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Intercom – Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação

XXXIX Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação – São Paulo - SP – 05 a 09/09/2016

Projeto Jovens Radialistas do Semiárido: descrição de um caso de empoderamento de


jovens em situação de vulnerabilidade social, na região de Picos e Oeiras (PI) 1

Ben Rholdan Sousa PEREIRA2


Monica Franchi CARNIELLO 3
Marilsa de Sá RODRIGUES4
Universidade de Taubaté, Taubaté, SP

Resumo

Este artigo tem como objetivo principal descrever um caso de empoderamento de jovens em
situação de vulnerabilidade social, no semiárido piauiense, por meio do Projeto Jovens
Radialistas do Semiárido, que visava à redução da pobreza e promoção do desenvolvimento
local, por meio da utilização do rádio como um veículo a serviço da educação – tendo a sua
primeira etapa sido realizada de 2012 a 2014, nas cidades de Picos e Oeiras (PI). De forma
específica, pretende-se identificar se as ações promovidas favoreciam o empoderamento dos
participantes. Trata-se de uma pesquisa de análise documental com observação-participante
deste pesquisador. Verificou-se que o projeto possui uma gama de procedimentos bem
estruturada, de forma a proporcionar um melhor aproveitamento do processo ensino-
aprendizagem, levando em conta a experiência anterior do aluno, a sua capacidade de
articulação da teoria com a prática e a disposição para aprender. Como resultados, o Projeto
Jovens Radialistas do Semiárido, desde 2012, inseriu no mercado de trabalho 150 novos
comunicadores profissionais, que atuam em 60 cidades do interior do Piauí.

Palavras-chave: Empoderamento; Educação; Semiárido Piauiense; Projeto Jovens


Radialistas.

Introdução

A região do Nordeste brasileiro abrange 18,27 % do território nacional, possuindo


uma área de 1.561.177,8 km²; destes, 962.857,3 km² estão inseridos no denominado
Polígono das Secas, delimitado em 1936 e revisado em 1951, dos quais 841.260,9 km²
abrangiam o Semiárido nordestino (MINISTÉRIO DA INTEGRAÇÃO NACIONAL,
2005). Localizada no nordeste brasileiro, a região do Semiárido piauiense é marcada pelas
frequentes secas, que podem ser caracterizadas pela ausência, escassez, alta variabilidade
espacial e temporal das chuvas. Frequentemente, tem-se registrado a sucessão de anos
seguidos de seca.

1
Trabalho apresentado no GP Comunicação e Desenvolvimento Regional e Local, XVI Encontro dos Grupos de
Pesquisas em Comunicação, evento componente do XXXIX Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação.
2
Mestrando em Gestão e Desenvolvimento Regional – Universidade de Taubaté – UNITAU. E-mail:
benrholdan@gmail.com
3
Doutora em Comunicação e Semiótica. Professora do Programa de Pós-graduação em Gestão e Desenvolvimento
Regional – Universidade de Taubaté – UNITAU. E-mail: monicafcarniello@gmail.com
4
Doutora em Administração. Professora do Programa de Pós-graduação em Gestão e Desenvolvimento Regional –
Universidade de Taubaté – UNITAU. E-mail: marilsadesarodrigues@outlook.com

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As particularidades do meio ambiente condicionam, de maneira marcante, a sociedade


regional a sobreviver, sobretudo, de atividades econômicas ligadas necessariamente à
agricultura e à pecuária.
Foi justamente neste contexto que o Instituto Comradio do Brasil realizou, com o
apoio da ONG suíça Brücke Le Pont, uma ação social chamada Projeto Jovens Radialistas
do Semiárido, visando a promover o empoderamento de jovens em situação de
vulnerabilidade social.
Segundo Iraildon Mota, fundador e presidente, o instituto é uma fundação de direito
privado sem fins lucrativos, de cunho cultural e educativo, na forma midiática e
hipermidiática, que visa ao desenvolvimento e aperfeiçoamento contínuo do indivíduo em
seus aspectos social, cultual, educativo e econômico:

Nossa missão é ser capaz de produzir, distribuir e inspirar boas práticas


para um mundo melhor através da produção de conteúdo para veículos de
radiodifusão e outras mídias, promovendo cidadania e assegurando o
direito à informação, agregando valores éticos, democráticos em prol da
transformação social (MOTA, 2016, não paginado).

