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PODER JUDICIÁRIO
TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA PRIMEIRA REGIÃO
SUBSEÇÃO JUDICIÁRIA DE VILHENA

Processo N° 0000733-20.2014.4.01.4103 - 1ª VARA - VILHENA


Nº de registro e-CVD 01113.2017.00014103.1.00651/00128

Classe: 7100 – Ação Civil Pública


Autor: INSTITUTO BRASILEIRO DO MEIO AMBIENTE E RECURSOS NATURAIS
RENOVÁVEIS
Réu: ROBERTO CARLOS MIRANDA E OUTRO
Classificação da Sentença: A

S E N T E N Ç A

I – RELATÓRIO

Cuida-se de Ação Civil Pública, com pedido liminar,


ajuizada pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos
Naturais Renováveis - IBAMA contra ROBERTO CARLOS MIRANDA E ELOIR
ANTÔNIO MORETTI, objetivando a condenação dos requeridos em: a)
obrigação de reparar o dano ambiental provocado, inclusive com
ressarcimento do dano moral ambiental coletivo; b) no caso de
impossibilidade de reparação do dano ambiental, que seja
determinada medidas judiciais necessárias para obtenção do
resultado prático equivalente ou a conversão em obrigação em
perdas e danos (art. 461, §§ 1º e 5º, do CPC/73).

Para tanto, alega que o requerido ROBERTO CARLOS MIRANDA


foi autuado por agentes do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e
dos Recursos Naturais Renováveis - IBAMA, em 22/07/2004 (Auto de
Infração n. 119119-D, fl.21), inicialmente por destruir a corte

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raso 2000 hectares de mata nativa, efetuado com máquina de


esteira, em reserva legal.

Em razão do ilícito perpetrado foi aplicada multa no valor


de R$ 2.000,00 (dois mil reais) e o infrator foi enquadrado por
violação aos artigos 50 e 70 da Lei nº 9.605/98, art. 39 c/c art.
2º, II e VII, do Decreto nº 3.179/99.

Fundamenta a obrigação de fazer, consistente na recuperação


do meio ambiente degradado, no art. 225, parágrafo 3º da
Constituição Federal.

Diz que a Lei n. 6.938/81, que trata da política nacional


do meio ambiente, dispõe que o não cumprimento das medidas
necessárias para a correção dos danos causados, bem como a
preservação do ambiente sujeitará os transgressores a indenizar ou
reparar os danos independentemente de existência de culpa.

Que o ilícito objeto da demanda foi causa de processo


administrativo nº 02502.001142/2004-09 contra o requerido ROBERTO
CARLOS MIRANDA, no qual houve regular observância aos princípios
do contraditório e da ampla defesa, já se encontrando, inclusive,
em situação de decisão irrecorrível na esfera administrativa e com
a devida quitação do débito (fls. 50/52).

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Em 07/02/2013 foi realizado relatório de constatação, sendo


averiguado que o novo proprietário da área era o Sr. Eloir Antônio
Moretti (CPF: 810.106.999-20).

Instrui a peça vestibular com os documentos de fls. 21/70.

O pedido de antecipação dos efeitos da tutela foi


indeferido (fls. 79/80).

Citados, o requerido ROBERTO CARLOS MIRANDA apresentou


contestação, alegando preliminarmente a incompetência “ratione
loci”, a ilegitimidade passiva e a prescrição, e no mérito aduz a
inexistência do dano (fls. 102/108). Já o requerido ELOIR ANTÔNIO
MORETTI mencionou em preliminares a incompetência “Ratione Loci”,
a prescrição, a ilegitimidade passiva, a inépcia e a carência da
ação, e no mérito alegou sua boa-fé quando da aquisição do bem, já
que foi expedida certidão negativa de débito, emitida pela
requerente, quando da realização do negócio jurídico de compra e
venda (fls. 110/142).

Às fls. 156/158, foi apresentado parecer ministerial.

Às fls.s 163/166 e 168/172, o requerente opôs réplica, além


de apresentar a certidão de inteiro teor atualizada do imóvel.

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Às fls. 174/175, foi proferida decisão determinando que a


SEDAM criasse um Grupo de Trabalho, com caráter multidisciplinar,
a fim de responder as questões submetidas a apreciação.

Às fls. 188, foi reconhecida a inércia da SEDAM e


determinado que as partes apresentassem provas.

Às fls. 190/194, o IBAMA requereu a juntada de documentos.

