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AO JUÍZO DA ____ VARA CÍVEL DA COMARCA DE ____

Carlos Manoel, brasileiro, casado, agricultor, inscrito no CPF sob o


número ..., portador da Cédula de Identidade ..., residente e domiciliado ..., por
intermédio de seu procurador ao final assinado (documento anexo), com
endereção profissional em ..., vem, perante Vossa Excelência propor

Ação de indenização por cobrança indevida c/c reparação por danos


morais e materiais

Em face de Loja Ninharia, pessoa jurídica de direito privado, inscrita no


CNPJ sob o número ..., endereço eletrônico ..., situada ..., nos termos do
CPC/15, pelos motivos de fato e direito as seguir aduzidos:

PRELIMINARMENTE: O requerente pleiteia os benefícios da JUSTIÇA


GRATUITA, assegurada pela Lei 1060/50, tendo em vista não poder arcar
com as despesas processuais. Para tanto, faz juntada do documento
necessário - declaração de pobreza (documento anexo).

I – DOS FATOS

Em busca de conforto para aproveitar as horas de lazer em sua


residência, o autor efetuou a compra de um aparelho de televisão à requerida no
ano de 2000 pelo valor de R$ 2000,00 (Dois mil reais), valor este que, por acordo
entre as partes, seria pago no total de 30 prestações.

Para surpresa do autor, este recebeu a notificação de negativação de seu


nome pela vendedora em consequência de alegações da mesma de que este
não haveria pago as últimas parcelas referente a compra do aparelho de
televisão que somavam uma quantia de R$500,00 (Quinhentos reais), além dos
juros acrescidos pela empresa.

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Intrigado com a situação, o autor procurou a requerida, na pessoa de seu
representante legal, para uma tentativa de diálogo em que argumentou que a
negativação de seu nome era incabível uma vez que este já havia quitado as
parcelas pelas quais estava sendo acusado (doc. anexo) de não ter adimplido e
mesmo assim não obteve sucesso para um possível acordo, além de ter sofrido
ameaças de que poderia ter sua aposentadoria suspensa se não pagasse o
débito.

Em virtude do ocorrido, o requerente efetuou o pagamento no valor da


cobrança, contudo, em consequência, houve grave lesão a sua renda mensal e
este necessitou da ajuda de vizinhos já que não possui nenhum familiar residindo
nas adjacências de sua residência.

Portanto, é imperioso demonstrar a boa-fé do autor em tentar solucionar


administrativamente algo que a requerida não deu importância e restar claro a
necessidade de aplicação de danos materiais uma vez que o requerido teve sua
renda afetada em decorrência de negativação que ocorreu por causa de um
débito inexistente.

II – DO DIREITO

Observa-se que a requerida fez uma cobrança indevida ao autor quando,


mesmo este tendo demonstrado que havia pago as parcelas pelas quais estava
sendo cobrado e as tentativas de resolução pacífica, esta não quitou o débito e
ainda fez ameaças que comprometeram a renda do demandado. Sobre o
exposto dispõe o artigo 940, do Código Civil:

“Aquele que demandar por dívida já paga, no todo ou


em parte, sem ressalvar as quantias recebidas ou pedir
mais do que for devido, ficará obrigado a pagar ao
devedor, no primeiro caso, o dobro do que houver
cobrado e, no segundo, o equivalente do que dele exigir,
salvo se houver prescrição.”

Na mesma linha, reza o artigo 42, do Código de Defesa do Consumidor:


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“Parágrafo único. O consumidor cobrado em quantia
indevida tem direito à repetição do indébito, por
valor igual ao dobro do que pagou em excesso,
acrescido de correção monetária e juros legais, salvo
hipótese de engano justificável.”

Portanto, requer-se a imposição da sanção de pagamento em dobro do


valor pago pelo autor uma vez que não houve engano justificável da requerida
para a cobrança de valores que estão comprovadamente pagos.

Observa-se também que a requerida causou abalos não só na seara


patrimonial do autor, como também na esfera intima, na intimidade o que podem
repercutir em sua saúde psicológica, caracterizando, pois, a incidência de
reparação por danos materiais e morais, devendo ser indenizado conforme
disposto na Constituição Federal em seu artigo 5°, incisos V e X.

