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2004 Histórias de Sucesso Experiências Empreendedoras

2004

Histórias de Sucesso

Experiências Empreendedoras

2004 Histórias de Sucesso Experiências Empreendedoras

COPYRIGHT © 2004, SEBRAE – SERVIÇO DE APOIO ÀS MICRO E PEQUENAS EMPRESAS

TODOS OS DIREITOS RESERVADOS – É permitida a reprodução total ou parcial, de qualquer forma ou por qualquer meio, desde que divulgadas as fontes.

SEBRAE – Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas

Presidente do Conselho Deliberativo Nacional Armando Monteiro Neto

Diretor-Presidente

Silvano Gianni

Diretor de Administração e Finanças Paulo Tarciso Okamotto

Diretor Técnico Luiz Carlos Barboza

Gerente da Unidade de Estratégias e Diretrizes Gustavo Henrique de Faria Morelli

Coordenação do Projeto Desenvolvendo Casos de Sucesso Renata Barbosa de Araújo Duarte

Comitê Gestor do Projeto Desenvolvendo Casos de Sucesso Cezar Kirszenblatt, SEBRAE/RJ; Daniela Almeida Teixeira, SEBRAE/MG; Mara Regina Veit, SEBRAE/MG; Renata Maurício Macedo Cabral, SEBRAE/RJ; Rosana Carla de Figueiredo Lima, SEBRAE Nacional

Orientação Metodológica Daniela Abrantes Serpa – M.Sc., Sandra Regina H. Mariano – D.Sc., Verônica Feder Mayer – M.Sc.

Diagramação

Adesign

Produção Editorial Buscato Informação Corporativa

D812h

Histórias de sucesso: experiências empreendedoras / Organizado por Renata Barbosa de Araújo Duarte – Brasília: Sebrae, 2004.

412 p. : il. – (Casos de Sucesso, v.2)

Publicação originada do projeto Desenvolvendo Casos de Sucesso do Sistema Sebrae. ISBN 85-7333-386-3

1. Empreendedorismo 2. Estudo de caso 3. Agronegócio 4. Extrativismo 5. Indústria, comércio e serviço I. Duarte, Renata Barbosa de Araújo II. Série

CDU 65.016:001.87

BRASÍLIA SEPN – Quadra 515, Bloco C, Loja 32 – Asa Norte 70.770-900 – Brasília Tel.: (61) 348-7100 – Fax: (61) 347-4120 www.sebrae.com.br

PROJETO DESENVOLVENDO CASOS DE SUCESSO

OBJETIVO

O Projeto Desenvolvendo Casos de Sucesso foi concebido em 2002 a partir das prioridades

estratégicas do Sistema SEBRAE com a finalidade de disseminar na própria organização, nas instituições de ensino e na sociedade as melhores práticas de empreendedorismo individual e coletivo observadas no âmbito de atuação do SEBRAE e de seus parceiros, estimulando sua multiplicação e fortalecendo a Gestão do Conhecimento do SEBRAE.

METODOLOGIA “DESENVOLVENDO CASOS DE SUCESSO”

A metodologia adotada pelo projeto é uma adaptação do consagrado método de estudos

de caso aplicado em Babson College e Harvard Business School, que se baseia na história real de um protagonista, que, em dado contexto, se encontra diante de um problema ou de um dilema que precisa ser solucionado. Esse método estimula o empreendedor, o aluno ou a instituição parceira a vivenciar uma situação real, convidando-o a assumir a perspectiva do protagonista.

O LIVRO HISTÓRIAS DE SUCESSO – Edição 2004 Esse trabalho é o resultado de uma das ações do projeto Desenvolvendo Casos de Su- cesso, elaborado por colaboradores do Sistema SEBRAE, consultores e professores de ins- tituições de ensino parceiras. Esta edição é composta por três volumes, em que se descrevem 76 estudos de casos de empreendedorismo, divididos por área temática:

• Volume 1 – Artesanato, Turismo e Cultura, Empreendedorismo Social e Cidadania.

• Volume 2 – Agronegócios e Extrativismo, Indústria, Comércio e Serviço.

• Volume 3 – Difusão Tecnológica, Soluções Tecnológicas, Inovação, Empreendedorismo e Inovação.

DISSEMINAÇÃO DOS CASOS DE SUCESSO DO SEBRAE

O site Casos de Sucesso do SEBRAE (www.casosdesucesso.sebrae.com.br) visa divulgar as

experiências geradas a partir das diversas situações apresentadas nos casos, bem como suas soluções, tornando-as ao alcance dos meios empresariais e acadêmicos.

O site apresenta todos os estudos de caso das edições 2003 e 2004, organizados por área de

conhecimento, região, municípios, palavras-chave e contém, ainda, vídeos, fotos, artigos de jornal, que ajudam a compreender o cenário onde os casos se passam. Oferece também um manual com orientações para instrutores, professores e alunos de como utilizar o estudo de caso na sala de aula. As experiências relatadas ilustram iniciativas criativas e empreendedoras no enfrentamento de problemas tipicamente brasileiros, podendo inspirar a disseminação e aplicação dessas soluções em contextos similares. Esses estudos estão em sintonia com a crescente importância que os pequenos negócios vêm adquirindo como promotores do desenvolvimento e da geração de emprego e renda no Brasil. Boa leitura e aprendizado!

