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CFO – Direito Processual Penal Militar

Resumo de DPPM – Atos Probatórios,


Deserção e Insubmissão
Prof. Rogério Silvio

DOS ATOS PROBATÓRIOS NO CPPM

Provar é demonstrar a verdade de uma afirmação ou de um fato. Neste contexto, a finalidade da prova é
formar a convicção do julgador.

Objeto de Prova - são as afirmações ou fatos que devem ser comprovados. Mesmo que o fato não seja
contestado, ele precisa ser comprovado.

Admissibilidade do tipo de prova

Art. 295. É admissível, nos termos deste Código, qualquer espécie de prova, desde que
não atente contra a moral, a saúde ou a segurança individual ou coletiva, ou contra a
hierarquia ou a disciplina militares.

Abstrai-se da redação do art. 295, o Princípio da liberdade de provas, no qual as partes contam com
liberdade para a obtenção, apresentação e produção da prova, mas essa liberdade tem limites, não pode atentar, por
exemplo, contra a hierarquia e a disciplina militares.
Cita-se aqui o caso da reconstituição dos fatos no IPM, no qual o Encarregado poderá procedê-la desde que
desde que esta não contrarie a moralidade ou a ordem pública, nem atente contra a hierarquia ou a disciplina militar
(art. 13, parágrafo único).
Registra-se, também, que o CPPM tem redação diferente tanto da Constituição Federal quanto do CPP
comum, visto que a norma castrense não mencionada textualmente a vedação à prova ilícita, muito embora, esta
prova atente contra a moral. Vide art. 5º, XVI da CF e art. 157 do CPP:

Art. 5º, LVI (CF) – são inadmissíveis, no processo, as provas obtidas por meios ilícitos;

Art. 157 (CPP) - são inadmissíveis, devendo ser desentranhadas do processo, as provas
ilícitas, assim entendidas as obtidas em violação a normas constitucionais ou legais.

Regra da Liberdade de Provas


Em princípio, ressalvando as restrições a seguir, toda e qualquer meio de prova é admitido, por força do
Princípio da Verdade Real.
Provas ilícitas são as obtidas em violação a normas constitucionais ou legais. Em outras palavras: prova
ilícita é a que viola regra de direito material, seja constitucional ou legal, no momento da sua obtenção (confissão
mediante tortura).
Além da prova ilícita estão as provas ilegítimas, que na sua produção há a violação de regra de direito
processual no momento de sua produção em juízo. Exemplo: oitiva de pessoas que não podem depor, como é o caso
do advogado que não pode nada informar sobre o que soube no exercício da sua profissão (art. 355).
A prova ilícita só pode ser utilizada se em favor do réu.

Classificação das Provas

Prova Pessoal - são as provas que emanam das pessoas. Ex.: declarações, perícias, confissões, testemunhos, etc.

Prova Documental - é toda afirmação feita por escrito. Ex.: laudos.

Prova Material - é todo objeto que comprove o crime. Ex.: faca, revólver, etc.

Prova emprestada - só é válida se colhida perante o mesmo réu, pois não desrespeita o princípio do contraditório e
da ampla defesa na sua colheita.

Ônus da prova. Determinação de diligência

Art. 296.O ônus da prova compete a quem alegar o fato, mas o juiz poderá, no curso da
instrução criminal ou antes de proferir sentença, determinar, de ofício, diligências para
dirimir dúvida sobre ponto relevante...

Ônus da Prova - é a responsabilidade de provar. O ônus da prova cabe sempre a quem alega, e não somente
a quem acusa.

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Portanto, o MP tem que provar sua acusação e o réu provar suas alegações de defesa.
Ex: na deserção, cabe ao Promotor provar a ausência do militar e caberá ao militar provar o Estado de
Necessidade, se alegá-lo.
Todavia, a prova para condenar tem que ser cabal/robusta/sólida e a prova para absolver basta gerar dúvida
no julgador (art. 439, e).
Realização de prova determinada de ofício pelo juiz é uma exceção, e deve ser evitada sob pena de violar o
princípio da imparcialidade do juiz, mesmo aquelas previstas para a fase do IPM (art. 26, II).

