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INFORMAÇÕES

SÓCIOS:
Instituto da Potassa e do Fosfato (EUA)
Instituto da Potassa e do Fosfato (Canadá)
Website: www.potafos.org

DIRETOR:
AGRONÔMICAS
T. Yamada
Engo Agro, Doutor em Agronomia N0 98 JUNHO/2002

ADUBAÇÃO FOSFATADA E POTÁSSICA


DA SOJA NO CERRADO
Leandro Zancanaro1
Luis Carlos Tessaro1
Joel Hillesheim1

A
incorporação das áreas de cerrado como instru-
mento de produção agrícola nacional só foi possí- Veja neste número:
vel devido ao desenvolvimento de tecnologias de
correção e adubação das áreas e a criação de novas cultivares Importância dos micronutrientes na fixação
adaptadas a essas regiões de cultivo. biológica do N2 .................................................... 6
No início da abertura do cerrado utilizaram-se de parâmetros Relação entre nutrição de plantas e
técnicos empregados na região Sul do país, não adaptados à re- incidência de doenças é tema de Workshop ..... 10
gião. Isto acarretou vários problemas que em algumas regiões do Adubação potássica na cultura da soja .............. 14
Centro-Oeste persistem até hoje. Somados a estas falhas, ocorre-
ram também erros operacionais como a má distribuição do calcário, Entraves à competitividade da soja .................... 16
devido à utilização de equipamentos inadequados, além da sobre- Há déficit de mais de 1 milhão de toneladas
posição da aplicação e a incorporação superficial. Estes fatos oca- de nitrogênio na agricultura brasileira .............. 20
sionaram muitos problemas, entre eles a deficiência de micronu-
trientes.
Diante disso, foi imprescindível o desenvolvimento de fertilidade da área são de extrema importância, juntamente com as
tecnologias que permitissem melhor utilização dos fertilizantes e análises de solo e de folha, para definir o melhor manejo para cada
corretivos, de forma a aumentar a produtividade e melhorar a efi- campo da propriedade. Neste trabalho, alguns desses resultados e
ciência da utilização dos insumos. conclusões estarão sendo observados e discutidos com o objetivo
Para atender a estes objetivos, a Fundação MT iniciou em de esclarecer algumas dúvidas de técnicos e agricultores, bem como
1997 o Programa de Monitoramento de Adubação – PMA. O obje- trazer informações sobre o manejo da fertilidade do solo nas condi-
tivo foi gerar novos parâmetros de correção e adubação dos solos ções do Cerrado.
de cerrado com base em dados experimentais e padrões obtidos no
campo. O trabalho do PMA envolveu inúmeros experimentos e apro- ADUBAÇÃO PARA A SOJA - nitrogênio, fósforo
ximadamente 200.000 hectares de áreas monitoradas anualmente.
Para a realização deste projeto, a Fundação MT contou com o apoio
e potássio
de produtores, laboratórios de análises de solo e de folhas e de O PMA, após cinco anos de experimentos em área de aber-
empresas de fertilizantes (Galvani Indústria Comércio e Serviços tura do cerrado, observou que o fósforo foi o nutriente que mais
Ltda., Nutriplant Indústria e Comércio Ltda. e Fertilizantes Serra- limitou a produtividade, seguido de outros macronutrientes como
na S.A.). potássio e enxofre. Entre os micronutrientes, em áreas de abertura
Os resultados obtidos com esse trabalho mostrou que ape- do cerrado, o zinco foi o mais limitante, porém, em áreas cultivadas
sar de existirem ferramentas mais sofisticadas, como sistemas de há vários anos o zinco apresenta níveis elevados, sem respostas
análises DRIS e PASS, instrumentos simples como o histórico de positivas à adubação.

1
Pesquisadores da Fundação MT, Rondonópolis-MT. Telefone: (66) 423-2041. E-mail: leandro.pma@fundacaomt.com.br, tessaro.sas.pma@fundacaomt.
com.br, joel.pma@fundacaomt.com.br

POTAFOS - ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA PARA PESQUISA DA POTASSA E DO FOSFATO


Rua Alfredo Guedes, 1949 - Edifício Rácz Center - sala 701 - Fone e fax: (19) 3433-3254 - Endereço Postal: Caixa Postal 400 - CEP 13400-970 - Piracicaba-SP, Brasil

INFORMAÇÕES AGRONÔMICAS Nº 98 – JUNHO/2002 1


SOJA
• Nitrogênio Para a realização da adubação fosfatada, técnicos e produ-
tores dispõe de várias fontes que fornecerão este elemento para as
O nitrogênio é o nutriente absorvido em maior quantidade
plantas. No entanto, a escolha da fonte de P deve ser feita conside-
pela cultura da soja. Durante o seu desenvolvimento, a cultura com
rando os objetivos técnicos e também avaliando as questões eco-
alto potencial produtivo absorve mais de 300 kg/ha de nitrogênio, e
nômicas e operacionais.
grande parte deste nitrogênio é fornecido às plantas pelas bacté-
A seguir serão apresentados alguns resultados de um dos
rias introduzidas através de inoculantes. O restante do nitrogênio
experimentos com fósforo conduzidos pelo PMA, em Sapezal, MT.
absorvido pela cultura da soja deve ser suprido pelo solo. Devido a
Os resultados da análise de solo feita antes da implantação do
isto, é essencial a realização de boas práticas de manejo, principal-
experimento são apresentados na Tabela 1. Os resultados de pro-
mente as que elevem os teores de matéria orgânica e garantam a sua
dutividade da soja nos três primeiros anos do experimento e a pro-
sustentabilidade.
dutividade média de três anos são apresentados nas Tabelas 2, 3, 4
A melhor forma de garantir a disponibilidade de nitrogênio à
e 5, respectivamente.
soja é a inoculação correta das sementes com Bradyrhizobium
japonicum. Considerações:
• Em solos deficientes em fósforo, nos três anos de experi-
• Fósforo mento, houve resposta praticamente linear ao fósforo aplicado tan-
O PMA, a partir de 1999, conduz alguns experimentos com to na linha de plantio como a lanço seguido de incorporação (fos-
fósforo cujo objetivo principal é determinar o seu teor adequado no fatagem), até às maiores quantidades utilizadas. Portanto, em áreas
solo, para a obtenção de alta produtividade, e a curva de resposta com deficiência de fósforo, ele deve ter prioridade juntamente com
da soja à adubação fosfatada, conforme os teores de fósforo no os demais nutrientes deficientes.
solo. E com isso, também ajudar a responder algumas dúvidas dos • Em solos argilosos deficientes em fósforo, para produzir a
produtores quanto ao modo de aplicação de fertilizantes fosfatados. mesma quantidade de soja é necessário aplicar maior quantidade a

Tabela 1. Resultados das análises de solo antes da implantação do experimento sobre resposta da soja à adubação fosfatada em solo argiloso
de cerrado. Sapezal, MT, 1999.
pH P-Mehl. K Ca + Mg Ca Mg Al H M.O. Areia Silte Argila Soma Bases (S) CTC
Água CaCl 2 - - mg/dm3 - - - - - - - - - - - - - - cmolc/dm3 - - - - - - - - - - - - g/dm3 - - - - - - - g/kg - - - - - - - - - - - - - cmolc/dm3 - - - - -

4,6 4,0 0,6 20 0,3 0,2 0,1 0,8 6,7 33,1 334 86 580 0,4 7,9

Sat. Bases (V) Relações Saturação (%) por: Zn Cu Fe Mn S B


% Ca/Mg Ca/K Mg/K Ca Mg Al K H - - - - - - - - - - - - - - - - ppm - - - - - - - - - - - - - - - - -

4,5 1,3 2,9 2,2 1,9 1,5 68,1 0,7 86 0,4 0,3 167 2,1 4,8 0,16

Tabela 2. Produtividade da soja em função da fonte de fósforo, forma de aplicação e quantidade aplicada em solo argiloso (60% de argila), de
primeiro ano de cultivo, na região de Sapezal (MT), safra 1999/2000.

P2O5 P2O5 a lanço antes da semeadura e incorporado (kg/ha)


no sulco Super Triplo Fosfato Natural Reativo Super Simples
kg/ha 0 80 160 240 80 160 240 240
1
- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - sc/ha - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -
0 10,6 31,5 48,3 53,6 29,7 40,2 45,3 51,7
33 21,4 39,8 51,2 55,7 39,9 48,3 51,6 56,5
83 41,2 52,2 59,0 65,3 52,0 54,6 61,4 63,4
114 55,2 61,6 65,3 70,3 32,0 64,5 68,3 67,2
132 60,8 65,0 69,0 70,1 68,5 67,2 71,0 68,5
1
sc/ha x 60 = kg/ha.

Tabela 3. Produtividade da soja em função da fonte de fósforo, forma de aplicação e quantidade aplicada em solo argiloso (60% de argila),
segundo ano de cultivo, na região de Sapezal (MT), safra 2000/2001.

P2O5 P2O5 a lanço antes da semeadura e incorporado (kg/ha) - apenas no primeiro plantio
no sulco Super Triplo Fosfato Natural Reativo Super Simples
kg/ha 0 80 160 240 80 160 240 240
1
- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - sc/ha - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -
0 3,7 13,4 28,0 38,7 17,2 26,3 36,4 43,0
41 30,1 35,6 44,2 51,4 38,3 42,4 48,6 55,3
74 46,0 50,5 55,3 58,7 50,9 55,6 58,2 61,2
109 55,5 54,7 59,4 61,0 56,8 60,1 59,2 63,4
156 59,6 61,1 63,1 63,1 60,2 62,0 61,8 64,4
1
sc/ha x 60 = kg/ha.

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SOJA
Tabela 4. Produtividade da soja em função da fonte de fósforo, forma de aplicação e quantidade aplicada em solo argiloso (60% de argila),
terceiro ano de cultivo, na região de Sapezal (MT), safra 2001/2002.

P2O5 P2O5 a lanço antes da semeadura e incorporado (kg/ha) - apenas no primeiro plantio
no sulco Super Triplo Fosfato Natural Reativo Super Simples
kg/ha 0 80 160 240 80 160 240 240
- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - sc/ha1 - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -
0 6,1 11,8 17,2 25,7 13,0 20,1 30,7 26,6
40 29,8 35,9 43,0 47,4 36,0 44,4 47,3 51,5
80 49,6 52,1 57,7 61,7 52,8 55,7 59,2 60,8
120 58,3 59,7 62,5 63,8 59,6 62,2 64,0 65,0
160 61,9 61,3 62,0 64,0 65,6 61,4 66,1 65,9
1
sc/ha x 60 = kg/ha.
Tabela 5. Produtividade média da soja em função da fonte de fósforo, forma de aplicação e quantidade aplicada em solo argiloso (60% de
argila). Média das safras 1999/2000, 2000/2001 e 2001/2002, na região de Sapezal (MT).

P2O5 P2O5 a lanço antes da semeadura e incorporado (kg/ha) - apenas no primeiro plantio
no sulco Super Triplo Fosfato Natural Reativo Super Simples
kg/ha 0 80 160 240 80 160 240 240
1
- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - sc/ha - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -
0 6,8 18,9 31,2 39,3 20,0 28,9 37,5 40,4
37 27,1 37,1 46,1 51,5 38,1 45,0 49,2 54,4
79 45,6 51,6 57,3 61,9 51,9 55,3 59,6 61,8
115 56,3 58,7 62,4 65,0 59,5 62,3 63,8 65,2
146 60,8 62,5 64,7 65,7 64,1 63,5 66,3 66,3
1
sc/ha x 60 = kg/ha.

