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Avaliação da utilização de cimento geopolimérico na produção de concretos Analysis of the use of

Avaliação da utilização de cimento geopolimérico na produção de concretos

Analysis of the use of geopolymer cement in the concrete production

Gabriela Mota Santos(1); Felipe Iuri Soares Lucena(2); Isabella Rayanne Miguel Patriota(3); Fred Rodrigues Barbosa(4); João Manoel de Freitas Mota(5)

(1)

Aluna de iniciação científica, UNIFAVIP E-mail : gabisantos93@hotmail.com

(2) Aluno de iniciação científica, UNIFAVIP Universidade do Vale do Ipojuca. E-mail:

lucena649@hotmai.com

(3) Aluna de iniciação científica, UNIFAVIP E-mail: isabella.patriota@hotmail.com (4) Professor do Centro Universitário do Vale do Ipojuca UNIFAVIP; E-mail: fredrbarbosa@ig.com.br (5) Professor Doutor do Instituto Federal de Pernambuco IFPE; E-mail: mota.joaomanoel@gmail.com

Resumo

O concreto de cimento portland tem uma importância tão relevante no mundo moderno que se pode dizer que o consumo de cimento para sua produção pode ser utilizado como um indicador do desenvolvimento dos povos na atualidade. Em que pesem tais conceitos, torna-se relevante destacar que existem questões ambientais importantes que são afetadas negativamente pelo aumento na produção do cimento portland, tais como a quantidade de CO 2 liberada durante a produção do cimento, além do elevado consumo de recursos naturais associados quer à fabricação do cimento, quer associados aos produtos de construção a ela associados, como é o caso dos concretos e argamassas. O presente trabalho procura apresentar uma alternativa à utilização do cimento portland para a produção de concretos através da sua substituição por cimentos geopoliméricos. Os concretos geopoliméricos representam uma opção interessante por possuírem excelente resistência à compressão, baixa fluência, ótima resistência ao ataque de sulfatos e boa resistência à ácidos. Neste sentido, apresentam-se análises comparativas de suas propriedades em relação a concretos de cimento portland similares (CP V ARI), mais particularmente as propriedades mecânicas, de absorção total e módulo de deformação. Nestas análises foram utilizados 13 corpos de provas cilíndricos (10x20 cm) para cada tipo de cimento estudado, objetivando os ensaios de compressão nas idades 24 horas, 3 e 7 dias, módulo de elasticidade dinâmico e absorção total. O uso do concreto geopolimérico apresentou desempenho superior em relação ao concreto produzido com o cimento portland. Palavra-Chave: Cimentos Geopoliméricos, Concreto, Ensaios Mecânicos.

Abstract

Portland cement concrete has a relevant importance in the modern world you could say that the cement consumption to its production can be used as an indicator of development of peoples nowadays. Despite such concepts, it is relevant to point out that there are important environmental issues that are negatively affected by the increase in the production of Portland cement, such as the amount of CO 2 released during the production of cement, in addition to the high consumption of natural resources associated with the manufacture of cement, such as the own production of concrete and mortar. This article seeks to present an alternative to the use of portland cement for concrete production through its replacement by geopolymer cements. The geopolymer concrete represent an interesting option because they have an excellent resistance to compression, low creep, great resistance to sulphate attack and good resistance to acids. In this sense, are shown analysis of their properties in relation to the Portland cement or similar, more particularly the mechanical properties, total absorption and modulus of deformation. For these analyses were used 13 bodies of evidence (10 x 20 cm) for each type of cement studied, aiming at the compression tests for 24 hours, 3 and 7 days, modulus of elasticity and total absorption. The use of geopolymer concrete showed superior performance compared to concrete made with portland cement. Keywords: Geopolymer Cements, Concrete, Mechanical Tests.

