiter, mas sim, uma miríade de pequenos objetos.
Claro que os defensores da "lei" procuraram se adaptar à nova descoberta e propuseram que o que estaríamos vendo agora seriam
apenas os restos de um planeta que havia existido nesse local, entre Marte e Júpiter, e que teria explodido. A descoberta de Netuno e
Plutão pôs fim ao reinado dessa "lei" que falha completamente na previsão das posições destes dois novos planetas. Além disto, estudos
mostraram que a diversidade de órbitas e de composições que encontramos entre os asteróides, também não é compatível com a
hipótese de fragmentação de um único corpo.
É importante ressaltar que a "lei de Titius-Bode" é apenas uma regra numérica empírica e não fornece nenhuma explicação física de
porque razão as distâncias planetárias deveriam seguir esta regra.

Hoje em dia, a "lei" de Titius-Bode não passa de uma interessante peça histórica de numerologia.

As órbitas dos corpos do Sistema Solar

Uma segunda característica importante do Sistema Solar é a de que todos os planetas giram em torno do Sol em uma única direção. Um
observador imaginário colocado no pólo norte do Sol veria os planetas se deslocando da direita para a esquerda, sentido esse que
chamamos de anti-horário.

Os planetas, em seu movimento em torno do Sol, descrevem órbitas quase circulares e aproximadamente coplanares. As únicas
exceções são Mercúrio e Plutão, os menores planetas de todo o sistema, os quais, embora girando na mesma direção que os outros,
seguem órbitas ligeiramente excêntricas e inclinadas.
É importante conhecermos algumas propriedades físicas que são comumente citadas quando falamos das órbitas descritas por corpos
celestes.

Propriedades físicas das órbitas


é o valor que nos indica o quanto a órbita descrita pelo corpo celeste em torno do Sol difere de uma
circunferência. A excentricidade pode assumir valores que vão de 0, quando a órbita é uma
circunferência, até o valor 1, quando a órbita descrita pode ser representada por uma parábola. Veja
excentricidade na imagem abaixo, que mostra a excentricidade das órbitas dos planetas, que praticamente não
notamos diferenças entre elas. No entanto, essas órbitas não são circulares e sim elípticas. Ao
contrário, as órbitas dos cometas, que possuem uma excentricidade bem maior, são bem mais
distintas do círculo.

esse valor nos diz qual é o ângulo entre a órbita descrita pelo corpo celeste e um plano de referência
inclinação que, por convenção, é adotado como sendo o plano da órbita da Terra. Ao plano imaginário sobre o
qual a Terra descreve a sua órbita em torno do Sol damos o nome de eclíptica

semi-eixo maior representa basicamente a distância média do corpo celeste ao Sol


período de nos diz qual o intervalo de tempo gasto por um corpo celeste para descrever um movimento completo
revolução em torno de um outro corpo celeste

Na tabela 1 abaixo são dadas, para cada planeta, as características básicas de sua órbitas.

Tabela 1
Inclinação do plano da período de revolução
Semi-eixo órbita do
Planeta maior Excentricidade planeta em relação à período
(em U.A.) Eclíptica período sideral
sinódico
(em graus)
Mercúrio 0,3871 0,206 7o 00' 87,969 dias ano 115,9 dias
o 1 ano e 218,7
Vênus 0,7233 0,007 3 24' 224,701 dias
dias
Terra 1,0000 0,017 0o 365,256 dias -
1 ano 321,73 2 anos e 49,5
Marte 1,5237 0,093 1o 51'
dias dias
11 anos 314,84 1 ano e 33,6
Júpiter 5,2026 0,048 1o 19'
dias dias
29 anos 167,0 1 ano e 12,8
Saturno 9,5547 0,056 2o 30'
dias dias
Urano 19,2181 0,046 0o 46' 84 anos 7,4 dias 1 ano e 4,4 dias
o 164 anos 280,3
Netuno 30,1096 0,009 1 47' 1 ano e 2,2 dias
dias
247 anos 249,0
Plutão 39,4387 0,246 17o 10' 1 ano e 1,5 dias
dias
Observação:
Na tabela acima consideramos que "ano" equivale a um ano terrestre ou seja, 365,256 dias.

Algumas definições básicas sobre as configurações planetárias no céu


são os planetas cujas órbitas estão localizadas entre a órbita da Terra e o Sol. Eles são
planetas Mercúrio e Vênus. Os planetas inferiores podem ter duas configurações geométricas
inferiores características no céu, formadas pela Terra, o planeta e o Sol: a conjunção inferior e a
conjunção superior.
conjunção ocorre quando Mercúrio ou Vênus está alinhado entre a Terra e o Sol, visto por um
inferior observador na Terra. O alinhamento na conjunção inferior é Terra - planeta - Sol.
conjunção ocorre quando Mercúrio ou Vênus está no lado oposto ao Sol, visto por um observador na
superior Terra. O alinhamento na conjunção superior é Terra - Sol - planeta.
é o ângulo entre o Sol e um planeta inferior, determinado por um observador na Terra.
elongação Existem duas elongações características: a elongação máxima a oeste e a elongação
máxima a leste.
elongação
ocorre quando Mercúrio ou Vênus está em uma posição mais a oeste possível em relação ao
máxima a
Sol. Nesse caso o planeta "nasce" antes do Sol como uma "estrela matutina".
oeste
ocorre quando Mercúrio ou Vênus está em uma posição mais a leste possível em relação ao
elongação
Sol. Nesse caso o planeta aparece acima do horizonte a oeste depois do por do Sol como se
máxima a leste
fosse uma "estrela vespertina".
são os planetas cujas órbitas estão localizadas após a órbita da Terra. Eles são Marte,
planetas Júpiter, Saturno, Urano, Netuno e Plutão.
superiores Os planetas superiores podem ter duas configurações geométricas características no céu,
formadas pela Terra, o planeta e o Sol: a conjunção e a oposição.
ocorre quando o planeta superior está localizado "atrás" do Sol, visto por um observador na
conjunção
Terra. O alinhamento na conjunção é Terra - Sol - planeta superior.
ocorre quando o planeta superior está localizado de modo que a Terra está entre ele e o Sol,
oposição visto por um observador na Terra. O alinhamento na oposição é Sol - Terra - planeta
superior.
é o intervalo de tempo que separa duas configurações idênticas e sucessivas do sistema
período
planeta-Sol-Terra como ocorre, por exemplo, entre duas oposições ou entre duas
sinódico
conjunções. O período sinódico de um planeta pode ser determinado observando-se o céu.
é o verdadeiro período orbital de um planeta, o intervalo de tempo que o planeta leva para
período sideral realizar uma órbita completa em torno do Sol em relação às estrelas. O período sideral é
obtido somente através de cálculos.
A rotação dos planetas do Sistema Solar

Além do movimento de translação que cada corpo celeste pertencente ao Sistema Solar descreve em torno do Sol existe um outro
movimento, de rotação, que é realizado por todos esses corpos individualmente. Os planetas e satélites naturais que formam o Sistema
Solar giram em torno de um eixo imaginário que os atravessam. Na maioria dos casos o sentido dessa rotação é o mesmo que aquele
descrito pelo corpo celeste ao realizar o seu movimento de translação em torno do Sol. Uma das exceções é Vênus, que gira muito
lentamente em direção contrária ao seu movimento de translação. Dizemos então que o planeta Vênus tem uma rotação retrógrada.

Tabela 2
Planeta período de rotação
Mercúrio 58,646 dias
243,00 dias
Vênus
(MOVIMENTO RETRÓGRADO)
Terra 23 horas 56 minutos 04 segundos
Marte 24 horas 37 minutos 23 segundos
Júpiter 9 horas 50 minutos a 9 horas 56 minutos
Saturno 10 horas 14 minutos a 10 horas 39 minutos
Urano 17 horas 06 minutos
Netuno 15 horas 48 minutos
Plutão 6 dias 9 horas 18 minutos
A inclinação do eixo de rotação dos planetas

Todos os planetas realizam seu movimento de rotação em torno de um eixo que não é perpendicular ao plano de sua órbita em torno do
Sol. Os astrônomos definem a inclinação do eixo de rotação de um planeta como sendo o ângulo que mede a inclinação do equador do
planeta em relação ao plano de sua própria órbita.

Tabela 3
Planeta inclinação do eixo de rotação
Mercúrio 0o
o
Vênus 2 07'
Terra 23o26'
Marte 23o59'
Júpiter 3o04'
Saturno 26o44'
Urano 98o
Netuno 29o
Plutão ??

É muito importante notar que os eixos de rotação dos planetas Urano e Plutão são muito inclinados. Na verdade eles estão quase
situados nos planos de suas órbitas ao invés de serem perpendiculares a estes. Isso faz com que esses dois planetas pareçam ter
rotação retrógrada, semelhante a Vênus. No entanto, isso não é verdade. Os planetas Urano e Plutão não possuem rotação retrógrada.

A massa dos corpos do Sistema Solar

Uma característica fundamental do Sistema Solar é o fato de que o Sol é, de longe, o objeto com maior massa de todo o sistema e este
fato define a evolução dinâmica dos demais corpos. Lembramos que quanto mais massa tem um corpo, mais forte é a atração
gravitacional que ele exerce sobre outros corpos. Em termos matemáticos a atração gravitacional entre dois corpos é dada pela lei da
gravitação universal enunciada pelo físico inglês Isaac Newton:

F = (G M1 M2)/(D2)
onde M1 e M2 são as massas dos corpos e D é a medida da separação, ou distância, entre eles. O número representado por G é
chamado de constante da gravitação.

A tabela abaixo nos mostra quantos por cento da massa total do Sistema Solar está localizada nos objetos mais característicos do
Sistema Solar.

Tabela 4
Percentagem
Objeto da massa total do
Sistema Solar
Sol 99,80
Júpiter 0,10
todos os cometas 0,05
todos os demais planetas 0,04
satélites e anéis 0,00005
0,000002
asteróides

poeira cósmica 0,0000001


Como é mostrado nessa tabela, mais de 99% de toda a massa do Sistema Solar se concentra no Sol e quase todo o restante em um
único planeta, Júpiter. A massa dos outros oito planetas representa apenas 40% daquela possuida por Júpiter. Portanto, o movimento de
qualquer corpo do Sistema Solar é regido pela atração gravitacional do Sol, perturbado em maior ou menor grau pelos demais corpos.

A massa dos planetas do Sistema Solar é mostrada na tabela abaixo.

Tabela 5
massa massa em relação
Planeta
(em quilogramas) à massa da Terra
Mercúrio 3,300 x 1023 0,055
24
Vênus 4,870 x 10 0,815
Terra 5,976 x 1024 1
Marte 6,420 x 1023 0,107
Júpiter 1,900 x 1027 317,80
Saturno 5,690 x 1026 95,1
Urano 8,680 x 1025 14,6
26
Netuno 1,020 x 10 17,2
Plutão 1,290 x 1022 0,002

A massa de cada planeta em relação à massa da Terra é obtida dividindo-se o valor da massa do planeta pelo valor conhecido da massa
da Terra (mTerra = 5,976 x 1024 kg). Esse valor nos mostra de modo bem rápido se um determinado planeta tem mais massa, ou não,
que a Terra.
A gravidade superficial

Um corpo com massa exerce atração gravitacional sobre outros corpos situados na sua vizinhança.
Dizemos então que a massa de um corpo cria, em volta dele, um campo gravitacional. Todos os
outros corpos colocados na superfície desse corpo sentem a ação do seu campo gravitacional, que é
exercida por intermédio de uma força que recebe o nome de força gravitacional.

Assim, sabemos que todos os planetas, satélites, etc exercem atração gravitacional sobre outros corpos
celestes e sobre todos os objetos colocados na sua superfíce.

Para que qualquer corpo possa deixar a superfície de um planeta ou satélite é necessário que ele possua
uma velocidade suficientemente grande para vencer essa atração gravitacional. A essa velocidade
damos o nome de velocidade de escape. Esse é o motivo pelo qual ao lançarmos um objeto para cima,
estando na superfície da Terra, ele volta à superfície do nosso planeta. Nesse caso, a velocidade atingida
por ele não foi suficiente para superar a atração gravitacional da Terra ou seja, sua velocidade era
menor do que a velocidade de escape exigida pela massa da Terra.

Podemos determinar a gravidade superficial em m/seg2 e a velocidade de escape em km/segundo

Tabela 6
gravidade superficial velocidade de escape
Planeta
(em metros/segundo2) (em km/segundo)
Mercúrio 3,78 4,25
Vênus 8,60 10,36
Terra 9,78 11,18
Marte 3,72 5,02
Júpiter 24,8 59,64
Saturno 10,5 35,41
Urano 8,5 21,41
Netuno 10,8 23,52
Plutão ?? ??

A densidade e composição química dos corpos do Sistema Solar

A densidade é outro dado fundamental que caracteriza os planetas do Sistema Solar.

A densidade de um corpo estabelece uma relação entre sua massa e seu volume. Dizemos
que a densidade de um corpo é igual à sua massa dividida pelo seu volume.

densidade= massa/ volume


A densidade de um corpo é, portanto, diretamente proporcional à sua massa e inversamente
proporcional ao seu tamanho, ou seja, para um mesmo valor de massa quanto menor for o
corpo mais denso ele será.

A tabela abaixo nos dá a densidade média dos planetas pertencentes ao Sistema Solar:

Tabela 7
Planeta densidade média
Mercúrio 5,44
Vênus 5,25
Terra 5,52
Marte 3,94
Júpiter 1,24
Saturno 0,63
Urano 1,21
Netuno 1,67
Plutão 1 (??)
O gráfico acima mostra as densidades de várias substâncias comparadas com as densidades planetárias.
Note, por exemplo, que a densidade da pedra-pomes e do planeta Saturno são menores que a da água,
o que significa que tanto a pedra-pomes como este gigantesco planeta flutuariam se colocados em um
recipiente com água (haja recipiente para colocar Saturno!). Do mesmo modo, o aço e o planeta
Mercúrio flutuariam no elemento químico mercúrio uma vez que suas densidades são menores do que a
desse elemento.

Veremos mais tarde que os valores das densidades dos planetas do Sistema Solar permite-nos separá-
los em dois tipos básicos: os que apresentam densidade em torno de 5 g/cm 3, como a Terra, e aqueles
com densidades muito menores, em torno de 1 g/cm3, como Júpiter.

Os elementos químicos que compõem o Sistema Solar e suas vizinhanças

Naturalmente, a densidade de um corpo é função direta de sua composição. Uma maneira conveniente
de expressar as abundâncias relativas dos vários elementos químicos presentes no Sistema Solar e nas
suas vizinhanças é dizer quantos átomos de um elemento particular são encontrados para cada milhão,
bilhão ou trilhão de átomos de hidrogênio, o elemento químico mais abundante no Universo.

Como pode ser visto na Tabela 8 abaixo os elementos mais abundantes no Sistema Solar são o
hidrogênio, o hélio, um pouco de oxigênio e de carbono além de traços de outros elementos tais como o
neônio, o nitrogênio, o magnésio, o silício, o ferro e alguns outros.

Tabela 8
Número de átomos
Elemento Símbolo do elemento químico
por milhão de átomos de H
Hidrogênio H 1000000
Helio He 68000
Oxigênio O 690
Carbono C 420
Neônio Ne 98
Nitrogênio N 87
Magnesio Mg 40
38
Silício Si

Ferro Fe 34
Enxofre S 19
Argônio Ar 4
Alumínio Al 3
Calcio Ca 2
Níquel Ni 2

Essa tabela nos diz que, por exemplo, para cada milhão de átomos de hidrogênio encontramos 68000 átomos de hélio, 690 de oxigênio,
etc.

O gráfico abaixo mostra as abundâncias dos 30 elementos químicos mais leves (do hidrogênio ao zinco) comparados com um valor de
1012 átomos de hidrogênio (ou seja, um trilhão de átomos de hidrogênio). Por exemplo, para cada trilhão de átomos de hidrogênio
existentes no espaço, existem cerca de 70 bilhões de átomos de hélio. Todos os elementos mais pesados que o zinco têm abundâncias
menores do que 1000 átomos por trilhão de átomos de hidrogênio. A maioria dos outros elementos químicos são muitíssimo mais raros.
Sabemos, por exemplo, que para cada trilhão de átomos de hidrogênio existem somente seis átomos de ouro.
A presença desses vários elementos e compostos no Sistema Solar, entretanto, não é homogênea. Por
exemplo, os metais são mais abundantes na parte interna do Sistema Solar, na região mais próxima ao
Sol. Os silicatos e o material rochoso estão presentes até uma distância de cerca de 5 U.A. enquanto que
a água e os gelos se concentram na parte mais externa so Sistema Solar.

A temperatura dos planetas

A distribuição dos elementos e compostos que formam os planetas do Sistema Solar é função direta da
temperatura. De forma bem geral quanto mais longe do Sol se situa um corpo, mais frio ele será. Os
planetas são aquecidos basicamente pela radiação do Sol mas essa intensidade diminue com o quadrado
da distância. Mercúrio, sendo o planeta mais próximo do Sol, tem uma temperatura superficial de até
230 oC. Mas no outro extremo do Sistema Solar a temperatura na superfície de Plutão não passa dos -
220 oC! No entanto, a existência de uma densa atmosfera pode ser um fator determinante na definição
da temperatura de um planeta ou satélite, podendo aumentá-la significantemente, como veremos mais
tarde.

Matematicamente os valores das temperaturas são expressos na escala de Kelvin, ou seja, 0 K = -


273,15 oC, e decrescem, aproximadamente, com a raiz quadrada da distância ao Sol. Por exemplo,
Plutão se encontra a cerca de 30 U.A. do Sol e isto equivale a 100 vezes à distância de Mercúrio ao Sol
(0,3 U.A.). Logo, a temperatura na superfície de Plutão será menor do que a determinada em Mercúrio
por um fator equivalente a 10 vezes. Se em Mercúrio temos 500 K então em Plutão teremos 50 K.
Algumas sondas espaciais que pesquisaram
o Sistema Solar com sucesso

data de
sonda espacial país feito científico
lançamento
Explorer 1

descobriu a existência de
cinturões de radiação
31 de janeiro
Estados Unidos envolvendo a Terra, hoje
de 1958
chamados de Cinturões Van
Allen.

Luna 2

foi o primeiro objeto feito pelo


13 de
ser humano a impactar sobre
setembro de União Soviética
o solo lunar, na região
1959
chamada "Palus Putredinis".

Luna 3

foi o primeiro objeto feito pelo


4 de outubro ser humano a contornar a Lua.
União Soviética
de 1959 Obteve as primeiras imagens
do lado escuro da Lua.

Mariner 2

foi a primeira sonda espacial a


27 de agosto passar, com sucesso, próxima
Estados Unidos
de 1962 a outro planeta do Sistema
Solar, o planeta Vênus.

Ranger 7

primeira transmissão de
28 de julho imagens em close-up da
Estados Unidos
de 1964 superfície da Lua. Colidiu com
o nosso satélite.
28 de Mariner 4 Estados Unidos foi a primeira sonda espacial a
novembro de passar por Marte e a primeira
1964 a enviar para a Terra imagens
detalhadas da superfície
marciana.

Mariner 5

passou por Vênus e mostrou


14 de junho
Estados Unidos que esse planeta não tem
de 1965
campo magnético.

Venera 3

16 de foi a primeira espaçonave a


novembro de União Soviética pousar em outro planeta,
1965 Vênus.

Luna 9

foi o primeiro objeto


construído pelo ser humano a
3 de pousar suavemente sobre a
fevereiro de União Soviética superfície da Lua, no "Oceanus
1966 Procellarum". A sonda enviou
para a Terra várias imagens
da superfície lunar.

NEAR-Shoemaker foi a primeira espaçonave a


entrar em órbita em torno de
um asteróide, o 433 Eros.
Também foi a primeira
17 de
espaçonave a pousar
fevereiro de Estados Unidos
suavemente na superfície de
1966
um asteróide, o 433 Eros.
Essa espaçonave também
obteve excelentes imagens do
asteróide Mathilde.
Luna 10

foi o primeiro satélite artificial


31 de março a entrar em órbita em torno
União Soviética
de 1966 de um outro corpo do Sistema
Solar, a Lua.
10 de agosto Lunar Orbiter 1
de 1966 Estados Unidos primeiro veículo a entrar em
órbita em torno da Lua com o
objetivo de realizar
levantamentos de dados.

Venera 4

primeira espaçonave a enviar


12 de junho
União Soviética para a Terra dados estando
de 1967
dentro da atmosfera de Vênus.

Mariner 6

passou por Marte e foi a


24 de
primeira espaçonave a enviar
fevereiro de Estados Unidos
imagens de alta resolução da
1969
superfície marciana.

Venera 7

primeira espaçonave a enviar


para a Terra dados estando na
superfície de Vênus. Ela
entrou na atmosfera de Vênus
17 de agosto e liberou uma cápsula de
União Soviética
de 1970 pouso que foi o primeiro
objeto feito pelo ser humano a
retornar dados após ter
pousado sobre a superfície de
um outro planeta.

Luna 16

obteve as primeiras amostras


12 de de solo lunar após pousar
setembro de União Soviética suavemente na superfície da
1970 Lua, na região chamada "Mar
da Fecundidade".
17 de Luna 17 União Soviética pousou sobre a superfície da
novembro de Lua, no "Mar Imbrium". Sua
1970 carga incluia o primeiro
"rover" lunar, um carrinho não
tripulado chamado "Lunokhod
1". Levou também
equipamento de televisão.

Mariner 9

entrou em órbita em torno de


30 de maio Marte e realizou o primeiro
Estados Unidos
de 1971 mapeamento global desse
planeta.

Venera 8

realizou a primeira análise


26 de março
União Soviética química da superfície de
de 1972
Vênus.

atravessou o Cinturão de
Asteróides e se tornou a
Pioneer 10
primeira espaçonave a
sobrevoar Júpiter. Em 1983 a
Pioneer 10 se tornou a
primeira espaçonave a deixar
2 de maio de
Estados Unidos o Sistema Solar. Levará mais
1972
de 2 milhões de anos até que
a Pioneer 10 ultrapasse a
estrela Aldebaran, a estrela
mais próxima ao longo da
trajetória seguida pela
espaçonave.
passou pelo Cinturão de
Asteróides no dia 19 de abril
de 1974 e ultrapassou Júpiter
em 2 de dezembro de 1974.
Pioneer 11
Este foi o segundo sobrevôo
de Júpiter por uma
espaçonave. No dia 1 de
setembro de 1979, a Pioneer
5 de abril de
Estados Unidos 11 cruzou a órbita de Saturno
1973
obtendo as primeiras imagens
detalhadas de Saturno. Este
foi o primeiro sobrevôo de
Saturno por uma espaçonave.
As espaçonaves Pioneer 10 e
Pioneer 11 foram as primeiras
espaçonaves a estudar
diretamente Júpiter e Saturno.
3 de Mariner 10
novembro de Estados Unidos primeira espaçonave a
1973 sobrevoar Mercúrio. No
caminho para esse planeta a
espaçonave obteve dados
sobre Vênus.

pousou suavemente na
Venera 9
vizinhança de uma região
vulcânica conhecida como
"Beta Regio" enviando
8 de junho imagens da superfície de
União Soviética
de 1975 Vênus durante 53 minutos.
Esta foi a primeira cosmonave
(e não uma sonda) a pousar
na superfície de um outro
planeta.
O módulo orbital da sonda
Viking 1
Viking 1 terminou suas
operações no dia 7 de agosto
de 1980. O módulo de pouso
da sonda Viking 1 realizou o
20 de agosto
Estados Unidos primeiro pouso suave sobre a
de 1975
superfície de Marte de um
objeto construído pelo ser
humano. O módulo de pouso
terminou as suas operações
no dia 1 de fevereiro de 1983.
O módulo orbital da sonda
Viking 2 terminou suas
Viking 2
operações no dia 24 de julho
de 1978 após ter realizado
1489 órbitas em torno de
9 de Marte. O módulo de pouso da
setembro de Estados Unidos sonda Viking 2, o segundo
1975 objeto artificial a pousar
suavemente sobre a superfície
de Marte, cessou suas
comunicações com os
operadores na Terra no dia 12
de abril de 1980.
Voyager 2 realizou uma jornada de 5
anos aos planetas Júpiter,
Saturno, Urano e Netuno. As
sondas espaciais Voyager 1 e
20 de agosto Voyager 2 foram as primeiras
Estados Unidos
de 1977 espaçonaves a explorar os
planetas exteriores. Em
setembro de 2003, a Voyager
2 estava a cerca de 10 657
000 000 km do Sol.
Voyager 1
realizou uma jornada de 5
anos aos planetas Júpiter,
5 de Saturno e o satélite Titã. A
setembro de Estados Unidos Voyager 1 está a mais de 25
1977 anos no espaço e, a partir de
1998, tornou-se a espaçonave
que mais se distanciou do Sol.
20 de maio Pioneer Venus Orbiter Estados Unidos enquanto permanecia em
de 1978 órbita em torno de Vênus
realizou o primeiro
mapeamento da superfície
desse planeta utilizando radar.

Venera 13

30 de detectou a existência de
outubro de União Soviética descargas elétricas na
1981 atmosfera de Vênus.

Venera 15

enquanto permanecia em
órbita em torno de Vênus
2 de junho
União Soviética realizou o mapeamento
de 1983
topográfico da superfície desse
planeta usando radar.

Vega 1

passou por Vênus lançando


15 de um módulo de teste na
dezembro de União Soviética direção da superfície do
1984 planeta. Passou através da
coma do cometa Halley.

Sakigake

8 de janeiro mediu a interação do vento


Japão
de 1985 solar com o cometa Halley.
2 de julho de Giotto realizou a maior aproximação
1985 European Space de uma espaçonave ao cometa
Agency (ESA) Halley. Obteve as primeiras
imagens em close-up do
núcleo de um cometa.

Suisei

obteve imagens no ultravioleta


da coroa de hidrogênio do
18 de agosto
Japão cometa Halley. Realizou várias
de 1985
medidas do plasma do
cometa.

Magellan
mapeou 99% da superfície de
Vênus durante 4 anos de
observação. Suas imagens
4 de maio de tinham uma resolução de 100
Estados Unidos
1989 metros. No dia 11 de outubro
de 1994 mergulhou na direção
de Vênus colidindo com a sua
superfície.

foi a primeira espaçonave a


encontrar-se com um
asteróide, a fotografar um
satélite de um asteróide, a
usar uma sonda para fazer
Galileu medições dentro da atmosfera
de Júpiter, de sua
magnetosfera e de seus
satélites. Ela também foi a
18 de
única espaçonave que realizou
outubro de Estados Unidos
observações de mais de 20
1989
fragmentos do cometa
Shoemaker-Levy à medida
que eles mergulhavam na
atmosfera de Júpiter durante 6
dias em julho de 1994. No dia
21 de setembro de 2003 a
Galileu mergulhou na
atmosfera de Júpiter sendo,
então, destruída.
Ulysses

Estados
primeira sonda espacial a
6 de outubro Unidos/European
permanecer em órbita em
de 1990 Space Agency
torno dos polos do Sol.
(ESA)
25 de janeiro Clementine Estados Unidos obteve evidências de água na
de 1994 região do polo sul da Lua.

Mars Global Surveyor

enviou mais dados sobre


Marte do que todas as missões
7 de outubro anteriores juntas. Fotografou
Estados Unidos
de 1996 canais que sugerem ter havido
correntes de água líquida na
superfície de Marte.

Mars Pathfinder
Formada por um módulo de
pouso e um pequeno carrinho,
4 de o Sojourner Rover, essa
dezembro de Estados Unidos missão explorou as planícies
1996 do hemisfério norte de Marte
conhecidas como "Ares
Valles".

Cassini-Huygens

Estados Unidos-
15 de o módulo de pouso Huygens
European Space
outubro de descerá sobre a superfície de
Agency
1997 Titã, satélite de Saturno.
(ESA)/Itália

Lunar Prospector

colidiu propositalmente com a


7 de janeiro Lua na tentativa de
Estados Unidos
de 1998 determinar a existência de
água no subsolo.

Deep Space 1
sobrevoou o asteróide próximo
à Terra, 1992 KD, em 20 de
24 de julho de 1999. Em setembro
outubro de Estados Unidos de 2001, a espaçonave
1998 encontrou o cometa Borrelly
obtendo excepcionais imagens
desse cometa.
7 de Stardust Estados Unidos fotografou o núcleo do cometa
fevereiro de Wid 2. Colheu material da
1999 coma desse cometa que trará
para a Terra em 2006.

2001 Mars Odyssey

estudou a composição da
atmosfera marciana e
7 de abril de
Estados Unidos detectou a presença de água e
2001
gelo enterrado no subsolo do
planeta.

Hayabusa (MUSES-C)

esta missão pretende trazer


9 de maio de
Japão para a Terra amostras do solo
2003
do asteróide Itokawa.

Mars Express
lançou um módulo de pouso,
Beagle 2, na direção da
superfície marciana mas não
2 de junho European Space conseguiu estabelecer contato
de 2003 Agency (ESA) com ele. O módulo orbital
continua a realizar pesquisas
sobre a possibilidade de existir
água em Marte.

Mars Exploration Rovers

dois pequenos carrinhos, o


10 de junho Spirit e o Opportunity, foram
de 2003 colocados sobre a superfície
Estados Unidos
7 de julho de de Marte com a missão de
2003 explorar cerca de 40 metros
de distância cada dia.

Rosetta

sua longa missão levará essa


2 de março European Space sonda espacial ao encontro do
de 2004 Agency (ESA) cometa 67P/Churyunov-
Gerasimenko.
Missões Apollo
destino: Lua

missão pouso na Lua astronautas feito


Foi a primeira missão orbital tripulada a contornar a Lua,
na véspera de Natal, 24 de dezembro. Os astronautas

Apollo 8 realizaram transmissões de televisão ao vivo além de


fotografias da Terra e da Lua.

Não pousou na
Lua. Seu Frank Borman,
lançamento foi James A. Lovell,
no dia 21 de Jr, William A.
dezembro de Anders
1968

Essa missão também não pousou na Lua . A nave Apollo


descreveu órbitas em torno da Lua. O "Módulo Lunar"
desceu a uma distância de apenas 14,5 quilômetros da
Apollo 10 superfície do nosso satélite.

Não pousou na Thomas P.


Lua. Seu Stafford, John
lançamento foi W. Young,
no dia 18 de Eugene A.
maio de 1969 Cernan
20 de julho de Neil A. Pela primeira vez o ser humano pisa na Lua. O módulo
Apollo 11 1969 Armstrong, lunar pousou na superfície da Lua quando restava apenas
Michael Collins, 30 segundos de combustível. Colheram amostras da
Edwin E. "Buzz" superfície lunar.
Aldrin

Segundo pouso lunar. Reuniram e trouxeram de volta à

Apollo 12 Terra restos da sonda não tripulada Surveyor 3 que havia


pousado na Lua em abril de 1967.

Charles "Pete"
18 de novembro Conrad, Richard
de 1969 F. Gordon, Jr,
Alan L. Bean

Não houve pouso na superfície da Lua. A explosão de um


tanque de oxigênio obrigou os astronautas a abortarem o
pouso lunar. O "Lunar Module" levou-os em uma trajetória
Apollo 13 que contornou o nosso satélite e permitiu o retorno dos
astronautas à Terra.

James A. Lovell,
Lançamento: 11 Jr, Fred W.
de abril de 1970 Haise, Jr., John
L. Sweigert, Jr.

Pousaram na Lua na região de Fra Mauro. Foram


realizadas amplas experiências científicas. Duas atividades
extraveiculares (caminhadas na superfície da Lua)
totalizaram 9 horas e 25 minutos. Os astronautas quase se
Apollo 14 perderam quando a paisagem da superfície da Lua os
desorientou. Um carrinho de mão foi usado pela primeira
vez para transportar rochas.
Alan B. Shepard,
3 de fevereiro de Jr., Stuart A.
1971 Roosa, Edgar D.
Mitchell
30 de julho de David R. Scott, Pousaram na Lua na região Hadley-Apennine. Pela
Apollo 15 1971 James B. Irwin, primeira vez foi usado um veículo motorizado na superfície
Alfred M. da Lua, o "Lunar Roving Vehicle". Os astronautas dirigiram
Worden por mais de 27 quilômetros. Também foi realizada a
primeira caminhada espacial da Apollo.

O mau funcionamento quase cancela o pouso na Lua.


Pousaram no Descartes Highlands, o que permitiu, pela
primeira vez, o estudo de uma área com essa geologia.
Apollo 16 Permaneceram 3 dias na superfície da Lua e usaram, pela
segunda vez, o "Lunar Roving Vehicle". Eles dirigiram o
"Lunar Rover" a quase 18 km/hora.
John W. Young,
Thomas K.
20 de abril de
Mattingly II,
1972
Charles M.
Duke, Jr

Schmitt tornou-se o primeiro cientista-astronauta a pousar


na Lua. O "Lunar Roving Vehicle" foi usado pela terceira (e

Apollo 17 última) vez. Este foi o último vôo tripulado à Lua.

Eugene A.
Cernan, Ronald
11 de dezembro
E. Evans,
de 1972
Harrison H.
Schmitt

Observação: todas as imagens e logos apresentados acima são copyright NASA


O que é a temperatura Kelvin?

A astrofísica (assim como a física) mede temperaturas usando uma escala termométrica chamada Kelvin.

Em geral, na nossa vida diária, costumamos medir temperaturas usando a escala Celsius. Para a física era importante definir uma escala
termométrica que fosse independente das propriedades da substância que ela utilizava, o que não ocorre com a escala Celsius.

A escala Kelvin relaciona-se com a escala Celsius da seguinte maneira:

escalas Celsius Kelvin


ponto de vapor
(é a temperatura na qual o vapor d'água e a 100,00oC 373,15 K
água líquida estão em equilíbrio, à pressão de uma atmosfera)
ponto de fusão do gelo
(é a temperatura na qual o gelo e a 0,00oC 273,15 K
água saturada com ar estão em equilíbrio, à pressão de uma atmosfera)

A unidade de temperatura da escala Kelvin é chamada de "Kelvin" e tem o símbolo K.

Note que o correto é dizer Kelvin e não "graus" Kelvin. Por exemplo, dizemos 50 graus Celsius mas não dizemos 50 "graus" Kelvin e sim
50 Kelvin.

A escala Kelvin define um ponto bastante especial de temperatura, o chamado zero absoluto com sendo aquele correspondente a 0K.

As escalas termométricas Celsius e a Kelvin apresentam o mesmo intervalo para um grau. Podemos então escrever uma equação que
transforma graus Celsius em Kelvin. A temperatura to C está relacionada com a temperatura T Kelvin pela equação

t (o C) = T (K) - 273,15.
Escrevendo números muito pequenos
e números muito grandes: a notação científica

Leia o seguinte texto, em voz alta, e em menos de 30 segundos:

"...como, por exemplo, o nosso Sistema Solar que tem um diâmetro aproximado de
100000000000 metros. E isto é muito pequeno se comparado com o tamanho da Galáxia
onde vivemos com seus incríveis 100000000000000000000 metros de diâmetro. No entanto,
ao lembrarmos que o Universo visível deve ter cerca de 100000000000000000000000000
metros de diâmetro, vemos que tamanhos assombrosos estão incluídos no estudo da
Astronomia. Daí pensamos, é melhor estudar biologia pois a molécula do DNA tem apenas
0,0000001 metros, muito mais fácil de lidar. O problema é que a astronomia não é uma
profissão perigosa enquanto que a biologia... Imagine que os biólogos têm a coragem de lidar
com vírus que medem apenas 0,000000001 metros e são terrivelmente mortais. E se, por
uma distração, um biólogo deixa um destes vírus cair no chão do laboratório? Nunca mais irá
encontrá-lo!...."

Difícil ler estes números, não é? Vamos melhorar então o texto para você fazendo algumas modificações. Leia, novamente, em voz alta
e em menos de 30 segundos:

"...como, por exemplo, o nosso Sistema Solar que tem um diâmetro aproximado de 100
bilhões de metros. E isto é muito pequeno se comparado com o tamanho da Galáxia onde
vivemos com seus incríveis 100 milhões de trilhões de metros de diâmetro. No entanto, ao
lembrarmos que o Universo visível deve ter cerca de 100 milhões de bilhões de bilhões de
metros de diâmetro, vemos que tamanhos assombrosos estão incluídos no estudo da
Astronomia. Daí pensamos, é melhor estudar biologia pois a molécula do DNA tem apenas 1
décimo milionésimo do metro, muito mais fácil de lidar. O problema é que a astronomia não é
uma profissão perigosa enquanto que a biologia... Imagine que os biólogos têm a coragem de
lidar com vírus que medem apenas 1 bilionésimo do metro e são terrivelmente mortais. E se,
por uma distração, um biólogo deixa um destes vírus cair no chão do laboratório? Nunca mais
irá encontrá-lo!...."

Melhorou um pouquinho, não? Mas, mesmo assim, ainda fica difícil comparar números com tantos zeros à direita ou à esquerda da
vírgula, ou seja, com tantas casas decimais.

Para melhorar isto a ciência usa uma forma compacta de escrever números muito grandes ou muito pequenos, a chamada notação
científica ou notação exponencial.

A notação científica ajuda a evitar erros quando escrevemos números muito grandes ou muito pequenos e facilita a comparação entre
estes números.
Esta notação é muito usada nos artigos científicos uma vez que quantidades muito pequenas e muito grandes aparecem frequentemente
na Astronomia e na Física.

Como é a notação científica?


A notação científica nada mais é do que escrever qualquer número, seja ele muito grande ou muito pequeno, como se ele estivesse
multiplicado por uma potência de 10.

Todos os números, muito grandes ou muito pequenos, estarão multiplicados por um fator do tipo

Os números agora são lidos facilmente. Por exemplo, 1027 é lido como "dez elevado a 27" ou
simplesmente "10 a 27".

É bom relembrar que 1 = 100 pois todo número elevado a zero é igual a 1.

E se o número for, por exemplo, 17400 ?


Seguindo a regra anterior, escrevemos o número 17400 como 174 x 10 2. No entanto, podemos escrevê-
lo de diversas outras formas usando as potências de 10.

2a regra:
A notação científica pode separar um número em duas partes: uma fração decimal, usualmente entre 1
e 10, e uma potencia de 10.

No número dado coloque a vírgula onde você desejar. O número de algarismos deixados no lado direito
da vírgula será o expoente de 10. Deste modo podemos escrever o número de muitas formas. Por
exemplo:
17400 = 1,74 x 104
17400 = 17,4 x 103
17400 = 174 x 102

Do mesmo modo, um número que já está escrito na notação científica pode ser alterado muito
fácilmente. Por exemplo, o número 174 x 102 pode ser escrito como 1,74 x 104. Para isto verificamos
que agora passamos a ter dois algarismos no lado direito da vírgula (o sete e o quatro) e,
consequentemente, acrescentamos o valor "dois" ao expoente anterior de 10, que passa a ser quatro. O
número 1,74 x 104 significa 1,74 vezes 10 elevado à quarta potência ou seja, 1,74 x 10 x 10 x 10 x 10
=17400.

Números muito pequenos

Para representar números muito pequenos a notação científica usa expoentes negativos.
Um sinal negativo no expoente de um número significa que o número é, na verdade, 1 dividido pelo
valor que ele teria considerando-se o expoente positivo.
Assim
10-2 = 1/102
10-28 = 1/1028
Regra:
Para escrever um número muito pequeno usando a notação científica contamos o número de algarismos
situados no lado direito da vírgula, sejam eles zeros ou não. Este será o valor do expoente de 10
antecedido por um sinal negativo.

E para escrever um número qualquer? Por exemplo, o número 0,0000000478. Contando o número de
algarismos à direita da vírgula vemos que existem 10 algarismos. Podemos então escrever este número
como 478 x 10-10.

Podemos também escrever este número de várias outras formas colocando sua parte significativa (no
exemplo acima, o número 478) em uma forma fracionária. Para determinar o valor do expoente
negativo, coloque uma vírgula imaginária no local que você desejar e conte o número de algarismos que
se encontram entre as duas vírgulas. Este será o expoente (negativo) de 10. Veja o exemplo a seguir:

Temos duas outras regras também muito fáceis:

Regra 1
se um número está escrito na notação científica cada vez que a vírgula se desloca uma casa para a
direita, o expoente de 10 aumenta uma unidade.

0,000478 = 0,00478 x 10-1


0,000478 = 0,0478 x 10-2
0,000478 = 0,478 x 10-3
0,000478 = 4,78 x 10-4
0,000478 = 47,8 x 10-5
0,000478 = 478 x 10-6
etc.

Regra 2
se um número está escrito na notação científica cada vez que a vírgula se desloca uma casa para a
esquerda, o expoente de 10 diminui uma unidade.

0,000478 = 478 x 10-6


0,000478 = 47,8 x 10-5
0,000478 = 4,78 x 10-4
0,000478 = 0,478 x 10-3
0,000478 = 0,0478 x 10-2
0,000478 = 0,00478 x 10-1
etc.

Comparando potências de 10

Primeira regra:
Se os expoentes são positivos, o maior número será o que tiver o maior expoente.
1075 é menor do que 1076 (porque 75 é menor do que 76)

Segunda regra:
Se os expoentes são negativos, o maior número será aquele com o menor valor numérico como
expoente (sem considerar o sinal).
10-75 é maior do que 10-76 (o expoente negativo menor significa que o número tem menos "zeros" depois
da vírgula, ou seja, ele está mais "próximo" da unidade.

Voltemos agora, novamente, ao nosso texto inicial desta vez escrito com a notação científica:

"...como, por exemplo, o nosso Sistema Solar que tem um diâmetro


aproximado de 1011 metros. E isto é muito pequeno se comparado com
o tamanho da Galáxia onde vivemos com seus incríveis 1020 metros de
diâmetro. No entanto, ao lembrarmos que o Universo visível deve ter
cerca de 1026 metros de diâmetro, vemos que tamanhos assombrosos
estão incluídos no estudo da Astronomia. Daí pensamos, é melhor
estudar biologia pois a molécula do DNA tem apenas 10 -7 metros, muito
mais fácil de lidar. O problema é que a astronomia não é uma profissão
perigosa enquanto que a biologia... Imagine que os biólogos têm a
coragem de lidar com vírus que medem apenas 10 -9 metros e são
terrivelmente mortais. E se, por uma distração, um biólogo deixa um
destes vírus cair no chão do laboratório? Nunca mais irá encontrá-lo!...."

Muito mais simples, não é? Com certeza você conseguiu lê-lo em menos de 30 segundos e teve muito
mais facilidade em comparar os tamanhos pois bastou comparar os expoentes de 10.
Planetologia Comparativa

A necessidade de compreender de que modo os planetas se comportam como classes distintas de objetos é
uma das mais importantes motivações que temos para estudar o Sistema Solar. Há bem pouco tempo várias
disciplinas científicas, tais como a geologia e a meteorologia, tratavam apenas de fenômenos associados ao
nosso planeta. Hoje essas mesmas disciplinas são estudadas em um contexto muito mais amplo, abrangendo
todo os planetas e satélites do Sistema Solar e não apenas a Terra.

Com o acúmulo de dados que possuímos sobre os planetas, podemos dizer que a planetologia comparativa
já se estabeleceu como uma das disciplinas fundamentais da astronomia. Seu objetivo principal é investigar
os processos físicos que ocorrem (ou ocorreram) nos planetas e como eles funcionam nas diferentes
condições encontradas em cada um desses corpos celestes.

Para começar o nosso estudo do Sistema Solar vamos fazer uma descrição das principais características dos
corpos que o compõem sob a ótica da planetologia comparativa. Veremos que o Sistema Solar é formado por
corpos bastante diferentes fisicamente e, certamente, uma importante pergunta ficará o tempo todo na nossa
mente: por que isso aconteceu? Algumas respostas a isso serão dadas ao longo do nosso curso quando
estudarmos detalhadamente cada um dos objetos, ou categorias de objetos, que formam o Sistema Solar.

Classificando e distribuindo os planetas no Sistema Solar

Inicialmente podemos separar os planetas do Sistema Solar em duas grandes categorias:

planetas internos ou terrestres


Os quatro planetas mais próximos do Sol ou seja, Mercúrio, Vênus, Terra e Marte, são
denominados planetas internos ou planetas terrestres. Esses quatro corpos celestes são
mundos relativamente pequenos, aquecidos devido à sua proximidade com o Sol e compostos
basicamente por rochas e metais. Todos eles têm superfícies sólidas que guardam registros dos
processos geológicos que ocorreram neles e que resultaram na formação de crateras,
montanhas e vulcões.

planetas externos ou gigantes


Os quatro planetas seguintes, que são Júpiter, Saturno, Urano e Netuno, são bem maiores que
os quatro planetas internos. No entanto, se comparados com os planetas terrestres, esses
quatro enormes planetas são compostos por materiais bem mais leves que se apresentam na
forma de gases, gelos e líquidos. Estes quatro grandes planetas, situados após a órbita de
Marte, são chamados de planetas externos ou planetas gigantes.

e Plutão?
Nos confins do Sistema Solar temos o último dos planetas conhecidos, o pequeno Plutão, que
não é classificado nem como terrestre e nem como gigante. Curiosamente Plutão é bastante
parecido com um dos maiores satélites dos planetas gigantes.

Na tabela abaixo fornecemos os valores das principais características físicas dos planetas terrestre e gigantes. Desse modo podemos
compará-los mais facilmente.
Tabela 9
Mercúrio Vênus Terra Marte
Distância ao Sol
0,4 0,7 1,0 1,5
(em unidades astronômicas - UA)
Período de translação
0,2 0,6 1,0 1,9
em torno do Sol (em anos terrestres)
Diâmetro equatorial (km) 4878 12102 12756 6790
Massa
0,055 0,8 1,0 0,1
(em comparação com a massa da Terra)
Densidade (g/cm3) 5,4 5,3 5,5 3,9
Rotação em torno do seu eixo
58,6d -243d 23,9h 24,6h
(em unidades de tempo terrestres: d= dias; h=horas)
Inclinação do eixo de rotação (em graus) 0o 2 23 24
Júpiter Saturno Urano Netuno
Distância ao Sol
5,2 9,5 19,2 30,1
(em unidades astronômicas - UA)
Período de translação
11,9 29,5 84,1 164,8
em torno do Sol (em anos terrestres)
Diâmetro equatorial(km) 142800 120540 51200 49500
Massa
318 95 14 17
(em comparação com a massa da Terra)
3
Densidade (g/cm ) 1,4 0,7 1,2 1,6
Rotação em torno do seu eixo
9,9 10,7 17,2 16,1
(em unidades de tempo terrestres)
Inclinação do eixo de rotação (em graus) 3 27 98 29

As figuras mostradas abaixo comparam (muito aproximadamente) o tamanho do Sol em relação aos planetas do Sistema Solar.
Comparando tamanhos no Sistema Solar

Comparando tamanhos de alguns objetos do Sistema Solar


corpo celeste diâmetro equatorial

diâmetro do Sistema Solar 15 000 000 000 000 km

Sol 1 390 000 km

Júpiter 142400 km

Saturno 120000 km

Urano 50800 km

Netuno 48600 km

Terra 12756 km

Venus 12104 km

Marte 6794 km

5262 km

Ganimedes (satélite de Júpiter)


5140 km

Titã
(satélite de Saturno)

4878 km

Mercúrio

(planeta)

4800 km

Calisto
(satélite de Júpiter)
3632 km

Io
(satélite de Júpiter)

~ 3500 km (mais ou menos 250 quilômetros)

Tritão
(satélite de Netuno)

3476 km

Lua
(satélite da Terra)
3138 km

Europa
(satélite de Júpiter)

~ 3000 (2320) km

Plutão

(planeta)

1270 km

Caronte
(satélite de Plutão)

Sedna
1000 - 1700 km
(possível objeto da Nuvem de Oort interna)

2004 DW
~ 1500 km
(objeto do cinturão trans-netuniano)

Quaoar
~ 1250 km
(objeto do cinturão trans-netuniano)

Ixion
1065 (± 165) km
(objeto do cinturão trans-netuniano)

Ceres
1032 km
(asteróide)
Varuna
900 (+125/-145) km
(objeto do cinturão trans-netuniano)

2002 AW197 890 ± 120 km

(e muitos outros milhões de objetos!!!!) ?? km

Na tabela acima muitas figuras estão faltando. Isso foi feito para chamar a atenção dos leitores para o fato de que vários satélites são
maiores do que alguns planetas do Sistema Solar! Só apresentamos as imagens dos objetos que estão enquadrados nesse caso.

A composição e a estrutura interna dos planetas

planetas terrestres:

Os planetas terrestres são compostos por rochas e metais tendo, portanto, uma composição
bem distinta daquela apresentada pelos planetas gigantes. No entanto, vale à pena notar que
esses elementos estão entre os menos abundantes no Universo como nos mostrou a tabela 8
da introdução.

As rochas mais abundantes, chamadas silicatos, são compostas de silício e de oxigênio. Entre
os metais encontramos principalmente o ferro. Olhando para o valor da sua densidade, dada na
tabela 7 da introdução, concluímos que Mercúrio é o planeta que possui, proporcionalmente,
mais metais na sua composição.

A Terra, Vênus e Marte têm aproximadamente a mesma composição, apresentando 2/3 de


silicatos e 1/3 de metais, sendo estes combinações de ferro e de níquel ou de enxofre. Devido à
pouca quantidade de hidrogênio presente, estes planetas exibem uma grande variedade de
compostos de oxigênio. Por essa razão essa química é chamada de oxidada.

Quando analisamos a estrutura interna dos planetas terrestres notamos que os materiais mais
densos, os metais, estão situados na sua parte central. Como estes planetas não estão na
forma de líquidos ou gases a pergunta que fazemos é como foi possível separar dessa forma os
materiais que os constituem. Na realidade essa estrutura, chamada diferenciada, nos indica
que em algum momento estes corpos foram aquecidos até o ponto fusão. Quando isso
aconteceu os materiais mais pesados foram para a região central e os mais leves ficaram na
superfície do corpo celeste, exatamente como vemos acontecer quando colocamos em uma
vasilha azeite e vinagre: o azeite fica no fundo enquanto o vinagre flutua acima deste.
No caso dos planetas, desde o momento que estes foram esfriando a estrutura diferenciada foi
sendo preservada sendo aquela que observamos hoje. A estrutura diferenciada dos planetas
terrestres nos indica, portanto, que, em algum momento, eles atingiram uma temperatura
maior do que 1300 K.

planetas gigantes:

Os dois maiores planetas, Júpiter e Saturno, têm aproximadamente a mesma composição que o
Sol, consistindo basicamente de dois elementos, hidrogênio (H) e hélio (He), numa proporção
de 75% de H e 25% de He.

Como na Terra estes dois elementos se apresentam no estado gasoso Júpiter e Saturno são, às
vezes, chamados de "planetas gasosos". Na verdade, isto não está correto uma vez que, devido
ao grande tamanho destes planetas, o gás no seu interior é comprimido tão fortemente que o
hidrogênio passa do estado gasoso para o estado líquido.

Em um planeta fluido ou gasoso, devido à força da gravidade, os elementos mais pesados


tendem a se deslocar na direção de seu centro. Isto é o que ocorre tanto em Júpiter quanto em
Saturno os quais têm núcleos compostos de rochas, metais e gelos.

Urano e Netuno apesar de serem bem menores do que Júpiter e Saturno, também têm núcleos
compostos de rocha, metal e gelo.

Um aspecto interessante é que o tamanho do núcleo dos quatro planetas gigantes é


aproximadamente igual, ou seja, cerca de dez vezes o tamanho da Terra. Isto parece indicar
que esses quatro planetas começaram a ser formados de modos iguais e apenas
posteriormente capturaram hidrogênio e hélio para formar suas atmosferas. Neste caso, Urano
e Netuno não foram tão eficientes quanto Júpiter e Saturno em capturar gás, e ficaram com
tamanhos menores.

Do ponto de vista químico os quatro planetas gigantes têm uma composição dominada por
hidrogênio e seus compostos. Todo o oxigênio disponível se combina quimicamente com o
hidrogênio para formar água (H2O). Uma composição química deste tipo é dita reduzida. Os
demais compostos presentes nos planetas gigantes são:

o metano (CH4)
o amônio (NH3)
o hidrocarbonetos
 etano (C2H6)
 acetileno (C2H2)
 etc.

As nuvens superiores das atmosferas de Júpiter e Saturno são compostas por cristais de
amônio enquanto que as de Urano são formadas por metano. É este último composto, o
metano, que é o responsável pela coloração azulada de Urano.

A energia interna nos planetas


Planetas terrestres: atividade geológica

O que caracteriza os planetas terrestre é a sua atividade geológica. As superfícies desses corpos têm
sido modificadas ao longo dos tempos devido à ação de forças internas e externas.

Sabemos que todos os planeta terrestres (Mercúrio Vênus, Terra e Marte) têm sido bombardeados por
verdadeiros projéteis provenientes do espaço. Estes corpos, ao colidirem com esses planetas, em geral,
deixaram suas superfícies cobertas de crateras. Estas são as forças externas que atuam sobre os
planetas.
A imagem ao lado é facilmente reconhecida por
todos. É a superfície do satélite natural da Terra, a
nossa Lua. Esse enorme conjunto de crateras é o
resultado de milhares de impactos de asteróides e
cometas sobre a sua superfície ao longo de milhões
de anos.

Certo?

Infelizmente quem concordou com a afirmação


acima errou parcialmente. Realmente essa
superfície esburacada foi formada do modo descrito
mas a imagem não é da Lua. Esta é a superfície do
planeta Mercúrio, mostrando o resultado de
milhões de anos de violentos impactos sobre a sua
superfície.

Embora tenhamos indicações de que este bombardeamento foi muito mais intenso nos primórdios do
Sistema Solar, sabemos que eles acontecem até hoje. Prova recente disto foi a colisão do cometa
Shoemaker-Levy 9 com
Júpiter, em meados de 1994,
evento que foi acompanhado
detalhadamente pelos
astrônomos de todo o
mundo. Por outro lado, forças
internas também têm
modelado as superfícies
planetárias através da
formação de montanhas, da
erupção de vulcões e da
violência dos terremotos e
maremotos. Todos esses
eventos ocorrem devido ao
que chamamos de atividade
geológica de um planeta.
Entre os corpos do Sistema
Solar que têm, ou tiveram
num passado recente, o
maior nível de atividade
geológica estão a Terra,
Vênus e Io, que é um dos
satélites de Júpiter. Por outro
lado, a Lua, Marte e Mercúrio
são, há muito tempo, mundos
completamente mortos,
desprovidos de atividades
geológicas.

A imagem ao lado mostra a erupção de um vulcão em Io, um dos grandes satélites de Júpiter.

Estes diferentes graus de atividade geológica podem ser melhor entendidos ao percebermos que toda
essa atividade resulta do fato de certos planetas possuirem um interior quente. Os vulcões, assim como
as montanhas, são resultantes do calor que escapa do interior de um planeta. Este calor interno foi
obtido durante o processo de formação dos planetas e, por este motivo, é chamado de primordial.
Entretanto, quanto menor for um planeta mais facilmente ele vai perdendo seu calor interno, adquirido
durante a sua formação, e logo se tornará inativo. Isto foi o que, muito provavelmente, aconteceu com a
Lua e Mercúrio. Marte, embora também apresente indícios de ter tido uma considerável atividade
interna, hoje mostra que esta atividade cessou completamente.

O grau de bombardeamento externo sofrido por um planeta é um parâmetro fundamental que usamos
para reconstituir o seu nível da atividade interna. Na Terra, por exemplo, apenas os impactos mais
recentes não foram "apagados". Em Marte ou na Lua, entretanto, a superfície guarda registro de bilhões
de anos de impactos e isto nos permite determinar a sua idade. A "datação" de uma superfície planetária
é obtida exatamente a partir da contagem do número e da distribuição de tamanhos das crateras
existentes. Através desta técnica também é fácil identificar os terrenos mais jovens e os mais velhos de
uma superfície planetária. Os terrenos mais jovens são aqueles que têm um menor número de crateras
ou seja, nestas regiões alguma atividade geológica interveio para "apagar" as crateras que lá deviam
existir em igual número ao que observamos nos terrenos mais velhos.

Planetas gigantes: energia interna

No caso dos planetas gigantes, entretanto, o que os caracteriza é sua energia interna. No caso de
Júpiter, esse planeta gigante irradia para o espaço vizinho a ele uma quantidade de energia produzida
no seu interior que é equivalente àquela que ele recebe do Sol. Neste caso a energia interna emitida
pelo planeta é ainda aquela adquirida durante a sua formação, ou seja, a primordial.

Por outro lado, Saturno também gera energia interna devido a um processo de diferenciação que
consiste na segregação do hélio e do hidrogênio. Sendo o hélio mais pesado, pequenas gotículas deste
elemento vão caindo na direção do núcleo e neste processo geram calor.
Netuno também tem uma pequena energia interna mas Urano não tem. Isto faz com que esses dois
planetas tenham a mesma temperatura superficial embora Netuno esteja a uma maior distância do Sol.

Os pequenos corpos
Satélites

Já vimos que, além dos planetas descritos acima, o Sistema Solar também é formado por um grande
número de pequenos corpos. Todos os planetas, com exceção de Mercúrio e de Vênus, possuem um ou
mais satélites com tamanhos muito variados. Alguns deles se assemelham a pequenos planetas
enquanto que outros possuem apenas alguns metros de diâmetro. Entre os maiores satélites podemos
citar: a Lua (satélite da Terra), Io, Europa, Ganimedes e Calisto (que são os quatro maiores satélites de
Júpiter, chamados coletivamente de satélites Galileanos), Titã (satélite de Saturno), e Tritão (satélite
de Netuno).

No momento existem cerca de 100 satélites catalogados mas muitos outros, bem pequenos, ainda
continuarão a ser descobertos. Apenas a Lua é quimicamente e estruturalmente muito similar à própria
Terra enquanto que a maioria dos satélites dos planetas externos têm composição similar ao núcleo do
planeta que orbitam. Os três maiores satélites, Ganimedes, Calisto e Titã, são compostos por metade
gelo de água e metade rochas e metais. As imagens abaixo mostram as superfícies de Ganimedes e
Calisto.
Ganimedes Calisto

Calisto, Ganimedes e Titã se diferenciaram facilmente nos primórdios da formação planetária já que
tiveram que atingir apenas a temperatura de derretimento do gelo e não a das rochas, como os planetas
terrestres. Hoje em dia estes satélites têm densas superfícies de gelo muito duro e um interior composto
de rochas e de metais.

Anéis

Cada um dos planetas gigantes, Júpiter, Saturno, Urano e Netuno, também possui um sistema de anéis
compostos por um imenso número de pequenos corpos cujos tamanhos variam entre um grão de areia e
uma montanha. Estes corpos seguem órbitas independentes umas das outras ao redor do planeta. O
sistema de anéis mais brilhante é o de Saturno, que também foi o primeiro a ser descoberto.

A imagem abaixo mostra os finos anéis que circundam o planeta Júpiter, uma descoberta que
surpreendeu os astrônomos.
Asteróides e cometas

Finalmente, temos outros pequenos corpos que são os asteróides e os cometas. Já dissemos que os asteróides estão situados na parte
interna do Sistema Solar, a maioria deles localizados entre as órbitas de Marte e de Júpiter, no chamado Cinturão de asteróides.

Os cometas se localizam nos confins do Sistema Solar. Parte deles está no Cinturão Trans-Netuniano, também chamado de Cinturão
de Kuiper. O Cinturão Trans-Netuniano está localizado em região muito afastada do Sol, indo de 30 a 50 U.A.. Vemos, portanto, que o
Cinturão Trans-Netuniano inicia próximo à órbita do planeta Netuno e inclui a região onde está a órbita de Plutão.

Recentemente, devido às melhorias das técnicas observacionais, muitos objetos do Cinturão Trans-Netuniano passaram a ser
conhecidos. Alguns desses objetos são mostrados na figura abaixo.

Uma outra parte dos cometas fica localizada além de 50000 UA de distância do Sol, numa região denominada
Nuvem de Oort.
Os cometas são compostos de gelos de água, além de dióxido de carbono e monóxido de carbono. De
tempos em tempos perturbações retiram cometas da Nuvem de Oort e os fazem caminhar para "dentro"
do Sistema Solar. Dizemos então que eles iniciam órbitas que os trazem para o Sistema Solar interior.
Quando estes objetos chegam a distâncias próximas ao Sol
seus gelos são volatilizados. Nesse momento vemos a
formação das magníficas comas e caudas que tanto tem
impressionado os seres humanos desde a antigüidade. A
imagem ao lado, o cometa Halle-Bopp, nos mostra a beleza
desses corpos celestes.

Os asteróides e cometas, sendo os menores corpos do Sistema


Solar, provavelmente nunca foram aquecidos até o ponto de
derretimento total dos materiais. Isto faz com que eles tenham
preservado, de modo praticamente inalterados, os
componentes e a sua estrutura originais. Por este motivo os
asteróides e cometas são, às vezes, chamados de objetos
primordiais. Esse fato é muito importante pois o estudo desses
objetos pode nos revelar dados fundamentais sobre os
processos de formação e subseqüente evolução do Sistema
Solar como veremos mais adiante.

Antes de iniciarmos uma análise mais detalhada dos corpos planetários vamos nos estender um pouco
mais comparando outras características físicas dos planetas e pequenos corpos do Sistema Solar.
Atmosferas Planetárias
Todos os planetas do Sistema Solar, assim como alguns de seus satélites, têm atmosfera. Os envoltórios gasosos
que recobrem vários objetos do Sistema Solar apresentam uma notável diversidade entre si. Esta diversidade que
observamos nas propriedades das distintas atmosferas de planetas e satélites naturais está relacionada tanto com as
variações nas condições iniciais da formação desses corpos celestes quanto nas circunstâncias físicas sob as quais
eles evoluiram posteriormente.

Primeiramente, as atmosferas planetárias se diferenciam em sua composição química. Na tabela 10 abaixo são
dados, em percentagem, os principais elementos presentes nas atmosferas dos planetas terrestres e gigantes.

Tabela 10
Vênus Terra Marte
Elemento Símbolo
(%) (%) (%)
Dióxido de carbono CO2 96 0,03 95,3
Nitrogênio N2 3,5 78,1 2,7
Argônio Ar 0,006 0,93 1,6
Oxigênio O2 0,003 21,0 0,15
Neônio Ne 0,001 0,002 0,0003

Júpiter Saturno Urano Netuno


Elemento Símbolo
(%) (%) (%) (%)
Hidrogênio H2 86,1 92,4 84 84?
Hélio He 13,8 7,4 14 ?
Metano CH4 0,09 0,2 2 2--3
Amônio NH3 0,02 0,02 - -
Vapor de água H2O 0,008 - - -

Tradicionalmente, fazemos a descrição da estrutura de uma atmosfera, em primeiro lugar, em termos do perfil de
sua temperatura média ao longo de uma vertical. A partir deste perfil definimos camadas distintas com origem nos
pontos onde ocorre alguma inversão de temperatura. As principais camadas, começando na superfície do corpo e
indo até o espaço, são denominadas de troposfera, estratosfera, mesosfera e ionosfera.
De forma bem geral podemos dizer que a temperatura, assim como a densidade, diminue à medida que
vamos das camadas inferiores para as superiores. No caso da Terra, na troposfera a temperatura vai
diminuindo, tendo cerca de 300 K na superfície do nosso planeta e caindo até cerca de 230 K a uma
altitude de 12-14 km. Neste ponto a temperatura começa a aumentar lentamente até atingir uma
altitude de cerca de 45 km. Novamente temos uma inversão de temperatura, a qual vai diminuindo até
atingir valores menores do que 200 K a uma altitude de 80 km. Por fim temos uma última inversão,
quando então a temperatura começa a aumentar muito lentamente atingindo cerca de 200 K a uma
altitude de, aproximadamente, 200 km. As estruturas das atmosferas dos demais planetas são bem
similares a essa.

É importante ressaltar que as atmosferas interagem de forma distinta com a superfície do corpo
dependendo da sua composição e sua estrutura. Vejamos, por exemplo, as atmosferas da Terra e de
Vênus, planetas muito próximos e muito similares em tamanho. No caso da Terra a atmosfera atua
protegendo a superfície do planeta do calor e do frio excessivos, de meteoros e também dos perigosos
raios ultravioleta provenientes do Sol. Isto ocorre porque na troposfera da atmosfera da Terra existe
uma camada de nuvens de vapor de água e uma pequena camada de dióxido de carbono. A luz
proveniente do Sol atravessa estas camadas e chega na superfície do nosso planeta aquecendo-a. Este
calor é então reemitido pela superfície na forma de radiação infravermelha, ou térmica. Entretanto a
camada de dióxido de carbono existente na atmosfera reflete parte dessa radiação infravermelha de
volta para o solo e apenas parte é perdida, dirigindo-se para o espaço. A radiação que incide novamente
no solo o aquece de novo. Este processo, chamado de efeito estufa, aumenta a temperatura média na
superfície da Terra em cerca de 23 oC. Sem este efeito estufa a temperatura na superfície do nosso
planeta seria abaixo de zero e a Terra estaria presa numa era glacial.

Embora o efeito estufa que ocorre na Terra seja benéfico para a vida no planeta, o mesmo não pode ser
dito do efeito estufa que ocorre em Vênus. Como vimos acima, 96% da atmosfera de Vênus é composta
por dióxido de carbono. Isto implica na existência de uma espessa camada deste composto e é ela que
impede, totalmente, que a radiação infravermelha proveniente do solo venusiano atravesse a atmosfera
e escape para o espaço.

Esta radiação infravermelha é refletida para o solo o qual é aquecido novamente num processo que se
repete várias vezes. No caso de Vênus, portanto, o efeito estufa faz com que a temperatura da
superfície aumente sempre atingindo atualmente cerca de 730 K. A pesada atmosfera deste planeta
também faz com que a pressão na superfície seja cerca de noventa vezes aquela que medimos na Terra.

Marte, por outro lado, tem uma atmosfera muito tenue, com uma pressão superficial cerca de 150 vezes
menor do que a da Terra. Isto implica que, apesar da composição da atmosfera marciana ser 95%
formada por dióxido de carbono, não temos efeito estufa. Assim, devido à falta de uma atmosfera
espessa, a temperatura da superfície chega a ser da ordem de 50 K menor do que a da Terra.

No caso dos planetas gigantes Júpiter e Saturno estes têm uma atmosfera cuja aparência é
caracterizada por bandas de nuvens de cores distintas, como podemos ver abaixo nessa belíssima
imagem de Júpiter.
As nuvens que vemos nessa imagem são compostas, basicamente, por cristais de amônio que se
condensam devido às baixas temperaturas. Essa camada de nuvens define a separação entre a
troposfera e a estratosfera do planeta. As cores vermelho, marrom e amarelo das bandas são geradas
por processos químicos complexos, basicamente entre compostos de sulfetos e de fosfatos.

As bandas, na realidade, são regiões de alta pressão criadas pela subida de material quente alternadas
por regiões de baixa pressão devidas à descida de material frio. A estrutura das bandas, por outro lado,
é muito dependente do fluxo zonal, que é um vento estável que se propaga na direção leste-oeste. Este
vento tem velocidade máxima da ordem de 500 km/h em Júpiter e de 1300 km/h em Saturno. Essas
velocidades são relativas a medidas realizadas na região do equador desses planetas pois os ventos
desaparecem completamente nas regiões dos polos.

No caso de Urano e Netuno, devido às temperaturas muito baixas que ocorrem nesses planetas, não
existe amônio nas camadas superiores de sua atmosfera. Essas camadas são formadas apenas por
metano. Uma vez que o metano absorve comprimentos de onda longos (ou seja, o vermelho) a cor da
atmosfera destes planetas é azulada.

O que é comprimento de onda?

No caso de Urano a sonda Voyager mostrou a existência de algumas nuvens claras, provavelmente da baixa atmosfera, e que se
moviam com uma velocidade da ordem de 200 a 400 km/h. Em Netuno a Voyager também observou algumas nuvens claras mas com
velocidades muito maiores, da ordem de 2000 km/h.

Superpostas à circulação atmosférica descrita acima existem muitas estruturas locais, as mais proeminentes sendo grandes regiões de
alta pressão que possuem a forma ovalada. A mais conhecida, sem dúvida, é a "Grande Mancha Vermelha" de Júpiter que se situa no
hemisferio sul desse planeta e tem uma forma ovalada com diâmetro de cerca de 30000 km.
Observada pela primeira vez há cerca de 300 anos a Grande Mancha tem mudado de tamanho mas nunca
desapareceu. Sua rotação, em direção anti-horária (para um observador colocado nela olhando para o equador do
planeta), tem um período de cerca de 6 dias, se assemelhando a um grande tufão.

Três estruturas parecidas com a Grande Mancha Vermelha, ovais claros com diâmetro de cerca de 10000 km,
foram observadas desde 1940 bem próximas a ela.

Embora pouco se saiba sobre como se formam estes tipos de estruturas é muito fácil entender como podem durar
tanto tempo. Na Terra os tufões duram algumas semanas ou até menos, isto devido à fricção com o solo que dissipa
sua energia. Como em Júpiter não existe superfície sólida não ocorre dissipação e uma estrutura do tamanho da
Grande Mancha pode durar muitas centenas de anos.

Ovais menores também são observados em Saturno como nos mostra a imagem abaixo.
As imagens de Netuno obtidas pela nave espacial Voyager 2 em 1989 também mostraram uma grande
mancha escura, muito similar aos ovais de Júpiter e Saturno. Esta estrutura, com um diâmetro de cerca
de 10000 km, foi denominada de
"Grande Mancha Escura" (imagem ao
lado) em contraposição à Grande
Mancha Vermelha de Júpiter.
Entretanto, e para surpresa dos
pesquisadores, imagens obtidas pelo
Hubble Space Telescope em 1999
mostraram que a "grande mancha
escura" havia desaparecido da
superfície de Netuno. Até hoje os
astrônomos têm dúvidas sobre o que
seria a mancha escura presente nas
várias imagens de Netuno obtidas pela
sonda Voyager.

Foram detectadas atmosferas também


em Plutão e em dois satélites, Titã e
Tritão, satélites respectivamente de
Saturno e de Netuno. Nos três casos a
atmosfera é quase que totalmente
composta por nitrogênio, assim como
a da Terra. Entretanto, na Terra a
atmosfera tem sido profundamente
afetada ao longo do tempo pela
presença dos organismos vivos que
controlam cerca de 20% da presença
de O2 e mantém a atmosfera longe do
equilíbrio termoquímico.

Isto não ocorre nesses outros corpos.


No caso de Plutão e Tritão a atmosfera
é muito tenue o que não é o caso de
Titã. Este último possue uma espessa atmosfera que se acredita ser muito similar àquela que a Terra
deve ter tido antes da vida surgir. A imagem abaixo mostra a densa atmosfera de Titã.

A combinação com o metano presente na superfície do satélite Titã, provavelmente em forma líquida,
pode levar à formação de longas cadeias de hidrocarbonos, moléculas orgânicas e nitratos. Por esta
atmosfera ser tão interessante do ponto de vista de formação de compostos orgânicos os quais
poderiam, ou não, levar à existência de formas de vida, uma missão espacial, a Cassini, estará equipada
com um pequeno módulo de pouso que deverá atravessar a densa atmosfera deste satélite e enviar
dados importantíssimos para a Terra.
A radiação emitida ou refletida pelos corpos celestes
Ao olharmos para as estrelas vemos que elas emitem luz. Esta luz nada mais é do que uma forma de
radiação, parte da energia produzida no seu interior, que se propaga pelo espaço sob a forma de uma
onda eletromagnética.

Os panetas, asteróides e cometas que formam o Sistema Solar são vistos por nós por refletirem a luz
solar incidente sobre eles.

Para estudar a radiação emitida ou refletida pelos corpos celestes precisamos antes definir algumas
grandezas básicas do movimento ondulatório.

Caracterizamos uma onda pelo seu:

comprimento de onda: que é a distância entre os máximos de uma onda.

freqüência: que é o número de máximos da onda que passam por segundo por um determinado
ponto.
propriedade símbolo unidade de medida
freqüência ν Hertz (Hz) = ciclos/segundo
centímetro (cm)
comprimento de onda λ ou Ångstroms (Å) = 10-8 cm
ou nanometros (nm) = 10-9 m = 10-7 cm = 10Å

A velocidade de propagação de uma onda eletromagnética é representada pela letra c e corresponde a c = 3 x 1010 cm/seg no vácuo

Se ν máximos da onda passam por um determinado ponto a cada segundo, cada um deles separados por λ cm, então a velocidade de
propagação da radiação eletromagnética é dada por:

velocidade de propagação da radiação eletromagnética = c


c = ν x λ = freqüência x comprimento de onda

Temos, então, que a freqüência e o comprimento de onda se relacionam pelas expressões:


ν = c/λ

ou

λ = c/ν

A Radiação Eletromagnética

Luz visível, ondas de rádio, microondas, raios X, todas são formas diferentes da radiação eletromagnética.

Cada uma delas está definida em um certo intervalo de comprimentos de onda e energia. Ao conjunto de todos os valores possíveis da
radiação eletromagnética damos o nome de "espectro eletromagnético".

As diversas partes do espectro eletromagnético são:

intervalo comprimento de onda características


é a freqüência mais alta, o comprimento de onda mais curto, a
raios gama abaixo de 0,1 Å
energia mais alta
raios X 0,1 Å - 100 Å
ultravioleta 100 Å -- 3000 Å
3000 Å a 10000 Å = 1 µm (1 é o único tipo de radiação eletromagnética que os nossos olhos
luz visível
micrometro ou micron) podem perceber.
infravermelho 1 µm - 1 mm
é a freqüência mais baixa, o comprimento de onda mais longo,
ondas rádio acima de 1 mm
e a energia mais baixa.

Na imagem abaixo, passe o cursor do "mouse" sobre a representação da onda eletromagnética, na parte de baixo da figura, para ver
como o Universo aparece em cada região do espectro eletromagnético.
Espectro Eletromagnético com detalhes

O espectro eletromagnético é o intervalo completo da radiação eletromagnética. Se tomarmos a ordem de energia decrescente e
comprimento de onda crescente o espectro eletromagnético inclui:
região do espectro eletromagnético comprimento de onda

raios gama menos que 0,1 Å (Ångstrom)

raios X 0,1 a 200 Å

raios ultravioleta 200 a 4000 Å

luz visível 4000 a 7000 Å

infravermelho próximo 7000 Å a 10 microns

infravermelho infravermelho médio 10 microns a 60 microns

infravermelho longínquo 60 microns a 300 microns

sub milimétrico 300 microns a 1 milímetro

ondas de rádio rádio milimétrico 1 milímetro a 1 centímetro

microondas rádio 1 milímetro a vários centímetros

Qualquer objeto com uma temperatura superior a zero graus emite energia. Esta energia liberada é
conhecida como "radiação térmica".

A relação entre a quantidade de energia emitida por um corpo, o comprimento de onda (ou freqüência)
desta radiação e a temperatura do corpo é uma equação conhecida como lei de Planck, em
homenagem ao físico alemão Max Planck que primeiro a descobriu. A lei de Planck é dada por:

E=hν

onde h = 6,625 x 10-27 erg seg é a constante de Planck. Assim, vemos que uma onda é caracterizada
pela sua energia E.

Definição: erg é uma unidade de medida de energia usada pelos físicos. Ele é equivalente a (grama x
centímetro2)/ (segundo2).

Como ν = c/λ temos que

E = hc/λ

É interessante notar que as equações do eletromagnetismo, as famosas equações de Maxwell, não


estabelecem qualquer limite sobre os possíveis comprimentos de onda. Assim, lembrando que a energia
de uma onda é inversamente proporcional ao seu comprimento de onda, vemos que quanto maior for λ
menor será a energia que a onda transporta, sendo assim cada vez mais difícil detectá-la.

Os corpos celeste emitem radiação eletromagnética de todos os comprimentos de onda ao mesmo


tempo. No entanto, nossos olhos só conseguem perceber a parte do espectro que é chamada de luz
visível.

Hoje a astrofísica possui detectores especiais capazes de realizar observações e medições em todas as
regiões do espectro eletromagnético. A astronomia possui hoje detectores capazes de capturar fótons
com quaisquer comprimentos de onda. Deste modo conseguimos ter uma descrição completa de toda a
energia, em qualquer comprimento de onda, que está sendo irradiada por um corpo celeste.

Mais tarde veremos que alguns planetas, como Júpiter, emitem grandes quantidades de radiação não
visível.
Estrutura interna dos planetas
Pouco conhecemos sobre os interiores dos planetas e este pouco é, quase sempre, obtido a partir de
evidências indiretas. Até mesmo no caso do planeta em que vivemos, a Terra, só conhecemos
diretamente sua estrutura interna até uma profundidade de cerca de 10% do seu raio. O que sabemos
sobre a estrutura interna da Terra também foi obtido a partir de evidências indiretas.

A primeira dessas evidências é a densidade. Como vimos (tabela 7 da introdução) a densidade total da
Terra é de 5,5 g/cm3. Entretanto, a densidade das rochas superficiais terrestres varia entre 2,6 e 3,0
g/cm3. Destes valores deduzimos que o interior da Terra deve ser muito mais denso do que a superfície,
atingindo em seu núcleo valores tão altos como 10 g/cm3.

Outro dado indireto é obtido a partir do conhecimento de grutas e minas: quanto mais fundo nos
encontramos, mais quente o ambiente se torna. Ou seja, o calor aumenta com a profundidade. Dai
deduzimos que o interior da Terra deve ser mais quente do que a superfície. Os terremotos também nos
fornecem indícios importantes sobre a estrutura interna da Terra. Cada terremoto gera, a partir de seu
epicentro, ondas sísmicas que se deslocam através do interior da Terra e podem ser medidas em vários
pontos da sua superfície. Estas ondas se propagam de formas distintas dependendo da composição e da
estrutura do material que elas atravessam. Portanto, o estudo de como estas ondas se propagam no
interior da Terra nos permite determinar temperaturas, pressões e diferenças de composição. Ao
notarem que em regiões opostas ao epicentro de um terremoto não eram registradas ondas que
sabíamos não se propagarem em meio líquido, os cientistas concluiram que o núcleo da Terra deve ter
uma parte líquida.

As propriedades das rochas encontradas na superfície da Terra também fornecem indícios importantes
sobre a estrutura do nosso planeta. Sabemos que certas rochas são formadas pelo derretimento de
outras rochas e que algumas delas provém de profundidades de até 200 km. Isto indica que as camadas
inferiores devem estar derretidas e que existem grandes pressões nessas regiões mais profundas.

Por fim, outro dado que temos é que a Terra possue um campo magnético intenso. Sabendo que um
campo magnético é gerado pelo movimento turbulento de um líquido metálico. A partir disso podemos
concluir que o interior da Terra deve ser líquido e também metálico.

A partir de todos esses "dados"


podemos finalmente descrever a
estrutura interna da Terra. Abaixo da
atmosfera temos uma camada, com
uma espessura entre 5 e 80 km, a
qual denominamos de crosta. A parte
da crosta que fica abaixo dos
oceanos, os quais cobrem cerca de
55% de toda a superfície da Terra,
tem uma espessura típica entre 5 e
10 km e é composta por rochas
vulcânicas conhecidas como basaltos.
A parte da crosta continental, que
tem entre 30 e 80 km de espessura, é
composta por rochas, também de
origem vulcânica mas distintas dos
basaltos, que são chamadas granitos.
Abaixo da crosta temos uma espessa
camada, o manto, que chega até
cerca de 2900 km de profundidade.
No manto, devido ao calor e às
pressões existentes, as rochas são
deformadas e se tornam um fluido
denso chamado de magma. A
densidade no manto aumenta com a
profundidade, como resultado da
compressão causada pelo peso do material, e varia de 3,5 g/cm3 até mais de 5 g/cm3. A partir de cerca
de 2900 km temos então o denso núcleo metálico do nosso planeta, com um raio de cerca de 3500
km, maior do que o raio do planeta Mercúrio. A parte mais externa do núcleo é líquida enquanto que a
parte mais interna, com um raio de cerca de 1300 km, é extremamente densa e, provavelmente, sólida.

