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C APÍTULO 3

Adaptação de Materiais e Recursos


Pedagógicos para Trabalhar Matemática
com Alunos Deficiência Intelectual

A partir da perspectiva do saber fazer, neste capítulo você terá os seguintes


objetivos de aprendizagem:

33Identificar fatores que venham a auxiliar no processo de inclusão dos alunos com
deficiência intelectual.

33Elaborar materiais e suportes pedagógicos que favoreçam uma aprendizagem


cooperativa e significativa.

33Empregar adaptação de jogos e brincadeiras a fim de favorecer o


desenvolvimento integral dos alunos com deficiência intelectual.
Práticas de Ensino para a Deficiência Intelectual: Matemática, Leitura e Escrita

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Adaptação de Materiais e Recursos Pedagógicos para
Capítulo 3 Trabalhar Matemática com Alunos Deficiência Intelectual

Contextualização
Quando nos deparamos com um aluno deficiente Intelectual em sala de
aula, muitas vezes nos damos conta do nosso despreparo para enfrentar novos
desafios. Com certeza essa situação foi ou ainda é vivenciada por muitos de
nós, o que é natural, uma vez que o paradigma de homogeneidade nas salas
de aula predominou por muito tempo.

Essas são as chamadas barreiras atitudinais, que não são removidas com
determinações superiores, mas sim com a nossa reestruturação perceptivas,
afetivo-emocionais. Para auxiliar os educadores na remoção destas barreiras
atitudinais, há uma necessidade de implantar-se nas escolas espaços para que
as dificuldades, dúvidas, anseios e medos possam fazer parte de um diálogo
entre toda a equipe pedagógica, um espaço para troca de informações, de
ideias, de sentimentos que possam ser verbalizados sem culpa, constituindo,
assim, o caminho para mudanças.

A organização escolar voltada para inclusão implica em remoção de


muitas barreiras atitudinais frente aos alunos com deficiência, mas além desta
barreira existem outras barreiras e adaptações que devem ser realizadas para
que a inclusão aconteça na prática:

Adaptações curriculares Adaptações de materiais

Este capítulo tem como finalidade mostrar a você, caro pós-graduando,


algumas adaptações que podem ser realizadas nas escolas, com objetivo de
proporcionar ao aluno com deficiência Intelectual uma inclusão que trabalha
com o potencial do aluno e não com a sua limitação. Vamos lá.

Adaptações Curriculares
Quando pensamos na palavra currículo, logo nos vem à mente a ideia
de caminho ou percurso a ser atingido. O currículo é um elo entre a teoria e a
prática, entre o planejamento e a ação. Segundo Coll (1996, p. 33), o currículo
não deve ser:

Entendido como um conjunto de conhecimento, capacidades,


valores e normas de comportamentos que devem ser
transmitido pela escola às crianças e jovens, mas sim como
um conjunto de experiências que a escola, como instituição,
coloca a serviço dos alunos com o fim de potenciar o seu
desenvolvimento integral.

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O currículo é uma peça Neste sentido o currículo é uma peça central e fundamental quando
central e fundamental trabalhando com alunos com necessidades educativas especiais, pois ele nos
quando trabalhando fornece a possibilidade de adaptação. Essas adaptações são formadas por
com alunos com um conjunto de estratégias e ações em relação às respostas educativas que
necessidades podemos denominar de adaptações curriculares de grande e pequeno porte.
educativas especiais,
pois ele nos fornece
As adaptações curriculares de grande porte são as que compreendem
a possibilidade de
ações de cunho político, administrativo, financeiro e burocrático, proporcionado
adaptação.
principalmente pelas Secretarias Estaduais e Municipais de Educação, pela
direção e equipe técnica das escolas. Estas ações abrangem a:

• Criação de condições físicas, ambientais e materiais para os alunos na


escola;

• Adaptação do ambiente físico escolar;

• Aquisição de mobiliários adaptados à condição do aluno;

• Capacitação continuada dos professores e demais profissionais da educação;

• Efetivação de ações que garantam a interdisciplinaridade.

Exemplo de adaptação curricular de grande porte: adaptações de


corrimão nas escadas, de banheiros, rampas, aquisição de instrumentos e
equipamentos eletrônicos que favoreçam a comunicação dos alunos, material
de apoio pedagógico, como prancha, tabuleiro de comunicação.

