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LEITURA E PRODUÇÃO DE TEXTOS - I

Material organizado pelos professores de LPT para os cursos de Saúde da UNINOVE


(2º semestre / 2011)

ALUNO: R.A.

CURSO: UNIDADE:

TURMA: SEMESTRE/ANO:
PROFESSORA: Renata Valente F. Vilela
UNIDADE 1

LÍNGUA E LINGUAGEM

“Há um desgaste mais doloroso que o da roupa, e é o da LINGUAGEM,


mesmo porque sem recuperação. Certa moça dizia-me de um seu admirador entrado em
anos, homem que brilhava no Rio de Janeiro de Machado de Assis e Alcindo
Guanabara:
- Ele é tão velho, mas tão velho, que me encontrando à porta de uma perfumaria
disse: Boa idéia, vou te oferecer um vidro de cheiro!”
Carlos Drummond de Andrade
A LÍNGUA pode ser definida como um código formado por signos (palavras) e
leis combinatórias usados por uma mesma comunidade. Quanto maior o domínio que
temos da língua, maior é a possibilidade de um desempenho lingüístico eficiente.
Segundo Ferdinand Saussure, ela “é a parte social da linguagem, exterior ao indivíduo,
que, por si só, não pode nem criá-la nem modificá-la; ela não existe senão em virtude
duma espécie de contrato estabelecido entre os membros da comunidade.”
Ainda de acordo com Saussure, a FALA “é sempre individual e dela o indivíduo
é sempre senhor. A língua é necessária para que a fala seja inteligível e produza os seus
efeitos; mas esta é necessária para que a língua se estabeleça historicamente, o fato da
fala vem sempre antes.”
Uma língua não é estática, imutável; pelo contrário, como afirma o lingüista
Saussure: “Todas as partes da língua estão submetidas à mudança; a cada período
corresponde uma evolução mais ou menos considerável”. Com o passar do tempo, vão
ocorrendo várias transformações fonéticas, evoluções nas regras gramaticais, mudanças
de significação, palavras que desaparecem, outras que são criadas. Um exemplo é o
trecho da crônica de Carlos Drummond de Andrade lido acima.
Existem basicamente duas modalidades de língua, ou seja, duas línguas
funcionais:
1) Língua funcional de modalidade culta ou língua padrão, que
compreende a língua literária, tem por base a norma culta, forma lingüística utilizada
pelo segmento mais culto e influente de uma sociedade. Constitui, em suma, a língua
utilizada pelos veículos de comunicação de massa (emissoras de rádio e televisão,
jornais, revistas, painéis, anúncios, etc.), cuja função é a de serem aliados da escola,
prestando serviço à sociedade, colaborando na educação, e não justamente o contrário;
2) Língua funcional de modalidade popular ou língua cotidiana, que
apresenta gradações as mais diversas, tem o seu limite na gíria e no calão. Sendo mais
espontânea e criativa, se afigura mais expressiva e dinâmica. Temos, assim, à guisa de
exemplificação:

Estou preocupado. (norma culta)


Tô preocupado. (língua popular)
Tô grilado. (gíria, limite da língua popular)
EXERCÍCIOS

1) Coloque um “X” quanto à linguagem utilizada para cada função:


Função Linguagem
Culta Popular
 Aula universitária, conferências, sermões
 Conversa entre amigos ou em família
 Discursos políticos
 Programas culturais e noticiários de TV ou rádio
 Novelas de rádio e televisão
 Comunidades científicas
 Conversas e entrevistas com intelectuais a propósito de temas científicos
ou artísticos
 Irradiação de esportes
 Expressão de estados emocionais, confissões, anedotas, narrativas

2) Complete as lacunas de acordo com a linguagem solicitada abaixo:


Culta Popular
tênue fraco
ausentar-se _________________
presenciar _________________
repleto _________________
divergir _________________
tendência, pendor _________________
bofetada _________________
acompanhado _________________
odor _________________
_________________ sombra
_________________ conversa
_________________ “gandaia”
_________________ fazer
_________________ pilantra

3) Reescreva, usando o nível culto, as expressões do nível informal destacadas nas


frases:
1. Você não aproveita as oportunidades. Ainda vai ficar a ver navios.
2. Pode tirar o cavalo da chuva, que não irá a festa.

3. Que pressa! Parece que vai tirar o pai da forca.

4. Xi!!! Você embarcou em canoa furada.

5. Não estudou nada. Vai dar com os burros n’água nesta prova.

6. Você vai ficar boiando.

7. Eles sabem com quantos paus se faz uma canoa.

8. Ele joga verde pra colher maduro.

9. Ele saiu para tomar a fresca.

4)-UFES 1996

NÃO atende adequadamente ao sentido do texto da figura e às exigências da língua


padrão:
a) Para quem ama mergulhar na cachoeira, comer pão de queijo, cochilar de tarde na
praia, comer pipoca no cinema, participar de happy-hour, admirar noites estreladas,
comprar lingerie preta, assistir a comédia italiana, tomar champagne, vestir jeans,
brincar carnaval e banhar-se em banheira de hidromassagem, nada mais natural do que
também ter um Peugeot 106.
b) Se eu amo pão de queijo, happy-hour, noites estreladas, lingerie preta, comédia
italiana, champagne, banhos de cachoeira, cochilo de tarde na praia, jeans, carnaval e
banheira de hidromassagem, é lógico que eu também tenha um Peugeot 106.
c) Embora eu tenha um Peugeot 106, eu amo mergulhar na cachoeira, pão de queijo,
cochilar de tarde na praia, comer pipoca no cinema, happy-hour, noites estreladas,
lingerie preta, comédia italiana, champagne, jeans, carnaval e banheira de
hidromassagem.
d) Além de ter um Peugeot 106, eu também amo praticar ações tais quais mergulhar na
cachoeira, comer pão de queijo, cochilar de tarde na praia, comer pipoca no cinema,
participar de happy-hour, admirar noites estreladas, acariciar lingerie preta, assistir a
comédia italiana, tomar champagne, usar jeans, dançar no carnaval e banhar-me em
banheira de hidromassagem.
e) Se eu tenho um Peugeot 106, é óbvio que eu também ame mergulhar na cachoeira,
comer pão de queijo, cochilar de tarde na praia, comer pipoca no cinema, participar de
happy-hour, observar noites estreladas, admirar lingerie preta, assistir a comédia
italiana, tomar champagne, vestir jeans, dançar durante o carnaval e banhar-me em
banheira de hidromassagem.

5) Observe o texto a seguir, extraído de um conto. É a fala de um protagonista, um


sitiante:
“... Com perdão da pergunta, mas será que mecê não tem lá alguma enxada assim meio
velha pra ceder pra gente?”
Assinale a alternativa que propõe a transposição dessa frase para uma forma adequada à
linguagem urbana culta:
a) ( ) Me perdoe de perguntar, mas será que você não tem por lá alguma enxada assim
meio velha que a gente pudesse usar?
b) ( ) Desculpa a gente perguntar, mas o senhor não tem alguma enxada assim meio
velha pra emprestar pra nós?
c) ( ) Me perdoa a pergunta, mas será que o senhor não poderia ceder para nós alguma
enxada que tem por lá assim meio velha?
d) ( ) Desculpa a pergunta, mas o senhor não teria alguma enxada meio velha para nos
ceder?
e) ( ) Desculpe-me a pergunta, mas será que você não tem, para nos emprestar, alguma
enxada assim do tipo meio velha?
UNIDADE 2

VARIAÇÃO LINGÜÍSTICA - FALA E ESCRITA

Sapassado, era sessetembro,

taveu na cuzinha tomando uma

pincumel e cuzinhando um

kidicarne cumastumate pra fazer

uma macarronada cum

galinhassada. Quascaí de susto

quanduvi um barui vinde

denduforno parecenum tidiguerra.

A receita mandopô midipipoca

denda galinha prassá.

O forno isquentô,o mistorô, e o

fiofó da galinhispludiu!

Nossinhora! Fiquei branco quinein

um lidileite. Foi um trem doidimais!

Quascaí dendapia! Fiquei

sensabê doncovim, noncotô,

proncovô. Ópceve quilocura!

Grazadeus ninguém semaxucô!

NATUREZA E CULTURA (Fonte: ARANHA, M.L. & MARTINS, M.H. A cultura. In: Filosofando:
introdução à filosofia. SP: Moderna, 1993, p.2-8)
Registros, variantes ou níveis de língua(gem)

A comunicação não é regida por normas fixas e imutáveis. Ela pode transformar-
se, através do tempo, e, se compararmos textos antigos com atuais, perceberemos
grandes mudanças no estilo e nas expressões. Por que as pessoas se comunicam de
formas diferentes? Temos que considerar múltiplos fatores: época, região geográfica,
ambiente e status cultural dos falantes.
Há uma língua-padrão? O modelo de língua-padrão é uma decorrência dos
parâmetros utilizados pelo grupo social mais culto. Às vezes, a mesma pessoa,
dependendo do meio em que se encontra, da situação sociocultural dos indivíduos com
quem se comunica, usará níveis diferentes de língua. Dentro desse critério, podemos
reconhecer, num primeiro momento, dois tipos de língua: a falada e a escrita.
A língua falada pode ser culta ou coloquial, vulgar ou inculta, regional, grupal
(gíria ou técnica). Quando a gíria é grosseira, recebe o nome de calão.
Quando redigimos um texto, não devemos mudar o registro, a não ser que o
estilo permita, ou seja, se estamos dissertando – e, nesse tipo de redação, usa-se,
geralmente, a língua-padrão – não podemos passar desse nível para um como a gíria,
por exemplo.
Variação lingüística: como falantes da língua portuguesa, percebemos que
existem situações em que a língua apresenta-se sob uma forma bastante diferente
daquela que nos habituamos a ouvir em casa ou nos meios de comunicação. Essa
diferença pode manifestar-se tanto pelo vocabulário utilizado, como pela pronúncia ou
organização da frase.
Nas relações sociais, observamos que nem todos falam da mesma forma. Isso
ocorre porque as línguas naturais são sistemas dinâmicos e extremamente sensíveis a
fatores como, por exemplo, a região geográfica, o sexo, a idade, a classe social dos
falantes e o grau de formalidade do contexto. Essas diferenças constituem as variações
lingüísticas.
Observe abaixo as especificidades de algumas variações:

1) Profissional: no exercício de algumas atividades profissionais, o domínio


de certas formas de línguas técnicas é essencial. As variações profissionais são
abundantes em termos específicos e têm seu uso restrito ao intercâmbio técnico.
2) Situacional: as diferentes situações comunicativas exigem de um mesmo
indivíduo diferentes modalidades da língua. Empregam-se, em situações formais,
modalidades diferentes das usadas em situações informais, com o objetivo de adequar o
nível vocabular e sintático ao ambiente lingüístico em que se está.
3) Geográfica: há variações entre as formas que a língua portuguesa
assume nas diferentes regiões em que é falada. Basta prestar atenção na expressão de
um gaúcho em contraste com a de um amazonense. Essas variações regionais
constituem os falares e os dialetos. Não há motivo lingüístico algum para que se
considere qualquer uma dessas formas superior ou inferior às outras.
4) Social: o português empregado pelas pessoas que têm acesso à escola e
aos meios de instrução difere do português empregado pelas pessoas privadas de
escolaridade. Algumas classes sociais, assim, dominam uma forma de língua que goza
prestígio, enquanto outras são vítimas de preconceito por empregarem estilos menos
prestigiados. Cria-se, dessa maneira, uma modalidade de língua – a norma culta -, que
deve ser adquirida durante a vida escolar e cujo domínio é solicitado como modo de
ascensão profissional e social. Também são socialmente condicionadas certas formas de
língua que alguns grupos desenvolvem a fim de evitar a compreensão por aqueles que
não fazem parte do grupo. O emprego dessas formas de língua proporciona o
reconhecimento fácil dos integrantes de uma comunidade restrita. Assim se formam, por
exemplo, as gírias, as línguas técnicas. Pode-se citar ainda a variante de acordo com a
faixa etária e o sexo.

AS DIFERENÇAS ENTRE FALA E ESCRITA

Enquanto a língua falada é espontânea e natural, a língua escrita precisa seguir


algumas regras. Embora sejam expressões de um mesmo idioma, cada uma tem a sua
especificidade. A língua falada é a mais natural, aprendemos a falar imitando o que
ouvimos. A língua escrita, por seu lado, só é aprendida depois que dominamos a língua
falada. E ela não é uma simples transcrição do que falamos; está mais subordinada às
normas gramaticais. Portanto requer mais atenção e conhecimento de quem fala. Além
disso, a língua escrita é um registro, permanece ao longo do tempo, não tem o caráter
efêmero da língua falada.

Língua falada:
palavra sonora; requer a presença dos interlocutores; ganha em vivacidade; é espontânea
e imediata; uso de frases feitas; é repetitiva e redundante; o contexto extralingüístico é
importante; a expressividade permite prescindir de certas regras; a informação é
permeada de subjetividade e influenciada pela presença do interlocutor; recursos: signos
acústicos e extralingüísticos, gestos, entorno físico e psíquico.

Língua escrita:
palavra gráfica; é possível esquecer o interlocutor; é mais sintética e objetiva; a
redundância é apenas um recurso estilístico; ganha em permanência; mais correção na
elaboração das frases; evita a improvisação; exigüidade de recursos não lingüísticos;
uso de letras, sinais de pontuação; é mais precisa e elaborada; ausência de cacoetes
lingüísticos e vulgarismos; o contexto extralingüístico tem menos influência.

