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ESTUDO DA

DOUTRINA
ESPÍRITA

1

ÍNDICE
CAPITULO I
DOUTRINA ESPÍRITA – ALLAN KARDEC E AS OBRAS BÁSICAS ................ 3

CAPITULO II
EXISTÊNCIA DE DEUS ....................................................................................... 9

CAPITULO III
O TRÍPLICE ASPECTO DO ESPIRITISMO ........................................................12

CAPITULO IV
AS TRÊS REVELAÇÕES ...................................................................................15

CAPITULO V
ELEMENTOS GERAIS DO UNIVERSO: ESPÍRITO E MATÉRIA ................... 19

CAPITULO VI
ESPÍRITO E PERISPÍRITO ................................................................................22

CAPITULO VII
O MUNDO ESPIRITUAL ................................................................................... 27

CAPITULO VIII
O CONHECIMENTO DE SI MESMO ..................................................................33

CAPITULO IX
MEDIUNIDADE / OCUPAÇÃO E MISSÕES DOS ESPÍRITOS .........................36

CAPITULO X
PERCEPÇÕES E SENSAÇÕES DOS ESPÍRITOS / SONO E SONHOS .........41

CAPITULO XI
REENCARNAÇÃO .............................................................................................46

CAPITULO XII
O PROCESSO ENCARNATÓRIO ......................................................................50

CAPÍTULO XIII
O ESQUECIMENTO DO PASSADO .................................................................54

CAPITULO XIV
O FENÔMENO DA MORTE ...............................................................................56

CAPITULO XV
O ESTADO DE PERTURBAÇÃO .......................................................................60

Capítulo XVI
MORTE PREMATURA: CRIANÇAS NO MUNDO ESPIRITUAL ......................64

2

CAPITULO XVII
SUICÍDIO ..........................................................................................................66

CAPITULO XVIII
DIFERENTES CATEGORIAS DE MUNDOS HABITADOS ............................69

CAPITULO XIX
LEI NATURAL E LEI DE ADORAÇÃO ............................................................74

CAPITULO XX
LEI DO TRABALHO .........................................................................................78

CAPITULO XXI
LEI DE REPRODUÇÃO ...................................................................................81

CAPITULO XXII
LEI DE CONSERVAÇÃO .................................................................................84

CAPITULO XXIII
LEI DE DESTRUIÇÃO .....................................................................................86

CAPITULO XXIV
LEI DE SOCIEDADE .......................................................................................91

CAPITULO XXV
LEI DO PROGRESSO .....................................................................................95

CAPITULO XXVI
LEI DE IGUALDADE .......................................................................................97

CAPITULO XXVII
LEI DE LIBERDADE ......................................................................................100

CAPITULO XXVIII
LEI DE LIBERDADE - CAUSA E EFEITO .....................................................104

CAPITULO XXIX
LEI DE JUSTIÇA AMOR E CARIDADE ........................................................106

CAPITULO XXX
FELICIDADE E INFELICIDADE RELATIVAS ................................................109

Destacaremos. ao qual os destinos reservariam sublime missão. a futura imperatriz do Brasil. o menino se revelou altamente inteligente e agudo observador. e por ela também se interessaram Göethe. Leopoldina de Áustria. nasceu na cidade de Lião (França). numa palavra. como se fora um adulto. D. Bem cedo. É de se presumir que a influência paterna e materna tenham sido das mais benéficas na sua infância. Rivail realizou seus primeiros estudos em Lião. o rei da Prússia. Os exemplos de amor ao próximo fornecidos por Pestalozzi [para quem o amor é o eterno fundamento da educação] norteariam para sempre a vida do futuro Codificador do Espiritismo. foi cultivado e avigorado com as lições e os exemplos recebidos no Instituto de Yverdon. a escola modelo da Europa. Rivail cativou a simpatia e a admiração do velho professor. científicas. Altas personalidades políticas. cidade suíça do cantão de Vaud. O MENINO HIPPOLYTE NASCIMENTO Allan Kardec.O INSTITUTO DE YVERDON Conforme nos conta Henri Sausse [biógrafo de Kardec]. compenetrado de seus deveres e responsabilidades. onde também lhe desabrocharam as ideias que mais tarde o colocariam na classe dos homens progressistas e dos livres-pensadores. Foram seus pais Jean-Baptiste Antoine Rivail. Alexandre I. a segunda. Frederico Guilherme III. citado. Possuidor de inteligência penetrante e alto espírito de observação. Louvaram o criador dessa obra revolucionária. cujo verdadeiro nome é Hippolyte Léon Denizard Rivail. . os aspectos mais importantes de sua luminosa trajetória pela Terra. Aliás. PRIMEIROS ESTUDOS . magistrado íntegro. como o consagrado professor Rivail. denotando franca inclinação para as ciências e para os assuntos filosóficos. que Flammarion com felicidade aplicou a Rivail. e sua esposa Luísa. Com a idade de dez anos. a fim de completar e enriquecer sua bagagem escolar no célebre Instituto de Educação ali instalado em 1805. situada na extremidade SO do lago Neuchâtel e na foz do Thiele. e. eficiente colaborador. os reis da Baviera e de Wurtemberg. o rei Carlos IV da Espanha. descrito. no seio de antiga família lionesa. e Jeanne Louise Duhamel. pelo professor- filantropo João Henrique Pestalozzi. pouco depois. era. 3 CAPÍTULO I DOUTRINA ESPÍRITA – ALLAN KARDEC E AS OBRAS BÁSICAS Duas são as fases em que se pode dividir a vida de Allan Kardec: a primeira. a 3 de outubro de 1804. o czar da Rússia. até mesmo aquele bom-senso. a seguir. ainda mais. sua cidade natal. constituindo-se em fonte de nobres sentimentos. logo se revelou um dos discípulos mais fervorosos do insigne pedagogista suíço. o imperador da Áustria. deste se tornando. sendo educado dentro de severos princípios de honradez e retidão moral. inclinado naturalmente para a solução dos importantes problemas do ensino e para o estudo das ciências e da filosofia. literárias e filantrópicas voltavam maravilhadas de suas visitas ao famoso Instituto. Frequentado todos os anos por grande número de estrangeiros. como o Codificador do Espiritismo. imitado. de nobres e dignas tradições. O menino Denizard Rivail. e muitos expoentes da nobreza europeia e do mundo cultural. seus pais o enviam a Yverdon.

ou antes). 4 O PROFESSOR RIVAIL AS OBRAS DIDÁTICAS Sem dúvida. com quem se casara em 1832. assim se expressa. O EXERCÍCIO DAS FUNÇÕES DIRETIVAS E EDUCATIVAS Tendo fundado em 1826. e primava pela simplicidade e clareza. a quem eu conhecia desde muito tempo e que me disse: Já sabe da singular . chegando à capital da França. O futuro Codificador do Espiritismo. Assim é que em dezembro de 1823. Encontrei um dia o magnetizador. chamando a atenção de toda a sociedade. dentre outras. sobretudo a França. Química. as seguintes obras: Curso Completo Teórico e Prático de Aritmética (1845). a respeito dos novos fatos: “Foi em 1854 que pela primeira vez ouvi falar das mesas girantes. O Curso de Aritmética constituiu a primeira obra de cunho pedagógico e a primeira entre todas as demais dadas a público por Rivail. A obra em questão era recomendada aos instrutores e às mães de família que desejassem dar aos seus filhos as primeiras noções de Aritmética. Além dessa obra. Gramática Francesa Clássica (1831). bem como planos e projetos dirigidos à reforma do ensino francês. como em muitos outros de seus empreendimentos. O método por ele empregado desenvolve gradualmente as faculdades intelectuais do aluno. qualidades estas que são. Senhor Fortier. Catecismo Gramatical da Língua Francesa (1848). por assim dizer. segundo o método de Pestalozzi. Ditados Normais dos Exames (1849). Soluções dos Exercícios e Problemas do Tratado Completo de Aritmética (1847). a Instituição Rivail. provavelmente). Gramática Normal dos Exames (com Lévi-Alvarès – 1849). Rivail pôde contar com o apoio e a dedicação da Profª Amélie-Gabrielle Boudet. Memória sobre a Instrução Pública (1831). no dizer de Wantuil e Thiesen. com apenas dezoito anos de idade. OS PRIMEIROS CONTATOS COM OS FENÔMENOS MEDIÚNICOS Em meados do século XIX as mesas girantes revolucionaram a Europa. aproveitando as horas vagas para traduzir obras inglesas e alemãs. desenvolvendo notável trabalho de aprimoramento da inteligência de centenas de educandos. numa verdadeira fertilidade pedagógica. empregara esforços e talento na preparação do utilíssimo livro. Curso de Cálculo Mental (1845. e para preparar o seu primeiro livro didático. com modificações. assentando-o em bases pestalozzianas. Manual dos Exames para os Títulos de Capacidade (1846). Denizard Rivail logo se pôs a exercer o magistério. em Paris. o jovem professor aí exerceu funções diretivas e educativas. Destacaremos. Astronomia e Fisiologia (1849. Projeto de Reforma no tocante aos Exames e aos Educandários para meninas (1847). Deve-se ressaltar que tanto na Instituição. aos quais ele carinhosamente chamava meus amigos. mas com muitas ideias originais e práticas do próprio autor. Rivail publicou numerosos livros didáticos. lançou o Curso Prático e Teórico de Aritmética. Ditados da Primeira e da Segunda Idade (1850). Este não se limita a reter as fórmulas pela memória: penetra-lhes a essência. aliás. inclusive da imprensa. Programa dos Cursos Usuais de Física. O professor Rivail. o principal mérito de todas as publicações de Rivail-Kardec. Qual o Sistema de Estudos Mais em Harmonia com as Necessidades da Época? (1831). estudioso do magnetismo. Plano Proposto para a Melhoria da Educação Pública (1828).

ocasião se me ofereceu de observar mais atentamente os fatos. com o entusiasmo que consagrava a todas as ideias novas. Carlotti. Carlotti se pronunciara. fui à casa da sonâmbula Sra.” “No ano seguinte. nem observara. como também que fale. — Isto agora. à rua Grange-Batelière. confirmavam a minha opinião. Fortier.” “Passado algum tempo. Interrogada. repliquei-lhe. mas em tom muito diverso. O Sr.” “Foi aí que. Só acreditarei quando o vir e quando me provarem que uma mesa tem cérebro para pensar. que tomei a mim estudar a fundo. que me falou daqueles fenômenos durante cerca de uma hora.” “Eu estava. como que a revelação de uma nova lei. as experiências. Achava-me na posição dos incrédulos atuais. aceitei imediatamente. pela primeira vez. porém. Algum tempo depois. Plainemaison. qualquer coisa de sério. Roger. magnetizando-a. frio e calmo. realizadas em presença de pessoas honradas e dignas de fé. travei conhecimento com a família Baudin. em companhia do Sr. que escreviam numa ardósia com o auxílio de uma cesta.” “Bem depressa. Pâtier era muito instruído. saltavam e corriam. seu magnetizador. Lá encontrei o Sr. chamada carrapeta e que se encontra descrita em O Livro dos Médiuns. conseguindo-se que elas girem e caminhem à vontade. encontrei-me com o Sr. Fortier. a ideia. sua linguagem pausada. produziu em mim viva impressão e. com o auxílio de uma cesta. 18. Plainemaison. que residia então à Rua Rechechouart. pois. — É.” . isenta de todo entusiasmo. que daqueles fenômenos me falaram no mesmo sentido em que o Sr. Plainemaison. que negam porque apenas veem um fato que não compreendem. não só se consegue que uma mesa se mova. estávamos em começo de 1855. ela responde. 5 propriedade que se acaba de descobrir no Magnetismo? Parece que já não são somente as pessoas que se podem magnetizar. pelo mês de maio de 1855. Até lá. respondi. ignorando a causa e a lei do fenômeno. Numa das reuniões da Sra. O fluido magnético. pode perfeitamente atuar sobre os corpos inertes e fazer que eles se movam. mas. de caráter grave. aparentemente contrário às leis da Natureza e que a minha razão repelia. Baudin me convidou para assistir às sessões hebdomadárias (semanais) que se realizavam em sua casa e às quais me tornei desde logo muito assíduo. O Sr. que me disse: Temos uma coisa muito mais extraordinária.” “Era lógico este raciocínio: eu concebia o movimento por efeito de uma força mecânica. mas. mas havia ali um fato que necessariamente decorria de uma causa. é outra questão. presenciei o fenômeno das mesas que giravam. nervos para sentir e que possa tornar-se sonâmbula. afigurava-se-me absurdo atribuir-se inteligência a uma coisa puramente material. quando me convidou a assistir às experiências que se realizavam em casa da Sra. de uma mesa falante ainda não me entrara na mente. Eu entrevia. Pâtier e a Sra. que é uma espécie de eletricidade. Minhas ideias estavam longe de precisar-se. no passatempo que faziam daqueles fenômenos. com efeito. muito imperfeitos. naquelas aparentes futilidades. mas também as mesas. a rigor. muito singular. Os médiuns eram as duas senhoritas Baudin. Ainda nada vira. encontrei-me novamente com o Sr. Assisti então a alguns ensaios. de escrita mediúnica numa ardósia. em condições tais que não deixavam lugar para qualquer dúvida. isso não me parece radicalmente impossível. quanto à possibilidade do efeito puramente material. diante de um fato inexplicado. permita que eu não veja no caso mais do que um conto para fazer-nos dormir em pé. amigo de 25 anos. como ainda não o fizera.

me desvendava uma face daquele mundo. em suma. a gravidade da exploração que ia empreender. pois traduz o esforço concentrado de uma imensa falange de .” OS PRIMEIROS ESTUDOS SÉRIOS DE ESPIRITISMO “Foram nessas reuniões [na casa da família Baudin] que comecei os meus estudos sérios de Espiritismo. com os Espíritos. que exige o concurso de duas pessoas. de modo evidente. científico e filosófico de valor incalculável. Reconhecida desde o princípio. Conduzi-me. do mesmo modo que se chega a conhecer o estado de um país.” PARA MEDITAR: 1. nem a ciência integral. antes de tudo. a solução que eu procurara em toda a minha vida. menos. coordenados e comparados uns com outros. dissessem eles o que dissessem. segundo o ensino dos Espíritos. não possuíam nem a plena sabedoria. Vi logo que cada Espírito. sistematizados pelo codificador. não menos importante. por meio de revelações. percebi. um imenso campo aberto às nossas explorações. do menor ao maior. eles foram. do que de observações. como houvera feito com homens. ainda. naqueles fenômenos. pois. fazia-se mister. não podendo um só. O segundo ponto. se assim nos podemos exprimir. individualmente. colecionados. portanto. VOCÊ JÁ CONHECIA A HISTÓRIA DO FENÔMENO DAS “MESAS GIRANTES”? 2. que acusavam. meios de me informar e não reveladores predestinados.” “Um dos primeiros resultados que colhi das minhas observações foi que os Espíritos. esta verdade me preservou do grave escolho de crer na infalibilidade dos Espíritos e me impediu de formular teorias prematuras. 6 “Esse processo. que o saber de que dispunham se circunscrevia ao grau. Compete ao observador formar o conjunto. a chave de inúmeros fenômenos até então inexplicados. interrogando habitantes seus de todas as classes. e que a opinião deles só tinha o valor de uma opinião pessoal. COMO AS CONCLUSÕES DE KARDEC – RELACIONADAS NO ÚLTIMO ITEM - REPERCUTEM HOJE NAS NOSSAS VIDAS? AS OBRAS BÁSICAS Os conteúdos das obras publicadas por Allan Kardec expõem e consolidam os princípios e os elementos constitutivos da Doutrina Espírita. nada mais sendo do que as almas dos homens. provava a existência do mundo invisível ambiente. a perguntas mentais. tive ensejo de ver comunicações contínuas e respostas a perguntas formuladas. em sua totalidade. Já era um ponto essencial. ser positivista e não idealista. em virtude da sua posição pessoal e de seus conhecimentos. a intervenção de uma inteligência estranha. algumas vezes. tendo por base o que fora dito por um ou alguns deles.” “O simples fato da comunicação com os Espíritos. Representam um patrimônio ético. era que aquela comunicação permitia se conhecessem o estado desse mundo. toda uma revolução nas ideias e nas crenças. de adiantamento. até. para não me deixar iludir. seus costumes. que haviam alcançado. Era. exclui toda possibilidade de intromissão das ideias do médium.” “Compreendi. Aí. andar com a maior circunspeção e não levianamente. informar-nos de tudo. por meio dos documentos colhidos de diferentes lados. a chave do problema tão obscuro e tão controvertido do passado e do futuro da Humanidade. Para mim.

Leymarie publica o livro “Obras Póstumas”. A Gênese. a missão e ocupação dos Espíritos e seu inter-relacionamento com os homens.18 de abril de 1857 2. não chegaríamos a compreender o Evangelho e Jesus Cristo. o espírito e a matéria. o Espiritismo vai assumir um caráter nitidamente religioso. O Céu e o Inferno . O princípio vital e da criação. como o mais completo tratado de fenomenologia paranormal de todos os tempos.janeiro de 1868 Allan Kardec escreveu ainda dois outros livros de menor extensão: “O Que é o Espiritismo” e “O Principiante Espírita”.janeiro de 1861 3. um tratado de perguntas e respostas de caráter filosófico.G. O LIVRO DOS ESPÍRITOS A primeira obra publicada por Kardec é. O Livro dos Espíritos . Progresso. Em 1019 itens. por esse motivo. o codificador se preocupa com as Esperanças e Consolações e a Lei de Causa e Efeito. Amor e Caridade. Na parte segunda: o Mundo dos Espíritos. Reprodução.” O Livro dos Médiuns é considerado. que sob a assistência amorosa de Jesus acompanharam o trabalho incansável de Allan Kardec. Na primeira parte: o autor estuda as causas primárias. . Constituem-se. contendo artigos de Kardec ainda não conhecidos do público. os meios de comunicação com o mundo invisível. lê-se a síntese de seu conteúdo: “A explicação das máximas morais do Cristo em concordância com o Espiritismo e suas aplicações às diversas circunstâncias da vida.” O seu estudo se desdobra em 28 capítulos de rara beleza e de profunda sabedoria. Liberdade e Justiça. os milagres e as predições . Emmanuel. as dificuldades e os tropeços que se podem encontrar na prática do Espiritismo. na realidade. Igualdade. ainda hoje. subdividida em dez Leis Morais que regem as relações humanas: Adoração. pois Kardec vai examinar a Lei Natural. por ordem cronológica de edição: 1. Trabalho. O LIVRO DOS MÉDIUNS O segundo livro. é de leitura obrigatória a todos aqueles que trabalham na área mediúnica. Sociedade. apresenta o subtítulo: “Guia dos Médiuns e dos Evocadores” e resume o seu conteúdo assim: “Ensino especial dos Espíritos sobre a teoria de todos os gêneros de manifestações. posteriormente. Em sua folha de rosto.1865 5. Conservação. A terceira parte tem um caráter eminentemente moral. Destruição. serão desenvolvidos nos outros livros. o Codificador apresenta os princípios basilares da Doutrina que. e no ano de 1890. Na última parte. sem Allan Kardec. através do qual informações outras. de autores recentes. por ordem cronológica de lançamento. pois Kardec se propõe a examinar cuidadosamente as diversas palavras do Cristo e as passagens mais significativas do Novo Testamento. e. no seu aspecto moral. P. a encarnação. o alicerce insuperável. examinando a grandiosidade das obras básicas do Codificador assevera: “Após dezenove séculos de teologia arbitrária. O Evangelho Segundo o Espiritismo . 7 Espíritos sábios e bons.” As obras básicas da Codificação são as seguintes. o desenvolvimento da mediunidade. vão sendo paulatinamente assimiladas. O Livro dos Médiuns . O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO Com esta obra. a desencarnação. no seu início.abril de 1864 4. Deus. na essência.

por que Kardec pode ser chamado de codificador da doutrina espirita? Conheciam Allan Kardec antes destas aulas? Bibliografia: •Zêus Wantuil . tem por fim o estudo de três pontos que foram até hoje. GÊNESE. diversamente interpretados e comentados: A Gênese. Allan Kardec publicou seu último grande livro. escreveu: “A nova obra constitui mais um passo à frente. Cabia-lhe interpretar o Antigo e o Novo Testamento segundo a ciência espírita. os Milagres de Jesus e as predições encontradas nos Evangelhos. OS MILAGRES E AS PREDIÇÕES SEGUNDO O ESPIRITISMO.. 8 CÉU E O INFERNO Este quarto livro tem como subtítulo “A Justiça Divina segundo o Espiritismo. Inferno. e a Lei de Ação e Reação mostrando as inúmeras nuanças que cercam este princípio universal. Nas primeiras linhas da introdução.” Depois do que lemos.Grandes espíritas do Brasil. apresenta o Codificador mensagens de Espíritos desencarnados que se comunicaram na Sociedade Espírita de Paris. Na segunda parte. •Zêus Wantuil e Francisco Thiesen . Um ano antes de sua morte.” Na primeira parte: Céu.Allan Kardec. •Allan Kardec -Obras póstumas . nas consequências e nas aplicações do Espiritismo. Anjos e Demônios.

admirado. se não tivesse uma base? É ainda uma consequência do princípio — não há efeito sem causa. pois. 9 CAPITULO II EXISTÊNCIA DE DEUS A necessidade da crença em Deus está. causa primária de todas as coisas. uma realidade comprovada não só pela revelação (dos Espíritos Superiores) como pela evidência material dos fatos. surpreendido. Foi por este motivo que Kardec perguntou aos Espíritos Superiores: .Grande senhor. se foi um carneiro. como reconhece quem a escreveu? . conheço a existência de Nosso Pai Celeste pelos sinais dele. e decorre do axioma de que não há efeito sem causa.Como assim? — indagou o chefe. creem instintivamente na existência de um poder sobre- humano. um cavalo ou um boi? .“Que dedução se pode tirar do sentimento instintivo. alojada na mente humana.Quando ouve passos de animais. não podem ser dos homens! Nesse momento.Pela letra. mostrando-lhe o céu onde a lua brilhava. depois. O empregado sorriu e acrescentou: . o velho crente convidou-o para fora da barraca e.Quando o senhor recebe uma carta de pessoa ausente. ao redor da tenda.Quando o senhor recebe uma joia. Os povos selvagens nenhuma revelação tiveram. O servo humilde explicou-se: . cercada por multidões de estrelas. o orgulhoso caravaneiro. como dizem os Espíritos.Por que oras com tanta fé? Como sabes que Deus existe. como é que se informa quanto ao autor dela? . entretanto. exclamou. . lá em cima. aqueles sinais. de olhos lacrimosos. cada noite. instintivamente.Pelos rastros — respondeu o chefe. ATIVIDADE: ENCONTRAR AS EVIDÊNCIAS DA EXISTÊNCIA DE DEUS APONTADAS PELA DOUTRINA. certa vez. NO TEXTO A SEGUIR: PROVAS DA EXISTÊNCIA DE DEUS Conta-se que um velho árabe analfabeto orava com tanto fervor e com tanto carinho. Então. . Deus não se mostra.Pela marca do ourives. que. o rico chefe de grande caravana chamou-o à sua presença e lhe perguntou: . ajoelhou-se na areia e começou a orar também. que todos os homens trazem em si. donde lhes viria esse sentimento. pode ser encontrada num axioma que aplicais às vossas ciências. quando nem ao menos sabes ler? O crente fiel respondeu: . respeitoso: .” Deus é a inteligência suprema. .Senhor. Não há efeito sem causa. da existência de Deus?” A resposta foi a seguinte: . pois. Procurai a causa de tudo o que não é obra do homem e a vossa razão responderá.“A de que Deus existe. PROVAS DA EXISTÊNCIA DE DEUS A prova da existência de Deus. A existência de Deus é. como sabe. mas se revela pelas suas obras.

soberanamente justo e bom. o Cristo nos esclarece que todos somos irmãos. chamou-lhe simplesmente “Nosso Pai”. Ele está em toda parte.. A vida só será realmente bela e gloriosa. Na condição de aprendizes do nosso Divino Mestre. que nos aguarda sempre. algo haveria mais poderoso ou tão poderoso quanto ele. a tudo preside. por simples dedução lógica se chega a determinar os atributos que o caracterizam. quando pudermos aceitar por nossa grande família a Humanidade inteira. é que seria o verdadeiro Deus. como nas maiores. devemos seguir-lhe o exemplo. revelando-O Pai amoroso e justo. sim. todos somos irmãos. eterno. 10 ATRIBUTOS DA DIVINDADE •Deus é eterno. Por este ensinamento. que então não teria feito todas as coisas. Quer isto dizer que a sua natureza difere de tudo o que chamamos matéria. é nosso Pai. não haveria unidade de vistas. teria saído do nada. a inteligência suprema e soberana. Se tivesse tido princípio. senão sob a condição de que nenhum outro o ultrapasse. acima de tudo. . na Terra. porquanto o ser que o excedesse no que quer que fosse. porque é único. Ele o é. indispensável se torna que ele seja infinito em tudo. • É único. Se sentirmos Deus como Nosso Pai. Jesus não se sentou na praça pública para explicar a natureza de Deus e. indicando os deveres de amor e reverência com que nos cabe contribuir na extensão e no aperfeiçoamento da Obra Divina. é único. por isso. de braços abertos. onipotente. Jesus igualmente nos explicou que somos no mundo uma só família e que. mais cedo ou mais tarde. ainda que apenas na grossura de um cabelo. então. imutável. • É onipotente. nem unidade de poder na ordenação do Universo. • É imaterial. imaterial. • É imutável. • É soberanamente justo e bom. Se estivesse sujeito a mudanças. ou. É assim que. comprovada pelas suas obras a existência de Deus. as leis que regem o Universo nenhuma estabilidade teriam. reconheceremos que os nossos irmãos se encontram em toda parte e estaremos dispostos a ajudá-los. Se não dispusesse do soberano poder. Com essa afirmativa. Se muitos Deuses houvesse. Criador dos homens. Para que tal não se dê. à espera dos nossos testemunhos de compreensão e de amor. também teria sido criado por um ser anterior. Senhor dos céus e da Terra. com o dever de ajudar-nos uns aos outros. e essa sabedoria não permite se duvide nem da justiça nem da bondade de Deus. mesmo às coisas mais mínimas. O Mestre queria dizer-nos que Deus. Deus não pode ser Deus. todos somos filhos abençoados. a fim de sermos ajudados.. assim nas mais pequeninas coisas. das estrelas e das flores. Para Ele. É nisto que consiste a ação providencial. e não pode ser diverso disso. pois. infinito em todas as perfeições. para a suprema felicidade no eterno bem!. Em resumo. PROVIDÊNCIA DIVINA A providência é a solicitude de Deus para com as suas criaturas. A sabedoria providencial das leis divinas se revela. tudo vê. Deus é. filhos de um só Pai. A IDÉIA DE DEUS ENSINADA POR JESUS A mais elevada concepção de Deus que podemos abrigar no Santuário do Espírito é aquela que Jesus nos apresentou.

•Roteiro . Não vos inquieteis. e a sua justiça. pelo que haveis de comer ou pelo que haveis de beber. não trabalham. se vestiu como qualquer deles. porque o dia de amanhã cuidará de si mesmo. em toda a sua glória. Os nossos pensamentos são como os sons de um sino. que fazem vibrar todas as moléculas do ar ambiente. mais do que a vestimenta? Olhai para as aves do céu. como eles crescem. mas buscai primeiro o Reino de Deus. os nossos pensamentos repercutem nele. Não é a vida mais do que o mantimento. E eu vos digo que nem mesmo Salomão. •Meimei / Chico Xavier .Palavras de Emmanuel. estando de contínuo ao nosso lado. pelo que haveis de vestir. nem ajuntam em celeiros.Emmanuel •Pai Nosso . nem ceifam. À LUZ DOS ENSINAMENTOS DE JESUS SOBRE DEUS. Mas ajuntai tesouros no céu. As nossas preces. . e onde os ladrões minam e roubam. ATIVIDADE: AVALIAR A PARÁBOLA A SEGUIR. onde a traça e a ferrugem tudo consomem. para que Ele as ouça. homens de pequena fé? Não andeis. e vosso Pai celestial as alimenta. e todas essas coisas vos serão acrescentadas. E À LUZ DOS ENSINAMENTOS DA DOUTRINA SOBRE A PROVIDÊNCIA DIVINA Observai os pássaros do céu .A Gênese. nem ser ditas com voz retumbante. pois que. Pois. acrescentar um côvado à sua estatura? E. Não ajunteis tesouros na terra. dizendo: Que comeremos ou que beberemos ou com que nos vestiremos? (Porque todas essas coisas os gentios procuram. vos digo: não andeis cuidadosos quanto à vossa vida. nem roubam. Porque onde estiver o vosso tesouro. Basta a cada dia o seu mal. aí estará também o vosso coração.Mateus.Meimei. nem quanto ao vosso corpo. e o corpo. •Chico Xavier . vosso Pai celestial bem sabe que necessitais de todas essas coisas.Existência de Deus . pelo dia de amanhã. pois. quanto ao vestuário.O Livro dos Espíritos •Allan Kardec .) Decerto. que hoje existe e amanhã é lançada no forno. Não tendes vós muito mais valor do que elas? E qual de vós poderá.Pai Nosso. 6: 19-21 e 25-34. porque andais solícitos? Olhai para os lírios do campo. não vos vestirá muito mais a vós. inquietos. Bibliografia: •Allan Kardec . 11 Para estender a sua solicitude a todas as criaturas. não precisam transpor o espaço. pois. se Deus assim veste a erva do campo. onde nem a traça nem a ferrugem consomem. e onde os ladrões não minam. que não semeiam. com todos os seus cuidados. nem fiam. Por isso. não precisa Deus lançar o olhar do Alto da imensidade.

suas consequências na vida das pessoas. mas complementares: a) Ciência Experimental. origem e destino dos espíritos. bem como de suas relações com o mundo espiritual. bem como as características do ser espiritual. sua natureza e seu destino.” Pode-se observar do pensamento do Codificador. a religião é o ângulo divino que a liga ao céu. principalmente através do intercâmbio mediúnico entre os encarnados e desencarnados.” ESPIRITISMO E CIÊNCIA No aspecto científico. Preocupa-se em estudar a intimidade do fenômeno mediúnico. prescindir da ciência que estuda.” Em outra passagem. 12 CAPITULO III O TRÍPLICE ASPECTO DO ESPIRITISMO No prólogo de O Que é o Espiritismo. o Espiritismo demonstra a existência da alma e sua imortalidade. c) As consequências morais decorrentes das duas anteriores. “Como filosofia compreende todas as consequências morais decorrentes dessas relações. porém. o Codificador acrescenta: “O Espiritismo é ao mesmo tempo ciência experimental e Doutrina Filosófica. ainda na obra citada. em O Consolador diz: “Podemos tomar o Espiritismo. . Allan Kardec define o Espiritismo como sendo: “Uma ciência que trata da natureza.” Como ciência prática. Emmanuel. da filosofia que esclarece e da religião que sublima. O aspecto científico do espiritismo foi desenvolvido em duas obras de Allan Kardec. b) Doutrina Filosófica. o benfeitor acrescenta: “Não será justo em nosso movimento libertador da vida espiritual. A ciência e a filosofia vinculam à Terra essa figura simbólica. tem a sua essência nas relações que se podem estabelecer com os espíritos. sua origem. que o Espiritismo reveste-se de três aspectos distintos. simbolizado como um triângulo de forças espirituais.” Em outra mensagem mediúnica. O Livro dos Médiuns e A Gênese.

dos acontecimentos. sacramentos. considerá-lo em seu aspecto religioso quando estabelece um laço moral entre os homens. conduzindo-os em direção ao Criador. porque a Filosofia estuda sempre. visto que não tem cultos instituídos. a Religião. a Ciência como sendo a verdade. uma religião no sentido etimológico do termo. nasce a filosofia que mostra o que são as coisas e porque são as coisas. Todos os três aspectos são muito importantes. buscando uma identificação com Deus.Allan Kardec • Allan Kardec (Vol. III) .” Como religião. com seu Criador. para a grandeza do seu imenso futuro espiritual. sua condição de ser eterno em busca da Divindade. mas a vida não deve ser sacrificada nunca e a Religião assegura a vida. estabelecendo a renovação definitiva do homem. mecanizadas. ESPIRITISMO E RELIGIÃO Ao ser indagado quanto ao aspecto religião do Espiritismo. os elementos que deverão nortear a conduta do Homem. Religião como atitude de vida.Zêus Wantuil e Francisco Thiesen • O Consolador . seus questionamentos.Allan Kardec • Livro dos Espíritos . O aspecto religioso foi desenvolvido por Kardec nas obras O Evangelho Segundo o Espiritismo e O Céu e o Inferno. cogita. mas a Religião é sempre a mais importante. o Espiritismo preocupa-se com as consequências morais do ensino científico- filosófico. como sendo a vida e a Filosofia como sendo a indagação da criatura humana entre a Verdade e a Vida. elemento de ligação da criatura com o Criador. No entanto. não através de atitudes exteriores. como “religare”. É no seu aspecto religioso que repousa a sua grandeza divina. Mas sim. a Ciência descobre sempre. porém. o médium Francisco Cândido Xavier assim se manifestou (Entrevistas): “Poderíamos figurar. um dia. mas a Vida atua sempre. mas através de uma vida reta. porque a verdade é uma luz que a todos chegará. ou seja. Vai examinar os atributos da Divindade. No aspecto filosófico. não se trata o Espiritismo de uma Religião constituída. buscando. nem imagens. a indagação é um processo do qual todos participamos. dos fatos. através de múltiplas existências físicas. por exemplo. por constituir a restauração do Evangelho de Jesus. nem crendices. estruturada através de rituais. na ética pregada por Jesus.Emmanuel/Chico Xavier • Entrevistas . Bibliografia: • O que é o Espiritismo . quer saber o “como” e o “porquê” das coisas. como modo de proceder. artificiais. digna e fraterna. O Espiritismo não se constitui de uma religião a mais. o Espiritismo vai preocupar-se com os problemas do Homem. interroga.Emmanuel/Chico Xavier . O aspecto filosófico se encontra enfocado no Livro dos Espíritos. Todos esses aspectos são essenciais. nem mitos. nem tão pouco sacerdotes remunerados. suas relações com o Homem e vai apresentar um código de moral através do qual a criatura se identificará. Podemos. tradicional. nem rituais. assegurando a ordem da vida. 13 ESPIRITISMO E FILOSOFIA Quando o Homem pergunta. dogmas e classes sacerdotais. através da vivência dos ensinamentos morais do Cristo. suas dúvidas.

