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1.

INTRODUÇÃO

O Presente trabalho atribuído na cadeira de Direito Processual Penal visa debruçar-se acerca do
papel do Ministério público no processo penal, designadamente o seu conceito as suas
competências, funções, legitimidade da acção penal, em fim a sua participação na prossecução do
processo penal, desde a notícia de cometimento de um crime até ao seu desfecho.
A atribuição do tema enquadra-se na avaliação na qual encontramo-nos submetidos a par de 2
avaliações escritas para obtenção da nota que permita ou não transitar na disciplina. Devido a
complexidade do próprio tema não abordaremos o tema de forma exaustiva, abstendo-se nesse
sentido de abordar esta figura numa perspectiva histórica, o grupo ira concentrar as suas atenções
nos principais processos básicos para um entendimento substancial de funcionamento do MP, pois
acreditamos que só com um conhecimento primitivo relativo a matéria que nos propomos a estudar
é que se pode especular com propriedade o tema na sua plenitude, por essa razão é que alguns
conceitos irão ser explorados na primeira fase do trabalho.
Expostas as matrizes do presente tema, passaremos estruturação do trabalho, o primeiro capítulo
versará sobre o conceito do Ministério Publico, os princípios na qual a sua actuação está
estritamente ligada, se seguirão o seu papel relativamente ao exercício da acção penal tendo em
conta aos tipos legais de crimes.
Para a elaboração do presente trabalho recorremos ao auxílio de 3 instrumentos legais que vão ser
a base da regulamentação e funcionamento do direito penal em Moçambique nomeadamente o
código do processo penal, código penal e a CRM.
2. MINISTÉRIO PUBLICO
2.1. Conceito de Ministério Publico

Ministério Publico e O órgão do Estado ao qual compete representar o Estado e defender os


interesses que a lei determinar, participar na execução da política criminal definida pelos órgãos
de soberania, exercer a acção penal e defender a legalidade democrática. O Ministério Público
constitui uma magistratura hierarquicamente organizada, subordinada ao Procurador-Geral da
República (art. Nº 234/ 1 CRM).

 O MP dispõe de autonomia funcional e de autonomia orgânica necessária a garantir aquela


(art. 234°/3 CRM,)

 O MP, como magistratura autónoma constitucionalmente estabelecida encontra-se, no


exercício da acção penal, sujeito entre outros ao princípio da legalidade e da busca da
verdade material, o que o obriga a investigar “à charge et à decharge”. (art. 234º CRM,
Art. 2 da Lei nº 4/2017 de 18 de janeiro).

 O princípio do direito a um justo processo a decorrer num prazo razoável é uma


condicionante imperativa da actividade do Ministério Público.

3. POSIÇÃO E ATRIBUIÇÕES DO MINISTÉRIO PÚBLICO NO PROCESSO


(COMPETÊNCIA)

Compete ao Ministério Público, no processo penal, colaborar com o tribunal na descoberta da


verdade e na realização do direito, obedecendo em todas as intervenções processuais a critérios
de estrita objectividade. (Art. 4º da Lei nº 4/2017 de 18 de janeiro).

O Ministério Público pode requisitar, directamente, a quaisquer órgãos do Estado, instituições,


empresas, funcionários, autoridades ou seus agentes, quaisquer esclarecimentos, documentos ou
diligências indispensáveis para o exercício das suas funções, nos limites da Constituição da
República e demais leis.

Mas dentre varias atribuições previstas no art. (Art. 4º da Lei nº 4/2017 de 18 de janeiro). Compete
ao Ministério público em especial e resumidamente o seguinte:

a) Receber as denúncias, as queixas e as participações e apreciar o seguimento a dar-lhes;


b) Dirigir o inquérito
c) Deduzir a acusação e sustenta-la efectivamente na instrução e no julgamento;
d) Interpor recursos, ainda que no exclusivo interesse da defesa;
e) Promover a execução das penas e das medidas de segurança.
4. FUNÇÃO DO MINISTÉRIO PUBLICO

No processo penal a função do MP traduz-se na prossecução penal que se efectiva através da

Investigação dos crimes,


O MP funciona como uma autoridade judiciária, por conseguinte a investigação não se destina a
alicerçar a posição do acusador, mas sim a descobrir a verdade dos factos.
Do exercício da acção penal
O exercício da acção penal esgota-se com um acto processual, a acusação ou a introdução do
processo em juízo.

Da representação da acusação no processo em juízo,


Especialmente na audiência de julgamento. Daqui decorre a legitimidade para interpor e sustentar
recursos.

