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br Arlindo Ugulino Netto ● MEDRESUMOS 2016 ● MICROBIOLOGIA

MICROBIOLOGIA 2016
Arlindo Ugulino Netto.

FISIOLOGIA BACTERIANA – NUTRIÇÃO E METABOLISMO BACTERIANO

A análise das estruturas bacterianas revela que sua arquitetura é formada por diferentes macromoléculas,
constituídas por distintas unidades. Essa análise nos leva a crer que a constituição molecular das bactérias não é muito
diferente quando comparada a células eucarióticas. Todos os tipos de células, incluindo a bacteriana, são constituídos
por cerca de 70% de água, indicando que suas reações estão preparadas para ocorrer em meio aquoso. Os 30%
restantes são compostos de matéria seca (macromoléculas) que compõem a parede celular, os ribossomos, a região
nuclear ou a membrana bacteriana.
 70% Água;
 30% Matéria seca: proteínas, DNA, RNA, lipídeos, lipopolissacarídeos, metabólitos.

REQUISITOS NUTRICIONAIS
A maioria das bactérias são heterotróficas. As substâncias ou elementos retirados do ambiente para construir
novos componentes celulares ou para obter energia são chamados de nutrientes. Os nutrientes podem ser divididos em
duas classes: macronutrientes (compostos orgânicos celulares) e micronutrientes. Ambos os tipos são
imprescindíveis, mas os primeiros são requeridos em grandes quantidades por serem os principais constituintes dos
compostos orgânicos celulares e/ou por serem utilizados como combustível.

MACRONUTRIENTES (COMPOSTOS ORGÂNICOS CELULARES)


Em laboratório, esses nutrientes (90% da constituição molecular) são cedidos às bactérias nos meios de cultura,
enquanto que no corpo humano, o próprio sangue os fornece.
 Fonte de carbono: as bactérias podem utilizar o carbono inorgânico existente no ambiente, na forma de
carbonatos ou de CO2, como única fonte de carbono. São, nesse caso, chamadas de autotróficas. Os micro-
organismos que obrigatoriamente requerem uma fonte orgânica de carbono são denominados heterotróficos.
 Fonte de nitrogênio: está disponível na natureza sob a forma de gás (N 2) ou na forma combinada. Para um
grupo de bactérias, além do nitrogênio compor as proteínas e ácidos nucleicos, ele serve para formar nitrato que
é o aceptor final de elétrons da cadeia de transporte em anaerobiose.
 Fonte de oxigênio: é requerido na forma de molécula como aceptor final da cadeia de transporte de elétrons
aeróbia. É, portanto, assimilado tanto na forma de molécula como na forma combinada.
 Fonte de hidrogênio: com exceção de um pequeno grupo de bactérias que necessita de H 2 na forma molecular,
é obtido pelas bactérias na forma combinada.

MICRONUTRIENTES
Correspondem a um percentual menor da constituição molecular bacteriana (10%) e são eles: potássio, cálcio,
ferro, magnésio, manganês. Atuam como componentes de proteínas, enzimas e componentes de estruturas celulares.
Os esporos (forma de resistência da bactéria), por exemplo, são formados por íons cálcio associados ao ácido
acetilcolínico.

CONDIÇÕES DE CULTIVO
Os meios de cultura são representados por um conjunto de substâncias que tem como finalidade o
crescimento microbiano. Para cultivar micro-organismos, deve-se obedecer a requisitos básicos obrigatórios, quais
sejam: inoculá-los em meios de cultura adequados e incubá-los em condições ambientais igualmente adequadas.
Um inóculo é uma amostra de material que contém geralmente uma pequena quantidade de micro-organismos;
obedecidas as condições citadas, os micro-organismos contidos no inóculo multiplicam-se, aumentando em número e
massa e, com isso, atingindo o objetivo desejado. Os meios de cultura devem ser ricos em fatores de crescimento:
vitaminas, aminoácidos, purinas e pirimidinas. Algumas outras bactérias exigem a presença de sangue para o meio de
cultura (Ágar base + sangue de carneiro = Ágar sangue).

CLASSIFICAÇÃO DOS MEIOS DE CULTURA


1. Quanto à composição
 Meios sintéticos: são meios de cultura que apresenta uma constituição química definida. Ex: Ágar
Mueller Hinton; Ágar sangue (Blood-Agar-Base, BAB).
 Complexos (naturais): não se tem uma ideia fixa de concentração de nutrientes no meio, ou seja, não
tem uma composição química definida. Ex: leite, suco de frutas, caldo de carne.

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2. Quanto ao estado físico


 Sólidos: meios com aspecto gelose devido à presença do Ágar, um polímero obtido de algas marinhas
que tem como função única fornecer uma consistência sólida ao meio, sem estar relacionado à nutrição.
Ex: Ágar sangue
 Semissólidos: apresentam uma pequena quantidade de Ágar.
 Líquidos: não apresentam Ágar em sua composição. Quando há presença de bactérias, o meio
apresenta-se turvo. Ex: Caldo BHI (Brain Heart Infusion), um meio extremamente rico em nutrientes
derivado do coração e cérebro bovino.

3. Quanto à finalidade
 Meio seletivo: seleciona o crescimento de espécies específicas de bactérias. Ex: Ágar manitol salgado
faz crescer o Staphylococos.
 Meios de enriquecimento: contém substâncias acrescentadas ao meio de cultura com a finalidade de
obter crescimento da bactéria. Ex: sangue, soro, vitaminas, BHI, etc.

INFLUÊNCIA DOS FATORES AMBIENTAIS


A tomada de nutrientes e posterior metabolismo são influenciados por fatores físicos e químicos do meio
ambiente. Os principais fatores são: temperatura, pH, presença de O 2, pressão osmótica e luz.
 Temperatura: cada tipo de bactéria apresenta uma temperatura ótima de crescimento. A temperatura ideal para
o crescimento bacteriano é de 37º. Porém, existem bactérias que apresentam variações segundo a temperatura
ótima para o seu crescimento, sendo classificadas em:
o Psicrófilas: entre 12 e 17ºC;
o Mesófilas: entre 28 e 37ºC;
o Termófilas: 57 e 87ºC.

 pH: os valores de pH em torno da neutralidade (6,5 a 6,8) são os mais adequados para a absorção de alimentos
para a grande maioria das bactérias. Existem, no entanto, grupos adaptados a viver em ambientes ácidos e
alcalinos.

 Oxigênio: o oxigênio pode ser indispensável, letal ou inócuo para as bactérias, o que permite classificá-las em:
o Aeróbias estritas: exigem a presença de oxigênio. Ex: Acninotobacter
o Aeróbias Microaerófilas: necessitam de baixos teores de oxigênio. Ex: Campylobacter jejuni
o Aeróbias Facultativas: apresentam mecanismos que as capacitam a utilizar o oxigênio quando
disponível, mas desenvolver-se também na sua ausência. Ex: Escherichia coli
o Aeróbias aerotolerantes: suportam a presença de oxigênio, apesar de não utilizarem. Ex: Streptococcus
e Lactobacillus.
o Anaeróbias estritras: não toleram oxigênio. Ex: Clostridium tetani e Clostridium botulinum, bactérias
produtoras de potentes neurotoxinas (botulínica) que inibem a ação da acetilcolina, impedindo a
contração da musculatura da respiração.

METABOLISMO BACTERIANO
Uma vez garantidos pelo ambiente os nutrientes e as condições adequadas para assimilá-los, as bactérias vão
absorvê-los e transformá-los para que cumpram suas funções básicas, quais sejam o suprimento de energia e de
matéria prima.

OBTENÇÃO DE ENERGIA
As substâncias energéticas (com elevado grau de redução) preferencialmente oxidadas por micro-organismos
são os açúcares, seguidos pelas proteínas e, mais raramente, as gorduras. As bactérias utilizam energia para transporte
de nutrientes, o movimento dos flagelos, mas sobretudo para as biossínteses.
Os processos de obtenção, armazenamento e utilização de energia são organizados na célula através de uma
rede complexa de reações químicas que constituem o metabolismo.
1. Oxidação Aeróbia: se dá por meio da oxidação dos carboidratos, através da glicólise, conversão de piruvato a
acetil-CoA, Ciclo de Krebs, Cadeia de transporte de elétrons.
2. Oxidação anaeróbia: ao contrário da maioria dos seres vivos que apresentam metabolismo estritamente
aeróbio, muitas bactérias têm a capacidade de viver em ambientes onde há baixas tensões ou carência total de
oxigênio. Para viver nestas condições, os micro-organismos são capazes de levar a cabo os processos de
fermentação ou respiração anaeróbia (na qual não há ciclo de Krebs, pois na ausência do O 2, haverá carência
de NAD oxidado), fazendo uso de compostos orgânicos, obtendo os seguintes produtos finais: lactato, etanol,
acetato. A fermentação láctica, por exemplo, é um processo utilizado na indústria de alimentos.

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CRESCIMENTO BACTERIANO
Quando se fala em crescimento bacteriano,
relaciona-se ao número de bactérias existentes em um
determinado meio. Para avaliar essa variável, faz a curva
de crescimento bacteriano, que está dividida nas
seguintes fases:
 Fase LAG (latência): fase de adaptação da bactéria
ao meio.
 Fase logarítmica: crescimento exponencial da
bactéria.
 Fase estacionária: parada no crescimento de
bactérias devido à multiplicação de algumas
bactérias e morte de outras por conta da produção
de toxinas.
 Fase de declínio: fase em que ocorre uma morte
maciça de bactérias devido à escassez de
nutrientes no meio.

REPRODUÇÃO BACTERIANA
A forma de crescimento bacteriano é por meio da reprodução, que pode se dar das seguintes formas:
1. Reprodução assexuada
o Fissão binária (bipartição): divisão da célula-mãe em duas células-filhas idênticas.
o Fragmentação: bactérias filamentosas liberam fragmentos que originam uma nova bactéria.
o Brotamento: semelhante as leveduras, forma-se um broto que dará origem a uma nova bactéria.
o Esporogenia: formação de novas bactérias através da formação de esporos.

2. Reprodução Sexuada:
o Conjugação: exige o contato íntimo entre as
células, havendo então uma célula doadora do
MG e uma receptora desse material, sendo esse
transporte mediado por plasmídeos.