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Contabilidade

e orçamento
público
Contabilidade e
orçamento público

Edson Conceição Júnior


© 2017 por Editora e Distribuidora Educacional S.A.
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Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)

Conceição Júnior, Edson


C744c Contabilidade e orçamento público / Edson Conceição
Júnior. – Londrina: Editora e Distribuidora Educacional S.A.,
2017.
80 p.

ISBN 978-85-8482-567-7

1. Contabilidade pública. I. Título.


CDD 351.81076

2017
Editora e Distribuidora Educacional S.A.
Avenida Paris, 675 – Parque Residencial João Piza
CEP: 86041-100 — Londrina — PR
e-mail: editora.educacional@kroton.com.br
Homepage: http://www.kroton.com.br/
Sumário

Tema 1 | A educação no contexto da pós-modernidade 7


Tema 2 | Contabilidade pública, regimes contábeis e orçamento público 23
Tema 3 | Receita, despesa e dívida pública 41
Tema 4 | Regime de adiantamento, patrimônio público, créditos
adicionais e fundos especiais 63
Convite à leitura

Neste primeiro tema você entrará em contato com os conceitos de serviço


público, sua classificação e as diversas formas como são prestados. Irá compreender
a responsabilidade e a obrigação de prestá-los e ainda como o Estado se organiza e
gerencia os serviços cuja prestação é de sua responsabilidade. Serão apresentadas
as diversas formas de prestação do serviço público através de concessão,
permissão e autorização. A prestação do serviço público exige todo planejamento
e organização na busca da satisfação das necessidades coletivas e, a isso, dá-se
o nome de Administração Pública. Você vai conhecer também os conceitos de
Administração Pública, suas semelhanças com a Administração Privada e as reformas
administrativas pelas quais passou o Brasil, que caracterizaram as chamadas formas
de Administração Pública, classificadas em: patrimonialista, burocrática e gerencial.
Aproveite e bons estudos.
Tema 1

A educação no contexto da
pós-modernidade

POR DENTRO DO TEMA

O Serviço Público

O bem-estar social necessita de um conjunto de atividades e de bens colocados


à disposição da coletividade, e, desta forma, podemos defini-lo como sendo todos
aqueles serviços prestados pelo Estado, diretamente ou indiretamente, através de
concessões ou permissões controladas por condições e regras fixadas pelo Estado.
Assim, pode-se afirmar que:

Serviço público é todo aquele prestado pela Administração


ou por seus delegados, sob normas e controles estatais,
para satisfazer necessidades essenciais ou secundárias da
coletividade, ou simples conveniência do Estado. (MEIRELLES,
1997, p. 297)

O Estado considera como seu dever assumir certas atividades, denominadas


serviços públicos, pois não é socialmente desejável que elas sejam regidas pela
iniciativa privada. Essas atividades são destinadas a satisfazer a coletividade em geral,
pois se tratam de prestações de utilidade e comodidade material. O Estado, portanto,
as coloca sobre uma disciplina de Direito Público (MELLO, 2001). Para exemplificar
os serviços públicos, podemos citar: o ensino público, a saúde pública, a segurança
pública, o transporte coletivo, as telecomunicações etc.

Classificação dos Serviços Públicos

Considerando os serviços públicos, podemos classificá-los segundo a sua


essencialidade, finalidade ou seus destinatários. Desta forma, podem ser:

Privativos ou Próprios do Estado

São serviços públicos que a Administração presta diretamente à comunidade pelo


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próprio Estado, exercidos de forma centralizada e privada pelo Poder Público, União,
Estado, Muni­cípios e o Distrito Federal, através de seus órgãos da Administração
direta (KOHAMA, 2012). Neste caso, são prestados pelas próprias reparti­ções públicas
da Administração direta, sendo o Esta­do o titular e o prestador do serviço, que é
gratuito ou com baixa remuneração e não pode ser delegado. Exemplificamos como
sendo serviços privativos do Estado as relações diplomáticas, a defesa e a segurança
do território nacional e ainda aqueles serviços relacionados com o poder de polícia e
segurança pública (como o serviço de polícia e de saúde pública) (KOHAMA, 2012).

Serviços de Utilidade Pública

Diferentemente dos serviços públicos, que são essenciais, estes são serviços
convenientes à comunidade. Porém, são prestados por delegação do Poder
Público, sob condições fixadas por ele e não podem ser encarados como comércio,
e consequentemente, não podem visar lucro ou vantagens em detrimento da
coletividade. Facilitam a vida do indivíduo de forma coletiva por meio de serviços
prestados direta ou indiretamente pelo Estado através de terceiros, mediante
remuneração. São regulados e controlados pelo Poder Público, sendo os riscos
assumidos pelos prestadores de serviço. Exemplos: fornecimento de gás, de energia
elétrica, telefone, transporte coletivo etc.

Regulamentação e Controle

Nos serviços de utilidade pública prestados de forma indireta pelo Estado, a


regulamentação e o controle do serviço público cabem sempre ao Poder Público. O
Estado presta o serviço de forma indireta quando procede à Concessão, Permissão ou
Autorização, podendo modificar unilateralmente as suas cláusulas, ou ainda, revogar
a delegação, respondendo, conforme o caso, por indenização (SERVIÇOS, 2012, s.p.).

Formas de Prestação dos Serviços de Utilidade Pública

A prestação do serviço de forma descentralizada ocorre quando o Estado


transfere a titularidade ou a simples execução, por outorga ou por delegação, às
autarquias, às entidades paraestatais ou às empresas privadas (SERVIÇOS, 2012,
s.p.). Essa transferência se dá por dois diferentes modos: a Outorga e a Delegação.

Outorga

Quando o serviço é prestado por uma pessoa jurídica de direito público


criada exclusivamente para este fim, que pode ser uma Autarquia, uma Empresa
Pública ou uma Sociedade de Economia Mista, haverá outorga, pois se transfere
a titularidade do serviço prestado, embora sob controle do Estado. Neste caso, o
serviço é transferido por Outorga e o prestador é a outorgada. Exemplos: Telebrás
e Eletrobrás.

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Delegação

Na delegação ocorre apenas a transferência da prestação do serviço, e não


da titularidade do serviço em si, para uma pessoa jurídica de direito privado, que
atuará em nome do Estado, mas por sua conta e risco. São duas as modalidades
para a delegação de serviços: a concessão de serviço público e a permissão de
serviço público ou autorização. As atividades técnicas, científicas, educacionais
ou assistenciais, como o SESI, SESC, SENAI, SENAC, são exemplos de serviços
delegados. A Delegação está sujeita à exigência de licitação.

Concessão de Serviço Público

A concessão de serviços é um procedimento pelo qual o poder concedente, no


caso, o Poder Público, confiará de forma contratual a prestação de serviços públicos
a uma pessoa física ou jurídica, chamada concessionário, sendo remunerado pela
cobrança de tarifas diretamente dos usuários do serviço, de modo a garantir um
equilíbrio econômico-financeiro e modicidade tarifária, sendo intransferível e
concedido por (KOHAMA, 2012):

• Autorização legislativa.

• Regulamentação por decreto.

• Concorrência pública.

As Concessões são consideradas mercados regulados, isto é, existe um órgão


do Poder Público que regula e fiscaliza a prestação do serviço, sendo que a
alteração das tarifas que remuneram os serviços concedidos se faz por decreto.

A Agência Nacional de Energia Elétrica – ANEEL, a Agência Nacional de


Telefonia – ANATEL e a Agência Nacional do Petróleo – ANP são exemplos de
órgãos reguladores.

Permissão de Serviço Público

A prestação de serviço por permissão ocorre quando, através de um


procedimento legal, o Poder Público, denominado autoridade permitente, transfere
a alguém (pessoa física ou jurídica, chamada permissionário), a título precário, a
execução de um serviço público, proporcionando ao mesmo a possibilidade de
cobrança de tarifa dos usuários. A permissão pode ser revogada unilateralmente,
a qualquer tempo, sem que haja qualquer indenização, exceto se fixado em lei o
prazo de sua vigência. Geralmente são utilizadas para transportes coletivos e, se
revogadas ou alteradas, dão causas à indenização (KOHAMA, 2012).

Autorização de Serviço Público

Segundo (KOHAMA, 2012), a prestação de serviço por permissão é o

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procedimento através do qual uma pessoa de direito público, denominada


autoridade permitente, faculta, mediante delegação a título precário, a uma pessoa
física ou jurídica, chamada permissionário, a execução de obras e serviços de
utilidade pública ou o uso de bem público. Exemplos: serviço de táxi, serviço de
despachante e serviço de segurança particular.

• Administração Pública

• Conceitos Básicos

A prestação dos Serviços Públicos requer uma estrutura complexa. À estrutura


que torna possível ao Estado realizar esses serviços, direta ou indiretamente, e a todo
o aparelhamento, visando à satisfação das necessidades coletivas, dá-se o nome
de Administração Pública. A Constituição Federal brasileira, diferentemente das
Constituições liberais, reserva um capítulo para a positivação das normas referentes
à Administração Pública. Essa inovação em relação às Constituições brasileiras
anteriores está regulamentada no Título III, e submete a Administração Pública,
no art. 37, aos princípios da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e
eficiência, sendo esse último acrescentado pela Emenda Constitucional n. 19, de
1998.

A Administração Pública pode ser definida objetivamente como a atividade


concreta e imediata que o Estado desenvolve para a consecução dos interesses
coletivos, e subjetivamente, como o conjunto de órgãos e de pessoas jurídicas aos
quais a lei atribui o exercício da função administrativa do Estado (MORAES, 2002).

A Administração Pública abrange um vasto campo do processo


administrativo do Estado e, portanto, é importante a sua
conceituação e a compreensão do seu processo evolutivo para
que se tenha o entendimento das principais mudanças pelas
quais passam as organizações governamentais atualmente.
O Plano Diretor da Reforma do Aparelho do Estado, em 1995,
adotou o seguinte conceito para a administração pública:
todo o aparelho do Estado pré-orientado à realização de seus
serviços, visando à satisfação das necessidades coletivas. Esta
definição está de acordo com a nova relação que deve existir
entre o Estado e a sociedade, em que se vê o cidadão como
contribuinte de impostos e como uma espécie de “cliente”
dos seus serviços.
Os resultados da ação do Estado são considerados “bons”, não
porque os processos administrativos estão sob controle e são
seguros, mas porque as necessidades do “cidadão-cliente”
estão sendo atendidas. Portanto, apesar de sua proximidade

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com a Ciência Política, com a Economia e até mesmo com o Direito


Administrativo e o Direito Constitucional, a Administração Pública
tem o seu próprio campo de estudo, centrado principalmente
nos problemas inerentes à Gestão Pública e ao modo de se
conduzir as ações dentro das organizações governamentais, para
o atendimento das necessidades coletivas. (RAMOS, s.d., s.p.)

A Gestão Pública e a Gestão Privada guardam muitas semelhanças. O Estado,


para executar suas atividades e serviços, tem que criar órgãos e estruturas
que, para um correto funcionamento, necessitam da aplicação dos processos
administrativos de planejamento, organização, direção e controle, presentes
também nas organizações privadas. A “gestão pública refere-se às funções de
gerência pública dos negócios do governo” (SANTOS, 2006).

Assim, pode-se classificar, de maneira resumida, o agir do administrador público


em três níveis distintos (SILVA, 2007):

a) Atos de governo, que se situam na órbita política.

b) Atos de administração, atividade neutra, vinculada à lei.

c) Atos de gestão, que compreendem os seguintes parâmetros básicos:

I. Tradução da missão.

II. Realização de planejamento e controle.

III. Administração de R.H., materiais tecnológicos e financeiros.

IV. Inserção de cada unidade organizacional no foco da organização.

V. Tomada de decisão diante de conflitos internos e externos.

Reforça-se, assim, a importância da gestão pública na realização do interesse


público, porque é ela que vai possibilitar o controle da eficiência do Estado na
realização do bem comum, estabelecido politicamente e dentro das normas
administrativas.

Princípios básicos da administração

A administração pública tem doze regras que devem ser


observadas permanentemente: legalidade, moralidade,
impessoalidade ou finalidade, publicidade, eficiência,

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razoabilidade, proporcionalidade, ampla defesa, contraditório,


segurança jurídica, motivação e supremacia de interesses
publicas. (CRUZ, s.d., s.p.)

São princípios da administração pública, previstos no art. 37 da Constituição


Federal:

• Legalidade.

• Impessoalidade.

• Moralidade.

• Publicidade.

• Eficiência.

Há também os princípios da administração pública previstos na Constituição


Federal, porém, não previstos em seu art. 37:

• Princípio da isonomia ou igualdade formal.

• Princípio da motivação.

• Princípio da autotutela.

• Princípio da continuidade da prestação do serviço público.

• Princípio da razoabilidade.

Organização político-administrativa da república federativa do Brasil

A organização político-administrativa da República Federativa


do Brasil compreende a União, os Estados, o Distrito Federal e
os Municípios, todos autônomos, nos termos [da Constituição
Federal]. Os Territórios Federais integram a União, e sua
criação, transformação em Estado ou reintegração ao Estado
de origem serão reguladas em lei complementar.
Os Estados podem incorporar-se entre si, subdividir-se ou
desmembrar-se para se anexarem a outros, ou formarem
novos Estados ou Territórios Federais, mediante aprovação da
população diretamente interessada, através de plebiscito, e
do Congresso Nacional, por lei complementar. (BRASIL, 1988)

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Estados Federados

Os Estados organizam-se e regem-se pelas Constituições


Estaduais e leis que adotarem, observados os princípios
[da Constituição Federal, cabendo aos mesmos] explorar
diretamente, ou mediante concessão, os serviços locais de
gás canalizado, na forma da lei, vedada a edição de medida
provisória para a sua regulamentação. Os Estados poderão,
mediante lei complementar, instituir regiões metropolitanas,
aglomerações urbanas e microrregiões, constituídas por
agrupamentos de Municípios limítrofes, para integrar a
organização, o planejamento e a execução de funções
públicas de interesse comum. (BRASIL, 1988)

Municípios

O Município reger-se-á por lei orgânica, [...] votada [pelos]


membros da Câmara Municipal, que a promulgará, atendidos
os princípios estabelecidos [na Constituição Federal e] na
Constituição do respectivo Estado. [...] O total da despesa
com a remuneração dos Vereadores não poderá ultrapassar
o montante de 5% (cinco por cento) da receita do município.
(BRASIL, 1988)

Distrito Federal

O Distrito Federal, vedada sua divisão em Municípios, reger-


se-á por lei orgânica, votada [pela] Câmara Legislativa. [...] Ao
Distrito Federal são atribuídas as competências legislativas
reservadas aos Estados e Municípios. (BRASIL, 1988)

Territórios

A lei disporá sobre a organização administrativa e judiciária


dos Territórios. Os Territórios poderão ser divididos em
Municípios. [...] As contas do Governo do Território serão
submetidas ao Congresso Nacional, com parecer prévio

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do Tribunal de Contas da União. Nos Territórios Federais com


mais de cem mil habitantes, além do Governador, nomeado na
forma desta Constituição, haverá órgãos judiciários de primeira e
segunda instância, membros do Ministério Público e defensores
públicos federais; a lei disporá sobre as eleições para a Câmara
Territorial e sua competência deliberativa. (BRASIL, 1988)

Administração direta e indireta, centralizada e descentralizada

Com o dever de colocar à disposição da coletividade bens e serviços no


interesse do bem-estar social, o Estado distribuiu-se em três funções essenciais: a
Normativa ou Legislativa, a Administrativa ou Executiva e a Judicial. Essas funções
representam os Poderes do Estado, ou seja, o Poder Legislativo, o Poder Executivo
e o Poder Judiciário, que:

[...] com o passar do tempo e o crescente volume das


interações sociais entre os cidadãos e o Estado, os serviços
administrativos alcançaram uma demanda tal, que se tornou
inevitável a desconcentração e descentralização destes
serviços. (KOHAMA, 2012)

Essa situação obriga o Estado a descentralizar a administração e, além da


prestação de serviços de forma direta, por meio de Órgãos, o Estado também
criou outras pessoas, como Entidades, ou simplesmente transferiu a particulares o
exercício de outras atividades públicas (KOHAMA, 2012).

Administração Pública Direta ou Centralizada

A Administração Pública Direta existe em todos os níveis das Esferas do Governo


(Federal, Estadual, Distrital e Municipal) e, como afirma Santos (2000, p. 29), “é a
constituída dos serviços integrados na estrutura administrativa da Presidência da
República e dos Ministérios, no âmbito federal, e do Gabinete do Governador e
Secretarias de Estado, no âmbito estadual” e do Distrito Federal, seguindo-se no
âmbito municipal uma estrutura semelhante. Podemos observar que essa estrutura
está integrada e ligada diretamente ao chefe do Poder Executivo. A atividade
administrativa “é exercida pelo próprio governo, que atua diretamente por meio
dos seus Órgãos, isto é, das unidades, que são simples repartições interiores de sua
pessoa e que, por isto, dele não se distinguem” (MELLO, 2001). Na Administração
Pública Direta o Estado é ao mesmo tempo o titular e o executor do serviço público.

