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ano | VIII nº | 1 edição | 63ª janeiro | 2005

PROGRAMA PRIMEIRO EMPREGO IMPRENSA


Confira as notícias
colhidas na IMPRENSA
BRASILEIRA sobre
as atividades
notariais e registrais 6
PONTO DE VISTA
O INSTRUMENTO
PARTICULAR E OS
NEGÓCIOS JURÍDICOS

PRIMEIRO no novo
Código Civil 20
O NCC, o registro civil

EMPREGO de PESSOAS JURÍDICAS e

Gestora do Ministério do
as NORMAS DE
SERVIÇO da CGJ 22
CONSULTAS TÉCNICAS
Trabalho informa como os Confira as perguntas
cartórios podem participar enviadas por

No último dia 18 de janeiro, o presidente da


Anoreg-SP Ary José de Lima recebeu a visita da
ASSOCIADOS
DA ANOREG-SP 26
JURISPRUDÊNCIA
gestora paulista do Primeiro emprego, Marluse Castro DO TJSP
Maciel, que informou como os cartórios podem Acórdãos do CSM e do
2o TAC. Decisões da
participar desse programa subsidiado
pelo Ministério do Trabalho e Emprego. 3 1a Vara de Registros
Públicos 31
é uma publição da Associação
dos Notários e Registradores
do Estado de São Paulo.
Rua Quintino Bocaiúva, 107 – 8º A
CEP 01004-010 São Paulo, SP
Telefones/Fax: (11) 3106-3176
3105-8767
http//www.anoregsp.org.br
anoregsp@anoregsp.org.br

Presidente
Ary José de Lima
• BOLETIM ELETRÔNICO
edições completas e banco de dados Vice-Presidente
Ruy V. P. Rebello Pinho

1o Secretário
• JURISPRUDÊNCIA Reinaldo Velloso dos Santos

CGJSP - TJSP - CSMSP - STF - STJ - TST 2o Secretário


José Antonio Michaluat

1o Tesoureiro
• DIÁRIO OFICIAL Nivaldo Lucato de Souza
edições diárias e anteriores - banco de dados 2o Tesoureiro
Nelson Hidalgo Molero

Diretor de Protestos
• ANOREG-SP JORNAL Cláudio Marçal Freire
edições completas desde o no 1 (1998) Diretor de Registro Civil
Rodrigo Valverde Dinamarco

Diretor de Registro
• NORMAS de Títulos e Documentos
Normas de Serviço da Paulo Roberto de Carvalho Rego

Corregedoria-geral da Justiça Diretor de Registro de Imóveis


Flauzilino Araújo dos Santos

Diretor de Notas
• SERVIÇOS Jorge Augusto Aldair Botelho Ferreira
pasta e fichário Colaborador de
consultas técnicas Registro de Imóveis
Carlos Marcelo de Castro Ramos Mello
endereços de cartórios

• SELOS Editora
Fátima Rodrigo (MTb 12.576)
banco de dados para consulta
Projeto Gráfico
Christiane Pieroni
Editoração Eletrônica
Editorial Press
Fotolito e Impressão
Corprint

Direitos de reprodução
As matérias aqui veiculadas podem
ser reproduzidas mediante expressa
autorização dos editores, com a
indicação da fonte.
PROGRAMA PRIMEIRO EMPREGO

Marluse Castro Maciel e Ary José de Lima

Gestora do Ministério do Trabalho


informa como os cartórios
podem participar do programa
PRIMEIRO EMPREGO
No último dia 18 de janeiro, o presidente da Anoreg-SP Ary José de Lima
recebeu a visita da gestora paulista do Primeiro emprego,
Marluse Castro Maciel, que informou como os cartórios podem participar
desse programa subsidiado pelo Ministério do Trabalho e Emprego.
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PROGRAMA PRIMEIRO EMPREGO

Durante o VI Congresso Brasileiro de Direito Notarial e de


Registro, realizado entre os dias 16 e 19 de novembro de 2004,
pela Anoreg-BR, a entidade assinou vários protocolos de inten-
ções com os ministérios da República, para colaboração com os
projetos sociais do governo.
Com o ministro do Trabalho Ricardo Berzoini, a Anoreg-BR
celebrou protocolo para a participação dos cartórios no projeto
Primeiro Emprego, com a interveniência das Anoregs estaduais.

Objetivo do Primeiro emprego cartórios da capital, por exemplo, poderão requisi-


tar o funcionário de acordo com a região.
O objetivo do programa Primeiro emprego é O interessado em se cadastrar no programa
atender uma faixa da população jovem do Bra- Primeiro emprego precisará do RG e da carteira
sil, de 16 a 24 anos, que esteja cursando até o profissional. A própria Delegacia Regional do Tra-
ensino médio. O jovem deve pertencer a uma fa- balho, DRT, emite a carteira e realiza o cadastro
mília de baixa renda e nunca ter trabalhado com na mesma oportunidade.
registro em carteira. O endereço da DRT em São Paulo é rua Martins
Segundo Marluse Maciel, o programa Primeiro Fontes, 109.
emprego ainda não está disponível em todo Es-
tado, mas em algumas cidades do interior, capi-
tal e Grande São Paulo. No entanto, o Ministério Como contratar jovens pelo
do Trabalho e Emprego já está celebrando parce-
rias com as prefeituras e subdelegacias do inte- programa Primeiro emprego
rior do estado, habilitando-as para o procedi- na capital
mento do cadastro desses jovens. As prefeituras Marluse Maciel esclarece que o número de
podem procurar o Ministério do Trabalho e pro- contratações pelo Primeiro emprego depende do
ceder à habilitação. número de funcionários que já trabalham no car-
“Portanto, qualquer notário ou registrador tório. Se o cartório possuir até 4 funcionários,
de cidades do interior que queira fazer parte do poderá contratar mais 1 jovem, se contar com 5
programa, poderá contatar a prefeitura munici- a 10 funcionários, 2 jovens poderão ser contra-
pal”, esclarece. tados. Cartórios com mais de 10 funcionários po-
dem contratar, pelo Primeiro emprego, o equiva-
lente a 20% da mão-de-obra do cartório.
Funcionamento do programa A remuneração será o piso da categoria. Se o
no estado de São Paulo jovem for contratado como auxiliar de escritório,
O sistema do programa Primeiro
emprego é administrado on line via “... qualquer notário ou registrador de cidades do interior
Internet. Isso permite uma série de que queira fazer parte do programa, poderá contatar
facilidades para o cadastramento dos
jovens e requisição pelos cartórios. Os a prefeitura municipal.”

4 Edição no 63 • janeiro 2005


PROGRAMA PRIMEIRO EMPREGO

“A importância fundamental do Primeiro emprego é a materiais didáticos da empresa


ou do cartório interessado.
exigência de que o candidato esteja freqüentando a escola “As microempresas, bem
para poder fazer parte do programa. O Ministério do Trabalho como os pequenos cartórios, que
contam com poucos funcionári-
está promovendo a inclusão social desses jovens e os os, preferem a subvenção eco-
nômica porque a quantia ajuda
cartórios estão interessados em fazer a sua parte,
a custear os encargos trabalhis-
participando desse grande e louvável esforço do governo.” tas do contratado”, informou.

receberá o salário equivalente e os benefícios da Cartórios participam


Consolidação das Leis do Trabalho, CLT.
do esforço governamental
pela inclusão social
Subsídio do Ministério do Trabalho O presidente da Anoreg-SP Ary José de Lima
Os notários e registradores que se cadastra- declarou: “A importância fundamental do Pri-
rem no programa Primeiro emprego receberão uma meiro emprego é a exigência de que o candida-
subvenção econômica por emprego gerado, ou to esteja freqüentando a escola para poder fa-
seja, R$ 1,5 mil por jovem contratado. Esse valor zer parte do programa. O Ministério do Traba-
é dividido em seis parcelas de R$ 250, pagas lho está promovendo a inclusão social desses
bimestralmente. jovens e os cartórios estão interessados em fa-
A relação contratual entre o cartório e o jo- zer a sua parte, participando desse grande e
vem poderá ser por tempo determinado ou inde- louvável esforço do governo”.
terminado, mas a duração mínima do contrato é “No estado de São Paulo temos mais de 1500
de 12 meses. cartórios e todos poderão participar do programa
“Se fizer a opção por um contrato por tempo Primeiro emprego, sendo ou não associados da
indeterminado, o cartório receberá a subvenção Anoreg-SP. Acredito que todos vão optar pela con-
referente ao período de um ano, conforme dispo- tratação desses jovens”, completou.
sições legais do programa. De-
pois, terá que contratar o jovem. “As microempresas, bem como os pequenos cartórios,
Se o cartório quiser contratá-lo
por 6 horas de trabalho, a sub- que contam com poucos funcionários, preferem a
venção será proporcional ao ho- subvenção econômica porque a quantia ajuda a custear
rário”, explica Marluse Maciel.
os encargos trabalhistas do contratado.”

Extinção do contrato O presidente da Anoreg-SP apelou, ainda,


para que os cartórios ampliem sua participação
ou substituição do contratado no Primeiro emprego, divulgando o programa
Se o jovem descumprir as disposições legais para empresários com os quais tenham contato
do programa Primeiro emprego, ou simplesmente nas suas cidades.
não se adaptar ao cargo, o cartório poderá extin-
guir o contrato, restituindo as parcelas da sub-
venção econômica. Se preferir, poderá solicitar a
Como participar
substituição do jovem, em 30 dias, sem pleitear Os cartórios interessados em se cadastrar no
novo benefício para o mesmo posto. programa Primeiro emprego poderão obter mais
Marluse Maciel explicou que existe outra mo- informações pelo telefone (11) 3150-8014 ou pelo
dalidade de participação no programa que tem site www.mte.gov.br
interessado mais às grandes empresas. Trata-se do Somente na cidade de São Paulo, o programa
Selo de responsabilidade social, um selo de em- Primeiro emprego atingiu a marca de 30 mil ado-
presa parceira que pode ser usado nos produtos e lescentes cadastrados.

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IMPRENSA

Foto: Gerson Bilezijian


notícias colhidas na
IMPRENSA BRASILEIRA
sobre as atividades
notariais e registrais
Confira estes e outros assuntos: cartórios participam de
campanha para incentivar a vacinação infantil; posse pode ser
de papel passado; serviços de protestos agora via Internet;
crianças sem registro; Quinta do Caju é a primeira favela
brasileira em terras da União a ter os imóveis registrados;
retificação do registro imobiliário.
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IMPRENSA

SÃO PAULO

CARTÓRIO INAUGURA INSTALAÇÕES


PARA DEFICIENTES FÍSICOS
Desde a última segunda-fei- o sistema eletrônico de senhas; há O cartório oferece ainda a
ra, o Cartório de Registro de Imó- acesso de rampa para cadeiras de seus usuários, desde julho do
veis de Itu conta com novas ins- rodas; banheiros especiais e ser- ano passado, um sistema de
talações para deficientes, que viços priorizados para portadores protocolo de títulos e acompa-
incluem atendimento personaliza- de deficiência, idosos e mulheres nhamento dos mesmos on-line.
do para todos os usuários. O Car- grávidas. A reforma não benefi- Para tanto, basta acessar o site
tório oferece ainda a seus usuários cia apenas os portadores de defi- www.reg-itu.com.br. O Oficial de
um sistema de protocolo de títulos ciência. A recepção foi planejada Registro de Imóveis é responsá-
e acompanhamento dos mesmos para garantir o maior conforto de vel também pelo Registro de Tí-
via on-line. todas as pessoas. O usuário retira tulos e Documentos, pelo Regis-
Itu - Desde a última segun- a senha e aguarda sentado a sua tro Civil de Pessoas Jurídicas e
da-feira, o Cartório de Registro de vez para ser atendido. Também Tabelionato de Protesto de Títu-
Imóveis de Itu conta com novas está sendo inovado o sistema de los e Letras. O cartório fica na rua
instalações para deficientes, que atendimento, que passou a ser Marechal Deodoro, 570, e funcio-
incluem atendimento personali- personalizado; o atendente con- na das 10 h às 17 h de segunda
zado para todos os usuários. A versa pessoalmente e tira dúvidas a sexta-feira. (Periscópio Jornal
recepção de títulos funciona com básicas do público. do Povo/SP, 11/12/2004, p.5).

METRO NEWS
SÃO PAULO

CAMPANHA IRÁ CONSCIENTIZAR SOBRE


A IMPORTÂNCIA DA VACINAÇÃO INFANTIL
Conscientizar os pais sobre a importância da prevenção de doenças por meio da
vacinação é o objetivo de uma nova campanha que irá atingir os 802 cartórios do
Estado de São Paulo. A campanha na distribuição de um calendário de vacinação com
informações sobre o Programa Nacional de Imunizações (que contém as vacinas apli-
cadas gratuitamente nos postos de saúde), no momento do registro do bebê. “Mais
de 97% dos recém-nascidos no Estado são registrados nos primeiros 90 dias de vida,
o que faz com que os cartórios sejam postos eficazes para essa conscientização”,
explicou Rodrigo Valverde Dinamarco, diretor da Associação dos Registradores de
Pessoas Naturais de São Paulo (Arpen-SP).
Segundo dados do Programa Nacional de Imunização, em 2003, foram aplicadas
cerca de 140 milhões de doses de vacinas em todo o país. Só no Estado, foram mais
de 26 milhões de doses. O projeto, que é uma iniciativa dos Laboratórios Wyeth em
parceria com a Arpen-SP, prevê ainda a colocação de cartazes nos cartórios para
atingir o público que freqüenta o local por outros motivos, além dos registros de
pessoas. O Programa conta ainda com o apoio da Secretaria Estadual de Saúde, da
Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIM) e do Governo do Estado de São Paulo.
(Metro News/SP, seção Saúde & Você, 19/1/2005, p.12).

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IMPRENSA

SÃO PAULO

CARTÓRIOS INTEGRAM CAMPANHA


DO ESTADO PARA ESTIMULAR VACINAÇÃO
Alécia Pontes São Paulo, através da Secretaria de Saúde, com a
Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIM). “Na
cidade são beneficiadas mais de 300 crianças por
A Secretaria de Estado da Saúde, em parceria mês”, reitera.
com a rede de cartórios do registro civil do Esta- Em 2003, foram aplicadas cerca de 140 mi-
do de São Paulo, iniciou uma campanha de cons- lhões de doses de vacinas em todo o País. Só no
cientização sobre a prevenção de doenças por Estado de São Paulo, foram mais de 26 milhões.
meio da vacinação. Na cidade, de acordo com dados do Serviço Es-
A campanha pode beneficiar meio milhão de pecial de Saúde (Sesa), em 2003 foram imunizadas
crianças no Estado. Em Araraquara este número 4.759 crianças no primeiro mês de vida, com cerca
deve ser superior a 4 mil crianças. A campanha se de 99,2% de cobertura. Já no ano passado, foram
estende durante todo este ano. imunizados 4.862 recém-nascidos, o que corresponde
Todos os cartórios de registro civil estão a 99,5% do total de nascimentos no ano. Com essa
distribuindo, no momento em que os pais vão conscientização, os organizadores esperam reduzir
fazer o registro de seus filhos recém-nascidos, o número de doenças graves, que muitas vezes dei-
um calendário detalhado de vacinas que devem xam seqüelas para o resto da vida, como, por exem-
ser aplicadas, principalmente, nos primeiros 90 plo, a paralisia infantil, que pode ser evitada com a
dias de vida, além das recomendadas pela Socie- vacina Sabin.
dade Brasileira de Pediatria Salvador explica que seguir o calendário re-
De acordo com o oficial delegado do Registro comendado pela Secretaria de Saúde e as orien-
Civil de Araraquara, Sinval de Oliveira Salvador, a tações sobre as datas e cuidados a serem toma-
distribuição dos calendários teve início em novem- dos com as vacinas prescritas pelo médico, é fun-
bro do ano passado, por meio de uma parceria damental para o crescimento saudável dos filhos.
firmada entre a Associação dos Registradores de “Essa é uma garantia de proteção para que as
Pessoas Naturais do Estado de São Paulo (Arpen- crianças cresçam fortes”, finaliza. (Tribuna Im-
SP), laboratórios Wyeth e Governo do Estado de pressa/SP, seção Cidade, 18/1/2005, p.2).

SETE DIAS COM VOCÊ


SÃO PAULO

BEBÊ SAUDÁVEL
Os Laboratórios Wyeth estão trabalhando na Campanha de Conscientização sobre a
Prevenção de Doenças através da vacinação. Ela atingirá os 802 cartórios do Estado de São
Paulo e deverá beneficiar mais de meio milhão de crianças por ano. No momento do registro,
os pais vão receber um calendário de vacinação com informações sobre o Programa Nacional
de Imunizações (que contém as vacinas aplicadas gratuitamente nos Postos de Saúde) e
também as demais vacinas recomendadas pela Sociedade Brasileira de Pediatria. “Hoje nós
temos vacinas que previnem, por exemplo, a meningite pneumocócica, que pode ser aplica-
da em crianças com dois meses de idade”, explica Vicente Amato, vice-presidente da Socie-
dade Brasileira de Imunizações (SBIM). Informe-se mais sobre o assunto no SAC Wyeth
0800 160625. (Revista Sete Dias com Você/SP, seção Boas & Novas, 9/1/2005, p.20).

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IMPRENSA

POSSE PODE SER DE PAPEL PASSADO


Vânia Travassos dos moradores da ocupação, que
devem levar a reivindicação às
secretarias de habitação dos mu-
nicípios e, no caso de Belém,
Estima-se que 60% da Re- Na capital, há dois projetos pode ser a direção dos Distritos
gião Metropolitana de Belém em andamento. A prefeitura de Administrativos. A partir daí, o
(RMB) seja coberta por áreas de Belém, através da Companhia de órgão público elabora o proje-
ocupações. São cerca de 200 mil Desenvolvimento da Área Metro- to para ser apresentado ao Mi-
imóveis cujos moradores não têm politana de Belém (Codem), as- nistério das Cidades. A Caixa Eco-
título de posse, muito menos o sinou convênio com o Ministé- nômica Federal financia a urba-
registro de propriedade. Sem os rio das Cidades, via Caixa Eco- nização das ocupações e as pre-
documentos, ninguém é verda- nômica Federal, para regularizar feituras fazem a entrega dos tí-
deiramente dono de seu terreno. 580 imóveis em área piloto no tulos. Com os documentos em
Em novembro passado, o bairro de Fátima. O outro é um mão, o município firma o con-
governo federal, através do Mi- projeto de uma ONG para 188 vênio com a Anoreg, para obter
nistério das Cidades, assinou um famílias da ocupação do Panta- isenção das taxas cartorárias.
protocolo de intenções com a nal e 1.395 famílias do Riacho Para se ter idéia da econo-
Associação dos Notários e Regis- Doce, no Guamá. mia, imóveis avaliados entre R$ 8
e 16 mil teriam um custo de re-
“O governo federal assinou um protocolo de intenções gistro entre R$ 140 e R$ 540 para
obter o registro e a certidão do
com a Anoreg-BR visando à regularização jurídico-fundiária ato de compra e venda e mais R$
de assentamentos informais.” 400 da escritura pública. Luiziel
diz que os cartórios estão abrin-
tradores do Brasil (Anoreg-BR), Adesão - A Codem informou do mão da cobrança pelo caráter
visando à regularização jurídi- que a urbanização na comunida- social do programa. “Embora as fa-
co-fundiária de assentamentos de de Fátima foi concluída e ago- mílias tenham a posse, é bom que
informais. O programa “Papel ra os processos administrativos saibam que quem não registra não
Passado” se propõe a dar título
e registro cartorário às famílias “A adesão ao ‘Papel Passado’ começa com a mobilização
de baixa renda, moradoras de
ocupações urbanas, garantindo dos moradores da ocupação, que devem levar a reivindicação
a posse segura.
às secretarias de habitação dos municípios e, no caso de
Embora a porta esteja aber-
ta para resolver um dos graves Belém, pode ser a direção dos Distritos Administrativos.
problemas do Brasil, no Pará a
A partir daí, o órgão público elabora o projeto para ser
movimentação é pequena. O pre-
sidente da Anoreg-PA, Luiziel apresentado ao Ministério das Cidades.”
Guedes, diz que dos 143 muni-
cípios paraenses só Belém apre- de responsabilidade dos proprie- é dono legalmente”, reforça, fri-
sentou projeto para regularizar tários estão em fase de emissão sando que só serão beneficiados
imóveis. “O programa aconteceu dos títulos. O passo seguinte é com a isenção das taxas os imó-
no final de mandato de alguns um convênio com a Anoreg-PA veis que estiverem participando
prefeitos. Estamos esperando para a parte cartorária. do programa do governo fede-
que os novos prefeitos venham A adesão ao “Papel Passa- ral. (Diário do Pará/PA, seção Ci-
nos procurar”, diz. do” começa com a mobilização dades, 16/1/2005, p.A-9).

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IMPRENSA

SÃO PAULO

CARTÓRIOS LANÇAM CAMPANHA


PARA INCENTIVAR VACINAÇÃO
Os cartórios de Registro Civil do em parceria com a Associação vida, o que faz com que os cartó-
do Estado de São Paulo iniciam dos Registradores de Pessoas rios sejam postos eficazes para a
este mês a Campanha de Cons- Naturais do Estado de São Paulo conscientização dos pais sobre a
cientização sobre a Prevenção de (Arpen-SP), com os Laborató- prevenção de doenças através da
Doenças através da Vacinação na rios Wyeth, responsáveis pelo vacinação”, explica o oficial de
Origem. No momento do regis- fornecimento dos calendários de Registro Civil, Rodrigo Valverde
tro, os pais vão receber um ca- vacinação. Dinamarco, diretor da Arpen.
lendário de vacinação com infor- O projeto prevê ainda a colo- Segundo dados do Programa
mações sobre o Programa Nacio- cação de cartazes nos cartórios Nacional de Imunização, em 2003
nal de Imunizações (que contém para atingir o público que fre- foram aplicadas cerca de 140 mi-
as vacinas aplicadas gratuita- qüenta o local por outros motivos, lhões de doses de vacinas em todo
mente nos Postos de Saúde) e além dos registros de pessoas. o País. Só no Estado de São Pau-
também as demais vacinas reco- “Mais de 97% dos recém-nascidos lo, foram mais de 26 milhões de
mendadas pela Sociedade Brasileira no Estado de São Paulo são regis- doses. (Diário da Região/SP, se-
de Pediatria. O trabalho é realiza- trados nos primeiros 90 dias de ção Cotidiano, 14/1/2005, p.5).

