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INVEJA

O I N i m i g O I N t e R IO R

BOB SORGE

ÉBÉÜ
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Originalmente publicado em inglês com o título:


ENVY the enemy within
Copyright © 2003 Bob Sorge
Ali Rights Reserved

This edition is published by special arrangement with


REGAL BOOKS
Gospel Light Worldwide
P.O. Box 3875
Ventura, CA 93006
Web site: www.gospellightworldwide.org

Classificação: Moral Cristã e Teologia Devocional

Editor Responsável: Cláudio Rodrigues


Coeditor: Thiago Rodrigues
Capa: Josnei Formagio
Editoração: Josnei Formagio
Tradução: Daiane Rosa Ribeiro de Oliveira
Revisão de texto: Marco Antônio Coelho e
Ariana Fátima C. Baptista

ISBN: 978-85-61411-42-8
I a edição - Maio 2010
Impressão: Imprensa da Fé

Impresso no Brasil
C onteúdo

Capítulo 1.................................................................................... 9
O Problema mais comum que ninguém tem
E hora de parar de achar que a inveja é problema de outras pessoas.
Vamos desmistíficar essa ideia. e tomar posse da verdade.

Capítulo 2 .................................................................................. 17
O que é a inveja?
Sempre que sentimos dor e mágoa por causa do sucesso de outra
pessoa, a inveja nos tem em suas garras fatalmente diabólicas.

Capítulo 3 .................................................................................. 28
Os irmãos
A inveja é geralmente uma questão entre irmãos —e irmãs.
Podemos traçar este padrão começando com Caim e Abel
e prosseguindo por toda história bíblica.

Capítulo 4 .................................................................................. 45
O grande talento revelado
A distribuição de talentos variados da parte de Deus
é algo perfeito para a manifestação da inveja.

Capítulo 5 .................................................................................. 67
Por que o avivamento tarda?
Seria porque a inveja ê o maior obstáculo para o verdadeiro
avivamento bíblico?

Capítulo 6 .................................................................................. 77
A Cruz: Morte da inveja
Deus trata com a inveja crucificando aquele que é invejado —
o primeiro exemplo é Jesus C.risto.
Capítulo 7 ..................................................................................90
Experimentando a “Medida da Graça”
Enquanto fazemos comparações e observamos a aparente distribuição
arbitrária dos dons espirituais e das diferentes esferas de influência,
existem coisas que podemos fazer para vencer a in veja.

Capítulo 8 ............................................................................... 115


O desvio da inveja: morte ou destino
Quando Deus deseja abençoar tal pessoa ou ministério,
Ele minimiza o faior inveja, conduzindo-o à terra prometida
através de um caminho tortuoso e árduo.

Capítulo 9 ............................................................................... 132


Enraizados no amor
Na essência da inveja está a questão do amor e a necessidade
de estamos enraizados no amor de Cristo como a fonte
da nossa identidade pessoal.
capítuLo 1

O P roblema
M a i s C o m u m Q ue
N i n g u é m T em

0 U te N H O um pROBLema com a INVeja —um grande pro­


blema com a inveja, porque qwzlquer problema com a inveja é um gran­
de problema. A inveja corre tão profundamente nos orifícios da minha
carne que provavelmente seja bem pior do que eu imagino. (Quem de
nós conhece o seu próprio coração ?) Este livro existe simplesmente por­
que Deus precisou falar muito comigo sobre a inveja do meu coração.
As minhas lutas com a inveja são construídas em certa competi-
tividade que parece natural a minha personalidade ou educação. Eu
não sei por que - eu só sei que em toda a minha vida eu tenho sido
competitivo. Independente de ser um evento esportivo ou um jogo
de tabuleiro ou ainda um encontro acadêmico, eu sempre fui moti­
* cap itu lo 1

vado a fazer o meu melhor. Enquanto a busca pela excelência é dig­


na de louvor quando submetida ao senhorio de Cristo, eu descobri
que o desejo de me destacar mais que os meus amigos pode ser, na
verdade, um solo preparado para as atitudes invejosas do coração.
Quando eu pisei na arena do ministério em prol do reino, os anti­
gos desejos ambiciosos não desapareceram completamente, mesmo
dizendo a mim mesmo que eles haviam desaparecido. Quando eu vi
os meus amigos experimentando o sucesso que eu desejei para mim
mesmo, a inveja discretamente surgiu sob a superfície. (A inveja é
a dor interior que sentimos com o sucesso de outra pessoa - mas a
definiremos mais claramente no próximo capítulo.)
Eu não via a minha inveja por um longo tempo, mas quando
Deus começou a revelar-me onde ela estava, eu fiquei chocado ao
ver a verdadeira condição do meu coração. Agora estou fervorosa­
mente compromissado com o arrependimento radical, e em cami­
nhar na luz nesta área da minha vida.
Por duas razões, sou forçado a compartilhar honestamente
minhas próprias deficiências na área da inveja. Primeiramente, eu
aprendi que o poder da carne c maravilhosamente quebrado quan­
do trazemos os nossos pecados à luz (veja João 1:7; Tiago 5:16),
então eu recebo alegremente a graça que me é concedida através
da humildade da confissão. As Escrituras nos dizem que “Antes,
ele dá maior graça; pelo que diz: Deus resiste aos soberbos, mas
dá graça aos humildes” (Tiago 4:6). Eu não conseguiria expressar a
desesperada necessidade que tenho dessa graça. Em segundo lugar,
eu quero lhe assegurar de que não estou falando de alguém que se
encontra além dos tentáculos da inveja. Eu ainda estou no processo
da vitória. Espero que você receba a mensagem deste livro de um
companheiro peregrino que ainda está nesta jornada com Deus.

Por que E ste L iv r o ?

Quando o Senhor desafiou as tendências invejosas da minha


alma, eu pude compreender como a inveja é verdadeiramente en-
o pROBLema m a is c o m u m 9 ue N iN ^ uém te m 9

voJvenre e fatal todas as vezes que ela contagia a igreja de Jesus Cris­
to. A inveja tem o poder de sabotar nosso próprio destino em Deus,
porque Deus não pode honrar os nossos esforços quando eles são,
de forma subliminar, motivados por razões impuras. Enquanto a
inveja permanecer escondida nas fendas do nosso coração, a nossa
fertilidade em Cristo será inevitavelmente impedida.
Porém, mais do que isto - e é aqui onde eu sinto uma urgência
ainda maior - quando sentimos inveja um do outro no reino de
Deus, liberamos forças ativas que, na verdade, amarram o avanço do
Reino em nossa esfera ou região. A inveja tem o poder de obstruir a
liberação da bênção do reino, mesmo em lugares onde grande quan­
tidade de intercessão por avivamento e visitação sobe ao trono de
Deus. Na verdade, neste livro eu argumento que a inveja talvez seja
a maior responsável, entre qualquer outro mal ou perversão, por
apagar o fogo do avivamento tanto no passado quanto no presente.

â iNveja m a to u o c o r p o oe Jesu s C r is lo
(puaNDo ei.e veio a este plaN eta peLa
pRimeiRa vez, e a i N D a e stá mataNDO
o seu c o r p o Hoje.

A inveja matou o corpo de Jesus Cristo quando Ele veio pela pri­
meira vez a este planeta, e hoje ela ainda mata o Seu corpo - a igre­
ja. Eu oro para que este livro seja lido por todos os santos —pelos
jovens, pelos idosos, pelos ministros, pelos servos e pelos cristãos de
todas as tribos e denominações. O Espírito está emitindo um cla­
mor alto e claro neste tempo crítico para que entendamos o que é
a inveja, identifiquemos-a em nosso coração e saibamos como coo­
perar com a graça de Deus para que esse parasita maligno não retire
de nós o poder do Espírito Santo tão necessário para completarmos
a tarefa da evangelização global.
Talvez você se sinta confuso, ou até ofendido, porque este pe­
queno livro pode sugerir que você tenha um problema com a inveja.
Ah, como é fácil sermos enganados pelo nosso coração! Somos mais
io c a p i t u l o i

inclinados a termos pensamentos elevados ao nosso respeito do que


devíamos (veja Romanos 12:3; Filipcnses 2:3). Agora por favor, en­
tenda que eu não escrevi este livro com um espírito de acusação.
Em lugar disso é meu desejo trazer à luz os verdadeiros problemas
envolvendo a inveja e então apontar o caminho que leva à cura e à
liberdade em Cristo.
Eu creio que é hora do corpo de Cristo despertar para a reali­
dade da inveja e ao que ela está fazendo conosco. Vamos cncarar os
fatos: ela é um problema meu\ é um problema nosso. A inveja está
viva e ativa na igreja de Jesus Cristo, e está causando divisão no cor­
po e assim, impedindo o progresso do glorioso reino de Deus. Va­
mos iniciar essa discussão falando a verdade em nosso coração (veja
Salmos 15:2) sobre o que na realidade está acontecendo. E hora de
baixarmos nossas defesas e pedirmos para Deus falar conosco pes­
soalmente sobre este assunto.
Este não é um livro recomendado apenas para os outros; este é
um livro cuja mensagem precisa ser aplicada em nossa própria vida.
Como diz a antiga canção: “Não é meu irmão, não é minha irmã,
mas sou eu, O Senhor, constantemente necessitado de oração”. *
Se a sua primeira reação é: “Inveja? Até onde cu sei esse não é um
problema que eu tenho", então permita-me fazer-lhe um pedido:
leia este pequeno livro assim mesmo. Você não será simplesmente
educado quanto a natureza e ramificações da inveja. Mais do que
isto, a sua visão sobre os propósitos de Deus para a igreja crescerá,
e você verá por que o Espírito Santo está, estrategicamente, dando
destaque à questão da inveja entre os cristãos hoje. E de suprema
importância que ganhemos a nossa herança em Cristo! Se vamos
estar atentos à voz do Espírito no que diz respeito à inveja e a como
ela fere o corpo de Cristo, então esta geração tem o potencial de ver
o poder e a glória de Deus se manifestarem na terra como nunca
antes.

NOTA: Do inglês “Not mv brother, not my sLster, but its mc, O Lord, srandíng
ín the need of" prever”. Redrado da canção Standing In lhe Necd oj Praycr.
o p R O B l e m a m a i s c o m u m y u r N iN ^ n o r n t e m n

A I n v e j a E st á em T od o s os L ugares

Hoje, estamos cercados pela inveja, em todos os lugares. Aproxi­


madamente um mês após o atentado de 11 de setembro de 2001 às
torres gêmeas da cidade de Nova York, o jornal publicou uma colu­
na interessante que refletiu a ira internacional para com os Estados
Unidos. Os americanos ficaram surpresos com a opinião de alguns
povos de outras nações:
“Os americanos já estavam esperando isso há um bom tempo,”
disse um canadense.
“O vilão foi atacado,” é como coloca um operário de Moscou.
O colunista Rick Montgomery colocou: “Ficamos perplexos:
Como muçulmanos radicais podiam dançar enquanto milhares de
inocentes estão mortos sob os escombros do World Trade Center?”
O colunista continuou e sugeriu que a crítica internacional aos Es­
tados Unidos era baseada na suposição de que a América é o símbo­
lo de “tudo o que é grande” Montgomery continua a análise e diz
que ‘ os nossos triunfos militares e econômicos produziram inveja e
desprezo em todos os lugares.” 1
Existe certa veracidade na análise de Montgomery. Apesar de a
inveja não ser o único fator que contribui para tensões como essa,
ela é certamente parte considerável. Existem pessoas de outras na­
ções que se alegram com a explosão de calamidade na América por
causa da inveja que sentem das forças americanas.
Há uma boa razão para ligar as tensões da atualidade no Oriente
Médio com separação induzida pela inveja que aconreceu entre Isa-
que e Ismael há quase 4.000 anos. (Por sentir inveja do favor cedido
ao seu irmão, Ismael ridicularizou Isaque e foi expulso de casa pela
mãe de Isaque, Sara.) O efeito dominó da inveja entre esses dois ir­
mãos ainda é sentido hoje pelos seus descendentes, mais especifica­
mente nos conflitos atuais entre os árabes e israelitas. Seria possível
que a inveja estivesse ligada, pelo menos em parte, a praticamente
todas as guerras étnicas e religiosas na face do nosso planeta hoje?
Em apenas uma frase, a minha resposta seria: O nosso mundo está
CH|>ll u l í) I

recheado de inveja!
Contudo, o espaço não nos permite lidar com as várias formas da
inveja no mundo hoje. O objetivo deste livro é olhar para a inveja
dentro das fronteiras da igreja de Jesus Cristo. Não estaremos ana­
lisando a inaneira como alguém inveja o carro ou a casa do outro, o
cônjuge, os filhos, a aparência, a carreira ou a situação financeira. Em
lugar disso, vamos limitar o nosso foco ao fantasma da inveja que cres­
ce entre os irmãos c irmãs cristãos e em seus diferentes ministérios.

P r e c isa m o s U sar a P alav ra I ?

Existe algo essencialmente agonizante em confessar a palavra I


(“inveja”). Recentemente, um amigo me disse como o Espírito San­
to estava convencendo-o da inveja, e levou vários dias de luta com
Deus antes de poder dizer: “Tudo bem Senhor, estou disposto a
admitir. Eu sou invejoso. Perdoe-me.”
Talvez, uma das razões pelas quais não queiramos chamar isso
de inveja seja o desejo que temos de ter de acreditar que crescemos
além da carnalidade dos cristãos de Corinto, para quem Paulo pre­
cisou escrever uma severa repreensão pela comparação que faziam
dos vários ministérios.

“Com leite vos criei, e não com carne, porque ainda


não podíeis, nem tampouco ainda agora podeis, por­
que ainda sois carnais; pois, havendo entre vós inveja,
contendas e dissensões, não sois porventura carnais, e
não andais segundo os homens? Porque, dizendo um:
Eu sou de Paulo; e outro: Eu de Apoio; porventura
não sois carnais?” (1 Coríntios 3:2-4)

Evitamos utilizar o rótulo “inveja” nas lutas da nossa alma por


causa das implicações que a palavra carrega. Se aceitarmos a inveja,
daremos lugar à fraquezas com grande poder de acusação. Estare­
mos admitindo silenciosamente as seguintes atitudes:
o |'ROBl.ema rruis comum yue n in ^ uciti tem ií

• Não estou completamente estabilizado e confiante na minha


identidade em Cristo.
• Ku tenho inseguranças que não to ram completamente curadas
pelo poder da Sua graça.
• Sou ingrato pelo que Deus tem me dado, os Seus dons não são su­
ficientes para mim; eu também quero o que Ele tem dado a outro.
• Estou lutando contra a soberania e sabedoria de Deus, ao ques­
tionar os dilerentes dons e porções de graça que Ele dá tanto
para mim quanto para o meu irmão ou irmã.
• Basicamente, o meu coração está motivado por um elemento
de interesse próprio, autopreservação e autopromoção. Não sou
capaz de celebrar inteiramente o sucesso do meu irmão por cau­
sa dos sentimentos secretos de competição e ambição presentes
na minha alma.
• Quando todas as minhas energias devem estar tocadas na guerra
contra o inimigo da nossa alma, parte da minha energia é des­
viada para a luta com o sucesso dos meus companheiros cristãos.
• Uma vez que a inveja, quando está completamente desenvolvi­
da, culmina em assassinato, eu tenho as sementes do assassinato
dentro do meu coração.
• A minha carnalidade está impedindo a unidade do corpo de
Cristo - a unidade que é fundamental para a preparação da
noiva. Então, parte de mim está impedindo, ao invés de contri­
buindo, com a volta de Cristo.

Quando Deus começou a mostrar-me a inveja presente em meu


coração, eu fiquei, a princípio, chocado. Mas toi há muito tempo
que isso aconteceu. Agora, não me surpreende mais descobrir que
ela está presente. Ah, ê aquela coisa horrorosa de novo, não é? O
Espírito Santo parece especialmente comprometido em me revelar
isso. Ele me mostra a inveja quando ela ainda está brotando, para
que eu possa me arrepender cedo. Eu não sei quanto progresso eu
fiz com relação à inveja, mas estou certo de que me arrependo com
mais frequência. Então, quando eu olho para a lista acima, torna-se
i; cacH ulo i

mais fácil eu confessar: “Sim, tão culpado como o declarado.” Eu


não fico mais chocado, porque eu recebi uma revelação do poten­
cial iníquo da minha carne. Aqui está o que eu descobri: Quando é
fácil reconhecer e confessar a inveja, a vitória fica ao nosso alcance.
A inveja não precisa estar completamente desenvolvida para
estar presente. Ela pode aparecer em nosso coração em suas fases
iniciais, c também pode se desenvolver até a maturidade se nos re­
cusarmos a lidar com ela. Todos nós somos tentados a invejar, e ser
tentado não é em si mesmo um pecado (veja Hebreus 4:15). Mas,
também é verdade que a maioria, se não todos, de nós sucumbimos
à inveja em algum momento da nossa vida. Em outras palavras, es­
tamos lidando com um problema universal.

ÇuaN DO é faciL RecoNHeceR e coNfessaR a


inveja, a vitÓRia fica ao n o s s o aLcaNce.

Lembro-me de ter lido sobre um plebiscito entre os cristãos,


onde os entrevistados concordaram que a inveja é um pecado prin­
cipalmente entre as mulheres. Como escritor masculino, eu tenho
uma palavra para o resultado dessa pesquisa: afrontoso! E uma ques­
tão central para todos nós. (Eles devem ter entrevistado alguns ho­
mens iludidos.) A inveja é um dos subprodutos fundamentais da
nossa condição humana caída, e ela esteve presente em todas as ge­
rações desde Caim e Abel. Não é de admirar que Jesus tenha dedica­
do algumas das suas parábolas mais importantes diretamente a este
tópico (veja Mateus 20 e 25).
Que o Senhor nos fortaleça com coragem e entendimento para
ouvir o que o Espírito diz à igreja a esse respeito. Vamos começar
fazendo a pergunta: O que é a inveja?

Notas
Rick Montgomerv, Anger Takes American* by Surprise, [A raiva anica os ame­
ricanos de surpresa] Kansas Cirv Srar (Ocrobcr 15, 2001)
capítuLo 2

O que é a I nveja?
0 u me LemBRO çue ceRta vez uma Revista secuLaR
muito famosa oefiNiu a iNveja como a d or seNtma
çuaNDO outRa pessoa aLcaNça o çue você Deseja. As Es­
crituras nos dizem que esta dor, na verdade, é um desejo pecaminoso
(veja Gálatas 5:21, 26). O dicionário Vine Expository Dictionary defi­
niu a inveja com o “o sentimento de desprazer produzido pelo conheci­
mento das vantagens ou prosperidade de outros” 1Webster Dictionary
define a inveja como “a dor e o ressentimento de saber que o outro está
gozando de um prazer, somado ao desejo de possuir a mesma coisa.” 2
Ela é a dor ou agonia que sentimos com o sucesso do outro. O significa­
do da palavra “ciúme” é ligeiramente diferente de inveja. Webster s de­
fine “ciumento” como “disposto a suspeitar rivalidade ou infidelidade;
inimizade contra um rival ou contra alguém que recebeu um benefício”.
Em muitos contextos, as palavras “inveja” e “ciúme” são, na prá­
tica, intercambiáveis. Existem matizes de significado que são únicas
em cada uma dessas palavras, mas essas diferenças não são tão im­
^ c a p it u L o 2

portantes para o propósito deste livro. Podemos dizer que o ciúme


é a minha atitude em relação ao que eu tenho enquanto a inveja é a
minha atitude em relação ao que o outro tem. Existem muitas de­
finições das diferenças entre essas palavras, tais como: “A diferença
está no fato de a inveja querer privar o outro do que ele já tem; o ciú­
me deseja ter a mesma coisa ou do mesmo tipo de coisa para si mes­
mo.” \ Tal distinção parece de alguma forma artificial para mim.
“Inveja” e “ciúme” possuem significados bastante semelhantes, mas
“inveja” me parece ser uma palavra mais obscura. Ao confessar meus
pecados, eu costumo descrevê-los com os piores termos possíveis,
então eu usarei a palavra “inveja”. Como muitas emoções, a inveja e
o ciúme têm seus lados positivos e negativos. Existe o ciúme equili­
brado que guarda um relacionamento exclusivo, firmado sob alian­
ça (como o casamento). Deus tem tanto ciúme do nosso amor que
Ide até Se chama pelo nome de Zeloso (veja Êxodo 34:14). Além
disso, Tiago 4:5 fala do ciúme do Espírito Santo à medida que Ele
anseia a nossa fidelidade exclusiva. Então existe um ciúme que pode
ser bom quando é propriamente direcionado, mas essa c a única
passagem que coloca a inveja sob um olhar positivo. Todas as outras
referências apontam para a inveja como um desejo carnal.
A inveja deriva da nossa vida carnal, mundana. A sua fonte encon­
tra-se dentro do coração humano (veja Marcos 7:21-23). Quando
Paulo lista as obras da carne, ele cita tanto a inveja quanto o ciúme:

Ora, as obras da carne são conhecidas e são: prosti­


tuição, impureza, lascívia, idolatria, feitiçarias, ini­
mizades, porfias, ciúmes, iras, discórdias, dissensões,
facções, invejas, bebedices, glutonarias c coisas seme­
lhantes a estas, a respeito das quais eu vos declaro,
como já, outrora, vos preveni, que não herdarão o rei­
no de Deus os que tais coisas praticam. (Gaiatas 5:19)

Não há como negar o paralelo óbvio entre a inveja e o décimo


mandamento, onde se lê: “Não cobiçarás a casa do teu próximo.
o çue e a rnvcja 17

Não cobiçarás a mulher do teu próximo, nem o seu servo, nem a


sua serva, nem o seu boi, nem o seu jumento, nem coisa alguma
que pertença ao teu próximo” (Exodo 20:17). O defensor cristão
Francis Schaeffer acreditava que em nossa natureza caída, o décimo
mandamento é sempre o primeiro que quebramos antes de qual­
quer um dos nove que restaram. A inclinação que temos à inveja
é tão característica da nossa identidade caída, que Deus escolheu
dirigir-se a ela do início - nos Dez Mandamentos.

O A specto N eg a t iv o d o S ucesso

Independente de o sentimento sc originar no seu coração para


com outra pessoa ou vir contra você da parte de outro alguém, a
inveja é símbolo da diligência. Por exemplo, quando você é diligen­
te em ganhar excelência em um dado campo de empreendimento,
outros que também aspiram a esse mesmo campo são estimulados a
sentirem inveja pela sua conquista. Em outras palavras, aqueles que
sobem rapidamente a escada do sucesso são invejados por outros
que também estão subindo. Salomão fez referência a isso quando
escreveu: “Também vi eu que todo o trabalho, e toda a destreza em
obras, traz ao homem a inveja do seu próximo. Também isto é vai­
dade e aflição de espírito” (Ec. 4:4). A conclusão de Salomão foi que
a resposta negativa da comunidade às conquistas de um homem di-
Jigente é uma das maldições básicas da existência da humanidade.

3, iNveja é símBoLo D a D iL ig ê N c ia

O pastor Michael Cavanaugh expressou da seguinte maneira:


“A inveja é o subproduto natural de ser favorecido por D eus” ^
Quando Deus escolhe você para abençoar, prepare-se para o aspec­
to negativo, porque a inveja que outras pessoas terão de você é um
dos perigos ocupacionais de receber a bênção de Deus. Como diz o
provérbio, é a árvore mais alta a atingida por raios. Aqueles que se
sobressaem entre seus irmãos frequentemente sofrem ataques. Mui­
is c a p i t u L o 2

tas vezes a inveja parecerá ser quase irracional ou ilógica - ache-


gando-se a você aparentemente sem razão - mas ela é a experiência
comum, constante, daqueles que são escolhidos por Deus para um
dom, utilidade e unção em especial.
Sociólogos criaram o termo “benefício limitado” para descrever
uma pressuposição comumente defendida de que existe uma por­
ção limitada de honra, prosperidade e sucesso disponível para os
cidadãos de uma sociedade, em qualquer período. Então, para um
cidadão ter sucesso, ele deve necessariamente pegar o sucesso de
outras pessoas daquela sociedade. A inveja, eles dizem, é portanto
a resposta natural de cidadãos em uma sociedade que - ao olhar
para o sucesso de alguém - entendem que aquela pessoa alcançou o
sucesso às custas deles. Esta ideia - de que existe apenas uma porção
limitada para conquistar - não é, contudo, para existir no reino de
Deus, porque os recursos de Deus para com os Seus filhos não têm
limites e são abundantemente férteis. Infelizmente, a nossa nature­
za pecaminosa tende a carregar para a nossa nova vida em Cristo, a
bagagem dos padrões impuros dos nossos pensamentos.

A I n v e ja no L iv r o de T ia g o

Talvez, a passagem mais convincente do Novo Testamento a res­


peito da inveja é a encontrada no livro de Tiago:

“Se, pelo contrário, tendes em vosso coração inveja


amargurada e sentimento faccioso, nem vos glorieis
disso, nem mintais contra a verdade. Esta não é a sa­
bedoria que desce lá do alto; antes, é terrena, animal e
demoníaca. Pois, onde há inveja c sentimento faccioso,
aí há confusão e toda espécie de coisas ruins. A sabedo­
ria, porém, lá do alto é, primeiramente, pura; depois,
pacífica, indulgente, tratável, plena de misericórdia e
de bons frutos, imparcial, sem fingimento.”
(Tiago 3:14-17)
o 9i;e e a iNveja iq

Tiago nos diz que a inveja é “amargura” Ela é fortalecida pelo co­
ração amargurado e produz frutos de amargura nos relacionamen­
tos. Um exemplo disso é encontrado na vida de Esaú (veja Gênesis
27). Quando chegou a hora de Esaú receber a bênção patriarcal do
seu pai Isaquc, o irmão gêmeo de Esaú, Jacó, vestiu as roupas do
seu irmão e fingiu ser Esaú. Tentando imitar a voz do seu irmão,
Jacó foi até o seu pai e enganosamente roubou a bênção que Isa-
que planejava para Esaú. Quando Jacó recebeu a bênção que Esaú
merecia como primogênito, os olhos de Esaú se encheram de ira e
mau-olhado para com o seu irmão. Esaú foi capturado pelas garras
da inveja, mas ele acreditou que a amargura para com seu irmão,
Jacó, era justificável, porque Jacó o havia enganado. A inveja pode
produzir uma raiz de amargura no coração de alguém, que, se não
for tratada, pode, consequentemente, manchar muitas pessoas (veja
Hebreus 12:15-16). Portanto, quando somos invejosos, devemos
nos perguntar por que estamos amargurados. Se formos honestos,
muito da nossa amargura está provavelmente direcionado contra
Deus, porque Ele é aquele que deu mais a outros do que a nós.

â eNeRgia D a iNveja é
geR ao a por um coR ação
amBicioso e egoísta.

Tiago também associa a inveja ao “sentimento faccioso”. A in­


veja e o sentimento faccioso acompanham um ao outro. A energia
da inveja é gerada por um coração ambicioso e egoísta. Por causa da
nossa natureza pecaminosa, somos motivados no centro do nosso
ser por ambições egoístas. No Reino, a ambição pode se transfor­
mar em algo bom, mas isso requer uma crucificação atormentadora
antes que os elementos positivos da ambição sejam completamente
afastados de nós. O apóstolo Paulo foi um homem que controlou as
inclinações ambiciosas de sua alma e as transformou em uma busca
apaixonada “do prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Je­
sus” (Filipenses 3:14). E ainda assim, enquanto a ambição pode ser
lo c a p it u L o 2

propriamente transformada em uma buscado Reino, na prática, to­


dos nós temos que lutar contra os elementos negativos da ambição
e o sentimento faccioso que nos torna invejosos.
Tiago continua dizendo que a inveja “se gloria c mente contra
a verdade”. Por ser a inveja enraizada no orgulho, ela conduz facil­
mente ao ato de vangloriar-se. Quando na presença de alguém que
recebeu mais do que nós, a inveja desejará que anunciemos nossos
próprios méritos. Mas essa ostentação geralmente vem de uma opi­
nião exagerada de nós mesmos. Então, ao invés de falarmos a verda­
de sobre nós, mentimos contra a verdade de quem somos e do que
temos.
A fonte da inveja e da ostentação, Tiago nos diz, não vem do
alto. Pelo contrário, ele relaciona a este tipo de inveja a uma fonte
tripla. Ela é terrena (enraizada na esfera natural); sensorial (baseada
em informações recebidas dos cinco sentidos ao invés de recebidas
do Espírito de Deus); e demoníaca (inflamada pela atividade de­
moníaca).
Então, Tiago entrega esse resumo arrepiante: “Pois, onde há in­
veja e sentimento faccioso, aí há confusão e toda espécie de coisas
ruins.” Que frase! Voltaremos a ela antes de concluirmos.

I n v e ja e R iv a l i d a d e

Assim coino o sentimento faccioso, a rivalidade também acom­


panha a inveja. A rivalidade é a disputa entre pessoas, uma luta por
superioridade. Ela é (embora não sempre) motivada pela inveja.
Vemos isso na primeira menção da palavra na Bíblia. Os pastores
de Abrão e os pastores de Ló entraram em contenda por causa de
terra pastoril para seus gados (veja Gênesis 13:7-8). Mesmo que
Ló estivesse amplamente provido de terra, parece que ele invejou
as abundantes bênçãos de Abrão. A atitude de Ló alcançou seus
pastores e eles começaram a competir pela melhor área de pasto.
Abrão se aproximou para desfazer a rivalidade aceitando a região
pastoril inferior.
o ç u e e a i N v e j a 21

A rivalidade é colocada ao lado da inveja em cinco versículos do


Novo Testamento:

“Estando cheios de toda a iniqüidade, prostituição, malícia, ava­


reza, maldade; cheios de inveja, homicídio, contenda, engano,
malignidade” (Romanos 1:29; veja também 2 Coramos 12:20).

‘Andemos honestamente, como de dia: não em glutonarias,


nem em bebedeiras, nem em desonestidades, nem em dissolu­
ções, nem em contendas e inveja” (Romanos 13:13).

“Verdade é que também alguns pregam a Cristo por inveja e


porfia, mas outros de boa vontade” (Filipenses 1:15).

“E soberbo, e nada sabe, mas delira acerca de questões e con­


tendas de palavras, das quais nascem invejas, porflas, blasfêmias,
ruins suspeitas” (l Timóteo 6:4).

Podemos ver claramente, a partir desses versículos, que a rivali­


dade e a inveja trabalham em conjunto.
No primeiro capítulo de Filipenses, Paulo discute as motivações
dos pregadores do Evangelho dos seus dias. Ele aponta dois grupos
comuns de pregadores, cada grupo incentivado por motivações di­
ferentes.

“Verdade é que também alguns pregam a Cristo por


inveja e por fia, mas outros de boa vontade. Uns, na ver­
dade, anunciam a Cristo por contenção, não puramen­
te, julgando acrescentar aflição às minhas prisões. Mas
outros, por amor, sabendo que fui posto para defesa
do evangelho. Mas cjue importa? Contanto que Cristo
seja anunciado de toda a maneira, ou com fingimento
ou em verdade, nisto me regozijo, e me regozijarei ain­
da” (Filipenses 1:15-18).
Paulo reconheceu que o zelo de alguns ministros era abastecido
pela inveja e competição. Eles não eram motivados pelo fogo do
santo amor pela beleza do Filho de Deus, mas pelo desejo de pro­
mover o seu próprio ministério. Paulo não poderia ser manipulado
ou comprado, então eles o viam como uma ameaça ao sucesso de­
les. Portanto, eles tentaram difamar Paulo, provavelmente dizendo
coisas desprezíveis sobre suas prisões e sobre a sua reputação de cri­
minoso. Se eles pudessem envenenar os guardas com pensamentos
suspeitos, os guardas seriam mais severos com Paulo. A inveja que
sentiam os movia a pisar em Paulo na tentativa de crescerem em
seus ministérios.
Como Tiago, Paulo associa a inveja à ambição egoísta. “Ambi­
ção egoísta” é apenas uma palavra no texto original, a palavra grega
é eritheia. Ela é uma palavra pitoresca que traz em seu significado
a descrição de assalariado (alguém que trabalha por dinheiro). Ela
descreve alguém preocupado apenas com o seu próprio bem-estar
- uma pessoa com grandes chances de ser subornada. A palavra
eritheia retrata uma pessoa ambiciosa, que deseja as coisas para si
mesmo, buscando oportunidades para se promover.
A motivação oposta para a pregação do Evangelho era “por
amor”. Quando somos libertos da inveja, podemos servir ao Senhor
com um coração puro que O ama, que ama Seus servos, Seu povo
e os perdidos.