lanço e incorporado do que na linha de semeadura. Portanto, em considerar que no Mato Grosso, atualmente, boas produtividades
áreas com baixos teores de fósforo a aplicação de fósforo na linha referem-se a 60 sc/ha ou mais. Esta é apenas uma sugestão, e como
de plantio é prioritária. toda tabela de interpretação dos resultados das análises de solo,
• A fosfatagem proporciona aumento de produtividade e não deve ser utilizada isoladamente e de forma absoluta, sem consi-
pode ser viável financeiramente, desde os primeiros anos. O PMA derar o histórico de manejo e a produtividade de cada campo dentro
sugere que os produtores e os profissionais da área técnica estu- da propriedade. É importante que o profissional utilize os dados de
dem estes resultados para ver qual a melhor maneira de trabalhar pesquisa associados à sua experiência na região.
com o fósforo, a fim de obter o maior retorno por cada quilograma Os dados da Fundação MT sobre a exportação de fósforo
de fósforo adicionado, ao longo dos anos, considerando-se a con- na cultura da soja (Tabela 10) são provenientes dos experimentos
dição financeira e as condições de compra. Neste cálculo também do PMA em Nova Mutum, Sapezal e Campo Novo do Parecis con-
se deve considerar o tempo necessário para que o produtor tenha o duzidos durante a safra 2000/2001.
retorno do capital investido e suas condições de investimento.
• No primeiro ano de cultivo (Tabela 2), a eficiência da aplica- Tabela 6. Produtividade da soja em função dos teores de fósforo no
ção a lanço seguida de incorporação do fosfato natural reativo, solo e a resposta à adubação fosfatada do experimento con-
duzido em Sapezal, na safra 2001/2002.
com granulometria mais fina que a comumente encontrada no mer-
cado, foi da ordem de 80 a 90% em relação ao superfosfato triplo. P2O5 Teores de fósforo no solo (mg/dm3) - Mehlich 1
No segundo e no terceiro ano de cultivo (Tabela 3) não houve no plantio 1,8 2,0 2,8 3,1 4,1
diferença quanto ao residual do superfosfato triplo e do fosfato 1
kg/ha - - - - - - - - - - - - - - - - - sc/ha - - - - - - - - - - - - - - - - -
natural reativo. Os resultados obtidos, principalmente no primeiro 0 26,6 39,6 47,4 56,0 56,9
ano de cultivo, são superiores aos encontrados em outros traba- 40 40,0 51,5 55,1 61,1 61,6
lhos de pesquisa. Isto é devido, provavelmente, ao fosfato natural 80 51,2 55,8 60,8 63,8 64,5
utilizado ter granulometria bastante fina, o que ocasionou aumen- 120 52,3 60,2 62,0 65,0 66,0
to da reatividade deste fertilizante. Quanto mais fino o material, 160 54,2 58,4 63,4 64,4 65,9
mais rápida é a sua dissociação. 1
sc/ha x 60 = kg/ha.
No entanto, o objetivo principal deste trabalho, e dos de-
mais conduzidos pelo PMA em solos arenosos e de textura média, Tabela 7. Interpretação da análise de solo para recomendação de
não é avaliar a adubação corretiva versus a adubação de fósforo na adubação fosfatada (fósforo extraído pelo método Mehlich 1).
linha de plantio, e sim fornecer informação quanto à produtividade Teor de argila Teor de P (mg/dm3)
da soja em função dos teores de fósforo e da adubação fosfatada. (%) Muito baixo Baixo Médio Bom
Os resultados da safra 2001/2002 são apresentados na Tabela 6.
61 a 80 0 a 1,9 2,0 a 3,9 4,0 a 5,9 > 6,0
Com base nos resultados dos experimentos e no banco de
41 a 60 0 a 4,9 5,0 a 7,9 8,0 a 11,9 > 12,0
dados da PMA formados pelas lavouras participantes, é apresenta-
da uma sugestão para a interpretação dos níveis de fósforo no solo 21 a 40 0 a 5,9 6,0 a 11,9 12,0 a 17,9 > 18,0
e para a recomendação de adubação (Tabelas 7, 8 e 9). É importante < 20 0 a 7,9 8,0 a 14,9 15,0 a 19,9 > 20,0

INFORMAÇÕES AGRONÔMICAS Nº 98 – JUNHO/2002 3


SOJA
Tabela 8. Recomendação de adubação fosfatada corretiva1 em kg de • Potássio
P2O5/ha, de acordo com o teor de argila do solo.
O PMA, nos últimos quatro anos, conduziu dois experimen-
Teor de argila Teor de P (mg/dm3) tos sobre manejo do potássio na cultura da soja, um em solo argilo-
(%) Muito baixo Baixo so e outro em solo arenoso. A seguir são apresentados alguns
- - - - - - - - - kg P2O5/ha - - - - - - - - - resultados (Figuras 1 e 2) e comentários sobre eles.
61 a 80 300 200
41 a 60 250 175
21 a 40 200 135
< 20 150 100
1
Adubação corretiva a lanço para soja: deve ser avaliada pela quantidade
necessária em função do teor de argila, valor da soja e pelo retorno espe-
rado com as maiores produtividades que podem ser alcançadas nos pri-
meiros 4 anos.

Tabela 9. Recomendação de adubação fosfatada no sulco de semeadu-


ra1 de acordo com a disponibilidade de fósforo no solo, para
o Estado do Mato Grosso, vegetação de cerrado.
Teor de argila Teor de P (mg/dm3)
(%) Muito baixo Baixo Médio Bom
2
- - - - - - - - - - - - - - - kg/ha P2O5 - - - - - - - - - - - - - Figura 1. Produtividade da soja em função dos teores de potássio no
3 4
solo no experimento de calibração de potássio no solo e nas
61 a 80 > 120 110 80 60
folhas de soja em Nova Mutum (MT), safra 99/2000.
41 a 60 > 1203 100 80 604
21 a 40 1203 100 80 604
< 20 1203 90 80 604
1
A adubação fosfatada a lanço poderá ser realizada quando os teores de
fósforo forem interpretados como BOM nos últimos três anos de cultivo,
e se a produtividade dos últimos três anos estiver acima de 55 sacas/ha;
2
As quantidades de fósforo sugeridas referem-se a fósforo solúvel em
citrato de amônio neutro mais água e podem variar em função do nível de
produtividade desejada, nível de investimento disponível e preço espera-
do. As quantidades sugeridas referem-se a uma expectativa de produtivi-
dade de 55 a 60 sacas/ha, para áreas com vários anos de cultivo. Para áreas
novas, 50 a 55 sacas/ha, sendo que a obtenção de produtividades maiores
também é dependente da uniformidade da lavoura, já que, de modo geral,
as áreas novas apresentam maior desuniformidade;
3
O PMA, em condições de fósforo muito baixo, tem encontrado respostas
lineares a fósforo aplicado na linha de semeadura até a maior quantidade
aplicada (150 kg/ha de P2O5). Portanto, se o fósforo no solo estiver
classificado como muito baixo ou baixo, e se houver possibilidades de
realizar maior investimento em fósforo e/ou os preços da soja forem
promissores, poderão ser utilizadas quantidades maiores que as sugeridas
na Tabela 8;
4
As quantidades recomendadas equivalem à reposição da extração espera-
da para estas produtividades e podem ser reduzidas por uma safra em
função de condições desfavoráveis de preços.

Tabela 10. Quantidades médias de fósforo (P2O5) exportadas pela


cultura da soja.
Soja (grãos) Fósforo (kg P2O5 /t)
Coodetec/Coamo 8,7
Embrapa 10,0
Fundação ABC 12,6
SLC Agrícola 9,79
Fundação MT 9,5
Média 10,1 Figura 2. Produtividade da soja em função dos teores de potássio nas
folhas no experimento de calibração de potássio no solo e
Fontes: COAMO/COODETEC (1998), PAULETTI (1998), Embrapa Soja/ nas folhas da soja em Nova Mutum (MT), safra 99/2000 e
Fundação MT (2000), ALTMANN & PAVINATO (2001). 2000/2001 (sc/ha x 60 = kg/ha).

4 INFORMAÇÕES AGRONÔMICAS Nº 98 – JUNHO/2002


SOJA
Em relação aos teores de potássio nas folhas de soja, os • Modo de aplicação
resultados da Figura 2 apontam que 90% da produtividade máxima
♦ A aplicação de potássio a lanço é tão eficiente quanto sua
foi obtida com teores de potássio na matéria seca das folhas entre
aplicação na linha de semeadura, porém, cuidados devem ser toma-
16 e 17 g.kg-1, porém, com as maiores produtividades sendo obtidas
dos para que haja uniformidade na aplicação.
quando os teores de potássio nas folhas estavam entre 20 e 24 g.kg-1.
♦ Principalmente nos solos arenosos recomenda-se não uti-
Estes resultados confirmam dados da EMBRAPA (2001).
lizar formulações com alta concentração de potássio na linha de
Com base nos resultados dos experimentos e das áreas co- plantio. No plantio deve-se utilizar formulações com baixas concen-
merciais acompanhadas pelo PMA, também é apresentada uma su- trações de potássio, complementando a quantidade de potássio a
gestão para a interpretação dos níveis de potássio no solo e a lanço em pré-plantio da soja (solos de textura média a argilosa) e em
recomendação de adubação (Tabela 11). cobertura até o período de 30 dias pós-plantio nos solos mais are-
nosos. No Mato Grosso, a utilização de formulações de plantio
Tabela 11. Interpretação dos níveis de potássio no solo e recomenda- semelhantes ao superfosfato simples no plantio e aplicação de todo
ção de adubação (kg/ha de K2O) em função da produtivida- o potássio a lanço tem apresentado ótimos resultados. Neste caso,
de desejada. é importante a aplicação de pelo menos parte do potássio em pré-
K no solo K2 O plantio.
Níveis
(mg/dm3) (kg/ha) ♦ O uso de potássio a lanço possibilita maior flexibilidade na

Bom > 60 60-751 escolha e utilização de fórmulas a serem utilizadas na semeadura,


principalmente quanto ao manejo do enxofre e/ou fósforo na linha
Médio 40 a 60 80-90
de semeadura.
Baixo 20 a 40 100-120
Muito baixo < 20 120-140 • Lixiviação de potássio no solo
1
As quantidades recomendadas equivalem à reposição da extração espera- Tem-se observado, nos diversos experimentos conduzidos
da para estas produtividades (21 kg/ha de K2O para cada 1.000 kg/ha de e também em avaliações realizadas em propriedades participantes
soja produzida) e podem ser reduzidas por uma safra em função de con- do PMA, que quando o solo estiver sendo cultivado com culturas
dições desfavoráveis de preços. comerciais ou culturas de cobertura a lixiviação do potássio no solo
é reduzida, mesmo para solos com textura mais arenosa.
A adubação com potássio deve ser bastante criteriosa já
que a exportação pelos grãos é de aproximadamente 21 kg/tonelada
de grãos (Tabela 12). LITERATURA CITADA
ALTMANN, N.; PANINATO, A. Experiências da SLC Agrícola no ma-
Tabela 12. Quantidades médias de potássio (K2O) exportadas pela nejo da fertilidade do solo no cerrado. Informações Agronômicas,
cultura da soja. Potafos, n.94, junho/2001.
Soja (grãos) Potássio ( kg K2O/t) BORKERT, C.M.; YORINORI, T.J.; CORRÊA-FERREIRA, B.S.;
ALMEIDA, A.M.R.; FERREIRA, L.P.; SFREDO, G.J. Seja o doutor
Coodetec/Coamo 19,0 da sua soja. Informações Agronômicas, n. 66, POTAFOS, junho/
Embrapa 20,0 1994.
Fundação MT 22,2 COAMO/COODETEC. Fertilidade do solo e nutrição de plantas. Cam-
Fundação ABC 22,6 po Mourão/Cascavel, 1998.
SLC Agrícola 21,8 EMBRAPA-SOJA. Recomendações técnicas para a cultura da soja na
região central do Brasil 2001/2002. Londrina: Embrapa Soja/Funda-
Média 21,11
ção MT, 2001.
Fontes: COAMO/COODETEC (1998), PAULETTI (1998), Embrapa Soja/ PAULETTI, V. Nutrientes: teores e interpretações. Campinas: Funda-
Fundação MT (2000), ALTMANN & PAVINATO (2001). ção ABC/Fundação Cargill, 1998.

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SOJA

IMPORTÂNCIA DOS MICRONUTRIENTES


NA FIXAÇÃO BIOLÓGICA DO N2
Rubens J. Campo1
Mariangela Hungria1
Com a utilização de sementes
enriquecidas em Mo, o efeito da micronutrientes até a alguns anos atrás era
INTRODUÇÃO aplicação de Co nos rendimentos restrita a áreas de Cerrado e era feita através
nitrogênio (N) é o nutrien- são ainda mais expressivos. da correção do solo, pois aqueles solos são

O te que a soja necessita em


maior quantidade. Para uma
produção de soja de 4.000 kg/ha (66,7 sa-
Os rendimentos passaram de
3.441 para 3.643 kg/ha com as
conhecidamente deficientes em Zn e outros
micronutrientes. Outros micronutrientes,
como o Mn, por exemplo, passaram a ter al-
cos/ha) são necessários aproximadamente sementes normais e de 3.441 para guma importância econômica para o cultivo
320 kg de N. A aplicação de N-fertilizantes 3.674 kg/ha quando se usou semente da soja e foram recomendados sob condi-
inviabilizaria economicamente a cultura; ções específicas de deficiência, causada por
contudo, o processo de fixação biológica
enriquecida em Mo. Por outro lado, aplicações excessivas de calcário, que in-
do N2 (FBN) com bactérias do gênero somente o uso de sementes duzem à deficiência desse nutriente. Os cul-
Bradyrhizobium pode fornecer todo o N ne- enriquecidas em Mo proporcionou tivos sucessivos aliados aos aumentos da
cessário à cultura. demanda de N e de outros nutrientes pela
34,4% de aumento de rendimento. soja, devido aos aumentos de rendimento
A eficiência do processo de FBN,
porém, depende de vários fatores inerentes da cultura, que aumentam a extração dos nu-
à soja e à bactéria. Fatores físicos do solo, temperatura, umidade e trientes do solo, têm provocado decréscimo generalizado na dispo-
luz solar, assim como genéticos e nutricionais ligados à planta e à nibilidade de alguns micronutrientes, e até mesmo os solos de alta
eficiência e capacidade das estirpes de competir e formar nódulos. fertilidade têm, atualmente, apresentado resposta positiva à adição
Dentre os fatores nutricionais ligados à planta, a presença de N, a de micronutrientes, como Mo e Co (CAMPO et al., 1999; CAMPO &
disponibilidade de P, K, Ca, Mg e S, o excesso de Al e Mn, e a HUNGRIA, 2000).
essencialidade de alguns micronutrientes é extremamente impor-
tante para o processo de FBN. DISPONIBILIDADE DE Co E Mo NO SOLO
De modo geral, todos os fatores que afetam positivamente a
nutrição da planta afetam também, de forma positiva, a FBN, e os Os teores de Co no solo variam de 1 a 40 ppm. Valores su-
fatores que afetam negativamente a planta também o fazem em rela- periores podem ocorrer em solos originários de rochas ricas em
ção à FBN, embora ocorram algumas exceções. O N, por exemplo, é minerais ferromagnesianos (MITCHEL, 1964). Por outro lado, solos
o nutriente mais exigido pela soja, mas se adicionado na forma de ácidos normalmente apresentam teores de Co inferiores a 10 ppm.
fertilizante nitrogenado é extremamente prejudicial ao processo de Nessa condição, os solos ricos em óxidos de Mn podem apresentar
fixação biológica. Por outro lado, os micronutrientes Co e Mo são deficiência de Co devido à sua adsorção pelos óxidos de Mn
pouco importantes para a soja, mas indispensáveis para a eficiência (TAYLOR & McKENZIE, 1966).
do processo de FBN. O Mo é encontrado em toda a crosta terrestre, porém, sem-
Os trabalhos de pesquisa de soja no Brasil têm desenvolvi- pre em pequenas concentrações. As formações sedimentares são
do novas tecnologias de cultivo, com aumentos sucessivos de pro- os ambientes mais ricos em Mo, especialmente os depósitos mari-
dutividade. Como o N é o nutriente mais exigido pela cultura, torna-se nhos, onde as concentrações podem exceder 0,04% (Manheim &
indispensável a busca de novas técnicas para aumentar a eficiência Landergren, 1978, citado por GUPTA & LIPSETT, 1981). BATAGLIA
do processo de FBN. Nesse contexto, o aperfeiçoamento da aplica- et al. (1976) também encontraram em solos do Estado de São Paulo
ção de inoculantes com micronutrientes, garantindo uma maior po- maiores teores de Mo em solos sedimentares e os menores nos
pulação da bactéria nas sementes, é indispensável para aumentar a solos mais recentes. Ainda, a disponibilidade de Mo no solo é
nodulação nas principais raízes da soja, onde os nódulos são mais extremamente afetada pelo pH do solo. Quanto maior for o pH do
eficientes. Por conseqüência, a demanda de micronutrientes estaria solo, maior a disponibilidade de Mo. Segundo LINDSAY (1972), a
sendo suprida sem limitar o potencial de FBN (CAMPO et al., 1999; disponibilidade de Mo aumenta 100 vezes para cada unidade de
CAMPO & HUNGRIA, 2000). aumento de pH.