5. ACÇÃO PENAL

Legitimidade para promover o processo penal


Segundo dispõe o art 1º do CPP, A todo o crime ou contravenção, corresponde uma acção penal,
que será exercida nos termos do código do Processo Penal.

O Ministério Público tem legitimidade para promover o processo penal, salvo nos casos de o
procedimento criminal depender de queixa do ofendido ou de outras pessoas (crimes semi-
públicos) e nos casos onde tem de haver acusação do particular (crimes particulares) (art.236
CRM, art 6º do CPP).
Portanto percebe-se aqui que compete ao MP a exclusiva titularidade da acção penal

5.1. Crimes públicos

Quanto a estes crimes o MP tem legitimidade para promover o processo sem quaisquer restrições:
instaura o inquérito, deduz acusação e sustenta-a na instrução e julgamento, interpõe recursos e
promove a execução ou seja crimes públicos são aqueles em que o MP promove oficiosamente e
por sua própria iniciativa o processo penal e decide com plena autonomia, embora estritamente
ligado pelo princípio da legalidade, da submissão ou não-submissão de uma infracção a
julgamento.
 Condições de Procedibilidade

Entre as condições de procedibilidade a lei exige, para que tenha lugar o procedimento criminal, a
queixa do ofendido ou de outras pessoas, (crimes semi-públicos), e a acusação particular quando
a lei exija o mesmo fim que o ofendido se queixe, se constitua assistente e deduza acusação
particular (crimes particulares).

5.2. Crimes semi-publicos


São aqueles em que a legitimidade do MP para por eles acusar precisa de ser integrada por uma
denúncia.

Legitimidade em procedimentos dependentes da queixa

a) Quando o procedimento criminal depender de queixa, do ofendido ou de outras


pessoas, é necessário que essas pessoas dêem conhecimento do facto ao Ministério Público,
para que este promova o processo.
b) Para o efeito do número anterior, considera-se feita ao Ministério Público a queixa dirigida
a qualquer outra entidade que tenha a obrigação legal de a transmitir àquele.
c) A queixa pode ser apresentada pelo titular do direito respectivo, por mandatário judicial
ou por mandatário munido de poderes especiais.
d) O disposto nos números anteriores é correspondentemente aplicável aos casos em que o
procedimento criminal depender da participação de qualquer autoridade.

Estas são questões de procedibilidade, pois sem que elas se verifiquem, o MP carece de
legitimidade para promover o processo penal.

5.3. Crimes particulares

São aqueles em que para o prosseguimento da acção penal, o ofendido tem de apresentar queixa,
tem de se constituir assistente e deduzir acusação particular.

5.4. Assistente

É um colaborador “particular” do Ministério Público na investigação dos factos jurídicos com


relevo criminal, com vista à condenação dos seus autores.

O assistente pode intervir no inquérito e na instrução, oferecendo provas e requerendo as


diligências que se afigurarem necessárias, deduzir acusação e interpor recurso das decisões que o
afectem.
O assistente tem de estar sempre representado por advogado e é obrigatório nos crimes que
dependam de acusação particular

Legitimidade em procedimento dependente de acusação particular

a) Quando o procedimento criminal depender de acusação particular, do ofendido ou de


outras pessoas, é necessário que essas pessoas...
 Se queixem
 Se constituam assistentes
 E deduzam acusação particular.

b) O Ministério Público procede oficiosamente a quaisquer diligências que julgar


indispensáveis à descoberta da verdade e couberem na sua competência, participa em todos
os actos processuais em que intervier a acusação particular, acusa conjuntamente com esta e
recorre autonomamente das decisões judiciais.

c) É correspondentemente aplicável o disposto no nº 3 do artigo anterior. Não poderá haver


inquérito sem prévia queixa e constituição de assistente.

Não poderá haver acusação do MP sem acusação do particular que se queixou e constituiu
assistente.

Não poderá haver acusação do MP sem acusação do particular que se queixou e constituiu
assistente.

6. PRINCÍPIOS RELATIVOS A ACTUAÇÃO DO MINISTÉRIO PUBLICO

A actuação do ministério público esta estritamente ligada aos princípios gerais do processo penal
mas dentre eles há certos princípios a destacar relativos a promoção ou iniciativa processual
nomeadamente o princípio da oficialidade da legalidade, da oportunidade e da acusação.

6.1.Princípio da oficialidade

Significa que o impulso para investigar a prática das infracções penais e a decisão de deduzir ou
não deduzir acusação cabe a uma entidade pública estadual que é o Ministério Público.
 Acusação

É o acto formal através do qual o Ministério Público imputa a alguma pessoa factos criminalmente
puníveis, indica a lei que os proíbe e pune e as circunstâncias que agravam o comportamento, a
fim de ser submetida a julgamento.

