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GEOPOLÍTICA
CONFLITOS HISTÓRICOS E ATUAIS

Os conflitos mundiais são muitas vezes reforçados por interesses pessoais ou de uma minoria, seja por
questões religiosas, étnicas ou por questões macros como território, petróleo,água, política entre outros fatores, que
deixam seqüelas e transformam o espaço geográfico.

O levante popular no Oriente Médio e na África é mais um capítulo de lutas das classes menos favorecidas
contra governos opressores, situações econômicas precárias e políticas voltadas para uma minoria de abastados.

O que vemos na África é uma resposta ao mundo que sempre os viu como uma civilização pacata e submissa e
que hoje através de manifestações desbanca governos totalitaristas.

Devemos nos questionar sobre os verdadeiros interesses da ONU nas intervenções impostas aos países do
Oriente Médio e mais recentemente na Líbia (África), pois coincidência ou não quase sempre estes países fazem parte
da OPEP ( Organização do Países Exportadores de Petróleo), bem como a presença quase constante dos Estados
Unidos nestes embates.

A OPEP é o exemplo mais conhecido de cartel: seu objetivo é unificar a política petrolífera
dos países membros, centralizando a administração da atividade, o que inclui um controle de preços
e do volume de produção, estabelecendo pressões no mercado.

Os textos abaixo irão apontar alguns conflitos seus fatores motivadores e suas consequências.

ISLAMISMO

O islamismo é a religião fundada pelo profeta Maomé no início do século VII, na região da Arábia. O Islã é o conjunto dos povos
de civilização islâmica, que professam o islamismo; em resumo, é o mundo dos seguidores dessa religião. O muçulmano é o seguidor da
fé islâmica, também chamado por alguns de islamita. O termo maometano às vezes é usado para se referir ao muçulmano, mas muitos
rejeitam essa expressão - afinal, a religião seria de devoção a Deus, e não ao profeta Maomé.

Foi numa gruta do Monte Hira que Maomé recebeu a mensagem essencial do Arcanjo Gabriel, no momento definido pela
tradição islâmica como a Noite da Revelação ou Noite do Destino: “Só há um Deus, que é Alá, e Maomé é o seu profeta”. Daí em
diante o profeta passou a pregar entre seus familiares, que pertenciam ao clã hashemita, um dos clãs pobres que integravam a tribo
dos coraixitas que governava a cidade de Meca, onde ele nasceu. Como foi casado com a viúva de um rico comerciante, acredita-
se que ele tenha assumido os negócios e assim entrado em contato com judeus e cristãos, conhecendo-lhes as crenças.

O profeta passou a pregar, também, para os mais humildes, conquistando


novos adeptos. Para evitar a eternidade no inferno, os seguidores de Maomé
passaram a cumprir os fundamentos da nova fé, orando pelo menos cinco vezes
ao dia e buscando ser benevolentes, visando a conquista de um lugar no paraíso
pelo julgamento de Alá, depois do fim do mundo.

A religião muçulmana tem crescido nos últimos anos (atualmente é a segunda maior
do mundo) e está presente em todos os continentes. Porém, a maior parte de seguidores
do islamismo encontra-se nos países árabes do Oriente Médio e do norte da África.
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A religião muçulmana é monoteísta, ou seja, tem apenas um Deus: Alá.


Criada pelo profeta Maomé, a doutrina muçulmana encontra-se no livro sagrado, o Alcorão ou Corão. Foi fundada na região da atual
Arábia Saudita.

De onde vem o termo Islã?

Em árabe, Islã significa "rendição" ou "submissão á vontade de DEUS" e se refere à obrigação do muçulmano de seguir a
vontade de Deus. O termo está ligado a outra palavra árabe, salam, que significa "paz" - o que reforça o caráter pacífico e tolerante da fé
islâmica. O termo surgiu por obra do fundador do islamismo, o profeta Maomé, que dedicou a vida à tentativa de promover a paz em sua
Arábia natal.

O surgimento do islã foi um marco na vida do povo árabe, pois a partir de 630 d.C representou, a unificação política e religiosa até
então inexistente entre tribos nômades da região.

Atualmente, os mulçumanos formam uma comunidade religiosa como as demais existentes no mundo. Estão divididas em 2 correntes
ideológicas distintas ( xiita e sunita), que se formaram após a morte de Maomé, as principais divergências entre elas está na escolha de
seu sucessor.

Xiita – atribuem a liderança religiosa e política à descendência do profeta, ou seja, não admitem a separação entre governo e religião;

Sunita - acreditam que as lideranças religiosas e políticas podem ser escolhidas independentemente de laços familiares com Maomé.

Preceitos religiosos

O islamismo tem por base o seu livro sagrado o Alcorão, cujo os preceitos religiosos teriam sido revelados ao profeta Maomé
pelo anjo Gabriel:

- Aceitar Deus como único e Muhammad (Maomé) como seu profeta;


- Dar esmola (Zakat) de no mínimo 2,5% de seus rendimentos para os necessitados;
- Fazer a peregrinação à cidade de Meca pelo menos uma vez na vida, desde que para isso possua recursos;
- Realização diária das orações;
- Jejuar no mês de *Ramadã com objetivo de desenvolver a paciência e a reflexão.

* O ramadã é comemorado no 9º mês do ano mulçumano, é reverenciado como o mês sagrado dos islamitas. Nesse período as relações
sexuais não são permitidas e o jejum é obrigatório.

Conflitos Árabe-Israelense

Palestina

Significa país dos filisteus;

Os palestinos são formados por uma mistura de povos :

- Filisteus (ocupavam a faixa de Gaza);

- Cananeus (habitavam a Cisjordânia )

- Os Hebreus (judeus, israelenses) se instalavam na região


entre 1400 e 1330 a.C;
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70 d.C { a Palestina fazia parte do Império Romano e possuía uma grande população judaica }

* Neste período ocorreu uma forte repressão aos judeus, que migraram para várias regiões como Europa e
norte da África;

- Este movimento emigratório na Palestina é conhecido como a Grande Diáspora (dispersão).

Região foi dominada pelo Império Bizantino;

Até o ano de 634 Entre 1516 e 1917 permaneceu sobre o controle do Império Turco Otomano ( de
religião mulçumana, cultura árabe e sede na região atual Turquia ), foi se formando, na região uma população de
maioria islâmica.