MICRONUTRIENTES PARA A SOJA FONTES DE Co E Mo


Os micronutrientes considerados essenciais para a cultura As principais fontes de Co são o cloreto de cobalto, sulfato
da soja são B, Cl, Cu, Fe, Mn, Mo e Zn. A adubação da soja com de cobalto e nitrato de cobalto. As principais fontes de Mo são o

1
Pesquisadores da Embrapa Soja, Caixa Postal 231, CEP 86001-970, Londrina, PR. E-mail: rjcampo@cnpso.embrapa.br e hungria@cnpso.embrapa.br
Fonte: Anais do II Congresso Brasileiro de Soja e Mercosoja 2002. Londrina: Embrapa Soja, 2002. p.355-366. (Embrapa Soja. Documentos 180)

6 INFORMAÇÕES AGRONÔMICAS Nº 98 – JUNHO/2002


SOJA
molibdato de sódio, molibdato de amônio, ácido molíbdico e o esses resultados seria a participação do Mo na enzima sulfato
trióxido de molibdênio. Existem atualmente no mercado diversos redutase, facilitando o metabolismo do S e aumentando o conteúdo
produtos comerciais contendo Mo e Co em concentrações variá- dos aminoácidos que possuem enxofre em sua composição, como,
veis, mas sempre na proporção 10:1 de Mo e Co. De modo geral, por exemplo, metionina e cisteina.
estes produtos comerciais têm apresentado ótimos resultados no Segundo Vunkova-Radeva et al., 1988, citados por LIND-
fornecimento desses nutrientes quando aplicados por pulveriza- SAY (1991), a deficiência de Mo torna as plantas mais suscetíveis a
ção foliar ou na semente. determinados estresses, como os por baixas temperaturas e alaga-
mento. Na Tabela 1, como foi dito anteriormente, as sementes
IMPORTÂNCIA DO Co E DO Mo PARA A SOJA enriquecidas apresentaram melhor desempenho do que as semen-
E PARA O PROCESSO DE FBN tes mais pobres em Mo. Esta é também uma das causas prováveis
para explicar esses resultados. Parece que plantas de soja prove-
A absorção do Co pela planta é feita por fluxo de massa, nientes de sementes mais enriquecidas com Mo foram menos afeta-
principalmente na forma de Co2+, e a sua translocação na planta das pelo déficit hídrico ocorrido na região. Resultados semelhantes
ocorre somente após formação de quelados com ácidos orgânicos foram observados em Londrina, PR.
(MALAVOLTA et al., 1997). Por isso, esse elemento é considerado Diferentemente dos demais micronutrientes, a deficiência
pouco móvel e sua deficiência na planta ocorre nas folha mais no- de Mo não ocorre nas folhas mais novas, porque ele é de fácil
vas. No caso específico da cultura da soja, o Co é um elemento translocação na planta. Pela Figura 1 verifica-se que a translocação
essencial para o processo de FBN. Ele é componente da vitamina do Mo, aplicado nas folhas de soja, cv. BRS 133, para os nódulos
B12, importante na formação da coenzima cobamida que é indispen- foi muito rápida. Em apenas cinco dias após aplicação de Mo nas
sável ao processo de FBN por ser precursora da leghemoglobina folhas as concentrações de Mo nos nódulos foi máxima. Resulta-
(KLIEWER & EVANS, 1963). A deficiência de Co inibe a síntese da dos similares foram obtidos com ‘Embrapa 48’ e ‘BRS 156’. Esses
leghemoglobina e, por conseqüência, a FBN (MENGEL & KIRKBY, resultados confirmam que o Mo apresenta uma rápida e fácil trans-
1978). locação na planta; por isso, o sintoma típico de deficiência de Mo é
A absorção do Mo pela planta é por fluxo de massa, na o amarelecimento das folhas mais velhas. Quando as plantas são
forma de MoO24-. Sua translocação na planta ocorre na forma bem supridas de N os sintomas de deficiência de Mo são má forma-
aniônica de oxidação máxima Mo (VI), mas também na forma Mo (V) ção das folhas e clorose das margens das folhas mais velhas.
e Mo (IV) (MARTENS & WESTERMANN, 1991).
A função do Mo na planta está diretamente relacionada com
a formação das molibdo-enzimas, proteínas responsáveis pela trans-
ferência de elétrons (cofatores) das reações de formação das enzimas
nitrogenase, redutase de nitrato, oxidase do sulfato. A nitrogenase
é a enzima responsável, no processo de FBN, por quebrar da tríplice
ligação do N2, transformando-o em duas moléculas de NH3. A
redutase do nitrato é uma enzima importante para o processo de
metabolização e absorção do N pela soja, evitando o acúmulo de
nitrato na planta e aumentando o rendimento da soja. Mesmo com
a ausência de nódulos, o uso de sementes enriquecidas em Mo
(Tabela 1) proporcionou rendimentos superiores às sementes mais
pobres em Mo. Sementes de soja mais ricas em Mo, até teores de
11,8 µg.g-1, apresentaram N total nos grãos e rendimentos de
grãos superiores aos tratamentos com as sementes pobres em Mo Figura 1. Teores de Mo em µg.g-1 de nódulo, medidos aos 0, 1, 3, 5, 7,
(1,3 µg.g-1), demonstrando a importância do Mo para o metabolis- 10 e 14 dias após a aplicação foliar de 0, 400, 800 e 1.600 g de
mo e absorção do N pela soja. Outra causa provável para explicar Mo/ha.

Tabela 1. Efeito da aplicação complementar de Mo nas sementes de soja, cv. Conquista (produzida em Londrina), com distintos teores de Mo
no número e massa de nódulos secos (MSN), N total nos grãos e rendimento de grãos de soja. Experimento conduzido em Uberaba,
MG, em solo sem população estabelecida de Bradyrhizobium (0,0 x 10-2). Safra 99/00, EPAMIG, MG. Embrapa Soja, 2000.
Tratamento N°/plantas MSN (mg/pl) N (kg/ha) Rendimento (kg/ha)
Mo (1,3 µg.g-1) com Mo 0,5 3 186 3.203
Mo (1,3 µg.g-1) sem Mo 1,3 13 165 2.972
Mo (11,8 µg.g-1) com Mo 0,6 11 225 3.915
Mo (11,8 µg.g-1) sem Mo 1,0 8 203 3.517
Mo (23,9 µg.g-1) com Mo 0,5 3 217 3.664
Mo (23,9 µg.g-1) sem Mo 0,6 7 186 3.723
C.V. (%) - - 12,8 11,0
D M S. (5 %)1 - - 21,2 324
1
Diferença entre médias de dois tratamentos, cujo valor é superior a esses valores, para cada coluna, indica que os dois tratamentos são diferentes entre
si ao nível de 5% de probabilidade pelo teste “t”.

INFORMAÇÕES AGRONÔMICAS Nº 98 – JUNHO/2002 7


SOJA
EFEITO DOS MICRONUTRIENTES NA semente. HARRIS et al. (1965), trabalhando com sementes oriundas
de várias regiões dos Estados Unidos, perceberam que aquelas
SOBREVIVÊNCIA DA BACTÉRIA NA SEMENTE vindas do Texas não respondiam à aplicação de Mo. O solo do
BIRÓ et al. (1995) avaliaram a sensibilidade de bactérias Texas é rico nesse micronutriente e seu teor nos grãos de soja chega
fixadoras de N2 e estirpes de Pseudomonas quanto à sensibilidade a 22,4 ppm, sendo, portanto, suficiente para suprir a necessidade da
a metais pesados (Cu2+, Zn2+, Mn2+, Mo2+ e Fe2+) in vitro. O Mo foi geração F1 das plantas colhidas naquele Estado americano.
um estimulante do crescimento para Rhizobium e Bradyrhizobium Efeitos positivos da aplicação de Mo na FBN e na soja têm
em todas as concentrações testadas (0,1, 1,0 e 10 µg. ml-1). No en- sido observados em diversos trabalhos (AGHATISE & TAYO, 1994;
tanto, doses de Mo acima de 1,600 µg. ml-1 prejudicam o crescimen- CAMPO & LANTMANN, 1998; MAIER & GRAHAM, 1990). De
to de Bradyrhizobium em meio de cultura (TONG & SADOWSKY, modo geral, resultados positivos com a aplicação de Mo são mais
1994). Já a aplicação de Mo juntamente com o inoculante diminui a freqüentes do que com o Co. Entretanto, quando a planta está bem
população sobre a semente prejudicando a nodulação e, conseqüen- suprida de Mo, ou o elemento é aplicado sobre ela, observa-se
temente, a FBN (SEDBERRY et al., 1973; GAULT & BROCKWELL, respostas positivas da aplicação de Co na FBN e no rendimento da
1980). Similarmente, trabalhos anteriores (BURTON & CURLEY, 1966) soja (Tabela 2).
mostraram que o uso do Mo, na forma de molibdato de sódio, em
peletização na semente, afeta a sobrevivência da bactéria na se-
mente, bem como a nodulação e a eficiência de FBN. Segundo estes Tabela 2. Efeito da aplicação de Co e inoculação da soja, cv. BR 37, no
número de nódulos e rendimento de grãos. Londrina, PR,
autores, 99% das células morrem, após quatro dias da aplicação do
safra 98/99, solo LRd. Embrapa Soja, 1999.
Mo. Recentemente, ALBINO & CAMPO (2001) mostraram que a
adição de concentrações crescentes de diversas fontes de Mo aos Tratamentos Nódulos Rendimento
meios de cultura de crescimento do Bradyrhizobium afetou o cres- (N°/planta) (kg/ha)
cimento das quatro estirpes que são recomendadas para os Sem inoculação 20 2.636
inoculantes no Brasil. Resultados de pesquisa realizada em campo IP 1
21 3.085
demonstraram que os produtos comerciais normalmente em uso IP + 200 kg N 14 3.630
pelos agricultores, contendo Co e Mo, quando aplicados nas se-
IP + Mo 18 3.617
mentes de soja junto com o inoculante, reduzem a nodulação da
soja e, por conseqüência, o potencial de FBN (CAMPO et al., 1999). IP + Mo + 2,59 Co 16 3.726
IP + Mo + 5,0 g Co 17 3.659
MODOS E ÉPOCA DE APLICAÇÃO DE Co E Mo 1
300 ml de água açucarada mais 500 g (por 50 kg de semente) de inoculante
turfoso, contendo as estirpes SEMIA 587 + SEMIA 5019, com popula-
Devido à eficiência, economia e facilidade de aplicação, os ção de células de 3 x109/g inoculante.
micronutrientes à base de Co e Mo foram recomendados para a
cultura da soja para aplicação via semente. Diversos fatores leva-
ram as indústrias de micronutrientes a alterarem a composição e as Com a utilização de sementes enriquecidas em Mo o efeito
formulações de seus produtos, de forma que, atualmente, os produ- da aplicação de Co nos rendimentos são ainda mais expressivos.
tos disponíveis no mercado são líquidos e contêm concentrações Os rendimentos passaram de 3.441 para 3.643 kg/ha com as semen-
variáveis desses elementos. tes normais e de 3.441 para 3.674 kg/ha, quando se usou semente
Altas concentrações dos elementos no produto final, alia- enriquecida em Mo (Tabela 3). Por outo lado, somente o uso de
das à alta acidez (baixo pH), implicam em problemas ainda maiores sementes enriquecidas em Mo proporcionou 34,4% de aumento de
para FBN quando esses nutrientes são aplicados nas sementes rendimento. O uso de sementes ricas em Mo mais Co e Mo, aumen-
junto com o inoculante. O contato direto da bactéria com os sais taram em 58,8% os rendimentos de grãos, ou seja, de 2.314 kg para
que contêm Co e Mo parece ser um dos fatores limitantes da FBN. 3.674 kg/ha. Verifica-se, ainda, que esses aumentos de rendimentos
Diversos estudos foram desenvolvidos e os resultados mostraram de grãos e N total nos grãos estão diretamente correlacionados ao
que a aplicação foliar isolada de Mo e Co ou em conjunto com peso de 100 sementes, mostrando que nos tratamentos onde houve
herbicidas pós-emergentes, baculovírus ou inseticidas para lagar- maior disponibilidade de Co e Mo para a FBN os grãos foram mais
tas, nos estádios V4 e V5 da cultura, apresentaram resultados simi- pesados.
lares aos da aplicação nas sementes, sem reduzir o potencial de
FBN (CAMPO et al., 1999). Em sendo possível aplicar o Mo e Co, CONCLUSÃO
via semente e foliar, trabalhos adicionais necessitam ser realizados
na busca de selecionar os produtos à base desses elementos mais Aplicações de Co e Mo em soja não têm mostrado efeitos
eficientes se aplicados via foliar e os que apresentam maior eficiên- positivos sobre a nodulação da soja. Esses micronutrientes, quan-
cia se aplicados nas sementes. do aplicados individualmente nas sementes ou nas folhas, são pouco
Outro método alternativo de fornecimento de Mo que tem eficientes, mas quando aplicados em conjunto são muito importan-
apresentado resultados consistentes no aumento da eficiência na tes para o aumento da eficiência do processo de FBN, ou seja,
FBN e dos rendimentos da soja é o uso de sementes enriquecidas quantidades de N fixado por nódulo, no N total nos grãos e no
de Mo. Alguns resultados serão abordados no tópico seguinte. rendimento de grãos de soja.

