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Geografia

Concurso para a ABIN 2018


Prof. Alexandre Vastella Aula 01
1.1. Contextualizando a urbanização em escala mundial
Concentrando atividades econômicas, culturais, políticas, técnicas, e
informacionais, as cidades são de fundamental importância para a sociedade
contemporânea. Não por acaso, no mundo atual, há mais pessoas vivendo em
áreas urbanas do que rurais: de acordo com estudo das Nações Unidas, 54% da
população global mora em cidades. Conforme o gráfico abaixo [fonte]:

Os dados apontam que há uma redução da população rural desde o início do


século XX, enquanto isso, observa-se um aumento expressivo da população
urbana. Desde 2008, o mundo é majoritariamente urbano, tendência que deve se
consolidar nas próximas décadas. Se na metade do século XX este valor não
ultrapassava 30%; em 2050, 66% da população global deverá ser urbana [fonte]. A
Terra, portanto, está passando por intenso processo de urbanização, o que
demandará desafios ambientais e sociais para as novas gerações.
Aliás, durante quase toda a história humana, a população rural foi
numericamente superior, situação que foi revertida somente em 2008.
Lembrando que em 1950 – isto é, mais de 5.000 anos após a urbanização da
Mesopotâmia e mais de 200 anos da Revolução Industrial inglesa – a população
urbana mundial era de apenas 30% [fonte].

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Embora o nível de urbanização seja diferente nas diversas regiões do globo –
de forma geral, foi a partir da Revolução Industrial que a urbanização mundial se
intensificou (conforme gráfico acima [fonte]). Isto ocorreu a partir do século XVIII,
com o surgimento do capitalismo moderno e das novas formas de produção de
trabalho, como o sistema fordista. Ao contrário da atividade rural, que é naturalmente
dispersa, a atividade industrial foi concentrada em poucas partes do território, o
que provocou migrações (êxodo rural) e a consequente aglomeração de operários
e suas famílias, formando vilas e cidades. Amparados pela estrutura urbana, os
trabalhadores passaram a contar, cada vez mais, com o auxílio de sistemas técnicos
– em especial à saúde – acarretando na diminuição das taxas de mortalidade e
natalidade, e no consequente aumento da urbanização.
Podemos perceber, de acordo com o gráfico, que industrialização,
urbanização, e demografia são três fatores inseparáveis: historicamente,
revoluções industriais vêm acompanhadas de urbanização e de consequente
explosão demográfica. Isto ocorreu, em um primeiro momento, entre os séculos XVIII
e XIX, em cidades europeias, (especialmente inglesas, alemãs e francesas) e
posteriormente, nos séculos XIX e XX, em cidades dos Estados Unidos e do Japão.
No Brasil, este fenômeno foi ocorrer nas grandes cidades a partir do século XX, mais
especificamente entre os anos 1930 e 1970. Atualmente, embora haja uma tendência
de desmetropolização e desindustrialização das grandes aglomerações urbanas,
conforme veremos adiante, as pequenas e médias cidades estão se industrializando
e urbanizando, repetindo tal ciclo histórico. O mapa abaixo ilustra a urbanização
mundial contemporânea:
Porcentagem de urbanização mundial – 2014

Atualmente, a América é o continente mais urbanizado do mundo: 82% dos


norte-americanos e 80% dos latino-americanos vivem em cidades. O Brasil está
acima do percentual regional, pois conta com 84,4% de população urbana. Na
Europa, 73% da população está nesta condição. Por outro lado, na Ásia e na África,
justamente nas regiões mais pobres do globo, a maioria da população é rural,
com respectivamente, apenas 48% e 40% de total urbana. Contraditoriamente,
apesar de ter maioria rural, a Ásia abriga a maior parte das megacidades, como

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Pequim (CHI), Mumbai (Índia), Dhaka (Bangladesh), Karachi (Paquistão), Seul
(Coréia do Sul), Tóquio e Osaka (Japão), Manila (Filipinas) e Jacarta (Indonésia),
todas com mais de dez milhões de habitantes. Conforme mapa abaixo:
Localização das megacidades – 2014

Do ponto de vista espacial, além da clara concentração na Ásia –


especialmente na China e na Índia, as megacidades também estão presentes na
América do Norte (Los Angeles, Nova York, e Cidade do México), na Europa
(Londres, Paris, Istambul e Moscou); e em menor quantidade na América do Sul (São
Paulo, Rio de Janeiro e Buenos Aires), e na África (Lagos, Cairo, e Kinshasa).
Maiores aglomerações urbanas do mundo (megacidades) – 2015
Nº Cidade/País Pop. Região Nº Cidade/País Pop. Região
Chongqing,
1 Tóquio, Japão 38.001 Ásia 16 13.332 Ásia
China
2 Dhéli, Índia 25.703 Ásia 17 Lagos, Nigeria 13.123 África
3 Shanghai, China 23.741 Ásia 18 Manila, Filipinas 12.946 Ásia
Rio de Janeiro,
4 São Paulo, Brasil 21.066 América L. 19 12.902 América L.
Brasil
Guangzhou,
5 Mumbai, Índia 21.043 Ásia 20 12.458 Ásia
China
Cidade do México, Los Angeles,
6 20.999 América L. 21 12.310 América N.
México Estados Unidos
7 Pequim, China 20.384 Ásia 22 Moscou, Rússia 12.166 Europa
Kinshasa, R. D.
8 Osaka, Japão 20.238 Ásia 23 11.587 África
Congo
9 Cairo, Egito 18.772 Ásia 24 Tianjin, China 11.210 Ásia
Nova York,
10 18.593 Ásia 25 Paris, França 10.843 Europa
Estados Unidos
Dhaka, Shenzhen,
11 17.598 Ásia 26 10.749 Ásia
Bangladesh China
Jakarta,
12 Karachi, Paquistão 16.618 Ásia 27 10.323 Ásia
Indonésia
Buenos Aires, Londres, Reino
13 15.180 América L. 28 10.313 Europa
Argentina Unido
14 Calcutá, Índia 14.865 Ásia 29 Bangalore, Índia 10.087 Ásia

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15 Istambul, Turquia 14.164 Ásia 30 Lima, Peru 9.897 América L.

De acordo com dados da ONU, a Região Metropolitana de São Paulo a quarta


maior aglomeração urbana do mundo, somente atrás de Shangai (China), Déli
(Índia) e Tóquio – esta última, constituindo a maior planeta. Na América Latina, as
áreas urbanas de Cidade do México (México), Buenos Aires (Argentina), e Rio de
Janeiro (Brasil), também estão entre as maiores do planeta, respectivamente
ocupando a 6ª, a 13ª, e a 19ª posição.

Aglomeração urbana com população igual ou superior a 10


Megacidade
milhões de habitantes

Com o desenrolar do século XXI, de acordo com as dinâmicas migratórias e


demográficas, esta configuração deverá mudar, com Índia e China liderando o
crescimento urbano e populacional, bem como Nigéria, na África. De acordo com
estudo da ONU [fonte], 37% do crescimento da população urbana mundial deverá se
concentrar nestes países. Até 2050, a Índia ganhará mais de 400 milhões de
moradores urbanos, o equivalente a duas vezes a população brasileira, ou vinte vezes
a população da Região Metropolitana de São Paulo. A China, por sua vez, receberá
quase 300 milhões de novos citadinos, o que, para efeitos de comparação, equivale
à população inteira dos Estados Unidos. Até 2030, o mundo deverá abrigar 41
megacidades com mais de 10 milhões de habitantes – atualmente são apenas 28.
De acordo com a ONU, no século XXI, o crescimento urbano mais intenso
deverá se concentrar em países subdesenvolvidos, justamente onde as políticas
públicas são mais frágeis e os índices de desenvolvimento humano são mais baixos;
o que demandará grandes desafios sociais e ambientais. O gráfico abaixo demonstra
que as regiões menos desenvolvidas terão dois bilhões de habitantes a mais
em 2050, o equivalente a dez vezes a população brasileira, o que deverá puxar o
contingente global para cima. Já as regiões mais desenvolvidas ganharão menos de
500 milhões de habitantes.

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As discrepâncias de crescimento urbano entre as regiões mais e menos
desenvolvidas do globo deve-se principalmente aos distintos estágios de transição
demográfica que as regiões do globo estão passando. Devemos lembrar que no
geral, enquanto os países europeus e norte-americanos já estão entre a quarta e a
quinta fase de transição, caracterizadas pela estabilização e pela diminuição da
população; as regiões mais pobres ainda estão passando pela segunda ou terceira
fase, caracterizadas pelo alto crescimento demográfico. Estas dinâmicas
populacionais refletem diretamente na velocidade e na intensidade da urbanização
destes países. Fiquem tranquilos, pois veremos detalhadamente este assunto em
momento oportuno. Para esta aula, por enquanto, fiquem com um quadro introdutório
sobre o assunto:

Introduzindo a transição demográfica para entender a urbanização


Situação da
Fase Características Quem está passando?
População
Natalidade alta,
Primeira Estabilidade Apenas pequenas comunidades rurais
mortalidade alta.
Natalidade alta,
Alto
Segunda mortalidade Países subdesenvolvidos e emergentes,
crescimento
baixa. principalmente na África e no sudeste
Natalidade asiático, onde a urbanização deverá ser
razoável, Baixo mais intensa no século XXI. O Brasil está na
Terceira
mortalidade crescimento terceira fase.
baixa.
Natalidade Países desenvolvidos da Europa
baixa, Ocidental e da América do Norte. Por isso,
Quarta Estabilidade
mortalidade a urbanização será menos intensa nestas
baixa. regiões.
Natalidade
Países muito desenvolvidos no século
muito baixa,
Quinta Diminuição XXI, como Japão, Itália ou Alemanha. Neste
mortalidade
caso, a urbanização deverá diminuir.
baixa.

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Considerando os dados da ONU (gráfico abaixo) no século XXI, a urbanização
deverá ser mais intensa em países emergentes como China e Índia. A indiana
Déli terá mais de 35 milhões de habitantes em 2030 – em 1990 eram apenas 10
milhões. Já Mumbai (também na Índia), que em 1990 tinha menos de 15 milhões de
habitantes, deverá ter entre 25 e 30 milhões em 2030. Do mesmo modo, as
aglomerações urbanas Shangai e Pequim (China) deverão ter por volta de 25 a 30
milhões de habitantes cada. Tóquio, no Japão, deverá permanecer a maior cidade do
mundo com 37 milhões de habitantes. No entanto, como o país passa por
encolhimento demográfico (quinta fase de transição), as metrópoles japonesas de
Tóquio e Osaka deverão ter suas populações diminuídas.
Na América Latina, a
urbanização deverá ser
menos intensa, porém, as
manchas urbanas continuarão a
crescer. Destaca-se, neste
caso, as metrópoles de São
Paulo (a maior do Brasil), e da
Cidade do México (México).
Independentemente da
região do globo, o crescimento
urbano deverá ser mais
intenso em cidades médias:
de acordo com a ONU, cerca de
metade dos habitantes urbanos
do mundo residem em cidades
relativamente pequenas de
menos de 500.000 habitantes;
enquanto isso, apenas cerca de
um em cada oito vivem nas 28 megacidades com mais de 10 milhões de habitantes.
Devido ao baixo grau de saturação, estas aglomerações de porte médio fornecem
maior potencial de expansão.
No entanto, se ocorrida sem o
devido planejamento, como ocorreu
no Brasil principalmente entre os
anos 1960 e 1990, a urbanização dos
países asiáticos e africanos poderá
acirrar problemas sociais já
existentes como a favelização, a
exclusão social, o desemprego, a
violência, e a carência
habitacional, bem como a saturação
de equipamentos públicos
destinados à saúde, à educação, e ao
abastecimento de água.
No contexto atual, mais de
Favela em Mumbai, Índia. No século XXI, países 60% dos africanos vivem em favelas
pobres e emergentes deverão liderar o sem instalações sanitárias próprias,
crescimento urbano, o que demandará grandes segurança e número suficiente de
desafios aos poderes públicos locais.
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cômodos. Em Serra Leoa, recordista mundial, 97% da população urbana vive em
barracos [fonte], situação que poderá se agravar no decorrer do século XXI. A
intensificação da urbanização também poderá causar impactos no meio físico como
a poluição dos rios e dos lençóis freáticos destinados ao abastecimento –
ocasionada pelo despejo de esgoto e lixo –, e a poluição do ar provocada por fontes
emissoras como automóveis e indústrias. A tabela abaixo sintetiza alguns dos
principais problemas ambientais agravados ou causados pela urbanização.

Principais problemas ambientais causados ou intensificados pela urbanização

A construção de edifícios e vias urbanas impermeabiliza o solo,


Alagamentos prejudicando o sistema de drenagem, o que causa alagamentos e
potencializa os danos de enchentes e inundações

A retificação de cursos d'água aumenta a velocidade da água,


acelerando o transporte de sedimentos. Com mais sedimentos no
Assoreamento
fundo dos leitos, o volume d'água extrapola o nível normal, causando
inundações no entorno.

A ocupação de encostas altera a coesão do solo, provocando o


Movimentos de
aumento dos deslizamentos de terra e, consequentemente, ponto as
massa
populações em risco de vida.

A ocupação de áreas de mananciais prejudica a qualidade da água,


Ocupação de que para ser consumida, precisa ser tratada. A maior parte dos
mananciais reservatórios das grandes metrópoles está contaminada por esgotos
de residências e indústrias.

Quanto maior a população urbana, maior a concentração de lixo. A


Questão do
maioria dos municípios brasileiros não faz o descarte correto do lixo,
Lixo
o que acelera a contaminação do solo e da água.

