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: A CONSTRUÇAO doPARANA
r
1

Pol~ticos e Política no Governo do Paraná de I 93 o a 19 80

Ricardo Costa de Oliveira {0rg.}


Jefferson de Oliveira Salles
José Pedro Kunhavalík
GOVERNO DO ESTADO DO PARANÁ

Gov·ernador
Roberto Requião de Mello e Silva
Vice-Governador
Orlando Pessuti

Chefe da Casa Civil


Luiz Carlos Caíto Quintaria - . /

Diretor da Imprensa Oficial do Esl:ndo A CONSTRUÇAO do PARANA! MODERNO . 1


João Carlos de Almeida Formighieri
Secretá.rio· de.Estado da Ctêncià, Tecnologia t(EnsinO Superior
Políticos e Polític.1 no Governo do Par;n1;Í de I 9 30 ;1 I 980
.A.Jdair Tarcísio Rizzi
Diretor Ger:tl
Artur Antonio Berto!
Coorden:Jdor de Ciência e Tecnologia
Ricardo Costa de Oliveiià

Coordenador de Ensino Superior


José Tarcísío Pires Trindade

, Ricardo Costa de Oliveira {Org.)


Jefferson deOliveira Salles
José Pedro Kunhavalik
Dc;,õsito legal junto:\ BihtioteCá Nacional, confoirnc decreto p/' i823,
de 20 de dezembro de 1907,

Cc1)r..!tnçJo Editorial APRESENT,\Çr\O


Antônfa Schwinden

J[ Srcrchm.:J. da e Bt1st•w SH/1erior do tem

EtliJcmçlfa EktnJnica
q:rs a 1:1elhmi;2 a!l emtodnsos dos recursos
T:i.ti:me B11z.zattn

Fitwli~,:ç:is
Ana Paula Midori Akivuma P,m, a drea deu Cz'fncfat Hllm:u:crs~ isto sign{!kà Úw:stirmi
de' d11dor, infon'ta/Ú'}.í que diverão_lernm multiplicador,
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D~d,,>,; lm.:nution:ns de (C!Y} Paraná de ! 930 (1 1980 ".SfJ)/lt essa orient,1çiü,, boh rYJmo a retirar"i1lwas i:-om
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G1c11 &. !LS,ille.,,Jefer~nU<l Ohvdt1. m.
I\t11r:ifo.
COD {1(l ~J.) 32-C'.'.f16-2
CDU ç::.1'·-t) 319i'BI6.2J

ru.zzi
Se:c1etário <lei Estado da Ciêó.cia, Tecno1agla eEmdno Superior

SEéRJ,.ü\lUADA~ClA, IMPRENSAOÍ'!CIA:i. no PARANÁ


'fECNOL0GIAEENSIN05UPElUOR ~ óC1 f¾uicitHW'.li.JcS, 16..f5
P.ua !\-í.m.i.:óO Julo Kcp7, Z74 - Blor::o 01 - Curiri\:n. - PM.ini
C.E-P 131630 l,lf/0 · Santa Cin<l.ld~ · Curicibl - P:tW13 3133279
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...~.1,·W'.tétl.gov.bt'

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A CONSTRUÇAO DE UM PROGRAl\ú\ DE PESQUISA.S
SOBRE ,·\ POLÍTICA PAMNAENSE

Este livro é urna coletânea de pesquisas e trabalhos acadêmicos recentes


dos três autores, tendo como objetivo a compreensão da política paranaense no
crucial período da década de 1930 até 1980. O Paraná transformou-se mais
rapidamente nessas décadas do que ao longo de toda a sua história anterior,
Trata-se de uma importante contribuição para se pensar alguns dos mais
importantes gestores do poder executivo paranaense e o sentido das políticas
estatais implementadas na regíào. O livro está dividida nos seguintes capítulos:
"Ricardo Costa de Oliveira analisa a política paranaense e o Estado Novo no
período de 1930-1945", ''.Jefferson de Oliveira Salles investiga aspectos do perfil
do Governador Moisés Lupion (1947-1951 e 1956-1961)" e "Pedro Kunhavahk
apresenta uma ampla investigação dos períodos do Governador Bento i\ifunhoz
da Rocha Neto (1951-1955) e do Governador Ney Braga (1961-1965 e 1979-
1982)", de modo que representa uma contribuição critica de pesquisas da
Universidade Federal do Paraná para o Sesquicentenário do Paraná.
O estudo da política paranaense tem sido o objeto de pesquisa na
Universidade Federal do Paraná do Núcleo de Estudos Parnnaenses (NEP) ao
longo dos últimos anos. Diferentes monografias, dissertações e teses de doutorado
têm contribuído para a investigação critica da política paranaense por pa.rte das
ciências sociais na última década.
O presente livro investiga algumas das principais questões da política
paranaense no período de 1930 até 1980 e trata~se de uma continuação cronológica
do nosso livro anterior, O Silet1do dos f/'encedores. Genealogia1 Classe Dominante e Es!âdo
no Panmá. (Curitiba: Moinho do Verbo, 2001, v.1. p.482), que privilegiou o estudo

7
da formação política do Paran;Í. e das relações entre estruturas de parentesco e
poder político no Estado. Tambêm começamos a estudar as elites parlamentares
contemporâneas com o l.i;;·ro _/fod!ist! dos Parlamentares Pamr.ar:nses na Entrada do
Século ~YX!. (Curitiba: .Associação dos Professores da Universidade Federal do
Paraná, 2002, v.1. p.353). Esperamos contribuir com o estudo e a elucidação de SUlvL\RIO
alguns elementos eh política paranaense e continuaremos com a pesguisa de
noYos temas e governadores com .-ísta em novas publicações.
APRESENTAÇ:\O - Aldair Ttmisio ............................................................... 5
A CONSTRUÇ,\O DE UlvI PROGRAMA DE PESQUISAS
SOBRE ,-\ POLÍTICA P:\RANAENSE - Rimrdo Costa de Oliveim ................... 7

Ricardo Costa de O!ivein; NOTAS SOBRE A POLÍTICA PARANAENSE NO PERÍODO


DE 1930 A 1945
Ricardo Costa de Oliveira

1. INTRODUÇAO .......................... 15
2. A PARTICIPAÇ:\O MILITAR DO PARANA
NA REVOLUÇ:\O DE 1930 .......................... .. ........................... 15
3. GOVERNO PROVISÓRIO .......................................... .. ...... 18
4. A ADJ\-HNISTRAÇ:\O MANOEL RIB:\S:
PRIMEIRO PERÍODO ............................................... .. .. .... 19
5. A ELITE POLÍTICA PARANAENSE PÓS-1930 ..... . .. 21
6. O PERÍODO DO ESTADO NOVO .................. .. .. ................... 26
7. CONCLUSAO ............................................. . .. .......... 29
REFERT:::NCIAS BIBLIOGRAFICAS ............... . . ........ 29

A RELAÇÃO ENTRE O PODER ESTATAL E AS ESTRATT:::GIAS


DE FORJ',,IAÇÃO DE UM GRUPO EMPRESARIAL PARANAENSE
NAS DÉCADAS DE 1940-1950: O CASO DO GRUPO LUPION
Jefferson de Oliveira Salles

1. INTRODUÇAO ............................................................................................... 35
2. MUNDIALIZAÇAO DO CAPITAL E A INDUSTRIALIZAÇAO
DO BRASIL FINAL DO XIX E INÍCIO DO XX ................................. 38
2.1 As Décadas de 1910-1920 ..................................................................... 41

8 9
3, J\ J\SCENS"\O DO SETOR INDUSTRIAL lvL\DEIREIRO ,,,,,,,,,, 46 3.l 1 Politicas Sociais ..... ,,, ,,,,, , " '"' "", 213
3,I [migração no Paraná 1890~1930: O Surgimento de uma Nm·a 3,12 Conjuntura Final e Sucessão. """' """, '"" 214
Fração de Classe e a Rearticulação do Patronato Tradicional "'· ... " 48 4, CONCLUS,\O,,, '" 215
3.Ll O Surgimento da Representação do Setor Ivfadeireiro: REFERÊNCI:\S B!BLIOGfü\FIC"\S, "", '""'' 218
Efeitos Pertinentes, ..... ,. .. ,.. 57
3, L2 Política Governamental e as Elites Dirigentes .. , 66 NEY BRAGA: TRAJETÓRIA POLÍTICA E BASES DO PODER
3.1.3 A Fundação e Diversificação do Grupo Lupion . 72
José Pedro ICtmbav,tlik
32 Os Grupos de Interesse e Hegemonia Política: Ação Estatal
L INTRODUÇAO "'""" 231
e Empresarial de 1vfembros do Grupo Lupion ..... ,... ,., ,,, 89 2, O SURGIMENTO POLÍTICO DE NEY BRAGA , , "" 236
4, O PROBLElvL\ DAS TERRAS NO OESTE PJ\RANAENSE, 2.1 A Formação de Ney Braga e sua Passagem pelo Exército ... 236
UM"\ J\N,\LISE DE DISPUTA ENTRE AVES DE RAPINA,,,,,,,,, 106 2.2 Ney Braga Ingressa na Política,, .. ,......... ,,,,,, ,,,,, .. 240
5, ANEXOS,,,,,,,,,,,,,,,,,,, 113
"'° Articulação Politica para Disputar a Prefeínirn ""' "'""'""" 247
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS, , , ,,,, 138 2A A Campanha para a Prefeitura .,. " 253
3, DA AUTONOMIZAÇAO POLÍTICA },S RELAÇÕES
BENTO MUNHOZ DA ROCHA NETO: TRAJETÓRIA POLÍTICA
COM JOAO GOULART"""""""'"""""'""'"'""""" "'"""""" 256
E GESTÃO NO GOVERNO DO PARANÁ
3.1 O Ingresso de Ney Braga no Partido Democrata Cristão ............ 256
José Pedro Kunbavalik
3.2 .A Campanha para o Governo do Estado...... ...... ,. .... 265
INTRODUÇAO ,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,, 3.3 A Gestão no Governo do ES:tado ...... , """"""" 279
L '"""""' 143
2, TRAJETÓRL\ POLÍTICA DE BENTO MUNHOZ D,\ 3A A Formação do Neyismo "'"'""" ""'"""""""" 294
ROCK\ NETO,,,,, , """""" 145 35 Ney'Braga e a Crise da Renúncia deJiinio Quadros"""'""'"'"""" 296
2.1 Trajetória Social de Bento 1\lunhoz ..... 3.6 A Postura de Ney Braga Diante do Governo João Gouhrt.. ........ 300
"""'""'"""" 145
4, AS FLUTU,\ÇÔES DO PODER POLÍTICO DE
2.2 Uma Concepção de Democracia ....... .. 155
23 Trajetória Política de Bento Iviunhoz ..................................... ,, ........ ,.,. 158 NEY BRAGA NO REG!lv!E lv!ILITAR"""""""'"""""'""'"""""""'"" 309
3, GESTAO BENTO MUNHOZ NO GOVERNO DO PAfu\NA "" 180 4, 1 O Caminho elo Golpe ele Estado"""'""'""""""" """" 309
3.1 A Questão Partidária e o Suporte Político da Gestào ....... '"'""'""" 180 4.2 A Sucessão de Ney Braga no GoYerno do Estado ..... ",, ... ,. ........... 324
3.2 O Secretariado .............................. ,, ................................................. ,.... 186 43 ,\ Organização da Arena no Paraná""""""""'"""'"'"'"""""""'"""' 334
3.3 .A Procura de um Conceito Político do Paraná ..... ., .......... ,. .............. 190 4,4 O Embate Político com Paulo Pimentel e a Fragilidade
Política Durante o Governo Costa e Silva e Parte do
3A Política Territorial""""""'"'""""""'""""""""""""""'"'"""""""""""' 193
3,5 Política Fundiária -Questão Agrária""""""""""'""'""""""""""'"" 194 Governo Médici ""'"""""""""""""''"""'""'''"''""""""""'"'" ""' "'" 336
3.6 Política de Imigração ........................................................... ., ..... ., ........ 201 4.5 O Fortalecimento Político de Ney Braga com Geisel
na Presidência.............................................................. ,............. '" ............ 355
3,7 Política de Energia Elétrica""""""'"""""""""'"""""'""'"""""'"'""" 202
3.8 Política de Transportes ................................... ,., ........................... ,. ........ 206 4,6 Ney Braga no Ministério da Educação""""'""""'""""""'"""""'""' 367
4.7 O Controle da Arena Paranaense e a . Inclicação para
3,9 O Paraná na Federação"""'""""'""'"""""""""'"'""""'"""""""'"""' 208
3.10 Politica Cultural e Educacional""'""'"'""""""""""'""'""'"""'"'""" ?09 o Governo Estadual """'"'"'""'"'"'"""'"'"""""'""'"'"""""'""'"'""" 370

10 11
-:
5. O DECLÍNIO POLÍTICO DE NEY BRAGA E O
DESTINO DO NE'rlSl\lO ........................................ .. ........... 379
5.1 .A Formaçào do PDS e a Derrota nas Eleições de 1982 .... .. ... 379
5.2 A Formação da Frente Liberal ................. " .............. '"""" ...... 393
5.3 Perfil de ?vfembros do Neyismo ....... . .... 396
. ...... 406'
6. CONCLlJS.\O .....
R.EFERÊNCL\S BIBLIOGR.AFICAS ... .. ... 412

Notas sobre a políttca paranaense


1
no período de 1930 a 1945
RICARDO COSTA DE OLIVEIRA*

Base:ido em artigo publiodo na Revista de Socíologi.t e Polítio., número 9.

Ric1rdo Casca de Oliveira i:. gradu.ido em CiênclJs Sociais na Unln•rsldade Fedeu! do Rio de Janeiro
(UFRJ), 1'.fostre em Planejamcnro e Oescnrnlvimc:nto Urbano na Uni\•erslty o,f London e Doutor i:m
Ciências Sociais pela Uni\'ersidade Estadual de Campinas (UNICAMP). É Professor de Ciência Polírica da
12
Universidade Federal do Paraná (UFPR}
1. INTRODUçAO

O movimento politico d~ 1930 no Pararuí apresentou'diferen?5 com as


rupturas politicas anteriores provenientes do Rio. Grande d9 Sul Em 1838, na
revolta Farroupilha, e cm 1894, durante a Revolução Fe~eralista, as· forças
.. __-...f~YQlutjq_Mciismeridionakp~-nO--tet:citório·puanaense:,:A m&pãcidaãe·ae·· .~ ·
1

atravessar o Estado, fê-las perder o momento ce.rto da op"eraçã() militar, tornando


impossívd selar as alianças necessárias no centro do País, restando aos ·revoltosos
o isolamento e· a derrota.
.,, Em 1930, a Revolução contou com grande apoio do Paraná. Forças militares
federais sediadas no ~qdo deram significativo apoio ao movimento. A participação
e o envolvimento de importantes grupos de apoio no Estado do Pauná, ao lado
da grande movimentação política naciohal, colaboraram na vitória do movimento
revolucionário. Pela primeira vez na história política nacional, um regime político
centrado. no Rio de Janeiro foi derrotado pc:lás periferias rebeldes. O isolamento
e a falta de sustentação popular do Presidente Washington Luís e as primeira,
seqüelas da crise de 1929 aprofundaram 'a insatisfação geral. A cisão e as
divergências entre diferentes fuções da clas,e dominante e a crise do regime político
da República Velha foram as causas da Revolução de 1930.

2. A PARTICIPAÇÃO MILITAR DO PARANÁ


NA REVbLUÇÀQ DE 1930.

No Paraná, a Revolução de 193Qcomet"'l corti uma artiailição político·


militar feita pelo Major l'linio Alves MonteimToucinho. O major Plinio Toucinho
era paranacnse, Oficial cn.genhciro ~9;Exé~çit~, professor de astronomia da
Universidade do Par\Íná e ligado por parentesco • familias tndicionais do Estado
(familia Alves, por parte de mãe).

IS
Desde julho de 1929 se -articul3:vam os preparativos para montar um
movimento que teria apoio no Rio Grande do Sul 1 em :Minas Gerais e na Paraíba.
Contatos foram feitos entre a oficialidade tias principais unidades da s.• Região
'
' No dia 18, o 14.º BC, localizado cm Biguaçu, aderiu à Revoluç.io. O Comandante
das Forças Revolucionárias, Plínio Tqurinho, nomeara o Tenente-Coronel Arnoldo
:Mancebo como Governador Provisório de Santa Catarina, no dia 14 de outubro.
l\tülitar (Paraná e Santa Catarina). Havia sitnpatizan~es no 15.º B;talhào de Os legalistas ficaràm cntio encurralados na Ilha de Florianópolis.
Caçadores, no 9,0 Re&ime11to de Arúlharia Montada, no IV /SRCD Esquadrão de Na frente de São Paulo, seguiram, a partir do dia de outubro, o 13.º RI,
Cavalaria e no 5.º Grupo de Artilharia, todos localizados em Curitiba (Sede do duas Companhias do 15.º BC (uma das companhias estava em operações no
\
Comando da Rlll). O 13.º Regimento de Infantaria de Ponta Grossa também norte de Santa Catarina, depois se reuniu na linha de Itararé com a sua unidade),
contava com simpatizantes deste movimento. A unidade, de Palmas, o S.ºBatalhão o 9.º R.\M, o 5. 0 GAM, o IV/5 RCD, o batalhão de infantaria e o esquadrão de
de.Engenharia e o 13.º Batalhão de Caçadores, de Porto União, seguiram cofi?. o cavalaria da Força Estadual do Paraná. O General Miguel Costa, que no dia 4
movimento revolucionácio. A Policia Estadual do Paraná também aderiu. No desse mês havia chegadó com soldados pela ferrovia desobstruída entre Ponta
dia 5 de outubro, os revolucionários já tinham ocupado o poder no Estado. _GJQ§$ª_.e_ Santa_ Maria, .assurniu .. o .. ccimap.do--da, co1una~·"·No- dia -16" de ·outuüro-
Dois-generaís--estavam· presos-,-- e- <T Presidentc··AJfôiiSc:i"'Càhiár'g0-,t-iigtrâ pafã' à e,stabeleccu-se a frente de combate entre as unidades paranaenscs mais o 8.º RI,
litoral na direção de São Paulo (1DURINHO, 1990:. 575-580), vindo do Rio Grande do Sul, e os defensores do norte, o 4.0 BC, o 5.0 RCD, um
Com a vitória, Cudciba viveu uma intensa festa cívica nas ruas centrais. O grupo do 4.º !UM, um batalhão da Força Paulista e um batalhão de legionários.
apoio popular ao movimento foi grande. Velhos políticos dissjdentes do Partido A s·uperioridade das forças da Revolução_ era de cerca de 2.400 legalistas
Republicano Paranaensc, então apoiadores da Aliança Liberal, como o Coronel l (TOURINHO, 1980: 63). As manobras de envolvimento começaram com a
\ .. ·.
Joaqui~ Pereira de Macedo e o Coronel· Ottoni ?vfaciel, ao lado de estudantes, tomada da fazenda de Morungava. OS defensores se apoiav_am nas vantagens
fiincionários públicos, profissionais liberais, comerciantes e membros das nascentes naturais das escarpas de Itararé. D~as outras colunas avançavam pela Capela do
·classes médias e trabalhadora de Curitiba, promoveram grande agitação política Ribeira e pelo Varadouro, na direção do litoral norte.
e prepararam a formação de batalhões revolucionários (!'!LOTO, 1982: 57-69). A mobilização de tropas gaúchas enfrentava à distância as debilidades de
O Paraná teve um papel estratégico muito destacado na vitória da Revolução. comunicações e a falta de capacidade logística para a con~uçào de urna campanha
A rota ferroviária para São Paulo estava aberta. As extensas pontes sobre os rios a centena~ de quilômetros de suas sedes de unidade. Sua movimentação por
Iguaçu e Negro estavam incólumes. Se fossem destruídas, padeciam atrasar em União da Vitória foi descrita por Clcto da Silva (1933). Os poucos dias de
meses o deslocamento logístico e militar das tropas gaúchas da 3.ª Região 'Militar, duração da crise revolucionária foram um fatoi.- determinante para a organização
dando grande fôlego para a resistência no Catete. Os legalistas contavam apenas da campanha militar da Revolução de 1930 no sul. As principais forças
com o apoio do 5. 0 Regimento de Cavalaria Divisionária de Castro, sem um operacionais no ataque a São Paulo eram as unidades militares paranaenses da 5.ª
esquadrão, que ficava em Curitiba e apoiava o movimento. Em Florianópolis, o Região ivfilitar mais a Força Estadual Paranaense. A direção civil-militar gaúcha
General Nepomuccno Costa, enviado pelo Catcte para comandar a Rl\!, passa a dirigir as operações a partir do Paraná. No dia 16 de outubro Getúlio
desembarcou tropas de Fuzileiros Navais que deveriam garantir a situação legal Vargas chegava ao Paraná. No dia 20 desembarcava apoteoticamcnte em Curitiba.
no litoral catar(ncnse. A partir de 23 de outubro, o quartel-general da Revolução seria Ponta Grossa. A
A ordem de combate dos revolucionários era dara. Na frente de Santa direção do movimento contaVll com a Casa CivH do Presidente Getúlio Vargas.
Catarina, no dia 1O de outubro, as vanguardas rcvofucionárías do 13.º BC ocupariam

't
com um Estado-Maior Civil, outro militar, um Estado-Maior do, Comando
a cidade deJoi.nville. Com poucas escaramuças, os- legalistas se renderam, inclusive Geral, o Estado-Maior do general Flores da Cunha, aquele do Dr. João Neves
' os Fuzileiros Navais, enviados às pressas para a área. :Muitos desejavam se integrar da Fontoura e elementos de infra-estrutura compostos de dezenas de poüticos e

1 ao movimento em curso e foram destacados para o 5.º BE que segLÜa para Ribeira. militares (TOURINHO, 1980: 334-335). No dia 24 de outubro, o Presidente
O prefeito Ulysses Costa foi deposto, assumindo o Dr. Pl:ícido Olympio de Oliveira. Washington Luiz era deposto pela junta militar.

16 17

i!
. '

Dessa forma, portanto, ~ participaçãO militai:- do Paraná, ao contrário do dominantes. Este foi um indicador úpko da ligação deste Àtovimcnto com as
· que ocorra nos movimentos político-militares anteriores, conferiu grande impulso oligarquias1 já na época d~nunciada por Luís Carlos Prestes.
à_ Revoluçào de 1930, contribuindo enormemente para sua vitória. Mas isto não sign,jficava a inexistência de conflitos entre os revolucionários
paranaenses. Mário T~ucinho enfrentou fotte oposição 9e alguns setores
paranacnses, inclusive militares. Permaneceu pouco mais de WI1 ano à frente da
3. GOVERNO PROVISÓRIO Interventoria do Estado, renunciando em 29 de dezembro de 1931. Transferiu
provisoriamente o cargo a João David Pemetta, tradicional polltico da República
a
Velha, durante qual foi oito vezes Deputado_Estadw\L
li No próprio dia S de outubro foi nomeado Governador Provisócio 1do A nova indicação para Interventor do Paraná seria meticulosamente pensá da
i' Paraná O General Mário Tourinho. fyfilitar de cat:teira e irmão do comandantt: por Vargas, recaindo na figura de Manoel Ribas, que tomou posse no dia 30 de
tt da Revolução ~o Paraná, Plínio Tourinho. Amb'?s eram filhos do_ Capitã.o janeiro de 1932 Ribas conseguia reunir a confiança de Vargas e o apolo de
ri impiircintes seforcs aas ê!assés-dõmlruinie êtrabalhad;;ra ;i,:; i>;,;.;;,á. - ...
-1
1
Engenheiro· militar-Francisco-Antonio- J14onteiro. Tourinho.· -Estc,:~uando ;s~a-
no Paraná Provincial, casou-se com Maria Leocádia. da Costa Alves, de tradictonal Manoel Ferreira Ribas nasceu em Ponta Grossa em 8 de morço dé 1873.
famífu. patanaense. Mário Tourinho segui·u úpica ~r~ militar, tend~ ~ervido Pertencia a uma funllia histórica d a ~ dominante do Paraná. Em 1897 mudou-se
no _cerco da. Lapa, na Gampanha do Çontest_ado e na pcrsegu1çao aos para Santa Maria, no Rio Grande do Sul Seria um dos.organizadores da Cooperativa
~evolucionários de 1924 cm São Paulo. Era casado com Osminda Rebelo e ein _ dos E_mpregados da Viação Férrea gaúcha. Em 19:ai'./oi eleito Prefeito de Santa
segundas núpciai com Leopoldina Rebelo (CARNEillO e V.\RGAS, 1994: 175- Maria. Sua vida polltica levou-o a tratar relações com Getúlio Vargas no Rio Grande
176). A esposa do General Mário Tourinho (Leopoldina Rebelo) era pctma da do Sul Ribas apresentava a dupla vantagem de ser, ao mesmo tempo, alguém do
esposa do Presidente deposto pela Revolução,Affonso Camargo (Etelvtna Rebelo). agrado de Vargas (a quem devia o cargo) e também vinculado à classe dominante
Isso indica que as coisas não mudariam muito cotn a Revolução. dos Campos Gerais do Paraná. Além disso, era uma importante liderança dos
A indicação por Plínio Tourinho do Capltio Arnaldo lvfru:ques Mancebo, trabalhadores ferroviários. Este conjunto de fatores ajudou a explicar a sua
eritão Chefe de Policia do Paraná, como Governad?r Provisório de Santa Catanna continuidade à 'frente do Poder Executivo paranaense de 1932 até 1945. Como
mostra a grande importância da s• Região Militar na Revolução de 30. A posse · afirmava GetúliO Vargas, "no Paranâ eu estou sempre presente. Tenho lá o Rims"
foi em Blumenau, na noite de 16 de outubro (CORRÊA, 1984! 61,62, 64). (ÁLBUM Comemorativo da Vmda do Presidente Getúlio Vargas ao Paraná, 1944).
O perfil de algumas das novas autoridades nomeadas pela Revolução de
1930 n• região atestam a continuidade de tradicionais grupos e familias no poder.
,Qs decretos revolucionários de número 1 e 2 da. Revolução unificavam as três 4. A ADMINISTRAçAO MANOEL RIBAS:
Secretarias de Estado do Paraná e nomeavam como Sccretá.J?o-G~l o Dr. João PRIMEIRO PERÍODO
Ribeiro de:· Macedo. O Decreto núméro 6 indicava como Prefeito de Cucit1õa o
. l Corond Joaquim Pereira de Macedn Ambos pertenciam à tradicional f~a
1 Macedo. Em Castro, onde quase houve conflagração com as tropas cm Sao Manoel Ribas era um típico herdeiro do poder das liunllias históricas do
Paulo, foi nomeado Otávio Novaes, neto de Manoel Iná~o do Canto e Silva, um processo de formação da sociedade pa.ranaense. Descendia de ~amílias prêsentcs
,i1 da fundação de Curitiba e com longa preponderância politica desde o século
dos mniores latifundiários escravistas do Paraná (BORBA, 1986: 163). Emjoinville,
foi nomeado Prefeito O Dr. Plácido Olympio de Oliveira, chefe do comitê XVI[. Era neto do Brigadeiro Mi.noel Ferreira Ribas, descendente dos fundadores
aliancista e da tradicional familia Oliveira da região. A Revolução de 30 logo de Pitangui-Ponta Grossa. O grupo de parentesco dos descendentes de Manoel
,.
procurou assegurar resp~itabilidade e comprometimento com as frações Ribas e de sua irmá, Maria da Conceição Ribas Vauthier, asada .com o engenheiro
li
t 18 19

1
Gustavo Vauthier- que conseguiu o emprego de Man~cl na Ferrovia' São Paulo-· Doni J\tico teria um papel ativo na campanha de nadoO.alizaçào do clero .
Rio Gra~de - abrange o seguinte conjunto de nomes de tradição política no estrangeiro no Estado (BENEVIDES, 1991:18).
Paraná: Lupion, Pantana, ~faccdo, Oliveira Franco, Hauer, Erichsen, lvfacicl, Durante a crise de julho de 1932, Manoel Ribas gu-ante a posi<;ào paranaense
Lscerda e Guimarães (.\LBUQUERQUE, 1994: 20-23). pró-Vargas, colaborando no isolamento e na derrota do Movimento Co~stitucionalista
A vincu~açào d~ Ribas cotn os grupos tradicionais da classe dominante de 1932, em São Paulo. Houve algum apoio e simpatias do Paraná pela posição
patanaçnsc pode ser aferida de diversas maneiras. O seu Secretário de- Fazenda e tle São Paulo pró-constituição (cf. TOURINHO, 1991:343 e I<c\IlAM, 1933),
substituto no comando do Executivo estadual durante certo período foi João de mas foram minoritários.
Oliveira Franco (1939-1942). Igualmente, Rivadávia Fonseca de Macedo foi
interventot interino em 1932 e Secretário de Fazenda, sendo postcriorméntc
Presidente do Banco do Estado do Paraná. 5. A ELITE POLiTICA PARANAENSE PÓS-1930
Outro sinal d.t conservação de interesses tradicionais da classe dominante
pâtaàacnse riôpéríodo de 1930'1945 pode serê:onstatàda pela presença de membros
das familias que detinham o poder no Paraná desde o século XVII em cargos Nas eleições de majo de 1933 para a Assembléia Nacional Constituinte foram
importantes. Portanto, nesse período não ocorreram rupturas significativas desse eleitos (cf. TOURINHO, 1991: 180):o General Raul Munhoz (PSD), que renunciou,
st,ilus quo. i\ análise dos ocupantes da Secretaria de Justiça revela que entre dez assumindo Idálio Sardenberg, militar de origem curitibana (NICOJ..\S, s/d: 99);
deles, oito pertenciam a famiUas históricas paranaenses com ascendentes e redes de Manoel Lacerda Pinto (PSD), nascido na Lapa em 1893 e llacharel em Direito
parentescos estabelecidas no pode; ·desde o século X""VIII Ooào Ribeiro de Ivfacedo por São Paulo; Antonio Jorge Machado Lima (PSD), füho de Vicente Machado,
Filho, João David Pernetta, Clotário de Macedo Portugal, Catào Mcna Barreto Chefe do Executivo e um dos maiores nomes da política paranaensc do começo
J da República. Antonio nasce_u em Ponta Grossa em 1886, era Bacharel em Direito
1 Mondara, Francisco Martins Franco, Eurípedes Gatcês do Nascimento, Oscar
Borges de :Macedo, lvfanocl Lacerda Pinto, ficando de fora Omar da Motta e 0 por São Paulo e estava na dissidência das forças hegernônicas do Partido Republicano
gaúcho Capitão Fernando Flores). O Procurador-Geral da justiça era Brasil Pinheiro Paranaense desde 191;~, inclusive· na Reação Republicana e na Aliança Liberal.
Machado e o Presidente do Tribunal de Justiça era Clotário de Macedo Portugal Fundou o jornal A Tarde. Com a Revolução de 1930, foi Diretor Geral do Ensino.
1 Membro fundador do Partido Social Democrático, do qual foi l!der, foi Presidente
(que assumiu o poder com a queda de Manoel Ribas e do Estado Novo em 3/11/
1 1945). O empresariado reu~ido na Associação Comercial do Paraná no período da Comissão de Agricultura, Indústria e Comércio da Câmara dos Deputados e
1
de 1931-1945 teve como Presidentes: Rivadávia Macedo (1931-1933 e 1939-1946), Senador, tendo sido tambétn e!dito em 2 de fevereiro de 1935 pela Assembléia
Arcésio Guimarães (1933-1937) e João Viana Seiler (1937-1939), todos com redes Constituint_e do Estado do Paraná; Plínio Tour~nho elegeu-se pelo Partido Liberalt
de parentesco enraizadas no poder paranaensc desde o século l\."\rII. A Federação apesar, de não ter contado com o importante apoio da Igreja por defender o
das Indústrias do Paraná (FIEP) teve como primeiro Presidente Heitor Stockler de divórcio e a separação entre educação pública e educação religiOsa.
França (1944-1958), com vínculos de parentesco que remetiam à. fundação de Os Deputados Federais eleitos em outubro de 1934 foram: Francisco de
Curitiba no século l\.'VII. Todos eram figuras representativas de tradicionais setores Paula Soares Neto (PSD), nascido no Rio Grande do Sul em 1901, Médico pela
da classe dominante paranacnse com raízes nos séculos passados. Faculdade de Porto Alegre e Professor da Faculdade de Medicina do Paraná. Foi
O papel da Igreja também revela a perspectiva conservadora e a defesa I1 residcntc da Federação Paranaense de Desportos. Capítào, Médico do Exército
da ordem. Ribas trouxe como Arcebispo Metropolitano de Curitiba Dom Ático e participante ativo da Revolução de 1930; Lauro Sodré Lopes (PSD), nascido
Euzébio da Rocha. Era seu conhecido e de Vargas como Bispo de Santa Maria cm Curitiba cm 1898, Bacharel cm Direito pela Universidade do Paraná e
na década de, 1920. A presença do religioso ~aiano no Paraná revela as Promotor Público de Curitiba. Foi Chefe da Policia depois da Revolução de
preocupações políticas e as ligações de Ribas com a esfera religiosa tradicional. 1930; Otávio da Silveira (PSD), nascido n~ Rio Grande do Sul cm 1895, era

20 21
Médico pela Faculdade de Porto Alegre e Professor da.Universidade do Paraná. Guimarães, bisneto do Visconde de Nácar, nasceu em Curitiba em 7 de maio
Foi Diretor Geral do Ensino e da Saúde Pública e ativo membro do Di!etório de 1896 e era filho do General Teodorico Gonçalves Guimarães. Em 1919
Central da Aliança Nacional Liberrndora (BENEVIDES, 1991:166-188; Airton fundou com outros a Gazeta do Povo. Casado com Alcina Macedo) filha do Coronel
Plaisant (suplente pelo PSD), nascido em 1890 em Curitiba, era Major do Exército Joaquim Pereira Macedo. Adalberto Scherer, industrial e comerciante. Agostinho
e Comandante da Força Militar do Paraná e foi um dos oficiais do Exército que Pereira Alves Filho, nasceu cm Paranaguá em 1903, foi Tenente do Exército e
se deSen'tendeu com os Tourinho na crise que os levou para a oposição ao participou dos levantes de 1922 e de 1930. Tinha vínculos com a Aliança Nacional
varguismo (TOURINHO, 1991: 145-165); Francisco Ferreira Pereira (suplentedç,. Liberrndora (BENEVIDES, 1991:170). Augusto Santos, nasceu na Bahia em 1874,
PSD), nascido cm Curitiba em 1899. Era Engenheiro formado no ruo de Janeiro era comerciante estabelecido em Tibagi. Brasil Pinheiro Machado, nasceu cm
e professor da Universidade do Paraná; assumiu em 1935 na vaga de ,Flávio Ponrn Grossa em' 1907, filho do Coronel Brasil Pinheiro Machado, Bacharel em
Guimarães que foi para o Senado; Pllnio Alves Monteiro Tourinho (PSN), cuja Direito pela Universidade do ruo de Janeiro. Caio Gracho Machado de Lima,
biografia já foi apresentada; Artur Ferreira dos Santos 1 nasceu em C~riciba cm nasceu em Ponta Grossa cm 1885 e era filho de Vicente Machado, importante
1894:·Bácharcl em Direito pór São Paulo, foi Oficial de Gabinete da primeira poütiêo e Chefe do Executivo paranaense no, iní~-io da República. Cai~- ,estudou
gestão de Affonso Camargo e na segunda foi Chefe de Polícia, e Promotor Ciência Política em Paris,. foi Deputado Estadual (1908-1909 e-1929-1930) e
Público cm Curitiba. Foi PresÍdente do Instituto da Ordem dos Advogados do ocupou vários cargos públicos no Brasil e no exterior, Era também jornalista e
\
Paraná. Pertencia à Uniào Republicana Paranaensc (URP). diretot de O Dia. Camilo Stellfeld, farmacêutico. Djalma Rocha Al-Chueyr,
A Assembléia Constituinte Estadual, de 1935, era composta por deputados nasceu em São Paulo cm 1904, foi Maj9r do Exército e articulador revolucionário
d~ t.rêS diferenies partidos, qu~ rcpr<:,sentavam ttêS ~êndências políticas dominantes de 1930. Tinha vínculos com a Aliança Nacional Libertadora (BENEVIDES,
no Paraná naquele momento. A primeira tendência, majoritária na Assembléia, 1991:170). Erasto Gaertner, nasceu em Curitiba em 1900, eta Médico pela
era formada pÜr vinte deputados do PSD - provavelmente os mesmos que Universidade do Rio de Janeiro, Professor da Universidade do Paraná, membro
elegeram o Interventor Manoel Ribas Governador constitucional. Essa 'tendência do DiretOrio do PSD. Frederico Faria de Oliveira, nasceu na Lapa em 1893,
era favorável a Vargas, em contraste com a segunda tendência, formada por era jornalista e membro do Batalhão João Pessoa durante a Revolução de 1930.
deputados do Partido Social Nacionalista (PSN), que ,reunia muitos revolucionários Hclvidio Silva, nasceu em Curitiba em 1885, era formado em Direito no Recife.
de 1930 contrários às atuais orientações de Vargas e de Ribas. A principal figura Foi Juiz, Escritor, Jornalista e Diretor-Presidente da Cia. Cervejaria Adriatica.
do PSN era o própria Plínio Tourinho, comandante das forças revolucionárias de .Além disso, foi Presidente da Orde.m dos Advogados. João Teófilo Gomy
outubro de 1930 no Estado. Já a União Republicana :raranaensc polarizava setores Junior, nasceu em Curitiba cm 1889, Bacharel em Direito1 advogado e líder do
políticos do antigo regime e do velho Partido Republicano Paranacnse. PSD. José Manoel Ribeiro dos Santos, nascido em Sete Lagoas (MG), Médico
Formavam a bancada do PSD na Assembléia Constituinte do Paraná, os formado pela Unhrcrsidade do Paraná e chefe político Cm Jaguariaíva, onde
deputados relacionados a seguir: Antonio Augusto Carvalho Chaves1 eleito clinicava. Lineu Madureira Novais, filho do Coronel Otávio Novais, nasceu
presidente da Assembléia Constituinte; era Bacharel em Direito por São Palllo. cm 1908 em Castro, era 1viédico formado pela Universidade do Paraná e
Filho de um Juiz, o Dr. Joaquim Gonçalves Chaves nas·ceu em hfacaiba, na Paraíba. descendente de tradicional família de grandes proprietários de terras do Paraná.
Ocupou duas Secretarias de Estado: de 1896 a 1900, foi Secretário de Justiça e Mário Erichscn, filho do Desembargador Conrado Erichsen, nasceu cm
de Finanças no período de 1900 a 1904. Além disso, havia sido Deputado Esrndual Curitiba em 1899, era Engenheiro formado pela Universidade do Paraná, ocupou
(1906-1907) e Deputado Federal (1903-1914), Presidente do Comitê Central vários cargos técnicos de engenharia e foi Prefeito de Antonina em 19~3. Nelson
P~rahaense da Reação Repu.blicana e_m 1922, Secretário da Fazenda no período José Corrêa, nasceu cm Rio Negro em 1902, era Dentista formado pela
rev<>lucionário (1930-1931). Não ocupou apenas cargos públicos, pois rnmbém Universidade do Paraná, tendo ocupado cargo de Professor na mesma
foi,_-St\Cio!cl,é:-uma' empresa de artigos clé_tricos com Gastào Chttvcs. Acir universidade. Foi Conselheiro do Clube Curitibano e Presidente da Sociedade

22 23
Operária União Juvevê. Oscar Borges de Macedo Ribas, nasceu cm Palmei.J:a Saúde Pública do Paraná; ~tonio Couto Pereira1 nasddo em 1896, em Baturité
em 1894, era Bacharel em Direito pela Unive~sidade do Paraná, madcireiró e {CE). Era comerciante radicado em Curitiba, tendo participado das articulações
fazendeiro em Castro e fundador- do Centro de Comércio e Indústria de Ponta revolucionárias da década de vinte, comissionado como Major nas forças
Grossa." Ovande Ferreira do Amaral, nasceu em Rio Negro cm 1900, era Médico revolucionárias. Foi Presidente do Coritiba Futebol Clube; Joaquim Pereira de
M;,iccdo, nasceu em Porto de Cima em 1858 e era Coronel da Guarda Nácional,
formado pela Faculdade do Rio de Janeiro. Participou da Aliança Liberal no Sul
nomeado em 1893 por Floriano· PeLxoto. Tendo sido Deputado no Congresso
do Paraná e da Revolução de 1930. Raul Gomes Pereira, nasceu cm Curitiba
Constituinte Estadual de 18~:2, tornou-se novamente Deputado Estadual cm
em 1899, foi Tenente do Exército e participante das Revoluções de 1930 e 1932
1900-1901, quando foi Presidente do Congresso Estadual. Camarista (1905-1908)
ao lado de Vargas. Alfredo Venskc, era industrial. 1:eve o apoio do eleitorado
e Prefeito de Curitiba (1908-1912), foi ainda Presidente da Aliança Liberal do
teuto~brasil.Ciro no Paraná. Era Primeiro Suplente do PSD.
Paraná, Prefeito revolucionário de Curitiba (1930-1931) ê Presidente Honorário
A bancada da URP era formada por cinco deputados: Caetano Munhoz
do Partido; Jorge Becher, comerciante em Ponta Grossa; Manoel de Alencar
P.a Rocha, nasceu cm Antonina em 1874~ era Médico formado pela Faculdade
Guimarães, nasceu-em "IluenrnrAites;,na:Aigên'tiifa, em 18'65:·Néto dà Visconde
do" Rio de janeiro. Er,r também comerciante· de erva:..mate, tendo fundado a
de Nacar, era formado em Direito-no Recife. Foi Promotor e Chefe de Polícia
firma Munhoz da Rocha & Irtnào. Além de ter sido Presídente da União
no regime monárquico e Chefe de Polícia do Paraná no início da República.
Republicana, ocupou vários cargos públicos e participou de ":árias legislaturas na
Líder do partido na Assembléia1, hâvia sido Deputado Estadual Constituinte em--
Assembléia Estadual (1904-1917) e uma no Senado Federal (1929-1930). Foi 1892, além de ter participado de outras legislaturas na Assembléia Estadual, .no
Presidente do Congresso Estadual na República Vclhlh Prefeito de Paranaguá Congresso e no Senado Federal.
por duas vezês'(1908 e 1912), Vice-Presidente do Estado (1916-1920), Secretário Os dados acima permitein notar que a composição da Cõnstituinte de
da Fazenda e Presidente do Paraná, por duas gestões (1920-1928). Era casado 1935 reflete, aparentemente e em termos numéricos, uma predominância da
com Silvia Braga; Alcides Pereira Júnior, nasceu em Paranaguá cm 1901, Bacharel tendência política favorável a Vargas e a Manoel.Ribas. Porém, socialmente, todos
cm Direito pela Universidade do Paraná, foi Promotor Público; Carlos Ribeiro os três partidos representavam setores da dasse dominante paranacnse. A maior
i
de Macedo, era Médico formado pela Universidade d~ Paraná e Prefeito de prova disso é que havia, por exemplo, membros das famílias históricas em todas
Teixeira Soares~ Lacrtes de Macedo Munhoz, nasceu em Curitiba cm 1900,
1 as agremiações. Um Macedo em cada partido. Um Guimarães no ~SD e outro
era filho do Coronel Alcidcs Munhoz, foi Jornalist,,Escritor e Bacharel em Direito no PSN, por exemplo. As diferenças vinculavam~sc mais à dinâmica d0s interesses
r1 pela Universidade do P.araná. Era Promotor Público de Curitiba desde 1928, políticos que a determinações socioeconômicas . .Apoiar ou ·não Vargas era o
Presidente do Instituto da ·ordem dos Advogados do Paraná e fazia parte do divisor de águas. No governo de Ribas, vários políticos que trabalhavam no regime
Centro de Letras do Paraná. Bem mais tarde, seria Presidente da Comissão de deposto pela Revolução de 1930 voltaram a cargos de poder. Eram os chamados
Inquérito instalada na Universidade Federal do Paraná depois do golpe de 1964; t'amarguistaI, em homenagem ao último Presidente paranaense da Rcp6blica Velha,
Lindolfo Pessoa da Cruz Marques, nasceu em 1882 cm Bananeiras (Paraíba), Affonso Alves de Camargo. Segundo o historiador Luiz Carlos Tourinho. HManoel
Bacharel em Direito em Recife. Poi Promotor Público cm São José da Boa Vistã, Ilibas não discriminou os t-a1na1;guístm. Nomeou para o Conselho de Estado o
cidade do interior do Jlaraná. Foi também Delegado de Polícia de Curitiba no Dr. Marins Camargo, irmão do Presidente Afonso, acusado pelos tenentes de
governo de Vicente Maêhado, juiz de Direito cm vârfas comarcas paranaenses1 . possuir metade das terras do Estado. Também [nomeou] o ex~governador Caet1no
Chefe de Polícia no primeiro governo de Affonso Carnargo e Deputado Federal Munhoz da Rocha. O Engenheiro Angelo Lopes, servidor do Governo do
por quatro vezes.
·completava a Assembléia Constituinte a bancada d_o PSN, formada
também por cinco deputados. Alceu do Amaral ferreira, filho do Dr. João ,-\s referências biogr;ificas focam extrnídas da publicação ASSEMBLÉI.-\ Constituinte do Estado
Cândido Ferreh-à, era Médico formado no Rio de .Janeiro. Foi Diretor Geral da do Paraná, 1935.

24 25
"d t Aco,1s0• foi seu Secretário de Viação, de Fazenda, Prefeito de Curitiba.
o
Prest en e ,, "d R bli A principal novidade foi a construção de Estrada do Cerne, ligando Curitiba
R . . Mar~•ns diretor do DidnO da RCpdblita, órgão do Parti o epu can
omar10 u , · · " · ltural com o norte do estado, até Jacarezinho e daí a Londrina. Um dos empreiteiros
empaste la d o n O dl'a 5 de outubro' assumiu o Conselho
. · do Patrunon10d cuPI ·
foi Antonio Lacerda Draga, pai do futuro ·Governador Ney Braga (cf.
Em 1940 trouxe para o Paraná o desconheci~~ capitão g~úcho Fer~an o. ores.
ALBUQUERQUE, 1994:40); 3) educafiio: construção e obras cm várias escolas, com
Nomeou-o Chefe de Policia. Depois Secretario do Interior e Just.Iça. Foi quem 1
1 as instalações do Colégio Estadual, da Escola Agronômica, da Escola de
.
organizou o PSD apo's 1946 [···]" 'TOURINHO,
\· 1991: 164-165).
Aprendizes Artífices, da Ca's:i do Jornaleiro entre outras; 4) ação govenutmental na
área de dência e ltcnologia:a criação do Instituto de Biologia e Pesquisas Tecnológicas,
G. o PERÍODO DO ESTADO NOVO em 1942, representou a am~liaçào, o desenvolvimento laboratorial e a formação
de uma vanguarda científica no Para~á nas áreas de química, geologia, petrografia,
agronomia, veterinária e bioquímica. Foi o início d.is políticas públicas em ciência
. l 1937 ' novamente 1vfanoel Ribas e tecnologia no Paraná. Um dos_ principaJs . r.~;;ponsáveis .foi Marcos -Augusto
N act!SC(C, .. segue fielmente . a-orientaç~o
d . d
l
do c;tete, mostrando que, ta como em l 932 ' e com
. um . grau ~ a ma10r
a1n '. e Eórie"tti, filho 'do priÍn~iro c~samento de Dona.Anita fübas, esposa do interventor
. . . E
consenso~·o Parana apotava o s a O t d NovoJ • As primeiras • orlcntacoes
.• das poltticas
• ,
Manoel Ribas (BRAND; ROca,, 1991); S)jom,1110 à htdnritialização: a) implantação
úblicas de Manoel Ribas à frente do governo do Parana ate~~am aos segutntes da Indústria K.labin em Monte Alegre. ESta foi uma medida importante, pois
~ritéríos em linhas gerais: 1) racionalização' modemizafiio b//rocm/11:a: a)_ o controle e significava o início de Política~ públicas de implantâçãoindustrial de grande porte
austcrid:de orçamentária era Ull) dos principais itens de sua gestao, maru:~s~a)... no 'Paraná. O local no qual se formou a Indústria Klabin do Paraná d~ Cdulôse
, . lmen t'e na demi,ss~o
pt1nc1pa •
do funcionalismo-contratado ,no ~regune
d Ianterior•
· d S/_.\ era um antigo la"tl[úndio no norte dos Campos Gerais, próximo de Tibagi-
criação da· Secretaria de Agricultura (cm 1944); e) cnaç:ao o nstttuto.. e a Fazenda Monte Alegre.
rd ·ri - da Policia Civil, do Departamento Médico-Legal e do Labo':totto Em 1932 o Banco do Estado do Paraná arrematou as terras que pertenciam
e11t11caçao d E , · )C aoem
. - do Departamento Estadual e ,--statisUca;
do Estad o; d) cnaçao .. .. ~
e .naç a uma fmna falida e as vendeu para o grupo Klabin. ImporL1.ntes cone."tÕes entre
1942 do Instituto de Biologia e Pesquisas Tecnológicas; pr1t11e1t~ tnsU_tutçao Getúlio Vargas, Manoel Rfü<!,s e as familias K1abin e Lafer foram centrais para o
moderna de apoio tecnológico do Paraná; 2) ief,n-estrnlura: a) melhoria do slS~ema sucesso do empteenclimento. Nos anos seguintes foi construido um impressionante
de co.rnunicacõcs e estrutura vJana. . . com a co nstrucào
, de novas rodov1as •e p~rque industrial na áreã, com usinas de energia, cidade para os trabalhadores e
benLeltotL'lS nas cs
e • • • tradas
• do Estado
· ' além de melhorias no Porto de Patanagua. todo um conjunto de moderna infra-estrutura no loca! (cf. CUNR\,1982: 30-53
e FERN,\NDES, 1974). Pode também ser ciL,d., a implantação da Companhia de
Cimentos Portland em Pinhais, região de Curitiba, e a estatização da Ferrovia São
Paulo-Paraná; 6) roloni-zaçào: a) revisão e implantação de uma nova política agrária
l A .-\liança r.ibcrtndnrn Nacion~I r a .\çàn lntegr:ilista Rrasilcir.t tivera·~6~~~~~~~mi;; ~ ,~"f1~;~ã6n e de colonização fundiária. Algumas concessões do período anterior foram
nu dite política paranaense (cf. BENE:'IDES, 1.99.1:tóS e - . . na e r~alizo~ ai uma;
revistas. A concessão à Companhia de Terras Norte d'a Paraná e ao Engenheiro
~~:;:~: : ~ld~ ~,:a:;~a.
.

d. .
O
t ) :\ \IU teve certo apmo nas colonms nlcma e italia g
.V~N contou com :tpoio do Deputado Federal Oct~vio da Silve~ do
, 1d o ganb..ação. Os deputados cst:ulu:1ls Agostinho Pe[clra Alves e D1:1lma
Beltrão foram também mantidas; 7) tamcleríilira.t.gemis do re.gimt: a) repressão política
quadro LUgente mmona ª r ' ' • .. ueno ru m de apoio à ALN. aos "inimigos do regime", traço da política nacional do Estado Novo, que no
Rocha Al-Chucy, ambos militares, tambc.m part.lC!p:aram do pcq g I
Paraná se manifestou na perseguição aos esquerdistas e à classe trabalhadora e na
Desse episódio teria originado o apc~do de l\fanocl Rib:1s como ~faucco Fad~,ddcviddo n~o vigilância e no controle sobre as comunidades de irtUgrantcsi.
somente às demissões, mas tambcm _ - e fran-1r.t1-eza 110 estilo 'rauchesco
• a• g10.%cua , , a malido ped o
personagem cm questão. O conslrn:Hc entre o es til O mais sofisticado, polittco . e po_ o\fi os
últimos governa.dores da República Velha e o nm·o c:,;tilo de Ribas provocava tal tmp~~sao. '. d ma 1
· "Seu Ribas nem doutor era", ma.s prestava contas apcmt:;,. a G e túlio Vargru; e utilizava C.Sta 1
O Paraná, inclusive Curitiba, foram alvos da campanha de nacionalízação (BENEVIDES,
prerrogativa para construir sua eunagcm no I'arana..
1991:99-188 e BOLETIM Informativo da Casa Romãrio t'lfarcins, 1995).

26
21
Os primeiros desafios para a política paranaenSe- colocava-se nas novas 7. CONCLUSÃO
áre~s de expansão econômica. No sudoeste, a criação do Território no Iguaçu
representou um desmembramento territorial_ dos mais criticados pela oposição.
A partir dos int.eresses de Getúlio Vargas e. de alguns grupos· colonizadores A partir do que vimos analisando) podemos afirmar que as eli~s políticas
gaúchost e com a anuência do Interventor Manoel Ribas, ele foi criado como patanaenses do período de-1930-1945 não eram diferentes das que domiriavam o
unidade territorial separada "do Paraná. O outro grande desafio foi a ocupação Estado durante a República Velha (1889-1930). As mesmas familias históricas,
das terras cafeeiras do Norte do Paraná,. que abriu a perspectiva para a política
das quais é possível determinar sua focalização e itinerário genealógico desde o
do Paraná tradícional conviver e integrar as novas populações migrantes dentro
período colonial, continuaram no poder.
da identidade e da política {Jaranaense. Ao lado de grandes empreendimentos
Por outro lado, houve a .possibilidade de ingresso na carreira política por
pdvados, como a Companhia de Terras Norte elo Paraná, o governo organizou
colonizaÇões oficiais em Jataizinho, Içara, Paranavaí,Jaguapitã e Centenário. Além meio do Exércitot como efeito do tenentismo ~ da Revolução de 19,30. O período
disso, o ·governo também procurou formar colônias nos ·rioS Piquici .e hraí. de 1-930-1945 conheceu tambêm-um certo efeito d~ga11thitmo como conseqüência.
Durante a ditâclura estado-novista e com o fechamento do Poder da inflllência de Getúlio Vargas, do Exército, com a sua concentração de oficiais
Legislativo, novos órgàos auxiliariam o poder politico do Executivo regional. gaúchos que fizeram -carreira política no Paraná, além da própria presença do
Um deles era o Departamento Administrativo dos Estados (posteriormente Interventor Manoel Ribas, paranacnse tt:aclicional, porém egresso d~ política gaúcha.
denomit~ado Conselho Administrativo). O Departamento Administrativo do O Paraná acompanha as linhas gerais do' Est~do Novo, com alguns eixos
·'Estado do Pa.1:nná contava, no ano de 1941, com Roberto Glascr,AntonioAugusto
de modernização burocrática e o iÍiÍCio de política~ industrializantes, Também se
Carvalho Chaves, Epaminondas Santos e Caio M:1chado. Em 1942, seu Presidente
assiste à formação do norte· cafeeiro com q seu padrão fundiário especifico no
era Roberto Glaser e Caio Machado foi sub&tituído por Flávio Guimaràes6.
período, o que corresponde à decadência ela burguesia da erva~mate e à ascensão ,
dos novos interesses cafeeiros do Norte do Paraná. O Território do Iguaçu não
resistiria à rcdem~cratizaÇ~o de 194-6. As forças que operaram no Est~do Novo
4 Roberto Glaser na::ceu cm 1878 cm Cambuçu (RS), industríal e comerciante, além de grnndc paranae.nsc conti~uariam no poder por intermédio de Moysés Lupion (do PSD)1
proprietário dos Campos Gcn:ús do Paraná, foi Dcput1do Estadual (1914~·1915) e íedcrafüta na a partir de 1946. No entanto, Bento Munhoz da Rocha Neto, filho de um
crise de 1893. Oficial da Guarda Nacional e coronel, participou ativamente das lutas da Aliança
Governador da República Velha (Caetano Munhoz da Rocha) e genro do Presidente
LibcrnJ e da Revolução de 1930, â qual oícrcccu - a preços tabelados - toda a sua boiada. Foi
suplente de Deputado f"C.deral pelo PSN nas clciçõe!I de outubro de 1934, sendo o candidato da do Paraná derrubado pela Revolução de 1930 (Affonso Camargo) retornaria ao
opo:;ição mais vot.tdo. Posteriormente apoiaria t,.fanocl Ribas e o &tado Novo Seria Senador poder para comemorar o centenário da emancipação do Pa;aná de São Paulo em
na Constituinte de '1946. Antonio Augusto Carvalho Chaves foi o PrCllidente da Assembléia
Constituinte do Paraná cm 1935 e era filiado ao PSD (biografia detalhada jâ apresentada). 1953. lvias agora era uma outra conjuntura e em outro cenário.
Epaminondas Santos nasceu cm Curitiba cm 1887. Comerciante e industrial, foi proprietído da
Cerâmica de Campo Largo, Fundou uma das primeiras cidios do Paraná, a PRB 2. Foi l>rcsidcntc
do Coritiba Futebol Clube. Durante algum tempo acumulou a sua função no Conselho/
Departamento Administrativo do Estado db Paraná com a Presidência da Junta Comercial.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICJ\S
Seria Presidente da Associação Comercial do Paraná de '1946 atê 1958 (cf. CARNEIRO, 1981:
55 e 133-136). Caio Machado (biografia já apre$Cntada como Deputado Estadunl Constituinte
de 1935). f,lávio Carvalho Guimarães: nasceu cm Ponta Grossa em 1891. Pertencia à tradicional ALBUtI, Comemorativo da Visita do Presidente Getúlio Vargas ao Paraná.
fanúlia Guirnariies, tendo se casado com Anita Miró, ftlha do Coronel Josê: Miró. Bacharel em
Direito por São Paulo, foi consultor jurídico do Banco Pclotcnse e da Estrada de ferro São Curitiba: Tipografia Mundial. 1944.
Paulo-Rio Grande. Í'oi também Secretário da Fazenda, Indústria e Obras Pübliats depois Lia
.\LBUQUERQUE, !li. M. de. Manoel Ribas. O mito que ficou. s.ed. 1994.
Revolução de 1930. Foi Deputado f<cdernl na eleição de outubro de 1934 pelo PSD.

28 29
ASSE?\IDLÉL\, Constituinte do Estado do Parani Curi,tiba: Plâ,cido e Silva &
Companhia Ltda. 1935.

BENEVIDES, C. A. Ç- Terra sctn passado: um estudo do Paraq.á contempofflfico.


Tese de Doutondo. São Paulo: FPLCH/USP. 1991.
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30
'
1
1 1
1 .
1

';4.rtia,/ar o hisloritamrnt, opa,rad,, não Jig,rifica ronhtd-/o


'como ele realmentefoi'~ Significa apropriar~ie de uma nminiidnda,.
tal como ela relamfa.fa, no momento de pm"ga. 0
[...] O dom d, d,Ípertar no pa,sado iú ante/bar da ,rpm,nf11
i privillgio txdmivo do hisloriador «mwnddo d, qut lambim
OI m()f"fM não ularão em Jt.!!'rtlnça se o i11imigo .JJtnçer.
E eue inimfto não tem miado tk ven«r. t•

' ' Walter Iknjamin


1. INTRODUÇÃO

Um elemento inicial para a reflexão a ser desenvolvida neste trabalho refere-se


ao tamanho a ser dado aos dirigentes máximos do grupo de interesse e fraçào de
classse aqui analliados, A primeira questão que queremos esclru-ccer é que, não
obstante o pap~I central q1,1e oçupa çm nossa análise,.o governador Lupion1 ou seus
irmãos nio estão sendo enaltecidos. como Je!f matk man ou como bandeirattlu
modernos, são antes de mais nada 'elementos de uma dacb especificidade histórica
na qual uma configuração social possibilitou a uma fração de classe ascender ao
poder utilizando-se ativamente de recursos técrúcos e financeiros. até então inéditos
(ao menos em relação ao setor e.rvateiro anteriormente dominante que nunca teve
acesso aos mesmos recursos finan€ciros possibilitados pela. mi de INJro), tecnológicos
(por exemplo, de transportes e aumento de trabalhadores qualificados) e cxpans<io
de mercado consumidor (diferentemente do mau; que aliás e~tou já no início
do século séria e catastrófica concortênâa em seu maior mcrca4o consumidor) o
í

1
Moysé! Lupion IUSCCU emJaguaciava.PR, em 25 de m.a.rço de 1908. Formou-se em Contnbilidade
pela &cola Á.Jvare, Penteado,. cm S¾o PàuJo. De. volta olO Par.má, tomotHc lider empresarial e
politico exercendo um novo estilo .tdíl"UJWtntivo. Aó chcg.u ao Governo do Paraná.já com:mdava
um império econômico. Dentre outras conquistu, instituiu técnicas de planejamento
govcrnamcnt:aJ, desenvolveu profumh política municip:alist:a, promoveu uma politio duvidosa
de titulação de terra.1, fun~ou a Bolsa de V:t!oret e a Bolsa de Caíé, duplkou o potencial clétríco
do Estado, criou o Trihuna] de Conw e contribuiu pant a fcdcttlizaçio da Universidade do
Parami, Faleceu no llio de Janeiro, em 29 de ago11to de 1991. (VARGAS, T.~ CARNElRO, D.
História Biográfica da República no Para.na 1889~1994. Curitib2ê &n,esb.do, 1994, p.199-
201). O termo lxpia11"!,t11t ganhou o uru.gioírio poUtko nuionaL "Par:t os que atinginm a id.adc
IlUlhlra, os irmã0:5 carregam um sobrenome cheio de ressonâncillS suspeitas. Ambos são netos do
~ndo Moi&és Lupion, que., em scw tempos de governador da Pmná, ,chegou n lote:.1ir uma
pnç:u pública em pcovei10 próprio. É um caso curio.m, cm qu.! o demando' m1 íunç:ao pública. é
legado de avô pan: neto. No Pa.ratci, a lupionagem é uma tadiç:ão hísctórkau, (Editorial do Jom21
do Bruil, te,ça-fein, 16 jul/1996, p.10)

i 35

I 1
i11l
!~
concernentes ao joga do ~dn; deu as linhas do desenvolvimerjto do Estado no que
l pinho (principalmente a industrializada e ipnsformada em papel) possuín, ao menos
no Br~il. poucos (e, muito prÔvavelmente, nenhum) concorrentes a altura durante se refere-à ação estatal e à. atuação do Setor privado aqui an~ado, ou seja., o setor
!! industrial madeireiro.
0 período estudado. Para se estabelecer se membros do grupo Lupion atuavnm
como ideólogos ~ categoria ou da class_e, é necessário que annliscmos seus discurs_os, Quanto à estnitura<;20 do Grupo Lupion, hâ algumas clivergfocias no que
díz respeito a ;ua formação principalmente no que se refe~C a .datas de abertura
o que não é intuito do presente trabalho, uma vez que nos preocupamos em
de firmas a justificativa da divergência entre as fontes pritpirias consultadas -
compreender a con'stituiçào de um grupo empresarial qu~ possuía entre s;c~
contratos encontrados na junta come.rciaLdo Paraná, e nas f~tcs secundárias na
associados outros industriais e empresas de importârlcia [Cbecle, Sguáno, Arcesio
eoada Llm~,Co-elho etc.], não sendo possível d~tar se o sucesso ou frrcasso oh~ de Kretze~ - e Vaz segundo ~çmos;,possuem d~s expli~ações não
necessariamente excludentes. Tanto nas entrevistas COnceclida.s a ~Sfair_quanto
dest,,' ·grupo dependia em determinado grau dJls estratégias competit:ivus de seus
·na obra de luul Vaz, à m.Íot1ll das empresas do grupo teria sido adquirida' ou
adininí,;~dores da liuníliil Lupion. . · . · .
fundadJI antes de 1945, sendo que nesse ano o grupo atingiria sua maior expansão.
'o P~cs~ntc trab~lho· tDo~~gcifico ·~~ ~alisar-o desenv~l~ento de_~-. Já no, contratos encontrado, naJun·~ C~!Il~ do Paraná a ;;,.;orla dJls<empres.,; .
grupo .,;,,presarial denominado GrupoLupion cujos integrantes ª':"eram P~P"'.5
tem seu, registros de fundação situados principalmente após 1945. Para explicar ·
importantes dentro dJI política partidária e em cargos públicos no Paranil durante
essas divergências, soo consideradas duas hipóteses. A primeira pos,íbilidadc aqui
as dêcada; de 194-0 e 1950. A anilise aqui efetuada segue duas matrizes: de um
aventnda é a de que os irmãos Lupion não possúÍssem registros na JCP, embora
lado as estratégias competitivas e organizativas de Um grúpo que se reprcsentav.t
fossem sócios com menor capital em empresas similares, e, após a Lupion & Cia
como ·algó que, cm seu ~tender, seria inéditô· no estrato, seriam empresários
passar por um período de acumulação e de lucros :'xtraordinácios, passa.ruim ~
(b,uiinu ma11 i). Neste sentido, tenta-se compreender como est.2 imagem foi registrar as diferente firmas. Outra possibilidade de Vaz colocat as datas da
constituída dentro da conjuntura da década de 1930 na qual se verificava uma constituição das empr:-5as par,. um período anterior a 1947 seria para afastar a ,
novn tc.rritotialização d.o capitaÍ no Brasil e. cm específico, no Patmá. Busca-se constiruiçào da M. Lupion & Cia da ascensão de Moysés Lupion ao Governo do
compreender o desenvolvimento do setot ind~strial madeireiro à qual estes Estado. Moysés governou o Paraná pot duas vezes· e em ,ambos ~s pCríotjos,
indivíduos estavam ligados. mas princip.utnente no segundo mandato, foi objeto de uma série de acusações
Paralelamente ao estudo dessas estratégias e do desenvolvimento do setor d.e corrupção, algumas de~ sendo inclusive reéonhecidas por Vaz3• A estas
madeireiro,· pretende-se entender ~bém a forma que um setor da cc~nomia considerações adita-se um problema, das 17 empresas do grupo citadas ,por Vaz,
regional amplia suas forças econômicas e po~ticas a ponto de conseguir for'."~ foram encontrados todos os registros 'na. JCP. Não obstante esses problemas, foi
uma estratégia própm de hegemonia e disputiu: dentro do bloco de poder a dlreçao possível mapear a participa<;20 do Grupo Lupion, ciu de membros da familia,
do processo decisório no Paraná. A partir da listagem de sócios das empresas do em uma série das empresas citadJls. Devido à lmpossibilicladc de se encontrar ·
Grupo Lupion levantada na Jun_ta Comercial do Paraná e da consulta de fontes alguns contrat1?-5 utilizaremos a obra de João Kretz~, '¼ potinfim «onômiau do
secundilrias (jornais dJI década de 1940 e 1970), dencamos a recorrência de indivíduos ParonẠcomo fornecedor de dados no toante à participação de membros da
que pertenciam a importantes cargos (cm órgãos públicos, Executivo e Legislativo) familia· Lupion ou do grupo empresas. O, problema oeste caso é qu~ não se
e eram associados ao grupo, além, é claro, do governador do Esmdo. obtêm os dados no momento da fundação da erilpresa em relação ao do montante
No.desenvolvimento da trabalho tentamos, a partir de nossas ~vestígaçõcs, ·. de cotas C/ ~ ações de cada sócio nem as alterações no capital social da mesma.
démpnStrat'. i:JU~. havia um ettter,i:dit:n~nt? ~ ao menos no p~odo cs~dado -
.- .a;~i:;~:[i;f#,í/,~i~~~{flo blés:o ile[>Qdet so&re os rumo~ a ser°".' seguidos_
.•.,. pid~.àosêÍfvglí:/fufl)to.Ppílalist;i no Estad0-,Este rumo estava ligado.dlrcw,,entc Devc~se not.ir também que a coccupçio (via nepotismo, locuplet.ar,sc do bem público etc.} foi
intéres;é!s
;\os
. '
da frâçãó bege,rtônica; característica esta que, não obstante as disputas
' ' ' '
uma 00 ancterhticas do firuJ da Era Yargu

36 37
. '·
fuml Vaz cita um laudo efetuado a mando do Bànco do Brasil com intuito de troca exigiram um·~ nova dinâmica geopolítica dos territ6rios que atingiram.
de fornccet flllJlnciamentos à M. úpion & da no ano de 1945. Ocorre que esta Por várias partes do mundo haveria conflitos. (revoluções. guerras .civis) entre
em uma das empresas do Grupo ~upion, e o documento poderia estar se aqueles que tendem a adotar os novos padrões e os que a estes se opõem. No
referindo apenas ao surgimento desta emprC.sa; Panlclamcnte a esta expliaçào caso do Brasil, a queda do regime monárquico pode ser inteh,retada como uma
liá outra, a obra de Vaz tem um claro catáter apologético à figura de Moysés decorrência d~sa conjuntura, uma vez que o regime centraliz~do não suportava a
Lupion--' e se interessa, pois, em destacar ações deste e não-do grupo empresarial d.in'amicidade exigida pelas novas regras da expaosà~ cap~talista que Possuía
ou da familia Lupion. Estas explicaçõ<'!t são importantes uma vez que a obra de interesses diferenciados dentro do tc.rritório nacional.
Vaz foh1~ dos elementos mais importantes para lil Pontextualiza·ção das relações A ·nova territoriaüzaçào do capital se explicitava no maior disponibilidade
entre as <lema.is fontes· secundárias e font~ primária~ coffi a teoria. de capitais.para investimento. No Brasi~ a região cafeeira paulista foi a primeira a
_pode~ fazer uso de ferrovias e os dema_is meios- que a e*pnnsào capitalista
dispolÚbilizava. A exportação de café gerava capital excedente, parte do qual não
2 MUNDIALIZAÇAO.DO CAPITAL E A INDUSTRIALIZAÇAO foire!nve;;tido ~a agricultura do café fomentando o sllJ:gimcnto de uma s~c de
DO BRASIL FINAL DO XIX E INÍCIO DO XX . \ indú~trks e manufaturas de pequeno porte gerando a ~m~liaçào do-setót de
serviços e o surgimento de algumas indústrias. Estns indústrias acabavam por
deÍnandar uma série de operações que dev~am ser feitas in ~ - para muitas das
A ~pansào capitalista ocqttj.da no s~culo XIX.irá atingir com uma rapidez
<_JpCrações de consertos, montagem e assistência técnica nà? cotnpensava que
ainda .inédita as regiões mais periféricas do ~pitalismo. O indicativo mais seguro
fossem trazidas peças do Cl:terior e estas a~abavam, obcigatodamentç, tendo que
de.ate avanço foi o aumento da produção dC; aço, a qual estava diretamente
ser feitas no Brasil. Com isso, houve a constituição de Uma mão-de-obra
relacionach com a construção de novas e possantes máq~:is de ~porte (navios,
éspccializada própria6• Em decorrência dessa clinamicidadc dpitalista na região,
máquinas a vapor em fibricas), e, talvez o mais significativo, o aumento das ferrovias.
- ocór'Í:er~am o crescimento de cidades e o aumento do fl~o de imigrantes
que passavam a integrar gran"des regiões até então POUco conhecidas a um ~ercado
(principalmente europeus) para tr.bolbar nas fazendas de café e, posteriormente,
· cm éxpansão. Territórios do interior da Índia, Egito, Argentina, EUA e, é claro, do
na~ manufaturas das cidades, Onde passarão a trabalhar llas novas indUStrias que
Brasil passam a integrar a nova mundialização do apital - que se aproximaram
sW'giam. Essa conjuntura reflete também o Surg_im~nto de uma nova fração de
do capitalismo integrados não só pelas ferroviu, mas também pela imigração de
dasse dominada por imigrantes e seus descendcntcsj Jsto porque as .firmas
milhões de europeus até o inicio do XX3• O atelcramento das rel,ções mundiais
C.St.r.mgcin.s davam preferência em ceder os direitos de importação e exportação
para europeus de sua própria nacion11lid2de7• Algums desses i.rnigrãntes, que se

Cit funçüo da obra e fru~ sobre Moysb- e ºA Verdade". título que não dcw dúvidas.
5
"Naqueles 20 anos [1850-1870) a prod~o de ouvio multiplicou~sc por duaa ~ e meia, a
' · As operaçOO como conii-crtoo de m:iquiMS, a$$Utência técníc:i. etc.. eram ~fctuadu, vhi. de regra,
p.roduçio de ferro multiplicou-lic por quatro veus. A (ocça. tot1l de. vapor. porbn, liC multiplicou
por~nicrcitnlc'I imporbdocea que seriam oo primeiros indtut:riaís. Por outro lado, os comcrcian~
potquitro ver.es cmcia,subindo dc4 millÍõe, de HP cm 1850 v-a:racera de 18.5-milhõcscm 1870.
. _ -llblcu:liaw também aabavam prestando llffl!tê:ricia técnka dos produto:i que vendiam-produtos
E.uc:s rú1m~ b~tlis indicam um pouco mus alêm de que a industrializaçio C$by:a cm processo.
t·,:.) q11:e pod1un ser dC:roe tccidoi a locomotiVll8. (PEAN, \971:59)
0_~10~~';"!,'1'1"~grogtta,ocstavaago,a~ficamé"te'."uitomoi,"P!]hapo,~ .. ;·_;;.,;----.-·
de.índil<>;d_~-'.' (llClB$ll,\Wl,~ 198259) . .Alnd> "guodo o auto,, a mignçiio ibêrici volta<!, ·-:\f'Plli;a Dc.i.o, ~·oa imigrantes, _cm certo scnt:i<Jo, $C: corutituám no:1 ini1trumcnto:; escolhidos do,-
·-~{~~tin,'fiJ!ilo l.'?~mllhio enh,,:b, .,i~ 191 f-10, con<tiíwndo "o pododo de nwor ;:.;,-,,_4n~:ics financdms e poUtic~ cL:i Europa na ciw.lidadc que antecedeu it Primeira Guerra
mígmçio ..,,-~ na hiso\ria «gistmda'\ ~lóBSBAWM, 1998:93) . ':•Muno~!." (DllAN, 1971:60). .