Gustavo Morelli

Gerente da Unidade de Estratégias e Diretrizes

Renata Barbosa de Araújo Duarte

Coordenadora do Projeto Desenvolvendo Casos de Sucesso

HISTÓRIAS DE SUCESSO – EXPERIÊNCIAS EMPREENDEDORAS

EDIÇÃO 2004

PEQUI: O OURO DO CERRADO MINEIRO

INTRODUÇÃO

MINAS GERAIS MUNICÍPIO: JAPONVAR

J aponvar, município do norte de Minas Gerais, próximo a Montes Claros, possui, segundo o Instituto de Geociências Aplicadas, uma área total de

377,2 km 2 , solo com cobertura vegetal tipicamente do cerrado, naturalmente rica em árvores de pequi e buriti, além de outros frutos característicos dessa vegetação. Localiza-se no trevo rodoviário entre a BR 135 e a MG 026.

Antigamente o local era conhecido como Barreiro Grande, e depois como Cacete Armado – segundo populares, devido às brigas em partidas de futebol. Seu nome atual, Japonvar, foi criado por um religioso católi- co, o padre Antônio José, por volta de 1975, em razão da confluência das rodovias que ligam Januária, São João da Ponte e Varzelândia. A emancipação de Japonvar ocorreu em dezembro de 1996, passando a ser constituída por dois distritos: a Sede e Nova Minda, além dos povoados de Ponte do Mangai, Melancias, Vila São Cristóvão e Lagoinha. Um dos principais personagens da emancipação foi o então comerciante Eraldino Soares de Oliveira, popularmente conhecido como Dino. Homem de ori- gem humilde, como a grande maioria da população, de mãos calejadas pelo cabo da enxada e pele queimada pelo sol do cerrado. Considerado um tra- balhador incansável, teve grande energia e dedicou intensamente seu tem- po para atingir seus propósitos. Sua luta pela emancipação foi marcada por inúmeras caminhadas à capital do Estado e do País, à procura de apoio para fazer cumprir os anseios da comunidade. Homem da comunidade, Dino ganhou as eleições para a prefeitura em 1996, com o objetivo de transformar um sonho em realidade: ver prospe- rar, na cidade de Japonvar, fontes de trabalho e renda para a população. Começava ali uma grande jornada de negociações com todas as forças po- líticas da região, entidades de classe, grupos comunitários, representantes da Igreja e com todos aqueles que, de alguma forma, pudessem oferecer apoio às suas iniciativas.

Gomes Oliva Vidromix ProdutoraHumberto

UNIDADE DE BENEFICIAMENTO DO PEQUI E PAINEL DE PARCEIROS

PRODUTOS COOPERJAP

PEQUI: O OURO DO CERRADO MINEIRO – SEBRAE/MG

Era época de muita carência em todos os municípios da região. Curtos períodos de chuva com estiagem que chegava a durar sete meses, casti- gavam as pequenas cidades. A comunidade de Japonvar encontrava no cultivo do pequi, que sempre fora abundante na região, a sua maior expres- são econômica. No entanto, se, por um lado, Japonvar contava com clima e solo favoráveis ao cultivo do pequi, por outro, encontrava-se limitada quanto às formas de aproveitamento e comercialização do fruto. Assim, apesar do grande potencial para a produção de pequi, a população vivia, em 1991, segundo o IBGE, em situação de significativa pobreza.

UM DIFÍCIL CENÁRIO, UM GRANDE POTENCIAL

E m meados dos anos 1980, as atividades de reflorestamento com eucalip-

tos, feitas pela empresa Plantar, impulsionaram o início da consolidação

daquele núcleo urbano, em decorrência do grande número de empregos gerados – responsável pela atração de pessoas de outras regiões –, e do conseqüente encadeamento de necessidades coletivas, determinadas pela prosperidade dos setores primário e terciário, bem como do crescimento da renda regional. No entanto, segundo o IBGE, a população do distrito de Japonvar foi reduzida de um total de 7.031 habitantes, em 1991, para 6.549, em 1996, em sua emancipação. Essa redução foi provocada principalmente pela mi- gração dos moradores para locais onde havia oferta de trabalho nas cul- turas de café e cana-de-açúcar, no sul de Minas e região de São Paulo. Em 1996, Japonvar não possuía escolas técnicas ou alternativas educa- cionais para formar e reter sua população jovem. Pessoas com idade até 19 anos representavam 53% da população, contra uma média mineira de 41% na mesma faixa etária. Em sua emancipação, Japonvar não apresentava um cenário social muito diferente em relação a outros municípios pobres do norte de Minas. Dino visualizava que em Japonvar poderia ser diferente, pois era um local onde se concentrava a produção do pequi, fruto nativo, abundante na região, reconhecido por seu sabor forte e marcante, além da fama de afrodisíaco nos contos populares. A topografia da cidade variava, com 70% dos solos tipicamente de cerrado e 30% de baixadas férteis, apresen- tando, em média, 4,5 árvores de pequizeiro por hectare, havendo áreas específicas, com até 18 árvores por hectare. O município também se

AGRONEGÓCIO E EXTRATIVISMO

destacava pela existência de outros frutos do cerrado, como a fava-fanta, igualmente abundante na região, que, de acordo com levantamento da Fundação de Apoio ao Ensino, Pesquisa e Extensão (Faepe), ocupava 33,93% da área do cerrado na região. Essa planta, Dimorphadra mollis, é uma espécie que produz uma vagem da qual se extrai a rutina, produto al- tamente valorizado no mercado externo e utilizado como vaso dilatador em remédios, por laboratórios no Brasil e no mundo.