A pesquisa se justifica pela documentação e reflexão sobre a real possibilidade de


promover o empoderamento de jovens em situação de vulnerabilidade social, ampliando o
acesso ao mercado de trabalho, especificamente o da comunicação, ao qualificar a
linguagem e a ação dos meios de comunicação locais. A capacitação em uma nova
profissão pode promover a liberdade de escolha, antes tolhida pela escassez de outras
oportunidades, naquela região. Tal ação está condizente com o pensamento de Freire
(1992), para quem a liberdade, tendo seu foco principal na transformação cultural, pode ser
vista como empoderamento. Pode-se destacar ainda a significativa contribuição do projeto
para o desenvolvimento local, por meio de sua incidência na sugestão de políticas públicas
locais para a convivência com a região do semiárido, na divulgação de ações afirmativas.
Destaca-se, ainda, a criação de uma rede de comunicadores capazes de influenciar
positivamente – a partir dos meios de comunicação locais – no empoderamento das
comunidades locais.
O objetivo geral desta pesquisa foi descrever um caso de empoderamento de jovens
em situação de vulnerabilidade social, no semiárido piauiense, por meio do Projeto Jovens
Radialistas do Semiárido. Iniciativa que visava à redução da pobreza entre jovens em
situação de vulnerabilidade social e à promoção do desenvolvimento local, a partir da
utilização do rádio como um veículo a serviço da educação. Cabe informar que a primeira
etapa deste projeto foi realizada de 2012 a 2014, nas cidades de Picos e Oeiras (PI).

Comunicação e desenvolvimento regional/local

Schramm (1970) foi um dos autores pioneiros a fomentar o debate sobre a relação
entre comunicação e desenvolvimento regional, em um contexto midiático ainda marcado
pela comunicação de massa. Tal relação é evidenciada na obra de outros autores que, de
maneira mais explícita ou complementar, situam a comunicação como uma variável que
incide sobre o desenvolvimento de um país, região ou local.

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Destaca-se a obra de Sen (2000), que evidencia o papel da comunicação no processo


de desenvolvimento ao associar desenvolvimento com o conceito de liberdade. O autor
sistematiza as liberdades constitutivas fundamentais para que um indivíduo não sofra
restrições para o exercício de sua liberdade: liberdades políticas (livre expressão e eleições);
disponibilidades econômicas (oportunidade de participar no comércio e produção);
oportunidades sociais (educação, saúde); garantias de transparência; proteção de segurança,
previdência social. A comunicação é um elemento presente no processo de
desenvolvimento pois, para que para que haja transparência, é fundamental o acesso à
informação, que se dá, no cenário contemporâneo, por meio da comunicação midiática.
Outro autor que apresenta a relação entre comunicação e desenvolvimento, sob outra
perspectiva, é Lévy (2002), ao discutir o conceito de ciberdemocracia em um contexto
midiático marcado pela comunicação digital. Para Lévy (2002, p.23) "mais comunicação
implica em mais liberdade”.
Observa-se que a relação da comunicação com o desenvolvimento regional e/ou
local pode ser estabelecida por meio de distintos prismas, dentre os quais: o papel da
comunicação na formulação de políticas públicas; a função da comunicação nos
mecanismos participativos de tomada de decisão; a comunicação como ferramenta de
divulgação de informações de interesse público; a comunicação e a liberdade de expressão;
democratização do sistema de mídia nacional; a comunicação como parte do planejamento
urbano; a comunicação como forma de empoderamento dos indivíduos; o acesso às mídias
e inclusão digital.
A despeito da explicitação das relações entre comunicação e desenvolvimento
regional, o papel da comunicação no desenvolvimento regional ainda é, por vezes, ignorado
ou marginalizado nos estudos e análises de desenvolvimento (PANOS LONDON, 2007). A
instituição destaca os usos potenciais da comunicação no fomento ao desenvolvimento:
- no processo político equitativo e inclusivo;
- nos processos de governança nacional e internacional efetivos, responsivos e
verificáveis;
- na geração de crescimento econômico sustentável, transparente, eficiente e
equitativo;
- no estabelecimento e proteção de um ambiente midiático livre e plural;
- no apoio aos cidadãos engajados e à sociedade civil dinâmica.
O último item relaciona-se diretamente com a ideia de empoderamento da sociedade
civil, premissa conceitual do desenvolvimento.

Empoderamento: do conceito à prática

De maneira analítica, Perkins e Zimmerman (1995, p. 12) definem o empoderamento


como “um construto que liga forças e competências individuais, sistemas naturais de ajuda
e comportamentos proativos com políticas e mudanças sociais”. O termo se refere a
organizações e sociedades responsáveis, perante um processo em que os sujeitos que fazem
parte delas possuem autoridade sobre suas histórias, interagem democraticamente no dia a
dia de diferentes arranjos coletivos e compreendem, de forma crítica, seu espaço.