'38 39
i
tomarµtn empresários, ernm, vil de regra, indmduos qu? chegavatn ao Brasil Com ·. region_ak Se a chamada Politica. do rafl rom leite ganntia aos ~têresses vUlculaêlos
certo capital; associando-se ao médio e/ou grande capital cafeeiro e ligando-se ao
ao setor agrocxportadot do café, as 'elites de ·outras rcgiões:10 país colocavam
setor exportador, viriam a instituir a.s primeiras fábriols. PC.cissinotto, referindo-se
constantemente este pacto em-xeque- exemplo da Revoluçã~ Farroupilha, ou da
aos industriais Scarpa e ~tarazzo, constata que
ação política de parlamentares de várias regiões cujo um dos':maiores expoentes

~es ~grantcs havjam, nos seus países de ocigcm. morado em cidades e pertenciam como foi Flores da Cunha no S'!1 ou João Pessoa no Nordeste que lideravam
à familias_ de classe média. Possuíam instruç~o técnica ou, ao menos,, cetta grupos de interesses de oligarquias de vádos Esb!dos de diferentes regiões do
~eriência no comércio ou na ~2:°ufatura. É imP9pante ICffibra~ que vário;s dele! país. Os grandes cafeicultores paulistas e mineiros tinham que constantemente
~eg_1lram ~o BtaSil com :tl~a forma de capit~:' capit.il monetário acllnlubdo negociar slla supremacia. Neste sentido, defendemos a ~ese já. clássica na
-nos llêgôci0s na'Europa, estoques de mercadocia, ou mesmo a intenção de instalar historiografia b~ileira de que os conflitos regio~:US não deyettl ser entendidos
uln filtil de;,;,,. firma do pais de origem. (PERISSINOITO, 1994:161) como 'éo,iflítoJ tnlrt regiÕ4f, maI JUII tonjliioJ
CD!!fO ,~,re
daJits, qJte por não ferem Jlnta
. txisttnàa mtáon;l roef,rt àqu1kn1ma dim,,,,iio rtgionaf'. (PBR1SSINOITO; 1994:205)
·Éss~-tipo de dtscnvolvknento nà-o foi ~cl~ de- Sã~ Paulo; outras ~egiões No inicio do século XX, quando essas contradições entre as frações da
periféricas possuíam produtos exportáveis de caciter·cxtrativo ou agropecuádo ~
classe dirigente se explicitàm - dada uma conjuntura mais ampla de crise do
charque, erva-mate, juta, madeira, cacau, borracha etc: - que, em menor escala,
.capitalismo mundial-, as diferentes fnções das elites regionais p~ssaram a disputar
também atraiam invesllln.entbs de capitais es~geiros consorciados com o capital 1
acumulado das elites Jo·cais. A associação entre o capital externo e os o mando nacional com os cafeicultores paulistas.
emprccnclliÚ~tlto:; de "capitÍlistas" locais era potencializada p~lo controle do
aparelho burocrático estadual feito pela elite local: : \ 21 AS DÉCADAS DE 1910-1920
1.
'.
1•
Uma das principll.!s conseqüências politii:as na passagem pata a esfera regional do 1 Se a expansão capitali~t:a ocorcida_a partii de meados do s~etdo XIX até as
11parelho.de Estado de tipo burguês é o caráter fede?~ _e o controle poli~? dos ' décadas de 1870 e 1980 significou uma era até cntiio inédita de acumulação
executivos estadllais pelas classa dominantes rcglooais. Uma das catacteclsticas ,· capitalista mediante o aumento na rapidez e integração das relações de ttoca, a
do Império fora sua fotma unitiria.. a forma mais ·arulptada e segura à ordem partir da última década desse século a crise também seria mundial e genctalizada.
escn.fflhl, O Império -fom incapaz de promover à descentraliuç.ão, pois assUll
As crises ocorridas a partir da década de 1880 seriam progressivamente mais
colocaóa o seu próprio- tipo Ue estrutura de Estado. [...] No Estado Burguês da
profundas e afetariam Cllda vez trutlores p~rtes do globo. No Brasil a crise seria
República Velha, as poUticu govc'tnamentais dos seus aparelhos regionais estariam
percebida com a queda dos preços intemacioruus das matérias primas a partir da
orientadas no sentido dos intcres,cs b,ugucse~ (OLIVEIRA, 2001:229) ·. 1
última década do século XIX e, de màneira maJs aguch, na primeh década do
Em outros termos, a nova m_aneíra de o.rganizaçio do Estado brasileiro século XX. Embora a queda dos preços do café tenha sido a mais: significativa
favorecia as oligarquias locais que podiam, em utlu escala que o Impéóo não para a ccon.onúa brasileira como um todo, outros produtos sentiram de igual
p1tttfÚtla, exercer o controle das esferas estatais em nl'ld local Merece destaque, maneira a baixa progressiva nos seus preços', esta. derrocada dos wlores das
n~, q~e_ ~e tef~ aos interesses das elites locais, a pos&1Ôilidadc ocuionada no
, ·:-,_,~;'.~i,~Af9~_~os_!:Es~do_sco?1tJOnerites da Uitlãolevàritassem seus próptios
-~~?~i~~_i\i~;~~?C?_~
,: .. " j~,' ?9r.?~tr~ ~.d?~ 1:1?:.~µe-~t: ~~~e ~~Aisputas
· · ,ii~Jifí'~fll to~i~çi9 dj!ve,er l!ledioda por uma tcflexào • Ot anos decorrido, entre 1899 c'IIJqõ marcam uma queda conibl.otc no preço do aíé,masa côce
:l'l'~)á. ~éii:iQ<i' ~~bré·-- '°" ~piritas
0
:,iJ'.·'\! -. '
burocrátÍccis estatais entrou no ,&woXX.pou "o comércio do café declinou drastiamcnte de t915 :a 1918, niosôpor
auu eh gucrn, mu b:mbé:m em virtude dt rigoco,a ge:ada 1obrcvin<b em 19,18", {DEAN, 1971:104)
\',.• ..
,;.~,
40. 41
exportações brasileiras iria provocar uma profunda crise nas classes hegemônicas dêcadas de 1910-20 seria ~nica e cada vez mais profunda a crise econômica que·
vinculadas ao setor etportador (como proprietárias de terras ou associados que abalava a base da economia brasileira: a CXportação de bens p'cimários, a crise de
estavam ílO setor comercial exportador). ' 1929 iria levar o pais a bancarrota devido ao rápido corte nas compras pelos USA
A conjuntura de expansão e crise do capitalismo ocorrida no final do séailo a palses Europeus (mas principalmente pelo primeiro). A queda dos preços
XIX e início do XX. ·verificadas em São Paul0i- iria repetir-se em outras regiões do internacionais "dnxou proslmdos Arg,ntina, Amtrdlia, paím balfiinkot, Bolivia, BraJ/1,
país ~e forma mais ou menos semelhante. Como o pólo dinâmico· da economia Chile, Colômbia, úiba, Egito, EquaJur, ~-·] mjo romirdo d,pmdia[ni] ,mpuo d, uns pouro,
brasileira era o comércio externo de matérias primas, algwnas situações entre o prolÍlltot primário,''. (HOBSRAWM, 1998:96)
1
Paraná, São Paulo e de resto tio Brasil expeciinen~b fases de cxpans~o ;c crises Essa a:iselevou a uma al~o na direção da eéoncmia. A vigência de princípios
scmclharites, dado que todas as regiões se bascivam no extrativismo Vegetal ou da economia liberal se mantinha cm um Estado descentralizado, íncap:iz - na visão
!la ug~pecuána destinados· à e'.xportaçào. elas diferentes classes componentes do bioro "J, pod,r - de proteger a totalidade da.
Nàó obstante essa conjuritut'a de crise ,estiulµral do c_apitalliitn~, ha:'ia '. ·.-~nómia-nacional Era necessária uma o~çào f?rtç qqc pudesse preservar e
tambêm urna dinâmica· regional que atenuava (Olas não elimina.va) o_s elementos . resolver, via ordenamento e proteção elas forças produtmis, um espaço seguro
da crise. Pode-se dizer que, da mesma 'forma que em São Paulo, a construção de ·para ·a reprodução do capital Decretava-se a falênci. prátlca do liberali,mo, em
vias de transporte mais modernas foi o instrumento que possibilitou a inserção _ utn contexto no qual ·~ romlrdo mundial raÍJi 60% tm qualro ano.r (1929-32), OI E,tado,
do Paraná na nova dinâmica capitalista. A construção da ferrovia Cucitiba- ,e viram "ll'mdo bi1minu máa ""{ maá alta, pám proi,g,r ,,,,, merrndot e moeda, naa,nai,
Pa.ranagqá e a da Estrada da-Graciosa provocru:iam o incremellto da ''econ9~a ,ontm o.rfaraoo wnôm/(()[ mundiait''. (HOBSRAW!ll: 1998:98-9)
do mate" e, a partir do início do século XX, de uma atividade extrativa, que logo Embora tenho. se considerado acima que as mudanças da economia
se tomaria a primeira atividade industrial erri. maior escala no Paraná, 2. indústria
paranaense passaram por fases semelhantes às de São PauJo has décadas de 1890
madeireira. Não obstante, a maior parte das indústrias cm Curitiba nas duas
e-1920, .em virtude de que todo o Brasil dependia do setor agroexportado~ não se
primeiras décadas do século XX estaria dedicada ao beneficiamento de erva.~mílte,
-_ pode négar as especificidades do caso paranaensc. A percepção de semelhanças
como engenhos de mate, serrarias e fábricas ~e barricas destinadas ao transporte
·' enttt·- diferentes situações nã~ deve se constituir em press~posÍções, visto que
de mate beneficiado para o litoral. Esse crescimento levaria o Pat?ná a situar-se .
_~uitas vezes o que se acaba' fazendo são pesquisas com bases falsas por não se
em 1907 como u6" cofocadn, em JtrmoJ pen.tntJJais, em nlafii,o a produ;Jo indmtrial
ater à singularidade dos acontecimentos.
lmuileira' 19 , sendo o produto mais importante de nossa economia o tnate, o_ qual,
O setor mais dinâmico da economia paranaense desde meados do século
em 1939, é superado pela madeira.
\ A construção das ferrovias, ao integrat o Primeiro Planalto de uma maneira
XIX foi o rtiate. A &ação de poder hegcmônica no Estado foi, desde esse período,
a dos donos de engenhos de lllllte (que detinham também boa parte das terras do.
mais dinâmica. no comércio brasileiro e internacional, fornece elementos para
intetior de ohde se retiravu o produto). Foi a partir da ação desta elite que, segundo
uma intensa territorializaçào do capital, que se torna cada vez mais rápida a partir
da construção de ferrovias no intedOr do Estado. Se a primeira ferrovia, ao ligar · a bibliografu existente, se garantiu a formação do Paraná éomo uma província
o PÓrto de Paranaguá com a capital, pr,ovoca um rápido crescimento desta, as _au~ôrtotniló; foi também com o capital acumulado pela extração e exportação do
que Çuritiba passou por um processo de modernização urbana no início do
ferrovias no interior do Estado valorizariam rapidamente as terras do sul ..f;2 tµate
~ ~- . '

~~culo XX. A possibilidade de lucros auferidos com a expOrtaçào do mate foi,


patanaense na década de 1910. Não obstante o problema central persistisse, nas 11[,'.

';.~Cf-lADO, Brasil Pinheiro et at, Histlria M Pdrllnd. Gnfipu, 1969.

42 43

__-.t-).
i
certamente, um dos fatores que possibilltat'am- a viabilidade da cónstruçio de do mate pnranaensc, itla, a partir da última década do s6.culo XIX, insútuir
fcrrovilis como a Curitiba-Paranaguá e da primeira ferrovia constnúda em direção ''
i progressivas barreiras para a importação de mate beneficiado' (devido-ao interesse
ao in.ta-ior do Estado (a Viação Paraná-Santa Catarina, na região sul do Paraná em industrializar o mate). Esta medida seria &.tal pan parte do empresariado do
de ricos ervais e madeiras). setor, notada.mente os grandes proprietários dos engenhos d~' mate.
De forma semelhante ao café, o mate enfrentaria problemas devido· à Para proteger seus interesses, os industriais e cometciantC:S fundaram a
'
queda internacional dos preços de matérias primas a· partir de 1890, pórém com '

.•-1.CP (Associação Comercial do Paraná), em 1890". Uma~ campanhas levadas


.alguns diferencia.is: o mate não dispunha de uma diversidade na sua produção e ,
a cabo por esse órgão procurou evitar que. o governo d~ Estado do Paraná
manufatura que possibilitasse uma d.iversíficação·ttlo investido, isto porque se
acabasse com as no~as protecionístas dadas à indústria crvatcira no sentido de
conStitufn em_ um produto extrativo cujo bcnefk!amento requeria técnicas
cobrar impostos maiores sobre a erva-mate "canchead?,'' exportada. Esta
rudimentàres. Por ser um produto que presceodfa de cultivo ou quaisquer cuidados
modalidade do produto tinha um processo de beneficiamen,to menos elaborado,
e c~ja extração ~ra. cfe~da basicamente por- ~anilli':15.~c _caboclos, também não
ao-pos·suir uma -carga maior de ·imposto 'para exportação maior {orneceria
favoreceu a c6nstituiçijo de um pequeno comércio e Úma Ocupação mais ade.1;1..5ada
vaplagen's concorrenciais à exportaçàó de erva-mãt~ indust!Wizada (uma vez que
do território. Somnm-se a essas especifidades o fato de a maior parte do 'mate
os dois tipos de mnte exportado disputavam mercados platinas). Paralclntnente
ser exportada para os países platinas e não para os USA ou países europeus
à defesa de seus interesses em âmbito rcgiooal,,\CP d&ndia ''medida, qu,jarome;mn
como o café (a borracha, charquc ou o c~cau), Segundo Padís, essa característica
a, o:portafJu d, erva mate beneficiada; na, ro//Jtanlu p,tifJeI junto ""governo ftderol
faria cot1; que o mate, mesmo em seus melhores momentos, tivesse urna
para obter taxa, d, rdmbiofavorúvtir;, niÚ /sJtas.mtprnnJidaifaqiien/tmenlt rontm o aumento
importâncili. relativamente pequena na balança comercial bràsilcira 11 •
Não obstante o seu pouco peso na balança comercial brasileira, o mate de impostoJ no comércio". (LUZ, 1992:39 grifos nossos)
Não obstante a ação da ACP suas demandas não foram atendida. quer pelo
era o produto mais importante da economia regional. Podemos verificar a sua ' .
importância analisando os seguintes dados sobre o peso nas cxporbtçôcs do governo centr:a1, quer pelo governo estadual,' visto que est~ grupo não possuía.
,· Estado: em 1892 respondia por 34% do total arrecadado com exportações; em forças suficientes para garantir Seus interesses cm nível nacional. O fato de a ACP, .
1930, por 15%. A este dado deve ser acrescentado que, excetuando-se o café, por iotermédio de sua direção, defender principalmente o ffiate não Se constitui
que de 2% passa a responder por 11% entre os anOs de 1917-1930, nenhum em nada de extraordinário, todavia há uma nuance que deye sct o~ada cç:,m aten?o.
outro produto apresentou um crescimento que ,pudesse substituir a queda de Defender a erva bentjiáada e o romiráo tem °?11' significação um pouco diferenciada
arrcatdação do mateu. Deve-se notar que não apena(> o Estado se encontrava de uma defesa a. exportação de matéria prima não beneficiada. Maria Regina Luz
1 em crise, mas também os grandes ervatciros, donos de eqgenho que estavam destaca que os dirigentes da ACP entre 1890-1925 foram, predominantemente,
diretamente ligados ao setor exportador. ligados ao grande romlrrio e indmtria ~f'Vt1leinz, isto .é, ao setor de comércio e
A crise do setor ervateiro, além dos fatores relacionados à queda dos preços exportação". A diferenciação sugerida seria, guardadas as devidas especific,dades
internacionais, possui outro fator determinante. A Argentina, o maior .importador e ptopotções, a mesma proposta por Períssinotto entre o grr,nd, e o mldio capital

n N.a última década do século XIX e M primeica do XX sedo fumhdas nO Bruil váti-u organizações
" PADIS, 1981'49. como CStu em dif~tcs e11bldos qlle rcpreseotnclo tanto indwtwi.i11 como comete1llntes
' . ' '
1 (principalmente aqudcs ligados aos intcruscs eiportadotcs).
~ ~n: ~~~fii:o TI;-:_ rarticipaçio rdaiiviJ. do impost~ robrc :a. e:xportllção rla rcccitã ~tadual 1892-
1930", PAD!S, 1981,56, 0
LUZ, M. R.. p.39,

44 45
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\
cofWJ'O em São Paulo. O centro dinâmico que possibilitaria maior acumulação não indústria madeireira e o rruúe como o rruliorprohlema da dasseipatron:J do pcrlodo
estaria propriamente na extração do mate e o~ no seu beneficiamento - que no pot nós estudado, sendo objetos dos relat6cios dos chefes do·Exccutivo estadual
i
caso significaria, por exemplo, a propriedade fundiária-, mas s.iin o setár vinculado A possibilidade de crescimento do sctot madeireiro somente bcorrcri~ a partir de

·ao comércio exportadot 1891, quando um fator alheio à ação dos madeireiros (ou do góverno estadual) leva
o· governo feder:tl a aumentar as taxas de alfandega pora produ.;,, importados, d<da
a necessidade de captar recursos chs tarif2s alfandeg:irús 17, A partir dessa dáta o
· 3. A ASCENSAO DO SETOR INDUSTRIAL MADEIREIRO comércio de m·adeira. iria passar por wn p~odo constante de ascensão, não mai!S
voltado aos indices de arrecadação nnteriores a 1892 São estes demento, que levaram
Dean a identificar a importância e as possibilidades do setor para a rápida
Nó final do século XIX, paralelamente à crise ~ economia eCVateira
ktdustrializaçào t:into de São Paulo quanto do Rio de Janeiro; ~eiundo o autor:
ocorreria o f9rtalccimento de um outro setor também ligado ao eitrativismo
,,;ge~i> industcial-extf..Íiv~ madeireiro. A p,;imeira tenÚtiva de se fazer• extração .A; a~&s·m~~ im~rt~tes Cftl~~va~ ~tem.is llgclC:Oias locais, notadamcnte
e n industrialização da madeira cm larga escala tem ocorrido.cm 1871, quati1do o :algodão, o couro, o açúcar.· ·cere~1is' e ~deira· de coru~çio · ou mine.tais .não
·houve a construção de umà grande madeireira pr6xima ao 1oca1 onde estaria um metálicos, sobretudo bttro, areia·, cal e pedra!.[...] A pa-r da's 'tijolos. quase todos os
ramal da via férrea que ligaria Curitiba a Paranaguâ. Nesse período a madeira já gêncrÓs de matcdais de construçã~ eram ·produzidos ~ ~ t e por volta de 1920:
desempenh,va w_n fator importante de arrecadação para o Paran~ s~pdo o yeguodo telhas. cimerito, pregos, canos de cenimica, C?3-~cira ccçrada e até chapas de vidro
produto no total de arrecadações na balança de exportações, e Ô investimento na e m.aterul de i:,nanamento. (DEAN, 1971:16 gáfos nossos)
construção da rnadeireir:l' foi bastante ~ltoso, correspondendo ao valor da receita
do Estado para aquele ano15• Na década de 1880 o setor madeireiro passa por urrí É. importante des~car o fato de que as i:n,adeins mais demandadas eram .
pequeno aquecimento em decorrência da cç-n,struçào da ferrovia Curítiba- as utilizadas para a construção, sendo que, nas florestas ,brasileiras, para· tal
Paranaguá, que possibilitou acesso a um mercado em expansão nas cidades do finilidade o pinheiro-do-P~raná era. o mais indica.do, possuindo poucos
Rio de Janeiro e São Paulo; porém no final da mesma década as poucas madeireiras concOrrcntes. Estes su:esso~ relativos estavam sujeitos, no eptanto1 a constantes
de grande pÓcte fechariam· devido à concorrência de madeiras importadas de o_utros e bru~cas oscilações, e os períodos ·de maior produçàO ~taciarn diretamente
países (principalmente Europa e USA). O pinhop,u:anaense nào conseguia competir ~inculados à conjuntura da I Guerra Mundia~ apóS a qual ·o setor entraria ~m
coln o similar importado em função de dois motivos l,ásicos:.baíxa qualidade do· uma profunda crise até o ano de 1933.
material· nacional - os praruhões eram cortados de maneira irregular e em época
ertada o que dificultava sua tr.msformaçào cm tábuas _e favorecia um rápido
. apodrecimento da madeira - e alto custo do transporte (fator este diretamente
ligado à falta de capacidade cm atender às demwdas dos produtos c:tportados no
Paraná) 16• Ambos os fatores são citados pelas pesquisas consultadas sobre a

. • " VANNUCCHL PADIS e VALENTE, p.6L

46 47
1
3.1 IMIGRAÇAO NO PARANÁ 1890-1930: O SURGIMENTO DE Os primeiros m~btos da família ao estabclecerem-ie no Estado já o
UMA NOVA FRAçAO DE CLASSE E A REARTICULAçAO DO fizeram na qualidade de pequenos comerciantes na Lapa". O ítnigrontc espanhol

PATRONATO TRADICIONAL Joio Lupion y Troya chegou, na mesma época que os imigran~es trazidos para ·as
colônias, com um pequeno pecúlio (ao contrário da m.aioria 'dos imigrantes da
época) com o qual se estabcl~cc como comerciante na Lapa-:, Pncle se casa. Esta
Revolução: diz-se particularmente do levantamento ou inmrrciçio politia mais cidade iia déca<k de 1880 em trecho obcigat6cio pua os que transitavam por
~emoráv-el que se dá num pais e que e,t~bclcce uma nova ordem de coi~:u ducivcl terra para Santa Catarina, um lugar favorável para o estabelecimento de wn ·
e relativamente benéfica .Visto i.5so, a GAZET~O POVO nenhuma d~ck tem · comércio de víveres, tecidos e roupas.
em ser mada de revolucionária. (...) A GAZETA DO POVO, intc,ptÍebndo o Todavfa, após o episódio do cerco da Lapa, o espanhol p.c.rde seu ílrmazém ·
sentir da opiniio pública _do Parmá e wúuorni. com o est.ado de ânimo do BU!il
e muda para JagU11ciaiva onde pass, a trabalhar na construção de um runal .cic
int~. 8cba a ~relem atual detestável, não devclldo· e não podcndà contlnuu a
·:fctro\'hl São Paulo..SanD. Catarina - onde trabalhou até meados da década·dc
-dunr mai~ tempo. (...) Somo~ e fomos um ;or0al c~~~rwdo.c· tendo sid0 ~- 5Ctldo
1 um jornal rcvolucion2tio. A revolução que nos tenta, empolga e arnsta, a rc\lução
ú>id. Após a construção da estrarul,JoãoLupion se cstabClcce Como comerciante
i ·(irisfula úma pa<kcia) em Jaguacialw, posteriormente a familia se cst>belece em
que continuamos sempre prcgffldo é a dQs espíritos contr.& a sitwação de miséria
Pirai do Sul. Alguns dos filhos de João (Macia,Joiio,José, Francisca, Pedro, Moysés,
nacional vigente. é a elas opiniões cofl~ ~ueles que nio souberam co~r
. Daviél, Elza) se casariam com descendentes de traclicioruus familias dos C,mpos
'durável e benéfica' a 'ordem ci~ coisas' cstabde"cidas em 15 de Novembro. Com - ' . . .
· pbnos b~licàs, com· ób}etivos de violênc~ ou, ·stmplesrricnte, com fi.n.alidad~S Gerais: Moysés casa~se-tom Heminia Rolim de Moura 19; Francisca casa~se com
doutrinárias e atuação pacifica, somos hojt; uru e outros, no Br:1sil,· revolucionários Joaquim Pereira (chefe da Estação ele Trens de Castro); Macia casa-se com Sócrates
e revolllldos.'' Gazeta do Povo 2/09/1930 (cit. porllibeirb em mimeo?) Quadros (tio do presidente Jânio Quadros)"; Elza casa-se ;,om João Miguel

O elemento atrativo para a .irrtlgr:aÇàO ºem direção ao Paraná está ligado à


nova dinâmica das relações econômicas e c~merd:ais pa rCgião l;ldvinda da ia , Podemas identiflat tiâi gr.tndc:t fontes da. imigctç:ão de tnbalh:adotcs cwopew p:ar:a o Pw:,má no
construção W:s ferrovias ·e estradas, ou seja., HnJo 1ào 01 imigmnlts -que inidam a inicio do >!éculo: Tota aponta que para a construção do t=t,;, da Bruil Rallway "'região sul do
P=nó fomn tnzido, do Distàto f-e<len! (RJ) e de SP cerra de !.000 tnbalbadom, pela B"'11
mod,mização ttonómiro, a indmtrializafào. Elu lllm no bt,jo d,,mpro«uor d, tmllJjônnaifo R.:ailway. Ribciro 11ponta que muitos desses tnab:alhadort! erun imigmn~ europeus e, após :a
que ,yiuiam aforlakare implmitanuu n1,itet tm qut ,;,,pod,m ,e e11ru1,,,.,,r': (OLIVEIRA, COfl$1UÇio da cstr:a:da se cst:abelccenm no PlU'a.nâ (Curitiba e. en:i- PontR Grossa principillmentc).
Um lttruro veio migratório teria sido a imtalaçio de OHIWJ de intlgr2n~, a. cumplo da.quclu
2001:127). Transformações estas que se percebem na já referida "industrialização"
implementid:as pelo presidente de província. úmenba Uns. que. alterou a cstrutur.i agr.íria que
da capital, imigrantes que passam a chegar cm massa no Paraná nas duas últimas nwgea~ a apitJ dcst:in:ando terru: tuhtidia.da.s a imigttntet- e vedando o ac~o • este b,encl:icio
década do século XIX como trabalhadores bl:llçais pam as indústrias que surgiam, a bruileiros, cm cspcdfico negros e caboclo!. Em nouo tr.ab:tlho nio nos rc.rhctcrun~ a nenhumit
~ formu de iougcaçio, nw sim àquela: jí aplicitada por Oean; que rctr::lt.t imigr.i:ntes cul"Opcu$
para os empreendimentos de colonização oficial ou particular. Os personagens oriundo, da cidade e de e,tnto, mldios da rociedade: (OLIVEIRA; RIBEIRO, TOTA).
aqui analisados, Os Lupion, fazem p~e de outra face dessas migraçôes, chegam, " Segundo Tot:a, o comércio cn uma atividade multo_ importante pan Of ampos: no início do
ao país·cotn possibilidades de começar nas atividades comerciais, ou seja, partem' . 116:qlo XX, ·posto que, via de ttgn. os coronfo '-'monopolizavam o fomecitnento de gàneros
{comércio) em uma regiào".(TOTA, 1980:16). fnterpreuçio se.mellwitc: fui Iria Z...noni Gomes
da E\liOpa já com um pequeno pecúlio.
- ; '.•_:,,:,:·,";; ,•,;y ,·~.= perlodo po,terlor no campo panruten&c. (GOMES, 1986'22.J). ·
~ 'SPAJR_.·E. Ga.zeta do·Povo 28.0277, p.12. Embon este não seja um membro das famfliaj
tradicionais da regifo VAZ, R. p.25.

48 49
Queiroz; João Lupion Filhot que passa a residir em Pirai do Su~ casa-se com In&tria Mátanzw'. Em·1924 Moysés Lupion conclui o ~rso de guarda-livros
Luzita Vargas (1rtniideRivadaviaBorba Vargas, ria de Túlio Vargas, ambos politicos e vai para São Paulo traballuir na firma Ribeiro & Sampaio (exercendo'a função-de
estaduais), Nesse período João, Jpsé e Pedro trabalham na ferrovia, sendo que guarda-livros) .. Após concl~ o curso técoic_o de econotnia, Moysés passa a
João é Chefe da Estação de Trens em Pir:Íl do Sul". trabalhar na firma A R Carvalho, na qual trabalha também David, exercendo a
Sobre o estabelecimento de ligações familiares com membros tradicionais funçãó de contabilista para a qual havia estudado. Esta empresa operava no ramo
da elite paranaensc, Dean, ao analisar surgimento dos industriais imigrantes, aponta de serrarias e cxporta~o de madeiras e, após a crise de 29, liquidá a sua seção de
que, em sua ~ar parte, os imigrantes que enriqueceram em Sào Paulo e madeiras e fostala a Cma Bancária Predial I Fíadoru, da qual, em 1930 Moysés é
conseguiram acumular fortunas para {;.i 1 sócio. Nesse mesmo peáodo (década de 1920)JoséLupion trabalha em escritórios
1
de .representações d• Th, Ho111, J,uuran.e Compaf!Y e para Baklfaur (as quais,
igualar-se l:1º~ f11.2cndeiros em P,OSição social eram de oâgcns totalmente dívcrsas.
respectivamente, atuam na áre31e seguros e materiais ~ccr0viários) 2-t•
.Q~ ru,dos_biogr_ático-s_q4c se possuem ~ - q ~ qu~e .todó!, em Sws pátrias,
·• , O ·fato de os irmios Lupíor\'trnbalbarem em ramos 'tão 'divetsificados da.
h9:vi~ ritorado e~ ddade!, pertenciam ·a fiunniu da classe méda e possuíam.
~é~,nomia .local dev~ ser olhado. com 'atenção. Se nos ativ~moa a algumas das
inat.tuçio ticnk.a ou, pelo mcnost ccrta ~.ciência n~ comércio ou ·na m.anu~~
funções exercidas pelo irmãos LupiOn, consta~emos que ~tes participaram-de
llluito, chegaram com alguma fotnlJI de capital (DEAN 1971:58-9)
atividades impottantíssim.as para o bom desenvolvimento da economia pa.rnnaensc,
Cumpre assi~alar ainda que a pres~n.ça de espanhóis (ou de seus que inicia um peábdo de rápida expansão a p;utir da décad• de 1930. A ímpottància
, ) não se consttru
descen~cn~es ' 'd' ade no p arnna.,,.
' la cm nov1 das ocupações dos Lupion é, em riosso cÕ.lendimento, capi~ para a compreensão
Além da" ferrovia, os irmãos Lupion trabalhanm como representantes do surgimento do Grupo Lupion. Inicialmente, no que se r~fere ao emprego em
comerciais e/ ou caixeir~s viajantes para várias empresas de diferentes setores: empresas de comêrcio (e também na construção de ferrovias, representação de
José torna-se caixeiro viajante da firma SartlO.J & Azevedo, trõlbalhando também empresas internacionais, isto é, ao setor exportador etc.), aceitamos a, hipótese de

na Ctua Schímidt (que atuava no ramo de tecidos), e Pedro Lupion trabalha na Dean segundo a qual havia uma preferência em relação, aos imigrantes em
detrimento çlos nacionais; sendo este um fator ~elevante ~ara o sucesso dos
imigrantes cm conseguir melhores postos de trabalho, pois os "imi1,ranle.1 jxzredam
·. ,J, t:U111panhías rom,:.W;, os Ínrtrum,n/M mai, digno, d, ronfiança para oprog,wo da, 11/aJ
fim/fll,A/g1111I, treínailo, p,kuprrlpnas·rompanhías, pauaram a P<#dJdam 011 tlmíro.r; 011troI.
JI O faia de dois componentes da familia Lupion Qoaquim e Joio) :Serem chefes de e!hlçio de trens:
é digno de notll, porque, segundo Canciin, esse c.irgo era muito prcstigkdo, poh$ ''Não er.i. f.kil -tinham tido ro,rlalos rommiaú 011 sociais antuiortr. Co11ntÍlfllfCu;poUtiras, quando não
conseguir ~gões parll cmbuque du ma.dcir!ls. Esu pDsl:l'bwdade dependi2. cm gnnck parte do s,ntímmtos TU1Mnalütas, amnstlha"1111 o emprego d, romfatrictal'. (DEAN, 1971:63-4)
reb.cionamcnto com o chefe da est.içio, pessoa. ext:Rmamcnte Ímportlltltc na cidade, cm cujas
mãos 8e achava. o controle dos mc.ios de tn.nsporte, ji que er.i deficitário o :rcesso por rodovm,
fili~do-sc ~r :ri es'coament~ de toda a produção agrícola, madeireira e outras." (CANCL\N,
1974:134-5).
?l Segundo OLIVEIRA, havti· pelo menos duas outns: 'í:amllias que cst.ibe:lccecam união com -"·VAZ, 1986:25.~s enttevàw dos icm3o,i Lupion ou a obra de Vaz nãç for.1m p~dus sobre 2
mCUlbcô:. de. trlldiciooai.a f.t.icnddros ·dos Campo$ Gerais na. primelr.l metade do século XIX. ocupaçã'o de Pedro nu indful:nlla Mat:uu?o e. dado que esta atuava cm ririo!i setores no
Por· ~utrQ la~~~ ~b~rqlle ~ intetcues da dite etVlltt'Írll csblVllm_vinculados ao com~cio
. Paran( o que 11e pode itlpor é _que sua atividade tivesse alguma lig.i.çio <:;0m aituaçio da. emprcu.
CmJ~n, onde possuía Um fdgodfico de gnlnde!I proporç&s;sencJo que seus-escritórios
com :oa. pllÍscs ,~~nõ_!i_,_t~ndo portanto a ligaçlo com membrOi de cultura at!tcHunA_ aJgo ,
. ''si~Wm-se. cm Curitiba. .
p<?~'~té .#\~.~!. P1:~,blçmâtico ,(not:tdtmente no que 11e refere à língua., G ~g:iio, este
ültlmO ·~~cl\-b? .Íf?~~~té,J)1n identidade das famlla; ~dicionais). :u Gauta do Povo. 31.01.~. p.10. Sfair cntrcvi!ita David Wille Lupion.

50 51
Além dessa característica, Dean salienta que geralmente as empresas Em São Paulo, tanto Moysés como David trabalhakam na firma A E.
estrangeiras pagavam melhores salários a seus empregados. Estas ocupações fazem Carvalho - que operava no ramo de se.ratlas e exportação de madeiras - a ·qua1,
com que eles adquiram grande experiência no orno de transportes e comércio no após a Crise de 1929, liquida a sua seção de madcios e instnla a Cara Bawcária
Paraná. O setor de transporte de airgas constitula-se no maior problema para o Predial e Fiadara1 4• NessC mesmo tempo, José Lupion trabalha em escritório _de
desenvolvimento das diferentes atividades de exportnção e importnção do Paraná e, representações da The Hofllt l!lfumnr, Compa'!Y (no ramo de seguros) e para Baleffour
por outro lado, um bom conhecimento das diferentes firmas de represcntnção (que atua no ramo de .:Oateriais ferroviários). Somam-se diversos tipos experiência
comcràal significav.i wn conhecimento especifico cm um ramo que se dc!~volvia
que Potter afirma serem necessárias para romper as barreiras de entrada que.
· muito rapidamente. A hipótese é que os componenté!l da familia que tnbalhassem
. 1 dificultam a uma empresa participa.r de um novo 'rama da indústria.
no comércio teriam ·wn contato ·e um conhecimento privilegiado em relação a
Deve-se lembrar também que tinto Moysés como David Lupíon possuíam
markmng, 11tlldas, dútribui{iio, para o que contribuirá de maneira desrncada a ei.-petiência
formação técnica e, o que era mais importante. experiência no ramo cxpo~tad9r
dcJoào _Lupion e Joaquim p_;cira (ambos após. trabalhuem ccimo chefes de estação ,_ - - 1 •

de madeiras. Assim, as estratégias em "finanças e controle, ~ha de produtos e


de trens em Pirai do Sul e Castro, respectivamente, atuaram comó Cllleiros viajaQtes).
m·c:t'cados-alvon tlàô lhe etam ·estranha. A isso deve-Sé SOtnâr o aC'esso facilitado a
Esses corihccirnentos eram muito importarites, como salienta De2tJ:
~préstimos, visto que, no início da década de 1930, Wlto M~sés como David
a, circunstâncias do mera.do _de front~ o conhecimento do mercado que posrula eram sócios da Cma Ba11cária Pndial e Fuu:lonr'. A transformação ,de 'ttrna erriprésn
., í ó üµ.portador se constituia em vantagem incstirruivcl [...J Como o importtdor em exportadora em uma financiadom não deveria ser mtÚto. estranha à época. Segundo
-'.•

!} lugar de ser um espec:ialisb, era quase sempre Um ncgo.CWltc cujos interesses Dean, havia uma relação muito próxima entre as empresas de exportação e a
\l abr.mgiam a mais amp~a série imaginável de mercadorias, desde a chita até possibilidade de se angariar financiamentos: 'Yljxmntemente, todo rrldito dtn·wna em
locomotivas, esse conhecimento tinha_ tOiW a probabilidades de C!lnr muito pró~o última imtancia dn t1/rangeirri, queratmPlt deJabtitanltJ OI/ dútribuidom ekropua intímammi, ·
~ da oni,ciência."(DE.\N, 1971:26-7) asrociadnuomfabtitanlt1 ,casas de comércio exterior': (DE.-IN, 1971:26 gcifo nosso)
~ É possível, portanto, que Moysés e David Lupion por trabalharem em uma
Os outros irmãos (Moysés e David) residiram boa parte da déc~da de
e~portadora de madeira (Le., casa de com~do exterior) tivessem facilidades para
1920 cm São Paulo. Primcir0 Moysés e postcriotfficnte Da~id conclllem o
angariar fmanciamentos externos. Parte-se da hipótese, porlllnto, de que os Lupion
curso de guarda-livros (o primeiro no Paraná, o segundo em São Paulo). Após
tiveram acesso pcivilcgúdo a essas facilidades para iniciar seus negócios de famllia.
o curso de guarda-livros~ Moysés e David cunaram econ0mia e conl::µ)ilidade
Como alguns deles haviam tnbalhado como caixeiros-viajantes e o pai era ex-
em n[vel têcnico1-'.
comerciantc, posstúriam maior facilidade para conseguir créditos.

3
O curso' de guan.b..livros era basl:lnte importante niU dêcadu de 1930 e 1940, como salicntl
Cll.Ociân: "a m11ior parte do, emprcsârioa dcssc perlodo {déada de 1940], o OOconhccimcnto d1 '
lcgislaçlo que interferia d.irctamcnte cm suu emprr1111 kvav11.-as a colltntu 01 serviçw: de ~ A mudança no r.tmo de al!Vidade:$ dei tu cmpre.1:1. ddn de ter menô! :1t1rp~dentc se ana:linrmca

pcuoas que dlspuscucm dei!es conhecimentos,º' dllmadoi 'guarda-livros\ cncurtg1dos da o. afu:mação feita por Dc:.n sobre A. reltçfo entre crédito e li cmprcn.11 ~porr.ldoras; $Cgllndo o
.' ·/\
contabil,idade, escritur:1.çlç. ~, º:t f~u de 'ad~og:ul0$", dos «erviços judcllcos ,~·~_1::1-t~: O autor. "Os oferecimento$ tk crédito por parte dos importadores permit;inm II um tubrua.to de _,'}:\·:;~
'gu11rda-livr'o11' t:na.·gi:,nlfficnte um contaddr Ou (}IÍtico em c~nt:ab~d~dc.-·_E-n::êsse··que ~uca.disb.s começ:arcm a operar, eu ftc~s· importadoru cstcndcnm o c~íto II lo;o., do int~ri~(}'t
[)ró~end.a~ IUtl~a_ à oéganJZaçio juddia e _tt:l.t2va do& ( ~ S "lcgãie._como; ()9( ~~pio, ria e a mascates." (DEAN, 1971:27). '
Jubt, Comcicial; ,eiliuvi6' Woncctci e b.lançot etc" (CANCI,\N, 1974:1:ló) · :?7 VAZ, 1986:26..

52 53
i
Deve-se notar também que os laços familiares constituídos a· partir dos por duas vezes entre 1932 e 1938, o qual afirma que ''estm =proprúdades, na, quais
casamentos significavam igualmente uma evidente força para o levantamento de o próprio dono não conbeda 11 indústria a que se dedicava. Entonlrou d,faiinda
empréstimos. As familias com que se casaram a1guns dos Lupion eram tradicionais na, camunimfÕU (t,kgramas); nos trunsportes; nas requisições de ''Vagões; defid2nda
propriebicias de terras do interior do Estado (como era'o caso de Hemiru,; Rolim). na rde bancária; mad,inn enrhamulas d, á,gua das chuvas, emgimtdapilhas na, es/afiies
É necessário lembrar ainda que o Paraná nos primeiros trín~ anos do s~culo ou fm M_gits dambertos, [.,J enquanw os mnsumiduro rnlamam da má qua/idad, da prodJl/rJ."
XX constituía-se talvez na mais atraente e rica fronteira agrícola e colonizadora
(CANCL\N, 1974:25, grifos nossos)
do país. O extrativismo e a industrialização da madeira (principalmente do
,i i Considttando a uistência dessas organizações, cumpre fazermos algumas
. 1
pinheiro) conformavam o setor mais dinâmica da;-economia dessa fronteira.
considerações. A primeira se refere no fato de nà~ acreditarmos que todas as
Nesse sentido defende-se a hipótese de que os irmãos Lupion estarib em
etnprCSas fundadas se t~rnaram patrimônios de toda a &mrua. isto é, de que todos
utruf situação pcivilegi,da em relação aos fatores que limlmm o desempenho de
uma· empresa, e particularmente no caso do Paraná dadas as drcanstânàas os bens eram de todos (as evidências fornecidas por Kretzen e os contratos da
supracitadas, já que tinham conhecimentos ·e relações privilegiadas com o setor de · JCY> ~!emonstram o cÕntciÔo). U~ 2sPccto dessll c~nstltaÇão· aparece em .Cancián
trarupórte e bancário. Segundo P~rter, intcrnamentcseciam quatro os pontos fracos quando aponta que, após a morte de um chefe ou ditígente desses grupos, estes
e os pontos fortes a serem analisados: '~ s,u perfil de ativos, a, qualificctfôes em i,, ac·abavam por se dissolvcr em várias empresas a partir dos casamentos dos
1 1
relaçdn à concorr~nda, incluindo recursos fina11ceiros,po,/Jim lmrofátjm iJentifaariio ! herdeiros29 • Esta consideração é importante para que cntcndrunos que não sê·
d,marra,., áuimpordianl~ Os valores pessoais de uma organização ,ao a, molivaçõ,, tratava de um:i propriedade familiar no sentido, ao· menos ~e ~~ que ª? elites
, a, n,a,sidád,, da, seusprindpai, ex,à,livo,, d,
oulmspessoas r,,ponsálltis pda imp!emmla{iio rurais davam ao termo.
'
''
da utml!gia esro!bida''. (POR1ER, p.17, grifos·nossos) Dando continuidade às questões propostas por Porter, achamos importante
Sobre os fatores ''perfil d, ativos , a, q,,alifu:afiies ,m rda[iio d ronromnda'' e abordar um outro aspecto relativo aos "valoru pusoais d41111ra OQ/lniza[iú:I\ definidos
"remrso.rfinanceiro1'; cremos que as ligações dos componentes-do Grupo qu.e irão pelo autor como "as moliiu[&s e ar ntmtidades dtJ1 sem prinripaiI ex1mtival'. Neste
dirigir· a empresa Propiciam uma ·boa margem de segurança pau a sua
C:il.50, além da já Ieferida experiênciã, os dirigentes do .Grupo Lupion eram todos
estruturação. Por Uffi lado, há a experiência prática em vários_ sc_tores da economia
componentes da mesma família. Não ~penas os irmãos eram Sócios das empr~as
regional e ~Í,ecificamente no que lhe diz ~ais respeito: transportes (RVSPSC e
de propriedad~ da fiunília, mas também parentes próximos participavam de
Bakjfom'J, exportação de mádciras (A E. Carvalho), setor financeiro (Casa Pmlial
quaisquer ~prcenclimentos em que o Grupo detivesse capital investido. As~lll1
Fiadura), seguros CI'h, Ham, Insurance CamJx:l!J), As atividades e o conhecimento
· sendo, encontramos os nomes de Hernani Rolim (ou Hernani Rolim de Moura),
dos·irmãos Lupion em relação ao comércio, transportes em ferrovias constituíam
um capital de conhecimento que superava os saberes de boa parte dos empresários Irene Coelho Lupion, Vasco da Gama Coelho, Murilo Lupion de Quadros,
madeireiros que atuavam no setor. A constatação de que os empresários Rivadávia Botba Vargas, Honorato Pereira Lupion,Joaquim Pereira". Os interesses
madeireiros tinham conhecimentos pouco mais que elementares de seu ramo foi em preservar a unidade do grupo viriam a se somar àqueles da necessidade âe
feita por Manoel Jacinto Ferreira (talvez um dos empresários com mais profundo manter o capital unido em um momento em que sua aplicação em atividades
. conhecimento sobre o sctot1!), que esteve nos estados do Paraná e Santa Catarina

' .

:i. ,_:~~~~J.iciorfF~!re4a, _industrial ck màdCÍh que ~ pcriódjco11 sobre o problema da


--~cfch_.:n(l_:Bíll~iÍ'.~~o o· auto_r do livro "Pela Gomden eh Maddra no ·Brasil"' e um dos " CANC!ÂN,op. cit p.131.
fundadoru,.em i'9J i ;'â,, Convênio l\úddrciro do Distrito Pcd=l (CANCIÂN, op. cit. p.12-13). lO Vide tabcla. IV em anexo.

.54 .55
' '
integradas é bastan~e rentosa (em um momento em que a dispOttlbilidade de · foi destác,do pelo brazilianistn Warren Dean11• Objeti~ente o autor aponta
créditos é ainda limitada). Mesmo em se tratando de um conglomerado familiar, que o rnóvcl desses casamentos seriam a administração e a garantia do patrimônio
o caso do Grupo Lupion possui uma particularidade a ser discutida, qual seja, a do grande grupo Í2milÍllr; isto era estratégico 'íurq11,i,, diariem q11, aproprí,dadt da
_associação de dementos imigrantes (ou descendentes de primeira geriÇão) com fai,ta rabia à familia, a aliaftfa d, inim,,e, ,ron5miroJ atro"1 da wamen/Q ,ra Jtma forma
signifoaliw, d, 1U111J1J1la[,'io d, rapital, a 'd,speiw da ronlrok inrompl,lo ,x'1TÍIÍQ ;obre a esrolha
.
membros de fiunilias tradicionais do Paran:I.
. .
Nesse sentido,' partimos das reflexões de Ricardo Costa de Oliveira sobre as da noiw feiro pela filbtL [-} Nilo ob,tanll, a aliança ronlin11am imJi°rta~lísnma, pelo meno1
frunilias tradicionais paranaenses componentes do bloco de poder no Est2do. Tanto enq11a1t/Q afamilia 1, ritu1ar1t a mingara adminísJrafiio a tslronW'. (DEAN, 1971:84)
Hernúnia quanto Luzita (esposas de Moysés e João Lupion) 'pertehcíam ~ ramos
da Borba - Hemúnia àa neta de Telemaco Borba importante politÍco do in~or 3.1.1 O Surgimento da Representação do Setor Madeireiro

_do Estado, serido ~e !"enib,ros desu,a famlliafor~m porváms l~laturasp~~e.itos


O~r ptôbl_cmas ·enfrentados pelos "empresários industriaisu pa'rnnaienses
de Piraí_ do SutTambém ~ s eram comerclontcs da região. Quanto às atividades -~º:início do século iriam piorar progt:essiv'ltllente a partir _do fim da Primeira
políticas após 1930 de,"tacam-se Rivucláva B.Vargas, deputado estadual (Assdnb!éia
Guerra. Regina Maria Luz analisa particularmente várias aunpanhas promovidas
Estadual Constituinte de 1947051), e TúlioYargas. várias vezes deputado estadual,
pelo órgão de representação do empresaria~o local na dckada de 1910 com o
deputado federal e umR vez secretário de justiça do estado". Sugere-se que o &to intuito de fazer valer seus interesses ju~to ao governo estadual e federal". Uma
de mem6ros da família pertencerem a ramos de ~U~ f:unilias (ramos dos ºLupionu, das =panhas levadas a cabo vÍR jo~ais e mobilizações ;da ACP foi contra a
e dos ''Borba') agrega-se aos elementos que Potter ciuma de valam pm•aú d, 1111/a fixação de um novo .imposto sobre transações comerciais q~ o governo estadual
orgwização, defüúdos pelo autor como "ar molit<1fii,s, a, Jl«WiJaJe.r do,,.,,,prituipai, _estava criando e, embora o governo do Estado cha.masse "as dass~ produtoras"
,x,cU/i,w''. Cremos que o fato de os Borba participarem de familias tradicionais e para discutir, as propostas levadas por elas nào foram atendidas.
os Lupion de família de imigrantes constituem elementos indenticirios fortes. Um Entre os :!nos de 1917 e 1919 dois grupos se diferenciaram dentro da
exemplo disso seriam as entrevistas de Moysés e David que retratam a si pióprios ·ACP, formando órgãos independentes. Em novembro de'1917 funda-sd o do
como imigrantes 1,lfn,ad, men. No caso da famlllii Borba o elemento que asseguraria Ctnlro_ dai In<Íll1lriat1 da Madeira da Paraná com a partiàpaçào de 22 empresários
uma coesão· secia o próprio caráter de funllia tradicional. e uma organiza_ção que reprcsent:BJ:á os "industdais". Etnbara esta diferenciação
O ~asamento de imigrantes empreendedores (ou descendentes de.primeira , não tenha significado uma oposição de interesses já que os fundadores destas

e segunda geração) com familÍRs de fazendeiros tradicionais niio era uma novidade entidades nào deixaram de participar da _\CP, percebe-se a_defcsa de demandas
mais especificas. Em 1923 estas associações fotam reabsorvidas pela ACP quando
paranaense, a exemplo de S~o Paulo onde o casamento de imigrantes bem~
uma reforma nos estatutos 11V11/to11 n11ma alie~ na eilru_lum or.§lniz.acjottal da
sucedidos com membros de familias tradicionais da elite terrateqente não foi um
acontecimento estranho. O número de casamentos entre famílias de imigrantes

n ~0 ~~ notávd 1t0bcetudo ê o grau de cuamcntos regismdos entre. u fam.iltU de: imignntes e


1

as famlliu de fucnddrot.., (DEAN. ibid p.812 Ata. de 02 de dCJ:cmbro de 1923. (ACP: Livro~
• OLIVEIRA, p,278. Revis12 PARANÁ POLiTICO - Livro lll. Íld. Folha ccon,õmica 1989, de Atu de A"embléia, Gerai, 1905-1958). Citlrui poc LUZ, 199:Cp:
(S~ticl Gtiimadcs ~ Costll faz amifue do-s governo; CSt.iduili 1~47:1987). Rivadáviá, irmão ,n - Segua do· Regina Maria da Lu:z, no ''PIIT'ttM, fdl!II u, 011/nll utmúr th pds, o dimim t» u,pnrma/4
de Luzita, era tio de Túlio. ~ q,,tbau q1111ffh àf11"'1 d, 1111111 Flititd ~lltf7taltfllllnl 1111 rrkfiio ti il«Ílistria"'. (LUZ, 1992:15)

56 , 57 cJ-:i

iii
Auodação, criando-u 1t11õu espedalizadaspan:z autukros uloru dt '1:-Ienia·male, Madeinu du~s análises é a probabilidade que o setor madeireiro no Para ri~ já se desenvolvera
e Commem'o" e uVariar Indu1lrias'!H. O interesse maior da ACP ao promover tais o suficiente para P.roduzir um órgão cspeclfico pata defesa de se~ jnteresses, o
alterações estava em manter 1'o controle. s-obre ale.s- s-elort.l', isto é, umadúnl' e "oulmr que supõe, nff tnínimo, a l?ercepçio de quo estes não se confundem totalmente
ittdtúlrial', tal como aparece na ata de 2 de dezembro de 1923: '!fão de tal mottla
com os interesses do setor crvatciro~ preferindo a ?rient)~ do empresariado
01 intereuu nprnentadas commercio destas 1ec;õ11, precisam tk tanta atenção 6 deftza
nacional vinculado ao setor industrial madeireiro. Para fortalecer estn hip6tese,
'permattt!flt e imediata que u impõe a exüt!nda tÍ4 órgão1 espedalnlenk dt.Iiinado-1 a user
além das posições das duas autoras, adita-se a consideração feila pOr Perissinotto 16
fim, dt.Iapparecendo a inrovinimda tÚJ a:lual at11nmlo tk trabalho e ronuq,unle di!penão de
sobre a diferença dentro do bloco de poder begcmônico em São Paulo":
vigilância''. (LUZ, 1992:58) · · '~ ·
Quanto à tentntiva de organizar e disciplinar o setor madeireiro, deve-se ter
A fundação de um órgão vÍnculado a um interesse especifico é decod:ente de
em méntc que cstn ação estav. ptoVl!Velmente vinculada tnmbém à impossibilidade
futores que se complementun nas análises de Cancián e Rtgina Maria Luz.A primeira;
durante a décad; de 1920 em se adquirir o similar importado <lJl madeira. Além do
embora não faça quaisquer Icferências sobre o órgão de representação dós interesses
-já dtndo imposto sobre importado; incluso na Constitulçio da llepública em 1891,
n,;.dcirciros criàdo cm'1917 (suas obs~ções referem-se à organização de um
deVe:se também notar a existência de fcccovia e o aumento· do'núm~ de se.tt:u:ias
sindicato patronal das madeireiras em 1931), defende que a instituição de ô~os de
~O_ Paraná durante as duas pci_mciras décadas· do século. Da mesma forma, os
representação dos interesses madeireiros deveu-se à ação ~o empresariado paulista,
eia{Jres:ários paulistas estiveram muito mais preocupados em reduzir seus próprios
salientado que as
custo., não tendo que adquirir pinho importado. Dean entende que o seto.r exportador
tc·r'itativas de organizaçio do comércio e produção ·de· madeiras, por parte da representava e confundia-se com o setor de venda por al:acado. Esta hipótese é
iníciativa particular, são lideradas pelo Centro de Comércio e Indústci~ de 1Iateriais igualmente sustentnda pela pesquisa de Cancián, a qual apontn que a tentativa de
de Construçfo, do Rio de Janeiro, fundado em 1914, e do Centro do Comércio e "organizar" os empresários do setor madeireiro em nfvd nacional adveio de órgãos
Indôstria de Materiais de Construção de-~ão Pauló, fundado em 1917, que de representação do setor de comércio e materiais de constrilçàO (Ctnlro de Combrio
procunvam ntuar no sentido de esclarecer os interessados no problema madeireiro. , Indmhia de Matmai, de C.nilnlfào, do Rio de Janeiro, fundado em 1914, e o Cmtro
(CANCL\N, 1974:11) do Comlrrio, IttdJ/Itria de MatmaiI de Co,,;tnifào de Sii<J Pau!., fundado em 1917)".

Porém, para Regina Marià Luz, deve-se tnmbém se obs= que a ACP,
embora se J>rocla~asse def~nsora de toda a classe,_ únha suas ~ções dando
prioridade à defesa do setor ervateiro' cxportadot'5• O que há de cotnwn nessas ~ PERISSINOTIO, p.47.

n «o primeiro se refere a um capibJ com bue na produção de café, p~r~ dí'lersificado, agindo
em outros sctoreJ: da economia, ligados entre ti e ckpendcntet da economia cafeeira. Esse gnnde
capib.4 embora divcr:sifi.cado, tem um carikr predominantemente mcrcaôtil e pode ser definido
como uma burguesia comercial É a camada superior da burguesiA caf~ra. Já o médio capital
lt Ata de 2 de deze~bro de 1923. (ACP: LtVros de Ata de .-\ssembléias Geflllli 1905-1958), citada define, sobretudo, uma fação de elas~ ligada. ao capital produtivo agcicio, Uto é, comtitui·
por LUZ, R. (Grifos da autora) se de individuo, que rio apeou proprieticios de terta. É a camada inferior da burguesia
13
Em sw. análise sobre o que estes emprC$ários penun:m sobre o, que se.ria ''indústria" not:11-sc que cafeeira.º;"·- podem~ adiantlr que o conllito entre grande apitai cafeeiro e luoua afccifll,
C!ib. era entCndida cm um s:entido muito amplo, que incluía OOde ·Cmprcsas de prettaçio de ou grande e médio apial cafeeiro, ·era um conflito entre o gfllnde C'.lpital divcrsificad?',
servi~0s até_ o comércio; porém o qUe predomloa'lll. cr.i o i~terc~c d!) se'tqr ~ (que p'rcdomlllllntementc mcrcatltil, e os gnmdes úzcndciroa (grandes (Jcopriétátios) ligado•
enVolVUl_ a _industrwlbi;iu, comerci~füação' e exportação de eM:mate)'_. ,A ~gêmollia"dC. CXclusivatnente à csfcta. da· produção cafeeira, isto é, era uin conflito n0 interior du fra.ÇÕC$
emp'~;erv:ilclrru: ru c:lli~b da Auocitç¼o Come.tcial do Pacaoi_é recbrrcC1tc.llfé meados da domin,nte,."·(PERJSSINOTid; p.30 e 36, «spectmmcnte).
dêbda dê Hzo: (l.UZ, 1992:39) u CANCIÁN, pJ 1.

58 59
O advento da Guerra levou a uma crise inicial devido à interrupção do . Sobre a questão do tipo de madeira. de melhor valor co~rcial são necessários
comércio com os países europeus, porém essa perda foi contrabalançada ·pela alguns esclarecimentos para o entendimento do rwno que cstC texto pret~de tomar.
abertun de negócios com os países platino,, isto porque entre estes países deixou de Quando estamos falando de madeira exportada pelo Paraná c,tamos nos referindo
haver a concorrência com madeiras importadas>9. Estes fatores devem somar-se fundamentalmente âo. pinheiro•do·Paraná. a Ara11rori~ ang111tifoliada. Este
à supracitada questão cambial O assenso do setor made!rciro no Brasil (em esclarecimento é importante para se entender que a indústria ~trativa' a que estamos
específico do pinho-do-Paraná) pode ser evidenciado 11 partir do ctC!cimento da nos referindo é basicamente a madeira destinada à construçào civil e à fabricai;io de
madeira no comércio internacional brasileiro ilustrados na tabela 1. caixas etc., e não à fabricação de móveis, por exemplo. Além disto, o fato de a
:_-:,
atividade industrial-extrativa trabalhar quase cxclusivament~ com o pinho se dá,
9bviamentc, devido ao fato de este ser a árvore existente em ~aior quantidade e.de
TAl!E[;A 1 - COMÉRCIO EXTERIOR DO BRASIL-EXPORTAÇÃO DE MADEIRAS . mais fácil ~anuseio.. 1• A arau~ inexistente no lito~ começou a ser explorada
VALOR VALOR POR TONELADA em escala somente a partir da construção da estrada ·de fcrrd Cutitiba-Paraitaguá e
ANOS TONELADAS Em 1000 1 Ubias ouro Em ('\111) da Rede de Viação Sào Paulo.Santa Catarina e os rnmai, qu/pcnetraram nos ricos
Em mil réis 1
contos de rlis libm!OOro pinhcirais do sul do Paraná (significativamente rumando paro oeste do Estado,
1901 4.55 695 33 153 7,25 região dos mais ricos pinheirais) contexto da Primeira Guei,;..Mundial".
1910 7.448 1.224 80 164 I0,71 Nesse sentido a própria expansão das ferrovias pcld Paraná no início do
, 68 3,50
1915 38.375 2.622 134 século deve set c"ompreéndiéÍa dentro da dinâmica de se· atender a iniéresscs
1917 64.264 6.152' 327 96 5,09 ·pontuais e imediatistas quanto à madeira e a·o pinho. Vtsto tlão ser o intuito deste
1918• 179.799 21.090 1.139 117 6,33 · trabalho a análise da penetração das ferrovias no inicio do século, foram aceitas as
1920 125.394 20.483 1.198 163 9,55
proposições sobre o assunto encontradas ein Tota, um~ vez que estas não
1925 133.272 27.736 712 208 5,34
discordam de observações pontuais encontrad,as na bibliografia consultada". Sobre
1930 115.549 22581 5IO 195 4,41
a importância da madeira e, principalmente, do pinho-do-Pai:artá, nas exportações
1933* 101.967 22.710 286 223 2.81
brasileiras entre 1920-1939 propomos, para efeito de ilustração, as seguintes tabelas:
1935 167.741 34508 284 206 1.70
1939 404.787 110.088 731 272 1,81

FONTE: Ministério cni Fazenda. Serviço de Estatística Econômica e Financeira do


Tesouro Nnciona1 40•
1
~· Gt da CANClÁN sobre o fato de pinhe:inia settm concentrados, difCfCfltc de mata irubtropicil,
titmbém de s-er Umll árvore de gr.i.nde porte, de ma cidra ºmole" cuja galhada niio prejudica muito
o comprimento da• túbuaa, um dos fatorc:il mais impottimres par:1. a e1;tração de soalhos· e. vtgu.·
.u Af,,!ADJGr, R R. "U:gislaçio ambicntll no Par:má: a 'prcocupa:çi~ ecológia' de Romário
lt udevido à con~orrênda do Pinho do Par:1.mi com Q.SI madeiras importidas dai Estndo8 Unidoii, Martins (1907-1944}". ~fonografia. Deparl::unento de História da Univcnidtde Fcde.r:il do
Sttécia e Canadá, mas 1100Cetudo com o c-ntio fun-oso e muito coru:umído Pinho de Rig:t, C$te: Pa.nná. 1999, p.8. Segundo Rnmino Martins a8 ma.dcints mais explondas até a abertura das viu
,_·: ; -1~:,~oo já c:_onhecidu, estudadas e reconhecidu! atem de que. o mercado ÍOf!'lCC~r cm de· ~nsportc eram o cedro, a imbuia. o carvalho, a cancb, a p~a, eipécies nobres que
iormav:uli a mm atlintica pcô.xima do litor:l.l Antes di comtruçio' ~ vias ~e _lr.lnsporte a
, , _' t,f-t{JWi~~-~<m~~'~.i~~~1i~p~•i:AM,\PIGI, FaWto Rogério, p.22apud. CARNEIRQ David. F~~s _
t::/{f?''··,'.">"· •• "'"_ ~;_fj~_?.fJr~i~}?:~5'n'L Cuâttbtt: Imprensa da. Universidade do P.irani, s/d,· p. 126. madeira retirada pua o comércio externo ano Paraná era apenas: aquela aituadã no litoral .
.:-,-/(;;~:;, --. };,f'j,:'.~~f~t"'2' *Dtl:2 do bnm devido à Guem.. " PERISSINOTIO; OLIVEIRA.
~'.,"J{:~'_',,/;f.iJ\:t·:,: :-·'

60 61
TABELA 2- BRASIL- EXPORTAÇÃO DE PINHO uma análise sobre o crescente poderio da fraçào de classe composta pelo
setor industrial madeireiro.
ANO QUILO MIL RÉIS '!'! DE LIBRA OURO
11.545,094
Como manifestações destes efaito.r pertinente.r consideraremos para este
1920 84.884.700 675,881
trabalho nào apenas a atuação política - o político aqui entendido stdrto se,u11
1925 95.844.426 17.748.0IO 453,250
como ação ou disputa dentro do Legislativo ou Ex~cutivo -do setor madeireiro,
1930 85,024.114 15.839.368 357,934
mas também a: organização e as estrat~gias competitivas da categoria.
1935 130,749.846 25,327.838 2I0,743
Ao iniciarmos nossa explanação, vale notar que quando tratamos da
1939 309.793.517 88.085.475 584,527
norganizaç'ão" da categoria não estamos afirmando que e.."tÍsta u~a relação
FONTE: Ferreira, Ma.noel Jacinto 44 • o
causa-efeito entre surgimento de órgãos 1e
representação corporativista
com a apropriação, mesmo que par~al, da êsfera política do Estado. Partilhamos
Ao contrapormos as tabelas 2 e 3 percebemos a importância que o pinho
da tese já sedimentada na historiografia que se recusa a redúzir uma hegemonia
paranaense passa a representar nas exportações de madeira no Brasil: política à identificação da hegemonia econômica-'5• O que se considera são dados
objetivos que possam ou não identificar a atuação de um grupo de interesses.
TABELA 3- PESO DAS EXPORTAÇÕES DE PINHO SOBRE O TOTAL CórilpreCnde-se · tatnbém que n articulação da ação do Estado depende de uma
DE EXPORTAÇÃO DE MADEIRA BRASILEIRA disputa interna ao bloco de poder que compõe as classes dirigentes. O Estado
, moderno possui uma relativa autonomia devido a sua própria estrutura, pois seu
TOTAL DE MADEIRAS PINHO
ANO funcionamento dcp~~çl~ de um corpo extenso de tecnocratas e burocratas.·n.
(EM MIL RÉIS) (BM MIL RÉIS)
As discussões encontradas pelas teses sobre o setor ma.dei.reiro que analisam
1920 20.483.000 11.545.094
o período 1915-60 forneceram subsídios para que sejam identificados ifeitorpertinente1
1930 27.736.000 15,839.368
no que t.ange à acumulação e organização dos interesses desta fração de classe. O
1930 34.508.000 25.327.838
primeiro elemento que analisaremos é o surgimento de entidades representativas
·,1,, FONIB: Tabela 1 e 2. dos interesse's da indústria madeireira. Por outro lado, a ação do Governo <lo
Paraná também não deixa de demonstrar a influênci~ dos madeireiros na legislação.
A partir da constatação do aumento crescente, embora sujeito a Já em 1885, 7onformc Padis, havia isenção de taxas de barreiras sobre o transporte
oscilações pretendemos fazer, através do que Oliveira de "efeitos perlinmtel;H de madeiras para exportaÇào - ~sençào esta que tinha como função principal o
atendimento a demandas pontuais de um grupo de empresários que construiu uma
grande madeireira onde iriam situar-se os ramais da ferrovia Curitiba~Paranaguá.
~, Ferreira, Manoel Jacinto. Pela Grandeza de Madeira do Brasil. Rio de Janeiro, Gráfica Olímpica, O poder da representação do set'or madeireiro é percebido tatnbérn no Legislativo
1942. Citado cm Candàn. p.228, vol. 2.
e Executivo cst1dual no final da década de 1920 quando;
n "Uma fração de da.,;se existe como força social quando a sua existência econômica produz efeitos
pertinentes na politica e na ideologia, revelando com~a sua atuaçJo na luta de d asses, a sua presença o Congresso do Estado do Paraná decretou e o governador Afonso Camargo
distinta. A análise dos 'efeitos pcttlnentes' de uma frnçàó autônoma de classe nas estruturas e
rcfaçõl!él políticas e ideológicas no campo das lutas de classe depende sempre da conjuntura de uma sancionou a I..ei n. 0 2670, de 15 de abril criando o Instituto da to.ladeira, cujas
situação histórica concreta. Só através do seu estudo sé poderá circunscrever as relações dos limites
e das variações, e assim se camctcrizar os 'efeitos pertillentcs', (POULANlZAS, 1977, p.79)
OLI\'EIRA, p.13. e tb. "Na luta de classes: as classes m1 frnções autônomas se manifestam política
e ideolog1camentc.. Mais ainda, manifcstam·se nos níveis político e ideológico de focma específica, ¼ Ricardo de Oüveirn; Ribeiro, Pcrissinotto; Igor Zanoní, Magalhães Filho.
isto e, atravês de efeitos pertinentes. No nível poÜ!ko podemos detectaras formas de repre:,;entação (
(
de dass:e, os partidos políticos e o próprio regime político C:Omo formas de efeito pertinente; no -0 Não obstante, como nota Oliveira, ê importante ressaltar que o direito burguês apenas ordena de
nível ídeolôgi.co, a luta ideológica de classes nos revda tais fatos." (PEH.JSSINOTID, p.92). um ponto de vista nfo instrumental, não real.

