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19/01/2018 Mises Brasil - Consumidores não provocam recessões

Consumidores não provocam recessões

economia

Robert P. Murphy domingo, 16 nov 2008

Há pelo menos uma coisa extremamente positiva nas colunas de Paul Krugman no The New York
Times: quando um economista austríaco quiser explicar para alguém como a ciência econômica
convencional causa destruição em massa, ele poderá sempre contar com Krugman, que
inevitavelmente estará fornecendo um exemplo de maneira clara e concisa. Isso é ótimo porque nos
poupa muito trabalho, já que não precisaremos primeiro descrever a argumentação para depois
derrubá-la.

Até mesmo o leitor ocasional da imprensa financeira sabe que ela é dominada pelo pensamento
keynesiano "do lado da demanda". Por exemplo, ainda no início do ano, durante o debate sobre o
pacote de estímulo do governo americano — aquele que consistia na devolução de parte do dinheiro de
impostos para que os cidadãos pudessem gastar mais —, a principal preocupação dos keynesianos e
monetaristas era que os contribuintes resolvessem utilizar parte desse reembolso para pagar as faturas
do cartão de crédito, ao invés de torrarem tudo nos shopping centers, como esses economistas
queriam. Porem, ao leitor nunca foi dada uma explicação meticulosa e clara da visão de mundo que
gera essas noções malucas.

Entra em cena Paul Krugman. Em um recente artigo, "Quando os Consumidores se Rendem", o mais
recente ganhador do Nobel finalmente esclarece qual a metodologia por trás dessa loucura. Vamos
então aproveitar essa oportunidade para mostrar por que esse foco no gasto do consumidor não só é
errôneo, como também é totalmente perigoso.

"O paradoxo da poupança"

Krugman primeiro nos informa das (supostamente) más notícias: "A capitulação dos consumidores
americanos, há muito temida, enfim chegou... [O] gasto real com consumo caiu a uma taxa anual de
3,1 por cento no último trimestre; o gasto real em bens duráveis (coisas como carros e TVs) caiu a
uma taxa anual de 14 por cento".

Paremos aqui por um momento. Muitos economistas de esquerda —inclusive Krugman — viviam nos
avisando, durante anos, que o déficit comercial americano estava muito alto, e que a taxa de
poupança do país estava muito baixa. Portanto, seria o caso de alguém pensar que uma queda nos
gastos com consumo seria uma coisa boa. Bem, parece que não funciona bem assim: Krugman nos
informa que "o momento escolhido para essa nova sobriedade foi completamente infeliz.... Os

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consumidores estão cortando gastos exatamente quando a economia americana caiu numa armadilha
da liquidez".

E agora vem a teoria por trás de todas essas ponderações. De acordo com Krugman,

[U]m dos pontos altos do semestre, se você é um professor de macroeconomia


introdutória, ocorre quando você explica como a virtude individual pode ser um vício
público; como que as tentativas dos consumidores de fazer a coisa certa — ou seja, poupar
mais — pode acabar fazendo com que todos piorem. A questão é que se os consumidores
cortam seus gastos, e nada entra para substituir esses gastos, a economia irá cair numa
recessão, reduzindo a renda de cada um.
Na realidade, a renda dos consumidores pode até cair mais do que seus gastos, o que
significa, portanto, que sua tentativa de poupar foi um tiro que saiu pela culatra — uma
possibilidade conhecida como o paradoxo da poupança.
Por onde começar?

A questão mais central da ciência econômica — voltando a uma época ainda anterior à metáfora de
Adam Smith sobre a "mão invisível", a pelo menos até o livro de Bernard Mandeville, a Fábula das
Abelhas, de 1732 — é que, em um sistema baseado na propriedade privada, os vícios privados podem
ser aproveitados em benefício de todo o público. Mais especificamente, uma economia de mercado faz
com que os gananciosos homens de negócio tenham de ficar acordados a noite toda pensando num
jeito melhor de satisfazer seus clientes.