EFEITO DA APLICAÇÃO DE Co E Mo NA LITERATURA CITADA


EFICIÊNCIA DA FBN E NO RENDIMENTO DA SOJA
AGHATISE, V.O.; TAYO, T.O. Response of soybean (Glycine max)
A resposta da soja à aplicação de Mo depende de vários to molybdenum application in Nigeria. Indian Journal of
fatores, entre eles a quantidade desse micronutriente estocado na Agricultural Sciences, New Delhi, v.64, n.9, p.597-603, 1994.

8 INFORMAÇÕES AGRONÔMICAS Nº 98 – JUNHO/2002


SOJA
Tabela 3. Efeito da aplicação de Co e Mo sobre sementes de soja normais (SN) ou enriquecidas (SR) em Mo e da inoculação da soja,
cv. BR 16, na massa de nódulos, peso 100 de sementes, N total grãos e rendimento de grãos. Todos os tratamentos foram inoculados
com Bradyrhizobium. Londrina, PR, safra 98/99, solo LRd. Embrapa Soja, 1999.
Tratamentos Nódulos (g/10 plantas) Peso 100 sementes (g) N (kg/ha) Rendimento (kg/ha)
SN (0,73 µg/g) 0,50 13,3 125 2.314
SN + Co 0,43 13,2 133 2.419
SN + Mo 0,33 16,3 203 3.441
SN + Co + Mo 0,39 16,5 216 3.643
SR (13,3 µg/g) 0,46 15,3 184 3.109
SR + Co 0,39 15,0 194 3.341
SR + Co +Mo 0,43 16,9 227 3.674
SR + Mo 0,42 15,8 224 3.602
C.V. (%) 35,6 4,7 9,4 9,6
DMS (5%) 0,12 0,59 14,6 254

ALBINO, U.B.; CAMPO, R.J. Efeito de fontes e doses de molibdênio KLIEWER, M.; EVANS, H.J. Cobamide coenzyme contents of
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INFORMAÇÕES AGRONÔMICAS Nº 98 – JUNHO/2002 9


Evento POTAFOS

RELAÇÃO ENTRE NUTRIÇÃO DE PLANTAS E


INCIDÊNCIA DE DOENÇAS É TEMA DE WORKSHOP
Tsuioshi Yamada

oi realizado pela POTAFOS nos dias 08 a 10 de maio

F do corrente ano o Workshop sobre Relação entre


Nutrição de Plantas e Incidência de Doenças, no Tea-
tro do SESI, em Piracicaba, SP. Antes do Workshop tivemos dois
PRINCIPAIS MENSAGENS DEIXADAS PELOS
PALESTRANTES DO 1O DIA
• Siu Mui Tsai – Apesar dos genes de patogenicidade não
dias de visitas ao campo com a participação de numerosos produ- terem sido claramente constatados na Xylella fastidiosa, causado-
tores, consultores, Don Huber, Purdue University, Volker Römheld, ra do CVC pelo projeto Genoma - FAPESP, projetos estão sendo
Hohenheim University, Paulo R. C. Castro, ESALQ e Takanoli Toku- desenvolvidos através do Programa Genoma Funcional, uma se-
naga, CATI, em que foram demonstrados os benefícios da manu- gunda fase do Genoma, que visa entender melhor o papel dos ge-
tenção de cobertura vegetal na produção de hortaliças e de cultu- nes detectados durante o seu seqüenciamento, na primeira fase.
ras perenes (citros, manga e goiaba). Os citricultores do municí-
• Volker Römheld – Apesar de ser ainda incompleto nosso
pio de Cajobi, SP, Jorge Luiz de
conhecimento sobre os processos
Almeida, Sítio São José, fone (17)
na rizosfera, sabe-se que eles são
563-1065, João Francisco Biava,
importantes para o bom desenvol-
Sítio Campo Alegre, fone (17) 563-
vimento das plantas. Um melhor
1741, Braz Menésio, Sítio Bela Vis-
entendimento dos processos na
ta, fone (17) 563-1183, e Eduardo
rizosfera ajudarão a desenvolver
Maziero, Estância Olhos D’Água,
técnicas inovativas para o siste-
fone (17) 563-1165, são alguns dos
ma integrado de produção susten-
que fazem a adubação balanceada
tável.
em área total, ou seja, na linha e na
entrelinha. Com roçadeira especial, • Don Huber – O objetivo
o mato que cresce exuberante nas da nutrição de plantas e do con-
entrelinhas é ceifado e lançado la- trole de doenças é aumentar a efi-
teralmente embaixo da saia do po- ciência da produção vegetal. E a
mar formando um espesso tapete adubação das plantas é uma parte
vegetal (mulch). Além de proteger importante no programa de mane-
da alta temperatura no solo, este jo integrado das culturas. Muitas
tapete retém a umidade e ainda fornece nutrientes para os citros. práticas culturais que reduzem a incidência de doenças estão rela-
Com este manejo esses produtores estão conseguindo recuperar cionadas com sua influência na absorção de nutrientes. A nutrição
seus pomares que estavam com sintomas de CVC. Vale a pena é mais efetiva nas variedades “tolerantes” às doenças. As plantas
contactá-los e conferir os resultados que estão sendo obtidos! com estresse nutricional podem ser mais suscetíveis às doenças.
Um determinado nutriente pode reduzir a severidade de uma doen-
O Workshop constou de dois dias de palestras. No primeiro
ça mas pode aumentar a de outra. Nenhum nutriente controla todas
dia, de fundamentos básicos, tivemos as seguintes apresentações:
as doenças – cada doença e o ambiente devem ser considerados
• GENOMA FUNCIONAL: O mapeamento genético como dentro do sistema de produção. A importância da relação N-nítrico/
instrumento no controle de doenças de plantas – Siu Mui Tsai, N-amoniacal na produtividade das plantas e resistência às doen-
CENA-USP, Piracicaba-SP, fone (19) 3429-4600, tsai@cena.usp.br ças.
• Relação entre a interface solo-raiz (rizosfera) e a nutrição
• Gaspar H. Korndorfer – A literatura registra efeitos do
mineral das plantas – Volker Römheld, Hohenheim University,
silício no controle de muitas doenças como bruzone no arroz, man-
Stuttgart, Alemanha, fone 49-711459-2344, roemheld@uni-
cha anelar na cana-de-açúcar, oídio em pepino, cancro da haste em
hohenheim.de
soja e outras. Também no controle de pragas como broca da cana e
• Relação entre a nutrição mineral das plantas e a incidência pulgão em sorgo. No solo, o silicato aumenta o pH do solo, substi-
de doenças – Don M. Huber, Purdue University, West Lafayette, tuindo o calcário, aumenta a disponibilidade de P e reduz a toxidez
EUA, fone 1-765-494-4652, huber@btny.purdue.edu de Fe, Mn e Al. O autor apresentou uma lista de produtos utilizados
• Efeito do silício na incidência de doenças e pragas de cul- como fonte de Si e também a primeira tabela brasileira com calibra-
turas – Gaspar H. Korndorfer, UFU, Uberlândia-MG, fone (34) 3212- ção para Si no solo.
5566, r. 215, ghk@triang.com.br
• Wagner Bettiol – A sociedade exige, cada vez mais, a pro-
• Controle alternativo de doenças de plantas – Wagner dução de alimentos sem resíduos de agrotóxicos e com menor con-
Bettiol, EMBRAPA Meio Ambiente, Jaguariuna-SP, fone (19) 3867- taminação do ambiente. Essas exigências são devidas ao maior co-
8762, bettiol@cnpma.embrapa.br nhecimento pelo homem das conseqüências advindas do uso dos
• As palestras foram seguidas com discussão com todos os agrotóxicos, causando, em muitos casos, graves impactos am-
palestrantes do dia, coordenadas pelo Prof. E. Malavolta, CENA- bientais e intoxicações. A preocupação da sociedade com a conta-
USP, Piracicaba-SP, fone (19) 3429-4600, mala@cena.usp.br minação do ambiente por produtos químicos se expressa através de

10 INFORMAÇÕES AGRONÔMICAS Nº 98 – JUNHO/2002


Evento POTAFOS
segmentos do mercado ávidos por produtos agrícolas diferencia- • Superação dos prejuízos causados pela CVC por citricul-
dos, tanto aqueles produzidos sem uso de agrotóxicos, como por tores que fazem manejo da adubação química e da cobertura vege-
aqueles portadores de selos de que os agrotóxicos foram utilizados tal dos pomares;
adequadamente. Dessa forma, • Baixa produtividade dos
vem-se buscando alternativas aos sistemas orgânicos (em geral, me-
agrotóxicos, entre eles os fungi- nor que 50% da do convencional).
cidas, que são usados para o con-
trole de doenças de plantas. Den- No período da tarde foi fei-
tre as alternativas, o controle bio- ta demonstração prática da roça-
lógico é o que vem sentindo os deira ecológica no pomar de citros
maiores avanços e, possivelmen- da Fazenda Sertãozinho, ESALQ-
te, o mais estudado. As discussões USP, produzida pela empresa
demonstram a necessidade da in- Kamaq, representada pelo sr. Jor-
terdisciplinaridade dos projetos de ge Hiroshi Murakami, fone (19) 541-
pesquisa, pois somente estudos 3022, kamaq@kamaq.com.br.
que incluam o monitoramento de No terceiro dia, realizado no
sistemas de produção nas diver- Departamento de Solos e Nutrição
sas áreas do conhecimento forne- de Plantas, ESALQ-USP, foi apre-
cerão informações suficientes para sentada a aula sobre Boro e hor-
o entendimento das diferentes mônios no desenvolvimento radi-
interações. cular, pelo Dr. Paulo R.C. Castro, ESALQ-USP, e a seguir a aula
No segundo dia tivemos a mesa redonda sobre a experiência prática do Dr. Römheld sobre técnicas laboratoriais para estudo
do produtor na produção sustentável. Coordenada por T. Yamada, da rizosfera, coordenada por Dr. Paulo R.C. Castro, ESALQ-USP,
foram relatados os trabalhos de Wagner Nunes, fone (61) 621-2342, fone (19) 3429 4268, prccastro@carpa.ciagri.usp.br e Dr. Godofredo
agro-sistemas@uol.com.br com a cultura do feijoeiro; de Marcelo C. Vitti, ESALQ-USP, fone (19) 3429 4295, gcvitti@carpa.ciagri.
Oyafuso, fone (16) 9782-7793, sitiooyafuso@ig.com.br e Marcelo usp.br.
Sambiase, fone (16) 9784-2728, marcelosambiase@hotmail.com com
a cultura do tomateiro; José Carlos Gonçalves, fone (35) 3531-4034, PALAVRAS FINAIS
cafetotal@paraisonet.com.br, com a cultura do abacateiro; de João
Carlos Romero e José Peres Romero, fone (35) 3441-1200, romero1 Estou feliz com os resultados alcançados pelo evento. Ele
@uol.com.br, com a cultura do cafeeiro; Ulysses M. Murakami, fone nos permitiu ver como a nutrição afeta a suscetibilidade das plantas
(16) 3287-1180, murakami@montealto.net, com a cultura da goiabei- ao ataque de pragas e doenças. Mostrou-nos a importância da ma-
ra; Ronaldo Cabrera, fone (17) 560- téria orgânica. Matéria orgânica
1158, radcabrera@zup.com.br, com esta que pode ser produzida in
a cultura de citros e Etiene Leite loco com o uso da adubação ba-
Junior, Fundação Mokiti Okada, lanceada das plantas de cobertu-
Ipeúna-SP, fone (19) 576-1588, ra, como brachiaria, panicum,
email@centrodepesquisafmo. milheto e muitas outras. Eviden-
org.br, com a cultura do moranguei- ciou a importância da relação en-
ro. Estas apresentações foram se- tre N-nítrico e N-amoniacal in-
guidas de debate geral, com a par- fluenciando o pH da rizosfera. E
ticipação da platéia. deste, na absorção de nutrientes,
principalmente fósforo e micronu-
trientes. E da importância da adu-
PRINCIPAIS MENSAGENS
bação balanceada na resistência
NAS EXPERIÊNCIAS DOS das plantas às doenças.
PRODUTORES
Para aqueles que relutam
• Importância da matéria em discutir novas idéias, finalizo
orgânica do solo, de preferência com frase de origem desconheci-
feita com planta de cobertura viva da, lida há tempo, que dizia algo
(milheto, colonião, brachiária, etc.) bem nutrida com fertilizantes como: “sempre temos algo a aprender, mesmo de um tolo, mas um
químicos; tolo dificilmente aprenderá algo, mesmo de um sábio”.
• Importância da biodiversidade vegetal e animal no sistema
de produção; COMENTÁRIOS RECEBIDOS
• Importância da adubação balanceada favorecendo maior
resistência às pragas e às doenças; “O evento promovido e coordenado pela POTAFOS, em que
se tratou da “Relação entre Nutrição de Plantas e Incidência de
• Importância da instalação de árvores quebra-vento;
Doenças”, foi um acontecimento ímpar para nortear novos rumos
• Importância da adubação boratada e do gesso no apro- da Agricultura. Foram realizados dois dias de campo em regiões do
fundamento do sistema radicular; norte de Estado de São Paulo, com a presença de numerosos

