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FÁBIO RODRIGUES FERREIRA BARBOSA

PAREDE DIAFRAGMA MOLDADA IN LOCO

Trabalho de Conclusão de Curso


apresentado à Universidade
Anhembi Morumbi no âmbito do
Curso de Engenharia Civil com
ênfase Ambiental.

SÃO PAULO
2003
FÁBIO RODRIGUES FERREIRA BARBOSA

PAREDE DIAFRAGMA MOLDADA IN LOCO

Trabalho de Conclusão de Curso


apresentado à Universidade
Anhembi Morumbi no âmbito do
Curso de Engenharia Civil com
ênfase Ambiental.

Orientador:
Prof. Engº. Fernando José Relvas

SÃO PAULO
2003
AGRADECIMENTOS

Agradeço às empresas e as pessoas relacionadas que colaboraram com a


realização deste trabalho:

Ø Constrac Construtora e Empreendimentos Imobiliários Ltda;

Ø Geofix fundações;

Ø Engº . Walter Hiroiti Shimabukuro;

Ø Engº . Dario Ryoiti Hattori;

Ø Engº . Fernando José Relvas;

Ø Paulo Rodrigues Ferreira Barbosa.


SUMÁRIO

RESUMO.......................................................................................................IV

ABSTRACT....................................................................................................V

LISTA DE FIGURAS .....................................................................................VI

LISTA DE FOTOGRAFIAS ..........................................................................VII

1 INTRODUÇÃO ........................................................................................ 1

2 OBJETIVOS............................................................................................ 2

2.1 Objetivo Geral........................................................................................... 2

2.2 Objetivo Específico ................................................................................. 2

3 METODOLOGIA DO TRABALHO .......................................................... 3

4 JUSTIFICATIVA...................................................................................... 4

5 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA................................................................... 5

5.1 Parede Diafragma .................................................................................... 5

5.2 Documentos Necessários para Execução da Parede Diafragma .. 5


5.2.1 Sondagem;.......................................................................................... 5
5.2.2 Projeto da Parede Diafragma contendo as seguintes
informações:....................................................................................................... 5

5.3 Equipamentos, Acessórios e Materiais Necessários para


Execução da Parede Diafragma ....................................................................... 6

i
5.4 Atribuições de Cada Função Para Execução da Parede
Diafragma............................................................................................................ 16
5.4.1 Engenheiro........................................................................................ 16
5.4.2 Encarregado ..................................................................................... 17
5.4.3 Operador de diafragmadora............................................................ 17
5.4.4 Operador de Guindaste Auxiliar ..................................................... 17
5.4.5 Ajudantes .......................................................................................... 18

5.5 Fases de Execução da Parede Diafragma Moldada in loco .......... 19

5.6 Mureta Guia............................................................................................. 19

5.7 Escavação ............................................................................................... 23

5.8 Preparação do Painel............................................................................ 24

5.9 Concretagem .......................................................................................... 28

5.10 Principais Vantagens da parede diafragma moldada no local..... 30

5.11 Paredes Diafragma Pré-Moldadas...................................................... 30


5.11.1 Principais Vantagens da Parede Pré-Moldada ............................. 31
5.11.2 Placas Protendidas .......................................................................... 31

5.12 Paredes Diafragma Plásticas .............................................................. 31

6 ESTUDO DE CASO .............................................................................. 33

6.1 Dados do Empreendimento Quadra Hungria................................... 33

6.2 Motivo da Utilização de Parede Diafragma neste


Empreendimento ............................................................................................... 33

6.3 Escolha do Tipo de Parede Diafragma .............................................. 35

6.4 Dados Referentes à Execução da Parede Diafragma Moldada in


loco no Ed. Quadra Hungria............................................................................ 35

ii
6.5 Execução da Parede Diafragma e Cuidados após a sua
Execução............................................................................................................. 36

7 ANÁLISE OU COMPARAÇÃO/CRÍTICA ............................................. 40

8 CONCLUSÕES ..................................................................................... 41

9 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS..................................................... 42

iii
RESUMO

A parede diafragma é utilizada em obras de edifícios residenciais e


comerciais com subsolos tendo a presença de água do lençol freático,
galerias de metrô, estruturas portuárias, proteção de fundações de pilares de
pontes, reservatórios subterrâneos, fundações profundas, estruturas de
contenção para prevenção de deslizamentos, canalização de rios e
córregos.

A parede diafragma poderá ter função estática ou de intercepção


hidráulica.

Existem hoje no Brasil três tipos de paredes diafragma:

Ø Parede Diafragma Moldada in loco;


Ø Parede Diafragma Pré-Moldada; e
Ø Parede Diafragma Plástica.

A parede diafragma moldada in loco é a mais utilizada hoje em dia, nos


edifícios residenciais e comerciais.

Na revisão bibliográfica serão explicados todos os métodos construtivos,


suas técnicas e precauções executivas, salientando suas principais
vantagens e os cuidados necessários nas edificações vizinhas, durante a
execução da parede diafragma moldada no local.

No estudo de caso será explicado o motivo de sua utilização e porque a


escolha desse método construtivo.

Na conclusão serão mencionados os aspectos negativos do método


construtivo da parede diafragma moldada no local. .

iv
ABSTRACT

The diaphragm wall is used in both residential and commercial buildings with
underground stories and high level of the ground water. They are also used
for subways galleries, port structures, protection of bridges foundations,
underground reservatories, deep foundations, sliding prevention and
construction of canals.

The diaphragm wall can have either static function or hydraulic interception.

Presently there are three types in Brazil:

Ø Diaphragm wall locally molded;


Ø Pre-molded diaphragm wall; and
Ø Plastic diaphragm wall.

The first type is the most frequent used in both residential and commercial
buildings and it’ll be this report theme.

This report is based on a bibliography files and it’ll explain how to build, the
techniques, the benefits and the main stages of the construction of the
Diaphragm wall locally molded – especially the worries that the engineer has
to have about the neighborhood’s buildings.

The real case of this report will explain why the Diaphragm wall locally
molded was chosen as the best way of starting any construction.