1 Introdução O concreto produzido com o cimento portland é o material da construção civil

1

Introdução

O concreto produzido com o cimento portland é o material da construção civil mais utilizado no Brasil e no mundo, por conta da sua extensão de usos. Sua obtenção se dá através da mistura de um aglomerante hidráulico com materiais inertes e água, podendo contar ainda com o emprego de aditivos e adições minerais. Em que pese o enorme potencial de utilização do cimento portland, torna-se imperativo registrar que um problema que se pode associar à sua utilização reside na elevada quantidade de CO 2 que é emitida durante a sua produção e que decorre, fundamentalmente do processo de descarbonização do calcário durante a clinquerização (DAVIDOVITS, 1994).

Esta condição tem motivado o estudo de diversas alternativas no intuito de minimizar os impactos provocados pela produção do cimento, tanto no quesito de consumo de recursos naturais, quanto no quesito de liberação de CO 2 para a atmosfera. Com tal foco, diversos materiais vêm sendo avaliados em todo o mundo no intuito de substituir total ou parcialmente o uso do cimento portland na produção de concretos e argamassas e com isso contribuir para a redução da emissão de gases geradores do efeito estufa.

Mesmo sendo um produto ainda pouco conhecido no mercado quando comparado ao cimento portland, deve-se registrar a importância de se conhecer outros produtos que possam ter o mesmo desempenho ou até desempenhos superiores para estruturas de grande porte.

Materiais cimentícios produzidos com baixa energia e sem impacto ambiental surgem como uma nova classe de materiais de alto desempenho para aplicações estruturais como aglomerante mineral capaz de substituir total ou parcialmente o cimento portland (BIGNO, 2008).

Nesta linha de desenvolvimento surgem os geopolímeros, que se constituem em ligantes à base de aluminossilicatos tridimensionais amorfos e foram inicialmente descobertos por Davidovits, na França, no final dos anos 70. São frequentemente confundidos com os cimentos alcali-ativados, que foram originalmente desenvolvidos pelo Prof. Glukhovsky na Ucrânia durante os anos 50 (PROVIS et al., 2005).

O geopolímero tem um potencial cimentício alternativo para várias aplicações. Existem algumas vantagens sobre o uso do concreto geopolimérico em relação ao concreto convencional, o que o torna um produto com características muito especiais, capaz de ser utilizado onde as propriedades do concreto convencional não são suficientes. Segundo Joseph Davidovits, os concretos geopoliméricos representam uma nova gama de materiais que podem ser utilizados para revestimentos e adesivos, para novos ligantes para compostos de fibra, encapsulamento de resíduos e até mesmo como novo cimento para concreto. As propriedades e utilizações de geopolímeros estão sendo exploradas em muitas disciplinas científicas e industriais: química inorgânica moderna, físico-química, química colóide, mineralogia, geologia, e em todos os tipos de tecnologias de processo de engenharia (DAVIDOVITS 2015).

Some-se a isto o fato de que os geopolímeros possuem baixo custo de produção, pois

Some-se a isto o fato de que os geopolímeros possuem baixo custo de produção, pois são baseados em materiais aluminossilicatos que ocorrem em abundância na crosta terrestre ou derivam de resíduos industriais. Estas características tornam o processo de produção dos geopolímeros energeticamente econômico, quando comparado com a produção do cimento portland. Como exemplo; considere-se que as matérias primas empregadas na produção do portland necessitam ser aquecidas até o patamar dos 1600 o C por 8 horas, emitindo CO 2 , enquanto que na produção dos geopolímeros, suas matérias primas apenas precisam ser aquecidas a 850 o C por 2 horas e ainda emitem neste processo apenas vapor d’água (DAVIDOVITS, 1991).

Um marco extremamente relevante para a construção civil residiu na confirmação da aderência entre o cimento geopolimérico e o cimento portland. Com este advento, pode- se então avaliar a obtenção de concretos estruturais especiais, que permitem não apenas a diminuição de CO 2 em seu processo produtivo, como também possibilitam encapsular resíduos perigosos nas matrizes formadas.

