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EXERCÍCIO 1 (PORTFÓLIO)

Mostre que:

[sin(𝑦) + 𝑥 sin(𝑦)]𝑑𝑥 + 𝑥 cos(𝑦) 𝑑𝑦 = 0

Possui fator integrante que só depende de 𝑥. Determine-o e resolva a equação.

Sol.:

Vemos claramente que essa EDO está na forma,

𝑀(𝑥, 𝑦)𝑑𝑥 + 𝑁(𝑥, 𝑦)𝑑𝑦 = 0

Onde,

𝑀(𝑥, 𝑦) = sin(𝑦) + 𝑥 sin(𝑦)

𝑁(𝑥, 𝑦) = 𝑥 cos(𝑦)

Podemos multiplicar essa EDO por uma função 𝜇(𝑥, 𝑦) e depois tentar escolhê-la de modo que
a equação resultante,

𝜇(𝑥, 𝑦)𝑀(𝑥, 𝑦)𝑑𝑥 + 𝜇(𝑥, 𝑦)𝑁(𝑥, 𝑦)𝑑𝑦 = 0

Seja exata. Sabemos que ela será exata se e somente se,

(𝜇𝑀)𝑦 = (𝜇𝑁)𝑥

Dessa forma ela deve satisfazer a equação diferencial,

𝑀𝑦 − 𝑁𝑥 + (𝑀𝑦 − 𝑁𝑥 ) = 0

Agora, vamos determinar as condições necessárias sobre 𝑀 e 𝑁 de modo que a equação dada
tenha um fator integrante 𝜇(𝑥, 𝑦) que dependa apenas da variável 𝑥. Para lograr este
propósito, a seguinte condição deve ser satisfeita,

(𝜇𝑀)𝑦 = (𝜇𝑁)𝑥

(𝜇𝑁𝑥 ) = 𝜇𝑁𝑥 + 𝑁𝜇𝑥

Logo, para que (𝜇𝑀)𝑦 seja igual a (𝜇𝑁)𝑥 , é necessário que,

𝑑𝜇 (𝑀𝑦 − 𝑁𝑥 )
𝜇𝑥 = = 𝜇
𝑑𝑥 𝑁

Portanto, se o termo,

(𝑀𝑦 − 𝑁𝑥 )
𝑁

Dependesse somente de 𝑥, então existirá um fator integrante 𝜇 que também dependerá


unicamente da variável 𝑥.
Com essa previa introdução teórica, passamos a resolver a EDO, para tal propósito primeiro
calculamos 𝑀𝑦 e 𝑁𝑥 , ou seja, temos que,

𝑀(𝑥, 𝑦) = sin(𝑦) + 𝑥 sin(𝑦)

𝜕𝑀(𝑥, 𝑦)
𝑀𝑦 = = cos(𝑦) + 𝑥 cos(𝑦)
𝜕𝑦

Logo,

𝑀𝑦 = cos(𝑦) + 𝑥 cos(𝑦)

Agora, temos que,

𝑁(𝑥, 𝑦) = 𝑥 cos(𝑦)

𝜕𝑁(𝑥, 𝑦)
𝑁𝑥 = = cos(𝑦)
𝜕𝑥

Então,

𝑁𝑥 = cos(𝑦)

Observamos que esta EDO é uma equação não exata, visto que,

𝑀𝑦 ≠ 𝑁𝑥

Agora bem, utilizamos a teoria dada inicialmente para encontrar um fator integrante que
converta essa EDO em exata, então temos,

(𝑀𝑦 − 𝑁𝑥 )
𝜇𝑥 =
𝑁

Substituindo os valores encontrados de 𝑀𝑦 e 𝑁𝑥 ,

[cos(𝑦) + 𝑥 cos(𝑦) − cos(𝑦)] 𝑥 cos(𝑦)


𝜇𝑥 = =
𝑥 cos(𝑦) 𝑥 cos(𝑦)

E obtemos o seguinte valor,

𝜇𝑥 = 1

Nestas condições o Fator Integrante é dado por,

𝜇(𝑥, 𝑦) = 𝑒 ∫ 1𝑑𝑥 = 𝑒 𝑥

Que depende unicamente da variável 𝒙.