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brilham ainda hoje por alicerce de luz na edificação do Direito. literalmente. um caráter divino. quer por meio da palavra direta. I. e tem. porque eram apropriados ao tempo e ao meio em que viviam. Todas as religiões tiveram seus reveladores. e cujo conhecimento lhe dá Deus através de Seus mensageiros. assevera que três foram as grandes revelações da Lei de Deus: a primeira representada por Moisés. cap. figuradamente. descobrir. quer pela inspiração. em sua feição de Cristianismo redivivo. Neste caso. no qual tinha de combater abusos arraigados e preconceitos adquiridos durante a servidão do Egito. tinham uma razão de ser providencial. havia de espalhar-se por sobre a Terra. significa. Examinando-se os seus atos enérgicos de homem. traz. a revelação insuperável do Amor e o Espiritismo. A segunda foi criada pelo missionário para manter o temor de um povo naturalmente turbulento e indisciplinado. a revelação é sempre feita a homens predispostos. já não é um fato e. se é falso. e a lei civil ou disciplinar. o benfeitor Emmanuel tange ao tema da seguinte forma: “Até agora a Humanidade da era cristã recebeu a grande Revelação em três aspectos essenciais: Moisés trouxe a missão da Justiça. referindo-se a parte divina da Lei Mosaica. É inconcebível que o grande missionário dos judeus e da Humanidade pudesse ouvir o espírito de Deus. Allan Kardec. promulgou a lei do Sinai e lançou as bases da verdadeira fé. Examinando o missionário. Estais.” A LEI MOSAICA Há duas partes distintas na lei mosaica: a lei de Deus. sair sob o véu. a outra é apropriada aos costumes e ao caráter do povo e se modifica com o tempo. porém habilitados a compreender que a Lei. Em O Consolador. mais particularmente. o Evangelho. foi-lhe ditada pelos emissários de Jesus. e estes. embora longe estivessem de conhecer toda a verdade. ao caráter particular dos povos a quem falavam. do latim “revelare”. em face da Humanidade ignorante e materialista. Emmanuel assim se refere: “Moisés trazia consigo as mais elevadas faculdades mediúnicas. A característica essencial de qualquer revelação tem de ser a verdade. apesar de suas características de legislador humano. 15 CAPITULO IV AS TRÊS REVELAÇÕES Revelar. há a considerar as características da época em que se verificou sua grande tarefa. a segunda por Jesus e a terceira e última revelação pelo Espiritismo. a sublime tarefa da Verdade. eram relativamente superiores. purificando- se. Como homem. como profeta. em A Gênese. a revelação se refere.” PRIMEIRA REVELAÇÃO: MOISÉS Moisés. dar a conhecer uma coisa secreta ou desconhecida. e aos quais. Revelar o segredo é tornar conhecido um fato. por consequência. designados sob o nome de profetas ou messias. não existe revelação. estabelecida pelo próprio Moisés. por isso mesmo.” . por sua vez. o grande enviado não poderia dar conta exata de suas preciosas obrigações. dentro da ordem social. Uma é invariável. nem com o auxílio dos sentidos. A primeira é lei de todos os tempos e de todos os países. revelou aos homens a existência de um Deus único e soberano Senhor e orientador de todas as coisas. foi o legislador do povo pelo qual essa primitiva fé. e. diz: “Os Dez Mandamentos recebidos mediunicamente pelo profeta. ou a base da Lei (os Dez Mandamentos). promulgada sobre o Monte Sinai. das coisas espirituais que o homem não pode descobrir por meio da inteligência. Com expressões diversas. No sentido especial da fé religiosa. André Luiz.

nem rituais. acompanhou todo o processo de formação da Terra. e tornou-se. a respeito do Messias. . cheio de mansidão e misericórdia. Nem templos de pedras. conseguidos à custa de inumeráveis encarnações em mundos. por nos faltar maturidade espiritual para tanto. soberanamente bom e justo. a representação do Pai junto ao rebanho de filhos transviados de seu amor e de sua sabedoria. examinando a Revelação Cristã. acrescentou a revelação da vida futura. sabe-se que foi Ele o Enviado de Deus. vingativo. haja vista ter sido Jesus o único Espírito Puro a envolver-se na materialidade da Terra.” No entanto. alcança eminência inimaginável. ciumento. o “modelo e guia para a humanidade”. que perdoa ao vicioso e dá a cada um segundo as suas obras. que “De forma alguma poderíamos fazer um estudo minucioso da psicologia de Jesus. assim como a das penas e recompensas que aguardam o homem depois da morte. de que Moisés não falara. Segundo o benfeitor André Luiz: “Com Jesus. como O apresentava Moisés. mas um Deus clemente. Enfim. como sistema educativo. Mostra Emmanuel que Jesus não pode ser compreendido como um simples filósofo. Diretor angélico do orbe terreno. O Mestre desaferrolha as arcas do conhecimento enobrecido e distribui-lhe os tesouros. tendo- se em conta os valores divinos de sua hierarquia espiritual.” Allan Kardec. foi apresentada por Jesus. na concepção de Kardec. na expressão do Codificador. nem avanço ao poder humano. Esta já não era mais a concepção de um Deus terrível. e vem seguindo. 16 SEGUNDA REVELAÇÃO: JESUS A segunda grande revelação da Lei de Deus. a religião. já não é o Deus que quer ser temido. Esteve encarnado em nosso planeta uma única vez. puramente disciplinar e de concepção humana. Nem hierarquias efêmeras. hoje já inexistentes. tomando da antiga lei o que é eterno e divino e rejeitando o que era transitório. o primórdio da vida no planeta. mas o Deus que quer ser amado.” Acrescenta Kardec que a filosofia cristã estava sedimentada em uma concepção inteiramente nova da Divindade. a todos os espíritos vinculados a este orbe. lembra que “O Cristo. com a mais extremada atenção. QUEM É JESUS? Lembra o Espírito Emmanuel.

o Consolador prometido aos homens por Jesus. Ele chama os homens à observância da lei. Mas tem também uma origem humana. pois sua estrutura doutrinária foi em grande parte ditada por Espíritos Superiores preparados para este mister. Nesse sentido. a quem o mundo não pode receber. o Espiritismo se propõe a revelar tudo aquilo que Jesus não pôde dizer àquela época em função da pouca maturidade espiritual de sua gente.” Da mesma maneira que Jesus não veio destruir a lei mosaica. foi espalhada simultaneamente. cumprir a promessa do Cristo. 17 TERCEIRA REVELAÇÃO: ESPIRITISMO Allan Kardec apresenta o Espiritismo como sendo a Terceira Revelação da Lei de Deus. Ela é coletiva no sentido de não ser feita ou dada como privilégio à pessoa alguma. A terceira tem isto de particular: não estando personificada em um só indivíduo.” ORIGEM HUMANO-ESPIRITUAL Surgindo o Espiritismo numa época de emancipação e madureza espiritual. enriquecê-la. já desenvolvida.26: “Se me amais. para que fique eternamente convosco. e nesse sentido ele é uma revelação. obra do Cristo. Assim sendo. que o preside e o acompanha. a segunda no Cristo. sendo fruto do ensino pessoal ficaram forçosamente localizadas. fazendo compreender o que o Cristo só disse em parábolas. que se tornaram centros ou focos de irradiação. desde a mais baixa até a mais alta da escala. os materiais. por consequência. sem mesmo o invadirem inteiramente. apresentada 15 séculos antes dele por Moisés. nem o conhece. mas completá-la. O Espiritismo vem abrir os olhos e os ouvidos porque ele fala sem figuras e alegorias. trabalhado e burilado por espíritas cultos e dedicados que dão o melhor de si no aperfeiçoamento da obra. porque ele ficará convosco e estará em vós. a terceira não a tem em indivíduo algum. por sobre a Terra. as duas primeiras foram individuais. surgiu simultaneamente em milhares de pontos diferentes. mas se abstêm de revelar o que o homem pode descobrir por si mesmo. de todas as idades e condições. ensina todas as coisas. em torno do qual a ideia se propagou pouco a pouco. no tempo assinalado. o Espírito da Verdade. E eu rogarei ao Pai e Ele vos dará outro Consolador. tem uma dupla origem: espiritual. quer saber o porquê e o como de cada coisa . o Espiritismo apresenta algumas características particulares: ESTRUTURAÇÃO COLETIVA A primeira revelação teve a sua personificação em Moisés. não se resigna a representar papel passivo.Mas o Consolador. Mas vós o conhecereis. porque não o vê. vos ensinará todas as coisas. pode inculcar-se como seu profeta exclusivo. mas foram precisos muitos séculos para que atingissem as extremidades do mundo. a quem o Pai enviará em meu nome. deixando mesmo. portanto. deixando-lhe o cuidado de discutir. verificar e submeter tudo ao cadinho da razão. cabe-lhe. Lembra Kardec: “Que as duas primeiras revelações. O CARÁTER DA REVELAÇÃO ESPÍRITA Do ponto de vista de uma revelação religiosa. a milhões de pessoas. portanto. ninguém. Ele é. desenvolvê-la. que adquira experiência à sua custa. os Espíritos propõem-se a ensinar somente aquilo que é mister para guiar o homem no caminho da verdade. examinando o tema. mas quer ver aonde o conduzem. isto é. muitas vezes. a terceira coletiva. Fornecem-lhe o princípio.tinha ela de ser ao mesmo tempo o produto de um ensino e o fruto do trabalho. guardai os meus mandamentos. apareceram num só ponto. pois foi e continua sendo enriquecido. objetivando a recuperação moral da humanidade. . a ele.” Kardec. aproveitá- los e pô-los em obra. da pesquisa e do livre exame. assim também o Espiritismo não vem derrogar a lei cristã. . aí está um caráter essencial de grande importância. em que a inteligência. em que o homem nada aceita às cegas. O Espiritismo. afirma: “O Espiritismo vem. e vos fará lembrar-se de tudo o que vos tenho dito. conforme anunciado por João-14:15-17.

tem a Doutrina Espírita que se por de acordo com essa lei. ela jamais será ultrapassada. Assimilando todas as ideias reconhecidamente justas. assimilará sempre todas as doutrinas progressivas. desde que hajam assumido o estado de verdades práticas.Emmanuel/Chico Xavier • Evolução em Dois Mundos .” Bibliografia e referências • O Evangelho Segundo o Espiritismo . não pode ser contrária às leis de Deus.Waldo Vieira • Cristianismo e Espiritismo . Se uma verdade nova se revelar. Entendendo com todos os ramos da economia social. Não lhe cabe fechar a porta a nenhum progresso.Emmanuel/Chico Xavier • O Consolador . Kardec.Allan Kardec • Obras Póstumas . emite vários pensamentos notáveis: “Caminhando de par com o progresso. ele a aceitará. sem nunca deixar que a ultrapassem. o Espiritismo jamais será ultrapassado. alia-se à Ciência que. essencialmente progressiva como todas as ciências de observação. não estabelece como princípio absoluto senão o que se acha evidentemente demonstrado. apoiando-se em fatos. ou o que ressalta logicamente da observação. que não seja em nenhum ponto desmentida pela ciência positiva. aos quais dá o apoio das suas próprias descobertas.Allan Kardec • A Caminho da Luz .Leon Denis • Cristianismo: A mensagem esquecida .” “A melhor religião será a que melhor satisfaça à razão e às legítimas aspirações do coração e do espírito. porque se novas descobertas lhe demonstrassem estar em erro acerca de um ponto qualquer. constituindo isso uma das principais garantias de sua perpetuidade.André Luiz/Chico Xavier . físicos ou metafísicos. de qualquer ordem que sejam.Hermínio Miranda . sendo a exposição das leis da natureza com relação à certa ordem de fatos. acompanhe a humanidade em sua marcha progressiva.Allan Kardec • A Gênese . ele se modificaria nesse ponto. de qualquer ordem que sejam. O Espiritismo. que em vez de se imobilizar.” “Se uma nova lei for descoberta. pois. sob pena de se suicidar. tem de ser. autor daquelas leis. 18 CARÁTER PROGRESSIVO Um último caráter da revelação espírita é que. a respeito desse caráter. Por sua substância.

As diversas propriedades da matéria “são modificações que as moléculas elementares sofrem. A matéria tem origem no fluido universal (ou matéria cósmica primitiva) que funciona como elemento de atuação do Espírito. ainda aí. quando muito. Elas podem mover-se umas nas outras. como afirma o Espírito André Luiz: “A matéria congregando milhões de vidas embrionárias. quando dizemos que tudo está em tudo!”. As modalidades da matéria ou da força movimentam-se num ciclo fechado — o ciclo das transformações. como já foi demonstrado. Mas. a trindade universal. O ponto intermediário é o da transformação do fluido em matéria tangível. ou. acima de tudo Deus. 3. atendendo aos imperativos do “eu” que lhe preside à destinação”. 5. Há dois elementos gerais no Universo: espírito e matéria. Deus. que se pode considerar o estado normal primitivo. ele assume dois estados distintos: o de eterização ou imponderabilidade. também chamado princípio inteligente do Universo. 2. não há transição brusca. que designa a individualidade humana. e o Espírito. Daí afirmarem os Espíritos da Codificação: “Isso é o que se deve entender. do calor . A DOUTRINA ESPÍRITA APRESENTA OS SEGUINTES CONCEITOS RELATIVOS À MATÉRIA: 1. Como princípio elementar do Universo. consecutivo ao primeiro. Quanto mais investiga a Natureza. o Criador. propriamente dita. o Pai de todas as coisas. 4. eletricidade. segundo o padrão vibratório em que se exprimam. Os diferentes tipos de matéria têm origem neste elemento primordial: o fluido cósmico universal. que é. outras manifestações da luz. a matéria elementar primitiva. 19 CAPITULO V ELEMENTOS GERAIS DO UNIVERSO: ESPÍRITO E MATÉRIA Ensina o Espiritismo que há dois elementos gerais do Universo: matéria e espírito e. O fluido cósmico universal é. espírito e matéria constituem o princípio de tudo o que existe. afirmação constatada pela Ciência por meio da Teoria de Tudo. na amplitude ou na direção dos movimentos vibratórios. A matéria primitiva (fluido cósmico universal) é passível de sofrer todo tipo de transformação e adquirir todas as diferentes propriedades. apenas delineadas pelos cientistas. substituírem-se alternativamente por mudanças na frequência. e o de materialização ou de ponderabilidade. é também a condensação da energia. mais se convence o homem de que vive num reino de ondas transfiguradas em luz. Importa considerar que o elemento geral espírito — escrito com e minúsculo. em certas circunstâncias”. no entanto. Existem. Por considerar a sobrevivência do Espírito e o mundo espiritual. por efeito da sua união. calor ou matéria. de certo modo. a Doutrina Espírita apresenta algumas informações que ainda não foram cogitadas. da eletricidade. ou elemento intermediário entre a matéria. visto que se podem considerar os nossos fluidos imponderáveis como termo médio entre os dois estados. cujas modificações e transformações constituem a inumerável variedade dos corpos da Natureza. difere de Espírito (palavra escrita com E maiúsculo). dotada de razão. A matéria é um feixe de energia coagulada ou condensada.

Bibliografia: • ESDE I • EADE – LIVRO 5 • O Evangelho Segundo o Espiritismo . Os sistemas antigos envelheceram. as fórmulas acadêmicas se renovarão em outros conceitos da realidade transcendente. Temo-lo o homem. 3.Allan Kardec . em cujo ápice repousa a diretriz divina que governa todos os mundos.. As concepções de ontem deram lugar a novas deduções. PARA PENSAR 1. desconhecidas nas faixas da evolução humana..Allan Kardec • A Gênese .. Estudos recentes da matéria vos fazem conhecer que os seus elementos se dissociam pela análise. é também condensação da energia”? 4.. exatamente. respirando num vastíssimo império de ondas que se comportam como massa ou vice-versa . somente poderemos recolher informações pelas vias do Espírito. Com o tempo. Perante tais considerações. do conhecimento das leis universais.. cada vez mais.. Qual é a origem dos diferentes tipos de matéria existentes na Natureza? Esclareça. Deduza: o pensamento humano pode ser considerado matéria? Justifique a resposta.. que o átomo não é indivisível.. Emmanuel pondera: “As noções modernas da Física aproximam-se. das quais. Qual é a concepção espírita de matéria? 2.. e os físicos da Terra não poderão dispensar Deus nas suas ilações.Allan Kardec • O Livro dos Espíritos . onde a inteligência divina se manifesta”. reintegrando a Natureza na sua posição de campo passivo. a matéria quanto mais estudada mais se revela qual feixe de forças em temporária associação .. por enquanto. esta afirmativa do Espírito André Luiz: “A matéria congregando milhões de vidas embrionárias. 20 e da matéria. *** . que toda expressão material pode ser convertida em força e que toda energia volta ao reservatório do éter universal. por viajante do Cosmo. O que significa.

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necessariamente. O princípio inteligente. como esclarece Kardec: “A natureza íntima do Espírito propriamente dito. é chamado de alma. sabemos muito pouco a respeito. criados por Deus: espírito e matéria. como nós atuamos sobre o ar para obter determinados efeitos. Ainda segundo a Doutrina Espírita. mas alma e Espírito são palavras sinônimas. O Espírito precisa. utilizadas respectivamente apenas para indicar o ser que possui corpo físico (encarnado) e o que não possui (desencarnado). e tão etérea que escapa inteiramente ao alcance dos vossos sentidos. diferem de tudo o que conhecemos sob o nome de matéria. pelo exercício. de viver no plano espiritual. o perispírito. O principal atributo do Espírito é a inteligência. como os corpos são a individualização do princípio material. Quando encarnado. ou das vibrações”. que serve de molde para construção do corpo físico. para atuar sobre a matéria. O QUE É ESPÍRITO SEGUNDO O ESPIRITISMO Para a Doutrina Espírita há dois elementos distintos e gerais do Universo. encarnado ou desencarnado. no qual o Espírito mantém sua personalidade e suas características individuais. É a matéria quintessenciada. nos é inteiramente desconhecida. espécie de veículo sobre o qual ele atua. de matéria. está revestido de uma matéria semimaterial. são sempre temporárias. as reencarnações. O corpo físico e o perispírito são elementos materiais que se submetem à vontade do Espírito. 22 CAPÍTULO VI ESPÍRITO E PERISPÍRITO Os Espíritos são a individualização do princípio inteligente. a interação do Espírito com o corpo físico se dá. passando pelos diversos graus da animalidade. como os corpos são a individualização do princípio material. Assim. Espíritos são a individualização do princípio inteligente. da propulsão. O Espírito. por meio da dilatação. sendo uma criação. como o homem tem o corpo. os “. A época e o modo dessa formação é que são desconhecidos. através do perispírito: “Antes de se unir ao corpo. Os Espíritos são imateriais? Imaterial não é bem o termo. por mais numerosas que sejam. do ser pensante. incorpóreo seria mais exato.. distinto do princípio material. se individualiza e se elabora. pois deves compreender que. porque. serve-lhe também de agente intermediário o fluido universal. a alma é um dos seres inteligentes que povoam o mundo invisível e que revestem temporariamente um envoltório carnal para se purificarem e se esclarecerem”. pela sua essência.. da compressão. o Espírito há de ser alguma coisa. Dizemos que os Espíritos são imateriais. O estado natural do Espírito é de ser livre. Tem por instrumento direto de sua ação o perispírito. A época e o modo por que essa formação se operou é que são desconhecidos. suas primeiras faculdades. . É aí que a alma se ensaia para a vida e desenvolve. pois. a não ser por um intermediário material.” Quanto à natureza do Espírito. Depois. Ele se nos revela pelos seus atos e esses atos não podem impressionar os nossos sentidos. Para os orientadores da Codificação. isto é. mas sem analogia para vós outros.

a que damos o nome de perispírito. Esse envoltório semimaterial. os Espíritos são apenas as almas dos homens. é o princípio da vida material e orgânica. não um lugar determinado e circunscrito. Se os Espíritos fossem seres à parte. separada deste. essas almas que povoam o espaço são justamente aquilo a que chamamos Espíritos. pois. Assim. porém revestido do seu corpo perispiritual. seja qual for a sua fonte. No cadáver já não há mais energia vital. uma das modificações do fluido cósmico universal. mas o espaço universal: é todo um mundo invisível. o Espírito tem um segundo. esclarece Kardec: “O Princípio vital. tecidos e células do corpo físico e do perispírito. despojadas do invólucro corpóreo. de um envoltório. afirma a Doutrina Espírita em relação ao Espírito: “A dúvida relativa à existência dos Espíritos tem como causa principal a ignorância acerca da sua verdadeira natureza. há que se admitir também os Espíritos que são simplesmente as almas e nada mais..” CONCEITO DE PERISPÍRITO O vocábulo perispírito (do grego peri = em torno. sem o que seria um ser inerte e de nada nos valeria possuí-la. “Desde que se admite a existência da alma e sua individualidade após a morte. pelo fato de nos ser invisível no seu estado normal. de uma veste. e do latim spiritus = espírito) foi empregado pela primeira vez por Allan Kardec. no meio do qual vivemos. já que pode haver vida com exclusão da faculdade de pensar. mas que. pois é passível de alegria ou sofrimento. vaporoso. que lhes concede vitalidade. que tem a forma humana. O corpo não passa de um acessório do Espírito. não deixa de ter algumas das propriedades da matéria. mas o Espírito sobrevive. que ele deixa quando está usada. e que é comum a todos os seres vivos.” Seja qual for a ideia que se faça dos Espíritos. se admitir que há almas. passando a viver em outra dimensão.. é preciso que se admita. Geralmente. porém não do outro. 23 Os órgãos e todas as estruturas biológicas do corpo físico e do perispírito são “animados” pelo fluido vital. semimaterial. são figurados como seres à parte na Criação e cuja necessidade não está demonstrada.” Os Espíritos vivem no plano espiritual: .. constitui para o Espírito um corpo fluídico. órgãos. a crença neles necessariamente se baseia na existência de um princípio inteligente fora da matéria. ter- se-á que admitir igualmente que os Espíritos estão por toda parte. Por ocasião da morte. 2º) que goza da consciência de si mesma. visto que.” O princípio vital é coisa distinta e independente. Assim. deixa de ter as propriedades peculiares ao corpo. no mundo espiritual. desde as plantas até o homem. é o ser que pensa e sobrevive à morte. na Introdução VI e na questão 93 de O Livro dos Espíritos: .” “O Espírito.. CONCLUSÃO Em síntese. que nos cerca e nos acotovela incessantemente. também: 1º) que a sua natureza é diferente da do corpo. despoja-se deste. Se. Se se admitir que as almas estão por toda parte. porém. fato que caracteriza o fenômeno da morte. que o liga ao primeiro. A Doutrina Espírita não confunde Espírito com a energia vital que faz funcionar os sistemas.” Ora. sua existência seria mais hipotética. Além desse envoltório material.

A morte é a destruição do envoltório mais grosseiro [corpo]. com as aquisições da mente que o maneja. de conformidade com o seu peso específico. o perispírito ou psicossoma se constitui de variados fluidos que se agregam. se pode chamar perispírito. de acordo com o padrão vibratório do campo interno. tanto quanto ele próprio. b) O laço ou perispírito que une ao corpo o Espírito é uma espécie de envoltório semimaterial. materialização e fotografia de Espíritos). acentuar que o poder apenas existe onde prevaleçam a agilidade e a habilitação que só a experiência consegue conferir. TEXTOS PARA CONCEITUAÇÃO DE PERÍSPIRITO 1. O Espírito conserva o segundo. Franco 2. imprescindível à encarnação e à reencarnação. é o corpo físico que o reflete. Nas mentes primitivas. é tanto mais denso ou sutil. o corpo espiritual. é o corpo espiritual o veículo físico por excelência. demorando-se na região que lhe é própria. que constitui para ele um corpo etéreo. 3º) o laço que une a alma ao corpo. É necessário. e pelos de emancipação da alma. com sua estrutura eletromagnética. corpo organizado que. 2º) a alma ou ser imaterial. verificam-se na base da conduta espiritual da criatura. Todas as alterações que apresenta. na realidade. essencial do complexo humano. apresentamos considerações sobre as seguintes . alterando-se. invisível para nós no estado normal. mas o assunto está longe de ser esgotado. Organismo delicado. porém. irradiando-se como energia específica ou aura. de alguma sorte. “O perispírito é. retrata em si o corpo mental [envoltório sutil da mente] que lhe preside a formação. antes de tudo. porque. modifica-se sob o comando do pensamento.. depois do estágio berço-túmulo.. verdadeira continuação do corpo físico. Revestimento temporário. A existência do perispírito pode ser facilmente comprovada pelos fenômenos mediúnicos (por exemplo. 24 a) Há no homem três coisas: 1º) o corpo ou ser material análogo aos animais e animado pelo mesmo princípio vital.” Joanna de Angelis / Divaldo P. Também considerado corpo astral. Do ponto de vista da constituição e função em que se caracteriza na esfera imediata ao trabalho do homem. exterioriza-se através e além do envoltório carnal. subsiste. Espírito encarnado no corpo.” André Luiz / Chico Xavier e Waldo Vieira PROPRIEDADES DO PERISPÍRITO Sabemos da existência de diferentes propriedades do perispírito. ainda.. Considerado parte “. princípio intermediário entre a matéria e o Espírito. após a morte. c) Assim como o gérmen de um fruto é envolvido pelo perisperma (polpa). quanto evoluído seja o Espírito que dele se utiliza. que ele não é reflexo do corpo físico. semelhante vestidura se caracteriza pela feição pastosa. por comparação.. é preciso considerar. algo modificado no que tange aos fenômenos genésicos e nutritivos. representando o molde fundamental da existência para o homem.” Emmanuel / Chico Xavier 3. o corpo espiritual. porém. gerando uma matéria hiperfísica. “Para definirmos. com extremo poder plástico. o Espírito propriamente dito é revestido por um envoltório que. é aparelhagem de matéria rarefeita. de acordo. decorrentes da energia universal primitiva de que se compõe cada Orbe.. além do sepulcro. ainda animalizado ou enfermiço. ignorantes e ociosas. Como ilustração. Formado por substâncias químicas que transcendem a série estequiogenética conhecida até agora pela ciência terrena. que se transforma em mediador plástico entre o Espírito e o corpo físico.

desenvolvida entre alguns encarnados — como acontecia com Eurípedes Barsanulfo e com Antônio de Pádua — fato que sugere a quem desconhece o fenômeno. mas pode expandir-se muito. o perispírito é indivisível. o perispírito recebe as impressões externas. mais brilho emite. Os mais adiantados emitem um foco de luz irradiante e clara. No Espírito desencarnado as sensações e percepções são gerais. ampliando a capacidade de visão e as percepções do Espírito. sendo que esse poder plástico é mais amplo nos Espíritos superiores. nos casos de materialização (ou tangibilidade perispiritual) qualquer pessoa situada no plano físico pode enxergá-lo. . Quanto menos evoluído é o Espírito. Plasticidade: como o nome indica. a impressão de que a pessoa se divide em duas. relacionado ao grau de evolução do Espírito. já que é vista em lugares diferentes. apesar de saber-se que entidades espirituais menos evoluídas podem apresentar graves modificações no seu perispírito. comumente. Densidade: sendo o perispírito matéria. tem massa (peso) e ocupa lugar no espaço. transitoriamente. Este. como nos casos obsessivos de zoantropia (fenômeno que ocorre quando o perispírito se transmuta e toma a forma de um animal) e ovoidização (quando um espírito desencarnado. assume a forma ovalar). 25 propriedades: plasticidade. após vários processos de degeneração do perispírito. Tal fato explica porque muitos Espíritos não percebem que se encontram desencarnados. usualmente. Já os médiuns videntes veem Espíritos. igualmente. penetrabilidade. por sua vez.) ou de efeitos intelectuais. Daí serem intensos todos os tipos de sensações e de percepções nos desencarnados. invisível ao encarnado. Há também obsessores que adquirem. a ponto de ser confundido com o corpo físico. pela transmissão do pensamento à mente do encarnado. captadas pelos órgãos dos sentidos. Penetrabilidade: indica que o perispírito dos Espíritos de mediana e superior evolução não encontra qualquer obstáculo ao atravessar a matéria presente no plano físico. mas. A expansibilidade explica os fenômenos de bicorporeidade (corpo espiritual ou perispírito que se desloca e materializa- se). pancadas etc. densidade. A fluidez do perispírito revela densidade menor e. Sensibilidade: quando encarnado. ao atuar sobre ela produz efeitos patentes de efeitos físicos (ruídos. com a finalidade de perturbar os obsidiados. visibilidade. O brilho está. Entretanto. fala. muito diferentes das localizadas ou compartimentalizadas do corpo somático. formas demoníacas ou outras figuras míticas. ao contrário. escrita. Expansibilidade: por princípio. quanto menos denso. sensibilidade e expansibilidade. luminosidade. faz o corpo físico emitir uma resposta que “caminha” nos nervos motores. mais pesado é o seu perispírito. resultando em manifestações mediúnicas como visão. tato etc. É moldável. é a capacidade do perispírito de ajustar-se ao comando da mente. Luminosidade: é propriedade intimamente relacionada à densidade. sempre mediada pelo perispírito. captadas em toda a extensão do perispírito. Os processos ideoplásticos (exteriorização de uma força viva que pode plasmar determinadas formas) acontecem em decorrência da plasticidade perispiritual. e que lhes chegam pelos nervos sensitivos do sistema nervoso. segundo as circunstâncias. Visibilidade: o perispírito é.

A caminho da luz. • Joanna de Angelis / Divaldo P. 26 Bibliografia: • EADE . Franco .Roteiro • André Luiz / Chico Xavier e Waldo Vieira .O Livro dos Médiuns • Allan Kardec: O Livro dos Espíritos • Allan Kardec: A Gênese • Emmanuel / Chico Xavier .Livro 5 • ESDE I • Allan Kardec .Evolução em dois mundos .Estudos espíritas. • Emmanuel / Chico Xavier .

Há os que estão sem cessar ao vosso lado. preexistente e sobrevivente a tudo. purgatório). Segundo. a adaptação no plano espiritual é assinalada por importante processo educativo. Os dois mundos. hábitos. enquanto o mundo visível ou corporal é habitado pelos seres materiais. Daí a necessidade. Para alguns indivíduos essa reintegração é rápida e sem maiores obstáculos porque. o perispírito possui os tecidos e órgãos . Condicionamentos. Povoam infinitamente os espaços infinitos. mesmo para os Espíritos que apresentam melhores condições evolutivas. De qualquer forma. urgente. eterno. Com a desencarnação. quando não dolorosos. Nem todos. Contudo. inferno. espiritual e o físico são. sem que o saibais. De qualquer forma. estando o perispírito livre do jugo da matéria pela morte do corpo físico. vão a toda parte.” Outra orientação espírita importante é a que. após a conclusão dos ciclos reencarnatórios. porque reagem incessantemente um sobre o outro. os processos de adaptação se revelam desafiantes. ensina a Doutrina Espírita. de onde viera.” Esclarece igualmente que o plano espiritual é o “dos Espíritos. de se preparar para a morte do corpo físico que. “não obstante. como ensinam algumas orientações religiosas. para os Espíritos que se revelam prisioneiros da vida material e que não se esforçaram para desenvolver faculdades morais ou virtudes. exercem poderoso efeito na mente e nos atos do desencarnado. que “é o mundo normal. de certa forma. a correlação entre ambos é incessante. o Espírito passa a viver associado às mentes que lhes são afins. desde a encarnação anterior. primitivo. de acordo com as aquisições intelectuais e morais do Espírito. já que os Espíritos são uma das forças da Natureza e os instrumentos de que Deus se serve para a execução de seus desígnios providenciais. o Espírito reinicia a fase de reintegração no plano espiritual. sendo que em alguns Espíritos é tão denso que se assemelha ao veículo somático. Primeiro. os Espíritos não estão. Os orientadores da Codificação Espírita afirmam que os Espíritos estão por toda parte. pois há regiões interditas aos menos adiantados. passa a revelar propriedades mais sutis. que possuem um corpo físico. ou das inteligências incorpóreas”. A VIDA NO PLANO ESPIRITUAL É equívoco supor que os desencarnados não possuem sensações e percepções. características outras que marcaram a vivência no plano físico. porque o perispírito é de natureza semimaterial. condenados a viver circunscritos em regiões especificas (céu. a despeito de o plano espiritual ser considerado a moradia de origem dos Espíritos e o local onde viverão definitivamente. porém. cedo ou tarde chegará. 27 CAPITULO VII O MUNDO ESPIRITUAL Após a desencarnação. já se prepararam para o retorno à pátria definitiva. a priori. em outra dimensão da vida conhecida como mundo ou plano espiritual. e também a forma como ocorreu a desencarnação. observando-vos e atuando sobre vós. independentes.

conhecida como alimentação psíquica. hauridas no reservatório da Natureza e no intercâmbio de raios vitalizantes e reconstituintes do amor com que os seres se sustentam entre si. De acordo com o Espírito André Luiz. Entretanto. “mesmo os de classe inferior. sobre as mentes que magneticamente subjugam. por se encontrar o Espírito em outra dimensão da matéria. o corpo espiritual. em razão da menor densidade dos elementos químicos que entram na constituição dos alimentos. treinadas na ciência da reflexão. notadamente no que se reporta ao sexo. de vez que. recebendo-a em porções adequadas. seja com a despesa mínima de suprimento verbal. conseguem plasmar. mas sem maiores inovações na constituição geral”. André Luiz esclarece que os desencarnados que apresentam dificuldades na mudança de hábitos nutritivos “são conduzidos pelos agentes da Bondade Divina aos centros de reeducação do Plano Espiritual. mantendo-se a criatura com os distintivos psicossomáticos de homem ou de mulher”. pelo processo digestivo. porquanto. onde encontram alimentação semelhante à da Terra. é muito mais importante que o nutricionista do mundo possa imaginar. com a ampliação das faculdades. quadros vivos que lhes confirmem a mensagem ou o ensinamento. por ela. seja em silêncio. se origina a ideal euforia orgânica e mental da personalidade. nos quais os desencarnados. a alimentação passa a ser mais fluídica. porém fluídica. nutre-se de produtos sutilizados ou sínteses quimo eletro magnéticas. a comunicação telepática torna-se mais eficiente. Em geral. a desencarnação produz algumas modificações. O homem encarnado está acostumado à ingestão sistemática de alimentos que lhe garantem a nutrição. conseguem formar telas aflitivas em circuitos mentais fechados e obsessivos. em planos de grande sublimação. por intermédio das projeções magnéticas trocadas entre aqueles que se amam. sustentando consigo mais elevados recursos de riqueza interior. os Espíritos se comunicam pela fala. As mais marcantes estão relacionadas às “alterações da massa muscular e no sistema digestivo. com as próprias ideias. caso contrário este não poderia ser elaborado na reencarnação. pela difusão cutânea. não é incomum a ocorrência de excessos alimentares entre nós. até que se adaptem aos sistemas de sustentação da Esfera Superior”. A alimentação parece ser um dos pontos mais desafiantes que o desencarnado vai enfrentar no além-túmulo. mais ou menos significativas. 28 que existiam no corpo físico. A forma ou expressão fisionômica “em si obedece ao reflexo mental predominante. mas. Esclarece também que a absorção nutritiva pode ocorrer por difusão cutânea no perispírito. . Mas há outras formas de comunicação: Círculos espirituais existem. em livres circuitos mentais de arte e beleza. porém. Essa alimentação psíquica. pela cultura e pela grandeza moral. tanto quanto muitas Inteligências infelizes. Com a desencarnação. guardam a faculdade de exteriorizar os fluidos plasticizantes que lhes são peculiares”. como é usual no plano físico. As vestimentas e acessórios utilizados são plasmados mentalmente pelos próprios Espíritos. através de sua extrema porosidade. comum dos Espíritos mais elevados: a tomada de substância é tanto menor e tanto mais leve quanto maior se evidencie o enobrecimento da alma.