INFORMAÇÕES AGRONÔMICAS Nº 98 – JUNHO/2002 11


Evento POTAFOS
produtores, consultores, Dr. Don Huber e Dr. Volker Römheld, em cesses. This joint research will be done in cooperation with the
que foram demonstrados os benefícios da manutenção de gramíneas University of Purdue (Don Huber) and the Hohenheim University
tropicais nas entrelinhas de culturas perenes (citros) e da utilização (V. Römheld). Furthermore, this workshop, focussed on a specific
da fitomassa, alocada com roçadeira adaptada, na projeção da copa topic of relevance for the farmers, proved that not only farmers but
das árvores. Também foram demonstrados os benefícios do manejo also scientists can learn much of this exchange of experiences. It
sustentado de goiabeira, tomateiro e outras hortaliças. As apresen- also got evident that such improvements in cropping systems re-
tações das palestras foram efetuadas em 8/Maio, em que se tratou garding better nutrient acquisition, disease resistance and higher
do mapeamento genético para crop yield and crop quality are of
controle de doenças, efeito do high significance for Brazilian
silício na incidência de doenças, agriculture in competition with
controle alternativo de doenças e the highly subsidised agriculture
relação da rizosfera com a nutrição in the USA and Europe. In sum-
mineral (Dr. Volker), e como a mary, this workshop focussed on
nutrição mineral afeta a incidência the relationship between disease
de doenças (Dr. Huber), sob a resistance and nutritional status
coordenação do Dr. Malavolta. Em proved as a very successful one.
9/Maio foi realizada uma mesa It got obvious that there is a high
redonda em que foram relatadas potential but also a high require-
experiências de produtores no ment for improvement of well
manejo sustentado de diferentes managed cropping systems in
culturas. Além disso, em 10/Maio Brazil, particularly, considering
foram demonstradas as interações the wide-spread monoculture
rizosfera e nutrientes pelo Dr. with the high disease pressure,
Volker, e a utilização de rizotrons e.g. sugarcane production with
no estudo radicular. Consideramos severe take-all problems. For me
que mais uma vez a POTAFOS proporcionou uma excelente personally, this workshop was one of the most stimulating which I
oportunidade para produtores, discentes, consultores e docentes don’t want to miss.” (do Prof. Volker Römheld, Hohenheim Univer-
conhecerem e adotarem novas abordagens nos sistemas de sity).
produção agrícola.” (do Prof. Dr. Paulo Roberto de Camargo e Castro
– ESALQ/USP). “Agradeço à POTAFOS pela oportunidade concedida para
participar deste Workshop. O evento foi importante pelos seguintes
“An exciting workshop in Piracicaba where much could be learnt aspectos: a) Observação do surpreendente resultado da nutrição
on disease resistance – There was much doubt whether an organic das plantas na sua sanidade; b) Transmissão dos novos conceitos
managed cropping system of citrus can successfully suppress the sobre absorção dos nutrientes pela planta; c) Importância da
bacteriose Xylella fatidiosa (CVC), a disease which ruins the citrus cobertura vegetal na cultura perene mas aplicando fertilizantes e
farmers in Brazil nowadays. After this workshop and particularly ceifando-a para reciclar os nutrientes. Com esses cuidados, os
the included field trips through the resultados na sanidade da planta
affected citrus orchards, the effect cultivada são surpreendentes.” (de
of the mulch-based cropping sys- Takanoli Tokunaga, engenheiro
tem with use of Brachiaria gives agrônomo, Cati-Capta-Frutas/IA
much more confidence in the hy- Jundiaí).
pothesis that rhizosphere pro-
cesses are involved in this sup- “It was an honor to participate
pression of CVC. It is supposed in the Workshop with Dr. Volker
that a mulch-induced inhibition of Römheld and others, but especially
the nitrification will result in a de- beneficial to see the tremendous
crease of the rhizosphere pH with impact Tsuioshi Yamada has had in
a subsequent improved acquisi- resurrecting an industry seemingly
tion of P and micronutrients, par- destined to die with CVC. He has
ticularly of manganese, from the full support and highest res-
which it is well known that it pro- pect of those he works with who
motes disease resistance in plants. have adopted his program. They
If this hypothesis, put forward by are seeing the renewed hope it pro-
Dr. T. Yamada, can be experimen- vides and expressed it openly as
tally proved this would be a further good example that an ecological we visited their farms. Yamada has certainly represented PPI in a
cropping system would outrun the conventional system. Further- professional, innovative and truly insightful manner to provide a
more, this innovative mulch system indicates that our knowledge viable alternative for Brazilian producers in this otherwise crisis
of the functional diversity has to get improved and much more situation. The impact of Yamada’s program will be far reaching and
straight-forward applied in ecological cropping systems. As one positively remembered for years to come. Thank you for providing
outcome of this held workshop was the initiation of scientific such a meaningful opportunity as a highlight of my 40+ year Plant
field and pot experiments to verify the above mentioned hy- Pathology career.” (enviada pelo Prof. Don Huber, Purdue Univer-
pothesis on suppression of CVC due to changed rhizosphere pro- sity, para PPI com cópia para T. Yamada).

12 INFORMAÇÕES AGRONÔMICAS Nº 98 – JUNHO/2002


DIVULGANDO A PESQUISA

Nota do editor: Os trabalhos que possuem endereço eletrônico em azul podem ser consultados na íntegra

1. NITROGÊNIO NA SEMEADURA DA SOJA EM SISTEMA DE na cultura do trigo nos anos de 1999 e 2001, da soja na safra 1999/
PLANTIO DIRETO 2000 e do milho na safra 2000/2001. Quanto à cultura do trigo, na
média dos dois anos, o tratamento a rendeu 2.595 kg/ha, o tratamen-
SOUZA, J.A.; ZITO, R.K.; PAES, J.M.V.; TEIXEIRA, M.R. In: to b rendeu 2.518 kg/ha e o c 2.345 kg/ha, o que representa um
CONGRESSO BRASILEIRO DE SOJA E MERCOSOJA, 2., Foz incremento de 10,6% e 7,3% para os tratamentos a e b, respectiva-
do Iguaçu, 2002. Resumos... p.235. mente, comparado ao tratamento c (adubação individual de cada
Adubação nitrogenada na cultura da soja não é uma prática cultura na semeadura).A cultura da soja, safra 1999/2000, apresen-
recomendada pela pesquisa. No entanto, agricultores da região do tou os seguintes rendimentos para os tratamentos a, b, c: 3.086 kg/ha,
Triângulo Mineiro, associados ao Clube Amigos da Terra de Ube- 3.522 kg/ha, 3.482 kg/ha, respectivamente. A cultura do milho apre-
raba (MG), questionavam sobre a influência da aplicação de N no sentou o rendimento de 7.837 kg/ha, 7.711 kg/ha e 6.436 kg/ha,
plantio da soja. Com o objetivo de estudar o efeito da adubação respectivamente, para os tratamentos a, b, c. Estes dados prelimina-
nitrogenada na cultura da soja, instalou-se experimentos em pro- res mostram a tendência favorável para se realizar 2/3 da adubação
priedades rurais, no município de Sacramento (MG), no ano de 1999, da cultura de verão (soja ou milho) no inverno, por ocasião da
e no município de Uberaba (MG), no ano de 2000, ambos em solo de semeadura do trigo. O maior aporte de adubo no trigo irá poten-
textura argilosa, com parcelas de 16 linhas de 60 metros de compri- cializar o seu rendimento, produzir maior palhada e deixar um resi-
mento. Utilizou-se delineamento em blocos ao acaso com três trata- dual de adubação adequado a cultura de verão. Cabe destacar que
mentos e quatro repetições, sendo os tratamentos: TT = testemu- esta tendência somente é válida para áreas com fertilidade média a
nha, sem N; T1 = 20 kg.ha-1 de N no plantio e T2 = 40 kg.ha-1 de N no alta, em plantio direto com rotação de culturas.
plantio. Todas as parcelas receberam uma adubação de 80 kg.ha-1
de P2O5 (450 kg.ha-1 de superfosfato simples) e 80 kg.ha-1 de K2O 3. ADUBAÇÃO NITROGENADA NO PLANTIO E MOLIBDÊNIO
(130 kg.ha-1 de cloreto de potássio). No ano 1999, a cultivar planta- VIA FOLIAR NA CULTURA DA SOJA [Glycine max (L.)
da foi MG/BR-46 Conquista, e no 2000 a BRSMG Liderança, em Merrill]
plantio direto, tendo o milho como cultura anterior. No ano 1999, a
SILVA, G.P.; MENEZES, C.C.E.; MENEZES, J.F.S.; IVANOFF, P.
aplicação de 40 kg.ha-1 de N proporcionou acréscimo de 16% na
In: CONGRESSO BRASILEIRO DE SOJA E MERCOSOJA, 2., Foz
produtividade (2.920 kg.ha-1 – a testemunha produziu 2.523 kg.ha-1).
do Iguaçu, 2002. Resumos... p.227.
Já no ano seguinte, em outra área, a aplicação de nitrogênio não
influenciou na altura de plantas, no peso de 100 sementes e na As variedades modernas de soja, recomendadas para a re-
produtividade da soja. Diante destes resultados verifica-se a ne- gião dos cerrados, possuem um elevado potencial produtivo. Altas
cessidade de mais estudos sobre o assunto. produtividades podem ser alcançadas, desde que as recomenda-
ções técnicas sejam usadas adequadamente, principalmente a adu-
2. EFEITO DE DIFERENTES SISTEMAS DE ADUBAÇÃO NO bação. O cultivo da soja em áreas em que o sistema de plantio direto
RENDIMENTO DA SOJA, MILHO E TRIGO NO SISTEMA é adotado tem apresentado limitações nutricionais. Esta limitação
PLANTIO DIRETO torna-se mais acentuada quando a cultura anterior foi uma gramínea,
que apresenta alta relação C/N. O nitrogênio, nutriente requerido
GUTH, O.L.; LORENZONI, J.; MELLO, J.S. In: CONGRESSO em maiores quantidades, fica imobilizado durante o processo de
BRASILEIRO DE SOJA E MERCOSOJA, 2., Foz do Iguaçu, 2002. decomposição da palha, reduzindo a disponibilidade para as plan-
Resumos... p.251. tas. Com o objetivo de avaliar a produtividade da cultura da soja e
A racionalização das operações de máquinas, visando maxi- os teores foliares dos nutrientes em resposta à adubação nitro-
mizar o tempo para a semeadura das culturas, é uma necessidade genada no plantio, conduziu-se um experimento a campo, na safra
nas médias e grandes propriedades. Por outro lado, no sistema 2000/2001, em uma área com adoção do sistema de plantio direto na
plantio direto já estabilizado e com bons níveis de fertilidade, há palha, em um LV. A área vem sendo cultivada em plantio direto há
uma tendência para adubar a exportação das culturas e ajustar a nove anos e a cultura anterior à condução do experimento foi sorgo.
época da colocação do fertilizante. Com o objetivo de avaliar dife- Os tratamentos constituíram-se da combinação dos fatores doses
rentes sistemas de adubação química, foi instalado um experimento de N no plantio (0, 8, 16 e 32 kg.ha-1) com doses de Mo via foliar (0,
em novembro de 1998, no Campo Tecnológico da COTRIJUÍ, Ijuí-RS, 40, 80, 120 g.ha-1) e via sementes (20 g.ha-1). O delineamento experi-
em um Latossolo Vermelho Distroférrico típico, com matéria orgânica mental utilizado foi o de parcelas subdivididas, com quatro repeti-
de 2,8%, P 10 mg/l, K 89 mg/l e pH em água 5,6. A parcela de 2.400 m2 ções, sendo que as doses de N foram aplicadas nas parcelas, en-
foi dividida em três sub-parcelas de 800 m2 cada uma com os se- quanto as de Mo nas subparcelas. Houve diferenças estatísticas
guintes tratamentos: a) aplicação de 100% da necessidade de adu- significativas de produtividade entre as doses de N, sendo a maior
bo da cultura de inverno e de verão, no inverno; b) aplicação de produtividade obtida com a dose de 8 kg.ha-1 de N. Além disso,
67% da necessidade de adubo da cultura de inverno e de verão no houve maiores teores de K, B e Zn com o aumento das doses. A
inverno e 33% restante junto com a cultura de verão; c) colocação aplicação de Mo não afetou significativamente a produtividade,
da necessidade de adubo da cultura de inverno e da cultura de mas influenciou significativa e positivamente os teores foliares de
verão na sua respectiva semeadura. Em todos os tratamentos P e negativamente os de S. Além de influenciar positivamente a
seguiu-se a recomendação da exportação de nutrientes (N, P2O5 e produtividade da soja, a dose de 8 kg.ha -1 de N no plantio
K2O) por tonelada de grão colhido. Foram avaliados os resultados mostrou-se economicamente viável.

