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PODER JUDICIÁRIO

TRIBUNAL DE JUSTIÇA DE SÃO PAULO

TRIBUNAL DE JUSTIÇA DE SÃO PAULO


ACÓRDÃO/DECISÃO MONOCRÁTICA
REGISTRADO(A) SOB N°

ACÓRDÃO i mil mu mi um mi mu mi mi nu m
'03026297*
Vistos, relatados e discutidos estes autos de
Apelação n° 994.09.281488-4, da Comarca de São Paulo,
em que são apelantes ROBERTO DIAS JORGE e BANCO ITAU
SA sendo apelados BANCO ITAU SA e ROBERTO DIAS JORGE.

ACORDAM, em 7 a Câmara de Direito Privado do


Tribunal de Justiça de São Paulo, proferir a seguinte
decisão: "NEGARAM PROVIMENTO AO RECURSO. V. U.", de
conformidade com o voto do Relator, que integra este
acórdão.

O julgamento teve a participação dos


Desembargadores LUIZ ANTÔNIO COSTA (Presidente sem
voto), ELCIO TRUJILLO E SOUSA LIMA.

São Paulo, 09 de junho de 2010.

DIMAS CARNEIRO
RELATOR
PODER JUDICIÁRIO
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO
APELAÇÃO CÍVEL N° 994.09.281488-4
7 a Câmara de Direito Privado

VOTO IM° 9 4 5 6
COMARCA DE SÃO PAULO - FORO REGIONAL DO
JABAQUARA

APELANTE E APELADO: ROBERTO DIAS JORGE E BANCO


ITAU S/A

APELADO: BANCO ITAU S/A E ROBERTO DIAS JORGE

CADERNETA DE POUPANÇA - PLANOS


GOVERNAMENTAIS "BRESSER" E
"VERÃO" - PRESCRIÇÃO - ART. 178, §
10, I I I , ANTIGO CC - INAPLICABILIDADE
- PRAZO VINTENÁRIO - JUNHO/1987 -
APLICABILIDADE DO IPC - LEI N°
7.730/89 - PRESERVAÇÃO DO ATO
JURÍDICO PERFEITO E DO DIREITO
ADQUIRIDO - JUROS MORATÓRIOS -
TERMO INICIAL MANTIDO - APELO
DESPROVIDO

Vistos.

Ação de cobrança promovida por titular


de carteira de poupança contra o banco de investimento
reclamando diferença de atualização decorrente dos planos
governamentais denominados "Bresser" e "Verão".

Apelação Cível n° 994.09.281488-4/ v


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APELAÇÃO CÍVEL N° 994.09.281488-4
7 a Câmara de Direito Privado

No Juízo originário a ação foi julgada


parcialmente procedente.
Ambas as partes apelaram. O autor
insiste na procedência integral da demanda. O banco-réu,
por sua vez, argui:
a) ilegitimidade passiva;
b) prescrição;
c) ausência de direito adquirido;
d) regularidade dos índices aplicados, de
acordo com a lei vigente.
Recurso respondido.

É o relatório.

O contrato de aplicação em caderneta de


poupança foi firmado entre a instituição depositária e o
depositante do que emerge a legitimidade passiva e ativa
para a demanda.
Anote-se que a demanda engloba valores NÃO
BLOQUEADOS pela Lei n° 8.024/90, o que afasta qualquer
discussão sobre a legitimidade passiva do apelante.
Nesse sentido:
Apelação 7249277000
Relator(a): Miguel Petroni Neto
Comarca: São José do Rio Preto
Órgão julgador: 2 0 a Câmara de Direito Privado
Data do julgamento: 2 4 / 1 1 / 2 0 0 8
Data de registro: 1 5 / 1 2 / 2 0 0 8 J ,

Apelação Cível n° 994.09.281488-4/ voto n° 9tf5£4aTO55 2


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APELAÇÃO CÍVEL N° 994.09.281488-4
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Ementa: COBRANÇA - Caderneta de poupança -


Remuneração - Diferença - Planos Bresser, Verão e
Collor I e II - Ação procedente-Preliminar de
ilegitimidade passiva - Relação jurídica material
estabelecida entre as partes - Legitimidade passiva ad
causam reconhecida no caso dos planos Bresser e
Verão - Legitimidade passiva, nos planos Collor I e I I ,
reconhecida apenas em relação aos valores não
bloqueados por força da lei n° 8 . 0 2 4 / 9 0 - Preliminar
afastada - recurso improvido para esse fim CORREÇÃO
MONETÁRIA E JUROS REMUNERATÓRIOS - Preliminar
de prescrição - Juros mensais capitalizáveis -
Correção que se destina à simples atual ização do
valor da moeda - Hipóteses em que os acessórios se
agregam ao principal, incidindo a prescrição
vintenária - Inaplicabilidade do art. 178, § 10, inc. I I I ,
do Código Civil de 1.916 e exegese do art. 2.028, do
novo Código Civil - Preliminar afastada - Recurso
improvido para esse fim
Correção monetária é a simples
reposição do poder aquisitivo da moeda e, desta forma, não
constitui valor acessório ao principal, razão pela qual não se
aplica o disposto no art. 178, § 10, inciso I I I , da antiga Lei
Civil.
Da mesma forma, os juros capitalizáveis
não se submetem ao lapso prescricional qüinqüenal porque
não podem ser apreciados isoladamente.
Nesse sentido: / •

