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1 - Instalações Prediais de Água Fria

1.1 – Consumo diário


O consumo diário do edifício é calculado através da fórmula:
Cd  Cp  n
Onde:
Cd = consumo diário n = número de ocupantes
Cp = consumo per capita -

 Para edifício residencial, temos Cp = 200 L/hab.dia;


 Admitindo duas pessoas por quarto, temos (para 10 apartamentos): n =
10x3(quartos por apartamento) = 30 pessoas;

Assim:

Cd  200  30  6000 L/dia = 6 m³/dia

1.2 – Ramal Predial


a) Premissas:
 Admite-se que o abastecimento da rede seja contínuo;
 A vazão é suficiente para suprir o consumo diário por 24 horas (apesar do
consumo dos aparelhos variar ao longo deste período)
b) Definições e fórmulas

Cd
Qmín 
86400

Onde:

Cd = consumo diário (L)

Qmín = vazão mínima (L/s)

24 horas = 86400 segundos

6000
Qmín   0,069 L/s
86400

 Das fórmulas fundamentais da Hidráulica, têm-se:


  D2
Q  A V  V
4

4  Qmín
Dmín 
 V

 Adota-se velocidade na faixa: 0,60 m/s < V < 1,0 m/s.

4  0,000069
Dmín   0,010 m
  0,8

D = 20 mm

1.3 – Alimentador Predial


 O dimensionamento é automático adotando-se o valor calculado para o ramal
predial.

Vazão do Alimentador Predial para edifícios de Apartamentos


Nº de Quartos Nº de Quartos de empregada L/pessoa Cd (L) Qmín (L/s)
30 0 200 6000 0,069

1.4 – Reservatórios
Reservatórios
Reservação % Reservação Reservatório Sup (m³) Reservatório inf (m³)
Cd(L/s)
(2xCd – m³) Incêndio Total Incêndio Total Incêndio Total
6000,00 12 20 14,40 1,15 5,76 1,73 8,64

1.4.1 – Distribuição da reservação.


 Como recomendação prática, é adotado um volume total de reservação
dentro do intervalo:

Cd < RT < 3Cd

Será adotado RT = 2Cd + Rincêndio= 12 + 0,2*12 = 14,40 m³.


 Distribuição da reservação:

RS = 0,4RT = 0,4.14,40 = 5,76 m³ = 6,0 m³ (Reservatório Superior)

RI = 0,6RT = 0,6.14,40 = 8,64 m³ = 9,0 m³ (Reservatório Inferior)


1.4.2 – Tubulação de sucção e recalque
 Adotaremos uma vazão horária máxima igual a 20% do consumo diário, ou
seja, a bomba funcionará no máximo 5 horas por dia.
 Para a fixação do diâmetro de recalque, adota-se:

Dr  1,3  Q  4 X

Dr – Diâmetro em metros X – número de horas de funcionamento/24


horas
Q – vazão em m³/s

Podemos também utilizar o ábaco, onde obteremos o mesmo resultado:

Cd 6
Q   1,2 m³/h = 0,33 L/s
T 5
 Entrando com o valor de Q e h= 5 horas, obtemos:

Dr = 0,016 m = 20 mm

A tubulação de sucção deve ter um diâmetro comercial imediatamente superior ao da


tubulação de recalque:

Ds = 25 mm

1.4.3 – Tubulação de Limpeza: Dlimp


 A vazão de dimensionamento da tubulação de limpeza é função direta do tempo
requerido para esvaziamento da câmara ou do reservatório completo, em função do
esquema de operação da instalação sendo que raramente existe necessidade de
consideração de tempo de esvaziamento na limpeza. Nos casos usuais, adora-se como
diâmetro mínimo 32 mm, o qual atende às necessidades.

Dlimp = 32 mm

1.4.4 – Tubulação do extravasor: Dext


 Para a tubulação do extravasor, adota-se um diâmetro comercial imediatamente
superior ao da tubulação de alimentação. Para o reservatório inferior, a tubulação de
alimentação é o próprio Alimentador Predial. Para o reservatório superior a tubulação
de alimentação é a tubulação de recalque.
 Para o reservatório inferior:

Dext = 25 mm (Dalim = 20 mm)

 Para o reservatório superior:

Dext = 25 mm (Dalim = 20 mm)

 A tubulação do aviso, dada a sua finalidade, não necessita ter o mesmo diâmetro do
extravasor, podendo ter um diâmetro menor, mas nunca inferior a 20 mm.

1.5 – Tubulações
1.5.1 – Considerações iniciais
 Pressões:
o Pressão estática máxima: 400 kPa (40 m.c.a)
o Pressão dinâmica mínima: 5 KPa (0,5 m.c.a)
o Pressão dinâmica mínima nos pontos de utilização: não deve ser inferior a 1
m.c.a, com exceção do ponto da caixa de descarga, onde a pressão pode ser
menor, até um mínimo de 0,50 m.c.a.
 Velocidades:
o Não há fixação de velocidades mínimas, mas a velocidade máxima em uma
tubulação não deve exceder a fórmula abaixo e nem a 3,0 m/s (NBR
5626:1998). Essa velocidade máxima tem por finalidade limitar o ruído nas
tubulações, assim como evitar o golpe de aríete.