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Na verdade, nessa relação entre o Órgão que está desconcentrando e aquele


que recebe a atribuição existirá sempre uma hierarquia, uma vez que estes últimos:

[...] não possuem personalidade jurídica própria, portanto,


não são capazes de contrair direitos e obrigações por si
próprios [...] e necessitam de um representante legal (agente
público), para constituir a vontade de cada um deles. Trata-
se da desconcentração do poder na Administração Pública.
(PEREIRA, 2013, s.p.)

Administração Pública Indireta

A extensão do território nacional, o volume e a complexidade da relação entre


administrado e Governo obrigam a Administração Pública Direta a outorgar poderes
para outras Entidades e, a isso, dá-se o nome de Administração Pública Indireta
ou Descentralizada. “A atuação estatal de forma indireta na prestação dos serviços
públicos se dá por meio de outras pessoas jurídicas, de direito público ou privado,
que proporcionarão ao Estado a satisfação de seus fins administrativos” (KOHAMA,
2012). Estas estruturas recebem poderes de gerir áreas da Administração Pública
por meio de outorga e não há estabelecimento de vínculo hierárquico entre as
partes. A Administração Central exercerá o poder de controle, que é:

[...] o poder de influir sobre a pessoa descentralizada.


Assim, enquanto os poderes do hierarca são presumidos,
os do controlador só existem quando previstos em lei e
se manifestam apenas em relação aos atos nela indicados.
(MELLO, 2001)

Estas Entidades têm personalidade jurídica própria e, portanto, possuem


capacidade de exercer direitos e contrair obrigações por si próprias. São elas:
Autarquias, Entidades Paraestatais (que são as Empresas Públicas e as Sociedades
de Economia Mista), Fundações Públicas e Serviços Sociais Autônomos (PEREIRA,
2013, s.p.).

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ACOMPANHE NA WEB

Os princípios da administração pública no sistema jurídico brasileiro

No artigo de Rayssa Cardoso Garcia e Jailton Macena de Araújo, publicado na


Revista Âmbito Jurídico, são tratados os princípios que regem a Administração
Pública. Os princípios podem ser expressos ou implícitos, e os primeiros vêm
claramente expostos no caput do art. 37 da Constituição Federal do Brasil.

Disponível em: <http://www.ambito-juridico.com.br/site/?n_link=revista_artigos_


leitura&artigo_id=11022&revista_caderno=4> Acesso em: 09 mar. 2014.

A nova administração pública e a abordagem da competência

Este artigo, publicado por Tomás de Aquino Guimarães, analisa os conceitos


e as características da nova administração pública e como a abordagem da
competência se insere nesse contexto. Além disso, discute a aplicação, no setor
público, da gestão baseada nas competências, bem como sua relação com a
flexibilidade  diante das dificuldades associadas à aplicação desses conceitos na
gestão de organizações públicas.

Disponível em: <http://bibliotecadigital.fgv.br/ojs/index.php/rap/article/


view/6284/4875.> Acesso em: 09 mar. 2014.

Administração Direta versus Administração Indireta

Assista ao vídeo do Prof. Rafael R. Vieira, que aborda de forma didática a questão
da Administração Direta e Indireta.

Disponível em: <www.youtube.com/watch?v=pNQzxF6-fcs> Acesso em: 09 mar.


2014.

Tempo: 11:56 min.

Lei de Concessão Pública

Confira a entrevista realizada com o especialista em direito administrativo Gabriel


Campos sobre a lei de Concessão Pública n. 8.987/1995. Publicada em  31 de
agosto de 2012, a entrevista esclarece pontos sobre a concessão de serviços
públicos no Brasil.

Disponível em: <www.youtube.com/watch?v=nzKIvlUJ_qY> Acesso em: 09 mar.


2014.

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Tempo: 16:53 min.

AGORA É A SUA VEZ

Instruções:

Agora, chegou a sua vez de exercitar seu aprendizado. A seguir, você encontrará
algumas questões de múltipla escolha e dissertativas. Leia cuidadosamente os
enunciados e atente-se para o que está sendo pedido.

Questão 1

O Serviço público é toda atividade exercida por pessoa jurídica pública, de forma direta
ou indireta, para satisfazer as necessidades coletivas. Dentre as formas previstas para
a prestação do Serviço Público está a concessão. Explique o que vem a ser Concessão
de Serviço Público.

Questão 2

Em se tratando das instituições públicas, é sabido que as mesmas têm algumas


características peculiares quanto ao regime de contratação, finalidade, constituição
etc. Com base nas características elencadas, analise as afirmativas de I a III e
assinale a que apresenta respectivamente as instituições: 

I. Pessoas jurídicas de direito privado, cujos funcionários podem ser celetistas.

II. Pessoas jurídicas de direito privado, mas de capital público.

III. Pessoas jurídicas de direito público, sem fins lucrativos.

a) Autarquia, empresa pública e agência reguladora.

b) Empresa pública, fundação pública e sociedade de economia mista.

c) Agência reguladora, fundação pública e sociedade de economia mista.

d) Sociedade de economia mista, empresa pública e agência reguladora.

e) Sociedade de economia mista, empresa pública e fundação pública.

Questão 3

As empresas públicas que exploram atividade econômica não poderão gozar de


privilégios fiscais não extensivos às empresas do setor privado.

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( ) Certo. ( ) Errado.

Questão 4

Os Princípios de Administração Pública referem-se aos princípios legitimados na


Constituição Federal de 1988, art. 37: “A administração pública direta, indireta
ou fundacional, de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito
Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade,
moralidade, publicidade [...]”.

Diante disso, conceitue cada um dos princípios da administração pública previstos


na Constituição Federal.

Questão 5

Ao classificar os serviços públicos leva-se em consideração a sua essencialidade,


finalidade ou seus destinatários e, desta forma, os serviços podem ser: públicos;
de utilidade pública; próprios do Estado; impróprios do Estado; administrativos;
industriais; gerais; individuais. Conceitue e exemplifique os Serviços Públicos
Impróprios do Estado.

FINALIZANDO

Após a leitura dos conceitos apresentados neste caderno e no Livro-Texto,


passamos a entender melhor a organização político-administrativa da República
Federativa do Brasil, que compreende a União, os Estados, o Distrito Federal e os
Municípios, todos autônomos, nos termos da Constituição Federal. Vimos ainda
que os Territórios Federais integram a União e que sua criação, transformação em
Estado ou reintegração ao Estado de origem será regulada em lei complementar.

Neste momento, você já é capaz de distinguir os diversos modelos de serviços


públicos que o Estado presta, de forma direta e indireta. Além disso, você agora é
capaz de diferenciar os modelos de Delegação e os tipos de estruturas criadas pelo
Estado para atender à sua necessidade de prestar os serviços de interesse e bem-
estar da sociedade. Por fim, vimos também os Princípios Básicos da Administração
Pública.

18 A educação no contexto da pós-modernidade


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REFERÊNCIAS

BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República do Brasil. Brasília, DF:


Senado, 1988.

CRUZ, Cleyton. Administração Pública. Disponível em: <http://www.ebah.com.br/


content/ABAAAAJu0AD/administracao-publica>. Acesso em: 26 set. 2014.

GARCIA, Rayssa Cardoso; ARAÚJO, Jailton Macena de. Os princípios da


administração pública no sistema jurídico brasileiro. In:  Âmbito Jurídico, Rio
Grande, XV, n. 96, jan. 2012. Disponível em: <http://www.ambito-juridico.com.br/
site/?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=11022&revista_caderno=4>. Acesso
em: 09 mar 2014.

GUIMARÃES, T. A nova administração pública e a abordagem da competência. Revista


de Administração Pública, Brasil, n. 34, abr. 2002. Disponível em: <http://
bibliotecadigital.fgv.br/ojs/index.php/rap/article/view/6284/4875>. Acesso em: 09
mar. 2014.

KOHAMA, H. Contabilidade pública: teoria e prártica. São Paulo: Atlas, 2012.

MEIRELLES, H. L. Direito administrativo brasileiro. Revista dos Tribunais. 1966.

MELLO, C. A. Curso de direito administrativo. São Paulo: Malheiros Editores, 2001.

MORAES, A. D. Direito Constitucional. São Paulo: Atlas, 2002.

PEREIRA, Denize Sousa. Organização Administrativa: Administração direta e


indireta, centralizada e descentralizada. 2013. Disponível em: <http://www.
politicaemdebate.com/2013/08/organizacao-administrativa.html>. Acesso em: 01
out. 2014.

RAMOS, Carlos. Administração Pública. Curso para Concursos. Disponível em:


<http://pt.slideshare.net/ffabrini/apostila-administrao-pblica-prof-carlos-ramos-
wwwconcurseirosdobrasilnet>. Acesso em: 26 set. 2014.

SANTOS, C. S. Introdução à gestão pública. São Paulo: Saraiva, 2006.

SANTOS, Sókrates Campos Quevedo dos. Sistema Integrado de Administração


Financeira - SIAFI. Campo Grande: Universidade Católica Dom Bosco,
2000. Disponível em: <http://pt.slideshare.net/adriquevedo/monografia-
siafi-2000-1989929>. Acesso em: 26 set. 2014.

SERVIÇOS Públicos: conceito, classificação, regulamentação e controle;


forma, meios e requisitos; delegação: concessão, permissão, autorização.

A educação no contexto da pós-modernidade 19


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Central de Favoritos. 2012. Disponível em: <http://centraldefavoritos.wordpress.


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e-controle-forma-meios-e-requisitos-delegacao-concessao-permissao-
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SILVA, C. D. Gestão pública. RZO Consultoria. 2007. Disponível em: <http://www.


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VÍDEO. Adm Direta X Adm Indireta - Didática Total. YouTube. Disponível em: <www.
youtube.com/watch?v=pNQzxF6-fcs>. Acesso em: 09 mar. 2014.

VÍDEO. Saiba Mais - Lei de Concessão Pública. YouTube. Disponível em:<www.


youtube.com/watch?v=nzKIvlUJ_qY>. Acesso em: 09 mar. 2014.

GLOSSÁRIO

Administração Direta: diz respeito aos órgãos gerenciados diretamente pelos


poderes executivos, nas esferas Municipais, Estaduais e Federal, sendo seus
servidores submetidos ao regime de estatuto voltado exclusivamente à categoria.

Administração Indireta: refere-se aos órgãos públicos, Fundações, Autarquias,


Empresas Públicas e Sociedades de Economia Mista que contam com orçamentos
próprios (total ou parcial) e que são gerenciados de forma independente. Em geral,
os funcionários são submetidos às mesmas regras laborais do setor privado, neste
caso, à CLT (Consolidação das Leis do Trabalho).

Administração Pública: é o conjunto de órgãos e agentes vinculados ao Poder


Executivo, Legislativo e Judiciário, encarregados de legislar, julgar e executar
atos necessários à realização do interesse público. Diz respeito às atividades que
o agente público desenvolve, através de atos concretos e executórios, para a
consecução de todo o necessário aos interesses gerais comuns da comunidade.

Agente Administrativo:  cargo criado pela administração pública no intuito


de assegurar, a qualquer modo, o funcionamento do serviço. Os agentes
administrativos são servidores públicos que não exercem atribuições políticas e
estão sujeitos à hierarquia funcional e ao regime estatutário da pessoa jurídica a
que se vinculam. 

Hierarquia: mecanismo gerencial e administrativo utilizado para dividir, em escalas


de atividades laborais e financeiras, pessoas de uma organização. Diz respeito
também à ordem de importância estabelecida entre vários itens. Exemplo: o cargo
de Presidente, que hierarquicamente é o mais importante na vida pública do país;
o de Governador de Estado, o mais importante na vida pública do Estado; e o de

20 A educação no contexto da pós-modernidade


T1

Prefeito, o mais importante na vida pública do Município. Subordinados ao Prefeito,


estão os secretários municipais, os diretores, dentre outros.

Indenização:  a indenização é uma tentativa de encontrar um mecanismo para


ressarcir as perdas e danos causados a alguém por terceiros ou pelo Estado.

Licitação:  forma legal pela qual a Administração Pública efetua a escolha dos
fornecedores de serviços, de materiais e de realização de obras ou de compra de
bens particulares. Tem o intuito de assegurar a transparência dos atos do poder
público e a competição entre os fornecedores interessados.

Organização político-administrativa: diz-se da organização político-administrativa


da República Federativa do Brasil, que compreende a União, os Estados, o Distrito
Federal e os Municípios. Todos têm autonomia política, normativa, administrativa e
financeira, nos termos da Constituição de 1988.

Órgão:  é uma das partes componentes da estrutura administrativa e, na


administração pública, os órgãos são as instituições legalmente organizadas
e função de certa ordem de serviços; pessoas ou grupos de pessoas a que se
incumbe o exercício de determinada função.

Personalidade (ou pessoa) Jurídica:  entidade legalmente constituída a partir de


disposições legais que objetivam um fim, seja ele o lucro ou o social. Poderá ser
de direito privado, quando na forma de sociedade civil ou mercantil, e de direito
público, quando nos referimos à União, aos Estados e aos Municípios.

Poder Público:  são os órgãos e autoridades a que cabe à administração e às


funções públicas, ou ainda, o poder do Estado, pelo qual ele mantém a própria
soberania.

Princípios de Administração Pública:  segundo a Constituição Federal de 1988,


art. 37: “A administração pública direta, indireta ou fundacional, de qualquer dos
Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos
princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade [...]”.

República: sistema de governo que designa o regime político no qual o detentor


do poder é escolhido ou eleito pelo povo de uma nação. Governo do povo para
o bem comum.

Serviço público:  atividade exercida por pessoa jurídica pública, direta ou


indiretamente, no interesse da coletividade.

Soberania:  é a condição de um país ter absoluta independência em relação a


qualquer outro. Em outras palavras, é o poder que cada país possui no que concerne
à execução de direitos e deveres internacionais, obviamente em igualdade de
condições com todos os demais.

A educação no contexto da pós-modernidade 21


T1

Sociedade de economia mista:  entidade dotada de personalidade jurídica de


direito privado, criada por lei, destinada à exploração de atividade econômica sob
forma de sociedade anônima, com capital público e privado, sendo que as ações
que dão direito ao voto pertencem, em sua maioria, ao poder público.

22 A educação no contexto da pós-modernidade


Tema 2

Contabilidade pública, regimes


contábeis e orçamento público

POR DENTRO DO TEMA

Contabilidade Pública: conceitos e campo de atuação

A contabilidade é uma Ciência Social Aplicada, sendo que a Contabilidade Pública


é uma entre as muitas especialidades, ou áreas de aplicação da Ciência Contábil.

A Contabilidade Pública “é o ramo da contabilidade que estuda, controla e


demonstra a organização e execução dos orçamentos, atos e fatos administrativos
da fazenda pública, o patrimônio público e suas variações” (ABOP, 1975 apud TCE/SC,
2003, p. 102).

Conceito

O conceito de Contabilidade Pública ou Contabilidade Aplicada ao Setor


Público, estabelecido pelo Conselho Federal de Contabilidade, abrange as esferas
Federal, Estadual, Municipal e do Distrito Federal, tendo como base legal a Lei nº
4320, de 17 de março de 1964, que instituiu normas gerais de direito financeiro
para elaboração e controle dos orçamentos e balanços da União, dos Estados, dos
Municípios e do Distrito Federal. Comparativamente a Lei nº 4320/64 está para a
Contabilidade Pública assim como a Lei nº 6404/76, das Sociedades por Ações,
está para a Contabilidade aplicada à atividade empresarial.

Desta forma, podemos defini-la como sendo o ramo da contabilidade que


coleta, registra e controla os atos e fatos da Fazenda Pública, mostra o Patrimônio
Público e suas variações, bem como acompanha e demonstra a execução do
orçamento.

Campo de Atuação

O objeto da Contabilidade é o patrimônio constituído por bens, direitos e


obrigações vinculados a uma entidade, pessoa física ou jurídica. Dentro dessa ótica
pode-se definir o objeto da Contabilidade privada como sendo o patrimônio de
T2

propriedade de cada empresa. Na área pública, deve ser considerado o patrimônio


a ser controlado pelos órgãos e entidades públicas tão somente os bens com
características de uso restrito.

Os bens de uso geral como rodovias, praças, não são objeto da Contabilidade
Pública, mesmo sendo construídos e mantidos com recursos públicos.