Além dessa verdade (que foi descoberta recentemente (em termos relativos) na história humana), as
pessoas sempre souberam que um indivíduo sábio se abstém do consumo quando quer acumular
poupança. A razão por que os humanos do século XXI são tão fantasticamente ricos comparados
àqueles do século XI não é meramente por uma questão de inovação tecnológica. É também o
resultado do crescente estoque de máquinas, ferramentas e equipamentos (isto é, "bens de capital")
que veio sendo transmitido de geração para geração. "Todo mundo sabe" que a parcimônia leva à
prosperidade, ao passo que a gastança pródiga leva à ruína. Há até uma passagem famosa na Bíblia
sobre esse tópico.

É verdadeiramente chocante saber que Krugman não apenas ensina a seus alunos o exato oposto — a
saber, que as virtudes privadas geram vícios públicos, e que poupar empobrece a todos da comunidade
—, mas também se regozija com a sua demonstração. Felizmente para o bem da sanidade, é muito
fácil expor suas falácias.

O enganoso modelo do "fluxo circular"

De forma resumida, o problema com a análise keynesiana de Krugman é que ela é estática, o que
significa que ela não leva em consideração a passagem do tempo, e consequentemente é incapaz de
abordar a estrutura do capital de uma economia moderna. O "diagrama do fluxo circular" ilustra a
maneira como Krugman vê a economia:

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Assim, durante uma recessão, Krugman acha que (por alguma razão) os consumidores ficam
esquisitos, perdem o bom senso e começam a gastar menos. Isso reduz as receitas obtidas pelas
empresas com a venda de bens e serviços. E isso significa que as empresas passam a ter menos
dinheiro para gastar com fatores de produção (recursos naturais, horas de trabalho e bens de capital).
Isso significa que a renda obtida pelos proprietários desses itens — isto é, por todos na economia —
inevitavelmente cai. E com uma renda menor, as pessoas — em seus papéis de consumidores — não
podem mais gastar com bens e serviços da maneira como gastavam antes, o que faz com que as
receitas das empresas caiam ainda mais. E por aí vai até que a economia de mercado se afunde em
uma grande depressão. Repetindo: Krugman acredita que o livre mercado não é capaz de resolver esse
problema porque os indivíduos racionalmente reagem ao início de uma crise aumentando seu efetivo
em caixa (isto é, eles passam a poupar mais, retendo mais o dinheiro que possuem), o que só faz
piorar a crise.

De acordo com Krugman, para a economia sair desse círculo vicioso, o governo deve persuadir os
consumidores a voltar a gastar mais. Para atingir esse intento, o governo pode cortar a taxa de juros
ou fazer programas de devolução de dinheiro de impostos. Mas, algumas vezes (como na atual
situação), esses remédios são insuficientes, e então passa a ser função dos políticos virarem adultos e
começarem a gastar dezenas de bilhões de dinheiro emprestado. Apenas isso poderá dar um Ctrl-Alt-
Del na economia, que voltará a ter um crescimento sustentável.

Há tantas falhas e falácias nesse pensamento krugmaniano que é difícil saber por onde começar.
Primeiramente, se a gastança estatal pode turbinar as receitas de todas as empresas, o que fará
aumentar a renda nacional, o que irá permitir mais expansões dos negócios, etc. etc., então por que
utilizar essa técnica apenas durante recessões? Por que não recomendar que o governo esteja
sempre praticando déficits orçamentários, para assim poder criar empregos e aumentar o PIB?

"Bem", diriam os keynesianos, "em uma situação de pleno emprego, um estímulo à demanda agregada
não faria com que as empresas contratassem mais trabalhadores. Uma nova demanda por produtos ou
serviços a essa altura serviria apenas para aumentar os preços, e não para aumentar o produto real".

