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UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA - UFPB

DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS JURÍDICAS – DCJ


COORDENAÇÃO DE MONOGRAFIAS

LUAN DE ALMEIDA DUARTE

DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA DO CREDOR

SANTA RITA
2015
LUAN DE ALMEIDA DUARTE

DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA DO CREDOR

Projeto de Trabalho de Conclusão de Curso


apresentado como pré-requisito para
elaboração do Trabalho de Conclusão do Curso
de Direito pela Universidade Federal da
Paraíba.

Área de concentração: Processo Civil


______________________________________
Orientador: Prof. Me. Rinaldo Mouzalas de
Souza e Silva.

SANTA RITA
2015
Sumário
1. DELIMITAÇÃO DO TEMA4
2. PROBLEMATIZAÇÃO5
3. OBJETIVOS7
3.1 Objetivo Geral7
3.2 Objetivos Específicos7
4. REFERENCIAL TEÓRICO8
5. METODOLOGIA CIENTÍFICA10
6. CRONOLOGIA10
7. REFERÊNCIAS11
1. DELIMITAÇÃO DO TEMA

O presente trabalho pretende apreciar o tema Dignidade da Pessoa Humana


do Credor. Analisando os desafios do operador do direito na aplicação da dignidade
da pessoa humana do credor nos processos de execução civil. Para isso,
analisaremos a evolução histórica do seu conceito à luz do Código de Processo Civil.
Com o escopo de demonstrar algumas situações práticas que devem ser preservadas
a dignidade da pessoa humana do credor e apresentar possíveis soluções no modo
de utilização do processo de execução civil.
O tema em comento é fundamento da constituição pátria, conforme exposto
abaixo:

Art. 1º A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos


Estados e Municípios e do Distrito Federal, constitui-se em Estado
Democrático de Direito e tem como fundamentos:

III - a dignidade da pessoa humana;1

Surgem as críticas a respeito das vedações à penhora contidas no Código de


Processo Civil, vista por alguns como forma de privilégio ao devedor na execução.
Ante a proteção constitucional e o caráter alimentar dos vencimentos, salários e
subsídios, a legislação não admite sua penhora, arresto ou sequestro (arts. 649, IV,
821 e 823, CPC).

A dificuldade, para quem a sente, em admitir a penhora de salário pode decorrer


de uma insuficiente compreensão de que está tendo lugar uma nova mudança de
paradigma, por meio da qual se está saindo daquela visão que confere uma absoluta
proeminência ao texto legal, para realçar mais a Constituição.

Diante do exposto, o presente estudo se propõe a analisar a utilização do


fundamento da dignidade da pessoa humana no processo de execução civil, devendo
este ser sensível e ter uma postura de efetivar os direitos do credor em contrapartida
ao direito do devedor. Buscando-se uma solução equilibrada em cada caso, que

1
BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil: promulgada em 5 de outubro de 1988.
Brasília: Senado Federal, 2013. Disponível em:
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/ConstituicaoCompilado.htm. Acesso em: 30 de
novembro de 2015.

4
sacrifique o menos possível o patrimônio do devedor e também não sonegue ao credor
a satisfação do seu crédito.

2. PROBLEMATIZAÇÃO

Atualmente, a execução é regida por algumas limitações, tais como a menor


onerosidade, a dignidade da pessoa humana, direito ao patrimônio, preservação da
liberdade e impenhorabilidade do salário. A disposição contemporânea é garantir um
mínimo patrimonial indispensável à sobrevivência do devedor, para que ele, pessoa
física, não fique despojado de uma vida decente e para que a pessoa jurídica possa
sobreviver, conforme exposto abaixo:

Art. 620 do CPC: Quando por vários meios o credor puder promover a
execução, o juiz mandará que se faça pelo modo menos gravoso para o
devedor.2

Isso não quer dizer, entretanto, que o devedor possa invocar o princípio da
execução menos gravosa para resistir indefinidamente à execução. Há necessidade
de um balanceamento entre os rigores da execução que almeja a satisfação do direito
do credor e a preservação da dignidade da pessoa humana deste. O rol de bens
impenhoráveis no Brasil apresenta evidentes excessos, em uma palmar injustiça que
não conseguiu despertar ainda a atenção do Congresso Nacional.