Agora, multiplicamos esse fator integrante na nossa EDO, obtendo a seguinte forma para a
nossa equação,

𝑒 𝑥 [sin(𝑦) + 𝑥 sin(𝑦)]𝑑𝑥 + 𝑒 𝑥 𝑥 cos(𝑦) 𝑑𝑦 = 0

As novas funções 𝑀(𝑥, 𝑦) e 𝑁(𝑥, 𝑦) são dadas por,

𝑀(𝑥, 𝑦) = 𝑒 𝑥 [sin(𝑦) + 𝑥 sin(𝑦)]

𝑁(𝑥, 𝑦) = 𝑒 𝑥 𝑥 cos(𝑦)

Verificamos se 𝑀𝑦 = 𝑁𝑥 , então derivamos essas funções,

𝜕𝑀(𝑥, 𝑦)
𝑀𝑦 = = 𝑒 𝑥 cos(𝑦) + 𝑒 𝑥 𝑥 cos(𝑦)
𝜕𝑦

𝜕𝑁(𝑥, 𝑦)
𝑁𝑥 = = 𝑒 𝑥 𝑥 cos(𝑦) + 𝑒 𝑥 cos(𝑦)
𝜕𝑥

Agora sim, a nossa EDO virou uma equação exata, pois,

𝜕𝑀(𝑥, 𝑦) 𝜕𝑁(𝑥, 𝑦)
=
𝜕𝑦 𝜕𝑥

Portanto, existe uma solução para esta EDO, para tal propósito definimos uma função 𝑓(𝑥, 𝑦)
tal que,

𝑓(𝑥, 𝑦) = 𝑐

Com 𝑐 uma constante arbitrária, também essa função 𝑓(𝑥, 𝑦) deverá cumprir com as seguintes
condições,

𝜕𝑓(𝑥, 𝑦)
= 𝑀(𝑥, 𝑦)
𝜕𝑥

𝜕𝑓(𝑥, 𝑦)
= 𝑁(𝑥, 𝑦)
𝜕𝑦

Então, procedemos a integrar, podemos utilizar qualquer uma das condições anteriores,
portanto, utilizamos,

𝜕𝑓(𝑥, 𝑦)
∫ 𝑑𝑥 = ∫ 𝑀(𝑥, 𝑦)𝑑𝑥 = ∫ 𝑒 𝑥 [sin(𝑦) + 𝑥 sin(𝑦)]𝑑𝑥
𝜕𝑥

Então temos,

𝑓(𝑥, 𝑦) = 𝑒 𝑥 sin(𝑦) + 𝑒 𝑥 𝑥 sin(𝑦) − 𝑒 𝑥 sin(𝑦) + 𝑔(𝑦)

Ficando,

𝑓(𝑥, 𝑦) = 𝑒 𝑥 𝑥 sin(𝑦) + 𝑔(𝑦)


Agora essa 𝑓(𝑥, 𝑦) que acabamos de encontrar a derivamos em relação a 𝑦 com o propósito
de encontrar a função 𝑔(𝑦),

𝜕𝑓(𝑥, 𝑦)
= 𝑒 𝑥 𝑥 cos(𝑦) + 𝑔′ (𝑦)
𝜕𝑦

Igualamos essa derivada com a (nova) função 𝑁(𝑥, 𝑦) = 𝑒 𝑥 𝑥 cos(𝑦), isto é,

𝑒 𝑥 𝑥 cos(𝑦) + 𝑔′ (𝑦) = 𝑒 𝑥 𝑥 cos(𝑦)

E obtemos,

𝑔′ (𝑦) = 0

Então, a função 𝑓(𝑥, 𝑦) é dada por,

𝑓(𝑥, 𝑦) = 𝑒 𝑥 𝑥 sin(𝑦)

Por sua vez, tínhamos que,

𝑓(𝑥, 𝑦) = 𝑐

Então,

𝑒 𝑥 𝑥 sin(𝑦) = 𝑐

Daqui podemos obter a solução, 𝑦 = 𝑓(𝑥), dada por,

𝑐
𝑦 = sin−1 ( 𝑥 )
𝑒 𝑥
EXERCÍCIO 2 (PORTFÓLIO)
Resolva as equações:

a. 𝑦’ + 2𝑥𝑦 = 𝑥

Esta EDO tem a forma, 𝑦 ′ + 𝑝(𝑡)𝑦 = 𝑔(𝑡), portanto, nestes casos o fator integrante é
dado por,
𝜇(𝑡) = 𝑒 ∫ 𝑝(𝑡)𝑑𝑡
Ou seja,
𝜇(𝑡) = 𝑒 ∫ 2𝑥𝑑𝑥
Logo,
2
𝜇(𝑡) = 𝑒 𝑥