Fatos que não necessitam de prova:

a) Fatos notórios (a lei da gravidade, o fogo queima)


b) Presunções legais absolutas (o menor de 18 anos é inimputável).
Neste caso, o CPPM prevê a inversão do ônus da prova:
Inverte-se o ônus de provar se a lei presume o fato até prova em contrário (art. 296, § 1º). É o caso do crime de
estupro com presunção de violência (art. 232 c/c 236, I do CPM), em que o reú terá que fundamentar que supôs
que a vítima não era menor de 14 anos.
c) os fatos impossíveis (dizer que o réu foi abduzido por ET no momento do crime)
d) fatos irrelevantes ou impertinentes (o promotor não precisa provar o que o réu-desertor fazia no EUA, basta
provar que ele estava ausente)

Princípio da Comunhão da Prova - a prova produzida por uma parte, pode ser utilizada por qualquer parte.

Princípio da não auto-incriminação


O § 2º, que trata da isenção de prova, desobriga qualquer um a produzir prova que o incrimine ou ao seu
cônjuge, filhos, netos, pais, avós ou irmãos.
O preso tem o direito de permanecer calado, para que não produza prova contra si mesmo. Também não é
obrigado a praticar determinados atos que vá produzir produzir provas contra ele mesmo. Ex.: soprar o bafômetro.

Valoração das Provas

Art. 297. O juiz formará convicção pela livre apreciação do conjunto das provas colhidas
em juízo. Na consideração de cada prova, o juiz deverá confrontá-la com as demais,
verificando se entre elas há compatibilidade e concordância.

1. Sistema da Livre Convicção ou Persuasão Racional. Consiste:


a. o juiz deve apreciar todas as provas;
b. não há hierarquia entre elas;
c. todas as provas são relativas; e
d. o juiz tem que motivar (fundamentar) sua convicção (art. 93, IX da CF).

1) DO INTERROGATÓRIO DO ACUSADO

Art. 302. O acusado será qualificado e interrogado num só ato, no lugar, dia e hora
designados pelo juiz, após o recebimento da denúncia; e, se presente à instrução criminal
ou preso, antes de ouvidas as testemunhas.

É o ato pelo qual o juiz ouve o acusado sobre a imputação que lhe é feita. É meio de prova e meio de
defesa. Se o réu mentir não comete o crime de falso testemunho.

Momento: em regra, é o primeiro a ser ouvido, após o recebimento da denúncia.


Mas, pode ocorrer em qualquer momento no caso do réu (foragido) que se apresentar ou for preso, será
interrogado logo que comparecer perante o juiz (art. 302, parágrafo único).

Obs. 1: diferente do APF, no qual o conduzido é o último a ser ouvido.

Obs. 2: difere, também, do processo penal comum, no qual o interrogatório ocorre após as demais oitivas (art. 400
do CPP). Assis, afirma que esta inversão do CPP comum, não aplica no CPPM, visto que a norma castrense não foi
omissa neste aspecto.
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Obs. 3: a questão da videoconferência (art. 185, § 2º, do CPP). Muito embora, o art. 390, § 5º, prevê que o
interrogatório será na sede da Auditoria, abstrai-se da obra de Assis que cabe na Justiça Militar.

CONDUÇÃO COERCITIVA
O juiz pode mandar conduzir o acusado coercitivamente a juízo (NUCCI, 2013, p. 303).

Características do Interrogatório

1. É ato personalíssimo;
2. É meio de defesa e de prova;
3. É ato judicial (só o juiz que interroga – as perguntas dos juizes militares membros do conselho são feitas por
intermédio do juiz togado) – art. 303;

A questão da intervenção das partes (art. 303). Assis, entende que é cabível, nos termos do art. 188 do CPP.
Portanto, após proceder ao interrogatório, o juiz indagará das partes se restou algum fato para ser esclarecido,
formulando as perguntas correspondentes se o entender pertinente e relevante.

4. É dividido em duas partes (primeiro a pessoa do acusado e segundo sobre o fato – art. 187);
5. Em regra, é um ato oral. Exceção: Mudo (art. 299, b);
6. É um ato individual, ou seja, nenhum co-réu pode ser interrogado na presença do outro (art. 304);
Direito ao Silêncio ou de Ficar Calado
Art. 305. Antes de iniciar o interrogatório, o juiz observará ao acusado que, embora não
esteja obrigado a responder às perguntas que lhe forem formuladas, o seu silêncio
poderá ser interpretado em prejuízo da própria defesa.

O direito ao silêncio está consagrado na própria Constituição Federal (art. 5º, LXIII). O silêncio do réu
não significa confissão, não podendo por isso ser interpretado em prejuízo dele. Está derrogada a última parte do
art. 305.