Passando aos demais planetas, verificamos que


Mercúrio tem um interior dominado por um
núcleo metálico que chega a conter cerca de
60% de toda a massa do planeta. Esse núcleo
tem um raio de cerca de 1750 km e acima dele
existe uma camada de rochas com uma
espessura de cerca de 700 km. Mercúrio tem
um fraco campo magnético, o que é indício de
que pelo menos parte do seu núcleo deve ser
líquido.

Sobre o interior de Vênus e de Marte pouco


sabemos. No caso de Vênus sabemos que seu
interior deve ser, ou ter sido em alguma época
do passado, quente devido aos traços de
intensa atividade vulcânica observados na
superfície deste planeta. Vênus deve ter um
núcleo rico em metais mas não tem
magnetosfera ou seja, não possui campo
magnético no espaço a sua volta. Marte
também não tem magnetosfera e possui muito
pouco metal, sendo que o seu núcleo metálico tem o tamanho de, apenas, cerca de 40% de seu
diâmetro.

A estrutura do interior dos planetas gigantes, por


outro lado, é dominada pela pressão. No caso de
Júpiter, em seu centro a pressão deve chegar a 100
x 106 bar atingindo o material ai localizado a
fantástica densidade de 31 g/cm3.

O que é bar?

Apenas para comparação com Júpiter, lembramos


que no centro da Terra a pressão é de 4 x 106 bar,
com uma densidade de 10 g/cm3. A estrutura dos
planetas gigantes é bem similar entre si. Primeiro
temos as nuvens superficiais formadas por
hidrogênio e hélio em estado gasoso. A medida que
a profundidade aumenta as pressões se tornam
muito fortes e o hidrogênio passa ao estado líquido,
que chamamos de hidrogênio metálico. Essa
transformação é devida ao fato de que, devido à
alta compressão, os eléctrons se tornam mais ou
menos livres passando a ter um comportamento de
metal. Por fim, temos um pequeno núcleo
composto de rochas, basicamente formadas por
ferro, silício e oxigênio, e de gelos de carbono,
nitrogênio, oxigênio e hidrogênio.

É importante ressaltar que os quatro planetas


gigantes têm núcleos aproximadamente do mesmo
tamanho, entre 14000 e 20000 quilômetros de raio.
O que os faz diferirem é o tamanho das camadas
superiores. No caso de Júpiter a camada de
hidrogênio metálico atinge 45000 quilômetros de
espessura contra apenas 24000 quilômetros em
Saturno. Esta camada de hidrogênio metálico não
existe em Urano e Netuno que possuem apenas
uma camada de hidrogênio molecular com raio de cerca de 25000 quilômetros. No caso de Saturno a
camada de hidrogênio molecular tem uma espessura de 30000 quilômetros enquanto que em Júpiter ela
tem apenas 20000 quilômetros.

Entre os pequenos corpos os cometas são agregados homogêneos de gelo de água e poeira com pouca
coesão, podendo ser facilmente destruídos. Os satélites pequenos e os asteróides também têm interiores
basicamente homogêneos sendo corpos poucos diferenciados. Os satélites maiores tem interiores
basicamente compostos de gelos e rochas, a única exceção sendo Io, satélite de Júpiter, que é o objeto
com maior atividade vulcânica de todo o Sistema Solar. Esta intensa atividade vulcânica é devida ao
interior líquido deste corpo e é causada pela atração gravitacional de Júpiter. Io está a uma distância de
Júpiter aproximadamente igual àquela entre a Lua e a Terra. Entretanto, Júpiter tem 300 vezes mais
massa do que a Terra e sua intensa força gravitacional distorce seu satélite fazendo-o assumir uma
forma elongada. Esta "maré" se extende por vários quilômetros na direção de Júpiter. Se Io mantivesse
sempre a mesma face voltada para Júpiter esta distorção não produziria calor. Entretanto, Io sofre
perturbações produzidas por outros satélites de Júpiter, principalmente Europa e Ganimede, fazendo
com que ele desenvolva uma órbita ligeramente excêntrica. À medida que Io se aproxima e se afasta de
Júpiter, as forças de atrito vão aquecendo o interior do satélite o que gera o intenso vulcanismo
observado nele. Depois de bilhões de anos de flexão e torção o interior de Io se tornou completamente
derretido e sua crosta é constantemente refeita pela ação do vulcanismo.
Algumas unidades de medida de pressão
A pressão atmosférica em um ponto qualquer é numericamente igual ao peso de uma coluna de ar, de
seção reta unitária e cuja altura se estende desde esse ponto até o ponto mais alto de uma atmosfera
qualquer.

A pressão atmosférica, portanto, decresce com a altitude.

Há variações da pressão atmosférica de dia para dia, pois a atmosfera não é estática. A pressão da
atmosfera ao nível do mar varia ligeiramente quando o tempo muda.

A coluna de mercúrio de um barômetro terá uma altura de cerca de 76 centímetros ao nível do mar,
variando com a pressão atmosférica.

A pressão equivalente a esta, exercida por uma coluna de exatamente 76 centímetros de mercúrio, a 0 o
Celsius e sob condição normal da gravidade, g= 980,665 cm/seg2, é chamada de uma atmosfera, e é
representada pelo símbolo atm.

Existem outras unidades de medida de pressão comumente usadas em mapas meteorológicos, que são o
bar e o milibar. A palavra bar significa peso em grego. Um bar = 103 milibar

Transformando unidades de medida de pressão

1 atmosfera = 1,013 bar

1 bar = 0,9869 atmosfera

Veja que, curiosamente, a unidade de medida de pressão, atmosfera, é apenas aproximadamente igual
à pressão da atmosfera no nível do mar.
Superfícies Planetárias
As superfícies dos corpos do Sistema Solar apresentam as marcas de diversos processos físicos tais
como a craterização, o vulcanismo, a atividade tectônica e a formação de fraturas e canais. Vamos a
seguir descrever os vários tipos de estruturas que são observadas em diversas superfícies planetárias e
quais os seus processos de formação.

Craterização

A característica mais marcante que observamos nas superfícies dos corpos planetários são as crateras.
Embora conhecidas há bastante tempo, principalmente aquelas que marcam
a superfície lunar, sua origem somente começou a ser entendida em final
de 1890. Até então acreditava-se que as grandes estruturas observadas na
Lua eram de origem vulcânica, uma vez que na Terra as únicas estruturas
similares conhecidas eram as bocas dos vulcões. Em 1890, entretanto, o
geólogo Grove Karl Gilbert, cientista do U.S. Geological Survey, observou
que o fundo das estruturas presentes na Lua estava aproximadamente no
mesmo nível que a região a sua volta, ao contrário do que ocorria com os

vulcões da Terra. A partir desta constatação Gilbert propôs


que as estruturas vistas na Lua deveriam ser de origem
meteorítica, ou seja, produzidas por pequenos corpos que
teriam colidido com o nosso satélite.

Esta explicação, entretanto, encontrou sérias restrições no


meio científico já que para explicar a forma sempre
arredondada das estruturas observadas na Lua a hipótese
da origem meteorítica exigia condições muito particulares
de impacto. Para que essas crateras fossem formadas seria
necessário que o objeto causador do impacto colidisse
sempre de uma maneira perpendicular à superfície. De fato,
se jogarmos uma pedra na areia notaremos que a "cratera" terá uma forma deformada dependendo do
ângulo em que a pedra colidir com o solo. Crateras redondas somente serão obtidas quando deixarmos a
pedra cair perpendicularmente ao solo.

Anos mais tarde, com a constatação de que os impactos na superfície da Lua eram processos físicos que
ocorriam em alta velocidade, o problema foi resolvido. Os cientistas notaram que um corpo para atingir
a superfície de um planeta deve ter uma velocidade pelo menos igual à velocidade de escape do planeta.
A esta velocidade deve ser adicionada a velocidade que o corpo já tinha em relação ao planeta,
geralmente da ordem de dezenas de quilômetros por segundo. As velocidades de escape são tipicamente
de 4,3 km/seg para Mercúrio, de 10,4 km/seg para Vênus, de 11,2 km/seg para a Terra, de 5,0 km/seg
para Marte e de 2,4 km/seg para a Lua, como foi mostrado na tabela 6 da introdução. Portanto, devido à
alta velocidade do impacto, o que ocorre é uma explosão, semelhante a uma bomba explodindo na
Terra. A cratera é resultante dessa explosão e não da entrada do corpo na superfície do planeta ou
satélite. A explosão em si elimina todos os traços da direção da queda fazendo com que a cratera
sempre tenha a forma circular.
Embora o processo de formação de crateras seja o mesmo em todos os planetas cada um deles guarda
características bem distintas. Mercúrio, por exemplo, apresenta uma superfície totalmente craterizada
muito similar à da Lua e suas principais características são as crateras duplas. A maior cratera de
Mercúrio, chamada Caloris Basin (imagem abaixo, esquerda), tem uma largura de cerca de 1400 km e
é rodeada por anéis de montanha com alturas de até 3 km. Outra cratera importante nesse planeta, a
cratera Bach, tem um anel exterior com um diâmetro de cerca de 100 km. Dado curioso é que nomes
de artistas, escritores, compositores e outros
personagens ligados às artes e humanidades foram
dados a todas as estruturas observadas na superfície de
Mercúrio. No caso de Vênus, devido à espessa atmosfera
que o recobre, somente conseguimos observar sua
superfície através da utilização de radares. Dados sobre
a superfície de Vênus foram obtidos principalmente por
sondas espaciais tais como a Pioneer 12, as Venera 15 e
16 e, mais recentemente, a Magellan. Contrariamente
ao que observamos em Mercúrio, a superfície de Vênus
é pouco craterizada sendo que a maior cratera, a
cratera Mead, tem apenas 275 km de diâmetro. Poder-
se-ia imaginar que a falta de crateras em Vênus fosse
devida à presença de uma densa atmosfera nesse
planeta, a qual desintegraria completamente qualquer
objeto que nela penetrasse. Na realidade sabemos que
isto somente é verdade no caso de pequenos corpos. A
ausência de crateras com diâmetro inferior a 10 km de
diâmetro indica exatamente que todo corpo menor do
que 1 km foi desintegrado na atmosfera antes de atingir
o solo. Por outro lado, a maioria das crateras existentes
com diâmetro entre 10 e 30 km são distorcidas,
aparentemente porque o projétil foi quebrado e explodiu na atmosfera antes de atingir o solo. Existem
também muitas crateras múltiplas, indicação de que o projétil foi quebrado em vários pedaços que
atingiram a superfície do planeta Vênus em locais próximos. A falta de crateras maiores é atribuida à
intensa atividade geológica que ocorreu no planeta Vênus, presumivelmente há algumas centenas de
milhões de anos.
A Terra também guarda bem poucos registros de impactos. Isto é devido a vários fatores: a atividade
geológica, a erosão da chuva e dos ventos e, naturalmente, a presença humana. Uma das crateras mais
bem conservadas é a chamada Meteor Crater localizada no estado do Arizona (EUA) (abaixo).
Essa cratera tem um diâmetro de 1,2 km e uma profundidade de cerca de 0,2 km. Sua idade é estimada
em 25000 anos e acredita-se que foi formada por um corpo ferroso com cerca de 50 m de diâmetro.

A falta de mais crateras na superfície da Terra não significa que colisões importantes não tenham
acontecido. Lembramos o caso da extinção dos dinossauros, ocorrida há cerca de 65 milhões de anos, e
que se acredita tenha sido causada pela queda de um asteróide com cerca de 5 km de diâmetro na
região que hoje é conhecida como a península do Yucatan (México).

Marte, por outro lado, também tem crateras bem características. Talvez a mais impressionante seja a
cratera Yuty (imagem abaixo) que tem um diâmetro de apenas 18 km mas apresenta uma estrutura
parecida com a que encontraríamos se o impacto tivesse ocorrido em um terreno pastoso. A este tipo de
cratera foi dado o nome de "splash", que é bastante sugestivo em qualquer língua.

Não são apenas os planetas terestres que têm suas superfícies recobertas por crateras. A superfície da maioria dos corpos menores do
Sistema Solar também apresenta essa característica. Crateras de diversos tamanhos são observadas na maioria dos satélites
planetários. Phobos (a esquerda) e Mimas (a direita), satélites respectivamente de Marte e de Saturno, têm crateras cujo tamanho está
no limite da fratura do próprio corpo.
Estudos indicam que se essas colisões em Phobos e Mimas tivessem sido causadas por corpos ligeramente maiores
do que aqueles que as produziram, esses satélites teriam sido completamente destruídos.

Calisto, um dos satélites de Júpiter, apresenta cadeias de crateras as quais devem ter sido produzidas pela queda em
seqüência de fragmentos de um objeto celeste que foi quebrado pela força de maré de Júpiter.

Por fim, os poucos asteróides que foram fotografadas por sondas espaciais também apresentam superfícies
recobertas por crateras de diversos tamanhos e formatos.

E na falta de uma superfície sólida, não temos crateras? Temos sim, mas estas são apagadas rapidamente. Isto ficou
evidente em julho de 1994 quando ocorreu a colisão do cometa Shoemaker-Levy 9 com Júpiter.

Este cometa foi quebrado pelas forças de maré de Júpiter e seus diversos fragmentos foram caindo nesse planeta,
criando manchas escuras em sua superfície. Estas manchas, que não eram esféricas mas sim oblíquas indicando
exatamente o ângulo de entrada dos fragmentos, foram produzidas pela subida de material proveniente de suas
camadas inferiores. Ao longo dos dias subsequentes à queda, cada uma das manchas foi desaparecendo devido à
rotação da atmosfera de Júpiter. Um ano mais tarde não havia qualquer vestígio visível da colisão do cometa
Shoemaker-Levy 9 com esse planeta gigante.
Vulcanismo

O vulcanismo e suas marcas é outra característica das superfícies planetárias. É importante ressaltar que o
vulcanismo é resultado da ejeção de lava quente, tanto de forma violenta como através de um lento e contínuo
derramamento. A figura abaixo mostra o continuo derramamento de lava feito por um vulcão terrestre. O mesmo
fenômeno ocorreu, e ainda ocorre, em alguns objetos do Sistema Solar.
Este material fluido provém das camadas inferiores e é gerado à altas temperaturas dentro do manto. Traços de
vulcanismo estão presente na superfície de todos os planetas terrestre, da Lua e de Io, satélite de Júpiter, e em
algumas dezenas de asteróides.

Vênus apresenta estruturas vulcânicas, inativas no presente, mas que moldaram grande parte da superfície deste
planeta. Enormes derramamentos de lava muito fluida recobrem as planicies de Vênus eliminando todos os
vestígios de crateras. Existem também vulcões individuais, os dois
maiores sendo o vulcão Sif Mons (imagem ao lado) e o vulcão
Gula Mons. O primeiro tem uma base com um diâmetro de cerca de
500 km, uma altura de 3 km e uma caldera (boca do vulcão) da
ordem de 40 km. O segundo tem uma altura de 4 km e uma caldera
de cerca de 100 km de diâmetro. O vulcanismo também é
responsável pela formação de estruturas circulares, mais parecidas
com panquecas, com diâmetro em torno de 25 km e altura de 2 km.
Essas estruturas se formam pela subida de lava viscosa e
homogênea. Outro tipo de estrutura, as coronae, também são
geradas pela subida de material quente, o qual não chega a ser
expelido mas apenas provoca a fratura, em forma circular, da
superfície do planeta. A maior estrutura deste tipo é Aine com um
diâmetro estimado em cerca de 300 km.
A Terra também tem uma superfície rica em diversos tipos de
vulcões e derramamento de lava. A imagem abaixo mostra a erupção do vulcão Puo, no Havaí.
O maior exemplo disto é o fundo dos oceanos o qual é constantemente refeito pela subida de lava fluida em
fraturas que existem entre as chamadas placas tectônicas, assunto que trataremos na próxima secção.

Entre os diversos tipos de vulcões podemos citar os do tipo escudo, como os que existem no Havaí, que têm formas
muito arredondadas devido ao derramamento de lava muito fluida. Os estrato-vulcões, por outro lado, têm formas
muito pontudas devido ao acúmulo continuo, em camadas, do material ejetado em erupções violentas e com lava
bastante consistente. Por fim existem os vulcões do tipo cônico, normalmente menores, e que também expelem
uma lava mais fluida.

O Monte Olympus, com uma altura de 25 km e uma largura de 700 km, é o maior vulcão de todo o Sistema Solar e
está situado num planalto do planeta Marte.
Vários outros vulcões menores, todos exintos e do tipo escudo, se encontram na região denominada de Tharsis
Elysium em Marte. No hemisfério norte do planeta também existem enormes planícies vulcânicas.

Quando se fala em atividade vulcânica não pode


se deixar de citar o satélite Io de Júpiter. Como
explicado na secção anterior, este pequeno corpo
com apenas 3600 km de diâmetro é o objeto
mais ativo de todo o Sistema Solar. O
vulcanismo neste satélite foi descoberto pelas
sondas espaciais Voyager 1 e 2 através de fotos
espetaculares que mostravam imensas ejeções de
matéria que se estendiam a alturas de até 100 km
acima da superfície. O material ejetado não é
lava basáltica ou vapor de dióxido de carbono
como no caso dos vulcões na Terra, mas sim
enxofre e dióxido de enxôfre. À medida que o
material esfria o enxôfre e o dióxido de enxôfre
recondensam como partículas sólidas e recaem
na superfície, como flocos de neve, atingindo
distâncias de até mil quilômetros do ponto de ejeção.

A Lua, por outro lado, apresenta derramamentos de lava escura, os chamados maria, conhecidos como as estruturas
mais visíveis na superfície do nosso satélite. Antigamente acreditava-se que a Lua tinha continentes e oceanos,
sendo as regiões mais escuras os mares aos quais foram dados nomes como Mare Tranquilitatis (abaixo), Mare
Nubium, etc.
Estas planícies escuras de forma arredondada cobrem cerca de 17% da superfície da Lua e foram formadas por
erupções de lava muito fluida há bilhões de anos. São compostas de basalto muito similar ao da crosta oceânica da
Terra.

Por fim, a existência de atividade vulcânica na superfície de alguns asteróides começou a ser descoberta no final da
década de 80 quando foi detectada a presença de material basáltico na superfície do asteróide 4 Vesta. Até hoje,
embora se conheçam cerca de 50 pequenos asteróides com esta característica, a comprovação é obtida de forma
indireta através da análise de espectros de reflexão. Lembramos que a interação da radiação eletromagnética com
minerais distintos produz bandas de absorção específicas para cada material. A presença de basalto na superfície de
um corpo é então facilmente identificada pela posição e profundidade de algumas destas bandas.

Movimentos tectônicos

Algumas superfícies planetárias também são modificadas por movimentos tectônicos, ou seja, movimentos que
ocorrem na crosta do planeta. A crosta da Terra, por exemplo, é dividida em uma dezena de grandes placas que se
encaixam como as peças de um quebra-cabeça. Devido à ocorrência de convecção no manto as placas se movem
lentamente uma em relação à outra.
O que é convecção?

A convecção nada mais é do que a forma pela qual o calor escapa do interior da Terra, ou seja, através da subida de
material quente e da descida de material mais frio. Em alguns pontos as placas se afastam enquanto em outros são
forçadas uma contra a outra. Estes movimentos das placas são responsáveis tanto pela lenta "deriva" dos
continentes quanto pela formação de montanhas e outras importantes estruturas geológicas na Terra.

Imagens da superfície de Vênus obtidas por radares mostram que neste planeta a geologia da crosta foi também
dominada por tensões tectônicas. Assim como na Terra, estas se devem à movimentos de convecção no manto que
geraram fraturas e canyons. Acredita-se que as altas montanhas venusianas denominadas Maxwell, em homenagem
ao formulador da teoria do electromagnetismo, tenham sido formadas pela colisão de duas placas tectônicas.
No caso de Marte as estruturas tectônicas mais prominentes são, sem dúvida, a grande fratura chamada de Valles
Marineris e o planalto Tharsis. O Valles Marineris é uma imensa fratura com cerca de 5000 km de extensão, 7 km
de profundidade e 100 km de largura.

Entretanto, ao contrário do Grand Canyon que existe no estado de Arizona, nos Estados Unidos, esta fratura não foi
moldada pela força da água corrente mas sim formada a partir de tensões na crosta que por um lado abriram a
grande falha e por outro levantaram a crosta formando o grande planalto Tharsis, mostrado na imagem abaixo,
onde podemos ver três vulcões extintos do tipo escudo.

Recentemente a sonda espacial Galileo também comprovou a existência de estruturas tectônicas em Europa, um
dos grandes satélite de Júpiter. Neste caso essas estruturas são devidas à presença de um oceano líquido abaixo da
crosta gelada do satélite. Devido às tensões causadas pela forte atração gravitacional do planeta e pela perturbação
dos demais satélites, a crosta de Europa abre pequenas falhas. Neste instante a água das camadas inferiores, por ser
mais quente, sobe até a superfície. Ao chegar na superfície, entretanto, ela começa imediatamente a congelar e a
falha se fecha novamente. Estes movimentos fazem com que a superfície do satélite Europa seja totalmente
recoberta por este tipo de estruturas como mostram as imagens abaixo.
Água e a formação de canais

A água líquida não é responsável apenas pelas estruturas visíveis na superfície do satélite Europa, mas também
pelos canais de Marte que tanto suscitaram a imaginação do público que viu nestes uma prova da
presença de vida inteligente no planeta vermelho. A história dos "canais marcianos" começou por
volta de 1877 quando o astronômo italiano Giovanni Schiaparelli (imagem ao lado) anunciou que
tinha observado longas e fracas linhas retas na superfície de Marte. Ele chamou estas estruturas de
canali, que significa "canais" em italiano. Este termo foi erroneamente traduzido para o inglês como
canals que, nesta lingua, indica algo que tem origem artificial. Como os astrônomos já tinham
observado as brilhantes calotas polares de Marte, formadas por gelo, pareceu lógico supor que os
canais tinham sido construidos para levar água das regiões polares para as áridas regiões equatoriais.

Percival Lowell, um rico astrônomo norte-americano, decidiu construir um observatório (o até hoje
famoso Lowell Observatory) apenas com o intuito de continuar o trabalho de
Schiaparelli e resolver o mistério dos canais de Marte. Tanto ele quanto seus
assistentes conseguiram enxergar uma complexa rede de canais, oásis e
reservatórios de água na superfície do planeta vermelho (imagem a esquerda).
Ninguém mais conseguiu observar essas estruturas artificiais em Marte. Com a
construção de telescópios maiores e o surgimento das missões espaciais ficou claro que Lowell
tinha sofrido uma "ilusão de óptica" resultante da tendência da mente humana organizar
estruturas que são vislumbradas no limite da resolução do nosso olho. Em outras palavras:
Lowell viu o que a sua mente fértil queria ver.

As observações de Lowell
capturaram a imaginação do
público e inspiraram
inúmeros romances e filmes,
o mais conhecido sendo "A
guerra dos mundos" de H.G.
Well (1897) (a direita). Nesse
romance os sedentos
habitantes de um árido
planeta Marte invadem a Terra em busca de água.
Os recentes resultados obtidos por várias sondas
espaciais mostraram, de uma forma bastante
convincente, que o romance de Wells baseava-se
em premissas erradas: em Marte existe muita água!
Usando sofisticados instrumentos a bordo dessa
sonda espacial os cientistas notaram indícios de
enormes quantidades de água existentes logo abaixo
da árida superfície do planeta vermelho. As sondas
espaciais identificaram duas regiões próximas aos
polos de Marte enriquecidas com hidrogênio no
subsolo o qual é modelado como sendo devido à
presença de água.

Entretanto, não podemos esquecer de que os canais


visíveis em Marte (imagem ao lado) são a comprovação de que em alguma época remota a água fluia naturalmente
na superfície desse planeta. Existem basicamente dois tipos de canais em Marte que acreditamos terem sido
formados por processos distintos. Os canais mais estreitos e sinuosos, com uma largura de algumas dezenas de
metros e dezenas de quilômetros de comprimento, teriam sido formados à medida que a água da chuva escorreu na
sua superfície. Outro tipo de canais, com dezenas de quilômetros de largura e centenas de quilômetros de
comprimento seriam o resultado de grandes degelos ocorridos em épocas muito remotas.
Processos de transporte de energia

Existem três maneiras principais pelas quais energia, em suas diversas formas, pode ser transportada de
um ponto a outro, seja através de um corpo ou no espaço:

condução

convecção

radiação

Condução de Calor

Chama-se condução de calor a transferência de energia entre partes adjacentes de um corpo, em


conseqüência da diferença entre suas temperaturas.

O calor sempre se transmite da temperatura mais alta para a mais baixa.

A maior ou menor capacidade que um corpo tem de conduzir calor depende de suas propriedades
intrínsecas das substâncias que o formam. Assim, cada substância é caracterizada por uma propriedade
que chamamos de condutividade térmica. Uma substância com grande condutividade térmica é um
bom condutor de calor.

O fenômeno da condução de calor nos mostra que os conceitos de calor e temperatura são bastante
diferentes. Por exemplo, barras formadas por diferentes substâncias podem conduzir quantidades de
calor inteiramente diferentes no mesmo intervalo de tempo, embora apresentem a mesma diferença de
temperatura nas suas extremidades. A diferença entre calor e temperatura é muito importante e
podemos vê-la a partir da própria definição de calor: calor é energia em trânsito de um corpo a outro,
devido a diferença de temperatura entre eles. Assim, calor é energia transferida como
conseqüência da diferença de temperaturas.

Um exemplo diário de condução de energia se dá quando colocamos uma colher de metal dentro de uma
xícara de café quente. Em pouco tempo a colher estará aquecida pois o metal que a forma é um bom
condutor de energia térmica.

Convecção

Neste processo, quando uma diferença de temperatura é estabelecida no interior de um fluido, as partes
mais aquecidas se deslocam na direção da sua superfície, enquanto que as partes mais frias se deslocam
na direção da fonte de aquecimento. Estabelece-se, então, no interior do fluido uma troca continua de
calor, com regiões mais quentes ascendendo e regiões mais frias submergindo.

Este é o processo que vemos acontecer ao observarmos uma panela onde água está sendo aquecida.
Bolhas quentes ascendem e estouram na superfície da água ao mesmo tempo em que regiões frias
submergem para o fundo da panela.

Radiação

A radiação é o processo de transporte de energia que se dá por intermédio de fótons. Ao excitarmos um


átomo seus elétrons absorvem energia passando para níveis mais energéticos. Em seguida, eles mudam
novamente para níveis de energia mais baixas e, ao fazerem isso, emitem fótons. Cada fóton, absorvido
ou emitido, possui uma quantidade de energia que é igual à diferença de energia que existe entre os
dois níveis que foram utilizados pelo elétron ou seja, o nível em que ele estava inicialmente e o nível em
que ele está nesse momento.
Vamos explicar agora com mais detalhes o processo de emissão de energia por radiação. Vamos supor
que um elétron está em uma órbita qualquer, entre aquelas permitidas, em torno de um núcleo atômico.
É claro que existem outras possíveis órbitas, ou níveis de energia, que este elétron pode ocupar se ele
tiver energia suficiente para isto. A diferença de energia entre cada uma destas várias órbitas possíveis
e aquela onde está, efetivamente, o elétron pode ser facilmente calculada.

Vamos supor então que, por algum processo como, por exemplo, aquecimento, transmitimos energia
para este átomo. Esta energia incidente, seja qual for a sua origem, é formada por fótons com vários
comprimentos de onda. Eventualmente um destes comprimentos de onda pode corresponder à diferença
de energia que existe entre algum dos possíveis níveis atômicos deste átomo e o nível onde está o
elétron.

Quando esta energia externa incide sobre o elétron, ele absorverá um dos fótons incidentes desde que a
energia desse fóton corresponda à diferença de energia entre um dos possíveis níveis atômicos e o nível
onde o elétron está. Ao absorver esta energia o elétron realiza um salto quântico para o nível de
energia mais alta que corresponde à sua nova energia total. Deste modo a diferença em energia entre
níveis corresponde a um comprimento de onda específico da radiação incidente.

Por exemplo, um elétron está no segundo nível quântico. Incidimos radiação de vários comprimentos de
onda sobre o elétron. Entre estes comprimentos de onda está aquele que corresponde à diferença de
energia entre o nível quântico 5 e o nível 2 onde está o elétron. Nosso elétron absorve este fóton e
passa para o nível 5, ocupando agora um estado de maior excitação do que aquele em que ele estava
anteriormente.

Resumindo, quando o átomo encontra um fóton com um comprimento de onda específico,


correspondente a diferença de energia entre níveis quânticos, o fóton será absorvido pelo átomo, e o
elétron saltará do nível de energia mais baixa para o nível de energia mais alta.

O elétron neste novo nível de energia está em um estado excitado. No entanto, todos os elétrons que
estão em estados excitados querem retornar a um nível de energia mais baixa. Para realizar isto o
elétron libera um fóton, que transporta este excesso de energia, e retorna para um nível de energia
correspondente a uma excitação menor. A este processo de emissão de energia damos o nome de
desexcitação.

Resumindo, quando o elétron cai de um nível de maior energia para um de menor energia ele emite um
fóton cuja energia é equivalente à diferença de energia entre estes dois níveis. Se o elétron excitado
volta para o seu estado original, o átomo emite um fóton com o mesmo comprimento de onda específico
daquele que o havia excitado inicialmente.

A imagem a seguir mostra uma excitação atômica causada pela absorção de um fóton e uma
desexcitação causada pela emissão de um fóton.
No entanto, as regras para que a excitação ou desexcitação ocorram são muito rígidas. Em cada caso o
comprimento de onda da radiação emitida ou absorvida, ou seja o fóton absorvido ou emitido, é
exatamente a diferença de energia entre as duas órbitas atômicas envolvidas no processo. Esta energia
pode ser calculada dividindo o produto da constante de Planck e velocidade da luz hc pelo comprimento
de onda da luz. Assim, um átomo somente pode absorver ou emitir certos comprimentos de onda
discretos (ou, equivalentemente, freqüências ou energias). Podemos dizer, de modo equivalente, que
somente certos fótons podem ser absorvidos ou emitidos por um átomo.
Pequenos Corpos do Sistema Solar
O Sistema Solar, como já foi dito antes, não é composto apenas de planetas. Além desses, existe uma
grande quantidade de corpos menores que ou estão em órbita em torno de planetas ou se localizam em
regiões particulares do Sistema Solar.

A maioria dos planetas tem um ou mais satélites que descrevem órbitas ao seu redor. Alguns, tais
como os planetas gigantes, possuem verdadeiros sistema de satélites a sua volta.

De modo geral os satélites reproduzem, em escala menor, as propriedades orbitais dos planetas em
torno dos quais eles descrevem suas órbitas.

Todos os planetas gigantes também possuem sistemas de anéis, compostos por milhões de partículas
com tamanhos que variam de alguns mícrons a alguns metros.

Por outro lado, os asteróides e cometas são pequenos corpos que, assim como os planetas, também
estão em órbita em torno do Sol. No entanto, tanto os asteróides como os cometas se caracterizam por
ficarem localizados em regiões muito específicas. Além disso, os asteróides e cometas têm tamanhos
muito inferiores aos planetas.

A seguir vamos descrever algumas das principais propriedades de cada uma dessas classes de objetos.

Satélites

Os satélites existentes no Sistema Solar podem ser separados em função de suas propriedades físicas ou
dinâmicas.

A característica física usada para classificar satélites é o seu tamanho. Dividimos os satélites da seguinte
maneira:

classificação exemplos
Europa

grandes

quando seu raio é superior a 1500 km.

(satélite de Júpiter com 1569 km de raio)


Titânia
intermediários

quando seu raio varia entre 400 e 1500 km.

(satélite de Urano com 805 km de raio)


Deimos

pequenos

todos aqueles cujos raios são inferiores a 400 km.

(satélite de Marte com 6,5 km de raio)

No entanto, também podemos classificar os satélites levando-se em conta as características de suas


órbitas, ou seja, o semi-eixo maior, a excentricidade e a inclinação, propriedades físicas que já foram
definidas na introdução.

Quando analisamos estes parâmetros para todos os satélites notamos que existem vários objetos que
apresentam órbitas com o semi-eixo maior moderado, além de excentricidades e inclinações pequenas.
Os satélites deste grupo são denominados regulares, por reproduzirem as características dinâmicas
básicas do sistema planetário.

Um segundo grupo de satélites tem o semi-eixo maior de sua órbita muito grande ou muito pequeno,
além de apresentarem excentricidades e/ou inclinações grandes. Estes objetos são denominados
satélites irregulares.

A separação observada entre satélites regulares e irregulares nos permite obter algumas informações
importantes sobre o processo físico que levou à sua formação. Os satélites regulares teriam sido
formados ao mesmo tempo que o planeta, da mesma maneira como o próprio sistema planetário foi
formado. Já os satélites irregulares não foram formados juntos com os planetas. Ao contrário, eles
teriam sido capturados pelo campo gravitacional do planeta numa fase posterior à formação desse
último.
De forma geral podemos dizer que os planetas terrestres têm poucos ou nenhum satélite enquanto que
os planetas gigantes são rodeados por um grande número destes. Um exemplo disso é o fato de
Mercúrio e Vênus não terem satélites enquanto a Terra tem apenas um, a Lua. Marte, outro planeta
terrestre, tem apenas dois pequenos satélites, Phobos e Deimos (imagem acima), ambos com diâmetros
menores do que 30 km, além de possuirem formas bem irregulares. Por esses motivo os astrônomos
acreditam que Phobos e Deimos são asteróides que foram capturados pelo planeta Marte.

Júpiter, por outro lado, tem 4


satélites regulares, Io, Europa,
Ganymede e Callisto,
descobertos por Galileo em
1610 e denominados
coletivamente de satélites
Galileanos em sua
homenagem. Estes satélites
têm diâmetro entre 3100 a
5200 km, forma esférica e
órbitas bem regulares. Além
destes satélites, desde 1892
até a passagem da sonda
espacial Voyager 1 em 1979,
foram descobertos mais de 12
pequenos satélites, todos com
formas e órbitas bem
irregulares e que se situam
tanto a pequenas como
grandes distâncias de Júpiter.
Hoje conhecemos mais de 60
satélites que estão em órbita
em torno do planeta Júpiter.

Saturno, por sua vez, tem


apenas um satélite grande com
um diâmetro de cerca de 5000
km, Titã, que descreve uma
órbita regular em torno desse
planeta. Outros três satélites
de Saturno, Iapetus, Réia e
Dione, têm tamanho
intermediário e órbitas regulares. No entanto, diferentemente de Réia e Dione, o satélite Iapetus tem
uma órbita altamente inclinada. Além destes existem mais de quinze satélites pequenos, todos com
formas e órbitas irregulares.

Urano tem 5 satélites regulares de tamanho intermediário e órbita regular: Miranda, Ariel, Umbriel,
Titânia e Oberon. Quando a sonda espacial Voyager 2 passou pelo planeta Urano foram descobertos
mais 10 satélites pequenos em órbitas muito próximas a ele. Recentemente, foram descobertos outros
pequenos satélites a grandes distâncias do planeta Urano.

Até a passagem da sonda espacial Voyager 2, conhecia-se apenas dois satélites de Netuno: Tritão, com
cerca de 4000 km de diâmetro, e Nereida, com diâmetro em torno de 300 km, ambos descrevendo
órbitas irregulares. A Voyager descobriu mais um pequeno satélite e outros vêm sendo descobertos nos
últimos anos, situados a grandes distâncias de Netuno.

Nossa Terra se iguala ao gélido Plutão em um aspecto: ambos têm apenas um satélite que, por sua vez,
tem um tamanho comparável com o do planeta em torno do qual ele descreve sua órbita. A Lua tem um
diâmetro de cerca de 3400 km, ou seja, um quarto do diâmetro da Terra. Caronte, satélite de Plutão,
tem cerca de 1200 km de diâmetro, aproximadamente metade do diâmetro do planeta em torno do qual
ele orbita.

Ambos os sistemas, Terra-Lua e Plutão-Caronte, podem ser considerados quase como sistemas binários,
cuja origem ainda é um problema em aberto. No caso da Lua acredita-se que ela seja o resultado da
colisão de um grande corpo com a Terra, já nos estágios finais da formação do nosso planeta. Um fato
que sempre intrigou os pesquisadores foi por que razão a Lua tem uma composição ligeramente
diferente da Terra. Na Lua, em comparação com a Terra, falta ferro e metais além de água e materiais
voláteis. Isso levou os cientistas a supor que uma colisão bem rasante teria arrancado apenas parte da
crosta e do manto da Terra, não atingindo o seu núcleo, que é composto por metais. Este material
arrancado da Terra teria, em seguida, se re-acumulado em órbita em torno do nosso planeta, formando
finalmente a Lua. Por este mecanismo seria explicada a diferença em composição entre a Terra e o seu
satélite.
Outra característica importante nos satélites são os efeitos das chamadas forças de maré. Estas forças
são devidas ao fato dos planetas terem dimensões finitas. Devido a isso a atração gravitacional exercida
pelo satélite em diferentes pontos do planeta não é exatamente igual. Os planetas, por outro lado, não
são perfeitamente rígidos. Consequentemente, as forças de atração exercida pelos satélites nos distintos
pontos dos planetas, chamadas de forças diferenciais, causam distorções nas formas dos planetas.

No caso da Terra e da Lua este efeito produz as conhecidas marés altas. O Sol também produz marés na
Terra, embora com menor eficiência que a Lua. Isto se deve ao fato de que a força de maré é
proporcional à massa do corpo perturbador (ou seja, o corpo que a cria) e ao inverso do cubo da
distância entre os dois corpos. Na realidade as marés que observamos na Terra são uma combinação de
efeitos gerados pela Lua e pelo Sol.
A figura abaixo nos mostra os efeitos das forças de marés exercidas pelo Sol e Lua sobre a Terra.
Quando o Sol e a Lua puxam a Terra fazendo ângulos retos um com o outro, as marés na Terra são
menores do que quando esses dois corpos puxam a Terra do mesmo lado ou então em lados
diametralmente opostos.

A fricção das águas sobre a crosta da Terra envolve uma enorme quantidade de energia. Ao longo de grandes períodos de tempo a
fricção das marés diminui a rotação da Terra. Como conseqüência disso nossos dias estão se tornando cada vez mais longos,
aumentando cerca de 0,002 segundos a cada século. Entretanto, à medida que a rotação da Terra diminui, o momento angular do
sistema Terra-Lua deve permanecer constante.

O que é momento angular?

A diminuição do movimento de rotação da Terra combinado com a exigência física de que o momento angular seja conservado faz com
que a Lua se afaste da Terra e que gire em torno desta cada vez mais lentamente. Deste modo, o mês está se tornando cada vez mais
longo. Estes efeitos somados nos levarão à uma situação tal que, daqui a bilhões de anos, tanto o dia terrestre quanto o período de
rotação da Lua serão iguais. Neste momento a Lua permanecerá num ponto fixo do céu e não haverá mais marés.

Assim como a Lua causa distorções na Terra, nosso satélite também deveria ser distorcido devido à ação gravitacional da Terra já que
pelas leis de Newton a cada força corresponde outra de igual intensidade e em sentido oposto. Entretanto, como a Lua é menor do que a
Terra os efeitos de maré já levaram o sistema a se ajustar numa configuração de mínima dissipação de energia, ou seja, em uma
configuração que chamamos de rotação síncrona. Isto significa que a Lua gira em torno de seu eixo exatamente no mesmo intervalo
de tempo em que completa uma volta em torno da Terra. Nesta configuração as marés que ocorrem na Lua, e que são devidas à atração
gravitacional exercida pela Terra, ocorrem sempre no mesmo ponto, não gerando atrito nem perda de energia. Assim, o fato de sempre
observamos a mesma face da Lua se deve exatamente a este ajuste do sistema Terra-Lua. É importante notar que a maioria dos
satélites planetários se encontra em situações de rotação síncrona com o planeta em torno do qual orbitam.

Asteróides

Os asteróides, por outro lado, são pequenos corpos rochosos ou metálicos que se espalham em uma região localizada entre 2 e 5 UA do
Sol.
Os asteróides estão distribuídos em três regiões principais.

Cinturão Principal
O chamado Cinturão Principal é formado pelos asteróide que estão localizados na região que fica entre os planetas Marte e
Júpiter.
Objetos Próximos à Terra (Near Earth Objects)
Estes objetos estão localizados em órbitas que cruzam aquelas descritas pelos planetas interiores.

Troianos
São os asteróides que descrevem a mesma órbita que o planeta Júpiter.

A distribuição dos asteróides no Cinturão Principal não é homogênea como o nome de "cinturão" poderia nos levar a imaginar. Essa
distribuição foi modelada, devido a ressonâncias com Júpiter, em regiões de maior concentrações e de lacunas.

O que é uma ressonância?

A distribuição dos asteróides nessa região, identificada pelo astrônomo Daniel


Kirkwood em 1896 (imagem a esquerda) quando conheciamos apenas 78 asteróides,
é confirmada até pelas mais recentes estatísticas. As lacunas, em regiões de
ressonância com Júpiter, são chamadas Lacunas de Kirkwood em homenagem a
seu descobridor.
Existem, entretanto, outras estruturas no Cinturão Principal de asteróides. Além
daquelas citadas acima existem outras concentrações visíveis apenas através de
elementos que eliminam os efeitos das perturbações causadas pelos campos
gravitacionais dos planetas. Estas concentrações, as quais seriam resultantes da
fragmentação de algum corpo devido à sua colisão catastrófica com outro corpo, são
chamadas de famílias exatamente para diferenciá-las dos agrupamentos formados
por outros processos dinâmicos.

Atualmente mais de 44 mil asteróides têm denominação definitiva.


Isso indica que eles têm uma órbita bem determinada.

A população dos asteróides maiores e mais brilhantes pode ser


considerada completamente conhecida e os estudos sobre suas
distribuições por tamanhos são bem representativos desta
população. Entretanto, os menores objetos são apenas
parcialmente conhecidos e qualquer estatística sobre esta
população está ainda muito longe de ser representativa. O
conjunto de asteróides conhecidos tem diâmetros que variam
entre 1000 km para Ceres, o maior deles, e algumas dezenas de
metros para asteróides em órbitas próximas à Terra.

Ceres (imagem a direita) é um objeto mais ou


menos esférico e pode representar um corpo
primordial ou seja, um corpo que se originou ao
mesmo tempo que os outros objetos do Sistema
Solar. A maioria dos pequenos asteróides,
entretanto, são muito provavelmente
fragmentos resultantes de colisões, tendo
formas altamente irregulares. Isto vem sendo
confirmado por observações, feitas com radar,
de asteróides que descrevem órbitas próximas à
da Terra. A imagem a esquerda mostra a forma
irregular dos asteróides Mathilda, Gaspra e Ida.

Os asteróides não possuem luz própria mas podem ser observados uma vez que eles refletem a luz solar
incidente sobre eles. As observações do brilho dos asteróides permite-nos obter informações sobre sua
forma, além de nos fornecer algumas propriedades rotacionais desses corpos. Estas são obtidas a partir
da análise de suas curvas de luz.

O que é uma curva de luz?

Através da análise da curva de luz de um asteróide é possível determinarmos a direção de seu eixo de rotação, seu período, sua forma e
até obtermos informações sobre sua composição superficial.

A partir dos estudos das curvas de luz desses objetos sabe-se que a maioria deles gira em torno de seus respectivos eixos com um
período de 9 a 10 h.

A composição química e mineralógica da superfície de um asteróide, por outro lado, é obtida através da análise de seu espectro de
reflexão nos diferentes comprimentos de onda e sua comparação com espectros de meteoritos e minerais obtidos em laboratório.

O que é espectro de reflexão?

A partir do estudo de como os componentes da superfície de um asteróide interagem com a luz solar
incidente é possível identificar a presença (ou ausência), assim como a abundância, de muitos minerais
como piroxênios, olivinas, feldspatos, metais, filo silicatos e hidrocarbonetos, além da água.

Conhecendo um pouco de Geologia


é um mineral petrograficamente muito
importante, que apresenta uma cor variando
entre quase preta e verde escura e com brilho
piroxênios vítreo. Sua composição é variável, podendo ser
Si2O6(Ca, Mn, Na, K)(Mg, Fe, Al).
Os termos entre parênteses mostram as
possíveis composições dos piroxênios.

também chamados de peridotos, as olivinas são


minerais muito refratários, com uma cor que
varia entre verde a verde-escura, castanha ou
olivinas opaca. Seu brilho é vítreo e sua composição é
(Mg, Fe)2SiO4. Os símbolos entre parênteses
significam que as proporções de magnésio e
ferro são variáveis.
formam o grupo mais importante como
constituintes das rochas, perfazendo ao redor de
60% da totalidade dos minerais. Os feldspatos
pertencem ao grupo de minerais compostos por
feldspatos
silicato de alumínio e potássio e/ ou sódio e/ ou
cálcio. São translúcidos ou opacos e podem
apresentar cristais mistos de três componentes:
feldspato potássico, sódico e cálcico.

designação comum aos elementos químicos


metais eletropositivos, em geral sólidos, brilhantes,
bons condutores de calor e eletricidade.

é uma subclasse dos silicatos, que inclue o talco


filosilicatos
e as micas.

compostos constituidos apenas por carbono e


hidrocarbonetos hidrogênio. Entre eles conhecemos o petróleo
cru, os derivados de petróleo e a nafta.

A distribuição dos asteróides com diferentes composições químicas no Cinturão Principal ainda é objeto
de estudo mas, de forma bem geral, sabe-se que aqueles que possuem superfície de piroxênio, olivina e
feldspatos se concentram na parte mais interna do Cinturão. Por outro lado, asteróides cuja superfície é
composta por filosilicatos, por hidrocarbonetos e por água se situam na parte mais externa dessa região.

Nosso conhecimento sobre estes corpos advém basicamente de observações remotas de asteróides,
feitas a partir da Terra, e das análises de meteoritos, feitas em laboratório. Estas duas técnicas têm
abordagens diferentes e são complementares para a obtenção de informações importantes sobre a
origem do Sistema Solar.
Nomes diferentes para objetos quase iguais
alguns dos menores corpos planetários existentes. Eles se situam principalmente, mas não exclusivamente, na região do
asteróides Sistema Solar entre as órbitas de Marte e Júpiter. Os asteróides também são chamados de planetas menores ou
planetesimais.
são objetos sólidos, pedaços de rochas ou de metal, que se deslocam pelo espaço interplanetário, e que possuem
meteoróides dimensões menores do que um asteróide e maiores do que a poeira interplanetária, variando entre 1 micron e uma
dezena de metros. Eles podem dar origem, se entrarem na atmosfera terrestre, a um meteoro ou um bólide.
é o fenômeno luminoso resultante da entrada na atmosfera terrestre de um corpo sólido. Um meteoro é um meteoróide
que entra na atmosfera da Terra e queima completamente, por causa do atrito de sua superfície com essa atmosfera.
Usualmente o meteoro faz um rápido rasto (ou traço) de luz que é visto no céu noturno à medida que ele atravessa a
meteoros atmosfera. Vemos isto constantemente quando meteoróides, na maioria das vezes apenas um pouco maiores do que
poeira interplanetária, queimam à medida que cruzam a atmosfera superior da Terra. Os meteoros são conhecidos
popularmente como Estrelas Cadentes (em inglês "Shooting Stars") embora não tenham, absolutamente, qualquer tipo
de relação com as estrelas. A maioria dos meteoros são destruídos antes de atingirem a superfície da Terra.
é um meteoro particularmente brilhante que, em geral, explode no final de sua trajetória. A União Aastronômica
bólido
Internacional considera que um bólido deva ter uma luminosidade ao menos de magnitude -3.
são rochas de origem extra-terrestre encontrada na superfície da Terra. Um meteorito é uma parte residual de um
meteoróide. Vemos então que um meteorito é um fragmento de rocha, proveniente do espaço, que sobreviveu à sua
meteoritos
queda sobre a Terra. Um meteorito é um meteoro que atingiu a superfície da Terra. Os meteoritos são formados ou por
rocha, ou ferro ou ferro-rochoso. Em geral eles recebem o nome do local onde cairam.
Entenda bem a seqüência:

meteoróide: objetos que vagam pelo espaço, podendo, ou não, entrar na atmosfera da Terra.
meteoro: se entra na atmosfera da Terra e, por causa do atrito, entra em combustão provocando um fenômeno luminoso.
bólide (ou bólido): se entra na atmosfera da terra e explode de modo brilhante.
meteorito: se sobrevive ao atrito com a atmosfera da Terra e colide com a sua superfície, formando uma cratera e deixando
um resíduo.

Abaixo vemos uma reprodução de uma antiga gravura em madeira que registra a queda de um meteorito perto de Ensisheim, na França,
em 1492. O texto em alemão diz: "Da pedra-trovão (que) caiu no ano XCII nas imediações de Ensisheim".

Infelizmente, estabelecer a relação entre um meteorito específico e o asteróides de onde ele veio ou seja, o asteróide progenitor, é
muito dificil de ser realizada. Conseqüentemente, é muito incerta a determinação da origem e da evolução dos meteoritos. Embora as
observações dos asteróides nos forneçam informações muito importantes sobre variações de brilho, propriedades rotacionais, formas
aproximadas e composição superficial, elas muito pouco nos dizem sobre a estrutura interna desses objetos.

Os asteróides que descrevem órbitas próximas à Terra representam um grupo muito especial de objetos já que acreditamos que a
fragmentação deles contribui de forma significativa para o fluxo de meteoritos que são recolhidos aqui na Terra. Com relação às
informações que eles podem nos fornecer a principal desvantagem é que, assim como os meteoritos, estes corpos devem ter perdido
quase toda a memória das regiões onde eles se encontravam antes de terem sido levados a descrever as órbitas que os fizeram ficar
próximos à Terra. A possibilidade de que parte destes corpos provenha de cometas e não de asteróides traz ainda mais complicações
que precisam ser resolvidas.

Outro problema para os astrônomos é o dos asteróides cujas órbitas cruzam a órbita da Terra. Isto equivale a dizer que a Terra e alguns
desses objetos podem, num determinado instante, se encontrar no mesmo ponto do espaço. Nesse caso poderia ocorrer uma colisão
entre eles.

Na verdade isso não chega a ser tão problemático: todos os dias centenas de corpos atingem a Terra mas, devido aos seus pequenos
tamanhos, acabam sendo desintegrados em sua passagem pela atmosfera do nosso planeta. Entretanto, se o corpo for de tamanho
maior, digamos com alguns quilômetros, grande parte dele sobreviverá ao atrito com a atmosfera. Dependendo do seu tamanho, sua
queda na Terra certamente causará danos de dimensões locais, continentais ou globais. A gravidade das conseqüências que ocorrerão
devido a essa colisão, entretanto, não é apenas função do tamanho do objeto mas também de sua estrutura interna. Se o corpo for
altamente coeso, ele resistirá quase intacto à sua travessia pela atmosfera terreste. Se for apenas um agregado de pequenos pedaços
então suas forças de coesão serão praticamente nulas e o corpo será facilmente desintegrado durante a passagem pela atmosfera.
Assim, para quantificar corretamente o perigo que este tipo de objeto pode causar à Terra, é necessário conhecer bem a sua estrutura
interna. Entretanto, não conhecemos ainda a população total de objetos situados em órbitas potencialmente perigosas para a Terra. Este
é o motivo pelo qual várias entidades governamentais dos EUA e da Europa têm se comprometido a providenciar a infra-estrutura
necessária para que se descubra todos os objetos que possam vir algum dia ameaçar, de alguma forma, a Terra.

Cometas

Os cometas são pequenos corpos escuros formados por uma mistura de partículas refratárias, grãos de CHON (contendo carbono,
hidrogênio, oxigênio e nitrogênio), e gelos (predominantemente água). Para que os cometas tenham crescido até o tamanho que
apresentam, que consideramos como sendo planetesimais, o meio interplanetário deve ter sido muito mais denso do que aquele
encontrado nas nuvens moleculares.

O que é uma nuvem molecular?

Isto implica que os cometas devem ter se formado na região do Sistema Solar próxima aos planetas mais externos. Alguns destes
objetos permaneceram nesta região formando o que é hoje conhecido como Cinturão Trans-Netuniano ou Cinturão de Kuiper. A
maioria deles, entretanto, devido a pertubações gravitacionais exercidas pelos planetas exteriores, foi expelida para os limites mais
afastados do Sistema Solar, formando a região chamada Nuvem de Oort, em homenagem ao seu descobridor, o astronômo holandês J.
Oort. Perturbações devidas à passagem de estrelas ou de nuvens moleculares próximas à Nuvem de Oort fazem com que alguns
cometas acabem saindo desta região e se desloquem para as regiões mais internas do Sistema Solar onde o aquecimento pelo Sol
provoca o aparecimento da coma e da cauda tão características nas imagens desses objetos. O valor da massa total da Nuvem de Oort é
bastante controvertido mas pode ser da ordem de 1011 cometas, com massas individuais maiores do que 1012 kg.

A existência de uma nuvem esférica de cometas envolvendo todo o Sistema Solar foi proposta em 1950 a partir da análise da
distribuição dos semi-eixos maiores dos cometas conhecidos na época. Um ano mais tarde foi proposto que também deveria existir uma
região achatada (cinturão) após o planeta Plutão. Mas o primeiro objeto deste cinturão somente viria a ser descoberto mais de quarenta
anos depois, em 1993. Hoje conhecemos mais de 800 objetos deste cinturão, alguns com diâmetro superior àquele do maior dos
asteróide, Ceres.
Os cometas são mais notáveis quando se aproximam do Sol e produzem uma coma de gás e poeira.
Esta coma, entretanto, obscurece o núcleo do cometa impedindo que observemos essa região.
Conseqüentemente, nosso conhecimento das propriedades dos cometas tem vindo apenas das espécies
químicas detectadas nas comas e das especulações sobre os processo físicos e químicos plausíveis. Estas
observações, aliadas a dados das missões espaciais enviadas ao cometa Halley, têm permitido definir a
composição molecular básica dos voláteis presentes nos cometas, 80% destes sendo gelo de água. Os
restantes 20% dos materiais congelados são constituidos por moléculas tais como CO, CO 2, CH4, e NH3,
comuns no Sistema Solar exterior, assim como de moléculas mais complexas, como o H2CO, HCN, C2H2
e, talvez até de longas cadeias de hidrocarbonetos, que revelam a complexidade química que exista na
nebulosa solar primordial que deu origem a todo o Sistema Solar. Entretanto, o estudo das abundâncias
de todos os gelos presentes nos cometas é ainda bastante incipiente e o nosso conhecimento das
variações que existem entre as composições de cometas distintos permanece muito pequeno.

Estudos recentes, a partir de dados obtidos no infravermelho, tendem a indicar que os cometas podem
conter mais poeira do que voláteis. Isto implica que um novo paradigma de cometas considerados como
bola-de-poeira congelada pode substituir o antigo modelo dos cometas como bola-de-neve suja,
proposto por F. Whipple em 1950. Determinar precisamente a quantidade de poeira e de voláteis
presente nos cometas, assim como a abundância de seus componentes moleculares, é desafio
fundamental para melhor entender os estágios iniciais da formação do nosso Sistema Solar.

Anéis Planetários

Quando Galileo Galilei, em 1610, observou pela primeira vez o planeta Saturno, com o seu recém
inventado telescópio, notou que ele tinha uma forma irregular. Para ele essa forma era devida à
presença de dois satélites colocados, simetricamente, nos lados opostos do planeta.

A explicação correta viria apenas em 1654 quando Huygens sugeriu que a forma observada de Saturno
poderia ser explicada pela presença de um disco rígido situado no plano do equador do planeta.

Alguns anos mais tarde, em 1675, Cassini descobriu que este "disco" não era uniforme: ele era formado
por dois anéis separados por uma divisão a qual, desde então, leva seu nome, divisão Cassini. Um
terceiro anel, mais interno, foi descoberto em 1850.

Existia, entretanto, um problema grave: alguns anos antes o filósofo francês Pierre Laplace tinha
demonstrado que um disco rígido não poderia ser estável tendo em vista as poderosas forças de maré
exercidas pelo planeta. Foi o físico inglês James Clerk Maxwell que solucionou o problema sugerindo que
os anéis, na realidade, eram formados por grãos individuais que estavam em rotação em torno do
planeta. Esta teoria seria confirmada observacionalmente anos mais tarde e estudos detalhados dos
anéis se dariam a partir das imagens obtidas pelas sondas espaciais Voyager 1 e 2. O conjunto total dos
anéis de Saturno tem a altura de algumas centenas de metros e a largura de cerca de 200000 km ou
seja, é um sistema extremamente achatado!

Mais de 300 anos depois da descoberta do sistema de anéis de Saturno, em 1977, foi descoberto um
sistema similar de anéis em torno do planeta Urano.

O sistema de anéis de Urano foi descoberto através de uma técnica chamada de técnica de ocultação
estelar. Esse processo consiste em se registrar as variações no brilho de uma estrela quando um
determinado planeta cruza a linha de visada que une o observador terrestre e a estrela.

O que se observa normalmente é que o brilho da estrela permanece constante até que o planeta entra
na linha de visada. Primeiramente é observada apenas uma pequena diminuição no brilho da estrela
devido à passagem de sua luz através da atmosfera do planeta. Entretanto o brilho da estrela
desaparece completamente quando o disco planetário fica exatamente na linha de visada observador-
estela. A medida que o planeta "passa" o brilho da estrela começa novamente a aparecer até se manter
constante novamente. A análise do intervalo de tempo em que o brilho da estrela desapareceu
completamente, de como o brilho diminuiu e de como aumentou novamente permite obter dados muito
precisos sobre a atmosfera do planeta e também sobre a forma que ele possui. Para surpresa dos
pesquisadores, quando esta técnica foi aplicada a Urano, o brilho da estrela sofreu algumas pequenas,
mas perceptíveis, diminuições antes e depois da sua ocultação pelo planeta. Isto foi modelado como
sendo produzido por um sistema de anéis em órbita em torno de Urano.

Quando a sonda Voyager passou próxima a Urano as imagens obtidas por ela comprovaram que esta era
de fato a explicação correta. Hoje sabemos que o sistema de anéis de Urano é formado por nove anéis
com uma altura de dezenas de metros e uma largura de apenas 10 km.

A mesma técnica de ocultação estelar também permitiu a detecção de anéis em torno de Netuno, em
1985.
Entretanto, apenas a sonda espacial Voyager 1 conseguiu descobrir o sistema de anéis que Júpiter
possue.

Em todos estes casos os anéis são estruturas largas, mas muito finas, compostas por partículas de gelo
de água, com tamanhos que variam entre um grão de areia e uma casa. Cada partícula tem uma órbita
própria em torno do planeta sendo que as partículas mais internas se movem mais rapidamente do que
as externas. A alta concentração de partículas neste disco faz com que interações gravitacionais mútuas
produzam estruturas tipo ondas.

Existem basicamente duas teorias que explicam a formação dos anéis planetários. A primeira sugere que
os anéis seriam os remanescentes da fragmentação de um satélite. A segunda, parte de uma premissa
distinta, ou seja, de que existia um anel de partículas as quais não conseguiram se aglutinar para formar
um satélite. Lembramos que próximo ao planeta as forças de maré tendem a destruir qualquer corpo
rígido ou a fazer com que partículas não se aglutinem. Teoricamente existe um limite, chamado de
limite de Roche dentro do qual a força de maré é superior à força de coesão de um corpo. É
importante notar que todos os anéis planetários, com exceção de um dos anéis de Netuno, estão dentro
deste limite.

As imagens obtidas pelas sondas Voyager mostraram que, dentro dos anéis, existem vários tipos de
estruturas complexas. Estudos tem demonstrado que a maioria destas estruturas é devida à presença de
satélites nessas regiões. Se não existissem esses satélites os anéis seriam chatos e sem estruturas. Para
sermos mais precisos, deveriamos dizer que se não existissem os satélites também não existiriam os
anéis. Isto porque, sem a presença dos satélites, as partículas se espalhariam e se dissipariam em pouco
tempo.

Sabe-se que a maioria das divisões existentes nos anéis de Saturno resultam de interações
gravitacionais com algum pequeno satélite. Alguns anéis também têm uma borda bem definida devido à
presença de satélites que os mantém confinados, assim como um pastor mantém suas ovelhas dentro
de um pasto. O nome de satélites pastores vem exatamente desta analogia.

Até aqui tudo o que foi dito sobre o Sistema Solar se ateve apenas a uma descrição das propriedades
dos corpos que o compõe. Em momento algum foram feitas perguntas do tipo: porque é assim? Sempre
foi assim? Como tudo isso se formou? Por isso, antes de iniciarmos uma análise bem detalhadas dos
corpos planetários vamos descrever como acreditamos que o Sistema Solar tenha se formado.
O momento angular dos corpos celestes

Sempre que trabalharmos com corpos que realizam um movimento de rotação em torno de um ponto fixo, sejam eles planetas ou
qualquer outro objeto, temos que considerar uma grandeza física chamada momento angular.

O momento angular de um corpo, sempre representado pela letra L, é definido como o produto de três quantidades:

a massa (m) do corpo que está em rotação.


a velocidade v do corpo.
a distância r medida do corpo até o ponto fixo em torno do qual ele está girando.

O momento angular é, portanto, escrito como,

L=mvr

Os planetas, devido ao seu movimento de translação em torno do Sol, possuem momento angular. Podemos calcular o momento angular
de todos os planetas uma vez que conhecemos suas distâncias ao Sol, suas massas e suas velocidades de rotação.

Se as três quantidades acima permanecem constantes, ou seja, se o movimento de rotação ocorre a uma velocidade constante e a uma
distância fixa do centro de rotação, então o momento angular também será constante. Dizemos então que o momento angular foi
conservado.

É importante notar que para haver conservação do momento angular é necessário que nem a sua magnitude nem a sua direção varie no
tempo.

De um modo geral o momento angular é constante, ou conservado, em qualquer sistema em rotação sobre o qual não esteja atuando
nenhuma força externa, ou no qual a força esteja dirigida para o centro de rotação.

O exemplo mais clássico de conservação do momento angular é um planeta em órbita em torno do Sol, como nos mostra a segunda lei
de Kepler.

Johannes Kepler, filósofo natural alemão que viveu no século XVI, postulou três leis sobre o movimento dos corpos celestes. Segundo
Kepler

as órbitas dos planetas são elipses onde o Sol ocupa um dos focos (primeira lei)

os planetas percorrem áreas iguais da sua órbita em intervalos de tempos iguais (segunda lei)

o quadrado do período orbital é proporcional ao cubo das distâncias planetárias medidas a partir do Sol (terceira lei)

A segunda lei de Kepler substitui a idéia de que os planetas se movem com velocidades uniformes em
torno de suas órbitas pela observação de que os planetas se movem mais rapidamente quando estão
mais próximos do Sol e mais lentamente quando estão mais afastados.
Assim, à medida que um planeta, ao descrever sua órbita elíptica, se aproxima do Sol, sua velocidade
aumenta de forma que o produto distância (que diminuiu) x velocidade (que aumenta) x massa (que
permaneceu constante) permaneça com o mesmo valor, ou seja, que seja mantido constante o seu
momento angular.
Analogamente, quando o planeta se encontra mais longe do Sol, tendo em vista que sua distância
aumenta, sua velocidade tem que diminuir para que o momento angular permaneça constante.
O que é ressonância?
Ao estudarmos os movimentos dos planetas ao redor do Sol verificamos que eles descrevem esses
percursos em intervalos de tempo diferentes. Notamos que os planetas internos possuem velocidades
maiores se comparadas com os planetas exteriores. Isso significa que enquanto um planeta interior dá
"várias" voltas em torno do Sol, um planeta exterior completa apenas uma volta.

Esse problema, relacionado com a dinâmica dos planetas, é o conceito de ressonância.

Definimos ressonância como sendo a situação em que a velocidade média de dois, ou mais, corpos tem
uma razão próxima de números inteiros. No caso dos corpos do Sistema Solar a velocidade média nada
mais é do que o tempo que levam para dar uma volta em torno do Sol, ou seja, seu período orbital.
Então podemos redefinir uma ressonância como sendo a situação na qual o período orbital de dois
corpos está numa razão próxima de dois número inteiros, em geral, pequenos.

Um exemplo disto são os planetas Netuno e Plutão que estão numa ressonância chamada 3:2. Isso quer
dizer que enquanto Netuno da três voltas em torno do Sol, Plutão da duas.
O que é uma curva de luz?
Chama-se curva de luz de um objeto a variação de sua luminosidade ao longo de um intervalo de
tempo.

Devido à forma irregular apresentada pelos pequenos corpos do Sistema Solar ou seja, asteróides e
cometas, à medida que eles giram em torno do seu eixo podemos ver partes diferentes da sua
superfície.

A figura esquemática apresentada abaixo mostra o que acontece nesse caso. Suponha que estamos
observando um asteróide com a forma de um charuto. No desenho da extrema esquerda estamos
observando o asteróide de frente, vendo a sua maior área. Nesse caso a quantidade de luz refletida por
ele atinge o valor máximo. À medida que ele gira, a superfície refletora vai diminuindo de tamanho.
Conseqüentemente a curva de luz diminui gradualmente de valor até atingir o seu mínimo quando o
asteróide está de perfil para nós. Como ele continua a girar, logo começa a mostrar de novo uma área
superficial maior e, conseqüentemente, a curva de luz começa a aumentar até atingir novamente o seu
valor máximo.

O que os astrônomos obtém são medidas isoladas, pontos que ao serem dispostos em um gráfico
mostram a variação da luminosidade do corpo com o passar do tempo. Abaixo mostramos a curva de luz
real determinada para o asteróide 621 Werdandi.
Espectro de reflexão
Sabemos que a luz ao atravessar um prisma é decomposta em suas cores espectrais, como mostra a figura abaixo:

Quando estudamos os corpos celestes vemos que, dependendo de que modo a luz chega até o observador, os espectros obtidos podem
ser classificados como:

Espectro contínuo

O espectro contínuo é mostrado na figura abaixo.


Espectro de emissão

A figura mostra como é formado um espectro de emissão.

Espectro de absorção Este é o processo de formação de um espectro de absorção.

No caso dos asteróides e cometas, sabemos que esses pequenos corpos não emitem luz própria. Nós os vemos devido ao fato deles
refletirem a luz solar incidente sobre eles.

Essa luz, ao ser capturada pelos detectores acoplados aos telescópios, nos fornece os espectros desses corpos. Só que, nesse caso, uma
vez que o espectro obtido é formado a partir de luz refletida, damos a ele o nome de espectro de reflexão.

Os astrônomos ao capturarem o espectro de reflexão de um asteróide ou cometa, subtraem dele o espectro correspondente àquele de
uma estrela análoga ao Sol e, em seguida, examinando as informações contidas no espectro resultante, determinam a composição
química do pequeno corpo, como mostram os três gráficos abaixo.
Nuvens moleculares
Sabemos que o Sistema Solar é apenas uma pequeníssima parte de um conjunto muito maior que é a
Galáxia em que vivemos.

Nossa Galáxia é um sistema bastante complexo de inúmeros objetos, estrelas, nebulosas gasosas,
nebulosas planetárias, etc. Calcula-se que a nossa Galáxia é formada pelo extraordinário conjunto de
1013 estrelas que, certamente, possuem inúmeros sistemas planetários, alguns dos quais têm sido
descobertos nos últimos tempos.

Os astrônomos sempre perguntaram como teriam surgido as estrelas que compõem não só a nossa
Galáxia mas também todas as outras galáxias, bilhões delas, que formam o Universo. Hoje sabemos que
no meio interestelar, o espaço que existe entre as estrelas, encontramos grandes quantidades de gás e
poeira. Em certas regiões esse gás encontra-se mais concentrado formando as chamadas nebulosas.
Algumas dessas nebulosas são imensas, se estendendo por vários anos-luz. A composição dessas
regiões é hoje conhecida: são imensas nuvens formadas por gás, principalmente hidrogênio atômico, e
por grãos de poeira.

No entanto, existem algumas nuvens em que a concentração de poeira é anormalmente grande, se


comparada com os valores normalmente medidos nas outras nuvens. Por essa razão essas nuvens
apresentam regiões que são bem mais escuras do que aquelas que as envolvem. No interior dessas
regiões escuras, onde a temperatura atinge apenas 50 K, são formadas moléculas de diversos
compostos, em geral compostos orgânicos. Nelas encontramos moléculas de monóxido de carbono (CO),
amonia (NH3), formaldeido (H2CO), ácido fórmico (HCOOH), álcool metílico (CH3OH), etc.

Essas nuvens, que se caracterizam por serem imensas, por apresentarem um grande número de
moléculas nas suas regiões mais internas e mais frias e serem formadas principalmente por hidrogênio
molecular (H2), damos o nome de nuvens moleculares.
Essa nuvens são realmente imensas e, por essa razão, elas são chamadas de nuvens moleculares
gigantes. Em média a massa dessas nuvens está em um intervalo entre 105 a 2 x 106 vezes maior do
que a massa do Sol.
Essa imagem nos mostra nuvens moleculares gigantes existentes na região do Orion, e que formam a
nebulosa Orion, também conhecida como M42.
É no interior dessas nuvens moleculares que as estrelas são formadas.Isso ocorre quando uma nuvem molecular colapsa em função da
auto-gravidade entre suas partículas e dá inicio a um processo que culminará com a formação de várias estrelas, em geral.
A imagem abaixo mostra a nebulosa Águia, onde o Hubble Space Telescope observou pilares gasosos, nuvens moleculares gigantes onde
está acontecendo continua formação de estrelas.

A partir dessa descrição podemos dizer que na região onde hoje existe o Sistema Solar, havia anteriormente uma nuvem molecular
gigante que, ao colapsar deu origem ao Sol e, posteriormente, ao conjunto de planetas que o acompanham.
A Formação do Sistema Solar
São inúmeras as teorias de formação do Sistema Solar. Como os planetas, e certamente a Lua, são os
objetos mais brilhantes no céu em qualquer época do ano, os povos antigos sempre criaram mitologias
que procuravam explicar como esses objetos se formaram. É claro que eles não possuiam a visão geral
de que existia um sistema planetário que girava em torno do Sol mas a simples presença desses objetos
brilhantes chamou a atenção de pensadores daquelas épocas que se esforçaram para criar histórias
sobre o que era observado. Mesopotâmeos, egípcios, gregos, maias, astecas e os povos indígenas
brasileiros, todos têm teorias sobre a formação dos corpos celestes que pertencem ao Sistema Solar e
que vemos no céu noturno.

Embora essas mitologias sejam muito bonitas, a ciência precisa mais do que mitos para explicar os
fenômenos e a existência dos objetos que observa. E foi certamente o acúmulo de observações
realizadas pelos astrônomos que nos levou às modernas teorias cosmogônicas, ou seja, teorias sobre a
formação do Sistema Solar, que conhecemos hoje.

Sempre que pensamos sobre a formação do Sistema Solar duas perguntas surgem instantaneamente:

Os planetas foram formados a partir de que tipo de matéria? Teriam eles sido formados por
matéria "fria", ou seja, formados desde o seu início como planetas? Ou teriam eles como
origem matéria "quente", ou seja, seriam o resíduo de uma estrela que foi "apagando" e que se
transformou, finalmente, em um planeta?

Os planetas foram formados ao mesmo tempo que o Sol ou eram astros errantes que vagavam
pelos espaço e foram capturados em algum momento pelo Sol?

A procura por uma resposta coerente para estas perguntas foi responsável pela elaboração de mais do
que 50 teorias científicas nos últimos 300 anos.
De forma bem geral podemos dizer que todas estas teorias podem ser separadas em três grupos:

turbulentas

catastróficas

nebulares

Vejamos alguns detalhes sobre essas teorias.

As teorias turbulentas

A primeira teoria (quase)-científica sobre a formação do Sistema Solar foi


elaborada por René Descartes em meados do século XVII, e publicadas no
seu livro "Discours de la Mèthode".
Este grande filósofo francês postulou que deve ter existido em algum
momento um sistema de vórtices imersos em um meio totalmente
preenchido por um misterioso "éter". Estes vórtices teriam dado origem ao
Sol e aos planetas que giram em torno dele.

Mais recentemente as idéias de Descartes foram reelaboradas tendo sido


postulada que em torno do Sol deveria existir uma atmosfera turbulenta, e
em rotação. Esta turbulência teria dado origem aos planetas. No entanto,
até hoje não ficou muito claro porque deveria existir esta turbulência!
As teorias catastróficas

O segundo tipo de teoria, a catastrófica, foi inicialmente formulada por George


Louis Leclerc, conde de Buffon (imagem a direita), em 1765. Ele propôs que a
colisão de um cometa com o Sol teria arrancado parte da matéria dessa
estrela. Mais tarde essa matéria teria se recondensado formando os planetas
que conhecemos.

Essa teoria é bem característica dos conhecimentos astronômicos da sua


época. Antigamente achava-se que os cometas eram corpos com muita massa.
Entretanto, as observações nos mostraram que eles são os menores objetos
do Sistema Solar, ou seja, uma colisão de um
cometa com o Sol teria apenas feito "cócegas" na
nossa estrela!

Hoje sabemos que a queda de cometas no Sol é


um fenômeno comum e, ao contrário do que essa
teoria dizia, certamente novos sistemas
planetários não estão sendo formados à nossa volta. O filme abaixo, feito
pela sonda espacial SOHO, em órbita em torno dos polos do Sol, nos mostra
o momento em que dois cometas mergulharam na sua direção sendo
incorporados ao seu "patrimônio" de matéria. O SOHO é um projeto
conjunto da National Aeronautics and Space Administration (NASA) e da
European Space Agency (ESA).

Veja aqui o filme feito pela sonda espacial SOHO da NASA/ESA


mostrando a queda de dois cometas no Sol (Para visualização é necessário QuickTime)

Esta teoria foi revista por James Hopwood Jeans (imagem a esquerda) e
Harold Jeffreys (imagem a direita) em 1916, os quais propuseram que a
colisão não teria sido com um cometa, mas sim com uma outra estrela.

Na realidade, segundo esta teoria nem precisaria ter ocorrido propriamente


uma colisão física entre o Sol e outra estrela. Uma grande aproximação
entre esses astros já seria suficiente para "arrancar" uma grande
quantidade de matéria do Sol.

Esta teoria sofre, entretanto, de um problema muito sério: uma


aproximação desta forma deve inicialmente produzir um gás muito quente.
Por causa da sua alta temperatura esse gás se expandiria muito
rapidamente, o que não permitiria que fossem criadas condensações, ou
seja, corpos celestes!

As teorias nebulares

Finalmente, o terceiro tipo de teoria, a


chamada teoria nebular, foi proposta
independentemente pelo filósofo alemão
Emmanuel Kant (a esquerda), em 1755, e pelo
filósofo francês Pierre Simon, marquês de
Laplace (a direita), em 1796.

Essa teoria, fundamento das teorias mais


modernas sobre a formação do Sistema Solar,
hoje é conhecida como a hipótese de Kant-
Laplace.

Segundo a teoria nebular de Kante e Laplace


inicialmente teria existido, na região onde hoje
está o Sistema Solar, uma enorme nuvem difusa formada por gás e poeira.
Essa nuvem, que girava lentamente, foi chamada de nebulosa proto-solar.
Devido à sua auto-gravidade, ou seja, à gravidade que as
partículas que formavam a nuvem exerciam umas sobre as
outras, a nuvem gasosa teria iniciado um processo gradual de
contração. À medida que a nuvem se contraia sua velocidade
de rotação foi aumentando gradualmente, como exige uma das
leis fundamentais de conservação, a conservação do momento
angular.

Conseqüentemente a força centrífuga teria obrigado a nuvem a


ejetar anéis de matéria. Posteriormente, esses anéis foram se
condensando o que levou, finalmente, à formação dos
planetas.

Esta teoria foi sendo refinada ao longo dos anos por eminentes
pesquisadores como Safronov (1969), Cameron (1969), Hayashi (1970). Ela passou, então, a ser a mais
aceita entre todas as teorias, sendo agora conhecida como "modelo padrão". É essa teoria que
descreveremos a seguir.

A história nos mostra que muitas vezes a elaboração de teorias físicas parte da observação dos
fenômenos que queremos modelar. Iniciaremos, portanto, nossa discussão fazendo uma revisão dos
dados que temos à nossa disposição e que devem ser usados para a elaboraração de um modelo que
consiga explicar como foi formado o Sistema Solar.

Os vínculos observacionais

O primeiro dado observacional que temos à nossa disposição é a rotação dos corpos do Sistema Solar.
Como já foi dito, todos os planetas giram em torno do Sol realizando um movimento de translação que
ocorre em uma mesma direção. O Sol, por sua vez, gira em torno de seu eixo de rotação na mesma
direção do movimento de translação dos planetas. Sabemos também que todos os planetas, com
exceção de Vênus, giram em torno de seu eixo, também na mesma direção que a rotação do Sol. Estes
fatos nos indicam, portanto, que o Sistema Solar como um todo, ou seja, o Sol e os planetas, se
originaram de algo que estava "em rotação".
Outro dado observacional pode ser obtido a partir da análise das órbitas planetárias. Como foi visto
anteriormente, todas as órbitas dos planetas são quase-circulares e, principalmente, têm inclinações
pequenas. Isto quer dizer que o Sistema Solar se formou a partir de algo que era inicialmente
"achatado", semelhante a um disco.

A análise da composição química dos corpos do Sistema Solar também nos dá informações sobre a sua
formação. As observações têm nos revelado que existem variações na composição química dos planetas,
a qual dependem das distâncias deles ao Sol. No entanto, todos as composições químicas planetárias
são muito similares, o que poderíamos chamar de "composição solar". Em outros termos, a análise
composicional dos planetas nos indica que sua formação ocorreu a partir de uma única mistura de
elementos. O fato de termos planetas terrestres, com uma composição dominada por oxigênio, e
planetas gigantes, com composição dominada por hidrogênio, pode ser explicado em termos apenas do
grau de aquecimento recebido por esses corpos a partir da estrela central. Não é, portanto, necessário
apelar para misturas de elementos distintos! Ou seja, tudo se formou a partir de uma composição única.

Vários testes distintos em corpos planetários diferentes têm nos fornecido também uma única idade de
solidificação para eles, correspondente a cerca de 4,55 x 109 anos. Este é um dado muito importante
pois nos indica que todo o sistema planetário foi formado ao mesmo tempo, exatamente há cerca de 4,5
bilhões de anos.

Por fim, o dado que poderíamos chamar de mais importante: o momento cinético. Sabemos que cerca
de 99,8% de toda a massa do Sistema Solar se concentra em um único corpo, o Sol. Por outro lado, o
Sol gira em torno do seu eixo muito lentamente enquanto que os planetas, em particular os gigantes,
giram mais rapidamente. Em outros termos: embora a massa do Sistema Solar esteja concentrada no
corpo central, o momento angular está concentrado nos planetas, mais precisamente, em Júpiter.

A partir do que foi descrito acima podemos dizer que qualquer modelo de formação do Sistema Solar
deve satisfazer aos seguintes vínculos observacionais, justificando:

1. a direção de rotação única

2. as órbitas serem co-planares e quase-circulares

3. a composição química única observada

4. a mesma idade para todo o sistema planetário, cerca de 4,55 bilhões de anos

5. a massa concentrada no Sol e o momento angular concentrado nos planetas

É importante ressaltar que até hoje apenas uma teoria conseguiu satisfazer todos estes vínculos: o
chamado "modelo padrão".