Objetivo da Contabilidade Pública

O objetivo da Contabilidade Pública é fornecer informações atualizadas e exatas


à Administração para subsidiar as tomadas de decisões e aos Órgãos de Controle
Interno e Externo para o cumprimento da legislação, bem como às instituições
governamentais e particulares informações estatísticas e outras de interesse dessas
instituições.

Sistema Contábil1

O Manual de Contabilidade Aplicada ao Setor Público (MCASP) visa colaborar


com o processo de elaboração e execução do orçamento, além de contribuir para
resgatar o objeto da contabilidade como ciência, que é o patrimônio.

Com isso, a contabilidade poderá atender a demanda de informações requeridas


por seus usuários, possibilitando a análise de demonstrações contábeis adequadas
aos padrões internacionais, sob os enfoques orçamentário e patrimonial, com
base em um Plano de Contas Nacional.

O MCASP define sistema contábil como a estrutura de informações para


identificação, mensuração, avaliação, registro, controle e evidenciação dos atos e
dos fatos da gestão do patrimônio público, com o objetivo de orientar o processo
de decisão, a prestação de contas e a instrumentalização do controle social e é
organizado em subsistemas de informações, que oferecem produtos diferentes
em razão das especificidades demandadas pelos usuários e facilitam a extração de
informações.

Conforme as NBCASP2, o sistema contábil público estrutura-se nos seguintes


subsistemas:

a) Subsistema de Informações Orçamentárias – registra, processa e evidencia


os atos e os fatos relacionados ao planejamento e à execução orçamentária, tais
como:

I. Orçamento.

II. Programação e execução orçamentária.

Sistema Contábil entende-se como Sistema Contábil Brasileiro.


1

NBCASP – Normas Brasileiras de Contabilidade Aplicada ao Setor Público.


2

24 Contabilidade pública, regimes contábeis e orçamento público


T2

III. Alterações orçamentárias.

IV. Resultado orçamentário.

b) Subsistema de Informações Patrimoniais – registra, processa e evidencia os


fatos financeiros e não financeiros relacionados com as variações do patrimônio
público, subsidiando a administração com informações tais como:

I. Alterações nos elementos patrimoniais.

II. Resultado econômico.

III. Resultado nominal.

c) Subsistema de Custos – registra, processa e evidencia os custos da gestão dos


recursos e do patrimônio públicos, subsidiando a administração com informações
tais como:

I. Custos dos programas, dos projetos e das atividades desenvolvidas.

II. Bom uso dos recursos públicos.

III. Custos das unidades contábeis.

d) Subsistema de Compensação – registra, processa e evidencia os atos de


gestão cujos efeitos possam produzir modificações no patrimônio da entidade
do setor público, bem como aqueles com funções específicas de controle,
subsidiando a administração com informações tais como:

I. Alterações potenciais nos elementos patrimoniais.

II. Acordos, garantias e responsabilidades.

Os subsistemas contábeis devem ser integrados entre si e a outros subsistemas


de informações a fim de subsidiar a administração pública sobre:

a) O desempenho da unidade contábil no cumprimento da sua missão.

b) A avaliação dos resultados obtidos na execução dos programas de trabalho


com relação à economicidade, à eficiência, à eficácia e à efetividade.

c) A avaliação das metas estabelecidas pelo planejamento.

d) A avaliação dos riscos e das contingências.

O conhecimento do conceito do sistema contábil e de seus subsistemas,


apesar de essencialmente teórico, facilita o pleno entendimento da estrutura e
funcionamento do Plano de Contas Aplicado ao Setor Público.

Contabilidade pública, regimes contábeis e orçamento público 25


T2

Regime Contábil

Quanto a execução do Orçamento deve ser observado o momento em que as


receitas e as despesas serão reconhecidas. O princípio da Competência determina
quando as alterações no ativo ou no passivo resultam em aumento ou diminuição
do Patrimônio Líquido, estabelecendo diretrizes para classificação das mutações
patrimoniais.

O momento do reconhecimento afeta diretamente o resultado e são conhecidos


como Regime de Caixa e Regime de Competência. A contabilidade pública brasileira
adota tanto o regime de caixa como o regime de competência, consagrando a
adoção do Regime Misto, sendo Caixa para as receitas e Competência para as
despesas.

O Regime Misto adotado pela contabilidade governamental brasileira está


amparado pela Lei nº 4320, de 17 de março de 1964, que estatui normas gerais de
direito financeiro para elaboração e controle dos orçamentos e balanços da União,
dos Estados, dos Municípios e do Distrito Federal.

A referida Lei estatui o Regime Misto no art. 35, determinando que as receitas
sejam reconhecidas quanto a entrada efetiva dos recursos no caixa, de forma que
os administradores públicos só podem contar com esses recursos para financiar
seus gastos após o efetivo ingresso nos cofres públicos.

Quanto às despesas, havendo a ocorrência do fato gerador (empenho +


liquidação), ou seja, após o segundo estágio da despesa, isto é, por ocasião da sua
liquidação. Alguns autores defendem a tese de que as despesas públicas devem ser
reconhecidas a partir do primeiro estágio da despesa, isto é, por meio da emissão
da nota de empenho.

Outra corrente de pensamento, inclusive dos técnicos responsáveis pela


determinação de procedimentos contábeis, entende que as despesas públicas
devem ser reconhecidas a partir do segundo estágio da despesa. Esta tese está
corroborada no art. 60 da mesma Lei na qual o legislador determina que seja
vedada a realização de despesas sem prévio empenho, isto é, antes do início da
realização da despesa deverá ter sido emitido o empenho.

A preocupação do legislador com regime orçamentário é no sentido de que


todas as despesas autorizadas pelo poder legislativo sejam registradas dentro
do exercício. Essa preocupação está evidenciada no art. 36 da Lei nº 4320/64,
quando determina o reconhecimento de todas as despesas empenhadas, ou seja,
o primeiro estágio da despesa, ao final do exercício financeiro, independente do
recebimento do serviço ou do bem.

26 Contabilidade pública, regimes contábeis e orçamento público


T2

Regime de caixa

Neste regime as receitas são registradas e classificadas quando da arrecadação,


e aquelas receitas lançadas e não recebidas pertencerão ao exercício em que
forem efetivamente arrecadadas, mesmo que pertencente a períodos contábeis
anteriores.

Regime de competência

Por este regime tanto as receitas como as despesas são atribuídas aos exercícios
de acordo com a data do fato gerador, independentemente de seu recebimento
ou pagamento.

Dessa forma, todas as receitas não recebidas e os empenhos não liquidados


até 31 de dezembro do exercício, serão inscritos como ativos cobrados em
anos posteriores ou receita a arrecadar e resíduos passivos ou restos a pagar
respectivamente, de forma a garantir que estes valores, cuja execução só ocorrerá
no exercício seguinte, integre o resultado do exercício em que foram inscritos.

Vale ressaltar que na Contabilidade Pública, adota-se o regime orçamentário,


deixando em segundo plano o Princípio da Competência estabelecido pelo
Conselho Federal de Contabilidade (CFC), ou seja, a Contabilidade Pública privilegia
a prudência de só comprometer o que efetivamente já entrou no caixa do Tesouro
Nacional, bem como as despesas liquidadas no exercício pelas particularidades
inerentes à administração pública.

No Brasil, o exercício financeiro coincidirá com o ano civil, compreendendo


o espaço de tempo entre 1º de janeiro e 31 de dezembro de cada ano, no qual
a administração promove a execução orçamentária, financeira e patrimonial e
demais fatos relacionados com as variações qualitativas e quantitativas que tocam
os elementos patrimoniais da entidade ou órgão público.

Conceito de Orçamento Público

Conceitua-se orçamento público da seguinte maneira:

“(...) ferramenta legal de planejamento do Estado onde


são apresentadas as receitas previstas e despesas fixadas
que serão realizadas pelo ente, em um determinado
período, objetivando a execução de programas de governo
(manutenção e investimentos), bem como as transferências
legais e voluntárias, os pagamentos de dívidas e outros
encargos decorrentes da atividade estatal” (BEZERRA FILHO,
2008, p. 05)

Contabilidade pública, regimes contábeis e orçamento público 27


T2

Sob outra ótica, o Orçamento Público evidencia o registro contábil da receita


e da despesa de acordo com as especificações constantes da Lei de Orçamento
e dos Créditos Adicionais, assim como o montante dos créditos orçamentários
vigentes, a despesa empenhada e a despesa realizada à conta dos mesmos créditos
e as dotações disponíveis, ou seja, no final do exercício apresenta os resultados
comparativos entre a previsão e a execução orçamentária registrados.

Trata-se de instrumento de administração que auxilia o executivo na


programação, execução e controle do seu processo administrativo, evidenciando
os meios de financiamento dos programas, expressando tudo em termos de
dinheiro.

Desta forma, pode ser definido, em sentido amplo, como o instrumento técnico-
legal de explicitação da ação de planejamento do Estado, que articula as diretrizes
e programas governamentais a objetivos, prioridades e metas, estabelecendo a
previsão da receita a ser arrecadada e a fixação da despesa a ser realizada (ARAÚJO,
2009).

No Brasil, desde 1988, o Orçamento Público abrange o conjunto de elementos


técnico-legais norteadores, integradores e viabilizadores da função de planejamento
das finanças públicas dos entes da Federação (União, Estados, Distrito Federal e
Municípios), constituído dos planos plurianuais, das diretrizes orçamentárias e dos
orçamentos anuais, estes englobando o orçamento fiscal, da seguridade social e
de investimentos. (BRASIL, 1988).

Desta forma, o estudo do Orçamento Público no Brasil requer o exame e a


compreensão, com olhar interdisciplinar, do Plano Plurianual, da Lei de Diretrizes
Orçamentárias e da Lei Orçamentária Anual (LOA), vistos como um conjunto
articulado de instrumentos de planejamento, execução, controle e avaliação da
ação governamental em cada um dos níveis de governo.

Processo de Planejamento e Orçamentação

Plano Plurianual (PPA)

Trata-se de um plano de médio prazo através do qual as ações do governo


serão ordenadas na expectativa de atingir os objetivos e metas fixados para um
período de quatro anos, situados entre o segundo ano do mandato do responsável
pela sua elaboração e o primeiro ano do mandato subsequente, contendo:

• Diretrizes, objetivos e metas para as despesas de capital e os correspondentes


custos de operação e manutenção, alocadas regionalmente (art. 165, § 1º
da Constituição Federal).

• Programas de duração continuada (qualquer um cuja duração ocorra por


mais de um exercício).

28 Contabilidade pública, regimes contábeis e orçamento público


T2

Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO)

Tem a finalidade de nortear a elaboração dos orçamentos anuais, compreendidos


aqui o orçamento fiscal, o orçamento de investimento das empresas e o orçamento
da seguridade social, de forma a adequá-los às diretrizes, objetivos e metas da
administração pública, estabelecido no Plano Plurianual.

• Conteúdo da LDO:

• Definição das metas e prioridades para o exercício seguinte.

• Anexo de Metas Fiscais – Portaria 471/04 da STN3.

• Orientação à elaboração da Lei Orçamentária Anual - LOA.

• Alteração da Legislação Tributária.

• Equilíbrio entre receitas e despesas.

• Limitação de empenho, quando as metas bimestrais não sejam alcançadas.

• Controle de Custos.

• Avaliação dos resultados dos Programas.

• Condições para transferência de recursos a entidades públicas e privadas.

• Autorização para criar cargos, empregos e funções, concessão de


vantagens, concessão de aumento aos servidores, alteração da estrutura
de carreiras e admissão de pessoal.

• Estabelecimento de metas fiscais, para três exercícios, para receita, despesa,


resultado primário, resultado nominal, dívida pública.

• Avaliação do cumprimento das metas do ano anterior, memória e


metodologia de cálculo para justificar as metas anuais pretendidas e o
comparativo destas com as metas fixadas nos exercícios anteriores.

• Evolução do Patrimônio Líquido.

• Origem e aplicação dos recursos de alienação de ativos.

• Avaliação da situação financeira e atuarial.

• Estimativa e compensação da renúncia de receita.

• Margem de expansão das despesas obrigatórias de caráter continuado.

3
Secretaria de Tesouro Nacional

Contabilidade pública, regimes contábeis e orçamento público 29


T2

• Riscos fiscais.

• Anexo de Riscos Fiscais – Portaria 470/04 da STN.

• Definição da forma de utilização e montante da reserva de contingência.

• Programação financeira e cronograma de execução mensal de desembolso.

• Definição de despesa irrelevante para dispensa da estimativa de impacto


orçamentário e financeiro.

• Prioridades para obras em andamento e conservação do patrimônio.

• Autorização para assumir custeio de competência de outros entes.

• Situações em que poderá ser autorizada a realização de hora extra, quando


ultrapassado o limite prudencial da despesa com pessoal.

• Definição dos incentivos ou benefícios tributários – renúncia de receita.

Lei Orçamentária Anual (LOA)

Para viabilizar a concretização das situações planejadas no Plano Plurianual


e, obviamente, transformá-las em realidade, obedecida a Lei de Diretrizes
Orçamentárias, elabora-se o Orçamento Anual, onde são programadas as
ações a serem executadas, visando alcançar os objetivos determinados. A LOA
compreende:

• Orçamento fiscal.

• Orçamento de investimento das empresas.

• Orçamento da seguridade social.

Princípios Orçamentários Gerais

• Anualidade – determina a vigência do orçamento, com limite no período


de um ano.

• Universalidade – todas as receitas e despesas integram o orçamento pelo


seu total, sem qualquer dedução.

• Unidade – estabelece que todas as receitas e despesas devam estar contidas


em uma só lei orçamentária.

• Equilíbrio – manter o equilíbrio entre as receitas estimadas e as despesas


fixadas.

30 Contabilidade pública, regimes contábeis e orçamento público


T2

• Exclusividade – decorre do aspecto jurídico do orçamento, determinando


que não contenha matéria estranha à previsão da receita e fixação da
despesa, ressalvada a autorização para abertura de crédito suplementar,
contratação de operação de crédito, ainda que por antecipação de receita,
como destinação do superávit ou cobertura do déficit.

• Clareza – deve ser expresso de forma clara, ordenada e completa,


compreensível para qualquer indivíduo.

• Programação – ser elaborado em conteúdo e forma de acordo com os


programas de cada um dos órgãos da administração pública.

Princípio Orçamentário Específico Para a Receita.

• Não afetação da receita – postula o recolhimento de todos os recursos a


uma caixa única do tesouro, sem discriminação quanto a sua destinação.
Ressalvado o seguinte:

a) Repartição da arrecadação do imposto de renda retido na fonte sobre


rendimentos; ITR4; IPVA5; ICMS6; IR7 e IPI8.

b) Destinação de recursos para manutenção e desenvolvimento do ensino, das


receitas de impostos – União nunca menos de 18%; Estados, Distrito Federal e
Municípios, no mínimo 25%.

c) Destinação de 15% da receita de impostos próprios e transferidos para o


custeio da saúde.

Lei do Orçamento

A lei que estabelece o orçamento anual conterá:

• Sumário geral da receita por fontes e da despesa por funções do governo.

• Quadro demonstrativo da receita e despesa segundo as categorias


econômicas, conforme o Anexo I da Lei nº 4.320/64.

• Quadro discriminativo da receita por fontes e respectiva legislação.

4
Imposto Territorial Rural, imposto de competência da União.
5
Imposto sobre a Propriedade de Veículo Automotor, imposto de competência dos Estados e Distrito
Federal.
6
Imposto sobre a Circulação de Mercadoria e Serviços, imposto de competência dos Estados e Distrito
Federal.
7
Imposto de Renda, imposto de competência da União.
8
Imposto sobre Produtos Industrializados, imposto de competência da União.

Contabilidade pública, regimes contábeis e orçamento público 31


T2

• Quadro das dotações por órgãos do governo e da administração.

Acompanhará, ainda, o orçamento anual:

• Quadros demonstrativo da receita e dos planos de aplicação dos fundos


especiais.

• Quadros demonstrativos das despesas, na forma dos Anexos VI ao IX da Lei


nº 4.320/64.

• Quadro demonstrativo do programa anual de trabalho do governo, em


termos de realização de obras e de prestação de serviços.

Ciclo Orçamentário

Compõe o Ciclo Orçamentário:

a) Elaboração

Etapa da Elaboração Atividades de Elaboração


Preliminar yy Fixação de diretrizes.
yy Projeções e prognósticos.
Inicial yy Preparo das normas e instruções.
yy Encaminhamento às unidades operacionais.
Intermediária yy Indicação, pelas unidades orçamentárias, dos programas de trabalho a
serem desenvolvidas, discriminando:
o Funções, programas, projetos e atividades, códigos de despesas e fontes
de recursos.
o Consolidação das propostas parciais do orçamento ao nível das unidades
de execução (ministério, secretarias estaduais, secretarias municipais).
Final yy Consolidação das propostas setoriais.
yy Formulação da proposta geral do orçamento.
yy Aprovação da proposta geral pelo chefe do executivo.
yy Encaminhamento ao legislativo.

b) Estudo e aprovação

Etapas Execução nas etapas


Iniciativa Responsabilidade do executivo pela apresentação do projeto de lei
orçamentário ao legislativo.
Discussão Debate em plenário do legislativo, incluindo emendas, voto do relator,
redação final e votação.
Sanção Aquiescência do titular do poder executivo ao projeto de lei aprovado
pelo legislativo
Veto Em desacordo, o poder executivo poderá vetar total ou parcialmente o
projeto aprovado pelo legislativo.
Promulgação e publicação A primeira se refere ao atestado de existência da lei e a segunda a torna
obrigatória através da publicidade.