EXERCÍCIOS

1. Identifique os tipos de língua abaixo (culta, coloquial, vulgar, regional, grupal). A


primeira frase vem como exemplo:
a) Temos conhecimento de que alguns casos de delinqüência juvenil no mundo hodierno
decorrem da violência que se projeta, através dos meios de comunicação, com
programas que enfatizam a guerra, o roubo e a venalidade. Culta
b) Cadê o livro que te emprestei? Me devolve em seguida, tá?
c) “Nóis ouvimo falá do pograma da televisão.”
d) “A la pucha, tchê! O índio está mais por fora do que cusco em procissão – o negócio
hoje é a tal de comunicação, seu guasca!”
e) O materialismo dialético rejeita o empirismo idealista e considera que as premissas
do empirismo materialista são justas no essencial.
f) “O negócio agora é comunicação, e comunicação o cara aprende com material vivo,
descolando um papo legal. Morou?”
g) “Meus camaradinhas:
Não entendi bulufas dessa jogada de fazerem o papai aqui apresentar o seu
Antenor Nascentes, um cara tão crânio, cheio de mumunhas, que é manjado até na
Europa. Estou meio cabrero até achando que foi crocodilagem do diretor do curso, o
professor Odorico Mendes, para eu entrar pelo cano.
O seu Antenor Nascentes é um chapa legal, é bárbaro e, em Filologia, bota
banca. Escreveu um dicionário etimológico que é uma lenha. Dois volumes que vou te
contar. Um deles é desta idade... mais grosso que trocador de ônibus. O homem é o Pelé
da Gramática, está mais por dentro que bicho de goiaba. Manda brasa, professor
Nascentes!”
(Correio do Povo, 20/04/1966.)
h) Me faz um favor: vai ao banco pra mim.
i) (Trecho de uma lista de compras)
assucar, basora (= vassoura), qejo (= queijo), maizena
j) “Deu-lhe com a boleadeira nos cascos, e o índio correu mais que cusco em
procissão.”
(Fonte: MARTINS, D.S. e ZILBERKNOP, L.S. Português instrumental. Porto Alegre: Sagra-Dc
Luzzatto, 1998.)

2-FUVEST 2000- “Orientação para uso deste medicamento: antes de você usar este
medicamento, verifica se o rótulo consta as seguintes informações, seu nome, nome de
seu médico, data de manipulação e validade e fórmula do medicamento solicitado.”
a) Há no texto desvios em relação à norma culta. Reescreva-o, fazendo as correções
necessárias.
b) A que se refere, no contexto, o pronome SEU da expressão "seu nome"? Justifique
sua resposta.

3-UFES 1996
A história do gerente apressado
Certa vez, um apressado gerente de uma grande empresa precisava de ir ao Rio de
Janeiro para tratar de alguns assuntos urgentes. Como tivesse muito medo de viajar,
deixou o seguinte bilhete para sua recém-contratada secretária:

“Maria: devo ir ao Rio amanhã sem falta. Quero que você me 'rezerve', um lugar, 'à
noite', no trem das 8 para o Rio.”

Sabe o leitor o que aconteceu? O gerente, simplesmente, perdeu o trem! Por quê?"
(BLIKSTEIN, Izidoro. Técnicas de comunicação escrita São Paulo: Ática, 1990, p.5)

O gerente perdeu o trem, porque a secretária não decodificou a problemática mensagem.


Qual bilhete é mais adequado para que a comunicação se dê, de fato:

a) Maria: devo ir ao Rio amanhã sem falta. Quero que você reserve um lugar, à noite, no
trem das 8 para o Rio.
b) Maria: devo ir ao Rio amanhã. Quero que você me compre um lugar, à noite, no trem
das 8 para o Rio.
c) Maria: Compre, para mim, uma passagem, em cabina com leito, no trem das 20h de
amanhã (4a feira), para o Rio de Janeiro.
d) Maria: vou ao Rio amanhã impreterivelmente. Quero que você me compre, à noite
uma passagem para o Rio no trem das 8.
e) Maria: devo ir no Rio amanhã. Quero que, à noite você me reserve, sem falta, um,
lugar, no trem das oito.

4- UFMT 1996
Tem dias que a gente se sente
Como quem partiu ou morreu.
A gente estancou de repente
Ou foi o mundo, então, que cresceu.
(Roda Viva - Chico Buarque)
Na(s) questão(ões) a seguir julgue os itens e escreva nos parênteses (V) se for
verdadeiro ou (F) se for falso.
( ) A expressão "a gente" é uma forma característica da linguagem coloquial para
substituir o pronome "nós".
( ) O uso do verbo "ter" em lugar de "haver" e a supressão da preposição "em" junto
ao relativo são marcas da oralidade no texto.
( ) A modalidade oral e o registro coloquial envolvem o ouvinte-leitor numa relação
de familiaridade.
UNIDADE 3

GRAMÁTICA DE USO I
(Partes deste capítulo foram extraídos de SOBRAL, João Jonas Veiga. Redação: escrevendo com prática. São Paulo: Iglu,
1997.)

Durante o processo de produção de textos, surgem sempre dúvidas gramaticais; nesta unidade
trataremos dos casos em que alguns exercícios podem ajudar a solucionar certos problemas; no entanto
há outros casos que gramáticas e livros do tipo tira-dúvidas resolvem tranqüilamente; a consulta a esses
materiais torna-se obrigatória por parte de quem se propõe a escrever na escola, no trabalho ou mesmo
por motivos particulares.
Vale lembrar que a eliminação de alguns erros será efetuada a partir do treinamento lingüístico
e a prática constante da escrita. Cabe ao produtor o trabalho constante da revisão e escrituração dos
textos para que a assimilação das técnicas redacionais e normas gramaticais sejam efetivadas.

O USO DE AONDE OU ONDE

Aonde indica movimento, sempre acompanhado de verbos que contenham essa noção:
Vou aonde me chamam.
Aonde chegaremos desse jeito?
Onde, ao contrário, indica o lugar em que se está, sem idéia de movimento, acompanhado de verbos
que indicam permanência:
Onde estão os velhos amigos e a beleza dos dias?
Fico onde me querem bem.
Por outro lado, a palavra onde tem sido usada indevidamente com o significado de por isso, mas, de
que, uma vez que, quando, e outros. Nas frases abaixo, observe o uso correto e o incorreto;
Morei em Itabuna, onde há muitas fazendas de cacau. O uso está correto, pois indica lugar físico.

Governo que dirige uma nação, além de ter ministros, deputados, senadores que formam um conjunto,
onde todos participam para poderem fazer seu dever... Uso errado, pois conjunto não é lugar físico; o
correto seria do qual.

EXERCÍCIOS
1. Preencha as lacunas com onde/aonde:
a) __________encontraram o Alfredo?
b) Gostaria que você me dissesse __________estão os talheres.
c) __________foram todos os alunos?

2. A palavra onde foi usada de forma inadequada. Troque-a pelo termo mais apropriado:
a) Essa porção nos fez imaginar um lugar isolado, solitário, apenas freqüentado por alguns animais e
vegetais, onde procuram com algumas dificuldades manter sua sobrevivência.
______________________________________________________________________________
b) Mas então lhe chega à frente o seu último inimigo, o mais cruel dos obstáculos, na forma de
velhice, onde ele luta para não perder as posições conquistadas.
______________________________________________________________________________

(Fonte: Caderno de Pesquisa, 23, Fundação Carlos Chagas, dez. 77)


c) “Nessa mesma semana desses ataques, o delegado Godofredo do DEIC deu uma entrevista a um
canal de televisão e considerou o PCC um “câncer”, onde não existe possibilidade alguma de se acabar
com esse grupo organizado.”

______________________________________________________________________________

POR QUE / POR QUÊ / PORQUE / PORQUÊ

TIPO EMPREGO EXEMPLOS


Por que a. Orações interrogativas diretas. Por que você viajou?
b. Orações interrogativas indiretas Não sei por que você viajou.
c. Pronomes relativos O caminho por que passei
era ruim. (= pelo qual).
Por quê Grafa-se separadamente com acento, Ela saiu cedo, por quê?
quando ocorrer no final de frases Pedro saiu? Por quê?
interrogativas diretas e indiretas e quando Vocês não conversaram com
houver pausa. o diretor, por quê?
Não sei por quê, ele não
veio.
Usa-se nas respostas explicativas. PodeEle saiu cedo, porque tinha
ser substituído por “pois”. Grafa-se numa
uma reunião.
Porque única palavra, quando for empregada Ele foi reprovado, porque
como conjunção causal ou explicativa. não estudou. (causa da
reprovação)
Grafa-se numa única palavra e acentua- Não sei o porquê de sua
se, quando for substantivo. Pode ser rebeldia.
Porquê substituído pelo substantivo motivo.
Seria interessante saber o
porquê de sua tristeza.

EXERCÍCIOS

1. Complete as lacunas com a conjunção porque adequado a cada sentença:

a) Foram esses os ideais_________ sempre lutei.

b) Eis __________ houve pane no avião.

c) Não disse toda a verdade, ___________?

d) __________ não disse toda a verdade?

e) Saberia o __________ de tantas desgraças?

UNIDADE 4

CONCEITO DE TEXTOS - LINGUAGEM VERBAL E NÃO-VERBAL


Olímpia, de Èdouard Manet, pintada em 1863 e exposta ao público em 1865 no Salão Oficial de Paris,
provocou escândalo e discussões acirradas; foi reconhecida como marco inicial da modernidade na pintura
apenas tempos depois. Nessa tela, podemos perceber alguns elementos fundamentais da linguagem da
pintura: a composição (repare no equilíbrio da formas distribuídas no espaço da tela), as próprias formas, as
cores (note o jogo de claro e escuro, luz e sombra, as diferentes tonalidades de preto).

DESABAR
Desabava
Fugir não adianta desabava
por toda parte minas torres
edif
ícios
princípios
l
e
i
s
muletas
desabando nem gritar
dava tempo soterrados
novos desabamentos insistiam
sobre peitos em pó
desabadesabadesabadavam
As ruínas formaram
outras cidades em ordem definitiva
(ANDRADE, Carlos Drumond de. Impurezas do branco. RJ: J. Olympio, 1974, p.54.)
Neste poema, Carlos Drummond de Andrade, além de explorar a linguagem verbal,
utiliza a expressividade da linguagem não-verbal ao fazer palavras e letras “desabarem”.
A LEITURA - TECER UM TEXTO
A palavra texto provém do latim textum, que significa tecido, entrelaçamento. Fica
evidente, assim, que já na origem da palavra encontramos a idéia de que o texto resulta de
um trabalho de tecer, de entrelaçar várias partes menores a fim de obter um todo inter-
relacionado. Daí podermos falar em textura ou tessitura de um texto: é a rede de relações
que garantem sua coesão, sua unidade.
Esse trabalho de tecelão que o produtor de textos executa pode ser avaliado a partir
de quatro elementos centrais: a repetição, a progressão, a não-contradição e a relação. Para
estudá-los, devemos ter sempre em mente que um texto se desenvolve de maneira linear, ou
seja, as partes que o formam surgem uma após a outra, relacionando-se com o que já foi
dito ou com o que se vai dizer.
(INFANTE, Ulisses. Do texto ao texto. Scipione, São Paulo: 1991)

Ler as letras de uma página é apenas um dos muitos disfarces da leitura. O


astrônomo lendo um mapa de estrelas que não existem mais; o arquiteto japonês lendo a
terra sobre a qual será erguida uma casa, de modo a protegê-la das forças malignas; o
zoólogo lendo os rastros de animais na floresta; o jogador lendo os gestos do parceiro antes
de jogar a carta vencedora; a dançarina lendo as notações do coreógrafo e o público lendo
os movimentos da dançarina no palco; o tecelão lendo o desenho intrincado de um tapete
sendo tecido; o organista lendo várias linhas musicais simultâneas orquestradas na página;
os pais lendo no rosto do bebê sinais de alegria, medo ou admiração; o adivinho chinês
lendo as marcas antigas na carapaça de uma tartaruga; o amante lendo cegamente o corpo
amado à noite, sob os lençóis; o psiquiatra ajudando os pacientes a ler seus sonhos
perturbadores; o pescador havaiano lendo as correntes do oceano ao mergulhar a mão na
água; o agricultor lendo o tempo no céu – todos eles compartilham com os leitores de
livros a arte de decifrar e traduzir signos.
(MANGUEL, Alberto. Uma história da leitura. São Paulo: Companhia das Letras, 1997, p. 19.)

O artista lê a natureza, talvez o maior e


mais completo de todos os textos; o
observador das telas lê a obra do artista,
ou seja, a leitura que o artista fez, e essa
leitura também constitui um texto.

A intercomunicação social traz a linguagem sempre como um “estar no mundo


como os outros não como um indivíduo particular, mas como parte do todo social, de uma
comunidade”. (Bechara, 1999:28). De maneira ampla, a linguagem se forma por meio de
palavras, gestos, expressões fisionômicas, sinais visuais, símbolos. Estes sinais são de
diferentes naturezas e podem ser classificados em:
Verbais ou lingüísticos: são os sons que nós ouvimos de nossos emissores, e estes
sons fazem parte da cadeia sonora de nossa Língua, sendo assim, inteligíveis.
Não verbais ou extralingüísticos ou visuais: são os quadros, a música orquestrada
ou new age, a dança, os grunhidos desde a expressão do maior amor até a de consumidor
ódio, os olhares, os gestos, até o silêncio. Estes são alguns exemplos de signos
extralingüísticos. Devemos nos esforçar para entendê-lo, do contrário, podemos incorrer em
“erros” e compulsivamente sermos afastados da socialização pela própria comunidade.

Esquematizando:
Pense num jogo de futebol: há dois pressupostos básicos, pelo menos. O número de
jogadores (unidades) e as regras do jogo. Na língua, também há esses dois pressupostos
básicos: as unidades (palavras) e as regras gramaticais.
Linguagem verbal: realização concreta da língua através da fala humana (sons e escrita).
Linguagem verbal x linguagem não verbal
Pense sobre o símbolo de um cigarro desenhado sobre uma placa, cortado por uma faixa
vermelha. Agora, pense na mesma placa, tirando o desenho e colocando-se Não Fume. Qual
é a mais eficaz?
Linguagem não verbal: mais econômica e rápida na veiculação.
Base da linguagem visual: ícone (figura ou imagem), que substitui a linguagem verbal mais
economicamente, logo com mais rapidez.
Linguagem verbal:
- transmissão completa do que sentimos, pensamos, desejamos;
- única capaz de traduzir as outras linguagens;
- quando o que temos que comunicar é complexo, optamos pela linguagem verbal.