Já as adaptações curriculares de pequeno porte são ações e


modificações de competência do professor, são ajustes que podem ser
realizadas nas ações diárias em sala de aula, estas não exigem autorização,
nem dependem de qualquer outra instância, apenas do professor. Estas
ações podem ser realizadas:

• Na promoção do acesso ao currículo;

• Nos objetivos de ensino;

• No conteúdo ensinado;

• No método de ensino;

• No processo de avaliação;

• Na temporalidade.

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Capítulo 3 Trabalhar Matemática com Alunos Deficiência Intelectual

São exemplos de adaptações curriculares de pequeno porte: ajuste No âmbito pedagógico,


na organização dos espaços, reajustar a posição das carteiras para os professores são
favorecer trabalhos em grupo, adaptação de materiais concretos, estimular a base de todo
o desenvolvimento de habilidades de autocuidado, estimular a autonomia, trabalho, pois a ele
manter um ambiente acolhedor para todos os alunos. compete receber este
aluno, dar atenção
necessária, estimular
No âmbito pedagógico, os professores são a base de todo trabalho,
a convivência com
pois a ele compete receber este aluno, dar atenção necessária, estimular a
as outras crianças,
convivência com as outras crianças, criar estratégias e oportunidades para que
criar estratégias e
a aprendizagem ocorra com sucesso. Nesse sentido, o artigo 18 da Resolução oportunidades para
número 2/2001 aponta algumas competências necessárias ao professor: que a aprendizagem
ocorra com sucesso.
• Perceber as necessidades educacionais especiais dos alunos;

• Flexibilizar a ação pedagógica nas diferentes áreas de conhecimento;

• Avaliar, continuamente, a eficácia do processo educativo;

• Atuar em equipe, inclusive com professores especializados em educação


especial.

Percebemos que as atribuições feitas ao professor são muitas, quando


nos reportamos à inclusão elas são dobradas, mas uma das principais
atribuições são o amor e o querer fazer, e ter a oportunidade de crescer não só
como profissional, mas também como pessoas, pois todas as crianças, sendo
elas com ou sem deficiência, têm direito à educação de qualidade, que priorize
o acolhimento, as relações de amizade, o viver e o aprender em grupo. Tudo
isso pode fazer parte da nossa realidade, é só queremos.

Adaptações Curriculares de Pequeno Porte


que Auxiliam A Aprendizagem do Aluno com
Deficiência Intelectual
Já vimos que as adaptações curriculares de pequeno porte são feitas
apenas pelos professores, que é de sua responsabilidade a tarefa de garantir
o acesso do aluno ao conhecimento. Para isso, cabe a ele a incumbência
de conhecer seu aluno com deficiência, identificar os conhecimentos que o
mesmo já possui, para assim saber quais são as suas necessidades, quais
recursos didáticos especiais vai ser preciso usar para auxiliá-lo no processo de
ensino e aprendizagem.

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Segundo o MEC (2000, p.11), além destas providências, fundamentais


para a promoção do acesso do aluno ao conteúdo curricular, há outras,
sugeridas a seguir:

• Posicionar o aluno de forma que possa obter a atenção do professor;

• Estimular o desenvolvimento de habilidades de comunicação interpessoal;

• Encorajar a ocorrência de interações e o estabelecimento de relações;

• Identificar e oferecer o suporte de que a criança necessita para


frequentar, em segurança, os espaços comuns que constituem a
comunidade em que vive;

• Assegurar-lhe conhecimento para utilização do dinheiro.

Materiais Adaptados
O aluno com O aluno com deficiência intelectual tem na sua maioria dificuldade
deficiência intelectual de abstração, por este motivo necessita da presença de estímulos de
tem na sua maioria materiais concretos. Para ajudar a sanar as suas dificuldades, os materiais
dificuldadede adaptados são uma forma de suporte que auxilia o professor em sala de
abstração, por este aula. Por este motivo, apresentamos a você alguns exemplos de materiais
motivo necessita da que podem ser adaptados. Todas essas adaptações foram fornecidas pelo
presença de estímulos MEC, e estão disponíveis no site: http://portal.mec.gov.br/seesp/arquivos/
demateriais concretos. pdf/rec_adaptados.pdf .
Para ajudar a sanar
as suas dificuldades,
os materiaisadaptados
DOMINÓ DAS CORES
são uma forma de
suporte que auxilia o
professor em sala Descrição: Este material é feito em madeira, medindo 4 cm de
de aula. comprimento, 9 cm de largura e 1 cm de espessura. Cada peça possui duas
cores. A pintura é feita com tinta lavável. Utiliza-se para trabalhar as cores.