A nossa EDO fica,


2
𝑑(𝑒 𝑥 𝑦) 2
= 𝑥𝑒 𝑥
𝑑𝑥

Integrando,

2 2
∫ 𝑑(𝑒 𝑥 𝑦) = ∫ 𝑥𝑒 𝑥 𝑑𝑥

2 1 2
𝑒𝑥 𝑦 = 𝑒𝑥 + 𝑐
2
Finalmente,
1 2
𝑦= + 𝑐𝑒 −𝑥
2

b. 𝑦’ + sin(𝑥) 𝑦 = sin(𝑥)

Esta EDO tem a mesma topologia do exercício anterior, portanto, o fator integrante é
dado por,

𝜇(𝑡) = 𝑒 ∫ sin(𝑥)𝑑𝑥

Logo,

𝜇(𝑡) = 𝑒 − cos(𝑥)

A nossa EDO fica,

𝑑(𝑒 − cos(𝑥) 𝑦)
= sin(𝑥) 𝑒 − cos(𝑥)
𝑑𝑥

Integrando,

∫ 𝑑(𝑒 − cos(𝑥) 𝑦) = ∫ sin(𝑥) 𝑒 − cos(𝑥) 𝑑𝑥


𝑒 − cos(𝑥) 𝑦 = 𝑒 − cos(𝑥) + 𝑐

Finalmente,

𝑦 = 1 + 𝑐𝑒 cos(𝑥)

1
c. 𝑦’ + 𝑥 𝑦 = 𝑥 3 , 𝑥 ≠ 0

Novamente a estrutura desta EDO é com a dos exercícios anteriores, portanto, o fator
integrante é dado por,
𝑑𝑥
𝜇(𝑡) = 𝑒 ∫ 𝑥

Logo,

𝜇(𝑡) = 𝑒 ln(𝑥)

Ou seja,

𝜇(𝑡) = 𝑥

A nossa EDO fica,

𝑑(𝑥𝑦)
= 𝑥4
𝑑𝑥

Integrando,

∫ 𝑑(𝑥𝑦) = ∫ 𝑥 4 𝑑𝑥

1
𝑥𝑦 = 𝑥 5 + 𝑐
5

Finalmente,

1
𝑦 = 𝑥 4 + 𝑐𝑥 −1
5
EXERCÍCIO 5 (PORTFÓLIO)
Resolva as equações:

a. 𝑦 ′′ − 8𝑦′ + 15𝑦 = 0

Aqui temos uma EDO de 2ª ordem, portanto, o polinômio característico dela é dado
por,
𝑟 2 − 8𝑟 + 15 = 0
Calculamos as raízes,
8 ± √64 − 60 8 ± √4 8 ± 2
𝑟1,2 = = =
2 2 2

𝑟1 = 5
𝑟2 = 3

Portanto, as soluções são duas raízes reais e diferentes, logo, obtemos duas soluções
particulares linearmente independentes, dadas por,

𝑦1 = 𝑒 5𝑥

𝑦2 = 𝑒 3𝑥

E a solução geral é dada por,

𝑦 = 𝑘1 𝑒 5𝑥 + 𝑘2 𝑒 3𝑥

As constantes 𝑘1 e 𝑘2 podem ser obtidas das condições inicias da EDO.

b. 𝑦 ′′ = −4𝑦

Esta EDO pode ser escrita assim,


𝑦 ′′ + 4𝑦 = 0

Cujo polinômio característico é dado por,


𝑟 2 + 4𝑟 = 0

𝑟(𝑟 + 4) = 0

Portanto, as raízes são,


𝑟1 = 0
E
𝑟2 = −4
Portanto, as soluções particulares são dadas por,

𝑦1 = 𝑒 0𝑥 = 1

𝑦2 = 𝑒 −4𝑥

Finalmente a solução geral é dada por,

𝑦 = 𝑘1 + 𝑘2 𝑒 −4𝑥

As constantes 𝑘1 e 𝑘2 podem ser calculadas das condições inicias da EDO.

