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EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA VARA JUDICIAL DE BERTIOGA “Um minuto de silêncio

EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA VARA JUDICIAL DE BERTIOGA

“Um minuto de silêncio pela morte da competência em gestão de recursos hídricos”

Ícaro Camargo, audiência pública realizada em 09 de dezembro de 2015, Bertioga.

O MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE SÃO PAULO, pela Promotora de Justiça infra-assinada, integrante do GAEMA- Grupo de Atuação Especial e Defesa do Meio Ambiente da Baixada Santista, no uso de suas atribuições legais (artigo 25, inciso IV, alínea “a” da Lei Federal nº 8.625, de 12 de fevereiro de 1993, e artigo 103, inciso VIII, da Lei Complementar Estadual nº 734, de 26 de novembro de 1993) e constitucionais (artigo 129, inciso III, da

Constituição Federal), vem, perante Vossa Excelência, com substrato no Inquérito Civil 64/15, em trâmite no

Constituição Federal), vem, perante Vossa Excelência, com substrato no Inquérito Civil 64/15, em trâmite no GAEMA - Baixada Santista, e Inquérito Civil nº 08/15, em trâmite perante o GAEMA Cabeceiras, com fulcro da Lei Federal nº 7347 (Lei da Ação Civil Pública), de 24 de julho de 1985, propor AÇÃO CIVIL PÚBLICA AMBIENTAL COM PEDIDO DE TUTELA DE URGÊNCIA em face da COMPANHIA AMBIENTAL DO ESTADO DE SÃO PAULO - CETESB, pessoa jurídica de direito público, CNPJ 43.776.491/0001-70, com sedes na Avenida Professor Frederico Hermann Jr., nº 345, Alto de Pinheiros, Município de São Paulo/SP, e Rua Delfim Moreira, n.º 56, Embaré, CEP 11040- 100, cidade e comarca de Santos/SP, na pessoa de seu representante legal, COMPANHIA DE SANEAMENTO BÁSICO DO ESTADO DE SÃO PAULO SABESP, pessoa jurídica de direito público, CNPJ 43.776.517/0001- 80, a ser citada na pessoa de seu representante legal na Unidade de Negócios da Baixada Santista RS, Av. São Francisco nº 128, Santos/SP, pelos motivos de fato e de direito a seguir expostos:

I PEDIDO DE URGÊNCIA:

Trata-se de licenciamento ambiental do empreendimento “Obras de Aproveitamento da Bacia do Rio Itapanhaú para o Abastecimento da Região Metropolitana de São Paulo, Processo SMA 166/2015, com licença prévia emitida em 02 de agosto de 2016 (LP 2507). O empreendimento, como o próprio nome define, visa a captação de água do rio Itapanhaú para abastecer o Sistema do Alto do Tietê. O órgão licenciador é a CETESB. No entanto, a

necessidade dessa obra é totalmente questionável e os danos para a cidade de Bertioga não

necessidade dessa obra é totalmente questionável e os danos para a cidade de Bertioga não foram avaliados. Tudo será explicado detalhadamente. O parecer do CAEX, anexo nesta inicial, traz relatório minucioso de todas as falhas do licenciamento. Desde já, pedimos licença para transcrever trechos do respectivo parecer.

Hoje, dia 07 de abril de 2017, saiu publicado no Diário Oficial, que o TCCA do Itapanhaú foi aprovado na Câmara de Compensação Ambiental.

GABINETE DO SECRETÁRIO.

CÂMARA DE COMPENSAÇÃO AMBIENTAL

Extratos de termos

Extratos de Termos de Compromisso de Compensação Ambiental TCCA:

Interessado: Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo - Sabesp

CNPJ: ° 43.776.517/0001-80

Empreendimento: Obras de aproveitamento da Bacia do Rio Itapanhaú para abastecimento da Região Metropolitana de São Paulo

Processo SMA 258/2013.

Objeto: cumprimento da compensação ambiental decorrente da implantação do empreendimento acima denominado, nos termos estabelecidos no Processo de

licenciamento ambiental SMA 166/2015 e conforme Parecer Técnico 234/16/IE e Licença Prévia emitida pela Cetesb,

licenciamento ambiental SMA 166/2015 e conforme Parecer Técnico 234/16/IE e Licença Prévia emitida pela Cetesb, que fixou as condicionantes para a emissão da Licença de Instalação.

Termo de Compromisso de Compensação Ambiental celebrado em 17-01-2017.

Assim, a obra será executada e iniciada imediatamente. Portanto, imprescindível a tutela judicial de urgência para não permitir o andamento da presente obra, que visa a transposição do Rio Itapanhaú para abastecer a Região Metropolitana de São Paulo sem a devida análise dos impactos ambientais na região de Bertiga.

Vejamos.

De forma resumida, neste tópico, podemos adiantar: não há avaliação necessária dos impactos negativos para a região, não se considerou o verdadeiro potencial benefício desta obra, não realizaram medidas já previstas que tornariam ainda mais desnecessária essa obra (como redução de perdas físicas, utilização da capacidade máxima da ETA Taiaçupeba associada ao enchimento completo do reservatório Taiaçupeba), sequer mencionaram no EIA sobre a alternativa de não realizarem a obra. Pior, com vários projetos em andamento (obras emergenciais sendo realizadas para o reforço do Sistema Produtor Alto Tietê, reversão de vazões da Bacia Hidrogáfica do Robeirão Guaió para a Bacia do Rio Taiaçupeba, Captação de Água do Rio Guaratuba para Incremento Sazonal na

Represa Ponte Nova do Sistema Alto Tietê), não existiu análise integrada de todos os projetos

Represa Ponte Nova do Sistema Alto Tietê), não existiu análise integrada de todos os projetos para constatar a real necessidade do presente empreendimento milionário. Estima-se que seu valor é de cento e sessenta milhões.

Saliente-se que, embora sejam recursos públicos, o maior prejuízo é o ambiental. Tal empreendimento causará impactos negativos seríssimos, diretos e indiretos, em áreas ambientalmente frágeis, protegidas e importantes nos setores de planalto, cimeira das escarpas e vertentes da Serra do Mar, bem como nos ecossistemas de restinga e mangue no médio e baixo curso do Rio Itapanhaú.

o minuciosamente explicado no parecer do CAEX (documento anexo).

Os

vícios

do

licenciamento

invalidam.

Vale

repetir,

tudo

Além de o órgão ambiental (CETESB) minimizar os danos ambientais numa área extremamente sensível e, por isso, protegida, é questionável, também, a necessidade de tal obra porque existem outras medidas previstas para melhorar o abastecimento do sistema. Como citado acima, o órgão ambiental não avaliou outras medidas previstas, como, por exemplo, a redução das perdas físicas no armazenamento da água e distribuição da água.

Na verdade, a obra foi pensada na década de 60, e o EIA/RIMA também não analisou a mudança de cenário da época. O Estudo de Impacto

Ambiental (EIA) e o Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) apresentam a justificativa do empreendimento a

Ambiental (EIA) e o Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) apresentam a justificativa do empreendimento a partir de um relato histórico sobre a concepção do aporte de água da bacia do Rio Itapanhaú para o abastecimento da RMSP. Segundo esse relato, a possibilidade de aproveitar as porções de montante das bacias dos rios Itapanhaú e Itatinga, situados no setor de planalto da Serra do Mar, na vertente marítima, mediante reversão para a bacia do Alto Tietê foi estudada e incorporada ao Plano Diretor de Obras - HIBRACE na década de 60.

O EIA/RIMA também relata a aprovação da Lei Estadual n o 898/75, que considerou a bacia do Rio Itapanhaú e a bacia do Rio Itatinga até os limites da Região Metropolitana de São Paulo como Áreas de Proteção aos Mananciais de interesse desta região. Os referidos estudos e a aprovação da Lei citada foram realizados num cenário em que se projetavam elevadas e crescentes demandas de água para a RMSP e as restrições ambientais não eram suficientes para a Proteção aos Mananciais.

Tal cenário não foi abordado no EIA/RIMA, da mesma forma que as mudanças posteriores não foram analisadas.

Como destacado no parecer do CAEX, dentre essas mudanças, destaca-se a criação do Parque Estadual da Serra do Mar - PESM (Decreto nº

10.251/1977) com a finalidade de assegurar integral proteção à flora, à fauna, às belezas naturais

10.251/1977) com a finalidade de assegurar integral proteção à flora, à fauna, às belezas naturais, bem como para garantir sua utilização a objetivos educacionais, recreativos e científicos. Além dessa unidade de conservação integral, foram criados: o Parque Estadual da Restinga de Bertioga - PERB (2010); a APA Marinha Litoral Centro - APAMLC (2008) e a Área Natural Tombada da Serra do Mar e de Paranapiacaba (1984).

Outros planos mais recentes foram apontados nesse relato histórico, tais como o Plano Diretor de Abastecimento de Água (PDAA-2004) e o Plano Diretor de Aproveitamento de Recursos Hídricos para a Macrometrópole Paulista (DAEE-2013), que mantiveram o enfoque no aproveitamento de recursos hídricos com a previsão de reversão dos rios Itapanhaú e Itatinga sem a devida consideração das restrições decorrentes dos atributos naturais presentes na área de influência da obra e da legislação ambiental em vigor.

Com a crise de abastecimento da RMSP em 2014 e 2015, a SABESP analisou a possibilidade de, a curto prazo, fazer a reversão da bacia do Rio Itapanhaú para o reservatório Biritiba, de forma a permitir ao Sistema Produtor Alto Tietê - SPAT ampliar sua área de atendimento que, em condições normais, seriam abastecidas somente pelo Cantareira.

Na audiência pública realizada em 08 de dezembro de 2015, a então Secretária Adjunta do Meio Ambiente, Mônica Porto, afirmou que a intenção seria

aumentar a segurança hídrica do Alto Tietê e ampliar as fontes de seu abastecimento, ou

aumentar a segurança hídrica do Alto Tietê e ampliar as fontes de seu abastecimento, ou seja, “ao invés de se encher um balde d’água com uma torneira só, passar a encher o mesmo balde de água com várias torneiras de forma a aumentar a possibilidade de se manter esse balde cheio”.

Excelência, só há um problema. O rio Itapanhaú não é uma torneira. E, caso entenda que possa ser usado como torneira, ele não tem capacidade para encher o balde alheio sem prejudicar a população local. Não só a população seria prejudicada, mas todo o meio ambiente, legalmente protegido.

Lembramos que a Lei do SNUC, Lei 9985/00, no seu artigo 28, proíbe, nas unidades de conservação, quaisquer alterações, atividades ou modalidades de utilização em desacordo com os seus objetivos, o seu Plano de Manejo e seus regulamentos.

E seu decreto regulamentador, Decreto 25341/86 at. 9º e 24,

prevê:

Artigo 9.º - Não são permitidas, dentro das áreas dos Parques

Estaduais, quaisquer obras de barragens, hidrelétricas, de controle

de enchentes, de retificação de leitos, de alteração de margens e

outras atividades que possam alterar suas condições hídricas

naturais.

Parágrafo único – Quaisquer projetos para aproveitamento limitado e local dos recursos hídricos dos Parques

Parágrafo único Quaisquer projetos para aproveitamento limitado e local dos recursos hídricos dos Parques estaduais devem estar condicionados rigorosamente ao objetivo primordial de evitar alterações ou perturbações no equilíbrio do solo, água, flora, fauna e paisagem, restringindo-se ao indicado no seu Plano de Manejo.

Artigo 24º vedada a execução de obras que visem à construção de teleféricos, ferrovias, rodovias, barragens, aquedutos, oleodutos, linhas de transmissão ou outras, que não sejam de interesse do Parque Estadual.

Não há estudos e análises dos efeitos dessa obra sobre as unidades de conservação atingidas. Presentes estão os princípios da precaução e prevenção Excelência, sendo imprescindível a tutela de urgência para não permitir o dano e, só depois, analisar seus impactos e eventuais ações de remediações.

A decisão de tal obra é meramente POLÍTICA, sem embasamentos técnicos e sem preocupação com o meio ambiente e com a sensibilidade da área do empreendimento.

Não há justificativa e estudo adequado para permitir a presente obra. Necessária a tutela jurisdicional para salvar o Rio Itapanhaú e toda a sua área de influência atingida pelo empreendimento, que também foi minimizada.

O Rio Itapanhaú é o principal curso d’água contribuinte do Canal de Bertioga, visto que

O Rio Itapanhaú é o principal curso d’água contribuinte do Canal de Bertioga, visto que os outros rios que deságuam neste canal são pouco extensos e possuem vazões menores, portanto este curso d’água se caracteriza como a principal fonte potencial de sedimentos e nutrientes para o canal de Bertioga .

II- BREVE RELATO DOS FATOS:

Em 2015, chegou ao conhecimento do Ministério Público a notícia sobre o início de licenciamento ambiental junto à CETESB visando à transposição de água da bacia do Rio Itapanhaú para o Sistema da bacia do Rio Alto Tietê.