O "modelo padrão"

Pela teoria nebular de Kant-Laplace, o Sistema Solar teria se formado a partir do colapso de uma nuvem
primordial, em rotação, formada por gás e poeira. Este modelo permite que o sistema assim formado
tenha uma rotação única, uma composição única e também tenha uma única idade. Isso nos diz que
esse modelo satisfaz os vínculos (1), (3) e (4) citados acima.

Ainda segundo este modelo, à medida que a nuvem colapsa ela passa a girar cada vez mais rapidamente
até o ponto de expelir anéis de matéria a partir dos quais se formariam então os planetas.

No entanto, este processo de ejeção de anéis não obriga os planetas a serem formados todos num
mesmo plano! Mais grave ainda é que, baseado nesse argumento, o Sol deveria girar mais rapidamente
do que os planetas, o que sabemos não ser verdade. Logo, a teoria nebular de Kant-Laplace falha ao
examinarmos os vínculos (2) e (5) descritos acima.

O vínculo (2), quando analisado em detalhe, nos fornece parte da solução do problema. Órbitas co-
planares indicam a formação num plano, ou seja, a partir de uma estrutura fina como um disco!
Podemos, então, introduzir a seguinte modificação no modelo de Kant-Laplace: à medida que a nuvem
proto-solar colapsa, a matéria vai se distribuindo num disco fino. Ao longo desse disco a massa vai
sendo transferida para o centro ao mesmo tempo em que o momento angular é transferido para a
periferia. Com isto, o vínculo (5) é satisfeito.
Assim, a formação de um disco fino a partir do colapso de uma nuvem de gás e poeira permite que o
modelo de Kant-Laplace satisfaça todos os vínculos impostos pela observação. Essa transferência de
massa para o centro e de rotação para a periferia pode ser obtida considerando-se a formação de linhas
de campo magnético no disco em rotação.

Resta agora especificar como foram formados os planetas a partir do disco. Basicamente temos duas
formas: ou quebrando o disco em nove pedaços ou construindo os nove corpos a partir da junção de
pedacinhos menores que formam inicialmente o disco.

Estas duas formas deram origem a distintas teorias que fazem intervir na história da formação do
Sistema Solar processos físicos bem diferentes: instabilidades gravitacionais ou condensação e
aglutinação.

As teorias de instabilidades gravitacionais

Uma destas teorias propõe que instabilidades gravitacionais foram se formando em um disco cuja massa
seria da ordem da massa do Sol. Estas instabilidades teriam dado origem a protoplanetas, os quais
foram capturando cada vez mais matéria até se tornarem os planetas que conhecemos hoje.

Este modelo, desenvolvido por Cameron em 1969, passou a ser conhecido como o "modelo de grande
massa", já que para iniciar as instabilidades gravitacionais é necessário que o disco tenha muita massa.

Este modelo sofre, entretanto, de um grave problema. Nós sabemos que a massa de todos os planetas
juntos não passa de 0,01% da massa do Sol, para onde foi o restante da massa que estava inicialmente
no disco?

Para solucionar esse problema os defensores dessa teoria propuseram que, em um momento do estágio
final da formação do Sol, esse astro teria gerado um vento muito forte que teria "limpado" o disco.
Sabemos hoje que algumas estrelas ao se formarem passam por uma fase chamada "T-Tauri". Durante
esse estágio essas estrelas são capazes de ejetar muita matéria, o chamado "processo de perda de
massa". No entanto, ainda não foi observada nenhuma estrela cuja perda de massa seja tão intensa
quanto a que deveria ter acontecido no Sol para realizar essa "limpeza" espacial.
As teorias de condensação

A outra teoria, formulada por Safronov também em 1969, propõe que os planetas foram construidos a partir da condensação do gás
com os grãos de poeira existentes no disco. Durante esse processo corpos, cujos tamanhos variavam de alguns microns a alguns
centímetros, foram sendo formados. Posteriormente, estes corpos foram se aglutinando formando corpos maiores, chamados
planetesimais, cujos tamanhos variavam entre alguns metros e alguns quilômetros.

A aglutinação se deu a partir de suaves colisões entre planetesimais que estavam em rotação no disco, como
mostramos abaixo.
Deve ser salientado que este processo somente pode ocorrer se as órbitas dos corpos se encontram
aproximadamente num mesmo plano e são quase-circulares. Se essas órbitas fossem excêntricas, as
colisões se dariam com uma certa velocidade uma vez que numa órbita mais elíptica temos diferenças
de velocidades entre o afélio e o periélio. Se uma colisão ocorre quando os dois corpos estão no periélio,
então ambos estarão em alta velocidade e o resultado será a fragmentação dos corpos e não a sua
aglutinação. Esse processo parece ter ocorrido na região situada entre Marte e Júpiter, quando as órbitas
dos planetesimais passaram a ter altas excentricidades e velocidades relativas, com a conseqüente
interrupção no processo de formação de mais um planeta.

O modelo acima difere do proposto por Cameron não apenas na hipótese do processo físico de formação
dos planetas, mas, principalmente, no valor atribuido à massa do disco. Por este modelo é possível
formar os planetas a partir de um disco com massa da ordem de 10 -2 da massa do Sol. Assim, este
modelo satisfaz todos os vínculos dados pela observação sem precisar apelar para processos que não
são observados em outros objetos estelares.

Por tudo isto, o modelo proposto por Safronov é atualmente reconhecido como o que melhor descreve a
formação do Sistema Solar e recebe o nome de modelo padrão.
Obviamente, como tudo em ciência, muitos pontos desse modelo ainda precisam de estudos mais
detalhados. No entanto, os processos básicos, principais, estão descritos e são coerentes com as
observações.

É importante lembrar que um modelo científico deve não apenas satisfazer os dados observacionais mas
também propor alguma nova observação que comprove que ele está correto. Quanto ao modelo
padrão esse traz embutida uma hipótese fundamental: o processo pelo qual o Sistema Solar se formou
é um processo comum de formação estelar. Logo, ele supõe que deveríamos encontrar não apenas
muitos outros sistemas planetários, mas também muitos objetos nos estágios intermediários de
formação.

É exatamente isto que vem sendo comprovado nos últimos anos! Na Nebulosa Orion (imagem abaixo),
por exemplo, tem sido observada a formação de estrelas a partir do colapso de pequenas nuvens.
Na nebulosa Orion o telescópio espacial Hubble conseguiu observar objetos em forma de ovais os quais
têm, em seu centro, uma estrela em formação enquanto ao seu redor existe poeira e gás.

A descoberta do disco de poeira de ß-Pictoris (imagem ao lado) e, mais recentemente, de discos de


poeira em torno de outras estrelas também comprovam a
existência desta fase na formação planetária. Especificamente
no caso de ß-Pictoris, acredita-se que um sistema planetário
esteja em adiantado estágio de formação.

Podemos concluir, portanto, que o "modelo padrão" não


apenas representa bem o que é observado no Sistema Solar,
mas também é bem sucedido quando propõe o que podemos
esperar a mais dele. Ele é o que poderíamos chamar de um
"modelo científico (quase) perfeito"!
Mercúrio

Mercúrio é o primeiro planeta a partir do Sol sendo, portanto, o mais próximo a ele.
Mercúrio é o segundo menor planeta do Sistema Solar. Mercúrio só é maior do que o
planeta Anão Plutão.
Mercúrio é o menor entre os planetas rochosos ou terrestres que, como sabemos, são
Mercúrio, Vênus, Terra e Marte.
Diâmetro de Mercúrio: 4878 quilômetros.
Seu diâmetro é cerca de 38% menor do que o da Terra e cerca de 40% maior do que o da
Lua.
Mercúrio é menor do que Ganimedes, satélite de Júpiter, e de Titã, satélite de Saturno.
Órbita de Mercúrio: 57 910 000 quilômetros do Sol, ou 0,3871 unidades astronômicas
(U.A.).
Massa de Mercúrio: 3,303 x 1023 quilogramas.
Mercúrio, Vênus, Terra e Marte são os chamados planetas terrestres, ou rochosos.
Mercúrio não possui satélites naturais.
Mercúrio possui uma atmosfera extremamente tênue.
Mercúrio nunca aparece a mais de 27o e 45' do Sol.
A magnitude aparente de Mercúrio, visto da Terra, varia entre -1,5 e +2,5.

Entre todos os planetas terrestres Mercúrio é um extremo: ele é o menor de todos, o mais denso
entre eles (após corrigirmos a auto-compressão), aquele com a mais velha superfície, aquele com a
maior de todas as variações diárias na temperatura da superfície, e o menos explorado entre eles.
Compreender por que Mercúrio apresenta estas características tão singulares entre os planetas
terrestres é crucial para que possamos ter uma melhor compreensão de como a Terra se formou,
como ela evoluiu, e como ela interage com o Sol.

Por que o nome?

Mercúrio recebeu este nome dado pelos romanos em homenagem ao mensageiro alado dos deuses
do Olimpo. O motivo é que o planeta Mercúrio parecia se mover mais rapidamente do que
qualquer outro planeta no céu.

Dados Essenciais (aproximados) sobre Mercúrio


distancia média ao Sol
57 910 000 km (0,3871 U.A.)
(órbita)

distancia média ao Sol comparada com a distância Mercúrio está 0,3871 vezes mais próximo do Sol do que a
média Terra-Sol Terra

duração do ano em dias terrestres


87,969 dias terrestres
(período de revolução ou período orbital)

duração do dia (no equador) em dias terrestres


58,6462 dias terrestres
(período de rotação)

velocidade orbital média 47,88 km/segundo

diametro (equatorial) 4878 km (0,38252 vezes o diametro da Terra)

raio (equatorial) 2439 km (0,38252 vezes o raio da Terra)

massa 3,303 x 1023 kg (5,5271 x 10-2 vezes a massa da Terra)

densidade média
5,42 gramas/centímetro cúbico
(densidade da água = 1)

2,78 metros/segundo ao quadrado (0,38 vezes menor que


gravidade na superfície (equatorial)
o valor da gravidade da Terra)

velocidade de escape (equatorial) 4,25 km/segundo

a mais alta: 467oC


temperaturas extremas na superfície
a mais baixa: -183oC

temperatura média na superfície 179o Celsius

hélio (42%), sódio (42%), oxigênio (15%), outros gases


principais gases da atmosfera
(1%)
pressão atmosférica 7 x 10-12 milibars

satélites conhecidos não tem

anéis não tem

excentricidade da órbita
0,2056
(desvio da órbita circular que tem excentricidade 0)

obliquidade
o
(inclinação do eixo de Mercúrio ou inclinação do seu 0,00
equador em relação à eclíptica)

achatamento de Mercúrio 0

inclinação orbital
(inclinação do plano da órbita de Mercúrio em relação 7,004o
ao plano da eclíptica)

albedo geométrico visual


0,10
(reflectividade)

magnitude (Vo) -1,9

A órbita de Mercúrio

Já vimos que Mercúrio é o planeta mais próximo ao Sol. De todos os planetas pertencentes ao
Sistema Solar, com exceção do planeta anão Plutão, Mercúrio é o que possui a órbita mais elíptica.
A órbita de Plutão tem 0,246 de excentricidade e a de Mercúrio tem 0,206. Depois dele o planeta
com maior excentricidade é Marte com 0,093.
Por causa desta órbita elíptica Mercúrio se aproxima bastante do Sol, chegando a cerca de 46
milhões de quilômetros (0,308 U.A.) e em seguida se afasta até atingir a distância de 70 milhões de
quilômetros (0,466 U.A.).
Devido à excentricidade de sua órbita o diâmetro aparente do Sol, visto da superfície de Mercúrio,
varia de 1,4o no afélio a 1,8o no periélio. Isto é de duas a três vezes o diâmetro do Sol visto da
Terra.
Mercúrio recebe mais do que duas vezes mais radiação solar quando está mais próximo do Sol do
que quando está mais afastado.
Um dos aspetos mais característicos da órbita de Mercúrio é a relação entre o seu período
rotacional e o seu período orbital.
Mercúrio gira em torno do seu eixo uma vez a cada 58,646 dias terrestres.
Mercúrio circula em torno do Sol uma vez a cada 87,969 dias terrestres.
Como conseqüência disso Mercúrio realiza três voltas em torno do seu eixo (175,9 dias terrestres)
enquanto dá duas voltas em torno do Sol (175,8 dias terrestres).
Assim, em relação às estrelas o planeta Mercúrio faz uma volta completa em torno do seu eixo
("dia sideral") em 58,9 dias terrestres mas, em relação ao Sol, o "dia solar" de Mercúrio dura 176
dias terrestres!
Isto quer dizer que o dia em Mercúrio, ou seja, o intervalo de tempo entre dois consecutivos nascer
do Sol no céu deste planeta, leva dois anos de Mercúrio!
Vemos, portanto, que curiosamente o dia solar de Mercúrio é maior do que o seu ano sideral, uma
particularidade única deste planeta.
Os trânsitos de Mercúrio

Por ser um planeta interno Mercúrio, assim como Vênus, pode ser observado, do nosso planeta,
cruzando à frente do disco solar.
Isto só ocorre quando Mercúrio se encontra na chamada "conjunção inferior". A cada 116 dias
Mercúrio passa entre a Terra e o Sol, na sua conjunção inferior.
Além disso, levando em conta a inclinação da órbita de Mercúrio, seu trânsito só é observado se o
planeta está nas próximidades do seu nodo ascendente ou nodo descendente.
O trânsito só pode ocorrer nos meses de maio ou novembro por que é nestes períodos que
Mercúrio atravessa os nodos ascendentes e descendentes de sua órbita.
Ocorrem apenas 13 ou 14 trânsitos observáveis de Mercúrio pelo disco solar a cada século. O
último trânsito de Mercúrio sobre o disco solar aconteceu em 7 de maio de 2003. Na imagem
abaixo vemos o disco de Mercúrio projetado sobre o disco solar durante este trânsito.
As perguntas fundamentais sobre Mercúrio ainda não respondidas

Os astrônomos estão aguardando novos dados para que possam responder seis perguntas chave
sobre o planeta Mercúrio. Ela são:

por que Mercúrio é tão denso?

qual é a história geológica de Mercúrio?

qual é a estrutura da região central de Mercúrio?

qual é a natureza do campo magnético de Mercúrio?

quais são os materiais não usuais presentes nos polos de Mercúrio?

quais os voláteis que são importantes em Mercúrio?


Um pouco da história de Mercúrio
Mercúrio, assim como os outros quatro planetas visíveis a olho nú, já era conhecido pelos astrônomos da
antiguidade.

os sumérios

A região onde presentemente encontramos o Iraque, entre os rios Tigris e Eufrates, era conhecida como
Mesopotâmea, nome de origem grega que quer dizer, "entre rios". Acredita-se que nesta região floresceram as
primeiras cidades por volta do ano 6000 antes de Cristo. No período de aproximadamente 3500 antes de Cristo
a cerca de 2000 antes de Cristo os habitantes desta região eram conhecidos como sumérios. Eles deram nomes
ao Sol, à Lua e aos planetas visíveis, incluindo Mercúrio. Todos eles receberam nomes dos seus sete grandes
deuses.

A tradução feita dos tabletes cuneiformes revelam que


Mercúrio era conhecido por vários nomes tais como Ubu-
idim-gud-ud, Gud-ud, Gu-ad, Gu-Utu e Nebo. Mercúrio
frequentemente era associado com Nabu ou Ninurta, o deus
da água e da escrita. Mais tarde os acadianos passaram a
chamar Mercúrio de Shikhtu, que significa "nervoso".

os babilônios

A civilização suméria foi sucedida pelos babilônios, que


viveram no perído de 2000 a 1000 antes de Cristo. Os
babilônios chamavam Mercúrio de Nebo ou Nabu, seu deus
que era o mantenedor dos registros, deus da escrita e
mensageiro dos deuses. Na astronomia babilônia Mercúrio
estava associado a ambos os sexos por causa do seu
aparecimento tanto como uma estrela vespertina como
matutina. Bem mais tarde, no período de 600 antes de
Cristo a 200 depois de Cristo, os babilônios fizeram
detalhadas observações dos movimentos dos cinco planetas
inclusive Mercúrio.

A imagem ao lado mostra uma tábua que registra a


localização e o instante do aparecimento de diferentes
estrelas e planetas. Ela foi produzida no ano 164 da nossa
era e estabelece que Mercúrio apareceu no oeste na
constelação Touro. Além disso, a tábua faz previsões de
quando e onde o planeta Mercúrio estará no céu em relação às constelações fixas.

os chineses

Os chineses já haviam registraram a presença de Mercúrio quase 2000 anos antes do nascimento de
Cristo.
os maias

Os Maias, a civilização que viveu na região da América Central onde hoje estão a Guatemala, Belize, El Salvador
e partes do México, Honduras e Nicarágua, desenvolveram sua astronomia no período que vai de 1500 antes de
Cristo a 800 antes de Cristo. Eles mapearam o movimento de Mercúrio e registros de suas detalhadas
observações foram encontrados no chamado "Dresden Codex" (imagem abaixo), uma tira de papel com 3,5
metros de comprimento arranjada em 39 folhas que nos conta muito sobre a civilização maia. Parte do Dresden
Codex é mostrada na imagem abaixo.

No Dresden Codex está registrado o aparecimento de Mercúrio como uma estrela matutina em 733 antes de
Cristo e como uma estrela vespertina em 727 antes de Cristo. Os maias também calcularam que Mercúrio se
levantaria e se poria no mesmo lugar do céu a cada 2200 dias.

os egípcios

Os egípcios chamavam Mercúrio de "Thoth", "o grande calculador". Thoth era o


deus egípcio associado com o conhecimento. Segundo os egípcios ele tinha
inventado a fala, a escrita e a aritmética. O deus Thoth se caracterizava por ter a
cabeça com a forma do pássaro ibis. Thoth era o escriba dos deuses e era ele
quem registrava quais os mortos que iriam para o paraíso e quais seriam
devorados pelos cães do julgamento.

os gregos

A mais antiga civilização grega floresceu no período de 1400 a 200 antes de


Cristo. Por volta de 450 antes de Cristo, os gregos começaram a estudar o
movimento dos planetas e usaram a geometria para medir o tamanho da Terra,
do Sol e da Lua. Eles também estudaram Mercúrio, que era reconhecido com dois
nomes diferentes, associados com o seus aparecimento no entardecer e no
amanhecer. Mercúrio era chamado de Apolo, deus da verdade, das artes, da
arqueria, pestes e profecias, quando aparecia no céu do entardecer. Ele era
chamado de Hermes, o deus da escrita e mensageiro dos deuses, quando
aparecia no céu do amanhecer.
Platão e Eudoxus determinaram que os períodos sinódico e sideral de Mercúrio eram respectivamente 110 dias
e 1 ano.

Somente por volta do ano 350 antes de Cristo é que foi reconhecido que estas duas "estrelas" eram um único
objeto.

os indianos

Os indianos também estudaram os planetas, que eram chamados coletivamente de "navagrahs". Mercúrio tinha
o nome de "Budha".

os povos nórdicos

No norte da Europa, os vikings e outros povos nórdicos chamavam


Mercúrio de "Odin", o deus supremo. Odin era o deus da sabedoria,
mágica e guerra, além de inventor das "runas". O nome Odin significava
"o inspirado". A imagem ao lado mostra parte de um entalhe encontrado
na ilha Gotland, na Suécia, onde Odin cavalga o seu cavalo de oito pernas
chamado Sleipnir.

Nas épocas mais modernas, após a invenção do telescopio, Mercúrio foi estudado mas não com o mesmo afinco
com que o foram outros planetas. Vejamos um pouco da cronologia do seu estudo:

cerca
filósofo grego que preparou o primeiro catálogo de estrelas no
de
terceiro século antes de Cristo. Ele foi o mais antigo observador
200
Timocharis de Mercúrio que conhecemos pelo nome. É possivel, entretanto,
antes
que ele tenha confundido os aparecimentos de Mercúrio pela
de
manhã e a tarde como sendo dois planetas diferentes.
Cristo

este astrônomo italiano fez a primeira observação de Mercúrio


1610 usando um telescópio. Devido à qualidade do instrumento usado
Galileu não consegui ter uma visão clara do planeta Mercúrio

Galileo Galilei
(1564-1542)
o astrônomo francês fez a primeira observação com um
1631
telescópio do trânsito de Mercúrio através do disco solar

Pierre Gassendi
(1592-1655)

este astrônomo italiano estudou a órbita de Mercúrio com o


auxílio de um telescópio mais potente e descobriu que, do
Giovanni Zupus
1639 mesmo modo que a Lua e o planeta Vênus, Mercúrio tinha fases.
(1590-1650)
Isto serviu como evidência de que Mercúrio rodava em torno do
Sol

este astrônomo alemão observou e realizou vários esboços da


superfície de Mercúrio

início
do
século
XVIII

Johann Hieronymus
Schroeter
(1745-1816)
este astrônomo alemão fez a primeira suposição sobre a massa
1841 de Mercúrio usando o efeito gravitacional que este planeta
exerceu sobre o cometa Encke

Johann Franz Encke


(1791-1865)

este astrônomo italiano fez o primeiro mapa da superfície de


Mercúrio e de suas características específicas. Ele observou
Mercúrio durante sete anos e, baseado nas posições diárias de
características de sua superfície, concluiu que o período
rotacional de Mercúrio é igual ao período de sua órbita em torno
do Sol. Schiaparelli declarou que tanto o período rotacional como
o período orbital duravam 88 dias terrestres de modo que o
mesmo lado de Mercúrio estava sempre voltado para o Sol, do
mesmo modo como o mesmo lado da Lua sempre está voltado
para a Terra. Este "fato" permaneceu acreditado por quase 75
anos.

1889

Giovanni Virginio
Schiaparelli
(1835-1910)

junho este astrônomo norte-americano foi o primeiro a notar a


de existência de crateras ao longo do terminador e sobre o disco de
T. J. J. See
1901 Mercúrio.
astrônomo norte-americano que desenhou a superfície de
Mercúrio

Percival Lowell
1855-1916)

astrônomo francês que ficou mais conhecido pelas suas


observações dos planetas Mercúrio e Marte. Em 1933 ele se
tornou o primeiro astrônomo a produzir um mapa detalhado da
1933
superfície de Mercúrio, dando nomes a algumas de suas
características superficiais conhecidas hoje. Em sua homenagem,
foi dado o nome de cordilheira Antoniadi a uma cadeia de
montanhas em Mercúrio com 450 quilômetros de comprimento.

Eugenios Antoniadi
(1870-1944)
estes astrônomos norte-americanos usando um radiotelescópio
para fazer observações de radar da taxa de rotação de Mercúrio
Gordon H. Pettengill e encontraram que o período de rotação deste planeta era de
1965
Rolf B. Dyce apenas 58,6 dias terestres e não os 88 dias aceitos por quase
um século. Estava derrubada a teoria de que Mercúrio estava em
rotação síncrona com o seu movimento orbital

usando observações feitas por radar cientistas descobriram que


Mercúrio pode ter água permanentemente congelada nos seus
polos norte e sul. Esta água permanece nestes locais por que,
1991 ----
como o eixo de rotação de Mercúrio é quase perpendicular à sua
órbita em torno do Sol, as regiões polares praticamente não
recebem luz solar
As sondas espaciais que visitaram Mercúrio

A sonda espacial Surveyor 7

Em 1968 a sonda espacial norte-americana Surveyor 7 registrou a primeira imagem


de Mercúrio obtida no espaço.

No entanto, é preciso notar que a missão principal da sonda Surveyor 7 não era o
estudo de Mercúrio. Ela foi lançada no dia 7 de janeiro de 1968 e tinha como principal
missão estudar a superfície da Lua com o objetivo de colher dados para os futuros
vôos tripulados norte-americanos ao nosso satélite natural. A sonda espacial Surveyor
7 pousou suavemente no nosso satélite no dia 10 de janeiro de 1968.

A sonda espacial Mariner 10

Até hoje apenas uma missão espacial foi enviada ao planeta Mercúrio. No dia 3 de novembro de 1973 os
Estados Unidos lançaram a sonda espacial Mariner 10 com o objetivo de sobrevoar e realizar medições
científicas deste planeta.

Com as pequenas dimensões de 45,5 centímetros de altura e 1,2 metros de largura, e pesando 526
quilogramas, a sonda espacial Mariner 10 tinha a dupla missão de sobrevoar os planetas Vênus e Mercúrio. Ela
foi a primeira missão dual planetária a ser realizada com sucesso.

Na verdade, inicialmente a sonda espacial Mariner 10 deveria apenas explorar Vênus. Foi o astrônomo italiano
Giuseppe Colombo (1920-1984) que sugeriu à NASA que a sonda poderia utilizar o campo gravitacional de
Vênus para dirigir-se a Mercúrio.

A sonda espacial Mariner 10 sobrevoou Vênus no dia 5 de fevereiro de 1974, a uma distância mínima de 4200
quilômetros, quando realizou uma assistência gravitacional que a permitiu alcançar o planeta Mercúrio. Esta
excursão a Mercúrio levaria mais 176 dias. Esta foi a primeira vez que uma assistência gravitacional foi
realizada e no caso da Mariner ela serviu para diminuir a velocidade da sonda espacial que mergulhava
rapidamente na direção do Sol, atraída pelo seu campo gravitacional.
A sonda espacial Mariner 10 sobrevoou Mercúrio três vezes. Ela passou próximo ao planeta Mercúrio no dia 29
de março de 1974 a uma distância de 756 quilômetros da sua superfície. No dia 21 de setembro de 1974
sobrevoou pela segunda vez o planeta, passando a 48069 quilômetros, e no dia 16 de março de 1975 o
sobrevoou pela terceira vez, sua maior aproximação, passando a apenas 327 quilômetros da superfície de
Mercúrio.

Como resultado destes sobrevoos a sonda Mariner 10 obteve mais de 10000 imagens cobrindo 45% da
superfície de Mercúrio. Estas imagens possuiam uma resolução de aproximadamente um quilômetro.

Ela conseguiu registrar temperaturas superficiais do planeta que variavam entre 187 o Celsius no lado diurno e -
183o Celsius no lado noturno. A sonda Mariner 10 descobriu que o planeta Mercúrio tem um campo magnético
mas não conseguiu detectar a presença de atmosfera.

Atualmente a sonda espacial Mariner 10 está em órbita em torno do Sol.

O futuro: a sonda espacial MESSENGER

A sonda espacial MESSENGER, é uma abreviação de MErcury Surface, Space ENvironment, GEochemistry, and
Ranging. A sonda MESSENGER foi lançada ao espaço em 3 de Agosto de 2004, a bordo de um foguete Boeing
Delta II, do Cabo Canaveral, na Flórida, Estados Unidos.

A sonda espacial MESSENGER é um projeto conjunto das instituições norte-americanas Carnegie Institution of
Washington, The Johns Hopkins University/Applied Physics Laboratory (JHU/APL) e a National Aeronautics and Space
Administration (NASA).

A MESSENGER viajará mais de seis anos e meio antes de entrar em órbita em torno de Mercúrio o que deverá
ocorrer em março de 2011. Ao longo desta jornada a MESSENGER realizou uma passagem pela Terra em julho
de 2005, duas passagens por Vênus em outubro de 2006 e junho de 2007 e três passagens por Mercúrio, em
janeiro e outubro de 2008, e setembro de 2009.
A MESSENGER será colocada em uma órbita altamente elíptica em torno de Mercúrio. Isto fará com que ela se
aproxime bastante do planeta, chegando a apenas 200 quilômetros da sua superfície, e em seguida se afaste
até 15193 quilômetros.

A sonda espacial MESSENGER realizará duas voltas em torno de Mercúrio a cada 24 horas terrestres. Durante
oito horas da segunda órbita de 12 horas a sonda espacial será orientada de modo a transmitir dados para a
Terra.

Um futuro mais longinqüo: BepiColombo

Depois da MESSENGER, a próxima missão espacial, não tripulada, enviada para Mercúrio será a sonda espacial
BepiColombo. Este é um projeto conjunto da European Space Agency (ESA) e do Institute of Space and
Astronautical Science (JAXA) do Japão.
A missão BepiColombo deverá lançar, em setembro de 2012, duas sondas espaciais utilizando o veículo
lançador russo Soyuz-Fregat. Após quatro anos e dois meses de viagem, as duas sondas deverão entrar em
órbita em torno de Mercúrio, enfrentando temperaturas tão altas quanto 250o Celsius.

Uma das sondas deverá mapear o planeta enquanto que a outra examinará sua magnetosfera fazendo um
pouso no planeta. A missão total deverá durar um ano em órbita em torno de Mercúrio.

No dia 7 de novembro de 2003 a European Space Agency anunciou que, por motivos orçamentários, a missão
BepiColombo havia sido reduzida com o cancelamento da segunda sonda que deverá pousar no planeta. A
missão BepiColombo passa a ter agora apenas uma espaçonave a ser colocada em órbita em torno do planeta
Mercúrio.
A atmosfera de Mercúrio
Mercúrio está circundado por um envoltório extremamente fino de gás. Este envoltório é tão fino que, ao contrário da
atmosfera de Vênus, da Terra e de Marte, as moléculas que circundam Mercúrio não colidem umas com as outras. Ao
invés disso elas quicam de um lugar para outro sobre a superfície como se fossem várias bolas de borracha. A isto
damos o nome de "exosfera".
Em uma "exosfera" a interação partícula-solo é dominante, ocorrendo muitíssimo mais do que as interações entre as
partículas somente.
A densidade média da atmosfera de Mercúrio é de apenas 105 átomos por centímetro cúbico.

Sabemos que existem seis elementos na exosfera de Mercúrio:

hidrogênio

hélio

oxigênio

sódio

potássio

cálcio

O hidrogênio e o hélio se originam, pelo menos parcialmente, do feixe de gás ionizado e quente emitido pelo Sol, o
chamado "vento solar". Parte deste hidrogênio e oxigênio também podem vir dos gelos que formam os cometas e
meteoritos que colidem com a superfície de Mercúrio.

No entanto, o sódio, potássio e parte do oxigênio existentes na exosfera de Mercúrio muito provavelmente são
provenientes das rochas que formam a sua superfície.

Vários processos diferentes devem ter colocado estes elementos na exosfera de Mercúrio. Entre estes processos
podemos citar a vaporização de rochas por impactos de meteoritos e cometas com a superfície do planeta, a lenta
evaporação de elementos existentes nas rochas da superfície devido à ação da luz solar, ou emissão de gases
provenientes do interior de Mercúrio.

É bom lembrar que cada um dos processos citados acima produz uma mistura diferente para a exosfera de Mercúrio.

Um observador colocado na superfície de Mercúrio veria o Sol com um diâmetro duas vezes e meia maior do que aquele
que observamos da superfície da Terra e 11 vezes mais brilhante. Apesar disso o céu em Mercúrio é sempre escuro uma
vez que o planeta praticamente não tem atmosfera capaz de produzir espalhamento da luz incidente sobre ele.

Olhando para o espaço este mesmo observador notaria duas "estrelas" muito brilhantes. Uma delas, com uma coloração
creme, seria Vênus enquanto que a outra, de coloração azul, seria a Terra.

Como o eixo de rotação de Mercúrio não é tão inclinado como o eixo de rotação da Terra, lá não existem "estações do
ano" como as conhecemos na Terra.
A temperatura em Mercúrio

Por estar tão próximo ao Sol a temperatura na superfície de Mercúrio atinge valores extremamente altos.

Mercúrio apresenta uma temperatura superficial de 467o Celsius na parte diurna da sua superfície. Esta temperatura é
suficiente para derreter o o chumbo e o estanho.

No entanto, quando a noite chega, esta temperatura superficial desce até o incrível valor de -183o Celsius pois, por ter
uma atmosfera muito tênue, todo o calor do planeta é irradiado para o espaço.

Este intervalo de temperaturas apresentado por Mercúrio não é superado por nenhum outro planeta ou satélite do
Sistema Solar.

Assim, por ter uma atmosfera extremamente rarefeita, Mercúrio não é o planeta que apresenta a maior temperatura
superficial no Sistema Solar. Veremos mais tarde que Vênus, por causa do efeito estufa provocado por sua espessa
atmosfera, é o planeta que possui a superfície mais quente em todo o Sistema Solar.
A superfície de Mercúrio
A superfície de Mercúrio lembra muito aquela que vemos na nossa Lua. Nela podemos observar fluxos de lava,
depósitos de materiais provenientes de erupções vulcânicas, variações na composição geológica ao longo da sua
superfície e da sua crosta, além de mostrar uma composição química diferente daquela apresentada pelos outros
planetas interiores. Usando resultados obtidos pela sonda espacial Mariner 10 os pesquisadores montaram uma
imagem de Mercúrio onde características comuns detectadas em sua superfície são representadas por uma mesma
cor. A partir da análise das diferentes cores (falsas) das rochas que estão localizadas nas várias crateras que
pontilham a superfície de Mercúrio os pesquisadores concluiram que há variações na sua composição geológica.

Suas colinas são arredondadas e cobertas de poeira tendo sofrido erosão devido ao constante bombardeio de
meteoritos.

Embora, em certos aspectos, a superfície de Mercúrio lembre bastante a da Lua, também existem significantes
diferenças geológicas entre estes dois corpos celestes.

Assim como a Lua, a superfície de Mercúrio contém enormes bacias de multi-anéis e muitos fluxos de lava.
Penhascos verticais muito íngremes com vários quilômetros de altura se extendem por centenas de quilômetros ao
longo de sua superfície.

No entanto, ao contrário da Terra e de Vênus, muito


poucas características vistas na superfície de Mercúrio
são claramente devidas a modificações causadas pela
ação de forças tectônicas.
O terreno com pequenas colinas que existe no lado
oposto do planeta àquele onde está a maior de todas as
crateras, Caloris Basin, pode ter se formado quando a
forma do planeta concentrou a energia sísmica
(vibracional) proveniente deste imenso impacto nas
regiões situadas do outro lado do planeta.
Mais notáveis em Mercúrio são as enormes escarpas
(penhascos), em forma de lobo (projeção
arredondada), com aproximadamente um quilômetro de
altura e centena de quilômetros de comprimento. Elas
são comuns em Mercúrio mas raras em Marte, por
exemplo. Acredita-se que estas características devem
ter se formado por compressão da camada mais
externa e quebradiça de Mercúrio.
A imagem abaixo mostra Mercúrio a uma distância de 5
380 000 quilômetros. Ela foi obtida pela sonda espacial
norte-americana Mariner 10 quando estava a seis horas
de sua maior aproximação de Mercúrio, que ocorreu no dia 29 de março de 1974.
Quando a sonda espacial se afastou de Mercúrio ela obteve uma seqüências de fotografias que, montadas, resultam
na imagem abaixo. Foram usadas 140 imagens da Mariner 10 para termos esta visão de Mercúrio.
Crateras

As imagens obtidas da superfície de Mercúrio pela sonda espacial Mariner 10 mostraram que este planeta lembra
muito a nossa Lua. Ela está pontilhada por inúmeras crateras que se espalham por toda a sua superfície.

As crateras detectadas em Mercúrio variam bastante em tamanho, podendo ter de 100 metros até 1300 quilômetros.
No entanto, devemos lembrar que 100 metros era o limite de resolução dos equipamentos a bordo da Mariner 10, ou
seja, crateras menores não poderiam ser observadas pelo seu equipamento.

As crateras de Mercúrio se apresentam em vários estágios de preservação. Algumas são jovens, com bordas bem
definidas e mostram raios brilhantes se extendendo a partir delas. Outras estão grandemente degradadas, com
bordas que foram suavizadas a partir do bombardeamento de meteoritos.

A imagem abaixo mostra, na parte superior direita, duas grandes crateras com halos brilhantes na superfície de
Mercúrio cada uma delas com diâmetro de cerca de 40 quilômetros. Suas características levam os cientistas a
concluir que elas são algumas das crateras mais recentes de Mercúrio.
Caloris Basin

A maior cratera existente na superfície de Mercúrio é a Caloris Basin.

O termo "basin", que podemos traduzir como "bacia", foi definido por Hartmann e Kuiper em 1962 como "uma
grande depressão circular com anéis distintos concêntricos e traços radiais". Entretanto, outros cientistas definem
qualquer cratera maior do que 200 quilômetros como sendo uma "bacia".
A Caloris Basin tem 1300 quilômetros de diâmetro e foi provavelmente formada pela colisão de um projétil que tinha
mais de 100 quilômetros de tamanho e colidiu com a velocidade de 512000 quilômetros por hora. O impacto produziu
anéis montanhosos concêntricos com três quilômetros de altura e projetou material a grandes distâncias, entre 600 a
800 quilômetros sobre a superfície de Mercúrio.

As ondas sísmicas produzidas pelo impacto que gerou a Caloris Basin se focalizaram no outro lado do planeta e
produziram uma região de terreno caótico, mostrada abaixo. Cada lado desta imagem mostra cerca de 100
quilômetros de terreno. Depois do impacto a cratera formada pela colisão foi parcialmente preenchida com fluxos de
lava.
Mostramos abaixos uma visão mais panorâmica da região Caloris Basin.

Penhascos e colinas

A superfície de Mercúrio é marcado pela presença de grandes penhascos verticais, muito íngremes e arredondados.
Além disso, a superfície de Mercúrio apresenta escarpas que têm a forma de um lobo e que foram aparentemente
formadas quando Mercúrio esfriou, encolhendo alguns quilômetros em diâmetro. Este encolhimento produziu uma
crosta enrugada com escarpas que têm quilômetros de altura e centenas de quilômetros de comprimento.

A imagem abaixo mostra a região conhecida como Antoniadi. Ela é uma extensa cadeia de montanhas com mais de
450 quilômetros de extensão. A cadeia de montanhas está localizada no lado direito da imagem.

Planícies

A maior parte da superfície de Mercúrio é coberta por planícies.

A maior parte destas planícies é velha e fortemente craterizada.

No entanto, algumas planícies apresentam um número bem menor de crateras. Os cientistas classificaram estas
planícies como planícies intercrateras e planícies suaves.

As planícies intercrateras são menos saturadas com crateras e estas têm, em geral, menos de 15 quilômetros de
diâmetro. Embora ligeiramente mais jovens, mas ainda muito velhas, estas planícies estão situadas entre as maiores
crateras velhas. Estas planícies foram provavelmente formadas à medida que fluxos de lava soterraram o terreno
mais velho a sua volta.

As planícies suaves são ainda mais jovens com poucas crateras. As planícies suaves podem ser encontradas, por
exemplo, em torno da Caloris Basin. Em algumas áreas pedaços de lava suave podem ser vistos preenchendo as
crateras.

Esta imagem mostra uma região da superfície de Mercúrio com cerca de 200 quilômetros de diâmetro. O solo é
formado por material encontrado em planícies suaves.
Muitos cientistas acham que estas planícies são vulcânicas. Esta interpretação é reforçada por uma cor ligeiramente
diferente das planícies em relação às crateras antigas, o que pode indicar uma composição de rocha diferente. Mas
tendo em vista que nas imagens obtidas pela Mariner 10 os detalhes do terreno são muito pequenos, fica difícil
chegar a conclusões sobre a origem destas planícies.

Falhas

A sonda espacial Mariner 10 localizou enormes falhas na superfície de Mercúrio. Estas falhas foram formadas quando
parte da crosta de Mercúrio foi empurrada sobre uma parte adjacente por forças de compressão geradas dentro do
planeta.

A abundância e o comprimento destas falhas levaram os cientistas a concluir que o planeta Mercúrio teve o seu raio
diminuido de 2 a 4 quilômetros depois de passar pela solidificação e pelo processo de craterização da sua superfície.

A imagem abaixo mostra a região Santa Maria Rupes, o risco escuro sinuoso que cruza o centro desta região. A
imagem mostra cerca de 200 quilômetros da superfície de Mercúrio, em cada lado.
Existe água em Mercúrio?

A primeira vista esta pergunta parece não ter sentido. Como poderia um planeta situado tão próximo ao Sol e cuja
temperatura na superfície é em média 179o Celsius ter água na sua superfície? No entanto, por mais estranho que
possa parecer, alguns cientistas acreditam que pode haver água em Mercúrio.

O eixo de rotação de Mercúrio está orientado quase que perpendicularmente ao plano da órbita deste planeta. Por
esta razão o Sol nunca fica bastante alto no céu sobre os pólos de Mercúrio. Nas regiões polares do planeta a luz
proveniente do Sol atinge a superfície em um ângulo de tangência constante.

Além disso, a atmosfera de Mercúrio é tão rarefeita que o calor proveniente das regiões super-aquecidas pelo Sol não
conseguem se espalhar para as regiões mais frias.

Conseqüentemente, os interiores de grandes crateras situadas nos pólos de Mercúrio estão permanentemente na
sombra e permanecem sempre muito frias, com temperaturas abaixo de -212o Celsius.

Em 1991 os cientistas conseguiram obter as primeiras imagens de radar das regiões polares de Mercúrio. Elas
mostraram que os interiores das "grandes crateras" são altamente refletores aos comprimentos de onda de radar. O
material mais comum que poderia explicar este comportamento é o gelo, isto no planeta mais próximo do Sol!
Esta é a imagem de radar obtida pelos
pesquisadores J. Harmon, P. Perrilat, M. Slade do
Arecibo Observatory. Ela nos mostra a região
polar norte de Mercúrio. A resolução é de 1,5
quilômetros e a imagem apresenta cerca de 450
quilômetros da região polar em cada lado. Os
cientistas acreditam que as regiões brilhantes
vistas nesta imagem são depósitos de gelo
localizados no chão de crateras que estão
permanentemente na sombra, sem receberem
qualquer radiação solar.

Acredita-se que o pequeno fluxo de gelo


proveniente de cometas e meteoritos que cairam
em Mercúrio poderia ser conservado pelo frio
existente nestes depósitos polares do planeta por
bilhões de anos. Também é possível que vapor de
água pudesse remover gases a partir do interior
do planeta que seriam em seguida congelados
nas regiões polares.
Alternativamente, foi sugerido que os depósitos
polares consistem de um material diferente,
talvez enxôfre sublimado durante eons (uma
unidade de tempo geológico igual a um bilhão de
anos) a partir de minerais existentes nas rochas
da superfície.
O interior de Mercúrio
A maior parte do que sabemos sobre a estrutura interna de Mercúrio vem de dados obtidos pela sonda espacial norte-
americana Mariner 10 que sobrevoou o planeta em 1973 e 1974.

Mercúrio tem menos de 1/3 do tamanho da Terra (2,6 vezes menor) embora sua densidade seja comparável àquela do
nosso planeta.

Isto indica que Mercúrio tem uma região central grande


aproximadamente do tamanho da Lua (3476 quilômetros de
diâmetro) ou cerca de 70% do raio do planeta.
A região central é provavelmente composta de 60% a 70% de
ferro por massa. As medições do planeta feitas pela sonda
espacial Mariner 10 revelaram a existência de um campo
magnético dipolar possivelmente produzido por uma região
central parcialmente derretida.

Uma manta rochosa sólida circunda esta região central com


uma fina crosta de cerca de 100 quilômetros. A manta
rochosa e a crosta devem ter uma espessura de apenas 600
quilômetros.
Cada um dos planetas terrestres, ou seja os planetas
rochosos semelhantes à Terra, é composto de uma região
central densa, rica em ferro, circundada por uma manta de
silicatos (rocha) de ferro e magnésio. A camada mais superior
de rocha, a crosta, formou-se a partir de minerais com ponto
de fusão mais baixo do que aqueles presentes na manta
subjacente. Isto ocorreu ou durante a diferenciação de um
grande volume de silicato derretido bem no início da história
do planeta ou pela ascenção e acumulação mais tardia de substâncias fundidas, geradas dentro da manta.
O campo magnético de Mercúrio

Uma das mais surpreendentes descobertas feitas pela sonda espacial norte-americana Mariner 10 é que Mercúrio
apresenta um campo magnético global ou seja, um campo magnético que envolve todo o planeta. Isto faz com que
Mercúrio seja, juntamente com a Terra, os únicos planetas terrestres a terem um campo magnético global.
O campo magnético de Mercúrio é 1% daquele apresentado pela Terra no seu equador. Para um planeta tão
pequeno isto representa uma intensidade de campo apreciavelmente grande.
Os cientistas acreditam que o campo magnético da Terra é gerado por movimentos de redemoinho que ocorrem
nas porções mais externas líquidas, derretidas, da sua região central. Acredita-se que somente a parte interna da
região central da Terra é realmente sólida.
No entanto, o planeta Mercúrio, com apenas 4878 quilômetros, é tão menor que a Terra, com seus 12756
quilômetros, que sua região central deveria, há muito tempo, ter esfriado e se solidificado. Na verdade, o
esfriamento e a contração da região central pode ter sido a força geradora que está por trás do enrugamento
global de Mercúrio, que levou à formação das escarpas em forma de lobo que existem em Mercúrio.

Como poderia, então, uma região central sólida, e já fria, gerar um campo magnético?

Uma possível resposta é que a região central ainda não esfriou completamente, devido à presença de elementos
químicos que apresentam pontos de derretimento baixo e que estão dissolvidos como, por exemplo, o enxôfre.
Uma outra possibilidade é que o campo magnético atual seja um remanescente congelado do campo magnético
primordial de Mercúrio.
Sabemos que o campo magnético da Terra é muito dinâmico e está constantemente sofrendo variações em
resposta à atividade do Sol, incluindo o vento solar e os flares solares. Podemos registrar os efeitos desta dinâmica
solar até mesmo na superfície da Terra à medida que ela afeta as redes elétricas e eletrônicas, causando apagões e
interferências nas transmissões de rádio e em equipamentos de telefonia.
A sonda espacial Mariner 10 mostrou que o campo magnético de Mercúrio experimenta uma dinâmica similar
àquele mostrado pela Terra. Compreender as variações do campo magnético de Mercúrio nos ajudará a
compreender melhor a interação do Sol com o campo da Terra.
Embora o campo magnético de Mercúrio seja idealizado como uma versão em miniatura do campo da Terra, a
sonda espacial Mariner 10 não mediu o campo de Mercúrio por tempo suficiente para caracterizar bem a sua
estrutura. Os dados obtidos não permitiram, por exemplo, sabermos qual é realmente a intensidade correta do
campo de Mercúrio.
O campo da Terra é um campo de "dipolo", o que significa que, em uma escala global, a Terra age como se
houvesse uma gigantesca barra magnetizada na sua região central.
Na média, o campo de Mercúrio é também um campo de dipolo.
Ao contrário, a Lua e Marte não apresentam campos magnéticos de dipolo globais. Seus campos magnéticos são
locais, centrados em diferentes depósitos de rochas.
Não sabemos como estes campos magnéticos locais foram formados na Lua e Marte e também não é claro qual a
contribuição feita por campos magnéticos locais menores para a intensidade total do campo magnético de
Mercúrio, como ocorre, por exemplo, na Lua e em Marte.

A densidade de Mercúrio

A densidade de cada planeta reflete o equilíbrio entre a região central rica em ferro e a crosta e manta ricas em
silicatos.
A densidade de Mercúrio é de 5,43 gramas por centímetro cúbico, comparável às densidades da Terra (5,515
gramas por centímetro cúbico) e de Vênus (5,20 gramas por centímetro cúbico) e bem maior que a densidade de
Marte (3,34 gramas por centímetro cúbico). A densidade não comprimida de Mercúrio, ou seja, o valor da sua
densidade se o material no seu interior não fosse compactado pela própria gravidade do planeta, é de 5,3 gramas
por centímetro cúbico. Mercúrio apresenta, portanto, a mais alta densidade não comprimida de todos os planetas
terrestres. A Terra apresenta uma densidade não comprimida de 4,4 gramas por centímetro cúbico, enquanto que
Vênus tem 4,3 gramas por centímetro cúbico, Marte tem 3,74 gramas por centímetro cúbico e a Lua tem 3,3
gramas por centímetro cúbico.
A densidade de Mercúrio implica que 65% da massa do planeta está em uma região central rica em ferro. Este
valor é duas vezes maior do que o que encontramos na Terra!
Existem três teorias principais para explicar por que Mercúrio é tão mais denso e mais rico em metal do que Vênus,
a Terra e Marte.
Cada teoria prevê uma composição diferente para as rochas na superfície de Mercúrio.
Alguns cientistas acreditam que, antes que Mercúrio tenha se formado a partir do material que compunha a
nebulosa solar, o arraste pelo gás fino da nuvem nebular favoreceu a aglutinação de partículas densas de modo
que Mercúrio se tornou enriquecido em metal, mas este processo não mudou a composição dos silicatos
(minerais). Neste caso a composição das rochas da superfície de Mercúrio seria similar àquela dos outros planetas
terrestres.
Outros cientistas acreditam que o tremendo calor proveniente do Sol primordial vaporizou parte da camada
rochosa mais externa do proto-Mercúrio, ou seja o planeta Mercúrio ainda nos seus estágios iniciais de formação, o
que deixou o planeta como uma cinza rica em metal. Esta idéia prevê uma composição de rochas pobre em
elementos facilmente evaporados como sódio e potássio.
Há também uma terceira idéia segundo a qual impactos gigantescos, logo depois que Mercúrio se formou,
arrancaram a crosta primordial e a manta superior do planeta. Esta idéia prevê que a superfície atual é feita de
rochas altamente desprovidas de elementos tais como silício, alumínio e oxigênio, que estariam concentrados na
crosta primordial ou seja, aquela que primeiro se desenvolveu e foi posteriormente removida.
Vênus
Vênus é o segundo planeta a partir do Sol e o quarto menor planeta do Sistema Solar. Somente Mercúrio,
Marte, e o anão Plutão são menores do que Vênus.

Diâmetro de Vênus: 12104 quilômetros

Seu diâmetro é cerca de 5% menor do que o da Terra e cerca de 3,5% maior do que o da Lua.

Vênus é o segundo planeta mais próximo ao Sol. Ele está a uma distância média de 108 milhões de
quilômetros do Sol, o que corresponde a 0,72 unidades astronômicas.

De todos os planetas do Sistema Solar Vênus é o que mais se aproxima da Terra. Durante o seu movimento
em torno do Sol, Vênus se aproxima a cerca de 40 milhões de quilômetros do nosso planeta.

Massa de Vênus: 4,9 x 1023 quilogramas ou 0,82 vezes a massa da Terra.

Mercúrio, Vênus, Terra e Marte são os chamados planetas terrestres, ou rochosos ou internos.

Vênus é similar à Terra em tamanho, massa e densidade. Por este motivo às vezes ele é conhecido como
nosso "planeta irmão".

Vênus pode alcançar uma magnitude de -4,4 fazendo-o o objeto mais brilhante no céu depois do Sol e da
Lua.

Do mesmo modo que Mercúrio, Vênus não tem satélites naturais. Isto complica o cálculo preciso de sua
massa, que só pode ser determinada precisamente quando um satélite artificial passa por ele ou entra em
órbita em torno deste planeta.

Vênus possui fases. Elas podem ser seguidas com binóculos ou um pequeno telescópio. Foi a observação das
fases de Vênus feita por Galileu que deu a ele uma evidência muito convincente de que as teorias de
Copérnico estavam corretas.

Por decisão da União Astronômica Internacional (International Astronomical Union - IAU), todas as
características topográficas encontradas na superfície de Vênus recebem nomes femininos de deusas,
heroínas e outras mulheres famosas. Mas há uma exceção: as montanhas Maxwell, uma homenagem ao
físico inglês James Clerk Maxwell que formulou a teoria do eletromagnetismo. O conhecimento mais
detalhado da superfície de Vênus só foi possível após o uso de radares a bordo de sondas espaciais. Os
radares utilizam ondas eletromagnéticas situadas na região radio do espectro eletromagnético. As equações
matemáticas que descrevem as ondas eletromagnéticas foram deduzidas por Maxwell.

Por que o nome?

Vênus sempre chamou a atenção dos povos antigos devido à sua intensa presença no céu. Visto da Terra,
Vênus pode superar em brilho todos os corpos celestes com excessão do Sol e da Lua. Deste modo Vênus
situa-se como o terceiro objeto mais brilhante no céu. Sua luz fraca é suficiente para, em certas ocasiões,
criar sombras de objetos no chão durante a noite. Vênus, quando está no máximo de seu brilho, pode ser
visto no céu diurno.

Por seu um dos mais belos objetos que vemos entre as estrelas Vênus recebeu seu nome em homenagem à
deusa romana Vênus, a deusa do amor e da beleza.
Dados Essenciais (aproximados) sobre Vênus
distância média ao Sol
108 200 000 km ( U.A.)
(órbita)
distância média ao Sol comparada com
Vênus está 0,7233 vezes mais próximo do Sol do que a Terra
a distância média Terra-Sol
duração do ano em dias terrestres
(período de revolução ou período 224,701 dias terrestres
orbital)
duração do dia venusiano em termos de
243 dias 26 minutos e 55 segundos terrestres (no equador)
dias e horas terrestres
(ou -243,0187 dias terrestres)
(período de rotação)
velocidade orbital média 35,02 km/segundo
12104 km (0,949 vezes o diâmetro da Terra. Apenas 5% menor que o
diâmetro (equatorial)
diâmetro da Terra)
raio (equatorial) 6051,8 km (0,94886 vezes o raio da Terra)
massa 4,869 x 1024 kg (0,81476 vezes a massa da Terra)
densidade média
5,25 gramas/centímetro cúbico
(densidade da água = 1)
gravidade na superfície (equatorial) 8,60 metros/segundo ao quadrado
velocidade de escape (equatorial) 10,36 km/segundo
temperatura média na superfície 482o Celsius
dióxido de carbono (96%), nitrogênio (maior que 3%), vestígios de dióxido
principais gases da atmosfera de enxôfre, vapor d'água, monóxido de carbono, argônio, hélio, neônio,
cloreto de hidrogênio e fluoreto de hidrogênio
pressão atmosférica 92 bars
satélites conhecidos não tem
anéis não tem
excentricidade da órbita
(desvio da órbita circular que tem 0,0068
excentricidade 0)
obliquidade
(inclinação do eixo de Vênus ou
177,3o
inclinação do seu equador em relação
ao plano da órbita)
achatamento de Vênus 0
inclinação orbital 2,2o
albedo geométrico visual
0,65
(reflectividade)
magnitude (Vo) -4,4

A órbita de Vênus e sua estranha rotação

Para realizar uma volta completa em torno do Sol o planeta Vênus leva 225 dias terrestres.

O dia em Vênus ou seja, o tempo que este planeta leva para dar uma volta completa em torno do seu eixo de
rotação, corresponde a 243 dias terrestres.

Note que o dia em Vênus é maior do que o seu ano!

Estranhamente, Vênus possui um movimento de rotação que ocorre no sentido contrário àquele apresentado
por todos os outros planetas do Sistema Solar. Vênus gira de leste para oeste em vez de girar de oeste para o
leste como acontece com a Terra e todos os outros planetas. Para um observador na superfície de Vênus, o
Sol nasceria no oeste e se poria no leste. Só que o observador não veria o Sol devido às espessas nuvens que
cobrem o planeta Vênus.

Este movimento de rotação característico de Vênus recebe o nome de movimento retrógrado.

Este lento movimento retrógrado de rotação faz com que o dia solar de Vênus dure 117 dias terrestres.

Até o momento os astrônomos não sabem o porquê desta lenta rotação retrógrada de Vênus. A teoria mais
aceita é de que ocorreu uma grande colisão entre o planeta Vênus e um outro corpo celeste na época de
formação deste planeta. Esta colisão seria a causa deste movimento lento e retrógrado.

Vênus, um planeta irmão da Terra?

Durante muito tempo os astrônomos se referiram a Vênus como sendo o planeta "irmão" da Terra. A razão
para isso era o conjunto de dados físicos que aproximavam os dois planetas. A Terra e Vênus são similares
em tamanho, massa densidade e volume. Ao que parece ambos foram formados aproximadamente na mesma
época e se condensaram a partir da mesma nebulosa primordial.

Essas coincidências fizeram com que antes de 1961 muitas pessoas acreditassem que Vênus poderia ser
semelhante à Terra e poderia mesmo ter formas de vida em sua superfície bastante semelhantes àquelas
encontradas na Terra.

Entretanto tudo isso mudou nos últimos anos quando as sondas espaciais enviadas a Vênus encontraram que
Vênus era bastante diferente da Terra. Vejamos algumas diferenças bem notáveis:

Vênus Terra
não tem oceanos têm oceanos
circundado por uma densa atmosfera composta atmosfera com grande
principalmente por dióxido de carbono sem apresentar quantidade de vapor
praticamente vapor d'água d'água
gotas formadas por vapor
nuvens compostas por gotas de ácido sulfúrico
d'água
pressão atmosférica na superfície 92 vezes maior do pressão de 1 atm ao nível
que a pressão ao nível do mar na Terra do mar
temperatura na superfície
temperatura na superfície de 482o Celsius
de 15o Celsius
Um pouco da história de Vênus
O brilho que Vênus apresenta no céu sempre chama a atenção. Existem três razões físicas que o explicam. Em primeiro
lugar, Vênus está muito próximo à Terra. Além disso, Vênus tem um diâmetro relativamente grande, apenas um pouco
menor que o diâmetro da Terra. A diferença de diâmetro entre os dois planetas é de apenas 5%. A terceira razão de seu
brilho é o fato de Vênus estar coberto por uma densa e contínua concha de nuvens. Estas nuvens refletem uma grande
quantidade da luz solar incidente sobre o planeta de volta para o espaço.
No entanto, estas mesmas nuvens que fazem Vênus brilhar tanto no céu terrestre foram, durante séculos, uma barreira
que os astrônomos não conseguiam superar para ampliar seus poucos conhecimentos sobre este planeta.

Os sumérios e babilônios

Os sumérios registraram pela primeira a presença de Vênus há, aproximadamente, 4000 anos. Sendo um planeta
inferior, ele parecia oscilar em torno do Sol e nunca era visto a mais de 48 o em ambos os lados do Sol.

Tanto os sumérios como os babilônios pensavam que os dois objetos vistos eram, na verdade, corpos celestes distintos.
Para eles existia uma "estrela matutina", que aparecia um pouco antes do Sol nascer, e uma "estrela vespertina", que se
punha logo depois do pôr do Sol.

Os gregos

Os antigos gregos também achavam que os dois objetos vistos no céu próximos ao Sol eram corpos celestes diferentes.
Eles chamaram a "estrela matutina" de Phosphorus e a "estrela vespertina" de Hesperus.

Somente no ano 500 antes de Cristo é que o filósofo grego Pitágoras reconheceu que as duas "estrelas" vistas próximas
ao Sol, no amanhecer e no entardecer, eram, na realidade, o mesmo corpo celeste, o planeta Vênus.

Se as nuvens de Vênus o fazer brilhar tão majestosamente no espaço, elas também são responsáveis pelo fato das
principais propriedades do planeta terem permanecido desconhecidas dos astrônomo por tanto tempo. Estas nuvens
impedem que a superfície de Vênus seja observada a partir da Terra com telescópios ópticos.

Vejamos como o conhecimento sobre Vênus foi ampliado a partir da utilização de telescópios.

Galileu Galilei

O astrônomo italiano Galileu Galilei foi o primeiro a observar Vênus com o auxílio de um telescópio. Ele descobriu que
este planeta mostra fases semelhantes àquelas que vemos da Lua.

Historicamente, as observações feitas por Galileu com o auxílio de um telescópio levaram-no a aceitar a teoria
heliocêntrica proposta por Copérnico que dizia que os planetas giravam em torno do Sol. Galileu observou que Vênus
muda o seu tamanho aparente durante um ciclo continuamente recorrente. Ele ficou convencido de que isto só poderia
ser explicado se o planeta estivesse se aproximando e se afastando da Terra ao descrever um movimento em torno do
Sol. Para Galileu isto mostrava que Vênus estava rodando em torno do Sol e que o Sol seria o centro de revolução de
todos os planetas do Sistema Solar. Para Galileu esta observação era uma prova de que o modelo proposto por
Copérnico estava correto.
Século XVII

Os primeiros mapas do planeta Vênus foram desenhados no século XVII com a ajuda de pequenos telescópios. Estes
mapas mostravam somente algumas características muito vagas de Vênus.

Um dos mais antigos mapas de Vênus foi feito pelo astrônomo amador F. Fonatana em 1645. Ele imaginou ter
descoberto oceanos e continentes na superfície de Vênus, o que mais tarde mostrou ser uma ilusão óptica do
pesquisador.

Século XVIII

Os mais famosos observadores planetários do século XVIII


foram os astrônomos William Herschel e Johann Schröter.
Muito jovem ainda, William Herschel, que era músico de banda
na cidade de Hannover na Alemanha, mudou-se para a
Inglaterra onde construiu os melhores telescópios de sua época.
Com a ajuda destes equipamentos Herschel descobriu o planeta
Urano.
Johann Hieronymus Schröter foi um astrônomo amador alemão
que construiu um observatório em Lilienthal, próximo a Bremen,
Alemanha. Observando Vênus, Schröter notou a presença de
algumas manchas escuras, indistintas, no disco brilhante do
planeta (imagem ao lado). Ele pensou que tinha descoberto
algumas cordilheiras com altas montanhas.

Herschel não concordava com a conclusão de Schröter de que


as manchas escuras observadas fossem montanhas venusianas.
No entanto, o próprio Herschel também observou algumas
características escuras em Vênus. É importante ressaltar que
ambos os observadores concordaram que a superfície visível era
apenas a concha de nuvens que cobria o planeta.

Século XIX

Quando a fotografia foi introduzida na astronomia e conduziu a um grande número de novas descobertas no final do
século XIX, os astrônomos tiveram esperanças de que a misteriosa superfície coberta de nuvens de Vênus pudesse ser
revelada.

No entanto, esta esperança não foi concretizada. A fotografia em nada ajudou ao conhecimento do planeta Vênus.
Século XX

As primeiras boas imagens fotográficas de Vênus foram


obtidas por F. E. Ross em 1923 no Mount Wilson Observatory.
Usando filtros ultravioleta, ele consegui que as imagens
fotográficas mostrassem algumas misteriosas características.
No entanto, elas logo foram explicadas como sendo formas
nebulosas, e não características da superfície do planeta.
Devido à atmosfera que cobre Vênus, uma impenetrável
concha atmosférica formada por nuvens espessas que o cobre
completamente, as únicas maneiras de estudar este planeta só
surgiram com o advento de modernas tecnologias tais como o
uso do radar e de satélites artificiais.
Um dos meios usados para estudar Vênus a partir de
observatórios situados na Terra foi o envio de feixes de onda
radio na direção deste planeta, uma vez que estas ondas não
são afetadas pela sua atmosfera espessa. Isto só pode ser
realizado em meados dos anos da década de 1970 com a
gigantesca antena de 310 metros de diâmetro do Arecibo
Observatory, localizado em Porto Rico, e pertencente a um
grupo de universidades norte-americanas. O uso do radio-
telescópio de Arecibo permitiu que os cientistas estudassem a
superfície de Vênus com uma resolução de 12 centímetros.

Estudando Vênus com o auxílio de sondas espaciais

Somente quando sondas espaciais lançadas pela extinta União Soviética e pelos Estados Unidos sobrevoaram o paneta
Vênus é que os cientistas ficaram sabendo mais sobre este planeta vizinho. Estas sondas espaciais entraram em órbita
em torno de Vênus, mapeando sua superfície com detectores capazes de captar informações em várias faixas do
espectro eletromagnético. Elas mapearam Vênus usando detectores de radar, rádio, ultravioleta e infravermelho.
Algumas destas sondas mergulharam na atmosfera de Vênus, dirigindo-se para a sua superfície e transmitindo para a
Terra dados essenciais sobre as condições atmosféricas e superficiais do planeta. Algumas delas pousaram na superfície
de Vênus mas as condições ambientais tão severas existentes neste planeta não permitiram que, até hoje, objetos
robotizados consiguissem sobreviver por muito tempo em sua superfície.
As sondas espaciais que visitaram (ou tentaram visitar) Vênus

data de
sonda objetivos
lançamento

12 de sobrevôo de Vênus. A
Venera 1
fevereiro de Venera 1 pesava 643,5
(União Soviética)
1961 quilogramas.

sobrevôo de Vênus. No dia


14 de dezembro de 1962 a
Mariner 2, pesando 201
quilogramas, chegou a
Vênus a uma distância de
34800 quilômetros e
mapeou sua superfície com
27 de agosto radiômetros infravermelho e
de 1962 a 3 de microondas, coletando
de janeiro de dados que mostraram que a
1963 superfície de Vênus atingia
temperaturas de cerca de
425o Celsius. Três semanas
depois do sobrevôo de
Mariner 2 Vênus a Mariner 2 saiu do ar
(Estados Unidos) no dia 3 de janeiro de 1963.
Ela agora está em órbita
solar.

Pesando 890 quilogramas a


Zond 1 deveria realizar
sobrevôos em Vênus.
Zond 1 2 de abril de Durante o caminho para o
(União Soviética) 1964 seu alvo ela apresentou
defeito no seu equipamento
de comunicação. A Zond 1
está agora em órbita solar.

Pesando 962 quilogramas, a


Venera 2 deveria realizar
12 de sobrevôos de Vênus. Suas
Venera 2
novembro de comunicações falharam um
(União Soviética)
1965 - 1966 pouco antes de sua chegada
ao planeta. Ela está
atualmente em órbita solar.

sonda atmosférica pesando


958 quilogramas cujas
16 de comunicações falharam um
Venera 3
novembro de pouco antes dela entrar na
(União Soviética)
1965 - 1966 atmosfera de Vênus. Ela
colidiu com a superfície do
planeta.

sonda atmosférica com 1104


quilogramas que chegou em
Vênus em 18 de outubro de
1967. Ela foi a primeira
sonda a ser colocada
diretamente dentro da
Venera 4 12 de junho
atmosfera de Vênus e a
(União Soviética) de 1967
retornar dados sobre a
sua composição. Ela foi
esmagada pela pressão
atmosférica exercida sobre o
planeta antes que
alcançasse a superfície.
pesando 244 quilogramas a
Mariner 5 chegou a Vênus
no dia 19 de outubro de
1967, um dia após a Venera
4. Sua missão era sobrevoar
Vênus. Ela passou a cerca
14 de junho a de 3900 quilômetros da
novembro de superfície de Vênus, tendo
1967 estudado o campo
magnético venusiano. A
Mariner 5 descobriu que a
Mariner 5 atmosfera de Vênus era
(Estados Unidos) composta de 85-99% de
dióxido de carbono. Ela está
agora em órbita solar.

pesando 1128 quilogramas a


Venera 5 chegou a Vênus no
dia 16 de maio de 1969.
Junto com a Venera 6 dados
atmosféricos foram
retornados indicando uma
atmosfera composta de 93-
Venera 5 5 de janeiro 97% de dióxido de carbono,
(União Soviética) de 1969 2-5% de nitrogênio e menos
do que 4% de oxigênio. A
sonda retornou dados até
atingir cerca de 26
quilômetros da superfície e
foi então esmagada pela
pressão atmosférica de
Vênus.

pesando 1128 quilogramas a


Venera 6 chegou a Vênus no
dia 17 de maio de 1969.
Junto com a Venera 5 dados
atmosféricos foram
retornados indicando uma
atmosfera composta de 93-
Venera 6 10 de janeiro 97% de dióxido de carbono,
(União Soviética) de 1969 2-5% de nitrogênio e menos
do que 4% de oxigênio. A
sonda retornou dados até
atingir cerca de 11
quilômetros da superfície e
foi então esmagada pela
pressão atmosférica de
Vênus.

pesando 180 quilogramas, a


Venera 7 chegou a Vênus no
dia 15 de dezembro de 1970
e foi o primeiro pouso de
uma sonda espacial feito
com sucesso em outro
planeta. Ela usou um
Venera 7 17 de agosto
equipamento de esfriamento
(União Soviética) de 1970
externo que a permitiu
enviar para a Terra 23
minutos de dados após o
pouso. A temperatura da
superfície era de 475o
Celsius e a pressão da
superfície de 90 bars.

pesando 1180 quilogramas a


Venera 8 foi a segunda
Venera 8 27 de março sonda espacial a pousar
(União Soviética) de 1972 em um outro planeta. Ela
chegou a Vênus no dia 22
de julho de 1972. Seus
instrumentos mediram
variações nas velocidades
dos ventos à medida que ela
descia através da atmosfera.
A Venera 8 registrou ventos
de 100 metros por segundo
acima de 48 quilômetros de
altitude e de 40-47 metros
por segundo a uma altitude
de 42-48 quilômetros. Ela
também registrou ventos de
1 metro por segundo abaixo
de 10 quilômetros de
altitude. A Venera 8
conseguiu retornar dados
durante 50 minutos depois
do seu pouso.

pesando 526 quilogramas a


Mariner 10 foi a primeira
missão dual planetária a
ser lançada. Ela sobrevoou
Vênus no dia 5 de fevereiro
de 1974 para realizar uma
assistência gravitacional que
3 de a permitisse atingir o
novembro de planeta Mercúrio. A Mariner
1973 a 24 de 10 também foi a primeira
março de sonda espacial a
1975 transportar um sistema
de imageamento. Ela
registrou a circulação na
Mariner 10
atmosfera de Vênus e
(Estados Unidos)
mostrou que a temperatura
do topo das nuvens era de -
23o Celsius. A Mariner 10
está agora em órbita solar.

pesando 4936 quilogramas a


Venera 9 possuia um
módulo orbital e um módulo
de pouso. Ela chegou a
Vênus no dia 22 de outubro
de 1975, três dias antes da
chegada da sonda irmã
Venera 10. Os módulos
orbitais da Venera 9 e
Venera 10 fotografaram as
nuvens e observaram a
atmosfera superior.
Diferenças nas camadas de
nuvens foram descobertas
nas regiões situadas a 57-70
8 de junho de quilômetros, 52-57
1975 quilômetros e 49-52
quilômetros acima da
superfície. O módulo de
pouso chegou na superfície
Venera 9 venusiana no dia 22 de
(União Soviética) novembro de 1975. Durante
um período de 53 minutos
ele transmitiu as primeiras
imagens em preto-e-
branco da superfície do
planeta. Estas imagens
mostraram rochas planas de
bordas afiadas e um terreno
basáltico. O módulo orbital
está agora em órbita em
torno de Vênus.
pesando 5033 quilogramas a
Venera 10 possuia um
módulo orbital e um módulo
de pouso. Ela chegou a
Vênus no dia 25 de outubro
de 1975, três dias depois da
chegada da sonda irmã
Venera 9. Os módulos
orbitais da Venera 10 e
Venera 9 fotografaram as
nuvens e observaram a
atmosfera superior.
Diferenças nas camadas de
nuvens foram descobertas
nas regiões situadas a 57-70
quilômetros, 52-57
14 de junho quilômetros e 49-52
de 1975 quilômetros acima da
superfície. O módulo de
pouso chegou na superfície
venusiana no dia 25 de
Venera 10 novembro de 1975. Durante
(União Soviética) um período de 65 minutos
ele transmitiu imagens em
preto-e-branco da superfície
do planeta. O terreno onde
a Venera 10 pousou estava
mais erodido do que no local
de pouso da Venera 9. Os
locais de pouso usados pelas
sondas Venera 9 e Venera
10 estavam afastados por
uma distância de 2000
quilômetros.

também conhecida como


Pioneer 12, esta sonda
pesava 582 quilogramas e
chegou a Vênus no dia 4 de
dezembro de 1978. A sonda
entrou em uma órbita
altamente elíptica que a
fazia se aproximar até cerca
de 150-200 quilômetros da
superfície do planeta e, em
seguida, se afastar até
66900 quilômetros. Durante
a sua maior aproximação os
instrumentos a bordo da
sonda Pioneer Venus
tiravam amostras
diretamente da ionosfera e
20 de maio
da atmosfera superior de
de 1978 -
Vênus enquanto que 12
1992
horas mais tarde ela estava
suficientemente afastada
para obter imagens globais
Pioneer Venus 1 do planeta e coletar
(Estados Unidos) amostras do meio ambiente
espacial próximo a ele.

O módulo orbital da Pioneer


Venus foi a primeira
espaçonave a usar radar
para mapear a superfície de
Vênus. Uma experiência
envolvendo campo elétrico
detectou pulsos súbitos de
rádio provavelmente
causados por relâmpagos.
Nenhum campo magnético
foi detectado. No período de
1978 a 1988 a quantidade
de dióxido de enxofre na
atmosfera de Vênus
diminuiu 10%. A razão para
isto é desconhecida. Talvez
um grande vulcão tenha
entrado em erupção um
pouco antes do módulo
orbital ter chegado e a
quantidade de dióxido de
enxofre lentamente
diminuiu. A missão da
Pionner Venus 1 durou de
1978 a 1992. Durante os
quatorze anos da missão o
módulo orbital circulou 5055
vezes em torno de Vênus
até que seu combustível se
esgotou e a sonda foi
destruida ao entrar na
atmosfera venusiana no dia
8 de outubro de 1992.

pesando 904 quilogramas a


Pioneer Venus 2, também
conhecida como Pioneer 13,
consistia de um módulo
orbital que levava a bordo
quatro sondas atmosféricas
de descida, uma grande e
três menores. As quatro
sondas, conhecidas como
"multiprobe", foram
projetadas para mergulhar
na espessa atmosfera
venusiana e enviar de volta
dados sobre as condições
encontradas ao longo de
todo o seu caminho. O
conjunto chegou a Vênus no
dia 9 de dezembro de 1978
8 de agosto
e logo as sondas
de 1978
mergulharam na atmosfera
venusiana. As quatro sondas
desceram através da
Pioneer Venus 2 atmosfera do planeta por
(Estados Unidos) meio de páraquedas
enquanto a sonda espacial
que as transportou
queimava no alto da
atmosfera. A uma altura de
70-90 quilômetros as
sondas de descida
encontraram uma fina
camada de neblina. Entre
10-50 quilômetros havia
pouca convecção
atmosférica e abaixo de 30
quilômetros a atmosfera era
clara.
pesando 4940 quilogramas a
Venera 11 pousou em Vênus
9 de no dia 25 de dezembro de
setembro de 1978 e retornou dados
1978 durante 95 minutos. O
sistema de imageamento
não funcionou.

Venera 11
(União Soviética)

pesando 4940 quilogramas a


Venera 12 pousou em Vênus
no dia 21 de dezembro de
14 de
1978 e retornou dados
setembro de
durante 110 minutos. Foram
1978
registradas discargas
elétricas, provavelmente
produzidas por relâmpagos.

Venera 12
(União Soviética)

pesando 5000 quilogramas a


Venera 13 pousou em Vênus
no dia 1 de março de 1982.
Ela retornou imagens em
preto-e-branco e as
primeira vistas
30 de panorâmicas em cores da
outubro de superfície de Vênus. Ela
1981 também realizou análises do
solo usando um
espectrômetro de
fluorescencia de raios x. A
amostra obtida era formada
Venera 13
por basalto leucita, um tipo
(União Soviética)
de rocha rara na Terra.

pesando 5000 quilogramas a


Venera 14 pousou em Vênus
no dia 5 de março de 1982.
Ela retornou imagens em
preto-e-branco e vistas
panorâmicas em cores da
superfície de Vênus. Ela
4 de
também realizou análises do
novembro de
solo usando um
1981
espectrômetro de
fluorescencia de raios x. A
amostra obtida era formada
por basalto tholitico, similar
Venera 14 àquele encontrado nas
(União Soviética) cordilheiras meso-oceânicas
na Terra.

pesando 5000 quilogramas a


Venera 15 chegou a Vênus
no dia 10 de outubro de
1983. Seu sistema de
Venera 15 2 de junho de
imagens de alta resolução
(União Soviética) 1983
produziram imagens com 1-
2 quilômetros de resolução.
A Venera 15 e sua irmã
Venera 16 produziram um
mapa do hemisfério norte de
Vênus indo do pólo a 30o
norte. As duas sondas
encontraram vários pontos
quentes, possivelmente
causados por atividade
vulcânica.

pesando 5000 quilogramas a


Venera 16 chegou a Vênus
no dia 14 de outubro de
1983. Seu sistema de
imagens de alta resolução
produziram imagens com 1-
2 quilômetros de resolução.
Venera 16 7 de junho de A Venera 15 e sua irmã
(União Soviética) 1983 Venera 16 produziram um
mapa do hemisfério norte de
Vênus indo do pólo a 30o
norte. As duas sondas
encontraram vários pontos
quentes, possivelmente
causados por atividade
vulcânica.

pesando 4000 quilogramas a


Vega 1 possuia a dupla
missão de sobrevoar Vênus
e encontrar com o cometa
Halley. A Vega 1 sobrevoou
Vênus no dia 11 de junho de
1985 em seu caminho para
um sobrevôo do cometa
Halley. Ela lançou um
módulo de pouso,
semelhante àqueles usados
nas sondas Venera, e um
balão para investigar a
camada de nuvens médias
venusianas. A experiência
de solo do módulo de pouso
15 de
Vega 1 falhou. O balão flutuou na
dezembro de
(União Soviética) atmosfera por
1984
aproximadamente 48 horas
a uma altitude de 54
quilômetros. Entre as
experiências da Vega 1 e da
Vega 2, rajadas de vento de
1 metro por segundo,
dirigidas para baixo, foram
detectadas. Também foram
registradas velocidades de
vento de até 240
quilômetros por hora. O
sobrevôo do cometa Halley
ocorreu no dia 6 de março
de 1986. A sonda Vega 1
está agora em uma órbita
solar.

pesando 4000 quilogramas a


Vega 2 possuia a dupla
missão de sobrevoar Vênus
e encontrar com o cometa
Halley. A Vega 2 sobrevoou
21 de
Vega 2 Vênus no dia 15 de junho de
dezembro de
(União Soviética) 1985 em seu caminho para
1984
um sobrevoo do cometa
Halley. Ela lançou um
módulo de pouso do estilo
usado nas sondas Venera e
um balão para investigar a
camada de nuvens médias
venusianas. A experiência
de solo do módulo de pouso
tirou amostras de
anortosita-troctolita que é
encontrada nas altas
montanhas da Lua mas é
rara na Terra. O balão
flutuou na atmosfera por
aproximadamente 48 horas
a uma altitude de 54
quilômetros. Entre as
experiências da Vega 2 e da
Vega 1, rajadas de vento de
1 metro por segundo,
dirigidas para baixo, foram
detectadas. Também foram
registradas velocidades de
vento de até 240
quilômetros por hora. O
sobrevôo do cometa Halley
ocorreu no dia 9 de março
de 1986. A sonda Vega 2
está agora em uma órbita
solar.

pesando 2200 quilogramas a


Galileu foi projetada para
estudar durante dois anos a
atmosfera de Júpiter, seus
satélites e a magnetosfera
que o circunda. Para
conseguir velocidade
suficiente para chegar ao
seu alvo a sonda espacial
Galileu fez uma assistência
18 de gravitacional sobrevoando
outubro de Vênus no dia 10 de fevereiro
1989 de 1990. Ela também
sobrevoou a Terra e a Lua
no dia 8 de dezembro de
1990 e novamente em 8 de
dezembro de 1992. A
Galileo Galileu realizou um encontro
(Estados Unidos) com o asteróide 951 Gaspra
no dia 29 de outubro de
1991 e o asteróide 243 Ida
no dia 28 de agosto de
1993.

pesando 3545 quilogramas,


a sonda espacial Magellan
foi liberada em órbita em
torno da Terra pelo Space
Shuttle Atlantis. Em seguida
ela foi levada a uma órbita
de transferência para Vênus
impulsionada pelo estágio
superior de um foguete. Sua
missão principal era mapear
4 de maio de
a superfície de Vênus
1989 - 1994
usando radares de abertura
sintética (synthetic aperture
radar - SAR). A superfície de
Vênus é obscurecida por
espessas nuvens de dióxido
de carbono que a faz ficar
invisível aos instrumentos
Magellan ópticos. A sonda Magellan
(Estados Unidos) chegou a Vênus no dia 10
de agosto de 1990. Seu
sistema de imagens por
radar foi capaz de produzir
imagens com a resolução de
300 metros por pixel. A
sonda espacial Magellan
mapeou 99% da superfície
de Vênus. Em 1994 os
controladores de vôo
sediados na Terra dirigiram
o módulo orbital para dentro
da atmosfera de Vênus,
onde ele foi destruído.
A atmosfera de Vênus

Quando observado através de um telescópio, mesmo sob as condições de visibilidade mais favoráveis, Vênus aparece
sem mostrar estruturas, praticamente sem características relevantes. As poucas diferenças observáveis em Vênus
consistem de pequenas nuances nas cores registradas, como mostrado nas imagens apresentadas nesta página.

