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Disciplina: Vida no Ambiente

Aluno: Ednilson Pereira de Freitas


Matrícula: 20170164836

Ecossistema Manguezal
ESTUÁRIO DO RIO POTENGI/JUNDIAÍ
O manguezal é um ecossistema de grande importância para a natureza, devi-
do ao fato de ser um berçário para inúmeras espécies marinhas, fornecendo
além disso um sistema que protege a costa da erosão marinha, evitando car-
reamento de sedimentos pela ação das ondas e consequentemente o assorea-
mento das áreas circunvizinhas. Ainda se destacam os aspectos social, econô-
mico e cultural que se constituem numa importante fonte de renda para as
comunidades costeiras, além de integrar a Reserva da Biosfera da Mata
Atlântica como ecossistema associado.

Especificamente a atenção será voltada para Ecossistema Manguezal do es-


tuário do Rio Potengi/Jundiaí, situado na cidade de Natal-RN. A sua impor-
tância para a cidade é enfatizada por considera-la Zona de Proteção Ambien-
tal, denominada de ZPA-08, pelo poder público municipal (SEMURB, 2017)

CARACTERÍSTICAS

Esse ecossistema é fica situado na zona de proteção anteriormente citada,


que engloba os bairros de Redinha, Salinas, Quintas, Nordeste, Bom Pastor,
Felipe Camarão e Guarapes, contemplando os Rios Jundiaí e Potengi (Figura O manguezal é um ecossiste-

1) ma costeiro de transição entre

Figura 1—Área de Proteção Ambiental do ecossistema naguezal englobando os bairros de os ambientes terrestre e mari-
Redinha (05), Salinas(07), Quintas (17), Nordeste(18), Bom Pastor(23), Felipe Camarão(27) e
nho, caracterizado pela pre-

sença de um solo argiloso e

água salobra, sujeito ao regi-

me das marés e domianado

por espécies vegetais típicas,

os quais se associam a outros

componentes vegetais e ani-

mais. É importante ressaltar

que há cerca de cinquenta

espécies de árvores de mangue

(ARAÚJO; GOPNDIM, 2014).


2. CARACTERÍSTICAS DA FLORA

Os manguezais são ambientes ri-

cos em nutrientes, o que decorre

da abundância de matéria orgâni-

ca em decomposição, e possuem

uma vegetação denominada

“mangue”.
Figura 3—As raízes de um mangue, mostrando a característica de fixação no estuário do Rio Potengi/Jundiaí
(SOARES, 2017)
Um característica peculiar dessa
disso, também conta com a pre-
vegetação é que são denominadas
sença de pneumatóforos que são
de halófitas pois são tolerantes a
raízes capazes de absorver oxigê-
presença de sal, possuindo glân-
nio. Além disso chamadas de es-
dulas que fazem a liberação do
coras justamente por que servem
excesso, facilitando a sua sobrevi-
Figura 4 —Mangue Branco (Laguncularia racemosa)
de sustento para a parte de cima (BRASIL 2017)
vência num ambiente salobro. E
da planta (figura 3). Como ela está
apresentam também glândulas
em um ambiente onde o encontro
denominadas nectários que excre-
de água doce e salgada é constan-
tam açúcares que atraem formi-
te, esse formato possibilita que as
gas, protegendo a planta de inse-
raízes balancem de acordo com a
tos herbívoros (figura 2). Além
subida ou descida do nível do mar

e continuem firmes, tanto que


Figura 5—Mangue Vermelho (Rizophora mangue)
após a fixação da planta, as raízes (BRASIL 2017)

sofrem um processo de espessa-

mento. Há cerca de 50 espécies

que são divididas em 3 grupos

principais: Mangue Branco, Man-

gue Vermelho e Mangue Preto

(figuras 4, 5 e 6) (IDEMA, 2017).


