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GERAÇÃO E TRANSMISSÃO DE ENERGIA

COLÉGIO IGUAÇU – FOZ DO IGUAÇU, 17/8/2011

CURSO DE ELETROTÉCNICA – 4º PERÍODO

PROF. NILTON

1. TRANSFERÊNCIA DE POTÊNCIA EM UM SISTEMA DE CORRENTE CONTÍNUA

Esta transferência de potência é feita, mantendo-se uma diferença de tensão entre os


extremos da linha DC. Desta forma, é possível controlar a potência transmitida, através do
controle da tensão.

Observe na figura abaixo um esquema simplificado de um link DC, onde:

• Id: corrente contínua na linha cc


• Udr: tensão contínua na saída do retificador
• Udi: tensão contínua na entrada do inversor
• Rd: resistência CC da linha de transmissão
• Pdi: potência no inversor
• Pdr: potência no retificador

Temos as seguintes relações:

    . 



 


No inversor:

  . 

  . 
 / Para Udr>Udi

No retificador:

  . 

  . 
 / Para Udr>Udi
Dependência entre Pdr e Pdi:

    .  Perdas na linha CC

Pot. total
Pot. No inversor

EXEMPLO: Um link DC, de resistência igual a 50 Ω, esta operando com tensões terminais de
500 KV e 445 KV. Calcule a variação de potência transmitida se a tensão no retificador
aumentar 2,5 %.

1:

500 KV 445 KV


1  
1  1. 1

. .
1  1  500.10³. 1,1.10³


1  1,1. 10! "#$%  &&'. %'( ) *+ &&' ,)

-#$%  %%'' .

2: Udr será aumentado em 2,5%  500 KV+2,5% = 512,5 KV

512,5 KV 445 KV

2
2
2 

,. .
2  
2  2. 2

2  1,35. 10! 2  512,5.10³. 1,35.10³

-#$1  %2&' . "#$1  (3%, 45&. %'( ) *+ (31 ,)

3: Variação da potência com a tensão.


88 9:
∆ %  . 100 ↔ ∆   . 100↔ ∆   0,2581↔ ∆   25,81%
8 

Veja que uma pequena variação na tensão do retificador causou um considerável aumento na
transmissão de potência pelo link DC.

2. RETIFICADOR TRIFÁSICO DE DOIS CAMINHOS – SEIS PULSOS

Os conversores são terminais de um sistema HVDC (High Voltage Direct Current) ou também
chamado de sistema CCAT (Corrente Contínua em Alta Tensão). Temos o conversor retificador
onde o CA é transformado em CC e o conversor inversor, onde o CC e convertido em CA.

Os conversores são constituídos por válvulas trifásicas e estas válvulas são formadas por uma
cadeia de tiristores em série. Temos ainda um sistema de controle sobre os pulsos das
válvulas, um sistema de proteção do HVDC e o sistema de refrigeração das válvulas.

Vamos estudar o comportamento de uma ponte trifásica de dois caminhos a qual pode ser
utilizada para formar um conversor. Esta ponte é chamada de seis pulsos, pois, durante um
ciclo da CA de entrada, temos seis pulsos de disparo dos tiristores.

Normalmente é utilizado em sistema HVDV real, a ponte de 12 pulsos, como mostrado no


pequeno detalhe da figura acima, onde temos duas pontes de 6 caminhos em série, sendo
uma ponte alimentada pelo secundário ligado em estrela e a outra pelo terciário ligado em
delta do trafo conversor. Desta forma, as senóides das pontes de 6 pulsos, estão defasadas 30°
elétricos, gerando 12 pulsos em um ciclo. Isto diminui ainda mais o riplle.
O trafo conversor possui o primário ligado em estrela com comutadores de tape sobe carga-
LTC (Load Tap Changer). O LTC é um dispositivo eletromecânico, acionado por um motor o
qual é comando por um relé regulador de tensão (relé 90 - ASA).