Desta forma, é necessária a sanção da requerida além de serem quitados


todos os débitos como dispõe o julgado:

ACÓRDÃO - 0433502-03.2013.8.19.0001 - RECURSO


INOMINADO - Ementa
PAULO MELLO FEIJO - CAPITAL 1a. TURMA
RECURSAL DOS JUI ESP CIVEIS
EMENTA/VOTO: Empréstimo consignado em trinta e seis
parcelas integralmente pago. Cobranças que persistiram
após quitação, com inclusão do nome da consumidora em
cadastros restritivos de crédito. Telas juntadas pelo
próprio réu que indicam que, se início da cobrança das
parcelas se deu em outubro de 2009 (contrato de
25.09.2009 "fl. 44), o término ocorreu em setembro de
2012. Réu que sequer indicou qual parcela supostamente
teria sido inadimplida. Quitação ocorrida com o desconto
da parcela de setembro de 2012. Contracheques dos
meses de outubro e novembro sem os descontos que
comprovam a quitação. Provas da fase instrutória
suficientes, sendo ainda corroboradas pelos
documentos anexados ao recurso, que demonstram o
desconto regular de todas as trinta e seis parcelas.
Débito que deve ser declarado quitado. Ausência de
pedido de exclusão de registros negativos de crédito.
Novas cobranças que devem ser obstadas. Danos
morais presentes, decorrentes das cobranças
indevidas e da restrição ao crédito gerada pelo
registro negativo de crédito. Indenização a ser fixada

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com base nos princípios da proporcionalidade e da
razoabilidade em R$ 10.000,00 (dez mil reais), com o
que atinge os objetivos reparatório, punitivo e
pedagógico visados pela verba. Por tais fundamentos,
VOTO no sentido de conhecer do recurso e dar-lhe
provimento parcial para (a) declarar quitado o débito
gerado pelo contrato de 395693203, com parcelas de R$
134,94 (cento e trinta e quatro reais e noventa e quatro
centavos), e fixar multa de R$ 200,00 (duzentos reais) por
ato de cobrança indevida que vier a ocorrer a contar de 20
(vinte) dias da intimação do acórdão via DJE, e (b)
condenar o réu a pagar ao autor R$ 10.000,00 (dez mil
reais), importância esta a ser corrigida monetariamente a
contar da data da intimação das partes via DJE, e
acrescida de juros legais a contar da citação. Sem custas
ou honorários eis que acolhido o recurso. Data de
julgamento: 07/10/2014. (Grifos nossos).

Pelo exposto, fica demonstrado, de forma redundante, que houve a


cobrança indevida quando não foram observados dispositivos legais para tal
além de não haver embasamento para a conduta; resta observar também a
incidência de dano moral e material quando houve negativação do nome do
autor sem qualquer razão e que, por consequência, este se viu em uma
situação delicada que afetou não só sua renda como também seus valores
inerentes à personalidade.

III – DOS PEDIDOS

a) deferimento do pedido a fim de que seja concedida a JUSTIÇA


GRATUITA, ante a comprovação pelo autor de que faz jus ao benefício,
consoante os artigos 99 e seguintes do NPCP e a Lei nº 1.060/50;
b) que se julgue procedente a presente demanda, condenando-se
a requerida a restituir em dobro o valor cobrado indevidamente,
perfazendo o valor de R$ 500,00 (Quinhentos reais), acrescidos de juros
e correção monetária;
c) a condenação da requerida ao pagamento de valor pecuniário de R$
5000,00 (cinco mil reais), a título de reparação pelos danos morais e
materiais causados ao autor;

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d) a citação da requerida para, querendo, oferecer resposta, sob pena de
revelia e confissão;
e) que seja julgado procedente o pedido de condenar a requerida a cancelar
todas cobrança em nome do autor;
f) provar o alegado por todos os meios de provas admitidos em direito;

Nestes Termos,

Pede Deferimento.

DATA

ADVOGADO