Ah, agora estamos chegando a algum lugar. Com toda essa conversa sobre gastos do consumidor e
renda nacional, havíamos nos esquecido de que a produção deve ocorrer antes de as pessoas poderem
consumir alguma coisa. Não importa quantas cédulas de dinheiro haja na sua carteira, você não pode
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"demandar" um aparelho de TV a menos que a loja de fato tenha uma unidade na prateleira.
Retrocedendo uma etapa, não importa quantos consumidores estejam fazendo fila na porta da loja, o
gerente só poderá abastecer suas prateleiras com aparelhos de TV se o fabricante já as tiver produzido
anteriormente. E, é claro, o fabricante só poderá atingir esse objetivo se ele encontrar mão-de-obra
suficiente, bem como os componentes necessários para se fabricar as TVs. E isso independe da
quantidade de dinheiro que o gerente da loja lhe ofereça. Cédulas de dinheiro, por si só, não criam os
insumos — e nem a qualificação — necessários para a fabricação de bens de capital.

Agora podemos ver por que o diagrama de fluxo circular acima é um modelo bem enganador da
economia. Ele nos faz pensar que a produção de bens de consumo final pode imediatamente aumentar
e cair de acordo com o "gasto". Essa estrutura seria válida caso não houvesse bens de capital, o que
significa que todos os bens de consumo e serviços seriam produzidos imediatamente, como se os
trabalhadores fossem capazes de pegar os bens da natureza e os transformar imediatamente em bens
de consumo final.

Por exemplo, em uma economia composta de massagistas e malabaristas, o diagrama do fluxo circular
poderia ser útil. Se alguém quisesse uma massagem e tivesse o dinheiro, o massagista poderia
prontamente iniciar o trabalho. A única restrição física sobre a produção do "setor massagista" seria o
número de massagistas e o fato de que eles precisam dormir em algum momento. Além do insumo
"mão-de-obra", o único outro item envolvido é uma mesa de massagem, mas a mesma mesa pode ser
utilizada na produção de milhares de massagens antes de precisar ser trocada.

Mas as coisas são diferentes com a maioria dos bens e serviços produzidos em uma economia
moderna. Em quase todos os setores, os trabalhadores se apresentam no local de trabalho e utilizam
ferramentas e equipamentos que ampliam enormemente sua produtividade. Ademais, a esmagadora
maioria dos trabalhadores não utiliza suas ferramentas diretamente nos recursos naturais em estado
bruto. Ao invés disso, eles utilizam suas ferramentas para transformar os materiais que lhe são
enviados por outras empresas.

Seria interessante retroceder uma etapa e considerar o


que acontece diariamente no mercado mundial. Há
bilhões de seres humanos espalhados pelo planeta.
Alguns trabalham em plataformas de petróleo, extraindo
vários barris da commodity. Outros trabalham na
agricultura, plantando e colhendo trigo. Outros mais
trabalham em navios petroleiros ou dirigem carretas,
transportando as matérias primas (ou os produtos já
acabados) para os mais diferentes lugares. Como
consumidores, vemos apenas a ponta final de uma
estrutura de produção que pode ter começado muitos
anos antes. Os bens finais que você compra na loja são
feitos de componentes que provavelmente passaram
por várias mãos diferentes, em dezenas de países,
antes de tudo ser combinado num só item que você
coloca no seu carrinho de supermercado.
Uma vez que entendemos a assombrosa complexidade
do verdadeiro "problema econômico" — como que toda
essa entrelaçada atividade humana é coordenada de
modo a fazer a produção fluir suave e previsivelmente
—, podemos ver a absurdidade das receitas keynesianas
que exigem gastança pura e simples. Durante uma
recessão, não é verdade que toda a produção
em todos os setores irá cair exatamente na mesma Há tantas falhas e falácias nesse pensamento
percentagem. Pelo contrário, alguns setores encolhem krugmaniano que é difícil saber por onde
mais do que outros. Isso ocorre porque alguns setores começar.
sofreram prejuízos enormes e precisam liberar uma
parte (ou o todo) de seus trabalhadores e recursos para
setores mais lucrativos. Esse rearranjo leva tempo, principalmente porque alguns bens intermediários
críticos precisam ser produzidos para que as operações mais ao final da estrutura de produção possam
recomeçar. (Nesse artigo, eu conto uma rápida história descrevendo esse processo para uma hipotética
ilha de 100 pessoas.)

