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Técnico Superior de Higiene e Segurança no Trabalho

Breve Análise Lei n.º 102-2009, de 10 de


Setembro
2017

Legislação, Regulamentos e Normas de SST


Técnico Superior de Higiene e Segurança no Trabalho

1) Âmbito de aplicação
A Lei n.º 102/2009, de 10 de Setembro, alterada pela Lei n.º 3/2014, de 28 de Janeiro,
de agora em diante denominada LPSST (Lei da Promoção da Segurança e Saúde no Trabalho),
estabelece o Regime Jurídico da Promoção da Segurança e Saúde no Trabalho, incluindo a
prevenção, de acordo com o previsto no Artigo 284.º do Código do Trabalho, aprovado pela Lei
n.º 7/2009, de 12 de Fevereiro.
Na ausência de regimes especiais, a LPSST aplica-se, de acordo com o n.º 1 do Artigo 3.º,
a todos os ramos de atividade, quer seja no sector privado, cooperativo ou social. Abrange os
trabalhadores por conta de outrem e respetivos empregadores, incluindo as pessoas de direito
privado sem fins lucrativos, bem como trabalhadores independentes.
Para efeitos desta Lei, os conceitos de Trabalhador, Trabalhador Independente e
Empregador são definidos nas Alíneas a), b) e c), respetivamente, do Artigo 4.º.
Deste modo, sabemos que o Trabalhador Independente é “a pessoa singular que exerce
uma atividade por conta própria”. Segundo o n.º 2 do Artigo 3.º da LPSST, regime idêntico é
aplicado nos casos de explorações agrícolas familiares, atividades desenvolvidas por artesãos
em instalações próprias e atividades de pesca em que o armador não explore mais do que duas
embarcações, com comprimento inferior a 15 metros.
Por fim, de acordo com o n.º 3 do Artigo 3.º, a LPSST é também aplicável, sempre que
tal seja compatível com a sua especificidade, no âmbito do serviço doméstico e em situações
em que ocorra prestação de trabalho por uma pessoa a outra, sem subordinação jurídica,
quando quem presta trabalho deva considerar-se na dependência económica de quem beneficia
da sua atividade.
De acordo com a Alínea b) do Artigo 1.º da LPSST, o Regime Jurídico da Promoção da
Segurança e Saúde no Trabalho é também aplicável à proteção da trabalhadora gravida,
puérpera ou lactante em caso de atividades suscitáveis de apresentar risco específico de
exposição a agentes, processos ou condições de trabalho. A preocupação com a proteção desta
população é evidenciada no Artigo 62.º do Código do Trabalho, sendo aplicáveis os conceitos
definidos no n.º 1 do Artigo 36º da mesma Lei.
Com efeito, o Capítulo VII da LPSST aprofunda este ponto, definindo as atividades
proibidas ou condicionadas a trabalhadoras grávidas, puérperas ou lactantes.
Na secção I, Artigo 51.º a Artigo 53.º, são identificadas as atividades proibidas à
trabalhadora grávida, em função da natureza do risco (agentes físicos, biológicos ou químicos,
respetivamente), sendo que no Artigo 54.º são identificados os agentes físicos e químicos aos
quais a trabalhadora lactante não poderá estar exposta. O Artigo 55.º proíbe à trabalhadora
grávida ou lactante a realização de trabalhos subterrâneos em minas. O exercício de qualquer