Figura 2—Glândulas de sal e nectários
Figura 6 —Mangue Preto (Avicennia schaueriana )
(TODAMATERIA, 2017)
(BRASIL 2017)

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3. CARACTERÍSTICAS DA FAUNA

Neste ecossistema, diversos


animais habitam desde formas
microscópicas até peixes, aves,
répteis e mamíferos. Alguns
deles, nem sempre exclusivos
dos manguezais, ocupam o se-
dimento ou a água, outros as
raízes e os troncos, chegando
até à copa das árvores, espaço
bastante disputado, principal-
Figura 7— Aratu-Vermelho (Goniopsis cruentata) (POTIGUARTE, 2017)
mente no período noturno. Es-
tes animais têm sua origem nos quenos fragmentos de vegetais, fase jovem, aproveitam para
ambientes terrestre, marinho e sendo considerados "filtradores entrar no mangue e se alimen-
de água doce, permanecendo naturais". É importante ressal- tar. Já a maré baixa é o tempo
no manguezal toda sua vida tar que os caranguejos, ao ca- propício para que as aves se
como residentes ou apenas par- var seus "buracos", ajudam na alimentem dos peixes, crustá-
te dela, na condição de semi- aeração do solo. Os moluscos ceos e moluscos dos mangue-
residentes, visitantes regulares que se prendem aos mangues zais como é o caso da garça
ou oportunistas. também têm uma grande im- (figura 8).
(TODAMATERIA, 2017) portância para os manguezais:
eles se alimentam de microor-
Diversas espécies como o ca-
ganismos e ajudam a renovação
ranguejo, o goiamum e o aratu
natural do ecossistema. Os fi-
(figura 7) habitam os mangue-
lhotes de peixes nascem e se
zais Além deles, outras espé-
desenvolvem neste ecossiste-
cies, como ostras e mexilhões,
ma. Quando a maré está alta,
estão presentes e se alimen-
camarões e muitas espécies de
tam, filtrando da água os pe-
peixes do litoral brasileiro na Figura 8— Garça (TODAMATERIA, 2017)

4. IMPORTÂNCIA DESSE ECOSSISTEMA PARA A COMUNIDADE

O manguezal do Rio Potengi/Jundiaí é de suma importância para a comunidade ribeirinha desses rios,
pela questão econômica, onde são retirados principalmente o caranguejo e outros peixes, que servem de
fonte de renda e também de subsistência para a população carente.

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5. IMPACTOS DA AÇÃO DO HOMEM

A ocupação da população urbana


e rural sempre tendeu a ficar pró-
xima das fontes de abastecimento
e de subsistência, no caso de rios
e lagos. A cidade de Natal não foi
diferente tendo seu surgimento
próximo ao Rio Potengi. E foi
crescendo cada vez mais, com os
problemas inerentes da expan-
são populacional desordenada
como a poluição através do lança-
mento de esgotos e resíduos sóli-
dos (lixo) em seu percurso, refle-
tindo nos manguezais e afetando
Figura 9— Lançamento de esgotos no Rio Potengi
este ecossistema (BRASIL, 2017)
produtos químicos como cloro, ano de 2007, houve um desastre
Além disso, o surgimento da car- calcário, uréia, silicato e super- ambiental ocasionado por um
cinicultura (viveiros de camarão), fosfato usados para controlar as viveiro de camarão que lançou
ao longo da extensão dos man- propriedades químicas da água e efluentes diretamente sem trata-
guezais, proporcionou um fator do solo (PH, alcalinidade, materi- mento, ocasionando uma mor-
mais agravante, devido ao lança- al em suspensão e salinidade) tandade sem igual (TRIBUNA
mento de efluentes contendo (PEREIRA, 2017). Tanto que no DO NORTE, 2017).

Ainda, apesar de Natal ter uma


estação de tratamento de esgos-
tos, na região Leste da Cidade, o
impacto ainda é significativo,
visto que na cidade de Macaiba
não há tratamento de esgotos,
sendo seus dejetos lançados dire-
tamente no Rio Jundiaí, afluente
do Rio Potengi. Nesses corpos
d´água, é lançado lixo, contribu-
indo mais ainda para a sua de-
gradação e afetando toda a vida
animal e vegetal, sobretudo nos

Figura 10— Lixo no manguezal no Rio Potengi


manguezais.