Nomeação de defensor ou curador (art. 306, § 1º)

1) Se o acusado declarar que não tem defensor, o juiz dar-lhe-á um, para assistir ao interrogatório. (a CF prevê a
assistência jurídica – art. 5º, LXIII);

2) Se menor de vinte e um anos, nomear-lhe-á curador, que poderá ser o próprio defensor
Para NUCCI (2013, p. 308) não se precisa mais nomear o curador ao menor de 21 e maior de 18 anos, face
ao novo Código Civil. Já, ASSIS (2012, p. 431) entende que a norma civil não altera a processual, devendo-se
nomear o curador na situação.

2) DA CONFISSÃO
É a admissão do fato imputado.

O juiz tem que perguntar qual o motivo e circunstância da infração e se outras pessoas concorreram (art.
306, § 2º).

Como cabe a quem alega o ônus da prova (art. 296), se o réu negar no todo ou em parte a acusação, será
convidado a indicar as provas da verdade de suas declarações (art. 306, § 3º).
Validade da confissão (como prova) – art. 307
A CONFISSÃO DEVE:
a) ser feita perante autoridade competente;
b) ser livre, espontânea e expressa;
c) versar sobre o fato principal;
d) ser verossímil;
e) ter compatibilidade e concordância com as demais provas do processo.

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Caracteríticas (além dos requisitos de validade)
1. Ato personalíssimo;
2. É retratável (art. 309);
3. É divisível , ou seja, pode-se confessar um fato e negar outro (art. 309).

Confissão ficta ou presumida: é aquela confissão que se dá quando o réu não contesta os fatos narrados. Não é
válida no processo penal, sendo aplicada somente no processo civil.

Confissão Delatória: ocorre quando o réu confessa, mas incrimina outras pessoas. É também chamada de
Chamamento de Cúmplice.

Confissão fora do interrogatório:


Se ocorrer fora do interrogatório, será tomada por termo nos autos (art. 310).

3) DAS PERÍCIAS E EXAMES

Art. 314. A perícia pode ter por objeto os vestígios materiais deixados pelo crime ou as
pessoas e coisas, que, por sua ligação com o crime, possam servir-lhe de prova.

Perícia - é um exame feito por pessoas com conhecimentos específicos.

Objeto da Perícia - escritos, cadáveres, o corpo de delito, etc.


Como são feitas?
1. Descrição minuciosa do que foi observado (art. 319);
2. Respostas aos quesitos (que não podem ser sugestivos, nem conter implícita a resposta - art. 317); e
3. Sempre que possível, deve ser instituídas com fotografias (art. 324).

Laudo Pericial - é o documento elaborado pelos peritos (art. 319)

Liberdade de apreciação
O juiz não ficará adstrito ao laudo, podendo aceitá-lo ou rejeitá-lo, no todo ou em parte (art. 326).
Lembre-se, o juiz formará sua convicção pela livre apreciação das provas em conjunto, confrontando as
provas e verificando suas compatibilidades e concordância (art. 297).

Quem determina a perícia (art. 315)


A autoridade policial, se na fase de investigação, ou o juiz, se na fase de processo.
As partes podem requerer perícias (art. 315). Se não for o exame de corpo de delitoe o juiz (ou encarregado
do IPM) entender irrelevante, poderá ser negada.

Quesitos - na fase policial é formulado pela autoridade policial, no juízo é formulado pelo juiz e pelas partes. (Art.
176)

Perito - Os peritos serão nomeados de preferência dentre oficiais da ativa, atendida a especialidade. E prestará
compromisso de desempenhar a função com obediência à disciplina judiciária e de responder fielmente aos quesitos
propostos pelo juiz e pelas partes (art. 48).

Número de peritos – sempre, que possível, participarão da perícia dois peritos (art. 318).

Perícia particular - é perfeitamente possível, trata-se de um parecer.

Obs.: A perícia feita no Inquérito Policial não se repete em juízo, pois o contraditório é diferido, ou seja, é
postergado para dentro do processo, porque é um prova de natureza cautelar.

Exame do Corpo de Delito - ECD (art. 328)

Corpo de Delito - é o conjunto de vestígios deixados pelo crime.


O Exame de corpo de delito é a comprovação pericial do corpo de delito.
Regra sobre o Exame de corpo de delito:

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1. quando o crime deixa vestígios é ele imprescindível, sob pena de nulidade (art. 328)
2. pode ser direto ou indireto.
Direto - é feito pelos peritos;
Indireto - quando desaparecem os vestígios, a prova testemunhal pode suprir o exame direto (art. 328, parágrafo
único).