Este relé, ao sentir variações de tensão para o ajuste ao qual foi programada, aciona o motor
do LTC para que a relação de espiras seja alterada, a fim de regular a tensão no secundário (e
terciário).

Controle
CONTROLE de pulsos
LTC dos SCR

CONTROLE DO RETIFICADOR

2.1. FUNCIONAMENTO DA PONTE DE DOIS CAMINHOS – 6 PULSOS

3. √3
  >?áA cos E
=

Onde: α é o ângulo de disparo do tiristor;

Emáx é a tensão Máx entre fase e neutro do sistema CA


Formas de ondas da tensão e da corrente, para o controle de pulsos disparando a zero graus
e desconsiderando a reatância do circuito e ângulo de comutação.

Basicamente, estarão conduzindo os tiristores (1, 3 ou 5) onde a onda de tensão senoidal é a


mais positiva; e os tiristores (2, 4 ou 6) onde a onde senoidal for máxima negativa. Ou seja,
sempre haverá o percurso para a corrente entre um tiristor ímpar e um par. Como o ângulo de
disparo é zero, a cada cruzamento das senóides defasadas, ocorre uma comutação entre os
tiristores.

Para o ponto marcado nas senóides do exemplo, temos a fase A mais positiva e a fase C mais
negativa; então a corrente esta circulando pelo tiristor 1 e retornando pelo tiristor 2.

Seguindo no tempo, teremos o cruzamento da fase A com a fase B, instante em que a fase B se
torna mais positiva que a fase A. Então ocorre a comutação do tiristor 1 para o tiristor 3, sendo
o retorno ainda pelo tiristor 2.

Continuando no eixo dos tempos, no semi-ciclo negativo, temos o cruzamento da fase A com a
fase C. Como a fase A se torna mais negativa que a fase C, ocorre a comutação do tiristor 2
para o tiristor 4. Então a corrente sai pelo tiristor 3 e retorna pelo tiristor 4.

Continuando no tempo, ocorre o cruzamento da fase B com a fase C; como a fase C se torna
mais positiva, o tiristor 5 conduz e a corrente continua retornando pelo tiristor 4;

Seguindo a linha do tempo, no semi-ciclo negativo, ocorre o cruzamento da fase B com a fase
A; tornando a fase mais negativa, ocorre a comutação do tiristor 4 para o tiristor 6.

Seguindo na linha do tempo, temos novamente o cruzamento da fase A com a B, no semi-ciclo


positivo, completando um ciclo da senóide. A partir daí, começa novamente a série de
comutações, sempre neste sentido: 1, 3 e 5 no ramo positivo e 6, 2 e 4 no ramo negativo.

Observações:

 Cada tiristor conduz a cada 120° e bloqueia a cada 60°;


 A cada 60° ocorre uma transferência de corrente entre os tiristores;
 A cada ciclo ocorrem 6 inícios de condução, ou seja, seis pulsos;
 Forma de onde da corrente da faz A, não considerando os efeitos do ângulo de
comutação.

60° 120° 60°


60° 120° 60° 120°

 Aumentando o ângulo de disparo alfa, teremos uma diminuição na tensão, pois


teremos um atraso no disparo do tiristor, ou seja, a comutação da corrente não ocorre
no instante do cruzamento das senóides;
 A tensão CC máxima é obtida com alfa igual a 0;
 De α variando de 0° a 90°, Ud vai de Ud a 0 volts;
 De α variando de 90° a 180°, Ud vai de 0 a –Ud volts;
 Na prática α não deve ser menor que 5°, para garantir disparo de todos os tiristores
ligados em série que formam uma válvula, sendo a faixa normal de trabalho, 10° a 20°
o ângulo de disparo do terminal retificador e 17° fixo o ângulo de extinção do inversor;
 Quanto menor alfa, menor o fator de potência do sistema CA;