32 Contabilidade pública, regimes contábeis e orçamento público


T2

c) Execução – fase em que é realizado aquilo que está previsto nos projetos e
atividades da Lei Orçamentária.

d) Avaliação – esta fase, apesar de prevista, raramente é de fato realizada, pois,


ao se encerrar o exercício financeiro, geralmente o executivo toma as iniciativas
para iniciar a execução de novo orçamento e assim, poucos ou nenhum recurso é
destinado à avaliação do orçamento encerrado, no que se refere a sua execução.

ACOMPANHE NA WEB

Novas Normas da Contabilidade Pública.

Assista ao vídeo publicado em 22 de agosto de 2013 pela Associação Mineira de


Municípios da entrevista da contadora geral do município de Belo Horizonte, Luci
Freitas, que explica os motivos e importância da mudança nas normas aplicadas à
contabilidade do setor público que entram em vigor a partir de 2014.

Disponível em: <http://www.youtube.com/watch?v=EOkD7Qj6TvQ>. Acesso em


10 mar. 2014.

Tempo: 12’20’’

As normas brasileiras de contabilidade aplicadas ao setor público e a legislação


contábil pública brasileira: uma análise comparativa à luz da teoria contábil.

Leia o artigo “As normas brasileiras de contabilidade aplicadas ao setor público


e a legislação contábil pública brasileira: uma análise comparativa à luz da teoria
contábil” de Diana Vaz de Lima, Cláudio Moreira Santana e Marianne Antunes que
traz uma análise sobre as Leis consideradas marco da Contabilidade Aplicada ao
Setor Público, a Lei nº 4.320/64 e a de Responsabilidade Fiscal.

Disponível em: <http://hdl.handle.net/10482/14466>. Acesso em: 05 mar. 2014.

Orçamento Fácil.

Desenvolvida pelo Senado Federal, a série de animação Orçamento Fácil mostra


o que é feito com os recursos dos impostos, taxas e contribuições pagos pelos
brasileiros. Aprenda, acompanhe e fiscalize os gastos públicos.

Disponível em: <http://www.senado.leg.br/orcamentofacil>. Acesso em: 12 mar.


2014.

Contabilidade pública, regimes contábeis e orçamento público 33


T2

AGORA É A SUA VEZ

Instruções:

Agora, chegou a sua vez de exercitar seu aprendizado. A seguir, você encontrará
algumas questões de múltipla escolha e dissertativas. Leia cuidadosamente os
enunciados e atente-se para o que está sendo pedido.

Questão 1

A  Contabilidade  é a ciência que estuda, interpreta e registra os fenômenos que


afetam o patrimônio de uma entidade. Ela alcança sua finalidade através do registro
e análise de todos os fatos relacionados com a formação, a movimentação e as
variações do patrimônio administrativo, vinculado à entidade, com o fim de assegurar
seu controle e fornecer a seus administradores as informações necessárias à ação
administrativa, bem como a seus titulares (proprietários do patrimônio) e demais
pessoas com ele relacionadas, as informações sobre o estado patrimonial e o
resultado das atividades desenvolvidas pela entidade para alcançar os seus fins. A
contabilidade ainda está dividida em ramos de atividade. Defina a Contabilidade
Pública com um conceito amplamente aceito.

Questão 2

De acordo com o disposto nas Normas Brasileiras de Contabilidade Aplicadas


ao Setor Público, assinale a opção correta acerca do conceito, objeto, objetivo e
campo de aplicação da contabilidade pública.

a) Independentemente do escopo, todas as entidades abrangidas pelo campo


de aplicação devem observar integralmente as normas e técnicas próprias da
contabilidade do setor público.

b) A contabilidade aplicada ao setor público é o ramo da ciência contábil que


adota, no processo gerador de informações, as normas fiscais direcionadas ao
controle da receita e da despesa das entidades do setor público.

c) As pessoas físicas não se equiparam, para efeito contábil, a entidades do setor


público, ainda que recebam subvenção, benefício, ou incentivo (fiscal ou creditício)
de órgão público.

d) O objeto da contabilidade aplicada ao setor público é o planejamento feito pela


administração pública para atender, durante determinado período, aos planos e
programas de trabalho por ela desenvolvidos.

34 Contabilidade pública, regimes contábeis e orçamento público


T2

e) Um dos objetivos da contabilidade aplicada ao setor público é o de fornecer o


necessário suporte para a instrumentalização do controle social.

Questão 3

Os registros contábeis dos entes públicos obedecem aos procedimentos


determinados por norma específica. Acerca desses registros e seus reflexos no
patrimônio dos entes públicos, julgue o certo ou errado item a seguir e justifique
o porquê de sua resposta.

Ao se adotar o procedimento de registro global dos créditos em dívida ativa, não se


faz o acompanhamento da fase de encaminhamento dos créditos, uma vez que o
reconhecimento dos créditos pela contabilidade deverá ocorrer no momento da
inscrição em dívida ativa.

( ) Certo ( ) Errado

Questão 4

Quais as categorias (tipos) de bens públicos, de acordo com o Código Civil, e quais
não podem ser alienados?

Questão 5

O momento do reconhecimento, afeta diretamente o resultado, e são conhecidos


como Regime de Caixa e Regime de Competência. Qual o regime contábil adotado
pela contabilidade pública brasileira e qual o amparo legal?

FINALIZANDO

Você viu nesse tema que a Contabilidade Aplicada ao Setor Público tem sua
base legal na Lei nº 4.320, de 17 de março de 1964, que estatui normas gerais de
direito financeiro para a elaboração e o controle dos orçamentos e balanços da
União, dos Estados, dos Municípios e do Distrito Federal. Lei essa que está para a
Contabilidade Aplicada à Administração Pública assim como a Lei das Sociedades
por Ações, Lei nº 6.404/76, está para a Contabilidade aplicada à atividade
empresarial. Você viu também sobre o Orçamento Público, os Princípios e o Ciclo
Orçamentário.

Contabilidade pública, regimes contábeis e orçamento público 35


T2

36 Contabilidade pública, regimes contábeis e orçamento público


T2

REFERÊNCIAS

ARAÚJO, I. P. O essencial da contabilidade pública: teoria e exercícios de concursos


públicos. São Paulo: Saraiva, 2009.

ASSOCIAÇÃO Mineira de Municípios. (22 de Agosto de 2013). NOVAS NORMAS


DA CONTABILIDADE PÚBLICA. Disponível em: <http://www.youtube.com/
watch?v=EOkD7Qj6TvQ>. Acesso em: 10 mar. 2014,

BEZERRA FILHO, J. E. Contabilidade pública: teoria, técnica de elaboração de


balanços e questões. 3 ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2008.

BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília,


DF, Senado, 1998..

CFC - Conselho Federal de Contabilidade. Normas brasileiras de contabilidade:


contabilidade aplicada ao setor público : NBCs T 16.1 a. Brasília: Publicação
Eletrônica, 2012

DE MELLO, C. A. (2001). Curso de Direito Administrativo (14ª ed.). São Paulo, SP,
Brasil: Malheiros.

KOHAMA, H. Contabilidade pública: teoria e prática (Edição especial da 12. ed.).


São Paulo: Atlas, 2012

MEIRELLES, H. L. Direito administrativo brasileiro. Revista dos Tribunais. 1996.

SANTOS DE ARAGÃO, A. Direito dos Serviços Públicos. Rio de Janeiro, Rio de


Janeiro: Forense, 2007.

SANTOS, C. S. Introdução à Gestão Pública (1ª ed.). São Paulo: Saraiva, 2006.

GLOSSÁRIO

Balanço Patrimonial: Evidencia qualitativa e quantitativamente a situação patrimonial


da entidade do setor público e está estruturado em: a) Ativo – compreendem as
disponibilidades, os bens e os direitos, tangíveis e intangíveis adquiridos, formados,
produzidos, recebidos, mantidos ou utilizados pelo setor público, que seja portador
ou represente um fluxo de benefícios, presente ou futuro, inerentes à prestação
de serviços públicos; b) Passivo – compreende as obrigações assumidas pelas
entidades do setor público para consecução dos serviços públicos ou mantidas

Contabilidade pública, regimes contábeis e orçamento público 37


T2

na condição de fiel depositário, bem como as contingências e as provisões; c)


Patrimônio Líquido – representa a diferença entre o Ativo e o Passivo;  d) Contas de
Compensação – compreende os atos que possam afetar o patrimônio.

Competência: Regime contábil que reconhece as despesas e receitas pela sua


realização, independente do seu pagamento ou recebimento. É o regime adotado
pela legislação brasileira. Contrapõe-se ao regime de caixa.

Despesa empenhada: corresponde à primeira fase da despesa, que é o ato da


autoridade competente que cria para o Estado, obrigação de pagamento pendente
ou não de implemento de condição.

Exercício financeiro: Período correspondente à execução orçamentária, financeira


e patrimonial coincidente com o ano civil.

Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO): Lei que compreende as metas e prioridades


da Administração Pública Federal, incluindo as despesas de capital para o exercício
financeiro subsequente, orienta a elaboração da Lei Orçamentária Anual, dispõe
sobre as alterações na legislação tributária e estabelece a política de aplicação das
agências financeiras oficiais de fomento.

Lei Orçamentária Anual (LOA): 1. Lei especial que contém a discriminação da


receita e da despesa pública, de forma a evidenciar a política econômica financeira
e o programa de trabalho do governo, obedecidos os princípios de unidade,
universalidade e anualidade (art. 2., Lei nº 4.320, de 17/03/1964)

Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF): É uma lei que tenta fazer com que gestor
eleito pela sociedade trate o dinheiro público com responsabilidade e de uma forma
que as pessoas possam saber como ele trata esses recursos (transparência). A Lei
Complementar nº 101, de 4 de maio de 2000, intitulada Lei de Responsabilidade
Fiscal - LRF, estabelece normas de finanças públicas voltadas para a responsabilidade
na gestão fiscal, mediante ações em que se previnam riscos e corrijam desvios
capazes de afetar o equilíbrio das contas públicas, destacando-se o planejamento,
o controle, a transparência e a responsabilização como premissas básicas.

Orçamento público: Lei de iniciativa do Poder Executivo que estima a receita e


fixa a despesa da Administração Pública para vigorar no exercício seguinte, após
aprovação pelo Poder Legislativo.

Plano plurianual (PPA): Lei que estabelece de forma regionalizada as diretrizes,


objetivos e metas da Administração Pública Federal para as despesas de capital e
outras delas decorrentes e para as relativas aos programas de duração continuada.
Vigora por cinco anos, sendo elaborado no primeiro ano do mandato presidencial,
abrangendo até o primeiro ano do mandato seguinte.

Restos a pagar: Representam as despesas empenhadas e não pagas até 31 de

38 Contabilidade pública, regimes contábeis e orçamento público


T2

dezembro, distinguindo-se as despesas processadas das não processadas. Entende-


se por processadas e não processadas, respectivamente, as despesas liquidadas e
as não liquidadas (art. 67, Decreto nº 93.872, de 23 de dezembro de 1986).

Contabilidade pública, regimes contábeis e orçamento público 39


Tema 3

Receita, despesa e dívida


pública

POR DENTRO DO TEMA

1. Receita

Entende-se por receita pública todo e qualquer recolhimento feito aos cofres
públicos bem como as variações ativas provenientes do registro dos direitos a receber
na ocorrência do seu fato gerador, independentemente do seu recebimento. Ela
representa aumentos da situação líquida patrimonial durante o exercício financeiro,
que podem ser entradas de recursos, aumento de ativos (A) ou diminuição de passivos
(P). Destacamos que, neste tema, as receitas e despesas públicas serão tratadas sob o
enfoque orçamentário, diferenciando-se, assim, do enfoque patrimonial adotado na
iniciativa privada em fase de implementação na administração pública.

No enfoque patrimonial, a receita é registrada pela ocorrência do fato gerador, não


estando necessariamente relacionada a ingressos financeiros. São fatos que provocam
alteração positiva no Patrimônio Líquido (PL) (HADDAD, 2010).

Exemplo: Arrecadação de receita tributária ↑A – P = ↑PL

O mesmo ocorre quando do ingresso de recursos nos cofres públicos que, não
sendo restituíveis, integram definitivamente o Patrimônio Público.

As receitas e despesas ganham destaque e atualidade em função das normas


emitidas a partir do final do ano de 2008 pela Secretaria do Tesouro Nacional (STN), do
Ministério da Fazenda, e pela Secretaria de Orçamento Federal (SOF), do Ministério do
Planejamento, Orçamento e Gestão. Os documentos aprovados originalmente pela
Portaria Conjunta nº 3/2008 (STN/SOF, 2008) são o Manual de Receita Nacional e o
Manual de Despesa Nacional.

Tratava-se da 1ª edição do Manual de Contabilidade Aplicada ao Setor Público


(MCASP) aplicado à União, aos estados, ao Distrito Federal e aos municípios. A
STN/MF e a SOF/MP publicam, anualmente e de modo conjunto, as atualizações
dos manuais, que estão disponíveis nos seguintes endereços eletrônicos:
T3

STN/MF: <https://www.tesouro.fazenda.gov.br>.

SOF/MPOG: <http://www.orcamentofederal.gov.br/>.

1.1 Classificações Legais da Receita

Esta seção aborda alguns aspectos apenas das receitas orçamentárias - não
são tratadas aqui as extraorçamentárias1. As receitas orçamentárias correspondem
à arrecadação de recursos financeiros autorizados pela lei orçamentária (e outras
assim classificadas), que serão aplicados na realização dos gastos públicos (SILVA,
2002).

O artigo 11 da Lei nº 4320/1964 classifica a receita orçamentária em duas


categorias econômicas: receitas correntes e receitas de capital. São receitas
correntes as receitas tributárias, de contribuições, patrimoniais, agropecuárias,
industriais e de serviços, além daquelas provenientes de recursos financeiros
recebidos de outras pessoas de direito público ou privado, quando destinadas a
atender despesas denominadas despesas correntes. As receitas correntes podem
ser classificadas em:

a) Originárias: resultantes da venda de produtos ou serviços colocados à


disposição dos usuários ou da cessão remunerada de bens e valores.

b) Derivadas: são as receitas obtidas pelo Estado em função de sua autoridade


coercitiva, mediante a arrecadação de tributos e multas.

Já as Receitas de Capital, segundo o artigo 11 da Lei nº 4320/1964, são aquelas


provenientes da realização de recursos financeiros oriundos de constituição de
dívidas, da conversão (em espécie) de bens e direitos, dos recursos recebidos
de outras pessoas de direito público ou privado destinados a atender despesas
classificáveis em Despesas de Capital e do superávit do Orçamento Corrente. Você
pode visualizar esta classificação na Figura 3.1.

1
As receitas extraorçamentárias não constam no orçamento e compreendem as entradas de dinheiro ou
créditos de terceiros de que o Estado é devedor como simples depositário ou como agente passivo de
obrigação. Trata-se de um simples ingresso financeiro de caráter temporário, pois pertence a terceiros.
Exemplos: depósitos, retenções em folha de pagamento e operações de Antecipação da Receita
Orçamentária (ARO). Cumpre informar que quando uma receita extraorçamentária não é devolvida
a quem é de direito, deverá receber tratamento contábil específico. Segundo Cruz (2011), um desses
casos é aquele relativo a “cauções em garantia de obras, que pode ser revertida a favor do erário, como
forma de reparação de falhas ou defeitos da execução”. Neste caso, torna-se receita orçamentária,
inclusive com emissão do respectivo documento e adequada classificação econômica

42 Receita, despesa e dívida pública


T3

Figura 3.1 Desdobramento das Receitas.

Fonte: HADDAD (2010)

Nessa classificação, as duas categorias econômicas são desmembradas em


origens. As origens são desmembradas em espécies e estas em rubricas. As rubricas
são desmembradas em alíneas, que ainda podem ser divididas em subalíneas,
conforme mostramos a seguir.

• 1º Nível – Categoria Econômica.

• 2º Nível – Origem.

• 3º Nível – Espécie.

• 4º Nível – Rubrica.

• 5º Nível – Alínea.

• 6º Nível – Subalínea.