Dois Sonhos

Chris Berglund (um amigo que vive na Cidade do Kansas) me


contou sobre dois sonhos que ele teve, que carregaram um signifi­
cado espiritual para ele - e pode ser significativo para alguns de nós
também. Ele me deu permissão para repetir essa história na espe­
rança de poder ajudar mais alguém a ser liberto nesta mesma área.
Na época em que teve os sonhos, ele era pastor em uma igreja pe­
quena em Seattle, Washington. No primeiro sonho, Chris se viu em
um culto onde o pregador convidado o chamou pelo nome e disse:
o çue é a iNveja 23

“Chris, o Senhor diz que você tem uma doença que põe em risco a
sua vida.” Chris ficou chocado com a notícia e ficou imaginando se
era câncer. Então, o pregador acrescentou: “A doença que ameaça
a sua vida, é a Comparação.” A primeira resposta do Chris foi: “Eu
não concordo com isso”, embora soubesse que de alguma forma isso
era verdade.
Nos três dias seguintes, Chris se esforçou para entender o sig­
nificado do sonho. Ele trabalhou duro durante anos para abençoar
outros, para não julgá-los, etc. Como poderia estar sofrendo com a
enfermidade da Comparação? Mas, de repente, ele compreendeu.
Chris me disse: “Durante anos tenho me comparado a outros e
sempre me vejo com o trabalho mais inferior. O Senhor trouxe à
minha memória todas as vezes que eu disse para mim mesmo: Por
que ensinar? Mike Bickle é um professor muito melhor. Por que pro­
fetizar? Paul Cain parece fazer sucesso nessa área. Por que orar? Lou
Eangle tem muito mais poder que eu ao orar.n Chris disse que ele
continuamente se comparava aos outros e se sentia inferior, e isso
estava matando a sua vida espiritual em Deus.
O próximo sonho, que aconteceu algumas semanas mais tarde,
foi para enfatizar o que Deus queria que Chris aprendesse. Neste
sonho, Chris estava na serra com um grupo de homens que sempre
respeitou por causa do poder da unção do Espírito Santo sobre o
ministério deles. Cada um, segundo ele, era mais eficiente do que
ele próprio em suas respectivas áreas do ministério. Cada homem
possuía um chalé individual, mas se reuniam em um hall princi­
pal de encontro que continha uma mesa para refeições. O convida­
do de honra da semana era Billy Graham, que estava para chegar.
Todos estavam sentados ao redor da mesa quando Billy Graham
chegou e caminhou em direção a Chris e disse: “Chris, gostaria de
sentar-me ao seu lado essa noite durante o jantar.” Chris respondeu:
“Não, você não deseja sentar-se ao meu lado, você deseja sentar-se
com aquele ou aquele outro. Comparado a esses caras eu sou chato.”
Mas ainda assim Billy continuou com o seu objetivo e colocou a sua
cadeira ao lado de Chris. Após o jantar ele disse: “Chris, gostaria de
24 cap itu lo 2

dormir no seu chalé essa noite” Novamente, Chris protestou: “O


meu quarto está uma bagunça.” Mas Billy agiu como se não tivesse
ouvido e se juntou a Chris no seu chalé. Ao entrar, Billy começou a
limpar e arrumar o abrigo.
Foi assim que Chris interpretou o sonho: “Quando eu acordei,
eu sabia que Billy representava o Senhor. Ele estava me mostrando
o quanto me amava do jeito que eu sou - mesmo nas minhas fra­
quezas. Ele continuava destruindo a comparação, então eu pude ver
que o Seu amor por mim não é baseado em meus talentos e obras,
ou na ausência destes. Ele simplesmente queria estar comigo.”
Os sonhos despertaram um tempo de poderoso encontro espiri­
tual para Chris à medida que o Senhor iniciou o processo de liber­
tação, camada por camada, começando pela doença fatal conhecida
por Comparação.

A F orça da I n v e ja

A inveja é uma paixão poderosa. A Palavra de Deus diz que “o


sentimento sadio é vida para o corpo, mas a inveja é podridão para
os ossos” (Provérbios 14:30). Em alguns casos a inveja supura in­
teriormente com uma discreta comparação que fazemos de nós
mesmos com outras pessoas, ou com um ressentimento interior. Às
vezes, ela encontra expressão em uma raiz de amargura que se move
para além da pessoa e começa a poluir os de fora. E em outros casos,
ela resulta em assassinato cabal. Por exemplo, foi a inveja que fez
com que os líderes religiosos crucificassem nosso Senhor Jesus (veja
Mateus 27:18).
A inveja é como uma muda. Ela começa de uma pequena semen­
te, mas se nutrida e cuidada, ela finalmente cresce e transforma-se
em uma árvore de inveja. Quando madura e perfeita, a inveja passa
a ser um espírito de assassinato e roubo, porque no final das contas
ela quer matar e assim ter o controle absoluto para si mesma.
O autor e professor estudioso da Bíblia Bob Mumford, se referiu
à inveja como “uma mentalidade de balde de caranguejo.” Ele disse
o çue é a iNveja 25

que não é necessário colocar a tampa sobre um balde cheio de ca­


ranguejos porque eles nunca permitirão que o outro escape.
Jesus ensinou aos Seus discípulos a dar esmolas em secreto e a
orar em secreto e a jejuar em secreto, porque nesses três casos Ele
repetiu a seguinte conseqüência: “E teu Pai, que vê em secreto, ele
mesmo te recompensará publicamente” (Mateus 6:4; veja também
w. 6 e 18). Quando essas instruções são seguidas pelos cristãos, elas
são uma receita garantida de criação de inveja em outros. O que você
faz em secreto não é visto por mais ninguém além do Pai celestial;
mas quando Ele lhe recompensa abertamente, as recompensas são
vistas pelos homens. Os homens não veem o preço que você pagou;
eles só veem os dividendos recebidos. Quando eles lhe veem sendo
abertamente recompensado, eles não compreendem que você plan­
tou em secreto, então a primeira reação que têm é a inveja. Quando
um irmão vê o outro irmão recebendo bênçãos sem razão aparente,
geralmente a natureza carnal deseja responder com a inveja.
A inveja é tão antiga quanto Caim e Abel, mas para chegarmos
lá, precisamos ir para o próximo capítulo.

Notas
W.E. Vine, Vines Expository Dictionary ofNew Testament Words [Dicionário
expositório Vine de palavras do Novo Testamento] (Iowa Falls, IA: Riverside
Book and Bible House), p. 367
Merriam-Websters Collegiate Dictionary, [Dicionário Merriam-Webster]
10thed., s.v. “envy [inveja].”
Ibid., s.v. “jealous [ciúme]”
W.E. Vine, Vines Expository Dictionary, p. 367.
Michael Cavanaugh, A study in Envy —Sauland David [Um estudo sobre a
inveja - Saul e Davi], gravação para ensino por Michael Cavanaugh apresen­
tado na Igreja Elim Gospel, Lima, Nova York, 21 de Janeiro de 2001.
capítuLo 3

Os I rmãos
c i iN v e ja apaReceu a iN D a n o i n í c i o D a H istÓ R ia h u -
m a N a , com Caim e Abel (os dois filhos de Caim). Caim invejou Abel
porque o sacrifício de Abel foi aceitável a Deus, e o de Caim não. Mes­
mo antes de Caim ter matado seu irmão, Deus o advertiu: “O pecado
jaz à porta, e sobre ti será o seu desejo, mas sobre ele deves dominar”
(Gênesis 4:7). O pecado que se escondia atrás da porta do coração de
Caim foi a inveja. Ou ele a dominava ou ela o dominava. Infelizmente, a
inveja venceu. Caim assassinou o seu irmão Abel.
A inveja é sempre uma questão entre irmãos. A única razão pela
qual a inveja não começou com Adão foi porque ele não tinha ir­
mão. Mas assim que os irmãos apareceram na terra, a inveja imedia­
tamente ganhou vida. Geralmente, a inveja não é algo entre pai e fi­
lho, mas entre irmãos (e, como veremos mais adiante, entre irmãs).
Um pai verdadeiro não inveja seu filho, e um filho verdadeiro
não inveja seu pai. Absalão não era um filho verdadeiro para Davi,
então ele invejou o governo do seu pai. Mas Timóteo e Tito eram
28 capituLo 3

“filhos verdadeiros” de Paulo (veja 1 Timóteo 1:2; Tito 1:4), então


eles nunca invejaram a esfera do ministério de Paulo, entendendo
que honrando a esfera espiritual do pai deles, eles receberiam bên­
çãos ainda maiores do que receberiam se tentassem usurpá-la.
Quando eu digo que a inveja é uma questão entre irmãos, estou
me referindo a algo que vai além de irmãos e irmãs de sangue. Falo
daqueles que trabalham lado a lado na mesma esfera geral de influ­
ência. Então, os membros de um grupo familiar seriam irmãos e o
líder do grupo familiar seria o líder, nesse contexto. Na outra esfera
de influência, os líderes da igreja local seriam irmãos uns dos outros
(tanto homens quanto mulheres), e o pastor seria o pai. Os pastores
de uma cidade seriam, por sua vez, irmãos uns dos outros (tanto
homens quanto mulheres), enquanto alguém como Billy Graham
seria visto por esses pastores como um pai.

â IN v e ja é u m a iN iç u iD a D e
do coRação çue Não é vista
até çue a o casião a iNvoçue.

Os líderes de uma igreja local geralmente não invejam o sucesso


dos seus pastores - em lugar disso, eles adquirem força do sucesso
dos seus pastores. Mas e o sucesso de outro líder da igreja local?
Essa é, definitivamente, uma outra questão. Uma vez que o outro
líder local trabalha na mesma esfera ministerial, a carne deseja ver o
outro irmão como um rival.
A inveja é uma iniqüidade do coração que não é vista até que
uma ocasião a invoque. Então, até que a oportunidade não chegue,
podemos estar sinceramente convencidos de que a inveja não é um
problema contra o qual lutamos. Mas Deus sabe como nos ajudar
a ver as tendências invejosas dos nossos corações (para que nos re­
lacionemos com Ele e nos arrependamos). O método mais comum
que Ele utiliza para revelar as nossas tendências de invejar é derra­
mando bênçãos sobre um dos nossos irmãos.
Enquanto o meu irmão estava com problemas, descobri que po-
os iRmàos 29

dia orar por ele com energia e sinceridade. Porém, quando a bênção
de Deus invadiu a sua vida, algo mais também invadiu o meu co­
ração, e eu não consegui mais orar por ele como antes. Deus res­
pondeu a minha oração abençoando o meu irmão, e agora a minha
compaixão transformou-se em inveja.

As I rmãs

A inveja também é uma questão entre irmãs. Geralmente, as ir­


mãs não invejam as “mães” em Israel, mas certamente são tentadas a
invejarem umas as outras.
Curiosamente, a inveja parece acompanhar as linhas de gênero.
Os irmãos invejam os irmãos e as irmãs invejam as irmãs. Deve ha­
ver uma exceção ocasionalmente, mas no geral, não é predominante
entre os gêneros.

CuRiosameNte, a iNveja paRece acompaNHaR


* as LiNHas De gêNeRO.

As irmãs invejarão umas às outras por coisas como aparência


física, popularidade e status social, filhos e dons ministeriais. (Os
irmãos se invejam por coisas como conquistas na carreira, poder
financeiro, e também dons ministeriais). Algumas das questões são
diferentes entre os gêneros, mas a tentação a invejar está presente da
mesma maneira.
A inveja está, na maioria das vezes, enraizada no esforço para
ganhar identidade. Quando Jacó se casou com as irmãs Raquel e
Lia, e quando Lia gerou filhos, mas Raquel não, as Escrituras di­
zem: “Vendo Raquel que não dava filhos a Jacó, teve inveja de sua
irmã, e disse a Jacó: Dá-me filhos, se não morro” (Gênesis 30:1).
Naqueles dias, grande parte da autoestima da esposa estava ligada
a sua habilidade de gerar filhos para o seu marido. A inveja entre
as irmãs era tão forte, que Deus mais tarde colocou esse manda­
mento na Lei de Moisés: “E não tomarás uma mulher com sua
3<j capituLo 3

irmã, para afligi-la, descobrindo a sua nudez com ela na sua vida”
(Levítico 18:18).
Na verdade, a inveja entre irmãs aparece duas gerações antes de
Raquel e Lia. A inveja era o problema entre Sara e Hagar. Sara (es­
posa de Abraão) era estéril; então, na tentativa de ter um filho, ela
deu a sua serva Hagar a Abraão como esposa. Hagar gerou Ismael
para Abraão, mas então o seu relacionamento com Sara de repente
mudou de serva para rival. Isaque, o bebê do milagre, nasceu em um
cenário de uma fascinante saga de inveja entre duas mulheres que
ansiavam encontrar sua identidade na família como mãe frutífera.
Miriã, a irmã de Moisés, não sentia inveja de Moisés; mas ela in­
vejou a sua esposa! A Esposa de Moisés, Zípora, era gentia, e Miriã
ficou ressentida com a posição que Zípora ocupava como esposa de
Moisés, mesmo não sendo ela uma israelita (veja Números 12:1).
Não sabemos a natureza exata da inveja dela, porém mais uma vez,
a inveja ocorreu entre irmãs - funcionando entre esteras de influ­
ência semelhantes. Arão foi capturado pelo fingimento de Miriã,
talvez porque sentisse inveja do seu irmão, Moisés. Mas está claro
que Miriã era a instigadora, porque foi ela a quem Deus assolou
com lepra.
Existe também o caso de Ana e Penina, as duas esposas de El-
cana. Penina tinha filhos, mas Ana era estéril. Ana sofreu de inveja
de Penina porque ela tinha filhos, mas Penina invejava Ana porque
Ana era a esposa favorita de Elcana. A tensão conseqüente nesta fa­
mília foi quase insuportável. Lemos que Penina provocava Ana “ex­
cessivamente para a irritar, porquanto o Senhor lhe havia cerrado
a madre” (1 Samuel 1:6). A história termina com uma boa notícia,
quando Deus permite que Ana fique grávida de Samuel.
Todas essas histórias entre irmãs compartilham de um elemen­
to comum: duas mulheres lutando para alcançarem a segurança na
identidade como esposa, mãe ou irmã. A inveja é claramente tão
tentadora para as irmãs quanto para os irmãos. Contudo, a Bíblia
nos dá mais exemplos de inveja entre irmãos do que entre irmãs,
então, vamos voltar a olhar para os irmãos.
os iRmàos 31

O Fogo da I n v eja

Em Números 16, lemos sobre o plano de Coré e de um grupo


de levitas e líderes em Israel que se congregaram contra Moisés e
Aarão, primeiramente porque eles acreditavam que Aarão não de­
veria receber os direitos exclusivos de ser sumo sacerdote. Eles eram
filhos de Levi, assim como Aarão, e como irmãos dentro da tribo de
Levi eles ficaram com inveja porque Deus soberanamente havia es­
colhido Aarão sobre eles. A maneira como Deus os puniu por causa
da inveja foi sensacionalmente dramática e assustadora. O chão se
abriu sob os pés dos líderes da rebelião e os engoliu ainda vivos,
assim como aos seus familiares. Depois, fogo saiu do Senhor e con­
sumiu os duzentos e cinqüenta líderes que estavam participando da
revolta. A inveja acendeu o fogo no acampamento, e Deus precisou
eliminá-la do local com o Seu próprio fogo.
O drama do enterro com vida e do fogo mortal serviu para des­
tacar a atitude de Deus com relação à inveja. E como se Deus esti­
vesse dizendo: “Esse grande massacre ilustra a maneira como me
sinto quando você inveja o que Eu, o soberano Deus, dei a outro,
porque fazendo isso você despreza o que eu dei a você.”
A história do povo da aliança de Deus está carregada de registros
relacionados à inveja. Os pastores de Ló invejaram os pastores de
Abraão; Ismael, o filho de Abraão invejou o seu irmão Isaque; o
filho de Isaque, Esaú, invejou seu irmão Jacó; os filhos de Jacó inve­
jaram seu irmão José. E assim por diante.
Então, passamos para os reis. A história do rei Saul e Davi é uma
narrativa contínua sobre as manifestações da inveja. Davi não sen­
tia inveja de Saul, razão pela qual ele se refere a Saul como pai (veja
1 Samuel 24:11); mas por causa das suas inseguranças, Saul nunca
foi capaz de ser o pai espiritual que Davi ansiava. Em lugar disso, ele
viu Davi como irmão - um rival do trono. A inveja de Saul o levou a
preparar uma tentativa militar de oito anos para extinguir a vida de
Davi. Davi escapou - com muita dificuldade - e apenas por causa
da intervenção de Deus.
2 c:a|>iluLo 3

Após a sua coroação, Davi foi afrontado por Cuxe, um benjami-


ta (da tribo de Saul). Cuxe era primo de Saul e desfrutava de uma
posição de prestígio em seu posto como rei. Quando Davi se tornou
rei, Cuxe perdeu a sua posição. Possuído pela inveja, Cuxe armou
uma campanha de calúnia contra o caráter de Davi, na tentativa de
destroná-lo. Davi dá dicas quanto à natureza das acusações, ao orar:
“Senhor meu Deus, se eu fiz isto, se há perversidade nas minhas
mãos, se paguei com o mal àquele que tinha paz comigo (antes, li­
vrei ao que me oprimia sem causa), persiga o inimigo a minha alma
e alcance-a; calque aos pés a minha vida sobre a terra, e reduza a pó
a minha glória. (Selá.)” (Salmos 7:3-5). O verso 15 sugere que Cuxe
empreendeu um golpe contra Davi: “Cavou um poço c o fez fundo,
e caiu na cova que fez. ’.

Davi nos mostROu çue Devemos HONRaR e


pRefeRiR açueles çue nos iNvejam, e Nimca
fazeR justiça com as Nossas pRÓpRias màos.

Um dos grandes aspectos da herança que Davi deixou para nós


é a maneira como ele modelava uma resposta santa todas as vezes
que se deparava com a inveja. Ele nunca se vingou por si mesmo da­
queles que o invejaram, mesmo quando teve oportunidade. Ele nos
mostrou que devemos honrar e preferir aqueles que nos invejam, c
nunca fazermos justiça com as nossas próprias mãos.
Qualquer estudioso da inveja ficará, sem dúvidas, fascinado
pelos múltiplos ciclos da inveja que cercavam Davi em seu tempo.
Dois de seus filhos sofriam com a inveja porque Deus escolheu o
seu irmão Salomão para o trono, então tanto Absalão quanto Ado-
nias iniciaram um plano para destronar e matar o seu pai, Davi.
Desta e de tantas outras maneiras, Deus usou a inveja para ajudar a
proteger Davi cm meio ao seu sucesso, para que a tirania do sucesso
ininterrupto não atrapalhasse Davi a ganhar o prêmio, levando-o
a uma visão destorcida. Os ataques motivados pela inveja lançados
contra ele o mantiveram humilde, quebrantado, dependente e des­
OS IRmàOS 55

cansando em Deus - o lugar onde ele deveria estar.


Daniel foi outro homem que, por causa do seu sucesso, foi cer­
cado pela inveja. Os governadores regionais (os colegas de Daniel)
sob o reinado do rei Dario, tornaram-se invejosos por causa da in­
fluência que Daniel tinha com o rei, e armaram um plano para lan­
çarem Daniel na cova dos leões. A inveja os fez esquecer que, anos
antes, Daniel foi o responsável por salvar a vida de alguns deles!
Isso aconteceu alguns anos antes quando Nabucodonosor ordenou
a morte dos homens sábios em seu reino, mas Daniel evitou a morte
deles dizendo ao rei a natureza do seu sonho. Mas isso aconteceu
anos atrás, e a memória se foi. Para eles, Daniel competia pela posi­
ção. Então eles conspiraram para matar Daniel, mas Deus sobera­
namente interviu e o libertou da boca dos leões.

A Inveja e Jesus
Como Davi e Daniel, Jesus foi cercado pelo constante redemoi­
nho da inveja. Não é de se admirar! Ninguém nunca teve tantos
dons como Ele, então, se aqueles que conheciam Jesus tinham uma
tendência à inveja, tiveram muitas oportunidades de colocá-la em
prática.
Jesus precisou enfrentar a inveja da parte dos seus irmãos desde
o início. Você pode imaginar Jesus como o seu irmão mais velho?
Imagine você com um irmão mais velho que não tem erro algum,
se sobressai em todas as coisas onde coloca as mãos, tem a resposta
certa em todas as situações, é incrivelmente brilhante e excepcional­
mente talentoso e possui um relacionamento com Deus altamente
convincente! Talvez, aqueles que têm um irmão mais velho saibam
do que estou falando.
Eu tenho apenas um irmão, e ele é mais velho do que eu. To­
dos os anos da minha infância e adolescência eu segui os passos do
meu irmão, Sheldon. Todas as classes que eu entrava os professores
faziam comentários do tipo: “Ah, você é o irmão de Sheldon.” Shel­
don era mais esperto que eu, mais alto que eu, mais forte que eu
e um músico melhor que eu. Eu sei o que é ser mais novo que um
34 cap itu lo 3

irmão mais talentoso que você. E ainda assim, eu não consigo ima­
ginar como seria ter Jesus como um irmão mais velho!

Ç u e tRaNSição um a pessoa teve çue


sofReR em sua estRUtURa meNtal. paRa
conc Luir çue o seu iRmào mais veLHO
é O CRiaDOR DO UNIVeRSO?

Jesus teve quatro irmãos (veja Mateus 13:55) que não conse­
guiam acreditar no ministério de Jesus. Apenas após a Sua morte e
ressurreição que eles verdadeiramente creram. Que transição uma
pessoa teve que sofrer em sua estrutura mental para concluir que o
seu irmão mais velho é o Criador do universo? A transição foi tão
grande que os seus irmãos quase não tiveram sucesso nesta tarefa.
Jesus, em Sua misericórdia, os ajudou ao aparecer pessoalmente,
após a Sua ressurreição, para o irmão que regulava idade com Ele
(veja 1 Coríntios 15:7).
Dê um palpite sobre a autoria dessas palavras: '‘Porque onde há
inveja e espírito faccioso aí há perturbação e toda a obra perversa”
O irmão de Jesus! Tiago era o irmão mais novo de Jesus (o verso
acima foi retirado de Tiago 3:16). Eu posso ouvir Tiago dizendo:
“Rapazes, a inveja quase me consumiu vivo! A inveja era uma ques­
tão tão grande em meu coração, que quase custou a salvação ” Tiago
era capaz de se referir à questão da inveja por causa da autoridade
que adquiriu com a experiência que teve.
Não foram apenas os Seus irmãos que invejaram Jesus. Os líderes
religiosos do Seu tempo O invejaram intensamente porque eles O
viam como um rival na esfera deles. O ministério público de Jesus
constantemente regulava a temperatura da inveja nos corações dos
líderes religiosos. Se a inveja deles esquentasse depressa, eles O cru­
cificariam prematuramente. Então, para neutralizar a intensidade
da inveja deles, Ele Se anularia para abrir mão de campos maiores.
Quando Jesus entrou em Jerusalém, a inveja cresceu a uma velocida­
de alarmante; então Ele se retirou estrategicamente para que a inve­
OS I R m à O S 35

ja deles não alcançasse a fase de assassinato antes do tempo. Por três


anos, Ele controlou a inveja deles com a habilidade de um artesão
até que chegou o momento em que esta deveria lançá-lO à morte.
Eis um encontro com um líder religioso; tal encontro foi singu­
larmente intrigante.

“E ensinava no sábado, numa das sinagogas. E eis que


estava ali uma mulher que tinha um espírito de enfer­
midade, havia já dezoito anos; e andava curvada, e não
podia de modo algum endireitar-se. E, vendo-a Jesus,
chamou-a a si, e disse-lhe: Mulher, estás livre da tua
enfermidade. E pôs as mãos sobre ela, e logo se endirei­
tou, e glorificava a Deus. E, tomando a palavra o prín­
cipe da sinagoga, indignado porque Jesus curava no
sábado, disse à multidão: Seis dias há em que é mister
trabalhar; nestes, pois, vinde para serdes curados, e não
no dia de sábado. Respondeu-lhe, porém, o Senhor, e
disse: Hipócrita, no sábado não desprende da manje­
doura cada um de vós o seu boi, ou jumento, e não o
leva a beber ? E não convinha soltar desta prisão, no dia
de sábado, esta filha de Abraão, a qual há dezoito anos
Satanás tinha presa? E, dizendo ele isto, todos os seus
adversários ficaram envergonhados, e todo o povo se
alegrava por todas as coisas gloriosas que eram feitas
por ele” (Lucas 13:10-17)

Quando o príncipe da sinagoga respondeu à cura da mulher com


indignação, Jesus não podia simplesmente dizer: “Você é muito in­
vejoso!” Mas a acusação de Jesus chamando-o de “hipócrita” foi
uma tentativa de mostrar ao homem que ele estava sendo motivado
por outra coisa diferente do que estava reivindicando. O príncipe
estava alegando que era motivado pelo zelo ao sábado; mas Jesus
declarou que ele estava demonstrando mais compaixão por gado
do que por pessoas, então a questão verdadeira não era o sábado. A
3#> <.a |»!tuI o 3

indignação dele não era porque o sábado estava sendo violado, mas
porque Jesus estava demonstrando um poder e autoridade em seu
terreno, que ele mesmo não possuía, Jesus chamou a atenção das
multidões com um governo cativante que o príncipe da sinagoga
desejava para si mesmo. A questão era inveja.

A Inveja se Esconde
O príncipe da sinagoga cobriu a sua inveja sob o pretexto de zelo
pelo sábado. Isso ilustra uma das características mais comuns da in­
veja: A inveja se esconde. Ela se veste com vestes de honra, e com
paixão. A inveja nunca deseja ser descoberta, então ela gera um zelo
nobre que desvia todos os olhos a uma questão secundária (como
o sábado).
A mesma coisa aconteceu com Moisés e Josué. Moisés chamou
setenta líderes para o tabernáculo para um culto direcionado a eles,
mas por algum motivo dois dos líderes nomeados não comparece-
ram à reunião. Quando o Espírito desceu sobre os líderes, Ele tam­
bém desceu sobre os dois ausentes, que estavam no acampamento
e eles profetizaram como os outros sessenta e oito. Um manto de
zelo veio sobre Josué quando ele ouviu que os dois faltosos também
profetizaram, porque ele não achava justo que aqueles que não de­
ram valor ao encontro o suficiente para comparecerem, recebessem
a mesma bênção. Então ele exclamou: “Moisés, meu senhor, proí-
bc-lho.” (Números 11:28). A resposta de Moisés foi clássica: “Tens
tu ciúmes por mim? Quem dera que todo o povo do Senhor fosse
profeta, e que o Senhor pusesse o seu espírito sobre ele!” (Números
11:29). Josué colocou a sua capa com aparência de zelo, mas a res­
posta de Moisés mostrou o coração dc um pai verdadeiro.
A inveja dos principais sacerdotes com relação a Jesus finalmen­
te O levou ao Seu assassinato. Contudo, eles não perceberam que
estavam sendo motivados pela inveja. Os líderes religiosos estavam
convencidos de estarem crucificando Jesus por motivos justificáveis
e puros. Mas até mesmo um governador gentio incircunciso tinha
mais discernimento! Pilatos levou pouco tempo para entender que
OS I R m à O S 57

o ódio dos líderes judeus era abastecido pela inveja (veja Mateus
27:18; Marcos 15:10).
Isso ilustra o poder incrível que a inveja tem de nos enganar
quanto à verdadeira natureza das motivações do nosso coração.
Isso também nos mostra que não precisamos ser gigantes espiri­
tuais para discernirmos a inveja. O governador ímpio foi capaz de
reconhecê-la instantaneamente. Quando Pilatos viu que ele estava
tratando com as paixões inconstantes da inveja, ele tentou ajudar
os principais sacerdotes a encontrarem uma perspectiva, sugerindo
que Jesus fosse libertado enquanto Barrabás (um assassino cruel)
fosse condenado. Mas os principais sacerdotes estavam tão furiosos
de inveja que pediram a liberdade de Barrabás e a crucificação de
Jesus. Naquele momento Pilatos soube que ele estrava lidando com
emoções que não aceitariam argumentos racionais. O povo estava
incontrolável. Os principais sacerdotes se tornaram literalmente
insanos por causa inveja. Eles queriam devolver um assassino para
as ruas da sua cidade para que pudessem crucificar Jesus. A inveja
fez com que os principais sacerdotes defendessem o assassinato e a
brutalidade. A história ilustra o terrível poder que a inveja tem de
levar o homem a níveis absurdos de insanidade.
Vamos analisar mais uma leitura sobre Jesus e a inveja:

“Respondeu-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos


digo: se não comerdes a carne do Filho do Homem
e não beberdes o seu sangue, não tendes vida em vós
mesmos. Quem comer a minha carne e beber o meu
sangue tem a vida eterna, e eu o ressuscitarei no últi­
mo dia. Muitos dos seus discípulos, tendo ouvido tais
palavras, disseram: Duro é este discurso; quem o pode
ouvir? Que será, pois, se virdes o Filho do Homem su­
bir para o lugar onde primeiro estava?” (João 6:53-54,
60-62).

Jesus sabia que nada pode revelar a verdadeira natureza de um


3* cap itu lo 3

relacionamento mais rápido do que a promoção. Se eles fracassaram


quando Jesus ofereceu o Seu sangue e o Seu corpo por eles, o que
eles iriam fazer quando Ele fosse promovido ao trono do univer­
so? Se a inveja tivesse lugar no coração deles, Jesus sabia que a Sua
ascensão e glorificação os ofenderiam. Esse princípio é verdadeiro
em todosos relacionamentos humanos: quando alguém próximo a
você é promovido» você de repente descobre a verdadeira natureza
da sua amizade. Você sente inveja ou se sente ofendido? Ou você
se enche de alegria? Quando o filho é promovido, a mãe se enche
de orgulho - porque o amor de uma mãe é genuíno. A promoção
prova a autenticidade do amor. Quando um colega de trabalho é
promovido para um lugar superior ao seu, a sua lealdade para com a
amizade é testada e revelada. Quando um irmão ou irmã em Cristo
é promovido sobre você no ministério, a inveja tomará conta do seu
coração ou o seu amor se provará verdadeiro?

cl pRomoção pROva a
auteNticmaDe do amoR,

João Batista seria Invejoso?


João Batista preparou o caminho para Cristo e desejava apaixona­
damente a Sua aparição. Mas quando Cristo veio, talvez o grande
teste da lealdade de João tenha sido provada pelo “teste da inveja”.
Quando a multidão começou a deixar as reuniões de João Batista e
se unir, pelo contrário, aos ajuntamentos de Jesus, como João res­
pondeu? A resposta é dada de forma clara pela sua própria boca.

“E foram ter com João e lhe disseram: Mestre, aquele


que estava contigo além do Jordão, do qual tens dado
testemunho, está batizando, e todos lhe saem ao en­
contro. Respondeu João: O homem não pode receber
coisa alguma se do céu não lhe for dada. Vós mesmos
sois testemunhas de que vos disse: eu não sou o Cris­
to, mas fui enviado como seu precursor. O que tem a
OS I R m ã O S 39

noiva é o noivo; o amigo do noivo que está presente


e o ouve muito se regozija por causa da voz do noivo.
Pois esta alegria já se cumpriu em mim. Convém que
ele cresça e que eu diminua” (João 3:26-30).

Os discípulos de João ficaram alarmados com os sinais de en­


fraquecimento no ministério. Pela primeira vez no ministério do
seu mestre, a frequência estava diminuindo. João estava perdendo a
popularidade e Jesus a estava ganhando. João também não deveria
estar alarmado? (Eles fingiam ser zelosos pelo ministério de João,
mas na verdade eles sentiam inveja do ministério de Jesus.)
Mas João não podia compartilhar da inveja deles. Ele chamou
a si mesmo de “amigo do noivo”, e provou a sua amizade sendo fiel
a Jesus, mesmo quando o ministério dele começou a enfraquecer.
Ele esperou e permaneceu para ouvir a voz do Noivo, e quando ele
a ouviu, João não apenas renunciou a um ministério enfraquecido,
mas também se alegrou porque o Noivo chegara e estava crescendo
aos olhos da noiva.
Basicamente, João estava dizendo: “As minhas reuniões estão
perdendo popularidade, e eu estou muito contente com isso!” Ele
era um verdadeiro amigo do Noivo, pois sua tarefa era preparar a
noiva para o noivo. Os seus maiores sonhos foram realizados quan­
do a noiva transferiu a sua atenção para o Noivo do amor. A inve­
ja não encontrou lugar no coração de João porque ele mesmo se
queimou com um fogo santo e apaixonado diante do amado da sua
alma. O seu amor era verdadeiro.