Às fls. 196/197, o requerido ELOIR ANTÔNIO MORETTI,


requereu que a SEDAM cumprisse a diligência de fl. 174, e, não
sendo deferido, pleiteou a produção de prova pericial.

Às fls. 199/200, foi proferido despacho tornando sem efeito


o despacho de fl. 188, bem como estabelecendo que a SEDAM
cumprisse a determinação, sob pena de multa.

Às fls. 212/224, a SEDAM solicitou a dispensa do


cumprimento da ordem, já que os quesitos formulados pelo Juízo já
foram respondidos no MEMORANDO Nº 669/2017/COMAR/SEDAM.

Nova decisão foi proferida às fls. 228/231, revogando a


decisão de fls. 174/175, além de deferir a prova pericial
requisitada pelo o requerido ELOIR ANTÔNIO, precisando o depósito
em juízo dos honorários periciais em 48 horas, sob pena de
preclusão.
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Às fls. 237/237, o requerido ELOIR ANTÔNIO apenas


apresentou os quesitos.

Às fls.239, foi certificado o transcurso do prazo para


comprovação do depósito dos honorários periciais.

Vieram os autos conclusos.

É o relatório.

II – FUNDAMENTAÇÃO

II. 1 Das preliminares

Incompetência em Razão do Lugar

Alegam os requeridos que o Juízo competente para processar


e julgar a causa é o do local onde ocorreu o dano, ou seja, no
município de Cerejeiras/RO, por conseguinte, entendem que o foro
competente é o da comarca de Cerejeiras/RO.

Pois bem.

Depreende-se que, o ajuizamento da presente ação pelo IBAMA


implica a competência da Justiça Federal para o exame da causa,
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posto que sendo o autor Autarquia da União, atrai a incidência do


art. 109, I, da Constituição Federal; ou seja, a competência da
Justiça Federal, por ser determinada pela Carta maior, é
considerada absoluta (STF, RE 88688, RTJ 98-01/217).

Nos dizeres do ministro Celso de Mello:

"O ingresso da União Federal numa causa, vindicando


posição processual definida (RTJ 46/73 - RTJ 51/242),
gera a incompetência absoluta da Justiça local (RT
505/109), pois não se inclui na esfera de atribuições
jurisdicionais dos magistrados e Tribunais estaduais o
poder para aferir a legitimidade do interesse da União
Federal, em determinado processo (RTJ 93/1291 - RTJ
95/447 - RTJ 101/419)." (STF, RE 183188/MS, DJ
14.02.1997, p. 1988)

Sendo assim, afasto a preliminar suscitada de Incompetência


em razão do lugar.

Da ilegitimidade passiva dos requeridos

A responsabilidade em casos de infrações ao meio ambiente é


objetiva, bastando à comprovação do nexo causal da ação ou
atividade desenvolvida pelo agente com o dano provocado, fato este
presente no caso concreto, conforme se vê do auto de infração nº
119119-D.

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O STJ possui entendimento pacífico de que a


responsabilidade civil pela reparação dos danos ambientais adere à
propriedade, como obrigação propter rem, sendo possível cobrar do
posseiro como do atual proprietário condutas derivadas de danos
provocados pelos proprietários/posseiros antigos. Nesse sentido:

PROCESSUAL CIVIL E AMBIENTAL. AÇÃO CIVIL PÚBLICA.


AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. INCIDÊNCIA, POR
ANALOGIA, DA SÚMULA 282 DO STF. FUNÇÃO SOCIAL E FUNÇÃO
ECOLÓGICA DA PROPRIEDADE E DA POSSE. ÁREAS DE
PRESERVAÇÃO PERMANENTE. RESERVA LEGAL. RESPONSABILIDADE
OBJETIVA PELO DANO AMBIENTAL. OBRIGAÇÃO PROPTER REM.
DIREITO ADQUIRIDO DE POLUIR.
(...)
2. Inexiste direito adquirido a poluir ou degradar o
meio ambiente. O tempo é incapaz de curar ilegalidades
ambientais de natureza permanente, pois parte dos
sujeitos tutelados as gerações futuras carece de voz e
de representantes que falem ou se omitam em seu nome.
3. Décadas de uso ilícito da propriedade rural não dão
salvo-conduto ao proprietário ou posseiro para a
continuidade de atos proibidos ou tornam legais
práticas vedadas pelo legislador, sobretudo no âmbito
de direitos indisponíveis, que a todos aproveita,
inclusive às gerações futuras, como é o caso da
proteção do meio ambiente.
(...)
5. Os deveres associados às APPs e à Reserva Legal têm
natureza de obrigação propter rem, isto é, aderem ao
título de domínio ou posse. Precedentes do STJ.
6. Descabe falar em culpa ou nexo causal, como fatores
determinantes do dever de recuperar a vegetação nativa
e averbar a Reserva Legal por parte do proprietário ou
possuidor, antigo ou novo, mesmo se o imóvel já estava
desmatado quando de sua aquisição. Sendo a hipótese de
obrigação propter rem, desarrazoado perquirir quem
causou o dano ambiental in casu, se o atual
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proprietário ou os anteriores, ou a culpabilidade de