Portanto, teremos regulado com excessiva liberalidade o rol de bens


impenhoráveis?

“O que nos preocupa é se não estaríamos exagerando na tal ‘humanização’


da execução esquecendo-se por muitas vezes que o credor também é
humano, e sofre ao não receber seu crédito diante da ineficácia do
processo”.3

Além disso, o princípio da dignidade da pessoa humana, não é um princípio


que atue apenas a favor do devedor, havendo mesmo quem sustente que, se entre

2
BRASIL. Lei n. 5.869, de 11 de janeiro de 1973. Institui o Código de Processo Civil. Disponível
em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L5869.htm. Acesso em: 30 de novembro de 2015.
3 NEVES, Daniel Amorim Assumpção “Impenhorabilidade de Bens – Análise com Vistas à

Efetivação da tutela Jurisdicional”, in “Execução no Processo Civil”, obra coletiva,


coordenadores, Sérgio Shimura e o próprio articulista mencionado, Editora Método, 2005, página 52.

5
um devedor e seu credor, se colocar a questão de que inevitável algum sacrifício à
dignidade de uma delas, quem deverá sofrer as respectivas consequências é o
devedor, pois foi ele quem se obrigou, assumindo uma dívida que cumpre lhe saldar.
E assim me expresso em face à existência de um direito fundamental à tutela
executiva.

O inesquecível mestre Orlando Gomes4, já nos idos de 1947, dizia que: “(...) a
impenhorabilidade absoluta é condenada por várias razões. Seus adversários alegam,
principalmente, que é contraproducente, constituindo um excesso de proteção, que
prejudica aqueles mesmos a quem quer beneficiar”. (GOMES, 1947, página 175).

A par da preocupação acima expressada, cabe observar que a possibilidade


de se proceder à penhora de salário poderá contribuir em muito, para minimizar a crise
da execução, ou, como consistentemente dito por Guilherme Freire de Barros
Teixeira:

“(...) admite-se, portanto, que a penhora de salários possa servir como um


dos vários instrumentos para contribuir na luta para minimizar a crise do
processo de execução, sem que isso importe em diminuição das garantias
asseguradas ao executado”5

Por que manter a impenhorabilidade sobre a integralidade destas importâncias,


em vez de respeitar somente a fração necessária a uma digna sobrevivência do
devedor? ”

Flávio Luiz Yarshell6 com a sensibilidade que só os profundos conhecedores


do assunto que abordam possuem, bem frisou: “(...) tem sabor de lugar-comum a
assertiva de que na execução reside o momento da atuação do direito e, quando se

4
GOMES, Orlando. Et al. “O Salário no Direito Brasileiro”, Editora - RJ, 1947, página 175.
5TEIXEIRA, Guilherme Freire de Barros. “A Penhora de Salários e a Efetividade do Processo de
Execução”, in “Execução no Processo Civil”, obra coletiva, coordenadores, Sérgio Shimura e
Daniel Amorim Assumpção Neves, Editora Método, 2005, página 131.
6YARSHELL, Flávio Luiz. “Efetividade do Processo de Execução e Remédios com Efeito

Suspensivo”, in “Processo de Execução”, obra coletiva, coordenadores Sérgio Shimura e Teresa


Arruda Alvim Wambier, “Série Processo de Execução e Assuntos Afins”, volume 02, RT, 2001, página
382

6
frustra a satisfação do credor, não é este apenas quem perde, mas igual e
especialmente o Estado” (YARSHELL, 2001, página 382).

É com essa finalidade, portanto, que se pretende realizar este estudo, ou seja,
verificar a garantia que o credor possui frente ao inadimplemento do devedor, sendo
que para este a legislação é bem mais benéfica. A proteção de um, não deve levar à
absoluta falta de proteção do outro, salvo nos limites necessários à preservação da
dignidade da pessoa humana.

3. OBJETIVOS

3.1 Objetivo Geral

Analisar os desafios do operador do direito na aplicação da dignidade da


pessoa humana do credor nos processos de execução civil.

