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RESUMO DE CRIMES OMISSOS E NEGLIGENTES

1- Sobre o crime e seus elementos constitutivos responde:

a) O que é o crime do ponto de vista dogmático?

R: A Crime é toda acção humana, típica, ilícita e culposa.

b) Do ponto de vista dogmático quais são os elementos constitutivos da infracção


penal?

R: Os elementos da infracção penal são:

• A acção
• Típica
• Ilícita
• Culposa

2- Sobre a evolução histórica dos crimes por omissão responde:

a) Em que consistiam os crimes por omissão no período liberal?

R: No período liberal os crimes por omissão eram diminutos e consistiam em:

• Na falta de prestação do serviço militar.


• Não prestação de socorro a pessoa em perigo;
• Não pagamento de impostos.

a) Como se caracteriza o Direito penal nos Estados totalitários?

R: Caracterizava-se em :

• Imposição de deveres aos indivíduos nomeadamente: forma de


comportamento;

• Forma de Pensar: na família, vida militar, laboral entre outros.

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b) Como se caracteriza o Direito Penal no período pós-guerra mundial?

R: Neste período pressupõem a passagem do estado liberal para um estado de


direito democrático - o próprio estado assume uma função de prestador. O
fenómeno omisso assume outros contornos:

• O direito penal vai mais longe na função, para além de protecção


subsidiária de bens jurídicos.
• Procura alcançar a promoção de valores jurídicos;
• Por um lado excessiva criminalização das condutas omissas trazendo
consequências indesejadas, tais como: excessiva intromissão na vida
privada; e por outro lado, é justificada numa sociedade de novos riscos,
pautada pela solidariedade.

3- O que é a omissão?

R: A omissão traduz-se em deixar de levar a cabo uma certa actividade num


determinado momento, sendo esta esperada. Omissão não significa um simples nada
fazer mas um não fazer algo determinado.

• O crime é sempre uma acção humana, um facto voluntário, dominado e


dominável pela vontade, tal comportamento pode consistir tanto num
comportamento positivo - uma acção, como num comportamento
negativo – omissão, quando o agente não leva a cabo a acção esperada.

• A omissão será assim uma abstenção da actividade que o agente poderia


e deveria ter levado a cabo por forma a evitar a ofensa do bem jurídico
tutelado, é um non facere penalmente relevante. Essencial para haver
omissão será o não ter agido da forma imposta pela lei e por essa falta
de acção ofender-se ou colocar em perigo de lesão o bem jurídico.

4- Sobre as teorias da distinção entre conceito de Acção e Omissão responde:

a) O que defende a Teoria de Gunter Stra Tenerth?

R: Segundo esta teoria a distinção entre a acção e a omissão deve residir na


forma de criação do crime:

• Acção: avançaremos para uma acção sempre que o sujeito com o seu
comportamento o tenha criado ou agravado.

• Omissão: ser-lhe-á imputada uma omissão quando o sujeito, estado


perante uma ameaça que ponha em causa um bem jurídico nada faça
para eliminar ou diminuir.

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b) Quais são as duvidas que se levantam sobre a teoria de GUNTER?

R: está teoria trás consigo consequências nefastas que justificarão uma punição
jurídico-legal.

c) Fala da Métafora de George Fletcher:

R: Segundo Fletcher, a falta de rega de uma planta, quando o contrario é


razoavelmente esperado, pode “causar” de a planta morra. – o mesmo se
passará quando o sujeito omite a acção devida.

d) Como George Fletcher define a omissão?

R: Para Fletcher a omissão consistirá no não cumprimento de um dever


juridicamente imposto, sendo precisamente a não realização da acção
esperada, o fundamento da sua punição.

5- Sobre a capacidade do omitente para praticar a acção esperada responde:

a) O que entendes por capacidade de culpa ou imputabilidade?