Apelação Cível n<> 994.09.281488-4/ voto n° 9456 (altljõj") 3


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APELAÇÃO CÍVEL N° 994.09.281488-4
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"Se os juros são capitalizáveis, em


virtude de negócio jurídico, escapam ao art. 178, §
10°, I I I , do CC anterior. No instante em que se
tornam devidos e se inserem no capital, há ação nata
e solução. A prescrição é a vintenária da pretensão
concernente ao capital. Não há pretensão a receber
juros" (PONTES DE MIRANDA". Nessas condições,
afigura-se que a jurisprudência dominante é no
sentido de que "a correção monetária não é prestação
acessória, mas atualização do principal, que o integra,
restabelecendo seu poder aquisitivo. Descabe
confundi-la com acréscimo, rendimento ou lucro. Os
juros são devidos em decorrência da condenação do
réu a satisfazer o principal" (1° TACSP, Apelação
644.785-8, Rei. JUIZ RICARDO MOREIRA REBELLO, j .
28.11.95, in Ap. 1.191.798-9, Rei. Des. Cândido Alem).
Portanto, também aos juros
capitalizáveis se aplica a prescrição vintenária, nos termos
do art. 177 da antiga Lei Civil.
Nesse sentido:
Apelação 7234525800
Relator(a): Francisco Giaquinto
Comarca: Santo André
Órgão julgador: 2 0 a Câmara de Direito Privado
Data do julgamento: 1 7 / 1 1 / 2 0 0 8
Data de registro: 2 8 / 1 1 / 2 0 0 8
Ementa: CADERNETA DE POUPANÇA - Ação de
cobrança de diferença de correção monetária
(PLANOS BRESSER, VERÃO E COLLOR I ) - Ju/gamento

Apelação Cível n° 994.09.281488-4/ voto n° nt'](f^tnw>Y 4-


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de improcedência in limine (art. 285-A do CPC) -


Inadmissibilidade na hipótese, em que reconhecida a
prescrição da ação, distanciando-se dos pressupostos
trazidos no artigo 285-A do CPC: matéria
controvertida unicamente de direito, anteriores
decisões do juízo de improcedência em casos
idênticos e reprodução de sentenças paradigmas do
mesmo juízo CADERNETA DE POUPANÇA -
PRESCRIÇÃO - O prazo prescricional para pleitear
diferença de correção monetária de saldos da
caderneta de poupança e os respectivos juros é de
vinte anos, porquanto a correção monetária agrega-se
mensalmente ao principal. Inaplicabilidade do art
178, § 10°, I I I , do Código Civil de 1916 e do art. 206,
§ 3 ° , I I I do Código Civil em vigor (art. 2028 do Código
Civil em vigor) - Sentença reformada, afastando-se a
prescrição da ação. RECURSO PROVIDO.
Quanto ao "Plano Bresser", o Decreto-lei
n° 2.290/86 deu nova redação ao art. 12 do Decreto-Lei n°
2.284/86 e estabeleceu a remuneração da caderneta de
poupança pelas LBC (Letras do Banco Central do Brasil) ou
pelo IPC, com adoção daquele que maior resultado fosse
obtido, nos termos do art. 12, § 2 o .
0 Decreto-lei n° 2.335/87, publicado em
15.06.87, também alterou o Decreto-Lei n° 2.284/86 para
estabelecer a fixação da OTN de acordo com a variação do
IPC, bem como a aplicação da LBC no cálculo dos
rendimentos das cadernetas de poupança para o período de
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I o a 30.06.87, com crédito em julho/87 e, a partir do


crédito de agosto/87, na forma do seu art. 19 que dispunha:
"Art. 19. O IPC, a partir de julho de
1987, será calculado com base na média dos preços
apurados entre o início da segunda quinzena do mês
anterior e o término da primeira quinzena do mês de
referência."
Conjugando as disposições legais, temos
que o critério de opção pelo maior índice, IPC ou LBC,
vigorou de 01.03.87 a 15.06.87 e após 01.07.87,
exclusivamente o LBC.
Entretanto, somente em 16.06.87, data
de republicação do Decreto-Lei n° 2.335/87 por
determinação do Decreto-Lei n° 2.336/87, entrou em vigor
a restrição da LBC nas aplicações para o período de 01 a
30.06.87.
Portanto, para o mês de junho/87 não se
aplica o LBC diante do direito adquirido à aplicação do IPC
na data da renovação do contrato de poupança adotando-se
o índice que representa a real inflação, ou seja, 26,06%.
Lei nova não pode alterar o contrato em
execução.
A Lei n° 7.730, de 31 de janeiro de
1989, instituiu e regulou o "Plano Verão" através da
conversão da Medida provisória n° 32, de 15 de janeiro de
2989, em vigor a partir de 16/01/1989, e o seu art. 17, I,
determinou que os saldos das cadernetas de poupança
seriam atualizados, em fevereiro de 1989, com base no
rendimento acumulado da Letra Financeira c±6 Tesouro