Além disso, o cimento geopolimérico pode apresentar uma resistência elevada em um reduzido período de tempo a temperatura ambiente. Na maioria dos casos estudados, 70% da sua resistência é desenvolvida nas primeiras 12h; some-se a isto o fato de que sua utilização ainda permite a obtenção de produtos com mais baixa permeabilidade (MAZZA, 2010).

Diante de um cenário tão favorável, este estudo procura contribuir com as pesquisas e discussões técnicas sobre o tema, na medida em que se propõe a promover uma avaliação comparativa entre as propriedades mecânicas para concretos produzidos a base de cimentos geopoliméricos e um material que será tomado como referência, neste caso o cimento portland do tipo CP V ARI. Dentre os diversos tipos de cimentos, o CP V ARI é o cimento que mais se assemelha ao cimento geopolimérico por sua alta resistência inicial.

2 Materiais e Metodologia

Este estudo tem como propósito uma análise comparativa entre algumas propriedades físicas e mecânicas de concretos produzidos com o emprego de cimento geopolimérico e cimento portland do tipo CP V ARI. Os ensaios foram realizados no laboratório da UNIFAVIP e contaram com materiais existentes na região do Agreste Pernambucano.

2.1 Materiais

2.1.1 Cimentos

Nessa pesquisa foram utilizados dois tipos de cimentos, um cimento portland do tipo CP V ARI e um cimento geopolimérico de base metacaulim, cujas características fornecidas pelos fabricantes seguem apresentadas nas Tabelas 01 e 02.

Tabela 01 – Características físicas e químicas dos cimentos utilizados   Determinação Cimento CP V

Tabela 01 Características físicas e químicas dos cimentos utilizados

 

Determinação

Cimento CP V ARI

 

Água para consistência normal (%)

29,40

Caracterização Física

Massa Específica (g/cm 3 )

 

2,98

 

Resíduo na peneira #200 (%)

0,10

 

Finura

Resíduo na peneira #325 (%)

*NI

 

Início (min)

90

 

Tempo de pega

Fim (min)

220

 

3

dias (Mpa)

26,90

 

Resistência à

 
 

compressão

7

dias (Mpa)

32

28 dias (Mpa)

33,60

 

Composição potencial do Clínquer

*NI

Perda ao fogo

 

2,90

Caracterização Química (%)

Resíduo insolúvel

 

0,52

Al 2 O 3

 

5,34

S

i O 2

19,60

Fe 2 O 3

 

2,99

CaO

 

63,90

MgO

 

0,73

SO 3

 

3,44

 

CaO livre

 

2,35

Equivalente alcalino em Na 2 O

 

0,63

*NI = Não Informado

Fonte: O fabricante

Merece destaque o fato de que o cimento geopolimérico empregado nesta pesquisa foi obtido da empresa Geo-Pol, que fornece o produto na forma bi-componete, sendo o ativador fornecido na forma líquida e precursor na forma de pó. A Figura 01 apresenta um detalhe da forma como estes materiais foram entregues para manuseio.

Figura 01 - Componentes do cimento geopolimérico

Figura 01 - Componentes do cimento geopolimérico ANAIS DO 59º CONGRESSO BRASILEIRO DO CONCRETO - CBC2017
Fonte: O autor Tabela 02 – Propriedades do cimento geopolímero Características Precursor (pó) Ativador

Fonte: O autor

Tabela 02 Propriedades do cimento geopolímero

Características

Precursor (pó)

Ativador (solução)

Aparência

Pó cinza muito fino (#<100 μm)

Líquido de tonalidade escura, do marrom ao preto

Odor

Nenhum

Nenhum

Ponto de fusão

Não determinado

Não determinado

pH

± 7

± 14 (muito alcalino)

Temperatura de

Não determinado

100ºC

ebulição

Solubilidade em

   

água

Insolúvel

Solúvel

Ponto de fulgor

Não determinado

Não determinado

2.1.2 Agregados

Fonte: O fabricante

Como agregado miúdo, foi utilizada uma areia natural de natureza quartzosa, encontrada na Região de Caruaru-PE. Para caracterização deste material foram realizados os ensaios de granulometria e densidade de massa específica e aparente. O ensaio de granulometria por peneiramento foi realizado de acordo com a NBR 7217:1987. A Figura

02 representa a curva granulométrica do agregado miúdo e a Tabela 03 apresenta suas

propriedades físicas.

