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O PODER E SIGNIFICADO DA

BÊNÇÃO NA FAMÍLIA

TEXTO: Gn 12:3

INTRODUÇÃO
Na cultura hebraica, a bênção era o pronunciamento profé-
tico da geração anterior, como que a lançar a nova geração para a
vida. A bênção era proferida durante um cerimonial denominado
baraká e trazia, em seu rito alguns significados:

I) AUTO-ACEITAÇÃO – Pv 18:21
A bênção pronunciada gerava no filho um profundo senso de
aceitação na comunidade.
ILUSTRAÇÃO: No filme educativo “Um Zero na Neve” as
crianças se aquecem enquanto aguardam a chegada do ônibus
escolar. Todos falam, brincam, jogam bolas de neve nas cercas e
batem os pés no chão para manterem-se aquecidos. Todos menos
Roger que permanece quieto e fechado no seu mundo. Quando o
ônibus encosta com os freios a ar gemendo, todos correm a embar-
car. Todos menos Roger. É o último a embarcar. Durante o per-
curso passa mal e deixa sua mochila cair espalhando o material
escolar pelo chão.
O motorista, já próximo a uma parada, coloca o ônibus no
acostamento abrindo a porta para a entrada de outras crianças que
aguardam. Roger cai pelos degraus até ficar debruçado sobre a
neve. A sirene de uma ambulância ressoa ao longe enquanto o
motorista do ônibus escolar busca inutilmente reanimar o corpo

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inerte e sem vida. Não houve uma explicação médica lógica para a
morte de Roger. Sua saúde era perfeita e nunca houve indícios de
doenças. Um professor, inconformado, pesquisou a família de
Roger e descobriu a causa da tragédia. Roger era filho de um lar
desintegrado onde o padrasto exigia que a mãe não dispensasse
nenhuma atenção ao filho. Sua vida tornou-se silenciosa, nula,
muda sem atenção e sem afeto. Roger simplesmente não tinha
mais motivação para viver.

II) LIBERAÇÃO PARA A VIDA – Sl 127:4


Em outras palavras, os pais estavam declarando: Você está
pronto para a vida. Era como a diplomação de um estudante.
ILUSTRAÇÃO: Pr. Marcos Inhauser, conhecido como exí-
mio terapeuta familiar, quando celebrava a cerimônia de núpcias
de sua filha foi no mínimo contundente na sua declaração, porém
não menos realista: “Filha, certa vez você ausentou-se de casa para
ir aos EUA estudar e na ocasião eu lhe disse que se algo não lhe
fosse favorável as portas estariam abertas para recebê-la. Mas
agora me ouça: As portas estão fechadas! Isto significa que você é
responsável pelo seu lar e seu casamento.” Estas palavras expressa-
ram o empurrão para a vida, que todo jovem precisa.

III) VALORIZAÇÃO
Alguns exemplos vetero testamentários de palavras de valo-
rização citadas no cerimonial da bênção:
A) Bênção de Isaque a Jacó – Gn 27:27,29
B) Bênção de Jacó a Judá – Gn 49:9
C) Bênção de Jacó a Naftali – Gn 49:21
D) Bênção de José – Gn 49:22

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IV) VISUALIZAÇÃO DO FUTURO – Gn 27: 28-29
Que tipo de palavras projetamos em nossos familiares?
ILUSTRAÇÃO: Mark e seus irmãos ouviram a vida inteira:
“Você é tonto! Você é feio!” Como resultado Mark sempre teve
problemas nos estudos, suas irmãs não casaram e sempre alimenta-
ram notáveis complexos de inferioridade. Gn 49:8

V) DISCIPLINA – Gn 49:3-4
Nas palavras de Jacó existe aceitação, liberação para a vida,
valorização, visualização do futuro, mas disciplina e correção.

CONCLUSÃO
Bênção na família:
Aceitação
Liberação
Valorização
Visualização
Disciplina
De qual forma estamos abençoando nossas famílias? As famí-
lias precisam retomar a perspectiva de ser um reduto de bênção.