3. RELAÇÃO ENTRE Ud e Ud0

3. √3
F  >?áA GHH IJI GKLIFI
=

  F. cos E

 Onde:
• MNáO P
QRS* #T UVWXã* ZTXV V WV+U$* #* XRXUVNT [., *+ XV\T: √1MZ$,W

4. POSSIBILIDADE DE CONTROLAR A TENSÃO EM UM LINK DE UM SISTEMA DC – HVDC

Representação do trafo conversor com o LTC (controle de tensão CA) e controle de pulso dos
tiristores (variado o ângulo alfa varia-se a tensão Ud da linha CC)

Controle da tensão do link CC

 Variando a tensão do sistema CA


• Controle de excitação dos geradores
• Alteração do tape do trafo conversor (5 segundos por tape)
 Variando o ângulo de disparo α
 São utilizados em conjunto a variação do ângulo alfa, de ação rápida, seguindo de
ações de atuação sobre os tapes dos trafos, para que os valores do ângulo de disparo
volte aos seus valores nominais de operação (10° a 20°).

Exemplo de aplicação:

Se o link DC esta operando com tensão nos terminais do inversor de 100 KV e se a tensão fase
e neutro do sistema CA relativa ao retificador é de 100 KV, calcule o ângulo de disparo
necessário, para manter um controle de 1000 A no link. Considere a resistência da linha de
transmissão igual a 10 Ω.

Ef,n

Dados: Rd= 10Ω; Ef,n= 100 KV CA; Id= 1000 A; Udi= 100 KV CC

1. Cálculo de Udo

!.√! ! √! ! √!
F  ^
>?áAF  ^
√2. >_,`  F  ^
√2. 100.10³ 
F  234.10³ b#*  12c. de

2. Cálculo de Udr

    .     100.10³  10.10³   110.10³ f  b#$  %%' de

3. Cálculo do ângulo alfa



  F. cos E  110.10³  234.10³ cos E  cos E  !  cos E  0,47008
hij % k  (%, 3(°

5. CONSIDERANDO OS EFEITOS DA REATÂNCIA DE COMUTAÇÃO DOS CONVERSORES E DO


ÂNGULO DE EXTINÇÃO DO INVERSOR NA TRANSFERÊNCIA DE POTÊNCIA NO LINK DC

Circuito equivalente de um HVDC

m âopKLF J JAqoçãF F osJIF, oF?HL?JoqJ tAF J? 17°;


E âopKLF J IGHF poçãF F JqtvHF, oF?HL?JoqJ sHHoF J 10° H 20°;
v1 JHqâovH F JqtvHF, JGJIJoqHH wHIvH?JoqJ GJLF qHtF vFosJIF;
v2 JHqâovH F osJIF, qJ? IoHL vFoqáF à F JqtvHF;
L JIIqêovH H LozH J qHoI?IIãF;
 A tensão no inversor é controlada através do ângulo de disparo dos tiristores e
comando sobre o comutador de tapes;
 O ângulo de disparo dos tiristores do inversor é mantido fixo;

Da figura acima, tiramos as seguintes equações:

Exemplo de aplicação:

Em uma linha DC com as seguintes características próprias e dos terminais conversores, são
mostrados abaixo:

• Os terminais conversores são formados por pontes de 6 pulsos


• Resistência da linha DC: 10 Ω
• Reatância AC ligada aos conversores: 10 Ω/fase
• Tensão fase/neutro dos trafos conversores: 100 KV
• Ângulo de disparo α: 10°
• Ângulo de extinção γ: 20°
1. Calcule a corrente DC na linha;
2. Calcule os valores de tensão contínua nos terminais dos conversores
1. Cálculo da reatância dos conversores:

Sendo dada a reatância X = 10 Ω/fase;

A reatância do retificador e do inversor é considerada igual, ou seja, Rc1=-Rc2;


!{ !.
v1  ^
 v1  ^
 v1  v2 | 9,55 Ω
2. Cálculo de Id:

Sendo: α = 10° e λ = 20°. A tensão dos trafos conversores (retificador e inversor) são iguais, ou
seja, a tensão fase e neutro foi dada como 100 KV CA, então temos que calcular a tensão Ud0r
e Udoi.