“Não há. Mas . algumas dúvidas. que o próprio Espírito nem sempre compreende bem. pelo desejo de fazerem o bem. tal como cresce em vós. porém. Diz-se do espírito “que aspira novo destino. produzindo ações reflexas e somatizações penosas: O corpo é o instrumento da dor. o que não é fixo. as almas desencarnadas conservam as características que lhes eram mais agradáveis nas atividades da existência material”. ele não é mais considerado errante. significa. pois não precisa reencarnar. então. ele é considerado “errante”. às vezes. Assim. Liberto do corpo. pois. pelo de fazerem o mal. Os espíritos desencarnados se evitam ou se aproximam. nem se queimar. Indica. A duração da erraticidade é extremamente variável. o espírito encontra sempre oportunidade de recomeçar uma existência que sirva à purificação das suas existências anteriores. mas não pode ter ação física. Também não sofre mais no inverno do que no verão. mas que nunca é perpetuo. em razão das próprias condições evolutivas. que quanto mais imperfeito é o espírito mais vezes ele retorna à vida corporal. Importa considerar errante. Os da mesma categoria se reúnem por uma espécie de afinidade e formam grupos ou famílias de Espíritos. mas esse sofrimento não é corporal. De fato. podendo causar. como o remorso. razão porque. um limite extremo estabelecido para o estado errante. pela vergonha de suas faltas e pela necessidade de se acharem entre seres semelhantes a eles. a fim de desenvolver novos aprendizados e experiências. A alma tem a percepção da dor: essa percepção é o efeito. Enquanto o Espírito não completa o ciclo de reencarnações que lhe está destinado em determinado Planeta. nem o calor são capazes de desorganizar os tecidos da alma. a causa imediata. a dor que sentem não é uma dor física. ORGANIZAÇÃO SOCIAL DOS DESENCARNADOS As relações de simpatia representam a base da organização social no além-túmulo. sendo mais ou menos prolongada conforme o nível evolutivo de cada espírito. os Espíritos não tem acesso livre às diferentes regiões do plano espiritual: “os bons vão a toda parte e assim deve ser. no período existente entre uma encarnação e outra. do francês errant. unidos pelos laços da simpatia e pelos fins a que visam: os bons. pelo menos. decorrente de sua necessidade de progresso.” Vemos. a não ser que queira. Logo. já que ele se queixa de frio e calor. a alma não pode congelar-se. Nesta situação. propriamente falando. para que possam exercer influência sobre os maus. propriamente dita: é um vago sentimento íntimo. o Espírito pode viver em diferentes locais. segundo a analogia ou a antipatia de seus sentimentos. visto que chegou à perfeição. “A simpatia que atrai um espírito para outro resulta da perfeita concordância de seus pendores e instintos”. 29 A desarmonia espiritual pode provocar fortes impressões no mundo íntimo do desencarnado. nas “esferas mais próximas do planeta. Assim. Importa considerar que. os maus. que a desencarnação não opera mudanças bruscas. neste contexto. A lembrança que dela conserva pode ser muito penosa. A palavra “errante” — utilizada por Kardec designa a situação do Espírito que ainda precisa reencarnar. do qual o vosso é pálido reflexo. É todo um mundo. que espera. o que vagueia. Cedo ou tarde. nem o frio. sobretudo as de ordem moral. Sabe-se. embora não seja exclusivamente moral. um estado transitório.” O estado de erraticidade cessa quando o espírito atinge o grau de perfeição moral. Se não é a causa primeira desta é. o Espírito pode sofrer. e se encontra no estado de “erraticidade”. tornando-se espírito puro. informa Emmanuel. que pode prolongar-se por muito tempo.

que lhes deformam as feições. aos núcleos terrenos”. como região destinada a esgotamento de resíduos mentais. uma espécie de zona purgatorial. os Espíritos superiores amparam os que se debatem nos sofrimentos e. menosprezando o sublime ensejo de uma existência terrena”. Os habitantes do Umbral mantêm-se fortemente vinculados aos encarnados. psicografia de Francisco Cândido Xavier. estacionando no fundo do abismo por tempo indeterminado”. maravilhosas esferas que se interpenetram”. há núcleos populacionais de maior e menor elevação espiritual. temos o espaço das nações. em favor de si mesmas e a benefício dos outros. abaixo desta. O Umbral é região de profundo interesse para quem esteja na Terra. personificando figuras diabólicas e assediando. que não são suficientemente perversas para serem conduzidas a colônias de reparação mais dolorosa. com as suas comunidades. operando com caridade e discrição para que as ideias renovadoras se expandam sem dilaceração e sem choque. pois apresentam expressões desagradáveis estampadas em suas fisionomias. acompanham-nos de perto. na esfera seguinte à condição humana [plano físico]. as obras edificantes dos mensageiros do Pai”. aí. . despenhadeiros. A partir da superfície terrestre localiza-se o Umbral. nem bastante nobres para serem enviadas a planos de elevação. idiomas. São Espíritos que preferindo “caminhar às escuras. uma vasta e heterogênea região. imiscuindo-se nas suas vidas e atividades: “O Umbral funciona. Para se ter uma ideia mais ampla a respeito da sociedade no plano espiritual. encontramos comunidades sociais localizadas muito próximas à crosta terrestre. com estilos variados como acontece aos burgos terrestres. Nestas esferas aglutinam-se verdadeiras cidades e vilarejos. opina André Luiz. abismos ou de trevas. experiências e inclinações. genericamente denominadas regiões abismais. característicos da metrópole ou do campo. gargantas. Concentra-se. vales. A aparência desses Espíritos causa consternação e medo. inclusive organizações religiosas típicas. Uma das informações mais interessantes é a de que a sociedade espiritual está organizada em níveis evolutivos. costumam cair em precipícios. transmitidos pelo Espírito André Luiz. à semelhança de “mundos sutis. é importante fazer leitura dos treze livros que compõem a coleção A vida no mundo espiritual. Existem locais de purgação e de grande sofrimento. edificando largos empreendimentos de educação e progresso. portanto. pela preocupação egoística que os absorve. nas depressões. dentro dos mundos grosseiros. junto das quais funcionam missionários da libertação mental. onde se queima a prestações o material deteriorado das ilusões que a criatura adquiriu por atacado. a fim de não as perturbarem com suas paixões inferiores”. e publicados pela editora FEB. tudo o que não tem finalidade para a vida superior. Assim. Mas em todas essas regiões. Informa André Luiz que cerca de dois terços da população existente no plano espiritual permanecem ligados. Muitos se assemelham a “perigosos gênios da sombra e do mal. “Chamamos Trevas às regiões mais inferiores que conhecemos”. indistintamente. 30 as regiões habitadas pelos bons são interditadas aos espíritos imperfeitos. cavernas e seus arredores. Como as organizações sociais refletem o nível evolutivo dos seus habitantes. “desse ou daquele modo. Há legiões compactas de almas irresolutas e ignorantes.

de André Luiz. de acordo com a necessidade ou interesse dos seus dirigentes. sem que lhe seja possível.Obreiros da vida eterna. É zona de verdugos e vítimas. As esferas ou regiões espirituais ainda permanecem invisíveis à maioria dos encarnados. Acima do Umbral. O habitante das esferas superiores vive “muito acima de nossas noções de forma. de evolução mediana. A zona inferior a que nos referimos é qual a casa onde não há pão: todos gritam e ninguém tem razão. separados deles apenas por leis vibratórias.Nosso lar • Chico Xavier . por conseguinte. de transição para os planos superiores. os revoltados de toda espécie. localizam-se as Comunidades Superiores. de exploradores e explorados. igualmente. Exprimem “diferentes graus de purificação e. encontram-se Cidades ou Colônias de Transição. são mais esclarecidos. Acima das colônias de transição. é que o seu sensório está habilitado somente a certas percepções. • André Luiz / Chico Xavier e Waldo Vieira. “se a criatura humana é incapaz de perceber o plano da vida imaterial. agrupam-se. e específicas. tais localidades representam o próprio Paraíso. comunidade onde o Espírito André Luiz passou a viver. comuns às demais que se lhes assemelham. psicografia de Chico Xavier. Formam. como Nosso Lar.Os mensageiros. ultrapassar a janela estreita dos cinco sentidos”. Bibliografia: • O livro dos espíritos – Allan Kardec. situada em uma região fronteiriça. Evolução em dois mundos • Emmanuel / Chico Xavier . de felicidade”. Espíritos imperfeitos. portanto. a despeito de ambos os planos. o físico e o espiritual. mas os seus habitantes.O consolador • André Luiz / Chico Xavier . que semelhantes lugares se caracterizem por grandes perturbações. através de enviados e missionários de grande poder”. totalmente devotados ao bem e ao progresso humano. 31 Representam fileiras de habitantes do Umbral. capítulo 3 (Sublime visitante). após a sua última encarnação. Outra colônia de transição conhecida é Alvorada Nova. Lá vivem. habitadas por Espíritos muito mais esclarecidos. Não é de estranhar. núcleos invisíveis de notável poder. por lá. • EADE • Livro V • Roteiro 22 • André Luiz / Chico Xavier . por enquanto. pela concentração das tendências e desejos gerais. Já perdeu todo o contato direto com a Crosta Terrestre e só poderia fazer-se sentir. Essas cidades desenvolvem atividades gerais. Nessas comunidades o sofrimento ainda se faz presente. citada no livro Obreiros da vida eterna. citamos a denominada Plano dos Imortais. Para nós. Pelo Espírito André Luiz. Segundo Emmanuel. . companheiros imediatos dos homens encarnados. Como exemplo de colônias superiores. se interpenetrarem. em condições inapreciáveis à nossa atual conceituação da vida.

. NO MUNDO MAIOR 6. ENTRE A TERRA E O CÉU 8. LIBERTAÇÃO 7. crede também em mim. credes em Deus. 32 Frase de Jesus: Não se turbe o vosso coração.. Se assim não fora. NOS DOMÍNIOS DA MEDIUNIDADE 9. E A VIDA CONTINUA.. (João. OBREIROS DA VIDA ETERNA 5. NOSSO LAR 2. EVOLUÇÃO EM DOIS MUNDOS 11. a saber: 1. MISSIONÁRIOS DA LUZ 4. eu vo-lo teria dito. MECANISMOS DA MEDIUNIDADE 12. OS MENSAGEIROS 3. SEXO E DESTINO 13. AÇÃO E REAÇÃO 10. Na casa de meu Pai há muitas moradas. Bíblia de Jerusalém) A Coleção "A Vida no Mundo Espiritual" de André Luiz é composta por 13 livros. 14:1-2.

Manifestamos. Se sentirmos dentro de nós uma atração enorme e alimentamos um desejo de posse. carregado de tendências e erros seculares. no nosso relacionamento com familiares. pelos nossos testemunhos. de conhecimento da nossa intimidade espiritual. tormentos. na maioria das vezes. desrespeitando os direitos do próximo. O nosso desejo é mais forte e nada pode obstá-lo. d) Quando fazer a Reforma Íntima? O momento é agora e já. ainda. a) Por que a Reforma Íntima? Porque é o meio de nos libertarmos das imperfeições e de fazermos objetivamente o trabalho de burilamento (aperfeiçoamento) dentro de nós. ignorando suas raízes e origens. discussões. os desejos daqueles que não se subordinam aos nossos caprichos. modelando-nos progressivamente na vivência evangélica. Urge enfileirarmo-nos ao lado dos batalhadores das últimas horas. custe o que custar. violências de parte a parte. É a transformação do homem velho. Provocamos reações. c) Onde fazer a Reforma Íntima? Primeiramente dentro de nós mesmos. interferimos na vontade dos que nos cercam e contrariamos. das reações e manifestações que habitam a intimidade do nosso eu. respondendo aos apelos do Plano Espiritual e integrando-nos na preparação cíclica do Terceiro Milênio. agressões. desajustes. a partir dele. infelicidades. Queremos e isso basta. vivemos todos em função dos impulsos inconscientes que se agitam no nosso mundo interior. nossos desejos mais recônditos. conflitos. colegas de trabalho. sede da alma. O tempo passa e todos os minutos são preciosos para as conquistas que precisamos fazer no nosso íntimo. não nos perguntamos se temos o direito de adquirir ou de concretizar aquela inspiração. dentro e fora de si. Agindo desse modo. O CONHECIMENTO DE SI MESMO De modo geral. As nossas faltas são sempre justificadas por nós mesmos. contrariando ou não a liberdade dos outros. toda a Humanidade ainda tão distante das vivências evangélicas. não há mais o que esperar. Vemos constantemente os erros e defeitos dos que nos rodeiam e somos incapazes de perceber nossos próprios erros. mal-estares. amigos e inimigos e. ansiedade. Sentimos como se fôssemos donos do que queremos. tão ou mais acentuados que os dos estranhos. são os . esta é a maneira habitual de reagirmos internamente. Colocamo-nos sempre como vítimas. nos meios em que colaboramos desinteressadamente com serviços ao próximo. atuante na implantação dos ensinamentos do Divino Mestre. com razões claras ao nosso limitado entendimento. sem controle e sem conhecimento próprio. Esse comportamento é típico nos seres humanos e confirma o desconhecimento de nós mesmos. b) Para que a Reforma Íntima? Para transformar o homem e. em todos os sentidos da nossa existência. 33 CAPITULO VIII O CONHECIMENTO DE SI MESMO A REFORMA ÍNTIMA A reforma íntima é um processo contínuo de autoconhecimento. Somos todos vítimas dos nosso próprios desejos mal conduzidos. cujas transformações se refletirão depois em todos os campos de nossa existência. A grande maioria das criaturas humanas ainda se compraz na manifestação das suas paixões e não encontra motivos para delas abdicar em benefício de alguém. no homem novo. conduzindo-nos de forma compatível com as aspirações que nos levam ao aprimoramento do nosso Espírito.

assim. ou poderá ser provocada pela ação do sofrimento renovador que. até certo ponto. a gabinetes psiquiátricos ou psicoterápicos para tratamentos específicos. nata. O ser humano. defesa. sensibilizando a criatura. reflete um comportamento mais racional e menos impulsivo. a sua conduta. a gula. Dentro dessa maioria. desperta-a para valores novos do Espírito. luxúria. distinguindo-se claramente os impulsos íntimos e optando por disposições que nos levam às mudanças de comportamento. Uns chegam pela compreensão natural. portanto. no esforço de auto aprimoramento. que também é um meio de despertar a nossa compreensão. conservação. a chave do progresso individual”. quase todas materialistas. objetivando nossa transformação dentro do sentido cristão original. olvidando a realidade das nossas existências anteriores. então. isso acorre dentro de uma motivação de comportamento compatível com os padrões de algumas escolas psicológicas. na caridade. compreendemos claramente como hábitos mais evidentes a sensualidade. outros pela dor. numa categoria intermediária. provocando ciúme. suas necessidades já denotam aspirações do sentimento. algum esforço em conquistar virtudes e. Conhecer exclusivamente as causas e as origens de nossos traumas e recalques. de forma espontânea. únicos padrões condizentes com a realidade espiritual nos dois planos da nossa existência. segundo o qual entendemos que a fração eterna e indissolúvel de nosso ser só caminha efetivamente na sua direção evolutiva quando pautando-se nos ensinamentos evangélicos. violência. com predominância das funções animais. Na Doutrina Espírita. Todo esforço individual no sentido de melhorar nesta vida e resistir ao arrebatamento do mal só pode ser realizado conscientemente. os delitos transgressores do ontem. Percebendo o passado longínquo de erros. possivelmente. devido a desequilíbrios emocionais. na solidariedade. de modo lento. preparando um futuro existencial mais suave e edificante. despertar em nós a necessidade de conhecer o nosso íntimo. Estamos todos. igualmente buscamos o conhecimento de nós mesmos. embora dentro de um sentido muito mais amplo. onde os valores ponderáveis são extremamente aqueles obtidos nas conquistas nobilitantes do coração. nas múltiplas existências realizando o nosso progresso individual. isto é. assim. como reprodução. muitas vezes ultrapassam os limites das reações primitivas. Porém. normalizando. ensinado e exemplificado pelo Divino Mestre Jesus. de necessidades mais elementares. Um grande número de indivíduos são levados. ódio. que já iniciou a compreensão de sua natureza espiritual. como Cristianismo Redivivo. a agressividade que. As motivações que nos induzem a desenvolver nossa remodelação de comportamento projetam-se igualmente para o futuro da nossa eternidade espiritual. Desse modo. . Através desses tratamentos vêm a conhecer as origens de seus distúrbios. Esse é o amplo contexto de nossa realidade espiritual. à qual almejamos nos integrar atuantes e produtivos. aprendendo a identificá-los e a controlá-los. portanto. 34 imediatistas. COMO CONHECER-SE A disposição de conhecer-se a si mesmo pode surgir naturalmente como fruto do amadurecimento de cada um. Vamos. É preciso. trabalhamos livremente no presente. Santo Agostinho afirma: “O Conhecimento de si mesmo é. que nos vinculam aos processos reequilibradores e aos reencontros conciliatórios do hoje. numa fase de transição de Espíritos imperfeitos para Espíritos bons e. ora buscamos alimentar o nosso Espírito nas realizações do coração. ora nos comprazemos dos impulsos característicos do primeiro. de nossas distonias emocionais nos quadros da presente existência é limitar os motivos dos nossos conflitos. “conhecer-se a si mesmo” é a condição indispensável para nos levar a assumir deliberadamente o combate à predominância da natureza corpórea. vingança. resultante da própria condição do indivíduo. libertar-se dos defeitos derivados do egoísmo. por disposição própria. elevando- nos na escala que vai do ser criado simples e ignorante até sua completa perfeição moral.

é reformar-se moralmente. não basta ao homem o arrependimento. como eles surgem e nos levam a agir. exemplar se não o foi”. e também “praticando o bem em compensação ao mal praticado. exatamente nos entrechoques com aqueles do nosso convívio. Reabilitar-se exige modificar-se. observando as características de cada classe. nos clubes recreativos. afirmando que “A reparação consiste em fazer o bem àqueles a quem se havia feito o mal”. transformar o comportamento. nos locais públicos. útil se for inútil. alargando os campos da nossa consciência. nosso temperamento. isto é. de agir. nos meios religiosos. no caminho para a regeneração. laborioso se ocioso. em tudo o que compreende os contatos de pessoa a pessoa. no seio familiar. abordar neste trabalho de aplicação prática. no meio social. dirigindo-a rumo ao nosso eu. a maneira de ser. aquilo que é a maneira como respondemos emocionalmente. Múltiplas são as formas pelas quais vamos conhecendo a nós mesmos. caridoso se foi egoísta. buscando identificar o porquê e a causa de tantas reações desconhecidas somos igualmente levados a nos conhecer. Como podemos nos reabilitar dentro dessa visão panorâmica da nossa realidade espiritual. à luz do Espiritismo. frugal se intemperante. o que imprime as nossas ações ao meio em que vivemos. como reagimos aos inúmeros impulsos externos no relacionamento social. Quando não procuramos deliberadamente nos conhecer. nos transportes coletivos. Podemos concluir que a nossa existência é todo um processo contínuo de reformulação de nossos próprios sentimentos e de nossa compreensão dos porquês. tornando-se humilde se tem sido orgulhoso. amável se foi rude. nossas reações. infinitamente ampla. é o que pretendemos. benigno se perverso. nos setores de trabalho. 35 Allan Kardec mostra que. ATIVIDADE: Leitura e análise das Questões 100 a 113 do Livro dos Espíritos. enfim. Bibliografia • Manual Prático do Espírita . começando pelo conhecimento de si mesmo.Ney Prietro Peres • O Livro dos Espíritos – Allan Kardec • O Céu e o Inferno – Allan Kardec . São necessárias a expiação e a reparação.

torna-se a ponte. para designar aquelas pessoas portadoras da faculdade mediúnica.” Examinando a forma de atuação dos Espíritos. Foram muito comuns no passado e tinham a finalidade de chamar a atenção para os fenômenos espíritas. o intermediário entre os Espíritos e os homens. Segundo Kardec: “Todo aquele que sente.” Kardec orienta para que se reserve a expressão “médium” apenas para aquelas pessoas em quem a “faculdade mediúnica se mostre bem caracterizada e se traduz por efeitos patentes. indivíduos capazes de colocarem em contato mais direto os dois planos de vida .” TIPOS DE MÉDIUNS Com relação ao tipo de fenômeno produzido. não constitui. por esse motivo. da palavra ou de outras manifestações materiais. os maus nos convidam ao mal: é para eles um prazer ver-nos sucumbir e cair no seu estado. etc. Kardec vai dizer que as comunicações podem ser ostensivas ou ocultas. num grau qualquer a influência dos Espíritos. ou seja. ao apresentar o resumo da Doutrina Espírita. os médiuns podem ser classificados em vários tipos: a) Médiuns de Efeitos Físicos: são particularmente aptos a produzir fenômenos materiais. . médium. c) Médiuns Escreventes ou Psicógrafos: permitem a comunicação dos Espíritos através da escrita. As comunicações ocultas verificam-se pela influência boa ou má que eles exercem sobre nós. que significa “intermediário” ou “meio”. Com os homens. de certa intensidade. O médium. Agem sobre a matéria e sobre o pensamento e constituem uma das forças da natureza. pelo fato de ser portador de certos recursos orgânicos. como os movimentos de corpos inertes ou ruídos. nos sustentam nas provas da vida e nos ajudam a suportá-las com coragem e resignação. são cada vez menos frequentes. utilizando-se do nosso pensamento. que: “Esta faculdade é inerente ao homem. na maioria das vezes através de médiuns que lhes servem de instrumento. sem o sabermos. mas hoje. o meio. um privilégio exclusivo. portanto. materialização de Espíritos.” Lembra. causa eficiente de uma multidão de fenômenos até agora inexplicados ou mal explicados. as relações dos Espíritos são constantes. 36 CAPITULO IX MEDIUNIDADE / OCUPAÇÃO E MISSÕES DOS ESPÍRITOS Allan Kardec. assevera: “Os Espíritos exercem sobre o mundo uma ação incessante. Os bons Espíritos nos convidam ao bem. b) Médiuns Falantes ou Psicofônicos: permitem a comunicação dos Espíritos através da fala. Por isso mesmo. ainda o Codificador. MEDIUNIDADE Allan Kardec usa a expressão latina “médium”. é. As comunicações ostensivas realizam-se por meio da escrita. d) Médiuns Audientes: ouvem os Espíritos. que não encontram solução racional. raras são as pessoas que dela não possuem alguns rudimentos.o plano dos encarnados e o dos desencarnados.

encontram dificuldades na sua adaptação ao mundo extra físico. A prática mediúnica é um dos recursos utilizados pela Espiritualidade Maior para socorrer e assistir a estes Espíritos. duas grandes descobertas. inconsciência da morte podem ser identificados em muitos desencarnados. OBJETIVOS DA MEDIUNIDADE A comunicabilidade dos Espíritos com os encarnados não é um fato recente. sofrimentos morais diversos. acentuando-lhes as disposições e cooperando com ele em seus esforços ascensionais ou em suas quedas e deslizes. com a única diferença que. incorporando-lhe os tesouros morais e culturais. conforme a espécie das emissões mentais de cada ser. poderão veicular informações importantes relacionadas ao nosso progresso intelecto-moral.” Esta influência pode ser boa ou má. 37 e) Médiuns Videntes: veem os Espíritos. perturbação. o telescópio e o microscópio. Achando-se a mente na estrutura de todas as manifestações mediúnicas. Porque na base do intercâmbio espiritual está a lei de sintonia que diz que cada um será assistido por Espíritos em afinidade com seus sentimentos e suas emoções. Instrução e Orientação aos Homens: Lembra Kardec. por não terem desenvolvido uma consciência de eternidade. mas antiquíssimo. tornou-se fenômeno generalizado a todas as camadas sociais. g) Médiuns de Desdobramento: são capazes de se afastarem de seu corpo físico e desenvolverem atividades espirituais. no passado. Segundo a Doutrina Espírita. estando o Espírito e o encarnado em condições morais equivalentes. h) Médiuns de Cura: são capazes de aliviar ou curar doenças pela prece ou pela imposição das mãos. fugaz ou duradoura e se estabelece através de uma corrente mental. o mundo dos Espíritos. Lembram os autores espíritas que pensar é vibrar. Assim sendo. O primeiro deveria fornecer ao homem informações concernentes ao macrocosmo e ao segundo detalhar. Cabe à mediunidade estudar o Psicocosmo. vivendo no plano dos desencarnados. . os benfeitores da humanidade. c) Contribuir no aprimoramento moral do médium: aprendemos com a Doutrina Espírita que a faculdade mediúnica por si só não basta. É fundamental a compreensão de que esta influenciação só se concretiza através da sintonia mental. Ansiedade. f) Médiuns Intuitivos: captam o pensamento dos Espíritos. era característica dos chamados iniciados e na atualidade. i) Médiuns Psicômetras: são aptos a detectar a vibração existente em objetos e locais. que a mediunidade assume hoje o papel que assumiram. e. b) Socorro aos Espíritos em sofrimento: muitos indivíduos ao desencarnarem. O importante está na conduta moral daquele que é seu portador. medo. as principais finalidades da comunicabilidade dos Espíritos são: a) Esclarecimento. no passado. torna-se imprescindível ao médium enriquecer o pensamento. O Espírito identifica o seu pensamento com o nosso e vai introduzindo em nosso campo mental as suas ideias. através da faculdade mediúnica. elementos similares se lhe imanizarão. sugestões e emoções. o microcosmo. INFLUÊNCIA DOS ESPÍRITOS EM ATOS E PENSAMENTOS A influência dos Espíritos sobre os nossos pensamentos e atos é tão grande que “muito frequentemente são eles que vos dirigem. com o advento do Espiritismo. o mundo infinitamente pequeno. é entrar em relação com o universo espiritual que nos envolve.

para a harmonia do Universo. eles responderam: “Sim. incumbe-lhes executar a vontade de Deus. porque eles só se ligam aos que os solicitam por seus desejos ou os atraem por seus pensamentos. de mente ultrajada. não há grande interesse para vós essa distinção. Além do trabalho de se melhorarem pessoalmente. surgem. não se apercebam disso. uma vez que eles não estão sujeitos à fadiga e. participam das conversações. seja positiva. . odeiam e geram ódios. Para neutralizar a influência dos maus Espíritos. protegem na vida os que se lhes mostram dignos de proteção e neutralizam a influência dos Espíritos imperfeitos. Os Espíritos infelizes. repelis a influência dos Espíritos inferiores e destruís o império que desejam ter sobre vós”. amesquinham os outros. sobre o mesmo assunto e frequentemente bastante contraditórios. Observamos então que os Espíritos só têm o poder que nós lhes damos. Já a ação dos Espíritos superiores é outra. a um só tempo. De resto. seguem com os comensais. Disseram os Espíritos: “Vossa alma é um Espírito que pensa. agindo em massa.” A influência dos Espíritos sobre o homem vai depender também da natureza desses Espíritos. o fará de mais boa vontade.” Com relação à maneira de distinguirmos o nosso pensamento do pensamento estranho. Os Espíritos inferiores e imperfeitos também desempenham função útil. permitem que o fenômeno ocorra. desviam os homens da senda do mal. e é frequentemente útil não o saberdes: o homem age mais livremente. repousam mudando o tipo de tarefa. sua responsabilidade será maior”. Pois bem: nesse conjunto há sempre os vossos e os nossos. sem deixarem de produzir. que muitos pensamentos que povoam a nossa mente não têm origem em nós mesmos. não ignorais que muitos pensamentos vos ocorrem. mas sim em entidades desencarnadas. perambulam no ninho doméstico. e é isso o que vos deixa na incerteza. sob a coordenação de outras entidades mais elevadas. a partir da atuação de Espíritos primitivos que. porque tendes em vós duas ideias que se combatem. amesquinhados em si mesmos. pois só conseguem atuar em nós se nos encontrarem em situação favorável. embora. muitas vezes. OCUPAÇÕES DOS ESPÍRITOS Os Espíritos têm ocupações e missões a desempenhar. contudo. concorrendo. Kardec orienta: “Fazendo o bem e colocando a vossa confiança em Deus. no caso dos bons Espíritos. sofrem e fazem sofrer. Podemos observar pelo exposto. se tomar o mau caminho. Essa ação contínua. misturam-se em nossas atividades comuns. A ocupação dos Espíritos é contínua. segundo Allan Kardec. os que vos ocorrem no primeiro impulso. Os bons Espíritos só aconselham para o bem. ou negativa. 38 Quando Kardec perguntou aos Espíritos se o homem poderia se afastar da influência dos Espíritos que os incitam ao mal. é como uma voz que vos fala. infelicitados. em geral. infelicitam. se decidir pelo bem. muitas vezes. Mostra Kardec que muitos fenômenos da natureza. suscitam bons pensamentos. Os pensamentos próprios são. Perturbam-se e perturbam. as entidades disseram: “Quando um pensamento vos é sugerido. de quem muitas vezes se irmanizam em processos de dependência mútua. como as tempestades e outros. assim. em se referindo às entidades infelizes. nada tem de penosa para os Espíritos Superiores.

São sempre superiores. dando-se as mãos para alcançarem a perfeição. mas que. que tem sob a sua tutela todo um grupo de almas afins. ESPÍRITOS PROTETORES Todos nós temos bons Espíritos vinculados a nós. 39 Os Espíritos devem percorrer todos os diferentes graus da escala evolutiva para se aperfeiçoarem. dentro de um círculo de ideias mais ou menos amplas. Cumprem junto a nós a missão de um pai junto ao filho: a de nos conduzir no caminho do bem e do progresso. Por toda a parte há atividade. Ao lado das grandes missões confiadas aos Espíritos superiores. Os Espíritos se ocupam com as coisas deste mundo de acordo com o grau de evolução em que se achem. dirigi-los. etc. das ciências diversas. Dessa forma. das cidades. desde a base ao ápice da escala. anjo da guarda. Os Espíritos de maior envergadura são incumbidos de auxiliar o progresso da humanidade. os aflitos. desde o nascimento. dando-lhes conselhos ou inspirando-lhes bons pensamentos. Todas as inteligências concorrem. Alguns desempenham missões mais restritas e. como assistir enfermos. de certo modo. qualquer que seja o grau atingido. Kardec utiliza a expressão “Anjo Guardião” quando deseja referir-se a um Espírito protetor de alta envergadura moral. coadjuvando-se. Todavia. dos centros espíritas. Assim. Eles se sentem felizes quando correspondemos a sua solicitude e sofrem quando nos veem sucumbir. aos seus tutelados e estão sempre junto deles nos momentos de necessidade. na maioria das vezes. dos esportes. Pode-se dizer que há tantos gêneros de missões quanto as espécies de interesses a resguardar. estruturados em vivências em comum nas diversas reencarnações. Os superiores só se ocupam do que seja útil ao progresso. Alguns Espíritos protetores especializam-se em determinadas áreas e exercem a sua ação de forma mais efetiva nesses setores. do ponto de vista evolutivo. dos povos e indivíduos. Assim. um outro já passou e outro ainda passará. mentores espirituais. seja no estado de encarnação ou no espiritual. etc. Mas há tempo para tudo. temos Espíritos protetores das artes. As missões mais importantes são confiadas somente àqueles que Deus julga capazes de cumpri-las e incapazes de desfalecimento ou comprometimento. pois. que nos tomaram sob a sua proteção. pessoais ou inteiramente locais. Já os inferiores se sentem ligados às coisas materiais e delas se ocupam. dos bairros. instruindo-se. concedidas a Espíritos de todas as categorias. são almas vinculadas a nós pelos laços afetivos. todos devem habitar em toda parte e adquirir o conhecimento de todas as coisas. Lembra Kardec que seus nomes pouco importam. conservam-se totalmente ociosos. . em mútuo apoio. a experiência e o aprendizado pelos quais o Espírito está passando hoje. há outras de importância relativa em todos os graus. através das provas da vida. velar por aqueles de quem se constituíram guias e protetores. para a obra geral. bom gênio. Existem Espíritos que não se ocupam de coisa alguma. mais ou menos especiais e de velar pela execução de determinadas coisas. Espíritos protetores. Várias denominações existem para estes Espíritos: guias espirituais. esse estado é temporário e cedo ou tarde o desejo de progredir os impulsiona para uma atividade. e cada uma na medida de suas forças.

por mais baixos nos revelemos na escala da evolução. Aquele que já pode ver mais um pouco auxilia a visão daquele que ainda se encontra em luta por desvencilhar-se da própria cegueira. 40 André Luiz examina o tema de forma bem racional. Dos seres mais embrutecidos aos mais sublimados. cujos elos podemos simbolizar nas almas que se querem ou que se afinam umas com as outras. segundo a acepção justa do termo. possuímos. cujos membros estão na Terra e nos céus. Anjo. Em qualquer religião convivem conosco os Espíritos familiares de nossa vida e de nossa luta. seguem-nos a longa estrada evolutiva. alguém que nos ama.” Bibliografia: • O Livro dos Espíritos – Allan Kardec • Entre a Terra e o Céu” (André Luiz / Chico Xavier) . dentro das Leis que nos regem. A família espiritual é uma constelação de inteligências. é mensageiro. desvelam-se por nós. Todos nós. temos a corrente de amor. dentro da infinita gradação do progresso. Apresentamos uma síntese: “Os anjos da sublime vigilância. Há mensageiros de todas as condições e de todas as procedências. Anjo da guarda é uma expressão que define o Espírito celeste que vigia a criatura em nome de Deus. não longe de nós. a impelir-nos para a elevação.

às vezes. uma vez no mundo extra físico. sem necessidade de luz exterior. Vejamos algumas observações de Kardec: Tempo: muitos Espíritos vivem fora do tempo. e têm. mais aprimoradas. pelo fato de se encontrarem profundamente desmaterializados. até mesmo os que os nossos sentidos às vezes não conseguem perceber. em razão de suas qualidades sensitivas muito desenvolvidas. 41 LIÇÃO X PERCEPÇÕES E SENSAÇÕES DOS ESPÍRITOS / SONO E SONHOS AS PERCEPÇÕES Informa Allan Kardec que o Espírito. vinculadas diretamente à Terra. material. (remorso. almas mais purificadas. adquire outras mais sutis e. em função de seu atraso intelecto moral. mas isto. depende também de sua condição evolutiva. Belezas Naturais: os Espíritos são sensíveis a elas. além de manter as percepções que tinha na vida física. e mesmo dores “físicas”. denso. lugares e emoções. segundo as suas aptidões para compreendê-las e as apreciá-las. Sons: os Espíritos percebem os sons. sede. que torturam muito mais que os sofrimentos físicos observam-se nas entidades desencarnadas sensações como frio. como atributo do Espírito se manifesta mais livremente quando não tem entraves”. fome. calor. Os Espíritos atrasados podem sentir certo prazer ao ouvir a nossa música. Deus: os Espíritos superiores o veem e compreendem. Visão: a visão dos Espíritos não é circunscrita como nos seres corpóreos. Muitos Espíritos veem pela luz própria. tal como o compreendemos. em função de seu estado consciencial. Disseram os Benfeitores que: “A inteligência. no entanto. mas é uma faculdade geral. No entanto. ódio) ou das perturbações emocionais (medo. . uma antevisão do futuro a partir da análise do presente. pois já não mais desfruta de um corpo pesado. Será sempre uma antevisão relativa. pois há Espíritos que nada sabem a mais do que quando encarnados. com perfeita compreensão da duração das coisas e do tempo. que os Espíritos relatam a presença de uma série de sensações. podem manter-se orientadas em relações ao nosso horário. Certamente que estas percepções dependerão intimamente do progresso já amealhado pela entidade desencarnada. Conhecimento do passado e do futuro: Os Espíritos superiores conhecem intimamente o seu passado. pois os acontecimentos estão sempre condicionados ao livre-arbítrio das pessoas. Porque o corpo físico é um obstáculo à manifestação da inteligência. os Espíritos inferiores o sentem e adivinham. Os Espíritos inferiores nada sabem a respeito de fatos passados e futuros. AS SENSAÇÕES Mostra-nos a prática espírita. as entidades mais esclarecidas. colocam-se acima das noções habituais do tempo. ansiedade). ou de cristalização em pessoas. Os Espíritos inferiores podem também não compreender a duração como nós. Música: a música tem para os Espíritos encantos infinitos. de um futuro provável. porque não estão ainda capazes de compreender outra mais sublime. cansaço. buscam melodias mais belas e mais suaves. como tudo. Os Espíritos superiores. À margem das angústias morais. muitas vezes.

Há o refazimento das forças físicas. dentro deste assunto. os Espíritos encarnados estão sempre em relação com o mundo dos Espíritos. todos os atos. reintegra-se em suas faculdades perceptivas e ativas. Diz-nos o Codificador. Quando o corpo se entorpece. sutil. entre elas o sono. 42 Sabemos que o perispírito é o agente das sensações externas nas entidades extrafísicas. No corpo. sumamente instrutivas. portadores de doenças físicas. sono natural ou artificialmente provocado pela hipnose. etc. Mas o sono tem uma significação muito mais profunda e consequências muito mais amplas no conjunto integral da vida humana. sonambulismo. As sensações “físicas” são relatadas por almas ainda muito apegadas às coisas da vida física e com uma estrutura perispíritica por demais grosseira. SONO E SONHOS Chama-se emancipação da alma o desprendimento do Espírito encarnado. Isto acontece. com os estigmas das doenças que os infelicitavam. Que é sono? É o estado em que cessam as atividades motoras e sensoriais e o corpo repousa. obtendo respostas. nem se deram conta de seu falecimento. etc. . Allan Kardec formulou aos Espíritos. não sofre influência direta de elementos materiais. Enquanto o corpo repousa. afasta-se do corpo. que estas sensações podem ter uma dupla gênese: lembrança de sofrimentos anteriores ou impressão de algo que na realidade não está ocorrendo. e quando. para casos relatados por André Luiz. pensamentos e todas as palavras vinculadas a ele. estas sensações estão localizadas nos órgãos. Destruído o corpo. Diante da evocação de uma dessas situações pode o Espírito desencarnado voltar a registrar sensações relacionadas a estes fatos. Sendo o corpo espiritual formado de matéria quintessenciada. narcose. ou. no entanto. enquanto na matéria densa. diante de tempestades. retornavam a sentir-se mal. por sua vez. será o perispírito o responsável pelo registro de todas as sensações externas. baleados. perguntas muito interessantes. seja qual for a causa. possibilitando- lhe afastar-se momentaneamente do corpo físico que anima. desprende-se parcialmente e pode entrar em relação com o plano espiritual. a alma se emancipa. temendo que as chuvas possam molhá-los. podem despertar no mundo espiritual como se estivessem ainda ardendo em brasas. Esta emancipação da alma é fenômeno que pode ocorrer em várias situações ou circunstâncias da vida humana. este se liberta. ainda. drogas.. vamos verificar que muitos sofrimentos dos Espíritos estão relacionados às recordações de situações que muito os traumatizaram enquanto vivos: homens que morreram queimados. se protegem nas marquises e nas lojas.. que diante da simples recordação de entes queridos que deixaram na Terra. como chuva. Graças ao sono. porque o Espírito armazena em sua estrutura psíquica inconsciente. André Luiz mostra dois personagens. de Espíritos que ainda não iniciaram sua evolução. mantendo-se adormecido. não necessitando da presença do Espírito para comunicar-lhe atividades físicas ou mentais. muitos Espíritos queixam-se de sensações vinculadas a estas situações. apresentando os mesmos sintomas que os acometiam nos últimos dias de vida. com o peito sangrando. passando a agir à distância do instrumento físico. No primeiro caso. fogo. A mesma explicação pode ser dada.