quem o fez ou deixou de fazer. Precedentes do STJ.
7.Recurso Especial parcialmente conhecido e, nessa
parte, não provido" (STJ, REsp 948921/SP, Rel. Ministro
HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, DJe 11/11/2009).

Portanto, o dever de reparação independe de culpa do


agente e se aplica a todos que direta ou indiretamente teriam
responsabilidade pela atividade causadora de degradação ambiental;
por conseguinte, sendo o Sr. Roberto, à época, possuidor da área,
consoante se vê do Auto de Infração (fl. 21) e do comprovante de
quitação do débito da multa ambiental (fl. 50), e o Sr. Eloir o
novo proprietário (fl. 69), não há que se falar em ilegitimidade
passiva.

Prescrição do dano ambiental suscitada pelos requeridos

A Ministra Eliana Calmon, ao relatar o REsp n. 1.120.117,


de forma brilhante discorre sobre a omissão da Lei da Ação Civil
Pública para a prescrição, pontualmente sobre esse instituto, bem
como sobre a figura do dano ambiental e a responsabilidade dai
decorrente, estabeleceu seu entendimento no sentido da
imprescritibilidade do dano ambiental quando este for o objeto da
Ação Civil Publica, verbis:

“2.4. Imprescritibilidade do dano ambiental

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Diante desse arcabouço jurídico, resta definirmos qual


o prazo prescricional aplicável aos casos em que se
busca a reparação do dano ambiental.
Sabemos que a regra é a prescrição, e que o seu
afastamento deve apoiar-se em previsão legal. É o caso
da imprescritibilidade de ações de reparação dos danos
causados ao patrimônio público, regra prevista na
Constituição Federal de 1988, no art. 37, § 5º.
Entretanto, o direito ao pedido de reparação de danos
ambientais, dentro da logicidade hermenêutica, também
está protegido pelo manto da imprescritibilidade, por
se tratar de direito inerente à vida, fundamental e
essencial a afirmação dos povos, independentemente de
estar expresso ou não em texto legal.
Sobre o tema, pertinente a lição de Hugo Nigro Mazzili:
Em questões transindividuais que envolvam direitos
fundamentais da coletividade, é impróprio invocar as
regras de prescrição próprias do Direito Privado. O
direito de todos a um meio ambiente sadio não é
patrimonial, muito embora seja passível de valoração,
para efeito indenizatório; o valor da eventual
indenização não reverte para o patrimônio dos lesados
nem do Estado: será destinado ao fundo de que cuida o
art. 13 da LACP, para ser utilizado na reparação direta
do dano. Tratando-se de direito fundamental,
indisponível, comum a toda a humanidade, não se submete
à prescrição, pois uma geração não pode impor às
seguintes o eterno ônus de suportar a prática de
comportamentos que podem destruir o próprio habitat do
ser humano.
Também a atividade degradadora contínua não se sujeita
a prescrição: a permanência da causação do dano também
elide a prescrição, pois o dano da véspera é acrescido
diuturnamente.
Em matéria ambiental, de ordem pública, por um lado,
pode o legislador dar novo tratamento jurídico a
efeitos que ainda não se produziram; de outro lado, o
Poder Judiciário pode coibir as violações a qualquer
tempo. A consciência jurídica indica que não existe o
direito adquirido de degradar a natureza. É
imprescritível a pretensão reparatória de caráter
coletivo, em matéria ambiental. Afinal, não se pode
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formar direito adquirido de poluir, já que é o meio


