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1.

0 Fundações Públicas
-> Conceito
-> Natureza jurídica
-> Fundação pública de direito privado ou Fundação Governamental
- Características
-> Fundação pública de direito público ou fundação autárquica
- Criação e extinção
- Controle
- Atos e contratos
- Responsabilidade civil
- Bens
- Débitos judiciais (art. 100, CF)
- Privilégios processuais
- Imunidade tributária (art. 150, § 2º)
- Regime de pessoal
1.0 Fundações Públicas
-> Conceito
O Estado pode criar, quando autorizado por lei, uma fundação, a partir da
personalização de um patrimônio público que destaca e afeta a um determinado fim
público. Cuida-se da fundação pública, porquanto instituída e mantida pelo poder público.
As fundações públicas, tais quais as autarquias, também estão definidas no Decreto-
Lei 200/67 (art. 5º, IV): “entidade dotada de personalidade jurídica de direito privado, sem
fins lucrativos,criada em virtude de autorização legislativa, para o desenvolvimento de
atividades que não exijam a execução por órgãos ou entidades de direito público, com
autonomia administrativa, patrimônio gerido pelos respectivos órgãos de direção, e
funcionamento custeado por recursos da União e de outras fontes.”
Em verdade, pode-se definir as autarquias como um patrimônio público
personalizado e afetado a um determinado fim. Obviamente que quem afetou o patrimônio
foi um ente estatal, de tal modo que seu fim será sempre público (atente aos interesses
sociais, interesses geras da sociedade).
É corrente na doutrina a afirmação de que as fundações de direito público não se
distinguem das autarquias, já que ambas possuem o mesmo regime jurídico e dispõem de
igual autonomia administrativa e financeira. Nesse sentido, as fundações seriam chamadas
autarquias fundacionais. O prof. Celso Antônio esclarece que elas se distinguem pelo
“SUBSTRATO BÁSICO”, de tal modo que nas autarquias são pessoas e na fundação é o
patrimônio afetado.
-> Natureza jurídica
Como vimos, o DL 200/67, define as fundações como sendo pessoas jurídicas de
direito público com regime de direito privado. Mas essa afirmação não encerra a discussão
acerca da natureza jurídica das fundações. Ao contrário: inicia, já que o DL foi alterado
(pela Lei 7596/87) e, nessa alteração, ficou consignado que essas pessoas jurídicas não
obedeceriam as regras do código civil vigente.
Desse modo, surgiu uma impropriedade: como pode haver fundações públicas de
direito privado que não obedecem às regras do código civil?
Aí veio a CF/88 que, em diversos dispositivos, afirma que as fundações públicas são
pessoas jurídicas de direito público, dando a elas o mesmo regime das autarquias.
Com o avento da EC 19/98, que modificou inúmeros dispositivos da CF,
especialmente o art. 37, XIX, que dá à fundação a mesma forma de criação das empresas
públicas e sociedade de economia mista (que, como veremos são pessoas jurídicas de
direito privado), reascendendo toda a discussão.
Assim sendo, os doutrinadores divergem acerca da possibilidade da existência de
fundações públicas de direito privado e de direito público. Seriam ambas possíveis? Ou só
seria admitido fundações públicas de direito público?
A discussão está longe de ser solucionada. PREVALECE na doutrina o
entendimento de que as fundações públicas tanto podem ter regime jurídico de direito
privado ou de direito público. (Nesse sentido: Maria Sylvia, Diógenes Gasparini, José
Cretella Júnior). O entendimento minoritário, entretanto, de que as fundações públicas são
pessoas jurídicas de direito público, é defendido pelo prof. Celso Antônio e também há
julgados no STJ nesse sentido.
-> Fundação pública de direito privado ou Fundação Governamental
- Características
As fundações públicas de direito privado, para aqueles que defendem sua existência,
são denominadas “fundações governamentais.
Para essas pessoas jurídicas, apesar da personalidade privada, o regime não é
inteiramente privado, obedecendo ao direito público quanto à fiscalização financeira e
orçamentária e estando sujeita a controle interno e externo.
Também devem ser criadas por lei e o regime de pessoal é celetista.
-> Fundação de direito público
- Criação
A criação das fundações públicas é feita através de lei. Para alguns doutrinadores, entre
eles o prof. Diógenes Gasparini, a lei somente autoriza a sua criação, devendo esta ser
criada posteriormente (ao contrário das autarquias que são criadas diretamente por lei).
- Bens
O regime de bens das fundações públicas de dir. público é o de Direito Público,
semelhante ao regime das autarquias. Assim, gozam das prerrogativas de inalienabilidade
(limitada), imprescritibilidade (insuscetíveis de usucapião) e impenhorabilidade, eis que
o seu patrimônio está afetado a um fim público. Tais bens não são passíveis de usucapião,
nem podem servir como direito real de garantia.
- Privilégios processuais
As fundações de dir. público, como as autarquias, beneficiam-se de prerrogativas
de prazos processuais em quádruplo para contestar e em dobro para recorrer, bem como
da remessa oficial das sentenças que lhes forem desfavoráveis. As execuções judiciais
promovidas contra as autarquias submetem-se ao regime de precatórios.
- Privilégios tributários
O texto constitucional, em seu art. 150, § 2º, veda a instituição de impostos sobre o
patrimônio, a renda e os serviços das fundações públicas, desde que vinculados a suas
finalidades essenciais ou às que dela decorram. Sendo assim, sobre os demais bens
pertencentes a estas pessoas jurídicas que tiverem destinação diversa à definida para sua
criação ou um serviço que também for prestado desta forma, incidirão normalmente os
respectivos impostos, donde se conclui que a imunidade tributária destas pessoas
jurídicas é condicionada.
Note-se que esta garantia constitucional afasta a cobrança dos impostos, não
impedindo a cobrança dos demais tributos, como as taxas e as contribuições.
- Regime de pessoal
Os funcionários da autarquia são considerados funcionários públicos, podendo ser
titulares de cargos públicos regidos pelo Estatuto dos Servidores Públicos (Lei nº 8.112/90)
ou titular de emprego público, regido pela CLT.