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MINHAS ESCOLHAS HOJE E SEUS
REFLEXOS AMANHÃ

TEXTO: Gn 13:7-13; 19:1-9

INTRODUÇÃO
Vivemos num mundo de escolhas, desde as mais ínfimas
como a roupa a vestir, o cardápio para o jantar, o filme a locar; até
as mais complexas como com quem casar ou que carreira profissio-
nal seguir. À luz do texto lido, podemos dizer que uma decisão cor-
reta é fruto de alguns critérios:

I) CRITÉRIO ÉTICO – A DECISÃO A TOMAR ME


APROXIMA OU ME AFASTA DO PECADO?
A) A decisão de Ló o aproximou das planícies férteis e para-
disíacas de Sodoma e Gomorra, mas também fatalmente o aproxi-
mou do pecado.
Aproximação movida pela cobiça dos olhos (13:10)
Aproximação paulatina (13:12)
B) Enquanto isso Abraão aproximava-se de Deus, não obs-
tante ter feito a pior escolha aos olhos humanos.

II) CRITÉRIO RELACIONAL – A DECISÃO A TOMAR


ENVOLVE BOAS OU MÁS COMPANHIAS? (13:13)
A) Ló aproximou-se de pecadores para o convívio incon-
sequente e passivo.

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B) Enquanto isso Abraão recebe a visita do sacerdote Mel-
quisedeque e, por quatro vezes a visita de anjos.

III) CRITÉRIO ESPIRITUAL – A DECISÃO A TOMAR


ME TORNA SENSÍVEL OU INSENSÍVEL À VOZ DE
DEUS? (19:14-16)
A) Ló e sua família tornaram-se tardios, indolentes em ouvir
a voz de Deus. Os ouvidos espirituais se fecharam, o discernimento
se apagou.
B) Enquanto isso observe como está a vida espiritual de
Abraão:
Conversa com Deus
Recebe promessas de Deus
É chamado amigo de Deus
Torna-se exemplo de intercessor

IV) CRITÉRIO FUTURÍSTICO – A DECISÃO A SER


TOMADA ABENÇOA OU CORROMPE MINHA
POSTERIDADE? (19:36-38)
A) Os efeitos lúgubres e trágicos da decisão de Ló foram
extensos às próximas gerações:
Esposa foi transformada em uma estátua de sal (19:26)
As filhas embriagam o pai e dele geraram a Moabe e Amom
(19:30-36)
Moabitas e Amonitas passaram a ser dois povos amaldiçoa-
dos (19:37-38)
B) Enquanto isso veja o que está acontecendo com Abraão
(21:1-2)
ILUSTRAÇÃO: Foram levantados os dados das gerações de
dois contemporâneos: Jukes e Jonatan Edwards. Ambos tiveram as
mesmas oportunidades religiosas, mas Jukes declarou-se ateu e

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endureceu o coração para Deus. Da família de Jukes, o ateu, foram
pesquisados 560 dos seus descendentes: desses, 310 morreram em
extrema pobreza; 150 tornaram -se criminosos, inclusive 7 assassi-
nos; 100 descendentes foram alcoólatras; mais da metade das
mulheres se prostituiu. Segundo cálculos, os descendentes de
Jukes custaram ao Estado, com suas vidas desregradas, um milhão
e duzentos e cinquenta mil dólares. Quanto à família de Jonathan
Edwards que era cristão praticante, com sua família, foram pesqui-
sados 1394 dos seus descendentes, sendo constatado o seguinte:
295 receberam diplomas universitários, sendo que 23 chegaram a
ser reitores de universidades; 65 foram professores universitários;
3 senadores dos EUA; 3 governadores estaduais, e outros, minis-
tros enviados a nações estrangeiras; 130 foram juizes, 100, advoga-
dos, sendo um reitor de uma faculdade de Direito, 56 médicos,
sendo um reitor da faculdade de medicina; 75 oficiais na carreira
militar; 100 missionários e pregadores famosos, bem como autores
destacados; cerca de 80 desempenharam alguma função pública; 3
foram prefeitos de grandes cidades; um foi superintendente do
Tesouro Norte Americano; um deles foi vice-presidente dos EUA.

CONCLUSÃO
Abraão e Ló eram homens distintos, igualmente ricos e
tementes ao mesmo Deus, mas um dia uma decisão a tomar sela
dois destinos tão opostos e antagônicos.
Para onde estão voltados seus olhos? Para as planícies des-
lumbrantes de Sodoma ou para as regiões áridas do monte
Hebrom?
Cuidado, as escolhas de hoje terão seus reflexos amanhã!

