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Fundação Educacional Serra Órgãos

Centro Universitário Serra dos Órgãos


Curso de Licenciatura e Bacharelado em Matemática
Aluna: Cristiane Pacheco Moura de Souza

As nuvens não são esferas,


as montanhas não são cones,
as linhas costeiras não são
círculos e
a casca de uma arvore não
é suave,
nem os relâmpagos se
propagam
em linha reta"
Benoit Mandelbrot.
INDICE

1.0 Memorial. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 04
2.0 Introdução. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 06
3.0 Diário Significativo. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 07
3.1 Álgebra. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 07
3.2 Cálculo. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 08
3.3 Geometria Analítica. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 09
3.4 NAI (Núcleo de Atividades Integradas). . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 10
3.5 Teorias da Aprendizagem. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 12
4.0 Considerações Finais. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 13
5.0 Anexos. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 14

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1.0 - MEMORIAL

Falar sobre um histórico acadêmico não é fácil, principalmente quando a


vida acadêmica fica interrompida durante muito tempo.
O meu segundo grau não foi dos melhores, professores desmotivados, e
um conteúdo deficiente, muitas disciplinas foram deixadas de lado devido a
ementas mal elaboradas e greves sem reposição. Um exemplo é a geometria,
no meu segundo grau inteiro não tive sequer uma aula, quanto à física, tive
professor por apenas seis meses e as deficiências só foram aumentando com o
decorrer do tempo.
Quando terminei o segundo grau fiz uma prova para o Escola Naval,
minha primeira opção era a engenharia naval, passei na prova, mas por
motivos pessoais não fui adiante. Adiei minha entrada na faculdade por treze
anos, e então optei pela matemática, matéria que sempre tive um carinho
especial. Logo na apresentação percebi o quanto minha educação acadêmica
foi limitada, e o quanto seria difícil retomar os conhecimentos até então
esquecidos. Tive muita sorte, me deparei com uma faculdade empenhada a
fazer de mim e de outros alunos pessoas capazes de pensar e exprimir seus
pensamentos. Professores bem preparados, com entusiasmo, e uma vontade
de “formar” pessoas também capazes de passar tudo isso adiante.
Tivemos palestras importantíssimas, um ciclo de conferências, com
professores de outras áreas, e também da nossa, que nos fizeram entender
que no “mundo acadêmico”, uma disciplina colabora com a outra mesmo sem
perceber, e que importantes assuntos podem ser abordados de formas
diferentes. Conhecemos pessoas diferentes, com opções de carreira
diferentes, e com assuntos em comum, foi incrível.
Em nosso conteúdo em pré-cálculo e geometria, tive uma boa revisão do
segundo grau, o que me ajudou na preparação para o segundo semestre.

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Confesso que a princípio esperava mais números e menos letras, o que não
aconteceu, hoje percebo o quanto isso foi importante para mim.
Tive uma matéria chamada sociologia, não entendia em que me
ajudaria, mas as políticas educacionais de séculos atrás me fez pensar o que
quero mudar em um futuro bem próximo.
Um outro tabu que tive que quebrar, foi quanto a P.D.A. (Práticas
Discursivas Acadêmicas). Para que ler tanto se o que quero é matemática? A
resposta chegou muito antes que eu esperava. Produzir artigos, elaborar
projetos, fazer trabalhos acadêmicos, e o que seria de mim sem P.D.A.? O
professor era extremamente exigente, assim como todos os outros, mas
escrever, o que se quer fazer nem sempre é fácil, tive muita ajuda, dos
professores e também da coordenação do curso de matemática, que diferente
do que ouvimos falar de outras universidades, está sempre à frente de tudo e
sabe tudo que acontece no curso. È claro que também tive problemas, para
mim, a adaptação a novos ambientes requer tempo e muita força de vontade,
mas agora, olhando para trás, acredito que tudo que aconteceu serviu para
meu amadurecimento.
Quando comecei o segundo período achei que tudo ficaria mais fácil,
ledo engano. Com as novas políticas educacionais da Fundação Serra dos
Órgãos veio a de misturar cursos para matérias em comum, como cálculo,
lógica e filosofia. Em lógica e filosofia o problema não foi tão grande, pois
ambas as turmas eram “calouras” nas matérias, mas o cálculo foi uma barreira
a ser rompida a cada dia. Turma muito cheia e um pouquinho de falta de sorte
contribuíram para um semestre bem tumultuado, mas “entre mortos e feridos,
salvaram-se todos” no final do semestre tudo acabou bem. Tivemos muita
sorte, ou muita competência em relação a escolha dos nossos professores, são
dedicados e fazem de tudo para nos ajudar, isso faz com que o interesse pelo
curso aumente mais a cada dia.