ambiente patrimônio não só das gerações atuais como
futuras.
Como poderia a geração atual assegurar o seu direito de
poluir em detrimento de gerações que ainda nem
nasceram?! Não se pode dar à reparação da natureza o
regime de prescrição patrimonial do direito privado.
A luta por um meio ambiente hígido é um metadireito,
suposto que antecede à própria ordem constitucional. O
direito ao meio ambiente hígido é indisponível e
imprescritível, embora seja patrimonialmente aferível
para fim de indenização. (in A Defesa dos Direitos
Difusos em Juízo, 19ª ed., rev. e ampli. e atual. – São
Paulo: Saraiva, 2006, págs. 540-541, grifei)
No conflito entre estabelecer um prazo prescricional em
favor do causador do dano ambiental, a fim de lhe
atribuir segurança jurídica e estabilidade, com
natureza eminentemente privada, e tutelar de forma mais
benéfica bem jurídico coletivo, indisponível,
fundamental, que antecede todos os demais direitos –
pois sem ele não há vida, nem saúde, nem trabalho, nem
lazer –, este último prevalece, por óbvio, concluindo
pela imprescritibilidade do direito à reparação do dano
ambiental.”

Sendo assim, incabível suscitar a prescrição do dano


ambiental.

Inépcia da ação aventada pelo requerido Eloir Antônio Moretti

Alega o requerido ser a presente ação inepta por trazer


alegações sem fundamentação probatória.

O § 1º, do art. 330, do CPC é claro ao descrever quando


ocorre à inépcia da ação, vejamos:
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§ 1o Considera-se inepta a petição inicial quando:


I - lhe faltar pedido ou causa de pedir;
II - o pedido for indeterminado, ressalvadas as
hipóteses legais em que se permite o pedido genérico;
III - da narração dos fatos não decorrer logicamente a
conclusão;
IV - contiver pedidos incompatíveis entre si.

Logo, a alegação do requerido não é compatível com o


prescrito no texto legal, de modo que é incabível tal
argumentação.

Carência da ação levantada pelo requerido Eloir Antônio Moretti

Aduz que a requerente propôs a presente ação civil pública


ambiental em razão de que, embora notificado, o requerido Roberto
Carlos Miranda não apresentou PRAD.

Alega que diante da indolência, a Autarquia federal ajuizou


o litígio contra o requerido sem, contudo, cientificá-lo da
necessidade de regularização da área; por conseguinte,
inviabilizou o seu direito constitucional da ampla defesa e do
contraditório. Sendo assim, inexiste o interesse de agir.

Ora, como já esclarecido no item “ilegitimidade passiva”, a


responsabilidade civil pela reparação dos danos ambientais adere à
propriedade, como obrigação propter rem, de modo que é viável
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exigir do atual proprietário comportamento proveniente de danos


ocasionados pelo antigo proprietário.

Destarte, inadmissível tal argumento.

II. 2 Mérito

A Lei n. 6.938/81, que trata da Política Nacional do Meio


Ambiente, estabelece, em seus artigos 4º, VII, e 14, § 1º:

Art. 4º A Política Nacional do Meio Ambiente visará:


(...)
VII – à imposição, ao poluidor e ao predador, da
obrigação de recuperar e/ou indenizar os danos
causados, e ao usuário, de contribuição pela utilização
de recursos ambientais com fins econômicos.

Art. 14 Sem prejuízo das penalidades definidas pela


legislação federal, estadual e municipal, o não
cumprimento das medidas necessárias à preservação ou
correção dos inconvenientes e danos causados pela
degradação da qualidade ambiental sujeitará os
transgressores:
(...)
§ 1º Sem obstar a aplicação das penalidades previstas
neste artigo, é o poluidor obrigado, independentemente
da existência de culpa, a indenizar ou reparar os danos
causados ao meio ambiente e a terceiros, afetados por
sua atividade. O Ministério Público da União e dos
Estados terá legitimidade para propor ação de
responsabilidade civil e criminal, por danos causados
ao meio ambiente.

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Nº de registro e-CVD 01113.2017.00014103.1.00651/00128

Como é cediço, responsabilidade pelos danos causados ao


meio ambiente é objetiva, nos termos do artigo 927, parágrafo
único, do Código Civil, e do supracitado artigo 14, §1º, da Lei n.
6.938/81.

Nesse sentido, é a jurisprudência do e. Tribunal Regional


Federal da 1ª Região:

“REEXAME NECESSÁRIO. AÇÃO CIVIL PÚBLICA. DANO


AMBIENTAL. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. DESNECESSIDADE DE
COMPROVAÇÃO DE DOLO OU CULPA. NECESSIDADE DA
DEMONSTRAÇÃO DO NEXO CAUSAL. INOCORRÊNCIA. SENTENÇA
MANTIDA. 1. O dano ambiental rege-se pelo instituto da
responsabilidade objetiva, onde não se exige para sua
caracterização a comprovação da culpa ou dolo, bastando
para tanto apenas a demonstração da presença do liame
causal entre a conduta (omissiva ou comissiva) e o
evento danoso. Precedentes. (...)”. (REO
00007622920064013302, DESEMBARGADOR FEDERAL KASSIO
NUNES MARQUES, TRF1 - SEXTA TURMA, e-DJF1
DATA:28/02/2014 PAGINA:1337.)