OLHA A DICA DO NEGÃO


Deu-se início no século XI, quando tribos turcas nômades se fixaram na
Anatólia, região que hoje é parte da Turquia. Tais tribos ajudaram a difundir a
religião muçulmana em terras que até então estavam sob o domínio de outro
império, o Bizantino.
Império Otomano tornou-se um dos estados mais fortes do mundo nos
séculos XV e XVI, englobando boa parte do Oriente Médio, do Leste Europeu e do
norte da África. A igreja Ortodoxa cristã, que predominava nas terras bizantinas, foi
mantida. Os judeus perseguidos pelos cristãos na península Ibérica também
encontraram refúgio no território otomano.
O império começou a decair no século XVII. As atividades econômicas dos
povos conquistados eram conduzidas por iniciativa deles próprios, fez com que a
economia geral do império fosse se desintegrando lentamente.
Essa mudança deu início à modernização do império, bastante influenciada
pela Alemanha, ao lado de quem os turcos lutaram na Primeira Guerra Mundial. A
derrota no confronto tumultuou ainda mais o império, que foi abolido pouco depois,
em 1923, quando foi proclamada a República da Turquia.

- Com a derrota do Império Turco Otomano na 1ª Guerra Mundial (1914-1918), a Palestina ficou sob a
responsabilidade da Inglaterra.

_ Entre 1920 e 1947 a Inglaterra permitiu uma intensa imigração judaica a região da Palestina ( a medida tomada pelo
governo inglês como mandatário da Palestina deu origem a disputa entre judeus e palestinos.

INICIO DO CONFLITO ÁRABE-ISRAELENSE

Os conflitos que hoje assolam o Oriente Médio têm diferentes motivos. O principal
deles diz respeito ao território: israelenses e palestinos lutam para assegurar terras sobre
as quais, segundo eles, possuem direito histórico. Outra questão diz respeito à cultura e à
imposição de valores ocidentais às milenares tradições orientais. Pode-se ainda mencionar
o fator econômico - talvez o preponderante: potências capitalistas desejam estabelecer um
ponto estratégico na mais rica região petrolífera do planeta. E ainda existe a questão
política.
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Um dos principais motivos para os confrontos na região é a proposta de criação de um Estado palestino na
Faixa de Gaza e na Cisjordânia, territórios ocupados por Israel na guerra de 1967.

O ponto mais complicado das negociações é o destino de Jerusalém e a posse de lugares santos na chamada
Cidade Velha. Os palestinos querem sua capital na parte oriental da cidade, que os israelenses tomaram em 1967 e
depois anexaram.

Por volta de 2000 a.C Abraão recebe um sinal de Deus, para abandonar o
politeísmo praticado até então e recebe a missão de guiar o povo escolhido até
Canaã (atual palestina, hoje sob dominação do Estado de Israel), onde vivem na
condição de seminômades. Para título de curiosidade, Canaã recebe esse nome
pois era a terra ocupada pelos Cananeus. Seguindo o curso da história, Abraão
casa-se com Sara e tem um filho chamado Isaac. Isaac casou-se com Rebeca e
teve dois filhos chamados de Esaú e Jacó. Jacó certa vez, briga com um anjo de
Deus e a partir de então recebe a denominação de Israel. Os doze filhos de Jacó
dão origem a doze tribos, formando o povo Judeu ou as doze tribos de Israel.

A nação judaica formou a sua primeira monarquia constitucional por volta do ano 1000 A.C. O segundo rei dos
judeus, Davi, estabeleceu Jerusalém como a capital do país e seu filho Salomão liderou a construção do Templo
Sagrado de Jerusalém.

No ano 70 D.C., os romanos destruíram o Templo Sagrado. Tudo o que restou de pé até hoje foi sua Muralha
Ocidental, conhecido por todos como Muro das Lamentações, considerado pelo judaísmo como o local mais sagrado
do mundo. Sendo assim, pessoas de vários países, judeus e não-judeus, visitam o Muro em Jerusalém. Elas escrevem
bilhetes com pedidos pessoais a Deus e os colocam entre suas pedras.

Além de destruir o Templo Sagrado de Jerusalém, os romanos expulsaram os judeus de sua terra, dando início
à DIÁSPORA, que significa a dispersão dos judeus para outros países do mundo.

Contudo, apesar de terem sido conquistados pelos romanos, muitos judeus continuaram a viver na Terra de
Israel.

Por volta do século IX, comunidades judaicas foram restabelecidas em Jerusalém e Tibérias. No século XI, a
população judaica crescia nas cidades de Rafah, Gaza, Ashkelon, Jaffa e Caesarea. Durante o século XII, muitos judeus
que viviam na Terra Prometida foram massacrados pelas Cruzadas, mas nos séculos seguintes, a imigração para a
Terra de Israel continuou. Mais comunidades religiosas judaicas estavam se fixando em Jerusalém e em outras
cidades.

Um dos pontos fundamentais da fé judaica é que todo o povo será liderado de volta à Terra de Israel e que o
Templo Sagrado será restabelecido. Muitos judeus acreditam que o Messias, que será enviado por Deus, irá liderar o
retorno de todo o povo judeu à Terra de Israel.

Contudo, muitos judeus acreditavam que eles próprios deveriam iniciar seu retorno à sua terra histórica. A
idéia de estabelecer um estado judeu moderno começou a ganhar grande popularidade no século XIX na Europa. Um
jornalista austríaco chamado Theodor Herzl levou adiante a idéia do SIONISMO, definido como o movimento nacional
de libertação do povo judeu. O sionismo afirma que o povo judeu tem direito ao seu próprio estado, soberano e
independente.

No final do século XIX, o aparecimento do ANTI-SEMITISMO, o preconceito e ódio contra judeus, levou ao
surgimento de pogroms– massacres organizados de judeus – na Rússia e na Europa Oriental. Esta violência notória
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contra judeus europeus ocasionou imigrações maciças para a Terra de Israel. Em 1914, o número de imigrantes vindos
da Rússia para a Terra de Israel já alcançava os 100.000. Simultaneamente, muitos judeus vindos do Iêmen, Marrocos,
Iraque e Turquia imigraram para a Terra de Israel. Quando os judeus começaram, em 1882, a imigrar para seu antigo
território em grande escala, viviam por lá menos de 250.000 árabes.

Primeira Guerra Mundial - O Recomeço

Na verdade, os conflitos entre árabes e israelenses, como o mundo os vê hoje, começaram com a I Guerra
Mundial (1914-1918). Até 1917, a Palestina possuía 26 mil quilômetros quadrados, uma população de um milhão de
palestinos e 100 mil judeus e ainda se encontrava sob o domínio do Império Turco. Com a derrota dos turcos no
conflito mundial, a Palestina passou para o domínio da Inglaterra. Esta se comprometeu a favorecer a criação de um
"lar nacional" para os judeus na Palestina e abriu a região à emigração judaica, organizada pelo movimento sionista.