A colheita do pequi durava apenas três meses (de dezembro a feve-

reiro) e sofria com a falta de condições técnicas produtivas e comerciais da comunidade, que, não sendo organizada, não era capaz de agregar valor ao produto nativo. Existia grande exploração da mão-de-obra lo-

cal – os chamados “catadores de pequi” –, feita por atravessadores de outras cidades e Estados, como Goiás e São Paulo. A queda de preços

era inevitável, e os prejuízos eram inerentes a todos do povoado que de- pendiam do pequi não só para a própria subsistência, mas também como fonte de renda. Como culturas de subsistência estavam a mandioca, a cana-de-açú- car para o gado e produção de cachaça, além de produtos como milho, arroz, feijão e café, com resultados pouco expressivos do ponto de vis- ta econômico.

A pecuária japonvarense se voltava especialmente para o gado de corte,

já que a produtividade leiteira tinha como média cerca de 1 litro/vaca/dia,

e a criação de suínos se dava preferencialmente para o auto-sustento. No setor agropecuário da localidade, atuavam instituições como o Sindicato dos Produtores Rurais de Japonvar; o Instituto Mineiro de Agro-

pecuária (IMA), com escritório instalado no município de Brasília de Minas;

e a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural de Minas Gerais

(Emater), que mantinha um escritório na cidade. As atividades industriais eram praticamente inexpressivas, com um comércio predominantemente de micro e pequenos estabelecimentos varejistas que enfrentava altos níveis de inadinplência. O mês da posse de Dino na Prefeitura de Japonvar, em janeiro de 1997, coincidia com o período da colheita do Pequi e culminava com os preços insignificantes pelos quais os frutos eram comercializados. Fazia- se necessário reverter esse processo de exploração e, ao mesmo tempo, gerar trabalho, renda e dignidade ao povo. O então novo prefeito, roendo um carnudo e saboroso pequi, começa a estabelecer visões que muda- riam toda uma cultura local.

PEQUI: O OURO DO CERRADO MINEIRO – SEBRAE/MG

A VISÃO TORNA-SE AÇÃO NO SERTÃO

“Ser prefeito de direito não carece de preparo, ”

mas (prefeito) de fato carece e muito Dino

A o amanhecer do primeiro dia de trabalho à frente de sua comunidade, antes do nascer do sol, o novo prefeito caminhava rápido, todo entu-

siasmado para chegar à casa alugada onde funcionaria a prefeitura. Já de longe se percebia o grande tumulto na porta da prefeitura; era uma cena que se repetiria por meses: uma multidão buscando uma só coisa, trabalho. Em fevereiro de 1997, por iniciativa do Dino, foi realizada a primeira reunião de planejamento, na qual as principais questões em pauta foram: aumentar a renda e a qualidade de vida dos catadores de pequi, preservar o meio ambiente, os pequizeiros e o cerrado, agregar valor ao produto nativo de modo que fossem gerados renda e postos de traba- lho para a comunidade. A cada reunião que ocorria ao longo do segundo semestre de 1997, Dino conseguia novos parceiros a fim de discutir o cenário do município e encontrar alternativas para alavancá-lo na região, no Estadual e no País. Participavam das reuniões líderes locais representantes de entidades re- gionais, bancos e membros da comunidade, todos 1 envolvidos em um úni- co propósito: ver a comunidade de Japonvar prosperar de maneira sustentável gerando trabalho e renda. Em análises elaboradas durante o encontro, foram identificadas algumas oportunidades que poderiam ser exploradas: a matéria-prima abundante no município – o pequi –; acesso e localização privilegiada; mão-de-obra disponível; oportunidade de negócios com pequi com pos- sibilidades de geração de emprego e renda; questões culturais ligadas ao pequi. As ameaças eram a falta de tecnologia apropriada; a inexistência de maquinário próprio para trabalho com pequi; a desconfiança por par- te da comunidade; a ausência de canais de informação; a exploração de catadores de pequi por atravessadores; o ataque de pequizeiros por per- cevejos; o desmatamento do cerrado. Surgiu então a idéia da formação de uma cooperativa que reunisse os produtores rurais e os catadores de pequi da cidade de Japonvar.

AGRONEGÓCIO E EXTRATIVISMO

O INÍCIO DE UMA LONGA JORNADA

I niciaram-se, então, ações conjuntas 2 , empreendidas pela Prefeitura de Japonvar, pelo SEBRAE/MG, pela Emater/MG e pela empresa Frutos do

Cerrado, voltadas a difundir a idéia de cooperativa, cooperativismo, seus

objetivos e formas de funcionamento, benefícios e importância para os cooperados e parceiros. Nessa fase, percebeu-se que a comunidade não vislumbrava ainda de

que modo a cooperativa poderia modificar a sua situação econômica e so- cial. Havia certa descrença, o que exigiu grande esforço de todas as lide- ranças e parceiros envolvidos. Mesmo assim, em 1998, foi constituída a Cooperativa dos Produtores Rurais e Catadores de Pequi de Japonvar (Cooperjap), com 120 associados, tendo à sua frente Humberto Gomes Oliva, que havia participado de todas as reuniões.