São muito frequentes. Encontramos nestes livros relatos de sonhos vistos da perspectiva dos Espíritos e poderemos compreender melhor o desprendimento natural durante o sono físico. geralmente. principalmente. a lembrança do que o Espírito viu durante o sono. o Espírito jamais está inativo. . Somente o conhecimento das leis que regem os fenômenos espíritas. perseguições e acontecimentos desagradáveis. “Como podemos julgar a liberdade do Espírito durante o sono?” R: “Pelos sonhos. Durante o sono. já que mesmo dormindo. o que pode dar ao que vemos a aparência do que desejamos ou do que tememos. aspirações comuns e nos ligamos ao que mais nos preocupa ou fascina. Muitas vezes.SONHOS REFLEXIVOS São aqueles em que o desprendimento ou emancipação da alma permite um mergulho mais profundo em nossos registros perispirituais. a determinado fato de nossa vida real que nos leva a vivenciar cenas do passado. Podem ocorrer também. como cenas de um filme. poderão ser induzidos por Espíritos desencarnados superiores ou inferiores. encontrar explicações convincentes. recuperando imagens. conversas. ou ainda. tarefas que desenvolvemos. A leitura das obras de André Luiz poderá nos fornecer muito material na elucidação dos sonhos.SONHOS COMUNS Seriam as lembranças dos quadros que permanecem impressos em nossas próprias mentes. ideias fixas. Essas lembranças são. estudos que participamos. André Luiz diz que quanto mais inferiorizado o homem. ficamos presos ao corpo pelas preocupações materiais.SONHOS ESPÍRITAS São lembranças de nossa vivência real no mundo dos Espíritos. Misturamos cenas vistas durante a vigília às preocupações de nossa vida diária. Estas imagens são coerentes e se apresentam mais nítidas. o estudo do perispírito e suas propriedades. portanto. tem o Espírito mais liberdade do que no estado de vigília”. ele se lança pelo espaço e entra em relação mais direta com os outros Espíritos”. cenas de vidas passadas. Nem todos os sonhos dão ideia de libertação da alma. a alma repousa como o corpo?” R: “Não. sempre em função de nossa sintonia espiritual. Os sonhos reflexivos podem ser consequentes. CLASSIFICAÇÃO DOS SONHOS Martins Peralva propõe a classificação dos sonhos em: . nossas experiências durante a emancipação da alma. afrouxam-se os laços que o prendem ao corpo e. . Estão relacionados com o nosso cotidiano. etc. 43 “Durante o sono. Mesmo as imagens que resultam da nossa vivência real no mundo dos Espíritos não são lembranças fiéis. São recordações de encontros. não precisando este então da sua presença. fragmentárias e tê-las mais nitidamente depende do grau de desenvolvimento das nossas percepções psíquicas. contudo. sem. . irão aclarar estas informações. mais dificuldade terá na emancipação espiritual durante o sono físico. algumas vezes. Sonho é. dada à nossa condição espiritual. Quando o corpo repousa. Os sonhos são tão diversos e infinitas as suas modalidades que estudos profundos têm sido realizados a respeito pela Ciência oficial. não nos libertamos totalmente das nossas ideias e preocupações do período de vigília.

Ao contrário. o homem se lembra do que sonhou. se as emoções são negativas. pensamentos negativos. um pouco de sua liberdade e se corresponde com os que lhe são caros. fixando os parâmetros de nossa vivência. Contudo.os estímulos são selecionados pelos sentidos. visto que o Espírito está sempre em atividade. Da mesma forma que o sensitivo vai até ao local sugerido pelo hipnotizador. com o nosso grau de evolução. . Recobra. Nos primeiros estágios da evolução. durante o sono. Ele diz: “O sonho é a lembrança do que o vosso Espírito viu durante o sono. vai também até ao local sugerido ou será atraída através do próprio desejo que é o reflexo condicionado. como é pesada e grosseira a matéria que compõe o corpo. 44 Para o homem primitivo. Então. quer deste mundo quer em outros. excepcionalmente. porque a este não chegaram por intermédio dos órgãos corporais”. ocasionalmente. Poderíamos explicar mais detalhadamente assim: No estado de vigília as percepções se fazem com o concurso dos órgãos físicos . só há repouso do corpo. Se ao despertarmos. A maior ou menor emancipação da alma durante o sono está relacionada. Tudo é percebido diretamente pelo Espírito. propensos ao bem. nos vinculamos. mas nada impede que. Allan Kardec indaga: “Por que não nos lembramos sempre dos sonhos?” R: “Em o que chamas sono. A análise dos sonhos pode nos trazer informações valiosas para nosso autoconhecimento. transmitidos pelas vias nervosas ao cérebro. o sono nada mais é que puro e absoluto refazimento físico. em que o grau de densidade perispiritual e a lei de atração dos semelhantes determinarão outras limitações. vícios morais. onde não prevalecem as leis físicas e estaremos sujeitos às leis do mundo espiritual. ou a ações negativas. normalmente nos chegam acompanhadas de emoções e sentimentos. sem chegar. Pelas informações deste autor espiritual. nos sentimos envolvidos por emoções boas. Há sempre um forte conteúdo simbólico em nossas percepções psíquicas que. Isto porque não tendes a vossa alma em todo o seu desenvolvimento. É sempre oportuno lembrar que ao nos desprendermos no sono físico penetramos no mundo espiritual. frequentemente não vos resta mais que a lembrança da perturbação da vossa partida e da vossa volta”. a criatura sob hipnose natural que é o sono. nossos sonhos são agradáveis ações construtivas que nos ligam a Espíritos afins. até ao local que se lhe vincula o pensamento. vivenciamos uma experiência positiva durante o sono físico. deprimentes se nossa sintonia for inferior. aí são gravadas para serem reproduzidas a cada evocação pela memória biológica. certamente. o sonho seria invariável ação reflexa de nosso próprio mundo consciencial e afetivo. Kardec nos chama atenção para a diferença entre sonho comum e sonho com desdobramento da alma. No sono cessam as atividades motoras e sensoriais. devemos nos precaver contra as interpretações pelas imagens ou lembranças esparsas. a situações e Espíritos inferiores de acordo com nossos hábitos. as percepções da alma repercutam no cérebro físico. fora do corpo físico. agradáveis. Mas. contudo. O Espírito liberto age no plano espiritual e sua memória perispiritual registra os fatos que vivencia. mas observai que nem sempre sonhais porque nem sempre vos lembrais daquilo que vistes ou que ouvistes. dificilmente este conserva as impressões que o Espírito receber. segundo os ensinamentos dos Espíritos. ao cérebro físico.

o perdão e altruísmo habituando-nos à oração antes de dormir. jan/1969 .Allan Kardec • Revista Reformador.Dalva Silva Souza • Espiritismo e Psiquismo .André Luiz/Chico Xavier • E a Vida Continua .Yvonne A. Bibliografia • O Livro dos Espíritos .Allan Kardec • Livro dos Espíritos .Martins Peralva • Revista Espírita.André Luiz/Chico Xavier . Pereira • Revista Reformador.André Luiz/Chico Xavier • Estudando a Mediunidade .Allan Kardec • Mecanismos da Mediunidade . jul/1865 . para nos ligarmos a valores positivos e sintonias superiores.Allan Kardec • O Evangelho Segundo o Espiritismo . vivenciando o amor.André Luiz/Chico Xavier • Livro dos Médiuns .Allan Kardec • Entre a Terra e o Céu . 45 Daí a necessidade de adequarmos nossas vidas aos ensinamentos cristãos.Alberto de Sousa Rocha • Os Mensageiros . set/1989 .

Jesus lhes respondeu: É verdade que Elias há de vir e restabelecer todas as coisas. A unicidade das existências é injusta e ilógica. pois os erros cometidos e os males infligidos ao próximo devem ser reparados durante novas existências. passando a conquistar o direito de serem felizes. enquanto muitos outros só tiveram em partilha tolices. Na lei de justiça. facultando-lhes a reabilitação. Fora dessa lei. enfim. semelhantes pela carne e pelo sangue. A consideração de que João Batista era Elias está presente várias vezes no Evangelho. porque não pode explicar as gritantes diferenças de aptidões das criaturas desde sua infância. a hereditariedade. Bom e Caridoso cresce diante do homem. Vemos os membros de uma mesma família. porque grande parte dos erros humanos é resultante da ignorância e. A influência dos meios. independentemente da educação recebida. tudo se esclarece. evoluir e merecer o pleno gozo de uma felicidade duradoura. indagar-se-ia inutilmente porque certos homens possuem talento. pois não atende às sábias leis do progresso espiritual: É injusta. as ideias inatas.13]. porque. não nos é possível o resgate de nossos erros. Mas quando passamos a admitir a ideia de que já vivemos muitas vezes e voltaremos a viver outras tantas. a desproporção das qualidades morais. mas eu vos declaro que Elias já veio e eles não o conheceram e o trataram como lhes aprouve. É preciso que se deem oportunidades ao arrependido para que ele comprove sua sinceridade através das necessárias reparações. Os que defendem a unicidade das existências afirmam que isto se deve ao acaso ou constitui-se um mistério divino. Emmanuel chega a dizer que “a reencarnação é quase o perdão de Deus”.” [Mateus-XVII:10-13] [Marcos-IX:11. a variedade das aptidões. principalmente quando o arrependimento nos sobrevém quase ao findar da existência. não obstante a natureza do meio onde nasceram. educados nos mesmos princípios. seus discípulos então o interrogaram desta forma: Porque dizem os escribas ser preciso que antes volte Elias? . Justo. assim como o bom pai deixa sempre a porta aberta a seus filhos faltosos. todas as desigualdades que ferem a nossa vista. bons ou maus. seus discípulos compreenderam que fora de João Batista que ele falara. os homens possam resgatar seus débitos. as diferenças de educação não bastam para explicar essas anomalias. que ele considerava como as mais importantes: 1ª) “Após a transfiguração. aspirações elevadas. tudo se torna compreensível e Deus. reforçando a ideia de que muitos judeus tinham simpatia pela Teoria Palingenésica . experimentando os mesmos sofrimentos. sentimentos nobres. também Deus . diferençarem-se em muitos pontos. personagens célebres têm descendido de pais obscuros e destituídos de valor moral. É ilógica. Então. a fim de que. os instintos precoces. REENCARNAÇÃO NOS EVANGELHOS Em várias passagens dos Evangelhos aparece claramente a ideia da reencarnação.através das vidas sucessivas - dá oportunidade para que os homens possam corrigir-se. mas Allan Kardec examina três. que existem nuns e não aparecem em outros. Só a pluralidade das existências pode explicar a diversidade dos caracteres. paixões e instintos grosseiros. 46 CAPITULO XI REENCARNAÇÃO PLURALIDADE X UNICIDADE DAS ENCARNAÇÕES A reencarnação se baseia nos princípios da misericórdia e da justiça de Deus: Na misericórdia divina. numa só vida. As reencarnações representam para as criaturas imperfeitas valiosas oportunidades de resgate e de progresso espiritual.

EVIDÊNCIAS CIENTÍFICAS As principais evidências científicas da reencarnação são: GÊNIOS PRECOCES São crianças prodígios. ainda no campo experimental.V. 2ª) “Ao passar. ou dos que o puseram no mundo. 3ª) “Ora. Esses processos. mas para que nele se manifestem as obras do poder de Deus. A partir daí vários outros cientistas. o princípio da reencarnação era ponto de uma das crenças dos judeus. que deu causa a que ele nascesse cego? . porquanto ninguém poderia fazer os milagres que fazes. "de novo". certamente Jesus o teria combatido. examinando a questão pergunta aos benfeitores como entender este fenômeno e eles dizem: “Lembrança do passado. "nascer"). dissolverem condições neuróticas de pacientes psiquiátricos.P. hoje relativamente comum. e génesis. viu Jesus um homem que era cego desde que nascera. em diversas partes do mundo. No final do século passado. do contrário. Não há dúvidas de que. especialmente crianças passarem a se recordar espontaneamente de vidas anteriores.e seus discípulos fizeram esta pergunta: Mestre. ponto que Jesus e os profetas confirmaram de modo e forma. que desde a mais tenra idade mostram possuir conhecimentos de tal ordem a respeito de temas os mais diversos. recebeu o nome de T. "de novo". sabemos que vieste da parte de Deus para nos instruir como um doutor. através da regressão de memória. (Terapia de Vidas Passadas). que seria impossível explicá-los sem a certeza de que viveram antes. Se fosse errôneo este pensamento. REGRESSÃO DE MEMÓRIA A VIDAS ANTERIORES Inúmeros casos têm surgido de pessoas que passam a relatar vivências anteriores durante o fenômeno. sob o nome de ressurreição. "nascer"). realizando experiências com regressão de memória conseguiu levar uma das suas pacientes a uma existência precedente. de regressão de memória. Donde se segue que negar a reencarnação é negar as palavras do Cristo. se Deus não estivesse com ele. senador dos Judeus.” [João-IX:1-34] A pergunta dos discípulos: “foi algum pecado deste homem que deu causa aquele nascesse cego?” revela que eles tinham a intuição de uma existência anterior. começaram a desenvolver essas técnicas. como fez em relação a vários outros. conseguindo anotar milhares de referências concordantes com o princípio da Palingênese (do grego palin. ela careceria de sentido. . portanto numa existência anterior.Jesus lhes respondeu: não é por pecado dele. 47 (do grego palin. e génesis. foi pecado deste homem. visto que um pecado somente pode ser causa de uma enfermidade de nascença se cometido antes do nascimento. pois. entre os fariseus havia um homem chamado Nicodemos. . em verdade. Jesus lhe respondeu: em verdade. portanto não aceito pela Ciência Oficial.” [João-III:1-12]. nem dos que o puseram no mundo. digo-te: ninguém pode ver o reino de Deus se não nascer de novo. este processo foi desenvolvido com fins terapêuticos. o pesquisador francês Alberto Rochas. RECORDAÇÃO ESPONTÂNEA DE VIDAS PASSADAS Caracteriza-se pelo fato de pessoas. onde psiquiatras espiritualistas se utilizam de técnicas apropriadas para. Recentemente. Kardec. recordação anterior da alma”. que veio à noite ter com Jesus e lhe disse: Mestre.

maldade ou por imprudência fere a lei geral que cuida dos nossos destinos. Kardec completa o tema: “A obrigação que tem o Espírito encarnado de prover ao alimento do corpo. tão certo quanto o desencarne o é para os homens. Além disso. ao seu bem estar. O Espírito São Luís. segundo a definição vulgar. A luta pela sobrevivência. auxilia a transformação e progresso material do globo que lhe serve de habitação. Através do esforço próprio. Daí se constituir uma necessidade a encarnação. ao seu adiantamento é a sua união com a matéria. progredindo. . submete-se à Lei de Causa e Efeito. É assim que. da qual se torna fator inconsciente. EXPIAÇÃO Expiar. seja na vida espiritual após a morte. os propósitos cuja execução Deus lhes confiou.” Estes objetivos reencarnatórios são sistematizados didaticamente por Allan Kardec em três tipos: expiação. através do sofrimento. pelo trabalho inteligente que ele executa em seu proveito. para que eles possam realizar. É por isso que Ele concede a todos o mesmo ponto de partida. Deus. deve aquinhoar equitativamente a todos os seus filhos. seja na vida atual. a mesma aptidão. As provas são uma série de situações apresentadas ao Espírito encarnado objetivando o seu crescimento. as mesmas obrigações a cumprir e a mesma liberdade de ação”. A encarnação é uma necessidade evolutiva. quando o homem infringe o código divino que rege o universo. examinando o tema diz: “A passagem dos Espíritos pela vida corpórea é necessária. a exercitá-las e desenvolvê-las.” PROVA (PROVAÇÃO) Emmanuel continua: “A prova é a luta que ensina ao discípulo rebelde e preguiçoso a estrada do trabalho e da edificação espiritual”. o período de infância. sendo soberanamente justo. o força a empregar suas faculdades em investigações. prova e missão. pois a atividade que então se veem obrigados a desempenhar ajuda-os a desenvolver a inteligência. A expiação surge como objetivo encarnatório. se reeduque. portanto. das lutas e do sacrifício ele vai burilando a sua personalidade. desenvolvendo a sua inteligência e se iluminando espiritualmente. sobre a matéria. à sua segurança.” Emmanuel afirma: “A expiação é a pena imposta ao malfeitor que comete um crime. “A expiação consiste nos sofrimentos físicos e morais que são consequentes à uma falta. É ainda necessária por eles mesmos. porque somente no contato com a matéria física consegue o Espírito certos elementos necessários ao seu progresso. para que. assim como a morte está para os encarnados: é inevitável. ou ainda em nova existência corporal. Útil. significa sofrer em função de alguma coisa. colabora na obra do Criador. Quando o indivíduo por excessos. o esquecimento do passado são condições da vida na Terra e essenciais à aquisição de certos valores. 48 OBJETIVOS DA REENCARNAÇÃO Ensina-nos Allan Kardec que a reencarnação está para os Espíritos. com a ajuda do elemento material.

podemos entender a missão como sendo uma tarefa específica que objetiva o bem da criatura. do Destino e da Dor . de simples provas escolhidas pelo Espírito. Há tantos gêneros de missões quanto as espécies de interesses a resguardar. pela qual será tanto ou mais recompensado.Leon Denis • A Reencarnação e Suas Provas . frequentemente. se sair vitorioso.Gabriel Delanne • Depois da Morte . uma tarefa. o homem ver-se-á convidado a desenvolver valores de resignação.Allan Kardec • Evangelho Segundo o Espiritismo .Leon Denis • A Memória e o Tempo .Carlos Imbassahy • Reencarnação . Bibliografia • O Livro dos Espíritos . tem uma pequena ou grande missão” e que “as missões dos Espíritos tem sempre o bem por objeto. mas em toda expiação há uma prova.Hermínio Miranda . porque diante do sofrimento expiatório. 49 “Não se deve crer que todo sofrimento por que se passa neste mundo seja necessariamente o indício de uma determinada falta: trata-se. e o Espírito se adianta conforme a maneira por que desempenha a sua tarefa”. Informa que a importância das missões está em relação com a capacidade e a elevação do Espírito. assim no mundo físico. porque cada um pode ser útil em algum sentido.Allan Kardec • A Gênese . sobre a Terra. Lembra ainda Kardec que: “Todo homem. e que cada um tem sua missão neste mundo.” Lembra Kardec que nem toda prova é uma expiação.Emmanuel/Chico Xavier • O Problema do Ser.” Pelo exposto. para acabar a sua purificação e acelerar o seu adiantamento. como no moral. MISSÃO “Um Espírito querendo avançar mais solicita uma missão.Allan Kardec • O Consolador .

O processo de reencarnação compulsória. jamais estanques. mas podemos. na realidade. mesmo nesses casos. entram em simbiose fluídica com as organizações femininas a que se agregam. os momentos sucessivos que acompanham o mergulho do Espírito na carne. Encarnação Semi-Voluntária (Proposta) Leva em conta o livre-arbítrio relativo de que dispõe o Espírito. considerar que. esta não se dá sem que os superiores encarregados dos renascimentos. Merece. distante de carinhosa ajuda e de socorros providenciais. na Terra. considerar que existência alguma se encontra ao azar. programando. FASES DA ENCARNAÇÃO Não existem duas encarnações iguais. informa-nos André Luiz. Da mesma forma que a faixa mais larga das reencarnações ocorre através de fenômenos automatistas. Possuem liberdade de escolha muito grande. em circunstâncias adequadas. separar em fases. de Espíritos superiores. na vida terrena. dispensa a atuação direta de técnicos da espiritualidade. A esse respeito Manoel Philomeno de Miranda esclarece: “Cada criatura recebe de acordo com as necessidades da própria evolução.” Importa. em moldes inteiramente dependentes da hereditariedade. entretanto. Com relação aos Espíritos vinculados ao planeta Terra. que serão aceitas ou não. em seguida. todavia. mesmo que a distância. Grandes missionários que vêm à Terra em tarefa de valor incontestável. André Luiz estuda a reencarnação de Segismundo mostrando-nos como se desenvolve uma encarnação do tipo semivoluntária. para a reencarnação que lhes toca. própria dos Espíritos cujo grau de perturbação impede análise lúcida da situação ou cujas faltas são tão graves que anulam a liberdade de escolha. tomem cuidadoso conhecimento”. André Luiz diz: “Os Espíritos categoricamente inferiores. a entidade reencarnante sofre supervisão atenta. É por sua índole. pois eles mesmos determinam as tarefas a serem desenvolvidas. tendo em vista a liquidação ou minoração de dívidas e as possibilidades de progresso. mentores estudam seus débitos e méritos. Tudo pode desenrolar-se naturalmente. Encarnação Compulsória É aquela que colhe o Espírito sem prévia concordância dele e até sem o seu conhecimento. Mas isto não é imposto. os principais acontecimentos da próxima existência na carne. na maioria das ocasiões. didaticamente. que a maioria deles reencarna-se de forma compulsória. . padecendo monoideísmo (uma única ideia) tiranizante. É uma imposição feita pela Lei para atender a casos cuja recuperação exige longas expiações. Muito raras são essas encarnações. os pais e as diversas situações de sua existência. sendo inelutavelmente atraídos ao vaso uterino. podemos considerar três tipos básicos de encarnação: Encarnação Voluntária (Livre) É característica de Espíritos redimidos. o local onde vão nascer. Os arranjos reencarnatórios são feitos por entidades amigas de condição evolutiva superior que preparam todos os detalhes daquela nova existência. podendo o indivíduo discutir certas questões e propor alterações. 50 CAPITULO XII O PROCESSO ENCARNATÓRIO TIPOS DE ENCARNAÇÃO Didaticamente. numa programática coletiva. de acordo com o progresso já conquistado. obedecendo aos impositivos do automatismo que rege a encarnação dos seres. dotados de suficiente acuidade mental no espaço para discernir o que é interesse genuíno e o que é ilusão. responsáveis pelo destino da Terra. É a modalidade de muitos de nós.

o Espírito reencarnante que se encontra ajustado ao aparelho genital. Consiste. aqueles que podem realmente influir no destino da criatura. 2ª Fase: Contato fluídico com os pais É a fase em que o reencarnante. tanto quanto a desencarnação. ao lado de seus mentores. Após a explosão dos espermatozoides. delineados anteriormente. o reencarnante miniaturizado aguarda a relação sexual para desencadear a reencarnação propriamente dita. Trata-se do período de múltiplas divisões celulares que vão dar origem ao embrião e logo depois ao feto. é um choque biológico dos mais apreciáveis. de acordo com os mapas cromossômicos. Hernani Guimarães Andrade compara essa fase com o prelúdio da morte: aqueles indivíduos que. semelhantes em suas propriedades ao hidrogênio. os filhos. vai planejar a sua futura encarnação. Quando o reencarnante. 3ª Fase: Ligação do Espírito à matéria a) Redução perispiritual: A reencarnação. onde o reencarnante. À semelhança de uma colmeia de abelhas que vai sendo paulatinamente preenchida. À medida que se intensifica semelhante aproximação. Observa-se então a redução volumétrica do veículo sutil pela diminuição dos espaços intra- moleculares. através de seu perispírito. b) Seleção do espermatozoide: Acoplado ao centro genésico da futura mãe. atrai o espermatozóide que melhor se adapte às suas necessidades evolutivas. o tempo médio de vida na Terra e as principais doenças cármicas são nessa fase bem determinados. André Luiz diz que é uma fase importante. Nesse exato momento. O reencarnante nesta fase está criando. quando ligado ao centro genésico feminino experimenta expressiva contração. c) Fecundação: o gameta masculino ao alcançar o terço superior da Trompa de Falópio vai encontrar o óvulo e fecundá-lo. não podendo mais ser substituído por outro Espírito. o reencarnante vai perdendo os pontos de contato com a esfera espiritual. O casamento. segundo ele. vai preparando-se para a nova existência. um deles será “escolhido” e devidamente magnetizado para vencer a corrida e alcançar a trompa de Falópio onde está o óvulo. um campo magnético que vai atuar como molde no qual as células físicas irão se ajustando. que lhe impõem a redução automática. no fim da vida. que traduzem a herança genética do pai e da mãe e que irão determinar as características hereditárias do reencarnante. liga-se magneticamente à célula ovo. o corpo espiritual. muitas vezes. a se expressarem através de moléculas significativamente distanciadas umas das outras. feita por técnicos da espiritualidade que selecionam o gameta que traz a carga genética apropriada. por sintonia. São os mapas cromossômicos. o processo se desenvolve segundo os princípios da sintonia magnética. onde o Espírito mantém-se em processo de ligação fluídica direta com os pais. descritos pelo autor. em contato mais íntimo com os futuros pais. sentem fugir-lhes o vigor físico. 4ª Fase: Formação do feto Inicia-se com a fecundação e vai até o nascimento. Unido à matriz geradora em busca de nova forma. o perispírito sofre a influência de fortes correntes eletromagnéticas. Constituído a base de princípios químicos. Essa magnetização do espermatozoide que deverá vencer a corrida é. como vigoroso . O perispírito do reencarnante. a profissão. de um processo de “enfraquecimento perispiritual”. 51 1ª Fase: Planejamento encarnatório Esta fase desenvolve-se no plano espiritual. não faz jus a uma equipe especializada. Mostra também André Luiz que detalhes mais importantes do futuro corpo podem ser determinados nesse período. Lembra Kardec que são planejados apenas os grandes lances da existência. liberados na relação sexual. pelo seu passado.

desde as primeiras horas da gestação mergulham-se em estado profundo de perturbação. a mulher torna-se deprimida. ser causa de uma infinidade de problemas emocionais ou físicos na futura criança. A gestante não pode afastar-se do corpo. 5ª Fase: Adaptação à Vida O processo encarnatório. a assistência espiritual nessa fase é muito intensa. DOS PAIS Da mesma forma que o filho recebe da futura mãe os pensamentos e seus conteúdos emocionais. etc.época em que estão se formando os órgãos e sistemas . atuará como ímã entre limalhas de ferro dando forma consistente ao futuro corpo físico. . ASPECTOS PSICOLÓGICOS DO REENCARNANTE Informa Allan Kardec que o momento da encarnação é seguido de um estado de perturbação mais ou menos longo. agravando o seu sofrimento e a sua angústia. sendo menor no início e máxima ao término da gravidez. 52 modelo.e por esse motivo. mães tranquilas. especialmente da mãe. no entanto. como enurese noturna. continua presente até o final. na gestação. e são proibidas as visitas. se misturam com os pensamentos do reencarnante. sentem-se bem. irritabilidade constante.b) Evolução do Reencarnante: a reencarnação de Espíritos superiores acompanha-se de um estado de perturbação mais discreto e mais tardio. André Luiz informa que a gestante é “uma criatura hipnotizada a longo prazo”. a mãe capta de uma forma mais evidente as vibrações emitidas pelo feto. Algumas se enchem de entusiasmo e bem estar. segundo André Luiz. quando ocorre a plena integração do reencarnante aos implementos físicos. fé e esperança. quando o grau de inconsciência atinge o apogeu. reduz-se a vigilância espiritual. que se equilibram durante a gestação. Há registros na literatura espírita de Espíritos que abandonaram o útero materno em função da carga de emoções doentias recebidas da mãe. Os pensamentos dos pais. Mulheres. otimistas. exatamente porque traz seu campo psíquico invadido pelas impressões e vibrações do reencarnante. . podem transmitir essas vibrações para o Espírito do feto. insegurança. transfundindo-lhe coragem. Após o 21º dia. o que configura uma forma de aborto que André Luiz denomina de Aborto Inconsciente. calmas.c) Estado Emocional dos Pais: diz André Luiz que. Mães ansiosas. havendo uma profunda troca de emoções e sensações. às vezes ansiosas. tranquilas. . muitas vezes. Esta perturbação tem início quando da redução do perispírito e vai prolongando-se até ao nascimento. A partir do nascimento o reencarnante vai recobrando a lucidez à medida que as células do sistema nervoso vão amadurecendo. há um decréscimo da vivacidade mental. não se completa ao nascimento. O futuro pai pode também sofrer alterações em seu campo mental em função da presença de um novo Espírito em seu lar. Durante a gravidez. queixosas. deprimidas. consequentemente. mas apenas aos sete anos de idade. Informa André Luiz que os primeiros 21 dias após a fecundação são de extrema importância para a formação do futuro corpo . Em outras oportunidades ocorre o inverso. todos os conflitos domésticos e isso poderá. um torpor intelectual. uma alteração profunda em seu cosmo psíquico. Funciona a mãe como um “exaustor de fluidos” e terá. Os Espíritos mais inferiorizados.a) Período de Gestação: a perturbação vai aumentando à medida que a gestação se prolonga. há uma “enxertia mental”. que. extravagâncias. Manoel Philomeno de Miranda informa que o reencarnante registra todos os estados familiares. Por outro lado. O grau e intensidade da perturbação dependem de três fatores: . tensa. em função de uma carga emotiva sadia ou afim que está vindo do filho. contribuem sensivelmente para o estado de equilíbrio do feto. Pode ser em função de vibrações pouco sadias ou de um Espírito que foi um desafeto do passado.

53 Às vezes.Allan Kardec • Missionários da Luz . torna-se arredio. vê-se possuído de terrível ciúme e passa a encher a mulher de atenção e carinho. fortalecendo a amizade.Waldo Vieira • Espírito.Hernani Guimarães Andrade • Temas da Vida e da Morte . deprimido. São vibrações de um Espírito ligado a ele por um passado feliz ou infeliz que agora retorna para prosseguir em sua marcha evolutiva.André Luiz/Chico Xavier . Bibliografia • Livro dos Espíritos .Manoel Philomeno de Miranda/Divaldo Franco . se esta já existe.Allan Kardec • A Gênese . Outras vezes. e desfazendo mágoas e desentendimentos se eles ocorreram. Perispírito e Alma . agressivo.Manoel Philomeno de Miranda/Divaldo Franco • Painéis da Obsessão .André Luiz/Chico Xavier • Evolução em Dois Mundos .André Luiz/Chico Xavier • Entre a Terra e o Céu .

de uma culpa neurótica. semelhante à que se dá na vida terrestre durante o sono. Há. o Codificador apresenta as principais razões do ponto de vista moral: a) A lembrança do passado traria perturbações inevitáveis às relações sociais: o Espírito renasce frequentemente no mesmo meio em que viveu. dificilmente conseguiriam pacificar as relações. o homem vai. b) Pelo esquecimento do passado o homem é mais ele mesmo: livre da reminiscência de um passado importuno. tomando ciência de suas experiências anteriores. ainda mais o seria se. Pareceria ilógico fazer-nos expiar em uma existência faltas cometidas nas vidas passadas. de mãe e filha ou de irmãos consanguíneos? Se eles tivessem na consciência a lembrança das faltas cometidas uns contra os outros. onde as oportunidades de ressarcimento se lhe apresentarão naturalmente sem que o remorso paralisante atormente a sua consciência frágil. ao cortejo dos nossos males atuais. tem condições de tomar decisões sábias. A vida terrestre é. ainda. e então. deste modo está sempre a recomeçar. Nada mais há. se o homem já viveu. nas diversas esferas da erraticidade. d) O esquecimento do passado é uma condição temporária: ocorre apenas durante a vida física. outra argumentação filosófica: por acaso o fato de não nos lembrarmos da nossa infância representa prova de que essa infância não existiu? Quantos acontecimentos . Ao retornar à vida extrafísica. acrescesse a memória dos sofrimentos ou das vergonhas passadas. Volvendo à vida espiritual. do que uma interrupção temporária. De qualquer modo.. sem estrutura psicológica para reparar o passado através da prática do bem e de uma atitude mental positiva. paulatinamente (mais ou menos rapidamente em função de sua evolução). cada existência é para ele qual se fora a primeira. ele mergulha em nova vida. difícil de suportar. c) O esquecimento do passado arrefece o complexo de culpa. Enfim. o homem viverá com mais liberdade. já mais lúcido e tranquilo. ficaria humilhado perante aquelas pessoas que tivesse ofendido. A lembrança do passado poderia humilhar o Espírito culpado levando-o a muitos processos de auto depreciação.. preparando-se para novas batalhas. em função de um remorso estanque. quando não se lembra delas? Pois que. desde que lhe falta essa reminiscência. Depois de concluir que o esquecimento do passado atesta a sabedoria de Deus. Quantos ódios milenares são desfeitos em uma existência quando os adversários de ontem se reencontram na condição de pai e filho. talvez o ódio reaparecesse. algumas vezes. De tudo isto se deduz que a lembrança do passado perturbaria as relações sociais e tornar-se-ia um entrave ao progresso. pois a lembrança de existências anteriores traria inconvenientes muito graves. pergunta-se: por que não se lembra de suas existências passadas? RAZÕES DO ESQUECIMENTO Allan Kardec vai examinar essa questão. e poderá exercitar seu livre-arbítrio de forma mais ampla. dando condições ao Espírito culpado de renovar-se psiquicamente: muitos Espíritos faltosos encontram-se em sofrimentos purgatoriais. terá maior mérito em praticar o bem. Como pode o homem aproveitar da experiência adquirida em suas anteriores existências. 54 CAPÍTULO XIII O ESQUECIMENTO DO PASSADO O esquecimento do passado é considerado a mais séria das objeções contra a reencarnação. portanto. readquire o Espírito a lembrança do passado. Se nelas reconhecesse as mesmas que havia odiado. de que tivéssemos perdido a lembrança. Esquecendo o passado. e se encontra em relação com as mesmas pessoas a fim de reparar o mal que lhes tenha feito. como poderia também exaltar o orgulho dos Espíritos que tiveram um passado de destaque em qualquer área da atividade humana.

aquilo que adquiriu. 3. em filmes ou em gravações. Esses fatores se somando fazem com que em cada nova existência o Espírito se esqueça. velando por nós e nos inspirando nas decisões mais difíceis. justamente o que necessitamos e nos é suficiente: a voz da consciência e as tendências instintivas. todos nós. e suas tendências atuais indicam o que lhe resta corrigir em si mesmo. das situações difíceis que se lhe depararão na nova existência? Qual o caminho a seguir? Qual a atitude a tomar? Kardec diz: “Deus nos deu. 2. estudando atentamente o que é certo e errado ele encontrará o caminho ideal a seguir. Pouco lhe importa saber o que foi: se está sofrendo. quando Deus julga útil. seus defeitos. poder-se-ia objetar: como conduzir-se diante das provas.Allan Kardec • O que é o Espiritismo? . em seu próprio benefício. permite que o Espírito. restringimento do perispírito no processo encarnatório. Cada existência é para ele um novo ponto de partida. pois. Muitas vezes. Bibliografia • O Livro dos Espíritos . 55 vivemos. daquilo que foi completamente corrigido já não restam sinais. Examinando suas aptidões. é porque fez o mal. muitos deles. ao reencarnarmos. durante o desdobramento natural do sono. suas inclinações inferiores. INSTRUMENTOS DO PRESENTE Se o homem esquece o passado. das experiências pretéritas.Allan Kardec • O Evangelho Segundo o Espiritismo . Ele nasce exatamente como se fez. tenha lembranças fragmentárias de outras encarnações. Mesmo que não se lembre totalmente delas ao acordar. inclusive. pois cada um traz impresso em seu interior as necessidades mais imediatas e as resoluções tomadas quando no mundo espiritual.Allan Kardec . as manterá em seu campo psíquico sob a forma de reflexos e condicionamentos positivos. ele pode inferir de seu passado e buscar elementos para reestruturar-se moral e intelectualmente. das opções.” Examinando sempre sua consciência. que nos momentos de dúvida poderão auxiliá-lo a tomar as decisões corretas. É sobre isso que ele deve concentrar toda a sua atenção. passamos a ser assistidos por amigos espirituais que estarão ao nosso lado. sempre que necessário. as razões que explicam porque perde o Espírito as lembranças do passado são de três ordens: 1. Por outro lado. Não é somente após a morte que o Espírito terá recordações de suas outras existências. A estes fatores acrescem-se dois outros: a assistência dos bons Espíritos e as lembranças advindas durante o sono. e deles nos esquecemos completamente? Do ponto de vista científico. perpetuados em fotografias. estado de perturbação que acompanha o Espírito reencarnante. O homem traz ao nascer. A imaturidade das células do sistema nervoso central nos primeiros anos de vida. para nos melhorarmos.