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das atividades proibidas constitui, de acordo com o Artigo 56.º, uma contraordenação muito
grave, que deverá ser imputável ao empregador.
Na secção II, Artigo 57.º, são identificadas as atividades condicionadas à trabalhadora
grávida, em função da verificação de agentes físicos, sendo que nos Artigos 58.º a 60.º são
identificadas as atividades condicionadas a trabalhadoras grávidas, puérperas e lactantes em
função da presença de agentes biológicos ou químicos, assim como na verificação ou possível
ocorrência de processos industriais específicos.
Segundo a Alínea c) do Artigo 1.º da LPSST, o Regime Jurídico da Promoção da Segurança
aplica-se igualmente aos menores em caso de trabalhos que, pela sua natureza ou pelas
condições em que são prestados, sejam prejudiciais ao seu desenvolvimento físico, psíquico e
moral. A preocupação com a proteção desta população é evidenciada no Artigo 72.º do Código
do Trabalho, sendo que as condições de admissão de menores ao trabalho constam no Artigo
68.º da mesma Lei (A redação do n.º 1 e do n.º 3 do Artigo 68.º foi dada pela Lei n.º 47/2012, de
29 de Agosto).
Este ponto é aprofundado no Capítulo VIII da LPSST, onde são definidas as atividades
proibidas ou condicionadas a menor.
Na secção I, Artigo 61.º a Artigo 64.º, são identificadas as atividades proibidas a menor
em função da natureza da atividade ou do risco (agentes físicos, biológicos ou
químicos/substâncias perigosas, respetivamente), sendo que nos Artigos 65.º e 66.º são
identificados os processos e condições de trabalho, respetivamente, em que um menor não
poderá desenvolver a sua atividade.
Na secção II, Artigo 69.º a Artigo 72.º, são identificadas as atividades que, apesar da
presença de agentes físicos, biológicos ou químicos, bem como pelas condições de trabalho
verificadas, podem ser realizadas por menor com idade igual ou superior a 16 anos. No entanto,
tal só poderá acontecer depois de cumprido o disposto nas alíneas a) e b) do n.º 1 do Artigo 72.º
do Código do Trabalho, bem como o disposto no n.º 2 do Artigo 68.º da LPSST.
2) Obrigações do Empregador
O Empregador deve assegurar ao Trabalhador condições de Segurança e de Saúde em
todos os aspetos do seu trabalho, zelando de forma continuada e permanente pelo exercício da
atividade em condições de Segurança e Saúde para o Trabalhador, de acordo com o n.º 1 e n.º
2 do Artigo 15.º, da LPSST.
O Empregador deve reger-se por 11 Princípios Gerais da Prevenção (A Lei n.º 102/2009,
de 10 de Setembro, contava com 9 Princípios Gerais de Prevenção, porém, após a alteração
introduzida pela Lei n.º 3/2014, de 28 de Janeiro, estes passaram a ser 11).
2.1) No âmbito da Avaliação de Riscos (alíneas a) a f) do n.º1 do Artigo 15.º)

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Evitar Riscos e planificar a prevenção como um sistema coerente que abranja as


condições e a organização de trabalho, evolução técnica, relações sociais e influência dos fatores
ambientais.
Identificar os Riscos previsíveis em todos os aspetos de funcionamento da Empresa,
Estabelecimento ou Serviço, na conceção ou construção de instalações, locais e processos de
trabalho, seleção de Equipamentos, Substâncias e Produtos, tendo como objetivo a sua
eliminação, e não sendo possível, a redução dos seus efeitos.
No conjunto das atividades da Empresa, Estabelecimento ou Serviço, contemplar a
avaliação de riscos, para a Segurança e Saúde do Trabalhador adotando Medidas de Proteção
adequadas.
2.2) No âmbito do Controlo de Riscos (alíneas e) a d) do n.º1 do Artigo 15.º)
A Prevenção inicia-se com o combate ao Risco na origem de modo a eliminar/reduzir a
exposição e aumentar os níveis de proteção.
No local de trabalho deve-se assegurar que as exposições a agentes químicos, físicos ou
biológicos, fatores de riscos psicossociais, não constituem Risco para a Segurança e Saúde do
Trabalhador.
Ter em consideração princípios ergonómicos na conceção dos postos de trabalho,
escolha de equipamentos, métodos de trabalho e produção de modo a reduzir o trabalho
monótono e repetitivo, assim como os riscos psicossociais.
Adaptar-se continuamente a novas técnicas e modelos de organização de trabalho,
substituindo o que é perigoso pelo isento de perigo ou menos perigoso. Deverá também dar
prioridade a medidas de proteção coletiva em detrimento de medidas de proteção individual.
2.3) No âmbito da Comunicação de Riscos (alínea l) do n.º1 do Artigo 15.º)
De acordo com a atividade desenvolvida pelo Trabalhador, elaborar e divulgar
instruções compreensíveis e adequadas à redução ou eliminação de riscos.
A LPSST, para além de atuações nestes 3 âmbitos, imputa ao Empregador mais
obrigações relacionadas com a promoção e otimização das condições de saúde e segurança (n.º
3ª a n.º 12 do Artigo 15.º).
De modo a obter como resultado, níveis eficazes de proteção da Segurança e Saúde do
Trabalhador, sem prejuízo das demais obrigações do empregador, as Medidas de Prevenção
implementadas devem ter por base os resultados das avaliações anteriormente efetuadas.
Devem ser considerados os conhecimentos do Trabalhador e as aptidões em matéria de
Segurança e Saúde no Trabalho, na distribuição de tarefas. O Empregador deve fornecer
informações e formação necessárias ao desempenho da atividade em condições de Segurança
e de Saúde.