Os keynesianos estão certos quando dizem que, em uma situação de "pleno emprego", suas propostas
não farão com que sejam construídas mais TVs e mais caminhões para desafogar a linha de montagem.
Mas mesmo em uma situação de desemprego maciço, as soluções keynesianas não ajudam. Para

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enfatizar: simplesmente não é possívelaumentar do nada a atividade de todos os setores em, digamos,
1%, de modo a elevar o produto novamente aos níveis pré-recessão; isso é fisicamente impossível,
pois, não importa quanto dinheiro os consumidores joguem na economia, a Ford só vai conseguir
produzir 1.000 Rangers a mais se ela comprar 4.000 pneus específicos a mais. E o produtor de pneus,
por sua vez, só será capaz de atender as encomendas da Ford se puder comprar a quantidade
necessária de borracha extra. E o produtor de borracha só vai atender as encomendas se.... e por aí
vai.

Quando a recessão é resultado de um boom artificial induzido pelo banco central (como ocorreu na
recente bolha imobiliária), o declínio econômico é um período de reajustamento, que é quando os
recursos que foram mal alocados são canalizados de volta para usos mais apropriados, consistentes
com as preferências do consumidor e com a realidade tecnológica. Quando o governo intervém,
tentando impedir esse reajustamento, ele acaba simplesmente mantendo essa distribuição
insustentável dos recursos escassos. Os gargalos passam a ser freqüentes nas milhões de diferentes
estruturas por onde "escorre" o fluxo de recursos naturais, que vão desde inúmeras mãos de
trabalhadores até as prateleiras das lojas.

Não há nada de paradoxal quanto à poupança

Para finalizar, seria útil esclarecer exatamente o que acontece em uma economia de mercado quando
os consumidores decidem poupar mais da sua renda. A primeira coisa a ser percebida é que as pessoas
não decidem se vão "gastar" ou não; elas decidem se vão gastar no presente ou no futuro. Por
exemplo, imagine que milhares de casais vivendo em uma grande cidade decidam, num belo dia, parar
com suas saídas semanais para jantar em restaurantes com o intuito de poupar dinheiro para um
cruzeiro de verão. À primeira vista, parece que isso iria afetar a economia. Afinal, os restaurantes locais
irão ver suas vendas caírem, o que fará com que eles comprem menos itens de seus fornecedores e
demitam alguns empregados. Os fornecedores e trabalhadores, consequentemente, terão menos renda
pra gastar, o que afetará as vendas em outros setores também.

Entretanto, desde que os empreendedores envolvidos na indústria de cruzeiros navais antecipem o


eventual aumento na demanda por seus serviços, eles irão contrabalancear exatamente os efeitos
citados acima ao contratarem mais trabalhadores e outros itens para se prepararem para os atarefados
meses de verão. A nova poupança acumulada (que antes era gasta em restaurantes) leva a uma
diminuição da taxa de juros, o que talvez permita às operadoras de cruzeiros contraírem mais
empréstimos para pagar por um navio adicional. Portanto, a decisão de poupar mais não reduziu a
renda ou o emprego total, uma vez que todos se ajustaram aos novos padrões de gastos. E não seria
diferente em qualquer outro cenário, como um em que milhares de pessoas se tornam adeptas de uma
vida saudável e decidem gastar seu dinheiro em vegetais ao invés de em fast food.