Como agregado graúdo, foram utilizadas as britas 19mm e 12,5mm, ambas de natureza mineralógica granítica. Esse material foi utilizado no estado seco e sem lavagem. A caracterização destes materiais ocorreu segundo as NBR 7217:1987 (determinação da

granulometria do material) e NBR NM 45:2006 (determinação da massa unitária). A Figura

03 apresenta a curva granulométrica dos agregado graúdos e a Tabela 03 apresenta suas

propriedades físicas.

Figura 02 – Curva granulométrica do agregado miúdo Figura 03 – Curva granulométrica do agregado

Figura 02 Curva granulométrica do agregado miúdo

Figura 02 – Curva granulométrica do agregado miúdo Figura 03 – Curva granulométrica do agregado graúdo

Figura 03 Curva granulométrica do agregado graúdo

Figura 03 – Curva granulométrica do agregado graúdo Tabela 03 – Características dos Agregados Utilizados

Tabela 03 Características dos Agregados Utilizados

Característica

Unidade

Areia Natural

Brita 12,5

Brita 19

Dimensão Máxima Característica

mm

2,36

12,5

19,0

Módulo de finura

NA

2,15

NA

NA

Massa unitária

g/cm³

1,4

1,5

1,6

Massa específica

g/cm³

2,56

2,56

2,56

Fonte: O autor

2.2 Método Empregado Para a realização deste estudo, foram desenvolvidas 2 (duas) famílias de concretos,

2.2 Método Empregado

Para a realização deste estudo, foram desenvolvidas 2 (duas) famílias de concretos, sendo a primeira delas produzida para a obtenção de um concreto de referência e a segunda produzida a fim de se avaliar o desempenho do concreto geopolimérico. O concreto de referência foi elaborado com a utilização de um cimento portland do tipo CP V ARI.

A mistura de referência foi produzida com uma relação algomerante:agregado de 1:3,

objetivando obter um concreto com f ck de 30 MPA. A Tabela 4 apresenta a proporcionalidade dos materiais que foi empregado para o concreto de referência utilizado neste estudo e que a partir deste momento será tratado como Traço A.

Tabela 04 Proporcionalidade dos Materiais do Concreto de referência

Materiais

Aglomerante

Areia

Brita 12,5

Brita 19

Água

Proporcionalidade

1,00

1,04

0,588

1,372

0,48

Fonte: O autor

O fabricante do cimento geopolimérico orientou a utilização da seguinte proporcionalidade

de materiais na produção de concretos: 56,94% de solução (ativador) e 43,06 % de pó (precursor). Orientou ainda que não fosse empregada água na produção das misturas, pois a massa líquida que a mistura necessita já estaria disponibilizada no ativador e incrementos de água serviriam apenas para diminuir a alta resistência inicial que se poderia obter com o produto.

A partir de tais considerações, as misturas de concreto geopolimérico seguiram o traço de

referência, com as adaptações propostas pelo fabricante do material, originando a família de traço B ou família B.

A Tabela 5 apresenta as quantidades dos materiais utilizados para a confecção do

concreto geopolimérico.