Exemplificando temos:

Receita, despesa e dívida pública 43


T3

Observe que dessa forma o agrupamento dos Códigos da Receita seria:


1.1.1.2.04.10. A Parte I do MCASP, bem como o Anexo I da Portaria Interministerial
STN/SOF nº 163/2001, entre outras normas relacionadas, trazem o significado de
cada um desses desmembramentos.

2. Despesa Pública

Despesa pública é o conjunto de dispêndios do Estado, realizados por qualquer


pessoa de direito público, para o funcionamento de serviços públicos. As despesas
públicas formam o complexo da distribuição e do emprego de receitas para o
custeio de diferentes setores da administração (SANABIO; SANTOS; DAVID, 2013).
Ainda segundo Silva (2002), as despesas públicas são

[...] todos os desembolsos efetuados pelo Estado no


atendimento dos serviços e encargos assumidos no interesse
geral da comunidade, nos termos da Constituição, das leis, ou
em decorrência de contratos ou outros instrumentos.

Deste modo, despesa pública não é sinônimo de desembolso, tendo em vista


que abrange ainda os “encargos assumidos”, numa versão imperfeita do regime de
competência.

Reza o artigo 35 da Lei nº 4320/1964 que pertence ao exercício financeiro


a despesa nele legalmente empenhada. Por este motivo, optou-se pelo estágio
do empenho para observação das despesas orçamentárias analisadas adiante, e
não pela liquidação. A despesa pública pode ser classificada quanto à natureza,
competência político-institucional, afetação patrimonial e regularidade (SILVA,
2002).

No que diz respeito à classificação quanto à natureza, da mesma forma que


as receitas, as despesas públicas podem ser classificadas como orçamentárias e
extraorçamentárias, o que depende de elas estarem ou não incluídas no orçamento.
“A despesa orçamentária é aquela cuja realização depende de autorização legislativa
e não pode efetivar-se sem crédito orçamentário correspondente” (ANGÉLICO,
1995).

Para classificar a despesa pública quanto à sua natureza, deve ser utilizado o
conjunto de tabelas em que cada título é associado a um número. O artigo 3º da
Portaria Interministerial STN/SOF 163/2001 estabelece a codificação das despesas
através de números, num total de 6 dígitos, conforme a sequência indicada a
seguir:

44 Receita, despesa e dívida pública


T3

Categoria econômica (1º dígito)

A classificação econômica possibilita analisar o impacto das ações


governamentais em toda a economia e pode proporcionar uma indicação de
contribuições do governo na formação bruta do capital do país. O artigo 12 da
Lei nº 4320/1964, detalhado pela Portaria Interministerial STN/SOF nº 163, de
4/5/2001, classifica as despesas nas seguintes categorias econômicas:

(3) Despesas correntes: representam as despesas que não contribuem,


diretamente, para a formação ou aquisição de um bem de capital, respondendo
pela manutenção das atividades de cada órgão/entidade.

(4) Despesas de capital: representam as despesas que contribuem, diretamente,


para a formação ou aquisição de um bem de capital.

Grupos de despesa (2º dígito)

(1) Pessoal e encargos sociais: despesas de natureza salarial decorrentes do


efetivo exercício de cargo, emprego ou função de confiança no setor público, do
pagamento dos proventos de aposentadorias, reformas e pensões, das obrigações
trabalhistas de responsabilidade do empregador, incidentes sobre a folha de salários,
contribuição a entidades fechadas de previdência, bem como soldo, gratificações
e adicionais, previstos na estrutura remuneratória dos militares, e ainda, despesas
com o ressarcimento de pessoal requisitado, despesas com a contratação
temporária para atender a necessidade de excepcional interesse público, quando
se referir à substituição de servidores, e despesas com a substituição de mão de
obra constantes dos contratos de terceirização quando se tratar de categorias
funcionais abrangidas pelo respectivo plano de cargos do quadro de pessoal,
exceto nos casos de cargo ou categoria em extinção, em atendimento ao disposto
no art. 18, § 1º, da Lei Complementar nº 101, de 2000 (BRASIL, 2001).

Ainda segundo Kohama (2012):

(2) Juros e encargos da dívida: despesas com pagamento de juros, comissões


e outros encargos de operações de crédito internas e externas contratadas, bem
como da dívida pública mobiliária.

(3) Outras despesas correntes: despesas com aquisição de material de consumo,


pagamento de diárias, contribuições, subvenções, auxílio-alimentação, auxílio-
transporte, despesas com a contratação temporária para atender à necessidade de
excepcional interesse público, quando não se referir à substituição de servidores
de categorias funcionais abrangidas pelo respectivo plano de cargos do quadro de
pessoal, além de outras despesas da categoria econômica “Despesas Correntes”
não classificáveis nos demais grupos de natureza de despesa.

(4) Investimentos: despesas com o planejamento e a execução de obras,

Receita, despesa e dívida pública 45


T3

inclusive com a aquisição de imóveis considerados necessários à realização destas


últimas, e com a aquisição de instalações, equipamentos e material permanente.

(5) Inversões financeiras: despesas com a aquisição de imóveis ou bens de


capital já em utilização; aquisição de títulos representativos do capital de empresas
ou entidades de qualquer espécie, já constituídas, quando a operação não importe
aumento do capital; e com a constituição ou aumento do capital de empresas.

(6) Amortização da dívida: despesas com o pagamento e/ou refinanciamento


do principal e da atualização monetária ou cambial da dívida pública interna e
externa, contratual ou mobiliária.

Modalidades de aplicação (3º/4º dígitos)

Conforme Kohama (2012), a modalidade de aplicação indica por intermédio de


quem se realiza o gasto, complementando a classificação das despesas quanto
à natureza. As modalidades de aplicação dos recursos, segundo o autor, devem
observar o seguinte detalhamento:

(20) Transferências à União – despesas realizadas pelos Estados, Municípios


ou pelo Distrito Federal, mediante transferência de recursos financeiros à União,
inclusive para suas entidades da administração indireta.

(30) Transferências a Estados e ao DF – despesas realizadas mediante


transferência de recursos financeiros da União ou dos Municípios aos Estados e ao
Distrito Federal, inclusive para suas entidades da administração indireta.

(40) Transferências a Municípios – despesas realizadas mediante transferência


de recursos financeiros da União ou dos Estados aos Municípios, inclusive para
suas entidades da administração indireta.

(50) Transferências a instituições privadas sem fins lucrativos – despesas


realizadas mediante transferência de recursos financeiros a entidades sem fins
lucrativos que não tenham vínculo com a administração pública.

(60) Transferências a instituições privadas com fins lucrativos – despesas


realizadas mediante transferência de recursos financeiros a entidades com fins
lucrativos que não tenham vínculo com a administração pública.

(70) Transferências a instituições multigovernamentais nacionais – despesas


realizadas mediante transferência de recursos financeiros a entidades nacionais,
criadas e mantidas por dois ou mais entes da Federação.

(80) Transferências ao Exterior – despesas realizadas mediante transferência de


recursos financeiros a órgãos e entidades governamentais pertencentes a outros
países, a organismos internacionais e a fundos instituídos por diversos países,

46 Receita, despesa e dívida pública


T3

inclusive aqueles que tenham sede ou recebam os recursos no Brasil.

(90) Aplicações Diretas – aplicação direta, pela unidade orçamentária, dos


créditos a ela alocados ou oriundos de descentralização de outras entidades
integrantes ou não dos Orçamentos Fiscal ou da Seguridade Social, no âmbito da
mesma esfera de Governo.

(99) A definir – modalidade de utilização exclusiva do Poder Legislativo, ficando


vedada a execução orçamentária enquanto não houver sua definição.

Assim, efetua-se a despesa por aplicação direta por meio de transferências nas
mesmas ou em outras esferas da Administração, ou mesmo em entidades privadas,
no país ou no exterior.

Objeto do gasto (5º/6º dígitos)

É a classificação mais antiga e detalhada da despesa, que objetiva discriminar os


grupos em nível mais detalhado de agregação.

É importante observar que, a partir do exercício de 2002, os demais entes


federativos, que não a União, passaram a utilizar o modelo de classificação por
natureza, separando a classificação econômica do objeto de gasto, o que não
ocorria com clareza sob o regime anterior, determinado pela Lei nº 4320/1964.

A classificação funcional-programática é procedida de acordo com a Portaria


nº 42/1999, do Ministério do Orçamento e Gestão (MOG), que faz a distinção das
despesas conforme as funções de governo que são contempladas nos objetivos
dos programas da administração pública.

Deste modo, pela classificação funcional, as despesas são agrupadas por


funções do governo, tais como: saúde, educação, segurança, legislação e gestão
ambiental. Ao todo, são 27 funções de governo, mais Encargos Especiais, conforme
observado na Portaria MOG nº 42/1999 (MOG, 1999).

Estágios da Despesa Orçamentária

Na edição do Código de Contabilidade Pública de 8/11/1922, determina-se que


toda despesa do Estado deve passar por três estágios: o empenho, a liquidação e o
pagamento (KOHAMA, 2012). O Manual de Contabilidade Aplicada ao Setor Público,
para o exercício de 2013, estabelece como etapas da Despesa Orçamentária:
planejamento; execução; controle e avaliação.

a) Planejamento

A etapa do planejamento abrange, de modo geral, toda a análise para a

Receita, despesa e dívida pública 47


T3

formulação do plano e as ações governamentais que serviram de base para a


fixação da despesa orçamentária, a descentralização/movimentação de créditos,
a programação orçamentária e financeira, e o processo de licitação e contratação
(BRASIL, 2012).

1. Fixação da despesa

A fixação da despesa refere-se aos limites de gastos, incluídos nas leis


orçamentárias com base nas receitas previstas, a serem efetuados pelas entidades
públicas. A fixação da despesa orçamentária insere-se no processo de planejamento
e compreende a adoção de medidas em direção a uma situação idealizada, tendo
em vista os recursos disponíveis e observando as diretrizes e prioridades traçadas
pelo governo (BRASIL, 2012).

Conforme o artigo 165 da Constituição Federal de 1988, os instrumentos de


planejamento compreendem o Plano Plurianual, a Lei de Diretrizes Orçamentárias
e a Lei Orçamentária Anual.

O processo de fixação da despesa orçamentária é concluído com a autorização


dada pelo poder legislativo por meio da lei orçamentária anual, ressalvadas as
eventuais aberturas de créditos adicionais no decorrer da vigência do orçamento.

2. Descentralizações de créditos orçamentários

As descentralizações de créditos orçamentários ocorrem quando for efetuada


movimentação de parte do orçamento, mantidas as classificações institucional,
funcional, programática e econômica, para que outras unidades administrativas
possam executar a despesa orçamentária (BRASIL, 2012).

3. Programação orçamentária e financeira

A programação orçamentária e financeira consiste na compatibilização do


fluxo dos pagamentos com o fluxo dos recebimentos, visando o ajuste da despesa
fixada às novas projeções de resultados e da arrecadação (BRASIL, 2012).

A LRF definiu procedimentos para auxiliar a programação orçamentária e


financeira nos artigos 8º e 9º:

Art. 8º Até trinta dias após a publicação dos orçamentos,


nos termos em que dispuser a lei de diretrizes orçamentárias
e observado o disposto na alínea c do inciso I do art. 4º, o
Poder Executivo estabelecerá a programação financeira e o
cronograma de execução mensal de desembolso.
[...] Art. 9º Se verificado, ao final de um bimestre, que a

48 Receita, despesa e dívida pública


T3

realização da receita poderá não comportar o cumprimento das


metas de resultado primário ou nominal estabelecidas no Anexo
de Metas Fiscais, os Poderes e o Ministério Público promoverão,
por ato próprio e nos montantes necessários, nos trinta dias
subsequentes, limitação de empenho e movimentação financeira,
segundo os critérios fixados pela lei de diretrizes orçamentárias.
(BRASIL, Lei nº 101/2000, artigos 8 e 9)

4. Processo de licitação e contratação

O processo de licitação compreende um conjunto de procedimentos


administrativos que objetivam adquirir materiais, contratar obras e serviços, alienar
ou ceder bens a terceiros, bem como fazer concessões de serviços públicos com
as melhores condições para o Estado, observando os princípios da legalidade,
da impessoalidade, da moralidade, da igualdade, da publicidade, da probidade
administrativa, da vinculação ao instrumento convocatório, do julgamento objetivo
e de outros que lhe são correlatos (BRASIL, 2012).

A Constituição Federal de 1988 estabelece a observância do processo de


licitação pela União, Estados, Distrito Federal e Municípios, conforme disposto no
artigo 37, inciso XXI:

Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer


dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e
dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade,
impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência e,
também, ao seguinte:
[...] XXI – ressalvados os casos especificados na legislação,
as obras, serviços, compras e alienações serão contratados
mediante processo de licitação pública que assegure
igualdade de condições a todos os concorrentes, com
cláusulas que estabeleçam obrigações de pagamento,
mantidas as condições efetivas da proposta, nos termos da lei,
o qual somente permitirá as exigências de qualificação técnica
e econômica indispensáveis à garantia do cumprimento das
obrigações. (BRASIL, Constituição Federal de 1988, artigo 37)

A Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993, regulamenta o artigo 37, inciso XXI, da


Constituição Federal, estabelecendo normas gerais sobre licitações e contratos
administrativos pertinentes a obras, serviços (inclusive de publicidade), compras,
alienações e locações (BRASIL, 2012).

Receita, despesa e dívida pública 49


T3

b) Execução

A execução da despesa orçamentária se dá em três estágios, na forma prevista


na Lei Federal nº 4.320/1964: empenho, liquidação e pagamento.

1. Empenho

Empenho, segundo o artigo 58 da Lei nº 4.320/1964, é o ato emanado de


autoridade competente que cria para o Estado obrigação de pagamento pendente
ou não de implemento de condição. Consiste na reserva de dotação orçamentária
para um fim específico (BRASIL, 2012).

A formalização do empenho se dá quando da emissão da “Nota de Empenho”,


na qual consta o nome do credor, a especificação do credor e a importância
da despesa, bem como os demais dados necessários ao controle da execução
orçamentária (BRASIL, 2012).Quando o valor empenhado for insuficiente para
atender à despesa a ser realizada, o empenho poderá ser reforçado. Caso o valor
do empenho exceda o montante da despesa realizada, o empenho deverá ser
anulado parcialmente. Será anulado totalmente quando o objeto do contrato não
tiver sido cumprido, ou ainda, no caso de ter sido emitido incorretamente (BRASIL,
2012).

Existem três modalidades de empenho:

Ordinário ou normal: utilizado para as despesas normais de valor fixo e


previamente determinado, cujo pagamento deva ocorrer de uma só vez.

Estimativo: utilizado para as despesas cujo montante não se pode determinar


previamente, tais como serviços de fornecimento de água e energia elétrica,
aquisição de combustíveis e lubrificantes, entre outros.

Global: é o tipo de empenho utilizado para despesas contratuais ou outras de


valor determinado, sujeitas a parcelamento, como, por exemplo, os compromissos
decorrentes de aluguéis (KOHAMA, 2012).

2. Liquidação

Consiste na verificação do direito adquirido pelo credor, tendo por base os


títulos e documentos comprobatórios do respectivo crédito, e tem por objetivo
apurar:

I. A origem e o objeto do que se deve pagar.

II. A importância exata a pagar.

III. A quem se deve pagar a importância, para extinguir a obrigação (KOHAMA,


2012).

50 Receita, despesa e dívida pública


T3

A liquidação da despesa por fornecimentos feitos ou serviços prestados terá


por base:

I. O contrato, ajuste ou acordo respectivo.

II. A nota de empenho.

III. Os comprovantes da entrega de material ou da prestação efetiva do serviço


(KOHAMA, 2012).

3. Pagamento

O pagamento consiste na entrega de numerário ao credor, por meio de cheque


nominativo, ordens de pagamentos ou crédito em conta, e só pode ser efetuado
após se regular a liquidação da despesa.

A Lei nº 4.320/1964, no artigo 64, define ordem de pagamento como sendo


o despacho exarado por autoridade competente e determina que a despesa
liquidada seja paga. A ordem de pagamento só pode ser exarada em documentos
processados pelos serviços de contabilidade (BRASIL, 2012).

c) Controle e Avaliação

Essa fase compreende a fiscalização realizada pelos órgãos de controle e pela


sociedade. Segundo o Manual da Despesa Nacional da STN, o Sistema de Controle
visa a avaliação da ação governamental, da gestão dos administradores públicos e
da aplicação de recursos públicos por entidades de Direito Privado, por intermédio
da fiscalização contábil, financeira, orçamentária, operacional e patrimonial, com
a finalidade de:

[...] I - Avaliar o cumprimento das metas previstas no Plano


Plurianual, a execução dos programas de governo e dos
orçamentos da União;II - Comprovar a legalidade e avaliar
os resultados, quanto à eficácia e à eficiência da gestão
orçamentária, financeira e patrimonial nos órgãos e entidades
da Administração Pública, bem como da aplicação de recursos
públicos por entidades de direito privado; [...]. (BRASIL, 2000)

3 Dívida Pública

Significa o conjunto de compromissos, de curto ou longo prazo, assumidos


pelo Estado com terceiros.