Você já percebeu que, ao produzir um texto, pode utilizar alguns recursos da


linguagem não verbal (como a disposição das palavras no papel, a forma final do texto)
para obter maior expressividade.
Mas não se esqueça: para produzir textos cada vez melhores, você deve ser um bom
leitor dos mais variados “textos”, escritos com as mais variadas “palavras” (desenhos,
pinturas, filmes, o branco do vestido de noiva, a bandeira a meio-pau, o minuto de silêncio,
a seleção de notícias do telejornal, etc.).

EXERCÍCIOS

1. Na publicidade, qual texto chama mais a atenção do consumidor: verbal, não verbal ou
mista? E no jornalismo?

2-UFSM 2000 - Considere o que se afirma sobre o papel da linguagem verbal e não-verbal
na organização da história.
I. O desenho é auto-suficiente. Mesmo sem os diálogos, entende-se que um homem foi
punido por ter chamado o outro de gordo.
II. As falas das personagens são auto-suficientes. Mesmo sem os desenhos, entende-se que
um homem foi punido por acusar o outro de medroso.
III. O desenho e as falas são interdependentes. É pela fala do segundo quadrinho que se
entende que o homem foi punido principalmente por chamar o outro de "gordão".
Está(ão) correta(s)
a) apenas I.
b) apenas II.
c) apenas III.
d) apenas I e II.
b) apenas I e III.

2. Diga se os textos a seguir são verbal, não verbal ou misto. Interprete-os.

UNIDADE 5

INTERPRETAÇÃO DE ENUNCIADOS - VERBOS DE COMANDO

Antes de iniciar o uso desta apostila, pergunte-se: VOCÊ FAZ O QUE REALMENTE SE
PEDE? Para medir o nível do aproveitamento e o desenvolvimento dos alunos em sala de
aula, o professor pode utilizar vários instrumentos de avaliação. Entre esses instrumentos, é
muito comum o emprego de provas e/ou testes dissertativos, nos quais os alunos têm um
espaço para mostrar, sobre algum assunto determinado, a sua capacidade de análise,
criação, comparação, identificação, conceituação etc.
É muito comum nas discussões entre professores comentários sobre a dificuldade
que os alunos têm diante do momento de dissertar numa prova, mesmo que ela seja
composta por questões breves. Essa dificuldade pode ocorrer, muitas vezes, porque eles não
conseguem compreender exatamente o que é pedido em uma questão. Se observarmos com
atenção, todas as questões se iniciam ou se desenvolvem tendo como base um verbo-
comando (geralmente na forma do imperativo) que especifica para o aluno a forma como
ele deve responder a uma questão. A tabela abaixo demonstra alguns dos verbos-comando
mais utilizados.
Verbos de Definição dos verbos Especificação dos
comand (adaptada do Moderno Dicionário da procedimentos
o Língua Portuguesa Michaelis e Aurélio)

Analise Determinar os componentes ou elementos Exige a elaboração de um


fundamentais de alguma idéia, teoria, fato texto como resposta.
etc.; determinar por discernimento
natureza, significado, aspectos ou
qualidades do que está sendo examinado.

Justifique Explicar ou demonstrar a veracidade ou Exige a elaboração de um


Explique não de algum fato ou ocorrência por meio texto como resposta.
de elementos/argumentos plausíveis. Tornar
claro e coerente os elementos levantados.

Transcreva Reproduzir, extrair, copiar algum trecho de A resposta não pode ser
Cite algum texto sem qualquer tipo de elaborada e sim apenas
Destaque modificação. recortada utilizando-se sinais
adequados com aspas

Compare Examinar, simultaneamente, as Exige a elaboração de um


Confronte particularidades de duas ou mais idéias, texto como resposta.
fatos, ocorrências.

Critique Examinar com muito critério alguma idéia, Exige a elaboração de um


(“faça um noção ou entendimento tentando perceber texto como resposta.
comentário qualidades e/ou defeitos, pontos negativosImportante observar que
crítico”) e/ou positivos etc. criticar não é somente
levantar aspectos negativos
do que se está observando – a
crítica pode ser também de
caráter positivo.
Reescreva Tornar a escrever; escrever uma segunda Exige a reelaboração de um
vez. texto, consertando os defeitos
do primeiro texto.

Sugestões para responder melhor às questões dissertativas :


 Leia atentamente, se necessário várias vezes, os enunciados das questões detectando os
verbos-comando que estruturam as questões.
 Responda exatamente o que está sendo pedido, não tente “complementar” suas
respostas com informações desnecessárias achando que elas irão compensar o que você
não souber responder.
 Não se esqueça de que uma resposta a uma questão dissertativa, por menor que seja, é
sempre um texto, sendo assim, seja claro, coeso, coerente.
 Suas respostas deverão ter, como em qualquer outro texto, um início, um
desenvolvimento e, quando necessário, uma conclusão.
 Não responda às questões utilizando frases inteiras de textos, leia atentamente o
material que está sendo analisado e construa a resposta com o seu próprio discurso. Os
recortes de frases devem ser feitos apenas quando se tratar de verbos-comando como
“transcreva”, “retire” etc.
 Respeite o número de linhas especificado para as suas respostas. Não seja muito sucinto
nem muito prolixo – responda de maneira que você dê conta do que está sendo pedido.
 Toda boa resposta geralmente se inicia com traços da questão que a originou.
Ex.: Pergunta: De acordo com o texto, qual o nível financeiro daquela população?
Resposta: De acordo com o texto, o nível financeiro daquela população é muito baixo.
 Não use em suas respostas gírias e/ou construções típicas da linguagem coloquial.

Nesta apostila, e nas provas/avaliações que serão dadas para você elaborar,
muitos destes verbos serão solicitados. Fique atento!
(Fonte: Profs. Patrícia Quel e Jorge Luís Torresan)

EXERCÍCIOS

1-UNICAMP 1993 - A leitura literal do texto a seguir produz um efeito de humor.


"As videolocadoras de São Carlos estão escondendo suas fitas de sexo explícito. A decisão
atende a uma portaria de dezembro de 91, do Juizado de Menores, que proíbe que as casas
de vídeo aluguem, exponham e vendam fitas pornográficas a menores de 18 anos. A
portaria proíbe ainda os menores de 18 anos de irem a motéis e rodeios sem a companhia
ou autorização dos pais."
("Folha Sudeste", 06/06/92)
a) Transcreva a passagem que produz efeito de humor.
b) Qual a situação engraçada que essa passagem permite imaginar?
c) Reescreva o trecho de forma a impedir tal interpretação.

2. Faça o que se pede de acordo com os textos OBESIDADE INFANTIL, e EDUCANDO O


PALADAR.

OBESIDADE INFANTIL
O papel dos hábitos sedentários, da publicidade e da educação alimentar na
globalização de uma epidemia
.
Nos últimos 20 anos, a obesidade infantil tornou-se epidemia mundial. O número de
casos pode ser atribuído à farta disponibilidade de alimentos densamente calóricos e à vida
sedentária das crianças nas cidades.
Não existe um gene único que possa ser responsabilizado pela obesidade. A
predisposição é causada por uma interação complexa de cerca de 250 genes envolvidos no
controle de peso do organismo.
Células especiais para armazenar gordura (adipócitos) surgem no feto ao redor da
15ª semana de gestação. Durante o primeiro ano de vida elas não mais se multiplicam,
apenas crescem e se enchem de gordura para armazenar energia que será utilizada quando a
criança começar a andar.
À medida que a criança cresce em altura, essas reservas são consumidas até atingir
seus níveis mais baixos aos 5 ou 6 anos. Meninos e meninas que chegam gordinhos a essa
idade apresentarão maior probabilidade de desenvolver obesidade na adolescência e na vida
adulta.
Na criança de peso normal, entre 2 e 10 anos, ocorre apenas um pequeno aumento
do número de adipócitos. Já nas obesas, quando a quantidade de gordura contida em cada
célula atinge 1 grama — o limite máximo de sua capacidade —, ocorre a multiplicação
celular com formação de novos adipócitos.
Quando a criança obesa perde peso, a velocidade de formação de novas células
gordurosas diminui. Mas, ainda assim, são formadas mais células novas do que aquelas das
crianças magras.
A obesidade materna durante a gravidez interfere com a troca de nutrientes com o
feto e favorece o aparecimento de obesidade infantil. Ao contrário, má nutrição durante a
gravidez também pode levar à obesidade como mecanismo compensatório.
Crianças negligenciadas, solitárias ou deprimidas tendem a apresentar maiores
índices de obesidade quando adultas.
A falta de atividade física é fator crucial. A redução dos espaços urbanos disponíveis
para brincar em segurança, os computadores, os jogos eletrônicos e, especialmente, o
número de horas diante da tevê, expostas a comerciais de alimentos com alta densidade
calórica, são fatores de risco associados à explosão de obesidade nas crianças.
Pesquisas conduzidas na Inglaterra e nos Estados Unidos mostram que, nesses
países, elas estão expostas, em média, a dez comerciais de alimentos por hora diante da
tevê; a maioria sobre doces, refrigerantes e salgadinhos.
Da mesma forma que nos adultos, a obesidade na infância causa hipertensão
arterial, aumento de colesterol e triglicérides, inflamação crônica, facilita a formação de
coágulos, altera a parede interna das artérias e aumenta a produção de insulina. Esse
conjunto de fatores de risco para doença cardiovascular, conhecido como síndrome da
resistência à insulina ou síndrome metabólica, tem sido descrito até em crianças com 5 anos
de idade.
Anteriormente conhecido como diabetes do adulto, o diabetes do tipo 2 é cada vez
mais encontrado na infância. Em certas populações, seus portadores chegam a representar
metade do total de crianças diabéticas.
(Drauzio Varella)
EDUCANDO O PALADAR
O sabor do leite materno não é o mesmo em todas as mamadas, pois ocorrem
modificações no decorrer do dia por causa da alimentação da mãe. Bebês alimentados com
mamadeira não experimentam tal variedade de sabores, já que o gosto do leite em pó é
sempre o mesmo.
Estudos mostram que a diversidade de sensações gustativas associadas à
amamentação facilita mais tarde a instalação de paladares mais variados.
As crianças têm preferência inata por sabores doces e salgados, rejeição pelos
amargos e azedos, e apresentam dificuldade para aceitar novas experiências gustativas.
Calcula-se que devam ser expostas de cinco a dez vezes, em média, para adaptar-se
ao gosto de um novo alimento.
Nessa fase da vida, existe nítida predisposição para alimentos com alta densidade
calórica, como as gorduras e os doces, por causa do gosto agradável e por levar à saciedade
mais prontamente. Se não houver insistência na oferta, o paladar poderá fixar-se
exclusivamente em doces e gorduras, com graves conseqüências futuras.
(In: Carta Capital, n.º 332, 08/03/2005.)

a) Cite as causas do número de casos de obesidade infantil.


c) Explique por que uma criança que é gordinha aos cinco ou seis anos de idade tem
maiores chances de desenvolver obesidade na vida adulta.
d) Analise as conseqüências da obesidade para a saúde da criança.
e) Explique a importância da amamentação no processo de desenvolvimento do paladar
da criança.
f) Compare os dois textos e explique a relação entre os dois.

3-UNICAMP 1995
Defender a língua é, de modo geral, uma tarefa ambígua e até certo ponto inútil.
Mas também é quase inútil e ambíguo dar conselhos aos jovens de uma perspectiva adulta e
no entanto todo adulto cumpre o que julga seu dever. (...) Ora, no que se refere à língua, o
choque ou oposição situam-se normalmente na linha divisória do novo e do antigo. Mas
fixar no antigo a norma para o atual obrigaria este antigo a recorrer a um mais antigo, até ao
limite das origens da língua. A própria língua, como ser vivo que é, decidirá o que lhe
importa assimilar ou recusar. A língua mastiga e joga fora inúmeros arranjos de frase e
vocábulos. Outros, ela absorve e integra a seu modo de ser.
(Vergílio Ferreira, "Em Defesa da Língua", em: Estão a Assassinar o Português! trecho adaptado)

a) Transcreva a tese de Vergílio Ferreira, isto é, a afirmação básica que o autor aceita como
verdadeira e defende nesse trecho.
b) Transcreva o argumento no qual o autor se baseia para defender sua tese.
UNIDADE 6

A ESTRUTURA DO PARÁGRAFO - TÓPICO FRASAL – PARAGRAFAÇÃO


NOÇÕES DE TIPOLOGIA TEXTUAL

AS PALAVRAS-CHAVE
Ninguém chega à escrita sem antes ter passado pela leitura. Mas leitura aqui não
significa somente a capacidade de juntar letras, palavras, frases. Ler é muito mais que isso.
É compreender a forma como está tecido o texto. Ultrapassar sua superfície e aferir da
leitura seu sentido maior, que muitas vezes passa despercebido a uma grande maioria de
leitores. Só uma relação mais estreita do leitor com o texto lhe dará esse sentido. Ler bem
exige tanta habilidade quanto escrever bem. Leitura e escrita complementam-se. Lendo
textos bem estruturados, podemos apreender os procedimentos lingüísticos necessários a
uma boa redação.
Numa primeira leitura, temos sempre uma noção muito vaga do que o autor disse.
Uma leitura bem feita é aquela capaz de depreender de um texto ou de um livro a
informação essencial. Tudo deve ajustar-se a elas de forma precisa. A tarefa do leitor é
detectá-las, a fim de realizar uma leitura capaz de dar conta da totalidade do texto.
Por adquirir tal importância na arquitetura textual, as palavras-chave normalmente
aparecem ao longo de todo o texto das mais variadas formas: repetidas, modificadas,
retomadas por sinônimos. Elas pavimentam o caminho da leitura, levando-nos a
compreender melhor o texto. Além disso, fornece a pista para uma leitura reconstrutiva
porque nos levam à essência da informação.
Após encontrar as palavras-chave de um texto, devemos tentar reescrevê-lo,
tomando-as como base. Elas constituem seu esqueleto.
AS IDÉIAS-CHAVE
Muitas vezes temos dificuldades para chegar à síntese de um texto só pelas
palavras-chave. Quando isso acontece, a melhor solução é buscar suas idéias-chave. Para
tanto é necessário sintetizar a idéia de cada parágrafo.
TÓPICO FRASAL
Um parágrafo padrão inicia-se por uma introdução em que se encontra a idéia
principal desenvolvida em mais períodos. Segundo a lição de Othon M. Garcia em sua
Comunicação em prosa moderna (p. 192), denomina-se tópico frasal essa introdução.
Depois dela, vem o desenvolvimento e pode haver a conclusão. Um texto de parágrafo:
“Em todos os níveis de sua manifestação, a vida requer certas condições dinâmicas, que
atestam a dependência mútua dos seres vivos. Necessidades associadas à alimentação, ao
crescimento, à reprodução ou a outros processos biológicos criam, com freqüência, relações
que fazem do bem-estar, da segurança e da sobrevivência dos indivíduos matérias de interesse
coletivo”.
(FERNANDES, Florestan. Elementos de sociologia teórica 2 ed. SP: Nacional, 1974, p. 35.)
Neste parágrafo, o tópico frasal é o primeiro período (Em .... vivos). Segue-se o
desenvolvimento especificando o que é dito na introdução.
Se o tópico frasal é uma generalização, e o desenvolvimento constitui-se de
especificações, o parágrafo é, então, a expressão de um raciocínio dedutivo. Vai do geral
para o particular: Todos devem colaborar no combate às drogas. Você não pode se omitir.
Se não há tópico frasal no início do parágrafo e a síntese está na conclusão, então o
método é indutivo, ou seja, vai do particular para o geral, dos exemplos para a regra: João
pesquisou, o grupo discutiu, Lea redigiu. Todos colaborando, o trabalho é bem feito.