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O sentido da palavra empoderamento está associado à noção de autonomia, pois faz


referência à capacidade de pessoas e grupos poderem decidir sobre os temas e demandas
que lhes dizem respeito, optar entre caminhos alternativos em diversos campos – político,
econômico, cultural, psicológico, dentre outros. Dessa forma, discute-se um predicado, mas
também um processo pelo qual se recebe poder e liberdades positivas e negativas. É
possível, portanto, pensar o empoderamento como produto de processos políticos, na esfera
dos indivíduos e grupos.
Formar comunicadores com o propósito de empoderamento implica a produção de
mídias e utilização de tecnologias e espaços de informação para capacitar essas pessoas, no
contexto da comunicação de rádio e acreditar que todas e todos podem ser agentes
protagonistas e, por conseguinte, transformadores de sua realidade.
Friedmann (1996) fala da promoção de direitos de cidadania que façam surgir,
principalmente nos patamares de menor status socioeconômico, a ampliação do que Sen
(2000) nomeia como liberdades substantivas. Na concepção daquele autor, o objetivo do
processo é

reequilibrar a estrutura de poder na sociedade, tornando a ação do Estado


mais sujeita a prestação de contas, aumentando os poderes da sociedade
civil na gestão dos seus próprios assuntos e tornando o negócio
empresarial socialmente mais responsável. Um desenvolvimento
alternativo consiste na primazia da política para proteger os interesses do
povo, especialmente dos setores disempowered (sic), das mulheres e das
gerações futuras assentes no espaço da vida da localidade, região e nação
(FRIEDMANN, 1996, p. 32-33).

A pobreza desempodera (FRIEDMANN, 1996), subtrai destes a possibilidade de


gozar os direitos de cidadania.
Segundo Romano e Antunes (2002), para o combate à pobreza, o empoderamento
implica o desenvolvimento de capacidades das pessoas pobres e excluídas socialmente, de
maneira que possam ultrapassar as principais fontes de privação de liberdades. Assim, é
possível entender que o empoderamento compõe a ação desenvolvida por estes jovens,
quando participam de ambientes privilegiados de decisões, de consciência social e dos
direitos sociais.
Ainda para Romano e Antunes (2002), a pobreza é perpetuada por relações de poder,
sendo, nesse sentido, uma circunstância de desempoderamento. Dessa forma, um dos
objetivos do projeto Jovens Radialistas do Semiárido, na medida em que têm a intenção de
quebrar o ciclo de pobreza, configura-se como “empoderar” as famílias destes jovens.
Na presente pesquisa, o empoderamento é concebido pelo viés da mudança do
comportamento de jovens da região do semiárido piauiense, em situação de vulnerabilidade
social, no que tange ao seu posicionamento no mercado de trabalho, ao acesso a cursos de
capacitação e à consequente liberdade de escolha de uma profissão.

Metodologia

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Os métodos utilizados para coletar dados neste estudo foram a pesquisa bibliográfica
e documental (GIL, 2002) e a observação participante (PERUZZO, 2005). Os dados para a
pesquisa bibliográfica, que trouxeram a intenção de criar uma estrutura inicial para este
estudo, foram obtidos a partir de consultas a livros e artigos que traziam informações,
principalmente, sobre a questão do empoderamento social no Brasil e no exterior. Por sua
vez, os dados para a pesquisa documental foram obtidos a partir de informações do projeto-
piloto realizado pelo Instituto Comradio do Brasil, no contexto da região do semiárido
piauiense, mais precisamente, na região das cidades de Picos e Oeiras.
Por meio da metodologia de observação participante, o pesquisador, já inserido por à
época ser membro da equipe do projeto, analisou sistematicamente a fase inicial do projeto
em seus dois primeiros anos. Peruzzo (2005) argumenta que o pesquisador, ao se inserir no
meio, pode “ver as coisas de dentro”, compartilhando das atividades do projeto - de modo
consistente e sistematizado, envolvendo-se nas atividades, além de vivenciar “interesses e
fatos”.
Nessa pesquisa, a observação participante buscou compreender, de modo sistemático
e com base científica, os processos de comunicação existentes, como forma de identificar
não só suas inovações, virtudes e avanços, mas também as falhas e os desvios de práticas
comunicacionais (PERUZZO, 2005).
Dessa forma, os dados utilizados nessa pesquisa foram extraídos de fontes
secundárias, que, como Cooper e Schindler (2003, p.73) explicam, “são interpretações de
dados primários”. As informações sobre o projeto Jovens Radialistas do Semiárido foram
descritas sob a técnica da Análise de Conteúdo (RICHARDSON et al., 1999).