Tabela 05 Proporcionalidade dos Materiais do Concreto Geopolimérico

Materiais

Pó (precursor)

Solução

Areia

Brita 12,5

Brita 19

(ativador)

Proporcionalidade

0,4306

0,5694

1,04

0,588

1,372

Fonte: O autor

A partir destas definições foram promovidos os ensaios de dosagem, bem como a

preparação das amostras a serem empregadas no desenvolvimento das análises relativas

a este estudo. Todos os ensaios foram realizados no laboratório da UNIFAVIP Centro Universitário do Vale do Ipojuca.

O controle da dosagem foi realizado com o auxílio de balança eletrônica com precisão de

O controle da dosagem foi realizado com o auxílio de balança eletrônica com precisão de

0,01g e a produção dos concretos foi realizada com o auxílio de uma betoneira. A Figura 04 apresenta um detalhe dos agregados utilizados para a produção das amostras.

Figura 04 Detalhe dos agregados utilizados

amostras. Figura 04 – Detalhe dos agregados utilizados Fonte: O autor A moldagem dos corpos de

Fonte: O autor

A moldagem dos corpos de prova foi realizada conforme a NBR 5738:2003. A Figura 05

apresenta um detalhe da preparação dos moldes e a Figura 06 apresenta um detalhe das amostras recém adensadas.

Merece destaque a recomendação do fabricante do cimento geopolimérico em relação a esta ativadade, tendo em vista a necessidade de utilização de folhas de acetato para envolver a parte interna dos corpos de prova antes da inserção do material, tendo em vista que o cimento geopolimérico apresenta um alto teor de aderência, o que tornaria difícil a desmoldagem dos materiais, colocando em risco inclusive a reutilização dos moldes empregados. Foi utilizado o óleo desmoldante para proteger todos os corpos de prova.

Figura 05 - Corpos de prova envolvidos com folhas de acetato

05 - Corpos de prova envolvidos com folhas de acetato ANAIS DO 59º CONGRESSO BRASILEIRO DO
Figura 06 - Detalhe das amostras produzidas para o estudo: a) amostras com cimento geopolimérico;

Figura 06 - Detalhe das amostras produzidas para o estudo: a) amostras com cimento geopolimérico; b) amostras com cimento portland CP V ARI

a)

b)

b) amostras com cimento portland CP V ARI a) b) O concreto produzido com cimento geopolimérico

O concreto produzido com cimento geopolimérico foi desmoldado 3 (três) horas após a execução da moldagem e colocado sobre uma bancada para cura a temperatura ambiente. Não há necessidade de cura imersa, tendo em vista que não existem reações de hidratação nestas misturas e uma imersão em água poderia inclusive acarretar em diminuição de sua resistência.

O concreto produzido com cimento portland foi desmoldado com 24 horas e colocado imerso no tanque para cura até as datas dos ensaios.

2.3 Ensaios programados

2.3.1 Resistência à compressão simples

O teste de resistência do concreto é medido através do ensaio de resistência à compressão axial. Esse ensaio mede uma das propriedades mais importantes e normalmente avaliadas para determinação da qualidade dos concretos. Foi utilizada a prensa hidráulica, conforme a NBR 5739:2007.

Para a realização deste ensaio foram destinados 9 (nove) corpos de prova de cada uma das famílias produzidas, de forma que 3 (três) deles foram destinados à avaliação do desempenho após 24 horas de moldagem, outros 3 (três) para a mesma avaliação após 3 (três) dias da moldagem e mais 3 (três) para os ensaios na idade de 7 (sete) dias.

2.3.2 Módulo de elasticidade dinâmico O ensaio para determinação da velocidade de propagação da onda

2.3.2 Módulo de elasticidade dinâmico

O ensaio para determinação da velocidade de propagação da onda ultrassônica foi

realizado com o equipamento de teste ultrassônico Pundit (aparelho de ultrassom portátil

digital), nos corpos de prova para a condição seca.

O equipamento foi calibrado antes de realizar o ensaio com o auxílio de um cilindro

calibrador a 26,1µs. Posteriormente à calibração foram realizados os ensaios com os corpos de prova objeto deste estudo. Neste caso, foram destinados 2 (dois) corpos de prova de cada uma das amostras analisadas para a obtenção do módulo de elasticidade dinâmico.

