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Controle da

Administração pública

Flávia C. Limmer
flaviaclimmer@puc-rio.br
DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS
DIREITOS DO HOMEM E DO CIDADÃO
DE 1789

 “Art. 15.º A sociedade tem o direito de


pedir contas a todo agente público pela
sua administração”.
Controle da Adm. Pública
Diógenes Gasparini
 A atribuição de vigilância, orientação e
correção de certo órgão ou agente público
sobre a atuação do outro ou de sua própria
atuação, visando conformá-la ou desfazê-la,
conforme seja ou não seja lega, conveniente,
oportuna e eficiente
Controle da Adm. Pública
Bases:
 Princípio da legalidade
 Supremacia do Interesse Público sobre o
Privado
Mecanismos
básicos do controle
Mecanismos básicos do
controle
 Fiscalização: poder de verificação e
avaliação

 Revisão: poder de correção e nova


análise
Decreto-Lei nº 200/1967
 Art. 13 O contrôle das atividades da Administração
Federal deverá exercer-se em todos os níveis e em
todos os órgãos, compreendendo, particularmente:
 a) o contrôle, pela chefia competente, da execução
dos programas e da observância das normas que
governam a atividade específica do órgão controlado;
 b) o contrôle, pelos órgãos próprios de cada
sistema, da observância das normas gerais que
regulam o exercício das atividades auxiliares;
 c) o contrôle da aplicação dos dinheiros públicos e
da guarda dos bens da União pelos órgãos próprios do
sistema de contabilidade e auditoria.
Objeto / Natureza
do Controle
Objeto do Controle
 De legalidade: incluindo os princípios
administrativos (princípio da juridicidade)

 De mérito: oportunidade e conveniência

 O Poder Judiciário só pode realizar o


controle de legalidade, por respeito à
Separação de Poderes
STJ, Resp 1.185.981/MS
 2. A jurisprudência desta Corte Superior
firmou-se na linha de que o controle
jurisdicional dos processos
administrativos se restringe à
regularidade do procedimento, à luz dos
princípios do contraditório e da ampla
defesa, sem exame do mérito do ato
administrativo. Precedentes.
STF, ADPF 45
 Não obstante a formulação e execução de políticas
públicas a cargo daqueles que, por delegação
popular, receberam investidura em mandato eletivo,
cumpre reconhecer que não se revela absoluta,
nesse domínio, a liberdade de conformação do
legislador, nem a de atuação do Poder Executivo. (...)
 Em princípio, o Poder Judiciário não deve intervir em
esfera reservada a outro Poder para substituí-lo em
juízos de conveniência e oportunidade, querendo
controlar as opções legislativas de organização e
prestação, a não ser, excepcionalmente, quando haja
uma violação evidente e arbitrária, pelo legislador, da
incumbência constitucional.
Controle Interno e
Controle Externo
Controle Interno e Controle
Externo
 Em relação à pertinência do órgão
controlador à estrutura do controlado

 Interno: Efetuado por órgãos da própria


estrutura do Poder (ou da Administração)
 Externo: feito por órgãos alheios à
Administração
Controle Externo Popular
 Controle feito por qualquer cidadão para
questionar a legalidade e validade de
determinado ato
 Ex: art. 31 § 3º CRFB
 Audiências públicas para debater plano
plurianual
Controle Hierárquico
e Controle
Finalístico
Controle Hierárquico e Controle
Finalístico
 Controle hierárquico ou controle por
subordinação: relação de subordinação
entre os entes públicos, apenas interno

 Controle finalístico: geralmente entre a


Adm. Direta e a Indireta; controle externo
Controle Prévio,
Concomitante e
Posterior
Controle Prévio, Concomitante
e Posterior
 Quanto ao tempo em que se efetua o
controle, oportunidade ou modo
 Art. 77 Lei nº 4.320/1964
 Prévio: obsta a prática do ato, exercido
antes da sua prática
 Concomitante: acompanha a atuação
 Posterior: revisão de atos para a
confirmação ou desfazimento
Quanto aos órgãos
que exercem o
controle
Espécies de Controle

Controle Controle Controle


LEGISLATIVO JURISDICIONAL ADMINISTRATIVO
Controle
Administrativo
Hely Lopes Meirelles
 Exercido pelo Poder Executivo, e pelos
demais Poderes quando exercem função
atípica administrativa
Rafael Oliveira
 É a prerrogativa reconhecida à
Administração Pública para fiscalizar e
corrigir, a partir dos critérios de legalidade
ou de mérito, a sua própria atuação
CRFB
 Art. 74. Os Poderes Legislativo, Executivo e Judiciário
manterão, de forma integrada, sistema de controle
interno com a finalidade de:
 I - avaliar o cumprimento das metas previstas no plano
plurianual, a execução dos programas de governo e dos
orçamentos da União;
 II - comprovar a legalidade e avaliar os resultados,
quanto à eficácia e eficiência, da gestão orçamentária,
financeira e patrimonial nos órgãos e entidades da
administração federal, bem como da aplicação de
recursos públicos por entidades de direito privado;
 III - exercer o controle das operações de crédito, avais e
garantias, bem como dos direitos e haveres da União;
CRFB
 IV - apoiar o controle externo no exercício de sua missão
institucional.
 § 1º Os responsáveis pelo controle interno, ao tomarem
conhecimento de qualquer irregularidade ou ilegalidade,
dela darão ciência ao Tribunal de Contas da União, sob
pena de responsabilidade solidária.
 § 2º Qualquer cidadão, partido político, associação ou
sindicato é parte legítima para, na forma da lei,
denunciar irregularidades ou ilegalidades perante o
Tribunal de Contas da União.
Princípio da
Autotutela
Princípio da Autotutela
 A Adm. Pública pode controlar seus próprios
atos para:
- anulá-los: quando ilegais
- revogá-los: quando inconvenientes e
inoportunos
Autotutela
Anulação Revogação

Conveniência
Vício de
e
ilegalidade
Oportunidade

Efeitos “ex Efeitos “ex


tunc” nunc”

