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ANO XVI RIO DE JANEIRO, 19 DE NOVEMBRO DE 1984 NQ 789

Com a finalidade de reprimir o roubo de carros, o. Presidente Alfredo Stroess


1 ner., do paraguai, autorizou o exercito a intervir na cidade de Presidente
Stroessner, na fronteira com o Brasil, junto ã cidade de Foz do Iguaçu. O che
fe do Departamento de Roubos e Furtos da Policia foi destitu;do alem de outros fun ~
cionários envolvidos no tráfico de ve;culos roubados.

Dia 8 de novembro, a nave espacial "Discovery" foi lançada com a missão de res
~ gatar dois satelites em órbita errada por falha de seus motores propulsores:
Os dois satelites, depois de resgatados, serão trazidos de volta para a Terra.
São eles o "Palapa B-2, encomendado pelo governo da Indonesia, e o "West Star", de
propriedadeda "West Union". Depois que se colocaramem órbita errada, as compa - .

nhias seguradoras tiveram de pagar cerca de US$ 180 milhões para seus proprietários.
Agora, as sociedades seguradoras estão pagando US$ 10,5 milhões ã Administração Na~
cional de Aeronáutica e Espaço (Nasa) para resgatar os dois satelites.

O Ministerio do Trabalho divulgou no "Diário Oficial" da União a Portaria MTb


:3 nQ 3 246, que estabelece os novos valores de recolhimento da Contribuição Sin-
dical. Segundo a Portaria, as firmas ou empresas com o capital social supe-
rior a Cr$ 70 bilhões 398 milhões 400 mil recolherão a Contribuição Sindical máxima
de Cr$ 24 milhões 850 mil'635,00. O ato ministerial atuali~a os valores das tabelas
expedidaspela portàrianQ 3 095/84. (ver seção PODER EXECUTIVO)

Nos próximos dois anos - informa "0 Estado de São Paulo" -, o "Lloyd's Regis
4 ter of Shippin~" implantará uma rede mundial de mini.~omputadores para melho ~
rar a comunicação, processamento e armazenamento de dados em seus escritórios
de mais de 50 pa;ses. Quando entrar em funcjonamento, o sistema Dermitirá maior ra-
pidez ~os trabalhos de supervisão do"Lloyd's Register of Shippingl; proporcionando in
formaçoes atualizadas de todos os navios por ela classific~dos. r
prevista a insta~
lação de mais de 100 minicomputadores "Prime 2 250".

A Tokio Marine completou 25 anos de Brasil. Aqui iniciou com uma Representa -

5 ção Geral, a cargo da seguradora inglesa "Yorkshire".


presentação,
Ainda nessa fase de re-
participou do capital acionário da Concórdia. Finalmente, adqui-
riu o controle acionário de uma antiga seguradora,fundada em 1887: a "Varejistas". A
operação foi real izada em 1972, quando então a empresa tomou a denominação socfal'ate
hoje mantida: America Latina Companhia de Seguros. No Relatório Anual de 1983,_ pu-
blicado com excelente apresentação, a America Latina registrou uma resenha historica
desses 25 anos da Tokio Marine no Brasil, jubileu pelo qual registramos nossas con -
gratulações.

A Association Internationale des Societes d'Assurance Mutuelle, com sede em


6 Amsterdam (Holanda), acaba de editar o quarto volume do "Dicionário de Termino
logia Mutualista". Com 264 páginas e apresentação de Otto Saxer, presidente
da AISAM, o "Dicionário" e um trabalho de importância fundamental para todos aqueles
que atuam no Mercado Segurador, dando uma visão global do sistema de seguro mutualis
pa; ses.
ta em diversos -
Estudos e Opiniões

POR QUE OCORRE UM ACIDENTE DE TRABALHO ?

Eng2 ANTÔNIO fERNANDO NAVARRO*

Quais serao os motivos por que ocorrem os acidentes de trabalho? O que


eles representam para a Nação, para os empregadores e para as segurad~
ras?

o Decreto Lei de n9 83.080/79 define o acidente de trabalho como sendo

aquele que ocorre pelo exercício do trabalho a serviço da empresa, pr~


vocando lesão corporal ou perturbação funcional que cause a morte. ou
a perda ou redução permanente ou temporária da capacidade de trabalho.
Equiparam-se ao acidente de trabalho. entre outros. para fins de con-
cessão de benefícios:

a) doença profissional ou do trabalho;


b) acidente sofrido pelo empregado no horário e local de trabalho devi-
do a atos de sabotagem, ou terrorismo {praticado inclusive por com-
panheiro de trabalho, ofensa fIsica intencional motivada por disputa
relacionada com o trabalho, imprudência, negligência ou imper!cia de
terceiros (inclusive companheiros de trabalho), ato de pessoa priva-
da do uso da razão, desabamento, inundação ou incêndio;
c) acidente sofrido pelo empregado, ainda que fora do local de trabalho
e horário de trabalho, na execução de ordem ou realização de serviço
sob autoridade da empresa, na prestação expontânea de qualquer servi
ço à empresa para lhe evitar preju{zo ou proporcionar proveito, em
viagem à serviço da empresa, no percurso para o trabalho ou desse Pâ
ra aquela, no percurso para o local de refeição ou de volta dele em
intervalo de trabalho.

Como
-. -
se ve a definiçao de acidente de trabalho e bem vasta, nao abran
,-
gendo tão sàmente, como se poderia depreender ~ princIpio, o acidente
sofrido por um empregado de uma empresa, no horário e local de trabalho
e na execução de uma tarefa determinada.