3.2 Objetivos Específicos

a) compreender o contexto atual da execução civil e quais as mudanças de


paradigmas que desencadeiam conflitos de ordem executiva;

b) destacar a necessidade de um entendimento constitucional da tutela


executiva;

c) demonstrar algumas situações fáticas que deve ser preservada a dignidade


da pessoa humana do credor;

d) apresentar possíveis soluções no modo de utilização do processo de


execução civil;

7
4. REFERENCIAL TEÓRICO

Para que se possa compreender o instituto da execução civil e a aplicabilidade


da dignidade da pessoa humana faz-se necessário uma análise na literatura jurídica,
consultando-se renomados doutrinadores, a exemplo de Orlando Gomes (1947), J.J.
Calmon de Passos (2004), Daniel Amorim Assumpção Neves (2005), Luiz Guilherme
Marinoni (2005), dentre outros, identificando as mudanças ideológicas ocorridas nos
últimos anos no mundo e suas consequências para a execução civil no Brasil.

Marcelo Lima Guerra, assevera:

“Em face do que já se expôs sobre os direitos fundamentais, nomeadamente


sobre o seu regime jurídico próprio e a força especial das normas que o
definem, é fácil compreender a importância de se identificar a existência de
um direito fundamental à tutela executiva, nos termos acima. É que a
exigência de um sistema completo de tutela executiva passa a gozar desse
regime especial dos direitos fundamentais, devendo ser concretizado pelos
órgãos jurisdicionais, independentemente de qualquer intervenção
legislativa”.7

[...] “O patrimônio do devedor representa para o credor a garantia de poder


conseguir, em caso de inadimplemento, satisfação coativa pelos meios executivos” 8
(CAHALI, 1999, página 17).

É tanto assim que o preclaro jurista Caio Mário afirma:

“Ligada à ideia de patrimônio, está a noção da garantia. O patrimônio da


pessoa responde pelas suas obrigações. A noção é singela e exata. Pelos
débitos, assumidos voluntariamente ou decorrentes da força da lei,
respondem os bens do devedor, tomado o vocábulo ‘bens’ em sentido
genérico, abrangente de todos os valores ativos de que seja titular” 9

Daí a pertinência, como sempre, da observação de Ovídio A. Baptista da


Silva 10 , um dos maiores processualistas pátrios, de que: “Como afirma Von Tuhr
(Tratado de las obligaciones, I, p. 10), ‘o crédito encerra um dever para o devedor e
uma responsabilidade para seu patrimônio” (SILVA, 2000, página 68), indubitável,

7 GUERRA, Marcelo Lima. ”Direitos Fundamentais e a Proteção do Credor na Execução Civil”,


RT, 2003, página 103.
8 CAHALI, Yussef Said. ”Fraude Contra Credores”, RT, 1a Edição, 2a Tiragem, página 17.
9 MÁRIO, caio. “Instituições de Direito Civil”, II, n. 127, páginas 17/8; IV, n. 346, página 263, apud

Yussef Said Cahali, “Fraude Contra Credores”, RT, 1a Edição, 2a Tiragem, página 17
10SILVA, Ovídio A Baptista, ”Curso de Processo Civil”, RT, 4a Edição, 2o volume, 2000, página 68.

8
então, que deve ser permitida, de maneira muito restrita, qualquer situação que leve
a uma irresponsabilidade patrimonial.

Destarte, como dito pela ilustre Professora Carolina Tupinambá11: “(...) uma vez
devedor, o executado deve pagar. Proteger em demasia o executado contra o
exequente é privilegiar uma parte em detrimento de outra, em desobediência à
isonomia e aos escopos do Processo”. (TUPINAMBÁ, 2006, página 974).

Como se vê, a problemática vai além da simples constatação do problema e


aplicação da lei. Desta forma, surgem as críticas a respeito das vedações à penhora
contidas no Código de Processo Civil, vista por alguns como forma de privilégio ao
devedor na execução. Diante de tal situação, faz-se necessária a garantia dos direitos
do exequente, por meio da relativização das normas processuais, fazendo com que a
penhora possa recair até sobre os bens impenhoráveis por força de Lei. Para a
concretude de tal relativização, é fato que o magistrado não deve deixar de lado o
respeito à dignidade da pessoa humana do devedor e a manutenção do seu mínimo
existencial.

Para que se torne possível a relativização das normas de impenhorabilidade,


deve o magistrado cotejar as normas com os princípios gerais e específicos da
execução, a exemplo do princípio da razoabilidade, proporcionalidade, exato
adimplemento, menor onerosidade e utilidade.

