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TEORIAS SOBRE OS VALORES

OBJETIVISMO SUBJETIVISMO
O valor reside no é o sujeito que
objeto e é independente cria o valor
do sujeito avaliador

OBJETIVISMO
 De acordo com o objetivismo, o valor existe independentemente
da apreciação de um sujeito
 Os valores são realidades objetivas, independentes do sujeito
avaliador, apenas descobertas pelo ser humano, mas não criadas
por ele.
 Neste sentido, a beleza de um objeto, reside no próprio objeto.
 Os valores são ideias absolutas (que valem por si mesmas),
imutáveis (que não mudam) eternas e objetivas.
 A origem dos valores é o objeto, ou seja, as coisas têm valor em
si mesmas.
 Valores como a justiça, a beleza e o amor valem por si mesmos

SUBJETIVISMO
 De acordo com o subjetivismo, o valor só ganha sentido pela
apreciação que fazemos.
 Os valores são produtos da valoração, isto é, só têm existência
na medida em que há um sujeito que valora.
 Sem sujeito não há valores, logo, os valores não existem por si
mesmos
 A origem dos valores é o sujeito, ou seja, é o sujeito quem
confere valor aos objetos através da valoração.
 Valores como a justiça, a bondade, a beleza e o amor valem para
um sujeito
Concluindo:
Enquanto os defensores do caráter objetivo dos valores
afirmam que os valores existem independentemente do sujeito, a
perspetiva subjetivista dos valores enfatiza o papel do sujeito.

CONFLITO DE VALORES

Dizemos que há conflito de valores quando o sujeito se


confronta com valores distintos aos quais atribui uma importância
equivalente.
Os conflitos de valores desafiam a capacidade humana de fazer
escolhas.

Situações em que temos que optar por um caminho em


detrimento de outros possíveis, revelam a dificuldade de o ser humano
decidir em conformidade com as suas preferências.
Não há ação humana sem valores, nem valores fora do contexto
do agir.
As escolhas que o ser humano faz têm em conta critérios
valorativos, mesmo quando a seleção dos valores da hierarquia é feita
sem intenção ou reflexão.

Por exemplo: nos casos de fome extrema e sem possibilidade de


encontrar alimentos, será permitido roubar?
Nos casos em que nos vemos obrigados a escolher entre dois
termos de uma alternativa que se excluem mutuamente (ou seja, a
aceitação de um implica a rejeição de outro), estamos perante um
dilema.

Servimo-nos de critérios valorativos para orientar a nossa ação.


Assim, preferência valorativa é a escolha do sujeito ou agente
numa dada circunstância. O valor alvo da preferência ou seleção
corresponde àquele que ocupa a posição mais elevada na escala de
valores em confronto.
Numa situação de conflito de valores, a opção exige reflexão e
hierarquização de valores.
Os conflitos de valores são resolvidos de maneiras muito
distintas, dependendo das características do individuo e da realidade
sociocultural em que se encontra.

Valor Intrinseco
Que vale como fim em si mesmo e não como meio para atingir um
fim.

Valor extrínseco (ou instrumental)


Que vale enquanto meio para atingir um fim.

VALORES E CULTURA

O ser humano é, ao mesmo tempo, produto e produtor de cultura.

Cultura
É o conjunto de modos de viver, pensar e agir incorporados numa
sociedade.
Toda a cultura particular pressupões uma hierarquia de valores,
sendo que não há valores sem cultura, nem cultura sem valores.
É o processo de transmissão de padrões culturais (hábitos,
crenças, modos de pensar e agir) através de geração em geração.

PADRÃO CULTURAL
É o conjunto de informação reproduzida e transmitida de
geração em geração no interior de uma sociedade ou grupo social.
Os padrões culturais identificam e distinguem as diversas
culturas.
Três elementos que nos ajudam a compreender o fenómeno
cultura:
 A informação (padrões culturais: objetos, ideias, valores morais,
políticos e religiosos…)
 A transmissão de informação
 A aprendizagem social da informação transmitida

Identidade Cultural
 São as marcas distintivas de uma cultura
 É o que caracteriza uma cultura e distingue-a das demais
 É também um processo dinâmico que sofre alteração a partir do
contacto com outras culturas.

Aculturação
É o fenómeno de assimilação, por parte de uma cultura, de
hábitos, costumes e valores de outras culturas.
É um fenómeno cada vez mais presente devido ao
desenvolvimento dos meios de comunicação (TV, internet, cinema) dos
movimentos migratórios e da globalização.

Diversidade Cultural
É necessária à sobrevivência da espécie humana, mas pode estar
ameaçada.

É possível o diálogo intercultural?

Etnocentrismo Relativismo Cultural


ETNOCENTRISMO

 Defende a centralidade e superioridade de uma cultura


relativamente ás outras.
 Defende que há uma cultura que ocupa o lugar central na
diversidade das culturas e que, por haver valores absolutos, que
são os da própria cultura, é legitimo impô-los ás outras culturas.
 Assim, atitudes como o racismo e a xenofobia são atitudes
etnocêntricas.

Xenofobia
 É a discriminação que tem como alvo os estrangeiros e que se
baseia no preconceito de que os indivíduos de outras etnias ou
nacionalidade são inferiores, porque são diferentes.
Racimo
 É o preconceito que leva à discriminação baseada em
características ou traços físicos próprios dos indivíduos
provenientes de uma região.

Segundo o etnocentrismo:
- os valores da cultura X são absolutos e objetivos
- as culturas são comparáveis
- os padrões culturais da cultura X são superiores aos demais
- tende a universalizar os padrões culturais
- há verdade morais absolutas? Sim

RELATIVISMO CULTURAL

 Defende que não há valores absolutos e universais,


entendendo que as culturas são incomparáveis entre si.
(incomensurabilidade)
 Há culturas diferentes, mas não há culturas superiores a
outras.
 Deste modo, não se consegue avaliar criticamente nenhuma
prática cultural, por esta ser sempre uma manifestação
particular, logo, respeitável.
 Há verdades morais absolutas? Não

Argumentos a favor:
- favorece a diversidade cultural
- realça a diversidade e igual dignidade das culturas e por isso,
valoriza o respeito pelo outro.
- não existe uma verdade, mas sim costumes que variam de
acordo com a sociedade.

Argumentos contra/ Limitações:


- por assentar na ideia de que os valores são convenções
relativas às culturas, impossibilita a existência de valores universais.
- dificulta o diálogo intercultural, pois todo o diálogo necessita
de uma padrão comum, o que não é reconhecido pelo relativismo
- impede a critica de práticas culturais consideradas pela
maioria das pessoas como “cruéis” ou “desumanas” (caso da mutilação
genital).
- considera que todos os comportamentos são Culturismo, e que,
como tal, qualquer critica é sinónimo de desrespeito ou discriminação.

O Diálogo Intercultural, isto é, a capacidade de os indivíduos de


diferentes culturas estabelecerem laços comunicativos constitui por
si só um autêntico desafio.

A dificuldade parece residir no estabelecimento de critérios trans-


subjetivos de valoração, isto é, de parâmetros que ultrapassem a
dimensão puramente subjetiva de cada individuo ou cultura.

A tolerância cultural, religiosa e moral é considerada uma das soluções


de compromisso para enfrentar as limitações, quer do relativismo
cultural, quer de perspetivas etnocêntricas. A tolerância implica a
adoção de critérios valorativos que ultrapassem a dimensão do
individuo e das culturas particulares.