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UMA VISÃO MOVIDA PELA FÉ

TEXTO: Gn 15:5,6

INTRODUÇÃO
Deus diz para Abraão contar as estrelas. Quem pode contar
estrelas? Deus reveste de fé seu servo para que pudesse ver o que
Deus tinha preparado para ele. Esta visão de Deus a Abraão possui
algumas características:

I) É UMA VISÃO QUE SE ELEVA COM EXCELÊNCIA.


Deus não quer que nos amesquinhemos, mas que tenhamos
ambições salutares. Larry Keefauver1 escreve: “Não podemos
prosseguir até que tenhamos a visão de onde Deus quer que nós
cheguemos. Visão não é um plano ou uma ideia; é um quadro ins-
pirado pelo Espírito que Deus quer esboçar, e depois ele mesmo
pintar”. – Hc 2:2-3

II) É UMA VISÃO QUE REQUER TRABALHO.


Se fossemos contar um milhão de estrelas, contando cinco
por segundo, levaríamos três anos e dois meses de trabalho ininter-
rupto. Quantos anos levaríamos para bilhões de corpos celestes
que pontilham o céu? É um trabalho intenso, pois surgem estrelas
a cada noite e o universo se renova.
ILUSTRAÇÃO: Quando Thomas Carlyle, historiador e
ensaísta inglês, concluiu o segundo volume de sua História da

1 KEEFAUVER, Larry – As Verdades do Ministério – Editora Atos, 1ª edição, 2002 –


Belo Horizonte – MG, Pág. 15

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Revolução Francesa, entregou o manuscrito a John Stuart Mill,
para que este fizesse observações. Mill leu o manuscrito e empres-
tou-o a um amigo. Esse amigo deixou-o sobre a escrivaninha certa
noite, depois de lê-lo. Na manhã seguinte a empregada, procu-
rando alguma coisa com a qual acender o fogo, encontrou a pilha
de papéis soltos e, pensando que fossem rascunhos antigos,
usou-os para acender o fogo. Aquilo que havia custado anos de
trabalho a Carlyle era cinza agora! Quando Mill, branco como um
lençol, relatou a devastadora notícia a Carlyle, este ficou tão atô-
nito com sua perda que não conseguiu fazer nada durante sema-
nas. Então um dia, sentado diante da janela aberta, remoendo sua
terrível perda, observou um pedreiro reconstruindo uma parede de
tijolos. Pacientemente, o homem colocava tijolo sobre tijolo,
enquanto assobiava uma alegre melodia. “Pobre tonto” pensou
Carlyle, “como pode estar tão alegre quando a vida é tão fútil?”
Depois, repentinamente, teve outro pensamento. “Pobre tonto”,
disse ele de si mesmo, “você está aqui sentado junto à janela, quei-
xando-se e lamentando, enquanto aquele homem reconstrói uma
casa que durou gerações.” Levantando-se da cadeira, Carlyle
começou a trabalhar no segundo rascunho da História da Revolu-
ção Francesa. Conforme seu próprio relato, e o daqueles que tive-
ram a oportunidade de ler ambas as versões da obra, a última foi
bem melhor! A destruição de nossos queridos sonhos não precisa
ser o fim do mundo. Pode ser o início de algo melhor! Carlyle tem
sido uma inspiração para muitos, no sentido de recomeçar depois
de terem visto destruído o trabalho de sua vida.

III) É UMA VISÃO QUE ENVOLVE DESAFIOS.


Pode haver desafio maior que contar estrelas?

IV) É UMA VISÃO QUE DEMANDA CORAGEM.


Ririam de Abraão se ele contasse estrelas para contar seus
descendentes.