Desta forma, nasce a moderna discussão acerca da relativização da


impenhorabilidade, já que em muitos casos concretos o devedor acaba sendo
protegido pela vedação do art. 649 do CPC, devendo o magistrado agir com maior
cautela em tais situações, ponderando junto às garantias do devedor os direitos do
credor, levando-se em consideração o princípio da dignidade da pessoa humana.

11TUPINAMBÁ, Carolina. “A Nova Execução do Processo Civil e o Processo Trabalhista“,


Revista Ltr, São Paulo, v. 70 n. 8, p. 974, ago. 2006.

9
5. METODOLOGIA CIENTÍFICA

A metodologia constitui-se como algo complexo que vai requerer maior cuidado
do pesquisador. Mas que uma descrição formal dos métodos e técnicas a serem
utilizados, indica as opções e a leitura operacional que o pesquisador fez do quadro
teórico.
Na investigação do tema em análise, utilizar-se-á o método científico dedutivo,
partindo de uma análise geral do tema, para um particular, na tentativa de fornecer
embasamento teórico sobre o assunto e, a posteriori, entender melhor suas
peculiaridades, consultando-se doutrina, jurisprudência, legislação, normas, regras e
princípios. Também será utilizado o método hermenêutico, que auxiliará na análise
das várias facetas do regramento jurídico relacionado à matéria em foco, bem como
os métodos analítico e conceitual, para uma adequada compreensão do tema
proposto.

6. CRONOLOGIA

MESES NOV DEZ JAN FEV MAR ABR


2015 2015 2016 2016 2016 2016

ENTREGA DO
PROJETO DE
PESQUISA

LEVANTAMENTO
BIBLIOGRÁFICO

LEITURA E
FICHAMENTO

REDAÇÃO DO
TRABALHO

REVISÃO DA
REDAÇÃO

REDAÇÃO
DEFINITIVA

DEPÓSITO DA
MONOGRAFIA

DEFESA

10
7. REFERÊNCIAS

BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil: promulgada em 5 de


outubro de 1988. Brasília: Senado Federal, 2013. Disponível em:
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/ConstituicaoCompilado.htm. Acesso
em: 30 de novembro de 2015.

BRASIL. Lei n. 5.869, de 11 de janeiro de 1973. Institui o Código de Processo


Civil. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L5869.htm. Acesso em:
30 de novembro de 2015.

NEVES, Daniel Amorim Assumpção “Impenhorabilidade de Bens – Análise com


Vistas à Efetivação da tutela Jurisdicional”, in “Execução no Processo Civil”,
obra coletiva, coordenadores, Sérgio Shimura e o próprio articulista mencionado,
Editora Método, 2005, página 52.

GOMES, Orlando. Et al. “O Salário no Direito Brasileiro”, Editora - RJ, 1947,


página 175.

TEIXEIRA, Guilherme Freire de Barros. “A Penhora de Salários e a Efetividade do


Processo de Execução”, in “Execução no Processo Civil”, obra coletiva,
coordenadores, Sérgio Shimura e Daniel Amorim Assumpção Neves, Editora
Método, 2005, página 131.

YARSHELL, Flávio Luiz. “Efetividade do Processo de Execução e Remédios com


Efeito Suspensivo”, in “Processo de Execução”, obra coletiva, coordenadores
Sérgio Shimura e Teresa Arruda Alvim Wambier, “Série Processo de Execução e
Assuntos Afins”, volume 02, RT, 2001, página 382.

GUERRA, Marcelo Lima. ”Direitos Fundamentais e a Proteção do Credor na


Execução Civil”, RT, 2003, página 103.

CAHALI, Yussef Said. ”Fraude Contra Credores”, RT, 1a Edição, 2a Tiragem,


página 17.

MÁRIO, caio. “Instituições de Direito Civil”, II, n. 127, páginas 17/8; IV, n. 346,
página 263, apud Yussef Said Cahali, “Fraude Contra Credores”, RT, 1a Edição, 2a
Tiragem, página 17

SILVA, Ovídio A Baptista, ”Curso de Processo Civil”, RT, 4a Edição, 2o volume,


2000, página 68.

TUPINAMBÁ, Carolina. “A Nova Execução do Processo Civil e o Processo


Trabalhista“, Revista Ltr, São Paulo, v. 70 n. 8, p. 974, ago. 2006.

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