O SEBRAE/MG tornou-se aliado de Dino em 2000, assumindo o compro-

misso de buscar alternativas e formas de beneficiamento e comercialização do pequi e de outros frutos do cerrado. O prefeito contava também com o apoio e a dedicação de técnicos da Emater/MG, que se responsabilizaram por realizar pesquisas sobre os frutos, principalmente em Goiás, além de fazer um censo dos catadores e produtores rurais do município e elaborar

projetos para identificar fontes para financiamento das etapas de estrutura- ção das atividades industriais que se fariam necessárias. Paralelamente, eram desenvolvidas pesquisas por meio do Programa SEBRAE de Consultoria Tecnológica (Sebraetec) 3 e do Centro de Tecnolo- gia de Minas Gerais (Cetec), que buscavam alternativas de beneficiamen- to do pequi, máquinas adequadas e produtos que pudessem ser produzidos e comercializados. Ainda em 2000 o SEBRAE/MG apresentou ao prefeito a proposta de realização de um projeto de desenvolvimento local, na época denomina- do Programa de Desenvolvimento de Emprego e Renda (Proder), que foi prontamente aprovado. A prefeitura, além de participar com recursos financeiros, designou, em contrapartida, seu secretário de Agricultura para ser o agente de desenvolvimento local.

O Proder iniciou com um diagnóstico elaborado com base em 27 entre-

vistas realizadas com as lideranças locais, a partir do qual foi organizado um

2 Veja anexo II – Entidades envolvidas na proliferação do conceito “cooperativista”.

3 Permite às pequenas empresas acesso a conhecimento e consultoria tecnológica para aumentar o seu patamar de inovação e tecnologia.

PEQUI: O OURO DO CERRADO MINEIRO – SEBRAE/MG

fórum de discussão para eleger as principais ações a serem implementadas. Simultaneamente, o SEBRAE realizava treinamentos na cidade para lideran- ças rurais, empresários das micro e pequenas empresas, membros de asso- ciações e outros envolvidos, enquanto o agente de desenvolvimento recebia capacitação em Montes Claros e Belo Horizonte para que pudesse dar suporte a todas as ações de desenvolvimento no município. Dino era orientado para resultados não só imediatos, mas também de longo prazo. Ele via na educação do povo um alicerce importante para a solidificação de suas ações de desenvolvimento. Tal visão atraía novos parceiros como a ONG Visão Mundial, que, devido aos baixos índices de IDH da comunidade, começou sua atuação com cursos de reciclagem, treinamentos e fornecimento de material didático. Ela implementou na re- gião uma das primeiras experiências nacionais ligadas à pedagogia em- preendedora, para crianças do ensino fundamental, metodologia desenvolvida com o professor Fernando Dolabela, reconhecido nacional- mente pelo trabalho sobre o tema. Outras importantes ações ligadas à educação foram também implementadas, como o convênio com a Univer- sidade Estadual de Montes Claros (Unimontes) para a capacitação de seus professores até 2006.

“A cidade só cresce se seu povo crescer primeiro.” Dino

Para fortalecer e incrementar as ações, o SEBRAE/MG, a Cooperjap e a prefeitura estabeleceram no mesmo período uma importante parceria com o Cetec. Tal parceria permitiu que um cientista com nível de doutorado pesquisasse novos produtos, bem como o desenvolvimento de maquiná- rios para beneficiamento do pequi. O SEBRAE/MG subsidiou 70% das pesquisas realizadas e a própria comunidade custeou os 30% restantes. Com o apoio e o esforço de todos, os resultados começaram a apa- recer imediatamente. Os avanços das pesquisas do Cetec traziam novas formas de armazenamento, beneficiamento e utilização do fruto, agre- gando valor ao produto final, subprodutos e derivados. Maquinários e equipamentos, totalmente inéditos no mundo, foram desenvolvidos para dar produtividade aos processos. Dino sabia que as pessoas das pequenas cidades do interior pensavam que era do prefeito a responsabilidade de “dar” tudo, desde a telha que quebrasse até a festa de casamento da filha. Então, desde o início de sua

AGRONEGÓCIO E EXTRATIVISMO

gestão, Dino propôs ações conjuntas entre a prefeitura, entidades de classe, empresas privadas e a comunidade. Exemplo disso foi quando o presidente de uma associação o abordou questionando sobre a água para

a sua comunidade. Ele, sem hesitar, respondeu: “Vão abrindo as valas que

eu coloco os canos!”. Esse tipo de gestão, focada na participação de todos, permitiu que a prefeitura estabelecesse parcerias com entidades de pesquisa e estudo, como ocorreu com a Unimontes e a Universidade Federal de Minas Gerais

(UFMG). Essa parceria possibilitou desenvolver técnicas de propagação do pequizeiro, antes empíricas, sem resultados comprovados. Com isso surgiu