Figura 20 - Dominó

Fonte: Laboratório de Educação Especial “Prof. Ernani Vidon”, UNESP, Marília, SP.

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ÁBACO DE ARGOLAS

Auxilia na compreensão do sistema de unidades, na aquisição da noção


de cores e permite trabalhar com movimentos de flexão e extensão de
membros superiores. Foi confeccionado para um aluno com dificuldade de
preensão, que, ao invés de fazer preensão em pinça, enfiava os dedos dentro
das argolas e as colocava no suporte de madeira.

Figura 21 - Ábaco

Descrição:

Construído com
argolas de papelão,
placa de madeira e
cabos de vassouras.
As argolas são
pintadas de diferen-
tes cores.

Fonte: Laboratório de Educação Especial “Prof. Ernani Vidon”, UNESP, Marília, SP.

MULTIPLICAÇÃO EM PIZZA

Permite demonstrar a multiplicação entre números apenas trocando


o multiplicador central. Assim, possibilita montar operações sem que seja
necessário ao aluno armá-las e copiá-las em papel. Confeccionado para
alunos com dificuldade de manuseio de lápis e papel. Evita que os alunos se
cansem demasiadamente.

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Figura 22 - Multiplicação

Descrição:

Confeccionado em madeira de forma circular, com diâmetro de 35 cm e


espessura de 2 cm. No meio possui uma abertura também em forma de círculo,
na qual os multiplicadores podem ser trocados. O recurso é acompanhado de
toquinhos de madeira com os numerais inscritos, que serão utilizados para
exibir o resultado da operação aritmética.

Criação: Regina Lázara Salim Moraes Bernardo.

Fonte: Laboratório de Educação Especial “Prof. Ernani Vidon”, UNESP, Marília, SP.

SEPARADOR PARA MATERIAL DOURADO

Auxilia na separação do material dourado. Os compartimentos facilitam


uma melhor visualização das unidades, dezenas e centenas, melhorando a
concentração do aluno na atividade de matemática. Foi confeccionado para
um aluno que entendia as operações aritméticas, porém misturava as peças
contadas com as não contadas. O separador pode ser utilizado em situações
que exigem separação de estímulos gráficos, visuais e objetos pequenos.

Descrição:

O recurso é confeccionado em madeira com uma tira de borracha colada


na parte inferior, que funciona como antiderrapante. Os dois divisores fixos
dividem a caixa em três compartimentos. Possui um espaço para um divisor
central móvel, que possibilita uma variação deste exercício ao dividir a caixa
em seis compartimentos.

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Figura 23 - Material dourado

Criação: Satiko Shimojo.

Fonte: Laboratório de Educação Especial “Prof. Ernani Vidon”, UNESP, Marília, SP.

JOGOS DOS NUMERAIS

Auxilia a identificação de numerais e de quantidade. Confeccionado


para alunos que apresentam dificuldade no manuseio de lápis e papel, mas
pode ser utilizado por qualquer aluno da classe comum ou da educação
infantil. O manuseio das peças permite a estimulação da preensão e da
coordenação motora.

Descrição:

O recurso é composto de números confeccionados em madeira grossa.


Cada numeral possui pequenos buracos, onde deverão ser encaixados pinos
em igual proporção à representação do numeral. Por exemplo: para o numeral
seis deverão ser encaixados seis pinos.

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Figura 24 - Numerais.

Adaptação: Rosemeire Francisco Tabanez,

Fonte: Laboratório de Educação Especial “Prof. Ernani Vidon”, UNESP,Marília, SP.

JOGO DA MEMÓRIA

Auxilia o desenvolvimento da memória visual dentro de um espaço


delimitado e permite trabalhar com a atenção concentrada. O material é
simples e resistente. A forma das peças possibilita ao aluno manuseá-las com
pinça lateral, em dois ou mais dedos ou mesmo utilizar ambas as mãos para
empurrar e virar as peças.

Descrição:

Jogo feito com tampas de frascos de embalagens com pares de figuras


coladas sobre a tampa.

Figura 25 - Jogo da memória

Adaptação: Ariane Cibele Evangelista de Carvalho.

Fonte: Laboratório de Educação Especial “Prof. Ernani Vidon”, Unesp, Marília, SP.