V  14  D

V – velocidade em m/s

D – diâmetro nominal, em m

 Perdas de carga:
o Neste trabalho, utilizaremos o método de FAIR-WIPPLE-HSIAO, com sua
respectiva fórmula, visto ser apropriado para perdas de carga distribuídas em
tubulações em PVC. Para as perdas de carga localizadas, será utilizada a tabela
de Perda de Carga Localizada, da NBR 5626/98.

J = 0,0008588 Q1,75/ D4,75

1.5.2 – Sub-ramal
DIÂMETROS MÍNIMOS E PESOS DOS SUB-RAMAIS
Diâmetro
Peça de utilização Pesos
DN (mm) ref. (pol.)
Banheira 20 1/2 1
Caixa de descarga 20 1/2 0,3
Chuveiro ou ducha 20 1/2 0,4
Filtro de pressão 20 1/2 0,1
Lavatório 20 1/2 0,3
Máquina de lavar roupas 25 3/4 1
Pia de Cozinha 20 1/2 0,7
Tanque de lavar roupas 25 3/4 0,7

1.5.3 – Ramal
 Para o dimensionamento, será utilizado o método do consumo simultâneo provável.

Q  0,30 P
Q – vazão, em L/s

P – soma dos pesos das peças do trecho analisado.

 O dimensionamento é realizado da seguinte maneira:


o Obtêm-se os “pesos” na Tabela de Pesos das Peças de Utilização;
o Somam-se os “pesos” das diversas peças e obtêm-se os “pesos” dos trechos
correspondentes;
o Utiliza-se o Nanograma de Pesos, Vazões e Diâmetros, o qual correlaciona os
pesos e as vazões prováveis, de modo gráfico, bem como os diâmetros
correspondentes. Observe-se que o nanograma já leva em consideração a
velocidade máxima admitida pela norma.

TABELA 2 - PESOS DAS PEÇAS DE UTILIZAÇÃO

Aparelho sanitário Peças de utilização Vazão de projeto (L/s) Peso Relativo

Caixa de descarga 0,15 0,3


Bacia sanitária
Válvula de descarga 1,70 32
Banheira Misturador (água fria) 0,30 1
Chuveiro ou ducha Misturador (água fria) 0,20 0,4
Chuveiro elétrico Registro de pressão 0,10 0,1
Ducha Higiênica Misturador (água fria) 0,10 0,4
Lavadora de pratos ou de
Registro de pressão 0,30 1
roupas
Lavatório Torneira ou misturador (água fria) 0,15 0,3
Torneira ou misturador (água fria) 0,25 0,7
Pia
Torneira elétrica 0,10 0,1
Tanque Torneira 0,25 0,7
Torneira de jardim ou lavagem
Torneira 0,20 0,4
em geral
1.5.3.1 – Ramais dos banheiros

Ramal WC1=WC2
Aparelhos Pesos
Lavatório 0,3
Caixa de descarga 0,3
Ducha Higiênica 0,4
Chuveiro ou ducha 0,4
Total 1,4
Diâmetro (mm) 20

1.5.3.2 – Ramal da Área de Serviço e Cozinha

Ramal da Área de Serviço Ramal da Cozinha


Aparelhos Pesos Aparelhos Pesos
Tanque de lavar roupas 0,7 Pia de cozinha 0,7
Máquina de Lavar Roupas 1 Total 0,7
Total 1,7 Diâmetro (mm) 20
Diâmetro (mm) 20

 Observe que, apesar de que analisando o somatório de pesos indicar ser suficiente o
diâmetro de 20 mm para o ramal da área de serviço, será utilizado 25 mm, já que é o
diâmetro mínimo para a Máquina de Lavar e o Tanque de lavar roupas.

1.5.4 – Coluna
 O dimensionamento é efetuado trecho a trecho, pelo somatório de pesos.

Coluna AF1
Pesos Vazão Diâmetro
Andar Aparelhos
Acumulados Q (L/s) mínimo DN (mm)
5º Todos 48,4 2,09 50
4º Térreo ao 4º andar 39,0 1,87 40
3º Térreo ao 3º andar 29,6 1,63 40
2º Térreo ao 2º andares 20,2 1,35 40
1º 1º andar e térreo 10,8 0,99 32
Térreo Térreo 1,4 0,35 25

1.5.5 – Barrilete
 O barrilete deve ser calculado com base nas mesmas premissas utilizadas para as
colunas, ou seja, somar os pesos das colunas e calcular o diâmetro do barrilete trecho
a trecho, uniformizando (arredondando) estes diâmetros, para cima, de modo a
facilitar a sua execução.
Neste caso, o barrilete têm a mesma soma de pesos da coluna AF1, ou
seja, seu diâmetro mínimo deve ser de 50 mm.