Você está na página 1de 12

1

SISTEMA DE PRODUÇÃO

Adotando uma abordagem sistêmica para nosso curso, podemos considerar que todo processo ou procedimento cujo objetivo é transformar um conjunto de entradas em um conjunto específico de saídas é um sistema de produção. Como todos os sistemas, o de produção é dividido em três partes fundamentais:

Entradas, Processo e Saídas.

Entradas

São definidas como aqueles elementos que constituem os Custos Variáveis. Tais custos são considerados por unidades produzidas. Exemplos típicos seriam o de custo da mão de obra, materiais diretos, energia e outros que podem ser apropriados a cada unidade produzida, sendo portanto proporcionais ao volume de produção.

Processo

Constituído basicamente pela fábrica e as instalações, que irão formar os custos fixos. Esses custos são aqueles que não variam com o volume da produção. Acontecem, em função do tempo e são medidos por períodos. Por exemplo, o aluguel, os impostos municipais, os juros sobre financiamentos, a depreciação (quando é feita em função da vida do equipamento), a remuneração do capital investido e outros.

Saídas

Os produtos ou serviços desejados são considerados as saídas do nosso sistema que irão proporcionar a Receita, a qual é proporcional ao volume de produção, com referência a um determinado período.

2

Esquematicamente

Entradas

Processo

Saída

mão de obra

mão de obra

   

Fábrica

Produtos

Produtos

Matéria Prima

Matéria Prima Energia

Energia

Instalações

Serviços

Serviços

Custos Variáveis

Custos Fixos

Receita

O processo pode ser bastante complexo do ponto de vista tecnológico, vários tipos de entradas podem ser necessários e uma variedade de saídas poderá ocorrer, porém o conceito de transformar um conjunto de entradas para se obter um conjunto de saídas não é complicado.

Gráfico do ponto de Paridade (Break even Point)

As funções, serão consideradas lineares, o que torna o modelo de interesse teórico, porém, bastante ilustrativo para relacionar os três fatores considerados, descrevendo adequadamente várias situações. Na ordenada (eixo y) temos a escala de cruzeiros onde podemos medir, os custos fixos variáveis, totais e a receita. Na abcissa (eixo x) pode ser constituída em termos de volume de produção, ou seja, o número de unidades produzidas em determinado espaço de tempo. Não sendo difícil transformar esses valores em porcentagens da Capacidade de produção do produto.

3

100000 90000 80000 70000 60000 CF CV 50000 CT R 40000 30000 20000 10000 0
100000
90000
80000
70000
60000
CF
CV
50000
CT
R
40000
30000
20000
10000
0
0
2000
4000
6000
8000
10000
12000

Gráfico 1 A linha nº 1 representa os custos fixos, como o gráfico representa um determinado período de tempo, a parte fixa, como é esperado, não varia em função da quantidade da produção, o custo fixo é constante para qualquer quantidade produzida, pelo nosso gráfico exemplo, seu valor é de $20.000,00. A linha nº 2 representa o custo variável, que aumenta de uma maneira crescente e proporcional com o aumento de volume de produção, representando, como já foi dito, as entradas de nosso sistema de produção. Tem seu início na origem, ou seja, quando a quantidade produzida for zero, o custo variável também será zero.; ou seja

Quando

Q

=

0

CV

=

0

Por outro lado, o custo variável unitário é representado no gráfico pelo ângulo cuja tangente é numericamente igual ao custo variável unitário. Em nosso exemplo, teríamos que para produzirmos 6.000 unidades o custo variável seria de $ 33.000,00 então o custo variável unitário seria:

$33.000,00

CVu =

6.000

ou termos de gráfico.

= $5,50

,
,

4

 

AB

$33.000,00

tg

=

=

=

= $ 5,50

= CVu

 

BC

6.000

Para produzirmos 10.000 unidades o custo variável seria igual a 55.000 ou

em termos de gráfico teríamos:

tg

=
=

A’B’

B’C’

$ 55.000,00

=

10.000

= $ 5,50 = CVu

O custo variável unitário é sempre o mesmo para uma dada capacidade de

produção da empresa, pois para cada unidade de um particular item que fabricamos, uma

certa quantidade fixa de mão de obra e materiais, é necessária para produzir aquela

unidade.

Sendo que o custo variável correspondente a uma produção de Q peças seria:

CV = Q

x CVu

A linha 3 é a linha dos custos totais que é a soma dos custos fixos mais os custos

variáveis ou seja:

Ct a

=

CF

+

CV

ou

Ct a

=

CF

+

Q . CVu

O custo total está relacionado com um período de tempo devido a parcela do custo

fixo e com a quantidade produzida devido a parcela do custo variável.

No gráfico a linha dos custos totais é paralela a dos variáveis, com uma distância

igual a do valor do custo fixo.