Judiciário e
Administração
Administração
STF, Súmula 346
 A Administração Pública pode declarar a
nulidade dos seus próprios atos.
STF, Súmula 473
 A administração pode anular seus
próprios atos, quando eivados de vícios
que os tornam ilegais, porque deles não
se originam direitos; ou revogá-los, por
motivo de conveniência ou oportunidade,
respeitados os direitos adquiridos, e
ressalvada, em todos os casos, a
apreciação judicial.
Controle Administrativo
 Princípio da Autotutela (subordinação)

 Súmula 473 STF


 Art. 53, Lei n. 9.784/99
 Art. 51, Lei n. 5.427/09 (RJ)
Meios de controle
administrativo
Meios de controle administrativo
Fiscalização Hierárquica
 Fiscalização Hierárquica (hierarquia
orgânica) ou autotutela

 Fundamento Poder Hierárquico


Meios de controle administrativo
Direito de Petição
 Exercício do direito de petição
 Art. 5º, XXXIV “a” CRFB
 Direito de pedir e obter resposta
Meios de controle administrativo
Processo Administrativo
 Sucessão formal de atos para a prática
do ato administrativo
 Toda a forma de controle administrativo
será via processo administrativo
Meios de controle administrativo
Recursos Administrativos
 Todos os meios usados para que a Adm.
faça o reexame de sua decisão interna
 Sempre direcionado para a autoridade
hierarquicamente superior àquela que
praticou o ato ou aquela que o revisou
Meios de controle administrativo
Recursos Administrativos
 recursos administrativos hierárquicos
próprios

 quando a autoridade superior estiver


dentro do mesmo órgão mesma estrutura
da autoridade que proferiu a decisão
Meios de controle administrativo
Recursos Administrativos
 recursos administrativos hierárquicos impróprios

 se a autoridade superior estiver em outra


estrutura da Administração

 Diz-se impróprio porque não há hierarquia entre


a autoridade ou órgão e o ente da administração
indireta, o qual é alvo do recurso.
Recursos Administrativos Impróprios
 Carvalho Filho

 Recursos Hierárquicos Impróprios são aqueles que o


recorrente dirige a autoridade ou órgãos estranhos àquele
de onde se originou o ato impugnado.
 O adjetivo "impróprio" na expressão significa que entre o
órgão controlado e o controlador não há propriamente
relação hierárquica de subordinação, mas sim uma relação
de vinculação, já que se trata de pessoas diversas ou de
órgãos pertencentes à pessoas diversas.
 Exemplo: se o interessado recorre contra ato do presidente
de uma fundação pública estadual para o Secretário
Estadual ou para o Governador do respectivo Estado, esse
recurso é hierárquico impróprio
Meios de controle administrativo
Supervisão Ministerial
 Supervisão Ministerial ou Tutela
administrativa
 Controle de finalidade
 Aplicáveis às entidades da Administração
Indireta vinculadas a um Ministério da
Administração Direta
 Visa observar se a finalidade para qual foi
criada está sendo cumprida
Supervisão
Ministerial
Supervisão Ministerial
 Atenção: NÃO há hierarquia ou
subordinação entre os entes da Adm.
Direta e Indireta
 Supervisão NÃO é subordinação
 Supervisão é limitada aos aspectos que a
lei indica, para não suprimir a autonomia
administrativa e financeira das entidades
Supervisão Ministerial
 O Ministro supervisor NÃO é autoridade
competente para conhecer de recurso
contra atos de autoridade dos entes da
Adm. Indireta , pois estas são pessoas
distintas
 Assim NÃO há hierarquia entre elas
 O recurso hierárquico impróprio só será
possível quando previsto em lei
Controle Administrativo
 Princípio da Tutela (Supervisão
Ministerial)

 Controle finalístico
 Tutela Administrativa ≠ Hierarquia Orgânica
 Recurso Hierárquico Impróprio
 Parecer AC 51 AGU
 Lei n. 5.427/09 (RJ), art. 66
Prescrição
Administrativa
Prescrição Administrativa
 Art. 54, Lei n. 9784/99
 Art. 53, Lei n. 5427/09
 INFO 407 STJ
 Prazo a contar da edição da lei:
“ (...)o ato de aprovação do projeto de
reflorestamento ocorreu em 15/10/1997 e sua
nulidade foi declarada em 17/6/2003. Assim, há
que afastar a alegação de decadência, porquanto
ausente o decurso do prazo quinquenal a contar
da vigência da Lei n. 9.784/1999.”
Prescrição – Poder de Polícia
Lei 9873/99
Prescrição da • Apuração da infração
ação punitiva

Prescrição da • Constituição definitiva do crédito


ação executória

Prescrição • Processo administrativo pendente


Intercorrente de julgamento ou despacho
Processo
Administrativo
Processo Administrativo
 Princípio do Devido Processo Legal
 Princípio do Contraditório e da Ampla Defesa
 Pluralidade de instâncias
 Princípio da Verdade Material
 Art. 27, Lei n. 9784/99
 Princípio do Informalismo
 Princípio da Oficialidade (Impulso Oficial)
Recurso
Administrativo
Controle Administrativo
 Recurso Administrativo
 Art.56, Lei n. 9784/99
 Efeitos devolutivo e suspensivo: art. 61 da Lei n.
9784/99
 Reformatio in pejus: art. 64, Lei n. 9784/99
 Recurso e Depósito Prévio Recursal
 Súmula Vinculante n. 21 do STF: “É inconstitucional a
exigência de depósito ou arrolamento prévios de dinheiro
de bens para admissibilidade de recurso administrativo.”
Controle Administrativo
 Recurso e Pedido de Reconsideração
 Recurso e Pedido de Revisão
 Art. 65, Lei n. 9784/99
 Recurso e Representação
 Art. 74, §2o, CRFB
 Art. 20, Lei n. 8429/92

 Recurso e Direito de Petição


 Art. 5o, XXXIV, a, CRFB
 Art. 6o, Lei n. 9784/99 e art. 6o, Lei n. 5.427/09
Coisa Julgada
Administrativa
Coisa Julgada Administrativa
 Hely Lopes Meirelles: trata-se de preclusão
de efeitos internos, não tendo a o alcance da
coisa julgada judicial