62 63
atribuições foram executadas, por delegação do mesmo governo, pelo Sindicato de pois, aos interesses dos setores mais capitalizados do ramo, ~m todo o territôrio
1Jadeiras do Brasil, nos tênnos do Decreto n.º 1486, de 26 de agosto [de 1929), cuja paranaense e durante todo o período estudado,.".
regulamentação, então bah:ada.. muitos pontos em comum oferece, coma a que O setor mais capitalizado, segundo Cirlei Francisca Luz, Cancián e Maria
norteia a do atu:11 Instituto do Pinho. (CANCIÁN, 1974:08 apud Anuário Brasileiro Regina Luz, era aquele que possuía algum tipo de Hg.içào direta com o
de Economia Florestal. Rio de Janeiro 2(2):10,1951) beneficiamento, e principalmente com a comercialização d~ produto efetuado

Se cm rúvel regional a defesa dos interesses se fazia sentir de maneira o9jetiva,


diretamente com São Pau1o. A cs~ dois fatores Vannucchi
.
so~a
'
um terceiro sua
ligação com a produção de pasta de celulose e papel, atividade da maior importância
.
nacionalmente dando continuidade a sua â.çào, o setor mad~eiro no início década
·na acumulação de capital dentro do nmo madeireiro. Os lucrps eram maiores no
de 1930 pro cu~ se organiz>r fundando, em 16 de abril de 1931, o G,nuêrúo Maddmro
caso de emprcs;lS que integrassem os dois setores. Dai pÔtque os segmentos mais
dí! Di,Jrita F,d,raf, cujos objetivos eram:
c~pitalizados procuraram controlar todas as fases de ptoduçàO. A existên'aa: deste
Coordenar o comércio de madeiras.
complexo é destacada já em "meadí!, da düada d, 1920, ar aâvidadts in,m,Jriait d,
Organizar as classes de Madeira. importadores e de exportadores conuertidos em manufatores, impru,ionanlemen/e
1

Registrar seus elementos. variada,, requi•ladat, in,luíam ocontrole de todas as fases da manufatura l!xti/, da
Fazê-la respeitada e conhecida. ,,
-·~-- '- moagem,fmrig,111, da forja do ap eda latão, da laminarão d, nu/ai,, da fabrico do papel, ·
Moralizar seu nimo de comércio. da refinarão d, óleo, ,.,,g,Jait''. (DEAN, 1971:35, grifos nossos)
- -'Impor o respeito mútuo aos compromissos assumidos. Esse será pr_ccisamente o caso do Gmpo l..J,tpio11 que, 'dunmtc seu rápido
Desaparecer os aventureiros z.angões e avulsos que só desmoralizam e avil~
prôcesso de divcrsificaçà0; atuará nos ramos de extração, industrialização da madeira,
os preços e o comércio de madeiras.
fabricação de p;tpe~ fósforos, caixas entre outros ramos da cconC?mia paranaense.
Impor e definir cesponsabilidade.s mútWls entre Importadores, Exportadores ~
Madeireiros. (C.ANCL-ÍN, 1974:12-2)

Sobre esses objetivos, comentaremos aqui aquele que parece ser primordial
sob o ponto de vista do capital madeireiro. J\o propor o desaparecimento dos
""venturciros, zangões e avulsos'\ o órgão de representação do setor referia-se
.tt Segundo Canci:in, apena! as $Cmriu melhores ap-,t,rclh:adas po<lc(lllm opl:at cm permanecer
aos comerciantes ocasionais d.a madeira, que agiam na atividade apenas nos . próximu aos maiores ccntrw e niio optar em •eguit o. expa~são d:a tcrri1orialização do capital que
pedodos de bons preços. Segundo os diferentes estudos sobre o desempen_h~ do se dava: "A pre:se~ da !lemcW pode, de modo :aproximado, dar o. medida da intcnskladc da
setor madeireiro, ess~s uavulsos" eram precisamente os pequenos madetre1tos exploraçào ma<lcircinl cm uma loutidatle ou rcgiio, que se fez em dtigioa de. duração limiada,
deilonndo-fc ao se inicitr o C'lgot1mento <W matas, cm bu:M:.a de noVU fontes. Pode dizer.-se
que, além de exercer a atividade ocasionalmente, eram responsabilizados pdos
que a serraria é pioncin na abertura de rcgiõca, aprove.i1ando-sc dai madeiras liberadas pda
grandes industriais, pela devastação das áreas mais prôximas, o que elevava ocupação agrícola da, tern.s. Not1.-11c o movimroto de desloc.tmcnto d~s se.n:ari.t.s à medida que
extremamente o preço da matéria primau. Esta tentativa de rcgularnentaçào visava, a colonização ou :as nov:u frentes pioncinu penetram mili para o interiot."(p.5). Ao que também
se refere LUZ, ..Comprova-se ainda que, dur.mte os anos 1949 a 1963, ~ füm.tS madcircin.s no
sentirem o dcdínio 00 m:crvas florestaul nas antigas ârc.tt, acompanhar.uno aw.nço da frontein
econômica e chegim aos nov0$ centros do oeste e ~udocstc do füta~o. [...} OCSta forma, na
-*' Todu ~ teses lidas concordam no fato de que as madeirclnts migra\';Ull junto com a rápida exp;tnsio firmas scdiadu cm Ponta Grou-a, Curitiba, Ir.ui, Imbituva e cm outros loa.is ao perceberem a
da frontcim. 12grlcob no PUQni; decorre disio que qwiodo um.t regiio era ocupada e a mndeiru se dcca.dência das áreas madei.rcins, a p-attir dos 11nm: 40, uta.bclcccu.m-~ na regüo centro-oeste
e~tava. as rrudcircirus ou runbém mignwm oU te.riam que providenciar o transporte dm: tmos., do &ta.do; mais eg-pecífic:amente cm Gwrapuaw, cujo pcrio<lo de maior c:xplon.çio foi de
ocorre que Cise tnnsportc. era extremamente: caro, constituindo o maior custo de produção. 1940-1959 ..." (p.50).

64 65

1 i
3.1.2 Política Governamental e as Elites Dicigcntcs desta instituição seria a "defaa da indJI.Ilria madeireira do Pamná"~ercccndo portanto
"todo o apoio do Ertado 1~ Porém, dado o fracasso do cmpte~dirnento, ''o Ertado
Neste item pretende-se ressaltar que, paralelamente aos dementas internos promo""' a liquida(iio da Sindfrato ,,primindo d, véz a d, imposto qu, foro rnado pam
que limitariam o desempenho da empresa, haveria também os externos, pois 'j'\s
rntir o, op,rafiies d, cridilo da mesma inttiluÍfíio no Banco Jo Brtu# Afim do, empris!inlot
expectativas da sociedade refletem o" impacto, sobre a companhia, de fatores
q11, ao Sindicato famm Jdto, p,t,, Banro IÍQ &lado IÍQ Parallá, o débito d, mt;mo atingia a
como a poUtica governamental, os interesses socinis, e muitos outros." (PORTER,
p.18, grifos nossos)
= d, trl, mil rotos naquele banco." (/IL\CEDO, 1933:13)
A par de criar impostos exclusivos para o financiament9.do'sctor madeireiro
Sobre a 1êxpedalittu da soa'ulmk ' 1e ''po//tka ,gwér11a111ental'; a partir de pesquisas
50 (no caso levantamento de empréstimos junto a bancos eshltais), ·o Paraná· agia
sobre o tema, percebe-se que muitos foram os percalços da indústria madcire.ira ,
como avalista destes empréstimos e, com • folência do Silldi01/a d, Mad,ira, da
Se em aÍguns períodos diversas esferas do Estado tentaram intervir- e efetivamente ·
o fizeram - nas atividades do setor, em outros pedodos houve pouca ou nenhuma Bnml, .~ss~me ~ divid~ deste ju-nto ao Banco ,do Brasil. É\nt~ess~tc _notar que q ·
intervenção prática. No Estado do Paraná os interesses em relaçio à fusc extrativa Secretário de Finanças aponta que o órgão ºfrai:asJOJI mmj>{ttamenk dtvido a má

e parte da fase industrial madeireira se concentravam na tentativa de criação de um orientação daria QOJ 161/f lltgórtOI falat Jtll! dJ'reiortJ': o _que tiao impede que O Esta'do
ôrgào paraestntal (de administração privada) para regulamentação do mercado. assuma tanto a dívida junto ao Banco do Brasil quando ao Banco do Estado~ 1,
Esse objetivo foi atingido cm 1929 e teve clara influência dos interesses dos Outro dado ~ignificativo no que se refere· à. proximidade entre Estado e
madcir~S qbe, além de sugerirem as medidas a serem implemenfu'das, conseguiram iniciatÍva pri~ada, é a utilização ~a coisa pública para fins~ iruciativa privada.
que o governo do Paraná lhes delegasse a implementaçio das medidas. A identificação entre público e privado dentro da administração-do Estado
constitui-se, segundo Perissinotto, cm eftiro pertinenlt que demÇ}.1:stra (ou ao menos..
1
o Congresso do Estado do Paranâ decretou e o governador Afonso Carrurgo
é forte indicativo) do poder dos coronéis na República Vclh., a
sancionou a Lei n."'. 2670, de 15 de abril' cri11.ndo o Instituto d:r. Madeira, cujas
2ttlbuições foram executadas, por dclcgaçào do mesmo governo, pdo Sindicato
, confusão entre o poder público e o pó der privado é o efeito ~ente que a lavout'll
de ?,.ladeiras do Bnsil, nos tên;nos do_decrcto no 1486, de26 de agosto (de 1929],
expresea no nível politico. A forma cspeáfica pela qual a bvo~ isto é, o corond, se
cuja ccgul.unentação, então baixal'.U, muil~ pontos em comum oferece, coma a
faz presente na politica republicana é o domíruo privado do poder público Jocal com
que norteia a do atual In;cituto do Pinho. (C.\NC!ÁN 1974:8. .Apud: Anuário
a bênção do poder regiona~ e sua total obediência a este último dentro das rcgru do
lk:r.sileiro de Economia Florestal)
compcomísso coronclistJL (PERISS!NOITO, 1994:107,gcifo do autor)

A criação desse organismo acabou redu_ndando em um total fracasso,


Nesse sentido, e devido à contextualização supracitada sobre• constituição elo
segundo o relatório apresentado por Rivadavia de Macedo Secretário dos Negocios
Grupo Lupion e aqueles com os quais seus interesses se confundem (no caso fiunífu.s
da Fazenda e Obras Públicas ao Interventor Manoel Ribas cm 1933. A funçio

" Quando fie rcftro à indústria m.adcireiru, c-,tou me referindo cmptciH que além de tr.tnsfonnarcm
11
os toro, cm pntnchões tambêm ccaliz.am difcrcntei focmas Jc ffltlu..strialluçio da matéria-pllma, Rclató1io i1f!CC1:ent-atlo ao Excdenti·uutlo Senhor ~lanod Ribas,. dignfuimo lnttrvcntor Federal
desde OUUS de ptpelào a móveis e papel. &~ aborllilgem se dá devido a ser c:ste o recorte no Estado do 11:m,ni, pelo Secretário dos Ncgócl0:1 d:i Puenda e ObíU PUbliwi Riv;i.dâvia de
efetuado pcW pcsqulSiu sobre a indústria madcircin no Puaná. Macedo - Exercidos de 1931, 1932 e 1• scmemc de 1933. (p.13 e SCgliitues\

66 67
L

terrntenentes tradicionais do ~terior do Parana')3 1,' apontaffios para ·wn ~os fatos que A colonização do território_ paranacnsc roi basiÇamehte efetuada pela
iniciativa p~da que conta:va com o apoio do Estndo. Esta relação teria se tornado
marcaram as duas administrações do governador Moysés Lupion, a corrupção.
mais evidente nos governos de Moysés Lupion devido aos interesses que ele
Tal era o,nívcl de corrupção do governo Lllpion que a negação do fato
representava. A fração de classe que o apoiou esl:llva dirctam;'ente ligada ao comércio
não era objeto de defesa por parte de seus colaboradores e amigos. A obra de
de tenns (caso de Othon Mader, por exemplo) e/ou na sua cobertura vegetal.
Raul Vaz, embora se inicie apontando Moysés Lupion como um dos dois
Segundo vá.rios pesquisadores, durante o gcJverno L~pion -a 5 companhias
maiores homens que já conhecera, nào se preocupa em negar o alto grau de
colonizadoras adquiriram tal poder que chegaram a "sobrt!por-sc" aos interesses
corrupção dentro de seu governo, do qual Vaz, al(ás, participou como membro
do Estado. A opção pela iniciativa pciv,da se dava cm torno do ideário da "Marcha
do primeiro escalão.
para o Progresso" do governo Vargas. Moysés Lupion, ao Wrcsentar-se com uma
"a corrupção é particularmente ca01ctcóstica das sociedades em modeminção. [...] ie!f madt man. seria um elemento fundamental-para a lrmsfortrutçào do Paranái
· A modcrnizaçio gen a corrupção, porque altera. as normas tndiciona.is, cria novas sua ação de empresário, conforme a imprensa. que o apoiou :Oa sua primeira eleição,
fontes de àquezas e poder, e acaba contagiando a uuiquina administrativa, como caracterizava sua ação de bnn'nui mart, capacidade pata despertar as forças
um óleo para lubdfid.-Ia, para apressar o àtcndimento de obras públicas- e produtivµ, Porém, como empresário esta açào estava limibda.; para a construção
até para obtc-.las. O pioneirismo no Paraná coincidiu com a ascens.ão do populismo, de um Paraná Maior (seu lema de a.mpanha), seria ~prescindível que este
isto é, do clientelismo político instituciorutli.zado, Os pobres usam seu poder de empresário fosse alçado à direção do Estado. O id_cal de:: seu governo, segundo
voto para conquist2r emprego~ e favores, inclwive dinheiro mesmo, os ricos poNllil. Lupion, seria a artictitação do privad? com as políticas públicas 'para o
vez compram cadeiras nos P2clamentos e nas ~\.ssembléias, Há uma corrupção dos fortalecimento e dcsenv?lvimcnto econômico do Estado.,
pobres e uma cottt1pçào dos ricos. [i.,]. .A todo este contexto se deu o nome
A ideologia do ptirudo como agente do dcsenvoJvímento no Paraná ocorria
lupionismo, como em São Paulo ele se chamou ademaàsm~, ontem, e malufismo _.
cm uma conjuntura de nípido crescimento populacional e expansão e diversíficação ·.
hoje. ("\Z, 1986:139-40, •pud Guimarães) ·
das 'relações de troca, o que irá provocar a dpida acumub.ç:ào de capitaIH. Ao
não ordenar o processo e favorecer a iniciativa privada, o _governo Lupion acaba
Os denominados atos de corrupção que nos interessam para o·prcsente·
por contribuir com o acirramento de conflitos de terra~ qu~ serão partícularmente
texto, se referem à questão de demarcação e concessão de terras no Paraná durante
graves e violentos cm seus dois governos; violência esta que se torna um estigma
os govcrnos Lupions.J. Em especial, no que se refete aos processos pelos quais o
para o Grupo Lupion, visto' que a organização estava também envolvida em
Grupo Lupion teve aces~o facilitado a matéria ptÚna e a amplas extensões de
conflitos de terras no Sudoeste e Oeste do Paraná.
terra, fatores importantes para se comp.reender o crescimento do Grupo.
É importante que se ressalte, poré~ que a grilh~gem de terras não se
constitui na mais significativa estratégia competitiva do Grupo e que não foi o
governo L.ipion uma exceção à regra no que se refere à problemáúca da lut'l

11 Segw:ido PER1SSINOITO, o partido que repreaenb.w Cd coronfu em Sfo l¾ulo SC:m o PRP, no
Parani, segundo Tulio Vargas sedam o meamo. O putidoque tetlll :.ubstituldo o PRP e continu.:mdo
a rcprcsenta.çio dos coronêLI: $Cflll o PSD, com ckmque ~ Manoel Ribas e M~ Lupion. ~ Sobre a ttlaçio entre 2 iniciativa privada cpolitica. públio. ru coloninç.io noi governo$ de Moysét
Lupion ver SOUZA, Clcuza Batuta.. Política pública e inicio.tiva priv...da. como fatorc-1 de
» Para Oeste, Sudoeste; ver ZANONI, COLNAGHI e WACHOWICZ; pua Nocte do Par.anã, ver
desenvolvimento: um.a nnilisc dos govcrnoo Moys~ Lupion. Monognaf12. Dcpartunento de
DAMASCENO, SOUZA. Pan u~ contcxtuiliuçlo de ambas as revolw, ver MARTINS,
Ciências Socia~ UFPR.
José de Souza. "Gunponcse! e a Potitio. no Brasil".

óB 69
pela terra e especulação imobiliária no Paraná". à que pretendemos destacar cm ambos os casos os bens foram posteriormente inco~orados pelo Grupo
37
aqui se refere à própria ideologia de Estado que prevaleceu durante toda a "era Lupion Ou~~s nomes que possuíam relações finnnceitas c~m o Grupo Lupion

Vargas e posteriormente a esta, isto é, o nadonaldaenrolvimenli..wto em que a atuação


11 são: o Interventor Manoel Ribas, em cuja fazenda em Casci:o O Grupo possuía

do público e do privado se (con)funclia. Havia uma defesa explícita de que a um, serraria cm 1942; o já referido Antônio Batista Ribas sócio da Obrar,
administração do Estado f9sse entregue a homens de negócio "competentes" M,lboram,n/o, e ex-Secretário do.-Negócios de Obras Públicas,:V-iação e Agricultura
do Interventor Manoel Ribas; Anisio Hermogetlcs B,µtolomei, diretor-
que conseguissem despertar as forças produtivas. O caso do Paraná, por tratar-se
superintende~te do Banco do Estado do Pararuí 00 primeiro governo Lupion,
de uma fronteira da nova tetritoriali~açào do capital1 pode constituir-se c0mo
cargo que deixou sob suspeitas ctn. 1951 51, sócio_com David e Pedro Lupion da
paradigmático para um estudo sobre o tema. Lupfon lançou sua canJ.idatura
Madeiros do Brmí/LJ&i', conselho fiscal da IndJtstria; Bratildms!f, Pap,I SA "';Hans
p~opagandeando 11 llt1;agem de um burittesJ num, um bandeirante moderno. Em
Mõller sócio da lndJtstria D, M,tai, , Madtirm Bmefidadat, membro do consdho
seu próprio discurso ~ que Moysés declara é o interesse em administrar a coisa
fiscal do Banro do Estado do Parand (no mesmo período que Bartolomet); Arcésio
pública da mestna forma que adminiswva as suas empresas, de modo a fornecer Correia. De Lima Filho, sócio da Jnrmslria D, MetaiJ , Maddrar B,nefidadas Ilda.
a dinami~dadc que faltava à coisa pública. (cujo pai .é diretor superintendente do Banco do Estado do Paraná juntamente
Os elcrricntos que ajudam a_ comprovar os dados sobre a relaçio entre com Bartolome1)6 1• Percebemos mediante as ligações de membros que o Grupo
público e o privado na implementação de investimentos no que se refere à politica Lupion possuút privilegiado acesso a dois dos principais bancos do Estado.
de colonização do Estado, além das várias dcn\Jncias de jornais de época~, podem As ligações entre diferentes grupos emp-tesariais revelam, certamente, uma
·. ser perc(bidos também na já referida sociedade de Antônio Batista Ribas com o tessitura comwn de interesse, mas rCv'clam também a pouca possibilidndc de
Gtupo Lupion. Além dessa questão, no que tange à relações entre público e o alteraçào nos qwdros dirig~ntes que compunham as diretorias de empresas e
privado, podemos C)tar os nomes os membros de uma teia de urna urdidura indústrias, siruaçào esta apontada por Regina Maria Luz, para C}uem'a "perman!nda
entre vários sócios de empresas do Grupo Lupion e postos-chave no Estado. de um grnpo maiJ ou menos homogêneo oa,pando os ptinàpai, cargo,;, dinlotia da entidade·
Entre eles, está Raul Vaz, que trabalhou no IAPC e no governo Manoel Ribas e no empruatial I apontada por Afaria Sa4nz LEME 'coma J1ma ramderirtka rorutante nai
orgpnizaçvll dlJ empmariado bran'ltiro, t q11e dmtonstra 1~ peq,una re~tJNfâtJ do1ieJ/J q11adro1
governo Lupion ocupou os cargos de Diretor Geral do Departamento de
dirig,ntu ''. (LUZ, 1992:37) .
Municipalidade \ambos os cargos ocupados por indicação); posteriormente
chegou a juiz do Tribunal de Contas do Estado indicado por Lupion cm seu
mandato. Vaz participou de várias transações das quais o Grupo Lupion foi
51
parte: adquiriu o Jornal O Dia e comprou tern.s no Oeste e J;,lorte do Estado - No ~o da:. a:crru, Cliltns foram objeto de denúnW, por ci:pecubção· posto que teria.~ lido
adqtlicida:i abux.o do preço de mcrado e cujo contrato de compr.1 e vctadn foi verba. (1. e., sem
documen~o), fato este que Vaz 2dmite, embora nio o desabone como illcitn Yu aponta que
cm ambos o:; c::isos iapcnas adquiriu os bens dado apelO! de Moyséii. : _

15 Segundo Wachowic1. (op. cit, p. 138·180), a con&tituiçã.o do Terdtóào do Iguaçu teria sido um • Kl\ETZEN, p.383.
apituío da. tmbtt\-a de se especular com tcrru no Oestt: e Sudod;tc. Por outro lado, o. sobreposiçio
" KRETZEN, p.144.
de diferentes cscritu~ de terra. 1mbre um mesmo tetreno.niio Cfll. uma pcibCl incomum nu d1.s
colonru.dons cm geral. Some~e a isso os grilos no Norte do Estado (Dam11Sccno) e a e,peculaçào ~ JCP.
com terras envolvendo ex.·prcsidentes de provinda que resultou na Guerra do Conte.!lta.da (fota " A,".tm
• send O. o Banco do Estado Pa.raná contava com dois diretores superintendentes :imbos
e Oliveira). O que s:1l.icnt1mos aqui ê atuação de uma fr,.çio de classe tomar-se hegcmônia. no
liloaos de emprc,,;as <lo Grupo Lupion (Anísio Hermogcnes &.utolomci, e o @ho de Arcésio
bloco de poder no que concerne ao uso rui. esfera públ.ia. (Esta~o) como e:sf~ prMl.da.
Correia. Lima.). Doi cinco componentes do consdho füa.l um (Hans Mõller) poosuía sociedade
;,s Revista O CruzcU:o Oc setembro de 1957 e O Estado do Paraná, 1951. empresa do Grupo.

70 71
3.1.3 A Fundação e Diversificação do Gmjio úpion A segunda empresa fundada pelo grupo serâ a uc4a Mttal Lida.•: no
ano de 1932. A empresa atuará no ramo de tfCompra e wntÍa_ dt Jerragms-1 laufM t
Um dos elementos significativos do Grupo Lupion que pode chamar a outras'~ No contrato localizado na JCP não aparecem os sócios ou o capital
atenção - no caso do presente trabalho, ao menos isto ocorreu - foi seu c.:aráter social, porém, conforme as entrevistas de David \Vtlle e Moysés Lupion e a
ufamiliar11• Não obstante, esta característica não deve causar surpresas: ao fundar ob_rn de Raul Vaz, a partir desse momehto encontramo~ todos os irmãos
um empreendimento em que todos os metnbros da familia atuam, o Grupo trabalhando juntos. Davi~ Wtlle Lupion afirma Cm entrevista que o primeiro
Lupion segue uma estratégia competitiva comum no Brasil cm seu setor industrial empreendimento da família começou cm 1933, qua~do ele e Moysés
nas primeiras décadas do século XX. A própria _origem do termo G~po está administravam uma serraria que "a familia" possuía na Lapa - momento em
associada a empreendimentos familiares em grande escala que são recorrentes , .
. que, segundo David, o Grupo contava com três serrarias61."
hão apenas no Paraná, mas bmbém em lo~s onde as relações mercantis eram
No ano de 1936, iniciam-se as operações da "Pqs7a1to & úpion"'-\ da qual
mais ccmodernas ... Segundo Dean, 1'ar maiores <Únlre as 1odedades familiais 011
participam Luiz Possatto, Pedro Máximo Lupion, J~sé Lupion Filho atuando no
rombittaçõu dt clientela, que rePelaW11l1 certa tJtabilidatk , divenifica;ão eni atividades
tamo de "Explora/ão comercial 6 ind1111ria! do ro;o ck maduras': A ~mprcsa tem sede
imobiliâriaI, comerdais e bancána.I pauaram a chamar-16 ·~mpos': R.tuniram mnJideráveir
quanlidadu de capital, fábricas, poder político um pmúar vmd,r a[Õt! ao pdbliro etn C.choeirínha, então municlpio dejaguariaíva. Esta emprea, sofrera vírias
,mfundir-se''. (DE..\N, 1971:133, grifos nossos) · transformações: cm 1938 Moysés Lupion adquire as cotas de Pedro e José, muda-se
No que se refere a este tópico. dado nosso enfoque que visa à esttuhJraç:ào das a razào social para "Poualo, l.Jpion ~ Cta'~ o capital se eleya de duzentos mil
empresas, tnbalharcmos cm uma perspectiva cronológica quantp à formação e contos de réis para quinhentos mil contos de r~s ~m partes iguais entre Luiz e
diversificação das empresas. Esta medida será tomada devido ao nosso entendimento Moysés, alterando~se 9 ramo de "Exploração ronurdal t íttdmlria/ do ramo eh ma.dtirm"
de que a ampliação do Grupo - percebida pelo crescimento do capital social das para ''Ind11Itria de urrarias' também rommio' exportação de madeiras em geral': ou
empresas e pelo aum~nto da diversificação de suas atividades.- ocorrerá de forma seja, passa também a exportar madeiras. A administração será.dividida da seguinte,
relacionada à e.~pansà~ do setor industrial madeireiro e, o que é também relevante, a forma: Luiz Possatto gerência industrial e Moysés Lupion getência comercial -
crescente participação de indivíduos ligados à administração pública e aos órgãos de lembrando que em São Paulo Moysés atuou no ramo de exportação de madeiras. No
representação do empresariado. qi.Je se refere a esta empresa., é.importante salientar a localização' ela empresa.
No in{cio da década de 1930 inicia-se a constiruição do Grupo Lupion e os
No início dos anos 40 as empresas do Grupo sofrerão t.Ípido crescimento.
seus membros começarão a trabalhar de maneira ass~ciada. A primeira empresa
Iniciando nossa análise pelas empresas fundadas na dêcada de 193Q, percebemos
que surge levando o nome da família seci a ]ruiúpion & 0a que, segundo Kretzen,
as s-egllintes alterações:
será fundada em 1931, na JCP (Junta Comercial do Paraná); não obstante,
Ajo.ré úpion ~ 0a passa, a partir de 1941, à "exporta~ão de madeiras'~'.
encontrou-se como registro mais antigo uma alteração de contrato datach de
1935 (a qual registra a entrada de Irene Coelho Lupion, esposa de José, sendo a No ano de 1943 o capital alten-se de quinhentos núl cruzeiros para dois milhões
partir de então os dois únicos sócios). Em 1939 entra na sociedade Pedro Máximo
Lupion - irmão de José.i identificado como 11índustrial" residente em Pir.ú. Abre-se
filial em Pirai, e o capital social sobe de vinte contos de réis para quinhentos
contos de réis."1 M Gazeta do Povo 3.LOl.77. Coluna. "30 ano:s de HU!tórla P~litica no Par.mi" de Emir Sfair
(tOa. p.) - Sfair entreVÍ!ta David Wtlle Lupion .

._ JCP registro gcni.l 41200887967, ContntQ 085 15/out./36 Antes dos Lupion a r::1zfo soct2.I era
S1,11Jt-w & Oa.
'1 Contrato 7.4-99 de 19/01/35, 9,246, 7 /jun,/39 com alter:1ções contntu.ai.s: até 1951; K.tc.tzen,
p.324. ª Contr:110 JCP; Krcl:%en, p. 144 e 324.

72 7)
'
de cmzciros, e ocorre n entrada de novos sbcios, entre des Itaciano Macondes Parnpiti, Rebocador Don Roberto, Chata Sanm Helena, Chata Triunfo, Cham
Ribas, Pedro Máximo Lupion, Vasco da Gama Coelho e Luis Possatto. Mais de Alicia, Lancha Emllia, Lancha Itália. Quanto a e,t, emprest, é importante retermos
75% do capiml social da empresa fica sob as mãos doS irmãos Lupion. dois caracteres, fato de Luiz Possatto ter se retirado dela e cntrddo na frui LPpiott,
No ano de 1941 a "Pouatto, úpion &Cía"tcm seu capi"'1 social aumentado uma empresa de menor porte. O outro dado importante é a aq~sição de gra~de
de 500 mil réis para 800 mil réis. Constl a entrada de nova sócia, Hermlnia Rolim de quantidade de terras cm uma daS regiões com maiores )OncCntraçõcs de erva-
Moura (esposa de Moysés), e rctira~se Luiz Posfü1tto. A razão social muda pau 'M. mate e pinheiro-do-Paraná. Nesse período a famflia pârticip~. da -fundação do
upion & Oa'; mas o ramo de a~dade~ continua o mesmo. Em 1944 o capital é BAl\lliRINDUS, com outros que mantinham ligações na região; tal como Othon
elevado de 800 mil réis para três milhões de cruzciro's; no mesmo ano cria~se uma Madcr, e iniciava negócios com a familia Ribas.
filial na capital federal (RJ). No ano seguinte, 1945, o capital social se cleva'de três No ano de 1944 a Cata Melai Lida., cujo ramo é "Compro, vtnda d,Jerrug,n,,
milhões para vinte e cinco milhões de cruzeiros. Muda a razão social para "Bnuil louças e 011/raI" muda de proprietário, passando para administração da '1..Jipion &
R,fomiantenJo , C,IH/o,, Lida. - GEUJBRAS': Rruno de atividades: ''Explomfiio M Ga Lida.''. Não obst.ante a alter:tçio, mantém ll mesma razão social66 (m1s alterações
indJIJlria da mmkira, seu romirdo , txpor!afiio ,m ,!!IU4' Explorrirão da indrolria de pa,ia de contrato não há referências ao capital social ou a administradores sendo
' '
mm/nica, c,/nlose, papel e papelão; Extração, illdustria de be11eficiamento, portanto, um caso de incorporação.
comércio e exportação de erva-mate; Mineraµfo, propec[ào, lavra, extmrão, No noo de 1945 (menos de quatro meses decorridos de firmado o contrato
ben,firiammt~ romirdo, txporlação de caroào minrm4Jmw, @Iro, minirioi, dejxlir de kg,lmenie de constituição da empresa), a Mimração Nort4 do Pamná. LJda. sofre uma alteração·
a11/otiZ!1da; a naveg,{'Jà n,arllimã ·i fluvial, ag,nta mariJimoI , jluviaiI depoiI de k1f1lnunt, no seu quadro de sócios C;.divisão do capital social: O capit'11.social sobe. de
habililada;colonizaçiío; agricJIÚJlm;p,C11ária; r,pmrnla[Õu, txpor!afiio, imporiafiio em g,ml,· novecentos mil pa~ um milhão cénto e cinqüenta mil cr~zeiros, dos quais
1
q11alqutr outro ramo da indmtria e comfrrio agtJ criafiio forjulgpda ronNmtnú ~ aproximadamente 70% pertencem a Moysés Lupion. Entre os ,anos de 1945-46
Em 1945 altera~se o quadro de sócios com a entrada de outros membros há algumas alterações no quadro de. sócio, com a entrarul d<! Pedro Lupion,
da familia Lupion (que também pertencem ao' ~esmo Grupo empresarial). Nesse Hermínia Rolim Lupion, David Willc Lupion e Joaquim Pereira, mas o montante
ano ocorre uma importante aquisição de terras no Oeste, num total de 65.073 ha do capital social ou o ramo de atividades não se alteram e os-membros da familia
e 93 m 1 nssim dist.ribuidos: i.upio·n mantêm o controle acionário. Em 1948 entram os novos sócios Adélio
_Ramirc, de Assis, Joel Mainguê, Alfredo Elias, Hcrnani Borba Rolim; Otávio
a) Fazenda Sào Domingos 32.093ha (+3.473ha);
Alencar Lima e o capital social passa de um tnilhào e cinqüenta mil parn quinze
b) Piquery e Andrada 28.465ha + S.57Sha;
milhões de cruzeiros. Destas cotas os mem~ros do Grupo Lupio~ (Pedro lAáritno
e) La Paz 2.SS0ha + SS0ha;
Lupion, David Wille Lupion e Joaquim Pereira) deteriam mais-de 99%. Um dado
d) Dois de Maio 200ha;
importante a ser tessaltado é que o sócio Pedro Máximo Lupion passa seus poderes
e) Barró Preto 918ha + 2050ha;
via procuração para Adélia Ramiro de Assis, que se torna procu'rador das fumas·
f) Diamante 2Q0ba; 1

"lv!. L.upion & Ga" e "Minerarão Norte do Parana"'61• Ou seja, esttlb~lccc-se 0 que
g) Sào Fcancisco 200ha;
Porter chamou de ,cintegm[iio honZ,_onldr
h) Porto de Santa Helena 417ha + 4 mil m'.

Deve-se ressaltar que o contrato informava que todas as áreas encontravam-


se sem as benfeitorias, o que sugere que fossem economicamente inexploradas.
As terras eram sitund.is no munidpio de Foz do Iguaçu (à época Território Federal REGISTRO GER,IL,JCP 41200997274.
do Iguaçu). A empresa também possula as embarcações fluviais: Rebocador ,JCP cont"to, no 12.186 de l2/ouL/44; 12.459 de 18/01/45.

74 75
Pelo contrato de 1947:
Em 1946 funda-se a Rádio Sociedade Guaíracâ Ltda", os sócios coristas
serão Moysés Lupion (mdustriaQ, João Brasílio Ribas (comerciante), Aluizio a) Pedro Mhirno Lupion, ind, ingressa cotn 900 coras (455 adquiridas da
Antônio F'lnzctto (comerciante), Honorato Lupion Pereira Gomes, Mucillo Lupion Sociedade e 275 de Constantino dos Santos, 100 de F,bio Albuquerque
Gama, 50 de Máximo Pinheiro Lima, 20 de Oravio Ivan Lapalu);
Quadros (comerciante). O ramo da sociedade serâ 'l, explomfiio dos !trnfO! d, rádio-
b) David Wtlle Lupíon ingressa com 300 cotas (200 de Marcos Augusto
Jifasão nO.J /tmtO.J da I,gislafiio vigmu': com sede e foro em Curitiba-PR. O capital
Enrietti e 100 de Silas Pio~);
social será de quinhentos mil cruzeiros. sendo que os membros do Grupo Lupion
e) O novo catista Anísio Hermogencs Bartolomci ingre8sa coffi 500 cotas
·possuiria trezentos mil cruzcir~s e J~ào BrasíUo Ribas 150 cotas. ~á várias. (300 cotas adiquiridas de D. Anira Ribas, 140 de Cid Prince Paraná, .60
alterações contratuais, mas até 1950 membros da Grupo Lupion (Pedro·Mâximo de Alberto Manfrcdiru);
"Lupion, Honorato Lupion Percira,José Ubir2jar. Rolirn Lupion e Adélio Ramiro d) Dadas as alterações, a situação da Sociedade no que: tange aos sác~os
de Assis) sctiio propriet:\rios da maior parte do é:apiral social da empresa. Este será a seguinte:

fato pode ser demonstrado não apenas pelo capiral sacia~ mas também pelos • Anlsio Hermogencs Bartolomei, 500 cotas no valor de Cr$ 500.000,00;
1
cargos de direção que ocupam visto que; sendo a empresa Wministrada por lrú • David \Vtlle Lupion, 300 coras no valor de Cr$ 300.000,00;
Dinlom", os cargos serão assim dispostos: Diretor-Presidente: José Ubirajara • Pedro Máximo Lupion, 900 cotas no valor de Cr$ 900.000,00.

Lupion; Diretor-Superintendente: Adélia Rruniro de Assis. Deve-se ressaltar que A administração da Sociedade fic~ria a ca,rgo de AnÍsio Hcrmogenes
há expánsào e aumento do ,capital so'ciâl; em 1948 a Guairacá controlava uma Bartolomci {Gerente) e de Pedro Máximo Lupion (Assistente),
râdio cm Wencesl~u Braz e cm 1950 outra em Pir2í do Sul. No ano de 1949 registrou-se declaração Suplementar da Jnd,istria D,

No ano de 1946 consra a abertura da Indmtria Antonienst d, Papd S/A",


Mttais , Mad,irar Btnefiriadas Lida. IMABE Llda. 11 Com sede em Curitiba, seu
ramo de atividades era "Exploro;àr, da índ,lltria , romirdo de: mtlaiI t madtinu
colTl um capital social de oitenta e sete milhões de cruzeiros. dos quais Moysés 1
.benejir.iadaJ, mmpra e Penda de maUn'aü dl ronexo1 O seu capital social de um milhão
~

Lupion possufa cem mil cruzeiros, sendo adonâri~ com o mesmo capita~ também
de cruzcirôs estava dividido da seguinte (arma: Vasco da Gama Coelho industrial
a Mucller & Irmãos Ltcla., que possuía membros da fanúlia Lupion em sua direção. [200 mil]; Obras e Melboram_entos S/A (assinatura de Vasco da Gama) [200
No ano de 1947 aMaddras do Bmsil LJJa. 10 sofre as seguintes alterações de mil]; Imobiliária ComercialLtda (assina AyrtonJoào Cornelscn) [100 mil];
contrato: permanecem Anita Ribas, Cid Prince Paraná Qnd), Contantino Santos Joaquim Gans Vtllcla [100 mil]; Hans MõcUer [100 mil]; Grete MoeUer [100
(cotnerciário), na qualidade de catistas antigos e ingressam como catistas Pedro mil]";Joào Resch [100 mil]; Waldemar Maia [50 mil]; Vasco Coelho estudante
Máximo I:upion (ind), Anísio'Hermogenes Bartolomeí (bancário). [25 mil]; Arcésio Llma Filho [25 mil].
A ''Rádi. Ma/Itt,ns, Lida. "' foi aberta em 1946; na data de abertura de
firma o capital social era de noventa mil cruzeiros, sendo qu~ Murilo Lupion

" JCP R.,giitro Gemi no J f 2014940)9. Contr.1to de fundação 13.711 de 21/jul/1946 . .--\ltcnções '· " l JCP 18239.
contntuais: 14749 de 25/ nov/46, 'll, llins é c,tudantc e tem o m~mo endereço que Grete,
0 Registro Geral Microfi1mado 41300044376, Conccs~ão feita pdo Mini:ltério da V'taçio e Obr.u Pública!. Ver~ há inílubida de Assemblêiu
'» Por meio de contr.lito p:utku~c 12456 de 14/~io/47. V« sôcio:. hiuggi.Atti e Bittencourt no &tadua.is n~n concessão' posto p:uticipaçio familiarc;s e sócios de Ll!f)íon, & Cia. JCP contni.to
periodo cm que D. Anitt er.i. sôW. 15.177 em 17/03/47.

76 77
f 1

Ainda segundo o autor, mesmo quando «., ._,


_, fo?'nJa.I [ assumtam
• · ·.u. a
] t11111Hat:
Quadros e Estefania1'fatioski Buskei detinham vinte mil cruzeiros CCspccúvamente.
forma d, .wà,dad, anónima, esta enrobtia, em q,um toda, o, raso,, uma companhia d,propriedade
Esta rádio estava ligada a Buskei, deputado federal em 1947. da!an:í!ia" 71
A exceção era a constituiçào_de empresas' 5~ a participação de
Em 1951 os membros do Grupo Lupion apatecem vinculados a
M,ihorommlos S/A", empresa fundada cm 1947 que atua no ramo de "ú,nJlrllpÍo
familiares.
_ •

A esta, abordagem dada somamos


,
a cóns~ta -
l4l çao 1 ~ por
eanaane.,~
·, em
relaçao a funclaçao de empresas madeireiras no Norte do Paraná durante;. primeira
por ronla própria oli comirrio d, obra,, indJ1Jtriali'11fÕO compro , ,,,nJa d, materiai! rom/a/oI ,. · f.amili'ares na
metade do século XX. Segundo 'a. autora , a arti'culaç-ao d e gtµpos
e qua/qJJerolllrrJ ramo do romlrdo que Ou ronllUr'~ O sócios listados são: Mário Edllltdo fundação de empresas constitui-se, nas rl"í'Hões
.:,- de frontetra' , uma
· . d as m
· elh ores
de Barros,Joào Ayrton Cornelsen, Miguel Queiroz, Antônio Batista Ribas,José formas de emprego e arregimentação de capital,
Lupion (que ocupa o cargo de Secretário).
No ano de 1948 o Diário Oficial do Paraná registra a abertura c1a· firma nas_ o~ações tanto agócolas como industciais ou co~erciais-,do Norte do Paraná,
no infeto da colonização, é. o-fato de &ercm das constinúdaa pelds próptio! fiuniliarcs
Auto Comer-dai S / A 15 com sede cm -PlraI do Sul, sendo seu "ofdetiw ronllrdo de
ou par:entcs próximos.. ..-\s familias sio muito unidas em terras dd coloniza.ção recente
compra e venda dt au!IJmóveiJ, raminhõt!, ôkoi_ INbrijicanles, .!fUºlina, piplI e am:drioI e
_principalmente quando conm. com povoamento a~mvét de.imigrantes estrangeiros
artigos comlaâOnad01 e qualquer outro arlig, tk comlrrio qsu for conveniente na aodn/tft!Je.I ou des_cendentes, o que as benefiCU sob vicias ângulos: fon~ação de capital, a
da soCUdade O capital social nessa data ·é de um milhão de cruzdras; sendo.que os
1 '.
orgamzação do trabalho, a chefia da empresa, e outros. [-:] Os invent.icios cm
sódos,,Pedro . ~ º Lupion, David Wille Lupion possuem·45%. O Diretor- cârtórios da. região demonstraln sobejamente tal comportamento. (CANCL\N
Presidente é Jorge Queiroz .Netto - que tem participação nas rádios do Grupo. 1974:131-2) . '

Em 1952 a firma representa a Gen·eral Motors do Brnsil.-


I' Em 1949 firma-se o contrato da Rádio Ca,tro Uda". Seu capital social F A organização do trabalho dentro do grupo familiar leva tamb · •
"cspecializaçàd'. de alguns membros do grupo familiar. Por exemplo, pod::0 :
·'! então de trezentos e cinqüenta mil cruieiro_s. sendo que os Lupion possuem quase
,, perceber a partir da tabela 4 que as atividades de .....
--diodi·fu·8 ao 1cga da s
1 . . . - sao
-

r}
60%. Entre os sôcios encontram-~c José \%.idem.ar Fuskei [BusW?]; Lauro Grein
p~ncipa~c~t~ a Munlo .Lupion de Quadros, ou n~ caso -citado de Moysés
Filho; Dário de Macedo;Luís Prata Mestre; Eduardo José de Quadros; Ciro Novacs
vinculado m1cialmente ao cargo de Diretor Comercial da Pouallô & Lupion. O
Villela; Pedro Máximo Lupion;MuriloLupion de Quadros. Há :tlterações cm 1951, mesmo acontece com a ocupação dos ~argos diretivos em crhpresas de maior
mas os irmãos Lupion mantêm controle acionário. port_c _que recebem uma atenção especial, visto que David, Pedro e João Lupion
11
Em 1950 o Grupo adquire a Fábrita de Fd!farot Alwroda com s~de Pkal do part1ctpam de suas diretorias 79. Além clisto, havia tambémjoào Ayrton Co Is
r:·r-. 'rncen,
Sul; ramo de atividades: ''Indútlria e romirdo de fósfarot'~ sendo o capital sociàl de que azia a 1gaçao entre diversas empresas, sendo para isso ptoctltadorde algumas
três milhões de cruzeiros, todo c1e pertencente aos sócios_ David \Ville, Pedro cm nome do Grupo (caso da Dt ~1etai.J com a Mtllxmi11uttlOJ) que rcp,rescntavam
firmas que possuíam atividades relacionadas umas com as outra~ A p-ossibilidad~ ,
Máximo e José Lupion Júnior.

11 Registro Genal (l"llkrofi1me) 41300052310. DEAN, op. cit. p.128-9:


A '& .
n JCP Registro Genl (1ficmrnm,do) 41300042071. Caparttr Krctzen e de .contratos na JCP: llivid (Scm.f'W Ikunidas Santísi SA, Miner.1çaG de
1: _ rvio Norte do P11 r.i.na S.A.); PEDRO (1\linernção de Cuvão Norte do P.tt:anã S.A.. Iuidio
• JCP 'º""''º 18.733 10/11/49. .Ar:apongas Ltda.);João {Banco Meridional da Produç3o S..A.). '
11 JCP contr.i.to no 1915 10/05/50.
79
78
.:,,
-,·,)';'1
de ~e controlar as diversas empresas era 'bas~te mais prováv~ do que a de a exclusividade de exploração de uma grande quantidad~ de pinheiros que,
controlar administradores - há ainda outra· hipótese para o emprego desta somando-se a outns medidas por parte do Gmpo Úlpion, levatam tanto a Indústria
estratégia administrativa: o fato de não cxiscircm profissionais em número suficiente de Celulose de Cachoeirinha como a Faz~nda tforungava a serem muito
para exercerem a administração, a formação deles dependia em muito da dependentes. Segundo Vaz, o Grupo Lupion adquiriu os pinbeirais que cercavam
experiência em uma economia que se diversificava rapidamente. 1 a fábrica e também tinha um controle de quase toda vila que a margeava. Era 0

Dcan fornece ainda outros indicativos sobre interesses subjacentes a essas Grupo_ que cont:ruía estradas, contratàva m~di.cos e: emprd_gav:i_ boa .parte dos
uniões. A po~sibilidade de o Grupo acumular também um grande poder político trabalhàdores que trazia de outras localidades. A falta de infr:i-estruturn era um
visto que detém relações com vários outros ~f:np-rcsários - dentre _as quais. dos uimpedimentos" para que a Indústria de PapefArapoti e~plorasse ela própria
merece destaque a participação na direção e conselhos do Banco Meridional da os pinheiraís da Morungava que ficava longe da fábrica. Os lucros auferidos e
Produção S.A. (BAMERINDUS)"'. Essas ligações servem para potencializar o potenciais deste contrato foram responsáveis, segundo a av~liaçào de Benjamin
ingresso e a carreira política, a exemplo de Moysés que por duns v~es governa Mourão, pela diversificação dos· negócios do Gf1;1po 1...Jlplon. Este a:c~bou por' ·
o Paranf sendo também senador. adquirir urna fábrica de fósforos Ê,ara aproveitar ?s pinhdcos mais finos .. que
- É importante ressaltar que parte da expansão deste capital provavclment<: · ~traia, e, panlalemcntc, acabou por comprar essa matéria prima dc.outra5 serrarias
nasce em função dos investimentos. Segundo a documentação encontrada na próximas. Essa diversificação potenÇffilizava os lucros na mesma medida em que
JC~ 1, altera-se a razão social da A1. LJpio1t & Cia, .a qual passa a chamar-se a reduzia os desperdícios da empresa. Outro elemento importante no sucesso do
partir de 1945 Br11Jil, R,jlomlamenlo e Ce/,/km I.Jda-: CEWBRAS. Ó motivo da empreenduhênto foi o fato de o Grupo ter comptlldo todos·.;, pinheirais que
mudança de razào social não ~tá explicitado na documentação encontrada na cercavam a fábrica da Uniào,'assim garantindo acesso exclUS~yo à matéria prima.
JCP. Todavia, dadas as entrevistas de David e a obra de Vaz 1 é de se crer que a Como os contratos da firma não esclarecem a font~ do capital1 o que:
empresa consegue alcançar grandes lucros 3: partir da exploração dos pinhcirais suponho é que a própria lucratividade do. empreendimento tenha atraído
.
outros
da fazenda Morungava de propriedade da União. Segundo, Benjamin Mourão, empresários do setor madeireiro em uma integração cresc~tlte de empresas e
·perito do Banco do Brasil encarregado de fazer um lau~o sobre as empresas do fornecimento de créditos ao-Grupo l.Jpion que crescia rapidamente. Esta assettiva.
Grupo Lupion, havia um contrato "extremamente vantajôso" para estes que ~'por nos é sugerida a partir dc'Dem, que·aponta a facilitaçãÓ de creditas para o setor
cada melro Nibico de tora ou /a.,,as de la.,cas ;nlre/,U'1 d Indmtda de C,Mas, de Ca,hoeírinha, de manufaturas e em especifico para o papel. Tal é o grau de capitalização do
a firma L,,pion /em em Monmtava um pinhtiro ,m p,, no maio, atl o limite de 300 mil Grupo que em 1951 acabou por adquirir todo o patrimônio, isto ê, tanto a fazenda
pinheiros''. (VAZ, 1986:73) Morungavo quanto a fábrica de papel Esta aquisição scci posteriormente, bem
A fazenda Morungava e a referida fábrica. de papel eram' de propriedade como o contrato _que a firma tinha quando a fábrica e a fazenda pertenciam à
da União. As vantagens obtidas eram basbnte significatiws visto que o pinheiro União, segundo declara Vaz, objeto de grandes alusões S'obre corrupção e
era a madeira de maior peso no colnCrcio nacional. Por outro lado, foi garantida favorecimento ao Grupo. Por outro lado, havfa uma data poUtica por par.te do
~overno federal cm favorecer as ma.n~faturas cm substituiçio às impo~taçõcs.
E nesse contexto que se dá o crescimento dà CELUBR.A$ bein como das outras
1

empresas 'da familia, que crescem e se diversificam.


1 1 1:J Vide anexos: dois membros da direção do BAMER1NDUS pouuíam rebçõe;s com diversas No ano de 1942 David teria adquirido grandes quantidades de terra na
cmprCia.s do Grupo Lupion (Pedro Máximo Lupion e João A. Cocneben), regiões Oeste e Sudoeste do Paraná. Estas terras foram adquiridas em um contexto
11 Ficha cad.i.stnl 4t 2008879G7 JCP. extremamente favorável e a preços abafa:o do mercado, segundo Vaz. Além

80 SI .~
;',Í:
1
.-';,
sobre~ abertura ~e estradas na regiãou. Deve-se ressdtar-q~c O Grupo, segundo
disso, tiveram uma rápida valorização em deCorrência do início da construção de
entrevJstas de DaVld e Moysés Lupion, possuía máquinas destinadas exclusivamente
uma rodovia que ligaria a região de Cascavel e Foz dq Iguaçu à capital.
à abertura de estradas
• . ou recorriam à contrataMo · liza das - as
. r-- de firmas· espccrn
No que tange às décadas de 1930 a 1950 ressaltamos que o território do
modernas ·cmpre1tctras - para atender a seus interesses na aabcrrura de estradas
Estado passava por Gma rápida expansào de sua fronteira agrícola. Tanto o entre as .fazendas _e o porto adquirido e remodelado em F~z do Iguaçu.
.. .
Norte quanto o Oeste e Sudoeste do Estado pass~ram a integrar_o que no inído A utilização de máquinas próprias para a construção; de estradas era
, . uma
da Era Vargas se chamou. de "Corrida para o Oestcu. No caso do setor madeireiro, csttatcgta comum _entre as madeirei.tas na região Sudoeste e Qest~ do Paraná para
o Oeste e Sudoeste do Paraná constittúram-se em ..~cgiões mais importanteS (vide alcançarem
. ,
as reservas •florestais, segundo Lavalle. 1....cJ:
r -·tame~t ., nao
~ e, poccm - e.mm

_tabelas em anexo) para o setor em nível nacional no período. Ocorre qve nessa todas,,as ~presas que dispunham de capital suficiente para a cpmpra e manutenção
de,maqwnas
. pesadas
·~ e, tra!Bndo-se
. do perlodo da Segunda
_ G·u-~ bt • d·
~...,aoençaoe
região encontrava-se cm grande qua1{tidade a árvore de maio! importância para
maqwnas, caminhoes é combustível era basllUlte difícil e cli!pencliosa". Cancián
a exportação brasileira durante as décadas de 1940 e 1950. Some-se a isso, o fato
corrobora as cons~ções de Lavalle apontando que apenas as emptcsas de maior
de que esta era prova;cl~ente a- regiào de maior concenltação dC araucárias' em porte conseguiam manter vekulos de transporte, dada a diliculdade niio só em
todo'o' país -deve nohlr-se que essa espécie existia. cm pequenos focos no Norte obtê-los, mas. também dos combustíveis (embora a autora riào
se refira Deari 0
do Paraná estendendo-se até o Rio Grande do Sul A nova tcrritorializaçào do capital faz) e a dificuldade de se obter peças sobressalentes.. Estes elementos colocavam as
nessa regíào colocava e.'l:tcns'as áreas de florestàs economicamente apro_vcitáveis a um empresas detentoras de maior capital consideravelmente à frente das madcirciras e
custo relativamente baixo, uma vez .que os novos povoadores
11
preocupavam-se serrarias pequenas já_~e as ~odes empresas possuíam meios para manter oficinas

em ocupar as terras com plantios, o que exigia que o terreno fosse logo dcsmatado -
frotas de veículos de transporte etc. Cancián, em seu estu~o sobre uma fir~~
madeireira no Norte do Paraná 1 constata que as madekeicas lançaram mão de
prática semelhante~ ocorrid.'1 no Norte do Par:má, segundo Cancián.
vários pali~tivos para resolver o pr?blcma de obtenção de combustíveis, apontando·
Voltando à questão do Grupo Lupion, acreditamos que a opção em adquirir que a adaptação de motores para o uso do gasogênio tetia sido utna delas.
terras na região foi uma estratégia formulada a partir de conhecimentos que O Grupo Lupíon passará a explorar xisto betuminoso e ferro para a confccçiio
possuíam sobre a possível construção de vias de transportes. na região. Nossa por conta própria .de artefatos de metal Além da exploração de minérios que,
hipótese é a de que, dadas as relações muito próximas que o Grupo LJpion possuía · segundo Vaz, se inicia antes de 1945, a Grupo funda em 1949 a Indmllia D, Meiait,
com o interventor Manoel Ribas e o próprio caráter corpo~tivista dos primeiros, Madnivs Beneficiada, Uda., rcgistr>.da ha JCP na atividade de "exphra;,w da /ttmí,tria ,
a:mlnio de metaú e madtinu btnefiàadas1 rompra e venda dt maUriaú rontXOs"u. Esm
anos do G:>verno Vargàs, era provável que o setor madeireiro estivesse informado
cmpr~a, nas afirmações de Vaz e David, estaria ligada à ex~çào de minério de

> '~ l' 11 Quando nos referimos .1 "novos povoadores" queremo$ dizer que CS$a rcgiio nio se encontrava u Üti.t'"notll cm que llivid fala de negócio~ com Iubas ,-i em 1942. Ciru também relatório deilãdct
,,f
despovoada, pelo contrário. O:, vários conflitos: com popul11çõe:s indfgen"'5 rctntt.1da.s e por Lufa sobre .fund11çio de úlmara de Comércio com a partição d:a dtsse e do Govcrmdoc do E.mdo.
-,1' Carl~ Mottl entre outtos ou o genocldio ocorrido com a etnia Xetá no Norte do Parani bem
dcmomtrnm que e.xisti..im habitantes :mtigoi No que. se refere õl populaç~ intezlig:u:ias com " Segundo editorial Guetl 30/03/47, luvia 02quele ano i;io Bruil um dêfiÔt de 150.000 caminhões.
relações mercanti:; mnÍ$ amplas o exemplo d.ado por Wachowicz em "Obngccos, Mensus e
Colonos' 1 r~trata -:i. exi:stê:nci11 de importantes cntrcpostm de cxtraçao de m.1te rui regiio, sendo
que os tr.ib-alh:i.dores cr;un basicamente dc:scendc:nte:i de guarani! e c,2bodos.. O que se quer
:'~~o
u Sc~undo Kretun, pertence a M. Lupion & Cia.. Pelo contr.ito de constituiçio de fuma
regut,na.dona JCP os :sócios aão: da ~nu ~oelho; Obrrui e Mclhoumcotos (repttnntada
por\ ~co da G. ~.oclho); Imobilwa e Comcn:ial (rcp[C$cnta.da por João Ayrton Contcl!cn);
rcualt.u: é que a mud.1nça se d:í niio propíUITlcntc pela lnserç;io do Glpitnlismo cm um loul onde Joaquim G.1ns \ dlela; Han:; e Grete Mõller; J Resch; \'½ldem:1.t- Mal.1; A, Uma Filho
ertc era desconhecido, maj sim uma dínàmiC!l multo mo.is intcgrnda e me.rontili~da da:1 rebções (Dc:staando·se o ía.to de que Hans Mõellec foi do conselho fts0tl do' B11nesta.do no pcimcico
capitilis1:2S que se explicit1V11.m também em um :i.dcnsamcnto da co~centr.1.çio populaciannl. governo Moy:11és Lupion. (KRETZEN, p.145)),

82 83
'
1

forro em Gstro 'pam s,,prirafalta dt material dtvido aguemi''. A atividade de extração ou vendas de veículos, mas sim concessionárias autorizadas n~( capital e no interior
de minério de ferro certamente foi de suma importincia para o Grupo Lupion do Paraná. Há uma coacentraçào simultân_ea de facilidades em obter peças,
que pau1atinatllcnte se expandia para vários ramos do setor industrial madeireiro e, motores e veículos, bem como profissionais altamente treina4os e especializados.
devido à inexistência de indústria pesada no país, encontraria dificuldades para \ Vaz ilustra bem o significado das facilidades obtidas pelo Grj>po Lupion quando
expandir-se. A impossibilidade de importar algumas peças sobressalentes devido a se refere à importação ~ caminhões para o ttanspotte de ca~s para cumprir o
seu custo proporcionou o surgimento de pequenas metalúrgicas no Brasil, segundo contrato com a fábrica de papel em Arapoti.". Destacamos ta~bém que o Grupo
Dean. Quanto à obtenção de combustível via xisto, es~ era mais um dos paliativos tinha concessionárias de duas das maiores fábricas de automóveis e utilitários
encontrados pelos empresários nacionais para mover Suas máqWnas. Canci~ narra (especialmente canúnhões). Embora os dados levantados sobre a Importndora
um caso ocorrido no Norte do Paraná onde em virtude da inexistência de gasolina José Lupion sejam referentes aos anos 1951-52, é ~portante destacar também o
e cliescÍ. para movimentar seus caminhões, uma madeireira de médio porte acaba atuação no ramo de venda e distribuição de combustívds.:, Vaz-aponta que o
por adaptar sua frota de caminhões·ªº uso de gasogênio. Porém, cm virtude' da Grupo possuía uma rede de postos de cbmbúStíveis cfutribtiida porvácios ponibs
falta de uma oficina especializada, a madeireira acaba tendo que dispor de seus do Paraná represenundo a Go!f Oi/ Campan;"'.
funcionários para a con~trução de uma oficina o que, segundo a autcira, é feito com Em 1947, o Grupo Lupion funda a Obmu M,lhorommliJs Lida. que atua nas
relativo sucesso, visto que a frota de caminhões e automóveis continuou funcionando. atividades de ''Comlru[Ões, por conta própria otJ comirrio dt obra.J, indn1trializapio rompra
No caso do Grupo Lupion se dá o mesmo, com a diferença do montante do '
J 1 e tJlntía de materiai.J com/atos e qualquer 011/ro mmo de romlrda qut lhe' rottvier'! A hipótese
c;pi·ttl ciisPonível para investiment_o. Além do combu~Üvel para us~ próprio,.º aqui defendida é que esta empresa começa a surgir a partir de 1942 quando o
Grupo e.."{t:rai, industrializa e comercializa metaisi pata este fim,. abre cm Curitiba Grupo passa a atuar nas regiões Oeste e Sudoeste do Estado. As ligações da Obro,
Cua Metal Lpion &Ci'a Uda. que, segundo Krctzen, atua na atividade de ºcomércio e Mtlhoramenfos com as empresas do Grupo _nas atividades de colonizaçio e -
por atacado e a varejá de ferragens e outro arli.!f!I aJínenftI ao roma; ferro e aço em industrialização de madeiras estio de acordo com as estruturas montadas para a.
barra; /ouf11I e vídtos; anígVI dtntdria,; ímporlàçães e r,pmtnfa[Õd'. A existênóa desta loja colonização analisadas por \Vachowicz em uobrageroi, Mensui e CoWnor. a lmtória do
comercial favorece a venda do excedente produzido na minc.rnçào e pela. De MtfaiJ,· oeste'! Ao descrever as companhias colonizadoras que ituavam na rcgiào entre as
além de propiciar lucro, faculta também a compra em maior quantidade de materiais décadas de 1930 e 1950 o autor aponta que os fundadores dessas e~prcsas
que, caso não houvesse este comércio, t.eria de ser adquirido de terceiros. Deve-se adquiriam terras das obragt1- empresas extrativas de grande Porte que atuavam na
ressaltar ainda que as atividades desenvolvidas nas. firmas supracitadas facilitam extração e exportação de erva-mate em espécie-que estavam falidas e passavam
uma maior diversificação no sentido da importação e manutenção de :mtomôveis. a vender terras para familias de agricultores gaúchos e cat:adnenses. Antes dos
A estratégia competitiva do Grupo Lupion foi a fundação em 1946 da colonos, como eram conhecidos esses agricultores, estabelecerem-se os
Importadora José Lupion Ltda., atuando no ramo de "Importarão t romirrio dt
aulomóvei.I, caminhõa; molom e máq11ilfas em gtm/,/Jlftl{ t acutó~OI:nizyh'na t ókol' sendo
''Concmwnária Ford-Mmu,j'", e cm. 1948 da "Á/J/q Comerrial S. A•; ''ag!nda ChellrVkl
,mtonZfldd" 87 • É importante destacar o fato de o Grupo não deter apenas oficinas • Segundo V1n:, o Grupo Lupion chegou a importar auniohões dunntc a II Gucrn para manter as
atividades contrandas entre a Morungava e a Anpoti Essa. considcnç~o reílctc oi lucros
potenciais que o conlr.lto ao qunJ o perito BcnJllmin Mour¼o i:e referiu, c'omo íâ foi v~10, como
"extremamente vantajo::t0" p:i.ra o Grupo Lupion. ,~\Z, op. cit p.348,
" KRETZEN e JCP (grif~a meus). " Vaz faz c.an afirmativa, mas ício ÍICl cbro ~e ante! ou aflÓ:11 o tda,tôrio d~ Bi-=njamim Uourão.
• KRETZEN. (VAZ, op. cit. p.80)

84 85
proprietá"tios das companhias colonizadoras, que se esforçavam para retirar toda ~ão havia estradas~ carros. Neste sentido a entrada do Gru{'o Lupion de maneira
n. madeira de lei disponível nestes terrenos. o que., segundo \Vachowicz, nem mtcgrada na região constituiu-se em uma sólida estratégt'a c~mpetitiva.
. . A escoma
11- _

sempre era possível dada a rapidez com que eram vendidos os lotes ·aos da cxp~nsão do grupo para :ii região tomou-se tanto ~a.is segura dados 05
conhcCJ.rncntos de wn dos sócios da Obrar f Mtlhoramen/01, trata-se de Antônio
agricultores migrantes90• Da mesma forma que :iis companhias colonizadoras 1
Batista Ribas" • cujo seu procurador na empresa era José Lu~ion. Antônio Batista
adquiriam amplas extensões de terras de antigas obrages, atuará o Grupo Lupion,
Ribas, um dos principais acionistas, tinha sido Secretátio dos Negócios de Obtas
-que compra ns terras pertencentes ao obragero Domingos Barthe. As terras são
Públicas, Viação e Agricultura do Interventor Manoel Riba'.s no início dll década
adquiridas em 1942, quando David viaja para Atgenµna e ''compra lima propmdade
de 1940. Esta secretaria era responsável pelo Departamento ck Terras e Col~túta - 0
(3 JaZ!"das) da família da Sr. Domingo, Barth,. A propri,dack fica ,m Ca,a,v,/, é Cf{J11posta
do Esbldo do Paraná e no pctíodo cm que Antônio Batista Ribas esteve : 0
d, tris rndts áreas com 28.600 alqueiro, um milhão, oitamttos milpinbtiros. Aspropriedades
cargo. foi responsável pelo registro de todas as propriedades particulares existentes
cknominam-se São Domingo,, Piquiri, C,11tmlito d.A Paz''. (VAZ, 1986:64) na faixa de fronteira com Argentina e Paraguai (que se iniciava em Cascavel e
A aqllisiçâo ·dessas terras pelo Grupo Lupion oco'rreu quando ó valor estendia-se até Foz do Iguaçu)'1• Nesse sentido, se fios a.termoS as referidas
delas era, ainda baixo em comparação ao preço que alcançariam a partir da década proposições de Porter para análise -de estratégias competitiv:is, 0 sucesso do
de 1950. Segundo Wachowicz, a passagem destas terras de obrageros para em~r:endimcn_t~ estava consideravelmente garantido visto que, além de responder
companhias colonizadoras chegava a propiciar lucros superiores a 5.000% cm a vanas estrategtas competitivas, o Grupo contava também com O auxílio de
menos ds 19 ?nos. 4 par da venda do loteamento' e venda de t~7~nos para informações e da ação direta do Estado.
agricultores, o que mais interessava ao Grupo Lupion era a c....:ploraçà_o da madeira a
Deve-Se destacar ainda que Obra1 e MelhoramenlíJI e a: Im~biliáira e Comurial
_na 'região. Não obstante os obrngcros retirassem também madeira, as reservas (companhia colonizadora) foram sócias fondadoras da D,,M,tai,. A junção da
a.índa encontravam-se abundantes, um; vez que o maior interesse era o mate. Obmu Mdhommmtas(l947), a Indmtria/Mackinira da Paraná Uda. (1948) Imobiliária
Adernais, a e.'q)loraçào do pinheiro era 'muito pcqu;na, segundo os rdatos colhidos ' Camm,af, Indmtria D, Metai, , Mackiras Benefuiadas Lida. (1949) formava um
empreendimento colonizador madeireiro com wna integração bastante superior
por \Vachowicz. O maior impedimento, cohformc o autor, para a exploração
aos ca5os estudados por Wachowicz"' (o qu~ eqüivale dizer que os investimentos
mais int~nsa da t'?-adeira era -a inexistência de :'ias de transporte no interior das
obrnges, que tinham acus ramais de corriunicação limitados 'aos rios P~aná e
Iguaçu. O item transporte será, segundo as entrevistas colhidas por Wachowicz,
talvez o de maior peso nos primeiros anos das companhias coloniza.dor-as, já que 91
Em 195~ cr:i Diretor Superintendente: dn Jmoblliâria Comcrci:il S/AJ (Contr.i.tà JCPl8239 <la
De Met:us) . .