Resultados e discussão

A primeira fase do projeto Jovens Radialistas do Semiárido foi realizada entre 2012 e
2014 (totalizando 36 meses), beneficiando cerca de 120 (cento e vinte) jovens do semiárido
piauiense, de ambos os sexos, sendo 50% de homens e 50% de mulheres, em situação de
vulnerabilidade das macrorregiões das cidades de Picos e Oeiras, no Piauí. A esses jovens
foi oferecido um Curso de Formação Profissional em Comunicação Social com habilitação
em Rádio, Televisão, Assessoria de Comunicação, Novas Mídias e Cerimonial, reconhecido
pelo Conselho de Educação do Estado do Piauí e cadastrado no Sistema Nacional de Cursos
Técnicos, com registro profissional válido em todo o território nacional.
O objetivo estratégico de desenvolvimento do projeto esteve direcionado para a
redução da pobreza entre jovens e promoção do desenvolvimento local sustentável,
utilizando a comunicação como instrumento de educação e promoção humana;
proporcionando, mais especificamente, melhores oportunidades de trabalho para cerca de
120 jovens, que viviam em condições desfavorecidas.
A comunicação contribui para o desenvolvimento local, quando uma comunidade
coloca todo o seu potencial comunicativo a serviço da promoção do desenvolvimento
pessoal, social, político, econômico, cultural e ambiental de seus integrantes e de seu
entorno. Formar comunicadores e comunicadoras com este propósito implica a produção de
mídias e utilização de tecnologias e espaços de informação para “empoderar” as pessoas e

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acreditar que todas e todos podem ser agentes protagonistas e, portanto, transformadores de
sua realidade.
Por essa razão, o projeto Jovens Radialistas do Semiárido tem como princípio a
formação de radialistas, dentro de uma metodologia que promova o acesso à produção e à
difusão de conhecimento; a livre expressão; a ampla participação e a harmonia social, para
permitir que a comunidade, por meio do trabalho destes novos profissionais, identifique
seus problemas, construa seus consensos sobre o futuro desejado e, sobretudo,
responsabilize-se por torná-lo realidade.
No semiárido, este desafio se torna ainda maior, por ser uma região que,
historicamente, sofre com o problema da estiagem – e, no ano de 2012, passou pela pior
seca já registrada nos últimos 80 anos, com extrema falta d´água e muitas perdas agrícolas e
de animais. Nota-se a ausência de políticas públicas capazes de superar o combate às
intempéries climáticas pela capacidade de conviver e se tirar proveito delas.
Neste cenário de empobrecimento crescente, considerando a falta de políticas
públicas que contribuam efetivamente com a convivência com o semiárido e relativa
desarticulação da sociedade civil local, é que o projeto Jovens Radialistas atua,
basicamente, em duas frentes: 1) a formação profissional, que amplia o acesso ao mercado
de trabalho formal; 2) a promoção do desenvolvimento local e sustentável, por meio da
atuação dos beneficiários, desde o início do curso, utilizando os espaços de comunicação
disponíveis na região.
No campo da formação profissional, o mercado de trabalho na comunicação está em
ampla expansão. O Piauí possui 123 emissoras de rádios convencionais, entre Frequências
Moduladas (FM), Ondas Médias (OM) e Ondas Tropicais (OT). Além destas emissoras,
possui 88 emissoras de rádio comunitárias legalizadas e 23 emissoras de TV com
programação local, instaladas em todo o estado. Estes números não contemplam as
emissoras que estão funcionando em caráter experimental.
Em 2011, o Governo Federal criou o PNO – Plano Nacional de Outorga, que
regulamenta a outorga e concessão de novos canais de rádio e televisão. O PNO previa a
instalação de 260 emissoras de rádio a mais para o Piauí até 2016, sem falar nas emissoras
de TV; além destas, 53 emissoras de rádio já estavam com aviso de outorga publicado, com
cronograma até o mês de outubro de 2013 (MINISTÉRIO DAS COMUNICAÇÕES, 2012).
A partir deste cenário, o Piauí passou a contar com 494 emissoras de rádio, entre
comunitárias e convencionais, sem mencionar as emissoras de TV. Portanto, fazendo uma
conta simples, a partir do relatório da pesquisa, coordenada pela ARPUB – Associação das
Rádios Públicas do Brasil, em 2009, que coloca como média a quantidade de 20
profissionais com empregos direitos nas emissoras de rádio, teremos um número
aproximado de 9.880 postos de trabalho apenas nas emissoras de rádio piauienses.
Acrescente-se a estes um número cada dia maior de assessorias de comunicação em
empresas privadas e órgãos públicos, e ainda se pode acrescentar uma demanda crescente
por serviços ligados ao monitoramento e à métrica das redes sociais por empresas, além de
serviços de cerimonialista e outros ligados à profissão de radialista, que contempla hoje um
“menu” com 92 funções (LEI 6.615/78).