Assim no gráfico exemplo o custo total para 6.000 unidades é:

CT = 20.000,00 + 33.000,00 = 53.000,00Para 10.000,00

unidades:

CT = 20.000,00 + 55.000,00 = 75.000,00

Observando o gráfico percebe-se que quando a quantidade produzida é nula então

o custo total é igual ao custo fixo ou para

Q

=

0

CT

=

CF

5

A quarta linha seria a da receita representando quantitativamente as saídas, é

como a linha do custo variável, aumenta de uma maneira crescente e proporcional ao

volume de produção. Passando também pela origem, o que quer dizer que quando a

produção é nula a receita será nula.

A inclinação da linha da receita, dependerá do preço unitário do produto, e que no gráfico

é representado pela tangente do ângulo

e que no gráfico é representado pela tangente do ângulo , ou seja, Pu = tg

, ou seja,

Pu = tg
Pu
=
tg

quanto maior for o ângulo maior será sua tangente e portanto maior o preço unitário.

No exemplo, quando a empresa produz 12.000 unidades, sua receita será de $ 96.000,00, ou seja, seu preço unitário seria de:

Pu

96.000,00

=

12.000

= 8,00

Pelo gráfico teríamos:

 

DF

96.000,00

tg

tg = = = 8,00

=

=

= 8,00

 

FG

12.000

Em nosso exemplo essa seria a receita máxima que a firma poderia auferir com o

produto em questão pois está trabalhando em sua capacidade máxima de produção.

Foi considerado também que a empresa vende sua produção por um preço unitário

constante qualquer que seja a quantidade, não sendo considerada a situação que o

mercado pode tornar-se saturado, e seria necessário que a empresa reduza seu preço

para obter uma parcela maior no mercado existente. Por enquanto essa observação não

nos interessa, em outro capítulo, consideraremos a situação da linha da receita não ser

linear.

6

Análise do Ponto de Paridade

O ponto de intersecção das linhas do custo total e da receita representam a

quantidade produzida onde o custo total é igual a receita. Assim nesse nível de produção

são cobertos pela receita todos os custos da companhia sem haver prejuízo ao lucro.

100000

80000

60000

40000

20000

0

CT R 0 2000 4000 6000 8000 10000 12000
CT
R
0
2000
4000
6000
8000
10000 12000

Gráfico 2

Em nosso exemplo esse ponto representa uma quantidade de 8.000 unidades e um custo total igual a 20.000,00 + 8.000 x 5,50 = 64.000,00

CF

CV

Isso significa que para um volume de produção em um determinado período

inferior ao ponto de paridade a empresa terá prejuízo e consequentemente se a produção

no período for superior a quantidade do ponto de paridade então a empresa terá lucro.

Essa situação está mostrada no gráfico 2, sendo o prejuízo pela área pontilhada a

esquerda do ponto de equilíbrio e o lucro pela área tracejada do ponto de equilíbrio.

7

Determinação Algébrica do Ponto de Paridade

Consideramos a seguinte nomenclatura:

R = Receita bruta para um período de tempo T.

Pu = Preço unitário - presumindo-se que o mercado absorverá toda produção

ao

mesmo preço.

Q

=

Número de unidades produzidas no período T e portanto volume de

vendas no período T.

CF = Custo fixo para o período T.

CVu = Custo variável por unidade produzida dentro da capacidade de produção considerada, pode ser tambem entendido como o custo para produzir uma unidade a mais

CT = Custos totais no período T.

L = Lucro Total no período T (lembrando que prejuízo é um lucro negativo).

Receita de um período T :

 

R

=

Q

x

P u

 

I

Custo total de um período T:

 

CT

=

CF

+

Q . CVu

II

Lucro do período T, obtido pela diferença:

 

L

=

R

-

CT

 

III

Substituindo os valores de R e de I e de CT de II temos:

L = Q*Pu

-

CF

- Q.*CVu

Colocando Q em evidência temos:

L =

Q (Pu

- CVu)

-

CF

8

O ponto de paridade (P) corresponde a uma certa quantidade que iremos

denominar de Qp que torna o lucro igual a zero, ou a receita igual ao custo total assim teremos:

a zero, ou a receita igual ao custo total assim teremos: 0 = CF Q p

0

=

CF

Q p

=

Q p

Pu

- CVu

-

(Pu

- CVu)

CF

assim teremos: 0 = CF Q p = Q p Pu - CVu - (Pu -

Q p =

Em nosso exemplo onde:

CF = 20.000,00

CF

Pu

- CVu

 

20.000,00

Pu

= 8,00

Q p

=

= 8.000 unidades

 

8,00 - 5,50

CVu = 5,50

Contribuição Unitária

É aquele valor do preço que excede o custo variável unitário, servindo portanto

para cobrir os custos fixos e formar o lucro. Então contribuição unitária vem a ser a

diferença entre o preço unitário e o custo variável unitário:

Cu

=

Pu

- CVu

A contribuição unitária multiplicada pela quantidade do ponto de paridade dá como resultado o custo fixo, ou seja, em nosso exemplo:

Cu

= 8,00

- 5,50

Q 0 = 8.000

= 2,50

2,50 x 8.000 = 20.000,00 = CF

No caso da produção no período ser superior a quantidade do ponto de paridade o

excedente desse valor multiplicado pela contribuição unitária forma o lucro no período.