D ifer e n t es N ív e is d e R eco m pen sa

Neste capítulo olhamos para a inveja como a dinâmica que


acontece entre irmãos e entre irmãs. Ela cresce tipicamente entre
colegas que desempenham funções na mesma esfera geral de in­
fluência. Jesus contou uma parábola que ilustra esta dinâmica de
modo convincente.
4o c a|Mlulo >

Na parábola de Mateus 20:1-16, Jesus fala sobre um proprietário


de terras que contratou homens para trabalhar doze horas por dia
pelo salário de um denário. Mais tarde, ele saiu e contratou mais um
grupo para trabalhar nove horas, e depois outro grupo para traba­
lhar seis horas. Ainda, selecionou outras pessoas para trabalharem
três horas e finalmente, um último grupo para trabalhar apenas
uma hora. E mesmo assim, ao final do dia, ele pagava um denário
para todos os trabalhadores, independente do período de tempo
que trabalharam.
Quando todos foram pagos com o mesmo salário, os homens
que trabalharam mais tempo reclamaram com o empregador. Ao
pagar a mesma quantia a todos, eles argumentaram, o proprietário
de terras estava dando tratamento preferencial aqueles que traba­
lharam menos horas. Os que trabalharam intensamente sentiram
inveja daqueles que trabalharam apenas uma hora. O fato dc o pro­
prietário de terras não tratar a todos os seus funcionários da mes­
ma maneira gerou inveja nos grupos. Jesus utilizou a parábola para
ilustrar como a inveja aparece quando Deus dá uma variedade dc
dons para irmãos de posições semelhantes. A verdade é que Deus
não recompensa todos os Seus filhos e filhas da mesma maneira,
pelo menos nas coisas exteriores. E quando pensamos que Deus não
está sendo justo conosco que a inveja tem a oportunidade dc encon­
trar um terreno seguro. Aqui está um cenário cada vez mais comum
à medida que o dia da volta de Cristo se aproxima. Vamos supor
que você trabalhou no reino por longos anos; você gerou o calor da
colheita; trabalhou na intercessão; foi fiel durante os anos. Então,
quando Deus derramar o Seu Espírito nos últimos dias - BOOM
- Deus de repente tira algum drogado das ruas, o limpa e dá a ele
um ministério maior que o seu. Pode pareccr que ele obteve muito
mais de Deus do que você jamais imaginou ter, com muito menos
esforço. E o que acontece em seu coração? Inveja! Mesmo que você
entenda que Deus estará acelerando o processo de preparação nos
últimos dias, ainda é muito desafiador para “a carne” ver outro se
envolvendo nas coisas pelas quais você trabalhou (veja João 4:38).
os iRmàos 41

Jesus disse, na parábola, que aqueles que trabalharam mais tem­


po na vinha “murmuravam contra o pai de família” (Mateus 20:11),
identificando que o objeto da reclamação da inveja é, na verdade, o
próprio Deus. A inveja está desapontada porque Deus foi gentil e
generoso com outro irmão. Mas o nosso Deus é um Deus bom que,
às vezes, recompensa seus servos com um critério que prioriza outra
coisa que não a diligência na Sua obra.
O pai de família (que representa Deus na parábola) perguntou
aqueles que estavam com inveja: “Ou não me é lícito fazer o que
quiser do que é meu? Ou é mau o teu olho porque eu sou bom?
(Mateus 20:15). A inveja preencheu o coração deles de tal maneira
e elevou as suas emoções a ponto de saírem pelos seus olhos, dando
a eles olhos maus. Um olho mau é a escuridão que inflama e per­
turba o olhar quando ao ver outro irmão, deseja o que ele recebeu.
Eu fico me perguntando se Jesus tinha Provérbios 23:6 em men­
te quando falou sobre olhos malignos. A New King James Version
utiliza a palavra “miser” [avaro] neste provérbio, mas a leitura literal
é “aqueles que têm olhos malignos”. Então, um olho maligno se re­
laciona ao que é miserável ou mesquinho, enquanto um olho bon­
doso está relacionado à generosidade. Um olho maligno não deseja
a bênção em abundância sobre o próximo. Quando a inveja escu­
rece o olhar, as ramificações espirituais são assombrosas. Quando
os nossos olhos são escurecidos pela inveja ou mesquinharia, todo
o nosso corpo se torna cheio de trevas (Mateus 6:23)! Portanto, a
derrota da inveja em nosso coração se torna o mais importante e
imperativo.

Deus peRmite çu e nosso coR ação seja


testaDO exatam eNte peLa m esm a DiNâmica.

Os trabalhadores da parábola de Jesus tiveram problemas com a


inveja porque todos eles trabalhavam na mesma vinha. Se eles tra­
balhassem em comunidades distintas, a situação seria totalmente
diferente. Mas é quase inevitável que, ao colocá-los todos na mesma
^2 c a p i t u l o 5

vinha, a inveja não seja manifestada.


Deus permite que nosso coração seja testado exatamente pela
mesma dinâmica. Ele nos coloca em uma comunidade ou região
onde outros servos são chamados por Deus para trabalhar preci­
samente na mesma vinha. Ele nos coloca ao lado de outros irmãos
ou irmãs que também trabalham fervorosamente, e então Eíe faz
alguns serem mais frutíferos do que outros na colheita. O que você
fará quando a célula de outra pessoa crescer e se multiplicar muito
mais rapidamente que a sua? Como você se sentirá quando outra
igreja crescer mais rápido que a sua igreja, especialmente quando
aquele crescimento acontece cm parte por causa das famílias que
deixam a sua igreja em favor daquela outra igreja? Como você res­
ponderá quando outro cantor em sua equipe de louvor ou ministé­
rio de adoração for escolhido para receber o microfone, ao invés de
você? O que estará estampado em seus olhos quando o ministério
da sua irmã cresce enquanto o seu diminui?
Esconder a sua inveja por trás de outra motivação aparentemen­
te nobre é fatal, tanto para nós quanto para o avanço do reino de
Deus. Onde a inveja permanece escondida e não resolvida, os pro­
pósitos de Deus são frustrados e impedidos.
Confessar a inveja e lidar com os seus tentáculos é uma das coi­
sas mais poderosas que podemos fazer para promover a causa de
Cristo. Onde os irmãos e irmãs estão dispostos a enfrentar o pro­
blema honestamente, um caminho é preparado para a introdução
solene da visitação de Deus em poder e glória.
O processo pode ser doloroso, mas vamos decidir agora abraçar
as atitudes do Espírito Santo e descobrir o nosso caminho para a
vitória sobre a inveja - para que a fama do nosso Deus se espalhe
sem impedimentos por toda a terra!
capítuLo 4

O G rande
T alento
R evelado
â passagem mais impResciNDÍveL Na B ÍB ü a ReLacio-
NaDa ao assUNtO Deste Livro, encontra-se em uma das pará­
bolas mais brilhantes de Jesus, e é uma das que foram guardadas para
serem compartilhadas no fim do Seu ministério terreno.
Na parábola (veja Mateus 25:14-30), Jesus conta a história de
um homem que deu os seus bens aos seus servos, esperando que eles
melhorassem o investimento realizado neles, através do comércio.
Então, ele saiu para uma viagem. Um servo recebeu cinco talentos
de dinheiro, outro recebeu dois e outro recebeu um (cada um se­
gundo a sua própria habilidade). Com o tempo, os dois primeiros
servos dobraram as riquezas do mestre, mas o terceiro servo enter­
rou seu único talento.
Quando o senhor voltou e viu como os dois primeiros servos
44 c a p it u L o 4

multiplicaram os seus talentos, ele disse a eles: “Bem está, servo


bom e fiel. Sobre o pouco foste fiel, sobre muito te colocarei” (Ma­
teus 25:21,23). O terceiro servo, eontudo, que enterrou o seu único
talento por sentir medo, foi julgado severamente pelo mestre e lan­
çado nas trevas exteriores.
O mestre na parábola representa Deus; os servos representam os
servos de Deus a quem Ele dotou com diferentes níveis de habilida­
de; e os talentos de dinheiro na parábola representam os dons, habi­
lidades e recursos que Deus dá aos Seus servos, esperando que eles
multipliquem e aumentem essas fontes para a expansão do Seu reino.
Esta parábola está relacionada aos diferentes níveis de dons com
os quais Deus presenteia a todos os cristãos. Para alguns Ele deu um
talento; outros receberam dois e outros, ainda, receberam cinco. Na
verdade, nosso grau de talento não se encaixa em nenhum desses
três casos, mas sim em algum lugar de grande variedade que Jesus
representou pelos números de um a cinco.
Deus nos capacita em um grande número de esferas, mas a área
ministerial onde o talento tenha, talvez, a maior possibilidade de
ser medido é na área da música e adoração. Quando se trata de mi­
nistério de música, o nível do talento de uma pessoa é tão fácil de ser
medido que é quase possível colocar um valor numérico a ele. “Ah
sim, ela recebe 3.7 na escala de talento.” Os talentos musicais são tão
claramente medidos que um ministro de música capacitado pode
levar todos para o departamento de louvor e listá-los pelo nome, de
acordo com o grau de talento, desde o menor até o maior.
Portanto, uma vez que o talento m usical é claramente medido,
eu decidi ilustrar os princípios desta parábola apontando para o mi­
nistério de louvor na igreja local. Vou deixar para o leitor fazer as
aplicações desses princípios em outras áreas ministeriais, como o
ensino, a pregação, o aconselhamento, a administração e o serviço.
Em primeiro lugar, você notará que Jesus disse que o senhor
deu o talento para cada um ‘ segundo a sua capacidade” (Mateus
25:15). Deus conhece a nossa estrutura e Ide nos entrega os dons
de acordo com aquilo que podemos administrar. E tentador olhar
o gRaNDe taLeNto ReveLaDO 45

para alguém com mais dons que você e invejar o que ele tem; mas
a verdade é que se você tivesse o mesmo nível de dons que ele, você
provavelmente sofreria um esgotamento! A sua estrutura não foi
construída para suportar o nível de responsabilidade que esses dons
extras carregam! A responsabilidade de gerenciar esse grande talen­
to iria destruir você. Deus lhe conhece por inteiro, e Ele lhe conce­
de talentos de acordo com as suas forças. Ele ama você exatamente
do jeito que você é porque Ele lhe criou precisamente da maneira
como Ele deseja que você seja. Ele ama quando você é simplesmente
você. E Ele não lhe entregará mais do que você possa gerenciar com
eficiência. Então, sejamos gratos porque Deus não nos Deus mais
do que podemos suportar!

ÇuaNDO se tRata De taLeNtos,


você ReceBe o çu e LHe Dão.

O cantor e líder de louvor, David Baroni, disse que a inveja


insulta a Deus - como se ao dar tudo o que fez para meu irmão,
Deus não tivesse deixado para mim a parte que me é justa. Mas com
Deus, há fartura e abundância até para distribuir! Então, se Deus
limitou os Seus dons a qualquer um de nós, é para que Ele não nos
sobrecarregue com mais do que podemos suportar.

P r in c íp io s R e l a c io n a d o s aos T alentos

Apenas Deus dá talentos. Você não pode desenvolver um talen­


to que você não recebeu. Quando se trata de talentos, você recebe
o que lhe dão. Se Ele não lhe entregar o talento, então você não o
tem. Eu conheço pessoas que adorariam saber tocar um instrumen­
to musical, mas elas podem praticar pelos próximos trinta anos e
nunca se tornarem músicos! Nenhum tempo de prática pode lhe
dar um dom que você não recebeu de Deus.
As vezes, alguém pode parecer ter encontrado um dom que não
possuía antes. Eu vejo quatro coisas que podem sugerir essa situação:
46 c a p it u L o 4

1. Maturidade: Pode acontecer de ao nos tornarmos adultos,


dons que antes estavam escondidos dentro de nós, virem à
luz simplesmente porque crescemos e aprendemos a acessá-
-los.
2. Despertar: Alguns dons podem permanecer escondidos den­
tro de nós até que um professor experiente, que saiba como
liberar o que estava preso durante todo esse tempo, apareça
e nos ajude.
3. Cultivo: Quando somos fiéis em cultivar e multiplicar os
nossos talentos, às vezes é maravilhoso o nível de habilidade
que podemos descobrir. Eu conheci pessoas que em minha
opinião nunca ultrapassariam 1.5 na escala de dom de uma
determinada área, mas por causa da determinação delas, con­
seguiram aumentar o seu dom em um nível além do que eu
jamais achasse possível, e eu pude vê-los além do nível 3.5 por
causa disto.
4. Derramar: Em alguns casos, Deus visitará alguém, mesmo
na fase adulta, e divinamente derramará sobre ele um dom
que nunca possuiu.

Então, esses dois princípios permanecem: você só pode traba­


lhar com aquilo que Deus deu a você, e os talentos podem crescer e
se multiplicar.
Quando se trata de talentos, Deus está buscando duas qualida­
des principais: bondade e fidelidade. Ao final do dia, tudo o que
queremos ouvir é “Bem está, servo bom e fiel”. A bondade está re­
lacionada à integridade moral e à sinceridade; a fidelidade está re­
lacionada à diligência, à confiabilidade, ao empenho e ao trabalho
árduo. O sábio se dedicará, acima de tudo, à bondade e à fidelidade.
Eu acredito que uma das melhores maneiras de cultivar os nos­
sos talentos musicais é se colocando ao lado de alguém mais musical
e mais ungido do que você mesmo e aprender do lado dele ou dela.
Quando o meu irmão, Sheldon, viajou para cursar a faculdade, a
minha mãe anunciou que eu tocaria piano na igreja. Eu disse: “Mas,
o gR aN D e ta L e N to ReveLaDO 47

mamãe, eu não sei tocar piano.” Ela fingiu que não ouviu o meu
argumento; a partir de agora eu tocaria piano na igreja, e sem mais
discussão. Naquela época, havia apenas dois instrumentos em mui­
tas igrejas: um órgão e um piano. A mamãe tocava órgão e agora eu
iria tocar o piano.
O primeiro domingo foi um desastre (eu tinha catorze anos de
idade). Eu fiquei tão constrangido que passei a semana seguinte
inteira tentando melhorar as minhas habilidades para o fiasco do
próximo domingo. A minha mãe pressionava o pedal do órgão,
sufocando eficientemente a minha incompetência. Ela levava cada
canção até o final. Eu tentei imitá-la em tudo o que fazia. Quando
as semanas transformaram-se em meses, eu me encontrei cada vez
mais próximo a ela. Às vezes, o filho é capaz de igualar-se à mãe - e
em alguns aspectos até ultrapassá-la. Eu literalmente aprendi a to­
car piano na igreja! E então, eu descobri esse valioso princípio com
respeito aos talentos: permaneça ao lado de alguém mais habilidoso
que você, e busque até alcançá-lo.
O autor e professor Mike Bickle propôs a curiosa perspectiva de
que com a palavra “talento” Jesus se referia aos dons públicos. Em
outras palavras, o que distingue uma pessoa com quatro talentos da
que possui três talentos é que a pessoa que recebeu quatro talentos
irá encontrar, consequentemente, uma expressão pública mais visí­
vel entre as pessoas. Quanto maior o dom, mais naturalmente a pes­
soa será conduzida a uma plataforma pública mais visível. Salomão
expôs esse princípio quando escreveu: “Viste o homem diligente
na sua obra? Perante reis será posto; não permanecerá entre os de
posição inferior” (Provérbios 22:29). Um exemplo disso é encon­
trado no tabernáculo de Davi, na pessoa de Quenanias, que se ele­
vou a um lugar de destaque ao ser o principal instrutor dos cantores
“porque era perito nisso” (1 Coríntios 15:22). Aqueles que são fiéis
ao cultivo dos seus talentos e se tornam peritos em sua área, natu­
ralmente crescem e recebem esferas de lideranças correspondentes.
Está certo o mais habilidoso e o mais ungido receber cargos de lide­
rança em nossos ministérios de louvor.
48 c a p it u L o 4

Distribuição de talentos.
Parece que Deus é completamente aleatório na maneira como dis­
tribui dons aos homens. Ele não dá mais talentos a determinadas
pessoas porque elas são bonitas ou altas ou porque têm cabelos es­
curos ou são espertas ou agradáveis. A distribuição de talentos apa­
rentemente não possui padrão. Por que Deus deu um talento a este
e dois talentos àquele ? Não existe uma razão aparente. Ele simples­
mente dá. Não pergunte o por quê; você nunca terá uma resposta.
Ele se levanta na autoridade da Sua soberania e simplesmente deci­
de arbitrariamente o que Ele dará a cada um. O seu nível de talento
não está relacionado ao Seu amor por você. Ele lhe dá um, dois ou
cinco talentos; Ele ama você tanto quanto ama todas as pessoas do
planeta.
Deus dá um talento a este, dois talentos àquele, cinco talentos
ao outro - e depois, coloca todos na mesma equipe de louvor e diz:
“Use-os”. Eis a receita para a catástrofe! Ministérios de louvor são
conhecidos entre os pastores por serem uma das áreas mais proble­
máticas do ministério de uma igreja local. Por que isso? Uma razão
seria, sem dúvida, o fato de que Satanás se opõe ao tremendo po­
tencial dos ministérios de louvor. Mas há outro problema, e a sua
origem não é demoníaca, mas carnal. Estou referindo-me à inveja
que se levanta nos ministérios de louvor compostos por membros
com diferentes níveis de dom. Considere mais uma vez o que Tiago
disse a respeito disso: “Pois, onde há inveja e sentimento faccioso, aí
há confusão e toda espécie de coisas ruins” (Tiago 3:16). Quando a
inveja tem a permissão de existir incontrolavelmente em nossos mi­
nistérios de louvor, eles se tornam lugar de “toda espécie de coisas
ruins”. Nada pode ser mais importante e essencial do que trazermos
essas questões à luz e chamarmos uns aos outros ao arrependimento.
Quando colocamos lado a lado pessoas com diferentes níveis de
dom, estamos buscando problema. Este terreno que chamamos de
grupo de louvor é um campo minado. Mas Deus tem um propósito
ao distribuir para o corpo de Cristo níveis variados de dons, e eu
desejo que este propósito seja explorado.
o gR aN D e ta L e N to ReveLaDO 49

O P roblem a do C r esc im e n t o
da I g r e ja

Aqui está a maneira como funciona esta dinâmica de níveis va­


riados de talentos quando trabalham lado a lado. Uma nova igreja
é inaugurada e há cerca de trinta pessoas freqüentando esta nova
comunidade. Quando você planta uma igreja, você é grato por toda
pessoa possuidora de um talento que aparece. O cara sabe tocar
uma música no banjo? Ele está no ministério de louvor! A irmã sabe
tocar harpa? Ela está no ministério de louvor! Frank pode tocar
guitarra na escala de G ou de D ? Frank agora é o músico principal.
Então, em um determinado domingo você entra naquela igreja
com os seus dois talentos. Você olha para aquele ministério forma­
do por pessoas que possuem um talento e pensa: Eu cheguei aqui
para isso. Você fala com o pastor sobre os seus dons e a sua dispo­
sição de servir. O pastor olha para os seus dois talentos e os olhos
dele chegam a brilhar. Você é resposta de oração! Em pouco tempo
ele lhe entrega o ministério de louvor. Num piscar de olhos você vê
aquele ministério funcionando em uma dimensão completamente
nova. A adoração na igreja decola, o espírito de louvor na congrega­
ção se multiplica, a presença de Deus é maior do que em qualquer
outra época, e as pessoas são incrivelmente atraídas à atmosfera de
adoração. A igreja cresce rapidamente de trinta para setenta e cinco
membros, e depois para cento e trinta. Você é o salvador do minis­
tério de louvor. Todos na igreja amam você e continuamente agra­
decem a Deus pelo dia em que Ele lhe enviou à igreja deles.
Então, chega o domingo quando finalmente acontece. Na porta
dos fundos aparece... cinco talentos! Você pensa: Volte rastejando
para buraco de onde você veio\ Você fica surpreso com a multidão
de emoções que surgem dentro de você à medida que olha para essa
maravilha de cinco talentos. Você sabe que se essa mulher com os
cinco talentos se juntar ao ministério de louvor, os dons dela certa­
mente abrirão caminho para ela, ela consequentemente receberá a
liderança do ministério de louvor, e se tornará a nova salvadora do
5-3 c a p J t u L o 4

grupo. Você será esquccido à sombra dos dons excepcionais e do


maravilhoso potencial que ela possui.

ITlas ç u a N D o a pessoa çue possui dois


tal.eNtos oI.ua paaa a pessoa çue possui
cinco, eLa peNsa: Vou ü r r ü n c ü r os seus o L h o s .
Náo fioue ciQUi. Não faça Desta a sua igíieja.
Vá p a R a Q u a L o u e R o u í r o L u g a R .

Estou descrevendo a dinâmica de Eclesiastes 4:4: “Também vi


eu que todo o trabalho, e toda a destreza em obras, traz ao homem a
inveja do seu próximo. Também isto é vaidade e aflição de espírito”
O que a pessoa que possuía cinco talentos recebeu por ter cultivado
os seus dons? Inveja.
Quando a pessoa que possui dois talentos olha para a pessoa que
possui um talento, ela pensa: Saia!Agora eu que estou aqui. As coisas
serão um pouco diferentes por aqui. Mas quando a pessoa que possui
dois talentos olha para a pessoa que possui cinco, ela pensa: Vou
arrancar os seus olhos. Não fique aqui. Não faça desta a sua igreja.
Vá para qualquer outro lugar. O problema é a inveja, e ela em algum
momento alcançará quase todos os ministérios de louvor na face da
terra.
Essas dinâmicas fazem parte das crescentes dores das igrejas em
desenvolvimento. A medida que uma igreja cresce, o nível dc dons
dentro de vários ministérios daquela igreja deve crescer junto com a
igreja. Para uma igreja de novecentas pessoas continuar crescendo,
ela precisará de certo nível de talento em seu ministério de louvor,
que uma igreja de cem pessoas não precisaria. Sc o nível de exce­
lência no ministério de louvor (e em outros ministérios) não cresce
junto com a igreja, o crescimento da igreja irá paralisar e se nivelar
conforme o nível de talento entre os seus líderes. As vezes, os pas­
tores precisam lidar com situações dolorosas. Coloco esta pessoa que
possui três talentos à frente do nosso ministério de louvor e deixo
todosfelizes, ou entrego ao ministério de louvor esta pessoa que possui
o gRaNDe taLeNto ReveLaDO 51

quatro talentos para continuarmos crescendo? Mas se eu fizer isso, eu


sei que algumas pessoas ficarão ofendidas. Pastorear essas transições
é dolorosamente delicado

C a m in h a n d o J untos

Eu disse que a pessoa que possui dois talentos olha para a que
possui um talento e responde com um pouco de arrogância; e de­
pois, essa mesma pessoa que possui dois talentos olha para a que
possui cinco e reage com inveja. Mas e a pessoa que possui um talen­
to? A tendência dele ou dela, de acordo com Jesus, é enterrar o seu
único talento. A medida que a excelência do ministério de louvor
cresce, a pessoa que possui um talento diz: “Estou saindo. Estou re­
nunciando o ministério de louvor. Vocês estão acima de mim agora.
Eu sou muito esperto para continuar nessa plataforma ao lado de
todo esse talento. Não, estou de partida.” Então, a pessoa que possui
um talento enterra o único talento que tem.

âçu eL e çu e possui cinco taLeNtos Deseja


LivRaR-se Da caRga DesNecessáRia e DecoLaR.

E a pessoa que possui cinco talentos? A sua tendência é dizer:


“Podemos melhorar um pouco este navio? Se pudéssemos simples­
mente lançar ao mar alguns desses instrumentos desnecessários,
poderíamos de verdade preparar o barco e fazer algum progresso!”
Aquele que possui cinco talentos deseja livrar-se da carga desneces­
sária e decolar.
A parábola de Jesus diz o seguinte para a pessoa que recebeu os
cinco talentos: Reduza a velocidade e traga os outros com você. A
sua tarefa é ensinar, instruir, orientar, equipar e impactar aqueles
que têm menos dons que você. Se você estiver disposto a ir mais
devagar e trouxer todos com você, você cumprirá o seu papel no
ministério de louvor. Você será aquele que fará discípulos. Muitos
de nós têm a tendência de cair na categoria daquele que possui dois
52 c a p it u L o 4

talentos. Não somos tão talentosos como alguns, mas possuímos


mais talentos que outros. Esse é um alerta saudável para entender­
mos esta simples verdade: sempre existe alguém mais talentoso
que você. Devemos estar, também, acostumados com isso. Então,
muitos de nós se colocam nesta categoria do meio. A mensagem da
parábola para nós é a seguinte: Não permita que a inveja roube de
você a sua herança em Cristo. Celebre o sucesso do seu irmão que
possui cinco talentos. Junte-se a ele na batalha; vamos caminhar
juntos, e seja grato porque na categoria do meio você pode servir
a Deus, apoiando e servindo de base para o ministério de louvor.

â BataLHa dos úLtimos Dias seRá veNcrna


poR um exéRcito De gueRReiROS DOtaDOS
De um taLeNto çue eNtRegaRão o
seu tUDO peLa causa do Rei.

E o que a parábola diz para as pessoas que possuem um talen­


to ? Desenterre o seu único talento! Você não tem a permissão de
se dar ao luxo de mantê-lo enterrado. Siga em frente: desenterre-o,
limpe-o e o entregue para uso do Mestre. Eu acredito que existe um
exército que se levantará na terra nos últimos dias que confundirá
os poderes da terra. Eles perguntarão: “De onde veio este exército?”
A resposta será: “Este é o exército dos santos que possuem um ta­
lento e que escolheram desenterrá-lo, limpá-lo e aplicá-lo na causa
do Reino.” A batalha dos últimos dias será vencida por um exército
de guerreiros dotados de um talento que entregarão o seu tudo pela
causa do Rei.
O grande desafio para o ministério de louvor hoje é fazer com que
as pessoas que possuem cinco, dois ou um talento caminhem juntas e
em aliança, para que a glória de Deus seja revelada na Terra. A inveja
tentará nos privar desta aventura excitante, mas nós não iremos nos
submeter a isso nem por um momento sequer. Estamos cientes dos
esquemas do Inimigo. Iremos crucificar a carne; iremos enfrentar os
problemas do nosso coração e vencê-los no poder do Espírito.
o g R a N D e t a L e N t o R e v e L a D O 53

L iber a n d o T odo o C orpo


para F u n c io n a r J u n t o

Um dos maiores desafios da liderança na igreja é prover uma


atmosfera onde os músicos que possuem cinco talentos anseiem
por fazer parte da equipe, mas onde as pessoas dotadas de apenas
um talento também sejam calorosamente abraçadas e recebam um
lugar significante no trabalho do ministério. Como liberamos ao
mesmo tempo as pessoas que possuem cinco, dois e um talento?
Se formos preparar todos os santos para a obra do ministério (veja
Efésios 4:12), então devemos responder, deliberadamente, esta per­
gunta. Apesar de estarmos ilustrando essas dinâmicas referindo-nos
especificamente ao ministério de louvor na igreja local, o desafio
dos talentos existe em várias áreas do ministério da igreja. Será res­
ponsabilidade do leitor aplicar estes princípios a outros campos mi­
nisteriais.
Um amigo pessoal a quem eu classificaria como um músico que
possui cinco talentos e que também possui um coração adorador,
disse certa vez: “Eu desejo estar em uma equipe que se empenha
para conquistar a excelência.” Este é um sentimento comum entre
os mais talentosos. Outro amigo me disse que ele acha muito grati-
ficante ministrar em uma equipe com outros músicos que possuem
cinco talentos. Além disso, ele acrescentou: “Certa vez eu recebi a
chance de tocar e aprender quando eu não tinha a confiança que eu
tenho agora.” Até os músicos dotados de cinco talentos precisam
começar em algum lugar!
Nossos níveis variados de talentos ativam ventos de conflitos no
relacionamento, ventos esses que não podem ser evitados, mas sim
enfrentados com coragem. Ministérios que se concentram em pre­
parar os santos que possuem um talento, em sua maioria, movem-se
tão lentamente que os santos dotados de cinco talentos não querem
fazer parte deles. A rotina é muito entediante para eles. Contudo,
os ministérios que se concentram em usar os santos que possuem
cinco talentos, têm a tendência de deixar as pessoas que possuem
>4 cap itu lo 4

um talento afastadas, sentindo-se inválidas e inúteis. Elas simples­


mente não podem continuar.
Uma igreja se esforçou para resolver este problema, formando
três equipes de louvor que funcionavam cm três níveis diferentes
de talento. A equipe com os melhores músicos recebia músicas
mais complexas, o que evitava que eles se sentissem entediados e ao
mesmo tempo os desafiava a continuar dedicando-se com afinco.
A segunda equipe era muito boa musicalmente, mas era maior em
tamanho e foi ampliada para incluir um coral de cantores. Esse gru­
po poderia fluir espontaneamente, mas ainda precisava de muito
ensaio. A terceira equipe era composta por músicos novos e fun­
cionava como ponto de entrada para o ministério de louvor. To­
dos iniciavam nessa equipe e depois eram transferidos para outras
equipes à medida que os seus dons e a sua simpatia tornavam-se
conhecidos. A música dessa equipe era basicamente simples, e eles
raramente iam além do que ensaiavam. As três equipes tinham uma
rotatividade regular, de forma que todos recebiam oportunidade de
se expressar. A unidade entre as três equipes era mantida através de
tempos de comunhão e confraternização.
A abordagem de outra igreja foi estabelecer uma equipe de lou­
vor principal que possuía os melhores músicos e que ministrava
aos domingos; uma segunda equipe que funcionava como reserva
da equipe principal, para servir quando o principal líder de louvor
estava fora da cidade. Eles não possuíam uma rotatividade de equi­
pes, apesar de os membros da segunda equipe sempre serem cha­
mados como substitutos quando um membro da primeira equipe
estivesse ausente. A segunda funciona como campo de capacitação
para aqueles com níveis de talentos variados. Desta segunda equipe
eram enviadas pessoas para trabalhar em vários outros ministérios
da igreja, como culto nos lares ou ministério infantil ou grupo de
jovens ou confraternizações na igreja.
A International Ho use o f Prayer [Casa Internacional de Oração]
(IHOP) da Cidade do Kansas está descobrindo uma solução fasci­
nante para este desafio de mobilizar todos os níveis de talentos. Ao
o g R a N D e t a L e N t o R ev eL aD O 55

estabelecer um formato 24 horas por dia, 7 dias por semana de lou­


vor e oração incessantes, houve a necessidade imediata de membros
da equipe de louvor para servir ininterruptamente. A exigência
abriu espaço para uma grande variedade de dons e níveis de dons.
O formato 24/7 também obteve o maravilhoso efeito de aumentar
o nível de musicalismo na casa do Senhor em um ritmo acelerado.
Este se tornou um contexto seguro para adoradores multiplicarem
os seus talentos.1
O testemunho comum dos líderes diz que é possível formular
um ministério que englobe todos os níveis de talentos. Um dos se­
gredos é enfatizar um modelo de ministério segundo o Novo Tes­
tamento. Aqueles que estão dispostos e são zelosos para crescer em
seus talentos e força interior, devem receber um lugar nesse meio.
Se enfatizamos que o nosso objetivo busca e prioriza a excelência,
então muitos serão afastados; mas quando enfatizamos o chamado
e a motivação do coração, há lugar para todos os que são chamados.
É tremendo ver alguém menos talentoso ter um impacto ministe­
rial maior do que o esperado, porque possui uma ardente paixão
por Jesus que incendeia o coração dos outros.
O pastor sábio encontrará maneiras de fazer com que aqueles
que possuem cinco talentos decolem. Enquanto eles precisam edu­
car os outros, eles também precisam ter uma saída para as suas ha­
bilidades criativas. Quando as pessoas que possuem cinco talentos
recebem a liberdade de abrir as suas asas, elas criarão um efeito do­
minó - a força do avanço delas abrirá caminho para outros segui­
rem. A moral da história é que devemos estar comprometidos a ca­
minharmos juntos nas dificuldades dinâmicas que surgem em razão
dos vários níveis de talentos. As Escrituras nos dizem que “o amor
não é invejoso” (1 Coríntios 13:4), então quando verdadeiramente
caminharmos em amor um para com o outro, iremos contrariar as
paixões carnais estimuladas pela inveja.

O espinho na carne
O ministério de louvor é um dos ministérios mais poderosos na
5ii capituLo 4

igreja. Quando a presença de Deus é derramada sobre os levitas un­


gidos, quando eles se levantam e ministram ao Senhor, as reações
em série que começam a acontecer no Espírito são absolutamente
poderosas e potencialmente contagiantes para aqueles que Deus
usa desta maneira. Se o ministério de louvor não mantiver isso em
equilíbrio, ele pode facilmente tornar-se dirigido pela ambição e
pode ter o ego como centro.

O fato De teRmos çue tRaBaLHaR uns


c o m o s c u t R O s c o m o s n o s s o s D ife Re N tes
taLeNtos nos maNtém HumiLDes,
o e p e N D e N te s e R e N o m o s a Deus.

Mas Deus entregou ao ministério de louvor um ponto de equi­


líbrio. Eu o chamo de espinho na carne. Ele é a diferença de talen­
tos na equipe. Deus construiu, soberana e propositadamente esra
tensão dentro do nosso ministério para sermos forçados a encarar
as atitudes do nosso coração com honestidade. A nossa gentileza
é testada; a nossa paciência é testada; a nossa fidelidade é testada;
o nosso amor é testado, ü fato de termos que trabalhar uns com
os outros com os nossos diferentes talentos nos mantém humildes,
dependentes e rendidos a Deus. E é por isso que Ele nos deu a va­
riedade de talentos. Ela c, na verdade, a nossa segurança e salvação.
Sem ela, não seriamos ao menos capazes de viver como salmistas!
O chamado das Escrituras de darmos preferência (honra) uns
aos outros desafia a todos. Quando os santos que receberam um ta­
lento honram os santos que possuem cinco talentos abrindo cami­
nho para crescer e decolar, essas pessoas que possuem cinco talentos
irão expor o quanto o primeiro grupo não é, de fato, talentoso. Isso
irá provar intensamente o coração daqueles que possuem um talen­
to. Será que eles acusarão as pessoas que possuem cinco talentos de
serem guiados pelo desempenho e de agirem na carne?
Por outro lado, quando aqueles que possuem cinco talentos hon­
ram aos que possuem um talento ao dar um passo atrás e entregar
o gRaNDe taLeNto ReveLaDO 57

a eles uma plataforma para se expressarem, o coração do primeiro


grupo será testado, uma vez que eles assumem o papel secundário,
sabendo, ao mesmo tempo, que assumiriam o papel principal de
maneira excepcionalmente melhor. Será que eles acusarão as pesso­
as que possuem um talento de serem invejosas?
O que o Espírito Santo está testando em nosso coração é o se­
guinte: Estamos honrando uns aos outros em amor?