Portanto, a responsabilidade civil pelos danos causados ao


meio ambiente independe da existência da culpa, sendo suficiente a
prova da ação ou omissão do réu, do dano e da relação de
causalidade.

Nessa seara, importa consignar que aos danos ambientais


aplica-se o princípio do poluidor-pagador, o qual se encontra

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expressamente consignado na Constituição Federal, mais


precisamente em seu artigo 225, §3º:

Art. 225. Todos têm direito ao meio ambiente


ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e
essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao
Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e
preservá-lo para as presentes e futuras gerações.
(...)
§ 3º - As condutas e atividades consideradas lesivas ao
meio ambiente sujeitarão os infratores, pessoas físicas
ou jurídicas, a sanções penais e administrativas,
independentemente da obrigação de reparar os danos
causados.

Com efeito, no caso em comento, os elementos probatórios


constantes dos autos, a saber, Auto de Infração (fls. 21), Termo
de Embargo/Interdição (fl. 22), Termo de Inspeção (fls. 23),
Relatório de Fiscalização (fl. 27), Relatório de Vistoria (fls.
39/40), Notificação para apresentação do PRAD (fl. 49), Histórico
do Débito (fl. 50), Relatório de Constatação (fls. 59/63), Parecer
Técnico (fls. 191/194) e Memorando 669/2017/COMPRAR/SEDAM (fls.
214/224), demonstram ser incontroversa a ocorrência de dano
ambiental pelo desmatamento.

Assim, verificado o dano ambiental, deve-se perquirir o


responsável por sua ocorrência, que tanto poderá ser o responsável
direto, quanto o indireto, havendo uma relação de responsabilidade
solidária entre tais, pela reparação civil do dano ocorrido.

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No caso, a degradação ambiental constatada veio à tona no


bojo do Auto de Infração lavrado pelo IBAMA em desfavor do
requerido Roberto Carlos Miranda, cuja verificação ocorreu in
loco, restando clarividente o dano e sua autoria.

Ainda, evidenciando a autoria, à fl. 50, verifica-se a


Histórico do Débito adimplido pelo requerido Roberto Carlos
Miranda, em 11/08/2004.

Posteriormente, verificou-se que Eloir Antônio Moretti


passou a ser o proprietário do imóvel rural (fl. 63), razão pela
qual possuí responsabilidade em caráter solidário, por se tratar
de obrigação propter rem.

Vale consignar que o requerido Eloir Antônio Moretti


sustentou que adquiriu o imóvel consubstanciado na obtenção de
certidão negativa do IBAMA, onde não fazia constar qualquer
registro que desabonasse eventual transação contratual (fls. 127).

A verdade é que sendo a hipótese de obrigação propter rem,


desarrazoado perquirir quem causou o dano ambiental in casu, se o
atual proprietário ou os anteriores, ou a culpabilidade de quem o
fez ou deixou de fazer, posto que descabe falar em culpa ou nexo
causal como fatores determinantes do dever de recuperar a
vegetação nativa e averbar a Reserva Legal, mesmo se o imóvel já
estava desmatado quando de sua aquisição.
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Destarte, demonstrado o dano e o nexo de causalidade com a


conduta dos requeridos, mostra-se incontestável a responsabilidade
de reparar o dano causado ao meio ambiente.

Cabe esclarecer que, a reparação ambiental é medida


prioritária, entretanto, nada obsta a cumulação de obrigações de
fazer, não fazer e de pagar quantia certa a título de indenização,
a fim de recompor integralmente o dano causado.

Na hipótese, como há nos autos prova de que o requerido


Roberto Carlos Miranda tenha deixado à posse do imóvel, impossível
se mostra a sua condenação na obrigação de recomposição dos danos
causados, com a apresentação de Plano de Recuperação de Área
Degradada – PRAD, cabendo, tal medida, ao requerido Eloir Antônio
Moretti, posto que assume o passivo ambiental.