A emissão de poluentes industriais, como o enxofre, é carregada


Chuva ácida pelas nuvens, cuja precipitação pode ocorrer em regiões produtoras de
alimentos, causando a contaminação dos solos.

No verão, a poluição circula pelas correntes de convecção. Já no inverno,


quando o ar frio se estabelece nas camadas mais baixas, a poluição
Inversão
fica "presa" e não consegue se dissipar – por isso no inverno a cidade
térmica
fica com uma “camada cinza” no ar. Isso causa, por exemplo, problemas
respiratórios.

O asfalto e o concreto das estruturas urbanas absorvem muito mais


calor do que elementos naturais como vegetação e massas d'água. Por
isso, sempre as cidades são mais quentes que as áreas rurais de
Ilhas de calor
entorno. Isso causa, por exemplo, o aumento de tempestades nas
áreas urbanas, acirrando os problemas já citados como deslizamentos e
terra, assoreamento, alagamentos, etc.

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1.2. Histórico e contextualização da urbanização brasileira
Assim como os demais países da América, o Brasil é altamente urbanizado.
De acordo com o Censo Demográfico de 2010, 84% da população brasileira é
urbana: dos 191 milhões de habitantes, 161 vivem nesta condição. Segundo o Censo,
a região Sudeste é a mais urbanizada do Brasil, apresentando um grau de
urbanização de 92,9%, seguida pelas regiões Centro-Oeste (88,8%) e Sul (84,9%).
Por outro lado, as regiões Norte (73,5%) e Nordeste (73,1%) têm mais de 1/4 dos
seus habitantes vivendo em áreas rurais: estados como Maranhão (63,1%), Piauí
(65,8%) e Pará (68,5%) apresentam índices de urbanização abaixo de 70% [fonte].
Deste modo, a distribuição da urbanização brasileira possui grandes
desigualdades. São Paulo, a maior cidade do país, com 12 milhões de habitantes,
possui aproximadamente o dobro da segunda colocada, Rio de Janeiro, que possui
seis milhões de habitantes. Brasília (DF), capital nacional, cuja urbanização se deu
após sua inauguração em 1960, possui quase três milhões de habitantes.
Contraditoriamente, quase o mesmo número de Salvador (BA), cidade com mais de
quatrocentos anos de história e primeira capital do Brasil. O gráfico abaixo mostra as
maiores cidades do Brasil, de acordo com o IBGE [fonte]:

Nota-se que das 17 cidades com mais de um milhão de habitantes, com


exceção das nortistas Manaus (AM) e Belém (PA), todas estão localizadas ou na
região concentrada ou no litoral do nordeste, áreas de maior densidade
demográfica no país.

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Entretanto, não é possível
entender estes números sem
considerar os aspectos históricos
que o Brasil passou. Primeiramente,
somente entre as décadas de 1960
e 1970 que o Brasil tornou-se
maioria urbana – conforme gráfico
ao lado, elaborado com dados dos
Censos Demográficos do IBGE. Em
trinta anos, entre 1970 e 2000, a
população urbana saltou de
aproximadamente 60% para mais de
80% do total; sendo a década de
maior crescimento entre 1970 e
1980.
Historicamente, deve-se lembrar que desde o período colonial, a ocupação do
território ocorreu principalmente nas proximidades do litoral. Conforme vimos na
aula anterior, a Zona da Mata nordestina – que ao contrário do sertão, possui clima
úmido e solo fértil – foi a primeira a se desenvolver, primeiramente com a extração de
pau-brasil (século XVI) e, posteriormente, com a introdução da cana-de-açúcar
(século XVI à atualidade). Não por acaso, cidades da Planície Costeira como Salvador
(BA), Fortaleza (CE), Recife (PE), e Maceió (AL) ainda hoje figuram como as maiores
do Brasil. Enquanto isso, o interior nordestino se desenvolveu principalmente devido
à produção de gado e gêneros alimentícios, fornecidos à economia pujante da
Zona da Mata. Não por acaso, Teresina (PI) é a única capital da região nordeste que
não possui litoral.
Mapa de Urbanização do Brasil – 2010

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Posteriormente, com a descoberta do ouro em Minas Gerais (século XVII), e
com o início do cultivo de café nos planaltos Atlântico e Meridional (Rio de Janeiro e
São Paulo), o eixo geoeconômico se deslocou para o centro-sul. A exploração
aurífera foi responsável pela urbanização de cidades como Ouro Preto (MG) (que
passou a ser a principal cidade do Brasil) Mariana (MG), Tiradentes (MG) e
Congonhas (MG). O escoamento da produção aurífera para os litorais paulista e
fluminense demandava longas viagens realizadas pela Estrada Real, o que favoreceu
a urbanização das áreas circunvizinhas ao percurso. No século XVIII, com o
crescimento da região sudeste, Rio de Janeiro tornou-se a capital do Brasil.
Quase no mesmo período – mais
especificamente entre os séculos XVII e
XVIII, a região sul recebeu grande afluxo
de imigrantes europeus, principalmente
alemães, italianos e poloneses. Outrora
ocupada por jesuítas, portugueses, e
tropeiros, o sul do país recebeu novos
padrões agrícolas, arquitetônicos e
culturais. Os solos férteis de
derramamentos basálticos possibilitaram
uma grande expressividade agrícola,
especialmente no que tange aos produtos
para consumo local, além da produção de
vinhos. No século XX, tiveram destaques
produtos como o café – introduzido na São Paulo no início do século XX:
região na década de 1940, e a soja – urbanização graças ao café e à indústria.
introduzida na década de 1960. Ao contrário Hoje, é a principal cidade do país.
do que ocorreu na região nordeste, a ocupação da região sul foi destinada à
colonização, e não à exportação de commodities em larga escala. Deste modo, o
interior da região é dotado de importantes cidades como por exemplo, Maringá,
Londrina e Cascavel (PR); Chapecó (SC), ou Santa Maria (RS). Posteriormente, no
século XX, o setor industrial desenvolveu-se bastante na região, atraindo ainda mais
as populações para as médias cidades do interior. Atualmente, a região sul é a
segunda mais industrializada do país.
Durante grande parte dos séculos XVIII, XIX e XX, o café paulista foi o principal
produto de exportação brasileiro (ainda hoje, somos o maior produtor mundial). A
acumulação de capital proveniente deste cultivo possibilitou a construção de objetos
técnicos como armazéns, ferrovias, redes de telégrafos, comércios e redes bancárias.
Com a crise do café (1929) o governo brasileiro estimulou a industrialização e a
substituição de importações. Deste modo, a região sudeste, que no século XIX já
havia se urbanizado por conta do café; no século XX, se urbanizou graças à
industrialização.

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• Borracha (séc. XIX/XX)


• Mineração (séc. XX)
• Industrialização (Zona Franca) (anos 1970)
Norte • Estímulos governamentais (SUDAM, subsídios a mineração e ao
extrativismo)
• Rodovia Transamazônica e ocupação irregular
• Urbanização induzida por hidrovias (rios Amazonas, Xingu, Tapajós, etc)

Trazendo a urbanização para o contexto atual, de acordo com o IBGE, 19% da


população de São Paulo vive em aglomerados subnormais, sendo a área urbana
com maior grau de favelização; seguida de Rio de Janeiro (15%), Belém (10%),
Salvador e Recife (8%) [fonte]. A urbanização desenfreada – possibilitada pelo
modelo de autoconstrução ou pelos loteamentos irregulares – engrossou as periferias
metropolitanas, acirrando as desigualdades espaciais intraurbanas e assim
sobrecarregando os sistemas de transporte, saúde, saneamento, habitação, e
educação. A falta de planejamento público ocasionou uma escalada de violência e
tráfico de drogas nas periferias urbanas, nitidamente em São Paulo e Rio de Janeiro
– mas também, em várias metrópoles brasileiras. A migração pendular – isto é, a
migração diária – entre as residências e os locais de trabalho – muitas vezes
realizadas em trajetos de mais de duas horas de duração – também diminui a
qualidade de vida do cidadão metropolitano.

A urbanização desenfreada provoca graves problemas ambientais e sociais. Na foto, favela


na Represa Guarapiranga (São Paulo).
O crescimento acelerado das cidades acentuou os impactos no meio natural.
A impermeabilização do solo pelo concreto urbano acentuou problemas de
drenagem de água, ocasionando alagamentos, especialmente nas áreas mais baixas
próximas a cursos d’água. Intensificado pela retirada da mata nativa, o
assoreamento dos rios – isto é, o acúmulo de sedimentos no fundo dos leitos –
contribuiu ainda mais para os alagamentos urbanos. Além disso, o estabelecimento
de núcleos urbanos em encostas de alta declividade intensificou a ocorrência de
deslizamentos de terra, provocando mortes e desalojamentos. A ocupação irregular
de áreas de mananciais, como nas represas Billings e Guarapiranga em São Paulo,
atingiram diretamente o consumo de água, encarecendo o tratamento e gerando
inúmeros passivos ambientais.

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Tais problemas levam à formação de “movimentos sociais” urbanos como o
Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), que reivindicam uma ampla
reforma urbana; isto é, o acesso mais igualitário à habitação de qualidade,
principalmente para os que residem em áreas de risco ou em condição de rua.
Pautada principalmente na invasão de imóveis, a atuação do MTST costuma ser
bastante polêmica, o que faz com que acirrem-se as discussões sobre os conflitantes
direitos à propriedade privada e ao usufruto da cidade.
Vale ressaltar, no entanto, que a
“reforma urbana”, dependendo do modo
que é realizada, acentua ainda mais as
desigualdades socioespaciais. Quando
uma determinada área, de baixo valor
imobiliário, recebe equipamentos
circunvizinhança como por exemplo,
estações de metrô, shoppings centers, ou
unidades culturais, o seu valor aumenta, o
que acaba expulsando as populações que
nela residem, que impossibilitadas de
arcarem com custos (aluguéis, impostos,
etc), acabam indo para regiões mais
baratas e/ou periféricas. Este fenômeno é
Favela do Vidigal (Rio de Janeiro): a
gentrificação expulsa a população
conhecido como gentrificação, ou seja, a
tradicional, atraindo moradores de renda expulsão da população local pelo aumento
i l do valor dos imóveis.
Devido a estes problemas, o espaço urbano é moldado por conflitos entre
diferentes atores. Conforme analisa Roberto Lobato Correa, estes atores são: os
proprietários dos meios de produção, os proprietários fundiários, promotores
imobiliários, o estado, e os grupos sociais excluídos.

Atores que moldam o espaço urbano

Proprietários dos meios de produção

Proprietários fundiários Poder de capital

Promotores imobiliários

Estado Poder de regulação

Grupos sociais excluídos "Sem poder" excluídos do sistema

Enquanto os três primeiros detêm o poder de capital; o estado é responsável


pelo poder de regulação e planejamento. Os atores que estão à margem destas
relações de poder constituem os grupos sociais excluídos, que embora estejam em
desvantagem perante os demais, são responsáveis por grande parte da produção do
espaço urbano.

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1.3. Caracterizando a rede de cidades no Brasil
O entendimento do contexto urbano vai muito além dos aspectos locais. Para
compreendê-lo, é preciso estudar não somente o cenário intraurbano, mas o
relacionamento entre as cidades; cada qual possuindo um determinado papel
nos sistemas urbanos regional, nacional e mundial. Sobretudo em um mundo
globalizado, pautado pela divisão internacional do trabalho, e pela especialização dos
territórios, o entendimento destas redes é fundamental para a correta compreensão
do espaço urbano. Levando em consideração esta porosidade, fatores externos ao
ambiente urbano local de ordem populacional, econômica, tecnológica, politica,
cultural, ambiental, entre outros, podem alterar significativamente o espaço urbano.

Alguns fatores externos que influenciam na configuração das cidades

As maiores cidades do mundo como Nova York, Londres ou São Paulo


possuem grande parte de imigrantes, sendo estrangeiros ou não. No Brasil,
Demografia
a desigualdade no campo e os problemas econômicos das áreas mais
pobres do país, "expulsaram" parte da população para as cidades.

A tecnologia altera a composição das cidades. No século XIX, por exemplo,


estradas de ferro ditaram a localização das ocupações urbanas; e
Tecnologia posteriormente, no século XX, o automóvel. No século XXI, as tecnologias
de informação, as redes de logística e comunicação possibilitam maior
liberdade locacional ao capital.

Com a transição do fordismo para a acumulação flexível, grande parte da


produção industrial saiu das cidades (movimento de desconcentração
Economia
industrial). As cidades então, passaram a ser polos de serviços ou centros
de gestão.

Os espaços das cidades refletem a ideologia política do momento de sua


construção. Por exemplo, Brasília e Belo Horizonte foram construídas de
forma planejada pelo estado, para atenderem aos certos propósitos.
Política
Manaus, teve seu crescimento após o estabelecimento da Zona Franca. No
nordeste, programas sociais garantem a manutenção de pequenas e
médias cidades no interior.

Questões ambientais influenciam a configuração da cidade, como por


Ambiente exemplo, a topografia ou a presença de cursos d’água, que servem como
barreiras ou elementos indutores de urbanização.

Mudanças culturais também podem impactar as cidades, como por


exemplo, a adoção de métodos contraceptivos, que possibilitou o aumento
populacional. A cultura arquitetônica, por exemplo, reflete a configuração
Cultura
dos objetos no espaço. As diferentes concepções sobre sustentabilidade,
transporte, economia compartilhada, etc., podem refletir na construção dos
equipamentos urbanos.