A estrela na equipe
Certa vez quando levei meu filho Michael a um desses jogos de bas­
quete, o time dele jogou contra um time que possuía uma estrela.
Quando esse garoto em especial estava em campo, o seu time mar­
cava todos os tipos de pontos. Quando ele sentava-se no banco, o
time do meu filho reaparecia. Mas a recuperação não durava tempo
suficiente, porque então, a estrela voltava para o campo e o time
dela decolava novamente.
Você alguma vez já jogou em um time onde ficou um bom tem­
po sentado no banco assistindo a estrela do seu time abrir todos os
jogos, alcançar o melhor tempo de jogo de todos os outros joga­
dores e, então, também encerrar a partida? Você tem uma escolha
nessa posição; ou você é invejoso ou decide ficar alegre porque ele
ou ela está em seu time.
Estou prestes a confessar um dos exemplos mais feios de inveja
na minha vida. Eu sei que os meus amigos que leem este livro usarão
o que eu vou dizer contra mim para o resto da minha vida (de modo
bem humorado, é claro), mas eu acredito que essa é a intenção. Se
eu vou confessar a minha podre inveja e permitir que outros me
provoquem por causa disso, eu ganharei mais graça para triunfar.
Então, vamos lá. Certo dia, eu estava folheando uma revista cristã
e esbarrei com um nome. O nome foi anunciado para o evento, um
cruzeiro, por ter escrito este livro, e assim por diante. Então, na lista
de best-seller, o seu nome estava exatamente no topo. O nome era
Max Lucado. Agora, eu nunca encontrei Max Lucado, nem mesmo
estive no mesmo ambiente que ele. Eu poderia passar por ele na
58 cap itu lo 4

rua e nunca saber quem era ele. Então, eu parei e pensei comigo:
Por que esse cara me incomoda? Eu nunca o encontrei e ele me inco­
moda.. E então imediatamente o Espírito Santo sussurrou em meu
coração: “Inveja” De repente, eu entendi - eu sentia inveja de Max
Lucado! Mas por quê? Porque era o seu livro o numero um na lista
de best-seller, não o meu!
Bem, eu me arrependi imediatamente, claro. Mas o problema
não estava em Max Lucado; o problema estava em meu coração. En­
tão, no mês seguinte eu descobri, ao ler a revista, que eu tive novas
oportunidades de invejar porque havia outro autor de um best-seller
naquele mês. A partir de então eu compreendi que sempre haverá
alguém mais talentoso do que eu. Dessa forma, é melhor que eu me
acostume com isso e trate dessas questões.
Várias vezes o Senhor precisou me perguntar, com relação às
pessoas mais talentosas ou mais ungidas do que eu: “Por que você
não pode se alegrar porque ele está em sua equipe?” Então, pela Sua
graça, é isso que me proponho fazer.

Jesus NUNca D e u espaço paaa outROS


RecuaNDO d o Seu p r ó p r i o C H a m a D O .

E fácil para uma pessoa que possui cinco talentos cair na


armadilha de confiar em suas próprias forças. Às vezes, elas podem
começar a sentirem-se autossuficientes, como se não precisassem
dos outros. E, às vezes, elas podem passar por cima das pessoas na
busca pelos seus objetivos. Se você faz parte do grupo que possui
cinco talentos e o coração semelhante ao de Davi, Deus lhe manterá
sob controle ao lhe entregar um Saul. Enquanto você toca habilido­
samente a sua harpa para o Senhor, Saul tentará lançar um dardo
em seu coração. Saul era, na verdade, presente de Deus para Davi,
para mantc-lo humilde em meio a sua unção.
Eu assisti alguns dos músicos mais talentosos tocarem com
um nível mínimo de unção, porque eles eram facilmente consu­
midos ao colocarem o foco na proficiência musical e arriscarem a
o gRaNDe taLeNto ReveLaDO 59

profundidade em Deus. Eles alcançaram um brilho impressionante,


mas não alcançaram muito óleo. Muitas dessas pessoas são enga­
nadas, mas aqueles que têm discernimento conhecem a diferença.
Deus tem maneiras de ensinar as pessoas que possuem cinco talen­
tos que elas são absolutamente nada longe da Sua graça e unção.
Aprender essa lição é, às vezes, doloroso.

iNiciaLmeNte, os D oze tiveRam çu e fazeR


uma escoLHa: seR iNtimiDaDO por este
H o m em ou ficaR fasciNaDO p o r e L e .

A prendendo com J esus

Eu acho que ninguém argumentaria que Jesus era um homem


que possuía cinco talentos. Sim, mais de cinco! Então, como Jesus
interagiu com os diferentes níveis de talentos entre os Seus discí­
pulos?
Primeiramente, Jesus nunca se retirou do Seu chamado ou o
simplificou para aqueles que O seguiam. Ele nunca disse: “João, é
a sua vez de ensinar hoje. Hoje eu só vou ouvir.” E Ele nunca dis­
se: “Pedro, hoje é a sua vez de curar as pessoas. Eu sentarei ali e
assistirei.” Em outras palavras, Ele nunca deu espaço para outros
recuando do Seu próprio chamado. Ele acelerou e convidou Seus
discípulos a permanecerem ao Seu lado e assistirem, e desse modo,
eles eram transformados em Sua presença. Inicialmente, os Doze
tiveram que fazer uma escolha: ser intimidado por este Homem ou
ficar fascinado por Ele, apreciá-lO e aprender ao Seu lado. Mesmo
sendo Jesus mais talentoso que eles, eles decidiram se afastar da in­
veja e se alegrar com o privilégio de caminhar em Sua companhia.
Eu vejo esse padrão geral em como Jesus levantou ministérios:
Ele ensinou e modelou; então Ele os enviou em duplas para fazerem
o que Ele estava fazendo, ao mesmo tempo dando continuidade ao
Seu próprio ministério. Depois, Ele ouviu o relatório deles, dando-
-os feedback e correção. Então, Ele os disse para permanecerem ao
6o capituLo 4

Seu lado mais uma vez para observarem e aprenderem. Assim, o


ciclo cra repetido mais uma vez. Finalmente, chegou a hora da sepa­
ração. Quando Jesus sc separou deles, eles estavam preparados para
agirem sozinhos.
Quando se trata da inveja, existe outro princípio importante
que eu observei na vida dc Jesus. Eu descobri esse princípio na se­
guinte passagem:

“K aproximaram-se dele Tiago e João, filhos de Zebe-


deu, dizendo: Mestre, queremos que nos faças o que te
pedirmos. E ele lhes disse: Que quereis que vos faça? E
eles lhe disseram: Concede-nos que na tua glória nos
assentemos, um à tua direita, e outro à tua esquerda.
Mas Jesus lhes disse: Não sabeis o que pedis; podeis
vós beber o cálice que eu bebo, c ser batizados com
o batismo com que eu sou batizado? E eles lhe disse­
ram: Podemos. Jesus, porém, disse-lhes: Em verdade,
vós bebereis o cálice que eu beber, e sereis batizados
com o batismo com que eu sou batizado; Mas, o assen­
tar-se à minha direita, ou à minha esquerda, não me
pertence a mim concedê-lo, mas isso é para aqueles a
quem está reservado. E os dez, tendo ouvido isto, co­
meçaram a indignar-se contra Tiago e João. Mas Jesus,
chamando-os a si, disse-lhes: Sabeis que os que julgam
ser príncipes dos gentios, deles se assenhoreiam, e os
seus grandes usam dc autoridade sobre elas; Mas entre
vós não será assim; antes, qualquer que entre vós quiser
ser grande, será vosso ser viçai; E qualquer que dentre
vós quiser ser o primeiro, será servo de todos. Porque
o Filho do homem também não veio para ser servido,
mas para servir e dar a sua vida em resgate de muitos”
(Marcos 10:35-45).

Tiago e João queriam um lugar especial, privilegiado, no trono


o gR aN D e ta L e N to ReveLaDO 61

de Jesus. Quando os outros dez discípulos ouviram o pedido deles,


“começaram a indignar-se contra Tiago e João”. Por quê? Por cau­
sa da inveja. Quando Jesus percebeu que o pedido deles provocou
toda essa inveja, Ele chamou todo o grupo de discípulos e tratou
com o problema.
Como Jesus tratou com a inveja deles? Eu poderia esperar que
Ele pegaria um grande martelo e trataria violentamente com este
pecado escuro, sujo, feio e pernicioso. Mas aqui se encontra o prin­
cípio tão importante: Jesus corrigiu a inveja com gentileza.

Jesus coRRigiu a iNveja com geNtiLeza.

Você consegue ver a gentileza em Sua resposta? Isso me ensina


muita coisa. Isso me diz que quando eu percebo a inveja em nosso
ministério de louvor (ou em qualquer outro ministério da igreja),
eu devo lidar com ela imediatamente e diligentemente - mas com
gentileza. Ao corrigir a inveja, devemos chamar uns aos outros gen­
tilmente para a vida crucificada. Vamos nos humilhar e servir uns
aos outros. Vamos ser mansos de coração e continuar clamando por
misericórdia. Orgulho e ambição se prostrarão na presença deste
tipo de correção gentil.

A lé m d o T alento

Eu agradeço a Deus pelos talentos que Ele nos dá; mas este capí­
tulo não estaria completo se eu não acrescentasse esse pensamento:
existe outra dimensão além dos talentos. Existe uma dimensão de
ministério na graça de Deus, segundo a qual a efetividade do nosso
ministério transcende o nosso nível de talentos. Isso é de fato uma
boa notícia! Deixe-me explicá-la a você.
Vamos começar com José, um homem dotado de cinco talentos.
José possuía muitos talentos e podia fazer tudo. Potifar entregou
toda a administração da sua família para ser supervisionada por
José, porque tudo o que ele tocava era abençoado por Deus. Ele
6: c a p it u lo 4

impressionava a todos com a sua habilidade de lidar com múltiplas


tarefas com graça e aptidão. Com os seus cinco talentos, José foi
capaz de administrar toda uma família (veja Gênesis 39).

Cxiste um a DimeNsào De miNistéRio Na


gaaça De Deus, se^uNDO a ç u a l a
efetivioaDe do nosso miNistéRio
tRaNSceNDe o nosso NÍveL oe tal e \ tos.

Mas Deus tinha muito mais para José do que simplesmente a


administração de uma família: Ele tinha uma nação para José admi­
nistrar. Ainda assim, Deus sabia que uma vez que José seria eficaz
em liderar uma nação, ele precisaria encontrar um reservatório den­
tro de si mesmo que fosse mais profundo do que os seus talentos
naturais. Para ajudar José a encontrar esta outra dimensão, Deus
o colocou em uma prisão. A prisão é o lugar onde todas as forças
e todos os dons que você cultivou são agora inúteis. No confina-
mento solitário desse frio calabouço egípcio, posso imaginar José
clamando a Deus com um desespero inigualável: “Senhor, por que
o Senhor permitiu isso ? Por que as Suas promessas não foram cum­
pridas em minha vida? Eu amei e obedeci ao Senhor; e agora aqui
estou eu, um prisioneiro no Egito, e eu não fiz nada para merecer
isso. Deus, onde está o Senhor? Se o Senhor não falar comigo, eu
morrerei nesta prisão!”
O desespero levou José a se achegar ao Espírito de Deus como
nunca fez em toda a sua vida. Ele aproveitou a abundância de tédio
como uma oportunidade para buscar o Espírito de Deus com uma
intensidade inédita. Ele fincou raízes em Deus, raízes cada vez mais
profundas. E então, certo dia ele encontrou o rio. Ele encontrou o
rio da permanência no Espírito de Deus. Ele encontrou em Deus
uma fonte que flui com mais profundidade do que as estações da
vida. Ele encontrou uma fonte em Deus que, quando Faraó teve o
sonho, José foi capaz de fazer uso do rio da vida e interpretar o so­
nho de Faraó. Foi a habilidade de José de acessar as profundidades
o gR aN D e ta L e N to ReveLaDO 65

do Espírito que o libertou da prisão.


Um dia José saiu da prisão e foi para o palácio. E para José a ques­
tão foi a seguinte: Você alimentará uma família ou nações? Para ser
pastor de nações, José, você precisará encontrar uma fonte em Deus
que vai além dos seus talentos. Os seus dons são elevados, mas eles
nunca lhe darão autoridade para fazer o que Deus tem para você.
Mas agora, porque encontrou o rio, você se tornará um distribuidor
da vida para as nações da terra.
E então, vamos terminar com Ana (veja Lucas 2:36-38). Eu a
chamo de “a Ana que possui um talento”. Nada nos registros bíbli­
cos sugere que Ana possuía excelentes dons e habilidades. Ela não
possuía nenhuma habilidade negociável, mas ela sabia que podia
fazer uma coisa: ela podia ser esposa e mãe. Mas após sete anos de
casamento, Deus tirou a vida do seu marido. Esta catástrofe fez Ana
vacilar. “Deus, como o Senhor poderia ter tirado o brilho dos meus
olhos? Como o Senhor pode ter destruído todos os planos que eu
tinha para a minha vida? O Senhor tirou de mim a única coisa que
eu podia fazer.”
Na tristeza daquele momento, Ana fez uma escolha. Ela poderia
se tornar amargurada contra Deus, ou mergulhar profundamente
em Deus, como nunca antes. Escolhendo a segunda opção, Ana
buscou a Deus com todo o seu ser. “Deus, eu não sei por que o Se­
nhor devastou a minha vida. Eu não consigo ver a Sua bondade em
minha vida, mas ainda assim eu declaro que o Senhor é um Deus
bom, e eu buscarei o Senhor até que eu veja a Sua bondade. Eu de­
claro que o Senhor é um Deus de amor, mesmo que pareça que nes­
se momento o Senhor não me ama; mas eu sei que o Senhor é um
Deus amoroso, e eu buscarei ao Senhor até que eu veja o Seu amor
em minha vida.” E Ana começou a buscar o Espírito de Deus como
nunca antes.
E então, certo dia ela ouviu a voz: “Orar e jejuar? Noite e dia?
Tudo bem Senhor, se o Senhor está dizendo.” Ela acendeu a for­
nalha a uma temperatura sete vezes mais intensa e se entregou ao
jejum e à oração, ministrando ao Senhor noite e dia.
64 c a p it u L o 4

Os meses se transformaram em anos, e então mais uma vez a voz


apareceu. “M ESSIAS?? Oh meu Senhor, Messias!!” Deus a mos­
trou que o Messias estava prestes a nascer e que através da sua in-
tercessão, Ana estava preenchendo um papel crítico na preparação
do caminho através da oração. Com uma urgência redobrada, ela
se dedicou arduamente em intercessão pelo Messias. E chegou o
dia quando ela segurou a resposta da sua oração em seus próprios
braços! Eu acredito que não esteja aumentando a história quando
sugiro que Ana orou pelo Messias.
Ana é a mulher dotada de um talento que poderia ter se torna­
do vítima da amargura; mas porque ela buscou a face de Deus, o
Senhor transformou a sua esterilidade em fertilidade e agora ela é a
mãe espiritual de toda família da fé. Ela achou que Deus enterrara
o seu único talento, quando na realidade Deus estava convidando-a
para uma nova dimensão.
Seja grato a Deus pelos seus talentos, sejam eles cinco, dois ou
um. E faça o melhor que puder para cultivá-los fielmente até alcan­
çarem a sua expressão máxima. Mas se o Senhor lhe convidar para
uma dimensão superior, permita que Ele lhe atraia para diante da
Sua face com um grande anseio e desespero. Talvez, Ele lhe guiará
para a outra dimensão, que não é “por força nem por violência, mas
sim pelo meu Espírito, diz o Senhor dos Exércitos” (Zacarias 4:6).

Nota:
Visite www.fotb.com para mais informações sobre o ministério International
House o f Prayer (IHOP).
capítuLo 5

Por que o
AVIVAMENTO TARDA?
SempRe çue Deus Rompe em avivameNto, poDeR e
gLÓRia, acONtece, invariavelmente, uma explosão de inveja. Ela
veio contra Jesus em Seu ministério na terra e também contra os após­
tolos enquanto pregavam o Evangelho às nações. E especialmente fasci­
nante estudar os rompantes da inveja que acompanharam Paulo em suas
viagens missionárias.
• O primeiro rompante aconteceu na ilha de Pafos, onde
Elimas, o encantador, opôs-se a Paulo e tentou apartar
o procônsul da fé, porque sentia inveja e sentia medo da
autoridade na vida de Paulo (veja Atos 13:6-8).
• Na Antioquia, em Pisídia (veja Atos 13:14-50), Paulo
pregou o Evangelho na sinagoga, no sábado. Os judeus
não se emocionaram, mas os gentios insistiram com Paulo
para que ele e Barnabé voltassem no sábado seguinte para
pregar novamente. Quando eles fizeram isso, “ajuntou-
66 cap itu lo 5

-se quase toda a cidade a ouvir a palavra de Deus” (v. 44).


Bem, dá para imaginar o que foi aquilo. Ver uma multidão
de pessoas reunindo-se em volta dos apóstolos provocou
um caldeirão de inveja entre os judeus. Imediatamen­
te eles começaram a contradizer, blasfemar e se opor à
mensagem. Então, Paulo c Barnabé saíram da sinagoga e
pregaram para os gentios em outro local. Mas aquilo não
foi o suficiente para a inveja dos judeus, que “incitaram
algumas mulheres religiosas e honestas, e os principais da
cidade, e levantaram perseguição contra Paulo e Barnabé,
e os lançaram fora dos seus termos” (v. 50).
• Em Icônio, os judeus tentaram táticas semelhantes de
descrédito do Evangelho. Mas quando viram que não
tiveram sucesso, eles tramaram apedrejar os apóstolos
que, ouvindo sobre a conspiração, fugiram para Listra e
Derbe (veja Atos 14:1 -6).
• Em Listra, o Evangelho estava tendo um efeito poderoso
até os invejosos da Antioquia e Icônio chegarem ao lo­
cal, incitarem o povo contra os apóstolos e persuadirem
as pessoas a apedrejarem Paulo (veja Atos 14:8-20). Mas
Deus ergueu Paulo, aparentemente da morte.
• Em Tessalônica, quando uma grande multidão de gentios
creu, os judeus ficaram com inveja e organizaram uma
multidão para matar os apóstolos (veja Atos 17:1-10).
• Em Bereia, tanto os judeus quanto os gentios se voltaram
ao Senhor, e tudo estava bem até os judeus de Tessalô­
nica ouvirem sobre o avivamento em Bereia. Com o co­
ração cheio de inveja, eles foram até Bereia e, incitando
as multidões, forçaram os apóstolos a deixarem a cidade
(veja Atos 17:10-15).
• Em Corinto, o Senhor graciosamente evitou que o tu­
multo da inveja transbordasse. Isso proporcionou a Pau­
lo uma porta de oportunidade excepcional em Corinto,
onde foi capaz de permanecer por dezoito meses de mi-
poR ç u e o a v i v a m e N t o ta R D a 67

nistério frutífero. Quando os judeus que não criam fi­


nalmente resolveram (por causa da inveja) levar Paulo
ao julgamento (veja Atos 18:12), o plano foi desfeito
e Paulo pôde permanecer na cidade por “muitos dias”
(Atos 18:18).

Todas essas perseguições motivadas pela inveja foram o resul­


tado direto do avivamento. Quando Deus começa a se mover, os
inimigos do Evangelho (que às vezes são aqueles pertencentes a
sistemas religiosos ligados à tradição) buscarão todas as maneiras
de justificar a inveja deles, e eles perseguirão o mover genuíno do
Espírito de Deus.
r

6 a iNveja çu e paRte do povo De Deus


çue estaBeLece um gRaNDe
impeDimeNto paRa o avivameNto.

O avanço padrão para o Reino acontece quando os inimigos do


Evangelho são resistentes e invejosos. Faz parte do território, parte
e porção da perseguição que Jesus prometeu que passaríamos. Mas
não são apenas os inimigos do Evangelho que são invejosos quando
o avivamento acontece. Quando Deus visita Seu povo, às vezes as
formas mais traiçoeiras da inveja se desenvolvem nos corações dos
próprios pregadores do Evangelho. Estamos preparados para a inveja
e resistência dos nossos inimigos, mas não estamos preparados para a
inveja e resistência que vêm da parte dos nossos amigos! O que estou
dizendo é que o grande problema do avivamento não vem do lado de
fora da igreja, mas do lado de dentro. E a inveja que parte do povo
de Deus que estabelece um grande impedimento para o avivamento.

A I n v e ja na I g r e ja

Aqui se encontra o grande problema! O avivamento não é impe­


dido principalmente pela inveja proveniente dos seguimentos das
68 cap itu l.o 5

falsas igrejas (grupos liberais e humanistas que têm forma de santo,


mas negam o poder de Deus). Em lugar disso, o grande obstáculo
histórico do avivamento é a inveja que surge nos corações daqueles
que genuinamente experimentaram o novo nascimento, a presença
do Espírito Santo em suas vidas, que acreditam na Bíblia, cristãos
lavados pelo sangue de Cristo que assistem o avivamento de longe e
invejam a bênção de Deus sobre o ministério do próximo.
Não estou dizendo que a inveja c o único obstáculo para o avi­
vamento (na verdade, existem muitos). Mas se a discórdia no corpo
de Cristo é um dos principais impedimentos para o avivamento,
qual seria a principal causa da discórdia, senão a inveja? Além disso,
o problema da inveja não é único das pessoas comuns em nossas
igrejas, mas dos líderes. Se os pastores se reconciliassem, as ovelhas
desfrutariam com prazer da comunhão. Quando o avivamento che­
ga, não é a ovelha que inveja o que está acontecendo, mas os pasto­
res. Os irmãos.

Se os pastORes se RecoNciliassem, as oveLHas


D e s f R u t a R i a m com pRazeR oa comuNirào.

Literalmente, todos os séculos da história da igreja são carrega­


dos de explosões de inveja que irromperam entre o povo de Deus
quando os ventos do avivamento visitaram lugares específicos. Eu
citarei apenas um exemplo. No início do século X X , Deus usou o
ministério de cura de John G. Lake para trazer muitos convertidos
para o Reino. Mas onde há avivamento, a inveja está presente. O
texto abaixo foi retirado de uma carta escrita pelas mãos de John
G. Lake, em 15 de dezembro de 1910, durante o seu ministério na
África do Sul:
Hoje eu recebi uma carta de Los Angeles, CA, con­
tendo cópias de cartas escritas por falsos irmãos daqui.
Essas cartas foram enviadas para o mundo inteiro me
denunciando por tudo o que é profano e perverso.
Eu também recebi uma carta perversa de um George
por çue o avivameNto taRDa 69

Bowie, um homem que aparentemente é ou foi um


trabalhador cristão em alguma área, mas que aparenta
estar consumido pela inveja e ciúme. Esta é a opinião
de todos os irmãos americanos com quem estou in­
timamente associado, que afirmam a sua confiança...
eu nunca soube de uma maldade e inveja tão horríveis
como demonstradas pelo sr. Cooper, sr. Bowie, Gills e
outros.1

Posso afirmar que os caluniadores de Lake não entendiam que


estavam sendo motivados pela inveja. Eles estavam convencidos,
estou certo, que a cruzada que organizaram contra o ministério de
Lake era justificável e um serviço nobre para Deus. Este é o poder
disfarçado da inveja.
A inveja matou Jesus - e ainda está matando-O hoje.
Recentemente eu visitei Atlanta, Geórgia, onde existe mais de
sessenta igrejas, cada uma com uma presença semanal de mais de
três mil pessoas. Disseram-me que um pastor em Atlanta não leva
jeito para ter a maior igreja de Atlanta “a menos que atraia no míni­
mo três mil pessoas para a mesa”. Aqueles que têm os maiores recur­
sos humanos têm a maior influência na cultura da nossa igreja. Esta
aparência do que constitui poder e autoridade é o solo adequado
sobre o qual a inveja se prolifera.

ÇuaNDO você ReceBe um a BêNção


mespeRaDa seja De ORigem HumaNa
ou fiNaNceiRa por causa do moveR De
Deus, tODos os outROs iRmãos em sua
esfeRa De miNistéRio imeDiatameNte
tom am coNHecimeNto.

Quando o avivamento acontece, geralmente duas coisas o acom­


panham: as multidões crescem em números inéditos e, junto com
as pessoas, vem um fluir de dons à medida que os santos oferecem
7o capituLo 5

sua gratidão a Deus pelas Suas bênçãos. Quando você recebe uma
bênção inesperada seja de origem humana ou financeira por causa
do mover de Deus, todos os outros irmãos em sua esfera de minis­
tério imediatamente tomam conhecimento. Aqueles que possuem
um coração nobre oferecem o que receberam ao avivamento, mas
não há um líder sequer que não lute contra algum sentimento de
inveja quando outro irmão foi o selecionado por Deus para o avi­
vamento.

U m Exem plo C ontem porâneo

Eu conversei com Joe, um amigo pessoal, a respeito de um avi­


vamento que aconteceu nos últimos anos cm sua cidade. Ele esteve
presente antes de o avivamento acontecer e, embora ele não fosse
pessoalmente um membro da igreja onde o avivamento aconteceu,
ele pôde assistir desde o começo até o final da explosão do mover de
Deus em um avivamento genuíno. Quando o avivamento chegou, a
notícia se espalhou rapidamente entre as mais de quatrocentas igre­
jas da cidade. Cristãos de várias igrejas da área passaram a freqüen­
tar os cultos à medida que os relatos do que Deus estava fazendo se
proliferavam.
Então, o inevitável aconteceu: as pessoas deixaram suas igrejas
de origem c se transferiram para a igreja onde o avivamento esta­
va acontecendo. Praticamente todas as igrejas na cidade perderam
alguém para o avivamento. Os pastores, então, começaram a ficar
preocupados, ofendidos ou magoados. Muitos julgamentos foram
feitos por pastores que, segundo o meu amigo Joe, não assistiram ao
menos um culto do avivamento. Alguns pastores resistiram ao avi­
vamento na esperança de o povo parar de deixar a igreja. Inevitavel­
mente, cada pastor da cidade precisou tomar a sua própria atitude
com relação ao avivamento. Na maioria dos casos, esse julgamento
primário permanece até os dias de hoje.
O pastor da igreja que estava experimentando o avivamento fa­
zia tudo o que podia para garantir aos seus colegas pastores da co­
por çue o avivameNto taRDa 7 >

munidade que ele e a sua equipe estavam fazendo tudo o que estava
sob o alcance deles para caminhar em integridade. Eles diziam às
pessoas para voltarem para suas igrejas de origem e para dizimarem
lá, pois o dízimo pertencia a essas igrejas, e não à igreja do aviva­
mento. Pastores de outras igrejas recebiam com prazer as decisões
tomadas pela causa de Cristo. Em resumo, o pastor da igreja que
estava vivendo o avivamento fez o seu melhor para mostrar que ele
desejava que o avivamento fosse um acontecimento regional e não
algo simplesmente patrocinado por uma única igreja. Mas os seus
melhores esforços não podiam vencer a inveja.
A mídia local adotou uma posição tão adversária em relação ao
avivamento, que era possível até suspeitar que a equipe editorial es­
tivesse sendo diretamente influenciada pela inveja das respectivas
igrejas onde congregavam.

O que D e u s ir á F azer?

Deus deseja enviar o avivamento para a nossa cidade! Mas aqui


está o problema: não importa qual igreja ou ministério Ele selecio­
na para se tornar o catalisador deste avivamento, os outros irmãos
da cidade sofrerão com a inveja. Alguns dos irmãos (por exemplo,
pastores e líderes) serão capazes de vencer a inveja que sentem, cru­
cificar a carne e unir-se ao avivamento com entusiasmo e energia.
Mas muitos irmãos da região não serão capazes de discernir e lidar
com a inveja. Eles encontrarão maneiras de justificar a crítica do
que está acontecendo e concluirão que isso não é verdadeiramente
o avivamento. Então, o que Deus intencionava como bênção para a
região, torna-se motivo de rivalidade e conflito.

clNtes De eNviaR o avivameNto, Deus iRá


avaLiaR o fatOR iNveja Na Região.

Deus muitas vezes se encontra entre a cruz e a espada. Se Ele


não envia o avivamento, o reino de Deus não penetra na sociedade
72 c a p it u L o 5

e a colheita dos finais dos tempos não acontece. Mas se Ele envia
o avivamento, a erupção da inveja na igreja é tão destrutiva e con­
tra a extensão do Reino que a bênção do avivamento se transforma
em maldição. Por causa da inveja, a casa da bênção (avivamento) se
transforma em um atrativo para “toda obra perversa”! (Tiago 3:16).
Antes de enviar o avivamento, Deus irá avaliar o fator inveja na
região. Como os irmãos (líderes) da região respondem à obra de
Deus no coração deles na área da inveja? Se eles abraçarem o arre­
pendimento, a humildade e o quebrantamento sobre as tendências
naturais dos seus corações com relação às comparações da carne e
o ambicioso sentimento faccioso, Deus visitará aquela região com
poder e glória. Mas se sombras sutis de competição não se encontra­
rem radicalmente com o arrependimento verdadeiro, Deus irá con­
ter o avivamento para que a erupção da inveja não traga maldição
que ultrapasse qualquer bênção que o avivamento traria.
Um dos segredos para sustentar o avivamento em uma região é a
unidade dentro da igreja daquela área; e um dos maiores obstáculos
da união é a inveja. Quando os líderes se recusam a levar a inveja
deles para a cruz e a deixam como está, a bênção de Deus conse­
quentemente se dissipará.
Estou fascinado por uma síndrome que observei relacionada
ao avivamento. Quando Deus toca e visita uma igreja com o avi­
vamento, as pessoas virão de outras regiões, de outros estados e até
de outras nações para se deleitarem no fluir das bênçãos de Deus.
Todos virão para o avivamento - exceto os irmãos da mesma cidade,
porque a inveja é sempre uma questão entre irmãos.
Os apóstolos encararam um teste, sem perceberem, com o obje­
tivo de determinar se eles poderiam ser visitados pelo avivamento.
O teste envolveu a seleção para a substituição de Judas Iscariotes. As
transições de liderança são sempre momentos muito delicados na
área da inveja. Dois nomes foram citados: “José, chamado Barsabás,
que tinha por sobrenome o Justo, e Matias” (Atos 1:23).
Agora, a seleção de quem seria o décimo segundo apóstolo do
Cordeiro não era mais uma questão simples. As implicações eram
poR çue o avivameNto taRDa 75

grandiosas e eternas. E ela foi determinada por uma eleição simu­


lada. Quando Matias foi escolhido por sorte, foi quando o grande
teste aconteceu. Será que José ou aqueles que o preferiam sentiriam
inveja? Será que eles permitiriam que o favor depositado em Matias
se transformasse em motivo de dissenção e rivalidade ? Felizmente,
nem José nem seus amigos deram lugar à inveja. Ao invés disso, eles
se uniram de coração a Matias e a todos os outros pelos propósitos
maiores do Reino. Então, foi isso que as Escrituras puderam testi­
ficar: “E, cumprindo o dia de Pentecostes, estavam todos reunidos
no mesmo lugar” (Atos 2:1). Todos em comum acordo! Como é
bonita esta unidade que não deu lugar à amarga inveja e ao conflito!
Certamente, é este tipo de unidade que Deus pode honrar envian­
do o Seu Espírito Santo manifestado em poder e glória.

Há um a geRação çu e tRataRá
De fReNte com a ç u e stã o Da mveja.