Muito freqüentemente nestas imagens as cúspides (extremidades em forma de ponta que aparecem na região
iluminada de um planeta ou satélite) aparecem mais brilhantes do que o resto do crescente. Ao mesmo tempo, a
faixa estreita que aparece ao longo do seu limbo inteiro se mostra mais brilhante quando o planeta está na fase
crescente.

Há também um efeito de escurecimento ao longo da borda iluminada do terminador, que é a linha de demarcação
que separa as partes brilhante e escura da face de Vênus.

Vênus é completamente coberto por nuvens espessas que refletem 76% da luz solar incidente sobre ele.
Estas nuvens são formadas por ácido sulfúrico concentrado e elas impedem que possamos observar uma superfície
sobre a qual rios de lava líquida fluem a uma temperatura mais alta do que o ponto de derretimento do chumbo.
A atmosfera de Vênus parece ser relativamente clara abaixo do manto de nuvens baixas que está localizado a cerca
de 45 quilômetros acima da superfície do planeta. Os pontos mais altos das nuvens branco-amareladas atingem cerca
de 70 quilômetros acima da superfície. Para comparação, lembre-se que as mais altas nuvens acima da Terra
alcançam altitudes de apenas cerca de 16 quilômetros.
A atmosfera de Vênus é o aspecto mais misterioso da história deste planeta. Os cientistas acreditavam que as
atmosferas da Terra e de Vênus deveriam ser comparáveis por causa das outras semelhanças existentes entre estes
planetas. Entretanto, as atmosferas dos dois planetas evoluiram por caminhos muito diferentes. Isto certamente está
associado, de algum modo, com a evolução dos oceanos e da vida no planeta Terra.

A temperatura em Vênus

Vênus tem uma temperatura que na superfície chega a cerca de 482o Celsius.

Esta alta temperatura é, principalmente, conseqüência de um efeito estufa (greenhouse effect) que cresce
continuamente, causado pela atmosfera pesada de dióxido de carbono.
O efeito estufa em Vênus

O dióxido de carbono presente na atmosfera de Vênus é transparente à luz e ao calor proveniente do Sol. A luz solar
passa através da atmosfera e consegue aquecer a superfície do planeta. O calor é, então, irradiado para fora da
superfície pelas rochas existentes, sob a forma de radiação infravermelha, como era de se esperar. No entanto, o
dióxido de carbono presente na atmosfera de Vênus é opaco a esta radiação infravermelha proveniente da superfície
aquecida do planeta.

Isto significa que nem toda a radiação emitida pelo solo consegue atravessar a atmosfera do planeta e escapar para
o espaço interplanetário. Menos da metade desta radiação emitida pelo solo consegue sair do planeta o que significa
que o calor permanece aprisionado entre as camadas mais baixas desta densa atmosfera e a superfície do planeta. O
resultado deste processo recorrente é que, hoje, a temperatura na superfície deste planeta está cerca de 500 K mais
elevada do que seria esperado. Isto faz Vênus ter uma temperatura na superfície maior do que Mercúrio.

Lembre-se que o efeito estufa também existe na Terra mas, como a atmosfera terrestre permite que grande parte do
calor irradiado pelo solo escape para o espaço, a temperatura da Terra só é elevada em cerca de 30 o como
conseqüência deste fenômeno.

Por vermos em Vênus o efeito estufa fora de controle os cientistas o chamam de efeito estufa continuamente
crescente (runaway greenhouse effect).

Com uma temperatura tão elevada na sua superfície é extremamente improvável que Vênus tenha, hoje, qualquer
possibilidade de ter alguma forma de vida tal como conhecemos na Terra.
O segundo efeito estufa existente em Vênus

Curiosamente o efeito estufa descrito acima não é o único processo capaz de elevar a temperatura de Vênus. Um
outro efeito estufa ocorre quando reações químicas de altas temperaturas começam a levar dióxido de carbono das
rochas para dentro da atmosfera. Isto também acelera o aquecimento do planeta.

Existe água em Vênus?

Vênus tem muito menos água do que a Terra. Se toda a água da Terra, tanto aquela existente na atmosfera como a
que está nos oceanos, fosse espalhada em uma camada uniforme sobre a superfície do nosso planeta, ela se
distribuiria como uma espessura uniforme de 3 quilômetros. No caso de Vênus teríamos que contar apenas com a
pouca água existente em sua atmosfera pois não existe água na sua superfície devido as altíssimas temperaturas
existentes no solo. Assim, se toda a água existente na atmosfera de Vênus fosse espalhada uniformemente por toda
a superfície do planeta ela formaria uma camada uniforme com apenas 30 centímetros de espessura.

Os cientistas acreditam que o aquecimento solar inicial sobre Vênus evitou que oceanos pudessem se formar ou
então impediu que eles continuassem existindo, se eles alguma vez se formaram. A subsequente falta de chuva, e o
insucesso na evolução de vida na forma de plantas, manteve o dióxido de carbono na atmosfera de Vênus ao invés
de associá-lo às rochas, como ocorreu com a Terra.
A superfície de Vênus

A maior parte da informação que dispomos sobre a superfície de Vênus foi obtida pelas sondas espaciais
Venera 15 e Venera 16 da União Soviética e pelas sondas espaciais norte-americanas Pioneer Venus 1,
Pioneer Venus 2 e Magellan durante o período de 1978 a 1994.
As primeiras imagens da superfície de Vênus foram obtidas pelas sondas espaciais da série Venera, lançadas
pela extinta União Soviética.
A sonda espacial Venera 9 foi lançada no dia 8 de junho de 1975 com a missão sem precedentes de pousar
em solo venusiano e enviar para a Terra imagens da sua superfície. O módulo de pouso da Venera 9 tocou o
solo de Vênus no dia 22 de outubro de 1975 as 5 horas e 13 minutos UT, em uma região situada a 32o sul e
291o leste. Neste momento o Sol estava quase no zênite nesta região, o que nos leva a imaginar a
temperatura que a sonda teve que suportar. Mesmo assim, a Venera 9 operou durante 53 minutos, enviando
para a Terra uma única imagem, mostrada abaixo. O módulo de pouso da Venera 9 pousou sobre uma parte
do terreno inclinada em cerca de 30o com o horizonte. O objeto branco que aparece na parte de baixo da
imagem é um pedaço do módulo de pouso da Venera 9. Note que a paisagem é dominada por rochas
angulares e parcialmente modificadas pelo clima local, com cerca de 30 a 40 centímetros de diâmetro. Várias
delas estão parcialmente enterradas no solo. O horizonte venusiano está visível nos cantos superiores direito
e esquerdo.

Seis dias após o lançamento da sonda espacial Venera 9, no dia 14 de junho de 1975, a União Soviética
lançou a sonda espacial Venera 10, uma cópia da Venera 9 e que tinha o mesmo destino de sua antecessora.
O módulo de pouso da Venera 10 tocou o solo de Vênus no dia 25 de outubro de 1975 as 5 horas e 17
minutos UT, na região situada a cerca de 16o norte e 291o leste. O módulo de pouso ficou inclinado em
cerca de 8 graus. Após operar durante 65 minutos na superfície de Vênus, o módulo de pouso da Venera 10
enviou a imagem abaixo da superfície deste planeta. O Sol estava próximo ao zênite no momento do pouso.
Os objetos que aparecem na parte de baixo da imagem são partes da sonda espacial. A imagem nos mostra
que a região de pouso esta coberta com pedaços planos de rochas, parcialmente cobertos por material
formado por grãos muito finos, não muito diferentes do que encontramos em uma área vulcânica na Terra. O
grande pedaço de rocha na parte da frente da imagem tem mais de dois metros de comprimento.
Outras sondas da série Venera foram lançadas e pousaram na superfície de Vênus. Abaixo mostramos
algumas imagens obtidas pelos seus equipamentos de imagem, bastante precários sob o ponto de vista do que
possuímos hoje mas que realizaram o impressionante feito de nos enviar estas imagens.

A sonda espacial Venera 13 tocou o solo de Vênus no dia 1 de março de 1982 na região situada a 7,5o sul e
303o leste, a leste de um local chamado Phoebe Regio. A Venera 13 foi a primeira missão Venera que levava
a bordo uma câmera de TV a cores. Ela conseguiu sobreviver no inóspito ambiente venusiano durante 2
horas e 7 minutos, produzindo 14 imagens da superfície de Vênus. A Venera 13 tinha duas câmeras que
apontavam em direções opostas.

Nas duas imagens abaixo obtidas pela Venera 13 podemos ver partes do módulo de pouso e coberturas semi-
circulares das lentes mas a imagem de baixo mostra o braço mecânico do módulo de pouso da Venera 13.
Vemos que a superfície é formada por terra e rochas planas.

A sonda espacial Venera 14 pousou na superfície de Vênus no dia 5 de março de 1982, na região situada a
13o sul e 310o leste. O módulo de pouso sobreviveu durante 60 minutos. As duas imagens abaixo mostram
parte do equipamento. A superfície de Vênus nesta região é composta de rochas planas tipo basalto, mas
apresenta pouca terra ou material composto por grãos finos como havia sido observados em outros locais de
pouso das Veneras anteriores. Próximo ao centro da parte de cima da imagem vemos a cobertura de uma
lente e na imagem de baixo vemos o braço de teste do módulo.

Com a inacreditável melhoria dos equipamentos de imageamento as sondas espaciais lançadas para estudar
Vênus puderam obter imagens muito mais detalhadas da superfície deste planeta. Na verdade detalhes da
superfície venusiana só foram conhecidos a partir do momento em que módulos orbitais, como o Magellan
lançado pelos Estados Unidos, realizaram o mapeamento da superfície de Vênus com o auxílio de radar.
Hoje temos boas informações sobre 98% da superfície de Vênus.
Algumas características gerais da superfície de Vênus

A superfície de Vênus é relativamente jovem, geologicamente falando. Parece que a superfície do planeta
Vênus foi completamente refeita há cerca de 300 a 500 milhões de anos. Os cientistas ainda debatem como, e
por que, isto ocorreu.
Os mapeamentos feitos por radar revelaram que a superfície deste planeta possui um terreno bastante
variado. Nela encontramos montanhas, planícies, altos platôs, cânions, vulcões, cadeias de montanhas e
crateras de impacto.
De um modo geral a topografia venusiana consiste de vastas planícies cobertas por fluxos de lava e
montanhas ou regiões de altas montanhas deformadas pela atividade geológica.
Globalmente Vênus parece ser razoavelmente plano. As diferenças de elevação variam pouco, somente 2 a 3
quilômetros, exceto para algumas poucas regiões de montanhas.
A parte norte e a parte sul de Vênus diferem notavelmente. A parte norte é montanhosa, com platôs elevados
(planaltos) sem crateras. Estas regiões lembram os continentes que existem na Terra. A parte sul tem um
terreno ondulado mas relativamente plano, que parece consistir de vastas planícies de lava.

Montanhas

Existem somente duas áreas de montanhas importantes em Vênus.


O maior continente, o Aphrodite Terra, está situado próximo ao equador de Vênus. Seu tamanho é similar à
América do Sul. As altas montanhas Aphrodite Terra se estendem por quase metade do caminho ao longo do
equador de Vênus.
Outro grande continente, situado na latitude 70o norte, é chamado de Ishtar Terra. Ele mede cerca de 1000
quilômetros por 1500 quilômetros. Seu tamanho é superior ao maior planalto montanhoso da Terra, o
planalto do Himalaia.
A imagem abaixo mostra a escarpa sul e a região ocidental da região conhecida como Ishtar Terra. A região
ocidental da Ishtar Terra tem o tamanho aproximado do continete Australiano. A distância, a direita,
podemos ver o planalto chamado Lakshmi Planum. Nesta imagem a superfície do planalto cai rapidamente
para as terras baixas circundantes com inclinações maiores do que 5% ao longo de mais de 50 quilômetros.
O monte Maxwell na Ishtar Terra é o pico mais alto em Vênus. O monte Maxwell é a estrutura mais visível
na superfície de Vênus. Ele foi descoberto não por uma sonda espacial mas a partir de mapeamentos feitos
com radar por radiotelescópios situados na Terra. A imagem abaixo, um mosaico de várias imagens obtidas
pela sonda Magellan, mostra estas montanhas e a cratera Cleopatra. Note que as linhas escuras são apenas
regiões não observadas pela sonda Magellan.

Vulcões

Em Vênus, os vulcões e características vulcânicas são ainda mais numerosos do que as crateras. Pelo menos
85% da superfície venusiana é coberta com rocha vulcânica.
Mais de 1500 importantes vulcões ou características vulcânicas são conhecidos em Vênus. Acredita-se que
pode mesmo haver um milhão destas características vulcânicas com tamanhos menores.
A maioria dos vulcões existentes em Vênus são vulcões de escudo, semelhantes àqueles existentes no Havaí
na Terra. Mais de 100000 pequenos vulcões de escudo pontilham a superfície de Vênus.
Também existem grandes vulcões neste planeta. Mais de 1000 vulcões ou centros vulcânicos em Vênus
possuem mais de 20 quilômetros de largura.
Além disso, Vênus exibe algumas características superficiais que parecem rios. Entretanto elas não foram
criadas por fluxo de água mas sim por fluxos de lava líquida. Sabemos hoje que enormes fluxos de lava
provenientes dos vulcões produziram longos e sinuosos "canais", que se estendem por centenas de
quilômetros, e que inundaram as terras baixas criando vastas planícies.
Um desses "canais" se estende por aproximadamente 7000 quilômetros, o que o faz ser mais longo do que o
maior rio da Terra em comprimento, o rio Nilo, na África.

A imagem acima mostra o Sapas Mons, localizado na região de Vênus chamada Atla Regio. Os flancos deste
vulcão estão cobertos com numerosos fluxos de lava superpostos. Muitos deles parecem ter se originado das
aberturas existentes nos flancos do vulcão em vez de seu duplo cume. Este tipo de erupção é comum nos
grandes vulcões de escudo que existem na Terra, tais como aqueles encontrados no Havaí, Estados Unidos.

A imagem abaixo, em cores artificiais, mostra a região do vulcão Sif Mons que está logo abaixo do seu
cume. Vê-se na frente dela uma série de fluxos de lava, escuros e brilhantes. Os fluxos de lava mais
brilhantes estão associados ao vulcanismo mais recente nesta região. Estes fluxos cobrem fluxos de lava mais
antigos que são mais suaves e, portanto, aparecem com uma cor mais escura nesta imagem. Este vulcão tem
2 km de altura e 200 km de diâmetro. A imagem está exagerada 20 vezes em altura para que possamos ter
uma visão geral.
A imagem abaixo mostra uma parte da região Eistla Regio ocidental. O vulcão Gula Mons aparece no
horizonte. Ele é um vulcão bastante alto, com cerca de 3 quilômetros de altura, localizado aproximadamente
na latitude de 22o norte e longitude de 359o leste. No centro da imagem vemos a cratera de impacto Cunitz.
Esta cratera tem 48,5 quilômetros de diâmetro e tem este nome em homenagem à astrônoma e matemática
Maria Cunitz. Esta imagem foi produzida no JPL Multimission Image Processing Laboratory.

A imagem abaixo mostra uma porção da parte ocidental da região Eistla Regio. O vulcão que aparece à
direita no horizonte é o Gula Mons. O vulcão Sif Mons aparece à esquerda no horizonte. O vulcão Sif Mons
tem o diâmetro de 300 quilômetros e uma altura de 2 quilômetros. Esta imagem foi produzida no
Multimission Image Processing Laboratory do Jet Propulsion Laboratory, Estados Unidos, por Eric De Jong,
Jeff Hall e Myche McAuley.
Um outro tipo característico de vulcão em Vênus são os chamados "Pancake Domes". Acredita-se que estes
vulcões de forma particular foram formados pela subida de lava muito mais viscosa do que aquela que forma
os vulcões escudo. Isto é indicado pela sua forma arredondada e suas margens espessas. A composição desta
lava, entretanto, não é bem conhecida. A maior destas estruturas tem um diâmetro de 58 quilômetros.

Crateras de Impacto

A superfície de Vênus é pontilhada por crateras de impacto, causadas pela queda de meteoros na sua
superfície.

Essas crateras de impacto se distribuem aleatoriamente sobre a sua superfície. Elas são poucas em número
mas largas em tamanho. Isto nos indica que Vênus tem uma superfície relativamente jovem, com uma idade
geológica menor do que 800 milhões de anos.
Acredita-se que, como todos os outros planetas terrestres do Sistema Solar, Vênus deve ter se formado há 4,6
bilhões de anos a partir do ajuntamento de pequeninos objetos. A crosta primordial se formou e foi
fortemente bombardeada e craterizada. Durante esta fase de intenso bombardeamento foi produzido calor
suficiente para derreter o proto-planeta inteiramente. Após um certo período de esfriamento, a massa
derretida desenvolveu uma crosta, uma manta e uma região central. O baixo número de crateras de impacto
em Vênus sugere que uma grande área da crosta foi destruida durante a sua história mais primordial por
fluxos de lava.
Pequenas crateras, com menos de 2 quilômetros de diâmetro, praticamente não existem na superfície de
Vênus devido à pesada atmosfera que cobre este planeta. Elas deveriam ser criadas a partir da colisão de
pequenos meteoritos com a superfície venusiana mas, devido ao seu pequeno tamanho, estes corpos foram
destruídos pelo atrito durante a passagem pela espessa atmosfera de Vênus.
No entanto os grandes meteoritos que entram na atmosfera de Vênus conseguem sobreviver e colidem com o
solo formando crateras. Alguns deles se despedaçam um pouco antes do impacto e, conseqüentemente, criam
aglomerados de crateras.
Cratera Golubkina:

Esta é a cratera Golubkina, situada a 60,30 de latitude e 286,55 de longitude. Esta cratera possui um diâmetro
de 30,1 quilômetros. A imagem mostrada é uma composição 3D feita por computador. Esta cratera se
caracteriza por possuir um pico central, típico de grandes crateras de impacto que conhecemos na Terra. Esta
cratera tem este nome em homenagem à escultora russa Anna Golubkina.
Cratera Mona Lisa:

Esta é a cratera chamada Mona Lisa. Sua estrutura apresenta vários anéis concêntricos, típico da maioria das
crateras em Vênus. O impacto no centro da cratera fez com que vários anéis concêntricos de montanhas se
formassem. Eles foram criados essencialmente pela propagação através da superfície de ondas com cerca de
um quilômetro e meio de altura. Quando estas ondas perderam intensidade a ponto de poderem ser
bloqueadas pelo terreno vizinho foram formadas as bordas da cratera. A lava foi então preenchendo a
depressão central, eliminando alguns dos anéis mais internos e alisando o fundo. Fragmentos resultantes do
impacto foram inicialmente jogados no espaço, precipitando-se depois na região em volta da cratera e
criando uma camada mais brilhante.
Cratera Adivar:

Sabemos que a atmosfera de Vênus é muito mais densa do que a da Terra. Ventos sopram constantemente na
superfície venusiana e, como conseqüência, a erosão provocada por estes ventos é responsável pela formação
de diversas estruturas na superfície do planeta. No caso da cratera Adivar, mostrada abaixo, o vento foi
levando material ejetado na formação da cratera, resultando na formação de uma cratera com uma cauda
similar a de um cometa.
Outras estruturas características da superfície de Vênus

Calderas gigantes com mais de 100 quilômetros de diâmetro são encontradas em Vênus. As calderas
terrestres têm usualmente apenas alguns quilômetros de diâmetro.
Entre as características únicas existentes em Vênus temos as chamadas "coronae" e os "aracnóides".
As coronae (imagem abaixo) são estruturas grandes que vão da forma circular à oval, rodeadas com
despenhadeiros e com centenas de quilômetros de diâmetro. Acredita-se que elas sejam a resposta da
superficie do planeta a algum processo de levantamento da sua manta.

Os aracnóide são crateras características que variam da forma circular a elongada. Elas são similares às
coronae mas têm uma curiosa forma que lembra "aranhas".
Os cientistas acreditam que os aracnóides podem ter sido formados por rocha derretida que infiltrou-se
dentro de fraturas existentes na superfície, produzindo sistemas de fraturas e diques com esta forma
característica.
As imagens abaixo mostram os "aracnóides" existentes na superfície de Vênus na região situada a 40o ao
norte. A primeira imagem mostra um detalhe da região mais ampla exibida na segunda imagem.
A topografia de Vênus vista globalmente

Mostramos abaixo uma seqüência de imagens dos hemisférios de Vênus. Elas foram construidas pelo United
States Geological Survey (USGS), dos Estados Unidos, reunindo mais de uma década de investigações com
o uso de radar do Arecibo Observatory, assim como imagens obtidas pela missão norte-americana Magellan
entre 1990 e 1994. A missão Magellan mapeou mais de 98% da superfície de Vênus com uma resolução de
cerca de 100 metros.
A resolução apresentada nestas imagens é de cerca de 3 quilômetros. Foi usado um código de cores para
representar a elevação de regiões da superfície de Vênus.
Hemisfério de Vênus centrado em 0o de longitude leste
Hemisfério de Vênus centrado em 90o de longitude leste
Hemisfério de Vênus centrado em 180o de longitude leste
Hemisfério de Vênus centrado em 270o de longitude leste
Hemisfério de Vênus centrado no Polo Norte
Hemisfério de Vênus centrado no Polo Sul
O interior de Vênus
A Terra e Vênus são quase iguais em tamanho de modo que acredita-se que o interior de Vênus tem uma região central
metálica, formada por ferro, com cerca de 3000 quilômetros de raio e uma manta de rochas derretidas cobrindo a maior
parte do planeta.

Ao contrário da Terra, Vênus tem um campo magnético muito pequeno além daquele induzido pelo efeito do vento solar.
Terra

A Terra é o terceiro planeta a partir do Sol no Sistema Solar.

Ela é o quinto maior planeta do Sistema Solar, sendo menor do que Júpiter, Saturno, Urano e Netuno.

A distância média da Terra ao Sol é de, aproximadamente, 150 milhões de quilômetros.

A Terra dá uma volta completa em torno do Sol a cada 365,26 dias. Isto é o ano terrestre.
Um dia terrestre tem a duração de 23 horas 56 minutos e 04 segundos ou 23,9345 horas. Este é o
chamado "dia sideral". O dia da Terra é o intervalo de tempo que ela leva para dar uma volta completa
em torno do seu eixo.

O diâmetro da Terra tem 12.756 quilômetros.

A Terra tem apenas um satélite natural, a Lua.

Vista do espaço a Terra tem uma cor azul e branca.

Mais de 70% da superfície da Terra é coberta por água.

A Terra é o planeta mais denso do Sistema Solar. Sua densidade é de 5,515 g/cm 3 e a densidade da
água é de 1,027 g/cm3. A inclinação do eixo da Terra em 23,5o é que provoca a existência das
variações climáticas conhecidas como "estações do ano".

A rotação da Terra está diminuindo muito lentamente ao longo do tempo. Ela diminui cerca de um
segundo a cada 10 anos.

Para que um corpo possa escapar do puxão gravitacional da Terra ele deve atingir a velocidade de
11,186 metros por segundo. Esta é a chamada velocidade de escape.

A Terra é o planeta onde evoluimos e o único planeta no Sistema Solar que é conhecido possuir vida.

Dados Essenciais (aproximados) sobre a Terra

distância média ao Sol


149.600.000 quilômetros ( 1,00 U.A.)
(órbita)

duração do ano
365 dias
(período de revolução)

diâmetro 12756,3 quilômetros

massa 5,972 x 1024 quilogramas

A origem do nome Terra

Na mitologia romana a deusa da Terra era Tellus, nome que significava "o solo fértil". Na mitologia
grega a Terra era representada pela deusa Gaia, que queria dizer "terra mater" ou "mãe terra".
Existem centenas de nomes para o planeta Terra em outras linguas. A Terra é o único planeta cujo
nome em ingles não provém da mitologia greco-romana. O nome "Earth" provém do alemão e inglês
antigos.
A órbita da Terra

A Terra está em órbita em torno do Sol a uma distância média de 149.600.000 quilômetros. Esta
distância é definida como sendo uma "Unidade Astronômica" (U.A.).

A Terra está mais próxima do Sol, na posição chamada periélio, por volta de 2 de janeiro de cada ano.
Neste momento ela está a uma distância de 147.100.000 quilômetros do Sol.

A Terra está mais afastada do Sol, na posição chamada afélio, por volta de 2 de julho de cada ano.
Neste momento ela está a uma distância de 152.600.000 quilômetros.

Estas diferenças de distâncias ao Sol mostram que a órbita da Terra não é um círculo e sim uma elipse.
Entretanto, a excentricidade desta elipse é de apenas 0,0167, o que mostra que a órbita da Terra é
muito próxima a um círculo

O plano da órbita da Terra é o padrão de referência para os planos das órbitas dos outros planetas.
Consideramos que o plano da órbita da Terra é o plano da eclíptica e, por ser padrão de referência, sua
inclinação é zero. Todas as órbitas dos outros corpos do Sistema Solar estão referidas ao plano de
órbita da Terra. Isto é que define as inclinações dos planos das órbitas dos outros planetas.

O nosso planeta gira em torno do Sol com uma velocidade de 29,8 quilômetros por segundo.

A rotação da Terra e o seu deslocamento no espaço

No seu equador a Terra tem uma circunferência de cerca de 40.074 quilômetros. Sabendo que uma
rotação completa da Terra em torno do seu eixo leva cerca de 23 horas 56 minutos e 04 segundos,
podemos calcular o velocidade de rotação de um objeto colocado na superfície da Terra, no seu
equador. Dividindo estes dois números obtemos que a superfície da Terra no equador se desloca com
uma velocidade de 1674 quilômetros por hora ou 0,46 quilômetros por segundo.

No entanto, à medida que você se move na direção de ambos os pólos, esta velocidade vai diminuindo.
Isto é fácil de entender por que a duração do dia permanece a mesma mas a circunferência da Terra no
local onde está o observador, seu círculo de latitude, vai diminuindo até chegar a praticamente zero na
região dos pólos. Quanto mais próximo estivermos dos pólos mais a velocidade tende para o valor zero.

O mapeamento da Terra

A Terra, certamente, pode ser estudada sem a ajuda das espaçonaves. Não obstante, somente no
século XX é que tivemos mapas do planeta inteiro. As imagens do planeta tomadas a partir do espaço
são de considerável importância. Por exemplo, elas são uma enorme ajuda na previsão do tempo e
especialmente no acompanhamento e previsão de furacões.

Estas imagens são extraordinariamente belas.


A composição química da Terra

A região central da Terra é, provavelmente, composta principalmente de ferro ou de níquel/ferro,


embora seja possível que alguns elementos mais leves possam também estar presentes.

As temperaturas no centro da região central podem ser tão altas quanto 7.500 Kelvins, mais quentes
do que a superfície do Sol.

A manta inferior é composta provavelmente na maior parte de silício, magnésio e oxigênio com algum
ferro, cálcio e alumínio.

A manta superior é na maior parte olivina e piroxênio (silicatos de ferro/magnésio), cálcio e alumínio.

Nós sabemos a maior parte disto somente a partir de técnicas sísmicas. Amostras da manta superior
chegam à superfície como lava proveniente de vulcões mas a maioria da Terra é inacessível.

A crosta é formada principalmente de quartzo (dióxido de silício) e outros silicatos como feldspato.

Tomada como um todo, a composição química da Terra, por massa, é a seguinte:

A composição química da Terra

ferro 34,6%

oxigênio 29,5%

silício 15,2%

magnésio 12,7%

níquel 2,4%

enxôfre 1,9%

titânio 0,05%
Resumo dos dados conhecidos sobre a Terra

Parâmetros Globais

Dados Terra

massa (quilogramas) 5,9736 x 1024

volume(quilômetros cúbicos) 108,321 x 1010

equatorial 6378,1
raio
(quilômetros)
polar 6356,8

raio médio volumétrico (quilômetros) 6371,0

raio da região central (quilômetros) 3485

elipticidade (achatamento) 0,00335

densidade média (quilogramas por metro cúbico) 5515

gravidade na superfície(m/seg2) 9,78

velocidade de escape (km/seg) 11,186

GM (km3/seg2) 0,3986 x 106

albedo de Bond 0,306

albedo geométrico visual 0,367

magnitude visual V (1,0) -3,86

irradiância solar (W/m2) 1367,6

temperatura de corpo negro (Kelvin) 254,3

alcance topográfico (quilômetros) 20


momento de inércia (I/MR2) 0,3308

J2 1082,63 x 10-6

número de satélites naturais 1

sistema de anéis planetários não

Parâmetros Orbitais

Dados Terra

semi-eixo maior (quilômetros) 149,60 x 106

período da órbita sideral (dias) 365,256

período da órbita tropical (dias) 365,242

periélio (quilômetros) 147,09 x 106

afélio (quilômetros) 152,10 x 106

velocidade orbital média (km/seg) 29,78

velocidade orbital máxima (km/seg) 30,29

velocidade orbital mínima (km/seg) 29,29

inclinação orbital (graus) 0,000

excentricidade da órbita 0,0167

período de rotação sideral (horas) 23,9345

comprimento do dia (horas) 24,0000

obliquidade em relação à órbita (graus) 23,45


Elementos Orbitais Médios da Terra (J2000)

propriedades valores

semi-eixo maior (em U.A.) 1,00000011

excentricidade orbital 0,01671022

inclinação orbital (graus) 0,00005

longitude do nodo ascendente (graus) -11,26064

longitude do periélio (graus) 102,94719

longitude média (graus) 100,46435

Polo Norte de Rotação da Terra

propriedades valores

ascenção reta 0,00 - 0,64 T

declinação 90,00 - 0,557 T

data de referência 12:00 UT 1 janeiro 2000 (JD 2451545,0)

(Obs: Nesta tabela T= séculos Julianos a partir da data de referência; JD= data Juliana referente a
01/01/2000)

Magnetosfera terrestre

propriedades físicas valores


0,3076 graus - (raios da
intensidade do campo de dipolo
Terra)3

inclinação do dipolo em relação ao eixo de rotação graus

latitude do dipolo 78,6 graus norte

longitude do dipolo 70,1 graus oeste

distância do (offset) dipolo (do centro do planeta ao


0,0725 raios da Terra
centro do dipolo)

latitude do vetor (offset) 18,3 graus norte

longitude do vetor (offset) 147,8 graus leste

(Obs: na tabela acima o raio da Terra é considerado como 6.378 quilômetros)

Atmosfera terrestre

propriedades físicas valores

pressão na superfície 1014 milibars

densidade na superfície 1,217 kg/m3

altura de escala 8,5 quilômetros

temperatura média 288 K (15o C

intervalo de temperatura diurna 283 K a 293 K (10o a 20o C)

velocidades dos ventos 0 a 100 m/seg

peso molecular médio 28,97 gramas/mole

composição atmosférica maior Nitrogênio (N2) 78,084%


(por volume, ar seco)
Oxigênio (O2) 20,946%

Argônio (Ar) 9340

Dióxido de carbono (CO2) 350

Neônio (Ne) 18,18

menor (ppm) Hélio (He) 5,24

CH4 1,7

Kriptônio (Kr) 1,14

Hidrogênio (H2) 0,55

Algumas distâncias a partir da Terra

até a Lua
3,82 x 108 metros
(distância média)

até o Sol 1,50 x 1011 metros

até Proxima Centauri


4,04 x 1016 metros
(a estrela mais próxima de nós)

até o centro da nossa Galáxia 2,2 x 1020 metros

até a galáxia Andrômeda 2,1 x 1022 metros

até a fronteira do Universo visível ~1026 metros


A atmosfera da Terra
A atmosfera da Terra é uma fina camada de gases que circunda o nosso planeta.

Ela possui, no total, 480 quilômetros de espessura. No entanto, ela não se distribui
homegeneamente e, por conseguinte, podemos dizer que a maior parte da atmosfera da Terra,
cerca de 80% dela, está na região situada até 16 quilômetros de altura medido a partir da
superfície do nosso planeta.

Não existe um lugar bem definido onde podemos dizer que a atmosfera da Terra termina. Por ser
uma distribuição gasosa, à medida que nos afastamos da superfície do nosso planeta a atmosfera
vai se tornando cada vez mais rarefeita até que ela se mistura naturalmente com o espaço
interplanetário. Não existe uma borda definida que separe a atmosfera da Terra do meio
interplanetário.

Nossa atmosfera tem 78% de nitrogênio, 21% de oxigênio, cerca de 0,9% de argônio, cerca de
0,03% de dióxido de carbono, e água.

A formação da atmosfera da Terra

A atmosfera da Terra foi formada pela remoção de gás do próprio planeta, um processo no qual
gases como o dióxido de carbono, vapor de água, dióxido de enxofre e nitrogênio foram liberados
do interior da Terra por meio das emissões dos vulcões e por outros processos.

Havia, provavelmente, uma quantidade muitíssimo maior de dióxido de carbono na atmosfera da


Terra quando ela foi formada mas, ao longo do tempo, este dióxido de carbono foi quase todo
incorporado nas rochas carbonadas embora uma parte menor dele tenha sido dissolvido nos
oceanos e consumido pelas plantas vivas.

As formas de vida existentes da Terra foram modificando a composição da atmosfera durante os


seus processos evolutivos.

Assim, a tectônica de placas e os processos biológicos que ocorrem na Terra mantém agora um
fluxo contínuo de dióxido de carbono tirado da atmosfera para estes vários "sorvedouros" e que
mais tarde retorna para ela de novo.

Um ponto muito interessante do ponto de vista químico é a presença de oxigênio livre. O oxigênio
é um gás muito reativo e sob circunstâncias "normais" se combina rapidamente com outros
elementos. Assim, sabemos que o oxigênio existente na atmosfera da Terra é produzido e mantido
por processos biológicos que ocorrem no nosso planeta. Sem a vida não haveria oxigênio livre.

A temperatura na Terra e o "efeito estufa"

A fina camada gasosa que forma a nossa atmosfera isola a Terra de temperaturas extremas. Ela
mantém o calor dentro da atmosfera e também bloqueia a passagem da maior parte da radiação
ultravioleta proveniente do Sol, impedindo-a de atingir a superfície terrestre.

A temperatura mais fria até hoje registrada na Terra foi obtida pela sonda Vostok em julho de
1983, no continente Antártico, -88o Celsius.

A temperatura mais quente até hoje registrada na Terra foi obtida na Líbia, continente africano, em
setembro de 1922, 58o Celsius.

Podemos então dizer que as temperaturas na Terra variam no intervalo entre -88o Celsius e 58o
Celsius, o que equivale a um intervalo entre 185 K e 331 K, respectivamente.

A pequena quantidade de dióxido de carbono que existe permanentemente na atmosfera da Terra


é extremamente importante para a manutenção da temperatura na superfície do nosso planeta via
efeito estufa (greenhouse effect).

A atmosfera da Terra permite que uma parte da radiação infravermelho incidente sobre a superfície
do planeta escape de volta para o espaço. No entanto, parte desta radiação é refletida pelas
camadas inferiores da atmosfera de volta para a superfície do planeta. Ocorre então o efeito
estufa, que aprisiona calor na atmosfera terrestre.

O efeito estufa eleva a temperatura da superfície da Terra cerca de 35 o C acima do que ela teria se
ele não existisse. Assim, graça ao efeito estufa a temperatura da Terra vai de um frígido -21o C
para um confortável + 14o C.

Sabemos que sem o efeito estufa os oceanos congelariam e a vida na Terra, tal como a
conhecemos, seria impossível.

A pressão atmosférica

No nível do mar a pressão atmosférica é de cerca de 1 atmosfera mas à medida que você atinge
altitudes cada vez maiores a pressão do ar vai diminuindo. Não é preciso ir a altitudes
extremamente altas para sentir isto. Por exemplo, se você subir uma montanha com uma altitude
de 3000 metros ao chegar ao seu topo a pressão do ar é de 0,6805 atmosferas e haverá bem
menos oxigênio para respirar.
A estrutura da atmosfera terrestre

Dividimos a atmosfera da Terra nas seguintes partes:

Troposfera

É a região mais baixa da atmosfera da Terra (ou da atmosfera de qualquer planeta). Sobre a Terra
ela vai do nível do chão, ou da água, que chamamos de "nível do mar", até, aproximadamente, 17
km de altura. Na troposfera a temperatura geralmente diminui à medida que a altitude aumenta. O
clima e as nuvens ocorrem na troposfera.

Tropopausa

É a zona limite, ou camada de transição, entre a troposfera e a estratosfera da atmosfera da Terra.


A tropopausa é caracterizada por pouca ou nenhuma mudança na temperatura à medida que a
altitude aumenta.

Estratosfera
É a camada atmosférica entre a troposfera e a mesosfera. A estratosfera se caracteriza por um
ligeiro aumento de temperatura com o aumento de altitude e pela ausência de nuvens. A
estratosfera se estende entre 17 e 50 km acima da superfície da Terra. A camada de ozônio da
Terra está localizada na estratosfera. O ozônio, um isótopo do oxigênio, é crucial para a
sobrevivência dos seres vivos na Terra. A camada de ozônio absorve uma grande quantidade da
radiação ultravioleta proveniente do Sol impedindo-a de atingir a superfície da Terra. Somente as
nuvens mais altas, os cirrus, cirroestratus e cirrocumulos, estão na estratosfera inferior.

Mesosfera

É a camada atmosférica entre a estratosfera e a ionosfera. A mesosfera é caracterizada por


temperaturas que rapidamente diminuem à medida que a a altitude aumenta. A mesosfera se
extende entre 17 a 80 km acima da superfície da Terra.

Ionosfera

É uma das camadas mais altas da atmosfera da Terra. A ionosfera começa a cerca de 70-80 km de
altura e continua por centenas de quilômetros, até cerca de 640 km. Ela contém muitos íons e
elétrons livres (plasma). Os íons são criados quando a luz do Sol atinge os átomos e arranca alguns
elétrons. A ionosfera está localizada entre a mesosfera e a exosfera. Ela é parte da termosfera. As
auroras ocorrem na ionosfera.

Exosfera

É a camada mais externa da atmosfera da Terra. A exosfera vai de aproximadamente 640 km de


altura até cerca de 1280 km. A camada mais inferior da exosfera é chamada de "nível crítico de
escape", onde a pressão atmosférica é muito baixa, uma vez que os átomos do gás estão muito
amplamente espaçados, e a temperatura é muito baixa.

Termosfera

É uma classificação térmica. Ela é a camada da atmosfera localizada entre a mesosfera e o espaço
exterior. Na termosfera a temperatura aumenta com a altitude. A termosfera inclui a exosfera e
parte da ionosfera.
Florestas Tropicais e a mentira propagada

Durante muito tempo repetiu-se a exaustão que "a Amazônia é o pulmão do mundo". Com isso
queria-se dizer que nossa atmosfera dependia fortemente dos processos de trocas gasosas que
ocorriam nas imensas árvores das florestas tropicais.

Isto não é verdade. Se por um lado esta notícia servia como justificativa maior para a defesa da
floresta amazônica, o que era muito bom, por outro fazia com que as pessoas repetissem algo que
a ciência já havia comprovado não ser verdadeiro.

Na verdade, a maior parte do oxigênio que forma a nossa atmosfera não é produzido por plantas e
sim pelos oceanos que cobrem mais de 70% do nosso planeta.

Lutar contra o desmatamento da Amazônia é uma obrigação de todos nós. É um patrimonio


biológico incomparável, riquíssimo e ainda bastante inexplorado. No entanto, não podemos fazer
esta defesa baseada em premissas falsas.

A Amazônia hoje é cobiçada não por ser "pulmão do mundo", o que não é, mas sim pelas riquezas
que ela pode oferecer, principalmente às grandes multinacionais envolvidas com pesquisas de
produtos farmacêuticos. A bio-diversidade amazônica atualmente é estudada, medida, pesquisada
e catalogada por inúmeros grupos estrangeiros sob pomposos nomes de ONGs sem que tenhamos
qualquer informação sobre o que foi pesquisado. Se você duvida desta afirmação faça uma viagem
a Roraima. Certamente você ficará estarrecido com o que vai ver!

Quanto ao desmatamento do "pulmão do mundo" é uma pena que os auto-intitulados "países


desenvolvidos" não tenham tido esta mesma preocupação quando desmataram quase
completamente seus territórios. A Inglaterra por exemplo era conhecida pelo ditado de que um
esquilo poderia ir de uma floresta a outra sem por os pés no chão. Hoje o pobre esquilo deve ir de
trem ou de avião se não quiser pisar o solo inglês por que as árvores destas florestas há muito
deixaram de existir substituidas por grama para pasto de ovelhas. Aliás foi um enorme
desmatamento deste tipo feito pelos ingleses na Escócia que provocou uma enorme fome na região
há alguns séculos. Os Estados Unidos também desmataram suas florestas e quase aniquilaram
seus maiores animais com estúpidas e desnecessárias matanças de bisões. Não replantaram quase
nada mas acham que podem servir de exemplo nesta área.

Os oceanos da Terra

Cerca de 71% da superfície da Terra está coberta com água.

A Terra é o único planeta do Sistema Solar sobre o qual a água pode existeir em forma líquida na
sua superfície, embora possa existir metano ou etano líquidos na superfície de Titan, satélite de
Saturno, e água líquida abaixo da superfície de Europa, satélite de Júpiter.

A água líquida é, certamente, essencial para a vida como nós a conhecemos.

A capacidade calorífica dos oceanos também é muito importante para manter a temperatura da
Terra relativamente estável.

A água líquida também é responsável pela maior parte da erosão e do desgaste das rochas dos
continentes da Terra, um processo único no Sistema Solar hoje, embora eles possam ter ocorrido
em Marte no passado.

O cinturão de radiação Van Allen

O primeiro satélite artificial norte-americano, lançado de Cabo Canaveral, Florida, no dia 31 de


janeiro de 1958 descobriu uma intensa zona de radiação circundando a Terra. Esta região é agora
chamada de cinturões de radiação Van Allen.
O interior da Terra

percentagem da massa profundidade


região
da Terra (em quilômetros)
oceânica 0,099% 0 - 10
crosta
continental 0,374% 0 - 50
manta superior 10,3% 10 - 400
região de transição 7,5% 400 - 650
manta inferior 49,2% 650 - 2890
D" 3% 2700 - 2890
interna 1,7% 5160 - 6370
região central
externa 30,8% 2890 - 5150

A crosta da Terra

A crosta da Terra, tanto a continental como a oceânica, é a superfície do nosso planeta. Por ser a parte mais externa dela, a
crosta é a parte mais fria.

Uma vez que as rochas frias se deformam lentamente, chamamos esta concha externa rígida de Litosfera, que significa
"camada forte ou rochosa".

A maioria da crosta da Terra foi construída por meio de atividades vulcânicas.

A crosta continental

A crosta continetal tem 0,347% da massa da Terra e 0,554% da massa manta-crosta. A crosta continental é a parte mais
externa da Terra. Ela é formada essencialmente por rochas cristalinas.

As rochas cristalinas são minerais de baixa densidade compostos principalmente por quartzo (SiO2) e feldspatos (silicatos
pobres em metal).

A crosta oceânica

A crosta oceânica contém 0,099% da massa do nosso planeta. No entanto, ela possui 0,147% da massa manta-crosta.
Nova crosta oceânica é gerada por meio do sistema de cordilheiras oceânicas. Este sistema de cordilheiras é uma rede de
vulcões com cerca de 40000 quilômetros de extensão. O produto lançado por estes vulcões cobre o fundo dos oceanos com
basalto. Este material gera uma nova crosta no fundo dos oceanos da Terra a uma taxa de 17 quilômetros cúbicos por ano.
As ilhas do Havaí e a Islândia são exemplos da acumulação de pilhas de basalto.

Manta superior

Formada por cerca de 10,3% da massa da Terra, a manta superior contém 15,3% da massa manta-crosta. Para nossa
observação foram escavados fragmentos de cintos de montanhas erodidos e erupções vulcânicas.
Os principais minerais encontrados destas forma foram olivina (Mg,Fe)2SiO4 e piroxeno (Mg,Fe)SiO2.
Estes e outros minerais são refratários e cristalinos em altas temperaturas. Como consequência, a maioria (settle out of)
magma que sobe, ou formando novo material da crosta ou nunca deixando a manta.

Parte da manta superior, chamada Astenosfera, poderia ser parcialmente derretido.

Região de transição

A região de transição também é chamada de mesosfera, que significa "manta média", e algumas vezes de " camada fértil".
Ela contém 7,5% da massa da Terra e cerca de 11,1% da massa da manta-crosta.

A região de transição é a fonte dos magmas basálticos. Ela também contém cálcio, alumínio e granada, que é um complexo
mineral silicato carregado de alumínio.

A região de transição é densa quando fria por causa da granada. Ela é elástica quando quente porque estes minerais
derretem facilmente para formar basalto, o qual pode então subir através das camadas superiores como magma.

Manta inferior

A manta inferior contém 49,2% da massa da Terra e 72,9% da massa da manta-crosta. Ela é, provavelmente, composta
principalmente de silício, magnésio e oxigênio. Provavelmente ela também contém algum ferro, cálcio e alumínio.

D"

Esta camada contém cerca de 3% da massa da Terra e cerca de 4% da massa da manta-crosta. Sua espessura é de 200 a
300 quilômetros.
Embora ela seja frequentemente identificada como parte da manta inferior, as descontinuidaes sísmicas sugerem que a
camada D" poderia diferir quimicamente da manta inferior que está situada acima dela.
Os cientistas teorizam que o material ou dissolveu na região central ou foi capaz de afundar através da manta mas não para
dentro do núcleo por causa da sua densidade.

Região central externa

Esta região engloba 30,8% da massa da Terra e está situada a uma profundidade de 2890 a 5150 quilômetros. A região
central externa é um líquido eletricamente condutor, quente, dentro do qual ocorrem movimentos convectivos.

Esta camada condutora se combina com a rotação da Terra para criar um efeito dínamo que mantem um sistema de
correntes elétricas conhecido como campo magnético da Terra. Ela também é responsável pela sutil sacudida da rotação da
Terra.

Esta camada não é tão densa como o ferro derretido puro, o que indica a presença de elementos mais leves.

Os cientistas suspeitam que aproximadamente 10% da camada é composto de enxofre e/ou oxigênio porque estes
elementos são abundantes nos cosmos e se dissolvem facilmente no ferro derretido.

Região central interna

A região central interna compreende cerca de 1,7% da massa da Terra. Ela tem uma profundidade entre 5150 e 6370
quilômetros.
A região interna é sólida e não está associada à manta. Ela está suspensa na região central externa derretida. Acredita-se
que ela se solidificou como resultado do (pressure-freezing) que ocorre na maioria dos líquidos quando a temperatura
diminui ou a pressão aumenta.
Como os geofísicos estudam o interior da Terra?

Os geofísicos conhecem o interior da Terra utilizando vários métodos experimentais. No entanto, os principais métodos
usados para estudar o interior do nosso planeta são aqueles utilizados pela Sismologia.

O que é sismologia?

O nome "Sismologia" já revela o eixo principal do seu estudo. Sismologia é uma palavra proveniente do grego "seismos",
que quer dizer choque, e é isto que a sismologia estuda: os terremotos, tremores e movimentos violentos que ocorrem no
nosso planeta.
Na Terra a sismologia estuda as vibrações que são produzidas por terremotos, ou por impacto de meteoritos ou por qualquer
meio artificial tal como explosões violentas.
Para realizar estes estudos os geofísicos utilizam um equipamento chamado sismógrafo, capaz de medir e registrar os
movimentos e vibrações reais que ocorrem dentro da Terra e na superfície.
Os geofísicos classificam os movimentos sísmicos em quatro tipos de ondas diagnósticos que se deslocam com velocidades
que variam de 3 a 15 quilômetros por segundo. Estas ondas são:

duas ondas que se deslocam ao longo da superfície da Terra em vagas que rolam.

ondas primárias ou ondas P: estas ondas, também chamadas de ondas de compressão, penetram no interior da
Terra. De modo similar às ondas sonoras, as ondas primárias comprimem e dilatam a matéria à medida que elas se
deslocam através das rochas ou líquidos.

ondas secundárias ou ondas S: do mesmo modo que as ondas P, estas ondas, também chamadas ondas de
cisalhamento, penetram no interior da Terra. As ondas secundárias se propagam através das rochas mas não são
capazes de se deslocar através dos líquidos.
As ondas P se deslocam com uma velocidade duas vezes maior do que as ondas S. Tanto as ondas P como as ondas S
refratam ou refletem em pontos onde há o encontro de camadas com propriedades físicas diferentes. Estas mudanças na
direção e velocidade das ondas são os meios de localizar as descontinuidades.

Estas descontinuidades ajudam a distinguir divisões no interior da Terra. É a partir delas que separamos o interior da Terra
em região central interna, região central externa, D", manta inferior, região de transição, manta superior e crostas (oceânica
e continental).

A chamada " tomografia sísmica" tem distinguido e mapeado discontinuidades laterais.

E como conhecemos a composição química do interior do planeta Terra?

Os cientistas são capazes de deduzir a composição quimica de cada camada supondo que a Terra tem uma abundância e
proporção similares de elementos cósmicos que aquela encontrada no Sol e meteoritos primitivos.

A Litosfera

A litosfera é dividida em duas parte:

litosfera oceânica
litosfera continental

A litosfera oceânica

É o nome que damos à camada rígida, mais externa da Terra e que compreende a crosta e a manta superior.

Uma nova litosfera oceânica se forma através do vulcanismo na forma de fissuras nas cordilheiras do meio do oceano, que
são fendas que circundam o globo terrestre.

O calor escapa do interior à medida que esta nova litosfera emerge vindo de baixo. Ela gradualmente esfria, contrai e se
afasta da cordilheira, se deslocando através do fundo do mar para zonas de subducção em um processo chamado
"espalhamento do fundo do mar".

A litosfera mais velha ficará mais espessa e eventualmente se tornará mais densa do que a manta abaixo dela. Isto fará com
que ela desça de volta para dentro da Terra (subducção) em um ângulo forte, esfriando o interior.

A subducção é o método principal de esfriamento da manta abaixo de 100 quilômetros. Se a litosfera é jovem e, deste
modo, mais quente, em uma zona de subducção, ela será forçada a voltar para o interior em um ângulo menor.

A litosfera continental

A litosfera continental tem uma espessura de aproximadamente 150 quilôlometros. Ela é formada pela crosta de baixa
densidade e a manta superior que estão flutuando permanentemente.
Os continentes se deslocam lateralmene ao longo do sistema de convecção da manta afastando-se das zonas de manta
quentes e dirigindo-se para as mais frias, um processo conhecido como "deslocamento continental".
A maioria dos continentes estão agora em "repouso" ou se movendo na direção de partes mais frias da manta, com excessão
da África. A África foi em uma época a região central da Pangaea, um supercontinente que finalmente se dividiu nos
continentes dos dias de hoje.
Várias centenas de milhões de anos antes da formação da Pangea, os continentes do sul, ou seja África, América do Sul,
Austrália, Antártida e Índia, estiveram reunidos no que foi chamado de Gondwana.
A estrutura interna da Terra

A Terra é dividida em várias camadas que tem propriedades sísmicas e químicas distaintas. As camadas da Terra possuem
as seguintes profundidades:

A estrutura interna da Terra (em quilômetros)


crosta 0 - 40
manta superior 40 - 400
região de transição 400 - 650
manta inferior 650 - 2700
camada D" 2700 - 2890
região central externa 2890 - 5150
região central interna 5150 - 6378

A crosta varia consideravelmente em espessura, sendo mais fina sob os oceanos e mais espessa sob os continentes.
A região central interna e a crosta são sólidas.
A região central exterior e as camadas de manta são plásticas ou semi-fluidas.
As várias camadas são separadas por descontinuidades que são evidentes nos dados sísmicos observados.
A mais conhecida destas descontinuidades é a descontinuidade Mohorovicic, que está situada entre a crosta e a manta
superior.

A distribuição da massa da Terra

A maior parte da massa da Terra está na manta.

A maioria do restante da massa está na região central.

A parte que habitamos é uma pequenina fração do todo.

A distribuição de massa da Terra (em quilogramas)


atmosfera 0,0000051 x 1024
oceanos 0,0014 x 1024
crosta 0,026 x 1024
manta 4,043 x 1024
região central externa 1,835 x 1024
região central interna 0,09675 x 1024

Comparando a estrutura da Terra com a dos outros planetas e satélites

A Terra é o mais denso corpo do Sistema Solar. Os outros planetas terrestres provavelmente tem estruturas e composição
similares com algumas diferenças.

A Lua tem no máximo uma região central pequena.

Mercúrio tem uma região central extragrande, em relação ao seu diâmetro.

As mantas de Marte e da Lua são muito mais espessas.

A Lua e Mercúrio podem não ter crostas quimicamente distintas.

A Terra pode ser o único objeto do Sistema Solar com regiões centrais interna e externa distintas.
Note, entretanto, que nosso conhecimento dos interiores dos planetas é na sua maior parte teórico, mesmo para a Terra.
Definindo coordenadas sobre a Terra

Para podermos discutir os sistemas de coordenadas usados para localizar pontos na superfície
da Terra precisamos de alguns conceitos de astronomia básica (fundamental) sobre coordenadas
celestes.

Precisamos definir o que é "esfera celeste", "equador celeste", "pólos celestes", "zênite", "nadir",
"meridiano", "eclíptica", "eqüinócios", "solstícios".

A Esfera Celeste

Quando olhamos para o céu noturno temos a


impressão de que todas as estrelas estão à mesma
distância de nós, fixas na escuridão do céu. Sabemos
que isto não é verdade pois os vários objetos celestes
que povoam o universo, sejam eles planetas, estrelas,
nebulosas ou galáxias, estão situados em um amplo
intervalo de distâncias da Terra.
As estrelas brilhantes que vemos sem a ajuda de um
telescópio estão situadas em um intervalo de distância
que vai de 4,2 anos-luz (a estrela mais próxima de
nós, Proxima Centauri, que tem o nome científico de
V645 Cen) até cerca de 1000 anos-luz.
Estas distâncias, que já são imensas, nem se
comparam com aquelas das outras galáxias, quasares,
etc. que estão a milhões de anos-luz de nós.
Por termos a impressão de que todos os objetos
celestes visíveis estão à mesma distância de nós os
astrônomos imaginam que todos eles estão a uma
distância comum, fixos na parte interna de uma
grande esfera imaginária que envolve a Terra e que
chamamos de esfera celeste. Consideramos que a Terra está situada no centro desta esfera
celeste.

Desta forma, o céu noturno visto por um observador sobre a superfície da Terra é a projeção
sobre a esfera celeste de todos os objetos celeste, sejam eles, planetas, cometas, estrelas,
nebulosas, galáxias, etc.
O Equador Celeste e os pólos Celestes

Imagine agora a Terra envolta pela esfera celeste.


Vamos supor que o nosso planeta é um globo
transparente, com uma lâmpada no seu centro, e
sobre a sua superfície traçamos o equador terrestre.
Ao acendermos a lâmpada no seu interior, a linha que
marca o equador terrestre lançará uma sombra, ou
seja "será projetada", sobre a esfera celeste que a
envolve.
O equador da Terra, projetado sobre a esfera celeste,
é chamado de equador celeste.
A extensão do eixo de rotação da Terra irá "perfurar"
a esfera celeste em dois pontos que chamamos de
pólos celestes.
Obviamente, a projeção do pólo norte da Terra dá
origem ao pólo celeste norte enquanto que a
projeção do pólo sul da Terra dá origem ao pólo
celeste sul.

Zênite, Nadir e o Meridiano do Observador

O zênite de um observador é o ponto,


projetado sobre a esfera celeste, que
está diretamente acima da cabeça do
observador. Este ponto é obtido ao se
traçar uma reta que passa pelo centro
da Terra, pelo observador e se prolonga
até a esfera celeste.

O fio de prumo que é usado pelos


trabalhadores da construção civil para
verificar se uma parede está na vertical
também serve para determinar o
zênite. Sabemos que todos os corpos
são atraidos para o centro da Terra. O
prumo também está sendo atraido e,
portanto, ele marca a direção para o
centro do nosso planeta. Se
prolongarmos a direção do fio de prumo
para cima, na direção da esfera celeste, teremos o zênite do observador.
O nadir é o ponto diametralmente oposto ao zênite.

Definimos como meridiano o grande círculo imaginário que traçamos na esfera celeste e que
passa através do zênite do observador e dos dois pólos celestes.

Muito importante é saber que cada localização sobre a Terra tem um meridiano único passando
por ela.

Eclíptica

Durante o período de um ano o Sol traça uma


trajetória aparente no céu em relação às estrelas
fixas.

A projeção da trajetória aparente do Sol, em relação


às estrelas, durante um ano traça sobre a esfera
celeste um círculo que é chamado de eclíptica.
Podemos definir a eclíptica como sendo o caminho
aparente do Sol sobre a esfera celeste.
Como o ano tem 365 1/4 dias e o círculo tem 360 o o
Sol parece se mover ao longo da eclíptica a uma taxa
de, aproximadamente, 1o por dia.

No entanto, sabemos que o eixo de rotação da Terra é


inclinado em um ângulo de 23,5o em relação à
eclíptica. Consequentemente, a eclíptica está inclinada
em um ângulo de 23,5o em relação ao equador celeste
devido à inclinação do eixo da Terra (lembre-se que o
equador celeste é uma projeção do equador terrestre sobre a esfera celeste).

A eclíptica é o plano do nosso Sistema Solar. Ela é o plano onde estão as órbitas dos planetas.
Eles pouco se afastam deste plano, com exceção de Mercúrio e do planeta anão Plutão como
mostra a tabela abaixo (consideramos a Terra como referência).

nome do inclinação do plano da órbita em relação à


planeta eclíptica
Mercúrio 7o 00'
Venus 3o 24'
Terra 0o
Marte 1o 51'
Júpiter 1o 19'
Saturno 2o 30'
Urano 0o 46'
Netuno 1o 47'
Plutão 17o 10'
Equinócios

Uma vez que a eclíptica e o equador celeste estão


inclinados em 23,5o estes dois círculos se cruzam em
dois pontos exatamente opostos durante o ano.

Estes dois pontos de intercessão entre a eclíptica e o


equador celeste, ou seja o ponto são chamados de
equinócios.

Os dois equinócios anuais ocorrem quando o Sol cruza


o equador celeste. Nestes dois dias o dia e a noite têm
a mesma duração de 12 horas em todos os locais da
Terra.

O equinócio da primavera, também chamado de


ponto vernal, ocorre por volta dos dias 20 ou 21 de
março.

O equinócio do outono, também chamado ponto de


Libra, ocorre por volta de 22 ou 23 de setembro.

No equinócio da primavera o Sol passa do hemisfério sul para o hemisfério norte. Isto marca o
início da primavera no hemisfério norte e o início do outono no hemisfério sul.

No equinócio do outono o Sol passa do hemisfério norte para o hemisfério sul. Isto marca o
início do outono no hemisfério norte e o início da primavera no hemisfério sul.
Solstícios

Já vimos que o caminho


aparente do Sol na esfera
celeste, ou seja a eclíptica, faz
um ângulo de 23,5o com o
equador celeste. Isto significa
que, durante o ano, o Sol em
dois momentos estará mais
afastado do equador celeste.

Os dois momentos em que a


eclíptica e o equador celeste
estão mais amplamente
separados são chamados
solstícios.

Existem, portanto, dois solstícios. Um deles ocorre em 22 ou 23 de dezembro quando o Sol


atinge a posição mais afastada do equador celeste na direção do pólo sul. O outro solstício
ocorre em 22 ou 23 de junho, quando o Sol está mais afastado do equador celeste na direção
do pólo norte.

Quando o Sol alcança o solstício de verão temos o dia mais longo do ano, que marca o começo
do verão.

Quando o Sol alcança o solstício de inverno temos a noite mais longa do ano, que marca o
começo do inverno.

Tendo em vista que as estações do ano são opostas no hemisfério sul e no hemisfério norte, os
solstícios têm nomes diferentes nos dois hemisférios.

Hemisfério Sul
22 ou 23 de dezembro solstício de verão
22 ou 23 de junho solstício de inverno

Hemisfério Norte
22 ou 23 de dezembro solstício de inverno
22 ou 23 de junho solstício de verão

As coordenadas geográficas

Sobre uma esfera qualquer podemos definir um círculo máximo ou grande círculo como aquele cujo plano que o
contém passa pelo centro da esfera. O círculo máximo, como o nome diz, é o maior círculo que pode ser desenhado
sobre a superfície de uma esfera.

A distância mais curta entre dois pontos sobre a superfície de uma esfera está situada sobre um círculo máximo ou
grande círculo.

Chamamos de meridianos os círculos máximos que passam pelos dois pólos da Terra. O meridiano é o arco de círculo
máximo que une os pólos, a partir da suposição de que a Terra tem a forma de uma esfera.

Definimos como paralelos os círculos menores paralelos a um círculo máximo da esfera.


A loxodroma é a curva que, traçada sobre uma esfera, corta todos os meridianos sob o mesmo ângulo.
A ortodromia é a rota mais curta que une dois pontos da superfície da Terra.

Latitudes

O intervalo de medidas das latitudes é de -90o a + 90o, passando, obviamente, por 0o. O equador celeste é o círculo de
latitude zero.

As latitudes de -90o e de +90o correspondem aos pólos da eclíptica.

Longitudes

Por convenção internacional, medimos a longitude de um local pelo número de graus


que ele está a leste ou oeste do meridiano que passa pela cidade de Greenwich, na
Inglaterra.

A imagem ao lado mostra o círculo de longitude zero internacional no Royal Greenwich


Observatory. Nele se lê:

Primeiro Meridiano do Mundo

Longitude Leste | Longitude Oeste

Centro do Círculo de Trânsito

Latitude 51o 28' 38",2 norte

Longitude 0 00 00

Definição técnica de coordenadas geocêntricas


São as coordenadas esféricas do zênite de um lugar num sistema cujo plano fundamental é o plano do equador. A
direção origem é a interseção do plano equatorial com o plano do meridiano origem internacional. As latitudes são
contadas de 0o a +90o para o norte e de 0o a -90o para o sul; as longitudes são contadas de 0o a +180o para oeste e de
0o a -180o para leste.

Usando as coordenadas terrestres

As duas coordenadas terrestres, longitude e latitude, permite-nos localizar qualquer ponto sobre a superfície da Terra.

Esta localização pode ser bastante precisa. As duas coordenadas são medidas em graus, que podem ser subdivididos em
minutos e segundos.

1 grau (1o) = 60 minutos (60')


1 minuto (1') = 60 segundos (60")
Deste modo, podemos usar até a fração do segundo para estabelecer a latitude e a longitude de um corpo sobre a
superfície da Terra.

Deste modo, cada ponto sobre a superfície da Terra é determinado por um meridiano e por um círculo de latitude únicos,
que recebem os nomes de longitude e latitude.

cidade estado longitude latitude

Rio de Janeiro Rio de Janeiro 43:12:27 -22:54:10

Boa Vista Roraima 60:40:24 2:49:11

Rio Branco Acre 67:48:36 -9:58:29

Maceió Alagoas 35:44:07 -9:39:57

Campo Grande Mato Grosso do Sul 54:38:47 -20:26:34

Natal Rio Grande do Norte 35:12:34 -5:47:42

Porto Alegre Rio Grande do Sul 51:13:48 -30:01:59

Exercício:

Localize as coordenadas de sua cidade e de mais 3 cidades vizinhas. Faça um mapa


onde as cidades estão localizadas.

Exercício:

Determine os limites extremos de longitude e latitude do território brasileiro.

Exercício:

Determine a longitude e latitude extremas ou seja, limites mais ao norte, sul, leste
e oeste, das seguintes regiões do território brasileiro:

arquipélago de Fernando de Noronha


atol das Rocas
ilha da Trindade
ilhas Martin Vaz
penedos de São Pedro e São Paulo
Os eclipses do Sol e da Lua
O Sol e a Lua têm o mesmo tamanho aparente no céu. Embora o Sol seja cerca de 400 vezes maior do que a Lua, ele se
encontra 400 vezes mais longe. Isto faz com que tanto o Sol como a Lua tenham o mesmo tamanho angular no céu, ou seja,
cerca de meio grau.

Como resultado disso a Lua, como vista da Terra, parece, em algumas datas previstas, encobrir totalmente o disco do Sol,
produzindo um dos eventos mais espetaculares da natureza.

Cada objeto sólido do Sistema Solar é capaz de produzir sombra, uma vez que é capaz de impedir que a luz solar atinja
regiões situadas logo atrás dele. Esta sombra se torna aparente sempre que algum outro objeto entra nesta região escura.

Em geral uma eclipse ocorre sempre que qualquer parte da Terra, ou da Lua, entra na sombra da produzida pelo outro astro.

Quando a sombra da Lua atinge a Terra, as pessoas que estão nesta região vêem o Sol parcialmente coberto pela Lua. Neste
caso temos um eclipse solar.

Quando a Lua entra na sombra da Terra então as pessoas que se encontram nas regiões onde é noite, vêem a Lua ficar
parcialmente ou totalmente escurecida. Neste caso temos um eclipse lunar.

As sombras da Terra e da Lua são compostas de duas partes: o cone onde a sombra é mais escura, chamado de umbra, e
regiões mais claras chamadas de penumbra.

Naturalmente os eclipses mais espetaculares ocorrem quando um corpo penetra na umbra de outro.

Na figura abaixo pode ser visto a formação da umbra e penumbra e como seria a aparência da Lua dependendo de que ponto
se encontra dentro da sombra da Terra.

Se a órbita da Lua no céu fosse exatamente igual à do Sol (eclíptica) deveríamos ver um eclipse do Sol e da Lua a cada mês.
Mas, isto não acontece devido ao fato da órbita da Lua ser inclinada de cerca de cinco graus, com relação à eclíptica.
Conseqüentemente, na maioria dos meses a Lua é está situada suficientemente acima ou abaixo da eclíptica de modo que não
consegue eclipsar o Sol.
Os eclipses do Sol

Os tamanhos angulares do Sol e da Lua variam ligeiramente à medida que variam suas distâncias à Terra.

Na maioria das vezes, a Lua parece ser ligeiramente menor do que o Sol e não o cobre totalmente, mesmo que os dois corpos
estejam perfeitamente alinhados. Entretanto se um eclipse solar ocorre quando a Lua está um pouco mais próxima do que o
normal, a Lua pode ocultar completamente o Sol produzindo um eclipse total. Um eclipse total do Sol ocorre toda vez que a
umbra da sombra da Lua atinge a superfície da Terra, como mostra a figura abaixo.

A geometria de um eclipse total é ilustrada na figura abaixo.

Se o Sol e a Lua estiverem alinhados apropriadamente, então a parte mais escura da sombra da Lua atinge alguma pequena
região na superfície da Terra. Qualquer um que esteja nesta pequena região não conseguirá ver o Sol, presenciando um
eclipse total. No mesmo instante, as pessoas que se encontram dentro da penumbra verão apenas uma parte do Sol eclipsado
pela Lua presenciando, então, um eclipse parcial.

À medida que a Lua continua sua trajetória no sentido Leste, a ponta de sua sombra se moverá, na mesma direção, a uma
velocidade de cerca 1500 km por hora numa estreita faixa sobre a superfície da Terra. O estreito caminho percorrido pela
sombra na superfície da Terra é chamado de trajetória do eclipse.

Devido a este movimento a duração de um eclipse num ponto específico nunca é superior a 7 minutos.
Os eclipses da Lua

Um eclipse lunar ocorre quando a Lua penetra na sombra da Terra. A imagem abaixo mostra como isto pode ocorrer.

Na figura abaixo podemos ver a geometria deste evento.

A parte mais escura da sombra da Terra cobre uma região de cerca de 1,4 milhões de km. Deste modo a parte mais escura
desta sombra pode, tendo em vista a distância onde se encontra a Lua que é de 384 000km, encobrir até quatro luas cheias!

Diferentemente de um eclipse solar, que é visível apenas numa pequena região sobre a Terra, um eclipse lunar é visível em
todas as regiões que podem ver a Lua.Devido a este fato os eclipses lunares são mais freqüentes num determinado ponto da
Terra do que os solares.

Um eclipse lunar é total apenas quando o disco da Lua entra totalmente na umbra da Terra. Se isto não ocorre temos um
eclipse parcial.

Um eclipse lunar somente ocorre quando o Sol, a Terra e a Lua se encontram alinhados, ou seja, a Lua deve estar em sua
fase cheia.

Mesmo quando está totalmente eclipsada a Lua ainda é parcialmente visível, assumindo uma coloração avermelhada devida à
luz do Sol que foi desviada pela atmosfera terrestre.
A interação Sol - Terra: estações do ano
Desde a antiguidade o homem tem observado os movimentos do Sol e da Lua e, principalmente, seus efeitos sobre a vida
aqui na Terra. Fenômenos como a mudança climática que chamamos de "estações do ano", a diferença no aspecto da Lua e
os eclipses, capzes até mesmo de escurecer o dia, têm sido observados e descritos há muito tempo. Os homens mais
curiosos, entretanto, nunca se satisfizeram apenas com a descrição destes fenômenos e sempre se perguntaram porque, e
como, eles ocorriam. Muitos mitos e crenças se estabeleceram entre as civilizações devido ao não entendimento do que
estava acontecendo. Até hoje, explicações erradas são dadas a estes fenômenos, algumas vezes até mesmo em livros
didáticos. Vamos ver então quais são as explicações corretas sobre o que acontece nos espaço capaz de provocar a
ocorrência destes fenômenos.

As estações do ano

Ao longo de um ano, e dependendo do local em que nos encontramos, existem sensíveis diferenças no calor que recebemos
do Sol.

Convencionalmente dividimos o ano em quatro estações, cada uma delas representando o fato de que o nosso planeta está
recebendo uma quantidade diferente de luz solar. Chamamos estas estações de verão, outono, primavera e inverno.

No entanto, a diferença entre estas estações é quase nula no equador e vai ficando cada vez mais pronunciada à medida que
nos afastamos deste, tanto para o norte quanto para o sul. Assim, a cidade de Belém no estado do Pará tem mudanças
climáticas bem diferentes de, por exemplo, Porto Alegre no Rio Grande do Sul.

Também sabemos que as estações no Hemisfério Norte são o oposto daquelas do Hemisfério Sul, ou seja, quando no Brasil é
pleno verão a Europa está passando pela estação mais fria do ano.

Tendo estes fatos em mente podemos nos fazer a seguinte pergunta: como explicamos a existência das estações do ano?

A resposta da maioria das pessoas é de que as estações seriam o resultado da variação na distância entre a Terra e o Sol.
De fato esta resposta parece razoável sendo bastante lógico esperar que seja mais frio quando a Terra está mais distante do
Sol e mais quente quando a Terra se aproxima ao Sol. Os fatos, entretanto, mostram que esta explicação é errada.

No entanto, embora a órbita da Terra em torno do Sol seja uma elipse, sua distância ao Sol varia de apenas cerca de 3% ao
longo de toda sua órbita. Esta diferença em distância, extremamente pequena, não é suficiente para causar variações
significativas no aquecimento solar e, conseqüentemente, levar às diferenças drásticas que notamos entre inverno e verão
como as observadas, por exemplo, em Porto Alegre.

Assim, não é verdade que o afastamento da Terra em relação ao Sol ao longo de uma ano seja o responsável pelas estações
do ano.

Tem ainda um outro problema fundamental nesta hipótese: se a distância ao Sol fosse a única responsável pelas diferentes
estações então para uma pessoa em Porto Alegre a Terra estaria mais próxima do Sol em Janeiro. Neste exato momento,
entretanto, uma pessoa em New York está no auge do inverno quando, segundo nossa hipótese, o Sol deveria estar mais
longe.

Chegamos, então, a um paradoxo: como pode a Terra estar simultaneamente mais distante e mais próxima do Sol?

Por outro lado se a distância ao Sol fosse o único fator governando a ocorrência das estações do ano porque motivo os dois
hemisférios da Terra teriam estações opostas? Deveríamos ter inverno, ou verão, ao mesmo tempo em todas as regiões da
Terra, o que sabemos que não acontece.
Como veremos a seguir a responsabilidade da ocorrência das estações do ano devem ser atribuidas à inclinação de 23,45
graus que o eixo de rotação da Terra faz com o plano ao longo do qual ela realiza seu movimento em torno do Sol, o plano
da eclíptica.

As estações do ano e a iluminação solar

Uma forma equivalente de ver o movimento da Terra ao redor do Sol é supor que o Sol gire em torno da Terra no intervalo
de tempo de um ano, ao longo de um grande círculo denominado eclíptica. Na figura abaixo vemos o movimento da Terra
em torno do Sol.

Note que o eixo de rotação da Terra é inclinado de 23,45 graus em relação à vertical do plano que define o movimento da
Terra ao redor do Sol, ou seja, o plano da eclíptica.

O equador, conseqüentemente, sendo definido como o grande círculo perpendicular ao eixo de rotação, também se encontra
inclinado com relação a este plano.

Esta inclinação é o que nos dá as quatro estações do ano: verão, outono, inverno e primavera.

Uma vez que o eixo de rotação da Terra está inclinado, partes diferentes do globo terrestre estão orientadas na direção do
Sol em épocas diferentes do ano.

Isto afeta a quantidade de luz solar que cada parte do globo terrestre recebe.

Na medida que a Terra gira em torno do Sol os dois hemisférios se encontram, ou não, diretamente iluminados pelo Sol. Por
exemplo: em junho o hemisfério norte parece estar se inclinando na direção do Sol enquanto que o hemisfério sul parece
estar se afastando do Sol. Neste momento o hemisfério norte recebe iluminação mais direta do Sol. Em dezembro a situação
se inverte: o hemisfério sul se inclina na direção do Sol recebendo iluminação mais direta enquanto o hemisfério norte está
mais afastado. Em setembro e março os dois hemisférios recebem iguais quantidades de iluminação solar.

Mas, de que modo a iluminação direta do Sol favorecendo um hemisfério se traduz em torná-lo mais quente para nós aqui na
superfície da Terra?
Existem dois efeitos que devem ser levados em consideração. Quando estamos nos inclinando na direção do Sol a luz solar
nos chega num ângulo mais direto sendo mais eficiente em aquecer a superfície, como mostra a figura.

Você obtém um resultado similar quando projeta a luz de uma lanterna numa parede. Se você projeta a luz da lanterna
diretamente na parede você obtém um círculo intenso de luz na parede. Mas se você projeta a luz da lanterna num ângulo
em relação à parede, então, o círculo de luz na parede aumenta em tamanho mais diminui em intensidade. Da mesma
forma, no hemisfério sul a luz do Sol é mais direta em dezembro e, portanto, mais eficiente em aquecer a superfície. O
contrário acontece em junho.

O segundo efeito tem a ver com o intervalo de tempo que o Sol passa acima do horizonte. Não precisa ser um grande
observador para constatar que os dias são mais longos no verão do que no inverno. Portanto o que ocorre é que no verão
não apenas a iluminação do Sol é mais direta, mas também se estende por um tempo maior. Na figura abaixo podemos ver
como isto ocorre.

Assim, o verão é mais quente do que o inverno, em cada hemisfério, porque os raios do Sol alcançam a Terra em um ângulo
mais direto durante o verão do que durante o inverno e também por que os dias são muito mais longos do que as noites
durante o verão.

Durante o inverno, os raios do Sol alcançam a Terra em um ângulo extremo e os dias são muito curtos.

Lembre-se: os dois efeitos que causam as estações do ano são devidos à inclinação do eixo de rotação da Terra. Esta
inclinação é o que nos dá as quatro estações do ano, verão, outono, inverno e primavera. Uma vez que o o eixo é inclinado,
partes diferentes do globo terrestre estão orientadas na direção do Sol em diferentes épocas do ano.
As estações do ano a diferentes latitudes

Os efeitos das estações do ano são distintos a diferentes latitudes. Esta é a razão pela qual no Rio de Janeiro quase não
notamos a diferença entre verão, outono, inverno e primavera enquanto que em Porto Alegre esta diferença é enorme.

Próximo do equador, na cidade de Natal por exemplo, todas as estações são iguais, ou seja, verão! Lá a cada dia do ano o
Sol está acima do horizonte sempre por 12 horas. Nestas localidades a variação das estações é representada mais pela
quantidade de chuva do que pela de iluminação solar. Na medida que caminhamos na direção sul (ou norte) as estações se
tornam mais pronunciadas até chegarmos aos extremos da Antártica (ou Ártico) onde temos seis meses durante os quais o
Sol está durante 24 horas acima do horizonte e outros seis meses durante o qual é noite contínua.

Tudo o que foi dito acima não é bem rigoroso e somente o seria no caso de não existir a atmosfera terrestre. Mesmo depois
que o Sol se pos, alguma luz solar ainda é recebida pelo observador, espalhada e refletida pela atmosfera da Terra.

Assim, a atmosfera da Terra tem o curioso efeito de nos permitir ver um pouco abaixo do horizonte.

Este efeito é resultado da refração, ou seja, à modificação na trajetória da luz quando ela realiza sua passagem através de
meios de densidade distinta.

Devido à refração atmosférica o Sol parece se levantar mais cedo e se pôr mais tarde.

Além disto, a atmosfera espalha a luz e permite alguma iluminação crepuscular mesmo quando o Sol se encontra abaixo do
horizonte. À medida que o Sol desce mais abaixo do horizonte, a intensidade desta luz diminui. O fenômeno é chamado de
crepúsculo.
Os astrônomos, por exemplo, definem três tipos de crepúsculo:

crepúsculo civil:

O crepúsculo civil é dito terminar quando o centro do Sol está 6 o abaixo do horizonte.

crepúsculo náutico:

O crepúsculo náutico termina quando o centro do Sol está 12o abaixo do horizonte.

crepúsculo astronômico:

O crepúsculo astronômico termina quando o centro do Sol está 18 o abaixo do horizonte.

Estes pequenos efeitos atmosféricos implicam em correções no que foi dito acima com respeito às estações do ano. Nos
equinócios, por exemplo, o Sol aparece acima do horizonte alguns minutos além das 12 horas. Do mesmo modo ele fica
abaixo do horizonte alguns minutos a mais sem completar as 12 horas.
Estes efeitos se tornam mais dramáticos nos pólos quando o Sol se levanta quase uma semana antes de atingir o equador
celeste.
Além disto, devido ao crepúsculo o período de verdadeira escuridão se estende por apenas três meses e não seis.
Finalmente, como todos sabem, no hemisfério Sul o dia 22 de dezembro não é o mais quente do verão, o calor mesmo
acontece em meados de janeiro e início de fevereiro. Isto ocorre porque o clima depende também do ar e da água que
cobrem a superfície da Terra e estes grandes reservatórios não aquecem instantaneamente. Assim como a água de uma
piscina não aquece no momento em que o Sol se levanta mais apenas na parte da tarde, após o Sol tê-la esquentado
durante várias horas, a Terra também se torna mais quente somente após ter absorvido uma quantidade extra de luz solar.
Analogamente, no inverno o máximo de frio acontece cerca de um mês após o solstício de inverno.
As marés oceânicas e a Lua

Desde a antiguidade conhece-se o fenômeno da subida e descida do nível de água dos oceanos, fenômeno este chamado de
maré e que todos sabem estar associado a ação gravitacional da Lua.