 Situação jurídica pela qual determinada


decisão firmada pela Adm. não pode ser
alterada pela via administrativa
Casos Concretos
Caso Concreto 01
 No âmbito de sua competência fiscalizatória e
sancionatória delimitada na Lei de regência, o Banco
Central do Brasil - BACEN -, autarquia federal, aplicou
multa à instituição financeira APS S/A, após o devido
processo administrativo, em que respeitada a ampla
defesa e o contraditório.
 Inconformada com a penalidade imposta, APS S/A
apresentou o recurso cabível para o Conselho de
Recursos do Sistema Financeiro Nacional - CRSFN-, que,
consoante a legislação, é o órgão judicante de segundo
grau, integrante do Ministério da Fazenda, responsável
por rever a aludida decisão, o qual, por sua vez, manteve
a penalidade impugnada, minorando, contudo, o
respectivo quantum.
Caso Concreto 01
 Diante dessa situação hipotética, responda:
 a) O Ministério da Fazenda exerce controle
hierárquico sobre o BACEN? Enfrente a questão,
explicitando as peculiaridades pertinentes relativas à
organização administrativa.

 b) Caso APS S/A pretenda ajuizar uma ação


anulatória da penalidade aplicada, quem seria o
legitimado passivo de tal demanda.
Resposta caso 01
 O BACEN é uma autarquia, pessoa jurídica de
direito público que integra a Administração Indireta,
desempenhando a atividade administrativa de forma
descentralizada.
 Enquanto integrante da Administração Indireta,
submete-se ao controle da Administração Direta,
também chamado de tutela administrativa ou
supervisão ministerial (expressão utilizada pelo DL
200/67), que não se confunde com o controle
hierárquico, o qual se opera no seio da
Administração, onde o exercício das atividades se
dá mediante desconcentração.
Casos Concretos
 BACEN  autarquia federal
 Tutela administrativa ou Supervisão Ministerial
 # controle hierárquico
 Recurso Hierárquico Impróprio

 Resp 1149477/DF – T1 – Dje 28/02/2012


 ADMINISTRATIVO. RECURSO ESPECIAL. INFRAÇÃO
ADMINISTRATIVA AO SISTEMA FINANCEIRO
NACIONAL. MULTA APLICADA PELO BANCO CENTRAL
DO BRASIL E MINORADA PELO CONSELHO DE
RECURSOS DO SISTEMA FINANCEIRO NACIONAL.
LEGITIMIDADE PASSIVA DO CRSFN.
Resp 1149477 / DF
 2. O CRSFN é um órgão colegiado judicante de
segundo grau, integrante da estrutura do Ministério da
Fazenda, e tem por finalidade o julgamento
administrativo, em última instância, dos recursos contra
as decisões mencionadas no art. 3º do Decreto nº
1.935/96, entre as quais as decisões do Bacen.
 3. Trata-se, portanto, de instância administrativa
recursal, com competência para análise de recursos
oriundos de variados órgãos e entidades componentes
do sistema financeiro, sendo certo que a sua atuação
tem o condão de atrair a sua legitimidade para figurar no
pólo passivo de ações judiciais que buscam a
desconstituição de sanções por ele revistas.
Resp 1149477 / DF
 4. Não há como negar que, havendo recurso, é o CRFS
quem decide, em definitivo, a questão cambial
submetida ao âmbito administrativo, bem como que o
acórdão por ele proferido, ainda que apenas confirme a
decisão emitida pelo Bacen, substitui esta, o que
evidencia que o decisum que se busca infirmar com a
presente ação foi proferido por órgão da administração
direta e não por aquela autarquia.
Segundo Caso Concreto
 Certa coordenadoria estadual competente do PROCON
aplicou a multa administrativa cabível à sociedade X, em
razão da violação dos preceitos do Código de Defesa do
Consumidor.
 Inconformada, a sociedade X ajuizou ação anulatória da
sanção em comento, invocando o disposto no art. 1º,§1º,
da Lei nº 9873/99, na medida em que o respectivo
processo administrativo ficou paralisado por período
superior ao previsto na mencionada legislação.
 Considerando que são verdadeiros os fatos narrados pela
sociedade X e que o estado não possui legislação relativa
à prescrição para o exercício do poder de polícia, analise
se a lei invocada é aplicável na espécie, em consonância
com a orientação do C. STJ.
STJ - AgRg no AREsp 509704 / PR
 ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO
REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. MULTA
ADMINISTRATIVA. PROCON. LEI N. 9.873/1999.
INAPLICABILIDADE ÀS AÇÕES ADMINISTRATIVAS PUNITIVAS
DESENVOLVIDAS POR ESTADOS E MUNICÍPIOS.
PRESCRIÇÃO. APLICAÇÃO DO DECRETO N. 20.910/1932.
 2. No caso, a ação anulatória de ato admitistrativo c/c
repetição de indébito foi ajuizada em desfavor da
Coordenadoria Estadual de Proteção de Defesa do
Município de Maringá, em decorrência do exercício do
poder de polícia do Procon/PR, sendo, portanto,
inaplicável a Lei n. 9.873/1999, consoante entendimento
firmado por esta Corte, sujeitando-se, por conseguinte,
ao prazo prescricional qüinqüenal previsto no
Decreto n. 20.910/1932.
STJ - AgInt no REsp 1588259 / PR
 ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO
INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. MULTA
ADMINISTRATIVA. PROCON. COORDENADORIA
MUNICIPAL. PRESCRIÇÃO. LEI 9.873/99.
INAPLICABILIDADE. INCIDÊNCIA DO DECRETO 20.910/32.
PRECEDENTES DO STJ.AGRAVO INTERNO IMPROVIDO.
 II. Nos termos da jurisprudência do Superior Tribunal de
Justiça, as disposições contidas na Lei 9.873/99 não são
aplicáveis às ações administrativas punitivas
desenvolvidas por Estados e Municípios, pois o seu art.
1º é expresso ao limitar sua incidência ao plano federal.
Assim, inexistindo legislação local específica, incide, no
caso, o prazo prescricional previsto no art. 1º do Decreto
20.910/32.
Caso Concreto 03
 Esglobênia é servidora pública federal e impetrou mandado
de segurança contra ato omissivo de autoridade competente
que não lhe conferiu gratificação salarial, a qual acreditava
ser devida.
 Em sede de informações, a impetrada assevera que
consumou-se a prescrição na espécie, na medida em que
transcorridos 5 (cinco) anos entre a concessão da vantagem
pecuniária, ocorrida janeiro de 2008, e a impetração do
mandamus, somente em julho de 2014.
 Analise se a tese da defesa merece acolhida. Esclareça,
igualmente, se faria diferença caso Esglobênia tivesse
efetuado o pedido administrativamente em março de 2008 e
esse lhe tivesse sido negado pelo Poder Público em junho de
2008, ou ainda, caso o requerimento estivesse pendente de
apreciação.
Quanto à conduta omissiva da
Administração - STJ: MS 13833 / DF
 III. Em se tratando de ato omissivo
continuado, consistente no não
pagamento de reajuste, benefício ou
vantagem que o servidor entende devido,
a relação jurídica é de trato sucessivo,
motivo pelo qual o prazo decadencial para
a impetração de Mandado de Segurança
renova-se mês a mês. Precedentes.
 Súmula 85 do STJ:
“NAS RELAÇÕES JURIDICAS DE TRATO
SUCESSIVO EM QUE A FAZENDA
PUBLICA FIGURE COMO DEVEDORA,
QUANDO NÃO TIVER SIDO NEGADO O
PROPRIO DIREITO RECLAMADO, A
PRESCRIÇÃO ATINGE APENAS AS
PRESTAÇÕES VENCIDAS ANTES DO
QUINQUENIO ANTERIOR A
PROPOSITURA DA AÇÃO.”
Quanto à situação com pedido
administrativo indeferido:
STJ: AgRg no AREsp 515459 / RJ
 2. Em se tratando de relação de trato sucessivo, o
indeferimento do pedido pela Administração é o
termo a quo para o cômputo do prazo quinquenal.
Se não houver negativa expressa, o entendimento
jurisprudencial é no sentido de que, nas hipóteses
em que a Administração, por omissão, não paga
benefícios aos servidores, a prescrição não atinge o
próprio fundo de direito, mas tão somente as
parcelas vencidas há mais de cinco anos da
propositura da ação, nos termos da Súmula 85/STJ.
Quanto à situação com pedido
administrativo pendente
STJ: AgRg no REsp 1260306 / CE
 O requerimento administrativo suspende a
contagem do prazo prescricional, na
forma do art. 4º do Decreto n. 20.910/1932,
que só se reinicia após a decisão final da
administração.
Controle Legislativo
da Administração pública