INFORMAÇÕES AGRONÔMICAS Nº 98 – JUNHO/2002 13


sentando um aumento de 34,4%. No Experimento II, a produtivida-
4. QUALIDADE DE GRÃOS DE CAFÉ BENEFICIADOS EM RES- de aumentou (p < 0,05) linearmente com as doses de potássio
POSTA À ADUBAÇÃO POTÁSSICA [Prod (sc/ha) = 43,4 + 0,098 x, r2 = 0,96], representando um aumento
de 36,1%. A máxima produtividade não foi observada em nenhum
SILVA, E.N de B.; NOGUEIRA, F.D.; GUIMARÃES, P.T.G. Scientia
dos experimentos realizados, sugerindo que novos trabalhos sejam
Agricola, v.59, n.1, p.173-179, 2002. (www.scielo.com.br)
realizados com doses maiores, a fim de se determinar o potencial
O clima e o solo tem elevada influência na qualidade dos produtivo da soja em função da adubação potássica.
grãos de café (Coffea arabica L.) beneficiado. Foram instalados
dois experimentos sobre Latossolo (Latossolo Vermelho distro-
férrico e Latossolo Vermelho-Amarelo distrófico) com o objetivo de 6. EFElTO DO PROGRAMA UBYFOL DE NUTRIÇÃO VEGE-
verificar a qualidade dos grãos de café beneficiados submetidos à TAL NA PRODUTIVIDADE DA SOJA
adubação potássica em duas condições edafoclimáticas. Em ambos
os locais, os experimentos foram delineados em blocos casualizados, BROCH, D.L. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE SOJA E
em esquema de parcelas subdivididas, utilizando-se três fontes de MERCOSOJA, 2., Foz do Iguaçu, 2002. Resumos... p.213.
K: cloreto de potássio (KCl), sulfato de potássio (K2SO4) e nitrato (www.ubyfol.com.br/pesquisa/soja)
de potássio (KNO3) nas parcelas e quatro doses de K (0, 100, 200 e O uso de nutrientes aplicados via semente e via foliar é uma
400 kg.ha-1) aplicadas nas subparcelas com quatro repetições. Usou- tecnologia que cada vez mais está ocupando espaço entre os soji-
se nos experimentos o cultivar Catuaí Vermelho no espaçamento 3,5 cultores mais tecnificados do Estado de Mato Grosso do Sul. Mui-
x 0,7 m, com uma planta por cova. tos autores não encontram resposta à esta tecnologia. Com o
Os valores das características qualitativas dos grãos mos- objetivo de determinar o efeito do Programa Ubyfol de Nutrição
traram que a fonte KCl teve uma resposta inferior em termos de Vegetal na produtividade da soja, o qual consta de aplicação de
qualidade dos grãos em relação às fontes K2SO4 e KNO3. Estas micronutrientes via semente e aplicação de nutrientes via foliar, foi
últimas fontes tiveram melhor resposta quando aplicadas nas con- conduzido um experimento em um Latossolo Roxo Distrófico tex-
dições de São Sebastião do Paraíso do que nas de Patrocínio. Em tura argilosa, em Maracaju/MS.
termos de doses aplicadas, os melhores resultados para qualidade Os tratamentos utilizados foram: 1) testemunha (sem
dos grãos foram obtidos com as doses de 200 kg de K ha-1 na forma micronutrientes); 2) 15,4 g de Mo e 2,2 g de Co/50 kg de sementes
de KCl e K2SO4 e 100 kg de K ha-1 na forma de KNO3. (Ubyfol ML-71), tendo como fonte de molibdênio (Mo) o molibdato
de sódio; 3) 15,4 g de Mo e 2,2 g de Co/50 kg de sementes (Ubyfol
ML-71), tendo como fonte de Mo o molibdato de potássio; 4) 15,4 g
5. ADUBAÇÃO POTÁSSICA NA CULTURA DA SOJA de Mo e 2,2 g de Co/50 kg de sementes (Ubyfol ML-71), tendo como
REIS Jr., R.A. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE SOJA E fonte de Mo o molibdato de potássio, e uma aplicação foliar no
MERCOSOJA, 2., Foz do Iguaçu, 2002. Resumos... p.254. estádio V6 com Ubyfol ML14.10 (42 g.ha-1 de Mo e 30 g.ha-1 de
K2O); 5) 15,4 g de Mo e 2,2 g de Co/50 kg de sementes (Ubyfol
Devido à grande exigência de potássio pela cultura da soja ML-71), tendo como fonte de Mo o molibdato de potássio, e duas
para obtenção de altas produtividades, é necessária a realização de aplicações foliares de nutrientes, uma no estádio V6 utilizando
trabalhos com adubação potássica nesta cultura. Com o objetivo de Ubyfol ML-14.10 (42 g.ha-1 de Mo e 30 g.ha-1 de K2O) + Ubyfol
avaliar características morfológicas e produtividade da soja em fun- MS-55) (50 g.ha-1 de B + 50 g.ha-1 de Fe + 50 g.ha-1 de Zn + 50 g.ha-1 de
ção da adubação potássica, foram montados dois experimentos em Mn + 50 g.ha-1 de Cu + 100 g.ha-1 de S) e outra aplicação na pré-florada
Costa Rica/MS, em um solo com baixo teor de potássio (31 mg/kg), com Ubyfol ML-14.10 (21 g.ha-1 de Mo e 15 g.ha-1 de K2O); 6) 15,4 g
delineados em blocos ao acaso com quatro repetições, com cinco de Mo e 2,2 g de Co/50 kg de sementes (Ubyfol ML-71), tendo como
doses de potássio: 0, 40, 80, 120 e 160 kg de K2O/ha e utilizando o fonte de Mo o molibdato de potássio, e duas aplicações foliares de
cloreto de potássio como fonte. As doses de potássio foram aplica- nutrientes, uma no estádio V6 utilizando Ubyfol ML-14.10 (42 g.ha-1
das em superfície, ao longo da linha de plantio, logo após o plantio. de Mo e 30 g.ha-1 de K2O) + Ubyfol MS-55 (50 g.ha-1 de B + 50 g.ha-1
Cada parcela foi formada por sete linhas de plantio, com espaçamento de Fe + 50 g.ha-1 de Zn + 50 g.ha-1 de Mn + 50 g.ha-1 de Cu + 100
de 0,45 m e sete metros de comprimento. Foram consideradas como g.ha-1 de S) e outra aplicação na pré-florada com Ubyfol ML-14.10
plantas úteis aquelas das três fileiras centrais, descartando-se dois (21 g.ha-1 de Mo e 15 g.ha-1 de K2O) + Ubyfol Enxofre 25 (300 g.ha-1
metros de cada extremidade. Sementes (tratadas com fungicida e de S ) + Ubyfol MS-florada (130 g.ha-1 de Ca e 80 g.ha-1 de B). O
inoculante) das variedades EMGOPA 313 (Experimento I) e Msoy delineamento experimental adotado foi o de blocos ao acaso com
8914 (Experimento II) foram semeadas em 30/11/2000. A adubação quatro repetições.
de plantio foi de 450 kg/ha de superfosfato simples. Na colheita
O Programa Ubyfol de Nutrição Vegetal aumentou significa-
(16/04/2001) foram avaliadas nas plantas úteis: alturas de inserção
tivamente a produtividade da soja, sendo este acréscimo de até 7,17
da 1a vagem e de plantas e produtividade (com umidade corrigida
sc.ha-1 (9,0%) em relação ao tratamento testemunha. A maior pro-
para 13%). As variáveis dependentes (alturas de inserção da pri-
dutividade foi alcançada utilizando molibdênio e cobalto via se-
meira vagem e de plantas e produtividade) foram analisadas estatis-
mente seguida de uma complementação foliar com nutrientes.
ticamente por meio de análise de variância e regressão.
A adubação potássica não influenciou a altura de inserção
da primeira vagem nos dois experimentos (EMGOPA 313: média = 7. PRODUTIVIDADE DA SOJA EM FUNÇÃO DO PROGRAMA
0,24 m; MSOY 8914: média = 0,17 m ) e aumentou (p < 0,05) linear- UBYFOLDE NUTRIÇÃO VEGETAL
mente a altura de plantas somente no Experimento I (de 1,00 para
1,13 m), enquanto a MSOY 8914 apresentou média de 0,67 m. No REIS JR., R.A. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE SOJA E
Experimento I, a produtividade aumentou (p < 0,01) linearmente com MERCOSOJA, 2., Foz do Iguaçu, 2002. Resumos... p.256.
as doses de potássio [Prod (sc/ha) = 41,4 + 0,089 x, r2 = 0,92], repre- (www.ubyfol.com.br/pesquisa/soja)