Judeus e Palestinos MAPA DA REGIÃO

Em 1947, quando a ONU aprovou um plano de divisão da Palestina, esta possuía


uma população de 1 milhão e 300 mil palestinos e 600 mil judeus. Pelo projeto da ONU,
eles seriam divididos em dois Estados: um judeu (com 57% da área) e um palestino (com
43% da área). A proposta foi rechaçada pelos países árabes.

O Estado de Israel e a Liga Árabe

No ano seguinte, chegou ao final o acordo que concedia aos britânicos o domínio
sobre a Palestina. Assim que as tropas inglesas se retiraram, foi proclamada a criação do
Estado de Israel. O não reconhecimento do novo Estado pela Liga Árabe (Egito, Síria,
Líbano, Jordânia) foi o estopim da Primeira Guerra Árabe-Israelense (1948-1949). O
conflito foi vencido pelos judeus que estenderam seus domínios por uma área de 30 mil
quilômetros quadrados (75% da superfície da Palestina). O território restante foi ocupado
pela Jordânia (anexou a Cisjordânia) e Egito (ocupou a Faixa de Gaza).

A Questão Palestina

A guerra ocasionou a fuga de 900 mil palestinos das áreas incorporadas por Israel.
Esse fato gerou o principal ponto do conflito entre árabes e israelenses: a Questão
Palestina. Em 1956 explodiu a Segunda Guerra Árabe-Israelense, também conhecida como Guerra do Suez. O motivo
foram os choques na fronteira Egito/Israel e a nacionalização do Canal de Suez pelos egípcios. Israel, apoiada pela
França e Inglaterra, atacou o Egito e conquistou a península do Sinai. A pressão dos Estados Unidos e União Soviética
fez com que os judeus abandonassem o Sinai e recuassem até a fronteira de 1949. A península foi ocupada por uma
força de paz da ONU - o exército brasileiro tomou parte desta força.

A criação da OLP

Em 1964 foi criada a Organização para a Libertação da Palestina (OLP), liderada por Yasser Arafat, com o objetivo de
fundar um Estado palestino, a OLP iniciou uma ação de guerrilha contra Israel para retomar os seus territórios
ocupados.
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A Terceira Guerra Árabe-Israelense

Em 1967, teve início a Terceira Guerra Árabe-Israelense, conhecida como Guerra dos Seis Dias. Mais uma vez,
Israel saiu vitoriosa sobre os países árabes (Egito, Síria e Jordânia). O êxodo palestino aumentou com mais essa
conquista de Israel e alcançou, em 1968, 1 milhão e 600 mil refugiados.

A Quarta Guerra Árabe-Israelense

Em 1973, ocorreu Quarta Guerra Árabe-Israelense Egito e Síria


realizaram um ataque simultâneo contra Israel na data religiosa
conhecida como Dia do Perdão (Yom Kippur para os judeus e Ramadã
para os árabes), que terminou com a intervenção dos Estados unidos.

Com a mediação do presidente estadunidense Bill Clinton, Yasser


Arafat, líder da OLP, e Yitzhak Rabin, primeiro-ministro de Israel,
firmam em Washington um acordo prevendo a criação de uma
Autoridade Nacional Palestina, com autonomia administrativa e
policial em alguns pontos do território palestino. a princípio sobre uma
autonomia palestina transitória.
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Autoridade Nacional Palestina surgiu como resultado dos Acordos de Oslo, assinados em setembro de 1993 por Israel e
a OLP - Organização de Libertação Palestina, presidida por Yasser Arafat. Nos termos estabelecidos, a autoridade
deveria existir até maio de 1999. No fim deste período, esperava-se ter resolvido o estatuto final dos territórios da Faixa
de Gaza e da Cisjordânia, ocupados por Israel após a vitória na Guerra dos Seis Dias de 1967. A Autoridade Nacional
Palestina deveria administrar parte significativa destes territórios, assegurando através de forças policiais próprias a
segurança dos territórios.

Em janeiro de 1996, tiveram lugar as primeiras eleições para a presidência da Autoridade Nacional Palestina e para
o Conselho Legislativo da Palestina. Yasser Arafat (acima) foi eleito presidente com 87,1% dos votos, ocupando o cargo
até à sua morte em dezembro de 2004. O seu partido, o FATAH, ganhou 55 dos 88 lugares do conselho.

Em junho de 2007, a Autoridade Nacional Palestina se dividiu, após um ano de confrontos


internos violentos entre os partidos:
Fatah - Partido moderado, que detinha o poder da Autoridade Palestina. A Cisjordânia se
manteve sob seu controle.

Hamas - Grupo considerado terrorista pelo governo de Israel - A Faixa de Gaza passou a ser
controlada pelo Hamas, partido sunita do Movimento de Resistência Islâmica

INTIFADA
Em 1987 aconteceu a primeira Intifada, palavra árabe que
significa "levante", quando milhares de jovens saíram às ruas para
protestar contra a ocupação israelense, considerada ilegal pela
ONU. Pois o acordo inicial não foi obedecido e Israel ocupava cada
vez mais terras.
Os israelenses atiraram e mataram crianças que jogavam
pedras nos tanques, provocando indignação na comunidade
internacional.
Jovens palestinos jogam pedras contra soldados israelenses na
Cisjordânia, em janeiro de 2009.

A segunda Intifada teve início em setembro de 2000, após o então primeiro-ministro israelense Ariel Sharon
ter caminhado nas cercanias da mesquita Al-Aqsa, considerada sagrada pelos muçulmanos, e que faz parte do Monte
do Templo, área sagrada também para os judeus.

ATUALIDADES
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Em 2010, a tensão voltou a subir. O premiê israelense, Benjamin Netanyahu, decretou a construção de 1.600
novas casas para judeus no setor oriental de Jerusalém, reivindicado pelos palestinos como sua capital.

O anúncio causou oposição até de aliados ocidentais de Israel, como os EUA.

A Autoridade Palestina considera a ocupação judaica na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental o maior impedimento
para a paz.

Antes da assembléia da ONU - Em agosto de 2011, Israel dá a aprovação final para a construção das 1.600
moradias israelenses em Jerusalém Oriental, decretada no ano anterior. O ato dificulta os esforços liderados pelos
EUA em dissuadir os palestinos de buscar o reconhecimento na ONU da nação como um Estado.