Entretanto, a explicação das marés só seria conhecida a partir da formulação da lei da gravitação universal, descoberta pelo
físico inglês Isaac Newton.

A atração gravitacional exercida pela Lua em diferentes pontos da Terra pode ser vista na figura abaixo.

Esta atração gravitacional difere ligeiramente de um ponto a outro devido ao fato da Terra não ser um ponto no espaço e sim
um corpo com dimensão finita.

Conseqüentemente, nem todos os pontos da superfície da Terra estão a uma mesma distância da Lua, e nem mesmo
exatamente em uma mesma direção.

Além disso, a Terra não é um corpo perfeitamente rígido. Assim, a força de atração gravitacional exercida pela Lua em
diferentes pontos da Terra, chamadas de forças diferenciais, provocam uma distorção na forma do nosso planeta.

A parte da Terra mais próxima da Lua será atraída por esta mais fortemente do que o centro da Terra o qual, por sua vez,
será mais atraído do que o lado da Terra que está oposto à Lua. Assim, estas forças diferenciais tendem distorcer a forma da
Terra fazendo-a assumir a forma de um esferóide prolato, algo parecido com uma bola de futebol americano, com seu
diâmetro maior apontando para a Lua.

Se a Terra fosse composta apenas de água ela seria distorcida até o ponto em que as forças diferenciais nas diversas partes
de sua superfície atingissem um equilíbrio com as forças gravitacionais que mantém a Terra unida. Cálculos mostram que
neste caso a Terra teria uma distorção em relação à forma esférica de cerca de um metro.
Medidas mostram que, de fato, a Terra sofre uma distorção produzida pelo ação gravitacional da Lua mas que esta é de
20cm no máximo. Isto é devido ao fato de que o interior da Terra é sólido.

Conseqüentemente, temos que as forças devido à atração da Terra não chegam a equilibrar aquelas devidas à atração
diferencial da Lua. Assim, objetos situados na superfície da Terra sofrem pequenos "puxões", denominados forças de maré,
que os fazem deslizar. Estas forças de maré não afetam os objetos sólidos existentes na Terra, mas somente a água dos
oceanos como pode ser visto esquematicamente na figura abaixo.

As forças de maré, atuando ao longo de várias horas, produzem um movimento mensurável nos oceanos. A água no lado da
Terra que está voltado para a Lua é puxada na direção desta. Isto faz com que o nível do oceano aumente neste ponto.

No lado oposto à Lua a água também flui aumentando, de forma equivalente, o seu nível.

É importante notar que o aumento do nível do oceano não se deve à Lua comprimir ou expandir a água nem tampouco à Lua
"levantar" a água do fundo do oceano. Na verdade, o aumento do nível do mar é resultado do fluxo de água sobre a
superfície da Terra provocando o aumento do volume de água em certos pontos.

Pelo modelo idealizado (e muito simplificado!) apenas descrito as marés teriam uma altura de cerca de meio metro. A
rotação da Terra levaria então um observador colocado num ponto qualquer da superfície oceânica, alternadamente a regiões
de águas mais rasas e mais profundas.

Assim, ao longo de um dia, este observador seria levado através de duas regiões de maré alta e duas de maré baixa.

O Sol também produz marés na Terra, embora com menos eficiência do que a Lua. Isto é devido ao fato de que a força de
maré é proporcional à massa do corpo perturbador e ao inverso do CUBO da distância.

Na realidade as marés que observamos são a combinação dos efeitos da Lua e do Sol. Quando o Sol e a Lua estão alinhados,
e isso ocorre quando temos Lua cheia ou Lua nova, as marés produzidas pelo Sol e pela Lua se somam sendo maiores que o
normal. A figura abaixo mostra este fenômeno.
Quando a Lua está no nas fases quarto crescente ou quarto minguante, as marés produzidas pelo Sol praticamente se
cancelam com àquelas produzidas pela Lua, resultando em marés menores do que o normal.

O modelo muito simples descrito acima seria aceitável se a Terra girasse muito lentamente e fosse completamente recoberta
por oceanos de grande profundidade. Entretanto, a presença dos continentes, que freiam o fluxo das águas, a fricção com o
fundo dos oceanos, a rotação da Terra, os ventos, a profundidade variável dos oceanos e outros fatores, complicam muito
qualquer modelo que queira descrever o fenômeno das marés.

A fricção das águas sobre a crosta da Terra envolve uma enorme quantidade de energia. Ao longo de grandes períodos de
tempo a fricção das marés reduz a rotação da Terra. Nossos dias se tornam mais longos em cerca de 0,002 segundos a cada
século. Entretanto, na medida que a rotação da Terra diminui, o momento angular do sistema Terra-Lua deve permanecer
constante. Isto faz com que a Lua se afaste da Terra e com que gire em torno desta cada vez mais lentamente. Deste modo
o mês está se tornando cada vez mais longo.

Estes efeitos somados levarão à situação tal que, daqui a bilhões de anos, tanto o dia terrestre quanto o período de rotação
da Lua serão iguais. Neste momento a Lua permanecerá num ponto fixo do céu e não haverá mais marés.

Até agora falamos dos efeitos que a presença da Lua e a rotação da Terra causam na superfície terrestre. Mas, qual é o efeito
que a Terra exerce sobre a Lua?

Pela terceira lei de Newton a cada força corresponde uma outra igual e com sentido oposto. Deste modo, podemos
imediatamentete questionar por que razão não vemos marés na Lua.

A resposta é muito simples. Como a Lua é menor do que a Terra os efeitos de maré já levaram o sistema a se ajustar numa
configuração de mínima dissipação de energia, ou seja, uma rotação síncrona. Isto significa que a Lua gira em torno de seu
eixo exatamente no mesmo intervalo de tempo em que completa uma volta em torno da Terra. Nesta configuração as marés
na Lua, produzidas pela Terra, ocorrem sempre no mesmo ponto não gerando atrito nem perda de energia. Logo, o fato de
sempre observamos a mesma face da Lua se deve exatamente a este ajuste do sistema Terra-Lua.

Para finalizar é bom ressaltar que as forças de maré ocorrem em todos os sistemas em que temos um corpo muito próximo a
outro e que, dependendo do sistema, resultam em efeitos diferentes.

No caso de Mercúrio, por exemplo, as forças de maré em conjunção com a excentricidade de sua órbita, levaram a uma
configuração em que sua rotação em torno de seu eixo tem um período de exatamente 2/3 de seu período de revolução em
torno do Sol. No caso de Io, satélite de Júpiter, as forças de maré, em conjunção com as perturbações produzidas pela
atração gravitacional gerada pelos outros satélites do sistema jupiteriano, são responsáveis pelo vulcanismo presente nele.
Neste caso, o atrito causado pela distorção de um corpo rígido leva ao aquecimento das camadas inferiores e ao surgimento
de uma intensa atividade vulcânica.
Lua

A Terra possui somente um único satélite natural, a Lua.


É importante sempre dizer "satélite natural" ao se referir à Lua pois milhares de pequenos "satélites
artificiais" também foram colocados em órbita em torno da Terra.
A distância média Terra-Lua é de 384.400 quilômetros.
O diâmetro da Lua é de 3.476 quilômetros. Isto é aproximadamente 1/4 do diâmetro da Terra.
A Lua tem somente 1/80 da massa da Terra.
A Lua tem cerca de 1/6 da gravidade da Terra. Esta gravidade é fraca demais para reter um
atmosfera.
Pode ser que logo após a sua formação, a Lua tenha expelido gases do seu interior quente ou então
coletou um envoltório temporário de gases a partir do impacto de cometas criando uma atmosfera.
No entanto, esta hipotética atmosfera foi perdida antes que ela pudesse deixar qualquer evidência
reconhecível de sua curta existência.
Qualquer sinal de água na maioria do solo lunar também está ausente.
De fato a Lua é muito deficiente em voláteis ou seja, aqueles elementos e compostos que evaporam
em temperaturas relativamente baixas.
O primeiro satélite artificial a impactar com a superfície da Lua foi o Luna 1, da extinta União
Soviética, em 1959. Também construídos pela União Soviética, o satélite Luna 3 obteve, em 1959,
as primeiras fotos da face oculta da Lua e o satélite Luna 9, em 1966 foi a primeira sonda espacial a
pousar na Lua e transmitir imagens e outros dados para a Terra.

Alguns dados sobre a Lua


distância à Terra 384400 quilômetros
diâmetro 3476 quilômetros
massa 7,35 x 1022 quilogramas
massa (Terra = 1) 0,0123
densidade 3,3 g/cm3
gravidade superficial (Terra = 1) 0,17
velocidade de escape 2,4 km / seg
período de rotação 27,3 dias
área superficial (Terra = 1) 0,27

A interação Terra – Lua

A interação entre a Terra e a Lua retarda a rotação da Terra em cerca de 2 milisegundos por século.
Pesquisas atuais indicam que há cerca de 900 milhões de anos o ano terrestre tinha 481 dias e 18
horas.

Os vôos da missão Apollo à Lua

A série de missões Apollo enviadas pelos Estados Unidos à Lua, culminaram com o pouso de uma
nave na superfície do nosso satélite natural. Pela primeira vez um ser humano desembarcava em
outro corpo celeste.
O programa espacial Apollo deixou para os cientistas um grande legado, tanto em termos de
material lunar como de dados científicos colhidos pelos astronautas. Seis tripulações de dois
astronautas cada, totalizando 12 homens (nenhuma mulher), pisaram e exploraram o solo da Lua
no período entre 1969 e 1972. Eles trouxeram para a Terra uma grande coleção de pedras e
pedaços de solo, num total de 382 quilogramas separados em mais de 2000 amostras distintas.

vôo local de pouso


Apollo 11 Mare Tranquillitatis
Apollo 12 Oceanus Procellarum
Apollo 14 Mare Nubium
Apollo 15 Imbrium / Hadley
Apollo 16 Descartes
Apollo 17 montanhas Taurus

O primeiro ser humano a pisar na Lua foi o norte-americano Neil Alden Armstrong (1930 - ). Ele
pilotou a missão Apollo 11 da NASA, que decolou em 16 de julho de 1969 tendo a bordo os
astronautas norte-americanos Neil Armstrong, Michael Collins e Edwin E. (Buzz) Aldrin Jr.,
mostrados na imagem abaixo respectivamente da esquerda para a direita.
Armstrong e Aldrin pousaram o módulo lunar "Eagle" sobre a superfície da Lua, no Mare
Tranquilitatis no dia 20 de julho de 1969. As 10:56:15 horas Armstrong pisou o solo da Lua
deixando a primeira pegada de um ser humano sobre a superfície do nosso satélite natural.

Armstrong e Aldrin exploraram a superfície da Lua durante 2 horas e 21 minutos. As três imagens
abaixo mostram o astronauta Aldrin realizando tarefas na superfície lunar. Preste atenção no tipo de
solo da região de pouso do módulo "Eagle". É uma superfície empoeirada, formada por partículas
muito finas que aderiam facilmente à roupa dos astronautas. Veja a nitidez das pegadas no solo.
O terceiro membro da tripulação, Michael Collins, permaneceu em órbita em torno da Lua no
módulo de comando.Os astronautas trouxeram para a Terra 35 quilogramas de pedras lunares.

A temperatura lunar

Na ausência de qualquer atmosfera, a superfície lunar experimenta extremos de temperatura muito


maiores do que a superfície do nosso planeta, embora a Terra e a Lua estejam virtualmente à
mesma distância do Sol.
Próximo do meio dia local, quando o Sol está no ponto mais alto do céu, a temperatura do escuro
solo lunar se eleva ao ponto de ebulição da água.

Durante a longa noite lunar, que dura duas semanas terrestres, a temperatura cai a cerca de 100 K
(-173o Celsius). Este esfriamento extremo é um resultado não somente da ausência de ar mas
também da natureza porosa do solo poeirento, que esfria mais rapidamente do que o faria um solo
rochoso.

Características geológicas

os "highlands"

A maior parte da superfície da Lua, cerca de 83%, é fortemente craterizada e consiste de rochas
silicatos ligeiramente coloridas chamadas anortositos. Estas regiões são conhecidas como
"highlands".
Com idades de mais de 4 bilhões de anos, os "highlands" formam a parte mais velha, que
sobreviveu, da crosta lunar.
Os "highlands" representam material que solidificou na crosta da Lua enquanto ela esfriava no
espaço.
Por terem se formado tão cedo na história lunar os "highlands" são também muito fortemente
craterizados, apresentando as cicatrizes de bilhões de anos de impactos produzidos por fragmentos
de corpos interplanetários.

as "maria"

As características lunares mais proeminentes são os chamado "mares". A palavra em latim é


"mare", que quer dizer "mar" e o seu plural é "maria". No entanto, hoje sabemos que as "maria"
não são de modo algum bacias oceânicas. Certamente, o nome "mare" não representa o que
realmente existe na superfície da Lua mas, por razões históricas, é utilizado até hoje.

As maria, planícies arredondadas e escuras que são muito menos craterizadas do que os highlands,
cobrem cerca de 17% da superfície lunar, principalmente no lado voltado para a Terra.

Elas são planícies vulcânicas, depósitos de material lançado por erupções que ocorreram há bilhões
de anos e que parcialmente preencheram enormes depressões chamadas bacias de impacto. Estas
bacias foram produzidas por colisões de grandes pedaços de material com a Lua em uma época
relativamente inicial da sua história.
As maria lunares são todas formadas por basalto, muito similares em composição à crosta oceânica
da Terra ou às lavas lançadas por vários vulcões terrestres.
Uma série de grandes erupções vulcânicas ocorreram na Lua no período entre 3,3 e 3,8 bilhões de
anos atrás. Elas puderam ser datadas a partir de medições feitas em laboratórios nas amostras
trazidas pelos astronautas das missões Apollo. Estas erupções geraram fluxos suaves, tipicamente
com alguns metros de espessura, que se estenderam por distâncias de centenas de quilômetros na
superfície lunar.

Eventualmente estes fluxos de lava preencheram as partes mais baixas das bacias formando os
"mares" que vemos hoje.

crateras

Ao olharmos para a Lua usando um telescópio vemos que sua


superfície está coberta por crateras de impacto de todos os tipos.
Entretanto, nenhuma destas crateras ou outras características
topográficas é suficientemente grande para ser vista sem a ajuda
óptica.
A camada superior da superfície lunar é porosa. Ela está coberta
por uma camada de poeira bastante solta, formada por grãos
finos que são pequeníssimos fragmentos de rochas
despedaçadas. Esta poeira basáltica escura que vemos nas maria
lunares foi levantada em cada passo dado pelos astronautas.
Suas botas afundavam vários centímetros nesta poeira. Ela
impregnou e voltou para a Terra em todos os equipamentos
trazidos pelso vários astronautas que pousaram na superfície do
nosso satélite natural.
Esta poeira lunar foi produzida pelos inúmeros impactos ocorridos
ao longo de sua história.
Cada evento que levou à formação de uma cratera, grande ou pequena, fragmentou as rochas da
superfície lunar e espalhou estes fragmentos em torno da região de impacto. Bilhões de anos de
impacto fizeram com que a camada superficial da Lua fosse reduzida a partículas com
aproximadamente o tamanho de poeira ou areia que conhecemos na Terra.

Algumas características da superfície lunar

Mostramos abaixo algumas imagens da superfície lunar que nos revelam detalhes do nosso satélite.

Com 220 quilômetros de comprimento, Rima Hyginus tem este nome em homenagem a Caius Julius
Hyginus (século I depois de Cristo), pesquisador que descreveu as constelações e a mitologia
associada a elas.
Com 132 quilômetros de diâmetro, Langrenus tem este nome em homenagem ao matemático belga
Michel Florent van Langren (1600-1675).
Com 110 quilômetros de diâmetros, Gassendi é uma homenagem ao teólogo e astrônomo francês
Pierre Gassendi (1592-1655), o primeiro a observar, em 1631, um trânsito de Mercúrio ao longo do
disco solar, fenômeno que havia sido previsto por Kepler.
A imagem abaixo é outro aspecto da cratera Gassendi.
A cratera Schiller é uma homenagem ao frade alemão Julius Schiller, autor de um atlas cristão do
céu publicado em 1627. A cratera Schiller tem uma forma alongada, medindo 179 km de
comprimento por 71 km de largura. Acredita-se que ela foi produzida por um impacto de raspão na
superfície da Lua.
Aristoteles (em baixo a direita) tem 87 quilômetros de diâmetro e recebeu este nome em
homenagem ao filósofo grego Aristóteles que viveu entre 384-322 antes de Cristo. Eudoxus tem 67
quilômetros de diâmetro e recebeu este nome em homenagem ao astrônomo grego Eudoxus que
viveu entre 400 e 347 antes de Cristo.
Albategnius, Alphonsus e Arzachel
Cassini, Aristillus, Autolycus e Archimedes
Rima Hyginus e Triesnecker
Copernicus, com 93 quilômetros de diâmetro, recebeu este nome em homenagem ao astrônomo
polonês Nicolau Copérnico que viveu entre 1473 e 1543.
Rima Marius, Aristarchus, Cabeça de Cobra, vale Schroter e o Wood's Spot. Esta imagem mostra a
cor do solo lunar na região chamada Wood's Spot. Também podemos ver os 250 quilômetros de
comprimento do sinuoso vale, longo e muito estreito (que é chamado em inglês de "rille"), Rima
Marius no canto esquerdo superior da imagem. A parte de baixo deste vale tem 2 km de largura e
se estreita até 1 km. Ele termina com apenas 500 metros de largura no ponto mais acima desta
imagem. Também é mostrado nesta imagem que a superfície lunar está pontilhada por várias
crateras pequenas.
Aristarchus tem 40 quilômetros de diâmetro e recebeu este nome em homenagem ao astrônomo
grego que viveu por volta de 310 a 230 antes de Cristo. Ela é tão brilhante que pode ser vista no
lado noturno da Lua. O vale Schroter tem 160 quilômetros de comprimento e atinge cerca de 1000
metros de profundidade. Ele recebeu este nome em homenagem ao selenógrafo alemão Schroter.
Aristarchus, vale Schroter e a Cabeça de Cobra. Esta imagem mostra claramente a "Cabeça de
Cobra" que é formada por uma cratera com 6 quilômetros de diâmetro, onde o vale Schroter
começa, que se alarga até atingir 10 quilômetros.
J. Herschel é uma planície com 156 quilômetros de diâmetro que recebeu este nome em
homenagem ao astrônomo inglês John Herschel (1792-1871).
Com 32 quilômetros de diâmetro, Kepler tem este nome em homenagem ao astrônomo alemão
Johannes Kepler (1571-1630). Ela é o centro de um sistema de raios muito brilhantes mostrados na
imagem.
Mapas da superfície lunar
A formação da Lua

A Lua parece ter sido, em algum momento, uma parte da Terra. A maior parte do material que a
forma pode ter sido arrancado do nosso planeta durante uma colisão catastrófica, que teria ocorrido
há bilhões de anos, de um enorme corpo celeste, possivelmente com o tamanho do planeta Marte,
com a Terra.
A seqüência de imagens abaixo nos mostra como isto pode ter acontecido.

O outro "satélite" da Terra

O asteróide 3753 (1986 TO) tem uma relação orbital complicada com a Terra. Ele não é realmente
um satélite da Terra. O termo "companheiro" é mais usado. A situação dele é um pouco semelhante
àquela apresentada por dois satélites de Saturno chamados Janus e Epimeteus.
As fases e movimentos da Lua
A Lua é o objeto mais brilhante do céu após o Sol. No entanto, ao contrário do Sol, a Lua não brilha devido à sua própria
energia. Ela apenas reflete a luz solar incidente sobre ela.

Se você observar a Lua durante um mês verá um ciclo completo de fases com a Lua iniciando completamente escura e se
tornando mais e mais iluminada até apresentar todo o seu disco completamente visível. Após este estágio, ela começa a
diminuir novamente de brilho até desaparecer completamente nas duas semanas seguintes.

Estas mudanças na figura iluminada da Lua no espaço sempre fascinaram os seres huanos que elaboraram sofisticadas, e às
vezes esplendidas, histórias e lendas para explicar o ciclo de fases lunares.

Até hoje muita gente não entende bem o processo pelo qual surgem as fases e tendem a atribuir à sombra da Terra as fases
da Lua, o que não é verdade.

As fases lunares

Sabemos que o Sol se move ao longo de cerca de 1/12 de sua órbita durante o período de um mês. No entanto, para efeito
de entendermos as fases lunares, vamos assumir que a luz solar provenha de uma mesma direção ao longo de todo um ciclo
lunar, que é de quatro semanas. Durante este tempo a Lua realiza uma volta completa em torno da Terra, mas ao
observamos a Lua a partir da Terra sua parte visível dependerá do ângulo formado entre o Sol e a Lua.

Podemos realizar uma experiência muito simples para entender este fenômeno. Num quarto completamente escuro se
posicione a cerca de 2 metros na frente de uma forte luz elétrica e segure numa mão uma pequena bola (uma bola de tênis
ou uma laranja). Neste experimento sua cabeça vai representar a Terra, a luz elétrica representará o Sol e a pequena bola a
Lua. Gire a bola em torno de sua cabeça (evitando causar um eclipse bloqueando a luz com sua cabeça). Você verá na bola
fases exatamente como aquelas que são vistas na Lua.

Vamos agora examinar o ciclo de fases usando a figura abaixo.


A Lua é chamada de nova quando se encontra na mesma direção que o Sol no céu (posição A). Neste ponto sua face
iluminada está na direção oposta a Terra enquanto sua face escura está voltada para a Terra. Nesta fase, portanto, a Lua
não visível da Terra. Já que a Lua nova está na mesma parte do céu do que o Sol então se levanta ao amanhecer e se põe
ao por do sol.

Mas a Lua não permanece nesta fase por um longo tempo já que se move cerca de 12 graus na direção leste a cada dia.
Logo, um dia ou dois depois da lua nova, um pequeno crescente pode ser visto à medida que uma pequena parte da Lua
começa a ficar iluminada. Este crescente aumenta de tamanho a cada dia à medida que a Lua se afasta cada vez mais da
direção do Sol. Como a Lua se move na direção leste se afastando do Sol, ela então nasce cada dia mais tarde.

Após cerca de uma semana a Lua estará a um quarto do caminho em torno de sua órbita e sua fase passa a ser chamada de
quarto crescente. Agora cerca de metade da face iluminada da Lua é visível da Terra. Devido ao seu movimento a Lua estará
deslocada de cerca de um quarto do dia atrás do Sol, ou seja, se levanta perto do meio-dia e se põe por volta da meia-noite.

Na semana após o quarto crescente veremos uma porção cada vez maior do hemisfério iluminado da Lua até chegarmos a
ver todo ele quando, então, estaremos na lua cheia. Neste ponto a Lua e o Sol estão em posições diametralmente opostas.
Isto também implica que estarão no céu em intervalos de tempo bem distintos, ou seja, a Lua vai se levantar ao anoitecer e
desaparecer ao amanhecer. A meia-noite exatamente a Lua vai estar no ponto mais alto do céu, fato este que inspirou
tantos romances e filmes de horror.

Nas duas semanas seguintes à fase cheia a Lua passa pelas mesmas fases anteriores chegando ao quarto minguante no qual
apenas metade do hemisfério iluminado pelo Sol é visível da Terra. Finalmente, após cerca de 29,5 dias a Lua retorna a
mesma posição inicial, ou seja, na fase nova.

Pelo descrito acima, então, é errôneo dizer que temos o Sol de dia e a Lua de noite. Isto somente é verdade na fase de lua
cheia. No restante do mês a Lua é visível na luz diurna durante toda a manha (quarto minguante) ou tarde (quarto
crescente).

Note que a figura acima pode levar a uma interpretação errada. Por esta figura, na posição da Lua na fase cheia, se tem a
impressão de que a iluminação pelo Sol estaria sendo bloqueada pela própria Terra, quando então veríamos apenas a
sombra da Terra na superfície da Lua. Na realidade a Lua não está tão perto da Terra, assim como as órbitas do Sol e da Lua
não são tão similares. Na realidade a sombra da Terra não esconde a Lua na maioria dos meses e quando isto ocorre temos
um eclipse lunar, a ser discutido mais adiante.

Os movimentos de rotação e revolução da Lua

Denominamos de período sideral da Lua o intervalo de tempo que esta leva para completar uma revolução em torno da
Terra, medido em relação às estrelas fixas. Este período é ligeiramente maior do que 27 dias, sendo precisamente de
27,3217 dias.

O intervalo de tempo entre duas fases iguais é um pouco maior, ou seja, de 29,5306 dias. Esta diferença é, novamente,
devida ao movimento da Terra em torno do Sol. A Lua deve realizar mais do que uma volta completa em torno da Terra, que
está em movimento, antes de voltar à mesma fase com relação ao Sol.

A Lua gira em torno de seu eixo no mesmo intervalo de tempo que leva para completar uma revolução em torno da Terra.
Como conseqüência disto, a Lua mantém sempre a mesma face voltada para a Terra.As diferenças observadas em sua
aparência são devidas a mudanças na iluminação produzida pelo Sol e não à sua própria rotação.

Às vezes a face da Lua não visível da Terra é chamada de "face escura". Este nome, "face escura", não está correto! Todos
os lados da Lua são igualmente iluminados pelo Sol à medida que ela gira sobre seu eixo. O que ocorre é que, devido à
rotação da Lua em torno da Terra, vemos sempre a mesma face do nosso satélite natural. Este nome, "face escura", é um
jargão antigo, já que da Terra esta região da Lua não pode ser observada. Com as observações das sondas espaciais esse
conceito mudou.
Marte
Marte é o quarto planeta a partir do Sol.

Marte é o sétimo maior planeta do Sistema Solar sendo superado por Júpiter, Saturno, Urano, Netuno, Terra e Vênus.

A órbita de Marte é ligeiramente elíptica fazendo com que o planeta tenha uma distância média ao Sol de 227 940 000 quilômetros, ou
1,5 unidades astronômicas (U.A.).

O diâmetro de Marte é de 6794 quilômetros

A massa de Marte é de 6,4219 x 1023 quilogramas

Quando está no céu noturno, Marte é facilmente visível a olho nú na Terra. Entretanto, seu brilho aparente varia grandemente de acordo
com sua posição em relação ao nosso planeta.

Por que o nome?

Marte, que na Grécia tinha o nome de Ares, é o deus da guerra.

O planeta provavelmente obteve este nome devido à sua cor vermelha o que o faz, algumas vezes ser chamado de "planeta vermelho".

O deus romano Marte era o deus da agricultura antes de ser associado com o deus grego Ares.

O nome do mes março em ingles, March, é derivado de Marte (em ingles Mars)

O símbolo de Marte representa o escudo e a lança do deus romano.

Os antigos egípcios chamavam Marte de "Her Descher" que quer dizer "o que é vermelho".

Dados Essenciais (aproximados) sôbre Marte


distancia média ao Sol
227 940 000 km ( U.A.)
(órbita)

Marte está 1,5237 vezes mais distante do


distancia média ao Sol comparada com a distância média Terra-Sol
Sol do que a Terra

duração do ano em anos terrestres


1 ano e 321,73 dias
(período de revolução)

duração do dia em tempo terrestres 24 horas 37 minutos e 23 segundos


(período de rotação) terrestres (no equador)

velocidade orbital média 24,13 km/segundo

6794 km (0,5326 vezes o diametro da


diametro (equatorial)
Terra)

raio (equatorial) 3397 km


23
6,421 x 10 kg (0,10745 vezes a massa da
massa
Terra)

densidade média
3,94 gramas/centímetro cúbico
(densidade da água = 1)

gravidade na superfície (equatorial) 3,72 metros/segundo ao quadrado

velocidade de escape (equatorial) 5,02 km/segundo

a mais alta: 20oC


temperaturas extremas na superfície
a mais baixa: -140oC
o
temperatura média na superfície -63 Celsius

principais gases da atmosfera CO2 (95%)

pressão atmosférica 0,007 bars

satélites conhecidos 2 satélites (Deimos e Fobos)

anéis não tem

excentricidade da órbita 0,0934


(desvio da órbita circular que tem excentricidade 0)

obliquidade
(inclinação do eixo de Marte ou inclinação do seu equador em 23o 59'
relação ao plano orbital dos planetas)

achatamento de Marte 0,005

inclinação orbital 1,850o

albedo geométrico visual


0,15
(reflectividade)

magnitude (Vo) -2,01

Os meteoritos marcianos e a possibilidade de vida em Marte

Muito do que sabemos sobre a Lua, incluindo as circunstâncias de sua origem, vem de estudos das amostras lunares. Até hoje nenhuma
sonda espacial retornou para a Terra amostras do solo marciano para análise em laboratórios.

Foi com grande interesse, por conseguinte, que os cientistas concluiram que amostras de material marciano já estão aqui na Terra
disponíveis para estudo.

Sabemos que desde a formação do nosso planeta os meteoritos, rochas provenientes do espaço e que colidem com a superfície da
Terra, têm deixando aqui as suas marcas inconfundíveis.

Os astrônomos acreditam que um pequeno número destes meteoritos devem ter se originados não no Cinturão Principal de asteróides
mas sim em Marte.
Os astrônomos acreditam que, aproximadamente, uma dúzia destas rochas marcianas existem, todas elas membros de uma rara classe
de meteoritos, chamados meteoritos SNC.

A mais óbvias das características especiais deste pequeno grupo é que eles são basaltos vulcânicos. A maior parte deles são também
relativamente jovens, com idades de cerca de 1,3 bilhões de anos.

Mas, por que estes meteoritos viriam de Marte e não da Lua ou de Vênus?

Sabemos a partir de detalhes de sua composição que eles não são provenientes da Lua. Além disso, não houve atividade vulcânica lunar
tão recentemente quanto 1,3 bilhões de anos, que é a idade dos meteoritos SNC.

A teoria também nos diz que seria impossível que impactos sobre Vênus produzissem ejetos capzes de escapar através da espessa
atmosfera deste planeta.

Por processo de eliminação, a única origem razoável parece ser Marte, onde os vulcões Tharsis estavam certamente ativos naquela
época, há 1,3 bilhões de anos.

A origem marciana dos meteoritos SNC foi confirmada pela análise de pequeninas bolhas de gás aprisionadas dentro de vários deles.
Estas bolhas coincidem com as propriedades atmosféricas de Marte medidas diretamente pelas sondas espaciais Viking.

Aparentemente algum gás atmosférico ficou aprisionado na rocha devido ao choque produzido pelo impacto que a ejetou de Marte e
lançou-a em seu caminho para a Terra.

Marte sempre povoou a nossa imaginação com seres extraterrestres. No imaginário popular nunca houve outro corpo celeste que
estivesse mais associado à possível existência de vida fora da Terra do que este planeta.

As sondas espaciais que pousaram na superfície marciana realizaram os primeiros testes científicos destinados a determinar se existe
atualmente, ou se em algum momento de sua história existiu, vida em Marte.

Os módulos de pouso das sondas espaciais Viking 1 e Viking 2 realizaram várias experiências com o objetivo de determinar se existe ou
não vida em Marte.
Os resultados foram um pouco ambíguos mas a maioria dos cientistas hoje acredita que estas experiências não mostraram evidências de
vida naquele planeta, embora haja ainda alguma controvérsia.

Alguns pesquisadores, os mais otimistas, declararam que somente duas pequeninas amostras do solo marciano foram medidas e que
estas não são provenientes dos locais mais favoráveis à existência de vida em Marte.

Isto apenas nos mostra que mais experiências terão que ser feitas por futuras missões a Marte para que possamos ter uma visão mais
clara sobre a possibilidade de ocorrência biológica naquele planeta.

No entanto, há uma outra maneira que pode nos ajudar a verificar se existe, ou existiu, vida em Marte. Estas evidências poderiam estar
presentes nos meteoritos marcianos.

No dia 6 de agosto de 1996 David McKay e seus colaboradores anunciaram a primeira identificação de compostos orgânicos em um
meteorito marciano.

Os pesquisadores sugeriram ainda que estes compostos, juntamente com vários outros aspectos mineralógicos observados na rocha,
poderiam ser considerados como evidências da existência de antigos microorganismos marcianos

Embora esta notícia seja bastante excitante por estar baseada em uma evidência muito forte, é importante notar que de modo algum
ela estabelece o fato de existir vida extraterrestre.

Vários pesquisadores publicaram análises que contradizem as conclusões de McKey.

Muito trabalho ainda precisa ser feito antes que possamos confiar nesta afirmação extraordinária uma vez que "afirmações
extraordinárias exigem evidências extraordinárias".
A história do conhecimento do planeta Marte

Desde o início das civilizações Marte tem fascinado os habitantes do nosso planeta. Para os povos primitivos Marte foi o lar de
deuses e ao longo da história Marte se tornou um local irresistível no espaço, ocupando um lugar central na popularização da
astronomia.

A Cronologia do conhecimento sobre Marte

Este é um pequeno levantamento de como o planeta Marte foi, aos poucos, sendo conhecido pela ciência e de que forma ele
se fez presente, influenciando a história e a cultura dos povos.
Os tempos muito antigos: os registros de observações de Marte antes do século XVI

Nas épocas mais antigas, quando as observações eram feitas sem qualquer auxílio instrumental, tudo o que se sabia sobre
Marte é que ele era visível, tinha uma cor vermelha forte e deslocava-se no céu seguindo uma órbita muito estranha. Ao
contrário de qualquer outro planeta, Marte cruzava os céus desenhando uma estranha "volta", caminhando para trás
durante um pequeno intervalo de sua trajetória celeste.

Os Babilônios

Já em 4000 a. C. os babilônios se interessavam em


estudar Astronomia. Eles desenvolveram métodos
observacionais avançados para a época com os quais
conseguiam prever alguns eventos astronômicos tais
como os eclipses.

Utilizando estes métodos, os babilônios fizeram


cuidadosas observações que eram utilizadas para a
construção de seus calendários e para fundamentar os
seus ritos religiosos. No entanto, eles nunca tentaram
explicar os fenômenos celestes que testemunhavam.

Os babilônios também observaram Marte a quem eles


davam o nome de Nergal (imagem ao lado), que
significa "o grande herói" ou "o rei dos conflitos". Nergal
às vezes é traduzido como a "estrela da morte", que
seria a casa do deus do submundo.

Os Egípcios

Os egípcios estudavam Astronomia também com


objetivos religiosos mas foram os primeiros a notar que
as estrelas parecem "fixas" e que o Sol se movia em
relação às estrelas.

Eles também registraram a existência de cinco objetos


brilhantes no céu que pareciam se mover de uma
maneira similar. Estes eram os planetas Mercúrio, Marte,
Venus, Júpiter e Saturno.

Os egípcios chamaram Marte de Har Decher que quer


dizer "aquele que é vermelho".
Os Gregos e os Romanos

Entre os inúmeros deuses que povoavam a mitologia dos gregos e dos romanos
estava o deus da guerra, o filho de Zeus e Hera, que foi desprezado pelos seus pais.
Os gregos o chamavam de Ares e os romanos chamavam-no Marte.

Os gregos retratavam o seu deus da guerra como um ser odioso, sanguinário e, até
mesmo, covarde, como é mostrado na Ilíada, de Homero.

No entanto, os romanos, que glorificavam a guerra, consideravam Marte um


guerreiro poderoso. Alguns romanos o adoravam, deixando mesmo sacrificios
humanos no seu altar.

Os nomes do deus da guerra foram utilizados por gregos e


romanos para caracterizar o planeta Marte. Os gregos chamavam
o planeta Ares em homenagem ao seu deus da guerra, enquanto
que os romanos o chamavam de Marte.

O símbolo do planeta Marte, mostrado na direita, representa o escudo e a espada do deus da guerra Marte.

Os chineses

Para os chineses Marte era um dos cinco elementos espirituais essenciais para a vida.
Observando Marte no século XVI

Tycho Brahe

Duzentos anos antes que o telescópio fosse inventado o astrônomo


dinamarquês Tycho Brahe (1546-1601) realizou cálculos
surpreendentemente precisos da posição do planeta Marte. Para
conseguir isso ele utilizou sua visão aguçada e alguns grandes
instrumentos da época, calculando a posição de Marte com uma precisão
de 4 minutos de arco. Para se ter uma idéia da precisão atual, as teorias
planetárias permitem chegar a uma precisão em posição de 0.1
segundos de arco.

Em 1576, Brahe construiu um observatório em Hven, uma ilha próxima


a Copenhagen, onde ele estudou as estrelas durante 20 anos.

Nicolau Copérnico

Nos anos de 1500, as pessoas acreditavam que a Terra era o


centro do Universo, e que todos os objetos celestes giravam em
torno de nosso planeta. A crença de que a Terra estava no centro
do Universo era essencialmente uma reconciliação da filosofia
Aristotélica clássica com a teologia Judaico-Cristã que devia muito
a São Tomás de Aquino.

Em 1543, Nicolaus Copernicus apresentou uma idéia


revolucionária na ciência.

Ele forneceu evidência matemática para uma Universo


heliocêntrico. Segundo Copernico os planetas do Sistema Solar
giravam em torno do Sol.

É surpreendente verificar que a teoria heliocêntrica de Copernico


foi estabelecida 200 anos antes da invenção do telescópio.

Infelizmente, Copérnico não chegou a conhecer as mudanças


fundamentais que as suas idéias causariam na ciência. A teoria
heliocentrica de Copérnico foi publicada no final de sua vida, e só
foi amplamente aceita aproximadamente 100 anos após a sua morte.
Observando Marte no século XVII
Os anos das décadas de 1600 foram muito difíceis para aqueles que queriam estudar ciência. A Igreja Católica Romana era
uma instituição poderosa e tinha suas próprias idéias sobre a natureza do Universo. Todo o conhecimento científico, em
particular as novas idéias, precisavam da aprovação do clero. Divergências com as idéias da igreja poderiam levar o
pensador a punições severas, até mesmo à pena de morte.

1609: Johannes Kepler

Johannes Kepler (1571-1630), um estudante de Tycho Brahe,


publicou Astronomia Nova (Nova Astronomia), que continha as
duas primeiras leis do movimento planetário estabelecidas por ele.
Usando dados obtidos por Tycho Brahe, Kepler demonstrou a sua
primeira lei do movimento baseando-se em cálculos que
consideravam que Marte descrevia uma órbita elíptica em torno
do Sol.

Supor uma órbita planetária com forma elíptica era uma idéia
revolucionária naquela época. Até então, a crença clássica
mantinha que uma vez que o círculo era perfeito necessariamente
todas as órbitas planetárias deviam ser circulares, por serem uma
criação de Deus.

A suposição de órbita elíptica feita por Kepler desafiou e,


finalmente, substituiu a suposição clássica que exigia órbitas
circulares perfeitas.

1609: Galileu Galilei

Galileo Galilei (1564-1642) possivelmente foi o construtor do


primeiro telescópio em 1609, tornando-se a primeira pessoa a
usar um instrumento para propósitos astronômicos.

Galileu acreditava na teoria de Copérnico de que os corpos


celestes que fazem parte do Sistema Solar giram em torno do Sol.

A época era difícil para novas idéias e o cardeal Bellarmino avisou


Galileu para ser cauteloso com suas idéias e não concluir que a
teoria Copernicana era real. Galileu publicou um livro, Siderius Nuncius (O Mensageiro Estrelado), que foi considerado
controverso e em oposição às idéias da Igreja Católica Romana. Como conseqüência Galileu foi preso e julgado pela
Inquisição. O tribunal eclesiástico o considerou culpado de heresia, sentenciando Galileu à prisão e forçando-o a se
retratar.

Em segredo, seu livro foi contrabandeado para fora de seu pais e publicado na França.
Hoje seu trabalho é considerado como sendo a fundação da física moderna.
1610: Galileu Galilei

No ano de 1610 Galileu observou Marte com este seu telescópio primitivo.

Ele escreveu a um de seus amigos, o padre Castelli, falando sobre observações de fases de Marte, o que indicava que
Marte era um corpo esférico iluminado pelo Sol.

1636: Francisco Fontana

Francisco Fontana observa e desenha Marte. O seu desenho mostra uma mancha negra, a qual ele chamou de "pílula
negra", dentro de uma esfera. A mancha negra era devida a um defeito em seu telescópio.

1640: Niccolo Zucchi

Em 1616, Niccolo Zucchi (1586-1670), professor do Colégio Jesuíta em Roma, construiu um dos mais antigos telescópios
refletores que temos notícia, anterior àqueles produzidos por James Gregory e Isaac Newton.

Observando, em 1640, Marte com o seu telescópio refletor, Zucchi declarou ter notado manchas na superfície do planeta.

13 de outubro de 1659: Christiaan Huygens

O astrônomo holandês Christiaan Huygens (1629-1695) desenha o primeiro


esbôço de Marte.

Para realizar suas observações de Marte, Huygens usou um telescópio


avançado, desenhado por ele mesmo. Este telescópio tinha muito mais
qualidade do que aqueles fabricados pelos seus predecessores e permitia um
aumento de 50 vezes.

28 de novembro de 1659: Christiaan Huygens

Huygens registra a primeira característica verdadeira da superfície de Marte.


Ele observa uma grande mancha negra na superfície deste planeta,
provavelmente Syrtis Major, que se tornou conhecida como o "Mar da
Ampulheta". Pela primeira vez esboços da superfície de Marte se tornaram
úteis para os astrônomos.

Observando a mancha durante rotações sucessivas do planeta, Huygens notou que ela retornava à mesma posição no
mesmo instante no dia seguinte. Baseado nisto, ele calculou que Marte tinha um período de rotação de 24 horas.

Em 1656, Huygens já havia realizado alguns desenhos de Marte, mas eles não foram úteis porque em julho de 1655 Marte
tinha estado em oposição e as condições de visibilidade eram ruins.
1666: Giovanni Domenico Cassini

Embora Marte estivesse em oposição o astrônomo italiano Giovanni


Cassini (1625-1712) observou e desenhou algumas características da
sua superfície.

Cassini fez cerca de 20 desenhos grosseiros de Marte no Observatório


de Bologna e, a partir deles, notou que as marcas na superfície do
planeta retornavam às mesmas posições cerca de 40 minutos mais
tarde do que no dia anterior. Desta forma ele concluiu que o período
rotacional, ou seja o dia marciano, era de 24 horas e 40 minutos.
Cassini também foi quem descobriu que o planeta Marte possuia uma
calota polar no hemisfério norte.

1672: Isaac Newton

Em 1672 Isaac Newton desenhou o seu telescópio refletor e o


apresentou à Royal Society of London. Muitos autores consideram
que este foi o primeiro telescópio refletor construido, a despeito de
ser conhecido o fato de que o astrônomo italiano Niccolo Zucchi
construiu um telescópio refletor em 1616 e o usou em 1640 para
observar Marte.

Estes telescópio eram bastante precários pois os metais usados na


fabricação dos seus espelhos, naquela época, não podiam ser polidos
adequadamente.

1671-1673: Jean Richer

Jean Richer (1630-1696), por ordem do governo francês, viajou para Caiena, Guiana Francesa, e mediu a paralaxe de
Marte no seu perigeu.

Giovanni Cassini

Após a divulgação dos cálculos de Jean Richer, Cassini comparou as medições do astrônomo francês com as suas próprias
medições da posição de Marte em relação às estrelas. Ele determinou as distâncias de Marte e do Sol a partir da Terra
obtendo então as primeiras dimensões razoavelmente precisas do Sistema Solar.

Cassini deduziu que a distância Terra-Sol, conhecida como unidade astronômica, era de 140 milhões de quilômetros, o que
é bastante preciso se compararmos com o valor moderno de 149,6 milhões de quilômetros.

setembro de 1672: Christiaan Huygens

Neste mes Marte estava em oposição e Christiaan Huygens foi o primeiro a notar uma mancha branca no pólo sul de Marte,
provavelmente a calota polar sul.
1686: Bernard de Fontenelle

Bernard de Fontenelle, um respeitado astrônomo francês, publicou o


livro "La Pluralité des Mondes" (A Diversidade dos Mundos). Este
livro, escrito como um diálogo, discute evidências que sinalizam a
existência de vida em planetas do Sistema Solar.

Fontenelle, entretanto, acreditava que Marte não era habitado, de modo


que o planeta vermelho recebeu pouca atenção no seu livro:

"Ele é também 5 vezes menor que a Terra e


recebe muito menos luz solar. Em resumo,
Marte não vale o esforço de darmos uma
parada. Uma escolha muito mais atraente seria
Júpiter com suas 4 luas!"

Hoje sabemos que Marte não é 5 vezes menor que a Terra. Marte tem
metade do diâmetro da Terra.

1698: Christiann Huygens

O livro Cosmotheoros, escrito por Christian Huygens é publicado postumamente. Huygens, que morreu em 1695, havia
escrito este livro alguns anos antes. Nele Huygens trata da questão de vida em Marte, sendo um dos primeiros textos
publicados que trata sobre a vida extraterrestre.

Huygens deduziu que, embora Marte seja mais frio do que a Terra porque ele está mais afastado do Sol, a vida lá deve ter
se adaptado a isto.

No seu livro Huygens discutiu quais as exigências que devem ser feitas para que um planeta possa ser capaz de manter
vida, e especulou sobre a possível existência de extraterrestres inteligentes.
Observando Marte no século XVIII: a era do telescópio
Enquanto a ciência no século XVII foi obstruida pela Inquisição, os cientistas do século XVIII desfrutaram de um grau muito
maior de liberdade.

Embora o primeiro telescópio refrator tenha sido, provavelmente, construido em 1609 por Galileu, que imediatamente o usou
para propósitos astronômicos, este instrumento não produziu um grande impacto na Astronomia até os anos de 1700.

Os telescópios dos anos de 1600 eram muito primitivos, mas aqueles construidos no século XVIII eram muito maiores e bem
mais poderosos.

Em 1672 Isaac Newton desenhou o seu telescópio refletor e o apresentou à Royal Society of London mas, como já vimos, os
metais usados na fabricação dos espelhos naquela época não podiam ser polidos adequadamente e, conseqüentemente, estes
instrumentos não permitiam um estudo preciso dos planetas.

Somente em 1722 é que John Hadley produziu um telescópio refletor que funcionava bem.

Com os progressos na qualidade e disponibilidade dos telescópios, os cientista dos anos de 1700 deram início à pesquisas sobre
os vários planetas, em particular Marte.

Estes telescópios permitiram a confirmação da descoberta das calotas de gelo polares marcianas que haviam sido notadas por
Cassini e Huygens nó século XVII, além de vários outros aspectos significantes do terreno marciano.

Centenas de anos mais tarde, várias conclusões obtidas com as observações dos anos de 1700 foram corroborados pelas sondas
espaciais que circularam em torno de Marte.

1704: Giancomo Filippo Maraldi

Giancomo Maraldi, sobrinho de Cassini, observou "manchas brancas" nos pólos de Marte. Ele não as chamou de calotas de gelo.
Como o pólo sul de Marte está inclinado na direção da Terra ele é mais fácil de observar. Maraldi descobriu que a calota do sul
não estava centrada no pólo de rotação.

Maraldi fez suas observações com o Telescópio Campani no Observatório de Paris.

1719: Giancomo Miraldi

Giancomo Miraldi sugeriu que as "manchas brancas" nos pólos de Marte poderiam ser interpretadas como calotas de gelo.
Maraldi também notou que a calota do sul mudava de tamanho e desaparecia em agosto e setembro, somente reaparecendo
mais tarde.

1719: muito próximo

Marte está em oposição, e mais próximo à Terra do que ele estará nos próximos 284 anos ou seja, até o ano 2003.
O brilho de Marte no céu é interpretado como uma profecia má e causa preocupação e pânico.
1727: Jonathan Swift

O livro As viagens de Gulliver de Jonathan Swift (1667-1745) especula que existem dois
satélites marcianos.

Um trecho do livro diz:

"Eles, do mesmo modo, descobriram duas estrelas menores, ou Satélites, que giram em
torno de Marte, de quem a mais interna está distante do Centro do planeta Primário
exatamente tres de seus diâmetros, e a mais externa cinco; a primeira gira no Espaço
de dez Horas e a última em Vinte e uma e meia".

Certamente a citação dos dois satélites de Marte, ainda desconhecidos naquela época, por
Jonathan Swift foi apenas mera coincidência.

1754: Abraham Kastner

Abraham Kastner, poeta e anti-pluralista, publica um poema sobre o seu amigo pluralista Christob Mylius, que havia morrido em
1752. No poema, a alma de Mylius viaja através do Sistema Solar. Em Marte, Mylius encontra "as almas eternas" dos
marcianos.

1777-1783: William Herschel

Frederick Wilhelm Herschel (1738-1822), foi músico em sua terra natal, a Alemanha, e
mais tarde ao viver na Inglaterra tornou-se astrônomo. Após ter-se naturalizado ingles ele
passaria a ser conhecido pelo nome de William Herschel e se tornaria o "British
Astronomer Royal" (Astrônomo Real Britânico).

Herschel foi um importante inovador no mundo dos telescópios. Ele verificou que os
telescópios com tubos muito compridos eram difíceis de lidar e que os telescópios
refletores da época eram proibitivamente caros. Por este motivo Herschel decidiu criar
seus próprios instrumentos. Após várias tentativas, ele conseguiu construir um telescópio
refletor que funcionava muito bem.

A dedicação de Herschel a este tipo de pesquisa permitiu que ele fabricasse alguns dos
mais avançados telescópios da época, com comprimentos focais de 2,1 metros, 2,7
metros, e 6,1 metros.

Herschel fez vários estudos sobre Marte, entre 1777 e 1783, usando os telescópios que
ele próprio construiu.

Em 1781 Herschel descobriu o planeta Urano e isto levou o rei George III da Inglaterra a
conceder a ele uma pensão por toda a vida para estudar astronomia.

Herschel acreditava que todos os planetas eram habitados e até mesmo que existiam seres inteligentes vivendo em uma área
fria sob a superfície do Sol.

26 e 27 de outubro de 1783: William Herschel

Nestas datas Herschel observou duas estrelas fracas passarem, aparentemente, muito próximas a Marte, a uma distância de
alguns segundos de arco. Ele notou que não houve qualquer efeito no brilho delas, ou seja, a luz proveniente destas estrelas
não foi afetada. A partir disto Herschel corretamente supos que Marte tinha uma atmosfera tênue porque ele não pode ver
qualquer efeito sobre a quase ocultação destas estrelas fracas.
1784: William Herschel

William Herschel publica na conceituada revista científica inglesa "The Philosophical Transactions" um artigo entitulado: "On the
remarkable appearances at the polar regions on the planet Mars, the inclination of its axis, the position of its poles, and its
spheroidal figure: with a few hints relating to its real diameter and atmosphere" (Sôbre os aspectos notáveis nas regiões polares
do planeta Marte, a inclinação de seu eixo, a posição de seus pólos, e sua forma esferoidal: com algumas sugestões a respeito
de seu diâmetro real e atmosfera).

Neste artigo ele declara que a inclinação axial de Marte é de 30 graus. O valor correto da inclinação axial de Marte em relação ao
seu plano orbital é de 25,19 graus.

Herschel também, erroneamente, supos que as áreas escuras em Marte eram oceanos, e as regiões mais claras eram terras.

Ele notou as variações sazonais das calotas polares e sugeriu que elas fossem neve e gelo.

Herschel comparou a notável similaridade entre Marte e a Terra:

"A analogia entre Marte e a Terra é, talvez, de longe a maior de todas em todo o
Sistema Solar. O movimento diurno é, aproximadamente, o mesmo; a obliquidade de
suas respectivas eclípticas, das quais as estações dependem, não muito diferente; de
todos os planetas superiores a distância de Marte ao Sol é de longe a mais
proximamente parecida com aquela da Terra: nem parecerá o ano marciano muito
diferente daquele que nós desfrutamos".

Ele especulou que os habitantes marcianos "provavelmente desfrutam de uma situação similar à nossa própria".
Observando Marte no século XIX: a loucura dos "canais"

É no século XIX que um grande equívoco irá produzir graves problemas à Astronomia. Uma tradução errada de uma palavra fez
com "canais artificiais" fossem "vistos" na superfície de Marte. O mais interessante é que alguns astrônomos importantes da
época passaram a defender com veemência esta idéia. A imprensa, e o público, estavam ansiosos por notícias deste tipo. A
Astronomia passa a fazer parte dos noticiarios e os astrônomos se mostram ao grande público. É época de tentar ser famoso
fora da ciência, de qualquer maneira, prática que, infelizmente, voltou a ser acentuada na última década.

1800: Johann Hieronymus Schroeter

Este entusiasmado astrônomo amador fez alguns desenhos de Marte. Schroeter mantinha
correspondencia regular com Herschel e possuia telescópios feitos com componentes fabricadas por
Herschel.

1809: Honoré Flaugergues

Honoré Flaugergues, um astrônomo amador francês, trabalhando em seu observatório particular em


Viviers no sudeste da França, notou a presença de "nuvens amarelas" sobre a superfície de Marte.
Muito mais tarde constatou-se que elas eram nuvens de poeira.
Flaugergues mais tarde descobriu o Grande Cometa de 1811.

1813: Honore Flaugergues

Honore Flaugergues notou o rápido derretimento das calotas polares de Marte.


Ele verificou que as características destas regiões eram variáveis e que a calota de gelo polar derretia e diminuia
significantemente na primavera de Marte.

Flaugergues supôs que a calota consistia de camadas espessas de gelo e neve.

Ele também concluiu que o rápido derretimento das calotas implicava no fato de que Marte é mais quente do que a Terra.

1840: Wilhelm Beer e Johann von Maedler

Wilhelm Beer (1797-1850) e Johann von Maedler (1794-1874) observam e fazem


desenhos de Marte no observatório particular de Beer, próximo a Berlin. Com base
nestas observações eles geram um mapa global de Marte.
Observando Marte em intervalos de 759, 1604 e 2234 dias, eles fizeram 3
determinações do período de rotação do planeta. O valor médio obtido é de 24
horas, 37 minutos e 22,6 segundos, o que é surpreendentemente próximo ao valor
atualmente aceito de 24 horas, 37 minutos e 22,7 segundos.
Anteriormente, em 1836, Beer e Maedler também tinham produzido o mais
completo mapa da Lua de sua época, o Mappa Selenographica, que permaneceu
insuperável até 1878, quando então surgiu um mapa mais detalhado.
1854: William Whewell

William Whewell, membro do Trinity College da Cambridge University, e filósofo da ciência teorizou sobre Marte. Ele supôs que
Marte tinha mares verdes e terra vermelha, e queria saber se havia vida extraterrestre. Whewell especulou que Marte
possivelmente tinha formas de vida.

Anteriormente, em 1830, Whewell introduziu o termo scientist (cientista) na lingua inglesa. Até esta época os pesquisadores
eram chamados de filósofos naturais

1858: Pietro Angelo Secchi

Pietro Angelo Secchi (1818-1878), frade jesuíta diretor do Observatório do Colégio de Roma, desenhou um mapa de Marte e
chamou Syrtis Major de "Canal Atlântico".

Secchi, a despeito de sua proximidade com o Vaticano, acreditava na pluralidade dos mundos. Em 1856, ele escreveu, em
"Descrizione del nuovo osservatorio del collegio romano":

"É com um sentimento agradável que o homem imagina estes mundo sem número,
onde cada estrela é um sol que, como instrumento da generosidade divina, distribui vida
e bondade aos outros inumeráveis seres, abençoados pela mão do Onipresente."

Ele reconheceu que estes mundos podem não ser acessíveis aos seus telescópios mas, por analogia com a Terra e o Sistema
Solar, ele estava convencido de que o Universo é um organismo maravilhoso preenchido com vida.

1859: Canal de Suez

Começa o trabalho da construção do Canal de Suez, a maravilha de engenharia daquele tempo. Os canais movimentavam o
comércio em várias partes do mundo, mas o de Suez era o maior de todos, considerado igual às pirâmides. A importância da
construção destes canais no século XIX sem dúvida influenciou o interesse equivocado mais tarde nos "canais" de Marte.

1860: Emmanuel Liais

Emmanuel Liais (imagem ao lado), que foi diretor do Observatório Nacional no período de 1870-
1881, propos vegetação em Marte. Ele sugeriu que as regiões escuras não são mares, como era
comumente imaginado pelos outros observadores tais como Secchi, mas, em vez disso, seriam
áreas de vegetação.

1862: Joseph Norman Lockyer

Joseph Norman Lockyer (1836-1920), do Royal College of Science em Londres, que mais tarde seria
conhecido como Imperial College, faz desenhos de Marte. Ele concorda com Secchi que as áreas
"verdes" de Marte são regiões oceânicas. Lockyer ficou mais conhecido pela sua descoberta do
elemento químico hélio, que ele identificou a partir de uma linha de emissão no espectro solar em
1870.
1862: Frederik Kaiser

Frederik Kaiser, na Holanda, calculou que o período rotacional de Marte era de 24 horas, 37 minutos e 22,62 segundos. O valor
hoje aceito é 24 horas, 37 minutos e 22,663 ± 0,002 segundos.

1867: Richard Anthony Proctor

Richard Anthony Proctor publicou um mapa de Marte (imagem ao lado)


com continentes e oceanos.

A sua escolha do meridiano zero de Marte ainda é a covenção


correntemente aceita.

1867: Pierre Jules Janssen e William Huggins

Pierre Jules Janssen (1824-1907) e William Huggins (1824-1910)


fizeram a primeira tentativa (sem sucesso) de detectar vapor d'água e
oxigênio espectroscopicamente em Marte.

1877: Giovanni Virginio Schiaparelli

Giovanni Virginio Schiaparelli (1835-1910) desenvolveu uma nomenclatura para


mapear os pontos mais importantes de Marte. Os nomes foram tirados da
mitologia, história e de vários termos então usados como sinônomos da palavra
"inferno".

1877: Giovanni Schiaparelli

Em 1877 o astrônomo italiano Giovanni Schiaparelli usa o termo "canali" para


descrever os riscos que ele observou sobre a superfície de Marte.

Isto foi erradamente traduzido para o inglês como sendo a palavra "canals",
palavra inglesa que significa "canais" no sentido de uma obra construída
artificialmente.

A partir deste fato muitas pessoas, inclusive astrônomos, passaram a imaginar


que os "canais" vistos em Marte formavam um sistema de canais artificiais e,
portanto, haviam sido construidos por seres inteligente. Conseqüentemente,
Marte era habitado por seres inteligentes.

Na verdade, a observação de Schiaparelli deveria ter sido traduzida corretamente pela palavra inglesa "channels", que significa
"canais naturais". Mas, com o excitamento existente com a construção do Canal de Suez, o termo italiano "canali" foi traduzido
erradamente como "canals" e assim começou uma enorme confusão na história da exploração de Marte.
As imagens abaixo mostram mapas da superfície de Marte feitos por Schiaparelli em 1877.

1877: Asaph Hal


l

Asaph Hall descobre os satélites de Marte.

Ele os chama Fobos (medo) e Deimos (pavor), em homenagem aos cavalos do deus grego da guerra, Ares (contraparte ao deus
romano da guerra Marte).
1879: Giovanni Schiaparelli

Schiaparelli observa "canali" duplos, para ele um exemplo de "geminação".

1880: Percy Gregg

Percy Gregg, um autor britanico, publica o livro "Across the Zodiac", uma novela em dois volumes sobre uma viagem a Marte.
Para ele, Marte tinha céus de cor verde pálido e folhagem de cor alaranjada.

24 de abril, 27 de abril e 2 de maio de 1882

Os "canais" no planeta Marte são discutidos na imprensa. O jornal "New York Times" publica várias reportagens nos dias acima
citados sobre o assunto. No dia 2 de maio ele publica:

"Richard Proctor waffles on the Canals of Mars" (Richard Proctor fala vagamente sobre os canais de Marte).

1891: Clara Gouguet Guzman

Uma rica viúva francesa, Clara Gouguet Guzman, ofereceu um premio de 100000 francos para quem conseguisse se comunicar
com extraterrestres. O premio seria concedido "à pessoa de qualquer nação que encontrar os meios dentro dos próximos 10
anos de se comunicar com uma estrela (planeta ou qualquer outra coisa) e de receber uma resposta".
O premio foi administrado pela Academia Francesa de Ciências e recebeu o nome de "Premio Pierre Guzman", em homenagem
ao filho de Mme. Guzman.

Madame Guzman excluiu Marte do concurso, considerando-o "fácil demais" para contactar!

1894: Percival Lowell

Percival Lowell (1855-1916) começa a observar Marte no seu observatório em Flagstaff, Arizona, Estados
Unidos.
1894: Edward Emerson Barnard

Edward Emerson Barnard (1857-1923) informa não ter encontrado qualquer evidência de canais artificiais em Marte.

1895: Percival Lowell

Percival Lowell publica seu livro "Mars".

1895: Percival Lowell

Lowell elaborou uma série de conclusões sobre os canais de Marte, especulando que eles eram um complexo sistema de
irrigação construido pelos marcianos, que aproveitavam o gelo derretido das calotas polares de Marte.

1895: New York Herald

O jornal New York Herald afirma que foram observadas certas características na superfície de Marte que formam a palavra
"Deus", escrita em hebraico.

1894-1896: a "médium" Helene Smith

Helene Smith, uma "médium" de Geneva, Suiça, cujo nome real era Catherine Elise Muller, alega ter tido visões de Marte
quando estava sob hipnose induzida pelo eminente psicólogo Theodore Flournoy.

Smith imaginou ela mesma em pé em Marte e relatou o seu encontro com marcianos. Ela conseguiu até mesmo falar "marciano"
que, segundo ela, era bem parecido com francês!!

Mais tarde Flournoy descreveu esta experiência no livro "From India to the Planet Mars", editado pela Harper and Bros, 1900.

1895: a "médium" Mrs. Smead

Mrs. Smead, uma "medium" norte-americana, diz que pode se comunicar com sua filha e cunhado, ambos mortos, que estão em
Marte.
Smead descreveu os canais de Marte e os marcianos como sendo muito semelhantes aos humanos.
Smead foi examinada pelo psicólogo Prof. J. Hyslop, que concluiu que ela tinha uma desordem de personalidades múltiplas.
(J. Hyslop, "Psychical Research and the Ressurection", Small/Maynard, 1908. Também publicado como editorial no jornal
Independent, com o título "Communicating with Mars", páginas 1042-1043, 1909.

1897: H. G. Wells

O livro, "A Guerra dos Mundos", (The War of the Worlds), de Herbert G. Wells (1866-1946), foi
serializado no "Pearson's Magazine". Ele também foi impresso nos Estados Unidos, no "The
Cosmopolitan".

1898: "A Guerra dos Mundos"

O livro "A Guerra dos Mundos" é publicado com capa dura.

1899: Carl Jung


"Miss S. W.", paciente de 15 anos de idade de Carl Jung, "vai" a Marte em transe. Ela vê canais e marcianos em máquinas
voadoras.

Jung deduz que S. W. estava sofrendo de uma personalidade dissociada.

(Jung, C., "Zur Psychologie und Pathologie sogennter Occulter Phanomene", Muntze, 1902)
Observando Marte no século XX: o domínio das sondas espaciais

16 de janeiro de 1901: William Henry Pickering

Nesta data o jornal "New York Times" publicou que o astrônomo norte-americano William Henry Pickering, diretor do Lick
Observatory, informou ter visto "um feixe de luz" se projetando da superfície de Marte.

1901: Nikola Tesla

A imprensa publica:

"Nikola Tesla (1856-1943), um brilhante cientista e inventor sérvio (naturalizado norte-americano), está construindo um sistema
sem fio para se comunicar com os marcianos." (N. Tesla, "Talking with the planets", Collier's Weekly, vol. 24, 4-5, 1901).

15 de janeiro de 1905: Nikola Tesla

Nesta data o jornal "New York Times" publica um artigo sobre telefonia interplanetária. Segundo o jornal Tesla poderia usar um
oscilador para "acordar" Marte.

28 de maio de 1905: Percival Lowell

O jornal "New York Times" publica a notícia fornecida por Lowell de que os canais de Marte tinham sido fotografados pela
primeira vez.

1906: Percival Lowell

O livro Mars and Its Canals, de Percival Lowell, é publicado.

23 de janeiro de 1907: Nikola Tesla

Nikola Tesla em uma carta ao jornal "The New York Times" declara: "Eu posso facilmente atravessar o abismo que nos separa de
Marte". Tesla, muito irritado, se enfurece com a imprensa que havia chamado o transmissor inventado por ele nada mais do que
uma "peça útil de aparelho elétrico".
1907: David Peck Todd e C. Slipher

Professor David Peck Todd, do Amherst College, e C. Slipher vão para o deserto de Alianza, Chile, para fotografar Marte com o
objetivo de obter as imagens mais nítidas possíveis. Todd e seu grupo levaram uma câmera especialmente construída para isto.

3 de julho de 1907: New York Times

O jornal "New York Times" publica a notícia: "Slipher faz fotos dos canais marcianos". Esta notícia foi dada pelo jornal após ter
recebido o seguinte telegrama de Lowell:
"Todd da expedição de Lowell aos Andes, cabografa canais de Marte fotografados lá por Slipher".

dezembro de 1907: Century Magazine

Neste mes o "Century Magazine" imprime as fotos de Marte: fotos frustrantes, minúsculas, que eram as "provas" de que os
"canais" de Lowell existiam.

Mesmo com uma ampliação de duas vezes o diâmetro, elas tem uma largura menor do que meio centímetro.
Ampliações subsequentes somente mostraram sucessivas perdas de detalhes devido à ampliação contínua dos grãos da emulsão
fotográfica.

1907 Wall Street Journal

O jornal "Wall Street Journal" diz que:

"... a prova por observações astronômicas... de que vida humana inteligente, consciente existe no planeta Marte"

é um dos eventos mais monumentais de 1907.

1908: Percival Lowell

O texto "Mars as the Abode of Life", de Percival Lowell é publicado pela primeira vez no "Century Magazine" como uma série de
artigos defendendo a hipótese de vida marciana.
Este texto mais tarde seria publicado como livro pela editora Macmillan, New York.

1909: George Ellery Hale

George Ellery Hale (1868-1938), usando o telescópio refletor de 60" de Mount Wilson, diz não ver "..nem um vestígio" de canais
em Marte.

1909: William Pickering

William Pickering propõe enviar sinais de espelho para Marte. Ele argumenta que um sistema de sinalização de tamanho
suficiente pode ser construído por 10 milhões de dólares.

1909: W. W. Campbell

W. W. Campbell, do Lick Observatory, tenta medir vapor de água na atmosfera marciana usando os resultados da
espectroscopia feita por uma expedição enviada ao Mount Witney. Os resultados são negativos e Campbell, corretamente,
conclue que a atmosfera marciana é extremamente árida comparada com a da Terra.
1909: Camille Flammarion

Camille Flammarion publica o segundo volume de sua enciclopédia sobre Marte, "La Planetè Mars et ses Conditions
d'Habitabilité", pela Gauthier-Villars et Fils, Paris.
O volume 2, de 595 páginas, contém 426 desenhos e 16 mapas de Marte produzidos no período de 1860 a 1901.

1911: Edgar Rice Burroughs

O romance A Princess of Mars de Edgar Rice Burroughs é


publicado. Este é o primeiro de 11 novelas chamadas "John
Carter on Mars" escritas por este autor.
Burroughs usou a nomenclatura de Schiaparelli e alguns de seus
marcianos tem a pele verde.

27 de agosto de 1911: New York Times

O jornal New York Times publica:


"Marcianos constroem dois imensos canais em dois anos"

10 de novembro de 1911: New York Times

O jornal New York Times publica a manchete "Frost on Mars"


(Geada em Marte). Segundo o jornal o anúncio da descoberta de geada em Marte foi dado
por Percival Lowell.

1912: Edgar Rice Burroughs

A novela "A Princess of Mars" é serializada no "All-Story Magazine".

1922: Ernest Julius Opik

O astrônomo estoniano Ernest Julius Opik (1893-1985), a partir de seu trabalho com meteoros, estabelece, precisamente, a
freqüência das crateras existentes na superfície de Marte vários anos antes que elas fossem determinadas.

1926: Walter S. Adams

Walter S. Adams corretamente determina que Marte é "ultra árido" estudando linhas espectrais.

1927: William Coblentz e Carl Lampland

William Coblentz (1873-1962) e Carl Lampland medem grandes diferenças de temperatura entre o dia e a noite em Marte. Isto
implica na existência de uma atmosfera fina. Suas medições das temperaturas de Marte (erroneamente) sugerem que o equador
está próximo a 15-30o C enquanto o pólo está próximo a -50 a -70o C. Tais temperaturas são um tanto similares às da Terra.
Consequentemente, as medições encorajaram muito a acreditarem que há vida em Marte. Isto permanece até o início da
exploração espacial de Marte.
(Coblentz, W., Lampland, C., "Further radiometric measurements and temperature estimates for the planet Mars", em Scientific
Papers of Nat. Bur. Studies, vol. 22, 237-276)

1929: Bernard Lyot

Bernard Lyot, do Observatório de Meudon, próximo a Paris, conclui, a partir de dados polarimétricos, que um limite superior à
pressão atmosférica em Marte é de, aproximadamente, 24 milibars.
1930: Eugenios M. Antoniadi

O livro "La Planète Mars, 1659-1929 de Eugenios M. Antoniadi, é publicado pela


Herman et Cie, Paris. Este livro é um resumo completo e representativo da
superfície de Marte baseado em observações feitas com telescópios.
Antoniadi era astrônomo do Observatório de Meudon, próximo a Paris, tendo
produzido excelentes mapas de Marte, alguns dos melhores disponíveis até os
anos da década de 1950.

1930: oxigênio em Marte

Falham as tentativas para detectar oxigênio em Marte.

30 de outubro de 1938: H. G. Wells

Uma versão dramatizada do romance "A Guerra dos Mundos" de H. G. Wells, foi transmitida
pelo rádio nos Estados Unidos. O narrador do texto foi Orson Welles. Na narrativa dizia-se
que os marcianos haviam pousado em Grovers Mill, New Jersey, convencendo e assustando
milhões de ouvintes norte-americanos.

Estima-se que 6 milhões de pessoas ouviram o show e, a despeito de


repetidos anúncios de que aquilo era a dramatização de uma peça, pelo
menos 1 milhão de pessoas pensou que era um fato real. A narrativa de
Orson Welles, tão convincente, levou estas pessoas a acreditar que
criaturas tentaculadas tinham pousado na Terra em suas máquinas de
guerra.

1939: Vesto Slipher

Slipher fotografa Marte em oposição e revela, em 1940, que existem


muitos canais no planeta vermelho.
Ao contrário dele, George Ellery Hale, que usou um telescópio refletor
em Mount Wilson, diz que nenhum canal pode ser visto.

1947: Gerard Peter Kuiper

Dióxido de carbono, mas não oxigênio, é detectado por Gerard Peter Kuiper (1905-1973) em espectrogramas infravermelho.
Kuiper deduz que a atmosfera marciana contém duas vezes mais dióxido de carbono do que a atmosfera da Terra.
Por duas décadas, além do vapor d'água, o dióxido de carbono permaneceu o único constituinte conhecido da atmosfera
marciana. Kuiper supos que o dióxido de carbono era um constituinte secundário da atmosfera de Marte, ao invés do
constituinte principal que ele realmente é.
1949: liquens

Líquens são propostos como uma possível forma de vida para Marte. As condições parecem severas demais para formas mais
complexas de vida.

1950: Ray Bradbury

É publicado o livro As Crônicas Marcianas, de Ray Bradbury. Desde então ele


foi reimpresso repetidamente, atingindo 64 edições até 1985. Algumas das
histórias contidas no livro haviam sido publicadas já em 1946.

28 de janeiro de 1950: Sadao Saeki

O jornal "Los Angeles Times" registra que o astrônomo japonês Sadao Saeki
viu uma enorme explosão em Marte no dia 16 de janeiro. Segundo o
astrônomo a explosão produziu uma nuvem em forma de cogumelo com 1450
quilômetros de diâmetro, "como a explosão terrível de um vulcão". Nenhuma outra pessoa observou
este fenômeno.

1956: tempestade de poeira

Uma tempestade de poeira global aumenta continuamente em Marte. A tempestade começa no dia 20 de agosto com uma
nuvem brilhante sobre a região Hellas-Noachis. Em seguida ela se espalha até engolir o planeta inteiro em meados de setembro.

1963: Hyron Spinrad

Hyron Spinrad e seus colaboradores registram medições de água na atmosfera de Marte a partir de observações
espectroscópicas.
É determinada uma abundância de coluna de 14 ± 7 microns precipitáveis.
"Microns precipitáveis" mede a profundidade de água que se forma se toda a água na atmosfera fosse condensada sobre a
superfície de 1 micron (que corresponde a 1 milionésimo de um metro).
O resultado obtido de 14 microns precipitáveis é menos do que 1 milésimo da água que existe na atmosfera acima do deserto do
Saara.
Deste modo, a atmosfera marciana foi determinada ser extremamente seca.

1964: pressão em Marte

Lewis Kaplan anuncia que a pressão de dióxido de carbono em Marte é baixa, aproximadamente 4 milibars, a partir da análise
dos mesmos espectros usados por Hyron Spinrad.

15 de julho de 1965: Mariner 4

Começa a exploração espacial de Marte. A sonda espacial norte-americana Mariner 4 passa por Marte. É a primeira sonda
espacial que tem sucesso em estudar Marte.

Os satélites artificiais que visitaram Marte

A primeira espaçonave a visitar Marte foi a Mariner 4, dos Estados Unidos, em julho de 1965. Ela transmitiu 22 imagens em
"close" da superfície de Marte mostrando que ela continha muitas crateras. Para frustação dos místicos apenas canais naturais
foram observados, sem qualquer evidência de canais artificiais com ou sem água fluindo.
Várias outras se seguiram:

A Mars 2, da União Soviética, foi a primeira espaçonave a pousar na superfície de Marte.

Em julho e setembro de 1976 os dois módulos de pouso das missões Viking, os


"Viking Lander 1" e o "Viking Lander 2", pousaram na superfície de Marte.
A esquerda mostramos uma das várias imagens geradas pelo módulo de pouso da
missão Viking 1.

Nesta imagem podemos apreciar o solo marciano no local do pouso da Viking 1, a


"Chryse Planitia". Esta região é um deserto seco, vermelho e estéril, com muitas
rochas espalhadas por toda parte entre dunas de areia.

Na parte de baixo da imagem, a direita, vemos parte da base do módulo de pouso.

O corte na terra que vemos no primeiro


plano, logo abaixo do centro da imagem, foi
produzido pelo braço mecânico da Viking 1
ao cavar o solo marciano para obter
amostras do terreno para análise químicas.

Após longos 20 anos, uma outra missão norte-americana, o "rover" Mars Pathfinder, um
pequeno carrinho motorizado, pousou com sucesso em Marte em 4 de julho de 1997. A
imagem a direita mostra a Pathfinder, o pequenino "rover" que percorreu a superfície
de Marte enviando para a Terra impressionantes imagens da solo do planeta vermelho.
Este foi um dos mais impressionantes projetos da NASA para o planeta Marte.

O mapa da superfície marciana mostrado abaixo localiza os locais de pouso das sondas
espaciais Viking 1, Viking 2 e da Mars Pathfinder.
Vôos a Marte
data país nome da missão o que aconteceu
tentativa de
10 de outubro União sobrevoar Marte
Marsnik 1 (Mars 1960A)
de 1960 Soviética (falha no
lançamento)
tentativa de
14 de outubro União sobrevoar Marte
Marsnik 2 (Mars 1960B)
de 1960 Soviética (falha no
lançamento)
24 de outubro União tentativa de
Sputnik 22
de 1962 Soviética sobrevoar Marte
1 de novembro União sobrevôo de Marte
Mars 1
de 1962 Soviética (perdeu contato)
4 de novembro União tentativa de pouso
Sputnik 24
de 1962 Soviética em Marte

5 de novembro Estados tentativa de


de 1964 Unidos sobrevoar Marte

Mariner 3

28 de
Estados
novembro de sobrevôo de Marte
Unidos
1964

Mariner 4

30 de
União sobrevôo de Marte
novembro de
Soviética (perdeu contato)
1964

Zond 2
sobrevôo da Lua,
18 de julho de União
veículo teste para
1965 Soviética
Marte

Zond 3

25 de fevereiro Estados
sobrevôo de Marte
de 1969 Unidos

Mariner 6

27 de março de Estados
sobrevôo de Marte
1969 Unidos

Mariner 7
tentativa de orbitar
27 de março de União
Mars 1969A Marte (falha no
1969 Soviética
lançamento)
tentativa de orbitar
2 de abril de União
Mars 1969B Marte (falha no
1969 Soviética
lançamento)

tentativa de
8 de maio de Estados sobrevoar Marte
1971 Unidos (falha no
lançamento)

Mariner 8
10 de maio de União tentativa de orbitar
Cosmos 419
1971 Soviética e pousar em Marte
19 de maio de União órbita de Marte;
Mars 2
1971 Soviética tentativa de pouso
28 de maio de União órbita e pouso em
Mars 3
1971 Soviética Marte
30 de maio de Estados
órbita de Marte
1971 Unidos

Mariner 9
sobrevôo de Marte
21 de julho de União
Mars 4 (tentativa de
1973 Soviética
orbitar Marte)
25 de julho de União
Mars 5 orbitou Marte
1973 Soviética
5 de agosto de União pouso em Marte
Mars 6
1973 Soviética (perdeu contato)
sobrevôo de Marte
9 de agosto de União
Mars 7 (tentou pouso em
1973 Soviética
Marte)
20 de agosto Estados órbita e pouso em
Viking 1
de 1975 Unidos Marte
9 de setembro Estados órbita e pouso em
Viking 2
de 1975 Unidos Marte

7 de julho de União tentou orbitar


1988 Soviética Marte

Phobos 1

12 de julho de União
órbita de Marte
1988 Soviética

Phobos 2

25 de tentou orbitar
Estados
setembro de Marte (perdido o
Unidos
1992 contato)

Mars Observer

7 de novembro Estados
órbita de Marte
de 1996 Unidos

Mars Global Surveyor


16 de
tentativa de orbitar
novembro de Rússia Mars 96
e pouso em Marte
1996
lançamento: 4
Estados pouso e "rover" em
de dezembro
Unidos Marte
de 1996

Mars Pathfinder

3 de julho de
Japão órbita de Marte
1998

Nozomi (Planet-B)

11 de
Estados tentativa de orbitar
dezembro de
Unidos Marte
1998

Mars Climate Orbiter

3 de janeiro de Estados tenativa de pouso


1999 Unidos em Marte

Mars Polar Lander


tentativa de lançar
3 de janeiro de Estados sondas na direção
Deep Space 2 (DS2)
1999 Unidos da superfície de
Marte

7 de abril de Estados
órbita de Marte
2001 Unidos

2001 Mars Odyssey

dois "rovers" em
22 maio / 4 de Estados
Marte, o "Spirit"e o
junho de 2003 Unidos
"Opportunity"

Mars Exploration Rovers


European
órbita e pouso em
1 de junho de Space
Marte; o pouso
2003 Agency
falhou
(ESA)

Mars Express
A atmosfera de Marte

A atmosfera de Marte é bem diferente da atmosfera da Terra.