3.1 Classificação da Dívida Pública

a) Dívida flutuante ou não consolidada

Receita, despesa e dívida pública 51


T3

O artigo 92 da Lei nº 4320/1964 trata da dívida flutuante.

A dívida flutuante compreende:

I – os restos a pagar, excluídos os serviços da dívida.

II – os serviços da dívida a pagar (parcelas de amortização e de juros da dívida


fundada).

III – os depósitos (consignações ou cauções e garantias recebidas em função


de execução de obra pública, por exemplo).

IV – os débitos de tesouraria (ARO2 – operações de crédito por antecipação de


receita destinada a cobrir insuficiências de caixa ou tesouraria).

b) Dívida fundada ou consolidada

É considerada Dívida Fundada ou Consolidada aquela que representa


compromisso assumido a longo prazo, de valor previamente determinado,
garantida por títulos do governo, que rendem juros e são amortizáveis ou
resgatáveis, podendo ou não ter o vencimento fixado (KOHAMA, 2012).

A Dívida Fundada ou Consolidada pode ser Interna ou Externa e, segundo


Kohama (2012), citando o artigo 98 da Lei Federal nº 4320/1964, a dívida fundada
“compreende os compromissos de exigibilidade superior a 12 (doze) meses,
contraídos para atender a desequilíbrio orçamentário ou a financiamento de obras
e serviços públicos”.

A Lei Federal nº 4320/1964 estabelece ainda que a dívida fundada será


escriturada com individuação e especificações que permitam verificar, a qualquer
momento, a posição dos empréstimos, bem como os respectivos serviços de
amortização e juros (KOHAMA, 2012).

A Lei Complementar nº 101 de 04 de maio de 2000, conhecida como Lei de


Responsabilidade Fiscal, altera o conceito legal de dívida pública. Em seu artigo 29
são estabelecidas as seguintes definições:

Capítulo VII
Da Dívida e do Endividamento
Seção I
Definições Básicas
Art. 29. Para os efeitos desta Lei Complementar, são adotadas

2
ARO – operações de crédito por antecipação da receita (artigo 38, da Lei nº 4.320/1964) = débitos de
tesouraria.

52 Receita, despesa e dívida pública


T3

as seguintes definições:
I – dívida pública consolidada ou fundada: montante total,
apurado sem duplicidade, das obrigações financeiras do ente da
Federação, assumidas em virtude de leis, contratos, convênios
ou tratados e da realização de operações de crédito, para
amortização em prazo superior a doze meses;
II – dívida pública mobiliária: dívida pública representada por
títulos emitidos pela União, inclusive os do Banco Central do
Brasil, Estados e Municípios;
III – operação de crédito: compromisso financeiro assumido em
razão de mútuo, abertura de crédito, emissão e aceite de título,
aquisição financiada de bens, recebimento antecipado de valores
provenientes da venda a termo de bens e serviços, arrendamento
mercantil e outras operações assemelhadas, inclusive com o uso
de derivativos financeiros;
IV – concessão de garantia: compromisso de adimplência
de obrigação financeira ou contratual assumida por ente da
Federação ou entidade a ele vinculada;
V – refinanciamento da dívida mobiliária: emissão de títulos para
pagamento do principal acrescido da atualização monetária.
(SENADO FEDERAL, 2008)

c) Restos a pagar

KOHAMA (2012), citando a Lei Federal nº 4320/1964 em seu artigo 35, e inciso
II afirma que “pertencem ao exercício financeiro, as despesas nele legalmente
empenhadas”.Para o encerramento do exercício, houve a necessidade da própria
lei determinar os procedimentos a serem adotados, o que foi feito através do artigo
36: “consideram-se Restos a Pagar as despesas empenhadas mas não-pagas até o
dia 31 de dezembro distinguindo-se as processadas das não-processadas” (BRASIL,
Lei nº 4320/1964, artigo 36).

Os restos a pagar de despesas processadas são aqueles cujo empenho foi


entregue ao credor que, por sua vez, cumpriu com o contratado, seja ele o
fornecimento de um material, execução de uma obra ou mesmo a prestação de
um serviço, sendo a despesa considerada liquidada, restando apenas o pagamento
(KOHAMA, 2012). Já os restos a pagar não processados são as despesas, legalmente
empenhadas, que não foram liquidadas e não pagas até 31 de dezembro do mesmo
exercício.Ainda sobre os restos a pagar, quando do encerramento do exercício
financeiro de emissão da nota de empenho, eles são inscritos com validade até 31
de dezembro do ano subsequente, sendo vedada a reinscrição. Já o pagamento,
seja de restos a pagar processados, seja de restos a pagar não processados, deverá

Receita, despesa e dívida pública 53


T3

ser feito no ano seguinte ao da sua inscrição. Por fim, os restos a pagar não pagos
deverão ser cancelados até 31 de dezembro do ano subsequente ao de sua
inscrição.

Quanto ao cancelamento, cabe ainda destacar que sendo o pagamento


reclamado após o cancelamento da inscrição, uma vez reconhecido o direito do
credor, deverá (o pagamento) ser efetuado à conta do orçamento vigente, sendo
enquadrado, assim, como Despesa de Exercícios Anteriores.

Os restos a pagar só prescrevem após cinco anos contados a partir da data de


inscrição, assim como a prescrição relativa ao direito do credor, excetuando-se os
casos em que houver interrupções decorrentes de atos judiciais.

ACOMPANHE NA WEB

Seminário Economia Política e Dívida Pública Brasileira

Veja a entrevista com Maria Lucia Fattorelli no Seminário Economia Política e Dívida
Pública Brasileira, realizado em Florianópolis em 2011.

Link para acesso: <http://youtube/3lYuuQK2CMI> Acesso em: 1 Outubro de 2014

Lei de responsabilidade fiscal e seu impacto na gestão pública

Leia o artigo A lei de responsabilidade fiscal e seu impacto na gestão pública de Ana
Karina Santos Coelho e José César de Faria que faz uma análise sobre o impacto
da Lei de Responsabilidade Fiscal na gestão pública na alçada Municipal, Estadual
e Federal, que teve sua conduta alterada, principalmente em relação aos gestores,
exigindo maior responsabilidade sobre os gastos públicos.Link para acesso:
<http://www.inicepg.univap.br/cd/INIC_2009/anais/arquivos/0076_0313_01.pdf>
Acesso em: 1 Outubro de 2014

Orçamento Fácil

Assista à série de animação Orçamento Fácil, desenvolvida pelo Senado Federal,


que mostra o que é feito com os recursos dos impostos, taxas e contribuições
pagos pelos brasileiros. Você irá aprender mais sobre a importância do orçamento
e verá, por exemplo, que para manter uma cidade funcionando o governo arrecada
recursos da sociedade (na forma de tributos: impostos, taxas e contribuições) e os

54 Receita, despesa e dívida pública


T3

investe em obras e serviços para a população. Aprenda, acompanhe e fiscalize


os gastos públicos. Link para acesso: <http://www.senado.leg.br/orcamentofacil>
Acesso em: 1 Outubro de 2014

AGORA É A SUA VEZ

Instruções:

Agora, chegou a sua vez de exercitar seu aprendizado. A seguir, você encontrará
algumas questões de múltipla escolha e dissertativas. Leia cuidadosamente os
enunciados e atente-se para o que está sendo pedido.

Questão 1

Discorra sobre a contabilidade pública.

Questão 2

O cancelamento de um passivo registrado em restos a pagar é classificado como


receita que corresponde a um aumento do patrimônio. Esta afirmação está:

(__) Certa.

(__) Errada.

Questão 3

Analise as informações a seguir, obtidas dos demonstrativos contábeis de um


determinado ente federado (somente contas e valores).
RECEITAS $
IMPOSTOS R$ 44.000,00
LOCAÇÃO DE BENS IMÓVEIS R$ 13.000,00
VENDA DE MÁQUINAS R$ 3.500,00
LAUDÊMICOS R$ 3.000,00
MULTAS INCIDENTES SOBRE TRIBUTOS R$ 4.500,00
RECEBIMENTO DE DÍVIDA ATIVA R$ 27.000,00
OPERAÇÕES DE CRÉDITO R$ 32.000,00
SERVIÇOS ADMINISTRATIVOS R$ 2.300,00
DIVIDENDOS R$ 700,00
ARRENDAMENTOS R$ 2.500,00
VENDA DE AÇÕES R$ 1.250,00

O total das Receitas Patrimoniais foi de: 

a) R$ 19.200.

Receita, despesa e dívida pública 55


T3

b) R$ 18.500.

c) R$ 20.450.

d) R$ 47.450.

e) R$ 22.700.

Questão 4

O Estado necessita de recursos para realizar as obras e cumprir com as


responsabilidades sociais, comerciais e patronais que lhe compete. Por isso,
usando de suas prerrogativas, arrecada os recursos por meio da cobrança de
impostos, taxas e demais tributos. Ocorre que nem sempre esses recursos são
suficientes, obrigando, assim, a tomada de empréstimos e financiamentos. Neste
sentido explique, sinteticamente, o que é a dívida pública.

Questão 5

A Lei de Responsabilidade Fiscal, além de alterar o conceito legal de dívida pública,


definido pela Lei nº 4320/1964, estabeleceu uma série de regras restritivas e
controladas para o endividamento público. Com base na Lei de Responsabilidade
Fiscal, como está definida a dívida pública?

FINALIZANDO

Neste tema, vimos a importância do estudo da receita e da despesa, tendo


em vista a relação delas com o orçamento. Este, como vimos, é um processo
de planejamento no qual são demonstradas as receitas e as despesas “previstas/
fixadas”, que permite o acom­panhamento quanto à execução de ambas.

Estudamos também as classi­ficações das receitas e despesas, e vimos alguns


conceitos, principalmente aqueles que são definidos pelo Manual da Receita
Nacional e pelo Manual da Despesa Nacional (Portaria Conjunta STN/SOF n.
3/2008).

Além disso, conhecemos os estágios da receita orçamentária: previ­ são,


lançamento (para algumas receitas tributárias), arrecadação e recolhimento.
Destacamos que a arrecadação é a quitação dos débitos com os agentes
arrecadadores por parte dos contribuin­tes e que o recolhimento é a disponibilização
no caixa do Tesouro Público do montante arrecadado pelos agentes arrecadadores.

56 Receita, despesa e dívida pública


T3

Em relação às despesas, estudamos os conceitos de despesa pública, despesa


corrente e despesa de capital. Conhecemos também os estágios da execução da
despesa orçamen­tária: empenho, liquidação e pagamento. E, por fim, constatamos
que o estágio de fixação da despesa não faz parte da execução, pois ele se encontra
na etapa de planeja­mento.

Receita, despesa e dívida pública 57


T3

58 Receita, despesa e dívida pública


T3

REFERÊNCIAS

ANGÉLICO, J. Contabilidade Pública. São Paulo: Atlas, 1995.

ARAÚJO, I. P. O essencial da contabilidade pública: teoria e exercícios de concursos


públicos. São Paulo: Saraiva, 2009.

BEZERRA FILHO, J. E. Contabilidade pública: teoria, técnica de elaboração de


balanços e questões. 3.ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2008.

BRASIL. Lei nº 4320, de 17 de março de 1964. Estatui Normas Gerais de Direito


Financeiro para elaboração e contrôle dos orçamentos e balanços da União, dos
Estados, dos Municípios e do Distrito Federal. Disponível em: <http://www.planalto.
gov.br/ccivil_03/leis/l4320.htm>. Acesso em: 2 out. 2014.

______. Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília, DF: Senado


Federal, 1988. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/
constituicao.htm>. Acesso em: 1 out. 2014.

______. Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993. Regulamenta o art. 37, inciso XXI, da
Constituição Federal, institui normas para licitações e contratos da Administração
Pública e dá outras providências. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/
ccivil_03/leis/l8666cons.htm>. Acesso em: 1 out. 2014.

______. Portaria nº 42, de 14 de abril de 1999. Atualiza a discriminação da despesa


por funções de que tratam o inciso I, do § 1º, do art. 2º, e § 2º, do art. 8º, ambos da
Lei nº 4.320, de 17 de março de 1964; estabelece conceitos de função, subfunção,
programa, projeto, atividade, operações especiais e dá outras providências.
Disponível em: <ftp://ftp.fnde.gov.br/web/siope/leis/P42_MPOG_14-04-1999.
pdf>. Acesso em: 1 out. 2014.

______. Lei Complementar nº 101, de 4 de maio de 2000. Estabelece normas


de finanças públicas voltadas para a responsabilidade na gestão fiscal e dá outras
providências. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/lcp/
lcp101.htm>. Acesso em: 1 out. 2014.

______. Portaria Interministerial nº 163, de 4 de maio de 2001. Dispõe sobre


normas gerais de consolidação das Contas Públicas no âmbito da União, Estados,
Distrito Federal e Municípios, e dá outras providências.Disponível em: <http://
www3.tesouro.fazenda.gov.br/legislacao/download/contabilidade/Portaria_
Interm_163_2001_Atualizada_2011_23DEZ2011.pdf>. Acesso em: 1 out. 2014.

______. Ministério da Fazenda. Secretaria do Tesouro Nacional. Manual de


contabilidade aplicada ao setor público - Parte I: Procedimentos Contábeis

Receita, despesa e dívida pública 59


T3

Orçamentários. Brasília, DF: Secretaria do Tesouro Nacional, 2012.

Conselho Federal de Contabilidade (CFC). Normas brasileiras de contabilidade:


contabilidade aplicada ao setor público: NBCs T 16.1 a. Brasília, DF: Publicação
Eletrônica, 2012.

HADDAD, R. C.; MOTA, F. G. L. Contabilidade pública. Florianópolis: Departamento


de Ciências da Administração/UFSC; Brasília: CAPES: UAB, 2010.

KOHAMA, H. Contabilidade pública: teoria e prática. 12.ed. São Paulo: Atlas, 2012.

MEIRELLES, H. L. Direito administrativo brasileiro. Revista dos Tribunais, 1966.

MELLO, C. A. Curso de Direito Administrativo. 14.ed. São Paulo: Malheiros, 2001.

NOVAS NORMAS DA CONTABILIDADE PÚBLICA. Falando em desenvolvimento.


Belo Horizonte: AMM TV, 22 de Agosto de 2013. Programa de TV. Disponível em:
<http://www.youtube.com/watch?v=EOkD7Qj6TvQ>. Acesso em: 10 mar. 2014.

PLATT NETO, O. A. Contabilidade Pública: atualizada e focada. 10.ed. Florianópolis:


Edição do autor, 2013.

SANABIO, M. T.; SANTOS, G. J. dos; DAVID, M. V. (Orgs.). Administração pública


contemporânea: política, democracia e gestão. Juiz de Fora: Ed. UFJF, 2013. 246p.

SANTOS DE ARAGÃO, A. Direito dos serviços públicos. Rio de Janeiro: Forense,


2007.

SANTOS, C. S. Introdução à Gestão Pública. São Paulo: Saraiva, 2006.

SENADO FEDERAL. Administração pública: normas e regulamentos. Brasília:


Senado Federal, Subsecretaria de Edições Técnicas, 2008.

SILVA, L. M. Contabilidade governamental: um enfoque administrativo. São Paulo:


Atlas, 2002.

GLOSSÁRIO

ARO: as Antecipações de Receitas Orçamentárias são empréstimos  que os


entes públicos podem fazer (União, Estados, DF e Municípios) para resolver uma
momentânea insuficiência de caixa. Elas estão reguladas pelo artigo 38 da Lei
Complementar nº 101/2000 (Lei de Responsabilidade Fiscal).

Dívida ativa: é a inscrição que se faz em conta de devedores, relacionada a


tributos, multas e créditos da Fazenda Pública, lançados, mas não cobrados ou

60 Receita, despesa e dívida pública


T3

não recolhidos no exercício de origem. (BRASIL, Lei nº 4.320/1964, artigo 39).

Exercício financeiro: período correspondente à execução orçamentária, financeira


e patrimonial coincidente com o ano civil.

Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF): é uma lei que tenta fazer com que o gestor
eleito pela sociedade trate o dinheiro público com responsabilidade e com
transparência, de forma que as pessoas possam saber como ele trata esses recursos.
Ela estabelece normas de finanças públicas voltadas para a responsabilidade
na gestão fiscal, mediante ações em que se previnam riscos e corrijam desvios
capazes de afetar o equilíbrio das contas públicas, destacando-se o planejamento,
o controle, a transparência e a responsabilização como premissas básicas.