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A segunda frente deste projeto, que é a promoção do desenvolvimento local e


sustentável, por meio da atuação dos beneficiários nos espaços de comunicação disponíveis
na região para debater os temas relevantes quanto à superação dos problemas da região,
tornou-se possível pela utilização da comunicação como geradora de processos de
transformação, superando a visão instrumentalista que vinha sendo implementada.
Para alcançar seus propósitos, o projeto atuou em duas cidades com relativo potencial
de crescimento da área de comunicação e com enormes desafios no enfrentamento da
pobreza e no desenvolvimento de políticas públicas locais para a convivência com o
semiárido: Picos e Oeiras, ambas localizadas no estado Piauí.
O Índice de Desenvolvimento Humano médio da macrorregião de Picos é de 0,595; a
cidade de Picos possui o maior IDH entre todas as demais, de 0,698 e a cidade de Paquetá
possui IDH igual a 0,509. Já no município de Oeiras, o IDH é de 0,634.
O projeto se mostrou relevante, portanto, pela possibilidade real de ampliar o acesso
de jovens em situação vulnerabilidade social ao mercado de trabalho, especificamente da
comunicação; qualificar a linguagem e a ação dos meios de comunicação local – que
passaram a contar com profissionais habilitados e com registro profissional emitido pelo
Ministério do Trabalho e Emprego; e contribuir com o desenvolvimento local, por meio da
incidência do projeto na sugestão de políticas públicas locais para a convivência com o
semiárido, na divulgação de ações positivas que contribuem com a superação da pobreza e
na criação de uma rede de comunicadores capazes de influenciar positivamente, a partir dos
meios de comunicação locais, no combate à pobreza e no empoderamento das comunidades
locais.
As ações do projeto foram executadas em duas frentes: 1) a formação profissional,
que ampliou o acesso ao mercado de trabalho formal; 2) a promoção do desenvolvimento
local e sustentável, por meio da atuação dos beneficiários desde o início do curso,
utilizando os espaços de comunicação disponíveis na região. Para isso, foram utilizadas, nas
duas cidades: uma sala climatizada para 40 pessoas e uma emissora de rádio, que serviu de
laboratório para os alunos, além de estúdio de gravação e edição de áudio e vídeo,
equipamentos de captação de som e imagem.
A seleção dos participantes foi realizada por meio da divulgação nos veículos de
comunicação e também com parceria com os movimentos populares organizados. Cada
jovem interessado teve que preencher um formulário socioeconômico, que servirá para o
monitoramento dos resultados do projeto.
A produção do material didático foi baseada na educação contextualizada, desde a
linguagem utilizada, os exemplos e os dados trabalhados no curso, tudo apontando para o
contexto dos alunos. Cada tema tratado no material didático começa com uma história, que
introduz e contextualiza e, em seguida, realiza a entrega teórica de forma simples, objetiva,
mas sem perder a profundidade e a relação com o desenvolvimento local.
A equipe que trabalha no projeto participou de um Encontro de Nivelamento, no qual
foi apresentado o projeto com seus objetivos, ações e resultados esperados; deste encontro
também participaram as entidades e setores organizados das próprias regiões do projeto.
Este encontro foi realizado após a seleção dos participantes, sendo possível nivelar também
a linguagem e os recursos mais adequados para cada região. A equipe participou também de

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oficinas bimestrais de avaliação do projeto, bem como da Oficina Anual de Avaliação e