Por exemplo par a Q = 10.000 unidades, sabemos que 8.000 serão produzidas para pagarem os custos fixos e o excedente 2.000 irão formar o lucro que o caso seria de:

L

= 2.000

x 2,50

= 5.000,00

9

Se a produção no período for inferior a quantidade de paridade, então estamos em

situação de prejuízo que será igual ao custo fixo menos a quantidade produzida pela

contribuição.

Por exemplo:

Q = 4.000 unidades

P = 20.000,00 - 4.000 x 2,50 = 10.000,00

Margem de Contribuição

É a porcentagem da contribuição em relação ao preço de Venda

 

Pu

- CVu

CVu

Margem de contribuição =

= 1 -

 

Pu

Pu

Em nosso exemplo:

 

5,50

MC

= 1

-

MC = 1 - 0,31 ou seja

0,31 ou seja

 

8,00

31% do preço de venda representam a contribuição unitária do produto.

Receita de Paridade

Seria a receita no período considerada em que não teríamos lucro nem prejuízo. Partindo da expressão da quantidade de paridade teríamos:

Q p

=

CF

Pu

- CVu

Multiplicando ambos os membros por Pu, teremos:

 

CF

 

Pu

- CVu

Q p

x

Pu

=

 

Pu

Sendo que a quantidade do ponto de paridade multiplicada pelo Pu vem a ser a

é a margem de contribuição então temos

receita de paridade e como (Pu que :

-

Cvu) / Pu

 

CF

20.000,00

R p =

R p = = 64.000,00

=

64.000,00

 

MC

0,31

10

Processo Manual Versus Processo Automático

Na substituição de um equipamento visando diminuir custos variáveis, incorremos

em um aumento de custos fixos, caso típico de quando vamos automatizar um processo

manual .Será necessário conhecer qual a quantidade deverá ser produzida por período

para que haja vantagem do ponto de vista de lucro.

A quantidade que torna os dois processos com o mesmo custo total é denominada

quantidade equivalente Qe.

Para uma quantidade Q abaixo da equivalente o processo "manual" tem custo total

menor, sendo portanto mais vantajoso e para quantidades superiores a quantidade (Qe),

o processo "automático" seria mais indicado, pois tem custos total menor.

Determinando a Quantidade Equivalente: (Qe)

Sendo:

Ct m = Custo Total processo "Manual" para produzir Q unidades em um período.

Ct

= Custo Total processo "Automático", para produzir Q unidades em um período.

a

Para Q = Qe

ou

para produzir Q unidades em um período. a Para Q = Qe ou   Ct m
 

Ct m

=

Ct

a

Cf m

+

Q e . CVu m

 

=

Cf a

+

Q e

.

CVu a

Q e

.

CVu m

-

Q e

.

CVu a

=

Cf a

-

CF m

   

CF a

-

CF m

   
 
    Qe =
 

Qe =

   

CVu m - CVu a

Pela premissa adotada o custo fixo do processo "automático" sempre será maior

que o custo fixo do processo "manual" e o custo variável unitário do processo "manual"

será maior que o custo variável unitário do processo automático.

11

Exemplo

Um processo produtivo tem custo fixo de $120.000,00 por mês e custo variável unitario de $60,00 por unidade produzida. Estuda-se sua substituição por um processo automático que tem custo fixo de $300.000,00 por mês e custo variável unitário de $40,00 por unidade produzida

$300.000,00 - $120.000,00

de $40,00 por unidade produzida $300.000,00 - $120.000,00 Qe =   Custo Q Manual Automatico 0

Qe =

 

Custo

Q

Manual

Automatico

0

120000

300000

1.000

180000

340000

2000

240000

380000

3000

300000

420000

4000

360000

460000

5000

420000

500000

6000

480000

540000

7000

540000

580000

8000

600000

620000

9000

660000

660000

10000

720000

700000

11000

780000

740000

12000

840000

780.000

$60,00 - $40,00

Qe = 9.000unidades

12

em gráfico :

900.000 800.000 Manual Automatico 700.000 600.000 500.000 400.000 300.000 200.000 100.000 0 0 3000 6000
900.000
800.000
Manual
Automatico
700.000
600.000
500.000
400.000
300.000
200.000
100.000
0
0
3000
6000
9000
12000