ATENÇÃO: O Conselho de Segurança das Nações Unidas é a instância da ONU com responsabilidade sobre a
segurança mundial. É o único órgão capaz de aprovar resoluções mandatórias sobre confrontos internacionais.

Membros permanentes. São eles: Estados Unidos, China, Reino Unido, França e Rússia.

OBAMA DEFENDE DELIMITAÇÃO DE TERRITÓRIO COM BASE NAS FRONTEIRAS DE 1967

O presidente dos Estados Unidos, Barack


Obama,defendeu em maio de 2011, que israelenses e
palestinos busquem um acordo para a criação de dois Estados
independentes e autônomos, seguindo as linhas fronteiriças de
1967. Ao discursar no Departamento de Estado dos Estados
Unidos, em Washington, o presidente disse que as áreas
ocupadas pelos israelenses em Jerusalém, na Cisjordânia e
Faixa de Gaza devem integrar o futuro território palestino.

“Uma paz duradoura vai conter dois territórios, cada um tendo


sua autodeterminação. Todas as questões deste conflito
devem ser negociadas. [Deve haver] Dois Estados
independentes. Acreditamos que as fronteiras têm de ser
baseadas nas linhas de 1967 e é preciso ter segurança para os
dois Estados”, afirmou Obama.

Obama apelou para que os líderes políticos palestinos


e israelenses busquem o respeito mútuo. Intercalando o
discurso político com exemplos de sofrimento dos dois lados,
como as mortes de vítimas civis, o presidente norte-americano
afirmou que Israel deve reconhecer o direito de o povo
palestino se “autogovernar”, enquanto os palestinos devem
dar legitimidade ao governo israelense para negociar.

Porém, Obama evitou mencionar um dos temas mais tensos das negociações: as construções de
assentamentos israelenses em áreas historicamente ocupadas por palestinos, no setor oriental de Jerusalém. O
assunto já causou diversos conflitos, que resultaram em mortes.
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Dentro de quatro meses, haverá sessão da Assembléia Geral das Nações Unidas, quando os palestinos
pretendem cobrar da comunidade internacional o apoio para a intensificação das negociações por um acordo para a
criação de um Estado palestino independente.

O presidente estadunidense optou por recomendar que ambos os lados tomem decisões olhando para o
futuro e, não, o passado. “As escolhas são entre ódio e esperança, entre os escombros do passado e o futuro. Temos
muitos desafios pela frente. Mas muitas razões para ter esperança”, afirmou Obama.

O MUNDO ÍNDIANO:

Por que a coisa não se resolve?


Palestinos: Em abril de 2012, o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, enviou uma
carta ao primeiro-ministro de Israel, Benyamin Netanyahu, na qual reiterou as condições postas pelos palestinos para
uma retomada de conversações de paz. Entre elas está a interrupção de construções nos assentamentos judaicos
erguidos na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental – territórios palestinos ocupados por Israel desde 1967. Quanto mais
os israelenses constroem, mais distantes ficam os palestinos de ter o controle ou um estado próprio.
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Israelenses: O premiê Netanyahu respondeu que não aceita nenhuma condição prévia e ainda autorizou o início de
outros três assentamentos na Cisjordânia, pela primeira vez em duas décadas. Netanyahu se recusava então a
prorrogar o acordo de interrupção das construções nos assentamentos judaicos, e Abbas não aceitava mais dialogar
enquanto houvesse a expansão dessas colônias. Entre as populações, a tensão permanece, e os palestinos continuam
vivendo em condições muito precárias.

A Importância de Jerusalém

Para entender a importância de Jerusalém, é preciso recuar na história. A cidade tem enorme valor
simbólico para as três grandes religiões monoteístas. Para os judeus, é a cidade do rei Davi e onde o
Templo foi construído para guardar a Arca da Aliança. Para os muçulmanos, é o lugar do qual o profeta
Maomé ascendeu aos céus. Para os cristãos, foi o palco da paixão de Cristo e de seu sepultamento.

Antes de falarmos sobre o conflito na região da Caxemira acredito que seja interessante abordarmos algumas
características sobre o hinduísmo religião características da Índia e uma das partes interessada por este território.

O sistema de castas consiste numa antiga e rígida hierarquização da sociedade indiana. Este sistema surgiu
baseado em preceitos religiosos do vedismo.

Neste sistema, a casta determina toda a vida de uma pessoa desde o momento do seu nascimento até a
morte. O local de moradia, a profissão, o casamento entre outros aspectos da vida são determinados pela casta ao
qual pertence.
De acordo com este sistema, pessoas de castas diferentes não podem casar ou ter relacionamentos. Também
não é permitida a mudança de casta, pois a crença é a de que a natureza de cada pessoa é determinada pelos deuses.
Porém, como os hindus acreditam na reencarnação, a mudança de uma casta poderia acontecer numa outra
vida, de acordo com a evolução espiritual.

Segundo o governo indiano, o sistema de castas não existe mais no país. Apesar do governo não admitir, a verdade é
que esse sistema está presente na sociedade, interferindo diretamente na qualidade de vida da população indiana

O sistema de castas foi abolido oficialmente da Índia na Constituição de 1950. Porém, por razões culturais e
religiosas ela ainda faz parte da vida dos indianos.
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Principais castas da antiga organização social da Índia:

BRÂMANES (BRAHMIN)

A casta no alto da pirâmide social indiana era formada por sacerdotes, magos, religiosos e filósofos - as pessoas encarregadas de
realizar os sacrifícios e rituais sagrados. Os brâmanes representavam a autoridade espiritual e intelectual e, segundo a mitologia
hinduísta, teriam nascido da boca do deus Brahma, considerado a representação da força criadora do Universo.

XÁTRIAS (KSHATRIYA)

A segunda casta de maior prestígio era a dos guerreiros, que reunia pessoas com atribuições judiciárias, policiais e militares. A
casta incluía ainda reis, nobres, autoridades civis, senhores feudais e responsáveis pelo poder político e militar. Segundo a
mitologia hinduísta, teriam nascido do braço direito do deus Brahma.

VAIXÁS (VAÍCIAS OU VAISHAS)

Respondia pelo conjunto de atividades econômicas, incluindo funções agrícolas, artesanais, comerciais e financeiras. Entre eles
estavam os artesãos, criadores de gado, camponeses e mercadores (o líder pacifista Mohandas Gandhi pertencia a uma
subcasta dos vaixás). A mitologia hinduísta afirmava que teriam nascido das coxas do deus Brahma.