At last it’ll be mentioned the negative aspects of the use of the Diaphragm
wall locally molded.

v
LISTA DE FIGURAS

Figura 5.3.1 Painel Inicial..............................................................................09


Figura 5.3.2 Painel Sequênte........................................................................09
Figura 5.3.3 Painel de Fechamento...............................................................09
Figura 6.2.1 Perfil de Sondagem.................................................................. 34

vi
LISTA DE FOTOGRAFIAS

Foto 5.3.1 Diafragmadora............................................................................... 6


Foto 5.3.2 Clamshell....................................................................................... 7
Foto 5.3.3 Guindaste auxiliar.......................................................................... 7
Foto 5.3.4 Cabo de medida ............................................................................ 8
Foto 5.3.5 Armadura ou Gaiola ...................................................................... 8
Foto 5.3.6 Tubo Junta ou Chapa Junta .......................................................... 9
Foto 5.3.7 Tubo de Concretagem ou Tubo Tremonha ................................. 10
Foto 5.3.8 Funil............................................................................................. 11
Foto 5.3.9 Chapa Espelho............................................................................ 12
Foto 5.3.10 Tanques de Lama ..................................................................... 13
Foto 5.3.11 Bombas de Lama ...................................................................... 13
Foto 5.3.12 Desareador................................................................................ 13
Foto 5.3.13 Lama Bentonítica ...................................................................... 15
Foto 5.6.1 Mureta Guia ................................................................................ 19
Foto 5.6.2 Sub-muramento........................................................................... 20
Foto 5.6.3 Quebra de viga Baldrame............................................................21
Foto 5.6.4 Retirada de Estaca...................................................................... 21
Foto 5.6.5 Fôrma da mureta guia ................................................................. 21
Foto 5.6.6 Concretagem da mureta guia ...................................................... 22
Foto 5.7.1 Escavação do Painel ................................................................... 23
Foto 5.7.2 Escavação e Colocação da Lama Bentonítica ............................ 24
Foto 5.8.1 Chapa Espelho.............................................................................25
Foto 5.8.2 Colocação da Chapa Espelho ..................................................... 25
Foto 5.8.3 Armação sendo Içada........................................................................26
Foto 5.8.4 Armação sendo Colocada no Painel ................................................ 26
Foto 5.8.5 Emendando os Tubos Tremonha ................................................ 26
Foto 5.8.6 Emendando as Juntas................................................................. 27
Foto 5.8.7 Desareando o Painel ................................................................... 27
Foto 5.8.8 Colocação da Bola no Funil..........................................................28
Foto 5.8.9 Retirada da Bola.......................................................................... 28

vii
Foto 5.9.1 Ensaio Tecnológico ..................................................................... 29
Foto 5.9.2 Retirada Chapa e Junta...............................................................29
Foto 5.9.3 Painel Concretado....................................................................... 29
Foto 6.1.1 Ed. Quadra Hungria .................................................................... 33
Foto 6.5.1 Escavação Mecânica................................................................... 36
Foto 6.5.2 Escavação Mecânica................................................................... 36
Foto 6.5.3 Perfuração do Solo...................................................................... 37
Foto 6.5.4 Central de Injeção dos Tirantes................................................... 38
Foto 6.5.5 Injeção da Calda de Cimento no Tirante ..................................... 38
Foto 6.5.6 Protensão do Tirante................................................................... 39
Foto 6.5.7 Macaco Hidráulico para Protensão dos Tirantes......................... 39

viii
1 INTRODUÇÃO

Parede diafragma tem como objetivo conter a água do lençol freático e


consequentemente conter também o solo.
A utilização de paredes diafragma vem crescendo muito na construção civil,
pelo motivo de resolver problemas de difícil ou impossível solução pelo
método tradicional, principalmente em obras com subsolo e presença de
água do lençol freático, a parede diafragma poderá ter função estática e de
intercepção hidráulica, podendo ser constituída de concreto simples, armado
ou de concreto plástico e impermeável conforme a sua destinação.
A parede diafragma é executada em todo o perímetro da obra, variando a
espessura e profundidade, possibilitando assim uma escavação vertical do
terreno sem a presença de água do lençol freático.
Antigamente a parede diafragma era utilizada nas construções de barragens
para interceptação de fluxo de infiltração, hoje em dia já estamos utilizando
para outros fins, tais como: galerias de metrô, estruturas portuárias, proteção
de fundações de pilares de pontes, parede de contenção para escavação em
subsolos, inclusive nas proximidades de edificações vizinhas, execução de
reservatórios subterrâneos, fundações profundas, estruturas de contenção
para prevenção de deslizamentos e para canalização de rios e córregos.

1
2 OBJETIVOS

2.1 Objetivo Geral

Contribuir para a divulgação das técnicas executivas de paredes diafragma


moldada no local, destacando-se todos os cuidados necessários na sua fase
de execução.

2.2 Objetivo Específico

Estudo bibliográfico sobre parede diafragma moldada no local, suas técnicas


e precauções executivas, salientando também as suas principais
vantagens, cuidado nas edificações vizinhas, detalhamento dos métodos
executivos, materiais e equipamentos necessários para sua execução e as
responsabilidades de cada função, engenheiro, encarregado, operadores de
máquinas e ajudantes.

2
3 METODOLOGIA DO TRABALHO

A pesquisa foi baseada em consultas a livros, revistas, apostilas, catálogos,


vídeos, normas ABNT, internet e entrevistas técnicas com calculistas,
engenheiros de planejamento e de produção.

Para o desenvolvimento teórico fez parte da pesquisa a coleta de material


bibliográfico junto a empresas e consultores ligados a técnicas construtivas
que englobam a execução e procedimentos da parede diafragma moldada
no local.

Visando melhorar o conhecimento técnico foram feitas entrevistas com


profissionais dos variados segmentos da engenharia que desenvolveram,
participaram ou executaram projetos de fundações sobre parede diafragma
moldada no local.

Como ilustração são apresentadas informações técnicas através de fotos,


relatórios de obras que utilizaram o sistema de parede diafragma moldada
no local.

3
4 JUSTIFICATIVA

Com o crescimento das construções de prédios residenciais e comerciais, os


engenheiros têm que garantir a qualidade desta construção, mas também
devem ter a consciência da enorme responsabilidade em relação a possíveis
avarias e danos nas edificações vizinhas.
Portanto estará sendo enfatizado neste trabalho a execução detalhada da
parede diafragma moldada no local fase a fase, os cuidados técnicos que
devem ter antes, durante e após a sua execução a fim de garantir a
qualidade do serviço executado.
O motivo determinante para o tema deste trabalho, foram algumas visitas
realizadas em obras, onde se aplicava esta solução, entretanto sem as
preocupações pertinentes à execução e aos efeitos nos vizinhos.

4
5 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

5.1 Parede Diafragma


A parede diafragma tem uma grande importância nas obras de construção
civil abaixo do nível do lençol freático, existem vários tipos de parede
diafragma tais como:
Ø Parede Diafragma Moldada in loco;
Ø Parede Diafragma Pré-Moldadas, que podem ser:
ü Parede Parcialmente Pré-Moldada;
ü Parede Totalmente Pré-Moldada;
ü Placas Protendidas.
Ø Parede Diafragma Plásticas.
O trabalho enfatiza a parede diafragma moldada in loco, portanto será
explicado detalhadamente todo o processo executivos, contendo os
cuidados necessários para sua execução, suas principais vantagens, e
também serão mencionados os outros tipos de paredes diafragma utilizados
atualmente na construção civil.

