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máquina

11 de setembro
de 1934
Nasce em São Fidélis (RJ) José
variedades@oparana.com.br Richa, prefeito de Londrina,
do tempo senador e governador do Paraná.
Na foto com Paulo Gorski, na 1ª
C7 - O Paraná Domingo, 5/9/2010 Expovel.

HISTÓRIA

Paranaense, o “monarca da coxilha”


Nos tempos da luta pela Província, bem antes dos gaúchos, ele já usava poncho, pala e guaiaca

Fotos Divulgação
Cascavel - Mesmo com o governo que saiu da cartola paulista era divi- Na Europa, um certo Friedrich En-
paulista afirmando ser favorável à cri- dir Minas Gerais, criando a Provín- gels, filósofo alemão, empregaria pela
ação da Província do Paraná em 1843, cia de Sapucaí. primeira vez o termo “revolução in-
sem objeções por parte do imperador, Com os mineiros se levantando con- dustrial”, que veio a ser a grande re-
d. Pedro II, não seria fácil a batalha tra, viria um impasse e a criação do ferência histórica dessa época.
no parlamento a partir de então. Paraná ficaria fora de cogitação. Em Rochdale, um grupo de tecelões se
O deputado paulista José Manoel de Assim, sem conseguir cumprir o organizava para criar a primeira coope-
Fonseca pediu em 29 de maio o adia- acordo com os paranaenses, o gover- rativa do mundo. Surgia o telégrafo.
mento da votação do projeto de seu no precisava dar um jeito de acalmar Era um período da maior importân-
colega Carneiro de Campos criando a os ânimos curitibanos. cia para a história do País e do plane-
Província de Curitiba. Concedeu a João da Silva Machado, ta, portanto. Os paranaenses estavam
Alegava que a proposta de subdivi- em 11 de setembro, por um decreto de pleno envolvidos no trabalho de
são territorial era uma tentativa de imperial, o título de “cavalheiro da fortalecimento da economia regional,
castigar São Paulo, em cujo interior Ordem de Cristo, de oficial da Ordem mas profundamente insatisfeitos com
eclodiu a Revolução Liberal. do Cruzeiro, de comendador da Ordem o desprezo que o novo governo liberal
Para contrariá-lo se levantou o de- da Rosa, Barão de Antonina”. deu ao projeto de criar o Paraná.
putado mineiro Bernardo Jacintho da O novo governo liberal, que deu a Afinal, foi se afastando da causa re-
Veiga (1803–1845), contrário ao adia- volta por cima e voltou ao poder, tra- volucionária liberal que os paranaen-
mento. Para ele, adiar em geral signi- taria de elevar as tarifas de importa- ses chegaram ao acordo para a cria-
fica o “enterro” das propostas, negan- ção, equilibrando suas contas e per- ção da Província. E agora o governo
do que o propósito de criar o Paraná Magistrado Nébias: não à criação mitindo o início efetiva da industria- era liberal.
fosse uma punição aos paulistas. do Paraná lização no País.
Pereira Jorge, também paulista, re- sentados pelos deputados paulistas. Era um momento especial da história
trucou e insistiu na tese do adiamen- Vendo que não conseguiria aprovar brasileira, pois vencia o prazo de um
to, apresentando emenda votada em o projeto na Câmara, o governo o re- tratado comercial de 1825 que dava pri-
31 de maio com empate em 34 votos. meteu ao Senado e ali ficou, pois na- vilégios à Inglaterra, como sempre.
Com o projeto de volta à discussão, quele momento o Império e o mundo
Joaquim Otávio Nébias, magistrado e viviam horas de grande magnitude.
deputado por São Paulo, deixou claro: os Ainda estando em aberto o proble-
paulistas não queriam perder o Paraná. ma da Revolução Farroupilha, o pro-
O governo decidiu jogar pesado. Na jeto de criar o Paraná abriu um foco
sessão de 1º de junho, o ministro da de atrito entre São Paulo, que não
Marinha, Joaquim José Rodrigues Tor- queria perder área, e Minas Gerais,
res, visconde de Itaboraí, revelou o que que apoiava a proposta. Enfraquecer
ainda estava oculto: havia um acordo São Paulo fortaleceria Minas.
com Curitiba, celebrado entre o gover- Com a adesão dos deputados minei-
no paulista e João da Silva Machado, ros ao projeto do governo conserva-
o negociador dos paranaenses. dor de criar o Paraná, os parlamenta-
Pelo acordo, o Paraná deixaria de res paulistas, para retaliar, partiram
aderir à Revolução em troca da cria- para o ataque.
ção da Província. Se não era apenas manobra para
A segunda discussão do projeto, que castigar São Paulo, reduzindo seu ter-
recebeu o número 64, iria se estender ritório, o governo aceitaria também O Visconde de Itaboraí revelou o acordo Ordem do Cruzeiro: conferida a Silva
até agosto, sempre com obstáculos apre- dividir o território mineiro? O coelho entre o governo e os curitibanos Machado para acalmar os paranaenses