EXERCÍCIOS

1. Relacione as palavras-chave do texto a seguir:

AMEAÇA AO SIGILO DO PACIENTE


As seguradoras podem ter acesso ao diagnóstico. Os médicos temem interferências.
O novo padrão de preenchimento das guias de consultas e exames clínicos,
implantado pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) no início de junho,
provocou atritos entre a comunidade médica e as operadoras de planos de saúde. Pelo atual
sistema, os documentos podem revelar o tipo de doença do paciente. Os profissionais da
área temem que as seguradoras tenham acesso às informações e possam criar obstáculos
para a realização de procedimentos dispendiosos a doentes crônicos ou impor sanções,
como o descredenciamento, aos médicos que os solicitam.
O Conselho Federal de Medicina considera que a prática fere o direito de sigilo
sobre as condições de saúde do paciente. Alertou que os médicos devem acatar uma
resolução anterior da entidade, que proíbe a “colocação do diagnóstico em guias de papel e
solicitação de exames”. O vice-presidente da Associação Paulista de Medicina, Florisval
Meinão, destaca que os dados só podem ser divulgados com a anuência dos doentes. “Caso
contrário, seria uma grave violação ética, passível de punições.”
Meinão pondera que o novo modelo, batizado de Troca de Informações em Saúde
Suplementar (TISS), tem o mérito de uniformizar procedimentos e contribuir para a
obtenção de dados epidemiológicos atualizados, indispensáveis para orientar as políticas
públicas de controle e prevenção de moléstias. No entanto, exige garantias de que o sigilo
na relação entre médico e paciente seja preservado. “As informações do formulário
eletrônico são criptografadas e omitem a identidade dos usuários. O mesmo não está
assegurado nos documentos em papel. Não deveria existir um campo para relatar o
diagnóstico nessas guias.”
A ANS garante que a privacidade das informações não corre perigo. Por meio de
nota, a agência diz que o preenchimento de dados sobre a enfermidade “permanece
opcional nas guias de consulta e só pode ser efetuado com autorização expressa do
beneficiário”.
Ainda assim, o Conselho Federal de Medicina reitera as críticas no site oficial: “Ao
tornar opcional a anotação, a ANS possibilitou que algumas operadoras exijam que médicos
quebrem esse direito do paciente”. Recentemente, uma pesquisa realizada pelo Instituto
Datafolha, a pedido do Conselho Regional de Medicina de São Paulo (Cremesp), revelou
que 43% dos médicos da rede privada paulista sofreram ou sofrem restrições dos planos de
saúde na requisição de exames e tratamentos aos segurados.
(In: Carta Capital, nº 450, 21/06/2007)
2. Leia o texto abaixo e responda às questões a seguir:

A INTENÇÃO E A REALIDADE
Não se pode negar que a decisão a que chegaram os juízes de menores de dezessete
municípios do Vale do Paraíba, proibindo a venda de cigarros a menores de 18 anos, tenha
sido tomada com a melhor das intenções. Os magistrados que assinaram provimento nesse
sentido o fizeram com o objetivo de proteger a saúde da juventude contra o hábito cujos
efeitos perniciosos serão tanto mais graves quanto mais cedo tenha sido adquirido. Se o
motivo é justo, e a intenção louvável, a medida é certamente irrealista: não haverá
necessidade de muito esforço imaginativo para burlar a determinação, principalmente por
estar dirigida a uma faixa etária que, em sua natural necessidade de auto-afirmação, não
perde ocasião para rebelar-se contra a autoridade. E é este, aliás, um dos motivos que levam
o adolescente a experimentar o primeiro cigarro, falsamente convencido de que, com tal
gesto, está pondo em xeque instituições e valores considerados tradicionais e obsoletos.
Não se pode ignorar, por outro lado, o poder persuasivo dos meios de divulgação, e
especialmente a TV, a que os jovens estão expostos. Numa fase de desenvolvimento da
personalidade marcada por uma difícil e angustiosa construção da própria identidade, o
jovem é particularmente sensível a apelos cujos conteúdos – justamente pelo grau de ilusão
que encerram – são os mais atrativos.
É o caso da sofisticada e insistente publicidade em torno do cigarro feita na
televisão. Associado ao lazer, a profissões e atividades socialmente reconhecidas como
símbolo de status e – contraditoriamente – ao esporte; desfrutado por personagens jovens
dinâmicos e cheios de vida; suporte de valores relacionados com projetos de ascensão
social – o cigarro é apresentado ou como a chave para ingressar nesse mundo mágico e
exclusivo, ou como a marca distintiva dos que dele fazem parte.
Não resta a menor dúvida de que a irrealidade de tais apelos não resiste à mais
elementar análise. Não é à razão, contudo, que se dirigem, pois seu poder evocativo reside
justamente na relação imaginária que estabelecem com o telespectador, convencendo antes
pelo clima especial que produzem do que por meio de argumentações.
Nesse sentido, qualquer medida contra o tabagismo, para ser eficaz, deve levar em
consideração as determinações tanto psicológicas como sociais vinculadas ao hábito de
fumar, visando antes às motivações que o vício em si. É por esta razão que a simples
proibição da venda de cigarros a menores de 18 anos seguramente não atingirá os objetivos
que a motivaram. A decisão dos magistrados, no entanto, tem o mérito de chamar a atenção
para o problema.
O tabagismo, tanto pelos riscos que representa para a saúde da população, como
pela complexidade dos fatores que o determinam, não pode ser encarado com gestos apenas
bem intencionados. Só será eficazmente combatido na medida em que o Juizado de
Menores, as instituições médicas, pedagógicas, os meios de divulgação conjugarem
esforços numa ampla campanha destinada não só a divulgar os males que origina, mas a
atacar as causas que o determinam.
(Editorial, Folha de S. Paulo, 1981)
a) Delimite o tópico frasal de cada parágrafo.
b) Delimite o tema.
c) Selecione as idéias-chave do texto.
d) Elabore um parágrafo concordando ou discordando do autor.

3 – FGV 1996
(Articulação entre os componentes do texto):
Crie um tópico frasal às idéias exploradas no parágrafo a seguir.
O brasileiro esperou 15 anos por este momento. Com a queda da inflação, a vida ficaria
mais tranqüila, as pessoas teriam de volta segurança no emprego, bons salários e a
confiança no progresso das empresas. Isso não aconteceu. A vida tornou-se mais
competitiva e não há mais posições garantidas nem para as empresas nem para as pessoas.
As mudanças virão cada vez mais rápidas. É preciso ficar atento: o dinheiro está mudando
de mãos rapidamente no Brasil e é importante conhecer esse movimento.
(Adaptado de KANITZ, Stephen. "Era de risco". Veja, 04-10-1995.)

4. Relacione as palavras-chave do texto a seguir:


Em nenhum outro lugar a vida está sendo um jogo tão perigoso como nas grandes
cidades. Na cidade grande tudo pode acontecer, quando tudo é possível está instalado o
absurdo. Com este, o seu filho mais direto: o medo.
Assim, o medo é o pão cotidiano dos cidadãos, fruto das ameaças a que estão
submetidos. E onde estão as ameaças está a violência. Mas abordar o tema da violência
torna-se um tanto difícil, pois sua realidade percorre desde as violências vermelhas
(sangrentas) até as violências brancas (como a que esmaga o empregado de linha-de-
montagem que, nas grandes indústrias, é, na verdade, o prisioneiro de um campo de
concentração habilmente disfarçado).
Para muitas pessoas, essas afirmações podem parecer exageradas. Isto se explica
pelo fato de que escapam da nossa percepção diária aquelas situações a que estamos
excessivamente habituados. Se vivêssemos no fundo do mar, a coisa da qual teríamos
menos consciência constante seria a própria água. Esse comportamento abriga, primeiro, a
virtude que o ser humano tem de ser muito adaptativo; segundo, o defeito que o homem
tem de se adaptar até àquilo que deveria, que precisaria contestar.
(Fonte desconhecida)
UNIDADE 7

RESUMO E RESENHA – TÉCNICAS DE CONSTRUÇÃO

“Resumo é a apresentação concisa dos pontos relevantes de um texto em seqüência de


frases articuladas. (...) O tema principal vem na primeira frase. Use a terceira pessoa do
singular, com verbo na voz ativa, de preferência em frases afirmativas. (...) Num resumo, é
necessário decidir o que é fundamental e o que é acessório. É a procura da idéia principal.
(...) Como o resumo é uma operação de síntese, pressupõe uma análise que decompõe o
texto, possibilitando agrupar os elementos semelhantes e distinguir os que são diferentes”.
(Fonte: NADÓLSKIS, H. Comunicação Redacional Atualizada. 10. ed. São Paulo: Saraiva, 2004.)
Passos a seguir num resumo:
1. ler o texto e procurar palavras desconhecidas;
2. reler;
3. sublinhar;
4. esquematizar;
5. resumir.

Exemplo:
Aprender a escrever é, em grande parte, se não principalmente, aprender a pensar, aprender a
encontrar idéias e a concatená-las, pois, assim como não é possível dar o que não se tem, não se
pode transmitir o que a mente não criou ou não aprovisionou. Quando nós, professores, nos
limitamos a dar aos nossos alunos temas para redação sem lhes sugerirmos roteiros ou rumos para
fontes de idéias, sem, por assim dizer, lhes “fertilizarmos” a mente, o resultado é quase sempre
desanimador: um aglomerado de frases desconexas, mal redigidas, mal estruturadas, um acúmulo de
palavras que se atropelam sem sentido e sem propósito; frases em que procuram fundir idéias que
não tinham ou que foram mal pensadas ou mal digeridas. Não podiam dar o que não tinham,
mesmo que dispusessem de palavras-palavras, quer dizer, palavras de dicionário, e de noções
razoáveis sobre a estrutura da frase. É que palavras não criam idéias; estas, se existem, é que,
forçosamente, acabam corporificando-se naquelas, desde que se aprenda como associá-las e
concatená-las, fundindo-as em moldes frasais adequados. Quando o estudante tem algo a dizer,
porque pensou, e pensou com clareza, sua expressão é geralmente satisfatória.
(GARCIA, O. M. Comunicação em prosa moderna. 6 ed. Rio de Janeiro: Getúlio Vargas,
1977, p. 275)

Sublinhado:
Aprender a escrever é, em grande parte, se não principalmente, aprender a pensar, aprender a
encontrar idéias e a concatená-las, pois, assim como não é possível dar o que não se tem, não se
pode transmitir o que a mente não criou ou não aprovisionou. Quando nós, professores, nos
limitamos a dar aos nossos alunos temas para redação sem lhes sugerirmos roteiros ou rumos para
fontes de idéias, sem, por assim dizer, lhes “fertilizarmos” a mente, o resultado é quase sempre
desanimador: um aglomerado de frases desconexas, mal redigidas, mal estruturadas, um acúmulo de
palavras que se atropelam sem sentido e sem propósito; frases em que procuram fundir idéias que
não tinham ou que foram mal pensadas ou mal digeridas. Não podiam dar o que não tinham,
mesmo que dispusessem de palavras-palavras, quer dizer, palavras de dicionário, e de noções
razoáveis sobre a estrutura da frase. É que palavras não criam idéias; estas, se existem, é que,
forçosamente, acabam corporificando-se naquelas, desde que se aprenda como associá-las e
concatená-las, fundindo-as em moldes frasais adequados. Quando o estudante tem algo a dizer,
porque pensou, e pensou com clareza, sua expressão é geralmente satisfatória.

Esquema:
Aprender a escrever = aprender a pensar
Não se transmite o que não se criou ou guardou
Temas sem roteiro = mau resultado
Não bastam palavras e conhecimentos gramaticais
Se pensar com clareza, a expressão é satisfatória
Resumo:
Aprender a escrever é aprender a pensar, encontrar idéias e ligá-las. Só se pode transmitir o
que a mente criou ou guardou. Se o professor dá o tema e não sugere roteiros, o resultado é
desanimador, mesmo que o aluno tenha as palavras e conhecimentos gramaticais. Se pensar
com clareza, a expressão será satisfatória.

ATIVIDADE

1) Leia e releia o texto a seguir. Sublinhe, esquematize e resuma-o.