R: A capacidade é a medida das possibilidades que o agente possui em geral de


representar o querer. Essa acção tem de ser relevante para o direito penal, se a
acção lhe é impossível, tal omissão não deve ser relevante para a
criminalização. Portanto, não basta afirmar a sua impossibilidade, seja ela
absoluta ou relativa, para que o mesmo não seja punido, uma vez que o
omitente, caso esteja impossibilitado se encontra obrigado a promover auxilio.

b) O que é o omissio liber in causa?

R: É a situação no qual é o próprio omitente que se coloca no estado de


impossibilidade de proceder a acção salvadora, razão pela qual deverá ser
punido.

6- Sobre a teoria de Claus Roxim responde:

a) Como deve ser configurada a omissão segundo Roxim?

R: Claus Roxim, defende que a omissão deve ser configurada em duas


forma:
• 1 – Quando o indivíduo tem o domínio da situação, passa a intervir
para impedir o resultado.

• 2 – Os casos em que a omissão aparece como intervenção


configuradora em sentido pré jurídico social – onde a acção se
encontra desde o inicio planificada dando –se particular atenção ao
seu significado social, compreender-se-á que a omissão seja
socialmente apreendida como uma manifestação de cometer.

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Portanto, Roxim entende que: Cometer ou omitir do ponto de vista
autológico não coincidem com o significado social deste par de
conceitos, (cometer ou omitir). O que outologicamente é uma
omissão nem sempre é também no sentido social.

b) Enuncie as quatro hipóteses que configuram uma acção por comissão.


As quatro hipóteses são:

• Participação activa no delito de omissão;


• Omissão libera in causa;
• A interrupção de um processo de salvamento já iniciado pelo
agente;
• Interrupção de um tratamento médico;

7- Sobre os crimes omissivos responde:

a) Como podem ser os crimes omissivos?

R: Os Crimes omissivos podem ser:

• 1- Crimes omissivos próprios ou puros;

• 2- Crimes omissivos impróprios ou impuros – também designados por


crimes de comissão por omissão.

b) Quais são os 3 critérios de distinção entre crimes omissivos próprios e puros


e impróprios e impuros?

R: Os critérios são:

• Critério Normológico;
• Critério tipológico; e
• Critério Tradicional.

c) Fala do critério Normológico.

R: Segundo este critério, ocorre omissão própria – quando a norma violada


seja perceptível

Ocorre omissão imprópria – quando a disposição legal desrespeitada seja


proibitiva.

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Critica a este critério:

A critica deve-se ao facto deste critério parecer ignorar que todas as omissões
desrespeita, ainda que indirectamente, uma norma perceptível, nomeadamente
no caso de omissões impuras a posição de evitar determinados resultados.

d) Fala do critério tipológico.

R: Este critério é defendido por Kaufmann, apresenta que:

• Estamos perante um caso de omissão pura, se esta desrespeitar uma


previsão expressamente legal;

• Estamos perante um caso de omissão impura, nos casos em que tal


previsão não existe e a responsabilização pela mesma terá de ter lugar
através de uma cláusula de equiparação conjugando essa mesma clausula
com o tipo penal do crime comissivo.

e) Fala do critério Tradicional.

R: Também conhecido como critério dominante, é um critério determinante


pois será a consideração ou não do resultado como elemento essencial do facto
ilícito, constituindo as omissões próprias o reverso dos crimes de mera
actividade e por sua vez, as omissões impróprias o reverso dos crimes de
resultado.

8- Em que consiste o facto criminoso segundo Eduardo Correia?

R: Para Eduardo Correia o facto criminoso pode consistir em:

• Na ausência de uma certa actividade – o prendimento deste delito


resulta apenas de o agente não levar a cabo alguma coisa que se lhe
exige. Este são os chamados crimes de omissão pura.

• Na realização ou perigo de realização de um evento na medida em que o


agente não o evite, neste caso o preenchimento de tipo legal de crime
resulta de o agente deixar de levar a cabo uma actividade que obstaria a
produção do evento descrito no tipo – são os chamados crimes de
resultado sob forma de comissão por omissão.