Amados, o meu coração clama e anseia pelo verdadeiro aviva­


mento apostólico. Ah, ver o poder e a glória de Deus se manifes­
tando em nossos dias! E para isso que eu vivo! Como eu desejo ver
a Palavra pregada com autoridade; ver a convicção do Espírito der­
ramada sobre os corações dos pecadores; ver os olhos dos cegos se­
rem abertos, surdos ouvindo, paralíticos andando e mortos ressus­
citando; ver estádios repletos de corações arrependidos buscando
salvação; ver cidades sacudidas por Deus! Esta é a esperança que as
Escrituras colocam diante de nós, a esperança de que Deus envia­
rá um avivamento dirigido pelo Espírito que alcançará proporções
históricas para juntar a grande colheita do fim dos tempos, antes da
volta de Cristo. Este é o nosso desejo, a nossa esperança, o grande
objeto da nossa intercessão incessante. Mas o avivamento tem um
grande inimigo. Como pode haver um obstáculo mais poderoso
para o avivamento do que a inveja? Da mesma maneira, como pode
existir um contribuidor maior para o avivamento do que a fusão de
tudo o que a inveja divide? Quando os irmãos de uma comunidade
e e

74 c a p i t u l .o 5

trazem a inveja deles à luz, a confessam livremente, se arrependem e


posicionam o coração deles para celebrar o avanço do Reino, inde­
pendente de quem Deus escolha usar, eles se transformam em prin­
cipal alvo de avivamento.
H á uma geração que tratará de frente com a questão da inveja.
Eles não se esconderão dela; eles não a chamarão de outra coisa; eles
não justificarão a inveja com o falso zelo; eles não deixarão que a
vergonha os impeça de confessá-la. Eles dirão com sinceridade: “Eu
tenho um problema com a inveja. Senhor Jesus, perdoe-me! Purifi­
ca-me. Arranque a ambição do sentimento faccioso do meu coração
que não deseja que eu celebre o sucesso do meu irmão. Senhor, um
coração limpo, eu oro assim, oh! Deus.” A geração que caminhará
nesta luz será a geração que verá o avivamento,
Esta será a nossa geração?
E o que deve ser feito para tratar com a inveja presente em nos­
so coração? Dedicamos o restante deste livro à resposta para essa
pergunta.

Nota
John G. Lake: The Complete Collection ofHis Life Teachings [John G. Lake:
A coleção completa dos ensinamentos da sua vida], comp. Roberts Liardon
(TuLsa, O K : Albury Publishing, 1999), pp. 97, 99.
capítuLo 6

A C ruz:
A MORTE DA
INVEJA
Deus tRata com a INveja Na CRUZ. Como uma obra da
carne, ela precisa ser expulsa e morta. Nós fomos crucificados com
Cristo (veja Gálatas 2:20), o que significa que agora temos o poder
para viver como se a nossa carne estivesse morta. E todas as vezes
que a carne tenta se ressuscitar, nós mais uma vez nos consideramos
mortos para o pecado e vivos para Deus (veja Romanos 6:11). A
cruz é a resposta para todas as obras da carne. Quando a carne é
crucificada, ela está morta para o pecado. Portanto, todas as vezes
que nos arrependemos e abraçamos a vida crucificada, morremos
dia após dia (1 Coríntios 15:31) de forma que pecados como a in­
veja não tenham poder e domínio sobre nós.
Contudo, a Cruz também trata com a inveja de outra maneira.
ib cap itu lo 6

A cruz de Cristo foi a ferramenta que ajudou os irmãos de Jesus a


superarem a inveja que tinham. Até a Sua morte, os quatro irmãos
biológicos de Jesus eram simplesmente incapazes de deixar a inveja
de lado e colocar a sua fé em seu irmão mais velho. Seus ensinamen­
tos, Seus milagres, Seu estilo de vida, Seu nascimento sobrenatural
como a mãe deles os ensinou - todos eram bastante convincentes,
mas eles nunca superariam o fato de que este era o seu irmão. A
inveja estava, literalmente, afastando-os da vida eterna (veja João
7:3-8). Então, a resposta de Deus foi a Cruz. Há uma boa razão para
acreditarmos que os irmãos de Jesus escavam presentes na crucifica­
ção. (Ela aconteceu durante a festa da Páscoa, uma festa cuja pre­
sença de todos os homens judeus era obrigatória; e parece bastante
improvável que eles estivessem na cidade, mas não presenciado a
crucificação.) Quando eles contemplaram a Jesus na cruz, tudo mu­
dou para eles. A agonia do Seu sofrimento e a dignidade com a qual
Ele suportou toda essa dor tocaram o coração deles. Eles viram um
sofrimento que ultrapassava toda e qualquer compreensão. Como
eles poderiam olhar para essa figura crucificada, que ao menos se pa­
recia com um homem porque estava desfigurado (veja Isaías 52:14),
e ainda assim continuar invejando-O ? Quando a inveja deles se dis­
solveu aos pés da Cruz, as sementes da fé finalmente receberam a
oportunidade de crescer c florescer dentro de seus corações.
Quando eles viram a Sua morte sobrenatural e o Seu corpo res­
suscitado, eles creram. (Nós sabemos que pelo menos um dos ir­
mãos de Jesus - Tiago - viu Jesus em Seu corpo ressuscitado, de
acordo com 1 Coríntios 15:7.) A cruz foi o catalisador da vitória
dos irmãos de Jesus sobre a inveja que sentiam, e para a fé no co­
ração deles, razão pela qual estiveram presentes no Cenáculo na
descida do Espírito Santo sobre cento e vinte discípulos (veja Atos
1:13-2:4).
A Cruz tratou com a inveja dos irmãos.
Ainda é assim a maneira como Deus trata com a inveja entre os
irmãos. Ele crucifica o irmão que selecionou para dar honra.
Eu disse: “Senhor, se o meu irmão está me invejando, não deve-
0 a cruz: a m o R te Da iNveja 77

0
O ria ser ele o crucificado, uma vez que a inveja é um problema dele ?”
^ O Senhor diz: “Não, Eu tratarei com a inveja do Seu irmão crucifi­
cando você.” Este padrão é provado na Bíblia. Permita-me mostrar-
-lhe alguns exemplos.
O
^ E saú e J a c ó

Esaú odiava Jacó porque Jacó roubou a bênção do seu pai. Com
^ Esaú sendo tão invejoso a ponto de cometer um assassinato, Jacó
é enviado pela sua mãe para encontrar uma esposa em Padã-Arã.
Quando Jacó retorna a Esaú vinte anos mais tarde, ele chega com
duas esposas, onze filhos e uma grande quantidade de animais. Mas
Jacó ainda está extremamente temeroso da inveja do seu irmão, en-
^ tão ele envia para Esaú vários presentes valiosos do seu rebanho,
para preparar a sua chegada.
Vinte anos de separação ajudarão a dissipar a inveja, e os presen­
tes caros certamente ajudarão a ganhar o favor de Esaú. Mas Deus
ainda usará uma medida adicional para se assegurar que a inveja
^ de Esaú está tratada. Deus visita Jacó na noite antes do encontro
com Esaú e dá a Jacó a sua exclusiva identificação com a cruz. Ele
deslocou a juntura da coxa de Jacó, fazendo-o mancar severamente
(veja Gênesis 32:22-32). Estou convencido de que esta foi uma ex­
periência dolorosa para Jacó, e o manquejar foi em parte devido à
0 dor que o ato de caminhar envolvia. Então, quando Jacó caminhava
ao encontro do seu irmão, Esaú, ele era quase uma atração com a
sua mais nova ferida, adquirida na noite anterior. Jacó ainda não
0 sabia como ajustar o seu corpo à marca de Deus em sua carne, então
4} ele mancava desastradamente em direção a seu irmão. A visão deste
homem manco, com expressão de dor foi o elemento que ajudou a
0 aquietar a inveja do coração de Esaú, para que ele pudesse receber
<» seu irmão. A inveja se transformou em piedade, e os irmãos estavam
novamente unidos.
0 Achamos que Deus deve remover a inveja tratando com o cora­
is ção daqueles que invejam. Mas às vezes, Ele trata dela crucificando

0
0
78 ( ai>itul.o 6

aquele que é invejado.

J o sé e seus I rmãos

José era o filho favorito do seu pai, o que o fez alvo da inveja dos
seus irmãos. Mas quando contou aos seus irmãos os sonhos que teve
- de que os seus irmãos se prostrariam diante dele - a inveja deles
cresceu consideravelmente. Os irmãos de José não entenderam que
as promessas de Deus para José eram, de fato, planejadas para o be­
nefício de todos os irmãos. Eles estavam muito confusos pelo fato
de não serem eles os escolhidos para ser canal de bênção. Quando
a oportunidade chegou, eles quase assassinaram José, mas em lugar
disso o venderam como escravo. O coração deles estava tão cheio de
inveja de José que nada no mundo - pelo menos era assim que eles
pensavam - faria com que eles se prostrassem diante do seu irmão!

Deus tRata Da iNveja eNtRe os iRmãos


tRaNsíoRmaNDo o iRmão escoLHioo
em um pai espiRituaL.

Quando o trono do Egito fosse dado a José, o que o levaria a ser


o segundo após Faraó, seus irmãos certamente se prostrariam diante
dele por causa do medo. Mas a promoção de José em si mesma não
resolveria o problema da inveja dos seus irmãos. Na verdade, isso
tinha o potencial de tornar as coisas ainda piores.
Então, o que Deus faria para lidar com a inveja dos irmãos de
José? A resposta de Deus foi crucificar José, metaforicamente fa­
lando. Na realidade, isso significou treze anos de escravidão e prisão
para José.
Quando, mais tarde, os irmãos de José entenderam que aposição
dele custou um preço muito alto, a inveja deles foi desfeita e eles fo­
ram capazes de honrar seu irmão com um espírito sincero. F'u digo
isso baseado na resposta de José após a morte do seu pai, Jacó (veja
Gênesis 50:15-21). Ao invés de se distanciarem de José por causada
a cruz: a m o R t e D a iN v e ja 79

inveja, eles “prostraram-se diante dele, e disseram: Eis-nos aqui por


teus servos” (Gênesis 50:18). Com a inveja fora do caminho, eles
foram capazes de se relacionar com José de maneira honrosa.
Permita-me dizer isso de outra maneira. Deus trata da inveja en­
tre os irmãos transformando o irmão escolhido em um pai espiritu­
al. A prova de José foi planejada por Deus, não para fazer dele ape­
nas um irmão, mas para torná-lo pai. Na verdade, ele se tornou um
pai espiritual para os seus irmãos. Quando isso aconteceu, a questão
da inveja foi silenciada, porque os filhos geralmente não invejam os
pais. O crisol que dissipou a inveja dos irmãos também promove o
escolhido à paternidade espiritual.

Os I rmãos de Jó
Sabemos que Deus escolheu Jó para uma revelação rara e glorio­
sa do trono de Deus, além das bênçãos relacionadas aos filhos, netos
e posses. Tal privilégio glorioso certamente fez com que os irmãos
de Jó o invejassem.
Temos a nossa disposição apenas uma pequena parte do relacio­
namento de Jó com seus irmãos, e podemos encontrá-lo na resposta
deles para Jó após a sua grande tribulação: “Então vieram a ele to­
dos os seus irmãos, e todas as suas irmãs, e todos quantos dantes o
conheceram, e comeram com ele pão em sua casa, e se condoeram
dele, e o consolaram acerca de todo o mal que o Senhor lhe havia
enviado; e cada um deles lhe deu uma peça de dinheiro, e um pen­
dente de ouro” (Jó 42:11).
Não é interessante que após experimentar um encontro tão reve­
lador com a glória de Deus e uma liberação sobrenatural do divino
poder de cura, que ao invés de ser invejado por eles, Jó é, na verdade,
consolado com presentes dos seus irmãos? O que teria feito seus
irmãos se referirem a ele com tal afeição, sabendo que foi ele o esco­
lhido para o privilégio espiritual, e não eles?
A resposta, claro, é encontrada na Cruz. Deus crucificou Jó.
Bem, não literalmente, mas Jó certamente compartilhou dos sofri­
Sn capitul o 6

mentos de Cristo ao sofrer segundo a vontade de Deus. Ele perdeu


tudo - seus filhos, suas posses, sua saúde, seus amigos, Foi porque
Deus o pressionou que os irmãos de Jó foram capazes de se relacio­
nar com ele sem inveja.

D avi e S eus I rm ão s

Sabemos que Samuel ungiu Davi como rei de Israel “no meio
de seus irmãos” (l Samuel 16:13). É tão tentador pensar: Mandou
mal.\ Samuel! Agora Davi não tem para onde fugir. Ao ungi-lo na
presença dos seus irmãos, você o expôs a alguns “decibéis” de inveja
que talvez ele nunca seja capaz de recuperar. Você não acha Samuel,
que seria mais sábio da sua parte ungi-lo em secreto, sem seus irmãos
tomarem conhecimento de talfato?y[ss Deus estrategicamente pro­
pôs que Davi enfrentasse a inveja dos seus irmãos.
E não é difícil ver a inveja deles. Quando Davi leva alívio para
eles no campo de batalha e depois faz uma investigação sobre o gi­
gante filisteu, Golias, o irmão mais velho de Davi irrompe o veneno
da inveja.

“E, ouvindo FJiabe, seu irmão mais velho, falar àqueles


homens, acendeu-se a ira de FJiabe contra Davi, e dis­
se: Por que desceste aqui? Com quem deixaste aquelas
poucas ovelhas no deserto? Bem conheço a tua pre­
sunção, e a maldade do teu coração, que desceste para
ver a peleja” (l Samuel 17:28).

A expressão de inveja que surgiu em Eliabe para com Davi nesta


ocasião era apenas a ponta do iceberg. Os outros seis irmãos de Davi
também carregavam sentimentos semelhantes em seus corações. A
amargura que a inveja produziu foi muito intensa.
E ainda assim, apenas alguns capítulos depois que os irmãos de
Davi o procuram e se unem a ele. “Davi retirou-se dali e se refugiou
na caverna de Adulão; quando ouviram isso seus irmãos e toda a
a cruz: a m o R t e D a iN v e ja 81

casa de seu pai, desceram ali para ter com ele.” (1 Samuel 22:1).
O que causaria uma mudança tão dramática no coração deles
com relação a Davi? Bem, para simplificar, foi a crucificação de
Davi que mudou as coisas. Quando a ira de Saul acendeu-se contra
Davi, tentando por diversas vezes matá-lo, e depois perseguindo-o
pelo campo, o coração dos irmãos de Davi mudou completamen­
te. Se Davi tivesse subido ao trono com facilidade e rapidez, eles
não seriam capazes de lidar com essa situação. Mas porque Deus o
conduziu por um caminho tortuoso e agonizante, a inveja deles foi
dissipada e eles puderam unir-se a seu irmão a quem Deus sobera­
namente escolheu.
O padrão nas Escrituras é impressionante: Deus trata com a in­
veja dos irmãos crucificando o Seu escolhido.

Os Dois R e in o s

Após o reino de Salomão, a nação de Israel estava dividida em


dois reinos. O reino do norte de Israel estava praticamente alocado
na cidade de Samaria; o reino do sul de Judá estava estabelecido na
capital, a cidade de Jerusalém. Por muitas gerações houve dois reis
em Israel - um no norte e outro no sul. E como resultado, existia
uma rivalidade progressiva entre os dois reinos.
O reino do norte era especialmente invejoso com relação ao rei­
no do sul de Judá porque, tendo Jerusalém sob o seu domínio, Judá
possuía o Templo do monte, portanto o sacerdócio, os sacrifícios,
a Arca da Aliança e o “sorriso” de Deus. A rivalidade continuou de
geração em geração, até ficar claro que as duas nações nunca se uni­
riam por vontade própria.
Mas Deus precisava que elas se unissem. Era essencial, em Sua
sabedoria e soberania, que a nação não estivesse dividida quando
o Seu Filho, o Messias, viesse estabelecer o reino de Deus na Terra.
Alguma coisa tinha que acontecer para que as duas nações se tor­
nassem uma. Qual foi a solução de Deus ? Bem, a solução foi uma
espécie de crucificação. Nós nos referimos a ela como cativeiro ou
«2 c a p i t u l o 6

exílio. A resposta de Deus foi enviar o Seu povo para a Babilônia


durante setenta anos de cativeiro, em uma terra estrangeira. Ele
usou Nabucodonosor para impor o cativeiro, cujas forças invadi­
ram Judá e levaram o povo para o atual Iraque.

â m veja é um pROBLema çue


acONtece em tempos ue paz.

Isaías foi aquele que profetizou sobre o propósito de Deus de


usar o cativeiro para unir as duas nações.
“E levantará um estandarte entre as nações, e ajuntará os dester­
rados de Israel, e os dispersos de Judá congregará desde os quatro
confins da terra. E afastar-se-á a inveja de Efraim, e os adversários
de Judá serão desarraigados; Efraim não invejará a Judá, e Judá não
oprimirá a Efraim” (Isaías 11:13-14).
A passagem fala de como os dois reinos “invejavam” e “perturba­
vam” um ao outro. A competitividade entre as tribos era poderosa.
Mas se essas forças externas ainda estivessem funcionando entre o
povo da aliança de Deus quando Jesus viesse a Terra, o Seu minis­
tério teria um grande impedimento. Então Deus cuidou desta situ­
ação. Nada trata com essas questões mais profundamente do que
uma escravidão generalizada em uma terra estranha.
A inveja é um problema que acontece em tempos de paz. Em
tempos de perseguição ela desaparece. A perseguição tem uma ma­
neira de incentivar os santos a unirem força contra o seu inimigo
comum. Dessa forma, a perseguição será uma das principais manei­
ras de Deus tratar com a inveja na igreja nos últimos dias.
O cativeiro foi um período excessivamente doloroso na histó­
ria de Israel. Mas ele foi utilizado estrategicamente por Deus para
remover a inveja e a competitividade para que, no fim do cativeiro,
a nação estivesse restaurada e fosse uma entidade unida. E desde
então, a nação de Israel nunca mais foi dividida.
a c r u z : a m o R t e Da iN v e ja 83

O E sp in h o de P aulo

O apóstolo Paulo teve alguns encontros com Deus, que tinham


grande poder de provocar a inveja dos outros com relação as suas
experiências. Mas Deus tinha um jeito de lidar com isso, que será
discutido mais adiante. Deus protege o poder com problemas, ou
seja, quando Ele entrega poder espiritual a um vaso, Ele protege o
investimento que fez naquele vaso tornando-o dependente e hu­
milde por meio de oposição e resistência.
Aqui está a passagem onde Paulo se refere a uma das suas expe­
riências empolgantes:

“Conheço um homem em Cristo que há catorze anos


(se no corpo, não sei, se fora do corpo, não sei; Deus
o sabe) foi arrebatado ao terceiro céu. E sei que o tal
homem (se no corpo, se fora do corpo, não sei; Deus o
sabe) foi arrebatado ao paraíso; e ouviu palavras inefá­
veis, que ao homem não é lícito falar. De alguém assim
me gloriarei eu, mas de mim mesmo não me gloriarei,
senão nas minhas fraquezas. Porque, se quiser gloriar-
-me, não serei néscio, porque direi a verdade; mas dei­
xo isto, para que ninguém cuide de mim mais do que
em mim vê ou de mim ouve. E, para que não me exal­
tasse pela excelência das revelações, foi-me dado um
espinho na carne, a saber, um mensageiro de Satanás
para me esbofetear, a fim de não me exaltar” (2 Corín-
tios 12:2-7).

As empolgantes experiências e revelações de Paulo foram tão


poderosas que Deus decidiu compensá-las com um “espinho na
carne”, para que Paulo não “se exaltasse”. Quando alguém recebe
encontros raros com Deus, a tendência de outros cristãos é estimá-
los mais do que deveriam. Uma vez exaltado entre os cristãos des­
sa maneira, o santo se torna alvo de inveja daqueles que desejam
84 c a p it ir L o 6

o mesmo tipo de experiência. Então, o Senhor basicamente disse:


“Paulo, preciso tratar com o poder da inveja dos outros, quando
olham para você. Para isso, Eu lhe chamo para a Cruz. O sofrimen­
to lhe manterá afastado da inveja dos outros.”

tipicameNte, Não oLHamos com iNveja paRa


um vaso çue está yueBRaDO e D e fe it u o so .

O espinho na carne de Paulo foi um compartilhar dos sofrimen­


tos de Cristo. Foi um sofrimento segundo a vontade de Deus para
que Paulo fosse recebido como servo do Senhor, em lugar de ser in­
vejado como um dos favoritos de Deus. Tipicamente, não olhamos
com inveja para um vaso que está quebrado e defeituoso. Mais uma
vez, Deus trata com a questão da inveja levando o Seu escolhido à
Cruz.

I n v e ja n d o a L iber d a d e do P r ó x im o

Eu me identifico pessoalmente aos temas deste capítulo por


causa do grande sofrimento que eu precisei enfrentar. Permita-me
encerrar este capítulo sendo honesto a respeito da minha própria
luta contra a inveja, mas para fazer isso, provavelmente eu precise
contar-lhe um pouco da minha própria história.
Em 1992, enquanto servia a Deus como pastor de uma igreja
local no norte do estado de Nova York, eu sofri um ferimento vocal
que deixou a minha voz extremamente fraca e que causava uina dor
muito grande ao usá-la. Se eu não falasse, não sentia dor; mas assim
que usasse as minhas pregas vocais, a dor aparecia. E quanto mais
usava a minha voz, mais as pregas vocais se feriam e ficavam ainda
mais fracas. Eu espero a minha cura com muita fé no Senhor, mas
no período em que escrevo este livro ainda estou impossibilitado
de cantar. Desde então, precisei afastar-me do ofício de pastor, e
agora eu ministro de maneira limitada, pregando em conferências
e igrejas que são capazes de acomodar as minhas restrições atuais.
a cruz: a moRte Da iNveja 85

A dor emocional, mental e teológica da minha jornada desde


o momento do ferimento tem sido incrivelmente intensa. Como
Deus poderia permitir que algo tão devastador acontecesse comigo
no meu auge, quando a minha vida estava totalmente dedicada a
Seu serviço? A incapacidade foi traumática, e encontrar Deus em
meio a tudo isso tem sido a grande busca da minha vida. Em meio
à escuridão, eu tenho escrito uma série de livros que reflete a minha
peregrinação pessoal em Deus. Este é mais um dos livros dessa pro­
gressiva jornada.
Antes do ferimento, quando eu era jovem e cheio de energia e
completo, eu suponho que alguém tenha olhado para as minhas
forças e habilidades e sido tentado a ser um pouco invejoso. Mas
após o sofrimento, tudo mudou. Ao invés de ter a possibilidade de
ser invejado, eu estava agora mais propício a ser uma pessoa digna
de piedade. Agora sou como um homem aprisionado e impedido
em todos os sentidos. Eu não posso fazer as coisas que desejo fazer,
mas devo agir dentro das limitações impostas a mim por causa desta
aflição física. As promessas de Deus acerca de libertação são claras;
mas enquanto o momento da libertação não chega, as prisões são
bem reais.
As cadeias que me prendem permitiram que um tipo de inveja
totalmente diferente chegasse de surpresa a minha alma, um tipo de
inveja que eu nunca experimentei antes da lesão. Agora, por causa
dos níveis de dor físicos e emocionais, sinto-me como aquele que
foi crucificado. Eu decidi regozijar em qualquer proporção que os
meus sofrimentos compartilham nos sofrimentos de Cristo (veja 1
Pedro 4:13), mas não como negar o fato de que a crucificação seja
intensamente dolorosa. Agora a questão da inveja adquiriu uma
versão totalmente nova para mim. Veja, eu descobri que o irmão
que é crucificado também deve tratar com a inveja em seu próprio
coração.
E assim que a questão da inveja impacta a minha vida em minha
aflição presente. Enquanto sou afligido pelo Senhor, tenho sido
tentado a olhar para a liberdade e alegria dos outros que estão apa­
Ké c a p it u L o 6

rentemente isentos da mão diseiplinadora de Deus, e sentir inveja


da liberdade que tem. Eu vejo outros que aparentam correr e pular
em grande liberdade e alegria diante do Senhor, enquanto me as­
sento nas limitações da minha cela e me irrito contra as cadeias que
impossibilitam meus movimentos. Eu entendo que a Bíblia diz:
“Não te indignes por causa daquele que prospera em seu caminho”
(Salmos 37:7). E eu também entendo que Ele me diz: “Eu repreen-
do e castigo a todos quanto amo” (Apocalipse 3:19). Então, eu sei
que a Sua mão castigadora em minha vida é resultado do Seu amor
por mim; eu verdadeiramente tomo posse desta realidade. Mas ain­
da assim é extremamente desafiador quando é você quem está pas­
sando pelo fogo e deve regozijar com aqueles que não parecem estar
experimentando esse fogo purificador de Deus, mas pelo contrário,
são abundantes em força, bênção e vitóriasA^ocê está no inverno. E
frio, seco, árido e sombrio. Deus o interrompeu e o limitou. E então
você olha para o seu irmão que está passando pelo verão espiritual
Ele está livre de cadeias, bailando no verão do favor de Deus. Ele
olha para você e se pergunta o que há de errado. Nesse momento
de censura, é extremamente tentador sentir inveja das bênçãos do
seu irmão. “Senhor, por que o meu irmão não experimenta a me­
dida de poda que eu estou experimentando? Eu sei que ele olharia
para mim de maneira diferente se ele estivesse provando pelo me­
nos uma parte do cálice que eu estou bebendo agora. Eu não estou
pedindo que o Senhor o destrua, mas o Senhor não poderia nivelar
o campo de batalha só um pouco?”
Preciso ser constantemente lembrado de não olhar para o cami­
nho que Deus tem dado para o meu irmão. Se eu fizer isso, todos os
tipos de coisas carnais brotarão em minha alma. Então, eu me lem­
bro das palavras que Jesus falou para Pedro em referência a João:
“Se eu quero que ele fique até que eu venha, que te importa a ti ?
Segue-me tu.” (João 21:22). Em outras palavras, “O caminho que
Eu escolhi para o seu irmão não é da sua conta, o que ele significa
para você? Observe a sua própria tarefa de seguir-Tc.”
Seguir a Jesus é em si uma tarefa de tempo integral, que requer
a cruz: a m o R te Da m v e ja 87

foco total. Se eu me dedico a seguir a Jesus, eu não lutarei tanto


contra a inveja porque eu não ficarei comparando a minha cami­
nhada com a caminhada de outra pessoa. Apesar de, às vezes, eu ter
problemas com a minha porção na vida, um dia eu entenderei com­
pletamente a sabedoria do curso que Deus colocou diante de mim.
capítuLo 7

Ex per im en ta n d o
a " M ed id a
da G raça”
aNteRiORmeNte Dissemos çue Deus tRata com a in -
veja conduzindo o vaso escolhido por um caminho tão doloroso
a ponto de a inveja dos irmãos ser transformada em misericórdia.
Apesar de isso ser verdadeiro, não tira de nós a responsabilidade de
tratarmos a inveja do nosso próprio coração quando a identifica­
mos. Vamos analisar alguns princípios que nos ajudarão a guerrear
no campo de batalha do nosso coração, de forma que agrademos o
nosso amado Salvador, que entregou a vida por nós.
A inveja, em última análise, é responsabilidade nossa diante de
Deus. Devemos tratar com ela rigorosamente e imediatamente.
Uma vez que a inveja é um obstáculo, em alguns casos ela pode ope­
rar durante meses e até anos em nosso coração, sem mesmo termos
9o c a p i t u l o 7

a ciência da sua cxistência. Mas o Senhor tem uma maneira de tra­


zer as impurezas à superfície, de forma que podemos vê-las. Quan­
do Ele aumenta o fogo em nossas vidas, as impurezas se elevam até
a superfície onde podem ser identificadas. Uma vez que vemos o
problema, é crucial que nos arrependamos e nos aliemos a Deus.

U m a Das coisas mais eficieNtes çue


poDemos fazeR paRa tRataR oa iNveja é
simpLesmeNte aomitiR a sua pReseNça.

Uma das coisas mais eficientes que podemos fazer para tratar da
inveja é simplesmente admitir a sua presença. Uma grande quan­
tidade de poder é liberada quando trazemos os nossos pecados à
luz. Quando Deus nos mostra a inveja do nosso coração c quando
confessamos humildemente diante dele, estamos fazendo o que 2
Timóteo 2:19 chama de apartar-se da iniqüidade. A nossa fideli­
dade em tratar com questões como a inveja, uma vez que estejam
segundo a atitude ardente de Deus, nos dá poder para nos tornar
“vasos de ouro e prata” (2 Timóteo 2:20) que são purificados por
meio do arrependimento verdadeiro. Portanto, quando nós nos pu­
rificamos da iniqüidade, nos tornamos 'Vaso para honra, santifica­
do e idôneo para uso do Senhor, e preparado para toda a boa obra”
(2 Timóteo 2:21).

O P ro cesso do D esm a m a r

O Salmo 131 aponta para uma dinâmica que é bastante relevan­


te para a nossa discussão:
“Senhor, o meu coração não é orgulhoso, e os meus
olhos não são arrogantes. Não me envolvo com coisas
grandiosas nem maravilhosas demais para mim. De
fato, acalmei e tranqüilizei a minha alma. Sou como
uma criança recém-amamentada por sua mãe; a minha
alma é como essa criança.” (Salmos 131:1-2 - NVI).
e x p e R im e N ta N D O a “ m e D iD a D a g R a ç a " 91

Neste salmo, Davi está tratando com a questão da ambição, que


prepara o campo para o plantio da inveja. A inveja acontece quando,
após colocar o nosso coração ou os nossos olhos sobre um objetivo
grande, um dos nossos irmãos se dirige a este objetivo mais rápido
que nós. O problema não é apenas o fato de o nosso irmão estar
alcançando uma posição mais elevada que a nossa, mas também o
de termos colocado as nossas aspirações e desejos em coisas grandes
quando deveríamos estar felizes com o que temos (veja Timóteo
6:6-8). Certamente, é correto direcionarmos o nosso coração para a
soberana vocação de Deus em Cristo (veja Filipenses 3:14), mas há
alturas “orgulhosas” e “arrogantes” que estão além do que podemos
desejar. Uma vez que começamos a aspirar “coisas maravilhosas de­
mais” para nós, não podemos viver em paz com as nossas conquistas
e posses atuais. Então, quando somos motivados pela ambição, nos
tornamos alvos fáceis da inveja (quando vemos outra pessoa con­
quistando aquilo que desejamos).
O desejo por grandeza é como o desejo de uma criança, que não
está mais na idade de ser amamentada pela mãe, pelo leite materno.
Os desejos são reais; mas se satisfeitos, impedirão que a criança che­
gue a um nível mais elevado de maturidade.
Para promover a criança a níveis mais sólidos, de alimentos mais
nutritivos e fortalecidos, a mãe desmama o bebê, afastando-o da­
quela dependência infantil que ele tem do leite. O desmamar envol­
ve a separação da criança daquilo que ela deseja. Isso produz uma
grande ansiedade na criança, que protesta e lança uma explosão de
raiva. Consequentemente, contudo, a criança fica entediada e acei­
ta relutantemente o fato de gritos e pirraças não mais trazerem o
que ela deseja. Por razões que fogem ao seu controle, os pais estão
privando o objeto desejado.
Uma vez que o desmamar esteja completo, a criança é capaz de
assumir um comportamento tranqüilo, sereno e até satisfeito. Por
quê ? Porque através do processo de desmamar o apetite da criança
foi modificado. Por meio da retenção do leite da mãe, a criança não
deseja mais o que em outra época desejava. Aqui está o princípio
92 l Hpllulü 7

prático do desmamar: A retenção modifica o apetite, Ao nos desma­


mar, Deus nos priva daquilo que desejamos, para mudar os nossos
desejos.
Uma criança desmamada c aquela que permite que seus pais mo­
delem seu apetite.
Quando o nosso coração está voltado para os desejos grandiosos
e ambiciosos que são muito elevados para nós, Deus nos priva de
muitas coisas que desejamos. A princípio, ficamos frustrados por­
que estamos convencidos dc que as nossas aspirações mais elevadas
são parte da visão que Deus nos deu, visão para a qual fomos cha­
mados. A nossa frustração se transforma em raiva e depois em dor
de cabeça. Durante todo o processo, se outro irmão consegue o que
queremos, a inveja chega de mansinho a nossa porta. Se Deus nos
priva durante um longo tempo, consequentemente iremos deixar
de ansiar coisas que um dia desejamos. Uma vez que o nosso co­
ração está sossegado na porção que Deus tem nos dado, estamos
desmamados.

â o n o s oesmamaR, Deus n o s pRiva DaçuiLo


çu e Desejamos paRa m u o a R os n o s s o s Desejos.