Apelação Cível n° 994.09.281488-4/ voto n o ^ a á S Ê ^ a r t ^ 6~


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Nacional - LTF, verificados no mês de janeiro/1989,


deduzido o percentual de 0,5%.
A modificação do critério de atualização
de saldos prevista no art. 17 da Lei n° 7.730/89 não alcança
a conta poupança com aniversário até 15/02/1989 e o
poupador tem direito adquirido à atualização dos seus
depósitos pelo critério vigente na época da abertura ou
renovação do contrato, independentemente da data de
crédito dos rendimentos.
Assim, a proteção constitucional do art.
o
5 , XXXVI da Constituição Federal é de rigor e os contratos
firmados entre os poupadores e estabelecimento bancário,
durante a fluencia do prazo estabelecido para a correção
monetária mensal, não podem ser atingidos pelas normas
infraconstitucionais que alteraram os rendimentos da
caderneta de poupança.
Nesse sentido a jurisprudência do
Supremo Tribunal Federal:

AI-AgR 210681 / P R - PARANÁ


AG.REG.NO AGRAVO DE INSTRUMENTO
Relator(a): Min. SYDNEY SANCHES
Julgamento: 2 9 / 0 9 / 1 9 9 8 Órgão Julgador:
Primeira Turma

Publicação

DJ 04-06-1999 PP-00005
EMENTVOL-01953-03 PP-00581

Parte(s)

AGTE. : BANCO CENTRAL DO BRASIL


ADVDOS. : CASSIOMAR GARCIA SILVA E OLTPROS'

Apelação Cível n° 994.09.281488-4/ votoag^CÍSG tófáeofl '_____-^ 7


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AGDO. : IVO DA GAMA PARENTE


ADVDOS. : PAULO ROBERTO LADEWIG E OUTROS

Ementa

EMENTA: - DIREITO CONSTITUCIONAL, CIVIL E


PROCESSUAL CIVIL. CADERNETA DE POUPANÇA:
RENDIMENTOS (LEI N 7 . 7 3 0 / 8 9 , ART. 17, I ;
RESOLUÇÃO N 1.338 DO BANCO CENTRAL; E LEI N
8 . 1 7 7 / 9 1 , ART. 26). 1 . O Plenário do Supremo
Tribunal Federal, no julgamento da ADIn 493, firmou
o seguinte entendimento: "o disposto no art. 5 o ,
XXXVI, da Constituição Federal, se aplica a toda e
qualquer lei infraconstitucional, sem qualquer
distinção entre lei de direito público e lei de direito
privado, ou entre lei de ordem pública e lei
dispositiva" (RTJ 1 4 3 / 7 2 4 ) . 2. Sendo assim, as
normas infraconstitucionais, que modificaram os
rendimentos da caderneta de poupança (Lei
7 . 7 3 0 / 8 9 , art. 17, I , Resolução 1.338, do Banco
Central, e Lei 8 . 1 7 7 / 9 1 , art. 26) não podem atingir
contratos de adesão, firmados entre poupador e
estabelecimento bancário, durante a fluencia do prazo
estipulado para a correção monetária (mensal). 3.
Nesse sentido é a jurisprudência da Corte (RE
201.017; AGRRE 199.636; RE 205.249; RE 200.514;
RE 1 9 9 . 3 2 1 ; AGRAG 158.973). 4. De resto, é pacífica
jurisprudência do S.T.F. que não admite, em R.E.,
alegação de ofensa indireta à Constituição Federal,
por má interpretação de legislação
infraconstitucional. 5. Agravo improvido.

Trata-se de ato jurídico perfeito e direito


adquirido ao reajuste maior correspondente à incidência do
percentual da inflação real sobre as importâncias investidas.
No mês de janeiro de 1989 o IPC foi
calculado com base na oscilação dos preços do período de
51 dias (30 de novembro de 1988 a 20 de janeiro de 1989)
igual a 70,28% que, dividido por 51 para obtenção da

Apelação Cível n° 994.09.281488-4/ votQjs&9456-JJHÍ:òwJ.——~"~ 8


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inflação diária e multiplicado por 31 para a inflação mensal,


resulta no percentual de 42,72%, índice esse aplicável à
espécie, portanto.
Diante do exposto, voto pelo
desprovimento do apelo.

DIMAS CARNEIRO
Relator

Apelação Cível n° 994.09.281488-4/ voto n° 9456 (altco) 9