Bezerra de Menezes nos diz que o eletroencefalograma é o processo através do qual podemos assinalar a desencarnação. a pessoa. O conceito de morte vigente hoje no meio científico internacional é o da “ausência de atividade elétrica cerebral”. A individualidade do desencarnado é preservada e. Nos casos de suicídio direto ou indireto. mantém os traços característicos de si mesmo. lembrança cheia de doçura ou de amargor. No entanto. guarda a lembrança e o desejo de ir para um mundo melhor. Nesta eventualidade (mortes trágicas). . a morte. Nos casos em que o Espírito não foi responsável (consciente ou inconsciente) pelo seu desencarne.A destruição direta do veículo físico sem desintegração prévia do fluido vital. mesmo que o coração continue em funcionamento a custa de aparelhos específicos. em muitas oportunidades. aprendendo a se relacionar com outros desencarnados. em geral. esta exaustão do corpo físico será precedida por uma deterioração do fluido vital que o animaliza. ou desencarnação. Seria o processo observado com mais frequência nas mortes naturais. graças ao seu perispírito. o corpo enfermo não estaria em condições de participar da renovação do fluido vital adulterado. . observado nas mortes trágicas (como acidentes. o que poderia criar dificuldades na readaptação do desencarnante à sua nova vida. a morte alcançaria os órgãos impregnados de fluidos vitais sadios. sabemos que o sofrimento que acompanha o desencarnante é diretamente proporcional à culpabilidade da vítima naquele acidente. A morte nos seres orgânicos pode ocorrer de duas formas: . já que o fluido vital é exclusivo dos encarnados. gerando dificuldades a sua readaptação à vida na erraticidade. o fluido vital restante sofreria uma “queima rápida” o que liberaria o Espírito dessas energias impróprias para a vida espiritual. suicídio). a ausência de atividade cerebral determinada pelo eletroencefalograma.O empobrecimento do tônus vital iria desarticular as células do veículo físico. surgindo daí a doença e posteriormente. donde se apartara momentaneamente. No primeiro caso. O QUE SUCEDE COM A ALMA NO INSTANTE DA MORTE DO CORPO FÍSICO? No instante da morte. 56 CAPÍTULO XIV O FENÔMENO DA MORTE A CAUSA DA MORTE A causa da morte está na exaustão dos órgãos. homicídio. No segundo caso. confirma o diagnóstico de morte física. o Espírito volve ao mundo dos Espíritos. Ao lado de alguns sinais de fácil identificação. conforme o uso que ela fez da vida. Quanto mais pura for. melhor compreenderá a futilidade do que deixa na Terra. Como a morte é um fenômeno natural. o que completaria o circuito de forças enfermiças. as faixas de fluido vital estariam aderidas ao corpo espiritual do desencarnante.

como se deixa uma casa em ruínas. um laço fluídico. Por um efeito contrário. experimentando ao mesmo tempo todas as sensações da vida orgânica. além disso. considerando-se feliz por tê-lo deixado. porque apresenta o espetáculo singular de um Espírito que julga material o seu corpo fluídico. a união do perispírito e da matéria carnal. o liga ao gérmen que o atrai por uma força irresistível. sendo a morte um fenômeno biológico natural. colhido de improviso. não passa de ligeiro sono calmo. que do corpo se separa quando cessa neste a vida orgânica. desastres. Sob a influência do princípio vito-material do gérmen. o homem deixa a vida sem o perceber: é uma lâmpada que se apaga por falta de óleo. o desprendimento só começa depois da morte e não pode completar-se rapidamente. Assim. como uma planta na terra. ao passo que o corpo ainda tem vida orgânica. este. São mortes violentas: homicídios. isto é. o desprendimento opera-se gradualmente. não é a partida do Espírito que causa a morte do corpo. etc. O corpo quase sempre sofre mais durante a vida do que no momento da morte. o perispírito. molécula a molécula. que possui certas propriedades da matéria. 57 SEPARAÇÃO DA ALMA DO CORPO NA DESENCARNAÇÃO A separação entre a alma e o corpo não é. Nestas condições. carente de vida. em geral. ou antes. se extingue e o corpo morre. conforme se unira. durante a reencarnação o Espírito se acha preso ao corpo pelo seu envoltório semimaterial ou perispírito. O fenômeno da desencarnação é oposto ao da encarnação. ou uma roupa imprestável. e acredita-se vivo. ele se desorganiza e decompõe. que vê chegar o termo do seu exílio. Os sofrimentos que algumas vezes se experimentam no instante da morte são um prazer para o Espírito. de certa maneira. por intermédio do seu perispírito. se enraíza. Para esse a perturbação é quase nula. donde o poder dizer-se que o Espírito. para quem. dentro desse caso. desde o momento da concepção. nesse gérmen. Dessa forma. A morte é a destruição do corpo somente. Mantida que era por uma força atuante. calamidades naturais ou provocadas pelo homem. dolorosa. que se efetuara sob a influência do princípio vital do gérmen. do qual desperta com indizível impressão de esperança e ventura. o corpo sofre as vicissitudes da matéria. Este estado intermediário entre a vida corporal e a espiritual é dos mais interessantes para ser estudado. quando o Espírito tem de encarnar num corpo humano em vias de formação. O Espírito. Há. e pensa. se torna inútil. Assim. ocorrendo falência geral do sistema. Tais mortes provocam ao desencarnante sofrimento que varia ao infinito. para o homem cuja alma se desmaterializou e cujos pensamentos se destacam das coisas terrenas. Nenhuma desagregação inicial há começado previamente a separação do perispírito. o perispírito se desprende. molécula a molécula. a alma se liberta do corpo. Nesta situação. deixa-o. torturas. ao corpo em formação. É importante considerar que. Por ser exclusivamente material. uma série . fica como que aturdido e sente. tal união se desfaz. O princípio vital. que animava os órgãos do corpo. o desprendimento quase se completa antes da morte real. SEPARAÇÃO DA ALMA DO CORPO NA MORTE SÚBITA A morte súbita pode ou não estar associada a um ato de violência. esta é que determina a partida do Espírito. suicídios. em consequência da desorganização do corpo. de molde a tornar-se testemunha consciente da extinção da vida do corpo. já o Espírito penetra a vida espiritual. cessa. não mais encontrando elemento para sua atividade. desde que esse princípio deixa de atuar. se une. e ao Espírito é restituída a liberdade. não a desse outro invólucro. Depois de funcionar por algum tempo. Nesta contingência o Espírito pode ter já recuperado a sua lucidez. O Espírito. SEPARAÇÃO DA ALMA DO CORPO NA MORTE NATURAL Em se tratando de morte natural resultante da extinção das forças vitais por velhice ou doença. prolongando-se esta ilusão até que compreenda o seu estado. Então. apenas ligado por elo tão frágil que se rompe com a última batida do coração. a alma nenhuma parte toma nisso. que mais não é do que uma expansão do seu perispírito. Na morte violenta as sensações não são precisamente as mesmas. a vida orgânica em plena exuberância de força é subitamente aniquilada. logo que essa força deixa de atuar.

por enquanto. não nos situam muito longe dos nossos antepassados. aos mais elevados estudos e às mais complicadas disciplinas. admito deva referir-me aos nossos antigos maus hábitos. a presteza deste desprendimento está na razão direta do adiantamento moral do Espírito. Mas nós. contudo. a Religião deve orientar as realizações do espírito. com as deficiências do selvagem surpreendido junto à coroa da Civilização. com sofrimentos cruciantes. o perispírito faz repercutir na alma todas as sensações daquele. Comece a renovação de seus costumes pelo prato de cada dia. permanece limitada ao superficialismo do sacerdócio. quanto mais lento for o desprendimento do perispírito. até certo ponto. para os quais a situação se prolonga por anos inteiros. visto como. ao invés de ser encaminhada a grandes teólogos da Terra. necessário se faz que abdique das vantagens imediatas em prol do futuro. O lombo de porco ou o bife de vitela. excede a toda expectativa. porque já possuem em si como que um desprendimento antecipado. A rigor. pobre noticiarista sem méritos para tratar de semelhante inquirição. se torna horrível para os atrasados. que se devoravam uns aos outros. reprima as más tendências e domine as paixões. para o Espírito desmaterializado. Diminua gradativamente a volúpia de comer a carne dos animais. Infunde pena a angústia dos desencarnados amantes da nicotina. como deveria ser levado a efeito o treinamento de um homem para as surpresas da morte. Em razão disso. A indagação é curiosa e realmente dá que pensar. Outros há. evite os abusos do fumo. esbarramos com obstáculos quase intransponíveis. A cristalização deles. isento de agonia. que. No suicida. e cujo despertar é suavíssimo. É uma situação essa muito frequente até nos casos de morte comum. Pode acreditar que não obstante achar-me aqui de novo. Os turistas que procedem da Ásia ou da Europa habilitam futuros viajantes com eficiência. assim como a Ciência dirige todos os assuntos pertinentes à vida material. não posso reportar-me senão ao meu próprio ponto de vista. principalmente. PODEMOS EVITAR O SOFRIMENTO? O estado do Espírito por ocasião da morte pode ser assim resumido: Tanto maior é o sofrimento. 58 infinita de modalidades que variam segundo os conhecimentos e progressos morais do Espírito. Tanto quanto lhe seja possível. dispostas a trocar o próprio Céu pelo uísque aristocrático ou pela nossa cachaça brasileira. depois da grande transição. não é muito fácil preparar tecnicamente um companheiro à frente da peregrinação infalível. sinto-me ainda no assombro de um xavante. que nada tendo de penosa para Espíritos adiantados. repentinamente trazido da selva mato- grossense para alguma de nossas Universidades. Preso ao corpo por todas as suas fibras. a morte é qual um sono breve. com a obrigação de filiar-se. cujo fim a morte mais súbita não faz senão apressar. encaminhando para ela todas as aspirações e preferindo-a a vida terrena. Para aqueles cuja alma está purificada. para identificar-se com a vida espiritual. Entretanto. não basta crer. O cemitério na barriga é um tormento. a Religião. Preliminarmente. Para que cada qual trabalhe na sua purificação. Os excitantes largamente ingeridos constituem outra perigosa obsessão. é uma praga tiranizante. por lhes não faltarem os termos analógicos necessários. *TREINO PARA A MORTE* Preocupado com a sobrevivência além do túmulo. hoje domiciliados na Espiritualidade. espantado. de imprevisto. os desencarnados. mas compreender. há quase vinte anos de contado. Tenho visto muitas almas de origem aparentemente primorosa. sem tocar a profundeza da alma. foi endereçada justamente a mim. temperados com sal e pimenta. você pergunta. a situação pouco dura. de consciência pura. . Creia. Importa considerar também que a sua consulta. os tamoios e os caiapós. aqui.

não se canse nem indague em excesso. à maneira de crianças desesperadas por não mais conseguirem manobrar os talões de cheque. a morte lhe oferecerá o seu cartão de visita. É horrível a responsabilidade moral de quem já conhece o caminho. Grandes homens. não lhe posso dizer. Ajude-se.Allan Kardec • A Gênese . porque. se a sua papelada não estiver em ordem. Sobretudo. Por essa razão. embora lhe respeitem a memória. O serviço é o melhor dissolvente de nossas mágoas. impondo-lhe ao conhecimento tudo aquilo que. sem a preocupação de satisfazer a todos. um dia.Allan Kardec . Em família. E o sexo? Guarde muito cuidado na preservação do seu equilíbrio emotivo. As vítimas da cocaína. aguente firme os golpes da luta. aparecem. Temos aqui muita gente boa carregando consigo o inferno rotulado de “amor”. da morfina e dos barbitúricos demoram-se largo tempo na cela escura da sede e da inércia. não se apegue demasiado aos laços consanguíneos. conserve o seu nobre sorriso. Por mais aflitivas lhe pareçam as crises do estágio no corpo. https://www. Faça o bem que puder. no estado presente da educação terrestre. com mais tempo ou menos tempo. se alguns afeiçoados lhe registrarem a presença extraterrena. Ame sua esposa. há muita gente que suporta você com muito esforço. que admirávamos no mundo pela habilidade e poder com que concretizavam importantes negócios. seus filhos e seus parentes com moderação. sem equilibrar- se dentro dele. caso esteja realmente inclinado a fazê-las. em qualquer circunstância. você estará ausente deles e de que. não adie doações. junto de nós. Quanto ao mais. trabalhe sem cessar. XAVIER. na certa o intimarão a descer aos infernos.com/watch?v=sxux0t-lZ9g Bibliografia • O Livro dos Espíritos . por agora. receando-lhe a volta inoportuna. em muitas ocasiões. Francisco Cândido. Trabalhe sempre.youtube. As doenças fulminatórias chegam de assalto. Cartas e crônicas. agirão quase sempre em desacordo com a sua vontade. depois dos funerais. Se você possui algum dinheiro ou detém alguma posse terrestre. Não se esqueça de que. através do leal cumprimento de seus deveres. Convença-se de que se você não experimenta simpatia por determinadas criaturas. observe cautela com testamentos. 59 Não se renda à tentação dos narcóticos. na certeza de que.Allan Kardec • O Céu e o Inferno . através de tribunais e cartórios. Se você já possui o tesouro de uma fé religiosa. por isso mesmo. viva de acordo com os preceitos que abraça. Pelo Espírito Irmão X. você padecerá muitas humilhações. e.

débeis. A lucidez das ideias e a memória do passado voltam. o estado de perturbação pode durar muitos anos. é de importância no processo evolutivo do Espírito. variando de algumas horas a alguns anos. e no idoso. ao menos em parte. Em algumas pessoas ela é de curtíssima duração. é bem mais tranquilo. Nesse instante. Na criancinha. de modo que quase nunca testemunha conscientemente o derradeiro momento. quase imperceptível. e que ocorre neste período. 60 CAPITULO XV O ESTADO DE PERTURBAÇÃO Na transição da vida corporal para a espiritual. estão mais frágeis. fáceis de serem rompidos. A respeito do desencarne na infância Richard Simonetti diz: “O desencarne na infância. sem se aperceberem da morte. à medida que se extingue a influência da matéria e que se dissipa essa espécie de nevoeiro que lhe turva os pensamentos. a alma necessita de algum tempo para se reconhecer. Um fenômeno que parece ser geral. Muitos indivíduos não se identificam como desencarnados e continuam frequentando os ambientes tradicionais. a alma experimenta um torpor que paralisa momentaneamente as suas faculdades. André Luiz afirma que tal mecanismo automático. e pode configurar um quadro de sofrimento severo. dá-nos mais segurança. ser considerada o estado normal no instante da morte e perdurar por tempo indeterminado. IDADE Os extremos da vida são os períodos da existência em que o desencarne se processa. as sensações. Outros entram em quadro de loucura psíquica. ESTADO DE PERTURBAÇÃO A perturbação pode. O estado de perturbação varia. abrevia a separação da alma”. e ele revê a si mesmo em quase todos os grandes lances de sua encarnação. pois vai imprimir magneticamente nas células do corpo espiritual as diretrizes a que estarão sujeitas. Léon Denis acrescenta: “O conhecimento que nos tiver sido possível adquirir das condições da vida futura exerce grande influência em nossos últimos momentos. geralmente com maior facilidade. Lembra Allan Kardec que no momento da morte tudo no princípio é confuso. mesmo em circunstâncias trágicas. Apenas em poucas situações pode a alma contemplar conscientemente o desprendimento. o processo encarnatório ainda não se completou definitivamente. porquanto nessa fase o Espírito . e nada tem de dolorosa . numa velocidade espantosa. pois. produz-se um fenômeno de importância capital: a perturbação. Em outras pessoas. com angústia e temores dolorosos. os laços que mantêm unidos o corpo espiritual ao corpo físico. no mesmo estado de um homem que saísse de um sono profundo e procurasse compreender a situação. Os fatores que vão influenciar na duração e na profundidade desse estado são: CONHECIMENTO DO MUNDO ESPIRITUAL Os Benfeitores Espirituais informam que o conhecimento do Espiritismo exerce uma grande influência sobre a duração maior ou menor da perturbação. até séculos. neutralizando. lentamente.poderia ser comparada com um leve despertar. dentro do novo ciclo de evolução em que ingressam. Os principais fatos da vida do desencarnante deslizam diante de sua mente. de pessoa para pessoa. pois o Espírito que tem informação precisa a respeito do mundo espiritual compreende antecipadamente a sua situação. é aquilo que os autores chamam de “balanço existencial”. imensamente. perdendo a completa noção de tempo e da necessidade da separação da alma do seu corpo físico. sente-se como atordoada. Essa perturbação pode apresentar características particulares. dependendo do caráter do indivíduo. Alguns Espíritos mergulham em sono profundo e nesse estado ficam durante um tempo muito variável.

Bem poucos dos que formam o acompanhamento pensam no defunto e consideram como dever projetar para ele um pensamento afetuoso. o período e intensidade de desajuste espiritual correspondem à responsabilidade que envolveu o desencarnante no processo fatal. Os pensamentos de amor e caridade. em consequência da idade. em que o grau de culpa da vítima determinará as aflições que poderá experimentar”. bebendo. VELÓRIO O que vem a ser velório? Segundo o dicionário. O companheiro desencarnado pede. contando anedotas. pode muitas vezes o Espírito estar ao lado. Pensamentos de revolta e desespero o atingem como dardos mentais de dor e angústia. a sair da sombra em que está imersa. Há técnicos que se aproximam do desencarnante promovendo com recursos magnéticos.” . arrastada. Acidentes onde o desencarnante não tem uma culpa atual. É quase um escândalo ver a desatenção com que se assiste a uma cerimônia fúnebre. em geral. dificultando a sua recuperação. de passar a noite em claro onde se encontra exposto um morto.” Manoel Philomeno Miranda completa o assunto dizendo: “Nas desencarnações violentas. a falta de recolhimento. A atitude dos assistentes. aos defuntos. as pessoas. Velório comumente é um ponto de encontro ou reencontro. “Em todos os casos de morte violenta. passando o brusco choque. André Luiz mostra que a atitude inconformista da família pode criar “teias de retenção”. hóspede do corpo morto. permanecendo alheias às verdades espirituais e o bombardeiam inconscientemente emitindo raios mentais desequilibrados. na ignorância das condições de sobrevivência. A doença crônica. quando o desencarnante passa a ser considerado suicida indireto. sua liberação. é uma lâmpada que se apaga. Somente pessoas muito evoluídas dispensam esse concurso. muitas vezes. o homem deixa a vida sem perceber. facilita o desligamento do Espírito e a sua identificação com a vida pós-túmulo. em uso. TIPO DE MORTE As mortes súbitas. e o desprendimento completo é mais lento. 61 permanece em estado de dormência e desperta lentamente para a existência espiritual. a alma tem consciência dos pensamentos que se lhe dirigem. Léon Denis diz: “O cerimonial religioso. Os assistentes dessas manifestações. o período perturbador tem curta duração.” O posicionamento mental dos familiares ante o desencarne será de fundamental importância na recuperação do Espírito. ficam indiferentes e distraídos. Mas o velório representa as horas que sucedem ao desencarne e que são importantes para o recém-liberto.” Normalmente o que se observa é que ao invés de pacificar o Espírito. as conversas banais trocadas durante o velório. prendendo o Espírito ao seu corpo. sem palavras. traumáticas acompanham-se geralmente de um estado de perturbação maior. somente um pensamento bom. ele se exime de envolvimento com vícios e paixões que tanto comprometem a experiência física e dificultam um retorno equilibrado”. os liames que unem o corpo ao perispírito são mais tenazes. forçado por deveres sociais e familiares onde. é o “Ato de velar com outros um morto. não levam a ele o apoio preciso.” “Na morte natural que se verifica pelo esgotamento da vitalidade orgânica. ATITUDE DA FAMÍLIA Léon Denis examinando a questão diz: “No estado de perturbação. A Doutrina Espírita esclarece que se no caixão está o corpo. as vibrações dos corações afetuosos brilham para ela como raios na névoa que a envolve: ajudam-na a soltar-se dos últimos laços que a acorrentam à Terra. Alheio às contingências humanas. tem gente gargalhando. tudo causa penosa impressão. pouco auxílio e conforto dá. despreparadas. O mesmo não ocorre em condições de intemperança. O mesmo sucede nos casos de homicídio.

abreviando a perturbação que segue sempre à separação do corpo. reduzem o padrão vibratório do desencarnante. ATITUDES PERANTE A MORTE E O MORTO Uso de velas Não tem significado para o espírita. entretanto. mas também ajudá-los a se libertarem das ligações terrenas.” (André Luiz) Cremação de cadáveres Emmanuel aconselha esperar-se 72 horas para efetuar-se a cremação. A CONDIÇÃO MORAL Allan Kardec assevera: “A causa principal da maior ou menor facilidade de desprendimento é o estado moral da alma.” (Confúcio) Choro na hora da morte “Resignar-se ante a desencarnação inesperada do parente ou amigo. pressupõe um exercício constante de autocontrole em reação as emoções e a maneira de ser. pensar e agir. que “felizes são os indigentes. mais sofrerá para separar-se dela.” “As lágrimas aliviam. e tornando mais calmo o seu despertar. o controle que ele exerce sobre as suas emoções. a sua estrutura psicológica.” ESTRUTURA PSICOLÓGICA Será de grande valor. mais um motivo de sofrimento para o desencarnante. a atitude do espírita deve ser de compreensão e oração. a impaciência. a atitude íntima de fé e tranquilidade. “O espírita não se prende a exterioridades. pompas e encenações nos funerais de pessoas pelas quais se responsabilize. A educação para “bem morrer”. Apenas dão à morte um aspecto mais lúgubre.” . a angústia. e. não apenas proporcionar-lhes uma prova de simpatia. É. a cessação dos movimentos do corpo nem sempre é o fim do transe. um suave despertar. que atinge o seu máximo no homem cujas preocupações dizem respeito exclusiva e unicamente à vida e gozos materiais.” As informações vindas do Mundo Maior são unânimes em afirmar que a morte nada tem de dolorosa para o homem de bem. crepes e imagens.” “Dispensar aparatos. 62 André Luiz chega a dizer. porque o velório e o sepultamento são quase sempre. pois morrer não é libertar-se. Abolir o uso de velas e coroas. Allan Kardec afirma que o melhor presente que podemos dar a um ente querido que partiu é orarmos sinceramente em seu benefício: “As preces pelos Espíritos que acabam de deixar a Terra têm por fim. porque são velados nas câmeras dos institutos médico-legais”. ou seja. O medo. na recuperação plena do desencarnante. vendo nisso a manifestação da Sábia Vontade que nos comanda os destinos. Quanto mais o Espírito estiver identificado com a matéria. A prática do bem e a pureza de consciência são os mais eficientes antídotos contra a perturbação que acompanha a morte e são os fatores mais decisivos na plena e tranquila recuperação do desencarnante. junto a presença amorosa dos entes queridos que o precederam no Além. sobretudo a prece sincera são de inestimável valor para o equilíbrio do desencarnante. dificultando a assistência dos Espíritos bons. “Aprende o bem viver e bem saberás morrer. A afinidade entre o corpo e o perispírito é proporcional ao apego à matéria. apenas. O pensamento elevado.

Reflexões Espíritas . logo que possível.” (André Luiz) Bibliografia • O Livro dos Espíritos . do Destino e da Dor . pouco importa o lugar. é a exteriorização desse fato. “A saudade somente constrói quando associada ao labor do bem.Allan Kardec • O Problema do Ser. Importa transformarmos o culto da saudade em donativos a asilos. Visita ao cemitério “A visita ao túmulo proporciona mais satisfação ao Espírito do que uma prece feita em sua intenção?” “A visita ao túmulo é uma maneira de se manifestar que se pensa no Espírito ausente. albergues.Autores Diversos • Conduta Espírita . A Doutrina Espírita não comporta em sua prática doutrinária a fixação de datas especiais.André Luiz/Chico Xavier • Nas Fronteiras da Loucura . 63 O sepultamento “Aproveitar a oportunidade do sepultamento para orar.Richard Simonetti • Obreiros da Vida Eterna . Eu já vos disse que é a prece que santifica o ato de lembrar.Manoel Philomeno de Miranda • O Evangelho segundo o Espiritismo . ou discorrer sem afetação.Richard Simonetti • Velório .Allan Kardec • O Céu e o Inferno .” O intercâmbio com os Espíritos é feito pelo pensamento e as almas dos entes amados não estão presas ao túmulo. Para o espírita todos os dias são “dos mortos” e “dos vivos” e devem ser bem vivenciados. se afastam dos cemitérios.Leon Denis • Quem tem Medo da Morte . sobre a imortalidade da alma e sobre o valor da existência terrena. quando chamado a isso. tendo a considerar que pode ser até que o Espírito já tenha reencarnado. concebido por um abade beneditino em Cluny na França há quase mil anos. se a lembrança é ditada pelo coração. instituições.André Luiz/Chico Xavier • Quem tem medo da morte? .” (André Luiz) Dois de novembro Comemoração aos mortos.

Lembram ainda os Benfeitores que os pais estão igualmente comprometidos com a Lei de Causa e Efeito e. da paisagem que lhes é própria. Há quem renasça em limitado campo de ação para trabalho uniforme em decênios de presença pessoal e há quem se transfira dessa ou daquela tarefa para outra. colônias e instituições diversas consagradas ao acolhimento e amparo às crianças que retornam do Planeta através da desencarnação. no entanto. na maioria das vezes. quando na condição de Espírito. cuja vida material se interrompe? E por que esse fato ocorre? Duas indagações que surgem naturalmente ao nos depararmos com a morte na infância. muitas vezes. simplesmente com o objetivo de acordar corações queridos para a aquisição de valores morais. tenha já entesourado alta gama de conhecimentos superiores. em termos de imortalidade e reencarnação. É o que afirma André Luiz: “Conhecemos grandes almas que renasceram na Terra por brevíssimo prazo. reconhecer-se-á que o Espírito em evolução pode solicitar conscientemente certas experiências ou ser induzido a ela em benefício próprio. a expectativa apresentação que lhes era costumeira.” Casos. ações meritórias de Espíritos missionários que renascem para viverem poucos anos em contato com a carne em função de tarefas espirituais. ex-suicidas (conscientes ou inconscientes) que necessitam do contato com os fluidos materializados do planeta. é comum a vinculação temporária de alguém a determinado serviço por tempo previamente considerado. não se encontrando Espíritos de crianças nas regiões umbralinas. Emmanuel afirma: “Porque a desencarnação de crianças. o complemento de uma vida interrompida antes do tempo devido. examinados do ponto de vista da imortalidade e do burilamento progressivo da alma.” Observamos pelo exposto que a morte prematura está quase sempre vinculada a erro grave de existência pretérita: almas culpadas que transgrediram a Lei geral que vigem os destinos da criatura e retornam à carne para recomporem a consciência ante o deslize. recobrando. entretanto. de quotas marcadas de tempo. segundo as escolhas que façam. com pouco tempo depois da . logo após o serviço levado a efeito. recobra parcialmente valores da memória. analisando a situação espiritual e o grau de lucidez desses Espíritos diz: “Os benfeitores espirituais habitualmente nos esclarecem que a criança desencarnada no Mais Além. E depois destes empreendimentos concluídos. no plano físico. Allan Kardec registra o pensamento dos Espíritos Superiores: “A duração da vida da criança pode ser. assemelha-se a enigmas de solução impraticável. buscando as especializações de que se observam necessitados.” CRIANÇAS NO PLANO ESPIRITUAL Com relação à posição espiritual dos Espíritos que desencarnam na infância. para isso. dependendo. através de viagens que variam de tipo. 64 CAPÍTULO XVI MORTE PREMATURA: CRIANÇAS NO MUNDO ESPIRITUAL CAUSAS DAS MORTES PREMATURAS Como explicar a situação da criança. Encontramos amigos que efetuam longos cursos de formação profissional em lugares distantes do recanto em que nasceram e outros que se afastam. e sua morte é frequentemente uma prova ou uma expiação para os pais. São. Há inúmeras descrições espirituais de Escolas. vidas tolhidas em flor?” “Muitos problemas observados exclusivamente do lado físico. parques. a prazo curto. foram cúmplices ou causadores indiretos da falta que gerou o sofrimento de hoje. Nas realizações terrestres. ei-las de regresso aos locais de trabalho em cuja estruturação se situam. no curso da existência. para seu Espírito. existem que não estão inseridos no processo de Ação e Reação e configuram sim. Chico Xavier. para refazerem a sutil estrutura eletromagnética de seu corpo espiritual. André Luiz informa-nos que todos eles são recolhidos em Instituições apropriadas. Esta é a imagem a que recorremos para que a desencarnação de crianças seja compreendida.

a sua personalidade de adulto. Em muitas situações. na fase infantil.André Luiz/Chico Xavier • Resgate e Amor . Jazem conduzidos pela Natureza. o desenvolvimento na vida espiritual é semelhante ao que se verifica no plano físico em que o ser humano é compelido a aprender vagarosamente as lições da existência e adiantar-se gradativamente. acham-se relativamente longe do autogoverno. Almas ainda encarceradas no automatismo inconsciente. o caminho não é o mesmo. à maneira de criancinhas no colo materno..Claudia/Chico Xavier • Crianças no Além .” Bibliografia • O Livro dos Espíritos . O mesmo não acontece com o Espírito que ainda não adquiriu patrimônio de experiência mais dilatado.” André Luiz vai pronunciar-se da mesma forma: “Acreditamos que o menino desencarnado retomasse. 65 desencarnação.Allan Kardec • Entre a Terra e o Céu . conseguindo. para que se afasta do veículo físico. por isso. É por esse motivo que não podemos prescindir de períodos de recuperação. para a grande maioria das crianças que desencarnaram.Marcos/Chico Xavier . conforme as exigências do tempo.. Contudo. seja por estar nos primeiros degraus da evolução humana ou por essência de aplicação pessoal ao estudo e a observação dos acontecimentos. de imediato. é o que acontece quando o Espírito já alcançou elevado estágio evolutivo. formular conceitos e anotações de acordo com a maturidade intelectual adquirida com laborioso esforço.Allan Kardec • O Evangelho Segundo o Espiritismo . Para o Espírito nesse estágio.Tiaminho/Chico Xavier • Escola no Além .

favorecê-los por um momento. prova que dá mais apreço à estima dos homens do que à de Deus. a braços com a maior penúria. quando tenha por fim obstar a que a vergonha caia sobre os filhos. Felizes os que as suportam sem se queixar. que só tem boa vontade para com aqueles a quem nada falta e que vos volta as costas assim precisais dele? Sacrificar a vida à consideração desse mundo é estultícia. que julga. 66 CAPITULO XVII SUICÍDIO 943. em afrontar a crítica de um mundo fútil e egoísta. porém. Quando se teve a coragem de praticar o mal.” a) — Não é sempre voluntário o suicídio? “O louco que se mata não sabe o que faz. não penseis que seja totalmente absolvido. em vez de uma.” 946. é preciso ter-se a de lhe sofrer as consequências. o suicídio daquele que procura escapar à vergonha de uma ação má? “O suicídio não apaga a falta. que. abrandar os rigores de sua justiça.” 944. conforme a causa. entretanto.” 945. O suicídio voluntário importa numa transgressão desta lei. como o que tem por causa o desespero. se o seu desespero nasce do orgulho. Todavia. se deixa morrer de fome? “É um suicídio. para me servir da linguagem deles. Ai dele. que corariam de dever a existência ao trabalho de suas mãos e que preferem morrer de fome a renunciar ao que chamam sua posição social! Não haverá mil vezes mais grandeza e dignidade em lutar contra a adversidade. como pensa que o faz.” Aquele que tira a si mesmo a vida. ou que teriam podido impedi-lo. Ao contrário. ou sobre a família? “O que assim procede não faz bem. a quem a indulgência espera.Donde nasce o desgosto da vida. com efeito. Que se deve pensar do suicídio que tem como causa o desgosto da vida? “Insensatos! Por que não trabalhavam? A existência não lhes teria sido tão pesada. As tribulações da vida são provas ou expiações. visto que volta para a vida espiritual carregado de suas iniquidades. Deus. porquanto ele a isso nenhum apreço dá. tendo-se privado dos meios de repará-las durante a vida . sobretudo. E do suicídio cujo fim é fugir. o trabalho nada tem de árido e a vida se escoa mais rapidamente.” 949. daqueles que esperam a salvação do que.” a) — Os que hajam conduzido o desgraçado a esse ato de desespero sofrerão as consequências de tal proceder? “Oh! esses. da saciedade”.Tem o homem o direito de dispor da sua vida? “Não. Demais. pois que é uma expiação que ele se impõe a si mesmo. também.” 947. ou a fortuna. mas para lhes fazer sentir mais tarde. podem. Mas. para fugir à vergonha de uma ação má. Ele lhe suporta as vicissitudes com tanto mais paciência e resignação. se lhe faltaram firmeza e perseverança e se não usou de toda a sua inteligência para sair do atoleiro. se apodera de certos indivíduos? “Efeito da ociosidade.” 948. que não têm a coragem de suportar as misérias da existência! Deus ajuda aos que sofrem e não aos que carecem de energia e de coragem. Será desculpável o suicídio. às misérias e às decepções deste mundo? “Pobres Espíritos. eliminai da vossa sociedade os abusos e os preconceitos e deixará de haver desses suicídios. haverá duas. Pode ser considerado suicida aquele que. a vacuidade dessas palavras. porque serão recompensados! Ai. ai deles! Responderão como por um assassínio. só a Deus assiste esse direito. “Para aquele que usa de suas faculdades com fim útil e de acordo com as suas aptidões naturais. são mais culpados do que ele. sem motivos plausíveis. A intenção lhe atenua a falta. nem por isso deixa de haver falta. aquele que o comete. mas os que lhe foram causa. Deus lhe leva isso em conta. Quero dizer: se for quais homens em quem o orgulho anula os recursos da inteligência. quanto obra com o fito da felicidade mais sólida e mais durável que o espera. da falta de fé e. É tão reprovável. chamam acaso. ou fortuna! O acaso. pode. na sua impiedade. cruelmente.

Quando uma pessoa vê diante de si um fim inevitável e horrível. as consequências de tal ato? “Uma expiação proporcionada. nas circunstâncias ordinárias. ou consciência perfeita da prática do mal. Encontram desculpa na nulidade moral que as caracteriza. E quem poderá estar certo de que. não comete atentado o que a ela renuncia pelo bem de seus semelhantes: cumpre um sacrifício. Será condenável uma imprudência que compromete a vida sem necessidade? “Não há culpabilidade. em tal caso. de que um socorro inesperado não venha no último momento?” a) — Concebe-se que. Não é. malgrado às aparências. conforme a intenção. Deus se opõe a todo sacrifício inútil e não o pode ver de bom grado. acrescidas do esquecimento de Deus. em não havendo intenção. geralmente. O suicida nada repara. dele se afastam por longo tempo. Não percebeis que. não podendo conformar-se com a perda de pessoas que lhes eram caras. na esperança de chegar mais depressa a uma vida melhor? “Outra loucura! Que faça o bem e mais certo estará de lá chegar. apressando voluntariamente sua morte? “É sempre culpado aquele que não aguarda o termo que Deus lhe marcou para a existência. em certos países. em a sua maioria. para concluir a vida a que pôs termo sob o influxo de uma idéia falsa. Deus. ou ser útil aos seus semelhantes? “Isso é sublime. o homem é duplamente culpado? Há nele então falta de coragem e bestialidade. por isso que as penas são proporcionadas sempre à consciência que o culpado tem das faltas que comete. 67 corpórea. se queimam voluntariamente sobre os corpos dos maridos? “Obedecem a um preconceito e. seja qual for. não raro.” Todo sacrifício que o homem faça à custa da sua própria felicidade é um ato soberanamente meritório aos olhos de Deus. O outro será muito mais punido.” 951. se matam na esperança de ir juntar-se lhes? “Muito diverso do que esperam é o resultado que colhem. à gravidade da falta. Ora. quem o faz guarda oculto um pensamento. às vezes. nesse caso. Comete suicídio o homem que perece vítima de paixões que ele sabia lhe haviam de apressar o fim. será culpada se abreviar de alguns instantes os seus sofrimentos. ou menos. de acordo com as circunstâncias. nesse caso. muitas vezes. é menos inexorável do que os homens. Esses usos bárbaros e estúpidos desaparecem com o advento da civilização. o suicídio seja condenável. quando aquele que o faz visa salvar a de outrem. Perdoa aos que sinceramente se arrependem e atende à reparação. Em vez de se reunirem ao que era objeto de suas afeições. matando-se. uma espécie de desvairamento. porque tem tempo de refletir sobre o seu suicídio.” 954. 950. se tem o orgulho a manchá-lo. por havê-las o hábito mudado em verdadeiras necessidades físicas? “É um suicídio moral. “É sempre uma falta de resignação e de submissão à vontade do Criador. Julgam cumprir um dever e esse não é o caráter do suicídio. há. sendo a vida o bem terreno a que maior apreço dá o homem. Mas. porém a que já não podia resistir. culpado do que o que tira a si mesmo a vida por desespero? “É mais culpado. pois. pois não é possível que Deus recompense um ato de covardia e o insulto que lhe fazem com o duvidarem da sua . o sacrifício da vida não constitui suicídio. antes de o cumprir. esse termo tenha chegado. retarda a sua entrada num mundo melhor e terá que pedir lhe seja permitido voltar. meritório o sacrifício da vida. que lhe diminui o valor aos olhos de Deus.” 953. Podem ser consideradas suicidas e sofrem as consequências de um suicídio as mulheres que. porque resulta da prática da lei de caridade.” a) — Será mais. Que pensar daquele que se mata. Só o desinteresse torna meritório o sacrifício e. Mas. mais à força do que por vontade.” b) — Quais. e na ignorância em que se acham. mas. como sempre. Naquele que o faz instantaneamente. que alguma coisa tem da loucura. e. Alcançam o fim objetivado aqueles que. muitas vezes. jamais abre a ninguém o santuário dos eleitos.” 956. Uma falta.” 955. 952. deve refletir sobre se sua vida não será mais útil do que sua morte. estamos figurando o caso em que a morte é inevitável e em que a vida só é encurtada de alguns instantes.