Boletim médico - não vale como laudo, mas é uma prova indireta.

O ECD laudo pode ser feito em qualquer hora e qualquer dia. (art. 329)

4) TESTEMUNHAS

É uma terceira pessoa que depõe sobre um fato.

Valor probatório: é relativo.

A prova testemunhal pode ser:


1. Direta: ocorre quando a testemunha depõe sobre fatos que viu, presenciou, ouviu etc;
2. Indireta: ocorre quando a testemunha depõe sobre fato que ouviu dizer;
A testemunha pode ser:
1. Própria: ocorre quando a testemunha depõe sobre fatos objetos da investigação;
2. Imprópria: é a que depõe sobre fato ou ato fora do objeto em investigação (ex: depõe sobre o comportamento
do autor);
3. Instrumentária: ocorre quando a testemunha depõe sobre a regularidade de um fato (presenciou a prisão em
flagrante);
4. Numerária: é a testemunha que presta compromisso. Entra no número legal possível;
5. Informante: é a testemunha que não presta compromisso;
6. Referida: é a testemunha que foi mencionada por outra testemunha. São ouvidas como testemunhas do juízo
(art. 356, § 2º);
7. Suplementares: são as testemunhas ouvidas a critério do juiz, além das indicadas pelas partes (art. 356);
8. Não computadas: é a testemunha que nada souber de interesse à decisão da causa (art. 356, § 2º).
Características:

1. Judicialidade: quem ouve a testemunha é o juiz;


2. As partes tem direito a perguntas (contestações) após a inquirição do juiz (art. 352, § 4º);
3. Objetividade: a testemunha não pode fazer valoração pessoal (art. 357);
4. Oralidade: em regra, o depoimento testemunhal é oral. Exceções: Mudo, Presidente da República pode depor
por escrito, etc.
5. Retrospectividade: a testemunha só depõe sobre fatos passados;
6. Individualidade: cada testemunha é ouvida separadamente das demais (art. 353).
Podem ser testemunhas (art. 351): qualquer pessoa, inclusive o menor, silvícolas, policiais, juizes, promotores,
etc.
Advogado que presenciou o crime é testemunha, não podendo ser contratado como advogado no processo.

Deveres da Testemunha

1. Dever de depor. Exceções:


a. Art. 355: quem tem o dever de guardar segredo não pode depor. Ex.: Advogado, padre, etc.
b. Art. 354: parentes do réu, salvo se não houverem outras testemunhas.

2. Dever de prestar compromisso e dizer a verdade. Se a testemunha mentir estará cometendo o crime de falso
testemunho. Em regra, a testemunha sempre presta compromisso. Exceções:
a) art. 354 - parentes do réu;
b) art. 352, § 2º - menor de 14 anos, débio mental, etc.

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3. Dever de comparecimento
Exceções:
a) art. 350, b - pessoa enferma, ou muito idosa - o juiz vai ouvi-la onde ela estiver.
b) Art. 350, a - Presidente da República, Vice-Presidente da República, Governador de Estado, etc. - estas
autoridades marcam a hora, local e dia para serem ouvidas.
c) Art. 360 e 361 - testemunha que mora fora da comarca. É ouvida através de Carta Precatória. Caso esteja no
estrangeiro, é ouvida através de Carta Rogatória. Quando o Tribunal designar a oitiva de testemunha, é
através de uma Carta de Ordem.
O comparecimento é obrigatório (art. 347)
Quando uma testemunha regularmente intimada não comparece, sem motivo justo, o juiz pode:
a) conduzir coercitivamente;
b) aplicar multa;
c) havendo recusa em ser conduzida, pode ser imposta prisão de até 15 dias;
d) processo por crime de desobediência.
Incidentes Possíveis

1. Contradita a arguição de parcialidade (352, § 3º);


2. Retirada do réu da sala em caso de influenciar no ânimo da à testemunha (causar medo/constrangimento) – fica
o defensor (art. 358).

5) DA ACAREAÇÃO
Trata-se de um meio de prova que visa esclarecer fatos ou circunstâncias divergentes, contraditórios e
relevantes à apuração (art. 365);
É feita entre acusados, entre testemunhas, entre acusado e testemunha, entre o acusado ou testemunha e a pessoa
ofendida, entre as pessoas ofendidas (art. 365).