Neste contexto, levando em consideração a “rede de cidades” e as suas


respectivas cadeias de influência, é correto dizer que enquanto algumas “cidades
globais” se projetam para o mundo, como Nova York, Londres, ou até mesmo São
Paulo; outras, de menor dinamismo, influenciam somente o contexto nacional, ou até
mesmo regional. Enquanto isso, a maioria das cidades possuem apenas abrangência
local, sendo influenciada por outras de maior dinamismo. De acordo com o IBGE, o
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Os centros de gestão do território são assim definidos quando há uma grande
diversidade de órgãos do Estado e sedes de empresas, a partir das quais são
tomadas decisões que afetam direta ou indiretamente um dado espaço. Há, portanto,
uma hierarquia entre as cidades de acordo com seu grau de polarização.
A fim de delimitar e analisar estas regiões de influência, especificamente os
pontos do território onde são emitidas as decisões políticas e econômicas, o IBGE
publicou o estudo Regiões de Influência das Cidades (REGIC) (2007), analisando
a conexão entre os centros urbanos de acordo com os seguintes aspectos: gestão
federal e gestão empresarial, equipamentos e serviços; comércio e serviços;
instituições financeiras; ensino superior; saúde; internet; redes de televisão aberta; e
conexões aéreas. De acordo com estes critérios, as cidades brasileiras podem ser
classificadas em ordem decrescente de importância, sendo: Metrópoles (grande
metrópole nacional, metrópole nacional, e demais metrópoles); Capitais Regionais
(capital regional A, capital regional B, e capital regional C); Centros Sub-regionais
(centro sub-regional A, e centro sub-regional B); Centro de Zona (centro de zona A,
e centro de zona B), e Centro Local.

1 - Metrópoles

São os 12 principais centros urbanos do País, que caracterizam-se por seu grande porte,
por fortes relacionamentos entre si, e por extensa área de influência direta.

Grande
São Paulo, o maior conjunto urbano do País, com 21 milhões de
metrópole
habitantes (dados de 2016) e alocado no primeiro nível da gestão territorial
nacional

Rio de Janeiro e Brasília, com população de 12 milhões e 4 milhões (dados


Metrópole de 2016) respectivamente, também estão no primeiro nível da gestão
nacional territorial. Juntamente com São Paulo, constituem foco para centros
localizados em todo o país

Manaus, Belém, Fortaleza, Recife, Salvador, Belo Horizonte, Curitiba,


Goiânia e Porto Alegre, com população variando de 2,5 (Manaus) a 6
milhões (Belo Horizonte) (dados de 2016), constituem o segundo nível da
Metrópole
gestão territorial. Note-se que Manaus e Goiânia, embora estejam no terceiro
nível da gestão territorial, têm porte e projeção nacional que lhes garantem a
inclusão neste conjunto

Constituindo os principais aglomerados urbanos brasileiros, as metrópoles se


destacam não somente pelo tamanho expressivo da população, mas pela
importância que exercem no contexto nacional, e dependendo do caso, no
contexto internacional. Concentrando os serviços de finanças, saúde, educação,
cultura, e gestão, e além de receberem visitas constantes, as metrópoles constituem
os principais destinos migratórios do Brasil. A Região Metropolitana de São Paulo
(RMSP) – ou simplesmente “Grande São Paulo” – classificada pelo IBGE como a
única “grande metrópole nacional” do país, concentra aproximadamente 20 milhões
de habitantes, o que corresponde a 1/5 da população brasileira. Somente o município
de São Paulo representa cerca de 10% do PIB nacional [fonte].

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Região Metropolitana de São Paulo, a maior do país: integração entre municípios


dependentes é fundamental para o planejamento urbano.
Seguindo a escala de importância política e econômica, a Região
Metropolitana do Rio de Janeiro (Grande Rio e Grande Niterói) e a Região
Integrada de Desenvolvimento do Distrito Federal e Entorno constituem as duas
únicas “Metrópoles Nacionais” evidenciadas pelo IBGE, com população respectiva de
12 e 4 milhões de habitantes. Por outro lado, ao contrário de São Paulo, Brasília e
Rio de Janeiro, que possuem projeção nacional, metrópoles como Manaus, Belém,
Fortaleza, Recife, Salvador, Belo Horizonte, Curitiba, Goiânia e Porto Alegre – de
acordo com o grau de polarização das redes técnicas e de serviços – possuem
apenas projeção regional, não sendo suficientemente expressivas para exercerem
influência em todo o território nacional.

2 - Capitais Regionais

Integram este nível 70 centros que, como as metrópoles, também se relacionam com o
estrato superior da rede urbana. Com capacidade de gestão no nível imediatamente
inferior ao das metrópoles, têm área de influência de âmbito regional, sendo referidas
como destino, para um conjunto de atividades, por grande número de municípios.

Capital
11 cidades, com medianas de 955 mil habitantes e 487 relacionamentos
regional A1

Capital
20 cidades, com medianas de 435 mil habitantes e 406 relacionamentos
regional B

Capital
39 cidades, com medianas de 250 mil habitantes e 162 relacionamentos
regional C

1
Não é necessário saber detalhadamente d A B C I
de polaridade de cada categoria.

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As capitais regionais, conforme o nome sugere, são cidades que exercem
polarização regional em nível abaixo das metrópoles; como por exemplo, as demais
regiões metropolitanas e as grandes cidades do interior. Entre alguns exemplos estão
Campinas (SP), Campo Grande (MS), Juiz de Fora (MG), Santos (SP), São José dos
Campos (SP), Ribeirão Preto (SP), Porto Velho (RO), Uberlândia (MG)

3 - Centros Sub-Regionais

Integram este nível 169 centros com atividades de gestão menos complexas, têm área
de atuação mai reduzida, e eu relacionamento com centro externo à ua própria rede
dão-se, em geral, apenas com as três metrópoles nacionais.

85 cidades, com medianas de 95 mil habitantes e 112


Centro sub-regional A
relacionamentos

79 cidades, com medianas de 71 mil habitantes e 71


Centro sub-regional B
relacionamentos.

No nível abaixo das capitais regionais, encontram-se os centros sub-regionais,


com área de influência mais reduzida. De acordo com o IBGE, sua presença é
adensada nas áreas de maior ocupação do Nordeste e do Centro-Sul, e mais esparsa
nos espaços menos densamente povoados das Regiões Norte e Centro-Oeste.

4 - Centros de Zona

Nível formado por 556 cidades de menor porte e com atuação restrita à sua área
imediata; exercem funções de gestão elementares.

192 cidades, com medianas de 45 mil habitantes e 49


Centro de zona A
relacionamentos.

364 cidades, com medianas de 23 mil habitantes e 16


Centro de zona B
relacionamentos.

5 – Centros Locais

As demais 4.473 cidades cuja centralidade e atuação não extrapolam os limites do seu
município, servindo apenas aos seus habitantes, têm população dominantemente
inferior a 10 mil habitantes (mediana de 8 133 habitantes).

Já os centros de zona exercem apenas influência nos municípios próximos,


sem muita expressividade. Por fim, os centros locais – categoria de menor grau de
polarização – compreende apenas o município local, geralmente sendo centros
urbanos cuja população não excede 10 mil habitantes. Esta última categoria,
representa a maioria das cidades brasileiras, estando 4.473 nesta condição.
Do ponto de vista espacial, percebe-se uma concentração expressiva em
São Paulo, única grande metrópole nacional, seguido de Brasília e Rio de Janeiro –
estas duas, metrópoles nacionais. Com exceção de Goiânia e Manaus, todas as
demais metrópoles situam-se próximas ao litoral, especialmente no nordeste,
região de ocupação histórica. Salvo a região sul – que é bastante ocupada no interior
– e em centralidades pontuais como Brasília, Goiânia, Manaus, Teresina, e Campo

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Grande, as redes de cidades são menos expressivas no interior do país, onde os
sistemas técnicos de transporte e comunicação são mais escassos.

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1.4. Desmetropolização e o papel das cidades médias no Brasil


Durante a maior parte do século XX, as cidades brasileiras cresceram
exponencialmente: a industrialização, o êxodo rural, e a possibilidade de ganhos
econômicos motivaram milhões de imigrantes e deixarem suas terras em direção às
grandes metrópoles. No entanto, recentemente, o Censo Demográfico do IBGE
(2010) indicou uma tendência de reversão: pela primeira vez, nas grandes
metrópoles, o saldo migratório foi negativo, ou seja, mais pessoas saíram do
que entraram. Conforme apontam dados do Atlas do Desenvolvimento Humano
Municipal do Brasil (IDHM – 2010) [fonte], juntamente com Porto Alegre, Recife e Belo
Horizonte, as populações das regiões metropolitanas de São Paulo e Rio de
Janeiro crescem abaixo da média nacional.
Por outro lado, a população das regiões
metropolitanas de Manaus, do Distrito Federal, de
Goiânia de São Luís, de Natal, e de Campinas,
cresceram mais que 20% em dez anos, superando
a média nacional. Entre 2000 e 2010, a RM de
Manaus cresceu 3x mais que a de São Paulo.
Apesar dos fatores migratórios variarem de
região para região, o principal motivo para tais
descompassos são as diferenças de transição
demográfica entre as cidades brasileiras.
Enquanto a pirâmide da RM de Manaus, por
exemplo, aponta para uma transição entre o leve
crescimento e a estabilização da população (entre a
terceira e a quarta fase), a pirâmide etária da RM de
São Paulo indica a diminuição da população
[fonte], configuração semelhante a países
desenvolvidos como Japão e Alemanha
(comparação ao lado).
A tabela abaixo evidencia com mais detalhes
o crescimento da população metropolitana no Brasil:

Crescimento da população metropolitana - 2000 a 2010


População População % de
Área
(2000) (2010) crescimento
RM Manaus 1.645.832 2.106.322 28%
RM Distrito Federal e Entorno 2.958.196 3.724.181 26%
RM Goiânia 1.743.297 2.173.141 25%
RM Grande São Luís 1.091.979 1.331.181 22%
RM Natal 1.132.670 1.361.445 20%
RM Campinas 2.338.384 2.797.137 20%
RM Fortaleza 3.057.029 3.615.767 18%
RM Grande Vitória 1.439.137 1.687.704 17%
RM Maceió 1.033.295 1.210.941 17%
RM Belém 1.973.259 2.275.032 15%

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RM Vale do Rio Cuiabá 726.220 833.766 15%
RM Curitiba 2.813.237 3.223.836 15%
RM Salvador 3.120.303 3.573.973 15%
RM Vale do Paraíba e Litoral
1.992.110 2.264.594 14%
Norte
RM Baixada Santista 1.476.820 1.664.136 13%
Brasil 169.798.885 190.755.799 12%
RM Belo Horizonte 4.357.942 4.883.970 12%
RM Recife 3.337.548 3.690.547 11%
RM São Paulo 17.878.812 19.683.975 10%
RM Rio de Janeiro 10.964.296 11.945.976 9%
RM Porto Alegre 3.782.651 4.031.688 7%
Os dados evidenciam que apesar da população de São Paulo estar se
elevando em ritmo mais lento que a média nacional, outras regiões metropolitanas
paulistas como Campinas, Vale do Par ba e Baixada Santista cresceram acima da
média brasileira, o que sugere que a população paulistana está se deslocando
para as demais cidades do interior do estado; e que também, dada a ampla
desconcentração industrial metropolitana, regiões como Vale do Paraíba e Campinas
estão se industrializando cada vez mais.

Relembre a Desconcentração Industrial

Entre os séculos XVIII e XX, a indústria foi um dos principais fatores


de urbanização. Lembrando que no modelo fordista, a proximidade do
Concentração
mercado consumidor e dos meios de transporte era fundamental,
características que hoje, não são mais tão fundamentais assim.

A partir dos anos 1970, já no modelo de acumulação flexível e com a


melhoria dos sistemas de transporte e comunicação, a localização
deixou de ser primordial. Assim, a indústria saiu dos centros
urbanos (como São Paulo e Rio de Janeiro) e foi para o interior, onde
Desconcentração
havia melhores vantagens econômicas como preços dos terrenos,
isenções de impostos, etc. Em aspecto mundial, a indústria saiu de
grandes centros como Europa e Estados Unidos e migrou para a China
e para os tigres asiáticos.

A" desconcentração industrial", no entanto, está "concentrada"


Desconcentração em alguns pontos do território, principalmente nos interiores de São
Concentrada Paulo e dos demais estados da região centro-sul, especialmente
sudeste, sul, e centro-oeste, este último, com destaque à agroindústria.

 Lembrando que a indústria ainda é um indutor de urbanização! Principalmente


nas pequenas e médias cidades, onde a agroindústria está se instalando no Brasil.