Como procedimento de preparação das amostras, aplica-se vaselina nas superfícies planas do receptor e emissor, a fim de permitir melhor acoplamento nos corpos de prova e evitar interferência na transmissão das ondas.

Registre-se ainda que neste estudo, optou-se pela utilização de transmissão direta das ondas, procedimento recomendado pela NBR 8802:2013 por permitir que as ondas sejam recebidas com maior intensidade.

Durante a realização do ensaio, registra-se o tempo de propagação da onda, em µs, em cada corpo de prova e a partir deste valor pode-se obter o módulo dinâmico a partir da equação 1.

Onde:

Ed = módulo de elasticidade dinâmico (MPa);

ρ = massa específica (kg/m³);

V = velocidade (km/s);

µ = coeficiente de Poisson

2.4.3 Absorção Total

Equação 1

O ensaio de absorção total foi realizado conforme prevê a NBR 9778:2003, a partir de 2 (dois) corpos de prova para cada uma das famílias estudadas. Este ensaio foi realizado apenas para a idade de 7 (sete) dias.

Na idade definida para o ensaio, as amostras foram colocadas na estufa a 110°C por 72 horas para o procedimento de secagem até a obtenção de constância de massa. Neste

momento foi registrada sua massa seca e na sequência os corpos de prova foram deixados

momento foi registrada sua massa seca e na sequência os corpos de prova foram deixados fora da estufa por 24 horas até seu completo resfriamento.

O ensaio foi realizado em 3 (três) etapas, consistindo a primeira na de imersão de apenas 1/3 da altura dos corpos de prova em água por um período de 4 (quatro) horas, após o que o nível de água foi ajustado para 2/3 da altura dos corpos de prova, permanecendo assim por mais 4 (quatro) horas e finalmente foi providenciada a completa imersão dos corpos de prova até que se completasse as 72 (setenta e duas) horas. Após este período, os corpos de prova foram pesados para se obter sua massa na condição saturada. Com as massas seca e saturada, pode-se calcular a absorção total dos corpos de prova.

3

Resultados

As avaliações desta pesquisa estiveram focadas nas análises dos resultados de resistência à compressão simples, módulo de elasticidade dinâmico e absorção total; contudo, também achou-se oportuno determinar as massas unitárias dos concretos produzidos a fim de se verificar se a mudança no tipo de cimento implicaria em variações significativas desta propriedade.

Todos os ensaios foram realizados no laboratório do Centro Universitário do Vale do Ipojuca em Caruaru-PE, a exceção do ensaio de módulo de elasticidade dinâmico, que foi realizado no laboratório da Universidade Católica em Recife-PE.

3.1 Massa Unitária

Para a avaliação das massas unitárias dos concretos produzidos foi providenciada a pesagem e a avaliação das dimensões de todos os corpos de prova produzidos. A Tabela 06 apresenta as médias dos valores obtidos para as duas famílias ensaiadas, acrescidos dos respectivos desvio padrão e coeficiente de variação.

Tabela 06 Densidades dos corpos de prova

variação. Tabela 06 – Densidades dos corpos de prova Família Massa Unitária (kg/m 3 ) Desvio

Família

Tabela 06 – Densidades dos corpos de prova Família Massa Unitária (kg/m 3 ) Desvio padrão

Massa Unitária (kg/m 3 )

Desvio padrão (kg/m 3 )

Coeficiente de variação (%)

) Desvio padrão (kg/m 3 ) Coeficiente de variação (%) A (CP V ARI) 2.402,03 7,47
) Desvio padrão (kg/m 3 ) Coeficiente de variação (%) A (CP V ARI) 2.402,03 7,47

A

(CP V ARI)

2.402,03

7,47

0,3108

B

(Geopolimérico)

2.370,93

3,40

0,1432

Os resultados apontam para uma condição em que o concreto produzido com cimento portland parece ser mais denso que o concreto produzido com cimento geopolimérico,

entretanto a variação média observada é de apenas 1%, o que torna tal variação irrelevante

entretanto a variação média observada é de apenas 1%, o que torna tal variação irrelevante sob o ponto de vista estatístico, de forma que pode-se inferir que a para os materiais aqui estudados, não se observa influência do tipo de cimento nesta propriedade.