SUDRAS (SHUDRAS)
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A casta inferior era formada por servos, trabalhadores braçais e empregados domésticos. Seus
integrantes eram encarregados de realizar todas as atividades necessárias para garantir a sobrevivência
material da comunidade. Os hinduístas acreditavam que os sudras teriam nascido dos pés do deus
Brahma.

PÁRIAS (DALIT)

Abaixo das castas e fora dessa pirâmide social, os párias ou "intocáveis" faziam trabalhos tidos como
indignos. Entre esses "sem-casta" estavam limpadores de fossas sanitárias, coveiros e carniceiros. Os
hinduístas acreditavam que os "intocáveis" não teriam nascido do deus Brahma e, por isso, deviam ser
discriminados

A QUESTÃO DA CAXEMIRA

As divergências que existe na Ásia meridional é fruto do processo de colonização e da diferença religiosa, que
se agravou com a colonização britânica e a posterior independência da região, que se fragmentou originando dois
novos países, Índia e Paquistão que passaram a disputar uma guerra local para ver quem realmente é a potencia
regional.

Essa disputa levou esses dois países no final do século XX a se tornarem detentores de arsenal nucleares, o que
caracterizou um retrocesso na política externa dos dois países, pois o mundo hoje se encontra muito mais alinhado a
questão econômica do que com o poder militar que fora característica predominante do período compreendido como
guerra fria.

Grande parte da população da região da Caxemira é muçulmana e quer a anexação ao Paquistão, o que a Índia
nega. Atualmente, dois terços do território estão sob domínio indiano e o restante sob controle do Paquistão e da
China.

Causas do conflito

• O domínio da Índia (maioria hindu) sobre a Caxemira, que possui grande parte da
população muçulmana (75%), não permitindo a sua emancipação.

• A Caxemira é reivindicada pelo Paquistão, que tem dado apoio aos separatistas da
Caxemira, já que o Paquistão é um pais muçulmano.

• O conflito tem sido agravado pela corrida armamentista entre os dois países que
aumenta a possibilidade de uma guerra com grandes proporções.

Os vultuosos gastos militares desviam recursos das áreas sociais e pioram a situação
de pobreza nessas nações

Os governos de Índia e Paquistão divulgaram dia 10/02/2011 um comunicado conjunto confirmando a


retomada das negociações de paz, suspensas após uma série de ataques cometidos em 2008, na cidade indiana de
Mumbai e atribuídos a militantes baseados no Paquistão.
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As conversações irão tratar de grandes temas da agenda bilateral, como a adoção de medidas de contra
grupos extremistas e o controle sobre o território da Caxemira, reivindicado por ambos os países. As equipes de
negociadores irão ainda abordar assuntos econômicos e outras discordâncias relativas a fronteiras

A independência desses dois países só aconteceu em 1947, quando um movimento caracterizado pela resistência
pacífica liderado por Mahatma Ganddhi se tornou vitorioso na sua luta.

A divisão da Ásia meridional em dois estados refletiu as diferenças religiosas internas, o Paquistão abrangia a maior
parte da população muçulmana e a Índia a maior parte da população hinduísta.

O Paquistão tinha o território dividido em duas porções, que após um violento conflito em 1971, foram separados
surgindo um terceiro estado soberano Bangladesh. Somando-se a esse acontecimento surge no mundo indiano dois
movimentos separatista, um no Sri Lanka predominantemente budista o Nepal e o Butão localizados na região do
Himalaia e também budistas.

1- A QUESTÃO DA CAXEMIRA:

O controle pela Caxemira --região montanhosa em disputa pelo Paquistão e a Índia-- já provocou guerras entre os
dois países e há quase seis décadas separatistas entram em confronto com agentes de segurança indianos em
plena cordilheira do Himalaia pelo controle da área, que é considerada uma passagem estratégica à parte sul do
continente asiático.

O conflito chegou a adquirir novos contornos nos últimos anos, com a demonstração de poderio atômico feito por
ambos os países: a rivalidade levou a uma corrida armamentista que culminou com a entrada de Índia e Paquistão,
em 1998, no clube dos detentores de armas nucleares. Ambos desenvolveram ao máximo sua infra-estrutura militar.
Desde então, as hostilidades na Caxemira passaram a ser acompanhadas com mais atenção pela comunidade
internacional.

Na África, os conflitos étnicos são resultado da partilha do continente feita, no final do século XIX, pelos
colonizadores europeus, os quais lhe impuseram “fronteiras artificiais”.

A divisão do território visava satisfazer às necessidades econômicas das metrópoles, o que incluía limites que
separavam um mesmo povo ou aglutinavam diferentes etnias em um mesmo território. Essa prática se mostrou
desastrosa pois acabou gerando inúmeros conflitos em todo continente africano.

No caso africano é importante ressaltar, como fatores fundamentais para a multiplicação dos conflitos o
baixíssimo nível socioeconômico de muitos países e a inexistência de governos democráticos na maioria deles.

Conflito Hutus e tutsis

O conflito entre tutsis e hutus a é mais uma demonstração do efeito retardado da política colonial européia,
no continente Africano. Até o início da colonização alemã na região, as etnias tutsis e hutus viviam em relativa
harmonia, no território que hoje é ocupado por Ruanda e Burundi.

Os tutsis eram predominantemente pastoreiros e apresentavam maior estatura.Os hutus, de pele mais escura,
e menor estrutura, tinham tradição agrícola. A partir da colonização sob o domínio alemão, e posteriormente belga,
esses dois povos tiveram sua organização modificada.
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Os tutsis foram escolhidos para assumirem cargos da administração


estatal, treinamento militar, acesso exclusivo à educação, uma vez que as
escolas exigiam uma estatura mínima, visando impedir o ingresso e hutus.

Em 1959, os ressentimentos acumulados pelos hutus, no período


colonial, explodem. Nesta primeira rebelião, militares tutsis foram
aprisionados e tiveram seus pés cortados a golpes de facão, com o
objetivo de diminuir a diferença de estatura (e simbolicamente,
diminuir as diferenças sociais).

Em 1962, Ruanda tornou-se independente e a minoria tutsi ficou a


mercê dos hutus, sendo obrigado a migrar para Uganda, a fim de
organizarem uma nova tomada de poder.

Este conflito se intensificou a partir de abril de 1994, quando os presidentes de


Ruanda e Burundi, de etnia hutus, foram mortos em um atentado que derrubou o
avião onde viajavam juntos. Foi o estopim pata o genocídio com mais de 1 milhão
de mortos e mais de 2 milhões de refugiados.