Allan Kardec . as consequências do suicídio? “Muito diversas são as consequências do suicídio. As consequências deste estado de coisas são o prolongamento da perturbação espiritual. expia. a fim de voarem para mundos melhores. no caso de morte natural. Entretanto. disseram ter-se suicidado na existência precedente e submetido voluntariamente a novas provas. como no-lo ensinam. depende das circunstâncias. durante mais ou menos tempo. se lhes conserva interdito. Pagarão esse instante de loucura com aflições maiores do que as que pensaram abreviar e não terão. o suicida fica isento das consequências da sua falta de coragem e. Alguns há. Mas. correspondem sempre às causas que o produziram. verifica-se uma espécie de ligação à matéria. uma espécie de repercussão do estado do corpo no Espírito. Há. primeiro. por estar quase sempre esse laço na plenitude da sua força no momento em que é partido. por que não se tem esse direito? Por que não é livre o homem de pôr termo aos seus sofrimentos? Ao Espiritismo estava reservado demonstrar. em caso algum. mostra que os efeitos do suicídio não são idênticos. nalguns suicidas. que será pior do que aquela cujo curso interromperam. para tentarem suportá-las com mais resignação. em princípio. comuns a todos os casos de morte violenta e que são a consequência da interrupção brusca da vida. estado esse que também pode durar pelo tempo que devia durar a vida que sofreu interrupção. Assim é que certos Espíritos. Em alguns. outros em nova existência. de que inutilmente procuram desembaraçar-se. uma consequência a que o suicida não pode escapar. que. o Espírito se conserva de que ainda pertence ao número dos vivos. somente por constituir infração de uma lei moral. Todas nos dizem. pelo exemplo dos que sucumbiram. ele se enfraquece gradualmente e muitas vezes se desfaz antes que a vida se haja extinguido completamente. porém. a persistência mais prolongada e tenaz do laço que une o Espírito ao corpo. Quais. Não há penas determinadas e. não a teoria. a culpa em que incorreu. porém. mas também um ato estúpido. cedo ou tarde. mas. que ninguém tem o direito de abreviar voluntariamente a vida. seguindo-se à ilusão em que. A maior parte deles sofre o pesar de haver feito uma coisa inútil. a satisfação que esperavam. cujo acesso.” A observação. donde lhe resulta uma sensação cheia de angústias e de horror. com relação ao estado do Espírito. Há. consideração de pouco peso para certos indivíduos. Bibliografia • O Livro dos Espíritos . para compensá-las. a seu mau grado. todas as filosofias condenam o suicídio como contrário às leis da Natureza. 68 providência. A religião. em geral. ao passo que. antes o contrário é o que se dá. é o desapontamento. pois que só decepções encontram.” (934 e seguintes) 957. que o suicídio não é uma falta. porém. assim. porém os fatos que ele nos põe sob as vistas. a sorte não é a mesma para todos. sente os efeitos da decomposição. que foram muito desgraçados na Terra. em todos os casos. Não é geral este efeito. realmente. pois que nada ganha quem o pratica. Alguns expiam a falta imediatamente. a moral. de um modo ou de outro. A afinidade que permanece entre o Espírito e o corpo produz.

da luta. no volume ou na constituição física da Terra. Mundos de Regeneração Os mundos de regeneração servem de transição entre os mundos de expiação e os felizes. Segundo o Codificador. física. Os Espíritos vinculados a eles necessitam muito evoluir. num grande número de seus habitantes. seria por em dúvida a sabedoria de Deus. A superioridade da inteligência. inveja que o tortura e ódio que o asfixia. onde. contra as más inclinações os Espíritos ali vinculados poderão alçar-se a globos menos materializados. mas habitados por entidades desencarnadas. os Espíritos superiores não estão declarando que se trata de vida orgânica. Nesses mundos. enfim. em bondade e em inteligência. o descanso. nem na posição. mais sim. Allan Kardec afirma: “Deus povoou os mundos de seres vivos e todos concorrem para o objetivo final da Providência. mas a aurora da felicidade. que todos os globos que circulam no espaço são habitados. no entanto. A Terra nos oferece um dos tipos de mundos expiatórios. . através das dificuldades. DIFERENTES MUNDOS Kardec apresenta uma classificação didática dos diferentes mundos: Mundos Primitivos São aqueles onde se verificam as primeiras encarnações da alma humana. aliás. neles encontra a paz. aguardando o momento de uma nova encarnação. A humanidade ainda experimenta as nossas sensações e os nossos desejos. Com relação à constituição física dos seres que habitam os diferentes globos. à semelhança da Terra. com exclusão de tantos milhares de mundos semelhantes”. esses mundos transitórios estão despovoados momentaneamente. pode razoavelmente levar-nos à suposição de que ela tenha o privilégio de ser habitada. os benfeitores afirmam que eles absolutamente não se assemelham. Nesses mundos o homem ainda está sujeito às leis que regem a matéria. pois os eles têm organizações distintas. A alma que busca uma evolução consciente. Neles não há mais orgulho que emudece o coração. em que as variedades são infinitas. mas também os numerosos vícios a que se inclinam são o indício de uma grande imperfeição moral. e os elementos para avançar. mas têm por caráter comum servir como meio de expiação aos erros do passado e apresentar provas para o futuro. Sabemos que muitos orbes não estão constituídos por uma população de almas encarnadas. Suas qualidades inatas são a prova de que os Espíritos ali encarnados já realizaram certo progresso. Nada. mas está isenta das paixões desordenadas que nos escravizam. São ainda inferiores a Terra. Acreditar que os seres vivos estejam limitados apenas ao ponto que habitamos no universo. por Espíritos errantes. Kardec denomina de Mundos Transitórios a estes globos desprovidos de vida orgânica. que nada fez de inútil e deve ter destinado esses mundos a um fim mais sério do que o de alegrar os nossos olhos. ainda não existe a perfeita felicidade. 69 CAPITULO XVIII DIFERENTES CATEGORIAS DE MUNDOS HABITADOS A existência de vida em outros mundos do universo é um dos princípios fundamentais da Doutrina Espírita. contudo. Ao afirmar. indica que eles não são um mundo primitivo. tanto moral quanto intelectualmente. significando que poderão ser habitados no futuro ou já foram povoados no passado. Mundos de Expiação e Prova Correspondem a mundos em que ainda predomina o mal. como “os peixes são feitos para viver na água e os pássaros no ar”.

70 Mundos Felizes São aquele onde o bem supera o mal. sendo os animais mais adiantados do que na Terra. e os seres vivos não mais se matam para se alimentarem. e a mediunidade intuitiva é bem mais evidente do que entre nós. • o Espírito é mais livre. . porque decorre unicamente do mérito e se exerce sempre com justiça. mas é mais curta e menos ingênua. • a duração da vida é bem maior. • as plantas e os animais são mais perfeitos. Mundos Celestes ou Divinos Morada dos Espíritos purificados. • a intuição do futuro e a segurança que lhes dá uma consciência tranquila e isenta de remorsos fazem que a morte não lhes cause nenhuma apreensão. tem percepções que desconhecemos. Kardec mostra-nos algumas características desses mundos: • a matéria é menos densa. o Espírito encarnado goza de quase todas as faculdades do Espírito. • a reencarnação é quase imediata. • a lembrança das existências corpóreas é mais precisa. o homem já não se arrasta penosamente pelo solo. suas necessidades físicas são menos grosseiras. pois a matéria corpórea sendo menos grosseira. onde o bem reina sem mistura. • a autoridade é sempre respeitada. pois o corpo está menos sujeito às vicissitudes da matéria grosseira. • a infância existe.

está submetido à lei do progresso. Podem ser degredados para mundos inferiores. através do sofrimento e das dificuldades. pois da luta das ideias que surgirão os graves acontecimentos anunciados. dispostos para a ascensão progressiva das almas.. cada um por sua vez. foi predita em várias passagens do Evangelho. são as humanidades. A geração atual desaparecerá gradualmente. serão decepcionados”. os evangelistas e os apóstolos puderam pressentir que esse momento não estava longe. A escala grandiosa dos mundos tem inúmeros graus. A Transformação da Terra Informam os Espíritos superiores. onde adquirem novos conhecimentos. em que grandes acontecimentos se vão dar para a regeneração da humanidade. deixam-no para encarnar em outro mais adiantado. Estamos vivendo. uma dessas mudanças bruscas. que assinala os períodos progressivos da humanidade. e não de cataclismos ou catástrofes puramente materiais. que os devem transpor. “O meu reino ainda não é deste mundo. O Espírito elevado é destinado a renascer em planetas mais bem dotados que o nosso. Kardec ensina: “Uma mudança tão radical como a que se elabora não pode realizar-se sem comoção: haja luta inevitável entre as ideias. com o objetivo de auxiliar o progresso. A encarnação em mundo inferior àquele em que o Espírito viveu em sua última existência pode ocorrer em dois casos: • em missão. informam-nos os diversos autores espíritas que. gradual e insensível. em que o orbe terráqueo vai sofrer profundas transformações quanto às populações de Espíritos vinculadas a ele. pela transformação dos elementos que o compõe e. egoístas. Os cataclismos gerais eram a consequência do estado de formação da Terra. pois os homens serão avarentos. sem que nada seja mudado na ordem material das coisas. a outra caracterizada por mudanças bruscas. 71 ENCARNAÇÃO NOS DIFERENTES MUNDOS A encarnação nos diferentes mundos obedece a um critério de progresso moral. que são chegados os tempos marcados pela Divindade. sem abalos ou comoções no orbe. e a nova lhe sucederá do mesmo modo. às vezes com expressões duras. para que. epidemias cruéis. sendo degredados para mundos inferiores. arrogantes. Progride fisicamente. sem traumas físicos. • em expiação. É. Não haverá guerras exterminadoras.. insensíveis ao convite para a renovação moral não mais se reencarnarão no globo.. etc. no próximo milênio. recalcitrantes no erro. Quando em um mundo. flagelos gravíssimos. . a cada uma das quais corresponde um movimento ascensional mais rápido. eles se reeduquem.” (João Batista) “Nos últimos dias sobrevirão tempos difíceis. como tudo o que existe. porque está próximo o reino dos céus. os Espíritos hão realizado a soma de progresso que o estado desse mundo comporta. para aqueles Espíritos renitentes no mal. grandes desastres ecológicos. pela depuração dos Espíritos encarnados e desencarnados que o povoam. De duas maneiras se executa esse duplo progresso: uma lenta. o que ocorrerá é uma seleção de Espíritos. moralmente.”(Jesus) “Bem aventurados os mansos porque herdarão a Terra. Esta transformação admirável do planeta. O nosso globo.” Segundo Kardec. A transformação é puramente espiritual e vai desenvolver-se paulatinamente. hoje não são as entranhas do globo que se agitam. porque esse processo de evolução espiritual do planeta vai desenrolar-se sem cataclismos. Os Espíritos que encarnam em um mundo não se acham a ele presos indefinidamente. a Terra vai deixar de ser um Mundo de Provas e Expiações e alçar-se-á a categoria de Mundo de Regeneração.”(Jesus) “Arrependei-vos. pois. consequência mesmo da força das coisas. todavia eles não irão avante” (Paulo a Timóteo) Assevera Allan Kardec “que aqueles que esperarem ver as transformações por efeitos maravilhosos. Espíritos endurecidos no mal. Sob forma figurada. hoje.

onde se concentra o maior número de aparelhos mediúnicos do globo. Será o berço moral da humanidade. onde as ideias espíritas são aceitas com maior tranquilidade (75% dos brasileiros se dizem reencarnacionistas. onde o Espiritismo é mais cristão. conscientes da necessidade de se esforçarem na conquista do bem comum. seus conselhos são desprezados. a base educativa para todos os povos. que os achincalham e maltratam. As evidências dessa tarefa espiritual estão nos próprios fatos relacionados ao movimento espírita brasileiro: o Brasil é o maior país espírita do mundo. não exige absolutamente a renovação integral dos Espíritos: basta uma modificação em suas disposições morais. Lembra ainda o Codificador que “A regeneração da humanidade. mas transformado. cem a cem do regimento e substituídos. nem sempre os que encarnarem serão outros Espíritos. O cristianismo redivivo através do Espiritismo partirá do Brasil em direção aos outros povos convidando-os a “permanecerem” na Terra através da reformulação interior.” O PAPEL DO BRASIL O Brasil. Essa modificação se opera em todos quantos lhe estão predispostos. desde que sejam subtraídos à influência perniciosa do mundo. já tendo sido expulsos se corrigiram. Assim. Eles se amparam. são com frequência os mesmos Espíritos. deverá concretizar-se durante o terceiro milênio. Uma comparação vulgar ainda melhor fará compreender o que se passa nessa circunstância. com . os poucos bons nenhuma influência exercem. dez a dez. mesmo por alguns dos que. Este processo. segundo os benfeitores. porque mais numerosos do que os outros. Ao cabo de algum tempo. Figuremos um regimento composto na sua maioria de homens turbulentos e indisciplinados. a Terra estará recebendo Espíritos sensíveis. acreditam na comunicação dos Espíritos). Esses homens são os mais fortes. mas pensando e sentido de outra maneira. especialmente Humberto de Campos. 72 Por outro lado. Suponhamos que esses homens são retirados um a um. os quais ocasionarão nele constantes desordens. A boa ordem terá sucedido à desordem. foi o país determinado por Jesus para sustentar espiritualmente essa transformação. e o mais importante. existirá o mesmo regimento. mais ainda. animam e estimulam pelo exemplo. segundo informam os benfeitores espirituais. sofrem com a companhia dos outros.

Bibliografia • O Livro dos Espíritos . Pátria do Evangelho – Humberto de Campos .Allan Kardec • Brasil. Fortalecendo. e com o centro de seus interesses na prática do bem. em nosso país. fazendo com que a paz. Coração do Mundo.Allan Kardec • O Evangelho Segundo o Espiritismo . estaremos dando passos seguros no sentido de que o processo de transformação da Terra desenvolva-se o mais rapidamente possível.Allan Kardec • A Gênese . a mensagem renovadora do Espiritismo. na caridade em sua feição mais pura. a concórdia e a solidariedade estabeleçam raízes entre nós. 73 a mediunidade amplamente gratuita.

a justiça. à constituição e às propriedades da matéria. segundo o grau de evolução alcançado pelos homens. Assim a mensagem espírita deve ser clara e sem equívocos. Como estas leis proveem de Deus. então. são leis perfeitas. O conhecimento das leis naturais permite ao homem entender melhor o significado da moral. a sociedade. é o tipo de perfeição moral a que a Humanidade pode aspirar na Terra. a liberdade. o homem evolui e aperfeiçoa suas próprias leis. a conservação. Entre as leis naturais algumas estão relacionadas ao mundo material. permitindo que cada um possa julgá-la e apreciá-la de acordo com a sua capacidade de compreensão. resistir aos vícios e superar as dificuldades significa acima de tudo demonstrar uma compreensão melhor da vida e das leis que a regem. variando de povo para povo através dos tempos. foi necessário. indicando-lhe o que deve fazer e o que deve evitar. para o desenvolvimento evolutivo de todos os homens. A infelicidade surge sempre como uma consequência do seu afastamento da lei. a reprodução. não têm outra missão senão a de desenvolver e explicar os ensinamentos de Jesus. renunciar ao egoísmo e ao mal. retirando toda a alegoria e tornando-os inteligíveis para todos. Conforme cresce o conhecimento das leis divinas. Fazer o bem no limite de nossas possibilidades. são as chamadas leis morais. amor e caridade. O CONHECIMENTO DA LEI NATURAL Embora as leis de Deus estejam escrita na consciência do homem como a assinatura de um artista em sua obra. como Espírito. Ensinam os Espíritos que a lei natural é a única necessária à felicidade do homem. eternas e imutáveis. como distinção entre o bem e o mal. leis da genética. e as suas relações com Deus e com seus semelhantes. a fim de que ela possa ser mais bem estudada e compreendida: a adoração. enquanto mal é tudo aquilo que dela se afasta. o trabalho. o progresso. A prática do bem surge então como condição essencial para o crescimento espiritual. A legislação humana é um pálido reflexo das leis divinas. a expressar-se nas leis divinas. DIVISÃO DA LEI NATURAL Uma vez que a lei natural está relacionada com todas as circunstâncias da vida. a estrutura dos átomos. . que segundo Allan Kardec. a igualdade. Os Espíritos que hoje retornam através do Espiritismo. 74 CAPITULO XIX LEI NATURAL E LEI DE ADORAÇÃO CONHECIMENTO E DIVISÃO DA LEI NATURAL Devemos entender por lei natural. A verdade. que Espíritos Superiores recebessem a missão de revelá-las gradativamente aos homens. conforme é assimilada. ampliando o conhecimento que o homem tem das leis naturais. Outras se relacionam mais ao homem. tais como a lei de gravitação. o conjunto de princípios eternos. O bem pode ser compreendido como tudo aquilo que está de acordo com a lei de Deus. compreendida e praticada pelos homens. Allan Kardec vai propor uma divisão. imutáveis e perfeitos que governam o Universo. a destruição. Dentre todos se destaca Jesus. leis da eletricidade. ou seja. ser útil aos semelhantes sempre que possível. São as chamadas “leis da Natureza” e exprimem a vontade do Criador para a criação. ou lei divina. através do desenvolvimento da sua inteligência e da sua moralidade. Jesus é o mais perfeito modelo que o homem possui e a sua doutrina é a mais pura expressão da lei de Deus. funcionando automaticamente. Tais Espíritos podem ser reconhecidos em todos os tempos por suas palavras e suas ações. trazem consigo as características ou atributos do próprio Deus. O objetivo das leis divinas é levar o Homem à perfeição. vai sendo revelada aos poucos. na comparação de Herculano Pires. não dando margens a interpretações pessoais. ao longo dos séculos. etc.

para a Doutrina Espírita. não fazer o bem já é um mal. a prece proporciona. Ensina-nos a Doutrina Espírita que a adoração dispensa aparatos exteriores. o Espiritismo esclarece-nos que as privações voluntárias meritórias seriam representadas pela “privação dos prazeres inúteis. independentemente de Deus conhecer as nossas necessidades. O propósito declarado do sacrifício varia muito entre as diferentes culturas. Raramente é usado em ciências sociais no seu significado popular de renúncia de qualquer coisa de valor em favor de qualquer autoridade superior ou objeto de respeito ou dever. Assim. através de rituais. pois que lhes impõe deveres a cumprir na Terra. com fundamento no princípio de que. A verdadeira adoração é a do coração. Portanto. pois resulta de um sentimento inato no homem. Adoração consiste na elevação do pensamento a Deus. muitos homens se afastam do mundo. porque vive uma vida toda pessoal e inútil à Humanidade. subentende-se que o sacrifício será consumido pela divindade. se é certo que não fazem o mal. Por extensão. já que aproxima a criatura do seu Criador. Meritório é resistir à tentação que arrasta ao excesso ou ao prazer das coisas inúteis. A adoração está na Lei Natural. ou ainda produtos de colheita vegetal ou outros objetos. todos os filhos da raça humana são unidos por laços estreitos de paternidade e solidariedade. se bem que de forma diferente. “O Espiritismo reconhece como boas as preces de todos os cultos. representa uma oferenda que se faz à divindade. no aspecto religioso. Em decorrência desses conhecimentos passa-se a entender e a justificar a relação que os homens devem ter para com o seu Criador. No sentido primitivo e unicamente religioso. Pela adoração o homem aproxima dele a sua alma. quando ditas de coração e não de lábios somente. além da característica do ritual. Nenhum mérito traz a vida contemplativa porque.” Este argumento não oferece muita lógica porque. Deus quer que os homens pensem Nele. A Prece e Sua Eficácia “Há quem conteste a eficácia da prece. Sacrifícios A palavra sacrifício. Disseram os Benfeitores a Kardec: “Amparar os pobres e os aflitos é o melhor meio de homenagear a Deus”. conhecendo Deus as nossas necessidades. é o homem tirar do que lhe é necessário para dar aos que carecem do bastante”. Por essa razão é que existe entre todos os povos. Vindo de Deus. Quem passa todo o tempo na meditação e na contemplação nada faz de meritório aos olhos de Deus. um bem-estar incalculável. etimologicamente. É importante que se faça uma diferença entre os conceitos religiosos que se tem do termo e a sua concepção social ou popular. 75 LEI DE ADORAÇÃO Finalidade da Adoração A concepção da paternidade divina traz benefícios enormes ao Espírito. também o é que não fazem o bem e são inúteis. Não existe qualquer fórmula para orar.” . tem o sentido de “fazer alguma coisa sagrada”. A oferenda pode ser representada por uma pessoa ou animal vivo. aquela que parte do homem e se dirige a Deus no recanto de sua consciência. sem cerimônias e rituais religiosos. porque desprende da matéria o homem e lhe eleva a alma. mas não quer que só Nele pensem. fazer o bem aos nossos semelhantes é o maior mérito que as privações voluntárias podem proporcionar. a quem ora. Neste sentido. vivendo isolados em vida contemplativa. Vida Contemplativa Como consequência do ato de adoração. todas as almas são irmãs. inútil se torna expô-las. o sacrifício pode ser considerado como uma renúncia ou privação voluntária de alguma coisa. Demais.

as mais variadas preces. ou uma glorificação. simples e concisa. todos nós podemos endereçar a Deus. é a prece do trabalho. com decisão e firmeza. obtém o homem o concurso dos bons Espíritos que acorrem a sustentá-lo em suas boas resoluções e a inspirar-lhe ideias sãs.” Bibliografia • O Livro dos Espíritos . em oração. no santuário de lutas purificadoras. vós o recebereis” [Mateus-XXI:22] revelou-nos que o ato de orar é algo mais profundo do que se pode observar à primeira vista. para esperar e compreender as respostas de Deus. em todos os sentidos e circunstâncias da vida. a força moral necessária a vencer as dificuldades e a volver ao caminho reto. pode também desviar de si os males que atrairia pelas suas próprias faltas. Ele adquire. o que é para o nosso bem.” Quando Jesus nos disse: “tudo o que pedirdes com fé. fora ilógico deduzir que basta pedir para obter e fora injusto acusar a Providência se não acede a toda súplica que se lhe faça. em qualquer parte e em qualquer tempo.Allan Kardec • Entre a Terra e o Céu . um agradecimento. aprender a orar e a entender as respostas do Alto às nossas súplicas. Entre o pedido terrestre e o Suprimento Divino. porque Jesus abençoará as suas realizações de esforço sincero. As preces feitas a Deus escutam-nas os Espíritos incumbidos da execução de suas vontades. no entanto. Pode ter por objeto um pedido. nós todos precisamos cultivar paciência e humildade. “Em verdade. para que se efetive o auxílio solicitado”.Allan Kardec • O Evangelho Segundo o Espiritismo . Por esse meio.André Luiz / Chico Xavier . melhor do que nós. se deste se afastou. 76 A qualidade principal da prece é ser clara. uma vez que ela sabe. pois. Desta máxima: “concedido vos será o que quer que pedirdes pela prece”. é imperioso funcione a alavanca da vontade humana. “Pela prece. É importante. desse modo. “O que o homem não deve esquecer.

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o criminoso se regenera. Em suas dádivas de realização para o bem. exerce a fraternidade com o próximo e aperfeiçoa-se no conhecimento transcendente da alma imortal. sua segurança e seu bem-estar dependem do seu trabalho e da sua atividade. Desde as imperiosas necessidades de comer e beber. Sendo assim. entendemos que os conflitos sociais representam uma das principais causas de sofrimento do mundo contemporâneo. cria valores para a ascensão sublime. Sem o trabalho. o que nem sempre acontece. É preciso que aquele que tem de prover à sua existência por meio do trabalho encontre em que se ocupar. o homem permaneceria sempre na infância. é das maiores bênçãos de Deus no campo das horas. defender-se dos excessos climatéricos até os processos de garantia e preservação da espécie. configura-se sob três aspectos principais: material. que não basta se diga ao homem que lhe corre o dever de trabalhar. o trabalho se impõe ao ser humano como uma necessidade porque é um meio de aperfeiçoamento da sua inteligência. o ignorante aprende. por adquirir qualidades elevadas. qual a miséria. Mas é sempre um trabalho. Daí todos os antagonismos sociais. e todas as suas consequências calamitosas. e sacrifica sem escrúpulo os interesses alheios. propriamente dito. Quando se generaliza. pela reprodução. Desde que cada um pensa em si antes de pensar nos outros e cogita antes de tudo de satisfazer aos seus desejos. Ao extremamente fraco de corpo outorgou Deus a inteligência. desenvolvendo as possibilidades do meio ambiente em que se situa. ou incorretamente administrados. Pelo trabalho espiritual. no processo evolutivo do aperfeiçoamento universal. O trabalho. o doente se refaz. como nas maiores. simultaneamente. todas as lutas. tanto de ordem moral. entendido como lei da Natureza. ampliando os recursos de preservação da vida. Devemos considerar. por meio das suas necessidades imediatas na comunidade social onde vive. em tese. é bem sabido que a maior parte das misérias da vida tem origem no egoísmo dos homens. podem gerar uma situação de pobreza generalizada. É o guia na descoberta de nossas possibilidades divinas. lutará. Os Espíritos Orientadores nos esclarecem que o trabalho do homem visa duplo fim: a conservação do corpo e o desenvolvimento da faculdade de pensar. o triste se reconforta. Nós espíritas sabemos que as desigualdades sociais existentes no Planeta estão vinculadas . Por isso é que seu alimento. No campo da atividade moral. ou. visto que cada um só trata de despojar o seu próximo. Refletindo a respeito desse assunto. dignifica-se o homem no cumprimento dos deveres para consigo mesmo. espiritual. o que também é uma necessidade e o eleva acima de si mesmo. o homem vê-se coagido à obediência à lei do trabalho. para o ser em processo de evolução. em compensação. se for o caso. a todo custo. a suspensão do trabalho assume as proporções de um flagelo. quanto à inteligência. para com a sociedade de que participa. mediante a qual o homem forja o próprio progresso. cada um naturalmente cuida de proporcionar a si mesmo essa satisfação. Nele a alma edifica a própria casa. O trabalho. Através do trabalho material. 78 CAPITULO XX LEI DO TRABALHO O trabalho é lei da Natureza. quanto de ordem material. moral. assim nas mais insignificantes coisas. Os conflitos sociais não resolvidos. Na verdade. todos os conflitos e todas as misérias. porém. por sublimar aquelas com que já se sente aquinhoado. para com a família que Deus lhe confiou.

nada fazendo para impedir ou minimizar o estado de sofrimento material e moral reinante ao seu derredor. porquanto. atacar a raiz do mal: o orgulho e o egoísmo. Em suma. para os que a sofrem. transgride a lei de Deus. em verdade. da violência e da miséria. alimentada pelo orgulho e egoísmo. pois a pobreza é. PODEMOS DESCANSAR UM POUCO? Qual o limite do trabalho? “O das forças. inclusive. As desigualdades humanas trazem implicações de ordem econômico-social. importa destruir as causas de antagonismo. no plano espiritual. a esse respeito Deus deixa inteiramente livre o homem. André Luiz nos faz inúmeras referências a respeito deste assunto em sua obra. em geral decorrentes da má distribuição de rendas. . por exemplo. Uma sociedade estabelecida sobre essas bases está marcada pelos contrastes sociais. EXISTE DESCANSO NO MUNDO ESPIRITUAL? O limite do trabalho e do repouso é observado. a pobreza e riqueza devem ser entendidas como instrumento de melhoria espiritual. estimula a permissibilidade moral. No primeiro caso. Para que os homens vivam na Terra como irmãos. nos informa: “Aqui. a riqueza é. permitindo-se que uma minoria humana viva em abundância. a fim de que se eleve acima da matéria. Em Nosso Lar. a prova da paciência e da resignação. assim fazendo. não basta se lhes deem lições de moral. As pessoas tornam-se indolentes e omissas.” Que se deve pensar dos que abusam de sua autoridade. A visão materialista da vida. para outros.” O repouso serve para reparação das forças do corpo e também é necessário para dar um pouco mais de liberdade à inteligência. a lei do descanso é rigorosamente observada. mas a lei do trabalho é também rigorosamente cumprida”. estimuladores do desemprego. 79 a dois pontos fundamentais: a manifestação da lei de causa e efeito e a visão materialista da vida. a prova da caridade e da abnegação. para que determinados servidores não fiquem mais sobrecarregados que outros. Todo aquele que tem o poder de mandar é responsável pelo excesso de trabalho que imponha a seus inferiores. impondo a seus inferiores excessivo trabalho? “Isso é uma das piores ações. causa do relaxamento dos usos e costumes sociais. e uma maioria sofra os rigores da pobreza e da miséria.

Allan Kardec • O evangelho segundo o espiritismo . Que o trabalho. • Obras póstumas . Tudo na imensidão é serviço opulento. é a glória que condensa O salário da Terra e a bênção do Infinito. luta e contentamento.Allan Kardec • Jacob / Chico Xavier . Franco • O Livro dos Espíritos .Nosso lar . Júbilo de ajudar.Estudando o evangelho. Trabalha e serve sempre. Tudo se agita e vibra.Voltei.Notícias do Plano . em cântico divino Do trabalho imortal.Parnaso de além-túmulo.Allan Kardec • André Luiz / Chico Xavier . Múcio Teixeira/Chico Xavier . 80 Honra ao Trabalho Trabalha e encontrarás o fio diamantino Que te liga ao Senhor que nos guarda e governa. brunindo a vida eterna! . Desde o fulcro solar ao fundo da caverna. FIXAÇÃO DO TEXTO  A necessidade do trabalho é lei da natureza? O que isso quer dizer?  Quais as finalidades do trabalho do homem?  Este trabalho ao qual se refere a lei. . Da beleza do herói ao verme pequenino. Desde a flor da montanha às trevas do granito. Ante cuja grandeza o mundo se prosterna. por si. é apenas o trabalho que se exerce para assegurar a existência?  Como o espiritismo explica as desigualdades sociais? Ou como explicar a pobreza e a riqueza?  Como solucionar o problema da pobreza? Bibliografia •Joanna de Ângelis / Divaldo P. alheio à recompensa. • Humberto de Campos / Chico Xavier .Reportagens de além-túmulo. • Martins Peralva . . Buscando a solução da dor e do destino.O egoísmo e o orgulho .

pois só virá reformar o que os homens já fizeram”. Não é contrária a Lei Natural. legalizadas ou não. Kardec pergunta se a indissolubilidade do casamento pertence à Lei de Deus ou se é apenas uma lei humana.” E acrescentam: “Na poligamia nada mais há que sensualidade”. Os Espíritos responderam: “A indissolubilidade do casamento é uma lei humana muito contrária à lei natural”. A união de dois seres é um progresso na marcha da Humanidade. alegando imaginárias incompatibilidades e supostos embaraços. A poligamia permitiria a reprodução. igualmente. costumam desertar-se dos postos de serviço em que a vida os situa. embora não venha a estimulá-lo. porque não existem na Terra uniões conjugais. permitindo que novos Espíritos mergulhem nos fluidos do planeta. por isso mesmo. permitindo a troca de valores energéticos. através da permuta de vibrações simpáticas. nas primeiras dificuldades da tarefa a que foram chamados. • Permuta afetiva: a instituição do casamento vai tornar harmônica e sadia a relação entre os casais. apresentamos algumas opiniões importantes: Evolução em Dois Mundos . os homens e as mulheres sofrem-lhe ainda as sugestões animalizantes e. Kardec comenta: “O divórcio é uma lei humana cuja finalidade é separar legalmente o que já está separado de fato. A posição de Kardec deixa-nos serenos para afirmar que o Espiritismo não é contrário à instituição do divórcio. Kardec ouviu deles a seguinte resposta: “Não. Aprende. haverá um natural arrefecimento do interesse sexual entre os cônjuges. • Aprimoramento sexual: o casamento é um dos elementos mais efetivos no burilamento do instinto sexual. O DIVÓRCIO A posição espírita ante o divórcio está plenamente estabelecida nas duas obras mais conhecidas da codificação espírita: O Livro dos Espíritos e O Evangelho Segundo o Espiritismo. e eles aprenderão a se alimentar do afeto do parceiro através de métodos mais espiritualizados. indispensável ao crescimento espiritual da criatura. à vida dos animais. Mal saídos do regime poligâmico. para avançarem em sua fieira evolutiva. os Benfeitores voltam a insistir e dizem: “As vossas leis nesse particular são erradas. somos de parecer que não deva ser facilitado ou estimulado entre os homens. . Quando Kardec examina as uniões infelizes. sem vínculos graves no princípio da responsabilidade assumida em comum. pois acreditais que Deus vos obriga a viver com aqueles que vos desagradam”. sublimando o seu aspecto de busca do prazer. vai lembrar que a abolição do casamento seria um retorno à infância da Humanidade. o casal a conduzir a sua energia erótica para outras atividades. examinando a resposta dos Guias espirituais. quase sempre atribuíveis ao desregrado narcisismo de que são portadores.André Luiz/Chico Xavier: Quanto ao divórcio. 81 CAPITULO XXI LEI DE REPRODUÇÃO MONOGAMIA E POLIGAMIA Ao indagar aos Benfeitores se a união permanente de dois seres seria contrária à Lei Natural. porque a monogamia é um sinal indicativo do progresso da civilização. As principais funções do casamento são: • Formação do lar: através do casamento haverá a formação do grupo familiar. mas sem estrutura do lar. Com o passar dos anos. Allan Kardec. nem tampouco incitá-lo nos casais com problemas de relacionamento. A este respeito.

essa mesma jovem foi. ainda mais considerando quanto aos filhos. A ação inteligente do homem é um contrapeso que Deus dispôs para restabelecer o equilíbrio entre as forças da Natureza e é ainda isso o que o distingue dos animais. a interrupção da gravidez antes da prematuridade – abortamento. porque ele age com o conhecimento de causa. No entanto. quiçá perigoso. assim. de acordo com as necessidades. em muitos casos será talvez amanhã. a ação com o resultado dela. que assinala a si mesma o casamento difícil que faceará na estância física.Joanna de Ângelis . porém. OBSTÁCULOS À REPRODUÇÃO Dizem os Espíritos que tudo o que embaraça a Natureza em sua marcha é contrário à lei geral. d) rejeições. pois que este último é devido à interferência intencional da gestante. ABORTO ESPONTÂNEO a) má-formação do aparelho reprodutor. suscetível de constrangê-la a carregar todo um calvário de aflições. obstem ao desenvolvimento excessivo. A jovem suave que hoje nos fascina. esteja ele representado pelo ovo. cientificamente. foi no pretérito a vítima dele próprio. antes da atitude definitiva para o divórcio. para a ligação afetiva. Esse mesmo rapaz. antes da sua viabilidade. o ato de abortar com seu cadáver. lhe desfigurou o caráter. O ABORTO O termo aborto que. bastas vezes será provavelmente depois o homem cruel e desorientado. denomina-se parto prematuro. porquanto o instinto de destruição que lhes foi dado faz com que. Pode ser o aborto. metamorfoseando-o no homem vicioso ou fingido que lhe compete tolerar e reeducar. chamando a si o parceiro ou a parceira de existências pretéritas para os ajustes que lhe pacificarão a consciência. que merecem que os pais se imponham em uma união respeitável. ultrapassada – parto serotino. através da renúncia pessoal. Pode. indica o produto do abortamento. pelo embrião ou pelo feto. c) processos obsessivos. à vista de erros perpetrados em outras épocas. para a vida dos filhos. é a própria individualidade. o que padeça a prole. a expulsão do feto viável. das espécies animais e vegetais de que se alimentam. será considerado responsabilidade dos genitores. sobre todos os seres vivos. regular a reprodução. Allan Kardec esclarece: . . e a diferença está na intenção. aborto ou abortamento seria a expulsão do concepto. quando desregrado ou caprichoso. de cujo esforço muito dependerá a felicidade deles. dos pais ou do Espírito reencarnante. sem abusar. antes da reencarnação. um poder de que ele deve usar.Deus concedeu ao homem.Emmanuel/Chico Xavier: Em muitos lances da experiência. no passado. pois. tudo se envide em prol da reconciliação. espontâneo ou provocado. capaz de impor-nos dificuldades enormes.se. b) uso de substâncias químicas. provendo à própria conservação. visando ao extermínio do concepto. que se somassem esforços poderiam ter contribuído com proficiência. sob o ponto de vista médico. foi popularmente usado como sinônimo deste. 82 Após a Tempestade . os mesmos animais também concorrem para a existência desse equilíbrio. convertendo-a na mulher temperamental ou infiel que nos cabe agora relevar e retificar. conscientes e inconscientes. antes de alcançado o termo. na vida do Espírito. O rapaz distinto que atrai presentemente a companheira para os laços da comunhão mais profunda. Mas. durante – parto prematuro. confundindo. pois. Assim. a mulher transformada. vítima de nós mesmos. quando lhe aplicamos os golpes de nossa própria deslealdade. do médico ou de qualquer outra pessoa. completada – parto a termo. Não deve opor-se-lhe sem necessidade. É. Vida e Sexo . o aborto. Na dissolução dos vínculos matrimoniais.Divaldo Franco: Imprescindível que.