~ Citlir ~mbém que. ~t.ider foi prefeito nom~o de Foi <lo IgtHIÇU pelo Interventor Tourinho e
._ po1tenormente. ainda na déoda de 1930, ocupou o Departamento de Terns e foi secret.irio de
&~do, tendo. ligações com O Grupo Luplon por intermédio do Bamerindu."t Era d11 UDN que
" O nutor rc..ss:alt. que mesmo a.s colonizadorns contando com virias semeias com as quais
apotou Moyse:. em 1947. (vide WACHOWICZ, p,154). Citar tsmbém que O Grupo Lupion
cxportllv.lm madeira serrada paí<l os mcrci.do platino, nio conseguiam "vencer" r:apidez com que,
possuía negócios com a fanúlit. Ribu 1 cs:pecffico com t-.lanocl R.Jba$.
o:. lotes en1;m ocupado:.. Algttma:l tentavam retirar a madei.ra 2f!Ós os agricultores terem se
csttbdecido, o que não rarú causava conílítos. Deve-se nottr que a mata que ocupava as n O llUtQ[ aponta qu,e ,no CIW da cmprcn. que po:;sufa cstrutun orgmiia.cionnl mais pbncjada
pequenu propriedades causavam problema:. pan 011 colonw posto que e:.tes de1ej-avam a 'sua contando com admuustr.tdoCC$ com cxperiênàa anterior cm cololla.lç.lo (! auxilio de cmpr6timos
derru~d.l o mllis rápido possível par.t poderem inkw o pLrntio da terr:L (Wuhowicz). Quanto ex~e:m_os terem fiado sem apitai logo apôs a compra. das tcmi:s e C11Tlinhões tendo que, n~
à u~cln na derru_bada da mau ~cün cm seu estudo :i~nta que no ·Norte do Paraná rui.via pnmc.iros 11tw.1, depender exclw:iv:imentc da reccitl auferida da venda~ lotes ::i. colono:i - o que
o mcimo interesse porpirte prin-clpalménte dos pequenos proprietários que necessittv-am utilwr mlo era certamente o caso Grupo Lupion, que po$sUía uma série. de Jigaçõci com outros
.napi~eritc seu terreno. empreendimentos, inclu.s:ive com o apit::i.l fin2ncd.ro e multinacion11 lj, ·

86 87
; '

de capital eram bast1nte superiores .e mais complexos). No caso da Indilstriaf de papcL ~apelão e pasta mecânica contaria ·com a atenção Jpecial do governo
Maddmm do Pamná LMa., segundo Krel2en, seu capitil social era de Cr$ 26 milhões federal ate durante o governo JK, e que praticamente estava garantida a
e. atuava na atividade de IndJÍslria e romirdo de madtiras em J,tral Este montante de exclusividade• d~ mercado inte~no para a indústria papdeira nacionaL O Grupo
investimento era bastante alto, considerando-se o tamanho das mad~as nas Lupton posswa mrercs.ses nos trcs setores da indústria papeleira, isto é, na fubricação
décadas de 1940 ~ 1950 mesmo para Ós centros mais dinâmicos do Param\. A de paS_ta. mecânica, papelão e cclusosc. Por extensão, outro -:icgócio do Grupo
compreensão do porquê do "gigantismo" deste empreendimento (que contava a~abana sendo bencficiJ:do, o setor de imprensa,. dado que, ·segundo Raul V~ 0
entre seus sócios com v:irios outros empresários ma~eiros) provavelmente está Grupo incorpora o Jornal O Dia e a GaZfla do Po,o _ como a,matéria p"'- ~uaeo;
relacionada às instalações que Vaz e David \V. Lupion·;clatam que o Grupo possuía produto de maior peso neste ramo de atividades, a propricd~de de uma fábrica

em Foz do Iguaçu: um porto de grandes proporções para a época, além de de papel e a sociedade em outra não são cm nada desprezíveis no que se refere à
competitividade e lucratividade.
embarcações. Neste porto situava•se a maior serraria, que julgamos ser a Jndmtrial
Com aquisição da IndÚJ/ria, Bra,ilurar d, Pap,I Uda. da fazenda M~rungava,
Madtireira d(! Pamnâ, que contava com maquínârio moderno e exportava via Foz
o Grupo Lup10n toma vulto e se diversifica. Segun_do David e Vaz. essa transação
do Iguaçu ditetamcnte para os países platinas, o que, segundo a bibliografia, ·
causa~ ~astante polêmica e será o segundo flanco do Grupo (depois das
constituía uma vantagem cm rdaçào à madeira exportada para .esses mercados
negoc1açocs com terras) a sofrer denúncias de irregularidades. QÚando adviewn
por Paranagui
as denúncias. e processos por corrupção a fábrica de papel; que se chamava
O Grupo Lupion irá, entre os anos de 1949 e 1951, atingir o seu máximo
IBIUPEL sct1a confiscada pelo ,governo federal.
em diversificação e integraçào no que tange à indu:trialização da madeira. Se alé ·
então atuava na serragem e produção de tábuas e vigas, agora passa a atuar no 3.2 os GRUPOS DE INTERESSE E HEGEMONIA POLÍTICA: AÇAO
ramo de fabricação de papel, papelão e pasta de celulose (em 1949 Moysés Lupion ESTATAL E EMPRESARIAL DE MEMBROS DO GRUPO LUPION
torna-se acionista da Indústria Antoniense de Papel Ltda. a qual";tua na ''produfào
e romim·o de pasta mtcânica, relulose, paptlão, pâptl e den'vadnt; explora;ão t mmircio dt
1
madumI; exp!orafiio al[léola), além da fabricaç.io de fósforos mediante a aquisição ~.\ interação politica- "jogo do poder'' - é regulamentado estritamente. mais do
em 1949 da Fábri<a d, F&faror Alvoroda; que exerce a atividade de lndUitria, comlrrio que o jogo do mercado. Um sistema poUtico comiste, cm easfucia, nu~ sistema. de
dtfdsfaros. No ano de 1951 talvez'• aquisição de maior vulto, a Jnd,í,/ria, Bnuikúm regras que espedficam os diferentes papéis a serem dcscajcpcnhados _ 0
do
d, Papel Uda. em uma negociação_ cm que "a jimt11 comprou da Sup,rinúndincia da, Presidente da República, Deputado, ou do cidadão comum, por exemplo. Imlicam
Empresas inm,porodas ao Patrim6niD Nacional, o a:mo_da Cia. lndJís/ria, Brasileiras d, quem pod~ exercer cada funçio, de que modo as pessoas devem ser escolhidas
Pap,/, avaliado ,m SS milbõu d, cruzfiros, paro o pnfO glabal d, Cri 58.293.000,00 par.i os diferentes papeis, bem como o que é permitido ou ~r~ibido a cada ator".
(LINDBLOM, p.41. grifos do auto,). .
(Cri 11.658.600,00 ,m dinh,iro, o mtu,m bipolua)''. Esses novos ramos de atividades
possuem dois méritosprimordiais. Primeiro, o total aproveitamento do mRterial
"O Paraná não necessita de empréstimos. mas de financiamentos" para a
-visto que com a fabricação cÍe fósforos aproveitava os pinheiros de menor espessura
construção de estradas de rodagcns, para o controle das produção madeireira,
e com a fabricação de pasta mecânica utilizava restos de várias madeiras, bem como
pata o financiamentos às classes produtoras attavés do Banco do Brasil,
lascas de toras, o que,.. significava um aproveitamento quase total das reservas para a constru~o de moinhos de trigo, usin.as de café, de carvão, do porto q.e
adquiridas. Outro elemento importante foi que, ao adquirir essas novas unidades, o Antonina, pana criação do Conselho Regional do Tabalho e de Coletotias Federais,
Gr~po passa atua; segundo Vannucchi, no ramo do setor tecnologicamente mais além da transferênci:a dos bens do territôcio do Iguaçu". (CODATO, 1991:71, ,pud
avança<l:o e de.maior demanda no mercado interno.A autora apoota que a fabricação Gaz. do Povo 30/07 / 47 grifos nos,os)

88 89
Para desenvolvermos este item utilizaremos principalmente dos conceitos
demogmfico devido à eipansào da fronteira agdcola, 0 que si~aova, em termos
elaborados por Lindblom o qual se preocupa em compreender ucomo transcorre
administrativos, um inédito crescimento da burocracia estatal 1ocal (municipaQ e
o processo de decisão política"'H. A perspectiva da obra orienta-se a partir de
estadual Neste sentido a qualificação dos funcionários ~ de fundamental
autores como Adam Smith e Maquiavel sendo que ôs principais anátemas de suas
importância. ImlMduos que possuíssem, além de qualificação técnica, ligações
análise encontram-se em Estados de ccoti.omia planificadas e não dcmocráticos"5•
com grupos politicos- conseguiriam acesso facilitado a boas p'~sições dentro do
Paralelamente a esta abordagem utilizaremos tiunbém dos conceitos de Pecissinotto 96
~tado • No caso dos indivíduos aqui analisados (membros <;!e farn11ias com as
s6brc a forma que se cli a ascCilsào de uma fração, de classe ao poder.
q-~~ ,º~ Lupion ~aiam-se), além de sua situação socioeconÇrn.ica lhes guantir
No que se refere l1 formação do Grupo Lupion, acreditamos que ~sta deva pnvilegms, P:ettenaam a tradicionais ocupantes de carg_os pUblicos _ caso da
ser clivididá em duas esferas interdependentes. Inici.lmente, a construção da fortuna familia Rolim, com quem se ligou Moysés, a qual se eievo:u à prefeitura de
~o acúmulo de capitais seriam facilitados pelas ligações dos Lupion com membros Jaguadava por várias legislaturas consecutivas. '
da familias possuidoras·de tCl'rn como Rolim e·Borba; simultaneuncnte'seriam É imporbnte destacar que os membros desse grupo social possufutn saberes
também facilitados pelas sociedades com emprcsádos do seta~ madeireiro coino bastimte relevantes tantu da esfera pública quanto pnv'ada, mas' e• no exercldo
· do
PosSatio, Sguário, Coelho e talvcz_Fíotillo). Pouco depois iniciam-se relações do serviço público que tais saberes secio cons~s. O que estamÔs tentando dizer é
Gn:ipo Lupion, isto é, de empresas nas quais a ru,t'eçào cabia aos ·~oysés com o q~e, n~s~ período em que o Estado do Paraná estiva sendo rrin'wntado, e, portanto
Intcvcntor
. ,
lvfnnoel Ribas e outros membros de sua .·família. O crescimento do nao CXlSttam tecnocratas expetimentado~ os conhecimentos s·Pbre determinada
Grupo não teve nada de excepcional dadas as considerações efetuadas sobre o área eram por demais necessários. Entrava-se em um período d~ "moderniza ~0 u
~scimento geral do setorindustrfa,I madeireiro, principalmente durante o período 'aliz'd
e raaon açao o Estado. ça
da Segunda Guerra. Posteriormente o setor madeitciro terá uma forte presença Cabe salientar que se defende que os elementos supncitados são inlmambúweiI
·na direção do aparelho estatal, elemento este que favoreceu particularmente o ~ mutuamente intm:on1tilllúkr no decorrer do processo de formação do Grupo, isto
sucesso empresarial do Grupo. e, o momento de acesso a apiWs ou a matérias primds _ via casamentos, acesso a
Anteriormente fizemos notar que as ocupações dos Lupion aliadas à apitais e qualificação técnica - ê o P,róprio momento cm qµe se estabelecem
formação técnica de alguns dos m~mbros da familia, constituíram em um elemento ~cla~à~ sociais e :°~ti~s; o co~hecimcnto de várias atividades n6 seloride serviços,
importante no que se refere à. capacitação administrativa; acreditamos que, mdus•trt~ e comercio e tam~m clctnento constituidor de relações políticas e
guardadas as devidas· especificidades, o mesmo vale pn.ra o setor público. Nas econonucas - como, por exemplo, o contato com setores da economia e do
décadas de 1930 a 1950, o Paraná passava pot um período de rápido crescimento Estado que facilitariatn empréstimos. Em nossa interpretação, -n constituição do
1, Grupo L~~ion só foi pc\:sfvel com a conjunção de todos esses elementos.
. In~calmehte abordaremos os vínculos dos Lupion cd,m O Interventor
Manoel Ribas e membros de sua familia. Segundo entrevista de David Wille

•• Llndblom, p.8,
Lupion, os encontros entre Moysés e o Interventot eram freqüentes desde 942 Í
\; , devido a negócios em comum, pois ? Grupo possuía uma serciiria nas ter-tas do
n "Em principio, um sistema democritico poderia extinguir toda a propriedade priv;a,da do~ meios
de produçio, estabelecendo cm seu lugar u!U sistema produtivo dirigido pelo governo. É notivcl
que ncnhum11 naç20 dcmoccitica j11mai:; o tenha renhido." (Lindblom p.11} "Por nzõe:i ainda
aio perf~t.lmentc compreendidas, nenhufIHl democrtcia nacional j~maís :::e consolidou exceto " Os índices de ~ n:i..lfabc turno
· · · que massificou
·,
er:1m altos, a C!Cola publica, a. formaç.io de
cm sociedades com :iistcm:a de mercado, base11.do n:1 emprcn pciV".lda. Atê ho,C, a economia de
tnbalhadorc.s, a111da nio nascera de fato e os colégios do que hoie scrtll o ensino médio crun
mero.do de livre cmprcs.r., parece ser um requisito d:i. dcmocn1.cin". (LlNDBLOM, id. p.65)
poucos: e, n11 maioCU., pArticulares.

90
91
Interventor!:17, Nesse mesmo ano (1942) o Grupo Lupio~ adquire gra~des
' em 1932 será Diretor do Departamento de Terras e'Colonização (DTq
1
- d e ,,._,, do Paraná e Su-r,!ário doí N,góào, da Fazenda e'Obnu Públi= em dois
e..""ttensoes o-· Oeste _ tema a que aos refcnmos com matares
,....u.a. na reo-i~o
períodos 02/01/35-08/Q,5Í35 e 31/12/35-13/10/36"'· Mader foi,
detalhes em outro ponto deste trabalho. No ono de 1945, Raul Vaz, que teve
juntamente com Moysés iupion um dos fundâdtj~es do Bamerindus
vários negócios com Moysé.s Lupion, ocupará o carg~ no governo .Ribas
em 1943 (em 1951 é diretor-presidente e João Lupion Ftlho vice)"'·
, trabalhando QO IAPC<n. Os negócios entre o Grupo Lup1on e º.º~ pessoas
...... se espalharam por v,\cios ramos de at1V1dades:
, dns ao governo · cs tad""I
liga Dentre esses nomes destacamos Oton Mader e Antonio Batista Ribas. No
caso de Mader é importante ressalt:ir que os augo,·pelos quaü, de pa,sou ducante
• Segundo contrnto da Imporiadora ]os! L,,pi,on e 0a Uda. em, alteração em' as interventorias de Tour.inho e Ribas possibilitaram-lhe um co~hccimento fecundo
1943 teci
como um dos sócios Itaciario lvfarcondes Ribas (que em sobre a região Oeste do Estado 1114 • No ca.so de AntoniÓ Batista Ribas, os
1950 aparece no conselho fucol do Bamerindus)". . ·conhecimen-tos que possuú. contribuiriam de forma det~~ante para a ação'
Serraria, fuunidar Santúi Uda. da qual foi encontrndo apenas um registro empresarial do Grupo Lupion no final da década de 1940 n9 Oeste, para onde a
naJCP-PR oriundo daJCP-SP de 1 l/jun./43 no qual Joaquim Braga dos parccla mais dinâmica do setor madeireito· mígrá - esta região ·abrangia a maior·
Santos Ribas aparece como procurador desta em Ponta Gr~ssa (o concentrnçào de pinheiro-do-Paraná. Nossa hipótese é que a' ligação empresarial
- propnetat:10
. , . e, o pauli su Antenor Santisi) · Ocorre que tanto Vaz quanto
, entre o Grupo Lupion e os Ribas tenha facilitado a aquisição das fazendas São
Kretzen (no ano de 1951) sus,tentam que esta empresa P:rtencera ao Domingos, Piquici, Centralito eLa Pa, totalizando 28.600 alqueires com um milhão
Grupo Lupion. A hipôtése é que o Grupo Lupion tenha tncorpocado e ~itocentos mil pinheiros 103• Nossa hipótese tem origem no fia~ de que essas terras,
segundo Vaze David W. Lupion, ~ antigas obrag,, faliilai (ou abandonadas) com
,0 controle acionário da empresn; · ..
• A Rádio Somdade G11ain11>Í Uda., fundada em 21/juL/1946, tem entre impostos atrasados; não é diflcil supor qm; possuindo negócios cm comum, tanto
os Lupion como os lübas se auxiliassem mutuamente com a intenção de .adquirir
seus sócios catistas lvloysés Lupion cJo~o Ilr,.sllio Ribas;
terras com menores custos e empecilhos burocráticos passive~. ·
Melhoramentos S/ A, de 1947, com contrato de abertura de firma do
mesmo ano, tem Antônlo Batista Ribas entre seus sócios~ .
A Madeiras dtJ Bnuil LJda. sofre altecação de contrnto em 14/maio/47
na qual entra a sócia D. Anita Ribas (viúva de Manoel Ribas)'~;
w "Reb.tório apresentado 110 Excdentí~imo Senhor M11nod Ribas dignhsim~ Interventor Fcdc.m.l no
• Cabe ainda a referência que Od1on Madcr foi o primeiro pre~1to a .~:1r E,tado do l'.Jaml, pelo Secrctino dos Negócios da l'i=nda e Obru Públias Othon M,de," p5.
llomeado para Paz do Iguaçu após a Revolução _de 30 no . arana '
m VAZ e Kretzen. p.378 e p.460.
· ' prcC1Sam
com mtmto · · ente de 1•nacionalizar" a regtào; postenormente.
lf,j l\.bdcr foi entre 1930-45 Secrctârio de &tido da Fazenda.. de Obr.uPúblicu e ·v12çio e Prefeito
de~~~- .•

te! Lldmnça da UDN1 Mãdc.r era fiU10 de segunda ger.açio de imigrantes, sendo que rui. mk pertenccn
- d p '1 01 77 p 10 Sfal[· cntrcvata
· Davi'd Will e l .upmn.
· C:1bc notu que Hmocl a tradicionais funilw de comerciantes de erv:a de Curitiba.. Sua tafctôria politia inicu-se com a
7
' Gaz.et:i. o OVOJ. • · • c1·, d Revolµç3.o de 1930, na qual Cum dos expocntet no Paraná. Em 193 t, por indícaçio do lntc-cventot
.
Ríbas governou o p 11rana, uc ., 1932 a 194S - como interventor , .de 1!132-35, por ClÇ o o
Tourinho a.mune a prefcituna de Fo:z: do Iguaçu com o objetivo, ,egundo W..cho\lna, de "ru.cionaliiar
Congresso ,L.,Ct':,..,.a
• .;,1 ,·
'"º de 35·37 e como interventor de 1937 a JllllCLCO de 45. a fronteira"; posteriormente a eslc ctrgo no governo de Manod Iübas, Uftlme por nom~o o
"GazetadoPovo31.0l.77p. 10, cugo de Diretor do Dcparbmrnto de Tc-rr.u e Cokmizaç:io do Parm:í <;lo qual 1e ~onera pua
'11 KRETZEN, op. cit p.3 78. auumir o posto de Se:cretirio do, Negócios da Faun-da e Obras Pública 'entre 0201.35-08.05.35
e, após a perm:mência de um interino. 31.1235-13.10.35. Eimportan!t. rdW.tuquc Mader possui
i.:o No contnto 12456 de 14/maio/47 enco~tndo na JCP apuccc qualificada como "'a villv.1 i n ~ cm comum com o Grupo Luplori tanto na esfera privada (ocupa.a presidência do Banco
D. Anita Ribas". lhmerindu, entre 1951-2 quando o Vice-Pie$idente d Joio Lupion F'ilho). Pan.lcàmcn':- a c:,sc
,. \'VACHOWICZ, p.141. negócio Madet era IISioci:Jdo de uma CDrnJnnhia colonizu:lot.L

92 93
Cremos que nossa hipótese pode se tornar mais plausível se levarmos em
-tomadas em outras esferas-ou no boicote a elas. Não obstan~' o que desejamos
consideração \'(lachowicz, segundo o qual o DTC, comandado por dois anos por
Antonio _Batista Ilibas, foi responsável nesse período por um levantamehto de v destacar é o poderio desses funcionários que, muitas vezes~ adentravam cm
todas as propriedades particulares existentes na faixa de fronteira com Argentina atividades nas quais eram os primei.tos a atuar - caso que se cv~enciµã no DTC.
e Paraguai (que se iniciava cm Cascavel e estendia-se até Foz do Iguaçu). Este Nesse sentido, achamos importante esta consideração de Llnd~lom: "os a11aliJtaJ,
levantamento ocorreu no conte."(t0 da Marcha paro o Oeste, e na época havia um e afpe.ssaa.I que tem uma capacidaát anallti&a tsp,àal, mnstimem rada vez #tais uma eiilt dentro
discurso que se preocupava cm "nacionalizar" a região fronteiriça_ que estaria sendo dos sisllmtUpollticos currtmiporánees. Eúú qJ1e Jr torna trticentmm,te ronspima, à mulida que
ocupada por paraguaios e argentinos. Nomes ligad9s a famílias tradicionais do opmtígio da anJ/úe cmct roma rompltxidadt llcnka do promro d, dtdiilo polltica modtrno •:
Estado ocupando cargos públicos não serão apenas característicos.de funçÔes de (LINDBLOM, 1981:29)
postos decisór~os de primeiro escalão, segurido Oliveira. Assim, os indivíduos a Sobre a "experiência., corno justificativa para defesa de uma dada política,
ocuparem os cargos crÍâdos a partir de vários outros postos serão tamb~m apontamos um dos itens da carta-prognma da UDN em 1946 para as eleições.
melllbros - talvez menos favoreddos - de ao-tiga~ classes dominantes e alguns Segundo Codalo"', alguns itens da carta tinham como justificativa precisamente
membros de segunda geração de imigrantes europeus. Aceitlndo esta i::onsidcraçào, a exp~riência de Othon Mader nos vários ca~os que ocupou:
citamos aqui alguns nomes encontrad.os no relatório Rivaclávia de lvfucedo' 06:
Revisão e codifiaçfo da legisbçào tenitoriaL Intensificação da colonização oficial.
• Arnaldo Macedo: coletor de impostos da capital;
Facilidades adminiattativas para a compr.t e legitimação de terras. ·Garantias
• ·s-alv.idor Rolim Borba: Guarda de 1.ª ClasSc na t:• Inspetoria Regional
para as poMeS mansas e pacificas de 10 anôs. ·Garanfus efctiv.ts ,para a propriedade
de Paranaguá Secretaria da Fazenda;
rural Esrimülo ao parcdamcntos progCC3sivo das grandes prop~ades. f<acilidades à
• Em Jaguariahr.i: João Marques Ribas e Pacifico Frederico Zatar: Guarda imigração nacionalecstnlllgdra (COD.\TQ 1981:47-8 apúd UDN 1946,grifos nosssos)
de t.• Classe da .Secretaria da Fazenda.

Os nomes supracitados seguramente fazem parte de importantes familias Os exemplos que dcmonstrnm a presença de membros pertencentes às classe

terra tenentes do Paraná (como os. ?via cedo, Rolim Borba, lvfarques Ribas; 09 caso dominantes dentro do aparato tecnocrático estatal não indicam que o Estado autua

do sobrenome Zatar encontramos membros de sua família envolvidos no ramo'


apenas como um auxili_ar do setor privado, as regras são bastinte mais comple~ o
funcionário público submete-se a uma série de regras funclamenttlm~nte diferentes
madeireiro, comercial de bancário). Embora este le~nbmento seja por demais
do setor privado e, mesmo que se fosse o contrário, a pressão dos diferentes grupos
preliminar, optamos por apresentá-lo poiSt a partir de nossas pesquisas,
de interesse não permitiria uma atuação unidirecional do Esi.do.
consideramos que esses quadros do fundonalismo público poderiam possuir
Não obstante a complexidade· e relativa autonomia, o processo decis6rio
ampla margem de ação dentro do Estad~ no que se-:cfere à aplicação de diretrizes
poÜtico não pode ocorrer apenas tendo em vista uma j{análisch das melhores
políticas a seguir para cada setor, oµ, de modo mais evidente, pano bem comum'.
Como toda ação do Estado se dá a partir da interação (no sentido de indivíduos
.,. "Relatório apresentado ~o Excelentíssimo Senhor Manoel Rlbu digrussimo lntct:vcntor Fedcnl atuarem simult2ine.tmente em um mesmo espaço, mas não no senti.do de buscarem
no Estado do Par:má, pelo Secretário dos Negócios da f¼z.cnda e Obru.a: Públic:is Riv:i.divia de
M.1.cedo-Exerdcios de 1931, 1932 e 1° scm~ttcdc 1933." p.13 (as páginas não estão numendu),
Os nomes citados pertencem provavdmcnte a· ram0$ "menos favotttidos .. de diferentes farnilus.
A famJlli. Zat.u pO:iSub madeireinu cm Gu:irapUav.l. e Teitdn Soares rut décad:1 de 1950, tendo
~mbém um membro do consdho fi:Jcal do fünco Comercial do Parmâ (KRETZEN ibid. p.385).
"' CODATO, ibid. p.47-8.

94
95
a mesmo fim) uma visão imparcial que contcO:tasse a todos é irrealizável. Ou seja, Nesse sentido é que aprofundamos nossas hipóteses !obre a ins - d
· divfd li , . . en;ao e
é impossível tomar decisões políticas a partir someritc da visão resultante de uma m uos g.dos ao Grupo
.
Lupmn no aparelh o. burocrattco
, . ·. do Estado, Até o
análise neutra devido aos seguintes fatores: presente momento apontamos apehas indíd d li,_ ~ · ·
. os . e ~-çao ~trc o mterventor
'i Manoel Ribas e o Grupo Lupion, lig.,;ào essa que no peclodo de 1946--51 . . •
1. é falível, e as pessoas sabem disso; ' · d · . assutrurn
aracteristtca e cumplicidade
• de interesses. A P.<U.~
•• ,:. das coas eraçoes ·efetuadas
icl' -

2 não pode resolver completamecite os conflitos a resp.eito de valores e interesses; i por Codato e Vaz, alem de algumas entrevistas publicadas ·od· ·
3~ ê por demais lenta e custosa;
• ~- no pen o aqw tratado
4. não pode tÍ4/tr!1ftÍtar, d, mo&, rond1uiw, quaú 01 p~bÍtmaI que pmiram nr abordadat
'
1 e na década de 1970, abordaremos rapidamente a articulaça· oqu 1
.
,M •
', e evara oyses
Lupton ao governo do Paraná. · ·
(LINDBLOM 1981:20) (grifos nossos). ·
! Moysés Lupion chegará ao Executivo pelo PSD (Partido Sbcial Dem
. parti'do que nasce · ' 1
=~
'~ '
'
Essas considerações são a base para a cotnpreensào da 2lteraçio no modç,
de gerir o Estado ocorrida a partir de~ 930. Especificamente queremos nos referir
ao fato de que mudanças na eéonomia afeta.mm profundamente parte da classe ~oh a lide.rança dos intc';cn_l~r_e!,_reuniodo_prefeitos (todhe nomeados pelo
econômica dirige~te possibilitando a ascensão-de uma nova fração do blocO de interventor), membros de administração cstadw.l e outras fo .
, •. , rças que apouavam
poder, que passou também a influenciar os rumos da ação do Estado.,No Par.a~á o governo, como propr1eta11os. rura.is, industriais, comerciwtes funci ..
públicos etc. • onartos
ps grandes produtores de mate foram, paulatinamente mas de forma irrevogáveL •i
[...] Esse procé.sso de constituição partidária t · • d. :_t · d .. ~ ,
afastndos~do domínio ·pâlitico e· econômico no Estado. Dentro de um proêtss0 cm, Jll e .uucto, tu.s con5equenaas:
contraditócio de disputa'política e consenso, a &ação associach ao setor madeireiro o PSD comparece :is eleições de 2 de dezembro de 1945 na' conª'·' d . .
tid , ...,.,.,..o e untco
industrial chega ao podc.r e passa.tá a orientar o Estado rumo a seus interesses. O par o que dispõe de diretórios em todos os municípios do B sil· . . d
lid , ra , mats atn a,
conflito entre os dois grupos será evidenciado nas primeiras eleições nas quais o t c~nso . a-se a forçado diretório rcgionai pois é a p1t.rtir dd;:, que se formam 05
grupo ligado ao setor madeireiro se apresenta, na figura de Moysés Lupion, como cliretót:10s municipais, e é ainda a p:utir dela que se c~rutitui d diretório regi :ú
(CODATO, 1991:59-60) on ·
~epresentante da modernização mediante a ação de um hlllilllir man o que até
então, segundo o discurso, seria .inédito no Paraná. Os adversários de Lupion
serio por sua Véz caracterizados de oügarcas, representantes do atraso e corruptos. No caso do Panná não será diferente. Após a qu~da de'Rib.s, devido áo
O que queremos salientar é que·essas acusações não eram meramente discursos contexto• no qual todos os interventores abandonam os execu~M · J...duais,,
uvv;,; esw
• • • •
lll.(CJarn~

opor~nistas de campanha. A mudanÇa nas diretrizes eh orientação econôm.ica se as arucufações para a criação do PSD e P1B (Partido Trabalhi,m B. ·" . ' _ e _ -
fun , nl!illeJ.r0/1 aulUU3
do Paraná ocorreu cm meio a disputa entre duas frações da classe dirigente. Partindo dados sob tutela de Ribas,
. . sendo que o PSD s•'"' ....... fundado e tera' nos pnme1tos
. .
deste pressuposto é que adotar;nos a posição de Llndblom segundo o qual, para a. ' ano~ sua sede em um ediílao no qual funcionava a administração Central do Grupo
compreensão do· processo decisório: ~pro~ Desde ~e .momento, os irmãos. Lupion entram etn conta~o com lideranças
ta~ua1s. e nact~nats do Partido. Transcrevemos aqui um trecho da entrevista de
. é preciso entendera onctcdstic:as dos participantes, os papéis que desempenham, David Wille Lup1on - irmão de Moysés e um dos fundadores do G rupo
. Lu pton-
.
.
a autoridade ~ os outros pode~ que detêm, como li~ uns com os outros e se que retram de forma clara esses f.ltos. Segundo David, em 1945
controlam mutuamente. Das muitlls diferentes modalidades de participantes [.. ,}:
os cidadãos comuns, os lideres dos grupos de interesse,. os legis~dorcs, os Estava em marcha uma articulaça.o - de cwdid atos e .Moyscs
, ofereceu
, wna sala no
lideres· legislativos, ativistas de partidos, nugistrados, servidores públicos, nosso escritório Para "S eu" Ribas
· tosta.lar
· o PSD. Nossa firma comerchtl5C tornou
técnicos e homens de negócios. (LINDBLOÍI[ 1981:8-9 grifos nossos) então um centro d e VI.si
· ·us e poulicos
1: • • ·
pots a com a grande sala ~upada J><:lo PSD

96 97
Onde ~taV'.1. inst:tlado Manoel Ribas, a roma tia era freqüente. Vinhrun sempre políticos n wna conúnuidade. Segundo Peri.ssinnotto, o uso de recursos c'conôtnicos estatais
nacionais como .--\maral Peixoto, Oswaldo Anuúta e Nercu Ramos.[..J.1'fa.noel Rilns de forma privilegiada. a "confusào entre público e privado", pode ser considerado
comcçm•a a falar do PTB e logo êste era fundado tendo como presidente Muiminio eftilo pertinmtt no que se refere à ação do setor vinculad~ à lavoura, Estas
Zanon e como primeiro secretácio4-\bílio Souza Naves, ambos amigos. Souza Naves considerações estão aqui coloca~ por estarmos n~s rcmeterldo à forma Como
era nosso conhecido através de Raul Vaz com o qual trabalhava no IA.PC A morte de eram-privilegiados os negócios privados tanto na distribuição ~e verbas públicas
l\Ianoel llibas alguns meses depois muito nos chocou. No próprio guardamento quanto no interior do poder público estatal (poder de fato:na-quc se refereJ
começou a pressão sobre Moysés par.t aceiura presidência do PSD. Não havia outro
. ' .

princip2lmente, aos munidpios de menor porte ou de formação .recente).


caminho a não seraceitllr. f.-J Falava-se muito em seu nome pa.n conconcr às eleições Elencamos a seguir alguns dos cargos ocupados, desde o ~to de posse
governamentais, mas enquanto no PSD outras amdidahlras se tram2vam o PTB do novo governador, cujos membros estavam de alguma :forma ligados ao
resolveu se antecipar aos fatos e lançou-o ao governo."(G.-\ZETA DO POVO, 31 ·Grupo Lupion:
;w./1977, p.10)
EXECUTIVO
A articulação do grupo que funda o PSD pa;a ·companha eleitoral se
mostrará em diversas formas, entre elas a compra de jornais e emissoras de rádios, - Oswaldo Queiroz'Guúnaries: Nomeado na posse de Moysés Ofidal d,
aquisições essas que contribuem também para a formação do Grupo Lupion. Gabin,te Civif" também foi chefe de gabinete do governador;
Podemos citar O Dia de Curitiba, ComiodlJ PanmJ de Londrina'" e a Ródin S od<Jad,
- Saul Lupion de Quadros: :t-lomeado na posse Ofidai,rk Gabin,te Gvif"
GuaimrJ Lida. de Curitiba"'. também foi chefe de gabinete de Moysés Lupion 11 ';.
- Assim que assurhc a direçàci do Executivo estadual são nomeados membros
- Raul Vaz: na posse de Lupion, nomeado "Dire/Qr }!D De.partamtttlo dt
do Grupo como assessores e secretários de Estado-prática comum na República
M11niàpalidad,I'"'; 1ºPresidente do Tribunal de Contas do Esrndo (1947);
Velhn (nepotismo)_- Este é um dado importante uma vez que o PSD tinha entre
1° Secr. PTB cm· 47; cm 1949 Semtário d, Jusfifr,
seus membros muitos "coron!iJ" send_o a "confusão,. entre público e privado
- Angelo Ferraria: Nomeado por Moysés Lupion prefeito de Curitiba
caracteristic"a marcante da ação deste Partido. Além disso, a historiografia sobre a
no ato de posse de Lupion em 1947 114, Sem/Jrio do.r N,górúu da Faztnda
República Velha afirma que o bloco de podet não possuía divergências profundas,
, Obras Públirar.(1948-50) 115, cm 1951 era membrn·do conselho fisco!
havendo uma constante alteraç~o apenas_ quando os Chefes dos Executivos
do Barnerindus 116;
estaduais mudavarrí- o maior prêmio ,precisamente em o uso do aparelho estatal,
pois o grupo que se adonava do poder tendia a locuplct>.r-sc na direção do Estado.
Consideramos que hábitos anteriores no processo eleitoral democrático tendiam
1
'° Gazeta do Povo 7 /02/TT Coluna "JO anos de Histôria Política no Par.mi" de Emir Sfair. (p.12)
111
Gazeta. do Povo 7 /02/TT id
'" ln: Gv.el> do Povo 14/03/47 p.Oú.
. ll'l CODATO, p.24 :i partir de Diirio da T:m1e 4/3/46 p.1.
111
G:ueta do Povo 7/02/n id.
IOf JCP registro geral no 31201494039. Segundo Vaz, a lüdio Gu2irard chegou~ controlar sci:I
outns ~mis 1mns no interior do Paraná. Como não fora,m cncontu.dos os regutms de todas iu Gazeta do Povo 7/02/77 Coluna "30 anos de. História Politia no Paranâ1! de Emir Sfair. (p. 12)
essas empresas na Junta. Comercial do Paraná, optamos em consultar Kretzen, o qual regi:ltn 1
• SECRETARIA DAS FINANÇAS DO ESTADO DO PAMNA, 1894-1982. Rd,çuo do.,
que Chcde e Vaz entm diretores do }?mal O Dia, de r,ropriedadc. de V:u - poste~rm~tt:
Secrctiriog de Eatado de Finanças.
incorpor.tdo pelo Grupo Lupíon -, a rádio ser-ide propncdade de. membros da famíllll Lupton
1
e Joio Bmllio Rfüu. (KRETZEN íbid. p.286) • KRETZEN, p.460.

98 99
- Rivadavia de Macedo: Semlário /UJ! Ntgéa'ot da Fozenda e Obras Ptiblkat "O,p,mtnto"(1949-51), "Obmt p,iblil.,;' (1951)"'. fotelc que fez o laudo
entre 1931, 1932 e 1° semestre de 1933, presidente Banestado 02/03/ que possibilitou o financiamento ao Grupo LupiÇ}n pelo Banco do
36-23/03/48117 ; Brasil cm 1945;
- Arcésio Correia Llma: Presidente Banestado 23/03/48-24/02/51; - Rivadavia B, Vargas (UDN): João Lupion casa-se com Luzita Vatgas,
- Hcrmôgcncs Bartolomei: Presidente Bancstado 26/02/51.08/03/51; irmã de Rivadavia"'): 2° Secretário da Gmara Legislativa Estadual em
- Benjamin de Andrade Mourão~ Nomeado na posse de Moysés Lupion
11
S ,mlán'o G,rul d, Viação, Obras Públkas' • Deputado Estadual Constituinte
1948; 4º Secretário da Câmara da Mesa da Assembléia,Constituinte·
'

membro da "Camittào d, FinanfllU O,p,mento"(l949-5i); "Comittào d, O/mu


.
pelo PRP (segundo Vaz foi perito rcsponsá\iel cm fazer um laudo i;,ara o p,íb.icauamn1nica;õt1'(1949-51);Stmtário d, V:ap;;,, Obra, Públiaucrn 1953123;
Banco do Brasil' que possibilitando o empréstimos ,o Grupo Lupion); - Avelino Vieira: (UDN) Deputado Estadual Constituinte em 1947; um dos
- Presidentes do Banestado: Rivadávia de Macedo (02/03/36-23/03/48), fundadores do Bamerindus juntamentn_com Mol"'é.; Lupion cm 1943;
- Guataçara Borba Carneiro: Prmiknlt da Mua da Comi.não Exea11iva da 1
Aogdo Ferraria Lopes (1948-50), Arcésio Correià Lima (23/03/48-24/
Cimam da Ammbllia úgítlaiiva Etta!Íllal (1948); Cdmít1ão d, Finanfl1J ,
02/51), Hermôgenes Bartolomci (26/02/51-08/03/51);
Orp,m,nto (1949-51)"'.

LEGISLATIVO Inicialmente julgamos necessário apontar qU1ís são os cargos que os


membros do Grupo ocupam, senão vejamos:
- Jóio Chede: Liderança do PSD, um dos articub.dorCS da canclidarura - Dois Secretários de Estado: Raul Vaz Stm!ário d, Jmtip cm 1949 e
de Moysés para g~vernador. l'midentt da Ammbllia Canstituinte &tad,,al Benjamim Mourão S,mtário d, Viafào t Obrnt 1',íblicat cm 1947;
de 47; foi indicado por M. Lupion parn ser presidente da Assembléia · - Dois deputados n• Camít,ão de ObnJJ pública, , romimÍrofÕt!'. Benjamim
Lcgislativn 119; . Mourão em 1948 e Rivadavia B. Vargas 1949-1951;
- Júlio Buskei (PRP): Eleito 3° Secretário Assembléia Estadual Constituinte - Trcs membros na ComÍ!tilo d, Finanflltt Orp,mtnlo entre 1949-51; Rivadavia
46; Em 1948 será eleito suplente de Secretário da Comissão Executiva B. Vargas; Guataçara Borba Carncito; Benjamin de ,Andrade Mourão;
da Câmara 110; - Alétn desses cargos, outros que se .revelaram de grande rdcvânda cómo o
- Benjamin de Andrade Mourão (PRP): Entre 1947-51 foi deputado D,partam,nto de M,,nicipa/iJadet e o Gabinti, Cm/, que posoibilitam um trânsito
estadual por suplencia. Participou das seguintes comissões na Assembléia: especial entre difcrcntcs autoridades tanto do setor público como ptivado;
"Obras, Transportu , Comunicaçõu"(l 948), "Orramento"(l 948), - Quatro presidentes do Banestado: Rivadavià de Macedo (02/03/36-
23/03/48), Arcésio Correia Lima (23/03/48-24/02/51), Herm6genes
Bartolomei (26/02/51-08/03/51);

111 VARGAS, T. Breve memória do funestado. Curitiba:. B::mesctado 1996,


r.t ln: Gcn11.logia Par.macnes, v. 1, p.446.
'" GdP. 7 /02/77, Sfaír p.12.
11t Gazctl do Povo 14.02.77 Coluna "30 ano~ de H~tóriA Política no Paran~" de Emir Síair (121 p.) t!l VAZ, p.25.

Sfair entrevista Chedc. *" fn: Gcnalogia Pat:1n2cnc::s, v, 1, p.450.


'° Hist. Polh.k.a da MScmbl. Legiilativa do PR. \~2 COSTA, Samuel Guímadc:1 da. Assembléia l?I Vick Llndblon, ver também Moudo e Macedo paa csw comisroc::r. ln::GcruJ~ Paranacnd
Logi,la. PR 1995 p573-81), V. 1.

100 101
Embora não tenhamos eferuado uma ahruise sobre o desempenho de cada consideração já notória na historiogrnfià, qual seja, de que os q~dros dirigentes das
um dos ocupantes cm relação à função de cada um destes cargos - dados os elites empresariais tendiam a ocupar, simultaneamente, várias posições nas entidades
limites deste trabalho-, partimos da hipótese de que, em períodos nos quais niio há de chisse; fato que no Paraná se repete na politica e adminisÍràção do Estado"'.
uma oposição aprofundada entre os diferentes partidos ou entre os diferentes Nesse sentido, defendemos que o corriqueiro era que'·a L.cgislativ~ desse
pcdercs_, os projetos de Lei tendem a set aprovados a partir dos pareceres das seguimento às politicas implementadas pelo Executivo, pois este dispunha de
comissões legislativas, e este é precisamente o caso dos primeiros anos do governo maiores possibilidades de apresentar análisuque justificassem 2s políticas uma vez
Lupíon. Segundo Guimarães e Codato, as disputas entre os dois partidos irão se que este possuía todo o corpo de tecnocratas a seu serviço :para elaboração de
definir após 1948 devido, entre outros faros, às cleiçõt,s municipais"'. projetos. Cabe notar que os cargos ''de confiança" eram csc~dos por critérios
Sobre os postos ocupados no Legislativo, h~ ainda um dado_ a ser lembrado: polltico-partidàrios; tendo cm vista a coligação UDN-PSD-PTB, as diferenças de
a legislatura de 1947 foi também Constituinte. Nessa legislatura os partidos nos conteúdo eram pequenas - poré~ cotno já nos referimos, u~a análise que negue
quais há-membros que possuem ligação com o Grupo Lupion constituirão ampfa ou comprove efetivamente essas hipóteses somente seriam poS!fveis se analisados
maioria na Assembléia - as 37 cadeiras estarão assim distribuídas: PSD co~ 16, documentos rcferentés ao tema. As pesquisas de Codato e Ôswaldo Guirn~ràes
UDN (União Democrática Nacional) 7, PTll C, e PRP (Partido da Representação da Costa não se .referem a tramitação de leis ou a. ação das comissões dentro d:a
Popular) 2 É iinportante notar que, cxcetmmdo~sc o PIB, encontramos ligações Asscmbl~ia, _limitam•sc a apoilt.'lr ocorrências pontuais de conflitos, exceto no que
com o Grupo Lupion cm todos esses partidos (tema a ser desenvolvido cm se refere a disputa por cargos nas prefeituras e secretarias. pt4ldpalmentc entre a
capítulo seguinte). Mesmo considerando potenciais divergências politicGs UDN e o PSD. Cabe ressaltar, e o mais'importantc_ ainda. C}uc o ~onscnso UDN~PSD
devia-se também aos interesses comuns do ponto de vista idêotógico (dado que
conjllnturais, o Grupo tinha. ligado a si uma bancada de seis deputados.
ambos compunham o bloco de poder no sCntido de que cra.tn 05 industriais ou
No que se refere ao politico da UDN (Rivadavia Vargas), devemos lembrar
grandes fazendeiros e corncrdantcs do Paraná) 118•
ainda que se trata de um Sócio do Bamccindus, além de parente próximo de João
Lupion Filho e que, por outro 12,do, também possuia relações econômicas com o Se conjugarmos esses cargos com as posições des~es indivíduos nas
Grupo por me.ia do Barneóndus no qual era Diretot Em 1950 Othon Mader era empresas e seu ramo de atuação, teremos um;lntima relação ehtre os dois setores
presidente e João Lupion Filho, vicc06 (val~ lcmbtar também que no mesmo (estatal e privado). Os componentes do Grupo Lupion estarão no múúmo ~ais
peciodo Madcr era um dos dirigentes da UDN no Paraná). Retornamos aqui uma bem informados que os outros cinprcsários restantes, pois participam da definição
e fiscalização de políticas a serem implementadas nà~ apenas em sua respectiva
área de interesse particular, ma~ também nas adjacentes. Um exemplo deste
interesse foi a promessa de Moysés Lupion, no ato de posse.; de tentar junto ao
l!J COSTA, O. G. Wl. p.362-70 rcl:it2. que dll>puw se daw~ em torno de cargos ma:i nào cm to roo de
projetos vot2dos. A coligllÇ2o PSD-UDN-PTB, embora tenha posruido filsc:1 de turbulências, governo federal que o catgo de· Dírctor de Ferrovias no Partná passasse a ser
somente encontrará seu fim cm 1948 com as eleições municip:ai:.. Cabe not:ir ainda que nas
Secrctiuias havi:l, no menos no llno de 1947, doia nome, da UDN. Segundo o autor, 11s maiores
divcrgcnctlll $e davam principalmente no interior do PSD e não no que se refere à al.ianç:t. O PSD
tlisput2.Vll principalmente alguns c:ug0$ de primeiro esalio como ll &crebm da Fiu:end2, ocupada
pclo major Paula Soares da UDN {COSTA p.370). E t2mbêm Codato. "A ambigüidadc e a
m C~DATO: No ~ue aereforca um proícto de opOsiçào a c:.tas elitct,cmbora não seja cs.qc ::isl>l.lnto
complairutdc polltica reinante a nivd nacional logo após a Uuttlação da Constituinte, e que se
ob1c~ aqui ::inafuado, nlo acrcdit:i.mos iscr poss(vel. O únko p::irtido ~ pc:riodo que poderia
rewmc no fato da UDN e PSD tentarem impor limitt:t à ubcrtura <lcmocrâtica, ao mesmo tempo
possutc um quadro progaunâtico diferenciado, o PCB, possula apeou ~m depondo C:Jt2dw.l,
que disrutem rcfo[mas sOC.Ws" fez sentir.se na UDN e PSD p::innaense (CODAro ibid p.31). sendo que o partido h::iviA apoiado f-.loytês na dd~o de 1946. :
" KRETZEN, p.386. " COD.\TO, p.47-8.

102 IOJ
desperta mlliorcs atenções por parte das autoridades mun.ici~ais. O maior cuidado
escolhido pelo governo estadual. Existe acesso a informações privilegiadas e
do governo municipal em relação a essa indústria revela~sc· não só por meio dos
principalmente ao planejamento estatal p~ vários ramos que dizem respeito ao
impostos, ma:i também de acordes, em que a mútua. cooperação permite maior
setor madeireiro (como vi.as de rodagem que possuiria um órgão especifico sob '-J-

grau de desenvolvimento a essa região. (O maior exemplos: da cooperação entre


direção de Benjamim Mourão, criado por Moysés Lupion já no ato de posse etc).
as madeireiras e as :autoridades municipais citado pela_aut~o se refere a] maior
No que se refere ao controle das comissões de Obras Públicas e Viação
ou menor contríbuiçi\O, quanto 20 cuidado e melhoramentri daS vias de rodagem
da Assembléin. e de sua Secretaria de Estado, a consideração a ser feita se refere que dão acc,so 2 diferentes locais e aos estabelecimentos ind,ustriais madeirdros".
ao problema crônico de falta de estradas de rodage~ no Paraná sen.do, portanto, (LUZ, 1980:265)
vital poder se determinar a direção em que estas sCriam construidas, vis,to que,
seguramenté., demandas de diferentes gntpos de interesse não poderiam ser Ainda segundo a autora, um dos maiores gastôs que as madeireiras tinham
atendidas simultaneamente. O que queremos salientar é que se tr:atav~ sempre de no período era justamente aquele ligado aos transportes e, em 1949, a prefeitura
uma diSputa sob a forma de se orientar a ação política do Esrado, como deixa de Guarapuava irá criar um imposto a incidir sobre as_ madeireiras, cujo fim
bem clara a crítica a Moysés Lupion efetuada por Kretzen na.introdução de seu exclusivo seria a :ibtrturn e a mattutenç~o das· vias de transpo~tc - certiunente, o
livro, segundo .o qual seu governo foi marcado "pelo J~U exrhuivismo naliviJta problema mais sério enfrentado pelas madeircicas 119•
J11/paranaenu,ficava fam dt .reli alcance 11m rompnendimmto petfliW da situaçJa econômica do Pelo que pudemos perceber a instalação da madeireira signific'ava, cm
futado. É/e deveria rh~r a uma 1intue, rottlentamlo o 111/ t dD norte. Ma1 !/e tsfarp11Nt para vários sentidos, a ttnilorializarão e <rpacia/iZflfÕº do c~píllli de forma diferenciada
que O• dohrz'nio tÍ() poder po/flit:O •do Estado ·ro~/jmu O ti/ar rom OJ' paranatnst.I Jo 111/'~ daquela do agricultor por vários fatores. Inicialmente as madeireiras do período
(KRETZEN, 1951:X) eram uitinerantes" visto que acompanhavam as estradas e, prin~palrncnte, seguiam
Tanto a situação do Oeste (onde, segundo Wachowisk, as...madeiras não os maiores bosques de pinheiro;. Dados os problemas referentes à mão-de-
conseguiam ser escoadas por terra) quanto do Norte (que nào po.ssuía uma estrada obra, e as distâncias dos centros urbanos - com infra-estrutura de comércio,
de rodagem que levasse a uma ligação segura com Paranaguá) era!11 critia.s no oficinas, hospitais etc. - as madeireiras de maior porte tendiam a instalar-se com
que se refere às vias de rodagem. Não obstante, coma tentamos de:i:xar claro no todo um aparato que garantisse o seu melhor funcionamento.
texto, não se trata aqui de uma critica ao domlnio de: um grupo re:gional, antes Quando nos referimos à ftrrrilariliz.afiio estamos nos remetendo à instabçào
sim de um bloco de poder que, por ter uma foição hcgemônica no controle do em um determinado espaço do território, por exemplo, cm uma região de um
Estado, dominava os rumos do planejamento establl. Ao. lado disso, queremos município do Sudoeste paranaense que possu:a as característiq1s necc.ssáci2s para
esclarecer que não acreditamos que o aparelho estatal era um mero instrumento o bom funcionamento das serrarias (corte e, em alguma medida o beneficiamento
nas mãos de um grupo de empresários - em absoluto queremos deixar claro que ou transformação da madeira em pranchõcs, caixas, celulose, 'papel etc.).Ocorre
''' isto não nos parece po_ssívcl. O que há é uma ação mais forte de um grupo de que. devido às circunstâncias históricas, havia a necessidade de uma fiscalização
interesse que consegue que suas demandas sejam atendidas prioritariamente por rígida do espaço que garantisse o maior controle possível da área (ou seu
diferentes esferas do poder estatal em seus diferentes rúveis. Um exemplo a ser
citado é O caso de Guarapuava que, entre o fim da década dC 1940 e o início da
seguinte, se torna O maior centro madeireiro do Paraná. Dada a pujança desse r., LUZ, Cirlci Francisca. p.264. fut:1. é maior unanimkb.de de todaj " teses que estudamos sobre
setor, a ação do município volta para a otimização de suas atividades. Segundo o setor m.adcirciro, cm qucWls do ~ctor ervatciro (por melo da ACP). Preocupações quanto a
t,:ansportcs por tem (ferrovias e estradas) tunbêm .ipa;reccm cm Kxcraen, nos discursos do1
Cirlci Francisca Luz, a indústria madeireira
Governadores LuplOn e Bento etc.

104 105
monopólio de uso). A esse controle, a essa disciplinarizaçào do espaço, chamamos Oeste e Sudoeste paranacnse rev~te~se: da mística da cnt.Zaka, com destaque
de t!padalizafiia. Como já dissemos, a região Sudoeste do Paraná em a que mais para os indivíduos que a icio liderar, em suma, pan o Estado ,'e pnra o bloco de
concentrava pinheiros e, além disso, exercia grande atração sobre migrantes gaúchos poder dirigente. No Par~á, o exemplo mais significativo na seara política, além
e cat:uinenscs. Estes migrantes, caso tivessem o controle da madeira existente nas de Moysés Lupion (wha vez que estudamos um Grupo do. qunl ele um dos_
rerras que ndquh:iam, se tomariam como fornecedores, concorrentes das madeireiras 130• maiores acionistas), seria ~thon :Mâder.
A posse da terra é entendida como propdedadc mcrcantilizad:1. 1 não no A introdução .deste subítC.m no texto ocorreu devido às tcferêndas
seu valor de uso, uma vez que, retirada a madeira, as madeireiras - salvo atuassem encontradas nas diferen~~ leituras efetuadas cm relação ao c~ntro1c do ~cesso
também como colonizãdoras - não teriam mais intiresscs nas áreas. A questão da à terrl!, o qual tem sido um dos e.feito! pertz'nentes no que se refi~te à identifica.çào
apropriação das terras do Oeste paranaense é de grande relevância para o da ação política do bloco de poder no Estado. Alertamos que nos limitamos
desenvolvimento do setor inadcírciro paranaensc e. como não poderia deixar de a seguir a bibliografia consultada, obras de Ruy Christovam Wachowícz e Iria
set, para o Grupo empresarial em questão. ~anoni ·Gomesm, que não analisam. fatc;;S importantesj a. ,'exemplo da CPI
installrãda na Câmara Federal em 1958 e da composição de capital das
companhias colonizadoras.
4. O PROBLElv!A DAS TERRAS NO OESTE PARANAENSE, Ulv!A
Para melhor situarmos nossas reflexões faremos uma br~ sintcse sobre 0
ANÁLISE DE DISPUTA ENTRE AVES DE RAPINA
histôtico de posse da terras no interior no Paraná. Brasil Pirilieiro Machado ao
tra·tâ.t do tema, salienta que os primeiros a ''ocuparem"~- região dos CampoI Ge~ 0
Não obstante a força dos elemen~os e relações supracitadns, é necessário fizeram a. ~artir da concessão de sesmarias efetuadas pela Câmara de Vereança. de
que abordemos tatnbém uma ·outra questão no que tange a história da nova São Paulo no início do :1....VIII. Segundo o autor, essas concessões possuíam
territorialidade do Oeste e Sudoeste do Paraná durante o período de expansão inicialmente, caclter especulativo visto que grandes porções de terras eram registrada:
do Grupo Lupion para a rcgíào; trata-se das motivações ideológicas dadas pela sem que houvesse qualquer atividade descttVOlvida. Posteriormente com O avanço
llk1rtba. para o ot.1/t durante o governo Vargas. Certamente essa ideologia foi um das i'rwtr~_ parn as terras forun novamente divididas entre membros originários
elemento importante na motiv-ação e ação da fração política que tinha seus interesses de familias fazendeiras de curiubanos e/ou paulistas"'. No sé~lo XIX a venci, e
vinculados à região, porém não apenas do bloco dirigente., mas da grande especulação com tctta.s cohtinuarnm sehdo um negócio importa~te para as classes
o:putaliva na soci,dad,"'. Os indivíduos que pacticiparam da Revolução de 1930 do~tes no Paraná. Um exemplo deste fenômeno ê apresenta~ por Oljveira ao
no Paraná tinham uma grande preocupação quanto à região fronteiriça, e dentro se rcfertr ao presidente de província Lamenha Lins que,, ao implementar O

da ideologia autoritária que predominou no Estado Novo, competia precisamente assentamento de familias de imigrantes europeus nos arredores de Curitiba, privilegia

às cUtcs que fizeram a Revolução dar cabo do problema. A "ocupação" do terras do grupo polltico n o ~ ~ tentativa de se controlar e obter rendimentos

lll Embora ha 1'adi . ~·eo rdi nc1a


• de'mterprc1a.,.os
.4 ob rc.o futocnttccstcuutotcs- cspcrullmeenteno
o:, Segundo Porter, fornecedor~ devem ser tll.ffibém con:.íder:ido:i " 'concorrentes' podendo ter que se rcfc~ a açio dot cotonos (ou pouciroi, o que é uma diícrcnciaçlo importante)- m18·
maior ou menor importinct:I, dependendo du circun,tind:is particubre,;." (PORTER. p.24). ponto:.1 de Vl$t:a rouco dcoo:am no que se rc:fc-rc: :à ação du: companh~$ coloniuclof'Qs e de :SCU
m Porter 8c refere :ao fato de ei:le ser um dos dcmcntos maú importantes pan. análiic d:i.s c~volvimento lidcrançat poUticu estadua~. ,
111
estratégias competitivas. MACHADO, Druil Pínheiro.

106 107
por meio do monop?lio de acesso a terras teci outro episódio notório no início Segundo Codato, as propostas da catta se basearun J, larga experiência
do século XX. quando membros do bloco de poder se envolverão com a concessão de Othon Mider no Sudoeste, a partir dos vários cargos públi~os que ocupou de
de terras para a Brasil Railway construtora de ferrovias. 1932 a 1935. ·

Segundo \Vachowicz, dado que a empresa nào cumpriu o contato, as terras Essa defesa ocorre em oposição a ação da União, que ~ediante a C4NGO
passaram a ser administradas por membros da oligarquia no poder. Porém, com (Colonizadora Gener.il Osório) efetuava uma colonização tolalmcnte estatal da

advento da Revolução de 1930, o fotcrventorTourinho baixa um decreto que torna região em disputa 136• Além deste elemento, Gomes e Wac~wicz. apresentam
algumas carncteristicas da colonização implcmeOtada pela CANGO que conflituava
inválidas tais concessões e transfere as terras à União. Assim que as leis de exceção
tanto dos interesses da Pinho e Ternuquanto da ·CITILl: as ter~ eram doadas às
são afrouxadas, no fim do Estado Novo, inicia·sruma disputa em tomO dessas
famílias de Colonos; havia reservas de arnucária as quais eraoi Submetidas a um
terras envolvendo interesses representados pela UDN e PSD estaduais e a l.Jniãorn,
controle rígido, dificultando a retirada rápida da madeira. Nào obstante suas
A disputa pelas terras ocorrerá, na regi.ão, entre duas companhias de
dévergências, recordamos que estes pa_rtidos_ eram bastantes ciosos de, seus
colonização, a C1TTLA (Clevclânclia Comercial Ltda.), que posswa ligações com o
interesses, corno constata \Vachowicz, ao apontar que a CANGO tem suas verbas
PSD, e a Companhia Pinho e Tmu.r, que tinha vínculos com a UDN po.r intermédio
bloqueadas pela ação de grupos de interesse que atuavam no Congresso Nacionnlm.
de Miider. Além da disputa entre as companhlas, havia uma disputa com a União,
Entre CITTL\ e Pinho e Terras, há o que Llndblom cbatll2 d~ inlm1ção, na qual
que reclamava o direito de colonizar a região visto que esta enconttava•se na Hfaixa
de frOnteira". Os conflitos entre as duas empresas irão se acirrar nos anos de 19~8-
as pessoa! se controlam mutuamente. muit2S vezes sem pretef1der fazê-lo, sem ter
50 devido à ocorrência de grilos envolvendo a ação.destas empreiteiras (e de outras
consciêriciâ disso.:. [A interação muitas vezes) "intcrfcrecon:1 a impie·~Cntação
menores). No final de seu governo, Lupion utiliza-se do poder estatal para favorecer_
de políticas, como acontece -quando indivlduos provd;cam conflitos ou
a CITTL\; o mesmo faz Bento Munhoz da Rocha (governador eleito pela UDN)
distúrbios ou contornam as leis" [mas, principalmente]: "por~ mesma a interação
que inviabiliza o funcionamento da CrrTLA. favorecendo a Pinho e Tem.J.t 13• as vezes pode servir para resolver ou atenuar problemas; estabelece politicae;
Não obstante essas disputas, há uma caractcóstica que une os dois grupos, abre uma. alternativa para a análise, como processo de solllção de problemas
sendo esta a que mais nos interessa: ambas defendiam a colonização .da região ' e de decisão das pollticas a seguir. (LINDBLOM 1981:25-6)
implementada por urna associaçào entre capital privado e o governo paranaense,
medida também defendida pela UDN crn 1946 e consta, cm linhas gerais, da A ação das empresas por meio (e fora) dos partidos e a ação destes dentro
carta que lançam em apoio à c:lndidatura de Lupion: uRtmao e rodiftta;ão da da esfera policica foram os responsáveis pelo encaminhamento de\nna dada solução
kgi,larão tmitorial Intensificação da colonização ofidal. Facilidades ~ ~ problema da colonização do Sudoeste e Oeste do Paraná: emprego da o
administrativas para a compra e legitimação de terras. Gamntias para as truaattva pnvada na colonização apoiada pdo setor pUblico. Um exemplo concreto
pa,m mantas , padjícat d, 1O·ano,. Garantias efetiva,pam a propri,dade mml &timulo desta relação nos é dada por Oswaldo Guimarics da Cost2 (chefe de gabinete
ao pamlamenlot prngmtivo das grandet pr,ipri,dadet. Farilidadet à imitJ'ação narional , de Moysês Lupion), segundo o qual os deputados exerciam a função de
ttlrang,ira''. (COD.\TO 1991:47-8, grifos nossos)

,. WACHOWICZ, 1985:183.
n, Estas terns e:.tavnm situ:ims nos sertões do Piquui. e Jguaçu, loc:ii:s: das maiorei1 reserva.! de
pínho-do-Parnn;i. À êpoo. httvia um12 reserva_ de 2pro~imad:imentc 3.000.000 de pinheiros, m WACHOWii::z;, 1985:199, Rdembl'21ll08 que Othon Made.r (UDN) fui ie~ador no período cm
Wachówicz.: 1985:199. que Moysés foi governador e que este, por ·sua vez, ao abandon:u o governo do Pan:m.í 2$sumfr.í
uma cadeira no :senado fedcul.
"'WACHOWICZ, 1985:191-2.

108 109
procuradores ele colonizadoras nos corredores do Departamento de Geografia, . '
Retomando às posições defendidas por Lindblom ;. . .
Terras e Colonização do Oeste do Paraná (OGTC) e do Departamento . , . , . _ - .sem.o na rruuona dos-
casos os funcionanos publicas e técnicos de umn ' d c_L ·
Admirustrativ~ do Oeste (no qual coube atuar nas terras do extinto Território . - area a e1u~em as linhas <los
ptoJetos a serem transformados em decisões políti O ·
Federal do lguaç\1) 138 • Podemos nos referir ainda ao grande número de cas. autor aponta que:
iu.egu)aridadcs e às violências ocorridas no processo de colonização desta região,
os quais, embora ues,tourem" em 1957~ já começam a aparecer na década de 19401~9• os analistas, e as peSsoas que têm wnacapacidade arnill•;,.,, -~:_, .
. .,,_ csp~, constttuem cad.i
Em nosso entendimento o setor indristrial ffiadcireiro lutou de forma vez.matS uma elite dentro dos 5 i,temaspoUtico 11 contempo • i Eli
raneos. te que se torna
mais aguerrida contra a CANGO por ter comprceng.ido que, caso a ocupação da crescentemente corupicua., à medida que O prestí . d 'li
• . gio a am se cresce com a
área fosse cOlocada apenas sob o controle do Esta.do, os col!=inos forneceriam complextdade técru~ do p~so de dc.iliào politica modero~ [...) Essa elite dos
madeira para as madeireiras com wn maior n1vet. de autonomia do que se fosse que pos5uem conhectmentos rclcvmtcs para a polltiau d ,, , . .
, , . o ~v;erno e a pnme1r.1 de
uma colonização privada. Esta situação, Segundo Porter, significava uma Uirul sene que vamos encontrar, rut nossa cxploraçio do proces~ decisório li , .
diminuição subs~nci;l nos luCros das madeite.ir;s, já qu~ em se faland~ de [...] É bem possível que• "fama"'" compctirõ.o deitl"··. . .d' d po llCo.
. - _ r- en:., coasi era a e5sene1a.l nas
estratégias competitivas, os fornecedores devem ser ~ncarndos pelos industriais democt1c_1as pluralistas, seja em grande parte um intercimbi~ d.e an,áli!CS arclith -
como concott~ntes/ competidores iguais aos deniais 1 sendo tão mais perÍgosos mesmo que, em ai · ·· · p
guns casos, os p:art1apantes usem a mtntira i::oi:nplcta e f.llsific-:tçio
qunnto mais cónttolam o seu produto. descarad, dos fatos. (LlNDBLOM 1981:29-30) ,
Por outro. não se pode confundir o interesse 1o emprcsariacfo com bem
comum;'scgundo Por ter, os Cmprcsácios estàofuteressados nas ações que aumentem . i\d~ta.ndo os conceitos de.gmpor tll t'nten.rse'elabora_do por Charles Lindblom
seu lucro~ não se importando se, por exemplo, aumenta poluição produzir tal ou cons1dernmos que o Grupo b d . .
. aça ou aluan o como representante da fração d
qual cotnbuStível ou sC é melhOr produzir carros ou casas populares 1.w.
Além disso, considerando que o pla11Yamento Como tal existe a partir de
classe hegemônica, destacando que não era apenai ~cprcsentante de interesses d:
um setor, mas membro destacado d , . ,
uma necessidade (o "para que') o Estlldo tendia a ser neste Sentido orientado a , . o proprio setor, Embora possa parecer
entrada de setores médios no funcionalismo estatal de individues oriundos de obvia esta observação ela. não é recorrente: na análise proposb por Perissinotto
uma sociedade onde eram maioria filhos de familia terra tenentes ou comerciantes. os membros do Executivo paulista não enm a própria fração, mas representante~
Ê importante esdarecer que este não era um caminho para C}ual não houvesse desta· os mcmbr d d ·
, os o grupo e mtcressc encontravam-se em diferentes o' -
· delibera · / rgaos
outra alternativa, mas que, dada a fração que se tomou hcgemôníca, foi assim tlvos e ou consultivos da execução do poder estatal N d G
L · · P caso o rupo
·orientado. Os rumos do desenvolvimento do Estado em direção aos in~eresses up1on ocorre o particularidade de serem os membros do r1r1Jho L • J
da fração do bloco de poder que se torna hegcmônica tomar-se-ão maís · •- b' d o· -r uÇ ln>tt?I.rt e
~m em e estarem ligad s d · ·
. o a este grupo e alguma forma-viar~laçõ~ familiares,
perceptíveis ainda se lembrarmos que _é por meio do Executivo e Legislativo que pcrtenCl!lleoto a mesmo partido e/ ou liga ~ . .. -
serão nomeados em diferentes cargos. ' t?º com empresas vtnculadas ao grupo
em al~ momento - eram ocupantes do cargo de governado~ além de outros
cargos !mportantes em Secretarias de Estado Assemb!S;. 1.eg1· '-" E d ai
. • ....,. Siauva Sta u ou
prest~cntes do Banestado e Batnerindus, Relações estas, é impo~tante frisar, eram
" COSTA, p.375-6.
~.tre~mente vantajosas para o Gtupo Lupion em particular e para o setor
Em ano clcitonl os )ornais que faziam oposiçio a seu governo publicavam denúflCW sobre vário$ 1ndustru,l madeireiro --• N" b .
em 6.......... ao o . stante a centralidade da5 análises no Grupo
iJt
.
probkaw envolvendo concessões irrcgularel ck terras in~as e outr.u envolvendo o submetido
Lupton goslariamos de deixar claro este trabalho oã0 ele' d . .d,. d
à Sccrcwia da Agricultura Iodústri:i. e Comêccio, sendo cst.13 inclu:!ive revogadas devido à denúncia f mltia L , . ,cn e a t. eta e que a
de irrcgul,d<hdcs. Jonul O E,t,do do l''<,má 18/jul/51; 1/,go/51 e 5/,go./51. a upton consegwu, por sc,u mérito - por exemplo por possuir mais
ºclarez "
"' PORTER, p.27. a que outros setores do emprcsaciado do setor made.ireirO quanto a táticas

110
111
'
5. ANEXOS
e estratégias administrativas ou pollúcis - a constituição do grupo se deu em um
momento de grande expansão do setor e, ao que sabemos os outros sócios cm
seus empreendimentos (como Sguário, Chedc,?vlacedo) não eram sócios menores L TABELAS
na medida em que eram membros de outros "Grupos". Para se afirmar se a
familia Lupion possuía maiores conhecimentos que o restante de seus sócios, isto Estruturnçào organizacional do Grupo M. Lu ion & ..
ano a ano (1930-1951). P Flll por empresas
é, o setor madeireiro industrial, o\J que eram ideólogos do setor, seria preciso
analisar discursos destes, o que não foi objeto de análise
-,-'
do presente trabalho.

e JO&i l.tip(oa; 1rett:'Coclho


Joú Luplon & a,, .de n.deitu
~ (KRS!Wbl•I•
'JJ{'. Matrh: Curi1lb.. Puquo """"""1' 100% (KREfll:N

-
CrS 3 milhões vtfi(b pn 19-ll-2;
'.;_l;;. 19.ll Aliai: Píra! do S1,1f e ~ em Piml do
{KRETZ.EN) Ctl!llim rua XV de
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""""
SP. (KRETZEN)
Sul e oo mri::ipio de
No't'tlllbro52ó[aM.
Lupion lt Cia 1ka ~ 5251)
Lupion)

(KRIITWI)
E,;plo~ M~rnz.lo ,~I em
"Pou.atto Lupion &. lndttmiafuaçlo e 220 mil rt!J; 1941 para t,t ~ n & Dados n1o
1936
0&."(JCP) conrrciaU:utçlo de (JCí') da. Em 1945 mudi nome encool{Q(Jo,
maddr11. (JcP) CEtUBRAS JCP)

1938
Ponano e Lupioo
(JCP)

M. l.iipioo &. C1a


lúplonçlo
hid1tStdalluçlo e
commla.ll.u~ de
madeiras. (JCP)

"'''°"""
lndustri11izaçlo e
Cr$ 500 mil
(VAZ)

rusoo m11
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(VAZ..,.tMOUllÃO)

Por tataMe de uma ficha


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1941 cadulflf o1o contt•m \
(JCP) correrclatiuçlo de (JCP)
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madeiru. (JCP)
Pedro M. LJJpiort, li
Mlraaçlo Norte do lictmfnta Rolim Llipion,
E.útaçlo de Clll'Ylo Cr$ 900 mil
1944 PuwUd,. David Luplon,Jo*1m 66'l!JCP
(KR!IT"lliNI (JcP)
(JCP) Pmila, May,6- l.uj:tion e

-
Ramiro Ril'Cl1 (ICPJ
Por ltlnsfoc~da M.