No Salmo 131, Deus é retratado como uma mãe amorosa e cui­


dadosa. O cuidado materno de Deus pelos Seus filhos é real e con­
vincente. O Senhor nos desmama com amor e com fragilidade.
Desmamar é um processo que acontece em etapas. Primeiro, a
criança é desmamada do peito da mãe, depois da mamadeira e en­
tão, às vezes, da chupeta. A mesma coisa pode acontecer conosco
repetidamente ao longo da nossa vida, à medida que Deus trata de
diferentes questões. Ele irá nos desmamar de uma coisa; no próxi­
mo ano Ele irá nos desmamar de outra coisa. A inveja estimulada
pela ambição é apenas um dos muitos desejos infantis e carnais dos
quais Deus irá nos desmamar.
Mesmo isso tendo acontecido há dezoiro anos, eu ainda me lem­
bro quando desmamamos o nosso primogênito. Joel adorava ma­
e x p e R im e N ta N D O a “ m e D iD a D a g R a ç a ” 93

mar, mas ele amava de verdade a sua mamadeira! Foi fácil desmamá-
-lo, mas tirar a mamadeira dele foi um problema completamente
diferente. Quando nós tiramos a mamadeira dele, a sua primeira re­
ação foi a raiva. Mas quando, com o passar do tempo, ele finalmente
entendeu que a mamadeira nunca mais seria entregue a ele, os seus
berros se transformaram em lamentos, e ele ficou triste e chorava
até soluçar. Eu me lembro quando Marci e eu quase choramos com
a perda da sua mamadeira. Foi traumático para toda a nossa família!
O nosso coração gemia para realizarmos o seu desejo, mas ainda
assim, nós recusamos entregar a mamadeira a ele por causa do amor
que sentimos por ele. Assim é o amor do nosso Pai celestial para
conosco, durante o processo do desmamar.
O Senhor me desmamou de áreas ministeriais valiosas, e eu cho­
rei muito por elas. Mas quando a perspectiva do meu espírito se
eleva, eu sou capaz de ver que a Sua bondade me manteve longe de
envolvimentos ministeriais que teriam me limitado a uma função
mais imatura e paroquial. Através do desmamar, Ele está me aju­
dando a moldar os meus desejos para que eu cresça e alcance um
nível mais elevado de maturidade. A minha oração é que eu amadu­
reça até o ponto onde eu não deseje mais o que Ele escolheu dar a
outro, mas fique satisfeito com a posse de tudo o que Cristo desti­
nou para a minha vida.
Note que Davi escreveu “como uma criança desmamada de sua
mãe”. O processo do desmamar está intrinsecamente ligado ao rela­
cionamento da criança com a sua mãe. E a garantia do amor da mãe
que ajuda a criança a processar o que está acontecendo. O que ajuda
a criança nesse momento difícil é a ligação mãe/ filho.
Quando Deus nos desmama dos nossos compromissos pesso­
ais, Ele nos priva daquilo que desejamos, mas ao mesmo tempo nos
aproxima carinhosamente do Seu peito. Mesmo que Ele aparente
estar agindo como o nosso oponente, a sua proximidade é incrivel­
mente doce e segura. Na verdade, Ele usará o processo do desma­
mar para nos aprofundar e firmar ainda mais em Seu amor por nós.
Dessa forma, é em Seu amor que Ele nos fortalece para vencermos
94 CH|Mti;I.O 7

a inveja gerada pela ambiçáo do nosso coração, c para descansarmos


em Seu amor.

I n v e ja a N ív e l d a Ig r e ja L o c a l

A primeira coisa que devemos fazer para tratar da inveja em nos­


so coração é permitir que Deus modele nossos desejos através do
processo do desmamar. A segunda coisa, podemos tomar posse da
grandeza do amor de Cristo. Está escrito: “O amor não arde em
ciúmes" (l Coríntios 13:4). Então, o grande dissuasor da inveja é
o amor. Quando somos aperfeiçoados em amor, não iremos mais
sentir inveja uns dos outros.
Paulo também escreveu: “De maneira que, se um membro pade­
ce, todos os membros padecem com ele; e, se um membro é honra­
do, todos os membros se regozijam com ele” (1 Coríntios 12:26).
Se alguém em nossa igreja local está sofrendo, é relativamente fácil
estar ao lado dessa pessoa e sofrer com ela, chorar com ela e con­
fortá-la. Mas, “se um membro é honrado” - bem, essa é uma outra
história. Se o pastor honra outro membro, mas não honra você -
uau! - é impressionante como a inveja pode aparecer de repente
“do nada”. O teste da inveja não é quando um outro membro sofre,
mas quando ele é honrado. Eu sou capaz de me “alegrar com” aquele
membro que é honrado? Eu posso me alegrar quando outra igreja
da comunidade prospera? Sempre que eu invejo outro membro do
corpo, é porque o meu amor não é perfeito e não está completo.
Aqueles que amam não invejam.

O gRaNoe DissuasoR Da mveja é o amoR.

As Escrituras nos advertem: “Segui o amor, e procurai com zelo


os dons espirituais, mas principalmente o de profetizar” (1 Corín­
tios 14:1). E correto desejar ser usado por Deus, mas às vezes nós
transformamos esse desejo em um anseio de receber uma plata­
forma para o ministério público. Começamos desejando posição.
expeRimeNtaNDo a “meDioa Da gRaça,: 95

Então, quando alguém alcança a posição e o reconhecimento que


queríamos, perdemos o nosso amor e retrocedemos à inveja. Quan­
do invejamos a posição do outro, perdemos a perspectiva de quão
maravilhosamente Deus está nos usando. Se nós simplesmente fi­
carmos ocupados com a grande colheita de Deus, trabalhar na ceifa
é uma maneira de uniformizar várias coisas em nossa alma. Quan­
do o resultado da colheita é muito alto, nós não nos importamos
com a quantidade que o outro está colhendo; nós simplesmente nos
alegramos por não ter que juntar toda a colheita sozinho! E vital
que saiamos da mentalidade de plataforma para a mentalidade da
colheita. Na colheita, ministramos apenas à vista de Deus. Quando
aprendemos o segredo de viver sendo visto só por Um, a inveja não
será mais problema.

ÇuaNDO apReNDemos o segReDO De viveR


seN oo vrsto só p o r U m , a iNveja
Não seRá m ais pROBLema.

Aqueles que ministram à noiva de Cristo precisam ser “um”:


“Ora, o que planta e o que rega são um\ mas cada um receberá o seu
galardão segundo o seu trabalho” (1 Coríntios 3:8, itálico adiciona­
do) aquele que planta e aquele que rega no mesmo campo (igreja lo­
cal) não estão competindo um contra o outro. Eles estão no mesmo
time, trabalhando pela mesma causa e precisam ser um. Apóstolos,
profetas, evangelistas, pastores, professores, mantenedores, encora-
jadores, servos - todos são um. O seu sucesso é o meu sucesso. Se a
competição sempre surgir entre os ministros, é porque nos esque­
cemos que estamos ligados uns aos outros. A competitividade no
ministério imobiliza e impede o avanço do Reino em nosso meio
porque é o corpo lutando contra si mesmo.
Podemos aprender uma lição de uma criatura bastante humilde
da Bíblia. “Estas quatro cousas são das mais pequenas da terra, mas
sábias, bem providas de sabedoria” (Provérbios 30:24). As quatro
criaturas citadas são a formiga, o coelho, o gafanhoto e a aranha.
96 c a p it u L o 7

Observe o que a Bíblia diz a respeito dos gafanhotos: “Os gafanho­


tos não têm rei; e contudo todos saem, e em bandos se repartem”
(v.27). Os gafanhotos são estimados como “bem providos de sa­
bedoria” por causa da habilidade que têm de se unirem em prol de
um propósito comum. Em outras palavras, eles são extremamente
sábios porque não há inveja entre eles. Ah, que sabedoria! Eles per­
manecem juntos, não porque são atraídos pelo magnetismo de um
líder principal, mas porque são motivados pela visão comum. Eles
permanecem juntos honrando um ao outro. Que sejamos sábios o
suficiente nesta hora crítica para afastar toda a inveja, competição
ou ambição pessoal e exercitar a graça espiritual de favorecer um ao
outro em amor. Vamos nos unir aos nossos irmãos e irmãs e avançar
juntos para o nosso alvo comum da colheita!

â competitivmaDe n o miNistéRio imoBiLiza e


impeDe o avaNço d o ReiNO em n o sso meio
poRÇue é o c o r p o LutaNDO coNtRa si m esm o.

Salmo 16:3 contém uma das declarações mais bonitas da Escri­


tura: “Mas aos santos que estão na terra, e aos ilustres em quem
está todo o meu prazer”. Quando alguém em minha comunidade de
cristãos excede qualquer alcance, que a minha resposta natural seja
que nele ou nela “está todo o meu prazer”. Quando nós olhamos
uns para os outros dessa maneira, o corpo de Cristo se edificará em
amor, crescendo na cabeça do corpo - que é Cristo (veja Efésios
4:13-16).

A I n v e ja E n t r e as I g r e ja s L o c a is

Enquanto a inveja é um problema sério dentro das igrejas locais,


ela é uma questão ainda mais séria entre as igrejas locais. E como
dissemos anteriormente, ela acontece frequentemente entre irmãos
(líderes - tanto homens quanto mulheres) dessas igrejas.
Eu não conheço nenhum líder sequer que goste de admitir que
expcRimcNtaNDO a “meoina na gRaça" 97

tem problemas com a inveja, ou seja, que sente inveja de seus com­
panheiros líderes. Inveja, competição, ambição - não há nada que
seja negado ou recusado tão calorosamente pelos líderes ministros.
E ainda, com todas as nossas negações, as cordas mortais da inveja
continuam tecendo sua obra diabólica 110 meio da igreja de Jesus
Cristo, gerando dúvidas, desconfiança e separação. Então, enquan­
to por um lado não há nada mais doloroso para se falar do que so­
bre a inveja existente em nosso coração, a urgência que sentimos de
resgatar a unidade do corpo de Cristo nos convence a encarar os
problemas com honestidade.
Geralmente, a pequena dor que sentimos com o sucesso de ou­
tra igreja ou ministério é tão insubstancial e momentâneo que nós
não reconhecemos a sua presença. Mas com a inveja, um princípio
é particularmente verdadeiro: “Um pouco de fermento leveda toda
a massa” (Gaiatas 5:9). E preciso apenas uma quantidade mínima,
quase imperceptível de inveja para descolorir toda a nossa alma.

Jesus estaBeLece o Seu ReiNO De taL


maNeiRa çu e se a IN v e ja está n o cxmaçào,
é çuase ceRto çu e eLa eNCONtRe ocasiã o
e opoRtuNioaDe paRa cResceR.

Agora iremos nos aprofundar no que seja, provavelmente, o as­


sunto mais delicado e sensível dc todo este livro: a maneira pela
qual Deus investiu níveis variados de eficiência e influência minis­
teriais aos Seus líderes no corpo de Cristo. Ao ungir os Seus líderes
em níveis diferentes, Ele o fez para que toda oportunidade para in­
veja se apresentasse facilmente em nosso coração. Ele simplesmente
não permitirá que nos escondamos da questão.
Eu tenho olhado com considerável fascinação a maneira como
Davi se cercou de homens nos quais ele deu vários níveis de reco­
nhecimento, autoridade e recompensa. Abaixo de Davi estava Jo-
abe, o capitão do exercito; abaixo de Joabe estavam três homens
poderosos; abaixo dos três homens poderosos, estava um segundo
ys c a p i t u l o 7

grupo e mais inferior de três homens poderosos; então, abaixo deles


estava um agrupamento de trinta homens poderosos; então, abai­
xo dos trinta estavam todos os soldados valentes da linha de Davi.
Eu penso comigo: Senhor, esses diferentes status e posições não são
um caminho mortal para garantir que a inveja se infiltre em todo o
exército? A resposta parece ser que Deus não se intimida em nos dar
a oportunidade de invejar. Na verdade, Ele estabelece o Seu reino
de tal maneira que se a inveja está no coração, é quase certo que
ela encontre ocasião e oportunidade para crescer. Aquele que deu
diferentes níveis de graça aos vários membros do corpo, parece não
ter problemas em dizer: “Este aqui é para estar sobre esta esfera, e
aquele é para servir naquela esfera.”
Deus deu, sem desculpas, medidas variadas de graça para os Seus
membros no corpo e depois nos chamou para honrar uns aos outros
através da união para uma causa comum. Se nós estivermos na carne
e começarmos a comparar e invejar, Ele nos chama ao arrependi­
mento e à demonstração dos frutos do arrependimento.
Aparentemente, Jesus fez algo semelhante com os Seus discí­
pulos. Da multidão, Ele enviou setenta; dos setenta, doze foram
chamados para segui-lO para onde fosse; dos doze, três foram
escolhidos para acompanhar Jesus para uma das Suas maiores de­
monstrações de poder e glória; e dos três, um foi chamado de “o
discípulo a quem ele amava” (João 19:26). Parece que a maneira de
Jesus recompensar fidelidade e amor era escolhendo um pequeno
grupo de um grupo maior para experiências especiais e entendi­
mentos. Mas essas recompensas sempre carregavam o risco de in­
duzir a inveja no imaturo que não foi escolhido na seleção do grupo
menor. Deus aparentemente designou o Seu reino de maneira que
dá a inveja a oportunidade máxima de aparecer - para que possa­
mos tratar com ela.
E observação minha que os homens poderosos de Davi encon­
tram uma duplicata contemporânea nos pastores ou líderes das
igrejas e dos ministérios relacionados. Não há dúvidas de que Deus
deu uma variedade dc porções de graça e diferentes esferas de influ­
c x p c R i m c N t a N i x ) a “m e m o a Da <;,Raça'' vs

ência aos Seus líderes. Todo o problema da inveja aparece quando


líderes começam a comparar a sua graça e esfera a de outros. Quan­
do os poderosos homens de Deus se juntam, uma grande pergunta
é se eles vão ou não reconhecer e honrar a medida da graça que
descansa sobre cada um.
Para entender o termo “a medida da graça”, precisamos entender
as duas diferentes definições do termo “graça” no Novo Testamento.
Primeiro, “graça” é sempre definido como “favor imerecido”. Nesse
sentido, a graça é utilizada para descrever a bondade de Deus ao nos
garantir a salvação pela fé, totalmente independente de obras ou es­
forço da nossa parte (veja um exemplo em Efésios 2:8). Ele também
foi chamado dc “graça salvadora” O segundo significado bíblico de
“graça” é, contudo, comum, e se refere à capacidade dc Deus através
do Espírito Santo de dar poder ao cristão para fazer a Sua vontade.
Essa graça outorgada é o que Paulo tinha em mente ao escrever:
“Mas pela graça de Deus sou o que sou; e a sua graça para comigo
não loi vã, antes trabalhei muito mais do que todos eles; todavia
não eu, mas a graça de Deus, que está comigo” (1 Coríntios 15:10).
E esse segundo aspecto da graça - este poder outorgado - a que nos
referimos neste capítulo quando falamos da “medida da graça”.

M edidas de G raça V ariadas

Quando um grupo de pastores de uma determinada região se


junta para terem comunhão, há um maravilhoso sortimento de
dinâmicas inter-relacionais explodindo por todo o salão, tudo
ao mesmo tempo. Iodos estão fazendo um exame minucioso do
outro. Enquanto alguns experimentaram o que eu irei descrever,
outros não. Apesar de ser raridade o fato de os pastores chegarem
sinceramente uns para os outros para fazerem perguntas, o que eles
realmente querem saber uns dos outros é: Quantas pessoas estão
freqüentando a sua igreja agora, e como é a dinâmica que você tem
no seu ministério? A resposta para essas e outras perguntas ajuda
líderes em um salão a determinar quem tem mais ou menos influ­
i o o capituLo 7

ência na igreja mundial.


Espero que você não pense que eu estou sendo cínico. Eu es­
tou simplesmente sendo honesto sobre o que o Senhor tem me
mostrado sobre o meu próprio coração. E eu não acredito que eu
seja o único que me relacionei com outros cristãos desta maneira.
O Senhor tratou de maneira muito severa comigo sobre como eu
classificava meus colegas pastores em relação a mim como “iguais”,
4abaixo” ou “acima” do que eu planejei para mim mesmo. Quando
eu percebi que fazia isso de maneira subconsciente em minha alma,
eu precisei me arrepender seriamente diante do Senhor.
Todos nós sabemos disso, mas vamos estabelecer essa verdade
para o propósito desse livro: não existe hierarquia social no reino de
Deus. Não existem pessoas maiores ou menores. Todos nós temos
o mesmo valor e mérito diante do trono como filhos de Deus. To­
dos nós somos igualmente amados e queridos pelo nosso Amado. E
ponto final.
Contudo, nós temos sim níveis variados de graça sobre a nossa
vida. Alguns têm mais graça de Deus do que outros. Não me per­
gunte por quê; pergunte a Ele. Ele simplesmente escolheu derramar
quantidades variadas de graça sobre Seus líderes. Para o Seu Filho,
Jesus Cristo, Ele deu a unção do Espírito sem medida: “Pois o envia­
do de Deus fala as palavras dele, porque Deus não dá o Espírito por
medida5(João 3:34). O restante de nós recebe a graça sob medida:
“Mas a graça foi dada a cada um de nós segundo a medida do dom
de Cristo” (Efésios 4:7).

Percebendo a Graça em Outra Pessoa


Se iremos vencer a inveja entre os líderes ministros no corpo de
Cristo, uma das coisas que devemos aprender é como perceber
apropriadamente a graça de Deus que é derramada sobre outro mi­
nistro do Evangelho.
Paulo apontou para esta situação quando escreveu sobre o seu
relacionamento com os apóstolos em Jerusalém. Quando eles se en­
contraram pela primeira vez, os apóstolos examinaram a Paulo e
cxpeRimeNtaNDO a "meDiDa Da gRaça” 101

avaliaram a genuinidadc da sua conversão e do seu chamado. Paulo


escreve sobre esse encontro dizendo: “E conhecendo Tiago, Cefas
e João, que eram considerados como as colunas, a graça que me ha­
via sido dada, deram-nos as destras, em comunhão comigo e com
Barnabé, para que nós fôssemos aos gentios, e eles à circuncisão”
(Gálatas 2:9). Tiago, Pedro e João passaram um tempo considerável
com Paulo para que percebessem a graça de Cristo presente em sua
vida. Quando cies compartilhavam com ele, o coração deles quei­
mava com o mesmo fogo que estava presente no coração de Paulo e
eles foram capazes de discernir a genuinidade da graça de Deus que
pairava sobre ele. Uma vez que eles observaram aquela graça, eles
foram capazes de estender as destras da comunhão e liberar Paulo
para agir em sua esfera. Comunhão (ou o ato de dar as destras da
comunhão) entre os apóstolos fluía como resultado de um reconhe­
cimento da graça que cada um recebia.
Certa vez, eu perguntei a um amigo pessoal que é pastor de uma
grande igreja na Europa, sobre a dinâmica da unidade entre igrejas
em sua cidade. Como sempre acontece quando eu faço este tipo de
pergunta em minhas viagens, a resposta dele não foi muito encora-
jadora. Uma das dinâmicas interessantes deste ministério na épo­
ca era que Deus havia levantado esta igreja muito rapidamente na
cidade, e em pouco tempo ela se tornou a maior igreja evangélica
da região. Todas as outras igrejas de influência e estilo semelhan­
tes eram consideravelmente menores, o que como resultado gerou
inveja no coração dos outros pastores da cidade. Então, o espírito
que existia entre os irmãos da cidade não estava nem próximo da
união. Enquanto discutíamos isso, meu amigo fez uma colocação
fascinante. Ele disse: “Para a unidade existir entre os líderes em uma
cidade, eles precisam estar dispostos a reconhecer a graça que Deus
deu a cada um. Mas isso não é suficiente. Eles também precisam
estar dispostos a reconhecer a medida da graça que Deus tem dado
a cada um.”
Os apóstolos não apenas perceberam a graça sobre a vida de Pau­
lo, eles perceberam a medida da graça sobre a vida dele. Quando
o; cai>itU..Q7

eles virain a medida da graça dada a Paulo, eles não tiveram proble­
ma em reconhecê-lo como um irmão, estendendo a ele a destra da
comunhão e liberando-o para o seu chamado aos gentios. Em ou­
tras palavras, foi o reconhecimento que eles tiveram da medida da
graça na vida de Paulo que os capacitou a caminharem em unidade.
A medida da graça na vida de alguém é soberanamente deter­
minada por Deus. “Respondeu João: O homem não pode receber
coisa alguma se do céu não lhe for dada” (João 3:27). Quando Deus
soberanamente dá um dom a um dos Seus servos, nenhum de nós
tem o direito de questionar ou invejar este dom. Não pode haver
união onde há competitividade e ciúme da medida de graça dada a
vários irmãos. Deus não pode permitir que a bênção da união seja
derramada (veja Salmos 133) até termos tratado com determinação
essas questões em nosso coração.

N osso DGStiNo espiRituaL fu N D a m e N t a -.s e


n o eçuiLÍBRio oe seRmos c a p a z e s oe
RecoNHGceR e HONRaR açuiLo çue o céu
Deu a o u tR O s n o c o r p o d c C r i s í o .

Quando reconhecemos a medida da graça sobre outro pastor,


igreja ou líder de ministério, damos um passo muito grande em di­
reção à derrota da inveja, porque reconhecemos que a graça dada a
eles não foi por mérito próprio; foi uma escolha soberana de Deus.
Eles não fizeram nada para ganhar ou merecer a graça. Ela é dom de
Deus para eles, e nós reconhecemos isso com gratidão a Deus em
nosso coração.
Aquilo que é de Deus precisa ser honrado. Quando eu reconhe­
ço que outra pessoa recebeu algo de Deus, eu devo honrar, respeitar
e apoiar a autenticidade do que Deus está fazendo na c através da
vida do outro. Quando os fariseus não puderam honrar o batismo
de João, eles foram terrivelmente empobrecidos. João recebeu algo
do céu, mas eles rejeitaram. Consequentemente, quando Jesus apa­
receu, era a vez de João ser testado. Ele seria capaz de honrar a graça
expeRimeNtaNDo a "menina da guaça"

presente na vida de Jesus ? (Ele passou no teste). Nosso destino espi­


ritual fundamenta-se no equilíbrio de sermos capazes de reconhe­
cer e honrar aquilo que o céu deu a outros no corpo de Cristo.
O meu orgulho não deseja admitir que outra pessoa tenha rece­
bido uma medida da graça maior que a minha (atualmente, a inveja
é enraizada no orgulho). Quando eu encontro alguém com uma
esfera maior que a minha, a minha carne quer responder com todo
o tipo de atitudes ruins. E preciso muita grandeza de coração para
dizer: “Aquela pessoa tem uma graça de Deus em sua vida maior do
que em minha vida.” E preciso ainda mais generosidade de coração
para regozijar nessa graça existente na vida dele.
A pessoa precisa trabalhar algumas questões da carne para se
submeter alegremente a alguém com grande graça em sua vida. O
relacionamento de Paulo com Barnabé é estabelecido nestes ter­
mos. Quando os dois iniciaram juntos no ministério, Barnabé era
o irmão mais velho e Paulo era o irmão mais novo. Barnabé era o
líder; Paulo era o assistente. Mas a graça existente na vida de Paulo
era maior do que a presente na vida de Barnabé, e isso ficou logo
evidente em suas viagens ministeriais. Em pouco tempo, Paulo as­
sumiu o lugar dc liderança e Barnabé tornou-se assistente. Agora,
que transição difícil de enfrentar!
Tudo se agitou quando uma diferença de opinião levantou-se
entre eles. Barnabé queria levar Marcos para a próxima viagem, mas
Paulo se recusou. Sc Barbabé começasse seu ministério abaixo de
Paulo, isso seria diferente; mas ele começou acima de Paulo. Em
virtude de como o relacionamento deles se desenvolveu, Barnabé
foi incapaz de se submeter à liderança de Paulo. A sua incapacida­
de de receber a liderança de Paulo levou-os a separação e ao início
de duas regiões missionárias (o que desde o começo foi vontade de
Deus). Contudo, como resultado, nunca mais ouvimos no Novo
Testamento sobre o ministério de Barnabé, a sua natureza ou a sua
eficácia. Deus ainda assim usou Barnabé poderosamente, sem dúvi­
da, mas o Espírito Santo continuou registrando os poderosos atos
realizados através do vaso que tinha maior graça em sua vida (Pau­
iü4 c a p i t u L o 7

lo). Então, você precisa decidir se deseja juntar-se a Paulo e aprovei­


tar a oportunidade ou ir por um caminho diferente (o que também
é permitido por Deus).

D efin in d o E sferas de M inistério s

O próximo princípio é extremamente importante: a medida da


graça sobre a vida dc um líder determinará a medida da sua esfera.
“Esfera” é uma palavra de extrema importância em nossa discus­
são atual, denotando a extensão da autoridade e influência de uma
pessoa no ministério. Deus dá graça a todos nós. O modo como
fielmente exercitamos essa graça determinará a extensão da nossa
esfera ministerial.

â m e o iD a Da gRaça soBRe a v iD a De um LÍD eR


D e te R m iN a R á a m e D iD a oa sua esfeRa.

Foi a medida da graça na vida de Paulo que determinou a sua


esfera. Ele escreveu:

“Nós, porém, não nos gloriaremos sem medida, mas


respeitamos o limite da esfera de ação que Deus nos
demarcou e que se estende até vós... não nos gloriando
fora de medida nos trabalhos alheios e tendo esperan­
ça de que, crescendo a vossa fé, seremos sobremanei­
ra engrandecidos entre vós, dentro da nossa esfera de
ação” (2 Coríntios 10:13-15)

Deus deu graça a Paulo para ministrar aos cristãos de Corinto, e


agora por causa da história do relacionamento deles através da gra­
ça, eles foram reconhecidos como estando incluídos na esfera de
autoridade ministerial de Paulo.
Cada servo de Deus tem uma esfera de autoridade ministerial
que varia de acordo com a medida da graça que cada um recebeu
e x p e R i m e N t a N o o a “ m e n i n a na 105

c com o grau pelo qual eles trabalham nisso. Contudo, Paulo reco­
nheceu que mesmo a intensidade com a qual ele trabalhava era por
causa da autoridade da graça de Deus em sua vida: “Mas, pela graça
de Deus, sou o que sou; e a sua graça, que me foi concedida, não se
tornou vã; antes, trabalhei muito mais do que todos eles; todavia,
não eu, mas a graça de Deus comigo” (1 Coríntios 15:10). Então, a
esfera de influência ministerial cresce quando somos fiéis ao minis­
tério de acordo com a graça que recebemos em nossa vida.

â e sfe a a e stá R e L a c iO N a D a à D istâ N C ia


H O R iz o N t a l oe iN Íl u ê N c ia e a u to R iD a o e .

Quando discernimos apropriadamente a medida da graça na


vida de alguém, somos capazes de honrar a esfera que Deus deu a
esta pessoa. A esfera está relacionada à distância horizontal dc influ­
ência e autoridade. Não c uma ordem de importância vertical, mas
uma influência horizontal. Quando um seixo é lançado em um lago,
quanto maior o seixo, maior o efeito propagador. O efeito propa­
gador pode ser comparado à esfera de alguém. Deus dá a cada um
de nós o nosso próprio efeito propagador (esfera) no corpo de Cris­
to. Alguns servos de Deus têm uma propagação maior 110 corpo de
Cristo do que outros. Por causa da unção e da graça na vida deles,
eles deixam um impacto profundo c duradouro nos santos de Deus.
Alguns servos abençoarão um grupo familiar; outros abençoarão
uma igreja; outros ainda sacudirão uma igreja; alguns sacudirão
uma cidade; outros agitarão uma nação; outros agitarão muitas na­
ções. Isso está sempre relacionado à medida da graça entregue ao
vaso. A medida da graça determina o grau do impacto ministerial,
o que por sua vez cria uma esfera de influência e autoridade dentro
da qual aquele líder é reconhecido e honrado.
A esfera não está relacionada à localização de uma organização
ou uma estrutura religiosa. Jesus não apoiou uma posição eclesi­
ástica durante o Seu ministério na terra e ainda assim não houve
atraso na esfera do ministério de Jesus. Nenhum rótulo humano
inh capituLo 7

pode elevar a categoria da sua esfera, nem a falta dc reconhecimen­


to humano reduzi-la. Ninguém pode limitar a sua esfera! Foi Deus
quem lhe deu e ela é sua. E cia pode mudar e crescer com o passar
do tempo. A medida que cooperamos com a graça de Deus, Ele às
vezes irá nos lançar em esferas maiores de influência ministerial. E
se caminharmos descuidadamente, Ele pode retroceder as linhas da
nossa esfera.
Um dos grandes erros algumas vezes cometidos no corpo de
Cristo é a hipótese implícita de que se eu honrar e liberar você em
sua esfera, eu perderei parte da minha autoridade em minha esfera.
Esse não é apenas um pensamento equivocado, mas um pensamento
que também produzirá uma horrível tendência de inveja no corpo
de Cristo. E mentira afirmar que eu devo limitar ou negar você em
sua esfera para proteger a minha. Paulo pediu aos cristãos de Corin-
to “que, crescendo a vossa fé, seremos sobremaneira engrandecidos
entre vós, dentro da nossa esfera de ação” (2 Coríntios 10:15). Ele
está dizendo a eles: “Se vocês podem utilizar a fé para crer nisso,
vocês na verdade se beneficiarão por grandemente nos fazer crescer
em nossa esfera sobre vocês. Vocês serão tentados a pensar que se
aumentarem a nossa esfera de influência sobre vocês, vocês perde­
rão alguma coisa; mas na verdade, vocês ganharão tremendamente.
Ao alargar nossa esfera sobre vocês, vocês descobrirão que o nosso
ministério apostólico no meio de vós irá preparar o caminho para
oportunidades ministeriais ainda maiores para vocês do que vocês
jamais produziram sozinhos.”

é meNtiRa afiRmaR çu e eu Devo


LimitaR ou N C g a R você em sua esfeRa
paRa pRotegeR a miNHa.

Sempre nos beneficiaremos mais quando liberamos um ao outro


em nossas respectivas esferas - sim, quando promovemos a plenitude
das esferas uns dos outros! Temos a tendência de pensar que existe
certo limite de propagação para o nosso lago. A verdade é que não
expeRimcNtaNDO a " m e D io a i>a gR aça" 107

estamos em um lago; estamos em um oceano de desgosto e sofrimen­


to mundias. ü oceano da necessidade que a humanidade tem de nós
é inesgotável e existe espaço em abundância para a propagação de
todos terem o alcance completo de influência e bênção. Infelizmente,
por causa da insegurança, alguns líderes agem como se eles fossem
um lago e não existisse espaço para muitas ondas além das deles. Esses
líderes sempre terão uma esfera limitada de impacto ministerial

Influenciando Dezenas, Centenas e Milhares


Para utilizar ainda outra analogia bíblica do princípio da esfera, a
Bíblia fala sobre a divisão da nação de Israel em grupos de dez, quin­
ze, cem e mil. Foi esse o conselho dado a Moisés por Jctro, quando
ele viu o quanto Moisés estava sobrecarregado:

“Procura dentre o povo homens capazes, tementes a


Deus, homens de verdade, que aborreçam a avareza;
põe-nos sobre eles por chefes de mil, chefes de cem,
chefes de cinqüenta e chefes de dez” (Êxodo 18:21).

Então, alguns administradores possuíam uma esfera sobre de­


zenas de pessoas, enquanto outros administradores possuíam uma
esfera sobre milhares. Davi assumiu o mesmo princípio, pois está
escrito: “Contou Davi o povo que tinha consigo e pôs sobre eles ca­
pitães de mil e capitães de cem” (2 Samuel 18:1). Davi deu a alguns
capitães uma esfera maior do que a outros.
O Filho de Davi ainda entrega esferas maiores a alguns do que a
outros. Aqueles que têm discernimento podem ver isto. As mulhe­
res de Israel foram capazes de ver a diferença entre o que Deus deu
a Davi e o que Deus deu a Saul. Então, quando Davi e os guerrei­
ros voltaram da batalha com os filisteus, as mulheres cantaram uma
canção sobre a esfera maior que Davi possuía.

“As mulheres se alegravam c, cantando alternadamen­


te, diziam: Saul feriu os seus milhares, porém Davi, os
<>s cap itu lo 7

seus dez milhares. Então, Saul se indignou muito, pois


estas palavras lhe desagradaram em extremo; e disse:
Dez milhares deram elas a Davi, c a mim somente mi­
lhares; na verdade, que lhe falta, senão o reino? Daque­
le dia em diante, Saul não via a Davi com bons olhos”
(1 Samuel 18:7-9).

Tanto Davi quanto Saul foram ungidos por Deus; mas essas mu­
lheres discerniram que a unção na vida de Davi era maior, pois ele
recebeu uma esfera de “dez milhares”, enquanto Saul recebeu uma
esfera de “milhares”. A esfera superior dc Davi foi evidenciada pela
sua habilidade de matar os grandiosos filisteus que Saul não foi ca­
paz. Quando elas sabiamente discerniram a esfera superior dc I)avi,
isso foz com que a inveja explodisse no coração de Saul (por causa
da insegurança), uma inveja que ele carregou até o dia da sua morte.
Saul acreditava que se ele liberasse Davi em sua área de domínio, a
sua própria esfera seria ameaçada e comprometida. Ele equacionava
a esfera (ou o setor de domínio) de acordo com uma posição hie­
rárquica - o trono - concluindo que apenas um homem de cada
vez poderia sentar-se no trono. Ao equacionar esferas com posição,
ele concluiu que Davi era o seu rival com relação ao trono. Ele não
compreendeu que ele poderia aproveitar o trono enquanto liberava
Davi para a plenitude da sua esfera em Deus. Se Saul estivesse segu­
ro em sua identidade, ele iria adotar um jovem homem com uma
esfera maior que a sua própria esfera. Ele perdeu uma oportunidade
maravilhosa de estimular uma paternidade espiritual.

Se SauL estivesse seguRO em sua m eN tinaoe,


ele iRia aootaR um jovem nom em com uma
esfeRa m a iO R ç u e a sua pRÓpRia esfeRa.