Assim, iniciou-se a investigação - I.C 08/2015 - perante o GAEMA Núcleo Cabeceiras, no sentido de acompanhar o licenciamento ambiental para o referido empreendimento, bem como apurar eventuais irregularidades e degradação ambiental decorrentes das obras de reforço para o Sistema Produtor Alto Tietê, anunciadas pelo Governo do Estado de São Paulo para enfrentamento da crise hídrica.

Em resposta ao ofício encaminhado, o DAEE Departamento de Águas e Energia Elétrica informou, em 04 de maio de 2015, que foi realizada reunião do Comitê de Bacia Hidrográfica do Alto Tietê, sob o título “Segurança

Hídrica para São Paulo”, que anunciou a realização de obras emergenciais para o reforço do

Hídrica para São Paulo”, que anunciou a realização de obras emergenciais para o reforço do Sistema Produtor Alto Tietê SPART, dentre elas:

a)

Transferência de 0,5 m³/s do Rio Guaratuba: A SABESP protocolou no DAEE, em fevereiro/2015, os requerimentos de Outorga de Autorização de Implantação de Empreendimento referente à ampliação, em 1,0 m³/s, da captação existente no Rio Guaratuba, da vertente marítima, Município de Bertioga, para transposição de vazões para a empresa de Ponte Nova, principal reservatório do SAPT.

b)

Transferência de 0,8 m³/s do Rio Guaió: Foi autorizada a implantação de Empreendimento em caráter emergencial, de captação superficial de vazão média anual de 1,0 m³/s do Ribeirão Guaió, conforme Despacho do Superintendente do DAEE, de 16/03/2015. Essa captação deverá ocorrer somente quando da seção da tomada d’água houver disponibilidade hídrica remanescente, atendidos os demais usos existentes, com a finalidade de transposição de vazões para a represa formada pela barragem de Taiaçupeba, aproveitamento que integra o SPAT.

c)

Transferência de 4,0 m³/s do braço do Rio Grande, do Sistema Billings:

d)

Transferência de 2,4 m³/s dos Rios Itatinga e Itapanhaú:

Instada a prestar esclarecimentos sobre o citado empreendimento, a SABESP, em 06/05/2015, informou que encaminhou pedido de expansão e respectiva outorga junto ao DAEE para realização de obras para reforço ao Sistema Alto Tietê. Quanto às reversões dos Rios Itainga e Itapanhaú, destacou que tratava-se de obras de médio prazo e que estavam sendo realizados

estudos pioneiros. Em setembro de 2015, a SABESP afirmou que os estudos referentes ao aproveitamento

estudos pioneiros.

Em setembro de 2015, a SABESP afirmou que os estudos referentes ao aproveitamento do Rio Itapanhaú para o abastecimento da região metropolitana de São Paulo RMSP estava em fase de desenvolvimento, e não estava disponível ainda o projeto referente à estrutura de captação.

Posterirormente, chegou ao conhecimento deste MPSP, através de convite realizado pelo CONSEMA Conselho Estadual do Meio Ambiente, a realização de duas audiências Públicas nos 08 de dezembro de 2015 e 09 de dezembro de 2015 sobre o EIA/RIMA do empreendimento “Obras de Aproveitamento da Bacia do Rio Itapanhaú, para o abastecimento da Região Metropolitana de São Paulo, de responsabilidade da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo”.

Nesta ocasião foi requisitado à SABESP o envio de uma cópia integral do EIA/RIMA mencionado no convite do CONSEMA. Em resposta, a SABESP acostou aos autos cópia do EIA-RIMA do empreendimento e informou que o citado documento foi protocolado na CETESB (Processo 166/2015) na data de 19/11/15.

Em 21 de janeiro de 2016, o Comitê da Bacia Hidrográfica da

Baixada Santista informou que o EIA/RIMA apresentado pela SABESP, referente ao empreendimento “Obras de Aproveitamento

Baixada Santista informou que o EIA/RIMA apresentado pela SABESP, referente ao empreendimento “Obras de Aproveitamento da Bacia do Rio Itapanhaú”, foi analisado pelas Câmaras Temáticas do Comitê e aguardava discussão em plenário para o dia 11 de fevereiro de 2016.

Posteriormente, a Fundação Florestal encaminhou Informação Técnica AT/DLN 39/2015 referente à análise preliminar do EIA/RIMA do empreendimento. Manifestando-se contrariamente ao empreendimento. Nesta oportunidade, informou que a Fundação Florestal instituiu um Grupo de Trabalho específico para continuidade da análise do empreendimento.

Destaca-se que ao analisar o EIA/RIMA do empreendimento, a

Fundação Florestal conclui que em face não só da insuficiência de informações ambientais imprescindíveis para sustentar a previsão de impactos do EIA, mas também da falta de propostas de ações mitigadoras para muitas das alterações previstas pelo próprio empreendedor, conclui-se que o estudo apresentado deixa de cumprir seu objetivo de avaliar as consequências ambientais da realização das obras, nos termos do projeto, para as Unidades de Conservação afetadas principalmente para o Parque Estadual da Restinga de Bertioga e para a APA marinha do Litoral Centro. Consequentemente, não é possível ter uma avaliação conclusiva

em favor do Projeto. Em que pese o caráter de relevância, emergência e excepcionalidade de

em favor do Projeto. Em que pese o caráter de relevância, emergência e excepcionalidade de que se reveste o Projeto apresentado, essa insuficiência de informações impossibilita também propor que sejam impostas ao empreendedor condicionantes para emissão de Licença Prévia. Nesse sentido, propõe-se que o empreendedor atenda às recomendações do tópico 7.”

Posteriormente, vieram aos autos Parecer UPPH nº 296-2016 emitido pelo CONDEPHAAT Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado, acerca da análise do EIA/RIMA apresentado pela SABESP para realização de obras para o aproveitamento da Bacia do Rio Itapanhaú. Da análise do referido parecer, verifica-se que o EIA/RIMA do projeto para aproveitamento do Rio Itapanhaú foi analisado pelo Conselho do CONDEPHAAT mediante Processo 75262/2015, todavia o pedido de autorização para a intervenção da área tombada foi deferido pelo Secretário de Cultura, que avocou a decisão no referido pedido, após deliberação do Egrégio Colegiado em que restou prejudicado o processo em questão.

Em 14/12/2015, primeiramente o Colegiado do CONDEPHAAT deliberou por 8 votos favoráveis, 8 votos contrários e 2 abstenções o projeto para obras de aproveitamento da bacia do rio Itapanhaú para abastecimento da Região Metropolitana de São Paulo. A senhora presidente manifestou seu voto de

qualidade contrário ao projeto, restando, portanto o processo prejudicado. Todavia, conforme se vê do parecer

qualidade contrário ao projeto, restando, portanto o processo prejudicado.

Todavia, conforme se vê do parecer do CAEX (fls. 24 e seguintes) o Secretário de Cultura Marcelo Mattos Araújo, considerando a paralisação das atividades do colegiado até fevereiro em razão do recesso de fim de ano, bem como da declaração de situação de criticidade hídrica da região do Sistema Produtor do Alto Tietê SPAT, assim como a premência na adoção de medidas concretas de mitigação de crise hídrica que assola o Estado desde 2014 e considerando que autorização para intervenção exarada pelo órgão de defesa do patrimônio cultural é elemento essencial ao licenciamento ambiental de empreendimento de área tombada, AVOCOU a decisão no pedido de autorização para intervenção, apresentado pela SABESP, que tramitou no Processo Condephaat nº 75262/2015, com fundamento jurídico no artigo 19 in fine da Lei estadual nº 10.177/1998 c/c artigo 1º da lei Estadual nº 10.247/1968 e artigo 1º da lei estadual nº 10.774/2001. E assim decidiu “entendendo que as razões ambientais serão exaustivamente examinadas no bojo do competente licenciamento, não vislumbro descaracterização ou desvirtuamento do bem cultural amparado pelo tombamento, defiro o pedido de autorização para intervenção em área tombada apresentado pela SABESP, que tramita no processo CONDEPHAAT nº 75262/2015”.

Posteriormente, no tramitar da investigação, em consulta ao site da SABESP, tomou-se conhecimento acerca da elaboração de relatório complementar ao EIA/RIMA que trata da transposição de água da bacia do Rio

Itapanhaú para o Sistema Produtor Alto Tietê. Nessa toada, foi requisitado aos Técnicos do CAEX

Itapanhaú para o Sistema Produtor Alto Tietê.

Nessa toada, foi requisitado aos Técnicos do CAEX a elaboração de parecer técnico acerca do EIA/RIMA original e sua respectiva complementação.

Nesta Oportunidade, o Ministério Público requisitou à SABESP que comprovasse ter submetido o relatório complementar ao EIA/RIMA à apreciação dos Comitês das Bacias Hidrográficas do Alto Tietê e Baixada Santista, CONDEPHAAT, IPHAN e Fundação Florestal.

O Ministério Público, ainda, com fulcro no art. 6º, inciso XX da lei Complementar 75/93 e parágrafo 1º do art. 113 da lei Complementar nº 734/93, em face dos novos trabalhos apresentados pela SABESP, que trouxeram alterações significativas no projeto sob análise, expediu RECOMENDAÇÃO à CETESB para que o órgão ambiental exigisse a realização de novas audiências públicas para a discussão do assunto, das quais se desse irrestrita publicidade, bem como exigisse que a referida documentação fosse apreciada pelos Comitês das Bacias Hidrográficas do Alto Tietê e Baixada Santista, CONDEPHAAT, IPHAN, Fundação Florestal.

RECOMENDOU também ao Presidente do CONSEMA Secretária de Estado de Meio Ambiente que se abstenha de colocar em votação perante o colegiado a aprovação do projeto de transposição de água da

bacia do Rio Itapanhaú para o Sistema Produtor Alto Tietê de interesse da SABESP, enquanto

bacia do Rio Itapanhaú para o Sistema Produtor Alto Tietê de interesse da SABESP, enquanto não concluído o seu processo de licenciamento e, em especial, em face dos novos trabalhos apresentados pela SABESP, que trouxeram alterações significativas no Projeto de transposição de água da bacia do Rio Itapanhaú.

Ou seja, a fim de se evitar judicializar os fatos, o MPSP recomendou aos órgãos ambientais e ao empreendedor a observância da legislação pertinente.

Nesse interim, o CAEX emitiu Parecer Técnico acerca do EIA/ RIMA do empreendimento, apontando várias insuficiências técnicas e irregularidades.

Em 31 de março de 2016, a SABESP acostou Nota Técnica TE 180316 informando que encaminhou à CETESB o Relatório de Informações Complementares RIC, para instrução do processo de licenciamento ambiental prévio do Aproveitamento da Bacia do Rio Itapanhaú. Destacou ser de competência do órgão ambiental a interação com as demais instituições envolvidas, dentre elas os Comitês de Bacia do Alto Tietê e Baixada Santista, CONDEPHAAT, IPHAN e Fundação Florestal.

Após análise do Parecer Técnico elaborado pelo CAEX, o MPSP

resolveu RECOMENDAR À CETESB, que todas as insuficiências técnicas e irregularidades apontadas no aludido parecer

resolveu RECOMENDAR À CETESB, que todas as insuficiências técnicas e irregularidades apontadas no aludido parecer fossem objeto de exigências, por parte da companhia ambiental, de retificações e/ou complementações por parte do empreendedor para regular andamento do processo de licenciamento em análise. E considerando que as complementações a serem exigidas do empreendedor iriam modificar significativamente o conceito e abrangência do empreendimento, RECOMENDOU-SE, também, que sejam exigidas as realizações de novas audiências públicas, bem como colhidas novas manifestações do IBAMA, CONDEPHAAT, Fundação Florestal e Comitês das Bacias Hidrográficas envolvidas no assunto.

Em resposta à RECOMENDAÇÃO exarada, a CETESB esclareceu que os documentos apresentados para complementação ao Estudo de Impacto Ambiental e o respectivo Relatório de Impacto Ambiental RIMA, detalham aspectos específicos da proposta, não havendo alteração na concepção do projeto. Destacou que “Assim, a caracterização das intervenções que consta do EIA e RIMA permanece exata e, por esta razão, entendemos que não há necessidade de nova apreciação por parte dos Comitês das Bacias Hidrográficas do Alto Tietê e Baixada Santista, CONDEPHAAT e IPHAN. As referidas complementações ao EIA estão em análise na Fundação Florestal. Cabe informar ainda que, em atendimento ao novo rito estabelecido na Deliberação Normativa Consema nº 1/2015, para o licenciamento de obras e atividades de abastecimento público de água em período de criticidade hídrica, foram realizadas audiências públicas nos municípios de Biritiba Mirim e Bertioga, sendo atendidos os requisitos estabelecidos na citada Deliberação. Assim, não há necessidade de realizar novas Audiências Públicas” (sic).