Para além das metrópoles paulistas, a “desconcentração concentrada”


abrange outras áreas do país. Estados do centro oeste como Mato Grosso, Mato
Grosso do Sul e Goiás, receberam um grande volume de capital proveniente da
agroindústria que ali se instalou após os anos 1970. Estimulada por projetos como a
Zona Franca de Manaus (1967) – que promove grandes benefícios fiscais –; e pela
extração de minerais em Eldorado dos Carajás (PA) (maior mina de ferro do mundo)

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e Serra Pelada (PA) (esta última, bastante intensa nos anos 1980 e 1990), a região
norte também apresentou crescimento demográfico expressivo nas últimas décadas.
Já na região nordeste, além dos recentes programas sociais, podemos destacar a
infraestrutura da Zona da Mata, tais como as áreas industriais e portuárias de Pecém
(CE) e Suape (PE), que ajudam a dinamizar a economia regional. Além disso, deve-
se salientar que nos últimos anos, a indústria automobilística – outrora concentrada
nas metrópoles paulista e fluminense – está se dirigindo ao interior. Exemplos desta
dinâmica são a instalação da Ford em Camaçari (BA), da Peugeot em Porto Real
(RJ), da Fiat em Betim (MG), e da Toyota em Indaiatuba (SP).
Por fim, outro fator a ser considerado nesta desconcentração é a expansão
da indústria petroleira, que ajudou a dinamizar as cidades litorâneas médias.
Alavancada pelo pré-sal e pelos investimentos no setor, cidades como Campos dos
Goytacazes (RJ), Macaé (RJ), e Duque de Caxias (RJ) já figuram entre os maiores
PIBs nacionais (tabela abaixo). Cidades como Ilha Comprida (SP), Ilhabela (SP), e
Presidente Kennedy (ES) – esta última, apresentando maior IDH do Brasil – também
beneficiaram-se da expansão petrolífera no país, principalmente com a política de
distribuição de royalties. A tabela abaixo compara o PIB dos municípios com o total
nacional aproximado (2013) [fonte]:

Observa-se, primeiramente, a já constatada desigualdade de distribuição de


riqueza no Brasil. Somente o município de São Paulo, sem considerar a Região
Metropolitana, corresponde a mais de 10% do PIB nacional, e Rio de Janeiro, à
6% deste total. Neste caso, apenas dois municípios concentram 1/5 do PIB
brasileiro – lembrando que o Brasil possui mais de 5.500 municípios.

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1.5. Conurbação e metropolização


Conurbação, metropolização e formação de cidades globais são processos
complementares, porém distintos. Enquanto a conurbação é a união de manchas
urbanas de diferentes cidades, formando um espaço contínuo; a metrópole –
conforme veremos adiante – é uma unidade jurídico-administrativa criada por
governos estaduais.

Metropolização, Conurbação e Cidades Globais

Área urbana contínua entre duas ou mais cidades. Trata-se, portanto, de


Conurbação
um processo físico.

Território criado quando há uma cidade central e várias outras vivendo em


Metrópole função desta. Trata-se, portanto, de um processo jurídico para facilitar a
administração.

Cidade-
Cidade ou aglomeração urbana que exerce influência mundial. Não
global ou
necessariamente tem a ver com os processos de conurbação ou
cidade-
metropolização, mas sim, ao raio de influência de uma cidade.
mundial

Ao menos que hajam placas de sinalização, em uma área conurbada, não é


possível saber, de forma visual, onde são os limites municipais. Em uma
conurbação de várias cidades – como nas Regiões Metropolitanas de São Paulo, Rio
de Janeiro ou Curitiba, há um município central, de economia mais dinâmica, que
concentra as atividades de atração, favorecendo a expansão da malha urbana. Isto
faz com que a área urbana nuclear (situada no município central) extrapole seus
limites político-administrativos, estimulando o crescimento do entorno.

Conurbação na região do ABCD paulista: apesar de vários municípios, há uma


mancha urbana contínua, o que caracteriza a conurbação.
Alguns exemplos de conurbação no Brasil são a região do ABCD no estado de
São Paulo (Santo André, São Bernardo do Campo, São Caetano no Sul e Diadema);
as cidades de Volta Redonda (RJ) e Barra Mansa (RJ); as cidades de Juazeiro (BA)
e Petrolina (PE); ou a Grande Rio (Rio de Janeiro, Duque de Caxias, São João de
Meriti, etc.).
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As áreas de entorno, no entanto, se diferem em relação às centrais.
Primeiramente, como nestas regiões o valor dos imóveis é mais barato, o nível
socioeconômico costuma ser menor – com exceção dos condomínios fechados estilo
“Alphaville” destinados ao público de alta renda (autossegregação). Além disso, salvo
os ramos industriais e agropecuários que costumam se concentrar fora das grandes
cidades, o maior dinamismo econômico encontra-se nas cidades centrais das
conurbações, que neste caso, geram maiores quantidades de empregos, provocando
o deslocamento diário dos habitantes das áreas-satélite. O transporte diário ou
temporário (como por exemplo, o caso dos bóias-frias) de trabalhadores de cidades-
dormitório ou de bairros-dormitório para seus empregos é chamado de migração
pendular. Estes fluxos correspondem à principal causa de congestionamentos das
grandes cidades: pesquisas apontam que nas periferias urbanas, o tempo gasto até
o trabalho é até 163% maior [fonte].
Neste contexto, as diferenças de renda nas áreas urbanas provocam o que os
geógrafos chamam de segregação residencial. Trata-se da separação intencional
das áreas residenciais por faixa de renda; fenômeno este, que acentua as
desigualdades no espaço urbano. Normalmente, as regiões de alta renda concentram
as melhores ofertas de serviços e infraestrutura urbana, porém, as de baixa renda,
sofrem de mazelas já conhecidas como falta de equipamentos públicos. Enquanto as
classes alta e média-alta se isolam em condomínios fechados e edifícios de alto
padrão (autossegregação); as classes sociais menos favorecidas, sem capital de
investimento, são obrigadas a ocuparem as periferias (segregação por imposição).
Quando os próprios atores urbanos favorecem esta dinâmica, sendo pela construção
de conjuntos habitacionais induzidas pelo estado, ou pela venda de loteamentos de
baixo custo proporcionadas pela iniciativa privada, ocorre a segregação induzida.

Segregação residencial

Tipo de
Renda Características
segregação

Composta pela população de baixa renda que possui poucas


Segregação por escolhas de habitação, e acaba indo para regiões mais
imposição pobres da cidade. A "imposição" é feita pela falta de
renda.
Baixa
Composta pela indução de ocupação em regiões periféricas,
como a construção de conjuntos habitacionais ou a venda de
Segregação
loteamentos baratos. A segregação é "Induzida" porque o
induzida
vetor de crescimento urbano é induzido por agentes
externos ao morador em si.

Composta pela classe média-alta e alta que se


Autossegregação Alta “autossegrega” em condomínios fechados ou em
edifícios de alto padrão.

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Segregação residencial é um dos principais problemas nas grandes metrópoles. Na foto,


conjuntos habitacionais na Cidade Tiradentes (bairro de São Paulo), distantes de emprego,
lazer, e infraestrutura adequada.
Por outro lado, se a conurbação é um fenômeno meramente físico/morfológico;
a metrópole, consiste uma unidade jurídico-administrativa criada para facilitar a
gestão urbana em temas que sejam comuns a todos os municípios pertencentes. De
acordo com o IBGE, quase a metade dos brasileiros mora em áreas
metropolitanas, correspondendo a 45,7% da população total [fonte].
O objetivo das metrópoles é basicamente facilitar a gestão: em grandes
aglomerações urbanas, não é possível compreender questões como por exemplo,
transporte, meio ambiente, e economia de forma isolada. Neste caso, tratam-se de
questões que extrapolam o simples território municipal, exigindo maior integração
entre os temas e as escalas geográficas. O objetivo central da metrópole, portanto, é
pensar o território de forma articulada. Com exceção de Acre e Mato Grosso do
Sul, todos os estados brasileiros possuem regiões metropolitanas.Aprovada em 2015,
a Lei das Metrópoles obriga prefeitos e governadores a resolver conjuntamente
questões como transporte, saneamento, coleta de lixo e planejamento urbano [fonte].
Contudo, nem toda conurbação é
metrópole, e nem toda metrópole é conurbada,
por isso, são conceitos que embora sejam
complementares, são distintos entre si. Na Região
Metropolitana de Manaus (AM) e na recém-criada
Região Metropolitana de Ribeirão Preto (SP), por
exemplo, não há conurbação entre os municípios.
Nestes casos, a caracterização da metrópole
ocorre não por causa da extensão da mancha
urbana física, mas sim pela interdependência de
fluxos e serviços.
O inverso também é verdadeiro: há
Conurbação entre Chuy (Uruguai) e conurbações que não constituem metrópoles,
Chuí (Brasil). como por exemplo, entre Alto Araguaia (MT) e
Santa Rita do Araguaia (GO), entre Barra Mansa (RJ) e Rio de Janeiro (RJ); ou, entre
fronteiras como entre Chuí (RS)/ Chuy (Uruguai), Letícia (AM)/ Tabatinga (Colômbia),
ou Brasiléia (AC)/ Cobija (Bolívia).

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A demografia das metrópoles brasileiras normalmente acompanha o eixo
centro-sul: as três metrópoles mais populosas do Brasil estão na região sudeste.
É o caso da Região Metropolitana de São Paulo, que abriga mais de 20% da
população do Brasil, e do Rio de Janeiro, que possui 12 milhões de habitantes,
seguido da Região Metropolitana de Belo Horizonte, com quase 6 milhões. Além de
abrigarem maior contingente populacional, as metrópoles do sudeste concentram
os principais centros de gestão do território: de acordo com o REGIC/IBGE, das
1.124 maiores empresas do Brasil, 365 estão sediadas em São Paulo; e 118, no Rio
de Janeiro.
Regiões metropolitanas mais populosas do Brasil - 2016
Nº Metrópole População População
1 São Paulo (SP) 21.242.939 11 Manaus (AM) 2.568.817
2 Rio de Janeiro (RJ) 12.330.186 12 Vale do Paraíba (SP) 2.475.879
3 Belo Horizonte (MG) 5.873.841 13 Goiânia (GO) 2.458.504
4 Brasília (DF) 4.291.577 14 Belém (PA) 2.422.481
5 Porto Alegre (RS) 4.282.410 15 Sorocaba (SP) 2.066.986
6 Fortaleza (CE) 4.019.213 16 Vitória (ES) 1.934.983
7 Salvador (BA) 3.984.583 17 Baixada Santista (SP) 1.813.033
8 Recife (PE) 3.940.456 18 Ribeirão Preto (SP) 1.662.645
9 Curitiba (PR) 3.537.894 19 Natal (RN) 1.577.072
10 Campinas (SP) 3.131.528 20 São Luís (MA) 1.526.213
Interessante notar que maior população não necessariamente implica em
maior relevância ou área de influência: Belo Horizonte, simplesmente classificada
pelo IBGE como “metrópole”, tem população superior à Brasília, classificada como
“metrópole nacional”; categoria esta, de maior importância.
Embora sejam altamente populosas e influentes, as metrópoles possuem
profundas contradições urbanas. A metrópole do Rio de Janeiro, por exemplo
apesar de apresentar renda mais elevada em Niterói e nos bairros cariocas litorâneos
meridionais, apresenta um grande anel periférico, caracterizado pela baixa renda,
pela carência de infraestrutura, e por problemas urbanos como violência e
desemprego [fonte].

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Se as cidades de uma metrópole
interagem entre si, é correto dizer que as
metrópoles também possuem graus de
conexão externa, seja esta, econômica,
política ou cultural, formando áreas ainda
maiores. Sendo assim, o conjunto de várias
metrópoles é denominado megalópole. No
Brasil, há uma megalópole em formação entre
São Paulo e Rio de Janeiro – as duas maiores
metrópoles do país. Trata-se da junção das
metrópoles de São Paulo (RMSP), de
Campinas (RMC), da Baixada Santista
(RMBS), e do Rio de Janeiro (RMRJ),
formando uma área relativamente contínua,
expressão máxima do meio técnico-científico-
informacional, ligada por rodovias como a
Presidente Dutra (BR-116) e as vias
Bandeirantes e Anhanguera, além de um
grande cinturão de indústrias, universidades,
e objetos de reprodução do capital.
Recentemente, com a criação das regiões
metropolitanas do Vale do Paraíba (área
entre São Paulo e Rio de Janeiro,
estabelecida em 2012) e de Ribeirão Preto (a A Megalópole europeia, ou "Banana
norte de Campinas, estabelecida em 2016), o Azul", concentra as principais cidades do
potencial de interconexão da megalópole SP- continente.
RJ poderá ser potencializado.

Megalópole em formação entre São Paulo e Rio de Janeiro: região é a expressão máxima
do meio técnico-científico-informacional no Brasil.
Apesar de ser um fenômeno relativamente novo no Brasil, a formação de
megalópoles é uma tendência do mundo desenvolvido. Entre as principais, destaca-
se a Megalópole Japonesa (metrópoles de Tóquio, Kawasaki, Nagoya, Kyoto,
Nagasaki e Osaka), e a da Costa Leste dos Estados Unidos, abrangendo as
metrópoles de Boston, Nova York, Philadelhia e Washington. Na Europa, destaca-se

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a Megalópole Europeia, área apelidada de “Banana Azul”. Trata-se de um imenso
corredor urbano abrangendo países como Inglaterra, Bélgica, França, Luxemburgo,
Alemanha, Suíça, e Itália, onde concentra-se a maior parte da população do velho
continente.