Em julho de 1998, foi elaborado um acordo de cessar fogo, com o


estabelecimento de um governo formado por representantes tutsis e hutus.

OS PROTESTOS NO “MUNDO ÁRABE” EM 2010-2011

- O Mundo Árabe compreende atualmente 8 monarquias e 13 repúblicas.

- São regimes, na maioria, autocráticos, nos quais a autoridade se concentra


nas mãos de um único partido ou pessoa

- Em vários deles, além de autoritária, a elite dominante é corrupta.

- Em geral, os dirigentes se mantêm no poder no poder amparados por forças


militares
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* Kadafi foi morto em um confronto na cidade de Sirte, no dia 20/10/2011.


16

As manifestações ocorridas no continente africano, particularmente na África do Norte (de maioria islâmica),
se deu através do descontentamento de jovens que viviam sem perspectiva de vida, moravam em num país onde os
alimentos têm preços elevadíssimos, com grande desigualdade social e com o mesmo governo por varias décadas no
poder, sem criar condições para que você e sua família tenham melhores condições de vida.

O acesso à internet teve papel fundamental na ocorrência das diversas manifestações contra os governos de países do
norte da África. Os jovens, por meio de redes sociais (Facebook, Orkut, Myspace, Twitter entre outros), organizaram
esses protestos, que puseram fim a anos de exploração e violência.

Os atuais protestos e manifestações ocorridos no NORTE DA ÁFRICA E DO ORIENTE MÉDIO,localizam-se na


região conhecida como “Mundo Árabe”

Tudo começou em dezembro de 2010, na Tunísia (África), quando um jovem chamado Muhammad
Bouazizi ateou fogo ao próprio corpo após a polícia fechar sua fonte de renda, uma banca de frutas e verduras. Ele
não sabia, mas o ato desesperado, que terminou com a própria morte, seria o pontapé inicial do que viria a ser
chamado mais tarde de Primavera Árabe.
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O caso, potencializado por denúncias de corrupção do


governo, deflagrou uma onda de levantes populares contra o
desemprego, a pobreza e a inflação galopante. Protestos se
espalharam pela Tunísia, levando o presidente Zine el-Abdine Ben Ali
a fugir para a Arábia Saudita apenas dez dias depois. Ben Ali estava
no poder desde novembro de 1987.

* Após o suicídio de Muhammad em um protesto contra as humilhações e privações, somado à várias denuncias de
corrupção no governo, pobreza, desemprego, culminaram em uma série de manifestações

- 2011: Os jovens da Tunísia organizaram as manifestações por meio das redes sociais e saíram às ruas para exigir a
renuncia do ditador Zine el-Abidine Ben Ali, que já estava a 23 anos no poder;

- Apesar de resistir por um tempo, o presidente ditador deixou o cargo e o país;

- O fim: Em março desse mesmo ano, formou-se um governo civil provisório com promessas de realizar eleições para
organizar o país;

- O conjunto de manifestações tunisianas ocorridas entre dezembro de 2010 e Janeiro de 2011 ficou conhecido como
"Revolução de Jasmim";

- Outubro de 2011: Foram realizadas as eleições tunisianas, onde Rachid Ghannouchi, de 70 anos, líder do Partido do
Renascimento Islâmico (Nahda) venceu a eleição;

Com o sucesso do evento, outras manifestações eclodiram em terras do Norte da África

A onda de protestos culminou na mudança de poder de dois países comandos pelos ditadores o Egito do ex-
presidente Hosni Mubarak (saiu do poder depois de 30 anos no dia 11/02/2011) e do persistente e ex- presidente da
Líbia Muammar Kadhafi que ficou no poder a quase 42 anos ( morrendo em 20/11/2011).

Ambos faziam um governo muitas vezes ameaçador para as organizações internacionais, ajudando terroristas em
alguns momentos, e sofrendo diversas sanções econômicas e políticas ao longo dos governos, o que já provocava
grande insatisfação popular

Mas, além disso, e mais importante, são países riquíssimos em exploração e venda de petróleo, porém, essa
riqueza não é repassada para a população, e os principais motivos das revoltas são os mesmos em ambos os países:

- Alto desemprego

- Alto preço dos alimentos

- Importação da maior parte dos alimentos necessários ao abastecimento

- Gastos exorbitantes com arsenal militar

É importante analisar ainda, que essa crise política no Oriente Médio e Norte da África, (países exportadores de
petróleo e com orientação religiosa islâmica), não se restringe só a Líbia e ao Egito. Países como Tunísia (que
derrubou o presidente Zine El Abidine Ben Ali) Jordânia, Iêmen, Argélia, Mauritânia, Marrocos, Sudão e Omã também
contam com sérias pressões populares.
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No Egito levante popular depois de 18 dias de protesto culminou na renuncia de


Mubarak, que pretendia colocar seu filho como seu sucessor. Os militares, que se recusaram
a lutar contra os civis ( isso evitou uma guerra civil), Após a saída de Hosni Mubarak do
poder, os militares assumiram o governo e, certamente, terão grandes influência no processo
de transição

Na Líbia, os protestos estouraram no


mesmo embalo. A população local clamava pela queda do
ditador Muamar Kadafi, que mobilizou tropas militares para sufocar
a ação dos rebeldes ( foram centenas de civis mortos, pelo exercito
líbio).

Kadafi chegou ao poder por meio de um golpe de Estado, que


depôs a monarquia que regia o país até 1969. Desde então, Gaddafi
já foi chamado de maluco e herói, de terrorista e revolucionário. Sua
ditadura apoiou organizações terroristas como o Setembro Negro,
que assassinou atletas israelenses nas Olimpíadas de Munique, em
1972, e o grupo basco separatista ETA, acusado de dezenas de
atentados na Espanha.

Em 1988, se recusou a extraditar o terrorista líbio Abdel Basset al Megrahi, responsável pela explosão do
jumbo da Pan Am que explodiu sobre a Escócia, matando 270 pessoas. O fato rendeu à Líbia uma série de sanções da
ONU (Organização das Nações Unidas), mas angariou ainda mais seguidores radicais para Gaddafi.

Provavelmente já pensando em um futuro sucessor (seu filho Saif el Gaddafi), passou a ser intolerante com
fundamentalistas islâmicos, livrou-se de suas armas de destruição em massa e pagou indenizações às vítimas do
atentado ao jumbo da Pan Am.