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ILUSTRAÇÃO: Quando o Coronel George Washington
Goethals estava construindo o Canal do Panamá, enfrentou pro-
blemas de topografia e de doenças tropicais que teriam intimidado
um homem de menos fibra. Mas o pior problema foi que ele teve de
suportar comentários irônicos de críticos amargos de seu próprio
país. Estes tinham certeza de que ele fracassaria. Afinal de contas,
não havia o Visconde de Lesseps, famoso construtor do Canal de
Suez, desistido do projeto? Mas Goethals ignorou os astuciosos.
Certo dia, um de seus subordinados perguntou-lhe, exasperada-
mente:
– O senhor não vai dar uma resposta aos críticos?
– Sim, oportunamente.
– Mas quando e como?
– Com o canal.
Que bela resposta! Quando temos uma visão, temos coragem
para defendê-la.

V) É UMA VISÃO QUE CONTEMPLA O FUTURO.


No tempo de Abraão só se contava três mil estrelas. Ter uma
descendência de três mil pessoas não era impossível. Com Galileu
Galilei o telescópio contou 90 mil estrelas. Hoje é impossível con-
tar estrelas.

VI) É UMA VISÃO QUE REQUER PERSEVERANÇA.


Era uma missão que exigia perseverança.

CONCLUSÃO
Quando o senhor nos dá uma tarefa, nos reveste de fé para
levá-la até o fim.

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ISMAÉIS OU ISAQUES, A QUEM
VOCÊ TEM GERADO?

TEXTO: Gn 21:8-12

INTRODUÇÃO
Deus tinha uma promessa de dar um filho legítimo a Abraão,
mesmo ele sendo velho e Sara sendo estéril. Era a promessa de
uma nação, a partir da sua semente. O tempo passou. A promessa
não se cumpria e Abraão tomou a iniciativa de fazê-la cumprir-se
ao seu modo. De sua escrava Agar, gerou Ismael. Todos nós temos,
em nossa vida, Ismaéis e Isaques.

I) ISMAEL É O FRUTO DA PROVISÃO HUMANA;.


ISAQUE É O FRUTO DA PROVISÃO DIVINA.
Dizem que o precipitado é aquele que pensa com as pernas.

II) ISMAEL É O FRUTO DO IMEDIATISMO; ISAQUE É


O FRUTO DA PROMESSA DE DEUS NO SEU DEVIDO
TEMPO.
Não faz da tua vida um rascunho, poderás não ter tempo para
passar a limpo. (Mário Quintana).

III) ISMAEL É O FRUTO DO MEU PLANEJAMENTO;


ISAQUE É O FRUTO DO PROPÓSITO ETERNO DE DEUS.
Jr 29:11. O meu planejamento é o micro – compreende ape-
nas o alcance do aqui e agora. O propósito de Deus compreende a
eternidade. Compreende o quadro maior da vida, a macro visão.

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ILUSTRAÇÃO: Segundo Dr. Marshall Nirenberg, prêmio
Nobel de Biologia, temos em nosso corpo 60 trilhões de células
vivas. Em cada célula há um metro e setenta centímetros de fita
DNA, onde estão gravados e computadorizados todos os nossos
dados genéticos. Se esticarmos a fita DNA do nosso corpo, tería-
mos 102 trilhões de metros de fita, ou seja, 102 bilhões de quilôme-
tros. Poderíamos empacotar na cabeça de um alfinete todos os
dados genéticos dos mais de 6 bilhões de habitantes do planeta.
Códigos de vida não se originam do ocaso nem de uma explosão
cósmica. Se Deus mantém sob controle cada dado genético de
cada ser vivo, não iria Ele cuidar do futuro de seus filhos?

IV) ISMAEL É A INTERPRETAÇÃO TENDENCIOSA DA


ORDEM DIVINA; ISAQUE É A OBEDIÊNCIA
INCONDICIONAL A DEUS.
ILUSTRAÇÃO: Certo jovem, quando se preparava para
casar, me procurou para o aconselhamento. O namoro foi regado
de desconfianças, mas ele insistia dizendo: Deus falou favorável à
nossa união, em profecia, usando uma irmã muito consagrada, orou
sobre as alianças e abençoou nosso casamento... Tentei convencê-lo a
repensar, mas foi inútil. Seis meses depois veio a separação. Mais
seis meses e veio a reconciliação. Dali um mês, a gravidez e após o
nascimento da criança nova separação, desta feita definitiva, cul-
minando inclusive no divórcio. A pergunta que ele não cessava de
fazer era: Por que Deus não cumpriu sua promessa? Fui honesto com
ele mais uma vez: Você confrontou seu noivado com as definições de
amor inseridas em 1Co 13? A Palavra de Deus teve prioridade na sua
decisão? Você respeitou o critério bíblico de julgamento da profecia que
recebeu? Deveria tê-lo feito. Muitas pessoas interpretam a voz de
Deus conforme lhes convém.