Fonte: Disponível em: <http://www.skoob.com.br/


68 livro/98851>. Acesso em: 1 out. 2012.
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Vale ressaltar que o aluno, quando interage com os jogos, coloca em


exercício suas funções já adquiridas, possibilitando a evolução de outras
novas. É por meio dos jogos que podemos acompanhar a desenvolvimento das
funções motoras, funções intelectuais, funções de memória e de sociabilidade.

Segundo Wallon (1979, p. 86), o jogo resulta do contraste entre uma


atividade libertada e aquelas a que normalmente ela se integra. É entre
oposições que ele evolui, e é superando-as que se realiza. Neste sentido,
o jogo representa um importante aspecto na evolução do aluno e deve ser
encarado como fator auxiliar no desenvolvimento da aprendizagem.

Os professores devem aproveitar-se deste meio para motivar os alunos


com deficiência intelectual a encarar novos desafios, novas experiências,
construindo um saber através das mediações.

CAIXA DE ESTÍMULOS

Auxilia no ensino de cores, na aquisição de conceitos como dentro e fora,


abrir e fechar. Auxilia, também, no treino da coordenação viso-motora. Pode
ser utilizado na posição sobre a carteira ou na posição “em pé”.

Descrição:

Este recurso é composto por uma caixa dividida em quatro


compartimentos e cada um com uma porta. Cada porta é pintada de uma cor
e cada uma possui uma fechadura diferente. Dentro dos compartimentos é
possível colocar objetos.

Figura 26 - Caixa de estímulos

Adaptação: Mônica Gerdullo e Marilãine Bonaldo.

Fonte: Laboratório de Educação Especial “Prof. Ernani Vidon”, Unesp, Marília, SP.
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DOMINÓ DE TEXTURAS

Permite o desenvolvimento da discriminação visual de padrões e


discriminação tátil, requisitos importantes para alunos que tenham alterações
sensoriais e dificuldades para discriminar estímulos visuais. Pode ser utilizado
para viabilizar a alfabetização, que exige discriminação apurada de símbolos
na forma gráfica.

Descrição

Confeccionado em madeira com aplicação de diferentes tecidos: lã,


veludo, malha, brim e seda.

Figura 27 - Dominó

Adaptação: Alessandra Cristina Gazeta de França.

Fonte: Laboratório de Educação Especial “Prof. Ernani Vidon”, Unesp, Marília, SP.

Sugerimos que os jogos apresentados sejam confeccionados com os


próprios alunos, a realização dos mesmos auxiliará a coordenação motora, na
autoestima, na aprendizagem como um todo.

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Sugestão de livros

Esta é Sílvia.

Sílvia se diverte, canta, cavalga, nada. Às vezes ela se


zanga ou fica triste. Ela é boazinha, mas pode ser malcriada. Na
verdade, Sílvia não é diferente de qualquer outra criança, ela só
tem uma deficiência, que não a impede de realizar tudo o que
ela quer. Tony Ross e Jeanne Willis ficaram famosos por suas
produções descontraídas e alegres. Neste livro, eles voltaram
suas atenções a um tema que nos faz repensar nossa vida e
nossos valores em relação à deficiência. Texto por Jeanne Willis
e ilustrações por Tony Ross.

Fonte: Disponível em: <http://www.skoob.com.br/


livro/98851>. Acesso em: 1 out. 2012.

Titulo: Tudo Bem Ser Diferente

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Autor: Todd Parr

Editora: Panda Books

O livro “Tudo bem ser diferente” é educativo e ponto. É um


livro que nos mostra aceitação, inclusão. Se te dá dor de barriga
ter que tocar em certos assuntos com seus pequenos, aproveite
para ao ler o livro junto com seu filho, com seus alunos e mostrar
que todos nós temos alguma coisa diferente, o que nos faz únicos.
Como diz o livro, você é especial e importante do jeito que você é.

Fonte: Disponível em: <http://www.mundoovo.com.br/2012/


tudo-bem-ser-diferente/>. Acesso em: 1 out. 2012.

Atividades de Estudos:

1) Identifique e liste na sua escola ou na comunidade escolar


da qual você faz parte quais materiais adaptados são mais
utilizados e para que serve cada um.
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2) Analisando a planta de uma escola, procure identificar


quais adaptações curriculares de grande porte
necessitariam ser promovidas a fim de torna-se uma
escola inclusiva. Descreva as adaptações que devem ser
feitas no ambiente físico.