Marte tem uma atmosfera muito fina composta principalmente da pequena quantidade de dióxido de
carbono remanescente (95,3%), nitrogênio (2,7%), argônio (1,6%) e traços de oxigênio (0,13%) e
água (0,03%).

Os seis componentes mais comuns da atmosfera marciana são:

dióxido de carbono (CO2): 95,32%

nitrogênio (N2): 2,7%

argônio (Ar): 1,6%

oxigênio (O2): 0,13%

monóxido de carbono (CO): 0,07%

água (H2O): 0,03%

neônio (Ne): 0,00025%

criptônio (Kr): 0,00003%

xenônio (Xe): 0,000008%

ozônio (O3): 0,000003%

Vê-se que as proporções dos diferentes gases presentes na atmosfera de Marte são semelhantes
àquelas encontradas na atmosfera de Vênus, embora cada um desses gases seja encontrado em uma
quantidade um pouco menor em Marte.

O céu marciano não é azul como o da Terra. Sua cor é rosa forte, cor esta causada pelas finas
partículas de poeira vermelha em suspensão na atmosfera.

O ar marciano contém apenas cerca de 1/1000 da água presente no ar terrestre. No entanto, mesmo
uma quantidade tão pequena como esta pode se condensar, formando nuvens que flutuam a uma
grande altitude na atmosfera ou giram em volta dos vulcões mais altos.

Também podem ser formados bancos de neblina durante as manhãs nos vales marcianos.
A imagem abaixo mostra o inverno no hemisfério norte de Marte. Esta é a região de pouso da sonda
espacial Viking 2 no meio do inverno. Podemos observar que toda a região apresenta uma fina camada
congelada que durou por cerca de 100 dias e cobria o solo em cada inverno. Esta camada é formada
quando o dióxido de carbono congelado adere aos cristais de gelo de água e grãos de poeira presentes
na atmosfera marciana fazendo-os se precipitarem para o solo. Por esta razão neste período do ano o
céu marciano não tem a cor rosa forte que ele possui no verão.

O clima em Marte: temperatura e pressão

Cada um dos módulos de pouso das sondas espaciais Viking 1 e 2 transportava uma estação
meteorológica para medir temperatura, pressão e vento.

Temperatura

Como esperado as temperaturas variam muito mais em Marte do que na Terra, devido à ausência de
nuvens e oceanos moderadores.
Tipicamente o máximo no verão era de 240 K (-33o Celsius), caindo para 190 K (-83o Celsius) no
mesmo local um pouco antes do anoitecer.

As mais baixas temperaturas do ar, medidas mais ao norte pela sonda espacial Viking 2, eram de
aproximadamente 173 K (-100o Celsius).

Durante o inverno, a sonda espacial Viking 2 também fotografou depósitos de gelo de água no chão.

Nós falamos de "gelo de água" aqui por que em alguns locais de Marte fica frio suficiente para o dióxido
de carbono (gelo seco) se congelar a partir da atmosfera também.

Embora a temperatura média de Marte seja de aproximadamente 218 Kelvin (K) (-55o C) as
temperaturas na superfície marciana variam amplamente de um valor tão baixo quanto 140 K (-133 C)
no polo de inverno a quase 300 K (27 C) no lado de dia durante o verão.

A temperatura média registrada em Marte é de -63o C com uma temperatura máxima de 20o C e
mínima de -140o C.
A atmosfera fina de Marte produz um efeito estufa mas ele é apenas suficiente para elevar a
temperatura da superfície por 5 Kelvin, muito menos do que nós vemos em Vênus ou na Terra.

Devido à sua órbita ser ligeiramente elíptica a variação da temperatura em Marte é de 30o C no ponto
subsolar entre o afélio e o periélio.

Isto tem uma importante influência sobre o clima de Marte.

Nuvens, ventos e tempestades

Vários tipos de nuvens podem se formar na atmosfera marciana.

nuvens de poeira:

As nuvens de poeira são produzidas por ventos fortes e, algumas vezes, se transformam em
enormes tempestades capazes de cobrir uma grande fração da superfície de Marte.

Embora a atmosfera de Marte seja fina, ela é suficientemente espessa para suportar ventos
muito fortes e enormes tempestades de poeira que em certas ocasiões envolvem o planeta
inteiro por meses.

nuvens de gelo:

As nuvens de gelo de água em Marte são similares àquelas na Terra. Estas nuvens
freqüentemente se formam em torno de altas montanhas, do mesmo modo como ocorre no
nosso planeta.

nuvens de CO2:

O próprio CO2 existente na atmosfera de Marte pode se condensar em altas altitudes formando
neblinas de cristais de gelo seco.

As nuvens de CO2 não têm contrapartida na Terra, uma vez que no nosso planeta as
temperaturas nunca caem bastante baixo (para baixo até cerca de 150 K) para este gás se
condensar.

A maior parte dos ventos medidos nos locais de pouso das Vikings eram de baixos a moderados, com
aproximadamente 24 quilômetros por hora.

Entretanto, Marte é capaz de grandes


tempestades de vento que podem encobrir o
planeta inteiro em poeira. Uma destas
tempestades saudou a sonda Mariner 9 quando ela
primeiro chegou em 1971. Durante tais
tempestades o Sol foi grandemente enfraquecido
nos locais de pouso das Viking e o céu tomou a
cor vermelho escuro.
A imagem ao lado mostra a tempestade de poeira que cobriu quase totalmente o planeta Marte no ano
de 2001. Pode-se comparar o planeta normalmente observado com o seu aspecto durante a
tempestade. As duas imagens foram feitas pelo Hubble Space Telescope.

Pressão atmosférica

A atmosfera de Marte tem hoje uma pressão superficial média de somente 0,007 bar, menos de 1%
daquela encontrada na superfície da Terra. A pressão marciana corresponde ao ar rarefeito que
encontramos a cerca de 30 quilômetros acima da superfície da Terra.

A pressão atmosférica varia semestralmente em cada lugar de aterrissagem dos módulos de pouso.

O dióxido de carbono, o maior constituinte da atmosfera, congela de modo a formar uma imensa calota
polar, alternadamente em cada polo. Ele forma uma grande cobertura de neve que se evapora
novamente com a chegada da primavera em cada hemisfério.

Quando a calota do polo sul é maior, a pressão diária média observada pela sonda Viking 1 tem o valor
baixo de 6,8 milibars. Em outras épocas do ano chega a atingir o valor de 9,0 milibars.

As pressões do local da sonda Viking 2 eram 7,3 e 10,8 milibars.

Em comparação, a pressão média na Terra é 1000 milibars.

A pressão média sobre a superfície de Marte é apenas 7 milibars (menos do que 1% da pressão na
Terra) mas ela varia grandemente com a altitude de quase 9 milibares nas (basins) mais profundas a
aproximadamente 1 milibar no topo do Monte Olympus.

A dificuldade de existir água em Marte

Embora a atmosfera contenha vapor de água, e ocasionalmente nuvens de gelo de água possam se
formar, a água líquida não é estável sob as condições atuais em Marte. Parte do problema são as
baixas temperaturas sobre o planeta. Mas mesmo se a temperatura em um dia ensolarado de verão se
eleva acima do ponto de congelamento, a água líquida ainda não pode existir. A uma pressão de menos
de 0,006 bars, somente as formas sólida e de vapor são possíveis. Na verdade, o ponto de
aquecimento é tão baixo ou mais baixo do que o ponto de congelamento, e a água muda diretamente
de sólido para vapor sem um estado líquido intermediário.
As calotas polares de gelo em Marte

Através de um telescópio comum as característica superficiais mais


proeminentes em Marte são as brilhantes calotas polares, que mudam com as
estações. A imagem ao lado, obtida com um pequeno telescópio, mostra a
calota polar norte de Marte.

Estas calotas sazonais são similares às coberturas de neve sazonais que


ocorrem na Terra.

Nós não pensamos usualmente na neve de inverno nas latitudes norte como parte de nossas calotas
polares, mas vistas do espaço, a fina neve se mistura com as calotas de gelo permanentes e espessas
criando uma impressão muito semelhante àquela vista em Marte.

As calotas sazonais em Marte são compostas não de neve


ordinária mas de CO2 congelado, o que chamamos
comumente de "gelo seco". Estes depósitos se condensam
diretamente da atmosfera quando a temperatura da
superfície cai abaixo de cerca de 150 K.

As calotas se desenvolvem durante os frios invernos


marcianos, se estendendo para baixo até cerca da
latitude 50o no começo da primavera.

Muito distintas destes finas calotas sazonais de CO2 são


as calotas permanentes, ou residuais, presentes próximas
aos polos.

Marte tem calotas de gelo permanente em ambos os


polos compostas principalmente de dióxido de carbono
sólido ("gelo seco"). As calotas de gelo exibem uma
estrutura em camadas com camadas alternadas de gelo
com concentrações variadas de poeira escura.

À medida que a calota sazonal se retrai durante a primavera e o início do verão ela revela a calota mais
espessa e mais brilhante que está por baixo.

A calota permanente do sul tem um diâmetro de 350 quilômetros e é composta de depósitos de dióxido
de carbono congelado junto com uma espessura desconhecida de água de gelo.

Através de todo o verão do sul, ela permanece no ponto de congelamento do CO2, 150 K, e este
reservatório frio é suficientemente espesso para sobreviver intacto ao calor do verão.

A calota permanente do norte é diferente. Ela é muito maior, nunca encolhe abaixo de um diâmetro de
1000 quilômetros, e é composta de gelo de água.
As temperaturas no verão no norte são altas demais para o CO2 congelado ser retido.

Não sabemos a espessura do gelo da água em ambas as calotas mas ela pode ser tanto como vários
quilômetros.

No verão do hemisfério norte o dióxido de carbono sublima completamente deixando uma camada
residual de gelo de água. A imagem abaixo mostra a calota polar norte residual de Marte. Ela tem a
extensão de cerca de 1000 quilômetros de largura e é composta de gelo de água. Esta imagem foi
obtida pelo módulo orbital da sonda espacial Viking.

Não se sabe se uma camada similar de gelo existe abaixo da calota do sul uma vez que sua camada de
dióxido de carbono nunca desapareceu completamente.
O mecanismo responsável pelas camadas é desconhecido mas pode ser devido a mudanças climáticas
relacionadas a variações de longo período na inclinação do equador de Marte em relação ao plano de
sua órbita.

Pode haver também gelo de água escondido abaixo da superfície em baixas latitudes
As mudanças sazonais na extensão das calotas polares muda a pressão atmosférica global por
aproximadamente 25%, como medida nos locais de pouso da Viking.

Em qualquer caso, as calotas polares representam um enorme reservatório de água comparado com as
quantidades muito pequenas de vapor d'água presente na atmosfera de Marte.

As duas calotas são diferentes por que a distância de Marte ao Sol varia substancialmente durante o
período de um ano. Isto significa que as estações (e as temperaturas) em Marte são afetadas tanto
pela inclinação do seu eixo como por sua distância ao Sol.
A superfície de Marte

As primeiras imagens detalhadas da superfície marciana foram obtidas quando, em julho de 1976, o módulo de pouso da sonda espacial
norte-americana Viking 1 pousou em uma região situada na latitude 22o em Marte, a "Chryse Planitia" (Planície Dourada), uma planície
com 3 bilhões de anos de idade varrida por ventos e próxima ao ponto mais baixo de uma ampla bacia. A "Chryse Planitia" é um deserto
seco, vermelho e estéril, com muitas rochas espalhadas por toda parte entre dunas de areia.
Em setembro de 1976 o módulo de pouso da missão Viking 2, o "Viking Lander 2", também pousou na superfície de Marte, na região da
planície Utopia.
As imagens mostradas abaixo nos revelam a superfície marciana vista, pela primeira vez, pelo equipamento de imageamento da Viking 1
e Viking 2, as sondas pioneiras dos Estados Unidos que pousaram em Marte.

Abaixo vemos a região chamada Chryse Planitia, local de pouso da sonda espacial norte-americana Viking 1.
Esta é uma visão na direção sul da Chryse Planitia, local de pouso da sonda espacial Viking 1. O horizonte está a cerca de 3 quilômetros
do módulo de pouso. Na parte superior esquerda podemos notar uma parte da borda levantada de uma cratera.

A imagem abaixo é uma visão panorâmica da região onde o módulo de pouso da Viking 2 desceu em Marte. Ela nos mostra 180 o da
planície Utopia. O nordeste está a esquerda da imagem e o sudeste está a direita. O horizonte plano, quase sem características que
prendam a atenção, está a cerca de três quilômetros do módulo de pouso.
Esta é mais uma visão da planície Utopia, onde desceu o módulo de pouso da sonda espacial Viking 2.

Abaixo vemos a região da superfície de Marte registrada pelas câmeras a bordo do módulo de pouso da sonda espacial norte-americana
Viking 2. Observe que bem no centro da imagem, e um pouco mais à direita vemos duas fortes marcas pretas. Elas não são as pegadas
de algum "pé grande" marciano mas marcas deixadas pelos equipamentos da Viking 2 usados para coletar amostras no solo marciano.
Vinte anos depois, uma outra missão norte-americana levou um pequeno carrinho motorizado, ou "rover", chamado Mars Pathfinder, até
Marte. O módulo de pouso desceu com sucesso em Marte no dia 4 de julho de 1997 e logo passaria a revelar impressionantes imagens
da superfície de Marte.
E, janeiro de 2004, dois pequenos módulos de pouso norte-americanos desceram na superfície de Marte. Eles se chamavam "Spirit" e
"Opportunity" e, no momento, realizam seu trabalho de fotografar e realizar experiências no solo marciano.

O mapa geológico de Marte

Embora Marte seja muito menor do que a Terra, sua área superfícial é aproximadamente a mesma que a área de superfície continental
da Terra.

Excetuando a Terra, Marte tem o terreno mais amplamente variado e interessante de qualquer um dos planetas terrestres.
Uma grande parte da superfície marciana é muito velha e cheia de crateras. No entanto existem também vales, cordilheiras, colinas e
planícies muito mais jovens.

O hemisfério sul de Marte é formado, predominantemente, por terras altas, craterizadas e antigas, um tanto similar à Lua.

Em contraste, a maior parte do hemisfério norte consiste de planícies que são muito mais jovens, mais baixas em elevação e tem uma
história muito mais complexa. Uma mudança de elevação abrupta de vários quilômetros parece ocorrer no contorno.
Abaixo mostramos um mapa geológico global de Marte com o seguinte código de cores:

código de
característica geológica característica geológica código de cor
cor

calotas polares branca terrenos vulcânicos rosa

depósitos polares verde claro montanhas vulcânicas vermelho

terrenos elevados terrenos com forte


azul claro marrom claro
craterizados erosão

canais e terrenos marrom


bacias de impacto azul escura
caóticos escuro

planícies baixas amarela Valles Marineris preta

As razões para esta dicotomia global e contorno abrupto são desconhecidas. Alguns especulam que elas são devidas a um impacto muito
grande logo depois da acresção de Marte.
As melhores imagens de marte obtidas até agora foram conseguidas pelo Mars Global Surveyor que fez um mapa 3D de Marte que
claramente mostra os aspectos acima
Vulcões

As planícies baixas de Marte parecem muito com as "maria" lunares e elas têm aproximadamente o mesmo número de crateras de
impacto.

Como as "maria" lunares, estas planícies baixas provavelmente se formaram entre 3 e 4 bilhões de anos atrás.
Aparentemente Marte experimentou uma extensa atividade vulcânica, aproximadamente na mesma época em que a Lua, produzindo
lavas basálticas similares.

As maiores montanhas vulcânicas de Marte são encontradas na área Tharsis, embora muitos vulcões menores pontilhem uma grande
parte da superfície do hemisfério, a parte mais jovem do planeta.
O vulcão mais dramático de Marte é o Olympus Mons (Monte Olimpo).
Esta é a maior de todas as montanhas do Sistema Solar, elevando-se 24 quilômetros acima da planície que a circunda. Sua base tem
mais do que 500 quilômetros de diâmetro e é margeada por um penhasco de 6 quilômetros de altura.

A imagem 3D do Monte Olimpo mostrada abaixo foi criada juntando-se várias imagens tomadas de diferentes posições pelo módulo
orbital da espaçonave Viking. As várias imagens foram combinadas usando-se um modêlo computacional da topografia da superfície de
Marte.
O mosaico final mostra como o Monte Olimpo seria visto por um observador na posição nordeste.

Vulcões deste tamanho foram possíveis de se formarem em Marte por que as regiões vulcânicas quentes na manta do planeta
permaneceram fixas, em relação à superfície, por centenas de milhões de anos.

O volume deste imenso vulcão, o Monte Olimpo, é aproximadamente 100 vezes maior do que aquele apresentado pelo vulcão Mauna
Loa, no Havaí.

A imagem obtida pela Viking permitiu que os cientistas procurassem detalhadamente crateras de impacto nos flancos destes vulcões.
Vários deles mostram números razoáveis de tais crateras, sugerindo que sua atividade cessou há um bilhão, ou mais, de anos.

Entretanto, o Olympus Mons tem muito poucas crateras de impacto. Sua superfície atual não pode ter mais de cerca de 100 milhões de
anos de idade. Ele pode até mesmo ser muito mais jovem.

Alguns dos fluxos de lava que parecem frescas poderiam ter sido formadas há uma centenas de anos ou mil anos, ou um milhão de
anos. Isto levou os geólogos a conclusão de que o Olympus Mons provavelmente permanece intermitentemente ativo hoje.
Aspectos tectônicos

Entre as mais espetaculares características tectônicas existentes na superfície de Marte está o grande Valles Marineris que corta o centro
do disco deste planeta.

O nome "Valle Marineris", que significa "Vale Mariner", foi dado a esta região em homenagem à sonda espacial norte-americana Mariner
9 que o descobriu.

O Valles Marineris é um sistema de "canyons" com quase 4000 quilômetros de comprimento e com 2 a 7 quilômetros de profundidade.
Ele se estende do "Noctis Labyrinthus", o sistema curvado a oeste, até a região caótica a leste. Vários enormes canais de rios antigos,
que começam na região caótica e nos canyons do centro-norte, correm para o norte. Vários destes canais convergem para uma bacia
chamada "Acidalia Planitia", que é a região escura no extremo norte da imagem.
A imagem abaixo mostra uma pequena seção detalhada do canyon conhecido como Valle Marineris. As paredes do canyon estão
afastadas por cerca de 100 quilômetros. Você pode notar que ocorrem enormes deslizamentos junto a estas paredes, observando os
restos de terra empilhados junto a elas.

Os "canais" de Marte

Sabemos hoje que não existe mais água corrente em Marte mas as sondas espaciais Viking 1 e 2 mostraram que em um passado
longinqüo, este planeta tinha rios na sua superfície e intensas chuvas caiam sobre ele.

Ao serem fotografadas, estas regiões se mostram cortadas por traços sinuosos que pareceram inicialmente serem canais. Como já
vimos, a tradução errada deste termo levou muitas pessoas, inclusive cientistas, a especularem que eles eram canais artificiais,
produzidos por civilizações marcianas.

Na verdade existem dois tipos de canais. Na região das planícies equatoriais podemos observar muitos canais pequenos e sinuosos que,
tipicamente, apresentam alguns metros de profundidade e algumas dezenas de metros de largura, a maioria com 10 a 20 quilômetros
de extensão. Eles são chamados de "runoff channels", devido ao fato dos cientistas acreditarem que estes canais foram produzidos por
intensas chuvas que caiam na superfície marciana. Acredita-se que estes canais foram produzidos há cerca de 3,9 bilhões de anos.

O outro tipo de canal que observamos na superfície marciana são os chamados "outflow channels". Eles são muito mais largos do que os
"runoff channels". O maior destes "outflow channels", que desagua na bacia Chryse, tem 10 quilômetros ou mais de largura e centenas
de quilômetros de comprimento. Os geólogos acreditam que estes canais foram escavados por enormes volumes de água em
movimento, quantidade grande demais para ter sido resultado de chuva ordinária.

Mostramos abaixo algumas impressionantes imagens dos tão citados "canais" de Marte, que tanta polêmica causaram no início do século
XX.

A imagem abaixo mostra uma parte da região de terras altas, terreno idoso, onde vemos diversos canais possivelmente criados por
chuvas intensas ("runoff channels"). Cada lado desta imagem representa cerca de 200 quilômetros de terreno.
Esta imagem mostra canais do tipo "outflow", possivelmente leitos escavados criados por água corrente em grande escala. Nesta
imagem cada lado mostra cerca de 150 quilômetros de terreno marciano.
Abaixo vemos um outro exemplo de canal largo construido por água em grande volume que escavou o solo marciano.
Alguns aspectos espetaculares da superfície marciana
Colinas Hellas:

Esta é uma das regiões da superfície marciana onde encontramos numerosas colinas pequenas que apresentam crateras nos seus picos.
As colinas mostradas nesta imagem, obtida pelo módulo orbital da sonda Viking, estão a leste da bacia Hellas. Elas foram interpretadas
como sendo pseudo-crateras criadas por explosões localizadas onde a lava interage com o chão rico em elementos voláteis.

A maioria das "colinas" tem diâmetros entre 400 metros e 1 quilômetro. Muitas tem aberturas do tipo de ranhuras nos seus picos.
Entretanto, as imagens presentemente disponíveis não tem resolução suficiente para mostrar evidências conclusivas de que estas
"colinas" tenham realmente origem vulcânica.

Elysium Basin:
Existiam duas hipóteses sobre a origem desta larga depressão da superfície de Marte. A primeira argumentava de que ela teria sido um
vasto lago com cerca de 1500m de profundidade. Como o fundo não apresentava muitas crateras isto indicava que o lago teria secado
há pouco tempo. Se isto fosse verdade, então este local seria um excelente lugar para uma sonda espacial descer e procurar indícios de
vida no planeta vermelho. Em contraposição, a segunda hipótese afirmava que o fundo desta depressão teria sido recoberto por uma
lava muito fluida. Neste caso, este lugar seria uma péssima escolha para quem quisesse procurar indícios de vida. Observações feitas
pela sonda espacial norte-americana Mars Odissey, em abril de 1998, mostraram finalmente que a segunda hipótese estav correta, já
que o fundo do Elysium Basin é recoberto por lava.
O interior de Marte
Pouco sabemos sobre a estrutura interna de Marte.

O interior de Marte só é conhecido por inferencia a partir de dados obtidos sobre a sua superfície e o conhecimento que temos
sobre a estatística global do planeta.

O cenário mais provável é que Marte tenha uma estrutura interna dividida em uma região central densa, uma manta de rocha
derretida um pouco mais densa do que a da Terra e uma crosta fina.

Se a região central de Marte é densa, formada de ferro tal como a região central da Terra, o raio mínimo desta região central
deverá ser cerca de 1300 quilômetros. O valor mais provável é que ela tenha um raio de, aproximadamente, 1700 quilômetros.

No entanto, a densidade relativamente baixa que Marte apresenta em comparação com os outros planetas terrestes parece indicar
que sua região central, provavelmente, contém uma fração relativamente grande de enxofre além do ferro (ferro e sulfeto de
ferro). Neste caso o raio máximo da região central provavelmente seria menor do que 2000 quilômetros.

Os dados obtidos pela sonda espacial Mars Global Surveyor indicaram que a crosta de Marte tem, aproximadamente, 80
quilômetros de espessura no hemisfério sul mas somente cerca de 35 quilômetros de espessura no hemisfério norte.
O campo magnético de Marte

Em várias regiões de Marte foi detectada a presença de campos magnéticos fracos. No entanto, embora estes campos magnéticos
sejam de grande extensão eles não são globais ou seja, não envolvem completamente o planeta.

Esta descoberta inesperada também foi feita pela sonda espacial Mars Global Surveyor apenas alguns dias após ela ter entrado
em órbita em torno de Marte.

Estes campos são, provavelmente, remanescentes de um campo global mais primordial que desapareceu.

A ausência deste campo magnético global pode ter importantes implicações para a estrutura interior de Marte, para a história
passada de sua atmosfera e, conseqüentemente, para a possibilidade de, em algum momento no passado, ter existido vida em
Marte.
Os Satélites de Marte

Marte tem dois pequeninos satélites naturais que estão em órbita muito próximos à sua superfície.

Johannes Kepler falou sobre a existência dos dois satélites de Marte em 1610. No entanto, a confirmação real de que eles
existiam só foi possível em 1877 quando Asaph Hall os descobriu.

Foi Hall quem deu estes nomes aos satélites marcianos, Fobos, que significa "medo", e Deimos que significa "pavor", os nomes
dos cavalos que puxavam a carruagem do deus Ares, segundo a mitologia grega.

Os satélites Fobos e Deimos são pequenos e têm forma bastante irregular. Suas superfícies são antigas e cobertas de crateras.
Os cientistas acreditam que os dois satélites de Marte, Fobos e Deimos, possivelmente eram asteróides que ao se aproximarem
muito deste planeta foram capturados pelo seu campo gravitacional.

O campo gravitacional dos satélites Fobos e Deimos é muito fraco, praticamente zero.

Ambos os satélites parecem mais com asteróides do que com os outros satélites que conhecemos no Sistema Solar. A imagem
abaixo compara os satélites marciano, Fobos e Deimos, com o asteróide Gaspra. Podemos notar a enorme semelhança física
entre estes três objetos.
Dados gerais

Fobos

Fobos é o maior dos dois satélites marcianos.

Ele é o satélite que está mais próximo a Marte, a uma distância média de apenas 6000 quilômetros. Para comparação devemos
nos lembrar que a Lua está a uma distância média de 376280 quilômetros da Terra.

Esta sua grande aproximação com Marte faz com que ele leve apenas 7 horas e 39 minutos para completar uma volta em
torno do planeta.
O período orbital de Fobos é mais curto do que o dia marciano. Assim, um observador situado próximo ao equador de Marte
veria Fobos nascer no oeste e cruzar rapidamente o céu em apenas 5 horas e meia.

Durante o tempo em que Fobos está visivel no céu marciano ele aparece várias vezes mais brilhante do que o planeta Vênus
quando é visível na Terra.

Na imagem que apresentamos acima, a característica mais impressionante é a imensa cratera existente na superfície deste
datélite. Esta cratera recebeu o nome "Stickney". O impacto que a criou foi tão violento que chegou a formar fissuras que se
estendem desde a cratera, ao longo de todo o satélite, até o ponto situado diametralmente oposto. Acredita-se que se este
impacto tivesse sido ligeiramente maior o satélite Fobos teria sido completamente fragmentado.
Deimos

Deimos é um pouco maior que a metade do tamanho de Fobos.

Deimos está mais longe de Marte do que Fobos.


A órbita de Deimos está situada a cerca de 20000 quilômetros da superfície marciana. Ela está quase que na distância correta
para ser uma órbita síncrona ou seja, uma órbita na qual um satélite parece permanecer estacionado acima de um local único
sobre o equador do planeta.

Visto da superfície marciana Deimos se eleva no leste e leva cerca de três dias inteiros para cruzar lentamente de um horizonte
até o outro. No céu marciano ele parece tão brilhante quanto Vênus aparece no céu terrestre.
Comparando os satélites de Marte

Satélites de Marte

(por ordem de afastamento do planeta)

distância raio massa período descoberto ano da ordem de


satélite
(quilômetros) (quilômetros) (quilogramas) orbital por descoberta descoberta

7 horas
39
13,5 x 10,8 x
Fobos 9380 1,08 x 1016 minutos A. Hall 1877 primeira
9,4
21
segundos

30 horas
18
7,5 x 6,1 x
Deimos 23460 1,80 x 1015 minutos A. Hall 1877 segunda
5,5
43
segundos
Asteroides

O que são os asteroides?

Os asteroide são objetos rochosos e/ou metálicos, sem atmosfera, que


estão em órbita em torno do Sol mas são pequenos demais para serem
considerados como planetas. Os asteroide também são chamados de
planetas menores. A maior parte dos asteróides está espalhada na
região situada após 2 e antes de 5 UA do Sol.

Qual a origem dos asteroide?

Os asteroide são resíduos do material deixado para trás quando houve a


formação do Sistema Solar, há 4,6 bilhões de anos. A forte gravidade de
Júpiter teria impedido que este material se agrupasse formando um corpo
semelhante a um planeta.
As principais características dos asteroide

Os asteróides podem ser vistos como objetos individuais ou como membros de uma população de corpos
celestes. Primeiramente veremos suas propriedades individuais.

Os asteróides como objetos individuais

O tamanho dos asteroide:

Os asteroide variam muito em tamanho. Se fizermos um estudo numérico dos tamanhos destes corpos
veremos que há uma concentração muito grande de asteroide de pequeno tamanho, enquanto que os de
grande tamanho são poucos.

Existem 26 asteroide conhecidos que tem mais de 200 quilômetros de diâmetro. Alguns possuem mais
de 100 quilômetros de diâmetro e muitos outros estão no intervalo entre 10 e 100 quilômetros.

O número de asteroide conhecidos:

Na verdade, ainda não sabemos quantos asteroide existem. Várias centenas de asteroide são
descobertos todos os anos. A cada um deles é dada uma designação provisória. Com certeza, existem
algumas centenas de milhares de asteroide que são pequenos demais para serem observados da Terra.

Atualmente mais de 70 mil asteróides tém denominação definitiva o que indica terem uma órbita bem
determinada. A população dos asteróides maiores e mais brilhantes pode ser considerada
completamente conhecida e os estudos sobre a distribuição de tamanhos são bem representativos desta
população. Entretanto, os menores objetos são apenas parcialmente conhecidos e qualquer estatística
sobre esta população está ainda muito longe de ser representativa.

O conjunto de asteróides conhecidos tem diâmetros variando entre 1000 km para Ceres, o maior deles,
e algumas dezenas de metros para asteróides em órbitas próximas da Terra. Ceres é um corpo mais ou
menos esférico e pode representar um corpo original primordial. A maioria dos pequenos, entretanto,
são muito provavelmente fragmentos resultantes de colisões tendo formas altamente irregulares. Isto
vem sendo confirmado por observações radar de asteróides em órbitas próximas da Terra.

Nosso censo dos maiores asteroide é agora razoavelmente completo e podemos dizer que conhecemos
99% dos asteroide com mais de 100 quilômetros de diâmetro. No intervalo entre 10 e 100 quilômetros
de diâmetro catalogamos praticamente metade deles. No entanto, conhecemos muito pouco asteroide
de pequeno tamanho e acreditamos que possam existir mais de 1 milhão de asteroide com cerca de 1
quilômetro de diâmetro.

Os maiores asteroide conhecidos:

O maior asteróide conhecido é 1 Ceres.


Ele tem 845 quilômetros de diâmetro e
contém aproximadamente 25% da
massa de todos os outros asteroide
combinados.

Depois de 1 Ceres os maiores asteroide


são 2 Pallas, 4 Vesta e 10 Hygiea, que
possuem, respectivamente, 498, 468 e
407 quilômetros de diâmetro. Todos os
outros asteroide conhecidos possuem
menos do que 350 quilômetros de
diâmetro. Cerca de 30 tem diâmetro
superior a 200km, 200 tem diâmetro
superior a 50km, 1200 com diâmetro
superior a 25km e mais do que 3500
tem diâmetro superior a 10km.

A massa dos asteroide:

Estima-se que a massa total de todos os asteroide formaria um corpo com, aproximadamente, 1500
quilômetros de diâmetro, ou seja, menos que metade do tamanho da Lua.
A densidade dos asteroide:

Existe muito poucos dados sobre as densidades dos asteroide. No entanto, notando o efeito Doppler que
ocorre sobre as ondas de rádio que retornam à Terra a partir da sonda espacial NEAR devido à "luta"
gravitacional (muito fraca) entre o asteróide e a espaçonave, os cientistas conseguiram determinar a
massa do asteróide Mathilde. Surpreendentemente, sua densidade não é muito maior do que a
densidade da água, sugerindo que ele não é um objeto sólido mas, ao invés disso, um amontoado
compactado de fragmentos.

A rotação de um asteróide

As observações das variações no brilho dos asteróides permitem inferir sobre sua forma, além de
também fornecer as propriedades rotacionais do corpo.

A rotacão de um asteróide pode ser determinada a partir da análise de suas curvas de luz. Lembrando
que um asteróide não tem luz própria mas apenas reflete a luz solar incidente, as variações em seu
brilho são o resultado de sua rotação e da sua forma irregular pois, a cada instante, varia a área
superficial que reflete a luz incidente do Sol.

Chama-se de curva de luz de um objeto a variação de sua luminosidade ao longo do tempo. Através da
análise da curva de luz de um asteróide é possível determinar a direção de seu eixo de rotação, seu
período, sua forma e até obter informações sobre a composição de sua superfície.

Além do período de rotação, a análise da curva de luz nos fornece também informações sobre a forma
do asteróide através da amplitude da sua variação. É facil entender que um corpo alongado apresenta
variações maiores do que um corpo esférico desde que os dois eixos de rotação dos corpos tenham a
mesma direção em relação ao observador.

Os períodos de rotação dos asteróides ou seja, o tempo que eles levam para dar uma volta em torno do
seu eixo, variam entre 3 horas e 11:50 horas embora seja comum definirmos um asteróide típico como
aquele com período de rotação entre 6 e 9 horas e uma amplitude da curva de luz de cerca de 20%.

A rotação é importante do ponto de vista evolutivo pois guarda informações sobre o histórico colisional
do objeto. Como, em geral, cada colisão adiciona momento angular então o que se espera é que os
pequenos asteróides tenham uma rotação rápida enquanto os maiores tenham uma rotação mais lenta.

A direção do eixo de rotação, embora teoricamente possa ser determinada a partir da análise da curva
de luz, é muito complexa de ser obtida, necessitando acumularmos dados observacionais ao longo de
muitos anos. Infelizmente, até o momento, esta direção só é conhecida para alguns poucos objetos.

A forma dos asteróides:

Infelizmente o nosso conhecimento sobre os asteróides ainda está limitado a observações feitas, na
maior parte, aqui da Terra. Neste caso, mesmo utilizando os maiores telescópios existentes, os
asteróides continuam se revelando como "quase-estrelas". Numa placa fotográfica, ou numa imagem
eletrônica obtida com um CCD, nada, a não ser seu movimento em relação às estrelas, o diferencia
destas. Portanto, suas caracterísiticas principais, tais como sua forma, sua composição, sua rotação,
etc., ainda são obtidas de modo indireto.

No que se refere à sua forma, existem evidências de que os menores asteróides têm maiores variações
em suas curvas de luz. Isto pode ser atribido ao fato deles serem corpos mais alongados ou irregulares o
que deveria ser efetivamente esperado se os menores asteróides fossem "pedaços" resultantes de
colisões e fragmentação.

Graças às sondas espaciais Galileo e NEAR conhecemos detalhes da forma de quatro asteróides. Eles são
951 Gaspra, 243 Ida, 253 Mathilde e 433 Eros. O primeiro, Gaspra (imagem abaixo) foi visitado pela
sonda espacial Galileo em outubro de 1991 transformando-se no primeiro asteróide do qual tivemos uma
imagem "não-estelar".
Dois anos mais tarde, em agosto de 1993, a mesma sonda Galileo se aproximou do asteróide 243 Ida, nos revelando novamente os
contornos precisos deste pequeno objeto (imagem abaixo).

Em junho de 1997, a sonda NEAR passou próximo ao asteroide 253 Mathilde obtendo imagens espetaculares deste objeto altamente
craterizado (imagem abaixo).
Mais tarde, a sonda NEAR ficou em órbita em torno do asteróide 433 Eros (imagem abaixo), colhendo uma
enorme quantidade de dados e tornando-se a primeira sonda espacial a realizar um pouso na superfície de um
asteroide.

A concepção clássica de um asteroide era a de um corpo rochoso único, de


forma quasi-esférica e rodando em torno de um eixo aleatoriamente
orientado no espaço. Por outro lado, as várias teorias sobre formação e
evolução colisional destes objetos levaram os astrônomos a pensar que
cada asteróide pudesse, na realidade, ser composto por vários corpos em
contato, tendo até mesmo pequenos satélites os rodeando. Um asteróide
típico poderia ser algo como o desenho da figura ao lado. Esta imagem,
embora mais moderna e condizente com as teorias não passava de mera
especulação até alguns anos atrás, já que as imagens que tinhamos obtido
com os telescópios (e que continuamos a ter!) não conseguiam separar as
várias partes deste hipotético conjunto.
Entretanto novas tecnologias estão começando a nos mostrar que as teorias estavam corretas: em
1991, imagens radar do asteróide Castalia (imagem acima a direita) indicaram que ele era um corpo
formado por dois blocos em contato. Uma imagem parecida foi obtida em 1994 para o asteróide 4179
Toutatis (imagens abaixo).
Obteve-se também o mesmo tipo de imagem para o asteroide 216 Kleopatra (imagem abaixo) que, devido à sua forma característica,
passou a ser denominado de "o ossinho".

Analisando-se em detalhe as imagens transmitidas pela Galileo, os astrônomos descobriram o primeiro satélite de um asteróide, o
pequeno Dactyl, satélite de Ida (imagem abaixo).
Esta outra imagem nos mostra a distância entre o asteroide Ida e seu satélite Dactyl, o pequeno ponto a direita da imagem.

Hoje em dia, através de melhorias instrumentais, foi possivel identificar já muitos outros asteróides que
possuem satélites relativamente grandes.

A superfície dos asteroides

No que se refere ao estado físico ou textura da sua superfície, sabemos que a maioria dos asteróides é
recoberta por uma camada de poeira fina, chamada de regolitos, que tem alguns centímetros de
espessura. Esta camada nada mais é do que sedimentos resultantes da fragmentação das rochas
subjacentes devido a impactos externos. Vale lembrar que esta camada existe em praticamente todos os
objetos do Sistema Solar com superfície sólida, variando apenas a sua espessura. Exatamente esta
camada era a fina poeira que os astronautas levantavam quando pisaram na Lua.

A composição química dos asteroides

Todo o nosso conhecimento sobre estes corpos advém basicamente de observações remotas de
asteróides a partir da Terra e de análises de meteoritos em laboratório. Estas duas técnicas têm
abordagens diferentes e são complementares na obtenção de informações importantes sobre a origem
do Sistema Solar. Lembramos que os meteoritos são fragmentos de asteróides que conseguem
atravessar a atmosfera da Terra, praticamente intactos. Infelizmente, a relação entre meteoritos
específicos e seus asteróides progenitores é muito difícil de ser obtida e, conseqüentemente, é muito
incerta qualquer suposição sobre a origem e evolução dos meteoritos. De outro lado, as observações dos
asteróides fornecem informações sobre variações de brilho, propriedades rotacionais, formas
aproximadas e composição superficial. Mas muito pouco nos dizem sobre sua estrutura interna.

As informações sobre a composição química e mineralógica da superfície de um asteróides são obtidas a


partir da análise espectroscópica da luz refletida por sua superfície. Faz-se a análise de seu espectro de
reflexão nos diferentes comprimentos de onda e em seguida comparamos os resultados obtidos com
espectros de meteoritos e minerais obtidos em laboratório. A partir do estudo de como os componentes
da superfície interagem com a luz solar incidente é possível identificar a presença/ausência/abundância
de muitos minerais como piroxênios, olivinas, feldspatos, metais, filossilicatos e hidrocarbonetos, além
da água.

Esta técnica é chamada de "espectroscopia de reflexão".

A espectroscopia de reflexão se baseia em três estudos:

a comparação dos dados asteroidais com catálogos de espectros, obtidos em laboratório, de


rochas terrestres e meteoritos;

o estudo da física de cristais a qual pode explicar como a luz transmitida através de cristais
diferentes forma as características espectrais observadas;

a elaboração de catálogos de espectros de misturas bem definidas de minerais em estados


físicos específicos, obtidos em laboratório.

É importante ressaltar, entretanto, que o espectro de reflexão fornece informações apenas sobre a
composição química pois os mesmos elementos químicos podem formar minerais diferentes,
dependendo da temperatura e pressão que ocorrem no processo de formação e dos processos físico-
químicos térmicos posteriores.

Até o momento os minerais descobertos com mais frequência em asteróides são:

piroxênios de diversas composições, como silicatos de ferro, de magnésio, de cálcio e de


alumínio;

olivinas, como silicatos de ferro ou magnésio de cor esverdeada, comum nos basaltos;

ligas de níquel-ferro, com diferentes proporções entre Ni e Fe;

não-metálicos ou seja, com composição carbonácea;

filossilicatos e argila (óxido de carbono) hidratados.

Em termos de composição mineral os asteróides podem ser divididos nos seguintes tipos:

Tipo C - apresenta metal fino distribuído em toda a superfície, análogo aos meteoritos
carbonáceos;

Tipo S - seu espectro indica a presença de piroxênio e/ou olivina misturados a quantidades
diferentes de níquel-ferro;

Tipo M - seu espectro não apresenta estruturas especiais sendo que sua cor avermelhda indica
a presença de metais.

Os asteroides como grupos

Os asteróides são importantes não apenas como corpos individuais do Sistema Solar mas,
principalmente, como grupos. Cada um destes grupos desperta um grande interesse particular do ponto
de vista dinâmico. É deste ponto de vista que vamos agora citar algumas de suas características básicas.

As localizações das órbitas dos asteroide

1. Cinturão Principal

A maioria dos asteróides se situa na região entre 2.3 e 3.2 U.A., chamada de Cinturão Principal.

A distribuição dos objetos no Cinturão Principal não é homogênea como o nome de "cinturão"
levaria a imaginar. Esta distribuição foi modelada por ressonâncias com Júpiter em regiões de
maior concentrações e em lacunas. Isto foi identificado por Kirkwood em 1896 quando
conhecia-se apenas 78 asteróides, mas é confirmado até pelas mais recentes estatísticas. As
lacunas, situadas em regiões de ressonância com Júpiter, são denominadas de "Kirkwood Gaps"
em homenagem a seu descobridor.
Além destas estruturas, existem outras concentrações visíveis apenas através de elementos
próprios, ou seja, elementos que eliminam os efeitos das perturbações planetárias. Estas
concentrações, as quais seriam resultantes da fragmentação de um corpo devido a uma colisão
catastrófica, são chamadas de famílias exatamente para diferenciá-las dos agrupamentos
devidos a outros processos dinâmicos.

São dezenas de milhares de asteroide localizado entre Marte e Júpiter, situados a,


aproximadamente, 2 a 4 U.A. do Sol, ou seja, entre 300 milhões e 600 milhões de quilômetros.

A maioria dos asteroide do cinturão principal seguem órbitas estáveis, ligeiramente elípticas.
Sua revolução é na mesma direção que a da Terra e eles levam de 3 a 6 anos terrestres para
completar uma volta em torno do Sol.

Os asteroide do cinturão principal se subdividem em vários subgrupos que recebem o nome do


asteróide principal do subgrupo:

o Hungaria

o Flora

o Phocaea

o Koronis

o Eos

o Themis

o Cybele

o Hilda

Entre as principais concentrações de asteroide no cinturão principal existem regiões


relativamente vazias conhecidas como "Kirkwood Gaps"

1.
"Near-Earth Asteroids" (NEAs) ou "asteroide Próximos à Terra"

Estes são os asteroide que não estão no Cinturão Principal e cujas órbitas cruzam as dos planetas
interiores. Alguns destes asteróides se aproximam bastante da Terra. Eles são divididos em:

asteroide Amor

São aqueles cujo semi-eixo maior da sua órbita está a menos de 1,0 U.A. e suas distâncias de
afélio são maiores do que 0,983 U.A.

asteroide (ou objetos) Apollo

São os asteroide cujo semi-eixo maior da sua órbita é maior do que 1,0 U.A. e suas distâncias
de periélio menores do que 1,017 U.A.

asteroide Aten

São os asteroide cujas distâncias de periélio estão entre 1,017 U.A. e 1,3 U.A.

Os NEO se encontram numa região instável. Eles só podem permanecer nestas órbitas durante um
tempo curto se compararmos com a idade estimada do Sistema Solar. Isto implica que os objetos que ali
se encontram hoje não foram formados nesta região mas sim em algum outro ponto do Sistema Solar e,
por algum mecanismo específico, foram então transportados até sua órbita atual.

Os objetos em órbitas próximas da Terra representam um grupo muito especial de objetos já que
acredita-se que a fragmentação deles contribui de forma significativa para o fluxo de meteoritos que são
recolhidos aqui na Terra. Com relação às informações que ele podem nos fornecer a principal
desvantagem é que, assim como os meteoritos, eles devem ter perdido quase toda a memória das
regiões onde se encontravam antes de sua entrada em órbitas que os levaram a chegar tão próximos da
Terra. A possibilidade de que parte destes corpos provenha de cometas, e não de asteróides, traz ainda
mais questões a serem resolvidas.

Um outro problema surge com os corpos cujas órbitas cruzam a órbita da Terra. Isto equivale a dizer
que a Terra e algum destes objetos pode, num determinado instante, se encontrar no mesmo ponto do
espaço, ou seja, pode ocorrer um choque entre eles. Na realidade isto não chega a ser um fato raro:
todos os dias centenas de destes corpos atingem a Terra. No entanto, devido ao seu pequeno tamanho
eles acabam sendo desintegrados durante a sua passagem pela atmosfera terrestre. Entretanto, se o
corpo tiver um tamanho razoável, digamos alguns quilômetros, grande parte dele sobreviverá à sua
passagem pela atmosfera da Terra. Sua queda no nosso planeta causará danos de dimensões locais,
continentais ou globais. A gravidade destas conseqüências, entretanto, não é apenas função do tamanho
do objeto que nos atingir mas, também, de sua estrutura interna. Se o corpo for altamente coeso, ele
resistirá quase intacto à sua travessia pela atmosfera terrestre. Se for apenas um agregado de pequenos
pedaços então suas forças de coesão serão praticamente nulas e o corpo será facilmente desintegrado
durante a passagem pela atmosfera. Assim, para quantificar corretamente o perigo que este tipo de
objeto pode causar à Terra é necessário conhecermos bem a sua estrutura interna. Entretanto, não a
população total de objetos em órbitas potencialmente perigosas para a Terra ainda não é conhecida e
por esta razão existem vários grupos tentando descobrir os objetos que possam, em algum momento,
ameaçar de alguma forma o nosso planeta.

Entre os vários grupos de pesquisa que estão envolvidos com o estudo e detecção de NEOs podemos
citar:

"The Spacewatch group" da University of Arizona: este grupo detecta de 10 a 20 NEOs cada ano
usando um telescópio de 0.9 m e um CCD para uma procura semi-automatizada.

"The LINEAR telescope": este é um programa de detecção automática de NEOs operado pela US
Air Force (Força Aérea dos Estados Unidos) e pelo Massachusetts Institute of Technology (MIT).
O programa usa um telescópio de 1 metro e já detectou 296 NEOs até agora.

SPACEGUARD UK: é o ramo britânico de uma fundação dedicada a estabelecer um sistema de


defesa contra potenciais impactos de asteroide com a Terra.

CfA Minor Planet Center: é o grupo do Center for Astrophysics da Harvard University que estuda
os NEOs.
asteroide Troianos são os asteroide que se situam ao longo da própria órbita de Júpiter, localizados
próximos aos pontos situados 60o à frente e 60o atrás da posição de Júpiter em sua órbita.

Os pontos situados 60o à frente e 60o atrás da posição de Júpiter em sua órbita são posições muito
características obtidas em soluções de problemas de Dinâmica Orbital. Eles são os chamados pontos
Lagrangianos estáveis de um problema de três corpos plano e restrito. Dizemos então que os asteroides
Troianos se encontram em ressonância com Júpiter, a chamada ressonância 1:1.

Curiosamente, existem muito mais asteroide troianos no ponto de Lagrange que está 60 o à frente de Júpiter, chamado de ponto de
Lagrange L4, do que no ponto de Lagrange que está 60 o atrás de Júpiter, chamado de ponto de Lagrange L5.

Atualmente são conhecidos várias centenas de asteroide troianos. Estima-se que possam existir 1000 ou mais de tais asteroide ao todo.

A figura acima mostra as órbitas da Terra, Marte e Júpiter, o cinturão principal de asteroide e a
localização de 132 asteroide Troianos que eram conhecidos em fevereiro de 1990. Parecem também
existir alguns pequenos asteroide nos pontos de Lagrange de Venus e a Terra. Estes asteroide, algumas
vezes, também são chamados de Troianos.

O asteróide 5261 Eureka é um "Troiano de Marte".

Existem asteróides que formam grupos que estão em ressonância com Júpiter. Estes asteróides se
encontram entre o Cinturão Principal e Júpiter.

Os asteróides situados além de 3,2 U.A. têm a particularidade de se agruparem em locais geométricos
de ressonâncias com Júpiter, exatamente o contrário do que acontece no Cinturão Principal com as
lacunas de Kirkwood. Nesta região encontram-se os Hilda, em ressonância 3:2, e os Thule, na
ressonância 4:3. Do ponto de vista dinâmico os astrônomos ainda discutem quais os processos que
fazem com que num ponto as ressonâncias 'esvaziem' uma região enquanto que em outra provoquem
uma 'concentração'. Alguns mecanismos têm sido propostos para explicar isto, mas a questão ainda está
em aberto.

Centauros, estes são os asteróides que estão localizados além da órbita de Júpiter.

Os Centauros, por outro lado, são asteróides (e/ou cometas) cujas órbitas cruzam a órbita de algum
planeta gigante. Esta é a razão deles possuirem uma grande instabilidade dinâmica. Devido a esta
instabilidade os Centauros, assim como os NEOs, não podem ter estado em suas órbitas atuais desde a
formação do Sistema Solar. Eles devem ter chegado nestes locais recentemente, provenientes de
alguma outra região, interior ou exterior. Entre os Centauros podemos citar (977) Hidalgo e
(2060)Chiron. Embora dinamicamente os dois apresentem similaridades físicas, eles são bastante
diferentes já que o primeiro continua tendo a aparência de um asteróide típico enquanto o segundo
apresenta uma intensa atividade cometária.

As famílias dos asteróides do Cinturão Principal

Voltando aos asteróides do cinturão principal, existem outros agrupamentos além daqueles devidos às
ressonâncias com Júpiter: são as chamadas Famílias de Hirayama, em homenagem a seu descobridor
(Hirayama, 1918). A hipótese mais aceita é de que cada agrupamento seja o que restou da colisão e
quebra de um corpo maior, donde o nome de família aos membros de cada agrupamento. Vale salientar
que cerca de metade dos asteróides estão agrupados em uma das cerca de 100 famílias, o que mostra a
importância da história colisional destes objetos em qualquer estudo de sua origem e evolução.

A taxonomia dos asteróides

O estudo das diferentes composições dos asteróides levou à sua classificação em diversas classes. Este
tipo de classificação, denominada taxonomia, depende dos criterios de agrupamento utilizados. Isto
tem levado à definição de diversas taxonomias para os asteróides.

As taxonomias mais aceitas atualmente são as de Barucci e de Tholen as quais dividem os asteróides em
aproximadamente o mesmo número de classes, ou seja: S, C, M, D, F, P, G, E, B, T, A, V, Q, R.

A distribuição destas classes no Cinturão Principal levou Bell (1979) a definir 3 novas "super-classes":

primitivo: dominante na parte externa do cinturão;

ígneo: mais comun na parte interna do cinturão

metamorfo: presente na parte central do cinturão

Esta distribuição implicaria num processo primordial que alterou a composição dependendo da
localização do corpo e, consequentemente, do tamanho do aquecimento sofrido. De forma bem geral
podemos dizer que os asteróides classificados como ígneos passaram por um processo de grande
aquecimento, que os levou ao derretimento e fusão dos minerais presentes. Os metamorfos, por outro
lado, sofreram apenas um leve aquecimento o qual levou somente à sublimação dos elementos voláteis
e da água. Finalmente, os primitivos não sofreram nenhum aquecimento significativo preservando,
portanto, a sua composição original.
A distribuição de composições no Cinturão Principal ainda é objeto de estudo mas, de forma bem geral,
sabe-se que os asteróides com superfície de piroxênio, olivina e feldspatos se concentram na parte mais
interna. Por outro lado, asteróides cuja superfície é composta por filossilicatos, hidrocarbonetos e água
abundam na parte mais externa.
Cabe ressaltar que existem
mais de uma dúzia de tipos,
alguns bem mais raros, de
asteroide.

Além disso, é importante


notar que as percentagens
de cada tipo podem não
refletir uma distribuição
verdadeira dos asteroide.
Isto é devido ao "bias" (ou
viés) introduzido pelas
observações. Por exemplo,
os asteroide mais escuros,
são muito mais difíceis de
observar. Esta é a razão
pela qual existem vários
esquemas de classificação
de asteróidem em uso hoje
em dia.

A figura colorida nos mostra


a posição dos asteroide do
cinturão principal no dia 29
de outubro de 1991,
quando a sonda espacial
galileu, da NASA, realizou a
sua máxima aproximação
do asteróide, tipo S, #951
Gaspra. Os círculos verdes
assinalam asteroide tipo S,
os azuis são do tipo C, os
vermelhos dos tipos D e P e os cinza são de tipo M. Os asteroide mais primitivos, tipos C, D e P,
dominam a parte mais externa do cinturão principal. Os asteroide ígneos, tipos S e M, são mais comuns
na parte interna do cinturão.

Outra característica interessante é que todos os asteróides situados além do cinturão principal (ou seja,
além de 3.4 UA) apresentam um baixo albedo. Este fato está sendo atribuido à presença de uma crosta
de gelos os quais seriam volatilizados a menores distâncias do Sol.

No que se refere às familias, pode-se dizer que estas apresentam uma composição similar com o resto
da população asteroidal. Estudos recentes também mostram que os membros de uma mesma familia
têm, em geral, uma composição análoga, o que confirma a idéia da quebra de um corpo.]

A evolução dos asteroides

Embora a origem dos asteróides esteja intimamente relacionada com a formação do Sistema Solar, sua
evolução depende de processos físicos posteriores a essa formação, tais como colisões, variações
orbitais, etc. A seguir vamos descrever de forma bem geral estes processos.

As colisões entre objetos de tamanho planetário ocorrem ainda hoje no Sistema Solar. Basta nos
lembrarmos da colisão do cometa Shoemaker-Levy 9 com o planeta Júpiter!

No caso dos asteróides, podemos dizer que as colisões têm efeito dominante nas características globais
da população já que outras fontes de energia, como por exemplo a pressão de radiação ou o decaimento
de radionúcleos, são insuficentes para produzir variações geológicas significativas. As altas velocidades
aleatórias dos asteróides do Cinturão Principal (cerca de 5 km por segundo) e sua densidade espacial
também implicam numa evolução colisional durante a formação do Sistema Solar.

Colisões energéticas, próximas do limite catastrófico, devem ser responsáveis por definir a forma e a
rotação dos asteróides e, neste sentido, o equilibrio colisional de rotação é mais facilmente atingido
pelos menores do que pelos maiores asteróides. Por outro lado, o problema é saber exatamente o que
acontece quando ocorre uma colisão pois devemos lembrar que experiências feitas em laboratório são
sempre limitadas em tamanho.

Considerando a colisão de um corpo com cerca de 100 km poderíamos obter essencialmente dois
resultados:
fragmentação em corpos menores:

neste caso, os asteróides atuais seriam os restos de uma população asteroidal de maiores
tamanhos e guardariam sua estrutura original intacta;
alteração de suas propriedades físicas sem mudança na sua identidade física:

neste caso a maior parte da energia seria usada para comprimir e redistribuir materiais que, no
entanto, não seriam quebrados. Neste cenário a população atual guardaria a "memória" dos
tamanhos originais mas a estrutura e textura teriam sido modificadas drasticamente.

Podemos obter vários resultados a partir da colisão de um pequeno corpo num alvo. O produto final da
colisão vai depender tanto da energia do impacto quanto da coesão do alvo. Como já foi dito, as famílias
são importantes para melhor entender a evolução asteroidal. Metade dos asteróides pertencem à alguma
família, e cerca de 10% pertence às famílias mais numerosas. Algumas das famílias, especialmente as
mais populosas, apresentam um composição homogênea o que torna mais simples imaginarmos uma
associação genética entre eles.

Os asteroide mais conhecidos


distância raio massa descoberto ano da
número nome
(quilômetros) (quilômetros) (quilogramas) por descoberta
2062 Aten 144514 0,5 ? Helin 1976
3554 Amun 145710 ? ? Shoemaker 1986
1566 Icarus 161269 0,7 ? Baade 1949
951 Gaspra 205000 8 ? Neujmin 1916
433 Eros 218 x 106 17,5 x 6,5 ? G. Witt e A. Charlois 1893
1862 Apollo 220061 0,7 ? Reinmuth 1932
243 Ida 270000 35 ? J. Palisa 29 de setembro de 1884
2212 Hephaistos 323884 4,4 ? Chernykh 1978
6 20
4 Vesta 353,4 x 10 265 3,0 x 10 H. Olbers 1807
15 Eunomia 395,5 x 106 136 8,3 x 1018 De Gasparis 1851
253 Mathilde 396 x 106 28,5 x 25 ? J. Palisa 1885
3 Juno 399400 123 ? Harding 1804
1 Ceres 413,9 x 106 466 8,7 x 1020 G. Piazzi 1801
2 Pallas 414,5 x 106 261 3,18 x 1020 H. Olbers 1802
6
16 Psyche 437,1 x 10 132 ? De Gasparis 1852
704 Interamnia 458,1 x 106 167 ? V. Cerulli 1910
6
52 Europa 463,3 x 10 156 ? Goldschmidt 1858
10 Hygiea 470,3 x 106 215 9,3 x 1019 De Gasparis 1849
511 Davida 475,4 x 106 168 ? R. Dugan 1903
6
87 Sylvia 521,5 x 10 136 ? N. Pogson 1866
911 Agamemnon 778100 88 ? Reinmuth 1919
2060 Chiron 2051900 85 ? Kowal 1977

asteroide que foram visitados por sondas espaciais

Existem muito poucos asteroide que foram estudados de modo bem próximo por sondas espaciais. Os
poucos casos estão comentados abaixo:

No dia 29 de outubro de 1991 o asteróide 951 Gaspra foi fotografados pela espaçonave norte-
americana Galileu em seu caminho para Júpiter. O asteróide Gaspra foi o primeiro asteróide
visitado por uma sonda espacial.

No dia 28 de agosto de 1993, a sonda espacial Galileu, no seu caminho para Júpiter, chegou a
2400 quilômetros do asteróide 243 Ida, o segundo asteróide visitado por uma sonda espacial.
A grande descoberta feita pela sonda Galileu foi que o asteróide Ida possuia um satélite natural,
o asteróide Dactyl.
A missão NEAR passou a 1212 quilômetros do asteróide 253 Mathilde no dia 27 de junho de
1997 retornando várias imagens dele.

A sonda NEAR, agora rebatizada de NEAR-Shoemaker, entrou em órbita em torno do asteróide


433 Eros em janeiro de 1999. A sonda NEAR-Shoemaker passou a ser o primeiro satélite
artificial de um asteróide. A NEAR-Shoemaker retornou uma impressionante quantidade de
imagens e dados do asteróide Eros. No dia 12 de fevereiro de 2001, a sonda espacial NEAR-
Shoemaker pousou no asteróide Eros depois de transmitir 69 imagens de sua aproximação até
a superfície do asteróide. Esta foi a primeira e única vez que uma sonda espacial pousou
na superfície de um asteroide.

A sonda espacial Deep Space 1 (DS1) passou pelo asteróide 9969 Braille em julho de 1999.

Muses-C:
No dia 9 de maio de 2003 o Instituto de Ciência Espacial e
Astronautica do Japão, conhecido pela sua sigla ISAS
(Institute of Space and Astronautical Science), lançou do
Centro Espacial Kagoshima, na ilha Kyushu no sul do Japão,
um foguete levando a bordo a sonda espacial não tripulada
Muses-C. Seu principal objetivo científico é coletar amostras
do material da superfície de um asteróide e retornar a
amostra à Terra para posteriores análises.
O asteróide a ser visitado é o 1998 SF36, um asteróide que
tem a forma de uma bola de futebol americano, com cerca
de 500 metros de comprimento e está localizado a cerca de
299 milhões de quilômetros da Terra, ou seja quase duas
vezes mais afastado do Sol do que nós. No entanto, este asteróide se aproxima bastante da
Terra. O único corpo celeste do qual amostras foram tiradas e trazidas à Terra foi a Lua.
Entretanto, não podemos aprender sobre os materiais da fase mais primordial do Sistema Solar
a partir destas amostras pois os grandes corpos como a Lua já experimentaram alterações
térmicas. Já os asteroide são acreditados serem fósseis da formação do Sistema Solar. Eles,
provavelmente, ainda mantém os registros da época de formação dos planetas. Deste modo,
estudando os asteroide podemos obter pistas para resolver problemas tais como que tipos de
materiais primitivos formaram os planetas e qual era a temperatura e pressão na nebulosa
solar primordial.
Um pouco da história cronológica da descoberta dos asteroides
Os asteroides, embora recentes no que se refere à sua descoberta, tem tido sua existência postulada
desde o século 16.
Em 1596 Johannes Kepler (1571-1630) publicou o texto "Inter Jovem et Martem
Interpossui Planetam" onde postulava a existência de um planeta entre Marte e Júpiter. Esta
foi a primeira referência à existência de uma corpo celeste nesta região do Sistema Solar. Pode-
se dizer que este texto marcou o início do estudo de algo que os cientistas ainda não sabiam que
existia: os asteroides. É importante frisar que este hipotético planeta não fazia parte do modelo
cosmológico de Kepler, o qual exigia a existência de apenas os seis planetas conhecidos na época.

Em 1755 o filósofo e astrônomo Emmauel Kant (1724-1804) também falou da possível


existência de mais um planeta.

Entretanto, apenas em 1766 foi dado o primeiro passo na direção da descoberta deste novo
corpo.

Em 1766, o astrônomo Titius von Wittenburg, analizando as distâncias entre os planetas conhecidos na
época, apresentou uma relação matemática empírica que, segundo ele, descrevia estas distâncias. Titius
definiu a distância do Sol até Saturno como sendo de 100 unidades. Mercúrio estaria a quatro unidades
do Sol, Vênus a 4 + 3, Terra a 4 + 6, Marte a 4 + 12, faltaria um corpo a 4 + 24 e ai teríamos Júpiter a
4 + 48 e, por fim, Saturno a 4 + 96=100. Esta relação era escrita como
r = 0,4 + 0,3 (2n) onde n = 0, 1, 2, ....

Na segunda edição do livro do astrônomo alemão Johann Elert Bode ele cita a possível existência de outros
planetas, ainda não conhecidos, no Sistema Solar. Segundo Bode estaria faltando um planeta a cerca de 28
unidades.
A progressão matemática proposta por Titius passa por uma confirmação estrondosa em 1781
quando o astrônomo William Herschel descobre um novo planeta, Urano, a uma distância do Sol
equivalente a 4 + 192 unidades. Esta descoberta reforçou a crença de que faltava um planeta na
posição correspondente a 2,8 U.A.

Em 1794, Chladni divulgou a sua idéia de uma origem extraterrestre para os meteoritos
encontrados na superfície da Terra.

Voltando aos asteróides, é fato de que a lei de Titus-Bode ajudou a consolidar a crença de que
algum corpo deveria existir entre Marte e Júpiter.

Respaldados na descoberta de Urano, vários astrônomos, reunidos em Gotha perto


de Leipzing (Alemanha), recomendaram em 1796 uma procura sistemática do que
passou a ser denominado "planeta ausente". No outono de 1800 o barão húngaro
Franz Xaver von Zach, reuniu um grupo de seis astrônomos em Liliethal (Alemanha),
no que talvez tenha sido o primeiro congresso científico internacional da história, com
o objetivo específico de criar uma "companhia fechada de 24 astrônomos para
procurar planetas visitantes entre Marte e Júpiter". A nova companhia foi denominada
"Polícia Celeste", tendo como presidente Johan Schröter e o barão von Zach como
secretário. A cada membro da "polícia celeste" seria atribuída uma área do céu de 15
graus de largura por 7 a 8 graus de altura em relação à eclíptica para efetuar a
procura sistématica deste "planeta ausente".

O século XIX começou com uma grande descoberta astronômica. Mais uma vez, entretanto,
foi o acaso que prevaleceu e, exatamente no dia 1 de janeiro de 1801, o astrônomo italiano
Giuseppe Piazzi descobriu em Palermo (Itália) o primeiro asteróide. Ele notou a presença de um
objeto desconhecido, uma "estrela de oitava magnitude", nos céus, na região da constelação
Touro. Piazzi imaginou, em primeiro lugar, que o astro que ele tinha acabado de observar era
um novo cometa mas "o fato de a estrela não estar acompanhada de nebulosidade e seu
movimento ser muito lento e um tanto uniforme, tem me causado muitas vezes considerações
que talvez este seja mais que um cometa". Fato curioso é que Piazzi, diretor do observatório de
Palermo, não fazia parte da polícia celeste embora a carta convidando-o a participar da nova
compania chegaria depois de sua descoberta! Piazzi estava trabalhando num novo atlas estelar
quando na noite de primeiro de janeiro anotou mais uma estrela. Para sua surpresa nas noites
subsequentes a nova estrela foi se deslocando em relação às outras.
De início Piazzi, assim como tinha acontecido com Hershel quando descobriu Urano, acreditou
ter descoberto mais um cometa e batizou o novo astro descoberto de Ceres, em homenagem à
deusa grega protetora da Sicília. O novo objeto foi observado durante 41 noites quando então,
devido a uma doença de Piazzi, as observações foram interrompidas. Quando Piazzi retornou às
observações Ceres já tinha se deslocado bastante no céu e era tão difícil achá-lo novamente
quanto tinha sido descobri-lo. A imagem ao lado mostra o "Círculo de Ramsden", o famoso
instrumento com o qual Giuseppe Piazzi descobriu o asteroide Ceres.

Logo que a notícia se espalhou na comunidade astronômica ninguém duvidava que finalmente tinha
sido descoberto o planeta ausente. Um intenso trabalho matemático começou a ser desenvolvido para
determinar a órbita deste objeto tão procurado e que, agora, estava de novo perdido. Coube ao
matemático alemão Carl Friedrich Gauss desenvolver um método, hoje conhecido pelo seu nome, que
permite determinar a órbita futura de um corpo do sistema solar a partir de apenas três observações
iniciais. Os parâmetros orbitais de Ceres foram determinados em outubro de 1801 por Gauss e, como
prova da precisão deste novo método, Ceres foi redescoberto independentemente pelo barão von Zach
em 7 de dezembro de 1801 e por Heinrich W.M. Olbers em 1 de janeiro de 1802.

A magnitude do novo "planeta", entretanto, era bem menor do que a de Marte e Júpiter. Isto
levantou suspeitas se o novo objeto seria realmente o "planeta ausente" que estava sendo
procurado. Os astrônomos tinham previsto um corpo bem maior, capaz de apresentar o seu
disco quando observado através de um telescópio, assim como acontecia com os outro planetas
conhecidos. Isto não acontecia com Ceres.

O primeiro indício para a solução do problema apareceu em 28 de março de 1802, quando Olbers
descobriu um segundo pequeno planeta, mais tarde chamado de Pallas. Já no ano seguinte o próprio
Olbers, e vários outros astrônomos, passaram a sugerir que estes objetos seriam os restos da explosão
de um planeta na região entre Marte e Júpiter.
William Herschel, em 1803, sugeriu o nome "asteroide", que em grego quer dizer "quase-
estrela", para designar estes novos objetos. Ele propôs este nome devido à aparência que estes
objetos tinham quando vistos ao telescópio.

Depois que os astrônomos conseguiram determinar melhor a órbita deste novo corpo celeste
ficou claro que ele não era um cometa. Tudo indicava que ele, mais provavelmente, era um
pequeno planeta. Só que ele não poderia ser o tão procurado "planeta ausente" por ser muito
menor do que o previsto.

A crença na descoberta do "planeta ausente" terminou quando, no ano de 1807, dois outros
corpos pequenos foram descobertos, Juno, descoberto por Harding, e Vesta, descoberto por
Olbers. Estes fatos determinaram o abandono da busca por um novo planeta entre Marte e
Júpiter.

Foi então que Olbers formulou a teoria de que os asteróides seriam fragmentos da explosão de
um único planeta, tentando com isso salvar a "lei" de Titus-Bode. É importante ressaltar, mais
uma vez, que a "lei" de Titiu-Bode é apenas uma regra numérica empírica, e não fornece
nenhuma explicação física sobre as distâncias planetárias. Hoje em dia, a regra (e não "lei") de
Titius-Bode é apenas uma interessante peça histórica de numerologia.

Com a necessidade de novos catálogos estelares, e com o fim da caça ao "planeta ausente", o
estudo dos asteroides é praticamente abandonado por 38 anos, de 1807 a 1845.

Conhecendo apenas 78 asteroides, Kirkwood, em 1867, descobre a existência de "buracos" ou "lacunas"


na distribuição espacial dos asteroides.

Vários outros asteroides continuaram a ser descobertos. Em 1845 Astraea foi descoberto. Em
1847 foram descobertos os asteroides Hebe, Iris e Flora. Em 1848 foi descoberto Metis e, em
1849, Hygieia. Em 1872 foram descobertos 7 asteroides e em 1891 mais 20 passaram a ser
conhecidos. Imediatamente iniciou-se uma grande busca a estes pequenos corpos e, no final do
século XIX, várias centenas de asteroides já eram conhecidos.

Embora a fotografia já estivesse em uso na astronomia, somente em 1891 é que Max Wolf
introduziu o seu uso nas observações de asteroides.

A multiplicidade dos asteróides descobertos ao longo do século 19 fez com que a hipótese de
fragmentação de um planeta naquela região fosse cada vez menos sustentável. Considerando-
se o modelo padrão da formação do Sistema Solar descrita anteriormente, acredita-se que na
região entre Marte e Júpiter os planetesimais não conseguiram se juntar formando mais um
planeta. Isto deve ter sido conseqüência da rápida formação de Júpiter, um corpo que, por ter
grandes dimensões, teria gerado fortes perturbações gravitacionais naquela região aumentando
as excentricidades das órbitas dos objetos que ali estavam e fazendo com que os encontros
entre eles passassem a se dar em altas velocidades. Esses encontros levariam a fragmentação
destes pequenos corpos e não mais à sua aglutinação. Conseqüentemente, estava interrompida
a formação de mais um planeta.

Em fins do século XIX e início do século XX surgiu a espectroscopia e a astrofísica. Todo o


interesse dos cientista se voltou para o estudo das estrelas e do Universo. Os conhecimentos
acumulados pela astronomia até esta época não permitiam que fossem formuladas teorias
sobre a formação de estrelas e menos ainda sobre a origem do Sistema Solar. Não havia ainda
qualquer interesse em estudar os asteroides sob o ponto de vista da formação do Sistema
Solar. A quantidade total de massa existente entre Marte e Júpiter, da ordem de 5 x 10 -5
massas terrestres, era muito baixa e só recentemente é que a origem e a evolução dos
asteroides foi explicada.

Toda a pesquisa em asteroides foi desestimulada. Os asteroides são considerados "vermes dos
céus". Chegou-se ao ponto de não ser considerado adequado que os grandes observatórios da
Europa se dedicassem ao estudo destes objetos. No entanto, alguns poucos centros como
Heidelberg, Berlin e Kiev continuaram as suas pesquisas, descobrindo e calculando a órbita
destes "vermes".

Apesar deste desprezo pelo estudo dos asteroides, muitos trabalhos importantes foram
desenvolvidos neste período. É nesta época que vemos o início dos estudos sobre as "famílias
de asteroides" (Hirayama 1918), a publicação do primeiro catálogo de meteoritos, anterior a
1923, o aparecimento da hipótese sobre a possível interrupção na formação de um planeta em
2,8 U.A. pela influência gravitacional de Júpiter (Schmidt 1944), etc.

Apenas em 1952 é que foi iniciada uma publicação anual com elementos orbitais e efemérides
de todos os asteroides conhecidos, centralizada no Instituto de Astronomia Teórica de
Leningrado, em estreita colaboração com o Minor Planet Center, no Cincinnati Observatory.
Mais tarde, em 1978, o Minor Planet Center foi transferido para Cambridge, Massachusets.

Um marco do início da "era moderna" no estudo de asteroides foi a conferência "Physical


Studies of Minor Planets", ocorrida na cidade de Tucson, Arizona, Estados Unidos, em 1971.

Hoje, o Minor Planet Center observa, aproximadamente, 100 asteroides novos por ano. O
Observatório Astrofísico da Crimeia chega a registrar 700 novos objetos por ano! Os asteroides
são, atualmente, considerados "objetos primordiais", fundamentais para o entendimento da
formação e evolução do Sistema Solar.

Em 1983 o lançamento do satélite IRAS (Infrared Astronomical Satellite) deu um novo


impulso ao estudo dos asteroides. Importantes trabalhos foram realizados a partir dos dados
coletados por este satélite. Por exemplo, os cientistas tiveram a oportunidade de reunir uma
grande quantidade de dados sobre os asteroides a partir da determinação de seus albedos.
Além disso, foi formado o IRAS Astronomical and Comet Catalog. Por intermédio do IRAS
descobriu-se bandas de poeira no cinturão dos asteroides, formadas por processos de colisões,
e também a poeira zodiacal.

Foi descoberto o primeiro asteroide que pode ser o núcleo de um cometa extinto, o asteroide
#3200 Phaethon (na órbita da chuva de meteoros Geminid).

A década de 1980 é a era das explorações dos asteroides a partir da Terra. Vários processos
são utilizados. A técnica de radar nos permite conhecer o tamanho, a forma, as características
superficiais, e a rotação dos asteroides. A fotometria nos revela sua forma e rotação. A
espectroscopia nos revela suas características superficiais, bandas de minerais, e permite que
seja feita sua taxonomia. A espectrofotometria nos mostra suas características físicas, o que
também ajuda os astrônomos na taxonomia dos asteroides. A interferometria nos dá a forma e
nos permite fazer a determinação do pólo dos asteroides. As técnicas rádio nos permitem
realizar medidas de albedo. Também são usadas ocultações estelares para determinar
propriedades de asteroides.
A partir de 1990 tem início o estudo dos asteroides por intermédio de telescópios orbitais e
sondas espaciais. O Hubble Space Telescope e as sondas espaciais Galileu e NEAR-Shoemaker
nos revelam fantásticas imagens com incríveis resoluções da superfície destes objetos. Estas
sondas permitiram até mesmo a descoberta de satélites de asteroides. Os asteroides deixaram
de ser os "vermes do espaço".
Parâmetros físicos e orbitais de alguns Planetas Menores

semi- períod
eixo períod diâmetr o de
número de ano da
maio o excentricidad inclinaçã o rotaçã
classificaçã nome descobert
r orbital e orbital o orbital (em o
o a
(U.A. (anos) km) (em
) horas)

1 Ceres 1801 2,77 4,60 0,078 10,6 1032 9,1

2 Pallas 1802 2,77 4,61 0,234 34,8 588 10,1

3 Juno 1804 2,67 4,36 0,258 13,0 248 7,2

4 Vesta 1807 2,36 3,63 0,089 7,1 576 10,6

5 Astra 1845 2,58 4,13 0,190 5,4 120 16,8

6 Hebe 1847 2,42 3,78 0,202 14,8 204 7,3

7 Iris 1847 2,39 3,69 0,230 5,5 208 7,1

8 Flora 1847 2,20 3,27 0,156 5,9 162 13,6

9 Metis 1848 2,39 3,69 0,122 5,6 158 5,1

10 Hygiea 1849 3,14 5,55 0,120 3,8 430 18,0

Eunomi
15 1851 2,64 4,30 0,185 11,8 260 6,1
a

16 Psyche 1852 2,92 5,00 0,134 3,1 248 4,3


Os maiores asteroides conhecidos

Asteroides maiores que 500 quilômetros


número do objeto nome do objeto diâmetro estimado
1 Ceres 848,4

Asteroides maiores que 400 quilômetros


número do objeto nome do objeto diâmetro estimado
2 Pallas 498,1
4 Vesta 468,3
10 Hygiea 407,1

Asteroides maiores que 300 quilômetros


número do objeto nome do objeto diâmetro estimado
511 Davida 326,1
704 Interamnia 316,6
52 Europa 302,5

Asteroides maiores que 200 quilômetros


número do objeto nome do objeto diâmetro estimado
87 Sylvia 260,9
31 Euphrosyne 255,9
15 Eunomia 255,3
16 Psyche 253,2
65 Cybele 237,3
3 Juno 233,9
324 Bamberga 229,4
451 Patientia 225,0
107 Camilla 222,6
532 Herculina 222,2
48 Doris 221,8
45 Eugenia 214,6
29 Amphitrite 212,2
121 Hermione 209,0
423 Diotima 208,8
13 Egeria 207,6
94 Aurora 204,9
88 Thisbe 200,6
Asteroides maiores que 100 quilômetros
número do objeto nome do objeto diâmetro estimado
7 Iris 199,8
702 Alauda 194,7
372 Palma 188,6
128 Nemesis 188,2
6 Hebe 185,2
154 Bertha 184,9
76 Freia 183,7
130 Elektra 182,3
22 Kalliope 181,0
259 Aletheia 178,6
120 Lachesis 174,1
41 Daphne 174,0
747 Winchester 171,7
153 Hilda 170,6
790 Pretoria 170,4
96 Aegle 169,9
241 Germania 168,9
194 Prokne 168,4
566 Stereoskopia 168,2
911 Agamemnon 166,7
54 Alexandra 165,8
386 Siegena 165,0
59 Elpis 164,8
1437 Diomedes 164,3
409 Aspasia 161,6
209 Dido 159,9
444 Gyptis 159,6
185 Eunike 157,5
804 Hispania 157,2
139 Juewa 156,6
334 Chicago 155,8
354 Eleonora 155,2
165 Loreley 155,2
85 Io 154,8
173 Ino 154,1
11 Parthenope 153,3
89 Julia 151,5
536 Merapi 151,4
776 Berbericia 151,2
150 Nuwa 151,1
145 Adeona 151,1
488 Kreusa 150,1
49 Pales 149,8
39 Laetitia 149,5
117 Lomia 148,7
238 Hypatia 148,5
168 Sibylla 148,4
283 Emma 148,1
51 Nemausa 147,9
106 Dione 146,6
20 Massalia 145,5
137 Meliboea 145,4
211 Isolda 143,2
1172 Aneas 142,8
508 Princetonia 142,3
895 Helio 141,9
144 Vibilia 141,8
361 Bononia 141,7
420 Bertholda 141,2
93 Minerva 141,0
617 Patroclus 140,9
308 Polyxo 140,7
18 Melpomene 140,6
268 Adorea 139,9
349 Dembowska 139,8
489 Comacina 139,4
69 Hesperia 138,1
762 Pulcova 137,1
196 Philomela 136,3
212 Medea 136,1
95 Arethusa 136,0
8 Flora 135,9
588 Achilles 135,5
216 Kleopatra 135,1
690 Wratislavia 135,0
111 Ate 134,6
247 Eukrate 134,4
705 Erminia 134,2
471 Papagena 134,2
147 Protogeneia 132,9
344 Desiderata 132,2
146 Lucina 132,2
356 Liguria 131,3
187 Lamberta 131,2
141 Lumen 131,0
419 Aurelia 129,0
200 Dynamene 128,4
712 Boliviana 127,6
654 Zelinda 127,4
426 Hippo 127,1
47 Aglaja 127,0
279 Thule 126,6
92 Undina 126,4
1173 Anchises 126,3
469 Argentina 125,6
1143 Odysseus 125,6
159 Aemilia 125,0
129 Antigone 125,0
405 Thia 124,9
602 Marianna 124,7
46 Hestia 124,1
104 Klymene 123,7
410 Chloris 123,5
134 Sophrosyne 123,3
328 Gudrun 122,9
1867 Deiphobus 122,7
68 Leto 122,6
70 Panopaea 122,2
276 Adelheid 121,6
275 Sapientia 121,0
176 Iduna 121,0
156 Xanthippe 121,0
28 Bellona 120,9
86 Semele 120,6
78 Diana 120,6
381 Myrrha 120,6
225 Henrietta 120,5
618 Elfriede 120,3
90 Antiope 120,1
81 Terpsichore 119,1
5 Astraea 119,1
105 Artemis 119,1
74 Galatea 118,7
350 Ornamenta 118,3
772 Tanete 117,7
476 Hedwig 116,8
171 Ophelia 116,7
1093 Freda 116,7
909 Ulla 116,4
203 Pompeja 116,3
3317 Paris 116,2
3063 Makhaon 116,1
481 Emita 116,0
38 Leda 115,9
360 Carlova 115,8
521 Brixia 115,7
490 Veritas 115,5
466 Tisiphone 115,5
53 Kalypso 115,4
2241 Alcathous 114,6
388 Charybdis 114,2
34 Circe 113,5
596 Scheila 113,3
56 Melete 113,2
12 Victoria 112,8
57 Mnemosyne 112,6
1467 Mashona 112,0
545 Messalina 111,3
2797 Teucer 111,1
2920 Automedon 111,0
751 Faina 110,5
91 Aegina 109,8
140 Siwa 109,8
814 Tauris 109,5
595 Polyxena 109,1
266 Aline 109,1
230 Athamantis 109,0
659 Nestor 108,9
37 Fides 108,3
40 Harmonia 107,6
23 Thalia 107,5
739 Mandeville 107,4
346 Hermentaria 106,5
769 Tatjana 106,4
514 Armida 106,2
357 Ninina 106,1
181 Eucharis 106,0
506 Marion 105,9
365 Corduba 105,9
36 Atalante 105,6
713 Luscinia 105,5
1269 Rollandia 105,2
164 Eva 104,9
98 Ianthe 104,5
240 Vanadis 103,9
221 Eos 103,9
788 Hohensteina 103,7
791 Ani 103,5
192 Nausikaa 103,3
1208 Troilus 103,3
63 Ausonia 103,1
35 Leukothea 103,1
748 Simeisa 103,0
570 Kythera 102,8
233 Asterope 102,8
4063 Euforbo 102,2
1583 Antilochus 101,6
1390 Abastumani 101,6
522 Helga 101,2
191 Kolga 101,0
663 Gerlinde 100,9
175 Andromache 100,9
626 Notburga 100,7
387 Aquitania 100,5
42 Isis 100,2
Asteroides s Potencialmente Perigosos

Os "asteroides potencialmente perigosos", chamados em inglês de


PHAs (Potentially Hazardous Asteroids), são aqueles capazes de
realizar aproximações ameaçadoras à Terra durante o se
deslocamento dentro do Sistema Solar. Esta ameaça é definida em
função de seus parâmetros orbitais. Duas condições devem ser
obedecidas para que um asteroide (ou um cometa) seja
considerado um PHA. Uma delas é que todos os asteroides (ou
cometas) considerados PHAs tem que cruzar a órbita da Terra, se
aproximando dela a uma distância menor ou igual a 0,05 unidades
astronômicas (U.A.), o que equivale a cerca de 7.480.000
quilômetros. Esta interseção com a órbita da Terra é chamada de
MOID (Earth Minimum Orbit Intersection Distance). Além disso, os
PHAs também devem ter uma magnitude V absoluta (chamada de
magnitude H no caso dos asteroides) maior ou igual a 22,0, o que
nos indicaria, supondo um albedo 0,13, que o seu diâmetro é
maior do que 100
m. Os asteroides
(ou cometas) que
não obedecem a
estas duas regras,
simultaneamente, não são considerados objetos
potencialmente perigosos à Terra.