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V) ISMAEL É A ACEITAÇÃO APENAS DO QUE POSSO
TOCAR E CONTROLAR; ISAQUE É A FÉ NO
INVISÍVEL.
As pessoas só veem o que estão preparadas para ver. (Ralph
Waldo Emerson). Hb 11:1

CONCLUSÃO
Todos nós, em alguns momentos acumulamos Ismaéis e Isa-
ques. Geramos projetos que são frutos da pressa, do orgulho, da
insubmissão, da ambição, do imediatismo... Outros são frutos do
coração de Deus, dos eternos propósitos de Deus, da vontade de
Deus. Mas um fato interessante é que Deus também abençoou
Ismael Gn 21:18-20. Não desprezou sua existência. Deus, na sua
infinita misericórdia ratifica nossos erros e amortiza as suas conse-
qüências.

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O VAU DO JABOQUE E SEUS
SIGNIFICADOS PARA JACÓ

TEXTO: Gn 32:22-31

INTRODUÇÃO
Alguns lugares marcaram o cânon sagrado em função de pes-
soas que por ali passaram ou acontecimentos ali ocorridos: Montes
Moriá e Sinai, Rio Jordão, Cafarnaum... Outros lugares foram
marcos na história: Roma, Viena, Waterloo, Berlim... Da mesma
forma, um pequeno vale por onde passava um ribeiro chamado
Jaboque, marcou a história de Jacó. Como podemos entender o
Vau do Jaboque?

I) JABOQUE É LUGAR DE LUTA.


Jacó luta à noite toda até o raiar da manhã. Ao raiar do dia o
homem lhe fere a articulação da coxa e lhe abençoa. Aí ele desco-
bre que não foi contra um homem que ele lutou, mas contra Deus.
ILUSTRAÇÃO: Agostinho de Hipona, lutou contra Deus
durante vinte e cinco anos, pensando que estava lutando contra o
cristianismo. Por um quarto de século sua mãe Mônica orou, cho-
rou e quanto mais orava tanto mais o filho se enredava na promis-
cuidade, sofismas, heresias e crises existenciais. À beira do
suicídio, rendeu-se a Jesus e foi transformado num estandarte da
fé. A luta não era contra a religião da mãe, contra os cristãos, mas
era contra Deus, e quando descobriu isto, rendeu-se e foi transfor-
mado por Deus. Sl 95:8; Pv 28:14; Rm 2:5

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II) JABOQUE É LUGAR DE TRATAMENTO.
Os vales foram locais de: tratamento, disciplina, correção,
choro, dor e sofrimento. Nos vales Deus trabalhou com Israel.
Trinta e dois vales aparecem ao longo do AT, cada um com uma
história de disciplina:
Acor – Deus separa Acã e o castiga – Js 7:24
Aijalom – lugar de batalha onde Josué ora a Deus e o dia se
prolonga – Js 10:12
Boquim – lugar de choro – Jz 2:15
Elá – batalha sangrenta – 1Sm 17:2
Sal – lugar de morte, ali Davi mata 18 mil – 2Sm 8:13
Jeosafá – lugar de conflito e de decisão – Jl 3
Vales nos falam de tensões e sofrimento. Nos vales Deus tra-
balha com nossas vidas e através delas.
ILUSTRAÇÃO: João Bunyan – escreveu o livro “O Pere-
grino” numa prisão úmida e fria, com o coração dilacerado pela
filha órfã de mãe, doze anos de idade, cega, que para sobreviver
tinha que mendigar. Foi neste vale de sofrimento que Deus deu a
linda visão que foi transformada no livro cristão mais lido no
mundo, fora a Bíblia. Rm 5:3-4

III) JABOQUE É LUGAR DE TRANSFORMAÇÃO.