Fonte: Disponível em: <http://eegazevedocosta.blogspot.


com.br/>. Acesso em: 15 out. 2012.
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Uma escola sem barreiras

Com criatividade e envolvimento da equipe, medidas simples


podem facilitar o acesso e a inclusão de todos.

Figura 28 - Foto: Léo Drumond.

Fonte: As autoras.

Sala mais ampla com as carteiras em grupo sobra espaço


para a roda e para a cadeira de João Vitor.

Quando a Educação começou a se massificar no Brasil, na


primeira metade do século 20, crianças com deficiência ainda
eram tratadas como caso de saúde. Estavam fora das escolas,
que foram construídas sem que se levasse em consideração as
necessidades especiais que elas pudessem ter. A transformação
do espaço físico, portanto, é um dos desafios a superar neste
momento, em que todos os que têm deficiência devem estar
matriculados na rede de ensino regular.

Adequar apenas a escola, porém, não basta. As mudanças


necessárias são maiores do que a instalação de rampas,
elevadores e banheiros adaptados. Elas precisam chegar à sala
de aula, onde muitas vezes atitudes são mais bem-vindas do
que grandes reformas. Na EM Coronel Epifânio Mendes Mourão,
em São Gonçalo do Pará, a 118 quilômetros de Belo Horizonte,
a professora Amanda Rafaela Silva procurou a direção e a
coordenação pedagógica quando soube que receberia João
Vitor Silva, 7 anos, com deficiência múltipla, em sua turma de
Educação Infantil.

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“Transferimos a turma para uma sala maior porque o João


Vitor se locomove em cadeira de rodas, e passei a organizar a
classe em grupos, dois de cinco e dois de seis, para abrir mais
espaço para a circulação dele”, explica Amanda. “Além disso,
em grupos também podemos desenvolver diversas atividades.” A
psicopedagoga Daniela Alonso, consultora da área de inclusão e
selecionadora do Prêmio Victor Civita - Educador Nota 10, aprova
a iniciativa da professora. “A reorganização do espaço físico é a
função inicial da escola e pequenas mudanças podem garantir a
acessibilidade da criança às aulas.”

João Vitor é o único com necessidades educacionais especiais


nessa escola, que não se limitou a rever o espaço. Uma das
providências tomadas foi colocar uma monitora para acompanhar
o garoto. “Isso facilita muito o trabalho da professora Amanda, que
pode se dedicar igualmente aos demais membros da turma”, afirma
Sonia Aparecida do Amaral Silva, mãe de João Vitor. “Ele foi muito
bem recebido pela escola, que adapta tudo às suas necessidades.”

Muitos dos conteúdos são relacionados à linguagem oral


e escrita e, nessa fase, aprender a redigir o próprio nome e
reconhecer o dos colegas é fundamental. Para isso, a turma
trabalha a escrita com letras móveis e incentiva a leitura de
crachás. “Eu coloco os pequenos sentados no chão, em círculo,
em volta dos crachás. Cada um vai até o meio da roda e pega
o seu”, descreve Amanda. “Assim eles aprendem a reconhecer o
próprio nome e o dos colegas.” João Vitor também vai para a roda,
apoiado pela professora monitora, Maria Helenita de Faria.

Quando os colegas estão trabalhando com as letras móveis, a


alternativa encontrada para João Vitor, que tem baixa visão, é o uso
de letras feitas de borracha em tamanho ampliado. Maria Helenita
ajuda o garoto a reconhecer, pelo tato, o formato da primeira letra
de seu nome. “Como ele não desenvolveu a linguagem oral, o fato
de manusear a letra e mostrá-la é uma maneira de participar do
conteúdo proposto pela professora”, analisa Daniela. “Utilizar a
percepção tátil com a ajuda da monitora é uma forma de reconhecer
as competências do menino e pode ser um estímulo para novas
aquisições.” Daniela também elogia a designação da professora
monitora. “O quadro docente foi reorganizado para atender a uma
necessidade específica. É importante que as duas participem de
reuniões periódicas, integrando o trabalho com especialistas da
Educação Especial”, aconselha.

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“A professora Amanda é muito dedicada e aceitou meu filho


como um desafio no trabalho dela. Sei que o João Vitor tem
dificuldades, mas só o fato de ele participar dessa rotina já é ótimo.
Acho que ele queria frequentar a escola havia muito tempo e eu
não tinha percebido”, diz a mãe, Sonia.