.
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Brull
Refto:ew11ncn1:o 0
Cehaloie Ltda.
6.s:ploraç.lo.
cotrcrclliução e
lnàu(rialiuç.lo de
Crf 25 milhões
(JCP)
Luptoa & C1a, o c.apk1I
eni de 800 rríl rtb, Y, tb.
Pouatto, Ulpion .t.'.cta..
Dado, n5o

(JCP)
CEWBRAS (JCTI) madel~. (JCP) v. VAZ
(ICP)

continua

1/J
112

_;. 1'
Rldia Soc~1de Joio Bmíl!o Rlbu e
Ouanund Lldl. Pedro M. Lupioo; Mwilo
CrS I rnl!hlo Luplou de Q11.J;1Ulu; Auto~IS.A
Sede: Cutitiba
1946 Si'i\. ~ AJ!ncfa Clievroh!1
Sede: Plraf do S111, O..ridWillc~ l.upion: prindpaà
Puquc Indumhl: KRETZEN Aklízlo Antonio Fimetto; 1948 Autorinda.
CrS I milhlo
Hoooruo Luplon Pmia Anle1 rn1 Lrda. 0 .. YO VidlJ i;onea. ociooluu
EmçloZYM·5 (JCP}
(JCP)
(KRETZENJ Fran::!=i de uh Alho.
KRETZEN .2119 {KRETZEN) (KRETZEN)
{KR~N: d~ p1111 0
lmpo111çlo e
•nade 1951·2)
comttcio de
nutomó~dt, l'*ttílll ~relf1 ·
IJJl!Ortadool J 0K
a.mlnhõer. imloret
JOll LuJ,ion; ln!ne Coelho
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,~,t;<' l..Jda,.; Hwnlnt. Rolh1
Luploa Ltd1. M11rlz:
(da M. UJplon &
cmiqul111empal.
CrS I milhlo
Lupioo; Luli Pos:ano.
{KRETZEN; dld01 sti;, ,,,.,,.
!:/{ \ ~ ; PeJró M1 Luploa;
JOQq,lim FmeJrl,: Da'lid
; ~ 19'46
Clal; fill,I: PinJ do
peça, e ace:s1órios:
(KERTZEN) paR O IM de 1951•2;
8i'li KRETZEN
i~-_/' W. ~on; OW:omd &
guollnt e óleos.
i11\ 1 • ,; Sul (KRETZEN IOOSmo cndcrcço dJ. M. Cla; Reu10 ~upto;
.,1;~.
rirl"'p!l:
Especitilidai.b:
}l~lt~.'. dados de 1951-l) Lupion&Cial AUg\illO Cbar Vidro;
Col\Ce·n íorihla

:'if Ford-Meo:ury .,...,...,....


lndllltrial Madeireira

lndllltria e cmntmo
Aomcio Oalaf.wl; Joio
Lup11JR Alho; Ary Zltti
{K.Rl:.TLEN) 1948 Cr$ 16 mlJhõcs M, 1q, [os s&.101
Sede: Foi da Iguaçu de. madeiras em
AntÕ{Ú{)BafistaR~ (KRETZENJ ouva 1: ~lo de Cu-fie estãi;, em 'i{, de

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{KRETZEN: dados geral (KRETZEN)
{Jo.t. UI.piou wi
CLI I; Adellfté Za:ttl masJ KRETZEN
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1'1 ( Conatwções por
procundor), Mrrio
pllTII 1951-2)
Mlnghc!II; Osmar
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Eduutlo fürros, M!gllCI To!Ullll;J~ Yol.111do
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Q,Jelroz, Joio Ayrton P(IJJ..U(o e Adc'llRi;,

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n,:lhorametrtos S.A
Sede: cu,ítibt,. Em
lnduuriiliuçl-o
compn, e vendi de ers· 1 milhio
Comcben. (JCP)
[SeguRdo ~ien
[ScgundoKretWI
pem:nce ao Gn,po
RallWO de Auls; Ãngdo
hrniin Oabardo: Alfredo
1947
í "'l· 19411 lflNÍOflTIOU-Ul muerlai1 cortelalos (em 1948 JCP)
llpçW: Induttriu de Luplonl Eliu 11l!mani ,Borba
;:" j l< ·~ em S.A. unleS Uib.. e qu•lqucr ovlro Ro¼lm; J~ Maln~
_i ;:i,Jj MetaU e. M1deim
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'i~l,{1 (JCP) ramo de eom&clo (KRETZEII)
h'.'l, Beneficb.dl5 I.J.dl. Joio
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Ayrtoa Comelseo usina;
(JCP)
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Co~I) {JCPJ Alt.:i; Fellcláno10K- de
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Mwllo l..upioo Qua,:froi; Menezes; D~ de

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Clenme Prima~
ii Mallel; Estefwa Biasl'd Rldio Cwro Lida. t-lo\llCS Rruas; Luis Prata
Rídío M1llctenJ;. D1dotnlo ttloapeclílcado CrS JSO mllJ
1947 Nlo cipCclficado ~c,Mulet;Eli&s 22.l'h Jcr Mcstl)!; Eduardo J~ de 50,?'il>JCP
Ud&..JCP encontndos ~;fmlctsco
Wecliimki ~
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Mal1et; Mipd PotodJ
oomercltnce, Ml&t (.fCP) Vcllek; Joio Moreira de
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·:1_i1:1,t MeUo; Pedro M. LtlploR:


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continua M11:1Jo Lupfob de
Qwikós. (JCP}
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1951, a füma
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E1plo-niçto da
lnd.b1ri11 de Metais e. Indústria e Comttdo
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C~lhol; lmobi\ürll e Mdhor1men1os
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S~la
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,,.., M1ddra.s
Beneficl..d1.S Lida.
de met11!s e m1tddru
bcnefirudaJ, COflVU
Cdlmilhlà
(JCP)
Comercial V lpoc quem
usina Joio A.
200 mil; lmob. e
Com. 100 mil
lucorpondas ao
PauimõlUO
(JO') Sede: Caritlba e YCJldl de materiais Comelwi]; Joaquim (JCP) 1111Lhlria,8D.Sildra Nado111t, o 11ccrvo
conexos. (JCP) O.W Villeb.; Hans
de Pipcl Uda. Sede: da Cla. Jndú.i:ui.u
Mõller, Grele M!lller, I. Pedro M. ~ ; Joio
1951 AnpotiMua1crpJó Brulldru de Papel
Ruch; Waldemu Mala.:
A. Uma Fiiho. (JCP)
de J•JUWln. (vide p.42), avaliado
0-SJOOrril Sgi,.id,, e Joiõ í ~
Muln (KER.12.ENJ
'°'"' KR"'7bl
(KR!ITZEN) eni!i!I mllhõel''de
!talo Pellu.l DP; V1ldir
crvickus. para o
Gonçellvc.s Toslef., DF;
preço global de
Va\dcmar da SIiva
Cr$5!1.29J.OOOJXKl
Boju1_g11, Df; Mo)'Us
~j i- tu;pion bru.., ilffil1till
(CrS 11.6511.600,00 .1
~ :
em d~iro e o ruto
Cutilibl! M11eller &
ProduçJo e combclo em ftlpotcca ).
' ,\ Um.los IJda- Ctul!iba;
KRCTZEN

d
de p,as11 mecAtnC11.
Doin MulM Goma
celulose, (llpe!lo,
Indústria Anlonle1Ue FigudllU, bm,, Moylb L 100
pipel ii dcrivttlot; Cr$ 81 ml!Mes TABELA IV
1949 de Papel Uda. puu, do~tb Pt\lópO:llf. RJ; ações no Vilar de
e~plornçlo e (JCP)
pmS/A(JCP) Thallno B,rbabcdo ikl C. CrS 100 mil (JCP)
com!rcfo de
Botelho DF; Minllo
ma.dclr.u;
Cupn'I DF; Lult
cxplon?o agrkols. Jahir Rollm de Moura Conselho P-u:cal da CaJ1 Bancru-la Vicente.
Ootm1p do r-lucimento e Pm:nte de Hetm(nim
Silva; EuH.Uo Nucimcnto Fiotillo S.A (KRBTZEN, .378)
~j

Rivrulavia Borba Vargas Diremr-anistcnte do &tnerindus


·e Sllv;i; Filha DF; Heitor
do Nt.iclmento e Slln
Parente de Hernt(nli:1.
KRETZEN ,378 '
;;

aJvopdo DF; Vkenle


Ferret O.edel DP. {JCP)
VHCO da Gama Coelho Fiunília Coelho
(cunhado da Jost!: Uipioo)
lndúmin de ~cfals e Mndeirns
8cneficladas; ~ e melhoramentos;
'
David W, Luplon; Pedro
Fibrica de íósforn 1ndUuria e Corrhcio Irene Coelho
Cr$ J mllMcs M. Lupioo; Jost lup!Gn IOO'h (JCP)

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"'° Alvorada (JCPI de Fósforo (JCP)
Júnior. (JCP)
\l{i! rumo Anponps Pedro M, Lllplon: M11tUo
Borba Rolim} Provavdmcn1e lrm&, de Hcrnúnia lndw1rial M~ira do Paraná lJdA.
f!>
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19,1 Uda. Aniponga.t Nlo especificada
Cr$ 200fflil
I.Uploo Q..!ro,
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(KRETZE!l) (KRETZEN)
(KRETZEN) (KRETZEN) Joaquim Percira Marido de Pmncisca Mlneraçilo Nortõ do PmoÁ Industrial
M12dclrcira do Parat\Â Uda.
Honorulo UI ion Pereira Alho de Francisca Lu on Rádio Ouairocl I.Jda.
continua Murilo lupion de Qulldros Filho de Maria Luplon Rádio M1Uetense\ Rádio Guairad Uda.
f\1!' Rddío Cwro: IUdio Ara
1°,1,I
~]li
-,,1, ,116
'·T· 177
João Ayrton Corlncscn: Obras e Melhoramentos; Imobiliária e Comercia~ De José Lupion, incL, Cr$ 500.000,00
Metnis (assina pela Irnoh e Comercia~ tb Cooselbo Fiscal do BIUlleóodus em 51-2 Pedro M. Lupion, ind, Cr$ 500.000,00
Irene Coelho Lupion Cr$ 300.000,00
Sócio: lndllstrin De Meto.is e MAdciras Beneficiadas/ João Lupion Filho Cr$
Hnns Mfilet (Moler ou Mo Iler)
conselho _ftsca.l do Bnnco do E.stndo do Panutá 1951. • Vasco da Gama Coelho
Mnddms do Brosil Lida. (sócio) Oir. Superintendente Itaciano Macondes Ribas
An!sio Hennógenes Bnrtolomci
do Bnncodo Eswlotlo Paraná 1951. Luiz Possatto
14.257 1O/jul/4ó;J osé Lupion Cr$ 600.000,00, Irene Coelho Lupion
Cr$ 250.000,00, Luiz Possatto Cr$ 100.000,00, Vasco da Gama
II. FONTES PRIMÁRIAS (FICHAMENTO DE CONTRATOS Coelho Cr$ 50.000,00. Diretor Geral José Luplon.
DAS EMPRESAS) - Contrato 14.274 o capital passa de Cri 2.000.000,00 para Cr$
3,000.000,00 com. a seguinte divisão entre os cotistns: cxtinguc~se
Junta' Comercial do Paraná docu~cnblçào de empresas pertencentes e/ filial de Itapetininga- SP. José Lupion gcrmte.
ou ligadas a M. Lupion & Cia entre a fundaçio pdo grupo ou sua incorporação José Lupion Cr$ 200.00,000
por este e 1961. Irene Coelho Lupion Cr$ 6:000,00
, .. Luiz Possatto Cr$ 250.000,00
1. IMPORTADORA JOSÉ LUPION· LTDA. Vasco da Gama Coelho Cr$ 150.000,00
Contrato 16.319 capib.l social Cr$ 1.000.000,00. José Lupion Cri
Contrato inicial:
500.000,00, Irene Coelho Lupion Cr$ 250.000,00,Joào Maria Queiroz ·
Contrato 7.499 19/01/35: Capital Social 20 co·ntos de réis: José
Cr$ 100.000,00, Vitorio Coffi Cr$ 100.000,00. Ramo: "Exphiupio do
Lupion comerciante 10 contas de réis, José Marques da Cunha
wmlm"o de importO[iio dt aJllomJIJtlJ, caminhõa eoxlroí vdcNloI molam, maqJ1Ífltl!
comerciário 1O contos de réis. Razão Social Joté L,,pion & Cia Uda. un gmú, amrón(l[ e pepn .sabrnaktmÍ, §l-folina, Utot e l1Jatmaii rontxtJI, a.1sim
Nesta data entra Irene Coelho Lupion (esposa José) no lugar de coma qllf1Íiqner outro, arligor qut parram ínkromr a .roei.Jade': Sede e foro:
José Marques da Cunha. · Pira! do Sul A sociedade ê liquidada etn 13/rrur./57.
• Alterações cont:intuais
Contrato 9.246 07 /jun./39: Entra Pedro M. Lupion (industrial 2. BRASIL REFLORESTAMENTO E CELULOSE LTDA.-
residente em PiraQ. Ramo: "Explora;aõ dd romirdo da induslda dt CELUBRAS" REGISTRO GERAL JCP 41200887967
madtiras''. Sede e foro cm Curitsba, filial cm Pirai. O capita) social
sobe de 20 contos de réis para SOO contos de réis. Contrato 085 15/out/36:
Em 02/jun./41 P"''ª a atuar também no ramo de exportação de Sob a razão social de "POI1alla & Úlpion '\ Capital Social 220:000$000
madeiras*. (220 mil réis) Luiz Possatto (120 mil), Pedro Máximo Lupion (40
21/12/43.muda razão social pmJMI Úlpion t Cia Uda;José Lupion mil),José Lupion (60 mil). Rlimo de atividades: ''Explamfiw comtrríal
reside em ltapetininga SP. O capital social sobe de Cr$ 500.000,00 e índmtrial do mmo de madeirar': Início das operações 13/10/36. Sede:
pará Cr$ 2000.000,00. Fazem parte da nova razão social; Cachoeicinha (Arapoti - Jaguaciaiva).Antcs dos Lupion Possatto
possula sociedade com Sguárío & Cia.

118 119
1
Alterações Contratuais: Nesse momento se dá aquisição de 65.073ha e 93 m1 a8sim distribuídos:
Em contrato 8085 30/ out/1938 com capirnl social de 220:000$000 '
~ Fazenda São Domingos 32.093há (+3.473ha);
(220 mil réis). Moysés Lupion adquire cotas de Pedro e José a razão .
D )'iquety e Andrada 28.465ha + 5.575ha;
social muda para "Paualo, Lupíon & Cia·~ O capital se eleva para k) La Paz 2.550ha + 550ha;
500:000$000 (500 mil contos de réis) em partes iguais entre Luiz e
~ Dóis de Maio 200ha;
rvioysés. Ramo: '1ndJJJtda de strraria.I e tantb!m mm!rtio t txpartafào de
m) Barro Preto 918ha + 2050ha;
madtiras em geral'! Luiz Poss.atto gerencia indus,trial e Moysés Lupion
n) Diamante 200ha;
gerência comercial.
o) São Francisco 200ha;
Em 6/H/41: Entra Hermínia Rolim de Moura, sai Luiz Póssatto,
p) Porto de Sana Helena 417ha + 4 mil m'.
capital aumentado pata 800 mil réis. A administração seci somente de
- Todas sem as benfeitorias situadaB no município ~e Foz do Iguaçu
Moysés Lupion. A razão soàal muda pata "M. ú,pion & Ga'~ Rruno
(Território Federal do Iguaçu). · '
de atividades: ''Expúiração, rommialiZ!'fiM, indmtrialiZ!'çào d, maddra,''.
- Moysés Lupion .transfere_ tambêm para a sociediid7 .. ns embarcações
Em 1/ mar./ 44 o capital é e!ev,ido para Cr$ 3.000.000,00.
Em 1/ago./44 cria-se uma filial na capirnl federal (RJ). fluviais: Rebocador Parapiti, Rebocador Don Roberto, Chata Santa
- Em 11/01/45: O capirnl soàal aumenta de Cr$ 3.000.000,00 para Helena, Charn Triunfo, Chata Alicia; Lancha EmJlia, 1..ancha Itâlia.
CrJ 25.000.000,00 (25 milhões de cruzeiros). Muda razão soàalpar,a Com exceção .~e Hermínia todos podem usir a firma;: Superintendente.:
"Bra,i/ Rtflomtamenlo e C,/11/ou Uda. - CELUBRAS''. Ramo de Moysés Lupion; Gerente Industrial: Pedro lvláximo Lupion; Gerente
atividades: ''Explorarão da íttd11stria da madeiro, sm rom!rdo e ,xporta[iio Comercial, David \Ville Lupion; Assistente: Joaquim Pereira*.
em gemi,· Explora[ào da ind,,,tria d, pa,ta me?âniro, a!JIÚJJt, papd e papelão; - "Do capildl,odaljicam dtrli•adoJ C,t 20.000,00para cadaArmazjm, Farmácia,
F,xtmfào, i'ndustda de bentjidamenlo, rom!rrio e exporta;ão tk erva-mate; Padaria ou Apmg11e imtalador n01 e,tabekdm,nfcJ ind,,,triau da Sodedadt pam
Minerarão, prospução, la1JrrJ, exlmçiw, ben,jiciamenw, romériro e ,xpartação _JISO txdmi110 dor i,m emprega®r'!

d! mroão mínemii firros e ~1ilros: mininOJ, tkpois-dt k,?f1lmenll autoriz..ada; a Em 11/jtm/49 retira-se da soàedade o sócio Joaquim Pereira (cotas no
nawmão 'matitmao t fluvial, agettlts maritimo1 efawiaís depair dt lt!fJlnttnft. valor de Cr$ 1.000.000,00); o capit>l cai para Cr$ 18.000.000,00,
habilitada; coúiniZfJção; agrimltura; pecuária; nprmntaçõu, ,xportação , diminuindo Cr$ 7.000.000,00. Moysés fica com Cr$ 10.800.000,00;
importação ,111 g,rak qualquer outro ramo da inti,,,tria , romérrio cuja mação Hermlnia com Cr$ 1.800.000,00; David com Cr$ 1.800.000,00; Pedro
·j01)ul.!f1da convwi<nle''. [Decreto FedcralN'20261 dc20/dcz/45 concede . M. Lupion com C_r$ 3.000.000,00. Diretor Superintendente: Pedro
autorização para navegação de caborngem; Diário Oficial da União Máximo Lupion; Diretor Comeràac David \V. Lupion.
15/08/46 decreto 21.158 concede direito para a M. I.,,pion & Cia Em 1964 a razão soàal passa p;ita "B=il R,j/omtam,n/Q, Ce!Jlú,,e LJda. '!
funcionar como empresa de mineração] Nesrn dara (11/01/45) entram - Em 1973 mesma nzão soàal que 1964, ramo de atividades '1nd,,,1ria,
novos sócios: Com!n:lo dt madtimI, agropuud.ria, rtjlorulamento e npmettlafÕu mmtrriais':
• Pedro Máximo Lupion Crf 4.500.000,00; Informações adicionais: Vaz diz que, já a partir de 41 ~stava.m todos os
• David Wille Lupion Crf 3.000.000,00; irmãos asSOCiidos.
• José Lupion Cr$ 1.000.000,00.
• Moysés Lupion eleva seu capital para Cr$ 17.000.000,00
Hermlnia Cr$ 1.500.000,00.

120 121
3 SERRARIAS REUNIDAS SANTISI LTDA. REGIS1RO GERAL ·· [todos domiciliados cm Curitiba]
4190040224 (MICROFILMEJCP-SP 2945). Altc.rações contratuais:·
Alteração de contrato PARTICUL\R 12.456 de 14/rnaio/47: Atúta Ribas
Há apenas um registro, oriundo da JCP do estado de SP de 11/jun./43 no Cid Prince ·Paraná (industrial), Contantino ·santos (comerciário), 0 :
qual Joaquim Braga do~ Santos Ribas aparece como procurador desta em Ponta qualidade de catistas antigos e como cotistas novds Pedro Máximo
Grossa (o proprietário' é Antenor Santisi). Sede capitlll paulistll. Lupion (tnduitrial), Arúsio Hermogénea Bartolomei (bancário).
a) A sociedade é possuidora de 530 cotá's adquiridas 150 de Newton
4 MADEIRAS DO BRASIL LTDA. · de França Bittencourt, 200 de Rubeos Bueno de França Bittencourt,
25 de Maria José Bitteocourt Muggiatti, 75 de Isabel Bittcncourt
Registro JCP 11.802 de 09 / maio/44. Ramo de atividades: "Exp!.rarã. rw Beltrão, 50 de Pccy Buchcner, 30 cotas Galvino Roque Muggiatti;
romlrdo da imbuiria dt mad4iras W f!rot JtU henefuiamento e indmtrialização e exportafào" b) A cessionária D. Anita Ribas tomou~sc catista por cessão de
Capital social: Cr$ 2.000.000,00 (dois milhõés de cruzeiros) divÍclidos em 200 mil transferência das cotas de Thcomat Ca:nabràva de Oliveira
Engenheiro Civil, (100 cotas) e S~ter Henrique Daum (200 cotas);
cotas de Cr$ 1.000,00 (um mil cruzeiros) cadft:
• Matcos Augusto Enrictti, Engenheiro Agrônomo 1 200 cotas ou possuindo assim 300 cotas;
e) O cessionário Cid Prince Paraná tornou-se sócio por cessão de
Cr$ 200.00,00;
transferência de Arthut Thincl' (140 cotas);
• Pedro Lapalú Deffes, industrial francês, 200 cotlls ou Cr$ 200.00,00
d) O cessionârio Contant:ihõ -Santos tornou-se sótjo por cessão de
• Sotcr Henrique Daurn, 200 cotas ou Cr$ 200.00,00;
transferência de Jorge Bueno Monteiro (200 cotas) e 75 liberadas
• Jorge Bueno Monteiro, Engenheiro Civil, 200 cofas ou Cr$ ZOQ.00,00;
pela Sociedade; totalizando 275 cotas;
• Rubens Bueno de França Bittcncourt1 contador, 200 cotas ou
. e) Alberto [Alf\edoi'j Manfrcdini que possuía 30 cotas adquiriu outras
Cr$ 200.00,00; 30 de Cesar de França Bittencourt;
Newton de França Bittencourt, contador, 150 cotas ou Cr$ 150.000,00;
f) Dadas estas alteraçõés. a situação da sociedade dn relação sócios
• Arthur Thinel, proprietário, 140 cotas ou Cr$ 140.000,00; será as seguinte: '
• Silas Pioli [Poli?], eng. Civ., 100 cotas ou Cr$ 100.000,00; • Marcos Augusto Enrietti 200 cotas no valor de Cr$ 200.000,00;
• Fábio Albuquerque da Gama, dentista, 100 cotas ou Cr$ 100.000,00 • Pedro Lapalú Deffcs, 200 cotas no valor de Cr$ 200.000,00; 1
Theomar Canabrava de Oliveira, Engenheiro Civil, 100 cotas ou • Júlio Maito Sobrirtho, ind., 100 cotas no valor d~ Cr$100.000,00;
Cri 100.000,00; • Silas Poli, 100 cotas no valor de Cr$ 100.000,00;
• Julio lvfaito Sobrinho, comerciário, 100 cotas ou Cr$ 100.000,00; • Fábio Albuquerque Gama, 100 coras no valor de CrJ I00.000,00;
• Isabel Bittcncourt Beltrão, 75 cotas ou Cr$ 75.000,00 • Máximo Pinheiro Lima, 50 cotas no valor de Cr$ 50.000,00;
• Maria José Bittencourt Muggiatti, 25 cotas ou Cr$ 25.000,00; • Otávio Ivan Lapalu 20 cotas no valor de Cr$ 20.000,00;
Mâ.'Wtlo Pinheiro de Lima, médico, 50 cotas ou Cr$ 50.000,00; • Alberto Manfreclini 60 cotas no valor de C;:$ 60.000,00;
Pccy Buchener, químico industrial, 50 cotas ou Cr$ 50.000,00; • Cid Prince dos Santos Paraná, 140 cotas ou Crf 140.000,00;
: Ccsar de França Bittcncourt. co.merciário, 30 cotas ou Cr$ 30.000,00 • Constantino dos Santos 275 cotas no valor de Cr$ 275.000,00;
Galvino Roque Muggiatti, comerchlrio, 30 cotas Cr$ 30.000,00; • D. Anita Ribas 300 cotas no valor de Cr$ 300.000,00,
Alfredo [Alberto?] Manfredini, ind., 30 cotas ou Crf 30.000,00; • · Outras cotas disponíveis ou liberadas: 455 cota~
• Otávio Lapalu, funcionário público aposentado, 20 cotas ou Total: 2.000 cotas no valor de Cr$ 2.000.000,00 (í. e., um mil
Cr$ 20.000,00. cruzeiros cada cota),

122 /23
- Pelo contrato de 1947 REGISTRADO N.\ JCP: .. 5. MINERAÇÃO NORTE DO PARANÁ LTDA.
'! e) Pedro Maximo Lupion, ind., ingressa com 900 cotas (455 adqu"?das
da Sociedade e 275 de Constantino dos Santos, 100 de Fab~o "Documento de constituição de firma" contrato 12.181; de 12/out/44
1 Sócios: Mariano Machado de Oliveira (banqueiro); Iberê de Vasconcelos
Albuquerque Gama ' 50 de Máximo Pinheiro Lima, 20 de Otav10
1ij
11 Bernardes (advogado); Ramiro Rivera de Miranda (engenheiro); Com o
Ivan Lapalu);
1: contrato n.º 16.1693 de 11/03/44 arquivado no Departamento Nacional
f) David \Vtlle Lupion ingressa com 300 cotas (200 de Mancos Augusto
( Eruietti e 100 de Sil.as PiolÍ'); .
de Indústrul e Comércio.
i O novo catista Anísio Hermogencs Bartolomei ingressa com .500 Alterações contratuais:
1
g) cotas (300 cot.as ndiqu1r1
. -das d e D · Anita Ribas• 140 de Cid Ponce Em 18/01/45 (contrato JCP 12.459) "resolvem as ;eguintes alterações
Paraná, 60 de Alberto Manfreditll'); . . (sede passa do Rio de Janeiro pata Curitiba). "Marino. .• elberê... vendem
h) Dada as alterações a situação da Sociedade no que tange aos soe10s suas partes a lvfoysés Lupion._Agora os sócios serio M. Lupion e Ramiro;
o capiral social sobe de 900 mil para 1050 cruzeiros (Lupion pagou 700
será a seguinte:
Pedro Lapalu Deffcs, 200 cotas no valor de Cr$ 200.000,00; mil pelo que comprou}. Ramiro agora terá agott quota e M Lupion 2,
este torna-se diretor-gerente. Em 12/out./ 44 entram Os sócios Pedro
Júlio Maito Sobrinho, 100 cotas no valor de Cr$ 100.000,00
Lupion, Hernúrúa Rolim Lupion, David Lupion e Joaquim Pereira que
Anísi~ Hermogencs Bartolomei, 500 co~_as no valor de
adquirem 349 mil do capital de Ramiro. O·novo éapiratsocial será:
Cr$ 500.000,00
Moysés (,ndustriaQ: 714
David Wtlle Lupion, 300 cotas no valor de Cr$ 300.000,00;
Pedro (idem): 189
Pedro Máximo Lupion, 900 cotas no valo de Cr$ 900.000,00.
Hermínia - - - : 62
.. A administração da Sociedade ficará a cargo de· Anísio Hermogcnes
David (industrial): 42
Bartolomei (Gerente) e de Pedro Máximo Lupion (Assistente). • Joaquim Pereira (,d): . 42
- Em 28/juL/1954 contrato 12456 os sócios são: • Ramiro Rivera Miranda: 01
• Pedro Máximo Lupion, Cr$ 1.SOO.OOO,OO; - Em 18/01/45 Ramiro vende sua parte para Hermlnia. Em 25/nmc/
• Anísio Hermogenes Bartolomei Cr$ 500.000,00 46 Moysés e Hermínia cedem sua parte para Pedro Lupion.
Alteração de Contrato 11.802 de 20/ago./67: Em 26/02/48 entram os sócios Adélia Ramiro de Assis;Joel Mainguê; .
Hermínia Rolim de Moura NCr$ 1.400.000,00; Alfredo Elias; Hernani Borba R.olim; Otávio Alencar Lima. O capital
Ubira)ara Rolim Lupion, NCr$ 300.000,00; que era de Cr$ 1.050.000,00 (um milhão e cinqüenta mil cruzeiros)
• Ruy Goulart Gandara, NCr$ 300.000,00. divididos em quotas de 01 mil cada passa para 15 milhõ.es com quotas
· . . A prunetra
Informações Adiaonats: . - par te e a segunda partes do contrato
. de 15 mil quotas de Ct$ 1.000,00 (um nú] cruzeiros) cada. O aumento
de 1947 ·foi efetuada em caráter particu
. 1ar. "ver ligações. com família Gama e Lup1on foi de 13.950 mil, ficando as quotas divididas da seguinte forma:
e quem era D. 1\nita Ribas (se esposa Interventor). • Pedro Lupion 14.800 quotas
David Wille Lupion 100 quoras
Joaquim Pereira 50 quotas
A delio Ramiro;Joel Mainguê; Alfredo Elias, Hcrnani Borba Rnlim e
Otávio Alencar de Llma cada um com 10 cotas.

124 IZS
[100 mil]; Grete Moeller [100 mil]; João Resch (100 mil]: \Valdemar
Outras informações úteis: Por procuração Pedro Máximo Lupion passa
Maia [50 mil]; Vasco Coelho estudante [25 mil]; Arcésio Lima Filho [25
poderes para que Adélio Ranúro de Assis se torne procurador para as firmas
mil]. Todos comerciantes, exceto Vasco Coclho::,'e Grete Mõllcr
1 M. l..Jlpion & Cia" e uMinerafiio. .. " (estudantes com mesma residência),
Alterações contratuais:
6. CASA METAL LTDA. REGISTRO GERAL JCP 41200997274.
30/ago./1950 O capital passa para Cr$ 15.000.000,00: Marino Machado
de Oliveira banqueiro; Iberê de Vasconcelos Bcrn.irdes, advogado;
Fundada cm 1921 sob a razão social "]orl Hauer ]r." ·
,,
Ramiro Rivera de lvfiranda, engenheiro.· Estes reso}ycm as seguintes
Alteracões no Contrato Social:
Em ~4/08/32 passa para "Casa M,tal I.Jda. "" Compra, venda d, Jmagens, a_lterações no contrato arquivado no Departamento Nacional de Industria
~ Comércio n.º 161.693 de 01/03/44: Marino e lberê vendem suas
lou;ar e outnu";
_. Em 20/01/44 muda de proprietária passando para a "ú,pion & Cia partes para ~oysés Lupion. Agora os sócios serão ~ Lupion e Ramiro.
O capital social da firma sobe de 900 mil para 1.050 miÍbãa. Ramiro
Ltda.., mns mantcm a mesma raziio social.
_ Em 31/07 /68 muda razão social para ''Comércio< CollilrufiieI>MetalLtda." terá 1 cota e Lupion 2 cotas. Em 12/ out./44 uentram; os sócios Pedro

ainda pertence a u,pion & Oa. Atua ''Compra< wnda d, firmg,M, indmlria M Lupion, Hermínia Rolim Lupioa, David Lupion e Joaquim Pereira
,e r:o-mirdo em geral de ronslroçào civil, rompm, vtnda, íncorpom[ào e camta2pts de (que com Moysés). adqtúrem 349 do capillll ddumirO: O capital sacinl
fmÓPelJ rompra e !Jendá dt materiais de ron1lr1tfàO, úrrup!anagem, ton1eráo di · ficará assim dividido: Moysés 714 mil (industriaQ; Pedra 189 mil
1

11
(industrial); Hermínia 62 (prendas domésticas); David 42 (10dustrial):
firmgttu etc.
Joaquim Pereira 42 (reside em Castro); Ramiro Rivera 01.
- Em 1986 com nova alteração.
Informações adicionais: Não consta capital social ou administradores, - Em 26/02/ 48 entram os sócios Adélia Ramiro de Assis, Joel Mainguê,
Alfredo Elias, Hernani Borba Rolim, Otávio Alencu!..ima. O ·capital
aparece apenas a Lupion & Cia.
que era de Cr$L050,00, divido em catas de 01 mil cada.passa para 15
7. INDÚSTRIA E MADEIRAS BENEFICIADAS LTDA. milhões com cotas de 15 mil cada. Oaumento será de 13.950 na seguinte
proporção: Pedro M, Lupion pas~ de 966 co!ll.s pua 14.800 quotas;
De~laração Suplementar Da Firma Contrato JCP 18.239 (para 14/jun./ David passa de 42 para 100 cotas;Joaquim Pereira passa de 42 para 50
1949): "Indhlria De M,/aiJ, Mad<iw Ben,jiciadal I.Jda. "IMABE I.Jda. "~egistrada coras. Os novos sócios Adelito Ramiro dcAssis'\Jocl ~nguê, Hernani
em 23/06/49, início das operações em 17 /jun./ 49 contrato arqwvado no Botba Rolim e Otavio Alencar de Lima ingressam cada Uln cada um
Departamento Nacional de Industria e Comércio n.º 161.693 ~e 01/03/44.; Se.de com 10 cotas. [14,800 +100 = 14.900 (x 15.000))
em Curitiba. Ramo de atividades: "Exphrapio da indútlria ecom/mo de melau emademu
buufl-tiadaJ, çompm t wnda de maltriai! de (l)Ut:)(61 '~ 8. RÁDIO SOCIEDADE GUAIRACÁ LTDA. - ]CP REGIS1RO
_ Capital social: Um milhão de cruzeiros Sócios catistas para contrato de GERALN. 0 31201494039
14/íun./49: Vasco da Gama Coelho industrial [200 mil]; Obras e
Me/hommmlos S / A (assinatura de Vasco da Gama) [200 mil]; ImobiliJria Contrato de fundação 13.711 21/jul./1946: sócios cotistasMoysés Lupion
Comercial Ltda.(assina Ayrtort, João Cornelsen, seu diretor (industrial), João Brasilío Ribas (comerci;nte), Auizio António Finzetto

Superintendente) [100 mil]; Joaquim Gans Vtllcla (100 mil]; HlUls Mõeller (comerciante), Honorato Lupion Pereira Gomes, Murillo LÜpion Quadros

127
126
(comercillnte). Objetivo da "Sociedade. será a exploraçào dos serviços de rá~o- • José Ubirajara Rolim Lupion ingressa na socicdad~ com 5000 cotas
d.ifusào 005 termos da legislação vigente"; sede e foro Curiti~a - PR. Cap1~l (CrS 5.000.000,00).
social: Cr$ 500.000,00 (quinhentos mil cruzeiros) divido cm 500 cotas: - A rádio Guairacá controla uma rádio cm \Venceslau Braz , e outra em
Moysés Lupion 150 cotas, Piraí do Sul [ver Portaria Ministerial nº493 de 01/06/48 e 1169 de 22/
• João Brasílio Ribas 150 cotas, 12/50 para Pira[ do Sul e nº 246 de 22/03/50]. O capital social fica
Murillo Lupion Quadros 100 cotas, assim ·dividido: ,
Aluizio Antonio Finzetto 50 cotas, • Pedro Máximo Lupion 800 cotas (Cr$ 8.000.000,ÓO);
Honorato Lupion Pereira 50 cotas. Adélia Ramiro de Assis 70 cotas (Cr$ 700.000,00); •
Diretor-Superintendente: Murillo Lupion Quadros; Diretor-Gmntc: Leonora Silva Pcitoto 40 cotas (Cr$ 400.000,00);
Aluizio Antônio Finzctto sendo que apenas estes poderão representar e Honorato Lupion Pereira 150 cotas (Cr$ 150.000,00);
fazer uso da firma. José Ubirajara Rolim Lupion 5.000 cotas (Cr$ 50:000.000,00);
Alterações no capital social e/ ou contra ruais: Silvio Gustavo Wille 25 cotas (Cr$ 250.000,00); ·
Contrato JCP 14749 (25/NOV./46): Moysés Lupion se retira e p,ssa Humberto Francisco Lavnlle 25 cotas (CrS 25Ó.OOO,OO); ·
suas cotas para Murillo Lupion Quadros. Não há alteração no volume Joffre Darcanchy 25 cotas (Cr$ 250.000,00). .
total do copital social. ... ~ "A Soduíadt urá admini.Jtmda µr tr!J. Direton.r- 111:1 Dinlor Pruidtntt Uosé
Falta contrato ló852 de 1948: · Ubiraiara Luplon), um Dir,for-Sup,rinlmdtnlt [Adélia Ramiro de Assis] , um Dirti.r
C~ntrato JCP-29485 (17 /01 /55): Retiram-se João Brasílio Ribas e Murillo Commial [Humberto Francisco Lavallef'. ·
Lupion Quadros que transferem suas cotas para Joaquim de Almeida Contr.íto 146.413 de 1973 a "rádio miuhdtguairatd lida. "Muda sua razão
Peixoto e Adélia Ramir? de Assis. João Bra.silio Ríbas passa suas 400 social para "rádio Í/Jlapi lida. "Sob direção de Fernando Cruz Pimentel. O montante
cotas p:ira Pedro Máximo Lupion. O capital social será agora o segui~te do capital socia.1 não se altera. Honorato Lupion pereira mantém 15 coras, Silvio
(total C,$ t.000.000,00): Pedro Máximo Lupion terá 800 cotas; Auizio Gustavo \Ville com 25 cotas [o controle do capital social nas rnllcis de Fernando
Antônio Finzetto 50 cotas; Honorat? Lupion _Pereira Gomes 50 cotas; Cruz Pimentel e Luiz Carlos Cantinho Cruz1 cada um co~ 2500 cotas].
Joaquim de Almeida Peixoto 50 cotas;Adélio Ramiro de Assis 50 cotas.
Diretor-Gerente..: Adélia R.2miro de Assis; Diretor Superintendente: 9 "RÁDIO MALLETENSE LTDA."
Joaquim de Almeida Peixoto.
Alteração contrato 41783 (06/08/59): Mesmos sócios, Aluizio Antônio JCP contrato 15.177 em 17/03/47
Finzetto transfere Suas ações para Pedro Máximo Lupion. Capital social: Crf 90.000,00
Alteração contrato 46379 (15/12/60): sócios Pedro Máximo Lupion, • Mutilo Lupion Quadros comerciante, Curitiba 20 quotas no valor
Joaquim de Almeida P~ixoto, Adélio R.'Ulliro de Assis e Hononto de Cr$ 20.000,00;
· Lupion Pereira. O capital social se eleva de Cr$ l.000.000,00 paca • Clemente Prima, padre, Mallet 20 quotas no v.Jor de Crf 20.000,00;
Cr$ 60.000.000,00 divididos em cotas de C:$ 10.000,00 cada: • Estefania Matioski Buskci comerciante, lviallct 20 qUotas no valor
Pedro Máximo Lupion com 715 cotas (C,$ 7.115.000,00) de Cr$ 20.000,00; ·
LeonoraSilva Peixoto com 350 cotas (Cr$ 350.000,00) • Elias· Wechinski comerciário Curitiba, 20 quotas, no valor de
Honorato Lupion Pereira 10 cotas (Cr$ 100.000,00) Cr$ 20.000,00;

128 129
• Dória Mathioski comerciante, tvlallct, 05 quotas, no valor de Social: Pedro Máximo Lupion 30 cotas (Cr$ 300.oJi,oo), David Wtlfo
Cri 5.000,00; Lupion 15 cotas (Cr$ 150.000,00), Olavo Vida!, Correia 10 cotas
• Miguel Potoski comerciante, Mallet, 05 quotas, no valor de (Cri 100.000,00),José Garcia Couri 5 cotas (Cr$ 50.000,00), Luiz Llebel
Cr$ 5.000,00; 5 cotas (Cri 50.000,00). David nomeia Pedro M, Lupion seu procuradot
• De um total de 90 cotas, Mucilo Lupion Quadros possui 20. Diretor-Presidente: Jorge Queiroz Netto; Diretor-Comercial Olavo Viciai
Altciações contratuais: Correia; Diretor Gaal: Francisco de L.tcca Filho (t~dos.· con:icrciantcs
Em 22/06/78 mesma razão socin~ e porcen~tagem de cotas entre sócios, residentes em Pirai do Sul). Conselho F1Sca~ (titulares)Alfredo Ribeiro
exceto Dória que deixa em espólio Cri 10.000,00 para Cesar 1.oyola de Souza, Farid René Avais, Menfort Ferrari; (suplentes) Silvio Calveci,
Flenik - o qual é radialista e procurador de Murilo Lupion Quadros. Luiz Liebel, Pedro Carneiro de Mello.
Alteni.ções contratuais:
10 MELHORAMENTOS S/ Á - REGISTRO GERAL - Em assembléia de 28/02/52 eleva o capital de Cri 1.000.000,00 para
(MICROFILME) 41300052310 Cri 2500.000,00 divididos em 250 cotas de Cri 10.000,00 [ao que deve-
se somar os capitais individWlis preexistentes]: Jorge Queiroz Netto passa
Em 20/mar./47 data do arquivamento do 1º arquivamento de processo
para Cri 933,60; David Lupion Cri 2813,60; 01:>vo Vida! Correia
(n.º 15,179). 14.971,90; Francisco deLucca Filho Cri 150.000,00;José Garcia Couri
"CÓnslniÇÕo jJDr íanta pnipria 011 romirrio de obm1, ittdilstrialização compra e venda de '{Cr$ 430.810,0; Luiz Liebel Cri 13.080,00. [Jorgé Queiroz Netto continua
materiais rorre/atliJ e qualquer aulro 'mmo do comin'io que iht ronvitr. ·~ diretor-presidente. Rcpresenb a "General Motors-dd Brasil'1,
Sócios: Mário. Eduardo de Barros João Ayt:ton Cornelsen, Miguel
1
Em 21/02/57 reeleição de Jorge Queiroz Netto como Diretot-Presidente
Queiroz, Antônio Batista Ribas, José Lupion. Em 1951,]. Lupion
e Francisco de Lucca Filho Diretor Cotl'lercial. Consdho Fiscal: Lauro
secretário da empresa. VolaC:01 Feres Constatino, Antonio Fanchin Ftllho. Suplentes: Renato
Alterações contratuais: Borba C2irnciro, Silvia Calvetti.
Em 15/04/1948 passa de Ltda. para S/A. Em assembléia 15/ mat/58: Reelege-se Jorge Queiroz Netto e Francisco
Em 1951 Ramiro cle Lucca Filho. Conselho Fiscal: Carlos Alberto Filizola, Silvio Calvetti,
- Em 1956 a empresa enln em liquidação.
Pedro Rodrigues da Costa; Suplentes: Feres Constatino,Antonio Fanchin
Filho, João Abrão e Luiz Carlos de Macedo.
11 "AUTO COMERCIAL S/A": REGISTRO GERAL
(MICROFILMADO) 41300042071 12 "RÁDIO CASTRO LTDA."

Contrato de abertura JCP contrato 18.733 10/11/49: Com autorização Ministério da Viação e
(Diário Oficial do Estado do Paraná n.º 116 de 17 /7 /48). Sede: Pirai Obras Públicas portaria 358 de 19/abt/50.
do Sul. "b Jt.11 ol!Jttivo romirria de compra. e vmda de alllomóvds, rami.nbões, óleos - Capital social: Capital social: Cri '350 mil; dividido ern 350 cotas. Destas
ÍJ//mjiranttJ, .!!fUOÚ,ra, pt(llI e a,euódo1 t arligo1 comfado11a®1 e qualq,ur outro
os Lupion possuem 191 cotas. Sócios: José \X/a1dcmar Fuskci [Buskei?];
artigo de rominio qmfar contlénitnlt na ao/ inltr:JJt.J da soa'tdatk" Capital sochl
Lauro Grein Pilho; Feliciano José de Menezes; Dário de Macedo; José .
Capital Cri 1.000.000,00 dividas em quotas de Cri 10.000,00. Capital
Pedro Novaes Rosas; Luis Prata Mestre; Eduardo José de Quadros;,

130 131
Francisco Cavalin; Ciro Novacs Villcla; João Moreira de Mel.lo; Pedro 13 FÁBRICA DE FÓSFOROS ALVORADA
Máximo Lupion; Mutilo Lupion de Quadros.
Alterações contratuais: . JCP ~contrato rÍ.~ 1915 10/05/50): Inicio das ativiihdes 11 maio 1955
Contrato ]CP 20.833 02/03/1951 'J1ltm,ção duontmfo social q11<faZJ111 tnlrt ti (sob esta razao soCJal), Ptraí do Sul (sede e foro). Ramo de;atividades: '1ntÍJíslria
José Wa/d,mar Fnckm (I«t:kth?), Feliriano ]os!Men,z.es, Dario d, Maado, ]01! Pedro uomirrio rk fósforo," ·
d, Notmt Rosar, údz Pmta Matn, Edmmio José d, Quadro,, Fnvuism Cadn, Capital social: Cr$ 3.000.000,00. (três milhões de ~eiras) Sócios Da',,;d
Uriat doJ Sant01, Pedro Ka/1,d, ]01é Moreim de M,&, Lmro Gnin Filho , Y"' (450 quotas,
_
cas-"-
no valor de Cr$ 450.000, 00'J bras. , .d -'
4U\/, res1 ehte em Sao
Nt:it.tW V'tllth"todos basileiros residentes em Castro com a saída dos "sócios Paulo (capital); Pedro M Lupion (2460 quotas, no valo~ de Cr$ 2.460.000 00)
quotistns senhores Lauro Grcín Ftlho, Francisco Cavallin e Cyro Novaes (casado e residente em Pira{ do Sul) e José Lup,.onJ/·"'" (90 '
1 . -- ~~no
Villcla com o ingresso dos senhores .Alberto Elvino Zappe, Alfredo va o~ de Cr$ 90.000,00) (brasileiro solteiro residente em Curitiba).
Schendioski, Vespasino C.meiro de Mello, Otto Kugler, Germano Kugler, Presidentes; conselho fiscal: A •dministracõo • . d
- - . _ _ _ _ 7- e g~ene1a a.empresa
Antonio FerrciraSalgado,Divaldo Samuel Esquinazi, Pedro Mmm.o Lupion cabem a David \Vtlle Lupion e Pedro Máxim Lu . .
_ o pion, compebndo a
e Murillo Lupion Quadros, com que fica t1mbém aumentado o capital de Ambos os encargos ndtninístrativos.
Cr$ 200.000,00 (duzentos mil cruzeiros) para Cr$ 350.000,00 (trezentos e
cinquentn mil cruzeiros)" dividido cm 350 quotas de Ct$ 1.000,00 (um mil 14 INDÚSTRIAS BRASILEIRAS DE PAPEL LTDA. REGISTRO
.'.ruzciros) da seguinte furm.,: José Waldemar Fucksh 5 quotns no valor de ·· GERAL ]CP MICRO FILMADO 41300033790 . . . ·
Cr$ 5.000,00; Feliciano José Menezes 2 quoms no valor de Cr$ 2.000,00;
Dario de Macedo 3 quotas, no valor de CrS 3.000,00; José Pedro de Alterações.contraruais:
Novacs Roas 5 quohlS no valor de Cr$ 5.000,00; Luiz Pram Mestre 3 - Em 25/01/51 (contrato 20566) os sócios são João Fernandes lvfc •
João S ' ·· J - L · . rum,
quoms no valor de Cr$ 3.000,00; Eduardo José de Quadros 2 quoms no . ~arto e oao upton Filho, a empresa situa~se no munidpio de
Jagumtva.
valor de Cr$ 2.000,00; Divaldo Samuel Esquinazzi 20 quotas no valor de
Cr$ 20.000,00; Unas dos Santos 6 quot:lS no valor de Cr$ 6.000,00; Pedro Em 28/06/5.1 as InduJ/rias BraJiúims d, p0 ,.,, , •Ja • tran e
'1'" LI, • <1C Slormam cm
Kalled 4quotas no valor de Cr$ 4.000,00;João Moreira de Mello 10 quotlS S.A. ?.capi~l social se eleva de Cr$ 300.000,00 para Cr$ 30.000.000,00.
no valor de Cr$ 10.000,00; Alberto 1\lbcrto ·Elvino Zappe 53 quotas no Os soCJos ate então João Fernandes lvlenim João Sgu. . J - L .
Filh . ' ano e oao up1on
valor de Cr$ 53.000,00; Alfredo Schendroski com. 10 quotas no valor de o, ª. ~arur de então entram outros quatro sócios a seguir. A
compos1çao da sociedade serâ a seguinte: ·
Cr$ 10.000,00; Vcspasiano Catnciro de Mcllo 5 quohlS no valor de Cr$
5.000,00; Ülto Kugler 1 quota, no valor de Cr$ 1.000,00; .Antônio Fctrcira • João Fernandes Mením (mdustrial Itararé - SP) Cr$ 2.250.000 00·
Salgado 4 quohlS no valor d de Cr$ 4.000,00; Pedro Mhímo Lupion 100 ' Jofo Sguário (industrial Piraí do SuQ Cr$ 6. 300,000 OO· ' '

quotas no valor de Cr$ 100.000,00; Mutilo Lupion de Quadros 91 quotas Pe~r~ Máximo Lupion (industrial Piraí do SuQ CrJ ~4.;00,00;
no valor de Cr$ 91.000,00. ' Adelio lutruro de Assis (industrial Curitiba) CrJ 1.200 00·
Em 1951 (quando entram os Lupion) Divaldo Samuel Esquinazi e Alberto • Luiz José Sguário (industriol Itararé_ SP) CrS 4.Soo,oo: '

Elvino Zappe ambos diretores; Mutilo Lupion Quadros represenw:\ a ' João Lupion Filho (faz. It2petininga _ SP) CrJ 600,00;

empresa em jilnlo aos padtm romptllnltt, emjulzo ou fora dek 1


:
... •Anacleto Pues Puriatti (industri,l Piraí do Sul) Crt 450 ,00.
Ações de Cr$ 1.000,00 ada, mandato da cliretocia de'3 ::-nos.

132 IJJ
i
totalizando 4.100 hectares d~ntro da comarca:·.de Jaguariaíva. Na
- A onta que há um débito de impostos pelo uso do potencial hidréletrico
p .. 8/ negociação parte da área foi anteriormente vendi~a à Cesário Manoe~
dos rios Cachocirinha e das Cinzas (citada a Coletoria Federal em Jaguanatva
sendo o procurador para José Ubirajara RolimLupion na venda o senhor
maio/51). . · , . Ermelino Ribas. Assinam os representantes do total do capital social:
_ Assembléia Geral Ordinária 28/jun./52: elege Conselho F1Scal: Amsto
Hermínia Rolim Lupion, Ruy Goulart Gandara,Joào Fortun~to Bulcào
Hcrmógcnes Bartolomci, Alfredo Ribeiro de Souza, Isaac Fa~el;
de Mello, Joana D'Arc Lupion Gandara, José Ubmjara ·Rolim Lupion,
Suplentes: Casem.iro Brichita, Frederico Holtz,Jorge Dcodato Lemotne.
Vera Maria Amaral Lupion, Adélio Ramiro de Assis, "Btmil.At,rop,aiária
Assembléia Geral Ordiruí.ria de 30/04/53; O conselho fiscal.reeleito
SA. -Agrobral' por quem assina Ruy Goulart Gandara.
· "d ade,. Adélia Ramiro de Assis é secretário, assinam Pedro
por unarunu Outras informações úteis: A empresa utiliza-se em São Paulo dos escritórios
Máximo Lupion (Diretor Geral) e João Sguário.
da madeireira Santisi S/A e em Curitiba da M, Lupíon & Cia, pelo uso destes
Assembléias Gerais Ordinárias de 30/abr./54, 30/abr./55, 08/abr./56
, pagam comissões às firmas.
reeleição diretoria e conselho fiital (titulares e suplentes). . .
Assembléia Geral Ordinária 29/abr./5_8: Pedro Máximo Lup1on dir.
OUTRAS EMPRESAS COM LUPION
presid., Alfredo Elias secretíri~ da Assembléia. Conselho Fisca~ Alfredo
Ribeiro de Souza, Isaac Fadei Netto, Alcino Abreu Santos; Suplentes:
Angelo Farolim Gabardo, Casemir~ 1,':1°11ta, Jorge Dcodaro Lem~ine. 15 INDÚSTRIA ANTONIENSE DE PAPEL S/ A (REGISTRO
Ém 30/01/61 informa criação de filiais cm Mafra-SC, Pedro Máximo GERAL MICROFILMADO 41300044376)
Lupion Diretor, mesmo canse.lho fiscal, Alfredo ~lias s,ccr. da ~~embl~
Assinam 05 sócios Pedro M.íximo Lupion, Alfredo Elias, Adélia Ramiro 'TndlltlriaAnlonienr, d, Papel S/A"; fundada em: A firma esta registrada no
de Assis, Silvio Gustavo Wille,José Cru:los Wtlle, Anacleto Pires Furiatti, Departamento Nacional de Industria e Comércio sob os n. 0 6.310 e 19.375 cm

João Sguário. . , . 07 /01/46, Capital social: O capital da firma é de Crt 87.000.000,000 (oitenta e
Assembléia Geral Ordinária 26/ abr./ 61: Assinam sóctos Pedro Máximo sete milhões de cruzeiros); Quais as porcentagens de cada só,ào: Moysés Lupion
·
Lu pton,
Alf-rc d o Elias ~ Adélio Ramiro de Assis.José Alves Corrêtt, Silvio possui 100 ações no valor de Crf 100.000,00 (cem mil cruzeiros) (In: Diário Oficial
Gustavo \Vtlle,João Miguel Lupion, . junho 1949, scçào 1); % de quotas para se tomar decisõ6s: Moradia e profissão
_ Em 1964 Rui Goulart Gandara é Diretor; Conselho Fiscal eleito: Roberto destes: Em 21/10/1952 "Comparec.,,:am os outorgantes !talo Pelizzi, brasileiro,
Caetano do Amaral (adv.), Hamilton CalderarÍa Leal (médico), Octavio · engenheiro residente na capital federal; Valdir Gonçalves Tostes, brasileiro, médico,
Alencar Lima (engenheiro industrial) [todos de Cw:itiba];Suplentes: Miguel residente na capital foderalj Valdemar da Silva Bojunga, brasileiro, residente na
Balduy (indusrriaQ, Diogo Lucchesi (advogado), Manoel Cursmo Dias capital federal; Moysés Lupion, braaileiro, industrial, residente em Cw:itiba; Mueller
Paredes (advogado). & Irmãos Ltc:la*, secliada em Curitiba; Dona Marina Gomes Figueius, brasileira,
Assembléia Geral Extraordinária 30/set/64, o capital social passa de · doméstica, residente em Petrópolis estado do Rio de Janeiro. Os quatro últimos
Cr$ 30.000.000,00 para Cr$ 90.000.000,00. A "Bmnl.Agroptauiria S/A- representados por Italo Pelizzl seu procurador.. Também compareceratn Tbalino
.Agrobras" representada por seus diretores Herminia R~lim ~;'ion, ~y Barbabedo de C. Botelho, brasileiro residente na capital federal, esse representado
Goulart Gandara,Joào Fortunato Bulcào de Mello e Jose UbtraJata Rolim por seu procurador Valdir Gonçalves Tostes por ato particular; Mirsilo Caspari,
Lu ion, ajudou a realizar o capital adicional de Cr$ 60.000.000,00 através comerciante, brasileiro, residente na capital federal; Luiz G002aga do Nascimento ,
P - de 3 mil hectares da fazenda Cajurú e mais 1.100hectircs,
d a mcorporaça0
135
134
e Silva advogado, brasileiro. residente O.a capital federal; Eulálio Nascimento e • Laura Gravina Fiorillo Cr$ 50.000,00 (com 10 ~otas);
Silva Filho advogado, brasileiro, residente na capital federal; Heitor do Nascimento • llivadavia Garcia de Lara Crt 50,000,00 (com 10 cotas).
e Silva advogado, brasileiro, residente na capital federal; Vicente Ferrer Gaede ~ *Alguns dos sócios não H.realiz-!Ilu todo o capital (~.: Vicente F.). As
medico, brasileiro, residente na a,piral federal Presidentes: Demonstenes Madureira cot.as acima se referem ao capital qt:Ie aumentou, não ao totaL
de Pinho; Primeiro e Segundo Secretários: Pierre I,lrnbosch, Homero Fc.rreira Ange1o Rolim de Moura Diretor-Gerente renuriciou na assembléia
Pinto (Diário Oficial 13/set/1952) de 10/ out./ 48. Conselho Fiscal: Vespasiano Carneiro de Mello,José
Alteraçà_es contratuais: Trarisformada etn sociedade por quotas a "Ittdmln'a Waldernar fucksb, Dárlo N[tlcgívcl) Macedo Qndustrial, Castro);
Anlanitn,, dt Papei Lida" passa para "S/A "através do contrato registrado na JCP Suplentes: Antônio Marques de Souza (fazendcito),Jorge Xavier da
em 17 /jan./1949. Silva, Jahir Rolim de Moura. As porcentagens de ações do capiral
social é a seguinte: · ·
16 CASA BANCÁRIA VICENTE FIORILLO. REGISTRO GERAL • Vicente Piorillo Cr$ 375.000,00 (com 75 cotas);
N" 41300035083. • Vicente Piórillo 1300 ações (1300votos);
• Felippe Piórillo 100 ações (100 votos);
Em OS/ mar./ 48 capital social pa~sa de Cr$ 250.000,00 sobe pata • Angelo Rolim de Lupíon 100 ações (100 votos).
· Cr$ 1.000.000,00 dividido em 200 cotas de Crt 5.000,00 cada. • Oscar Martins T10el 100 ações (100 votos);
Em 16/09 / 48 capital social Crt 1.000.000,00 passa para • llivadávia Menarim 100 ações (100 votos);
Cr$ 2.000.000,00. Diretor Superintende: Vicente Pia'rillo, Diretor
• Maria Rosa Fiorillo Casella 100 ações (100 voiós);
Gerente: Angclo Rõlim de Moura. Sede: Castro. • Laura Gravina Píorillo 100 ações (100 votos); .
No dia 06/ mar./ 48 o capital social pnssa de Cr$ 1.000.000,00 para
• Rivadavia Garcia (Grada?) de Lara 100 ações (100 votos).
Cr$ 2.500.000,00. Sócios: Vicente Píocillo (Banqueiro e industrial); Osa,r " Total: 2000 ações - 2000 votos.
Martins Tinel (industrial), RivadávÍlt Garcia Lara (engenheiro), Angclo
Rolirn de Moura (bancário e proprictárío). Maria Rosa Fi~rillo Casella FONTES SECUNDÁRIAS
[??? O terceiro nome, Casella, nàa muito legível].
Em 06/set/48 (Diário Oficial seção 1) os objetivos da sociedade: "Obj,ta 1. Gazeta do Povo .01.47
da 1ociedadt: ope111f3e1 bancária! [... ~ech~ ilcgívcij, emprl1ti~oI efina11àamento 2 Gazeta do Povo 31.01.77
por ran/a própria dt ttrnirw [...]. O fim da 1adedadt I a explorarão da negJria 3. Estado do Paraná 1951
banain'a ,m wdaJ a, modalidadts, exa///lUÍaJ ar opemçfo dt mdit. rral, a v,nda 4. Estada do Paraná 1951
d, pmla(Õ<I, dt titular da dívida públira. A rariedadt podtni ainda exploror roma 5. Relatório Rivadávia Macedo de 1933
imobiliánO e outrru, s~ ma ronwnilnda eco,uoante mohlção da maioria dar quotiJ!aJ. " 6. Relatório Mader de 1935
Divisão do capital social (200 cotas de Crt 5.000,00) aumenta:
• Vicente Piorillo Cr$ 375.000,00 (com 75 cotas);
• Pelippe Piorillo Crt 60.00,00 (com 12 cotas);
• Angelo Rolim de Moura Cr$ 60.000 (com 12 cotas);
• · Oscar Martins Tine! Cr$ 60.000,00 (com 12 cotas);
• Rivadávia Menarim Crf 50.000,00 (com 10 cotas);
• Maria Rosa Fiorillo Cr$ 50.000,00 (com 10 cotas);

136 131
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140
1. INTRODUçAO

O presente trabalho 1 aborda a poli~ca paranaense a partir~ reconsÜtvição'


da trajetóna social e po!Jtica de Bento Munhoz da Rocha Neto, membro da classe
dominante paranaense e de uma família tradicional dO Estado. que 'teve dCStaque
no cenário político paranaense -após o processo de rcdemoc~~çào d~ 1_946.,,
Bento Munhoz foi herdeiro politico das oligarquias da República Velha. Seu pai,
C.etano Munhoz da Roch•, e seu sogro, Affons6 Alves de Camargo, governaram
o Paraná no período entre 1916 e 1930. Durante a República Velha, o poder
político em nív:el regional é exercido pelas oligarquias vinculadas à economia do
mate e à Cco~çmUa pecuária. Caetano pertencia à oligarquia vincul~da à economia
da eCVa-m,.te, cnquan'to Cama.rgo pertencia à oligarquia vinculada aÇ)s proprietários
de terra dos campos gerais, à econo~a pccuâcia. Alternando a 'presidência e a
vice-presidência, governaram o Paraná de 1916 até a ºRevol~çã~ de 30", pelo
Partido Republicano Paranacnse.
Manoel llibas foi interventor do governo Vargas no Paraná no pc~odo
entre 1932 e_ 1934. Com a volta da normalidade institucional, Manoel Ribas é
eleito Governador do Estado pela Asscrnblêia Legislativa. Após o Golpe de Estado
de 1937 e a instauração do Estado Novo,-Manocl Ribas volta a sct' o interventor
no Paraná, permnnecend°. no cargo at<é a queda do Estado Novo.No longo período
em que governou o Paraná, Manoel Ribas estabeleceu uma relação entre o poder·
do ?5tado e as forças econômicas dominantes tradicionais. lvfanoel Ribas foi
fundador do Psn· no Paraná em 1933, tomando~sc o presidente honorário deste

"Agcadcço 20 Profcasor Doutor Ria.rdo Costa de Oliveira (Ciência Poliria - UFPR), que
me incentivou a estudar a polftic:1 pacanaen,c e contribuiu com sua: lcitur:a àiric:t e rngcstõcs
na elaboração dc,te tra~lho".