Depreende-se, ainda, que, a reparação ambiental, embora


seja medida prioritária, não obsta a cumulação de obrigações de
fazer, não fazer e de pagar quantia certa a título de indenização,
a fim de recompor integralmente o dano causado. Nessa esteira,
vigora em nosso sistema jurídico o princípio da reparação integral
do dano ambiental, de modo que o infrator - no caso o requerido
Roberto Carlos Miranda - deverá ser responsabilizado por todos os
efeitos decorrentes da conduta lesiva, permitindo-se que lhe seja
imputado a obrigação de indenizar.
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Para o STJ, essa conjunção “ou” – contida no citado artigo,


tem um sentido de adição (soma), não representando uma alternativa
excludente. Em outras palavras, será possível a condenação em
dinheiro, em sua acepção mais ampla, e também ao cumprimento de
obrigação de fazer/não fazer.

Na hipótese dos autos, existem elementos a amparar o


acolhimento do pedido, uma vez que o auto de infração nº 119119-D
(fls. 21) apontara a real extensão do dano, isto é, indicou a área
a ser recuperada.

Diante dessas ponderações, não se olvidando que a


indenização tem a concomitante natureza preventiva e punitiva, com
o objetivo de que fatos semelhantes ao ocorrido não mais se
repitam, garantindo, por uma ou outra via um meio ambiente
ecologicamente equilibrado, entendo como razoável, a tais títulos,
o arbitramento de multa correspondente ao percentual de 50% da
multa aplicada nos auto de infração nº 119119-D (fls. 21), ou
seja, o valor de R$ 1.000.00, corrigidos monetariamente desde a
data dos fatos, diante de seu caráter extracontratual, com juros
de mora a contar da citação, a ser recolhida ao Fundo de que trata
o art. 13, da Lei nº 7.347/85.

III – DISPOSITIVO

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Em face ao exposto, JULGO PROCEDENTE o pedido, nos termos


do art. 487, I, do CPC, para confirmar a liminar e condenar:

a) o requerido ELOIR ANTÔNIO MORETTI na obrigação de fazer


consistente em apresentar ao IBAMA, no prazo de 60 dias após o
trânsito em julgado, um Plano de Recuperação da Área Degradada –
área citada no Auto de Infração nº 119119-D (fl. 21) - devendo
posteriormente, no prazo de 06 (seis) meses, executar o projeto no
prazo indicado pela autarquia ambiental federal, atendendo também
as suas orientações, sob pena de incidência de multa diária, no
valor de R$ 1.000,00 (art. 11 da Lei nº 7.347/85), para o caso de
descumprimento das obrigações;

b) o requerido ROBERTO CARLOS MIRANDA ao pagamento de


indenização pecuniária pelo dano ambiental causado, fixada no
valor de R$ 1.000,00 (mil reais), corrigidos desde a data do fato
(22/07/2004) e juros de mora a contar da citação; e

c) Condenar, solidariamente, os requeridos ao pagamento das


custas processuais e em honorários advocatícios, estes arbitrados
em 10 % (dez) por cento do valor total da condenação, na forma do
art. 85, §2º, incisos I e III, do CPC/15.

Uma vez reconhecida à procedência dos pedidos, a sentença


não se sujeita ao reexame necessário, a teor do art. 19 da Lei
n.º4717/65.

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IV – PROVIDÊNCIAS FINAIS

Do recurso interposto

1. Interposto recurso, deverá a Secretaria do Juízo


certificar o recolhimento do preparo (caso necessário), até as
quarenta e oito horas seguintes à interposição do recurso, sob
pena de deserção (art. 1007, CPC).

Esclarece-se que i) a União, suas autarquias e fundações,


são isentas de custas, emolumentos e taxas judiciárias, nos termos
do art. 24-A da Lei n. 9.028/95, com redação dada pelo art. 3° da
Medida Provisória n. 2.180-35/2001; ii) na hipótese de concessão
dos benefícios da assistência judiciária gratuita, estará a parte
autora dispensada do preparo recursal.

2. Em seguida, intime-se a parte recorrida desta sentença e


para apresentar contrarrazões no prazo legal.

3. Após, com a interposição de recurso, com ou sem


contrarrazões, remetam-se os autos ao Tribunal Regional Federal da
1ª Região.

Preclusas as vias impugnatórias, ou ausentes os


pressupostos recursais necessários, arquivem-se os autos
procedendo-se às anotações de praxe.
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Publique-se. Registre-se. Intimem-se.

Vilhena, 14 de dezembro de 2017.

RODRIGO GASIGLIA DE SOUZA


Juiz Federal

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