5.2 Documentos Necessários para Execução da Parede


Diafragma

5.2.1 Sondagem;
5.2.2 Projeto da Parede Diafragma contendo as seguintes
informações:
Ø Local de execução;
Ø Cota de apoio;
Ø Cota de arrasamento;
Ø Espessura da parede diafragma;
Ø Armadura das Gaiolas
Ø Detalhamento da execução da mureta guia;
Ø Divisões dos painéis;
Ø Sequência executiva dos painéis;

5
Ø Resistência, Slump e brita do concreto;
Ø Detalhamento da escavação mecânica do terreno;
Ø Detalhamento da execução de tirantes (quando necessário);
Ø Diâmetro e quantidade de cordoalha para execução dos tirantes e
Ø Carga de trabalho e de teste dos tirantes.

5.3 Equipamentos, Acessórios e Materiais Necessários para


Execução da Parede Diafragma

Ø DIAFRAGMADORA (Foto 5.3.1): conjunto composto pelo clamshell e


guindaste principal, esse equipamento que irá escavar para executar a
parede diafragma ele deverá estar adequado ao projeto, devendo estar
perfeitamente alinhado e balanceado, isso é a qualidade da parede
diafragma com prumo e alinhamento dependerá muito do estado do
equipamento e da ferramenta de escavação, o guindaste deve estar
dimensionado para suportar com folga as solicitações provocadas pela
operação de escavação e o clamshell, quando livremente suspensos,
deve ser acoplado ao cabo de sustentação por meio de um destorcedor,
a fim de eliminar o fenômeno de torção, que é induzido pelo cabo de
sustentação;

Foto 5.3.1 Diafragmadora

6
Ø CLAMSHELL (Foto 5.3.2): ferramenta de escavação, de formato
retangular capaz de escavar as lamelas das paredes diafragma, podendo
ser livremente suspensa acoplada às barras kelly, sendo que os
fechamentos das conchas ou mandíbulas pode ser por acionamento
mecânico ou hidráulico;

Foto 5.3.2 Clamshell


Ø BARRAS KELLY: haste de metal que suporta e dirige o clamshell;

Ø GUINDASTE AUXILIAR (Foto 5.3.3): equipamento sobre esteiras,


utilizado no manuseio das gaiolas, na operação de concretagem, no
manuseio do tubo tremonha, juntas, na movimentação das bombas,
portanto a diafragmadora só irá escavar a parede diafragma e o
guindaste auxiliar irá concretar o painel escavado pela diafragmadora;

Foto 5.3.3 Guindaste auxiliar

7
Ø CABO DE MEDIDA (Foto 5.3.4): cabo de aço graduado em metro em
metro com um peso na extremidade, destinado a medir a profundidade
da escavação ou a profundidade da superfície do concreto durante a
concretagem;

Foto 5.3.4 Cabo de medida

Ø ARMADURAS OU GAIOLAS (Foto 5.3.5): ferragens dos painéis


previamente montadas já com os chamados roletes;

Foto 5.3.5 Armadura ou Gaiola

Ø ROLETES: São roletes de plástico colocado na armação das gaiolas que


serve para deslizar a gaiola dentro do painel escavado e também tem
como função de servir como cobrimento da armadura da gaiola;

Ø PAINÉIS OU LAMELAS: componentes justapostos que são executados,


em certa sequência, da superfície do terreno, possuindo juntas do tipo
macho e fêmea, os painéis ou lamelas são divididos da seguinte maneira,
painel inicial (Fig. 5.3.1), painel sequente (Fig. 5.3.2) e painel de

8
fechamento (Fig. 5.3.3), no painel de fechamento é importante verificar
se a largura do painel não está menor do que a largura do clamshell;

Figura 5.3.1 Painel inicial

Figura 5.3.2 Painel sequente

Ø TUBO JUNTA OU CHAPA JUNTA (Foto 5.3.6): chapas ou tubos


metálicos colocados nas extremidades dos painéis antes da concretagem
e são retirados quando inicia o pega do concreto, os tubos e as chapas
juntas são colocados conforme a classificação dos painéis tais como:
painel inicial são colocados as juntas nas duas extremidades (Fig. 5.3.1),
painel sequênte é colocado a junta apenas em uma extremidade
(Fig. 5.3.2) e o painel de fechamento não são colocados juntas (Fig.
5.3.3);

Foto 5.3.6 Tubo Junta ou Chapa Junta

9
Ø LIMPADOR DE JUNTA: ferramenta que permite proceder a uma
raspagem eficiente na junta fêmea do painel que vai ser concretado a fim
de remover todo o solo à ela aderido devido a escavação do painel, esse
limpador de junta é utilizado logo em seguida que termina a escavação
da parede diafragma, esse passo é importantíssimo porque se ficar
algum resíduo de solo na junta irá causar complicações, terá um ponto
de infiltração de água na parede diafragma, são esses tipos coisas que
não podemos deixar acontecer;

Ø TUBO DE CONCRETAGEM OU TUBO TREMONHA (Foto 5.3.7): tubos


metálicos de diversos comprimentos acoplados entre si, utilizados para
concretagem da parede diafragma, o diâmetro mínimo deve ser de 250
mm (10”) e comprimento maior que a profundidade do painel, mas nas
paredes com espessura menor de 40 cm, pode ser utilizado um tubo de
concretagem ou tubo tremonha com diâmetro de 200 mm (8”), desde que
se utilize concreto com slump maior do que 21 cm, e os acoplamentos
entre os tubos devem proporcionar uma estanqueidade perfeita, no caso
de painel de fechamento que geralmente é maior do que 4,00 m é
necessário ter mais de um tubo de concretagem ou tubo tremonha;

Foto 5.3.7 Tubo de Concretagem ou Tubo Tremonha

10
Ø FUNIL (Foto 5.3.8): funil metálico que é colocado na parte superior do
tubo de concretagem ou tubo tremonha para facilitar a aplicação do
concreto;

Foto 5.3.8 Funil

Ø CONCRETO: o concreto da parede diafragma terá que ter um consumo


de cimento de 400 Kg por metro cúbico de concreto, o fator água cimento
deve estar entre os limites de 0,5 a 0,6 e o slump poderá variar entre 18
a 24 cm dependendo do diâmetro do tubo tremonha, e o agregado
graúdo de diâmetro máximo de 20 mm, segundo NBR 6122 (1996).
A trabalhabilidade desse concreto é um fator importante para não ocorrer
falhas na parede diafragma, caso isso aconteça será um ponto de infiltração
de água na parede, também não poderá ocorrer junta fria na parede
diafragma, porque também será um ponto de possível infiltração de água.