143
partido cm nível regional. Com a morte de Manoel Ribas, o empresário Moysés
Lupion ru:ticulou a sua pré-candidatura ao governo do Escidopclo PSD, dispucindo
com outras forças políticas, corno a de Brasil Pinheiro .Machado. Vitorioso na
disputa pelo controle do PSD, Moysés Lupion tomou-se o herdeiro político da
estrutura de.poder criada por Manoel Ribas. As eleições pru:a o governo do Estado 2 TRA]EI'ÓRIA POLÍTICA DE BENTO MUNHOZ DA ROCHA NETO
de 1947 foram disputadas por Moysés Lupion e por Bento Munhoz da Rocha
Neto. Embora tivesse um perfil moderno, Bento 1-funhoz manteve os vínculos
com a herança política que recebeu das oligarquias da República Velha, ingressando
21 TRAJETÓJU,\ SOCIAL DE BENTO MUNHOZ
no Partido Republicano. Em sua trajetória política,. Bento Munhoz tomou-se
depurad? federal por dua.s legislaturas, governador do Paraná entre 1951 e 1955 e
Bento Munhoz pertenceu a uma familiá da class d .
tllmbbn Ministro da Agricultura no Governo de Café Filho. proprietária-de engenhos de-m ... tc li d e o~ante paranaensc,
.. "' e ga a ao com· ci · · - do
Este estudo ttm por objetivo construira trajetória política de Bento M1;mhoz Uma familia de religião católica, c j d . er o e:xporci r deste produto.
da Rocha Neto, político e intelectual parnnaense que teve destaque na vida pública Munhoz. Seu pai, Caetano lvfunho: ada ~~a e.,crce forte tn~uência sobre Bento
paranaense, assim como no cenário político nacional. Além disso, visa-se tecer .,
viuvo por duas vezes. Bento u .... ,
e a, casou-se por tres vezes te d .
• lilh. :
·oo
' n o SI
LVllJ.IUlOZ e o do prim .
considetpçõcs sobre a gestão de Bento Muohoz no Governo do Estado do Paraná, com Olga Souza Munhoz da Roch C . . etro casamento de Caetano,
no período entre 1951 e 1955. a. om a pomeua espos-:1 C ._ M
dez filhos além de ·d - · · · .., ae ... no unhoz teve
• ter 11 o um @ho com Domítilla "-- 'd M h .
Este trabalho divide-se em dois capíntlos: o primeiro trata da trajetória social a
segunu.1 esposa, e mais um fúho e .
.oune.i ' un , oz da Rílch a, sua
. , om sua tcrCC1rn espos S 1 . B
e política de Bento Munhoz) no qual se procura mostrar como este ator policico Rocha. O • ª• Y via caga Munhoz da
s avos maternos de Bento Munhoz são o Ma. . ,
teve uma postura política modernizante, de um homem burguês. Além disso, Souza e Francisca C.'ltneiro d S , Jor .Manoel Frandsco de
e ouza. Seus avos pat .. --r
procura-se mostrar como no decorrer de sua vida se t_omou um ideólogo da Bento Munhoz da Rocha, e .p . emas sao O ..1.enente Coronel
que ,01 res.tdente da Câmara M .... 1
sociedade capitalista, defendendo organicamente os interesses das classes dominantes. falecidoem1896 eMariaLeocádi M uruapa deParanaguá,
' a un I1oz da Rocha. Seus bi ,. .-
Bento Munhoz teve fortes vínculos com o catolicismo, e a defesa da.ordem bucguesa Coronel Dento Munhoz da Roch ~ M . savo~ pat.s do Tenente
que empreendeu foi marcada por sua orientação religiosa. Foi um intelectual católico :i., sao anoel Marttns da Rocha 1.-fru:i Li .
Munhoz, sendo que os pais de Maria Lc cli e a Ch'l
e defensor de uma civilização burguesa cristi. oca a Munhoz são O T, C
Caecino José Munhoz e Franciso Canclid d A . ( . cnente orond
O segundo capitulo trata da gestão de Bento Munhoz no Governo do . a e ssts NEGR.\O 1926 P 235 259,,
Francisco Negrão cm seu livro "G 1 , ' ' . - J·
Estado. Tecemos considerações sobre os aspectos de maior relevância que ' cnca ogta Paranaense" J b ,
genealógica da familia lvfunhoz eh • , .e a ora a arvore
caracterizam o seu governo. Entende-se que a gestão Dento Munhoz se insere N li • . • egando ate seus ascendentes da península lb •.
este vro, Ncgrno ctta um discurso de Akid lvI cnca.
numa conjuntura nacional marcada pelo dcscnvolvimentismo. A sua gestão na .Academia de Letras do p , r- 1 es unhoz, quando este tomou posse
procurou estruturar o- Estado visando garantir seu processo de desenvolvimento arann,· •• ando da origem da famili a Munoz. h

social e econômico. Considera-se que sua gestão se deu no sentido de consolidar


_-\ Familia nfunhoz no Sul do Bnsil e nas re ublic . •
a unidade política do Paraná, assim corno de firmar Curitiba como o centro tronco de origem . . p .u platinas proveem de um único
que teve o sc.u mício em T . .
político do Estado, assegurando a sua condição de capital do Estado. O seu ptim . . arancont provtnaa espanhola de Cucnca.
euo rcprcaenuntc foi um empre d • . .
J\o estudarmos a trajetória política de Bento Munhoz pretendemos X\ff u d ga O rcgto de tmpo:stos no sêculo
" · m os seus descendentes veio P , . , •
r. ara a ..,.mcnca em meados do século X\'111
contribuir para a compreensão da realidade política paranaensc. \ 1era co mili ·
' mo t:u, para. as posses.sões e.spanl10Lls do sul. para a Banda Oriental,
144
14S
foi eleito Senador da República, mas Oào cumpriu inteiramente o;mandato, sendo
. oroa A. família espanhola Munhoz não possuía
d
\mente, cm servtÇO a e ·• ' 'vcl A afastado quando da "Revolução de 30". Em 1935 foi eleito para a Assembléia
provave _ . E t d.avia de classe respeita · •
·· · a nem argcnta.n:t. n, 0 '
Constituinte do Estado do Paraná pelo partido "União Rcpubli~tla Paranaense",
nobreza, nem consangwnc ' nhecida ma Espanha e na
. , • ue a enobreceu e a tomou co
indole altiva, porem, e q D F do 1\Innhoz foi o segundo do qual foi presidente. Finalmente, Caetano Munhoz foi Presidc11.te do Conselho
d d dentes do tronco. . etnllll ' ~
Franç-,. Um os cscen . -"' n.ltJNHOZ apud NEGR.\O, Administrativo do Estndo, nomeado por Getúlio Va.rgas, demitÍndo-se, porém,
aínha Christina regente da Esp-u.... a. V' , ' •
esposo d a r ' um ano após a nomtaçào. Faleceu em 23 de abcil del 944 (PINHEIRo"~L\CHADO,
1926,p. 236.) 1969, p. 308-310).
Bento Munhoz iniciou seus estudos em Pa.ranaguá, no c;'.alégio São José,
O bisavô de Bento Munhoz, c~etano JoSC Mu~hozz, parti~::ó::
. . ov-ernador da Provinc1a, acanas onde fez o primário. Cursou o secundário em Curitiba, ~o Gin~io DioccsanÓ,
solenidades de posse do pruneu:o g "d· · . (\ll!EID.\ 1989, p. 32). Com uma escola dos padres Lazaristas. Estudou engenharia na Univcrs~dade do Paraná.
eando-o em sua rest encta • ' .
Vasconcelos, homenag i • familia Munhoz da Rocha se ap~XJ.tnª da formando.se em 1926 (PERFIS P.',RLAMENT.ARES, 1987, p. 44), ·
O íng'resso dá pai de Bento na polittca,.a ' ligarquia parannense, nus ligada à Casou-se em abril de 1929 com Floo Camargo, filha de Affonso Alves de
t nte tambcm a o ·
familia Camargo, per ence • " . 11 m ambiente familiar impregnado . Camatgo, um politico da República Velha que foi Presidente do Estado do Paraná
. , , Vi e, desde sua tniancLa, u
economta pecuarta. IV a uá-PR, no dia 17 de dezembro de no-período de 1916 a 1920, como vimós acima, e.novamente de 1928 a 1930
de vida politica. Quàndo nasceu em p~~ g . rgo de deputado estadual (PINHEIRO ~L\CFHDO, 1969, p. 271). A avó_ de Bento havia sido madrinha de
. - M nhoz da Rocha, Jª cxetoa o ca ,
_1905) seu pai, Cactnno u , \n'toniria Estado do Parana. em batismo de Fiam Camargo. Em entrcvÍst:t i Folha de Londrina; Flora, falando
· .,. h d Rocha nasceu em n '•
Caetano Mun oz a • .. F Idade de Medicina do Rio sobre o êa~amento, faz a seguinte afi.tmação: "Fui de carrua.g~. puxada por
. 9 F . e em mcdícma, na ~acu • .
14 de maio de 187 · armou s p • Em 1905 abau quatro cavalos, da casa amarela ali na frente (na praça Osório) até a Catedral".
li .- do durante três anos em arnnagua.
de Janeiro em 1902, e t11can h & Irmão ·1untamcote com seu O casamento, realizado à meia-noite~ teve 46 damas de honra. Passaram a lua-de-
· · Munhoz da Roe a 1

uma empresa de comerc1.0, a


M Caetano Muhhoz optou atuar na
. politica sendo eleito
. , '
mel na Europa (FOLHA DE LONDRINA, 21 jan./1996, p. 8). De acordo com ii
irmiio Ildefonso. as ·
. l tiva Estadual para o tento 1
b·• . 904-1905 pelo Parudo
• Flora, dizia-se na época de seu casamento, que este seria "uma união política para ti,,
deputado ao Congresso Lcgts a . l\,la hado Foi reeleito para as reforçar a oligarquia. Aquela inverdade nos ressentia por sermos dois enamorados
· . chefiado por Vicente c ·
Republicano Paranaense, úl. período o lºVicc-Presidente, recêm-saldos da adolescência" (!.!UNHOZ D,\ ROCHA., 1985, p. 192).· É certo,
d 1906 07 1908-09 sendo neste tuna
legislatur11s e . ' ' 912-13 1914-15. Finalmente, elegeu-se porém, que este casamento reforça a união entre as' duas famílias. FJ0111 Camargo
1 gl 1 t ras de 1910-tl, l • ·
e ainda para as e s a u , d foi Presidente do Congresso estudou n~ Colégio Sacré-Coeur do Rio deJaneiro e, posteriormente, foi fundadora
d 1916 17 peao o em que
para a legislatura e · ' . . , ai d Paranaguá em 1908, sendo deste Colégio em Curitiba. Escritora, é membro da Academia Feminina de Letras
F i eleito Ptefetto Muructp e
Legislativo Esta d ual· 0 • d 'm em15denovembto do Pamtá, da Associação de Jornalistas e Escritores do Brasil, da Academia de
., . d 1912a 1916 renunctan o,pote '
reeleito pàra o quatrteruo e . ,' C "b (CIRCULO DE ESTUDOS Letras ''.José de Alencar" e do Centro Feminino de CuÍturn. Tiveram cinco filhos:
• d passa a restdír em urtt1 ª
de 1915. Nesse perto o . d 1916 a 1920 no governo Caetano, Mitsy, Daysi, Sandra e Suzana.
1944 271) Nopedodoquevat e '
BANDEIRANTES, • P· . . 1º Vice-Presidente do Estado, ocupando Bento Munhoz começou n lecionar_na Uni~crsidadc do P~nâ em 23 de
de Affonso Alves de Camargo, fot ,. n.- d e,posteriormente,deSecretário outubro de 1940. Foi profc3sor de História da América na Faculdade de Filosofia
, d Se etário Estadual wo '·ouen ª .
rambem o cargo e cr . , . ""EGRÃO 1926 P· 247). Em seguida, e deu aula de Problemas Brasileiros na Faculdade de Medicina. Na Faculdade de
a. A . ltuta e Obras Publicas I!'' ' '
da Fazenua, gncu ' d . n<latos exercendo o cargo de Engenharia, ocupou as C2deir:ts de Economi2 PoUtica e Ciências das Finanças, de
d Estado do Para.na pnr ots ma •
foi Presidente o A ir do Governo do Est:tdo, -Geologia, de Mineralogia e de Metalurgia. Foi ainda professor de Sociologia na·
1920• 1928, pelo Partido Republicano Paranaense. o sa
141
146
Miele que, na época (1929), era Catedrático de Filosofia do Inte~nato do Ginásio
Pontifícia Universidade Católica do Paraná; professor no Instituto de Teologia de
Paranaense. O padre Luiz CT. 1vfiele convida ''. ..várias figuras rÇprcsent:ativas do
Curiciba; n• Escola de Altos Estudos de Adminlsttaçào Internacional e, finalmente,
nosso meio intelectual pnra co-partídparem de tão patriótico empreendimento"
professor de Psicologi,, c'Lógica no curso Pré-engenheiro (PERAS p_-\RL.'Jl!ENT.-\RES, (Fernandes, 1934). Representantes do meio intelectual paranacnse, mas com a
1987, p. 44--45). ressalva de serem de religiào católica. Ou seja, o con~•ite é fcito ap~nas a jntelcctuais
Foi Presidente do Sindicato dos Engenheiros do Paraná; Secretário do Conselho
cat6licos. O General Luiz Carlos Pereira.Tourinho diz, em entr~vistal, nunca ter
Regional de Engenhnrfa e Arquitetura dn 7' regiiio; membro do Instituto Histórico e
sido convidado para ser membro do Círculo, visto não ser de religião católica. Os
Geográfico do Paraná e do Centro de Letras de Pnrfill/'guá (Ibidem, p. 44). sócios fundadores do Circulo são: Padre Luiz Gonzagt :tv[Íele, Catedrático de
No 'decorrer de sua vida, escreveu e publicou muit~, d~de a juv~ntude.
Filos~fi~ do Internato do Ginásio Par:anaensej António Rodrigt;ies de Paula., Juiz
Escreveu vários prefácios e introduções de livros, assim corno muitos ensaios.
de Dtretto; 1'-faestro Bcnedicto Nicolâu ,dos Santos, Publicista e lviusicista; Bento
Dentre os diversos livros que escreveu, podemos dest.1ca.r "Presença do Brasil",
Munhoz da Rocha Neto, Engenheiro Civil;. C,rl~s Araújo de Brito Pe;eira
de 1960, pela José Olympio Editora; "Mensagem dti América" (sem dat.,), pel•
Cntedráti.co de Português da Escola Normal da C•p1't-'·J
.. m, ase• Lour.eu:o
• A sccnçao
-'
Iinprensn da Universidadc·do Paraná, e "Ensaios'\ de 1969, pela lrnpre11-sa da Fernandes, tvfêdico e posteriormentC um dos co· o· epartamento· de
l' rmado· res ·d o
Universidade Federal do Paraná. Seus discursos proferidos na Câmara dos Antropologia da Universidade do Paraná·, José de Sá Nunes; c·a t ed rattco
' · de
.
Deputados fornm publicados, cm 1987, pelo Centro de Documentação e
Portu~ês d~ Ginásio Paranacnse;José Farani i'.fansur Guerios, A~vogado; Liguarú
Informa.çào da-Câmara dos Deputados. O livro "Uma Intcrpret1çã? _da ~êrica'',
Espírito Snt1to, Engenheiro .Agrônomo e Professor normalista; redro Ribeiro de
", .. surgiu de estudos na minha cadeira de História das.Américas, na Universidade'\
l\facedo ~osta, Catedrático do Ginásio Paranaensc e da. Faculda~c de EngeÕhnria
enquanto "Presença do Brnsilu surgiu " ... como um imperativo de falar sôbte
do Parana; \v'aldemiro Teixeira de Freitas, Catedrático do Gin~sio Parnnaensc e
nosso angustiado Brasil que não precisa ser salvo, apenas compreendido."
tn,'\S
da Faculdade de Engenbarin do Paraná (Ibidem, p. 1-3). • ·
(DI\'ULG.-\ÇAO P_-\R..-\N.-\ENSE, set./1963, não paginado). Ao falar dos ptimeiros dez anos do Círculo de Es~dos Ba0deirantes1 Bento
Embora tenha se formado em engenharia e ocupado o cargo de engenheiro
Munhoz afirma que o Circulo, "Enamorado da unidade e da or~em. disseminou,
(na Caha Econômica Federal), não se dedicou efetivamente a esta profissão. Bento
em curso regular, pteccitos definitivos do tomismo. Pregou na hora delirante dos
Munhoz acabou inclinando-se para a área de humanas, o que é evidenciado pelos·
imediatismos e dos êxitos, o primado eterno do espírito." (ROCIH NETO, 1939
seus escritos, discursos e pela sua carreira acadêmica, pois foi professor de História,
p. 1). Na ocasião em que o Circulo completava o seu "jubileu de:'Prata", em 11 d~
de Sociologia e de Psicologia. As suas maiores preocupações intelectuais estavam
setembro de 1954, Bento Munhoz faz um discurso afirmando que:
centrndas no tema da democracia e da formação social e cultural do Brasil e,
particularmente, do Paraná. Vejamos alguns aspectos de sua formação intelectual Uma das m:tiores arl\'tdades do Cín:ulo se desenvoh•eu no sentido nilo apenas de
e as influências mais marcantes incorporadas por Bento ~lunhoz. Primeiro deve cultuar os nossos gnnd~ nomes e de valotiza'r nossa gente, mlls sobretudo no de
ser destacado seus estudos no Colégio dos padres lazacisms, onde Bento é iniciado defender as caracteristio.s e as definições do cenário pararn&~nse. No curso de
nos estudos de hum,nidades. Neste Colégio, os padres T,ddci e Olímpio despertaram Filosofia do Pe. Jesus Ba1arin, ele nos obrigava a estudar, sist~aúzando nossas
cm Bento 1-llunhoz o interesse tanto em Hístócia quanto em literatura., interesse
que Bento diz jamais abandonar.
Dando·continuidade aos estudos de humanas, participa de alguns cursos
no Circulo de Estudos Bandeirantes, onde viria a ser Presidente por quatro vezes.
Entrcvi~t.::i. tC:lfu:.ida pelo :mtor no di:l 9 de no\'cmbro de 1995.
O idealizador do Circulo de Estudos Bnodeir:mtes foi o padre Luiz Gonz•ga
/49
148
atividades intelcctuaís. Foi, de fato, cxtraordÍ~ârio, que na dispersão e na anlll'(}uia do -margem, apenas como acervo da iocontcntável inteliO-.:ncia do ~Omcm '
b- , • O ssl.5 1emas
pensamento moderno, pudês.sc.mos tera felicidade da disciplina filo~ófica. Ter alguém que or.i tendem para wfi, ora para outro lado da sua tmjetóci~ retilln~, sistemas
essa referência, esse termo de comp:u:a.çãot essa medida que é, acima de tudo, o que são apenas concepções incompletas e deficientes do ~njunto maciço e
pensamento da filosofin perene., da filosofia que não passa com a divulg:ição das invulnerável da vcrcbde ltnia. Por isso, se a humanidade tivJsc senso, se umas
verdades parciais, mas que se prende e gravita cm tomo da verdade absoluta, geraçàcs aprendessem na experiência de outras gençôe5, i:b~tração feita da
indiferente e independente da ordem cronológica, ter alguém essa referência equivale referência cronológica.,. não se daria a den_ominação de tom.ismo a esse monumento
a apresentar-se diante do pensamento contempotâp.eo sem unidade, com uma sllprcmo do pensamento, cultuando~se assim o gêniO do sant~ e a santidade do
notáVel independência mental para julgar suas íafüas e suas concepções unilaterais gênio. Nem de filosofia perene. Mas simplesmente de filosofia.·. lJois é·a única que
que passam como a moda. A verdade em si. a verdade que continua, verdade que existe. O restq sfo nuvens que passam.(...) O Tom.ismo, catôlico·porque verdadeiro
é verdade, embora não aceita, fascina o h~mem, o grande interessado em atingi-la. e não verdadeiro porque católico, florcscen.tenC!lse áwco século',XIII, cujo sentido
O Círculo foi o caminho da verdade e a disciplina llltdcctual de wna geraçio, de hientrqui:t e de vida, o mundo moderno Vlli ressurgindo a seu :µiodo, pau O bem
Nasce~ humilde na ~asa de Asc~n~ão Fer?andes e a h~ld;de do seu n:lScimCtlto ou para o·mat_ resiste a todas as agressõe-a, sem envelhecer nem~ gastu. (...) Ele ê

ganntiu o êxito·ckneu destino. Foi um destino sério, longe do academismo, longe a verdade. que não encancce, mas que 11c rcnÚva. Que é sempre contemporânea de

do formalismo, longe do pensamento divulgad~ da intelectualidade convencional i


todos os tempos, que é sempre a~ porque simplesmente a ve~dadc. O Tomismo
que pregais e que escutamos, certo não dhpcnsatá a as 5ístên~ da fé não fará a iJ
e grã-fina, longe da encenação aplaudida, daS igrejinh;i,s literárias, do dá lá tom;, cá 'ij
felicidade integral da vida terrena, poi.5 o que nos inquieta é O te~po a ~ue lU<lo se
dos elogios mútuos e da consagração dos velhos medalhões (ROCI-L-\ NETO, "
1954, p. 771-772). . refere. (...) 1I:a.s o TomisRl,o nos suvaci dos erros qUC estão asfixiando O mundd
contemporâneo, fazendo-nos compreender, referindo.os, num quadro de
coordenação geral, :is concepçõC! qUe falseiam, póndo-nos i mostra as falhas
Os cll.tsos de filosofia que Bento :tvfunhoz participou no Círculo foratn
que 05 originaram, falhas que não às vez1::s, a da,ra manifestação, do velho orgulho
ministrados pelo padre Luíz Gonzaga r-.fiéle e, posteriormenteJ pdo padre Jesus
humano de independência e· de revolta, da pretensão de originaJ:idade e de espírito
Ballarin, em meados da década de 1930. A participação de Bento Munhoz no
criador (ROCHA NETO, 1936, I' 243-244).
Círculo tem forte influência sobre sua for~çio, ínclusive no que se refere ao
exercício da oralidade, -pois nos cursos, assim como -nas reuniões seffianais, os
Em entrevista concedida 'à rcvisht ''Divulgação Paranacnsc"11 em 1963, Bento
participantes faziam discursos sobre temas diversos. Na aula do professor Pe. Munhoz fala sobre a sua formação intelectual:
Jcsuz Ballarin, realizada no dia 4 de janeiro de 1936, Bento Munhoz faz uma
saudação ao próprio professor, falando da .importânda daquele curso de filosofia, (.~) não posso esquecer que foí um tomistt quem firmou cm ~ a convicção da
baseado no tomismo. necessidade de uma referência doutrinária com que se pud~sse disciplinar a
inteligência diante da multiplicidade de solicitações do pensamento modc.mo. Foi
(...) ê precisamente a filosofia. do gênio pagão de Aristóteles, iluminada e completada o grande profe5sor João Perneta, positivista e profundo conh~edor da obra de
pela filosofia do gênio cristão deSànto Tomás que podcr.i vencera nossa inquietação, Com te, possuidor, portanto, de uma definição diante da indefinição, que, a'tnvés
respóndt:r a todas as nossas interrogaç~, saciar todas as aruiedades diante dos de seu curso.de Filosofia Primeira, consolidou cm meu espírito . a necessídade de
mistérios que o mundo nos oferece e restabelecer o prestigio vulgarizado das continuaçã~ dos estudos filosóficos que cu já havia iniciado, como um
pesquisas metafisicas, tào desacreditaruls e!R.s ficaram, com as contradições desdobramento racional de minha5 nfze.s religiosas. O Tomismo me concedeu a
dilacerantes dos filósofos mais conhecidos e divulgados, que se substituem com a5 deftníção intelectual que haveria de permitir n:1..vegar com relativll tranq~d.tde no
modas e os recursos materiais das épocas. em que viveram. O Tomismo, como mar grosso do pensamento contemporâneo. (DIVULG_\çAO PA!l\N,\ENSE,
verdade imutável nas suas diretrizes básicas, vai atr.vés do tempo, deinndo ~ set/1963, não paginado).

150 151
Essas falas de Bento 1\-funhoz revelam a importância desses cursos de da posiçiio social da familiac de Bento Munhoz, ê primordial ·apontar O vínculo
filosofia baseados no tomismo, em sua 'formação intelectual e moral familiar com o catolicismo. Segundo Ortiz, Bourdie.u tende a valorizar O estudo
Alceu Amoroso Lima, Alberto Torres, Olivcirn Vianna e Gilberto Freyrc do umodo de estruturação do habi/111 através das instituições de socialização dos
são autores que exercem considerável influência na formação intelectual de Bento agentes" (Ibidem, p. 18). Ora, entendemos que, além da socfatizaçào famili,r,
Munhoz. Este considera que sqa atração pelos estudos sociológicos foi despertada destacam.se outras instituições na formação do habílut d~ Bento Munhoz.
por Alceu A.matoso Lima, No que se refere à "explicação do Brasil", revela que O Ginásio Diocesano dos radrcs lazacistas, passagem import'lnte· em que Bento
teve por mestres inicialmente Alberto Torres e qµveira Vianna e., em seguida,_ passa a ser introduzido nos estudos de humanidades, recebcr\do influência dos
Gilberto Freyrc. Este, "formado nos EsL1dos Unid~s, e, portanto, estriba~o num padres Taddei e Olímpio. O Círculo de. Estudos Bandeirantes, mediante os cutsos
sólido preparo cientifico, estruturou as bases da Sociologia bntsileirn. Foram nossos de filosofo ministrados pelos padres Luiz'Conzaga lvliéle e Jesus Ballarin, asswne
inspiradores e guias.." (Ibidem, não paginado). Considera que Olivcirn Vianna foi grande importância na formaç:ào intclecrual e moral de Bento Munhoz. Além
um do~ maiores sociólogos e pensadores poUticós brasileiros e que Alberto Tôrres clisso, tais cursos suscitam cm Bento a valorização de sua terra, o Par.má. Discutindo
tnmbém foi um dos maiores pensadores poll,ticos do país. Foi amigo pessoal de a formação do habitu1, Bourclieu afirma que
Oliveira Vianna com o qual trocava corrCSpondências. Para Bento Mutlhoz,
''Populações Meridionais do Brnsil" foi a obra prima de Oliveira Vianna. o habitur adquirido na fiurulia está no principio dll. estrutunÇao das C..'<"pcriências
Sabemos da relevância que certas insti~ições1 como a família, a religião e a escolares (e em particular, da recepç:i:o e ?a assimilação d.:i. mcn!1gem propriamente.
escola, ;ssurncm no processo de socialização dos sujeitos~ Em sua teoria pedagógica), o habitm transformado (ldã "aÇão escol:tr, ela rilesma diYersífic 11 d:t
sociológica, Pierre Bourdieu faz umll discussão relativa à rclaç.1.o entre o sujeito e estando por sua ,,cz no princípio da estrutu.nçào de todas as dpeciências ulteriores
(BOURDIEU, 1983, p. 80).
a estrutura social, retomando uma problemática sartriana desenvolvida no livro
Crítica da Razão Dialética, questão também presente na obra do sociólogo alemão
Nesse processo de sodalizraçã? de Dento Ivfunhoz, a reÜgiào Católicn, seus
Norbert. Elias. Bourdieu procura pensar a questão da mediaç.1o entre sujeito e
valores e sua doutrina, foz.se sempre presente, seja por meio da família\ seja do
sociedade a partir do,,conceito de habüllJ, retomando "a velha idéia escolástica de
Ginásio Diocesano, seja do Circulo de Estudos Bandeirantes. O catolicismo
habilll! que enfatiza • dimensão de um aprendizado pnssado" (ORT!Z, 1983, p.
representa, assim. um amálgama na formação rnornl· e intelccrual ~e. Bento Munhoz.
14). Bourdicu define habi!Ju como "sistema du disposições socialmente constituídas
E a sua formação no tomismo acabou sendo uma decorrênci~ de sua formação
que~ como estruturas estruturadas e cstrutunmtes, constituem o princípio gerador
religiosa, como ele próprio revela.
e unificador do conjunto das ptátic.1s e das ideologias caractedsl,!-cas de um grupo
No final da déc,da de 1930, Bento Munhoz participn de um grupo de
de agente (llOURD!EU, 1982, p. 191). Desta foroµ, o sujeito, por meio do habitJ11,
intelecruais., denominado "Patrulha da lvfadrugada" 1 que se r~unia nas redações
interioriza as estruturas objetivns, ou seja, interioriza as normas e valores sociais,
dos jornais O D1.-\ e G.-\ZET.-\ DO POVO. Os integrantes do grupo saiam das
assim como os sistemas de classificação e os sistemas de pensamento. Como
vimos, Bento 1-fonhoz é filho de uma familia da classe dominante paranncnse,
cujrt participação na vida política ê significativa, pertencendo à elite dirigente
regional. Est.1 é, pois, a posição social em que Bento Munhoz é socializado, 3
Um e.xcmplo tl:t importâncil do c:itolici3mo na fomtlia. pode. ser obscrtado quando C:.et:rno
intcrnalizando o habihtI da classe social da qual é integrante. Conforme afirma i\íunhoz <la Rocha, [Mli de Hruto i\funhoi:, cxc-rcia o seu segundo mandato 110 governo tlo Piu;:i.ni
'.'C11túlico fervoroso,, :io se crt.lrcm tloll> Blip.i.dos no Pammi, autorizou que ~ dcspcs:u1 da. '
Ortiz, "os indivíduos internalizam as representações objetivas segtlndo as
•mpl:m~ç:io ÍO$$cm àn cspcn:uu do :ieu governo". Medida que fü~dtou o prote~to de alguns·
posições sociais de que efetivamente desfrutam" (ORTIZ. 19831 p. 18-19). Além intelcctuaii:, cotrc ele:. Dario ''cllozo (CARNl11ll0, 1994, p. 169). 't

152 153
Seguindo o que ensina Santo Tomás. somos instados a aceitara forma politka como
oddent'US deveriam voltar às origens religiosas de nossa or~nizaçào poütica e
secundada. O essencial é a fidelidade do comrutdo polltico ~o bem comum, tomando-
social. A democracia terJa origem:· e inspiração cristã .._Essa tarefa cnbe
se assiro evidente a c:cistênda de bons e maus governos, sob todas as fonm1.s. Santo
prin~palmente aos intelectuais católicos. Influenciado pelo:positivismo e pelo
Tomás com a sua esplêndida visão sociológica, c.~rimiu suas prcfcrcncias por formas
detei:minadas e defendeu-as vígoroS2mcntC. Estabdeceu porém, para todas as épocas,
tomtsmo, Bento Munhoz deseja a harmonia entre o progtc!So e a tradição. o
progresso sem a tradição seria miser.hrel. Tradição entendida por Bento como
qwtlsque.r que sejam as suas tendências própWl.S, a fidelidade ao bem comum. como 0

trndiçào católica, co~ sua presença profunda na sociedade bra~ileirit. Esta tradi ão
demento perm~nente, constante, presente em todos os tempos.1'.fus o bem comum,
gara~ti.ria ordem e. tranqüilidade. A democracia tem que se a,daptar às ttadiç:es
fim da sociedade ci\'il, integrado na sua acepçio realista, de fim humano, e portanto
brasilei.rns. ao espírito brasileiro. Entende que o Brn.sil que devC ser transmitido às
moral. Se dermos à democracia, o sentido legítimo, condicionando a vontade popular
n ~ ~ geraçàes é o '~rasil com as suas trailiçôes de bonda~e, de cordialidade
a um fim superior, não vejo, dentro dos prindpios éticos e tespeitadl\s as condições 1
tradiçocs hwnmas, que vêm do tempo da Colônia, em que ;\ escravatura foi a
peculiares dos grupos sociais, nào vejo como oombatê·la.1Ias se a democracia e."q)rimir
mais. branda de todos os pRÍses da América" (Ibidem, p. 220). Nota-se ai a
a fusubilidade extrema, tendo a mãssa a ·prcrrog;ititta de descobrira verdade, então
infl~~ncia. do ·pensamerito de GilbC!to Freyre. utn Brasí((!~ que ~s rcl;çôes
não veío, dentro desses princípios, como defendê-la. (Ibidem, p. 60)
soruts seriam rnar:cadns pela cordialidade, em que a cscravidàó teria sido branda·
um país que deveria primar pda continuidade e não pela ruptura. ;
Às mnssas cabe o papel de se conformarem à direção e governo das elites. Critica o Übcnlismo, pois entende que este abandonou os valores morais.
Apenas estas, por suns capacidade~. !criam o direito de atuar como sujeitos politicos, ~'O liberalismo, cm politica, ~ue foi representado pela demOctacil\ liberal, nào
definindo ~s destinos da sociedadC: Nessas considemções de Bento Munhoz sobre indagava dos problemas de Or?crn religiosa, .Abstraía esses problemas e, cotn
democracia e elites, observa-se uma forte influência da Teoria Clássica das Elites.. essa abstrnçào, concorreu, poderosamente, para afastar, da vida socinl, os valores
Bento Munhoz faz uma distinção entre massa e elite: '½os conceitos de massns: e mo~is e eternos" (Ibidem, p. 163). O liberalismo levou a umn c1?flccpç:i.o burguesa
elites, corrcspon·dcm os de maiorin e minoria. À elite, isto é, à minoria, cumpre a da _viela. Esta concepç.io seria imediatista, agnóstica; não seria eSpiritualista, e nem
missão de dirigir. Est.á na essência da dircç.ào e governo a noção de miaoria. tctt:1 a coragem de ~cr míHcrialista.
Governo é minoria dit;igindo; minoria, elite comandando" (ROC(-L\ NETO, 1995, . . Bento lvfunhoz entende, influenciado pelo positivismo, que a qllcstào social
p. t 13). Uma visão poli tia. elitista, ínfluenciada pcla Teoria Cliíssica das Elites em 1 e a~una de tudo um problema de. ordem moral. Entende que :o conflito entre
0
que as massas seriam considerndas irracionais, incapazes de conhecer a verdade, capua_l e o trabalho não se resolve exclusivamente no cílmpa ~conômico,
de saber sobre seus verdâdeiros interesses. As elites, ao cont.rári.o, formadas pelos
melhores indivíduos dn sociedade, seriam dctento.ras da racionalidade, com (...) mas com soluções obedientes, submissas aos valores mor.iiis. Valores mo,r;;iis
capacidade de se organizar e de dirigir a sociedade. Bento considera que a sociedade que clig:;im atê onde devem ir os direitos do tra.halho e \'alores nibtais que imponhf!m
deve ser governada pelas elites econômicas, políticas e intelectuais. Como intelectual ~tê onde devem ir os direitos do capital e os seus íntuitos de lucro. São, portanto,
catôl!co, Bento J\.{unhoz pensa particularmente na elite catôlica, nos intelectuais limitações que esses ,-alares morni.s impõem, tanto à atividade do trabalhador, quanto
católicos, que devem se tornar compreensivos para as massas. Os intelectuais às ntívidades do capital (Ibidem, p. 169).
católicos devem saber como é que as massas pensam. "A função dos intelectuais
católicos é dirigir, esclarecer. dizer qual o caminho, o objetivo a atingir" (ROCHA Entende que numa concepção cristã da vida, há uma ~oçào integral do
NETO, 2000, p. 130). De acordo com Bento Munhoz, tabeà universíd~de formar homem. O homem é simultaneamente material e espiritual. Ü marxismo teria
ns elites da sociedade. lvlas as elites dos países democráticos estariam perdendo o ~quccido os -valores morais e eternos, valores que existem por si mesmos, que
verdadeiro sentido do que seja a política. Com a Revolução Francesa, os ocidentais nao dependem de nós. Uma concepção e organização cristã da vida deve evitar a
teriam perdido a compreensão da origem da organização política. As elites proletarizaçào dos trabalhadores. Estes deveriam receber os benefícios
fundamentais à sun existência e necessários para.a harmonia sodal~lvfas é impossível
156
157
- r- . ' [
ue ocorra a extinção das classes sociais. Elas s.io essenciais a qualquer sociedade. Bento Munhoz é clcitopelo Partido Republicano, para um "congresso que iria
"ddhl'"
q" ... é hieratquia da sociedade. Urna sociedade sem classes é uma soCJ.e n e pocnta. elaborara Constituição de 1946. Esre tnmbêm éum momento em que os paranacnses
Classe é exigência de convivência humana, de convivência social 11 (Ibidem, P·
têm a possibilidade de ')'ivirldicar a reintegração de parte de suas tôn:as perdidas com
217). Classes sociais necessárias e que possam se relacionar cordialmente, garantindo a criação do Território Federal do Iguaçu. Este território, criado por Getúlio Vargas
o progresso e a harmonia social.
mediante o Decreto-lei tL º 5.812, de 13 de setembro de 1943, incorporo:i terras do
Sudoeste paranaense e parte do· território catarinense (W.ACHOWICZ, 1985, p. 148).
2.3 TRAJETÓRIA POLÍTICA DE BENTO MUNHOZ
Ao participar da 23' sessão da Co11gregai;ão da Faculdade de Filosofia,· Ciências e
A partir do fim do Estndo Novo com a deposição de Getôlio Varkas, e Letrns da Universidade do Parll!Ú, realizada em 20 de outubro de 1943, Bento Munhoz
faz um discurso criti=do a criação daquele Território:
co; o processo de redemocratização do país em 1945, Bento Munhoz tem o
· caminho_ aberto para realizar_ o desejado ing~csso ~a vida polltica. Re'?~ganiz~dos
A .Alma do Paraná está.sangrando com a c.riaç:fo.do Território do Iguaçú, Anda
05 partidos políticos no ·pais, candidata~se a deputado federal pelo Partido
por aí, infiltrando~se molemcntc, um conformismo de esgotados, uma aceitação
Republicano. Durante a Repúblic, Velha, no peclodo entre 1916 e 1930, o pai e o
fatalista. Mas nôs não nos conformamos nem aceitamos sem que nos expliquem,
sogro de Bento Munhoz (Caetnno Munhoz da Rocha e Afonso Alves de Camargo)
sem que nos justifiquem um ato que julgamos ser de uma pucialidade alarmante.
estiveram à frente da prcsÍdência· do Estado do Piraná e dominaram o Partido
Pensamos que todas as medidas de s~rança nacion_al rcfativas à. faixa fçonteiriç:t
Repubtica.g,o Paraoacnse. Com a rcdem~cra~~çào de. 1945, as mesmas farrúlias
podem ser concertadas respeitando-se a noSs.a atual divisão 2dministrativa. (...)
manterão o predomínio pOlitico no interior do Partido Republicano no Paraná ..
Nada se fará que não pudesse ter sido feit~ com a· atual otga~açio. Provem-nos
Nesse período os partidos políticos são organizados cm nível nacional, devido às
o contrário. Demonstrem-nos que nãO nos assiste razão na ~olta, que n~s esci
c.."Ogências da justiça eldtoraL Desta forma., o Partido Republicano também é
empolgando. Pois quem não sabe defender o próprio rincão cohtra as amputações
organizado em nível nacional e não mais como partidos republicanos es.tadua~,,
de seu território pa~ a formação de novas ·wtichdes admÍni4~tivas que em nada
como' no pcríod~ anterior a 1930. E~bora herdeiro de setores da oligarqwa
bcneficiario a vida do país,. não é digno de pertencer à coletivi?ade nacional, porq'ue
paranacnsc, Bento M~nhoz tem um perfil social e polltico mais moderno. o que
n:io saberá, tunbém defender a pátria grande diwte da agi:essão cstungeir:1.
poderia incliná-lo a entrar paro os quadros da UDN. tvfas a própria UDN não se Pretender como se pretende, muna tniçio inominávd à realidade, que o povo do
constituía de forma homogênea, tendo orige.ôs sociais e políúcas diferenciadas. O Paraná tenha recebido com aplausos o ato de dcsmem.bamento da quuta parte de
próprio Partido Republicano foi formado a pa.rtir de uma dissidência de Artur seu território, é afirmar que o paranaensc frac:2s:sou na sua rruüormissào histórica.:-
Bernardes, no interior do·s grupos políticos que estavam constituindo n l!DN ª de incorporar aos sistemas de valores brasileiros, à cultur:t brasileira, à coletividade
(DULCI, 1986) (BENEVIDES, 1981). Certamente a vinculação de Bento Munhoz brasileira, essas largas correntes de imignntes europeus que, po~ mais de cem anos
ao Partido Republicano se explica por razões familiares, como exposto acuna. De têm procundo a nossa terra e ajudado a fazê.Ia. (...) Nio é ubÚuriamcntc que o
acordo com Samuel Gulffiaràes da Costa, cm entrevista\ a c:indidatura de Bento oeste paranacmc é brasileiro. Foi gente nossa que as11im o ft:z. FOram banddr~tes
à Càmnra Federal recebe o apoio da UDN. curiúb,mos que lcviram a sobenn.ia d2 coroa portuguesa até :lo rio Paraná. Foi·
gente nossa, foram bandcinntes nossos que mar~aram bravamemc aquelas
frontcir.u do Bra.sil, sem as corridas desabaladas e t~trais de campo aberto, mas

~ Entrcvis111 r~liuda pelo autor no dtl 1t de dezembro de 1995. S1mud Guimades d~ :o.$~, com a pcncvcnmça e sacrificio de campanhas árduas. Foi gen-te nossa, gente de
Cucitiba, dc_S:io José de Pannaguâ, que.integrou as bandeir:1s de Silveira Peixoto.
jorm.listt, escritor e hllltoci1dor, foi asscsi:1or de fü.nto Munhoz ~:a Rocha Neto no Mm1ste110
da Agricultur:1. Bruno Filgueira, Francisco Nunes Pereira, Estêvao BaJ':lo,, Afonso BotclhO,

158
159
Francisco 1fartins Lustosa, Carneiro Lobo. Foi gente nossa que povoou Palmas com
ligação ferroviária entre Apucarana e Ponta Grossa, que o GOVerno do Estado
Pociano de .\raujo,José Joaquim de .-\lmcida, Pedro Siqueira Côrtes,José Ferrcirn
estnva tentando corutruir, deveria serinélulda no Plano de V1aç~o Naciona~·porque
dos Santos, Francisco Roclu Lowcs, Visconde de GuarapuaVl, Barão de líb,i.gi,
esta construção estava no contrato estabelecido cntre'o Estado e!uma Companhia
.--\.mujo Pimpão. Foi gente nOss.a que integrou a missão de Diogo Pinto de .\ze\"Cdo
Inglesa, concessionária da Estrada de Ferro São Paulo-Paraná, ~ 1928. É certo
Portugal, nos campos de Gu.arapu~va. É por.isso que sentimos essa injw:tiça, atravês
que Apucarana ainda não existia, r,nas o contrato previa ll; ligaÇão de um
da ausêncin absoluta dos seus motivos, como um·sof:cimento fisko, como uma ferida
dcterminadq ponto no Norte do Estado até Ponta Grossa. Mas cm 1944
lacerada à nossa própria came (ROCIH NETO, 1943, p. 195-197). 0
Governo Federal encampou aquela Estrada de Ferro, devendo, p~tisso, ~e obri~r
No período -de crinçào do referido Terci.tbrio, o interventor no Paraná, a construir aquela"ligação ferroviária, de acordo com Bento Munhbz. Este desejava
ManoefRfüas, não esboç.1 nenhum protesto diante da perda das terras paranacnses, incluir também a ligação entre Joaquim Murtinho a Curitiba. Assim, afirma que é
m-esrno porque Manoel Ribas era representante de Getúlio Vargas, no Es.tado.
Be~t~ Munhoz se e~p~nha ~ -reint~grar ~~ tertrlS pat1lilaCnses, aC~cul~ndo- e (.. ,) para unir esses-dois foc~~ de civilização paranaense., 0 da cillrun tempe.ritda e

lidérando um movimento politico cujo objetivo era desfazer o Território Fedfral.


o Wl cultura tropical, que se dirigem do.as das minh:t.5 emcnd~s:. Não se visa af.
apenas, ao interesse paranacnse, mas sim ao nacional Aí aumenta a produ~ão,
Assim, Bento Munhoz aprescntn uma emenda no item disposições transitórias da
enquanto em outras regiões bruileins a produçã_o de~ É jufto que 05 pJ:lnos
nova constituição que esta\ra sendo clnbor-ada 1 visando ao fun-daqucle Território,
nacionais encarem esse .fato, esse espetâcu1o de crescimento e expansão que vai
A emenda,,foi aprovada, e o Paraná reincorpotou as terrns do Sudoeste que havia
·teílcúr nds gnndcs núcleos nordestinos de população :i.traído·s· para ali, ma.is do
perdido (\'<i:-\CHO\'(IJCZ, 1985, p. 152). Ainda neste primeiro mandato parlamentar, que nunc, (ROCHA NETO, 1987, p. 444). .
que vai nté 1951, Bento Munhoz participa de um movimento que visa à.
fedcralização da Universidade do Paraná. A federalizaçiio realiza-se em 1950. No decorrer de seu mandato parlamentar, rlisputn pelo Partido Republicano
l''i
Na Constituinte de 1946 votou pela instalação do Governo Federal no as eleições de 1947 para o gover~o do Estado do Paraná. Seu concorrente, Moysés il
Triângulo 11ineiro, acompanhando n vot'tçào dos mineiros. Em 1948, defende a ~pion do Partido Socfal Democrático, se bcne~cia da máquina administrativa
criação do Banco Central. Foi membro da Comissão de Transportes e i
· montada por t-.1anocl Ribas durante a sua intcrventoria. Nestàs eleiçõ~ Moysés '
Comunicações no início d'l 1º sessão lcgisl~tiva de 1946, por um breve período de 1.:
Lupion recebe o apoio do Partido Trabalhista Brasileiro, da União Dernocr;itica
dois mescs 1 visto ter sido eleito Primeiro Secretârio da Câmara, cargo que ocupa
['.
~acional e do Partido Social Progressista. _Além disso, recebe o apoio dos
por quatro -vezes consecutiva~. Em 1950) Bento l\.{unhoz representa o Brasil no integralistas e dos comuaist:lls. Bento Munhoz entra na disputa eleitoral visando
Congresso Internacional do Café, realizado em Gcnebt';\. Participa, em 1949, das marcar posição, visto que a possibilidade devitória era mínima. C~~ era previsto,
discussões do projeto de lei do Plano Geral de Viação Nacional Bento Munhoz Moysés Lupion vence as eleições. Esta discussão será retomada no capitulo dois.
considerava que tal projeto viário estava novamente tomando o Paraná apenas No mesmo ano em que Bento Munhoz se candidata pela primeira vez ao
corno passagem entre Sào Paulo e o extremo-Sul, além de estnbclccer um traçado governo do Estado, o Pod~ Judiciário cancela o registro do Partido Comunista
que passava por uma região paranaense consíderada de pouca importância Brasileiro, momento em que se discute no Congresso Nacional a cassação dos
econômica. Sendo assim, apresenta emendas à referida lei. Suas emendas denotam D~putados Comunist.is. Bento Munhoz, expressando prco~paçào com a
preocupação com a intcgra7ão do Norte do Estado com a capital, além de procurar continuidade da legalidade politica no pais, faz um discurso, cm dezembro de
estabelecer uma ligação mais racional entre São Paulo e Cudtiba 1 encurtando quase 1947, defendendo o mandato dos deputados ligados ao Partido Comunista,.·
à metade a distância da ligaç.·fo existente naquele mo~ento. Argumenta que a contrariando orientnçiio do Partido Republicano.

160 161
!I
,,'
'
Gramsci direciona suas análises muito mais à esfera da superCS:t.rutura ideológica
. - d mandato dos deput11.dos comunistas não teria em si m:Uoc importância
A exunç.io o . . , e política da socie.dade. "As superdtruturas do bloco histórico formam um
. - d po·is do cancelamento do registro de seu parudo, se trve!lsemos
nem rcpcrcussao e
da medida se soubéssemos onde devetíamos parar, se pudéssemos todos,
conjunto comp~exo, em cujo seio Gramsci distingue dws csf~s essenda1s: a da
o senso '
· - .- ultrapassar• no ,-
. 'li d
ingO das represa as re procas,
a linha de sociedade poUtica, que agrupa o aparelho de Estado, e a da sociedade civil, isto é
Governo e O postçao, n 0 . :, '
. wcm-'!- .da q;al deixa de existir a estrutura democrática (ROCHA NETO, a maior p~rte da superestrutura" (PORTELLI, 1987, p. 19~ Portanto, na concepção
[ron eira, -
gramsciana, a sociedade política e a sociedade civil estão prese~tcs no interior da
· 1987,' p 233).
superestrutura do bloco h.istórico. Enquanto Maa, a partir d(! Hegel, entende
Cotlsidcrava wn sinal de crise democrática o fato de que apenas uma minoria que a sociedade civil é o conjunto.das refações econômicas, Gi;amsci, também a
' ' • cassaçào dos partir de Hegel, a entende como o complexo da superestrutura ·ideológica. Desta
intelectual, além dos simpatizantes do comunismo, se~ cont:rana a
atlamentnres comunista~ Mas Bento Munhoz era um policico e intelectual de forte forma, difer~temcnte de Marx, Gramsci pensa a sociedad~ civil como um
P . B il um pais que nada tinha a ver momento da superestrutura. Pata Gramsci, o Estado é constituldo pela Sociedade
inClinaçào anticomunista e cotlSldc_raw que o - .~,. era ·-
. Bento afirm.1· ºPara que o Brasil sobreviva no que tem de melhor Polltica e pela Sociedade Civil, elabonndo, desta fonru, uma coricepçào ampliada
com o comu01Smo. · - ~ •.
de mais caracterís'tico. tem de Venc~r o· comunatl1o. É ponto p:iclfico. O que nao e do Estado. A Sociedade Civil e o Estado não estão separados, m~s são pe;ccbidos
~nto pnclfico é o meio.de fazê-lo, é o método, é o carnmho ~,'eguit'' (Ibidem, P: Z#); de forma totilizante. As funções ·da Sociedade Politica são as da coerção e da
No entanto, não considera que todos os comunistas sejam. agitadores. empre1tC1CO força (incluído aí o domínio' jurídico), objetivando a ffianutenção das estruturas·
de desordem''. Afuma que muitos homens bem intcnctonados encontraram na da ·sociedade capitalista. Quanto às funçõe~ da Sociedade Civ-4 estas são as da
"doutrina comunista um alto ideal humano pelo qual batnlhar", como é o caso ~e~ direção cultural e do consenso (hegemonia): (PORTELLI, 1987). :A sociedade cívil
amigo de seu pai, Campos da Paz, que tinha '~wn espirita de renúncia, de sn~cto e seria formada "pclo conjunto das organizações respo!1s:í.veis p~Jn elaboração e/
solidariedade humana" (Ibidem, P· 244). Mas Bento Munhoz tece duras crfücas ao ou difusão das ideologias, compreendendo o sistema escolar, as rgrejas, os partidos
comunismo, como se observa no mesmo discurso: políticos, os s":dicatos, as organizações profissionais, a org.i.niz~çào material da
cultura (revistas, jornais, editoras, meios de Comunicação clc massa) etc/'
. , 'd" , ut'to m";S. ê mística. Ternos de combatê-lo pelas idéias :,1
Ocomurusmoci e1aee_m .,.. · . . _ (COUTINHO, 1992, p. 76-77). Desta forma, é por intermédio da Sociedade Civil
e de desmontar a sua. mística. 1fas é tambêm ação. É wna técruca de d~..tr~çao ~o que a classe. dominante difunde para o conjunto da socicda~·e a sua própria
la frcn...,. não escolhendo meios, não medindo consequenctas, nao
que cncoo tra pe ,.., . .. cli ideologia, a sua própria conêepção de mundo.
, t de enhum crime, de nenhuma devastação, de nenhum mccn o
recuan d o d tan e n O vinculo orgânico entre a estrutura-e a supe:restrutut'a, da sociedade é
(Ibidem, p. 243). realizado pelos intelectuais. Estes têm a função de gerir o Aparelho de Estado. Os
intelectuais têm ainda a 'função de produzir e controlar a estru~ ideológica da
Como membro da classe dominante paranacns<; Bento Munhoz mantinha
classe dominante no interior das instituições da Sociedade Civil,· Dest.a forma, a
fortes vínculos ideológicos com a Sua classe. Em sua trajetória de vida, tornou-se
concepção de mundo das classes dominantes é p~oduzida pelos intelectuais, os
um intdectu:il das classes dominantes. Intelecrual aqui no sentido gramsciano, ou
quais tatnbém trabalham na difusão dessa ideologi~ para o conjunto da sociedade.
. i.htclectunl orga.. nico, vinculado às clàSses dominantes. De acordo com
scJa, um . . . • Mas Gramsci elabot:3 uma nova concepção de intel~ctual. Não esti. pensando nos
. e! dom1·uantes devem criar Oli seus intelectuais, os quais tem por
G ramsc4 as asses inte.lech:Jais tradicionais, como os pensadores, Litcratos1 dentistas, embora estes
tarefa produzir uma concepção de mundó. Os intelechlais deve~ ~~belccer um
também estejam integrados na concepção gramsciana de intelectual. O intelectual/:'.
vínculo orgânico entre a estrutura e a superestru~ do bloco ~sto~co. ~ rúvel ,;I-' .•
orgânico é aqude uque é um dirigente, um educador de massa, Um organiz-2do.f:['
, te elido pot Grn.maci como a base socioeconômtca cb. sooedade. ' , ·,r
esttutura[ e cn n .
163
162
(GRUPPI, 1980, p. 82). O papel do intélectual orgânico é fundamental, seja na .\ diYUlgaçfo do pensamento marxisb compromete, hoH"
,...,
sutiln.1cnt e uma tnfin,dade
. .
manutenção da hegemonia de uma classe, seja na construção de uma nova de comportamentos. Chega a um.ponto cm qu , dificil b .
~ . . . ce sa er_oqueeeoquenão
hegemonia. Os intelectuais orgârucos não formam uma classe à parte, mas se e de ~ngcm ou msptraç.io mandstas. Como tal, o marxismo nà~ pode ser posto na
vinculam às diferentes classes sociais. É por intermédio dos intelectuais que se cadcu., mas
.
apenas combatido com outras idéias
,
, nl .
• numa campa ia perststente de
cscl_arecuncnto. E o que tenho feito em minha fi ~ de e·
realiza a relação orgânica entre estrutura (base socioeconômica) e a superestrutura ' unçao pro,essor, de 63 para cá
ideológica e política. É também por intermédio dos íntelectuaís que se estabelece q~ando deixei meu último mandato de Deputado Fcdêral. tfenho esclarecido,

a relação orgânica entre Sociedade Política e Soc{edadc Civil no interior da dialogado (vá lá o ~ct~o), demonstrado, aruiJisado, repetido, "\1ivo minha funçã~

superestrutura. Mas essa relação entre os intelectuais e as classes sociais q~c eles . professor como mclica minha cowciência, debatendo os assuntos com a máxima
de
li~~adc e sabendo distinguir entre as funções- de professor'e de polltico, e <le
representam, não se dá de forma mecânica. Essa é também uma relação orgânic~
político com .l.'l responsabilidades de chefia de executivo. s,·'-, portanto, sendo
existindo uma relativa autonomia dos intelectuais em relação à estrutura
professor, como se combate o erro. E sei tambem· - t d . .do
__ _ _ en o eXerCJ o cargo de
socioeconômic.a da sociedade. Gr.unsci estàbélccc uma certa hierarquia entre os
Góv::-rn:ador - que nao se pode cõmbatCr a desordem, ·dando bombonzlnhÕs
intelectuais. Considaa desde os grandes intelectuais, que elaboram uma concepção filosoficos aos desordeiros
. '~cm de tera subvcrsao,
• .
;i;tir;ando conceitos doutrinârios
de mundo, quer na ciência, quer na filosofia,- quer nas artes, até aqueles qu~ são . - tola l
:ios subversivos..,\ função sucessiva de professor e de politico, me deu a visao
divulgadores da ideologia (PORTELLI, 1987): d os probl O d. ·
. emas., e coo - ictonamento de sua solur<io · · do tempo
· r- "• • ex,·n·
~enaas
. Bento Munhoz, cm sua trajetória política, demonstra uma constante (ROCIH NETO, 1969, p. 169) .
prcocupa;ào com a prCS~çào da estrutura econômi~.:s·ocial e política da sociedade
capitnlista, defendendo organicamente os interesses das classes dominantes. Apesar. Ai.nda no mesmo ensaio, reafirma tduta que empreende contra o marxismo
disso, tem posições e atuações políticas com certa autonomia, tecendo cóticas a em sua vtda acadêmica:
algumas posturas da burguesia, com base na doutrina e valores do catolicismo,
como vimos. Tanto em suas atividades poUticas quanto em suas atividades_ Combater o marxismo em sua totalidade, como idéia, como d~utrina_global, é o
proprinmenteintd.ccnuiis e acadêmicas, Bento Munhoz defende a ideologia. burguesa. que. estou fazendo e tenho feito, há longos anos, na cátedra universitária dando
aos Jovens a máxima liberdade de opinião com S1"V11n N~ , '.
Ideologia entendida aqui no sentido Gramsciano, "ideologia historicamente . • -,:,--nç:a. ao se convence runguém
pclo constrangunento nem pela ameaça (Ibidem, P. 184).
orgânica", como .iuma concepção do mundo, que se manifesta implicitnmentc na
arte, no direito, na atividade econômica, cm todas as manifestações devida índividuais
. .Em um discurso realizado no parlamento em 25 d e •.gosto de 1961,
e coletiva~ .. " (GR..\MSCI, 1981, p. 16). Desta forma,
tntt~lado ''Democracia e Marxismo", contrapõe o tomismo ao marxismo
considerando que este só pode ser superado pela 6.Josofia tomistí: ,
Na medida cm que sao historicamente nccessáóas., as ideologias têm umi validade
que ê validade 'psicológia': elas 'organizam' as massas humanas, formam o terreno
~ão há de ser com pensamentos esparsos ou com uma ou outra atitude particular
sobre o qual os homens se movímcntam, adquirem consciência de sua posição,
d1ant~ de algum problema filosófico circunstaocialmeme apresentado, que o
lu1,m etc. (GR.\1ISC!, 1981, p. 62-63)
maoosmo
,
•- filo
será ulttapassado. Só OUu, fi d . . .,
1 so ta e cons1stencia igual ou superior 0

Nos ensaios e discursos politicos feitos por Bento Munhoz, é recorrerite p~dera superar, e e:isa, só a enxergo no tomísmo. Já afirmei e agora O repito dcita
_ · o pen samen to oc1·d ental oscila
tnbun1r · em nossa época entre Santo Tomâs de
o ataque ao marxismo. Em sua vida 11cadêmica também empreend~c um combate
~\qwno e Karl l\fan:-, como pólos extremos. O primei.to, porque elaborou, no século
ao marxismo:
XIII, a síntese cristã.católica, como em escala menor, no &éculo XIX. o dinamarquês

164 165
/ '
F , u obrim1do a fazer politi:ca. fifas niio nie passo Íntegtac nos seus sistemas,
UI e so o- . . b' - dos Em dezembro de 1980, o então go".emador Ney Braga /inaugura a Usina
S .mtoo•=u . '·-ento na multidão. Sinto a solidão no ctmvívto das am lçoes e
. f. d
ap.etites políticos.(...) Percebo de longe os intete!lses que vêm gntaudo: asctn~ os Hídrelétrica de Foz do Areia, que na época foi denominada de:''Behto Munhoz
Pela sombn gostosa e acolhedora do poder~ Compreendo-os, mas na~ os strVO, da Rocha Neto". Durante a inauguração a ftlba de Bento Munhoz, Suzana Munhoz
Não posso servi-los. Seri~ uma tr.üçio a meu mandato e lUna tnuçao · - a num mesmo da R. Guimarães, profere _um discurso dirigido ao gov~ador, tecÇndo COmentários
(ROCHA NETO, 1960, p. 135). sobre a re]aÇào dos .dois atores politicos.

Embora não revele nomes, fica claro cm seu dep,oirnento o desapontamento Este momento nos comove. Nos comove mais do que out':ls homenagem já
J
com n traiçào e a desonestidade. prestadas a meu pai. Não apenas porque dcmonstr.to sentido hlitórico cb i.ruci.ltiva !
1
de perpetuar :1 memória do governo que fundou a COPEL, mas porque reaproxima J

.l
·
A deslealdade é, porém. quase nornu1' e• uma cons_ta n te que envenena o ar do aqueles que as dcsventuni.s politicas torruinm um dia opositore3. Prova-se que
governo, não devendo, PQt isso, surpreender. Fo~ ass1_m, desde o começo. Pdo_ r que
uma inimizade políti~a nà,;i precis!\ ser defmítiw. Quando advefSârios políticos se
. ? (,..) Rcs ~"to e adnum uns. poucos
há de ser de outro modo comigo . ' nura. os nam
respeitam e se cntrcolham com admit:1çio. O decorrer ~H circurntinci:u Wstóricas
multldão ·pela·su:1. le.aldade incorruptívd, humana, 5cm Y:t\'ilismos. T,opcço co
os deso~cstos. Tenho de sofrer-lhes a convivência, cooccd~ndo-lhcs o que ,ºs
dc:3faz a inimizade. Sr. Ney Br2ga, a.familia l\Ittnhozd.a Rodu cnc'~fra nos m~dros
. 1 s chamam de bcneftt of doubt. (...) Rdpir:He um ambiente de cxpccb.UV:1 do passa.do toda. a discórdía. e lhe agradece de cor:ição ~berto (RÓCHA
mgesc · ~ · · ndo as GUI~L\R.\ES, 1985, p. 132)'. 11
d traiçã~· de possibilidade permanente de tntçao, que surgua, q~a . !
e ' a tornarem lucntiva . ..-1..final o clim a po li uco
circm1stâncias ' e· função do clima soctal
(Ibidem, p, 135-136). Apesar deste momento de reconcilia.çào entre as duas famílias, realizada
anos depois da morte de Bento Munhoz, as relações entre os dois,atorcs polícicos n
. , . po
Em sua traJctorta . liu' c a, Bento Munhoz o rompimento político
. . . de· seu após o rompimento de Ncy Braga, foram marcadas por fortes conflitos e embates
1
1

. b d 0 Ney Braga foi um dos mais marcantes. Ney Braga tn1c1ou a sua políticos, inclusive com mútuas, acusações veiculadas na impret1s11..
ex-cun a , ' d Ch b de
carreira política ao ser convidado pot Ben~ pàra ocupar o cargo eE c1;54 · Bento Munhoz não cumpriu inteiramente seu mandato, ~enunciando na
Polícia, quando da gestão de Benta Munhoz no govern~ do E~tado. m,. 'b •
tarde do dia 02 de abril de 1955, transmitio~ 9 cargo ao Presidente da Assembléia
Bento Munhoz apóia e articula n candidatura de Ney Braga a Prefeitura de Çuttti a,
Legislativa Estadual, Antonio Anibelli, do PTB. O Presidente Café Ftlho estava
b .sendo a vencedora nas eleições. Posteriormente, Ney Braga rompe
~=oo , p~ articulando uma possível candidatura de Bento Mllhhoz à Vicc:--Presid~ncía da
com :Í3ento Munhoz e ingressa no PDC, procurando construtt um ~spaço o .
' . independente da influência de Bento Iv1unhoz. Este romptmento poliuco República, que comporia uma chapa com o Marechal Juarcz Táv:ora. De acordo
propno, · · · de Bento com Dulci, os militares haviam encaminhado ao Presidente Café Filho um
de Ney Braga com Bento lv[unhoz é visto pdo grupo mais P.toxtmo
Munhoz como uma tratçao. _ po li Uca.
. N as e lctçoes
· - para O goverho do Estado de documento, em que demonstravam preocupações em torno, da campanha
. . a can clidatura de Paulo Pimentel ao governo do Estado,
1965 Ney Braga apolatta . . presidencial; temendo que esta pudesse se processar de forma violenta. Café
• . ~ '
em opostç.'lo a candi"·tura
ua · de seu patrono político,
. Bento .Munhoz. O ptopno
B procuro~ estabelecer alguns entendimentos interpartidários, seguindo as sugestões
. ·em car ta pública1 • 05 sénos conflitos com Ney raga,
Bento Munhoz expli cita, dos militares. Juscelino Kubitschek, do PSD, manteve sua canclid~tura, enquanto
considerando ter sido traído politicam~ntc pelo seu ex-cunhado. Café Filho centrou seus esforços no nome do general Juarez Távora que poderia
1

, CORREIO ÓO PARANÁ, 21 fev./1965, p. 2-3).


I Apud MUNHOZ DA nocru, E C, Btnl~ Aúa,!»zd4 [mk N1tú I f1 lllk1ffe11 '{NI Fit911. Coritiba: _
CORREIO DO PARANÁ, 14 ouio/1960, p. 1). &nestado, 1985.
,' .

168
169
vitória de ~inarte Mapz e a. proposta de Herbert Levy,conc~rdo com o deputado
. li - "(DULCI 1986 n 130-135).Portanto,Bento
forças "ant:1-popu s ..... s , ,r paulista. Não quero ser o pomo de discónfu. nem motivo de ltiw dentro do grande
representar as . doido nestas articulações de Café Filho, pois tinha um
Munhoz teve seu nome m A ciar partido. l\.ús, nesse instmte,. intimamente. não é a protel.lçio da 'escolha do candidato
, . "nl'
fil denista e uanti-populista d 1
, cm os aços
deamízadeentrecles. orenun
- à vice~prcsi<lência que aceito. É a minha renúncia à candidatu;ta (ROCFL\. NETO,
. per u d E -do Bento Munhoz faz um discurso, afirmando: 1961, p. 22-23).
ao governo o S1.4 ,

d pelo de vários setores políticos do Pnís, mas o meu


Deixo O Governo atcnd en o a . . Bento Muhhoz revela ter recebido uma proposta do ~-Presidente Artur
. ti.P , cui'odesenvolvuncntotem
cnto vai inteiro para o meu progres:m aran.a, Bernardes, do Pa.rtido_Republicano, para ser companheiro de ~hapa d~Juscelino
pensam - d • h vid:;i Deixo ae terminar o mandato que o
sido a m:í.xima preocupaça.o e mtn a • , . . . bUSOlr em Kubitscl,ek, mas. recusa tal proposta (Ibidem, p. 23). Diantl, do fracasso dos
vo do Pauni me outorgou., porque forças poliucas nactonats neramd . .
po eh h • de s~V1! a emocracta ent~ndi~entos, o Presidente Café Filho, amigo de Bento ~unhoz, convida-o
nosso Estado lltn candidato, para integrar a ap1 que a . - pata ser Ministro d_aAgriculturn. Assume o Ministério da Agtjcultura .em 03 de
- , minha 1·usumentc no tnstante em que o
,.;...., ~ceitci estl oi.r~da, que_ nao e__
b us il._._.. ..._~
• . _ _ . - . - -
maio de 1955. No Ministério da Agricultura sua preocupação estava voltada
· • .da Utica É ~sun que cu
p . está iniciando sua repercussão nac10nal de V1 Pº · ,
uana . , B il 'O ESTADO DO PAR.\N,-,, pata a questão da produtividade, considerando incorreta a idéia de que havia
deixo o Palácio lgw.çu, com fé no Parana e no ras \
pouca área cultivada em relação à.s terras disponíveis no pafs para a agricultura.
3 abr./1955, p.1).
Entende q~e a questão da propriedade da t~rra não é }mport~ntc. Ou sejn, não
. . Dccçirridos alguns anos, faz a seguinte afirmaç~? sob.te a sua saída do .se mostra favorável a um processo de reforma agrária. Quando M.nistro da
, . ''P . d pelas forças politicas paranaenscs, den::o o governo do _Agricultura, _é escolhido para representar.o governo brasileiro na aber~ta do
governo· ressJOna o l
E tado ~arn candidatar-me 1r vice-presidência. Niio podia ficar surdo ao apc o : 36º Congresso Eucarístico IntctnacionaL realizado na Capital, Fed~ral efn julho
s ' ,. de ver um filho do Paraná alçado ao alto cargo. de 1955. Ocupou a Pasta lvfinistcrial até ser exonerado em 18 de novembro de
aos desejos de meus contcrraneos
1955 pelo Vice-Presidente do Senado Federal, no exercido do cargo de Presidente
(ROCHA NETO, 1961, p. 22),
No entanto os entendimentos políticos para a formação W chapa !ºa.ccz da República. Nereu Ramos.
, B. M ' h z articulados pelo Presidente Café Filho não tem êxtto. De O contexto político era marcado por incertezas e ameaças golpistas, civis e
Tavora- ento un o , d'd
o Munhoz Carlos Lacerda combate a sua can 1 atura na militares. No início de novembro, o coronel Jurandir Mamede, oficial da Escola
acor d o com B e nt , · '
1
- d UDN Carlos Lâcerda parecia mais interessado cm cnar um Superior de Guerra, fez um pronunciamento manifestando-sd contrá~o à volta 1
convcnçao a · , tis <leriam
11
im cdimento legal ou mesmo golpjsta âs forças politi~as getu ,tas q e P~
p à p 'd' . da República Ainda cm relação a sua posstvel candidatura
à de políticos gctulistas à Presidência. Defendia t:imbém o fech:irry.ento da imprensa
comunista. O t--1.inistro da Guerra. General Henrique Lott, d;fcnsor da ordem
l
voltar rest eacta ·
constitucional, manda prender o Coronel 1vfamede. O Presidente da República,
vice-presidência da República, Bento afirma:
Café Filho, afasta-se da Presidência da República temporariatnente, alcgarido
:i' . . d C f' bilizam pata lutar e vencer. Nada se :articula problemas de saúde. No dia 8 de novembro de 1955, Ca~los Luz assume
l..Icus anugos e os e a e se mo . d Presídcnte
. n·
contra mun. 12cm que en
t ho categoria p11.~ o cargo. Mas sou amigo o
. N
' interinamente o Governo FederaL tendo por objetivo upôr cm pr:ítica o golpe
. · ( ) No dia da dectsão da UD. ·
~ verdade, um gnnde mconvcntcnte. ... . udenistn" (CARONE. 1985), que seria o cancelamento das eleições presidenciais.
o que era, n • , . :\th yde a Dinarte Manz,
b bin te do t.linistto da Saudc, entio i1.ranus. a ' A ordem de prisão dada pelo General Lott não ê cumprida, desgnstnndo-o. No
rece o no ga e di f rruüoda; e
-que liderava a facção udenista favorável à. minha can da.tura., ~m ranca t.3. dia 10 de novembro, Carlos Luz demite o General Lott, substitufodo-o pelo
a Herbert Levy, fino parlamentar dc,esúJo inglês, que me propoc protdara ques o General Fiuza de Castro. Na madrugada do dia 11, os Generais Lott e Odili".
· - da U D N Entre a certeza de
da 'vice-presidência, para evit:i.r, no momento, a C1SaO . • ..

,,ir 171
'1
1. 170

l
Quando de sua exoncraçào do Ministério, em novem~ro de 1955, retorna
Denis, dentre outros, desencadeiam uma r~çào, movimentando as tropas, qu~
"saem da Vila :Militar cm direção ao. Catete, ao Arsenal da lvlarinha, às Bases da · a Curitiba. Reassume a d1efia do Departamento de Engenharia da Caixa Econômica

Acronáutica ao Correio, etcn (Ibidem). Neste momento há uma foga de militares Federal do Paraná, assim como sua cadeira na Faculdade': de Filosofia, da já
1
e politicos, entre eles, a do B_rigadeiro Eduardo Gomes e Carlos Lacerda. O federalizada Universidade do Panná.
Presidente Carlos Luz, juntamente com o Almirante Amorim do Vale, e com os Nas deições de 3 de outubro de 1958, volta a conc<>rrer a uma vaga na
:tvfinistros Prado Kclly e Bento Munhoz, dentre outros, se refugiam no Cruzador Câmara Federal É eleito Deputado Federal pela "Frente Democrática", composta
Tamandaré, rumo a Santos, onde pretendiam conservar o governo, com o apoio pelo Partido Ri!publicnno e pda UDN. Assim como em seu primeiro mandato,
. de Jânio Quadros. No entanto, avisados de que a ·situação ~stava conso~~a~a, nwna discussào -sobre o sjstema de governo, volta a defender o presidencialismoi
resolvem regressar ao Rio, com a garantia. de asilo. Carlos Luz recebe permtssao
embora fosse contrário ao presidcnchtlismo puro. Propõ~ a criaÇ~o de ~m
pllm discursar no Congresso, sendo, em seguida, obrigado a renunciar ao cargo.
NO mesmo di_a, ,Ncreu _Ramo_s,_ yíce~P1:~sidente ~o ~en~~o __ é .emposs_ado na
ªConselho de Estado, ~m que _a .J1?Ul~ria foss!!, necessariamente_ representada. e
houvesse esse convívio". É contra •to isolacionismo do chefe do Executivo tanto
Presidência da República. Imediat:1mcnte, cxoner~ o Ministro da Guerra, Álvaro '
Fiuza ~3c' Castro, ncinieando cm seu Juga.t o ·General Teixeira Lott·Poucos dias na União quanto nos Estados" (ROCHA NETO, 1987, p. 561). Em 1960, integra

depois, Café Filho tenta retornar ao governo, mas é impedido pelo E:xé~i~o, que uma comitiva de 12 deputados que, a convite do governo dos Estados Unidos,
em seguída solicita ao Congresso Nacional a instauração do estado de ~mo. que visitam aqude pais. Ê nomeado delegado do Brasil na XJXREUNÜO DO GATT
permanece cm vigor por cerca de 60 dias. A posse do Presidente clcit0.p(lo PSD, (Acordo GenlS~óre Tarifas e Comércio), realizada em fins de_1961: em Genebra,
Juscelino Kubitschek, estava garantida (C.\RONE, 1985: 84-112). Nesse segundo mandato parlamentar o seu embate c~ntra o tnancismo é
Bento Munhoz escreve um livro, RA.DlOGR.--\FIA DE NOVEMBRO, em ai~da mais acentuado, visto estabelecer uma certa ~dação entre a postura política
que faz uma análise daque}c momento histórico, procurando mostrar co~o se do governo João Goulart e o marxismo. Ivfas Bento Munhoz havia sido favorável
deram os acontccimcnto_s.. Embarcou no Tamandaré junt'lmcnte com o Presidente
a que João Goulart assumisse a Presidência da República.
Carlos Luz, 05 Ministros Prado K.dly e 1vfarcondes Ferraz. o Deputado Carlos
Lacerda, dentre outros. Ao justificar sua embarcação no Tamandaré, afuma: Declarei-me contra a tentativa de negar ao Presidente João Goula.rt seus dircltos
ao exercício do governo. Tem sido uma const2nte de minha vida pública respeitar
Tive duas horas para resolver, mas desde logo me havia decidido, .:\companharía o
a decisão popufar das urnas. 1'.12s sou por uma manif'esução da Câmara, isenta de
Pres.ipente Carlos Luz. Não podccia abandoná-lo naquela hora de deserções e omissões.
(...) Eu era ?-.finistro de Café, a quem devi2 lel:ld2de. Mas tive, naquele instante, a quaisquer coações (ROCHA NETO, 1987, p. 648).
intuição de que estavam selados pelo mesmo destino Café e Carlos Luz. A violência
praticada contra O segundo iria repercutir inevitavelmente no primeiro. Estavam Em junho de 1962, o Presidente João Goulart fez ao Congresso Nacional a

'.i' ambos irremediavelmente solidâcios. Não se processa, pela metade, um movimento


subversivo. Carlos Luz era o subsútuto de! Café. e se a sua autoridade nào era aceita
indicação do nome de San Tiago Dan las para assunúra função de Primeiro-Ministro,

J1 neID acatada, aceitl não seria também, e nem acatada, a do titular efetivo (ROCHA ·
p1ua substituir Tancredo ~eves. San Ttago Dantas tinha o apoio:dos parlamentares
nacionalistas e de esquerda, mas não teve o apoio da UDN e do PSD, recebendo
''' NETO, 1961,p. 84). críticas dos parlamentares destes partidos, devido às polfti~as adot2das pcJo
1
/.
Ministério das Relações Exteriores no período em que Dant:is estivera à frente
Em 3 de abril de 1955, quando da Convenção Regional da União
Democrática Nacional (UDN), Bento Munhoz foi escolhido Prcsid~nte de Honra cbqucla Pasta. Er:im politias consideradas de esquerda. Dento tv~unhoz vota contra. ,· ···

:1 do Parúdo (O ESTADO DO P.\RANA, 5 abt/1955, P· 4).