c. 𝑦 ′′′ + 𝑦 ′′ − 6𝑦 ′ = 0

Encontramos o polinômio característico desta EDO, isto é,

𝑟 3 + 𝑟 2 − 6𝑟 = 0

Trata-se de um polinômio de 3º grau, portanto, com três soluções, fatorando o termo


comum 𝑟, o polinômio pode ser escrito assim,

𝑟(𝑟 2 + 𝑟 − 6) = 0

Já podemos ter o resultado da 1ª raiz solução, que é,

𝑟1 = 0

Para encontrar as outras duas soluções resolvemos a equação de 2º grau, ou seja,

−1 ± √1 − 4(−6) −1 ± √25 −1 ± 5
𝑟2,3 = = =
2 2 2

Logo, as duas raízes restantes são,

𝑟2 = 2

𝑟3 = −3

Portanto, temos três raízes reais e diferentes, logo, as soluções particulares desta EDO
são dadas por,

𝑦1 = 𝑒 0𝑥 = 1

𝑦2 = 𝑒 2𝑥
𝑦3 = 𝑒 −3𝑥

E a solução geral é dada por,

𝑦 = 𝑘1 + 𝑘2 𝑒 2𝑥 + 𝑘3 𝑒 −3𝑥

As constantes 𝑘1 , 𝑘2 e 𝑘3 podem ser obtidas das condições inicias da EDO.

d. 𝑦 (4) + 9𝑦 ′′ = 0

O polinômio característico desta EDO de 4º graus é dado por,

𝑟 4 + 9𝑟 2 = 0

Este polinômio possui 4 soluções, logo, fatorando o termo comum 𝑟 temos,

𝑟 2 (𝑟 2 + 9) = 0

Daqui obtemos 𝑟1 e 𝑟2 como sendo,


𝑟1 = 0

𝑟2 = 0

Agora, as duas soluções (raízes) que faltam são encontradas fazendo,

𝑟 2 = −9
Isto é, as raízes são imaginárias,
𝑟3 = 3𝑖
E
𝑟4 = −3𝑖

Portanto, temos duas raízes reais iguais e duas raízes imaginárias conjugadas, então, as
soluções particulares são dadas por,

𝑦1 = 𝑒 0𝑥 = 1
𝑦2 = 𝑥𝑒 0𝑥 = 𝑥
𝑦3 = cos(3𝑥)
𝑦4 = sin(3𝑥)

Finalmente a solução geral é dada por,

𝑦 = 𝑘1 + 𝑘2 𝑥 + 𝑘3 cos(3𝑥) + 𝑘4 sin(3𝑥)
e. 𝑦 (4) − 8𝑦 ′′′ + 24𝑦 ′′ − 32𝑦 ′ + 16𝑦 = 0

Sugestão: lembre-se da fórmula de (𝑎 + 𝑏)4 = 𝑎4 + 4𝑎3 𝑏 + 6𝑎2 𝑏 2 + 4𝑎𝑏 3 + 𝑏 4

Aqui temos uma EDO de 4º grau, isto significa que o seu polinômio característico que é
dado por,
𝑟 4 − 8𝑟 3 + 24𝑟 2 − 32𝑟 + 16 = 0

Possui quatro soluções, agora bem, com o uso de um software científico, no caso foi
utilizado o software Matlab da seguinte forma,

>> pol = [1 -8 24 -32 16];


>> r = roots(pol)
>> r = [2
>> 2
>> 2
>> 2]
>>

Ou seja, as quatro soluções do polinômio em questão, são reais e idênticas o que


significa que esse polinômio pode ser fatorado assim,

𝑟 4 − 8𝑟 3 + 24𝑟 2 − 32𝑟 + 16 = (𝑟1 − 2)(𝑟2 − 2)(𝑟3 − 2)(𝑟4 − 2) = 0

Logo, as raízes são dadas por,


𝑟1 = 2
𝑟2 = 2
𝑟3 = 2
𝑟4 = 2

As soluções particulares desta EDO, portanto, são,

𝑦1 = 𝑒 2𝑥
𝑦2 = 𝑥𝑒 2𝑥
𝑦3 = 𝑥 2 𝑒 2𝑥
𝑦4 = 𝑥 3 𝑒 2𝑥

Finalmente a solução geral é dada por,

𝑦 = 𝑘1 𝑒 2𝑥 + 𝑘2 𝑥𝑒 2𝑥 + 𝑘3 𝑥 2 𝑒 2𝑥 + 𝑘4 𝑥 3 𝑒 2𝑥

As constantes 𝑘1 , 𝑘2 , 𝑘3 e 𝑘4 podem ser obtidas das condições inicias da EDO.

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