1.6. Cidades globais


Conforme vimos nos itens anteriores, a rede urbana brasileira é altamente
desigual: São Paulo, a “Grande Metrópole Nacional” sendo dotada de alto grau
técnico e elevada concentração de capital, exerce influência sob todo o território. Isto
também ocorre, embora em menor grau, com as “Metrópoles Nacionais” Brasília e
Rio de Janeiro. No entanto, como vivemos em um mundo globalizado, as redes
de cidades são mundiais, extrapolando assim, os territórios dos países. Se São
Paulo polariza as cidades grandes e médias do território nacional, é também
polarizada por aglomerações mais relevantes situadas em países desenvolvidos,
como Nova York, Paris, Tóquio, ou Shangai. Estas cidades que exercem influência
mundial são chamadas cidades-globais, constituindo assim, os nós centrais do
planeta.
Estando no topo da hierarquia urbana, as cidades globais controlam, em
âmbito mundial, os negócios e as transações empresariais planetárias. São
dotadas de grande infraestrutura voltada ao mercado financeiro como bolsas de
valores, bancos internacionais, centros de convenções, bem como eficientes
sistemas de comunicação e transportes. Por meio do estudo “The World According to
Globalization and World Cities (2016)”, o departamento de geografia da Universidade
de Loughborough (UK) mapeou as principais cidades globais. A hierarquização foi
feita entre Alpha++, “Alpha+, Alpha, Alpha-, Beta+, Beta, Beta-, Gamma+, Gamma,
Gamma-, High Sufficiency (grande suficiência) e Sufficiency (sucifiência) e demais
aglomerações urbanas. [fonte]. O quadro abaixo mostra as cidades Alpha++, Alpha+
e Alpha, ou seja, as mais poderosas:

Cidades Globais (2016)


Alpha ++ Alpha + Alpha
Londres (UK) Singapura Sidney (Austrália) Varsóvia (Polônia)
Nova York Johannesburgo (África
Hong Kong São Paulo (Brasil)
(EUA) do Sul)
Paris (França) Milão (Itália) Toronto (Canadá)
Pequim (China) Chicago (EUA) Seul (Coréia do Sul)
Tóquio (Japão) Cidade do México (Méx) Istambul (Turquia)
Dubai (Emir.
Mumbai (Índia) Kuala Lumpur (Malásia)
Árabes)
Shangai (China) Moscou (Rússia) Jacarta (Indonésia)
Frankfurt (Alemanha) Amsterdã (Holanda)
Madri (Espanha) Bruxelas (Bélgica)
Los Angeles (EUA)
De acordo com o estudo, Londres e Nova York são as cidades mais
importantes do globo, e estão, portanto, no topo da hierarquia urbana. Logo em
seguida, já em outra categoria, encontram-se as cidades-estado de Singapura e Hong
Kong (conhecidas pelo alto grau de liberdade econômica), bem como tradicionais

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metrópoles como Paris, Pequim ou Tóquio. São Paulo é a única cidade brasileira
nas categorias tipo “Alpha”. Entretanto, o estudo cita outras cidades brasileiras em
categorias abaixo como: Rio de Janeiro (Beta-); Porto Alegre e Curitiba (High
Sufficiency), e Belo Horizonte, Brasília, Recife, Campinas, Salvador, e Goiânia
(Sufficiency). Estas duas últimas categorias, não constituem cidades globais, mas
sim, polos regionais ou nacionais. A publicação também mapeou estas aglomerações
urbanas, conforme o mapa abaixo:
Mapa das cidades globais (2016)

Nota-se que a maior parte das cidades globais está localizada em três áreas:
América do Norte, Europa, e Leste da Ásia, por onde saem as principais decisões
financeiras, culturais, e políticas que influenciam o planeta. A América Latina possui
apenas quatro cidades nas subcategorias “Alpha”, sendo: São Paulo (Brasil), Buenos
Aires (Argentina), Cidade do México (México) e Santigo (Chile). Apesar de sua
imensidão territorial, o continente africano apenas está representado por
Johannesburgo (África do Sul).

Geografia urbana - Resumão de conceitos

Espaço Urbano Porção do espaço geográfico ocupada por área urbana.

Cidade ou
Área urbana, que pode ultrapassar ou não o município
Aglomeração urbana

Megacidade Cidade com mais de 10 milhões de habitantes.

Cidade global Cidade que exerce influência em nível global

Unidade política (assim como um país, um estado, etc).


Município
Não tem a ver com urbanização.

Conurbação Área urbana contínua, ocupada por mais de um município.

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Unidade jurídico-administrativa, criada para facilitar a


Metrópole gestão de cidades próximas e/ou conurbadas que sejam
polarizadas por um município central.

Megalópole Junção de duas ou mais metrópoles.

Rede de hierarquia urbana, caracterizada pela influência


Rede de Cidades
de uma cidade sob a outra.

Hinterlândia Área de influência de uma cidade.

Padrão espacial das áreas urbanas. Por exemplo, favelas


Tecido Urbano
possuem o mesmo "tecido"

Êxodo Rural Migração em massa das áreas rurais para as urbanas.

Desconcentração das metrópoles e crescimento das


Desmetropolização
cidades médias.

Desconcentração Saída da indústria das áreas urbanas centrais para o


Industrial interior

Segregação Separação das áreas habitáveis de acordo com faixa de


residencial renda.

2. A REDE BRASILEIRA DE TRANSPORTES E SUA EVOLUÇÃO (Item


04. Geografia do Brasil)
Nesta parte da aula – atendendo à especificação do edital –, serão estudados
os principais modais de transporte utilizados no Brasil: transporte rodoviário,
ferroviário, aéreo, e aquaviário (marítimo, fluvial, e cabotagem). Primeiramente será
feito um panorama global, e depois a sua contextualização no quadro nacional.

2.1. Transporte Rodoviário


Primeiramente, o transporte rodoviário é um dos mais utilizados do mundo, e
o mais utilizado no Brasil, correspondendo a mais da metade do transporte de
cargas no país. Utilizando dados do CIA Factbook [fonte], a tabela abaixo evidencia
as principais malhas rodoviárias em âmbito mundial:

Maiores malhas rodoviárias do mundo (milhares de quilômetros)


Nº País Km Ano Nº País Km Ano
1 Estados Unidos 6586,6 2012 11 Espanha 683,2 2011
2 Índia 4699,1 2015 12 Alemanha 645,0 2010
3 China 4106,4 2011 13 Suécia 579,6 2010
4 Brasil 1581,0 2010 14 Indonésia 496,6 2011
5 Rússia 1283,4 2012 15 Itália 487,7 2007
6 Japão 1218,8 2015 16 Finlândia 454,0 2012

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7 Canadá 1042,3 2011 17 Polônia 412,0 2012
8 França 1028,4 2010 18 Reino Unido 394,4 2009
9 Austrália 823,2 2011 19 Turquia 385,8 2012
# África do Sul 747,0 2014 20 México 377,7 2012
Líder absoluto, os Estados Unidos – maior potência econômica global –
possui mais de 6,5 milhões de quilômetros de rodovias, o equivalente a mais de 100
vezes a circunferência da Terra. Surpreendentemente, os emergentes Índia, China
e Brasil ocupam as posições subsequentes, seguida da Rússia, que ocupa o quinto
lugar. Tratam-se de países de economia diversificada e grande extensão territorial.
No entanto, países como Japão, França, Espanha, Alemanha e Suécia – que
figuram entre as maiores malhas rodoviárias do mundo – também possuem territórios
pouco extensos. Há, neste caso, uma grande densidade de infraestrutura rodoviária.
No Brasil, a matriz de
transporte é predominantemente
rodoviária, com esta modalidade
correspondendo a cerca de 96,2% da
matriz de transporte de passageiros e
a 61,8% da matriz de transporte de
cargas; sendo elemento fundamental
nas cadeias produtivas, unindo
mercados e promovendo a integração
de regiões e estados [fonte]. No
entanto, apesar de ser o quarto pais
com maior malha rodoviária, o Brasil
carece de infraestrutura adequada:
dados da CNT indicam que dos
1.610.076 km de rodovias no país,
apenas 12% possui pavimentação.
O índice de pavimentação é de 79,7%
para as rodovias federais, de 49,6%
para as estaduais e de apenas 1,7% Principais rodovias do Brasil. Trata-se do principal
para as municipais, o que evidencia modal de transporte do país.
uma grande desigualdade logística
no território nacional [fonte].
No Brasil, as primeiras estradas surgiram no século XIX, impulsionadas pela
necessidade de escoamento dos produtos e pelo aumento do intercâmbio entre as
localidades, o que exigia a abertura de rotas mais modernas. No entanto, a primeira
rodovia pavimentada surgiu somente no início do século XX, mais especificamente
em 1928, ligando Rio de Janeiro (RJ) a Petrópolis (RJ), ficando conhecida como
Rodovia Washington Luiz. A partir dos anos 1950, com a chegada da indústria
automobilística, e com a consequente implementação de políticas públicas
rodoviaristas, houveram maciços investimos no que tange a construção de estradas
e a aquisição de automóveis pela população. A partir desta época, o modal rodoviário
passou a predominar no transporte do Brasil: oferecendo capilaridade, rapidez e
agilidade, possibilitou que locais distantes fossem integradas à economia nacional e
regional. [fonte].

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O mapa abaixo, elaborado pela CNT [fonte], sintetiza as principais rodovias
brasileiras. Neste, é possível notar que a malha viária acompanha o eixo
geoeconômico do centro-sul, em destaque às regiões sudeste e sul, além dos
arredores do Distrito Federal. Enquanto São Paulo, Paraná, e Goiás apresentam
densas malhas rodoviárias, estados como Amazonas, Pará, e Acre dependem mais
do transporte hidroviário, o que veremos mais à frente.

2.2. Transporte Ferroviário


Durante a Revolução Industrial, nos séculos XVIII e XIX, o transporte ferroviário
foi um significativo catalisador de desenvolvimento das sociedades europeias, em
especial em países como Inglaterra, França, e Alemanha – que até hoje detém as
maiores malhas ferroviárias do mundo. Possuindo a vantagem de transportar uma
grande quantidade de cargas e passageiros, ainda hoje, a ferrovia continua sendo
um dos principais modais de transporte do planeta. O transporte ferroviário é o
segundo mais utilizado do Brasil – somente atrás do rodoviário – correspondendo
à cerca de 20% de toda a movimentação de cargas no território nacional [fonte]. Em
relação aos outros países, dados do CIA Factbook (2018) [fonte] e da Associação
Brasileira de Indústria de Base (2013) [fonte] apontam as maiores malhas ferroviárias
e os maiores percentuais de utilização de ferrovias nas matrizes de transporte:
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Maiores malhas ferroviárias do mundo (milhares de quilômetros)


Nº País Km Ano Nº País Km Ano
1 Estados Unidos 293,6 2014 11 Japão 27,3 2015
2 China 191,3 2014 12 Ucrânia 21,7 2014
3 Rússia 87,2 2014 13 África do Sul 21,0 2014
4 Canadá 77,9 2014 14 Itália 20,2 2014
5 Índia 68,5 2014 15 Polônia 19,8 2014
6 Alemanha 43,5 2014 16 Reino Unido 16,8 2015
7 Austrália 37,0 2014 17 Espanha 16,1 2014
8 Argentina 36,9 2014 18 México 15,4 2014
9 França 29,6 2014 19 Cazaquistão 14,2 2014
10 Brasil 28,5 2014 20 Turquia 12,0 2014
Maiores percentuais de utilização de modal ferroviário

É possível notar que ambos os rankings são compostos por países de grande
extensão territorial, onde o modal ferroviário é mais vantajoso. Não por acaso,
mais de 80% do transporte da Rússia, maior território do mundo, é protagonizado por
ferrovias. De fato, conforme gráfico abaixo elaborado pela CNT, quanto maior a
distância percorrida, maior a vantagem comparativa do transporte ferroviário.
No geral, enquanto caminhões são competitivos para o transporte de produtos leves
em pequenas distâncias, as ferrovias são mais eficientes no transporte de cargas
pesadas em longas distâncias. Além disso, quanto mais pesada é a carga, maior a
vantagem relativa do sistema ferroviário. [fonte].

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No Brasil, devido à carência de infraestrutura à condições de segurança– além
das vantagens do gráfico acima – as ferrovias são utilizadas principalmente para
transporte de commodities e produtos de baixo valor agregado; especialmente
minério de ferro, que de acordo com a Confederação Nacional do Transporte, é
responsável por aproximadamente três quartos (73,9%) do fluxo total de cargas
ferroviárias no país; além de: soja (5,18%), milho (3,79%), produtos de siderurgia
(2,94%), farelo de soja (2,25%), granéis minerais (2,14%), combustíveis e derivados
(2,11%) açúcar (2,01%) e outras matérias primas [fonte].
No entanto, nem sempre as ferrovias
constituíram transporte secundário: entre a
segunda metade do século XIX e a primeira
metade do século XX, quando as primeiras
ferrovias foram construídas, estas
correspondiam o principal meio de
transporte de cargas e passageiros no
Brasil. Nesta época, no auge dos ciclos do
café e da borracha, o Brasil era um país
agrário-exportador. As ferrovias supriram
as necessidades logísticas do momento,
servindo, principalmente, para escoar a
produção de matérias primas do interior do
Brasil para os portos. São deste período,
por exemplo, a construção das ferrovias
Trem da ALL, a maior concessionária do São Paulo Railway Company (1867),
Brasil. Após anos de crise, o setor está em
E.F.D. Pedro II (Central do Brasil) (1858) e
expansão.
da Madeira Mamoré (1911).
Num segundo momento, depois do boom cafeeiro, a industrialização do país
iniciada no século XIX e intensificada a partir dos anos 30 do século XX, aproveitou
as estruturas ferroviárias existentes para o transporte de produtos industrializados.
Não por acaso, as primeiras áreas industriais de cidades como São Paulo e Rio de
Janeiro situam-se justamente próximo às malhas ferroviárias.
A partir da segunda metade do século XX, a intensificação do uso do
automóvel reduziu a importância do modal ferroviário. Ao mesmo tempo em que
aumentava-se exponencialmente o ritmo de construção de estradas de rodagem,
estagnava-se ou diminuía-se a frequência de manutenção das ferrovias. Depois do
desenvolvimentismo dos anos 1950, o modal ferroviário passou por um
sistemático processo de sucateamento; ganhando novo fôlego somente com as
concessões realizadas no final dos anos 1990, tais como a da Companhia Ferroviária
do Nordeste S.A. (1997), da Ferroviária Centro-Atlântica S.A (1996), da MRS
Logística S.A (1996), entre outras. Após um longo período de estagnação,
atualmente, o setor ferroviário brasileiro está em nova fase de expansão:
somente entre 1997 e 2012, governos e empresas privadas investiram mais de 40
bilhões no setor. [fonte]. O mapa abaixo evidencia as principais ferrovias do Brasil:

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Do ponto de vista espacial, o sistema ferroviário brasileiro está


concentrado nas regiões sudeste, sul, e litoral do nordeste, não por acaso, nas
áreas com economia mais dinâmica e maior contingente populacional (conforme
mapa abaixo). A ausência da malha ferroviária causa grandes prejuízos à economia
nacional, especialmente para nichos como a produção agropecuária do centro-oeste,
que por muitas vezes, é obrigada a escoar sua produção via rodoviária por longas
distâncias, diminuindo a competitividade do setor.