PARANÁ

MINISTRO SUSPENDE RESOLUÇÃO


DO TJ DO RIO SOBRE CARTÓRIOS
Está suspensa a resolução editada pela Cor- tituição federal. Sustentou que a resolução fere a
regedoria-Geral do Tribunal de Justiça do Rio de independência dos titulares dos cartórios no que
Janeiro sobre cartórios. A decisão é do ministro diz respeito ao gerenciamento administrativo e fi-
Eros Grau, do Supremo Tribunal Federal, que de- nanceiro, apodera-se dos dados privativos das ser-
feriu no último dia 17/12 liminar em Ação Direta ventias notariais e de registro privatizadas, além
de Inconstitucionalidade. de usurpar a competência exclusiva de lei para re-
O pedido foi feito pela Associação dos Notários gular as atividades daqueles serviços.
e Registradores do Brasil (Anoreg). O ministro leva- O artigo 236 da Constituição federal disciplina
rá essa decisão para o Plenário do STF referendá-la. que os serviços notariais e de registro são exerci-
Segundo a ação, a resolução obriga os cartó- dos em caráter privado por delegação do poder
rios de Notas e de Registro Civil de Pessoas Natu- público. “O exercício da atividade pública em cará-
rais no Rio de Janeiro a transmitir resumo dos ter privado pressupõe a gestão tanto administrati-
seus atos a um banco de dados da Corregedoria- va quanto financeira, além da gestão funcional da
Geral da Justiça. Autoriza, ainda, a Corregedoria a serventia”, diz a Anoreg.
dar publicidade dos registros públicos oficiais. Eros Grau sustenta que o parágrafo 1o do artigo
O destino desses dados, de acordo com a reso- 236 da Constituição federal dispõe que as atividades
lução, seria a American Bank Note, empresa fornece- notariais devem ser reguladas por meio de lei. “Este
dora dos selos de fiscalização e responsável pela Tribunal inúmeras vezes assentou que o texto consti-
produção do software obrigatoriamente utilizado na tucional, ao utilizar o vocábulo ‘lei’ trata de lei ordi-
transmissão das informações ao banco de dados. nária”, afirmou, ao suspender a resolução. (Jornal do
A Anoreg alegou ofensa ao artigo 236 da Cons- Estado/PR, seção Destaque do Dia, 10/1/2005, p.A7).

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IMPRENSA

CEARÁ

CARTÓRIOS DE REGISTRO CIVIL


INICIAM CAMPANHA INÉDITA
Segundo o médico infectolo-
gista Professor Dr. Vicente Ama-
to, vice-presidente da Sociedade
Mais de 97% dos recém-nascidos são registrados nos Brasileira de Imunizações (SBIM),
primeiros 90 dias de vida. Os pais devem estar atentos, esse tipo de projeto é fundamen-
tal para conscientizar a popula-
pois é neste período que devem ser aplicadas as ção sobre a importância das vaci-
primeiras vacinas para prevenir várias doenças. nas para evitar doenças graves e
que muitas vezes podem deixar
seqüelas pelo resto da vida. “Hoje
nós temos vacinas que previnem,
por exemplo, a meningite pneu-
Em uma iniciativa inédita no registros de pessoas. Segundo mocócica, que pode ser aplicada
País os cartórios de Registro Ci- dados do Programa Nacional de em crianças com dois meses de
vil do Estado de São Paulo vão Imunização, em 2003 foram apli- idade”, explica o médico.
iniciar a implantação de uma cadas cerca de 140 milhões de O pneumococo é responsável
Campanha de Conscientização doses de vacinas em todo o País. por doenças de grande impacto em
sobre a Prevenção de Doenças Só no Estado de São Paulo, foram saúde pública, como pneumonia,
através da Vacinação na Origem. mais de 26 milhões de doses. otite média, sinusite, bacteremia e
A campanha vai atingir todos os Para o Oficial de Registro Ci- meningite. O pneumococo é uma
municípios e distritos do Estado vil Rodrigo Valverde Dinamarco, bactéria responsável por mais de
e deverá beneficiar mais de meio diretor da ARPEN-SP, essa inicia- um milhão de mortes em crianças
milhão de crianças por ano. No tiva mostra que a união de vários com menos de 5 anos anualmente
momento do registro, os pais vão
receber um calendário de vacina- “No momento do registro, os pais vão receber um calendário
ção com informações sobre o
Programa Nacional de Imuniza- de vacinação com informações sobre o Programa Nacional
ções (que contém as vacinas apli- de Imunizações (que contém as vacinas aplicadas
cadas gratuitamente nos Postos
de Saúde) e também as demais gratuitamente nos Postos de Saúde) e também as demais
vacinas recomendadas pela So- vacinas recomendadas pela Sociedade Brasileira de Pediatria.
ciedade Brasileira de Pediatria.
Trata-se de parceria firmada
entre a Associação dos Registra- setores da Sociedade pode bene- no mundo todo; a maior parte das
dores de Pessoas Naturais do Es- ficiar a população. “Mais de 97% mortes ocorre em países em desen-
tado de São Paulo (Arpen-SP), dos recém-nascidos no Estado de volvimento. O uso da vacina con-
com os Laboratórios Wyeth, res- São Paulo são registrados nos pri- tra o pneumococo é a única forma
ponsáveis pelo fornecimento dos meiros 90 dias de vida, o que faz eficaz de prevenção dessas doen-
calendários de vacinação. O pro- com que os cartórios sejam pos- ças. A iniciativa conta ainda com o
jeto prevê ainda a colocação de tos eficazes para a conscientiza- apoio da Secretaria Estadual de
cartazes nos cartórios para atin- ção dos pais sobre a prevenção Saúde, da SBIM e do Governo do
gir o público que freqüenta o lo- de doenças através da vacinação”, Estado de São Paulo. (Jornal da
cal por outros motivos, além dos explica o Oficial. Manhã/SP, 13/1/2005, p.6).

Edição no 63 • janeiro 2005 11


IMPRENSA

CEARÁ

SERVIÇOS DE CARTÓRIOS DE
PROTESTOS AGORA VIA INTERNET
Os serviços dos cartórios o diretor executivo da Cerinfo
de protestos já estão dispo- (Central de Certidões e Informa-
níveis 24 horas, via Internet ções), Iran Ribeiro.
(www.cerinfo.com.br). A facili- Em 28% dos títulos apresen-
dade foi lançada ontem no I tados para protestos, o devedor
Congresso dos Serviços de Pro- paga antes do terceiro dia e em
testos de Títulos e Documentos 12% dos casos, o apresentante
de Dívidas do Estado do Ceará, do cheque sem fundo, por exem-
realizado no Hotel Luzeiros. plo, procura o cartório para reti-
Agora, é possível solicitar cer- rar o pedido. Nesse caso, o cre-
tidões, devoluções de títulos, dor deve pagar as despesas de
retorno de informações dos cartório de protesto e distribui-
bancos, entre outras atividades ção, repassando esses custos para
dos cartórios, por meio de uma o saldo total a ser pago pelo de-
rede de computadores. vedor. Hoje, o valor da distribui-
Outra novidade anunciada ção é de R$ 3,81 quando os do-
“Agora, é possível solicitar no evento foi o “Guia dos Car- cumentos são entregues infor-
certidões, devoluções de tórios de Protesto do Estado matizados, e de R$ 4,11 para os
do Ceará”. Foram impressas 20 que chegam em papel. “Em 40%
títulos, retorno de mil cartilhas que serão distri- dos documentos, os devedores
informações dos bancos, buídas pelas entidades de negociam o pagamento da dívi-
classe, bancos e os próprios da só com a intimação dos cartó-
entre outras atividades dos cartórios para tirar dúvidas do rios, no prazo estipulado de 72
cartórios, por meio de uma consumidor, seja ele pessoa horas”, pondera Iran Ribeiro.
física ou jurídica sobre esse Segundo o presidente do
rede de computadores.” instrumento de cobrança. Instituto de Estudos de Protes-
Pessoas, por exemplo, que to de Títulos do Brasil – seção
recebem cheque sem fundo po- Ceará, Cláudio Aguiar, hoje a
dem levar aos cartórios para pro- Cerinfo só integra as informa-
testar e, se o valor da dívida for ções dos cinco cartórios de pro-
até R$ 426,30, as custas carto- testos de Fortaleza, mas espe-
riais serão dispensadas do apre- ra interligar toda a rede de 286
sentante. O cartório intima o cartórios do Estado do Ceará à
devedor, que terá um prazo de Central ainda este ano. Capitais
três dias para pagar a dívida. como São Paulo, Rio de Janei-
Quando o devedor não é encon- ro e Curitiba também têm ban-
trado, seu nome é publicado cos de dados formados. “Já
nos jornais de grande circulação existe um projeto para criação
da cidade. “Em geral, os deve- de um banco de dados nacio-
dores apresentam-se antes do nal”, pontua Aguiar. (Diário do
prazo e, só aqueles que não pa- Nordeste/CE, seção Negócios,
gam, são protestados”, ressalta 15/1/2005, p.3).

12 Edição no 63 • janeiro 2005


IMPRENSA

CÓDIGO CIVIL E SEU DIA-A-DIA


RELACIONAMENTO EXTRACONJUGAL:
O DIREITO “DA OUTRA” OU “DO OUTRO”
Durante a semana recebi um “e-mail” cuja tra” ou “do outro”. Como não temos como discor-
pessoa perguntava o seguinte: “Descobri que meu rer longamente sobre o tema, vamos centrar ape-
marido mantém um relacionamento com outra nas nas duas questões supra citadas. Primeiro, o
mulher há mais de dois anos. Se eu quiser me se- que ocorre se houver a separação do casal quanto
parar dele os bens que adquiri em comum podem, à partilha dos bens; segundo, o que ocorre com
eventualmente, ser alcançados pela “outra”? E se esses bens se houver falecimento.
ele falecer, ela terá direito a algo?” A questão é de fácil deslinde. Se se provar que
Já não é a primeira vez que recebo uma men- há uma união extraconjugal, enquanto perdura
sagem com essa dúvida o que me faz, hoje, escre- realmente o casamento, “o outro” ou “a outra”,
ver o que penso e o que os tribunais brasileiros, em só terá direito a litigar por qualquer parte do
regra, dizem sobre o assunto. Antes de passar para patrimônio se provar que efetivamente contribui
a análise mais detalhada, devo salientar que as para a sua aquisição, caso contrário, não terá di-
dúvidas não partem apenas de mulheres, mas tam- reito a nenhuma parte. Na realidade, o direito das
bém de homens que descobrem relacionamentos pessoas que vivem nessa situação é regrado pelo
extraconjugais de suas esposas. Aliás, faço ques- direito obrigacional e não propriamente pelo di-
tão de assim o dizer para afastar qualquer posição reito de família. Este, a rigor, não permite forma-
machista, notadamente diante da realidade social ção de família nessas circunstâncias uma vez que,
atual, o que nos induz a falar do direito “da outra” se assim o fizesse, estaria incentivando o sistema
ou “do outro”, em igualdade de condições. poligâmico no Brasil, o que não é possível.
Também ainda antes de passarmos para a aná- Assim sendo, se os membros de um casal que
lise central é preciso se diga, aliás, repetindo o que são formalmente casados ou que vivem em união
já se falou em outras ocasiões, que não se pode estável resolvem se separar e sabem da existência
confundir o relacionamento extraconjugal espúrio, de relacionamento extraconjugal, só perderá o
secreto, com a união estável. Esta é caracterizada patrimônio ou parte dele se “a outra” ou “o outro”
como sendo uma união entre homem e mulher, con- provarem que efetivamente contribuíram para a
figurada na convivência pública, contínua e dura- aquisição de um dado bem e em que proporção isso
doura e estabelecida com o objetivo de constitui- se deu, devendo-se considerar, ainda, o regime de
ção de família e, como tal, regida pelo direito de bens no casamento e na união estável. No caso do
família propriamente. Digo isso porque o Código falecimento, o raciocínio é o mesmo, ou seja, deve
Civil permite que uma pessoa separada de fato ou se aplicar entre o casal - casado formalmente ou
judicialmente possa viver em união estável, o que, unido estavelmente - as regras regulares de suces-
antes do desenvolvimento pleno dessa matéria, são para cada um dos casos e, quanto ao relaciona-
gerava grande discussão. De fato, uma vez que aque- mento extraconjugal, aplica-se a regra geral das
las duas situações não dissolvem o vínculo matri- obrigações, que não permite o enriquecimento sem
monial, afirmava-se que havia, tecnicamente, biga- causa, sendo o bem repartido na proporção da real
mia e chegava-se até a se interpretar como uma ajuda “da outra” ou “do outro” no momento da
relação espúria, o que, a rigor, não o é em face da aquisição, caso esse fato consiga ser provado.
separação de fato (aquele casal que se encontra A matéria requer maior aprofundamento e tem
separado sem que haja nenhuma formalidade) ou várias feições diferentes dependendo do caso con-
judicial (quando o casal requer, apenas, a separa- creto. Mas de uma forma geral, é assim que enten-
ção judicial em face da necessidade de ter de aguar- dem os nossos tribunais e doutrinadores.
dar o preenchimento de alguns requisitos legais). Rodrigo Toscano de Brito
Mas, o que nos interessa é o direito “da ou- rodrigo@mendoncaesalomao.adv.br

Edição no 63 • janeiro 2005 13


IMPRENSA

NIPO-BRASIL
SÃO PAULO

REGISTRO DE IMÓVEL GARANTE DIREITO


À PROPRIEDADE, DIZ PRESIDENTE DA ANOREG
nascimento’ do imóvel, para ter
Documento adquirido em cartório reúne todas as conhecimento do seu atual es-
informações históricas sobre o imóvel tado, saber se realmente aquele
que está vendendo é seu atual
proprietário ou se existe algum
Juliana Tieko Octavini
ônus sobre o imóvel”, explica.
Também é importante ficar
Na hora de adquirir um imó- de mananciais ou em favelas, o atento aos gastos. Ao comprar
vel, é muito importante tomar que dificulta o cadastro. Só na uma propriedade, as pessoas irão
certos cuidados, principalmente região urbana de São Paulo, cal- bancar três documentos: a escri-
quando o assunto se refere a cula-se que cerca de 300 mil pro- tura – que é emitida por tabelião
documentos. Muitos não sabem, priedades não estão regulariza- em cartório de notas –, o ITBI
(Imposto de Transmissão de Bens
“No Brasil, se você não levar essa escritura para o registro e Imóveis) – cobrado sobre a
transmissão de imóveis e sobre
de imóveis competente, você não é reconhecido como a cessão de direitos a eles relati-
titular, proprietário do imóvel.” vos, dá direito à aquisição da
escritura – e o próprio registro
mas todas as pessoas têm o di- das. “É preciso que o poder pú- de imóvel – que também deve ser
reito, ao comprar uma proprie- blico promova a regularização emitido pelo cartório. Os valores
dade, de ter em mãos o registro para possibilitar que essas pes- de todos esses documentos, ad-
de imóveis. Ele nada mais é do soas também tenham o acesso quiridos em cartório, variam de
que uma “certidão de nascimen- ao documento registrado no car- acordo com uma tabela estabe-
to” do imóvel e traz o histórico tório de registro de imóveis.” lecida por lei.
completo da propriedade, como O presidente da Anoreg afir- De acordo com o Ministério
quem foram seus proprietários, ma que o documento “é um com- da Justiça, existem no País 3.180
seus inquilinos, entre outras in- plemento da cidadania”, já que cartórios de registro de imóveis.
formações. “No Brasil, se você
não levar essa escritura para o “Por segurança, é ideal que a pessoa, na aquisição do imóvel,
registro de imóveis competente, adquira antes da compra a ‘certidão de nascimento’ do
você não é reconhecido como ti-
tular, proprietário do imóvel”, imóvel, para ter conhecimento do seu atual estado, saber
garante Ary José de Lima, pre- se realmente aquele que está vendendo é seu atual
sidente da Associação dos Notá-
rios e Registradores do Estado de proprietário ou se existe algum ônus sobre o imóvel”
São Paulo (Anoreg-SP).
Segundo ele, há diversas garante à pessoa um endereço em “Ninguém deve deixar nada sem
propriedades no País que não seu nome. Ary alerta, ainda, para registro. Quem não registra não
estão regularizadas. “Muitas ve- os cuidados a serem adotados é dono”, finaliza Ary.
zes, esses imóveis estão em antes da aquisição do imóvel. “Por Para mais informações, acesse
mãos de posseiros, ou seja, me- segurança, é ideal que a pessoa, www.anoregsp.org.br.
ros ocupantes”, diz. Além disso, na aquisição do imóvel, adquira (Nipo-Brasil/SP, seção Lazer,
muitas se encontram em locais antes da compra a ‘certidão de 22 a 28/12/2004, p.3-D).

14 Edição no 63 • janeiro 2005


IMPRENSA

CRIANÇAS SEM REGISTRO


Falta de dinheiro, de informação, a esperança adolescentes sem documentos, por sua vez, só le-
do reconhecimento da paternidade e a distância galizam a própria situação quando, incentivados
dos cartórios são as principais causas para a não- por políticos, são levados a tirar o título de eleitor.
notificação do nascimento de milhares de crian- Em muitos casos, recebem o custeio do transporte
ças a cada ano, no Brasil. Em 2002, 800 mil bebês até o cartório em troca do voto.
deixaram de ser registrados no prazo legal – até Em 1997, o Programa Comunidade Solidária
90 dias após o nascimento –, o equivalente a um organizou um movimento a favor de mudanças
quarto dos brasileiros nascidos naquele ano. Em na legislação que permitiriam a instalação de car-
2003, outros 145 mil ficaram sem certidão de nas- tórios nas maternidades, para que o registro do
cimento, segundo dados do Instituto Brasileiro recém-nascido fosse imediato. O documento seria
de Geografia e Estatística (IBGE). enviado ao endereço dos pais, posteriormente. Até
Em dez anos, apesar das campanhas e da Lei agora, porém, tudo não passou de sugestão.
9534, conhecida como Lei da Gratuidade que, em Algumas iniciativas surgiram do setor privado,
1997, aboliu as taxas para a retirada da primeira via como o cartório-móvel, criado pela Associação Na-
dos registros de nascimento, o índice de crianças cional dos Registradores de Pessoas Naturais. Há,
não-registradas baixou apenas 2 pontos percentuais. no País, 8,3 mil cartórios em todos os municípios,
Em 1993, era de 23,4%. No ano passado, 21,6% do mas algumas comunidades ainda estão isoladas e
total de nascimentos em 3,6 mil do total de 5.562 o novo serviço apenas começa a atendê-las.
municípios brasileiros não foram notificados. São O estudo “Estatísticas do Registro Civil”, rea-
pessoas que, oficialmente não existem. lizado anualmente pelo IBGE, é instrumento de
O custo, até sete anos atrás, era apontado como grande importância para levantamentos demográ-
a causa principal da não-notificação dos nascimen- ficos, acompanhamento do exercício da cidada-
tos. Na época, uma certidão custava RS 8,60, preço nia e elaboração de políticas públicas. A não-no-
alto para a população de baixa renda, consideran- tificação de nascimentos pode, de fato, prejudi-
do-se que a ele se somavam gastos com transporte car o planejamento e o cálculo para repasse de
e o desconto da falta ao trabalho para muitos. verbas do governo nos programas sociais realiza-
A legislação estabelece a obrigatoriedade da no- dos com base nos índices populacionais.
tificação, em cartório, do nascimento. É condição bá- O Bolsa-Escola, por exemplo é concedido a
sica para que a pessoa possa votar, fazer o alistamen- famílias com filhos entre 0 e 14 anos. Os maiores
to militar, retirar carteira de trabalho e receber qual- de 7 anos devem freqüentar a escola para ter di-
quer tipo de benefício, como os previstos nos progra- reito ao benefício. Em todos os casos, as certi-
mas sociais do governo, aposentadorias e pensões. dões de nascimento de todas as crianças da famí-
O registro de nascimento é essencial para que lia devem ser apresentadas para que o cálculo do
sejam garantidos a cidadania e o acesso às políti- benefício seja feito. Sem certidão, não há atendi-
cas públicas de alcance universal, inclusive as mento, o que pode prejudicar, principalmente, as
dirigidas às crianças e adolescentes. crianças que estão na primeira infância, em que a
O gerente de Estatísticas Vitais e Estimativas boa alimentação é fundamental e, em muitos ca-
Populacionais do IBGE, Antônio Tadeu de Oliveira, sos, é assegurada pelos programas sociais.
lembra que é preciso reduzir o percentual de não- Uma ampla campanha de esclarecimento so-
registrados de 22% para 5%, índice registrado nos bre os direitos do cidadão e a importância dos
países desenvolvidos. No Brasil, os piores resulta- documentos, aliada a maiores facilidades para o
dos estão nos municípios do Norte e Nordeste, onde acesso aos cartórios, deve ser prioridade do go-
a dificuldade de acesso aos cartórios e a falta de verno federal, se a intenção é chegar aos padrões
informação sobre a importância do documento são de notificação dos países desenvolvidos. (O Esta-
grandes. Há pais que só registram os filhos quando do de São Paulo/SP, seção Notas e Informações,
têm de matriculá-los na escola. Muitos adultos e 26/12/2004, p.A-3)

Edição no 63 • janeiro 2005 15


IMPRENSA

SÃO PAULO

MAIS DE 21% DOS NASCIMENTOS


NÃO SÃO REGISTRADOS
O sub-registro de nascimentos (não-registrados 2003, com crescimento de 16,8% no período. En-
com certidão) vem caindo gradativamente no Brasil, tre os Estados pesquisados, a menor contribuição
mas permanece em patamar elevado, segundo pes- de mães dessa faixa etária no total de nascimen-
quisa das estatísticas do Registro Civil divulgada pelo tos, em 2003, estava no Distrito Federal (16,8%) e a
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). maior no Tocantins (28,3%). São Paulo teve a se-
Em 1993 foram documentados 2,4 milhões de nas- gunda menor participação, com 17,4%. O número
cimentos e a estimativa é que 23,4% deixaram de de casamentos em 2003 (748.981) superou a mé-
ser registrados no ano. Em 2003, o sub-registro es- dia observada ao longo dos anos 90, aproxima-
timado foi de 21,6% do total. De acordo com os téc- damente de 740 mil, segundo o IBGE. O instituto
nicos do IBGE, esse comportamento no país é con- destaca que está havendo uma “recuperação” das
seqüência da precariedade de acesso à informação, uniões legais no país, por causa da realização de
aos serviços de Saúde e de Justiça, “enfim, aos direi- casamentos coletivos em vários Estados. Por outro
tos básicos da cidadania”. lado, a pesquisa mostra também que o número de
Adolescentes - As adolescentes continuam au- dissoluções de matrimônios, seja por separação judi-
mentando a fatia de participação no número de nas- cial ou por divórcio, vem crescendo gradativamente
cimentos no país. No Brasil como um todo, de acor- no Brasil. De 1993 para 2003, o volume de separa-
do com as informações do Registro Civil, a contri- ções aumentou 18%, passando de 87.885 para
buição do número de nascimentos das adolescen- 103.452. No mesmo período, o número de divórcios
tes e jovens menores de 20 anos no total de nasci- cresceu 44%, passando de 94.896 para 138.520. (Dia-
mentos passou de 17,3% em 1993 para 20,8% em dema Jornal/SP, seção Geral, 23/12/2004, p.B-5).

SÃO PAULO

REGISTROS
“A respeito do editorial ‘Regis- Paulo, foram feitos, ao longo do dos pais, o que demonstra ser o
tro deficiente’ (Opinião, pág. A2, primeiro semestre de 2004, problema essencialmente cultural.
25/12), esclareço aos leitores que 101.525 registros diretamente O cartório faz o registro gra-
muitas medidas têm sido adotadas na maternidade, o que represen- tuitamente, na própria maternida-
para o combate ao registro tardio. ta mais de um terço dos nasci- de, e, mesmo assim, uma parcela da
Merece destaque o Plano Nacional mentos. Outra medida que tem população demora para registrar
para o Registro Civil de Nascimen- surtido efeito é o Registro Civil seus filhos (assim como não vacina
to, da Secretaria Especial dos Di- Itinerante, mantido pela Arpen. seus filhos, não entrega no prazo
reitos Humanos, disponível na pá- Apesar de todo esse esforço, declaração de isento do IR etc.).”
gina www.sedh.gov.br. percebe-se que muitos pais ainda Alexandre Lacerda Nascimen-
Por outro lado, os registra- registram seus filhos fora de pra- to, assessoria de imprensa da
dores civis têm-se empenhado zo – seja por desinformação, seja Arpen – Associação dos Registra-
na solução desse grave proble- pela desnecessidade imediata da dores de Pessoas Naturais do Es-
ma com a instalação de postos certidão, seja pela resistência pa- tado de São Paulo (São Paulo,
avançados de registro civil nas terna a reconhecer a filiação, seja SP). (Folha de São Paulo, seção
maternidades. No Estado de São pela falta de documentação hábil Opinião, 28/12/2004, p.A-3).