pelo crime praticado. desencarna.Allan Kardec • O Evangelho Segundo o Espiritismo .André Luiz . por isso que impede uma alma de passar pelas provas a que serviria de instrumento o corpo que se estava formando. predispondo-se geralmente a dolorosas enfermidades. . . . a sofrer alterações deprimentes no centro genésico (que se refere à reprodução) de sua alma. . por leis irrevogáveis. cometerá crime sempre que tirar a vida a uma criança antes do seu nascimento.Dado o caso que o nascimento da criança pusesse em perigo a vida da mãe dela. Que consequências tem para o Espírito o aborto? “É uma existência nulificada e que ele terá de recomeçar.André Luiz/Chico Xavier . demandando o Além para responder. muita vez. haverá crime em sacrificar-se a primeira para salvar a segunda? Preferível é se sacrifique o ser que ainda não existe a sacrificar-se o que já existe.Emmanuel/Chico Xavier • Evolução em Dois Mundos . ou quem quer que seja. flagelos esses com os quais.Fernando A.Joanna de Ângelis/Divaldo Franco • Vida e Sexo . OU SEJA.Allan Kardec • Após a Tempestade .E o aborto provocado? É de se presumir seja ele falta grave.O aborto delituoso representa um dos grandes fornecedores das moléstias de etiologia obscura e das obsessões catalogáveis na patologia da mente.Waldo Vieira • Aborto – crime e consequências . 83 ABORTO PROVOCADO Uma mãe.A mulher que o promove o aborto ou que venha a coonestar (legitimar) semelhante delito é constrangida.” Bibliografia • O Livro dos Espíritos . Arrancar uma criança ao materno seio é infanticídio. ocupando vastos departamentos de hospitais e prisões.. perante a Justiça Divina. o aborto terapêutico é indicado quando há risco à vida da mãe. Falta grave? Será melhor dizer doloroso crime.. Moreira – Reformador • Ação e Reação .

a busca pela sobrevivência é. Quando falta ao homem o mínimo para a sua subsistência é devido ao egoísmo. Se comemos em demasia. porque liberta o homem do jugo da matéria e eleva a sua alma. • Razão: nossa capacidade de compreensão e entendimento das verdadeiras finalidades da vida e das leis que a regem nos ajuda a discernir o que é ou não supérfluo em nosso atual estado evolutivo. que deve buscar estabelecer seus próprios limites entre as suas necessidades reais e fictícias. no entanto. O despertar da necessidade de viver tem por finalidade a manutenção da vida orgânica. É a privação dos prazeres inúteis. têm sido atenuadas pelos progressos da ciência e pela fraternidade crescente entre os homens. qualquer que seja o grau de sua inteligência. através de atos involuntários e espontâneos. O NECESSÁRIO E O SUPÉRFLUO Não existe limite absoluto entre o que é necessário e o que é supérfluo para o homem. muitas vezes os vícios modificam nossa organização. favores. o gosto pelo supérfluo é prejudicial ao homem. à imprevidência ou à displicência. Um dos mais perfeitos atos instintivos é o de viver. muitas vezes. o Espírito vem automatizando reações aos impulsos exteriores. desapossar alguém de alguma coisa. podemos ter problemas digestivos. O instinto de conservação é. É a resistência aos excessos e ao gozo do que não tem utilidade. fazem falta a outros homens. É a doação mesmo daquilo que nos é necessário para dar aos que não tem. Todos os seres vivos o possuem. para ajudá- lo quer materialmente. 84 CAPITULO XXII LEI DE CONSERVAÇÃO Desde suas primeiras manifestações no plano físico. e que nos permitem traçar nossos limites. PRIVAÇÕES VOLUNTÁRIAS A palavra privação tem o sentido de “despojar. Estas reações reflexas incorporaram-se ao patrimônio espiritual dos seres e se manifestam no vegetal. Neste sentido. A insuficiência da produção e a má distribuição de alimentos. improdutivos. Porém. pode-se dizer que são essenciais ao homem todos os bens de relevância para a sua sobrevivência. No entanto. gozos. um dos instrumentos naturais que cooperam na evolução dos seres. alertam os Espíritos. O instinto de conservação. no animal e no homem. necessária ao desenvolvimento físico e moral das criaturas. uma lei da Natureza. A estes atos inconscientes e reflexos denominamos instintos. Deus fornece aos homens os meios necessários para a sua sobrevivência. Já privação voluntária consiste em renúncia consciente a bens. e que. O progresso criou necessidades para o homem civilizado que o selvagem desconhece. A Natureza não pode ser responsabilizada pela má organização social e pelas consequências que advêm da ambição e do amor próprio de muitos. portanto. para que desfrute de relativo bem-estar e possa participar da vivência social. através de tudo que a Terra é capaz de produzir. quer espiritualmente. muitas vezes de outras existências. assim como os bens que ficam acumulados. criando dependências e necessidades irreais. por isto mesmo. por exemplo. facilidades ou direitos a que se tem acesso ou posse natural e legítima. Estas privações voluntárias são meritórias porque promovem o progresso individual. . ou seja. São supérfluos todos os bens que servem a outras finalidades. destituir”. através de experiências sucessivas em organismos cada vez mais complexos. tais como o luxo e a satisfação do orgulho. No entanto. Para isso ele dispõe de: • Experiência: nossa organização física muitas vezes nos mostra o limite do necessário. • Intuição: que nos chega como lembranças de nossas experiências passadas. a verdadeira privação voluntária é a que se dá em benefício do próximo.

Allan Kardec . com as mortificações. Bibliografia • O Livro dos Espíritos . • Esgotam a saúde e as energias. 85 Ela não deve ser confundida com as privações ascéticas.Allan Kardec • O Evangelho Segundo o Espiritismo . • São inúteis para o próximo. impedindo o trabalho para os outros. com os sofrimentos que buscamos voluntariamente porque estes são contrários à lei natural. uma vez que: • Revelam egoísmo ou ignorância por parte daqueles que o praticam.

Ora. visto que nenhum móvel mais elevado os poderia estimular. isto é. Há. aumentando. os seres infra-humanos mantêm o equilíbrio na reprodução. lutam unicamente para viver. . Flagelos Destruidores . foi. com seus desejos. predominância dos maus instintos. instrumentos da ação do princípio inteligente. que os homens se depuram. Quanto à Humanidade. rola a triste epopeia dos sofrimentos humanos. por cima dos séculos. problema angustioso que perturbou tantos pensadores e os levou à dúvida e ao pessimismo. ao se destruírem uns aos outros.” Nos seres inferiores da criação. devido às suas grosseiras condições de existência. sobrepondo o Espírito à matéria. naqueles a quem ainda falta o senso de moral. apenas se despoja de seu envoltório. aprendemos com a Doutrina Espírita que a matança de animais. “É necessária a luta para o desenvolvimento do Espírito. contribuindo. se empenha em caçadas pelo simples prazer de destruir. porém. qual se verifica nos mundos mais adiantados que o nosso. em seu estado atual. Sob outro prisma. pela necessidade de se alimentarem. para uma infinidade de aplicações úteis à Humanidade. que não morre tomará outra. O que ataca em busca do alimento e o que defende para conservar a vida usam de habilidades e inteligência. sofre: natureza – animal – homem. Todavia. no seio das águas. Entre as ervas do prado. em os quais a inteligência ainda não substitui o instinto. a luta não pode ter por móvel senão a satisfação de uma necessidade material. nem alterado. Contradição aparentemente horrível. até desaparecer definitivamente. em realidade.é esta: os corpos orgânicos não se mantêm senão por meio de matérias orgânicas. mas. ainda. O animal está sujeito à luta ardente pela vida. bárbara sem dúvida.utilidade puramente física. o amor é a lei do Universo e por amor foi que Deus formou os seres.Guerras Tudo o que vive neste mundo. sendo estas matérias as únicas que contém os elementos nutritivos necessários à sua transformação. suas forças intelectuais. Restringindo o exame desta questão apenas ao procedimento do homem. “considerações morais de ordem elevada”. Eles. têm necessidade de ser incessantemente renovados. Na luta é que ele exercita suas faculdades. Uma primeira utilidade. sua história não é mais que um longa lista de mártires. Aprendemos mais que. dentre as leis da Natureza. para se alimentarem uns à custa dos outros. em consequência. Um dos dois sucumbe. por exemplo. menos parece conciliar-se com a bondade de Deus. que se apresenta desta destruição . nos ares. que é o que mais nos interessa. ulteriormente. o uso de alimentação carnívora será cada vez menor. o Espírito. Fora disso. é verdade . além disso. quando. para fazer ou defender uma presa. o “tiro aos pombos”. É nesse primeiro período que a alma se elabora e ensaia para a vida. aliás. Através dos tempos. etc. ou em esportes mortíferos. pois. À medida. nada mais. uma das que. por toda a parte desenrolam-se dramas ignorados. que foi o que o mais forte ou mais destro tirou ao mais fraco? A veste de carne. é por esse motivo que o corpo se nutre. terá de prestar contas a Deus por esse abuso que revela. Como os corpos. impedindo-a de tornar-se excessiva. a Providência os faz servir para sua manutenção mútua. é e será por mais algum tempo necessária aqui na Terra. mas o Espírito não é nem destruído. Pergunta-se porque lhes criou Ele a necessidade de mutuamente se destruírem. como as touradas.. uma das mais imperiosas dessas necessidades é a da alimentação. o homem só é escusado da responsabilidade dessa destruição na medida em que tenha de prover ao seu sustento e garantir a sua segurança. 86 CAPITULO XXIII LEI DE DESTRUIÇÃO DESTRUIÇÃO NECESSÁRIA E DESTRUIÇÃO ABUSIVA A destruição recíproca dos seres vivos é. as folhas e a ramaria dos bosques. à primeira vista.

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A dor segue todos os nossos passos; espreita-nos em todas as voltas do caminho, e diante
desta esfinge que o fita com seu olhar estranho, o homem faz a eterna pergunta: Por que
existe dor?
Fundamentalmente considerada, a dor é uma lei de equilíbrio e educação.
Neste sentido, os flagelos destruidores são permitidos por Deus para que a Humanidade
possa “progredir mais depressa”. Aliás, a palavra flagelo geralmente é interpretada como
algo prejudicial, quando, na realidade, representa o meio pelo qual as transformações
necessárias ao progresso humano se realizam mais rapidamente.
É bem verdade que existem outros processos, menos rigorosos, para fazerem os homens
progredirem e “Deus os emprega todos os dias, pois deu a cada um os meios de progredir
pelo conhecimento do bem e do mal. O homem, porém, não se aproveita desses meios.
Necessário, portanto, se torna que seja castigado no seu orgulho e que se faça sentir a sua
fraqueza”.
E com o abatimento do orgulho a Humanidade se transforma, como já se transformou
noutras épocas, e cada transformação se assinala por uma crise que é, para o gênero
humano, o que são, para os indivíduos, as crises de crescimento. Aquelas que tornam,
muitas vezes, penosas, dolorosas, e arrebatam consigo as gerações e as instituições, mas
são sempre seguidas de uma fase de progresso material e moral.
Quando os flagelos naturais, tais como cataclismos, enchentes, fome, epidemias de
doenças e de pragas em plantações, a seca, os terremotos e maremotos, as erupções
vulcânicas, os ciclones, etc., se abatem sobre a Humanidade, muitos se revoltam contra
Deus, perdendo oportunidades valiosas de compreender o significado de tais
acontecimentos.
A Lei de Causa e Efeito exerce sua influência inelutável não só sobre os homens,
individualmente, como também sobre os grupos sociais.
Assim, por exemplo, quando uma família, nação ou raça busca algo que lhe traga maiores
satisfações, esforça-se por melhorar suas condições de vida ou adota medidas que visem a
acelerar o seu desenvolvimento, sem prejudicar ou fazer mal a outrem, está contribuindo, de
alguma forma, para a evolução da Humanidade, e isto é bom. Receberá, então, novas e
mais amplas oportunidades de trabalho e progresso, conduzindo os elementos que a
constituem a níveis cada vez mais elevados.
Se, porém, procede ao contrário, mais cedo ou mais tarde sofrerá a perda de tudo aquilo
que adquiriu injustamente, em circunstâncias mais ou menos trágicas e aflitivas, segundo o
grau de malícia e crueldade que lhe tenha caracterizado as ações.
É assim que, mais tarde, em outras existências planetárias, são chamados a expiações
coletivas ou individuais, sob a forma de flagelos destruidores. Acontece, porém, que “muitos
flagelos resultam da imprevidência do homem. À medida que adquire conhecimentos e
experiência, ele os vai podendo conjurar, isto é, prevenir, se lhes sabe pesquisar as causas.
Contudo, entre os males que afligem a Humanidade, alguns há de caráter geral, que estão
nos decretos da Providência e dos quais cada indivíduo recebe, mais ou menos, o
contragolpe. A esses nada pode o homem opor, a não ser a submissão à vontade de Deus.
Esses males, entretanto, ele muitas vezes os agrava pela sua negligência”.
“Na primeira linha dos flagelos destruidores, naturais e independentes do homem, devem
ser colocados a peste, a fome, as inundações, as intempéries fatais às produções da terra.”
Enfrentado esses flagelos, o homem é impulsionado por força da necessidade, buscando
soluções para se libertar do mal que o ataca. É por isso que a dor torna-se um processo, um
meio de equilíbrio e educação, como assinalamos acima.
Mesmo as guerras, que nada mais representam do que a “predominância da natureza
animal sobre a natureza espiritual e transbordamento de paixões”, geram a liberdade e o
progresso da Humanidade.
Deus permite que haja a guerra e todas as suas funestas consequências, para que o
homem, ao contato com a dor, se liberte, por um lado, do seu passado de erros, e burile, por
outro, as tendências más que ainda o fazem manter-se em atraso moral.

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Violência
Violência: constrangimento físico ou moral. Coação definida por uma situação oposta ao
Direito e à Justiça. Ato de periculosidade resultante de uma condição inferior variando em
grau e em intensidade. Quando a ação negativa atinge índices elevados, surge a violência
que constitui um sistema de vida contrário à lei de justiça e amor.
Para nós espíritas, analisando a lei de causa e efeito, a violência é um dos mais lamentáveis
estados humanos e um dos problemas da autoridade cujos efeitos degradam a criatura,
levando-a à condição de animalidade primitiva.
Com a ambição desmedida, a inquietação e o desamor, a violência leva o homem a
fomentar guerras e inúmeras barbaridades. Assim vemos:
• crimes incontáveis sendo praticados em nome da liberdade;
• homens reduzidos a seres desprezíveis no “appartheid”, nas lutas de classes, nas fugas
para a loucura e o suicídio pela ingestão de drogas e alcoólicos;
• doenças graves ainda incuráveis refletindo o estado de desamor e o império do egoísmo;
• a miséria econômica, as injustiças sociais, o abandono e o desrespeito aos direitos
humanos;
• guerras intermináveis entre as nações, entre povos da mesma nacionalidade, eclodem
como consequência de ambições materiais, crises sociais e religiosas;
• a violência da fome dizimando crianças e velhos indefesos.
Enumerar a violência em nossos dias não é tarefa difícil e suas causas são de variadas
amplitudes, contudo, todas têm origem no sentimento humano mais nefasto que é o
egoísmo.

Causas da violência
Allan Kardec nos mostra o egoísmo como o vício mais radical, incompatível com a justiça, o
amor e a caridade.
“Sendo o egoísmo, inerente à espécie humana, não será ele um obstáculo permanente ao
reino do bem absoluto sobre a Terra?”
“É certo que o egoísmo é o vosso mal maior, mas ele se liga aos Espíritos encarnados na
Terra e não à Humanidade em si mesma.”
“Qual é o meio de se destruir o egoísmo?”
“De todas as imperfeições humanas, a mais difícil de se desenraizar é o egoísmo, porque se
liga à influência da matéria da qual o homem, ainda muito próximo de sua origem, não pode
libertar-se. Tudo concorre para entreter essas influências: suas leis, sua organização social,
sua educação.”
Como causas da violência, segundo as instruções dos Espíritos Superiores estão o orgulho,
a ambição, a cupidez, a inveja, o ciúme e todos os vícios morais engendrados pelo egoísmo
que perturba as relações sociais, provoca dissensões, destrói a confiança, levando o
indivíduo a atitudes de revide e insensatez.
É o egoísmo, fonte de todos os males da Humanidade, que leva o homem a agir
contrariando a lei divina ou natural, gerando lutas e conflitos no meio social e familiar.

Meios de combate à violência
Os reajustes devem partir de cada um de nós, de nossas famílias e do meio social em que
vivemos. Vamos analisar algumas atitudes e posicionamentos que poderemos tomar
ajudando a combater a violência:
• trabalhando pela harmonia e a paz em nossos relacionamentos sociais;
• não julgando nem provocando divisões discriminatórias;
• não provocando escândalos ou maledicências;
• conciliando discórdias e desavenças entre familiares ou amigos nos mal entendidos
comuns;
• buscando na prece e na meditação serena e renovação das forças e as disposições para o
bem;
• amando e perdoando incondicionalmente.

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Caminhamos todos nós rumo à perfeição. Somos filhos de Deus e temos tido as mesmas
oportunidades de redenção, segundo nosso estágio evolutivo. Por que nos violentarmos e
ao nosso próximo?

PENA DE MORTE
O Espiritismo assume uma postura francamente contrária à pena de morte.
“A pena de morte desaparecerá um dia da legislação humana?”
“A pena de morte desaparecerá incontestavelmente e sua supressão assinalará um
progresso da Humanidade. Quando os homens forem mais esclarecidos, a pena de morte
será completamente abolida da Terra.”
“A lei de conservação dá ao homem o direito de preservar a sua própria vida; não o aplica
esse direito quando elimina da sociedade um membro perigoso?”
“Há outros meios de se preservar do perigo sem matar.”

As principais argumentações espíritas contrárias a esta medida são:
Elimina a oportunidade do arrependimento.
Joanna de Ângelis: “Compete ao Estado deixar sempre acessível a porta para o ensejo de
reparação ao sicário impiedoso (membro de grupo extremista separatista de zelotas judeus),
ou ao flagelo humano que se converteu em vândalo desavisado. O criminoso não fugirá à
consciência nem à injunção reparadora pelas Supremas Leis da vida. Justo, portanto,
facultar ao revel (rebelde) ensancha (oportunidade) de recompor-se e reparar quanto
possível os males perpetrados.”

Impede a reparação, pela Justiça Humana, de uma possível injustiça cometida contra
o réu.
Humberto de Campos: “Se você demonstra interesse tão grande na regeneração dos
costumes, defendendo com tamanho entusiasmo a suposta legalidade da pena de morte,
vasculhe a própria consciência e verifique se está isento de falta. Se você já superou os
óbices (obstáculos) da animalidade, adquirindo a grande compreensão a preço de sacrifício,
estimaria saber se terá realmente coragem para amaldiçoar os pecadores do mundo,
atirando-lhes ‘a primeira pedra’”.

Não reduz os índices de criminalidade
Joanna de Ângelis: “De forma alguma a pena de morte faz reduzir a incidência da
criminalidade. Ao contrário, torna-se mais violenta e selvagem, fazendo que o tresloucado
agressor, que sabe o destino que lhe está reservado, mais açuladas (instigadas) tenha as
paixões destruidoras arrojando-se irremissivelmente nos dédalos (labirintos) das alucinações
dissolventes.”

Não livra a sociedade de ação maléfica do delinquente
Humberto de Campos: “Um assassinado, quando não possui energia suficiente para
desculpar a ofensa e esquecê-la, habitualmente passa a gravitar em torno daquele que lhe
arrancou a vida, criando os fenômenos comuns da obsessão; e as vítimas da forca ou do
fuzilamento, do machado ou da cadeira elétrica, se não constituem padrões de heroísmo e
renunciação, de imediato, além-túmulo, vampirizam o organismo social que lhes impôs o
afastamento do veículo físico, transformando-se em quesitos vivos de fermentação da
discórdia e da indisciplina”.

Eutanásia
Eutanásia, ou “morte feliz”, é o ato de abreviar a morte em doentes terminais. O Espiritismo
manifesta-se também em oposição a essa medida.
“Um homem agoniza, preso a cruéis sofrimentos. Sabe-se que o seu estado é sem
esperanças. É permitido poupar-lhe alguns instantes de agonia, abreviando-lhe o fim?”
Resposta de São Luís:

Richard Simonetti • As Leis Morais . porque esse minuto pode poupar muitas lágrimas no futuro.Emmanuel/Chico Xavier . no momento do último suspiro. para em seguida retirá-lo.André Luiz/Chico Xavier • Sexo e Destino . pode ser para ele da maior importância. ninguém pode dizer com certeza que soou a sua hora final. nunca se enganou nas suas previsões? Bem sei que há casos em que se podem considerar.” Bibliografia • Livro dos Espíritos . Aliviai os últimos sofrimentos o mais que puderdes. por acaso. mas guardai-vos de abreviar a vida.Joanna de Ângelis/Divaldo Franco • Entender Conversando .André Luiz/Chico Xavier • Cartas e Crônicas . com o fim de fazê-lo examinar-se a si mesmo e modificar-lhe os pensamentos? A que extremos tenha chegado um moribundo.Humberto Campos/Chico Xavier • Alerta . mesmo que seja em apenas um minuto. 90 “Mas quem vos daria o direito de prejulgar os desígnios de Deus? Não pode ele conduzir um homem até a beira da sepultura. Mas se não há nenhuma esperança possível de um retorno definitivo à vida e à saúde.Allan Kardec • O Evangelho Segundo o Espiritismo . pois ignorais as reflexões que o seu Espírito poderia ter feito nas convulsões da agonia. A ciência.Joanna de Ângelis/Divaldo Franco • Quem Tem Medo da Morte . o doente se reanima e recobra suas faculdades por alguns instantes? Pois bem: essa hora de graça que lhe é concedida.Allan Kardec • A Constituição Divina .Chico Xavier • Manual Prático do Espiritismo . com razão como desesperador. e quantos tormentos podem ser poupados por um súbito clarão de arrependimento.Rodolfo Calligaris • Após a Tempestade . não há também inúmeros exemplos de que.Ney Prietro Peres • O Consolador .Richard Simonetti • Obreiros Da Vida Eterna .

os homens buscam a sociedade e todos devem concorrer para o progresso. mas em graus diversos. Graças ao aprendizado desenvolvido ao longo dos tempos. só o organismo social pode tornar-nos individualmente grandes ou miseráveis. . por mais ingratos e impassíveis. Insulado (isolado). seja na solidão das regiões desérticas ou montanhosas. recursos de nossa melhoria e de nossa redenção. tendo em vista que o mundo. representará para o nosso espírito a escola de perfeição. sobretudo aquele que possa concorrer para a produção de um mal maior. necessariamente. ele se embrutece e estiola (enfraquece. pois que. à semelhança do “reino dos céus”. que as práticas religiosas impunham. facultado lhe é impedir o mal. obedecendo à lei do trabalho. por não dispor de todas as faculdades. Os companheiros de jornada que o habitam. não para viverem isolados. no conceito evangélico. uma vez que Deus fez o homem para viver em sociedade. Não lhe deu inutilmente a palavra e todas as outras faculdades necessárias à vida de relação. AS ALMAS GÊMEAS “Não há união particular e fatal. auxiliando-se mutuamente. podem transformar-nos em heróis. O Espiritismo nos esclarece também que nas relações sociais humanas. segundo a categoria que ocupam. isto é. Se for indubitável que somente o nosso trabalho coletivo pode engrandecer ou destruir o organismo social. . O relacionamento humano equilibrado nos impõe regras de convivência social que devem. Mediante a união social é que elas. o homem deve fazer o bem. cujos instrumentos corretivos bendiremos. pois que isso constitui o objetivo único da vida.Homem nenhum possui faculdades completas. capazes de modificar as estruturas e comportamentos egoísticos. Falta-lhe o contato com os outros homens.” Devemos compreender que um Espírito não é a metade do outro. No insulamento. e em razão do próprio dinamismo da existência atual na Terra. Esses se elevam. os homens foram feitos para viver em sociedade e não insulados. a que se reportava Jesus. segundo a perfeição que tenham adquirido. e que. por instinto. no entanto. que existem seres humanos que fogem dos prazeres e das comodidades do mundo. Têm o duplo mérito de se colocarem acima dos gozos materiais e de fazerem o bem. Nesse sentido. A união que há é a de todos os Espíritos. não significa abandoná-lo. Por isso é que. para lhe assegurarem o bem-estar e o progresso. para onde o homem fugia em busca da iluminação espiritual que as meditações favoreciam. tanto mais unidos. diminuem as antigas incursões ao isolacionismo — comuns entre religiosos e filósofos de eras passadas —. se completam. seja no silêncio dos claustros e monastérios. umas às outras. bem aproveitados por nosso esforço. 91 CAPITULO XXIV LEI DE SOCIEDADE O homem tem que progredir. estimular aquisições de valores morais. antes criar condições novas a uma vivência mais solidária. como meio de atingir o estado de contemplação ou êxtase espiritual. de paz e de fraternidade. não lhe é isso possível. fora da sociedade em que ele vive. Sendo assim. Não há medida para o homem. O insulamento é contrário à lei da Natureza. rebaixando-se. por mais áspero. mas para socorrerem pessoas mais necessitadas. são as nossas oportunidades de materialização do bem. de duas almas. Quanto mais perfeitos. precisando uns dos outros. “negar o mundo”. conosco. Devemos considerar. um dia. engendrando recursos que transformem a habitação terrestre em reduto de esperança. definha). A vida social faz parte da lei natural.

os homens aprendessem a amar-se como irmãos. que ela seja imutável. Atualmente. . Compreendei que. será difícil imaginar um sistema social sem essa instituição básica. se fielmente a cumprirdes. por isso. Quis Deus que. porém. . 92 “Se um Espírito fosse a metade do outro. ante a precipitação dos conceitos que generalizam na vulgaridade os valores éticos. através das várias migrações da alma. se extinguem com o tempo e muitas vezes se dissolvem moralmente.” FAMÍLIA Os laços sociais são necessários ao progresso e os de família mais apertados tornam os primeiros. Duráveis. as primeiras se fortalecem pela purificação e se perpetuam no mundo dos Espíritos. quando produzis um corpo. A FAMÍLIA ESTÁ ACABANDO? Modernamente. A chamada hereditariedade psicológica é. A família já se modificou muito desde a fase da sociedade predominantemente agrícola até os dias de hoje. na fase de aferição de valores morais por que passa a Humanidade. já na existência atual. tal a missão que vos está confiada e cuja recompensa recebereis.Ó espíritas! Compreendei agora o grande papel da Humanidade. . o processo é de transformação. as segundas. O fato de ser a instituição familiar uma necessidade do homem não significa. Entretanto. Eis por que os segundos constituem uma lei da Natureza. é comum ouvir a voz da imaturidade e do pessimismo anunciando a extinção da família. representativa da união de dois Espíritos simpáticos. portanto. HERDAMOS O “GÊNIO” DOS NOSSOS PAIS? Na esfera do grupo consanguíneo o Espírito reencarnado segue ao encontro dos laços que entreteceu para si próprio. por essa forma. extinguindo-se. de algum modo. estariam ambos incompletos. Estamos assistindo a uma nova transformação. devemos tranquilizar os nossos corações.” “A teoria das metades eternas encerra uma simples figura. na linha mental em que se lhe caracterizam as tendências. o conjunto doméstico se deve impor para a sobrevivência a benefício da soberania da própria Humanidade. porque a família não está em extinção. separados os dois. pois. duas espécies de famílias: as famílias pelos laços espirituais e as famílias pelos laços corporais. a alma que nele encarna vem do espaço para progredir. desestruturando-se. Mais do que nunca. contudo. a natural aglutinação dos Espíritos que se afinam nas mesmas atividades e inclinações.Há. Os vossos cuidados e a educação que lhe dareis auxiliarão o seu aperfeiçoamento e o seu bem-estar futuro. inteirai- vos dos vossos deveres e ponde todo o vosso amor em aproximar de Deus essa alma. tem-se a impressão de que paira rude ameaça sobre a estabilidade da família. Trata-se de uma expressão usada até na linguagem vulgar e que se não deve tomar ao pé da letra. Toda mudança sempre acarreta um momento de desorganização e talvez daí tenha surgido a ideia de que a família está se desmoronando. frágeis como a matéria. A vulnerabilidade do bebê humano e sua dependência dos cuidados do adulto são indícios muito fortes de que a família é uma necessidade psicofísica do homem e.

93 .

. E. consolo. Não te lamentes em vão. Se existe algum desarranjo Em teu distrito de ação. Onde a tristeza se espalha E a vida se ilude ou cansa. Fala a palavra do bem. se falas.Os caminhos do amor. Conserta sem reclamar. igual para todos. em prece. perdoa. Auxilia a quem te ouça. Casimiro Cunha/Chico Xavier . Serenidade. em suma. o roteiro Da Providência Divina. Não penses mal de ninguém. Ergue-te cedo e. Se alguém te ofende. • Dalva Silva Souza . esperança.Allan Kardec • Emmanuel/Chico Xavier ..Roteiro. Dormirás tranquilamente Na bênção do amor de Deus. pesar. Franco . harmonia e luz Atende às indicações De Nosso Senhor Jesus. A família nos tempos modernos. O tempo. 94 Regra de Paz Se queres felicidade. • Joanna de Ângelis / Divaldo P. Quem serve não se transvia. Quem de nós não pode errar? Não há quem colha perdão Se não sabe perdoar. Começa o dia pensando No que o dever determina E roga. . (Diante da Terra) • O evangelho segundo o espiritismo .Pensamento e vida (Família). Acende a luz da concórdia E ajuda sem perguntar.Estudos espíritas.Poetas Redivivos. Bibliografia: • O Livro dos Espíritos . chegando cada noite Por sobre os caminhos teus. Problemas? Dificuldades? Aprendamos dia-a-dia Que a bondade tudo entende.. Trilhando a estrada sombria De prova. Trabalha quanto puderes Que o trabalho é vida. rixa.. Apoio. Sê caridade. Não para de forma alguma.Allan Kardec • Emmanuel/Chico Xavier .

O estado corporal e o espiritual constituem a fonte de dois gêneros de progresso. assim como o que se adianta tem o mérito exclusivo do seu esforço. . O progresso nos Espíritos é o fruto do próprio trabalho. resultado do esforço individual: quanto maior for o nosso empenho. porque tem de atingir a finalidade que a Providência lhe assinou. pois. conforme esta frase do Cristo: — A cada um segundo as suas obras. Enquanto uns avançam rapidamente. em essência. mesmo numa criança. a própria felicidade. consequentemente. quais poltrões (medrosos). Na verdade.O progresso completo constitui o objetivo. apesar dos maus exemplos que colhem. feliz ou desgraçada. com mais ou menos negligência. porquanto o intelectual se efetua sempre. O moral e a inteligência são duas forças que só com o tempo chegam a equilibrar-se. conhecimentos intuitivos. Essa observação nos esclarece. . 95 CAPITULO XXV LEI DO PROGRESSO A lei do progresso é inexorável.O progresso moral nem sempre acompanha o progresso intelectual. apesar dos bons conselhos que recebem. ao passo que outras são instintivamente viciosas em um meio bom. é possível reconhecer. dando por isso maior apreço à felicidade conquistada. a soma de progresso que o Espírito já alcançou: basta observar-lhe as tendências instintivas e as ideias inatas. A questão 780 de O Livro dos Espíritos nos fornece. . São eles. nas fileiras inferiores. desde que o homem tenha compreensão do bem e do mal. entra o Espírito com o cabedal adquirido nas anteriores. por exemplo.A lei de Progresso se manifesta sob duas formas: o progresso intelectual e o progresso moral. parece mesmo que o progresso intelectual reduplica a atividade . entorpecem-se outros. segundo sua vontade. cedo ou tarde. acelerando ou retardando o progresso e. QUAL O MAIOR OBSTÁCULO AO PROGRESSO? O orgulho e o egoísmo. indica que lhes faltam o desenvolvimento do senso moral que. PODEMOS RETROCEDER NA NOSSA EVOLUÇÃO? Para cada nova existência de permeio à matéria. Refiro-me ao progresso moral. por conseguinte. Todo Espírito que se atrasa não pode queixar-se senão de si mesmo. os próprios autores da sua situação. mais acertadas. permitindo que as pessoas façam escolhas mais responsáveis e.Pode acontecer que o adiantamento intelectual promova a melhoria moral. melhores serão os resultados alcançados. como são livres. pelos quais o Espírito tem de passar alternadamente. em aptidões. adquirindo conhecimentos especiais que não poderia obter na Terra como encarnado. como as ideias inatas são o resultado do progresso intelectual. HÁ PROGRESSO NA ERRATICIDADE? É importante considerar também que o Espírito progride igualmente na erraticidade. O homem não pode conservar-se indefinidamente na ignorância. Cada existência é assim um passo avante no caminho do progresso. mas pervertidas. À primeira vista. virá. trabalham no seu adiantamento com maior ou menor atividade. essas crianças refletem o resultado do progresso moral adquirido. nas existências peculiares a cada um dos dois mundos. por que existem crianças que se revelam boas em um meio adverso. . O progresso é.Essa compreensão favorece o desenvolvimento do livre-arbítrio. . De posse dessas informações. mas. inteligência e moralidade. principalmente.A existência de povos ou pessoas instruídas. os seguintes esclarecimentos: .