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2.0 - Introdução

O começo do semestre deixou a todos um ar de preocupação. A grade


de horários e a quantidade de matérias deste semestre estão um pouco acima
do que esperávamos. O medo pela sobrecarga de trabalhos e avaliações é
eminente.
Quanto aos professores, mais uma vez, nota dez para o curso,
geometria analítica, no começo deixou um pouco a desejar, mas depois da
troca de professora, foi surpreendente. Quanto a cálculo não tenho ainda uma
opinião formada, mas o que sei é que a inteligência do professor por vezes
chega a assustar... No mais espero que o curso continue seguindo o padrão
atual, professores bem preparados, estimulados, e nós “meros mortais” nos
superando a cada dia para conseguir retribuir tanta confiança e dedicação.

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3.0 - Diário Significativo

3.1 - Álgebra

Fiquei muito feliz em saber quem seria nossa professora, confesso que
tenho um carinho muito especial por ela, não só porque está nos
acompanhando em nosso crescimento como alunos, mas também porque está
sempre nos ajudando não só na matéria dela, mas também em outras que
tenhamos dificuldades. Costumo brincar dizendo “que quando crescer quero
ser como ela”. Quanto à matéria, quanta surpresa! Não é nada do que
esperava, você ter que provar que dois é positivo e primo, é coisa de maluco.
Normalmente quando se entra em uma faculdade de matemática você quer
tudo muito prático e “palpável”, não quer dar explicações sobre o que é tal
coisa ou como se faz uma outra totalmente mecânica. Ledo engano, saber de
onde vem e os porquês é tão, ou mais importante do que simplesmente fazer
as coisas mecanicamente. Pena que levamos tanto tempo para descobrir.
A parte de induções e provas são as minhas favoritas, adoro ter que
desvendar problemas e manipular números, definitivamente nasci para isso.
Posso até não está excelente em matéria de notas, mas é uma das matérias
que mais exigiu de mim e a que mais gostei de aprender neste semestre.

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3.2 – Cálculo II

No inicio do semestre sabia seria difícil, mas não tanto quanto está
sendo. A inteligência e capacidade do professor são indiscutíveis, mas quanto
a didática... “aposto que ele matou todas as aulas na faculdade”. Por mais que
me esforce tudo que estou aprendendo é por conta própria, ou através de
livros, as aulas em si só estão servindo para me confundir cada dia mais. Já
tentamos conversar com o professor, com a coordenação, mas pelo jeito o
semestre está perdido. O que mais me preocupa é quanto ao Cálculo III, se
não tivermos uma boa base agora, como será o próximo semestre?
As matérias dadas normalmente não têm nomes, e quando têm são
diferentes das que encontramos em livros. Uma certa vez, em uma das aulas,
quando perguntamos o nome da matéria o professor simplesmente
respondeu... “essa matéria não tem nome. Isso foi um insight que me deu.”,
como assim?
Gostaria de ser um pouco menos exigente comigo mesma, mas nessas
circunstâncias acho um pouco difícil.

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3.3 - Geometria Analítica

Nunca tive geometria antes, a não ser no primeiro semestre da


faculdade, onde tivemos uma introdução sobre o que teríamos que ter
estudado no segundo grau.
Quando cheguei no segundo semestre me decepcionei um pouco, pois
tudo que aprendi até então teria que esperar pelo menos seis meses para
finalmente se concretizar. Reconheço também a minha decepção pelo fato de
estar estudando com o segundo período, não sei se eles estão pulando etapas,
ou nós estamos ficando para trás. Confesso que isso me abalou um pouco,
afinal no segundo semestre tivemos uma grade de horários que nos permitia
ter essas aulas, o que não aconteceu.
Quando começamos o semestre tudo ia correndo muito bem até que
percebemos que a matéria não andava, e muitas de nossas perguntas ficavam
sem a resposta devida. Confesso que a pressão que colocamos intimidou um
pouco a professora, que pouco tempo depois pediu para se afastar devido a
problemas pessoais.
A nova professora é surpreendente, inteligentíssima e muito clara
naquilo que deseja nos passar. A matéria está um pouco atrasada então o
ritmo tem que ser acelerado para que tenhamos tempo de ver todo o conteúdo
deste semestre, problema algum para ela que parece ”ligada no 220”.
Muito legal está sendo ver a mesma matéria sendo dada em disciplinas
diferentes. Por exemplo: “vetores” estamos vendo em geometria, física e
também alguma coisa no NAI, é a mesma matéria sendo usada de formas
diferentes, com finalidades diferentes, mas com o mesmo conceito.
As aulas estão muito corridas, até chegamos a brincar dizendo que
parecia aulas de supletivo, mas as matérias são muito bem explicadas.
A parte em que falamos de cônicas parece um pouco mais fácil de
entender, é tudo bem explicado, só sinto um pouco de falta de saber o porque
das fórmulas já impostas pelos livros.

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A professora nos dá bastante exercícios de fixação, todos são resolvidos
com calma e tirando todas as dúvidas. Ainda estou tendo dificuldades, mas
acredito que tudo vai ficar bem.

3.4 - Núcleo de Atividades Integradas (N.A.I)

Quando comecei o curso achava o NAI uma perda de tempo. Não sabia
exatamente para que fazer diário das minhas aulas seria importante. Para usar
de sinceridade até o começo deste 3° semestre ainda achava o mesmo. Até
que conheci o professor.
No primeiro dia chegou falando manso, então pensei, “vai ser tudo
igual”, mas algo novo aconteceu. Tudo que esperávamos aprender em didática,
(formas de ensinar, curiosidades dos alunos, porquês sem resposta, etc) ele
nos apresentou com uma simplicidade que ficou fácil redescobrir o porquê de
ter escolhido a matemática como paixão e mais do que isso, profissão para a
minha vida.
Um simples MDC (mínimo divisor comum), foi como reaprender a fazê-
lo. Saber sobre raízes perfeitas, e formas diferentes de ensiná-las, pegadinhas
que podemos mostrar para os alunos, instigando sua curiosidade e sua
vontade de também saber o porquê, foi fascinante. Quando achei que iria parar
por aí, vieram tantas outras coisas.
Foi apresentado um texto “Como anda sua cultura matemática?”,
acreditem sei muito menos do que imaginava, mas foi bem divertido descobrir
siglas, professores-autores, livros e outras coisas interessantes.
Falamos sobre equações exponenciais, uma matéria do ensino médio
que até hoje causa um pouco de alvoroço quando mencionada, mais desta vez
ela pareceu um pouco mais fácil, “não sei por que”.
Lemos um trecho do livro “O homem que calculava - Malba Tahan”, o
problema da dívida do joalheiro, e com isso aprendemos a ensinar proporção
de uma forma mais clara e leve, de uma forma para adolescentes entenderem
sem sustos. Como disse as aulas estão muito melhores que esperava!
Passamos por um grande susto, um terremoto gigantesco abalou um
país da América do Sul e isso foi o pontapé inicial para estudarmos sobre a
“Escala Richter”, (forma de se medir terremotos), aprendemos como foi criada,

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como funciona e como foi definido o seu padrão. O sismógrafo (aparelho
utilizado para medição do terremoto) é o principal instrumento utilizado para a
medição de abalos sísmicos, e aprendemos que todas as contas relacionadas
a sua magnitude é calculada através de “log” (logatitmos), foi muito bom saber
o grau de magnitude de um terremoto com dados simples e um lápis e papel.
Estar aprendendo coisas práticas, realmente necessárias para o meu
dia-a-dia me faz cada vez mais incentivada a estudar, a perceber as
necessidades não só minhas, mas dos alunos que terei. Estou sempre
procurando matérias, livros, artigos de jornais ou revistas, fazendo uma pasta
para quando começar a lecionar ter muitos conteúdos reais para a avaliação do
meu conhecimento e também de meus alunos, acho tudo isso muito importante
para o crescimento individual.
Recebemos do professor um programa computacional que vai nos
ajudar e muito. Se chama “Geogrebra” faz gráficos de funções simples e
complexas, com o programa veio uma apostila explicativa que nos ajudou
muito, ele utilizou dentro de sala o programa e tirou todas as dúvidas, foi
prático. No semestre anterior tentamos utilizar o “Maple” (também um programa
de gráficos), mas era muito complicado e então desistimos de tentar entender.
Neste semestre as grandes diferenças estão na praticidade de encontrarmos
ajuda. Nas matérias, nos programas computacionais, e até mesmo na
elaboração de trabalhos simples de todas as matérias.
Deixei para falar por ultimo uma de minhas paixões, os “FRACTAIS”, sei
que pode parecer exagero, mais o encantamento pelas progressões, pelas
formas obtidas por repetições gráficas, não sei nem se consigo explicar. Todas
as reportagens, livros apostilas, trabalhos relacionados com fractais chamam
minha atenção.
As descobertas de cálculos, de figuras finitas com fractais expansíveis,
tudo me leva a acreditar que o que quero para o meu trabalho de final de curso
são os fractais. Sei que posso utilizá-lo no segundo grau também, porque os
cálculos são feitos através de logaritmos, as vezes muito complexos mas
outras não, até cheguei a ler um trabalho sobre isso. Agora quero me
aprofundar neste tema para poder falar dele com um pouco mais de
autoridade, espero que aconteça rápido.

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3.5 - Teorias da Aprendizagem

Confesso que achei que seria uma das aulas mais chatas que iríamos
ter, mas me enganei. A professora está nos ensinando sobre pensadores e
educadores que fizeram, e ainda fazem a diferença dentro da sala de aula.
Traz temas atuais, situações que podem ocorrer dentro e fora da sala de aula,
pelos quais vamos passar e teremos que ter uma postura para resolver, isso
tudo com humor, liberdade, mas sem esquecer o tanto de responsabilidade que
teremos, com os “nossos” alunos.
A liberdade que temos de conversar com ela “Cristina” é quase como se
fossemos amigos de infância, existe um respeito verdadeiro, não só pelo
trabalho dela, mas também pela forma que ela encontra de nos ajudar sem que
isso se torne obvio.
De acordo com alguns colegas que conversei, esses pensadores e
educadores os quais falamos nas aulas, são sempre citados em provas de
concursos, então a importância da aula não está só no conhecimento de
métodos de ensino mais também numa oportunidade de diferenciá-los e extrair
um pouco de cada um para nos tornar bons profissionais .

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4.0 - Considerações Finais

Não tenho muito a dizer sobre este semestre que já não tenha dito
antes.
Quanto às dificuldades, elogios e até mesmo frustrações, com o tempo
aprendemos a lidar com tudo isso, uma coisa é certa, o meu crescimento
dentro desta instituição está sendo diário. Supero meus limites, ajudo aqueles
que têm dificuldades, e quando preciso grito pedindo ajuda também. Acho que
o maior de todos os desafios é quanto a família, estar longe e abrir mão de
algumas coisas é muito difícil, no mais, teremos sempre uma segunda chance,
ou terceira quem sabe. A lição que tiro é de nunca desistir, pois é ai que vou
construir meu futuro, é isso que quero fazer, no momento é a única certeza que
tenho.

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5.0 – Anexos

Como anda sua cultura matemática?


Usando a regra da falsa posição para resolver equações exponenciais.
O problema da dívida do joalheiro – Cap. V de O homem que calculava –
Malba tahan.
O que é escala Richter? (Como se mede um terremoto)
Primeiros passos com o software livre - GEOGEBRA
Introdução aos fractais
A matemática do delírio
Fractais no ensino fundamental
Geometria fractal

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Bibliografia

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