16 Edição no 63 • janeiro 2005


IMPRENSA

SÃO PAULO

QUASE ¼ DAS CRIANÇAS NÃO “EXISTE”


Mais de 745 mil bebês deixaram de ser registrados em
todo o Brasil só no ano passado

Sem certidão em cartório, queda acentuada (...) – chegou a esperança de que o pai reconhe-
mais de 745 mil crianças nasci- 16,5% –, a evasão voltou a subir ça o filho”, explica.
das no Brasil em 2003 – 21/6% nos anos subseqüentes.
do total – são, oficialmente, ine- Desenvolvida com base nas
xistentes, revela pesquisa divul- informações dos cartórios de re- Óbitos
gada ontem pelo Instituto Bra- gistro civil de pessoas naturais e Os dados relativos aos óbi-
sileiro de Geografia e Estatísti- das varas de família, foros ou tos no País também têm acentua-
ca (IBGE). A proporção é menos varas cíveis, a publicação Estatís- da subnotificação. Outra vez, a
de dois pontos porcentuais me- ticas do Registro Civil é anual e baixa cobertura ocorre no Nor-
nor que há mais de uma década constitui instrumento fundamen- te e Nordeste, onde o sub-regis-
– em 1993, era de 23,4%. tal para estudos demográficos, tro estimado em 2003 foi de
Segundo o gerente de Esta- acompanhamento do exercício 35,2% e 31,3% do total de mor-
tísticas Vitais e Estimativas Po- da cidadania e elaboração de tes – quase o dobro da avaliada
pulacionais do IBGE, Antônio políticas públicas. Por isso, a eva- para o país (18,5%). Ressalte-
Tadeu de Oliveira, “uma parcela são na notificação dos nascimen- se que, ao contrário dos nasci-
importante” dos moradores de tos e óbitos, explica o pesquisa- mentos, os dados sobre óbitos
3.600 municípios brasileiros não dor, pode prejudicar, por exem- são, geralmente, irrecuperáveis.
retirou sua certidão no prazo plo, o cálculo para repasse de Em relação aos óbitos de crian-
legal de até 90 dias após o nas- verbas de governo feito com ças com menos de 1 ano, a sub-
cimento, caracterizando o sub- base nos índices populacionais. notificação no País é elevada,
registro. “São pessoas que não 48%, e atinge níveis ainda pio-
estão exercendo a sua cidada- res no Norte (50%) e Nordeste
nia. Precisamos reduzir o por- Dificuldades financeiras
(70%). “Isso terá implicações
centual de 22% para algo como No lançamento da pesquisa, muito grandes no cálculo de in-
o índice de países desenvolvi- o presidente da Associação Nacio- dicadores como o de mortalida-
dos, que é de 5%, afirma. A situa- nal dos Registradores de Pessoas de infantil”, disse Simões. De
ção é mais crítica nas Regiões Naturais, Jaime de Alencar Araripe 1993 a 2003, a proporção so-
Norte e Nordeste. Júnior, observou que, apesar da bre o total de mortes caiu de
Os principais entraves para a gratuidade, há quem deixe de reti- 9,6% para 4,5%. Mas, outra vez
retirada do documento, disse, é a rar o documento ainda por difi- por causa da subnotificação de
dificuldade de acesso aos cartó- culdades financeiras. “Há pessoas mortes, os dados precisam ser
rios e a falta de informação sobre que não têm dinheiro nem para o relativizados no caso do Nordes-
a importância da certidão e sobre transporte coletivo. Por isso, cria- te. “A evasão na região é baixa.
a lei da gratuidade, que desde mos o cartório-móvel.” A defini- Portanto, o dado de que a pro-
1997 aboliu as taxas para a reti- ção da paternidade é outro obs- porção em 2003 foi 5,1% não é
rada da primeira via dos registros táculo. “Como no Brasil existem real”, diz. (AE) (Diário de
de nascimento e de óbito. Embo- muitas relações informais, as mães Sorocaba/SP, seção Brasil, 22/
ra a lei tenha contribuído para vão postergando o registro, na 12/2004, p.A-7).

Edição no 63 • janeiro 2005 17


IMPRENSA

MATO GROSSO

IMÓVEIS REGISTRADOS EM CARTÓRIO


Vitor Abdala Olívio Dutra. “Algumas comuni- enfatiza. “Moramos nessas ter-
dades estão morando nesses es- ras há mais de 100 anos e hoje
paços há mais de 100 anos e já conseguimos realizar o nosso
têm todo o direito, porque já cum- maior sonho”.
Famílias da comunidade ca- priram os estatutos essenciais do Em todo o país, até o final
rente da Quinta do Caju, na zona Estatuto das Cidades, de não mais de 2006, 750 mil famílias devem
portuária da cidade, receberam saírem dali e de terem segurança ser beneficiadas com o Progra-
ontem pela manhã títulos de pos- de permanecer onde estão”. ma Nacional de Apoio à Regula-
se de seus imóveis. Essa é a pri- Segundo o ministro, o pro- rização Fundiária Sustentável,
meira favela brasileira, localizada jeto tem uma grande importân- do Ministério das Cidades, com
em terras da União, que tem os cia social. “Isso cria, para essas títulos de regularização de imó-
imóveis registrados em cartório. famílias, uma situação de tran- veis. “O Ministério das Cidades
Além disso, outras cerca de qüilidade, de auto-estima”, ex- está trabalhando no apoio aos
300 famílias receberam termos plica. “As pessoas regularizam o municípios para a construção de
de permissão e devem obter os que é seu e vão poder ter aces- cidades mais justas e democrá-
registros de propriedade poste- so a financiamentos para melho- ticas”, diz Olívio Dutra.
riormente. Ao todo, 843 famíli- rias mais substanciais”. Até o mês de novembro des-
as da comunidade da Quinta do Para Olívio Dutra é dever do te ano, o Programa, realizado
Caju foram contempladas com os poder público garantir aos cida- em parceria com a Secretaria de
títulos por meio do Programa dãos o direito de uma vida dig- Patrimônio da União do Minis-
Nacional de Apoio à Regulariza- na. A presidente da Associação tério do Planejamento, já havia
ção Fundiária Sustentável. de Moradores da Quinta do Caju, concedido 15,9 mil títulos de
“Temos um percentual mui- Iraydes Pinheiro Henriques, co- regularização fundiária em todo
to grande de imóveis ditos irre- memorou a entrega dos títulos. o Brasil. (A Gazeta/MT, seção
gulares no país”, diz o ministro “Foi uma luta de muitos anos”, Nacional, 20/12/2004, p.4-C).

SÃO PAULO

A RETIFICAÇÃO DO REGISTRO IMOBILIÁRIO


Miguel Ângelo Brandi Júnior* mas do novo Código Civil, este
e outros artigos que se segui-
Estou me propondo a escre- rão terão como destinatários os
ver um pouco sobre a retificação operadores do Direito e os não
do registro imobiliário, especial- operadores. Entre parênteses
mente após a edição da lei fede- estarão indicados dispositivos
ral 10.931, de 2 de agosto últi- legais sobre o assunto tratado.
mo, pela qual operaram-se mo- No direito brasileiro, cada
dificações importantes no tema. imóvel é objeto de um registro
Como fiz com os cinqüenta imobiliário. Desde a edição da atu-
artigos publicados no BJD no al lei de registros públicos (lei fe-
ano de 2003, a respeito de te- deral 6.015, de dezembro de

18 Edição no 63 • janeiro 2005


IMPRENSA

10.267, regulamentada pelo de-


“Antigamente, a descrição desses imóveis se fazia de creto 4.449, de 30 de outubro de
maneira precária, sem segurança alguma e sem os 2002, criou o Cadastro Nacional
de Imóveis Rurais - CNIR, orien-
elementos hoje considerados fundamentais para tado pelo Sistema Geodésico Bra-
sileiro. Esse sistema, em fase em-
identificação precisa e segura de um imóvel.”
brionária de implantação, toma
como referência pontos de locali-
1973, que entrou em vigor ape- priedades rurais. Antigamente, a zação dispostos e controlados por
nas em 1o de janeiro de 1976), descrição desses imóveis se fa- satélite. Parece não haver dúvida
esse registro dá-se por um docu- zia de maneira precária, sem se- de que a segurança na descrição
mento chamado “matrícula” (art. gurança alguma e sem os ele- de um imóvel - especialmente ru-
176). Pela antiga lei (decreto mentos hoje considerados fun- ral, num País de dimensões conti-
4.857, de 9 de novembro de damentais para identificação nentais como o Brasil - é maior,
1939), conhecida como “Regula- precisa e segura de um imóvel. com a utilização dessa nova tec-
mento de Registros Públicos”, o A Lei de Registros Públicos - nologia. Essas novas identifica-
registro da propriedade imobiliá- LRP (art. 212), repetindo o Có- ções georreferenciadas deverão
ria dava-se pela “transcrição”. digo Civil, estabelece a possibi- constar, tanto dos cadastros do
A matrícula deve conter: um lidade da retificação registral Incra (Instituto Nacional de Co-
número de ordem, data de sua imobiliária. Em seu artigo 213 - lonização e Reforma Agrária),
abertura, a identificação do imó- que até o dia 2 de agosto passa- como dos registros imobiliários.
vel, o nome, o domicílio, a nacio- do continha apenas cinco pará- O decreto 4.449 estabeleceu pra-
nalidade, a identidade, o CPF (ou grafos, a LRP estabelece regras zos para que as propriedades ru-
CNPJ se se tratar de empresa), o processuais para essa retificação. rais seja identificadas pelo novo
estado civil e a profissão do pro-
prietário etc. (art. 176, § 1o). “O decreto 4.449 estabeleceu prazos para que as propriedades
O antigo Código Civil, edi-
rurais seja identificadas pelo novo sistema (art. 10), de acordo
tado em 1926, já estabelecia a
possibilidade de retificação do com as dimensões de cada propriedade. Vencidos esses prazos,
registro imobiliário, se o seu
não serão praticados quaisquer atos registrais envolvendo
teor não exprimisse a verdade
(art. 860). Isto é, se houvesse áreas rurais não identificadas por esse novo sistema (§ 2o).”
erro na descrição do imóvel, ou
em outro elemento do registro. Pela lei 10.931, promulga- sistema (art. 10), de acordo com
O tempo foi passando, as técni- da dia 2 e publicada dia 3 de as dimensões de cada proprieda-
cas de descrição dos imóveis agosto passados, operou-se pro- de. Vencidos esses prazos, não se-
foram se aperfeiçoando. Doutro funda mudança na forma de pe- rão praticados quaisquer atos re-
lado, as descrições dos imóveis dir e de se processar a retifica- gistrais envolvendo áreas rurais
encontradas nos registros imo- ção de registro imobiliário. não identificadas por esse novo
biliários mostravam-se e mos- Para se ter uma idéia do al- sistema (§ 2o).
tram-se precárias, sem indica- cance das mudanças, o artigo É a forma que o legislador
ções seguras de localização, de 213 da Lei de Registros Públi- encontrou para “passar a lim-
medidas perimetrais, de área etc. cos passou a ter nada menos que po” os registros imobiliários do
O atual Código Civil con- quinze parágrafos. Tornou-se um país, com especial ênfase aos
templa o direito do interessa- artigo extenso. imóveis rurais.
do reclamar que se retifique ou Antes de analisarmos as al- No segundo artigo, comen-
que se anule o registro imobi- terações operadas na retificação tarei as alterações introduzidas
liário que não exprimir a ver- registral imobiliária, devo dizer pela lei 10.931 na sistemática da
dade (art. 1247). que, em agosto de 2001, pela lei retificação do registro imobiliário.
Nos últimos anos, multipli- 10.267, foram introduzidas gran- *Miguel Ângelo Brandi
caram-se na Justiça os pedidos des alterações no registro públi- Júnior é advogado.
de retificação de registros imo- co imobiliário, especialmente das (Bragança Jornal/SP, seção
biliários, especialmente de pro- propriedades rurais. Essa lei Local, 28/8/2004, p.8).

Edição no 63 • janeiro 2005 19


PONTO DE VISTA

O instrumento particular
e os negócios jurídicos
no novo Código Civil
Carlos Marcelo de Castro Ramos Mello*

Em que pesem opiniões antagônicas – já me Direito, ao menos uma certeza quanto aos negóci-
falaram até de inconstitucionalidade – o artigo os jurídicos que constituam, transfiram, modifiquem
108 do novo Código Civil não trouxe nenhuma ou renunciem direitos reais sobre imóveis, uma vez
novidade à classe de notários e registradores. que, tendo valor inferior a esse, poderão ser instru-
Devido à crescente desvalorização da nossa mentalizados pela forma particular, contrario sensu
moeda, ocasionada por planos e planos econômi- o aludido no artigo 108. No entanto, não significa
cos frustrados e índices inflacionários sufocantes, que não possam valer-se da forma pública, mais
o que enseja desequilíbrio monetário no cotidia- segura, oportunidade em que serão aconselhados,
no do brasileiro, o dispositivo em comento, ape- assessorados e orientados por um profissional do
nas substitui o valor “cinqüenta mil cruzeiros” Direito, o notário, dotado de saber prudencial que,
determinado e invariável, então existente no re- como guardião da eqüidade, materializará em suas
vogado Código Civil (art. 134, II). notas a manifestação de vontade dos contratan-
Na verdade o novo código recepcionou, se as- tes, instrumentalizando na forma da lei o negócio
sim se pode dizer, nada mais nada menos, o que já jurídico por eles convencionado.
dispunha a legislação anterior (art. 134, II) quan- Assim, a forma particular para a constituição,
do, então, preocupou-se o legislador em fixar um transferência ou renúncia de direitos reais deve-
parâmetro variável, mas determinável, para que o rão ser formalizados por escritura pública, com
dispositivo tão-logo em vigor não
ficasse em desuso devido aos per- “... a forma particular para a constituição, transferência ou
calços que os países de Terceiro
Mundo sofrem com a inflação, que
renúncia de direitos reais deverão ser formalizados por escritura
nada mais é do que a desvaloriza- pública, com exceção do direito de superfície (art. 1.369) e do
ção da moeda.
O parâmetro variável e deter-
bem de família (art. 1.711), muito embora este último não tenha
minável, então fixado em trinta natureza jurídica de direito real e não abranja ato de transmissão,
salários mínimos, hoje corres-
pondente a R$ 7,2 mil, traz aos uma vez que o domínio permanece em nome do instituidor,
cidadãos e aos operadores do independentemente de seu valor.”

20 Edição no 63 • janeiro 2005


PONTO DE VISTA

exceção do direito de superfície (art. 1.369) e do lar, desde que revestido de todas as formalidades
bem de família (art. 1.711), muito embora este legais. Essas formalidades, tais como, capacidade das
último não tenha natureza jurídica de direito real partes, representação – se houver, outorga uxória,
e não abranja ato de transmissão, uma vez que o imposto de transmissão de bens imóveis e direitos a
domínio permanece em nome do instituidor, in- eles relativos, ITBI – se incidente sobre o ato, certi-
dependentemente de seu valor. Aliás, tal ressalva dões fiscais referentes aos outorgantes e ao imóvel,
já estava prevista na primeira parte do comenta- expedidas pelo INSS e pela Secretaria da Receita Fe-
do artigo 108. deral – se for o caso; testemunhas, reconhecimen-
Portanto, a compra e venda, doação, servidão, tos de firmas etc., ficarão ao crivo da qualificação
usufruto e sua renúncia, hipoteca e anticrese, por que se obriga o registrador imobiliário, efetuada sem-
exemplo, se tiverem por base um negócio jurídico pre à luz dos princípios que norteiam o registro imo-
cujo valor seja inferior a trinta salários mínimos, biliário (legalidade, continuidade, disponibilidade,
poderão ser instrumentalizados por escrito particu- especialidade, etc.).

Forma pública proporciona mais segurança


No entanto, convencionando as partes em negócio preliminar
– compromisso de compra e venda, proposta, ou outro ajuste qual-
quer – cláusula negocial estipulando como condição sine qua non
para sua validade o instrumento público, este não valerá sem a
forma preestabelecida, ou seja, a escritura pública, forma mais so-
lene e segura para materializar os negócios jurídicos envolvendo
direitos reais, o que, por bem, previu o legislador no artigo 109 do
atual Código Civil.
Ademais, o atual regimento de custas do estado de São Paulo,
lei 11.331/02, em seu item 1.6, da nota 1, da tabela I, do tabelionato
de notas, prevê redução de 40%, respeitado o mínimo previsto no
item 1 da tabela, nas transações cuja instrumentalização admitam a
forma particular. Portanto, ao celebrar um negócio jurídico, envol-
vendo transmissão, constituição, modificação ou renúncia de direi-
tos reais, cujo valor seja inferior a trinta salários mínimos, o tabe-
lião deverá observar tal redução na cobrança dos emolumentos.
Finalmente, almejou o legislador estadual, ratio legis, no to-
cante ao regimento de custas, não obstante sua forma livre, dar às
partes a oportunidade de instrumentalizar seus negócios de forma
mais solene e segura com a escritura pública, elaborada por um
profissional do Direito, o notário, que por atribuição legal zelará
pela prevenção de litígios, assessorando os interessados com im-
parcialidade, eqüidade e segurança, exigíveis nas transações imobi-
liárias, evitando lides e controvérsias, que, geralmente, acabam re-
caindo sobre o Judiciário e imobilizando o tráfico imobiliário.

*Carlos Marcelo de Castro Ramos Mello é coordenador de registro de


imóveis da Anoreg-SP.

Edição no 63 • janeiro 2005 21


PONTO DE VISTA

O novo Código Civil, o registro civil


de pessoas jurídicas e as
normas de ser viço da CGJ

Com o advento da lei 10.406, de 10 de janeiro de


2.002 (NCC), e, principalmente, com a introdução, na
referida legislação, de um novo livro, qual seja, o livro
II, que trata do direito de empresa, novas perspectivas
são abertas para o registro civil de pessoa jurídica.

Graciano Pinheiro de Siqueira*

O NCC possui 2.046 artigos, dos quais 229 são Pois bem. O Código Civil, em seu artigo 966,
dedicados ao aludido direito de empresa. Ele der- adotou a teoria da empresa, não exatamente a
rogou, expressamente, a primeira parte do Códi- teoria da empresa do Código Civil italiano de
go Comercial de 1.850 e revogou o decreto 3.708/ 1.942. Por ela, busca-se tutelar o exercício de uma
1.919, que cuidava da sociedade por quotas de atividade econômica organizada, independente-
responsabilidade limitada, atualmente denomina- mente de sua qualidade civil ou comercial. A teo-
da, simplesmente, sociedade limitada. ria da empresa, portanto, não se preocupa com o
O novo Código é essencialmente registrário, e, gênero da atividade econômica; o que importa
nesse aspecto, prestigiou a atividade do registra- para ela é o desenvolvimento da atividade econô-
dor, eis que, do registro ou da averbação, depen- mica mediante a organização de capital, trabalho
derá a validade e a eficácia de determinados atos. (alheio), tecnologia e matéria-prima (insumos) –
Vide, nesse sentido, v.g., os artigos 45 (e seu pará- organização dos chamados fatores de produção.
grafo único), 967, 968, 985, 998, 1.032, 1.057, Abandonou-se, em outras palavras, o regime da
1.063 (parágrafo 3o), 1.075 (parágrafo 2o), 1.083, comercialidade (teoria dos atos de comércio), pelo
1.084 (parágrafo 3o), 1.086, 1.150, 1.151 e 1.166. da empresarialidade. Ou seja, não é mais o objeto

22 Edição no 63 • janeiro 2005


PONTO DE VISTA

“Em conseqüência da ligação à empresa, toda diferenciação significa reunir os recursos financei-
ros (capital), humanos (mão de
entre sociedade civil e sociedade de comércio desaparece. obra), materiais (insumos) e tecno-
O objeto da sociedade se, não obstante, não perde, lógicos que viabilizem oferecê-los ao
mercado consumidor com preços e
como se viu, todo o relevo, não serve, todavia, para qualidade competitivos.
determinar uma diferença de estrutura.” A estrutura empresarial come-
ça a se configurar a partir do mo-
mento em que os fatores de produ-
social, isoladamente considerado, o fator prepon- ção (um ou alguns) passam a representar um pa-
derante para distinguir as naturezas das socieda- pel mais significativo do que a atuação pessoal
des, agora designadas simples ou empresárias. ou familiar dos sócios.
Como bem adverte o professor Nelson Abrão, O empresário, individual ou coletivo (socieda-
fazendo, inclusive, citação a Ferri, a importância de) é, fundamentalmente, um coordenador dos fa-
que adquiriu o conceito de empresa, a partir do tores de produção. Razão porque o comerciante de
Código Civil italiano, veio enfraquecer o elemen- ontem não é, necessariamente, o empresário de
to objeto na caracterização dos tipos societários, hoje. Ser empresário significa atingir um verdadei-
fazendo-o ceder lugar à forma: “Em conseqüência ro status, segundo o professor Waldírio Bulgarelli.
da ligação à empresa, toda diferenciação entre Entretanto, se a atividade não tiver tal estru-
sociedade civil e sociedade de comércio desapa- turação, estaremos diante de uma sociedade sim-
rece. O objeto da sociedade se, não obstante, não ples, sujeita a registro perante o registro civil das
perde, como se viu, todo o relevo, não serve, to- pessoas jurídicas.
davia, para determinar uma diferença de estrutu-
ra” (Nelson Abrão, Sociedade Simples; novo tipo
societário?, edição 1.975, p.61). E é, justamente,
A palavra chave é organização
na obra Le Società, de Giuseppe Ferri, edição de A palavra chave, portanto, é organização.
1.971, p.40, que encontramos a afirmação de que Além disso, é característica marcante, na socie-
o objeto da sociedade (comercial ou civil) não dade simples, o exercício da atividade diretamen-
serve para determinar uma diferença estrutural. te, pessoalmente, pelos próprios sócios.
Mas essa é que tem importância na escolha do tipo É oportuno ressaltar que a sociedade simples
(empresário ou simples). É a estrutura, pois, que não está restrita meramente ao campo das ativida-
dará, ou não, a forma empresária à sociedade. des ligadas à profissão intelectual, literária ou artís-
É importante frisar que, conforme afirmado tica, conforme mencionado no parágrafo único do
pelo professor Miguel Reale, em matéria publicada artigo 966 do NCC. Ao contrário, estende-se a qual-
no jornal “O Estado de São Paulo”, edição de 15/ quer ramo de atividade, inclusive comercial, desde
2/2003, tanto a sociedade simples, como a socie- que não se enquadre no contexto empresarial.
dade empresária “têm ambas por fim a produção Em suma, a sociedade simples é a sociedade
ou circulação de bens ou serviços, sendo consti- não empresária.
tuídas por pessoas que recipro-
camente se obrigam a contri- “... tanto a sociedade simples, como a sociedade empresária
buir para o exercício de ativi-
dade econômica e a partilha en- ‘têm ambas por fim a produção ou circulação de bens ou
tre si dos resultados”, sendo serviços, sendo constituídas por pessoas que reciprocamente
que, se a atividade econômica
praticada pela sociedade for or- se obrigam a contribuir para o exercício de atividade econômica
ganizada, estruturada, estare- e a partilha entre si dos resultados’, sendo que, se a atividade
mos diante de uma sociedade
empresária, sujeita a registro econômica praticada pela sociedade for organizada, estruturada,
no registro público das empre- estaremos diante de uma sociedade empresária, sujeita a
sas mercantis, a cargo das jun-
tas comerciais. registro no registro público das empresas mercantis,
Estruturar a produção ou cir- a cargo das juntas comerciais.”
culação de bens ou de serviços