Saúde
ESTUDO LEVA À CRIAÇÃO DE MINIFÍGADO
Cientistas britânicos anunciaram nesta terça-feira que conseguiram criar em laboratório um
fígado humano em miniatura, medindo menos de três centímetros. O mini órgão, na verdade parte
do tecido de um fígado normal, foi reproduzido artificialmente a partir de células-tronco de um
cordão umbilical, por uma equipe de pesquisadores da Universidade de Newcastle, Inglaterra.
Segundo os cientistas, o tecido poderá ser utilizado para testar drogas e produtos farmacêuticos,
o que evitaria o emprego de cobaias humanas ou animais neste processo. Em algumas décadas, eles
acreditam, será possível reproduzir um fígado de tamanho real, para ser usado em transplantes.
Os coordenadores da pesquisa, Nico Ferraz e Colin McGuckin, disseram que, em 10 ou 15 anos,
a técnica que eles utilizaram poderá ser aplicada na recuperação de partes do fígado de pacientes
doentes. O tecido foi criado com um chamado biorreator, equipamento desenvolvido pela Nasa para
simular a ausência de gravidade. O efeito da falta de peso permite que as células se reproduzam a
um ritmo mais acelerado.
O professor Ian Gilmore, especialista em fígados no Royal Liverpool Hospital, levantou também
o aspecto ético do estudo. "Os pesquisadores conseguiram criar o fígado a partir do sangue colhido
no cordão umbilical, sem precisar de embriões. Isso é um grande avanço ético", afirmou o professor
à BBC.
No entanto, ainda há um longo caminho a ser percorrido até que a ciência possa reproduzir um
fígado inteiro. De acordo com Gilmore, "o fígado tem seu próprio fornecimento de sangue, seu
próprio esqueleto fibroso, e os pesquisadores estão apenas produzindo células individuais de fígado.
Mas qualquer coisa que dê esperança aos pacientes que aguardam um transplante, mesmo em um
período de dez anos, é motivo para celebração", disse.
(Copyright © Editora Abril S.A. - todos os direitos reservados Fonte: Revista Veja On line
http://vejaonline.abril.com.br. 31.10.2006)

RESENHA

A resenha é um tipo de redação técnica que pode ser definida como um


resumo minucioso ou crítico. Há resenhas descritivas (objetivas) e resenhas críticas
(subjetivas). O objeto de uma resenha pode ser um acontecimento, uma exposição, textos,
obras culturais, como romance, peças de teatro, filmes. O resenhista terá sempre um
procedimento seletivo e o relato dependerá de sua finalidade. O objetivo é conduzir o leitor
para mensagens referenciais, por isso a linguagem deve ser objetiva, em 3ª pessoa.
Incluindo variadas modalidades de textos – descrição, narração e dissertação – esse relato
detalhado pode ser um instrumento de pesquisa ou atualização bibliográfica.
Na resenha descritiva, é importante ressaltar a estrutura da obra (partes, número de
páginas, capítulos, assuntos, índices, nome do tradutor), o resumo do texto, a perspectiva
teórica, o gênero (crítica literária, livro de negócios, romance, teatro, ensaio), o método
adotado.
Na resenha crítica acrescentam-se comentários e julgamentos do resenhista,
comparações com outras obras, avaliação da relevância do texto.

Resenha Crítica
Resenha crítica é a apresentação do conteúdo de uma obra. Consiste na leitura, no
resumo e na crítica, através da qual se estabelece um conceito sobre o valor de um livro. A
resenha exige que o indivíduo, além do conhecimento sobre o assunto, tenha capacidade de
juízo crítico. Também pode ser feita por estudantes, neste caso, como um exercício de
compreensão e crítica. A prática social da resenha é formar a opinião do leitor. A resenha
crítica tem um marketing duplo: o primeiro é de venda da obra resenhada e o segundo, o da
competência do resenhista. A resenha crítica apresenta a seguinte estrutura ou roteiro (nem
todos os elementos podem aparecer nela):

1. Resumo;
2. Avaliação crítica;
3. Dados técnicos da obra;
4. Comparação com outra obra congênere;
5. Dados sobre o autor da obra;
6. Público-alvo ou destinatário;
7. Título da resenha (não deve ser o mesmo da obra resenhada);
8. Dados do resenhista (assinatura).

Exemplos de resenha descritiva

Livro
SCLIAR, Moacir e outros. Vozes do golpe. 4v. São Paulo: Companhia das Letras, 2004, 336p.

Por meio de relatos pessoais e histórias de ficção, Carlos Heitor Cony, Zuenir Ventura, Luis
Fernando Verissimo e Moacir Scliar relembram o golpe militar de 1964. Refazem o clima
da época, reconstituindo os últimos momentos do governo João Goulart e recordando um
dos períodos da história do Brasil.

Filme (cinema)
ROUBANDO VIDAS (TAKING LIVES, EUA, 2004). Suspense – 14 anos – 103 min. Direção: D.J. Caruso.
Com: Angelina Jolie, Ethan Hawke

Illeana Scott (Angelina Jolie) é uma especialista do FBI que é convocada a trabalhar na
captura de um serial killer, que age há 20 anos e assume a identidade de cada nova vítima.
Os métodos utilizados por Illeana são desprezados pelo FBI, o que faz com que ela trabalhe
sem parceiros da polícia. O único a ajudá-la é Costa (Ethan Hawke), o funcionário de um
museu que é encarregado em ajudar na busca por um professor de artes, que está
desaparecido.
Ficha Técnica:
Roteiro: Jon Bokemkamp, baseado em livro de Michaael Pye
Produção: Mark Canton e Bernie Goldmann
Música: Philip Glass
Fotografia: Amir M. Mokri
Desenho de Produção: Tom Southwell
Direção de Arte: Serge Bureau
Figurino: Marie-Sylvie Devreau
Edição: Anne V. Coates
Efeitos Especiais: Les Productions de l’Intrigue Inc.

Exemplos de resenha crítica

Livro
(Valor Econômico, 26/3/2004)

SCLIAR, Moacir e outros. Vozes do golpe. 4v. São Paulo: Companhia das Letras, 2004, 336p.

O CORO DOS PERPLEXOS


Vozes do Golpe reúne diferentes pontos de vista de quatro autores sobre o 31 de março de
1964
A renúncia do presidente Jânio Quadros, em agosto de 1961, inaugurou uma grave crise
político-institucional no País. No curto prazo, ela foi contornada com a posse de João
Goulart, o Jango, vice de Jânio. Para viabilizar essa transição, foi aprovado às pressas um
regime parlamentarista que durou apenas dezesseis meses, derrubado no plebiscito de
janeiro de 1963.
Todavia, as raízes da crise eram bem mais profundas. Jango tentou conciliar seus
compromissos históricos com as chamadas “reformas de base” pregadas pelas esquerdas,
em especial a agrária; e a necessidade de apoio dos setores mais conservadores. Sua
estratégia mostrou-se inviável, pois as forças políticas se radicalizavam, mais dispostas ao
confronto que ao entendimento. Assim, no início de 1964 a ruptura da ordem institucional
parecia quase inevitável.
A queda de Jango e a instauração do regime autoritário que se prolongaria por vinte e um
anos, seriam marcadas pelo golpe de 31 de março, acontecimento de triste, mas obrigatória
memória, que completa 40 anos. Se para os mais jovens este espaço de tempo pode
começar a sugerir “distância”, é necessário saber que seus reflexos continuam presentes na
vida de todos os brasileiros.
Daí a importância e oportunidade deste lançamento, Vozes do Golpe, reunião de quatro
narrativas sobre aqueles duros dias, criadas por quatro consagrados escritores e jornalistas
brasileiros contemporâneos: Zuenir Ventura, Carlos Heitor Cony, Moacir Scliar e Luis
Fernando Verissimo. São dois relatos pessoais e duas histórias de ficção.

Teatro
(Fonte: vejanoitebusca.abril.com.br; 11/4/2004)
3 VERSÕES DA VIDA. Teatro Renaissance. Censura: 12 anos. Valor: R$ 40,00 (Sex. e dom.) e R$ 50,00
(Sáb.). Endereço: Alameda Santos, 2233. Bairro: Cerqueira César. Telefone: 3069-2233. Lugares: 462.
Horário: Sexta, 21h30; Sábado, 21h; Domingo, 19h.

Longe do teatro há sete anos, Denise Fraga volta ao palco numa corrosiva comédia. A trama
enfoca o mundo de Sônia (Denise Fraga) e seu marido, o físico Henrique (Marco Ricca).
Em um jantar não planejado com seu chefe (Mario Schöemberg) e a mulher (Ilana Kaplan),
o encontro acaba por revelar segredos profundos da vida desses casais. Três pontos-de-vista
diferentes examinam essa realidade. Direção de Elias Andreato.

EXERCÍCIOS

1. Leia as resenhas abaixo e


a) indique se são descritivas ou críticas
b) analise-as de acordo com os oito elementos da estrutura de uma resenha, quando for
crítica

1) A PAIXÃO DE CRISTO (THE PASSION OF THE CHIST, EUA, 2004). Drama – 14 anos – 127.
Direção: Mel Gibson. Com: James Caviezel, Monica Bellucci.
Uma narrativa sobre as últimas doze horas de vida de Jesus Cristo (J. Caviezel), antes de
sua crucificação.
No posto de diretor, produtor e co-roteirista, o astro Mel Gibson teve a intenção de fazer
aqui um retrato ultra-realisra das últimas doze horas de Jesus Cristo – e assim causar
comoção na platéia. Mas seu drama bíblico tende a provocar repúdio. Não apenas por
responsabilizar os judeus pela crucificação do Nazareno (daí a polêmica gerada), mas pela
violência ultrajante que domina esse desnecessário e provocador espetáculo de retalhação
humana. O passado de Jesus é visto em flashbacks-relâmpago. Gibson concentra a ação no
calvário. Nas bilheterias, ele conseguiu o que queria. Mesmo falada em aramaico e latim, a
fita já arrancou mais de 250 milhões de dólares nos Estados Unidos. Com Monica Bellucci,
na pele de Maria Madalena. Estreou em 19/3/200.
Ficha Técnica:
Roteiro: Mel Gibson e Benedict Fitzgerald
Produção: Brce Davey, Mel Gibson e Stephen McEveety
Música: John Debney
Fotografia: Caleb Deschanel
Desenho de Produção: Francesco Frigeri
Figurino: Maurizio Millenotti
Efeitos Especiais: Keith Vanderlaan’s Captive Audience Productions

2) Teatro
(Fonte: Vejanoitebusca, 11/4/2004)

À MEIA-NOITE UM SOLO DE SAX EM MINHA CABEÇA & FICA FRIO. Teatro Faap. Censura: 14
anos. Valor: R$ 40,00 (qui. e sex.); R$ 45,00 (dom.); R$ 50,00 (sáb.). Endereço: Rua Alagoas, 903. Bairro:
Pacaembu. Telefone: 3662-1992. Lugares: 408. Horário: Quinta a sábado, 21h; domingo, 19h.
A montagem reúne dois textos. Em Fica Frio, sobre as diferenças entre dois irmãos
(Chico Carvalho e Renato Chocair), Raul Cortez atua como coadjuvante. Na seqüência, ele
e Mário César Camargo estrelam À Meia-Noite um Solo de Sax em Minha Cabeça, cômica
história de dois amigos, do berço à maturidade. Sérgio Ferrara e Cibele Forjaz respondem
pelas respectivas direções.

3) Arte
(Fonte: vejaonline, 11/4/2004)

Picasso na Oca. Parque do Ibirapuera, portão 2, tel. 3253-5300. Ter. a sex., 9h às 21h; sáb. e dom., 10h às
21h. R$ 5,00 (estudantes) e R$ 10,00. Grátis para menores de 5 anos, pessoas com mais de 65, aposentados,
deficientes físicos e grupos de escolas pré-agendados (agendamento@brasilconnects.org ou tel. 3253-7007).
Até 2 de maio.

Desde a década de 50, ele já atraiu mais de 1 milhão de visitantes aos museus de
São Paulo. Desta vez, não é diferente: a Oca tem recebido uma média de 4.000 pessoas por
dia durante a semana e 7.000 nos fins de semana.
As telas de Pablo Picasso foram expostas, pela primeira vez, na Bienal Internacional
de 1951. Dois anos mais tarde, na Bienal que antecipava as comemorações do quarto
centenário de fundação de São Paulo, foi exposta a obra Guernica (3,49 metros de altura
por 7,76 metros de largura), que leva o nome de uma cidadezinha bombardeada durante a
Guerra Civil Espanhola. Em 1996, a sala a ele dedicada foi eleita pelo público a melhor da
23ª Bienal. Juntas, as principais mostras do artista do cubismo vindas para cá receberam
mais de 1,2 milhão de visitantes. Desde o último dia 28 de janeiro, o pintor malaguenho
tem provocado novamente longas filas, agora na Oca do Parque do Ibirapuera. Há a
expectativa de que, em três meses, 1 milhão de pessoas vejam os 126 trabalhos emprestados
pelo Museu Picasso de Paris. Nestes primeiros dias, cerca de 4.000 pessoas passaram por lá
diariamente. A média aumenta nos finais de semana, com 7.000 visitantes diários. Essa
atração faz parte dos programas organizados para os festejos do aniversário da cidade.
INTERTEXTUALIDADE

“Somos a soma de nossas leituras, observações e audições. Os textos que lemos, as


conversas que ouvimos, os filmes, as peças de teatro e outras manifestações artísticas com
as quais temos contato armazenam-se em nosso espírito. Quando falamos ou escrevemos
estamos, na verdade, retomando essas leituras, reelaborando-as, citando-as, comentando-as
ou deformando-as. Outras vezes, ao lermos um texto lembramo-nos de outro com o qual
julgamos que ele mantém uma estreita relação. A essas relações, citações, paródias e outras
afinidades dá-se o nome de intertextualidade.
Observe a estrofe a seguir: a que outro texto O. de Andrade faz paródia?
Minha terra tem palmares / Onde gorjeia o mar / Os passarinhos aqui / Não cantam como os
de lá.
Observe agora a “Canção de exílio facilitada” de José Paulo Paes. Por que cada uma das
palavras desse poema guarda uma forte concentração de significados:
Lá?
ah!
sabiá...
papá...
maná...
sofá...
sinhá...

cá?
bah!
(Fonte: Maia, João Domingos. Novo Ensino Médio Português, SP, Ática, 2003.)