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6. MEDIDAS QUE AUXILIEM A RECUPERAÇÃO E PRESERVAÇÃO DO ECOSSISTEMA

Diante dos danos causados pela ação antrópica no ambiente, sobretudo no manguezal, é preciso que, entre
outras coisas:

1. Haja uma ação afetiva por podem ser carreados com a 4. Incentivo a preservação da
parte do Ente Público de chuva e atingir os mananci- mata ciliar ao longo dos tre-
estabelecer o tratamento de ais. Além disso, o incentivo a chos do Rio Jundiaí/
esgotos nas cidades que fi- coleta seletiva e a composta- Potengi, evitando a erosão e
cam ao longo dos Rios Jun- gem, favorece a diminuição consequente assoreamento;
diaí e Potengi, de forma que do quantitativo de lixo;
5. Regulamentar a Zona de
se os efluentes são lançados
3. Fiscalização mais intensiva Proteção Ambiental nº 08
nesses corpos d´água, seja
por parte dos órgãos ambi- que encontra-se ainda em
com uma carga orgânica
entais quanto aos emprendi- discussão, de forma que as
muito baixa, de forma a não
mentos potencialmente po- medidas legais possam ser
poluir, favorecendo ainda a
luidores como os viveiros de implementadas para prote-
saúde da população;
camarão, cobrando um tra- ção desse ecossistema;
2. Estabelecer um trabalho de tamento efetivo de seus eflu-
6. Que seja criada de fato o
conscientização da popula- entes, de forma que não
Parque Estadual dos Man-
ção quanto ao manejo de acarrete problemas em ter-
gues, como um novo instru-
resíduos sólidos, para o mos de carga orgânica nos
mento legal de proteção ao
acondicionamento correto, cursos d´água, como acon-
manguezal do estuário Rio
de forma que não haja lan- teceu em 2007;
Potengi/Jundiaí.
çamento no solo, em que

Estas são algumas ações mais cruciais mas podem surgir outras com o objetivo de resguardar esse ecossis-
tema, de forma que não possa sofrer com a agressão do homem, favorecendo os animais, plantas e outros
ecossistemas associados.

7. REFERÊNCIAS

ARAÚJO, M.F.F.;GONDIM, R. A vida no Ambiente. Natal: EDUFRN, 2014.

BRASIL. Ministério do Meio Ambiente. Manguezais: Educar para proteger. Disponível em: <http//
www..mma.gov.br/estruturas/sqa_pnl/_arquivos/manguezais.pdf>. Acesso em: 28Out. 2017.

IDEMA. Cartilha de Sensibilização Ambiental—Ecossistemas do Rio Grande do Norte. Dis-


ponível em: <http://www.idema.rn.gov.br>. Acesso em: 28Out. 2017.

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PEREIRA, R. F. Gerenciamento Ambiental das Fazendas de Camarão do Rio Grande do Norte.
Disponível em: <https://repositorio.ufrn.br/jspui/handle/123456789/18869>. Acesso em: 30 Out. 2017.

POTIGUARTE. Um olhar sobre os mangues potiguares. Disponível em: <http://


potiguarte.blogspot.com.br/2011/12/um-olhar-sobre-os-mangues-potiguares.html>. Acesso em: 29 Out.
2017.

SEMURB. Zonas de Proteção Ambiental. Disponível em: <http://natal.rn.gov.br/semurb/paginas/ctd-


106.html>. Acesso em: 30 Out. 2017.

SOARES, C. Salve os mangues do Potengi. Disponível em: <http://canindesoares.com/salve-os-mangues


-do-potengi-visita-zpa-08.> Acesso em: 30 Out. 2017.

TODAMATERIA. Mangue . Disponível em: <https://www.todamateria.com.br/mangue/>. Acesso em: 29


Out. 2017.

TRIBUNA DO NORTE. Peixes morrem em desastre ambiental no Rio Potengi. Disponível em:
<http://www.tribunadonorte.com.br/noticia/peixes-morrem-em-desastre-ambiental-no-rio-
potengi/48468>. Acesso em: 29 Out. 2017.