11
Ø CHAPA ESPELHO (Foto 5.3.9): chapa de aço colocada do lado interno
da parede diafragma a fim de melhorar as condições de acabamento, e
também serve para diminuir o overbreak, está chapa é colocada logo que
se limpa a junta e ela só é retirada quando se inicia o pega do concreto;

Foto 5.3.9 Chapa Espelho

Ø OVERBREAK: número, expresso em percentagem, que indica o excesso


de concreto efetivamente utilizado em relação ao volume teórico;

Ø AMOSTRADOR OU COLETOR DE LAMA: dispositivo graduado que


permite a retirada de amostra da lama em qualquer profundidade;

Ø LABORATÓRIO DE CAMPO: conjunto de aparelhos destinados a medir


os parâmetros que controlam as propriedades da lama bentonítica;

12
Ø TANQUES DE LAMA (Foto 5.3.10): recipiente metálico para estocagem
da lama bentonítica;

Foto 5.3.10 Tanques de Lama

Ø BOMBAS DE LAMA (Foto 5.3.11): bombas de alta vazão, do tipo


submersa ou não, apropriadas para o bombeamento de lamas densas e
com alta percentagem de areia;

Foto 5.3.11 Bombas de Lama

Ø DESAREADORES (Foto 5.3.12): equipamento utilizado para retirar


areias da lama bentonítica;

Foto 5.3.12 Desareador

13
Ø BENTONITA: argila da família das montmorilonitas encontrada em
depósitos naturais, usada para a fabricação da lama bentonítica que
deve atender às especificações extraídas da NBR 6122, e devem ser
fornecidos pelo fornecedor da bentoníta os resultados dos ensaios,
resíduos na peneira nº . 200 é menor ou igual a 1%, teor de umidade é
menor ou igual a 15%, limite de liquidez é maior ou igual a 440%,
viscosidade Marsh 1500/1000 da suspensão a 6º em água destilada é
maior ou igual a 40 Seg., água separada por presso-filtração de 450 cm²
de suspensão a 6% nos primeiros 30 minutos à pressão de 0,7 MPa é
menor ou igual a 18 cm², pH da água filtrada é entre 7 a 9 e a espessura
do cake no filtro-prensa é menor ou igual a 2,5 mm, segundo NBR 6122
(1996);

Ø TANQUES DE ÁGUA: recipiente metálico destinados à armazenagem de


água limpa para o preparo da lama bentonítica, são tanques iguais aos
tanques de lama, como mostra na (Foto 5.3.10);

Ø MISTURADOR DE LAMA: bomba de alta turbulência, provida de um


recipiente para misturar no mínimo, por parida, 800 litros de lama
bentonítica;

Ø LAMA BENTONÍTICA (Foto 5.3.13): mistura de água com a bentoníta em


pó em proporções adequadas ao desenvolvimento do serviço, essa
mistura da bentoníta com água potável é feita em uma proporção variável
de 25 a 75 Kg/m³ de água, esta variação é função da viscosidade que se
pretende obter e para permitir a adequada hidratação, ela deve ser
preparada pelo menos doze horas antes do seu uso, conforme NBR 6122
(1996).

14
Foto 5.3.13 Lama Bentonítica
A lama bentonítica possui as seguintes características importantes,
conforme NBR 6122 (1996):
a) Estabilidade, produzida pelo fato de a suspensão de bentonita se manter
por longo período;
b) Capacidade de formar nos vazios do solo e especialmente junto a
superfície integral da escavação uma película impermeável, a formação
dessa película é possível desde que a pressão da lama bentonítica será
garantida pela aplicação da pressão da lama nessa película
impermeável;
c) Ter um comportamento fluído quando agitada, porém capaz de formar
um gel quando em repouso, a esta propriedade se dá o nome de
propriedade tixotrópica.
A lama bentonítica deve ter as seguintes propriedades:
a) Peso específico entre 1,025 a 1,1 gf/cm³ medido através do densimetro;
b) Viscosidade entre 30 a 90 segundos medido através do funil Marsh;
c) pH entre 7 a 11 medido através do papel de tornasol;
d) Cake entre 1,0 a 2,0 mm medido através do filter press e
e) Teor de areia menor ou igual a 3% medido através do Baroid Sand
Content ou similar.

Ø CAKE: película de lama bentonítica formada nas paredes da escavação


através da penetração da lama nos seus vazios;

15
Ø COULIS: mistura, em proporções convenientes, de cimento, bentonita e
água formando uma mistura plástico, isso é mais utilizado nas paredes
diafragma plásticas e as paredes diafragma pré-moldada.

5.4 Atribuições de Cada Função Para Execução da Parede


Diafragma

5.4.1 Engenheiro
Ø Responder, junto com o encarregado, pelo planejamento e implantação
da obra;
Ø Analisar, junto com o encarregado, as condições de vizinhança;
Ø Analisar, junto com o encarregado, o perfil de sondagens;
Ø Discutir com o encarregado as condições contratuais e as
responsabilidades de ambas as partes;
Ø Analisar, junto com o cliente e outros empreiteiros, as interfaces dos
serviços;
Ø Estabelecer, junto com o encarregado, a sequência executiva e o
cronograma da obra;
Ø Supervisionar o andamento dos serviços;
Ø Analisar os boletins de execução da parede diafragma;
Ø Manter contato com os projetistas, clientes e gerenciadores;
Ø Verificar o limite do terreno para execução da mureta guia;
Ø Conferir a armação dos painéis;
Ø Conferir as medições dos empreiteiros;
Ø Calcular o volume do concreto para os painéis;
Ø Verificar os resultados tecnológicos do aço e concreto.

16
5.4.2 Encarregado
Ø Responder, junto com o engenheiro, pelo planejamento e implantação da
obra;
Ø Estabelecer, junto com o engenheiro, o lay out do canteiro,
compreendendo, disposição dos equipamentos, montagem da central de
lama, pátio de armação, escritório da obra, sequência executiva dos
painéis e verificar as condições e manutenções operacionais do canteiro;
Ø Verificar a qualidade da mureta guia;
Ø Receber e conferir os equipamentos, ferramentas e acessórios;
Ø Acompanhar, orientar e supervisionar a execução de todos os
procedimentos para a execução de paredes diafragma;
Ø Transmitir instruções aos subordinados quanto à segurança durante a
execução dos serviços, os locais a que a equipe pode ou não ter acesso;
Ø Verificar se está livre o caminho do caminhão betoneira até o painel que
vai ser concretado;
Ø Participar da amostragem do concreto e da determinação do slump test;
Ø Verificar a cota de arrasamento do concreto;
Ø Preencher os boletins de execução e controle;
Ø Registrar e relatar qualquer anomalia ao engenheiro.

5.4.3 Operador de diafragmadora


Ø Operar a diafragmadora;
Ø Responder pela sua conservação;
Ø Manter a diafragmadora limpa e lubrificada;
Ø Informar a manutenção dos serviços necessários e programar com o
encarregado quando faze-la;
Ø Responder pelo livro do equipamento e sua atualização.