Intertextualidade e a era digital:


Marisa Lajolo (Literatura: leitores e leitura): “a) o uso do computador permite perceber
duas características importantes da literatura contemporânea: a metalinguagem e a
intertextualidade”. Reflita sobre a afirmação e explique-a.
b) “Ultimamente, a prática da intertextualidade ficou explícita e frontal, com o hipertexto.
Ele materializa a leitura intertextual. O hipertexto é uma malha de textos eletronicamente
articulados pelo seu autor, podendo o leitor, ao navegar por ele, atualizá-lo, desde que seja
capacitado a recuperar as menções a outros textos presentes no hipertexto”. Quando o autor
se refere a outros textos de que tipo de intertextualidade estamos falando? O que pode o
leitor capacitado fazer com o hipertexto?

Polifonia
“Freqüentemente incorporamos em nosso discurso fragmentos do discurso alheio. Por essa
razão, dizemos que o discurso é polifônico (poli= vários; fono= som, voz), já que, além da
voz de seu autor, nele costumam ressoar outras vozes, provenientes de discursos alheios.”
(...) O repertório cultural do interlocutor é importante na interação comunicativa, pois em
muitos casos ele é essencial para a construção do sentido do texto”.
(CEREJA, W.R. Gramática reflexiva).
EXEMPLOS DE INTERTEXTUALIDADE
Citações
Citação é a menção no texto de uma informação extraída de um documento ou um
canal de informação, com o objetivo de inserir a idéia na temática pertinente, dar crédito à
pesquisa (ou à idéia), além de fornecer o embasamento para argumentações.
Citação Direta
 Citação Direta Curta (com menos de 5 linhas) - Deve ser feita na continuação do
texto, entre aspas, com o mesmo tipo e tamanho de letra utilizados no parágrafo de texto no
qual está inserida
Ex.: Maria Ortiz, moradora da Ladeira do Pelourinho, em Salvador, que de sua janela
jogou água fervendo nos invasores holandeses, incentivando os homens a continuarem a
luta. Detalhe pitoresco é que na hora do almoço, enquanto os maridos comiam, as
mulheres lutavam em seu lugar. Este fato levou os europeus a acreditarem que "o baiano
ao meio dia vira mulher" (MOTT, 1988: 13).
Obs.: MOTT - autor que faz a citação. 1988 - o ano de publicação da obra deste autor na
bibliografia. 13 - refere-se ao número da página onde o autor fez a citação.
 Citação Direta Longa (com 5 linhas ou mais) - As margens são recuadas à direita, em
espaço um (1). A Segunda linha e as demais são alinhadas sob a primeira letra do texto da
própria citação. No texto citado deve ser utilizado entrelinhamento e letra menor. Deve-se
deixar uma linha em branco entre a citação e os parágrafos anterior e posterior.
Ex.: Além disso, a qualidade do ensino fornecido era duvidosa, uma vez que as mulheres
que o ministravam não estavam preparadas para exercer tal função.
"A maior dificuldade de aplicação da lei de 1827 residiu no provimento das cadeiras das
escolas femininas. Não obstante sobressaírem as mulheres no ensino das prendas
domésticas, as poucas que se apresentavam para reger uma classe dominavam tão mal
aquilo que deveriam ensinar que não logravam êxito em transmitir seus exíguos
conhecimentos. Se os próprios homens, aos quais o acesso à instrução era muito mais fácil,
se revelavam incapazes de ministrar o ensino de primeiras letras, lastimável era o nível do
ensino nas escolas femininas, cujas mestras estiveram sempre mais ou menos
marginalizadas do saber" (Saffioti, 1976: 193).
 Citação Indireta É a citação que sofre uma interpretação por parte do autor.

Ex.: Ainda com relação à questão da inventividade, são incontestáveis dois princípios que
norteiam o entendimento do processo inventivo: a tradição não tem poder determinante
sobre aqueles poetas de talento individual, que a tomam como ponto de partida (Dronke,
1981:36), e o reconhecimento dessa individualidade dar-se-á pelo conhecimento do
contexto em que uma peça inovadora foi criada (idem, ibidem, p. 37).
EXERCÍCIOS

1) Identifique os elementos de intertextualidade nos textos abaixo:

DESCUIDO NA SEGURANÇA MATA OPERÁRIO


Firmino Silva, pedreiro, 22 anos, casado, residente na Rua Valparaíso, casa 2, em
Caxias, faleceu ontem, às 12 horas, ao cair de um andaime de um prédio em construção na
Rua Cupertino Durão, 238, Leblon. Técnicos do Serviço de Prevenção de Acidentes, do
Ministério do Trabalho, estiveram no local e constataram a falta de material apropriado de
segurança e prevenção de acidentes, o que determinou o embargo da obra.
A firma construtora nega-se a fornecer detalhes, mas sabe-se que o material já foi
requisitado e a obra será reiniciada ainda hoje. Firmino Silva deixa esposa e filhos. A 15 a
Delegacia Policial registrou a ocorrência.

CONSTRUÇÃO
Carlos Drumond de Andrade

Um grito pula no ar como foguete.


Vem da paisagem de barro úmido, caliça e andaimes hirtos.
O sol cai sobre as coisas em placa fervendo.
O sorveteiro corta a rua.
E o vento brinca nos bigodes do construtor.

Pense e responda:
1. O que é que o primeiro texto possui em comum com o segundo?
2. Se você tivesse que redigir uma notícia de jornal, diria que “um operário caiu” ou que
“um grito caiu”? Por quê?
3. Na primeira estrofe, a palavra “grito’ substitui “corpo” ou “operário”, já que “grito”
quebra o padrão normal de comunicação. O que cai é um corpo, não um grito. Selecione
mais outros exemplos na poesia que “quebrem” o padrão normal de comunicação.
5. A que horas deve ter acontecido o acidente, ao ler a poesia de Drummond? Justifique.
6. Pode-se perceber uma crítica social na poesia? Qual é?

2) Identifique os elementos de intertextualidade nos textos abaixo:

MIL E UMA NOITES


1. Era uma vez um sultão que descobriu que sua mulher o traía. Cortou-lhe a
cabeça. Triste e infeliz, dedicou o resto da vida à vingança. Todas as noites dormia com
uma mulher diferente, que mandava matar no dia seguinte. Sherazade, jovem princesa, se
oferece para dormir com o cruel sultão. Caprichosa, garante que tem um plano infalível que
a livrará da morte. Assim aconteceu. Passa mil e uma noites com o rei, contando histórias
de traições. O sultão enganado mudou seu destino. Esquece da vingança, ouvindo muitos
outros casos iguais ao seu.
2. O que aconteceu ao sultão? Conformou-se pois a traição faz parte da vida?
Sossegou ao saber que muitos outros também eram enganados? Perdeu a inveja dos homens
felizes? Ou simplesmente ficou entretido com as histórias de Sherazade?
3. Não se sabe como termina a história. O rei voltou a acreditar nas mulheres ou
mandou matar Sherazade ao fim das mil e uma noites? Histórias emendadas umas às outras
distraem, divertem e não fazem pensar. Anestesiam. As histórias têm certa magia.
4. Tenho pensado sobre os inúmeros casos de corrupção contados por jornais e
revistas. Emendados uns aos outros, parecem histórias das mil e uma noites brasileiras.
5. A denúncia da imprensa é o instrumento mais importante de que dispõe a
democracia para combater a corrupção e saber o que acontece por trás dos bastidores. O
caso Watergate foi o resultado de exaustivas investigações dos jornalistas do Washington
Post. Coletaram dados, levaram até o fim as suas suspeitas e correram o risco das suas
acusações. Não foram notícias baseadas em diz-que-diz ou espalhadas nas páginas dos
jornais por adversários políticos. Notícias divulgadas sem investigação jornalística mais
profunda acabam sendo banalizadas.
6. A sociedade precisa ter acesso a fatos que a convençam. A esperada e saudável
indignação não vai surgir com denúncias feitas sem provas. Histórias de corrupção em
cores, fotos cruéis, denúncias vazias levam a quê? Será que com comédia e piadas é que se
pretende apresentar fatos de tal relevância? Não há lugar para tanto sense of humor em um
país onde a miséria seja tão grande como a nossa. Infelizmente, a hora não é para
brincadeiras. Do contrário, as pessoas esperarão os jornais e revistas apenas ansiosas pelo
próximo capítulo da novela das mil e uma corrupções brasileiras.
7. O que vai acontecer com os brasileiros? Vão se conformar com a corrupção pois
faz parte da vida? Sossegar ao saber que existem casos iguais em outros países? Perder a
admiração pelos homens honestos? Ou ficar simplesmente entretidos com histórias de
Sherazade?
8. A corrupção não pode se tornar mais uma distração entre os brasileiros.
9. Corrupção faz parte da natureza humana. Para a controlar, a imprensa deve
apresentar a denúncia com o máximo possível de provas. Só assim a sociedade pode reagir
e a Justiça atuar. Os casos são contados muitas vezes apenas com insinuações e sem fatos.
Muitos são esquecidos e substituídos por outros mais novos. Confundem as pessoas e
levantam dúvidas sobre a veracidade da notícia. Não há tempo para se perder em histórias
de mil e uma noites. Estamos escrevendo a história de um país com 130 milhões de
habitantes. Gente muito sofrida. Pessoas não podem virar ficção. É preciso muito cuidado.
(Cosette Alves, Folha de São Paulo, 12.07.91)
UNIDADE 11

ESTRATÉGIAS DE ANÁLISE DE TEXTOS – ESTRATÉGIAS DE LEITURA


IDENTIFICAÇÃO DOS OBJETIVOS, DOS ARGUMENTOS E DAS CONCLUSÕES
NUM TEXTO

Vejamos a seguinte situação:

“Os habitantes de certas comunidades, como algumas da Síria e da África, consideram o


amor como um empecilho ao sucesso de um casamento. Para eles, a vida em comum é
assunto muito sério para ser tratado por jovens inexperientes. Pessoas apaixonadas não
estão capacitadas a discutir assuntos tão pouco românticos como ‘status’ social,
multiplicação de fortunas, saúde, linguagem familiar e meios de sobrevivência.
Sentimentos amorosos e atração física são fatores secundários quando se trata de arranjos
de interesse social ¾ como é o casamento para aqueles povos. À família cabe, portanto,
todos os acertos para o matrimônio, e o namoro é um assunto à parte, um divertimento
próprio para a juventude.”
(Livro da Vida. Enciclopédia Semanal Ilustrada nº 5)
Portanto temos:

Assunto: O amor ¾ Delimitação do assunto: O amor como empecilho ao casamento


Objetivo: Evidenciar que certas culturas consideram o amor como um obstáculo ao sucesso
da união conjugal.
Tópico frasal: “Os habitantes de certas comunidades, como algumas da Síria e da África,
consideram o amor como um empecilho ao sucesso de um casamento”.
Desenvolvimento:
1. A seriedade da vida conjugal e a inexperiência dos jovens;
2. A incapacidade dos apaixonados no trato de determinados assuntos;
3. A preponderância do interesse social em relação aos sentimentos amorosos e à atração
física.
Conclusão: “À família cabe, portanto, todos os acertos para o matrimônio, e o namoro é
um assunto à parte, um divertimento próprio para a juventude”.

ANÁLISE DE TEXTO

Leia o texto com atenção e, a seguir, indique o que se pede abaixo:


(Fonte desta análise: Profa. Alice Yoko Horikawa)