Arremessos pelo som

Em Taboão da Serra, na região metropolitana de São Paulo,


a EMEF Antônio Fenólio trabalha com 25 incluídos em salas
regulares. A unidade, que desde 2002 mantém uma sala de
recursos, também conta com o apoio de uma equipe preparada
para dar suporte pedagógico aos professores e orientações aos
jovens no contraturno. Ali, algumas flexibilizações de espaço foram
feitas pelo professor Anderson Martins para permitir a participação
de quem tem deficiência visual nas aulas de Educação Física.

Figura 29 - Foto: Marcelo Min

Fonte: As autoras.

Basquete sonoro: a adaptação da quadra pelo professor


Martins permitiu a participação de Tainara.

Martins leciona há mais de cinco anos para turmas das quais


fazem parte alunos com necessidades educacionais especiais.

Entre eles estão alguns adolescentes cegos. Para que


todos pudessem participar de uma disputa de arremessos de
basquete, ele fez adaptações na quadra de esportes da escola.
“Pesquisei maneiras de adaptar o espaço”, explica Martins. “O
primeiro objetivo era permitir que os jovens pudessem identificar
a área do arremesso.”

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Para isso, ele providenciou um tapete que foi colocado na área


do garrafão. Assim, os que apresentam deficiência visual sabem,
com a identificação de um piso com textura diferenciada, o local de
onde arremessar a bola. No início, os que não se sentiam seguros
eram acompanhados por um colega até o local. O passo seguinte
foi facilitar a localização da cesta. “A única maneira era acrescentar
um sinal sonoro à tabela”, explica Martins. “Com um bastão, eu
bato no aro e o som ajuda na orientação. Na hora do arremesso,
os colegas ajudam avisando quando é necessário colocar mais
força ou mirar melhor. Após algumas tentativas, eles conseguem
acertar a jogada”, diz.

Para Daniela Alonso, Martins acertou ao flexibilizar o espaço


e os recursos. “Essa proposta mostra como é possível garantir
a participação, o respeito à diversidade e a consideração das
necessidades individuais”, analisa. De acordo com a consultora, o
professor deve planejar, mas também contemplar ajustes sugeridos
pelos alunos. Assim, o próprio estudante com deficiência pode
indicar suas necessidades. É importante salientar que as práticas
flexibilizadas podem ser momentos de aprendizagem para todos.
Aqueles que participam das estratégias diferenciadas também têm
a oportunidade de reforçar ou desenvolver novas habilidades.

Para ler a reportagem na integra acesse: http://revistaescola.abril.


com.br/inclusao/educacao-especial/escola-barreiras-495635.shtml.

Fonte: Disponível em: <http://revistaescola.abril.com.br/inclusao/educacao-


especial/escola-barreiras-495635.shtml>. Acesso em: 5 set. 2012.

Algumas Considerações
Caro (a) pós-graduando (a), devemos refletir sobre nossos alunos,
sobre as suas necessidades, peculiaridades, específicas ou especiais,
para que possamos auxiliá-los em todo seu processo de ensino, garantindo
assim o acesso ao conhecimento, gerando o que chamamos de uma
verdadeira inclusão.

Temos que compreender que um professor sozinho pode muito, mas


quando um grupo de professores e especialistas se une em função de um
mesmo objetivo, com certeza esta conquista vai ser maior, o gosto vai ser
mais saboroso, por este motivo a inclusão não acontece apenas em uma

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instância, mas sim em todas elas, todas em favor de um mesmo objetivo,


levar o conhecimento, a educação, a todas as pessoas, esse é nosso papel
enquanto educadores.

Referências Bibliograficas
COLL, C. PALACTOS, J. MARCHESI, A. Psicologia e Currículo. São Paulo:
Ática, 1996.

CONSELHO NACIONAL DE EDUCAÇÃO. Câmara de Educação Básica.


Resolução CNE/CEB 2/2001. Diário Oficial da União, Brasília, 14 de setembro
de 2001. Seção 1E, p. 39-40. Disponível em: <http://portal.mec.gov.br/cne/
arquivos/pdf/CEB0201.pdf>. Acesso em: 01 out. 2012.

MEC. Projeto Escola Viva - Garantindo o acesso e permanência de todos os


alunos na escola - Alunos com necessidades educacionais especiais, Brasília:
Ministério da Educação, Secretaria de Educação Especial, C327, 2000.

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