Planejamento. Foram levados em conta na seleção da equipe também o conhecimento
técnico e o notório saber na área em que se ministrou aula, não apenas a formação
acadêmica.
Na “Aula Zero” do projeto, tanto os alunos quanto a comunidade puderam conhecer a
metodologia do curso e os detalhes sobre o projeto. Este momento foi marcado pela audição
das demandas dos discentes e da comunidade, estimulando a participação deles na gestão
do projeto. Esta participação também se deu nas oficinas avaliativas bimestrais e na oficina
de avaliação e planejamento.
O curso trouxe para a região a metodologia dos “Espaços de Diálogo”, momentos em
que representantes da comunidade tinham a oportunidade de adentrar as aulas para partilhar
suas experiências e seus conhecimentos. Este espaço serviu tanto para conhecer melhor a
realidade da região quanto como exercício para os alunos, que puderam fazer entrevistas,
produzir campanhas educativas, programas especiais e debates com as personalidades que
participaram.
O curso trouxe o desafio de interagir, de forma proativa, com a comunidade, tanto
acolhendo-a dentro do processo ensino-aprendizagem quanto veiculando os resultados do
curso nos veículos de comunicação locais e recebendo a crítica da comunidade.
Assim, o curso foi dividido em 04 (quatro) módulos teórico-práticos, com um total de
800 horas de atividade.
O módulo um: Conceitos Fundamentais do Radialismo, contemplou os seguintes
temas: ‘História do Rádio e da Televisão’, a ‘Linguagem dos Meios de Comunicação’,
‘Marco Regulatório da Radiodifusão Brasileira’, ‘Comunicação, Ética e Cidadania na
Profissão de Radialista’, ‘Comunicação Pública e Comunitária’ e ‘Tecnologia e Redes
Sociais’. A ideia foi, com este conjunto de disciplinas, oferecer ao aluno todos os contextos
que envolvem a comunicação eletrônica, desde os conceitos, passando pela legislaç ão até
chegar às novas tecnologias.
No módulo dois, o aluno entrou em contato com as disciplinas preparatórias para as
duas áreas específicas da comunicação eletrônica: o rádio e a TV. Neste módulo, o aluno
saía com a qualificação em Cerimonialista, pois nele eram trabalhados, além da voz e da
fala, uma disciplina específica sobre cerimonial. Os temas que fizeram parte deste módulo
foram: ‘Português Básico – escrever para falar’ (nesta disciplina, o discente aprende a
escrever textos na linguagem específica de cada veículo); ‘Inglês Básico’ (que serve para o
aluno comunicar razoavelmente bem nesta língua); ‘Roteiros para Rádio e TV’, ‘Técnicas
de Locução I e II’, ‘Gestão de Empresa de Comunicação’, ‘Apresentação de Eventos e
Cerimonial’ e ‘Recursos de Opinião’.
O módulo três – ‘Recursos Técnicos para o Rádio’ – trouxe capacitação aos discentes
para atuarem, de forma eficiente e eficaz, no rádio. O módulo começou com a disciplina
‘Fundamentos da Acústica’, que explora a formação do som e como manipulá-lo; em
seguida, os alunos aprenderam sobre os recursos dramáticos com o radiodrama, no qual
podem explorar os conhecimentos adquiridos no curso, de forma lúdica e fácil. Neste
módulo, os alunos também produziram programas para a radioweb da Comradio do Brasil.

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O módulo quatro - ‘Recursos Técnicos para a Televisão’ - trabalhou especificamente