Na lista dos próximos governantes ameaçados pelas revoltas populares, Gaddafi


vê agora várias cidades líbias, entre elas Benghazi e Syrta, tomada por manifestantes
descontentes com seu reinado truculento de quatro décadas, sem o respeito da
Constituição e liberdades fundamentais. A revolta na Líbia tem também contornos mais
dramáticos de violência, se comparada às dos vizinhos. Essas características
motivaram o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) a
adotar sanções contra o governo Kadafi. Com ataques aos núcleos de defesa e
resistência líbio.
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Qual a diferença entre o conflito na Líbia e no Egito

- O povo líbio não teve a mesma sorte do povo egípcio (devido a intervenção do exercito);

- Logo que iniciaram os protestos populares. o maior ditador do mundo árabe, Muammar Kadafi, no poder desde 1969, convocou a população
para defender o seu governo contra as empreitadas do exercito rebelde contrário ao seu governo

- Contratou também um exercito de mercenários (boa parte deles vieram da África Subsaariana) para conter os avanços do grande grupo de
rebeldes líbios

- Rapidamente surge uma guerra civil na Líbia entre forças favoráveis e contrárias à Kadafi

- Partidários de Kadafi e exercito líbio matam civis inocentes

- 17/03/2011: Com o objetivo de proteger a população civil na Líbia, o Conselho de Segurança¹ da ONU autorizou a intervenção interna neste
conflito

- Liderados pelos Estados Unidos, França e Reino Unido entraram no combate com investidas aéreas contra os favoráveis de Kadafi

- Setembro/2011: Kadafi foi deposto do poder

- Outubro/2011: Kadafi é assassinado pelo exercito rebelde.

Golpe de Estado no Egito


Depois das intensas manifestações populares que tomaram conta do país no decorrer dos últimos dias e do
ultimato de 48 horas estipulado pelos militares para que o presidente Mohammed Morsi entrasse em acordo com seus
opositores, um golpe de Estado o depôs do cargo para o qual havia sido eleito de forma democrática.

O anúncio da derrubada de Morsi, membro do Partido Liberdade e Justiça (PLJ), braço político da Irmandade
Muçulmana, foi feito através de pronunciamento de Abdel-Fattah el-Sisi, ministro da Defesa, contando com a presença da
cúpula militar, de líderes religiosos e de oposição, o que acarretou a celebração de milhares de populares na mesma Praça
Tahrir, no Cairo, palco dos protestos que provocaram a queda do regime ditatorial de Hosni Mubarak, no início de 2011.

Acusado pela população por tentar implantar no país um regime com características islâmicas, resultando na
elaboração de uma Constituição de cunho conservador, a onda de protestos ganhou fôlego redobrado com os elevados
índices de desemprego e o período de estagnação econômica que atingem o país norte-africano.

Entre as medidas divulgadas pelos militares, suspensão da Constituição e nomeação de Adli Mansour, presidente
da Corte Constitucional do Egito, para compor um governo de transição, juntamente com uma equipe de tecnocratas, até
que novas eleições sejam convocadas.
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Quem é Mohammed Morsi e o que aconteceu com ele?

Mohammed Morsi ganhou força dentro da Irmandade Muçulmana do Egito, um movimento islâmico
proibido durante décadas, e tornou-se presidente de seu braço político, o Partido Liberdade e Justiça.
Morsi ganhou as eleições presidenciais em junho de 2012, e tornou-se o primeiro presidente
democraticamente eleito do Egito. A eleição, considerada livre e justa, aconteceu após um período turbulento da
ditadura militar, que viu seu líder de longa data, Hosni Mubarak, ser deposto em fevereiro de 2011, também após
protestos de massa.
* Desde que ele foi deposto, Morsi está preso em um local não revelado.

Outras figuras importantes da Irmandade Muçulmana também foram detidas, incluindo o poderoso vice-líder Khairat
al-Shater, que é acusado de incitar a violência.

O que aconteceu desde o golpe militar?


Partidários de Morsi realizaram comícios quase diários exigindo seu restabelecimento na presidência. A sede
da Guarda Presidencial, no Cairo, foi um dos principais locais de manifestação, já que muitos acreditam ser o lugar
onde Morsi está preso.
Falando depois de pelo menos 51 pessoas terem sido mortas do lado de fora da sede da Guarda Presidencial
em 8 de julho, o Partido Liberdade e Justiça pediu "uma revolta" contra "aqueles que tentam roubar sua revolução
com tanques".
No dia 27 de julho, mais de 70 pessoas foram mortas em confrontos com as forças de segurança no
acampamento ao redor da mesquita Rabaa al-Adawiya. As forças de segurança foram acusadas de usar força letal
desnecessária. O Ministério do Interior acusou os manifestantes de usar armas de fogo.
Manifestantes anti-Morsi também foram às ruas. O general Sisi os encorajou a ocupar as ruas no dia 26 de
julho para dar ao exército um "mandato para enfrentar possíveis ações de violência e terrorismo".
Segundo a mídia egípcia e fontes oficiais, cerca de 160 pessoas foram mortas em manifestações e confrontos
com as forças de segurança antes da ação para dispersar os acampamentos.

O que vai acontecer agora?


** O general Sisi disse que Mansour comandaria um "governo interino até que um novo presidente seja
eleito".
Mansour traçou planos para a transição, incluindo uma revisão da Constituição apoiada por Morsi, e novas
eleições parlamentares no início de 2014. O plano foi rejeitado pela Irmandade Muçulmana e também criticado
pelos partidos de esquerda e liberal.
Sisi prometeu "não excluir ninguém ou qualquer movimento", e pediu medidas para "capacitar os jovens e
integrá-los nas instituições do Estado".
No entanto, ele não definiu a duração do período de transição, ou qual será o papel dos militares.
O exército é a mais poderosa entidade governamental, e muitos dizem que funciona como um Estado dentro
do Estado. Empresas que pertencem ao exército constituem uma proporção significativa da economia do Egito.

Outros protestos em países da África Islâmica

- Na Mauritânia: Jovens pediram empregos, queda dos preços dos produtos básicos e o fim da ditadura militar

- No Marrocos: Reinvidicaram reformas democráticas e imposição de limites ao poder do Rei Mohammed VI

- Na Argélia: Pregaram o fim do desemprego e da dificuldade para obter vistos de saída do país
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A Doutrina Bush

O ataque terrorista de 11 de setembro de 2001 fez mais do que aumentar os


investimentos estadunidense em recursos defensivos. Em 2002, com o pretexto de
acabar com os ataques terroristas, o governo divulgou um documento intitulado “A
estratégia de segurança nacional dos Estados Unidos”, que contém determinações
para as áreas político-militar e econômica e foram apelidadas de Doutrina Bush, por
causa do nome do então presidente George W. Bush.