Assim, defende o mesmo autor que:

• Serão crimes de omissões próprias ou puras: aquelas em que a lei


para sua verificação não exige produção de qualquer resultado; estes
crimes são também tradicionalmente designados por crimes de
forma ou crimes de perigo. Ex.: O crime de omissão de auxilio.
• Crimes de Omissão Imprópria ou impura: são aqueles em que o
agente se encontra juridicamente investido na obrigação de actuar

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de modo a evitar à ocorrência de um resultado desvalioso previsto
na lei. Ex. Crimes de homicídio cometidos por omissão; crimes de
ofensas a integridade física quando cometidos por omissão.

9- Distinção ente Crimes de omissões próprias e impróprias segundo Roxim.

R: Claus Roxim, defende que o essencial para a distinção elencada, será o


facto das omissões puras não encontrarem uma correspondência nos crimes por
acção, nos crimes de omissão impura essa mesma correspondência faz-se
através de uma equiparação ou seja através de uma clausula de equiparação,
que podem ser:

• Equiparação implícita;

• Equiparação explicita – art. 284.º e 286.º CP omissões impuras.

Seja ela implícita ou explicita é o próprio tipo legal a prever que este
delito possa ser cometido por:

• Acção;
• Omissão.

Ex. o crime de negação de justiça ou o crime de prevalicação.


Consultar os artigos: 29.º, 284.º, 286.º, 361.º, 365.º , 346.º CP

10- Fala da Posição de Silva Chances sobre a categoria clássicas de Omissão


Pura e Impura.

R: Para Chances, ao lado das Categorias Clássicas de Omissão pura e omissão


impura, deveria surgir uma terceira categoria – Categoria Intermédia, por ele
denominada de omissão pura de garante, exemplo seria o crime de omissão de
auxílio. Esta encontra fundamento na existência de uma base funcional
especifica e aqui também concorda André Lamas Leite.

Como tal diversamente do que ocorria nas omissões puras em geral, caso o
resultado ocorresse e, ainda que este não fizesse parte do tipo objectivo de
ilícito, a sua punição seria mais rígida precisamente devido a um dever especial
de obrigar

Importa salientar, que esta categoria introduzida por Chances, não é acolhida
por outros grandes autores, pois tal tripartição não terá razão de ser, podendo
tais situações ser correctamente solucionadas mediante ao recurso as
categorias clássicas de omissão pura e omissão impura.

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11- OMISÃO:
Omissões:
1- Estrutura do comportamento: não fazer qualquer coisa que se deve fazer.

2- A lei penal contém proibições e comandos;


3- Os comando são violado por omissão;

4- As proibiçoes são violadas por acção e punidas;

5- Existem tipos de resultados - Crimes materiais que podem ser


preenchidos por acção ou por omissão.

6- Só quem tem posição de garante da não produção de


resultado responde por não evitar um resultado proibido,
como por ex. a morte.

12- Omissões puras e Impuras:

Omissões: Puras e Impuras

1- Omissão pura é um crime formal;

2- Omissão impura é um crime de resultado.4-


resultado.4 As proibiçoes são violadas por acção e
punidas;

13- Garante:
Garante: Doutrina Tradicional
1- Lei.

2- Contato;
3- Ingerência;

4- Comunidade de perigo, artgos 345.º, 346.º, 361.º CP.

14- Concepção material:

Concepção material:

1- Resposabilidade por protecção de um determinado bem juridico;

2- Responsabilidade por uma fonte de perigo ou de perigos;

Obs: Defende Figueiredo Dias, que é sempre essência a assunção fáctica real da posição
de responsabilidade.
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15- Qual é a posição de Figueiredo Dias relativo as fontes do dever de garante?

R: Figueiredo Dias, defende que a lei, o contrato, a ingerência não devem


constituir fontes do dever de garantia.