a imagem, explorando as funções que o Técnico em Rádio e TV desempenha dentro de uma
emissora de TV. O módulo abordou os seguintes temas: produção para TV, captação de
imagem, fundamentos da edição e direção de imagem.
Este curso integra o eixo tecnológico Produção Cultural e Design, na forma
subsequente, de acordo com a resolução do Conselho Estadual de Educação do Piauí, nº
081/2012, de 12 de abril de 2012, executado pela Escola Comradio do Brasil, em parceria
com o Sindicato dos Radialistas e Secretaria do Trabalho, Emprego e Empreendedorismo
do Estado do Piauí - SETRE, com registro profissional válido em todo o Brasil.
A metodologia do curso trouxe ainda a implementação de atividades práticas como
estímulo para a entrega teórica. Ou seja, a teoria construída a partir da prática e esta prática
com foco na relação entre a comunicação e o desenvolvimento local.
Das atividades práticas fizeram parte a produção de recursos radiofônicos, como:
programas de rádio, entrevistas, spots e vinhetas voltados para o contexto local, explorando
temas relevantes para a região e distribuídos via internet para as emissoras de rádio
(gratuitamente), para que elas veiculassem nas suas programações.
As Oficinas Avaliativas Bimestrais com a participação de membros da sociedade
organizada, bem como a Oficina Anual de Avaliação e Planejamento foram instrumentos
que estimularam a participação proativa dos alunos e da comunidade no projeto; além disso,
apresentaram-se como uma forma de aproximar a comunidade, na perspectiva da
sustentabilidade, após a saída do apoio dos financiadores do projeto.
Cerca de 80% dos alunos participaram de estágio, que foi oferecido em empresas de
comunicação, órgãos públicos, associações, cooperativas e outras entidades que lidam com
comunicação. O Piauí, pelo projeto de lei nº 085/95, que altera o artigo 1º da lei nº 3.841, de
29 de abril de 1982, garante que todo radialista profissional pode atuar também como
Assessor de Comunicação no dentro do estado.
O curso realizou ainda a montagem de um ‘Banco de Vozes’ dos alunos, uma
ferramenta importante para a divulgação das vozes e ampliação da possibilidade de
contratação por empresas de comunicação e agências publicidade de todo o país. O Banco
traz, além da voz do aluno, os seus contatos, como por exemplo: telefone e e-mail. Ou seja,
se uma empresa desejar gravar um spot radiofônico com a voz de um aluno, poderá ouvir a
voz dele e já entrar diretamente em contato para combinar a gravação e a forma de
pagamento, caracterizando-se também como ferramenta de geração de renda.
Uma excelente ferramenta de gestão do conhecimento dentro do próprio projeto é o
Blog Memória (www.comradio.com.br/semiarido). Nele são postados regularmente
fotografias, vídeos, textos e áudios das atividades do projeto.
A parceria com a Secretaria de Trabalho, Emprego e Empreendedorismo possibilitou
também que os alunos fossem inscritos gratuitamente no cadastro do SINE (Sistema
Nacional de Emprego), ampliando assim a possibilidade de emprego.
O curso foi realizado nas cidades Picos e Oeiras, para alunos dos territórios de
desenvolvimento do Vale do Rio Guaribas e Vale do Canindé.
Os dois territórios estão completamente no semiárido quente. As chuvas ocorrem
durante o verão, distribuindo-se irregularmente, a estação seca é prolongada (oito meses

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mais ou menos), sendo mais drástica no sul do estado. As temperaturas variam em torno dos
24 a 40°C, tendo seus invernos secos, sem chuvas. A ocorrência de secas estacionais e
periódicas estabelece regimes intermitentes aos rios e deixa a vegetação sem folhas, que
voltam a nascer nos curtos períodos de chuvas.

MAPA DO PROJETO

Em destaque, vemos a área de abrangência do projeto

O Território de Desenvolvimento do Vale do Rio Guaribas, onde fica a cidade de


Picos-PI, possui 39 municípios, equivalente a 16,1% do total dos municípios piauienses. O
Território ocupa uma área de 22.059 km², equivalente a 6,7% da área territorial da Bacia do
Rio Parnaíba. A população residente no Território totaliza 302.203 habitantes, o que
equivale a 7,5% da população da bacia e a uma densidade demográfica média de 13,7
hab./km² (CODEVASF/PLANAP, v.6, 2006).
A formação histórica do Território Vale do Rio Canindé está estreitamente ligada ao
município de Oeiras, que remete sua história ao século XVIII, ponto de partida para o
povoamento do estado e de outras cidades e municípios piauienses, sendo Oeiras a cidade
mais antiga e primeira capital do Estado (CODEVASF/PLANAP, v.7, 2006), dotada de um
forte potencial turístico ligado às manifestações religiosas.
Dentre os fatores que contribuíram para a formação das cidades e municípios desse
Território, o econômico foi o mais relevante, tendo como atividades produtivas na época: a
exploração da carnaúba para fabricação de cera, a extração e comercialização da borracha
de maniçoba e, como a mais importante, a pecuária bovina. O fator religioso também
contribuiu, pois os povoados, cidades e municípios foram surgindo em torno de capelas e
igrejas, com a devoção dos fiéis aos santos e padroeiros.

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Segundo dados do IBGE 2010, a população total do Território é de 123.537