6) DO RECONHECIMENTO DE PESSOAS E COISAS

O reconhecimento de pessoa e coisa é meio de prova eminentemente formal, pelo qual alguém é chamado
para verificar e confirmar a identidade de uma pessoa que lhe é apresentada, com outra que tenha visto
anteriormente.
O reconhecimento de coisas é feito em armas, instrumentos e objetos do crime, ou em quaisquer outros
que, por alguma razão, relacionem-se com o delito ou fato investigado, procedendo-se às mesmas cautelas do
reconhecimento de pessoa, no que for aplicável.

Procedimento (art. 368)


1) descrição prévia da pessoa ou coisa;
2) colocação ao lado de pessoas ou coisas com características assemelhadas;
3) se houver receio de intimidação ao reconhecedor deve-se providenciar para que a pessoa que fará o
reconhecimento seja vista pela que vai ser reconhecida (somente em caso de IPM – art. 368, § 1º)

Se forem vários reconhecedores, cada um fará o seu reconhecimento sozinho e não podem manter contato
prévio. Se for mais de uma pessoa a ser reconhecida, será um ato para cada pessoa (art. 370).

7) DOS DOCUMENTOS

Podem ser públicos e particulares (art. 370) e são os:


1) escritos: laudo pericial, carta contendo ameaças, e-mail etc
2) instrumentos: promissória, certidões etc
3) papéis: onde são gravadas imagens (fotografias e desenhos).

Presunção de veracidade do documento público (art. 371)


O documento público tem presunção de veracidade. O funcionário que o confecciona pode até responder
por falsidade ideológica se consta informações falsas ou deixar de constar informação relevante.

Os documentos podem ser originais ou cópias, sendo que se forem cópias deverão obrigatoriamente
estarem autenticados (art. 373, c). ASSIS (2012, p. 493) sustenta que as cópias não autenticadas poderão ser aceitas
se não forem contestadas.
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Em princípio todo e qualquer documento pode ser juntado ao processo. Exceções:
a) Carta interceptada criminosamente (art. 375);
b) Provas ilícitas;
c) Provas ilegítimas;
d) Etc.

Requisição Judicial - o juiz pode requisitar documentos de ofício (art. 378, § 1º).

7) DOS INDÍCIOS

Indícios - é a circunstância ou fato conhecido e provado, de que se induz a existência de outra circunstância ou
fato, de que não se tem prova (art. 382).

É uma prova indireta que tem previsão no processo penal.


É uma circunstância conhecida e provada, que por sua relação com o fato que se apura, autoriza a concluir
sobre este fato.
Ex: o réu foi encontrado em local próximo do fato criminoso, com uma faca ensanguentada e objetos da
vítima caída ao solo, esfaqueada

Requisitos
Art. 383.Para que o indício constitua prova, é necessário:
a) que a circunstância ou fato indicante tenha relação de causalidade, próxima ou remota, com a circunstância ou o
fato indicado (COMPATIBILIDADE COM O FATO);

b) que a circunstância ou fato coincida com a prova resultante de outro ou outros indícios, ou com as provas diretas
colhidas no processo. (HARMONIA COM AS DEMAIS PROVAS)

PROCESSO DE DESERÇÃO E DE INSUBMISSÃO

Termo de Deserção. Formalidades.


Consumado o crime de deserção, o comandante ou autoridade correspondente, ou ainda a autoridade
superior, fará lavrar, sem demora, o respectivo termo, que poderá ser impresso ou datilografado, sendo por ele
assinado e por duas testemunhas, além do militar incumbido da lavratura (art. 451).
O termo de deserção é peça essencial do processo de deserção. A sua falta ou irregularidade importa em
nulidade de todo o processo. Deverá ser lavrado, como se disse acima, sem demora, mas, se não o tiver sido na
ocasião oportuna, deverá sê-lo a qualquer tempo, antes da remessa dos documentos ao Conselho de Justiça.
A contagem dos dias de ausência, ou seja do prazo para a consumação do crime, para efeito da lavratura do
termo de deserção, iniciar-se-á à zero hora do dia seguinte àquele em que for verificada a falta injustificada do
militar (art. 451,§ 1º).
No caso da chamada deserção instantânea (art. 190), que ocorre quando o militar deixa de apresentar-se no
momento da partida do navio ou aeronave de que é tripulante, ou da partida ou deslocamento da unidade ou força
em que serve, a lavratura do termo de deserção ê imediata (art. 451, parágrafo único).

Efeitos do Termo de Deserção.