Edição no 63 • janeiro 2005 23


PONTO DE VISTA

O que houve, efetivamente, foi uma mudança simples com o profissional autônomo estabeleci-
de conceito. A sociedade civil do passado não é, do (‘firma individual não empresária’). Assim, e
necessariamente, a sociedade simples de hoje, as-por essa razão, e para que não permaneça à mín-
sim como a sociedade comercial de ontem não é, gua de um registro, deverá o profissional autô-
necessariamente, a sociedade empresária da atua- nomo estabelecido inscrever-se no Registro Civil
lidade. Essa mudança de conceito, inclusive, podedas Pessoas Jurídicas. No passado, através de ato
ser claramente observada na doutrina dos profes- publicado no Diário Oficial do Estado do Rio de
sores Fábio Ulhoa Coelho e José Edwaldo Tavares Janeiro (Poder Judiciário, Seção I, Estadual, p. 18)
Borba, em seus livros Manual de Direito Comercial,
de 16/07/99, já havia a Corregedoria Geral da
14.ed., e Direito Societário, 9.ed., respectivamen-
Justiça admitido, constituindo assim precedente,
te, e também em pareceres por eles elaborados, de que as então ‘firmas individuais de natureza
bem como no recente parecer do professor Arnoldo civil’ fossem inscritas nesse registro”.
Wald, por encomenda que lhes fizeram o IRTDPJ- Nesse sentido, também, o pronunciamento do
Brasil , o CDT e os registros civis de pessoas jurídi-
festejado jurista Walter Ceneviva, em matéria
cas de Belo Horizonte e do Rio de Janeiro, não publicada na Revista Autêntica, da Associação dos
podendo passar despercebida pelas egrégias Serventuários de Justiça do Estado de Minas Ge-
corregedorias-gerais de Justiça das unidades da rais, Serjus, edição 1, de setembro de 2003, para
federação, especialmente a do estado de São Pau- quem “Se a sociedade simples é registrável no
lo, que deverá adequar-se à novel legislação, atu-
Registro Civil, é de se admitir que pessoa física, a
alizando as Normas de serviço dos cartórios qual, na qualidade de autônoma, assuma a condi-
extrajudiciais – tomo II, especialmente seu capítulo
ção de empresária, também nela tenha feito seu
XVIII, itens “1.a”, “b” e “f”; 2; e, 4. assentamento, ultrapassando o limite literal do
Como observa o professor Borba, o “Código texto codificado”.
Civil ordenou um sistema de registro fundado em Aproveitada essa idéia, caberia também a
duas organizações preexistentes, o Registro Pú- modificação do disposto no item 21 das Normas
blico de Empresas Mercantis e o Registro Civil de serviço.
das Pessoas Jurídicas, atribuindo, como já antes A propósito, dispõe o citado artigo 1.150 do
mencionado, à primeira a inscrição dos empre- novo codex, que “o empresário e a sociedade em-
sários individuais e das sociedades empresárias, presária vinculam-se ao Registro Público de Em-
e à segunda a inscrição das sociedades simples presas Mercantis a cargo das juntas comerciais, e
(art. 1.150). a sociedade simples ao registro civil das pessoas
O não-empresário individual, que é o profis-jurídicas, o qual deverá obedecer às normas fixadas
sional autônomo, especialmente quando estabe- para aquele registro, se a sociedade simples adotar
lecido, deveria contar também com um órgão de um dos tipos de sociedade empresária”.
registro, tal como o empresário individual. E esse O referido dispositivo traz em seu bojo uma
órgão seria, naturalmente, o Registro Civil das novidade, que não pode ser desprezada, qual seja,
Pessoas Jurídicas. Houve, com efeito, uma omis- deverá o Registro Civil das Pessoas Jurídicas, quan-
são do legislador, a ser suprida pelo intérprete,do a sociedade simples adotar um dos tipos de socie-
através dos processos de integração da norma ju- dade empresária possíveis (sociedade limitada, so-
rídica (art. 4o da Lei de Introdução ao Código Ci-
ciedade em comandita simples e sociedade em nome
vil). Cabe aplicar, no caso, a analogia, com basecoletivo), obedecer às normas fixadas para o Regis-
no paralelismo que identifica a sociedade empre- tro Público de Empresas Mercantis, diferentemente
sária com o empresário individual e a sociedade do que dispunha o artigo 1.364 do Código Civil de
1916, o qual determinava que
“quando as sociedades civis re-
“O que houve, efetivamente, foi uma mudança de conceito. vestirem as formas estabelecidas
nas leis comerciais, entre as quais
A sociedade civil do passado não é, necessariamente, se inclui a das sociedades anôni-
a sociedade simples de hoje, assim como a sociedade mas, obedecerão aos respectivos
preceitos, no que não contrari-
comercial de ontem não é, necessariamente, em os deste Código; mas serão
a sociedade empresária da atualidade.” inscritas no registro civil, e será
civil o seu foro”.

24 Edição no 63 • janeiro 2005


PONTO DE VISTA

e, c) dispensar o reconhecimen-
“... se faz necessário dar o mesmo peso e medida to de firmas apostas nos instru-
ao registro e arquivamento dos atos societários mentos de contrato social e al-
terações contratuais, consoante
empresariais e não empresariais, no tocante ao visto de o disposto nos artigos 36, 37 e
advogado, havendo necessidade de uma uniformização 39 do aludido decreto, respecti-
vamente. Destarte, as citadas Nor-
de entendimentos e procedimentos entre as duas mas de serviço deverão, ainda, ser
vertentes competentes para o registro das sociedades atualizadas em seus itens 1.1 e
respectiva nota; 11; e, 19.
simples no registro civil das pessoas jurídicas e das É certo que quanto à exi-
empresárias na junta comercial.” gência de visto de advogado a
matéria foi tratada no processo
Vale dizer: o registro civil das pessoas jurídicas CG 26.105/02. Todavia, ela merece ser reapreciada
deverá, com o advento da nova legislação civil pá- diante do fato novo, qual seja, a regra contida no
tria, seguir as normas estabelecidas na lei 8.934, aludido artigo 1.150 do NCC, que reforça o enten-
de 18 de novembro de 1.994 e no decreto 1.800, de dimento de que o visto de advogado só se faz
30 de janeiro de 1.996, que a regulamentou, quan- necessário nos atos constitutivos das pessoas ju-
do a sociedade simples adotar um dos tipos de socie- rídicas de direito privado.
dade empresária. Ressalte-se, outrossim, que a op- Reiterando o que aqui já foi dito, o registro
ção pelo tipo empresarial não afasta a natureza sim- civil das pessoas jurídicas deverá, em face daquele
ples da sociedade, conforme Enunciado 57 aprova- dispositivo, seguir as regras contidas na lei 8.934/
do na Jornada de Direito Civil promovida pelo Cen- 94 e no decreto 1.800/96, sendo ambos os diplo-
tro de Estudos Judiciários do Conselho da Justiça mas posteriores, inclusive, à lei 8.906, de 4 de ju-
federal, de 11 a 13/9/2002. lho de 1.994 (Estatuto da Advocacia).
Nesse sentido, ver Modesto Carvalhosa in Co- Assim sendo, se faz necessário dar o mesmo
mentários ao Código Civil, v.13, p.669, Saraiva, peso e medida ao registro e arquivamento dos atos
2.003, para quem “a norma inscrita no art. 1.150 societários empresariais e não empresariais, no
tem eficácia imediata a partir do início da vigên- tocante ao visto de advogado, havendo necessi-
cia do Código de 2002, não sendo necessária qual- dade de uma uniformização de entendimentos e
quer alteração da Lei n. 6.015/73 ou a edição de procedimentos entre as duas vertentes competen-
qualquer ato regulamentador do registro do co- tes para o registro das sociedades simples no re-
mércio para lhe assegurar plena vigência”. gistro civil das pessoas jurídicas e das empresári-
Assim sendo, se uma sociedade simples adotar, as na junta comercial.
por exemplo, a forma de uma sociedade limitada, Tais argumentos são importantes num mo-
deverá o registrador ater-se aos referidos diplomas mento de transição como o que estamos vivendo,
legais. Em o fazendo, poderá: a) exigir o visto de especialmente considerando-se a possibilidade de
advogado apenas nos seus atos constitutivos; b) dei- que os oficiais do registro civil das pessoas jurídi-
xar de exigir a passagem dos contratos sociais e suas cas passem a receber sociedades com objetivos
alterações, previamente, pelos órgãos de fiscaliza- mercantis, tornando mais igual a concorrência com
ção de exercício profissional (conselhos regionais); a junta comercial.

*Graciano Pinheiro de Siqueira é especializado em Direito comercial


pela Faculdade de Direito da USP e Substituto do Quarto Oficial de
Registro de Títulos e Documentos e Civil de Pessoa Jurídica em São
Paulo, SP, e-mail: gpsiqueira@bol.com.br
(Novembro de 2004).

Edição no 63 • janeiro 2005 25


CONSULTAS TÉCNICAS

Consultas técnicas
enviadas por ASSOCIADOS
DA ANOREG-SP
Respostas de Carlos Marcelo de Castro Ramos Mello,
coordenador de Registro de Imóveis da Anoreg-SP.

Doação. Aceitação – beneficiário.


P- Qual o procedimento correto para uma escritura de doação sem
comparecimento do donatário e sem encargos?
R- Quanto à necessidade ou não da aceitação por parte do
beneficiário – donatário – nas doações puras ou simples, devemos
tecer algumas considerações.
Se a doação pura tiver como beneficiário um incapaz ou for em
contemplação de casamento futuro com certa e determinada pes-
soa, dispensa-se a aceitação, ex vi artigos 543 e 546, respectiva-
mente, do vigente Código Civil brasileiro. No segundo caso, a doa-
ção ficará sem efeito somente se o casamento não se realizar.
Quanto à aceitação nos demais casos de doações simples ou
puras, poderá ser expressa, quando o donatário declara por qual-
quer forma sua manifestação volitiva, concordando em aceitar ou
receber a coisa doada, podendo essa manifestação ser verbal, escri-
ta ou até mesmo gestual (Silvio Venosa, Direito Civil, 4ed., Atlas,
p.120); ou então, tácita, quando resulta de comportamento do be-
neficiado incompatível com sua recusa à liberalidade (por exemplo,
recolhimento do imposto de transmissão, assinatura em contrato
de locação na qualidade de locador etc.). A aceitação na doação
pode ser ainda presumida, quando o donatário conhecedor da doa-
ção e do prazo fixado pelo doador silencia a seu respeito, ou seja, o
seu silêncio presume e caracteriza sua aceitação, situação essa pre-
vista no artigo 539 do atual Código Civil.
Quanto ao registro de uma escritura que instrumentaliza uma
doação pura ou simples, sem aceitação do beneficiado, o doador,
nos termos do aludido artigo 539 c/c artigo 218 da lei 6.015/73,

26 Edição no 63 • janeiro 2005


CONSULTAS TÉCNICAS

deverá provar ao registrador, de forma inequívoca, que o donatário


teve conhecimento de todo o conteúdo da doação e do prazo fixa-
do – no seu caso, 30 dias – para aceitação ou não.
A forma inequívoca pela qual o donatário tem ciência da do-
ação poderá ser a notificação ou uma carta do doador ao
donatário, noticiando a doação e o prazo fixado para aceitação. Se
por esta última forma – carta –, o “ciente” do donatário deverá
estar com as firmas reconhecidas (Vide Elvino Silva Filho. Efeitos
da Doação no Registro de Imóveis, Revista do Direito Imobiliário
19/20, 1987, pp.10/11).
Do exposto, ao instrumentalizar uma doação sem encargos,
em que no ato da liberalidade não haja aceitação do(s)
donatário(s), deverá o notário orientar o(s) doador(es) da neces-
sidade de se fixar um prazo para a aceitação do donatário, deven-
do ainda, o doador, responsabilizar-se em dar ciência, de forma
inequívoca, da doação e do prazo fixado para aceitação ao benefi-
ciado, esclarecendo-o, ainda, de que seu silêncio importará na sua
aceitação, devendo esta prova acompanhar a escritura por oca-
sião do ingresso no registro imobiliário (art. 218 da LRP).
A título de ilustração vale a pena conferir a apelação cível
50.067-0/6, Taubaté/SP, publicada no D.O.E. em 10/12/1998.
[www.anoregsp.org.br/asp/Jurisprudencia.asp?id=758].

Emolumentos. Certidão. Unidades autônomas.


P- Cobrança de certidão de diversas unidades de propriedade de uma
empresa, em virtude do registro da conclusão da obra. Várias uni-
dades já foram alienadas a terceiros, mas ainda há imóveis não
alienados. Como deve ser cobrada essa certidão?
R- Se as unidades autônomas que estão em nome da empresa titu-
lar de domínio ainda estiverem na matrícula-mãe, ou seja, no fólio
onde foram feitos a averbação da construção, o registro da especifi-
cação e convenção do condomínio, bem como a ficha auxiliar desti-
nada ao controle de disponibilidade, entendo suficiente a certidão
dessa matrícula-mãe juntamente com a ficha auxiliar, que por sua vez
constitui parte integrante do aludido fólio (item 212, capítulo XX,
NSCGJ), cobrando-se somente R$ 23,86.
Caso diverso ocorre se todas as unidades autônomas já possu-
írem matrículas próprias, aí sim, seria cobrada certidão por certidão
de cada unidade ainda em nome da empresa.

Emolumentos. Cédula rural e comercial hipotecária.


P- Como cobrar pelas averbações de aditivo de cédula rural hipotecá-
ria e de cédula comercial hipotecária?
R- Essa averbação – aditivo de cédula rural hipotecária e de cé-
dula comercial hipotecária – se enquadraria na expressão “entre
outras” do item 2.4, das notas explicativas da tabela II do regi-
mento de custas, portanto, deve ser cobrada sem valor declarado.
Do contrário, a averbação ficará mais onerosa que o próprio regis-
tro então realizado.

Edição no 63 • janeiro 2005 27


CONSULTAS TÉCNICAS

Emolumentos. Compromisso de compra e venda. SFH.


Alienação ficuciária.
P- 1) Cobrança de registro de contrato de compra e venda financiado
pelo SFH com garantia de alienação fiduciária, sendo que apenas
parte do valor do imóvel foi financiado. 2) Cobrança de registro de
contrato de compra e venda custeado com recursos do FGTS e re-
cursos do próprio comprador.
R- Para a primeira cobrança, aplicar-se-á a regra contida no item
1.8.1 do regimento de custas do registro de imóveis. Portanto, com
relação à compra e venda cobra-se um registro integral; quanto à
garantia – hipoteca ou alienação fiduciária – cobra-se um registro
com redução de 50%.
Quanto à cobrança de registro de contrato de compra e venda
custeado com recursos do FGTS e recursos do próprio comprador,
aplicar-se-á o item 1.1 do regimento, independentemente do nú-
mero de atos a serem praticados, sendo, para esses casos, irrelevante
o fato de terem sido utilizados recursos próprios.

Imóvel rural. Averbação – futura alienação.


P- O interessado é proprietário de uma área rural de 15 alqueires e
pretende a averbação da inclusão de 0,5 alqueires (1,21 ha) ao
perímetro urbano em virtude de lei municipal, para futura aliena-
ção. É possível que na mesma matricula fique constando que par-
te do imóvel seja rural e parte seja urbana, uma vez que a área de
1,21 ha, sendo rural, não pode ser desmembrada ?
R- Não seria o caso de providenciar junto ao Incra, nos termos do
decreto 62.504/68 c/c artigo 53 da lei 6.766/79, autorização para o
desmembramento da parcela de 0,5 alqueire, destinada a futura alie-
nação? Não vislumbro nenhum efeito prático e objetivo que viesse a
gerar a averbação pretendida. Mesmo se averbado no fólio que parte
do imóvel passou a situar-se na zona urbana, ele continuará sendo
rural. Segundo o Estatuto da Terra, o que caracteriza o imóvel é sua
destinação e não localização (art. 4o, inciso I, lei 4.504/64). E pelo
CTN, artigo 32 e parágrafos, o que caracteriza o imóvel como rural ou
urbano é sua localização. Esse diploma legal recebeu status de lei
complementar, portanto, de hierarquia superior ao Estatuto da Terra.
Averbando-se a inclusão parcial do imóvel na zona urbana, para
posterior desmembramento, imprescindível, ainda assim, a autori-
zação do Incra.

Escritura divergente da transcrição registrada.


P- Imóvel descrito na transcrição como “fechado de muro nos lados,
frente e nos fundos, destacado do lote no 10, da quadra no 44,
medindo mais ou menos 13,30 m de frente para...” Apresentada
escritura que suprimiu essa expressão “mais ou menos”. É possí-
vel o registro?
R- Ad cautelam, solicitaria um requerimento do interessado ou
apresentante, concordando com o registro com os característicos
constantes no título anterior, ou seja, com a inclusão da expressão

28 Edição no 63 • janeiro 2005


CONSULTAS TÉCNICAS

“mais ou menos”, independentemente de ter sido omitida na escri-


tura que busca o registro. Após o registro, certificaria no título que
o registro foi efetuado com base nos dados descritivos consigna-
dos no título anterior.

Cindibilidade do título.
P- Há alguma lei específica sobre cindibilidade do registro? Exemplo:
em caso de haver na partilha mais de um imóvel e o inventariante
querer registrar apenas um dos imóveis, ele tem que requerer ao
oficial registrador o registro do imóvel de sua vontade?
R- A cindibilidade do título/registro deriva do próprio sistema
registrário vigente, lei 6.015/73, em que cada imóvel será objeto
de matrícula própria e cada matrícula corresponderá a um único
imóvel (inciso I, § 1o, art. 176), com exceção das situações previs-
tas nos artigos 234 e 235. A cindibilidade é do título, se este conti-
ver dois ou mais imóveis, e não do negócio jurídico em que aquele
tem suporte como, por exemplo, a compra e venda com garantia
hipotecária; doação com reserva e/ou instituição de usufruto etc.
Portanto, não seria possível registrar a compra e venda ou a doação
e não registrar a hipoteca ou o usufruto, uma vez que se estaria
cindindo o negócio jurídico e não o título.

Emolumentos. Alienação fiduciária.


P- Cobrança de emolumentos e custas referentes a alienação
fiduciária em garantia de imóvel.
R- O registro da garantia fiduciária deverá ser cobrado na forma
do item 1, da tabela II, de registro de imóveis, observando-se, se
for o caso, o item 1.1 (aquisição imobiliária financiada com recur-
sos do FGTS ou integrantes de programas habitacionais – Cohab ou
CDHU), e ainda, o item 1.8.1, das notas explicativas, para a garantia
fiduciária ou hipotecária.

Emolumentos. Cancelamento de hipoteca.


P- Todas as averbações de cancelamento de hipoteca serão cobradas
com desconto de 80%, conforme nota no final do item 2 da tabe-
la II, ou deveremos observar o item 2.2 das notas explicativas?
R- A nota constante do item 2, da tabela II, de registro de imó-
veis, averbação, alude apenas aos cancelamentos de hipotecas ou
penhoras decorrentes de cédulas rurais (decreto-lei 167/67). O item
2.2 das notas explicativas diz respeito ao cancelamento da hipote-
ca proveniente do sistema financeiro da habitação, SFH.

Emolumentos. Cédula de crédito comercial –


alienação ficuciária.
P- Foi apresentada uma cédula de crédito comercial no valor de
R$ 20 mil, com garantia de alienação fiduciária em minha comarca
e hipoteca em outra comarca.

Edição no 63 • janeiro 2005 29


CONSULTAS TÉCNICAS

R- O item 8 da tabela II, de registro de imóveis, aplica-se apenas


à cédula de crédito (ou produto) rural pignoratícia, ex vi do decre-
to-lei 167/67. O registro das demais cédulas – industrial, comerci-
al, exportação – deverão observar o item 1 do regimento de custas,
ou seja, registro com valor declarado.
Quanto à garantia fiduciária, aplicar-se-á o item 5, da tabela III,
de títulos e documentos, exclusivamente sobre o valor financiado.
Ad cautelam, para o registro da garantia fiduciária, solicitar um
requerimento do interessado ou apresentante, esclarecendo-o de
que o registro no livro 3 do registro de imóveis assegura a publici-
dade da emissão da cédula e não da garantia – no caso, alienação
fiduciária de bem imóvel – que, para surtir efeitos em relação a
terceiros, deverá ser registrada no cartório de registro de títulos e
documentos, conforme disposição legal (art. 129, lei 6.015/73).

Emolumentos. Contrato de mútuo – FGTS.


P- Apresentado para registro contrato de mútuo para obras com re-
cursos do FGTS. A futura averbação da construção encontra-se in-
cluída no próprio item 1.1 (independente do número de atos a
serem praticados...) da tabela II?
R- A futura averbação da edificação não está incluída no item 1.1,
da tabela II, do registro de imóveis. A expressão “independente do
número de atos” diz respeito aos atos necessários para o registro
do contrato em si, ou seja, aqueles que são imprescindíveis para o
ato de registro (strictu sensu), os quais dizem respeito ao contrato
para fins de financiamento habitacional.
O dispositivo em comento não faz alusão quanto à averbação
das edificações, para a qual deverá ser observado o item 2 do regi-
mento de custas, ou seja, averbação com valor declarado.

Emolumentos. CDHU com hipoteca.


P- Cobrança de contrato de compra e venda, mútuo e hipoteca reali-
zado pelo CDHU.
R- Aplicar-se-á ao presente o item 1.1 da Tabela 1 – Registro de
Imóveis, independentemente da quantidade de atos necessários para
o ato registral.

30 Edição no 63 • janeiro 2005


JURISPRUDÊNCIA DO TJSP

Acórdãos do CSM e do 2o TAC.


a
Decisões da 1 Vara
de Registros Públicos
Verbetação e ementação: Daniela dos Santos Lopes e Fábio Fuzari.
Orientação e revisão: Sérgio Jacomino.