Em reunião realizada, em 21 de junho de 2016, o Promotor de Justiça que presidia

Em reunião realizada, em 21 de junho de 2016, o Promotor de Justiça que presidia a investigação questionou o IBAMA se já havia análise conclusiva acerca do pedido de anuência acerca da supressão de vegetação do bioma Mata Atlântica para as obras de aproveitamento das águas do Rio Itapanhaú de interesse da SABESP. Nesta oportunidade, o IBAMA esclareceu que só recentemente recebeu a documentação faltante e que encaminhara aos técnicos, mas ainda não fora analisada. Por oportuno, a fim de subsidiar o pronunciamento do IBAMA acerca do pedido, o Promotor de Justiça entregou cópia dos pareceres produzidos pelos assistentes técnicos do MPSP a respeito do empreendimento, solicitado que, em 60 dias, o IBAMA comunicasse ao GAEMA o resultado de sua análise técnica acerca do pedido de intervenção em Mata Atlântica para o empreendimento em comento. O IBAMA solicitou mais prazo para responder o ofício e, em 23 de fevereiro de 2017, declarou não ter competência para analisar a matéria.

Em 05 de julho de 2016, mais uma vez, a CETESB afirmou que “os documentos apresentados pela Companhia de Saneamento Básico do estado de São Paulo- SABESP em contemplação ao Estudo de Impacto Ambiental do Aproveitamento do rio Itapanhaú para o abastecimento da Região Metropolitana de São Paulo detalham aspectos específicos da proposta, sem alteração na concepção do projeto e, portanto, entendemos que não há motivação que justifique o atendimento à recomendação de realizar novas Audiências Públicas e novas oitivas do IBAMA, CONDEPHAAT, Fundação Florestal e Comitês de Bacia Hidrográficas. Quanto às alegadas insuficiências técnicas mencionadas com base no teor dos pareceres técnicos SETEC RI 1889/15-LT, 0436/16 e SETEC

RI 1889/15 0 LT 0607/16, cumpre esclarecer que as questões apontadas foram contempladas nas complementações

RI 1889/15 0 LT 0607/16, cumpre esclarecer que as questões apontadas foram contempladas nas complementações do Estudo de Impacto Ambiental apresentadas, de modo que a instrução técnicas atual é compatível com esta fase do licenciamento e permite a continuidade da análise, sem prejuízo de detalhamentos nas fases subsequentes.” (sic)

Assim, em 11 de julho de 2016, a CETESB emitiu Parecer Técnico 234/16/IE entendendo que não há óbices à continuidade do licenciamento do empreendimento em questão estabelecendo algumas exigências ambientais.

Por sua vez, a Fundação Florestal, em 24 de junho de 2016, ao contrário de sua manifestação anterior, elaborou Parecer Técnico concluindo que após análise do EIA/RIMA e complementos apresentados (destacando o Plano de Monitoramento do Médio e Baixo Itapanhaú, juntamente com a Nota Técnica de Esclarecimentos) esta Fundação não vê óbices de um ano de monitoramento conforme proposto no Plano de Monitoramento apresentado, o qual deverá ser iniciado com a maior brevidade possível, após a emissão de licença prévia”.

Em 07 de julho de 2016, a Secretaria de Meio Ambiente do Município de Bertioga informou que, em cumprimento ao disposto na Lei Federal 9.985/2000 e Resolução CONAMA nº 428/2010, foi realizada reunião extraordinária com os membros conselheiros do CONSEMA para tratar sobre a

votação para autorização do projeto de aproveitamento da Bacia do Rio Itapanhaú para Abastecimento da

votação para autorização do projeto de aproveitamento da Bacia do Rio Itapanhaú para Abastecimento da Região Metropolitana, porque a área de influência está localizada em Parque Natural Municipal Rio da Praia, no Município de Bertioga.

O município de Bertioga relatou que na referida reunião estavam presentes profissionais da SABESP que apresentaram com muita clareza os aspectos gerais do projeto, a interferência na área da unidade de conservação municipal e, principalmente, o projeto de monitoramento proposto para a área. Após a explanação por parte da SABESP, os conselheiros se manifestaram mostrando-se muito preocupados não só com o tema específico, mas também com vários outros aspectos ligados ao saneamento local, os quais estão bastante deficitários no município. Ao final da reunião, a Autorização para o projeto foi colocada em votação e por 5 votos a favor e 3 contrários, o CONDEMA não viu óbices à concessão da Autorização, desde que o plano de monitoramento seja completamente implantado e os dados obtidos sejam amplamente divulgados ao municipalidade e ao CONDEMA.

Em 02 de agosto de 2016, a CETESB, então, emitiu a licença prévia para o empreendimento. Licença ambiental prévia 2507, processo SMA 166/2015.

III DAS CARACTERÍSTICAS AMBIENTAIS DA ÁREA LICENCIADA

Imprescindível destacar que a área do empreendimento licenciado é

especialmente protegida por lei. A seguir vejamos a classificação das Unidades de Conservação diretamente afetadas,

especialmente protegida por lei.

A seguir vejamos a classificação das Unidades de Conservação diretamente afetadas, realizada pela Fundação Florestal na Informação Técnica AT/DLN 39/2015. São elas:

1. Parque Estadual da Serra do Mar (PESM) protege aproximadamente 7% de Mata Atlântica remanescente no Estado, incluindo exuberantes paisagens e mananciais. Constitui um grande corredor de biodiversidade de mais de 315.000 hectares ao longo da costa paulista que proporciona a continuidade e a qualidade dos recursos hídricos, além o equilíbrio do clima e a proteção das encostas contra deslizamentos.

2. Parque Estadual Restinga Bertioga (PERB) constitui corredor biológico entres os ambientes marinhos costeiros a restinga a Serra do Mar, cuja proteção é fundamental para garantia da perpetuidade dos seus processos ecológicos e fluxos gênicos. O PERB situa-se integralmente no município de Bertioga e possui área total de 9.312,32 hectares, abrigando 98% dos remanescentes de mata de restinga da Baixada Santista. Apresenta todas as fitofisionomias citadas para o litoral paulista: manguezal, floresta baixa de restinga. Florestal alta de restinga, floresta paludosa: manguezal, floresta ombrófila densa de terras baixas, floresta ombrófila densa submontana, floresta aluvial, restinga herbácea, restinga arbustiva e vegetação pioneira sobre costão rochoso. A presença da floresta de transição entre a encosta da Serra do Mar e a área da

baixada permite que elementos da fauna característicos da floresta ombrófila transitem ou mesmo ocupem essa

baixada permite que elementos da fauna característicos da floresta ombrófila transitem ou mesmo ocupem essa região, como é o caso da onça pintada, veado, anta, jaguatirica, mono-carvoeiro, bugio, cateto e queixada, todos ameaçados de extinção.

3. PARQUE NACIONAL ILHA DO RIO DA PRAIA foi criado pelo Decreto Municipal nº 1.636 de 26/01/11, com 224,01 hectares, que é uma ilha fluvial cercada pelo Rio Itapanhaú e Rio da Praia e faz divisa com o parque Estadual Restinga de Bertioga.

4. APA MARINHA LITORAL CENTRO APAMLC foi criada pelo Decreto estadual 52.526/2008, com a finalidade de proteger, ordenar, garantir e disciplinar o uso racional dos recursos ambientais da região, inclusive suas águas, bem como ordenar o turismo recreativo, as atividades de pesquisa e pesca e promover o desenvolvimento sustentável da região. O Plano de Manejo da APANLC está em processo de elaboração. Os ecossistemas e ambientes da APAMLC sempre foram alvos do interesse turístico e econômico, principalmente as praias arenosas, onde se desenvolveu o turismo de balneário associado às segundas-residências. Contudo, costões rochosos, ilhas e parcéis complementam a paisagem da UC, com características singulares de grande importância à preservação da biodiversidade. Além dos tradicionais recursos pesqueiros peixes, moluscos e crustáceos as ilhas e águas da APAMLC são verdadeiros corredores ecológicos de espécies marinhas migratórias, como cetáceos, aves e quelônios, inclusive espécies ameaçadas, entre elas a toninha (Pontoporia Blainvillei), o trinta-réis-real (Thalasseus maximus) e a tartaruga-de-couro (Dermochelys coriácea). Pela alta importância na proteção e conservação da biodiversidade marinha e estuariana, além dos aspectos sociais associados, foram

integradas à gestão do território da APAMLC, também, importantes áreas de manguezal junto aos rios

integradas à gestão do território da APAMLC, também, importantes áreas de manguezal junto aos rios Itagauré, Guaratuba, Itapanhaú e Canal de Bertioga, no Município de Bertioga.

5. APA Várzea do Rio Tietê foi criada pela Lei Estadual nº 5598/1987, e regulamentada pelo Decreto estadual nº 42.837/1998, que estabeleceu o zoneamento ambiental, as diretrizes para usos dos recursos naturais da área e o Conselho Gestor da APA Várzea do Rio Tietê. O Objetivo da criação desta APA é a proteção das várzeas e planícies aluvionares do Rio Tietê.

Por se tratar de obra com influência em unidades de conservação, necessária a manifestação da Fundação Florestal. Para melhor entendimento sobre a posição da Fundação Florestal, pedimos licença para transcrever o parecer do

CAEX neste ponto: II. 3.1 Pareceres técnicos da Fundação Florestal

Conforme consta no Processo FF NIS 1890289, a área técnica da Fundação Florestal, na primeira Informação Técnica DLN 017/15 emitida em 02/07/2015 sobre o empreendimento, já apontou deficiências no documento analisado (EIA/RIMA). Nesta análise foi solicitada a inclusão de estudos sobre os corredores ecológicos (mosaico de UCs), além de estudos detalhados das cinco espécies raras, endêmicas ou ameaçadas nas Áreas de Influência Direta (AID) e nas Áreas Diretamente Afetadas (ADA).

Neste mesmo parecer, os técnicos apontaram também deficiências sobre as alterações hídricas (quantidade e qualidade)

Neste mesmo parecer, os técnicos apontaram também deficiências sobre as alterações hídricas (quantidade e qualidade) até a foz do Rio Itapanhaú, em seus diversos ecossistemas, e estudos de análises de riscos considerando a “proteção dos atributos protegidos”. Na manifestação da Fundação Florestal ficou evidente que não havia a devida demonstração de que as medidas mitigadoras, compensatórias, de controle e de monitoramento (incluindo-se os efeitos de bordas) não conflitavam com os objetivos de criação das Unidades e seus respectivos planos de manejo.

Foram apontadas falhas no Programa de Proteção (com vistas a detectar e coibir invasões, ocupações irregulares e extrativismo nas UCS), e no Programa de Recuperação (em caso de degradação ou acidente nas fases de implantação e operação), ficando destacado na Informação Técnica DLN 017/15 da Fundação Florestal a ausência de planos de monitoramento adequados, contemplando devidamente a fauna e flora nos diversos ecossistemas protegidos.

Sem que nenhuma das falhas apontadas até então fosse objeto do devido saneamento, verificou-se que a Fundação Florestal elaborou um segundo parecer sobre o EIA/RIMA apresentado, resultando na IT AT/DLN nº 39/15. Este parecer contou com a colaboração dos gestores dos Parques Estaduais Restinga de Bertioga e Serra do Mar, além da APA Litoral

Centro, Instituto Florestal e alguns membros dos conselhos gestores. A colaboração foi informal e não

Centro, Instituto Florestal e alguns membros dos conselhos gestores. A colaboração foi informal e não produziu relatórios ou manifestações em separado. Também não houve manifestação dos conselhos consultivos ou trabalhos das Câmaras Técnicas das Unidades de Conservação que sofrerão impactos.

Com análise aprofundada, referido documento apontou novas deficiências do EIA/RIMA, incluindo a ausência da devida avaliação de impactos negativos bem como a ausência de previsão de monitoramento e medidas mitigadoras para vários deles, conforme consta no IT AT/DLN nº 39/15. Dentre os questionamentos está a situação crítica de abastecimento público da Baixada Santista e a ação de vetores de pressão, ambos identificados no Plano de Manejo da Serra do Mar.

Consta no Plano de Manejo a hierarquização dos vetores de pressão sobre o Parque Estadual da Serra do Mar, sendo que as “Estruturas para o Abastecimento de Água” é o segundo mais crítico, conforme Figura 1 a seguirapresentada.

Figura 1 - Plano de Manejo do PESM – Capítulo 03. Diagnóstico e
Figura 1 - Plano de Manejo do PESM – Capítulo 03. Diagnóstico e

Figura 1 - Plano de Manejo do PESM Capítulo 03. Diagnóstico e

avaliação Neste parecer da Fundação Florestal foram identificados vários impactos negativos diretos dentro das

avaliação

Neste parecer da Fundação Florestal foram identificados vários impactos negativos diretos dentro das Unidades de Conservação afetadas conforme consta no IT AT/DLN nº 39/15, os quais ficaram sem a previsão de salvaguardas ambientais mínimas, em função dos atributos ameaçados.