o viveiro de mudas em Japonvar, para possibilitar o plantio em áreas de-

gradadas e desmatadas. Em 2001, já era necessário pesquisar dados em outros Estados também produtores do pequi. Viagens foram realizadas com o objetivo de buscar informações e também mostrar a potencialidade de Japonvar em relação ao cultivo e processamento do pequi. Apoiado pelo SEBRAE/MG e Ema- ter/MG, um grupo da comunidade participou do I Encontro de Povos do Cerrado, em Goiânia, Goiás, onde tiveram acesso à primeira polpa em con- serva de pequi, desenvolvida por uma empresa de Goiânia chamada Cer- rado Goiano, que a princípio relutou em passar informações, mas após conhecer as reais e importantes propostas de Dino e dos membros da Cooperjap, passou a ser um grande parceiro na comercialização do produ- to. A empresa já trabalhava com a polpa de pequi, comercializando-a prin- cipalmente no Estado de Goiás, e percebeu uma grande oportunidade no pequi de Japonvar. Os frutos, que eram abundantes, produziam muita pol- pa, de cor e sabor mais fortes, além de contar com uma cooperativa total- mente organizada, com um capital humano e social bem desenvolvidos. Um marco importante para o fortalecimento das ações da cooperativa foi a aprovação da Lei Pró-Pequi 4 ocorrida em 2001, responsável pela criação do Programa Mineiro de Incentivo ao Cultivo, à Extração, ao Con- sumo, à Comercialização e à Transformação do Pequi e Demais Frutos e Produtos Nativos do Cerrado. Esse programa estimulou a preservação, o replantio e o beneficiamento dos frutos para o consumo e a sobrevivência do sertanejo, com geração de renda, e ainda estabeleceu penas para quem danificasse, cortasse ou arrancasse os pequizeiros e demais plantas frutíferas nativas do cerrado.

CRESCENDO E APARECENDO

PEQUI: O OURO DO CERRADO MINEIRO – SEBRAE/MG

O desejo do prefeito Dino era fazer em Japonvar a Festa Nacional do Pequi, para que a cidade pudesse ser reconhecida como a capital

desse fruto. Mas essa festa, famosa no cenário nacional, já era realizada

em Montes Claros havia mais de dez anos. Dino, como queria tornar Japonvar reconhecida nacionalmente, criou a Festa Nacional do Biscoito, evento que atrai muitos japonvarenses ausentes, com quadrilhas, barraquinhas de guloseimas locais e biscoito de graça. Mas, para não sair do foco “pequi”, realizou o I Seminário Regional do Pequi, composto de assuntos técnicos, importantes para a difusão dos co- nhecimentos detidos por instituições de pesquisa e ensino. Com a Festa Nacional do Biscoito e o Seminário Regional do Pequi, Dino começava a propagar seu município no meio da “sequidão” norte mineira, pois os eventos e o desenvolvimento da cidade começaram a aparecer na mídia local e regional – jornais escritos, televisão, rádio e outros materiais publicitários.

O prefeito só enxergava o desenvolvimento se, além da sua matéria-

prima, sua comunidade também evoluísse. Para tornar essa visão uma rea- lidade, Dino instituiu o Encontro Anual de Associações e Lideranças Comunitárias de Japonvar, no qual os participantes podiam trocar infor- mações e experiências vitoriosas, bem como discutir problemas e en- contrar, em conjunto com o poder público, as melhores soluções.

TRADUZINDO PENSAMENTOS EM AÇÕES

E m 2002, aconteceu em Januária, município a 64 quilômetros de Ja- ponvar, um treinamento com metodologia do Programa das Nações

Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) aplicado no Brasil pelo SEBRAE, denominado Empretec, que visava à potencialização das características

empreendedoras. Participaram dessa capacitação: o prefeito Dino, o pre- sidente da Cooperjap, Humberto Gomes Oliva, e seu chefe de gabinete, Fernando José de Oliveira Lima.

O Empretec, na visão de Dino, foi muito importante, pois possibilitou

que o grupo de líderes aplicasse, de modo consciente, ações planejadas

voltadas para resultados concretos, sustentáveis.

AGRONEGÓCIO E EXTRATIVISMO

“O Empretec foi um divisor, um início de uma nova fase consciente”, disse Dino. Várias ações foram então encadeadas, a fim de concretizar o sonho de tornar Japonvar uma comunidade economicamente sustentável. O primeiro passo foi buscar recursos na própria comunidade. Um exem- plo que deu certo foi a realização de bingos pela Cooperjap, com apoio da prefeitura, para arrecadação de recursos que seriam destinados à constru- ção da unidade de processamento na Associação de Cabeceira do Mangaí. Para buscar recursos externos era necessário estruturar projetos consis- tentes. Um dos principais foi o Projeto para Exploração Sustentável do Pe- qui, elaborado pela Cooperjap e Emater, para obtenção de recursos do Programa de Pequenos Projetos do PNUD, que financiava até US$ 30 mil. Os líderes da comunidade visualizavam a importância de buscar apoio e recursos do governo do Estado e para isso elaboraram o projeto PMC – Servas, do governo do Estado de Minas Gerais, no valor de R$ 201.628,71. Para tornar sustentável ampliar e melhorar os benefícios dessas ações, o SEBRAE/MG elaborou um projeto de desenvolvimento de pro- cessos para uso racional e aproveitamento integral e sustentável do pe- qui, coco, babaçu e buriti, denominado Projeto Pequi. Seu principal objetivo era melhorar a qualidade de vida na região norte de Minas Ge- rais a partir da exploração racional dos recursos naturais do cerrado, por meio de ações de conscientização, qualificação, disseminação de tecnologias e metodologias, comercialização, aplicação de programas educacionais, de capacitação técnica, gerencial e integração de entida- des que atuam no setor.

O MOMENTO DA COLHEITA

E m 2003, a visão começou a se concretizar por meio da geração de tra- balho e renda a partir do pequi.

Logo no início de 2003 vieram as aprovações dos projetos encaminhados ao PNUD e ao Servas, nos valores de US$ 20.902,00 e de R$ 100.032,00 respectivamente, sendo que o segundo necessitava de contrapartida da comunidade de mais R$ 101.596,00 em dinheiro e/ou serviços. Essas libe- rações permitiram o avanço da construção da unidade de processamento, tomando vulto e enchendo os olhos da comunidade, que ainda não acre- ditava no que estava vendo.

PEQUI: O OURO DO CERRADO MINEIRO – SEBRAE/MG

Aproximadamente durante um ano, o pesquisador do Cetec, com apoio financeiro do Sebraetec da ordem de R$ 300 mil, e do CNPq, pro- jetou os equipamentos considerados inéditos e inovadores para o benefi- ciamento do fruto para a Unidade de Processamento em Japonvar. O SEBRAE Nacional aprovou ainda em 2003 o Projeto Pequi, com re- cursos no valor de R$ 300 mil, que permitiram expandir a idéia adotada

em Japonvar para mais 21 municípios 5 , localizados no polígono do pequi

e

da seca em Minas Gerais. Na visão de Dino, o sucesso do trabalho com

o

pequi não poderia se restringir apenas a Japonvar, ele deveria contem-

plar todo o norte de Minas. A implantação do Projeto Pequi envolveu diversas ações, tais como con- tratações e convênios estratégicos, palestras, seminários, treinamentos, diag- nósticos regionais e outras atividades 6 . Foram meses e meses de trabalho. No dia 6 de dezembro de 2003 foi inaugurada a primeira Unidade de Processamento do Pequi e Frutos do Cerrado na Associação de Cabecei- ra do Mangaí, comunidade de Japonvar, um oásis, fonte de esperança no meio do sertão, com máquinas para o processamento do pequi, em fari- nha, tempero, creme, licor, doce, polpa e outros. Nesse período deu-se a abertura da Empresa Frutos do Cerrado em Ja- ponvar, responsável pelo envasamento e comercialização da polpa de pequi

e

seus produtos para 2004. A notícia então se espalhou no norte de Minas

e

Japonvar começou a ser conhecida em âmbito nacional. Várias revistas e

jornais do setor evidenciaram os benefícios e elogiaram a visão empreen- dedora do prefeito Dino e as conquistas do município. No início de 2004 quem colheu os resultados foi a comunidade, os extrativistas, cooperados ou não, que participaram do projeto. Como disse o catador de pequi José Francisco Queiroz Oliveira, casado, pai de cinco filhos: “Depois da im- plantação desse projeto, a vida aqui melhorou 100%”. Os resultados falavam mais alto:

• implantação de dez unidades de despolpa de pequi, das quais sete foram construídas em Japonvar e uma em cada uma das cidades de Januária, Lontra e Botumirim;

criação de 359 novos postos de trabalho direto, assim distribuídos: 218 despolpadeiras, 10 cozinheiras, 34 roletadores, 12 gerentes e 85 cata- dores e entregadores de pequi;

5

6

Veja anexo III – Relação das cidades contempladas com a transferência da tecnologia.

Veja anexo IV – Relação das ações envolvidas no Projeto Pequi.

AGRONEGÓCIO E EXTRATIVISMO

• 1.760 pessoas beneficiadas pelo projeto;

• preço médio da polpa: R$ 4,80 o quilo de pequi;

• 17,2 toneladas de pequi beneficiadas;

• R$ 234,55 de renda média por família;

• 18 dias em média trabalhados por pessoa ao mês.

Fonte: Unidades de beneficiamento de Japonvar e de municípios parceiros.

JAPONVAR GANHA VISIBILIDADE

O s meios de comunicação divulgaram a façanha do projeto. Japonvar apareceu na TV Globo regional, com o programa Globo Rural, no

Jornal Estado de Minas e Hoje em Dia, nos Cadernos Agropecuários, além de outras publicações regionais e técnicas. O projeto virou capa da revista do SEBRAE/MG Passo a Passo, que contou a trajetória e os resultados alcançados. O prefeito e a Cooperjap

receberam em Japonvar várias visitas técnicas e comitivas de diversos lugares do País, como a Universidade Federal de Goiás, o Ibama do Dis- trito Federal, representantes das Embaixadas do Japão e de Israel com projetos sociais no Brasil, consultores do SEBRAE de outros Estados, al- guns prefeitos e empresários de Minas Gerais, e muitas outras. Com este projeto, Dino ganhou o prêmio Prefeito Empreendedor Mário Covas do Estado de Minas Gerais, oferecido pelo SEBRAE/MG. Eram mais de 150 prefeitos do Estado que concorreram ao prêmio, cuja etapa final foi disputada com outros três municípios que também apresentaram projetos com grandes resultados. Foram eles: Montes Claros, com shopping e calçadão popular, Maria da Fé, com turismo e artesanato,

e Itajubá, também com artesanato e oficinas de geração de trabalho. Na Feira do Empreendedor de Minas Gerais, maior evento de negó- cios de Minas, o SEBRAE/MG cedeu um espaço de 16 m 2 que se tor- nou pequeno pelo grande número de interessados no projeto e em

conhecer e comprar os produtos de pequi, principalmente o tempero

e a polpa.

Também com o apoio do SEBRAE/MG, a Cooperjap e seu prefeito participaram da Feira Internacional de Alimentos em São Paulo (Fispal). Como era o único produto exclusivo na feira, o pequi chamou a aten- ção principalmente de representantes de outros países, que aprovaram

o paladar exótico da iguaria sertaneja. Houve até árabes interessados

PEQUI: O OURO DO CERRADO MINEIRO – SEBRAE/MG

em fazer pedidos para 2005, que propuseram estabelecer contatos para

a compra de dois contêineres cada bimestre, cerca de mais de 300 tone- ladas do produto. Haja pequi!