EstatIsticamente várias são as formas de avaliar-se a incidência de a-

cidentes de trabalho. são eles: Taxa de Freqüência, Taxa de Gravidade e

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J
indice de Avaliação da Gravidade.

Nosso PaIs, em princlpios da década de 70 era o campionlssimo em acide~


tes de trabalho. Infeliz~ente éramos também os "maiores" e os "melhores'
em lndices de acidentes. Muita coisa foi feita desde então, com o obje-
tivo de redwzir-se esses indices a valores considerados como aceitáveis
pelos organismos internacionais. Entretanto, ainda hoje, apesar de todo
o esforço, nossos percentuais são bastante elevados. O Dr. francesco De
Cicco, em um excelente trabalho publicado pela fUNDACENTRO, intitulado-
~RASIL, 1980 : Estatisticas de Acidentes do Trabalho;' fez uma cataloga-
ção de acidentes, baseado em trabalhos da DATAPREV e do M.P.A.S.. Para
exemplificar com alguns dados reais obtidos através da Coordenadoria de
Informática da Secretaria de Planejamento do INPS, citamos alguns dados
relativos ao ano base de 1980.

.
1) Acidente Tipico . 1.404.531 acidentes (95,9%)
.
Doença Profissional . 3.713 acidentes ( 0,3%)
.
Acidente de Trajeto . 55.967 acidentes ( 3,B)

11) índices por acidentes liquidados


acidentes com simples assistência médica .
. 207.375 (13,B)
incapacidade temporária (menor que 15 d)
.
. 791.504 (52,6)
incapacidade temporária (maior que 15 d) + 473.964 (31,5%)
incapacidade permanente c/ auxílio suplementar : 9.911 ( 0,6';)

incapacidade permanente c/ auxIlio acidente


.
. 13.118 ( 0,9%)

aposentadoria por invalidez


.
. 4.896 ( 0,3%)

óbitos .
. 4.824 ( 0,3%)

111) índices de acidentes por setores de atividades mais significantes


"a ...
ate a 10- colocaçao:
indústria da madeira e cortiça 27,3~
indústria do mobiliário 20,6%
indústria extrativa mineral l8,7~
administração de portos e aeroportos 15,1%
indústria metalúrgica 14,2%
industria de bebidas 13,4%

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indústria de produtos alimentares 12,8%
indústria mecanica 12,710
construção civil 12,310

IV) índice de Dias-Homem perdiaos até a 5~ colocação

c~nstrução civil 23.055.472

indústria de madeira e cortiça 6.992.659

comércio varejista 5.954.939


indústria mecanica 5.756.678
.
indústria de produtos alimentIcios . 5.411.544

Após a apresentação destes números pode-se ter uma pálida idéia do que
representam os acidentes de trabalho para o PaIs, para os empregadores
e para as seguradoras. Entretanto, perguntamos se esses números não po-
deriam ser reduzidos ao m{mimo, ou quem sabe, completamente eliminados?
A eliminação total não é possIvel, porque a possibilidade de ocorrência
de um acidente não é dependente de um único fator, mas sim de uma infi-
nidade de fatores, agravados inclusive por condições de momento.

Um operário em final de turno está sempre mais propenso a acidentes do


que em inIcio de turno. A perda do seu time de futebol para um outro ti
me também é um fator preponderante para a ocorrência de acidentes. Pe-
t AI A Â ,
r~odos de recessao economica, dias de pagamento, final de mes, vesperas
de feriados, etc, são fatores que propiciam o surgimento ~e acidentes .

Como se vê, todo e qualquer fator que motive o desequilIbrio psico-so


cial ca ser humano é um fator de acidente;

Agora imaginemos que todos esses fatores podem ocorrer com cada um dos
membros de uma comunidade operária, a todos os instantes, envolvendo os
próprios participantes e terceiros. O que se observa então é que a err~
dicação dos acidentes é uma obra impossIvel. Entretanto, a redução sem-
pre é possIvel desde que sejam criadas condições condignas de trabalho,
treinamento adequado e equipamentos e materiais adequados.

Recentemente um fato nos chamou a atenção, apresentado pelos jornais de


maior circulação. Foi uma reunião de mais de 1.000 pessoas em uma cida-
de do nordeste, apresentando parte dos membros superiores amputada por

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motores de desfibrar sisal. A cena apresentaca das pessoas expondo as
partes de seu coroo amputadas foi chocante para todos nós. O que faltou
àqueles homens e mulheres para que não tivessem sido acidentados? Será
que uma máquina adequada já não teria sido suficiente, ou quem sabe um
treinamento especifico para esse tipo de operação? Falou-se também que
essas pessoas recebem por produção, isto é, ganham pelo que produzem .

Nessa condição quanto mais rápida trabalharem mais produzirão e, conse-


q~entemente, mais receberão. Se montarmos a nossa seqüencia lógica dos
fatos apresentados,verificaremos que tratam-se de pessoas humildes, sem
muito ou nenhum recurso, trabalhando sem qualquer tipo de treinamento e
técnica, em equipamentos inadequadas e condições adversas. Ora, todos
~ , ~.
esses fatores sao contrarios a qualquer medida de prevençao ou errad1câ
ção de acidentes. O resultado é uma reunião de mais de 1.000 pessoas e~
pondo suas chagas e brigando por seus direitos.

* An:tôrúo FeJlnando de. A. Na.vaJVr.opeJlUJz.a. ê Enge.nhehto Civil, pô~-gJta.dua.do em Se.gUJUt!!


ça. do TJta.bai.ho, c.om vá.Júo~ c.uJL60~de. upe.c.iai.iza.ção em Se.guJta.nça. rnd~:tJúai. e. PJtO-te.-
ção de. r ~-tai.a.çõ u .

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