3.2 Resistência à compressão

A fim de se determinar o desempenho de cada uma das famílias acerca da resistência à compressão simples foram ensaiados, para cada família, 3 (três) corpos de prova para cada idades objeto do estudo (24 horas, 3 dias e 7 dias). A Tabela 07 apresenta a média dos resultados do ensaio, acrescidos dos respectivos valores de desvio padrão e coeficiente de variação.

Tabela 07 Resultados do ensaio de resistência à compressão

   

Famílias

Parâmetro

Idade

A

B

(CP V ARI)

(Geopolimérico)

Resistência à Compressão Média (MPa)

 

19,01

38,31

Desvio Padrão (MPa)

24 horas

0,16

0,35

Coeficiente de Variação (%)

0,82

0,91

Resistência à Compressão Média (MPa)

 

29,19

40,94

Desvio Padrão (MPa)

3

dias

0,54

0,56

Coeficiente de Variação (%)

 

1,86

1,36

Resistência à Compressão Média (MPa)

 

33,23

49,80

Desvio Padrão (MPa)

7

dias

0,33

0,83

Coeficiente de Variação (%)

 

0,98

1,66

Analisando os resultados observados, pode-se concluir que o concreto produzido com cimento geopolimérico obteve um ótimo desempenho em relação ao concreto produzido com cimento portland em todas as idades estudadas.

Ademais, comparando-se os resultados obtidos para os concretos geopoliméricos com a literatura estudada, observou-se total aderência com a literatura, demonstrando que os resultados foram bastante satisfatórios. Registre-se inclusive que foi possível observar o desenvolvimento de cerca de 70% da resistência nas primeiras horas.

Ainda em relação aos resultados, merece destaque o fato de que todas as famílias apresentaram um desvio padrão inferior a 1 MPa e que os coeficientes de variação encontrados ficaram abaixo de 2% para todas as famílias.

A fim de possibilitar um melhor entendimento dos resultados de resistência à compressão, foi elaborado um gráfico com barras que apresenta a evolução deste parâmetro para os dois tipos de cimento estudados (ver Figura 07).

Figura 07 - Resultado do ensaio de resistência à compressão 50 45 40 35 30

Figura 07 - Resultado do ensaio de resistência à compressão

50 45 40 35 30 25 20 15 10 5 0 Valores de Resistência (MPa)
50
45
40
35
30
25
20
15
10
5
0
Valores de Resistência (MPa)

24 horas

3 dias

7 dias

Cimento30 25 20 15 10 5 0 Valores de Resistência (MPa) 24 horas 3 dias 7

Geopolimérico

Cimento Portland CP V ARI50 45 40 35 30 25 20 15 10 5 0 Valores de Resistência (MPa) 24

3.3 Módulo de elasticidade dinâmico

Para o ensaio de módulo de elasticidade dinâmico, foram ensaiados 2 (dois) corpos de prova por família, ambos na idade de 7 (sete) dias. Os resultados das velocidades obtidas e dos respectivos módulos de elasticidade seguem apresentados na Tabela 08.

Tabela 08 - Resultados do módulo de elasticidade

Família

Velocidade (km/s)

Módulo de elasticidade (GPa)

A

(CP V-ARI)

4,23

38,52

B

(Gepolimérico)

3,85

31,93

Os resultados deste ensaio demonstraram que o módulo de elasticidade do concreto produzido com cimento portland foi superior ao do concreto produzido com cimento geopolimérico, tendo este uma redução média de 17% em comparação ao primeiro.