CONCLUSÃO

A inda há muito por fazer para expandir o projeto e os negócios, principalmente porque no norte de Minas existe muita pobreza e

necessidade de melhoria na qualidade de vida. Os resultados foram considerados expressivos pelos líderes envolvi- dos no projeto. Levando em conta o levantamento socioeconômico da safra 2002/2003 (Fonte: Faepe), 2.604 pessoas estavam envolvidas na cata do pequi, e o projeto pôde atender 1.760 pessoas, ou seja, mais de 67% em relação à safra anterior. A renda familiar na safra 2002/2003 foi de R$ 401,84 em três meses trabalhados, com um ganho médio diário de R$ 4,46. Pelo projeto, em apenas 18 dias trabalhados, cada família pôde receber, em média, R$ 234,55, que correspondem diariamente ao ganho de R$ 13,03. Conclui-se que a Cooperjap proporcionou um ganho supe- rior ao da safra anterior em mais de 192% para cada família. A safra 2002/2003 de pequi foi comercializada a um preço médio de R$ 1,00/caixa, variando de R$ 0,30 a R$ 5,00. Com a cooperativa pagan- do melhor pelo fruto, o preço médio subiu para R$ 3,00/caixa, influen-

ciando até as ações especuladoras dos atravessadores que exploravam a mão-de-obra disponível. Conforme a própria cooperativa, a renda da ci- dade praticamente triplicou na última safra. A receita da comunidade com 130 mil caixas vendidas em Japonvar equivalente a 2,6 t/safra, passou de R$ 130 mil para R$ 390 mil, em média, em 2003/2004. Um ganho para

a comunidade de, no mínimo, R$ 260 mil.

O ganho foi de todos, como se pode observar em depoimentos

como o de Valdir Rodrigues Cordeiro, 46 anos, funcionário da indústria de beneficiamento:

“A gente precisava sair para ganhar alguma coisa. Agora trabalhamos aqui mesmo, tem trabalho para muita gente, somos muito mais felizes

As próximas ações estarão voltadas para uma profissionalização da ati-

vidade, desenvolvendo tecnologias de gestão no negócio, de forma estra- tégica, como planejamento financeiro, capital de giro e fluxo de caixa, planejamento e gestão de estoques, gestão de pessoas e cooperados,

AGRONEGÓCIO E EXTRATIVISMO

gestão da interface com a comunidade, ampliação do poder de compra pela cooperativa, para diminuir os atravessadores, melhoria nas condições de remuneração dos cooperados, planejamento e gestão da comercializa-

ção e material publicitário, aprimoramento dos produtos existentes e cria- ção de novos com embalagens e materiais com menor custo, redução do preço do produto para o mercado, disseminação da cultura empreende- dora, ações de preservação do bioma cerrado e melhoria da condição de vida do sertanejo, entre muitos outros.

O SEBRAE/MG continuou acompanhando as ações por meio de con-

sultorias gerenciais nas áreas de maior risco dentro da cooperativa, a fim de minimizar os pontos de estrangulamentos e potencializar as si- tuações favoráveis. Em 2004, a região possuía mais de 22 municípios que apresentavam grande adensamento de pequizeiros, e o mercado estava se abrindo para os frutos do cerrado, principalmente o pequi. O processo de beneficia- mento é único e inovador no Brasil, principalmente pelo maquinário e

pelos equipamentos desenvolvidos exclusivamente para o seu processa- mento. Por isso, poderia ser multiplicado para outras regiões que possuís- sem frutos extrativistas, como o cerrado goiano, nordestino e outros.

O projeto se mostrou sustentável, pois obriga a preservação, o replan-

tio de pequizeiros e o aproveitamento do bioma nativo. As terras do cerrado normalmente são de pouca água e de qualidade inferior para culturas. Com esse projeto, foi possível manter o homem do campo em íntimo relacionamento com a natureza. Ele ainda permi- tiu a inclusão social, desde jovens extrativistas, que não possuíam terras,

a pequenos produtores rurais e mulheres sertanejas que possivelmente migrariam para os grandes centros urbanos.

QUESTÕES PARA DISCUSSÃO

PEQUI: O OURO DO CERRADO MINEIRO – SEBRAE/MG

• Quais são as principais diferenças e possíveis relações entre a “idéia” e a “oportunidade”, do ponto de vista de um gestor público?

• Qual a importância de uma ação comunitária? E de que modo ela poderá se sustentar ao longo do tempo?

• De que forma o poder público influenciou esse projeto de desen- volvimento?

• De que modo o poder é exercido no ambiente estudado?

• O que garantirá a sustentabilidade desse projeto nos próximos anos?

• Que dificuldades poderão ser encontradas para o desenvolvimento da cadeia produtiva do pequi?

• Qual o papel a ser desempenhado pelos cooperados em relação ao futuro desse projeto?

• Qual a influência das diversas visões na construção e consecução desse projeto?

AGRADECIMENTOS

Diretoria Executiva do SEBRAE/MG: Edson Gonçalves de Sales, Luiz Márcio Haddad Pereira Santos, Sebastião Costa da Silva.

Coordenação Técnica: Antônio Carlos Soares Pereira.