A) Transformações de pessoas não ocorrem:
Por força
Adolf Hitler, Stalin, Mao Tse Tung e demais revolucioná-
rios.
Apelo intelectual
ILUSTRAÇÃO: Em 1515 Thomas Moore escreveu o livro
Utopia. Utopia era uma ilha com 54 cidades, 6 mil castas. Um
lugar perfeito e de uma administração humanitária e justa. Este

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livro idealizava uma sociedade onde os homens viveriam eterna-
mente em paz. Mas Thomas Moore morreu e seu sonho da Utopia
nunca se realizou. Em 1872 Samuel Backler, inglês, escreveu um
romance onde o povo da Terra se levanta contra as máquinas e
passa a viver em paz num paraíso perfeito aqui na Terra. Mas
Samuel Backler morreu e este paraíso não aconteceu. O mundo
continuou cada vez pior. Em 1891 Willian Morris escreveu um
livro onde retratava a história de um paraíso rural, camponês, esta-
belecido aqui na Terra, no ano de 2012. Era uma ficção científica
onde as pessoas viveriam em perfeita harmonia. Mas Willian Mor-
ris morreu e o mundo continuou cada vez pior. Em 1933 filósofos,
teólogos, sociólogos e humanistas do mundo inteiro se reuniram e
lançaram um manifesto dizendo que a partir de então não haveria
mais guerras e o mundo viveria em paz. Mas depois de 1933 o
mundo se emboscou na pior e mais sangrenta guerra jamais pre-
senciada, a 2ª Guerra Mundial. De lá para cá mais de 100 milhões
de vidas já foram ceifadas em guerras e conflitos armados. Todas as
tentativas de transformação da humanidade foram frustradas.
Transformações ocorrem pela graça:
Jacó recebeu um novo nome – 32:28-29
Jacó recebeu uma nova bênção – 32:29
Jacó encontrou-se num novo local (Peniel-face de Deus) –
32:30
Jacó desfrutou do raiar de um novo dia – 32:31
Jacó recebeu uma nova marca – 32:25
Jacó desfrutou de nova comunhão com Esaú – 33

CONCLUSÃO
A alva está rompendo, o dia está chegando e Deus quer
transformar o Jaboque da sua vida em Peniel – 32:31.

SERMÕES COMPLETOS ´ 17
OBJEÇÕES PARA NÃO SERVIR

TEXTO: Ex 3:11 – 4:1-17

Moisés foi o líder responsável pelo maior êxodo da historia e,


sabendo da envergadura da missão, não foi fácil para Deus con-
vencê-lo da tarefa. Aliás, dizem que dificuldade maior não foi con-
vencer Faraó a deixar o povo sair, mas convencer Moises a liderar
a saída. Ainda hoje tarefa mais difícil não é salvar vidas, mas con-
vencer os cristãos a serem instrumentos de Deus. Quando quere-
mos fazer algo encontramos uma forma, quando não queremos,
procuramos uma desculpa. O texto nos aponta cinco destas des-
culpas para não servir:

I) QUEM SOU EU? – 3:11


A) O ser humano deve reconhecer a sua incapacidade frente
ao serviço a Deus. – 3:11
B) A resposta de Deus não é: “Vou capacitá-lo.”, mas “Eu
serei contigo.” O próprio Deus supre nossas deficiências. – 3:12

II) QUEM É MEU DEUS? – 3:13


A) O cristão tem dificuldade em decodificar ao mundo, no
presente, o mesmo Deus dos atos passados narrados nas Escrituras.
Temos dificuldade com o Deus do presente.
B) A resposta de Deus não elencou atributos ou feitos de
Deus, mas apontou o Deus das ações presentes e hodiernas: “Eu
sou.” (Yaveh, que tem a ver com: dinamismo, força e presença.

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III) QUAL É A GARANTIA? – 4:1-9
A) Falta de fé exige garantias palpáveis – 4:1
B) Não há garantias além do poder de Deus – 4:2-9
Deus respondeu a Moisés: “A garantia é meu poder!” – Mc
16:17-18

IV) QUAL É O MEU PREPARO? – 4:10


A) “Deus não chama os capacitados, ele capacita os chama-
dos”, portanto quando desconfiamos do nosso potencial estamos
no caminho certo: aprendendo a depender de Deus.
B) A resposta de Deus evoca sua soberania absoluta acima
dos atributos humanos – 4:11-12

V) POR QUE EU E NÃO OUTRO? – 4:13-17


A) Trata-se da reação que temos quando nos comparamos a
outros. Deus tem os seus próprios critérios de escolha.
B) Deus oferece um companheiro eloquente a Moisés, Arão,
que falará em seu nome, mas a escolha original continua.