Após a apresentação do Parecer IT AT/DLN nº 39/15, criou-se através da Portaria FF nº 20/16, grupo de trabalho composto por 08 membros, para a análise e apresentação de parecer final sobre o EIA/RIMA o que não ocorreu, isto é, não houve apresentação de parecer final corroborado pelos componentes do grupo.

Posteriormente, na Informação Técnica FF/DLN nº 013/2016 ampliou-se a análise realizada pela IT FF/DLN 39/15, destacando as áreas afetadas:

Parque Estadual Serra do Mar (PESM), Parque Estadual Restinga de Bertioga (PERB), Área de Proteção Ambiental Marinha Litoral Centro (APA MLC) e Reserva Particular de Proteção Natural (RPPN) Hercules Florense. O preâmbulo desta informação destacou a importância das UCs, sendo que os maiores remanescentes de restinga da Baixada Santista encontram-se no PERB e, que o PESM e o PERB são gerenciados de forma integrada formando um contínuo territorial e biológico.

Neste contexto são citados dois importantes dispositivos legais: Lei n. º 9985/00, art. 7º §1º,

Neste contexto são citados dois importantes dispositivos legais:

Lei n. º 9985/00, art. 7º §1º, art. 28

Art. 7º As unidades de conservação integrantes do SNUC dividem-se em dois grupos, com características específicas:

I - Unidades de Proteção Integral;

II- Unidades de Uso Sustentável.

§ 1º O objetivo básico das Unidades de Proteção Integral e preservar a natureza, sendo admitido apenas o uso indireto dos seus recursos naturais, com exceção dos casos previstos nesta Lei.

Art. 28º. São proibidas, nas unidades de conservação, quaisquer alterações, atividades ou modalidades de utilização em desacordo com os seus objetivos, o seu Plano de Manejo e seus regulamentos.

Decreto 25341/86 at. 9º e 24.

Artigo 9.º - Não são permitidas, dentro das áreas dos Parques Estaduais, quaisquer obras de barragens, hidrelétricas, de controle de enchentes, de retificação de leitos, de alteração de margens e outras atividades que

possam alterar suas condições hídricas naturais. Parágrafo único – Quaisquer projetos para aproveitamento

possam alterar suas condições hídricas naturais.

Parágrafo único Quaisquer projetos para aproveitamento limitado e local dos recursos hídricos dos Parques estaduais devem estar condicionados rigorosamente ao objetivo primordial de evitar alterações ou perturbações no equilíbrio do solo, água, flora, fauna e paisagem, restringindo-se ao indicado no seu Plano de Manejo.

Artigo 24º vedada a execução de obras que visem à construção de teleféricos, ferrovias, rodovias, barragens, aquedutos, oleodutos, linhas de transmissão ou outras, que não sejam de interesse do Parque Estadual.

Neste parecer, também é feita referência ao Plano de Manejo do PESM sobre a Zona de Amortecimento, destacando algumas restrições e seu objetivo geral: “Proteger e recuperar os mananciais, os remanescentes florestais e a integridade da paisagem na região de entorno do PE Serra do Mar, para garantir a manutenção e recuperação da biodiversidade e dos seus recursos hídricos” (Capitulo Zoneamento do Plano de manejo do PESM).

Dentre os objetivos específicos da Zona de Amortecimento a citada Informação Técnica destacou também:

- Contribuir para a diminuição dos impactos negativos das atividades

humanas sobre a qualidade e quantidade de água em todo sistema hidrológico do parque; Restringir

humanas sobre a qualidade e quantidade de água em todo sistema hidrológico do parque;

Restringir a implantação de empreendimentos e execução de atividades com impacto negativo sobre a unidade de conservação.

-

Outras

Informação Técnica.

informações

e

questionamentos

podem

ser

destacados

desta

Em relação à vegetação, a Fundação Florestal alerta que a supressão de

15,1 hectares na Zona de Amortecimento se dará em áreas com alto grau de conservação e integridade e que a fragmentação refletirá diretamente no interior do PESM. “Mesmo localizada na Zona de Amortecimento imediata

o número de hectares cuja supressão é prevista ser pequeno em função do todo do PESM, trata-se de área vegetada na continuidade de maciço da melhor qualidade e que não reconhece limites territoriais estabelecidos pelos homens” (sic Informação Técnica).

e

No plano geral, a Informação Técnica da Fundação Florestal questiona a

suficiência amostral dos estudos e levantamentos realizados sobre a flora e

a fauna, em prejuízo das avaliações e conclusões formuladas. Além disso, questionam os efeitos negativos de uma estiagem induzida (redução de vazão) sobre os atributos das Unidades de Conservação. Mesmo com as deficiências dos estudos ambientais apresentados, a Fundação Florestal destaca que na região da planície costeira, o levantamento de dados

primários, em um dos pontos amostrados, apontou que 64% das espécies encontradas constam na lista

primários, em um dos pontos amostrados, apontou que 64% das espécies encontradas constam na lista de espécies ameaçadas.

Esta Informação Técnica reforça a manifestação anterior da Fundação Florestal, onde ficou evidenciado que a abertura ou reativação de acessos, adutoras e linhas de transmissão favorecem os vetores de ocupação. A intervenção potencializa vetores de pressão já existentes (Figura 1).

Em relação aos possíveis impactos negativos previstos para os ambientes de restinga e manguezal, a Fundação Florestal destaca a fragilidade e as características dos mesmos questionando a salvaguarda de seus atributos e apontando a insuficiência de dados científicos que permitam não só a avaliação dos efeitos do empreendimento como a concepção de medidas de mitigação e monitoramento procedentes e abrangentes (a salinidade foi considerada insuficiente como parâmetro).

Além disso, a Fundação Florestal afirma que a ausência de informações associadas à dinâmica complexa do ambiente em questão são fatores que contribuíram para que o EIA/RIMA, os RICs (Relatório de Informações Complementares) e pareceres adicionais reconheçam assertivamente a existência de impactos, porém são inconclusivos sobre seu dimensionamento. Isso impede a adoção de medidas corretivas e mitigadoras eficientes.

Por fim, concluem nesta terceira Informação Técnica FF/DLN 13/16 que “As informações apresentadas não permitem

Por fim, concluem nesta terceira Informação Técnica FF/DLN 13/16 que “As informações apresentadas não permitem uma avaliação apropriada dos impactos gerados”.

Emitida a Informação Técnica acima mencionada e apresentado o plano de monitoramento de salinidade, dias após, o Diretor da Fundação Florestal do Litoral Norte e Baixada Santista apresentou parecer, sem participação de nenhum outro técnico da FF (FF/DLN nº 014/16), onde não faz qualquer análise técnica sobre o plano. Somente enfatiza que este atende parcialmente aos critérios para identificação das condições necessárias à manutenção da integridade ambiental das UCs e solicita inclusão de alguns estudos listados no parecer, a serem realizados. Destaca ainda nesta manifestação que o monitoramento deveria ser realizado em período não inferior a dois anos antes da emissão de pareceres de viabilidade ambiental da regra operativa.

Em suas conclusões a Fundação Florestal requer esclarecimentos e apresenta apenas dois questionamentos: 1 - Sobre o estabelecimento de salvaguardas. Quais os parâmetros que asseguram o estabelecimento das mesmas? 2 - Os levantamentos propostos mencionam o período de 01 ano para o levantamento de linha de base, este período é suficiente para determinar as condições ambientais que garantam a integridade do ambiente?

Ocorre que a questão do monitoramento de salinidade nos trechos do Rio Itapanhaú é apenas

Ocorre que a questão do monitoramento de salinidade nos trechos do Rio Itapanhaú é apenas uma pequena parte de todos os pontos obscuros e suas lacunas de conhecimento, medidas de controle, mitigação entre outras que foram levantados nos três primeiros pareceres da FF. Diante de tais aspectos, fica evidente que as perguntas efetuadas conforme citado acima, foram direcionadas e insuficientes para a devida abordagem da matéria em seus múltiplos aspectos.

Em resposta a estes dois questionamentos, a SABESP afirmou que os estudos apresentados eram suficientes e apresentou Nota Técnica de autoria do Prof. Sérgio Rosso.

graves

questionamentos levantados anteriormente pelo próprio Diretor da Fundação Florestal, sem que tenham sido abordados, considerados e equacionados o conjunto de questionamentos feitos nos quatro primeiros

Assim,

a

manifestação

do

Professor

Rosso

se

sobrepôs

aos

laudos emitidos pela equipe de técnicos da própria Fundação.

Ressaltamos que a relação de estudos solicitados pela Fundação Florestal no LT DLN 014/16 foi elaborada em conjunto entre a FF, SMA, CETESB e IG. No entanto o Prof. Sergio Rosso não abordou os demais estudos carentes, atendendo, parcialmente a questão do monitoramento da cunha

salina pelo curto período de um ano. Por fim, em poucos dias, a nota técnica

salina pelo curto período de um ano.

Por fim, em poucos dias, a nota técnica assinada em 20 de junho teve seu trâmite acelerado, em regime de urgência e obteve, sem qualquer outro parecer técnico multidisciplinar, parecer favorável do Diretor Executivo da Fundação Florestal.

Neste contexto, é importante lembrar que o parecer favorável da Fundação Florestal tinha papel determinante para a emissão de licença prévia, mas, veio a ser emitido com graves falhas de fundamentação para viabilizar este propósito, em detrimentos dos bens ambientais protegidos pelas Unidades de Conservação.

Além do exposto anteriormente, cabe ainda destacar que não houve manifestação dos conselhos consultivos do PESM, PERB e APAS. Também não há parecer das RPPNs. O instituto Florestal, que gerenciou as UCS até o SIEFLOR e que tem expertise em unidades de conservação sequer foi consultado.

Por fim, consta no processo da Fundação Florestal, manifestação da Prefeitura de Bertioga que se refere ao Parque Municipal do Rio da Praia e ao CONDEMA.

A Secretaria Municipal de Meio Ambiente informou que no município não havia técnicos especialistas na área, e a manifestação focou apenas no tema saneamento, aproveitando, na oportunidade, a presença dos técnicos da

SABESP. A única ressalva do poder público municipal (conselheiros do CONDEMA) foi o de requerer

SABESP. A única ressalva do poder público municipal (conselheiros do CONDEMA) foi o de requerer acesso aos dados do monitoramento.

Excelência, não se tratam de meras irregularidades apontadas pela Fundação Florestal, mas de aspectos relevantes para a proteção do meio ambiente e ignorados pelo órgão ambiental, que também não considerou os aspectos levantados pela pesquisadora do Instituto Geológico, que afirmou que os impactos do projeto de captação de água do Rio Itapanhaú se somados aos desencadeados pela elevação atual e futura do nível do mar e por possíveis efeitos das mudanças climáticas na área, certamente irá ampliar a extensão da cunha salina, e consequentemente a expansão dos manguezais.

A geóloga Dra. Célia Regina de Gouveia Souza, do Instituto Geológico, considerou diversos pontos negativos e preocupantes com relação à influência da obra no estuário. Afirmou que, em nenhum parecer técnico dentro do processo de licenciamento e nem mesmo no próprio EIA/RIMA, foi levado em consideração o tema elevação atual e futura do nível do mar, e nem os possíveis efeitos das mudanças climáticas na área, e ainda menciona que estudos e projeções recentemente efetuados para o município de Santos pelo Prof. J. Harari (IOUSP) mostram que o nível do mar tende a se elevar a uma taxa de 0,45 cm/ano nas próximas décadas, e um dos efeitos dessa elevação é o aumento da intrusão da cunha salina nos sistemas fluviais.

Portanto, os impactos do projeto de captação de água do Rio Itapanhaú se somados aos

Portanto, os impactos do projeto de captação de água do Rio Itapanhaú se somados aos desencadeados pela elevação atual e futura do nível do mar e por possíveis efeitos das mudanças climáticas na área, certamente irá ampliar a extensão da cunha salina, e consequentemente a expansão dos manguezais, o que não foi considerado no EIA/RIMA e nem na instrução do processo de licenciamento.

Mudanças no aporte de sedimentos para a Praia da Enseada poderão reduzir o balanço sedimentar da mesma, causando e/ou aumentando a erosão, principalmente em situação de elevação do nível do mar, quando a principal fonte de sedimentos passa a ser os rios. De acordo com o Mapa de Risco à Erosão Costeira do Estado de São Paulo (2012) elaborado pela pesquisadora do IG, acima mencionada, as praias de Bertioga já são classificadas como em Risco Médio, e com a implantação deste projeto de captação, o risco à erosão poderá aumentar, colocando em risco a população residente nestas áreas, além de enormes prejuízos materiais. A navegabilidade e as rotas de navegação utilizadas ao longo do Canal de Bertioga também poderão ser afetadas.

É digno de nota, que a pesquisadora um dia depois de emitir o Informe Técnico acima analisado, emite outro Informe, contendo a mesma estrutura do anterior, porém, detalhando o que e como deve ser realizado o monitoramento recomendado. Ou seja, tacitamente, concordou com a obra, exigindo apenas o seu monitoramento.