5.4.4 Operador de Guindaste Auxiliar


Ø Operar o guindaste auxiliar;
Ø Responder pela sua conservação;
Ø Manter a diafragmadora limpa e lubrificada;

17
Ø Informar a manutenção dos serviços necessários e programar com o
encarregado quando faze-la;
Ø Responder pelo livro do equipamento e sua atualização.

5.4.5 Ajudantes
Escavação
Ø Acompanhar a escavação dos painéis;
Ø Verificar o prumo da ferramenta da escavação;
Ø Orientar o operador da diafragmadora;
Ø Comandar o fluxo de lama bentonítica para o interior da escavação
mantendo o nível da mesma sempre nos limites da mureta guia;
Ø Medir a profundidade do painel sempre que necessário;
Ø Retirar amostra da lama bentonítica sempre que necessário.

Instalação das Armaduras, Juntas e Chapas Espelho


Ø Orientar o operador do guindaste auxiliar durante o içamento e colocação
das armaduras, juntas e chapas espelho;
Ø Participar das operações de fixação das armaduras à mureta guia e
orientar os ajudantes;
Ø Responder pelo untamento com graxa das juntas e chapas espelho.

Preparo da Lama Bentonítica, Tratamento da Lama Bentonítica Antes


da Concretagem
Ø Orientar e participar do preparo da lama bentonítica (dosagem e tempo
de mistura);
Ø Retirar amostra para ensaio;
Ø Realizar os ensaios da lama bentonítica;
Ø Participar e orientar a operação de desareação, como conexão das
bombas da lama, conexão dos desareadores, operação dos registros dos
tanques de lama.

18
Concretagem
Ø Participar e orientar a montagem e desmontagem do tubo tremonha;
Ø Comandar o fluxo de concreto para o interior do painel;
Ø Medir a profundidade da superfície de concreto durante a concretagem;
Ø Responder pela limpeza do funil e tubos tremonha após a concretagem.

Retirada das Juntas e Chapas Espelho


Ø Orientar o operador do guindaste auxiliar na retirada das juntas e chapas
espelhos
Ø Responder pela limpeza das juntas e chapas espelho.

5.5 Fases de Execução da Parede Diafragma Moldada in loco

5.6 Mureta Guia


Mureta guia é uma mureta de concreto armado executada ao longo de todo
perímetro da obra, é realizada uma mureta do lado de fora da parede
diafragma e outra do lado de dentro da parede (Foto 5.6.1), a mureta guia
tem como função de servir de guia para a escavação da parede diafragma
com o Clam-Shell, segundo Anson (2001).

Foto 5.6.1 Mureta Guia

19
A execução da mureta guia, é feita da seguinte forma:
Ø Marcar o perímetro onde será executada a parede diafragma;
Ø Escavar todo o perímetro onde será executada a parede diafragma em
uma profundidade de 1,50 m e sua largura irá variar de acordo com a
espessura da parede diafragma, essa largura terá que ter a espessura da
mureta guia 0,15m cada uma, mais a espessura da parede diafragma
com um acréscimo de 0,04m, esse acréscimo é referente a colocação de
uma chapa espelho que é colocado na face interna da parede diafragma.
É importante lembrar que na escavação da mureta guia em uma divisa com
casas vizinhas é necessário realizar o sub-muramento das casa e muros
vizinhos, esse sub-muramento terá que ser feito com um tijolo de barro
comum (espessura de 10 cm), lembrando que não pode escavar toda
profundidade da mureta guia terá que ser feito em partes sub-murar e
depois escavar no máximo de 30 cm até chegar na cota correta da mureta
guia. Esse cuidado é importantíssimo para não ocasionar avarias nas
edificações vizinhas (Foto 5.6.2).

Foto 5.6.2 Sub-muramento


Além do sub-muramento também é importante verificar se não existe
nenhuma interferência onde será executada a parede diafragma, essas
interferências podem ser do tipo, vigas baldrames de edificações antigas e
estacas, caso existem essas interferências é necessário a sua remoção
antes de concretar a mureta guia, o motivo da remoção é para não ocasionar
um travamento do clam-shell junto com a mureta guia.
As remoções das interferências são feitas da seguinte forma: a viga
baldrame é quebrada com um martelete como mostra a Foto 5.6.3, e a

20
estaca é removida com um clam-shell menor medindo ~1,50 m de largura,
como mostra a Foto 5.6.4, colocando na escavação a lama bentonítica para
não desbarrancar o terreno, essa escavação só termina quando remover a
estaca por inteiro, o clam-shell vai mordendo a estaca quebrando pedaço
por pedaço, após a retirada é necessário recompor o solo com uma
argamassa de cimento e areia com um traço de 80 Kg de cimento para cada
m³ de areia.

Foto 5.6.3 Quebra de viga Baldrame Foto 5.6.4 Retirada de Estaca


Ø A escavação da mureta guia é feita em partes assim que terminar a
escavação da mureta guia poderá colocar a armação, não esquecendo
de deixar os arranques para a próxima etapa;
Ø Coloca-se a fôrma do lado onde será a parede diafragma, alinha-se,
nivela-se e trava-se a forma como mostra na (Foto 5.6.5);

Foto 5.6.5 Fôrma da mureta guia

21
É importante lembrar que quando a espessura da mureta guia for muito
grande é necessário colocar uma contra fôrma para não aumentar o
consumo de concreto, estudos mostraram que quando colocamos a contra
fôrma temos uma perda de concreto variando de 2 a 3%, essa perda ocorre
na aplicação do concreto. Mas quando não colocam a contra fôrma essa
perda poderá chegar até 50%, portanto quando a espessura da mureta guia
estiver muito irregular é necessário colocar uma contra fôrma.
Ø Concreta-se a mureta guia como mostra na Foto 5.6.6, com um concreto
de fck 15 MPa brita 1 mais 2 e slump 8 + ou – 2, esse concreto precisa
ter uma trabalhabidade boa para não ocasionar vazios na peça
concretada.

Foto 5.6.6 Concretagem da mureta guia


Para essa peça estrutural o concreto não tem necessidade de ser ensaiado
em laboratório tecnológico.
Ø Após 24 horas é feita a desfôrma, colocam-se galgas de pontalete entre
as duas muretas (as galgas tem que ter a espessura da parede
diafragma mais 4 cm), depois aterra-se a mureta guia até chegar no nível
superior.
Para começar a execução da parede diafragma, não é necessário esperar
terminar toda a mureta guia, isso é, assim que a execução da mureta guia

22
terminar em um dos lados do terreno incluindo os dois cantos de
extremidade, poderá começar a execução da parede diafragma. Lembrando
que é necessário esperar 72 horas após a execução da mureta guia para
começar a escavação da parede diafragma.