96 daqueles vícios. . incitam o homem a empreender pesquisas que lhe esclarecem o Espírito. que.  Indique porque o progresso moral pode decorrer do progresso intelectual.  Levante algumas situações que demonstram o avanço intelectual e moral da humanidade de nossos dias.O homem durante a vida terrena.O céu e o inferno. desenvolvendo a ambição e o gosto das riquezas.O que é o espiritismo . que mudará à proporção que o homem compreender melhor que. a seu turno. além da que o gozo dos bens terrenos proporciona. porém.O livro dos espíritos • Allan Kardec . • Allan Kardec . PARA PENSAR:  Aponte razões para o fato de o progresso moral nem sempre caminhar junto do progresso intelectual. Assim é que tudo se prende.  De que maneira o espiritismo pode contribuir para o progresso da humanidade? Bibliografia: • Allan Kardec . uma felicidade existe maior e infinitamente mais duradoura. como no mundo físico. e que do próprio mal pode nascer o bem. é a duração desse estado de coisas. Curta. no mundo moral.

cada pessoa decide qual o caminho a seguir. enquanto subsistirem. Por força do livre-arbítrio. Fomos criados simples e ignorantes. a mesma sabedoria e os mesmos estímulos evolutivos para todos. que ainda hoje se observa. IGUALDADE DO HOMEM E DA MULHER Numa sociedade moralizada. em contraposição à pretendida igualdade socioeconômica. subsistirão. favorecendo-a. A diferença entre eles está na diversidade dos graus da experiência alcançada e da vontade com que agem. acham-se sujeitos às mesmas dores e o corpo do rico se destrói como o do pobre. isto não acontece à custa das preferências divinas. Daí estarem todos os homens sujeitos às mesmas leis naturais. tão diversas. Essas diferenças constituem os agentes do progresso e preenchem uma necessidade inapreciável. quer em inteligência. no limite do desenvolvimento de suas forças físicas e intelectuais. perante os códigos divinos ambos possuem os mesmos direitos. nem pela morte: todos. Resultam apenas de haverem sido criados há mais ou menos tempo e do maior ou menor aproveitamento desse tempo. favorecendo o progresso humano. 97 CAPITULO XXVI LEI DE IGUALDADE IGUALDADE NATURAL E DESIGUALDADES DE APTIDÕES “Todos os homens estão submetidos às mesmas leis da Natureza. entre homem e mulher. resultam das variedades de experiências vividas nas múltiplas encarnações. consequentemente. se há sofredores e felizes no nosso Planeta.” Deus não tolera distinções de linguagem familiar. As próprias aptidões humanas. Assim é que cada qual tem seu papel útil a desempenhar. e. mas cada um destes vive há mais ou menos tempo e. porém destinados à perfeição. Todos nascem igualmente fracos. mas proporciona a todos idênticas e incessantes oportunidades. o gênero humano constitui uma única família. satisfarão a uma necessidade da própria natureza. vontade que é o livre-arbítrio.” As dessemelhanças que apresentam entre si. não confere honrarias extemporâneas e nem favorece com privilégios qualquer de suas criaturas. tem feito maior ou menor soma de aquisições. mas por força do mau ou bom uso do livre arbítrio dos seus habitantes. a fim de que cada um possa concorrer para a execução dos desígnios da Providência. Atentos a essas considerações é que podemos perceber o sentido correto da lei de igualdade. e. As desigualdades sociais existentes são produto de opções voluntárias dos homens e nunca devido às preferências de Deus. consoante o bom ou mau uso do livre- arbítrio por parte de cada um. aos seus olhos são iguais. O que um não faz fá-lo outro. isso ocorre por força da nossa livre vontade. a diferença de sexo existe por força da . na economia da evolução. no seu aspecto natural. no longo e fastidioso percurso para a perfeição. Enquanto tenham razão de ser. “Deus criou iguais todos os Espíritos. Neste sentido os Espíritos Superiores perguntam: “Não outorgou Deus a ambos a inteligência do bem e do mal e a faculdade de progredir?” Logo. frequentemente artificial na vida de relação dos Espíritos encarnados. por mais que haja indivíduos que detestem essas diferenças. Deus a nenhum homem concedeu superioridade natural. quer em moralidade. Daí o se aperfeiçoarem uns mais rapidamente do que outros. Deus não concede privilégios a ninguém. Sendo todos da mesma essência divina e criados para os mesmos gloriosos destinos. Necessária é a variedades das aptidões. não derivam da natureza íntima dos homens. Coloca em estado latente o mesmo poder. no desenvolvimento das aptidões e virtudes que lhes são intrínsecas. nem pelo nascimento. As desigualdades naturais das aptidões humanas são os degraus das múltiplas experiências que nos conduzirão aos mundos superiores e que nos propiciarão implantar o reino de Deus na Terra. Se ao longo da nossa trajetória evolutiva falimos ou nos elevamos. o que lhes dá aptidões diversas. não se compreenderá a diferença.

que. em precedente existência. A lei humana. outros menos. como sabeis. Na segunda. a riqueza constitui uma prova muito arriscada. O livre-arbítrio do homem pode levá-lo à pobreza. admitido. a prova da paciência e da resignação. Espíritos realmente evoluídos. por necessidade de planificação reencarnatória. causas ligadas ao pretérito. interpretadas segundo a letra e não segundo o espírito. deturpando lhe os augustos objetivos. de funções. Na primeira. ou simplesmente esclarecidos sobre a Lei de Causa e Efeito. para os outros. Sua escravização marcha de par com a barbárie.” Por mais que se acentuem as mudanças sociais no mundo. Uns mais inteligentes. Uns são mais previdentes. o resultado seria o aniquilamento de todos os grandes trabalhos que concorrem para o progresso e para o bem-estar da Humanidade. É o supremo excitante do orgulho. Se Deus a concentra em certos pontos. Ocupe-se do exterior o homem e do interior a mulher. Logo. para ser equitativa. não. haverá sempre diversidade das funções entre o homem e a mulher. só existem na organização física. entretanto. pelos arrastamentos a que dá causa. centelha divina. tendo cada um somente com o que viver. a cada um daria uma parcela mínima e insuficiente que. melhorar a produção através da relação entre os povos. Os sexos. Visto que os Espíritos podem encarnar num e noutro. desse ela a cada um o necessário. não possui sexo. como oportunidade para o aperfeiçoamento de qualidades ou a realização de tarefas. sob esse aspecto nenhuma diferença há entre eles. sim. Devem. pode sofrer o Espírito a tentação da revolta. quanto o é a da riqueza. Como. sem que evoquem precedentes espirituais. do egoísmo e da vida sensual. que nelas. A emancipação da mulher acompanha o progresso da civilização. . a falta de estímulo para enfrentar os problemas da vida. deve consagrar a igualdade dos direitos do homem e da mulher. pois “A isso se opõe a diversidade de faculdades e caracteres”. já não haveria o aguilhão que impele os homens às descobertas e aos empreendimentos úteis. podem solicitar a prova da pobreza.” Uma das provas mais difíceis é a da pobreza. o mau uso da riqueza. ideia que repugna à razão. supondo-a possível e durável. que são fatores que podem conduzir o homem ao estado de dificuldades econômicas. a do abuso dos bens da vida. preguiça. teria posto nas mãos de alguns um instrumento de perdição. o Espírito. que. supondo efetuada essa repartição. que a concede. com o que espera ressarcir abusos cometidos e pôr-se a salvo de novas tentações para as quais não se sinta convenientemente forte. ativos e trabalhadores. Além disso. pelas tentações que gera e pela fascinação que exerce. conforme se poderia inferir de certas palavras de Jesus. Sem dúvida. o equilíbrio em pouco tempo estará desfeito. cada um de acordo com a sua aptidão. de acordo com as necessidades. essas provas foram escolhidas pelos próprios Espíritos. para os que a sofrem. além disso. leva o Espírito a pedir a condição oposta. “para experimentá-los de modos diferentes. Algumas vezes. por conseguinte. Preciso é que cada um esteja no lugar que lhe compete. Os homens não são iguais. Aliás. a imprevidência.” “Se a riqueza houvesse de constituir obstáculo absoluto à salvação dos que a possuem. sucumbem com frequência. 98 necessidade de experiências específicas por que o Espírito precisa passar. a prova da caridade e da abnegação. outros menos. Uns mais egoístas. conforme as denominações humanas. é para que daí se expanda em quantidade suficiente. pela diversidade dos caracteres e das aptidões. outros menos. Todo privilégio a um ou a outro concedido é contrário à justiça.” Deus concedeu as provas da riqueza a uns e da pobreza a outros. “Entre o homem e a mulher existe a igualdade?” “De direitos. AS PROVAS DA RIQUEZA E DA MISÉRIA A igualdade das riquezas não é possível. gozar dos mesmos direitos. a riqueza é. por exemplo. Deus. mais perigosa do que a miséria. sem apelação nenhuma.” Pela riqueza pode o homem melhorar a situação material do Planeta onde vive. “A pobreza é. “se fosse a riqueza repartida com igualdade.

é mais perigosa para o progresso moral do homem. É por esses fatos que a prova da riqueza.Rodolfo Calligaris . Bibliografia • O Livros dos Espíritos .Allan Kardec • Constituição Divina . por isso ser difícil ao rico o acesso ao reino dos céus. apesar de tão difícil quanto a da pobreza. mas não impossível. é justamente o que nem sempre faz. Torna-se egoísta. orgulhoso e insaciável.Richard Simonetti • Leis Morais . 99 A riqueza favorece as maiores tentações. pois ele dispõe de inúmeros meios de fazer o bem. Mas.

sobre as suas manifestações verbais e. Intrinsecamente livre. Quem arbitrariamente desfere golpes cerceando a liberdade dos outros. interesses ou instintos. escolher uma delas e fazer que prevaleça sobre as outras. intelectual. A toda criatura é concedida a liberdade de pensar. das quais subtraia o direito de liberdade. A liberdade legítima decorre da legítima responsabilidade. falar e agir. o homem traz. exercitada de uma maneira mais coerente. condições sociais. é sempre um abuso da força e que tende a desaparecer com o progresso da Humanidade. À medida que o ser humano evolui. ao analisar-se a questão mais profundamente. por outro lado. pois a vontade e a liberdade do Espírito não sendo exercitadas. porque “desde que juntos estejam dois homens. que sua liberdade termina onde começa a do próximo. então. desde que essa concessão subentenda o respeito aos direitos semelhantes do próximo. socioeconômica. o homem não seria mais do que um autômato. até mesmo. A liberdade e o livre-arbítrio têm uma correlação fundamental na criatura humana e aumentam de acordo com a sua elevação e conhecimento. passa a compreender que a liberdade não se traduz por fazer ou deixar de fazer determinada coisa. inscritos na própria consciência. Mas. A vontade própria ou livre-arbítrio é. o livre-arbítrio nos confere a responsabilidade dos próprios atos por terem sido eles praticados livremente e por nossa própria vontade. O livre-arbítrio é definido como “a faculdade que tem o indivíduo de determinar a sua própria conduta”. que são a questão matriz fomentadora dos legítimos direitos humanos. é um planeta inferior. irresponsavelmente. nas variadas formas e intensidade. Pelo livre-arbítrio. criado para a vida feliz. de maneira que esta não atinja desastrosamente o próximo. não podendo triunfar sem esta. a possibilidade que ele tem de. escravizando-os pelos diversos processos que o mundo moderno oferece. A responsabilidade resulta do amadurecimento pessoal em torno dos deveres morais e sociais. ou em outras palavras. seja ela física. entre duas ou mais razões suficientes de querer ou de agir. mais responsável. . o homem não teria mérito em praticar o bem ou evitar o mal. há entre eles direitos recíprocos que lhes cumpre respeitar. A ocorrência de abusos de poder. Se por um lado temos a liberdade de pensar. onde os seus habitantes estão submetidos a provas e expiações. daí ser comum que muitos Espíritos não possuam o discernimento natural para o emprego da liberdade que Deus lhes concedeu. sobre os seus pensamentos. da maior ou menor responsabilidade em qualquer ato que pratique. no entanto. é o exemplo típico do mau uso desta lei natural. enfim. A escravidão. 100 CAPITULO XXVII LEI DE LIBERDADE A LIBERDADE NATURAL E A ESCRAVIDÃO A liberdade é a condição básica para que a alma construa o seu destino. educa e levanta para os aprendizados da vida. Passa a medir a sua linha de ação. sofre a natural consequência: o castigo da dor . Sem o livre-arbítrio. A princípio parece limitada às necessidades físicas. vê-se que a liberdade despontada é sempre suficiente para permitir que o homem rompa esse círculo restrito e construa pela vontade o seu próprio futuro. É um atentado à Natureza onde tudo é harmonia e equilíbrio. que desperta e corrige.” Vivemos num planeta que se caracteriza pela predominância do mal sobre o bem. da sua felicidade ou infelicidade. Ser livre. é saber respeitar os direitos alheios. cresce com ele a responsabilidade sobre os seus atos. A sujeição absoluta de um homem a outro homem é um erro gravíssimo de consequências desastrosas para quem o pratica. ao contrário. falar e agir. Jamais devendo constituir tropeço na senda por onde avança o seu próximo. Compreende. é-lhe vedada a exploração de outras vidas sob qualquer argumentação. portanto. os limites da sua liberdade. manifestada nas tentativas de o homem escravizar o próprio homem. passa o indivíduo a ser o arquiteto da sua própria vida. Neste estágio evolutivo.

embora possa entravar-lhe a liberdade de exprimi-lo. mais amplas se tornam as garantias individuais no que tange à inviolabilidade do foro íntimo. porquanto ninguém pode domar o pensamento alheio. sem barreiras. incide-se em crime passível de cerceamento daquele direito. Daí em diante já não precisará do constrangimento e da autoridade social para corrigir-se. é dever de cada ser humano libertar-se do cárcere de sombra e dor. E dá-se com a coletividade o que se dá com o indivíduo. determinado onde começa a do próximo. perante Deus. portanto. especialmente a liberdade de pensar. lei moral. falar e agir.” Logo. eterna e universal que não emana nem do poder de uma casta. Somente por ela pode o homem gozar de liberdade absoluta. ainda pela inferioridade e imperfeição de nossa civilização. desde que essa concessão subentenda o respeito aos direitos semelhantes do próximo. A liberdade de pensar é sempre ilimitada. em nossas relações com os nossos semelhantes. que lhe são externas. mais ou menos puros e elevados. Evidencia-se bem distinta a liberdade de pensar e de agir. “A toda criatura é concedida a liberdade de pensar. em todas as suas modalidades evolui. mas não os costumes de um povo livre. isto é. a cada geração que surge. a última padece de extensas e profundas limitações. pois que não há como pôr lhe peias. a liberdade de expressão. não pela cor da epiderme ou do sangue. Por conseguinte. nem da vontade das multidões. terá atingido o ponto moral em que o homem se possui.” Quando muito. tenta-se conter a manifestação exterior do pensamento. só existe uma espécie de homens e que. como acontecia nos tempos da Inquisição ou Santo Ofício. seja por parte das leis humanas. ocupando pontos diversos na escala da evolução pela qual todos subimos. nada devemos esperar deles. na sua capacidade de irradiação e de discernimento. porém. “Assim sendo. Assim ensinam os Espíritos ao responderem que “no pensamento goza o homem de ilimitada liberdade. Na verdade. que não esteja em relação com seu grau de adiantamento. digno de liberdade se aprendeu a obedecer a lei interna. tem-se a aparência. é preciso nos lembremos constantemente disto: Os homens são viajantes em marcha. menos dificuldade encontra o homem para pensar sem obstáculos e. Pela ação da lei do progresso. LIBERDADE DE PENSAR E DE CONSCIÊNCIA A liberdade de pensamento e de ação constituem atributos essenciais do Espírito. o Espírito só está verdadeiramente preparado para a liberdade no dia em que as leis universais. as liberdades não passam de um logro. À medida que um Espírito progride. pois atualmente já não vivemos na época do “crer ou morrer”. Tudo o que se eleva para a luz eleva-se para a liberdade. sem dúvida nenhuma através da Justiça Divina. 101 Coube ao Cristianismo mostrar que. mas de um Poder mais alto. eles o são. mas pelo Espírito. Se há algo que escapa a qualquer opressão é a liberdade de pensamento. “Em todas as relações sociais. . outorgados por Deus ao criá-lo. se tornem internas e conscientes pelo próprio fato de sua evolução. da prisão sem barras em que se mantém e desenvolver as asas de luz das virtudes que lhe possibilitarão o voo definitivo da liberdade sem limites”. Desde que o uso da faculdade livre engendre sofrimento e coerção para outrem. de século para século. Um povo só é verdadeiramente livre. pela melhor compreensão que tenham das coisas e principalmente pela bondade que imprimam em seus atos. não aniquilá-lo. nada devemos exigir. Pode-se lhe deter o voo. desenvolve-se lhe o senso de responsabilidade sobre seus atos e pensamentos. Apesar de a liberdade de pensar ser ilimitada. Ninguém consegue aprisionar o pensamento de outrem . a liberdade. aprisionando-o. domina e governa a si mesmo. O limite da nossa liberdade está. Sem a disciplina moral que cada qual deve impor a si mesmo. No dia em que ele se compenetrar da lei e fizer dela a norma de suas ações. ela depende do grau evolutivo de cada Espírito. pois enquanto a primeira se exerce com maior amplidão. ou seja.

as moléstias. o cerco das tentações. são vedados. O homem é. didaticamente. que excetuando-se os Espíritos puros. • No estado corpóreo: consiste na faculdade de ceder ou resistir aos arrastamentos a que estamos submetidos. O livre-arbítrio foi talvez a grande conquista do princípio inteligente em sua jornada evolutiva. sendo o homem mero joguete nas mãos do destino. as dificuldades existentes na sua vida são provas e expiações que veem muitas vezes como consequência do uso incorreto do livre-arbítrio em existência anteriores. o conhecimento e o discernimento entram em junção nas forças do destino. As dores. O livre-arbítrio. sua existência está também submetida à determinada característica de acordo com o mapa de seus serviços e provações na Terra e. dentro desse . como no período da infância e na loucura. tem igualmente a de agir. em todos os outros o livre-arbítrio é uma faculdade sempre limitada. as almas mais inferiorizadas terão uma faixa de escolha mais limitada. contrários à ordem geral que regem a evolução das criaturas. por sua vez. Assim sendo. o livre-arbítrio será diretamente proporcional à evolução intelecto-moral da criatura. separa o livre-arbítrio em: • No estado de Espírito: consiste na escolha da existência e das provas. As condições sociais. Entre elas. Lembra. através dele. É o mineral obedecendo às leis invariáveis de coesão e o vegetal respondendo. Sem o livre arbítrio. Kardec. os dissabores. o livre-arbítrio pode momentaneamente ser retirado do homem. De acordo com essa maneira de pensar todos os acontecimentos foram irrevogavelmente fixados de antemão. Na medida em que a nossa liberdade termina onde se inicia a liberdade do outro. Os Espíritos mais evoluídos o possuem em grau maior. são circunstâncias da existência do homem. delineado pela individualidade em harmonia com as opiniões de seus guias espirituais antes da reencarnação. Em outras condições. 102 LIVRE-ARBÍTRIO E DETERMINISMO Determinismo ou Fatalismo é uma doutrina segundo a qual todos os fatos são considerados como consequências necessárias de condições antecedentes. podendo gerenciar as suas decisões e a sua vida. um determinismo que norteará a vida do homem. embora nos reconheçamos subordinados aos efeitos de nossas próprias ações. pois. André Luiz assim se manifesta: “Nas esferas primárias da evolução. “Se o homem tem a liberdade de pensar. para escolher o tipo de vida que procura levar. livre para agir. aos princípios organogênicos (como se desenvolvem os órgãos). Embora o homem esteja subordinado ao seu livre-arbítrio. está a sua vontade soberana. os ambientes viciosos. não podemos ignorar que o comportamento de cada um de nós. tornou-se o Espírito responsável pelos seus atos. o determinismo pode ser considerado irresistível. POSIÇÃO ESPÍRITA O Espiritismo nos ensina que não há um fatalismo absoluto. é a concepção doutrinária que afirma que o homem dispõe sempre da liberdade de escolha. no entanto. que já atingiram a perfeição que lhes é possível. conferindo ao Espírito as responsabilidades naturais que deve possuir sobre si mesmo. porém.” Allan Kardec. Por isso. na consciência humana a razão e a vontade. fiel. pois. o homem seria máquina. certos atos.

pode ser traduzido como a consequência de nossa conduta prévia. pode significar liberação abreviada ou cativeiro maior.Richard Simonetti • Leis Morais da Vida .Allan Kardec • Ação e Reação . 2) Livre-Arbítrio. Bibliografia • O Livro dos Espíritos .André Luiz/Chico Xavier • A Constituição Divina . decorrente de nossa própria conduta. é sempre relativo.Rodolfo Calligaris . construímos o nosso destino. 3) O determinismo.Joanna de Ângelis/Divaldo Franco • Leis Morais . também relativo. CONCLUSÕES 1) Pelo uso do livre-arbítrio. 103 determinismo relativo. na fase evolutiva em que nos encontramos. agravo ou melhoria em nossa condição de almas endividadas perante a Lei”. que pode ser de dores ou de alegrias.

ninguém o pode conceber sem o infinito das perfeições. Assim. pela sua prudência. há. não havendo uma só ação. ao encarnar. conservando o livre-arbítrio quanto ao bem e ao mal. o Espírito. o bem e o mal são rigorosamente considerados. o livre-arbítrio existe para ele. portanto. quando no estado de Espírito. não havendo uma só ação. Há fatalidade. na faculdade de ceder ou de resistir aos arrastamentos a que todos nos temos voluntariamente submetido. e se esta causa não se encontra na vida presente. instituiu para si uma espécie de destino. Ele necessariamente tem todo o poder. Ele pode. desta ou daquela prova para sofrer. a fatalidade não é uma palavra vã. um só bom movimento da alma que se perca. assim. A questão do livre-arbítrio se pode resumir assim: O homem não é fatalmente levado ao mal. expiação ou missão. quer pelo meio onde se ache colocado. Desde que admita a existência de Deus. os atos que pratica não foram previamente determinados. Contudo. toda a justiça. é sempre senhor de ceder ou de resistir. por isso que constituem tais ações um começo de progresso.CAUSA E EFEITO (Continuação do Capítulo XXVII) Haverá fatalidade nos acontecimentos da vida. nos acontecimentos que se apresentam. as vicissitudes da vida derivam de uma causa e. não pode agir caprichosamente. PENA DE TALIÃO Sendo infinita a Justiça de Deus. que é a consequência mesma da posição em que vem a achar-se colocado. 104 CAPITULO XXVIII LEI DE LIBERDADE . o bem e o mal são rigorosamente considerados. não podemos deixar de admitir que esse efeito tem uma causa. Vemos. sem o que não seria Deus. que há uma relação de causalidade entre o mal que praticamos e o mal que sofremos depois. neste caso. mesmo para os mais perversos. um só bom movimento da alma que se perca. Se é soberanamente bom e justo. conforme ao sentido que se dá a este vocábulo? Quer dizer: todos os acontecimentos são predeterminados? E. que lhe são inerentes. um só pensamento mau que não tenha consequências fatais. um só pensamento mau que não tenha consequências fatais. como encarnado. para que possa merecer uma expiação. . Isso o de que cada um deve bem compenetrar-se. quer pelas circunstâncias que sobrevenham. porque em todas as coisas a causa deve preceder ao efeito. Se admitimos a Justiça de Deus.. mas será sempre livre de agir ou não agir. visto ser possível ao homem. pois. nem com parcialidade. pois que Deus é justo. pois. na contabilidade divina. escolher uma existência em que seja arrastado ao crime. toda a bondade. Existe na posição que o homem ocupa na Terra e nas funções que aí desempenha. deve achar-se antes desta. Sendo infinita a justiça de Deus. Pode deixar de haver fatalidade no resultado de tais acontecimentos. ao fazer a escolha da existência e das provas e. O prejuízo que impomos ao semelhante é débito em nossa conta. como não há uma única ação meritória. que vem a ser do livre-arbítrio? A fatalidade existe unicamente pela escolha que o Espírito fez. Falo das provas físicas. pelo que toca às provas morais e às tentações. modificar-lhes o curso. como não há uma única ação meritória. Logo. por prova e por expiação. os crimes que comete não resultam de uma sentença do destino. justa há de ser essa causa. A Justiça e Bondade Divinas estão evidentes nas manifestações da lei de causa e efeito. Escolhendo-a. por serem estes consequência da escolha que o Espírito fez da sua existência de homem. Ele sofre fatalmente todas as vicissitudes dessa existência e todas as tendências boas ou más. necessidade de a alma já ter vivido. em consequência do gênero de vida que seu Espírito escolheu como prova.

que preconizam “dente por dente” e “olho por olho”.Allan Kardec • Ação e Reação .Bezerra de Menezes/Yvonne Pereira • Espiritismo.Allan Kardec • Céu e Inferno . o perispírito. em sofrimentos correspondentes.Allan Kardec • O Evangelho Segundo o Espiritismo . é oportuno lembrar que não devemos confundir a lei de causa e efeito com a pena de Talião ou com a legislação de Moisés.Richard Simonetti . As sanções divinas não dependem do concurso humano. não necessariamente idênticos. refere-se tanto à manifestação da justiça. reportam-se ao fato de que receberemos de volta todo o mal que praticarmos. nesta mesma existência ou em existências futuras. 105 Entretanto. ou Paulo proclama que tudo o que semearmos colheremos. Quando Jesus afirma que quem usa a espada com a espada perecerá. uma nova era . A lei de causa e efeito. Bibliografia • O Livro dos Espíritos . decorrentes das infrações cometidas contra a Lei de Liberdade.Eliseu Rigonatti • Dramas da Obsessão . Todo prejuízo causado ao semelhante provocará desajustes em nosso corpo espiritual. bondade e misericórdia divinas quanto à necessidade evolutiva do ser humano de reparar erros cometidos. o que equivaleria à sua perpetuação. os quais.André Luiz/Chico Xavier • Vidas de Outrora . se manifestarão na forma de males redentores. segundo o entendimento espírita.

quando preciso for. os seus limites de liberdade. à . confessando. pareceria. ou seja. infelizmente. Nem sempre. ainda existe tanto desrespeito às leis e aos direitos humanos. na Idade Média. os homens se respeitariam mutuamente. Não haveria desrespeito algum entre os homens. a lei de justiça estaria sendo aplicada em sua plenitude. professariam a crença para a qual estivessem inclinados sem embargarem ou criticarem a crença dos demais. estejam presentes ou ausentes. igualmente. por exemplo. em dada circunstância. eles estabeleceram direitos mutáveis com o progresso das luzes. Respeitar as ideias e as pessoas de todos os nossos irmãos. a sua qualidade religiosa. Cooperar com os poderes constituídos e as organizações oficiais empenhando-se. Perante as leis. executariam as leis e normas que regem a vida em sociedade com precisão e naturalidade. decerto que nos reprova perante alguém. acrescentado que duas coisas determinam esses direitos: “a lei humana e a lei natural”. Demais. as leis mais justas. A Seara de Jesus pede trabalhadores decididos a auxiliar. Cada Espírito responde por si mesmo. pretender conduzir alguém ou alguma instituição. Segundo os Espíritos na Codificação “A justiça consiste em cada um respeitar os direitos dos demais”. em circunstância idêntica. Estimar e reverenciar os irmãos de outros credos religiosos. Em nenhuma circunstância. sempre. nos dias atuais. de Amor e de Caridade. principalmente através da boa reputação e da honradez que lhe adornam o caráter. e por este motivo. algo inconcebível. sejam eles nossos vizinhos ou não. a convivência humana mais pacífica. os vínculos sociais entre as criaturas seriam mais consolidados. trate o homem de saber como quereria que com ele procedessem. esse direito regula apenas algumas relações sociais quando é certo que. 106 CAPITULO XXIX LEI DE JUSTIÇA AMOR E CARIDADE RESPEITO ÀS LEIS. fazendo que cada um deseje ver respeitados os seus direitos. Na incerteza de como deva proceder com o seu semelhante. sem nunca descer ao charco da leviandade que gera maledicência. Quem reprova alguém conosco. apesar de ser justa e natural naquela época. Guia mais seguro que a própria consciência não lhe podia Deus haver dado. Isto no que diz respeito à lei humana. Tudo isto ocorreria e muitas outras coisas mais. Com a prática deste ensinamento evangélico. agir cordialmente com respeito e fraternidade legítimas. dessa ou daquela prática religiosa. no âmbito dos próprios recursos. na vida particular. Suprimir toda crítica destrutiva na comunidade em que aprende e serve. cada qual compreenderia os seus direitos. na melhoria das condições da máquina governamental. é acorde com a justiça o direito que os homens prescrevem. Neste ensinamento está resumida a lei de Justiça. com relação à lei natural disse-nos. No coração do homem imprimiu Deus a regra verdadeira da justiça. Jesus: “Queira cada um para os outros o que quereria para si mesmo”. há uma imensidade de atos unicamente da alçada do “tribunal da consciência”. tal não acontece. Perdoar sempre as possíveis e improcedentes desaprovações sociais à sua fé. ÀS RELIGIÕES E AOS DIREITOS HUMANOS Falou-nos Jesus: “Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos: se vos amardes uns aos outros”. Num sentido amplo. se nos amássemos uns aos outros. desinteressadamente. Isto porque “tendo os homens formulado leis apropriadas a seus costumes e caracteres. as religiões e demais direitos humanos devemos.” Uma lei na sociedade vivente. pois.

mas a maneira por que habitualmente é dada. concordem. O homem verdadeiramente bom procura elevar aos seus próprios olhos aquele que lhe é inferior. São aquelas que dificultam o progresso. em respeitar a dos outros. que se apoiavam nas claras lições do Evangelho. Não que a esmola mereça reprovação. Nada exprime com mais exatidão. Não poderia o Espiritismo provar melhor a sua origem. Sem dúvida. sobre cuja base as construções elevadas do Espírito encontram firmeza para desdobrarem atividades enobrecidas em prol de todas as criaturas. como o orgulho e o egoísmo e todas as demais paixões e imperfeições características de Espíritos em vias de melhoria moral. benevolência para com todos. Uma sociedade que se baseie na lei de Deus e na justiça deve prover à vida do fraco. porque os que a houverem praticado acharão graças diante do Senhor. ou seja. esta doação externa. que são a questão matriz fomentadora dos legítimos direitos humanos. depois de aprofundar a meditação em torno dos ensinamentos dos Espíritos Superiores. sejam eles inferiores. sobre qualquer aspecto considerado. perdão das ofensas. nunca o homem se transviará. isto porque. não se restringe à esmola. A resposta à questão 886 de O Livro dos Espíritos fala-nos a respeito do verdadeiro sentido da palavra caridade como a entendia Jesus. O homem de bem. a responsabilidade resulta do amadurecimento pessoal em torno dos deveres morais e sociais. por isso que é um reflexo do mais puro Cristianismo. a caridade excede. 107 humilhação e ao ridículo. quando consubstanciado em dádiva oportuna ao que padece tal ou qual aflição. Essa divisa é o fecho celeste. pois. segundo Jesus. Com relação à fé religiosa das pessoas ninguém pensa em lhes violentar a crença. Levando-a por guia. A caridade. A caridade. porque à sombra desse estandarte eles viverão em paz. estão encerrados os destinos dos homens. concluiu com sabedoria que “Fora da Caridade não há salvação”. Ela nos prescreve a indulgência. indulgência para as imperfeições dos outros. sem que haja para ele humilhação. e nos proíbe que humilhemos os desafortunados. Vulgarmente confundida com a esmola. no céu. sendo virtude por excelência constitui a mais alta expressão do sentimento humano. abrange todas as relações em que nos achamos com os nossos semelhantes. vai ao encontro do necessitado sem esperar que este lhe estenda a mão. Para fim de estudo é preciso que se estabeleça a diferença entre Caridade. na Terra e no Céu. encaminhando-se para a Terra da Promissão. contrariamente ao que se costuma fazer. porque de indulgência precisamos nós mesmos. A caridade que se restringe às ofertas transitórias pode ser confundida com filantropia. A CARIDADE SEGUNDO A DOUTRINA ESPÍRITA Allan Kardec. são aquelas vinculadas à própria imperfeição humana. dando início a uma nova concepção religiosa. Podemos então concluir que as causas que geram os desrespeitos humanos. diminuindo a distância que os separa. nada resume tão bem os deveres do homem. nossos iguais ou nossos superiores. na Terra. Na sentença “Fora da Caridade não há salvação”. valioso é todo gesto de generosidade. do que a apresentando como regra. À medida que o homem progride moralmente amplia sua liberdade e acresce-lhe o senso de responsabilidade. como essa máxima de ordem divina. a luminosa coluna que guia o homem no deserto da vida. Esmola e Filantropia. que compreende a caridade de acordo com Jesus. esse ato de amor fraterno e humano que identifica certos homens ao destinarem altas somas que .

porque a caridade que Jesus ensinou. por aqueles que se embrutecem e retardam sua evolução espiritual à custa de atos criminosos.. deve ser impregnada de indulgência e benevolência para com as faltas dos próximos. não se caracteriza pelo sentimento cristão. as quais o perdão e a misericórdia serão concedidos. da Arte. bem sentida e vivida.. devemos. do mesmo jeito que os Espíritos superiores nos amparam e nos sustentam nas lutas humanas. A caridade. por nossa vez. Devemos amar os necessitados. pelo Senhor. De conformidade com os ensinamentos evangélicos. que necessitam do nosso amor e da nossa piedade.André Luiz . mais cedo ou mais tarde. amparar aqueles nossos irmãos de Humanidade. visto que todos somos filhos de um mesmo Pai e. quando se arrependerem das suas faltas.Allan Kardec • Evangelho Segundo o Espiritismo . independe da fé. devemos ver os criminosos como doentes. os criminosos como criaturas de Deus que são. Bibliografia • O Livro dos Espíritos . A Caridade é. 108 se aplicam em obras de incontestável valor. Evitemos julgar as ações cometidas por esses companheiros ajudando-os naquilo que nos for possível. A filantropia.Allan Kardec • Conduta Espírita . financiando múltiplos setores da Ciência. brotando em qualquer indivíduo. e que o Espiritismo corrobora. sobretudo cristã. não obstante os valiosos tributos de que se reveste. é irreligiosa. Finalmente. do Humanismo. da Higiene. Para a legítima caridade é imprescindível à fé. considerados criminosos. devemos amar e orar pelos caídos.Waldo Vieira . estabelece verdadeira fraternidade entre os homens.

sucessivamente. desfruta em sua plenitude as alegrias inerentes à vida humana. esses belos planetas superiores para os quais os vossos esforços e as vossas tendências vos farão um dia gravitar. iludem-se e enganam aqueles que os ouvem. Basta lembrar que está demonstrado. . pois que ouvimos constantemente. de preparar para as futuras gerações um mundo em que felicidade não seja mais uma palavra vã. que por um ano. em todas as posições sociais. Neste mundo. são condições essenciais da felicidade. no vosso turbilhão. nem a fortuna. do progresso realizado podeis facilmente deduzir o que será o progresso futuro. e que somente nela. a cuja perseguição se lançam as gerações. além. pois. as novas e mais fecundas melhoras que virão. 109 CAPITULO XXX FELICIDADE E INFELICIDADE RELATIVAS Não sou feliz! A felicidade não foi feita para mim! Exclama geralmente o homem. um mês. meus queridos filhos. À obra. Isto prova. sem jamais a alcançarem. que já deu início à vossa própria regeneração. por uma experiência multissecular. pois. pode afirmar-se que a felicidade é uma utopia. não se deduza das minhas palavras que a Terra esteja sempre destinada a servir de penitenciária. Foi por isso que Deus semeou. no seio das classes privilegiadas. todo o resto da existência se passa numa sequência de amarguras e decepções. em que o Espírito do homem. É um dever fazer vossos irmãos participarem dos raios dessa luz sagrada. é forçoso admitir que existem. lhe é permitido alcançar o mais elevado grau de felicidade que a sua natureza comporta. e que cada um dentre vós se despoje energicamente do homem velho. Não. Com efeito. Num sentido geral. desses que são invejados pelas massas populares. pessoas de todas as idades lamentarem amargamente a sua condição de existência. Assim. seu quinhão de sofrimento e desengano. Porque. a verdade desta máxima do Eclesiastes: “A felicidade não é deste mundo”. Diante disso. moradas mais favorecidas. se a morada terrena se destina a provas e expiações. meus caros filhos. ainda prisioneiro de um corpo material. Consequentemente. os que pregam que a Terra é a única morada do homem. nem mesmo a juventude em flor. e numa única existência. E notai. Digo mais: nem mesmo a reunião dessas três condições. nem o poder. e das melhoras sociais já conquistadas. Aquilo em que consiste a felicidade terrena é de tal maneira efêmera para quem não se guiar pela sabedoria. que um santo estímulo vos anime. por certo! Porque. o homem realmente feliz não se encontra com maior facilidade. Não obstante. que este globo só excepcionalmente reúne as condições necessárias à felicidade completa do indivíduo. Entregai-vos inteiramente à vulgarização desse Espiritismo. meus caros filhos! Que nesta reunião solene. Essa é a tarefa imensa que deve ser realizada pela nova doutrina que os Espíritos vos revelaram. é inconcebível que as classes trabalhadoras invejem com tanta cobiça a posição dos favorecidos da fortuna. tão cobiçadas. portanto. melhor que todos os raciocínios possíveis. se o homem sábio é uma raridade neste mundo. todos os vossos corações se voltem para esse alvo grandioso. cada qual tem a sua parte de trabalho e de miséria. quando estiverdes suficientemente purificados e aperfeiçoados. Pelo que é fácil chegar-se à conclusão de que a Terra é um lugar de provas e de expiações. seja quem for. uma semana de completa satisfação. meus caros filhos que estou falando dos felizes da Terra. Assim.

• A fé no futuro. 110 A MEDIDA DA FELICIDADE Allan Kardec apresenta dois conceitos de felicidade: absoluta e relativa. A felicidade que nós é possível. Bibliografia • Evangelho Segundo o Espiritismo . a consciência pura e a fé no futuro”.Allan Kardec . A felicidade absoluta. Quando indaga aos Benfeitores quanto à medida comum de felicidade a todos os homens.Allan Kardec • O Livro dos Espíritos . a posse do necessário. no presente estágio evolutivo. inalterável e incompreensível para nós. eles desfrutam da completa felicidade. • A consciência tranquila. segundo o codificador. Não possuindo imperfeições e necessidades físicas e não estando mais na dependência das reencarnações provacionais ou expiatórias. é atributo dos Espíritos Superiores. para a vida moral. é sempre relativa às nossas condições intelecto-morais e nosso posicionamento ante a vida. aqueles Espíritos que alcançaram a soma completa das virtudes. CONDIÇÕES PARA A FELICIDADE: • A posse do necessário à vida material. Allan Kardec tem a seguinte resposta: “Para a vida material.