flaviaclimmer@puc-rio.br
Exemplos de controle pelo Legislativo
 Controle das contas públicas do três Poderes,
inclusive de entes da Administração Indireta
(controle financeiro)
 Controle da infrações político-administrativas do
líder do Executivo
 Convocação de autoridades para prestar
informações
 Sustação de atos normativos do Poder Executivo
que extrapolaram o poder regulamentar
 Permissão para que o PR declare guerra ou
celebre paz
Controle Político
Controle Político
 Objeto de estudo do Direito Constitucional
Controle Legislativo
Controle Legislativo
 Tribunal de Contas
 Controle financeiro
Controle Legislativo
Controle Controle
Político Legislativo
• Art. 49, V, IX, X, • Art. 70, CRRB
XII, CRFB • ART. 75, CRFB
• Art. 52, CRFB • Art. 31, CRFB
• Art. 58, CRFB
Tribunal de Contas
Tribunais de Contas
 Tribunais Administrativos
 Órgão de Assessoramento do Legislativo
 Controle financeiro externo
 Áreas de atuação: contábil, financeiro,
orçamentário, operacional e patrimonial
Tribunais de Contas
 Função administrativa, não jurisdicional

 Porém podem apreciar a


constitucionalidade das leis e atos do
Poder Público (STF, Súmula 347)
Tribunais de Contas

• Órgão constitucional
essencial e autônomo
Natureza
• Despersonalizado
Jurídica
• Responsabilidade do ente
político
 Conceito e Natureza Jurídica: órgão
constitucional autônomo. Posição do STF
(Medida Cautelar na ADI nº 4190-RJ –
Rel. Min Celso de Melo).
Tribunais de Contas
 Tribunal de Contas da União
 Tribunais de Contas dos Estados
 Tribunais de Contas dos Municípios
 Tribunal de Contas do Distrito Federal
TCU
 Nove ministros
 Seis indicados pelo Congresso Nacional
 Um pelo Presidente da República
 Dois escolhidos entre auditores e
membros do MP junto ao Tribunal de
Contas

 Mesmas prerrogativas da Magistratura


TCU
 Há ainda:
- Um procurador-geral
- Três subprocuradores-gerais
- Quatro procuradores
Nomeados pelo PR entre concursados com
título de bacharel em Direito

 Competências: art. 71-74, 161 CRFB


Critérios de Controle
Critérios de Controle
 Legalidade: compatibilidade formal do ato
com a lei

 Legitimidade: juridicidade

 Economicidade: custo-benefício
TCU e Sociedades
de Economia Mista
TCU e Sociedades de Economia Mista
 Informativo 408 STF
 “O Tribunal de Contas da União, por força
do disposto no art. 71, II, da CF, tem
competência para proceder à tomada de
contas especial de administradores e
demais responsáveis por dinheiros, bens e
valores públicos das entidades integrantes
da administração indireta, não importando
se prestadoras de serviço público ou
exploradoras de atividade econômica.”
Atribuições
Atribuições

Função fiscalizadora

Função consultiva

Função sancionatória

Função judicativa
Decisões dos Tribunais de
Contas
 Se resultarem em imputação de débitos ou
multas, tornam o valor líquido e certo
 Adquirem eficácia de título executivo
 Prazo de 15 dias para recolhimento, sob pena
de cobrança judicial

 Art. 7, § 3º CRFB
 Execução será feita pelas Procuradorias dos
respectivos Entes, ou o MP como legitimado
extraordinário
Quebra de Sigilo
Bancário
INFO 493 STF
TCU e quebra de sigilo bancário
 “A Lei Complementar 105/2001, que
dispôs específica e exaustivamente sobre
o sigilo das operações de instituições
financeiras, não conferiu ao TCU
poderes para determinar a quebra do
sigilo bancário de dados constantes do
Banco Central do Brasil.”
Decadência
Decadência
 Prazo decadencial pelo art. 54 da Lei nº
9.784/99

 Art. 54. O direito da Administração de


anular os atos administrativos de que
decorram efeitos favoráveis para os
destinatários decai em cinco anos,
contados da data em que foram praticados,
salvo comprovada má-fé.
Decadência no caso
de aposentadorias
Decadência no caso de
aposentadorias, reformas e pensões
 Caso o TC demore mais de cinco anos
para analisar a legalidade dos atos
concessivos de aposentadorias, reformas
e pensões não acarreta a decadência
administrativa, mas exige o respeito ao
contraditório e a ampla defesa
INFO 565 STF – TCU e
decadência
 “Entendeu-se que o lapso temporal entre a prática
dos atos de ascensão sob análise e a decisão do
TCU impugnada superaria, em muito, o prazo
estabelecido no art. 54 da Lei 9.784/99, o que
imporia o reconhecimento da decadência do direito
da Administração de revê-los. Reportou-se, ademais,
à orientação firmada pela Corte no julgamento do
MS 24448/DF (DJE de 14.11.2007), no sentido de,
aplicando o princípio da segurança jurídica,
assentar ser de cinco anos o prazo para o TCU
exercer o controle da legalidade dos atos
administrativos.”
TCU e Súmula Vinculante n. 03
 “Nos processos perante o Tribunal de
Contas da União asseguram-se o
contraditório e a ampla defesa quando da
decisão puder resultar anulação ou
revogação de ato administrativo que
beneficie o interessado, excetuada a
apreciação da legalidade do ato de
concessão inicial de aposentadoria,
reforma e pensão”.
INFO 599 STF
TCU e Súmula Vinculante n. 03
 “Salientou-se a necessidade de se fixar um tempo
médio razoável a ser aplicado aos processos de
contas cujo objeto seja o exame da legalidade
dos atos concessivos de aposentadorias,
reformas e pensões, e afirmou-se poder se
extrair, dos prazos existentes no ordenamento
jurídico brasileiro, o referencial de cinco anos.
Com base nisso, assentou-se que, transcorrido in
albis o prazo qüinqüenal, haver-se-ia de convocar
o particular para fazer parte do processo de seu
interesse.”
Casos Concretos
Caso Concreto 01
 A Câmara de Vereadores de determinado Município
acolheu o parecer elaborado pelo Tribunal de Contas
competente e rejeitou as contas do Prefeito, na forma do
art. 31 da CRFB/88.
 Em razão disso, foi ajuizada ação anulatória de tal
decisão, sob o fundamento de violação ao disposto no art.
5º, LV, da CRFB 88, na medida em que a Câmara de
Vereadores não conferiu oportunidade de manifestação
ao Chefe do Executivo antes de rejeitar as contas.
 Em sede de defesa, foi argumentado que a ampla defesa
e o contraditório foram exercidos junto à Corte de Contas
e que a Câmara de Vereadores apenas acatou o parecer
pertinente.
Caso Concreto 01
 Diante dessa situação hipotética, analise se a Câmara de
Vereadores é obrigada a acolher o parecer emitido pelo
Tribunal de Contas, bem como se há necessidade de
garantir a ampla defesa e contraditório após a
manifestação deste órgão de controle externo, em
consonância com a orientação do C. STF.
Ato de controle externo do
Poder Legislativo
 Sistema de freios e contrapesos
 Artigo 31, parágrafo 2º da CRFB
Art. 31. A fiscalização do Município será exercida pelo Poder Legislativo Municipal,
mediante controle externo, e pelos sistemas de controle interno do Poder Executivo
Municipal, na forma da lei.
§ 1º O controle externo da Câmara Municipal será exercido com o auxílio dos Tribunais
de Contas dos Estados ou do Município ou dos Conselhos ou Tribunais de Contas dos
Municípios, onde houver.
§ 2º O parecer prévio, emitido pelo órgão competente sobre as contas que o
Prefeito deve anualmente prestar, só deixará de prevalecer por decisão de dois
terços dos membros da Câmara Municipal.
§ 3º As contas dos Municípios ficarão, durante sessenta dias, anualmente, à disposição
de qualquer contribuinte, para exame e apreciação, o qual poderá questionar-lhes a
legitimidade, nos termos da lei.
§ 4º É vedada a criação de Tribunais, Conselhos ou órgãos de Contas Municipais.
STF, RE 682011 / SP
 - O controle externo das contas municipais, especialmente
daquelas pertinentes ao Chefe do Poder Executivo local,
representa uma das mais expressivas prerrogativas
institucionais da Câmara de Vereadores, que o exercerá
com o auxílio do Tribunal de Contas (CF, art. 31).
 Essa fiscalização institucional não pode ser exercida, de
modo abusivo e arbitrário, pela Câmara de Vereadores,
eis que - devendo efetivar-se no contexto de
procedimento revestido de caráter político-administrativo -
está subordinada à necessária observância, pelo Poder
Legislativo local, dos postulados constitucionais que
asseguram, ao Prefeito Municipal, a prerrogativa da
plenitude de defesa e do contraditório.
STF, RE 682011 / SP
 - A deliberação da Câmara de Vereadores sobre as
contas do Chefe do Poder Executivo local há de respeitar
o princípio constitucional do devido processo legal, sob
pena de a resolução legislativa importar em transgressão
ao sistema de garantias consagrado pela Lei Fundamental
da República.
STF - INFORMATIVO Nº 835
 O parecer técnico elaborado pelo Tribunal de Contas
tem natureza meramente opinativa, competindo
exclusivamente à Câmara de Vereadores o julgamento
das contas anuais do Chefe do Poder Executivo local,
sendo incabível o julgamento ficto das contas por
decurso de prazo
Caso concreto 02
 Certo estado da federação elaborou a Lei XYZ, cujo
artigo 1º possui o seguinte teor:
 Art. 1º. Todos os contratos administrativos celebrados
entre o Governo do Estado e empresas do Estado
dependerão de prévia aprovação do Tribunal de
Contas do Estado, que terá prazo de 5 (cinco) dias
para exarar parecer quanto à legalidade do contrato,
contados da data em que o instrumento deu entrada
no protocolo da Corte de Contas.
 Considerando o tratamento conferido aos Tribunais
de Contas Estaduais pela Lei Maior, analise,
fundamentadamente, a constitucionalidade da norma
em questão.
STF, ADI 916 / MT
 1. Nos termos do art. 75 da Constituição, as normas
relativas à organização e fiscalização do Tribunal de
Contas da União se aplicam aos demais tribunais de
contas.
 2. O art. 71 da Constituição não insere na competência do
 TCU a aptidão para examinar, previamente, a validade de
contratos administrativos celebrados pelo Poder Público.
Atividade que se insere no acervo de competência da
Função Executiva.
 3. É inconstitucional norma local que estabeleça a
competência do tribunal de contas para realizar exame
prévio de validade de contratos firmados com o Poder
Público.
Caso 03
 No ano de 2005, o Tribunal de Contas da União editou a
Súmula XX/TCU, que alterou radicalmente a orientação
acerca do cômputo do tempo de serviço para a situação
de Aluno-Aprendiz, na forma das novas decisões da
Corte de Contas, de interpretação bem mais gravosa e
restritiva.
 Maria, servidora pública federal, teve a sua
aposentadoria deferida pelo órgão de origem em
01/05/2003, de acordo com o entendimento que
anteriormente prevalecia com relação à mencionada
situação, cujo processo administrativo fora recebido pelo
Tribunal de Cotas em 2005.
Caso 03
 Ao analisar a legalidade do ato que deferiu a
aposentadoria, ao longo de 2016, o TCU promoveu a
notificação de Maria, possibilitando sua manifestação, e,
na oportunidade a interessada sustentou a decadência
do direito de a Administração anular seus próprios atos.
 Após assegurar, portanto, o devido processo legal, a
Corte de Contas, em 01/02/2017, negou o registro da
aposentadoria e determinou que a interessada optasse
entre efetuar o tempo de serviço faltante com base na
orientação firmada em 2005, a fim de perceber proventos
integrais, ou receber aposentadoria proporcional.
 Diante dessa situação hipotética , analise se a conduta
do Tribunal de Contas se mostra em consonância com a
orientação do C. STF
Resposta
 Em primeiro plano, vale ressaltar que não se operou a
decadência, diante da orientação do Pretório Excelso
no sentido de que a aposentadoria é ato complexo que
só se aperfeiçoa com a manifestação da Corte de
Contas, momento a partir do qual se inicia o prazo
decadencial.
 Não obstante, a conduta do TCU se mostra contrária à
orientação consolidada no C. STF, no sentido de ser
inviável a aplicação retroativa de interpretação mais
gravosa e restritiva por parte da Corte de Contas, tal
como previsto, inclusive, no art. 2º, XIII, da Lei nº
9784/99, sob pena de violação dos princípios da
segurança jurídica e proteção da confiança.
STF - MS 28223 AgR-segundo / DF
 EMENTA AGRAVO REGIMENTAL EM MANDADO
DE SEGURANÇA. INTERPOSIÇÃO SOB A ÉGIDE
DO CPC/1973. APOSENTADORIA. CÔMPUTO DE
TEMPO DE ALUNO-APRENDIZ.
 Na apreciação da legalidade, para fins de registro,
de ato inicial concessivo de aposentadoria, a
jurisprudência desta Suprema Corte, fundada nos
princípios da segurança jurídica e da proteção da
confiança, reputa inviável a aplicação retroativa da
interpretação restritiva da Súmula nº 96/TCU
assentada por meio do Acórdão nº 2024/2005 do
Plenário do Tribunal de Contas da União.
STF - MS 28576 / DF
 MANDADO DE SEGURANÇA. APOSENTADORIA.
CONTAGEM DE TEMPO. ALUNO-APRENDIZ.
DECADÊNCIA. ATO COMPLEXO. SÚMULA 96 DO
TCU. CONCESSÃO DO BENEFÍCIO.
 I - A jurisprudência desta Casa firmou-se no sentido de
que, reconhecendo-se como complexo o ato de
aposentadoria, este somente se aperfeiçoa com o devido
registro no Tribunal de Contas da União, após a regular
apreciação de sua legalidade, não havendo falar,
portanto, em início da fluência do prazo decadencial
antes da atuação da Corte de Contas. Precedentes.

STF - MS 28576 / DF
 II - A questão encontra-se regulamentada pela Lei
3.442/59, que não alterou a natureza das atividades e a
responsabilidade dos aprendizes estabelecidas pelo
Decreto-Lei 8.590/46.
 III - A Súmula 96 do Tribunal de Contas da União prevê a
possibilidade de contagem, para efeito de tempo de
serviço, do trabalho prestado por aluno-aprendiz, desde
que comprovada sua retribuição pecuniária, para cálculo
de concessão do benefício de aposentadoria.
Precedente.
 IV - Segurança concedida. Prejudicado, pois, o agravo
regimental interposto pela União.
Controle Judicial
Controle Judicial
 Mediante provocação
 Visa a correção, invalidação, modificação
ou anulação de atos administrativos
Sistema de Controle
 Sistema Uno ou de Jurisdição Única ou
sistema inglês
- Poder Judiciário pode decidir de maneira
definitiva sobre atos particulares ou da Adm.
- Art. 5o, XXXV da CRFB

 Sistema Dual ou sistema francês


- Duas ordens de jurisdição, uma para
particulares e outra administrativa (Conselho
de Estado)
Limites do Controle pelo Poder
Judiciário
 Princípio da Separação de Poderes
 Controle de Legalidade (juridicidade)

 Mérito administrativo (conveniência e


oportunidade)
Controle de Juridicidade
 Legalidade + Legitimidade + Licitude
 Princípios da Razoabilidade e
Proporcionalidade
 Princípio da Motivação
 Teoria do Desvio de Finalidade
Controle Judicial e Política Públicas
 INFO 582 STF (Ministro Celso de Mello) –
abril/10
 Direitoà Saúde - Reserva do Possível - “Escolhas
Trágicas” - Omissões Inconstitucionais - Políticas
Públicas - Princípio que Veda o Retrocesso Social
 INFO 581 STF (Ministro Celso de Mello) –
abril/10
 Proteção Integral à Infância e à Juventude -
Omissão do Poder Público - Política Pública
Delineada na Constituição - Legitimidade do
Controle Jurisdicional das Omissões Estatais
Instrumentos de
Controle
Jurisdicional
Instrumentos de Controle
Jurisdicional
Habeas Corpus

Mandado de Segurança

Mandado de Injunção

Habeas Data

Ação Popular

Ação Civil Pública


Habeas Corpus
Fundamento Espécies Legitimidade Legitimidade Objeto
ativa passiva
Art. 5º, Preventivo Pessoa, Autoridade Liberdade
LXVIII, CF Repressivo nacional ou Particulares de
Arts. 647 a estrangeira locomoção
667, CPC MP
Pessoas Coatores
Jurídicas
Ex officio

Impetrantes e
Paciente
Mandado de Segurança
Fundamento Espécies Legitimado Legitimado Objeto
Ativo Passivo

Art. 5º, LXIX Legitimados MSI: Autoridade Direito


e LXX, CF individual P. Físicas Coatora Liquido e
Lei coletivo P. Jurídicas Pessoa Certo não
12.016/2009 Órgãos Jurídica amparado
Momento: Públicos Art. 6º e 14, por HC ou
preventivo MSC: §2º da Lei HD
Repressivo Partidos 12.016/09
Sindicatos MSC: d.
Entidades de coletivos e
classe indiv. homog.
associações (art. 21, L)
Mandado de Injunção
Fundamento Espécies Legitimidade Legitimidade Objeto
Ativa Passiva
Art. 5º, LXXI, Individual PF e PJ Autoridade ou Omissão
CF Coletivo MP órgão público normativa
Partido responsável
Político pela omissão direitos e
Organização legislativa liberdades
Sindical, constitucionais
entidade de
classe ou Nacionalidade
associação soberania e
cidadania

Info 485 STF


Habeas Data
Fundamento Legitimidade Objeto
Artigo 5º, LXXII, Ativa: PF, PJ Conhecimento
CF Nacional ou da informação
L. 9507/97 estrangeira Retificação de
dados
Passiva: Anotação nos
entidades assentados
governamentais
ou de caráter (Info 365 STJ)
público
Ação Popular
Fundamento Legitimidade Legitimidade Objeto
Ativa Passiva
Art. 5º, LXXIII, CF Cidadão Adm. Direta e Anular atos e
L. 4717/65 Adm. Indireta contratos, ilegais
Entidades e lesivos ao
privadas com patrimônio
participação do público, à
Estado moralidade
Entidades que administrativa, ao
recebam meio ambiente e
subvenção ao patrimônio
Autoridades, histórico, cultural.
funcionários ou
administradores
Beneficiários do
ato
Ação Civil Pública
Fundamento Legitimidad Legitimidad Objeto
e Ativa e Passiva

Artigo 129, MP PF ou PJ, de Proteção do


III, CF Defensoria direito interesse
Lei 7.437/85 Entes público ou coletivo
Federados privado
Adm. Indireta
Associações
Casos Concretos
Caso Concreto 01
 Após ser excluído de determinado concurso público,
por não haver alcançado a nota mínima necessária
para a aprovação na 1ª (primeira) fase, Lourivaldo
ajuizou ação com vistas a anular o mencionado ato,
ao argumento de que foram cobradas matérias que
não constavam do respectivo edital.
 O Juízo de 1º grau concedeu a liminar para que
Lourivaldo continuasse no certame, até a decisão
definitiva.
 Neste ínterim, Lourivaldo foi aprovado em todas as
demais etapas do concurso, o que culminou na sua
investidura no cargo em 2001.
Caso Concreto 01
 No entanto, em 2008, foi prolatada sentença na
mencionada ação, na qual o pedido foi julgado
improcedente, sob o fundamento de que, na realidade, o
assunto exigido estava, de fato, abarcado pelo edital do
certame.
 Tal solução foi confirmada em sede recursal, operando-
se o trânsito em julgado em 2011.
 Diante dessa situação hipotética, responda as questões
abaixo, em consonância com a orientação dos Tribunais
Superiores:
 A) O Judiciário pode apreciar a pertinência e correção
de questões elaboradas para fins de concurso público?
Caso Concreto 01
 B) Esclareça no que consiste a "teoria do fato
consumado" e o "princípio da proteção da confiança" e
analise a eventual aplicabilidade de cada um deles na
situação em comento.
1a Questão
 O Judiciário pode apreciar a pertinência e correção de questões
elaboradas para fins de concurso público?

 STF - ARE 639311 AgR / RS; Relator(a): Min. LUIZ FUX;


Julgamento: 04/08/2015 1ª Turma; DJe 26-08-2015
 AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO
COM AGRAVO. ADMINISTRATIVO. CONCURSO PÚBLICO.
EDITAL. CONTEÚDO PROGRAMÁTICO. PREVISÃO NO
EDITAL. SÚMULA Nº 279 DO STF. VALORIZAÇÃO DA
CORREÇÃO. PODER JUDICIÁRIO. IMPOSSIBILIDADE TEMA
Nº 485 DA REPERCUSSÃO GERAL. RE 632.853. AGRAVO
REGIMENTAL DESPROVIDO.
 No mesmo sentido: STF - RE 632853 / CE; STJ - AgRg no RMS
47607 / TO; AgRg no AREsp 276526 / DF
STF - RE 632853 / CE
 Recurso extraordinário com repercussão geral.
 2. Concurso público. Correção de prova. Não
compete ao Poder Judiciário, no controle de
legalidade, substituir banca examinadora para
avaliar respostas dadas pelos candidatos e notas a
elas atribuídas. Precedentes.
 3. Excepcionalmente, é permitido ao Judiciário juízo
de compatibilidade do conteúdo das questões do
concurso com o previsto no edital do certame.
Precedentes.
 4. Recurso extraordinário provido.
Teoria do fato consumado
 Teoria do fato consumado – situações
precárias que se consolidam com o tempo.
Excepcional. cristalização da situação fática
em razão do decurso de tempo. Reversão
do quadro implicaria danos irreparáveis.
 Princípio da proteção da confiança –
natureza subjetiva da segurança jurídica.
Proteção da confiança do cidadão em
relação às expectativas geradas pela
Administração Pública.
1ª questão
 RE 608482 / RN Relator(a): Min. TEORI ZAVASCKI -
Julgamento: 07/08/2014 Pleno

 CONSTITUCIONAL. ADMINISTRATIVO. CONCURSO


PÚBLICO. CANDIDATO REPROVADO QUE ASSUMIU O
CARGO POR FORÇA DE LIMINAR. SUPERVENIENTE
REVOGAÇÃO DA MEDIDA. RETORNO AO STATUS QUO
ANTE. "TEORIA DO FATO CONSUMADO", DA PROTEÇÃO
DA CONFIANÇA LEGÍTIMA E DA SEGURANÇA JURÍDICA.
INAPLICABILIDADE. RECURSO PROVIDO.
STF, RE 608482 / RN
 1. Não é compatível com o regime constitucional de acesso aos
cargos públicos a manutenção no cargo, sob fundamento de fato
consumado, de candidato não aprovado que nele tomou posse
em decorrência de execução provisória de medida liminar ou outro
provimento judicial de natureza precária, supervenientemente
revogado ou modificado.
 2. Igualmente incabível, em casos tais, invocar o princípio da
segurança jurídica ou o da proteção da confiança legítima. É que,
por imposição do sistema normativo, a execução provisória das
decisões judiciais, fundadas que são em títulos de natureza
precária e revogável, se dá, invariavelmente, sob a inteira
responsabilidade de quem a requer, sendo certo que a sua
revogação acarreta efeito ex tunc, circunstâncias que evidenciam
sua inaptidão para conferir segurança ou estabilidade à situação
jurídica a que se refere. 3. Recurso extraordinário provido.
Segundo Caso
 O Ministério Público ajuizou ação civil pública, com vistas
a obter a condenação de determinado estado da
federação a promover em estabelecimento prisional as
reformas necessárias para garantir os direitos
fundamentais dos presos, como sua integridade física e
moral, diante da situação desumana e degradante a que
tais pessoas são submetidas.
 Devidamente instruído o processo, o Magistrado julgou
improcedente o pedido por considerar que não cabe ao
Judiciário determinar que o Poder Executivo realize as
obras em questão, sob pena de ingerência indevida em
seara reservada à Administração, diante da
discricionariedade que é conferida ao Administrador.
Segundo Caso
 Analise se a postura adotada pelo Juízo a quo está em
consonância com a orientação dos Tribunais Superiores.
2a questão
 STF - INFORMATIVO 794 - AGOSTO DE 2015 -
PLENÁRIO - REPERCURSÃO GERAL
 Obras emergenciais em presídios: reserva do possível
e separação de poderes – 1
 É lícito ao Poder Judiciário impor à Administração
Pública obrigação de fazer, consistente na promoção
de medidas ou na execução de obras emergenciais em
estabelecimentos prisionais para dar efetividade ao
postulado da dignidade da pessoa humana e assegurar
aos detentos o respeito à sua integridade física e moral,
nos termos do que preceitua o art. 5º, XLIX, da CF, não
sendo oponível à decisão o argumento da reserva do
possível nem o princípio da separação dos poderes.
 No mesmo sentido: STJ INFO 543 – AGO 2014 – 2ª T
Terceiro Caso
 O Sindicato dos Servidores Públicos do Poder Judiciário
em âmbito federal impetrou mandado de segurança contra
a determinação do Tribunal de Contas da União no
sentido de determinar a devolução de verbas
remuneratórias que foram indevidamente pagas aos
mencionados servidores por errônea interpretação da lei
por parte da Administração Pública.
 Diante dessa situação hipotética, analise se a pretensão
veiculada merece acolhida. Descompatibilize eventuais
controvérsias, em consonância com a orientação dos
Tribunais Superiores.
STJ - AgRg no REsp 1544476 / CE
 ADMINISTRATIVO. PAGAMENTO A MAIOR DE VERBA
A SERVIDOR. ERRO DA ADMINISTRAÇÃO. BOA-FÉ
OBJETIVA. PRESUNÇÃO DE LEGALIDADE E
DEFINITIVIDADE DO PAGAMENTO. RESTITUIÇÃO DE
VALORES. DESCABIMENTO NA HIPÓTESE.
 1. No julgamento do REsp 1.244.182/PB, submetido à
sistemática dos recursos repetitivos, ficou estabelecido o
entendimento de que, nos casos em que o pagamento
indevido foi efetivado em favor de servidor público, em
decorrência de interpretação equivocada ou de má
aplicação da lei por parte da Administração, a verba não
está sujeita à devolução, presumindo-se a boa-fé do
servidor.
STJ - AgRg no REsp 1544476 / CE
 2. Na linha do julgado precitado, o elemento configurador
da boa-fé objetiva é a inequívoca compreensão, pelo
beneficiado, do caráter legal e definitivo do pagamento. 3.
"Quando a Administração Pública interpreta erroneamente
uma lei, resultando em pagamento indevido ao servidor,
cria-se uma falsa expectativa de que os valores recebidos
são legais e definitivos, impedindo, assim, que ocorra
desconto dos mesmos, ante a boa-fé do servidor público."
(Resp 1.244.182/PB).
 4. Descabe ao receptor da verba alegar que presumiu o
caráter legal do pagamento em hipótese de patente cunho
indevido, como, por exemplo, no recebimento de auxílio-
natalidade (art. 196 da Lei 8.112/1990) por servidor
STJ - AgRg no REsp 1544476 / CE
 5. In casu, todavia, o pagamento efetuado ao agravado
decorreu de puro erro administrativo de cálculo, sobre o
qual se imputa que ele tenha presumido, por ocasião do
recebimento, a legalidade e a definitividade do
pagamento, o que leva à conclusão de que os valores
recebidos foram de boa-fé.
 6. Agravo Regimental não provido.