Quando acontece....

As crateras que vemos sobre vários outros planetas e


satélites, tais como a Lua, nos mostram que o impacto de
asteroides foi algo comum em épocas remotas no
Sistema Solar. No entanto, fatos como estes ainda
acontecem. Lembre-se da queda do cometa Shoemaker-
Levy em Júpiter. O nosso planeta apresenta crateras que revelam a história destes impactos. Acredita-se
que extinções em massa da vida no nosso planeta tenham ocorrido em consequência de impactos
colossais de asteroides com a superfície da Terra. Existem agora fortes evidências científicas que apoiam
a hipótese de que deve ter ocorrido o impacto de um grande asteroide ou cometa na região do Caribe,
em algum momento entre os períodos Cretáceo e Jurássico da história geológica da Terra. Isto teria sido
a causa da extinção dos dinossauros que habitavam o nosso planeta no fim do período Cretáceo.
A cratera de impacto resultante da queda deste asteroide até hoje não foi identificada mas o Ames
Research Center, da NASA, obteve a imagem de uma característica geo-hidrológica, chamado de Anel
Cenote, ao noroeste da península de Yucatan, México, que pode ser o local do impacto.

Como detectamos os PHAs?

A maioria dos PHAs são detectados depois que eles já


passaram pela Terra. Este é o grande perigo.

No dia 9 de dezembro de 1994, o asteroide 1994 XM1,


um objeto com, aproximadamente, 10 m de diâmetro,
chegou a uma distância mínima de 0,0007 unidades
astronômicas da Terra, ou seja, cerca de 105.000 km de
nós. Lembrando que a Lua está a 384.000 km da Terra
(0,00257 unidades astronômicas), isto quer dizer que
este asteroide passou a 0,2734 vezes este valor.
Realmente, este passou muito perto! Caso tivesse havido
uma colisão dele com a Terra, a energia liberada pelo
impacto corresponderia à explosão de 4 bombas
nucleares do tipo que os norte-americanos lançaram
sobre a cidade japonesa de Hiroshima na Segunda
Guerra Mundial. A cratera resultante teria centenas de metros de diâmetro, o que seria devastador se o
impacto fosse em uma grande cidade.

O próximo asteroide conhecido que mais irá se aproximar da Terra passará a 0,0024 unidades
astronômicas, aproximadamente 360.000 km, de nós, o que é menor do que a distância da Terra à Lua.
Isto deverá acontecer no dia 7 de agosto de 2027.

Existem atualmente 340 PHAs conhecidos. É importante notar que este "perigo potencial" por se
aproximar muito da Terra não significa que um PHA necessariamente irá colidir com a superfície do
nosso planeta. Significa apenas que há uma possibilidade de que isto ocorra. Estes PHAs são
monitorados diariamente e suas órbitas são atualizadas à medida que novas observações se tornam
disponíveis.

A ameaça colocada pelos PHAs, de realmente colidirem com a Terra, tem recebido uma grande
publicidade nos anos recentes. A razão disto é que, mesmo o impacto de um asteroide de tamanho
modesto, poderia ter graves conseqüências. Isto tem estimulado o interesse em detectar e acompanhar
a trajetória de uma grande parte dos NEOs e ver quais deles são potenciais PHAs.

distância mínima distância máxima


Data de aproximação distância
asteroide possível possível
máxima (em km)
(em km) (em km)
(4179) Toutatis 29/09/2004 1549452 1549437 1549467

1998 HH49 16/10/2023 897600 299200 2393600

1999 AN10 07/08/2027 388960 385968 391952

1997 XF11 26/10/2028 927520 912560 942480

2000 QK130 14/03/2036 359040 44880 6657200

2000 LF3 13/06/2046 1047200 897600 4936800

1999 DB7 28/02/2048 1181840 688160 1705440

1988 TA 01/10/2053 1346400 748000 6881600

(4660) NEREUS 14/02/2060 1202784 1190816 1216248

1999 RQ36 22/09/2060 718080 658240 777920

(2340)
21/10/2069 984368 982872 985864
HATHOR

1999 JU3 06/12/2076 1566312 1552848 1579776

(2340)
22/10/2086 861696 837760 911064
HATHOR

1998 SC15 09/04/2095 1196800 448800 3141600

1997 XF11 27/10/2095 1496000 299200 2393600

2000 EH26 21/04/2106 1047200 149600 2393600

1990 OS 15/08/2125 1496000 ? ?

1999FA 07/03/2143 1136960 807840 1899920

1998 KY26 09/06/2185 1496000 ? ?

2000 EH26 17/04/2190 897600 ? ?

(2340)
23/10/2194 897600 448800 6732000
HATHOR

(4179)
20/10/2367 1032240 ? ?
TOUTATIS

(3362) KHUFU 26/08/2391 1496000 ? ?


Júpiter

Júpiter é o quinto planeta a partir do Sol e o maior de todos os planetas do Sistema Solar.

Seu descobridor é desconhecido e podemos dizer que a data de sua descoberta é pré-histórica.

Júpiter é o quarto objeto mais brilhante no céu. Ele só é superado pelo Sol, a Lua, Venus e, algumas vezes, por
Marte.

Júpiter descreve sua órbita a uma distância de 778 330 000 quilômetros ou 5,20 unidades astronomicas (U.A.) a
partir do Sol.

O diâmetro equatorial de Júpiter é de, aproximadamente, 142984 quilômetros.

Se Júpiter fosse oco mais de 1000 Terras poderiam ser colocadas no seu interior.

A massa de Júpiter é cerca de 1,90 x 1027 quilogramas. Curiosamente, Júpiter contém 2 vezes mais matéria do que
todos os outros planetas do Sistema Solar combinados.

Comparado com a Terra, Júpiter possui uma massa 318 vezes maior.

Galileu, ou Simon Marius, descobriu, em 1610, os quatro maiores satéites de Júpiter que são Io, Europa,
Ganimedes e Calisto, hoje conhecidas como satélites galileanos.

A descoberta de Galileu nos mostrou, pela primeira vez, que podiam existir sistemas formados por vários corpos
celestes, que realizavam movimentos orbitais em torno de um determinado centro que, certamente, não era o nosso
planeta, a Terra. Este foi um argumento formidável em favor da teoria heliocêntrica de Copérnico dos movimentos
dos planetas. O apoio declarado de Galileu à teoria de Copérnico colocou-o em problemas com a inquisição.

Por que o nome?

Júpiter, também conhecido como Jove, tem também o nome grego de Zeus. Ele era o rei dos deuses, o
"governador" do Olimpo e era também considerado o patrono do estado Romano. Zeus era o filho de Cronus
(Saturno).

As sondas espaciais que visitaram Júpiter

Júpiter foi visitado por várias sondas espaciais.

A primeira delas foi a Pioneer 10, em 1973. Mais tarde ele foi visitado pelas sondas espaciais Pioneer 11, Voyager
1, Voyager 2 e Ulysses.

A sonda espacial Galileu foi lançada em outubro de 1989 e entrou em órbita em torno de Júpiter em 7 de dezembro
de 1995. Sua missão era conduzir detalhados estudos deste planeta gigante, de seus maiores satélites e do meio
ambiente magnético que o envolve. Após 14 anos servindo à ciência astronômica a espaçonave Galileu realizou
sua última missão no dia 21 de setembro deste ano. Ao passar pela sombra de Júpiter, ela desintegrou-se na densa
atmosfera deste planeta.
Dados Essenciais (aproximados) sobre Júpiter

distancia média ao Sol


778 330 000 km (5,203 U.A.)
(órbita)
distancia média ao Sol comparada com Júpiter está 5,2028 vezes mais distante do Sol do que a
a distância média Terra-Sol Terra
duração do ano em anos terrestres
11,86 anos terrestres
(período de revolução)
duração do dia em horas terrestres 9 horas 50 minutos e 33 segundos terrestres (no equador)
(período de rotação) (ou 9,8 horas e 33 segundos)
velocidade orbital média 13,06 km/segundo
diametro (equatorial) 142984 km (11,27 vezes o diametro da Terra)
raio (equatorial) 71492 km
massa 1,900 x 1027 kg (317,89 vezes a massa da Terra)
volume 1,403 vezes o volume da Terra
densidade média
1,314 gramas/centímetro cúbico
(densidade da água = 1)
22,88 metros/segundo ao quadrado (2,334 vezes o valor
gravidade na superfície (equatorial)
da gravidade da Terra)
velocidade de escape (equatorial) 59,56 km/segundo
a mais alta: 30000oC na região central do planeta
temperaturas extremas
a mais baixa: -143oC no topo das nuvens
temperatura média das nuvens - 121o Celsius
principais gases da atmosfera Hidrogênio (82%), Hélio (18%)
pressão atmosférica 0,7 bars
61 satélites (alguns: Metis, Adrastéia, Amaltéia, Thebe,
satélites conhecidos Io, Europa, Ganimedes, Calisto, Leda, Himalia, Lisitéia,
Elara, Ananke, Carme, Pasiphae, Sinope, etc.)
4 anéis fracos (do mais próximo ao planeta para o mais
anéis distante: Halo, Principal, Gossamer interno e Gossamer
externo)
excentricidade da órbita
(desvio da órbita circular que tem 0,0483
excentricidade 0)
obliquidade
(inclinação do eixo de Júpiter ou
3,08o
inclinação do seu equador em relação
ao plano orbital dos planetas)
achatamento de Júpiter 0,064
inclinação orbital 1,308o
albedo geométrico visual
0,52
(reflectividade)
magnitude (Vo) -2,70

Algumas noções sobre os planetas gigantes

Chamamos de planetas gigantes os nossos conhecidos Júpiter, Saturno, Urano e Netuno. Uma de suas
características é não apresentarem superfícies sólidas visíveis.

Erroneamente algumas vezes estes planetas são chamados de "planetas gasosos" mas, como veremos mais tarde,
eles não são compostos inteiramente por gases.

O material gasoso destes planetas simplesmente vai se tornando mais denso à medida que proseguimos para o seu
interior.

Deste modo, os raios ou os diâmetros cotados para estes planetas referem-se às regiões onde a pressão é de 1
atmosfera.

O que nos vemos quando olhamos para estes planetas é a parte superior das nuvens mais altas em suas atmosferas,
ligeiramente acima do nível de uma atmosfera.

Júpiter: um planeta no limite

Júpiter é, aproximadamente, tão grande em diâmetro quanto um planeta gasoso pode ser.

Se mais material fosse adicionado a ele, Júpiter seria comprimido pela ação da força gravitacional de tal modo que
o seu raio global aumentaria muito pouco.

As estrelas são maiores do que Júpiter somente por possuirem uma fonte de calor interna muito potente, gerada
pelas reações nucleares que ocorrem dentro dela.

No entanto, Júpiter teria que possuir pelo menos 80 vezes mais massa para se tornar uma estrela.

Um incidente fantástico: a colisão do


Cometa Shoemaker-Levy 9 com Júpiter

No período de 16 a 22 de julho de 1994, o


cometa P/Shoemaker-Levy 9, que havia se
fragmentado no ano anterior, colidiu com
Júpiter com resultados espetaculares.

Os resultados destas colisões foram


claramente visíveis, mesmo com
telescópios amadores.
Pelo menos 20 grandes fragmentos do cometa impactaram sobre o planeta Júpiter a uma velocidade de 60 km por
segundo, ocasionando projeção de colunas de gases a milhares de quilômetros de altura.

Estas colisões deixaram bolhas de gases quentes na atmosfera do planeta e grandes cicatrizes escuras que duraram
meses depois do incidente.

Esta imagem de Júpiter no infravermelho (3,5 microns), obtida com o Keck


Telescope, nos mostra os efeitos dos impactos de dois fragmentos do cometa
Shoemaker-Levy 9 sobre o planeta gigante. A imagem nos mostra as calotas
polares brilhantes e um familiar sistema de tempestades. O ponto mais brilhante no
hemisfério sul do planeta é a conseqüência do impacto do fragmento A do cometa.
O ponto mais ofuscado na parte de baixo a esquerda é o resultado do impacto do
fragmento C do cometa Shoemaker-Levy 9 em Júpiter.

Os maiores fragmentos foram estimados ter 2 quilômetros de diâmetro.

Os fragmentos da colisão impactaram sobre Júpiter a aproximadamente 45o de


latitude sul e 6,5o de longitude a partir do limbo, e 15o a partir do terminador do
alvorecer, exatamente fora de visão da Terra. Cerca de 11 minutos após o impacto,
o ponto na atmosfera onde o impacto ocorreu rodaria através do limbo e 14 minutos mais tarde cruzaria o
terminador do alvorecer.

Os fragmentos estavam se movendo em um ângulo de 83o a partir do eixo norte - sul joviano e golpeou os topos
das nuvens a aproximadamente 45o.

O Hubble Space Telescope ainda conseguiu observar os efeitos destas colisões por aproximadamente um ano após
elas terem ocorrido.

Onde e como observar Júpiter

Quando ele está no céu noturno, Júpiter é, frequentemente, a "estrela" mais brilhante no céu.

Ele só é superado por Vênus, que raramente é visível em um céu escuro.

Os quatro satélites Galileanos são facilmente visíveis com binóculos.

Algumas bandas e a Grande Mancha Vermelha pode ser vista com um pequeno telescópio astronômico.
Resumo dos dados conhecidos sobre Júpiter

Comparando Júpiter e a Terra

Parâmetros Globais

razão Júpiter /
dados Júpiter Terra
Terra
massa (quilogramas) 1898,6 x 1024 5,9736 x 1024 317,83
143128 x 108,321 x
volume(quilômetros cúbicos) 1321,33 x 1010
1010 1010
raio (nível de 1 bar) equatorial 71492 6378,1 11,209
(quilômetros) polar 66854 6356,8 10,517
raio médio volumétrico (quilômetros) 69911 6371,0 10,973
elipticidade 0,06487 0,00335 19,36
densidade média (quilograma por metros
1326 5515 0,240
cúbico)
gravidade(equatorial) (em 1 bar) (m/seg2) 24,79 9,80 2,530
aceleração(equatorial) (em 1 bar) (m/seg2) 23,12 9,78 2,364
velocidade de escape (km/seg) 59,5 11,19 5,32
126,686 x
GM (km3/seg2) 0,3986 x 106 317,8
106
albedo de Bond 0,343 0,306 1,12
albedo geométrico visual 0,52 0,367 1,42
magnitude visual -9,40 -3,86 -
irradiância solar (W/m2) 50,50 1367,6 0,037
temperatura de corpo negro (Kelvin) 110,0 254,3 0,433
2
momento de inércia (I/MR ) 0,254 0,3308 0,768
-
1082,63 x 10
J2 14736 x 10-6 6 13,611

número de satélites naturais 61 1 -


sistema de anéis planetários sim não -
Parâmetros Orbitais

razão Júpiter /
dados Júpiter Terra
Terra
778,57 x 149,60 x
semi-eixo maior (quilômetros) 5,204
106 106
período da órbita sideral (dias) 4332,589 365,256 11,862
período da órbita tropical (dias) 4330,595 365,242 11,857
740,52 x 147,09 x
periélio (quilômetros) 5,034
106 106
816,62 x 152,10 x
afélio (quilômetros) 5,369
106 106
período sinódico (dias) 398,88 - -
velocidade orbital média (km/seg) 13,07 29,78 0,439
velocidade orbital máxima (km/seg) 13,72 30,29 0,453
velocidade orbital mínima (km/seg) 12,44 29,29 0,425
inclinação orbital (graus) 1,304 0,000 -
excentricidade da órbita 0,0489 0,0167 2,928
período de rotação sideral (horas) (coordenadas
9,9250 23,9345 0,415
sistema III - 1965,0)
comprimento do dia (horas) 9,9259 24,0000 0,414
obliquidade em relação à órbita (graus) 3,13 23,45 0,133

Parâmetros Observacionais de Júpiter


mínima (quilômetros) 588,5 x 106
distância à Terra
máxima (quilômetros) 968,1 x 106
máxima (segundos de arco) 49,0
diâmetro aparente visto da Terra
mínima (segundos de arco) 29,8
distância à Terra (quilômetros) 628,76 x 106
valores médios em oposição à Terra diâmetro aparente (segundos de arco) 46,9
magnitude visual aparente -2,7
magnitude visual aparente máxima -2,94
Elementos Orbitais Médios de Júpiter (J2000)

propriedades valores
semi-eixo maior (em U.A.) 5,20336301
excentricidade orbital 0,04839266
inclinação orbital (graus) 1,30530
longitude do nodo ascendente (graus) 100,55615
longitude do periélio (graus) 14,75385
longitude média (graus) 34,40438

Polo Norte de Rotação de Júpiter (J2000)

propriedades valores
ascenção reta 268,05 - 0,009T
declinação 64,49 + 0,003T
data de referência 12:00 UT 1 janeiro 2000 (JD 2451545,0)
Observação: "T" significa séculos julianos a partir da data de referência

Magnetosfera de Júpiter (J2000)

propriedades físicas valores


4,28 gauss -
intensidade do campo de dipolo
Rj3
inclinação do dipolo em relação ao eixo de rotação 9,6 graus
longitude de inclinação 201,7 graus
distância do deslocamento do dipolo (do centro do planeta ao centro do
0,131 Rj
dipolo)
latitude do vetor de deslocamento -8,0 graus

longitude do vetor de deslocamento 148,57 graus

Observações: "Rj" significa raio de Júpiter que aqui é considerado com o valor 71,398 quilômetros.
Todas as latitudes e longitudes são dadas nas coordenadas Jovianas Sistema III (1965,0)
Atmosfera de Júpiter (J2000)

propriedades físicas valores


pressão na superfície >> 1000 bars
temperatura em 1 bar 165 K (-108o Celsius)
temperatura em 0,1 bar 112 K (-161o Celsius)
densidade em 1 bar 0,16 kg/m3
até 150 m/seg ( < 30 graus de latitude)
velocidades dos ventos
até 40 m/seg ( > 30 graus de latitude)
altura de escala 27 quilômetros
peso molecular médio 2,22 gramas/mole
hidrogênio molecular (H2) - 89,8 %
maior (2,0%)
hélio (He) - 10,2% (2,0%)
metano (CH4) - 3000 (1000)
amonia (NH3) - 260 (40)
composição atmosférica menor
(por volume, incerteza entre hidrogenio deuteride (HD) - 28 (10)
(ppm)
parênteses) etano (C2H6) - 5,8 (1,5)
água (H2O) - 4 (varia com a pressão)
gelo de amônia
aerosóis gelo de água
hidrosulfito de amônia
A história do conhecimento de Júpiter
Seu descobridor é desconhecido. A data da descoberta é pré-histórica.
A atmosfera de Júpiter

A atmosfera de Júpiter é bastante espessa e corresponde a uma grande parte do seu raio, praticamente o planeta
inteiro.

Ela possui um aspecto bastante característico, embora não exclusivo, onde vemos bandas latitudinais coloridas,
nuvens e tempestades atmosféricas. Isto nos mostra que Júpier possui um sistema climático dinâmico e bastante
complexo.

Acredita-se que existam 3 camadas distintas de nuvens em Júpiter. Elas devem ser formadas por gelo de amônia,
hidrosulfito de amônia e uma mistura de gelo e água.

As sondas espacial Voyager e Galileu estudam a atmosfera de Júpiter

A imagem a esquerda foi obtida no dia 13 de fevereiro de 1979 pela sonda


espacial Voyager 1 quando ela estava a cerca de 20 milhões de quilômetros do
planeta Júpiter. Na resolução obtida nesta fotografia, cerca de 400
quilômetros, vê-se evidências de movimentos circulares na atmosfera deste
planeta. Enquanto que os movimentos de larga escala, dominantes, são
dirigidos do oeste para o leste, os movimentos de pequena escala incluem
circulações tipo redemoinhos dentro e entre as bandas coloridas do planeta.
Note que nesta foto também aparecem dois satélites de Júpiter, Io, à esquerda,
e Europa, à direita. Nesta ocasião o satélite Io estava
a, aproximadamente, 350000 quilômetros acima da
Grande Mancha Vermelha de Júpiter. O satélite Europa estava a cerca de 600.000
quilômetros acima das nuvens de Júpiter.

A sonda espacial Galileu penetrou na atmosfera de Júpiter no dia 7 de dezembro de 1995,


às 22 horas UT, na latitude e longitude marcadas pelos pequeno ponto negro que aparece
na figura a direita, próximo ao centro de Júpiter.
Na latitude em que a sonda Galileu mergulhou na atmosfera de
Júpiter as nuvens visíveis são varridas para o leste por fortes
ventos predominantes, que apresentam velocidades superiores a
110 ou 120 metros por segundo. A ação destes ventos faz com que as estruturas de nuvens
observadas sejam deslocadas, aproximadamente, 7,5 graus por dia. Deste modo, em cerca
de 48s dias as nuvens darão uma volta completa em torno do planeta.

Esta outra imagem a esquerda também mostra o local de entrada da sonda espacial Galileu
na atmosfera de Júpiter. A oval branca localizada ao norte do local de entrada da sonda se
move para oeste a uma velocidade de 6 metros por segundo. Os ventos que aumentam
fortemente na direção do equador fazem esta oval girar.

Entretanto, os resultados preliminares provenientes da sonda espacial Galileu mostram apenas indicações fracas de
ventos. Um dos instrumento da sonda detectou a camada atmosférica superior enquanto que outro instrumento
observou a segunda camada. No entanto, os cientistas sabem que o ponto de entrada da sonda espacial Galileu na
atmosfera de Júpiter, mostrado na figura, não é um local usual. Observações feitas com telescópios baseados na
Terra e observações mais recentes feitas pela sonda espacial Galileu sugerem que o local de entrada da sonda pode
ser uma das áreas mais quentes e que apresentava menos nuvens naquela época em Júpiter.

A sonda atmosférica da Galileu forneceu as primeiras medições diretas da atmosfera de Júpiter, os primeiros dados
reais sobre a química da atmosfera de um planeta gasoso. No entanto, os dados iniciais obtidos pelo equipamento
da sonda atmosférica apresentam um novo e importante mistério. Dados da sonda atmosférica da Galileu indicaram
que há muito menos água na atmosfera do planeta do que o esperado. Os cientistas acreditavam que a atmosfera de
Júpiter deveria conter cerca de 2 vezes a quantidade de oxigênio existente no Sol. Este oxigênio deveria estar
combinado com o hidrogênio, bastante abundante, para fazer água. No entanto, a partir dos dados obtidos parece
que a concentração real de oxigênio é muito menor do que aquela observada no Sol.

A pergunta que fica é porque há tão pouca água na atmosfera de Júpiter? Há um consenso de que a sonda
pesquisou uma área muito seca, não usual, da atmosfera de Júpiter mas, certamente, mais detalhes são necessários
para explicar os registros obtidos.

Também surpreendente foi a alta temperatura e densidade das partes mais superiores da atmosfera de Júpiter.

As "faixas" coloridas de Júpiter

Júpiter e os outros planetas gigantes apresentam ventos de alta velocidade que estão confinados em largas bandas
de acordo com a latitude.

Os ventos sopram em direções opostas em bandas adjacentes. As ligeiras diferenças químicas e de temperatura que
existem entre estas bandas são as responsáveis pelas cores que dominam a aparência deste planeta.

As bandas coloridas claras são chamadas zonas

As bandas coloridas escuras são chamadas cinturões.

As bandas sobre Júpiter já são conhecidas a algum tempo.

No entanto, os vórtices complexos existente nas regiões de fronteira entre as várias


bandas foram vistos pela primeira vez pelos instrumentos da sonda espacial
Voyager.

Os dados provenientes da sonda espacial Galileu indicaram que os ventos em


Júpiter são ainda mais rápidos do que o esperado. Eles atingem mais do que 640
quilômetros por hora no topo da atmosfera e se estendem na direção do interior do
planeta até profundidades bastante grandes. Até onde a sonda foi capaz de
observar estes ventos existem em regiões localizadas bem no interior de Júpiter,
até mesmo a milhares de quilômetros de profundidade.

Entretanto, os cientistas ainda não sabem exatamente até que profundidade estes
ventos zonais atuam nem qual o mecanismo que os põe em movimento.

A atmosfera de Júpiter também é muito turbulenta. Isto parece indicar que os ventos de Júpiter são acionados, em
grande parte, pelo seu aquecimento interno ao invés da absorção solar como ocorre na Terra.

As cores vivas que vemos na atmosfera de Júpiter são, provavelmente, o resultado de sutis reações químicas que
ocorrem com os elementos que possuem apenas traços na atmosfera de Júpiter. Estas reações talvez envolvam
enxôfre, cujos componentes poder assumir uma ampla variedade de cores. Entretanto, mais uma vez, os detalhes de
como isto acontece ainda são desconhecidos.

As cores que vemos na atmosfera de Júpiter se correlacionam com a altitude da nuvem: as azuis são as mais baixas,
seguidas pelas marrons e brancas, com as vermelhos sendo as mais altas.

Algumas vezes vemos as camadas mais baixas da atmosfera através de buracos existentes nas suas camadas
superiores.

A "Grande Mancha Vermelha"

A Grande Mancha Vermelha já era conhecida pelos observadores terrestres há mais de 300 anos.

Sua descoberta é usualmente atribuida a Giovanni Cassini ou Robert Hooke e teria ocorrido no século XVII.

A Grande Mancha Vermelha tem a forma oval, com aproximadamente 12.000 por 25.000 quilômetros.

Ela é suficientemente grande para conter duas Terras na sua área.

A Grande Mancha Vermelha é uma tempestade complexa que se move na direção contrária à dos ponteiros do
relógio.

Na borda externa da Grande Mancha Vermelha, a matéria parece girar num intervalo de 4 a 6 dias. Próximo ao
centro, os movimentos são pequenos e ocorrem em direções aleatórias.

Juntando-se as observações realizadas na região espectral do infravermelho e o conhecimento sobre a direção de


sua rotação, os cientistas ficaram sabendo que a Grande Mancha Vermelha é uma região de alta pressão onde o
topo das nuvens é significantemente mais alto e mais frio do que as regiões circundantes.

Ainda não se sabe porque a Grande Mancha Vermelha continuar a existir. Conhecemos vários modêlos teóricos
que a descrevem e que parecem funcionar. No entanto, ainda precisamos de mais dados para decidir qual é o
melhor entre eles.
Esta impressionante imagem da Grande Mancha Vermelha de Júpiter e de seus
arredores foi obtida pela sonda espacial Voyager 1 em 25 de fevereiro de 1979,
quando ela estava a 9,2 milhões de quilômetros deste planeta. Podemos ver
detalhes muito pequenos das nuvens, com uma extensão de apenas 160
quilômetros de lado a lado. A nuvem ondulada e colorida que vemos à esquerda da
Grande Mancha Vermelha é uma região
que possue um movimento ondulatório
variável e extraordinariamente complexo.

Esta imagem é uma representação em


cores artificiais da Grande Mancha
Vermelha de Júpiter. Ela é, na verdade,
um mosaico de 18 imagens, cada conjunto de 6 delas obtidas com filtros
diferentes, que foram tomadas durante um período de 6 minutos em 26 de
junho de 1996 durante a segunda seqüência de observação da Grande
Mancha Vermelha feita pela sonda espacial Galileu. O uso dos filtros
infravermelho-próximo da sonda Galileu permitiram registrar a luz incidente do Sol além do intervalo visível. Esta
radiação é capaz de penetrar em diferentes profundidades na atmosfera de Júpiter antes de ser refletida pelas
nuvens. A imagem foi processada para revelar a altura do topo das nuvens. A Grande Mancha Vermelha aparece
cor de rosa e a região circundante azul por causa do código de cores particular usado nesta representação. O canal
vermelho é a refletância de Júpiter em um comprimento de onda onde o metano absorve fortemente (889 nm). Por
causa desta absorção, somente nuvens altas podem refletir a luz solar neste comprimento de onda. O canal verde é
a refletância em um comprimento de onda onde o metano também absorve, só que menos fortemente (727 nm). As
nuvens mais baixas podem refletir a luz solar neste comprimento de onda. Finalmente, o canal azul é a refletância
em um comprimento de onda onde não há, essencialmente, absorvedores na atmosfera Joviana (756 nm) e vemos
então a luz refletida pelas nuvens mais profundas. Assim, a cor de uma nuvem nesta imagem indica sua altura, com
as áreas brancas mostrando as nuvens mais altas e mais espessas. As áreas cor de rosa são neblinas rarefeitas e altas
e as áreas azul ou preto mostram as nuvens mais baixas. Esta imagem mostra que a Grande Mancha Vermelha é
relativamente alta, como são algumas nuvens menores vistas no nordeste e noroeste da imagem, e que são,
surpreendentemente, muito semelhantes aos temporais grandes e violentos, produzidos por nuvens situadas a
grandes alturas, que ocorrem na Terra. As nuvens mais profundas estão no colar que circunda a Grande Mancha
Vermelha, e também exatamente ao noroeste da nuvem brilhante e alta que vemos no canto noroeste da imagem.
Modelos preliminares mostram que estas nuvens podem estar localizadas a mais de 30 quilômetros de altura.

Outras "manchas" e tempestades atmosféricas

Podemos observar na atmosfera de Júpiter outras manchas menores. Elas já eram conhecidas há décadas e são
manifestações de pequenas tempestades e redemoinhos. Estas pequenas manchas podem ser encontradas por toda
parte nas bandas coloridas. Estruturas similares também foram observadas em Saturno e Netuno. Ainda não se sabe
como tais estruturas podem existir por tanto tempo.

A figura ao lado é uma imagem obtida pelo Hubble Space Telescope da


NASA e ESA em 13 de fevereiro de 1995, usando a Wide Field and
Planetary Camera 2. Esta imagem foi obtida por um grupo de
pesquisadores liderados por Reta Beebe, da New Mexico State
University, quando Júpiter estava a uma distância de 961 milhões de
quilômetros da Terra.

A imagem fornece uma detalhada visão de um raro aglomerado de 3 tempestades de forma oval, brancas, que estão
situadas a sudoeste (abaixo e para a esquerda) da Grande Mancha Vermelha de Júpiter. A aparência das nuvens,
nesta imagem, é consideravelmente diferente da aparência delas apenas 7 meses antes. Estas manchas brancas
estão de movendo bem próximas umas das outras. À medida que a Grande Mancha Vermelha é levada na direção
oeste pelos ventos predominantes, as manchas ovais brancas são varridas na direção leste.

As duas tempestades brancas mais externas se formaram no final dos anos da década de 1930. Nos centros destes
sistemas de nuvens os gases estão se elevando, transportando gás de amônia fresco para cima. Cristais de gelo
branco, novos, se formam quando o gás que flui para cima congela ao alcançar o topo bastante frio das nuvens,
onde a temperatura é de - 130o.

O centro da tempestade branca que está entre as outras duas, a estrutura semelhante a uma corda à esquerda das
ovais, e a pequena mancha marrom que ai aparece se formaram em células de baixa pressão atmosférica.

Estas nuvens brancas estão em uma posição fixa acima de locais onde o gás está descendo para regiões mais
quentes e mais baixas.
O derretimento deste gelo branco cria quantidades variadas de um nevoeiro marrom que é onipresente em Júpiter.
Quanto mais forte o fluxo para baixo, menos gelo e mais marrom a região.

O campo magnético e os cinturões de radiação de Júpiter

Júpiter tem um enorme campo magnético, muito mais forte que o da Terra.

Sua magnetosfera se estende por mais de 650 milhões de quilômetros, muito além da órbita de Saturno!

Note que a magnetosfera de Júpiter está longe de ser esférica. Ela se estende por "somente" alguns milhões de
quilômetros, de 3 a 7 milhões, na direção voltada para o Sol.

Os anéis e os satélites de Júpiter, por conseguinte, estão situados dentro de sua magnetosfera, um intenso cinturão
de radiação formado por elétrons e íons aprisionados no campo magnético de Júpiter. Este fato pode, parcialmente,
explicar parte da atividade vulcânica vista no satélite Io.

Infelizmente, para futuros viajantes do espaço e como uma real preocupação para os projetistas das sondas
espaciais Voyager e Galileu, o meio ambiente próximo a Júpiter contém altos níveis de partículas energéticas
aprisionadas pelo campo magnético deste planeta.

Esta "radiação" é similar, mas muito mais intensa, àquela encontrada dentro dos cinturões Van Allen que envolvem
a Terra. Ela seria imediatamente fatal para qualquer ser humano não protegido que se aproximasse do planeta
Júpiter.

A sonda Galileu descobriu um novo cinturão de radiação intenso entre os anéis de Júpiter e as camadas
atmosféricas mais superiores.

Este novo cinturão é, aproximadamente, 10 vezes tão forte quanto os cinturões de radiação Van Allen da Terra.

Surpreendentemente, este novo cinturão contém íons de hélio de altas energias cuja origem é desconhecida.

Esta imagem tomada por um dos instrumentos colocados a bordo da sonda


espacial Cassini tornou visível a enorme magnetosfera que circunda Júpiter. Pela
primeira vez a magnestosfera de Júpiter revelou a sua extensão. Nenhum
instrumento ou satélite havia sido capaz de mostrá-la anteriormente.

A magnetosfera é uma bolha de partículas carregadas aprisionadas dentro do meio


ambiente magnético de um planeta. Um campo magnético está esboçado sobre a
imagem para colocar as emissões de átomos neutros energéticos em perspectiva.
Este esboço se estende no plano horizontal até uma largura de 30 vezes o raio de
Júpiter. Também é mostrado o disco de Júpiter (círculo preto) e a posição
aproximada (círculos amarelos) do torus magnético, uma figura em forma de
rosquinha, criado a partir do material expelido pelos vulcões que estão em erupção em Io, um dos maiores satélites
de Júpiter.

Alguns dos íons que se movem rapidamente dentro da magnetosfera capturam elétrons e se tornam átomos neutros.
Quando isto acontece estes átomos neutros podem escapar do campo magnético de Júpiter, sua magnetosfera, a
velocidades de milhares de quilômetros por segundo. O instrumento a bordo da sonda espacial Cassini que obteve
esta imagem da magnetosfera, a construiu a partir destes átomos que alcançam a espaçonave, de modo análogo à
maneira pela qual uma câmera normal constrói uma imagem a partir de fótons refletido por um objeto. A missão
Cassini é um projeto conjunto da NASA, ESA e da Agenzia Spaziale Italiana (ASI). O Jet Propulsion Laboratory
(JPL), uma divisão do California Institute of Technology (CalTech) é que gerencia a missão Cassini para a NASA.

As Auroras em Júpiter

Emissões aurorais, similares às chamadas "luzes do norte" que vemos na Terra, foram observadas nas regiões
polares de Júpiter.

As emissões aurorais parecem estar relacionadas com material proveniente do satélite Io. Esta matéria espirala ao
longo das linhas do campo magnético até cair na atmosfera de Júpiter.

A imagem ao lado foi obtida em 26 de novembro de 1998 utilizando-se o


"Hubble Space Telescope Imaging Spectrograph (STIS)", um dos sensíveis
detectores instalados a bordo do Hubble Space Telescope, da NASA/ESA.
Com este equipamento os astrônomos foram capazes de obter esta
espetacular imagem, no ultravioleta, do planeta Júpiter onde podemos
observar, claramente, auroras nas regiões polares ao mesmo tempo em que
as nuvens do planeta são mascaradas. Vemos que uma cortina de gás
brilhante está enrolada em volta do polo norte de Júpiter como um laço.

Esta cortina de luz, chamada de "aurora", é produzida quando elétrons de


altas energias movem-se rapidamente ao longo do campo magnético do planeta, dirigindo-se para dentro da
atmosfera superior onde então eles excitam os gases atmosféricos e os fazem brilhar.

Embora o fenômeno de aurora mostrado aqui relembre o mesmo fenômeno que ocorre nas regiões polares da
Terra, a imagem obtida pelo Hubble Space Telescope, tomada na luz ultravioleta, mostra emissões sem igual
provenientes das "pegadas" magnéticas dos satélites Io, Ganimedes e Europa, três dos maiores satélites de Júpiter.
Vemos, nesta imagem, as "pegadas" aurorais de Io, ao longo do limbo à esquerda, Ganimedes, próximo ao centro,
e Europa, logo abaixo e à direita da "pegada" auroral de Ganimedes. Estas emissões, produzidas por correntes
elétricas geradas pelos satélites, fluem ao longo do campo magnético de Júpiter, passando dentro e fora da
atmosfera superior do planeta. Elas são diferentes de qualquer fenômeno deste tipo que ocorre na Terra.

A imagem de Júpiter (ao lado), obtidas entre maio de 1994 e


setembro de 1995 pelo Hubble Space Telescope da NASA/ESA
usando sua Wide Field and Planetary Camera 2, revelam variações
nas emissões aurorais de Júpiter e de que modo elas estão vinculadas
com Io, o satélite vulcânico de Júpiter. Estas imagens nos
apresentam visões mais delicadas e bastante detalhadas, jamais vistas
anteriormente, das auroras jovianas (clique sobre elas para ver
melhor os detalhes).

A imagem de cima mostra com precisão os efeitos das emissões


provenientes de Io, que é, aproximadamente, do tamanho da Lua. A
imagem em preto e branco da esquerda, obtida na luz visível, mostra
como Io e Júpiter estão relacionados por uma corrente elétrica
invisível de partículas carregadas chamada de "tubo de fluxo" ("flux
tube"). As partículas ejetadas pelas erupções vulcânicas que ocorrem
no satélite Io (a marca brilhante à direita de Júpiter) fluem ao longo
das linhas do campo magnético de Júpiter, que passam através do satélite, até os polos magnéticos norte e sul do
planeta. Esta imagem também mostra as faixas de nuvens que circundam Júpiter, assim como a sua Grande
Mancha Vermelha.

A imagem em preto e branco mostrada à direita, em cima, obtida na luz ultravioleta cerca de 15 minutos depois,
mostra as emissões aurorais nos polos norte e sul de Júpiter. Exatamente do lado de fora destas emissões estão as
manchas aurorais chamadas "pegadas" ("footprints"). Estas manchas são criadas quando as partículas do "tubo de
fluxo" de Io alcançam a atmosfera superior de Júpiter e interagem com o gás hidrogênio, fazendo-o fluorescer.
Nesta imagem o satélite Io não é observado porque ele é fraco no ultravioleta.

As duas imagens ultravioletas na parte de baixo da figura mostram como as emissões aurorais variam em brilho e
estrutura à medida que Júpiter realiza sua rotação. Estas imagens em cores falsas também revelam que o campo
magnético está deslocado em relação ao eixo de rotação de Júpiter em cerca de 10 a 15 graus. Na imagem da
direita, a emissão auroral norte está se elevando sobre o limbo da esquerda, a oval auroral do sul está começando a
se por. A imagem da esquerda, obtida em uma data diferente, mostra uma visão completa da aurora do norte, com
uma forte emissão dentro da oval auroral principal.

Relâmpagos em Júpiter

Relâmpagos no topo das nuvens, similares aos super-relâmpagos que ocorrem na atmosfera superior da Terra,
também foram observados.
O Interior de Júpiter

Júpiter é composto principalmente por hidrogênio e hélio. Já vimos que ele tem, aproximadamente, 90% de
hidrogênio e 10% de hélio por números de átomos e 75% de hidrogênio e 25% de hélio por massa.

Júpiter possui ainda traços de metano, água, vapor dágua, amônia, "rocha", e outros componentes.

Esta composição de Júpiter é muito próxima à composição do Sol. Isto nos diz que a composição de Júpiter é
semelhante àquela que havia na Nebulosa Solar primordial a partir da qual o Sistema Solar inteiro foi formado.

Saturno tem uma composição similar a Júpiter mas Urano e Netuno têm muito menos hidrogênio e hélio.

Nosso conhecimento do interior de Júpiter, e também dos outros planetas gasosos, é totalmente indireto e deve
permanecer assim por algum tempo.

Os dados da sonda atmosférica da Galileu somente nos deram informações sobre a região situada até cerca de 150
quilômetros abaixo do topo das nuvens.
Júpiter, provavelmente, tem uma região central de material rochoso que equivale a cerca de 10 a 15 massas da
Terra.
Acima da região central de Júpiter, devido à temperatura e pressão existente neste local, o hidrogênio não
permanece mais no estado gasoso e se converte em um líquido. Esta forma exótica do mais comum dos elementos
do Universo somente é obtida em situações onde a pressões excede 4 milhões de bars, como é o caso do interior de
Júpiter (e também de Saturno).

Isto ocorre por que a grandes profundidades dentro de Júpiter, a pressão é tão formidável que os átomos de
hidrogênio são rompidos e os elétrons ficam em liberdade. Deste modo, nesta região interna onde existem grandes
temperaturas e pressões, os átomos resultantes consistem de prótons nús. Isto produz um estado no qual o
hidrogênio se torna metálico. Dizemos, portanto, que o hidrogênio metálico líquido consiste de prótons e elétrons
ionizados, tal como ocorre no interior do Sol só que a uma temperatura muito mais baixa.

O hidrogênio metálico líquido é condutor de eletricidade e também a fonte do campo magnético de Júpiter.

O hidrogênio metálico líquido foi produzido artificialmente no Lawrence Livermore National Laboratory, nos
Estados Unidos, mas ainda desconhecemos muito sobre suas propriedades.

Vemos, portanto, que a maior parte de Júpiter, seu volume principal, está na forma de hidrogênio metálico líquido.

Esta camada interna, provavelmente, também contém algum hélio e vestígios de vários tipos de "gelos".
A camada mais externa de Júpiter é composta principalmente de hidrogênio molecular ordinário e hélio que é
líquido no interior do planeta e gasoso a partir desta região até a sua superfície.

A atmosfera que nós vemos é apenas o topo desta camada profunda.

Água, dióxido de carbono, metano e outras moléculas simples também estão presentes em pequenas quantidades.

Experiências recentes mostraram que o hidrogênio não muda de fase subitamente. Por conseguinte os planetas
jovianos, provavelmente, tem limites indistintos entre suas várias camadas interiores.

Resumindo a estrutura de Júpiter:


a camada mais externa é composta, principalmente, de hidrogênio molecular.

em profundidades maiores o hidrogênio começa a tomar a forma líquida.

a 10000 quilômetros abaixo do topo das nuvens de Júpiter, o hidrogênio líquido atinge a pressão de
1.000.000 bar com uma temperatura de 6.000 K. Neste estado, o hidrogênio muda para uma fase de
hidrogênio metálico líquido. Neste estado, os átomos de hidrogênio se rompem produzindo prótons e
elétrons ionizados, similares ao que encontramos no interior do Sol.

abaixo disto está uma camada dominada por gelo, onde "gelo" significa uma mistura líquida, como se fosse
uma sopa, de água, metano e amônia sob altas temperaturas e pressões.

finalmente, no centro do planeta está uma região central rochosa ou gelo-rochosa de até 10 massas
terrestres.

A energia irradiada por Júpiter

Júpiter irradia mais energia para o espaço do que ele recebe do Sol.

O interior de Júpiter é quente. Sua região central tem, provavelmente, cerca de 20.000 Kelvins.

O calor deste planeta é gerado pelo chamado mecanismo de Kelvin-Helmholtz, que nada mais é do que a lenta
compressão gravitacional do material que forma o planeta.

Júpiter não produz energia por fusão nuclear como no Sol. Ele é pequeno demais e daí o seu interior é frio demais
para dar início às reações nucleares.

O calor interior de Júpiter, provavelmente, provoca movimentos de convexão na sua parte mais profunda, dentro
das suas camadas líquidas, e é, provavelmente, o responsável pelos movimentos complexos que vemos nos topos
das nuvens.

Saturno e Netuno são similares a Júpiter no que diz respeito a este fenômeno mas, estranhamente, Urano não é.
Os anéis de Júpiter

Júpiter tem um sistema de anéis planetários semelhantes aos anéis de Saturno.

No entanto, ao contrário do que podemos observar em Saturno, o sistema de anéis de Júpiter é menor e muito
fraco, sendo totalmente invisível a partir da Terra.

A existência de um sistema de anéis


em torno de Júpiter era algo totalmente
inesperado. Estes anéis somente foram
descobertos em março de 1979 quando
dois cientistas insistiram que, depois
de viajar 1 bilhão de quilômetros, valia
a pena a sonda espacial Voyager 1 dar
uma rápida olhada para ver se existiam
anéis em torno de Júpiter. Apesar do
descredito da maior parte dos
pesquisadores que consideravam
praticamente nula a chance de ser
encontrado algo desse tipo em torno
deste planeta, os anéis existiam.

Esta descoberta foi muito importante. Desde então os anéis de Júpiter têm sido fotografados de muitas formas, em
particular no infravermelho a partir de telescópios baseados em Terra. Eles também foram fotografados pela sonda
espacial Galileu.
Existem muitas diferenças entre os anéis de Júpiter e de Saturno. Ao contrário do sistema anelar que envolve
Saturno, os anéis de Júpiter são escuros, com albedo de cerca de 0,05. Os pesquisadores até hoje ainda não sabem
com certeza por que motivo os anéis de Júpiter são tão escuros enquanto os anéis de Saturno são tão brilhantes.
Sabe-se, entretanto, que, ao contrário dos anéis de Saturno, os anéis de Júpiter parecem não conter qualquer gelo.
Ao que tudo indica em Júpiter os anéis são compostos, provavelmente, de grãos muito pequenos de material
rochoso.

As partículas que compõem os anéis de Júpiter, provavelmente, não permanecem neles por muito tempo. Elas são
retiradas dos anéis pelo arrasto magnético e atmosférico exercido pelo próprio planeta Júpiter.

Entretanto, a sonda espacial Galileu encontrou claras evidências de que os anéis de Júpiter são continuamente
reabastecidos pela poeira formada a partir dos impactos de micrometeoritos sobre os quatro satélites mais internos.
Estes impactos são muito energéticos por causa do grande campo gravitacional de Júpiter.
O anel do halo

O anel do halo, mais interno, tem a forma toroidal e se extende radialmente, a partir do centro de Júpiter de cerca
de 92000 quilômetros a aproximadamente 122500 quilômetros.

Este anel é formado à medida que partículas finas de poeira provenientes do contôrno interno do anel principal
"caem" na direção do planeta Júpiter.

Além disso este anel do halo é alargado pelas interações com o campo magnético de Júpiter.

O anel principal

O anel principal, que é o mais brilhante, se


estende do contorno do halo para fora até,
aproximadamente, 128.940 quilômetros.
Isto nos mostra que este anel se prolonga
até a região da órbita do satélite Adrastéia.

Próximo à órbita do satélite Metis o brilho


do anel principal diminui.

Anéis Gossamer

Para a sonda espacial Voyager 1, o anel


Gossamer pareceu ser um anel único.
Entretanto, as imagens obtidas pela
sonda espacial Galileu mostraram, de
modo inesperado, que o anel Gossamer
era, na realidade, formado por dois
anéis.

Os dois anéis Gossamer são fracos e


razoavelmente uniformes.

Nos afastando do planeta Júpiter, o anel


Gossamer interno se estende da órbita do satélite Adrastéia até a órbita do satélite Amaltéia, a 181000 quilômetros
do centro de Júpiter.

O anel Gossamer externo, que é mais fraco, se estende, na direção de afastamento de Júpiter, da órbita do satélite
Amaltéia até, aproximadamente, a órbita do satélite Thebe a 221.000 quilômetros do centro do planeta.
A tabela abaixo mostra algumas características dos anéis de Júpiter. A distância é medida do centro de Júpiter até a
borda interna do anel.

Anéis de Júpiter
raio/raio
densidade
raio equatorial largura espessura profundidade massa
anel albedo superficial
(km) de (km) (km) óptica (kg)
(g/cm2)
Júpiter
100000
1,40 -
halo - 22800 20000 3 x 10-6 ? ? ?
1,71
122000
122000
1,71 - 1x -
principal - 6400 < 30 5 x 10-6 5 x 10-6
1,81 1013 0,015
129000
129200
Gossamer 1,81 -
- 214200 ? 1 x 10-7 ? ? ?
interno 2,55
182000
182000
Gossamer 2,55 -
- ? ? ? ? ? ?
externo 3,15
224900
A figura abaixo compara os anéis de Júpiter com os anéis de Saturno, Urano e Netuno.
Os Satélites de Júpiter

Dados gerais

Júpiter tem, no momento, 63 satélites naturais conhecidos.

Eles são os quatro grandes satélites Galileanos, Io, Europa, Ganimedes e Calisto, mostrados na imagem abaixo, e
muitos outros pequenos satélites, alguns deles recentemente descobertos.

Os satélites de Júpiter recebem nomes de personagens mitológicos que de alguma forma participaram da vida de
Zeus sendo, na maior parte, nomes de suas amantes.
A imagem abaixo mostra quatro pequenos satélites de Júpiter.

Devido ao arrasto de maré produzido pelos grandes satélites Galileanos, Júpiter está ficando com a sua rotação
cada vez mais lenta, embora isto ocorra de modo muito gradual.

Estas mesmas forças de maré estão mudando as órbitas de alguns satélites de Júpiter, forçando-os muito lentamente
a se deslocarem para órbitas mais afastadas do planeta.

Io, Europa e Ganimedes são mantidos juntos em uma ressonância orbital 1:2:4 pela ação de forças de maré. Suas
órbitas evoluem ao mesmo tempo.

O mesmo fenômenos ocorrerá com Calisto. Daqui a algumas centenas de milhões de anos o satélite Calisto
permanecerá estável em uma órbita situada a exatamente duas vezes o período de Ganimedes e oito vezes o
período de Io.
A tabela abaixo mostra as principais características dos satélites de Júpiter que foram descobertos há mais tempo.
Os valores dos parâmetros físicos são aproximados.

Os primeiros satélites de Júpiter conhecidos


(por ordem de afastamento do planeta)
distância raio massa descoberto ano da
satélite
(quilômetros) (quilômetros) (quilogramas) por descoberta
Metis 128 100 20 9,56 x 1016 S. Synnott 1979
Adrastéia 128 900 10 1,91 x 1016 Jewitt - Danielson 1979
Amaltéia 181 400 98 7,17 x 1018 E. Barnard 1892
Thebe 221 900 50 7,77 x 1017 S. Synnott 1979
Io 421 600 1815 8,94 x 1022 S. Marius ou Galileu 1610
Europa 670 900 1569 4,80 x 1022 S. Marius ou Galileu 1610
Ganimedes 1 070 000 2631 1,48 x 1023 S. Marius ou Galileu 1610
Calisto 1 883 000 2400 1,08 x 1023 S. Marius ou Galileu 1610
Leda 11 170 000 8 5,68 x 1015 C. Kowal 1974
Himalia 11 460 000 93 9,56 x 1018 C. Perrine 1904
Lisitéia 11 720 000 18 7,77 x 1016 S. Nicholson 1938
Elara 11 740 000 38 7,77 x 1017 C. Perrine 1905
Ananke 21 280 000 15 3,82 x 1016 S. Nicholson 1951
Carme 23 400 000 20 9,56 x 1016 S. Nicholson 1938
Pasiphae 23 620 000 25 1,91 x 1017 P. Melotte 1908
Sinope 23 940 000 18 7,77 x 1016 S. Nicholson 1914

Parâmetros orbitais dos satélites de Júpiter


(por ordem de afastamento a partir do planeta)
semi-eixo maior período
período
de inclinação
nome designação raios orbital excentricidade
quilômetros rotação (graus)
jovianos (dias)
(dias)
JXVI,
Metis 128,0 x 103 1,79 0,294779 S 0,06 0,0002
S/1979 J3
JXV, S/1979
Adrastéia 129,0 x 103 1,80 0,298260 S 0,03 0,0015
J1
Amaltéia JV 181,4 x 103 2,54 0,498179 S 0,40 0,003
JXIV,
Thebe 221,9 x 103 3,11 0,6745 0,8 0,018
S/1979 J2
Io JI 421,6 x 103 5,91 1,769138 S 0,04 0,004
Europa JII 670,9 x 103 9,40 3,551181 S 0,47 0,0101
Ganimedes JIII 1070,4 x 103 14,97 7,154553 S 0,21 0,0015
Callisto JIV 1882,7 x 103 26,33 16,689018 S 0,51 0,007
JXVIII,
Themisto 7507 x 103 105,00 130,02 45,67 0,242
S/1975 J1
Leda JXIII 11170 x 103 156,2 240,92 27,47 0,164
Himália JVI 11460 x 103 160,3 250,5662 0,4 27,63 0,162
Lisitéia JX 11720 x 103 163,9 259,22 27,35 0,112
Elara JVII 11740 x 103 164,2 259,6528 0,5 24,77 0,217
S/2000 J11 - 12560 x 103 175,7 287,0 28,3 0,248
S/2003 J20 - 17100 x 103 239,2 456,5 R 55,1 0,295
S/2003 J3 - 18340 x 103 256,5 504,0 R 143,7 0,241
S/2003 J12 - 19000 x 103 265,8 533,3 R 145,8 0,376
JXXXIV,
Euporie 19390 x 103 271,2 553,1 R 147,0 0,156
S/2001 J10
S/2003 J21 - 20600 x 103 288,1 599,0 R 148,0 0,208
S/2003 J18 - 20700 x 103 289,5 606,3 R 146,5 0,119
S/2003 J6 - 20980 x 103 293,5 617,3 R 156,1 0,157
S/2003 J16 - 21000 x 103 293,7 595,4 R 148,6 0,270
JXXXIII,
Euanthe 21030 x 103 294,0 620,0 R 145,9 0,176
S/2001 J7
JXXII,
Harpalyke 21110 x 103 295,3 623,3 R 148,7 0,227
S/2000 J5
JXXVII,
Praxidike 21150 x 103 295,8 625,3 R 148,7 0,220
S/2000 J7
JXXXV,
Orthosie 21170 x 103 296,1 623,0 R 141,9 0,272
S/2001 J9
JXXX,
Hermippe 21250 x 103 297,2 631,9 R 150,3 0,251
S/2001 J3
JXXIV,
Iocaste 21270 x 103 297,5 631,5 R 159,7 0,218
S/2000 J3
Ananke JXII 21280 x 103 297,7 629,8 R 148,9 0,244
JXXIX,
Thyone 21310 x 103 298,1 632,4 R 149,0 0,295
S/2001 J2
S/2003 J15 - 22000 x 103 307,7 668,4 R 140,8 0,110
S/2003 J17 - 22000 x 103 307,7 690,3 R 163,7 0,190
S/2003 J11 - 22400 x 103 313,3 683,0 R 163,9 0,223
S/2003 J9 - 22440 x 103 313,9 683,0 R 164,5 0,269
S/2003 J19 - 22800 x 103 318,9 701,3 R 162,9 0,334
S/2002 J1 - 22930 x 103 320,7 723,9 R 165,0 0,259
JXXXVIII,
Pasithee 23030 x 103 322,1 716,3 R 165,4 0,288
S/2001 J6
JXXXVII,
Kale 23120 x 103 323,4 720,9 R 165,3 0,475
S/2001 J8
Chaldene JXXI, 23180 x 103 324,2 723,8 R 165,4 0,238
S/2000 J10
JXXVI,
Isonoe 23220 x 103 324,8 725,5 R 165,0 0,261
S/2000 J6
JXXXII,
Eurydome 23220 x 103 324,8 720,8 R 150,1 0,345
S/2001 J4
S/2003 J4 - 23260 x 103 325,4 723,2 R 144,9 0,204
JXXV,
Erinome 23280 x 103 325,6 728,3 R 164,9 0,270
S/2000 J4
JXX, S/2000
Taygete 23360 x 103 326,7 732,2 R 165,2 0,251
J9
Carme JXI 23400 x 103 327,3 734,2 R 164,9 0,253
JXXXI,
Aitne 23550 x 103 329,4 741,0 R 165,7 0,291
S/2001 J11
JXXIII,
Kalyke 23580 x 103 329,8 743,0 R 165,2 0,243
S/2000 J2
Pasiphae JVIII 23620 x 103 330,4 743,6 R 151,4 0,409
JXIX,
Megaclite 23810 x 103 333,0 752,8 R 152,7 0,425
S/2000 J8
JXXXVI,
Sponde 23810 x 103 333,0 749,1 R 155,0 0,454
S/2001 J5
S/2003 J7 - 23810 x 103 333,0 748,8 R 159,4 0,405
Sinope JIX 23940 x 103 334,9 758,9 R 158,1 0,250
S/2003 J13 - 24000 x 103 335,7 737,8 R 141,0 0,412
S/2003 J5 - 24080 x 103 336,8 759,7 R 165,0 0,210
JXVII,
Callirrhoe 24100 x 103 337,1 758,8 R 147,1 0,283
S/1999 J1
JXXVIII,
Autonoe 24120 x 103 337,4 765,1 R 151,9 0,415
S/2001 J1
S/2003 J10 - 24250 x 103 339,2 767,0 R 164,1 0,214
S/2003 J8 - 24510 x 103 342,8 781,6 R 152,6 0,264
S/2003 J1 - 24560 x 103 343,5 781,6 R 163,4 0,345
S/2003 J14 - 25000 x 103 349,7 807,8 R 140,9 0,222
S/2003 J2 - 28570 x 103 399,6 982,5 R 151,8 0,380
Observações: R indica movimento retrógrado. S indica rotação síncrona ou seja, o período de rotação é o mesmo
que o período orbital.

Parâmetros gerais dos satélites de Júpiter


(por ordem de tamanho)
densidade
massa raio albedo geométrico
nome designação média
(quilogramas) (quilograma) visual
(kg/m3)
Ganimedes JIII 1481,9 x 1020 2631,2 1940 0,44
20
Callisto JIV 1075,9 x 10 2410,3 1830 0,19
20
Io JI 893,2 x 10 1821,6 3530 0,62
20
Europa JII 480,0 x 10 1560,8 3010 0,68
20
Amaltéia JV 0,075 x 10 131 x 73 x 67 0,09
20
Himália JVI 0,095 x 10 85 0,03
20
Thebe JXIV, S/1979 J2 0,008 x 10 55 x 45 0,05
20
Elara JVII 0,008 x 10 40 0,03
20
Metis JXVI, S/1979 J3 0,001 x 10 20 0,06
20
Pasiphae JVIII 0,003 x 10 18 0,10
20
Carme JXI 0,001 x 10 15 0,06
3
Sinope JIX 0,0008 x 10 14 0,05
20
Adrastéia JXV, S/1979 J1 0,0002 x 10 13 x 10 x 8 0,10
20
Lisitéia JX 0,0008 x 10 12 0,06
20
Ananke JXII 0,0004 x 10 10 0,06
20
Leda JXIII 0,00006 x 10 5 0,07
Themisto JXVIII, S/1975 J1 4 0,04
Callirrhoe JXVII, S/1999 J1 4,0 0,04
S/2003 J1 - 4,0
S/2003 J5 - 4,0
S/2003 J6 - 4,0
S/2003 J7 - 4,0
Praxidike JXXVII, S/2000 J7 3,4 0,04
S/2003 J8 - 3,0
S/2003 J20 - 3,0
Megaclite JXIX, S/2000 J8 2,7 0,04
Iocaste JXXIV, S/2000 J3 2,6 0,04
Kalyke JXXIII, S/2000 J2 2,6 0,04
Taygete JXX, S/2000 J9 2,5 0,04
Harpalyke JXXII, S/2000 J5 2,2 0,04
S/2000 J11 - 2,0 0,04
Autonoe JXXVIII, S/2001 2,0
J1
Thyone JXXIX, S/2001 J2 2,0
Hermippe JXXX, S/2001 J3 2,0
S/2003 J2 - 2,0
S/2003 J3 - 2,0
S/2003 J4 - 2,0
S/2003 J10 - 2,0
S/2003 J11 - 2,0
S/2003 J13 - 2,0
S/2003 J14 - 2,0
S/2003 J15 - 2,0
S/2003 J16 - 2,0
S/2003 J17 - 2,0
S/2003 J18 - 2,0
S/2003 J19 - 2,0
S/2003 J21 - 2,0
Chaldene JXXI, S/2000 J10 1,9 0,04
Isonoe JXXVI, S/2000 J6 1,9 0,04
Erinome JXXV, S/2000 J4 1,6 0,04
Eurydome JXXXII, S/2001 J4 1,5
JXXXIII, S/2001
Euanthe 1,5
J7
JXXXI, S/2001
Aitne 1,5
J11
S/2002 J1 - 1,5
JXXXVI, S/2001
Sponde 1,0
J5
JXXXVIII, S/2001
Pasithee 1,0
J6
JXXXVII, S/2001
Kale 1,0
J8
Orthosie JXXXV, S/2001 J9 1,0
JXXXIV, S/2001
Euporie 1,0
J10
S/2003 J9 - 1,0
S/2003 J12 - 1,0
Os satélites Galileanos

No dia 7 de janeiro de 1610, Galileo Galilei (1564-1642) observou três pequenos


pontos de luz dispostos em linha próximos ao planeta Júpiter. Na noite seguinte
estas "estrelas" pareciam ter se movido só que na direção "errada". Isto chamou a
atenção de Galileu que continuou a observar estas pequeninas "estrelas", assim
como Júpiter durante toda a semana seguinte.

No dia 14 de janeiro, surpreendentemente, surgiu uma quarta "estrela", com as


mesmas características das outras três, naquela região.

Após uma semana de observações, Galileu notou que as quatro "estrelas" nunca
saiam das vizinhanças do planeta Júpiter. Parecia que o planeta as arrastava em sua
órbita. Além disso, estas "estrelas" mudavam suas posições no espaço, umas em
relação às outras e todas elas em relação a Júpiter.

Galileu deduziu que certamente ele não estava observando "estrelas" mas sim
objetos celestes que estavam em órbita em torno de Júpiter.

Galileu havia descoberto quatro satélites de Júpiter. Io, Europa, Calisto eram suas primeiras "estrelas" enquanto
que Ganimedes era a quarta "estrela" observada por ele.

Esta descoberta foi uma grande evidência de que o Sistema Solar proposto por Copérnico, e que era considerado
uma heresia, devia estar correto. Pela primeira vez era mostrado que nem todos os corpos celestes giravam em
torno do nosso planeta.

A imagem abaixo nos mostra o livro de observações de Galileu onde ele anotou a disposição inicial e a variação na
posição dos quatro grandes satélites de Júpiter.
Muitas outras descobertas seriam feitas nos anos seguintes a partir do conhecimento destes quatro satélites de
Júpiter. Em 1610 o astrônomo holandês Ole Romer conseguiu obter as primeiras medições precisas da velocidade
da luz a partir da observação do instante exato em que estes satélites eram eclipsados pela sombra de Júpiter. No
final do século XVIII, o astrônomo francês Pierre-Simon de Laplace deduziu que os satélites Io, Europa e
Ganimedes possuiam períodos orbitais que mantinham uma perfeita razão igual a 1:2:4. A isto damos o nome de
ressonância orbital. Em 1920 o conhecimento deste fato permitiu que, pela primeira vez, pudesse ser feita uma
estimativa das massas destes satélites, embora com uma precisão de 20%.
Quando alcançou Júpiter, em 1979, a sonda espacial Voyager se aproximou suficientemente dos satélites
galileanos, conseguindo obter imagens de alta resolução de sua superfície assim como realizar diversas
experiências naquela região. Os cientistas puderam então saber, com bastante precisão, quais eram as dimensões e
massas dos satélites galileanos.

A imagem abaixo mostra comparativamente diferentes aspectos dos quatro satélites galileanos, Io, Europa,
Ganimedes e Calisto.

Quem descobriu os satélites galileanos: Galileo Galilei ou Simon Marius?

Simon Marius (1573-1624), também conhecido como Simon MAYR, foi um astrônomo e físico
alemão contemporâneo de Galileu. Marius estudou com Johannes Kepler e, ao que tudo indica,
assistiu palestras proferidas por Galileu.
Marius e Galileu reinvidicaram terem sido os primeiros a observar os 4 maiores satélites de
Júpiter em 1610 e provavelmente o fizeram independentemente.

Os historiadores se dividem quanto ao verdadeiro descobridor dos quatro maiores satélites de


Júpiter. No entanto, foi Simon Marius que deu a estes quatro grandes satélites, que chamamos de satélites
"Galileanos", os nomes pelos quais eles são conhecidos hoje, respectivamente Io, Europa, Ganimedes e Calisto.

Simon Marius foi o primeiro a observar a "nebulosa" Andromeda, como ela era conhecida naquele tempo, (e que
hoje sabemos ser uma galáxia) com um telescópio. Ele também foi um dos primeiros a observar as manchas
solares.
Parâmetros gerais dos satélites Galileanos de Júpiter
(comparados com outros corpos celestes)

velocidade
massa campo
diâmetro densidade gravidade de temperatura
nome (1021 magnético
(km) kg) (kg/m3) (m/seg2) escape média
global?
(km/seg)
GANIMEDE 5262 148,2 1940 1,43 2,7 -160 sim
Titã
(satélite de 5150 134,6 1881 1,35 2,6 -180 desconhecido
Saturno)
Mercúrio
4879 330,2 5427 3,7 4,3 167 sim
(planeta)
CALISTO 4821 107,6 1830 1,24 2,4 -155 não
IO 3643 89,3 3530 1,80 2,6 -155 possível
Lua
(satélite da 3475 73,5 3340 1,6 2,4 -20 não
Terra
EUROPA 3122 48,0 3010 1,31 2,0 -170 não
Tritão
(satélite de 2705 21,5 2050 0,78 1,5 -215 desconhecido
Netuno)
Plutão
2390 12,5 1750 0,6 1,1 -225 desconhecido
(planeta)
Ceres
950 0,87 2000 0,26 0,5 -105 desconhecido
(asteróide)

Parâmetros orbitais dos satélites Galileanos de Júpiter


(comparados com outros corpos celestes)

período
distância periapse apoapse período velocidade inclinação
de excentricidade
nome orbital (103 (103 orbital orbital orbital
rotação 3 kg) orbital
(10 km) km) (dias) (km/seg) (graus)
(horas)
GANIMEDE 171,7 1070 1068 1072 7,2 10,9 0,21 0,0015
Titã
(satélite de 382,7 1222 1186 1258 15,9 5,6 0,33 0,029
Saturno)
Mercúrio
1407,6 57900 46000 69800 88,0 47,9 7,0 0,205
(planeta)
CALISTO 400,5 1883 1870 1896 16,7 8,2 0,51 0,007
IO 42,5 422 420 424 1,8 17,3 0,04 0,004
Lua
(satélite da 655,7 384 363 406 27,3 1,0 5,1 0,055
Terra)
EUROPA 85,2 671 664 678 3,6 13,7 0,47 0,0101
Tritão
(satélite de -141,0 355 355 355 5,9 4,4 157,3 0,000
Netuno)
Plutão
5 870 4 435 7 304
(planeta -153,3 90588 4,7 17,2 0,244
000 000 300
anão)
Ceres
9,1 414 000 381 000 447000 1680 17,9 10,6 0,079
(asteróide)
Conheça detalhes dos satélites Galileanos

Io | Europa | Ganimedes | Calisto


Saturno

Saturno é o sexto planeta do Sistema Solar, contando a partir do Sol, e o segundo maior planeta sendo superado
apenas por Júpiter.

O planeta Saturno está a uma distância de 1429400000 quilômetros do Sol, o que corresponde a cerca de 9,54
unidades astronômicas.

Sua massa é de apenas 5,68 x 1026 quilogramas.

Saturno possui, no momento, 31 satélites conhecidos que variam grandemente em tamanho, forma e aparência.

O planeta Saturno é bastante achatado. Sua forma oblatada pode ser notada até mesmo através de um pequeno
telescópio. Seu diâmetro equatorial é de 120536 quilômetros enquanto que o seu diâmetro polar é de 108728
quilômetros o que nos mostra existir uma variação de quase 10% entre estas duas medidas.

Acredita-se que o achatamento de Saturno é devido à sua rápida rotação e ao fato de ser basicamente formado por
fluidos.
Saturno é o menos denso de todos os planetas do Sistema Solar. Sua gravidade específica, que tem o valor de 0,7, é
menor do que a da água. Isto quer dizer que se o colocassemos dentro de uma gigantesca bacia com água Saturno
flutuaria. Saturno é o único planeta do Sistema Solar menos denso que a água. Ele é cerca de 30% menos denso
que a água.

O dia em Saturno dura 10 horas e 39 minutos.

Saturno leva 29,5 anos terrestres para completar uma volta em torno do Sol.

Saturno pode ser facilmente observado a olho nú em determinadas épocas do ano, embora ele não apareça no céu
tão brilhante quanto Júpiter ou Vênus. Os anéis de Saturno, assim como seus maiores satélites, são visíveis com
pequenos telescópios.

Embora Saturno esteja afastado de nós por, aproximadamente, 1280000000 de quilômetros, o Hubble Space
Telescope consegue registrar detalhes tão pequenos quanto aqueles que têm apenas 700 quilômetros de diâmetro.

As sondas espaciais que visitaram Saturno

Até hoje apenas 4 sondas espaciais visitaram o planeta Saturno. Em 1979, a sonda espacial norte-americana
Pioneer 11 foi a primeira a se aproximar deste planeta. Mais tarde as sondas norte-americanas Voyager 1 e
Voyager 2 também fizeram visitas a Saturno.

No dia 1 de julho de 2004 a sonda espacial Cassini-Huygens,projeto conjunto da NASA e da ESA, chegou a
Saturno e deve passar pelo menos os próximos 4 anos nas suas imediações enviando dados científicos para a Terra.

Dados Essenciais (aproximados) sobre Saturno

distancia média ao Sol


1 429 400 000 km (9,529 U.A.)
(órbita)
distancia média ao Sol comparada com a distância média está 9,5388 vezes mais distante do
Terra-Sol Sol do que a Terra
duração do ano em anos terrestres
29,458 ano e dias
(período de revolução)
10 horas 13 minutos e 59 segundos
equatorial
duração do dia em tempo terrestres terrestres
(período de rotação) 10 horas 39 minutos e 25 segundos
interno
terrestres
velocidade orbital média 9,67 km/segundo
120536 km (9,45 vezes o diâmetro
diametro (equatorial)
da Terra)
raio (equatorial) 60268 km
massa 5,688 x 1026 kg (95,181 vezes a
massa da Terra)
densidade média
0,69 gramas/centímetro cúbico
(densidade da água = 1)
gravidade na superfície (equatorial) 9,05 metros/segundo ao quadrado
velocidade de escape (equatorial) 35,49 km/segundo
temperatura média nas nuvens -125o Celsius
principais gases da atmosfera hidrogênio (97%), hélio (3%)
pressão atmosférica 1,4 bars
satélites conhecidos 31 satélites
anéis 6
excentricidade da órbita
0,0560
(desvio da órbita circular que tem excentricidade 0)
obliquidade
(inclinação do eixo de Saturno ou inclinação do seu equador 25,33o '
em relação ao plano orbital dos planetas)
achatamento de Saturno 10%
inclinação orbital 2,488o
albedo geométrico visual
0,47
(reflectividade)
magnitude (Vo) 0,67
Resumo dos dados conhecidos sobre Saturno

Comparando Saturno e a Terra

Parâmetros Globais
razão Saturno /
dados Saturno Terra
Terra
568,46 x
massa (quilogramas) 5,9736 x 1024 95,159
1024
82,713 x 108,321 x
volume(quilômetros cúbicos) 763,59 x 10
1010 1010
raio (nível de 1 bar) equatorial 60268 6378,1 9,449
(quilômetros) polar 54364 6356,8 8,552
raio médio volumétrico (quilômetros) 58232 6371,0 9,140
elipticidade 0,09796 0,00335 29,24
densidade média (quilograma por metros
687 5515 0,125
cúbico)
gravidade (em 1 bar) (m/seg2) 10,44 9,80 1,065
aceleração (em 1 bar) (m/seg) 8,96 9,78 0,916
velocidade de escape (km/seg) 35,5 11,19 3,172
GM (km3/seg2) 37,931 x 106 0,3986 x 106 95,16
albedo de Bond 0,342 0,306 1,12
albedo geométrico visual 0,47 0,367 1,28
magnitude visual -8,88 -3,86 -
irradiância solar (W/m2) 14,90 1367,6 0,011
temperatura de corpo negro (Kelvin) 81,1 254,3 0,319
2
momento de inércia (I/MR ) 0,210 0,3308 0,635
-
1082,63 x 10
J2 16298 x 10-6 6 15,054

número de satélites naturais 31 1 -


sistema de anéis planetários sim não -
Parâmetros Orbitais

dados Saturno Terra razão Saturno / Terra


semi-eixo maior (quilômetros) 1433,53 x 106 149,60 x 106 9,582
período da órbita sideral (dias) 10759,22 365,256 29,457
período da órbita tropical (dias) 10746,954 365,242 29,424
periélio (quilômetros) 1352,55 x 106 147,09 x 106 9,195
afélio (quilômetros) 1514,50 x 106 152,10 x 106 9,957
período sinódico (dias) 378,09 - -
velocidade orbital média (km/seg) 9,69 29,78 0,325
velocidade orbital máxima (km/seg) 10,18 30,29 0,336
velocidade orbital mínima (km/seg) 9,09 29,29 0,310
inclinação orbital (graus) 2,485 0,000 -
excentricidade da órbita 0,0565 0,0167 3,383
período de rotação sideral (horas) 10,656 23,9345 0,445
comprimento do dia (horas) 10,656 24,0000 0,444
obliquidade em relação à órbita (graus) 26,73 23,45 1,140

Parâmetros Observacionais de Saturno


mínima (quilômetros) 1195,5 x 106
distância à Terra
máxima (quilômetros) 1658,5 x 106
máximo (segundos de arco) 20,1
diâmetro aparente visto da Terra
mínimo (segundos de arco) 14,5
distância à Terra (quilômetros) 1277,42 x 106
valores médios em oposição à Terra diâmetro aparente (segundos de arco) 19,5
magnitude visual aparente 0,7
magnitude visual aparente máxima 0,43
Elementos Orbitais Médios de Saturno (J2000)

propriedades valores
semi-eixo maior (em U.A.) 9,53707032
excentricidade orbital 0,05415060
inclinação orbital (graus) 2,48446
longitude do nodo ascendente (graus) 113,71504
longitude do periélio (graus) 92,43194
longitude média (graus) 49,94432

Polo Norte de Rotação de Saturno

propriedades valores
ascenção reta 40,5954 - 0,0577 T
declinação 83,5380 - 0,0066 T
data de referência 12:00 UT 1 janeiro 2000 (JD 2451545,0)

Observação: "T" significa séculos Julianos a partir da data de referência.

Magnetosfera de Saturno

propriedades físicas valores


intensidade do campo de dipolo 0,210 gauss - Rs3
inclinação do dipolo em relação ao eixo de rotação < 1 grau
distância do deslocamento do dipolo (do centro do planeta ao 0,04 a 0,05 Rs na direção
centro do dipolo) norte

Observação: "Rs" significa raios de Saturno, considerados aqui como 60330 quilômetros.
O campo magnético de Saturno tem significantes momentos de quadrupolo e octopolo.
Atmosfera de Saturno

propriedades físicas valores


pressão na superfície >> 1000 bars
temperatura em 0,1 bar 84 K (-189o Celsius)
temperatura em 1 bar 134 K (-139o Celsius)
densidade em 1 bar 0,19 kg/m3
até 400 m/seg (< 30 graus de latitude)
velocidades dos ventos
até 150 m/seg (> 30 graus de latitide
altura de escala 59,5 quilômetros
peso molecular médio 2.07 gramas/mole
hidrogênio molecular (H2) - 96,3%
maior (2,4%)
hélio (He) - 3,25% (2,4%)
metano (CH4) - 4500 (2000)
composição atmosférica menor amonia (NH3) - 125 (75)
(por volume, incerteza entre (ppm) hidrogênio deuteride (HD) - 110 (58)
parênteses)
etano (C2H6) - 7 (1,5)
gelo de amônia
aerosóis gelo de água
hidrosulfito de amônia
Um pouco da história de Saturno

O planeta Saturno é conhecido desde as épocas pré-históricas.

Os mais antigos registros escritos que documentam Saturno são atribuidos aos assírios. Por volta de 700 antes de
Cristo, eles descreveram o planeta com anéis como "uma centelha na noite" e o chamaram de "Estrela de Ninib".