!.√! ! √! ! √!
F  ^
>?áAF 
^
√2. >_,`  F 
^
√2. 100.10³ 
F  234.10³ b#*$  12c de

F. cos E
F. cos m
 
v1  
v2

234.10³. cos 10°


234.10³. cos 20°
 
9,55  10
9,55

  1055,69 €  -# | %'&( .

3. Cálculo da tensão contínua nos terminais.

Já calculamos o valor da reatância no item 1, então temos que retirar a queda de tensão
devido a estas reatâncias:

  F. cos E


v1. 

  234.10³. cos 10


9,55.1056

  219885 fb#$ | 11' de [[

  F. cos 


v2. 

  234.10³. cos 20


9,55.1056

  209803, 27 fb#R | 1%' de [[


5. AJUSTE DOS RELÉS DE CORRENTE

RELÉ DE CORRENTE

É aquele cuja a grandeza característica de atuação ou acionamento é uma corrente fornecida


ao relé, seja diretamente ou através de um transformador de corrente.

Disjuntor Disparador

Relé Ajuste de tempo

Mola IC

TC
Tapes para ajuste de corrente

Esquema de um relé eletromecânico protegendo uma linha de transmissão.

• Ajuste de corrente: nos relés eletromecânicos, geralmente é feito pelo ajuste de tapes
na bobina do relé;
• Ajuste de tempo: é feito ajustando o percurso do contato móvel (ajuste do dispositivo
de tempo DT);
• Embora estes ajustes sejam feitos independentemente, a interdependência é
mostrada nas chamadas curvas de tempo-corrente. Nelas, no eixo vertical temos o
tempo em segundos e no eixo horizontal, temos a corrente de acionamento, em
múltiplos do pick-up de ajuste;
• O tape escolhido passa a ser o valor de pick-up do relé, ou seja, o valor para o qual o
relé começa a atuar;
• Por motivos de segurança (problemas de atrito, por exemplo), constuma-se fazer com
que a grandeza de defeito represente pelo menos 1,5 vezes a corrente de pick-up do
relé;
• Conjugado do relé de sobrecorrente eletromecânico: ‚?  ƒ 
ƒ, onde K1 é
uma constante que depende do tipo de relé, I é a corrente circulante na bobina do relé
e K2 representa o conjugado de amortecimento.

EXEMPLO DE APLICAÇÃO:

Suponhamos que um relé de sobrecorrente seja usado em um circuito onde o disjuntor deva
desligar para uma corrente sustentada de 450 A, aproximadamente; O disjuntor deve desligar
em 2,5 segundos para uma corrente de curto-circuito de 3750 àmperes. Admitamos ainda que
um TC de relação 60:1 foi utilizado.

Solução: As curvas tempo-corrente do relé esta representada abaixo.


2,5
segundos

7,8 vezes
Ajuste do tape: o pick-up

??
qHGJ 
„‚
450
qHGJ 
60

qHGJ  7,5  COMO O RELÉ NÃO POSSUI O TAPE 7,5 ESCOLHEREMOS O TAPE 8

Para achar o ajuste de tempo, a fim de obtermos o retardo de 0,3 segundos para 3750 A,
divide-se este valor pela relação do TC.

vv 3750
  62,5 €
„‚ 60

Pegamos esta corrente e dividimos pelo tape encontrado e encontramos um múltiplo de


corrente de curto-circuito.
9,
? …
=7,8 vezes o ajuste do tape.
Plotamos no eixo horizontal o valor de 7,8 vezes a corrente de pick-up e no eixo horizontal o
valor de 2,5 segundos. No ponto de encontro das coordenadas, estará a curva para o ajuste de
tempo do relé.

Ajuste do relé:

• Tape 8
• Curva 8