14 INFORMAÇÕES AGRONÔMICAS Nº 98 – JUNHO/2002


Para avaliar: pH (H2O) = 5,5; Al (mmolc/dm3) = 0,0; Ca (mmolc/ res de ciclo médio foram implantadas em solos com níveis de satu-
dm ) = 28,0; Mg (mmolc/dm3) = 10,0; H + Al (mmolc/dm3) = 69,0; K
3
ração por bases de 40, 50 e 60%. Foram elaborados pela Ubyfol
(mmolc/dm3) = 4,0; P (mg/dm3) = 16,5; M.O. (g/kg) = 39,6; Cu (mg/ programas de suplementação para cada nível de saturação com
dm3) = 1,6; h (mg/dm3) = 68,4; Mn (mg/dm3) = 17,9; Zn (mg/dm3) = diferentes micronutrientes e estádios de aplicação, via tratamento
5,2; Argila (g/kg) = 590; Silte (g/kg) = 140; Areia (g/kg) = 270, em de sementes e aplicações foliares.
Chapadão do Sul/MS (18°44’33" Sul, 52°40’45" Oeste, 810 m de No menor valor de saturação por bases (40%), observam-se
altitude). O experimento, delineado em blocos ao acaso com seis aumentos de rendimento de grãos entre 22% e 5% (11,9 e 4,4 sc/ha)
repetições, com parcelas de 14 linhas, espaçadas de 0,45 m e com 25 para o primeiro e o segundo anos, respectivamente, em relação ao
m de comprimento, consistiu de Testemunha e do Programa Ubyfol tratamento testemunha sem fornecimento de micronutrientes. Com
de Nutrição Vegetal [Trat. Semente (/ha) → 17,5 g de Mo, 2,5 g de saturação por bases de 50%, os incrementos de produtividade são
Co (ML-71) + 24 g de Mn (ML-Mn); 2 pulverizações foliares (25 dias de 4,5 a 6,7 sacas/ha também para o primeiro e segundo anos, res-
após a emergência das plantas e na pré-florada - /ha) → 40 g B, 40 g pectivamente. No maior nível de saturação por bases (60%) obser-
Cu, 150 g Mn, 30 g Zn (Ms-Mn 15) + 12 g K2, 16,8 g Mo (ML 14.10) vam-se maiores incrementos na produtividade com a aplicação de
+ 62,5 g Cu (ML-10) + 156 g S-SO4, 156 g S-S2 (Enxofre 25) + 42,5 g micronutrientes em relação à testemunha onde se obteve um au-
B (MS Boro); 3a pulverização foliar (estádio R5) → 235 g S-SO4, mento de 15,7 e 9,3 sc/ha para o primeiro e segundo anos, respecti-
235 g S-S2 (Enxofre 25)]. A área foi conduzida sob Sistema Plantio vamente. Quanto maior a saturação por bases do solo, menor é a
Direto. A variedade M-Soy 8001 foi semeada em 28/11/01, com disponibilidade de micronutrientes às plantas, e conseqüentemen-
310 kg 02-20-10/ha + 70 kg de KCl/ha aos 30 dias após a emergência te menor o rendimento de grãos quando estes não são supridos.
das plantas. No final da floração foram avaliados o n° de folhas/ Por outro lado, maiores são as respostas quando micronutrientes
planta e a altura de planta. Na colheita foram avaliadas as alturas de são aplicados em relação a solos com níveis de saturação por bases
inserção da 1a vagem e de planta, o peso de 100 sementes e a produ- mais baixos.
tividade (com umidade corrigida para 13%). Os dados foram subme-
tidos à análise de variância.
O Programa Ubyfol de Nutrição Vegetal não influenciou a 9. EFEITO DA APLICAÇÃO DE FUNGICIDA x DESSECANTE
altura de plantas após o florescimento e na colheita, tampouco o DE FINAL CICLO SOBRE O INTERVALO SEMEADURA -
peso de 100 sementes, que apresentaram valores médios de 65,9 cm, COLHEITA E RENDIMENTO GRÃOS DA SOJA (Glycine max)
74,9 cm e 9,63 g, respectivamente. O n° de folhas/planta foi influen- BORTOLINI, C.G. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE SOJA E
ciado pelos tratamentos (p < 0,05), aumentando de 12,1, na testemu- MERCOSOJA, 2., Foz do Iguaçu, 2002. Resumos... p.97.
nha, para 16,0, com o Programa Ubyfol de Nutrição Vegetal. A pro-
dutividade foi influenciada pelos tratamentos (p < 0,05), aumentan- A utilização de altas tecnologias implica em técnicas e
do de 33,1 sc/ha, na testemunha, para 39,9 sc/ha com o Programa insumos específicos que proporcionem aumentos de produtivida-
Ubyfol de Nutrição Vegetal. Estas produtividades são inferiores de ou redução de perdas. No cultivo da soja, a aplicação de
àquelas normalmente observadas na região de Chapadão do Sul. fungicidas para controle de doenças de final de ciclo tem sido colo-
Isto deve-se ao surgimento da ferrugem da soja (Phakopsora sp), cada em contraste quando da utilização de herbicidas dessecantes
doença anteriormente não observada na região onde foi conduzido de final de ciclo utilizados para uniformizar a maturação e antecipar
este trabalho. Mesmo com estas baixas produtividades obtidas, a colheita da soja. Com o objetivo de avaliar o intervalo de dias
constata-se que o Programa Ubyfol de Nutrição Vegetal elevou a entre semeadura-colheita e o rendimento de grãos da soja submeti-
produtividade em 6,8 sc/ha, resultando em um aumento de 20,5%. da a dessecação com e sem aplicação do fungicida Azoxystrobin
(estrubilurina) e com e sem aplicação de Paraquat (estádios R6.4 e
R7.2), foi conduzido um experimento no Campo Experimental Fun-
8. FORNECIMENTO DE MICRONUTRIENTES NA SOJA dação Rio Verde, em Lucas do Rio Verde, MT, no ano agrícola
(Glycine max) IMPLANTADA EM SOLOS COM DIFEREN- 2001-2002. Com a soja (cultivar DM 118 – ciclo precoce) no estádio
TES NÍVEIS DE SATURAÇÃO POR BASES de R5.2 aplicaram-se o fungicida Azoxystrobin e nos estádios de
R6.4 e R7.2 o herbicida dessecante Paraquat.
BORTOLINI, C.G. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE SOJA E Ao analisar o intervalo semeadura-colheita, observa-se que
MERCOSOJA, 2., Foz do Iguaçu, 2002. Resumos... p.209. nos tratamentos com dessecação em R6.4, R7.2 e sem dessecação
(www.ubyfol.com.br/pesquisa/soja) estes foram de 98, 100 e 105 dias, respectivamente, tanto para trata-
Os solos do cerrado brasileiro são naturalmente pobres em mentos com ou sem fungicidas. Isto indica que não há “aumento”
micronutrientes, geralmente ocasionando deficiências nos cultivos de ciclo da cultura quando é aplicado fungicida. Quanto ao rendi-
implantados. A correção da acidez do solo através da calagem pro- mento de grãos em função da dessecação, quando a soja é dessecada
voca aumento no pH do solo, suprindo e disponibilizando macro- em R6.4, em R7.2 e sem dessecação os rendimentos médios são de
nutrientes. Por outro lado, o aumento do pH reduz a disponibilidade 51,8, 55,5 e 56,1 sacas/ha, respectivamente. A aplicação de desse-
da maioria dos micronutrientes, agravando a deficiência que natu- cantes em estádios anteriores à maturação fisiológica (R7.2) reduz
ralmente se observa. Para suprir as deficiências destes micro- significativamente o rendimento de grãos da soja, porém não reduz
nutrientes observadas no cultivo da soja, estes elementos tem sido na mesma proporção o ciclo da cultura. O contrário ocorre se
fornecidos à planta via tratamento de sementes e principalmente via dessecada em estádio R7.2 onde a redução no rendimento de grãos
aplicações de fertilizantes foliares. é pequena, com aceleração da perda de água e conseqüentemente
Com o objetivo de avaliar o efeito do fornecimento de da colheita. Em relação ao fungicida, a aplicação de Azoxystrobin
micronutrientes para a soja implantada em solos com diferentes proporciona aumento de 5,9%, em média, no rendimento de grãos,
níveis de saturação por bases do solo, foram conduzidos dois expe- equivalente a 3,1 sacas/ha. A diferença no rendimento de grãos
rimentos no Campo Experimental Fundação Rio Verde, em Lucas do entre tratamentos com aplicação de Azoxystrobin e testemunha
Rio Verde, MT, nos anos agrícolas 2000-2001 e 2001-2002. Cultiva- aumenta à medida que se antecipa a dessecação da soja.

INFORMAÇÕES AGRONÔMICAS Nº 98 – JUNHO/2002 15


PAINEL AGRONÔMICO
Ferreira: Fazer genoma não é ciência, é meia ciência. É o
ENTRAVES À COMPETITIVIDADE DA SOJA desenvolvimento de uma técnica que não requer nenhuma hipóte-
A soja um produto que gera recursos a milhares de produto- se. Desenvolver é resolver problemas. Se o objetivo dessa rede (fi-
res brasileiros e tem sido responsável pelo superávit da balança nanciada pela Fapesp para seqüenciar o genoma da bactéria causa-
comercial do Brasil. Existem, porém, entraves à competitividade da dora da praga do amarelinho, que ataca laranjas) era resolver o pro-
soja brasileira. Problemas: antes da porteira - custos de insumos, blema do amarelinho, essa rede falhou. Exemplificando, é como se
produtos geneticamente modificados e falta de recursos para pes- uma fábrica, para resolver o problema de um indivíduo que não con-
quisa. Dentro da porteira - insuficiência de assistência técnica, bai- segue entrar em casa porque perdeu a chave, produzisse 3,8 mi-
xo nível tecnológico em boa parte dos produtores e parque de má- lhões de chaves diferentes e entregasse a ele como solução para o
quinas deficitário. problema. Você tem de fazer o oposto: descobrir o problema e pro-
Para obter maior renda com a soja é necessário desenvolver curar o gene que o causa. Será que é preciso decifrar o genoma de
a pecuária como aves, suínos e bovinos. Existe uma brutal falta de tudo para resolver um problema? Essa é a falácia da direção da Fa-
capacidade de gerenciamento da propriedade. Após a porteira te- pesp. Isso não quer dizer que o projeto não tenha sido importante,
mos o maior nível de entraves. Entre eles: alto custo do frete; péssi- já que alguns setores puderam aproveitar muito da experiência e do
ma logística brasileira; despesas portuárias (mais cara do mundo); desenvolvimento de softwares da área. Mas a visão da bola de
impostos proibitivos; subsídios agrícolas dos países desenvolvi- neve que isso está tendo é problemática. Quando isso vai terminar?
dos; barreiras tarifárias e sanitárias dos países importadores; falta OUTRO LADO: FAPESP diz que atingiu suas metas
de recursos a juros compatíveis e sanitárias dos países importado- José Fernando Perez, diretor científico da Fapesp, diz que o
res; falta de recursos a juros compatíveis com a atividade; falta de fato de os projetos da Fapesp que estimulam parcerias entre empre-
uma reforma tributária adequada; reforma da CLT (Consolidação sas e universidades não sanarem o déficit de inovação no país não
das Leis Trabalhistas de 1944); reforma política e a necessidade de minam sua relevância. “Eles não vão resolver problemas de finan-
um projeto industrial para a pecuária (aves, suínos, bovinos de ciamento de universidades, nem resolver o problema de desenvol-
corte e leite), visando agregar mais valor aos produtos brasileiros. vimento tecnológico. Mesmo assim esses projetos são muito im-
A comercialização é outro entrave importante na cadeia produtiva portantes, por enriquecer a formação de pesquisadores”, afirma o
da soja. Além da dificuldade de termos uma Bolsa de Futuros no diretor. Segundo ele, o programa não subverte o sistema, pois aten-
Brasil, temos ainda dificuldades em operar na Bolsa de Chicago. O ta as empresas para o fato de que a inovação é importante e cria
que mais nos preocupa é a capacidade técnica dos operadores na- massa crítica de pesquisadores para atuarem nesse mercado. Com
cionais. As empresas nacionais são pequenas e sem possibilidades relação às críticas ao Projeto Genoma da Fapesp, Perez afirma que
de investir em recursos humanos, de modo que agem como forne- Ferreira faz parte de uma falsa premissa. “Ele diz, ‘se o objetivo era
cedoras das grandes multinacionais. Esperamos que nosso traba- resolver o problema do amarelinho’, o que não é verdade”, diz. “O
lho leve a cada participante subsídios para que possam analisar e grande objetivo do programa do genoma era criar competência –
procurar contribuir para a solução dos graves problemas que aqui formar recursos humanos. Nós atingimos esse objetivo” (Folha de
citamos. Cada um deve ajudar na sua área de atuação para que São Paulo, p.A12, 15/07/2002).
tenhamos no futuro um empresário agrícola moderno, com renda
adequada para que toda a cadeia produtiva faça com que o Brasil
seja altamente produtivo, rentável e competitivo (Resumo da pales- OTIMISMO DE VOLTA À CITRICULTURA
tra de J.A. Gallassini, Cooperativa Agropecuária Mourãoense Ltda.,
Campo Mourão, PR, apresentada no II Congresso Brasileiro de Soja A recuperação da produção paulista de laranja nesta safra,
e Mercosoja, 2002). o aumento dos preços da fruta no país e do suco no exterior e o
câmbio favorável às exportações devolveram o otimismo à cadeia
FALTA PROJETO EFICIENTE DE INTEGRAÇÃO citrícola brasileira.
Estudo de autoria de Marcos Pozzan (Montecitrus), Fabia-
UNIVERSIDADES-INDÚSTRIAS
no Ueta (mestrando da Esalq) e Ron Muraro (Universidade da Flóri-
O farmacólogo Sérgio Henrique Ferreira, 67 anos, professor da) mostra que as dificuldades da crise de preços, principalmente
da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, da USP, foi eleito em razão da superoferta, ficaram mesmo para trás. Comparando po-
recentemente para a prestigiosa Academia Nacional de Ciências mares de laranja Valência com características semelhantes no norte
dos EUA, sendo o 4o brasileiro a fazer parte dela, graças a seus paulista (densidade de 330 plantas/hectare e produtividade de
trabalhos na pesquisa da dor e da hipertensão. Ex-presidente da 830 caixas/hectare) e no sudoeste da Flórida (277 plantas/hectare,
SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência), ele con- 1.076 caixas/hectare) – e extrapolando os resultados até chegar em
cedeu entrevista ao jornal Folha de São Paulo durante a 54a Reu- médias estaduais –, o estudo estima lucro de US$ 0,84 por caixa dos
nião Anual da entidade, realizada no início de julho, em Goiânia. paulistas em 2001/02, ante prejuízo de US$ 0,68 dos americanos. Os
Apesar de reconhecer que os projetos genoma no país, especial- resultados seriam melhores mesmo fora desta boa fase, uma vez
mente em São Paulo, tiveram méritos, Ferreira critica essa atividade: que a diferença básica está nos custos totais de produção – US$ 1,91
“Fazer genoma não é ciência, é meia ciência”. Leia, a seguir, um por caixa em São Paulo, ante US$ 4,22 na Flórida. “Gasta-se mais na
trecho da entrevista: Flórida em colheita e transporte do que na produção propriamente
Folha: Muitos cientistas são chamados de pessimistas quan- dita. Já em São Paulo, os custos operacionais respondem por 66,44%
do reclamam da estrutura da universidade pública brasileira, que do total”, observou Pozzan. Mas, certamente, a diferença estimada
concentra as pesquisas. Como explicar que um sistema tão critica- decorre da recuperação brasileira (Valor Econômico, n.525, 10/06/
do tenha sido capaz de desenvolver um projeto como o genoma? 2002).