2.3. Transporte Aéreo


Assim como ocorre com os outros modais, o transporte aéreo global é
extremamente concentrado: os Estados Unidos, potência majoritária do globo e líder
em transporte rodoviário e ferroviário, também encabeça o ranking dos países com
maior número de aeroportos. Conforme dados da CIA Factbook [fonte]:

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Países com mais aeroportos do mundo


Nº País Aerop. Ano Nº País Aerop. Ano
1 Estados Unidos 13513 2013 11 África do Sul 566 2013
2 Brasil 4093 2013 12 Papua Nova Guiné 561 2013
3 México 1714 2013 13 Alemanha 539 2013
4 Canadá 1467 2013 14 China 507 2013
5 Rússia 1218 2013 15 Chile 481 2013
6 Argentina 1138 2013 16 Austrália 480 2013
7 Bolívia 855 2013 17 França 464 2013
8 Colômbia 836 2013 18 Reino Unido 460 2013
9 Paraguai 799 2013 19 Venezuela 444 2013
10 Indonésia 673 2013 20 Equador 432 2013
Surpreendentemente, o Brasil é o segundo país com maior número de
aeroportos, com cerca de 1/3 da quantidade dos Estados Unidos. Há, em território
nacional, cerca de 4.000 aeroportos, campos e pistas de pouso. Ainda de acordo com
o ranking, México, Canadá, Rússia e Argentina são os únicos países com mais de
1.000 aeroportos. Países situados em ilhas ou arquipélagos como Austrália, Papua
Nova Guiné (com restrição de transporte terrestre) e sem litoral como a Bolívia (com
restrição de transporte marítimo), também aparecem no ranking.

Mapa de fluxos aeroviários globais. Movimentação é mais intensa nos Estados Unidos, na
Europa Ocidental, no Japão e no sudeste asiático.
Importante notar que os principais fluxos aeroviários do mundo
acompanham as potências globais, sendo mais intensos no hemisfério norte entre
Estados Unidos, Europa Ocidental, Japão, China, e sudeste asiático. Na América do
Sul, os maiores fluxos estão na região sudeste do Brasil e nas imediações do Oceano
Pacífico em países como Chile e Peru [fonte]
Já no Brasil, de acordo com Atlas da CNT, os principais centros em volume
de passageiros transportados são, pela ordem: São Paulo, Rio de Janeiro,
Brasília, Belo Horizonte, Salvador, Recife, Porto Alegre, Curitiba, Fortaleza e
Manaus. Em volume de cargas, destacam-se São Paulo, (incluindo-se o aeroporto de
Viracopos, em Campinas, o 1º do país em carga aérea), Rio de Janeiro, Manaus,
Brasília e Belo Horizonte [fonte]. Corroborando estas constatações da CNT, a Infraero

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rodoviária nestes estados, e
também devido à topografia plana
destes rios, cuja navegabilidade
não depende (ou depende muito
pouco) de estruturas como eclusas,
que encarecem a navegação. Além
do Rio Amazonas e seus afluentes,
as principais bacias do país também
servem para navegação, tais como:
as bacias dos rios Paraguai e
Prata, Uruguai, Paraná, e Tietê nas
regiões sul, sudeste, e centro-oeste
do país; as bacias dos rios São
Francisco e Parnaíba na região
nordeste; as bacias dos rios
Tocantins e Araguaia, nas regiões
norte e nordeste; e a bacia do Rio
Paraíba do Sul, no Rio de Janeiro.
Além dos transportes marítimo e fluvial, outra modalidade de transporte
aquaviário bastante utilizada no Brasil é a navegação de cabotagem; isto é, a
realizada entre portos de diferentes estados, em distâncias relativamente curtas.
Conforme o mapa a seguir:

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Apesar de 9,6% da matriz brasileira ser composta por esta modalidade
(número evidentemente incluído no percentual do transporte aquaviário), o Brasil,
reunindo inúmeras vantagens naturais, poderia expandir significativamente a
navegação de cabotagem: temos quase 8 mil quilômetros de costa, 80% da
população vivendo a menos de 200km do litoral, e forte concentração costeira dos
sistemas produtivo e consumidor [fonte]. Neste cenário, não faz muito sentido a
utilização maciça do transporte rodoviário que fazemos hoje. Para efeitos de
comparação, 37% do transporte da União Europeia e 48% do transporte chinês é
realizado pela navegação de cabotagem [fonte]. Atualmente, portanto, constitui uma
das formas mais promissoras de transporte para o futuro brasileiro.

Agora que você aprendeu, vamos estudar algumas questões da ABIN?


Perceba que os temas de Geografia Urbana costumam cair relacionados a
assuntos de outras aulas, principalmente no que diz respeito à indústria, economia,
agropecuária, e divisão produtiva no Brasil. Então, além do que aprendemos hoje,
também será preciso retomar conhecimentos das aulas anteriores!

ABIN/2008 (Cespe/UNB)
01) O padrão de rede urbana encontrado no país, hierarquizado segundo o
tamanho das cidades, espelha a integração e a articulação de todo o território
nacional.
Nem todo o território nacional está igualmente integrado e articulado, há diversos
vazios demográficos e áreas com menor grau de conexão.
Gabarito: Errado

ABIN/2008 (Cespe/UNB)
A distribuição espacial da indústria no Brasil tem passado por transformações em
decorrência da evolução das infra-estruturas de transporte e comunicação. Acerca
dessa dinâmica instaurada, julgue os próximos itens.
02) O Estado contribuiu para o processo em curso de descentralização da
produção industrial no território brasileiro por meio de políticas de
desenvolvimento regional, como, por exemplo, disponibilizando energia.
Conforme vimos na aula passada, durante quase todo o século XX, o Estado foi o
principal indutor do crescimento industrial no Brasil. Quando a questão fala sobre
“descentralização” está especificamente se referindo ao período pós anos 1970,
quando o Governo Militar estava investindo pesado em energia (vide hidrelétricas
de Itaipu e Tucuruí e usinas nucleares de Angra I e Angra II), e evidentemente, em
linhas de transmissão que pudessem distribuir a energia gerada.
Gabarito: Certo
03) Como consequência do processo de descentralização, os desequilíbrios
relativos à concentração de renda, em nível regional, cederam lugar à
integração territorial, que eliminou as disparidades.
Vou ser chato e falar de novo: cuidado com essas questões que possuem frases
impactantes como “eliminou as disparidades”. Vimos na aula passada e também na
aula de hoje, que o território brasileiro é profundamente desigual!

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Gabarito: Errado
04) Em conformidade com a descentralização industrial, observa-se a
ampliação dos mercados por meio do rompimento com as estruturas
agroexportadoras existentes no passado.
De fato, ocorreu a ampliação dos mercados, mas a estrutura agroexportadora se
manteve. Por “estrutura agroexportadora”, a questão refere-se ao modelo de
exploração vivido no Brasil desde o período colonial: modelo de plantation (grandes
latifúndios), desigualdade no acesso à terra, e concentração de renda no campo.
Modernizaram-se as relações, mas a estrutura social continuou desigual (fiquem
tranquilos pois veremos esse assunto com mais detalhes na aula que vem).
Gabarito: Errado
05) Uma das consequências da desconcentração espacial da indústria no
Brasil foi a aceleração do crescimento das metrópoles nacionais, o que
promoveu as invasões urbanas e a criação de periferias nas cidades.
As principais metrópoles nacionais cresceram por conta da imigração interna, e não
por conta da desconcentração industrial. A desconcentração industrial ajudou a
desenvolver as cidades médias, e não centros urbanos historicamente
consolidados como São Paulo e Rio de Janeiro.
Gabarito: Errado

ABIN/2004 (Cespe/UNB)
A Amazônia foi alvo de diversos planos e projetos de desenvolvimento. Diante do
papel assumido pela região nas últimas décadas, a visão do vazio populacional não
vigora mais. Acerca desse assunto, julgue os seguintes itens.
06) O processo de urbanização vivido na Amazônia nas últimas décadas
confirma o caráter modernizador das políticas territoriais levadas a efeito pelo
Estado, geradoras de intensos fluxos de mão-de-obra.
Principalmente durante o Governo Militar, o Estado procurou estimular o
desenvolvimento da Amazônia. Alguns exemplos deste projeto estão a construção
da Rodovia Transamazônica, da Hidrelétrica de Itaipu, da Zona Franca de Manaus,
e da implementação de colônias agrícolas. Todos estes, realizados entre as
décadas de 1960 e 1970. Estes incentivos provocaram grandes ondas de migração
para a região, oriundas de todas as regiões do Brasil.
Gabarito: Certo
07) Os rios sempre foram importantes eixos de penetração e de escoamento
da produção na Amazônia, mas perdem significado estratégico com o
desenvolvimento das rodovias na atual fase de exploração dos recursos da
região.
Não, ainda hoje os rios constituem a principal forma de transporte da Amazônia,
pois a estrutura rodoviária ainda é muito deficitária.
Gabarito: Errado
08) Apesar de fazer limite com diversos países, a Amazônia brasileira goza de
estabilidade e segurança em suas fronteiras com esses países. Contribui para

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essa segurança o maciço florestal, que constitui uma barreira natural à
invasão e à ocupação.
Muito pelo contrário, o maciço florestal – por apresentar dificuldades de
policiamento e monitoramento – facilita atividades criminosas como por exemplo,
contrabando, e tráfico de drogas e armas.
Gabarito: Errado
09) Diferentemente da região Norte, o Centro-Oeste esteve à margem do
processo de modernização da agricultura e do avanço da fronteira agrícola
no Brasil nas últimas décadas. A monocultura é, ainda, sua principal atividade
produtiva.
Ao contrário do afirmado na questão, o Centro-Oeste é a região que mais recebeu
investimentos em modernização agrícola nas últimas décadas. Não faz sentido
dizer que “esteve à margem” deste processo.
Gabarito: Errado
ABIN/2008 (Cespe/UNB)
10) O padrão de rede urbana encontrado no país, hierarquizado segundo o
tamanho das cidades, espelha a integração e a articulação de todo o território
nacional.
Nem todo o território nacional está igualmente integrado e articulado, há diversos
vazios demográficos e áreas com menor grau de conexão.
Gabarito: Errado

ABIN/2004 (Cespe/UNB) – Questões 103 a 106


A Amazônia foi alvo de diversos planos e projetos de desenvolvimento. Diante do
papel assumido pela região nas últimas décadas, a visão do vazio populacional não
vigora mais. Acerca desse assunto, julgue os seguintes itens.
15) O processo de urbanização vivido na Amazônia nas últimas décadas
confirma o caráter modernizador das políticas territoriais levadas a efeito pelo
Estado, geradoras de intensos fluxos de mão-de-obra.
Principalmente durante o Governo Militar, o Estado procurou estimular o
desenvolvimento da Amazônia. Alguns exemplos deste projeto estão a construção
da Rodovia Transamazônica, da Hidrelétrica de Itaipu, da Zona Franca de Manaus,
e da implementação de colônias agrícolas. Todos estes, realizados entre as
décadas de 1960 e 1970. Estes incentivos provocaram grandes ondas de migração
para a região, oriundas de todas as regiões do Brasil.
Gabarito: Certo
16) Os rios sempre foram importantes eixos de penetração e de escoamento
da produção na Amazônia, mas perdem significado estratégico com o
desenvolvimento das rodovias na atual fase de exploração dos recursos da
região.
Não, ainda hoje os rios constituem a principal forma de transporte da Amazônia,
pois a estrutura rodoviária ainda é muito deficitária.
Gabarito: Errado

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17) Apesar de fazer limite com diversos países, a Amazônia brasileira goza de
estabilidade e segurança em suas fronteiras com esses países. Contribui para
essa segurança o maciço florestal, que constitui uma barreira natural à
invasão e à ocupação.
Muito pelo contrário, o maciço florestal – por apresentar dificuldades de
policiamento e monitoramento – facilita atividades criminosas como por exemplo,
contrabando, e tráfico de drogas e armas.
Gabarito: Errado
18) Diferentemente da região Norte, o Centro-Oeste esteve à margem do
processo de modernização da agricultura e do avanço da fronteira agrícola
no Brasil nas últimas décadas. A monocultura é, ainda, sua principal atividade
produtiva.
Ao contrário do afirmado na questão, o Centro-Oeste é a região que mais recebeu
investimentos em modernização agrícola nas últimas décadas. Não faz sentido
dizer que “esteve à margem” deste processo.
Gabarito: Errado

3. LISTA DE QUESTÕES

Simulado de Questões ABIN

ABIN/2008 (Cespe/UNB)
01) O padrão de rede urbana encontrado no país, hierarquizado segundo o tamanho
das cidades, espelha a integração e a articulação de todo o território nacional.