5.7 Escavação
Primeiramente é necessário marcar todos os painéis na mureta guia e
indica-lo se é painel inicial, sequênte ou de fechamento.
A escavação começa pelos painéis iniciais, portanto são feitos dois painéis
iniciais um em cada extremidade, depois de concretados são feitos os
painéis sequêntes, até sobrar um único painel que será de fechamento,
tomando o cuidado que esse painel tem que ser maior que a largura do
clamshell.
Depois de marcado o painel é necessário tirar o nível da mureta guia aonde
será escavado, para saber quantos metros é preciso escavar para chegar na
cota de ponta, e também para saber a cota de arrasamento.
A escavação é feita através da diafragmadora, quando a profundidade da
escavação ultrapassar o final da mureta guia já é necessário colocar a lama
bentonítica para evitar que solo desmorone como mostra na (Foto 5.7.1 e
5.7.2).

Foto 5.7.1 Escavação do Painel

23
Foto 5.7.2 Escavação e Colocação da Lama Bentonítica
Na escavação do primeiro painel é importante tirar uma amostra do solo em
metro em metro para posteriormente conferir com a sondagem do terreno.
Quando a escavação é feita em divisa do terreno é recomendável utilizar um
anteparo para não espirrar lama bentonítica nas edificações vizinhas.
Sempre que o nível da lama bentonítica abaixar é necessário adicionar mais,
o nível recomendável é 50 cm abaixo da cota superior da mureta guia como
mostra na (Foto 5.7.2).
Assim que a escavação atingir a cota de ponta termina essa primeira etapa,
essa profundidade é feita através do cabo de medida como mostra na
(Foto 5.3.4).
O equipamento utilizado hoje em dia para escavação tem uma tolerância de
verticabilidade de até 0,5% da profundidade do painel, mas quando ocorre a
presença de matacões, obstáculos e camadas duras inclinadas podem
prejudicar a obtenção desta verticabilidade, segundo Fundesp (1995).

5.8 Preparação do Painel


Quando existem painéis ao lado onde está escavando é necessário colocar
no clamshell uma ferramenta chamada de limpa junta, essa ferramenta é
importantíssima para uma boa qualidade da parede diafragma, porque irá
remover qualquer resíduo de solo que estará nas juntas.
Quando a diafragmadora acabar de limpar as juntas terminará também o seu
serviço, podendo ir para um outro painel e começar a escavar.

24
A partir dessa etapa até o término da execução desse painel quem irá
executar será o guindaste auxiliar.
Inicia-se com a Colocação das chapas espelhos sempre do lado interno da
parede diafragma apoiada sobre a mureta guia, o número de chapas
dependerá do tamanho do painel, como mostra na (Foto 5.8.1 e 5.8.2).

Foto 5.8.1 Chapa Espelho Foto 5.8.2 Colocação da Chapa Espelho


Separam-se as gaiolas que irão no painel escavado, confere-se a armação
(Foto 5.8.3). Com os ganchos que são soldados na parte superior da gaiola
o guindaste auxiliar pega a gaiola e coloca-se dentro do painel escavado,
(Foto 5.8.4) quando a profundidade do painel for maior que 12 metros é
necessário soldar o complemento da armação. Esse processo é bastante
simples, coloca-se a armação de 12 metros no painel, trava-se para ela para
não cair, o guindaste auxiliar pega o complemento da armação e coloca-se
em cima da armação de 12 metros e solda-se.

25
Foto 5.8.3 Armação sendo Içada Foto 5.8.4 Armação sendo Colocada no Painel

Colocam-se os tubos tremonha dentro da gaiola ou entre as duas gaiolas,


dependerá da espessura da parede diafragma, paredes com espessuras de
30 e 40 cm são colocados entre as duas gaiolas e paredes com 50, 60, 80,
100 e 120 cm são colocados dentro da gaiola. O número de tremonha
dependerá da largura do painel, geralmente quando for maior que 4 metros
utilizam dois tubos tremonha.
Esses tubos tremonha têm comprimento variável, vão emendando até atingir
a profundidade correta, lembrando que ele tem que ficar ~50 cm acima do
nível da mureta guia, para posteriormente colocar o funil, como mostra na
(Foto 5.8.5).

Foto 5.8.5 Emendando os Tubos Tremonha

26
Agora são colocadas as juntas, que também são de comprimento variável,
elas são emendadas até atingir a dimensão do painel como mostra
na (Foto 5.8.6).

Foto 5.8.6 Emendando as Juntas


A quantidade de juntas dependerá se o painel for inicial, sequênte ou de
fechamento, se for um painel inicial será necessário utilizar duas juntas, se
for um painel sequênte será necessário utilizar apenas uma junta, do lado
onde não existir um outro painel e se for um painel de fechamento não é
colocado nenhuma junta porque já existem painéis dos dois lados.
É necessário realizar o ensaio com a lama bentonítica, para determinar qual
a porcentagem de areia, caso o ensaio mostre que a porcentagem de areia é
menor ou igual a 3%, não é necessário passar pelo desareador, mas se der
uma porcentagem maior que 3% é necessário passar pelo desareador, como
mostra na (Foto 5.8.7), segundo Anson (2001).

Foto 5.8.7 Desareando o Painel


Esse ensaio é bastante simples, coloca-se em uma proveta 100 cm³ de lama
bentonítica, depois completa-se com 300 cm³ de água, agitar fortemente a

27
mistura até ficar homogênea, despeja-se em um recipiente acoplado com
uma peneira com malha de 0,075 mm, inverter o recipiente, depositando a
areia e água na proveta, esperar sedimentar e ler na escala graduada da
proveta o teor de areia contido na mistura em volume, segundo Anson
(2001).
Acopla-se o funil no tubo tremonha e coloca-se uma bola de borracha dentro
do funil, (Foto 5.8.8) para quando começar cair o concreto ele irá empurrar a
bola para baixo do tubo tremonha até sair no final do tubo, depois como a
bola está cheia de ar, irá subir até a superfície do painel, como mostra na
(Foto 5.8.9), esse procedimento é feito apenas para limpar o tubo tremonha.

Foto 5.8.8 Colocação da Bola no Funil Foto 5.8.9 Retirada da Bola

5.9 Concretagem
O concreto é lançado no funil, passa pelo tubo tremonha e começa a encher
o painel de baixo para cima, como o tubo tremonha é composto de diversos
pedaços, vão sendo levantados à medida que o nível do concreto vai
subindo.
Na concretagem é necessário instalar uma bomba para retirar a lama
bentonítica do painel para o tanque de lama, esse bombeamento tem que
ser sincronizado, o volume de concreto que entra no painel precisa sair o
mesmo volume de lama bentonítica, deixando sempre o nível de lama dentro
da mureta guia.

28
Como esse concreto tem uma importantíssima função estrutural é
necessário realizar ensaios tecnológicos, como mostra na (Foto 5.9.1).

Foto 5.9.1 Ensaio Tecnológico


É importante parar o concreto na cota correta de arrasamento (quando
possível).
Quando terminar a concretagem retira-se o tubo tremonha deixando apenas
as chapas espelhos e as juntas.
Quando o concreto iniciar o seu pega, é necessário retirar as chapas
espelhos e as juntas, como mostra as Fotos 5.9.2 e 5.9.3.