Assim, também, técnicos do CONDEPHAT. O Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e

Assim, também, técnicos do CONDEPHAT. O Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado, que é o órgão responsável pela Área Natural Tombada da Serra do Mar e de Paranapiacaba, analisou o EIA/RIMA e inicialmente deu parecer negativo sobre as obras, porém o Secretário Estadual da Cultura aprovou o projeto, após avocar a decisão.

Além disso, segundo relatado pelo CONDEPHAAT Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado de São Paulo, em parecer por ele emitido acerca do EIA/RIMA para o empreendimento em questão, “o empreendimento está quase que completamente inserido na área tombada da Serra do Mar e de Paranapiacaba. O Ponto de captação e parte do sistema de adução por tubulação aérea estão em área tombada. O ponto de dissipação está em situação de envoltória de 300 metros do tombamento enquanto o local destinado a canteiro de obras não é tutelada pelo CONDEPHAAT”.

Conclusão: existe licença ambiental prévia, mas ela é nula. Não há embasamento técnico que a respalde. A decisão foi política.

IVDAS CARACTERÍSTICAS DO EMPREENDIMENTO.

O empreendimento para o qual a SABESP requereu o licenciamento ambiental consiste no aproveitamento da

O empreendimento para o qual a SABESP requereu o licenciamento ambiental consiste no aproveitamento da bacia do rio Itapanhaú para abastecimento da Região Metropolitana de São Paulo (RMSP), mediante sistema de reversão de águas do Ribeirão Sertãozinho (formador do rio Itapanhaú, pertencente à vertente marítima UGRHI 07) para o reservatório de Biritiba (Bacia do Alto Tietê), visando o reforço da capacidade de produção de água dos Sistema Alto Tietê (SPAT) da SABESP.

Segundo a SABESP, a reversão das águas da bacia do rio Itapanhaú para o reservatório Biritiba pretende recuperar o estoque e ampliar a segurança hídrica do SPAT, mediante aumento do volume de água armazenado nos reservatórios que integram esse sistema para utilização plena da capacidade da ETA Taiaçupeba, e, dessa forma, contribuir para o abastecimento da RMSP tanto na crise hídrica atual quanto para suprir demandas futuras de água da região, sujeita às condições naturais de escassez hídrica.

Consta do Parecer técnico sobre o EIA/RIMA das obras emitido pelo Comitê da Bacia Hidrográfica do Alto Tietê, o empreendimento será implantado em duas etapas sucessivas: (I) a primeira, de caráter emergencial, na qual as bombas da estação elevatória serão alimentadas por sistema de geradores a diesel; e (II) na sequência, a segunda etapa prevê a implantação de linha de transmissão de energia à estação elevatória de captação e desativação do sistema a diesel.

Na fase de implantação são previstas intervenções na Zona de Recuperação no interior do PESM,

Na fase de implantação são previstas intervenções na Zona de Recuperação no interior do PESM, com a implantação de barragem no Rio Sertãozinho. Já na zona de amortecimento, são previstas as estruturas de captação, adutora, linha de transmissão, áreas de apoio e estradas de acesso.

Na fase de operação está prevista a redução da vazão ao longo de todo o curso do Rio Itapanhaú que poderá provocar alterações nos ecossistemas à jusante, com eventual alteração de qualidade da água, na sua salinidade, no transporte de sedimentos e nutrientes, na biota aquática e na vegetação marginal, interferindo nas unidades de conservação PESM, PERB e a APA Estadual Marinha Litoral Centro.

Na região de inserção do empreendimento ou sob sua influência, como já vimos, estão presentes importantes Unidades de Conservação tais como:

o Parque Estadual da Serra do Mar PESM Núcleo Bertioga; o Parque Estadual Restinga de Bertioga PERB; a Área de Proteção Ambiental APA Estadual Marinha Litoral Centro; o Parque Natural Municipal Ilha do rio da Praia; e as Reservas Particulares de Patrimônio Natural RPPNs Hércules Florence.

Mesmo com os elevados níveis de fragilidade da região, que será afetada pelo empreendimento, os estudos ambientais contidos no EIA/RIMA e no Relatório de Informações Complementares mostraram-se insuficientes e falhos

para permitir a devida instrução do licenciamento. Vários aspectos dos diagnósticos, bem como da identificação

para permitir a devida instrução do licenciamento.

Vários aspectos dos diagnósticos, bem como da identificação e avaliação de impactos foram apontados como deficientes pela CETESB e pelos demais órgãos consultados, que resultaram em inúmeras exigências relacionadas no Parecer nº 234/16/IE para serem cumpridas em fases subsequentes à LP.

Dentre essas exigências destacam-se os planos e programas de monitoramento, que pretendem fornecer as respostas às questões não esclarecidas pelo EIA/RIMA. Neste contexto, o monitoramento visa suprir as deficiências dos estudos ambientais, denotando falhas de instrução, que põem em dúvida o licenciamento e a regularidade da LP, notadamente em face do desrespeito configurado ao artigo 5º e 6º da Resolução Conama 01/86.

Deve-se ressaltar que o monitoramento permite mensurações, mas não garante a salvaguarda de bens ambientais. Mesmo que superadas todas as deficiências metodológicas já identificadas nos planos de monitoramento, incorre-se em risco da identificação de impactos não previstos e não mitigáveis, que podem inviabilizar ambientalmente o empreendimento.

A realização de um empreendimento supostamente emergencial não deve estar vinculada a uma eventual e improvável

comprovação “ a posteriori ” de sua vi abilidade ambiental, inclusive por meio da execução

comprovação “a posteriori” de sua viabilidade ambiental, inclusive por meio da execução de monitoramentos de caráter experimental. É um risco demasiado inclusive em face da sua alegada necessidade emergencial.

Não está assegurado sequer que as decisões a serem tomadas em face destes resultados permitirão não só a efetiva salvaguarda de bens ambientais, como a reversão de possíveis danos ambientais, cuja devida identificação, avaliação de ocorrência, e medidas cabíveis correlatas não foram suficientemente demonstradas pelo EIA/RIMA (pelo contrário).

V- DAS INCONSISTÊNCIAS DA OBRA - PARECER DO CAEX - COM BASE NO EIA/RIMA.

Após análise minuciosa realizada, o CAEX conclui que o EIA/RIMA e suas complementações, bem como o Parecer da CETESB nº 234/16/IE contém equívocos e insuficiências técnicas graves e substanciais. A obra sequer encontra justificativa para ser executada. Vejamos.

1. Quanto à necessidade do empreendimento: incrivelmente,

tal questão não foi analisada no EIA/RIMA, como já exposto.

Segundo

informações

contidas

nos

autos

do

Inquérito

Civil

0003/2012 do GAEMA Cabeceiras, a plena capacidade da ETA Taiaçupeba está associada ao enchimento completo

0003/2012 do GAEMA Cabeceiras, a plena capacidade da ETA Taiaçupeba está associada ao enchimento completo do Reservatório Taiaçupeba, que ainda não pode operar com o seu volume máximo de armazenamento de água. O processo de licenciamento ambiental da ampliação deste reservatório se encontra em tratativas entre a SABESP, DAEE e CETESB há cerca de uma década, inclusive com a emissão de Licença de Instalação e autorizações de supressão de vegetação para ampliação de sua área inundável. Caso este empreendimento fosse executado, seria necessária a obra de transposição do rio Itapanhaú?

Não sabemos. Acreditamos que não, mas não existiu estudo para garantir tal necessidade.

Satisfeita com as informações apresentadas no EIA/RIMA, a CETESB não faz nenhum comentário sobre a alternativa de não execução do empreendimento e, portanto, não questiona a possibilidade de operação do Reservatório Taiaçupeba em seu nível mais alto de projeto que, juntamente com outras obras executadas ou em andamento, poderia dispensar a reversão da bacia Rio Itapanhaú.

No entanto, tais análises não são feitas pelo empreendedor, muito menos pelo órgão ambiental.

A edição da Portaria DAEE n o 350/14 que autorizou a SABESP a ampliar a captação na ETA Taiaçupeba de 10 m 3 /s para 15 m 3 /s foi fundamentada pelas modelagens feitas para o Sistema Produtor Alto Tietê prevendo o Reservatório Taiaçupeba com seu volume máximo de

reservação, sem depender da reversão da bacia Rio Itapanhaú . Outro aspecto que deveria ser

reservação, sem depender da reversão da bacia Rio Itapanhaú.

Outro aspecto que deveria ser analisado diz respeito ao programa de redução de perdas físicas no armazenamento e distribuição da água. Segundo o posicionamento e contribuições técnicas da Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental ABES( http://abes- dn.org.br/pdf/28Cbesa/Perdas_Abes.pd), em relatório publicado em 19/10/2015, avaliações feitas no sistema de abastecimento de água da SABESP na Região Metropolitana de São Paulo - RMSP mostraram que, somente considerando os vazamentos não visíveis, o sistema entraria em colapso em dois anos, se nenhuma das 19 ações previstas tivesse sido realizada para detectar e reparar os vazamentos encontrados.

Assim, fica evidente que não ficou demonstrado que a redução de perdas físicas e o enchimento do Reservatório Taiaçupeba com seu volume máximo de reservação, não poderiam substituir o oneroso e perigoso projeto de reversão da bacia Rio Itapanhaú, com alto potencial de causar impactos ambientais.

2. Quanto às áreas de influência: Segundo o relatado no laudo

do CAEX SETEC RI 1889/15, sobre as áreas de influência do empreendimento (pág. 23 do laudo), é possível constatar que o EIA/RIMA subestimou a abrangência espacial dos impactos ambientais negativos diretos e indiretos

do empreendimento”.

Vejamos o trecho relatado pelo CAEX: “A faixa de 500 metros de cada lado ao

Vejamos o trecho relatado pelo CAEX:

“A faixa de 500 metros de cada lado ao longo das instalações do empreendimento e ao longo do Rio Itapanhaú até o seu desemboque no mar, estabelecida como Área de Influência Direta (AID) é suficiente para avaliar os impactos negativos gerados pelo empreendimento aos ecossistemas locais.

Como exemplos desta insuficiência espacial é possível citar que nas áreas em que ocorrerá supressão de vegetação:

- As estruturas (adutora e caminho de serviço) formarão uma barreira ao

deslocamento de fauna silvestre. Considerando a proximidade com o Parque Estadual da Serra do Mar (PESM) e a presença de mamíferos, tais como felinos ameaçados de extinção poderão ter seu deslocamento prejudicado à procura de presas e de parceiros reprodutivos no local, restringindo desta forma o habitat disponível para a sobrevivência destas espécies que necessitam de grande áreas de vida;

- Nas áreas de contato de Floresta Ombrófila Densa com as áreas a serem

desmatadas, os impactos ambientais negativos do efeito de borda causados pela supressão de vegetação podem ocorrer em distâncias superiores a esta metragem estabelecida no EIA/RIMA, inclusive adentrando a vegetação inserida no Parque Estadual da Serra do Mar, de forma a impactar tanto a vegetação como as espécies

da fauna que necessitam de ambientes florestais mais conservados;

Além disso, a redução da vazão a jusante do ponto de captação irá causar impactos

Além disso, a redução da vazão a jusante do ponto de captação irá causar impactos negativos diretos no Rio Itapanhaú. Praticamente todos os impactos relacionados às obras na estrada de acesso/caminho da adutora de recalque e de captação, e eventuais vazamentos de graxas e combustíveis terão consequências diretas a jusante, como a alteração de qualidade da água e redução de vazão do Rio Itapanhaú.

Também desconsiderou a importância do Rio Itapanhaú para o Canal de Bertioga, que por sua vez faz parte do Estuário de Santos e São Vicente e a importância desta região estuariana para a área oceânica adjacente, visto que estas regiões foram completamente desconsideradas nas áreas de influência do empreendimento”.

Conforme já mencionado acima, o Rio Itapanhaú é o principal curso d’água contribuinte do Canal de Bertioga, visto que os outros rios que deságuam neste canal são pouco extensos e possuem vazões menores, portanto este curso d’água se caracteriza como a principal fonte potencial de sedimentos e nutrientes para o canal de Bertioga.

Estes sedimentos são depositados, preferencialmente, junto à área de confluência de correntes de maré junto ao Largo do Candinho, região que corresponde a uma das raras áreas do estuário santista em que se depositam predominantemente sedimentos argilosos, com alta porcentagem de matéria

orgânica, que subsidia as cadeias tróficas estuarinas. Portanto, a diminuição das vazões do Rio Itapanhaú

orgânica, que subsidia as cadeias tróficas estuarinas. Portanto, a diminuição das vazões do Rio Itapanhaú ocasionará impactos ambientais negativos nas cadeias tróficas do Canal de Bertioga.