Patrimônio público: o conjunto de direitos e bens, tangíveis ou intangíveis,


onerados ou não, adquiridos, formados, produzidos, recebidos, mantidos ou
utilizados pelas entida­des do setor público, que seja portador ou represente um
fluxo de benefícios, presente ou futuro, inerente à pres­tação de serviços públi­cos
ou à exploração econômica por entida­des do setor público e suas obrigações.

Receita, despesa e dívida pública 61


Tema 4

Regime de adiantamento,
patrimônio público, créditos
adicionais e fundos especiais

POR DENTRO DO TEMA

Regime de Adiantamento ou Suprimento de Fundos

Conceito

Podemos conceituar o Regime de Adiantamento pela Lei Federal nº 4.320/1964 e


pelas Leis Estaduais nº 10.319 e nº 10.320, ambas de 1968, como sendo:

[...] Conforme o artigo 68, da Lei Federal nº 4.320, de 17 de


março de 1964, tal regime é aplicável às despesas expressas
e previamente definidas em lei e consiste na disponibilização
de recursos a servidor qualificado, com objetivo de realizar
despesas que viabilizem a execução de ações que exijam
agilidade na resolução.
Um processamento especial da despesa pública orçamentária,
através do qual se coloca o numerário à disposição de
funcionário ou servidor, a fim de lhe dar condições de realizar
gastos que por sua natureza não possam realizar-se pelos
trâmites normais, ou seja, por processo comum. Em síntese,
um funcionário ou servidor é designado para responder e
responsabilizar-se pela importância do adiantamento, do qual
prestará contas dentro do prazo regulamentar, aos órgãos
controladores da execução orçamentária, funcionando, desse
modo, como agente pagador. (KOHAMA, 2012)

Essa modalidade especial de processamento da despesa orçamentária é legalizada


pela Lei Federal nº 4.320/1964 e, na esfera estadual, pelas respectivas Leis Estaduais,
ou seja, cada ente da federação deve regulamentar o seu regime de adiantamento,
observando as peculiaridades de seu sistema de controle interno, de forma a garantir
a correta aplicação do dinheiro público.
T4

O regime de adiantamento é aplicável àquele material que


vai ser consumido de imediato, não podendo ser estocado,
ou aquele serviço que não permite delongas e que não pode
deixar de ser executado imediatamente. (BRASIL, 1964)

O regime de adiantamento ou suprimento de fundos consiste na entrega de


numerário a servidor, sempre precedida de empenho na dotação própria, para o fim
de realizar despesas que não possam subordinar-se ao processo normal de aplicação.

São passiveis de realização por meio de regime de adiantamento as seguintes


despesas:

• De pequeno vulto, assim entendidas aquelas cujo valor não ultrapasse os


limites estabelecidos pela legislação.

• Eventuais, inclusive em viagens e com serviços especiais, que exijam pronto


pagamento em espécie.

• Em caráter sigiloso, conforme se classificar em regulamento (BRASIL, 1986).

A concessão de suprimento de fundos fica limitada a 5% do valor estabelecido


na alínea a, inciso II, do art. 23, da Lei nº 8.666/1993. Os comprovantes de despesas
realizadas por meio de suprimento de fundos não poderão conter rasuras, acréscimos,
emendas ou entrelinhas e serão emitidos por quem prestou o serviço ou forneceu o
material, em nome do órgão/entidade realizador da despesa. Devem conter (INPI, s.d.,
p. 383):

• Discriminação clara do material fornecido ou do serviço prestado, não se


admitindo generalizações ou abreviaturas que impossibilitem o conhecimento
das despesas efetivamente realizadas.

• Atestação de que o material foi recebido ou de que os serviços foram


prestados, efetuada por servidor que não seja o suprido ou o ordenador de
despesa.

• Data de emissão.

• São considerados instrumentos hábeis para comprovar a despesa:

• Documento fiscal de prestação de serviços.

• Documento fiscal de venda ao consumidor, na hipótese de compra de


material.

• Recibo avulso de pessoa física, contendo o nome do prestador do serviço,

64 Regime de adiantamento, patrimônio público, créditos adicionais e fundos especiais


T4

número do CPF (MF) e da identidade, inscrição no INSS, endereço e


assinatura, principalmente. (BRASIL, 1993)

Para efeito de comprovação dessas despesas, somente poderão ser aceitos


documentos emitidos em data igual ou posterior à de entrega do numerário, observado
o período de aplicação definido no ato de concessão.

Outro ponto importante é que a atestação das despesas realizadas por meio de
adiantamento ou suprimento de fundos não pode ser efetuada nem pelo suprido,
nem pelo ordenador de despesa, e não deve ser concedido suprimento de fundos
aos servidores em alcance, nem aos responsáveis por dois ou mais adiantamentos
ou suprimentos. O adiantamento é uma excepcionalidade. Observe que, pela própria
natureza do adiantamento, o servidor, como regra, não poderá realizar gastos de
capital (exemplos: compras de equipamento, imóveis, instalações etc.).

O Suprimento de Fundos será contabilizado e incluído nas


contas do Ordenador como despesa realizada; as restituições,
por falta de aplicação, parcial ou total, ou aplicação indevida,
constituirão anulação de despesa, ou receita orçamentária, se
recolhidas após o encerramento do exercício. (BRASIL, 1986)

É necessário ressaltar que é vedada a aquisição de material permanente por


suprimento de fundos.

• Patrimônio Público

Patrimônio Público é o conjunto de direitos e bens, tangíveis


ou intangíveis, onerados ou não, adquiridos, formados,
produzidos, recebidos, mantidos ou utilizados pelas entidades
do setor público, que seja portador ou represente um fluxo
de benefícios, presente ou futuro, inerente à prestação de
serviços públicos ou à exploração econômica por entidades
do setor público e suas obrigações. (PLATT NETO, 2013)

Classificação do Patrimônio Público

(CFC, 2008)
O patrimônio público é estruturado em três grupos:
(a) Ativos são recursos controlados pela entidade como

Regime de adiantamento, patrimônio público, créditos adicionais e fundos especiais 65


T4

resultado de eventos passados e do qual se espera que resultem


para a entidade benefícios econômicos futuros ou potencial de
serviços;
(b) Passivos são obrigações presentes da entidade, derivadas de
eventos passados, cujos pagamentos se esperam que resultem
para a entidade saídas de recursos capazes de gerar benefícios
econômicos ou potencial de serviços;
(c) Patrimônio Líquido é o valor residual dos ativos da entidade
depois de deduzidos todos seus passivos (Redação dada pela
Resolução CFC nº 1.268/2009). (CFC, 2009)
A classificação dos elementos patrimoniais considera a segregação
em “circulante” e “não circulante”, com base em seus atributos de
conversibilidade e exigibilidade. (PLATT NETO, 2013)
Os ativos devem ser classificados como circulante quando
satisfizerem a um dos seguintes critérios:
Estarem disponíveis para realização imediata;
Tiverem a expectativa de realização até o término do exercício
seguinte.
Os demais ativos devem ser classificados como não circulante.
(BRASIL, 2012)
Os passivos devem ser classificados como circulante quando
satisfizerem a um dos seguintes critérios:
Corresponderem a valores exigíveis até o término do exercício
seguinte;
Corresponderem a valores de terceiros ou retenções em nome
deles, quando a entidade do setor público for a fiel depositária,
independentemente do prazo de exigibilidade.
Os demais passivos devem ser classificados como não circulante.
(BRASIL, 2012)

Em termos mais precisos, o patrimônio público é uma das entidades que compõem
a “administração pública” para fins contábeis ou legais. Deste modo, tal patrimônio
não é somente o relativo às entidades públicas, mas é o relativo às entidades que
“compõem” a administração pública. Assim, além do patrimônio das pessoas
jurídicas de direito público interno (União, estados, Distrito Federal e municípios, com
respectivas autarquias), também faz parte do patrimônio público aquele pertencente
às empresas estatais dependentes e às fundações instituídas e mantidas pelo poder
público, entre outras entidades, conforme o âmbito de consolidação de contas
obrigatório (KOHAMA, 2012).

A NBC T 16.2, aprovada pela Resolução CFC nº 1.129/2009, e alterada pela


Resolução CFC nº 1.268/2009, apresenta a definição e os grupos do patrimônio
público como sendo:

66 Regime de adiantamento, patrimônio público, créditos adicionais e fundos especiais


T4

Patrimônio Público: conjunto de direitos e bens, tangíveis


ou intangíveis, onerados ou não, adquiridos, formados,
produzidos, recebidos, mantidos ou utilizados pelas entidades
do setor público, que seja portador ou represente um fluxo
de benefícios, presente ou futuro, inerente à prestação de
serviços públicos ou à exploração econômica por entidades
do setor público e suas obrigações.
O patrimônio público é estruturado em três grupos:
a) Ativos são recursos controlados pela entidade como
resultado de eventos passados e do qual se espera que
resultem para a entidade benefícios econômicos futuros ou
potencial de serviços;
b) Passivos são obrigações presentes da entidade, derivadas
de eventos passados, cujos pagamentos se esperam que
resultem para a entidade saídas de recursos capazes de gerar
benefícios econômicos ou potencial de serviços;
c) Patrimônio Líquido é o valor residual dos ativos da entidade
depois de deduzidos todos seus passivos. (PLATT NETO, 2013)

Conforme as Normas Brasileiras de Contabilidade Técnica aplicadas ao Setor


Público (NBC TSP), das quais a NBC T 16.2 é componente, os ativos e os passivos
são segregados em “circulantes” e “não circulantes”, com base em seus atributos de
conversibilidade e exigibilidade.

A Parte II do Manual de Contabilidade Aplicada ao Setor Público, denominada


Procedimentos Contábeis Patrimoniais (PCP), aborda, entre outros aspectos:

• Os componentes do patrimônio público.

• As variações patrimoniais; a mensuração de ativos e passivos; a reavaliação,


redução ao valor recuperável, depreciação, amortização e exaustão.

• As provisões, passivos contingentes e ativos contingentes.

• Bens Públicos

Os bens públicos constituem um dos elementos do patrimônio público. A Lei nº


10.406/2002, que instituiu o Código Civil Brasileiro, trata dos bens conforme a seguinte
estrutura normativa:

Livro II – dos Bens.

Título Único – das Diferentes Classes de Bens.

Capítulo I – dos Bens Considerados em Si Mesmos.

Regime de adiantamento, patrimônio público, créditos adicionais e fundos especiais 67


T4

Capítulo II – dos Bens Reciprocamente Considerados.

Capítulo III – dos Bens Públicos.

“São públicos os bens do domínio nacional pertencente às pessoas jurídicas de


direito público interno; todos os outros são particulares, seja qual for a pessoa a
que pertencerem” (BRASIL, 2002).

O Código Civil estabelece três tipos ou categorias de Bens Públicos:

a) Bens de uso comum do povo: também são denominados de “bens de


domínio público”. O Código Civil cita como exemplos: rios, mares, estradas, ruas e
praças. São divididos, conforme a sua formação, em:

[...] naturais: como mares, rios, praias, lagos, ilhas etc.;


artificiais: aqueles cuja existência supõe a intervenção do
homem, como ruas, praças, avenidas e canais.
São, portanto, de uso comum todos os bens destinados ao
uso da comunidade quer individual ou coletivamente e por
isso apresentam as seguintes características:
Não permanecem contabilizados após a entrega ao domínio;
Não são inventariados ou avaliados (idem);
Não podem ser alienados;
São impenhoráveis e imprescritíveis; e,
O uso pode ser oneroso ou gratuito. (SILVA, 2002)

“Os bens de uso comum do povo [...] são postos à disposição da população de
forma gratuita ou com remuneração, conforme legislação própria” (BRASIL, 2002).

b) Bens de uso especial:

[...] ou do patrimônio administrativo, são os destinados


à execução dos serviços públicos, como os edifícios ou
terrenos utilizados pelas repartições ou estabelecimentos
públicos, veículos da administração, [...] bem como os móveis
e materiais indispensáveis ao seu funcionamento.
Tais bens têm a finalidade pública permanente, razão pela
qual são denominados bens patrimoniais indispensáveis.
(MEIRELLES, 1997)
Destinam especialmente à execução dos serviços públicos
e, por isso mesmo, são considerados instrumentos desses
serviços; não integram propriamente a Administração,

68 Regime de adiantamento, patrimônio público, créditos adicionais e fundos especiais


T4

mas constituem o aparelhamento administrativo, tais como


os edifícios das repartições públicas, os terrenos aplicados aos
serviços públicos, os veículos da Administração, os matadouros,
os mercados e outras serventias que o Estado põe à disposição
do público, mas com destinação especial. Tais bens, como
têm finalidade permanente, são também chamados de bens
patrimoniais indisponíveis. (MEIRELLES, 1997)

São como os bens particulares, com as mesmas características, diferindo na


forma como tais bens são utilizados, sendo que só são assim considerados por
estarem em uso para os serviços públicos e constituírem uma utilidade pública,
tendo sempre a interferência de pessoas que administram o serviço público
(MEIRELLES, 1997).

c) Bens dominicais: também são conhecidos como “bens dominiais”.

Os bens dominiais, ou do patrimônio disponível, são os que


integram o domínio público com características diferentes,
pois podem ser utilizados em qualquer fim, ou mesmo
alienados se a administração julgar conveniente. (SILVA, 2002)

O art. 99, do Código Civil, Lei nº 10.406/2002, define que são bens públicos
os “bens dominicais, que constituem o patrimônio das pessoas jurídicas de direito
público, como objeto de direito pessoal, ou real, de cada uma dessas entidades”.

Os bens dominiais possuem as seguintes características: “estão sujeitos à


contabilização; são inventariados e avaliados; podem ser alienados nos casos e na
forma que a lei estabelecer; estão incluídos no patrimônio da instituição; e dão e
podem produzir renda” (SILVA, 2002).

Tais bens não são utilizados para os serviços públicos, permanecendo à espera
de uma destinação pública ou de uma utilização especial. Exemplos: edifícios
desocupados e terrenos não utilizados.

Sob o enfoque patrimonial, alguns bens de uso comum do povo afetam a


Demonstração das Variações Patrimoniais (DVP) quando são incorporados, como
no caso da construção de uma rodovia ou da reforma de uma praça (despesa
orçamentária efetiva, de capital).

Todavia, até a aplicação das NBC TSP, os bens não são registrados no Balanço
Patrimonial. Os demais bens afetam a DVP quando de sua incorporação ou

Regime de adiantamento, patrimônio público, créditos adicionais e fundos especiais 69


T4

desincorporação e são registrados no Balanço Patrimonial.

Conforme a Resolução CFC, nº 1.137/2008, a partir da adoção das NBC TSP


(NBC T 16.10):

Os bens de uso comum que absorveram ou absorvem recursos


públicos, ou aqueles eventualmente recebidos em doação,
devem ser incluídos no ativo não circulante da entidade
responsável pela sua administração ou controle, estejam, ou
não, afetos a sua atividade operacional.

A mensuração [de tais bens] será efetuada, sempre que possível, ao valor de
aquisição ou ao valor de produção e construção. (CFC, 2008)

Créditos Adicionais

Os Créditos Adicionais estão disciplinados na Lei nº 4.320/1964, em seus artigos


41 e seguintes, como se verifica a seguir:

Suplementares – São destinados ao reforço de dotação


já fixada no orçamento. Portanto, não são criados novos
elementos de [gasto], projetos ou atividades através de
créditos adicionais suplementares.
Especiais – São destinados a criar despesas para as quais
não haja dotação específica, geralmente decorrentes de
criação de novos órgãos, ou programas de trabalho não
fixados pela Lei Orçamentária, ou ainda, são utilizados para
incluir determinados elementos de [gastos] em projetos e/ou
atividades já consignados no Orçamento Anual.
Extraordinários – Destinados a despesas imprevisíveis e
urgentes, decorrentes de guerra, subversão interna ou
calamidade pública. (REVISÃO, 2005, p. 02)

Autorização e Abertura

De acordo com a Lei nº 4.320/1964, art. 43, a abertura dos créditos


suplementares e especiais ocorre quando há previsão legal e se dá por decreto,
sempre levando em conta a “existência de recursos disponíveis para ocorrer à
despesa e será precedida de exposição justificativa”.

Quanto aos créditos suplementares, podem ser autorizados da forma expressa

70 Regime de adiantamento, patrimônio público, créditos adicionais e fundos especiais


T4

na lei orçamentária, dada a condição de não ocorrer a criação de programas


que não tenham sido autorizados pelo Poder Legislativo. Os créditos adicionais
especiais precisam de lei específica, tendo em vista que adicionam ao orçamento
novas dotações.

Vigência

O art. 45, da Lei nº 4.320/1964, disciplina que “os créditos adicionais terão
vigência adstrita ao exercício financeiro em que forem abertos”, a exceção dos
especiais e extraordinários, desde que devidamente autorizados.