6.2. Princípio da legalidade

Princípio segundo o qual ninguém pode ser obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão
em virtude de lei escrita
 Segundo este princípio o MP deverá proceder sempre que se verifiquem os pressupostos
jurídico-factuais da incriminação e os pressupostos processuais da acção penal.

 O MP não pode deixar de promover o processo sob pena de ilegalidade de actuação, de


omissão de um dever, que pode mesmo constituir crime (crime de denegação de justiça art
479 CP)

A fiscalização da legalidade da actuação do MP no processo, pode fazer-se pela via hierárquica.

O princípio da legalidade tem como contraponto o princípio da oportunidade.

 Princípio da oportunidade

Segundo este princípio o MP pode ou não promover o processo em razão do juízo que formule
sobre a sua conveniência.
Em direito penal o princípio da legalidade significa, para além da necessidade de lei escrita, para
que um facto seja considerado crime e possa ser aplicada uma pena ou medida de segurança ao
agente, a lei...
 Há-de ser anterior à prática do facto,
 Deve ter emanado da Assembleia da República ou do Governo com autorização legislativa.
 As sua normas não podem ser vagas ou imprecisas – não deve haver normas penais em branco.
 Não se pode fazer a interpretação extensiva das normas incriminadoras;
 Deve haver garantias processuais.

6.3.Princípio da acusação

Significa que a jurisdição não intervém oficiosamente, que não actua sem que a intervenção seja
pedida, que deve haver uma acusação, e que o tribunal não pode alargar o seu poder de julgar a
pessoas ou factos distintos dos que foram objecto dessa acusação.
 O princípio da acusação limita o objecto da decisão jurisdicional; essa limitação constitui
uma garantia da imparcialidade do tribunal e de defesa do arguido.
7. CONCLUSÃO

O Ministério Publico é definido como sendo o órgão do estado na qual compete representar o
Estado e defender os seus interesses que a Lei determinar, participar na execução da politica
criminal definida pelos órgãos de soberania, exercer a acção penal e defender a legalidade, o nosso
trabalho foi concentrada no papel do ministério publico como relativamente ao exercício da acção
penal, não obstante termos trazido certos aspectos ligados ao que estabelece o art 234 do CRM
relativos, ao gozo de autonomia e estatutos próprios.

Nestes termos foi devidamente percetível as atribuições do ministério público no processo penal
que consiste em colaborar com o tribunal, na descoberta da verdade e na realização do direito.
Portanto a função do ministério publico no processo penal vai ser de prossecução penal, que
consiste na investigação dos crimes, investigação essa que não pode ser vista como a consolidação
do Ministério Pulico como acusador, mas sim como uma entidade que investiga para descobrir a
verdade dos factos.
O exercício da acção penal por parte do MP, esgota-se com um acto processual a acusação e a
introdução do processo em juízo, onde cabe nesta fase representar a acusação em julgamento.

O exercício da acção penal por parte do ministério público é definido por Lei na medida em que
este somente tem legitimidade para exercer a acção penal nos casos que o procedimento criminal
não depender de queixa do ofendido ou de outras pessoas como a Lei estabelece.

São os casos de crimes públicos onde o MP tem legitimidade para promover a acção penal sem
quaisquer restrições, portanto O MP, tendo conhecimento de um crime publico, instaura o
inquérito, deduz a acusação, sustenta esta acusação tanto na fase de instrução como no julgamento,
durante o julgamento interpõe recursos, e promove as execuções das penas. Portanto nos crimes
públicos Ministério público promove oficiosamente e por iniciativa própria o processo penal,
decide com certa autonomia embora estritamente ligada ao princípio da legalidade, decide a
submissão ou não de uma determinada infracção a julgamento

O Ministério público apesar dessa autonomia conferida por Lei, não deve deixar de promover o
processo, sob pena de ilegalidade de actuação, de omissão de um dever legal, o que pode constituir
um crime denegação da justiça.

Nos crimes semipúblicos Nestes tipos de crime para que se verifique a legitimidade do MP para o
exercício da acção penal e necessário que o ofendido apresente a queixa

E nos crimes particulares para que MP, promova a acção penal e necessário que também o ofendido
apresente queixa se constitua assistente de deduz a acusação particular.
8. BIBLIOGRAFIA

BARATTA, Alessandro. Direito Processual Penal. Lisboa: Revan, 2002.


Código de Processo Penal: decreto n19271, de 24 de janeiro de 1931.
Constituição da Republica de Moçambique
Código Penal

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