Estes impactos ambientais negativos também poderão se propagar ao Complexo Estuarino de Santos e São Vicente e a região oceânica adjacente, visto que o Canal de Bertioga é considerado em termos de hidrodinâmica estuarina como uma conexão secundária do oceano com este estuário.

Excelência, nada disso foi analisado! Portanto, não há sequer previsão de medidas mitigadoras para tais danos.

Por todo o relatado em relação à área de influência do empreendimento em comento, pode-se concluir que o EIA/RIMA não atendeu de forma satisfatória o inciso III do art. 5º da Resolução CONAMA 01/86, pois as áreas de influência do empreendimento foram subestimadas e, portanto, as etapas posteriores do EIA/RIMA (diagnósticos ambientais; identificação e análise dos impactos; e proposições de medidas ambientais) também estão comprometidas.

3. Quanto aos planos e programas de monitoramento: A

proposta de monitoramento do médio e baixo Itapanhaú apresentou objetivo

geral de acompanhar possíveis alterações ambientais no rio, decorrentes da redução de vazão. Esse objetivo

geral de acompanhar possíveis alterações ambientais no rio, decorrentes da redução de vazão. Esse objetivo se divide em quatro objetivos específicos, sendo que o primeiro propõe que se consiga estabelecer salvaguardas para prevenir, em tempo real, potenciais “situações críticas de stress para o ecossistema”.

Contudo, em nenhum momento se definiu que stress seria esse. Foi estabelecido um limite de variação de salinidade, mas não o que será considerado como stress para o ecossistema.

O segundo objetivo específico estabelece que o monitoramento visa subsidiar a futura avaliação de impacto do empreendimento no médio prazo, e isso apenas a partir da renovação da Licença de Operação.

Pode-se concordar que a proposta de monitoramento vai fornecer informações importantes sobre o funcionamento dos sistemas, mas no processo de licenciamento deve-se levar em consideração os impactos previstos. Claramente não se tem informação suficiente para se prever quais serão esses impactos.

O licenciamento, como tem sido conduzido, fere o artigo 5 da CONAMA 01/86, pois o estudo de impacto não identificou e avaliou sistematicamente os impactos gerados pelo empreendimento.

Patindo desse princípio, o licenciamento deveria ser conduzido a partir do momento em que os

Patindo desse princípio, o licenciamento deveria ser conduzido a partir do momento em que os estudos propostos estivessem concluídos ou, ao menos, que possibilitassem a clara identificação e avaliação dos impactos.

O quarto objetivo visa discriminar os efeitos que possam ser atribuídos ao empreendimento, por conta da redução da vazão do Rio Itapanhaú, em relação a outros fatores, naturais ou antrópicos. Ou seja, mais uma vez se reforça que não se tem base de conhecimento suficiente para se avaliar o que vai acontecer.

Um aspecto importante é que o plano de monitoramento foi concebido com base nas conclusões do EIA e do RIC:

A redução da vazão vai afetar a salinidade do rio, profundidade e salinidade do lençol;

A restinga é um ecossistema muito vulnerável, pois depende de água doce e é menos tolerante à salinidade que o manguezal; isso gera risco de rearranjos localizados de vegetação no trecho de transição, com avanço do manguezal.

Contudo, se o EIA e o RIC não produziram material que permita

se avaliar adequadamente os impactos, vide Informação Técnica FF/DLN nº 13/2016, o monitoramento partiu de

se avaliar adequadamente os impactos, vide Informação Técnica FF/DLN nº 13/2016, o monitoramento partiu de uma base de informações insuficiente para ser concebido.

Outro aspecto que merece maiores esclarecimentos está relacionado à seleção dos chamados “setores representativos” de cada fitofisionomia de restinga. Os critérios utilizados nessa subdivisão das áreas de restinga precisam ser esclarecidos.

O Plano de Monitoramento envolve três etapas.

Na primeira está previsto o levantamento exploratório e detalhamento do plano e, na fl. 520 do processo da FF, se informa que os produtos serão consolidados apenas no PBA (Plano Básico Ambiental), para instruir a solicitação de Licença de Instalação.

Considerando que a emissão de Licença Prévia implica em se avaliar o empreendimento como ambientalmente viável, lembrando que nem o EIA nem o RIC possibilitaram a adequada avaliação dos impactos, como deixar esse importante levantamento e o detalhamento do plano apenas para a fase de solicitação de LI?

O levantamento exploratório deverá trazer importantes informações para o adequado balizamento do plano de

O

levantamento

exploratório

deverá

trazer

importantes

informações para o adequado balizamento do plano de monitoramento.

Considerando também que a linha de base será levantada na segunda etapa do plano e que é instrumento fundamental para se saber as condições ambientais prévias à implantação do empreendimento, como deixar essas etapas apenas para fases posteriores, sendo que no caso do levantamento da linha de base ela se dará concomitantemente à implementação do sistema de captação?

Essas questões não foram esclarecidas em nenhuma análise efetuada pelos órgãos ambientais responsáveis pelo licenciamento e gerenciamento das unidades de conservação ao se aceitar a ordem em que se propõe o desenvolvimento dos projetos para levantamento da real situação ambiental nas áreas de influência do empreendimento.

Em relação à salvaguarda ambiental, com o estabelecimento do limite de dois desvios padrão como tolerância, um aspecto que merece atenção é o risco de o número de réplicas ser baixo para a eventual variabilidade existente no sistema. Isso poderia levar a um aumento dos desvios, o que aumentaria a tolerância para se tomar medidas corretivas. Seria importante já se ter um lote de dados que permitisse estimativa mais confiável das variações de salinidade, para daí se ter maior confiança na utilização dessa salvaguarda.

No caso do monitoramento da restinga, ainda existem algumas questões pendentes, como a definição do

No caso do monitoramento da restinga, ainda existem algumas questões pendentes, como a definição do que será considerado como “amostra representativa”. Também não se tem definido um critério para se avaliar alteração quando não for possível se trabalhar com médias, casos de baixo número de réplicas, por exemplo.

Isso significa que vai se descobrir o que fazer depois, com tudo em andamento, tanto o monitoramento como as obras e a posterior operação do empreendimento.

4. Quanto às alternativas locacionais: também não existem

tais análises. Simplesmente, o órgão ambiental ignorou tal exigência. Lembramos que todo estudo de impacto ambiental deve, conforme a Resolução CONAMA 01/86, observar o estudo das alternativas locacionais e os impactos ambientais do pretendido empreendimento.

Artigo 5º - O estudo de impacto ambiental, além de atender à legislação, em especial os princípios e objetivos expressos na Lei de Política Nacional do Meio Ambiente, obedecerá às seguintes diretrizes gerais:

I

-

Contemplar

todas

as

alternativas

tecnológicas

e

de

localização de projeto, confrontando-as com a hipótese de não execução do projeto; II - Identificar

localização de projeto, confrontando-as com a hipótese de não execução do projeto;

II - Identificar e avaliar sistematicamente os impactos ambientais gerados nas fases de implantação e operação da atividade ;

Artigo 6º - O estudo de impacto ambiental desenvolverá, no mínimo, as seguintes atividades técnicas:

I - Diagnóstico ambiental da área de influência do projeto completa descrição e análise dos recursos ambientais e suas interações, tal como existem, de modo a caracterizar a situação ambiental da área, antes da implantação do projeto, considerando:

a) o meio físico - o subsolo, as águas, o ar e o clima, destacando os recursos minerais, a topografia, os tipos e aptidões do solo, os corpos d'água, o regime hidrológico, as correntes marinhas, as correntes atmosféricas;

b) o meio biológico e os ecossistemas naturais - a fauna e a flora, destacando as espécies indicadoras da qualidade

ambiental, de valor científico e econômico, raras e ameaçadas de extinção e as áreas de

ambiental, de valor científico e econômico, raras e ameaçadas

de extinção e as áreas de preservação permanente;

c) o meio sócio-econômico - o uso e ocupação do solo, os usos da água e a sócio-economia, destacando os sítios e monumentos arqueológicos, históricos e culturais da comunidade, as relações de dependência entre a sociedade local, os recursos ambientais e a potencial utilização futura desses recursos.

II - Análise dos impactos ambientais do projeto e de suas

alternativas, através de identificação, previsão da magnitude e interpretação da importância dos prováveis impactos

relevantes, discriminando: os impactos positivos e negativos (benéficos e adversos), diretos e indiretos, imediatos e a médio e longo prazos, temporários e permanentes; seu grau de reversibilidade; suas propriedades cumulativas e sinérgicas; a distribuição dos ônus e benefícios sociais.

III - Definição das medidas mitigadoras dos impactos

negativos, entre elas os equipamentos de controle e sistemas

de tratamento de despejos, avaliando a eficiência de cada uma

delas.

lV

-

Elaboração

do

programa

de

acompanhamento

e

monitoramento (os impactos positivos e negativos, indicando os fatores e parâmetros a serem considerados). Na

monitoramento (os impactos positivos e negativos, indicando os fatores e parâmetros a serem considerados).

Na mêsma linha o Decreto Federal 99.274/90:

Art. 17. A construção, instalação, ampliação e funcionamento de estabelecimento de atividades utilizadoras de recursos ambientais, consideradas efetiva ou potencialmente poluidoras, bem assim os empreendimentos capazes, sob qualquer forma, de causar degradação ambiental, dependerão de prévio licenciamento do órgão estadual competente integrante do Sisnama, sem prejuízo de outras licenças legalmente exigíveis.

§ 1º Caberá ao Conama fixar os critérios básicos, segundo os quais serão exigidos estudos de impacto ambiental para fins de licenciamento, contendo, entre outros, os seguintes itens:

a) diagnóstico ambiental da área;

b) descrição da ação proposta e suas alternativas;

e

c) identificação, análise e previsão dos impactos

significativos, positivos e negativos.

Importante acrescentar que “O Prof. Rodgers Júnior, em seu Environmental Law, conceitua a discussão das

Importante acrescentar que “O Prof. Rodgers Júnior, em seu Environmental Law, conceitua a discussão das alternativas como linchpin (elemento central ou de coesão) da avaliação de impacto, devendo essa discussão ser “sóbria, fundamentada e minuciosa” e o Prof. Juergensmeyer classifica a discussão das alternativas como o coração da avaliação de impacto ambiental” (pag. 279).

Quanto à identificação e avaliação dos impactos ambientais do projeto, adverte Paulo Afonso que “terão que ser avaliados antes de se licenciar a implantação e antes de se autorizar a operação da atividade”.

Sabemos que a avaliação de impactos ambientais deve ser empregada para identificar, prever, avaliar e gerenciar impactos significativos. Portanto, a alternativa locacional do projeto é uma exigência legal e devem ser identificados todos os impactos ambientais positivos e negativos das alternativas propostas, inclusive, para se poder, ao final, apontar qual a melhor alternativa locacional para o projeto.

No entanto, não há uma vírgula no EIA/RIMA analisando outras áreas para o empreendimento.

CONSIDERAÇÕES FINAIS: Chama a atenção a “urgência” com que todo o empreendimento e seu licenciamento

CONSIDERAÇÕES FINAIS:

Chama a atenção a “urgência” com que todo o empreendimento e seu licenciamento está sendo tratado.

No momento haveria uma certa tolerância de tempo que permitiria o desenvolvimento dos estudos propostos antes de se iniciar o processo de licenciamento.

Não se discute a importância de se garantir o suprimento de água para parte da Região Metropolitana de São Paulo, mas isso deve ser feito com critério e com base em estudos que efetivamente permitam a avaliação dos impactos ao meio ambiente.

Como já apresentado, não há informações ambientais suficientes sobre a área de influência do empreendimento, o que significa que não é possível se estimar de forma adequada os impactos que serão gerados.

Caso o monitoramento tivesse sido implementado desde o momento em que se deu entrada no pedido de licença, as etapas 1 e 2 já estariam perto de seu final, garantindo mais informações sobre a real situação

do sistema. Nunca é demais se ressaltar que a tomada de dados para o estabelecimento

do sistema.

Nunca é demais se ressaltar que a tomada de dados para o estabelecimento de uma linha de base, obviamente no caso do meio aquático, pode se dar em um ano pouco típico, como recentemente ocorreram alguns, criando um lote de dados que pode não refletir as condições a serem avaliadas durante o monitoramento.

Todo o levantamento para o diagnóstico, estabelecimento da linha de base e início de monitoramento deveria ser implantado a priori.

Deve ser ressaltado que a Fundação Florestal solicitou a inclusão de uma série de estudos, bem como apresentou a sugestão de que a elaboração dos estudos do marco zero se desse dois anos antes à emissão de parecer sobre viabilidade ambiental do empreendimento, conforme Informação Técnica FF/DLN nº014/2016, de 09/06/2016. Esse documento foi assinado pelo Sr. Carlos Zacchi Neto, Diretor da Baixada Santista, Litoral Norte, Vale do Paraíba e Mantiqueira.

O mesmo documento apresentou dois questionamentos à SABESP, respondidos pelo Prof. Dr. Sergio Rosso (fls. 542/546 do processo da FF).