ABIN/2008 (Cespe/UNB)
A distribuição espacial da indústria no Brasil tem passado por transformações em
decorrência da evolução das infra-estruturas de transporte e comunicação. Acerca
dessa dinâmica instaurada, julgue os próximos itens.
02) O Estado contribuiu para o processo em curso de descentralização da produção
industrial no território brasileiro por meio de políticas de desenvolvimento regional,
como, por exemplo, disponibilizando energia.
03) Como consequência do processo de descentralização, os desequilíbrios relativos
à concentração de renda, em nível regional, cederam lugar à integração territorial,
que eliminou as disparidades.
04) Em conformidade com a descentralização industrial, observa-se a ampliação dos
mercados por meio do rompimento com as estruturas agroexportadoras existentes no
passado.

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05) Uma das consequências da desconcentração espacial da indústria no Brasil foi a
aceleração do crescimento das metrópoles nacionais, o que promoveu as invasões
urbanas e a criação de periferias nas cidades.

ABIN/2004 (Cespe/UNB)
A Amazônia foi alvo de diversos planos e projetos de desenvolvimento. Diante do
papel assumido pela região nas últimas décadas, a visão do vazio populacional não
vigora mais. Acerca desse assunto, julgue os seguintes itens.
06) O processo de urbanização vivido na Amazônia nas últimas décadas confirma o
caráter modernizador das políticas territoriais levadas a efeito pelo Estado, geradoras
de intensos fluxos de mão-de-obra.
07) Os rios sempre foram importantes eixos de penetração e de escoamento da
produção na Amazônia, mas perdem significado estratégico com o desenvolvimento
das rodovias na atual fase de exploração dos recursos da região.
08) Apesar de fazer limite com diversos países, a Amazônia brasileira goza de
estabilidade e segurança em suas fronteiras com esses países. Contribui para essa
segurança o maciço florestal, que constitui uma barreira natural à invasão e à
ocupação.
09) Diferentemente da região Norte, o Centro-Oeste esteve à margem do processo
de modernização da agricultura e do avanço da fronteira agrícola no Brasil nas últimas
décadas. A monocultura é, ainda, sua principal atividade produtiva.

ABIN/2008 (Cespe/UNB)
10) O padrão de rede urbana encontrado no país, hierarquizado segundo o tamanho
das cidades, espelha a integração e a articulação de todo o território nacional.

ABIN/2004 (Cespe/UNB)
A Amazônia foi alvo de diversos planos e projetos de desenvolvimento. Diante do
papel assumido pela região nas últimas décadas, a visão do vazio populacional não
vigora mais. Acerca desse assunto, julgue os seguintes itens.
11) O processo de urbanização vivido na Amazônia nas últimas décadas confirma o
caráter modernizador das políticas territoriais levadas a efeito pelo Estado, geradoras
de intensos fluxos de mão-de-obra.
12) Os rios sempre foram importantes eixos de penetração e de escoamento da
produção na Amazônia, mas perdem significado estratégico com o desenvolvimento
das rodovias na atual fase de exploração dos recursos da região.
13) Apesar de fazer limite com diversos países, a Amazônia brasileira goza de
estabilidade e segurança em suas fronteiras com esses países. Contribui para essa
segurança o maciço florestal, que constitui uma barreira natural à invasão e à
ocupação.
14) Diferentemente da região Norte, o Centro-Oeste esteve à margem do processo
de modernização da agricultura e do avanço da fronteira agrícola no Brasil nas últimas
décadas. A monocultura é, ainda, sua principal atividade produtiva.
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Gabarito do Simulado de Questões ABIN

Questão 01 – Errado
Questão 02 – Certo
Questão 03 – Errado
Questão 04 – Errado
Questão 05 – Errado
Questão 06 – Certo
Questão 07 – Errado
Questão 08 – Errado
Questão 09 – Errado
Questão 10 – Errado
Questão 11 – Certo
Questão 12 – Errado
Questão 13 – Errado
Questão 14 – Errado

Simulado com Questões de Outros Concursos

CACD/2006 (Cespe/UNB) - Questão 60

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Tendo o gráfico acima como referência e considerando o processo de urbanização
do mundo contemporâneo, assinale a opção correta.
A) No Brasil, o crescimento urbano e a urbanização foram alimentados por um forte
êxodo rural e fluxos migratórios entre regiões, o que possibilitou melhor distribuição
da população no território
B) O caráter urbano e metropolitano do Brasil, com o estabelecimento de bem
distribuída rede de cidades, está restrito ao sul e sudeste do país, uma vez que estas
foram as regiões que experimentaram o maior desenvolvimento industrial ao longo da
história do país.
C) O aumento contínuo da participação da África e da América Latina no conjunto das
cem maiores cidades do mundo ao longo do período representado no gráfico reflete
o processo de globalização da economia, que enseja a inserção de países periféricos
e a superação de seu passado colonial.
D) O aumento da participação da América Latina no conjunto das cem maiores
cidades do mundo indica o rápido processo de urbanização calcado na
industrialização, que não se faz acompanhar de adequada e suficiente oferta de
empregos urbanos no setor secundário da economia.
E) O declínio na participação de determinados continentes é justificado pela
interposição de barreiras à entrada de migrantes e, principalmente, pela diminuição
de suas populações, tendo eles já realizado sua transição demográfica.

CACD/2014 (Cespe/UNB) – Questão 29


A aparição das chamadas cidades mundiais e das cidades globais se explica pela
necessidade de organização e controle da economia global. O termo cidade global,
em sua versão mais topológica, é definido por Saskia Sassen como um território onde
se exerce uma série de funções de organização e controle na economia global e nos
fluxos de investimentos em escala planetária.
O. Nel.Lo e F. Muñoz. El proceso de urbanización. In.: Geografía humana, J. Romero
et al (Coord.). Barcelona: Ariel, 2008, p. 321 (com adaptações).
Considerando a perspectiva conceitual de Saskia Sassen, julgue (C ou E) os itens
seguintes, relativos a cidades globais.
1) A dinâmica fundamental do novo processo de urbanização pressupõe que, quanto
mais a economia for globalizada, maior será a convergência de funções centrais nas
cidades globais, cuja densidade demográfica elevada expressa espacialmente essa
dinâmica.
2) A dispersão territorial das atividades econômicas contribui, por meio, por exemplo,
de tecnologias da informação, para o crescimento das funções e das operações
centralizadas nas cidades globais.
3) A globalização econômica contribui para uma nova geografia da centralidade e da
marginalidade, tornando as cidades globais lugares de concentração de poder
econômico, ao passo que cidades que foram centros manufatureiros experimentam
nítido declínio.
4) O nível máximo de controle e de gerenciamento da indústria permanece
concentrado em poucos centros financeiros diretores, como observado

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especialmente em cidades globais como Paris, São Paulo e Los Angeles, na década
de 80 do século XX.

CACD/2012 (Cespe/UNB) – Questão 27


O Brasil, que sempre se caracterizou pela existência, em uma região ou em outra, de
fronteira de povoamento, viu, com o processo de industrialização do campo, o
aparecimento de fronteiras de modernização nas quais se verificaram profundas
transformações socioespaciais. Ambos os tipos de fronteira suscitam novos centros
de comercialização e beneficiamento de produção agrícola, de distribuição varejista
e prestação de serviços ou, em muitos casos, de centros que já nascem como
reservatórios de uma força de trabalho temporária.
R. L. Corrêa. Estudos sobre a rede urbana. Rio de Janeiro: Bertrand do Brasil, 2006,
p. 323 (com adaptações).
A partir das informações apresentadas no texto acima, julgue (C ou E) os itens
seguintes.
1) A implantação, na região amazônica, de atividades industriais e agrárias
exploradas por empresas públicas e privadas exemplifica o processo de
desenvolvimento descrito no texto.
2) Dado o processo de industrialização do campo, resultante da modernização das
técnicas e das relações sociais de produção, a maior parte da força de trabalho da
produção agrícola concentra-se nas grandes propriedades, o que reduz o índice de
subemprego e atenua a baixa produtividade rural.
3) Sob o impacto da globalização, as transformações mencionadas no texto provocam
uma menor diferenciação entre os centros urbanos, que passam a desempenhar as
mesmas funções na rede urbana, ou seja, a de reservatórios de força de trabalho
temporária.
4) Contraditoriamente, a criação de novos centros urbanos acentuou a concentração
espacial da população brasileira, o que se evidencia na distribuição populacional
ainda marcada por vazios populacionais e pela existência de um processo de
fragmentação da rede urbana.

CACD/2015 (Cespe/UNB) – Questão 31


A segregação residencial é um dos mais expressivos processos espaciais que geram
a fragmentação do espaço urbano. As áreas sociais são a sua manifestação espacial,
a forma resultante do processo. Forma e processo levam a ver a cidade como um
“mosaico social”. A partir da segregação das áreas sociais, originam-se inúmeras
atividades econômicas espacialmente diferenciadas, como centros comerciais e
áreas industriais. O inverso também é verdadeiro: a partir da concentração de
indústrias na cidade, podem se formar bairros operários. A segregação residencial e
as áreas sociais, por outro lado, estão na base de muitos movimentos sociais com
foco no espaço.
R. L. Corrêa. Segregação residencial: classes sociais e espaço urbano. In: A cidade
contemporânea. São Paulo: Contexto, 2013, p. 40-60 (com adaptações). Com relação
ao tema tratado no fragmento de texto acima, julgue (C ou E) os itens que se seguem.

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1) A segregação residencial tanto nas grandes quanto nas médias e pequenas
cidades pode ser considerada como autossegregação, segregação imposta e
segregação induzida.
2) A segregação residencial é um processo espacial que se manifesta por meio de
áreas sociais relativamente homogêneas internamente e heterogêneas em relação
umas às outras.
3) A segregação residencial resulta na minimização dos movimentos sociais, por
afastar a população pobre das áreas centrais urbanas, e na maximização das
representações das diferentes áreas sociais.
4) Na cidade conurbada, as áreas de consumo de bens e serviços não são as mesmas
para todos, e o tempo de deslocamento até elas é razão de diferenciação, o que
facilita a elaboração de uma representação de centralidade urbana que seja a base
de construção de identidades e de memória urbana.

CACD/2008 (Cespe/UNB) - Questão 30


O padrão locacional da indústria ao longo da industrialização brasileira foi centrípeto,
concêntrico e hierárquico, seguindo a tendência de industrialização das economias
capitalistas avançadas em explorar vantagens de escala da concentração espacial.
Lemos et al. A organização territorial da indústria no Brasil. IPEA, 2005.
Com relação às indústrias no Brasil, julgue (C ou E) os itens seguintes.
A) Depois de décadas de concentração econômica na cidade de São Paulo, observa-
se um processo inverso, determinado, entre outras causas, pelas chamadas
deseconomias de aglomeração.
B) A industrialização brasileira conheceu um processo de dispersão que, por ter
ocorrido de forma ordenada, evitou a metropolização dos novos centros industriais.
C) O desenvolvimento da indústria e da agroindústria resultou na diferenciação e
especialização do espaço regional brasileiro por meio da criação de novas estruturas
produtivas, como observado na Amazônia brasileira.
D) As indústrias de alta tecnologia localizam-se, preferencialmente, onde existem
sistema acadêmico e de pesquisa bem organizado, serviços urbanos modernos e
base industrial.

Analista de Infraestrutura/2012 (Cespe/UNB)


Sabe-se que, atualmente, mais da metade da população mundial vive nas cidades, o
que é fator decisivo para a ampliação dos desafios sociais e ambientais, como a
pobreza, a fome e as mudanças climáticas. No Brasil, o processo de urbanização da
sociedade, impulsionado pela Segunda Guerra e pela industrialização que avança
celeremente desde a Era Vargas, fez-se de forma rápida e não planejada. A despeito
dos enormes problemas daí decorrentes, o certo é que o país chegou ao século XXI
profundamente alterado, sobretudo quando confrontado com a realidade histórica que
o caracterizou desde o período colonial. A respeito dessa situação, julgue os itens
que se seguem.

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Com mais de 80% de sua população vivendo em cidades, o Brasil contemporâneo
demanda políticas públicas para enfrentar problemas que cada vez mais se
identificam com a realidade urbana, a exemplo da deficiência em habitação,
saneamento, saúde e educação.
A) Certo
B) Errado

Gabarito do Simulado com Questões de Outros Concursos

CACD/2006 (Cespe/UNB) - Questão 60


ECEEE
CACD/2014 (Cespe/UNB) – Questão 29
CCC
CACD/2012 (Cespe/UNB) – Questão 27
CEEE
CACD/2015 (Cespe/UNB) – Questão 31
CCEE
CACD/2008 (Cespe/UNB) - Questão 30
CECC
Analista de Infraestrutura/2012 (Cespe/UNB)
Alternativa A

Comentários das Questões de Outros Concursos

CACD/2006 (Cespe/UNB) - Questão 60

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Tendo o gráfico acima como referência e considerando o processo de urbanização
do mundo contemporâneo, assinale a opção correta.
A) No Brasil, o crescimento urbano e a urbanização foram alimentados por um
forte êxodo rural e fluxos migratórios entre regiões, o que possibilitou melhor
distribuição da população no território
De fato, “o crescimento urbano e a urbanização foram alimentados por um forte êxodo
rural e fluxos migratórios entre regiões”, mas isso NÃO possibilitou a melhor
distribuição da população. Muito pelo contrário, a população brasileira é altamente
concentrada nas regiões sudeste e litoral do nordeste. Enquanto isso, há vazios
demográficos nas regiões norte e centro-oeste.
Gabarito: Errado
B) O caráter urbano e metropolitano do Brasil, com o estabelecimento de bem
distribuída rede de cidades, está restrito ao sul e sudeste do país, uma vez que
estas foram as regiões que experimentaram o maior desenvolvimento industrial
ao longo da história do país.
As redes de cidades existem no Brasil todo, mas de forma “bem distribuída”, somente
nas regiões sul e sudeste, que de fato, experimentaram maior desenvolvimento
industrial.
Gabarito: Correto
C) O aumento contínuo da participação da África e da América Latina no
conjunto das cem maiores cidades do mundo ao longo do período representado
no gráfico reflete o processo de globalização da economia, que enseja a
inserção de países periféricos e a superação de seu passado colonial.
Embora cidades globais sejam normalmente populosas, isso não quer dizer que toda
cidade populosa é influente! O maior crescimento demográfico urbano está previsto
para a Ásia e América Latina, no entanto, isso decorre do fato de ambos os
continentes estarem passando pela segunda ou terceira fase de transição
demográfica, e não por estarem “mais globalizados”. O “passado colonial” continua
muito presente nestas localidades, um exemplo disso é o Brasil, cujo território foi
moldado pela exploração colonial.
Gabarito: Errado
D) O aumento da participação da América Latina no conjunto das cem maiores
cidades do mundo indica o rápido processo de urbanização calcado na
industrialização, que não se faz acompanhar de adequada e suficiente oferta de
empregos urbanos no setor secundário da economia.
A participação da indústria no PIB vem caindo desde a década de 1980, e este cenário
reflete-se para toda a América Latina. Nas últimas décadas, o setor de serviços
cresceu exponencialmente. O setor terciário, portanto, é o mais expressivo da maioria
das cidades, e também, o que gera a maior quantidade de empregos.
Gabarito: Errado
E) O declínio na participação de determinados continentes é justificado pela
interposição de barreiras à entrada de migrantes e, principalmente, pela
diminuição de suas populações, tendo eles já realizado sua transição
demográfica.