Os assírios, que viviam na região onde hoje é o Iraque, prosperaram entre 1400 e 620 antes de Cristo. Eles
incorporaram a cultura dos babilônios, uma civilização que se interessava bastante pela astronomia. Os
historiadores acreditam que já no ano 3000 antes de Cristo os babilônios haviam reconhecido as mais importantes
constelações e desenvolvido um calendário capaz de registrar eventos astronômicos.

Alguns séculos mais tarde, no ano 400 antes de Cristo, os antigos gregos deram a Saturno, que eles pensaram ser
uma estrela errante, um nome em honra de Kronos, seu deus da agricultura, que algumas vezes também é chamado
de Cronos ou Cronus.

Kronos era filho de Uranus e Gaia e pai de Zeus (Júpiter). Além disso Kronos era o chefe dos titãs. Kronos não
deve ser confundido com Chronos, a personificação do tempo, segundo a mitologia grega.

Os romanos, que adaptaram muito do conhecimento greo à sua cultura, mudaram o nome do planeta com anéis
para Saturnus, a raiz do nome inglês Saturn. Na mitologia romana Saturno era o deus da agricultura. Em sua honra
era celebrado, em dezembro, o festival da Saturnália, um encontro de sete dias que se tornou a festividade mais
popular da antiga Roma.
Através de todo o milênio seguinte, nosso conhecimento de Saturno não mudou muito e o planeta era ainda
considerado como uma estrela errante, até a invenção do telescópio.

Esta nova ferramente, inventada no início do século XVII por um óptico holandês, rapidamente revolucionou a
astronomia.

Tendo ouvido falar sobre o novo instrumento, em 1609 o cientista italiano Galileo Galilei construiu sua própria
versão feita em casa de um telescópio e o apontou para os céus. Galileu foi o primeiro a observá-lo com o auxílio
de um telescópio em 1610, usando o que nós chamaríamos hoje de um telescópio pequeno. Seu equipamento
somente permitia que as imagens fossem ampliadas 20 vezes mas isto foi o suficiente para que Galileu notasse que
havia algo especial no planeta Saturno.

A estranha aparência do planeta Saturno foi notada por Galileu mas como ele não podia comprender muito bem o
que estava "errado" com o planeta isto o levou a supor somente respostas erradas.

A princípio ele supôs que Saturno era um grupo de 3 planetas bem juntos, com dois objetos pequenos a cada lado
de um planeta maior.

Dois anos mais tarde, entretanto, mudanças na aparência de Saturno enganaram Galileu. Os dois planetas menores
tinham desaparecido e Saturno estava agora sozinho. Galileu escreveu que estava "atônito" com este fenômeno.
Sabemos agora que os anéis parecem desaparecer à medida que a nossa visão do plano onde eles se encontram se
desloca. Quando eles são vistos em um ângulo de perfil, os anéis são virtualmente invisíveis. Alguns anos mais
tarde as observações de Galileu se tornaram ainda mais confusas quando os anéis reapareceram em seus locais
próximos a Saturno.

"Eu não sei o que dizer em um caso tão surpreendente", ele escreveu em desespero. Ele finalmente sugeriu que
Saturno devia ter braços ou "alças de xicara" que misteriosamente cresciam e desapareciam. Galileu morreu sem
saber que, através de seu telescópio feito em casa, ele estava olhando para os anéis de Saturno.

As primeiras observações de Saturno eram complicadas pelo fato de que a Terra passa através do plano dos anéis,
com o intervalo de alguns anos, à medida que Saturno se move em sua órbita. Por conseguinte, as imagens de baixa
resolução de Saturno mudam drasticamente.
A imagem abaixo mostra desenhos de Saturno e seus anéis feitos no século XVII.
A confusão reinou até Christiaan Huygens (1629-1695) (imagem a direita), um astrônomo
holandês, desenvolveu o conceito de sistema de anéis planetários, em 1659. Usando um
telescópio melhorado - um que poderia ampliar imagens 50 vezes - Huygens teorizou que
os anéis eram sólidos, finos e achatados. Sua nova idéia forneceu um modelo para os
astrônomos da época, que foram então capazes de compreender o que eles estavam vendo.

Huygens, que foi o primeiro a inferir corretamente a geometria dos anéis de Saturno, fez
outras contribuições significantes à astronomia. Ele foi o descobridor de Titã, em 1655,
um dos maiores satélites de Saturno e o primeiro que, claramente, viu os anéis de Saturno.
Huygens também explicou por que estes anéis apareciam e
desapareciam ao longo do tempo.

À medida que a qualidade dos telescópios continuou a melhorar, ficou mais fácil
identificar aspectos característicos dos anéis. Em 1676, Giovanni Cassini (1625-1712)
(imagem a esquerda), um astrônomo italiano, notou que os anéis de Saturno estavam
separados em duas partes por uma região que parecia desprovida de matéria. A separação
é agora chamada Divisão de Cassini em sua homenagem.

Cassini e Huygens também descobriram satélites em torno do planeta com anéis. Cassini
descobriu Iapetus, Réia, Tethys e Dione, todos satélites de Saturno. Desde então o número
de satélites conhecidos orbitando Saturno tem crescido cada vez mais.

Os anéis de Saturno permaneceram únicos no Sistema Solar até 1977 quando anéis muito fracos foram descobertos
em torno de Urano e logo depois em torno de Júpiter e Netuno.
A atmosfera de Saturno

Assim como em Júpiter, a atmosfera de Saturno é principalmente composta de hidrogênio (75%) e hélio (25%).
Sua composição química também mostra a presença de vestígios de água, metano, amônia e "rochas". Esta
composição é similar àquela existente na nebulosa solar primordial a partir da qual o Sistema Solar foi formado.

As bandas coloridas de Saturno

A tonalidade amarela brumosa de Saturno é marcada por largas bandas atmosféricas similares a, mas mais fracas
do que, aquelas encontradas em Júpiter.

As faixas coloridas que aparecem de modo tão proeminente em Júpiter, são muito mais fracas em Saturno.

Estas bandas também são muito mais largas próximo do equador.

Os detalhes existentes no topo das nuvens são invisíveis da Terra de modo que somente a partir do encontro com as
Voyagers é que foi possível estudar detalhes sobre a circulação atmosférica de Saturno.

As manchas ovais de Saturno

Saturno também exibe ovais de grande duração e outros aspectos que são comumente observados na atmosfera do
planeta Júpiter.

Em 1990 o Hubble Space Telescope observou uma enorme nuvem branca próxima do equador de Saturno. No
entanto, quando as sondas espaciais Voyager se aproximaram deste planeta a nuvem não estava mais lá.

Em 1994 uma outra pequena tempestade foi observada em Saturno.


Os ventos em Saturno

O vento sopra em altas velocidades em Saturno e, na maioria, no sentido para o leste.

Os ventos mais fortes são encontrados próximos do equador, onde alcançam velocidades de 500 metros por
segundo, mas a velocidade cai uniformemente à medida que nos deslocamos para latitudes mais altas.

Em latitudes maiores do que 35 graus, os ventos se alternam para o leste e para o oeste à medida que a latitude
aumenta.

As imagens abaixo mostram dois aspectos da atmosfera de Saturno, onde podemos ver rodamoinhos formados por
fortíssimos ventos.
Algumas imagens características de Saturno

A imagem acima foi obtida pela sonda espacial Voyager 2 da NASA no dia 21 de julho de 1981 a uma distância de
33,9 milhões de quilômetros de Saturno, bem antes de realizar a sua máxima aproximação que só ocorreu no dia 25
de agosto de 1981.
Nesta imagem podemos observar dois padrões de nuvens brilhantes, presumivelmente provocadas por movimentos
convectivos dos gases atmosféricos, em latitudes médias do hemisfério norte.
Uma gigantesca tempestade

Os pesquisadores Reta Beebe, da New Mexico State University, D. Gilmore e L. Bergeron, ambos do Space
Telescope Science Institute, utilizando o Hubble Space Telescope da NASA-ESA, obtiveram, no dia 1 de
dezembro de 1994, esta rara imagem de uma violenta tempestade que estava ocorrendo na atmosfera de Saturno
desde setembro de 1994. Neste momento o planeta Saturno estava a 1.454 milhões de quilômetros da Terra. Os
cientistas verificaram que o movimento e o tamanho da tempestade haviam se modificado muito pouco desde a sua
descoberta.

A tempestade é a mancha branca, em forma de seta, que está próxima ao equador na imagem do planeta.

A extensão leste-oeste desta tempestade é igual ao diâmetro da Terra, que é de 12.756 quilômetros.
O Hubble Space Telescope já havia observado uma tempestade similar, embora bem maior, em setembro de 1990.
Esta foi uma das três grandes tempestades que foram observadas nos últimos dois séculos. Embora estes eventos
estejam separados por cerca de 57 anos, o que corresponde aproximadamente a dois anos de Saturno, não há ainda
qualquer explicação de por que razão elas ocorrem aparentemente seguindo um ciclo, pois elas acontecem quando
é verão no hemisfério norte de Saturno.

As nuvens brancas da tempestade são cristais de gelo de amônia que se formaram quando um fluxo para cima de
gases mais aquecidos abre seu caminho através do topo frios das nuvens de Saturno. Este tipo de tempestade é
maior do que as nuvens brancas associadas com tempestades pequenas que têm sido observadas mais
freqüentemente com a aparência de nuvens brilhantes.

As tempestades são geradas pelo movimento para cima de ar mais quente, similar às massas arredondadas de
nuvens do tipo cúmulus que freqüentemente aparecem antes de uma tempestade com trovões na Terra.

As imagens obtidas pelo Hubble Space Telescope são suficientemente detalhadas para revelar que os ventos
predominantes em Saturno moldam uma "cunha" escura que corroe o lado oeste (esquerda) da nuvem central
brilhante. Os ventos na direção leste, mais fortes, do planeta estão na latitude da cunha. Foram registrados ventos
com velocidades de 1.609 quilômetros por hora a partir da análise de imagens obtidas em 1980-1981 pela sonda
espacial Voyager.

Ao norte desta pequena "seta", os ventos diminuem de modo que podemos concluir que o centro da tempestade
está se movendo para leste em relação do fluxo local. As nuvens que se expandem para o norte da tempestade são
varridas para oeste pelos ventos das latitudes mais altas. Os fortes ventos próximos à latitude da cunha escura
sopram a parte norte da tempestade, criando um distúrbio secundário que gera as fracas nuvens brancas vistas a
leste (direita) do centro da tempestade.

As auroras de Saturno

O estudo das auroras de Saturno começaram há algumas décadas. A sonda espacial norte-americana Pioneer 11
observou um aumento de brilho no ultravioleta longinqüo nos polos de Saturno em 1979. Em 1980 uma série de
observações espectroscópicas realizadas pelo satélite norte-americano International Ultraviolet Explorer (IUE)
detectaram, esporadicamente, emissões provenientes das zonas de aurora de Saturno. As passagens próximas a
Saturno realizadas pelas sondas espaciais Voyager 1 e Voyager 2, no início da década de 80 do século passado,
encontraram emissões aurorais confinadas a um anel circumpolar.

As auroras são produzidas à medida que partículas carregadas, aprisionadas pela magnetosfera, se precipitam desta
região colidindo com os gases existentes na atmosféra, que no caso de Saturno são o hidrogênio atômico e o
molecular. Como resultado deste bombardeamento, os gases de Saturno brilham em comprimentos de onda do
ultravioleta longinqüo, entre 110 e 160 nanometers. Este comprimentos de onda são absorvidos pela atmosfera da
Terra e, por esta razão somente podemos observar as auroras de Saturno por meio de telescópios orbitais.

A imagem mostrada abaixo é o primeiro registro obtido de um fenômeno de aurora brilhante nos polos norte e sul
de Saturno. Esta imagem foi capturada no ultravioleta longinqüo pela Wide Field and Planetary Camera 2 que está
a bordo do Hubble Space Telescope da NASA-ESA.

A câmera fotografica do Hubble Space Telescope resolveu uma banda circular, luminosa, centrada no polo norte,
onde uma enorme cortina de aurora se elevava até 2.000 quilômeters acima do topo das nuvens. Esta cortina
mudou rapidamente, em brilho e extensão, ao longo do período de duas horas da observação feita pelo HST,
embora as emissões de brilho tenham permanecido em uma posição fixa em relação ao ângulo do Sol, próxima ao
"nascer do dia" na banda auroral norte. Esta imagem foi obtida no dia 9 de outubro de 1994, quando Saturno estava
a uma distância de 1,3 bilhões de quilômetros da Terra.

O campo magnético de Saturno está quase que perfeitamente alinhado com o eixo de rotação do planeta, dando ao
"anel" auroral uma simetria centrada no polo do planeta. A aurora do sul é fracamente visível nesta imagem a
despeito do fato de que o polo norte de Saturno está agora inclinado ligeiramente na direção da Terra.

A imagem de baixo mostra, para comparação, o planeta Saturno visto pelo Hubble Space Telescope em 1 de
dezembro de 1994. Esta imagem foi obtida na região visível do espectro eletromagnético e, ao contrário da imagem
no ultravioleta, os familiares cinturões e zonas atmosféricas de Saturno são claramente visíveis. A cobertura de
nuvens mais baixa não é visível nos comprimentos de onda da ultravioleta porque a luz do sol é refletida pelas
nuvens mais altas que estão na atmosfera.
O interior de Saturno

A imagem mostrada ao lado ilustra a estrutura


interna de Saturno. Seu interior é semelhante ao de
Júpiter, consistindo de uma região central rochosa,
uma camada de hidrogênio metálico líquido e uma
camada de hidrogênio molecular.

A camada externa é principalmente constituida de


hidrogênio molecular. À medida que nos
deslocamos para regiões de maior profundidade,
onde a pressão alcança 100.000 bars, o gás começa
a ter a consistência de um líquido quente. Quando
o hidrogênio atinge a pressão de 1.000.000 bars, o
hidrogênio passa para um novo estágio, o de
hidrogênio metálico. Neste estado ele tem a
consistência de metal derretido. Aproximadamente
metade do raio de Saturno está ocupado por
hidrogênio metálico. Abaixo desta região está uma
camada dominada por gelo. Aqui, o termo "gelo"
significa uma mistura líquida, semelhante a uma
sopa, de água, metano e amônia submetidos a
pressões e temperaturas muitíssimo altas.
Finalmente, na região central encontramos um
núcleo rochoso ou de rochas e gelo.

O interior de Saturno é quente. A temperatura na


sua região central pode atingir 12.000 Kelvins.

Curiosamente, Saturno possui fontes de energia


internas. Ele irradia duas vezes e meia mais energia
para o espaço do que recebe do Sol. Veja que
Saturno emite mais energia do que Júpiter, embora
seja menor e tenha menos massa que Júpiter. A
maior parte desta energia extra é gerada pelo
chamado "mecanismo Kelvin-Helmholtz", o
mesmo que ocorre em Júpiter.

No entanto, este mecanismo não é suficiente para


explicar a luminosidade de Saturno. Algum outro
mecanismo adicional deve estar produzindo este
excesso de energia que é liberado. Segundo o
astrofísico Edwin E. Salpeter, da Cornell
University, e David J. Stevenson, de CalTech,
Saturno esfriou mais rapidamente que Júpiter e isso
deu início a um processo análogo ao que acontece no nosso planeta quando é formada uma tempestade. Quando a
atmosfera está suficientemente fria a umidade da atmosfera da Terra se condensa em gotas de chuva que, em
seguida, caem na sua superfície. Em Saturno ocorre uma "chuva" de hélio na direção das regiões bem profundas no
interior do planeta. À medida que as gotas de hélio descem para as profundezas do planeta a energia gravitacional
delas é convertida em energia térmica (calor) que em seguida escapa da superfície de Saturno.

O campo magnético de Saturno

Assim como os outros planetas gigantes, Saturno possui um importante campo magnético. No entanto,
provavelmente devido ao tamanho consideravelmente menor da zona de hidrogênio metálico de Saturno, a
intensidade do seu campo magnético é somente 1/20 daquela apresentada por Júpiter.

O campo magnético de Saturno no topo de suas nuvens, que se situam a cerca de 10 vezes o raio da Terra se
medirmos desde o centro deste planeta gigante, tem aproximadamente o mesmo valor que o campo magnético
medido na superfície do nosso planeta.

A magnetosfera de Saturno se estende por cerca de um milhão de quilômetros na direção do Sol. Ela é
suficientemente grande para conter todo o seu sistema de anéis e os 16 satélites mais próximos dele.
Os anéis de Saturno

O sistema de anéis de Saturno faz deste planeta um dos objetos mais bonitos do Sistema Solar.

Desde que eles foram descobertos por Galileu em 1610, durante as primeiras observações com telescópio, os anéis
de Saturno sempre intrigaram os astrônomos.

As dúvidas aumentaram mais ainda a partir do momento em que as sondas espaciais norte-americanas Voyager 1 e
Voyager 2 obtiveram, nos anos 1980 e 1981, imagens detalhadas deste sistema de anéis.

Além da obtenção de espetaculares imagens, os vários


instrumentos a bordo da Voyager observaram ocultações
do sistema de anéis com uma resolução radial de apenas
100 metros.

Os anéis receberam nomes de letras na ordem da sua


descoberta e os principais são, caminhando para fora do
planeta, conhecidos como C, B e A.

Da Terra podemos distinguir dois anéis proeminentes e


brilhantes, chamados anéis A e B, e um outro mais fraco, o
anel C.

Além disso, os anéis não se apresentam de uma maneira


contínua. Eles estão separados por vários intervalos.

O intervalo mais notável é a "divisão Cassini" que separa


os anéis A e B. Ela é a maior divisão existente nos anéis e foi descoberta pelo astrônomo italiano Giovanni Cassini,
em 1675.

A "divisão Encke" é a separação, muito mais fraca, existente na parte mais externa do anel A. Ela tem esse nome
em homenagem a Johann Encke, que a descobriu em 1837.

No entanto, as sondas espaciais têm mostrado que mesmo os anéis principais são, na verdade, formados por um
grande número de pequenos anéis estreitos chamados de "ringlets".

Os anéis de Saturno, ao contrário dos anéis mostrados por outros planetas, são muito brilhantes. Seu albedo está
entre 0,2 e 0,6.

Vários outros anéis, bem mais fracos, foram descobertos mais recentemente. As imagens obtidas pela sonda
espacial norte-americana Voyager revelaram a existência de mais quatro anéis fracos.

O anel D é muitíssimo fraco e o mais próximo ao planeta Saturno. O anel F é estreito e fica situado logo depois do
anel A. Depois dele podemos distinguir mais dois longinqüos anéis, bem mais fracos, chamados de G e E.

Os anéis de Saturno são extraordinariamente finos. Embora tenham mais de 250.000 quilômetros de diâmetro, sua
espessura é, em sua maior parte, menor do que um quilômetro. A despeito de sua aparência impressionante existe
muito pouco material nos anéis de Saturno. Se estes anéis fossem comprimidos em um único corpo este não teria
mais do que 100 quilômetros de diâmetro.
De que são formados os anéis de Saturno?

Embora pareçam contínuos quando vistos da Terra, os anéis de Saturno são, na verdade, compostos de inumeras
partículas pequenas, cada uma delas percorrendo uma órbita independente.

Estas partículas variam muito em tamanho, podendo ter microns,


centímetros ou mesmo possuir vários metros. Também é provável
que algumas componentes dos anéis sejam objetos com alguns
quilômetros de tamanho.

Qual a composição das partículas que formam os anéis?

A composição dos anéis não é conhecida com certeza. As partículas que compõem os anéis de Saturno parecem ser
formadas principalmente por gelo de água.

Acredita-se que os anéis podem ser formados por icebergs e/ou bolas de neve que variam de alguns centímetros a
alguns metros em tamanho. No entanto, pode ser que algumas das partículas que formam os anéis sejam rochosas e
cobertas por gelo.
As inomogeneidades dos anéis de Saturno

Os anéis de Saturno mostram uma enorme quantidade de estruturas em todas as escalas. Algumas delas estão
relacionada com perturbações gravitacionais criadas pelos vários satélites de Saturno. No entanto muito ainda
precisa ser explicado sobre estas estruturas.
Alguns astrônomos amadores foram os primeiros a detectar a existência de algumas inomogeneidades radiais,
bastante intrigantes, nos anéis de Saturno. Mais tarde a sonda espacial norte-americana Voyager confirmou a
existência destas inomogeneidades que receberam o nome de "spokes".

A imagem acima, obtida pela sonda espacial Voyager 2 da NASA no dia 21 de julho de 1981 a uma distância de
33,9 milhões de quilômetros de Saturno, mostra várias características escuras tipo-"spokes" no largo anel B, a
esquerda do planeta.
Ainda não sabemos qual a verdadeira natureza das "spokes" mas, possivelmente, elas devem ter alguma relação
com o campo magnético de Saturno.
Características tipo degrau de escada, radiais, no largo anel B foram também encontradas pelas sondas espaciais
Voyager. Acredita-se que estas características sejam compostas de partículas finas, do tamanho de poeira. Os
degraus foram observados se formar e dissipar nos intervalos de tempo das imagens obtidas pelas Voyager.
Embora o carregamento eletrostático possa criar degraus levitando partículas acima do anel, a causa exata da
formação dos degraus não é bem conhecida.
O curioso "anel F"

O anel mais externo de Saturno, o anel F, é uma estrutura complexa formada por diversos anéis menores. Ao longo
destes anéis podemos observar a existência de vários "nós". Os cientistas especulam que este nós podem ser
amontoados de material do anel ou, possivelmente, mini-satélites. As imagens obtidas pela sonda espacial Voyager
1, revelaram um estranho aspecto entrelaçado existente neste anel mas aquelas obtidas pela sonda Voyager 2 não
mostraram estes detalhes. Acredita-se que a sonda Voyager 2 fotografou regiões onde as componentes do anel são
aproximadamente paralelas.

A sonda espacial Cassini também obteve imagens que mostram algumas destas estruturas assim como outras
estruturas espirais em forma de tiras, ainda não explicadas.
A relação entre alguns satélites de Saturno e os seus anéis

O sistema inteiro de anéis é muito complexo e ainda muito pobremente compreendido. Sabe-se, entretanto, que a
estrutura elaborada de alguns dos anéis de Saturno é devida, em grande parte, aos efeitos gravitacionais de satélites
vizinhos a eles. Este fenômeno é demonstrado pela relação entre o anel F e dois pequenos satélites que pastoreiam
o material do anel.

As complexas relações de maré existentes entre alguns dos satélites de Saturno e o seu sistema de anéis faz com
que alguns destes satélites sejam claramente importantes na manutenção dos anéis em seus lugares. Os satélites
Atlas, Prometeus e Pandora, são objetos deste tipo e por isso são chamados de "satélites pastores".

Os cientistas acreditam que o satélite Mimas seja o responsável pela escassez de material na divisão Cassini, que
parece ser similar às "lacunas de Kirkwood" que já vimos existirem no Cinturão Principal de Asteróides.

O satélite Pan está situado dentro da divisão Encke.

A origem dos anéis de Saturno

Os astrônomos ainda não sabem qual a origem dos anéis de Saturno, assim como a dos anéis de Júpiter, Urano e
Netuno.

Embora estes planetas possam ter tido anéis desde a sua formação, o sistema de anéis não são estáveis e devem ser
regenerados por processos progressivos, talvez até mesmo pela ruptura de satélites maiores.
Acredita-se que seus anéis possam ter sido formados a partir de satélites maiores que foram fragmentados por
impactos de cometas e meteoróides.

O atual conjunto de anéis pode ter apenas algumas centenas de milhões de anos de idade.

Os anéis de Saturno
razão
raio/raio densidade
raio profundidade espessura excentricidad
nome equatorial albedo superficial
(km) óptica (metros) e
de (g/cm2)
Saturno
borda
66900 1,110
interna
anel D
borda
74510 1,236
externa
borda 0,12 -
anel C 74658 1,239 0,05 - 0,10 5 1,4 - 5
interna 0,30
ringlet Titã 77871 1,292 17 0,00026
borda
87491 1,452 17 0,00034
ringlet/lacuna interna
Maxwell borda
88000
externa
borda
anel C 92000 1,527 0,12 0,2 5 2-7
externa
borda 0,4 -
92000 1,527 0,4 - 2,5 5 - 10 20 - 100
interna 0,6
anel B
borda
117580 1,951 1,8
externa
borda 0,2 -
117580 0,05 - 0,15 20 18 - 20
divisão interna 0,4
Cassini borda
120600
externa
borda 0,4 -
anel A 122170 2,027 0,4 - 1,0 10 - 30 30 - 40
interna 0,6
borda
133589 2,216
interna
lacuna Encke
borda
133740
externa
borda
136530 2,265
interna
lacuna Keeler
borda
136550
externa
borda 0,4 -
anel A 136775 2,269 0,6 10 - 30 20 - 30
externa 0,6
anel F centro 140180 2,326 0,1 0,6 0,0026
borda
170000 2,82 1,0 x 10-6 105
interna
anel G
borda
175000 2,90
externa
borda
181000 3 1,5 x 10-5 107
interna
anel E
borda
483000 8 107
externa

Observação: nesta tabela consideramos o raio equatorial de Saturno como sendo 60.268 quilômetros.

Os anéis, ringlets e lacunas radialmente mais finos do que 1000 quilômetros estão listados pelo seu raio central.

A figura abaixo mostra a distribuição dos anéis de Saturno (clique sobre a imagem para observar detalhes).
Podemos comparar os anéis de Saturno com aqueles apresentados pelos outros planetas jovianos. A figura abaixo
permite esta comparação.
Olhando através dos anéis

Nesta imagem, obtida pela sonda espacial Voyager 1 da NASA no dia 3 de novembro de 1980 a uma distância de
13 milhões de quilômetros do planeta Saturno, podemos observar facilmente seu limbo olhando através dos cerca
de 3.500 quilômetros de largura da "divisão Cassini" que separa os anéis A e B. No entanto, a visão através da
"divisão Encke", muito mais estreita e situada próxima da borda externa do anel A, já não é tão clara.

Mais afastado que a "divisão Encke", a esquerda, está o mais fraco dos três anéis mais brilhantes de Saturno, o
"anel C" ou anel crepe, apenas visível se olhado contra o planeta.
Brincando de esconder

Como se estivessem brincando de esconder, as vezes os anéis de Saturno desaparecem de nossas vistas. Isto ocorre
quando a Terra passa através do plano destes anéis, fato este que ocorre aproximadamente a cada 15 anos. Na
verdade os anéis estão apenas sendo observados de perfil e, mesmo assim, não desaparecem completamente. A
borda dos anéis ainda reflete a luz incidente do Sol e podemos ver vestígios deles.
A imagem de cima, que mostra Saturno com seus anéis bem visíveis, foi obtida pelos pesquisadores Reta Beebe, da
New Mexico State University, D. Gilmore e L. Bergeron, ambos do Space Telescope Science Institute e da NASA,
usando o Hubble Space Telescope no dia 1 de dezembro de 1994.

No entanto, no dia 22 de maio de 1995, os pesquisadores Amanda S. Bosh, do Lowell Observatory, Andrew S.
Rivkin, da University of Arizona/LPL, e R.C. Bless, lider do HST High Speed Photometer Instrument Team,
obtiveram esta interessante imagem de Saturno que nos mostra seu sistema de anéis vistos de perfil.

A imagem de baixo foi obtida um pouco antes do nosso planeta cruzar o plano dos anéis de Saturno. A banda
escura que corta o meio do planeta é a sombra dos anéis projetada sobre ele. Isto é possível acontecer porque o Sol
está situado quase três graus acima do plano dos anéis. A faixa brilhante situada diretamente acima da sombra dos
anéis é formada pela luz solar refletida pelos anéis sobre a atmosfera de Saturno. Dois satélites gelados de Saturno
são visíveis como pequeninos objetos tipo estelar dentro ou próximo ao plano dos anéis. Eles são, da esquerda para
a direita, Tetis, situado ligeiramente acima do plano dos anéis, e Dione.

Algo que você nunca verá

Esta imagem de Saturno e seus anéis foi obtida pela sonda espacial Voyager 1, a uma distância de 5.300.000
quilômetros, no dia 16 de novembro de 1980, exatamente quatro dias após a sonda ter realizado sua maior
aproximação a este planeta. Curiosamente esta imagem de Saturno, como se fosse um "Saturno crescente" nunca
poderá ser obtida a partir da Terra. Os anéis de Saturno, assim como o topo das nuvens da atmosfera do planeta,
são visíveis porque elas refletem a luz solar incidente. A natureza transparente dos anéis é notada onde Saturno
pode ser visto através dos anéis. Em outras partes os anéis são tão densos, com muitas partículas de gelo em órbita,
que quase nenhuma luz solar brilha através deles e uma sombra é lançada sobre o topo amarelado das nuvens de
Saturno. Por sua vez, Saturno lança uma sombra através dos anéis a direita. A faixa negra dentro dos anéis é a
divisão Cassini, que contëm muito menos material orbital do que qualquer outro lugar nos anéis.

Visitando os anéis de Saturno a bordo das sondas espaciais Voyager 1 e Voyager 2

No dia 13 de outubro de 1980, apenas 30 dias antes da sua maior aproximação ao planeta Saturno, a sonda espacial
Voyager 1 obteve esta imagem do sistema de anéis que acompanha este planeta. Neste momento a sonda espacial
estava a uma distância de 40.000.000 de quilômetros de Saturno.

Esta imagem é uma combinação, em cores artificiais, de 4 imagens obtidas separadamente pela sonda Voyager 1.
As imagens foram reunidas para mostrar mais claramente a variação de cor existente nos anéis. Podemos ver nesta
imagem, nos afastando do planeta, o anel C, o anel B, o anel A e uma pequena parte do anel F com a forma de um
pequeno arco na parte superior direita. A distância ao longo dos anéis é de 65.000 quilômetros. O satélite Mimas
aparece um pouco acima da metade da borda direita da imagem.
No dia 4 de novembro de 1980, oito dias antes de sua maior aproximação a Saturno, a sonda espacial Voyager 1
fotografou os anéis, a uma distância de 11.160.000 quilômetros. A estrutura dos anéis é claramente visível nesta
imagem.

A imagem de Saturno mostrada abaixo foi obtida pela sonda espacial Voyager 2 e nos revela sutis variações na
composição química existente entre as várias partes do sistema de anéis deste planeta. Certamente as cores,
altamente intensificadas, que são aqui apresentadas resultam de técnicas de processamento digital de imagens
(cores falsas) e não representam as verdadeiras "cores" dos anéis. Estas imagens foram obtidas no dia 17 de agosto
de 1981 a uma distância de 8,9 milhões de quilômetros do planeta.
Além da já conhecida cor azul do anel C e da divisão Cassini, a imagem mostra diferenças de cores adicionais
entre o anel interno B e a região mais externa, onde os "spokes" se formam, e entre estas e o anel A. A imagem
mostra cerca de 68.000 quilômetros da superfície dos anéis.
No dia 6 de novembro de 1980 a sonda espacial Voyager 1 obteve esta imagem dos anéis de Saturno que nos
mostra a sua enorme complexidade. Estas imagens foram obtidas a uma distância de 8.000.000 quilômetros e
revelam 95 "pequeno anéis" (ringlets) individuais. O 14o satélite de Saturno, que foi descoberto nesta missão,
aparece como um pequenino ponto na parte superior esquerda da imagem, logo após o estreito anel F. Nesta
imagem podemos observar cerca de 65.000 quilômetros da superfície dos anéis, indo do anel C interno até o anel F
mais externo.
A sonda espacial Voyager 2 obteve esta imagem dos anéis de Saturno no dia 19 de agosto de 1981, quando ela
estava a uma distância de 6.470.000 quilômetros. A sonda Voyager 2 estava a apenas seis dias de realizar o seu
mais próximo encontro com o planeta Saturno. Na imagem as divisões Cassini e Encke são claramente visíveis.
No dia 23 de agosto de 1981, ao se aproximar a 2.700.000 quilômetros de Saturno, a sonda espacial Voyager 2
obteve esta imagem em cores artificiais dos anéis deste planeta. O anel C, na cor azul, e o anel B, na parte de cima
e na esquerda, são mostrados com detalhes. O anel C tem cerca de 17.000 quilômetros de largura e a cor real do
material que o compõe é muito suave e cinza.
Os satélites de Saturno

Saturno tem 31 satélites conhecidos. Apenas um deles, descoberto em 2003, ainda não tem nome.

Todos os satélites para os quais as taxas de rotação são conhecidas, com excessão de Phoebe e Hiperion,
giram sincronamente com Saturno.

Os três pares Mimas-Tethys, Enceladus-Dione e Titã-Hiperion interagem gravitacionalmente de tal modo a


manter relações estáveis entre suas órbitas.

O período da órbita de Mimas é exatamente metade daquele de Tethys. Dizemos então que eles estão em
uma ressonância 1:2.

Enceladus e Dione também estão em uma ressonância 1:2 e Titã e Hiperion estão em uma ressonância 3:4.

Os satélites de Saturno variam consideravelmente em forma e tamanho. Alguns parecem ser corpos gelados
e porosos com crateras, cadeias de montanhas e vales enquanto outros mostram uma superfície irregular e
enrugada. Alguns parecem ter se formado há bilhões de anos enquanto outros parecem ser parte de um corpo
maior que foi posteriormente fragmentado.

Alguns satélites parecem ter superfície rochosa, e poderiam estar cobertos por material orgânico similar às
substâncias complexas encontradas nos meteoritos mais primitivos.

Por exemplo, o satélite grande mais próximo de Saturno, Enceladus, parece ter uma superfície branca, muito
brilhante, pois ele reflete quase 100% da luz solar que o atinge. Não se sabe por que Enceladus reflete tanta
luz solar tendo uma temperatura da superfície de apenas -201 graus Celsius.

De acordo com imagens registradas pela Voyager 2 em 1981, Enceladus tem fissuras, planícies, terreno
enrugado e outras deformações na crosta. Tudo isto indica que o interior deste satélite pode ser líquido ainda
hoje, embora ele devesse ter se congelado há milhões de anos.

Em geral muito pouco é sabido sobre os satélites de Saturno, exceto através de dados reunidos que medem
seus brilhos. Os tamanhos estimados destes satélites estão baseados em suposições sobre a reflectividade
deles.

Estes 31 satélites conhecidos variam grandemente em suas posições orbitais dentro do sistema de Saturno.
Alguns estão muito próximos, a apenas 133.600 quilômetros do planeta, enquanto outros estão muito
afastados, a quase 13 milhões de quilômetros de distância.
Várias generalizações podem ser feitas sobre os satélites de Saturno:

somente Titã tem uma atmosfera apreciável.


a maioria dos satélites tem uma rotação síncrona. As exceções são Hiperion, que tem uma órbita caótica, e
Phoebe.
Saturno tem um sistema regular de satélites. Isto quer dizer que a maioria dos seus satélites têm órbitas
perfeitamente circulares e estão situados no plano equatorial. As duas exceções são Iapetus e Phoebe
todos os satélites têm uma densidade menor do que 2 gramas por centímetro cúbico. Isto quer dizer que eles são
compostos de 30 a 40% de rocha e 60 a 70% de gelo de água.
a maioria dos satélites reflete entre 60 a 90% da luz incidente sobre eles. Os quatro satélites mais externos
refletem menos que isto e Phoebe reflete somente 2% da luz incidente sobre ele.

Os satélites de Saturno
(por afastamento a partir do planeta)
data
distância raio massa
nome descobridor da
(km) (km) (kg)
descoberta
Pan 134 000 10 ? Mark R. Showalter 1990
Atlas 138 000 14 ? R. Terrile 1980
Prometeus 139 000 46 2,70 x 1017 S. Collins 198
17
Pandora 142 000 46 2,20 x 10 S. Collins 1980
17
Epimeteus 151 000 57 5,60 x 10 R. Walker 1980
18
Janus 151 000 89 2,01 x 10 Audouin Dollfus 1966
Mimas 186 000 196 3,80 x 1019 William Herschel 1789
19
Enceladus 238 000 260 8,40 x 10 William Herschel 1789
20
Tethys 295 000 530 7,55 x 10 Giovanni Domenico Cassini 1684
Telesto 295 000 15 ? B. Smith, Reitsema, Larson e Fountain 1980
Calipso 295 000 13 ? Pascu, Seidelmann, Baum e Currie 1980
21
Dione 377 000 560 1,05 x 10 Giovanni Domenico Cassini 1684
Helene 377 000 16 ? P. Laques e J. Lecacheus 1980
21
Réia 527 000 765 2,49 x 10 Giovanni Domenico Cassini 1672
23
Titã 1 222 000 2575 1,35 x 10 Christiaan Huygens 1655
19
Hiperion 1 481 000 143 1,77 x 10 William Cranch Bond 1848
Iapetus 3 561 000 730 1,88 x 1021 Giovanni Domenico Cassini 1671
Kiviuq 11 365 000 7 B. Gladman 2000
Ijiraq 11 442 000 5 J. J. Kavelaars e B. Gladman 2000
18
Phoebe 12952000 110 4,00 x 10 William Henry Pickering 1898
Paaliaq 15 198 000 9,5 B. Gladman 2000
Skathi 15 641 000 3,2 J. J. Kavelaars e B. Gladman 2000
Albiorix 16 394 000 13 M. Holman e T. B. Spahr 2000
Erriapo 17 604 000 4,3 J. J. Kavelaars e B. Gladman 2000
Siarnaq 18 195 000 16 B. Gladman e J. J. Kavelaars 2000
Tarvos 18 239 000 6,5 J. J. Kavelaars e B. Gladman 2000
S/2003 S1 18 719 000 3,3 S. S. Sheppard 2003
Mundilfari 18 722 000 2,8 B. Gladman e J. J. Kavelaars 2000
Suttungr 19 465000 2,8 B. Gladman e J. J. Kavelaars 2000
Thrymr 20 219 000 2,8 B. Gladman e J. J. Kavelaars 2000
Ymir 23 130 000 8 B. Gladman 2000

Parâmetros gerais dos satélites de Saturno


massa raio densidade média
nome designação albedo geométrico visual
(quilogramas) (quilômetro) (kg/m3)
Mimas SI 0,375 x 1020 209 x 196 x 191 1140 0,5
20
Enceladus S II 0,65 x 10 256 x 247 x 245 1000 1,0
satélites grandes Tethys S III 6,27 x 1020 536 x 528 x 526 1000 0,9
20
Dione S IV 11,0 x 10 560 1500 0,7
20
Réia SV 23,1 x 10 764 1240 0,7
Titã S VI 1345,5 x 1020 2575 1881 0,22
20
Hiperion S VII 0,2 x 10 185 x 140 x 113 1500 0,3
Iapetus S VIII 15,9 x 1020 718 1020 0,05 - 0,5
Pan S XVIII, S/1981 S13 0,00003 10 630 0,5
Atlas S XV, S/1980 S28 0,0001 18,5 x 17,2 x 13,5 630 0,8
Prometeus S XVI, S/1980 S27 0,0033 74 x 50 x 34 630 0,5
Pandora S XVII, S/1980 S26 0,0020 55 x 44 x 31 630 0,7
Epimeteus S XI, S/1980 S3 0,0054 69 x 55 x 55 600 0,8
Janus S XV, S/1980 S1 0,0192 97 x 95 x 77 650 0,9
Calipso S XIV, S/1980 S25 0,00004 15 x 8 x 8 1000 1,0
Telesto S XIII, S/1980 S13 0,00007 15 x 12,5 x 7,5 1000 1,0
Helene S XII, S/1980 S6 0,0003 18 x 16 x 15 1500 0,7
Phoebe S IX 0,072 115 x 110 x 105 1300 0,08
Ymir SXIX, S/2000 S1 ~8 0,06
satélites pequenos Paaliaq SXX, S/2000 S2 ~ 10 0,06
Siarnaq SXX, S/2000 S3 ~ 16 16
Tarvos SXX, S/2000 S4 ~7 0,06
Kiviuq SXX, S/2000 S5 ~7 0,06
Ijiraq SXX, S/2000 S6 ~5 0,06
Thrym SXX, S/2000 S7 ~3 0,06
Skadi SXX, S/2000 S8 ~3 0,06
Mundilfari SXX, S/2000 S9 ~3 0,06
Erriapo SXX, S/2000 S10 ~4 0,06
Albiorix SXX, S/2000 S11 ~ 13 0,06
Suttung SXX, S/2000 S12 ~3 0,06
S/2003 S1 - ~3 0,06

Parâmetros orbitais dos satélites de Saturno


semi-eixo maior
período período de excentricidad
tipo nome designação raios de inclinação
quilômetros orbital rotação e
Urano
Mimas SI 185,52 x 103 3,0783 0,9424218 S 1,53 0,0202
Enceladus S II 238,02 x 103 3,9494 1,370218 S 0,00 0,0045
Tethys S III 294,66 x 103 4,8892 1,887802 S 1,86 0,0000
3
Dione S IV 377,40 x 10 6,2620 2,736915 S 0,02 0,0022
satélites 3
grandes Réia SV 527,04 x 10 8,7449 4,517500 S 0,35 0,0010
1221,83 x
Titã S VI 20,273 15,945421 0,33 0,0292
103
Hiperion S VII 1481,1 x 103 24,575 21,276609 C 0,43 0,1042
Iapetus S VIII 3561,3 x 103 59,091 79,330183 S 14,72 0,0283
SXVIII, S/1981 137,583 x
Pan 2,2165 0,5750 0,0 0,000
S13 103
SXV, S/1980 137,670 x
Atlas 2,2820 0,6019 0,3 0,000
S28 103
SXVI, S/1980 139,353 x
Prometeus 2,2843 0,6130 0,0 0,0024
S27 103
SXVII, S/1980 141,700 x
Pandora 2,3512 0,6285 0,0 0,0042
S26 103
151,422 x
Epimeteus SXI, S/1980 S3 2,5099 0,6942 S 0,34 0,009
103
151,472 x
Janus SX, S/1980 S1 2,5125 0,6945 S 0,14 0,007
103
SXIV, S/1980
Calipso 294,66 x 103 4,8892 1,8878 ~0 ~0
S25
SXIII, S/1980
Telesto 294,66 x 103 4,8892 1,8878 ~0 ~0
S13
Helene SXII, S/1980 S6 377,40 x 103 6,262 2,7369 0,0 0,005
3
Phoebe SIX 12952 x 10 214,91 550,48 R 0,4 175,3 0,1633
3
Ymir SXIX, S/2000 S1 23100 x 10 383 1312 R 173,1 0,33
satélites Paaliaq SXX, S/2000 S2 15200 x 103 252 687 47,2 0,36
pequenos
SXXIX, S/2000
Siarnaq 18160 x 103 301 893 45,6 0,29
S3
Tarvos SXXI, S/2000 S4 18240 x 103 303 926 34,9 0,54
SXXIV, S/2000
Kiviuq 11370 x 103 189 449 48,7 0,33
S5
SXXII, S/2000
Ijiraq 11440 x 103 190 451 49,1 0,32
S6
SXXX, S/2000
Thrym 20470 x 103 340 1089 R 175,0 0,47
S7
SXXVII, S/2000
Skadi 15650 x 103 260 729 R 148,5 0,27
S8
SXXV, S/2000
Mundilfari 18710 x 103 310 951 R 169,4 0,21
S9
SXXVIII, S/2000
Erriapo 17610 x 103 292 871 33,5 0,47
S10
SXXVI, S/2000
Albiorix 16390 x 103 272 738 34,0 0,48
S11
SXXIII, S/2000
Suttung 19470 x 103 323 1017 R 175,8 0,11
S12
S/2003 S1 - 18720 x 103 311 956 R 134,6 0,35

Observação: Nesta tabela a letra "R" significa movimento retrógrado. A letra "S" significa "rotação síncrona" ou seja, o
período de rotação é o mesmo que o período orbital. A letra "C" indica que a rotação é caótica.
Saturno e os satélites Réia e Dione

A sonda espacial Voyager 2 da NASA obteve esta belíssima imagem de Saturno no dia 21 de julho de 1981. Neste
momento a sonda Voyager estava a uma distância de 33,9 milhões de quilômetros de Saturno, bem antes de realizar a
sua máxima aproximação que só ocorreu no dia 25 de agosto de 1981.

Dois satélites de Saturno são vistos nesta imagem. Réia e Dione são os pequenos pontos azulados que podemos
observar respectivamente no sul e no sudeste de Saturno.
Saturno e os satélites Tetis e Dione

No dia 3 de novembro de 1980, a sonda espacial Voyager 1 fotografou Saturno e dois de seus satélites, Tetis e Dione.
Esta imagem foi obtida a uma distância de 13 milhões de quilômetros do planeta.

Tetis é o satélite que está na posição mais acima nesta imagem.

Podemos observar no topo das nuvens que cobrem Saturno as sombras de três anéis brilhantes e do satélite Tetis.
A imagem acima também mostra os satélites Tetis e Dione. Ela foi obtida no dia 22 de maio de 1995 pelos
pesquisadores Amanda S. Bosh, do Lowell Observatory, Andrew S. Rivkin, da University of Arizona/LPL, e R.C.
Bless, lider do HST High Speed Photometer Instrument Team. Curiosamente ela nos mostra o sistema de anéis de
Saturno visto de perfil. Dois satélites gelados de Saturno são visíveis como pequeninos objetos tipo estelar dentro ou
próximo ao plano dos anéis. Eles são, da esquerda para a direita, Tetis, situado ligeiramente acima do plano dos anéis e
Dione.
Urano

Urano é o sétimo planeta do Sistema Solar e o terceiro maior planeta, sendo superado em tamanho
apenas por Júpiter e Saturno.
Situado a aproximadamente 3 bilhões de quilômetros do Sol, Urano leva cerca de 84 anos terrestres
para dar uma volta completa em torno do Sol.

Urano está tão afastado do Sol que, desde a sua descoberta em


1781, ele completou pouco mais de duas voltas e meia em
torno do Sol!

Devido ao seu afastamento do Sol, Urano recebe somente


1/400 da intensidade da luz solar que recebemos aqui na Terra.

Urano é por conseguinte um planeta frio, de brilho fraco, que


nunca ultrapassa magnitude maior do que +5,6 no nosso céu.

Embora o seu diâmetro seja cerca de 4 vezes maior do que o


da Terra, Urano sempre nos mostra um disco com menos de 4
segundos de arco de diâmetro, o que é aproximadamente o
tamanho de uma bola de golfe vista a uma distância de 1
quilômetro.

Visto através de um grande telescópio na Terra, Urano aparece como mostra a imagem ao lado, onde
podemos ver três de seus satélites.
Um planeta muito inclinado

Urano é único entre os planetas por que o seu eixo de rotação é fortemente inclinado, estando situado muito aproximadamente no plano
de sua órbita.

Quando Urano se move ao longo de sua órbita de 84 anos terrestres, devido à grande inclinação do seu eixo de rotação, seus polos
norte e sul, alternadamente, apontam na direção ou no sentido contrário ao Sol, produzindo mudanças sazonais extremas neste planeta
quase sem características notáveis.
Por exemplo, próximo do polo sul de Urano durante o verão, o Sol permanece acima do horizonte
durante vários anos, ao mesmo tempo em que latitudes ao norte estão sujeitas a uma noite de inverno
contínua e frígida. No entanto, metade de um ano de Urano mais tarde, o que corresponde a 42 anos
terrestres, a situação é invertida.

Quando a sonda espacial norte-americana Voyager 2 sobrevoou Urano em 1986 o polo sul de Urano
estava apontando quase diretamente para o Sol. Assim, a visão do hemisfério diurno de Urano, de frente
e inteiramente iluminado visto nesta imagem parece apontar quase que diretamente na direção do polo
sul de Urano.

A rotação de Urano

Assim como Júpiter e Saturno, Urano também possui uma rotação diferencial.

Isto quer dizer que um dia em Urano tem entre 14,2 e 16,5 horas, dependendo da latitude onde está o
observador. Entretanto, estas medidas de período de rotação dizem respeito somente ao topo das
nuvens que o cobrem.

Para determinar o período de rotação para o corpo subjacente do planeta, abaixo das nuvens, os
cientistas estudaram o campo magnético de Urano, que está presumivelmente ancorado na região
central do planeta, ou pelo menos nas camadas mais profundas e mais densas de sua atmosfera. Os
dados da Voyager 2 indicaram que o período de rotação interna de Urano é de 17,24 horas.

Dados Essenciais (aproximados) sobre Urano


distância média ao Sol
2 870 990 000 km (19,2 U.A.)
(órbita)

distância média ao Sol comparada com a distância Urano está 19,1914 vezes mais
média Terra-Sol distante do Sol do que a Terra

duração do ano em anos terrestres


84,01 anos
(período de revolução)

duração do dia em tempo terrestres


-17,9 horas (no equador)
(período de rotação)

velocidade orbital média 6,81 km/segundo

51200 km (4,0074 vezes o diametro


diâmetro (equatorial)
da Terra)

25559 km (4,0074 vezes o raio


raio (equatorial)
equatorial da Terra)

8,686 x 1025 kg (14,535 vezes a


massa
massa da Terra)

densidade média
1,29 gramas/centímetro cúbico
(densidade da água = 1)

gravidade na superfície (equatorial) 7,77 metros/segundo ao quadrado

velocidade de escape (equatorial) 21,30 km/segundo

temperatura média nas nuvens - 193o Celsius

Hidrogênio (83%), Hélo (15%),


principais gases da atmosfera
Metano (2%)

pressão atmosférica 1,2 bars

satélites conhecidos 26 satélites

anéis 10

excentricidade da órbita
(desvio da órbita circular que tem excentricidade 0,0461
0)

obliquidade
(inclinação do eixo de Urano ou inclinação do seu
97,86o
equador em relação ao plano orbital dos
planetas)

inclinação orbital 0,774o

albedo geométrico visual


0,51
(reflectividade)

magnitude (Vo) 5,52


Resumo dos dados conhecidos sobre Urano
Comparando Urano e a Terra

Parâmetros Globais
razão Urano /
dados Urano Terra
Terra
massa (quilogramas) 86,832 x 1024 5,9736 x 1024 14,536
10 108,321 x
volume(quilômetros cúbicos) 6833 x 10 63,08 x 1010
1010
raio (nível de 1 bar) equatorial 25559 6378,1 4,007
(quilômetros) polar 24973 6365,8 3929
raio médio volumétrico (quilômetros) 25362 6371,0 3,981
elipticidade 0,02293 0,00335 6,84
densidade média (quilograma por metros
1270 5515 0,230
cúbico)
gravidade (em 1 bar) (m/seg2) 8,87 9,80 0,905
velocidade de escape (km/seg) 21,3 11,19 1,903
3 2 6 6
GM (km /seg ) 5,794 x 10 0,3986 x 10 14,536 x 106
albedo de Bond 0,300 0,306 0,980
albedo geométrico visual 0,51 0,367 1,390
magnitude visual -7,19 -3,86 -
irradiância solar (W/m2) 3,71 1367,6 0,0027
temperatura de corpo negro (Kelvin) 58,2 254,3 0,229
2
momento de inércia (I/MR ) 0,225 0,3308 0,680
3343,43 x 10-
J2 6 1082,63 x 10-6 3,088

número de satélites naturais 26 1 -


sistema de anéis planetários sim não -

Parâmetros Orbitais
dados Urano Terra razão Urano / Terra
6 6
semi-eixo maior (quilômetros) 2872,46 x 10 149,60 x 10 19,201
período da órbita sideral (dias) 30685,4 365,256 84,011
período da órbita tropical (dias) 30588,740 365,242 83,749
6 6
periélio (quilômetros) 2741,30 x 10 147,09 x 10 18,637
afélio (quilômetros) 3003,62 x 106 152,10 x 106 19,748
período sinódico (dias) 369,66 - -
velocidade orbital média (km/seg) 6,81 29,78 0,229
velocidade orbital máxima (km/seg) 7,11 30,29 0,235
velocidade orbital mínima (km/seg) 6,49 29,29 0,222
inclinação orbital (graus) 0,772 0,000 -
excentricidade da órbita 0,0457 0,0167 2,737
período de rotação sideral (horas) -17,24 23,9345 0,720
comprimento do dia (horas) 17,24 24,0000 0,718
obliquidade em relação à órbita (graus) 97,77 23,45 4,169
Parâmetros Observacionais de Urano
mínima (quilômetros) 2581,9 x 106
distância à Terra
máxima (quilômetros) 3157,3 x 106
máximo (segundos de arco) 4,1
diâmetro aparente visto da Terra
mínimo (segundos de arco) 3,3
distância à Terra (quilômetros) 2719,99 x 106
valores médios em oposição à Terra diâmetro aparente (segundos de arco) 3,9
magnitude visual aparente 5,5
magnitude visual aparente máxima 5,32

Elementos Orbitais Médios de Urano (J2000)


propriedades valores
semi-eixo maior (em U.A.) 19,19126393
excentricidade orbital 0,04716771
inclinação orbital (graus) 0,76986
longitude do nodo ascendente (graus) 74,22988
longitude do periélio (graus) 170,96424
longitude média (graus) 313,23218

Polo Norte de Rotação de Urano


propriedades valores
ascenção reta 257,43
declinação -15,10
data de referência 12:00 UT 1 janeiro 2000 (JD 2451545,0)

Magnetosfera de Urano
propriedades físicas valores
intensidade do campo de dipolo 0,228 gauss-Ru3
inclinação do dipolo em relação ao eixo de rotação 58,6 graus
distância do deslocamento do dipolo (do centro do planeta ao 0,3 Ru ao longo do eixo de
centro do dipolo) rotação

Observação: Ru significa "raio de Urano" definido aqui como 25.600 quilômetros.


Atmosfera de Urano
propriedades físicas valores
pressão na superfície >> 1000 bars
temperatura em 1 bar 76 K (-197o C)
temperatura em 0,1 bar 53 K (-220o C)
densidade em 1 bar 0,42 kg/m3
velocidades dos ventos 0 a 200 m/seg
altura de escala 27,7 quilômetros
peso molecular médio 2,64 gramas/mole
hidrogênio molecular (H2) - 82,5% (3,3%)
maior hélio (He) - 15,2% (3,3%)
metano (CH4) - 2,3%
composição atmosférica menor (ppm) hidrogênio deuteride (HD) - 148
(por volume, incerteza entre parênteses) gelo de amonia
gelo de água
aerosóis
hidrosulfito de amônia
gelo de metano (?)
A história da descoberta de Urano
Urano foi o primeiro planeta a ser descoberto no Sistema Solar com o auxílio de um telescópio. Antes
deste acontecimento somente cinco planetas eram conhecidos, aqueles capazes de serem observados a
olho nú. Este planetas eram Mercúrio, Vênus, Marte, Júpiter e Saturno.

No dia 13 de março de 1781, por acaso, o planeta Urano foi


descoberto pelo então pouco conhecido astrônomo William
Herschel e por sua irmã Caroline Lucretia Herschel.

William Herschel nasceu na cidade de Hanover, na Alemanha.


Era músico profissional e, após emigrar para a Inglaterra,
tornou-se fascinado pela
astronomia.

Herschel destacou-se pela


sua grande capacidade de
construir telescópios
excepcionais para a sua
época. Usando um destes
telescópio que ele próprio
construiu, Herschel iniciou
um sistemático
mapeamento do céu.
Durante uma de suas
observações ele notou a
presença de um objeto fraco
e nebuloso, que ele primeiro
pensou se tratar de um
cometa. Logo ele notou que
havia a possibilidade de que este pequeno objeto fosse um novo
planeta.

Na verdade, Urano era fácil de ser observado, e de ser descoberto,


por quem possuia um telescópio, uma vez que ele se apresenta como
um disco no céu quando visto mesmo através de uma pequena
luneta.

No final de 1781 Herschel já sabia que o objeto que ele havia descoberto apresentava uma órbita
semelhante àquela descrita pelos outros planetas já conhecidos só que situada muito além de Saturno,
bem além de onde os cometas conseguem ser normalmente observados.

No final de 1781 Herschel já sabia que o objeto que ele havia descoberto apresentava uma órbita
semelhante àquela descrita pelos outros planetas já conhecidos só que situada muito além de Saturno,
bem além de onde os cometas conseguem ser normalmente observados.

Herschel havia descoberto o sétimo planeta do Sistema Solar. Curiosamente, com esta descoberta ele
havia dobrado o diâmetro do sistema planetário que era então conhecido. Urano está a uma distância de
2.870.990.000 km enquanto que o limite conhecido até então era o planeta Saturno, a uma distância de
1.429.400.000 quilômetros do Sol.

Com a descoberta deste novo planeta Herschel adquiriu fama instantâneamente. Este era o primeiro
novo planeta descoberto na história recente e o evento causou um grande reboliço. Logo em seguida
Herschel foi nomeado Astrônomo Real da corte do rei George III da Inglaterra. Com esta nomeação ele
passou a ter recursos financeiros para prosseguir suas pesquisas científicas.

Herschel teve a intenção de batizar este novo planeta com o nome de Georgium Sidus, que em latim
quer dizer "estrela de George", em homenagem ao rei da Inglaterra. Foi o astrônomo alemão Johann
Bode que aconselhou Herschel a continuar com a tradição de batizar os planetas com nomes de figuras
da antiga mitologia greco-romana. Assim, o planeta foi chamado de Urano, que na mitologia greco-
romana é o pai de Saturno.
Nas décadas que se seguiram Herschel fez importantes descobertas, tornando-se um dos grandes
astrônomos de todos os tempos.

Como homenagem ao trabalho realizado por Caroline Herschel existe hoje uma cratera lunar batizada
com o seu nome.

Um planeta muitas vezes descoberto

Embora Herschel tenha recebido,


justamente, o crédito de ter sido o
descobridor de Urano, sabemos hoje que
muitos outros astrônomos já haviam
observado este planeta antes dele. No
entanto, nenhum deles havia identificado
este corpo celeste com um novo planeta.
Erroneamente, todos o classificaram como
sendo uma estrela fraca.

Analisando registros feitos nas épocas


anteriores ao descobrimento de Urano por
Herschel podemos notar que o planeta
Urano está registrado em pelo menos 20
cartas celestes desenhadas entre 1690 e
1781. Isto é devido ao fato de que, quando
em oposição, Urano alcança uma magnitude
de +5,6, o que significa que ele pode ser
visto a olho nú sob boas condições de
observação. No entanto, em nenhuma
destas cartas celestes é levantada qualquer suspeita de que este objeto poderia ser um novo planeta.

A imagem ao lado mostra a aparência de Urano como visto por meio de um telescópio de pequeno
porte.
A atmosfera de Urano
As imagens obtidas pela sonda espacial Voyager mostraram que Urano se notabiliza exatamente por não ter características marcantes.
Em qualquer das imagens de Urano obtidas pela sonda espacial Voyager não conseguimos distinguir qualquer característica de nuvens.

Entretanto, após uma forte intensificação feita por computador, algumas fracas nuvens se tornam visíveis na atmosfera de Urano.

A imagem vista a esquerda, abaixo, foi obtida pela sonda espacial Voyager e nos mostra que Urano não possui praticamente
características marcantes. A cor da imagem é aproximadamente a cor verdadeira do planeta. As três imagens da direita foram obtidas
pelo Hubble Space Telescope com cerca de 4 horas de intervalo. Elas mostram o movimento de um par de nuvens brilhantes, marcadas
A e B na figura, no hemisfério sul do planeta. Os números na parte de cima da figura mostram os instantes em que cada fotografia foi
obtida.

Os cientistas acompanharam o movimento


destas nuvens e determinaram que o período de
rotação da atmosfera de Urano é de cerca de
16,5 horas. Os ventos de Urano distribuem as
nuvens do planeta em bandas direcionadas
leste-oeste, similares àquelas encontradas em
Júpiter e Saturno. Estes ventos sopram na
mesma direção em que o planeta gira, assim
como ocorre em Vênus, Terra, Júpiter e
Saturno.

Os ventos de Urano se movem com velocidades


de 40 a 160 metros por segundo, enquanto que
na Terra estas velocidades são de cerca de 50
metros por segundo.

A aparência azul esverdeada de Urano vem do


metano existente na atmosfera deste planeta. O
metano absorve os comprimentos de onda
vermelhos provenientes da luz solar.

A região equatorial recebe pouca luz solar mas


sua temperatura, cerca de 56 K = -217o C, é
aproximadamente a mesma que aquela
encontrada no polo do planeta que está sendo iluminado, naquele momento, pelo Sol. O calor deve, por
conseguinte, ser transportando eficientemente dos polos para o equador. Possivelmente é este
transporte de calor norte-sul, que é perpendicular ao fluxo de vento, que mistura e homogeniza a
atmosfera de Urano, fazendo-o se mostrar praticamente sem características marcantes.
O interior de Urano
Urano possui uma região central rochosa ligeiramente menor do que aquela encontrada
em Júpiter e Saturno. Esta região deve ter aproximadamente o tamanho da Terra e 10
vezes mais massa do que o nosso planeta.

A pressão do lado de fora da região central de Urano é suficientemente baixa para que o
hidrogênio permaneça na sua forma molecular ao longo de todo o percurso até a região
central do planeta.

Atualmente, os astrônomos teorizam que, bem abaixo das camadas de nuvens, Urano
pode ter uma região interior de alta densidade, uma região "lodosa" semelhante àquela
produzida pela neve derretida. Esta região conteria espessas camadas de nuvens de
água.

Também acredita-se que uma grande parte da amônia que forma a atmosfera de Urano
possa estar dissolvida na água, o que explicaria a ausência de amônia no nível onde
estão as nuvens mais altas. Isto também produziria uma camada eletricamente
condutora que poderia explicar o campo magnético presente neste planeta.

Urano aparentemente não possui fontes internas de energia. Ele irradia para o espaço a
mesma quantidade de energia que recebe do Sol. Este planeta nunca sofreu precipitação
de hélio, tal como ocorre em Saturno, e o seu calor inicial foi perdido no espaço há
muito tempo.
Os anéis de Urano
Assim como o próprio planeta Urano, os anéis que o circundam foram descobertos por acaso.

Os astrônomos sabiam que no dia 10 de março de 1977 Urano deveria ocultar uma estrela fraca. Isto quer dizer que, para um
observador situado na Terra, Urano deveria cruzar a linha de visada entre um observador terrestre e esta estrela. Ao se mover na frente
desta estrela, Urano impediria que a luz proveniente dela fosse observada no nosso planeta por alguns instantes. Este fenômeno seria
visto no Oceano Índico e daria aos astrônomos uma excelente oportunidade para medir o diâmetro de Urano e estudar sua atmosfera
superior. Uma vez que a posição e a velocidade de Urano ao longo de sua órbita já eram conhecidos, os astrônomos precisavam
somente medir quanto tempo a estrela ficaria escondida pelo disco do planeta para deduzir o tamanho dele. Além disso, medindo
cuidadosamente como a luz da estrela diminuiria quando Urano passasse na frente dela, os astrônomos seriam capazes de deduzir
importantes propriedades da atmosfera superior deste planeta.

Com estes objetivos em mente, um grupo de astrônomos liderados por James L. Elliot, da Cornell University, Estados Unidos, observou a
ocultação a bordo de um avião da NASA equipado com um telescópio.

Para surpresa de todos, a estrela de fundo, em vez de simplesmente desaparecer atrás do disco de Urano, piscou rapidamente, várias
vezes, um pouco antes da ocultação ocorrer. Isto aconteceu de novo, imediatamente depois de ter terminado a ocultação da estrela pelo
disco de Urano.

A partir disso, os astrônomos concluiram que Urano é circundado por um conjunto de anéis estreitos. Durante o sobrevôo de Urano feito
pela sonda espacial Voyager mais dois anéis foram descobertos. Hoje sabemos que um sistema de dez anéis, escuros e finos, circunda o
planeta Urano.
O telescópio Subaru, o grande telescópio óptico-infravermelho de 8,2 metros de abertura, localizado a 4.200 metros de altitude no pico
Mauna Kea, nas ilhas do Havaí, obteve esta magnifica imagem de Urano, com seus anéis e em companhia de dois de seus satélites,
Miranda (em cima) e Ariel (em baixo).

O telescópio Subaru é um projeto japonês gerenciado pelo

O Very Large Telescope (VLT), um conjunto de quatro telescópios de 8 metros cada que podem
trabalhar independentemente ou de modo combinado, o que dá a ele a capacidade de coletar luz
correspondente a um telescópio de 16 metros de abertura, também obteve uma impressionante imagem
de Urano com seus anéis e alguns de seus satélites no dia 19 de novembro de 2002. Curiosamente,
vista de relance, a imagem obtida pelo VLT se assemelha bastante ao planeta Saturno.
O VLT pertence ao European Southern Observatory (ESO) e está localizado no Paranal Observatory, no Chile.

A estrutura dos anéis de Urano

Todos os anéis de Urano estão localizados a menos de 2 raios de Urano, medindo-se a partir do seu
centro, bem dentro do limite de Roche do planeta.

Ao contrário dos anéis de Saturno, os anéis de Urano são escuros e estreitos, a maior parte deles com
menos de 10 quilômetros de largura.

As partículas típicas que formam os anéis de Saturno são pedaços de gelo com a reflectividade e
dimensões de bolas de neve. Ao contrário, as partículas típicas nos anéis de Urano poderiam ser
comparadas a grandes amontoados de carvão, onde cada componente teria, em média,
aproximadamente 1 metro de largura.

Os anéis de Urano são realmente muito escuros, refletindo somente cerca de 1% da luz solar que incide
sobre eles. Os astrônomos acreditam que algum tipo de mecanismo, possivelmente envolvendo satélites
pastores, confina eficientemente as partículas que formam os anéis em suas órbitas estreitas.

A sonda espacial Voyager 2 procurou satélites pastores mas encontrou somente dois, como mostra a
imagem abaixo.
Entretanto, pode ser que existam outros satélites pastores mas estes podem ser tão pequenos e escuros
que, simplesmente, escaparam à detecção do equipamento da sonda Voyager. Pode ser também que
estes satélites pastores não existam e, neste caso, nossas idéias sobre o que mantém estes anéis em
torno de Urano precisariam de uma grande revisão.

A imagem mostrada a esquerda olha para baixo, na direção do lado iluminado dos anéis de Urano. Os
nove anéis principais que foram descobertos por
observadores baseados na Terra podem ser vistos
facilmente. No canto superior direito vemos o anel
ε, que tem aproximadamente 100 quilômetros de
largura nesta localização. Como as partículas dos
anéis são muito escuras, para tornar os anéis

visíveis o contraste da fotografia teve que ser muito


intensificado de modo que o céu escuro parece manchado.

O anel ε (epsilon) de Urano também é visto na imagem a direita. Nela podemos constatar sua estrutura
interna. A largura deste anel tem, em média, 30 quilômetros.

A figura abaixo foi obtida quando a sonda espacial Voyager 2 passou dentro da sombra de Urano e olhou
para trás, na direção do Sol. Esta imagem demonstra que os intervalos entre os anéis não são vazios.
Bandas largas, formadas por pequeninos grãos de poeira, brilham na luz solar entre os anéis principais.
Esta poeira é constituida, provavelmente, por grãos finos formados a partir de colisões entre as
partículas maiores existentes nos anéis principais. Os pequenos riscos que aparecem na imagem são
estrelas, borradas por causa do movimento da sonda espacial durante a exposição.

Colisões entre as partículas dos anéis são provavelmente uma fonte contínua desta poeira que existe
entre eles. Alguns cientistas planetários sugerem que os anéis de Urano estão erodindo à frente dos
nossos olhos e, provavelmente, daqui a apenas algumas centenas de milhões de anos terão
desaparecido totalmente.

Os anéis de Urano
raio razão profundidade largura
nome albedo excentricidade
(km) raio/raio equatorial óptica (km)
6 41837 1,637 ~ 0,3 ~ 15 x 10-3 ~ 1,5 0,0010
-3
5 42235 1,652 ~ 0,5 ~ 15 x 10 ~2 0,0019
4 42571 1,666 ~ 0,3 ~ 15 x 10-3 ~ 2,5 0,0010
-3
Alpha 44718 1,750 ~ 0,4 ~ 15 x 10 4 - 10 0,0008
Beta 45661 1,786 ~ 0,3 ~ 15x 10-3 5 - 11 0,0004
Eta 47176 1,834 ~ 0,4 - ~ 15 x 10-3 1,6
Gamma 47626 1,863 ~ 1,5 + ~ 15 x 10-3 1-4 0,0001
Delta 48303 1,900 ~ 0,5 ~ 15 x 10-3 3-7
Lambda 50024 1957 ~ 0,1 ~ 15 x 10-3 ~2
-3
Epsilon 51149 2,006 0,5 - 2,3 ~ 18 x 10 20 - 96 0,0079

Observação: nesta tabela o raio equatorial de Urano é considerado ser de 25.559 quilômetros.

Na figura seguinte temos a oportunidade de comparar a estrutura dos anéis de Urano com a dos outros planetas gigantes.
Nesta imagem podemos ver a distribuição dos principais satélites de Urano em relação ao seus sistema de anéis.
Os Satélites de Urano
Urano possui à sua volta satélites que mostram as cicatrizes provocadas por inúmeras colisões, algumas
impressionantes.

Antes do sobrevôo feito pela sonda espacial Voyager 2, só eram conhecidos cinco satélites de tamanho
moderado orbitando em torno de Urano.

Esses cinco satélites receberam nomes de fadas, duendes e espíritos citados nos textos literários de
William Shakespeare.

Estes cinco satélites já são conhecidos há muito tempo. Os dois maiores satélites, Titania e Oberon,
foram descobertos por William Herschel em 1789. Outro astrônomo inglês, William Lassell, descobriu
Ariel e Umbriel em 1851. O menor destes cinco satélites, Miranda, foi primeiro detectado por Gerard P.
Kuiper em 1948, no McDonald Observatory no Texas.

As fotografias tiradas pela sonda espacial Voyager 2 deram informações precisas sobre os tamanhos dos
cinco principais satélites de Urano. Eles variam em diâmetro de cerca de 1600 quilômetros, como ocorre
com Titania e Oberon, até cerca de 500 quilômetros, no caso de Miranda.

A tabela abaixo lista, além dos cinco grandes satélites de Urano, dez outros satélites, muito pequenos,
descobertos pela sonda espacial Voyager 2. A maioria deles tem diâmetros de menos de 100
quilômetros.
Os satélites de Urano
distância ao centro de período diâmetro ou
densidade
nome Urano orbital tamanho
(kg/m3)
(quilômetros) (dias) (quilômetros)
Cordelia 49750 0,335 30
Ophelia 53760 0,376 30
Bianca 59160 0,435 40
Cressida 61770 0,464 70
Desdemona 62660 0,474 60
Juliet 64360 0,493 80
Portia 66100 0,513 110
Rosalind 69930 0,558 60
Belinda 75260 0,624 70
Puck 86010 0,762 150
Miranda 129780 1,414 470 1350
Ariel 191240 2,520 1160 1660
Umbriel 265970 4,144 1170 1510
Titania 435840 8,706 1610 1580
Oberon 582600 13,463 1550 1520

A densidade média dos maiores satélites de Urano é cerca de 1500 quilogramas por metro cúbico, o que
parece indicar uma mistura de gelo e rocha. Especificamente, os dados da sonda espacial Voyager
sugerem uma composição de 50% de água, 20% de materiais baseados em carbono e nitrogênio e 30%
de rochas.

Todos os satélites de Urano são muito escuros. Umbriel é um dos satélites mais escuros do Sistema
Solar. Entretanto, crateras existentes em Oberon e Titania parecem ter exposto regiões de gelo fresco,
não escurecido.

Acredita-se que o baixo albedo dos satélites de Urano é provavelmente causado por uma cobertura de
material escuro, semelhante a fuligem. Pode ser que a superfície escura de Umbriel se deva à sorte dele
ter escapado de impactos recentes.

O que aconteceu com os satélites de Urano?

Alguns cientistas especulam que a colisão catastrófica responsável pela enorme inclinação de Urano seja
a responsável pelas características únicas apresentadas por este planeta e seus satélites. Antes do
impacto com um objeto do tamanho da Terra o planeta Urano estava em "pé" em relação ao plano das
órbitas dos outros planetas dos Sistema Solar. Seus satélites, presumivelmente, orbitavam o planeta em
uma posição situada ao longo do plano de seu equador, do mesmo modo como ocorre com os satélites
regulares que existem nos outros planetas jovianos.

Depois deste violentíssimo impacto, as forças de maré exercidas pelo seu bojo equatorial perturbaram
de tal modo as órbitas dos satélites que eles começaram a colidir uns com os outros.

Somente depois de muitos anos, os pedaços remanescentes de rocha e gelo se estabeleceram no plano
altamente inclinado do equador de Urano, onde nós os observamos hoje.

Parâmetros gerais dos satélites de Urano | Parâmetros orbitais dos


satélites de Urano

Conheça detalhes dos cinco maiores satélites de Urano

Ariel | Umbriel | Miranda | Oberon | Titania


Netuno

Netuno é o oitavo planeta do Sistema Solar e o quarto maior entre eles sendo superado por Júpiter,
Saturno e Urano.

Este planeta gigante está situado a uma distância de cerca de 4,5 bilhões de quilômetros do Sol.

Devido ao seu enorme afastamento do Sol a superfície de Netuno recebe somente 1/900 da intensidade
de luz solar que recebemos na Terra.

Visto da Terra, Netuno é bem menos brilhante do que Urano. Ele nunca brilha com uma magnitude
maior do que +7,7 no nosso céu.

Embora ele seja quase do mesmo tamanho que Urano, Netuno parece menor quando visto através de
telescópios situados na Terra. Isto acontece simplesmente porque Netuno está muito mais longe de nós
do que Urano.

O diâmetro angular máximo possível do disco de Netuno é de 2,2 segundos de arco, o que é o mesmo
tamanho de uma moeda bem pequena vista a uma distância de 1 quilômetro.
Dados Essenciais (aproximados) sobre Netuno
distância média ao Sol
4 504 300 000 km (30,06 U.A.)
(órbita)

distância média ao Sol comparada com a Netuno está 30,0611 vezes mais
distância média Terra-Sol distante do Sol do que a Terra

duração do ano em anos terrestres


164,79 anos
(período de revolução)

duração do dia em tempo terrestres


16,11 horas terrestres (no equador)
(período de rotação)

velocidade orbital média 5,45 km/segundo

49528 km (3,883 vezes o diametro


diâmetro (equatorial)
da Terra)

24764 km (3,883 vezes maior do


raio (equatorial)
que o raio equatorial da Terra)

1,024 x 1026 kg (17,135 vezes a


massa
massa da Terra)

densidade média
1,64 gramas/centímetro cúbico
(densidade da água = 1)

gravidade na superfície (equatorial) 11,0 metros/segundo ao quadrado

velocidade de escape (equatorial) 23,50 km/segundo

temperatura média nas nuvens -193o Celsius a -153o Celsius

Hidrogênio (85%), Hélio (13%),


principais gases da atmosfera
Metano (2%)

pressão atmosférica de 1 a 3 bars

satélites conhecidos 13 satélites

anéis 6

excentricidade da órbita
(desvio da órbita circular que tem excentricidade 0,0097
0)

obliquidade
(inclinação do eixo de Netuno ou inclinação do
28,31o
seu equador em relação ao plano orbital dos
planetas)

inclinação orbital 1,774o

albedo geométrico visual


0,41
(reflectividade)

magnitude (Vo) 7,84


Resumo dos dados conhecidos sobre Netuno
Comparando Netuno e a Terra

Parâmetros Globais

razão Netuno /
dados Netuno Terra
Terra

102,43 x
massa (quilogramas) 5,9736 x 1024 17,147
1024

108,321 x
volume(quilômetros cúbicos) 6254 x 1010 57,74
1010

equatorial 24764 6378,1 3,883


raio (nível de 1 bar)
(quilômetros)
polar 24341 6356,8 3,829

raio médio volumétrico (quilômetros) 24624 6371,0 3,865

elipticidade (achatamento) 0,01708 0,00335 5,10

densidade média (quilograma por metros


1638 5515 0,297
cúbico)

gravidade (em 1 bar) (m/seg2) 11,15 9,80 1,14

aceleração (m/seg2) 11,00 9,78 1,12

velocidade de escape (km/seg) 23,5 11,19 2,10

GM (km3/seg2) 6,8351 x 106 0,3986 x 106 17,15

albedo de Bond 0,290 0,306 0,95

albedo geométrico visual 0,41 0,367 1,12

magnitude visual -6,87 -3,86 -

irradiância solar (W/m2) 1,51 1367,6 0,0011

temperatura de corpo negro (Kelvin) 46,6 254,3 0,183

J2 3411 x 10-6 1082,63 x 10-6 3,151

número de satélites naturais 13 1 -

sistema de anéis planetários sim não -


Parâmetros Orbitais de Netuno
dados Netuno Terra razão Netuno / Terra
6 6
semi-eixo maior (quilômetros) 4495,06 x 10 149,60 x 10 30,047
período da órbita sideral (dias) 60189 365,256 164,79
período da órbita tropical (dias) 59799,9 365,242 163,73
6 6
periélio (quilômetros) 4444,45 x 10 147,09 x 10 30,216
afélio (quilômetros) 4545,67 x 106 152,10 x 106 29,886
período sinódico (dias) 367,49 - -
velocidade orbital média (km/seg) 5,43 29,78 0,182
velocidade orbital máxima (km/seg) 5,50 30,29 0,182
velocidade orbital mínima (km/seg) 5,37 29,29 0,183
inclinação orbital (graus) 1,769 0,000 -
excentricidade da órbita 0,0113 0,0167 0,677
período de rotação sideral (horas) 16,11 23,9345 0,673
comprimento do dia (horas) 16,11 24,0000 0,671
obliquidade em relação à órbita (graus) 28,32 23,45 1,208

Parâmetros Observacionais de Netuno


mínima (quilômetros) 4305,9 x 106
distância à Terra
máxima (quilômetros) 4698,3 x 106
máxima (segundos de arco) 2,4
diâmetro aparente visto da Terra
mínima (segundos de arco) 2,2
distância à Terra (quilômetros) 4347,31 x 106
valores médios em oposição à Terra diâmetro aparente (segundos de arco) 2,3
magnitude visual aparente 7,8
magnitude visual aparente máxima 7,78

Elementos Orbitais Médios de Netuno (J2000)


propriedades valores
semi-eixo maior (em U.A.) 30,06896348
excentricidade orbital 0,00858587
inclinação orbital (graus) 1,76917
longitude do nodo ascendente (graus) 131,72169
longitude do periélio (graus) 44,97135
longitude média (graus) 304,88003

Polo Norte de Rotação de Netuno (J2000)


propriedades valores
ascenção reta 299,36 + 0,70 sen N
declinação 43,46 - 0,51 cos N
data de referência 12:00 UT 1 janeiro 2000 (JD 2451545,0)
Observações: N = 359,28 + 549,308 T
onde: T é o total de séculos Julianos a partir da data de referência.

Magnetosfera de Netuno
propriedades físicas valores
intensidade do campo de dipolo 0,142 gauss - Rn3
inclinação do dipolo em relação ao eixo de rotação 46,9 graus
288 graus (convenção da União
longitude de inclinação
Astronômica Internacional - IAU)
distância do deslocamento do dipolo (do centro do
0,55 Rn
planeta ao centro do dipolo)

Atmosfera de Netuno
propriedades físicas valores
pressão na superfície >> 1000 bars
temperatura em 0,1 bar ~ 55 K (-218o C)
temperatura em 1 bar ~ 72 K (-201o C)
densidade em 1 bar ~ 0,45 kg/m3
velocidades dos ventos 0 a 200 m/seg
altura de escala 19,1 - 20,3 quilômetros
peso molecular médio 2,53 a 2,69 gramas/mole
hidrogênio molecular (H2) - 80,0%
(3,2%)
maior
hélio (He) - 19,0% (3,2%)