Ao que se sabe, nenhuma manifestação foi apresentada pelo empreendedor em relação às solicitações efetuadas

Ao que se sabe, nenhuma manifestação foi apresentada pelo empreendedor em relação às solicitações efetuadas na Informação Técnica FF/DLN nº014/2016.

Mesmo sem resposta em relação à inclusão dos estudos solicitados e apenas com base nos esclarecimentos referentes às duas questões efetuadas e respondidas pelo Prof. Dr. Sergio Rosso, o mesmo Sr. Carlos Zacchi Neto considerou que não havia óbices à implantação do empreendimento, conforme consta na Informação Técnica FF/DLN nº016/2016.

Como já ressaltado, o empreendimento é baseado em decisão política. Infelizmente, não há estudo técnico adequado que ateste a viabilidade do empreendimento.

Por todo o exposto, verifica-se que a instrução do licenciamento ambiental não demonstrou e nem comprovou a viabilidade ambiental do empreendimento ensejando a anulação de sua licença Prévia, que foi indevidamente emitida.

VI – DO DIREITO: Como se observa pelos fatos acima narrados, segundo Parecer Multidisciplinar elaborado

VI DO DIREITO:

Como se observa pelos fatos acima narrados, segundo Parecer Multidisciplinar elaborado pelo Setor Técnico do MPSP, nem o EIA/RIMA, nem as suas complementações, atendeu às diretrizes e atividades técnicas elencadas nos artigos 5º e 6º, da Resolução CONAMA 01/86.

Sabe-se que as conclusões do EIA/RIMA são passíveis de questionamento judicial, sendo que o não atendimento às disposições dos artigos 5º e 6º, da Resolução CONAMA 01/86, pode determinar a inexistência ou insuficiências do EIA/RIMA, como é o caso dos autos.

Segundo o doutrinador Álvaro Luiz Valery Mirra, “Um EIA que não contempla todos os pontos mínimos do seu conteúdo, previstos na regulamentação, é um estudo inexistente; e um EIA que não analisa de forma adequada e consistente esses mesmos pontos é um estudo insuficiente. E tanto num caso (inexistência do EIA) quanto no outro (insuficiência do EIA) o vício que essas irregularidades acarretam ao procedimentos de licenciamento é de natureza substancial. Consequentemente, inexistente ou insuficiente o estudo de impacto, não pode a obra ou a atividade ser licenciada e se, por acaso, já tiver havido o licenciamento, este será inválido.” (Impacto Ambiental - Aspectos da Legislação Brasileira, Ed. Juarez de Oliveira, 2ª ed. Pág. 69).

Assevere-se que, com o advento da Constituição Federal de 1988, o meio ambiente foi elevado

Assevere-se que, com o advento da Constituição Federal de 1988, o meio ambiente foi elevado a bem de interesse comum do povo, constituindo verdadeiro direito fundamental da coletividade e para a qual compete, juntamente com o Estado, zelar pela sua preservação, de sorte a garantir um ambiente sadio e equilibrado para as presentes e futuras gerações.

É o que muito bem resume o artigo 225, caput, da Lei Maior, que transcrevermos in verbis:

“Art. 225. Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá- lo para as presentes e futuras gerações.” (sublinhamos)

Bem por isso, a proteção do meio ambiente se afigura como uma das obrigações legais e constitucionais do Estado, razão pela qual vem também esculpida no § 1º da supracitada norma, igualmente transcrito:

“§ 1º - Para assegurar a efetividade desse direito, incumbe ao Poder Público:

I - preservar e restaurar os processos ecológicos essenciais e prover o

manejo ecológico das espécies e ecossistemas; II- preservar a diversidade e a integridade do patrimônio

manejo ecológico das espécies e ecossistemas;

II- preservar a diversidade e a integridade do patrimônio genético do

País e fiscalizar as entidades dedicadas à pesquisa e manipulação de

material genético;

III - definir, em todas as unidades da Federação, espaços territoriais e

seus componentes a serem especialmente protegidos, sendo a alteração e a supressão permitidas somente através de lei, vedada qualquer utilização que comprometa a integridade dos atributos que

justifiquem sua proteção;

IV - exigir, na forma da lei, para instalação de obra ou atividade

potencialmente causadora de significativa degradação do meio ambiente, estudo prévio de impacto ambiental, a que se dará

publicidade;

V - controlar a produção, a comercialização e o emprego de técnicas, métodos e substâncias que comportem risco para a vida, a qualidade de vida e o meio ambiente;

VI - promover a educação ambiental em todos os níveis de ensino e

a conscientização pública para a preservação do meio ambiente;

VII

- proteger a fauna e a flora, vedadas, na forma da lei, as práticas

que

coloquem em risco sua função ecológica, provoquem a extinção

de espécies ou submetam os animais a crueldade.” (sublinhamos)

Analisando o dispositivo constitucional em comento, JOSÉ AFONSO DA SILVA ensina que “as normas constitucion

Analisando

o

dispositivo

constitucional

em

comento,

JOSÉ

AFONSO DA SILVA ensina que “as normas constitucionais assumiram a consciência de que o direito à vida, como matriz de todos os demais direitos fundamentais do homem é que há de orientar todas as formas de atuação no campo da tutela ao meio ambiente. Compreendeu que ele é um valor preponderante, que há de estar acima de quaisquer considerações como as de desenvolvimento, como as de respeito ao direito de propriedade, como as da iniciativa privada. Também estes são garantidos no texto constitucional, mas, a toda evidência, não podem primar sobre o direito à vida, que está em jogo quando se discute a tutela da qualidade do meio ambiente, que é instrumental no sentido de que, através dessa tutela, o que se protege é um valor maior: a

qualidade da vida humana” (Curso de Direito Constitucional Positivo, Ed. RT, 6ª Ed., São Paulo, 1990, PP.709/710).

Ainda, não se deve olvidar, no que concerne à responsabilidade dos

Estados para com o meio ambiente, o que vem disposto no artigo 23 da Magna Carta, também aplicável aos demais entes federados, e que merece transcrição:

“Art. 23. É competência comum da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios:

I - zelar pela guarda da Constituição, das leis e das instituições democráticas e conservar

I - zelar pela guarda da Constituição, das leis e das instituições democráticas e conservar o patrimônio público;

VI - proteger o meio ambiente e combater a poluição em

qualquer de suas formas;

VII - preservar as florestas, a fauna e a flora”.(sublinhamos)

Neste diapasão, temos que no Estado de São Paulo grande parte da parcela de responsabilidade pelos danos porventura causados por atividades passíveis de provocar significativa degradação recaia sobre a CETESB, ora requerida, posto que órgão vinculado à Secretaria de Estado do Meio Ambiente, e que, nos termos constitucionais acima transcritos, não poderia relegar a segundo plano a proteção do patrimônio ambiental.

No entanto, no intuito de realizar uma obra politicamente recomendável para o Governo do Estado, esquece a CETESB de seu papel institucional.

Não podemos tolerar a presente obra, sem o mínimo de zelo com o meio ambiente atingido.

Ainda mais porque, como órgão de controle ambiental, sua obrigação constitucional, legal e institucional é

Ainda mais porque, como órgão de controle ambiental, sua obrigação constitucional, legal e institucional é exatamente a de assegurar, através do regular licenciamento dos empreendimentos potencialmente poluidores ou passíveis de provocar considerável degradação, o alcance do desenvolvimento sustentável, que deflui da conjugação dos artigos 225 e 170, inciso VI de nossa Carta Magna.

Isto porque este último dispositivo, ao tratar dos princípios atinentes à ordem econômica, é expresso ao garantir “a defesa do meio

ambiente, inclusive mediante tratamento diferenciado conforme o impacto ambiental dos produtos e serviços e de seus processos de elaboração e prestação”.

In casu, conforme se verifica do EIA/RIMA apresentado ao órgão ambiental, o empreendimento afetará diversas áreas protegidas, como Unidades de Conservação, APP e Áreas de Proteção Ambiental, dentre elas o Parque Estadual da Serra do Mar, Parque Estadual Restinga de Bertioga, APA Marinha Litoral Centro.

Em que pese a importância das áreas afetadas, o procedimento de licenciamento não observou o devido trâmite, previsto na Resolução CONAMA 237/97, como já afirmado.

Convém lembrar, ainda, que as complementações feitas ao EIA/RIMA, foram após a realização das audiências

Convém lembrar, ainda, que as complementações feitas ao EIA/RIMA, foram após a realização das audiências públicas, realizadas em 08 de dezembro de 2015 e 09 de dezembro de 2015, o que fere mais um dispositivo do regramento do licenciamento ambiental, notadamente, o seu artigo 10:

Art. 10 - O procedimento de licenciamento ambiental obedecerá às seguintes

etapas:

I - Definição pelo órgão ambiental competente, com a participação do

empreendedor, dos documentos, projetos e estudos ambientais, necessários ao início do processo de licenciamento correspondente à licença a ser requerida;

II - Requerimento da licença ambiental pelo empreendedor, acompanhado dos

documentos, projetos e estudos ambientais pertinentes, dando-se a devida

publicidade;

III

- Análise pelo órgão ambiental competente, integrante do SISNAMA ,

dos

documentos, projetos e estudos ambientais apresentados e a realização de

vistorias técnicas, quando necessárias;

IV - Solicitação de esclarecimentos e complementações pelo órgão ambiental competente, integrante do SISNAMA, uma única vez, em decorrência da análise dos documentos, projetos e estudos ambientais apresentados, quando couber, podendo haver a reiteração da mesma solicitação caso os esclarecimentos e complementações não tenham sido satisfatórios;

V - Audiência pública, quando couber, de acordo com a regulamentação pertinente;

VI - Solicitação de esclarecimentos e complementações pelo órgão ambiental competente, decorrentes de audiências

VI - Solicitação de esclarecimentos e complementações pelo órgão ambiental competente, decorrentes de audiências públicas, quando couber, podendo haver reiteração da solicitação quando os esclarecimentos e complementações não tenham sido satisfatórios;

VII - Emissão de parecer técnico conclusivo e, quando couber, parecer jurídico;

VIII - Deferimento ou indeferimento do pedido de licença, dando-se a devida publicidade.

§ 1º - No procedimento de licenciamento ambiental deverá constar, obrigatoriamente, a certidão da Prefeitura Municipal, declarando que o local e o tipo de empreendimento ou atividade estão em conformidade com a legislação aplicável ao uso e ocupação do solo e, quando for o caso, a autorização para supressão de vegetação e a outorga para o uso da água, emitidas pelos órgãos competentes.

§ 2º - No caso de empreendimentos e atividades sujeitos ao estudo de impacto ambiental - EIA, se verificada a necessidade de nova complementação em decorrência de esclarecimentos já prestados, conforme incisos IV e VI, o órgão ambiental competente, mediante decisão motivada e com a participação do empreendedor, poderá formular novo pedido de complementação.

Ora, devido a todas as incongruências encontradas no EIA/RIMA elaborado pela SABESP, tais como: ausência de demonstração do real benefício da captação na bacia do Rio Itapanhaú na melhoria da segurança de abastecimento de água ao SPAT; a ausência de alternativa locacional e de análise

da não execução do empreendimento, em razão da possiblidade de operação do Reservatório Taiaçupeba em

da não execução do empreendimento, em razão da possiblidade de operação do Reservatório Taiaçupeba em seu nível mais alto de projeto que, juntamente, com outras obras executadas ou em andamento, poderia dispensar a reversão da bacia do Rio Itapanhaú; insuficiência do diagnóstico ambiental realizado em razão de falha da delimitação das áreas de influência do empreendimento, ausência de discussão pública das complementaçõesdos estudos, tendo em vista o risco de exclusão dos estuários e as praias da região, que podem sim ser afetadas, fica evidente que o EIA /RIMA possui falhas substanciais que redundam na sua total invalidade.

Assim, diante das inúmeras e graves falhas já narradas nesta exordial, em nome dos Princípios da Prevenção e Precaução, que norteiam o Direito Ambiental, o oneroso Projeto de Reversão da Bacia do Rio Itapanhaú, com alto potencial de causar impactos ambientais irreversíveis em áreas sensíveis de relevantes atributos à conservação, deve ser paralisado e o Processo de Licenciamento deve ser invalidado.

Segundo o autor Frederico Amado, em sua obra Resumo Direito Ambiental (4º edição fls. 37), de acordo com o Princípio da Precaução, se determinado empreendimento puder causar danos ambientais sérios ou irreversíveis, existindo base científica razoável fundada em juízo de probabilidade não remoto da sua potencial ocorrência, o empreendedor deverá ser compelido a adotar medidas de precaução para elidir ou reduzir os riscos ambientais para a população.