',) 17)
. i 172
Lima 1º para o cargo de Primeiro-Ministro. Hermes Lima'. c~tava à frente do
a indicação de San Tiago Dantas9 para ocupar a função de p~eiro-lvlinistro,
lvfinistério do Trabalho durante o exercício de Brochado da Rocha na Presidência
.d d ue accítá-la "seria comprometer irremediavelmente o
const cran o q . . ~ do Conselho de l.vlinistros. Bento Munhoz também vota contra a indicação do
funcionamento do sistema e seu futuro" (Ibidem, P· 648). Discutindo a indicaç.ao professor Hermes Lim~ apesar deste ser considerado um no~e mais moderado.
de San Tiago Dantas, afirma que n esquerda Não obstante as dificuldades de aprovação no Congresso Nacional, Hetmes Llma
teve seu nome sancionado. Bento Munhoz assume pmição: contráda diante da
. d . base para compelir a Câmara :à aceitação de um nome que
-
Organiza as pressoes e . proposta de reformas de base do governo João ~oulart Çonsideravn que o
· · di - u.erdistas e
passou a simbolizar, não obstante de mesmo, :;ij rcMit açoes csq . .
momento P.elo qual passava o país era. marcado por um1
· d tincípalmente entre smpi01tos
socializantes. E ess;is pressões bem ocgaruz.t as, P ,
• ra1m· t 05 fundamentos da democracia
de tnbalhadores e estudantes, negam mtcg cn e (...) radíalizaçio das posições policie.~ radíe>lização que tenho permanentemente
representativa, desmoralizando.a e des~~e~rando-a (Ibidem, P· 647). co~~tjdo, .P9r co~sid~-la um comportunento decisivimenfe antidemoccitíco. Tal
radicalização é intencional e sistematiaunentc Otganiz;t<la, como Uma et:tp-a do processo
· d pelo Congresso Nacional,
San Tiago Dantas não teve o seu nome aprova o \ revolucioairio no caminho para o ,ociafumo (ROtfH NETO, 1987, p. 647).
que aprovou em seguida o nome de Auto de Moura Andrade, vinculado ao PSD.
O gabinete ministerial proposto por Andrade foi recusado por Çoulart, que acabou
d da Rocha que exerceu o cargo até setembro Hermes Linu, crítico do filarismo: fo~i vincukdo i Alian~ Nacional LiOOta:lor:1.. Com a insurniçlo
indicando outro nome, o d e B ro eha o ' . . lll

' - ,_ e · di rno ·do professor Hermes da .ANL cm 1935 e .i. conseqüente rcpres~o do governo Yargis, f·Ic.tmC$ Lima foi pt~o e
de 1962. Nesse momento, Joao Gourart lU a m car-
demitido de sua CÚlcdn tu Faculdade de. Direito da Univwkb.de eh Rio de Janeiro- Permaneceu
preso por 13 mesc:J. Em 1945, foi 1tnistiado por Varps e readmiti:lo na cntao Universidade do
Brasil. Participou da func.bçlo da UDN e foi um dos funCUdorcs dt Esquerda Democcitica, que
cm :seu m1tnífcsto de lançamento, defendia o socl2Üsmo com liberdade. A UDN e a ED se
0

uninun no apoio à c.and.idatu.l".õl de EduácdoGomes à pruidênda da Re:póblial, cm dispUta com


a candidatun de Eurico Gaspar Du1n1i,que .recebeu o ;ipoio do PSD e do PTB. Em 1947, foi Um
• o D:mtas. foi assessor de Getúlio Varg:111 (no segundo governo constitucional deste), dos fundadores do Partido Socialista BOlsilciro. Nc.ste mesmo ano, cfe~deu a posi~o de se
San 1íag d . to d criação da Petrobras., Vinculado às. coerentes
participando do:i: estudo$ o antepro~ e d 1: reda N VC$ manter ;i legalidade do PCB, cm boa divergindo das posições a4Sumkb:i por esse partido. Como
dona.lista er2 membro do PTB. Na prt.Sidê:ncia de João Goulart, qua.n o anc e. rcpres.entnnte do PSB, manifestou-se favocivd ao rompimento du rd~ções cnlre o Brasil e a
na ; . 'i, d p, . r,..finistro SanT1.agoDantllsfoiconvidadopar.l11ss.umrro
for. 1nd1cado p1m1 o c.ugo e ame_uo.. ' , . ind · dente e os União Soviética. Condenou a polltica expansionisti tanto da UnílioSoviélica quanto 00! Estados
o de Ministro d:ts Rebções. Exteriores. Defcnclia um1 polibca exter~a epe-n . . Unidos. Em 1953, aceitou o convite de Mn Tttgo Dantas paaingresS11r ri.o PTB. Na p~idência:
carg od . "..:i- do vos. Entend3. que o Brasil devert1
prindpios de n;ío-intcrvenção e de nut etermm...,...o s: ~ , m os. a.ises socialist:ts... de João Goufart e tendo Tancredo Neves como PtimetrO-Ministro, Hermes Llrrui. foi convidado
in'tcn:.i&c.i.r :;uu relações. comcrcia!ll com todo:i rn, países, tnd;lV; -cr: ·oat!M...Dur.lnte su1 par.i. :wumic o Gabinete Civil da Presidência. da Rcpúblia. QU2ndo Francisco de &uh Brochado
Pretendia também intensificar a integraçio coml!tCW dos países a m~~ So . ' . San 1í o da. Rocha teve seu nome aproV1do no Congresso NacionaJ para assumlr o cargo de Primeiro--
gestão no Minl$tério, rc.i.lizou-sc o re:i.tlmento das rclaçõe:S coi_n a Uma.o. vtetJCa. oll~c.i. Ministro, Hermes Linu passou :1. ocupar o Mioi.stêrio do Tralnlho, deixando o Gabinete Civil.
Danta:1 defendeu a posiçio de que O!I países do continente amencano ~anti~ctn uma p .Antecip:i.do o plebisdtO para definir ~ o regime de governo seria adottdo pelo paf5, J<no
. • . com Cuba Dcixou o Ministério das lWações Extcnores paro nowmcnte se Goulart nomeou Hermes Lima para. ocupar a funçio de Primeiro-Minittro, até que se desse a
d e coex1stencta.
D
' . . .... ed N
tido Pcdenl. Com 2 rcnúnW do Pdmeiro-Mimstro J.ancr o evcs, . o
Joi
can didatu a epu li Dantu pan assumtt a rClllit.açio do plebiscito, em janeiro de 1963. O Congceuo Naàonal só aprovou o nome de
G oulart encam'mhou no Congresso Nacional o nome de S:rn t2.go __1 _ d C Hermes Lima ap6s a iulizaçio de ~ vottções. Fie.ou na função até 23 de janeiro e ocupou
· lllis de csquci:ua o ongrcsso
funçlo de Primeiro-Ministro. Apoiado pelo, setores naaon tas e . d cumulativamente o Ministério das Rdaçõc:i Exteriores. Com a volta do ~gimc presidencialittt,_ ·
. t bém lo movimento sindictl &ln Tiago Dantas teve, porem, seu nome \teb o Hermes Lima permaneceu como Ministro~ Rchiçõe, Extctiorcs. Em ju~ de 1%3 foi nomodo, ·
Nactonb, e c,md d pePSD da UDN (D'1ctoNARIO HISTÓR!CO-BIOGRAFICO
pelas anca as o e p:i;ra o STF, fuuçi~ que 001pou atê 1969, quando foi aposentado pdo AI-5 (DICIONARf<r
BRASILEIRO, 1984, l" 1052-1056). HISTÓRICO-BIOGMFICO BRASILEffiO, 1984, p. 184l-1847).

175
174
Em discurso de junho de 1962, exrlicita a sua posição·ante as reformas
Iguaçu, diante da multidão reunida, sacerdotes, pastoces e nbinos numa atit d d
de base: . . . , . u e e
tmpresstonii:nte compreensão que unia na hora amatg ·,-li
. _ . ª• ca o cos, protestantes e
israelitas, rccrtarum, juntos os mesmos yenf--L-5 cio 1 ~: .,.. .
• (.;WU _-,.nugo .1..cstamento, livro
Já v.ídas vezes falei aqui sobre as reformas de base, e mostrando que não atrcdito sagr.,do comum• todos (ROC!ü NETO, 1969, P-85-86).
nas reformas de base juntamente com o cárátcr que se tem procur.i.do atribuir às
suas repercussões. Tem-se atribuído às rc.formas de base quase um carisma
No mesmo ensaio, analisa a questão da legalidade dó "movimento
messiânico, parucéia que~ do dia pira~ noite, resolwr tod.ts as aflições nacionais.
re"olucionário". A legalidade da tomada do poder estaria assegurada pela sabedoria
(.. ,) 11:ts todas ess~s reformas, aprcsentad~s ao gósto popular com0 salvação das do Ato Institucional: ··
suas angústias, ocasionado, se vierem a serproce,sadas, se vierem a ser conslun.a.das;
na melhor de todas as hipóteses, com os processos mais acti.inttdos, tuna grande 0

Foi assim em 64, qwn~o ~a ~o[Ças Armadas, coagidas pcl~ o pioião nacional e pelo
desilusão para 1l"massa popular, porque nio iriam resolver nenhum dos seus
prab1emas, ª co~eÇar pm reforma agclria, em- ciue ª questão dâ- terr1; isto ê. ª ~~Rfi~ do"?º"~º· disap~n-~~ ~ ~u~.f:i~Çl vioJenta dQ poder.com_ 0 ~to
5
In ritu~~~~ cm que o Comando Revolucionário, numa atitude inédita, cria~do
questão da propticd,de é sccundááa (Ibidem, p. 380).
formas tneditas de legalid,de, legi· tlma O Poder Legi I . , cl
. . s attvo, e1Cito p o povo. O ..\.to
fnsutuctonal se enquadra entretant ~ r.. w · ·
• . , o, "peru....,.,.o, cm nossa tradtaonal preocupaçio
Ao discursar no Parlamento em junho de 1962, critica o governo por se
d~ JUstdicação legal: Sacode ~alentamente O edificio, mas nib O faz cair. Evita que
posicionar contrário ao recebimento das verbas ame.rica~ns, originárias do projeto
crua 1 p:uando ~o meJo do camtnho, ao ~~rUma filosofut de alta sabedoria, prudência
'½lian~ Para o Progresso'\ perguntando o por quê dcs·ta posição. Sua resposta é
e com_preensao, sob o ponto de vista sociológico e histórico de nossa realid de
a seguinte: "Porque o marxismo estabelece que o capitalismo americano é político-militar, mas incompreensível para os iuristas puros(.... ) (Ibidem1 p. 11~,
impeáalista. .." (Ibidem, p. 395).
Assim, mnntendo uma postura coerente com suas posições políticas .. Re~tenndo ~uas considerações anteriores, entende que. 0 movimento dos
assuttlldas até o momento, Bento Munhoz se mostra favorável ao que ele denomina militares e um movJmento revolucionário e não um golpe de Es. tado · , ·
. , ao contrario
de "movimento militar" de março de 1964t considernndo-o legítimo e de caráter do movunento que destituiu o governo Carlos Luz e e ,, Filh. ·d d
aLe o, const era O por
popular. Num ensaio sobre Café Filho, i~titulado ·~as Rocas a~ Catete", de Bento um golpe de Estado.
outubro de 1964 afirma:

Ma
em maio de 64, os derrotadm1 de abtil attibuúm à Revolui-ão
. • 7 ,_
escala d
1
egope.
A opinião nacional no que posSUÍll de mais ponderável e definida, pressionava as O
s resscnttmento é perceptível e a confusão intencional. Uma revolução investe
forças armadas para sua arrancada. A opinião nacional catequizava-as para a contra determinada filosofia de governa trazendo uma me" ·•gem
, .._..,
1
, mgopenao
u •
interrupção do processo de desagregação nadoruil que descia do Governo. A opinião ~oc.1., não su~sti.hti nenhuma fiiosofut, substituindo apenas os, homens do poder e
!,
nacional, perplexa, não sabia cómo iriam tenninar·os dispositivos armados para a mventando, e evidente, algumas razões que O ·wtifique Da!. diº ·
, 1 m. ,a ,erenÇl entre os
subversão total dos velhos padrões de vida bn.silciros., manifestando de todas as . movunentos de novembro de 1955 e marro de 64 O ' ·· r · 1
·7 • pnmeao lot um go pe e o
maneiras sw. avcrsio ao poder divorciado da Nação, principalmente com as ?-.farclu.s segundo uma revolução (Ibidem, p. 123).
da Familia, até obrigar as Forças Armadas à sua decisão no movimento de 31 de
í,j
março -1" de abril, um_dos mais populares.movimentos de nossa história política, Num ensaio de outubro de 1968, intitulado "Métodos Atuais de Defesa da
em que o Exército, com toda sua proocupaçio de justificaçio legal. acompanhou, Democracia", ao referir-se à repressão no Paraná, afirma: ·
simplesmente acompanhou o país. Em Curitiba, em praça pública, junto ao 'Palácio

176
177
Seja realçado o comportamcnlo, no Pann:i, ao iniciu--se 2 Revoluf?o de 64,dos lnquérito5 . desentender politicamente. Paulo Pimentel dkputou as dciç:õcs p
}.l.ilitrue5, quando os inquiridores~ compreensivos e patenulis, mesmo p2.tcrrulistas, • ar um pequeno
partido, o Partido Traballústa N,cional (P1N). Recebeu o apoio do PDC (partido
a
porque percebe~ pouca prática subveniv.t de muitos estudantes, chamados 2 ~
de Ney B~ga), no entanto, sem contar com o apoio·de uma,imp'?ttnntc liderança
pan O e·sque«µsmo e para wn pseudo-marxismo, por seu ideal de justfl?. QUa!B os
deste partido, Afonso Camargo Neto.-Este articulava sua ~di~atura no govt!tno
métodos tmis eficientes só uma longa prática e um longo tmto com o assunto podem
ensinar, mas, acentue-se a diferenç:;i funchunental entre a eficiência imediata e a eficiência do Estado pelo PDC, mas N_cy lltaga articulou o apoio do PDC à candidatura de

tongo praw, que se podem contradizer e freqüentemente se contradizcin. ..A noçio de Paulo_ PimenteJ._Dertotado na convenção do PDC, Afonso cbat~o Nêto passou
2

limites na repressão, só a sabedoria do poder público pode descobrir. Pode e deve a apotar a candidatura de Bento Munhoz. Pimentel tambéffi recebe O
apoio do
descobrir, inspitando-se cm métodos brasileiros, em no55-a moda cabocb. que imortece PL, ~e grande parte da UDN e de setores do PSD. Bento perde as eleições,
o conflito de: contrários. A não n:u:tlcaliz2ção esti enÍ nos.s11 tradiçio.. O r:uliofumo não pnnopalmente com os votos do interior dô Estado, pesand~-lhe a acusação de,
é br.lSileiro, não vem de: nossus heranças; vem de fora, VW\ <leoutms formações, como no período de sua gestão, ter governado o Paraná com os olhos voltados apenas
-um comportam~to ~ta~ente intel~~do q~ !1º fundo ~s- éestranho (ROCHA p.
pãra Curitiba (IPARDES, i9B<J; 23). - ·• - - ..
NET0,1969,p.18S). . Após esta experiência,. Bento Munhoz não volta a· Se ·candidatar para
qualquer cargo político. Apenas diz recomendar aos arrugas o ingresso· na ARENA,
Os repressores são considerndos pnJ:emalistas, condescendcnt~ assumindo após a extinção do pluripartidarismo em 1966. Apóia a "Chupa Presidente Costa
posturas não radica!s,.seguindo a tradição btasilcira. ~orno na relaç.i.o entre 7~nhorcs e Silva, de Integração Revolucionária", da ARENA de Curitiba (O EST.1D0 DO
e escrav;s em que n9u~les eram considerados dóceis, paternalistas e benevolentes, PARAN.-1., 5 ago./1969, p. 5). . · • - ..
l
" lição aprendida ~om Gilberto Freyre e que influencia a sua leitura da repressão Em fevereiro de 1967, Bento Munhoz ingressa na A~demia Paranaensc
durante a ditadura militar. Uma leitura idealiznd• da realidade. de Letra$, ocupando a cadeira que tinha como Patrona Vi~ent~ Machado. Faz um
Ao terminar se~ segundo mandato parlamentar, concorre a uma vaga para longo discurso, enaltecendo a figura daquele ex-governador do Estado. Em 5 de
o Senado Federal na; eleições de 1962, pelo Partido Republicano. Não é eleito, maio de 1969 se aposenta na Uciivcrsidade Federal do Paranâ. Em dezembro de ·
pois havia apenas duas vagas e Bento fica em terceiro lugar. Os eleitos foraffi 1972, recebe uma homenagem, no Palácio Iguaçu, da "Liga da Defesa Nacional",
Amaury de Oliveira e Silv, pelo PTB e Adolpho de Oliveira Franco, pela UDN, que lhe c1;mcede urna "Medalha de Mérito Cívico", tendo cm Vista sua dedicação
ambos recebendo o apoio de Ncy Braga, adversário político de Bento Munhoz. ao magistério paranaense (O ESTADo DO PARANÁ, 30 dez./1972, p. 3). Pouco
Volta a disputar as eleições para o Governo do Estado cm 1965, por uma antes de completar 68 anos, na madrugada de 12 de novembro de 1973, Bento
coligação formada pelo Partido Republicano, Partido Trabalhista Brasileiro_ Munhoz morre de enfisema pulmonar. Antes de falecer, f~ou internado -
00
(enfraquecido com • ditadura militar), Partido Social Progressista e Partido de Hospital Santll Cruz por um período de mais de 20 dias. É vcl,do na Reitoria da j

Representação Popular. Além. disso, recebe o apoio de uma dissidêricia da UDN. Universidade Federal do Parani e seu enterro recebe todas as f~rmalidades deum l
j
Com o PTB, ficou acerta.do que o candidato a prefeito nas pr6ximas cleiçõ~s seria ex-governador do Estado.
do PTB e que haveria. um candidato do Putido ao Senado. Nestas clciçàcs ao Foi benemérito do Centro de Letras do Paraná, do Instituto de Engenharia
governo do Estado, Bento Munhoz teria em Paulo Pimentel seu mais forte · do Paraná e da UFPR; grande benemérito da Escola Superior de Agricultura e
concorrente. Pimentel havia sido Secretírio da Agricultura do Governo Ney Veterinária do Paraná; professor "honoris causa" da Faculdade de Direito de
Braga. Rompidos politicamente há anos, Ney Brnga e Bento Munhoz se cnfrerttam Curitiba; professor emérito da UFPR; benfeitor do Colégio Internacional dos
nestas eleições, visto que Ney Braga usa todo o seu poder polltico em favor da Cirurgiões, de Genebra; benemérito da Sociedade Brasil~ de Cardiologia;
candidatUra de Paulo Pimente~ com quem posteriormetlte runbém viria -a se benfeitor dos Amigos do Apostolado da Companhia de Jesus e recebeu o diplomá

178 179
1
e as Assembldas .Estaduais. Manod Ribas permanccc go~~nando o Estado,
de Serviço Relevante do Conselho Federnl de Engenhari.'l e Arquitetura; cidadão
novamente como tntervcntor.
• No longo perlod0 em qm. g°"."crnou o Paraná, de
honorário de Curitiba, Ponta Grossa,Joiriville, Irati, Lapa, Apucarana, Guarapuava,
1932 a 1945, Mru1oel Iübas estabeleceu uma relarSo
r- cntre O P 00
· er d o Estado e as
Palmeira, Barracão e àdadào benemérito do Paraná (PERFIS E\RL.\à!ENT.\RES,
forças econômicas dominantes tradicionais. Manoel RiL· e • fu ndado r do PSD
'"'s ,m
1987, p. 44).
Recebeu as seguintes condecorações: Grã-Cruz tvfogistral com faL... n, da no .Paraná _cm 1933, tornando-se o presidente honorário dcs'te partido em oívcl
Ordem de Malta; Grii-Cruz da Ordem N,cion•l do Mérito (Itália); Grii-Cruz da . De acordo com o General Tourinh o, cm entrevista,
regional. · ·o. PSD Jª
•• havia sido
Ordem do Mérito (República Federal da ,\lemanha);.Grii-Cruz de Orange Nassau · do a• L.
organ12adoporManoellübasem 1932, 1933, "orgaruza uase d o 1nter1or
· · dos
(!1olanda); Grande Ofiàal da Ordem do Mérito (Paraguai); Grnnde Of/dal da grandes figurões
, do intecior, dos coronéis do _interio r...,,• Apos
. ,~ rc d emocrauzaçao
.' _
Ordem do lvlérito (Síria); Comendador da Legião de Honta (França); Estrela da de 1945,
• . ainda de acordo
• com o Gcnera1 Tourinho, que m t corgamza
, . ' o PSD é 0
Solidru:iedade Italiana, de 1' classe; Placa de Honra da Cultura Hispânic• (Madrid); ,Secretarto
. do Intenor
. e Jusciça de Manoel
, _ Rib F d FI
ns, ernan o ores, que entra cm
· Med;lha do Mérito Ch~co da Liga· de Defesa N•cional; Diploma de Honra do. contato com comerciantes criadores de gado e te., trazend o-os -para
• 1
· · o PSD.· Manoel
- ·-
Mérito Rural; Medalhas de Tumandaré (Marinha de Guerra); Rui Barbosa e Ribas pretendia se . , nns e1etçocs
· candidatar ao governo do Estado pelo PSD. . - de
Murecl»l Hermes da Fonseca (Ibidem, p. 45). 1947, mas falece cm janeiro de 1946. ·
Co~ o processo. de redcmocratizaçílo, a interven~oria no.'Paraná foi ocupada

3. GESTA O BENTO MúNHOZ NO GOVERNO DO PARANÁ


pelo. Presidente
• do qu
, _Trtbunal. de Justiça , Clocirío Portugal, , e se aLaSta
e ,
apos a
realizaçao
· das. eletçoes pre51dcnciais de dezembro de 1945· O, pres1'dente cl ctto,
.
Marechal Euoco Gaspar Dulra, do PSD, nomeia Brasil Pinheiro Machado, do PSD,
para o cargo. Procurador Geral do Estado e professor de História do Bra il
3.1 A QUESTÀO PARTIDÁRIA E O SUPORTE POLIT1CO DA GESTAO u· ~ SM
nrv·ers1 de do Paraná, Brasil P. Machado governou o Paraná; como interventor
no .período entre fevereiro de 1946 • setembro de 1946· De aro cdo com Samue 1'
lvlanocl Ribas exerceu o poder político no Paraná no período que vai de
Gwmaràes da Costa, Brasil Pinheiro Machado foi escolhido por Dutta
1932 a 1945. O General l\-fário Tourinho, que era o interventor no Paraná escolhido
por Getúlio Vargas, foi afastado do cargo pelo presidente da República pçr ter se (...) na expe:ctativ,1 de que poderia ser o mais indic2d o pa~ pact'ficu a poliuc.a
.
P?sicionado contrário ao projeto da criação do Território Federal do Iguaçu, que ..,pa.ranacru:c
_ .e atrair o apoio de outros partidos com vist u a._ sucessao
·, - govetmtmcnt:il.
retirou do Paraná n região Sudoeste do Estado. Em seu lugar Getúlio Vargas l\la.snaofo1oqucaconteccu.O
. . . · d do
secretaa.a o novo Interventor seria. vi5ivdmente
nomeou lvlanocl Ribas, que foi intervento,r entre 1932 e 1934. Neste ano o país parttdano e ,pessedisb,
. . .sendo recrutados homens de s ti a. propt1a• , gcraça.o,-

pertencentes as tnuiktomus familias do Estado (...) N.ao mwto


. , d epms, de nssunur
. 0
retorna à normalidade institucional; o Congresso Nacional elabora um,'l nova
Go~erno, Brasil Pinheiro i\fachado passava a ocupar 11 presidência do Diretório
Constituição, e rcaliz~m-se as eleições. Getúlio Vargas permanece no cxerdcio da
Rcgtorual do PSD, entrew,mdo~se a um venfadeiro dclirio 11m b,u1atono,
. . em v1s1tas
.' a
presidência da República., após clciçào indireta realizada pelo Congr~so Nacional.
quase
, todos os municípios , rec - fi , . ,
epçocs- esuws, cnanças lltenaodo banddcinhll5,
Em 1935 o interventor lvfanocl Ribas é eleito governador do Estado pela diSCUrsos ao ar livre, banquetes e churrascadas, enfim, todas as cancterisrica.s de
Assembléia Legislativa. Em 1937 Vargas promove um golpe de Estado, instaurando uma campanha eleitoral (COSTA, 1995, P· 363-364).
o Estado Novo, suprimindo as liberdades públicas, fechando o Congresso Nacional

181
18i}
Diante desta posiçào, Brasil Pinheiro Machado perde a intervcntoria cm Moysés Lupion. No entanto, a frágH alfança s!!rá desfeita nq decorrer da gestão
setembro de 1946, sendo indiéado em seu ~ugaro Tenente Coronel Mário Gomes Lupion. Este niio cumpre os co,·,1pro~os as~dos com os partidos que lhe
da Silva11. apoiaram, se restringindo a atender aos interesses do PSD (COLNAGHI, 199Í, p.
O empresário ?Yfoysés Lupion) que foi.amigo do interventor Manoel Ribas, 10-11). De acordo com o General Tourinho, tmto o PTB, f!Uanto a UDN, são
procurou articular a sua candidatura· ao governo do Estado. Devido às'disputas e:tpulsos do governo Lupion, afirmação corroborada por Samuel Guimarães da
internas no PSD, Lupion não enconirou, inicialmente, facllidade para estabelecer Costa., em entrevista, ao considerar que o PSD pretendia &ovemar sozinho,
a sua pré-candidatura pelo PSD. Estabelecendo relações com o PTB, Lupion controlando o poder politico do Estado. Assumindo esta poaição, Lúpion e seu
procurou estreitar seus laços com o presidente Dutrii, visando sua aceitação p_elo partido" ptovocam uma aproximação da UDN e de setores do PTB em torno de
1 .
PSD (COSTA, 1994, p. 29). A candidatura de Moysés Lupion acabou sendo Bento Munboz, que novamente seria candidato ao governo do Esmdo cm 1950.
defendida pelo PTB, pelo PSD, pela UDN, e também pelos comunistas e pelos Desta forma, a coligação politica que dá apoio à candidatura Bento Munhoz
. integralistas. Herdando, portanto, a estrutura politicamontada por Manoel Ribas, ao governo.do Estado em 1950i--é-constitwda pelos·scguintcs-'parcidos: PR-UDN-
dificilmente Moysés Lupíon perderia as ~lciçôes parn o governo do Estado, que PST-PRP-PL Deve-se observar que o PRP, Partido de Representação Popular, é
seriam realizadas cm janeiro de 1947. constituído pelos integraliams (C.~RONE, 1985, p. 37). Além destes partidos, Bento
De acotdo com Ivfaria Victória de M Benevides, construiu-se um acordo Munhoz recebe o apoio de parte dos pollticos do PTB. O Partido Social
interpartidário que deu sustentação ao governo Dutra, cle_ito em 1945, com uma Progressista, PSP, era presidido pelo Coronel Plínio Alves Monteiro Toucinho
aliança êntre o PSD e a UDN. Embora este partido tivesse lutado contr.l o Estado lider da "Revolllção de 30" no Paraná. Este partid~ ·uào apóia~ candidatura Bent~
Novo e era fcrtenhamente contrário ao getulismo, constituiu·se o acriêdo com o Munhoz, afinal, reprcsentmtc do vclho Partido Republicano Prui,tnaense. Realizadas
PSD, partido dos interventores~ partido que expressava os interesses getulistas. E as eleições, Bento Munhoz Síl.Íu vitorioso das urnas. O governo Bento passou a
0 que teria levado a tal acordo, aparentemente estranho? Conforme afirma receber o apoio de alguns integrahtes do próprio PSD. Dentre os políticos deste
Benevides: "na raiz da ;dcsào espúria estará o antigo temor da 'erupção social' e partido que passaram a apoiar o governo encontram-se: Brasil Pinheiro Machado
a força da identificação classista" (BENEVIDES, 1981, p. 219). O receio da. Aramis Athayde, Fernando Flores, Oscar Lopes Munhoz,João Chede e Flávi~
constituição de um11 aliança entre o PSD e o PTB leva a UDN a se a(>roximar do Guimaràcs. Sobre este apoio do PSD ao governo, o General Tourinho afkma:
PSD. 1 'Essc constrangimento, embora calçado em ritízes históricas e inimizades de
um passado ninda muito recente, seria vencido pela força dos interesses reais dos Depois que o Bento foi eleito, parte do PSD traiu o Lupion e passou-:sc para 0

grupos que compunham os dois partidos." (Ibidem, p. 219). O PSD articula também Bento, chefiado pelo Ararnis Ath.ayde, que cn amhado de Bcnfo. Depois da eleição,
a aliança com o PTB, visando não manter o pacto apenas no campo co-nsc.rvador. isso cu testemunhei Parte do PSDJ veio o Athayde, veio o Lopes 1lunhoz... depois

Promovida pelo presidente Dutra, a aliançi. também será realiza.da no Paraná, veio o João Chede. .. O João Chedc vcio para o PSP. Mas é depois das eleições. Nas
eleições não, inclusive o ...-\rami.s Athaydc deixou o cunhado e foí com o Angelo
unindo o PIB a UDN e o PSD, como vimos 11cima, em torno da candidatura de
Lopez. O Ar.tmis era um amaleiio (...) 11 •

11 Como csi:c. só toma posse. cm 7 de outubro de 1946, Joio Cândido Fcrrdra Filho ocupou
interinamente o cargo, Pouco depois da rcalizaçio íbs cldçõcs par.a o governo do Eso.do, que se
deram cm 19 de janeiro de 1947, Mârio Gomes pede exoneração, ficando em ~eu lugar Antônio
n Conforme entrcvi:n.:i. t'C:lllizada pelo :iutor.
Augusto C:irv:;i.lho Chaves, que transmitiu o orgo ao govc~ru.dor deito.

182 183
Com a morte do Coronel Plinio Alves Monteiro Tourinho, o PSP passou
a ser chefindo pelo seu filho, o então lvfajOr Luiz Carlos Pereira Tourinho. O PSP
se manteve neutro em rcla~ào à c.,nclidatura de Bento Munhoz, conforme declara
o General Tourinho. No entanto, no inido de seu governo, Bento Munhoz procura
o Major Tourinho, convidando-o para assumir a direção do Departamento de MILTON c:=.-\l~EIRO. Nll.:lccu cm P:m1n11guá, ll 16 de outubro de 190~ l'~ho tJo pr fi ..
Estradas de Rodagem - DER. Segundo o General Tourinho, Bento o procurou, •.\bdon Pettt Guunacic~ Cumeiro e de I-Jcnriquct.i llricl1sen C11.mciro .'..... r •
· d e · iba o ~i;or
, ...... ns,cnu-::c, cmmça
pois queria que o Diretor do DER não tivesse qualquer ligação com os cmpr,;itcirós. am a, para una 'depois de lu1vcr rCllidido com ~ua família cm Ponta C-º I' . .
· · · c I' · . •=n. 'CZ seu cu~o
O então Major Tourinho aceita o convite, após consulta ao diretório de seu partido, prunttno no o cgto• Julio Tcodorimc o curso sccumlâóo no G .Ulll.Slo . ' lc_ '
--.1.illacruc. M:itriculou-sc
110s 16 :inol,,
. na l•:ictild:tdc
. <lc Mcdicirui, da Univcn1idadc do par::ma,
• onuc
_, cua:ou
, . . '
o:t 3 pnmcu-o:.
levando consigo o apoio do PSP ao governo. Este apoio foi relevante, poi$ na
anos: ~eguindo ~cpoL..; p:ir:1. o ruo de Janciro par.i concluir o curso na L~·cult.latk: N11.cional de
.Assembléia Legislativa havia um certo equilibcio entre as forças políticas que.
Mcd1c1ru1,<la Pnu~ \'crmclha. Dcpol5 de form:1.do, clinicou :1.lguns :i.nOl cm r..Gna.s Gcr:ti F .
apoi,avam o governo e 'as forças lupionistas. O PSP tinha dois deputados estaduais, -. curso t.lc .\nitt~mm-Patol~en no Iru:tituto ''it11J-Bn:i.isil. ºNa Paéuldade'dé: }.fcdidi-m dt Ü;;:-;
o que possibilitou ao govetno obter a- maiori~ na Ass-einbléia Legislativa, embora ocupou aa- cadelr.111 de Biologia Geral, P.1;n1:1itologia ~ledica e Anatomia Patcilóo-i N I' I,_'
de FiJollofi
• . . la,
e·lC.nCfflS
. e Lctn1s <la UFPll lccionou Piicologia
' ' Genética e J-'tistória
o·º· <la Fil .li ':ICU uauc
' e_
por pequcnn margem. l•otumcmdort.l · N °~01111.
Durante o seu governo, Bento Munhoz recebeu a ·assessoria de um circulo . . • e mosquitos. o Governo de Bento :O.lunho-~ exerceu a fuuçio de Chefe r1:i Ca:i

de amigos 13. Estes assessores crnm: lvfilton Ca.rneiro, professor da Faculdade de


0\'il.
• . Ca:mt.lo com Ha\'déc
• Nid · e • .
c\1,/lC:Z :imctro, tem 0$ :.cgumtci; filhos: ~@ton C:1rnciro Filhoª
1ned1co,
B· lógic profc:i$0r de Parasitologia ML-<llel do Dcpt" de P:ittlogia
. 9·aSJLõl uo Setor de Ocnc1;1.s
i__ :, ,.. • •

m
h as UFPIL, e professor titular da mesma disciplina na PUC-P.Jl· Í'cn"'n 'o N ~-
. da ºvil .
~~
Cfl '-t ,... U . '-<líl1CtrO
gcn
H · e cu-o ct ' profC:l-llor do lrutfruto de Ciências Ja UPPR e _,_
· I> . •
uu cut,ov ositrvo; e 1fano. .'

u BlL-\SIL PINHEIRO M.\CIUDO Nn:-ccu na cidade de Ponta Gros~a, cm 1907. FormotHc 1111. li cgma ..arnctro de .Almeith.. Milton Cnmciro foi articulista d e: \'li.nos
, . ,omal..'I
. : . e cscrcvctJ van0$
. .

r<acultbdc Nacional de Diicito do Rio de J!lnciro, cm t 930. r-oi professor de curso i.ccundário, de
vro:i,. dentre os: qunl9, Co.ncc1to Atual da Yith
J ' Procuno d E u· , _1~_1 • ,
e ~llll, ntvcuh.111.uc e Ensino e Sobre
1931 a 1938; Dcput:1do E:::L11-du:U de 1935 a 1937; Procur:idor Geral dajustlÇ1, de 1939 a 1945; r,. 1aqumvcl (RUMO PAlL.\.NAENSE, 1975, 112).
lntervc.ntor f"C<lera.l no Paraná cm 1946; Deputado Federal de 1947 a 1950;Jui.J. do 'l'cibuoo.l de TEMÍSfOCLES .LINIHRE& • Critico tired no,
, -viveu
. ,
cm Bueoos ,--\iro;, llofrcnt.lo influênciA
Conta.-. do &rado do Pu.uci, de 1947 a 1967; \'icc.llcítor da Universidade Fcdcral do l~r:má, de . ~lturlll d:iqucla at.lat.lc. 1ornou-sc proÍC$$0r Cltronitico de Utcralu p:.-... ·\ .
UnivcrsiWlt.le fbknl do p , p . . . , C'ól ._..,,.. no-. mcrtan.1 na
1967 11. 1971; Diretor da í'iculd:idc de Ftlo.~orm., Ciências e Lctl'll$ da UFPR, de 1968 11 1972; .1;111.na. ~ 0 prtmcuu Dtretor-Prcsidcotc w_ COI'"-[ E
· pi I r· · · .1 L', ~ !l:crcvcu cm
Diretor da f,acukladc de Ftlowfia, Ciências e Lctru da Universidade útôlica; e Diretor do :.u .cmc:n
d Oi:R ttcranmt
· , . cul1ur.ais. Dentre outro.-. livros:, pu blicou l':t- r.ana,
Buc centrO!> . r·1vo, lfo:tona
• - •
Instituto de Pcsquísns d:l UFPR, de 195811. 1968 (GAZETA DO POVO, 19 dcz./1978, r- 4). Crio e.a o • omnncc rasiJc1ro ' Irts1onll
• · E conomto.
• · do ~Iate e llcliquí;ia: de um;i Polê .
P.\USTO C.\STlLHO. Filho de fa;,,cndciro paulista., nasceu m Clcfadc <le Cambar.i-Pll,cm 1929. Ecntrc .\mrgo:t (V-AHGAS, 1992, 11- 213). m1e1
Estudou cm São Paulo, na França e na .-\kmanlu1.. Estudou FiJosofi:i. na Sorbonc. I>:aris. llctorna
\~J~f.i~N .~~\RTIN,S. Nnsccu cm Sã<: P;iulo cm 1921 e vcio p;ir.i Curidbn cm 1930. J~ou no
ao Panmâ cm 1953, pnuando a rc11idir cm Curitiba no pcrlodo entre 1953 e 1959. foi IL~lics:sorde
Col:giu ~1v111a ProvidC.1'.cia e no Gini.-.io Jlar:mllcn~, form11núo-1e cm Direito pd.1 Univcn:id.1.Jc
Bento :-.lunho;: nu governo do füut.lo, e o primeiro Diretor <fa 8iblíotcC2 PUWic:i do 11.irani,
I I arana, cm 1943. Po1
do . locutor na cidio PltB2 Entre 1943 e 1n44 ' , OfiICCI
-., , ,íJI . 1ui:!.
' G abll\ctc
. do
:ipôs li t:W. rcorgul'UrJlçln Em 1959 foi convídii.do p-;:,,ra Integrar o corpo tloccntc <lc uma F;:,,cul<lat.lc
paulista cm form:içào, que vim $Ct a UNICAMP. Doutorou-se pela Uf-Pll e tornou-~ Livre-
ntcrvcntor
, hM,mod Jl.ibiu. fooi afostat.lo do caroH -"- por opt:tr pcIa corrente poltUC":li
. . thlcr:ula
. po,
Docente pela mcs-rtl11. untvC~it.l:idc. Na Uni\'cr-.Si:cbtlc f-cdcr.11 Jo Pan1nQ foi profci:wr tlc Sociologia Uento n11111 oz d.a. !tocha Nci u F01· b 0111 1 •' t ª d 0 G ovcmo Franc& entre 1947 e 1948. Foi
tio Conhecimento. Profcs:l,or1ítulardo ILCSE-UNESP e do IFCfJ.tJNIC;\~IP (TP.\RDf'.'..<; ~ profc~:tor afctlrít1co cm Língua e Litc..i.tura Fr.anccsa mi UFPR, entre 1952 e 1962. Nedc: .1.no
Sobre Política Parnnacnsc; cntrcVi~tas, (1. 27-28). 1r::1ru~crc·SC _para m Est2do, Uniclos, lcckinando n.t Unlvcnlchtk de Kan~u: e o;i Univen.id:idc
JOAQUIM DE r,,L\TTOS BAlUtETO. Filho de Anibal B11.rrcto e l:umra Matto, B:mcto, nasceu de W1sconsm-Madison. Foi profcuor titula.e de Lit.cr.atun1 Bnu:ücirn m1. NCW York Un' -· '
En.saljt:l e e . . J . • • IVcrstt).
cm Curitiba cm 24 de setembro de 1908. Formou.se pchi P'acukl.i.dc de Medicina e Odontologia . nuco ..ttcr.mo, e,crcvcu no jornal O füt:lldo t.lc. Sio Paulo até 1974 I;- Cri.
da Univcuidade do Pi:&r.má, onde mai~ t::1rdc foi proÍC:$$01' catcdrâtico. Casou-se com .-\licc Lltcr.irio
• dos ·ornais
•J "0
• Glob " " ., · - ttco
o e Gazct.i <lo Povo . Dentre outro:s livr0,i, C11crcveu "Hl$tó/1jl.
Ffllnco e teve o~ ~cguintes filhos: Ana ~focia, Paulo, MariA Alice e Joaquim. No Governo de da lntcligcnrno Brnsi=" e "Um B=il Difcrenre" (DICION,ÚllO Hr.,'l'ÓRICO-BIQGR,\FICO
Bento h[unhm. foi Diretor da Fundaçfo de Assistência ao Trabalhador Rural e Sccretiirio de DO ESTADO DO l'AR.\N.\, 1991, !' 277-280).
Educoção e Cultura. (AL\IEIDA, 19GB, !' 53).
f8S
184
cargo entre agosto de 1953 a fevereiro de ·1954, Chafic Cury do PR e, finalmente,
Medicina; Fausto Castilho, professor da Faculdade de Filosofia; Wilson Martins,
Carlos Frederico Marés de S01..r~a. ,Abilon-de So~.za Naves :do PTB ocupou a
·cdtico literárioj Joaquim de lv!attos Barreto, professor da Faculdade de Meclicma;
Secretaria Estadual dos Negócios do Trabalho e Assistência Social >

l
Brasil Pinheiro Machado, professor da Faculdade de Filosofia; e Temfstoclcs •

Secretaóa criada pela Lci n.º 682, de 13 de setembro de 195L.Esta p.;.ta contou
Llnhares) Professor de Lit~ratllra na Faculdade de Filosofia.-
ailidacom os seguintes titulares: Corone!Alcides .Amaral Barcellos do PTB,Jorge
de Lima do PTB, Estcvam Ribeiro de Souza Neto do PTB e no~rnCnte o Coronel
3.2 O SECRETARIADO
Alcidcs do Amua! Barcellos. O Coronel Albino Silva ocupou a Chefia de Polida
Vejamos agora como Bento Munhoz constlfui o seu secretariado. P~ do Estado, cargo ocupado posteriormente pel.; Major Ney Arnintas de Barros
Secretário Estadual dos Negócios da Fazenda Bento Munboz escolheu E.rasto Braga e pelo Coronel Carlos de Almeida Assurnpção. O Coronel Euclides Silveira
DN. Durante a gestão de Bento Munhoz esta pasta.foi ocupada do Valle ocupou a Chefia da Casa Militar. Esta passou a ser subordinada
G aerer,a
tn d U _ .
pÓr outtos· tilulares:-Fclizardo Gomes da Costa do PR, Eugênio José c;le S,ouza e diretamente ao Gabinete do Chefe do. Poder Executivo, pela Lei n.º 709, de 28
Francisco de Paula Soares Neto, da UDN. Roberto Barrozo ocupou-a Secretaria de setembro de 1951. Milton Carneiro ocupou a Chefia da Casa Civil Esta
' .
Estadual dos Negócios do Interior e Justiça, posteriormente ocupada pelos pasSriü a sc:r subritd.inndà diretàrne.tife ao Gabinc.te do Chefe clb !'Oder Executivo
seguintes titulares: Àratnis Taborda de Athayde do PSD, Laertes de Mac~do pela Lei n.º 709, de 28 setembto de 1951. A Procuradoria Geral do Estado fo;
Munhoz da UDN, Renato Gu'rgcl do Amaral Valente da UDN e Fernando Flores ocupada por lvfanoel Llnhares de Lacerda do PRP. Posteriormente, Edgar Távora
do PSD. Francisco Peixoto de Lacerdâ·Wcmcck do PR assumiu a Secretaria de e José Hosken de Novaes tambérri.foram titulares da Proct1radoria. O ocupante
Estado dos Ncg6cios de Agricultur.i, Indústria e Comércio. Outros titulares do cargo de Prefeito Municipal de Curitiba recebia indicaÇão do governador
desta pasta focam: Newton Carneiro da UDN, Rubens de Mello Brag> ~o PTB ~ até 1954. Durante a gestão Bento Munhoz foram diversos os ocupantes do cargo.
José de Oliveira Rocha. A Secretaria de E•tado de Educação e Cultura foi Amâncio Moro, do PTB, ocupou o cargo de jan~iro de 1951 o. julho do mesmo
ocupada po~ Newton Carneiro, da UD~. Outros titulares desta. pasta f~ram: ano; Wallace Tadeu de Melo e Silva, do PTB, foi prefeito da cidade entre julho de
João Xavier Viana do PR, Lauro Gentio Portugal Tavares do P~ e Jo~qwm ~e 1951 a outubro do mesmo ano; Erasto Gaertncc, da UDN, ocupou o cargo entre
Mattos Barreto do PDC. A Secretaria Estadual de Saúde e Ass1Stência Soe1al outubro de 1951 e maio de 1953; José Luiz Guerra Rêgo, d0: PR, foi titular do
foi ocupada por Piragibc Araújo. Posteriormente, ocuparam o carg~ Ara.nús cargo entre tnaio de 1953 a março 1954; e finalmente Emani Santiago de Oliveira,
Taborda de Athayde, do PSD, e Roaldo Amundsen Koehlcr. Esta Secretana passou do PR, permaneceu no cargo ent.re março de 1954 a novembt'O do mesmo ano,
a denominar-se Secretaria de Saúde Pública, pela Lei n.º 682, de 13 de setembro beve-se observar que·o Prefeito José Luiz Guerra Rêgo rcnu~ciou ao cargo no
de 1951. Felizardo Gomes da Costa do PR ocupou a Secretaria Estadual dos final de março de 1954, pois pretendia ser candidato a prefeito, nas eleições que
Negócios de Viação e Obras Públicas. Durante a gestão Bento Munhoz esta se dariam em outubro. A partir de janeiro daquele ano, a legiSL'lçào foi altcrada1
· d' . V da com o apoi.o de Bento Munhoz. Com a alteraçào, o prefeito d~ capital passada a
pasta também seria ocupada por Hugo Cabral da UDN, Riva. avia argas
UDN, por Eugênio José de Souza e Antonio Joaqwm de Olivetta Portes. O ser eleito e não mais indicado pelo governador. Com a renúnci~ de Guerra Rêgo,
Secretário do Governo, do.quadro especial do paL\cio do govern.o foi ocupado cria-se um focidente. O Presidente da Câmara Municipal, Roberto Barrozo Filho,
por Oscar Lopez Munhoz, que era do PSD e depois ingressou no PR. O Secretário_ entendeu que o novo prefeito que deveria completar o mandato de Guerra Rêgo
do Governo passa a ser considerado Secrebírio de Estado, pela Lei n.~ 709~ de deveria ser o próprio Presidente da Câmara e não ser indicado pelo Governador.
28 de setembro de 1951. Outros ocupantes do cargo foratn: Joio Xavier Vtana Tendo cm vista que o pai de Roberto Barrozo Filho, Roberto Barrozo, pretendia
do PR, Rubens de Melo Braga do PTB, Oscar Lopes Munhoz que retomou ao ser c~nclidato a prefeito nas prô:<lmas eleições, o filho não quiS assumir a cargo.

187
186
Desta forma, coloca em seu lugar o vereador AUgusto Toaldo Túlio, do PSD, e a ,.li
de ferro de seu interesse; - P~t:arinformaçõe.s e e · clili" ~- ·
Càmnra Municipal empossa-o prefeito de Curitiba (O EST_\DO Db PARANA, 1.º ,. umpnr gcuaas que at> Estado
forem soliatadas pela União, relativamente à :i:egu d r · .
abr./1954, p. 4). No mesmo dia, 31 de março, o governador também nomeia o , , . rança as 1r~ntcttas e ao servlço
de policia;-Supenntender a colaboração entre O Estado e esses .. _:_r ·
prefeito da capit11l 1 Etnani Santiago de .üliVcita, do Partido -Republicano, . _ . : mumup1os para
orgaruzaçao dos serviços locais de asai:i:tência pública e higiene popular e formação
empossando-o no Paláci~ no dia 1.º de abril Curitiba estava então com dois da. consdência ~anitária da populaçio' _ A 'lia c1m· • ,: - ·,
• UXJ r a a lnutraçao muntapal, n:.1
prefeitos. No dia 1. 0 de abril, a Câmara de Vereadores, com dez votos fayorâvcis claboraçiio de diretrizes e normas da politi p • " •

ca agnna, econonuca e rodoviária·


e dncd contrários, aprovou a indicação do governador, dando posse a Ernani Representar o Governo sobre a necessidade de execução :de melhoram t '
. . , en os
Santiago de Oliveirn (G-\ZET.\ DO POVO, 2 abr./Í954, p. 8). O Major Luiz mllIUC:lprus, que acedam aos te5pcctivos tcCUC5os financeiro" r._,__ ,:_ -d li ,
1 .., ~ o a ap caçao
Carlos Pereira Tourinho, do PSP. ocupou a Diretoria do Departamento de das verbas que forem concedida. pelo Estado (BOLETI~l DO SERVIÇO DE
Estradas de Rodagem - DER. Ocupou o catgo atê junho de 1954. _A partir Th!PRENSA DO P.-\RAN.-Í, 1954, p. 49). .
-desta data o- catgo- foi- ocupado- pelo- Engenheiro -Roberto_ Faria Affonso. dn >

Costa, do PR. Pedro Stenghel Guimaràcs ocupou a Diretoria da Câmara de A Chefia. dô Scrviçii de Imprensa do PàranÍI foi OCU(>ada p~r Adh~rb;l
Expansão Econôn:iica e Propaganda do Estado. Esta foi transformada em Strcsser. O Serv1ço de Imprensa do Paraná foi criado pela Leh1-º 2.180, de 4 de
Câmara de Expansão Econômica do Paraná, pela Lei n.º 683, de 13 de setcmbrci agosto de 1954, com subordinação direta , 0 Chefe do p d E ·
o er xecuuvo
de 1951. Outros dois diretores da Câmara foram Homero de lvfelo Braga e extinguindo ao mesmo tempo,, C d E - • · '
. • amara e xpansao Econotn.1ca do Paraná. As
Adberbal Sci:esser. A Câmara foi extinta em 4 de ngoSto de 1954, tendo crri vista . ~-n.alidadcs do Serviço de Imprensa são:

a crínçào do Serviço dC 11:Ilprensa do Paraná, Estevam Ribeiro de. Souza Neto,


-. difundir, atuvê:s da imprensa • rádio-difu sao,
- ctnema,
· 1 • -
do PTB, ocupou a Diretoria do Departamento Administrativo do Oeste do .te evtsao e outros
metos de propaganda, as atividades do Estado, com o cibi·etivo de fi .
Paraná. Em março de 1954 a Diretoria foi ocupada pelo Major Adélia Conti. . . . , 1xar a
cont_ri~u1ç~o paranaensc ao progresso nacional, na esfe~a das rea1izaçõcs
Alceu Trevisani Bel~cio ocupou a Diretoria do Departamento de Geografia,
adm101strat1vlls: 2 - divulgar a vida para.nacos b d , ·
Terras e Colonização. Posteriormente o cargO foi ocupado por Américo Nicz , . . e, so to os os seus aspectos, que
mteressem, prec1puamertte, a fixaMo de SUA lid d
• . 'r' rea a e, mormente nos setores
e por José de Freitas Saldanha.. O Engenheiro Civil Francisco Pereira oCUpou a
econom1~0, cu1tural e cientifico; 3 - documentar as ativid,ades paranaenscs,
Presidência da Fundação Paranaense de Colonização e Imigração. Dja.lma
p~lo_s ~e1os que lhe são atribuídos, com a preocupação subsidiária da pesquisa
Rocha Alchueyr ocupou o cargo de maio de 1951 a novembro de 1954.
~stonca~ 4 ~ manter estreito contato do Poder Público ~o~ os órgãos de
Finalmente o c.1rgo fo\ ocupado por João Bi1.ptista Zagonel Passos, do PRP. A divulgaçao do fut,do, do Pai, e do Exterior (BOLETIM DO SERVIÇO DE
i
Diretoria da Imprensa Oficial do Estado foi ocupada por Elias Karam da l~!PRENS.\ DO P_-\R.\N.-Í., 1954, p. 11). .
li
UDN e depois por !talo Domido Botba, do PTB. A Diretoria do Departamento li
;J
de Fronteiras foi ocupada pelo Major Adélia Gonti. Este departamento foi criado A coligação política constitwda para eleger Bento Munhoz e depois dar
pela Lei n.º 1894, de 6 de maio de 1954, tendo autonomia administrativa, sustentação ao seu governo ' f 'gil - eh • · (
e ra e nao cgara, como veremos, unida até o fim 1
diretamchtc subordinada ao Governador do Estado. A seguir, descrevemos algumas da gestão. Esta coligação politica se reflete na composição do secretarindo montado
de suas competências: por Bento lv[unhoz, assim como nas inúmeras alterações vc.r-ificadas acima. Na
Assembléia Legislativa, o putido de oposição, o PSD, tem a maia'r bancada, sendo
F'iscalizar a reserva e dem:ucação cm favor da Uni.ia, da porção de terras devolutas, que O
PTB constitui a maior bancada por parte eh situação. O governo tinha a
indispensável à defesa das frontcins, às fortificações,. construções militares e estradas intenção de eleger Laertcs Munhoz, da UDN, para a Presidência da Assembléia

188
189
econômica e poütit1. Desta f9rma, utru1 questão .rdevantê que perpassa grande
Legislativa.. mas o eleito foi]lllio da Rocha Xavier, do PTB. ''O PTB se uniu ~o·
parte da história paranaense após a emancipação política, é i da integração do
PSD para eleger o presidente da. Casa; tendo em vista sun insat:isfuçào com a
território paranaense. A integração do Estado começa a ser u~a preocupação já
nomeação do Secretatíado, pouco favorável ao PTD" (GAZETA DO POVO, 31
do governo de Caetano Munhoz, quando se 'verifica u.m in19o, de ocupaÇào do
jan./1951, p. 1). A oposição, no decorrer do governo, mantém uma postura de
Norte do Estado. Mas _se torna mais premente a partirda década de 1930, quando
crítica sistemática em relação à gestão Bento Munhoz. Esta pcistura se reflete
a oo.tpação. é mais sistemática. Esta probl~mática estará prcsc~te ~o governo de
também na imprensa que apóia o PSD, como os jornais GAZETA DO POVO e O
Bento Munhoz, que demonstra preocupação Com a integ~ção do Estado, seja
DL-\, que mantém uma crítica constante., algumas v~.es usando uma te~ologia
em nível territorial, quanto econômico, sotjal e politico. Aiértj disso, observa·se
indecorosa. Em 1953, alguns atttlgos de Bento ~Iunhoz, como Aristides 0ehry, nesta gestão· uma preocupaçlo com a ~onstituição da ident:id~de paranaense.· O
Fcrn.-ndo Camargo e Nestor Etícbsen, fundam o jornal O EST..\DO DO PARANÁ, Norte do Estado, como vimos, colonizado priricipalmente por p•ulis ias, que trazem
que sustenta uma postura favorável ao governo (O ESTADO DO PARANÁ, 13 consigo-uma identidade paulista, -alC?ffi de cstatcm tcrritocial e"ecbnoriilci.mente.
nov:/1973, P· 9). muito mais vinculados ao Estado de São Paulo, visto que a ligação com O Sul/
Sudeste do Paraná e, mais precisamente, com a Capihti. era ~~~~idcravelmente
3.3 A PROCURA.DE UM CONCEITO POLÍTICO DO PARANÁ.
precária. O Oeste/Sudoeste, colotlir.tdo p~ncipalmente petos gaúchos, mas
também pot catarinenses, que carregam com si toda a sua ttadiÇão e cultura, a sua
É somente na década de 1950 que p Paraná terá encerrado o seu processo
identidade. Os colc:ini.zadores desta r~gião considerav-a.m q1:Je ~~- ;utoridades
de colonização. Ou seja, ó.Paraná estará encerrando a sua ocupação nos gov.ernos
paranacnses demonstravam pouco interesse por aquela região. tdéias separatistas
de Bento Munhoz e de Moysés Lupion, ocupação no Norte e no Oeste/Sudoeste
já foram defendidas nas regiões Oeste/Sudoeste e Norte. No Nort~ do Estado,
do Estado, :No início do governo Bento, o Paraná vive ainda um forte processo
cogitava.se em formar o Estado do Pâranapanema. Diante d~tc cenário, Bento
de ocupação, inclusive de imigrantes estrangeiro~. Falando da formação do Estado
Munhoz procura implementar políticas públicas visando proniovcr a integração
do Paraná, Bento fy[unhoz considera que: do Estado em nível físico, econômico, social e político. ,
, Como vimos, Bento Munho~, embora filho e genro de políticos da
O Paraná não é apenas um desdobtlimento político de São Paulo, por ter sido a sua
Ri:pública Velha, tem uma postura moderna, de um homem burguês. Assim, Bento
quintâ comarca, É um desdobramento sóciológico, econômico e psicológico da
Munhoz, umjotelectual, imprime cm seu governo, wna_politica de caráter burguês.
dvtlização paulista. E honra a sua origem pela afirm:ição atl.Ull da s~ pujança. Às
vêsperas do centenário da Província, estamos assumindo a liderança do café, ~ Porém, a~tes de iniciarmos as cons.iderações sobre as principafo políticas públicas
grande general da política, o que equivale :i. nossa coloc:1ção na vanguarda da vida adotadas pelo governa, vejamos como Bento Munhoz estava v6ldo O Estado e 0
cconômiabrasileirn, 1Ias estamos, nmbêm, re.tliz:1ndolllll:t ~va fascdaciviliz.ação seu desenvolvimento. Além de rcvelllt a sua ligação com a terra, procura definir
nacional, com um Cõlrátcr nitidttmcnte paranaense, pelo aproveitamento intensivo o paranaensc. Estas questões aparecem explicitamente num dlscurso proferido
da energia de brasileiros de todos os recantos da Pátria e de estrangeiros de quas~ cm 1952, tendo já decorrido cerca de um ano e meio de seu governo. ·
todos os países do mundo, que nos vêm procti.tlt como a wn paraíso de repouso
e segurança, no angustiado e. agitado mundo contemporâneo (A DIVULGAçAO, . Eu tenho consciência da grandeza do momento que o Paraná ettá vivendo. Sinto a

sci./out. 1952, p. 19). trepld~ç.ão do seu desenvolvimento, e sinto melhor do que ninguém as 5 1.l.11!

deficiências. Sinto o nosso gigantismo, o no!!O crescimento cipido demais·pa.ra que


A formação do Estado do Paraná aprcsentn certas particularidades regionais. a administração pública possa acompmhAr a expansão ~cial e econômica. O no,so '
Destacam-se 'três regiões com especificidades cm seu processo de foimaç:ão social,
191
/90
gigantismo é vcrd:tdeir-mentc, para o admin1stt2dor1 um nspccto asfixiante neste tomar o Paraná wn Est2do industrial _:..:_,, _ . . J•
momento. Sinto no Paramí, a su:a gr.i.ndezll e tam~m :1s suas misérins. Sinto a . mas uvJ.UZ.açao indU!U1a1 sem a base, sem o
alicerce, sem o fundamento da atividade agrícola é uma a' iliz' • •
dcficiêoci11. das nossas condições de ordem econômica, da produção de energia, dos • V a.çao que se swdda
(A DIVULGAÇÃO, set./out. 1952, p. 25-26). .
transportes. Sinto a grandczJ do cres.~cnto da nossa produção. Sinto o cre!dmcnto
da nossa matrícula escolar e :ts su:LS falha~, como as da nossa org.uúzaç..ão hospitalac.
Quando o Paraná comemorava o seu Ccnt~ário de ertj2ncipaçã~ politica,
O Governo prccis,. t~ uma noção de conjunto que abranja todos os problemas e a Bento Munhoz em discu . • .·
responsabilidade de Governo atuaL a respons:;i,bilidade da nossa gcraçào1 da geraçio - •. rso, nao esquece de apontar o aspecto cristão na
construçao deste Estado que "está fir d . . .
que ocupa o cenádo da vida pública do Estado, é uemenda. O que se fizer no Paraná, mm o a sua personalidade":
deve ser feito em grande e5Cllil ou então não s:er feito. Fazer com timidez, fo:ut com Pod. 1 '
CJS evar a certeza de_ que aqui se C!ltá construindo algunl: . ..1:r
acn.nhamento, fazer com mediocridade, scci um crime contra o futuro do Paraná. É . a cotsa Wl.etente 00
Bras.il. Tenho a certeza disso Ma • , · ·
p_c:ecíso ter a coragem de re~t cm rnl escala. que as realizações qwndo terminadas • , . .. . s nessa construçao o que se mantém é a fidelidade
• tradição brasileua, cujos r.úz gulh . . .
já nào estejam C11duc~_ e já-~ào pcr-tcnçam ·;1~ {)aS!à:d.o . .-\ n0ssa·-gcraçio cabe esse - - -- -... ~ .. CS: mcr am no, Cnsttarusmo,,que está na cssênàa
de nossa formaçao (ILUSTRAÇ.l.ôlJI(ASti.EIRA, 1953, p. ,19):
papd, ca~e essa missão de realizar, de planejar para o futuro. De fato_ é prcàso tet
alguma imaginação. Realiur para o prcaente,, qualquer wn rc:atiza. Sentir o presêntc
Ao completar quatro anos no _governo do Estado eni 31 d . . d
qualquer um sente, enxergar o que lhe circunda, qU2.lquer um ero;:erga. Mas sentir o 1955 dirigi ' e Janeu:o e
que o futuro vai pedir: de nós, aquilo que. pcla nossa atuação, o futuro ,'ai apb.udir ou ' ~ uma mensagem radiofônica à população, na qual fala da necessidade
d e prepataçao dos paranaenses:
condenar. esse é o privilégio de poucos, m;s esse êo pcivilégio que cu reivindico p~ra
mim. Erros terei cometido em meu governo. E os confesso. Um erro porêm eu não
Temosdcatingironossafuturo · 1 • - ' .
cometo. :É. o erro que acho indesculpável cm quem tenha espírito público: o erro da ' , P~leo ogtcrunentc preparados para sua, exigência
Nossa preparação não pode ser apenas econômica o qÜe .;• ..;,. um d . •
mesquinluu:U.. O erro da mesqui.nlu.ria é pior do que um crime. Ser mesquinho no . 1 ~ esserv:tço
prestad o ao Brasil. Deve ser, robretudo sOCUI poli. • . , •

Paraná é não compreender a re.ilidade da terra, o chamamento d~ terra, é nio ter . ' , hca I! moráL So assun seremos
di gnos d oqueaP d" ·
identifié:açio com a terra, é não sofrer com a lena. E os homens que dirigem precisam . . rovi enctt nos- reservou nos qWldro:s atuais da civilização brasileira
(O EST.<\DQ DO PARANÁ, 2 fev./1955, p. 2).
saber sofrer com a tecca. para poder amar a terra. (...) Nôs temos neste irt.stmte. uma
responsabilidade enorme Óa vida naáonal. Precisamos perder o horizonte municipal.
que na politic.a ta~to nos tem sacdfic.ado. Precisamos nos distanciar daquelas
f4 POLÍTICA TERRITORIAL
mesquinhas perspectivas de campanários. O Brasil está espiando o Paraná. O Brasil \

está dcseíando o Pamn.i. O Brasil está preocupado com o Par11.ná. l\finhtros e j


embaixadores visitam o Paraná.. Senhores, houve uma novidade nos últimos anos: O ~-ma politica relevante diz respeito à criação-de munidpiOs, pcincipaltnente
nas regtocs Norte e Oeste/Sudoeste do Estado. Co ta li .
Paraná entrou no mapa. Nós paranacnses, e quando falo cm pantnaenses nào me d m es po tlcaJ o governo
refito apenas aos brasileiro, que nasceram no Parnná.. Paranaemcs são todos os que csm~b.ra alguns munidpios de grande extensão territorial, como é o caso de
aqui vivem e que amam o rincão parnnaense. Paranacnscs sio aqueles brasileiros que.
Mangueinnha e de Clevclândia, no Sudoest d p vai, ·. ,
. . . ~ e arana no Norte. E certo
vie.ram de outros Estados como também esl:rilngeiros, mas que amam o nosso rindo qu~ o crescimento demográfico e econô 'co destas regiões implica uma
reestruturaça· o t errttotta
· · 1. M as a elaboração de um . ~ · terr1tor:1al
e mais do que.isso sofrem com o nosso rincão. É enorme a cesponsabilldadc nossa, . a di vtsao . . mw , . ·
res()Onaabilidadc dos pannaenscs, diante do Brasil. Nio podemos desiludir o Brasil fragmentada tem também 'd · . . ·
. . um sentt o pollttco. Visa-se com is'so impedir a
O Paraná é wn oásis: produção ngtlcola cm de01dência no Brasil, cm ascensão no con_sutu1ç_ào de fortes poderes loa.is e o surgimentó de políticas emancipatórias.. -
P:a_rarut E qoc civilização se construiu jamais sem prosperidade agúcoW Nós queremos Indiretamente, procura-se fortalecer o poder politico da capitaL Assim, mediante .

192
19]
a Lci Estadual n.º 790, de 14 de novembro de 1951 (DIARIO OFICUL DO
edi-1-
pelo governo anterior. Desta fotrna as primeira5 ,f
ESTADO n.º 208, de 16/11/1951 e nº 217, de 27/11/1951), o governo cria os . • ws tomadas pel
m
visavam s_ anear os órgãos do Esttdo que tinb :. o governo
seguintes municípios, que são instalados em dezembro de 1952: Alvoca~ do Sul, am por tarefa cwdor das -
relativas à ocupa - d F questoes
çao .a terra. echou-se provisoriamente o o·

Astorga, Barracão, Capanema, Cascavel, Centenário do Sul, Contenda, Cruz G fi cpartamento de


cogra ta, Terras e Colonização, visto o seu cotnprorn~tt'
Machado, Faxinai, Florestópolis, Francisco Beltrão, Guníra, Guaraníaçú, Jandaia irregularid d Ít menta cotn as
a cs, armando-se mmbém uma comissào tcsponsá~I pela d.ah ~
do Sul, Japira, Leópolis, Lupionópolis, Manclaguaçu, MariaJva, Maringá, Nova
, de estudos e propostas para resolver os problemas ligados ' ,. . - .L oraçao .
Esperança, Nova Fátima, Ortigueira, Paranavaf, P~_to Branco, Paulo Frontin, A cimeira . 1 ª ~paçao uas terras.
P mensagem enviada pelo governo àAssembl" L . ·1 , ,
Peabiru, Pinhalão, Primeiro de Maio, Santa Amélia, SatltoAntonio (posteriorinente
. 1 .deste problema: CLa e~ ativa e reveladora

passa a denominar-se Santo Antonio do Sudoeste), Santo Inácio, $e.rtmeja, Tijucas


do SuL Toledo, Borrazópolis, Macilândia do Sul e Arnorcin (a partir. de 1961,
~ ~s~cto!amentá;el dos serviços afetos ao Departamento d~Gc~grafia, Terras e
passOu íl den-omiriar-se São Sebastião da Amoreira), além de inúmeros distritos. o oruuçao, pode sc.r dcfulldo sem receio de exagero. e anim
Em 1953 é criado o município de Alto Paraná, pela Lei Esmdual n.º 613, de 27 de como de e.rei d , li 'd os encontnmos1
v a ~n (JW ação do patrimônio territori.il do Estado, cm prazo ctltlo
novembro de 1951, Sua ínstalaçào se dá em 5 de maio de 1954. Neste ano, o tendo se convcrndo aquele setor admlOistrativo em bilc d d d. '
. . ao e ven il.s e terras
governo volta a criar uma série de municipiosj atnvés da Lei Estadual n.º 253, de com o exc1us1vo mteresse e beneficio imcdiat 0 d , • . , •
, - e tnumcros tntermediários ligados
26denovcmbco de 1954 (DÜRJOOFICIALDOESTADO n.º217, dcZ/12/1954). estntamente ao GoVl!rno e do qual não compartilharam os vcrdad , .
os ocupantes d · , ctros tntercssados,
os· municÍpios criados nesta data e instalado5 no períod~:dé outubro a dezembro . • ~s tern.,, num completo desvir1:UJm~to do verdadeiro ob ·etivo da
coloruzaç.i.o racional..-\ completa dcsoro-unizar:.o 11 dm. . ,, J
de 1955 sào os seguintes: Ara.nina. Bom Sucesso, Cafeara, Qucrência do Norte, t,-· r- !nt'ltraUW que se encontrou
naquele Dcparlamento obrigou a cessação imedhHa d •
Loanda, Santa Cruz do Monte Castelo. Santa Isabel do lvaí, Nova Londrina tomadas desde 1 •. . _ 05
serviços, - lendo sido
ogo vanas medidas saneadoras que se impunh
(mstalada cm janeiro de 1956), São Jorge (posteriormente, São Jorge do Ivaí), ainda D am, permanecendo
' ~ epartamento de Terras de portas fechadas, tal a necessjd ... dc d'
Coronel Vivid3..i Cbopinzinho, Sào Pedro do Ivai, Cruzeiro do Oeste, Engenheiro reorgaruzaç.i d · . R e
o os servsços mterno! e externos, encontrado! cm vc.rcLtd .
Bdtrão, Paraíso do Norte, Rondon, São João do Caiu·á, Tamboara, Terra Rica, (MENSAGEM, 1951, p. 61). mo tumulto
Paranacity, Cândido de Abreu, Guarnci, Cafeara, Califórnia, Sabáudia, Colorado,
. o
tr , - '-----
J aboti, Itaguajé, Bitucuna, Acapoti e Nova Londrina (instalada em janeiro de A ~ orgao govcrn~cntal que trat::lva da questão ci1 terra, o Departamento
.. u
1956). Pouco antes de deixar o govcrn~ Bento Munhoz cria o municipio de dministrativo do Oeste do Paraná, recebe a incumbência, no início da gesti
Itambaracá, em 7 de fevereiro de 1955, através da Lei Estadual n.º 32 (SÍNTESE Bento, de efetuar. 0

HISTÓRlCA DOS MUNICÍPIOS P.\RANAENSES, 1987).