Uma Avaliação Precisa da Sua Própria Esfera


Mesmo antes de podermos reconhecer a esfera do outro, eu creio
que precisamos cultivar a graça de reconhecermos, precisamente, a
cxpeRimcNtaNDO a ' rneLMDa na ^,Raça"

nossa própria esfera. Só então podemos nos referir à esfera do ou­


tro, assim como Tiago, Cefas e João foram capazes de se referirem
em liberdade à esfera de Paulo. Eles conheciam a sua própria esfera,
então, consequentemente, cies puderam honrar a esfera de Paulo.
Dessa forma, surgem muitas perguntas importantes para serem
feitas a si mesmo: Eu sou um santo humilde no exército: Eu sou
um administrador de dezenas? De centenas? De milhares? Eu te­
nho segurança e sabedoria para fazer uma autoavaliaçâo precisa tia
minha esfera no corpo de Cristo? (Pelo menos referente ao presen­
te, reconhecendo que a nossa esfera pode tanto diminuir quanto
aumentar.) Somente se eu for exato na minha autoavaliaçâo, serei
capaz de reconhecer precisamente a medida da graça sobre o outro.
Em outras palavras, através do grau que eu me engano sobre a graça
em minha vida, serei incapaz de reconhecer precisamente a graça
na vida de outros.
Uma das virtudes que minha esposa e eu tentamos cultivar em
nossos filhos é a habilidade de avaliar com precisão as suas torças
e fraquezas. Quando, por exemplo, eles se imaginaram melhores
jogadores de basquete do que realmente são, tentamos ajudá-los a
encarar a realidade. E quando eles permitem que a insegurança os
afaste do potencial que possuem, dizemos a eles palavras de afir­
mação: “ Você consegue!” Queremos que eles avaliem a habilidade
para que façam estimativas verdadeiras dos seus dons e habilidades.
Temos visto outros pais que não ajudam seus filhos a encontrarem o
equilíbrio entre o excesso e a falta, e isso leva os seus filhos à decep­
ção. Se os nossos filhos podem aprender a se avaliar com precisão,
talvez eles cresçam na graça de reconhecer sua própria esfera e a es­
fera de outros no corpo de Cristo.
Assim como os pais guiam seus filhos para uma autoavaliaçâo
precisa e sincera, rodos nós precisamos de feedback dos nossos ami­
gos fiéis que refletirão honestamente e lealmente as perspectivas
que nos manterão protegidos dos olhos altivos e pensamentos so­
berbos com relação ao discernimento que temos de nós mesmos.
Inúmeros líderes poderiam ter sido salvos da ruína se humildemen-
m; c a p u ul.o 7

tc sc humilhassem aqueles que se esforçam para trazer uma correção


em amor e uma palavra de ajuda para eles.

Um a avaLiação smceRa oa Nossa esfeRa


n o s capacita a teRmos um

ReLacioNameNto com n o s s o s iRmàos


e íRmãs, com um espÍRito LivRe.

Romanos 12:3 (NVI) nos convida a não pensarmos tão altiva­


mente e tão miseravelmente a nosso respeito: “Por isso, pela graça
que me foi dada digo a todos vocês: Ninguém tenha em si mesmo
um conceito mais elevado do que deve ter; mas, ao contrário, tenha
um conceito equilibrado, de acordo com a medida da fé que Deus
lhe concedeu ” “Um conceito equilibrado” inclui a necessidade de
não termos pensamentos inferiores ao nosso respeito, o que não
está de acordo com a fé. Basicamente, Paulo está dizendo: “Permita
que a graça de Deus lhe ajude a encontrar uma autoavaliação humil­
de, porém, inspirada na fé, dos seus dons, da sua medida da graça e
da sua esfera ministerial ”
Eu conheço líderes no corpo de Cristo que são constantemente
enganados porque não são capazes de se avaliarem com precisão e
sinceridade. Eles não perceberam o quanto as suas fraquezas estão
trabalhando contra eles, então eles não aprenderam a permitir que
outros os ajudassem em suas fraquezas. Dessa forma, a esfera deles
é constantemente impedida pelas suas inseguranças e responsabili­
dades não resolvidas.
Uma avaliação sincera da nossa esfera nos capacita a termos um
relacionamento com nossos irmãos c irmãs, com um espírito livre.
Isso nos dá um coração livre para nos relacionar generosamente
com aqueles cuja esfera é menor ou maior do que a sua própria es-
fera. E aqui que a inveja é enfraquecida. Porque eu conheço a bon­
dade e o chamado de Deus para a minha própria vida, eu sou capaz
de celebrar a bondade e o chamado de Deus em sua vida. Aleluia!
pxpe.RimeNtaNi>o a “meDiDa Da ^naça" n-

O nde N ão Existe C o m petid o r

Paulo tinha uma grande missão em direção da qual ele correu


com grande zelo - a posse do conhecimento de Cristo. Ele reco­
nheceu que nesta corrida ele estava correndo não contra outros
cristãos, mas contra o padrão do chamado que Deus colocou diante
dele pessoalmente. O seu único competidor é ele mesmo. Foi por
esta razão que ele cscreveu:

Irmãos, quanto a mim, nã.o julgo que o haja alcançado;


mas uma coisa faço, e c que, esquecendo-me das coisas
que atrás ficam, e avançando para as que estão diante
de mim, prossigo para o alvo, pelo prêmio da soberana
vocação dc Deus em Cristo Jesus. (Filipenses 3:13-14)

Permira-me sugerir este pensamento: ajuste o seu coração em


um campo onde ninguém é o seu competidor.
Como fazemos isso? Eu acredito que Colossenses 3:2 tem uma
resposta para nós. “Pensai nas coisas que são de cima, e não nas que
são da terra”. Ao estabelecer alvos para a sua vida, articule-os confor­
me as realidades celestiais. Mas em contrapartida, somos frequen­
temente ensinados a articular nossos objetivos em termos terrenos:

• Meu objetivo é que meu ministério dobre de tamanho


neste ano.
• Meu objetivo é que a minha célula triplique nos próxi­
mos cinco anos.
• Meu objetivo c concluir meu doutorado antes dos meus
trinta anos.
• Meu objetivo é estabelecer uma nova igreja nesta comu­
nidade.
• Meu objetivo é apoiar, no próximo ano, o dobro de mis­
sionários que eu apoio agora.
Enquanto todos esses objetivos pareçam nobres, eles são obje­
H2 ( H|’ll Ul () 7

tivos que atuam nos campos de ação terrenos, onde outros podem
competir. Onde há lugar para a competição entre irmãos, há lugar
para o sentimento faccioso e para a inveja. O que aconteceria, es­
pecialmente, se nós estabelecêssemos objetivos de âmbito celestial,
onde ninguém pode competir?

• O meu objetivo é ocupar o menor lugar nas bodas do


Cordeiro e ser chamado de maior porque o Noivo me
chama seu amigo.
• Meu objetivo é estar de pé diante do tribunal de Cristo,
com muito ouro, prata e pedras preciosas para apresen­
tar a Ele.
• O meu objetivo é ser conhecido no céu.
• O meu objetivo é ser grande avista de Deus quando eu
estiver diante de Cristo, sem falta e com grande glória.
• O meu objetivo é apresentar-me diante do trono de Deus
com as muitas outras almas me rodeando, de quem eu
possa dizer a Cristo: 'Aqui estou eu e os filhos que Deus
me deu.”
• O meu objetivo c ouvir estas simples palavras: “Bem está,
servo bom e fiel.”

Precisamos estabelecer objetivos como estes em nossa vida,


mesmo que sejamos lançados na prisão, como José ou Paulo, nos­
sos objetivos podem ainda ser alcançados. Quando Paulo escreveu:
"Pensai nas coisas que são de cima, e não nas que são da terra” (Co-
lossenses 3:2), eu acredito que ele estava dizendo: “Coloque o seu
amor, suas aspirações, seus objetivos, .seus mais íntimos desejos, nas
coisas que são de cima.” Quando as nossas aspirações mais íntimas
estão sobre um chamado superior, no qual ninguém pode interferir
ou competir, o nosso coração será maravilhosamente livre dos ten­
táculos sedutores da inveja.
capítuLo 8

O DESVIO DA
INVEJA: MORTE
OU DESTINO
U m dos seNtimeNtos mais fRUStRaNtcs çue pooe-
mOS t0R quando dirigimos com pressa para um compromisso
importante, é encontrar uma placa de sinalização onde se lê “des­
vio'5. Alguma coisa dentro de nós diz: “Ah não!” Eu acredito que
todos nós odiamos desvios, mas apesar disso, eu descobri algo sobre
Deus: Ele é um Deus de desvios. Sempre que Ele nos dá uma longa
caminhada, há um propósito, mesmo que às vezes não consigamos
ver qual é.
Esta verdade é poderosamente ilustrada em um segmento da jor­
nada de Israel pelo deserto. Temos alguma coisa para aprender com
os desvios no trajeto deles, que toi bastante estratégico nos propó­
sitos de Deus.
n 4 capitulo 8

Os quarenta anos de perambulação da nação no deserto tiveram


um fim e o tempo de seguir em frente em direção à Canaã chegou.
Então Moisés perguntou ao rei de Edom sc cies podiam passar por
seu território . Edom foi o nome dado à nação dos descendentes
de Esaú. Edom era irmão de Israel, e os edomitas ainda carregavam
muita amargura com relação aos israelitas por causa do engano
de Jacó para com Esaú. Resumindo: Edom sentia inveja de Israel.
Quando Moisés pediu passagem pelo território de Edom, o rei dc
Edom negou o pedido sem rodeios. Então, os filhos de Israel conti­
nuaram movendo-se para o norte, passando pela fronteira oeste de
Edom (veja Números 20:14-21).

HoRmá R e p R e s e N t a p a R a n ó s uma v i t Ó R i a
aNtes Da HORa çue pRecene um LoNgo Desvio.

Eles chegaram a um ponto ao sul do Mar Vermelho quando, de


repente, foram atacados por um rei de Canaã - o rei de Arade -
que levou alguns deles como prisioneiros. Após orarem, os israeli­
tas atacaram este rei cananeu e não apenas derrotaram os cananeus,
mas também os destruíram assim como as suas cidades. O principal
campo de batalha foi um lugar chamado Hormá (veja Números
21:1-3). Hormá representa para nós uma vitória antes da hora que
precede um longo desvio.
Hoje, mesmo que muitas pessoas não reconheçam, a tomada de
Jericó não foi a primeira ocorrência de Israel na Terra Prometida. A
primeira vitória deles foi, na verdade, em Hormá. Eles penetraram o
território cananeu desde Hormá, avançando em aproximadamente
65 km para dentro de Jerusalém.
Deste ponto de vantagem, Canaã - a herança deles - se projetou
diante deles. A porta estava completamente aberta. Tudo o que eles
tinham que fazer era continuar movendo-se para o norte. Mas antes
de dar o próximo passo, eles decidiram parar e buscar o conselho
de Deus. “Senhor, qual será a próxima cidade de Canaã que iremos
conquistar?”
o Desvio o a iNveja: moRte ou pestiNO 115
jó ca|MtuIo 8

A resposta do Senhor os surpreendeu: “Volte, recue da terra de


Canaã, volte todo o caminho em direção ao Mar Vermelho, e então
estabeleça a sua rota rodeando a terra de Edom.
Eu posso imaginá-los pensando: Senhor.; Você só pode estar brin­
cando! Estamos em Canaã! Esta é a nossa Terra Prometida. Por que
não podemos simplesmente continuar? Por que o Senhor está nos
mandando voltar todo o caminho de volta ao M ar Vermelho? Por
favor! Mas as diretrizes de Deus foram muito claras para Moisés,
então o povo caminhou de volta em direção ao Mar Vermelho (veja
Números 21:4). Eles passaram pela fronteira sudeste de Edom e
depois se moveram novamente em direção norte ao redor da parte
oriental de Edom - tudo isso para que eles não passassem pelo ter­
ritório de Edom. Você conhece um desvio maior que esse? (Siga as
linhas no mapa para ver como era a rota deles.).

I sr a e l e Edom

Resumindo, a razão para o desvio era Edom. Edom tinha uma


antiga raiz de inveja para com o seu irmão, Israel, então Deus pre­
cisou guiar os israelitas de maneira que respondia adequadamente
à inveja de Edom. Deus teve que dar a herança de Israel sem irritar
desordenadamente a inveja de Edom. Eu posso imaginar o Senhor
dizendo: “Não comecem a reclamar por causa do longo caminho
pelo quaJ os farei passar agora. Porque se vocês conquistarem C a­
naã com facilidade, a inveja de Edom entrará em erupção e eles de­
safiarão a vitória de vocês. Mas se vocês caminharem fielmente por
esse desvio tortuoso, a inveja de Edom será aplacada; e quando Eu
lhe colocar na terra que é de vocês por herança, seu irmão, Edom,
não virá para desafiar o seu novo território.”
Contudo, Deus estava tratando não apenas com a inveja de
Edom; mas Ele também estava tratando com o espírito ambicioso
de Israel. A vitória que conquistaram sobre o rei de Arade foi um
sucesso envolvente, e a facilidade com a qual conquistaram a bata­
lha colocou um brilho cm seus olhos. Eles experimentaram a vitória
o D esv io Da iNveja: m o R te o u DestiNO 117

e viram que ela possuía um gosto muito bom! Agora eles possuíam
visões da terra derretendo-se como manteiga diante deles. Um es­
pírito ambicioso e conquistador surgiu e ganhou força no coração
deles. “Tudo bem Edom, se você não quer deixar a gente passar pelo
seu território, então veja isto. Iremos simplesmente avançar para
Canaã, por nossa conta, e lhe mostrar o que é bom. Assista a nossa
máquina de guerra em ação, irmão, e se morda de inveja!” Embora
esta atitude não seja articulada no texto, estou sugerindo que isso
aconteceu por causa da inclinação humana tão comum de adorar
um espírito triunfal quando no caminho para o sucesso. Você deve
lembrar-se que Esaú (Edom) e Jacó eram irmãos gêmeos e rivais
desde o começo. Esaú vendeu o seu direito de primogenitura para
Jacó por um prato de comida (veja Gênesis 25:29-34) e depois foi
impedido de receber a bênção do seu pai quando Jacó fingiu ser
Esaú e roubou a bênção que estava designada a Esaú (veja Gênesis
27). A nação de Edom nunca se esqueceu disso. Ao invés de assumir
as responsabilidades pela falta da bênção em sua vida, Esaú achou
que isso era culpa de Jacó. Mesmo após séculos, a rivalidade entre as
duas nações ainda estava viva e a todo vapor.
Por Esaú não ter assumido a responsabilidade pessoal pelo seu
relacionamento com Deus, os seus descendentes acabaram pecando
brutalmente contra Israel. Em resposta, Deus declarou que Ele jul­
garia a nação de Edom. Um dos profetas que registrou a ira de Deus
contra Edom foi o profeta que escreveu o menor livro da Bíblia, o
profeta Obadias.
O livro de Obadias é uma exposição da inveja, dedicando-se es­
pecificamente com o relacionamento de Esaú com o seu irmão Jacó.
A inveja de Esaú fez com que ele se distanciasse de Jacó e das pro­
messas reservadas aos patriarcas. Edom tornou-se uma nação que,
em lugar de ter parte no reino de Deus, o perseguiu. O fruto da
inveja é relatado no livro de Obadias, revelando os seguintes princí­
pios com relação às conseqüências da inveja:
• A inveja conduz ao pensamento pervertido e à perda do
entendimento.
nfi cap itu lo 8

“Não acontecerá, naquele dia, diz o Senhor, que farei pe­


recer os sábios dc Edom e o entendimento do monte de
Esaú?” (Obadias 1:8). Quando nos recusamos a tratar a
inveja do nosso coração, o nosso pensamento fica defor­
mado e nós somos decepcionados.
*A in veja nos levará a andarmos com aqueles que são opos­
tos aos propósitos de Deus.
“No dia em que, estando tu presente, estranhos lhe leva­
ram os bens, e estrangeiros lhe entraram pelas portas c
deitaram sortes sobre Jerusalém, tu mesmo eras um de­
les” (v. 11). Quando as partes se aproximaram e o encon­
tro foi realizado, Edom (como Judas Iscariotes na noite
da traição de Jesus) foi encontrado na companhia dos
inimigos de Deus.
• A inveja pode levar uma pessoa a. se alegar com o sofrimento
do outro, algo que verdadeiramente ativa a ira de Deus.
“Mas tu não devias ter olhado com prazer para o dia de teu
irmão, o dia da sua calamidade; nem ter-te alegrado so­
bre os filhos de Judá, no dia da sua ruína; nem ter falado
de boca cheia, no dia da angústia” (v. 12).
• A inveja pode levar urna pessoa a roubar a esfera da outray
convencida de que as posses e o domínio do outro são de
sua própria responsabilidade.
“Não devias ter entrado pela porta do meu povo, no dia
da sua calamidade; tu não devias ter olhado com prazer
para o seu mal, no dia da sua calamidade; nem ter lança­
do mão nos seus bens, no dia da sua calamidade” (v. 13).
Jacó recebeu a bênção de Deus aparentemente enganan­
do Esaú; agora Edom sentia que a bênção de Israel era a
sua porção justa para confiscar. A inveja levou Edom a
conclusões erradas.
• A inveja sempre estoura antes do tempo.
“Porque o Dia do Senhor está prestes a vir sobre todas as
nações; como tu fizeste, assim se fará contigo; o teu mal-
o D e s v io D a i N v e j a m oRte o u n e s t iN O u<j

feito tornará sobre a tua cabeça” (v. 15). Convencidos


de que foram prejudicados, Edom decidiu vingar-se de
Israel. Agora, por causa do julgamento de Deus, outros
viriam e exercitariam a inveja sobre eles. A violência de
Edom caiu sobre a sua própria cabeça.
* No final de tudo, aquele que inveja perderá toda a sua
herança para. aquele que é invejado.
“Os de Neguebe possuirão o monte de Esaú” (v. 19). Ape­
sar de Esaú ter invejado Jacó e até o saqueado, o Senhor
disse que no final as montanhas de Edom se tornariam
domínio de Israel.

O V e n e n o da D emora

Os princípios encontrados no livro de Obadias referentes à in­


veja têm aplicações emocionantes. E agora, à medida que voltamos
à história do entediante desvio de Israel ao redor da terra de Edom,
veremos como Deus não poderia ter dado a Israel a sua herança sem
primeiro tratar com a inveja de Edom.
O grande desvio ao redor da terra de Edom foi por um grande
deserto sem comida e sem água no habitat natural. Quando Deus
guiou o povo de Israel nesse prolongado caminho, eles não compre­
enderam os propósitos de Deus, então eles não foram exatamente
gratos. A atitude desrespeitosa que tiveram e as suas conseqüências
estão registradas para nós:

“Então, partiram do monte Hor, pelo caminho do mar


Vermelho, a rodear a terra de Edom, porém o povo se
tornou impaciente no caminho. E o povo falou contra
Deus e contra Moisés: Por que nos fizestes subir do
Egito, para que morramos neste deserto, onde não há
pão nem água? E a nossa alma tem fastio deste pão vil.
Então, o Senhor mandou entre o povo serpentes abra-
sadoras, que mordiam o povo; e morreram muitos do
120 c a p it u L o 8

povo de Israel. Veio o povo a Moisés e disse: Havemos


pecado, porque temos falado contra o Senhor e contra
ti; ora ao Senhor que tire de nós as serpentes. Então,
Moisés orou pelo povo. Disse o Senhor a Moisés: Faze
uma serpente abrasadora, põe-na sobre uma haste, e
será que todo mordido que a mirar viverá. Fez Moisés
uma serpente de bronze e a pôs sobre uma haste; sendo
alguém mordido por alguma serpente, se olhava para a
de bronze, sarava” (Números 21:4-9).

Deus sabia que por causa do longo atraso, a alma dos israelitas
se tornaria “impaciente no caminho”. Deus não estava desapontado
com o desencorajamento, mas Ele estava angustiado com a maneira
como eles decidiram expressar esse desencorajamento. Ele queria
arrancar a ambição deles e tratar com a inveja de Edom, mas a res­
posta deles foi reclamar. Então Deus enviou víboras venenosas para
o acampamento para mostrar a eles que a resposta que deram a Seus
planos estava literalmente matando-os.
O Novo Testamento nos dá uma perspectiva interessante desta
história, nos dizendo que o povo pereceu com as picadas da ser­
pente porque eles tentaram a Cristo (veja 1 Coríntios 10:9). Eles
pensaram que toda a ideia do desvio era tola. Eles chegaram a al­
cançar o arco frutífero de Canaã e agora se encontram de volta no
deserto sem alimento e sem água - exceto pelo maná que agora eles
odiavam. Não há dúvidas de que eles estavam dizendo coisas como:
“Esta é uma rota estúpida para Canaã. Deus, o Senhor sabe o que
está fazendo? Puxa, até eu poderia mapear um curso melhor que
este!” Eles estavam tentando a Cristo ao desdenhar da provisão do
maná e ao acusar o julgamento e a sabedoria de Deus. Deus mos­
trou a Sua fidelidade para com eles inúmeras vezes, mas agora eles
foram mais uma vez pegos pelas garras da descrença. Em meio à
impaciência, eles estavam, na verdade, golpeando a Deus com a lín­
gua deles.
Ao enviar as serpentes, Deus estava basicamente dizendo: “Dei­
o Desvio Da iNveja: moRte ou oestmo 12:

xe-me mosrrá-Ios o que vocês estão fazendo. Deixe-me ilustrar essa


atitude com algumas serpentes venenosas. Elas irão lhe golpear com
a língua e envenenarão vocês com o amargo veneno que possuem.
Talvez, elas lhe ajudem a ver que foram envenenados pela amargura.
Elas farão com vocês o que vocês fizeram comigo. Vocês toram pi­
cados com a amarga descrença e isso está lhe matando por dentro ”

M orte ou D estin o

O atraso de Deus tem um propósito, mas o período do atraso


é um tempo quando estamos especialmente cansados, propensos e
vulneráveis à tentação. Se não guardarmos o nosso coração e verifi­
carmos as reações carnais, corremos risco de vida.
Quando Deus nos conduz a um longo desvio, estamos vulnerá­
veis a muitas tentações venenosas que têm o poder de causar pica­
das venenosas: amargura contra Deus, descrença (que na maioria
das vezes é a picada principal), comparações carnais, calúnias, au-
topiedade, reclamação, acusação a outros, acusação a Deus e outras.

O atRaso D e Deus tem um pRopósito,


mas o peRÍooo do atRaso é um tempo
çuaNDo estamos especiaLmeNte caNsaDos,
pRopeNSOS e vul NeRáveis à teNtação.

O que é preocupante nessa história é o seguinte: nem todo mun­


do sobrevive ao desvio. Alguns morrem. Pense no seguinte: você
passou pelo Mar Vermelho, derrotou os amalequitas, ouviu a voz de
Deus no monte e sobreviveu trinta e nove anos de perambulações
pelo deserto. Quando milhares foram mortos por causa do juízo
de Deus, você permaneceu. E agora, apenas alguns meses antes de
entrar em Canaã, você morre! Você chegou até aqui, querido irmão,
para desistir por conta do cansaço, enquanto o fim da linha está
bem próximo?
c a p itu lo 8

O ç u e é pReocupaNte Nessa
mstÓRia e o seguiNte: Nem tono
muNDo soBRevive ao Desvio.

Infelizmente, durante um dos desvios que Deus prepara,


muitas pessoas não discernem que Ele deseja tratar com o espírito
eompetitivo e ambicioso, espírito esse que possui uma influência
fatal no coração deles. Muitos nem sequer reconhecem que isto ê
um problema. Deus utiliza o desvio para frustrar os planos pessoais
deles. A pergunta é: Será que eles perceberão que a frustração deles
é fruto de um espírito de ambição?
E interessante observar que não é o inimigo que os está en­
ganando neste momento. Quando é o inimigo que tenta os destruir
em Canaã, eles conquistam vitórias; mas são comidos vivos pelas
questões do seu próprio coração.
Aqueles que são aprovados no teste do desvio encontrarão as
portas para a entrada do destino espiritual. Aqueles que sucumbi­
rem à descrença e ao desencorajamcnto irão perecer. Os perigos são
muitos! Então seja grato a Deus porque em meio ao juízo, a Sua
misericórdia é poderosamente derramada sobre o Seu povo e Ele
provê cura àqueles que foram picados. Ele é tão misericordioso!
Mesmo hoje, aqueles que foram picados e infectados com o veneno
da ambição, encontram misericórdia e restauração no poder que a
salvação de Deus tem de dar vida. A serpente sobre uma haste re­
presenta Cristo, a quem hoje olhamos em busca de cura da picada
mortal da inveja, da ambição e da competição. Ele é um Deus tão
bom! Ele nos proporciona a cura para que possamos compartilhar
dela na gloriosa conquista da terra prometida.

O P ro pó sito do D e sv i o

Vamos resumir os bcnelícios do desvio:

1. Fie tratou com a inveja de F'dom. Quando Edom viu


o Desvio Da iNveja: moRte ou o e s t m o

o caminho agonizante que Israel seguiu para não passar


pelas terras dele, andando com dificuldade por uma ter­
ra onde não havia água, a inveja deles transformou-se cm
pena. Eles viram o quanto Israel precisou sofrer apenas
para respeitar as fronteiras de Edom. Quando finalmen­
te Israel conquistou Canaã, a atitude de Edom foi “Dei­
xem eles possuírem a terra.”
2. Israel herdou uma herança ainda maior do que cra pen­
sado inicialmente. O desvio significou que, primeiro eles
precisariam conquistar o território dos amorreus, antes
de conquistar Canaã. No final, eles herdaram tanto Ca­
naã quanto as terras dos amorreus à parte oriental do
Jordão. Se eles não fossem conduzidos para o desvio, se­
ria improvável que eles conseguissem ao menos desafiar
essas outras nações. No momento, não pareceu que seria
assim, mas através do desvio, Deus estava mostrando-os
que Ele os desviou.
3. O desvio tratou com a ambição em Israel. Sc Edom sen­
tiu inveja de Israel, certamente poderia ser dito que Israel
tinha um espírito competitivo com relação a Edom. O
desvio ao redor de Edom estava endireitando as ambi­
ções do próprio coração dos israelitas. Deus estava dire­
cionando esta antiga rivalidade com um desvio primo­
rosamente construído. O irmão com a herança menor
sempre terá inveja do irmão com a maior porção da
herança. O irmão com a maior parte da herança sem­
pre terá que enfrentar um espírito de competição com
relação ao irmão com a menor parte da herança. Na ver­
dade, todos nós precisamos, de certa forma, enfrentar es­
sas duas atitudes. Todos nós temos um pouco de Israel c
um pouco de Edom em nós. Todos nós precisamos lidar
com a inveja daqueles que são promovidos sobre nós, e
com a ambição quando somos promovidos sobre outros.
i 4 capitulo 8

R elevância para H oje

A história do longo desvio de Israel ao redor de Moabe, e das


mordidas de cobra são intensamente relevantes para o local onde
a igreja se encontra hoje. Israel representa o irmão (igreja/ ministé­
rio) com a maior parte da herança; Edom representa o irmão (igreja
ou ministério) com a parte menor da herança (Deus escolhe a nossa
herança, e ela é diferente para cada líder, igreja ou ministério). En­
tão, quando Deus posiciona estas igrejas na mesma comunidade ou
região, as dinâmicas do relacionamento são multiplicadas c extre­
mamente confusas.

Deus NUNca pRepaRa um camiNHO Desejável, e


maRaviLnoso paRa um a pRODUtivinaDe maioR.

Nos dias de hoje, o Senhor está selecionando certos membros da


Sua igreja (geralmente aqueles com a maior herança) para passarem
por desvios e atalhos. Mas Deus tem um propósito cm não permitir
que você tome posse da sua herança com facilidade. Deus deseja
lhe abençoar com toda a sua herança, mas Ele só pode fazer isso
se tratar com a inveja dos seus irmãos. Ele tornará o seu caminho
lamentável diante deles. Deus nunca prepara um caminho desejável
e maravilhoso para uma produtividade maior. Esse caminho sempre
custa um preço que não produz inveja, mas um santo temor às bên­
çãos que a produtividade exige.
Paulo falou disso nos seguintes termos: “Porque a mim me pa­
rece que Deus nos pôs a nós, os apóstolos, em último lugar, como
se tôssemos condenados à morte; porque nos tornamos espetácu­
lo ao mundo, tanto a anjos, como a homens” (1 Coríntios 4:9).
Paulo está dizendo: “Todos estão olhando para nós e imaginando o
que Deus está fazendo conosco! Até mesmo os anjos estão olhan­
do para o nosso caminho com curiosidade.” Talvez, Paulo tenha se
sentido como uma serpente imobilizada - um objeto que desperta a
curiosidade dos outros e gera uma opinião prematura. “O que Deus
o D e s v io na iNveia: m oRte ou ü c s u n o ^

está fazendo com aquela igreja?” “Eu fico querendo saber o que está
acontecendo no ministério dele?” Este é o propósito de Deus, fazer
de você um objeto que desperta a curiosidade. Mas à medida que
você persevera em disciplina e temperança, um dia a sua jornada se
tornará uma fonte de encorajamento geradora de vida, fonte esta
que encorajará outros a passarem em um caminho semelhante.