Foto 5.9.2 Retirada Chapa e Junta Foto 5.9.3 Painel Concretado

29
5.10 Principais Vantagens da parede diafragma moldada no local

Ø A grande versatilidade em se adaptar à geometria do projeto;


Ø A ausência de vibrações durante a sua execução;
Ø Não causar sensíveis modificações nas características dos solos
adjacentes ou no nível do lençol freático;
Ø As grandes profundidades que se pode atingir nos mais diversos tipos de
solo, abaixo do nível da água e junto com as estruturas já existentes,
sem causar danos nenhum;
Ø Podem ser utilizadas simultaneamente para suportar empuxos laterais e
cargas verticais;
Ø Funciona como cortina impermeabilizante impedindo a passagem de
água.

5.11 Paredes Diafragma Pré-Moldadas

As paredes diafragmas pré-moldadas são constituídas por uma série de


elementos em concreto armado preparados em usinas ou então no próprio
canteiro de obra, esses painéis são dimensionados e armados para
responder às solicitações a que serão submetidos, segundo Fundesp (1995).
Existem dois tipos de parede diafragma pré-moldada:
Ø Parede parcialmente pré-moldada: tem como objetivo de limitar o
comprimento das placas pré-moldadas e assim também o seu peso,
portanto será concretado “in loco” um pequeno trecho da parte inferior do
painel, por isso permite que eventuais variações na profundidade de
escavação sejam compensadas pelo trecho moldado “in loco”, segundo
Fundesp (1995).
Ø Parede totalmente pré-moldada: neste caso não há nenhuma
concretagem “in loco”, e sim apenas o engastamento da parede pré-
moldada dentro do coulis, segundo Fundesp (1995).

30
5.11.1 Principais Vantagens da Parede Pré-Moldada

Ø Painéis com uma espessura menor do que os painéis concretados “in


loco”, devido à melhor qualidade de concretagem em usina em relação a
concretagem do painel moldado “in loco”;
Ø Acabamento perfeito da face visível;
Ø Possibilidade de painéis pré-protendidos, o que permite reduzir o peso
dos painéis;
Ø Eliminação dos problemas ligados ao over break, isto é perda de
concreto;
Ø Possibilidade de utilização de juntas especiais que garantem ótimas
condições de estanqueidade.

5.11.2 Placas Protendidas

Entre as placas pré-moldadas estão se difundindo as placas com armaduras


protendidas, essas placas são dimensionadas para o mesmo fim estrutural,
mas com algumas vantagens, como, uma espessura menor em relação as
outras placas que não são protendidas e também aos painéis moldado “in
loco”, portanto com a espessura menor elas apresentam um peso menor
também é consequentemente a área útil do subsolo aumenta, segundo
Fundesp (1995).

5.12 Paredes Diafragma Plásticas

As paredes diafragmas plásticas representam uma alternativa racional às


técnicas tradicionais, estruturas de elevada rigidez, como a de concreto
armado, o desempenho dela é incrível para contenção hidráulica.
As aplicações das paredes diafragmas plásticas dizem respeito
principalmente à proteção impermeável de escavações em presença de

31
água e execução de diafragmas profundos em margens de rios, barragens
de terra com carga hidráulicas elevadas, além da função de proteção
durante a execução de escavações, ela pode desempenhar a função de
isolamento contra contaminação de lençóis aquíferos, cujo caso típico é sua
utilização em centrais nucleares e termoelétricas, segundo Anson (2001).
Existem dois métodos construtivos para parede diafragma plástica o primeiro
é igual a parede diafragma moldada “in loco”, mas a única diferença e na
concretagem no lugar de concreto normal, passa a ser usado um
conglomerado plástico que cria uma estrutura impermeável com
características mecânicas plásticas, portanto mais deformável que uma
parede diafragma em concreto armado, segundo Anson (2001).
O outro método já é usado na Europa por volta de uns 15 anos atrás, as
paredes diafragmas plásticas são realizadas mediante escavação e
contemporâneo preenchimento com lama auto-endurecedora, composta por
cimento, bentoníta e eventuais aditivos, segundo Anson (2001).

32
6 ESTUDO DE CASO
6.1 Dados do Empreendimento Quadra Hungria
Construção de um edifício comercial, com 3 subsolos, teatro, 8 pavimentos
tipo e 2 helipontos, perfazendo um total de área construída de 19.608,44 m²
e um total de 352 vagas para automóveis.
A construção desse edifício teve início em Fevereiro de 2003 e está com
previsão de término em Julho de 2005, esse empreendimento é chamado de
um edifício comercial inteligente.

Foto 6.1.1 Ed. Quadra Hungria

6.2 Motivo da Utilização de Parede Diafragma neste


Empreendimento
Como a proposta de um edifício comercial hoje em dia é disponibilizar o
maior número de vagas de automóveis possíveis, portanto era necessário
que esse empreendimento tivesse 3 subsolos.
Foram executados vários pontos de ensaio SPT (Sondagem a percussão) no
terreno antes de ser executado qualquer projeto de fundação.

33
Logo após os resultados de ensaio de SPT foram chamados os calculistas
de fundações para elaborar o projeto, através desses resultados optaram por
executar parede diafragma, a decisão principal para essa escolha foi o nível
do lençol freático que se encontra muito alto aproximadamente a um metro e
meio de profundidade, também tinha mais um motivo para executar a parede
diafragma, o solo tem uma alta resistência é uma argila muito rija, portanto
não daria para cravar perfil metálico, como mostra no perfil de soldagem
abaixo.

Figura 6.2.1 Perfil de Sondagem

34
6.3 Escolha do Tipo de Parede Diafragma
Qualquer tipo de empreendimento seja ele um edifício comercial ou um
edifício residencial, um fator muito importante hoje em dia é a viabilidade
com o seu custo de construção.
A parede diafragma moldada in loco é aproximadamente 40% mais barata
do que outros tipos de paredes diafragmas mencionadas no item 5.11 e 5.12
na revisão bibliográfica.
Também foi analisado o perfil de sondagem e foi constatado que a
resistência do solo era ideal para execução de parede diafragma moldada in
loco, quando a resistência do solo é muito baixa, isso é, um solo mole não
se torna viável a execução de parede diafragma moldada in loco pelo motivo
de perda de concreto, essa perda ocorre no desmoronamento do solo
quando se escava e todos esses vazios acabam sendo preenchido pelo
concreto.
Portanto nesse empreendimento comercial executaram a parede diafragma
moldada in loco.