Veja a íntegra em www.anoregsp.org.br


Acesse o Diário Oficial do Estado de São Paulo on line,
consulte edições anteriores ou pesquise o banco de dados

Acórdãos do Conselho dade de registro posterior de carta de adjudica-


ção sobre o mesmo bem. Observância do princí-
Superior da Magistratura pio da legalidade. (Apelação cível 219-6/1, Pirajuí,
D.O.E. 19/1/2005).
Compromisso de compra e venda de
lote. Cessão. Instrumento particular -
necessidade - parcelamento popular. Loteamento – parcelamento irregular do
Quitação - prova. solo. Escritura de compra e venda. Imóvel
rural. Fração ideal.
Registro de imóveis. Compromisso de compra
e venda de lote. Interpretação do artigo 26, pará- Registro de Imóveis. Dúvida. Cópia de escri-
grafo sexto, da lei 6.766/79, com a redação dada tura de compra e venda. Título inapto para o re-
pela lei 9.785/99. Necessidade de instrumento pú- gistro. Fração ideal de imóvel rural a que atribuí-
blico para a transmissão da propriedade, por não da localização geodésica determinada. Elementos
se tratar de parcelamento popular. Antecedentes registrários que demonstram a pretensão de im-
do Conselho Superior da Magistratura. Recurso plantação de loteamento disfarçado em condomí-
provido para julgar a dúvida procedente. (Apela- nio voluntário. Recurso não provido. (Apelação
ção cível 216-6/8, São Paulo, D.O.E. 19/1/2005). cível 215-6/3, Franca, D.O.E 7/12/2004).

Ação monitória - carta de adjudicação. Condomínio edilício - hipoteca cedular.


Penhora. Indisponibilidade - Cédula de crédito comercial.
ação civil pública. Legalidade. Penhora - unidade autônoma. Obrigação
Registro de Imóveis. Prévia averbação de propter rem - penhorabilidade.
indisponibilidade de bem imóvel, por determina- Registro de Imóveis. Dúvida. Hipoteca cedular
ção emanada em ação civil pública. Impossibili- previamente registrada. Cédula de crédito comer-

Edição no 63 • janeiro 2005 31


JURISPRUDÊNCIA DO TJSP

cial. Possibilidade de posterior registro de penho- Desdobro de lotes – aprovação urbanística.


ra referente a débito condominial. Obrigação Restrição urbanística convencional.
propter rem. Inteligência do artigo 5o da lei 6.840/ Loteamento.
80 e do artigo 57 do decreto-lei 413/69. Recurso
não provido. (Apelação cível 223-6/0, São Paulo, Desdobro de lotes. Aprovação da Prefeitura
D.O.E 7/12/2004). que caracteriza mera autorização e não afasta a
restrição convencional imposta no contrato pa-
drão do loteamento. Recurso improvido para man-
Dúvida – prejudicialidade. Carta de ter a sentença que indeferiu o registro da escritu-
adjudicação. Compromisso particular ra de divisão. (Apelação cível 252-6/1, São Pau-
de venda e compra. ITBI. IPTU. CND - lo, D.O.E. 7/12/2004).
Receita Federal - INSS.
Registro de Imóveis. Dúvida. Matéria prejudi- Decisões da 1a Vara de
cial. Concordância com algumas exigências do re-
gistrador. Imprescindibilidade do prévio atendi- Registros Públicos de São Paulo
mento destas para que não haja decisão condicio-
nada a seu futuro cumprimento. Procedência, ade- Retificação de área consensual.
mais, da exigência de certidões negativas de dé- Remanescente - apuração. Ação
bitos do INSS e da Receita Federal mesmo em se reivindicatória. Prova - deficiência. Perícia.
tratando de Carta de Adjudicação. Sentença
substitutiva de vontade não implica isenções Ementa não oficial: 1. A ação de retificação
incabíveis em caso de cumprimento voluntário da de registro presta-se somente para ajustar o dado
obrigação. Recurso não provido. (Apelação cível tabular à realidade do imóvel. 2. Não existe qual-
238-6/8, Tietê, D.O.E. 7/12/2004). quer indício de invasão ou deslocamento da base
do imóvel, conforme apurado em dados periciais.
Pedido procedente. (Processo 000.99.932684-8,
Sucessões. Partilha. São Paulo).
Registro de Imóveis. Bem do casal. Falecimento
de ambos os cônjuges. Pretendido ingresso de es-
critura de venda e compra outorgada apenas pelo Acórdão do 2o Tribunal de
espólio da mulher. Necessidade, em princípio, de Alçada Cível de São Paulo
outorga também do espólio do varão. Notícia de
partilha homologada no arrolamento de bens da
virago em que a meação do marido foi paga exclusi- Notificação – registro de títulos e
vamente em dinheiro, dela excluído o imóvel. Ne- documentos. Alienação fiduciária.
cessidade de prévio registro do formal de partilha, Busca e apreensão. Mora - devedor.
com outorga da escritura por quem houver sido con- Formalidade - exigência.
templado. Dúvida procedente. Recurso não provido. Alienação fiduciária. Busca e apreensão. Com-
(Apelação cível 263-6/1, Atibaia, D.O.E. 7/12/2004). provação da mora do devedor. Exegese do arti-
go 2o, parágrafo segundo do decreto-lei 911/
69. Ato jurídico formal, que deve ser realizado
Carta de adjudicação. Servidão administrativa.
com estrita observância dos ditames legais. En-
Remanescente – apuração.
vio de carta registrada com aviso de recebimen-
Especialidade. Continuidade. to, pelo próprio credor fiduciário. Inadmissibili-
Registro de Imóveis. Dúvida. Carta de adjudi- dade. Inobservância dos requisitos legais. Ato que
cação. Servidão administrativa. Transcrições que deve ser praticado por intermédio do cartório de
sofreram anteriores desfalques. Princípio da espe- títulos e documentos. Oficial de serviço público
cialidade. Necessidade de apuração dos remanes- delegado, que é portador de fé pública, garantin-
centes. Registro recusado. Recurso a que se nega do a segurança jurídica do ato praticado. Recurso
provimento. (Apelação cível 236-6/9, São Paulo, improvido. (Agravo de Instrumento 872.314-0/5,
D.O.E. 7/12/2004). Jaboticabal).

32 Edição no 63 • janeiro 2005


DECISÕES DOS TRIBUNAIS SUPERIORES

DECISÕES
dos Tribunais Superiores
Seleção de Sérgio Jacomino

A jurisprudência dos tribunais superiores é coletada


do Diário da Justiça da União (DJU) e divulgada pelo
Boletim Eletrônico Irib/Anoreg-SP. Assine gratuitamente
esse informativo diário, no site www.anoregsp.org.br

SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL

Compromisso de CV. Resolução. trato e queira a devolução de tudo o que pa-


gou, com correção monetária, juros, custas e
Inadimplência. Restituição
honorários advocatícios. Tudo isso baseado no
das parcelas pagas. Retenção. próprio inadimplemento e deixando para trás
Decisão. O recurso especial (alíneas “a” e “c”) todos os encargos assumidos quando da con-
desafia acórdão que ratificou a extinção, sem jul- tratação e da posse. Que é a hipótese do con-
gamento do mérito, de ação de rescisão de con- trato firmado em 7/11/96”.
trato de compra e venda de imóvel, cumulada com O STJ admite que o promitente-comprador,
pedido de restituição de valores pagos, exercida ainda que inadimplente, pleiteie a rescisão do com-
contra o recorrido. promisso de compra e venda. A exemplo, os se-
A recorrente queixa-se de ofensa aos artigos guintes precedentes: REsp 200.019, Pargendler;
51, XI e 53 da lei 8.078/90. Aponta dissídio REsp 99.440, Sálvio e EREsp 59.870, Barros
jurisprudencial. Monteiro, este assim ementado:
Sustenta que lhe assiste o direito de restitui- “Promessa de venda e compra. Resilição. De-
ção das parcelas quitadas, vez que existe previsão núncia pelo compromissário comprador em face
legal proibindo a perda total das parcelas pagas, da insuportabilidade no pagamento das presta-
nos contratos que estabeleçam relação de consu- ções. Restituição.
mo, com fulcro no artigo 53 da lei 8.078/90. - O compromissário comprador que deixa de
Não foram apresentadas contra-razões. Decido: cumprir o contrato em face da insuportabilidade
O Tribunal a quo não encontrou fundamen- da obrigação assumida tem o direito de promover
to “que ampare pretensão de quem adquire um ação a fim de receber a restituição das importân-
imóvel e, depois de vários anos, rescinda o con- cias pagas.

Edição no 63 • janeiro 2005 33


DECISÕES DOS TRIBUNAIS SUPERIORES

Embargos de divergência conhecidos e rece- Do exposto, conheço do recurso especial e lhe


bidos, em parte.” (ERESP 59870, Barros Monteiro). dou provimento para afastar a extinção do pro-
Em casos de rescisão de contrato de com- cesso sem julgamento do mérito, vez que o
pra e venda de imóvel, o juiz pode determinar inadimplente tem interesse processual em preten-
a devolução das parcelas pagas, porém não na der a rescisão do contrato.
sua integralidade, de forma a evitar o enrique- Determino o retorno dos autos à origem, para
cimento sem causa de uma das partes. Este é o retomada do julgamento.
entendimento do STJ. Confiram-se os seguin- Brasília, 29/6/2004. Ministro Humberto Go-
tes precedentes: mes, relator (Recurso Especial 401.298/SP, DJU
“I - Nos casos de rescisão de contrato de pro- 3/8/2004, p.351).
messa de compra e venda do imóvel, pode o juiz,
ao determinar a devolução das parcelas pagas e
com fundamento no artigo 924 do Código Civil,
reduzi-las ao patamar mais justo com o objetivo
Compromisso de CV. Rescisão.
de evitar o enriquecimento sem causa de qualquer Perda das parcelas pagas. Cláusula
uma das partes. abusiva. Restituição. Retenção.
II - Precedentes desta Corte.
III - Recurso especial não conhecido.”(RESP Decisão. Agrava-se de decisão que negou trân-
155.313, Pádua Ribeiro); sito a recurso especial, fundamentado na alínea
“A C. 2a Seção do STJ, em posição adotada “a” do permissivo constitucional, em que a recor-
por maioria, admite a possibilidade de resilição rente alega violação do disposto nos artigos 1.030
do compromisso de compra e venda por iniciativa do Código Civil de 1916, 267, VI, e 295, II e III,
do devedor, se este não mais reúne condições eco- do Código de Processo Civil, insurgindo-se contra
nômicas para suportar o pagamento das presta- acórdão cuja ementa dispõe:
ções avençadas com a empresa vendedora do imó- “Apelação cível. Promessa de compra e ven-
vel (EREsp 59.870-SP, relator ministro Barros da. Transação. Cláusulas abusivas. Revisão. Devo-
Monteiro, unânime; DJU de 9/12/02). lução de parcelas pagas.
II. O desfazimento do contrato dá ao com- O juiz está autorizado a revisar o acordo feito
prador o direito à restituição das parcelas pagas, pelas partes, ante flagrante abusividade, incidindo
porém, não em sua integralidade. Percentual de o princípio que veda o enriquecimento de uma
retenção fixado em 25%. Precedentes do STJ. III. parte às custas da excessiva oneração da outra.”
Recurso especial parcialmente provido. (RESP O inconformismo não prospera.
508053, Aldir Passarinho); Os temas insertos nos dispositivos legais invo-
Civil. Recurso especial. Rescisão de contra- cados não foram debatidos pelo Tribunal de ori-
to de compra e venda de imóvel. Rescisão gem e sequer foram opostos embargos declaratórios
contratual. Utilização do bem pelos compra- com objetivo de suprir eventual omissão. Ausente
dores. Cláusula penal. Estipulação. Com base o requisito do prequestionamento, incidem os ver-
no artigo 924 do CC, o julgador possui autori- betes 282 e 356 da Súmula do Pretório Excelso,
zação legal para proceder à redução do per- bem anotados pelo decisório agravado. Ademais,
centual estipulado a título de cláusula penal o v. acórdão recorrido não destoa da jurisprudên-
para patamar justo, com o objetivo de evitar o cia desta Corte que, em hipóteses semelhantes, as-
enriquecimento ilícito de uma das partes con- sim se manifestou, verbis:
tratantes e o prejuízo da outra. - Na hipótese “Processual civil. Recurso especial. Compra e
de rescisão de contrato de compra e venda de venda de imóvel. Rescisão. Devolução das parce-
imóvel, em que o promissário-comprador con- las pagas. Precedentes.
tinua a nesse residir após incorrer em mora das I - A fim de se evitar enriquecimento injusto
parcelas a lhe serem devolvidas, deve ser de- de uma das partes, deve a vendedora reter 10%
duzido em favor do promitente vendedor va- do valor total das parcelas pagas, monetariamen-
lor correspondente à locação do imóvel durante te corrigido, para pagamento de encargos por
o período entre a mora e a sua reintegração na ela suportados.
posse do bem, a ser determinada de acordo com II - Agravo de instrumento desprovido.” (Ag
as circunstancias do caso concreto.”(RESP 508.500-RS, relator o eminente ministro Antônio
400336, Nancy). de Pádua Ribeiro, DJ de 5/8/2003).

34 Edição no 63 • janeiro 2005


DECISÕES DOS TRIBUNAIS SUPERIORES

“Mesmo se o contrato de promessa de compra e venda de lei, impondo-se a redução da


quantia a ser retida pela promi-
imóvel em construção estabelecer, para a hipótese de tente vendedora a patamar ra-
zoável, ainda que a cláusula te-
inadimplemento do promitente-comprador, a perda total das
nha sido celebrada de modo
quantias pagas, e ainda que tenha sido celebrado antes da irretratável e irrevogável.
III - O acórdão que apre-
vigência do Código de Defesa do Consumidor, pode o juiz,
cia todos os pontos suscitados
autorizado pelo disposto no artigo 924, CC, reduzi-la a patamar e necessários ao deslinde da
controvérsia não contraria o
justo, com o fito de evitar enriquecimento sem causa que de
artigo 535, CPC, não se poden-
sua imposição integral adviria à promitente-vendedora. do exigir do órgão julgador
menção expressa a dispositivos
Devolução que, pelas peculiaridades da espécie, fica estipulada legais se solucionou a deman-
em 90% (noventa por cento) do que foi pago pelo comprador.” da na conformidade do pedi-
do. IV - A dessemelhança fática
entre o acórdão impugnado e
“Civil. Promessa de compra e venda. Rescisão. o aresto paradigma não caracteriza a divergên-
Devolução de parcelas pagas. Proporcionalidade. cia jurisprudencial hábil a instaurar a via do re-
CC, artigo 924. l - A jurisprudência deste Superior curso especial.” (REsp 292.942-MG, relator o emi-
Tribunal de Justiça está hoje pacificada no senti- nente ministro Sálvio de Figueiredo Teixeira, DJ
do de que, em caso de extinção de contrato de de 7/5/2001).
promessa de compra e venda, inclusive por inadim- “Promessa de compra e venda. Resolução.
plência justificada do devedor, o contrato pode Restituição. Julgamento a ser proferido na ação.
prever a perda de parte das prestações pagas, a A promitente vendedora tem o direito de reter 10%
título de indenização da promitente vendedora do que recebeu, mas fica obrigada a restituir o
com as despesas decorrentes do próprio negócio, excedente, matéria que deve ser desde logo deci-
tendo sido estipulado, para a maioria dos casos, dida na ação de resolução. Recurso conhecido e
o quantitativo de 10% (dez por cento) das pres- provido em parte.” (REsp 239.576/SP, relator o
tações pagas como sendo o percentual adequado eminente ministro Ruy Rosado de Aguiar, DJ de
para esse fim. 15/5/2000).
II - É tranqüilo, também, o entendimento no “Civil. Promessa de compra e venda de imó-
sentido de que, se o contrato estipula quantia veis em construção. Inadimplemento. Perda par-
maior, cabe ao juiz, no uso do permissivo do arti- cial das quantias pagas. Mesmo se o contrato de
go 924 do Código Civil, fazer a necessária ade- promessa de compra e venda de imóvel em cons-
quação. Agravo regimental a que se nega provi- trução estabelecer, para a hipótese de inadim-
mento.” (REsp 244.625-SP, relator o eminente plemento do promitente-comprador, a perda to-
ministro Castro Filho, DJ de 25/2/2002). tal das quantias pagas, e ainda que tenha sido
“Direito civil. Promessa de compra e venda. celebrado antes da vigência do Código de Defe-
Extinção. Iniciativa do promissário comprador. sa do Consumidor, pode o juiz, autorizado pelo
Perda das parcelas pagas. Cláusula abusiva. Có- disposto no artigo 924, CC, reduzi-la a patamar
digo de Defesa do Consumidor. Norma de ordem justo, com o fito de evitar enriquecimento sem
pública. Artigos 51-IV e 53. Derrogação da liber- causa que de sua imposição integral adviria à
dade contratual. Redução. Possibilidade. Recur- promitente-vendedora. Devolução que, pelas pe-
so desacolhido. culiaridades da espécie, fica estipulada em 90%
I - A jurisprudência deste Superior Tribunal (noventa por cento) do que foi pago pelo com-
de Justiça uniformizou-se pela redução da parce- prador. Recurso parcialmente conhecido e, nessa
la a ser retida pelo promitente vendedor, nos ca- parte, provido.” (REsp 114.071-DF, por mim re-
sos de desfazimento do contrato de promessa de latado, DJ de 21/6/1999)
compra e venda por inadimplência do comprador. Isso posto, nego provimento ao agravo.
Il - O caráter de norma pública atribuído ao Brasília, 18/6/2004. Ministro César Asfor Ro-
Código de Defesa do Consumidor derroga a liber- cha, relator (Agravo de Instrumento 587.566/RS,
dade contratual para ajustá-la aos parâmetros da DJU 4/8/2004, p.480).

Edição no 63 • janeiro 2005 35


DECISÕES DOS TRIBUNAIS SUPERIORES

Cédula rural pignoratícia. Aditivo. Brasília, 21/6/2004. Ministro César Asfor Ro-
cha, relator (Agravo de Instrumento 576.101/PR,
Registro. Credor hipotecário.
DJU 4/8/2004, p.460).
Direito adquirido. Anuência.
Decisão. Agrava-se de decisão que negou se-
guimento a recurso especial, fundado na alínea Penhora. Embargante
“a” do permissivo constitucional, em que se alega pertencente ao mesmo grupo
ofensa aos artigos 14, II e parágrafo primeiro,
20, II e parágrafo primeiro, 25, II e parágrafo da empresa executada.
primeiro, 27, II, e 36 do decreto-lei 167/67. Decisão. Habitasul Empreendimentos Imobi-
O acórdão recorrido está assim ementado: liários Ltda. interpõe agravo de instrumento con-
“Suscitação de dúvida pelo oficial do registro tra o despacho que não admitiu recurso especial
de imóveis. Direito adquirido do credor hipotecá- assentado em contrariedade ao artigo 1.046 do
rio em segundo grau. Código de Processo Civil e a Súmula 84/STJ, além
1. Há uma hipoteca de segundo grau em fa- de dissídio jurisprudencial. Insurge-se contra o
vor do Banco do Brasil e hipoteca de terceiro grau acórdão assim ementado:
em favor do Banco do Estado do Paraná. “Embargos de terceiro opostos por empre-
2. Banco do Brasil apresentou aditivo de re- sa do mesmo grupo empresarial da devedora vi-
tificação e ratificação à cédula rural pignoratícia sando resguardar bem imóvel que afirma ter ad-
e hipotecária. quirido através de contrato de permuta não re-
3. É necessária a anuência do credor hipote- gistrado da devedora, empresa coligada. Mano-
cário de terceiro grau, ou seja, do Banestado S.A., bra rejeitada.
para que seja registrado o aditivo de retificação e Havendo nos autos indicativos de que as em-
ratificação à cédula rural pignoratícia e hipotecá- presas do grupo dispõem do patrimônio umas das
ria formulado pelo Banco do Brasil, pois restaria outras e, considerando que a executada, que con-
prejudicada a garantia do Banestado S.A., que te- trola a embargante, impugnou a avaliação do imó-
ria que aguardar o vencimento da cédula ratificada vel objeto dos embargos, apresentando um laudo
para poder executá-la, ou seja somente em 1/11/ avaliatório onde se auto qualifica como proprie-
2018, conforme previsto no aditivo. tária do bem, que ademais, continua registrado
Recurso desprovido”. Não merece prosperar o em seu nome no álbum imobiliário, a constrição
inconformismo. deve ser mantida.
Registro, inicialmente, que o egrégio Tribu- Apelo improvido”.
nal de origem não negou a possibilidade de pror- Decido.
rogação do vencimento da cédula rural pigno- A irresignação não prospera.
ratícia e hipotecária. Apenas, considerou a pe- O artigo apontado como violado, bem como a
culiaridade do caso sub judice, no qual a pre- Súmula desta Corte mencionada, não têm o alcan-
tendida prorrogação, representada pelo pedi- ce pretendido pela recorrente, pois o posiciona-
do de registro do aditivo de retificação e ratifi- mento do acórdão decorreu da existência de pe-
cação à cédula, prejudicaria o credor hipotecário culiaridades fáticas que ensejaram o reconheci-
em terceiro grau, o Banco da Estado do Paraná mento de que a real proprietária do imóvel é mes-
S.A., em razão da regra do artigo 813 do CCB/ mo a executada e não a agravante. Vejamos os
1916, que dispõe: “Salvo o caso de insolvência fundamentos do acórdão:
do devedor, o credor da segunda hipoteca, em- “Tenho que na expectativa de promover o
bora vencida, não poderá executar o imóvel an- justo, no caso presente, deve-se levar em consi-
tes de vencida a primeira.” deração algumas peculiaridades que envolvem o
A argumentação do recurso especial no senti- ato constritivo referente ao imóvel objeto des-
do da ausência de prejuízo para o Banestado tes embargos’.
enseja necessariamente o reexame do conjunto ‘Em primeiro lugar, não há como desconhe-
fático-probatório da causa, tarefa, como cediço, cer-se que a embargante pertence ao mesmo gru-
inexeqüível na via eleita, a teor do enunciado 7 po da empresa executada, no caso, a Companhia
da Súmula desta Corte. Habitasul de Participações, a qual é, inclusive,
Isso posto, nego provimento ao agravo. controladora da embargante’.

36 Edição no 63 • janeiro 2005


DECISÕES DOS TRIBUNAIS SUPERIORES

‘Nesse sentido, há indicativos de que as em- parágrafo único, da lei 4.591/64, bem como
presas do grupo dispõem do patrimônio umas das dissenso pretoriano.
outras e a prova mais robusta dessa situação é Insurge-se contra acórdão assim ementado:
que a executada que, saliente-se novamente, con- “Imóvel adjudicado pela CEF. Despesas
trola a embargante, impugnou a avaliação do imó- condominiais do proprietário anterior. Responsa-
vel objeto destes embargos, apresentando um lau- bilidade pelo pagamento.
do avaliatório onde se auto qualifica como pro- 1. As taxas condominiais são de responsabili-
prietária do bem’. dade do proprietário, no caso, a CEF sendo
‘Afora a circunstância de que são empresas do irrelevante o fato de elas dizerem respeito ao pe-
mesmo grupo, abstraindo-se que a executada im- ríodo no qual o imóvel respectivo era ocupado
pugnou ato no feito executivo informando que o pelo titular do domínio. Precedentes desta Corte
imóvel lhe pertencia, note-se que há outros ele- e do STJ.
mentos a indicar que não se faz, respeitando en- 2. Apelação não provida.”
tendimento diverso, justiça ao dar-se procedên- Sustenta a instituição financeira que, mesmo
cia a estes embargos’. após a adjudicação do imóvel, é do ocupante a
‘A fraude à execução, que torna ineficaz a ven- responsabilidade pelo pagamento das taxas
da do bem perante o credor, pressupõe, além da condominiais.
insolvência, o fato de que essa situação teria ocor- lnviável, porém, o recurso.
rido quando, à época da alienação, já existia pro- Os textos legais apontados não foram venti-
cesso capaz de configurar a inadimplência’. lados no acórdão recorrido e não opostos embar-
‘No caso, embora não se tenha elementos para gos declaratórios a fim de sanar eventual omis-
afirmar com a necessária certeza, de que há inca- são. Incidem, no caso, as súmulas 282 e 356 do
pacidade patrimonial para garantir o débito, a Excelso Pretório.
verdade é que a execução foi proposta em 1997, Ademais, a divergência jurisprudencial não
mas o processo de conhecimento é anterior ao ato restou caracterizada de acordo com os comandos
de alienação, pois a demanda foi proposta em do artigo 255 e seus parágrafos do RISTJ.
outubro de 1996, tendo o nominado contrato Por fim, como se pode facilmente verificar, o
particular de promessa de permuta sido firmado aresto paradigma colacionado não serve à preten-
em 1/8/97, portanto, após a propositura da ação, são da recorrente de excluir sua responsabilidade
o que torna duvidosa a legalidade da alienação”. pelo pagamento das taxas condominiais, pois,
Dissídio jurisprudencial não caracterizado ante apesar de afirmar possível a legitimidade do
à ausência do indispensável cotejo analítico. condômino primitivo, conclui que perante o con-
Nego provimento ao agravo de instrumento. domínio, o adquirente torna-se responsável pe-
Brasília, 30/6/2004. Ministro Carlos Alberto los débitos pertinentes ao imóvel”.
Menezes Direito, relator (Agravo de Instrumento Posto isso, nego provimento ao agravo de
581.538/RS, DJU 5/8/2004, p.445/446). instrumento.
Brasília, 4/6/2004. Ministro Antônio de Pádua
Ribeiro, relator (Agravo de Instrumento 584.851/
Condomínio. Taxas condominiais. DF, DJU 1/7/2004, p.623).
Adjudicação. CEF.
Responsabilidade do proprietário. Reintegração de posse.
Ementa. Ação de cobrança. Taxas condomi- Comodato verbal. Notificação.
niais. Adjudicação do imóvel. Responsabilidade
pelo pagamento. Aplicação das Súmulas 282 e Ementa. Civil. Ação de reintegração de posse.
356/STF. Dissídio não caracterizado. Comodato verbal. Pedido de desocupação. Notifi-
Agravo de instrumento desprovido. cação. Suficiência. CC anterior, artigo 1.250.
Decisão. Trata-se de agravo de instrumento Dissídio jurisprudencial comprovado. Procedência.
interposto contra decisão denegatória de segui- I. Dado em comodato o imóvel, mediante con-
mento a recurso especial fundado nas alíneas “a” trato verbal, onde, evidentemente, não há prazo
e “c” do permissivo constitucional, em que se ale- assinalado, bastante à desocupação a notificação
ga ofensa aos artigos 23 da lei 8.245/91 e 4o, ao comodatário da pretensão do comodante, não

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se lhe exigindo prova de necessidade imprevista Aplicação, na hipótese, do princípio da fungibili-


e urgente do bem. dade recursal. Recurso a que se nega provimento.
II. Pedido de perdas e danos indeferido. Situação em que, ante dissídio jurisprudencial,
III. Precedentes do STJ. razoável e justificável se aplique o princípio da
IV. Recurso especial conhecido e parcialmen- fungibilidade recursal.
te provido. Ação de reintegração de posse julgada Hipótese em que o direito de seqüela esta-
procedente em parte. belecido pela garantia hipotecária não predomi-
Brasília, 18/5/2004. Relator: Ministro Aldir na, eis que o credor hipotecário, decretada que
Passarinho Júnior (Recurso Especial 605.137/PR, seja a falência do devedor, há que habilitar seu
DJU 23/8/2004, p.251). crédito junto à massa falida, assegurando-se-lhe
o privilégio previsto na Lei de Quebras, eis que
estritamente observado há que ser o princípio
Construtora. Falência. Contrato da boa-fé contratual. Decisão judicial nesse sen-
quitado pelo promitente-comprador. tido. Desconformidade manifestada pelo credor
hipotecário. Desprovimento do recurso, rejeita-
Outorga de escritura. da a preliminar”.
Decisão. Banco do Estado do Rio Grande do Houve embargos de declaração, rejeitados.
Sul S.A. – Banrisul interpõe agravo de instru- Decido. O despacho agravado negou seguimen-
mento contra o despacho que não admitiu re- to ao recurso mediante os seguintes fundamentos:
curso especial assentado em ofensa aos artigos “... à pretensão recursal opõe-se o óbice da
165, 458, inciso II, 535, inciso II, e 538 do Súmula 5/STJ.
Código de Processo Civil, 44, inciso VI, do de- Não fosse isso, verifica-se que o recorrente
creto-lei 7.661/45, 167, inciso I, número 18, deixou de atacar um dos fundamentos de que se
lei 6.015/73, 755, 759, 849 e 1.560 do Código valeu o acórdão hostilizado, qual seja, os artigos
Civil, 32, parágrafo segundo, da lei 4.591/65 e 22, parágrafos 1o e 2o da lei 4.854/65, 24, pará-
quinto, inciso XXXVI, da Constituição federal, grafo 2o, I, 102, 124 e 125 da Lei de Quebras, 43
além de dissídio jurisprudencial. do decreto-lei 70/66 e o CDC.
Assim, a inconformidade não
se exime do óbice da Súmula 283
“... o direito de seqüela estabelecido pela garantia hipotecária do Supremo Tribunal Federal”.
No caso, concretamente, o
não predomina, eis que o credor hipotecário, decretada que
agravante não procura demons-
seja a falência do devedor, há que habilitar seu crédito junto à trar, na argumentação trazida no
agravo de instrumento, que o
massa falida, assegurando-se-lhe o privilégio previsto na Lei
mencionado fundamento não se
de Quebras, eis que estritamente observado há que ser o aplica ao caso dos autos.
Ante o exposto, nego pro-
princípio da boa-fé contratual.”
vimento ao agravo.
Brasília, 9/8/2004. Ministro
Insurge-se, no apelo extremo, contra acórdão Carlos Alberto Menezes Direito, relator (Agravo de
assim ementado: Instrumento 561.190/RS, DJU 24/8/2004, p.352).
“Pedido de alvará judicial para autorizar síndi-
co de massa falida de empresa construtora e incor-
poradora de imóveis a outorgar escritura pública Direito de retenção.
em favor de promitente-comprador cujo contrato
Acessões. Estado. Inércia.
fora quitado antes da quebra com liberação de hi-
poteca que fora constituída pela empresa em favor Ementa. Direito de Retenção. Acessões. Má-
de agente financeiro. Aplicação do princípio da boa- fé. Onipresença do Estado.
fé contratual em tal espécie de contratos. Decisão - Sem impugnação, a inércia do Estado em
judicial de procedência do pedido. Desconformi- impedir o implante de acessões no imóvel faz pre-
dade manifestada em apelação pelo agente finan- sumir má-fé da administração (Art. 548, parágra-
ceiro. Recurso adequado. Agravo de instrumento. fo único do Código Bevilácqua).

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Ação reivindicatória. Procedência. Direito de Imóvel rural ou urbano.


retenção. Princípio da causalidade. Sucumbên-
Área de preservação ambiental.
cia devida.
- Com a procedência do pedido reivindica- Decisão. Cuida-se de agravo de instrumento
tório, a sucumbência é devida pelos réus ainda interposto por A.S. visando destrancar recurso
que haja direito de retenção. Afinal, perde-se a especial fundado no artigo 105, III, alínea “a”,
propriedade, foco principal da lide. O direito de da Constituição federal.
retenção não elide a procedência total do pedi- No presente feito o recorrente sustentou a hi-
do reivindicatório. pótese de não-incidência do Imposto Predial
Brasília, 3/6/2004. Relator: Ministro Humber- Territorial Urbano (IPTU) sobre imóvel de sua pro-
to Gomes de Barros (Recurso Especial 170.613/ priedade, alegando, essencialmente, que está situ-
RS, DJU 28/6/2004, p.300). ado em área de preservação ambiental, sendo, por-
tanto, rural, e que a cobrança do IPTU configura
bitributação, uma vez que recolhera o Imposto
Penhora. Meação. Territorial Rural (ITR) sobre o mesmo imóvel.
Sustentou ainda que o Ministério Público Es-
Registro pelo credor.
tadual movera Ação Civil Pública em seu desfavor,
Despacho. Trata-se de agravo de instrumento visando preservar a área em questão de danos
manifestado pelo Banco Bradesco S.A. contra de- ambientais, fato que, no seu entender, comprova
cisão que inadmitiu recurso especial, no qual se a natureza eminentemente rural do imóvel.
alega negativa de vigência aos artigos 20, pará- O Primeiro Tribunal de Alçada Civil do Estado de
grafo quarto e 535, do CPC, em questão exposta São Paulo decidiu pelo improvimento dos embargos
nesta ementa: à execução fiscal, deixando assente o seguinte:
“Apelação cível. Embargos de terceiros. Meação “O imóvel insere-se na zona urbana, confor-
do cônjuge. Pretensão de responsabilizar o oficial me lei municipal, satisfazendo as exigências do
de justiça pela constrição. Pleito improcedente. Ato artigo 32, parágrafo primeiro do Código Tributá-
gerado em face de pedido do credor para inscrever rio Nacional. Não ficou demonstrado que o imó-
a penhora. Sentença escorreita. Apelo improvido. vel houvesse sido cadastrado pelo Incra como si-
Se a constrição judicial sobre o bem de ter- tuado na zona rural, de maneira a sujeitar-se à
ceiro decorre da inscrição de penhora efetuada incidência do imposto territorial rural.
a pedido do credor, obrigando o cônjuge meeiro Pouco importa que o imóvel se situe às mar-
a interpor embargos de terceiros, deve ser ele e gens da represa Billings, em área de preservação
não o oficial de justiça o responsável pela su- de mananciais. Tal circunstância não é causa legal
cumbência, mesmo que o ato tenha sido prati- de isenção.
cado olvidando pedido de exclusão da meação É público e notório que a área não foi preser-
pelo meirinho.” vada, tendo sido objeto de loteamento clandesti-
Inocorrem no acórdão embargado os vícios no promovido pela apelante, em concurso com
previstos no artigo 535, do CPC, mas decisão con- outrem, do que aufere vantagem financeira, tan-
trária à pretendida pelo agravante, não sendo to que é réu de ação civil pública promovida pelo
possível, por outro lado, a inovação na lide. Ministério Público do Estado, em defesa do
E, no caso, o acórdão demonstra que inobstante patrimônio ecológico.
tenha havido equívoco do meirinho, o recorrente Se a área não foi preservada, não se pode in-
endossou o ato constritivo, ao invés de haver, de vocar o fato da sua situação, para eximir o ape-
logo, se manifestado pela sua retificação, o que lante do pagamento dos tributos. Havendo sido
afastaria, aí sim, a sua responsabilidade. loteado e gozando de serviços públicos à disposi-
Com relação à verba honorária, não é vedado ção dos moradores, os tributos incidentes sobre
na utilização do artigo 20, parágrafo quarto, ado- o imóvel devem ser pagos. O contrário seria pre-
tar-se percentual sobre o valor da causa. miar o apelante pela sua má-fé.”
Pelo exposto, nego provimento ao agravo. Primeiramente, observa-se que não houve a
Brasília, 21/6/2004. Ministro Aldir Passarinho vulneração do artigo 535 do Código de Processo
Júnior, relator (Agravo de Instrumento 579.616/ Civil, porquanto o tribunal a quo decidiu todas as
MT, DJU 28/6/2004, p.806). questões levantadas pelas partes, ainda que de

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forma contrária aos interesses do agravante. midor, como também, do próprio sistema habita-
O artigo 332 do referido Código não está cional, foi consolidada para respeitar o direito do
prequestionado, e, ademais, é despicienda a sus- consumidor. O fato de constar do registro a hipote-
tentação da tese de cerceamento do direito de ca da unidade edificada em favor do agente finan-
defesa fundada em suas disposições, porquanto a ciador da construtora não tem o efeito que se lhe
prova pretendida pelo agravante foi indeferida por procura atribuir, para atingir também o terceiro
não ter sido produzida no momento conferido pela adquirente, pois que ninguém que tenha adquirido
lei processual, e não porque era meio ilegal ou imóvel pelo SFH assumiu a responsabilidade de
inidôneo à comprovação de sua alegações. pagar a sua dívida e mais a dívida da construtora
Cabe, ainda, ressalvar que o recurso especial perante o seu financiador. Apelo improvido”.
é via imprópria para dirimir questões atinentes à Alegou o recorrente contrariedade ao dispos-
violação das normas constitucionais, sendo que, to nos artigos 677, 755, 758, 811, 848, 849 e
nos termos dos incisos do artigo 102 da Consti- 850 do Código Civil; 5o e do Decreto-Lei no 58/
tuição Federal, ficou reservada essa competência 37, 23, § 4o da lei 4.864/65, 535, II do CPC e 5o,
ao Supremo Tribunal Federal. incisos XX e XXXVI da Constituição federal, além
Por fim, observa-se que a matéria discutida - de divergência jurisprudencial.
vulneração do artigo 32, §1o, do Código Tributá- O recurso foi admitido apenas com base na
rio Nacional - está assentada no exame do con- letra c, III do artigo 105 da Constituição federal.
junto fático-probatório dos autos, de forma que Nesta instância, manifesta-se a douta Subpro-
rever o posicionamento adotado pelo Tribunal a curadoria-geral da República pelo desprovimento
quo implicaria adentrar no exame dessas questões do recurso.
fáticas, o que é vedado em sede de recurso espe- A matéria já é conhecida deste Tribunal, que,
cial. Incide à espécie a Súmula no 7 do Superior por ambas as Turmas que compõem a egrégia 2a Se-
Tribunal Justiça. ção, já decidiram no sentido do acórdão recorrido.
Por tais razões, nego seguimento ao agravo Vejam-se as ementas desses julgados:
de instrumento. “Civil e processual. Empreendimento imobiliá-
Brasília, 16/6/2004. Ministro João Otávio de rio. Hipoteca incidente sobre a totalidade do imó-
Noronha, relator (Agravo de Instrumento 501.657/SP, vel. Venda anterior de unidades autônomas. Cons-
DJU 29/6/2004, p.234). trutora que não honrou seus compromissos peran-
te o banco financiador. Exclusão do gravame real.
I. O adquirente de unidade autônoma somen-
SFI. Alienação. Unidades autônomas. te é responsável pelo pagamento integral da dí-
Hipoteca. Incorporadora. Gravame vida relativa ao imóvel que adquiriu, não poden-
do sofrer constrição patrimonial em razão do
não oponível a terceiro adquirente.
inadimplemento da empresa construtora peran-
Decisão. O Banco Itaú S.A. interpõe recurso te o banco financiador do empreendimento, pos-
especial pelas letras a e c do permissivo constitu- to que, em face da celebração da promessa de
cional, contra acórdão assim ementado: compra e venda, aqui, inclusive, em data anteri-
“Apelação. Falência. Sistema Financeiro Imobi- or à constituição da hipoteca, a garantia passa a
liário. Adquirentes promitentes
de unidades residenciais dadas
em hipoteca mesmo sendo públi-
“O adquirente de unidade autônoma somente é responsável
co que a incorporadora passava pelo pagamento integral da dívida relativa ao imóvel que adquiriu,
por enormes dificuldades finan-
ceiras. Ofensa aos princípios da
não podendo sofrer constrição patrimonial em razão do
boa-fé consagrados no CDC. inadimplemento da empresa construtora perante o banco
Não prevalece diante do ter-
ceiro adquirente de boa-fé a hi- financiador do empreendimento, posto que, em face da
poteca constituída pela incorpo- celebração da promessa de compra e venda, aqui, inclusive, em
radora junto à instituição finan-
ceira porque a estrutura não só data anterior à constituição da hipoteca, a garantia passa a incidir
do Código de Defesa do Consu- apenas sobre os direitos decorrentes do contrato individualizado.”

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incidir apenas sobre os direitos “Os contratos de promessa de compra e venda em


decorrentes do contrato indivi-
dualizado, nos termos do arti- que a incorporadora se obriga à construção de unidades
go 22 da lei 4.864/65, não po- imobiliárias, mediante financiamento, enseja relação de
dendo subsistir se o débito já
foi quitado pelo comprador jun- consumo sujeita ao CDC, porquanto a empresa enquadra-se
to à vendedora. no conceito de fornecedora de produto (imóvel) e
II. Precedentes do STJ.
III. Recurso especial não co- prestadora de serviço (construção do imóvel nos moldes
nhecido “ (RESP 433.688-DF, da incorporação imobiliária).”
relator ministro Aldir Passarinho
Júnior, DJ de 28/10/2003)
“Contratos para aquisição de unidades imo- serviço (construção do imóvel nos moldes da in-
biliárias. Encol. Gravame hipotecário. Código de corporação imobiliária).
Defesa do Consumidor. Prequestionamento. Detém o Ministério Público legitimidade para
1. Já decidiu a Corte que o Código de Defesa do ajuizar ação civil pública em que se postula a nuli-
Consumidor incide nos contratos de compra e ven- dade de cláusula contratual que autoriza a consti-
da em que a incorporadora se obriga à construção tuição de hipoteca por dívida de terceiro (Encol),
das unidades imobiliárias, mediante financiamento. mesmo após a conclusão da obra ou a integralização
2. A identificação da abusividade da cláusula do preço pelo promitente comprador.
que impôs a possibilidade do gravame hipotecá- Não se admite, em recurso especial, a revi-
rio sobre os imóveis vendidos tem força para im- são do critério adotado pelo Tribunal a quo, por
pedir o conhecimento do especial, considerando eqüidade na fixação dos honorários advocatícios,
a jurisprudência da Corte. em vista da impossibilidade de, nesta via, se
3. Sem o devido prequestionamento da lei reexaminar provas.
4.591/64, não passa o especial sobre o tema dos Recurso Especial não conhecido.” (RESP
documentos necessários como condição prévia à 334.829-DF, relatora ministra Nancy Andrighi, DJ
negociação das unidades autônomas. de 4/2/2002)
4. O dissídio, apenas com a transcrição das “Direito civil. Hipoteca constituída sobre imó-
ementas e sem a confrontação analítica, não re- vel já prometido à venda e quitado. Invalidade.
velando se tratada a questão da abusividade das Encol. Negligência da instituição financeira. Inob-
cláusulas, sob a égide do Código de Defesa do servância da situação do empreendimento. Prece-
Consumidor, não pode colher êxito. dente. Recurso desacolhido.
5. Recurso especial não conhecido.” (RESP I - Os artigos 677 e 755 do Código Civil apli-
555.763-DF, relator ministro Carlos Alberto cam-se à hipoteca constituída validamente e não
Menezes Direito, DJ de 22/3/2004) à que padece de um vício de existência que a
“Recurso especial. Processual Civil e civil. Minis- macula de nulidade desde o nascedouro, precisa-
tério Público. Legitimidade. Ação Civil Pública Encol. mente a celebração anterior de um compromisso
Hipoteca. Promessa de compra e venda. Cláusulas de compra e venda e o pagamento integral do
contratuais. Interpretação. Vedação. Reexame de preço do imóvel.
prova. Inadmissibilidade. Honorários advocatícios. II - É negligente a instituição financeira que
Critérios de equidade. Revisão. Impossibilidade. não observa a situação do empreendimento ao
O recurso especial não se presta ao reexame conceder financiamento hipotecário para edificar
da matéria fáctica probatória constante das au- um prédio de apartamentos, principalmente se a
tos nem se predispõe à interpretação de cláusu- hipoteca se deu dois meses antes da concessão
las contratuais. do habite-se, quando já era razoável supor que o
Os contratos de promessa de compra e venda prédio estivesse concluído, não sendo igualmen-
em que a incorporadora se obriga à construção de te razoável que a obra se tenha edificado nesse
unidades imobiliárias, mediante financiamento, reduzido período de tempo.
enseja relação de consumo sujeita ao CDC, por- III - É da jurisprudência desta Corte que, “ao
quanto a empresa enquadra-se no conceito de for- celebrar o contrato de financiamento, facilmen-
necedora de produto (imóvel) e prestadora de te poderia o banco inteirar-se das condições dos

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imóveis, necessariamente destinados à venda, já Por todo o exposto e observando a jurispru-


oferecidas ao público e, no caso, com preço total dência dominante desta Corte, não conheço do
ou parcialmente pago pelos terceiros adquirentes recurso (lei 9.756 de 17 de dezembro de 1998).
de boa-fé” (RESP 329.968-DF, relator ministro Brasília, 16/6/2004. Relator: Ministro José
Sálvio de Figueiredo Teixeira, DJ de 4/2/2002) Arnaldo da Fonseca (Agravo de Instrumento no
Incide in casu, o disposto na Súmula 83 des- 580.467/RJ, DJU 25/6/2004, p.348).
ta Corte.
Ante o exposto, com base no artigo 557 do
CPC, nego seguimento ao recurso. Loteamento. Ação demarcatória.
Brasília, 14/6/2004. Relator: Ministro Antô- Alienação no curso do processo.
nio de Pádua Ribeiro (Recurso Especial n o
547.649/GO, DJU 23/6/2004, p.218). Decisão. Trata-se de agravo de instrumento
interposto por L.C.A. e outro, em face de decisão
do 3o vice-presidente do Tribunal de Justiça do
Locação. Vigência - Cláusula não Estado do Rio de Janeiro, indeferitória do
processamento de recurso especial fundado na
averbada. Penhora. Arrematação. alínea “a” do permissivo constitucional, contra
Despacho. E.D.A. interpõe agravo de instru- acórdão daquele Pretório, assim ementado, verbis:
mento atacando decisão que negou seguimento a “Direito processual civil. Ação demarcatória.
recurso especial tirado contra o seguinte acórdão Se a parte autora instruiu o processo com
proferido pelo Eg. Tribunal de Justiça do Estado documentos que permitiram que o perito conclu-
do Rio de Janeiro, verbis: ísse ter havido invasão de seu lote de terreno pelo
“Embargos de terceiro. Locação para vigir lote de terreno pertencente à parte ré e esta não
após arrematação de imóvel penhorado. Ilegiti- carreia para os autos prova em sentido contrário,
midade do locatário. Locação por prazo determi- assim como não formula, ao perito do Juízo, que-
nado sem cláusula de vigência averbada no regis- sito próprio para comprovar que, em verdade, o
tro imobiliário. Direito do arrematante imitir-se lote pertencente à parte autora tem a atual área
na posse do imóvel. Pleito do embargante para por força de erro dos loteadores, não pode
manter-se na posse até a expiração do prazo da inquinar o laudo de errado.
locação. Impossibilidade jurídica. O Juiz não está obrigado a adotar a conclu-
O Locatário, como possuidor direto do imó- são do perito por ele nomeado, mas se dele dis-
vel, tem em tese, nos termos do artigo 1046, § 1o, cordar, deve fazê-lo fundamentadamente, a fim de
do Código de Processo Civil, legitimidade para que seja respeitado o direito à ampla defesa e reste
opor embargos de terceiro. justificada a nomeação do perito.
Todavia, se a locação teve início em data pos- Se a parte ré não produz, no desempenho do
terior à arrematação, o locatário não tem legiti- seu ônus probatório, a prova do fato impeditivo,
midade para opor embargos de terceiro, até por modificativo ou extintivo do direito afirmado pela
já não mais dispor o locador da propriedade e parte autora, o pedido procede.
posse do imóvel. A alienação da coisa no curso da demanda
O pedido do locatário para permanecer no não altera a legitimidade das partes nem afasta a
imóvel até a expiração do prazo do contrato de- obrigação do vencido cumprir o comando emer-
nunciado pelo arrematante é juridicamente impos- gente da sentença.
sível, se não houver cláusula de vigência devida- Recurso conhecido, mas improvido.
mente averbada no registro imobiliário, consoan- Sentença confirmada.”
te dispõe o artigo 8o da lei 8.245/91. Sustentam os recorrentes violação aos arti-
Recurso improvido.” gos 1.058 do Código Civil, bem como 461, § 1o e
Aduz o recorrente violação à legislação federal. 462 do Código de Processo Civil.
Assim, decido: A irresignação não merece prosperar.
O apelo não merece ser conhecido no to- Com efeito, ressente-se o recurso especial do
cante à alínea “a” do permissivo constitucional, necessário prequestionamento, no que tange à
pois o recurso não está devidamente fundamen- matéria relativa aos dispositivos legais tidos por
tado, não permitindo a exata compreensão da violados, efetivamente não debatida no Tribunal
controvérsia (Súmula 282/STF). a quo. Registre-se que, consoante entendimento

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desta Corte, ainda que a questão federal surja no ventuário sujeito à aposentadoria compulsória
julgamento do acórdão recorrido, indispensável por implemento de idade (artigos 40, II e 236 e
a oposição de embargos declaratórios (Eresp seus parágrafos da Carta de 1988) - Segurança
99.796, relator ministro Eduardo Ribeiro), o que denegada, cassada a liminar.”
não foi feito na espécie. Assim, ausente o Foram opostos embargos de declaração, que
prequestionamento, incide a censura das Súmulas restaram rejeitados às fls. 428/430.
282 e 356 do STF O recorrente repisa toda a tese lançada na
Ainda que assim não fosse, verifica-se que a exordial, sustentando que tem direito líquido e
revisão do acórdão recorrido, no tocante à impos- certo de retornar às atividades cartorárias anteri-
sibilidade do cumprimento da tutela deferida no ormente exercidas, das quais restou afastado. Aduz
caso vertente, decorrente da alienação do bem em que os titulares de cartório sujeitam-se a regime
questão pelos recorrentes a terceiro, demanda jurídico de caráter privado, razão pela qual não
reexame do quadro fático-probatório delineado lhes é aplicável a aposentadoria compulsória aos
nas instâncias ordinárias, providência vedada em 70 (setenta) anos de idade.
especial, ut Súmula no 07/STJ. Parecer do Ministério Público federal, opinan-
Nego provimento ao agravo. do pelo desprovimento do recurso.
Brasília, 21/6/2004. Relator: Ministro Decido: O Superior Tribunal de Justiça pos-
Fernando Gonçalves (Agravo de Instrumento no suía jurisprudência uniforme no sentido de que
569.237/RJ, DJU 25/6/2004, p.301/302). seria aplicável a aposentadoria compulsória aos
(setenta) anos de idade aos Titulares de cartório,
nos termos do artigo 40, § 1o, II da Constituição
Aposentadoria compulsória. Oficial federal. Ilustrativamente:
de cartório. Inaplicabilidade. “Administrativo. Notários e registradores.
Aposentadoria compulsória.
Decisão. Trata-se de recurso ordinário inter- Os notários e registradores, embora exerçam
posto por R.G.P. fundado na alínea “b”, inciso II, atividade em caráter privado, o fazem por dele-
do artigo 105 da Constituição Federal, contra v. gação do Poder Público praticando atos de na-
acórdão do Eg. Tribunal de Justiça do Estado de tureza pública. Aplica-se a eles, portanto, a re-
Minas Gerais, denegatório de mandado de segu- gra relativa à aposentadoria compulsória. Enten-
rança, assim ementado: dimento mantido pelo Pretório Excelso, mesmo
“Oficial de registro de imóveis. Afastamen- após o advento da Emenda Constitucional no 20/
to. Ato do diretor do foro da comarca de Manhua- 98 (ver RE no 234.935/SP, relator ministro Celso
çu. Competência. Sendo atribuição do Poder Ju- de Mello, in DJ 9/8/1999; RE 254.065/SP,
diciário fiscalizar a regularidade da prática dos relator ministro Marco Aurélio, in DJ 7/12/1999;
atos dos notários e registradores, tem o diretor SS no 1.823/PE, relator ministro Carlos Velloso,
do Foro da comarca, competência para declarar in DJ 6/9/2000).
o afastamento de funcionário público latu sen- Recurso desprovido.” (ROMS 12.199-R5, re-
su, cuja delegação se extinguiu por implemento lator ministro Felix Fischer, DJ de 18/3/2002).
de idade. Aposentadoria compulsória. Titular de Não obstante o entendimento acima con-
cartório de registro de imóveis. Possibilidade. solidado, em recentes julgados, o Eg. Supremo
Sendo ocupante de cargo público criado por lei, Tribunal Federal – ao analisar a Emenda Consti-
submetido à permanente fiscalização do Estado tucional no 20/98, que alterou o artigo 40 da
e diretamente remunerado à cota de receita pú- Constituição Federal – se manifestou no senti-
blica (custas e emolumentos fixados por lei), e do de que a norma referente à aposentadoria
agora, provido por concurso público - está o ser- compulsória pelo implemento de idade somen-
te seria destinada aos servido-
res em sentido estrito, não es-
“Os notários e registradores, embora exerçam atividade em tando abarcados neste precei-
caráter privado, o fazem por delegação do Poder Público to os Titulares de Cartório.
Neste sentido:
praticando atos de natureza pública. Aplica-se a eles, portanto, “Em despacho relativo a
a regra relativa à aposentadoria compulsória.” pedido de concessão de medi-
da cautelar, no MS no 28.831,

Edição no 63 • janeiro 2005 43


DECISÕES DOS TRIBUNAIS SUPERIORES

com sua habitual acuidade, assim enfocou a ma- gador do E. Tribunal de Justiça do Estado de Mi-
téria destes autos, o ministro Celso de Mello: nas Gerais, que assim examinou o tema:
A questão versada na presente causa man- ‘A Constituição federal, em seu artigo 236, trans-
damental reveste-se de expressiva significação formou os notários e registradores em agentes de-
jurídica, eis que - não obstante anterior juris- legados do poder público, em caráter privado.
prudência, em sentido contrário, firmada na ma- A lei 8.935, de 19 de novembro de 1994, re-
téria pelo Supremo Tribunal Federal (RTJ 162/ gulamentou a matéria.
772-773, relator ministro Octávio Gallotti – RTJ Em sua jurisprudência, o STF considerou no-
167/329-330, relator ministro Marco Aurélio – tários e registradores como servidores públicos,
RE 234.935-SP, relator ministro Celso de Mello, lato sensu, e mandou aplicar-lhes o regime
vg.), sobreveio importante modificação introdu- previdenciário e a aposentadoria, na forma da re-
zida pela EC no 20/98, que representa, na pers- dação original do artigo 40 da Constituição.
Com a alteração do artigo 40
o
“Com a Emenda Constitucional n 20, de 15 de dezembro de pela Emenda no 20, a atuação do
regime previdenciário daquele
1998, a norma restritiva de direito teve o seu reduto diminuído, artigo foi restringida aos titula-
com destinação aos servidores, strictu senso, titulares de res de cargos de provimento efe-
tivo, servidores públicos em sen-
cargos efetivos da União, dos Estados, do Distrito Federal e tido estrito. Com a Emenda Cons-
titucional no 20, de 15 de dezem-
dos Municípios, incluídas suas autarquias e fundações.”
bro de 1998, a norma restritiva
de direito teve o seu reduto di-
pectiva do tema ora em análise (pretendida ina- minuído, com destinação aos servidores, strictu
plicabilidade, aos Oficiais Registradores e aos senso, titulares de cargos efetivos da União, dos
Notários Públicos, da cláusula pertinente à apo- Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, in-
sentadoria compulsória, por implemento de ida- cluídas suas autarquias e fundações. Tal superve-
de), o próprio fundamento em que se apóia a niência constitucional consolidou o artigo 39 da
pretensão deduzida pelo impetrante. lei 8.935/94 que, ao tratar da extinção da delega-
Cabe destacar, neste ponto, ante a extrema ção e, particularmente, da aposentadoria do notá-
idoneidade de seu autor, a autorizada lição de rio e do registrador contemplou a aposentadoria
Walter Ceneviva (‘Lei dos Notários e dos Registra- facultativa e excluiu a aposentadoria compulsória.
dores Comentada; p. 231/232, 3a ed., 2000, Sa- O § 1o, inciso II, do mencionado artigo, com a
raiva), para quem o delegado incumbido da ativi- redação da Emenda no 20, e berço constitucional
dade notarial ou de registro – precisamente por da aposentadoria compulsória, menciona os servi-
não se qualificar como servidor titular de cargo dores abrangidos pelo regime de previdência de
efetivo – acha-se excluído do regime jurídico- que trata o artigo, os quais, conforme o caput, são
constitucional da aposentadoria compulsória por os servidores titulares de cargos efetivos.
implemento de idade, notadamente em face das Pode-se argumentar que antigos serventuários
substanciais inovações resultantes da promulga- abrangidos pelo mesmo regime previdenciário,
ção da EC no 20/98. estariam equiparados aos titulares de cargos efe-
Esse entendimento – fundado no que hoje tivos. Entretanto, a aposentadoria compulsória não
dispõe a Carta Política, em texto que traduziria se destinou mais a eles, uma vez que a norma
jus novum resultante da superveniente promul- restritiva referiu-se apenas aos que, encontrando-
gação da EC no 20/98 – encontra apoio no magis- se naquele regime previdenciário, sejam titulares
tério de Décio Antônio Erpen (‘Da Responsabili- de cargos efetivos.” (Medida Cautelar na Petição
dade Civil e do Limite de Idade para Aposentado- no 2.890/SP, relatora ministra Ellen Gracie, DJ de
ria Compulsória dos Notários e Registradores’, in 11/4/2003).
‘Revista de Direito Imobiliário’ vol. 47/103-115), “(...) tendo a nova redação do artigo 40 da
referindo-se, por igual, na valiosa lição de José Constituição dada pela Emenda Constitucional no
Tarcízio de Almeida Melo (‘Reformas’, p.263 e 268/ 20/98 aludido apenas a servidores titulares de
269, 2000, Del Rey), ilustre Professor de Direito cargos efetivos da União, dos estados, do Distrito
Constitucional (PUC/MG) e eminente Desembar- Federal e dos municípios, incluídas suas autarquias

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DECISÕES DOS TRIBUNAIS SUPERIORES

e fundações para aplicar a eles a aposentadoria “Constitucional e administrativo. Recurso em


compulsória aos setenta anos de idade, é, sem mandado de segurança. Titular de cartório extra-
dúvida, verossimilhante a alegação de que esse judicial. Aposentadoria compulsória.
dispositivo não se aplica aos registradores por não - Segundo recente decisão do colendo Su-
serem titulares de qualquer cargo efetivo acima premo Tribunal Federal, inaplicável o artigo 40,
aludido.” (Pet 2903 QO/SP, relator ministro Moreira II, da Constituição federal, ao titular de cartório
Alves, DJ de 2/5/2003). extrajudicial, por força da Emenda Constitucio-
“Sabidamente a jurisprudência se firmara no nal no 20/98. Recurso provido.” (ROMS 15563/
sentido de sujeitar à aposentadoria compulsória MG, relator ministro Felix Fischer, DJ de 7/6/2004).
por idade os tabeliães e oficiais de registro (cf. “Recurso em mandado de segurança. Admi-
RE 178236, Pl, Gallotti, 7/3/96, RTJ 162/172; RE nistrativo. Serviços notariais e de registro. Apo-
189736, 1 a T., 26/3/96, Moreira, DJ 27/9/96; sentadoria compulsória. Servidor público em sen-
a
AgRRE 191030, 1 T, Gallotti, DJ 27/3/98; RE tido estrito. Emenda constitucional 20/98. Enten-
199801, 2a T, M. Aurélio, RTJ 167/329). dimento sedimentado pelo eg. STF.
A questão reagitou-se com a EC 20/98, que Seguindo-se entendimento recentemente pre-
alterou o artigo 40 e §§ CF para limitar a apo- conizado pelo eg. STF tem-se que os Oficiais de
sentadoria segundo o regime previdenciário dos Registro e Notários não são servidores públicos
servidores públicos aos titulares de cargos pú- em sentido estrito para que se sujeitem à aposen-
blicos efetivos. tadoria compulsória aos 70 anos de idade.
Essa alteração constitucional é que tem Precedentes. Recurso provido.” (ROMS 16151/
lastreado o juízo afirmativo da plausibilidade da MG, relator ministro José Arnaldo da Fonseca, DJ
resistência dos titulares de serventias à aposenta- de 10/5/2004).
doria compulsória (v g., MS 23831, desp., Celso de “Administrativo. Recurso ordinário em man-
Mello, DJ 1/2/2001; Pet 2890, 1a T. Ellen Gracie, dado de segurança. Titular de cartório extrajudi-
18/3/03, DJ 11/4/03; Pet 2903, 1a T. Moreira Alves). cial. Preliminar de nulidade do aresto, em razão
Tem a mesma base a decisão sob referendo de suspeição de magistrado julgador. Falta de in-
do em. ministro Maurício Corrêa: teresse processual para agir. Preliminar de perda
“Evidencio, na espécie, a existência do requi- de objeto. 70 (setenta) anos. Compulsória. EC no
sito do periculum in mora, a autorizar a concessão 20/98. Precedentes do colendo STF. Rejeição de
parcial da medida liminar pleiteada, dado que a ambas as preliminares. Procedimento administra-
escolha das serventias pelos candidatos aprova- tivo. Perda da delegação. Inexistência de legisla-
dos no concurso público pode gerar-lhes expec- ção punitiva à época dos fatos (1993). Retroati-
tativa de direito de ser nomeados para esses car- vidade da lei 8.935/94. Impossibilidade. Recurso
tórios, quando, conforme decisão proferida na provido. Ordem concedida.
ADI(MC) 2602, após a vigência
da EC 20/98 os titulares dos car-
tórios não estariam sujeitos à
“(...) tendo a nova redação do artigo 40 da Constituição
aposentadoria compulsória aos dada pela Emenda Constitucional no 20/98 aludido apenas
setenta anos de idade, matéria
submetida a exame deste Tribu- a servidores titulares de cargos efetivos da União,
nal no mandado de segurança dos estados, do Distrito Federal e dos municípios, incluídas
objeto do RE 245075, distribuí-
do ao Ministro Sepúlveda Per- suas autarquias e fundações para aplicar a eles a
tence.” (Pet 2915 QO/SP, relator aposentadoria compulsória aos setenta anos de idade, é,
ministro Sepúlveda Pertence, DJ
de 16/5/2003). sem dúvida, verossimilhante a alegação de que esse
Secundando o posiciona- dispositivo não se aplica aos registradores por não serem
mento do Supremo Tribunal
Federal, houve manifestação titulares de qualquer cargo efetivo acima aludido.”
desta Corte alterando o enten-
dimento anteriormente consolidado, consoan- 1 - Falta interesse processual para agir da
te se verifica nos seguintes precedentes: litisconsorte passiva necessária suscitante desta

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DECISÕES DOS TRIBUNAIS SUPERIORES

“... diante de recentes julgados do Colendo Supremo Tribunal dem na PET no 2.915/SP, relator
ministro Sepúlveda Pertence, DJU
Federal, curvo-me ao novo posicionamento daquele de 16/5/2003 e Medida Caute-
Pretório para, em face da alteração do artigo 40 da lar na PET no 2.890/SP, relatora
ministra Ellen Gracie, DJU de 18/
Carta Magna pela Emenda Constitucional no 20/98, entender 3/2003). Preliminar de perda de
objeto da impetração, em razão
que a norma referente à aposentadoria compulsória pelo
do recorrente ter completado 70
implemento de idade destina-se, apenas, aos servidores (setenta) anos de idade em 8/1
do corrente ano, rejeitada.
em sentido estrito, ou seja, aos titulares de cargos efetivos 3 - No mérito, inexistindo
da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, fundamento legal a ensejar a pena
de perda da delegação em análise
incluindo suas autarquias e funções” na época da suposta prática e da
apuração dos fatos, deve-se anu-
preliminar, já que a participação no julgamento lar o julgado que se embasou em norma posterior
de Desembargador que se declarou suspeito, ano- (Lei 8.935/94), já que é princípio basilar do Direito
tada no início do mesmo, quando da preliminar, Administrativo que o indiciado em Procedimento
somente a ela aproveitou não ao impetrante-re- Disciplinar seja, desde o início, cientificado de suas
corrente, porquanto o seu voto foi no sentido de faltas, com expresso enquadramento legal, para, nos
denegar a ordem, acompanhando o relator. Logo, termos constitucionais, defender-se destes. Ademais,
os favorecidos foram o Estado, ora recorrido, bem deve-se observar o princípio constitucional previsto
como as litisconsortes passivas necessárias, tam- no artigo 5o, XXXVI, da Magna Carta, acerca da irre-
bém ora recorridas, inexistindo-lhes qualquer pre- troatividade da lei, já que os fatos pelos quais o re-
juízo. Ademais, em razão dos Princípios da corrente foi acusado se passaram entre janeiro e ju-
Instrumentalidade do Processo e da Economia lho de 1993, bem antes da vigência da lei 8.935, de
Processual, não há como admitir a nulidade do v. 1994 (cf. STF, Tribunal Pleno, ADI no 493/DF, relator
arresto guerreado, novamente, em decorrência de ministro Moreira Alves).
uma alegada suspeição ‘processualmente inútil”, 4 - Preliminares rejeitadas e recurso conheci-
para que este writ seja julgado pela quarta vez, do e provido para, reformando in totum o v.
arrastando-se por mais anos. Tais delongas são acórdão de origem, conceder a ordem, nos ter-
desnecessárias. Preliminar de nulidade afastada. mos em que pleiteada na inicial. Custas ex lege.
2 - Apesar desta Relatoria, na esteira de uníssona Sem honorários, a teor das Súmulas 105/STJ e
jurisprudência desta Corte Superior, inúmeras ve- 512/STF.” (ROMS 16752/RO, relator ministro Jor-
zes ter decidido no sentido de que os Oficiais de ge Scartezzini, DJ de 8/3/2004).
Registro e Notários são servidores públicos em Assim, ante o atual posicionamento desta
sentido lato, sujeitando-se ao disposto no artigo Corte, a irresignação posta no presente recurso
40, II, da Constituição federal, que prevê a merece prosperar.
supracitada aposentadoria compulsória aos 70 Ante o exposto, nos termos do artigo 557 §
o
(setenta) anos, diante de recentes julgados do 1 - A do Código de Processo Civil, conheço do
Colendo Supremo Tribunal Federal, curvo-me ao recurso e lhe dou provimento.
novo posicionamento daquele Pretório para, em Brasília, 14/6/2004. Relator: Ministro Gilson
face da alteração do artigo 40 da Carta Magna pela Dipp (Recurso Ordinário em MS no 16.069/MG, DJU
o
Emenda Constitucional n 20/98, entender que a 25/6/2004, p.326/327).
norma referente à aposentadoria compulsória pelo
implemento de idade destina-se, apenas, aos ser-
vidores em sentido estrito, ou seja, aos titulares SFI. Unidades autônomas. Hipoteca.
de cargos efetivos da União, dos Estados, do Dis- Instituição financeira. Gravame não
trito Federal e dos Municípios, incluindo suas
autarquias e funções (cf. entre outros, Questão oponível ao terceiro adquirente.
o
de Ordem na PET n 2.903/SP, relator ministro Decisão. Recurso especial. Financiamento para
Moreira Alves, DJU de 2/5/2000; Questão de Or- construção. SFH. Hipoteca. Terceiros adquirentes

46 Edição no 63 • janeiro 2005


DECISÕES DOS TRIBUNAIS SUPERIORES

de unidades imobiliárias. Precedentes do STJ. titucionais pretensamente ofendidos não ense-


Firme o entendimento no sentido de que, em jam a abertura da via eleita, porquanto incom-
contratos de financiamento para construção de patíveis com o desenho normativo que ampara o
imóveis pelo Sistema Financeiro de Habitação, a recurso especial.
garantia hipotecária do contrato concedida pela 3. Quanto ao artigo 535, II, do Código de
incorporadora ao banco não atinge o terceiro Processo Civil, não se verifica a alegada afronta,
adquirente da unidade. Recurso especial a que se uma vez que o Tribunal de origem dirimiu,
nega seguimento. fundamentadamente todas as questões levanta-
1. O Banco Itaú S.A. interpõe recurso especi- das pelas partes, inexistindo qualquer omissão ou
al, fundado nas alíneas “a” e “c” do permissivo contradição.
constitucional, contra acórdão do egrégio Tribu- 4. A questão referente à decadência, baseada
nal de Justiça de Goiás assim ementado: no artigo 26 do Código de Defesa do Consumidor,
“Apelação. Falência. Sistema Financeiro Imo- a par de deficientemente fundamentada, não foi
biliário. Adquirentes promitentes de unidades re- debatida pelo Tribunal de origem, tampouco sus-
sidenciais dadas em hipoteca mesmo sendo pú- citada nos aclaratórios opostos. lncidência, no
blico que a incorporadora passava por enormes ponto, dos óbices dos verbetes 282 e 356 do
dificuldades financeiras. Ofensa aos princípios da Pretório Excelso.
boa-fé consagrados no CDC. 5. No restante, pretende o recorrente ver re-
Não prevalece diante do terceiro adquirente conhecida a legitimidade do gravame hipotecá-
de boa-fé a hipoteca constituída pela incorpora- rio. Não lhe assiste razão.
dora junto à instituição financeira porque a es- A questão já está pacificada no âmbito desta
trutura não só do Código de
Defesa do Consumidor, como
também, do próprio sistema
“Firme o entendimento no sentido de que em contratos
Habitacional, foi consolidada de financiamento para construção de imóveis pelo
para respeitar o direito do con-
sumidor. O fato de constar do re-
Sistema Financeiro de Habitação, a garantia hipotecária
gistro a hipoteca da unidade do contrato concedida pela incorporadora ao banco não
edificada em favor do agente
financiador da construtora não atinge o terceiro adquirente da unidade.”
tem o efeito que se lhe procura
atribuir, para atingir também o terceiro adquiren- Corte, no mesmo sentido do v. aresto hostilizado.
te, pois que ninguém que tenha adquirido imóvel Registro os Resp’s 514.993/GO e 556.801/
pelo SFH assumiu a responsabilidade de pagar a GO, por mim relatados, julgados em 25/11/2003
sua dívida e mais a dívida da construtora perante e 18/5/2004, assim ementados:
o seu financiador. Apelo improvido”. “Civil e processo civil. Financiamento para
o
O recorrente alega ofensa aos artigos 5 , XX construção. SFH. Hipoteca. Terceiros adquirentes
e XXXVI, da Carta Magna; 535, II do Estatuto de unidades imobiliárias.
Processual Civil; 677, 755, 758, 811, 848, 849 Firme o entendimento no sentido de que em
e 850 do Código Civil de 1916; 20 do decreto- contratos de financiamento para construção de
lei 58/37 e 23, parágrafo 4o da lei 4.864/65, imóveis pelo Sistema Financeiro de Habitação, a
bem como divergência jurisprudencial. Susten- garantia hipotecária do contrato concedida pela
ta, em síntese, que o direito pessoal não pode incorporadora ao banco não atinge o terceiro
sobrepujar o direito real resultante de hipoteca adquirente da unidade.
regularmente registrada. Postula, ademais, pelo Confiram-se, ainda, os REsp’s nos 187.940/SP,
reconhecimento da decadência prevista no ar- 205.607/SP, 239.557/SC e 401.252/SP, todos
tigo 26 da Lei Consumerista. relatados pelo eminente Ministro Ruy Rosado de
Respondido, o apelo foi admitido na origem, Aguiar, respectivamente nos DJ’s de 21/6/1999,
ascendendo os autos a esta Corte. 1/7/1999, 7/8/2000 e 5/8/2002; o REsp n o
O Ministério Público federal opinou pelo 415.667/SP, relatado pelo eminente Ministro Aldir
improvimento do recurso. Passarinho Júnior, DJ de 7/4/2003; bem como o
2. Anoto, inicialmente, que os preceitos cons- REsp no 498.862/GO, relatado pelo eminente Mi-