A NBR 6118:2014 estima que um concreto com f ck de 30MPa, deve apresentar o módulo

de elasticidade da ordem de 31 GPa. Considerando que nas duas famílias produzidas, já aos 7 (sete) dias observou-se uma resistência superior ao f ck estimado e considerando ainda que o módulo de elasticidade guarda relação direta com o desempenho do concreto

à compressão; não foi surpreendente o fato de que os valores obtidos para o módulo

dinâmico mostraram-se superiores aos valores de referência indicados na norma NBR

6118:2014.

3.4 Absorção total O ensaio de absorção total foi realizado seguindo as prescrições da norma

3.4 Absorção total

O ensaio de absorção total foi realizado seguindo as prescrições da norma NBR

9778:2003, para dois corpos de prova de cada família produzida e apenas na idade de 7

(sete) dias.

Os

resultados da absorção encontram-se expostos nas tabelas 09 e 10.

 
 

Tabela 09 - Resultados das absorções absolutas em gramas para cada idade

 
 

Absorção (g)

   

Tipo de cimento

4

horas

8

horas

24

horas

48

horas

72

horas

Geopolimérico

 

5,8

 

13,6

19,9

 

23

23,3

 

CP V-ARI

 

11

 

17,6

22,7

24,3

28,1

Tabela 10 - Resultados da taxa de absorção para cada idade

 
 

Taxa de absorção (%)

   

Tipo de cimento

4

horas

8

horas

24

horas

48

horas

72

horas

Geopolimérico

 

0,16

 

0,38

0,61

0,68

0,69

 

CP V-ARI

 

0,30

 

0,47

0,61

0,71

0,75

O

comportamento da taxa de absorção mostrou-se variável durante o ensaio, assim,

durante as 8 (oito) primeiras horas de ensaio os valores observados para o concreto produzido com cimento portland mostrou-se superior ao do concreto geopolimérico, atingindo uma condição de igualdade com 24 (vinte e quatro) horas de ensaio, a partir do que já se pode perceber uma constância de valores, embora o desempenho do concreto geopolimérico tenho se mostrado superior ao do concreto de cimento portland.

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Conclusões

Este estudo foi desenvolvido a fim de se obter informações acerca do desempenho de concretos produzidos com cimento geopolimérico, utilizando os agregados encontrados

na região de Caruaru, mais particularmente quanto ao seu desempenho nos ensaios de

resistência à compressão simples, módulo de elasticidade e absorção total. A fim de se estabelecer um parâmetro de comparação para os valores obtidos nos ensaios, optou-se

por empregar um concreto de cimento portland produzido com o cimento do tipo CP V ARI.

Os ensaios de compressão simples indicaram que os concretos da família B ( confeccionados com cimento geopolimérico) apresentaram resultados superiores aos obtidos para a família A (confeccionados com cimento portland CP V ARI) e este comportamento foi verificado em todas as idades ensaiadas.

Não se pode observar qualquer influência da variação do tipo de cimento na obtenção dos

Não se pode observar qualquer influência da variação do tipo de cimento na obtenção dos valores de massa unitária dos concretos produzidos.

Em relação ao ensaio de módulo de elasticidade dinâmica, o que se observou foi que os dois tipos de concretos apresentaram resultados satisfatórios, tendo o concreto produzido com cimento portland apresentado um resultado cerca de 20% superior ao concreto produzido com cimento geopolimérico.

Para o ensaio de absorção total, foi constatado que os corpos de prova produzidos com os dois tipos de cimento obtiveram resultados semelhantes, apresentando uma diferença de apenas 10% em favor dos concretos geopoliméricos.

Considerando os resultados dos ensaios realizados, o cimento geopolimérico pode ser utilizado como uma alternativa para a substituição do cimento portland para várias aplicações.

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Referências

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