CONCLUSÃO
Questionar a vocação é prudente, relutar contra ela é teimo-
sia.

SERMÕES COMPLETOS ´ 19
A ANATOMIA DO PERDÃO

TEXTO: Gn 33

INTRODUÇÃO
ILUSTRAÇÃO: Durante um seminário, o professor passou
uma tarefa, no mínimo intrigante, a fim de ilustrar os efeitos asso-
ladores da amargura. Solicitou que cada um dos alunos levasse
algumas batatas e uma bolsa de plástico para a aula. Ele pediu para
que separassem uma batata para cada pessoa de quem sentiam
mágoas, escrevessem os seus nomes nas batatas e as colocassem
dentro da bolsa. Algumas das bolsas ficaram muito pesadas.
A tarefa consistia em, durante uma semana, levar a todos os lados
a bolsa com as batatas. Naturalmente a condição das batatas foi se
deteriorando com o passar dos dias. O incômodo de carregar a
bolsa a cada local onde fossem mostrava-lhes o peso espiritual diá-
rio que a mágoa impõe, o odor fétido que exala de um coração res-
sentido, bem como ao colocar a atenção na bolsa para não
esquecê-la em lugar nenhum, os alunos deixavam de prestar aten-
ção em outros fatores preponderantes da vida. Esta é uma metá-
fora que nos aponta o alto preço que contabilizamos todos os dias,
para manter a dor, a bronca e o ressentimento. É a narrativa que,
com exatidão, ilustra o preço que se paga por manter o coração
aprisionado à ira e a mente aguilhoada à raiva. Quando valoriza-
mos as promessas não cumpridas, os prejuízos sofridos, as crises
relacionais não resolvidas, as expectativas não alcançadas, nossos
pensamentos são embaçados pelas densas nuvens que aumentam o
cansaço.

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Jacó foi um homem que durante vinte longos anos carregou
um destes “sacos de batatas”, mas encontrou no perdão o caminho
para a restauração.

I) RELAÇÃO PERDÃO & HUMILDADE – v. 3


Pense ainda na riqueza das promessas que a Palavra de Deus
traz ao que anda pelo caminho da humildade:
É considerado por Deus – Sl 138:6
È ouvido por Deus – Sl 9:12
Goza da presença de Deus – Is 57:15
É livrado por Deus – Jó 22:29
É exaltado por Deus – Lc 14:11
É maior no Reino de Cristo – Mt 18:4
Recebe mais graça – Pv 3:34
É mantido em honra – Pv 18:12

II) RELAÇÃO PERDÃO & MANIFESTAÇÃO – v.4

III) RELAÇÃO PERDÃO & RETRATAÇÃO – v. 10b

IV) RELAÇÃO PERDÃO & RESTITUIÇÃO – vv. 9-11

V) RELAÇÃO PERDÃO & PRUDÊNCIA – vv. 15-17

VI) RELAÇÃO PERDÃO & LIBERTAÇÃO – vv. 18-20


A) Jacó prosperou com liberdade, sem precisar usurpar – vv.
18-19
B) Jacó adorou com liberdade, sem sentimento de culpa –
v. 20

SERMÕES COMPLETOS ´ 21
CONCLUSÃO
Aquele que se recusa a perdoar, destrói a ponte sobre a qual ele
mesmo precisará passar para chegar ao céu. (George Herbert)
ILUSTRAÇÃO: O autor aos Hebreus alerta que a amargura
contamina de forma sutil, estratégica, astuta e sintomática: “...
nem haja alguma raiz de amargura que brotando, vos perturbe, e, por
meio dela, muitos sejam contaminados.” (Hb 12:15) Dizem os botâni-
cos que muitas espécies de árvores aprofundam as raízes em tal
dimensão que sua profundidade iguala-se à altura da planta. Isto
pode ser aplicado integralmente à vida daquele que abrigou res-
sentimentos nos porões da alma.

22 ´ SERMÕES COMPLETOS