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Provável campeão de votos no Brasil, já que as pesquisas indicam que ele tem
70% dos eleitores de Pernambuco, o governador e candidato à reeleição
Eduardo Campos, do PSB, diz em entrevista ao repórter Fabio Victor, da 

 , que a oposição está equivocada. E acena para um diálogo pós -
eleição.

Leiam:

Governador mais bem avaliado do país, segundo o Datafolha, e com uma


reeleição consagradora quase certa em Pernambuco, Eduardo Campos (PSB)
desconversa sobre suas pretensões nacionais para os próximos anos.

Em entrevista à Folha, entretanto, fala como liderança nacional. Analisa os


erros dos adversários dele e do presidente Lula, chama a oposição para um
diálogo mais sereno após a eleição e aponta suas articulações com o
presidente para criar uma "frente ampla" de aliados. Apoiado por uma
megacoalizão de 15 partidos, Campos tem 67% na pesquisa Datafolha, contra
19% de Jarbas Vasconcelos (PMDB).

Ele falou à Folha na noite da segunda -feira passada, em seu gabinete no


palácio do Campo das Princesas, o mesmo no qual seu avô Miguel Arraes foi
preso por tropas do Exército em 1964.

- Pernambuco é o Estado onde o presidente Lula tem a me lhor avaliação, e o


sr. é o governador mais bem avaliado. Quanto do desempenho do seu governo
deve ser creditado a Lula?

- O presidente Lula é bem avaliado em Pernambuco por justa razão. Primeiro


ele é pernambucano. Segundo, ele tem feito um governo que deu oportunidade
de Pernambuco tirar do papel velhos sonhos, bandeiras de anos de luta, como
a refinaria de petróleo, a Transnordestina, a transposição [do rio São
Francisco], estaleiros. Mas costumo ouvir do povo um ditado: não tem vento
bom pra quem não sabe para onde quer ir. Cuidamos de levar bons projetos,
de mostrar que o nosso time sabe fazer.
- O sr. é o governador mais bem avaliado e ruma para uma vitória expressiva
no primeiro turno, posição que lhe credencia como um nome forte para 2014. O
quanto sai fortalecido nacionalmente desta eleição?

- O mais prudente nesse momento é governar e fazer a campanha até o dia 3.


[Não estaria nessa situação] Se não tivéssemos um governo que tivesse
entregue, na segurança pública: o Recife hoje tem 40% menos hom icídio do
que há 3,8 anos. Construímos hospitais, UPAs [Unidades de Pronto
Atendimento], colocamos OS (organizações sociais) para gerir hospitais.

- O sr. planeja futuramente se tornar presidente?

- Não. Quero ser governador de Pernambuco mais uma vez e me dedicar como
me dediquei. Costumo dizer quando quero as coisas. Não uso da velha política,
daquela artimanha que o camarada diz que não quer porque quer. Não faço
esse jogo.

- Mas o sr. dizia, que não seria candidato à reeleição...

- Sou favorável ao mandato de cinco anos com coincidência de mandato


[unificar as eleições de todos os cargos eletivos], porque quatro anos com uma
eleição no meio é menos do que quatro anos, porque há óbices de convênios,
de iniciativa de programas. Meu partido e eu sempre nos colocamos contra a
reeleição. Hoje sou candidato porque acho que temos muito mais a fazer para
consolidar esse ciclo de transformação que iniciamos.

- Qual a sua estimativa do desempenho do PSB nas eleições? O possível


fortalecimento credencia o parti do a pleitear um espaço maior na Esplanada
[hoje comanda Ciência e Tecnologia e Secretaria dos Portos]?

- Acho que vamos fazer em torno de 40 deputados federais -hoje somos 23 - e


seis senadores - hoje somos dois.
E estamos fazendo a disputa efetiva em oi to Estados. Desses, somos primeiro
em quatro [PE, CE, ES e PI, neste último empatado] e em quatro podemos ir
ao segundo turno. É um crescimento significativo. Quanto ao governo, nunca
fizemos política em troca de cargos. Mas podemos participar e temos quad ros
para isso.

- Lula disse ter conversado com o sr. a respeito da criação de uma


"organização política muito forte" para impedir que se repitam sobre o
presidente pressões do Congresso como a ocorrida no mensalão. Que
articulação é essa?

- O presidente Lula já falou que, se dependesse dele, ele faria um grande


partido. Ao longo desses anos, ele foi vendo que isso não era uma coisa fácil
de acontecer. E acho que agora evolui algo que eu entendo que tem sentido
político: por que fazemos frentes nos Estados , nas disputas eleitorais, e não
conseguimos manter uma institucionalidade de frente entre partidos que têm
identidades e histórico de estar juntos em diversas lutas e causas? Acho que
depois da eleição precisamos conversar isso. Outros países da América L atina
tiveram experiência, como a Frente Ampla, no Uruguai.

- Com a possível vitória da coalizão governista, a aprovação recorde do


presidente e um certo discurso de rejeição a reparos ao governo, não é
possível identificar uma escalada no caminho de se t entar varrer a oposição do
mapa?

- Isso é um problema da oposição, não nosso. É um problema de qual oposição


foi feita e qual a forma de fazê -la. Acho fundamental que todo governo tenha
oposição, democracia, liberdade de imprensa. São fundamentos da vida
democrática.
Agora, no momento que temos uma grande vitória, ela deve ser acompanhada
de uma grande prudência e de muita humildade.
Para isso, é fundamental dialogar com a oposição. Que vai sair da urna com
vitórias, com senadores, deputados e governantes. De uma maneira mais
serena, menos pontuada pelos confrontos que marcaram a vida do país nesses
oito anos. Muitas vezes eu vi setores da oposição cometendo os mesmos erros
que o PT cometeu quando foi oposição e pagou por esses erros.

- Por exemplo?

- Quando fez oposição a tudo, sistematicamente, se negou a prestar apoios a


alguns governos. Aconteceu com o governo de dr. Arraes, de Brizola, de
Itamar, de Mário Covas, de Franco Montoro. E hoje muitos militantes do PT
percebem que foram erros que geraram out ros erros agora, quando o PT
chega ao governo. Porque ficou aquilo: você fez isso comigo, vou fazer agora
com você. Acho que esse tempo passou.

- Onde a oposição errou?

- Prefiro ver onde é que nós acertamos. Acertamos a pauta do povo: voltar a
crescer, cuidar de escola, voltar a fazer obras. Fomos para o debate do Brasil
real. O Brasil construção da cidadania, da oportunidade, do resgate da
autoestima do nosso povo. Desmontamos fábricas de desigualdades pelo país.
Eles fizeram o debate do Brasil oficial . Essa foi a grande diferença. O debate
oficial não chegou nas comunidades, nas universidades, na periferia. Essa
pauta ficou em Brasília. Ela enche páginas e páginas de jornais, blogs, debates
na TV. Mas não é o assunto da enorme maioria dos brasileiros.

- Essa é a única pauta cabível? Por que a mídia...

- Não é a mídia. Os políticos vão à mídia. Passam dias [debatendo] "porque a


PEC tal", "porque a MP não sei o quê". Os temas escolhidos pela oposição não
colaram na vida real. Se tivessem colado, o resul tado seria outro.