16- Sobre o dever de garante e as suas várias compreensões responde:

a) O que é necessário para que possa haver punição por omissão imprópria?

R: É necessário a existência de um dever de garante que imponha ao


sujeito o ónus de evitar um concreto resultado.

b) O que defende Jakobs sobre a determinação da posição de garante?

R: Para Jakobs, a determinação da posição de garante é uma das tarefas mais


difíceis da dogmática da parte geral.

Em primeiro lugar, importa referir que as expressões:

• Posição de garante; e
• Dever de garante.

Muita vezes utilizadas com o mesmo significado, são conceitos distintos


cujas diferenças importarão, por exemplo, quanto a relevância do erro em sede de
responsabilidade penal:

• O dever de garante, consiste no dever que impenderá sobre determinada pessoa


de evitar um resultado.

Enquanto que:

• A posição de garante, refere-se a situação fáctica em que se encontra a pessoa


onerado com o tal dever.

17- Debruça sobre as teorias formais defendidas por Feuerback.

R: As teorias formais foram inicialmente preconizadas por Feuerback, surgiram


nos quadros do naturalismo e do positivismo, sendo predominantes no panorama
jurídico até inicio do séc XX.

Segundo estas teorias, a responsabilização por omissão imprópria surge se


houvesse a violação de um dever de garante emergente de apenas duas fontes:

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• A lei e o contrato.

Obs.: Coube a FEUERBACK, pela primeira vez, demonstrar que nem todas as
omissões são susceptíveis de levar a uma responsabilização por crime comissivo
omissivo. Talvez por isso, a ele coube desenhar também i primeiro critério de
fundamentação do dever de garante.

Defende Feuerback, que um crime de omissão pressupõem sempre um especial


fundamento jurídico (a lei ou o contrato) – através do qual se dê base a
obrigatoriedade da comissão, sem aquele ninguém será criminoso.

Obs.: 2 – Defende SETUBEL, que quem mediante uma conduta activa (fazer
precedente) criar-se o perigo de lesão do bem jurídico, terá o dever de o remover
de modo a evitar o resultado danoso.

• Defesa das teorias formais em Portugal: estas teorias surgem aquando da


passagem de um Estado de Direito Liberal para um Estado de Direito Social, e
inspirando-se na doutrina francesa, defendia-se que apenas poderiam ser
cometidos por omissão:

 Os crimes de homicídio; e
 Os crimes de ofensas a integridade física.

Os defensores desta posição foram Beleza dos Santos, e mais tarde, Eduardo
Correia. Este último veio posteriormente admitir a sua materialização desde que as
mesmas fontes encontrassem um seu reflexo numa disposição legal.

18- O que defende Cavaleiro Ferreira sobre as fontes do dever de Garante?

R: Cavaleiro Ferreira defende que a única fonte possível do dever de garante


seria a lei penal, pois dizia que, se assim não fosse, estar-se-ia perante uma
clara violação do principio da legalidade.

19- Fala das vantagens da Teoria Formal.

R: Embora fossem claras as vantagens da teorias formal para a certeza e a


segurança jurídica e as mesmas evidenciassem a impossibilidade de quaisquer
concepção éticas ou religiosas, servirem de fundamento para emergência do
dever de garante, cedo se começaram a revelar as suas fragilidades, pois
criticava-se a excessiva formalização das suas fontes vazias de um sentido
axiológico de lado insustentável num direito penal que se almeja impregnado
por princípios e valores.

Nota do Autor:
Caros colegas esta matéria é bastante complexa e de difícil percepção a prior este resumo reflecte o espírito aventureiro do
académico em tentar encontrar uma via flexível de compreensão dos conteúdos administrado, justifico deste pode as possíveis
incompreensões que podem surgir na leitura deste resumo.

Falta acrescentar as soluções às teorias formais penúltimo subtítulo da matéria ditada…

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