A EUTANÁSIA EM DISCUSSÃO
Roberto Pompeu de Toledo

O médico Bernard Kouchner, ministro da Saúde da França, é das pessoas mais


respeitadas do país. Com certeza é a mais respeitada do governo, dona de autoridade moral
construída ao longo de uma vida de dedicação aos doentes, feridos e carentes. Kouchner foi
um dos fundadores, em 1971, da organização Médicos sem Fronteiras, contemplada, em
1999, com o Prêmio Nobel da Paz. Como médico sem fronteira, esteve nos lugares onde
menos valia a pena estar, e nos momentos em que menos valia a pena se deslocar até eles –
Vietnã, Camboja, Biafra, Líbano, El Salvador, Honduras. Quer dizer: menos valia a pena
para uma pessoa comum. Para ele, como pessoa incomum, só valiam a pena esses lugares, e
só em ocasiões em que estivessem assolados por guerras, fomes ou pestes.
Na semana passada, Kouchner reavivou uma polêmica ao revelar, numa entrevista
publicada pela revista holandesa Vrij Nederland, que "muitas vezes" praticou a eutanásia,
nos anos 70, à época em que assistia vítimas de guerra no Vietnã e no Líbano. "Quando as
pessoas sofriam muito e eu sabia que iam morrer, eu as ajudava", disse. Kouchner dava-
lhes injeção de morfina, "muita morfina". "São pessoas das quais me lembro muito bem",
acrescentou. "Todos os médicos do mundo conhecem esse tipo de pessoa." Eutanásia – é
essa a palavra? Kouchner não admite que se chame de eutanásia aquilo que praticou.
"Tratava-se de cuidados paliativos em período de guerra e de forma alguma de práticas
programadas, do tipo reivindicado por associações em favor 'do direito de morrer com
dignidade'", diz ele. Os pacientes de que fala não eram doentes de câncer ou Aids que
pedissem para morrer. Sobre esses casos, o médico francês se diz aberto à discussão. Ele
convida a um debate – e um debate "sem arrogância, sem certezas nem posições
ideológicas".
A diferença entre os "cuidados paliativos" de que fala Kouchner e a eutanásia é
sutil. Deve-se possivelmente à sua própria experiência de médico de guerra. Ele não
enfrentava doentes num hospital de país desenvolvido, com tempo para pensar, avaliar o
caso sob todos os ângulos, conferenciar com os parentes, além de com o próprio paciente, e
marcar dia e hora para o desenlace, como já vinha acontecendo havia algum tempo na
Holanda, de forma informal, e ultimamente ganhou amparo legal. Seus casos eram de um
desespero urgente. Ocorriam nas circunstâncias mais adversas, nos locais mais precários.
De toda forma, as declarações de Kouchner tendem a relançar na França um debate que há
três anos esteve na ordem do dia, por força das aventuras e desventuras de Christine
Malèvre – jovem enfermeira que admitiu ter abreviado a vida de cerca de trinta pacientes
do hospital onde trabalhava, em Mantes-la-Jolie, nos arredores de Paris. Christine Malèvre,
que está na iminência de ter seu caso apreciado na Justiça, agiu de forma arbitrária e
insensata, talvez criminosa, não se duvida, ao atribuir-se a decisão de encaminhar os
pacientes à morte. Mas o fez por compaixão. Por isso, ganhou a compreensão da opinião
pública.
O debate da eutanásia (chamemo-la assim, apesar das restrições de Kouchner, e
apesar da maldição que impregnou a palavra desde que os nazistas a empregaram para
apelidar a eliminação das crianças que nasciam defeituosas, em nome do aprimoramento da
raça) mexe com os recônditos do ser humano mais ainda que o do aborto. O aborto, muitos
países permitem. A eutanásia, só a Holanda. "Será que o homem ocidental quer tornar-se
senhor de sua própria morte?", perguntava um documento divulgado há alguns anos pela
Igreja Católica da Holanda, a maior adversária das práticas que, de tanto amiudar-se,
acabaram legalizadas no país. Em outras palavras, a escolha da hora e da modalidade
equivaleria a uma intolerável dessacralização da morte, indicativa da prepotência do
homem contemporâneo.
E nós com isso? Nós, brasileiros, que temos a ver com esse debate? Nada.
Rigorosamente nada. O Brasil não está no ponto nem de cogitar em eutanásia, por uma
questão de base: ela só é admissível numa sociedade estruturada e igualitária como a
holandesa, consciente dos próprios direitos, respeitadora dos alheios, com instituições
sólidas e regras iguais para todos. O nosso é um país com hospitais que matam os pacientes
por descuidos tão aterradores quanto usar água envenenada no processamento da
hemodiálise, como aconteceu em Pernambuco, e – para chegar mais perto do assunto em
tela – com profissionais tão desqualificados quanto o enfermeiro que eliminava pacientes
para ganhar dinheiro de funerárias, como ocorreu no Rio de Janeiro. Não se trata de
ambiente onde a eutanásia possa ser minimamente administrável. O tema não é apenas
complexo. Só faz sentido numa sociedade madura e sadia. Eis então a conclusão
melancólica, quando se depara com discussões como a suscitada por Kouchner: isso não é
para o nosso bico. Ficar fora delas é mais um preço a pagar pelo subdesenvolvimento.

(VEJA, agosto de 2001)


Observe a análise do texto:

1. Veículo de circulação do texto e público-alvo:


O texto é veiculado na Revista Veja, destinada a um público com boa formação intelectual e
cultural, interessado em manter-se informado acerca dos acontecimentos políticos, sociais e
artísticos da atualidade.

2. Autor:
O autor do texto é Roberto Pompeu de Toledo. A revista não oferece nenhuma informação
sobre ele, o que dificulta o processo de levantamento de hipóteses e de expectativa por
parte do leitor.

3. Tema:
O autor elege como tema de seu texto a eutanásia.

4. Tipo de texto:
O tipo de texto é o argumentativo, pois pretende fundamentalmente apresentar um ponto de
vista acerca da eutanásia e argumentar em sua defesa.

5. Gênero:
O gênero textual utilizado pelo autor é o artigo de opinião, freqüentemente publicado em
revistas e jornais.

6. Objetivo fundamental:
O autor pretende, com seu texto, argumentar sobre a idéia de que a eutanásia é um tema
extremamente polêmico, pois pode ser aceitável em certas condições, mas inaceitável em
outras.
7. Como o autor atinge esse objetivo:

Parágrafo 1
Idéia principal/ tópico frasal: O médico Bernard Kouchner é uma das pessoas mais
respeitadas da França.
Desenvolvimento:
1. Bernard Kouchner possui uma longa história de dedicação aos doentes, feridos e
carentes.
2. Kouchner foi um dos fundadores da organização Médicos sem Fronteiras.
3. A organização ganhou o Prêmio Nobel da Paz em 1999.
4. Como médico sem fronteira, esteve em lugares que enfrentavam tragédias como a fome,
a guerra ou a peste.
5. Kouchner é pessoa incomum.

Parágrafo 2
Idéia principal/ tópico frasal: Kouchner reavivou uma polêmica ao revelar em entrevista
que praticou a eutanásia.
Desenvolvimento:
6. Kouchner aplicava injeção de morfina quando os feridos das guerras do Vietnã e do
Líbano sofriam muito e não tinham a menor condição de se recuperar.
7. Kouchner não admite que se chame de eutanásia aquilo que praticou; tratava-se de
cuidados paliativos.
8. Os doentes de Kouchner não eram condenados que pediam para morrer com dignidade,
eram pessoas que enfrentavam situações adversas que não lhes ofereciam a menor
possibilidade de salvação.
9. Em condições diferentes das que enfrentou, Kouchner diz-se aberto ao debate, desde
que seja realizado sem arrogância, sem certezas, nem posições ideológicas.

Parágrafo 3
Idéia principal/ tópico frasal: A diferença entre ‘cuidados paliativos’ e eutanásia é sutil.
Desenvolvimento:
10. Kouchner não enfrentava doentes num hospital de país desenvolvido, como a Holanda,
por exemplo, com tempo para pensar, avaliar o caso sob todos os ângulos, conferenciar
com os parentes e com o próprio paciente.
11. Os casos de Kouchner eram de um desespero urgente. Ocorriam nas circunstâncias mais
adversas, nos locais mais precários.
12. As declarações de Kouchner tendem a relançar um debate que já esteve em pauta
quando a enfermeira Christine Malévre admitiu ter praticado a eutanásia.
13. Christine Malèvre ganha compreensão da opinião pública ao justificar seu ato com o
argumento da compaixão.

Parágrafo 4
Idéia principal/tópico frasal: O debate da eutanásia mexe com recônditos do ser humano
mais do que o do aborto.
Desenvolvimento:
14. Muitos países já permitem o aborto.
15. Apenas a Holanda permite a eutanásia.
16. Apesar de a Igreja Católica colocar-se contrariamente à eutanásia, a Holanda a
legalizou.
17. Para a Igreja, a eutanásia dessacraliza a morte, indicando a prepotência do homem
contemporâneo.

Parágrafo 5
Idéia principal/ tópico frasal: O Brasil não está no ponto nem de cogitar em eutanásia.
18. A eutanásia só é admissível em sociedade estruturada e igualitária como a holandesa.
19. O nosso é um país com hospitais que matam por descuido e por despreparo dos
profissionais da saúde.
20. O Brasil não se trata de ambiente em que a eutanásia possa ser minimamente
administrável.
21. O tema da eutanásia, além de complexo, só faz sentido numa sociedade madura e sadia.

Conclusão: Ficar fora das discussões sobre a eutanásia é mais um preço que o Brasil tem
de pagar por conta de seu subdesenvolvimento.

Síntese dos argumentos:


22. Kouchber praticou ‘eutanásia’ em situações em que não havia a menor condição de
garantir a vida do paciente.
23. Há diferenças entre ‘eutanásia’ e cuidados paliativos.
24. Apenas a Holanda legalizou a eutanásia.
25. Christine Malèvre praticou eutanásia, mas ganhou compreensão da opinião pública por
tê-lo, segundo ela, praticado por compaixão.
26. Segundo a Igreja Católica, a eutanásia dessacriliza a morte.
27. O Brasil não tem a menor possibilidade de discutir o tema da eutanásia, pois a discussão
só faz sentido em sociedades maduras e sadias.

Síntese do artigo
28. Apresentação geral do texto e do objetivo do autor: Em artigo ‘A eutanásia em
discussão’, publicado na Revista Veja, de 01.08.2001, Roberto Pompeu de Toledo pretende
argumentar acerca do aspecto polêmico que envolve o tema da eutanásia. Para isso, inicia
relatando a experiência do renomado médico Bernard Kouchner, ministro da Saúde da
França, que declarou numa revista holandesa ter praticado por diversas vezes aquilo que
algumas pessoas denominam de eutanásia. Para justificar o ato, o médico refere-se às
condições em que foi realizada: eram situações de guerra ou de grande miséria que não
propiciavam a menor condição de manter a vida dos pacientes. Em virtude dessas
circunstâncias, Kouchner associa o ato a ‘cuidados paliativos’, recusando-se a aceitar a
idéia da eutanásia.
1) Argumentação do autor:
Para Toledo, a experiência de Kouchner permite traçar uma sutil distinção entre
eutanásia e cuidados paliativos: em se tratando de condições adversas e subumanas, a
eutanásia pode transformar-se em tratamento terapêutico; em condições ideais, tais como as
oferecidas pela Holanda, onde os direitos do homem são preservados, o termo eutanásia
pode ser plausível, pois há a possibilidade de se avaliar cada caso sob todos os ângulos e de
se tomar a decisão mais razoável. A distinção é tão viável que Christine Malèvre,
enfermeira francesa que cometeu, sozinha, a eutanásia, tem sido perdoada pela opinião
pública, utilizando-se do argumento da compaixão.
Para reforçar a idéia do quão polêmico é o tema da eutanásia, Toledo procede uma
comparação com o aborto. Embora seja, sem dúvida, tema bastante controverso, o aborto já
foi legalizado em muitos países. Todavia, o mesmo não acontece com a eutanásia: de todos
os países do mundo, apenas a Holanda lhe dá amparo legal. O autor lança mão nesse
contexto do argumento da Igreja Católica: tanto o aborto quanto a eutanásia são indicativos
da prepotência do homem contemporâneo, pois a vida e a morte já não são decisão de Deus.

2) Conclusão do autor:
Em virtude de tamanha polêmica, o autor questiona: como o Brasil pode se
comportar diante dela? E apresenta a resposta: não pode. Para Toledo, um país que não
garante a vida de seu povo, como é o caso do Brasil, não pode tratar de sua morte. O debate
sobre a eutanásia só faz sentido em sociedades maduras e sadias.

EXERCÍCIO

1. Leia atentamente o texto abaixo, divida-o em parágrafos e, a seguir, responda ao que se


pede.

VIVER EM SOCIEDADE

A sociedade humana é um conjunto de pessoas ligadas pela necessidade de se ajudarem


umas às outras, a fim de que possam garantir a continuidade da vida e satisfazer seus
interesses e desejos. Sem vida em sociedade, as pessoas não conseguiriam sobreviver, pois
o ser humano, durante muito tempo, necessita de outros para conseguir alimentação e
abrigo. E no mundo moderno, com a grande maioria das pessoas morando na cidade, com
hábitos que tornam necessários muitos bens produzidos pela indústria, não há quem não
necessite dos outros muitas vezes por dia. Mas as necessidades dos seres humanos não são
apenas de ordem material, como os alimentos, a roupa, a moradia, os meios de transportes e
os cuidados de saúde. Elas são também de ordem espiritual e psicológica. Toda pessoa
humana necessita de afeto, precisa amar e sentir-se amada, quer sempre que alguém lhe dê
atenção e que todos a respeitem. Além disso, todo ser humano tem suas crenças, tem sua fé
em alguma coisa, que é a base de suas esperanças. Os seres humanos não vivem juntos, não
vivem em sociedade, apenas porque escolhem esse modo de vida; mas porque a vida em
sociedade é uma necessidade da natureza humana. Assim, por exemplo, se dependesse
apenas da vontade, seria possível uma pessoa muito rica isolar-se em algum lugar, onde
tivesse armazenado grande quantidade de alimentos. Mas essa pessoa estaria, em pouco
tempo, sentindo falta de companhia, sofrendo a tristeza da solidão, precisando de alguém
com quem falar e trocar idéias, necessitada de dar e receber afeto. E muito provavelmente
ficaria louca se continuasse sozinha por muito tempo. Mas, justamente porque vivendo em
sociedade é que a pessoa humana pode satisfazer suas necessidades, é preciso que a
sociedade seja organizada de tal modo que sirva, realmente, para esse fim. E não basta que
a vida social permita apenas a satisfação de algumas necessidades da pessoa humana ou de
todas as necessidades de apenas algumas pessoas. A sociedade organizada com justiça é
aquela em que se procura fazer com que todas as pessoas possam satisfazer todas as suas
necessidades, é aquela em que todos, desde o momento em que nascem, têm as mesmas
oportunidades, aquela em que os benefícios e encargos são repartidos igualmente entre
todos. Para que essa repartição se faça com justiça, é preciso que todos procurem conhecer
seus direitos e exijam que eles sejam respeitados, como também devem conhecer e cumprir
seus deveres e suas responsabilidades sociais.
(DALLARI, Dalmo de D Viver em sociedade. São Paulo: Moderna, 1985. p. 5-6)

a) Que idéia Dalmo de Abreu Dalari defende em seu texto?


b) Releia o primeiro parágrafo e responda: qual é a sua função em relação aos demais
parágrafos que formam o texto?
c) No texto, o autor nos apresenta uma série de argumentos, ordenados logicamente, a
fim de convencer o leitor. Quais são esses argumentos e como eles nos são
apresentados?
d) Qual a função do último parágrafo? Que idéias ele defende?

BIBLIOGRAFIA CONSULTADA

GARCIA, Othon M. Comunicação em prosa moderna. 7ª ed., Rio de Janeiro: FGV, 1978.
SAVIOLI, Francisco Platão. Gramática em 44 lições com mais de 1700 exercícios. São
Paulo: Ática, 1985.
SOBRAL, João Jonas Veiga. Redação: Escrevendo com prática. São Paulo: Iglu, 1997.
TERRA, Ernani. Gramática prática. São Paulo: Scipione, 1993.
TUFANO, Douglas. Estudo de gramática. São Paulo: Moderna, 1990.