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As especificidades relativas aos processos de consulta, formação e informação dos


Trabalhadores são definidas no Capítulo III da LPSST, nos Artigos 18.º, 19.º e 20.º,
respetivamente.
Apenas o Trabalhador com aptidão e formação adequada pode aceder a zona de risco
elevado, sempre pelo tempo mínimo necessário.
Em caso de perigo grave ou iminente, caso não possa ser evitado, o Empregador deve
adotar medidas e dar instruções de modo a que o trabalhador cesse a sua atividade ou se afaste
do local. Este não pode retomar a atividade se o perigo persistir, ressalvando situações
excecionais e com a proteção adequada.
Ao organizar os meios de prevenção, o Empregador deve, para além dos Trabalhadores,
considerar terceiros suscetíveis de serem afetados pelos riscos de realização do trabalho, nas
instalações e no exterior.
Em função dos Riscos a que o Trabalhador estiver potencialmente exposto, o
Empregador deve assegurar a vigilância da sua saúde.
No que diz respeito a Primeiros Socorros, Combate a Incêndios e Evacuação, o
Empregador deve estabelecer medidas a adotar e identificar os Trabalhadores responsáveis pela
sua aplicação, assegurando contactos necessários com entidades externas e competentes para
realizar aquelas operações e as de emergência médica.
Ao aplicar medidas de prevenção o Empregador deve organizar Serviços Internos ou
Externos adequados à Empresa, Estabelecimento ou Serviço. É da sua responsabilidade
mobilizar os meios necessários no domínio das atividades técnicas de prevenção, da
formação/informação, assegurando o equipamento de proteção que seja necessário utilizar.
O Empregador deve atender a prescrições legais ou convencionais de Segurança e Saúde
no Trabalho estabelecidas e aplicáveis na Empresa, Estabelecimento ou Serviço.
É da responsabilidade do Empregador suportar todos os encargos relacionados com a
organização e funcionamento do Serviço de Segurança e Saúde no Trabalho e demais sistemas
de prevenção, testes e todas as ações necessárias no âmbito da promoção da Segurança e Saúde
no Trabalho.
No caso específico do Trabalhador Independente, o n.º 13 do Artigo 15.º, estipula,
salvaguardando as devidas adaptações, que este desempenha o papel de Empregador.
Caso o Empregador não cumpra as obrigações que a Lei lhe confere, estará a incorrer
numa contraordenação muito grave. Tal facto, em situações onde o seu comportamento resulte
numa situação de perigo, não impede que lhe seja imputada responsabilidade civil (n.º 14 e n.º
15 do Artigo 15.º).

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3) Obrigações do Trabalhador
As obrigações do Trabalhador e consequências do não cumprimento das suas
obrigações, constam no Artigo 17.º, da LPSST.
No que diz respeito às obrigações propriamente ditas, estas são definidas no n.º 1 do
artigo 17.º.
O Trabalhador deve cumprir as prescrições de Segurança e Saúde no Trabalho
estabelecidas nas disposições legais, em instrumentos de regulação coletiva de trabalho, e
instruções com essa finalidade determinadas pelo empregador.
Deve zelar pela sua Segurança e Saúde, das pessoas que possam ser afetadas pelas suas
ações ou omissões no trabalho, especialmente se exercer funções de Chefia ou coordenação,
em relação aos serviços sobre o seu enquadramento hierárquico e técnico.
Cabe-lhe também cumprir os procedimentos de trabalho estabelecidos e utilizar
corretamente, de acordo com instruções transmitidas pelo Empregador, máquinas, aparelhos,
instrumentos, substâncias perigosas e outros equipamentos e meios colocados à sua disposição,
nomeadamente equipamentos de proteção coletiva e individual (EPC e EPI).
Na Empresa, Estabelecimento ou Serviço, deve cooperar ativamente na melhoria
contínua do sistema de Segurança e de Saúde no Trabalho através da informação transmitida
pelo Empregador, comparecendo nas consultas e exames determinados pelo médico do
trabalho.
As avarias e deficiências detetadas pelo Trabalhador, suscetíveis de causar perigo grave
e iminente, ou defeitos nos equipamentos de proteção, devem ser comunicadas de imediato ao
superior hierárquico ou, em caso de impossibilidade, ao Trabalhador Designado para o
desempenho de funções específicas no domínio da Segurança e Saúde do local de trabalho.
O Trabalhador em caso de perigo grave e iminente deve adotar medidas e instruções
estabelecidas para a situação, devendo contactar o mais brevemente possível com o superior
hierárquico ou Trabalhadores que desempenhem funções específicas no domínio da Segurança
e Saúde no local de trabalho.
O Trabalhador não pode ser prejudicado pelo facto de se ter afastado do seu posto de
trabalho, ou área perigosa, em caso de perigo grave ou iminente, nem por ter adotado medidas
para a sua Segurança ou de outrem (n.º 2 do artigo 17.º).
As consequências do não cumprimento das obrigações a que está adstrito variam entre:
 Contraordenação muito grave, caso seja violado o disposto na Alínea b) do nº.1
do Artigo 17.º, ou seja, não zelar pela sua Segurança e Saúde, e dos demais
Trabalhadores (n.º 4 do Artigo 17.º);

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 Responsabilidade Disciplinar e Civil, para o Trabalhador que violou


culposamente os deveres referidos anteriormente, ou cuja conduta tiver
contribuído para originar uma situação de perigo (n.º 5 do Artigo 17.º).

De referir que, de acordo com o n.º 3 do Artigo 17.º, as obrigações do Trabalhador em


matéria de Segurança e Saúde no local de trabalho não isentam o Empregador das suas próprias
obrigações, definidas no Artigo 15.º da LPSST, anteriormente analisadas.

4) Modalidades de Serviços de Segurança e Saúde no Trabalho

De acordo com o n.º 1 do Artigo 74.º, a organização do Serviço de Segurança e Saúde no


Trabalho pode adotar três modalidades distintas:

 Serviço Interno;
 Serviço Comum;
 Serviço Externo.

O Empregador pode adotar diferentes modalidades de organização em cada


Estabelecimento, podendo inclusivamente organizar separadamente a atividade de Segurança
e a atividade de saúde (n.º 3 e n.º 4 do Artigo 74.º). De salientar que a utilização do Serviço
Comum ou do Serviço Externo não isenta o Empregador da responsabilidade específica em
matéria de Segurança e Saúde no Trabalho que a Lei lhe atribui (n.º 6 do Artigo 74.º).
Seja qual for a modalidade adotada, os serviços responsáveis pela Segurança e Saúde no
Trabalho devem ter ao seu dispor os meios suficientes para realizar as suas atividades, sendo
que a ausência desses meios constitui uma contraordenação muito grave (n.º 5 e n.º 8 do Artigo
74.º).
Independentemente da modalidade adotada, a Empresa ou Organização, sob pena de
incorrer numa contraordenação muito grave, deverá ter uma estrutura interna que assegure o
cumprimento do estabelecido nos deveres do Empregador (n.º 9 do Artigo 15.º), no que diz
respeito a atividades de emergência e primeiros socorros, evacuação de trabalhadores, combate
a incêndio e, quando se justifique, resgate de Trabalhadores em situação de sinistro (Artigo
75.º).
Em casos específicos de grupos de Trabalhadores, identificados nas alíneas a) a f) do n.º
1 do Artigo 76.º, a promoção e vigilância da saúde podem ser asseguradas através das unidades

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do Serviço Nacional de Saúde, de acordo com Legislação específica aprovada pelo Ministério
responsável pela área da Saúde.
4.1) Serviço Interno
A instituição de um Serviço Interno de Segurança e Saúde é da responsabilidade do
Empregador, devendo abranger unicamente os Trabalhadores por cuja Segurança e Saúde este
é responsável. Os técnicos que venham a assegurar este serviço estarão sob a autoridade do
Empregador (n.º 1 e n.º 2 do Artigo 78 da LPSST).
O n.º 3 do Artigo 78.º define as condições em que o Empregador deverá constituir um
serviço interno, sendo que a sua violação constitui uma contraordenação muito grave (n.º 5 do
Artigo 78.º):
A. No Estabelecimento que tenha, pelo menos, 400 Trabalhadores;
B. No conjunto de Estabelecimentos distanciados até 50 km daquele que ocupa maior
número de Trabalhadores e que, com este, tenham pelo menos 400 Trabalhadores;
C. No Estabelecimento ou conjunto de Estabelecimentos que desenvolvam Atividade de
Risco Elevado, a que estejam expostos pelo menos 30 Trabalhadores.

Chegados a este ponto torna-se fundamental definir o que são Catividades de Risco
Elevado. Assim sendo, o Artigo 79.º identifica, para efeitos da LPSST, as atividades ou trabalhos
considerados de Risco Elevado.
O serviço prestado por uma Empresa a outras Empresas do grupo, desde que aquela e
estas pertençam a sociedades que se encontrem em relação de domínio de grupo, para efeitos
da LPSST, considera-se serviço interno (n.º 4 do Artigo 78.º).
Mesmo nos casos em que se verifiquem as condições anteriormente mencionadas
(Especificamente condição A. e B.), o Empregador poderá pedir dispensa do Serviço Interno,
podendo então optar por outra modalidade. No entanto, tal só será possível quando se
verifiquem, cumulativamente, os pressupostos estabelecidos no n.º 1 do Artigo 80.º.
A dispensa pode dizer respeito à área da Saúde ou à área da Segurança, sendo em
qualquer caso necessário enviar o requerimento de autorização ao Organismo Competente,
acompanhado por um parecer fundamentado dos Trabalhadores ou dos seus Responsáveis (n.º
2 do Artigo 80.º).
O Organismo Competente dispõe de 45 dias, após a entrada do requerimento de
autorização, para proceder à marcação da data da vistoria, comunicação da mesma ao
requerente e outros organismos interessados e notificação do pagamento da taxa associada (n.º
3 do Artigo 80). A autorização de dispensa deverá ser concedida pelo Organismo Competente

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num prazo máximo de 60 dias a contar a partir da entrada do requerimento de autorização (n.º
5 do Artigo 80).
Esta dispensa, quando aceite, não se prolonga indefinidamente no tempo. Caso alguma
das condições que lhe deram origem deixe de se verificar, ela é revogável. As diferentes
condições de revogação são estabelecidas no n.º 4 do Artigo 80.º, sendo que quando tal
aconteça a empresa ou Estabelecimento deverá adotar serviços internos num prazo de seis
meses (n.º 7 do Artigo 80.º).
Existe a possibilidade do Empregador designar um ou mais Trabalhadores para se
ocuparem de todas ou algumas atividades de Segurança no Trabalho, com o pré-requisito destes
disporem de formação adequada (aplica-se o disposto no n.º 2 do Artigo 77.º), tempo e meios
necessários. Tal poderá suceder no caso de uma Empresa, Estabelecimento ou conjunto de
Estabelecimentos distanciados até 50 km do de maior dimensão que empreguem no máximo
nove Trabalhadores e não desenvolvam atividades definidas pela LPSST como de Risco Elevado.
Se o Empregador possuir formação adequada e permanecer habitualmente no estabelecimento,
ele mesmo poderá desempenhar essa função (n.º 1 do Artigo 81.º).
O exercício de tal atividade está dependente de autorização prévia do Organismo
Competente, sendo que o desempenhar dessa atividade sem autorização constitui uma
contraordenação muito grave (n.º 3, n.º 4 e n.º 11 do Artigo 81.º). O Organismo Competente
dispõe de 45 dias, após entrada do pedido de autorização, para conceder a mesma. Caso não o
faça de forma expressa, a autorização considera-se tacitamente deferida (n.º 10 do Artigo 81.º).
À semelhança da dispensa de Serviço Interno, também esta autorização não se prolonga
indefinidamente no tempo, estando as possíveis causas de revogação estabelecidas no n.º 6 do
Artigo 81.º. Quando tal suceder, o Empregador dispõe de 90 dias para adotar outra modalidade
de serviço (n.º 7 do Artigo 81.º).
De referir que em caso algum os Trabalhadores podem ser prejudicados por
desempenharem as atividades para as quais foram designados (n.º 9 do Artigo 81.º).
4.2) Serviço Comum
A utilização deste tipo de Serviço é frequente em parques industriais, onde se observa
a presença de várias Empresas numa área relativamente reduzida, estando os seus
Estabelecimentos próximos uns dos outros.
Resulta de um acordo entre várias Empresas ou Estabelecimentos pertencentes a
sociedades que não se encontrem em relação de grupo nem sejam abrangidas pelo disposto no
n.º 3 do Artigo 78.º, onde são enunciadas as condições em que, caso dispensa nos termos do
Artigo 80.º, o empregador deva optar por um serviço interno (n.º1 do Artigo 82.º). São
unicamente contemplados os Trabalhadores por cuja Segurança e Saúde aqueles são

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responsáveis. Violar estes princípios constitui, segundo o n.º 5 do Artigo 82.º, uma
contraordenação muito grave aplicável a cada Empresa abrangida pelos Serviços Comuns.
O Serviço Comum instituído não pode prestar Serviços a Empresas que não façam parte
do acordo celebrado (n.º 4 do Artigo 82.º).
O n.º 2 do Artigo 82.º define as condições em que o acordo deve ser celebrado e
comunicado aos Organismos Competentes, enquanto o n.º 3 do mesmo Artigo realça o papel
ativo que os Trabalhadores ou seus Representantes devem ter no processo de instauração do
Serviço Comum. A violação destes números traduz-se numa contraordenação grave (n.º 5 do
Artigo 82.º).
4.3) Serviço Externo
Quando uma entidade, mediante contrato com o Empregador, realiza atividades de
Segurança e Saúde no trabalho, desde que não seja Serviço Comum, tal considera-se Serviço
Externo (n.º 1 do Artigo 83.º). O referido contrato deverá, de acordo com o n.º 4 do Artigo 83.º,
ser celebrado por escrito.
O n.º 2 do Artigo 83.º estabelece os diferentes tipos de Serviços Externos, sendo o
Privado o mais frequentemente utilizado:
 Associativos: prestados por associações com personalidade jurídica sem fins
lucrativos, cujo fim estatutário compreenda a prestação de serviços de SST.
 Cooperativos: prestados por cooperativas cujo objeto compreenda a atividade
de SST;
 Privados: prestados por sociedades cujo objeto social compreenda a atividade
de prestação de serviços de SST, ou por pessoa singular que detenha as
qualificações legalmente exigidas para o exercício da atividade;
 Convencionados: prestados por qualquer entidade da administração pública
central, regional ou local, instituto público ou instituição integrada no Serviço
Nacional de Saúde.
Na Subsecção II, da Secção IV, do Capítulo IX, Artigo 84.º a Artigo 93.º, são definidos os
moldes em que se baseia o processo de autorização de exercer da atividade por parte do Serviço
Externo.
5) Serviço de Segurança no Trabalho
As atividades técnicas de Segurança no Trabalho deverão ser exercidas por Técnicos
Superiores ou Técnicos de Segurança no Trabalho (TSST ou TST), gozando de Autonomia Técnica,
certificados pelo Organismo Competente (ACT) para a Promoção da Segurança e da Saúde no

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Trabalho do Ministério competente para a área laboral, nos termos de Legislação especial (n.º
1 e n.º 2 do Artigo 100.º).
A atividade dos Serviços de Segurança deve ser assegurada regularmente no próprio
Estabelecimento durante o tempo necessário. O Organismo Competente para a Promoção da
Segurança e Saúde no Trabalho do Ministério responsável pela área laboral pode determinar
uma duração mais alargada da atividade dos Serviços de Segurança em Estabelecimento em
que, independentemente do número de Trabalhadores, a natureza ou a gravidade dos Riscos
profissionais, bem como os indicadores de sinistralidade, se justifique uma ação mais eficaz (n.º
1 e n.º 3, Artigo 101.º).
A afetação dos Técnicos Superiores ou Técnicos às atividades de Segurança no Trabalho,
por empresa, é estabelecida nos termos do n.º 2 do Artigo 101.º.
Em Estabelecimento Industrial: até 50 Trabalhadores, um Técnico, e, acima de 50, dois
Técnicos, por cada 1500 Trabalhadores abrangidos ou fração, sendo pelo menos um deles
Técnico Superior;

Nos restantes Estabelecimentos: até 50 Trabalhadores, um Técnico, e, acima de 50


Trabalhadores, dois Técnicos, por cada 3000 Trabalhadores abrangidos ou fração, sendo pelo
menos um deles Técnico Superior.
6) Serviço de Saúde no Trabalho
O Serviço de Saúde no Trabalho deverá ser assegurando por um Médico do Trabalho.
Considera-se Médico do Trabalho o Licenciado em Medicina com Especialidade de Medicina do
Trabalho reconhecida pela Ordem dos Médicos, e ainda, aquele a quem seja reconhecida
idoneidade técnica para o exercício das respetivas funções, nos termos da Lei (n.º 1 e n.º 2 do
Artigo 103.º).
No caso de insuficiência comprovada de Médicos do Trabalho qualificados nos termos
acima referidos, o Organismo Competente pode autorizar outros Licenciados em Medicina a
exercer as respetivas funções, os quais, no prazo de quatro anos a contar da respetiva
autorização, devem apresentar prova da obtenção de Especialidade em Medicina do Trabalho,
sob pena de lhes ser vedada a continuação do exercício das referidas funções (n,º 3 do Artigo
103.º).
O Médico do Trabalho deve prestar atividade durante o número de horas necessário à
realização dos atos médicos, de rotina ou de emergência e outros trabalhos que deva coordenar.
Assim sendo, torna-se fundamental o Médico do Trabalho conhecer os componentes materiais
do trabalho com influência sobre a Saúde dos Trabalhadores, desenvolvendo para este efeito a
atividade no Estabelecimento nos seguintes termos (n.º 1 e n.º 2 do Artigo 105.º):

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 Em Estabelecimento Industrial ou Estabelecimento de outra natureza com Risco


Elevado: pelo menos uma hora por mês por cada grupo de 10 Trabalhadores ou
fração;
 Nos restantes Estabelecimentos, pelo menos uma hora por mês por cada grupo
de 20 Trabalhadores ou fração.

Como limitação, ao Médico do Trabalho é proibido assegurar a vigilância da Saúde de


um número de Trabalhadores a que correspondam mais de 150 horas de atividade por mês.
Em Empresa com mais de 250 Trabalhadores, o Médico do Trabalho deve ser
coadjuvado por um Enfermeiro com experiência adequada, cujas atividades a desenvolver são
objeto de Legislação especial (n.º 1 e n.º 2 do Artigo 104.º).

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