O termo de deserção tem o caráter de instrução provisória e destina-se a fornecer os elementos necessários
à propositura da ação penal, sujeitando, desde logo, o desertor à prisão (art. 452).

Retardamento do Processo. Liberdade do acusado


O desertor que não for julgado dentro em sessenta dias será posto em liberdade, salvo se deu causa ao
retardamento do processo (art. 453).
O dispositivo visa impedir que o desertor permaneça preso por tempo demasiadamente longo sem
julgamento. O prazo estipulado, sessenta dias, é folgadamente suficiente para a instrução e Julgamento do processo,
a menos que ocorram incidentes legais que possam determinar o seu retardamento (diligências demoradas, perícias,
etc.). Como o serviço judicial pretere a qualquer outro, salvo os casos previstos em lei, (art. 712) o exercício normal
de suas funções militares não impedirá o presidente do Conselho (juiz de direito) de dar regular andamento aos
processos submetidos ao órgão, nem o eximira de responsabilidade em caso de retardamento indevido.
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A liberação do acusado se fará mediante Alvará de Soltura expedido pelo presidente do Conselho. O não
cumprimento da determinação legal constituirá coação ilegal, sanável mediante "habeas-corpus".

Processos de deserção (rito especial)

1) Deserção de Oficial (arts. 454-455)


Transcorrido o prazo para consumar-se o crime de deserção, o comandante, ou autoridade correspondente,
ou ainda a autoridade superior, fará lavrar o termo de deserção circunstanciadamente, inclusive com a qualificação
do desertor, assinando-o com duas testemunhas, fazendo-se nos livros respectivos os devidos assentamentos e
publicando-se em boletim ou documento equivalente, o termo de deserção, acompanhado da parte de ausência.
O encaminhamento da parte de ausência e a comunicação sobre o decurso do prazo legal caberão ao oficial
sob cujas ordens servir o oficial que se ausenta (ex: O Cmt de Cia). Não se procede a inventário.
O oficial desertor será agregado, permanecendo nessa situação ao apresentar-se ou ser capturado, até
decisão transitada em julgado.
Feita a publicação, a autoridade militar remeterá, em seguida, o termo de deserção à Auditoria competente,
juntamente com a parte de ausência, o inventário do material permanente da Fazenda Nacional e as cópias do
boletim ou documento equivalente e dos assentamentos do desertor.
Recebido o termo de deserção e demais peças, o juiz auditor mandará autua-los e dar vista do processo,
por cinco dias ao procurador, podendo este requerer o arquivamento, ou o que for de direito, ou oferecer denúncia,
se nenhuma formalidade tiver sido omitida, ou após o cumprimento das diligências requeridas.
Recebida a denúncia, o juiz auditor determinará seja aguardada a captura ou apresentação voluntária do
desertor.
Somente após a apresentação do desertor ou sua captura, será nomeado o conselho de justiça e iniciada a
instrução processual. Daí em diante o processo seguirá seus trâmites perante Conselho Especial de Justiça e de
acordo com o rito prescrito na lei processual militar.

2) Deserção de praça (arts. 456-457)


Art. 456. Vinte e quatro horas depois de iniciada a contagem dos dias de ausência de uma praça, o
comandante da respectiva subunidade, ou autoridade competente, encaminhará parte de ausência ao
comandante ou chefe da respectiva organização, que mandará inventariar o material permanente da
Fazenda Nacional, deixado ou extraviado pelo ausente, com a assistência de duas testemunhas
idôneas. (grifo nosso)

A Parte de Ausência, consiste em um documento de caráter meramente administrativo que, em si mesma,


não possui nenhum valor processual penal, como tem o Termo de Deserção. Sua finalidade precípua é verificar a
falta comprovada ou injustificada, por, no mínimo, vinte e quatro horas, de militar “que deveria estar, apresentar-se,
ou permanecer na unidade, posto de serviço, ou subunidade em que serve, ou esteja a ela adido”.
Após a confecção da referida parte, bem como sua remessa ao comandante da Organização Militar, há
necessidade de dar-lhe publicidade, em virtude das consequências jurídicas dela advindas. Desta forma, o
procedimento correto é sua publicação em Boletim, “para que se dê efeito à contagem do prazo de graça”.
Ainda no despacho, o Comandante deverá designar um oficial para que seja feito o inventário dos bens do
ausente. Desta determinação, lavrar-se-á o Termo de Inventário, que será inserido nos autos do Termo de Deserção,
caso consume-se o crime de deserção.
Para a lavratura do termo de Inventário, de acordo com o art. 456 do Código do Processo Penal Militar, há
que se fazer presente duas testemunhas instrumentárias, que assistirão a todas as diligências efetuadas pelo militar
designado e as referendarão. Após, deve ser encaminhado como forma de anexo da Parte de Deserção ao
Comandante da Unidade.
A Parte de Deserção é um documento que deve ser confeccionado pelo comandante da subunidade ou
autoridade correspondente, tendo como teor a conduta do militar ausente que passa, a partir deste momento, a
tornar-se suspeito do crime de deserção, e "terá como consequência jurídica tornar especifico o dia inicial e o final
da contagem do prazo de graça e a consequente caracterização da deserção, para todos os efeitos legais".
Após sua lavratura, oito dias após ser verificada a ausência do militar, a Parte de Deserção é encaminha ao
comandante ou chefe competente, acompanhada, em anexo, o Termo de Inventário, que é formalidade
indispensável à instrução provisória.
Em decorrência desta parte, o comandante dará um despacho, de próprio punho ou auto apartado, que será
juntado ao termo de deserção e publicado em boletim, designando um Oficial, praça especial ou graduada, para que
se lavre o termo de deserção.

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Logo após a lavratura da Parte de Deserção, o comandante da unidade ou ainda autoridade superior, tomará
providência administrativa-processual penal militar, no sentido de formalizar a instrução do processo de deserção,
determinando lavratura do termo em questão, que tem por objetivo fornecer elementos necessários a propositura da
ação penal.
O Termo de Deserção será assinado por duas testemunhas idôneas e pelo comandante do militar.
Recomenda a lei (art. 456, § 3º, CPPM) que estas testemunhas sejam preferencialmente oficiais, mas nada impede
que praças idôneos exerçam tal mister, tendo como cuidado, apenas, que subordinados não venham a referendar
documentos contra superiores hierárquicos (Oficial desertor X Praças testemunhas), o que atingiria gravemente os
dogmas das Corporações Militares.
Nesta esteira, ao se publicar o termo de deserção, o desertor ficará sujeito à prisão, visto que, a partir deste
momento, o militar estará em permanente situação de flagrante.
Com a lavratura do termo de deserção, tem-se como consequência imediata a caracterização da
consumação do crime de deserção.
Como providencia imediata, o desertor será agregado ou excluído. Para efeitos da lei penal castrense, serão
agregados oficiais (art. 454, §1º, CPPM) e praças estáveis (art. 456, §4º, CPPM) e excluídos as praças especiais ou
sem estabilidade.

Da Agregação e da Reversão ao Serviço Ativo das Praças Estáveis


O praça com estabilidade (na PMMG – 03 anos de efetivo serviço), ao ser considerado desertor, será
agregado por ato do Comandante-Geral. Ao ser capturado ou apresentar-se voluntariamente, a praça com
estabilidade será revertido ao serviço ativo e seu Comandante providenciará, com urgência, a remessa à Auditoria,
da cópia do ato de reversão ao serviço ativo.
Reversão, pode-se dizer que é o ato pelo qual o policial-militar agregado retorna ao respectivo Quadro, tão
logo cesse o motivo que determinou sua agregação, voltando a ocupar o lugar que lhe competir na respectiva escala
numérica, na primeira vaga que lhe ocorrer.

Da exclusão e da reinclusão ao Serviço Ativo das Praça Sem Estabilidade


Nos casos em que praça especial ou praça sem estabilidade (menos de 03 anos) forem agentes do delito de
deserção, após a lavratura do termo de deserção, estas deverão ser excluídas do serviço ativo, como reza a lei
processual penal militar, em seu artigo 456, § 4º.
A exclusão, neste caso, não é de natureza administrativa disciplinar, pois se assim fosse, a praça deveria ser
submetida ao devido processo legal, de acordo com o art. 5º, inc. LIV, da CF, trata-se, na verdade, de ato
administrativo-processual penal, visto preceder o processo de deserção, instaurado em razão da ausência da praça
sem estabilidade, nos termos do art. 187 do CPM.
Este ato exclusório, realizado pelo Comandante-Geral ou por autoridade por ele delegada, deverá ser
imediatamente publicado em boletim.
Após, o termo de deserção da praça que se fará processar deve ser encaminhado ao juiz de direito da
Justiça Militar, acompanhado de todos os atos e assentamentos lavrados até o momento.
Caso o desertor se apresente voluntariamente ou seja capturado, determina a lei processual penal militar
que este seja submetido a inspeção de saúde e se considerado apto para o serviço militar, será reincluído.
Caso o exame de saúde diagnostique a incapacidade definitiva da praça sem estabilidade para o serviço
ativo, este será isento de reinclusão e do processo, sendo os autos arquivados após o pronunciamento do Ministério
Público.
Entretanto, sendo considerado apto e sendo efetivada sua reinclusão, o Comandante que fez exarar o ato,
deve encaminhar, com urgência, sob pena de responsabilidade, a remessa à Auditoria de cópia do ato de reinclusão.