ATIVIDADE DE PORTUGUÊS SOBRE


VARIAÇÃO LINGUÍSTICA

1. Observe a imagem abaixo retirada do Facebook e responda as perguntas a


seguir:
a) Que variedade linguística o personagem da imagem acima usou para se
expressar: linguagem culta ou coloquial?
b) Observando bem a imagem, diga pelo menos dois motivos que contribuem para
que o personagem fale dessa forma?
c) Esse jeito como o personagem falou dar para o ouvinte/leitor compreender? Por
quê?
d) Essa linguagem usada por ele é considerada “correta” ou “errada”? Por quê?
e) Que efeito de sentido o sinal de pontuação reticências atribui ao texto?

2. Leia o texto abaixo e responda as questões sugeridas:

A LEI PROTEGE TEMER DE


INVESTIGAÇÃO POR ATOS FORA DO
MANDATO?

Apesar de aparecer em dois pedidos de


inquérito enviados pelo procurador-geral da
República, Rodrigo Janot, ao Supremo
Tribunal Federal (STF), o presidente Michel
Temer não entrou, pelo menos por ora, na
lista de políticos investigados sob o
escrutínio da mais alta corte do país.

A razão para isso, segundo o próprio Janot,


é que Temer possui uma espécie de
“imunidade temporária” determinada pela
Constituição para quem ocupa o cargo de
Presidente da República.

(Disponível em: http://www.msn.com)

a) Que gênero textual é esse acima?


b) Que variedade linguística foi usada para escrever esse texto?
c) Por que foi usado essa modalidade de linguagem e não outra?

3. Leia a letra da música abaixo e responda o que se pede:

Malandramente,
A menina inocente
Se envolveu com a gente
Só pra poder curtir

Malandramente,
Fez cara de carente
Envolvida com a tropa
Começou a seduzir

Malandramente,
Meteu o pé pra casa
Diz que a mãe tá ligando
Nós se vê por aí

a) Qual o significado da expressão “Só pra poder curtir”?


b) Que sentido a palavra “malandramente” dá a história contada na música?
c) Que variedade linguística está presente nesta música?
d) Qual o significado da expressão “Nós se vê por aí”, ou seja, onde se refere a
palavra “aí” nesta música?
e) Retire desta música palavras ou expressão consideradas gírias?

4. Que variedade linguística (culta ou coloquial) podemos ou devemos usar nas


seguintes situações sociais:

a) Falando sobre política num canal de televisão


b) Numa pequena mensagem de celular para um amigo próximo.
c) Numa pequena mensagem de celular para o seu patrão de português.
d) Numa carta de reclamação para o presidente.
e) Numa conversa na praça entre amigos.
f) Um debate numa conferência nacional sobre meio ambiente.
g) Uma mensagem de Whatsapp para irmã explicando que você foi à padaria
comprar pão.
h) Um bilhete para a diretora da sua escola explicando o porquê da sua falta de hoje.
i) Um artigo de opinião solicitado pelo professor de português.
j) Na redação do ENEM.

5. Leia o texto retirado do Facebook de uma adolescente e responda as


perguntas:
a) A linguagem deste texto é considerada culta ou coloquial?
b) Por que o autor desta mensagem escreveu para o colega usando essa
escrita?
c) Essa escrita pode ser usada nos trabalhos escolares? Por quê?
d) Essa escrita atrapalhou o seu entendimento do texto?
e) Reescreva essa mesma mensagem usando a norma culta da língua.
f) Qual a intenção das pessoas ao usarem esse tipo de escrita nas redes
sociais?

6. Observe a imagem acima para responder as questões:

a) O anúncio acima segue a norma culta da língua? Por quê?


b) Como deveria ter sido escrita este anúncio?
c) Qual fator você acha que contribui para que o sujeito que escrevesse
inadequadamente este anúncio?
d) A situação permite que este anúncio seja escrito assim? Por quê?

7. Observe a imagem acima para responder as questões por escrito:

a) O anuncio acima segue a norma culta da língua? Por quê?


b) Como deveria ter sido escrita este anúncio (língua culta ou coloquial?
c) Qual fator você acha que contribui para que o sujeito que escrevesse
inadequadamente este anúncio?
d) A situação permite que este anúncio seja escrito assim? Por quê?
e) Reescreva esta mesma propaganda seguindo a língua culta.

8. Observe a imagem ao lado para responder as questões por escrito:


a) O anuncio acima segue a norma culta da língua? Por quê?
b) Como deveria ter sido escrita este anúncio (língua culta ou coloquial?
c) Qual fator você acha que contribui para que o sujeito que escrevesse
inadequadamente este anúncio?
d) A situação permite que este anúncio seja escrito assim? Por quê?
e) Reescreva esta mesma propaganda seguindo a língua culta.
QUESTÕES OBJETIVAS

9. Observe a charge ao lado e marque F falso ou V verdadeiro:

( )Pelo tipo de linguagem usada pelo falantes eles não conseguem se comunicar.
( )Evidenciamos um uso formal da linguagem, visto que eles personagens são
estudantes.
( )Expressões como “MANERO”, “TAMO”, “AÊ” devem ser banidos da língua em
qualquer situação.
( )A fala dos personagens evidenciam o uso coloquial da linguagem,
especificamente a gíria, motivado por diversos fatores.
( )Não há nenhum tipo de problema com a linguagem usada por eles, podendo
ser utilizada também em trabalhos escolares, requerimentos...

10. Observe a charge abaixo e MARQUE A ALTERNATIVA CORRETA:


A linguagem da tirinha revela:

a) Pelo tipo de linguagem usada pelo Chico Bento, eles não conseguem se
comunicar.
b) Evidenciamos um uso culto da linguagem, visto que eles personagens são
estudante e professora.
c) Expressões como “pruquê”, “num”, "arguma” devem ser banidos da língua em
qualquer situação.
d) A fala de Chico Bento faz o uso coloquial da linguagem, motivado por diversos
fatores (regional, escolaridade, idade, financeiro e etc).
e) Não há nenhum tipo de problema com a linguagem usada por Chico Bento,
podendo ser utilizada também em trabalhos escolares, requerimentos...

11. Leia o texto abaixo e assinale a única alternativa correta:

“Iscute o que to dizeno,


Seu dotor, seu coroné:
De fome tão padeceno
Meus fio e minha muiér.
Sem briga, questão nem guerra,
Meça desta grande terra
Umas tarefas pra eu!
Tenha pena do agregado
Não me dexe deserdado
Daquilo que Deus me deu”.

(Patativa do Assaré)

Esse falante, pelos elementos explícitos e implícitos no poema, é identificável


como:

a) Escolarizado proveniente de uma metrópole.


b) Sertanejo de uma área rural.
c) Idoso que habita uma comunidade urbana.
d) Escolarizado que habita uma comunidade no interior do país.
e) Estrangeiro que imigrou para uma comunidade do sul do país.

12. Leia a música abaixo e marque a única alternativa correta:

Esmola

Uma esmola pelo amor de Deus


Uma esmola, meu, por caridade
Uma esmola pro ceguinho, pro menino
Em toda esquina tem gente só pedindo.
Uma escola pro desempregado
Uma esmola pro preto, pobre, doente
Uma esmola pro que resta do Brasil
Pro mendigo, pro indigente (...)

(Samuel Rosa/Chico Amaral)

A música registra um pedido de esmola, em que o eu - lírico utiliza uma


linguagem:

a) Pouco compreensiva, já que contém vários erros de gramática.


b) Coloquial, crítica, compreensiva, comunicável.
c) Imprópria para os poemas da literatura brasileira.
d) Crítica, porém não-coloquial.
e) Descuidada e cheia de repetições.

13. Analise as proposições com relação à música “Asa Branca” de Luiz Gonzaga e
responda corretamente:

“Quando oiei a terr’ ardeno


Na fogueira d’san João
Eu preguntei a Deus do céu ai
Pro que tamanha judiação (...)”

( ) Este trecho, em uma análise linguística, está correto, pois, apesar dos desvios
da norma culta, o trecho não apresenta dificuldades para a compreensão.
( )Por se tratar de expressões regionais este trecho não pode ser considerado
como erro gramatical.
( ) A música regional tem grande aceitação, principalmente, na região do
compositor, mas, podemos dizer que as falhas linguísticas prejudicam a aceitação
da música Asa Branca.

A sequência correta é:

a) VFF b) VVV c) FFF d) FVF e) VVF

14. Com relação ao texto retirado de um SMS, assinale a alternativa correta:

Vc viu como ele xegô em kza hj? Tôdu


lascadu. blz!

a) Não pode ser considerado um texto, visto que não cumpre sua função
comunicativa.
b) Por ter palavras abreviadas em excesso está totalmente contrariando as regras da
gramática, logo não é um texto.
c) Esse tipo de escrita é valorizado em qualquer meio de comunicação formal.
d) Mesmo por se tratar de linguagem abreviada, cumpre sua função comunicativa,
mas só deve ser utilizada situações informais como internet, celular etc.

15. Observe a imagem retirada do Facebook abaixo e marque V ou F nos


parênteses:

( ) Pela linguagem utilizadas pelos falantes eles não conseguem se comunicar.


( ) Os fatores regional, escolar e social influenciam o modo de falar dos
personagens acima.
( ) Esse modo de falar é totalmente inaceitável em qualquer situação, porque é
linguagem matuta.
( ) Mesmo sendo linguagem matuta cumpre sua função comunicativa.
( )Não devemos ter preconceitos com exemplos de língua como essa acima, pois
há diversos motivos que explicam esse modo de falar.

16. Assinale a opção que identifica a variação linguística presente nos textos
abaixo.

Assaltante Nordestino
–Ei, bichin…Isso é um assalto… Arriba os braços e num se bula nem faça
muganga… Arrebola o dinheiro no mato e não faça pantim se não enfio a
peixeira no teu bucho e boto teu fato pra fora! Perdão, meu PadimCiço,
mas é que eu to com uma fome da moléstia…

Assaltante Baiano
– Ô meu rei… (longa pausa) Isso é um assalto… (longa pausa). Levanta os
braços, mas não se avexe não… (longa pausa). Se num quiser nem precisa
levantar, pra num ficar cansado… Vai
passando a grana, bem devagarinho… (longa pausa). Num repara se o
berro está sem bala, mas é pra não ficar muito pesado… Não esquenta,
meu irmãozinho (longa pausa). Vou deixar teus
documentos na encruzilhada…

Assaltante Paulista
–Orra, meu… Isso é um assalto, meu… Alevanta os braços, meu…
Passa a grana logo, meu… Mais rápido, meu, que eu ainda preciso pegar
a bilheteria aberta pra comprar o
ingresso do jogo do Corinthians, meu… Pó, se manda, meu…

(A)fator padrão
(B)fator pessoal
(C)fator escolar
(D)fator regional
(E)fator humorístico

17. Leia o texto abaixo e julgue as afirmações em verdadeiras ou falsas:

E AÍ, DOIDERA, CADÊ A


PARADA LÁ?!

( ) As gírias são expressões que marcam a língua coloquial, ou seja, é uma


variante mais espontânea, utilizada nas relações informais entre os falantes.
( ) O emprego intensivo de gírias entre os falantes faz com que essa variedade
linguística se propague rapidamente.
( ) O autor do texto expõe sobre um processo linguístico que sofre influência de
inúmeros fatores entre eles: a relação entre falantes e ouvintes.
( ) “doidera” e “parada” são expressões resultantes de variação linguística,
empregadas entre falantes, marcadas por uma época e o grupo social de que
fazem parte.

18. Assinale a alternativa que contém uma informação FALSA em relação ao


fenômeno da variação linguística.

A) A variação linguística consiste num uso diferente da língua, num outro modo de
expressão aceitável em determinados contextos.
B) A variedade linguística usada num texto deve estar adequada à situação de
comunicação vivenciada, ao assunto abordado, aos participantes da interação.
C) As variedades que se diferenciam da variedade considerada padrão devem
ser vistas como imperfeitas, incorretas e inadequadas.
D) As línguas são heterogêneas e variáveis e, por isso, os falantes
apresentam variações na sua forma de expressão, provenientes de diferentes
fatores.

19. São várias as diferenças linguísticas das diversas regiões e das diferentes
camadas sociais do Brasil. Todas, porém, fazem parte de nossa realidade e são
compreensíveis por seus falantes. Como exemplo disso, podem-se verificar as
variantes linguísticas para as palavras “tangerina” e “mandioca”. Considerando
essas informações acerca das variações linguísticas da língua portuguesa,
assinale a ÚNICA opção correta.

(A) As palavras tangerina, mexerica e laranja-cravo são sinônimas, assim como


mandioca e macaxeira.
(B) São corretas apenas as formas “mandioca” e “tangerina”, uma vez que são
palavras mais bem aceitas na língua culta e laranja-cravo é errado falar.
(C) O uso da palavra macaxeira não é correto, pois faz parte da língua indígena
do nordeste do País.
(D) quando um falante usa o termo macaxeira, em vez de mandioca, demonstra
pertencer a uma classe social baixa.
(E) Os brasileiros falam o Português mais corretamente na região Sul do que na
região Nordeste.

Gabarito apenas da questões objetivas. Pensem e respondam as questões


discursivas. Não disponibilizarei as respostas.

9-F-F-F-V-F
10 - D
12 - B
13 - E
14 - D
15 - F - V - F - V - V
16 - D
17 - V - V - V - V
18 - C
19- A

"Se tantas pessoas inteligentes e cultas continuam achando que


‘não sabem português’ ou que ‘português é muito difícil’ é porque
esta disciplina fascinante foi transformada numa ‘ciência
esotérica’, numa ‘doutrina cabalística’ que somente alguns
‘iluminados’ (os gramáticos tradicionalistas!) conseguem dominar
completamente.". (Marcos Bagno)