Calendário Farta produção de gado


Histórias do Paraná (3)
6 de setembro de 1951 Na imprensa, a batalha seguia feroz. O jornal Governista, de São Paulo, defen-
O presidente (governador) do Estado, Zacari- dia a nova Província, mas um peso pesado, Diogo Feijó, dizia aos paranaenses
Criada a Associação Pa- as de Góes e Vasconcellos, traía sua visão futu-
ranaense do Ministério que a causa da emancipação era um engodo para colocá-los sob o controle do
rista ao afirmar que “o comércio de madeiras há governo.
Público de, sem dúvida, prosperar consideravelmente, Enfim, o governo liberal, que assumiu no início de fevereiro de 1844, concedeu
no futuro, atenta a imensa cópia delas (próprias imediatamente anistia aos líderes da Revolução Liberal e o projeto do Paraná,
8 de setembro de 1770 não só para diversas obras como para a cons- iniciativa dos conservadores, permaneceria travado no parlamento.
Registra-se a descober- trução naval) que existe tanto no litoral, como Estruturando sua fortuna e seu poder sobre o Paraná, o Barão de Antonina atrai a
ta dos Campos Gerais, serra acima, onde os olhos dos viandantes des- colaboração do sertanista Joaquim Francisco Lopes, que passou a estudar a na-
primeiro passo para a cortinam matas sem fim de pinheiros, por ora vegação dos afluentes do rio Paraná e a exploração econômica de suas margens.
ocupação do interior do só aproveitadas no limitadíssimo consumo des- O interior do Paraná era então sobretudo os Campos Gerais, onde a população
Paraná. ta parte da Província, e que somente esperam, se dedica à criação de animais “e é muito dada aos jogos de cartas e às corri-
para descerem e prover maiores mercados, uma das de cavalos”, segundo Salvador José Correa Coelho, referindo-se a Ponta
9 de setembro de 1890 estrada, ao contrário das atuais, permita con- Grossa (Passeio à minha terra, 1860).
Intendente (prefeito) de duzi-las a um bom ponto de embarque”. A descrição que Correa Coelho faz do homem paranaense do interior, nessa
Curitiba, Vicente Ma- Uma antevisão perfeita, como se nota, da época, é a mesma que futuramente seria feita mais tarde dos gaúchos do Rio
chado, assina contrato futura BR-277. O ano de 1885 é assinalado Grande do Sul:
com a Companhia de como de grande extração do pinheiro e em – O indivíduo que faz o serviço no campo o faz sempre a cavalo e é conhecido
Água e Luz do Estado como “monarca da coxilha”. Traz na cabeça um chapéu de copa rasa e abas um
1887 seriam fundadas mais duas serrarias
tanto largas, preso na testa por uma fita de tecido colorido. Por cima da camisa
de São Paulo, para ilu- próximas a Piraquara. Entre 1896 a 1899,
usa o “poncho” listrado de lá que é chamado de “pala”. Na cintura usa a “guai-
minar a cidade com quando a madeira passava a representar mo- aca” que serve ao mesmo tempo de bolsa e cinta.
“uma força iluminativa destos mas razoáveis 4% na receita do Estado, Note-se que os gaúchos apareceram em sua forma tradicionalmente consagrada como
de onze mil velas”. já existiam 64 serrarias. nativos do Rio Grande do Sul somente depois da Guerra do Paraguai (1864–1870).
(A seguir: O porto dos ingleses) Pelos campos paranaenses, afinal, alastravam-se as criações de animais e os
10 de setembro de 1986 Na internet: paranaenses eram sobretudo descendentes de tropeiros. Só em Palmas, cuja
Justiça concede liminar http://cascavel.dihitt.com.br exploração havia sido recentemente iniciada, já havia cerca de 40 fazendas de
para o fechamento da E-mail: naroda@ig.com.br criação de animais.
Estrada do Colono. (Fonte: 150 Anos de Governança Paranaense: 1810 a 1960, de Alceu A. Sperança)

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