Colaboração: Adauto Nilo Costa Aquino, da Agência de Desenvolvimento de Mirabela; Antônio Carlos Soares Pereira, técnico do SEBRAE/MG; Cláudio Luiz de Souza Oliveira, gestor da Macrorregião Norte do SEBRAE/MG; Eraldino Soares de Oliveira, prefeito de Japonvar; Geraldo Matos Guedes gerente Regional do SEBRAE/MG; Humberto Gomes Oliva, agente de desenvolvimento local e Cooperjap; José Leonardo Rodrigues, da agência de Desenvolvimento de Botumirim; professor Lincoln Cambraia Teixeira; Márcia Versiane, técnica do SEBRAE/MG; deputado estadual Rogério Correia; Valdoir Lázaro Rosa, Prefeitura de Japonvar.

AGRONEGÓCIO E EXTRATIVISMO

ANEXOS

ANEXO I

Relação de entidades e líderes envolvidos nas reuniões de planejamento

- Eraldino Soares de Oliveira, prefeito de Japonvar;

- Fernando José de Oliveira Lima, chefe de Gabinete;

- Humberto Gomes Oliva, secretário da Agricultura;

- Geraldo Magela Freire Magalhães, Emater/MG;

- Jaime Cardoso de Oliveira, presidente da Associação de Melancias;

- José Antônio dos Santos, presidente do Conselho de Desenvolvimento Comunitário de Santa Rosa;

- Edmar Alves Pereira, presidente da Associação de Dois Barreiros;

- Adenilson Fernandes da Silva, presidente da Associação dos Pequenos Produtores Rurais de Cabeceira do Mangai;

- Lúcio Flávio, Banco do Nordeste.

ANEXO II Relação de entidades e líderes envolvidos na divulgação do conceito coo- perativista na comunidade japonvarense

- Eraldino Soares de Oliveira, prefeito de Japonvar;

- Márcia Genoveva Versiane, técnica do SEBRAE/MG;

- Geraldo Matos Guedes, gestor da Regional Norte do SEBRAE/MG;

- Fernando José de Oliveira Lima, sócio da empresa Frutos do Cerrado;

- Humberto Gomes Oliva, Prefeitura de Japonvar;

- Geraldo Magela Freire Guimarães, Emater/MG.

ANEXO III Relação dos municípios participantes do polígono do pequi que recebe- ram o repasse da tecnologia do Projeto Pequi/SEBRAE Coração de Jesus, Brasília de Minas, Campo Azul, Ubaí, Luizlândia, São Francisco, Mirabela, Lontra, Januária, Cônego Marinho, Itacarambi, Patis, São João da Ponte, Varzelândia, Ibiracatu, Bonito de Minas, Miravânia, Bu- ritizeiro, Cristália, Botumirim, Taiobeiras.

PEQUI: O OURO DO CERRADO MINEIRO – SEBRAE/MG

ANEXO IV Ações envolvidas na implantação do Projeto Pequi/SEBRAE

PROJETO DE DESENVOLVIMENTO DE PROCESSOS PARA USO RACIONAL E APROVEITAMENTO INTEGRAL E SUSTENTÁVEL DO PEQUI, COCO BABAÇU E BURITI

Ações do Projeto Pequi

Entidades contratadas/parceiras

Público atingido

Palestras sobre as oportunidades de geração de renda com frutos do cerrado

Fundação de Desenvolvimento do Norte de Minas (Fadenor)

22

municípios, com

616

participantes

Diagnóstico regional sobre frutos do cerrado, com foco no pequi, coco babaçu

Fundação de Desenvolvimento do Norte de Minas (Fadenor)

110

pessoas em 22 municípios,

e ainda entidades técnicas e de pesquisa regional e estadual

Apoio logístico, divulgação e articulação entre os produtores rurais e catadores do pequi

Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural de Minas Gerais (Emater/MG)

Nos 22 municípios.

Capacitação em gestão de pequenos negócios

Agência de Desenvolvimento Sustentável de Botumirim

Mais de 400 participantes nos

22

municípios

Palestra de empreendedorismo

Agência de Desenvolvimento Sustentável de Botumirim

Mais de 400 participantes nos 22 municípios

Missões técnicas para o Seminário Regional do Pequi e Frutos do Cerrado em Japonvar

Agência de Desenvolvimento Sustentável de Botumirim

 

432

participantes

Oficinas de sensibilização do trabalho do catador, visando exploração sustentável do cerrado

Phd. Dr. Lincon Cambraia

 

455

pessoas nos 22 municípios

Oficina de planejamento e produção, que orientava na implantação de pequenos empreendimentos de utilização dos frutos do cerrado

Phd. Dr. Lincon Cambraia

17

unidades em 17 municípios

Apoio financeiro na realização do Seminário Regional do Pequi e Frutos do Cerrado

Prefeitura de Japonvar, Agência de Desenvolvimento Sustentável de Botumirim, Emater/MG

1.020

pessoas

Capacitação na área de propagação de espécies nativas do cerrado

Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)

30

participantes, representando

17

municípios

Curso Boas Práticas em Processamento de Alimentos

Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)

2

turmas totalizando 50

participantes de 18 municípios

Inventário diagnóstico para criação de reserva extrativista

Fundação de Apoio ao Ensino, Pesquisa e Extensão (Faepe)

Unidade Amostral 159, 10 para

levantamento sobre pequizeiros e produção.

   

40

entrevistas/amostras para

Diagnóstico Socioeconômico,

5.076

pessoas cadastradas na

zona urbana e rural de Japonvar