habitantes, predominando a população rural, com 54,9%, perfazendo um total de 67.875
habitantes, contra 55.662 na zona urbana.
As atividades produtivas predominantes no Território são a criação de pequenos
animais e a agricultura de sequeiro, praticada pelos agricultores familiares, para
subsistência. O agronegócio se apresenta como uma atividade que vem merecendo
destaque, com o aproveitamento do potencial apícola para a produção de mel,
comercializado no mercado nacional. Outras atividades de destaque são ainda: a cajucultura
e o artesanato em cerâmica.
Os jovens atendidos no âmbito deste projeto são trabalhadores/as rurais, membros de
cooperativas e associações, moradores urbanos em situação de vulnerabilidade social das
cidades que compõem os Territórios de Desenvolvimento do Estado do Piauí Vale do Rio
Guaribas, Vale do Sambito e Serra da Capivara. Nesta região, os jovens estão, em sua
maioria, condenados a migrar para o sul do país, em busca de trabalho; isto se deve à falta
ou pouca incidência de políticas públicas que promovam a convivência saudável com o
semiárido e estimulem o emprego.
A seleção dos participantes foi realizada a partir dos seguintes critérios: ter menos de
30 anos; ter renda familiar de até 03 (três) salários mínimos; ter concluído ou estar
concluindo o ensino médio; não ter pendência com a justiça Federal e a Estadual; e residir
na região atendida pelo projeto.
O jovem desta região tem pouca oportunidade de se profissionalizar, principalmente
na área de comunicação. A única escola que oferece curso nesta área (profissionalizante) no
interior do estado é a Escola de Comunicação Comradio do Brasil, ligada ao Instituto
Comradio, onde o aluno tem acesso a todas as ferramentas necessárias para que ele possa
ser um profissional de comunicação diferente: proativo, preocupado em gerar – a partir da
comunicação – processos de transformação social.

POPULAÇÃO BENEFICIÁRIA DO PROJETO


Direta: 120 beneficiários Indireta*
Nº Mulheres Nº Homens Nº Mulheres Nº Homens
60 60 240 240
Nº Famílias/Comunidades Nº Famílias/Comunidades
*De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios – PNAD 2011 – IBGE, a média de habitantes por
residência é de 04 pessoas no Brasil, por isso o público indireto chega ao número de 480 beneficiários.

Outro ponto relevante é a questão de gênero, quando se fala do veículo rádio. No


Piauí, a participação da mulher ainda é muito inferior à do homem. Na fase piloto deste
projeto, apesar de todos os esforços da equipe de coordenação, dos 86 jovens inscritos nos
dois anos de execução, apenas 39,5% eram mulheres. Para minimizar tal situação,
aprimorou-se a mobilização com relação ao que foi feito na fase piloto e se modificou o
nome do curso, que na divulgação deixou de ser ‘Curso de Radialismo’ e passou ser
chamado de ‘Curso Profissionalizante em Comunicação Social, com habilitação em Rádio,

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TV, Internet, Assessoria de Comunicação e Cerimonial’. Esta mudança foi autorizada pelo
Conselho Estadual de Educação. Além disso, foi publicizado o sucesso das meninas que
concluíram o curso, com a finalidade de atrair mais mulheres.
O curso iniciou o processo de ocupação das emissoras de rádio pelas mulheres,
destinando número de vagas iguais para homens e mulheres, contribuindo para a equidade
de participação de gênero no veículo rádio.

Considerações finais

O estudo descritivo do caso de empoderamento de jovens em situação de


vulnerabilidade social no semiárido piauiense, por meio do Projeto Jovens Radialistas do
Semiárido, ampliou a compreensão de que o empoderamento tem potencial, a partir da
utilização dos meios de comunicação como o rádio, a TV e a internet, como veículos a
serviço da educação.
Tendo a sua primeira etapa sido realizada de 2012 a 2014, nas cidades de Picos e
Oeiras (PI), verificou-se que o projeto possui uma gama de procedimentos bem estruturada,
de forma a proporcionar um melhor aproveitamento do processo ensino-aprendizagem,
levando em conta a experiência anterior do aluno, a sua capacidade de articulação da teoria
com a prática e disposição para aprender.
Assim, pode-se sugerir que, por meio de uma nova pesquisa, seja possível investigar
essas referidas dificuldades socioeconômicas enfrentadas pelos alunos, por meio da análise
de relatórios de produção e avaliação realizadas pelos professores, destacando o rendimento
e atribuindo um conceito avaliativo para cada aluno, ou ainda pelas listas de frequências e
depoimentos dos alunos publicados no blog memória do site.
O Projeto Jovens Radialistas do Semiárido, desde 2012, inseriu no mercado de
trabalho 150 novos comunicadores profissionais, que atuam em 60 cidades do interior do
Piauí. Números que evidenciam o caráter de empoderamento do projeto para com aqueles
jovens que se encontravam em situação de vulnerabilidade social.
A execução da segunda fase – iniciada em 2015 – e a expansão do projeto para a
cidade de São Raimundo Nonato (PI), impossibilitou a realização de uma análise dos
resultados por seus coordenadores, uma vez que o projeto ainda está em andamento. Avaliar
o impacto no que diz respeito ao desenvolvimento regional por meio da inserção destes
novos profissionais da área da comunicação pode configurar o objeto de uma nova
pesquisa.

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