6.4 Dados Referentes à Execução da Parede Diafragma Moldada


in loco no Ed. Quadra Hungria
Área total de terreno é de 2.856,98 m², foram executadas paredes diafragma
moldada in loco em todo o perímetro do subsolo, o painel mais profundo
chegou a 18 m, foram executados 2.847 m² de parede diafragma,
correspondendo a um volume total de concreto de 1.070 m³ os painéis
variavam entre 12, 15 e 18 m de profundidade e de 30 e 40 cm de
espessura.
Toda essa variação de profundidade e espessura tem dois motivos:
O primeiro motivo era por causa do reservatório inferior que se encontra
abaixo do nível do terceiro subsolo.
O segundo motivo é o mais interessante, a parede diafragma além de ter
função de impossibilitar a entrada de água do lençol freático para dentro do
subsolo, e também ter uma função estrutural para contenção do solo, ela

35
também serviu de fundação, no nível do térreo nascerão seis pilares na
parede diafragma, portanto nesse empreendimento comercial a parede
diafragma teve três funções, contenção de solo, fundação e contenção de
água do lençol freático.

6.5 Execução da Parede Diafragma e Cuidados após a sua


Execução
Todos os processos de execução foram detalhados nos itens 5.7, 5.8 e 5.9,
após a execução da parede diafragma é necessário executar outros dois
serviços subsequente para realmente verificar a eficiência da parede
diafragma, os serviços são:
Ø Escavação mecânica (Foto 6.5.1 e 6.5.2): a escavação mecânica é
dividida por etapas, essas etapas variam com quantas linhas de tirantes
é necessário executar, nesse empreendimento comercial foram
realizadas três linhas de tirantes, portanto tivemos quatro etapas de
escavação, essas etapas são dividas da seguinte maneira:

Foto 6.5.1 Escavação Mecânica

Foto 6.5.2 Escavação Mecânica

36
1º etapa: escava-se até a cota da primeira linha de tirantes, depois de
protender todos os tirantes, prossegue para próxima etapa;
2º etapa: escava-se até a cota da segunda linha de tirantes, mesmo
procedimento da etapa anterior;
3º etapa: escava-se até a cota da terceira linha de tirantes, mesmo
procedimento das etapas anteriores;
4º etapa: escava-se até a cota do subsolo.
É importantíssimo escavar todas as etapas até a cota que está estipulada no
projeto, essas cotas de escavações tem que ser seguidas rigorosamente,
caso isso não ocorra poderão ocasionar patologias graves com a parede
diafragma.

Ø Execução dos tirantes: tirante ou ancoragem é um elemento estrutural


linear que transfere, mecanicamente, esforços de tração aplicados de um
extremo a outro.
Em obras subterrâneas de construção civil é mais comum o uso das
ancoragens constituídas por cordoalhas de aço, que transferem um esforço
aplicado no extremo ligado à estrutura.
Nesse empreendimento foram feitos duas linhas completas de tirantes e na
parte da frente foi feita a terceira linha de tirante, pelo motivo do reservatório
inferior ficar abaixo do nível do 3º subsolo.
A sequência executiva dos tirantes são divididas em quatro etapas:
1º Etapa (Foto 6.5.3): perfuração do solo;

Foto 6.5.3 Perfuração do Solo

37
Na perfuração do solo é importante verificar se não ira atingir nenhuma
fundação dos vizinhos, caso isso ocorra é necessário parar a perfuração e
consultar o consultor de fundações.
2º Etapa: colocação do tirante dentro da perfuração feita no solo.
3º Etapa (Foto 6.5.4 e 6.5.5): injeção da calda de cimento, essa injeção é
feita para preencher os vazios do solo formando assim vários bulbos de
calda de cimento, para uma boa aderência do tirante, essa etapa é uma das
mais importantes na execução dos tirantes, porque dependerá dessa etapa
para realizar a protensão dos tirantes.

Foto 6.5.4 Central de Injeção dos Tirantes

Foto 6.5.5 Injeção da Calda de Cimento no Tirante

38
4º Etapa (Foto 6.5.6): protensão dos tirantes, com um macaco hidráulico é
feita a protensão dos tirantes, a carga de trabalho do tirante está estipulada
no projeto.

.
Foto 6.5.6 Protensão do Tirante

Foto 6.5.7 Macaco Hidráulico para Protensão dos Tirantes

39
7 ANÁLISE OU COMPARAÇÃO/CRÍTICA

Ø Parede diafragma moldada no local: seu custo de execução é menor do


que os outros dois tipos, grande versatilidade em se adaptar à geometria
do terreno e pode ser utilizada simultaneamente para suportar empuxos
laterais e cargas verticais;

Ø Parede diafragma pré-moldada: melhor qualidade de concretagem,


acabamento perfeito da face visível, não tem perda de concreto e melhor
estanqueidade nas juntas;

Ø Parede diafragma plástica: um ótimo isolamento contra contaminação de


lençóis aquíferos e melhor desempenho na contenção hidráulica.

40
8 CONCLUSÕES
Com o avanço da tecnologia e inovações nos métodos executivos,
podem-se executar obras abaixo do nível do lençol freático, empregando-se
as chamadas paredes diafragma.

Apesar da tecnologia disponível e dos rigorosos controles do processo


executivo a parede diafragma moldada no local tem seus aspectos positivos
e negativos.

Com a realização deste trabalho foram mencionados vários aspectos


positivos no item 5.10, com a exceção de um item, a parede diafragma
moldada no local é 40% mais em conta do que os outros tipos de parede
diafragma.

Os aspectos negativos da parede diafragma moldada no local são os


seguintes:

Ø Alto índice de over break isto é, muita perda de concreto;

Ø Vazamentos de água do lençol freático pelas juntas e;

Ø Imperfeições no acabamento da face visível da parede diafragma.

Portanto conclui-se que a parede diafragma moldada no local é um


excelente método construtivo, mesmo com alguns aspectos negativos. Vale
a pena ressaltar que a execução da parede diafragma moldada no local
dependerá muito da resistência do solo: quando a resistência deste for muito
baixa, é provável a ocorrência dos aspectos negativos, pelo motivo do
desmoronamento do solo dentro do painel quando-se está escavando com a
diafragmadora.

41
9 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 6122:


projeto e execução de fundações, 1996.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 7480:


barras e fios de aço destinados às armaduras para concreto armado, 1996.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 7212:


execução de concreto dosado em central, 1984.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 8953:


concreto para fins estruturais – classificação por grupo de resistência, 1992.

SAES, J.L. Paredes Diafragma e Estacas Escavadas. Revista Téchne,


p. 78-86, dez 2000

FUNDESP – Paredes Diafragma e Estacas Barrete. – Catálogo. São


Paulo, 1995, p. 16, p. 52.

ANSON – Paredes Diafragma e Estacas Escavadas. – Catálogo. São


Paulo, 2001, p. 7-26.

BOOK ANNOUCEMENT 20 JUL 2003. Produced by GEOFIX – Geofix


Fundações. Disponível em <http://www.geofix.com.br> . Acesso em
20.jul.2003.

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