Com a Doutrina Bush, os Estados Unidos alteraram os padrões de política externa


típicos da Guerra Fria e do final do século XX, baseados na contenção ou na tentativa
de abalar os adversários. Segundo o documento, “não hesitaremos [os Estados
Unidos] em agir sozinhos, se preciso for, para fazer uso do direito de autodefesa, de
maneira preventiva e antecipada”.

Dessa forma, os Estados Unidos justificou suas ações contra países considerados hostis, como ficou
comprovado na invasão e na ocupação do Iraque, em 2003.

A Doutrina Bush determinava ainda o fortalecimento das alianças com


outros Estados para derrotar o terrorismo no mundo e o fim da maioria dos
tratados de não-proliferação de armas nucleares. Além disso, estabelece
que os Estados Unidos não permitirão a ascensão de qualquer potência
estrangeira que rivalize com a enorme dianteira militar dos estadunidenses,
alcançada desde o fim da Guerra Fria e a derrocada da URSS. Estabeleceu
também o compromisso do governo dos Estados unidos em auxiliar países
cujos governantes “incentivem a liberdade econômica”, numa indicação
clara de que os países devem abrir ou intensificar a abertura de seus
mercados, adotando de forma intensa o processo de globalização.
Além da consolidação dos Estados Unidos como superpotência global, a Doutrina Bush procura defender seus
interesses econômicos. Muitos desses interesses estão associados à garantia do fornecimento de petróleo, matéria-
prima e fonte energética fundamental para a economia mundial em geral e, em particular, para a economia dos
Estados Unidos.

Os Estados Unidos também procurava através da Doutrina Bush intensificar a sua influência no Oriente Médio
e na Ásia Central, regiões ricas em petróleo e gás natural e que concentram muitas reservas inexploradas desses
recursos. O Oriente Médio também se sobressai na geopolítica internacional pela sua posição estratégica, ligando a
Ásia à África e à Europa, além de ser palco de vários conflitos do mundo atual, como o que envolve israelenses e
palestinos.
A MORTE DE OSAMA BIN LADEN

‘Foi feita justiça’, disse Barack Obama ao anunciar a morte.


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Foi com alegria que na madrugada do dia 02/05/2011, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, fez o
pronunciamento na TV da morte de Osama Bin Laden, líder da rede terrorista da al-Qaeda, responsável pelos ataques
terroristas de 11 de setembro de 2001 nos EUA, que mataram cerca de 3.000 pessoas.

De acordo com Obama, a morte foi consequência de uma ação de inteligência do Exército estadunidense em
parceria com o governo do Paquistão, que localizou o terrorista – que tinha entre 53 e 54 anos- durante a semana
passada.

A operação, sigilosa, foi executada no domingo por um comando especializado da Marinha dos EUA. Um
pequeno grupo de soldados conseguiu matar Bin Laden em uma fortaleza na cidade de Abbotabad, próximo a
Islamabad, capital do Paquistão.

A operação foi feita exclusivamente pelas forças americanas, segundo a chancelaria paquistanesa.

Procurado havia pelo menos dez anos pelos EUA, Bin Laden era considerado o mentor dos atentados de 11 de
Setembro de 2001, que derrubaram as Torres Gêmeas em Nova York, atingiram o Pentágono e deixaram cerca de
3.000 mortos.

Os ataques levaram à invasão do Iraque e do Afeganistão por tropas lideradas pelos EUA, no que ficou
conhecido como “guerra ao terror”.

O terrorista também era conhecido por ataques a alvos norte-americanos na África e no Oriente Médio na
década de 1990.

QUAL A IMPORTÂNCIA DA MORTE DE BIN LADEN

“Obama killed Osama,” resumiu o articulista Andrew Sullivan, um dos mais competentes observadores da
política americana.

A morte de Bin Laden contribui com muitos pontos políticos ao presidente Obama (na verdade
ele já subiu 11% na aceitação popular).

No jogo da política, interessa mais quem terminou do que quem começou. Bush pode ter
começado, mas Obama terminou. Sendo assim, é considerado que Obama fez. Fazendo algo com
grande repercussão e vontade da maioria, se consegue um número bom de pontos políticos. Isso será
importante para conseguir sua re-eleição.

Mas está claro que a morte de Bin Laden representa um golpe profundo em sua organização, que
não deixará de ter consequências.

CONFLITO NA IRLANDA DO NORTE

Rivalidades entre católicos e protestantes na Irlanda do Norte remontam ao século 17. É uma história de
confrontos que opõe, de um lado, a maioria dos irlandeses - protestantes, unionistas, identificados com os interesses
do domínio britânico - e, de outro, a minoria - católicos, nacionalistas, que atrelam sua identidade nacional à
resistência religiosa, lutando pelo fim da dominação inglesa sobre o Ulster e a posterior unificação com a vizinha
República da Irlanda.
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No século 19, a Irlanda foi integrada ao Reino Unido da Grã-Bretanha


por meio da assinatura do Union Act. No início do século 20, surge o
movimento nacionalista que luta pelo fim do domínio britânico sobre a ilha.
Esse movimento de resistência levará ao surgimento do Estado Livre da Irlanda
ou Eire, em 1922. Mas a Irlanda do Norte ou Ulster continuará fazendo parte
do Reino Unido.

Foi a partir do final dos anos 60 que as hostilidades se agravaram. Em 1969,


o governo britânico ocupou militarmente o Ulster e, em seguida, dissolveu o
Parlamento de Belfast, assumindo as funções políticas e administrativas. Em
1972, mais de uma dezena de jovens irlandeses católicos foram mortos no
Domingo Sangrento. Em 30 anos de conflito, cerca de 3.600 pessoas morreram
na Irlanda.

A seguir, uma sucessão de atentados terroristas praticados pelo IRA


indicavam a radicalização do conflito. Protestantes da Força Voluntária do
Ulster, grupo paramilitar unionista, responderam com a mesma violência ao
radicalismo católico.

Só em 1991, por iniciativa de ingleses e estadunidenses, iniciou-se


uma rodada de negociações com a participação dos partidos do Ulster e do
governo de Londres. Como o Sinn Fein - braço político do IRA - foi excluído
das conversações, o diálogo fracassou.

Finalmente, em 1998, Tony Blair (premiê inglês), Gerry Adams (Sinn Fein) e
David Trimble (unionista), com a participação do ex-presidente estadunidense
Bill Clinton, assinaram o Acordo do Ulster, que concedia mais autonomia ao
país.