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Não, a transição demográfica tem cinco fases, e todos estão passando por ela! De
forma geral (ignorando a particularidade de cada país), a África e a Ásia estão entre
a segunda e a terceira fase (períodos de grande crescimento). Já a Europa e a
América do Norte estão entre a quarta e a quinta fase (períodos de baixo crescimento
ou diminuição da população).
Gabarito: Errado

CACD/2014 (Cespe/UNB) – Questão 29


A aparição das chamadas cidades mundiais e das cidades globais se explica pela
necessidade de organização e controle da economia global. O termo cidade global,
em sua versão mais topológica, é definido por Saskia Sassen como um território onde
se exerce uma série de funções de organização e controle na economia global e nos
fluxos de investimentos em escala planetária.
O. Nel.Lo e F. Muñoz. El proceso de urbanización. In.: Geografía humana, J. Romero
et al (Coord.). Barcelona: Ariel, 2008, p. 321 (com adaptações).
Considerando a perspectiva conceitual de Saskia Sassen, julgue (C ou E) os itens
seguintes, relativos a cidades globais.
1) A dinâmica fundamental do novo processo de urbanização pressupõe que,
quanto mais a economia for globalizada, maior será a convergência de funções
centrais nas cidades globais, cuja densidade demográfica elevada expressa
espacialmente essa dinâmica.
Exatamente, esta é uma das formas pela qual a globalização gera desigualdades no
espaço geográfico e no tecido urbano. No mundo atual, as cidades globais tornam-
se, cada vez mais, centros de gestão e serviços.
Gabarito: Correto
2) A dispersão territorial das atividades econômicas contribui, por meio, por
exemplo, de tecnologias da informação, para o crescimento das funções e das
operações centralizadas nas cidades globais.
Com a terceira revolução industrial a globalização, e o surgimento do modelo de
acumulação flexível, as tecnologias de informação ganharam uma importância
estratégica para a acumulação de capital, e isto se materializa nas cidades globais.
Gabarito: Correto
3) A globalização econômica contribui para uma nova geografia da centralidade
e da marginalidade, tornando as cidades globais lugares de concentração de
poder econômico, ao passo que cidades que foram centros manufatureiros
experimentam nítido declínio.
Sim, centros manufatureiros e industriais apresentam uma tendência de
desconcentração, saindo das grandes cidades e metrópoles e indo para o interior. As
cidades globais, se outrora tinham a indústria e a manufatura como peso importante
do PIB, acabam tornando-se predominantemente de serviços.
Gabarito: Correto

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O Brasil, que sempre se caracterizou pela existência, em uma região ou em outra, de
fronteira de povoamento, viu, com o processo de industrialização do campo, o
aparecimento de fronteiras de modernização nas quais se verificaram profundas
transformações socioespaciais. Ambos os tipos de fronteira suscitam novos centros
de comercialização e beneficiamento de produção agrícola, de distribuição varejista
e prestação de serviços ou, em muitos casos, de centros que já nascem como
reservatórios de uma força de trabalho temporária.
R. L. Corrêa. Estudos sobre a rede urbana. Rio de Janeiro: Bertrand do Brasil, 2006,
p. 323 (com adaptações).
A partir das informações apresentadas no texto acima, julgue (C ou E) os itens
seguintes.
1) A implantação, na região amazônica, de atividades industriais e agrárias
exploradas por empresas públicas e privadas exemplifica o processo de
desenvolvimento descrito no texto.
Sim, nas últimas décadas, a região Amazônia tem recebido diversos parques
industriais, como a Zona Franca de Manaus, o Polo Sidero-Metalúrgico de Carajás
(Pará), e indústrias em Santarém (PA) e Belém (PA). As regiões metropolitanas de
Manaus e Belém concentram os setores de serviços na região.
Gabarito: Correto
2) Dado o processo de industrialização do campo, resultante da modernização
das técnicas e das relações sociais de produção, a maior parte da força de
trabalho da produção agrícola concentra-se nas grandes propriedades, o que
reduz o índice de subemprego e atenua a baixa produtividade rural.
Vimos isso na última aula: a “maior parte da força de trabalho da produção agrícola”
concentra-se nas PEQUENAS propriedades, onde é produzida a maior parte dos
alimentos que consumimos. O agronegócio gerido pelo grande capital gera mais mão
de obra na indústria de alimentos do que no campo propriamente dito.
Gabarito: Errado
3) Sob o impacto da globalização, as transformações mencionadas no texto
provocam uma menor diferenciação entre os centros urbanos, que passam a
desempenhar as mesmas funções na rede urbana, ou seja, a de reservatórios
de força de trabalho temporária.
Conforme vimos no início do curso, a globalização acirra as desigualdades regionais,
AUMENTANDO a “diferenciação entre os centros urbanos”. Além disso, ao contrário
do mencionado, cada centro urbano possui uma determinada função na divisão
internacional do trabalho.
Gabarito: Errado
4) Contraditoriamente, a criação de novos centros urbanos acentuou a
concentração espacial da população brasileira, o que se evidencia na
distribuição populacional ainda marcada por vazios populacionais e pela
existência de um processo de fragmentação da rede urbana.
Apesar da população brasileira ainda ser altamente concentrada (principalmente nas
regiões sudeste e sul e litoral do nordeste), a dinamização de áreas como centro-

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oeste (especialmente devido à agricultura) e norte (principalmente devido à indução
estatal) provocou a urbanização de alguns pontos destas áreas. Assim, estes novos
centros urbanos NÃO ACENTURAM a concentração espacial da população, mas
ajudaram a diminuí-la.
Gabarito: Errada.

CACD/2015 (Cespe/UNB) – Questão 31


A segregação residencial é um dos mais expressivos processos espaciais que geram
a fragmentação do espaço urbano. As áreas sociais são a sua manifestação espacial,
a forma resultante do processo. Forma e processo levam a ver a cidade como um
“mosaico social”. A partir da segregação das áreas sociais, originam-se inúmeras
atividades econômicas espacialmente diferenciadas, como centros comerciais e
áreas industriais. O inverso também é verdadeiro: a partir da concentração de
indústrias na cidade, podem se formar bairros operários. A segregação residencial e
as áreas sociais, por outro lado, estão na base de muitos movimentos sociais com
foco no espaço.
R. L. Corrêa. Segregação residencial: classes sociais e espaço urbano. In: A cidade
contemporânea. São Paulo: Contexto, 2013, p. 40-60 (com adaptações). Com relação
ao tema tratado no fragmento de texto acima, julgue (C ou E) os itens que se seguem.
1) A segregação residencial tanto nas grandes quanto nas médias e pequenas
cidades pode ser considerada como autossegregação, segregação imposta e
segregação induzida.
Sim, são estes os tipos de segregação residencial.
A autossegregação ocorre quando a classe alta “se isola” em condomínios fechados
e edifícios de alto padrão.
A segregação imposta ocorre quando a classe baixa, com poucos recursos
financeiros disponíveis, acaba morando em regiões periféricas por imposição.
A segregação induzida ocorre quando o estado ou entidades privadas “induzem” a
segregação por meio de loteamentos populares ou conjuntos habitacionais.
Gabarito: Correto
2) A segregação residencial é um processo espacial que se manifesta por meio
de áreas sociais relativamente homogêneas internamente e heterogêneas em
relação umas às outras.
Exatamente, este é o princípio da segregação residencial.
Gabarito: Correto
3) A segregação residencial resulta na minimização dos movimentos sociais,
por afastar a população pobre das áreas centrais urbanas, e na maximização
das representações das diferentes áreas sociais.
De fato, a segregação residencial “afasta a população pobre das áreas centrais
urbanas” e “maximiza as representações das diferentes áreas sociais”, mas isso
resulta na MAXIMIZAÇÃO da atuação dos movimentos sociais, como o Movimento
dos Trabalhadores Sem Teto (MTST).
Gabarito: Errado

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4) Na cidade conurbada, as áreas de consumo de bens e serviços não são as
mesmas para todos, e o tempo de deslocamento até elas é razão de
diferenciação, o que facilita a elaboração de uma representação de centralidade
urbana que seja a base de construção de identidades e de memória urbana.
De fato, numa conurbação, “as áreas de consumo de bens e serviços não são as
mesmas para todos, e o tempo de deslocamento até elas é razão de diferenciação”,
mas ao contrário do afirmado, isso nada tem a ver com identidade e memória urbana.
Gabarito: Errado

CACD/2008 (Cespe/UNB) - Questão 30


O padrão locacional da indústria ao longo da industrialização brasileira foi centrípeto,
concêntrico e hierárquico, seguindo a tendência de industrialização das economias
capitalistas avançadas em explorar vantagens de escala da concentração espacial.
Lemos et al. A organização territorial da indústria no Brasil. IPEA, 2005.
Com relação às indústrias no Brasil, julgue (C ou E) os itens seguintes.
A) Depois de décadas de concentração econômica na cidade de São Paulo,
observa-se um processo inverso, determinado, entre outras causas, pelas
chamadas deseconomias de aglomeração.
Isso mesmo, a desconcentração industrial está em todo vapor no Brasil desde os anos
1970.
Gabarito: Correto
B) A industrialização brasileira conheceu um processo de dispersão que, por
ter ocorrido de forma ordenada, evitou a metropolização dos novos centros
industriais.
Embora o setor de serviços seja mais preponderante no cenário metropolitano, várias
metrópoles foram dinamizadas justamente pela atividade industrial; como por
exemplo, a Região Metropolitana de Manaus (devido à Zona Franca de Manaus), a
Região Metropolitana de Salvador (devido ao polo industrial de Camaçari), ou a recém
criada Região Metropolitana do Vale do Paraíba (devido à intensa atividade industrial
e científica da região).
Gabarito: Errado
C) O desenvolvimento da indústria e da agroindústria resultou na diferenciação
e especialização do espaço regional brasileiro por meio da criação de novas
estruturas produtivas, como observado na Amazônia brasileira.
A agroindústria está presente em grande parte do território brasileiro. Não somente
na região sudeste, mas também, nas regiões sul, centro-oeste, nordeste (litoral) e
norte (nas bordas da Floresta Amazônica). Na Amazônia destaca-se principalmente
a criação de gado (Pará produz aproximadamente 10% do total nacional). Pará
também é o maior exportador de minério de ferro do Brasil.
Gabarito: Correto
D) As indústrias de alta tecnologia localizam-se, preferencialmente, onde
existem sistema acadêmico e de pesquisa bem organizado, serviços urbanos
modernos e base industrial.
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Geografia
Concurso para a ABIN 2018
Prof. Alexandre Vastella Aula 01
Correto. No Brasil, isto ocorre com maior intensidade no centro-sul (sudeste, sul e
parte do centro-oeste).
Gabarito: Correto

Ano: 2012 Banca: Cespe/UNB Órgão: MPOG Cargo: Analista de Infraestrutura


Sabe-se que, atualmente, mais da metade da população mundial vive nas cidades, o
que é fator decisivo para a ampliação dos desafios sociais e ambientais, como a
pobreza, a fome e as mudanças climáticas. No Brasil, o processo de urbanização da
sociedade, impulsionado pela Segunda Guerra e pela industrialização que avança
celeremente desde a Era Vargas, fez-se de forma rápida e não planejada. A despeito
dos enormes problemas daí decorrentes, o certo é que o país chegou ao século XXI
profundamente alterado, sobretudo quando confrontado com a realidade histórica que
o caracterizou desde o período colonial. A respeito dessa situação, julgue os itens
que se seguem.
Com mais de 80% de sua população vivendo em cidades, o Brasil contemporâneo
demanda políticas públicas para enfrentar problemas que cada vez mais se
identificam com a realidade urbana, a exemplo da deficiência em habitação,
saneamento, saúde e educação.
A) Certo
B) Errado

Comentário: A questão está dizendo que o Brasil precisa de políticas públicas para
resolver os problemas da cidade. Resposta óbvia, evidentemente correta.
Gabarito: Certo

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