Você está na página 1de 6

ANÁLISE CRÍTICA

Auditoria do MPS

Por: Denilsio Lino Andrade

Otoni Guimarães Gonçalves, então, coordenador geral de Auditoria Atuária


Contabilidade e Investimentos, unidade que integra o Departamento dos Regimes de
Previdência no Serviço Público da Secretaria de previdência Social do Ministério da
Previdência, aborda no 6º Congresso Nacional de Entidades de Previdência Social,
cujo tema, “Brasil, a Previdência que queremos”, os aspectos relacionados a auditoria
junto aos Regimes Próprios de Previdência Municipal.

Focado na Contabilidade Aplicada aos RPPS como centro da discussão, o autor a


enriquece inicialmente com uma introdução sobre os aspectos legais da Previdência
Social no Brasil e, na seqüência, com as questões relativas e derivadas à contabilidade
como o Certificado de Regularidade Previdenciária e, ao final, um brevíssimo adendo
sobre Taxa de Administração e Mercado de Capitais.

Relativamente a Auditoria do Ministério da Previdência, em poucas telas consegue


sintetizar as atribuições do órgão tanto nos planos conceitual, institucional e técnico.
Neste contexto o autor explica de forma clara e objetiva as formas de atuação do
órgão quanto às auditorias direta e indireta, bem cômodo processos que são auditados
e as conseqüências advindas das irregularidades encontradas.

Para tanto, como destacado anteriormente, foca a contabilidade em quatro pilares a


saber: a) uniformização, b) evidenciação do patrimônio, c)extração de relatórios
gerenciais e, e) consolidação das informações dos Regimes Próprios de Previdência;
os quais fornecem a correta dimensão do patrimônio e das mutações ocorridas,
verificadas através da adoção do Plano de Contas especifico para o setor.

O autor lembra da obrigatoriedade ao Plano de contas com objetivos de permitir o


acompanhamento da execução ocamentária e financeira, validado pelo contabilista
responsável de modo que permita o Ministério da previdência fiscalizar os atos do
RPPS.

Entretanto, o autor ressalta que a obrigatoriedade de adoção do Plano de Contas no


molde da Portaria MPS 916 foi restrita ao RPPS. Desta forma, ainda abre margem
para manipulação dos fatos contábeis e que, de certa forma, pode passar despercebido
para os modelos de auditoria adotados pelo Ministério. A legislação, naquela época
ainda não determinar a integração dos Planos de Contas do Ente com o Plano de
Contas do RPPS / Fundo. Desta forma, não sendo integradas, poderão ocorrer
incorreções nos controles, na prestação de contas e, consequentemente, no processo
de transparência.

Por fim, tendo em vista que o público no qual a palestra foi destinada não era
exclusivamente de contabilista, o autor deixou de abordar questões relativas ao
tratamento das contribuições previdenciária (servidores, patronal e fora do prazo), do
repasse, da compensação previdenciária, pagamento de benefícios, défict e o
relacionamento com os orçamentos e respectivos balanços.
Contabilidade e Investimentos do Ministério da Previdência, Otoni Guimarães
Gonçalves, passou boa parte das palestras orientando os participantes sobre como
elaborar corretamente os planos de contas de seus institutos. Otoni Gonçalves contou
que mesmo com a capacitação dos gestores, nos últimos anos, boa parte das auditorias
realizadas pelo ministério nos RPPS mostram algum ponto que merece ser
regularizado na documentação apresentada pelas entidades administradoras, tais como
problemas de gestão, repasse de contribuições ou utilização indevida de recursos nas
taxas de administração. O coordenador ressaltou que a Abipem, com seu trabalho, tem
exercido um papel fundamental na capacitação dos gestores, na troca de informações
e na orientação a esses profi ssionais. – Os planos de conta das entidades precisam ser
transparentes e temos a ferramenta que permite e facilita a integração da contabilidade
dos RPPS às contas dos entes federativos para que possa ser feita a devida prestação
junto aos outros órgãos de controle, além da Previdência – disse.

Renato Bernhoeft, presidente da höft consultoria e integrante do "The Family


usiness Consulting Group International" (FBCG i) na América Latina, afirma que a
previdência passará por mudanças profundas a partir de 2019 devido as
mudanças que ocorreram nos campos demográficos dos quais sobrecarregaram
o sistema, comprometendo o pagamento de benefícios. Estas mudanças estão,
segundo o autor ancorado no fator longevidade, taxa de fecundidade do
brasileiro, diminuição do numero de contribuintes do sistemas, dentre outros.

Entretanto, o centro da questão é o fato de colocar a previdência oficial sob


suspeição antecipada, declarando a impossibilidade de arcar com os
compromissos no futuro. Ao mesmo tempo convida o leitor a antecipar este
momento e aderir a previdência complementar.