16 INFORMAÇÕES AGRONÔMICAS Nº 98 – JUNHO/2002


CURSOS, SIMPÓSIOS E OUTROS EVENTOS

CURSO DA POTAFOS
CURSO DE RECICLAGEM SIMPAS
Sistema Integrado de Manejo da Produção Agropecuária Sustentável
(POTAFOS, ANDA, ANDEF, ABAG e outras)
Local: Unaí-MG
Data: 08-10/OUTUBRO/2002
Informações: Wilson, Evandro ou Silvia, fone (19) 3433-3254 ou pelo site www.potafos.org

○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○
OUTROS EVENTOS EM 2002
1. 6th INTERNATIONAL CONFERENCE ON PRECISION 4. SECOND SILICON IN AGRICULTURE CONFERENCE
AGRICULTURE AND OTHER PRECISION RESOURCES
Local: Tsuruoka, Japão
MANAGEMENT
Data: 22 a 26/AGOSTO/2002
Local: Radisson Hotel South and Plaza Tower, Minneapolis, Informações: Dr. Jian Feng Ma
Minnesota, EUA Faculty of Agriculture - Kagawa University
Data: 14 a 17/JULHO/2002 Ikenobe, Miki-cho, Kita-gun
Informações: Kellen Sullivean - Program Coordinator Kagawa 761-0795 Japão
Telefone: 612 - 624-4224 Telefone: + 81- 87-891-3137
Fax: 612 - 624-4223 Fax: + 81- 87-891-3137
E-mail: sullivan@soils.umn.edu E-mail: maj@ag.kagawa-u.ac.jp
Website: www.precision.agri.umn.edu/2002 Website: http://cpln.kais.kyoto-u.ac.jp/silicon_in_agriculture/
index.html
2. 42o CONGRESSO BRASILEIRO DE OLERICULTURA
11o CONGRESSO LATINO-AMERICANO DE HORTICULTURA
5. XXIII CONGRESSO BRASILEIRO DA CIÊNCIA DAS PLAN-
Local: Universidade Federal de Uberlândia, MG TAS DANINHAS
Data: 28/JULHO a 02/AGOSTO/2002
Informações: Secretaria do 42o CBO e 11o CLAH Local: Gramado, RS
Telefone/fax: (34) 3218-2225 Data: 29/JULHO a 01/AGOSTO/2002
E-mail: 42cbo@iciag.ufu.br Informações: XXIII CBCPD - Office Marketing
Telefone/fax: (51) 3226-3111
E-mail: officemarketing@officemarketing.org.br
3. 1o CONGRESSO DA CADEIA PRODUTIVA DE ARROZ
Website: www.ufsm.br/xxiiicbcpd
VII RENAPA - Reunião Nacional de Pesquisa de Arroz
Local: Centrosul - Centro de Convenções de Florianópolis-SC
6. 17th WORLD CONGRESS OF SOIL SCIENCE
Data: 20 a 23/AGOSTO/2002
Informações: Beatriz/Tarcízio - VII RENAPA Local: Bangkok, Tailândia
Telefone/fax: (62) 533-2266 Data: 14 a 21/AGOSTO/2002
Fax: (62) 533-2221 Informações: Fax: (662) 940-5788
E-mail: renapa@cnpaf.embrapa.br E-mail: o.sfst@nontri.ku.ac.th
Website: www.cnpaf.embrapa.br/renapa Website: www.17wcss.ku.ac.th

ERRATA:
No último Encarte Técnico do Informações Agronômicas (Março/2002), na página 8, Tabela 5, os valores corretos das faixas de
teores adequados de N, Ca, Mg, S, B e Zn para cana-de-açúcar são:

Tabela 5. Faixas de teores adequados de nutrientes na cana-de-açúcar (RAIJ & CANTARELLA, 1996).
N P K Ca Mg S
- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - g/kg - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -
18-25 1,5-3,0 10-16 2,0-8,0 1,0-3,0 1,5-3,0

B Cu Fe Mn Mo Zn
- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - mg/kg - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -
10-30 6-15 40-250 25-250 0,05-0,20 10-50

INFORMAÇÕES AGRONÔMICAS Nº 98 – JUNHO/2002 17


PUBLICAÇÕES RECENTES

1. A CULTURA DO CAJUEIRO NO MUNICÍPIO DE RIBEIRA 4. MANUAL DE MÉTODOS DE ANÁLISE DE SOLO


DO POMBAL - BAHIA
(EBDA. Documentos, 12) Conteúdo: Apresenta métodos nacionais e internacionais para a
obtenção de dados analíticos essenciais para identi-
Autores: Cardoso, C.E.L.; Bispo, S.W.P.; Borges, S.M.F.; Costa, ficação, classificação e interpretação de levantamen-
J.N.; Silva, J.A.G. da; Souza, M.F. de; 2000. tos necessários ao planejamento do uso dos solos
Conteúdo: Aspectos gerais do município; caracterização dos de regiões tropicais.
produtores e propriedades; o agroecossistema caju; Número de páginas: 212
principais problemas da cultura; situação da pes- Preço: R$ 12,00
quisa; indicações de pesquisa e extensão. Editor: EMBRAPA
Número de páginas: 18 Caixa Postal 040315
Editor: Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola S.A. 70770-901 Brasília-DF
Av. Dorival Caymmi, 15.649 - Itapuã Telefone: (61) 448-4236
41635-150 Salvador-BA Fax: (61) 340-2753
Telefone: (71) 375-1688, ramal 246 E-mail: vendas@sct.embrapa.br
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Conteúdo: Esta revista se destina à publicação de trabalhos cien-
2. SCIENTIA AGRICOLA tíficos na área de engenharia agronômica, zootecnia
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científica da ESALQ/USP na área de Ciências Agrá- cação dos artigos é gratuita. O autor terá direito a
rias e desde 1992 é continuação dos Anais da ESALQ. dois exemplares e o co-autor a um exemplar.
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Oportunidade de aquisição: coleção de 1999 ( 5 números) = 78804-970 Dourados-MS
R$ 10,00; coleção de 2000 (4 números) = R$ 15,00. Atenção: as Telefone: (67) 422-3888
coleções são limitadas. Favor consultar a disponibilidade pelo Fax: (67) 422-3888
fone (19) 3429-4401. E-mail: jfornasi@ceud.ufms.br
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Fax: (19) 3422-5925 Conteúdo: Neste livro são apresentadas todas as doenças da
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Website: www.ppi-far.org Editor: Idem item 4

18 INFORMAÇÕES AGRONÔMICAS Nº 98 – JUNHO/2002


PUBLICAÇÕES DA POTAFOS

R$/exemplar BOLETINS TÉCNICOS (PROMOÇÃO) DESCONTOS


7,00 "Nutrição e adubação do feijoeiro"; C.A. Rosolem (91 páginas) Para compras no valor de:
7,00 "Nutrição e adubação do arroz"; M.P. Barbosa Filho (120 páginas, 14 fotos) R$ 100,00 a R$ 200,00 = 10%
7,00 "Potássio: necessidade e uso na agricultura moderna" (45 páginas, 34 fotos) R$ 200,00 a R$ 300,00 = 15%
R$ 300,00 a R$ 400,00 = 20%
mais que R$ 400,00 = 25%
LIVROS/CD
15,00 "A estatística moderna na pesquisa agropecuária"; F. Pimentel Gomes (162 páginas)
15,00 “Desordens nutricionais no cerrado”; E. Malavolta, H.J. Kliemann (136 páginas)
15,00 "Ecofisiologia na produção agrícola"; P.R.C. Castro e outros (eds.) (249 páginas)
15,00 "Nutrição mineral, calagem, gessagem e adubação dos citros"; E. Malavolta (153 páginas, 16 fotos)
15,00 "Nutrição e adubação da cana-de-açúcar"; D.L. Anderson & J.E. Bowen (40 páginas, 43 fotos)
15,00 "Cultura do milho"; L.T. Büll & H. Cantarella (eds.) (301 páginas)
15,00 "Fertilizantes fluidos"; G.C. Vitti & A.E. Boaretto (ed.) (343 páginas, 12 fotos)
20,00 "Cultura do cafeeiro"; A.B. Rena e outros (ed.) (447 páginas, 49 fotos) (LIQUIDAÇÃO DE ESTOQUE)
30,00 "Avaliação do estado nutricional das plantas - 2ª edição"; Malavolta e outros (319 páginas)
30,00 "Manual internacional de fertilidade do solo - 2ª edição, revisada e ampliada" (177 páginas)
30,00 “Cultura do algodoeiro”; E. Cia, E.C. Freire, W.J. dos Santos (eds.) (286 páginas, 44 fotos)
30,00 "A cultura da soja nos cerrados"; Neylson Arantes & Plínio Souza (eds.) (535 páginas, 35 fotos)
30,00 "Nutrição e adubação de hortaliças"; Manoel E. Ferreira e outros (eds.) (487 páginas)
30,00 "Micronutrientes na agricultura"; M.E. Ferreira & M.C.P Cruz (eds.) (734 páginas, 21 fotos)
30,00 "Cultura do feijoeiro comum no Brasil"; R.S. Araujo e outros (coord.) (786 páginas, 52 fotos)
50,00 CD-ROM - Anais do Simpósio sobre Fisiologia, Nutrição, Adubação e Manejo para Produção Sustentável de Citros
50,00 CD-ROM - Anais do I Simpósio sobre Soja/Milho no Plantio Direto (4 CD’s: vídeos, palestras e slides)
50,00 CD-ROM - Anais do II Simpósio sobre Soja/Milho no Plantio Direto (4 CD’s: vídeos, palestras e slides)
ARQUIVOS DO AGRÔNOMO (PROMOÇÃO)
Nº 1 - A pedologia simplificada (2ª edição - revisada e modificada) (16 páginas e 27 fotos), Nº 2 - Seja o doutor do seu milho -
7,00 2a edição, revisada e modificada (16 páginas e 27 fotos), Nº 3 - Seja o doutor do seu cafezal (12 páginas, 48 fotos), Nº 4 - Seja o
cada doutor de seus citros (16 páginas, 48 fotos), Nº 6 - Seja o doutor da sua cana-de-açúcar (16 páginas, 48 fotos), , Nº 8 - Seja o
número doutor do seu algodoeiro (24 páginas, 77 fotos), Nº 9 - Seja o doutor do seu arroz (20 páginas, 41 fotos), Nº 11 - Como a planta
de soja se desenvolve (21 páginas, 38 fotos), Nº 12 - Seja o doutor do seu eucalipto (32 páginas, 71 fotos).

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INFORMAÇÕES AGRONÔMICAS Nº 98 – JUNHO/2002 19


Ponto de Vista

HÁ DÉFICIT DE MAIS DE 1 MILHÃO DE TONELADAS


DE NITROGÊNIO NA AGRICULTURA BRASILEIRA
T. Yamada, diretor

m 1999 o mundo consumiu 85 milhões de to-

E
Apesar de não quantificado, sabia-se há tempo que havia
neladas de nutrientes minerais (N + P2O5 + K2O). grande déficit de nitrogênio na agricultura brasileira. Em 1998,
Do total, 25% do consumo foi na China, com 36 T. Yamada e A. S. Lopes estimaram em 500 mil toneladas de N/ano o
milhões de toneladas. A seguir, próximo de 20 milhões de tonela- déficit entre o N exportado pelas culturas e o N aplicado como
das, tivemos os Estados Unidos e a Índia. Ocupando o 4º lugar no fertilizante – supondo eficiência de uso de 100% e todo o N da soja
ranking esteve o Brasil, com 6 milhões de toneladas. Analisando e do feijão como proveniente da fixação biológica. Como na prática
estes números com atenção percebe-se que é pequeno o consumo estas duas condições não ocorrem, é de se esperar que o déficit
de nitrogênio na agricultura brasileira em relação aos líderes no seja bem maior. E maior ainda quando se contabiliza o N imobili-
ranking (Tabela 1). zado na palha do sistema de plantio direto, hoje adotado em mais de
12 milhões de hectares (sem considerar as áreas com safrinhas).
Tabela 1. Consumo de fertilizantes nos cinco principais países e no Como se sabe, aumentar o teor de matéria orgânica do solo
mundo em 1999. Entre parênteses, a relação N:P 2O 5:K2O.
significa aumentar também o de N, que é imobilizado no solo junto
N P 2O 5 K 2O N+P 2O 5+K 2O Participação com o C. Assim, ao redor de 240 kg de N/ha são imobilizados quan-
País
- - - - - - - - Milhões de toneladas - - - - - - - - - % do se aumenta em 1% o teor de matéria orgânica do solo com rela-
ção C/N de 50/1, na camada de 0-20 cm de profundidade. Supondo
China 23,9 (7,2) 8,8 (2,7) 3,3 (1,0) 36,0 25,5
que este aumento se processe num período de seis anos, é preciso
EUA 11,2 (2,5) 3,9 (0,9) 4,5 (1,0) 19,6 13,9
aplicar mais 40 kg de N/ha/ano além da dose de N usualmente uti-
Índia 11,6 (6,8) 4,8 (2,8) 1,7 (1,0) 18,1 12,8
lizada. Portanto, para a área total sob plantio direto no Brasil de
Brasil 1,7 (0,7) 2,0 (0,9) 2,3 (1,0) 6,0 4,2
12 milhões de hectares há necessidade adicional de 480 mil tonela-
França 2,6 (2,2) 1,0 (0,8) 1,2 (1,0) 4,8 3,4
das de N. Somando-se o déficit entre entrada de N no solo, na forma
Mundo 85,0 (3,9) 33,4 (1,5) 22,2 (1,0) 140,6 100,0
de fertilizante, e sua saída, como produto colhido, com o N imobili-
Fonte: Anuário Estatístico Setor de Fertilizantes 2001, ANDA (2002). zado na matéria orgânica, pode-se estimar com grande probabilida-
de de acerto que há déficit de mais de 1 milhão de toneladas de N na
Para facilidade de comparação, foi feita a relação entre os agricultura brasileira.
nutrientes, deixando como valor unitário o potássio (entre parênte-
ses, na Tabela 1). No mundo, esta relação é de 3,9:1,5:1,0, nos EUA
é de 2,5:0,9:1,0 e no Brasil de 0,7:0,9:1,0. Tomando como exemplo a P.S.: Parabéns, seleção brasileira, pela conquista do Penta! Resul-
agricultura americana, que como a nossa tem o milho e a soja como tado do trabalho de equipe, sem egoísmo pessoal, pensando ape-
principais culturas, pode-se concluir que ela consome 3,5 vezes nas na vitória do Brasil. Imaginem que país fantástico construire-
mais N por unidade de K que a brasileira. mos com a manutenção deste espírito!

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T. YAMADA - Diretor, Engo Agro, Doutor em Agronomia


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