U ma H istória P essoal

Quase todos os pastores têm uma história de inveja para con­


tar. Mas uma vez que sou eu quem escreve este livro, vou contar a
minha história. Meu propósito em compartilhá-la é ilustrar através
de algumas das minhas próprias experiências, os princípios deste
capítLilo.
A minha primeira experiência como pastor foi em uma cidade
muito pequena no Estado de Nova York. Eu tinha vinte e nove anos
de idade quando aceitei pastorear esta igreja pequena e esforçada. A
minha esposa e eu éramos jovens, ávidos, sinceros e inexperientes;
e tínhamos muitos sonhos. Uma das primeiras coisas que eu fiz ioi
me unir a uma reunião de oração de pastores de outras três igrejas
locais que estavam na mesma situação que nós. Contudo, eu não
estava preparado para tudo o que iria encontrar,
Uma das primeiras coisas que eu aprendi foi que todos esses pas­
tores tinham um problema com uma certa igreja grande c próspera
em nossa região. Esta igreja grande atraiu ovelhas de praticamente
todas as outras igrejas na região e não tentou se comunicar com
esses pastores que perderam membros. Esses pastores estavam acu­
sando a igreja grande de ser antiética, isolada e de estar acolhendo
ovelhas que tinham grandes questões e problemas não resolvidos
em sua vida. As conversas em nossas reuniões de oração com os pas­
tores sempre refletia nesta outra igreja. O grupo definitivamente
possuía a mentalidade “nós versus eles”, e esperava que eu ficasse do
lado do “nós”.
Eu era muito inexperiente para conhecer e discernir a inveja
uu capitul o 8

de maneira adequada, mas na minha opinião tudo aquilo não es­


tava somando. Se colocássemos todas essas quatro igrejas juntas, a
quantidade de membros presentes não chegaria a um quarto dos
presentes da igreja grande. E o relatório que ouvi de ovelhas que
freqüentavam a igreja grande foi que ainda era possível encontrar
pastos verdes e águas tranqüilas naquele lugar. Então, eu decidi ve­
rificar pessoalmente. Eu marquei um horário e fui visitar o pastor
em seu gabinete.
Ele estava reticente, mas estava pronto para me receber. Para ele,
as visitas anteriores dos pastores da região foram desagradáveis e
ele estava ali, de frente para mais um do mesmo tipo. Mas eu fui
simplesmente para visitá-lo e para ouvir seu coração. A minha pri­
meira visita me disse que havia um rico depósito espiritual nesse
irmão e que eu poderia aprender muito com ele. Então, eu voltei
para visitá-lo mais uma vez. Na minha terceira visita, percebi que o
meu desejo por companhia era sincero e a nossa amizade começou
a ser construída.
Certa vez eu o perguntei: “Por que você não liga para o pastor
quando uma família vem para a sua igreja de uma outra igreja?” Ele
disse: “Esses pastores já sentem inveja o suficiente com as coisas do
jeito que estão; se eu der atenção à situação todas as vezes que ela
ocorrer, será muito pior. Além disso, eu não tenho tempo para fazer
todas essas ligações ” Ele disse que a igreja dele nunca fez nada para
atrair as pessoas de outra igreja. Tudo o que eles fizeram estava con­
centrado em prover alimento de boa qualidade para o seu rebanho.
Como resultado, as pessoas passaram a vir de todos os lugares para
serem alimentadas. Eu fiquei fascinado pela filosofia pastoral desse
homem e deixei o meu coração aberto e disposto a ser ensinado.
O ponto principal foi o seguinte: agora, as pessoas estavam dei­
xando suas igrejas e vindo para as nossas. Eu rapidamente descobri
que o grande obstáculo para o relacionamento entre igrejas era o
aspecto negativo para o seu crescimento, o inimigo da unidade de
toda a cidade. Quando uma família se transferia de outra igreja para
a nossa, parte de mim regozijava por ter mais mãos no arado para
o Des vio \)â iNveja: moRtc ou D e s lr n o i^

ajudar-me na colheita, mas parte de mim se acovardava ao pensar


em como eu explicaria a situação para os meus amigos pastores da
igreja na qual a família saiu. Durante o tempo em que fui pascor, eu
me esforcei para encontrar a maneira específica de lidar com essa
dinâmica entre os meus companheiros pastores. Quando a insegu­
rança deles produzia reações invejosas, parecia então que já não ha­
via mais o que fazer, e que eu não poderia fazer mais nada além das
minhas forças.
Aumentamos para três cultos nos fins de semana e eu sabia que
precisava de novas instalações. O Senhor soberanamente proveu
o espaço e nós começamos a traçar planos para construirmos um
novo templo para adorarmos ao Senhor. Ele seria um dos maiores
santuários ern nossa cidade. O Senhor colocou em nosso coração
que fizéssemos toda a construção à vista, sem adquirirmos qualquer
tipo de financiamento com o novo projeto. Uma vez que estivés­
semos no novo lugar, seria uma grande bênção, mas entrarmos no
novo templo pagando tudo à vista seria um grande desafio de fé.
A nossa congregação começou a ofertar sacrificialmcnte. Mas
mesmo que eles estivessem contribuindo generosamente, segundo
a capacidade de cada um, não estávamos alcançando ao menos dez
porcento dos fundos necessários cm cada ano. Será que levaríamos
um período entre oito e dez anos para ocuparmos a nova instalação?
Abrigando vários cultos nos fins de semana, a caminhada diante de
nós parecia interminável! Após quatro anos de ofertas de sacníício,
alcançamos um período de calma onde parecia que toda a nossa
foça havia ido embora. As contribuições financeiras se tornaram
menores do que nunca. A equipe pastoral estava fraca. As pessoas
estavam cansadas e o entusiasmo havia caído.
Eu comecei a perguntar: “Quanto tempo, Senhor?” Eu pedia
em oração entendimento ao Senhor em meio ao tédio da jornada.
Estávamos passando por um desvio trabalhoso e eu não entendia
o por quê. Eu compartilhei o nosso apuro com outros pastores da
nossa área. Eles passaram a orar conosco e por nós. Então, eles co­
meçaram a indagar o nosso bem-estar e a expressar coisas como:
178 c a p i t u L o 8

“Certamente estamos esperando o Senhor enviar um grande pre­


sente para sua jornada!” Umas duas igrejas locais até ofertou para o
fundo da nossa construção!
Através daquele longo atraso e de outras circunstâncias delica­
das em minha vida, o Senhor me quebrantou como pastor. Duran­
te a moenda, Ele pôde revelar o meu agir ambicioso com relação
aos outros pastores da localidade. A ambição teve uma porcenta­
gem tão mínima de estímulo da minha parte que, honestamente,
durante anos eu não percebi que ela existia. Mas através do que-
brantamento, Deus estava endireitando todos os tipos de questões
em minha vida que Ele desejava que fossem tratadas. Mesmo que a
minha motivação fosse, talvez, inferior a um porcento, eu pude ver
como um pouco de fermento leveda toda a massa; e essa mínima
fração de ambição estava de fato manchando todos os aspectos do
meu ministério.
Então, eu reuni os pastores locais para um encontro especial e
disse: “O Senhor revelou as motivações do meu coração, e agora eu
vejo que eu me relacionei com vocês, meus irmãos, com um espírito
de rivalidade. Algo dentro de mim há a ambição de construir o meu
próprio ministério, e isso fez com que eu me dirigisse a vocês de
modo competitivo .” Eles olharam para mim e disseram: “Sim, nós
sabemos.” Eu disse a eles: “Por favor, orem por mim.” Então, eu me
ajoelhei diante deles e eles impuseram as suas mãos sobre mim e
oraram por mim.
Que experiência dolorosa eu tive! Tudo o que eu pude fazer foi
me humilhar sob as poderosas mãos de Deus. Quando eu reflito
nisso agora, mesmo sendo o desvio cansativo em todos os momen­
tos, eu sou grato porque o Senhor me amou o suficiente para usá-lo
em minha vida para aperfeiçoamento e purificação.
Através de tudo isso, eu comecei a ver a sabedoria do Senhor ao
nos conduzir pela rota mais longa. Ele não apenas tratou com as
questões em nosso coração, mas eu também pude ver que se tivésse­
mos nos mudado rápida e facilmente para a nossa nova instalação,
as tentações para a inveja seriam fortes em outras igrejas locais. Se a
o nesvio oa iNveia: monte ou DestiNO 129

inveja tivesse surgido, mesmo sendo a nova instalação uma bênção


para nós em nossa igreja local, uma erupção de inveja nas igrejas da
região seria fatal para os propósitos de Deus para a nossa área. Seria
um passo à frente e dois passos para trás. Mas porque o Senhor nos
conduziu por um desvio agonizantemente lento, as outras igrejas
consequentemente se tornaram nossas torcedoras.
Quando finalmente ocupamos a nova construção, seis anos e
meio após a compra da propriedade, todos eles se regozijaram co­
nosco por causa da bondade de Deus. E sim, o Senhor enviou alguns
grandes presentes 110 fim desse processo, o que nos permitiu mudar
para a nova construção mais rapidamente do que pensávamos - e
pagando tudo à vista. Mas quando nos mudamos para o novo tem­
plo, o fator inveja foi tratado pela sabedoria do Senhor, questões de
ambição dentro de nós foram severamente exterminadas por Ele, e
nós fomos capazes de ocupar a instalação maior com celebrações de
outros pastores da região.

“Oh profundidade das riquezas, tanto da sabedoria,


como da ciência de Deus! Quão insondáveis são os
seus juízos, e quão inescrutáveis os seus caminhos!
Porque quem compreendeu a mente do Senhor? ou
quem foi seu conselheiro? Ou quem lhe deu primeiro
a ele, para que lhe seja recompensado? Porque dele e
por ele, e para ele, são todas as coisas; glória, pois, a ele
eternamente. Amém” (Romanos 11:33-36).
capítuLo 9

E n ra iza d o s no A mor
Se fomnos aD m itiR , todos nós nos encontramos em uma
crise variada de identidades. E por essa razão que existe tanta inveja
em todos os lugares. A inveja não pode encontrar lugar no coração
do santo que tem absoluta certeza da sua identidade no amor de
Deus.

“Para que Cristo habite pela fé nos vossos corações; a


fim de, estando arraigados c fundados em amor, po-
derdes perfeitamente compreender, com todos os san­
tos, qual seja a largura, e o comprimento, e a altura,
e a profundidade, E conhecer o amor de Cristo, que
excede todo o entendimento, para que sejais cheios de
toda a plenitude de Deus” (Efésios 3:17-19)

Quando estamos enraizados, fundados e aperfeiçoados no amor,


o nosso senso de identidade em Deus é tão profundamente comple-
1 H|>l[ l.l () 9

to que nada do que vemos com olhos naturais pode produzir uma
reação invejosa dentro de nós. Não desejamos nada que qualquer
outra pessoa tenha porque já temos tudo o que precisamos - um
relacionamento extravagante, íntimo com o Senhor do universo!
Eu falo em termos teóricos porque eu ainda não alcancei essa
plenitude. Portanto, eu ainda enfrento algo semelhante a uma cri­
se de identidade. Eu ainda não estou “perfeito em amor” (1 João
4:18). Alegar que eu não estou em uma crise de identidade seria
dizer que eu alcancei o perfeito amor, mas não alcancei. Mas eu não
estou desencorajado: a graça é abundante para mim e eu estou a
cada dia mais alcançando o perfeito amor de Cristo!

â iNveja faz cam p am ia paRa a coLocação


oe alguém; o amoR fax campaNHa
paRa o pRogResso do outRO.

A questão da inveja se rende ao amor: “O amor não é invejoso”


(1 Coríntios 13:4). Por ser o amor de Jesus totalmente abnegado,
o amor que temos uns pelos outros deve ser também abnegado: “O
meu mandamento é este: que vos ameis uns aos outros, assim como
eu vos amei” (João 15:12).
A natureza da inveja busca os seus próprios interesses, assim, ela
não é amorosa. O amor envolve tudo o que a inveja não envolve. A
inveja faz campanha para a colocação de alguém; o amor faz campa­
nha para o progresso do outro. “Como eu vos amei” - que palavra!
A medida que permanecemos em amor, certamente toda a inveja
será expulsa, para ser substituída pela ilimitada extensão do grande
amor de Cristo derramado em nosso coração pelo Espírito Santo.
Quando eu estou enraizado no amor de Cristo e adquiro o co­
nhecimento das vastas dimensões do Seu amor (largura, cumpri­
mento, profundidade, altura), eu faço uma descoberta fascinante:
é conhecendo a Deus que eu descubro quem eu sou! Quando eu O
conheço, Ele me revela em que eu me assemelho a Ele. Quando eu
entendo em que me assemelho a Deus - que Ele impressiona o meu
(.‘ N R a i z a n o 1» no am oR

fraco coração, que anseia por Ele - então encontro coragem para
crer que eu sou quem Ele diz que eu sou.
Eu invejo outros porque não estou plenamente satisfeito com
quem eu sou. E se eu não estou feliz com quem eu sou, ainda pre­
ciso receber a revelação de quem eu sou em Cristo. Eu ainda não
estou enraizado e aperfeiçoado no amor, portanto, para colocar o
último prego no caixão da inveja, preciso adquirir o conhecimento
do amor de Cristo.
“Mas o conhecimento do amor de Deus é um processo contínuo
que dura toda uma vida!” Você pode dizer. Exatamente! F_ por essa
razão que eu não fico desanimado quando vejo a inveja rastejando
novamente em meu coração. Eu simplesmente morro mais uma vez
para o meu eu e volto a minha face para a cruz de Cristo. Eu me pre­
parei para tratar com a questão da inveja para o resto da minha vida.
Talvez eu nunca alcance uma vitória incontestada nesta vida, mas
eu espero com fé que o meu nível de vitória cresça continuamente à
medida que eu permaneça em Sua graça. Apesar de eu ainda não ter
vencido a inveja, eu tenho aprendido a identificá-la melhor. Eu me
tornei um arrependido constante . A melhor maneira de progredir
com Deus é aprendendo a ser um arrependido profissional (uma
pessoa disposta a se arrepender) nas cortes do Senhor,

6 m LugaR De seNtiRmos ciú m e oas


c o N ç m s t a s dos outROS, te u e m o s ciúme
peLas coNçuistas do s o u í r o s .

Quando o amor de Cristo captura o nosso coração, ele nos pre­


enche com um ciúme santo pela maturidade da noiva (veja 2 Corín-
tios 11:2). E assim que o amor de Deus mudará o nosso coração: em
lugar de sentirmos ciúme das conquistas dos outros, teremos ciúme
pelas conquistas dos outros. Iremos experimentar o inverso da in­
veja. Enquanto a inveja amarra o nosso coração, a nossa esfera será
limitada; mas quando um ciúme santo pelo avanço da maturidade
da noiva atrai a atenção do nosso coração, receberemos do Senhor
134 c a p i t u L o 9

o grandioso privilégio e confiança de servir a ela em humildade e


fidelidade.

A N ossa Fonte de I dentidade

Durante muitos anos, encontrei muito da minha identidade em


minha posição e sucesso como ministro do Evangelho. Certamen­
te, nesse momento eu não entendia isso, mas agora, olhando para
trás eu posso ver essa realidade. Como um jovem pastor de uma
igreja próspera, eu estava como o rei de Provérbios:

“Estes três têm um bom andar, e quatro passeiam ai-


rosamente; o leão, o mais forte entre os animais, que
não foge de nada; o galgo; o bode também; e o rei a
quem não se pode resistir. Se procedeste loucamente,
exaltando-te, e se planejaste o mal, leva a mão à boca”
(Provérbios 30:29-31).

As “tropas” em minha congregação estavam crescendo nume­


ricamente e eu me sentia honrado de poder servi-las. As aparên­
cias sugeriam que a minha autoridade espiritual estava crescendo
porque o número dos meus seguidores estava aumentando. Eu não
achava que as pessoas costumavam pensar em mim como uma pes­
soa arrogante e metida, mas eu realmente gostava do prestígio de
pastorear uma das maiores igrejas em meu círculo de amigos.
Então, a poderosa mão de Deus veio sobre a minha vida. (A con­
vite meu, devo acrescentar. Você sabe, fazemos pedidos a Deus sem
saber o que na verdade estamos pedindo.) “Se suportais a correção,
Deus vos trata como filhos; porque, que filho há a quem o pai não
corrija?” (Hebreus 12:7). Quando Deus me corrigiu, Ele bloqueou
o meu ministério, enviou-me para o deserto e consequentemente
me afastou da função de pastor também. Eu perdi todos os títulos e
posições que sempre possuí.
Então agora, estou em meio à crise de identidade da minha vida.
(*NRaizanos no am o k

Eu não tenho cargo cm minha igreja local; eu não tenho títulos an­
tes do meu nome e nem rótulos após meu nome; não estou lideran­
do equipes; não tenho seguidores. (Tudo isso aconteceu em virtude
da cníraquecedora enfermidade física mencionada 110 capítulo 6.)
Eu me esforcei para processar a multidão de tristes emoções e per­
das dolorosas enquanto ao mesmo tempo era enriquecido com algo
muito maior - o conhecimento do amor de Cristo. As dores da mi­
nha perda foram bastante reais, mas de conteúdo muito maior foi o
aprimoramento das revelações de Cristo em meu coração. Por causa
da minha crise de identidade, eu estava particularmente vulnerável
à inveja. E ainda assim, a graça de Deus tem sido abundante em
minha caminhada, fortalecendo-me com amor que acalmará todas
as tempestades da inveja.
E11 só posso contar-lhe do que eu alcancei. Eu estou perseguindo
um relacionamento pleno, estimulante e fascinante com o Amado
da minha alma, de forma que o meu senso de identidade seja encon­
trado em nada além do que eu sou em Cristo e em quem Ele é em
mim! Como João Batista, eu quero ser “grande diante do Senhor”
(Lucas 1:15), não diante dos homens - e tudo isso porque alcancei
um lugar de paz em quem eu sou diante do trono dc Deus. O segre­
do está em viver buscando a audiência de Deus, em uma vida que
seja vivida diante de Deus e não diante dos homens. Eu peço a Deus
para que as ambições carnais, existentes na minha alma, que dese­
jam reconhecimento diante dos homens, sejam transformadas em
ambição pela posse da grandeza entre os exércitos do céu. A questão
não é: “Quem eu sou na lêrra?” mas “Quem eu sou diante do trono
de Deus ?”.
Eu permaneço diante de Deus como um rei e sacerdote (veja
Apocalipse 1:6). Como sacerdote, eu ministro ao Rei na presença
da Sua glória; como rei eu sirvo como aquele que ajuda a reforçar as
contínuas ordens do Seu reino no coração dos homens. Esse é quem
eu sou - e esse também é você. Não existe busca por posição, por­
que todos nós compartilhamos igualmente a mesma posição diante
do trono dc Deus. Diante do Pai eu sou Filho, diante do Filho eu
:?6 CajMtUl.O 9

sou noiva. O conhecimento da minha identidade em Cristo pro­


duz uma grande profundidade de contentamento em meu espírito
e uma audácia em minha alma. As apaixonantes chamas do amor de
Deus me atraíram ao Seu coração, e agora estou livre do fardo que
antes fazia com que eu determinasse a minha identidade baseado
na comparação com outras pessoas. O conhecimento de Cristo está
me libertando (veja João 8:32). Quando contemplamos a Cristo
somos capazes de ver quem nós realmente somos. João descreveu
da seguinte maneira: “Mas sabemos que, quando ele se manifestar,
seremos semelhantes a ele; porque assim como é o veremos” (1 João
3:2). Quanto mais eu O contemplo, mais eu entendo quem eu sou.
Quando eu O vejo face a face, eu reconheço a plenitude de quem
eu sou. Eu não terei o entendimento de quem eu sou, até que eu
alcance essa plena revelação. O nível com o qual eu busco conhe­
cer o amor de Cristo é a medida que terei a minha disposição para
conhecer a minha própria identidade. E o nível com o qual eu luto
com a crise de identidade é a medida com a qual eu estou vulnerável
ao poder destruidor da inveja. Portanto, o melhor antídoto para a
inveja é o conhecimento do amor de Cristo. Enquanto o meu senso
de identidade nunca será completo até que eu O veja face a face,
quanto mais eu O contemplo pela fé, mais livre eu sou.
Eu determinei receber as promessas que Deus fez a Abraão: “Eu
sou o teu escudo, o teu grandíssimo galardão” (Gênesis 15:1). Deus
é o meu galardão. No final do dia eu alcanço a Deus! Então, eu já
sou incrivelmente abundante, além do que se possa imaginar. Nin­
guém pode acrescentar algo em mim porque eu já tenho tudo —o
próprio Deus. Não há ninguém na terra que possa adicionar ao que
Deus já mc deu. Contudo, meus irmãos e irmãs em Cristo têm um
importante papel em minha vida, ao ajudar-me a descobrir e en­
tender a plenitude do que já foi feito meu. Eu não preciso tentar
ter sucesso porque eu já sou um sucesso - eu recebi o abundante
amor de Cristo e agora sou filho de Deus. Eu tenho a maior riqueza
que qualquer ser humano pode alcançar, mas uma vez que o meu
conhecimento é limitado, eu continuo buscando o conhecimento
eNRaizaoos no amoR 157

de Deus em Jesus Cristo.


Por favor, não pense que estou defendendo um individualismo
que separe um indivíduo do restante do corpo de Cristo. Precisa­
mos uns dos outros! Efésios 3:18 deixa bem claro que a compreen­
são do amor de Cristo só é possível dentro da comunhão de “todos
os santos” Nenhuma pessoa solitária pode alcançar o pleno enten­
dimento do amor de Cristo. Na melhor das hipóteses, podemos
explorar uma minúscula fatia desse amor e persegui-la toda a nossa
vida em seus gloriosos limites. É por isso que precisamos de todo o
corpo para que o amor de Cristo seja manifestado. Quando cada
um de nós traz à mesa os frutos das conquistas de toda uma vida,
começamos a ver a imensidão do amor de Cristo. Ao invés de inve­
jar o que o outro descobriu deste imenso amor, eu me regozijo com
a descoberta, porque a conquista daquela pessoa agora enriquece a
minha vida.

A F alsa F o n t e de I d en tid ad e

Deus nos criou com uma necessidade de sabermos quem somos.


O anseio por uma identidade própria não é pecado, mas a maneira
como a buscamos pode ser pecaminosa. Adquirir a nossa identida­
de através do que possuímos ou temos nunca preencherá o vazio
do espírito humano. A única coisa que satisfaz esse vazio é um rela­
cionamento de amor com o nosso Criador. É sabendo quem somos
nos braços do nosso amado Noivo que nos estabelece em nossa ver­
dadeira identidade diante de Deus. Quando, no lugar secreto, Ele
sussurra para nós as Suas intenções, nos certificando o Seu afeto e
declarando quem somos nele, Ele está estabelecendo nosso coração
na graça. Se, por outro lado, tentarmos preencher os nossos anseios
interiores com sucesso, ou posições ou coisas materiais, sempre vol­
taremos para um vazio perturbador. E é esse vazio que gera a com­
petitividade no corpo de Cristo e nos faz suscetíveis à inveja. E só
olharmos para a vida de Saul.
Eu entendo, por experiência própria, a armadilha presente na
1^8 capituLo 9

busca do sentido dc identidade em meus sucessos e conquistas. A


razão pela qual eu chamo isso de armadilha é porque raramente
uma pessoa alcança uma linha inquebrável de sucesso em sua his­
tória. Para a maioria de nós, os dias maus são inevitáveis. Quando
a nossa identidade está fundada em nossa performance, então esta­
mos firmados cm uma terra comprometida. Em tempos bons, nos
sentiremos bem; em tempos difíceis nos sentiremos mal. A tirania
deste tipo dc montanha russa emocional nos deixa vulneráveis às
destruições da inveja. Quando a minha performance cai, e ela é a
minha identidade, então eu começo a olhar para o sucesso do meu
irmão com olhos invejosos.
O Senhor está ensinando-me que o meu senso de sucesso precisa
ser encontrado em Sua presença. Quando estou relacionado a Ele
em um amor profundo, eu tenho sucesso. E ponto final. Você deve
estar se perguntando: “O que eu posso fazer para encontrar a mi­
nha identidade em Cristo?” Para mim, a resposta será encontrada
cm meu “lugar secreto” de relacionamento com Deus. (Eu compar­
tilho o meu coração a respeito deste assunto em meu livro Secrets o f
the Secrets Places [Segredos dos lugares secretos]). À medida que eu
medito na verdade da Sua Palavra e permito que o Espírito Santo
personalize a Sua verdade cm meu coração, começo a queimar com
forte zelo porque estou tomando posse da Sua verdade enquanto
ela se aplica a minha vida. O Espírito Santo ajuda-me a crer no
amor de Cristo por mim, que é a mais deliberada revelação a ser
adquirida no universo.

e u DescoBRi çue é possíveL aLcaNçaR


o su c esso DiaNte dos nomeNs, mas s c r
áRiDO e seco DiaNte De Deus.

As conquistas ministeriais podem me enganar com o pensamen­


to de que elas são a medida da aprovação de Deus em minha vida.
Eu descobri que é possível alcançar o sucesso diante dos homens,
mas ser árido e seco diante de Deus. Há um lugar em Deus onde eu
c N u a iz a D o s n o am oR

realmente posso adquirir meu senso de identidade e plenitude ao


adorá-IO e olhar para a Sua face. Eu alcancei um vislumbre disso, e
estou buscando alcançá-lo de todo o meu coração.
Quando o meu senso de identidade pessoal c fundado na rocha
do amor de Cristo para mim, estou seguro em minha identidade
porque o amor de Deus é incondicional, sem ter conexão com a
minha performance ministerial, seja ela qual for. Mesmo quando
o meu ministério está crescendo e a unção está quebrando jugos
de escravidão em outras vidas, o Seu amor permanece plenamen­
te constante. Deus deseja que nós deixemos de encontrar a nossa
identidade em nossos dons para a encontrarmos em Seu amor. E
eu sou Seu filho, escondido com Cristo em Deus, assentado com
Ctisto nos lugares celestiais, vencendo o mundo. Eu sou aquele que
permanece em Sua presença e contempla a Sua face. E isso o que
eu sou e é isso o que eu faço. E nenhuma pessoa ou crise pode me
afastar desta identidade.
Foi o conhecimento de Jesus a respeito de quem Ele eta que
O permitiu servir aos outros abnegadamente (veja João 13:3-5).
Acontece da mesma maneira comigo. Quando entendo de onde eu
vim e para onde eu vou - em outras palavras, quando eu sei quem
eu sou - posso servir da maneira mais humilhada possível porque
tenho certeza da minha identidade. Um dos dissuasores mais pode­
rosos para a inveja é o ato de pegar a toalha do servo e lavar os pés
dos outros, suprindo as suas necessidades.
Um amigo pessoal, Pastor Michael Cavanaugh, disse-me como
ele escolheu tratar agressivamente com um leve matiz de inveja que
ele estava sentindo. Naquela época, Michael e eu éramos pastores
de igrejas diferentes em duas comunidades separadas por aproxima­
damente 24 km. As nossas igrejas eram saudáveis e estavam cm cres­
cimento, e ambas estavam 110 processo de construção de um novo
santuário. Contudo, a nossa igreja começou a ser construída antes
da deles. Na época, aos olhos do meu amigo Michael parecia que
estávamos sempre há apenas um passo à frente deles.
Com o passar do tempo, ele começou a perceber pequenos si­
no c a p itu lo 9

nais de competição entre os nossos ministérios. Ele não estava certo


se a competição estava em nós com relação a eles ou neles com re­
lação a nós, mas ele decidiu fazer algo a respeito. O que ele fez? Ele
se enrolou na toalha de servo. Certo domingo pela manhã, ele e os
líderes de sua igreja decidiram pegar todos os dízimos entregues em
sua igreja e designá-los para o nosso novo programa de construção
e enviar a soma total para a nossa igreja.
Quando os membros da igreja dele ficaram sabendo do plano,
eles ofertaram além da média naquele domingo de manhã. Você
pode imaginar a nossa surpresa quando, ao chegar o nosso correio
naquela semana, vimos um cheque de quase $14,000? Ficamos
completamente gratos a Deus e maravilhados com a generosidade
dos santos. Basta dizer que o gesto de serviço foi uma linda cura
para qualquer vestígio de competição e inveja que quisesse se escon­
der entre nossos ministérios.
■\
cls vezes, é teNtaDOR peNsaR çue ceRta
pessoa ou gRupo está coNteNno n o s s o
poteNciaL em CRisto, mas N i N g u é m poDe LHe
impeoiR oe possuiR o Seu gloRioso amoR?

Após estarmos em nosso novo templo, a nossa igreja respondeu


com um gesto semelhante para com a igreja deles. Então, o nosso
mútuo amor e lealdade um para com o outro foi elevado.
Quando estou enraizado no amor, então a promoção e o re­
baixamento serão cada vez mais semelhantes para mim. Quando
eu compreendo o amor de Cristo por mim, então a promoção do
nível humano parece cada vez mais fraca e temporária para mim
porque posso discernir adequadamente a essência do seu orgulho.
E ao mesmo tempo, o rebaixamento perde o seu aguilhão porque a
minha confiança diante de Deus não é afetada pelos maus tempos
da existência humana. O que realmente importa é ter o poder do
amor de Deus movendo e dirigindo o meu coração com chamas
de afeto. E aqui, neste amor, que a inveja é dissipada e verdadeiros
eN R aizaoos n o am oR U'

avivamentos de proporções históricas nascem.


Ninguém mais pode impedir a sua busca pelo soberano cha­
mado dc Deus em Cristo Jesus. As vezes, é tentador pensar que
certa pessoa ou grupo está contendo nosso potencial em Cris­
to, mas ninguém pode lhe impedir de alcançar o Seu glorioso
amor! Ninguém pode diminuir ou atrasar o ritmo da sua bus­
ca quando o seu coração está decidido a correr a maior corrida
de fé e amor. Mesmo se a sua igreja encerrar o seu ministério, ela
não pode parar a sua vida íntima em Deus. A busca pelo amor de
Cristo nos liberta das algemas que talvez os outros queiram colo­
car em nós, seja essa pessoa um cônjuge não salvo, um colega de
trabalho ou um líder da igreja. A verdade desta liberdade irá neu­
tralizar qualquer inveja que deseje se levantar em nosso coração.

ITíesmo se a sua igReja eNceRRaR o seu


miNistéRio, eLa Não pone paRaR a sua
vioa ÍNtima em Deus.

E m R esumo

A minha oração é para que este livro nos dê coragem, sempre


que sentirmos dor com o sucesso de outra pessoa, de admitir a nos­
sa inveja, ser honestos a esse respeito e levar a questão aos pés da
cruz. Fm lugar de invejar o que Deus deu ao outro, sejamos gratos
por estarmos no mesmo time. Enquanto todos nós desejamos que o
poder e a glória de Deus sejam manifestos em nossa geração, talvez
a coisa mais significante que podemos fazer para promover o cresci­
mento do reino de Deus é derrubar as barreiras da inveja assim que
as percebermos cm nosso coração.
Ao invés de competirmos e invejarmos uns aos outros, vamos
celebrar o que o céu depositou uns nos outros. Sejamos ciumentos
pela maturidade dos nossos irmãos e irmãs. Conforme sentimos a
medida da graça entregue para cada um de nós, recebemos o poder
de caminharmos juntos em comunhão e unidade. Quando eu libe­
142 c a p i t u l o 9

ro você para agir em sua esfera, eu não estou colocando em risco


a minha própria esfera; ao invés disso, estou me qualificando para
colheitas maiores em minha própria esfera.
Este livro é simplesmente um chamado para caminharmos cm
amor. Primeiro, crer e receber o grande amor que Deus tem para
nós; e então refletir esse amor para os nossos irmãos e irmãs. Oh,
que recebamos a revelação do status que Deus tem nos dado em
Cristo Jesus diante do Seu trono! Se verdadeiramente entendermos
nossa identidade em Cristo, nunca mais sentiremos inveja. O gran­
de antídoto para a inveja é a busca do conhecimento do amor de
Cristo.

O M o n t e de C a leb e

Eu gostaria de concluir com a história de um homem da Bíblia


chamado Calebe. Calebe foi um dos doze espias enviados à Canaã
para espiar a terra quando o povo de Deus acabara de emergir do
Egito. Calebe (junto com Josué) trouxe um bom relatório para o
povo, que com a ajuda de Deus eles seriam capazes de conquistar
a terra de Canaã. Dez dos espias trouxeram um relatório ruim dc
descrença, fazendo com que a nação recuasse com medo. O povo
decidiu que não podia conquistar Canaã, uma decisão que provo­
cou quarenta anos de perambulaçôes no deserto. Josué e Calebe
estavam dispostos a perambularem com os israelitas até que toda
nação estivesse pronta para entrar em Canaã.
Eu sempre tenho esse sentimento secreto escondido em minha
mente: Senhor.; eu acho cruelfazer Jomé e Calebe, que estavam pron­
tos para entrarem em Canaã, perambular por quarenta anos no de­
serto por causa da falta defé de outros homens. Mas depois, o Senhor
começou a mostrar-me o restante da história.
Quando lemos o final da vida de Calebe, observamos que ele
acaba herdando um monte inteiro em Canaã (veja Josué 14:6-15).
Enquanto todos os outros recebiam uma casa no campo, Calebe
recebeu um monte inteiro.
eNRaizaDos no amoR 143

Quando Calebe precisou voltar de Canaã pela primeira vez e en­


carar o deserto, eu posso imaginar Deus dizendo: “Calebe, eu amo
muito você, e admiro tanto a sua posição de fé e lealdade a mim,
que vou contar-lhe algo. Eu não quero entregar-lhe simplesmente
uma casa no campo, como todos os outros. Eu quero entregar-lhe
uma herança maior por causa da sua fé e do seu amor; eu quero
lhe entregar um monte. Mas se Eu lhe entregar o monte neste mo­
mento, você não pode imaginar a inveja que iria surgir no meio da
nação. Todos teriam imediatamente uma explosão de raiva! Todos,
inclusive seus irmãos, reclamariam com o mais alto céu sobre a in­
justiça que é receber um monte inteiro, só porque é um homem
de fé. Então aqui está o que iremos fazer para cuidar da questão
da inveja. Se você caminhar fielmente diante de Mim por quarenta
anos no deserto, com o Meu povo, Eu lhe fortalecerei e suprirei as
suas necessidades, e então conduzirei você à terra. Ao permanecer
pacientemente por quarenta anos com os Meus escolhidos, você ga­
nhará credibilidade diante de toda a nação, o que é necessário para
quem pede um monte.”

Deus nos Dá pais espiRituais çue pagaRam


o pReço Da peRmaNêNcia n o DeseRto até
aDçuiRiRem autORiDaDe DiaNte DeLe
e CReDiBiLiDaDe com o Homem paRa peDiR e
ReceBeR um moNte iNteiRO Na gRaça De Deus

Quando Calebe finalmente pediu o seu monte, ninguém recla­


mou. Ninguém disse: “Mas eu só recebi uma casa no campo!” To­
dos daquela nação disseram: “Calebe deseja um monte? Dê a ele
um monte! Ele permaneceu com fé por quarenta anos; então, se
tem alguém que merece isso, essa pessoa é Calebe.”
Calebe, através da sua fé e paciência, terminou com uma herança
tão grande que ele possuía o suficiente para dar não apenas aos seus
filhos, mas também a sua filha, Acsa. Ela estava plantada no amor
do seu pai, então ela disse para si mesma: “Meus irmãos têm em
144

abundância, por que não deveria pedir ao meu pai o que eu também
quero?” Ela pediu, e ele concedeu. Na verdade, ele deu mais do que
ela pediu, entregando a ela tanto as fontes superiores quanto as fon­
tes inferiores (veja Juizes 1:15).
Eu tenho ouvido algumas irmãs no corpo de Cristo reclamarem:
“Eles não querem conceder-me herança alguma na minha igreja.”
Talvez seja porque tudo o que os irmãos têm é uma casa em um
campo, e desde então eles estão repartindo mentalmente essas ter­
ras, esperando o pai morrer. As irmãs, eles decidiram, ficarão com
nada.
Para as irmãs ficarem com uma parte da herança, elas precisam
ter um pai rico. Meu espírito diz: Deus nos dá pais espirituais que
pagaram o preço da permanência no deserto até adquirirem auto­
ridade diante Dele e credibilidade com o homem para pedir e rece­
ber um monte inteiro na graça de Deus. Então, como Calebe, eles
terão uma herança espiritual suficiente para distribuir para os filhos
e para as filhas da mesma forma.
Quando o Papai lhe entrega a herança, ninguém pode argumen­
tar: “Mas você é irmã, você não deveria estar fazendo isso na igreja!”
As irmãs contestam: “Se você tem algum problema com o fato de
eu estar vivendo neste território, fale com o Papai. Ele que me deu
esta terra.” Ninguém questionaria o pai porque eles sabem o que
ele iria dizer: “Não é permitido que eu faça o que eu quiser com as
minhas coisas? Ou o seu olho é mau porque eu sou bom?”
Quando os pais espirituais distribuem a herança, o argumento
acaba. E os irmãos não invejam porque receberam mais do que o
suficiente para eles mesmos.

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