Desta forma, “a vigência dos créditos suplementares vai da data em que forem
abertos, até o dia 31 de dezembro do respectivo exercício financeiro” (REVISÃO,
2005, p. 03).

Os créditos especiais e extraordinários terão sua vigência dentro do exercício


em que foram autorizados.

Caso a autorização tenha sido promulgada nos últimos quatro meses daquele
exercício, o art. 167 da Constituição Federal, em seu parágrafo 2º, define que os
créditos poderão ser reabertos nos limites de seus saldos, sendo incorporados ao
orçamento do exercício financeiro subsequente (BRASIL, 1988).

Fonte de Recursos

A Constituição Federal determina que: “Art. 167. São vedados: [...] V – a abertura
de crédito suplementar ou especial sem prévia autorização legislativa e sem
indicação dos recursos correspondentes”.

Fontes para os Créditos Adicionais

Dessa forma:

[...] a abertura de créditos adicionais, seja suplementar ou


especial, necessita de indicação obrigatória dos recursos
utilizados para referida modificação orçamentária, requisito
não necessário à abertura de créditos extraordinários.
Consideram-se fontes destes recursos, as relacionadas no art.
43, § 1º, da Lei 4320/64, desde que não comprometidas:
Anulação parcial ou total de dotações orçamentárias ou de
créditos adicionais – Entende-se por anulação de dotação,
a subtração de recursos de uma dotação, para fazer face à
criação ou suplementação de outra dotação através de crédito
adicional. [...]

Regime de adiantamento, patrimônio público, créditos adicionais e fundos especiais 71


T4

Operações de Crédito – Fonte de recurso decorrente de


empréstimos ou financiamentos, [...] que originará um ingresso
classificável como “Receita de Capital”. [...]
Superávit Financeiro apurado em Balanço Patrimonial do exercício
anterior – Considera-se superávit financeiro a diferença positiva
entre o Ativo e o Passivo Financeiro apurado no exercício anterior,
deduzido ainda, dos saldos dos créditos adicionais transferidos
do exercício anterior e ainda, as operações de crédito a eles
vinculadas, caso existam.
[Provável] Excesso de Arrecadação – Para a finalidade exclusiva
de abertura de créditos adicionais, entende-se como [provável]
excesso de arrecadação a diferença positiva entre a arrecadação
prevista e a realizada mês a mês, considerando-se a tendência do
exercício. (REVISÃO, 2005, p. 03)

Consideram-se fontes destes recursos as relacionadas no art. 166, § 8º, da


CF/1988, desde que não comprometidos os Recursos Decorrentes de Veto:

§ 8º - Os recursos que, em decorrência de veto, emenda ou


rejeição do projeto de lei orçamentária anual, ficarem sem
despesas correspondentes poderão ser utilizados, conforme
o caso, mediante créditos especiais ou suplementares, com
prévia e específica autorização legislativa.

Fundos Especiais

Características dos Fundos Especiais

De acordo com o art. 71, podemos estabelecer certas características, segundo


Machado Jr. (1999, p. 136):

Receitas especificadas: o fundo deve ser constituído de


receitas específicas instituídas me lei ou outra receita
qualquer, própria ou transferida, observando-se quanto a
estas as normas de aplicação estabelecidas pela entidade
beneficente. A Constituição da República veda a possibilidade
da vinculação de impostos a fundos especiais conforme
disposto no Art. 167, IV;

72 Regime de adiantamento, patrimônio público, créditos adicionais e fundos especiais


T4

Vinculação à realização de determinados objetivos ou serviços:


ao ser instituído, o fundo especial deverá vincular-se à realização
de programas de interesse da Administração, cujo controle é
feito através dos orçamentos e contabilidade próprios. A lei que
instituir o fundo especial deverá dispor sobre as despesas que
serão financiadas pelas receitas;
Normas peculiares de aplicação: a lei que instituir o fundo especial
deverá estabelecer ou dispor sobre a destinação dos seus recursos;
Vinculação a determinado órgão da Administração;
Descentralização do processo decisório;
Contabilidade e prestação de contas específicas.

Conceito de Fundos Especiais

Em função destas características, conceitua-se fundo especial:

O fundo especial não é entidade jurídica, órgão ou unidade


orçamentária, ou ainda uma conta mantida na Contabilidade,
mas tão somente um tipo de gestão financeira de recurso ou
conjunto de recursos vinculados ou alocados a uma área de
responsabilidade para cumprimento de objetivos específicos,
mediante a execução de programas com eles relacionados.
Os Fundos Especiais são entendidos então como forma
de gestão autônoma de recursos públicos, sendo sempre
vinculados a um órgão da Administração Pública, centralizada
ou descentralizada. Fundo especial não se caracteriza uma
entidade jurídica, mas sim como uma unidade orçamentária,
ou seja, como um ente contábil representado por um conjunto
de contas especiais que identificam e demonstram as origens
e as aplicações de recursos nas atividades para o qual foi
criado. (ANGÉLICO, 1995)
O Fundo Especial possui características peculiares, sendo
constituído pelo produto de receitas específicas que, por
lei, vinculam-se à realização de determinados objetivos
ou serviços, facultada a adoção de normas peculiares de
aplicação.
As receitas orçamentárias destinadas aos fundos, sejam elas
originadas de tributos, atividades próprias, contribuições
sociais, transferências, convênios, contratos ou outros ajustes,
bem como de outras origens, serão classificadas nas suas
dotações orçamentárias próprias. (ANGÉLICO, 1995)
Um fundo especial, para fins orçamentários, é considerado uma

Regime de adiantamento, patrimônio público, créditos adicionais e fundos especiais 73


T4

unidade orçamentária, haja vista que na Lei Orçamentária Anual


- LOA deverá haver dotação orçamentária própria, enquanto
que as “Transferências a Estados, Distrito Federal e Municípios”,
“Encargos Financeiros da União”, “Operações Oficiais de
Crédito”, “Refinanciamento da Dívida Pública Mobiliária Federal”
e “Reserva de Contingência”, não são unidades orçamentárias,
mas sim considerados órgãos. (ANGÉLICO, 1995)

ACOMPANHE NA WEB

MP Gerais

Assista ao vídeo do quinto programa “MP Gerais”, do Ministério Público do Estado


de Minas Gerais, publicado em 15 de abril de 2013, que trata sobre o Patrimônio
Público, suas definições e ocorrências consideradas crimes, fraudes etc.

Disponível em: <http://youtu.be/oHjLBJQihJU> Acesso em: 20 mar. 2014.

Duração: 28:30.

Créditos Adicionais

No vídeo publicado em 11 de outubro de 2013, o Prof. José Wesley reforça as


definições apresentadas sobre os Créditos Adicionais.

Disponível em: <http://youtu.be/wjMHYzTTh_I> Acesso em: 21 mar. 2014.

Duração: 08:18.

Orçamento Fácil

Nesta animação, aprenda mais sobre a importância do orçamento. Veja que, para
manter uma cidade funcionando, o governo arrecada recursos da sociedade (na
forma de tributos: impostos, taxas e contribuições) e os gasta em obras e serviços para
a população. Desenvolvida pelo Senado Federal, a série de animação “Orçamento
Fácil” mostra o que é feito com os recursos dos impostos, taxas e contribuições
pagos pelos brasileiros. Aprenda, acompanhe e fiscalize os gastos públicos.

Disponível em: <http://www.senado.leg.br/orcamentofacil> Acesso em: 12 mar.


2014.

74 Regime de adiantamento, patrimônio público, créditos adicionais e fundos especiais


T4

AGORA É A SUA VEZ

Instruções:

Agora, chegou a sua vez de exercitar seu aprendizado. A seguir, você encontrará
algumas questões de múltipla escolha e dissertativas. Leia cuidadosamente os
enunciados e atente-se para o que está sendo pedido.

Questão 1

As regras relacionadas à execução orçamentária da União, dos estados, do Distrito


Federal e dos municípios aplicam-se, integralmente, aos fundos especiais de
natureza contábil ou financeira. A afirmativa está correta? Justifique.

Questão 2

De acordo com a Lei Federal nº 4.320/1964, serão autorizados por lei e por decreto
do Executivo os créditos:

a) Suplementares e extraordinários.

b) Especiais e extraordinários.

c) Especiais e extraorçamentários.

d) Suplementares e extraorçamentários.

e) Suplementares e especiais.

Questão 3

A entrega de numerário a servidor, precedida de empenho na dotação própria,


para o fim de atender despesas que não podem subordinar-se ao processo normal
de aplicação, é denominada Repasse.

( ) Certo. ( ) Errado.

Questão 4

O Estado W pretende alienar um bem do seu patrimônio para obtenção de


receita a ser aplicada em atividades de assistência social. Quanto à alienação dos
bens públicos, além da autorização legislativa, há outros procedimentos a serem
adotados?

Regime de adiantamento, patrimônio público, créditos adicionais e fundos especiais 75


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Questão 5

Quais são os bens públicos que não podem ser alienados?

FINALIZANDO

Neste tema, vimos que o Patrimônio Público é o conjunto de bens, direitos


e obrigações das entidades, que compõe a administração pública. A Lei nº
10.406/2002 (Código Civil) trata dos bens (públicos e privados) nos artigos 79 a
103. São públicos os bens do domínio nacional pertencentes às pessoas jurídicas
de direito público interno; todos os outros são particulares. Existem três categorias
de bens públicos:

a) Bens de uso comum do povo, como rios, mares, estradas, ruas e praças.

b) Bens de uso especial, que são destinados à execução dos serviços públicos.

c) Bens dominicais, que não são utilizados para os serviços públicos,


permanecendo à espera de uma destinação pública, de utilização especial ou
mesmo de alienação.

A partir da adoção das NBC TSP, alguns bens de uso comum receberão registro
contábil para fins de elaboração do Balanço Patrimonial. Os bens públicos de uso
comum do povo e os de uso especial são inalienáveis. Os bens públicos não
estão sujeitos à usucapião. O uso comum dos bens públicos pode ser gratuito ou
retribuído. A Parte II do MCASP e as NBC T 16.2 e 16.10 tratam do patrimônio público.
Mesmo que o contador não exerça as atividades ou assuma as responsabilidades
de um setor do patrimônio, o setor contábil recebe documentos que servem de
base para os registros e atualização do subsistema de informações patrimoniais, de
modo que o inventário é peça essencial para a Contabilidade Pública, ao detalhar
bens e direitos em aspectos quantitativos e qualitativos diversos.

Vimos ainda que o Suprimento de Fundos ou Regime de Adiantamentos é


destinado a atender a despesas que não se enquadrem em processo licitatório
(despesas de pequeno vulto, por exemplo). A Unidade disponibiliza certa quantia
para que o Servidor, denominado suprido, realize as compras de acordo com
o objeto do suprimento de fundos e com a natureza de despesa do empenho.
Equivale ao “Fundo Fixo de Caixa” da Contabilidade Privada, em que um
determinado valor é consignado a uma pessoa responsável, em quantia suficiente
para os pagamentos de diversos dias e, periodicamente, efetua-se a prestação de
contas total do valor desembolsado. O suprido é o responsável e, depois, deverá
prestar contas à Unidade que concedeu o suprimento de fundos.

76 Regime de adiantamento, patrimônio público, créditos adicionais e fundos especiais


T4

REFERÊNCIAS

ANGÉLICO, J. Contabilidade Pública. São Paulo: Atlas, 1995.

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Subsecretaria de Edições Técnicas, 2008.

BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República do Brasil. Brasília, DF:


Senado, 1988.

BRASIL. Lei Federal nº 4.320, de 17 de março de 1964.

BRASIL. Lei Federal nº 8.666, de 21 de junho de 1993.

BRASIL. Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002. Institui o Código Civil. Presidência


da República. Casa Civil. Subchefia para Assuntos Jurídicos. Brasília, 10 de janeiro
de 2002. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/l10406.
htm>. Acesso em: 10 out. 2014.

BRASIL. Manual de contabilidade aplicada ao setor público: Parte I. Procedimentos


Contábeis Orçamentários. Brasília, DF: Ministério da Fazenda; Secretaria do
Tesouro Nacional, 2012.

BRASIL. Orçamento Fácil. Senado Federal. Brasília. Disponível em: <http://www.


senado.leg.br/orcamentofacil>. Acesso em: 12 mar. 2014.

CFC. Resolução CFC nº 1.128/2008. Aprova a NBC T 16.1 – Conceituação, Objeto


e Campo de Aplicação. In: Normas Brasileiras de Contabilidade. Brasília, DF:
Conselho Federal de Contabilidade, 21 nov. 2008. Disponível em: <http://internet.
sefaz.es.gov.br/contas/contabilidade/orientacaoContabil/arquivos/normasbrasile
irasdecontabilidadeaplicadasaosetorpublicoealteracoes.pdf>. Acesso em: 03 out.
2014.

CFC. Resolução CFC nº 1.129/2008. In: Normas Brasileiras de Contabilidade.


Brasília, DF: Conselho Federal de Contabilidade, 2008.

CFC. Resolução CFC nº 1.268/2009. In: Normas Brasileiras de Contabilidade.


Brasília, DF: Conselho Federal de Contabilidade, 2009.

INPI. Normas do Instituto Nacional da Propriedade Industrial. 2013. Disponível


em: <http://www.inpi.gov.br/images/stories/downloads/pdf/Normas_Auditoria_
Final_15_3_2013_C.pdf>. Acesso em: 10 out. 2014.

Regime de adiantamento, patrimônio público, créditos adicionais e fundos especiais 77


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KOHAMA, H. Contabilidade Pública: teoria e prática. São Paulo: Atlas, 2012.

MEIRELLES, H. L. Direito administrativo brasileiro. São Paulo: Malheiros, 1997.

MELLO, C. A. Curso de direito administrativo. São Paulo: Malheiros Editores, 2001.

MORAES, A. D. Direito Constitucional. São Paulo: Atlas, 2002.

PLATT NETO, O. A. Contabilidade Pública: atualizada e focada. Livro didático da


Disciplina Contabilidade Pública II do Curso de Graduação em Ciências Contábeis
da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). 10. ed. rev. e atual. p. 44, 2. sem.
2013. Florianópolis, SC: o Autor, 2013.

REVISÃO Sobre das Demonstrações Contábeis Públicas. Apostila de Balanços:


v. 2. Universidade Estadual do Ceará, maio 2005. Disponível em: <http://www.
municipios-ce.com.br/down/RevisaoBalancosParteII.doc>. Acesso em: 03 out.
2014.

SANABIO, M. T.; SANTOS, G. J. Administração pública contemporânea: política,


democracia e gestão. Juiz de Fora, MG: UFJF, 2013. p. 103.

SANTOS, C. S. Introdução à Gestão Pública. São Paulo: Saraiva, 2006.

SILVA, C. D. Gestão Pública. RZO Consultoria. 2007. Disponível em: <http://www.


rzoconsultoria.com.br/noticias>. Acesso em: 05 mar. 2014.

VÍDEO. AFO - Créditos Adicionais - Prof. José Wesley. Aula Móvel. YouTube. 2013.
Disponível em: <http://youtu.be/wjMHYzTTh_I>. Acesso em: 21 mar. 2014.

VÍDEO. MP Gerais - Patrimônio Público. AsscomMPMG. YouTube. 2013. Disponível


em: <https://www.youtube.com/watch?v=oHjLBJQihJU&feature=youtu.be>.
Acesso em: 20 mar. 2014.

GLOSSÁRIO

Alcance: caracteriza-se pela não prestação de contas no prazo ou não aprovação


de contas (aplicação do dinheiro em despesas que não aquelas para as quais foi
feito o adiantamento).

Ativo não circulante: são incluídos neste grupo todos os bens de permanência
duradoura, destinados ao funcionamento normal da sociedade e do seu
empreendimento, assim como os direitos exercidos com essa finalidade.

Dotação: limite de crédito consignado na lei de orçamento ou crédito adicional,

78 Regime de adiantamento, patrimônio público, créditos adicionais e fundos especiais


T4

para atender a determinada despesa.

Exercício financeiro: período correspondente à execução orçamentária, financeira


e patrimonial coincidente com o ano civil.

Fundos especiais: parcela de recursos do Tesouro Nacional vinculados por


lei à realização de determinados objetivos de política econômica, social ou
administrativa do governo.

Patrimônio público: conjunto de direitos e bens, tangíveis ou intangíveis, onerados


ou não, adquiridos, formados, produzidos, recebidos, mantidos ou utilizados pelas
entida­des do setor público, que seja portador ou represente um fluxo de benefícios,
presente ou futuro, inerente à pres­tação de serviços públi­cos ou à exploração
econômica por entida­des do setor público e suas obrigações.

Regime de adiantamento, patrimônio público, créditos adicionais e fundos especiais 79


ANOTAÇÕES