Processo de insubmissão (rito especial) – arts. 463-365


Consumado o crime, o Comandante ou autoridade correspondente da unidade para qual fora designado o
insubmisso fará lavrar o termo de insubmissão, com a indicação de nome, filiação, naturalidade e classe à qual
pertencer o insubmisso e a data em que deveria se apresentar. O termo é assinado pelo comandante ou autoridade
correspondente e por duas testemunhas.
O termo de insubmissão é acompanhado por outros documentos:
1) parte de ausência do conscrito;
2) cópia do boletim interno que publicou o termo de insubmissão;
3) ficha de cadastro do serviço militar;
4) cópia autêntica do documento que comprova o conhecimento, pelo conscrito, do local e data de sua
apresentação.

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CFO – Direito Processual Penal Militar
Resumo de DPPM – Atos Probatórios,
Deserção e Insubmissão
Prof. Rogério Silvio
Estes documentos constituem a instrução provisória de insubmissão (IPI), que seria uma espécie de IPM,
pois se destina a fornecer elementos necessários à propositura da ação penal.
O termo de insubmissão dispensa o IPM, e não pode ser dispensado (como o IPM), pois, trata-se de peça
obrigatória nos autos do processo, sob pena de importar em nulidade do processo a ausência ou irregularidade do
termo.
Após, o termo de insubmissão deve ser encaminhado ao Juiz-Auditor da Justiça Militar, acompanhado de
todos os termos lavrados até o momento (art. 463, § 2º).
Após ser autuado o termo, será dado vista ao representante do Ministério Público Militar, pelo prazo de
cinco dias. Em não sendo requerida nenhuma diligência, o processo ficará em cartório até a captura ou apresentação
voluntária do insubmisso (art. 463, § 3º).
O insubmisso que se apresentar voluntariamente ou for capturado terá direito ao quartel por menagem (art.
464), ou seja, ele não ficará recluso em uma cela, mas sua liberdade restringir-se-á ao recinto do quartel.
O insubmisso permanece no recinto do quartel, recebendo instrução militar. A lei estipula um prazo
máximo para a menagem: se o réu não for julgado dentro de 60 dias, a contar de sua captura ou apresentação
voluntária, sem que para isto tenha dado causa, será posto em liberdade (art. 464, § 3º).
Muito embora, o art. 266 autorize a cassação da menagem do insubmisso pela autoridade militar, por
conveniência da disciplina, o dispositivo não é aplicável, pois nos termos do art. 464, com a apresentação ou
captura do insubmisso, este passa à disposição da autoridade judiciária. Por isso, somente o magistrado pode cassar
a menagem, de ofício, mediante representação da autoridade
militar ou a requerimento do Ministério Público Militar.
Também, será submetido a inspeção de saúde e se considerado apto para o serviço militar, será incluído.
Pois, a qualidade de militar é condição de procedibilidade da ação penal. Se o insubmisso não for incorporado à
Força para a qual havia sido designado, não poderá ser oferecida denúncia. O crime subsiste, mas a ação penal não
pode ser proposta porque lhe falta uma condição específica de procedibilidade.
Caso o exame de saúde diagnostique a incapacidade definitiva do insubmisso, este será isento da inclusão e
do processo, sendo os autos arquivados após o pronunciamento do Ministério Público. É o que prevê a Súmula n.
08 do STM:

O desertor sem estabilidade e o insubmisso que, por apresentação voluntária ou em


razão de captura, forem julgado em inspeção de saúde, para fins de reinclusão ou
incorporação, incapazes para o Serviço Militar, podem ser isentos do processo, após o
pronunciamento do representante do Ministério Público.

Entretanto, sendo considerado apto e sendo efetivada sua inclusão, o respectivo Comandante que fez exarar
o ato, deve encaminhar, com urgência, sob pena de responsabilidade, a remessa à Auditoria de cópia do ato de
incorporação.

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