Fazer um convite ao cidadão para participar de previdência complementar é


estimulada pelo governo. No entanto, para lograr êxito neste segmento não se
adota a estratégia de macular a previdência oficial. Se levado a efeito como
prega, os RPPS também estariam falidos neste período.
No entanto, ao colocar a previdência oficial sob suspeição, o autor alerta que a
análise não deve seguir tão somente o viés econômico. O aspecto social
também deve compor os fundamentos da formulação de políticas públicas.

Desta forma o foco de preocupação do autor deixa de ser a situação econômica


da previdência e do padrão de vida alcançado pelo cidadão aposentados,
migrando para as relações sociais advindas desta fase da vida, especialmente
as perdas não-monetárias e que, das quais são as mais criticas.
Conceitualmente tenta explicar que sociedade e governo, ao estabelecer
políticas públicas para a população idosa, devem levar em consideração os
aspectos de saúde, mobilidade, qualidade de vida, lazer e entretenimento.

Se assim agir, pressupõe que a população idosa não precisaria dos recursos
financeiros na sua totalidade e, consequentemente, abriria espaço para
desoneração da folha de pagamento dos inativos, permitindo assim, o
equilíbrio do sistema. Adianto que nesta linha de raciocínio trabalha os
técnicos da previdência.

Mas de fato, o autor alerta para a necessidade de vinculação a previdência


privada no sentido de manter o padrão de vida alcançada quando da atividade.
Prova disto que, numa pequena pesquisa do texto na rede, ele está presente em
todos os sites de previdência complementar.

.
Art. 24. À Coordenação-Geral de Auditoria, Atuária, Contabilidade e Investimentos compete:

I - orientar, acompanhar e controlar o planejamento, a execução e o controle das ações de


auditoria fiscal direta nos regimes próprios de previdência social da União, dos Estados, do
Distrito Federal e dos Municípios, quanto ao cumprimento da legislação de caráter normativo
geral;

II - instaurar, analisar, decidir, acompanhar, instruir e controlar o Processo Administrativo


Previdenciário;

III - coordenar e supervisionar as ações do Contencioso Administrativo Previdenciário,


zelando pela uniformidade das decisões;

IV - acompanhar e orientar as políticas de investimentos dos recursos dos Regimes Próprios


de Previdência Social;

V - acompanhar e orientar os Regimes Próprios de Previdência Social, quanto aos


parâmetros atuariais;

VI - acompanhar, supervisionar e controlar a observância do equilíbrio financeiro e atuarial


dos Regimes Próprios de Previdência Social;

VII - propor a formulação de normas gerais e de controle dos regimes próprios nas áreas de
auditoria, atuária, contabilidade e investimentos;

VIII - monitorar e acompanhar o desenvolvimento, a manutenção e o aperfeiçoamento de


aplicativos de suporte às atividades afetas às suas áreas de atuação;

IX - subsidiar o Departamento dos Regimes de Previdência no Serviço Público na proposição


de padrões, sistemas e métodos de avaliação e acompanhamento da qualidade e
produtividade das áreas de sua atuação;

X - emitir parecer técnico segundo as suas áreas de atuação;

XI - orientar os Regimes de Previdência no Serviço Público acerca dos procedimentos


contábeis; e

XII - desenvolver, sistematizar e supervisionar planos de contas dos Regimes de Previdência


no Serviço Público.

Art. 25. À Coordenação de Auditoria compete:

I - planejar, acompanhar, orientar e controlar a execução das ações de auditoria fiscal direta
junto aos Regimes Próprios de Previdência Social da União, dos Estados, do Distrito Federal
e dos Municípios;

II - elaborar propostas de manuais de procedimentos relativos às ações de auditoria fiscal


direta; e

III - propor o desenvolvimento e adequação dos sistemas de controle das ações de auditoria
fiscal direta.

Art. 26. À Coordenação de Contabilidade e Atuária compete:


I - orientar, acompanhar e supervisionar os Regimes Próprios de Previdência Social acerca
dos procedimentos atuariais, inclusive quanto às implementações dos planos de custeio e
benefícios apresentados;

II - avaliar e emitir parecer técnico sobre os cálculos atuariais apresentados pelos Regimes
Próprios de Previdência Social; e

III - propor o desenvolvimento e adequação de aplicativos de controle e de simulação atuarial


sobre Regimes Próprios de Previdência Social.

Art. 27. À Coordenação de Investimentos compete:

I - orientar, acompanhar e supervisionar os Regimes Próprios de Previdência Social nas


operações de investimentos dos seus recursos previdenciários, consoante diretrizes
emanadas do Conselho Monetário Nacional;

II - propor a formulação de normas referentes às aplicações dos recursos dos Regimes


Próprios de Previdência Social;

III - analisar processos, relatórios, demonstrativos e demais informações quantitativas e


qualitativas prestadas pelos Regimes Próprios de Previdência Social, no que diz respeito aos
seus investimentos;

IV - emitir parecer técnico sobre matérias relativas aos investimentos dos recursos dos
Regimes Próprios de Previdência Social; e

V - propor o desenvolvimento e adequação de aplicativos de controle dos investimentos dos


recursos dos Regimes Próprios de Previdência Social.