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DECISÕES DOS TRIBUNAIS SUPERIORES

nistro Carlos Alberto Menezes Direito, DJ de 1/3/ Tudo visto e examinado, decido.
2004, dentre outros. Dispõe o artigo 542, parágrafo 2o, do Código
Incide, na espécie, portanto, o verbete 83 da de Processo Civil, com a nova redação dada pela
súmula desta Corte. lei 8.950/94, que:
6. Diante do exposto, amparado no artigo 557 “Art. 542. Recebida a petição pela secretaria
do CPC, nego seguimento ao recurso especial. do tribunal e aí protocolada, será intimado o re-
Brasília, 19/5/2004. Ministro César Asfor Ro- corrido, abrindo-se-lhe vista para apresentar con-
cha, relator (Recurso Especial 620.201/GO, DJU tra-razões.
9/6/2004, p.294/295). (... )
§ 2o Os recursos extraordinário e especial se-
rão recebidas no efeito devolutivo.”
Penhora. Contrato de locação. Ao que se tem por força legal, o recurso espe-
Fiança. Fundo de comércio. cial de competência constitucional deste Superior
Tribunal de Justiça (artigo 105, inciso III, da Cons-
Decisão. Cautelar inominada, com pedido de tituição da República) não dispõe de efeito
medida liminar, em que são partes O.E. e A.M.B.E., suspensivo, razão pela qual se admite a execução
autores, e A.D.V.C., M.L.G.M. e M.J.V.G., réus, vi- provisória do acórdão proferido pela Corte Estadu-
sando à atribuição de efeito suspensivo a re- al (artigo 497, combinado com o artigo 587, se-
curso especial interposto, “(...) o deferimento gunda parte, todos do Código de Processo Civil).
de medida liminar inaudita altera para determi- Daí porque este Superior Tribunal de Justiça
nar-se que o leilão designado para o dia 16 de tem admitido, em circunstâncias excepcionais, a
junho de 2004 não se realize, bem como qual- concessão de efeito suspensivo a recursos de sua
quer outro, comunicando-se efeito suspensivo competência constitucional, desde que utilizada,
ao recurso especial já interposto pelos reque- pelo interessado a competente medida cautelar
rentes (...)”. inominada (artigos 34, inciso V, e 288, do RISTJ).
Consta dos autos que A.D.V.C., M.L.G.M. e Impõe-se anotar, contudo, que a outorga de
M.J.V.G. ajuizaram ação de execução de contrato efeito suspensivo por intermédio de cautelar
de locação contra O.E. e A.M.B.E., fiadores, tendo incidental, além da satisfação cumulativa do re-
os embargos sido julgados improcedentes. quisitos do fumus boni iuris (viabilidade proces-
O juízo monocrático homologou indicação sual do recurso e plausibilidade jurídica da pre-
pericial para o fim de estipular apenas o valor do tensão de direito material deduzida pela parte) e
imóvel penhorado como indicado pelo perito, sem do periculum in mora, depende do juízo positivo
a inclusão do fundo de comércio no valor da ava- de admissibilidade emanado da Presidência da
liação, sobrevindo recurso de agravo de instru- Corte Estadual.
mento, com pedido de efeito suspensivo. Nesse sentido, o seguinte precedente juris-
O agravo de instrumento foi improvido, em prudencial:
acórdão sumariado da seguinte forma: “Medida cautelar inominada. Concessão de
“Execução. Penhora de bem imóvel. Pretensão efeito suspensivo a recurso extraordinário. Deci-
à inclusão do fundo de comércio. Inadmissibilidade. são referendada por Turma do Supremo Tribunal
Dissociabilidade entre um e outro. Garantia sufici- Federal. Pressupostos essenciais a outorga de efi-
ente. Recurso desprovido, revogada a liminar. O cácia suspensiva a recurso extraordinário.
fundo de comércio não integra o
bem imóvel, podendo este ser pe-
nhorado isoladamente mesmo “Execução. Penhora de bem imóvel. Pretensão à
porque a garantia penhorada já inclusão do fundo de comércio. Inadmissibilidade.
basta ao pagamento do débito.”
Do acórdão foi interposto Dissociabilidade entre um e outro. Garantia suficiente.
recurso especial, ao qual se visa Recurso desprovido, revogada a liminar. O fundo de
à atribuição de efeito suspensivo
por intermédio da presente me- comércio não integra o bem imóvel, podendo este ser
dida cautelar, para que, em últi- penhorado isoladamente mesmo porque a garantia
ma análise, seja sustado o anda-
mento da ação de execução. penhorada já basta ao pagamento do débito.”

48 Edição no 63 • janeiro 2005


DECISÕES DOS TRIBUNAIS SUPERIORES

- A concessão de medida cau-


“Não compete ao Supremo Tribunal Federal conceder medida
telar, pelo Supremo Tribunal fe-
deral, quando requerida com o cautelar para dar efeito suspensivo a recurso extraordinário que
objetivo de atribuir eficácia sus-
ainda não foi objeto de juízo de admissibilidade na origem.”
pensiva a recurso extraordinário,
exige, para viabilizar-se, a cumu-
lativa observância dos seguintes pressupostos: (1) II - O incidente de uniformização de jurispru-
instauração da jurisdição cautelar do Supremo Tri- dência constitui-se mera faculdade do Julgador,
bunal federal motivada pela existência de juízo e não uma obrigação, estando a instauração do
positivo de admissibilidade do recurso extraordi- procedimento sujeita aos critérios de oportuni-
nário, (2) viabilidade processual do recurso extra- dade e conveniência
ordinário, caracterizada, dentre outros requisitos, Agravo regimental a que se nega provimen-
pelas notas da tempestividade, do prequestiona- to.” (AgRgMC no 4.262/SP, relator ministro Felix
mento explícito da matéria constitucional e da ocor- Fischer, in DJ 4/2/2002).
rência de ofensa direta e imediata ao texto da Cons- “Agravo regimental. Medida cautelar. Efeito
tituição, (3) plausibilidade jurídica da pretensão suspensivo. Recurso especial inadmitido pela Corte
de direito material deduzida pela parte interessada Estadual. Impossibilidade.
e (4) ocorrência de situação configuradora de - A outorga de efeito suspensivo a recurso
periculum in mora. Precedentes.” especial por intermédio de cautelar incidental,
(...)” (Petição 2.466/PR, relator ministro Cel- além da satisfação cumulativa dos requisitos do
so de Mello, in DJ 26/4/2002). fumus boni iuris e do periculum in mora, depende
In casu, os próprios autores dão conta de que do juízo positivo de admissibilidade emanado da
a insurgência especial ainda não ultrapassou o juí- presidência da Corte estadual.
zo de admissibilidade da Corte Estadual, restando - Há firme entendimento nesta Sexta Turma,
inviável, dessa forma, o exame da plausibilidade no sentido de que não cabe, em regra, atribuir
jurídica do pedido por esta Corte Superior de Jus- efeito suspensivo ao agravo de instrumento con-
tiça, por não ter se instaurado a jurisdição cautelar tra a inadmissão de recurso especial, por se tratar
deste Superior Tribunal de Justiça. de decisão de conteúdo negativo, implicando an-
Outro não é o entendimento das duas Turmas tecipação de julgamento do próprio agravo de
que integram a Terceira Seção deste Superior Tri- instrumento interposto.
bunal de Justiça: - Agravo regimental improvido.” (AgRgMC
“Processual civil. Agravo regimental. Medida 1.997/RS, da minha relatoria, in DJ 18/9/2000).
cautelar. Incidente de uniformização de jurispru- E do enunciado 634 do Supremo Tribunal Fede-
dência. Efeito suspensivo a recurso especial ain- ral, também aplicável em sede de recurso especial:
da não admitido. Liminar denegada. “Não compete ao Supremo Tribunal Federal
I - Segundo precedentes do Pretório Excelso conceder medida cautelar para dar efeito suspen-
e desta Corte, não é cabível a concessão de limi- sivo a recurso extraordinário que ainda não foi
nar em medida cautelar para dar efeito suspensivo objeto de juízo de admissibilidade na origem.”
a recurso especial que ainda não foi objeto do No mais, quanto àquelas questões em que se
juízo de admissibilidade no Tribunal a quo, ao reclama a tutela cautelar no período entre a de-
passo que representaria uma intervenção desca- cisão definitiva da instância ordinária e a admis-
bida na jurisdição da Corte de origem. são da insurgência especial, mostrando-se pre-
sentes tanto o fumus bonis iuris
quanto periculum in mora, o
“A impossibilidade de esta Corte deferir pedido de liminar para Excelso Supremo Tribunal Fede-
dar efeito suspensivo a recurso extraordinário ainda não ral assim se manifestou:
“(...)
admitido permite que, entre a interposição desse recurso e a - A impossibilidade de esta
prolação desse juízo de admissibilidade, não haja autoridade Corte deferir pedido de liminar
para dar efeito suspensivo a re-
ou órgão judiciários que, por força de dispositivo legal, tenha curso extraordinário ainda não
competência para o exame de liminar dessa natureza.” admitido permite que, entre a

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interposição desse recurso e a prolação desse juízo Decisão de admissão às fls. 111/112.
de admissibilidade, não haja autoridade ou órgão Decido. Em relação à matéria tratada nos au-
judiciários que, por força de dispositivo legal, te- tos, o Superior Tribunal de Justiça, ao apreciar
nha competência para o exame de liminar dessa situação idêntica à presente, assim se posicionou
natureza. Para suprir essa lacuna que pode acarre- nos termos dos seguintes precedentes, verbis:
tar danos irreparáveis ou de difícil reparação em “Locação. Embargos à execução em caráter re-
casos em que é relevante a fundamentação jurídica gressivo. Outorga uxória em fiança. Falta de preques-
do recurso extraordinário, seria de atribuir-se ao tionamento. Sub-rogação do fiador que paga a dívi-
presidente do Tribunal a quo que é competente para da oriunda de débitos locatícios. Impenhorabilidade
examinar sua admissibilidade, competência para do bem de família do locatário.
conceder, ou não, tal liminar e, se a concedesse, – A nova Lei do Inquilinato restringiu o al-
essa concessão vigoraria, se o recurso extraordiná- cance do regime de impenhorabilidade dos bens
rio viesse a ser admitido até que essa Corte a ratifi- patrimoniais residenciais instituído pela lei
casse, ou não. Essa solução não encontra óbice em 8.009/90, considerando passível de constrição
que, assim, haveria invasão na competência deste judicial o bem familiar dado em garantia por
Supremo Tribunal, certo que, antes da admissão do obrigação decorrente de fiança concedida em
recurso extraordinário e por causa do sistema do contrato locatício.
juízo dessa admissibilidade, não é possível a ele – Com o pagamento da dívida pelo fiador da
decidir esse pedido de liminar.” (Pet. 1.872-9/RS - relação locatícia, fica este sub-rogado em todas
Questão de Ordem, relator ministro Moreira Alves as ações, privilégios e garantias que tinha o loca-
in DJ 14/4/2000). dor-credor em relação ao locatário-devedor, nos
Pelo exposto, com fundamento no artigo 38 termos do Código Civil, artigo 988.
da lei 8.038/90, combinado com o artigo 34, inciso – A jurisprudência já pacificou entendimen-
XVIII, do Regimento Interno deste Superior Tribu- to no sentido de ser vedada a penhora de bem
nal de Justiça, nego seguimento ao pedido. de família do locatário em execução proposta pelo
Brasília, 15/6/2004. Ministro Hamilton locador a fim de solver dívida advinda da rela-
Carvalhido, relator (Medida Cautelar 8.424/SP, ção locatícia.
DJU 22/6/2004, p.226/227). – Se ao locador-credor não é possibilitado
constringir judicialmente o imóvel do locatário, e
a sub-rogação transmite os direitos e ações que
Penhora. Locação. Fiança. possuía o credor, conseqüência lógica é que ao
Sub-rogação. Bem de família. fiador tal privilégio não pode ser assegurado, de
vez que não existia para o credor primitivo.
Decisão. Trata-se de recurso especial interpos- – Recurso especial conhecido e provido.”
to por A.A.G.F. e cônjuge, fundado na alínea “a” (REsp 263.114/SP, relator ministro Vicente Leal,
do permissivo constitucional contra v. acórdão do DJ de 28/5/2001).
Eg. Segundo Tribunal de Alçada Cível do Estado “Locação. Fiador que paga a dívida ao loca-
de São Paulo, assim ementado, verbis: dor. Sub-rogação legal. Execução contra locatá-
“Locação de imóveis. Execução promovida rio-afiançado. Bem de família. Penhora. Impossi-
pelos fiadores em face dos locatários. Sub-rogação bilidade legal.
nos direitos de credor. Penhorabilidade do bem 1. A impenhorabilidade do bem de família é
de família. Possibilidade. Os fiadores que solvem regra, somente cabendo as exceções legalmente
a obrigação dos locatários sub-rogam-se nos di- previstas. Nos termos da lei 8.009/90, artigo 3o,
reitos de credor, incabível, destarte, na execução VII (incluído pela lei 8.245/91, art. 82), é possí-
por aqueles promovida, a alegação, pelos deve- vel a penhora do bem de família como garantia
dores formulada, de impenhorabilidade do bem de obrigação decorrente de fiança concedida em
de família, de acordo com o disposto no artigo contrato de locação.
3o, VII, da lei 8.009/90. 2. O fiador que paga integralmente a dívida a
Recurso a que se nega provimento.” qual se obrigou, fica sub-rogado nos direitos e
Os recorrentes alegam contrariedade ao arti- garantias do locador-credor. Entretanto, não há
go 3o da lei 8.009/90 e ao artigo 82 da lei 8.245/ como estender-lhe o privilégio da penhorabilidade
91. Contra-razões às fls. 103/109. do bem de família em relação ao locatário-afiança-

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do, taxativamente previsto no dispositivo mencio- do deve ser condenado no ônus da sucumbência.
nado, visto que nem mesmo o locador o dispunha. Instado, o douto Ministério Público federal
3. Recurso conhecido e provido” (REsp manifestou-se pelo provimento do recurso especial.
255.663/SP, relator ministro Edson Vidigal, DJ de Relatados. Decido.
28/8/2000). Tenho que a presente postulação merece guarida.
Ante o exposto, com base no artigo 557, pa- A condenação em honorários advocatícios é
rágrafo 1o A do Código de Processo Civil conheço uma decorrência lógica do princípio da sucumbên-
do recurso e lhe dou provimento. cia. Por disposição legal, o ônus dos honorários
Brasília, 7/5/2004. Ministro Gilson Dipp, cabe ao vencido na demanda (artigo 20 do Código
relator (Recurso Especial 634.058/SP, DJU 14/5/ de Processo Civil). A boa-fé ou a averiguação do
2004, p.336). fato de se ter dado, ou não, causa à demanda, só
tem lugar quando não é possível se identificar a
parte vencida na relação processual.
Penhora. Bem de família. No caso dos autos, foram julgados proceden-
Impenhorabilidade. tes os embargos de terceiro opostos à execução
fiscal movida pelo Instituto Nacional do Seguro
Decisão. Trata-se de recurso especial interpos- Social por ter sido penhorado bem de família. Na
to pelo G.P.C. com fulcro no artigo 105, III, alíne- impugnação aos embargos de terceiro e na apela-
as “a” e “c”, da Constituição Federal, contra acórdão ção, o INSS se opôs à natureza do bem, não ha-
proferido pelo Tribunal Regional Federal da 4a vendo como ser aplicado o princípio da causali-
Região, assim ementado, verbis: dade. Portanto, tendo sido vencido na ação, deve
“Embargos de terceiro. Impenhorabilidade. o INSS arcar com os honorários advocatícios.
Bem de família. Lei 8.009/90. Prova. Honorários Nesse sentido, cito os seguintes julgados, verbis:
advocatícios. Incabimento. “Agravo regimental. Ônus sucumbencial. Apli-
1. Os documentos anexados aos autos – com- cação independente da boa-fé com que tenha agi-
provantes de residência, certidões dos cartórios de do o vencido. Os encargos da sucumbência de-
registro de imóveis da comarca dando conta da correm exclusivamente da derrota experimenta-
inexistência de bens em nome da embargante – da pela parte. Agravo improvido”(AGA 136.409/
comprovam que a demandante, ex-esposa do exe- SP, relator ministro Barros Monteiro, DJ de 18/
cutado, permanece residindo no imóvel do casal. 8/1997, p.37.899).
2. Assim, tratando-se de bem destinado à moradia “Agravo regimental. Recurso especial não ad-
de entidade familiar, inviável a penhora, consoante o mitido. Embargos de terceiro. Honorários.
disposto no artigo 1o da lei 8.009,
de 29 de março de 1990.
3. Inexistindo nos autos da
“No caso dos autos, foram julgados procedentes os embargos
execução quaisquer elementos de terceiro opostos à execução fiscal movida pelo Instituto
capazes de alertar o credor da
eventual impossibilidade da pe-
Nacional do Seguro Social por ter sido penhorado bem de
nhora, visto que o bem ainda família. Na impugnação aos embargos de terceiro e na apelação,
consta como sendo do executa-
do no Registro de Imóveis, a par-
o INSS se opôs à natureza do bem, não havendo como ser
te embargada não pode ser con- aplicado o princípio da causalidade. Portanto, tendo sido vencido
denada ao pagamento das cus-
tas e honorários de advogado.” na ação, deve o INSS arcar com os honorários advocatícios.”
Opostos embargos de decla-
ração, foram estes rejeitados. 1. No exame da admissibilidade do recurso
Sustenta a recorrente violação aos artigos 20 e especial, pela alínea “a” do permissivo constituci-
535 do CPC, bem como divergência jurisprudencial, onal, é possível apreciar o mérito da causa.
aduzindo, em síntese, que o Código de Processo Civil, 2. Julgados procedentes os embargos, impõe-
com relação à condenação em honorários advocatí- se a condenação dos vencidos no pagamento da
cios, adota o princípio objetivo da derrota e, julgan- verba honorária, não os liberando desse ônus o
do procedente o pedido formulado na ação, o venci- fato de não ter sido levado a registro o compro-

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misso de compra e venda. Precedente. Loteamento. Obras de


3. Quanto ao dissídio, efetivamente deixaram
infra-estrutura. Responsabilidade.
os recorrentes de demonstrá-lo, nos moldes exi-
gidos pelo artigo 541, parágrafo único, do Códi- Ementa. Administrativo. Parcelamento do solo. Lo-
go de Processo Civil. Não mencionaram, como exi- teamento. Obras de infra-estrutura. Responsabilidade.
gido em recurso especial, as circunstâncias que 1. Embora conceitualmente distintas as modali-
identifiquem ou assemelhem o aresto paradigma dades de parcelamento do solo, desmembramento e
com a hipótese destes autos. loteamento, com a Lei 9.785/99, que alterou a Lei
4. Agravo regimental improvido” (AGA 288.508/ de Parcelamento do Solo – Lei 6.766/79, não mais
SP, relator ministro Carlos Alberto Menezes Direito, se questionam as obrigações do desmembrador ou
DJ de 16/10/2000, p.00309). do loteador. Ambos são obrigados a cumprir as re-
“Processual civil. Embargos de terceiro. Con- gras do plano diretor.
trato de compra e venda não registrado. Verba ho- 2. As obras de infra-estrutura de um loteamento
norária paga pelo embargado. Aplicação do princí- são debitadas ao loteador, e quando ele é oficial-
pio da sucumbência. Princípio da causalidade. mente aprovado, solidariza-se o Município.
1. Embora o compromisso particular de com- 3. Obrigação solidária a que se incumbe o
pra e venda do imóvel não tenha sido registrado loteador, o devedor solidário acionado pelo Mi-
perante o cartório competente, fato que ocasio- nistério Público.
nou a errônea indicação do bem à penhora pelo 4. Recurso especial improvido.
INSS e o posterior acolhimento dos embargos de Brasília, 12/11/2002. Relatora: Ministra
terceiro, não é oponível aos embargantes a con- Eliana Calmon (Recurso Especial 263.603/SP, DJU
denação em honorários advocatícios. Aplicação 24/5/2004, p.229).
do princípio da sucumbência.
2. Prevaleceria o princípio da causalidade se
a autarquia federal, diante da propositura dos em-
bargos de terceiro, não tivesse contestado o fei-
to, quando seria, então, sustentável a tese da con- Loteamento. Rede de água.
denação dos embargantes na verba honorária.
3. Recurso especial improvido” (REsp 490.605/
Custeio. Lei 6.766/79
SC, relatora ministra Eliana Calmon, DJ de 19/5/ Ementa. Civil. Loteamento. Cláusula contra-
2003, p.00220). tual que atribui aos adquirentes o custeio da rede
“Execução. Penhora. Embargos de terceiro. de água potável. Validade. Lei 6.766/79, artigos
Honorários. 18, V, e 26. Exegese.
1. Enfrentando o embargado, credor, as ra- I. Não constando dos preceitos da lei 6.766/
zões postas nos embargos de terceiro, defenden- 79 vedação a que as despesas de implantação de
do a legitimidade e regularidade da penhora, não rede de água potável em loteamento sejam
há falar em inversão da sucumbência. custeadas pelos adquirentes dos lotes, em haven-
2. Recurso especial não conhecido” (REsp do previsão contratual originária e vinculante
489.238/MG, relator ministro Carlos Alberto nesse sentido, aqui existente, é procedente a ação
Menezes Direito, DJ de 15/9/2003, p.00316). de cobrança intentada pela empresa empreende-
Tais razões expendidas, com esteio no artigo dora contra os compradores inadimplentes com
557, parágrafo 1o A, do Código de Processo Civil, tal obrigação.
dou provimento ao presente recurso especial. II. Recurso especial conhecido e provido.
Brasília, 4/5/2004. Ministro Francisco Falcão, Brasília, 6/4/2004. (Data do Julgamento)
relator (Recurso Especial 572.102/SC, DJU 20/5/ Relator: Ministro Aldir Passarinho Júnior (Recur-
2004, p.206/207). so Especial 191.907/SP, DJU 24/5/2004, p.276).

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