O entendimento acima esposado é respaldado pela farta Jurisprudência sobre o assunto, recorrente na invocação

O entendimento acima esposado é respaldado pela farta Jurisprudência sobre o assunto, recorrente na invocação do princípio da precaução como forma de garantir a qualidade ambiental, conforme ementa a seguir exposta:

DIREITO AMBIENTAL - AÇÃO POPULAR - ÁREA DE PROTEÇÃO AMBIENTAL EXTRAÇÃO MINERAL - DEGRADAÇÃO DO MEIO AMBIENTE - REGIÃO DE MANANCIAIS - INEXISTÊNCIA DE DIREITO ADQUIRIDO CONTRA A PROTEÇÃO AMBIENTAL PRINCÍPIO DA PRECAUÇÃO. 1. O meio ambiente consiste em bem de uso comum do povo, essencial à sua qualidade de vida, impondo ao poder público e à própria coletividade o dever de protegê-lo e preservá-lo, visando assegurar a sua fruição pelas futuras gerações. Inteligência do art. 225 da Constituição Federal. 2. A atividade de pesquisa e posterior exploração mineral na região, tal como prevista nos atos impugnados, não pode ser conciliada com a proteção ambiental dispensada (APA), sobretudo por suas repercussões em bacia hidrográfica relevante. Situação agravada pela exploração já empreendida, independentemente de autorização dos órgãos competentes e sem qualquer fiscalização. 3. Inexiste direito adquirido oponível à proteção do meio ambiente. Precedente do C. STJ. 4. A ausência de certeza científica formal acerca da existência de risco de dano sério ou irreversível requer a

implementação de medidas que possam assegurar a sua prevenção. Princípio da Precaução . 5. Apelação

implementação de medidas que possam assegurar a sua prevenção. Princípio da Precaução. 5. Apelação a que se nega provimento. (AC 00065755719994036105, DESEMBARGADOR FEDERAL MAIRAN MAIA, TRF3 SEXTA TURMA, e-DJF3 Judicial 1 DATA:02/02/2011 PÁGINA: 193).(destacamos).

Já o Princípio da Prevenção se refere a uma efetiva e completa análise dos impactos de um empreendimento com potencial poluidor, para então avaliar sua viabilidade ambiental e as medidas mitigadoras e compensatórias necessárias.

Superadas eventuais deficiências quanto à avaliação de riscos, gestão de riscos e comunicação de riscos, ter-se-ão, ao menos, dados científicos concretos sobre os riscos ambientais advindos do empreendimento, permitindo, desta forma, a tomada de decisão com base na ciência sobre a viabilidade ou não em atendimento ao acima exposto princípio da precaução.

A ele segue-se uma análise posterior ao estudo contextual de impactos, etapa essa também indispensável para o correto licenciamento que materializa o também constitucional reconhecido Princípio da Prevenção, onde a configuração do risco transmuta-se para abandonar a qualidade de risco de perigo para assumir a do risco de produção dos efeitos sabiamente perigosos.

Diante desta indissociável relação entre os princípios, tem-se que o desrespeito ao princípio da precaução

Diante desta indissociável relação entre os princípios, tem-se que o desrespeito ao princípio da precaução traz como consequência inexorável o desrespeito ao princípio da prevenção, viciando as medidas mitigadoras a serem exigidas do empreendedor.

Não é demais frisar que as licenças ambientais não são intangíveis, tampouco se sobrepõem à realidade fática, sendo que por vezes são concedidas irregularmente e seus efeitos suspensos ou anulados pelo Poder Judiciário. Cabe ao parquet, por dever institucional, atuar caso constate desrespeito ao ordenamento jurídico, como ao princípio da precaução e prevenção, como é o caso dos autos.

Outro princípio que se aplica ao presente caso é aquele que, de forma implícita, está previsto na Lei da Política Nacional de Recursos Hídricos (Lei nº 9.433/97), nos artigos 2º, inciso I, 5º, inciso I, 6º e 7º, inciso IV, isto porque, para que o objetivo da LPNRH de assegurar à atual e às futuras gerações a disponibilidade de água em qualidade adequada se concretize, a norma impõe a melhoria do meio ambiente (aumento da quantidade e melhoria da qualidade dos recursos hídricos disponíveis), o que é impossível com a diminuição dos níveis normativos de proteção ao meio ambiente, sobretudo no que diz respeito à cobertura florestal, como se sabe, intimamente relacionada à produção de água com qualidade.

No caso em apreço, descuidou-se dos pilares fundamentais do Direito Ambiental Constitucional – os princípios

No caso em apreço, descuidou-se dos pilares fundamentais do Direito Ambiental Constitucional os princípios da prevenção e precaução e, por consequência, das regras infraconstitucionais que neles buscam seus fundamentos de validade, cuja violação macula o processo de licenciamento.

Não resta, portanto, outra solução às rés que não seja a adequação de suas condutas aos preceitos constitucionais e legais, sendo a condenação das requeridas medida de rigor para que a legislação ambiental em comento seja fielmente cumprida.

VII DOS PEDIDOS:

1. DA TUTELA PROVISÓRIA DE URGÊNCIA:

No presente caso, é imperiosa a concessão de tutela de urgência, já que presentes todos os elementos que evidenciem a probabilidade do direito e perigo de dano ou risco ao resultado útil do processo.

A probabilidade do direito é manifesta diante da prova pericial elaborado pelo Setor Técnico deste MPSP e da mera leitura do EIA/RIMA, que evidencia a ausência dos estudos adequados.

O parecer aponta cuidadosamente as falhas e omissões constatadas no insuficiente estudo e permite concluir

O parecer aponta cuidadosamente as falhas e omissões constatadas no insuficiente estudo e permite concluir que o EIA/RIMA e suas complementações não atenderam de forma satisfatória os artigos 5º e 6º da Resolução CONAMA 01/86. Estes vícios acarretam a absoluta imprestabilidade do estudo e, de consequência, do próprio licenciamento e de eventuais licenças a serem expedidas.

In casu, a não concessão de tutela de urgência acarretaria perigo de danos ambientais irreversíveis a todas as Unidades de Conservação e Áreas de Proteção Ambientais diretamente afetadas pelo empreendimento, além do risco de desperdício de recursos públicos. Deve-se impedir, portanto, prejuízos ao meio ambiente, por meio da tutela de urgência, de sorte a resguardar os resultados úteis da presente demanda se concedida ao final.

Assim, é de se observar que os fatos e o direito material acham-se suficientemente demonstrados nos documentos que instruem a presente, estando claramente evidenciada a necessidade do amparo judicial urgente para afastar de pronto o risco de perecimento dos bens que representam a garantia de eficácia da sentença de mérito.

Na hipótese, as ilegalidades e irregularidades do licenciamento ambiental para o empreendimento em comento e potenciais danos ao meio

ambiente apontados nesta exordial estão devidamente comprovados por prova documental inequívoca, consubstanciada nos

ambiente apontados nesta exordial estão devidamente comprovados por prova documental inequívoca, consubstanciada nos autos do Inquérito Civil que instrui a presente.

2. DOS PEDIDOS:

Diante do exposto, requer o autor:

1. a concessão da tutela provisória de urgência (artigos 294 a 299 do CPC),

com fundamento no Princípio da Prevenção e Precaução, impondo-se à requerida CETESB a obrigação de fazer, consistente na imediata suspensão do processo administrativo de licenciamento do empreendimento em tela, bem como suspensão de autorizações de desmatamento e licenças ambientais concedidas e, relativamente a corré SABESP, a obrigação de não fazer consistente na imediata proibição de iniciar a obra ou a sua paralisação, caso já esteja em andamento, e obrigação de não fazer, consistente na imediata paralisação de qualquer desmatamento em andamento, até decisão final desta ação, sob cominação de multa diária de valor não inferior a 10.000 (dez mil) UFESPs, devida por qualquer ato praticado

em desacordo à ordem judicial

2. determinar à corré CETESB , em razão do item anterior, a obrigação de não

fazer consistente na abstenção quanto a emitir novas licenças ou autorizações, direta ou indiretamente relacionadas ao empreendimento em questão, as quais visem quaisquer espécies de intervenções na área afetada,

enquanto não existir os estudos necessários para embasar o EIA/RIMA, com a realização das respectivas

enquanto não existir os estudos necessários para embasar o EIA/RIMA, com a realização das respectivas audiências públicas.

Em caso de incidência de multa, esta deverá ser revertida para o Fundo Estadual de Reparação de Interesses Difusos Lesados de que tratam as Leis Federal 7.347/85 e Estadual 6.536/89 e o Decreto Estadual 27.070/87, junto à conta da Nossa Caixa, Nosso Banco n. 13.00074- 5, agência 0935-1, nos termos dos Decretos Estaduais 43.060/98 e 43.106/98.

3. a citação das requeridas nos termos do art. 237 e seguintes do CPC, para resposta no prazo legal, advertindo-as dos efeitos da revelia, se não contestada a ação;

4. ao final, a PROCEDÊNCIA DOS PEDIDOS PARA:

a) tornar definitiva a tutela provisória de urgência;

b) decretar a nulidade dos atos administrativos de aprovação do EIA/RIMA e suas complementações, e respectiva Licença Prévia nº 2507;

c) não permitir a obra enquanto não existir um novo EIA/RIMA, com os estudos adequados, avaliando-se efetivamente os danos e suas respectivas compensações, caso passíveis de serem compensados;

d) condenação da requerida SABESP em obrigação de fazer consistente na

obrigatoriedade de apresentação e prévia aprovação de novo EIA/RIMA para as obras de “transposição a

obrigatoriedade de apresentação e prévia aprovação de novo EIA/RIMA para as obras de “transposição a Bacia do Rio Itapanhaú”, que atenda explicitamente a todas as exigências contidas na Resolução 01/86 do CONAMA;

e) por cautela, caso a obra não seja suspensa, a condenação na reparação dos danos causados ao meio ambiente com a execução da obra. E, caso não sejam passíveis de reparação, sejam tais danos indenizáveis;

f) condenarem-se solidariamente as requeridas à obrigação de reconduzir o meio ambiente lesado ao statu quo ante, reparando integralmente os danos ambientais denunciados nestes autos e, preferivelmente, no modo recomendado por perícia técnica;

g) a condenação das Requeridas aos danos extrapatrimoniais e interinos provocados pela degradação ambiental (caso a obra seja paralisada), como desvio de curso d´água, construção em APP, desmatamentos. Aqui, neste tópico, nos referimos aos serviços ambientais que deixaram de ser prestados pela interferência das rés na área da obra. Estes são oriundos do funcionamento saudável dos ecossistemas naturais ou modificados pelos seres humanos. Como exemplos de serviços ambientais citamos a produção de oxigênio pelas plantas, a capacidade de produção de água e equilíbrio do ciclo hidrológico, fertilidade do solo, vitalidade dos ecossistemas, a paisagem, o equilíbrio climático, conforto térmico e captura de CO2, dentre outros.

“Pelo princípio da reparação integral do dano ambiental há que se considerar não apenas os prejuízos produzidos nos elementos que

compõem o ambiente natural, por ex., a água, o solo, a fauna, a flora, o

compõem o ambiente natural, por ex., a água, o solo, a fauna, a flora, o ecossistema, mas, também, a extensão de todo esse prejuízo, incluindo o dano causado ao equilíbrio ecológico. Neste sentido, há que se apurar “os efeitos ecológicos e ambientais da agressão inicial a um bem ambiental corpóreo que estiverem no mesmo encadeamento causal, como, por exemplo, a destruição de espécimes, habitat e ecossistemas inter-relacionados com o meio afetado,” ainda, “os denominados danos interinos, vale dizer, as perdas de qualidade ambiental havidas no interregno entre a ocorrência do prejuízo e a efetiva recomposição do meio degradado”; da mesma forma, devem ser reparados “os danos futuros que se apresentarem como certos, os danos irreversíveis à qualidade ambiental” e, por fim, “os danos morais coletivos resultantes da agressão a determinado bem ambiental (COMUNE, Antônio Evaldo;

MARQUES, João Fernando. A teoria neoclássica e a valoração ambiental. In:

ROMEIRO, Ademar Ribeiro; REYDON, Bastiaan Philip; LEONARDI, Maria Lúcia Azevedo (Coords.). Economia do meio ambiente: teoria, políticas e a gestão de espaços regionais. Campinas: Unicamp IE, 1996.).

Requer-se, derradeiramente:

a) A produção de todas as provas admitidas em direito, notadamente documentos, perícias e inspeções judiciais;

b) A dispensa do pagamento de custas, emolumentos e outros encargos (art. 18, da lei 7.347/85 e art. 87 do CDC);

c) As intimações pessoais do Ministério Público, por meio dos Promotores de

justiça integrantes do GAEMA/BS. Embora de valor inestimável, atribui-se à presente o valor de R$

justiça integrantes do GAEMA/BS.

Embora de valor inestimável, atribui-se à presente o valor de R$ 160.000.000,00 (cento e sessenta milhões, valor atribuído à obra).

Santos, 07 de abril de 2017.

Almachia Zwarg Acerbi

Promotora de Justiça

GAEMA - Núcleo III Baixada Santista