Por outro lado, é verdade que, nas circunstâncias do atual pânico financeiro, os gastos com consumo
caíram por causa do temor e da insegurança, e não por causa de alguma alteração fundamental
notiming do consumo. Mas, ainda assim, a questão permanece a mesma: as pessoas reduzem o atual
nível de consumo com a intenção de poderem "gastar dinheiro" no futuro. A diferença entre a nossa
atual situação e a história do cruzeiro relatada acima é apenas que as pessoas nesse momento não
estão muito certas sobre quando, e nem com o quê, irão gastar essa poupança extra.

Todavia, a melhor solução ainda é impedir o governo de se intrometer e deixar que as pessoas
encontrem a solução dos problemas voluntariamente. A incerteza não é falsa; as pessoas
realmente nãosabem o que irá acontecer no mês seguinte. Nessa situação, é totalmente apropriado que
a economia pare de produzir tantos iPods e outros objetos afins, permitindo que haja um acúmulo
temporário dos recursos utilizados na produção desses itens não essenciais.

O que é especialmente irônico em tudo isso é que, mesmo em seus próprios termos, as recomendações
de Krugman não fazem sentido. Quer dizer, mesmo se ignorarmos todos os reais ajustes físicos que
devem acontecer para se reformar a economia à luz do insustentável boom imobiliário, ainda seria o
caso de se defender que o governo não faça nada. Se a atual crise de fato fosse, em grande medida, o
resultado de um pânico irracional e de um entesouramento, então um ativismo governamental iria
apenas deixar as pessoas mais incertas sobre o futuro. Em particular, ninguém faz qualquer idéia do
que a dupla Paulson & Bernanke irá anunciar amanhã em relação a empresas financeiras e hipotecas.
Se a intenção é tranqüilizar os consumidores de que tudo está normal, por que querer ressuscitar as
ferramentas do manual de estratégias do New Deal?

Há mais uma contradição que deveríamos mencionar. A essência do paradoxo da poupança e da


armadilha da liquidez é a percepção de que as empresas não irão expandir suas operações se não
houver demanda para seus produtos. Mas se Krugman e outros keynesianos são capazes de ver que a

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interrupção do consumo é apenas temporária, então os empresários do setor também o são. E para
aqueles setores em que a interrupção dos gastos não é temporária — por exemplo, construtores da
casas atualmente estão tendo vendas muito baixas, e isso não se deve a um entesouramento irracional
da parte dos consumidores —, então os gastos do governo com o intuito de "preencher o vazio"
somente irão deturpar as coisas ainda mais.

Uma produção sustentável de longo prazo é aquela em que os produtos das empresas emergem do
fluxo de produção exatamente quando os consumidores querem comprá-los. Os preços de mercado e o
sistema de lucros e prejuízos fornecem a melhor maneira de permitir que os empresários façam essas
previsões. Se o governo começar a comprar, digamos, máquinas de fotocópia, mesmo que não precise
delas, isso pode de fato criar empregos temporários em algumas empresas, mas os proprietários
sabem que não podem confiar nessa demanda porque ela está sujeita a caprichos políticos. Portanto,
os esforços do governo irão apenas confundir os empresários que estão tentando configurar sua
capacidade produtiva para atender a demanda futura.

Conclusão

Em sua discussão sobre o "paradoxo da poupança", Paul Krugman comprova que ele não é um
economista — ou, pelo menos, não é um muito bom. Suas recomendações políticas são baseadas em
um modelo keynesiano em que não se considera o tempo e nem a estrutura do capital de uma
produção. As recessões são, na realidade, causadas por desarranjos nessa estrutura inacreditavelmente
complexa — desarranjos esses causados pela intervenção governamental, principalmente na área
monetária —, e é necessário haver um período de produção abaixo do normal para que essa estrutura
se conserte a si própria. E o que é mais importante: os consumidores estão fazendo a coisa certa
quando aumentam sua poupança durante uma recessão. Se acabar com uma recessão fosse tão
simples quanto colocar as pessoas para gastar, então recessões não seriam algo tão recorrente.

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