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SENTENÇA

Dispensado o relatório, nos termos do artigo 38 da Lei n. 9.099/95. DECIDO.

Cuida-se de Ação de Despejo para uso próprio, manejada por Maria José Guilherme em
desfavor de Aluisio Niemeier Salas de Oliveira.

Para tanto, afirma que vivia em comunhão estável com Sr. João Custódio da Silva, que era
proprietário do imóvel situado na AR 01, Lote 28 A, Vila Basevi, Núcleo Rural Lago Oeste,
Sobradinho, sendo certo que o falecido celebrou contrato de locação verbal com o requerido,
em abril de 2015, estabelecendo valores de R$ 500,00, tendo este parado de pagar aluguéis
em outubro de 2015.

Diz que pretende a retomada para uso próprio, pois mora de aluguel no Gama e o
proprietário solicitou a devolução do imóvel locado, não tendo aonde residir, além do mais o
requerido não vem cumprindo com suas obrigações.

O requerido, entretanto, resiste à pretensão, alega que a autora é parte ilegítima, pois não
constituiu matrimônio com o falecido; que a inicial é inepta, pois não foi instruída com os
documentos necessários; que a via eleita é inadequada, pois, inexistindo relação contratual
entre as partes, não é cabível a ação de despejo; que o valor atribuído à causa não obedece
aos preceitos legais; que exerce a posse do imóvel há mais tempo que a requerente.

Faz pedido contraposto de retenção de benfeitorias.

Como já assinalado, a presente ação tem por fundamento a retomada de imóvel objeto de
contrato de locação, ainda que verbal, para uso próprio, isso porque, em se cuidando de feito
submetido à Lei n. 9.099/95, não é possível o despejo fundado em descumprimento do
contrato havido entre as partes.

Diga-se, de início, que não há que se falar em inépcia a inicial, pois a Lei n. 9.099/95
autoriza o ajuizamento de ação sem a juntada de toda a documentação necessária, o que
somente se mostra imperioso quando da audiência de instrução e julgamento.

Isso estabelecido, tenho que merece prosperar a alegação de ilegitimidade ativa da


requerente, uma vez que a requerente declara ter convivido em suposta união estável com o
falecido locador, porém não faz prova cabal nesse sentido.

Isso porque a união estável, para fins de sucessão no contrato de locação, deve ser aferida à
época do óbito do locador.

In casu, o único documento que consta o nome da requerente é aquele de fl.06,


supostamente assinado em março de 2000, entretanto, somente traz a requerente na
condição de dependente, não havendo a mesma informação no campo próprio para
identificação do cônjuge ou companheiro.

Ademais, no documento de fl. 08, de dezembro de 2001, o falecido se declara solteiro e no


de fl. 10, também de dezembro de 2001, já não traz a requerente sequer como sua
dependente.

Ainda que se admitisse a legitimidade ativa da requerente, imperioso se faz o


reconhecimento da inadequação da via eleita.

Com efeito, segundo a prova oral, não obstante de pouca credibilidade, há mais ou menos 8
anos, o requerido foi colocado dentro do imóvel pelo informante José Roberto Ferreira dos
Santos, para que posteriormente celebrarem um contrato, a título de um aluguel irrisório e
que, dois ou três meses depois, ao ser procurado, o requerido disse não ter nada mais a
tratar, tendo recebido apenas 3 parcelas de aluguel.
Como se vê, a pretensão do requerido nunca foi a celebração de contrato de locação, pois
reside no imóvel há aproximadamente 8 anos e pagou apenas 3 meses de aluguel.

Ao que tudo indica, o requerido é possuidor, sem qualquer relação contratual, pois, há
muitos anos parou de pagar qualquer contraprestação pelo imóvel.

Ademais, não é crível que o locador espere 7 ou 8 anos para manejar qualquer espécie de
ação contrato o locatório inadimplente.

Como se vê, a prova oral afasta qualquer celebração de contrato de locação entre a autora e
o requerido, razão pela qual não se mostra adequada a utilização da presente ação.

Acrescente-se também que a inicial fala em celebração de contrato verbal entre o requerido
e o falecido, contrato este supostamente havido em 2015, ocorre que o João Custódio da
Silva, suposto companheiro da autora, faleceu em junho de 2005, ou seja, 10 anos antes do
contrato informado na inicial.

Ante o exposto, reconhecendo a ilegitimidade ativa e a inadequação da via eleita, julgo


extinto o processo, sem análise de mérito, o que faço com fundamento no artigo 485, IV e
VI, do Código de Processo Civil.

Sem condenação em custas e honorários (artigos 54 e 55 da Lei n. 9.099/95).

Sentença registrada eletronicamente nesta data. Desnecessária a intimação as partes, uma


vez que já estão cientes da data da publicação da sentença em Cartório.

Sobradinho - DF, quinta-feira, 03/11/2016 às 16h.