(...) a revisão dos p.rócessosrecentes de med.' • d . •
d . lÇOC! e emarcaçoes de glebas coloniaís
3.5 POLÍTICA FUNDIÁRIA- QUESTAO AGRÁRIA e e tratos tsolados, afim de promovera anulaça·o daqueles que - bed
.1:. . . na.o o eçam os
l..Wpostttvos legaís cm vigor. Nesta em ~ . . .
ergencu, os ncgoaos de comptt e venda de
A política do governo com relação à questão da ocupação da terra é marcada terras recentemente titulados pelO E, do ·
d ta , devem ser protdados até a conclusão
por certas contradições. Nos discursos poUticos o governo reconhece os direitos os exames que se encontram cm andamento (DIÁRIO OFICL-\L DO ESTADO
n."287de20/02/1951). '
daqueles que ocupav~ as terras e nelas constituíam suas lavouras. No entanto, a
prática do governo, conforme veremos) nem sempre foi congruente com seu
No enmnto, mediante o Decreto de n º 3 060 d 29 d . b d
discurso. Desde o início o governo constatou inúmeras irregularidades cometidas o governo · d , • · · , e e outu ro e 1951,
reora e outr~s orgaos a capacidade de efetuar '\.,o recebimento e
194
195
nas glebas l\fu!àes e Chapim. Como C!!a portru::ia só foi b3.Íxada em meados de
pi:ocessamcnto de requerimentos de terras devolutas, sua medição: ~~arcaçào
1952, a companhia teve um ano e alguns meses de liberdade to~I de atuação, tempo
.e projeto de loteamento e demais providências correlatas. .." 1 rcstrtngmd~ es~s
suficiente para: iníciar a com~ção das tcm.s e gerar o dim~ deinquíet:ação 800.ll
tarefas exclusi-vamcnte ao Departamentó de Geografia, Terras e Coloruzaçao.
responsivcl pelas primeinas reações dos moradores da região, ~!So mio significa que
- Desta forma, o Departamento Administrativo do Oeste do Paraná transfere
depois dessa data ela tcnlu deili'.ado de atuat Muito pelo co~tcl..cio, Embora suas
todo o pessoal e material empregados no trato com o. terra para o DGTC, assim
atividades es~scm restrit:is dwante os anos do goven;io Bcdto, a CITLA wou de
com~ toda a docurnentaçio e a dot1.çio ·orçamentária destinada àquele fim. O
2Jgumas estratégias para marcu sua prescnÇA. e mesmo fa2er!crer a todos que era
Departamento de Geografia, Terras e Colonização, foi desmembra~o da Secretaria
proprietáàa daqudos tem~ princip,lmente • partir de 1955 (GO~IBS, 1986, p. 38).
de Agricultura, através da Lei n.º ~66, de 17 êlc julho de 1952 (DL\RIO QFICL.\L
DO ESTADO, n.º 109), recebendo autonomia administrativa e finàncetra,
Nesta região o Governo Bento Munhoz procurou res~gir as atividades
subordinando-se diretamente ao governador.
A C.~NGO, Colônia Agrkola Naci~nal G<eneral Os6rio, era a Companhia ilegais e a arbitrariedade, provocadas principalmente pela CllLl, que ~ra ligada

colonizadora d~ Governo Federal que estava organizando - na região Oe5tc/ ao gntpo econôniiê0 de "i•Jàfsés L~ÜpiOtl, advci:Sário politi~o ~ B~~to Munhoz.
1
Sudoeste e, mais precisamente, nas Glebas denominadas 1vfissões" e "Ch~pim,, A situação se agrava quando Moysés Lupíon rctornn. ao. Governo do Estado
_ os assentamentos dos colonos vindos do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina.. pois este procurava favorecer a CI11..A., _em detrimento dos colonos, .rcdundand~
O trabalho de asscntrunento promovido pela CANGO começou a ser interrompido no conflito de 1957.
a partir da instabçào na região da Companhia Imobiliária Clevelândia Ind'."trial No conflito .d.e terras verificado na região de Poiecatú, Norte do µstado, o
e Territ;rial Ltda (CITLA), que se dell cm 1951. Embora sua instàlai;ào na região Governo revela uma postura diferenciada. A partir de 1942, o Governo do Paraná
tenha se efetivado em 1951, sua presença na região já se verificava nnterlormente. fez um loteamento na região, coinprecndendo cerca de 120 nú1 hcchires de terras
devolutas (f'OUL\ DE LONDRINA, 14 jul./1985, J'· 1). Estas terras, pertencentes
A CITLA, na pessoa de seu diretor Mádo Fontann, tinha como objetiva Wcial ao Estado, foram sendo ocupadas por ~ que construiram suas casas e
implantar uma grande indústri;i. de celulose n3 região, O asscntwtcnto de colonos
plantaram suas lavouras1 embora não tivessem o título das terras. É no Governo
do sul cca objetivo secundário dentro do proP:to du companhia de teru. Esses
de Moysés Lupion que têm início os conflitos de terr,,s, visto que o Governo nào
deveàam ser alocado;. apenas nas teuas cobertas.de mato branco, onde os pinheiros
regularizou as terras cm beneficio daqueles que as ocupavam. mas. passou a
eram escassos. (. ..) Esse pwjcto ficou apen11s no pllpel. Efetivamente, quando a
comercializar as terras com fazendeiros. Além disso, veriqca-se na região a.
CITLA se instala na regiiio, tenu impbntar um modelo de colonização cm que a
presença de grileiros.
venda da terra constitui a ativídadc principal Trat1-se, poctanto, de um projeto
capitalista cujo objetivo b&sico é ô lucro e que contrasta signific.1.tivamente com o
Os interesses antagônicos na região continuavam a se agravar. Em j:mciro de 1949,
prnjcto da CANGO (GOMES, 1986, p. 43).
mais de 30 posseiros im~traram m2ndado de segurança contra o capitão Manoel
.,--\lves do Amar.d, cotão delegado de terras oo Norte do Paraná, por abus~ de
Aquelas eram terras devolutas, mas a CITLA usou diferentes artificias.,
poder, já que ele vinha obrigando familias inteiras a assina~m •acordos', com
inclusive ilegais e violentos, para tentar se apoderar das terras, gerando um clima
fazendeiros e grileiros mediante amesi.ças, detenções ilegais e, em alguns caso:s,
de. intranqüilidade e revolta na região. Como estas terras estavam cm liúgi~ Ó
csp:ulCluncntos (FOLI-L\ DE LONDRINA, 16 juL/1985, p..13).
Governador Bento Munhoz
Bento Munhoz reronhecc, num discurso que pronuncia no Congresso Nacional, · ·.
(...) proibiu., atravês llil portada o.º 419, de 2 de junho de 1952, o recolhimento dos
em 17 de novembro de 1961, que os posseiros tinham direito àquelas terras.
Impostos de Transmissão e Propriedade, 'Sisas', de qwlquer tn.nsação imobiliária

197
196
Eu mesmo, nos primeiros meses de meu governo, interv1 p·ara resolver o caso de
propôs aos fazendeiros que pagassem indenizações aos po.s~os dos beoefidos
Porecltu, que ficou célebre no Brasil - chamavam-no atê 'a Coréia' - porque os
que estes haviam feito nas terras, além de prometer aos poss~iros que eles sedam
camponeses se assenhorearam de uma pute do 1fonidpio de Porccatu, com
. assentados na. região de Campo Mourão. Os fazendeiros 9ào se dispuseram a
razão. O governo do interventor Manod ~bas enviou àquela. rcgiiió muitos
pagar as indenizações, e os posseiros nào ~ceita.raro entregar~ terras onde haviam
b.vradorcs nordestinos, depois de ter anulado a concessão de terras. Quis usim
feito a derrubada da mato, cultivado a terra e construído sulLS casas. DecicÍiram
o interventor Manoel Ribas tornar- material, ·tornar ílsica essa anulação de
concessão e havia, lá, lavndores coro cafeeiros de m'..lis de oito anos. Esse lut.arpelos seus direitos. O Partido Comunista enviou a ~ de.seus membros
interventor deixou o governo em 29 de óàtubro, sem ter expedido os títulos para dar apoio e passaram mesmo a liderar o movimento dos p6sseiros. O Governo
defmitivos a esses lavradores, que nào tinham ínicintlva e que fonm mandados conStituiu uma Comissão para tratar da questão, formada pclos,'seguintes membros:
para Porecatu pelo Governo. Em conseqiiência, o Governo posterior expediu os Rc'nato Cunha, presidente; Oscar Santos, Herbert Palha~o1 Edgar Távora,
títulos d,efinitivos, cm grandes levas, aos seus protegidos. O re!ultado de tudo Aldovrando Gonçalves Magalhães, Pedro Nolasco, Clemen;e Vilela de Attuda,
·i;so fo.i u~ co~llit0.~:i~ morte~ nos prhiteltoS ffil!s'eS dé meu governo; éti éoloqllei; ,Francisco. Oliveira e Herculano Alves-de- Barros.· No entanto; ·_deh trc os·mcmbros-'
de lado o debate jurídico, sobre se o dispositivo constitucional (b_ desaptop~~çio da Comissão, havia fazendeiros e _in_tegralistas. o que demon~tra a que interesses
por utilidade social era ou não auto-aplicivel, e decretei a desapíoprinçào por ela foi ~onstitufda. Tanto esta. Comissào,.;m~ os faz~deiros e o aparelho de
utilidade social (ROCI-L\ NETO, 1987, p. 292). rcprcssao do Estado, denommavam os p ssetros de mtrusos. Os posseiros,
liderados por membros do Partido Comu ista Brasileiro, fizeram um abaixo
Vejámos o que diz o texto do Decrc.t~ o.º 491, dé: março de 1951 (DIÂRIO
assinado com 1.500 assinaturas, cm 9ue constavam sete cxigêhcias dos posseiros.
OFICL\L DO ESTADO n.º 11, de 15/03/1951), que trata das teuas de Porecatu,
Jaguapità e.Ar.ipongas, cujo conteúdo acena para resolver os c~nflitos cm beneficio 1º -Entrega imCWata d.as posses aos seus primltivos ocupantes e entrega também
dos posseiro's. imediata dos títulos. Assim como distribuição. gratuita da$ terras griladas _ as
chamacbs fazendas - 2s devolutas, aos omponeses pobres; 2º - Indenização pelo
(...) Considc.r-ndo que, não obstante as promessas aos pequenos agricult<:>res, justo valor aos po!.'icantes de todos os prejuízos causados peb policia, pelos jagwiços
estabelecidos cm terras do Estado, nos munidpios, de Porecatu, Jaguapitii e a m11.ndo d.os fazendeiros e do governo; 3 º - Anulaçào. de qualquer processo ou
Arapongas, foram expedidos títulos dessas g1ebas, a terceiros, pua fins perseguição contr.1 passeantes que defendem de todas as m:1:neiras as posses, suas
e.xclusiwmente comerciais, DECRETA; ArL 1" - Ficam declaradas de utilidade familias e sllil.5 vidas; 4º - Remoção da polícia e ptisào dos jagunços dos municípios
pública e de interesse social, para o fim de desapropri11ção (, ..) .1;5 tcrns situadas de Porccatu,Jaguapità e ...-\rapongu; Sº - Punição dos assassinos e dos mandantes
nos municípios de Porccatú,Jaguapità eA.tapongas, constantes de Títulos expedidos dos massacres dos posseant~ entre os quais os srs. Lupion e Luna.rdelli; 6º _ Eleiç;lo
pela administração anterior,. com flagr.mte violação do art. 85 da Consútuição de uma comissào.clc posseantcs patll a nova divisão de terras;,?º - Reconhecimento
Estadual. },rt. 2" - As terras a serem dcsapropriacbs destinam-se aos sitiantes que, do direito dos trabalhadores do campo de se organizarem ~ lig.as. assod çõ~,
1
embora sem titulo hâbil1 ne1as estejam estubelccidos com cultura efetiva e. morada Uniões, ou qualquer tipo de organização crim o objetivo de defenderem os seus
habitual, há mais de ano e dia. (...). direitos e reivindicações (FOLHA DE LONDRIN.\, 19 jul./1985, p. 11).

Nesse decreto o Governo reconhece o direito dos posseiros cm relação às Apesar de ter um discurso favorável aos posseiros, o Gov;crno Bento
terras. Nq entanto, sua polltica em relação àquelas terras será de outra ordem, Munhoz reprimiu o movimento dos posseiros. Foi buscar cm São Paulo o
seci de repressão sobre os posseiros, beneficiando aos fazendeiros. O Governo Delegado Eduardo Lousada Rocha, que havia participado da luta contra a quint_~,,::;'·;
coluna. O delegado sentiu-se honrado "com o convite para uri:2a colaboração. qu;V'P

198
199
· ·d d nistas nesse Estado". 3.6 POLÍTICA DE IMIGRAÇAO
ostosamente aceitamos, de repressão a at1v1 a es comu .
g . · · ·- · ctpalmente em
Eduardo Lollsada ficou encarregado de fazer as mvesugaçoes, P~. . Um outro aspecto da ocupação da terra que deve ser 9estacado refere-se
~-- o comitê do Partido Comunista. Forças militares paulistas
wndrin ~ooees--d . à política de imigração e assentamento dos imigrantes. Dura.ri.te o Primeiro ano
foram colocadas na fronteira com o Paraná, caso os posseiros se refugias~~ ':1ª da administração Bento Munhoz (1951), foram inslllladd, no Paraná três
. ·- . d d 19S1 . o Ddegado wusnda envia um relatono ao
rcgtao. Em 26 e agosto e , , . importantes colônias de imi~te5, quais sejam: a Colônia Eritre Rios, na região
"' Chefe de Policia do Estndo, Albirio Silva. Em um dos anexos desterelatono, de Guarapuava; a. Colônia Castrolanda, na região de Castro; e a Colônía
en=o , Civil do p '" firma
intitulado "Observações Preliminares em Torno da Poll'7' arana 'a - Witmarsum, no município de Palmeira.
se o seguinte; Na Colônia de Entre Rios foram í , n ~ cerca de quinhentas familias
àlemiis, que estavam refugiadas na Áustria, desde 1944, oriuodàs da Iugoslávia .
• • A • li . mili'b f; Porecatú.. ,ri1a Progresso e centenário
Naúltimadiligcnaaqucapo oa reza . " E;,~ itni~çào se. de.u através.de.acordo-estabelecido entre~ 0rganizaçào Suíça·
tn m no caminhão .que os
dõ Sul foram os· roilita.re.s atacad?S quan d o se cncon va . .~ de Ajuda à Europa, o Estado do Paraná e o Depar~me,nto Nacional de
- d dwcrsos deles e alguns caboclos que os guiav.a.m, O capltao
transportava, morren o d Imigração. Mediante o :Óêcreto n,º 1.229, de 19 ele maio de 1951 (DIÁRIO
mandava fugiu chegando ll Cfilittl3a depoiS de 14 dia3, todo nSg:;l o e
que os co ' ,. -• eh eira mais rigorosa OFICIAL DO ESTADO, n. º 63), o governo desapropriou uma área de dez mil
maltratado. O fato levou os soldado! a tntar os mtrusos ~ .
. . d dos utensílios nelas extstentes, alqueires no município de Guarapuava, zona de Entre-Rios/para a instalação
possiveJ, depredando suas caSllS. apropoan o-se - .
• · - d.is · n-11indo dentre.eles os comurustas da Go1ô~a, mediante. acordo comercial com os proprict.i.rio~ A _Organização
esh.J(lrando e matando e, o que e pmr, nao tine~ • •
Suíça de .Ajuda à Europa entrou com os recursos nccessáciO's à aquisição das
e não comunistas.
terras. além de importar um .grande número de máquinas e implementos
ela rópría palicia revelam o agdcolas. A Secretaria da Agric~tuta entrou com máquinas, ~ementes e gado;
.Além da imprensa, documentos elab o~d os P P ._ .
• H E ta consideraçoes relativas os Bancos do Brasil e do Esta.do entraram com financiament~s. Os i.uúgraates
uso da violência e a repressão sobre os posseiros . s s
· - Uti do governo Beoto formaram uma cooperativa para organizar a instalação, divisã9 das turas, ehtre
-à política de ocupaçào da tern, visam apontara ~os1çao po ca
Munhoz diaote da questão. · outras atividades, e se dividiram em cinco aldeias. Note-se que esta é uma i
região de campos, mas ~ue foi utilizada. p.rincipalmcritc para o cultivo de cereais, i
como o trigo, o arroz, o milho, dentre outros (BOLETIM DA CÂMARA .DE ir:
EXPANSÃO ECONÓl>UCA DO P.-\.RANÂ, 1953, p. 14).
A Colônia Witmarsum foi instalada no município de P,almeira, tãmbém
!
wna região de campos. Inicialmente vieram cerca de 54 familias de Santa Cat111fla,
u ·Esse conflito é tntado iodir~tamentc n~ tege de doutor:id~ de Oswldo Helle~-~ Silva, al6n198d5c
• a1 OLHA DE. LONDRINA que enworou, em , sendo 20 delas vindas de colônias menonitas do P~raguai, dCntre outras. São
ter aklo ob'jeto de ccpor~m no 1orn F . . OO-·'o~ ·ornafuw Pedro Paulo Felismina
um.a série de 1 5 repor~ens sobre aquele conflito,~ P"' l t™1o imigrantes rncnonitas. que. haviam se instaladci em Santa Catarina. Pertencem a
e Joio Arruda. Um estudo :sobre a ocup;i;çlo das terns da. região~ PoreC11.tu pode ser encon
um grupo sócio-religioso, oriundos do movimento anab-atista do período da
n:a. dis.sc:rtnçlo de m~tndo de Angcb Duutc DamaSt:en~ f'Ct~ . u du S ndicali1me
SILVA, O. H, da. Communi&te!I ct Anticommumstca: L cnJc .Y 1993 Te!e Reforràa. Embora sejam de origem holandesa:, adquirinm cultura alemã, pois
Agricolc Dan& L'etat du Paraná de 1945 a la fin de~ Annécs .70. Paus, . viveram por longo tempo na região de Dantzig, de onde irnigrara;tn para a Uc.rân.ia
. Jnn-h) - Ecole des Hautes E ~ cn Sàencca Socinl.C9.
(Doutorado cm Sooo ~"- N t d Paraná: e a Rússia, no século }..'"\'III. A Colônia foi organizada no sistema comunicirio, . ·
PERREIRA, À. D. O:. Agricultur-.t Capitalista e Ca~pceinato no or e ~ , .
rcgíil.o de P0rccatu (1940-19S2). Curitiba, 1984 .. DUsertaçio (Mestr:ado cm Htstona) - passando posteriorme~te a ser divic:lida em lotes individuais. A base econômica
Universidade r<cderal do Pararú.. ·
201
200
'\

l
. , lmen te P ara a pecuária leiteira
. foi estnlturada na agropecuária, voltada pnnc1pa tinha por objetivo apoiar as ações de particulares e de Prefeituras, e intervir
!NHEIROMACHADO, 1969, P· 227-228). quando aquelas aç~ fossem inexistentes. O Departament9 de Aguas e Energia
(P A tra importante Colônia instalada no periodó é Castrolanda. O governo Elétrica propõe um plano para a eletrificação do Estado, denominado Plano
ou . , . C . d ' inst>laçiio da
do Estado faz aquisição de terras no murucip10 de astro, vtsan o a º 145 Hidrelétrico Paranaense, de 1948, inspirado no Plano Naci~nal de Eletrificação.
C~lônia conforme Decreto n. º 2A2l (DlÁRIO OFICIAL DO ESTADO, n,d l , O Plano Hidrelétrico Paranaense dividia-se em duas etapas. A primeira previa a
'
de 30/08/1951). . ~ cooperaram tanto os governos .Esta
Para sua mstalaçao, . ua e construção da Central ele Coti; (22.371 KW), a Usina de Sà~João (5.816,46 K\v'.),
. . , -
F der"l assim como a mst1tu1çao Chri 5tian Emigracion
.·~ Centre. Os urugrantes,
, as Usinas de Santa Fé e Caiganga (2237,1 K\'v), além d~ outras oito usinas
e •, ·
vindos do norte da Ho1ahda, formavam cercn de 64 fa
mlli r mumaarea
as e c_cupn a , \, b..idrelétricas de menor capacidade. Para esta etapa, prevista para ser executada
. 1250
d 6.320 hectares. Trouxeram conS1go . cabeNlsdegado
.,.. , ' assuncomomaqutnas
, ' - em tr~ anos, também estava prevista a implantação de subes:taçàes distribuidoras
ee ui amentos agncolns.
, .De dicam-se a' Pecuária leitctra e tarn~ a produçaoi,, e centenas de quilômetros de linhas de ligação. Para a segunda etapa, previu-se a
e ~ pl .E. . 1955 as Cooperativas· Cashôland:.- é Batavo, de· Carambe '
agrtco a. ~ m , ,Ld trulram .. construção da.U&ina de São Sebastião (119.312 KW), e á Usihââe-'Salto Grande,·
. , . C trai de Laticlnlos do Parana. t •,, e cons no rio Iguaçu (14.914 KW), assim como outras cinco usinas de diferentes potências
consttl:Ulr.lm a Cooperativa en . em 1957 (PINHEIRO 1
uma usina modernal localizada em Carambeí; maugurada . além de subestações e linhas de distribuição. O prazo para a elaboração desta
MACHADO, 1969, p. 228). segunda etapa era de oito anos. Os· recursos previstos seriam ~uxílios do Governo
Federal (plano SALTE), verbas do DAEE e empréstimos. ,Nesse m?mento, a·
3.7 POLÍTICA DE.ENERGIA ELÉTRICA produção de energia' do Estado era de àpcnas 34.696 K\v', o que dava~ corts~mo
per capita de 77 K\'v', representando cerca de metade do consumo per capita de
. , . d a d,ecad a ele 1950• o Paraná 1 em acelerado processo de ocupação,
Notn1ao • d São Paulo e Rio de Janeiro. No final da gestão de Moysés Lupion, a produção de
enorme deficiêncin na produção de energia elétrica, setor domtna o por energia cliegavá a 41.347 KW (Ibidem, 1:· 96-102).
tem uma b , alidnde. Dentre as
eiras que prestavam serviços de aixa qu
empresas estrang , d ea Em sua primeira mensagem enviada à Assembléia Legislativa, em Maio
. ci ais em resas de cnergí.a elétrica que operavam no Para.na, esta~~s de 1951, o governo Bento Munhoz faz menção âs politicas públicas que devem
Com Panh.ia de
pnn P Força e Luz do p arana,, subsldiiria do grupo. norte-amertcano
• . ser priorizadas pelo Governo do Estado, dentre as quais a produção de energia
P
.A~IFORP que operava cm Curitiba e regt'ão·i a Empresa de Elctnctdade Alexandre
S ta elétrica, criticando ínclusivc certos projetos do governo ~ntcrior, como ·é o
' E S l Brasileira de Eletricidade, esta com sede em an caso da Usina de Cotia .
Schlemm e a mpresa u . . , . d S l
C tarina sendo que ambas forneciam energia para os demalS mu01c1p10s o u
d a E ta~o· a Companhia Prada de Eletricidade, servindo a região em torno de O setor de energia elétria. em que ~percute e_m cheio a nosm crise de crescimento,
o s Grossa,
Ponta ' C as tro e Piraí do Sul·• a Empresa Hidrelétrica de Londrina, atuando
d e onde o Governo deparou,contr:atos de uma contradição gritante, merece as

na região. de Londrma;
. e a Compan hia Hidrelétrica do Paranapanema, com N
se e I
mclliores atenções da administração est2dm1.l, nesta fase de decisiva transição·para
• Pau1·o, e que a tendia.. •a mais de 20 municípios do Norte o Paraná. Estou estudando várias poss'lbilidades de financiamento, que,
em Sno . do Pa~ma.
. / os
, . . duz-ida pela própria prefeitura e ou concretizadas, abrirão ao Estado uma perspectiva animadora para o seu.
demais mumdpms, n energia era pro
desenvolvimento industrul (MENSAGEM, 1951, p. 7).
9
autopr~d::v:n~I:U!:~.1~::;:~. ::r meio da Sectetatia de Viação e Obdras
Em outubro de 1951, mediante o Decreto tL O 2862 (DÜRIO OPICL\L DO
Públicas cria, em. 1947, o Serviço
. d.e E ~gta . EI
• e'trica do
. Est>do' transforma o,.
ESLIDO, n.º 180, de 12/10/1951), o governo constitui uma comi.ssão co~ o objetivo
em . 1948,
' em D cpartarnen to de Aguas
. e . Enetgia Elétrica. Este departamento
de estudar a organização de uma empresa mista de energia elêtrii:a. Esta comissão é

202 20)
. . . .. ~
Tendo em vista a precária situação financeira do Estidopara inve.!ltimentos
. t .. membros· Felizardo Gomes da Crn;ta (Secretano na produção de energia elétrica, ci governo instirui o Fundo de Elettllic:açào do
formada pelos segutn es •. . . • Ob P'blicas) Francisco de Paula
enda) Hu Cnbml (Secretru:10 de Vtaçao e ras u . ' . d Estado do Paraná, por mcio da Lein.º 1.384, de 10 denov"'1'bro de 1953 (DIÁRIO
Faz ' go . . .ali G tà Chaves Ar=o Xavtcr de Míran a, OFICIAL DO ESTADO, n.º 199 de 11/11/1953), que tem por objetivo o
S Neto Antoruo Ncn carnara ' as o ' d
p::: PUlg:t de Souza e- Cmt Oscar Muller. Enquanto so, conEform::Elesé:: tsA'
"fina.ndamento da oonstruçào, ampliação e conservação das obras de clctrifio.çào
- , . D nto de guas e nerl:r próprias do Estado." o Govt!rao vai assim to.i:nando tn(dida.S qu~ possibilite tomar
~oordenado por Dalledone S1quCJ.rn, o epartame . . . cocam ar usinas
·
. li : d .... ..1- no governo antenor, ou seJa,
sem11r a po uca a 01-dWl
P . para si as responsabilidades pelo planejamento e pela produção de enetgia elétrica.
continuou a b~ . - crítica e const::tuk pequenas usmas
no Estado. Em 26 de outubro de 1954, medêwte o Decreto n.º 14.947 (D!ÁRIO
municipais, instalargerndotcs onde a sttu~çao enC . '-e Postecionnente' há urna
. s· J - LaranJmha e aicanga.
cm locais como Cotla, ao oao, . - v O BentÜ não OFICIAL DO EST,\DO, n.º 190 de 27/10/1954), o GovcrnÓ cria a Companlúa

mudança no_ Plano de Ele~fica~o ~ Esp tado ~C1 na;;a:à!º:Ves:na ins~ação Paranacnse de Energia Elétrica - COPEL, emprcsà de eco~omia oililta, com um
. • . t de mterligaçao. rocuta se cn capital de C,t 800.000.000,00 (OitOC<!ntóS fuilljõês decruzeÚ:osj. Se~ ob/etiv~ i, o
consUtuU um sJ.S ema . . - pliar as ·1~ instaladas, a não ser
. cli' !.-clétncas asstrn. como nao am de "planejai; construir e explorar sistemas de produção, tr.tnsmissào, transfurmaçào,
de novas ccntra1S csc •
'te ergencial (SIQUEIIL\, 1994, P· 103-l04). tlistttbuiçào e comércio de energia elétrica e serviços corrclato:L.". Numa publicaÇão
emcanrem 'dddePonta
Num di~curso proferido em 15 de setemb~o de 1952, na d a e da COPEL, de 1955, são apontadas algumas justificativ,s para a sua implantação:
. , . cid de Bento Munhoz deL"<a claro o seu ponto
Grossa quando do aniversario da a ' li . do Estado
• . , . R l ualdcvescrapo t1ca Nào era possíve1, pois, deix:n-:il ~rgo clainidat:iw. parlicub.r a solu~o do problema.
de vista sobre o setor de cncrgta cle.tnca. eve a q 1 • tr o Estado e a
di te da re açao en e As empresas priv,.das, que vinlum explorando essa atividade, se viam a br:i.ços
~
no setor, além de apontar n sua postura an
com o abastecimento, não d.2ndo conta cm absolulo da demanda cada vez cm.
iniciativa particular. maior escala (...) O Estado inter\lcio, pois, e a BUll ação só podia consistir na criação
. . Estado. Não há companhia· particular.que de taxas dcstinacb.s à formação de fundos e capitais a serem investidos em empresas
Neste setor é prec.tso a mtcrvcnção do . fu ( )Ê esse
. , , do um r:andc desenvolvimento turo .... de eletricidade. (...) Dando·&e-lhc a forma ~e sociedade' de economia mista de
produza energia cletn_ca Ptrcv~ s6 do ~araná como do Brasil. Não há, dizia eu, canitcr regional, não só teve em vista o exemplo vitorioso de Mi.nu (CE1UG) e do
wn problema angusuan e nao . . \ ·a
. - ....... consumo ,media.to.À-. energt Norde_jte, como também uma formll de corpomçio econômica mais maleávcl, um
. . ul produza energia scnao p ......
companhia parUc ar que . N, . • vai· est,.,.,.,,_r essa mercadoria instrumento de eficiência comprovada p'an a rc:1lizaç~o e es'tabilidade de
· , • cto mgucm
déuica é uma merca.dona, e um comer ,
V'--"
, . .
, .\. funç2o do Est:ido e produzir energia pan empreendimentos industriais. Como se sabe, atravisde~ sociedade de economia
esperando seu consumo longmquo. ~ , b cs. Não deve o Estado fornecer nústa, pode ci Estado estruturar em bases sólidu, com ga~tia indispensável de
- que esta sobre, e vcndê.-la a compan as pll!UCU r -o olitic:i
'd cs É o maior dos desastres. na cstruturaç:i p continuidade de esforços a sua indústàa de eletricidade. (...) 'urrut empresa.. como
<li tamente aos consumt or · a COPEL, lançada sob bases realistas, com capítal suficiente [Xira a realiz.aÇlo dos
vi::nte, o EstlldO industri:il. O Estado tamb~ não pode cruzar ~s.h_ra:os e : : :
. . tem de contar com a uuc1auva P · objetivos previstos, é a organização c~venientc, portanto,. para a obtençio dos
antigo Estado libcraL Tem de mtervtr, mas bilidade da iniciativa financiamentos .indispensáveis, quer dentro do país, onde ela. já foi recomendada
Na harmonia de interesses entre o poder estatal e a responsa . . da
.,-'it - des roblemas nllClonats como o pelo Banco deD~volvimcnto Econômico, como no exterior. junto às entidades
. da está o segredo da soluçao de gran p . . financiadoms especializadas, que invariavelmente se opõem a qualquer espécie de
pnva , á b onentado e mcrce
- d ener ·11 clétric:i. Esse problema no Parana e.st em
produç.ao a gt. . Governo definitivamente equacionado (A transação com o Estado... ( O QUE É A COPEL, 1955, não pagia,do).
de Deus, cu o de1xare1 no _meu
DIVULGAÇÃO, set./out. 1952, P· 25). Bento Munhoz indica o professor universitârio e crítico litcdrio~ /
Themistocles Llnhares, para Diretor-Presidente~ COPEL, que pertencia ao órculo_;',.

205
204
de intelectuais que davam assessoria ao Governador, além de ser o cntno Delegado .\ eliiboraç;lo de um PLANO RODOVI.Aruo , . '
- maxune :em se tratando de um
do Instituto Nacional do Mate no Paraná. Os outros dois Diretores eram o E sa
t donovoeemfnncaevolur;0 comoon.. __ , . , .
r- , ra.uwa - CIJge O estudo t , ,
Professor Pedro Viriato Parigot de Souza, Diretor Técnico, e Heraldo Vidal nwna seqüência ló · do r. • • : 'lS cntattco,
gtca, s tatore.5 economtcos füico, poUtí' ,1_;_.
~ • • cose auuuul5trativos
Correa, Diretor Aclministtntivo (COPEL INFOR1L\ÇÓES, 1979: 2). De acordo que, exercem, nao resta a menor dúvida decidida infl • . b ·, .
· d ' uen~a so re o s1stem2 de.
com Themlstocles Linhares, uo problem2 maior era separai essa taxa (taxa de comurucaçõcs e qualquer região. Sendo o resultante da de . ~ t d •
· · b:U asao orna a apos 0
detrificaçào), desúnada à COPilL, da arrecadação geral do Estado. E isso levou n~uooro anço daqueles fatores, balanço conduzído sfgun<lo . .
algum tempo, demandando gestões da Diretoria da Empresa junto à Secretaria da oacnt:ad tido do - · um taCJodnio
o no sen s melhores interesses do Estado e da ~oletivicbOC, o PLANO
Fazenda e ao Tribunal de Contas" (Ibidem, p. 5). Aponta também a existência de RODOVLUUO tcnd b' · ·
~ . • oumo ,cttvoconcretodevcserclil)Oradocmaci1erdcfuÜtivo
cohflito entre o DAEE e a COPEL, visto que esta última passava a rece~er a 0 que nao Impede que a sw im,...1,. 0 ~ · '
. . taçw no terreno obede1y2 it uma ordem 1• ,
r"
inC1:1lll.bência de planejar C e.."tecutar as gt'andcs obras de produção energética do pooodade (SEPARATA DO PI.\NO RODOVIÁRIO, 1951, p. 9). og,ca de
· Estado. O Góvcrho Café Filho autoriza o funcionamento da GOPEL, por melo .
do Decr~to n.ª 37.399, de 27 de maio de 1955. A construção da Central · Etn entrevi~ta dada à revista.\ DTI~L~.~Ç.~~. em 195; ~n • · --
0
Coronel Luiz C p T. . h . . . .. . ' ' tao Tenente
Hidrelêtdca de Capivari-Cachocim, assim como da Termoelétrica de Figueira, · · outtn o, afirmava que:
foram iniciadas ninda no Governo Bento lvlunhoz,
(..,) Du_1u soluçõe! apresentaram-s 1 ,- . ,
d . e, naquc a ocu1ao, a no1sa mente: 1 ., - a .
cmagogta;mente. isto é. aplicando o máximo d , . gtt
3.8 POLÍTICA DE TRANSPORTES . . e ·recurro$" na conservação d
anuqm1.darededeesrmdasdoestadoemuni'• .· . 20 · d .. ª
busca de - - .- apios, - atacar e r:IJO o problema em
11 soluçao defiruuvu pata 2 nossa circuJ _ . t . A
Em sua mensagem à Assembléia, de 1951 1 o Governo afirma ser prcciso açao tn cnor. 1.º soluç:lo poderia
trazer-nos um grinde prcsd · e! · _, •
concentrar os recursos disponívcís para resolver as nOssas maiores necessidades'\ ugto eJtouu a cwta de motonivela<l A ·
entretanto dificuldades às - . ons. carrctaaa1
apontando como necessidade de primeira urgência, a execução do planÕ rodoviário. s - • ,, genu;oc.s vtndouras, para as q~ setu. trnnsfc.àda a
oluçao defuuttva do problema, muito mais dificil en1a·o ( ) Optam . I' .
É esta uma das maiores pcioridatjes do Governo Bento Munhoz, sendo inclusive ela o • • "' os e ogtco
P 2 soluçãó. Daí surgir o 'Plano Rodoviário' ao qual dcdka d' •
a Secretaria de Viação e Obras Públicas a que mais recebeu recursos do orçamento nossa intcli ~ · b mos tu o o que a
g~c:ta ,ª sorvera em 10 anos de aprofundado citudo do Estado (A
estadun.1. Para exemplificar, no exercício de 1951, esta Secretaria recebeu 40,8% DTI'lJLG.AÇAO, pm./1954, p. 14). ·
do total da dotação orçamencirin do Estado. No exercício de 1954, este percentual
alcançou 43% (IP.ARDES, 1989, l'· 167). O p~~-0 RODOVI.~RIO de 1951 é um plano sistemático qu~ constitui
Como vimos, Bento Munhoz convida o General Luiz Carlos Pereira a estrutura vtaria básk d E d O . '
~ o sta o. Plano visava fazer a lig'ação do Norte do
Toucinho para a direçãct'do DER, profissio~al com experiência em engenharia de Es tad O com os Portos de Para • An · ' ·
, nagua e tontna, visto que a produção cafeei.r.i.
estradas, e que detinha conhecimento sobre a geografia parannense. Em entrevista, era exportada V.ta Porto de Santo ,
diz que só aceitaria a direção do DER, caso recebesse inteira autof'lomia de trabalho. P ara o p • I, d
s, o que acarretava uma enorme perda d cli .
arana, a em e ser Um caminho m . 1 .
e v1sas J
p , . ais ongo, se comparado com
Afirma que no período em que esteve à frente do DER, te:ve total liberdade de aranagua. Visava estabelecer a ligação com . t
Jnt ra ~ · ,. ª c.ap1ta4 procurando maior
trabalho, discutindo as questões relativas ao Departamento diretamente com o eg çao social e poltb.ca. Procurava ainda facilita li -
d0 p • d S r ª gaçao entre os Estados
governador. Considera _que tinha grafidc conhecimento fisico do Paraná, o que arana e e ão Paulo:
lhe permitiu acdcrar a elaboração do PLANO RODOVL\RIO DO PAR.AN•.\., de
Tanto quanto irul:c é 0 fi
O d ~ . · .
1951. A Memória Justificativa do Plano inicia com a seguinte afirmação: • oco e atraçao de nossa produção exportável pant_·o _J,·:,·
exteaor, São Paulo é O gfll. d , : =__ _,.-,._,.•
n e centro con5umtdor dos nossos ccteliliS, da nos~~-;, · 1
206 207
;/ 1
,,l
! 1
madein e dó nosso papel. (...) Cerca de 40% da impormção paulista por via interna é
Em outubro os três são hcim~gcados no Graciosa Countn.r cllub "p la. 1 ·.
:\ proveniente do nosso Estado; ao mesmo tempo 80'1/o da cxportaçio param1cnse,
Pro
d t
u oras, enu
'dad . ~, 1 e s casses
es rurais ~ comerdrus do Paraná." (BOLETn,r DO SERVI O
por via interna, destina-se a São Paulo. No tocante à noss2i importação. diga-se de
DE IMPRENS,\ DO PAR,\N.\, 1954 p 70' O tra • · , Ç
passagem que, depois do Dl5trito Fedecl e 1,.fuus Genis. somos nós os pannaeru:es, . • • J· u quest:io se refere à capta ão
dos recursos gerados no interior do Estad0 . . 1m , ç
, pt1ne.1pa ente no Norte visto que
os maiores consumidores de produtos p11uliatas. Esse intercâmbio interestadual só
estes recursos eram captados basicamente.por São Paula Sobre este' bl
pode aumentar,- de ano paN ano; .ex.igind~ ada ve2: mais melhores vias de . pro ema
Fausto Cas tilho afi.rrna 13: ,...:- '
comunicação entre os dois grandes Estados irmã.os (SEPARA.TA ~O PLANO
RODOVL\RIO, 1951, p, 12-13).
O fortalecimento do Ban~o do Est.tdo do Panná, o B.-\NF.Sf~O . .
dos dois · B .. , e o surguncnto
ancos càados no Parami, que alcmçam algum dim ~' . ..
Nesta gestão tem início a pavimentação asfiilclca cm maior escala, apesar ~omcrcial do Paruiá - B.-\NCIAL- e o a-ll~U;sd~ naaodnal, o Banco
da, necessidade da importação do asfalto, que 2Índa não era produzido no pais. 'A· r..... , aum os anos 50.
1ntericrcne1111
.tnst
---- -· · -- · Junto
· -- -- :;ao- govemo_,,
,.. red c.n1 pu:a-con&crrmr-·certls
. , pat""t·-· ~, - -·-
Uma dás maiores prioridades foi à éxecúçãO da estrada ligãndo a regâo de . L , d • . ,
al-llçao e agencias no mtcciot prindpalment
o-
, ·.
,,;u es para a
• e na zona o.,ecna porque senão
Apucaratla com a capital e corri o Porto de Paranaguá, que seria deno~ada os B:mco! de Sào P::i.ulo iam· chupar todo o dinh . r • '
elro, 101 um esforço enorme. do
"Rodovia do Café". "No Plano Rodoviário de 1951 se delineava por meio elos
governo, desconhecid? do povo (IP.\RDES- SOBRE POLfTICA
projebi.dos T-4 e T-5 as diret..ti.zes gerais que.. completadas e revistas por outras. se ENTREVISTAS, 1989 , p, 32 _33). PARANAENSE;
)
converteriam nos_ trechos básicos que integram i Rodovia do Café ... º (D&R-
'Divulgaçàó & Propaganda:'Rodoviária, 1965, não paginado). Nesse projeto de
integração do Estado, faz.ia-se necessário melhorar e dar uma nova capacitaçào 3.!0POLÍTJCA CULTURAL E EDUCACIONAL
,ao Porto de Paranaguá, viabilizando assim a export.açào do café por aqude Porto.
Assim, investe-se na ampJiaçào d? Cais, na construção de armazéns, na compra Tendo em vista o ccnten:i.rjo da cmancipaça· o política do, p '
d · 1953 arana, que se
de novos guind.'lstes, dentre outros mclhoramentos, capacitando o Porto a receber arta ~ • o governo, em maio de 1951, cria uma Comissão Es ccial ara
navios de maior envergadura e dand~-lhc .condições de trabalhar com um maior organtzar as comemorações daquele centenário dand ... , • p p
c tru - d , , o 101c10 a inumetas
volume de mercadorias. _ons çoes que evenam marcar aquela data. O governo otga ',
do cent • · , •· ni.:.ou, para o ano
. d ena.no, uma sene de congressos nacionais e até internacionais. Ao fala½
3.9 O PARANJ\ NA FEDERAÇAO atn a em 1952, sobre as comemorações, Bento Munhoz afirma:-

Ainda como reforço econômico e político do Estado, o governador Sentíamos, porêm, que :ii.S Wdatit'a.S vinham d . .
. • ten o um sentido regional e que parn
esforça-se por coloca~ membros pa:-1-naenses na direção de dois órgàos federais, pro,etar o Panna fora das fronteiras nacionais &zu
.
.,
-se necessano um;i; empedrada de 1,
detentores, na época, de certo poder ecor:i,ômico e Político, que são o ~stiruto interesse geral e fundamentad11. na realidade econôrrô
essa razà d .d'
h : . , fi
ca que OJc en rcntamos. Poc
,!
~ ;
Brasileiro do Café e a Carteira de Crédito Agrícola e Industrial do Banco do ~ o, ect ttnos p~mover um congresso mundial de café,qllé será o segundo '
! ', 13.rasil. Assim, em 30 de agosto'de 1954, poucos dias após Café Filho ter assumido ar ar-se com essecarater, e que debaterá todos os problemas atinent , .
da rubi.ácea, Simultaneam . . , es a econom.ta
a Presidência da República, é nomeado Felizardo Gomes da Costa.para integrar ente, &remos uma exposiçio ttttcmaciomil do café, tendo
como complemento a Feira de e · iba . ,
a Diretoria do Instituto Brasileiro do Café, ao ,mesmo tempo em que se dá a . unu •que co 1ocara cm realce o conjunto da nossa
atualidade produtor, (ADJVULGAç_\o, 7 ago,/! 9S2,p, 4).
nomeação de Aramis Athayde para o Ministério da Saúde. No mês seguinte, o
Presidente da República nomeia Adolpho, de Oliveira Frahco para o de cargo
Diretor da Carteira de Crédito Agrícola e Industrial do. Banco do Brasil.
u En~evista ao Projeto Hú:tóruJ. .Politio. do Pan1n.l

208
209

1 i
-· i
São planejadas e ex~cutadas várias ob~s. embora a maioria não _pôde_ ser . '
Além das medidas ílponttdas acima, há um coojunto: de outras medidas
concluída durante a gestão Bento Munhoz. O Centro Cfvico, que deve.na ab_ttgar
que denotam um interesse pela cultura e pela educação por patte da gestão Bento
os prédios dos três poderes públicos estaduais, seria constituído dos seguU1tes
Munhoz. Destacam-se certas medidas com relação à Unive,tsidade do Paraná,
edifidos: Palácio do Govcrno1 Residência do Governador (Bento Munhoz sem~~
instituição que recebe um considerável investimento do governo csmdual, O governo
·para tá sem que as obras estivessem termina~as 16) 1 _ Secretaria~~ Asse~~lcia.,
transfere o patrimônio da Escola Superior de Agricultun e Veterinária do Paraná
Plenário e Comissões da Assembléia, Secrctart:ttt;T.nhunal do Ju.n e Palác10 da
à Universidade do Paraná~ tendo em vista a sua fedcrilizaçàP, aSsirn como faz
Justiça. Além do Centro Cívico, outras obras ·estav~:1 planejadas., dcstaca~do-se
doação de terras àquefa Escola, conferme Lei n.0 689 (DIÁRIO OFIC&\L DO
a nova Biblioteca Pública, 0 Teatro Gualra e o Centro de Letras do Parana. Esta
ESTADO, n.º 156 de 14/09/51). Em janeiro de 1953, concede à Universidade
última, é assim justificada: '
do Parao~ um auxílio de cinco milhões de cruzeiros para a co111:pra de um terreno

Construiu-se O Centro de Letras do J?arani.para ·sua sede.. dcfmitiva.._J~à,Q &e_ , destinado à construção dos prédios das Faculdadés de F'tlos.ofia e de· Ciências
- - - -·:·· . ··-·
compreendia mesmo que wna das maiores assoch1._çõcs culturais,do,Estado, co~ . Económíéas, conforme l)ecr~to n. 0 8.230 (DIÁRIO OFICIAL DO ESTADO, n.º
valores mar~tes 00 cenário paranaense nio tivesse um lug2r sequer para se ~uru~ 247 de 8/01/1953). Em setembro do mesmo ano, transfere terrenos à
Ficou assim O Centro habilitado a difunclir mais ainda a cultura no Pa~ma, Universidade do Paraná, assim como concede auxílio de cinco mµhões de cruzeiros
possibilitado ainda de ter uma rendll que permita a instiruiçio de prêmios e auxílios para que a Universidade conclua as obras. do Hospital das Clinicas (Lei n.º 't.212;
aos.,sócios necessitados ~IENS.-.\q.EtI, 1?53, P· 150). 0
Dtí.Rio OFICL\.LDOE.ST.IDO, n. 161. de23/09/1953).Doa terreno, na esquina
das ruas Pasteur e Dt Pedrosa, à Faculdade de _Medicina da Universidade do
ÂBiblioteca Pública é uma das obras realizadas com vistas nas comemorações
Paraná (Lei n.º 1.378; DIÂR.IO OFICIAL DO .ESUDO, IL º 199 de 11/11/1953).
do centenário da emancipação. Com 25,000 volumes, a antiga Biblioteca Pú~lica
encontrava-se abandonada, Mediante O Decreto n.º 2944 de 18 de outubro de 1951 Na Assembléia dn Universidade Federal do Paraná, realiuda em 19 de dezembro

(DIÂR.IO OFICIAL DO ESTADO, n.º 187 de 20/10/1951), o governo revoga o de 1954, Bento Munhoz re~ebe o título de Benemérito da Universidade. Nesta
Decreto n, 4.893, de 14 de maio de 1937, que transferiu para o mwúdpto de Cunaba
0 sol~4ade, que contou com a presença do Presidente .Café Filho, Bentó Munhoz
• ~,_!IVO.s à Biblioteca Pública e .~o Te:itro Guaíra, tomando para si a faz wn cliscurso afirmando:
os serviços rc;J..;l
conservação e. a administração destas institÚiçõcs culturais.
O Governo do Parani tem a consciência do que representa a Uníversidade no
(...) a Biblioteca evidencia wna preocupação: o desenvolvimento econômico :ue Estado e tem a concepção do que seja uma Federação orgânica (....} Pedetlçio
5~ está processando no ParanlÍi, nào deve fcd111r os olhos da adminis~çfo ~ú~lic_a orgânica quer dizer solidariedade de açiio entre o Governo N·adon11I e o Governo
para as neccss .,,_des
ua cultut.tis. •:\ Biblioteca e o Teatro Guiira são dois formidavcts Provincial. Nem porque se nacionalizou a Univer,:idade o ~tado pode e deve'
testemunhos.dessa.pteocupaçào por parte da atual administrnçlo (DOLETit,.I DO cruzar os braços deix.ando a Univcnkl.ade ao seu próprio dc,~o. Não: o Governo
SERVIÇO DE IMPRENSA DO P.\RANÁ, 1954, P· 43). do Paraná não se descuida da eua Univeaidadc; tem de acompa~11.ra Un.ivcoidaJe
na sua vida, identificado com a Universidade. É. por isso que t«ursos do Estado
têm sido cmaliz~dos par.a a Universidade que é wn instituto federal (BOLETIM DO
SERVIÇO DE IMPRENSA DO PARAN..\., 1954, p. 48).

O auxfüo também é dirigido à União Paranaense dos Estudantes;·auxillo .


fi Confonne :ifirmg,çio de Samuel Guínlad~ da Con2, em cntrevi:ita.
financeiro e material, visto que o gc,vemo pretendia fazer da capital do Estado

210
211
um centro universitário, e inccncivar a vinda de estudantes do interior para cursar
Em abril de 1951, Bento Munhoz nomeia David c,' · ·
. arnetto, um conhectdo
o ensino superior cm Curitiba. Fausto Castilho afirma que " .. , há o esforço para tntelectual paranacnse, para a direção da &cola de Música de Belas Artes d p •
que a única Universidade existente no Paraná, a Universidade Fede.mi, pudesse N · fi]" e F o arana.
~mCJa ~ osow austo Castilho para a direção da Biblioteca Pública do Paraná
atrair para Curitiba a juventude do resto do Estado. Houve uma grande pots considerava ser necessária a presença de um te! t a1·1n· · • '
. . ec u para orgaruzar aquela
preocupação em dar assistência e alojar es~dantcs" (IPARDES-SOBRE POLiTICA Biblioteca. Em outubro de 1951, a lmpre~sa Oficial do Estad e_ ·
. . . " . , o w..a autonzada a
PAR.,\N,\ENSE; ENTREV!Sf_\S, 1989, p. 32). Ao procurar estnbelecer Curitiba tmpnmtr obras Julgadas de grande vnlor científico ou liter.írio; de autores paran
ti aqw· cli d ,. . aenses
como centro uniVersitádo.- apoiando inclusive a for~çào de outras Faculcbdcs, o ra ca os ' as quars devem ser selecionadas por u~ cornissã.'o formada
como veremos a seguir, visa-se reforçar a intcgraÇio social do Estado,; assim pelo governador, conforme Lei n.º 722 (DIÁRIO OFICL\Lbo ESfADO P 186
como reforçar Curitiba como capital. de 19/10/1951). Parn o ano de 1952, o governo designa Uiemístocles ~ares'
Em Ponta Grossa o governo cria as seguintes Faculdades: Faculdade de Wtlson Mar°'." e Dalton Trevisan para aquela comissão julgadora. '
Farmáci~ e. Odontologià, Fàculdadc de Direito e Facüldade de VetciÍnârla e
3.1 i PoitriéÂs socws
Agronomia. Por meio da Lei n.º 1.004 (DIÁRIO OF)CL\L DO ESL\DO, n.º 193
de 27/10/1952), concede um auxilio de um milhão e quinhentos mil cruzeiros à
Em sua primeira mensagem enviada à Assembléia Legts" lativ"a, ogov~o
Faculdade de Direito de Curitiba, estabelecendo, no artigo 2 º desta lei. que será
aponta. como ~m dos pontos fundamcnt.ais de seu governo a assistência ao
concedid~ u.i:na subvenção anual de igual valor, à Faculdadei a partir do exercíci? trabalhador ruraL " ... consciente corno estou, de que um: do: g d dra
· de 1953. O governo também investe na criação da Universidade Católica. Vejamos b ·1 . . ran es mas
rasJ etros reside no desamparo e no esquecun' · · ·1. d • I • •
. , en o as popu 11çoes ruraJsn
o que diz o texto da Lei n.º 1.713 de janeiro de 1954 (DIÁRIO OFICL\L DO {MENSAGE~~ 1951: 6). Por me10 da Lei n. º 688, de setembro de 1951 (DL-\RIO
ESf,\DO, o.º 248 de 16/01/1954). No artigo 1. 0 , reconhece o caráter de uÍilidade OFICL\L DO ESf.-\DO n.º 155, de 13/09/1951)1 cria-se a 'Casa Rural, d
queeve
estar a cargo de tecmcos especializados que exêrcerào as fun .. de .
" ,,.
püblica ru~:sociedade Parahaensc de Cultura, entidade que m.antém a Universid;de .
. .. ' çoes oricntaçao
Cntólica do Paraná, cm formação. No artigo 2 º, concede uma "subvenção anual supervisao e controle t~cnicos". Pela Lei n ° 691 do m' • ' · · '
.. • • • • 1 me~ o mes, mstttw-se a
de cinco milhões de cruzeiros à Sociedade Paranaensc de Culhlra para auxiliar a Fuodaçao deAsststcnCJR ao Trabalhador""-' "d ttn" d ' .
• .. , n.u.1..u, es a a a ptoporctonar melhores
manter as Faculdades que deverão compor a Universidade Católica do Paraná)>. condiçocs de vida aos habitantes das zonas rurais" (DL-\RIO OFICL" •
• 15 6 d / =DOESf.IDO
Em novembro de 1954, mediante a Lei n.º 2.250 (DlARJO OFJCL\LDO ESfADO, n. , e 14 09/1951). A idéia de disciplinar 0' hom d
, em o campo aparece cm
n.º 203 de 16/11/1954), concede um a\L'<Ílio de quinhentos mil cruzeiros à divcrs~~ falas do governo, conforme se observa n_a mensagem do governo de
195 2: Se os grandes fazendeiros tt:azem ex ·• ·
Sociedade Literária Padre Antonio Vieirai destinado à construçào do In:tituto penenctas e recursos para evitar 0
esgotamento das terras, aos pequenos lavradores as Casas· R .,; . d
Educacional Nossa Senhorn Medianeira., na capital do Estado. , , • 1 , u,.,...s- cnstnao o,
esclarecendo e diSC1plinando terão uma das · J mJ -
Concede auxílio financeiro ao Instituto Histá'rico, Geográfico e Etnográfico . . • truUs a tas ,ssocs nesta hora da
cconorrua nae1onal" (MENSAGEM 1952: 7) O m dis , od .
Pru:anaense; cria a. Casa de Rocha Pombo na cidade de Marretes, udcsúnada a , · esmo curso p e ser venficado
na mensagem de 1953: ·
perpetuar a memória daquc\e brasileiro..."; cria um parque estadual no município
de Ponta Grossa, "nas terras denominadas 'Vila Velha' e 'Lagôa Douradam;
:\~~res rm~s, com a 5 upcrvisão de agrônomos e médicos, comcçacun com os
transforma o Santuário de Nossa Senhora do Rocio, de Paranaguá, etn
mqucnlo5, ,·enfiando as condições sanitáw.s e edúo.cionais, Prestando cnsinamcnros
monumento histórico; cria a Casa João Turin, na capital do Estado, -.'destinada a que vão da cnfc_rmagcm à horticultura, resolvendo os problemds à medida que ,wgem,
perpetuar a memória do escultor''; em maio de 1951 reserva, para fins de pesquisas e sobre.tudo criando a consciência d~ses problemas, sem que será impossíYCt
O
de proto-história, os sambaquis existentes no litoral parnnaensc. melho,u do nível de vida do tobalhador runl (lllENS.\GEhl, 1953, P: 8).

212
2/J
Tendo em vistl o alto índice de morttlidadeinfantil no Estado, principalmente Após a renúncia, a coligação Cjue apoiava o governo 1:Jento se desfaz definitivamente:
nas regiões de r~centc formação, o governo ~stitui os denominados Postos de "As forças políticas que haviam dado sustentação ao governo ·~ntcrior d.iluíram~se
Puericultura, procurando contar com o apoio da iniciativa privada. Ao reconhec_er com a retirada do senhor Munhoz da Rocha para o plano federal" (\é\RGAS,
• · problemas de mortalidade infantil , o gOverno considera que sua soluçao
os senos 1994, p. 209). A coligação que tinha sido fonnada pata sustentar a candidatura de
!lento
.
Munhoz' era frágil, composta por grupos politicos muito distintos, incapaz
(...) se assenta quase que fundamentalmente nos postos de pueric:".tura, que rcali:za:U de manter um projeto polltico mais consistente e duradouro.
0 trabalho de prc~enção e Profilaxia, objetivando cui~dos cspeo.a1s pat:1 a educaçao
das mães e futuros mães, 2 instrução e preparo para a melhor formação de pt1soal
e :i difusão de ensinamentos neccssâcios ao borri funcionamento das obras de 4. CONCLUSAO
• ao b'100'!"0
protcçao • · mae·
• filho(BOLETIMDOSERVIÇODEIMPRENSADO
PARANÁ, 1954,p.30-31).
Neste trabalho procuramos analisar a trajetôcia social c,política de Bento
No ano de 1954, a Secretaria de Saúde Publica recebe 20% do orçamento Munhoz. Destacamos a sua socialização num ambiente social da classe dominante
o
do Es'tado, perdendo apehas para a Secretaria de Viaçào e O~ras Pú~licas paranaensc; numa familia tradicional e católica, pertencente à oligarquia parànaense.
(IPARDES, 1989: 167). Neste ano.o Governo concede_ um muilio à Liga Paran~ense É relevante a influência da religi.'lo católica na formação soàal,·cultural e política
de Combate ao Câncer parn ..... construção do Instttuto Paranacnse do Cancc_t de Bento lvfunhoz. Seus estudos básicos foramrealizad~s numa.escola doS'padrcs
(DIÁRIO OFICL\L DO ESTADO, n.º 228 de 16/12/1954). Lazoristas. Participou da fundação do Círculo de Estudos Bandeirantes, idealizado
e presidido pelo padre Luiz Gonzaga Micle. O Círculo, vinculado ao catolicismo,
3.12CONJUNTURA F1NAL E SUCESSAO tem como membros fundadores um seleto grupo de católicos da sociedade
curitibana. No Círculo, que presidiu durante quatro gestões, fez alguns cursos de
& relaçõ'es entre os partidos políticos que deram sustentação a.o gov~o
filosofia baseados na obra de Tomás de Aquino, cursos ministrados pelos padres
foMl marcadas pelo conflito desde o irúcio do governo. A ~oligaçào de partidos Luiz G. Miele e Jesuz Ballarin.
constit\tlda para eleger e sustentar o governo BentfJ Munhoz vai per:den?o a mínima
Em sua formação intelectual, recebeu a influência do tom.ismo, do
esbbilidade principalmente quando, nos bastidores, comeÇa~se a processar a es~olha
positivismo e particularmente dos seguintes pensadores brasileiros~ Alceu Amoroso
dos candidatos para a prefeitura de Curitiba. Na convenção regional do PTB, realizada
Lima, Alberto Torres, Oliveira Vianna e Gilberto Freyre.
no inicio de abril de 1954, decide-se pelo afastamento, do Partido da coligação que
A sua passagem por instituições como o Círculo de Estudos Bandeirantes e
apóia O governo do Estldo (GAZET.\ DO POVO, 6 abr./1954, P: 1), embora ainda j
o Instiruto Histórico e Geográfico do Par.má, assim como a sua ~ondição de filho
permaneçam no governo alguns Secretário~ do PIB. •
A partir daí vai se ·constituindo um quadro favorável ao retomo de Moys~s
e genro de presidentes do Estado, impregnaram em Bento Munhoz uhla
· prcocupaçào pelo Estado em que nasceu. Suscitaram nele a. valorização dos
'
Lupíon ao Governo do Estado. A~ós a reoúncia de Bento Mu~h~z, a Assembléia
antepassados, daqueles que no passado foram responsáveis pdos destinos da região.
Legislativu dege Adolpho de Olivcu!'-Franco, da UDN, para subsntu1-ki No entando,
Herdeiro poUtico da oligarquia paranaense, teve um perftl politico mais
0 novo Governador e tambêm o novo Secreclrio do Interior e Just1ça 1 Manoel de
moderno. Filho e genro de políticos que governaram o Paraná no período da
Oliv~ira Franco Sobrinho, eram Lupionistas, conforme afi.tmaçàô do General
República Velha (de 1916 até 1930), pelo Partido Republicano Patanaense, Bento
Tourinho, em entrevista. "Então a reeleição do Lupíon já csmva praticamente gara_ntida Munhoz permaneceu fiei à tradição poUtica da familia, entrando p= o Partido.
(...) eles tinham tudo na mão, o governador,. aí foi um desastre para o Bento.,/'.
214 215
Republicano após o processo de redemocratização de 1945. Partido Republicano Elitista entendia q·u · d . :
1

que teve como presidente o seu tio, Marins Alves de Cama:r-go, que anteriormente ' e as massas evcnam ser orientada ..J:_, .d
· , s e wngt as pelas
eli tes, porn essas e que detêm a capacidade d b .
já havia p~csidido o Partido Republicano Patnnaense. Bento Munhoz permaneceu . . e sa er a verdade e de definir os
dest:tnos da sociedade. As ·massas não deveriam t , .
vinculado ao Partido Republicano durante tOdo o período de sua participação no - er a prerrogattva de descob ·
-cenário político. Apesar disso, manteve uma relação relativamente próxima à UDN, ve_rdadc. Pensa em particular nos .intelectuais católicos, q'~e deveriam diri ~ a
orientar as massas. A sociedade deveria ser govetna<la pelas eli•-· • e 1:1'
partido em que chegou a ser Presidente de Honra. Deputado Federal por duas · · el ·
poli ucas e tnt ecturus. Apoiou O Gol Mili d i
. -
econonucas' =
legislaturas, Governador do Estado no período entre 1951 e 1955 e Ministro da . tinh . 'd . pe tar e 1964, pots entendia que aquele
Agricultura no governo de Café Filho, teve urna importante participação na politica a st o um mpvtmento revolucionário e popular. ,

paranacnse após o processo de redemocratização de 1945. Manteve um àmbate Sua gestão no governo do Estado proCllrou dar res~stas a um acderado
político corri Moysés Lupion, o qual era Uder do PSD paranaense e detinha o processo de desenvolvimento eionômic , l t.
cl'.:'nfiguraçà.o ao &tado do Paraná. Essa oes::octa '. que ,01 dando um.a ti.ova
c·ontrole, desse_ pfrtido. Bento Munhoz. foi o ..patroan político _de.Ney..Braga, ·· - ···.- - --- -.·--·- ·- - _g P0 lJaGl.(195l-1955).realizou-se
colocando-o no cargo,tle Chefe de Policia 4o Estndo em seu governo. Cóntnbuiu ' numa con1un~ nacional marcada pelo dcscnvolvimencis~o. Ess .
dcse lvim . a conJuotura
decisivamente para quê Ney Braga fosse deito prefeito de Curitiba rias eleiçàl'5 de .. nvo enttsta se reílctiu no conjunto de politicas Ílnpleltle . d . el
1954. Posteriormente, Ncy Braga rompeu politicamente com Bento Munhoz. Ney Pretendeu dotar o Estado de uma estrurura que fosse capaz d~::r~:~~ o governa
de d l · .. - -,,-·- o processo
Braga se tornou a rnaibr liderança política paranaense e adversário político de Bchto d cscnvo V1nlento. Suas políticas no setor rodoviário e no d~ produção energética
. Munhoz . .Q1mndo este foi candidato ao Senado nas eleições de 1962, se defrontou enotam esta preocupação. Além disso a política rod. . ..
uma int - '·· ov-una procurou estabelecer
com duas candidaturas apoiadas pclo então governador Ney Braga. as de Adolpho egraçao do Estado, nos aspectos econômico social, poli" l L
E ' uco e cu tura
de Oliveira Franco (UDN) e Amaurí de Oliveira e Silva (PTB), as quais fotam
vitoriosas. Nessn.s eleições Bento Munhoz ficou cm terceiro lugar e não foi cleito.
·d ·da= seu governo houve uma preocupação com relação à questão da
J entt parahacnse, tendo em vista a tecent~ ocupação daS rc 'ões N
Quando Benfo Munhoz concotteu ao governo do Estado nas eleições de 1965, Oeste/Sudoeste do Estado. Entendiam q . ._ • gt . ortc e
. ue a constttwçao' de urna identidade
"
1 e.ncont.rou novam~nte a oposição de Ncy Braga, que apoiou a candidatura de paranaense esta.na associada à integraçào politica do Estado.,
Paulo Piment~ o-Vencedor daquelas eleições. Essas duas derrotas eleitorais marcam Como membro da classe domin t , , ··
d I ,d , . an e e, mrus precisamente, um jntelectual
definilMlrnente o seu declínio politico, afustando-se cJ.s disputas politica~ a c asse onunante, Bento Munhoz procurou estabelecer cin
Em sua trajetória de vida, tomou-se um ideólogo da sociedade capitalista, conjunto d li . . seu governo um 1
e po t1cas que visavam assegurar a hegemonia da '-" al .
um intelectual orgânico, colocando-se em d,,fesa da ordem burguesa, dos valores n - . Cüttise a qu pertcnaa 1

burgueses. No Paraná, foi integrante de um 'Circulo de Intelectuais Católicos,


wn momento de transição, em que transformações econômicas soct· ;. li . •
I · e
e cu turats toram dando configura ào a p , ·.
, a...,.po ttcas 1
vinculado ao Centro Dom Vital, que combatia o comunismo. A sua atuação na M h. , ç wn arana modem o. O Governo Bento !
un oz e um marco na processo de modernização do Estad d p .
cena política ocorreu com relativa autonomia, tecendo críticas pontuais à própria ·o. ooarana.
burguesia e aos seus valores, partirulartncntc quando esses não estavam referenciados Bibliotcc:::li:e; p;litico-cultutal, como a construção do Centro Cívico, da
0
• cairo Guaíra, do Centro de Letra 5 · ·
pela filosofia crisU. Defendeu obstinadamente uma ordem cristã, uma civilizaçào Universidade Federal , , °:5 mvestunentos na
e . - ' assun como de Faculdades em formação naqucle momento
burguesa cristã. Em Bento Munhoz não se pode dissociar ordem burguesa de 101 expressa.o desse novo p • f, - •
ordem cristã. Desta forma, seu ataque ao comunismo «; particularmente, ao culturai . ara.na em ortnaçao, desse Paraná mo~cmo. São políticas
s ~e vtsavam assegurar, cm uma, nova realidade; o domínio político da
marxismo foi constante e ocorreu em diferentes frentes, seja no Parlamento, seja na
classe domtn>ntc. Assegurar . cl ui .
Universidade ou seja no Executiv_o Estndual. Ê uma. crítica contumaz que se observa .h . ' cm ruv e tural, a hegemonia da classe donúnantc,
cgemorua que, como afirma Ra , d wr.n,. · j
tanto cm sua prática discursiva, quanto etn sua prática política. l moo w Wiams, deve ser constn~temente renovada.

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Uma hegemonia vivida é sempre wn pt~csso. Não é, exa:::lo analitic11:mcntc, um
CARONE, E, A Rcpúblic• Liberal 1: Instituições e Cl,,se, Sociais (1945-19~4)
sistema ou estrutunl. É um complexo realizado de experiências, rcbçõcs e atividades, Slo P,ulo: Difcl, 1985, , ,
com pres:sões e linútes C$JlCCÍficos e mutáveis. bto é, na prática a hegemonia não
pode nunca scrsingu]ar. Suas cstrutur.u intemu são altamente complexas, e podem , CARONE, E.A República Iaõetal II: Evolução Polltic, (l 945 _ õ4). s· p ui ,
19 '
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ser vistas em qualquer análise concreta. .Além do mais (e .isso é crucial, lembramos o
vigor necessário do conceito), não existe apcruts passivamente como forma de
Dife~ 1985,

COSTA, S, G. da. Hi61ótia PoUtica da Assembléia L • 1 • d


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cgis attva o ataná. Curitiba: