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UNIVERSIDADE FEDERAL DO MARANHÃO

DEPARTAMENTO DE ARTES - DEART


CURSO DE LICENCIATURA EM MÚSICA

SEBASTIÃO CARNÉGIE BACELAR NUNES DE CARVALHO

A INFLUÊNCIA MUSICAL NO CORPO E NA MENTE:


o pensamento crítico

Sã o Luís
2017
SEBASTIÃO CARNÉGIE BACELAR NUNES DE CARVALHO

A INFLUÊNCIA MUSICAL NO CORPO E NA MENTE:


o pensamento crítico

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Curso de


Licenciatura em Música da Universidade Federal do
Maranhão para a obtenção do grau de Licenciado em
Música.

Orientadora: Maria da Piedade Oliveira Araujo

São Luís
2017
Carvalho, Sebastião Camégie Bacelar Nunes de
A influência musical no corpo e na mente: o pensamento crítico / Sebastião
Carnégie Bacelar Nunes de Carvalho. - São Luís, 2017.
99f.
Orientadora: Prof8. Esp. Maria da Piedade Oliveira Araujo.
Monografia (Graduação) - Universidade Federal do Maranhão, Curso de
Licenciatura em Música, 2017.
1. Música. 2. Desenvolvimento. 3. Crítica. Logosofia. I. Título

CDU 78.01
SEBASTIÃO CARNÉGIE BACELAR NUNES DE CARVALHO

A INFLUÊNCIA MUSICAL NO CORPO E NA MENTE:


o pensamento crítico

Este Trabalho de Conclusão de Curso foi julgado adequado para obtenção do Grau de
Licenciado em Música do Curso de Licenciatura em Música da Universidade Federal do
Maranhão e aprovado em sua forma final e m :______ d e _______d e ___________ .

Apresentado à Banca Examinadora composta pelas professoras:

ProP Maria da Piedade Oliveira Araujo (Orientadora)


Especializada em Educação Especial
Universidade Federal do Maranhão

ProP Maria Verónica Pascucci


Doutora em Música
Universidade Federal do Maranhão

ProP Kaciana Nascimento da Silveira Rosa


Doutora em Psicologia da Educação
Universidade Federal do Maranhão
Dedico este trabalho a Deus, verdadeiro amigo
e Senhor nas horas de alegria e momentos
difíceis.
AGRADECIMENTOS

A Deus em primeiro lugar, por fornecer-nos a oportunidade de salvação através do


Verbo que se fez carne e habitou entre nós, o Cordeiro que foi crucificado, morto e sepultado
e hoje se encontra ao lado do Pai de onde há de vir para julgar os vivos e os mortos; ao
Criador das coisas visíveis e invisíveis, pela vida em meu corpo, pela luz nos meus olhos,
pelos sons, pela música para louvá-lo e dignificá-lo em todo o tempo. Enfim por me prover de
tudo o que preciso para ser feliz.
À minha companheira, Giovanna Bacelar Pontes pelos momentos de incentivo, apoio
e colaboração.
Às professoras, Lídia Maria Oliveira Rosa, Maria da Piedade Oliveira Araújo, Maria
Verónica Pascucci, Quézia Priscila de Barros Silva Amorim, Risaelma de Jesus Arcanjo
Moura Cordeiro, e professores Alberto Pedrosa Dantas Filho, Cristiano Braga, Daniel Lemos
Cerqueira, Guilherme Augusto de Ávila, Gustavo Frosi Benetti, José Roberto Fróes da Costa,
Juvino Alves dos Santos Filho, Leonardo Corrêa Botta Pereira, Nelson Nunes Silva, Norton
Corrêa, Ricieri Carlini Zorzal, Roberto Thiersen, todas (os) admiráveis, perspicazes,
sensíveis, inteligentes e pacientes.
Guerreiros diuturnos na batalha do entendimento objetivando a sedimentação do
conhecimento musical, enaltecendo a música como essência da vida.
Inúmeros colegas de curso os quais vivenciaram conosco momentos de aflições no afã
de melhor corresponder na execução dos trabalhos, alegrias, também na realização de
performances com muito prazer no desvendamento das vertentes musicais e patrocinadas pelo
bem fazer social; dos quais não citarei nomes para não correr o risco de esquecer algum.
A todos os servidores e prestadores de serviço do Centro de Ciências Humanas (CCH).
Aos colegas de trabalho do Núcleo de Acessibilidade (NUACES)/UFMA, em especial
à Assistente Social Josenilde Oliveira Pereira e à Psicóloga Joayth Aline de Moura Soares.
E a todas as pessoas que incentivaram, para a consecução dos objetivos aqui
propostos.
Nunca quebres o silêncio se não for para melhorá-lo.
Ludwig van Beethoven

Digo, porém: andai no Espírito e jamais satisfareis à


concupiscência da carne.
Porque a carne milita contra o Espírito, e o Espírito, contra
a carne, porque são opostos entre si; para que não façais o
que, porventura, seja do vosso querer.
Mas, se sois guiados pelo Espírito, não estais sob a lei.
Ora, as obras da carne são conhecidas e são: prostituição,
impureza, lascívia, idolatria, feitiçarias, inimizades,
porfias, ciúmes, iras, discórdias, dissensões, facções,
invejas, bebedices, glutonarias e coisas semelhantes a
estas, a respeito das quais eu vos declaro, como já outros,
vos preveni, que não herdarão o reino de Deus os que tais
coisas praticam.
Mas o fruto do Espírito é: amor, alegria, paz,
longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade,
mansidão, domínio próprio. Contra estas coisas não há lei.
E os que são de Cristo Jesus crucificaram a carne, com as
suas paixões e concupiscências.
Se vivemos no Espírito, andemos também no Espírito.
Não nos deixemos possuir de vanglória, provocando uns
aos outros, tendo inveja uns dos outros.
(BIBLIA, Gálatas: As obras da carne e o fruto do Espírito,
Cap. 5, 16-26).

A música é o vínculo que une a vida do espírito à vida dos


sentidos. A melodia é a vida sensível da poesia.

Ludwig van Beethoven


RESUMO

A Influência Musical no Corpo e na Mente: o pensamento crítico, salienta a influência da


música no corpo e na mente, estabelece parâmetros críticos aos que utilizam a música para
princípios educativos e comerciais e analisa as leis brasileiras existentes, evidenciando o uso
de composições musicais cujas letras fazem apologias às atividades sexuais, às drogas e
incentivam a violência e considera a importância que se deve dar à escolha de músicas,
gêneros, letras, melodias e ritmos divulgados pelas mídias. Deixa claro a intenção unicamente
comercial com que vêm tratando a arte, o despropósito com as questões éticas e morais, o
descaso com a imagem dos artistas e a indução das multidões à prática de atos libidinosos e
concepções antissociais. Conduz à percepção de se ter o pensamento crítico e cautela em
momentos de diversão. A Influência Musical no Corpo e na Mente: o pensamento crítico é
uma pesquisa qualitativa, exploratória, empírico-bibliográfica, entrevista semiestruturada
(perguntas fechadas e abertas), observação não participante, que dialoga com Vieira, Sekeff,
Campos, Santiago, Susan Langer, Swanwick, Diego Kobylinski e outros cientistas. Nesta
perspectiva espera um comportamento social que avalie conceitos, que demonstre o quanto é
importante utilizar a música como ferramenta educacional analisando e filtrando os benefícios
e malefícios, tratando-a como uma detentora de disciplinas compartilhadas em vários
momentos e indutora psicofisiológica e fisiopsicológica. Para atender à demanda da prática
pedagógica sugere aos professores, especializados na área, utilizarem-se da ciência Logosofia
e da Pedagogia Logosófica.

Palavras Chave: Música. Desenvolvimento. Pensamento Crítico. Logosofia.


ABSTRACT

Musical Influence in the Body and Mind: critical thinking, stresses the influence of music
body and mind, establishes critical parameters to those who use music for educational and
commercial principles, and analyzes existing Brazilian laws, evidencing the use of musical
compositions Whose lyrics make apologies to sexual activities, drugs and encourage violence
and considers the importance that should be given to the choice of music, genres, lyrics,
melodies and rhythms released by the media. It makes clear the uniquely commercial
intention with which they deal with art, the disrespect with ethical and moral questions, the
disregard of the image of the artists and the induction of the crowds to the practice of
libidinous acts and antisocial conceptions. It leads to the perception of having critical thinking
and caution in times of fun. Musical Influence in the Body and Mind: Critical thinking is a
qualitative, exploratory, empirical-bibliographic research, semi-structured interview (closed
and open questions), non-participating observation, dialogues with Vieira, Sekeff, Campos,
Santiago, Susan Langer, Swanwick, Diego Kobylinski and other scientists. In this perspective,
she expects a social behavior that evaluates concepts, demonstrating how important it is to use
music as an educational tool by analyzing and filtering the benefits and harms, treating it as a
holder of shared disciplines at various times and psychophysiological and
physiopsychological inducer. To meet the demand of the pedagogical practice, it is suggested
to the professors, specialized in the field, to use the science of Logosophy and Logosophical
Pedagogy.

Keywords: Music. Development. Critical Thinking. Logosofia.


LISTA DE FIGURAS
O ser humano na sua integralidade 22

Subdivisão da dimensão mental 23

Ergógrafo de Mosso 28

Síncope regular e irregular 30

Síncope regular 30

Síncope irregular 30

Contratempo regular e irregular 31

Contratempo regular 31

Contratempo irregular 31

Ciclo dialético 37

A ditadura, as artes e a cultura 45

Keith Swanwick - educador inglês. 56

Ritmo/figura de compasso/andamento. 64

Compasso/barra de compasso/andamento. 64

Música e o cérebro 68

Homem esculpindo-se a si mesmo, do artista uruguaio Yandí Luzardo,


inspirada no princípio da evolução consciente proposto pela
Logosofia. 75

Carlos Bernardo Gonzalez Pecotche. 77


LISTA DE TABELAS

Tabela 1 Pesquisa de campo com alunos e professores do Curso de Licenciatura em


Música da UFMA.
58
LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS

AI 5 Ato Institucional n° 5.

CCH Centro de Ciências Humanas.

DEART Departamento de Artes.

MJC Ministério da Justiça e Cidadania.

NUACES Núcleo de Acessibilidade.

UFMA Universidade Federal do Maranhão


SUMÁRIO

1. IN TR O D U Ç Ã O .................................................................................................................. 14

2. M ÚSICA E D E S E N V O L V IM E N T O ................................................................ ...........19

2.1 A mente humana: sou mais do que penso que sou ......................................................... 22

2.2 Da concepção de quem produz e de quem absorve a criação ............................ ...........24

2.3 A indução é uma característica dentro da música .......................................................... 25

2.4 Os ritmos sincopados ..........................................................................................................29

2.5 O novo e o antigo, vida e morte - a influência filosófica ..............................................35

2.6 M usicologia............................................................................................................... .......... 38

3. O C E N S O R ...............................................,........................................................................ 40

3.1 A censura .................................................................................................................. ........... 41

3.2 A censura e a ditadura militar ............................................................................................41

3.3 O outro lado da censura .......................................................................................... ........... 43

4. CO M O E S C O L H E R O QUE O U V IR ............................................................... ..........49

5. LEIS A SEREM A P R IM O R A D A S .............................................................................. 52

6. P O R QUE EN SINA R M ÚSICA, P O R QUE A P R E N D E R ........................... ......... 55

6.1 Persuadir, dissuadir ................................................................................................... ......... 55

7. R IT M O E M U S IC O T E R A P IA ............................................................................ .........64

8. O PEN SAM EN TO C R ÍT IC O .............................................................................. ......... 71

9. L O G O S O F IA .....................................................................................................................75

9.1 Pedagogia Logosófica......................................................................................................... 79

10. CONCLUSÃO ................................................................................................................... 81

R EFER ÊN C IA S ...................................................................................................... ......... 84

G LO SSÁ RIO ............................................................................................................ ......... 89

A PÊN D ICE ............................................................................................................... ......... 94


14

1. INTRODUÇÃO
A Influência Musical no Corpo e na Mente: o pensamento crítico é uma pesquisa
qualitativa, exploratória, empírico-bibliográfica, entrevista semiestruturada (semiaberta),
observação não participante, que dialoga com Vieira, Sekeff, Campos, Santiago, Susan
Langer, Swanwick, Diego Kobylinski entre outros cientistas. O tema provém da reflexão
sobre o envolvimento de crianças, jovens e adolescentes que nos fluxos, pancadões, nas
baladas, nos bailes funk estão em situações rotineiras de uso de drogas, prostituições,
promiscuidade. Muitas jovens que na faixa etária de 10 a 15 anos engravidam sem sequer
saber quem são os pais em razão de “ficarem” com mais de um parceiro em apenas um
evento. Principalmente através de uma entrevista veiculada na mídia: "O assustador dessa
pesquisa é que só 37% condenam o fato de ter uma relação, ou gravidez no baile funk. Quer
dizer, 47% nem acham nem sim nem não, 16% disseram que não veem problema em ter
relação sexual nos bailes", diz Albertina Duarte Takiuti, coordenadora do Centro de
Referência da Infância e Adolescência da Universidade Federal de São Paulo (GLOBO,
2015). A música induz, é fato. Deleita e fantasia, mas, tem outros efeitos?
A investigação se deu pela curiosidade de saber se a música tinha responsabilidade
sobre o ocorrido, se agia apenas de forma benéfica no corpo e na mente do indivíduo ou se
traria malefícios também. Indagar as influências evolutivo-musicais, sonoro-ambientais e suas
implicações no corpo e mente dos indivíduos (crianças, jovens e adultos) e as medidas de
autodefesa, obter pensamento crítico, sob o olhar pedagógico, tornaram-se a razão da
pesquisa.
Nas hipóteses surgidas busca-se resposta na situação educacional que requer o
comprometimento da sociedade como um todo, escola, pais e filhos em todos os níveis
educacionais. Na academia, o licenciando e docentes podem utilizar um sistema educativo
que transcenda o atual o qual já não é compatível com a necessidade que se apresenta
hodiernamente, neste contexto político, econômico e social. No desenvolvimento de um
pensamento crítico e do autoconhecimento, estando focados em valores sociais e saberes
imprescindíveis para uma evolução com menos desgastes morais e éticos. Afinal, para ter não
é necessário denegrir o ser, e hoje, é necessário perceber com olhos de mútua ajuda,
desenvolver o metafísico no contexto social. Observar que não se pode e não se deve deixar
que a ciência mantenha-se materialista apenas, menos ainda colocar em segundo plano as
ciências sociais, de fato deve-se notar que não há criação sem ideia e sem o criador.
Na literatura atual, com raras exceções, o que se vê com frequência é uma abordagem
positiva quanto à utilização da música, deixam-se de lado as possibilidades negativas que
15

estão dentro de composições musicais, execuções, influênciais sonoras que provocam o stress
e outros males. Entender que a abordagem crítica ao conteúdo de qualquer obra de arte é de
grande importância e condição indispensável ao bom desenvolvimento do indivíduo que ao
ficar exposto às influências externas, sem analisá-las com clareza, predispõe-se a um
sacrifício pessoal, a pagar um alto preço. Uma vez levado sem usar a razão, ficará à mercê dos
pensamentos alheios, sujeitar-se-á a compartilhar de nichos que cooperarão para o
subdesenvolvimento e a sociedade estará eivada de malefícios os quais entram
indiscriminadamente, gratuitamente nas casas e chegam aos ouvidos de crianças, jovens e
adultos, através da diversidade midiática hoje existente.
Ritmos frenéticos, melodias alucinantes, letras alienantes e de duplo sentido, que
martelam frequentemente conceitos antissociais desarmonizam o indivíduo e seu meio. É
grave, no entanto, a sociedade ainda não se deu conta da importância de estar alerta e
consequentemente, da conveniência de sanar, encontrar caminhos para debelar o que se
estabelece rapidamente.
Convém entender que o caminho é o da educação, em casa e na escola, que está
defasada em conteúdos e professores de música, devidamente instruídos além da parte
teórico-musical. Tornar esta ferramenta que move o mundo, a música, algo permanente
durante o processo educativo da existência humana. Não segmentá-la como um braço da Arte
apenas, mas compreende-la como uma ciência na qual a sociedade encontra-se mergulhada,
fonte da qual bebe diariamente, independente da faixa etária, desconhecendo muito do que é
necessário, dos caminhos composicionais diversos e divergentes já percorridos e a percorrer.
E atentar ao fato de que alguns cidadãos detêm algum conhecimento implicante e outros
nenhum.
O aspecto interdisciplinar e sua influência moral e ética, é inerente, indiscutível, sendo
que dentro de uma música além da diversidade linguística e aspectos sociais, hábitos e
costumes, encontra-se as ciências exatas, entre outras, a Matemática está implícita nas
marcações dos tempos, do andamento, das divisões dos compassos, a Física em diversos
aspectos, mormente na confecção dos instrumentos; quando se estuda durações (vibrações),
espaço e tempo, em letras que contenham expressões correlatas: “um banho quente”
(temperatura); o uso do Português e outros idiomas até como proposta educativa, enfim há
uma infinidade de recursos os quais poderão ser utilizados como facilitadores de didática.
O gestual sexual advindo de músicas que induzem à utilização do sexo como fator
indispensável e urgente, vindo de frases como: “ái se eu te pego!” (TELÓ, 2017); e se
poderiam citar muitos mais exemplos que certamente não são benéficos para o “critério ético
16

e moral sociais” . Jovens semi-nuas, ostentação, letras que demonstram claramente a


contracultura, e deixam dúvidas se seus autores detêm conhecimento para elaboração de algo
melhor para si e para o próximo, estão em seus comerciais. Quando busca-se o gênero Funk,
gênero importado, como exemplo, tem-se uma perspectiva mais acentuada, principalmente
nas letras produzidas no Brasil, nas favelas cariocas ou paulistanas, muitas das quais, são
pornográficas e determinam a mulher como objeto sexual; pode-se perceber com clareza que
se não dá importância ao aspecto indutor musical no sentido autocrítico, o qual é
importantíssimo, e precisa ser discutido com urgência, a bem de uma organização social
consistente.
Ao questionarmos se a música induz, sua importância e valor, não podemos esquecer
as implicações de leis que não atendem ao aspecto de imprescindibilidade da disciplina para a
melhor formação do cidadão, tanto pela desobediência quanto por sua exiguidade,
incompletude. O declínio cultural pronunciado e a insistência na alienação do indivíduo são
constantes e deve-se ter cautela com ambos. Segundo Kobylinski (2010, p. 8), o feito de
cantar ou escutar uma canção pode desencadear efeitos emocionais numa pessoa. Tristeza,
alegria, nostalgia, raiva, muitos são os sentimentos que veem aos ouvintes da música. Estes
sentimentos, quando contidos em várias pessoas, podem gerar movimentos sociais. Como
exemplo, os movimentos: punk, grunge, alternativo e emotivo (este, o mais popular no
Brasil). Muitos movimentos buscavam, como meta, uma maior liberdade de expressão e uma
melhor qualidade de vida na sociedade. [...] Portanto, a música pode ser considerada uma das
artes que mais influenciam a e na sociedade. Por isso, muitas mídias optam pela
monopolização do mercado fonográfico. Se há décadas era a censura a principal vilã, agora é
a alienação, o controle do que vai ou não fazer sucesso. Isso somado ao descaso pela
qualidade musical atual na sociedade brasileira, especialmente nas classes mais pobres,
provocando um declínio cultural (KOBYLINSKI, 2010, p. 8).
Portanto, décadas de censura combatida em benefício da liberdade de expressão
encontraram o paradigma da alienação, o monopólio do mercado iconográfico que decidia o
que ia ou não ser tocado nos meios de comunicação, não obstante a qualidade musical. O
mercado iconográfico, por sua vez, encontrou concorrência na internet, na produção
independente, portanto, a qualidade monopolista encontra adversidade na quantidade
democrática abusiva. As classes sociais menos favorecidas monetariamente continuam à
mercê do óbvio declínio cultural. Entende-se a importância de discernir, ter o pensamento
crítico e do quanto é necessária a existência de profissionais que impeçam a decadência.
17

Aqui não se abordam tanto os aspectos técnico-musicais. Examina-se, a implicação na


mente e no corpo; considerando aspectos positivos da música, mas, essencialmente, dando
melhor atenção aos negativos; não para depreciá-la, mas objetivando demonstrar os perigos
individuais e sociais quase sempre camuflados na confecção e usufruto. Hoje bem
escancarados na apresentação, o que aumenta consideravelmente a importância do saber e
atuação profissional docente e reafirma a necessidade de se conscientizar das defesas mentais;
para o quê, ao final, indica-se um caminho pedagógico aos professores e estudantes. Este
caminho é inovador, animador e demonstra mais uma vez que nada está estabelecido
definitivamente podendo sofrer modificações que contemplem melhorias na convivência.
Na seção 2 busca-se definir música e desenvolvimento de forma denotativa, sua
importância na educação e na vida; distingue-se a importância do equilíbrio das dimensões
humanas física, mental e espiritual; busca-se o olhar de quem produz a obra e sua inserção no
contexto social de maneira ampla e irrestrita, com objetivos que sempre devem buscar a
melhoria da sociedade como um todo; argumenta-se quanto ao poder do Estado para facilitar
a chegada de boas obras em todas as casas; analisa-se persuasão, dissuasão; trata-se de várias
formas da influência da música no corpo e na mente, suas ações aos olhos de vários autores os
quais demonstram claramente as duas vertentes quanto ao que é bom e ao que prejudica;
analisa-se a síncope e suas influências no corpo humano; busca-se mostrar o entrelaçamento
vivenciado no contexto musical, há uma ligação em todos os momentos musicais, onde o
ontem se mistura ao hoje que depõe contra ou a favor do amanhã, faz-se uma observação
filosófico temporal da evolução, do momento em que o homem nasce ao que perece; aborda-
se a Musicologia de maneira bem superficial, com indicativos da necessidade de melhor
conhecer sua abrangência.
Na seção 3 enreda-se a censura enquanto em nós, enquanto na sociedade, a
necessidade do “olho clínico” 1, da liberdade nas escolhas, alertando é claro para o
discernimento, o que é de extrema importância para a libertação do pensamento.
Na seção 4 argumenta-se sobre como escolher o que ouvir sugerindo a máxima:
“conhece-te a ti mesmo”, prenunciando a apresentação da Logosofia.
Na seção 5 mostra-se a radicalização dos parâmetros legais quando tratam do ensino
da música nas escolas, sua limitação, o descumprimento, a desobediência ao estabelecido em
lei e alguns trechos que precisam reparação;

1 Pensamento crítico.
18

Na seção 6, fala-se da importância e da negação do mérito, mostra-se trechos de uma


entrevista com Swanwick (educador inglês), apresenta-se um questionário feito com alunos e
professores do Curso de Licenciatura em Música da Universidade Federal do Maranhão
respondendo questões que sugerem: por quê ensinar música, por quê aprender; questiona-se
sobre a cautela quanto a aspectos indutivos, persuasivos no contexto musical e momentos de
dissuasão.
Na seção 7, um breve relato sobre ritmo e Musicoterapia evidenciando a cautela na
escolha da música a trabalhar com alunos.
Na seção 8, comenta-se a necessidade de se ter um pensamento cético e discernimento
necessários ao pensamento crítico.
Na seção 9, a abordagem está na Logosofia, ciência criada por Carlos Bernardo
Gonzalez Pecotche; trata-se da Pedagogia Logosófica; conclui-se o trabalho fazendo críticas e
sugestões quanto ao ensino hodierno.
19

2. MÚSICA E DESENVOLVIMENTO
A diversidade de conceitos tentando definir o significado de música devolve a
impressão última de que “música é tudo!” Pessoas com surdez podem perceber a música pois
é movimento, a expansão contínua dos astros, o silêncio, o ruído, o pulsar do coração, uma
viagem, uma aventura, um período de tempo muito breve (MORAES, 1983, p. 7-11).

São tantas as tentativas de definir que torna-se indefinível, as vertentes trafegam em


pluralidade de afirmativas as quais incentivam a criatividade de quem procura conceituar,
apesar das contraposições acabam reforçando a união/separação (Amor e Desamor, Sorriso e
Dor). A convergência é factível e transcende a imaginação dos que lidam com a música,
professores, cientistas, filósofos, poetas, escritores, e todos os mentores desta ciência.

Conotativamente, a música extrapola os limites de conceitos tais como de ritmo,


melodia, harmonia, podendo ser vista também como a detentora de disciplinas, é
interdisciplinar por natureza; nela temos o uso do Português, Inglês, Francês (todos os
idiomas), da Matemática, Física, Química, Biologia, Psicologia, Filosofia, etc.; sua área de
atuação é muito ampla, influencia grupos e povos. Sociedades inteiras ficam embevecidas
pela influência, pelos sentimentos emanados quando do envolvimento musical.

A diversidade rítmica, melódica e harmônica, além das letras, utilizadas, induz às


reações psicofísicas. Ela conduz o pensamento para rumos além da crítica, além-fronteiras há
quem faça uso da música para terapias e seu uso é diversificado realmente; usada ao longo da
história para estimular, levantar o moral, como ferramenta didática. Pode-se considerar, sem
dúvida, que o ensino da música deve ser tratado com visão mais aprofundada.

Lembra-se aqui que o autor, compositor musical, está dentro do contexto da criação,
além de ter uma mente fértil, inovadora, participa dele, é parte integrante deste; é influenciado
por suas vivências tanto quanto exerce influência em seu meio.

A música pode favorecer esta interação sociocultural significativa. Estudos têm


demonstrado que os elementos da música (rítmicos e melódicos) atuam nos aspectos
cognitivos e criativos do sujeito, podendo favorecer a aprendizagem da leitura e a
produção de textos no processo de alfabetização. A música pode estimular o
desenvolvimento da capacidade afetiva e cognitiva do indivíduo, além de
desenvolver as habilidades estéticas e musicais específicas e todos estes aspectos
concorrem para o desenvolvimento da escrita (VIEIRA e LEÃO, 2003 et all apud
PRADO; FIGUEIREDO, 2005, p. 111).

A música não é feita somente de sons, tons, existem as pausas, os silêncios dentro de
uma obra musical. Portanto, é da combinação de sons e silêncios (pausas) que o compositor
20

molda sua forma. Há um nome muito conhecido no meio musical John Cage, o qual nos
legou uma obra primorosa e de uma variedade extraordinária. Obras produto de observações
feitas, durante suas viagens. Inspirações, americanas, europeias e asiáticas. John Cage, o
maestro, apresentou a obra: 4 ’33” (Quatro minutos e trinta e três segundos), em 1952, a qual
repercutiu mundialmente. Ao ser executada sob regência, ou não, o músico, com a partitura
em branco, silencia durante o tempo já descrito como se tocando estivesse. Evidencia a
importância do silêncio, das pausas na musica, além da percepção ambiental, ou seja, os
movimentos do público presente e os sons que ocorrem neste momento. Quebra, assim, o
paradigma conceitual ocidental que explicava a música como notas em série ordenada e traz a
lume a ambiência no contexto da obra. A ideia enfatiza a criatividade, o espírito crítico e o
discernimento! Também, diagnostica a inexistência do silêncio total.

Criatividade, espírito crítico e discernimento são essenciais à forma de raciocínio


lógico: o que faz bem, se mal utilizado, poderá ser muito maléfico, assim como devemos
silenciar no momento certo para uma melhor formatação musical, também devemos sentir,
vislumbrar a tênue linha que separa o simples interesse financeiro do singular momento
educativo-evolutivo-desenvolvimentista. Não se pode olvidar o que se tem, e negar a
habilidade de pensar, de refletir, racionar e decidir. Portanto:

A música está inserida no meio propiciando diversos resultados, contribuindo para


acrescentar competências aos nossos alunos, desenvolvendo habilidades. Esses
resultados veem contribuindo grandiosamente para o desenvolvimento cognitivo,
afetivo e social das crianças. A música estimula o desenvolvimento das habilidades
dos alunos, faz com que eles manifestem através de atitudes suas idéias e
sentimentos. A linguagem musical passa segurança para nosso aluno, pois faz parte
de um universo que ele conhece dessa maneira o desenvolvimento cognitivo
acontecerá num todo envolvendo diversas áreas do conhecimento. É necessário que
o professor esteja preparado para atender as necessidades dos alunos durante este
processo de construção, não é simplesmente trazendo a música para sala de aula,
mas sabendo como utilizá-la de maneira a acrescentar algo para o indivíduo
(SANTIAGO, 2007, p. 4).

Complementando, FARIA nos fala,

A expressão musical desempenha importante papel na vida recreativa de toda


criança, ao mesmo tempo em que desenvolve sua criatividade, promove a
autodisciplina e desperta à consciência rítmica e estética. A música também cria um
terreno favorável para a imaginação quando desperta as faculdades criadoras de cada
um. A educação pela música proporciona uma educação profunda e total. [... ] A
música como sempre esteve presente na vida dos seres humanos, ela também sempre
está presente na escola para dar vida ao ambiente escolar e favorecer a socialização
dos alunos, além de despertar neles o senso de criação e recreação (FARIA, 2001, p.
24 apud. MELLO, s/d).

Sendo assim, considera-se que o importante papel musical na vida não fica só no
recreativo, em nível infantil, fundamental ou médio, mas vai além, muito além; é uma
21

constante no transcurso vital. Como os autores enfatizam que a música desenvolve a


criatividade, promove autodisciplina e proporciona uma educação profunda e total, inquiri-se
neste ponto, à razão pela qual não se ministram aulas de música nas universidades brasileiras
sequenciando o aprendizado, em todas as áreas e sempre. O som é um fato perceptível desde a
geração, o ser humano enquanto ser sensível, no ventre da mãe, sente sua vibração ao longo
da caminhada até que a morte o separe no último instante, ali também é deixado pelo pranto
sonoro, havendo até quem peça que seja tocada uma música profana ou sacra, um hino, por
fim.

A música influencia substancialmente, mas é justamente em detrimento disto que se


alerta para a necessidade de ter um pensamento crítico, seletivo, fazendo perceber que os que
a produzem na maioria das vezes visam apenas o aspecto lucrativo; nem sempre estão
preocupados com a situação de bem ou mal estar pela qual passará a sociedade; ou mesmo no
quê a produção irá influenciar no seio familiar, visto como o berço social. O mau uso
ocasionará algo destruidor e não construtor. Quando se busca entender aqui o
“desenvolvimento”, interpreta-se como um processo sócio-evolutivo; não esquecendo que
obras musicais mal feitas objetivando apenas a lucratividade, certamente proporcionarão
destruição. Constata-se que ao longo dos anos houve muitas modificações na maneira de
compor, executar, bem como no desempenho de palco, amparadas pela evolução tecnológica.

No filme “A Flauta Mágica” , o autor comenta “A obra de M ozart induz à fé no


extraordinário e à crença no impossível” . Mostra a filosofia do iluminismo, século das luzes.
A produção cinematográfica de autoria do diretor Ingmar Bergman, traz em seu contexto uma
concepção exotérica do compositor com a vitória da luz sobre as trevas (MALTEZ, 2017).

A inversão de conceitos do que significa evoluir, desenvolver musicalmente, é sentida


claramente no produto musical final encontrado abundantemente na internet e difundido sem
reservas em alguns meios de comunicação. Os softwares, programas que facilitam a produção
musical, disponibilizados às vezes gratuitamente, na internet, facilitam o surgimento de
gravadoras de “fundo de quintal”, enquanto as mídias, filmadoras, o celular, facilitam ainda
mais a produção. Some-se aqui os canais, redes sociais e... Pronto! A imaginação especulando

2 Em 1791, Wolfgang Amadeus Mozart estreou a sua última ópera, “A Flauta Mágica” (Die
Zauberflöte, K. 620), dois meses antes de morrer. Era uma ópera diferente, feita, não para os grandes salões de
Viena, mas sim para os teatros populares (MALTEZ, 2016).
22

públicos alvo pouco importando efeitos pró ou contra; a “liberdade de expressão” descamba
para a libertinagem provocando distúrbios sociais.

2.1 A mente humana: sou mais do que penso que sou

É incrível o que o cérebro pode fazer o que acontece em seu interior quando pensamos
em algo, muitas e incontáveis reações, quando se decide pegar algo ou tocar em alguém.
Entretanto, a maioria de nós, não se dá conta de nada do que ocorre não se sabe das reações
químicas, das combinações que acontecem no interior do corpo. As emoções incontroladas
que provocam reações as mais diversas, como emoções que para alguns trazem um processo
de alegria enquanto que para outros são traduzidas mentalmente como tristezas, evocam
situações desagradáveis.
Do que são feitos os pensamentos? Quem somos nós?
Nós, produtos do nosso interior, com nossas ações, influenciamos o meio, tudo o que
está fora de nós é proveniente do que temos dentro de nós.
Figura 1 O ser humano na sua integralidade.

r
[L. 1
e
Espiritual j

r
Frísico
L. Mental

Fonte: TV Novo Tempo - Programa Claramente (O Funcionamento da


Mente), desenvolvido por Dr. Cesar Vasconcellos de Souza (Exibido em: 02 abr
2017).

Ao se observar o ser humano em sua totalidade percebe-se que suas dimensões são
físicas, mentais e espirituais, não há como dissociá-lo delas. E para que mantenha um
desenvolvimento saudável deve mantê-las em equilíbrio. Conforme nos orienta White (2007,

3 Ellen G. White (1827-1915) é considerada a autora Americana mais traduzida, tendo sido as suas
publicações traduzidas para mais de 160 línguas. Escreveu mais de 100.000 paginas numa vasta variedade de
23

p. 46) quando argui sobre como desenvolver uma mentalidade bem equilibrada: “O trabalho é
uma bênção. É impossível possuirmos saúde sem trabalhar. Todas as faculdades devem ser
postas em uso, a fim de que possam desenvolver-se devidamente, e homens e mulheres
tenham mentalidade bem equilibrada” .
Então, para ter saúde o indivíduo deve buscar um desenvolvimento harmonioso entre
as dimensões, o mesmo só atingirá a sua completude quando estiver harmonizado e
equilibrado, fisicamente, mentalmente e espiritualmente. Necessariamente, precisa das
práticas físicas, mentais e espirituais.
Ante o exposto, concluímos que tudo o que acontece com o homem é nas suas três
dimensões, por exemplo, uma enfermidade não é apenas física, nem apenas mental ou
espiritual somente.
Neste momento as considerações serão na dimensão mental; esta se subdivide em
pensamentos, sentimentos e ações. Focando essencialmente, pela razão temática desse
trabalho, no funcionamento do corpo enquanto pensa, sente e age, ou seja, em primeiro lugar
pensamos, depois sentimos e posteriormente agimos. Assim fazemos nossas escolhas.
Figura 2 - Subdivisão da dimensão mental.

Ações

r
Piensamentíj Sentimento
s

Fonte: TV Novo Tempo - Programa Claramente (O


Funcionamento da Mente), desenvolvido por Dr. Cesar Vasconcellos
de Souza (Exibido em: 02 abr 2017).
O Certo Exclui o Errado. Pais sois vós os que haveis de decidir se o espírito de
vossos filhos se encherá de pensamentos enobrecedores, ou de sentimentos viciosos.
Não podeis conservar desocupada sua mente ativa, tampouco podeis expulsar o mal
com um simples gesto de enfado. Unicamente incutindo princípios corretos, podeis
excluir maus pensamentos. A não ser que os pais plantem no coração dos filhos as
sementes da verdade, o inimigo semeará o joio. A instrução boa e sã é o único

tópicos práticos e espirituais. Guiada pelo Espírito Santo, exaltou Jesus e guiou-se pelas Escrituras como base da
fé. (WHITE, 2007, p. 46)
24

preventivo contra as más conversas que corrompem os bons costumes. A verdade


protegerá a alma das intermináveis tentações que terão de ser enfrentadas (WHITE,
pág. 46).

Como o corpo reage diante das escolhas feitas? Melhor dizendo, sempre haverá uma
afetação física, afinal, fazendo-se escolhas certas ou erradas, sempre haverá consequências
que serão positivas ou negativas, as quais poderão contribuir ou não para um melhor
desempenho físico e mental.

2.2 Da concepção de quem produz e de quem absorve a criação

Colocar um filho no mundo até parece tarefa de fácil execução. Entretanto, quando se
observam princípios básicos de sobrevivência, reflete-se melhor. Estabelecendo um parâmetro
com a criação, cada música é um novo filho à qual o (a) autor (a) dá a luz; produzir música
parece tarefa fácil, entretanto neste aspecto, à luz da razão, deve-se observar o que a semente
plantada no social trará de retorno nas gerações atuais e vindouras. Deve-se supor que os pais
não querem filhos problemáticos e pensar que é um “bem” ou “mal” que perdurará por anos!
Mesmo a composição que surge e rapidamente desaparece por não ser mais tocada (cometa),
não foge às condições das demais em sua influência social. As transformações advindas das
ações responsáveis ou irresponsáveis são reações que têm concretude transparente pela
moldação do psicológico social. O compositor ao combinar notas e letras não poderá agir
irresponsável e repreensivelmente. E sim concatenar ideias construtivistas para uma melhoria
racional das comunidades existentes no mundo. Não deve ater-se ao egoísmo, mas tratar sua
obra de maneira pública e útil, não esquecendo que sua ação poderá trazer à baila, o inútil
como um ato de morte em detrimento da vida. Letras que incentivem a promiscuidade, a
veleidade do ineditismo, sem regras, maculando a família e buscam lucrar, mesmo que
destruam o que a sociedade construiu de bom, a duras perdas, por séculos vividos, devem ser
esquecidas, sequer escritas. Cita-se como referência uma máxima Bíblica: “ama ao teu
próximo como a ti mesmo” (MATEUS, 22:39), uma maneira simples de ver a música,
enquanto arte de amor e paz; vida! O Caminho e a Verdade!

O argumento de luta contra as mazelas sociais perpassa pela criteriosa análise do que
fazer em um momento de escolha. Como um músico poderá sobreviver aos assédios diários
de músicas que trafegam na mídia e caem no gosto da população que as elege como algo
divertido e que em suas festas não contrataria um executante que não as conhecesse torna-se
melodramático. Como viver de música em um mundo conturbado e mal educado é uma
25

pergunta que não cala. Há necessidade de intervenção estatal para que o acesso às boas obras
chegue a todas as casas, aqui não se busca a censura, mas, a oferta, a disponibilidade e maior
divulgação, criteriosa e assistida por órgãos de cultura que entendam de musicologia.
Crianças crescem e realimentam as vivências mortuárias e assim os filhos dos filhos, com
raríssimas exceções, permanecem obliterados e mal sucedidos em suas escolhas até mesmo
por não terem opção premente.

O quê pais que acordam em um país movido pelo consumismo, de terceiro mundo, em
desenvolvimento podem fazer para estabelecerem regras de absorção do ouvido, ou visto, em
casa ou nas ruas, nas escolas, quando alegam não terem tempo em virtude de terem de correr
para suprirem as necessidades primárias da família. O que podem fazer para melhorarem o
exterior e o interior do indivíduo, seu meio ambiente e o espírito para um desenvolvimento
saudável e próspero é o que se pode inquirir. Compartilha-se a ideia da prioridade da música
nos seletivos públicos, no sistema educativo, pela sua importância no desenvolvimento motor,
cognitivo, espiritual e a necessidade do melhoramento legal (das leis) para melhorar a coesão
social e o discernimento o quê para a sociedade é indispensável. A música não é prioridade,
uma vez que interage do início ao fim da vida?

É evidente que todos precisam ter uma mente consciente, observativa, que tome
decisões não egoístas e objetivem mesmo a melhoria da sociedade como um todo. Portanto, é
interessante que se aponte caminhos para o desenvolvimento de uma pedagogia justa e
igualitária que conduza a sociedade a ter um pensamento lógico, crítico, plausível e racional;
coerente e coeso.

2.3 A indução é uma característica dentro da música

Induzir é crime? Qual a limitação?


Em alguns casos, sim, entretanto os limites ainda são pouco claros em se tratando de
música o enquadramento legal é quase impossível.
É comum se usar a música como veículo de comunicação de massa em situações
promocionais, pelo martelar constante da propaganda; a psicologia do consumo e da
propaganda, explica bem como motivar para o dispêndio através do marketing. Utilizando a
comunicação persuasiva como instrumento com o objetivo de convencer o indivíduo à prática
de atos os quais poderão ser voluntariosos ou não. Para o indivíduo a consciência da ação
praticada é fator essencial e indispensável para não se deixar conduzir de forma enganosa às
26

práticas involuntárias, observa-se que todos não têm a mesma visão crítica sobre o que se
apresenta cotidianamente aos ouvidos ou olhos.

A motivação e o comportamento motivado são frequentemente acompanhados de


emoção, de sentimentos de alegria, ansiedade, insegurança ou medo. A partir de um
estímulo, que pode ser um anúncio publicitário ou um produto, é característico das
emoções gerar sentimentos que “disparam” involuntariamente, interpretando o
estímulo de forma positiva ou negativa, o que significa que este estímulo tem
qualidades reforçadoras, como já visto, funcionando como reforço positivo ou
negativo e tem qualidades impulsionadoras, o que resulta em motivação para se
aproximar ou afastar deste estímulo. Emoções em psicologia são conceituadas como
estados de experiência ou sentimento individuais. As emoções parecem ter um
componente fisiológico e um componente cognitivo. As emoções seriam respostas
psicológicas nas quais haveria interação de: Estímulos fisiológicos, Reações
expressivas, Sentimentos e pensamentos conscientes. As emoções implicam
sentimentos e os sentimentos subjetivos é que são denominados de emoções, ou
afetos, e são carregados de uma valoração positiva ou negativa (GADE, 1998, p.
91).

Estabelecem-se parâmetros de escolhas pelo fato do movimento estar diretamente


relacionado ao conhecimento do proposto, ao que carrega como embasamento cultural, pois a
mensagem chega aos ouvidos/olhos e é processada, mas, dizer “sim” ou “não” ao que se
permite ouvir, ver, pressupõe consciência e pensamento crítico para o que advém das mídias.
E aqui não se pode esquecer o processo de globalização. Hoje fato, onde se tem a invasão das
fronteiras e com ela os múltiplos interesses acompanhados das crises econômicas existentes
mundialmente; novamente busca-se a compreensão da necessidade de profissionais atuantes
no campo musical e guiando a sociedade para o não envolvimento sem uma análise
substancial do produto colocado no mercado.

As influências exercidas pela música sobre o corpo e a mente são as mais variadas e
mais comuns do que se imagina. Fernandes (2011), ao citar Araujo, diz:

O autor acredita que a música age no organismo como um todo, apresentando não só
efeitos sobre o físico, mas também sobre a mente. Produz efeitos psicológicos
variados. As emoções, a imaginação, as disposições podem ser induzidas e
estimuladas. Conforme a música, as pessoas são afetadas para o bem ou para o mal,
inclusive moral e espiritualmente. Ele chega a dizer que “[...] a música penetra na
mente humana através daquela porção do cérebro que não depende da vontade,
invadindo o centro cerebral automaticamente, quer a pessoa queira ou não”
(ARAUJO, 1998, p. 16; apud FERNANDES, 2011).

Como alerta Araujo há mensagens que percorrem nosso cérebro de forma involuntária,
mesmo sem o nosso consentimento crítico/consciente, estamos sujeitos a processamentos
vegetativos, inconscientes. O mesmo recebe informações, as processa e se reorganiza; supõe-
se derivar daí seu sentido estético, sua criatividade.
27

Para Thayer Gaston, o ser humano, com seu cérebro de bilhões de células, não só
organiza os estímulos que lhe chegam e lhe informam sobre o meio, como também
cria novos desenhos e novas formas para empregá-los. Desse processo parece
derivar seu sentido estético, pois nenhuma cultura jamais se satisfez apenas com os
sons que a natureza oferece (GASTON, 1968, p. 34 apud SEKEFF, 2007, 115).

Sekeff (2007, p. 115) diz ainda que [...] Através dos séculos, filósofos, médicos,
psicólogos e teóricos tentaram explicar o mecanismo das respostas humanas à música,
constatando-se sempre quão difícil é dissociar nessas respostas os efeitos fisiológicos dos
psicológicos. Ainda assim os pesquisadores oscilam entre duas teorias. Alguns dos
pesquisadores que buscaram entender as ações da música sobre o corpo e a mente do
indivíduo refletiram sob dois aspectos; uns acreditaram que a primeira ação seria no
psicológico e após a ocorrência seria fisiológica, ou seja, a afetação inicial seria nas emoções,
despertando os estados de ânimo e outros que inicialmente sua influência seria no fisiológico
e só depois agiria no psicológico, primeiramente os estados de ânimo seguidos das emoções.

Essa segunda teoria é compartilhada pela filósofa contemporânea Susan Langer,


para quem a excitação nervosa origina a emoção. Langer informa que amiúde
fazem-se comparações entre as formas da música e a dos sentimentos, concluindo ao
mesmo tempo que a música manifesta, sim, esquemas de calma e excitação que
ocorrem nos tecidos nervosos (fonte física da emoção), e que o som afeta o sistema
nervoso autônomo, base da reação emocional. Mas em realidade os dois processos
se inter-relacionam, pois o homem é um todo, como aliás ensina a Gestalt, e só por
um recurso analítico conseguimos dissociá-lo (SEKEFF, 2007, p. 108).

As pesquisas feitas em vários autores os quais exemplifica Sekeff (2007): Langer,


Charles Diserens, Carvalhal Ribas, Tarchanoff, Dutto, Férè, Scripture, Binet, Guibaud, Weld,
James-Lange, Cannon, J. Dogiel, entre outros; indicam influências da música sobre o ser
humano:

A música exerce ação psicofisiológica no receptor, ensejando a experiência de


reações sensoriais, hormonais, fisiomotoras e psicológicas propriamente ditas; [...]
em termos de ação fisiopsicológica, tem-se como certo que a bioquímica e o
comportamento se inter-relacionam. A emoção musical influencia ambos, e ratifica-
se a assertiva de que música é uma forma de comportamento. [...] Ainda
considerando a ação especificamente fisiológica, Charles Diserens (The Influence o f
Music in Behavior), em 1936, já assinalava que a música repercute fisiologicamente
sobre o indivíduo; mas a direção e a correlação recíprocas dessa repercussão ainda
hoje parecem constituir matéria de discussão. Os seguintes pontos, entretanto, são
geralmente aceitos por todos, como registra Carvalhal Ribas (1957, p. 80-3): A
música mexe com o metabolismo (Tarchanoff, Dutto); atua sobre a energia muscular
(Férè, Tarchanoff, Scripture); acelera a respiração e diminui sua regularidade (Binet,
Guibaud, Weld); determina efeito acentuado mas variável sobre o volume
sanguíneo, o pulso e a pressão arterial; abaixa o limiar em relação a estímulos
sensoriais de diversos tipos; participa das bases fisiológicas da gênese das emoções
(James-Lange) e repercute sobre as glândulas de secreção interna (Cannon); [...] O
som age sobre a circulação sanguínea conforme experiências do russo J. Dogiel, que
28

fez uso de um diapasão em suas experiências. Fazendo executar sons isolados ele
testou sua estimulação nos homens e nos animais, mediu a pressão sanguínea e a
atividade cardíaca de ambos, e chegou à conclusão de que as reações são mais
intensas nos animais e mais variáveis nos homens (SEKEFF, 2007, p. 108-111).

A introspecção da música é mais influente do que normalmente se imagina, como se


pode observar nas citações acima, mexe com a mente e com o corpo, age
psicofisiologicamente, fisiopsicologicamente, a emoção é fato que não se pode descartar;
envolve, chega a transmudar concepções. A produção hormonal do corpo é alterada mesmo de
forma involuntária e o pensamento passa por etapas que a própria consciência, concepção,
desconhece.

O som e ritmo (co) movem o ser humano, e isso desde sua fase intrauterina, uma
ação que se estende pela vida afora. O mundo do feto é de vibração, um mundo de
sons, de movimentos e ritmos que impressionam o seu sistema de percepção.
Recém-nascido, a audição começa a se estabelecer mais ou menos a partir da
segunda ou terceira hora de vida, quando então as reações do bebê são mais
relacionadas à intensidade e menos à qualidade do som. A partir do quarto mês (há
quem assegure que a partir do segundo), o estímulo auditivo já proporciona efeitos
agradáveis e/ou desagradáveis ligados também à qualidade dos sons; [...] Com
relação ao inconsciente, Chneiderman (1989) informa que o som funda e nutre o
inconsciente em sua aparição precoce, com a mãe exercendo o papel de mediadora
entre a criança e o objeto, e de “facilitadora” de trocas significativas do bebê com o
meio; [...] A música tem ação precípua na atividade motora. Esse estímulo mexe
com a respiração, a circulação, a digestão, a oxigenação, o dinamismo nervoso e
humoral, a marcha das operações mentais; induz reações positivas e negativas e cria
consciência do movimento. A música rítmica tem ação em nossa capacidade de
trabalho, aumenta e diminui a energia muscular, reduz e retarda a fadiga e favorece
o tônus muscular, como pesquisou o fisiologista Férè com o recurso do ergógrafo de
Mosso. De suas investigações, Férè concluiu também que são os estímulos rítmicos,
antes de quaisquer outros, que conseguem “aumentar” o rendimento corporal. O
modo, o caráter e o gênero de um texto musical, independentemente até mesmo do
ritmo, estimulam um significativo rendimento, mas é o ritmo o estímulo mais
relevante (SEKEFF, 2007, p. 108-111).

Figura 3 - Ergógrafo de Mosso

Fonte: https://www.uc.pt/fmuc/destaques/AcervoHistoricoFMUC
29

É óbvio que não se deve descartar o que nos afirma Férè quando diz que a música tem
ação precípua na atividade motora; e continua, “induz reações positivas e negativas”;
consolida a produção deste trabalho que busca evidenciar as reações negativas mostrando
também a importância de termos profissionais competentes que entendam quanto é necessário
publicizar estas ações/reações, principalmente na formação escolar do indivíduo. Em outro
momento diz: “é o ritmo o estímulo mais relevante”.

Foi lembrado já em outro momento que, dentro de determinada cultura, ritmos vivos
e modos maiores seriam mais estimulantes, ao contrário dos ritmos lentos e modos
menores. Cabe entretanto acrescentar que no Eloise Hospital (EUA), Ira Altshuler
observou em seu trabalho musicoterápico que, paradoxalmente, vários pacientes
deprimidos saíram desse estado com mais rapidez,se estimulados com música de
caráter triste e em tonalidade menor, o que já não acontecia se fossem tratados com
música viva e em tons maiores. Ao mesmo tempo, pacientes maníacos, cujo tempo
mental é mais rápido que o dos demais, eram mais prontamente estimulados com
uma peça musical em andamento allegro, ao contrário de um andante, inferindo-se a
necessidade de sempre se atentar para as diferenças individuais. [...] Há relações
entre música e ritmo humano, pulso e tempo musical, como pesquisou Susan
Langer, concluindo que há certos aspectos da chamada vida interior e da vida física
e mental que apresentam propriedades formais similares às da música: esquemas de
movimento e repouso, de tensão e distensão, de preparação, satisfação, excitação e
relaxamento (SEKEFF, 2002, p. 110).

Descobre-se aqui a similaridade do que ocorre na execução musical com o que


acontece no organismo do ser humano, movimentos e repousos, distensões e tensões; não só
na prática, também ocorre na elaboração, confecção do instrumento, o violão, por exemplo,
carrega propriedades físicas, com forte relação com a ciência exata “Física” em vários
aspectos, a tensão das cordas obedece a padrões de conformação, sua vibração obedece a
modelos, configurações específicas; sua caixa acústica, a madeira e outros requisitos devem
conter medidas as quais influenciarão sua sonoridade, seu timbre.

2.4 Os Ritmos Sincopados

Sempre surgem dúvidas em estudantes de músicas e até mesmo em profissionais a


respeito do que seja síncope, então, serão dadas explicações abaixo:

Seu conceito mais simples é: “o prolongamento do som executado em uma pulsação


fraca até chegar à pulsação forte seguinte” . Pode-se escrevê-la com ligaduras ou figuras
pontuadas ou equivalente a figura ligadas.

Classifica-se como regular e irregular.

Exemplo:
30

Figura 4: Síncope regular e irregular.

Fonte: http://musicalleizer.com.br/2012/01/qual-diferenca-entre-sincope-e.html

SÍN C O PE R E G U L A R :
quando as figuras têm o mesmo valor e a mesma duração.

Exemplo:

Figura 5: Síncope regular.

Fonte: http://musicalleizer.com.br/2012/01/qual-diferenca-entre-sincope-e.html

SÍN C O PE IR R E G U L A R :
quando as figuras têm valor e duração diferentes.
Exemplo:
Figura 6: Síncope irregular.

"onte: http://musicalleizer.com.br/2012/01/qual-diferenca-entre-sincope-e.html
Eventualmente a síncope é confundida com o contratempo, convém definir o que é
contratempo para melhores esclarecimentos a respeito do aqui tratado.
O contratempo é: “o acento executado em uma pulsação fraca do compasso ou em
uma parte fraca de uma pulsação” . Ele pode ser apresentado de formas diferentes, com pausas
ou sinais de acentuação.
31

Exemplo:
Figura 7: Contratempo regular e irregular.

Fonte: http://musicalleizer.com.br/2012/01/qual-diferenca-entre-sincope-e.html

O contratempo também é classificado como regular e irregular, assim com a síncope.


REGULAR:
Quando a figura de tempo ou de pausa possui o mesmo valor e duração.
Figura 8: Contratempo regular.

^ con^pam^

Fonte: http://musicalleizer.com.br/2012/01/qual-diferenca-entre-sincope-e.html

IRREGULAR:
Q uando as figuras p o ssu e m v alo res d iferen tes.

Figura 9: Contratempo irregular.

Fonte: http://musicalleizer.com.br/2012/01/qual-diferenca-entre-sincope-e.html
Pode-se perceber que a diferença reside basicamente no prolongamento da nota
executada no tempo fraco até o tempo forte, síncope, o que não acontece no contratempo,
onde o valor da figura fica restrito a seu tempo sem alcançar outros.
Esclarecida a diferença, pode-se retornar ao foco principal do assunto pertinente a esse
trabalho.

Segundo Rosa Maria Susanna Barbara:

A síncope, outra característica típica da música africana e do candomblé, é o efeito


rítmico produzido pelo prolongamento ou deslocamento do acento do tempo fraco
ao tempo forte. O prolongamento do acento faz com que não exista uma percussão
na batida forte. Assim, produz-se uma quebra da expectativa por uma batida forte e
32

por isso verifica-se um choque. Os ritmos sincopados quebram a ordem dos ritmos
esperados e criam assim um novo padrão de ordem. O nosso corpo, o coração, o
nosso andar obedecem a um funcionamento rítmico isócrono. A falta desse ritmo
provoca um choque, uma sensação de caída. Simbolicamente nos fala da
possibilidade das coisas não acontecerem sempre na mesma forma, e obriga o corpo
ao movimento.4 O ritmo sincopado proposto num modo obsessivo adquire, no
contexto ritual, uma grandíssima importância porque altera a expectativa do padrão
rítmico, movimentando os acentos do tempo forte para o tempo fraco. Abre assim,
talvez, a porta a outras dimensões, indicando metaforicamente outras vias de
conhecimento; vias que requerem o corpo e não apenas a mente. [...] A síncope
produz simbolicamente uma ação cíclica que se liga ao conceito de reversibilidade
do tempo e do espaço no mito, que permite aos fiéis voltar naquele tempo e, assim,
se juntar a energia do orixá. Essa volta não é uma simples emoção, mas produz
efeitos físicos no organismo, na respiração, no movimento, muito mais fluido, enfim
no corpo todo (BARBARA, 2017, p. 1).

Neste momento, pode-se notar a influência musical, em termos técnicos, onde se


percebe a influência rítmica, podendo ser conduzida conscientemente pelos mentores das
obras, sendo que a criação independe dessa consciência em vista da disponibilidade dos
recursos nos computadores e manipulados também por quem não detém nenhum
conhecimento musical, mas, consegue, além de produzir, difundir seu trabalho de várias
maneiras. Ao consultar o youtube pode-se verificar a quantidade de acessos, visualizações e
likes (gostos), demonstrando claramente o interesse por este tipo de atividade/estilo; o
indivíduo ao assistir ou dar o seu parecer está então contribuindo para a permanência da obra
nos meios de comunicação; onde o interesse promocional de outros produtos se agrega.
Adiciona-se a isto a mensagem visual que impulsiona, incentiva a libido ao tempo em que
denigre a imagem feminina e privilegia a ostentação.

A música atua em nossas funções orgânicas, como pesquisou o fisiologista Haller


(1708-1777), comprovando que o sangue jorra mais vivamente de um vaso
aberto,em pessoas predispostas,em razão da hipertensão arterial provocada por rufar
de tambores. Outros trabalhos, como o do compositor francês Grétry (1741-1813),
confirmam que, quando cantamos mentalmente um trecho de música, o ritmo
cardíaco tende a se conformar com o ritmo do canto mental. Todos esses trabalhos
são expostos por Carvalhal Ribas (1957). A música pode estimular na mente
imagens, imagens de movimentos que parecem mesmo reais. Ao ouvir música
podemos experimentar a sensação de executar movimentos. A música alimenta o
poder da atenção prolongando essa capacidade, em pessoas predispostas, por
períodos mais longos do que o provocado por determinadas drogas (SEKEFF, 2007,
p. 119).

Dificilmente deixamos de encontrar quem já não tenha sido embalado ao som de


canções de ninar, quem já passou por esta experiência talvez não estranhe tanto as influências

4 Esta “obrigação ao movimento”, citada no texto, provavelmente ocorre para tentar trazer de volta o
padrão rítmico natural. Podemos notar que os movimentos espontâneos suscitados pelos ritmos sincopados
sempre acentuam os tempos, e nunca os contratempos. (BARBARA, 2017, p. 1).
33

exercidas apontadas: a música atua em nossas funções orgânicas; a música pode estimular na
mente imagens cinestésicas; alimenta o poder da atenção. Estas afirmações nos parecem bem
familiares e sem querer simplificar excessivamente quando recordamos o “embala neném”,
quase todas as sensações mencionadas são sentidas, mesmo sem nenhum conhecimento de sua
atuação em nós, somos envolvidos. É evidente a importância dos pesquisadores das diversas
áreas de atuação apontados por Sekeff nas citações.

A música satisfaz algumas de nossas necessidades inconfessadas e insatisfeitas,


permitindo que vivamos uma experiência na qual fantasia e realidade se encontrem
intimamente ligadas. Um exemplo dessa ação é a do rock, música que fala
diretamente aos adolescentes. As melhores bandas, The Who, Rolling Stones, e
mesmo bandas do gênero hard-rock, parecem mergulhar no centro das paixões dos
jovens procurando transformar seus sentimentos em uma experiência artística ou até
mesmo religiosa, segundo declaração de Pete Townshend, líder do grupo The Who;
A música é também um excelente recurso de catarse na medida em que favorece a
expurgação de emoções e sentimentos que não conseguimos expressar verbalmente,
pois a fala nos aproxima demasiadamente de emoções que, muitas vezes,
atemorizam. Atuando então como objeto intermediário, a música mediatiza a
expressão emocional do indivíduo sem desencadear estados de alarma intensos, o
que, provavelmente propiciaria desarticulação. Ao mesmo tempo, age como
facilitadora de comunicação, assegurando a desejada verbalização seja de forma
simples primária direta (grito, sussurro), pura resposta instintiva ao som, seja num
segundo momento, de forma mais consciente, como recurso projetivo-sonoro pelo
qual o indivíduo está pronto a falar de si e de suas emoções. Daí que ela constitui
indicação primeira e única no caso de indivíduos com dificuldades de comunicação
verbal como autistas e catatônicos, por exemplo, já que ela enseja a abertura de
novos canais de comunicação, facilitando a introdução de outros tipos de terapia
(SEKEFF, 2007, p. 120).

Os musicoterapeutas utilizam-se da música como recurso para a cura de pessoas com


distúrbios psíquicos, com problemas de comunicação; professores de música também
encontram facilidade na comunicação com/dos autistas, por exemplo, têm obtido um
excelente desenvolvimento em seu relacionamento pessoal, isto é evidenciado no contato com
outros que também têm autismo e no convívio familiar. Utilizam a música por entenderem
que a mesma tem o poder de evocar, associando e integrando experiências, revolver o tempo,
o espaço e a psique, favorecendo a emergência do material inconsciente. Busca-se não só o
que está no outro, também o outro que está em nós. Para Lecourt (1996, p. 20), “fazendo
música, escutando, cantando, vivenciando, o indivíduo acaba por influir no ritmo dos seus
pensamentos e emoções, na harmonia de sua saúde corporal e mental. E é assim que a música
pode mudar o comportamento de uma pessoa” (LECOURT apud SEKEFF, 2007, p. 123).

A música, sendo uma ordem que se constrói de sons, em perpétua aparição e


desaparição, escapa à esfera tangível e se presta à identificação com uma outra
ordem do real: isso faz com que se tenha atribuído a ela, nas mais diferentes
culturas, as próprias propriedades do espírito. O som tem um poder mediador,
34

hermético: é o elo comunicante do mundo material com o mundo espiritual e


invisível. O seu valor de uso mágico reside exatamente nisto: os sons organizados
nos informam sobre a estrutura oculta da matéria no que ela tem de animado. (Não
há como negar que há nisso um modo de conhecimento e de sondagem de camadas
sutis da realidade)” (WISNIK, 1989, p. 28 apud Neto, 2012).

Às vezes ao se ler uma bula de remédio, fica-se admirado com as contraindicações e é


notório que mesmo com tantas, ainda se consegue obter a cura para o distúrbio, a
enfermidade. Nas práticas musicais também, não se pode abdicar das vertentes possíveis, uma
vez que sua influência auditiva ou performática sempre causarão seus efeitos. Portanto a
observação criteriosa é imprescindível; o objetivo a atingir também o é, o público alvo com
suas características culturais, sempre estará condicionado a um olhar bem embasado pelo fato
de que “a música não assegura apenas efeitos benéficos”, assim como “o indivíduo passa
facilmente da sugestão à inconsciência imediata”, e devido à “existência de sons com
propriedades alucinógenas, produzindo efeitos semelhantes aos provocados por determinadas
drogas” .

Como sua prática participa da satisfação de necessidades emocionais básicas, não há


como negar sua influência positiva sobre o educando. Entretanto, devemos ter
sempre em conta que, se seu emprego atende a diferentes necessidades, os objetivos
pretendidos com sua utilização devem ser criteriosamente estabelecidos e
observados em razão de que “a música não assegura apenas efeitos benéficos” .
[...]Basta lembrar a questão da música ambiente, hoje tão utilizada,cujos resultados
são danosos ao organismo e psiquismo humanos se empregada de forma arbitrária.
Afinal, somos sensíveis a determinados sons (irritantes, agudos demais, estridentes),
e mesmo que não estejamos conscientes de seus efeitos, ainda assim o organismo
pode sofrer prejuízos que vão se traduzir, entre outros, em dilatação da pupila,maior
produção de hormônios pela tireoide, aumento da adrenalina pelas glândulas
suprarrenais,aceleração do ritmo cardíaco e aumento da pressão arterial, com
interferência na comunicação e redução da eficiência no trabalho ou em qualquer
outra atividade, física ou psíquica. [...] Na epilepsia musicogênica, lembra Crithley,
a música é o elemento catalisador do episódio, quando então “o indivíduo passa
facilmente da sugestão à inconsciência imediata” . Acrescente-se que hoje vem
sendo comprovada a “existência de sons com propriedades alucinógenas,
produzindo efeitos semelhantes aos provocados por determinadas drogas, o que
obriga o educador a não dispensar o conhecimento de especialistas quando
necessário” (SEKEFF, 2007, p. 124).

A fundamentação desse trabalho é buscada também em afirmações como estas de


Freud, Lécourt, Crithley, Benenzon, pesquisadas por Sekeff (2007, p. 123-124) e nas
provocações diárias do inconsciente coletivo. Pode-se entender a vantagem de se ter uma
mente consciente, atenta ao que vem como informação, e de não se deixar levar por
movimentos musicais momentâneos onde a atuação é passageiramente importante, no entanto,
apenas utopia com consequências drásticas.
35

Quando os autores citados nos fazem ver os perigos existentes; deixam-nos a imaginar
da necessidade de um melhor olhar, uma observação mais adequada ao que verdadeiramente
significa a música no contexto sociocultural. Obviamente não se generaliza, nem se propõe
aqui o pânico, mas, intui-se o vislumbre da capacitação profissional, professores que estejam
alertados e imbuídos do propósito de alertarem para o fato.

2.5 O novo e o antigo, vida e morte - a influência filosófica.

Descortinar domínios do que foi e do que é percebendo sonoridades distintas onde se


encontra o contraponto da vida e da morte; acrescendo ao consciente de quem realiza
rotineiramente trabalhos para o desenvolvimento social, musicalmente falando, e associando-
se arte a arte no novo e no antigo, quando se estabelecem conceitos diferenciados do que é o
fim ou o começo, sugere ser um bom tema, “A Influência Musical no Corpo e na Mente: o
pensamento crítico” .

O nascimento liga-se a bases estabelecidas no tempo. Pode-se questionar se o novo é


realmente um diferencial quando está atrelado a momentos vividos. Então, dominar o que foi,
de maneira consciente, possibilitaria montar o quebra-cabeça da inovação; então, não se pode
abandonar o ontem desperdiçando o concebido, o que regenera o amanhã pode referendar
agora, todavia, como poderia sem embasamento é questionável. Por outro lado, não basta ao
hoje o seu próprio peso? Aliás, ontem já foi e amanhã ainda virá! Percebe-se a fração da vida
em cada milésimo de segundo, passado, presente ou futuro. Percepção, eis a questão!

Tendo oportunidade para isso, todo compositor gostaria de saber duas coisas muito
importantes das pessoas que se consideram realmente amantes da música. Ele
gostaria de perguntar:
1. Você está ouvindo tudo o que está acontecendo?
2. Você está sendo realmente sensível a isto? Ou, para colocar a coisa de outro
modo:
1. Você está perdendo alguma coisa no que se refere propriamente às notas
musicais?
2. A sua reação é confusa, ou você tem realmente idéia de qual seja a sua resposta
emocional?
Estas são questões muito pertinentes, não importa que música se trate. Aplicam-se
igualmente bem a uma missa de Palestrina, a uma orquestra balinesa, a uma sonatina
de Chavez ou à Quinta Sinfonia. Na verdade, elas são as mesmas questões que o
compositor se impõe a si mesmo, com mais ou menos consciência, sempre que é
colocado diante de música desconhecida, velha ou nova. Pois, afinal de contas, o
instinto musical de um compositor não tem nada de infalível. A principal diferença
entre ele e o ouvinte comum é que ele está mais bem preparado para ouvir.
Assim, a idéia deste livro é preparar para ouvir (COPLAND apud HORTA, 1974, p.
2).
36

A música associada à dança, por exemplo, acrescenta e é acrescida em sua realização,


cada gesto musical aumenta seu significado em um movimento que ressurge do concebido nos
conceitos perceptivos ao longo da vida do músico/compositor e/ou dançarino.
Viver e morrer são realidades perenes em nosso mundo de sempre!
Quando se diz: “O show não pode parar!” Pode-se refletir entre o solar e o sombrio,
pois ninguém de bom siso diria a frase sem estar motivado por situação que tivesse de tomar
uma decisão; pode-se dizer até que o solar, a vida, diz: siga! Ao tempo que o sombrio, a morte
reclama: pára! Mas, do âmago reafirma-se, é show, continua!

Perguntar o que uma nota com pequena duração, a exemplo, uma semifusa (ou outra)
pode transmitir em um contexto musical, nos diversos gêneros musicais, qualquer um atual ou
antigo, quando soa ou pára de soar, pode até parecer sem sentido. Mas, é fato que o conjunto
de notas de variadas durações, articuladas com pausas, acaba por tecer uma teia de
sentimentos que ficam dentro do ser.

Fazer chorar ou sorrir parece não ser difícil para o artista provocar, entretanto, o que
dizer do que chora quando o outro sorri ao ouvir o mesmo som, a mesma música? O que tem
na mente de cada um, sua vivência, sua montagem sentimental ao longo dos anos percorridos
é importante conhecer; nota-se aqui um intrincado de conceitos dentro do criador e da
criatura, aqui se entende como criador o autor/contemplador e criatura o ouvinte/apreciador da
arte, ouvinte de momento os quais relacionam vida a vida, morte a morte, vida à morte, morte
à vida. O campo dos sentimentos está bem apreciado pela psicologia; evidentemente a
inspiração do criador, autor, vem de vertentes externas e também intrínsecas, o “insighF pode
vir do que deixou de ser, do que será como também do que é. Sentimentos que geram
sentimentos, mortos que completam as vidas dos que nascem e renascem a cada manhã; uma
nota a qual surge depois de outra que se foi, dando lugar à pausa, uma música que toca e
parece não findar sem deixar uma mensagem que aflora de dentro de uma ação, ato de dançar,
de vida e de morte! Cada gesto oculta o que foi e traz uma novidade na sequência lógica ou
ilógica, mas harmoniosa, mesmo que a harmonia provenha do caos. A música pára! Ressurge!
Certamente que o balbuciar da criança ao nascer premedita sonoridades muitas, e
prevê momentos de crescimento do instrumento que carrega desde o nascimento, sua voz,
ecoa nos ouvintes e já traz sentimento, uma sonoridade meio que mínima, semínima, colcheia;
enche o instante e associa, mas ainda não é música, apenas um ruído, apenas um gesto sem
ritmo, mas vivo e já morrendo quando deixa de existir; renova-se com novas observações
37

vivas e deixa novos momentos de prazer assimilados (o conhecido) e a assimilar (o a


conhecer).
O tempo passa, a população mundial aumenta as necessidades e problemas sociais
também e ainda nos perguntamos sobre se evoluímos ou estamos em retrocesso social diante
dos rumos tomados pela humanidade, as catástrofes ambientais e o terrorismo grassando e
tomando inúmeros inocentes, vitimando-os.

Figura 10 - Ciclo dialético.

Fonte: Publicado em 21/10/2013 por Livre Pensamento.

Contemplando o que diferentes autores interpretaram a respeito do método dialético


materialista, discordando do número das leis fundamentais do mesmo, sugerindo quatro e não
três (tese, antítese e síntese); os quais argumentam que “tudo se relaciona”, “tudo se
transforma”, que há uma “passagem do quantitativo para o qualitativo” e que sempre haverá a
“contradição ou luta dos contrários”, assim (MARCONI; LAKATOS, 2003):

1. Ação recíproca, unidade polar ou “tudo se relaciona”;


2. Mudança dialética, negação da negação ou “tudo se transforma”;
3. Passagem da quantidade à qualidade ou “mudança qualitativa”;
4. Interpretação dos contrários, “contradição ou luta dos contrários”.

Depreende-se que necessariamente haverá conexão entre tudo, que nada existe
isoladamente, todos estão relacionados a tudo e em qualquer lugar do mundo ou do Universo.
A dialética concebe o mundo como um conjunto de movimentos que se inter-
relacionam e simultaneamente se influenciam, admite a negação da negação para que haja a
transformação como algo positivo, lembra que a mudança qualitativa não é obra do acaso,
pois é decorrente necessariamente da mudança quantitativa, considerando o processo como
um desenvolvimento.
Politzer et al. (s.d.:70-1), citando Stalin, indicam que, “em oposição à metafísica, a
dialética parte do ponto de vista de que os objetos e os fenômenos da natureza
supõem contradições internas, porque todos têm um lado negativo e um lado
positivo, um passado e um futuro; todos têm elementos que desaparecem e
38

elementos que se desenvolvem; a luta desses contrários, a luta entre o velho e o


novo, entre o que morre e o que nasce, entre o que perece e o que evolui, é o
conteúdo interno do processo de desenvolvimento, da conversão das mudanças
quantitativas em mudanças qualitativas” (POLITZER apud MARCONI;
LAKATOS, 2003).

2.6 Musicologia

Em uma definição simples, seria o estudo da música; aprofundando-se mais se verifica


que hoje sua abrangência é bem maior; segundo Richard Parncutt (2012, p. 147).

[...] a musicologia atual abrange todas as abordagens disciplinares para o estudo de


toda música, em todas as suas manifestações e em todos os seus contextos, sejam
eles de ordem física, acústica, digital, multimídia, social, sociológica, cultural,
histórica, geográfica, etnológica, psicológica, fisiológica, medicinal, pedagógica,
terapêutica, ou em relação a qualquer outra disciplina ou contexto que seja
musicalmente relevante (PARNCUTT, 2012, p. 147).

Deve-se dar atenção à complexidade da ciência musical em vista de sua abrangência e


de sua temporalidade no meio, no ambiente em que se vive; tem-se uma convivência que se
estabelece desde o nascituro até o último suspiro do ser humano.
Destaca-se a importância da música e dos profissionais que trabalham com a mesma,
em especial os professores que têm a função primeira de orientar demonstrando o que convém
e o que não para os alunos. A capacitação do orientador também merece um olhar especial,
observando que só se pode oferecer o que se tem. Portanto as escolas do país precisam ser
atendidas de maneira conveniente no propósito de ter à sua disposição profissionais
especializados para acrescer, integralmente, ao sistema educativo esta ferramenta de valor
incomensurável.
Enquanto pesquisadores das ciências humanas, buscam sua base em experiências
subjetivas os das áreas de exatas fundamentam suas pesquisas em dados objetivos. Apesar de
não se poder dissociar o subjetivo do objetivo em razão da interdependência pelo fato de ser o
mesmo ser humano, ser racional, o protagonista em ambas as áreas, quando se trata de verbas
repassadas para emprego no ensino, a prioridade é sempre a de exatas; afinal, daí veio os
carros, computadores, aviões, tudo o que a informação tecnológica possui, mas seguindo a
máxima “Mens sana in corpore sano” 5 (“uma mente sã num corpo são”) ainda é válido o

5 [...] citação latina, derivada da Sátira X do poeta romano Juvenal. [...] a frase é parte da resposta do
autor à questão sobre o que as pessoas deveriam desejar na vida: “orandum est ut sit mens sana in corpore
sano. ” ( “Deve-se pedir em oração que a mente seja sã num corpo são”). Disponível em:
https://pt.wikipedia.org/wiki/Mens_sana_in_corpore_sano
39

esclarecimento de que os técnicos de exatas são sociais, sociáveis e apreciadores de arte.


Obviamente não se separa a matéria do espírito ficando a ação penalizada pela não existência
das ações praticadas pelos indivíduos. Pode-se destacar que sem ideias, sem o que é subjetivo,
nada do que é objetivo, técnico, existiria. Além do que os objetos são utilizados por todos
assim como a influência cultural está em todos e todos fazem este mundo melhor ou pior, toda
a inspiração está dentro do ser que a processa e a exterioriza.
Ao se relatar o acima exposto, demonstra-se melhor a importância que se dá e a que
deve ser dada a tão relevante área, inclusive a mais utilizada pela humanidade, a de ciências
humanas. E, estabelece-se uma ligação da música com suas tecnologias influindo e sendo
influenciada uma vez que seus autores estão mergulhados no meio. Observe-se que a
comunicação sempre necessitará de um comunicante, o meio e o receptor; é um processo que
necessita da cognição. Faz-se notar a importância da música, apesar de que, de maneira muito
superficial, com o intuito de evidenciá-la, logicamente, enaltecendo as investigações
existentes dentro do campo da musicologia que são muito abrangentes.
40

3. O CENSOR

Ser acrítico é perigoso quando a mídia carrega mensagens que são capazes de
modificar pensamentos na mente humana, tendenciosas, tendem a impregnar na mesma,
ideias que, enraizadas, degeneram bons conceitos, hábitos e costumes. Todavia, criticar sem
parâmetros imparciais, em excesso, não se mostrou ser promissor e serviu inclusive como
cerceador da liberdade de expressão tão exigida tanto pelos artistas quanto por escritores,
redatores, jornalistas e demais profissionais que lutaram por verem sua obra liberta de
grilhões que traziam na avaliação do censor, servidor do Estado, manifestações pessoais sem
critérios avaliativos bem esclarecidos e fugia do regime democrático para o ditador,
totalitário.
Quando os interesses monetários estão acima de quaisquer conceitos lógicos de
sobrevida e se prescinde do amor em toda a conceituação, impera a necessidade de cautela
diante dos movimentos sociais, analisar, considerar criticamente o que vem de fora do país,
refletir sobre o que nos cerca trazendo prejuízos éticos e morais através, inclusive, dos meios
de comunicação muito presentes em nossa vida.
Analisar conscientemente requer embasamento técnico, científico, filosófico,
psicológico, sociológico, enfim, há a necessidade de ter conceitos morais e éticos formados e
bem gerenciados para que a decisão tomada não seja a prejuízo, e se assim o for, que se esteja
intelectualmente preparado para um retrocesso, uma reanálise e quiçá uma inovação.

O objetivo deste livro é estabelecer da maneira mais clara possível os fundamentos


de uma apreciação inteligente da música. O trabalho de "explicar" música não é
fácil, e não posso me orgulhar de ter sido mais bem sucedido do que os outros. Mas
a maioria das pessoas que escrevem sobre música abordam o problema do ponto de
vista do professor ou do crítico de música. Este é um livro escrito por um
compositor. Para um compositor, ouvir música é um processo perfeitamente natural
e simples (e isso é o que deveria acontecer também com os outros). Se há alguma
explicação a ser dada, o compositor raciocina logo que, já que ele sabe o que se
deve colocar em uma peça de música, ele deve saber melhor do que ninguém o que o
ouvinte deve extrair dali (COPLAND apud HORTA, 1974).

Trata-se nesta parte do trabalho do “olho clínico” (perspicácia), pelo menos é o que
deveria acontecer quando o Estado era detentor da crítica das obras artísticas, mas, na prática
mostrou que não era exatamente isto que ocorria, não havia lisura, imparcialidade, nas
decisões, era uma avaliação altamente subjetiva, sem padrões bem diagnosticados, por fim
houve várias manifestações de repúdio pela sociedade pretendendo-se a “liberdade de
expressão” .
41

Como se pode verificar na citação acima Aaron Copland produziu sua obra por volta
de 1939, realmente há muito tempo, onde o mesmo, enquanto compositor, procura nortear-nos
com sua maneira de analisar a música.
Atualmente ficamos expostos à alienação, principalmente as pessoas que não alcançam
uma educação artístico-musical adequada; no Brasil, mais especificamente no Maranhão,
mesmo os estudantes de classe média alta não têm sua educação consubstanciada
musicalmente.
Então o que se tem é uma avaliação sem embasamento adequado e de mente própria,
despreparada, movida essencialmente pelos sentimentos que têm vários caminhos e a
incerteza de um final feliz, ou seja, acéfala, sem razão. Pode-se dizer que somos nossos
próprios censores e censores de tudo quanto nos assedia diariamente; mas, com quais
fundamentos censuramos, filtramos, fazemos a triagem adequada?

3.1 A censura:

Surge necessariamente a visão de autossuperação em vista do propósito de censurar,


muitas informações em um processo globalizante que não podem ser desprezadas e que ao
mesmo tempo precisam ser filtradas; a autossuperação advém do fato de não se poder contar
com o Estado; então precisa-se diagnosticar o que não trará benefícios e absorver apenas o
que será promissor.

Censura é uma palavra com origem no latim censura que significa o ato ou efeito de
censurar. Censura também pode ser sinônimo de repreensão ou reprimenda. Além
disso, a censura é uma conhecida forma de restrição da liberdade e do conhecimento,
normalmente exercida por um regime ditatorial. A censura também pode consistir
em uma análise crítica de uma determinada obra literária ou artística, antes de ser
apresentada ao público em geral. [...] Muitas vezes a censura era um instrumento
usado por regimes de ditadura, como uma forma de impedir que certas informações
chegassem ao público geral. Informação leva ao conhecimento, e conhecimento é
poder. Assim, um povo que não tem acesso à informação (ou informação "livre"), é
um povo enfraquecido, facilmente controlado pelo Governo ditatorial (BRASIL,
2017).

3.2 A censura e a ditadura militar:

Em Abril de 1964, o governo de João Goulart foi derrubado por um golpe liderado
por uma força militar. O regime da ditadura militar começou poucos dias depois.
Foram criados atos institucionais que reforçavam o Governo Militar, sendo que o
mais conhecido - o AI-5 - foi criado em Dezembro de 1968, e anulava todos os
elementos da Constituição de 1967 que poderiam ser usados contra o poder
instituído. Surgiram várias outras medidas, entre elas a criação de um Conselho
Superior de Censura, que tinha como objetivo controlar e julgar órgãos de
comunicação que não cumprissem as regras estabelecidas. O Correio da Manhã foi
42

um desses órgãos, que acabou fechado em 1970. Alguns autores afirmam que os
primeiros censores alistados pela Ditadura Militar eram jornalistas. A censura
ocorria em várias manifestações culturais como cinema, literatura e televisão. Entre
1968 e 1978, centenas de livros, músicas e peças teatrais foram proibidos pela
censura. Muitos artistas foram presos ou exilados, outros viram o seu trabalho ser
cortado pela censura. Na vasta lista de artistas mais censurados, estão Caetano
Veloso, Elis Regina, Milton Nascimento, Chico Buarque e Raul Seixas, que são
alguns dos nomes mais conhecidos. Apesar da censura, alguns artistas conseguiram
contornar a censura através da sua criatividade e genialidade de escrita. Um exemplo
claro é a música Cálice, da autoria de Chico Buarque6, onde a palavra "cálice" é
comparada com "cale-se" e a frase "Pai, afasta de mim esse cálice" pode querer dizer
"afasta de mim esse Regime" (BRASIL, 2017).

Manifestações artísticas incomodavam os que alegando benefício ao povo traziam-lhe


prejuízos incalculáveis. As letras das músicas de autores como Chico Buarque, Geraldo
Vandré, entre outros, traziam à memória popular a consciência de poder de luta, esperança,
reconhecimento da força da união e ofereciam o vislumbre das falcatruas e abusos de poder
dos ditadores. Uma obra que marcou época foi “Cálice” que apesar de aliviar em seu sentido
denotativo se clarificava conotativamente desmascarando os que tripudiavam sobre o Brasil:

Cálice
Chico Buarque

Pai, afasta de mim esse cálice Pai,


Afasta de mim esse cálice Pai
Afasta de mim esse cálice
De vinho tinto de sangue

Como beber dessa bebida amarga


Tragar a dor engolir a labuta
Mesmo calada a boca, resta o peito
Silêncio na cidade não se escuta
De que me vale ser filho da santa
Melhor seria ser filho da outra
Outra realidade menos morta
Tanta mentira, tanta força bruta

Pai, afasta de mim esse cálice Pai,


Afasta de mim esse cálice Pai
Afasta de mim esse cálice
De vinho tinto de sangue

Como é difícil acordar calado


Se na calada da noite eu me dano
Quero lançar um grito desumano
Que é uma maneira de ser escutado
Esse silêncio todo me atordoa
Atordoado eu permaneço atento

6 Atualmente sabemos que Chico Buarque sempre enganou os fãs deixando-os imaginar que as
composições musicais eram suas, na internet encontramos uma confissão sua onde diz: “eu não componho não,
mas eu trabalho pra cacete”; também confessa que já roubou carros. Neste link, youtube, pode-se visualizar:
https://www.youtube.com/watch?v=YVZdTmWkdP8
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Na arquibancada pra a qualquer momento


Ver emergir o monstro da lagoa

Pai, afasta de mim esse cálice Pai,


Afasta de mim esse cálice Pai
Afasta de mim esse cálice
De vinho tinto de sangue

De muito gorda a porca já não anda


De muito usada a faca já não corta
Como é difícil, pai, abrir a porta
Essa palavra presa na garganta
Esse pileque homérico no mundo
De que adianta ter boa vontade
Mesmo calado o peito, resta a cuca
Dos bêbados do centro da cidade

Pai, afasta de mim esse cálice Pai,


Afasta de mim esse cálice Pai
Afasta de mim esse cálice
De vinho tinto de sangue

Talvez o mundo não seja pequeno


Nem seja a vida um fato consumado
Quero inventar o meu próprio pecado
Quero morrer do meu próprio veneno
Quero perder de vez tua cabeça
Minha cabeça perder teu juízo
Quero cheirar fumaça de óleo diesel
Me embriagar até que alguém me esqueça

Pai, afasta de mim esse cálice Pai,


Afasta de mim esse cálice Pai
Afasta de mim esse cálice
De vinho tinto de sangue

3.3 O outro lado da censura:

No Brasil sempre tivemos uma democracia aparente, pois o poder dos governantes
sempre foi ditatorial, o povo não podia abrir a boca para dizer do inconformismo em
decorrência da má governabilidade sem que sofresse imediatamente represálias; chega-se ao
cúmulo de ter famílias que perderam filhos, pais, mães que não aceitavam calar-se diante dos
maus tratos sociais. Hoje a sociedade ainda luta contra a corrupção, antes lutou muito também
contra a opressão, a alienação; cada ato praticado pelos governantes só levava mais e mais ao
afundamento da sociedade no retorno à escravidão velada. Quando os militares ocuparam o
poder, cuja ocupação não foi por golpe e a “ditadura” (expressão muito empregada pelos
comunistas, esquerdistas, corruptores) citada também não atingiu as pessoas que não queriam
a entrada do comunismo, ou socialismo (exceção feita às que se deixaram influenciar pelas
péssimas ideologias antidemocráticas). A benevolência brasileira, sob o cunho de democracia
44

(pode-se afirmar que o país nunca a viveu em sua integralidade), suporta há muitos anos o
peso da aceitação de partidos políticos com ideologias comunistas, socialistas (PC do B,
PSTU, PCB, PT, PSB, PPS, entre outros), cujos abusam em suas manifestações objetivando
acabar com a democracia no Brasil, induzem a pensar que lutam pela mesma, entretanto o
próprio nome do partido já declara a que vieram.

Tratando-se, por princípio, de violação à liberdade de expressão, direito essencial e


elementar da democracia, atingiu a imprensa de maneira diferenciada uma vez que o
termo refere-se a um conjunto muito amplo e variado de órgãos de informação.
Assim, se a censura serviu para cercear periódicos de grande circulação como
Ú ltim a H o ra e C orreio da M a n h ã e os da imprensa a lte rn a tiva ou nanica,
co m o O p in iã o , M o v im e n to , E m T em p o , P a sq u im , igualmente foi útil a muitos
outros para calar aqueles que veiculavam posições contrárias ao regime e/ou à
ordem capitalista. A censura, assim, desempenhou papel fundamental na
implantação e na consolidação da ditadura, silenciando uns e servindo a outros.
Houve abençoados pela censura que construíram impérios de comunicações.
Lembrar os jornalistas que resistiram ao arbítrio não pode implicar no esquecimento
daqueles - jornalistas e jornais - que estiveram a favor do arbítrio, louvando em suas
páginas os g ra n d e s fe ito s dos m ilita re s, su a s co n q u ista s eco n ô m ica s e a
p a c ific a ç ã o do p a ís , celebrando a eliminação dos te rro rista s e dos m au s
b ra sile iro s qu e am eaçavam a ordem e o p r o g r e s s o . Essas palavras eram
recorrentes na maior parte da grande imprensa não exclusivamente devido à censura,
mas, principalmente, porque seus editores - e leitores - assim viam a realidade
(BRASIL, 2017).

Havia inicialmente uma luta dentro da mesma categoria, viam-se jornalistas que
trabalhavam pela situação enquanto outros eram de oposição, muitos militantes de outras
categorias também emitiam opiniões que defendiam enquanto outros tentavam mostrar o
“lado podre do governo que não se contentava em acabar com as finanças do país”, além disto
ainda utilizava as forças armadas para coagir os contrários como também os que efetivamente
praticavam o terrorismo.

Não se pode silenciar tampouco a respeito das manchetes e dos editoriais às vésperas
do 31 de março de 1964, clamando pela in terven çã o m ilita r contra a badern a,
sin ô n im o aí usado para se referir aos movimentos que defendiam projetos por
reformas e/ou revolucionários. Esse sentido civil do golpe e da ditadura precisa ser
resgatado e, sobretudo, compreendido. A ABI, Associação Brasileira de Imprensa,
conhecida desde o final dos anos 1970 e nas décadas seguintes como a trin ch e ira
da lib e rd a d e , era uma instituição de representação dos jornalistas com muitas
nuanças e interesses diferenciados, muito longe da unidade e do combate sugeridos
por certas versões. Houve resistência à ditadura, sem dúvida, quando muitos,
demonstrando coragem, enfrentaram os rigores de uma situação de exceção, mas é
preciso não esquecer que, em 1964, o seu presidente aceitou desempenhar o papel de
interventor no Sindicato dos jornalistas; a presença do general-presidente Costa e
Silva na sede da ABI, em 1968, convidado de honra da comemoração dos sessenta
anos da instituição; a eleição de Adonias Filho, intelectual do golpe e da ditadura,
presidente da instituição no biênio 1972-1974 eleito por seus pares (BRASIL, 2017).

O conflito de interesses sempre foi e sempre será uma constante no meio social, a
intervenção militar também não fica de fora do contexto; em 29/12/2015, falou-se muito em
45

“impeachment” para retirar do governo a presidente do Brasil, Dilma Rousseff, uma


terminologia norte americana tradutora do predomínio de outro país através das letras,
contudo sabe-se da força atuante de países desenvolvidos a ponto de influírem em decisões
políticas tão importantes; há pouco tempo houve notícia muito divulgada nos jornais sobre a
espionagem dos Estados Unidos em nosso país e em outros. A força da comunicação, sempre
muito ponderosa, ganhou muitos aliados, redes sociais, whats app, entre outras ferramentas
que em muito facilitam o contato, também aumentam a necessidade de um espírito crítico
mais eficiente, uma vigilância mais acentuada. Na época da intervenção militar, nos idos de
1964, destituindo o governo os movimentos alternativos eram intensos, artistas das diversas
áreas protestavam de diversas maneiras, mas não era só isto, também existia a influência
comunista dentro do país, assaltavam, sequestravam, praticavam atos impróprios, incoerentes
com a democracia e por isto foram chamados de subversivos e por fim desterrados. Era o
cálix da agonia do desterro, o cala a boca daqueles que tentavam imprimir o comunismo a
todo custo no Brasil.

A atuação dos a ltern a tiv o s O pinião, M o vim en to, E m Tem po, P a sq u im , que
enfrentaram as arbitrariedades e imposições do regime, com a espada da censura
sobre suas cabeças, deve ser situada nesse contexto, sob pena de, ao se homenagear
a resistência, silenciarmos sobre a imensa zon a c in ze n ta , com suas muitas nuanças
que variaram ao longo do tempo e das circunstâncias, na qual esteve a maior parte
dos jornais e jornalistas lidos pela maioria da população. É nessa zona cinzenta,
portanto, que se encontram igualmente seus leitores, não porque m a n ip u la d o s e
en g a n a d o s, mas, porque encontrava neles muito de seus valores e referências.
Homenagear a resistência de jornais e jornalistas é antes de tudo compreender a
complexidade e as evoluções da época, nas quais a imprensa teve lugar relevante,
intermediando as relações entre opinião e regime. Homenageá-los não é ver os
c e n so re s-im b ec is en ga n a d o s p o r jo r n a lista s-in te lig e n te s, encontrando aí
mais uma dualidade simplificadora que contorna o esforço de compreensão, levando
a lugar nenhum. Homenagear os jornalistas resistentes é enxergar o universo no qual
atuaram, é resistir a uma certa memória que silencia a história (REIS &
ROOLEMBERG, 2017).

Figura 11 - A ditadura, as artes e a cultura

Fonte: Arquivo Nacional - Memórias Reveladas - MJC.


46

Entre a ditadura, que não foi um monolito mudando segundo as circunstâncias, e a


cultura, extraordinariamente diversa no caso do Brasil e também mutante, as
relações foram muito complexas. Em seu primeiro governo a ditadura pareceu
tolerar ou negligenciar a cultura de protesto (música, cinema, literatura, artes
plásticas) elaborada por artistas e intelectuais que, através de sua arte e de seu
humor, criticavam a censura e o regime, incentivavam a rebeldia e denunciavam o
terrorismo cultural . No momento seguinte, no entanto, no agitado ano de 1968,
embora o gênero florescesse, acirrou-se a censura e apareceram grupos paramilitares
de direita ameaçando e, às vezes, atacando manifestações artísticas. Com o AI-57,
diminuíram drasticamente, embora não fossem extintas as margens para este tipo de
arte comprometida com as lutas sociais e os programas políticos derrotados em 1964
(BRASIL, 2017).

Geraldo Vandré, cantor e compositor, também trouxe com sua música Prá Não Dizer
que Não Falei das Flores, ânimo aos que estavam no meio da balbúrdia em que se encontrava
o país, como o próprio autor nos diz: “protesto é coisa de quem não tem poder, eu não faço
canção de protesto eu fazia música brasileira e canções brasileiras”, respondendo à pergunta
do jornalista e escritor Geneton Moraes Neto o qual questionou como se sua música
o
“Caminhando” fosse de protesto ; o que compositores faziam muito na época com a intenção
de trazerem mais adeptos à causa controversa de apoio que ilustravam como sendo pela
democracia.

Prá Não Dizer que Não Falei das Flores


Geraldo Vandré

Caminhando e cantando e seguindo a canção


Somos todos iguais braços dados ou não
Nas escolas nas ruas, campos, construções
Caminhando e cantando e seguindo a canção

Refrão:

Vem, vamos embora, que esperar não é saber


Quem sabe faz a hora, não espera acontecer

Pelos campos há fome em grandes plantações


Pelas ruas marchando indecisos cordões
Ainda fazem da flor seu mais forte refrão
E acreditam nas flores vencendo o canhão

(Refrão)

Há soldados armados, amados ou não

7 Ato Institucional n° 5, de 13 de DEZEMBRO de 1968

São mantidas a Constituição de 24 de janeiro de 1967 e as Constituições Estaduais; O Presidente da


República poderá decretar a intervenção nos estados e municípios, sem as limitações previstas na Constituição,
suspender os direitos políticos de quaisquer cidadãos pelo prazo de 10 anos e cassar mandatos eletivos federais,
estaduais e municipais, e dá outras providências (BRASIL, 1968).

8 https://www.youtube.com/watch?v=FByQW CMZY2s (Entrevista de Geraldo Vandré)


47

Quase todos perdidos de armas na mão


Nos quartéis lhes ensinam uma antiga lição
De morrer pela pátria e viver sem razão

(Refrão)

Nas escolas, nas ruas, campos construções


Somos todos soldados, armados ou não
Caminhando e cantando e seguindo a canção
Somos todos iguais braços dados ou não

Os amores na mente, as flores no chão


A certeza na frente, a história na mão
Caminhando e cantando e seguindo a canção
Aprendendo e ensinando uma nova lição

(Refrão) 2x

As atitudes críticas demonstradas por parte da população inconformada e


simpatizantes dos movimentos esquerdistas (comunistas, socialistas) com os argumentos
políticos, não agradaram aos que eram do regime militar, conservadores democratas, que
trataram de repudiá-las de imediato; os artistas e críticos que se aventuraram em continuar
com o propósito foram mandados para longe do país para não poderem exercer tanta
influência junto à população. Foram chamados de terroristas como proposta nominal aos
contrários que intencionavam forjar os reais interesses da população brasileira, por praticarem
atos os quais acabavam gerando a mortalidade; as palavras mais utilizadas pelos
contraventores eram “golpe” e “ditadura” .

Houve, contudo, manifestações culturais, outras extraordinariamente populares que


não tiveram senão problemas secundários com a ditadura e seus censores. A Jovem
Guarda e os grupos nacionais de rock’n roll, com ritmos e temáticas que pareciam
longe da dimensão política; a música sertaneja, que preservou e aumentou sua
audiência e que também frequentava pouco as ásperas trilhas dos embates contra a
ditadura; os programas humorísticos televisivos, ouvidos e vistos por milhões de
pessoas; as novelas que, sobretudo a partir de Beto Rockfeller (o anti-herói que só
queria subir na vida), tornaram-se um ingrediente essencial da cultura popular
nacional. Ao longo dos anos 1970 e cada vez mais, a vitória do projeto de
modernização conservadora, a urbanização e a industrialização intensas do País, a
revolução nas comunicações, a integração nacional pelas redes de televisão, entre
outros fatores, iriam suscitar temáticas, abordagens e polarizações (moderno X
arcaico) que pareciam distanciar o Brasil do período anterior ao golpe de 1964.
Neste quadro houve a possibilidade de convergências e alianças imprevistas, como a
de autores de tradição de esquerda criarem e divulgarem seus trabalhos (novelas)
através de redes televisivas notórias adeptas do regime ditatorial, mesmo que,
eventualmente, tivessem dificuldades com a censura governamental. É que, no caso,
embasavam a aliança afinidades comuns tecidas em torno de valores modernos e
progressistas, compatíveis com a sociedade que emergia como resultado dos
alucinados anos do milagre econômico. O mesmo aconteceu com o cinema, onde a
Embrafilme, agência estatal, não se privou de financiar filmes nestas mesmas bases
explorando as relações pessoais, dramas íntimos ou as questões dos costumes, às
vezes abordadas de ângulos inovadores. (BRASIL, 2017)
48

Atualmente, mesmo que tentassem estabelecer um controle utilizando o Estado para


fazê-lo, não teriam êxito em razão da diversidade de emissores nos meios de comunicação
existentes. Quando se tem muitos meios de registros musicais, gravadores, filmadoras,
milhares de softwares que possibilitam a guarda em computadores, tablets, celulares, whats
app, redes sociais, sites, além das gravadoras agora melhor equipadas. Também “gravadoras
de fundo de quintal”, existentes nas residências dos apreciadores da música e outros assuntos
sociais; os e-books não ficam no esquecimento e sabe-se das possíveis possibilidades quando
se apercebe das modificações dospen-drives, H D ’s os quais armazenam fotos, fatos e músicas
em maior número a cada dia; e a enorme gama de informações através das redes sociais,
tantas, que se deve fazer várias triagens antes de absorvê-las, o que nem sempre acontece,
pois o cérebro é como uma esponja que absorve independente da vontade.
A atenção à possibilidade da imortalidade espiritual é esquecida ao se integrar
ciência/homem, a dissociação espírito/matéria ocorre celeremente e a brisa, o que se não vê, é
imperceptível para muitos que ficam inebriados com os apelos midiáticos e acabam se
tornando marionetes do sistema consumidor. O consumismo e a alienação são a ordem, e
preponderam afeitos ao pouco saber e conhecer. O homem esvazia-se de si mesmo sem dar
importância às causas e efeitos. Sequer vislumbra o permanente combate travado entre a carne
e o espírito fazendo com que o indivíduo faça exatamente o que não quer e o levará ao abismo
do descontentamento consigo mesmo.
49

4. COMO ESCOLHER O QUE OUVIR

Na vida achávamos que estávamos certos, na morte estávamos perdidos!


Podemos complementar a frase acima dizendo: sem espírito não há ciência, não
existirá nada científico, nem na criação nem no uso da ciência.
As frases que em um primeiro momento são impactantes necessitam de explicação
para que não sejam mal interpretadas; trata-se da tentativa que a ciência fez em separar o
espírito da matéria. A ciência sempre foi materialista, e qualquer fato científico deverá
obrigatoriamente ser comprovado desde que em circunstâncias adequadas para sua
reprodução, ação e reação sempre foram constantes nos procedimentos científicos e se não
obedecerem aos ditames não serão dignos de uma observação comprobatória, é fato. No
entanto, não há nada lógico em dissociar o espírito do corpo. Podemos clarificar as ideias, a
lógica (princípio científico de comprovação) reside na observação da inércia na qual a matéria
se encontra quando lhe foge o espírito; tratamos aqui do ser racional. Não há pensamento sem
vida, não há vida sem a ligação do que se vê com o que se não vê, neste contexto, a
inteligência só é possível de ser demonstrada enquanto existir o sopro de vida. Inserindo a
música, podemos observar que a mesma é volátil, não é palpável, é absorvível,
compreensível, deslumbrante, acessível e ao mesmo tempo inacessível, envolvente e
inebriante. N a busca de adjetivos ainda encontraríamos muitos; mas, o que nos reporta ao que
ouvir, ou seja, como escolhermos o que ouvir justifica-se: podemos constatar que não é toda
obra que nos transporta para a melhoria do querer. Sentir, sim, somos sensíveis, possuímos
todos os sentimentos. O a questionar, entretanto é como condicionamos o domínio próprio.
Além disso, como podemos interferir no que interfere em nós, em nosso corpo e em nossa
mente durante toda a nossa existência, de forma que façamos boas escolhas, que conduziriam
nosso processo de desenvolvimento pessoal a um patamar condizente com o que realmente
desejamos para nós? Outra pergunta que surge urgente é: como obtemos a consciência desta
maravilha que é ter o pensamento próprio?
A música transcende o usual das técnicas de sua execução e transborda a níveis que
merecem mais atenção; quando executada, em seu conjunto, é uma soma de sons e pausas que
se completam e no instante em que surgem desaparecem e o incrível é que mesmo ao fim da
execução ainda a temos na lembrança, na consciência e transportada ao inconsciente para
eventual consulta. Ainda, faz aflorar à consciência, sentimentos que se entrelaçam, se
completam e se excluem por um mecanismo não voluntarioso na maioria das vezes, mas que
podem e devem ser controlados de forma consciente. Quando mencionamos “não
50

voluntarioso”, entendemos que o nosso cérebro processa informações variadas, as que estão
na observação consciente e as que não estão sendo observadas; sons do meio ambiente,
muitos de bem perto outros de muito longe; os neurônios não param de funcionar e o cérebro
pode e deve estar em estado de alerta permanente, considerando as várias influências sonoras.
Podemos perceber sonoridades agradáveis e desagradáveis e podemos escolher o que ouvir!
Discutiremos então o fator qualidade, enquanto necessidade de se ter um embasamento
considerável para estabelecermos parâmetros que definam o que devemos consentir o que
precisamos guardar de forma consciente não acatando o que não seja construtivo, saudável
para o caminho de vida que queremos percorrer. O que se coadune com princípios aceitos
pela sociedade que prospera ou sofre impropérios, a depender das ações dos indivíduos que
em sua soma a constroem. Os meios comunicantes ainda dependem do comunicador, do meio
da comunicação e essencialmente do ouvinte, do observador, sem o quê não ocorre, não se
completa.
O princípio democrático parece ser o ápice da qualidade de vida da convivência
humana. Supostamente a humanidade atingiu o limiar e não tem mais para onde ir, mormente
quando usa os olhos da carne. Entretanto, o caminho da humanização certamente tornar-se-á
melhor quando o homem buscar no amor a razão da vida, no espírito do ser que
inevitavelmente não consegue explicar seu fôlego sem atribuir a um Ser superior sua
existência. Pode-se entender que o caminho a seguir seria abandonar o egoísmo e pensar em
compartilhar todos os sentimentos construtivos, o que for imaterial e o que for material; sem
rancores, sem ódios, depressões, emoções funestas. É obvio que podemos quebrar o
paradigma de que o princípio democrático é o máximo que podemos ter, principalmente
quando não o vemos em sua consecução objetiva e está enxertado pelo capitalismo e pela
ânsia do poder.
Entender que o agora pressupõe a existência do ontem e que o hoje será o passado do
amanhã ajudará na compreensão da montagem da obra que continua interligada e
interligando-se.
A música, composta atualmente, apesar dos muitos recursos midiáticos disponíveis,
não será necessariamente melhor do que a produzida por Beethoven, Chopin, Mozart, Bella
Bártok, Villa Lobos, enfim, autores nacionais e estrangeiros, talentos inconfundíveis,
dedicados à construção do que enaltece a sabedoria humana, sem exagerar colocando-os em
patamares de perfeitos, mas considerando sua necessidade de serem perfeccionistas.
Utilizando de maneira consciente e com maestria incontáveis recursos, hoje existentes, os
compositores superarão, farão obras que ficarão eternizadas na memória social. Aonde
51

chegará a humanidade, como podemos analisar seu desenvolvimento musical, social, sem
influirmos com a devida energia nos Programas Curriculares Nacionais, sem a quebra de
paradigmas científicos ancorados em preconceitos que têm tangenciado o cognitivo humano?
Não podemos desconsiderar a necessidade de fazermos as escolhas certas tendo em
vista que a oferta mercadológica impõe uma triagem minuciosa para que tais se concretizem.
Há de haver uma refinada busca pelo melhor, e a distinção quanto às preferências acontecem
em todos os meios sociais com os vários gêneros existentes em suas épocas, poderia servir
para tomar decisões quanto a direção a seguir para uma melhor educação e formação de novos
hábitos e de como ouvir a música. Podemos sugerir-nos a máxima a qual encontra-se nas
ruínas do Templo de Apolo em Delphos, de autor desconhecido, apesar de haver quem
considere que foi o grego Tales de Mileto: CONHECE-TE A TI MESMO!9 Esta frase indica
que o primeiro passo para o verdadeiro conhecimento é conhecermos a nós próprios. Se
queremos conhecer o mundo à nossa volta, devemos em primeiro lugar conhecer quem nós
somos. O conhecimento e conhecer a nós próprios é um processo, uma busca que não tem fim
e a cada dia podemos aprender mais (https://pt.wikipedia.org/wiki/Conhece-te_a_ti_mesmo).
A Logosofia esclarece a necessidade de uma “Mente Consciente” . Mais adiante,
trataremos desta ciência que dá-nos uma nova visão acerca da pesquisa científica e o
tratamento a ser dado a nós mesmos para um melhor desenvolvimento cultural.
Estamos imersos diariamente nos sinais analógicos e digitais que chegam às nossas
casas através das TV’s e muitas vezes prestigiamos programas que são perniciosos, mal
elaborados, cuja finalidade é auto promover-se, mesmo assim ficamos ali, em frente à tela,
como que anestesiados; também não percebemos que ao insistirmos em assistir estamos
dando apoio uma vez que a audiência é controlada e é por meio dela que deduzem se devem
ou não continuar na transmissão daquele programa. Mais uma vez devemos nos observar e
conhecer nossos objetivos de vida!

9 O aforismo grego "Conhece-te a ti mesmo" (grego: yvra0i ceauxóv, transliterado: gnõthi seauton;
também ... cauxóv ... sauton com o e contraído), é uma das máximas de Delfos e foi inscrita no pronaos (pátio)
do Templo de Apolo em Delfos de acordo com o escritor Pausanias (10.24.1) (PAUSANIAS apud SIPE, 2014).
52

5. LEIS A SEREM APRIMORADAS

Apesar da intencionalidade nos PCN - Parâmetros Curriculares Nacionais quando


expõem em seus três objetivos:

1) [...] a comunicação e a expressão pela música que se dão através da interpretação,


improvisação e composição. O professor deve utilizar como metodologia atividades
que favoreçam esse processo. Tais como, trazer para sala de aula interpretações de
musicas já existentes, para que os alunos possam vivenciar o processo de expressão
individual e grupal, não se esquecendo de fazer conexões com a localidade e a
identidade cultural dos alunos, permitindo-lhes também improvisar, compor,
observar e analisar suas estratégias e de seus colegas nas atividades de produção;
2) [...] a apreciação da música que se dá pela escuta, envolvimento e compreensão
da linguagem musical. O professor deve, por exemplo, promover uma discussão e
um levantamento de critérios sobre a possibilidade de determinadas produções
sonoras serem ou não músicas, para que a partir daí ele possa explicar as linguagens
musicais; dar espaço para que os alunos possam escutar diversos estilos de música e
pedir que eles percebam as características expressivas e de intencionalidade dos
compositores e intérpretes dessas músicas.
3) [...] a abordagem da música em vários contextos culturais e históricos que se
dá através da expressão musical de vários povos em diferentes épocas. (BRASIL,
1997)

Constata-se um contrassenso quando se observa outra legislação também bem


intencionada, mais especificamente a LDB - Lei de Diretrizes e Bases, Lei N° 9.394, de 20 de
Dezembro de 1996, a qual em seu Título I - DA EDUCAÇÃO, Art. 1° promulga:

Art. 1° A educação abrange os processos formativos que se desenvolvem na vida


familiar, na convivência humana, no trabalho, nas instituições de ensino e pesquisa,
nos movimentos sociais e organizações da sociedade civil e nas manifestações
culturais.
§ 1° Esta lei disciplina a educação escolar, que se desenvolve, predominantemente,
por meio do ensino, em instituições próprias.
§ 2° A educação escolar deverá vincular-se ao mundo do trabalho e à prática social.

O contrassenso reside no fato da inexistência de “professores de música licenciados”


nas escolas. Em razão da inexistência de educadores com formação adequada, muitos
professores de Inglês, Português, Física, Matemática, tornam-se polivalentes, são obrigados
pelos gestores e tentam lecionar música, nas escolas públicas e particulares.
Para evidenciar melhor a contradição, em 2001, entra em vigor no Brasil o Decreto n°
3.956, que promulga a Convenção Interamericana para a Eliminação de Todas as Formas de
Discriminação contra as Pessoas Portadoras de Deficiência, garantindo, entre outros direitos,
o de frequentar uma escola regular, receber educação especial. Daí, crianças com diferentes
necessidades passam a conviver em um mesmo espaço escolar, que, supostamente, deveria
estar preparado para atender às diversidades e necessidades específicas. Contudo em 2008
promulga-se a Lei n° 11.769 em 18 de Agosto, que, altera a Lei n° 9.394, de 20 de dezembro
53

de 1996, Lei de Diretrizes e Bases da Educação, para dispor sobre a obrigatoriedade do ensino
da música na educação básica, Art. 1° O art. 26 da Lei n° 9.394, de 20 de dezembro de 1996,
passa a vigorar acrescido da seguinte redação: Art. 26. § 6° A música deverá ser conteúdo
obrigatório, mas não exclusivo, do componente curricular de que trata o § 2° deste artigo;
quando este parágrafo especifica “conteúdo obrigatório, mas não exclusivo”, retira toda a
seriedade a ser dada à ciência e destrata tudo o que se sabe do poderio vertente de seu uso;
devido a importância do usufruto da música e da necessidade de conscientizar os envolvidos
na produção e consumo da mesma e sua influência indutiva (isto deveria ser tratado com mais
cautela) e o emprego da Lei levado mais a sério também.
De acordo com Clélia Craveiro (2001), conselheira da Câmara de Educação Básica do
Conselho Nacional de Educação, “ [...] o objetivo não é formar músicos, mas desenvolver a
criatividade, a sensibilidade e a integração dos alunos” ; e acrescenta, “ [...] a ideia é trabalhar
com uma equipe multidisciplinar e, nela, ter entre os profissionais o professor de música”, e,
[...] “de qualquer maneira, trabalhar de forma interdisciplinar em escolas de educação básica é
uma tarefa complicada” .
Segundo Passarini (et all, 2012) “com o argumento, entre outros, de que a música é
uma prática social e que há muitos profissionais na área sem formação acadêmica, foi vetado
o art. 2° da referida lei que determinava a formação profissional específica para ministrar as
aulas de música na escola. Explica ainda que o veto: “abre caminho para que outros
profissionais, e não só o professor licenciado em música, assuma a responsabilidade pelo
ensino da música na escola.” Nesse contexto, em sendo a música a possibilidade para o
desenvolvimento humano e de pluralidade das necessidades das crianças na escola e outros
ambientes de convívio social, demanda-se por um profissional diferenciado, que ensine e
também atenda às necessidades específicas. Daí surge a figura do “professor (musico)
terapeuta”, ou, musicoterapeuta.
Aí o paradoxo, leis incompletas e sua ineficiência devida à inexecução, vez que não há
um acompanhamento após a elaboração das mesmas, por outro lado a educação existente não
prepara, não educa, o cidadão para reivindicar seus direitos e principalmente cumprir suas
obrigações.
A educação musical é restrita em nosso país, à educação básica (níveis: infantil,
fundamental e médio); não satisfatória, enquanto que no ensino superior é esquecida; uma vez
que a legislação existente não é exigente quanto a isto. No último caso, tornando-se mais
específica para quem faz o Curso de Música, quando, devido aos benefícios já bem
esclarecidos pelos cientistas e critérios acauteladores a serem observados para e pelos
54

indivíduos, não deveria ser excluída. Devido sua importância sócio-educativa e demais
influências exercidas; podemos aumentar sua gravidade lembrando que existem outros países
os quais também estão utilizando artifícios musicais para exercerem sua influência
competitiva globalizante, nos quais o ensino da música continua no nível superior. Então o
que realmente vemos nas universidades brasileiras é, exceção de regra, Curso de Licenciatura
em Música com carência de professores especializados e em número, ou, Curso de
Bacharelado em Música, carente à semelhança do de Licenciatura, também no fornecimento
de instrumentos musicais que satisfaçam a demanda e de melhores teorias que perpassem por
outras disciplinas intrinsecamente vinculadas, exemplo: musicologia; portanto esqueceram-se
de estruturar o ensino da música em outros cursos, até mesmo de natureza técnica, nas
ciências exatas por exemplo.
55

6. POR QUE ENSINAR MÚSICA, POR QUE APRENDER


O uso da música como alternativa de técnica de ensino desperta o interesse e o aluno,
diante de sua ludicidade, sem perceber, envolve-se totalmente no processo de ensino-
aprendizagem quando o educador usa a obra musical, aproveitando seus diversos temas, letra,
ritmo, tom, timbre, enfim, há vários aspectos dentro da mesma a serem aproveitados.
O educador é o intermediador e pode e deve conduzir o aluno, através das diversidades
didático-metodológicas existentes para que o mesmo (aluno) apreenda com relativa facilidade
e animado pela interação com o meio escolar.

No caso da música, essa possibilita o desenvolvimento intelectual e a interação do


indivíduo no ambiente social, se for usada de uma forma planejada. A música é um
dos principais meios de persuasão existente na sociedade, pois através dela é
possível transmitir não somente palavras, mas também sentimentos, idéias e ideais
que podem ganhar grandes repercussões didáticas se bem direcionadas. [...] Diante
das afirmativas, fica explícito que a musicalização contribui diretamente no
desenvolvimento cognitivo, lingüístico, psicomotor e sócio-afetivo do aluno,
independente de sua faixa etária. A música promove em alunos com necessidades
especiais uma maior inserção no convívio social (FREITAS, 2017).

6.1 Persuadir, dissuadir

A palavra persuadir tem como sinônimo induzir, seduzir; pode-se afirmar que a música
induz, persuade, seduz, tanto de maneira construtiva quanto destrutiva, mas quanto à
seletividade, cautela! Existem assuntos dos quais se precisa dissuadir ou despersuadir os
captadores dando-lhes consciência; aplicar o pensamento crítico é necessário, precisa ser
evidenciado, transmitido, ensinado quando e devido os fatos transitarem entre o consciente e o
inconsciente (individual e coletivo) e serem imperceptíveis a olhos leigos.
O educador poderá dissuadir em momento oportuno. É interessante dentro do processo
pedagógico além de induzir, dissuadir o aluno quando for necessário. Fazendo-o perceber, ver
que nem sempre o que é tido como divertido o é necessariamente, há diversões que também
não são lícitas, e é necessário que se estabeleça parâmetros críticos suscetíveis à percepção;
mesmo que não satisfaça a curiosidade do aluno, mas tendo em vista sua evolução mental e
intelectual; neste instante melhor dissuadi-lo cautelosamente. Pode-se exemplificar a escolha
musical trazida do ambiente social que frequenta, quando o aluno traz algo que deverá ser
analisado com muita seriedade sem ferir seus sentimentos, fazendo que o mesmo e toda a
turma perceba que há construções musicais mais bem elaboradas. É importante que o
professor esteja bem informado das produções lançadas em profusão nos veículos de
comunicação e saiba distinguir o que foi produzido para prejuízo dos aspectos sociais éticos e
morais estabelecidos.
56

Segundo Keith Swanwick em entrevista concedida à “Nova Escola” :

Figura 12 - Keith Swanwick10

Fonte: Nova Escola ( Foto: Marina Piedade)

Em linhas gerais, o que é preciso para ensinar bem Música?

KEITH SWANWICK O essencial é respeitar o estágio em que cada aluno se


encontra. Tendo isso em mente, é preciso seguir três princípios. Primeiro, preocupar-
se com a capacidade da criança de entender o que é proposto. Depois, observar o que
ela traz de sua realidade, as coisas com que também pode contribuir. Por fim, tornar
o ensino fluente, como se fosse uma conversa entre estudantes e professor. Isso se
faz muito mais demonstrando os sons do que com o uso de notações musicais.

Como um aluno aprende Música?

SWANWICK Procurei responder a essa questão por meio de uma pesquisa com
estudantes de Música ingleses com idades entre 3 e 14 anos. Aprendi que o
desenvolvimento musical de cada indivíduo se dá numa sequência, dependendo das
oportunidades de interação com os elementos da música, do ambiente musical que o
cerca e de sua Educação. Com base nessas variáveis, posso dizer que o aprendizado
musical guarda relação com a faixa etária. Cada uma corresponderia a um estágio de
desenvolvimento (GONZAGA, 2010).

Durante as pesquisas bibliográficas realizadas para elaboração deste trabalho chega-se


a perceber a convergência de opiniões acerca das benesses associadas à música no ambiente
escolar, entre outras, melhora a convivência do aluno; o humor aflora significativamente; a
motivação é bem visível, os alunos animam-se a participarem das atividades escolares;
contribui com a perda da timidez; favorece a linguagem corporal. Pode-se afirmar, sem
receio, que a musicalização, inegavelmente, contribui diretamente no desenvolvimento de

10 professor emérito do Instituto de Educação da Universidade de Londres. Foi o primeiro professor


titular de Educação Musical e Diretor de Pesquisa na Europa; formou-se com honra na Royal Academy of Music;
dedicou-se à docência e a lecionar em escolas de ensino médio, cursos de especialização e universidades
(GONZAGA, 2010).
57

várias facetas individuais e em decorrência provoca substancial acréscimo social. O aluno,


independente de sua faixa etária, tem no decurso da vida um convívio musical diário. A
música promove em alunos com necessidades especiais uma maior inserção no convívio
social, podemos citar como exemplo a influência provocada nas pessoas com autismo, são
muito significativas.
Ainda Swanwich durante a entrevista a Gonzaga (2010):

Qual deve ser o cerne do trabalho?

SW ANW ICK As aulas devem colaborar para que jovens e crianças compreendam a
música como algo significativo na vida de pessoas e grupos, uma forma de
interpretação do mundo e de expressão de valores, um espelho que reflete sistemas e
redes culturais e que, ao mesmo tempo, funciona como uma janela para novas
possibilidades de atuação na vida.

Percebe-se, nesta entrevista, que o entrevistador e o entrevistado, educador, não


considerou a possibilidade de uma disciplina que oriente as escolhas musicais do aluno e a
necessidade de ter professores melhor preparados nas universidades, nos Cursos de
Licenciatura em Música, de maneira que entendam a importância de conhecerem e
repassarem essa ideia de, tanto docentes quanto discentes, serem criteriosos.
Apesar dos benefícios, não se pode esquecer os contratempos produzidos pela audição
musical e pela má utilização da música; entre outros, provoca reações adversas na saúde
quando produz no organismo hormônios que provocam o “stress”; afeta a consciência de
maneira involuntária, pois o cérebro processa todo tipo de informação (processamento
vegetativo); produz surdez quando se escuta a música com um volume acima dos decibéis
suportados pelo ouvido humano; provoca desarmonia; pode-se acrescentar a necessidade de
educar as pessoas quanto ao consumo também, são inúmeros os casos de reclamações
policiais, de vizinhos que são incomodados com a sonoridade excessiva e desobediente aos
horários estabelecidos em lei (Lei do silêncio); chegando ao cúmulo do homicídio! Induz à
prática de atos ilícitos, quando influi com letras que corrompem, porquanto, a maioria das
escolas, existentes no país e no mundo não têm a preocupação de mostrarem aos alunos a
importância de uma “mente consciente”; tal necessidade justifica-se pela atuação de maneira
desregrada dos veículos de comunicação e dos responsáveis pela criação do que se comunica
à população;
Que aspectos devem ser considerados no ensino de música nas escolas?

SWANWICK O fundamental é que os conteúdos sejam trabalhados de maneira


integrada. Nos anos 1970, resumi essa ideia na expressão inglesa clasp. Além de ser
uma sigla, um dos sentidos dessa palavra em português é "agregar". Proponho que
há três atividades principais na música, que são compor (a letra C, de composition) ,
ouvir música (A, de audition) e tocar (P, de performance,). Essas três atividades, que
58

formam o CAP, devem ser entremeadas pelo estudo da história da música (L,
de literature studies) e pela aquisição de habilidades (S, de skill aquisition) (No
Brasil, esse processo ficou conhecido como TECLA: T de técnica, E de execução, C
de composição, L de literatura e A de apreciação.) (GONZAGA, 2010).

Lembra-se novamente que, além de se não abdicar das questões técnicas, precisa- se
ter a consciência de transmitir o que é bom para a psique.
Swanwick (2003), em seu livro “Ensinando Música Musicalmente” demonstra sua
compreensão da ação musical e a importância histórica e social da música:

Olhar um eficiente professor de música trabalhando (em vez de um “treinador” ou


“instrutor”) é observar esse forte senso de intenção musical relacionado com
propósitos educacionais: as técnicas são usadas para fins musicais, o conhecimento
de fatos informa a compreensão musical. A história da música e a Sociologia da
música são vistas como acessíveis somente por meio de portas e janelas em
encontros musicais específicos. É apenas nesses encontros que as possibilidades
existem para transformar sons em melodias, melodias em formas e formas em
eventos significativos de vida.

Acrescenta com clareza a importância de se transformar “melodias em formas e


formas em eventos significativos de vida”, e quanto eficiente deverá ser o professor e não um
mero instrutor. Deverá ser alguém devidamente informado e preparado para o afã. A interação
professor/aluno/música, perpassa pelas escolas, mas é certo que ultrapassa seus muros
influindo seguramente no ambiente social dos indivíduos; pode-se perceber também o quanto
outros conhecimentos além das técnicas musicais são fundamentais para melhor consolidar
uma educação, o professor deverá estar atento às transformações sociais pois o mesmo não é
apenas um multiplicador técnico; afinal ele é parte do social.
No intuito de enriquecer o trabalho ora apresentado foi realizada uma pesquisa de
campo com alunos de diversos períodos e professores de disciplinas diversas do Curso de
Licenciatura em Música da Universidade Federal do Maranhão. Aqui não se declina os nomes
dos participantes assim como também não se identifica suas funções dentro do curso, faz-se
uma junção das opiniões compartilhando com os leitores.

N° PERGUNTAS RESPOSTAS CONCLUSÃO


Você acha que o Curso de 80% dos entrevistados Quadro de
Licenciatura em Música, responderam “não”, alegando professores e de
dado pela Universidade carência de professores e disciplinas
1 Federal do Maranhão, disciplinas. insuficientes
satisfez sua expectativa a
qual existia antes de
efetivamente fazê-lo?
59

N° PERGUNTAS RESPOSTAS CONCLUSÃO


O número de professores 100% respondeu “não” . O currículo do curso
existentes no Curso é precisa ser revisto e
satisfatório? Há disciplina sem professor, há devidamente
2 disciplinas que precisam ser adequado, além da
Por que? inseridas e quadro docente ampliação do corpo
insuficiente para a demanda de docente.
disciplinas existente.

As disciplinas lecionadas são 80% respondeu “não” . Apesar de existirem


suficientes para o devido as disciplinas
preparo de um professor de A didática-prática ensinada no eletivas, optativas e
música? curso não está adequada para o áreas afins, o curso
3 profissional “professor de deixa a desejar na
musica”, sendo sugerido didática-prática.
aprofundamento em outras artes e
na psicologia.

Além das disciplinas Musicoterapia, devido as escolas Apesar de 100%


curriculares você sugeriria públicas terem que acolher serem acordes há
outras que pudessem melhor alunos com deficiências física, divergências quanto
preparar o professor? mental, autistas,... que requerem ao que deva ser
uma didática própria; melhorado, mas, é
convergente a
Disciplina que ensinasse necessidade de
instrumentos percussivos; termos mais
4 disciplinas, mais
Disciplinas pedagógicas:
professores,
psicologia da educação,...
entretanto, deve-se
Mas, também há a diversidade observar sempre as
discente, assim depende da pretensões a serem
trajetória que o estudante do seguidas pelos
curso de música deseja seguir. alunos.

O que acha da ideia de ter a 80% respondeu “ser A maioria considera


música lecionada em todos interessante”, considerando a ser possível devido
os Cursos universitários, musica elemento fundamental na aos benefícios
tanto na Área de humanas, formação humana; por auxiliar na trazidos pela música,
como de Exatas, Biológicas, melhor absorção dos conteúdos constatados
enfim, todas? Por quê? universitários; pela interação cientificamente; há a
5 humana; como agregador minoria que
positivo na vida de qualquer ser considera que, apesar
humano. do que seja bom,
devem ser levadas
Contudo há quem afirme que o em consideração as
parecer deve ser emitido pela opiniões dos demais
respectiva área. das respectivas áreas.
60

N° PERGUNTAS RESPOSTAS CONCLUSÃO


Você acha que a música 100% concorda que a música A música não pode
influi no comportamento interage em todos os aspectos, ser vista só pelo belo,
humano, em seu corpo, sua tanto positivos quanto negativos. uma vez que o artista
6 mente, apenas de maneira compõe sobre o feio,
positiva ou existem aspectos o que traumatiza.
negativos?

As disciplinas dadas 80% considerou que “não”, pois Alguns querem


atualmente no Curso, em sua não existe disciplina que trate conhecer mais sobre
opinião, deixam o professor especificamente do assunto. o assunto: mau uso,
7 suficientemente informado aspectos negativos os
dos perigos ocasionais 20% respondeu que depende de quais não são
patrocinados pelo mau uso como o professor aborda este abordados na
da música? “mau uso” . formação.

O que você acha do efeito 40% afirma ser uma Como podemos
Mozart? comprovação da influencia da deduzir a minoria
musica na aprendizagem e conhece os
8
concentração. benefícios do efeito.

60% desconhece.

A Lei de Diretrizes e Bases 100%concorda que deveria ser Aqui verificamos a


n° 9.394, de 20 de Dezembro obrigatória em toda formação e necessidade de se
de 1996, manifesta-se com continuamente. implantar com rigor
referência ao ensino da as leis e torná-las
música apenas na educação efetivas; também
9 básica, sem a “formação devemos estar
continuada”, você acha que atentos à capacitação
poderia ser modificada? permanente, com
Como? maior abrangência do
conhecimento.

A música deveria ser 100% concorda que deveria ser A valorização do


disciplina obrigatória e ofertada como disciplina profissional e da
exclusiva no currículo da exclusiva e não um apêndice da disciplina a qual deve
educação básica ou deve ser disciplina Arte, considerando que ser compartilhada
10 mantida como “obrigatória, obrigatoriamente, deverá ser dada pelo que está
mas, não exclusiva”, por um licenciado em Musica. realmente apto.
permanecendo como uma
extensão da Arte?
61

N° PERGUNTAS RESPOSTAS CONCLUSÃO


O que você acha do 100% considera absurdo, pois Está provado
professor polivalente o professor torna-se um cientificamente que só
dando, na educação escravo do sistema, sem quem detém o
básica, aulas de música qualificação para exercer com conhecimento pode
e/ou professor de música zelo e cuidado a disciplina. efetivamente transmiti-lo,
dando aulas de química, outro não poderá fazê-lo;
11
biologia, ou outra o mal feito certamente não
disciplina qualquer de trará bons frutos. Portanto
Arte mesmo, tipo: artes estar qualificado, para o
visuais? exercício, é
imprescindível!
Por quê?

Os músicos, artistas não 80% afirma que “sim”, Evidenciamos aqui dois
eram respeitados em sua contudo admitem a ausência de lados: 1) A necessidade de
profissão, eram vistos sindicatos, tabelas, etc. órgãos reguladores e uma
como alcoólatras, melhor organização da
drogados, antissociais; 20% considera ser complicado categoria; 2) Igualdade de
12 você crê que hoje é uma vez que médicos, direitos, uma vez que há
reconhecida e engenheiros, advogados,... drogas lícitas circulando e
recompensada, como as também bebem e que a que outros profissionais
demais profissões; ex.: Constituição Brasileira libera a fazem uso das mesmas.
médicos, advogados, bebida.
engenheiros?

E para finalizar: 100% confirma a evolução da Podemos afirmar que


música; todos os entrevistados
Você acredita que a consideram que a música
música tem evoluído ao em tempos variados (de 6 a tem evoluído; há um
longo dos anos? 100 anos); desenvolvimento
educacional, misturam-se
Você fala de quantos anos Educacional, misturas de
os gêneros e novos são
aproximadamente? gêneros, expansão da
criados, expande-se a
tecnologia, conteúdos, rítmico,
Em que aspecto? tecnologia, inovações
sonoro, na apreciação,
timbrísticas,
instrumental.
O que você apontaria instrumentais,
13 como principal causa? equipamentos; falou-se
Mídia (*), qualidade dos
instrumentos e equipamentos, inclusive de melhoria da
integração, diálogo, ensino e apreciação; a mídia,
pesquisa sistematizada dos apesar de parte usar seu
músicos locais. potencial para
manipulação, ainda assim,
ajuda a desenvolver; a
integração, o diálogo, o
* Mídia, entendida aqui como o que é
transmitido, manipulação através dos ensino e a pesquisa
órgãos de comunicação, indução. sistematizada dos músicos
também foram citados.

Tabela 1 Pesquisa de campo com alunos e professores do Curso de Licenciatura em Música da UFMA (2016).
62

Aqui se comenta sobre o trabalho de campo considerando os treze itens propostos na


investigação.

Tanto alunos quanto professores pesquisados, demonstraram descontentamento ao


adentrarem no Curso de Música da Universidade Federal do Maranhão declarando que havia
carência de professores e de disciplinas; alertaram para a necessidade de modificação do
currículo. Apesar de existirem disciplinas eletivas, optativas e áreas afins, o curso deixa a
desejar na didática-prática. Como sugestão quanto às novas disciplinas a serem ministradas,
relacionaram Musicoterapia, visto que as escolas públicas acolhem alunos com deficiências
física, mental, autistas,... que requerem uma didática própria; disciplina que ensinasse
instrumentos percursivos; disciplinas pedagógicas, a exemplo: psicologia da educação. Houve
quem considerasse também a diversidade de escolhas para o discente, dependendo da linha de
atuação no mercado de trabalho que o estudante do curso de música desejasse seguir.
Quando questionados da possibilidade de a música ser lecionada em outros cursos, a
maioria considera ser possível devido aos benefícios trazidos pela mesma, constatados
cientificamente; há a minoria que considera que, apesar de que seja bom, devem ser levadas
em consideração as opiniões dos demais das respectivas áreas.
Todos concordaram que a música interage nos aspectos positivos e negativos quando
se trata de sua influência no corpo e na mente do indivíduo.
Sobre se as disciplinas dadas atualmente no Curso deixavam o professor
suficientemente informado dos perigos ocasionais patrocinados pelo mau uso da música,
alegaram que não existia disciplina que tratasse especificamente do assunto, entretanto houve
quem considerasse o tipo de abordagem feita pelo professor no referente ao “mau uso” .
Mostraram-se interessados em saber mais sobre o assunto, lamentaram que não fosse
abordado na formação.
Quanto ao “efeito Mozart” 40% (Quarenta por cento) concordou tratar-se da
comprovação da influencia da musica na aprendizagem e concentração.
Quando perguntados sobre a Lei de Diretrizes e Bases n° 9.394, de 20 de Dezembro de
1996, considerando que o ensino da música era obrigatório apenas na educação básica, sem a
“formação continuada”, concordaram que poderia ser modificada em sua abrangência,
inclusive com melhor preparo dos professores.
Há a opinião de que deveria ser ofertada como disciplina exclusiva e não como um
apêndice da Arte, considerando que obrigatoriamente, deverá ser dada por um licenciado em
Musica. Acreditam na valorização do profissional e da disciplina a qual deve ser
compartilhada pelo que está realmente apto no propósito de melhor educar.
63

Inquiridos sobre o professor “polivalente” ensinando música nas escolas a resposta foi
unânime: absurdo! O professor torna-se um escravo do sistema quando desqualificado para
exercer com zelo e cuidado a disciplina. Está provado cientificamente que só quem detém o
conhecimento pode efetivamente transmiti-lo, outro não poderá fazê-lo; afinal só se
compartilha o que se tem para ser compartilhado.
Os músicos, artistas não eram respeitados em sua profissão, eram vistos como
alcoólatras, drogados, antissociais; você crê que hoje é reconhecida e recompensada, como as
demais profissões; ex.: médicos, advogados, engenheiros? Evidencia-se aqui dois lados: 1) A
necessidade de órgãos reguladores e uma melhor organização da categoria; 2) Igualdade de
direitos, uma vez que há drogas lícitas circulando e que outros profissionais fazem uso das
mesmas. Esta segunda observação foi no mínimo pitoresca, incluindo a observação de que a
Constituição Brasileira libera as “drogas lícitas” .
Perguntados sobre se a música tinha evoluído e em que aspecto e quais as causas,
todos disseram sim à evolução e mais: há o desenvolvimento educacional, misturam-se os
gêneros e novos são criados, expande-se a tecnologia, inovações timbrísticas, instrumentais,
equipamentos; falou-se inclusive de melhoria da apreciação; a mídia, apesar de parte usar seu
potencial para manipulação, ainda assim, ajuda a desenvolver; a integração, o diálogo, o
ensino e a pesquisa sistematizada dos músicos também foram citados como causadores.
64

7. RITMO E MUSICOTERAPIA

A arte da música é a que tem mais proximidade com as lágrimas e com as


lembranças (Oscar Wilde).
A música recompõe os ânimos destruídos e alivia os trabalhos que nascem
do espírito (M iguel de Cervantes).
Quem ouve música sente que a sua solidão, de repente, é povoada
(Robert Browning).

Um dos componentes essenciais da música é o que controla a sucessão de sons, o seu


estudo é muito importante para desenvolver a precisão e a acentuação; a cadência ou ritmo
tem forma de grafia específica em uma partitura. Na mesma nota-se a representação de bits
por minuto (bpm), o que determina o andamento (velocidade), e a aposição da clave no início
do compasso que vem seguida pela forma de fração, indica a quantidade e o tipo de figuras
rítmicas e/ou equivalentes que estarão dentro do mesmo, exemplo:
Figura 13: Ritmo/figura de compasso/andamento.
bpm = 160
< ►Unidade de compasso.
< ►Unidade de tempo.
Fonte: http://cursodetecladoprofelvischaves.blogspot.com.br/2016/11/referencias-para-
leitura-unidade-de.html

Para melhor esclarecer, a fração 4/4 demonstra que dentro do compasso terão quatro
semínimas configurando, junto com o bpm, o ritmo que se dará.
Exemplo de três compassos musicais
Figura 14: Compasso/barra de compasso/andamento.
bpm = 160

(Ir r r r d r -f-f-M
Fonte: http://cursodetecladoprofelvischaves.blogspot.com.br/2016/11/referencias-para-
leitura-unidade-de.html

A breve ilustração acima não mostra a infinidade rítmica que pode ser utilizada dentro
da música, inclusive que há a possibilidade de combinação de vários ritmos em uma obra
dentro da partitura se conjugando os compassos.
Claro que para se elaborar uma música não se trabalha apenas com o ritmo, mas é
certo também que entre os elementos essenciais (ritmo, melodia e harmonia) é o que mais se
destaca, para o que se pretende demonstrar neste trabalho, determinando de maneira mais
evidente se a música é alegre ou triste. Também não se pode descartar o tom, o timbre dos
instrumentos, as letras das músicas bem como a maneira utilizada para o fim a quê o musico
terapeuta se propõe.
65

A Musicoterapia, segundo o World Federation of Music Therapy (WFMT) (2011,


apud PASSARINI, 2013),

“... é a utilização profissional da música e seus elementos, para a intervenção em


ambientes médicos, educacionais e cotidiano com indivíduos, grupos, famílias ou
comunidades que procuram otimizar a sua qualidade de vida e melhorar suas
condições físicas, sociais, comunicativas, emocionais, intelectuais, espirituais e de
saúde e bem estaf’.

Há um fato em Musicoterapia que não se pode deixar de observar, a mesma música


que acalma um indivíduo por trazer boas lembranças, pode deixar outro deprimido por lhe
fazer relembrar situações desagradáveis; pode-se deduzir: não é o fato de o andamento ser
menor que implicará uma tranquilização, mas, quais passagens de vida são lembradas, enfim,
cada indivíduo é uma ilha de sentimentos que deve ser bem observada quando a proposta é de
cura através do som.

Você já se perguntou alguma vez de onde vem esse sentimento de bem-estar que
surge quando você ouve a sua música favorita? A musicoterapia tem a resposta.
A ativação do núcleo accumbens, assim como acontece com a atração sexual ou com
qualquer experiência que nos provoca prazer, faz com que nosso cérebro libere
dopamina cada vez que ouvimos nossas músicas preferidas. As novas pesquisas
publicadas no Jo u rn a l o f P ositive Psychology apontam que o estado de ânimo
dos participantes melhorou visivelmente a curto prazo e a sua felicidade aumentou
ao ouvir música positiva ou otimista durante duas semanas. O estudo também indica
que as músicas tristes têm o efeito inverso, apontando que a felicidade pessoal
pode ser considerada uma tarefa que está nas mãos da própria pessoa. Eles
descobriram que as pessoas, em vez de avaliar repetidamente quão felizes são,
focavam em aproveitar a situação positiva que estavam experimentando
(MARAVILHOSA, 2016).

Fala-se da Musicoterapia como solução para a cura de enfermidades. Uma ciência


relativamente recente com esse nome, entretanto, a história nos conta e nos deixa
impressionados quanto à sua existência que remonta a períodos de antes da existência de
Cristo na terra, certamente ainda não existia com esta nomenclatura. No capítulo 16 de
Samuel, tem-se referência do efeito da música; alguns servos do rei Saul o aconselharam a
ordenar que buscassem um tocador de harpa (16:16-17): “Diga, pois, nosso senhor a seus
servos, que estão em tua presença, que busquem um homem que saiba tocar harpa e, será que,
quando o espírito mau, da parte do Senhor vier sobre ti, então ele tocará com a sua mão, e te
acharás melhor. Então disse Saul aos seus servos: Buscai-me, pois, um homem que toque
bem, e trazei-mo” . O que foi feito. E realmente, relata a história, no mesmo livro e capítulo
66

em seu versículo 2311: “E sempre que o espírito mau de Deus acometia o rei, Davi tomava a
harpa e tocava. Saul acalmava-se, sentia-se aliviado e o espírito mau o deixava” .

A musicoterapia, como ciência e arte de cura, tem por objetivo promover o


equilíbrio biopsicossocial, restaurando a saúde dos indivíduos ou prevenindo a
instalação de doenças. A música, como arte de cura, perde-se nos tempos imemoriais
da história humana. As tradições xamânicas de utilização do som com propósitos de
cura remontam a 25.000 anos, aproximadamente, dentro de um sistema organizado e
que foi utilizado no mundo todo, desde a Sibéria até a África e a América do Sul. Na
antiga Grécia, a música era estruturada em um sofisticado sistema, com bases
científicas, fundamentada na física e na matemática. A filosofia médica de
Hipócrates acreditava na medicina psicossomática e considerava as doenças como
uma desarmonia do homem face à sua própria natureza. Assim, para o
restabelecimento do equilíbrio perdido, a música, por ser ordem e harmonia,
desempenhava tanto a função de provocar a depuração catártica das emoções,
quanto a de enriquecer a mente e dominar as emoções através de melodias que
levam ao êxtase (MEDEIROS, 2003, p. 6).

O conhecimento foi guardado nos mosteiros e conventos da Igreja Católica Romana a


qual, ditando normas de conduta ao povo, só autorizava o uso da música dentro dos seus
muros; retomou-se sua utilização como processo de cura quando iniciava a Idade Moderna
com a dissolução do reduto da Igreja.
A expansão científica foi sentida fortemente e desde então a evolução transpôs
barreiras que impediam sua desenvoltura e hoje o que se vê é uma diversidade de atuações,
Medeiros (2003) nos indica algumas:
Didática:
Musicoterapia do Desenvolvimento
Músico-Psicoterapia Instrucional
Musicoterapia na Educação Especial
Musicoterapia para a adaptação escolar
Médica:
Neste campo específico a Musicoterapia se ramifica nas diversas especialidades
médicas que necessitam um trabalho terapêutico para apoio e reabilitação do
paciente ou grupos de pacientes. Então temos: Musicoterapia geriátrica, obstétrica
etc... Os cenários típicos são hospitais, clínicas, centros de reabilitação, hospícios e
asilos para idosos.
Cura:
Musicoterapia na Cura. É a utilização de frequências vibratórias ou de sons
combinados com a música ou qualquer de seus elementos para induzir a cura.
Psicoterapia:
Inclui todas as aplicações da música ou seus elementos em separado (som, melodia,
harmonia, ritmo) para ajudar os clientes a encontrarem significação e satisfação em
suas vidas. Pode ser aplicada individualmente e em grupos.
Recreação:
Terapia Lúdico-Musical
Ecológica:
Musicoterapia Familiar
Musicoterapia Organizacional

11 Bíblia Sagrada, Versão Revista e Corrigida na grafia simplificada, da tradução de João Ferreira de
Almeida; 10a edição, 2010, impressa no Brasil.
67

Musicoterapia Comunitária

A qui, m ais um a v ez , p erceb e-se com clareza a im portância que se d eve dar ao u so da

m úsica, ou vi-la sem lh e dar um a atenção esp ecial p ode significar percorrer cam inhos

d esco n h ecid os e tom ar rum os incertos.

Portanto, ter uma experiência musical terapêutica ou com poder transformador não é
a mesma coisa que entrar em um processo de musicoterapia, independente de
quaisquer semelhanças ou diferenças de profundidade, significação ou duração dos
resultados (BRUSCIA apud MEDEIROS, 2003, p. 9).

Segu nd o esp ecialistas, d ev e-se ter m uito cuidado na escolh a da m ú sica a ser utilizada

na terapia; d izem não ser con ven ien te subm eter um paciente amante, por exem p lo, de funk a

um a audição de m ú sica clá ssica e v ic e versa, os efeito s não seriam b en éfico s nem a um nem a

outro. H oje entendem os, perfeitam ente, que m elh or que rem ediar é prevenir, torna-se m en os

prejudicial e m en o s oneroso. Im pressiona pensar que se u tiliza a m ú sica para curar

enferm idades provocadas p ela própria; entretanto o cam in h o ainda não foi percorrido em sua

totalidade, p recisa-se de m uito m ais con h ecim ento, é um cam po cien tificam en te n ovo, apesar

da idade existen cial. Para R ibas (1 9 5 7 , p. 5 5 -7 ) “N o p rocesso da escuta m usical, um a v e z

captadas, as im p ressões sonoras percorrem os nervos auditivos atingindo a su perfície do

cérebro onde, no lo b o tem poral esquerdo, na prim eira circun volu ção tem poral esquerda

(região da representação auditiva das palavras ou região de W e r n ic k e ), dá-se a p ercepção

auditiva. C om o hábito de ouvir m úsica, o indivíduo, m esm o que não receba ed u cação

m usical esp ecífica, acaba por esp ecializar certo núm ero de célu las da tal região,

d esen v o lv en d o aí um a sub-região para com preen são e posterior recon h ecim en to dos sons

m u sica is“ (R IB A S apud SEK EFF, 2 0 0 7 ).

Desenvolvida essa competência, a sensibilidade musical se imantiza em três esferas:


intuitiva, afetiva e intelectual. Segundo o musicoterapeuta Antonio Yepes (Benezon
& Yepes, 1972, p.81-2), a esfera intuitiva, eminentemente empírica do ponto de vista
perceptivo, é enraizada nas estruturas musicais básicas e constitui patrimônio
cultural do ser humano, produto do funcionamento de seu dispositivo
psicofisicomusical (audição, memória, fonação, motricidade); a afetiva é
caracterizada de um lado por uma resposta emocional ao feito musical, e de outro
pelo impulso originário do feito musical, e a intelectual é a esfera que “registra,
retém, compara, conceitualiza” (ibidem, p.82). Ainda segundo Yepes, é natural a
disposição do indivíduo diante do som e ritmo musicais. Natural na medida em que
o receptor “responde” a estruturas musicais básicas, inerentes ao ser humano (som,
ritmo e - quem sabe! - melodia). De tal modo que quando se processa a deterioração
mental, por exemplo, esta acaba por afetar primeiro a esfera intelectual, podendo as
outras duas, a intuitiva e a afetiva, serem trabalhadas com o recurso da música; nesse
caso, a recuperação do paciente vai depender, naturalmente, do grau em que se
encontra a deterioração. No processo de ensino-aprendizagem o educador também
deve ter em mente a “ação” das estruturas musicais básicas, uma vez que, se às
palavras cabe traduzir e explicar sentimento, à música cabe induzi-los e manifestá-
los. Ele deve assim estimular o educando à prática da música, respeitando as
diferenças individuais e atentando sempre para o fato de que se deve propiciar a
68

todos uma sólida estrutura de oportunidades, pois uma das piores heranças é a
estrutura de oportunidades. Não é uma herança genética, mas sim social. E como a
música não se constitui apenas um recurso de combinação de sons, mas
especialmente expressão, gratificação e realização, ela forçosamente interessa à
plenitude do ser humano (SEKEFF, 2007, p. 97).

Figura 15 - Música e o cérebro

Fonte: www.biosom.com.br

A aplicação da música para efeitos curativos não surge em nosso século vem de há
muito, o homem tem buscado benefícios nas fontes sonoras, em seus diversos instrumentos
inventados por sua própria mão. Sekeff (2007) relata “As primeiras referências da ação da
música sobre o homem remontam aos papiros médicos egípcios datados de 1500 a.C” e [...]
“esses papiros remetem ao encantamento que a música produz sobre as mulheres,
“estimulando” sua fertilidade” . O primeiro relato de tratamento com utilização da música é
bíblico e se encontra no livro de I Samuel 16:23, já mencionado à página 65; é sabido que a
música propiciava ao rei Saul um alívio, apaziguando suas crises de excitação psicomotora.
69

As boas intenções de uso da música para beneficiar os seres humanos são notadas
nos vários compêndios, teses e dissertações já existentes; entretanto, os aspectos
negativos são pouco relatados, como exemplo pode-se mencionar os paredões
sonoros, muito utilizados em nossos dias, recurso utilizado para propagação do som
em volume alto, as danças estimulando o desregramento sexual, enfim, são inúmeros
os aspectos prejudiciais. Precisamos desenvolver um olhar crítico sobre o conteúdo
musical, ritmo, melodia, harmonia, letra, objetivando o desenvolvimento individual
e por fim discutirmos no âmbito da interdisciplinaridade a influência moral e ética
exercida pela música no seio social como algo relevante e também inadiável.
Salientarmos o processo cautelar que se deve ter ao longo da vida ao participarmos
de eventos ou de ideologias fonográficas, pois se fala em benefícios, sem observar o
que está por detrás dos interesses pessoais dos que os administram.
A cantora popular Maria Bethânia em poucas palavras evidencia o que vem
acontecendo em nosso país em termos musicais: Estou com pena do meu Brasil” diz
Bethânia, aos 50 anos de carreira. “Saber da riqueza cultural musical do meu país e
hoje vejo gerações loucas que dançam aos zumbidos de MURIÇOCAS e
IMORALIDADES. “A adolescente está perdendo a sua essência de mulher, e a nova
geração de falsos artistas estão fazendo da NOSSA MÚSICA o lixo para a
humanidade. http://blogpontodevista.com.br/falar-sobre-quem-gosta-da-muricoca/

Não poderíamos nos furtar de um comentário sobre o problema que define este
trabalho, uma vez que o que ocasionou a pesquisa foi uma notícia a qual ficou incomodando
por um bom tempo, ouvida uma reportagem em um dos veículos de comunicação, televisão,
que mostrava meninas na faixa etária de 10 a 15 anos, todas engravidadas, desconhecedoras
de quem as teria engravidado, não sabiam quem eram os pais, os irresponsáveis que as
deixaram naquela situação; isto ocorre frequentemente nos “bailes funk”, os quais se
espalham pelas cidades brasileiras, exemplo Rio de Janeiro e São Paulo. A pesquisa leva-nos
à descoberta de que os adolescentes, 12 a 18 anos, faixa etária constante no Estatuto da
Criança e do Adolescente no Brasil, com a pretensão de “desatar as amarras” encanta-se com
o rock, encorajador da síncope, e ritmo atravessado (tempo fraco que se prolonga até o forte),
desvirtuando compassos primários. Esse (a) jovem busca uma identidade musical, quer poder,
ser ouvido, elege ídolos, canções que falam de amor e sexo, expressa sua energia libidinal,
quer expressar-se livremente pois é dono (a) de sentimentos dolorosos e de crise de
identidade.

Durante esse período o indivíduo começa a querer se liberar das regras e papéis
estabelecidos e encontra na música o ambiente perfeito para isso. Começa o
encantamento pelo rock que encoraja a síncope e o ritmo atravessado que mina ou
destrói os compassos básicos, permitindo ao adolescente transitar da segurança do
continente do ambiente para uma identidade musical autodefinida. Toda a música é
muito forte, pois o adolescente quer ser ouvido e necessita apoio para engajar-se nas
lutas de poder que deve ganhar contra as figuras de autoridade. Elegem as estrelas
do rock como seus ídolos pelo modelo distinto de identidade que quebra com o
estabelecido e por suas canções que falam de amor e sexo tópicos de fascinação, mas
significativos para o desenvolvimento. Os movimentos corporais também fornecem
um modelo de liberação sexual e encorajam o adolescente a expressar a energia
libidinal reprimida. O adolescente encontra na criação e na improvisação um
território onde ele pode expressar livremente, de forma não verbal, os sentimentos
70

dolorosos e as confusões de identidade características destes anos. (MEDEIROS,


2003, p. 14)

Ainda no mesmo blog do Nelson Freire (Ponto de Vista), abaixo do comentário de


Maria Bethânia, segue outro:
Como diz um músico potiguar bastante competente: “A gente estuda harmonias das
mais sofisticadas, arpejos, escalas, ritmos, acordes, clássicos, execução rápida que
são precisos todos os dias... aí vem alguém e me diz as palavras mágicas: Você toca
a música da muriçoca?”. É demais! Zé Dias, nosso produtor cultural
competentíssimo, disse em alto e bom som no Programa Ponto de Vista, do amigo
Nelson Freire: “Na minha casa, ninguém ouve fuleragem”. Homem acostumado a
ouvir o que é bom e apostar em quem tem talento, jamais iria render-se à músicas do
tipo da muriçoca, do lepo-lepo e outros bichos. Fica o registro e o apelo para
resgatarmos urgentemente na mídia o culto à boa música para que nossas crianças e
adolescentes cresçam ouvindo àqueles que podem acrescentar cultura em suas vidas.

O desperdício cultural é sentido, principalmente por quem busca dar o melhor de si,
não admitindo o que desvaloriza a categoria musical, a classe que lida com o desenvolvimento
da música. Zé Dias censura o que realmente precisa ser censurado, o que está revestido de
gracejo, trazendo um ritmo contagiante, entretanto também traz em seu conteúdo o que não é
saudável despejando na sociedade trejeitos que a fazem sucumbir ao longo do tempo.

São fantasias que amordaçam a cultura, desvirtuam e pretendem deixar claro que não
há necessidade de evoluir, subjugam o virtuosismo e proliferam insanidades com ar de
alegria. Mas, o que fazer com quem tem olhos e não enxerga o que está depositado em seu
nariz? Como iluminar o caminho de quem se deixar persuadir sem reflexão? Trataremos do
assunto no próximo capítulo.
71

8. O PENSAMENTO CRÍTICO

Há cientistas que insistem em dizer que vivemos a Nova Era onde o predomínio da
Ciência e da Tecnologia é fato. Também alertam para a necessidade de se ter uma maneira
cética de pensar. De fato, não se podem aceitar todas as informações que nos chegam como se
fossem verdadeiras, precisa-se analisá-las, mas, para isto, necessita-se do conhecimento,
embasamento adquirido através da educação. Se o cidadão não questionar e apenas aceitar
como verdades as informações recebidas, então ficará à mercê dos falsos políticos e religiosos
e demais pessoas que usam de mídias e veículos de comunicação e difusão para ludibriarem.
Para Guzzo (2015, p. 64), pensar criticamente, ou seja, avaliar ideias e argumentos de
acordo com as razões e evidências apresentadas em suporte a eles, e ter o hábito de fazê-lo
constantemente, isto é, possuir o espírito crítico, são consideradas características importantes
para os indivíduos e para o bom funcionamento de uma sociedade democrática.
Nesta época é de extrema importância que se fomente o pensamento crítico o qual
deve ser fortalecido através da educação; uma era de fortes tendências ideológicas e
comunicação por várias vezes mentirosas.
Pensar criticamente é estabelecer para si mecanismo de defesa contra manipulações
intelectuais, é proporcionar-se um método de melhor entender o mundo, determinar um
mecanismo de autodefesa imprescindível.
Carl Sagan em seu vídeo A Way of Thinking (Uma maneira de pensar), cita Thomas
Jefferson: “Não é suficiente assegurar alguns direitos na Constituição. O povo precisa ser
educado e precisam praticar seu ceticismo e sua educação, do contrário, não controlamos o
governo. O governo nos controla”.
Guzzo (2015, p. 67), informa que o pensamento crítico, para Siegel (1997), envolve
basicamente dois aspectos: um deles é o componente de “avaliação de razões”, que envolve
habilidades relevantes para um entendimento e análise apropriados de razões, afirmações e
argumentos; o outro aspecto diz respeito a disposições de comportamento, atitudes e hábitos
mentais que tornam o indivíduo propenso a usar as habilidades cognitivas para avaliar
quaisquer ideias, mesmo aquelas que são contrárias aos seus interesses e às suas crenças mais
profundas.
Mas, não basta pensar, é necessário que as pessoas estejam predispostas a fazerem
suas avaliações constantemente e reavaliarem resultados. Siegel (1990, p. 39) escreve:

Tal pessoa habitualmente busca evidências e razões, e está predisposta a buscá-las -


e a basear a crença e a ação nos resultados de tal busca. Ela aplica as habilidades de
72

avaliação de razões em todos os contextos apropriados, inclusive em contextos nos


quais suas próprias crenças e ações são desafiadas. Para quem possui a atitude
crítica, nada é imune à crítica, nem mesmo as mais arraigadas crenças. Mais
fundamentalmente, a atitude crítica envolve um profundo comprometimento com e
um respeito pelas razões - de fato, como Binkley escreve, um amor pela razão.

Mas o que isso tem a ver com o assunto título deste trabalho: A Influência Musical no
Corpo e na Mente - o pensamento crítico?
Através da música formam-se opiniões de multidões de maneira rápida e os
formadores não estão excluídos do processo de conhecimento e da consciência do pensamento
crítico o qual deverá estar inserido nas lições dos professores licenciados, nos planejamentos
dos componentes curriculares, direcionados para uma pedagogia libertadora e não a já
existente pedagogia opressora.

Para Freire o fim maior da educação deve ser sempre o de libertar os oprimidos, de
levar a eles o conhecimento que a sociedade burguesa capitalista tanto deseja
esconder. Pois é apenas com este conhecimento, desenvolvido a partir do diálogo e
da consciência, que as pessoas podem lutar por sua liberdade, frente a máquina
opressora do capitalismo e de sua nova face, o imperialismo. [...] Freire demonstra
como Marx havia explicado, que a burguesia depois de derrubar a aristocracia,
enquanto classe revolucionária, detentora do poder que desencadeou a mudança, que
na época foi o poder econômico, hoje tenta manter o seu jugo sobre a grande massa
de oprimidos através do novo poder, a informação. (ARAGÃO JÚNIOR, 2004)

Os saberes ora “transmitidos” nas escolas do país dão a conhecer estruturas pré-
estabelecidas de padrões práticos de vida. Entretanto, é uma consciência obtida que não
estimula o pensamento crítico mais humanista e ético, ou seja, ter a consciência de que
precisamos da igualdade de direitos não pressupõe exatamente na prática que tenhamos todos,
um pensar criticamente sobre as ideias veiculadas, transmitidas nas escolas. Assim, podemos
questionar se vivemos de fato de forma igualitária. Na citação acima podemos perceber
informações tipo “sociedade burguesa capitalista”, “liberdade”, “máquina opressora”, “grande
massa de oprimidos”; essas informações, deve-se esclarecer, fazem referência a um educador,
Paulo Freire, que tinha ideologias marxistas, leninistas. O mesmo se apropriou do método de
ensino de Frank Charles Laubach (1884-1970), adicionando a ele suas ideias socialistas.

Em 1.947 surgiu a Primeira Campanha Nacional de Educação de Adultos realizada


pelo Ministério da Educação e Saúde, constituindo-se na primeira ação pública, com
o objetivo de atender exclusivamente essa parcela da população composta pelo
adulto analfabeto. A metodologia adotada para realização do trabalho de
alfabetização foi o Método Laubach, o qual consistia num método de alfabetização
criado por um missionário protestante norte-americano chamado Frank Charles
Laubach, onde em 1.915, alfabetizou mais de 60% da população das Filipinas.A
proposta desse método consistia em partir de palavras conhecidas pelos alunos,
advindas de sua fala bem como de figuras familiares aos mesmos, em processo de
alfabetização. Foram criadas, durante a vigência dessa campanha, dez mil classes de
73

ensino supletivo em todo o Brasil, onde mil e quinhentos foram registradas no


Estado de Minas Gerais, espalhadas entre 288 (duzentos e oitenta e oito) municípios
(SANTOS, 2017; p. 6).

Naturalmente que se pode analisar tanto o método Laubach quanto a bifurcação


empregada por Paulo Freire com seu aditivo socialista, fazendo-se uso do pensamento crítico,
sendo céticos e conscientes do que objetivamos construir como embasamento educacional,
não espontâneo, apreendendo a realidade como objeto cognoscível; acrescente-se a isto tudo o
ingrediente principal, a inteligência humana.

Esta tomada de consciência não é ainda a conscientização, porque esta consiste no


desenvolvimento crítico da tomada de consciência. A conscientização implica, pois,
que ultrapassemos a esfera espontânea de apreensão da realidade, para chegarmos a
uma esfera crítica na qual a realidade se dá como objeto cognoscível e na qual o
homem assume uma posição epistemológica (FREIRE, 1979).

Mas, como conscientizar quem não tem capacidade de apreender o que está contido
em apenas um parágrafo? Essa não é uma tarefa fácil. Principalmente, quando quem se
aventura em fazê-lo não tem em si mesmo a inteligência necessária. Não há aqui nenhuma
generalização, mas deixa-se o alerta, há quem não dê a mínima importância ao que vem
acontecendo nas escolas brasileiras que a cada ano mostra estatisticamente sua vertiginosa
decadência. Ouve-se com frequência, as reclamações de professores que atuam em escolas
públicas e Universidades que os alunos não conseguem interpretar uma frase sequer.
Professores (as) decepcionados (as) com o sistema educacional brasileiro, de escolas
sucateadas ao longo dos anos; alguns até se esforçam numa tremenda batalha contra o poder
massivo e massacrante em uma sociedade permissiva. Quanto menos intelectual a sociedade,
mais sujeita, submissa, às investidas de governos que pretendem sua desconstrução.

O culto da razão ou dos sentimentos, das sensações ou do instinto, da fé cega ou do


“pensamento crítico”, não é senão o resíduo supersticioso que sobra no fundo da
alma obscurecida quando se perde o sentido da unidade da inteligência por trás de
todas essas operações parciais. A inteligência, com efeito, não é uma função, uma
faculdade em particular: é a expressão da pessoa inteira enquanto sujeito do ato de
conhecer. A inteligência não é um instrumento, um aspecto, um órgão do ser
humano: ela é o ser humano mesmo, considerado no pleno exercício daquilo que
nele há de mais essencialmente humano (CARVALHO, 2013 p. 37).

Portanto, não se satisfaz o povo apenas com “pão e circo”, há várias necessidades que
ultrapassam a utopia e são realidades que se não atendidas, ao longo dos anos deixam marcas
profundas. A humanidade conhece marcas desagradáveis, como exemplo pode-se citar o
nazismo, o fascismo, o comunismo ou socialismo; ideologias subjetivas e parciais. Mas, é
importante que se saliente que a imparcialidade existe; que se pode viver sem ideologias
74

carimbadas e sem o subjetivismo crônico. Há como construir uma convivência menos egoísta
com uma investigação científica e filosófica compartilhando a inteligência a qual é inerente ao
ser humano.
É de extrema importância que o cidadão tenha a possibilidade de aprender a pensar por
si mesmo como são as coisas, ser cônscio da realidade dos elementos novos ou
desconhecidos.
75

9. LOGOSOFIA

Figura16 - Homem esculpindo-se a si


mesmo, do artista uruguaio Yandí Luzardo,
inspirada no princípio da evolução
consciente proposto pela logosofia. (RIBAS,
2011)

Começaremos pela definição denotativa segundo a qual Logosofia é: Doutrina ético-


filosófica fundada pelo pensador argentino González Pecotche (1901-1963), e que tem por
objeto ensinar o homem a chegar à autotransformação mediante um processo de evolução
consciente, libertando assim o pensamento das influências sugestivas. (Novo Dicionário
Eletrônico Aurélio versão 5.0).
Antes de buscarmos definições explicitadas nas obras de Logosofia, faremos um
introito no referente à produção artística buscando o significado de arte, estabelecendo
parâmetros para um melhor vislumbre das propostas logosóficas.
Com este intuito partimos de opiniões emitidas nos órgãos de comunicação,
principalmente em programas de televisão, esclarecendo que não podemos determinar seus
autores por tratar-se de falas de uma diversidade de participantes entrevistados. Tomamos a
liberdade de fazê-lo, por considerarmos essenciais em vista de serem afirmações que inclusive
tornaram-se estereótipos.
O prazer sempre está associado à arte, mas não é o que sempre acontece, pois os
artistas não mostram apenas a beleza, evidenciam também o feio o que é traumatizante. Há
uma série de definições sobre o significado da arte:

“Serve para refinar o ser humano.”


“Traduz a nossa visão sobre o mundo.”
“É o significado da vida.”
“É o consolo para a dor de viver.”
“A maior expressão do ser humano.”
76

“É a criação de um mundo novo.”


“Criação e transpiração são princípios ativos do artista.”
“Sons, cores, formas, palavras e gestos, emocionam, dão-nos a visão de um novo
mundo.” (LOGOSÓFICA, 2012).

Quando entendemos a importância de não nos deixarmos levar por ideias circulantes
sem uma análise conscienciosa distinguimos nas “frases feitas” algumas omissões ou
excessos:
Exemplificando:
“ Serve para refinar o ser humano.” Podemos afirmar isto, mas, é fato que a arte poderá
tanto torná-lo mais puro como o tornará mais impuro também se a trilha percorrida pelo
indivíduo não estiver embasada por princípios éticos e morais. Quanto a “Traduz a nossa
visão sobre o mundo” ; a frase mostra-se incompleta quando nossa visão é deturpada, por
exemplo, pelas influências externas, que não buscam outro propósito além de satisfazer os
interesses financeiros do criador da obra, jamais insere a mínima preocupação com o que é
verdadeiro e mesmo sendo uma verdade existente não há a mínima predisposição em corrigir
o que está prejudicando. Enfim, deixaremos que as demais frases sejam verificadas pelo (a)
leitor (a) que busque se aprofundar melhor nos conhecimentos logosóficos, principalmente em
“defesas mentais” .
A complexidade mental humana ainda não nos permite, mesmo com a neurociência,
definir parâmetros reacionários diante dos fatos; não há como definir reações iguais para
indivíduos diferentes, cada um reage diversamente diante da mesma provocação. Até define-
se, algumas áreas do cérebro, como mais ativas em determinados momentos, quando o
indivíduo é submetido a alguns estímulos, mas o que o mesmo pensará neste instante é
indefinível, ainda indecifrável.
As transformações são frequentes no dia-a-dia de cada ser, ações e reações são
constantes, mesmo quando adormecidos estamos, entretanto podemos ou não estabelecer
metas distintas e conscientes, mesmo diante de ações aleatórias, nossas reações podem e
devem ser controladas. Tomar as rédeas de nós mesmos nos possibilita caminhar, com mais
segurança.
As adversidades previsíveis nos colocam em estado de alerta mental, mas que dizer
das imprevisíveis, principalmente quando não estamos embasados científica e filosoficamente
para a resolução dos problemas? Indo mais adiante, podemos questionar: os conhecimentos
científicos e filosóficos são suficientes para o gerenciamento da vida?
Aqui retomamos o questionamento: O que é Logosofia?
77

A foto da escultura do artista uruguaio Yandí Luzardo, inspirada, como já informado,


no princípio da evolução consciente, mostrada no início desta seção, dá uma pequena idéia do
significado, apesar de não esclarecer suficientemente.
Há algumas definições de alguns logósofos encontradas em vídeos existentes no
Youtube: É uma ciência com método próprio, para atingir os seus grandes objetivos: o
conhecimento de si mesmo, o conhecimento do monumental e o conhecimento de Deus.
Uma nova forma de sentir e conceber a vida. É um estudo para desvendar todas as leis que
governam o Universo. É a ciência que leva o ser humano a conhecer todo esse potencial que
ele possui dentro dele e que ele desconhece (LOGOSÓFICA^ 2012).

12
Figura 17 - Carlos Bernardo González Pecotche

Fonte: http://www.logosofia.org.br/

Carlos Bernardo González Pecotche (pseudônimo: RAUMSOL), em seu livro “O


Mecanismo da Vida Consciente” :

A Logosofia traz uma mensagem que se plasma numa nova geração de


conhecimentos, os quais, por sua índole e finalidade, diferem completamente das
verdades admitidas. Não tem, pois, semelhança nem parentesco de nenhuma
natureza com os sistemas ou teorias filosóficas ou psicológicas conhecidas. Seu
objetivo principal é fazer o homem experimentar a certeza de um mundo superior: o
metafísico, em cujos vastos e maravilhosos campos naturais pode encontrar
inesgotáveis motivos de regozijo, enquanto nele penetra e enriquece sua consciência
com a abundância dos novos e valiosíssimos elementos que encontra em seus
continuados esforços pela superação integral de si mesmo e pela conquista do bem
(PECOTCHE, 2013, p. 25).

12 Pensador e humanista, Carlos Bernardo González Pecotche nasceu em Buenos Aires, Argentina,
em 11 de agosto de 1901. Com apenas 29 anos, reagindo contra a rotina dos conhecimentos e sistemas
usados para a educação e a formação do ser humano, deu nascimento à Logosofia, ciência de profundo
significado humanístico (LOGOSOFIA, 2017)
78

Pecotche (RAUMSOL), observando a situação educacional do homem o qual não


consegue discernir as influências maléficas que o circunda, justamente por ter uma precária
lucidez intelectual:
Devido ao abandono em que tem vivido durante séculos em relação aos
conhecimentos que haveriam de auxiliá-lo, o homem é um indefeso mental, cuja
precária lucidez intelectual o impede de discernir e descobrir o mal justamente ali
onde se apresenta revestido de todas as aparências do bem; e já sabemos em que
medida o fácil, o cômodo e as promessas deslumbrantes enganam até mesmo o mais
astuto. [...] Por fim, termina-se nos mais terríveis desenganos, no desespero ou na
encruzilhada sem escapatória da delinquência. (PECOTCHE, 2013)

Temos alguns de nós, consciência de que àqueles que desejam dominar e serem donos
do poder, não interessa que o povo seja sábio.

É inquestionável que as pessoas de saber têm maior número de defesas mentais que
as medíocres e as ignorantes; porém, a preservação de uns poucos contra as argúcias
do mundo implica acaso proteção para os demais? Eis aqui algo em que ninguém
tem reparado, se nos atemos à persistente carência desses elementos de defesa. [...]
Cada homem necessita criar suas próprias defesas mentais. Como? Adotando a
posição inabalável que o faça invulnerável à influência de qualquer pensamento
sugestionador que tente subjugá-lo. [...] Feito o processo de conhecimento do
sistema mental - que funciona em cada indivíduo [...] - e realizado o processo
seletivo dos pensamentos [...] o ente humano se haverá capacitado para ser o dono
absoluto de seu campo mental, sem se expor, como antes, à dominação dos
pensamentos alheios que, inevitavelmente, causavam séria perturbação em sua vida.
Já não o surpreenderão as notícias difundidas com o objetivo de alarmar e perturbar,
nem será surpreendido tampouco pelas ideias extraviadas dos ressentidos sociais,
nem dos que buscam prosélitos para estender suas ideologias com pretensões de
dominação mundial, pois o homem que controla sua mente dificilmente poderá ser
burlado ou influenciado por essa classe de pensamentos. Quando o homem
compreende que seus pensamentos e ideias não são os veículos por meio dos quais
se manifestam o pensar e o sentir humanos, como efetivamente deveria acontecer, e
sim que os homens mesmos se converteram - salvo exceções - em veículos dos
pensamentos e ideias que povoam os ambientes, sua atitude mais lógica, prudente e
razoável deve ser a de pôr-se em guarda contra os perigos dessa subversão dos
valores essenciais do indivíduo. (PECOTCHE, 2013, p. 35)

É do conhecimento de todos que há muita informação chegando a todo instante, em


todos os ambientes nos quais vivemos; o alerta que fica é que não nos subvertamos às idéias
contagiosas, levianas, mentirosas que nos afluem diariamente.
A missão de orientar o homem, em processos de superação e fazê-lo conquistar o
domínio consciente das possibilidades é o que pretende a Logosofia.
Abaixo alguns dos objetivos da mesma, traduzidos em obras publicadas:

A Evolução Consciente do Homem;


O conhecimento de si mesmo;
A integração do espírito;
Conhecimento das leis universais;
Conhecimento do mundo mental
A edificação de uma nova vida e de um destino Melhor
79

O desenvolvimento e o domínio profundo das funções de estudar, de aprender, de


ensinar, de pensar e de realizar (LOGOSÓFICA, 2017).
Quando temos consciência que não pensamos por nós mesmos, somos conduzidos,
direcionados como se fossemos marionetes, passamos a entender a importância dos
procedimentos logosóficos e a necessidade de uma pedagogia que abra o entendimento de
nossos filhos, desde sua infância e que continue a mostrar à sociedade seu grau de
importância.

9.1 Pedagogia logosófica

O ser humano tem um mundo interno o qual precisa ser desvendado e a Pedagogia
Logosófica faz a narrativa precisa de como o mesmo é constituído, seu funcionamento nas
etapas da vida: infância, adolescência, juventude e idade adulta. Ao utilizá-la, passa a acessar
elementos de inteligência, sensibilidade e a dar mais atenção ao pensar e ao sentir de cada
fase. A mesma trabalha a harmonia dos organismos, físico, psicológico e espiritual.
Este método está em uso em alguns países, inclusive já é utilizado em algumas escolas
logosóficas existentes no Brasil, mas até o final desta pesquisa não se constata o emprego do
mesmo em escolas públicas brasileiras.

Um dos objetivos da Pedagogia Logosófica é favorecer a formação integral do


educando, estimulando e orientando o desenvolvimento da inteligência e da
sensibilidade em todas as fases do processo educativo da criança, do adolescente e
do jovem. Um dos resultados mais importantes da aplicação dessa linha pedagógica
é o desenvolvimento harmônico dos organismos físico, psicológico e espiritual do
indivíduo (LOGOSÓFICA, 2016).

O discernimento e o desenvolvimento da faculdade de pensar por conta própria são


destaques neste conceito educativo o qual incentiva a liberdade para o raciocínio e o tirocínio
desenvolvido pela aprendizagem inclusive significando o espírito.
A valorização da vida, entendendo que a mesma deve ser compartilhada e conduzida
com acerto, sensatez, e que os conviventes devem colaborar ativamente e com consciência
para melhorar a sociedade é visão educativa desta teoria da educação e do ensino.
Entre outros objetivos a pedagogia logosófica conduz os que dela participam à
formação de defesas mentais, segundo Andrade:

A Logosofia assinala que nunca, como nos tempos atuais, foi tão necessário, útil e
instrutivo o conhecimento das defesas mentais que cada indivíduo pode instituir,
para preservar-se dos males que constantemente ameaçam sua integridade física,
moral e espiritual (ANDRADE, 2012; p. 17).
80

É importante que se demonstre a necessidade de o professor ser o exemplo vivo do que


irá transmitir aos alunos, pois não poderá falar de princípios éticos e morais se não os praticar,
aliás, são elementos os quais deverá ter incluídos em seus procedimentos de vida. Exercer
com cautela sua autoridade, entendendo que todos devem ser partícipes no propósito
educacional, o educando, seus pais, e os educadores, a escola como um todo deve estar
envolvida. Saber como administrar o que deve ser corrigido, dialogando sempre, ouvindo com
muita frequência, tomando decisões não coercitivas. Enfim, para transmitir estes
conhecimentos e incluir os alunos no processo o professor deverá se educar antes dentro do
contexto, aprofundar-se no conhecimento dos ditames logosóficos.
81

10. C O N C L U S Ã O

Conclui-se que educadores podem optar por uma música qualquer, mesmo aquela que
não transmita boas informações ao consumidor, para utilizá-la em procedimento educativo,
mas não podem negar a gravidade do problema disfuncional que hoje é constante nos meios
artísticos e sociais que buscam elogiar o conviver com as diferenças. Disfunção, decorrente de
processos educativos estereotipados, alienantes os quais tendem a inverter valores éticos e
morais. Há trabalhos que são anticulturais e têm tendências escusas. Autores nacionais ou
internacionais, que não dão a mínima importância à educação e não medem consequências,
devem ser criticados pelas percepções que precisam ser delineadas e transmitidas no processo
de desenvolvimento sociocultural.
No meio mercadológico, considerando a globalização com a interferência de
empresários, investidores estrangeiros, dentro do nosso país, notamos uma concorrência
desleal e procedimentos que têm tendências a denegrir a cultura nacional utilizando recursos
ilícitos, ímprobos. O exemplo da entrada do funk, de origem norte americana, no mercado
nacional, mostra obviamente a realidade. O ritmo envolvente, sincopado, alimentado pela
insinuação sexual, drogas e libertinagem, letras indecorosas as quais retiram da mulher sua
beleza colocando-a como objeto sexual. O fato de sua influência musical interferir na
produção hormonal, aliciando, alienando, extasiando como fazem as drogas, dá mostras do
potencial musical utilizado para ostentação e enriquecimento dos criadores, infelizmente para
os brasileiros que não são seletivos e para a sociedade como um todo o resultado não é
positivo. Retiram do meio, obras que educam, acrescentam, desenvolvem, trocando por obras
que degeneram, denigrem. Fazendo-se uso de recursos psicológicos de divulgação, como o
martelar constante da propaganda, observado com frequência quando se utiliza a música nas
campanhas eleitorais, onde se vende a imagem do candidato, que normalmente, politicamente,
não corresponde aos anseios populares. Campanhas promocionais de eventos e/ou produtos,
inclusive nas redes sociais, utilizando-se para isto, do princípio básico da repetição do que se
quer vender. Ou mesmo a música pela música deturpando-se a beleza do gênero na
importação ou localizadamente, dentro do país. Trazem para nosso país, e aqui se inclui
brasileiros, trabalhos feitos no exterior impregnando-nos com parte de sua cultura funesta;
priorizam a venda do seu produto aparteando a mostra do que é nosso, ocupando os espaços
de divulgação. Logicamente não podemos nos furtar, diante do processo irrevogável da
globalização, de admitir a vinda do que é bom de outra cultura, enclausuramento não é a
proposta, mas a filtração do que vem.
82

É muito importante que tenhamos consciência do material utilizado e dos processos


alienantes quando o objetivo é educar, estabelecer princípios éticos e morais; o cuidado é
necessário, indispensável, pois se trata de novas gerações que participarão do convívio social
local e mundial, globalizante, e dos futuros gerenciadores do nosso país.
É muito importante que digamos que sabemos quando efetivamente sabemos e que
não sabemos quando ocorrer de não sabermos, não é bom que digamos saber quando não
sabemos e que não sabemos quando verdadeiramente conhecemos, pois é necessário
compartilhar o que é bom e proveitoso.
Trabalhar com segurança o desenvolvimento da nação é obrigação de todos que
dividem o mesmo solo, nacionais ou estrangeiros; nossos filhos, netos, enfim, nossa família e
nós claro, todos, precisamos melhorar a cada dia; a todo o momento podemos e devemos estar
vigilantes, auxiliando no contexto; sem discriminar, estigmatizar, mas, classificando melhor o
que ouvimos, vemos ou fazemos.
Percebemos com clareza a necessidade de alterarmos incisos da Lei 9.394 que
atenderá aos anseios sociais de um melhor desenvolvimento educacional, incluindo
necessariamente a música como conteúdo obrigatório, exclusivo, com professores habilitados,
especializados em todas as escolas da educação básica e nos diversos cursos universitários do
país, pelo fato inegável do beneficio efetivo que a música trás psicofisiologicamente e
espiritualmente, influindo fortemente na formação de personalidades.
A realidade é que precisamos valorizar melhor as ciências sociais como um todo
porquanto não existe ciência exata sem o indivíduo e a importância de uma não exclui a outra.
Todavia o que vemos com frequência é que em momentos de crise econômica, por exemplo,
em nosso país, valoriza-se mais as ciências exatas, as verbas deixam de ser repassadas para as
sociais. Os professores, em especial os de música, precisam ser valorizados no que fazem,
desde sua formação; é inadmissível como vêm tratando todo o ensino no Brasil!
O que temos hoje afinal?
Professores mal remunerados buscando melhorar sua condição social acumulando
empregos, ou seja, trocando a qualidade pela quantidade para obter um pouco de dignidade
social. Escolas com uma péssima educação infantil, o ensino básico pior ainda e quando o
estudante, cidadão, chega à universidade, quando consegue, não traz consigo uma bagagem de
conhecimentos adequada para suprir sua nova etapa de estudos.
Diante das circunstâncias e da crise sócio econômica hora evidenciada no mundo;
mesmo a música contribuindo substancialmente para amenizar as agruras com sua influência
lúdico-educativa, apesar da desvalorização, resta-nos sugerir uma melhor consciência crítica
83

para melhorar a lucidez individual utilizando mais a inteligência por meio de uma Pedagogia
Logosófica em todas as esferas educativas do nosso país.

Sejamos solidários!
Sem corrupção!
84

R E F E R Ê N C IA S :

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GLOSSÁRIO

Alegro [Do it. allegro.] Mús. Advérbio. 1.Viva e alegremente; em andamento animado.
Substantivo masculino. 2.Trecho musical nesse andamento.

Alienado [Do lat. alienatu.] Adjetivo. 1.Cedido, transferido; vendido. 2.V. alheado (3).
3.Louco, doido, desvairado, alheado. 4.Que se encontra no estado de alienação (9).
Substantivo masculino. 5.Aquele que é doido; demente, louco. 6.Aquele que se acha no
estado de alienação (9).

Andante2 [Do it. andante.] Mús. Advérbio. 1.Em andamento moderado, entre adágio e
alegro. Substantivo masculino. 2.Trecho musical nesse andamento. adágio2 [Do it. adagio.]
Mús. Advérbio. 1.Em andamento lento, vagaroso, pausado, entre o largo e o andante.
Substantivo masculino. 2.Esse andamento. 3.Composição musical, ou movimento ou divisão
de uma composição (sonata, concerto, sinfonia, etc.), nesse andamento. [Cf. adagio, do v.
adagiar.] largo1[Do it. largo.] Mús. Substantivo masculino. 1.Andamento largo, pausado.
2.Trecho musical nesse andamento. Andamento [De andar + -mento.] Substantivo masculino.
4.Mús. Grau de velocidade que se imprime à execução de um trecho musical. [Conforme esse
grau, consideram-se três tipos de andamento: lento, moderado e rápido.] [Sin. (pop.), nesta
acepç.: batida.]

Contra-senso [De contra- + senso.] Substantivo masculino. 1.Dito ou fato contrário ao bom
senso; absurdo, disparate, despautério.

Córtex (cs) [Do lat. cortex (nom.).] Substantivo masculino. 1.Biol. Camada externa de todos
os órgãos animais ou vegetais, de estrutura mais ou menos concêntrica; cortiça: córtex
cerebral. [F. paral.: córtice. Pl .: córtices.]

Desenvolvimento de.sen.vol.vi.men.to sm (desenvolver+mento ) 1 Ato ou efeito de


desenvolver. 2 Crescimento ou expansão gradual. 3 Passagem gradual de um estádio inferior a
um estádio mais aperfeiçoado. 4 Adiantamento, progresso. 5 Extensão, prolongamento,
amplitude. 6 Müs Elaboração de um tema, motivo ou ideia musicais por modificações
rítmicas, melódicas ou harmônicas. 7 Mús Parte em que tal elaboração ocorre. 8 Mat
Expressão de uma função qualquer na forma de uma série. 9 Mat Transformação de uma
expressão em outra equivalente, mais extensa, porém mais acessível ao cálculo. D. direito,
Biol: desenvolvimento sem metamorfose.

Diferença substantivo feminino. Característica ou particularidade do que é diferente, do que


é capaz de distinguir uma coisa de outra. Que não possui nem demonstra igualdade;
desprovido de semelhança. Modificação; em que há diversidade ou variedade. Disparidade;
propriedade do que é vário, sortido, múltiplo; qualidade do que é diverso. Desavença;
desprovido de harmonia; sem concordância. Desproporção; sem proporção nem equidade.

Disfunção substantivo feminino [Medicina] Mau funcionamento ou alteração das funções


normais de um órgão. [Por Extensão] Que não funciona corretamente; cuja função se
apresenta prejudicada.

Epistemologia substantivo feminino 1. reflexão geral em torno da natureza, etapas e limites


do conhecimento humano, esp. nas relações que se estabelecem entre o sujeito indagativo e o
objeto inerte, as duas polaridades tradicionais do processo cognitivo; teoria do conhecimento.
90

2. freq. estudo dos postulados, conclusões e métodos dos diferentes ramos do saber científico,
ou das teorias e práticas em geral, avaliadas em sua validade cognitiva, ou descritas em suas
trajetórias evolutivas, seus paradigmas estruturais ou suas relações com a sociedade e a
história; teoria da ciência. (https://www.google.com.br/webhp?sourceid=chrome-
instant&ion=1&espv=2&ie=UTF-8#q=Epistemologia&*)

Ergógrafo [De erg(o)-1 + -grafo.] Substantivo masculino. l.Med. Instrumento com que se
realiza o ergograma. Ergograma [De erg(o)-1 + -grama.] Substantivo masculino. l.Med.
Registro gráfico do trabalho muscular, obtido mediante o uso do ergógrafo.

Ética [Do lat. ethica < gr. ethiké.] Substantivo feminino. l.Filos. Estudo dos juízos de
apreciação referentes à conduta humana suscetível de qualificação do ponto de vista do bem e
do mal, seja relativamente a determinada sociedade, seja de modo absoluto. [Cf. bem (1) e
moral (1).]

Gestaltismo (gues) [Do al. Gestalt, ‘forma’, + -ismo, para traduzir o al. Gestalt Theorie.]
Substantivo masculino. l.Filos. Doutrina relativa a fenômenos psicológicos e biológicos, que
veio a alcançar domínio filosófico, e consiste em considerar esses fenômenos não mais como
soma de elementos por isolar, analisar e dissecar, mas como conjuntos que constituem
unidades autônomas, manifestando uma solidariedade interna e possuindo leis próprias, donde
resulta que o modo de ser de cada elemento depende da estrutura do conjunto e das leis que o
regem, não podendo nenhum dos elementos preexistir ao conjunto; teoria da forma.

Hard rock [õa-"d "a-k] [Ingl.] 1. V. roque pesado.


Iluminismo Substantivo Masculino [Filosofia] Organização (movimento) que, centrado na
intelectualidade, se baseia na utilização da ciência e da razão para indagar os preceitos
filosóficos - de maneira empírica e racional - recusando quaisquer dogmas, principalmente, os
relacionados às doutrinas religiosas e/ou políticas. Psiquiatria. Patologia acrescida de
devaneios e visões de eventos sobrenaturais. Religião. Doutrina de certos místicos, do séc.
XVIII, que se baseava na crença de uma inspiração sobrenatural e de uma verdade religiosa
intrínseca proveniente de Deus. Etimologia (origem da palavra iluminismo): do francês
illuminisme.

Indutor (ô) [Do lat. inductore.] Adjetivo. 1.Que induz, incita, instiga ou sugere. 2.Que
produz indução. Substantivo masculino. 3.Aquele que induz; incitador, instigador, induzidor.

Indução [Do lat. inductione.] Substantivo feminino. 1.Ato ou efeito de induzir. [...]
Indução aristotélica. 1. Lóg. V. indução completa. Indução científica. Lóg. 1. Na tradição
clássica, indução incompleta cuja conclusão, não obstante, é universal e necessária, pois se
estabelece por meio de procedimentos metódicos rigorosos, que levam à descoberta de
relações constantes entre objetos de uma mesma classe ou de classes diferentes; indução
amplificante, indução baconiana. 2. Na lógica formal contemporânea, indução incompleta
caracterizada essencialmente pelo caráter provável da conclusão à qual, não obstante, admite
graus rigorosamente determinados de probabilidade mediante os procedimentos metódicos
(estatísticos) utilizados. Indução completa. 1. Lóg. Raciocínio cuja conclusão é uma
proposição universal e necessária que se estabelece pelo exame de todos os objetos de uma
classe; indução aristotélica, indução formal. Indução formal. 1. Lóg. V. indução completa.
Indução incompleta. 1. Lóg. Raciocínio pelo qual se estabelece uma proposição universal a
partir do exame de alguns dos objetos de uma classe. [V. indução por enumeração e indução
científica.] Indução por enumeração. 1. Lóg. Indução incompleta cuja conclusão é apenas
provável, pois se estabelece a partir do conhecimento parcial e não controlado (transmitido
91

pela tradição, por crença ou fundado em dados circunstanciais) dos objetos de uma classe.
[Cf. indução científica.]

Induzir [Do lat. inducere.] Verbo transitivo direto. l.Causar, inspirar, incutir: induzir medo.
2.Inferir, concluir, deduzir: Analisando diversos fenômenos particulares, o filósofo induz uma
proposição geral. 3.Revestir, guarnecer, indutar. 4.Mover, levar, arrastar: Falava, gritava,
dramatizava, para induzir o auditório. Verbo transitivo direto e indireto. 5.Instigar, incitar,
sugerir, persuadir: Induziu-os ao crime; [...] ó.Mover, levar, arrastar: Os conjurados queriam
induzir o povo ao levante. 7.Fazer cair ou incorrer: “Culpa tivera ela, induzindo em erro tanta
gente.” (Visconde de Taunay, Ao Entardecer, p. 143.) Verbo intransitivo. 8.Praticar a indução
(2): “não analisamos, não deduzimos, não induzimos, não abstraímos, etc. — somos instinto,
somos uma força da natureza.” (João Gaspar Simões, O Mistério da Poesia, pp. 12-13).
[Irreg. Conjug.: v. aduzir.]

Insight [Èlnsajt] [Ingl.] Substantivo masculino. 1.Psicol. Compreensão repentina, em geral


intuitiva, de suas próprias atitudes e comportamentos, de um problema, de uma situação.

Interagir Verbo 1. transitivo indireto e bitransitivo. Exercer ação mútua (com algo),
afetando ou influenciando o desenvolvimento ou a condição um do outro. "alguns genes de
bactérias interagem com os genes de várias plantas" 2. transitivo indireto e intransitivo. Ter
comunicação, diálogo (com outrem) em dada situação (familiar, profissional etc.); comunicar-
se, relacionar-se. "é preciso que a gerência interaja mais com os funcionários"

Interdisciplinar [De inter- + disciplinar.] Adjetivo de dois gêneros. 1.Comum a duas ou


mais disciplinas ou ramos de conhecimento.

Isócrono adjetivo 1. diz-se dos movimentos que se realizam com a mesma duração ou com
intervalos iguais. 2. que tem movimentos isócronos. "as coristas de um filme musical devem
ser rigorosamente i. ao erguer e baixar as pernas"

Mídia 1.Comun. O conjunto dos meios de comunicação, e que inclui, indistintamente,


diferentes veículos, recursos e técnicas, como, p. ex., jornal, rádio, televisão, cinema, outdoor,
página impressa, propaganda, mala-direta, balão inflável, anúncio em site da Internet, etc.
(Dic. Virtual Aurélio Buarque de Holanda Ferreira, 2008).

Moral [Do lat. morale, ‘relativo aos costumes’.] Substantivo feminino. 1.Filos. Conjunto de
regras de conduta consideradas como válidas, quer de modo absoluto para qualquer tempo ou
lugar, quer para grupo ou pessoa determinada. [Cf. amoral (4 e 5) e ética.] 2.Conclusão moral
que se tira de uma obra, de um fato, etc. Substantivo masculino. 3.O conjunto das nossas
faculdades morais; brio, vergonha.

Música mú.si.ca s f (laí musica) 1 Arte e técnica de combinar sons de maneira agradável ao
ouvido. 2 Composição musical. 3 Execução de qualquer peça musical. 4 Conjunto ou
corporação de músicos. 5 Coleção de papéis ou livros em que estão escritas as composições
musicais. 6 Qualquer conjunto de sons. 7 Som agradável; harmonia. 8 Gorjeio. 9 Suavidade,
ternura, doçura. 10 fam Choro, manha. M. absoluta: a que agrada por si mesma, sem
necessidade dos elementos objetivos ou psicológicos do título, texto ou programa. M. chã: o
mesmo que cantochão. M. clássica: a) música escrita por compositores que se caracterizam
pelo classicismo; b) música de acordo com predeterminada forma de arte; música fina; c)
música que não é do gênero popular. M. coral: música cantada ou executada por um coro. M.
das esferas: harmonia etérea que os pitagóricos supunham ser produzida por vibrações das
92

esferas celestes, sobre as quais julgavam moverem-se as estrelas e os planetas. M. de câmara:


peça composta para poucos instrumentos ou vozes. M. de fundo: música que acompanha o
diálogo ou a ação de uma fita de cinema ou drama de rádio ou televisão. M. de pancadaria,
pop: briga generalizada. M. de programa: a que, por meio de elementos instrumentais,
procura descrever um assunto fixado em página literária que vem impressa no programa de
concerto. M. folclórica: a que é anônima, de transmissão oral, antiga, na maioria, e que
constitui o patrimônio comum do povo de uma determinada região. M. gregoriana: o mesmo
que cantochão. M. harmônica: o mesmo que música vocaL M. incidental: peça composta para
ser apresentada na abertura e intervalos da encenação de um trabalho teatral. M. instrumental:
a que deve ser executada por instrumentos. M. pop: música popular, nacional ou estrangeira,
voltada principalmente para o público jovem, com temas alegres ou românticos. M. popular: a
que tem larga difusão entre o povo através do rádio, do disco e da televisão e, geralmente, de
sucesso efêmero. ML profana: a que não se destina a culto religioso. M. pura: o mesmo que
música absoluta. M. rítmica: aquela em que os membros dos períodos que a compõem estão
ordenados com perfeita simetria. M. sacra: as missas e demais composições que têm por
assunto orações, preces e ofícios do culto religioso e que ordinariamente se executam nas
igrejas. M. sagrada: o mesmo que música sacra. M. sertaneja: música originária do interior,
típica dos estados da região Sudeste, executada com instrumentos como a viola. Mais
modernamente, usam-se outros instrumentos, até mesmo eletrônicos (o que é criticado pelos
mais tradicionalistas). M. sinfônica: a que consiste em sinfonias ou em peças para grande
orquestra. M.-tema, Cin, Teat e Telev: peça musical cuja letra ou melodia tem alguma relação
com o enredo ou com o personagem de um filme, espetáculo teatral ou novela. Pi: músicas-
tema e músicas-temas. M. vocal: música composta para ser cantada. Por música: fazer algo de
acordo com as regras.

Musicoterapia 1. Terap. Tratamento de certas doenças mentais pela musica; meloterapia.


(Aurélio Buarque de Holanda)

Neurociência 1.Qualquer das ciências que estudam o funcionamento do sistema nervoso, esp.
o do cérebro.

Nicho [Do it. ant. nicchio, fonte tb. do esp. nicho.] Substantivo masculino. 7.Market.
Segmento restrito do mercado, não atendido pelas ações tradicionais de marketing, e que ger.
oferece novas oportunidades de negócio.

Obnubilar [Do lat. obnubilare, ‘cobrir com uma nuvem’.] Verbo transitivo direto.
1.Obscurecer, escurecer: Os preconceitos obnubilam a visão objetiva dos fatos; “Porque a tal
nível de perfeição haviam chegado os artífices de outrora na reprodução manual de vistas,
cenas ou figuras, que o prestígio da sua arte obnubilou o juízo e o critério dos homens” (Léu
Vaz, Páginas Vadias, pp. 169-170). 2.Med. Produzir obnubilação em. Verbo pronominal.
3.Pôr-se em trevas; obscurecer-se.
Obnubilação [Do lat. tard. obnubilatione.] Substantivo feminino. 1.Med. Perturbação da
consciência, caracterizada por obscurecimento e lentidão do pensamento.

Persuadir [Do lat. persuadere.] Verbo transitivo direto e indireto.


1.Levar a crer ou a aceitar:
“Uma ocasião, ardendo ele em febre, a mulher o persuadiu de que estava perfeitamente bom”
(José de Alencar, Sonhos d ’Ouro, p. 176).
2.Decidir (a fazer algo); convencer; induzir:
[ .]
93

3.Mover, induzir, aconselhar:


Persuadiu os rebeldes à rendição.
4.Fazer adquirir certeza; obrigar a convencer-se:
Os últimos acontecimentos persuadiram o governo do estado de calamidade.
Verbo transitivo direto.
5.Dispor a fazer, a praticar; decidir, determinar:
A prática religiosa nem sempre persuade o bem.
6.Determinar a vondade de; convencer:
Ninguém conseguiu persuadir o teimoso.
7.Mostrar a conveniência de; aconselhar, indicar; apontar:
Os conselheiros persuadiram a assinatura da paz.
Verbo intransitivo.
8.Levar o convencimento ao ânimo de alguém; induzir à persuasão; convencer:
O arrazoado não persuadiu.
Verbo pronominal.
9.Adquirir persuasão ou convicção; convencer-se:
“Persuadira-se de que já estava condenado ao inferno” (Inglês de Sousa, O Missionário, p.
65).
10.Mostrar-se pronto ou disposto; decidir-se, resolver-se:
A viúva não se persuadiu a casar de novo.
11.Estar ciente; formar juízo; tomar conhecimento:
Os réus devem persuadir-se do processo. [Antôn.: dissuadir.]

P rioridade substantivo feminino 1. condição do que é o primeiro em tempo, ordem,


dignidade. 2. possibilidade legal de passar à frente dos outros; preferência, primazia. "idosos,
deficientes físicos e gestantes têm p. no atendimento"

Psique A alma, o espírito, a mente.

Razão [Do lat. ratione.] Substantivo feminino. 1.Faculdade que tem o ser humano de avaliar,
julgar, ponderar idéias universais; raciocínio, juízo. 2.Faculdade que tem o homem de
estabelecer relações lógicas, de conhecer, de compreender, de raciocinar; raciocínio,
inteligência. 3.Bom senso; juízo; prudência:

Vegetativos 5.Fisiol. Que funciona involuntariamente ou inconscientemente. ~ V. sistema


nervoso — e vida —a.
94

APÊNDICES
95

Apêndice 1 - Reportagem

Edição do dia 01/09/2015


02/09/2015 01h49 - Atualizado em 02/09/2015 02h00
Adolescentes engravidam em bailes funk dominados pelo tráfico em SP
Garotas de 15 e 16 anos vivem o drama de engravidar durante pancadões.
Elas são parte de grupos de menores, que bebem, fazem sexo e usam droga.

Patrícia Falcoski e William Santos - São Paulo, SP

Repórter: Foi assim: conheceu, ficou, engravidou?

Adolescente: Conheceu, ficou, engravidou. Só que naquele dia eu tinha bebido, aí eu vi o


menino, aí eu falei: ai, amiga, eu quero ficar com aquele menino. Aí as amigas: vamos lá que
eu arranjo para você. Aí eu fui ficar com ele.

Repórter: Aí rolou?

Adolescente: Aí rolou. Aí nessa veio minha filha.


Veio a filha, mas não o pai.

Repórter: Ele não assumiu?

Adolescente: Ele não assumiu. Falou que não era filha dele. E eu cheguei a falar que eu fazia
DNA, que eu provava que era filha dele. Ele falou: “Não, não vou registrar” . Eu falei: “Está
bom. Eu pego minha filha e registro” .

Essa adolescente é uma das muitas meninas que engravidam nos bailes funk no estado
de São Paulo.
“Nós tivemos, de 10 a 14 anos, 3,4 mil meninas que foram mães. Mães que
registraram os seus bebês. Então, o nosso calculo é que 10%, e que são 340, engravidaram no
baile funk. Isso representa uma por dia”, explica Albertina Duarte Takiuti, coordenadora do
programa da adolescência do estado de São Paulo.
Esse número é de 2013. De lá pra cá, a coordenadora do Programa da Adolescência do
Estado de São Paulo resolveu prestar mais atenção nessas meninas e pesquisar quem fica
grávida nos bailes funk.
No mês passado, ela fez um novo levantamento com 96 jovens e adolescentes que
procuraram as casas de apoio. A pergunta era: "O que você pensa sobre ter relação sexual em
bailes funk?"

"O assustador dessa pesquisa é que só 37% condenam o fato de ter uma relação, ou gravidez
no baile funk. Quer dizer, 47% nem acham nem sim nem não", diz Albertina Duarte Takiuti,
coordenadora do programa
Os outros 16% disseram que não veem problema em ter relação sexual nos bailes.
"Então são meninas que precocemente nós precisamos fazer o controle de doenças, desde HIV
até sífilis e que realmente elas precisam ter uma atuação muito rápida”, conta Albertina
Takiuti.
Esses bailes funk, ou fluxos, pancadões, como os jovens chamam normalmente,
acontecem no meio da rua como um que acontece na Zona Leste de São Paulo. Os moradores
contam que tem festa todo fim de semana. E aí tem adultos e também adolescentes. No meio
da curtição, os jovens bebem, usam drogas e muitos fazem sexo na rua mesmo.
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"Você já chega, já olha, já vem um monte de menino atrás de você, já te pedido beijo,
oferecendo bebida para você, mandando entrar dentro do carro para sair. “Já tive caso de estar
olhando muito para o menino. Aí nós ‘ficava’ naquela troca de olhar e nós ‘acabou’ ficando.
A competição é essa: quem fica com mais. A maioria das meninas é tudo assim: 'Você ficou
com um, eu fiquei com dois'. 'Você ficou com dois, eu fiquei com três”, conta a menor.
Um menino passou a adolescência indo para as festas. Ele contou para a equipe de
reportagem que fazer sexo nas festas era comum.

Repórter: Você pensava '"ela pode engravidar"?

Adolescente: Pensava. Eu me prevenia da melhor forma possível. Tinha amigos meus que
geralmente não se prevenia, e ia de qualquer forma, em qualquer ambiente e qualquer lugar.
"Tava" nem aí.

Repórter: E depois?

Adolescente: Depois, bate arrependimento. Só que depois era tarde.

Para a coordenadora do Centro de Referência da Infância e Adolescência da


Universidade Federal de São Paulo, não é só uma questão de arrependimento. Ela acredita que
a gravidez na adolescência pode fazer as jovens perderem o interesse pelos planos, projetos e
sonhos.
“Uma gravidez precoce interrompe um processo de reflexão de si mesma, dos seus
projetos de vida, ela vai ter que trabalhar psiquicamente uma realidade que é muito pesada”,
analisa Vera Zimmerman, psicanalista e coordenadora do Cria (Centro de Referência da
Infância e Adolescência da Unifesp).
Uma adolescente está tentando retomar a rotina que tinha antes de engravidar em um
baile funk. Ela tem 15 anos e uma filha de seis meses. “Eu, mãe, parar de ir para o fluxo, parar
de sair com minhas amigas. Eu fiquei pasma. Para mim, ainda não caiu a ficha, entendeu?”,
conta ela.
Enquanto a ficha não cai, a adolescente vai aprendendo a ser mãe e pai ao mesmo
tempo.

Repórter: E ele ainda não assumiu a paternidade?

Adolescente: Não ainda assumiu. Ele não conversa comigo.

Repórter: Até outro dia era você brincando e agora você de fato tendo essa
responsabilidade. P Isso pesa? Você pensa em como vai ser a sua vida daqui para frente?

Adolescente: Eu penso, sim. Filho é uma coisa que não pode brincar. Tem que pensar em
trabalhar, cuidar, ter responsabilidade. Quando você tem filho você tem que ter
responsabilidade.
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Apêndice 2 - Formulário de Entrevista

ENQUETE

Objetiva esta enquete atender à pesquisa para elaboração de monografia de conclusão


do Curso de Licenciatura em Música cujo tema é: A influência musical no corpo e na mente:
o pensamento crítico.

1. Você acha que o Curso de Licenciatura em Música, dado pela Universidade Federal
do Maranhão, satisfaz sua expectativa a qual existia antes de efetivamente fazê-lo?
Sim Não Porquê?
2. O número de professores existentes no Curso é satisfatório?
Sim Não Porquê?
3. As disciplinas lecionadas são suficientes para o devido preparo de um professor de
música?
Sim Não Porquê?
4. Além das disciplinas curriculares você sugeriria outras que pudessem melhor preparar
o professor?
5. O que acha da ideia de ter a música lecionada em todos os Cursos universitários, tanto
na Área de humanas, como de Exatas, Biológicas, enfim, todas!
6. Você acha que a música influi no comportamento humano, em seu corpo, sua mente,
apenas de maneira positiva ou existem aspectos negativos?
7. As disciplinas dadas atualmente no Curso, em sua opinião, deixam o professor
suficientemente informado dos perigos ocasionais patrocinados pelo mau uso da
música?
8. que você acha do efeito Mozart?
9. A Lei de Diretrizes e Bases n° 9394, de 20 de Dezembro de 1996, manifesta-se com
referência ao ensino da música apenas na educação básica, sem a “formação
continuada”, você acha que poderia ser modificada? Como?
10. A música deveria ser disciplina obrigatória e exclusiva no currículo da educação
básica ou deve ser mantida como “obrigatória, mas, não exclusiva”, permanecendo
como uma extensão da Arte?
11. O que você acha do professor polivalente dando, na educação básica, aulas de música
e/ou professor de música dando aulas de química, biologia, ou outra disciplina
qualquer de Arte mesmo, tipo artes visuais? Porquê?
12. Os músicos, artistas de hoje são respeitados em sua profissão ou ainda permanecem
sendo vistos como alcoólatras, drogados, antissociais, têm sua profissão reconhecida e
recompensada, como as demais profissões; exemplo: médicos, advogados,
engenheiros?
13. Você acredita que a música tem evoluído ao longo dos anos? Você fala de quantos
anos aproximadamente?
13.1 Em que aspecto?
13.2 O que você apontaria como principal causa?

Obrigado por colaborar.


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Apêndice 3 - Autorização.

TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO

Prezado (a) participante:

Você está sendo convidado (a) como voluntário (a) a participar da pesquisa: A
Influência musical no corpo e na mente: o pensamento crítico.

O objetivo deste estudo consiste em investigar as possíveis influências (benéficas ou


maléficas) exercidas pela obra musical sobre o corpo e a mente dos indivíduos, bem como
questionar quanto à proteção que as pessoas têm ao fazerem uso do pensamento crítico.

A pesquisa se justifica pela possibilidade de a música causar desajustes sociais,


quando utilizada apenas com fins lucrativos, sem o viés da preocupação ética e moral;
considerando também que a censura restringe-se ao indivíduo e que, apesar de a mesma alocar
fatores positivos para o crescimento individual, quando bem conduzida, quando não, traz
consigo vestígios de desvios mentais semelhantes aos causados por drogas alucinantes.

A Metodologia adotada contará com a aplicação de questionário aos alunos e


professores do Curso de Música da Universidade Federal do Maranhão - UFMA,
contemplando questões que pretendem alcançar o objetivo elencado para o estudo. A
população deste estudo foi determinada pelo critério de amostragem não-probabilística, de
alunos que frequentam o Curso de Música da Universidade Federal do Maranhão/Campus
“Cidade Universitária Dom Delgado”, em São Luís-MA.

Prevemos que esta pesquisa não acarretará nenhum tipo de desconforto ou risco
significativo, comprometendo apenas um pequeno intervalo do tempo disponível dos
participantes para colaborarem com a investigação pretendida. O (a) Sr (a) poderá sentir
também certo desconforto em compartilhar um pouco das suas informações pessoais ou
confidenciais e que tenha receio do vazamento das informações, porém as informações desta
pesquisa serão confidencias, e serão divulgadas apenas em eventos ou publicações científicas,
não havendo identificação dos voluntários, sendo assegurado total sigilo sobre sua
participação.

Mesmo não tendo benefícios diretos em participar, indiretamente você estará


contribuindo para a produção de conhecimento científico acerca da utilização da música para
fins educativos, composicionais e comerciais.

Quaisquer dúvidas relativas à pesquisa poderão ser esclarecidas pelo pesquisador:


Sebastião Carnégie Bacelar Nunes de Carvalho - Contato: (98) 98138-6988, Email:
carnegi ebacelar@hotmai l.
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Consentimento Livre e Esclarecido

Declaro que entendi os objetivos, riscos e benefícios de minha participação na


pesquisa, e que concordo em participar desse estudo. Recebi uma cópia deste termo de
consentimento livre e esclarecido e me foi dada a oportunidade de ler e esclarecer as minhas
dúvidas.

Nome e Assinatura do Participante

Declaro que forneci ao participante todas as informações referentes à pesquisa a ser


desenvolvida.

Pesquisador(a) responsável

São Luís - M A ,_____ /_____________/

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